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Numero do processo: 10980.923866/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.268
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhandoo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos com suposto direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido. Foi emitido despacho decisório de não homologação em razão de o DARF indicado como origem do direito creditório encontravase integralmente utilizado para a quitação de débitos, não restando saldo disponível. Ciente deste despacho a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alega que o crédito decorre da declaração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 23 86 6/ 20 09 -0 2 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.923866/200902 Resolução nº 3401001.268 S3C4T1 Fl. 3 2 inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF relativamente ao § 1º, art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998 (em sede de Recurso Especial). Relata que recolheu e declarou (na DCTF) COFINS do período, mas que devido à citada inconstitucionalidade surgiu para a empresa um indébito tributário dessa contribuição relativamente às receitas financeiras. Diz que utilizou o citado crédito na presente Dcomp e que os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB não o localizaram porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. A interessada, ainda, demonstra numericamente o crédito que diz possuir e argumenta que está amparada no art. 170 do CTN e que procedeu o aproveitamento do crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição/compensação. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, confirmando a nãohomologação da compensação declarada, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual, essencialmente, reitera a argumentação expressa na impugnação, adicionando planilhas e cópias de razões analíticos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.249, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 10980.910917/201061, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.249: O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.923866/200902 Resolução nº 3401001.268 S3C4T1 Fl. 4 3 Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS cumulativas, de que trata a Lei nº 9.718/98. A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por haver considerado nas bases de cálculo das contribuições sociais cumulativas, parcelas indevidas, em razão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Dcomp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Pois bem, entendo verossimilhantes as alegações e plausível o direito vindicado, quanto à possíveis efeitos da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista o julgamento do RE 585.235/MG, submetido a repercussão geral, do art. 543B, do CPC/1973, determinandose que a base de cálculo das contribuições sociais cumulativas seja o faturamento da empresa, assim considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). Já quanto aos fatos, insurgese a recorrente contra o fundamento da decisão recorrida de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; apresentando inícios de provas materiais, por meio de planilhas e cópias de razões analíticos. No Processo Administrativo Fiscal PAF, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, art. 16, §4º “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF relativamente ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não provado e inexistente o direito à repetição de indébito. Diante destas razões, posteriormente trazidas aos autos, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Do exposto, entendo presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, não havendo de se falar em Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.923866/200902 Resolução nº 3401001.268 S3C4T1 Fl. 5 4 preclusão de apresentação de prova documental nesse momento processual de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que inícios de provas materiais, as planilhas e as cópias de razões analíticos, por si sós, não são suficientes à quantificação e comprovação do direito creditório pleiteado. Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN. Com essas considerações, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federa, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontando nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluídos os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000023/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para emissão de parecer técnico sobre a metodologia aplicada nos Laudos apresentados, conforme voto do redator designado, vencidos os Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, relatora, e José Fernandes do Nascimento, que negavam provimento ao recurso voluntário e o Conselheiro Jorge L. Abud que dava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo
Relatório
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para emissão de parecer técnico sobre a metodologia aplicada nos Laudos apresentados, conforme voto do redator designado, vencidos os Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, relatora, e José Fernandes do Nascimento, que negavam provimento ao recurso voluntário e o Conselheiro Jorge L. Abud que dava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora (assinado digitalmente) Walker Araujo - Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para emissão de parecer técnico sobre a metodologia aplicada nos Laudos apresentados, conforme voto do redator designado, vencidos os Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, relatora, e José Fernandes do Nascimento, que negavam provimento ao recurso voluntário e o Conselheiro Jorge L. Abud que dava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 76 .0 00 02 3/ 20 10 -2 1 Fl. 663DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Tratase de retorno de diligência, nesse sentido, transcrevese o relatório da Resolução nº 3102000.269, Relator Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, fls. 476 e seguintes1: Tratase de Recurso Voluntário em que se busca a reforma do Acórdão 0931.111, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Ementa: LONA PLÁSTICA.CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Uma vez comprovado que a fabricação da lona plástica deuse a partir da utilização preponderante de polietileno, correto o posicionamento do Fisco ao localizar o referido produto na codificação 3920.10.90 da Tabela de Incidência do IPITIPI. PEDIDO DE PERÍCIA. É de se tomar por não formulado o pedido de perícia do qual estejam ausentes os requisitos exigidos pelo art.16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Relata a autoridade autuante que a recorrente enquadrara os produtos por ela industrializados em destaque (“ex”) da Tabela Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados e que, após as devidas verificações, restara demonstrado que tal destaque seria incabível. Segundo aponta, após a análise da fórmula e da lista de produtos apresentadas em resposta a intimação, concluíra a autoridade fiscal que os produtos seriam elaborados a partir de polietileno e que o produto denominado “reciclado”, responderia por mais de 90% das matériasprimas utilizadas na produção das lonas plásticas, produto fabricado pela recorrente. Narra a Autoridade Fiscal, ainda, que as notas fiscais de entrada demonstrariam que a maioria das compras efetuadas em 2005 e 2006 diriam respeito à aquisição de polietileno de baixa densidade, não tendo sido identificada nenhuma nota fiscal de polipropileno. Acrescenta, ademais, que, com base nas informações colhidas no sítio mantido pela autuada na internet, seria possível apurar que a autuada fabricaria lonas plásticas, empregadas em um vasto rol de aplicações como proteção, cobertura, silagem, forragem de poços de piscicultura. embalagem de objetos pontiagudos ou pesados, etc. Tal pesquisa exemplificaria, ainda, as dimensões das lonas plásticas fabricadas. Defende, nessa linha, que a impropriedade da classificação adotada pela recorrente: 3920.20.19 Ex 01, própria para a classificação de 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 4 3 “substrato de polipropileno biaxialmente orientado, recoberto em ambas as faces da folha por camadas de tinta opacificante que propiciam receber as impressões ofsete seco, calcográfica, tipográfica e vernizes de proteção com cura a ultravioleta”. Por outro lado, inobstante reconheça a correção do item eleito pelo sujeito passivo (3920), defende que em face das características dos produtos, segundo alega, elaborados a partir de polietileno de baixa densidade, caberia classificálo no subitem 3920.10.90, cujas saídas eram tributadas a 15%. Outra acusação formulada pelo Fisco diz respeito à apuração irregular de créditos, alegadamente decorrentes de aquisições a pessoa jurídica que se declarou inativa no período de expedição das notas fiscais e que não foi localizada no endereço indicado. Consta, ainda, do relatório fiscal que as notas fiscais não teriam recebido qualquer carimbo do Fisco Estadual, apesar do emitente se situar em estado diverso do da contribuinte. Narra ademais, que intimara a contribuinte a apresentar comprovantes da efetiva transferência dos recursos e que tal intimação não surtira efeito. Regularmente cientificada, comparece a autuada ao processo para, sinteticamente, arguir que: 1 O auto de infração seria nulo, pois teria sido lavrado por pessoa tecnicamente incompetente para discorrer acerca das características físicoquímicas do produto elaborado; 2 As conclusões acerca das características das matériasprimas utilizadas teriam se embasado exclusivamente em presunções; 3 A verificação da correta classificação dos produtos fabricados demandaria uma análise técnica específica, tarefa para a qual a autoridade fiscal não estaria qualificada; 4 Para a fabricação do produto por ela elaborado lona plástica de material reciclado empregaria todo o material reciclado que seja possível de se transformação, aí incluídos lixo industrial, sacolas plásticas, embalagens de alimentos, lixo doméstico, ou seja, uma diversidade de lixo plástico; 5 Consequentemente seria inviável identificar as características de suas matériasprimas, que incluiriam polietileno de alta, baixa e media densidade, linear, industrial, polipropileno, poliestireno e outros polímeros flexíveis, chamados de resinas termoplásticas. No processo de industrialização estes produtos seriam fundidos pelo calor e após este processo, a diferença entre os mesmos seria exclusivamente o seu peso molecular; 6 No processo de reciclagem os produtos seriam novamente aquecidos, ocasião em que ocorreria união entre cadeias de polietileno, polipropileno, poliestireno e outros. Na oportunidade, seriam ainda acrescidos aditivos, protetor uv, tintas e pigmentos. Conclui que não seria possível promover a identificação pretendida Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 5 4 pelo Fisco e que tal inviabilidade teria sido relatada no curso da ação fiscal; 7 Inobstante, no seu sentir, sem qualquer análise técnica, concluíra o Fisco que a classificação adotada estava incorreta e que a correta seria o código 3901.10.90. Tal conclusão teria sido extraída exclusivamente das notas fiscais de entrada apresentadas pela empresa, que na sua maioria, retratariam aquisições de polietileno de baixa densidade, classificados na posição 3901.10.91; 8 As conclusões, adotadas sem o apoio de laudo técnico, estariam completamente equivocadas, pois o termo polietileno constante nas notas fiscais de entrada referirseiam exclusivamente à nomenclatura usual do mercado de venda de lixo reciclado. Por questões práticas, ante a impossibilidade de se detalhar precisamente cada tipo de lixo plástico esta sendo adquirido, o termo é utilizado para designar todo material plástico reciclado; 9 A grande maioria das notas fiscais fariam referência à aquisição de polietileno reciclado, plástico reciclado e até mesmo polipropileno e não polietileno de baixa densidade, conforme mencionado pelo d. Fiscal; 10 O código 3901.10.91 seria próprio para a classificação de polímeros de etileno de forma primária, ou seja, “polietileno virgem”, que somente seria empregado em 0,1% do processo de industrialização; 11 No curso do procedimento fiscal que foi alvo do processo nº 13603.00.01081/200611, em teria sido formalizada exigência nos mesmos termos do presente, foi apresentado laudo técnico em que se demonstraria que tanto as matériasprimas quanto as lonas plásticas fabricadas não poderiam ser classificadas como polietileno. Seriam utilizados no processo de industrialização reciclados de polietileno e polipropileno, oriundos do lixo industrial, domiciliar e outros. O polietileno (polímero de etileno) virgem seria utilizado de forma ínfima. Afirma que exigência foi afastada pelo Conselho de Contribuintes, em decisão unânime e pleiteia que as peças daquele processo sejam trasladadas para o presente processo; 12 Ressaltaria, ainda, o Perito, em nota esclarecimento datada de 22/07/2008, que o termo polietileno reciclado referirseia a aparas de polietileno, polipropileno, PVC , PET e demais plásticos/polímeros, em percentuais variados, oriundos do lixo e de resíduos; 13 Os créditos decorrentes das notas fiscais emitidas pela empresa Queop’s Comércio de Embalagens Ltda., apesar escriturados, não teriam sido utilizados para reduzir o pagamento do IPI. Como afirmara a própria Autoridade Fiscal, os produtos fabricados pela recorrente seriam tributados à alíquota de 0%. Mantida integralmente a exigência fiscal, sobreveio recurso voluntário em que a recorrente, sinteticamente, reitera os fundamentos aduzidos por ocasião da apresentação de sua impugnação, acrescentando que: Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 6 5 1 Seus questionamentos acerca da inobservância, por parte do órgão julgador de primeira instância, da decisão exarada pelo Conselho de Contribuintes em caso idêntico ao presente. Destaca trechos do acórdão de segunda instância que retificariam suas conclusões; 2 Sua insurgência acerca da afirmação do órgão de primeira instância no sentido de que o perito confirmaria que os produtos da recorrente seriam fabricados a partir de polietileno. Transcreve trecho de nota de esclarecimento datada de 22/07/2008, em que o expert , complementando o laudo datado de 25/08/2006, afirmaria que a expressão “polietileno reciclado” empregada no laudo, diria respeito a aparas de polietileno, polipropileno , PVC , PET te (sic) demais plásticos/polímeros, em percentuais variados, oriundos do lixo e de resíduos. 3 Ainda que se considere que houve equívoco quanto à definição da classificação fiscal, estarseia diante de dúvida capaz de determinar a aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional. Transcreve o dispositivo Pleiteia o provimento do recurso ou, alternativamente, a exclusão das multas de ofício. O feito foi convertido em diligência nos seguintes termos, Redator Designado Ricardo Paulo Rosa, fls. 491: Em face das informações coletadas, esclarecer: a) Procede a alegação de que as lonas plásticas que são objeto do presente processo podem ser fabricados a partir de qualquer matéria plástica reciclada, como, por exemplo, policloreto de vinila (PVC), polietileno, polipropileno, politereftalato de etileno (PET)? b) Em caso de resposta afirmativa ao quesito anterior, seria correto concluir que, para a obtenção das características que distinguem os produtos periciados, seria necessário o emprego de um percentual mínimo de polietileno, virgem ou reciclado, e, da mesma forma, haveria um máximo percentual para emprego de outros materiais policloreto de vinila (PVC), polipropileno, politereftalato de etileno (PET)? Quais seriam os valores correspondentes? c) É possível, a partir de análise química das lonas plásticas fabricadas, identificar e quantificar os polímeros empregados em sua fabricação? Caso seja possível, enumerálos e identificar o percentual empregado. d) Seria correto afirmar que o processo de reciclagem propriamente dito ou qualquer outro processo físicoquímico realizado durante a fabricação das lonas seria capaz de modificar a matériaprima reciclada a ponto de alterar sua fórmula química. Por exemplo: o polietileno reciclado poderia transformarse em polipropileno ou em um outro polímero? Em caso de resposta afirmativa, em qual etapa e por meio de qual equipamento? e) identificar a matériaprima coletada no local de funcionamento da empresa pela Fiscalização Federal, indicando a categoria a que pertence, por exemplo, policloreto de vinila, polietileno, polipropileno, politereftalato de etileno etc. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 7 6 Sobreveio laudo pericial, fls. 594 e seguintes, informação fiscal, fls. 613 e a manifestação da Recorrente, fls. 621, que considerou uma afronta ao devido processo legal, contraditório e à ampla defesa a falta, pois o perito visitou a Recorrente sem prévio aviso. É o relatório. Voto vencido Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade Tratase de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da manifestação da Recorrente Cabe esclarecer que a Recorrente teve ciência a respeito do resultado da perícia em 06 de março de 2015, fls. 618, e se manifestou em 26 de março de 2015, fls. 621. Na resolução, fls. 491, foi determinado um prazo de 30 (trinta) dias para a Recorrente se manifestar. Em 21 de julho de 2017, a Recorrente apresentou outra manifestação, fls. 637, com um relatório técnico em anexo. Contudo, tal manifestação é preclusa e não pode ser conhecida, uma vez que o prazo foi de 30 (trinta) dias, não podendo ser aceita uma manifestação com mais de 2 (dois) anos. 3. Preliminares 3.1. Nulidade do lançamento por ausência de procedimentos hábeis A Recorrente pleiteia pela nulidade do lançamento, uma vez que entende que a fiscalização não possuía habilidade técnica na área físicoquímica para análise da classificação e o auto sequer foi amparado por laudo técnico, não possuindo, por conseguinte, a fiscalização competência técnica para desconsiderar a classificação adotada pela Recorrente, embasandose tão somente em presunções. Afirma também que o acórdão recorrido com a conclusão de que os seus produtos são fabricados com a utilização de polietileno de baixa densidade foi fundamentado em uma decisão equivocada da primeira instância, autos 13603.001081/200611, que foi integralmente reformada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Suscita pela necessidade de um laudo técnico para fundamentar a classificação e pleiteia pela determinação de uma perícia. Cita o acórdão 320100.264 e pleiteia pela nulidade do lançamento com fundamento na referida decisão. Observase que a presente preliminar teve perda de objeto, uma vez que o presente litígio foi convertido em diligência, Resolução nº 3102000.269, Redator Designado Ricardo Paulo Rosa, com a consequente elaboração de um laudo técnico, fls. 495 e seguintes. 3.2. Nulidade da perícia afronta ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 8 7 A Recorrente em manifestação à informação fiscal e laudo técnico, fls. 621 e seguintes, resultado da diligência, que ora ocorreu no presente feito, entendeu que houve afronta ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa, uma vez que a perícia foi realizada no estabelecimento da Recorrente no dia 27 de novembro de 2014 sem o seu prévio aviso, o que a impediu de indicar um assistente técnico a fim de acompanhar a perícia. Assim, pautada na boafé, pois entendeu que o perito e os auditores da Receita Federal não eram competentes para dirimir tal questão, permitiu a realização da perícia, mas deixou expresso que não concordava, pois entendeu que seus direitos foram suprimidos. Afirma que a intimação do sujeito passivo em momento anterior ao início dos expedientes constitui requisito de validade para a realização dos trabalhos periciais. Cita precedentes deste Tribunal Administrativo, pleiteia pela nulidade do procedimento e caso não seja deferida a nulidade, solicita por complementação da perícia. Sem razão a Recorrente, pois apesar de ela ter solicitado a realização de diligência na impugnação, fls. 217, ela não preencheu os requisitos do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A falta de preenchimento dos requisitos inclusive culminou no indeferimento da perícia pelo acórdão da DRJ/Juiz de Fora, fls. 425: Considerase o pedido de perícia não formulado com fulcro no art.16, inciso IV e §1° do Decreto n° 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (.) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada Dela Lei n° 8.748, de 1993) Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 9 8 § 1° Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (nosso sublinhado) Mesmo com o voto da DRJ/Juiz de Fora, no Recurso Voluntário, fls. 447, a Recorrente não especificou perito e quesitos. Nesse sentido, não se vê qualquer tipo de afronta à falta de intimação prévia por parte da unidade, pois não houve indicação de perito e quesitos por parte da Recorrente. Além disso, afronta ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa, teria ocorrido se não tivesse sido intimada a respeito do resultado e não tivesse sido oportunizado à Recorrente manifestarse após a realização da diligência, o que não, de fato, não aconteceu, pois ela foi intimada e se manifestou. Inclusive os precedentes por ela colacionados referemse justamente à falta de intimação após o ato processual. Por tal motivação, rejeitase a presente preliminar de nulidade da perícia e não há qualquer necessidade de complementação da perícia, uma vez que ela analisou os objetos dentro do estabelecimento comercial da Recorrente. 