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Numero do processo: 10660.002844/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
O direito de pleitear a restituição/compensação de valores pagos a maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n°s 2.445 e 2.449, de 1988.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-006.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O direito de pleitear a restituição/compensação de valores pagos a maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n°s 2.445 e 2.449, de 1988. Recurso Voluntário Negado.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O direito de pleitear a restituição/compensação de valores pagos a maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n°s 2.445 e 2.449, de 1988. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 633 a 646) interposto pelo Contribuinte, em 5 de abril de 2010, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 09-24.237 (fls. 612 a 617), de 3 de junho de 2009, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 28 44 /2 00 8- 31 Fl. 760DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.618 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.002844/2008-31 procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 156 a 183) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: O in - inconstitucionalidade dos DL 2.445 e 2.448/88, c ito em julgado em 19/04/2006; setembro de 1998 a dezembro de 2003 e maio de 2004 a maio de 2006, sem apresentar ou transmitir as respectivas DCOMP´s; A DRF-Varginha/MG e sido observado os requisitos formais de validade (fls. 92 e seguintes); e seguintes), na qual alega que ter sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96; icial; d) - ’ e) julgado; É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator. O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 09-24.237 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 761DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.618 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.002844/2008-31 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 PRESCRIÇÃO Débitos declarados em DCTF prescrevem em 05 anos, a contar da data de entrega da respectiva DCTF. COMPENSAÇÃO: Aplica-se o artigo 170-A do CTN, independentemente de a ação judicial ter sido proposta em data anterior a sua edição. Solicitação Deferida em Parte O Contribuinte, com a decisão judicial favorável no que tange o de inconstitucionalidade dos DL 2.445 e 2.448/88, sem apresentar ou transmitir as respectivas DCOMP´s. A DRF de Varg observado os requisitos formais de validade. Já a DRJ, por intermédio do Acórdão nº 09-24.237, reconheceu que a Manifestação de Inconformidade é procedente em parte no que tange a prescrição dos débitos relativos aos períodos de apuração de janeiro de 2001 a junho de 2003 que se encontram declarados em DCTF original ou retificadora transmitida em data anterior a 19/10/2003. O referido Acórdão manteve a autuação quanto aos débitos relativos aos períodos de apuração de julho a dezembro de 2003 e maio de 2004 a maio de 2006. Em 24 de fevereiro de 2010, antes da interposição do Recurso Voluntário em 5 de abril de 2010, o Contribuinte apresentou Requerimento de Desistência ou Impugnação de Recurso Administrativo (fls. 620 e 621) em que requer a desistência parcial da Manifestação de Inconformidade referente aos débitos do período de apuração 7/2004 a 5/2006. Consta às fls. 627 Recibo de Pedido de Parcelamento da Lei nº 11.941/2009, com data de recebimento em 24 de novembro de 2009. No Recurso Voluntário o Contribuinte trata, em preliminar, da desistência parcial do presente recurso no que tange ao período de apuração de 7/2004 a 5/2006, tendo em vista que aderiu ao programa de parcelamento de dívidas instituído pela Lei nº 11.941/2009. Atendido o requerido em preliminar, resta enfrentar no presente processo os débitos não objeto do pedido de desistência, ou seja, o período de julho a dezembro de 2003 e maio de 2004 a junho de 2004. Cabe esclarecer que o Contribuinte apresentou diversas Declarações de Compensação Eletrônicas – DCOMP que foram baixadas para tratamento manual no Processo Fl. 762DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.618 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.002844/2008-31 Administrativo nº 10660.720019-2007-31, informando crédito proveniente do Processo Judicial nº 1998.38.00.034219-4-MG. A questão central neste processo refere-se as demais compensações efetuadas pelo Contribuinte, não contempladas no Processo Administrativo nº 10660.720019-2007-31, que abrangem os débitos de PIS apurados de janeiro de 2001 a maio de 2006. Entendo não assistir razão ao Contribuinte, visto que a negativa da não convalidação das compensações se deu por dois motivos, o primeiro, pela não apresentação da Declaração de Compensação a partir de outubro de 2002 e, por segundo, pelo fato da compensação ter sido realizada antes do trânsito em julgado da ação judicial que só ocorreu em 19 de abril de 2006, conforme Despacho Decisório DRF-VAR-SAORT nº 0986 às fls. 91 e seguintes. Tais questões não são enfrentadas pelo Contribuinte em seu recurso. Do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.900810/2009-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1002-000.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 08 10 /2 00 9- 50 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.839 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.900810/2009-50 Por retratar sinteticamente os fatos, reproduz-se em um primeiro momento o relatório produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (“DRJ/REC”) às fls. 42 do e-processo: O contribuinte VIAÇÃO SANTA CLARA LTDA, CNPJ/MF nº 16.084.121/0001-07, já qualificado neste processo, apresentou o PER/Dcomp nº 05391.86367.290805.1.3.04- 9086, transmitido em 29/08/2005, com um pedido de reconhecimento de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do período de apuração set/2004, sendo utilizado neste pedido o importe de original de R$ 712,01 (pagamento no valor total de R$ 1.932,01, feito em 28/10/2004), para compensar com parte da estimativa de IRPJ do período de apuração jul/2005. Em despacho decisório de 25/03/2009 (rastreamento nº 824963938), a autoridade competente da DRF ITABUNA NÃO homologou a compensação, porque o pagamento, que dera origem ao pretenso indébito, havia sido integralmente utilizado para extinguir o débito cód 5993 PA 30/09/2004, no valor de R$ 1.932,01. Cientificado da decisão acima em 03/04/2009 (fl. 32), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 30/04/2009, alegando, em síntese, que o débito de IRPJ do período de apuração 31/08/2004 seria de R$ 1.220,00, conforme balancete de suspensão/redução, a justificar o indébito perseguido de R$ 712,76. Compulsando os autos, vê-se que o contribuinte confessou, em DCTF, a estimativa de IRPJ do PA 09/2004 no importe de R$ 1.932,01 (fl. 12). Vê-se, ainda, que informou a estimativa a pagar na DIPJ do PA 09/2004 no montante de R$ 1.220,00 (fl. 19). Não foram juntados aos autos o balancete de suspensão/redução e a contabilidade do período. Em sessão de 03/10/2014, a DRJ