4. Do mérito 4.1. Da classificação fiscal Polímero de Etileno x Polímero de Propileno O cerne do litígio versa em torno da classificação fiscal, atribuída pela Recorrente, e aquela pela fiscalização. A Recorrente entende que seu produto está classificado no código NCM 3920.20.19, Ex 01 Substrato de polipropileno biaxialmente orientado, recoberto em ambas as faces da folha por camadas de tinta opacificante que propiciam receber as impressões ofsete seco, calcográfica, tipográfica e vernizes de proteção com cura ultravioleta que possui alíquota 0, e que seriam os polímeros de propileno; já a fiscalização entende que o certo seria o código NCM 3920.10.90, que seriam os polímeros de etileno, com alíquota no percentual de 15%. A divergência, em resumo, ocorre entre o tipo de polímero, se de propileno ou de etileno. A Recorrente afirma que o seu material é composto de aparas de polietileno, polipropileno, PVC, PET e demais plásticos, sendo que a utilização do polietileno (polímero de etileno) virgem é ínfima. Cita decisão do acórdão 320100.264 em caso similar, onde obteve julgamento procedente por unanimidade no CARF, e diz que não pode prevalecer a decisão da DRJ/Juiz de Fora. Refuta o acórdão utilizado como referência para o julgamento em primeira instância e traz trechos de laudo técnico, elaborado pelo perito Joel Jacinto Chaves. Afirma que para a elaboração do seu produto lona plástica de material reciclado , tem como matériaprima fontes diversas: lixo industrial, sacolas plásticas, embalagens de alimentos, lixos domésticos, ou seja, uma diversidade de lixo plástico. Diz que ante tanta diversidade, existe material de toda a origem— como polietileno de alta, baixa e média densidade, linear, industrial, polipropileno, poliestireno e outros polímeros flexíveis, chamados de resinas termoplásticas, não sendo possível depois de reciclado, a identificação desta mistura. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 10 9 Explica que, no processo de reciclagem, os produtos são novamente aquecidos havendo união entre cadeias de polietileno, polipropileno, poliestifeno e outros, sendo que com o acréscimo de aditivos, protetor UV, tintas e pigmentos, a mistura obtida, que é o produto final, não pode ser identificada como pretendeu a fiscalização. Diferentemente é o que conclui a fiscalização, Termo de Verificação Fiscal, fls. 35, que entendeu que o produto é polímero de etileno. Importante transcrever as referidas classificações, extraídas da tabela TIPI, anexa ao Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, RIPI/2002, para uma primeira análise: CAPÍTULO 39 PLÁSTICOS E SUAS OBRAS Notas 1. Na Nomenclatura, consideramse plásticos as matérias das posições 39.01 a 39.14 que, submetidas a uma influência exterior (em geral o calor e a pressão com, eventualmente, a intervenção de um solvente ou de um plastificante), são suscetíveis ou foram suscetíveis, no momento da polimerização ou numa fase posterior, de adquirir por moldagem, vazamento, perfilagem, laminagem ou por qualquer outro processo, uma forma que conservam quando essa influência deixa de se exercer. (...) 4. Consideramse copolímeros todos os polímeros em que nenhum motivo monomérico represente 95% ou mais, em peso, do teor total do polímero. Ressalvadas as disposições em contrário, na acepção do presente Capítulo, os copolímeros (incluídos os copolicondensados, os produtos de copoliadição, os copolímeros em blocos e os copolímeros enxertados) e as misturas de polímeros, classificamse na posição que inclua os polímeros do motivo comonomérico que predomine em peso sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. No sentido da presente Nota, os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem em uma mesma posição devem ser tomados em conjunto. Se não predominar nenhum motivo comonomérico simples, os copolímeros ou misturas de polímeros, conforme o caso, classificamse na posição situada em último lugar, na ordem numérica, entre as que poderiam considerarse para a sua classificação. 5. Os polímeros modificados quimicamente, nos quais apenas os apêndices da cadeia polimérica principal tenham sido modificados por reação química, devem classificarse na posição referente ao polímero não modificado. Esta disposição não se aplica aos copolímeros enxertados. (...) 10.Na acepção das posições 39.20 e 39.21, os termos chapas, folhas, películas, tiras e lâminas aplicamse exclusivamente às chapas, folhas, películas, tiras e lâminas (exceto as do Capítulo 54) e aos blocos de forma geométrica regular, mesmo impressos ou trabalhados de outro modo na superfície, não recortados ou simplesmente cortados em Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 11 10 forma quadrada ou retangular, mas não trabalhados de outra forma (mesmo que essa operação lhes dê a característica de artigos prontos para o uso). (...) Notas de Subposições 1. No âmbito de uma posição do presente Capítulo, os polímeros (incluídos os copolímeros) e os polímeros modificados quimicamente classificamse de acordo com as disposições seguintes: a) quando existir uma subposição denominada Outros ou Outras na série de subposições em causa: 1º) O prefixo poli precedendo o nome de um polímero específico no texto de uma subposição (polietileno ou poliamida6,6 , por exemplo) significa que o ou os motivos monoméricos constitutivos do polímero designado, tomado em conjunto, devem contribuir com 95% ou mais, em peso, do teor total do polímero. (...) 3º) Os polímeros modificados quimicamente classificamse na subposição denominada Outros ou Outras, desde que esses polímeros modificados quimicamente não estejam abrangidos mais especificamente em uma outra subposição. 4º) Os polímeros que não correspondam às condições estipuladas em 1º), 2º) ou 3º) acima classificamse na subposição, entre as subposições restantes da série, que inclua os polímeros do motivo monomérico que predomine em peso sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. Para este fim, os motivos monoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem na mesma subposição devem ser tomados em conjunto. Apenas os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros da série de subposições em causa devem ser comparados. b) quando não existir subposição denominada Outros ou Outras na mesma série: 1º) Os polímeros classificamse na subposição que inclua os polímeros de motivo monomérico que predomine em peso sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. Para este fim, os motivos monoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem na mesma subposição devem ser tomados em conjunto. Apenas os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros da série em causa devem ser comparados. 2º) Os polímeros modificados quimicamente classificamse na subposição referente ao polímero não modificado. As misturas de polímeros classificamse na mesma subposição que os polímeros obtidos a partir dos mesmos motivos monoméricos nas mesmas proporções. (grifos com sublinhados não constam no original) Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 12 11 Diante do impasse, o feito foi convertido em diligência e do laudo elaborado, retiramse as respostas aos quesitos, fls. 518 e seguintes: 5.1. Quesito a: Procede a alegação de que as lonas plásticas que são objeto do presente processo podem ser fabricados a partir de qualquer matéria plástica reciclada, como, por exemplo, policloreto de vinila (PVC), polietileno, polipropileno, politereflalato de etileno (PET)? Resposta: Não. Pelo o exposto no corpo deste Laudo Pericial e, principalmente das amostras coletadas e suas análises, concluímos que essas lonas são produzidas a partir de polietileno PE reciclado de vários graus de qualidade (preto, canela e cristal), aditivado e pigmentado com "masterbatch" específicos para polietileno PE. Notar: na fábrica (almoxarifado) só encontramos aditivos e pigmentos para polietilenoPE, e não para qualquer outro plástico diferente de polietilenoPE ver subcapítulo 2.1 Almoxarifado, deste Laudo Pericial. 5.2. Quesito b: Em caso de resposta afirmativa ao quesito anterior, seria correto concluir que, para a obtenção das características que distinguem os produtos periciados, seria necessário o emprego de um percentual mínimo de polietileno, virgem ou reciclado, e, da mesma forma, haveria um máximo percentual para emprego de outros materiais policloreto de vinila (PVC), polipropileno, politereflalato de etileno (PET)? Quais seriam os valores correspondentes? Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 13 12 Resposta: Prejudica (sic). A resposta esta prejudicada, pois no Quesito "a", anterior, respondermos negativamente. 5.3. Quesito c: É possível, a partir de análise química das lonas plásticas fabricadas, identificar e quantificar os polímeros empregados em sua fabricação? Caso seja possível, enumerálos e identificar o percentual empregado. Resposta: Como já explanado no corpo deste Laudo Pericial, concluirmos que estas lonas são fabricadas com polietilenoPE reciclado de vários graus de qualidade, aditivado e pigmentado com "masterbatch" específicos para polietileno PE. 5.4.Quesito d: Seria correto afirmar que o processo de reciclagem propriamente dito ou qualquer outro processo físicoquímico realizado durante a fabricação das lonas seria capaz de modificar a matéria prima reciclada a ponto de alterar sua fórmula química. Por exemplo: o polietileno reciclado poderia transformarse em polipropileno ou em um outro polímero? Em caso de resposta afirmativa, em qual etapa e por meio de qual equipamento? Resposta: Não. Nesse processo usado pela Lonax Ltda, nas extrusoras, há apenas um amolecimento/ fusão de matéria plástica (polietileno PE), com a mudança da aparência de grânulos (matéria prima) para filme/lona (produtos acabado). Não há alterações na fórmula química do produto básico (polietileno PE), nem é esse o objetivo desse Processo; nem, quimicamente falando, pode ocorrer tal alteração durante esse Processo (extrusão), em extrusoras "balão". 5.5.Quesito e: Identificar a matériaprima coletada no local de funcionamento da empresa pela Fiscalização Federal, indicando a categoria a que pertence, por exemplo, policloreto de vinila, polietileno, polipropileno, politereflalato de etileno, etc. Resposta: Como já exposto em todo corpo deste Laudo Pericial, em especial em seu subcapítulo 4.2. Resultado das Análises, a matéria prima básica utilizada por essa empresa (representada pelas amostras coletadas), tratase de polietilenoPE reciclado, em sua maioria, maior que 98% = (1.475.000kg), e por polietilenoPE Virgem, em sua minoria, menor que 2% (= 26.125kg) ver capítulo 3. Das Quantidades de Produtos, em especial itens 3.3 e 3.2, respectivamente. A partir da diligência realizada, observase, a partir do resultado do laudo pericial, elaborado a partir de amostras coletadas e suas respectivas análises, que as lonas são feitas de de polietilenoPE reciclado e polietilenoPE Virgem. Além disso, o processo de reciclagem não modifica a estrutura físicoquímica, pois há apenas um amolecimento/ fusão de matéria plástica (polietileno PE), com a mudança da aparência de grânulos (matéria prima) para filme/lona (produtos acabado). Assim, assiste razão a fiscalização em classificar o produto no código 3920.10 polímero de etileno, e das explicações das notas das subposições, elas explicam que os polímeros modificados quimicamente classificamse na subposição denominada Outros ou Outras, desde que esses polímeros modificados quimicamente não estejam abrangidos mais especificamente em uma outra subposição. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 14 13 No caso o processo de reciclagem apenas modifica a aparência, conforme atestou laudo técnico, não modificando a composição físicoquímica, logo, enquadrase na subposição 3920.10.90 outros, pois não há uma posição mais específica. Logo, a alíquota que incide é de 15%, diferentemente do que foi classificado pela Recorrente, cuja alíquota era 0%. Quanto ao acórdão 320100.264, neste caso, não houve a realização de perícia com amostras do material da Recorrente, sendo que o Relator, Ricardo Paulo Rosa, votou no sentido de ser procedente à contribuinte, pois não houve qualquer tipo de certeza quanto à classificação2. Totalmente diferente é a situação do presente caso, no qual, houve a realização de perícia com amostras retiradas do material no próprio estabelecimento da Recorrente, que levou à conclusão de que as lonas são feitas apenas com dois materiais: PolietilenoPE reciclado e PolietilenoPE virgem. Portanto, correta a classificação fiscal atribuída pela fiscalização, qual seja, a 3920.10.90. 4.2. Créditos das notas fiscais Quanto à glosa de créditos de IPI, destacados nas notas fiscais emitidas pela empresa Queop's Comércio de Embalagens Ltda, a Recorrente afirma que os referidos créditos não foram utilizados por ela em momento algum, sendo que eles foram tão somente escriturados em seus livros fiscais, pois, conforme a própria fiscalização atestou, as operações de saída da Recorrente se realizava à alíquota zero de IPI. Além disso, a Recorrente argumenta que caso se mantenha a exigência dos valores glosados, há um verdadeiro "bis in idem", uma vez que além da exigência do IPI sobre os valores glosados, a fiscalização também apurou, relativamente ao mesmo período e mesmas notas fiscais, o crédito tributário de IPI, o que configura dupla tributação sobre o mesmo fato, caracterizandose, assim, duplicidade. Do Termo de Descrição dos Fatos, extraise, fls. 36: Após análise das notas fiscais de entradas, relativas aos anos de 2005 e 2006, constatamos que a empresa apropriou o IPI destacado nas notas fiscais da empresa Queop's Comércio de Embalagens Ltda — ME, CNPJ n° 01.667.635/000100. Nos cadastros da Secretaria da Receita Federal o CNPJ n° 01.667.635/000100 referese empresa Queop's Jóias Ltda — ME e não Queop's Comércio de Embalagens Ltda, conforme consta nas notas fiscais de entrada (fl. 147). 2 Trechos do acórdão: Em um primeiro momento, seria necessário que fossem obtidas amostras da matériaprima utilizada na fabricação dos produtos da empresa, depois de misturadas, com vistas a identificar em que proporção encontramse presentes os motivos monoméricos no teor total do polímero resultante da mistura dos resíduos. (...) Não tendo sido feito nenhum desses procedimentos, não há como manter o lançamento do crédito tributário devido pelo erro de classificação fiscal. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 15 14 A Queop's Jóias Ltda — ME, CNPJ n° 01.667.635/000100, apresentou declaração de inatividade para os anoscalendário 2005 e 2006, nos quais as notas fiscais teriam sido emitidas (fls. 152). Em auditoria anterior na empresa Lonax, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 163/2005, foi realizada diligência fiscal em São Paulo, no endereço constante na nota fiscal da empresa Queop's, à Rua Coca, Vila Curuça Velha, São Paulo — SP, tendo sido constatado a inexistência do número 153 e que a numeração ímpar salta do 151 para o 165, embora nas notas fiscais conste como endereço da empresa a Rua Coca; 153, Vila Curuça Velha, sac) Paulo — SP. Em nenhuma das notas fiscais ( cópia as fls.153 a 176) consta o carimbo de fiscalização estadual, embora elas se refiram a/toneladas de mercadorias vindas do Estado de São Paulo que tiveram que passar por diversas barreiras de fiscalização para chegar até o seu destino. Em todas as notas fiscais consta que as mercadorias foram transportadas pelo próprio adquirente, e nelas não se vê a placa do veículo transportador nem os dados do motorista. Em 01/10/2009, intimamos a empresa (fls.95) a apresentar documentos que comprovassem o efetivo pagamento das operações que deram origem à emissão das notas fiscais relacionadas abaixo, emitidas pela empresas QUEOP'S Comércio de Embalagens Ltda, CNPJ 01.667.635/000100. (...) Em 14/10/2009, a empresa informou (fls.98) que "todos os documentos referentes o fornecedor "Queop's Comércio de Embalagens Ltda., CNPJ n° 01.667.635/000100, tais como NF, Duplicatas quitadas foram entregues na Secretaria da Receita Federal em 01/10/2009 a/c Sra. Maria da Glória Soares Queiroz conforme protocolo em anexo". Tendo em vista que nota fiscal e duplicatas não comprovam o efetivo pagamento de notas fiscais, intimamos novamente a empresa (fls.178 a 181), em 19/10/2009, a apresentar documentos que comprovassem o efetivo pagamento das operações que deram origem à emissão das notas fiscais ali relacionadas, e que foram apresentadas pela empresa em 01/10/2009, juntamente com as duplicatas, apresentando documentos como: cópias microfilmadas de cheques emitidos para pagamento, cópias de DOC, boletos bancários autenticados, comprovação de transferência bancária, comprovação de deposito em conta corrente e demais documentos hábeis e idôneos. A empresa não apresentou até a presente data quaisquer documentos comprovem o efetivo pagamento dos valores representados nas notas fiscais. Conforme se observa, as notas fiscais não eram idôneas e a Recorrente não demonstrou a efetiva transferência de recursos. Assim, uma vez glosados os valores de IPI, deve haver a reconstituição da escrita, com a consequente redução do saldo credor e a incidência de multa de ofício sobre a diferença. Nesse sentido, não procede a argumentação da Recorrente, mantendose a decisão da DRJ/Juiz de Fora. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 16 15 4.3. Da multa de ofício A Recorrente, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, pleiteia pela não aplicação das multas de 75% e 150%. No caso em análise, a Recorrente classificou de modo errado o seu produto e utilizou crédito indevido de IPI, ensejando lançamento de ofício. A multa de ofício, lançada no auto de infração, é do percentual de 75%. Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Não há qualquer tipo de dúvida no lançamento e deve, em razão da legislação que prevê, incidir a multa de 75% com fundamento no lançamento de ofício, pois houve falta de pagamento. Quanto à multa qualificada, é matéria estranha aos autos. 5. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e a manifestação de fls. 621, rejeitando as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento ao recurso. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: O cerne do litígio versa em torno da correta classificação fiscal dos produtos fabricados pela Recorrente. A Recorrente entende que seu produto está classificado no código NCM 3920.20.19, Ex 01 Substrato de polipropileno biaxialmente orientado, recoberto em ambas as faces da folha por camadas de tinta opacificante que propiciam receber as impressões ofsete seco, calcográfica, tipográfica e vernizes de proteção com cura ultravioleta que possui alíquota 0, e que seriam os polímeros de propileno, já a fiscalização entende que o certo seria o código NCM 3920.10.90, que seriam os polímeros de etileno, com alíquota no percentual de 15%. A divergência, em resumo, ocorre entre o tipo de polímero, se de propileno ou de etileno. Em 27.06.2013, a antiga composição desta Turma converteu o julgamento em diligência para que fosse elaborado um Laudo Técnico com o objetivo de identificar a matéria prima nas lonas fabricadas pela Recorrente. O Laudo Técnico, carreado às fls.495612, apresentou as seguintes conclusões: Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10976.000023/201021 Resolução nº 3302000.679 S3C3T2 Fl. 17 16 "Do acima exposto, de estudos, pesquisas em literaturas e obras de consenso universal, podemos afirmar: a) as lonas (filmes) plásticas fabricadas pela empresa Lonax Ltda. são constituídos pela matéria plástica PolietilenoPE, especialmente aditivado e pigmentado. b) a matéria prima básica utilizada na produção dessas lonas (filmes) plásticas é o polietilenoPE reciclado, especialmente aditivado e pigmentado com "masterbatch"específico para polietilenoPE. c) essas lonas (filmes) plásticos fabricados por essa empresa são destinados, atualmente, em sua grande maioria, à plasticultura e "silo" (no solo) para armazenagem de grãos (agricultura). Cientificada do Laudo Técnico, a Recorrente apresentou manifestação contra o trabalho e a metodologia adotada pelo perito para analisar o material utilizado para fabricação dos produtos sob análise, dentre os quais destacase (i) testes realizados por amostragem, a partir da coleta de materiais reciclados em um único dia; (ii) a perícia foi realizada em período muito superior a data dos fatos geradores, o que seria suficiente para afastar as conclusões periciais, considerando a diferença de material colido em épocas totalmente distantes. Ao final, pleiteou a concessão de prazo para apresentar análise técnico do laudo pericial, bem como apresentar novo laudo pericial. Em 21.07.2017 (fls.637655) a Recorrente protocolou petição questionando tecnicamente diversos pontos do laudo técnico, principalmente a análise realizada no produto por meio da utilização da metodologia básica denominada "Espectrometria de Absorção no Infravermelho/ATRRef ASTM D e D2702, tendo como referência comparativa a obra FDM ATR/Polymers" que, segundo a Recorrente não é teste útil para diferenciação e quantificação de polímeros, ou seja, não se presta para dirimir as questões controvertidas sobre a real composição do produto. Juntou relatório técnico para corroborar suas alegações às fls.662. Pois bem. Como este relator não possui conhecimento técnico necessário para avaliar qual metodologia é a mais indicada para auferir a correta composição do produto fabricado pela Recorrente, entendo primordial para solução do litígio, a nomeação de um profissional, escolhido à critério da unidade de origem, para dirimir a dúvida quanto a metodologia utilizada para análise dos produtos. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja feita a nomeação de um profissional, escolhido à critério da unidade de origem, para emissão de Parecer Técnico com a finalidade de informar qual metodologia é a mais indicada para auferir a correta composição do produto fabricado pela Recorrente. Antes, porém, intimese as partes para, querendo, apresentar quesitos à serem respondidos pelo profissional que será nomeado para elaboração do Parecer Técnico. É o como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado Fl. 678DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.004049/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. TERCEIROS.
A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias e sociais para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais.
Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.
SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO.
Constatado pela fiscalização que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados empregados da empresa contratante, a fim de se cobrar os tributos devidos.
DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO.
No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Inexistindo prova nos autos de pagamento do tributo, acompanhada da documentação contábil e fiscal pertinente, deve ser desacolhido o pedido de apropriação de pagamento.
Numero da decisão: 2202-008.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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TERCEIROS. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias e sociais para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. Constatado pela fiscalização que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados empregados da empresa contratante, a fim de se cobrar os tributos devidos. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO. No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo prova nos autos de pagamento do tributo, acompanhada da documentação contábil e fiscal pertinente, deve ser desacolhido o pedido de apropriação de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 40 49 /2 00 8- 16 Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 18471.004049/2008-16, em face do acórdão nº 12-51.298, julgado pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), em sessão realizada em 11 de dezembro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Do lançamento Trata-se de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra o interessado acima identificado correspondente à parte dos terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE). O crédito apurado, consolidado em 26/12/2008, com ciência pelo interessado em 29/12/2008, através de AR, consubstanciou-se no valor originário de R$34.682,85, que acrescido de multa e juros totalizou a quantia de R$ 60.509,35, e é relativo ao período de 07/2003 a 09/2007. (DEBCAD: 37.199.2320). 2. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 29/ 51, tem-se que: 2.1. Em relação aos serviços prestados por cooperados ao Posto Koara, diversos trabalhadores, associados à cooperativa de trabalho COOPETRAUX, CNPJ 02.825.910.000139, prestaram serviços ao Posto de Gasolina Kohara Ltda, no período 07/2003 a 09/2007, atuando em atividades essenciais do Posto. A autoridade autuante ressalta que os requisitos necessários à caracterização da relação de emprego, na sua essência, eram manifestados pelo Posto de Gasolina Kohara que controlava os serviços dos empregados cooperados, e que na relação cooperado e cooperativa não houve satisfação dos requisitos necessários à configuração do contrato de trabalho subordinado, sob a égide da CLT. 2.2. Informa ainda, em relação à intermediação da mão de obra, que os serviços eram prestados de forma pessoal pelos cooperados, tudo a caracterizar uma intermediação irregular. Por serem as atividades prestadas pelos empregados cooperados essenciais aos fins do Posto Kohara, a não eventualidade do trabalho desenvolvido estava presente. A cooperativa assume condição de mera intermediadora de mão de obra de cooperados, Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 desvirtuando os objetivos das Leis 5.784/71 e 8.949/94. Trata a contração de funcionários pelo Posto Kohara Ltda, através da Coopetraux, de intermediação irregular de mão-de-obra, repelida pela Súmula 331 do TST. A fiscalização conclui que houve a intermediação irregular de mão-de-obra, sendo os cooperados que prestaram serviços através da COOPETRAUX considerados segurados empregados do Posto de Gasolina Kohara. 2.3. Em relação ao procedimento de diligência realizado na junto à Coopetraux, foram verificados documentos e observou-se que a folha de pagamento de cooperados não é elaborada individualmente por tomador. As folhas são consolidadas no CNPJ da cooperativa, somente. O mesmo ocorrendo com as informações prestadas em GFIP. Logo, para identificação dos cooperados que laboraram no Posto Kohara indispensável se fez a análise destes documentos em conjunto com os Demonstrativos de Produção (feitos por tomador) e Notas Fiscais de Serviço, todos anexados ao presente. Observou- se que as pessoas que chegam à cooperativa estão em clara situação de submissão em relação às pessoas que trabalham no local, administrando a Cooperativa. 2.4. A despeito das contribuições sociais lançadas, são objeto desta exigência fiscal as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações auferidas pelos segurados empregados, devidas a outras entidades e fundos, arrecadadas e fiscalizadas pela SRFB, na forma do artigo 94, da Lei 8.212/91. 2.5. Em relação ao fato gerador, as contribuições sociais lançadas tem como fato gerador o salário de contribuição mensalmente auferido, de forma não cumulativa, observado o disposto no artigo 28, inciso I, da Lei 8.212.1991, pelo segurado empregado. Foram considerados os requisitos caracterizadores do vínculo empregatício, constantes dos arts. 2° e 3º da CLT, na relação estabelecida entre o Posto Kohara (tomador de serviço) e os trabalhadores cooperados. 2.6. O Relatório Fiscal informa ainda, que os valores que serviram de base de cálculo ao lançamento foram obtidos a partir das informações constantes das GFIP’s da COOPETRAUX , colhidas no sistema CNISA e GFIP WEB, bem como das Folhas de Pagamento, apresentadas a esta Fiscalização durante diligência na cooperativa. 2.6.1. Foram apresentados pelo Posto de Gasolina e pela Coopetraux Demonstrativos mensais dos valores cobrados pela cooperativa em relação a cada funcionário (cooperado). No entanto, o valor consolidado nestes demonstrativos não corresponde aos ganhos auferidos pelos trabalhadores, mas sim ao valor cobrado pela cooperativa relativamente a cada trabalhador. 2.6.2. Foi elaborado demonstrativo, por competência, do salário de contribuição auferido por cada um dos segurados contratados com a intermediação da cooperativa, durante o período de trabalho prestado ao Posto de Gasolina Kohara. O mesmo demonstrativo informa a contribuição social de cada empregado, calculada após aplicada a alíquota corresponde a sua faixa salarial. Ressalte-se que o mesmo Demonstrativo consolida mensalmente as bases de cálculo das contribuições sociais lançadas. 2.7. Foi aplicada a alíquota de 5,8%, tendo em vista o código FPAS 515. 2.8. Foi formalizada Representação Fiscal ao Ministério Público e à Delegacia Regional do Trabalho – DRT, no Rio de Janeiro. 3. Às fls. 52/79 consta planilha com a consolidação mensal da remuneração auferida por empregado e cálculo da contribuição devida. 4. Às fls. 80/99 consta documentação referente ao presente lançamento. Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 Da impugnação 5. O interessado contesta o lançamento, aduzindo as seguintes razões, expostas a seguir, em síntese. 5.1. A tempestividade. 5.2. Da legalidade da contratação dos cooperados. 5.2.1. O negócio jurídico firmado entre o impugnante e a cooperativa Coopetraux é válido e eficaz e o impugnante, ao firmar o contrato com a Coopetraux (doc. 2), observou que a mesma estava devidamente regularizada, à luz da Lei n° 5.764/71, que instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas. 5.2.2. Ao contrário do alegado no auto de infração, os funcionários cooperados seguiam à risca o objetivo social previsto no estatuto da cooperativa, a qual é constituída por trabalhadores auxiliares em exploração, transporte, distribuição e comercialização de petróleo e derivados. 5.2.3. A forma de ingresso (por adesão voluntária) e desligamento dos cooperados, a modalidade da prestação dos serviços e o preço dos serviços prestados são objeto de deliberação dos cooperados, de modo justo e em conformidade com o art. 4º da Lei n° 5.764/71. 5.2.4. A simples contratação de cooperativa como prestadora de serviços não constitui fraude. Conclui pela inexistência de qualquer vício que maculasse a contratação através de cooperativa de trabalho 5.3. Da inexistência de vínculo de emprego 5.3.1.Os cooperados jamais foram empregados do impugnante. Suas relações com o impugnante decorriam única e exclusivamente do fato de serem os cooperados sócios da Coopetraux. 5.3.2. Não havia ingerência do impugnante no trabalho dos cooperados. Os requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício não estão demonstrados no caso em tela. As atividades são de caráter eventual, existe a mediação da cooperativa para transmitir os trabalhos a seus cooperados. Ausentes a pessoalidade e a onerosidade. 5.3.3. O impugnante jamais pagou qualquer valor aos cooperados, sendo seu vínculo estritamente decorrente do contrato firmado com a cooperativa, conforme se depreende das notas fiscais emitidas pela própria cooperativa em nome do impugnante (doc. 4). 5.3.4. Cita julgados e conclui que uma vez constatado que o trabalho prestado por meio de cooperativa não constitui vínculo de emprego, não há que se falar em cobrança de direitos trabalhistas do impugnante, nem de contribuição para o INSS a cargo do empregador. 5.3.5. Não deve ser aplicado o enunciado da Súmula 331 do TST. 5.4. Da contribuição Social paga pelo impugnante 5.4.1. Foram pagos ao INSS os 15% devidos pelas cooperativas, de acordo com art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99, conforme se depreende das notas fiscais de serviço (doc. 4), do demonstrativo de apuração do INSS (doc. 5), das guias comprobatórias de recolhimento (doc. 6) e da planilha demonstrativa em anexo (doc. 7). 5.4.2. A contribuição destinada à Seguridade Social de empregados e trabalhadores avulsos prestadores de serviços, é de 20% sobre o total das remunerações pagas, nos termos do art. 22, inciso I da Lei 8.212/91. Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 5.4.3. Por outro lado, a própria cooperativa Coopetraux, ao repassar a remuneração aos operados, retém 11% deste valor que é repassado ao INSS, nos termos da exigência da Lei 10.666/2003. 5.4.4. As guias da Previdência Social (GPS) em anexo (doc. 8) comprovam que a cooperativa contratada pelo impugnante recolheu ao INSS o devido nos termos da lei. 5.4.5. Sendo assim, o INSS recebeu não só os 15% retidos pelo impugnante, como também recebeu os 11 % pagos pela própria cooperativa. Logo, o INSS arrecadou o total de 26% sobre as remunerações pagas pelos serviços prestados. Muito mais do que está cobrando do impugnante (20% das remunerações pagas aos empregados cooperados). 5.4.6. Mais um motivo para que seja julgado improcedente o presente auto de infração, ao passo que esta cobrança acarreta em flagrante enriquecimento ilícito do INSS. 5.5. Conclusão 5.5.1. Requer a improcedência do auto de infração ou que seja descontado o valor já pago pelo impugnante e ainda a produção de todas as provas em direito admitidas, notadamente documental suplementar e pericial. 6. São anexados documentos às fls. 113/426. Da Diligência 7. Foi solicitado que a fiscalização verificasse os valores recolhidos em GPS a título de retenção de 15% sobre as Notas Fiscais de Serviço, consideradas no presente processo e procedesse à respectiva apropriação. Da Informação Fiscal 8. Em atendimento à solicitação de Diligência, a autoridade lançadora procede à apropriação dos valores recolhidos pela empresa à cooperativa, conforme Demonstrativo Mensal de Apropriação de Créditos advindos da contribuição social incidente sobre o valor bruto consignado nas notas fiscais de serviços prestados pela cooperativa Coopetraux. Ressalta que na apuração do crédito foram considerados os recolhimentos efetuados e informados em GFIP. 9. Esclarece que a apropriação dos créditos decorrentes do pagamento de contribuição social incidente sobre as notas fiscais de serviços emitidas pela COOPETRAUX obedeceu a seguinte ordem: 1º) Auto de Infração de Segurados; 2º) Auto de Infração de Contribuições Patronais (Empresa e SAT); e 3º) Auto de Infração de Contribuições destinadas a Outras Entidades ou Fundos. O Demonstrativo Mensal de Apropriação de Créditos, demonstra minuciosamente o crédito apropriado aos Autos de Infração DEBCAD 37.199.2311, 37.199.2303 e 37.199.2320, que tratam de contribuições sociais de empregado, empresa e Terceiros, respectivamente. 10. Conclui que o lançamento deve ser retificado conforme planilha de cálculo apresentada. 11. Em anexo, consta Demonstrativo da Apropriação de Créditos acompanhado do Relatório extraído do sistema Águia/CCORGFIP. Do aditamento à impugnação após o resultado de Diligência 12. O impugnante foi devidamente cientificado do resultado da Diligência, tomando ciência da Informação fiscal, da qual apresentou sua irresignação. 13. Apresenta as mesmas razões apresentadas na impugnação. Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 14. É o relatório.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 564/580 dos autos: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. TERCEIROS. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias e sociais para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. Constatado pela fiscalização que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados empregados da empresa contratante, a fim de se cobrar os tributos devidos. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO. No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. RECOLHIMENTOS REALIZADOS. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTO, RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado pelo sujeito passivo o recolhimento de valores apurados anteriormente ao início do procedimento fiscal, cabível a apropriação dos pagamentos ao lançamento tributário.” A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: “CONCLUSÃO 27. Diante do exposto, voto pelo PROVIMENTO EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO e por MANTER EM PARTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO no valor de R$58.448,83, conforme DADR em anexo. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 585/596, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Fl. 607DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Desconsideração do negócio jurídico. Efeitos. A auditoria fiscal analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, constatou a necessidade de caracterização de vínculo previdenciário, na condição de segurado empregado dos trabalhadores até então registrados na cooperativa Coopetraux, com vistas à cobrança da contribuição patronal para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos. Assim, embora o contrato entre a Coopertraux e os trabalhadores do Posto Koara seja válido e eficaz, não é capaz de elidir a cobrança de tributos. Ressalte-se que os requisitos necessários à caracterização do segurado empregado para fins de se apurar a contribuição social devida foram devidamente constatados e demonstrados pela autoridade lançadora, eis que a pessoalidade, a não eventualidade, a subordinação e a contraprestação salarial eram manifestados pelo Posto de Gasolina Koara, que controlova os serviços dos trabalhadores ditos cooperados. A essência do ato jurídico é o fato e não a forma, no caso, convence a fiscalização que o efetivo empregador diverge da formalidade aparente. Salienta-se também que dentro de suas prerrogativas legais, decorrentes dos artigos 142 e 149 do CTN e do art. 33 e § 1.º da Lei n.º 8.212/91, a Auditoria-Fiscal tem o poder- dever de fiscalizar e identificar, conforme a situação fática apresentada, a realidade dos fatos geradores ocorridos, isto é, a verdade material, em detrimento dos aspectos meramente formais dos negócios jurídicos apresentados pelo contribuinte. Não se pode conceber que a situação de regularidade cadastral, contábil e contratual entre os envolvidos implique a “homologação tácita” de tal contexto, por parte do Fisco, impossibilitando posteriores verificações quanto à real natureza das operações e fatos pertinentes. Admitir-se isso significaria inviabilizar por completo as atividades fiscalizatórias da RFB. O que interessa no presente lançamento serão as circunstâncias trazidas pela fiscalização, no tocante ao inter-relacionamento das partes envolvidas, às respectivas constituições societárias, o modus operandi e a maneira como se apresentavam perante o fisco. Assim, o acusatório fiscal teve como suporte para o lançamento, o convencimento de que o propósito da empresa autuada era de criar uma situação jurídica com vistas a dissimular os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Verifica-se pelas informações extraídaa dos autos, que o convencimento foi formado levando-se em conta dados e fatos detectados pelo auditor fiscal no decorrer do procedimento, que para isto, utilizou recursos vistos e colhidos junto às empresas. Por oportuno, transcrevo trecho do acórdão da DRJ, que bem analisou as particularidades do caso concreto, adotando-os como razões de decidir: 16.2. Foi observado pela fiscalização, que os trabalhadores foram contratados em desrespeito aos princípios básicos da contratação através de cooperativas. Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 16.3. Conforme Informado no Relatório Fiscal, os trabalhadores foram indicados para trabalharem em horário específico, cargo específico e na tomadora dos serviços, recebendo ordens desta quanto à execução do serviço. Verificou-se que esses trabalhadores, não possuíam qualquer autonomia, não podiam exercer autogestão da cooperativa, vez que, por um lado, dela estavam afastados, e de outro, não dirigiam a tarefa que executavam, mas seguiam orientações externas de seu real empregador, como os demais funcionários registrados. Por isso, verificou-se a presença dos requisitos de subordinação e da pessoalidade do serviço. 16.4. Também se verificou que o serviço executado era não-eventual, servindo principalmente ao atendimento nas bombas de gasolina (frentistas) e nas lojas de conveniência (atendentes). 16.5. A onerosidade (contraprestação salarial) também foi constatada na relação estabelecida com o Posto Kohara, pois os salários eram apenas repassados aos empregados cooperados, após a cooperativa receber do contribuinte as respectivas verbas. Quem pagava efetivamente os salários pelos serviços prestados era o Posto e não a Coopetraux, mera intermediadora. 16.6. Sendo assim, constatou-se que os trabalhadores prestaram serviços atuando em atividades essenciais do Posto. 16.7. Ressalte-se que os requisitos necessários à caracterização do segurado empregado para fins de se apurar a contribuição social devida foram devidamente constatados e demonstrados pela autoridade lançadora, eis que os mesmos (pessoalidade, não eventualidade, subordinação e contraprestação salarial), na sua essência, eram manifestados pelo Posto de Gasolina Koara, que controlova os serviços dos trabalhadores ditos cooperados. 16.8. Destarte, a autoridade fiscalizadora ao verificar a situação fática capaz de caracterizar o segurado empregado, tem competência para efetuar o lançamento, uma vez que é atribuição inerente ao cargo verificar a ocorrência de fatos geradores das contribuições previdenciárias, lançar os respectivos tributos e qualificar pessoa física como segurado obrigatório da Previdência Social, independentemente da forma jurídica que foi adotada no espectro trabalhista, a qual pode mascarar tal condição, nos termos do art. 33, caput da Lei nº 8.212/91 c/c art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 16.9. Uma vez verificada a ocorrência dos fatos geradores, tem o auditor fiscal o dever indeclinável de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, § único do CTN. Dessa forma, como bem apreciado pela DRJ de origem, o Relatório Fiscal informa “que apesar da aparente regularidade formal da Coopetraux, o sistema (cooperativismo) foi desvirtuado por completo, pois os empregados cooperados trabalham em atividades essenciais do Posto, se inserindo dentro da hierarquia local, recebendo ordens e cumprindo jornada, o que, por si só já seria suficiente para desnaturar sua condição de cooperado. Por serem as atividades prestadas pelos empregados cooperados essenciais aos fins do Posto Kohara, a não eventualidade do trabalho desenvolvido foi considerada presente, assim como foi considerado que os serviços executados eram prestados de forma pessoal pelos cooperados, tudo a caracterizar uma intermediação irregular.”. Assim, não merece acolhida a alegação da recorrente de que não houve por parte da fiscalização demonstração, nem tampouco fundamentação das supostas ilicitudes cometidas pela contribuinte que amparam o presente lançamento, pois o fato gerador decorre da Fl. 609DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes. Nesse sentido, a Lei Complementar nº 104, de 2001, introduziu um parágrafo único no artigo 116 do Código Tributário Nacional (CTN), o qual permite que a fiscalização poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. vejamos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Por essas razões, constatou-se pela auditoria uma simulação por parte do Posto Kohara, na contratação de trabalhadores através de pessoa jurídica interposta, ou seja, a Coopertraux. Desse modo, uma vez demonstrada o vínculo empregatício, correto está o lançamento das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos decorrentes da relação de emprego. Ocorre que cabia à contribuinte recolher as contribuições previdenciárias e sociais para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Salienta-se que compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Assim, conforme exposto, não possui razão a recorrente, pois o lançamento encontra-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado nos termos da legislação e normativas que disciplinam o assunto. Dos valores recolhidos. A DRJ de origem bem apreciou a questão, razão pela qual transcrevo o voto e adoto como razões de decidir: 18.1. O impugnante contesta a presente cobrança alegando que com este lançamento estaria sendo cobrado a mais do que o efetivamente devido. 18.2. Os autos retornaram à autoridade lançadora, à qual conclui pela retificação do crédito tributário apurado, nos termos da Informação Fiscal presente nos autos. Fl. 610DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 18.3. Pois bem, improcedem as alegações do impugnante de que o fisco federal já tenha arrecadado das empresas em questão (Posto Kohara e Coopetraux) um percentual a maior do que estaria cobrando do impugnante. 18.4. Ocorre que o presente lançamento foi realizado tendo em vista a caracterização de segurado empregado no Posto Kohara e descaracterização da relação de trabalho existente entre o Posto e a Coopetraux, como anteriormente explanado. Sendo assim, cabível a aplicação da legislação vigente à situação fática verificada, cobrando-se os tributos a serem pagos na forma devida. 18.5. Por este motivo, estão sendo cobradas as contribuições devidas aos terceiros, à alíquota de 5,8%, de acordo com o FPAS 515. A legislação relativa à cada entidade conveniada e as alíquotas aplicadas estão descritas no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, às fls. 24/26 dos autos. 18.6. Entretanto, como a empresa já havia pago valores a título de contribuição de 15% de cooperativa e foi apurado que esta forma de recolhimento foi indevida, estes valores estão sendo abatidos dos autos de infração desta ação fiscal, conforme relatado na Informação Fiscal emitida após a Diligência, ou seja, na apuração do crédito foram considerados os recolhimentos efetuados e informados em GFIP, seguindo Demonstrativo da Apropriação de Créditos, acompanhado do Relatório extraído do sistema Águia/CCORGFIP. Diante disso, a DRJ se pronunciou “conforme consta da Informação Fiscal, à qual me remeto, verificou-se cabível a exclusão de R$234,26 da competência ago/07 no presente auto de infração, a qual está sendo realizada, conforme DADR em anexo.”. As alegações do contribuinte que “essa conta não fecha”, não compete ao CARF, pois este órgão não é responsável pela execução do julgado. Entendo que os cálculos da contribuinte apresentados em recurso voluntário não se mostram corretos, pois foram lavrados três autos de infração, sendo um quanto a parte patronal, o segundo quanto a parte segurados e, o terceiro, quanto a contribuição a terceiros e outras entidades. Desconsiderou a recorrente no seu cálculo os valores que deveriam ter sido recolhidos valores, além de contribuição parte empresa, também a título de GILRAT, parte segurados e de terceiros e outras entidades. Assim, quanto ao pedido de aproveitamento dos valores pagos pela cooperativa, referente a parte segurados, este não merece acolhimento, pois trata o presente processo de crédito tributário lançado pela Fiscalização correspondente à parte dos terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE). Logo, não tratando os autos de contribuição previdenciária, tributo diverso do que o contribuinte pleiteia aproveitamento, inexiste viabilidade jurídica que permita o deferimento do pedido. Ademais, compreendo que as GPS’s da recorrente, desacompanhadas das respectivas GFIP’s e folhas de pagamento, não fazem prova inequívoca de que os cooperados da Coopetraux, os quais foram considerados nestes autos como empregados da recorrente, tiveram retenção de contribuição previdenciária (parte segurados) por parte da cooperativa e que a cooperativa tenha recolhido tais valores. Logo, entendo que não seja possível o abatimento ou aproveitamento de tais valores. Fl. 611DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-008.483 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.004049/2008-16 Portanto, inexistindo prova nos autos de pagamento do tributo (contribuições a terceiros - Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE), a qual deveria ser acompanhada da documentação fiscal pertinente (GFIPs) e contábil (folhas de pagamento), deve ser desacolhido o pedido de apropriação de pagamento. Cabia a contribuinte apresentar a prova de suas alegações, carecendo de razão a recorrente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC e artigo 36 da Lei nº 9.784/99, não deve ser dado provimento recurso ora em análise. Ocorre quem no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 612DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10730.721083/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer sua incompetência para o julgamento do caso e encaminhar os autos para a 1ª Seção para a continuidade do julgamento, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer sua incompetência para o julgamento do caso e encaminhar os autos para a 1ª Seção para a continuidade do julgamento, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 21 08 3/ 20 09 -2 0 Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Resolução nº 2301000.585 S2C3T1 Fl. 314 2 Relatório O presente encontrase apensado ao processo principal nº 10730.720006/2006 18 por ser decorrência dos mesmos fundamentos e fatos, a discussão sobre a existência de crédito a ser compensado; portanto, limitase aqui a se transcrever o relatório apresentado naquela minuta de Resolução: Trata o presente processo de requerimento para compensação integral de recolhimento pelo recorrente, na condição de contribuinte, de valores relativos ao IRPJ sobre operações de hedge que deixaram de ser retidos por força de liminar em mandado de segurança, confirmado em sentença posteriormente reformada em grau de apelação. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório que se encontra de acordo com a legislação de regência da matéria e com os elementos de prova juntados aos Autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido ... Versa este processo sobre declarações de compensação (PER/DCOMP). través do Despacho Decisório Parecer Conclusivo n° 232412009 (fls. 591/598), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$24.528.624,49 (já utilizado em PER/DCOMP anteriores), foram admitidas as PER/DCOMP retificadoras, não foi reconhecido o direito creditório no valor de R$414.161 ,90 e, em conseqüência, não foram homologadas as compensações declaradas por intermédio da PER/DCOMP retificadora 17260.61677.120107.1.7.049019. ... No Parecer, o SECAT aponta que o pagamento efetuado por intermédio do darf de fl. 19, que o interessado alega indevido, "foi efetuado em função da decisão judicial de fls. 107/116 que deu provimento ao recurso da União denegando a liminar e reformando a sentença em primeira instância, favoráveis ao contribuinte". Acrescenta que, para se beneficiar da exclusão da multa de mora em função do disposto no art. 63, §2°, da Lei n° 9.430/1996, o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, de acordo com os esclarecimentos prestados pelo SECAT e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 117/118 e 119, respectivamente). E que, conforme item 19, a, do Parecer Normativo SRF n° I, de 24/09/2002, no caso de não retenção do IRRF por força de decisão judicial, caso a decisão final confirme devido o imposto em litígio, este se considera vencido na data prevista para o encerramento do período de apuração Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Resolução nº 2301000.585 S2C3T1 Fl. 315 3 em que o rendimento for tributado. O valor compõe o saldo negativo do IRPJ, desde que comprovada a tributação dos rendimentos. ... O recolhimento foi devido, uma vez que a decisão no mandado de segurança impetrado pelo interessado lhe foi desfavorável. Assim, não cabe restituição do valor total do darf (IRRF, multa e juros) apenas o valor do principal (IRRF) pode vir a ser restituído, posto que pode compor o saldo negativo do IRPJ (ainda que o recolhimento tenha sido efetuado pelo próprio interessado, em decorrência de responsabilidade tributária em face de não retenção pela fonte pagadora por força de decisão judicial), desde que comprovada a tributação dos rendimentos (como ocorreu). ... A multa de mora era devida, conforme entendeu a Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 119) entendimento que deve ser acatado. Assim, procede a imputação efetuada conforme demonstrativos de fls. 588/590. Para maior detalhamento seguem transcrições de trechos da manifestação de inconformidade e do Parecer SEORT/DRF/NITERÓI n° 2324/2009: Manifestação de inconformidade 8. Como já restou esclarecido e devidamente comprovado ao órgão da Delegacia da Receita Federal em Niterói,nas respostas às intimações relativas ao presente processo n° 10730.720006/200618 (f1s.158 a 549), o referido DARF consiste no imposto de renda que a Ampla recolheu diante da publicação de decisão final no mandado de segurança que impetrou em 18/02/1999 contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, objetivando não sofrer a retenção do imposto de renda na fonte em relação aos rendimentos auferidos nas operações de hedge contratadas por meio de swap, com base no art. 5° da Lei n° 9.779/99 (processo n° 99.02006353). 9. Nesse mandado de segurança, a Ampla (à época, CERJ Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro) obteve liminar em 18/02/1999 e lhe foi assegurada, por sentença, a não retenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de hedge contratadas por meio de swap (sentença proferida pelo Juizo da 4" Vara Federal de Niterói em 23/09/1999 e publicada em 07/10/1999). . 10. A União Federal recorreu da sentença por meio de recurso de apelação ao Tribunal Regional Federal (processo nº 2000.02.01.023717). A apelação da União foi julgada em 16/08/2005, contrariamente à Ampla, pela 3º Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2º Região, tendo o acórdão declarado devida a retenção do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos provenientes de operações de hedge contratadas por meio de swap (acórdão publicado em 06/09/2005). Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Resolução nº 2301000.585 S2C3T1 Fl. 316 4 11. Contra o acórdão, a Ampla opôs embargos de declaração em 12/09/2005, com o objetivo de serem sanadas as omissões do acórdão embargado e de ser reconsiderada a declaração de que era devida a retenção do imposto de renda na fonte, isto é, uma vez sanadas tais omissões, poderiam acarretar a alteração do próprio julgado. ... 13. No entanto, o recurso apresentado pela Ampla foi julgado improcedente (acórdão publicado em 06/03/2006) e, como conseqüência, restou devida a retenção do imposto de renda na fonte. 14. Diante do acórdão publicado em 06/03/2006, a Ampla decidiu recolher o imposto de renda que, por força de provimento judicial (medida liminar de 18/02/1999 e, posteriormente, sentença de 23/09/1999), nãO havia sido retido pelas fontes pagadoras no ano calendário 2002 relativamente aos rendimentos auferidos em operações de hedge. Para tanto, a Ampla adotou o procedimento estabelecido no Parecer Normativo nº 1, de 24.09.2002, segundo o qual: ... Os rendimentos auferidos nas operações que geraram o recolhimento do imposto de renda pela Ampla em 04/04/2006 foram devidamente contabilizados no anocalendário 2002 e submetidos à tributação na DIPJ correspondente (DIPJ 2003), o que já foi expressamente validado pelo órgão da Delegacia da Receita Federal em Niterói (fl. 594 do presente processo nº 10730.720006/200618), adiante demonstrado no item IV.2; ... Parecer SEORT/DRF/NITERÓI n° 2324/2009 Efetuada a necessária imputação proporcional verificase que o contribuinte, por intermédio do pagamento de fl.19, amortizou apenas R$ 24.528.624,49 do valor do IRRFonte, código 5273, devido como antecipação do IRPJ relativo ao de 2003, anocalendário de 2002, conforme comprovam os demonstrativos de fls.588/590. O valor, supracitado, tratandose de IRRFonte sobre rendimentos sujeitos a tributação antecipada, deveria compor o saldo negativo do IRPJ apurado no exercício de 2003, anocalendário de 2002, desde que comprovada a tributação dos respectivos rendimentos, não se configurando o recolhimento efetuado por intermédio do DARF de fls.19 em pagamento indevidamente efetuado. É o Relatório. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Resolução nº 2301000.585 S2C3T1 Fl. 317 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De acordo com o novo Regimento Interno deste CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, as Primeira e Segunda seções são competentes para julgamento de processos relativos ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF): Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; ... Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Contudo, buscouse evitar um eventual conflito de competências quando o tributo objeto da retenção na fonte é o IRPJ. Neste caso, a competência foi reservada expressamente à Primeira Seção do CARF. E o caso a ser examinado é justamente a compensação com supostos recolhimentos indevidos de IRPJ que deveria ter sido retido pela fonte pagadora. De forma precisa, o RICARF também cuida da atribuição de competências para processos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso. Como se vê, a competência é determinada pela origem do crédito, no caso o IRPJ não retido na fonte por força de medida liminar: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Resolução nº 2301000.585 S2C3T1 Fl. 318 6 Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Assim, entendo que o presente processo apenso ao processo principal nº 10730.720006/200618, com mesmo encaminhamento, foi distribuído indevidamente a esta Segunda Seção; portanto, na forma do artigo 6º, 7§º do RICARF encaminhoo para Secretaria da Primeira Seção para nova distribuição: Art. 6º (...) §7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. Diante do exposto, voto por reconhecer a falta de competência desta turma para apreciação da matéria e encaminhar o processo à Primeira Seção do CARF para redistribuição. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.905117/2013-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 30/09/2012
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar, alicerçado em documentos pertinentes, a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento veiculado mediante PER/DCOMP, pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 1001-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar, alicerçado em documentos pertinentes, a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento veiculado mediante PER/DCOMP, pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão n.º 06-67.306 da 9ª Turma da DRJ/CTA, de 29 de agosto de 2019 (fls. 75 a 83): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 51 17 /2 01 3- 76 Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.531 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.905117/2013-76 Trata-se de Declaração de Compensação, às e-fls. 15 a 20, pleiteada pelo Contribuinte e objeto de Despacho Decisório à e-fl. 02, que foi indeferida por indisponibilidade do crédito alegado. Abaixo, encontram-se tabelados os dados do Despacho Decisório e da PER-DCOMP em questão, bem como os documentos constantes dos autos em ordem cronológica: Dados da PER/DCOMP Documentos do Processo em ordem cronológica 2. Cientificado o contribuinte do Despacho Decisório, em 16/07/2013, apresentou manifestação de inconformidade, em 15/08/2013, às e-fls. 03 a 06, onde, em síntese, aduziu os argumentos que seguem. 2.1 Que para o período de apuração referente ao terceiro trimestre de 2012, apurou incorretamente, pelo modalidade do lucro presumido, o IRPJ a pagar no montante de R$ 61.805,92 e saldou-o, em 31/10/2012, às fls. 21. 2.2 Em síntese, conforme tabelas abaixo, em relação ao cálculo do IRPJ a pagar, cometeu dois erros. O primeiro diz respeito a apuração do total da receita bruta tributada que, de R$ 2.770.354,93 restou majorada para R$ 2.829.827,73 e o segundo, com relação ao IRRF que, ao invés de deduzi-lo do imposto devido, somou-o: Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.531 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.905117/2013-76 2.3 A diferença entre o valor efetivamente devido de R$ 60.577,81 e o valor pago de R$ 61.805,92, resultou em um crédito no montante de R$ 1.228,10 que foi compensado com débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em 09/04/2013, através da DCOMP, ora sob litígio. 2.4 Esclarece que o valor pago à maior de IRPJ, no montante de R$ 61.805,92, foi objeto de confissão em DCTF, contudo, não foi retificada e, que o valor apurado e corretamente devido de R$ 60.577,81, encontra-se informado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica, apresentada em 25/06/2013, à e-fl. 36. 2.5 Propugna que os fatos incorridos devem-se a erro meramente formal no preenchimento da DCTF e cita a ementa de Acórdão do 2° CC – 3a. Câmara – Rec n° 107669 – Rel. Lina Maria Vieira – j. 23-02-2000), abaixo transcrito: “LANÇAMENTO – ERRO DE FATO – REVISÃO – Constatado, de forma inequívoca, erro no preenchimento da declaração, o lançamento deve ser revisto, em qualquer etapa do processo, ainda que tenha sido formalizado a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte, em atendimento ao princípio da verdade material dos fatos e aos preceitos do art. 149, IV, do Código Tributário Nacional.” 2.6 Para justificar o alegado, anexa o comprovante do pagamento a maior (DARF – Documento de Arrecadação de Receitas Federais), à e-fl. 21, no valor de R$ 61.805,92; a DCOMP, objeto do presente, às e-fls. 15 a 20; a DCTF original, em que se evidencia, segundo o contribuinte, a confissão do débito a maior, à e-fl. 25, e a DIRPJ, onde se encontra a apuração do valor correto do IRPJ a pagar, no montante de R$ 60.577,81, à e-fl. 36. 2.7 Ao final, a recorrente requer que seja declarada a ocorrência de erro de fato; que seja determinada a retificação da DCTF, conforme o valor de R$ 60.577,82, corretamente apurado na DIRPJ; que seja desqualificada a compensação constante da DCOMP sob análise, referente ao IRPJ, no montante de R$ 883,09, por não ter cabimento, já que se trata de débito do mesmo tributo que gerou o crédito para o mesmo período; que seja reconhecida a existência do crédito original, referente ao 3° Trimestre de 2012, a título de IRPJ, no montante de R$ 1.228,10 e, por conseqüência, a procedência da compensação, ora sob litígio. É o relatório. A DRJ/CTA julgou improcedente o pedido da empresa recorrente contido em sua manifestação de inconformidade, por entender a DRJ que: [...] 10. Retificar a DCTF para diminuir o valor da dívida anteriormente confessada, e, portanto, evidenciar o crédito objeto de pagamento a maior que o devido é a mesma situação contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. [...] 11. Assim, de todo o exposto, conclui-se que, no caso em questão, a manifestante não satisfez a contento o ônus que lhe incumbia, dado que a alegação de existência de pagamento, indevido ou a maior, encontra-se fundada exclusivamente em informações constantes de DIRPJ, em descompasso com as orientações contidas no Parecer Normativo COSIT n° 02, de 28 de agosto de 2015, acima mencionado, e nos parágrafos do art. 9° da IN 1.110/2010 [...] 12. Destarte, não há como, em consonância com o art. 170 do CTN, abaixo transcrito, se garantir a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, a título de Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.531 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.905117/2013-76 pagamento a maior, e, consequentemente, não se é de homologar a compensação pleiteada. [...] Diante do exposto, voto no sentido de, mantendo o teor do despacho decisório, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Face ao referido Acórdão da DRJ/CTA, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 89 a 95), defendendo, em síntese, que: [...] por um erro meramente formal, deixou de retificar a DCTF onde demonstrava o valor devido, ou seja, permaneceu o valor calculado incorretamente. [...] Importante ressaltar que a DIPJ é a declaração que apura o valor devido do imposto, e a DCTF é utilizada apenas para demonstrar esse valor já calculado. Além disso a DIRPJ já foi homologada, ou seja, o valor efetivamente apurado está correto. [...] Dessa forma, o órgão fiscalizador, inicialmente, deveria ter diligenciado para certificar-se do equívoco e, quando identificado, retificar de ofício o erro cometido. [...] Assim, para restabelecer a verdade material, o contribuinte entende que a DRJ deve determinar a retificação da DCTF, relativa ao 3º Trimestre de 2012, para que o valor devido, e aproveitado do DARF, seja de R$ 60.557,82, código 2089, restando assim saldo a restituir, podendo então ser homologado o crédito e a compensação realizada. Por fim, a empresa Recorrente pleiteia a reforma da decisão prolatada pela 9ª Turma da DRJ/CTA com o consequente reconhecimento de seu direito creditório bem como a pretendida validação da compensação discutida. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2.º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria CARF n.º 146, de 12 de dezembro de 2018, considerando-se tratar da análise de crédito oriundo de pagamento oriundo ou a maior de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, ano-calendário 2012. Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.531 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.905117/2013-76 Ainda, observo que o recurso é tempestivo (interposto em 17 de outubro de 2019, vide Termo de Análise de Solicitação de Juntada, fl. 87, face ao Termo de Ciência datado de 16 de outubro de 2019, fl. 154) e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Relativamente ao mérito do presente processo, necessário indicar que a empresa contribuinte declarou e recolheu em DCTF a quantia de R$ 61.805,92, tendo registrado em DIPJ a quantia de R$ 60.577,81, pelo que suscitou a que referida empresa buscasse obtenção do crédito de R$ 1.228,11. Apesar disso, a contribuinte indicou crédito na PER/DCOMP relativo à quantia de R$ 2.417,56 (fl. 17). A DRJ indicou que não seria sua competência “retificar” a DCTF, e que esta haveria de ter sido retificada observando-se os dispositivos da Instrução Normativa SRF (atual RFB) nº 1110/2010 (arts. 9º e 9º-A), que estabelecem requisitos para a retificação de DCTFs, indicando, dentre os requisitos para a demonstração da redução do tributo a pagar, a necessidade de apresentação dos documentos relativos às possíveis inconsistências (§1º, do art. 9º-A), a fim de que se possa comprovar erros de fato eventualmente alegados pela empresa contribuinte. Na fl. 92, a empresa recorrente indica que a DIPJ foi devidamente homologada e, por essa razão, a DRJ haveria de ter enviado o processo à Unidade de Origem, para que esta promovesse a retificação de Ofício. A empresa recorrente trouxe ainda indicação de que tal situação seria decorrente de erro de fato e o Fisco teria identificado o erro de fato se tivesse observado a jurisprudência do CARF citada nas fls. 92 e 92 (1ª Conselho de Contribuintes – 3ª Câmara – Rec nº 28445 – Rel. Mary Elbe Gomes Queiroz), a qual aduz, em síntese, que, inicialmente, caberia ao Fisco investigar a prova do erro de fato. Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.531 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.905117/2013-76 A empresa contribuinte ainda traz como argumento o art. 149 do CTN, quando o mesmo indica necessidade de o Fisco revisar de ofício eventuais atos comprovadamente eivados de erros. Ocorre, no entanto, que a empresa contribuinte, embora advertida pela DRJ a apresentar a documentação comprobatória do erro de fato, não a apresentou, tendo se limitado a invocar jurisprudências e dispositivos legais sem correlação direta à comprovação do crédito, na medida em que a comprovação do crédito, á luz do art. 170 do CTN, requer a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, o que não foi demonstrado documentalmente e faticamente, com meios de prova hábeis, a exemplo da escrituração contábil do período. Assim, relativamente ao argumento da recorrente, segundo o qual o Fisco não teria observado o entendimento do 1ª Conselho de Contribuintes – 3ª Câmara – Rec nº 28445 – Rel. Mary Elbe Gomes Queiroz, o qual aduz, em síntese, que, inicialmente, caberia ao Fisco investigar a prova do erro de fato, vale mencionar que o fato de haver entendimento nesse sentido, não vincula análises e decisões do CARF posteriores, na medida em que não se constituem como súmula vinculante. Ademais, o Fisco, sempre observa, em sua base de dados os registros existentes, a fim de que possa garantir ao contribuinte a análise adequada dos lançamentos tributários e análises de crédito devidas. Ocorre que as informações supostamente equivocadas decorrem, ou seja, tiveram como causa de origem, as próprias informações errôneas apresentadas pela empresa recorrente, cuja demonstração de equívoco não é de responsabilidade do Fisco, mas sim da própria empresa contribuinte. Ademais, quando a empresa contribuinte traz como argumento o art. 149 do CTN, quando o mesmo indica necessidade de o Fisco revisar de ofício eventuais atos comprovadamente eivados de erros, este dispositivo se refere aos atos ou lançamentos tributários em que a própria administração tributária possui elementos para revisá-los. Nesse caso, a empresa contribuinte não trouxe os elementos de caracterização da certeza e liquidez do crédito pretendido, à luz do art. 170 do CTN. Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.531 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.905117/2013-76 A ausência de demonstração cabal por parte da empresa contribuinte, por não ter apresentado documentos hábeis à comprovação do direito pleiteado, como escrituração contábil do período, devidamente registrada e chancelada pelo órgão oficial competente, com apresentação de termo de abertura e termo de encerramento bem como livros diário e razão, acompanhados de assinatura dos responsáveis pela empresam, resulta na impossibilidade de caracterização da certeza e da liquidez do crédito citado, impossibilitando sua compensação. Nesse contexto, vale mencionar entendimentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nesse mesmo sentido: Acórdão CARF nº 3003-000.717 Número do Processo: 10880.915344/2008-76 Data de Publicação: 19/12/2019 Contribuinte: EBF INVESTIMENTOS LTDA Relator(a): MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/10/2002 CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento PER/DCOMP pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN. Acórdão CARF nº 3002-000.770 Número do Processo: 16327.900339/2009-10 Data de Publicação: 15/07/2019 Contribuinte: BTG PACTUAL CORRETORA DE MERCADORIAS LTDA Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade do despacho decisório por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa, haja vista que ele consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. Compete à interessada, na forma da legislação em vigor, a comprovação da liquidez e certeza do crédito informado em DCOMP. O princípio da verdade material não transfere à Administração o ônus da apresentação de prova de erro material e direito creditório, o qual recai sobre aquele que o alega. DCTF DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Descabe à autoridade administrativa a retificação de ofício da DCTF se o contribuinte não comprova, mediante a apresentação de documentação idônea e suficiente, a existência do erro material alegado. Diante da não comprovação do erro de fato, por meio dos documentos hábeis a tal comprovação, e, tendo se limitado a recorrente a buscar, equivocadamente, a indicar a Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-002.531 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.905117/2013-76 responsabilidade do Fisco em promover a revisão de ofício, mesmo não sendo o presente caso em análise objeto de revisão de ofício, o indeferimento da compensação tributária pleiteada é medida que se impõe. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10680.720586/2012-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART 138 DO CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, a compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo. Neste sentido, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento segundo o qual é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedente: AgInt nos EDcl nos EREsp. 1.657.437/RS, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 17.10.2018.
Numero da decisão: 9101-005.513
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por negar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
ANDREA DUEK SIMANTOB Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
ALEXANDRE EVARISTO PINTO - Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ART 138 DO CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, a compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo. Neste sentido, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento segundo o qual é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedente: AgInt nos EDcl nos EREsp. 1.657.437/RS, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 17.10.2018. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por negar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) ANDREA DUEK SIMANTOB – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) ALEXANDRE EVARISTO PINTO - Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 86 /2 01 2- 16 Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de recurso especial do Procurador em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301-004.206, de 13/11/2019, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para assegurar-lhe o direito de excluir a multa moratória sobre os débitos declarados em DCOMP, após os prazos de seus vencimentos, aplicando o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138, do CTN. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. A compensação é hipótese de extinção do crédito tributário contida na acepção do termo “pagamento” ínsito no art. 138 do CTN. No caso concreto, a e. Turma a quo entendeu pela aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 ao caso em apreço. Encaminhados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, o recurso especial foi interposto antes de decorrido o prazo regimental de 15 (quinze) dias contados da ciência do acórdão recorrido, logo, é tempestivo. Ademais, foi interposto por parte legítima, qual seja, a Fazenda Nacional, por meio de Procurador habilitado. Cientificada, a recorrente interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial em relação à aplicação do art. 138 do CTN, mormente a equiparação da compensação ao pagamento. A divergência foi admitida nos seguintes termos: Sobre a matéria objeto da divergência interpretativa ora suscitada, a recorrente afirma o seguinte, in verbis: Trata o presente processo DCOMP apresentada pelo recorrente, na qual o crédito indicado era o saldo negativo de IRPJ do ano base 2004, no montante de R$ 31.393,18, para compensar débitos de PIS (código 6912) no valor de R$ 13.275,47; e de Cofins (código 5856) no valor de R$ 21.614,91, ambos de julho de 2005. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 O despacho decisório nº 824985434 reconheceu em favor da recorrente o crédito de R$ 29.361,91 e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. Assim a compensação extinguiu integralmente o débito de PIS e parcialmente o de Cofins, em razão dos acréscimos moratórios considerados na compensação formalizada. O colegiado a quo, analisando o feito, deu provimento à insurgência do contribuinte. Por pertinente, colaciona-se a ementa do acórdão mencionado, verbis: Acórdão nº 1302-004.206 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. A compensação é hipótese de extinção do crédito tributário contida na acepção do termo “pagamento” ínsito no art. 138 do CTN.” Contudo, o acórdão recorrido não conferiu a melhor interpretação jurídica aos fatos e aos dispositivos legais pertinentes, merecendo reforma, conforme se passa a demonstrar nas razões abaixo. (...) A única questão em debate nos presentes autos é a possibilidade de se exigir multa de mora sobre tributos pagos após o seu vencimento, mediante declaração de compensação, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por consequência, de se aplicar o instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. O v. acórdão recorrido, analisando o feito, entendeu ser inexigível a multa de mora, porquanto a confissão e o pagamento por meio da compensação se deram de forma espontânea. (...) Contudo, analisando caso concreto semelhante, a 1ª Turma da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF e a 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento decidiram de forma contrária ao colegiado ora recorrido. Observe-se o inteiro teor das ementas dos Acórdãos nº 3301-01.282 e nº 1102-00.092: (...) Acórdão nº 3301-01.282 - 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 30/04/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NECESSÁRIO O PAGAMENTO. Dentre as modalidades de extinção do crédito tributário o legislador elegeu apenas o pagamento, no caso de denúncia espontânea. (...) Nº Acórdão 1102-00.092 (...) Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS MORATÓRIOS. CABIMENTO. - A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora. (...) Como se vê, é manifesta a identidade (ou similitude) fática entre as situações analisadas no acórdão recorrido e no(s) paradigma(s). Em todos os casos confrontados questionava-se sobre a configuração da denúncia espontânea. Adotada como premissa a exigência estatuída no julgado do STJ de que é preciso, para caracterizar o instituto previsto no art. 138 do CTN, retificar a declaração, noticiando e quitando concomitantemente a diferença informada (acompanhada dos juros de mora). Discute-se se o requisito da "quitação concomitante", é ou não satisfeito com a apresentação de DCOMP (compensação). Todos os acórdãos foram proferidos após o STJ ter manifestado seu entendimento de forma pacífica no Recurso Especial (REsp) nº 1.149.022 (julgado em 09/06/2010). Nada obstante a semelhança fática dos casos confrontados, os Colegiados adotaram entendimento jurídico divergente. O acórdão recorrido excluiu a incidência de multa de mora, considerando-se que o contribuinte interessado promoveu a transmissão de DCOMP, após o vencimento do débito, com inclusão de juros diante do fato de que ainda não havia qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Nos acórdãos paradigmas, ficou consagrado que a compensação não se equipara a pagamento para fins de aplicação da denúncia espontânea. Ou seja, não se poderia falar em denúncia espontânea, haja vista a declaração de compensação, não obstante seja instrumento de confissão de dívida e meio idôneo para a extinção do crédito tributário, não se confundir com o pagamento, termo expressamente referido no art. 138 do CTN. Com efeito, para o crédito não integralmente pago no vencimento, o art. 161 do CTN determina o acréscimo de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária, dentre as quais insere-se a multa de mora, estipulada na Lei nº 9.430/1996. Não havendo pagamento conforme exige o art. 138 do CTN, o envio de DCOMP após o vencimento do débito não teria o condão de caracterizar a denúncia espontânea. (...) Pois bem, pelo exame dos trechos do acórdão recorrido transcritos na peça recursal, bem como do inteiro teor desse julgado, é possível verificar que a recorrente logrou êxito em demonstrar o prequestionamento da matéria, pois a Turma entendeu que, para fins do disposto no art. 138 do CTN, a extinção do crédito tributário via declaração de compensação tem o mesmo efeito que pagamento, sendo incabível, nessa situação, a exigência de multa de mora sobre o crédito tributário extinto por meio de DCOMP. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 A recorrente demonstrou haver, nessa matéria, divergência interpretativa entre o acórdão recorrido e o primeiro acórdão apontado como paradigma nº 3301- 01.282. De fato, (i) enquanto no acórdão recorrido entendeu-se que, para fins do disposto no art. 138 do CTN, a extinção do crédito tributário via declaração de compensação produz o mesmo efeito (denúncia espontânea) que o pagamento, (ii) no primeiro paradigma entendeu-se que a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN limita-se à extinção de crédito tributário realizada mediante pagamento, não se estendendo à declaração de compensação. Sobre o assunto, veja-se o seguinte trecho do voto condutor do primeiro acórdão paradigma: Voto Vencedor (...) Conforme dispõe o art. 138 do CTN, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. A recorrente alega haver cumprido a exigência imposta referente ao pagamento do tributo devido, o qual teria se dado pela compensação, forma de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, II do CTN. (g.n.) Observe-se que o art. 156 do CTN lista onze modalidades de extinção do crédito tributário. Todavia, em se tratando de denúncia espontânea, o legislador elegeu tão somente o pagamento como forma de excluir a responsabilidade da infração. (g.n.) Portanto, vez a compensação não se confunde com pagamento, a forma adotada pela interessada não se subsume àquela prevista na legislação tributária, inexistindo a denúncia espontânea, razão pela qual nega-se provimento ao recurso voluntário. (g.n.) (...) Todavia, a recorrente não demonstrou haver, na matéria, divergência interpretativa entre o acórdão recorrido e o segundo acórdão apontado como paradigma, nº 1102-00.092. De fato, a tese defendida no segundo paradigma é a de que a denuncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não exclui a exigência da multa de mora, mesmo que a extinção em atraso do crédito tributário seja realizada mediante pagamento. Vejamos, sobre o assunto, o seguinte trecho do voto condutor do segundo paradigma: O contribuinte invoca a denúncia espontânea para afastar a multa de mora. Não obstante não desconhecer a existência de posições divergentes, entendo que o instituto da denúncia espontânea da infração, tratado no artigo 138 do CTN, não tem o condão de excluir a multa de mora. O legislador ordinário, ao decretar as regras para implementação dos atos procedimentais que visam a dar eficácia às regras de incidência tributária, determinou que o adimplemento espontâneo, fora do prazo, da obrigação tributária, sujeita-se à multa de mora. Assim, a menos que se negue aplicação aos dispositivos legais que tratam da imposição da multa de mora, outra conclusão não é possível Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 senão a de que a exclusão de penalidades tratada no artigo 138 do CTN não abrange a multa de mora. Caso contrário, estaria configurada uma verdadeira contradição em seus termos. Não é possível admitir, ao mesmo tempo, que: (a) todo pagamento espontâneo, fora do prazo, só pode ser feito acompanhado da multa de mora (Lei 7.799/88, art. 74, Lei 8.218/91, art. 3° , Lei 8.383/91, art. 59, Lei 8.981/95, art. 84, Lei 9.430/96, art. 61); e (b) sé o pagamento fora do prazo for feito de forma espontânea, afasta-se a multa de mora. A espontaneidade (no pagamento extemporâneo) é pressuposto da incidência da multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição. A mora é elementar do tipo. A denúncia espontânea somente afasta a responsabilidade por infrações desconhecidas das autoridades fazendárias. A mora não é fato que possa se imputar desconhecido pelo Fisco, visto que decorre do mero transcurso do tempo. (g.n.) A lei vigente impõe que o pagamento de tributo após a data do vencimento deve ser acrescido de juros de mora e multa de mora, não cabendo a este Colegiado, integrante do Poder Executivo, negar-lhe aplicação. (...) Assim sendo, como não há ali o enfrentamento da matéria ora suscitada pela recorrente, não restou demonstrado haver divergência interpretativa entre o acórdão recorrido e o segundo paradigma. Pois bem, em relação ao primeiro paradigma, é de se dizer que os demais pressupostos para admissibilidade do especial encontram-se presentes, senão vejamos: a) o colegiado que exarou o acórdão recorrido é distinto do colegiado que exarou o acórdão paradigma; b) o acórdão recorrido não adotou como fundamento nenhuma das súmulas do CARF, da CSRF ou do Conselho de Contribuintes expedidas até a data do presente despacho, no que concerne a divergência interpretativa sob exame; c) a recorrente reproduziu integralmente a ementa do acórdão paradigma no corpo do recurso especial; d) o paradigma não foi exarado por qualquer das turmas extraordinárias de julgamento; e) até a data do presente despacho, o acórdão paradigma não contraria: (i) súmula vinculante do STF; (ii) decisão definitiva do STF ou do STJ, exarada sob o rito dos recursos extraordinários ou especiais repetitivos; (iii) súmula ou resolução do Pleno do CARF; e (iv) decisão definitiva plenária do STF que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo; f) até a data do presente despacho, o acórdão paradigma não foi reformado na matéria que aproveita a recorrente. Tendo em vista todo o exposto, e com base no que dispõem os arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, OPINO no sentido de que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional seja admitido, mas apenas em relação ao primeiro acórdão apontado como paradigma, nº 3301-01.282. Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 No mérito sustenta a Fazenda Nacional que o legislador elegeu somente o pagamento como forma de excluir a responsabilidade da infração pela denúncia espontânea. Logo, a compensação, meio adotado pelo contribuinte para extinguir condicionalmente o crédito tributário, não pode afastar a incidência da multa no presente caso. No caso dos autos, o contribuinte apresentou uma DCOMP (Declaração de Compensação) como forma de extinção do débito tributário, tendo a Egrégia Turma, consequentemente, determinado a exclusão da multa de mora sob a justificativa de que quando transmitida a DCOMP não havia qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Sustenta que tanto o STJ quanto o CARF somente aplicam o instituto da denúncia espontânea no caso do pagamento do tributo (que não se confunde com declaração de compensação). Indicando como fundamento os arts. 156 e 170 do CTN, além do art. 74 da Lei n. 9.430/1996. Das normas citadas, verifica-se que a compensação e o pagamento constituem duas modalidades distintas de extinção do crédito tributário. Nesse contexto, não cabe estender o benefício da denúncia espontânea para a compensação, uma vez que o art. 138 do CTN se refere tão somente ao pagamento. É o relatório no que reputo essencial. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE EVARISTO PINTO, Relator. Recurso especial do Procurador - Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo. Assim dispõe o RICARF no art. 67 de seu Anexo II acerca do Recurso Especial de divergência: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º Para efeito da aplicação do caput, entende-se que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartando-se os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas, na sua integralidade, no corpo do recurso, admitindo-se ainda a reprodução parcial da ementa desde que o trecho omitido não altere a interpretação ou o alcance do trecho reproduzido. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23-A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; II - decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543- C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) III - Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e IV - decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 § 13. As alegações e documentos apresentados depois do prazo fixado no caput do art. 68 com vistas a complementar o recurso especial de divergência não serão considerados para fins de verificação de sua admissibilidade. § 14. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído pela Portaria MF nº 39, de 2016) [...] O cotejo analítico dos acórdãos paradigmas suscitados vis-à-vis o acórdão recorrido demonstra a divergência indicada. O recurso especial da PGFN deve ser conhecido com fundamento nas razões do Presidente de Câmara, aqui adotadas na forma do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784, de 1999. Recurso especial do Procurador - Mérito A discussão envolve a possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea em pedido de compensação. Em uma acepção ampla, a compensação – enquanto modalidade de extinção do crédito – teria o mesmo efeito do pagamento. Conforme bem indicado pelo i. Conselheiro Caio Quintella, no Acórdão 9101-005.420: Entende-se que existem inúmeras normas de Direito Tributário que equiparam o pagamento à compensação, em todos seus efeitos. Dessa forma, temos, inicialmente, que considerar que o art. 156 do CTN arrola ambas hipóteses como forma de extinção do crédito tributário, sem fazer qualquer distinção entre elas . Por outro lado, é correto ponderar que existem requisitos e procedimentos formais específicos para o reconhecimento do crédito objeto de compensação, ao passo que as regras de quitação por recolhimento são mais simples e objetivas. Nesse esteira, pode-se alegar que o crédito compensado por DCOMP está sujeito a processo formal e especifico para sua homologação, podendo ser denegado pela Fiscalização. Voltando, agora, à analise dos efeitos da compensação, temos que o próprio § 2º, do art. 74, da Lei nº. 9.430/96, que regula a compensação por DCOMP, dispõe que a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Por sua vez, no que tange a tributos sujeitos a lançamento por homologação, o Parágrafo Único do art. 150 do CTN traz previsão muito semelhante ao regular seu recolhimento (pagamento antecipado), rezando que o pagamento antecipado pelo obrigado nos Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. É inegável que ambos normativos atribuem os mesmos efeitos e as mesmas condições para ambas modalidades de quitação tributária, inclusive se valendo o legislador da Lei Federal de redação idêntica àquela empregada no Codex Tributário, naquele parágrafo único do art. 150, em relação à extinção do crédito." Note-se que o raciocínio presente no voto do Conselheiro Caio Quintella aponta muito bem o uso da condição resolutória no Direito Tributário, mais especificamente nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, de modo que ainda que o pagamento do tributo tenha se dado em dinheiro, no lançamento por homologação ele estará sujeito à condição resolutória, tal qual acontece em um pedido de compensação. Conforme contextualiza Carlos Augusto Daniel Neto, “A posição que passou a prevalecer apontou inicialmente que nos trabalhos da comissão de elaboração do CTN já se vinculava a denúncia espontânea à reparação ou regularização da infração, não restringindo o alcance apenas ao pagamento, mas a qualquer meio de satisfação do Erário. Em seguida, aduziu que a distinção semântica entre os termos “pagamento” e “compensação” é utilizada em parte específica da legislação, enquanto no restante do CTN, a expressão “pagamento” é utilizada de forma indiscriminada, como sinônimo de “adimplemento”, trazendo diversas menções do Código para ilustrar esse argumento, com destaque ao art.165, que dá direito “à restituição “seja qual for a modalidade do seu pagamento”. (NETO, Carlos Augusto Daniel. A Compensação Tributária como meio de realização da denúncia espontânea. In: PINTO, Alexandre Evaristo; NETO, Carlos Augusto Daniel; RIBEIRO, Diego Diniz; Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Direto do CARF. Escritos Analíticos sobre a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, p. 42-47) A partir da análise de tal cenário, verifica-se que o termo “pagamento” deve incluir a compensação conforme uma interpretação ampla, que vai de acordo com os objetivos do artigo 138 do CTN. Considerando que o legislador tributário previu diversas formas de extinção da obrigação tributária, quer nos parecer que não era o objetivo do legislador, na instituição do art.138, do CTN, limitar as possibilidades de adimplemento da obrigação tributária. Como decorrência de tal interpretação, se a compensação foi feita antes de qualquer procedimento fiscal e da declaração de informação do débito às autoridades fiscais, cabe a aplicação do art.138 do CTN. Ante todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) ALEXANDRE EVARISTO PINTO - Relator Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como bem noticiou o I. Relator, a matéria acerca da qual a PGFN logrou demonstrar dissídio jurisprudencial foi recentemente analisada por este Colegiado, no Acórdão nº 9101-005.420, no qual prevaleceu o voto condutor desta Conselheira, cujos fundamentos aqui também se prestam ao reconhecimento do direito pleiteado pela recorrente. De forma semelhante ao verificado naqueles autos, nestes o acórdão recorrido afastou a multa de mora acrescida aos débitos em atraso indicados para compensação sob o entendimento de que a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário e que, em tais condições, equivale a pagamento apto a atrair os efeitos da denúncia espontânea previstos no art. 138, do CTN. Assim, levando em consideração que a DCOMP foi apresentada antes da confissão dos débitos em DCTF, reconheceu a denúncia espontânea da infração em favor da Contribuinte. Inicialmente importa contextualizar que a 1ª Turma da CSRF já se manifestou contrariamente à caracterização de denúncia espontânea na compensação de débitos em atraso. Neste sentido são os seguintes julgados: MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa de mora decorrente da utilização de débitos vencidos em Declaração de Compensação DCOMP. (Acórdão nº 9101-002.218 - Sessão de 3 de fevereiro de 2016). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento, mormente quando as compensações promovidas em atraso não foram acompanhadas dos juros de mora devidos. (Acórdão nº 9101-002.516 - Sessão de 13 de dezembro de 2016). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, tem-se por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. (Jurisprudência das Primeira e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justiça STJ). (Acórdão nº 9101-002.969 - Sessão de 5 de julho de 2017). IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS. LEGALIDADE. A imputação proporcional dos pagamentos referentes a tributos, penalidades pecuniárias ou juros de mora, na mesma proporção em que o pagamento o alcança, encontra amparo no artigo 163 do Código Tributário Nacional. DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART 138 DO CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, a compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo. (Acórdão nº 9101-004.231, de 6 de junho de 2019). Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 Na mesma linha foi a decisão, por voto de qualidade 1 proferida na sessão de 10 de setembro de 2019, e objeto do Acórdão nº 9101-004.384. Do voto condutor do Acórdão nº 9101-002.516 são extraídos os fundamentos que se prestam a refutar o entendimento da Contribuinte e validar a pretensão da PGFN: O cabimento da multa de mora sempre foi objeto de discussão frente ao entendimento da Administração Tributária de que seu acréscimo seria exigível em todos os casos de recolhimento em atraso. Argumentava-se, como de fato o fez a PFN, em suas razões recursais, que o art. 138 do CTN somente excluía a imposição de multa de ofício, mormente tendo em conta que o mesmo diploma legal, em seu art. 134, parágrafo único, reconhecia a existência de penalidades de cunho moratório, além de trazer ressalva, em seu art. 161, acerca da possibilidade de penalidades se somarem aos juros de mora devidos em face de crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Admitir-se que o recolhimento espontâneo do tributo em atraso deveria ser acompanhado, apenas, de juros de mora, resultaria na completa impossibilidade de exigência da multa de mora, pois se o recolhimento fosse promovido antes do início do procedimento fiscal a multa de mora não seria cobrada e, se iniciado o procedimento fiscal, já seria o caso de aplicação da multa de ofício. Contudo, em 08 de setembro de 2008, parte da discussão foi pacificada com a publicação da Súmula nº 360, pelo Superior Tribunal de Justiça: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Consolidou-se o entendimento no sentido de que o pagamento a destempo, ainda que acrescido de juros de mora, não caracterizaria denúncia espontânea da infração, vez que o Fisco já tinha conhecimento dos valores devidos em razão de prévia declaração apresentada pelo sujeito passivo. Neste sentido, também, os julgados proferidos, logo na seqüência, no Recurso Especial nº 886.462-RS e no Recurso Especial nº 962.379-RS, já na sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 543-C do antigo Código de Processo Civil. Da ementa do primeiro extrai-se: TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 - Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08. No voto condutor deste julgado, o Ministro Teori Albino Zavascki destacou sua abordagem do tema no julgamento de Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 541.468: " (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa 1 Vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado). Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários cuja existência já esteja formalizada (=créditos tributários já constituídos) e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. Nesse sentido: Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed., SP, Saraiva, 2004, p. 440. Conforme assentado em precedente do STJ, "não há denúncia espontânea quando o crédito em favor da Fazenda Pública encontra-se devidamente constituído por autolançamento e é pago após o vencimento" Observou, ainda, que o alcance da jurisprudência consolidada limitava-se à não- configuração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte: 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a não- configuração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, pode-se afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. Nesse sentido, o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 545 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO FORA DO PRAZO. IRRF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA NÃO CONSTANTE DA DCTF. POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. 1. É cediço na Corte que 'Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento.' (REsp n.º 624.772/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 31/05/2004) 2. A inaplicabilidade do art. 138 do CTN aos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação funda-se no fato de não ser juridicamente admissível que o contribuinte se socorra do benefício da denúncia espontânea para afastar a imposição de multa pelo atraso no pagamento de tributos por ele próprio declarados. Precedentes: REsp n.º 402.706/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 15/12/2003; AgRg no REsp n.º 463.050/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 04/03/2002; e EDcl no AgRg no REsp n.º 302.928/SP, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 04/03/2002. 3. Não obstante, configura denúncia espontânea, exoneradora da imposição de multa moratória, o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando este débito resulta de diferença de IRRF, tributo sujeito a lançamento por homologação, que não fez parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos Federais. 4. In Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 casu, o contribuinte reconhece a existência de erro em sua DCTF e recolhe a diferença devida antes de qualquer providência do Fisco que, em verdade, só toma ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 5. Ademais, a inteligência da norma inserta no art. 138 do CTN é justamente incentivar ações como a da empresa ora agravada que, verificando a existência de erro em sua DCTF e o conseqüente autolançamento de tributos aquém do realmente devido, antecipase a Fazenda, reconhece sua dívida, e procede o recolhimento do montante devido, corrigido e acrescido de juros moratórios." (AgRg no Ag 600.847/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 05/09/2005"". (*) destaquei Nestes termos, resta claro que o pagamento em atraso do tributo devido, ainda que acrescido dos juros de mora e promovido antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, não caracteriza denúncia espontânea, se houve prévia declaração constitutiva do débito. Em tais circunstância, o lançamento é desnecessário, o Fisco pode promover a cobrança do crédito tributário e o sujeito passivo está obrigado a pagá-lo com o acréscimo de multa de mora, além dos juros de mora. Consolidado o entendimento de que era devida multa de mora no pagamento em atraso de débitos declarados, estabeleceu-se a pretensão de aplicação do entendimento sumulado a contrario sensu, ou seja, a exclusão da multa de mora nos casos de pagamento em atraso de débitos não declarados. Isto também porque o Superior Tribunal de Justiça firmou a natureza punitiva da multa moratória ao cancelar a Súmula STJ nº 191, segundo a qual inclui-se no crédito habilitado em falência a multa fiscal simplesmente moratória , e substituí-la pela Súmula STJ nº 565, no sentido que a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência . Emerge daí a discussão acerca da necessidade de o pagamento, além de ser acrescido dos juros de mora, ser acompanhado de instrumento de denúncia da infração, bem como se esta denúncia deveria se dar por meio de documento constitutivo do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou em sede de recursos repetitivos acerca da hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento do fisco), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. A ementa do julgado proferido no Recurso Especial nº 1.149.022SP é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De tudo o quanto foi exposto até este momento sobressai a necessidade, para a configuração da denúncia espontânea, de que haja pagamento total do tributo anteriormente não declarado, acompanhado dos juros de mora, antes de iniciado procedimento de ofício. [...] É certo que a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, incisos I e II do CTN. Com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação expressamente reconhecida como extintiva do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação 2 . 2 Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 Nestes termos, a compensação deixa de ser precedida de pedido para ser promovida com efeitos extintivos imediatos, descritos de forma semelhante à extinção prevista no art. 156, VII do CTN, para os casos de pagamento antecipado e homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. Cogitase, assim, da equiparação da compensação a pagamento para fins de caracterização de denúncia espontânea e conseqüente afastamento da multa de mora na liquidação de débitos em atraso, caso o direito creditório apontado pelo sujeito passivo seja reconhecido ao menos parcialmente. Inicialmente cumpre observar que as manifestações do Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos acerca da aplicação do art. 138 do CTN se restringiram a casos nos quais houve efetivo pagamento, o que autoriza a livre convicção acerca da questão. Contudo, é possível recolher daqueles julgados a conclusão de que a denúncia espontânea somente se caracteriza quando reporta fato desconhecido pelo Fisco. A partir deste pressuposto, sem adentrar à equiparação da compensação a pagamento, é possível excluir a ocorrência de denúncia espontânea em face de débito antes confessado e posteriormente informado em DCOMP para extinção mediante compensação. Já com referência aos débitos não declarados, considerando que a DCOMP é, também, instrumento de confissão de dívida, a indicação de débitos em atraso para compensação com acréscimo, apenas, dos juros de mora, representaria conduta semelhante àquela examinada no Recurso Especial nº 1.149.022-SP, em rito de recursos repetitivos, a demandar avaliação acerca admissibilidade da compensação como forma de extinção hábil a conferir os benefícios da denúncia espontânea. Invocando manifestação da Coordenação de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil favorável ao reconhecimento da denúncia espontânea em face de compensação, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo assim se posicionou no voto condutor do Acórdão nº 1302-001.673: [...] Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denuncia espontânea quando o pagamento se dá por compensação, a Receita Federal, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconhece que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, pode configurar denúncia espontânea. E isto porque, a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende ao exigências do artigo 138 do CTN acima transcrito que dispõe que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora…” Transcrevo abaixo, a parte da Nota Técnica nº. 1 COSIT de 18/01/2012, que trata do assunto: “ Aplicabilidade da denúncia espontânea no caso de compensação 18 Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como conseqüência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicasse o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art 138 do ; (…) Revisão de ofício do lançamento 19. Uma vez identificadas pelas unidades da RFB as situações em que se configuram a denúncia espontânea, não deve ser exigida mais a multa de mora” Ainda que assim não fosse, a denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN), assegura ao contribuinte que confessar uma infração ao dever de pagar determinado tributo a exclusão da multa que seria devida como penalidade por ter deixado de cumprir a obrigação tributária. Tal norma decorre do princípio da boa-fé que deve nortear as relações obrigacionais entre Fisco e contribuinte e, por conta disso, somente se aplica no caso de o Fisco não ter detectado a infração em abertura de procedimento específico de fiscalização antes do contribuinte revelar tal fato à autoridade fiscal. A forma clássica de extinção do crédito tributário (aqui entendido como obrigação tributária), é o pagamento, como aliás diz expressamente o artigo 156, I, do CTN. Contudo, o próprio artigo 156, em seu inciso II, elege a compensação também com o forma de extinção do tributo Não poderia ser diferente, pois a compensação nada mais é do que um encontro de contas entre devedor e credor, em que ambos possuem um débito e um crédito respectivo que se compensam, não havendo necessidade de que cada um pague sua dívida para com o outro. A compensação é aplicada plenamente no direito privado e foi também prevista no direito tributário. A peculiaridade é que no caso dos tributos somente a lei de cada ente tributante pode definir as hipóteses de compensação e as regras a ela aplicáveis. No caso de tributos federais, apesar de o CTN ser de 1966, a compensação somente veio a ser inicialmente prevista pela Lei nº 8.383, de 1991. Atualmente a Lei nº 9.430, de 1996, com diversas alterações, é quem disciplina no âmbito federal a compensação de tributos, sendo que há normas da Receita Federal que regulamentam o instituto. O artigo 74 da Lei 9.430 é expresso em dizer que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua posterior homologação — essa última expressão apenas significa que a compensação será analisada pelo Fisco no prazo de cinco anos para ser então homologada ou não. Assim, sendo a compensação uma extinção de obrigação tributária legalmente reconhecida, não há dúvidas de que quando o contribuinte usa o encontro de contas para pagar determinado tributo, e desde que possa se aplicar a regra do art. 138 do CTN (especialmente que o tributo não tenha sido objeto prévio de fiscalização pela Receita Federal), a multa não poderá incidir nessa hipótese. Ocorre que a Receita Federal (conforme Nota Técnica Cosit nº 19/2012 e Solução de Consulta da Cosit nº 384/2014) tem manifestado ultimamente o entendimento no sentido de que a compensação não teria sido expressamente contemplada pelo artigo 138 do CTN que somente se referiria ao “pagamento” como hipótese que permite a denúncia espontânea. Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 Ora, essa interpretação do Fisco, além de ser totalmente literal, o que já é um absurdo em si mesmo, contraria a interpretação sistemática que deve ser feita dessa norma com as demais regras do próprio CTN e da Lei 9.430. Se o CTN e a Lei 9.430 expressamente outorgam à compensação o poder de extinguir o crédito tributário, dando à compensação o mesmo efeito jurídico que o pagamento, e levando em conta ainda a própria natureza do encontro de contas como meio adequado à extinção de uma obrigação, não se pode permitir que o Fisco se apoie em interpretação literal e nitidamente arrecadatória. Ademais, o intuito do legislador do CTN ao criar o instituto da denúncia espontânea foi o de prestigiar o contribuinte de boa-fé que se antecipa ao Fisco e declara ter cometido uma infração ao dever de pagar tributos e com isso tem assegurada a exclusão da penalidade. O uso da compensação como forma de pagamento não pode menosprezar o direito à espontaneidade previsto na norma tributária que, por óbvio, deve prevalecer contra a interpretação totalmente literal promovida pelo Fisco Federal. O fato de a compensação depender de uma homologação do Fisco nada altera a situação, até porque o pagamento também está sujeito à homologação no prazo de cinco anos tratando-se de tributo sujeito ao auto lançamento. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio de sua 1ª Turma, já teve oportunidade de analisar essa questão no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1136372/RS, relator o ministro Hamilton Carvalhido (decisão publicada no Diário da Justiça em 18.05.2010), em que afirmou que fica caracterizada a denúncia espontânea tanto no pagamento clássico, via guia de pagamento, quanto na compensação, sendo que o único requisito para validar a denúncia espontânea é justamente o fato de o Fisco não ter tido prévio conhecimento da infração antes dessa informação ser revelada pelo contribuinte. Segue abaixo a ementa do REsp em questão, in verbis: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1136372/RS. Agravo Regimental no Recurso Especial 2009/00759399, Ministro Hamilton Carvalhido (1112), T1 Primeira Turma, 04/05/2010, DJe 18/05/2010) Assim, superada a possibilidade de se fazer configurada a denúncia espontânea nos casos de compensação, entendo que não há mais o que se discutir. Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar a cobrança de multa moratória sobre os débitos pagos através de compensação, uma vez que restou configurada a denuncia espontânea. (*) destaques acrescidos Assim, como o próprio voto consigna, a orientação da Coordenação Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal contida na Nota Técnica Cosit nº 1/2012 foi revogada pela Nota Técnica Cosit nº 19/2012. Além disso, também o entendimento do Superior Tribunal de Justiça foi alterado. Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 É que o precedente acima referido, proferido pela Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, foi invocado na Segunda Turma daquele Tribunal ao decidir Embargos de Declaração em Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.375.380/SP, consoante expresso em sua ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instâncias ordinárias, refere-se a tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verifica-se estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. Todavia, em julgado recente a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reformou aquele posicionamento ao apreciar Agravo Interno no Recurso Especial nº 1.585.052RS, consoante expresso no voto condutor do julgado, proferido pelo Ministro Humberto Martins: [...] Conforme consignado na análise monocrática, a denúncia espontânea é uma benesse legal que exige para sua implementação o pagamento do tributo devido, acrescido dos juros de mora correspondentes. Logo, a hipótese do art. 138 do CTN exige o pagamento do tributo que não se confunde com o pedido de compensação. Quando, em vez de realizar o pagamento, o contribuinte apresenta pedido de compensação, a extinção do crédito tributário está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência dos encargos moratórios. Desse modo, sendo a compensação dependente de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. A propósito, esse é o entendimento da jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, como demonstram as ementas dos seguintes julgados: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SUPOSTA OFENSA AO ARTIGO 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 211/STJ. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa aos art. 535 do CPC se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo." (Súmula 211/STJ). 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, tem-se por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN".(AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido" (AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/09/2015, DJe 17/09/2015 – grifo nosso ); "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fático-probatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, egunda urma, Je 15/05/2012; gRg no R sp 98 066/ G, Rel inistro Herman Benjamin, egunda urma, Je 23/04/2012; R sp 1206178/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, Je 17/11/2011; gRg no g 1378589/ F, Rel inistro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, tem-se por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido" (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012 – grifo nosso.). Por fim, esclareço que não se desconhece o precedente citado nas razões recursais (EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015.). Contudo, trata-se de julgamento isolado cuja tese contrária e predominante nesta Corte, com julgamento de ambas as Turmas de Direito Público, foi reafirmada pela Segunda Turma no julgamento do AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, em 03/09/2015, DJe 17/09/2015. Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 Ante o exposto, não tendo a agravante trazido argumento capaz de infirmar a decisão agravada, nego provimento ao agravo interno. (negritou-se) Vários Colegiados deste Conselho também manifestaram-se contrariamente à denúncia espontânea mediante compensação, consoante expresso nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 [...] COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. (Acórdão nº 1301-001.991, Relator Conselheiro Waldir Veiga Rocha, sessão de 03 de maio de 2016) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1993 a 31/07/1994 [...] DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea, o art. 138 do CTN exige-se a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 3802-004.034, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, sessão de 27 de janeiro de 2015) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 [...] IMPUTAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO AOS DÉBITOS COMPENSADOS EM ATRASO. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. REGULARIDADE. O direito creditório reconhecido deve ser imputado proporcionalmente aos débitos compensados acrescidos de multa e juros de mora devidos até a data da compensação. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 1302-001.736, Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, sessão de 10 de dezembro de 2015) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 04/2011. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 08/2011. ABRANGÊNCIA. AUSÊNCIA DE DISPOSIÇÃO SOBRE COMPENSAÇÃO. Os Atos Declaratórios PGFN n° 04/2011 e n° 08/2011 autorizam a dispensa de contestação em ações judiciais envolvendo a denúncia espontânea, sendo que o primeiro ato define que a multa de mora deve ser afastada e o segundo ato Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 esclarece que caracteriza a denúncia espontânea o pagamento, concomitante à retificação da declaração, da diferença de débito declarado a menor, mas ambos os atos nada dispõem sobre se a compensação configura ou não o instituto do art. 138 do CTN. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO-EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. Para efeito da caracterização da denúncia espontânea a compensação não se equipara ao pagamento, já que possuem efeitos distintos, pois este extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior, e aquele sujeita-se a uma condição resolutória de decisão de não-homologação, que pode retornar o débito à condição de não-extinto. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. IMPUTAÇÃO. REGULARIDADE. Se a declaração de compensação é entregue posteriormente ao vencimento dos débitos incidem-se multa e juros de mora, de acordo com o art. 61 da Lei n° 9.430/96, que afasta a alegação de falta de previsão legal, sendo válido o procedimento de imputação do crédito primeiramente no principal e posteriormente nos respectivos acréscimos moratórios, e assim sucessivamente para cada débito, em ordem crescente de data de vencimento. (Acórdão nº 1801-001.835, Relator Conselheiro Roberto Massao Chinen, sessão de 05 de dezembro de 2013) Oportuna a transcrição dos argumentos expostos pelo Conselheiro Roberto Massao Chinen no voto condutor deste último acórdão citado: De acordo com o legislador, o pagamento, ao lado da compensação, são espécies do gênero “modalidades de extinção”. O que vale para o gênero vale para a espécie, mas a recíproca não é verdadeira, lógica esta que se extrai do silogismo aristotélico. Se a compensação também excluísse a responsabilidade pela denúncia espontânea, porque não o fariam as demais formas de extinção do crédito tributário? A dação em pagamento em bens imóveis (inciso XI) configura denúncia espontânea? É mais razoável e prudente concluir que, se o legislador pretendesse contemplar a compensação, ou outras formas de extinção do crédito, não teria escrito somente “pagamento” no caput do art. 138 do CTN. Se assim o fez, é porque quis dizer que pagamento é pagamento, e não se confunde com compensação. E de fato, trata-se de duas espécies distintas, com efeitos diferenciados. O pagamento extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior. O mesmo não ocorre com a compensação, porque ela se sujeita a uma condição (resolutória) de decisão de não-homologação, que resolve (reverte) os efeitos, fazendo com que o débito retorne à condição de não-extinto. Teleologicamente falando, a denúncia espontânea guarda similaridade com o instituto do arrependimento, do direito penal, que o CP garante sob duas formas, o arrependimento eficaz (art. 15) e o posterior (art. 16). Em ambas, o benefício (responder somente pelos atos já praticados e redução da pena, respectivamente) somente é concedido quando houver prova do arrependimento (impedimento do resultado no art. 15 e reparação do dano e restituição da coisa no art. 16). Nos dois institutos, o penal e o tributário, a função é a mesma: a prevalência da premiação sobre o castigo. Se no direito penal exige-se certeza de que o acusado está arrependido, o mesmo vale para a denúncia espontânea. E tal certeza somente é obtida pelo pagamento. Art. 15 O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 16 Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 voluntário do agente, a pena será reduzida de um será reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) A título de reforço, constatei que vários dos processos de compensação relacionados no início do acórdão já foram julgados em segunda instância. Dentre estes, os que tiveram que enfrentar o assunto da denúncia espontânea, todos, sem exceção, foram julgados no mesmo sentido do presente voto, conforme atestam as seguinte ementas: Número do Processo 19647.004707/2005-31 Contribuinte TELERN CELULAR S/A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/09/2013 Relator(a) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Nº Acórdão 1101-000.945 Acordam os membros do colegiado em: 1)por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade; e 2)por voto de qualidade, G R R V ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento, mormente se as compensações promovidas em atraso não foram acompanhadas dos juros de mora devidos. ________________________________________________ Número do Processo 19647.004708/2005-85 Contribuinte TELERN CELULAR S/A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 29/03/2011 Relator(a) MARIA DE LOURDES RAMIREZ Nº Acórdão 1801-000.520 Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. A imputação proporcional, quando os débitos incluídos na Declaração de Compensação se encontram vencidos, não necessita de previsão legal, tratando-se simplesmente de critério aritmético para determinação de quanto do valor devido foi possível extinguir com o crédito oferecido. _________________________________________________ Número do Processo 19647.004733/2005-69 Contribuinte TELEPISA CELULAR S.A. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 15/12/2010 Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 Relator(a) SELENE FERREIRA DE MORAES Nº Acórdão 1803-000.725 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Fonseca Vicentini, Luciano Inocêncio dos Santos e Benedicto Celso Benício Júnior, que davam provimento ao recurso. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. O procedimento do sujeito passivo por meio do qual confessa a existência de débito e requer compensação não corresponde à denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que compensação não é pagamento. [...] Observe-se, ainda, que a Contribuinte alega que para o crédito objeto da compensação já se encontrava em poder da Receita Federal do Brasil desde o final de 2004, antes, portanto, do vencimento dos débitos compensados e da formalização da compensação. Contudo, desde a edição da Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, e que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação de direito creditório do sujeito passivo somente é efetivada mediante a apresentação de Declaração de Compensação – DCOMP. Como elemento constitutivo da compensação, a extinção do débito compensado somente se verifica na data de apresentação da declaração, quando o sujeito passivo manifesta sua vontade de utilizar o crédito que entende possuir. Por fim, adicione-se que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já firmou posicionamento unânime em favor do entendimento aqui defendido. Neste sentido é a manifestação invocada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho ao apreciar, na Primeira Turma da Primeira Seção, o Agravo Interno no Recurso Especial nº 1798582 – PR: [...] 5. No mais, o acórdão recorrido e a decisão agravada estão em perfeita harmonia com a jurisprudência atual e consolidada desta Corte. 6. Com efeito, a Primeira Seção pacificou entendimento segundo o qual é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedente: AgInt nos EDcl nos EREsp. 1.657.437/RS, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 17.10.2018. 7. Ainda: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. NÃO OCORRÊNCIA. I - O presente feito decorre de ação objetivando o não recolhimento de multa de mora no regime de denúncia espontânea, bem como o direito de compensar o indébito. Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a sentença foi reformada. II - O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que não se aplica o benefício da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária. Nesse sentido: AgInt nos EDcl nos EREsp n. 1.657.437/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, julgado em 12/9/2018, DJe 17/10/2018 e REsp n. Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 1.569.050/PE, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 5/12/2017, DJe 13/12/2017. III - Agravo interno improvido (AgInt no REsp. 1.720.601/CE, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 7.6.2019). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. (...) II - Restou sedimentado nesta Corte o entendimento segundo o qual revela-se incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária, porquanto, em tal hipótese, a extinção do débito submete-se à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo Fisco. (...) VI - Agravo Interno improvido (AgInt no REsp. 1.473.998/SC, Rel. Min. REGINA HELENA COSTA, DJe 2.5.2019). 8. Ante o exposto, nega-se provimento ao Agravo Interno da Empresa. É o voto. Referido julgado, proferido em 08 de junho de 2020, está assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CÓDIGO FUX. SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA NÃO PROVIDO. 1. As razões do Apelo Nobre indicam genericamente ofensa ao art. 1.022 do Código Fux, sem apontar, de forma clara e objetiva, em que consiste o suposto vício do acórdão recorrido e sem demonstrar a sua importância para o deslinde da causa. Não é suficiente, para tanto, a mera afirmação genérica da necessidade de análise, pelo julgado, de determinados dispositivos legais. Incidência da Súmula 284 do STF. 2. A Primeira Seção pacificou entendimento segundo o qual é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedente: AgInt nos EDcl nos EREsp. 1.657.437/RS, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 17.10.2018. 3. Agravo Interno da Empresa não provido. Este acórdão evidencia o entendimento unânime dos atuais Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria), em decisão proferida em 08/06/2020 (AgInt no REsp nº 1798582/PR), e o entendimento unânime dos atuais Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães), em decisão proferida em 23/05/2019 (AgInt no REsp. nº 1.720.601/CE). Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 9101-005.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.720586/2012-16 Correto, portanto, o acréscimo da multa moratória na imputação do direito creditório reconhecido aos débitos compensados em atraso. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10920.902413/2012-44
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 1003-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Benatti Marcon, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Benatti Marcon, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Per/DComp e Despacho Decisório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 24 13 /2 01 2- 44 Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.624 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.902413/2012-44 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 04991.61491.310311.1.2.02-3603 em 29.12.2010, e-fls. 28-43, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$25.015,20 do primeiro trimestre do ano-calendário de 2006, apurado pelo regime de lucro real para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 03-12: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 25.015,20 25.015,20 CONFIRMADAS [...] 23.019,50 23.019,50 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 25.015,20 Valor na DIPJ: R$ 25.015,20 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 25.015,20 IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$23.019,50 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página da internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada rio PER/DCOMP 33520.03249.040215.1.3.02-7504 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 04991.61491.310311.1.2.02-3603 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do parágrafo 1° do art. 6° da Lei 9.430, de 1996. Art. 40 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 2012. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 43 da Instrução Normativa RF8 nº 1.300, de 2012. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado no Acórdão da 2ª Turma DRJ/BHE/MG nº 02-94.136, de 25.07.2019, e-fls. 59-64: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.624 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.902413/2012-44 do relator, para reconhecer direito creditório remanescente no valor de R$ 392,51, além do já admitido no despacho decisório, e: homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido; deferir o pedido de restituição, até o limite do crédito reconhecido subtraído das parcelas desse mesmo crédito utilizado em compensação. Recurso Voluntário Notificada em 07.04.2021, e-fl. 69, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.05.2021, e-fls. 71-74, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: A empresa apresentou Saldo Negativo Original de IRPJ do 1º Trimestre do Ano Calendário 2006 no valor de R$ 25.015,20, a Receita federal do Brasil apurou que a empresa teria disponível somente o valor de Saldo Negativo de R$ 23.019,50, depois da solicitação de manifestação de inconformidade ela chegou a um novo valor de R$ 23.412,01 conforme planilha de Análise das parcelas de Créditos confirmadas parcialmente ou não confirmadas. Neste sentido viemos pedir novamente análise do despacho decisório, anexando digitalmente os documentos comprobatórios validando os valores apresentados pela nossa empresa e vem ainda esclarecer algumas situações. Na Manifestação de inconformidade apresentada anteriormente os processos eram protocolados fisicamente na RFB, agora com o avanço da tecnologia ficou mais fácil o envio do grande volume de notas e documentos eletronicamente. A empresa entrará em contato como tomadores de serviços para tentar que os mesmos declarem os valores retidos em DIRF e assim não gerar divergências entre as declarações, mas caso alguns não o façam estamos enviando as notas fiscais e razão contábil para comprovar a origem do crédito. No que concerne ao pedido conclui que: Diante do exposto, requer a revisão do processamento da Per/Dcomp e do despacho decisório mencionado, para que seja lhe concedido o valor do crédito por ela apurado no valor de R$ 25.015,20. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da existência do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$1.603,19 (R$25.015,20 – R$23.019,50 – R$392,51) referente ao primeiro Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.624 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.902413/2012-44 trimestre do ano-calendário de 2006 (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que deve ser considerado o conjunto probatório produzido nos autos que evidenciam o direito creditório. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, no tempo e lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.624 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.902413/2012-44 Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”, conforme art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A pessoa jurídica pode determinar o IRPJ ou a CSLL com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário nas condições de tempo, lugar e forma previstos no art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e nos art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Retenção na Fonte. Súmulas CARF nºs 80 e 143 O Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O IRRF, código 1708, refere-se às importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas civis ou mercantis pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional (art. 52 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 6º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.624 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.902413/2012-44 anual à alíquota incidente de 1,5% (um e meio por cento). O beneficiário é a pessoa jurídica prestadora do serviço e o imposto é recolhido pela fonte pagadora até último dia útil do primeiro decêndio do mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 03-12: Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 01.387.260/0001-24 1708 72,34 0,00 72,34 Retenção na fonte não comprovada 01.593.174/0001-78 1708 19,14 0,00 19,14 Retenção na fonte não comprovada 02.111.314/0001-97 1708 276,69 0,00 276,69 Retenção na fonte não comprovada 02.122.628/0001-95 1708 94,28 91,59 2,69 Retenção comprovada em DIRF 02.544.117/0001-61 1708 52,16 50,34 1,82 Retenção comprovada em DIRF 02.843.443/0001-70 1708 18,32 0,00 18,32 Retenção na fonte não comprovada 03.094.629/0001-36 1708 833,45 585,80 247,65 Retenção comprovada em DIRF 03.294.882/0001-33 1708 52,16 50,34 1,82 Retenção comprovada em DIRF 03.346.298/0001-84 1708 156,53 108,05 48,48 Retenção comprovada em DIRF 04.029.414/0001-02 1708 15,82 0,00 15,82 Retenção na fonte não comprovada 53.113.791/0001-22 1708 95,02 45,06 49,96 Retenção comprovada em DIRF 76.360.874/0001-11 1708 148,13 57,42 90,71 Retenção comprovada em DIRF 76.535.764/0001-43 1708 22,31 0,00 22,31 Retenção na fonte não comprovada 76.592.484/0001-77 1708 81,24 63,25 17,99 Retenção comprovada em DIRF 79.896.726/0001-04 1708 156,48 151,02 5,46 Retenção comprovada em DIRF 80.992.589/0001-90 1708 115,89 115,79 0,10 Retenção comprovada em DIRF 82.611.567/0001-69 1708 125,28 120,90 4,38 Retenção comprovada em DIRF 83.123.745/0001-75 1708 28,00 0,00 28,00 Retenção na fonte não comprovada 83.240.333/0001-15 1708 199,36 192,39 6,97 Retenção comprovada em DIRF 83.615.393/0001-75 1708 39,04 38,07 0,97 Retenção comprovada em DIRF 84.683.382/0001-95 1708 294,27 284,43 9,84 Retenção comprovada em DIRF 84.684.182/0001-57 1708 651,54 611,39 40,15 Retenção comprovada em DIRF 84.687.003/0001-35 1708 88,56 85,47 3,09 Retenção comprovada em Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.624 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.902413/2012-44 DIRF 84.694.405/0001-67 1708 113,99 73,34 40,65 Retenção comprovada em DIRF 84.709.963/0001-59 1708 52,16 50,34 1,82 Retenção comprovada em DIRF 84.715.671/0001-29 1708 197,97 0,00 197,97 Retenção na fonte não comprovada 85.129.518/0001-82 1708 96,17 95,17 1,00 Retenção comprovada em DIRF 86.050.762/0001-18 1708 167,90 156,57 11,33 Retenção comprovada em DIRF 86.757.481/0001-08 1708 114,33 0,00 114,33 Retenção na fonte não comprovada 89.637.490/0001-45 1708 1.535,50 891,60 643,90 Retenção comprovada em DIRF Total 5.914,03 3.918,33 1.995,70 Consta no Acórdão da 2ª Turma DRJ/BHE/MG nº 02-94.136, de 25.07.2019, e- fls. 59-64: Em pesquisa realizada para fundamentar este julgamento, foram encontradas nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras, para o 1º trim./2006, retenções de IRPJ na fonte em benefício da interessada no montante de R$ 23.412,01, valor superior ao anteriormente confirmado no despacho, R$ 23.019,50, e também ao comprovado nesta contestação. Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito, conforme as Súmulas CARF nºs 80 e 143, em cuja apuração do saldo negativo foram deduzidas as retenções de tributos, conforme o acervo fático-probatório composto do Livro Razão de e-fls. 102-136 e das notas fiscais com retenção de IRRF de e-fls. 137-253 do ano-calendário de 2006 (Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994). Direito Superveniente: Súmulas CARF nºs 80 e 143 Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp com base em retenções na fonte. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.624 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.902413/2012-44 analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.731953/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
RECURSO COM MESMO TEOR DA IMPUGNAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO MERECE REPAROS.
Nos termos da legislação do Processo Administrativo Fiscal, se o recurso repetir os argumentos apresentados em sede de impugnação e não houver reparos, pode ser adotada a redação da decisão recorrida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
O resgate de contribuição à previdência privada é rendimento tributável sujeito à incidência do imposto na fonte, sendo o valor retido considerado redução do devido na declaração de rendimentos da pessoa física.
RESGATE DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. ISENÇÃO. REQUISITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A exclusão da incidência do imposto sobre a renda, na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, sobre o valor do resgate das contribuições de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido da pessoa física, somente será admitida se devidamente comprovada nos autos.
MULTA DE OFÍCIO LANÇADA.
Nos casos de lançamento de ofício, aplica-se a multa de 75% sobre o imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata.
Numero da decisão: 2201-009.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO MERECE REPAROS. Nos termos da legislação do Processo Administrativo Fiscal, se o recurso repetir os argumentos apresentados em sede de impugnação e não houver reparos, pode ser adotada a redação da decisão recorrida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. O resgate de contribuição à previdência privada é rendimento tributável sujeito à incidência do imposto na fonte, sendo o valor retido considerado redução do devido na declaração de rendimentos da pessoa física. RESGATE DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. ISENÇÃO. REQUISITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A exclusão da incidência do imposto sobre a renda, na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, sobre o valor do resgate das contribuições de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido da pessoa física, somente será admitida se devidamente comprovada nos autos. MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. Nos casos de lançamento de ofício, aplica-se a multa de 75% sobre o imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 19 53 /2 01 0- 73 Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.113 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731953/2010-73 Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário da decisão de fls. 38/47 proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito sobre o lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física referente ao exercício 2009. Peço vênia para transcrever o relatório proferido pela decisão recorrida: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2009, ano-calendário 2008, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 122.340,67. De acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 10/14 c/c os Demonstrativos de fls. 15/16, foram constatadas as seguintes infrações: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 23.039,64. Na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF de R$ 239,67; omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada, PGBL e Fapi, no valor de R$ 438.130,51. Na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF de R$ 65.719,57; dedução indevida com despesa de instrução, no valor de R$ 2.592,29; e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 11.972,24, sendo R$ 8.672,24 referente ao plano de saúde Sul América, em razão de beneficiário não incluído como dependente na Declaração, e R$ 3.300,00 relativo à Clínica de Dermatologia Andrea Botto Ltda., por falta de comprovação. Da Impugnação O contribuinte foi intimado e impugnou, intempestivamente, o auto de infração fazendo nos seguintes termos: Cientificado do lançamento em 22/10/2010 (AR à fl. 28), ingressou o contribuinte, em 23/11/2010, com sua impugnação (fls. 02/07), e respectiva documentação. Em síntese: - no que tange à previdência complementar, informa que aderiu ao plano de previdência complementar junto à instituição Bradesco Vida e Previdência S/A, esclarecendo que no ano de 2008 procedeu a resgates dos valores que havia aplicado no referido plano, tendo sido descontado, dos valores sacados, a título de imposto de renda retido na fonte, o equivalente a 15% - alíquota aplicada às aplicações financeiras, das quais seria o plano referido equiparado para fins de tributação, concluindo que os valores recolhidos, sacados e mesmo o relativo ao tributo retido na fonte foram informados com exatidão nas referidas declarações anuais; - afirma que não há qualquer infração legal em razão da declaração exata dos investimentos / aportes realizados pelo contribuinte, ou mesmo em razão dos valores recolhidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física – anos calendário de 2007 e 2008, com transcrição de posicionamento do Superior Tribunal de Justiça acerca do tema; - alega que a pretensão de tributar verbas que foram tributadas quando vertidas ao plano representa bis in idem a todo título indesejado e vedado pelo texto constitucional, uma vez que as declarações objeto do lançamento não deixam pairar dúvidas de que houve – Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.113 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731953/2010-73 efetiva e expressamente comprovados – a informação pelo contribuinte sobre valores sacados e a prova do recolhimento do tributo devido (retenção fonte de 15% dos valores sacados); - conclui que não há como prosperar a cobrança de valor adicional a título de imposto de renda pelos saques efetuados e antes referidos, porquanto indevido, à vista do recolhimento antecipado pelo Banco Bradesco quando da retenção na fonte da alíquota de 15%, bem como em relação à penalidade pretensamente cobrada, posto inexistir qualquer ilicitude na conduta do contribuinte quando da declaração, eis porque teria informado com fidedignidade e correção os fatos imponíveis à Receita Federal do Brasil, inexistindo qualquer omissão; - por fim, requer seja julgada insubsistente a notificação de lançamento em apreço porque indevida a cobrança de imposto complementar, já corretamente recolhido através de retenção na fonte quando dos saques efetuados no ano de 2008 (retenção fonte de 15%), bem assim em relação à penalidade pretensamente cobrada, inexistindo qualquer omissão. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. DESPESAS DE INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Consideram-se não impugnadas matérias que não tenham sido contestadas pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. O resgate de contribuição à previdência privada é rendimento tributável sujeito à incidência do imposto na fonte, sendo o valor retido considerado redução do devido na declaração de rendimentos da pessoa física. RESGATE DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. ISENÇÃO. REQUISITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A exclusão da incidência do imposto sobre a renda, na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, sobre o valor do resgate das contribuições de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido da pessoa física, somente será admitida se devidamente comprovada nos autos. MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. Nos casos de lançamento de ofício, aplica-se a multa de 75% sobre o imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O contribuinte, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário de fls. 52/58 em que repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação e teceu novos argumentos de que não haveria a incidência de multa de ofício no caso requerendo ainda a aplicação da Súmula CARF n° 14. Requereu perícia (argumento novo) É o relatório do necessário. Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.113 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731953/2010-73 Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Recurso Voluntário O presente Recurso Voluntário foi apresentado no prazo a que se refere o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e por isso, dele conheço em parte e passo a apreciá-lo. Apesar do esforço do Recorrente em tentar comprovar que estava correto e que não deveria ter sido autuada, limitou-se a repetir os argumentos trazidos em sede de impugnação, que já foram devidamente analisados pela decisão recorrida. Mesmo as questões ou alegações relacionadas às provas, são meras alegações, desprovidas do efetivo cotejo com o caso que se apresenta, de modo que concordo com os termos. Aplico ao caso o disposto no artigo 57, § 3º do RICARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Sendo assim, passo a transcrever a decisão recorrida, com a qual concordo e utilizo- me como razão de decidir. Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi Tendo em vista informações constantes dos sistemas da RFB, constatou-se a omissão de rendimentos recebidos do Bradesco Vida e Previdência S/A (CNPJ 51.990.695/0001- 37) a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, no valor de R$ 438.130,51, sendo que na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF de R$ 65.719,57 (ver Descrição dos Fatos, à fl. 11). O contribuinte alega, em sua peça de defesa, que aderiu ao plano de previdência complementar junto à instituição Bradesco Vida e Previdência S/A, esclarecendo que no ano de 2008 procedeu a resgates dos valores que havia aplicado no referido plano, tendo sido descontado dos valores sacados, a título de imposto de renda retido na fonte, o equivalente a 15% - alíquota incidente sobre as aplicações financeiras, das quais seria o plano referido equiparado para fins de tributação, concluindo que os valores recolhidos, sacados e mesmo o relativo ao tributo retido na fonte foram informados com exatidão na referida Declaração de Ajuste Anual – DAA/2009. Alega que a pretensão de tributar verbas que foram tributadas quando vertidas ao plano representa bis in idem a todo título indesejado e vedado pelo texto constitucional. Da peça de defesa consta, também, transcrição de posicionamento do Superior Tribunal de Justiça acerca do tema (duas ementas de julgados). Pois bem. Em pesquisas aos sistemas informatizados da RFB, constatou-se, conforme extrato da correspondente DIRF anexado à fl. 37, que a fonte pagadora Bradesco Vida e Previdência S/A (CNPJ 51.990.695/0001-37) informou pagamentos ao impugnante de rendimentos tributáveis decorrentes de resgate de previdência privada e FAPI – beneficiário pessoa física (código 3223) no montante de R$ 438.130,51, com IRRF correspondente de R$ 65.719,57. No que tange ao código de receita 3223, informado na DIRF, o Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte, referente ao ano-calendário de 2008, assim dispõe: 3223 Resgate de Previdência Privada e Fapi – não optantes FATO GERADOR Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.113 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731953/2010-73 Resgates totais ou parciais pagos por entidade de previdência complementar ou sociedade seguradora, relativos a planos de benefícios de caráter previdenciário estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, e regates totais ou parciais de Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) em decorrência de desligamento dos respectivos planos, pagos a pessoa física residente no Brasil, quando não optantes pela tributação exclusiva de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 2004 (ver código 5565). REGIME DE TRIBUTAÇÃO O imposto retido será considerado antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física. (grifei) Oportuno, também, transcrever o disposto na Instrução Normativa - IN SRF nº 588, de 21/12/2005: Tributação de benefícios e resgates - beneficiário não-optante (...) Art. 12. A partir de 1º de janeiro de 2005, os resgates, parciais ou totais, de recursos acumulados nos planos de benefícios de caráter previdenciário, de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência e Fapi, sujeitam-se à incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), como antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física, calculado sobre: (grifei) I - os valores de resgate, no caso de planos de previdência ou Fapi; II - os rendimentos, representado pela diferença positiva entre o valor recebido e o somatório dos prêmios pagos, no caso de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. § 1º O imposto de que trata este artigo incide sobre o valor dos resgates ou dos rendimentos, sem qualquer dedução, aplicando-se, também, aos resgates efetuados e rendimentos recebidos por participantes, quotistas e segurados ingressados até 31 de dezembro de 2004. § 2º Na hipótese de que trata o inciso II do caput, quando houver recebimento parcelado, o somatório dos prêmios pagos deverá ser proporcionalizado em relação ao valor recebido. § 3º O recolhimento do imposto retido na forma deste artigo será efetuado até o terceiro dia útil da semana subseqüente à data de ocorrência do fato gerador, utilizando-se o código de arrecadação: I - 3223, no caso de resgates pagos por entidade de previdência ou por sociedade seguradora; (grifei) II - 6891, no caso de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n. º 3.000, de 26 de março de 1999, assim estabelece em seu artigo 43, inciso XIV: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769-55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) XIV - os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33); (grifei) (...) Ainda, cabe observar o disposto no artigo 633 do mesmo diploma legal: Art.633. Os benefícios pagos a pessoas físicas, pelas entidades de previdência privada, inclusive as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, estão sujeitos à Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.113 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731953/2010-73 incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, ressalvado o disposto nos incisos XXXVIII e XLIV do art. 39 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33). O artigo 633 está inserido, no RIR/99, na parte atinente ao Livro III (Tributação na fonte e sobre operações financeiras), Título I (Tributação na fonte), Capítulo I (Rendimentos sujeitos à Tabela Progressiva). Quanto ao regime de tributação, o imposto retido será considerado redução do devido na declaração de rendimentos da pessoa física, consoante o § 3º, do art. 620, do RIR/99: Art. 620. Os rendimentos de que trata este Capítulo estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, mediante aplicação de alíquotas progressivas, de acordo com as seguintes tabelas em Reais: (...) § 3º O valor do imposto retido na fonte durante o ano-calendário será considerado redução do apurado na declaração de rendimentos, ressalvado o disposto no art. 638 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12, inciso V). (grifei) É de se esclarecer que, no regime de retenção exclusiva na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora. Por sua vez, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual - DAA. Ou seja, em um primeiro momento, a retenção e o recolhimento do imposto de renda na fonte constitui mera antecipação do imposto efetivamente devido e de exclusiva responsabilidade da fonte pagadora; e, em um segundo momento, há o acerto definitivo para cálculo do montante do imposto devido, apurado anualmente na declaração de ajuste e sob inteira responsabilidade do contribuinte beneficiário do rendimento. Assim, somente com a informação na Declaração de Ajuste Anual - DAA dos totais dos rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte durante o ano-calendário e das deduções legalmente admitidas é que será possível se identificar a base de cálculo do imposto de renda da pessoa física e, por conseguinte, de acordo com a tabela progressiva anual, a alíquota do IRPF aplicável. Ainda, consta da peça de defesa a transcrição de duas ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça, que decidiram que se encontram fora da incidência da tributação na fonte do imposto de renda os valores resgatados após dezembro de 1995, desde que correspondentes às parcelas das contribuições efetuadas no período de 1º/01/89 a 31/12/95. No que tange à questão, tem-se que a Lei 7.713/88, de 22 de dezembro de 1988, com vigência a partir de 1º de janeiro de 1989, no seu art. 6º, inciso VII, dispunha que os benefícios recebidos de entidades de previdência privada estavam isentos do imposto de renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) VII - os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: a) quando em decorrência de morte ou invalidez permanente do participante; b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte; A isenção foi revogada pela Lei 9.250 de 26 de dezembro de 1995: Art. 32. O inciso VII do art. 6º da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.113 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731953/2010-73 "Art. 6º.................................................................. ........................................................................ VII - os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante." O referido Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 dispõe que o resgate das contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 são isentos do imposto de renda: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXVIII- o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (Medida Provisória nº 1.749-37, de 11 de março de 1999, art. 6º); Portanto, a não incidência do imposto de renda alcança exclusivamente o resgate dos rendimentos que correspondem às contribuições efetuadas entre 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. As demais contribuições, quando do seu resgate, estão sujeitas a incidência do imposto de renda. Ocorre que, para que o contribuinte possa usufruir da isenção deve demonstrar, por meio de documentação hábil e inequívoca, que os valores resgatados são resultantes de contribuições feitas entre janeiro de 1989 e dezembro de 1995. Sem essa prova não há como acatar a pretensão do sujeito passivo, pois parte das contribuições podem ter sido vertidas em período não abrangido pela isenção e assim pode não se configurar o direito pretendido, bem como pode tal direito ser apenas parcial. Nesse sentido, oportuna a transcrição de ementas de julgados do antigo Conselho de Contribuinte: APOSENTADORIA - COMPLEMENTAÇÃO - ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - Os benefícios recebidos de entidades de previdência privada isentos, são aqueles que cumprem os dois pressupostos definidos na Lei º7.713/88, art. 6º inciso VII, alínea "b". Recurso negado. 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102-46.047 em 11/06/2003. Publicado no DOU em: 24.09.2003. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - Somente o valor do resgate das contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebidos por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, cujas parcelas de contribuições tenham sido efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31.12.1995, não entra no cômputo do rendimento bruto. Na ausência de comprovação de que o valor devolvido, sobre o qual incidiu imposto de renda na fonte, é pertinente às contribuições pagas nesse período, indefere-se o pedido de restituição do imposto recolhido. Recurso negado. 1º Conselho de Contribuintes / 6a. Câmara / ACÓRDÃO 106-13.504 em 10/09/2003. Publicado no DOU em: 19.11.2003. No caso, o contribuinte resumiu-se a meras alegações, não constando dos autos qualquer documento a amparar sua pretensão. É de se ressaltar que é dever do contribuinte instruir a impugnação com os elementos necessários e suficientes à comprovação do direito que pleiteia, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.113 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731953/2010-73 III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e provas que possuir; Desta forma, e tendo em vista legislação de regência da matéria, considero correto o trabalho da autoridade fiscal, devendo ser mantida a infração apurada, qual seja, omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à Previdência Privada, no valor de R$ 438.130,51, cabendo ressaltar que na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF de R$ 65.719,57. Da Multa de Ofício No que tange à multa de ofício, a mesma, afeiçoada ao Direito Penal, destina-se a punir o infrator da legislação tributária que teve sua(s) irregularidade(s) apuradas em procedimento fiscalizatório conduzido pela autoridade tributária; ou seja, a penalidade recai, apenas, sobre aqueles contribuintes que não cumpriram, espontaneamente, suas obrigações fiscais. Deve-se ressaltar que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente, consoante o artigo 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. A base legal da multa de ofício consta do “Demonstrativo de Apuração da Multa de Ofício e dos Juros de Mora” (fl. 16), valendo transcrever, sobre o percentual aplicado, o que dispõe o inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Da análise do dispositivo acima, podemos constatar que a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I, é devida também nos casos de declaração inexata, ou seja, de equívoco do contribuinte, independentemente da intenção do agente de fraudar o fisco, por oposição ao disposto no parágrafo primeiro do mesmo dispositivo, que trata da ação dolosa, o que não é o caso. No presente caso, as infrações das quais decorreu a multa se inserem na seara comum das declarações inexatas, em razão das irregularidades detectadas pela fiscalização. Nestes termos, deve ser mantida a cobrança da multa de ofício. Isto posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada improcedente a impugnação, mantendo-se o imposto suplementar apurado pela fiscalização, no valor de R$ 64.867,80, mais acréscimos legais cabíveis, sendo R$ 10.101,48 relativos à matéria não impugnada. Atente-se para a diferença entre o montante de R$ 10.101,48 e o montante transferido para o processo nº 10580-721.341/2012-34, que foi de R$ 6.335,90, como se observa do Termo de Transferência de Crédito Tributário de fl. 31 e do extrato do processo de fls. 32/33. Sendo assim, não há o que prover. Quanto à mencionada Súmula CARF n° 14, a mesma não se aplica ao caso, uma vez que não houve a aplicação da multa qualificada para o contribuinte neste caso. Quanto ao pedido de perícia neste momento processual, entende-se pela sua desnecessidade, até mesmo pela disposição do artigo 16, IV, do Decreto n° 70235/1972. Conclusão Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.113 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731953/2010-73 Diante do exposto, conheço em parte do Recurso Voluntário e nego-lhe provimento . (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.723870/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para serem juntadas aos autos peças de ação judicial, para que possa ser avaliada a existência, ou não, de concomitância de discussão administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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(assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase Autos de Infração, lavrados contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social correspondente à a comercialização da produção rural com sub rogação. De acordo com o Relatório Fiscal a os valores do lançamento são referentes as contribuições previdenciárias devidas pela empresa para a SEGURIDADE SOCIAL e contribuição social para os TERCEIROS incidentes sobre as aquisições de produtos rurais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 23 87 0/ 20 15 -3 1 Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 979 2 oriundos de produtores pessoas naturais não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP e referese ao período de 06/2010 a 04/2012, tendo sido lavrados os AI's Debcads nºs 51.058.5345; 51.058.5370 e 51.058.5388. Como bem resumido no relatório da Decisão de primeira instância ( que aqui reproduzimos), consta ainda no Relatório Fiscal as seguintes informações: "O contribuinte tinha como objeto social principal, na época da ocorrência dos fatos geradores, a atividade de frigorífico – abate de bovinos (código de atividade CNAE nº 1011201), segundo comprovante de inscrição e situação cadastral emitido pelo Ministério da Fazenda. A ação fiscal decorreu de procedimento fiscal instaurado inicialmente no contribuinte Tiroleza Alimentos Ltda, CNPJ nº 81.128.373/000144, adquirida pela JBS (TDPF nº 0910100.2014.00646). Em diligência ao endereço cadastrado pela Tiroleza como domicílio tributário (Rua Sebastião Alcebíades Nogueira, 224, bairro Ina, São José dos Pinhais PR), não foi encontrada a empresa, sendo indicado pela vizinhança o seu real endereço a poucas quadras dali, na Rua Antonio Bianchetti, 635. Nesse local, diligenciado, em agosto de 2014, encontrou se o estabelecimento da JBS, filial CNPJ 02.916.265/020195, onde a fiscalização foi atendida pela Sra. Márcia Garbinato, CPF 030.440.57957, empregada, a qual afirmou que a JBS havia comprado às instalações físicas da Tiroleza em São José dos Pinhais (PR) e feito a transferência dos seus empregados para a JBS. Por meio de alguns trabalhadores que se encontravam no local, a fiscalização confirmou que eles eram empregados transferidos da Tiroleza e que continuavam as mesmas atividades em favor da Friboi (nome fantasia da JBS). A comprovação formal da transferência dos empregados da sedematriz da Tiroleza para a JBS está nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, de maio de 2012, na qual consta a movimentação código “N2”, que significa transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de contrato de trabalho. A discriminação desses empregados foi efetuada no demonstrativo Anexo XI (fls. 445/446). O Sr. Idamar Segatti, CPF nº 581.057.94934, sócio da Tiroleza, solicitou que todos os pedidos de documentação fossem direcionados ao Sr. Divaldo Lopes de Andrade, contador da empresa, CPF 809.028.98949, com escritório na Rua Comendador Macedo, 39, conjunto 31, Centro, Curitiba (PR). Ele alegou que não era mais responsável pela empresa, pois a vendeu, em conjunto com seu sócioadministrador Jucimar Gritti, CPF nº 374.197.659 87, para a JBS, e que, por uma questão de sigilo contratual, não poderia apresentar ao Fisco os contratos de compra e venda firmados entre as duas empresas. Ele, questionado se havia sido feito o registro da baixa/incorporação da Tiroleza nos órgãos de registro, respondeu que nada havia sido realizado nesse sentido. Solicitados os documentos ao Sr. Divaldo, contador, foram entregues a contabilidade e folhas de pagamento em meio digital (no formato do Manual Normativo de Arquivos Digitais – Manad), bem como, os contratos sociais até a 27ª alteração contratual feita em 11/9/2012 (cópias do contrato social e alterações no Anexo III). Não foram entregues, as folhas de pagamento da filial com final de CNPJ 001116, apesar do contribuinte ter sido Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 980 3 novamente intimado pela fiscalização em 12/11/2014 (TIF nº 1) e em 23/1/2015 (TIF nº). As cópias de todos os termos de intimação e das respostas da Tiroleza estão no Anexo II fls. 140/197. Diante da falta de apresentação dos contratos de compra e venda firmados entre Tiroleza e o contribuinte, foi efetuada diligência (procedimento fiscal com Termo de Procedimento Fiscal – TDPF nº 0910100.2015.00095) para esclarecer esta situação. Porém, em fevereiro de 2015, quando a fiscalização retornou ao endereço visitado (Rua Antonio Bianchetti, 635), não havia mais atividade no local, tendo o vigilante do prédio informado que esta filial da JBS havia se mudado para a Rua Zilá Walbah Preces, nº 180, em Curitiba (PR). Nesse endereço foi localizada a filial CNPJ 02.916.265/020195 da JBS que, intimada a apresentar quaisquer contratos efetuados pela JBS com a Tiroleza, em 9/3/2015, atendeu à fiscalização, em 30/3/2015, apresentando contratos de compra e venda, de veículos e de unidades industriais, assinados em 28/5/2012 (anexo I de fls. 115/139). Analisados os contratos, constatouse que houve a incorporação da Tiroleza pela JBS, sendo esta a sucessora de fato. Em face da responsabilidade tributária decorrente da sucessão, foi solicitada a abertura de procedimento fiscal na sucessora JBS para o lançamento dos créditos tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos na sucedida Tiroleza. Tendo em vista o não atendimento de intimação para apresentação de parte das Folhas de Pagamento da Tiroleza, foi solicitada essa documentação à sucessora JBS, por meio do Termo que deu início a referida ação fiscal, em 13/5/2015. A JBS, na resposta entregue, em 8/6/2015, alegou que apenas adquiriu da Tiroleza, em maio de 2012, a unidade frigorífica localizada em Ponta Porã (MS) e que por este motivo não poderia entregar os documentos solicitados. O que não é verdade, porque a fiscalização visitou o estabelecimento em São José dos Pinhais (PR) tendo constatado a situação relatada de transferência dos empregados e de continuidade do negócio pela JBS, além disso, a incorporação se revela pela análise dos contratos firmados entre essas pessoas jurídicas. SUCESSÃO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Analisandose os contratos de compra e venda de veículos (Anexo I de fls. 115/120) e de compra e venda de unidades industriais frigoríficas e centros de distribuição e aditivo (Anexo I às fls. 120/139) verificouse, pelas razões que seguem, que não foi apenas a compra de ativos financeiros de uma empresa por outra, mas a incorporação de fato da Tiroleza pela JBS. O contrato de compra e venda das unidades, firmado em 28/5/2012 esclarece, em sua cláusula 2ª, que a Tiroleza possuía um passivo tributário (contribuições previdenciárias) perante o INSS, estimado em R$ 5,5 milhões, e também um financiamento junto ao BNDES de R$ 2,2 milhões, que seriam assumidos pela JBS, ao ser levados em conta no preço total da empresa, de R$ 44,5 milhões. Na cláusula 20, § 1º, a JBS confirma a transferência dos trabalhadores da Tiroleza e assume a responsabilidade pelas verbas trabalhistas ocorridas até doze meses antes da assinatura do contrato. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 981 4 Na cláusula 21, os vendedores (sócios da Tiroleza) se comprometem a não mais explorar qualquer atividade de abate de gado bovino, ovino, suíno, de curtume e de frigorífico, sendo proibidos de competir com a JBS neste ramo por dez anos (prazo diminuído para 5 anos por meio do aditamento contratual feito em 24/5/2013). Caso explorassem essa atividade, a JBS teria o direito de receber a totalidade de suas receitas brutas apuradas. A JBS comprometeuse, na cláusula 24, a firmar contrato com o Sr. Idamar Segatti, sócioadministrador da Tiroleza, para prestar serviços de consultoria pelo prazo de seis meses a partir da assinatura do contrato. Pela análise do contrato constatouse que: (a) Foi incluído no cálculo da venda, uma estimativa das contribuições previdenciárias devidas pela Tiroleza em função da compra de gado de produtores rurais pessoas físicas, bem como de dívida perante o BNDES decorrente da atividade desenvolvida pela empresa; (b) Não houve solução de continuidade nas atividades da empresa, os trabalhadores transferidos continuaram produzindo em suas mesmas funções para a JBS, que assumiu o passivo trabalhista a partir de então; (c) A JBS adquiriu o fundo de comércio da Tiroleza, representada pelo complexo de bens materiais e imateriais para a efetiva exploração do negócio de abate de gado e de frigorífico e certificouse, ainda, de que os sóciosadministradores da incorporada não continuassem a explorar esse segmento, proibindoos contratualmente de competirem com a JBS nos cinco anos seguintes à assinatura do contrato; (d) A contratação do Sr. Idamar Segatti confirma a continuidade das atividades do fundo de comércio, sendo necessária sua assessoria no período de transição da administração para a JBS. Conforme dispõe o CTN, artigo 133, os títulos utilizados para formalizar o negócio jurídico não são relevantes para aplicação da norma nele contida. Concluiuse que houve uma transferência do fundo empresarial, apto por si só a produzir lucros, o que permitiu a continuidade da exploração da atividade comercial com mera alteração subjetiva do agente empresarial: a JBS, que atuava no mesmo segmento econômico da Tiroleza, apenas continuou a exploração do negócio com a criação de um novo estabelecimento filial (CNPJ 02.916.265/020195). Assim, como sucessora de fato da Tiroleza (a qual cessou a exploração de sua atividade), a JBS tornouse responsável tributária, de forma integral, pelos tributos devidos pela empresa sucedida (Tiroleza). DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS Por outro lado, verificase que a dissolução da Tiroleza deuse de forma irregular, mediante incorporação disfarçada em compra e venda de ativos financeiros. Em pesquisa no endereço eletrônico da Junta Comercial do Estado do Paraná, constatouse que foi registrada, em 24/9/2014, pouco tempo após o início da ação fiscal na Tiroleza (em 26/8/2014), uma Ata de Reunião de Sócios. Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 982 5 Solicitada cópia dessa Ata ao contador Sr. Divaldo, foi entregue à fiscalização um documento (fls. 246/247) com as firmas dos Srs. Jucimar Gritti e Idamar Segatti, reconhecidas respectivamente em 3/9/2014 e 19/9/2014, intitulado “Ata de Reunião de Sócios”, com data retroativa de 7/1/2013. Os assuntos elencados nesse documento são a “liquidação extrajudicial da sociedade”, tendo em vista a “venda do patrimônio” para a JBS e “nomeação do liquidante” Idamar Segatti (cópia da Ata no anexo IV de fls. 246/247). Verificouse que se tratava de uma tentativa de disfarçar a dissolução irregular da sociedade por meio de uma ata registrada após o início da fiscalização (em 26/8/2014, conforme documento de fls. 140/141). Além da data do registro, reforçou essa conclusão, a constatação de que: (a) o endereço constante na ata, Rua Sebastião Alcebíades Nogueira, 224, em São José dos Pinhais (PR), não poderia ter sido a sede da Tiroleza, empresa vendida por mais de 44 milhões de reais para a JBS (esse imóvel é uma pequena e humilde casa residencial, conforme se vê na foto do anexo V de fl. 248) e; (b) nos contratos de compra e venda firmados com a JBS, feitos em maio de 2012 (portanto antes da suposta data da reunião de 7/1/2013), já constava como endereço da Tiroleza a sua real sede, na Rua Antonio Bianchetti, 635. O registro desta Ata não equivale à baixa da empresa na Junta Comercial do Paraná (Jucepar), pois não foi feita segundo os preceitos legais. O encerramento regular na Jucepar requer arquivamento de distrato social informando o motivo do encerramento das atividades, o valor patrimonial da pessoa jurídica, a divisão de bens da sociedade entre os sócios e a definição da responsabilidade pela guarda dos livros e documentos fiscais e societários. O contrato de alienação para a JBS deveria também ser arquivado na Junta e publicado na Imprensa Oficial, conforme preconiza o Código Civil em seu artigo 1.144. A “baixa” da empresa na Jucepar demandaria, também, segundo a legislação vigente à época, a apresentação de Certidão de Quitação de Tributos e Contribuições Sociais Federais, Certidão Negativa de Inscrição em Dívida Ativa da União e Certidão de Regularidade no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Além disso, não se procedeu ao encerramento regular na Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que desconhecia a extinção da empresa até o início da ação fiscal na Tiroleza (em 26/8/2014). Sendo que o contador da Tiroleza, Sr. Divaldo, enviou, para a Tiroleza, declaração de IRPJ até o exercício 2014, anocalendário 2013. Os sócios Idamar Segatti e Jucimar Gritti também fizeram constar em suas Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF), até o exercício de 2015, serem proprietários das quotas sociais da empresa. Ficou evidenciada a dissolução irregular da Tiroleza, pois os sócios não observaram o procedimento extintivo previsto em lei, limitandose a vender o acervo, encerrar as atividades e se dispersarem. A extinção da Tiroleza sem os procedimentos legais de liquidação enseja a responsabilização dos sócios administradores. Diante desses fatos, os sócios administradores Idamar Segatti, CPF nº 581.057.94934 e Jucimar Gritti, CPF nº 374.197.65987 são responsáveis solidários pelos créditos tributários lançados, tendo sido lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 447/450). AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS Foram lançadas contribuições previdenciárias patronais, inclusive a relativa ao Grau de Incidência de Incapacidade Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 983 6 Laborativa decorrente de Riscos Ambientais do Trabalho – GILRAT e destinadas a outras entidades e fundos. Como a Tiroleza atuava no setor de frigoríficos, sendo seus estabelecimentos enquadrados com o código de FPAS 507 (setor industrial) e 531 (setor de abate), foram lançadas contribuições para terceiros (FNDE, Sebrae, Incra, Sesi e Senai). FATOS GERADORES São fatos geradores das contribuições lançadas, os valores relativos às aquisições de produção rural de produtores rurais pessoas físicas conforme discriminado no Anexo X (Notas fiscais de entrada obtidas no SPED). As notas fiscais e a contabilidade da Tiroleza demonstram que não houve o desconto das contribuições quando do pagamento das faturas às pessoas físicas produtoras, não configurando, crime, em tese, de apropriação indébita. Conforme sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB não houve declaração desses fatos geradores e contribuições por meio de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e nem o recolhimento das contribuições respectivas. As contribuições previdenciárias e para o Senar, não declaradas em GFIP, foram lançadas mediante levantamento “RU – Contribuição sobre produto rural”. As aquisições de produção consideradas foram discriminadas no demonstrativo “Notas Fiscais de Entrada” de fls. 340/444. A fiscalização também juntou outras cópias de documentos dentre as quais: Cópia do contrato social da Tiroleza (fls. 198/245). Fotografia de imóvel situado à rua Sebastião Alcides Nogueira, nº 226, obtida na internet por meio do aplicativo Google Earth, Street View, relativa à Junho de 2014 (fl. 248)." Após a impugnação, decisão de primeira instância julgou procedente a autuação com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de manifestação encontramse assegurados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. SUBROGAÇÃO. A pessoa jurídica adquirente de produção rural de pessoa física, em razão de subrogação, é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta de comercialização auferida pelo produtor rural nessas transações. FISCALIZAÇÃO A autoridade administrativa fiscalizadora poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 984 7 dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por seu tal prática inerente a suas atribuições. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido. A sucessão, para fins tributários, de um contribuinte em relação a outro se aplica a créditos referentes à obrigação principal, juros e multa. DISSOLUÇÃO IRREGULAR Quando restar configurada a situação prevista no artigo 133, caput do CTN e houver a dissolução irregular da sociedade alienante, a Fazenda Pública não só poderá satisfazer seu crédito em relação ao adquirente e/ou do alienante, mas, também dos sóciosadministradores do alienante. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao Fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTAS E JUROS. As multas e juros exigidos na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorrem de expressa disposição legal. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas na legislação. PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 985 8 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a Decisão a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Inicialmente requer a suspensão do presente processo até o julgamento dos Recursos Extraordinários 363.852, com fulcro nos arts. 15 e 1037 do novo CPC pois as discussões travadas nos autos referemse: (i) à exigência da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, e (ii) à contribuição destinada ao SENAR. A Recorrente destaca que ambas as discussões são objeto de Recurso Extraordinário cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF); A nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa em virtude da lavratura do Auto de Infração em unidade que dista 500km da sede da recorrente a impede de defenderse; Suscita outra nulidade por não indicação na planilha da fiscalização dos dados dos produtores/fornecedores não sendo possível para a recorrente pesquisar se tais pessoas físicas possuem decisões judiciais afastando a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR. Aduz ser da responsabilidade direta e exclusiva dos diretores à época dos fatos o não recolhimento das contribuições previdenciárias em discussão admitindose, por hipótese, que são devidas , demonstra clara infração à lei, sobretudo quando são declaradas pelo contribuinte e não recolhidas. Evidente que a conduta praticada à época do fato gerador constitui infração de lei a ensejar a aplicação do artigo 135 do CTN. Defende que, não obstante a Recorrente tenha demonstrado a responsabilidade pessoal e exclusiva dos administradores da Tiroleza, a Autoridade Fiscal não promoveu qualquer esforço para obter tais informações junto aos referidos “ex” administradores daquela empresa. Diz ser parte ilegítima para responder sobre crédito tributário quanto ao Funrural e ao Senar tendose em vista que não houve retenção e recolhimento, isto é, houve o pagamento do valor líquido da nota fiscal ao produtor rural – sem desconto das exações em tela – temse aqui situação jurídica irreversível que deve ser considerada para exigência dos tributos, o que desloca, necessariamente, o pólo passivo do lançamento fiscal para o produtor rural fornecedor do gado bovino, que recebeu o valor “líquido” e, portanto, deve suportar o ônus da presente exigência. Afirma ter sido inconclusiva a diligência realizada antes do julgamento em 1ª instância para a análise da transferência do passivo, do impedimento de que os alienantes continuassem na exploração da atividade, cláusulas estas constantes do contrato realizado entre a recorrente e a Tiroleza e da ausência de comprovação da cessação das atividades desta última empresa. Também refuta sobre a cláusula que trata da possibilidade de contratação de serviços de consultoria e assessoria de um dos sócios gerentes da Tiroleza, sobre a transferência de ativos e empregados da Tiroleza à Recorrente e sobre a continuidade da atividade pelo antigo sócio, na empresa Frigo Beef Comércio de Carnes Ltda. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 986 9 Advoga no sentido que não houve incorporação da empresa Tiroleza, a qual possuía outras filiais não adquiridas pela recorrente, que desconhece o destino destas e que a fiscalização não comprovou que estas filiais deixaram de funcionar; Subsidiariamente pugna pela responsabilização até o limite da parcela adquirida pela recorrente, nas 03 unidades efetivamente adquiridas, remanescendo ativos que foram alienados posteriormente para a quitação de dívidas da própria Tiroleza. Informa que diversos produtores rurais ingressaram com ações judiciais objetivando a declaração incidental de inconstitucionalidade dos artigos 25 da Lei nº 8212/91 e 25 da Lei nº 8.870/94, bem como a condenação da União Federal a restituir a quantia recolhida indevidamente e a DRJ, em sua decisão, não se manifestou em relação à todas as ações judiciais dos produtores rurais que a Recorrente acostou aos autos por amostragem; Afirma que o lançamento encontrase equivocado tendo em vista o pronunciamento da Suprema Corte que confirmou através do RE 363.8531/MG que entendeu inconstitucional o recolhimento do FUNRURAL o que serve também para o SENAR. Entende que sua situação se encontra nos mesmos moldes da inconstitucionalidade declarada em relação a venda de produção rural de bovinos, pois, figura tão somente como substituto legal tributário, que adquire a produção do produtor rural, pessoa física; Que tendo sido declarada inconstitucional a contribuição lançada bem como a do SENAR, o lançamento não merece prosperar; Alega haver inconstitucionalidades e ilegalidades na autuação. Requer a realização de diligência e a exclusão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Pugna pela suspensão do julgamento e subsidiariamente pelo acolhimento e provimento do recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela baixa dos autos em diligência para regularizar a tramitação do presente feito, a Fazenda Nacional requer que seja o processo remetido à Unidade Preparadora para promoção das intimações dos coresponsáveis IDAMAR SEGATTI e JUCIMAR GRITTI na qualidade de responsáveis solidários uma vez estes apresentaram impugnação e apenas a JBS S.A foi cientificada do teor da decisão de primeira instância. Requer ainda que, em virtude da vinculação reconhecida pela decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento às fls. 821/870, o processo n. 10880.723788/201514, seja encaminhado à PFN para a apresentação de contrarrazões ao recurso, tendo em vista que referido processo chegou ao CARFCEGAPSEDIS em 11/01/2017 sem oportunizar a manifestação desta procuradoria. Sobre a autuação requereu subsidiariamente que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10880.723870/201531 Resolução nº 2301000.692 S2C3T1 Fl. 987 10 Voto Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Compulsando os autos e analisando as informações trazidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, verifico que realmente há a necessidade de saneamento do feito, com intuito de se evitar uma possível alegação de nulidade. De fato a decisão de primeira instância reconheceu a conexão entre o presente processo e o PAF 10880.723788/201514. Embora ambos processos encontremse com este relator para a decisão deste colegiado, verificase que em nenhum deles foi dada ciência aos coresponsáveis IDAMAR SEGATTI e JUCIMAR GRITTI sobre a Decisão de primeira instância. Também não consta no PAF 10880.723788/201514 a comprovação de que a PFN teve conhecimento do Recurso Voluntário para apresentar as contrarrazões, se assim o desejasse. Desta forma, sugiro a baixa em Diligência de ambos PAF's para que: a) Sejam intimados os coresponsáveis IDAMAR SEGATTI e JUCIMAR GRITTI da decisão de primeira instância, oportunizando a eles apresentação de Recurso Voluntário; b) Após o cumprimento deste procedimento, sejam os autos encaminhados à PFN para conhecimento dos Recursos Voluntários, se este vierem, e apresentação de manifestação que entenderem ser cabível; Ante ao exposto, sugiro a conversão dos autos em diligência para o cumprimento das determinações acima citadas. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 1062DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.939595/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 39 59 5/ 20 09 -6 1 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 15374.939595/200961 Resolução nº 1402000.537 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório: Tratase de Recurso Voluntário interposto por DISTRIBUIDORA DE PAPÉIS SÃO NICOLAU LTDA interposto em face de decisão da DRJ do Rio de Janeiro que por unanimidade de votos decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade apresentada pela não apresentação de documentação comprobatória. A presente Declaração de Compensação (DCOMP) não foi homologada por ausência de crédito disponível. A DCOMP foi apresentada informando crédito referente a pagamento a maior de IRPJ referente ao DARF antes arrecadado. A DCOMP não foi homologada, pois o DARF pleiteado teria sido utilizado para quitar débito de código outro. Segundo a Manifestação de Inconformidade houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora. Em seu julgamento a DRJ afirma que a DCTF somente foi retificada posteriormente após a ciência do despacho decisório de não homologação. Para a DRJ o contribuinte deveria ter comprovado a o erro nos termos do art. 147, §1° do CTN. Nessa toada, afirma não terem sido entregues documentos comprobatórios, não sendo adequada a mera entrega da DCTF. Em seu Recurso Voluntário a recorrente reitera que houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora tão somente em relação aos percentuais de recolhimento, oportunidade em que anexou as notas fiscais emitidas no período. É o relatório. Voto: Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.535, de 22.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 15374.939594/200916, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.535): O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. Conforme se depreende do relatório o motivo de ter sido indeferida a manifestação de inconformidade apresentada foi a Fl. 304DF CARF MF Processo nº 15374.939595/200961 Resolução nº 1402000.537 S1C4T2 Fl. 4 3 apresentação de DCTF diminuindo o valor do débito tributário sem a apresentação de comprovação idônea. Nos presentes autos foram juntadas as notas fiscais juntadas com o presente Recurso demonstram que a Recorrente exerceu atividades de comércio submetidas ao percentual de presunção de 8%, e não prestação de serviços submetidas ao percentual de presunção de 32%, o que justificaria a redução do imposto devido apresentado na DCTF. Assim, justificada a retificação da DCTF para menor deve ser reconhecido que o crédito pleiteado não foi utilizado para quitar o referido débito, premissa adotada pela d. DRJ, e, portanto, deve ser reconhecida a compensação pleiteada. No entanto, muito embora reconhecido o direito creditório é necessária sua quantificação pela autoridade competente, nos termos da Súmula 84, ao que necessário seu retorno à unidade de origem.. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
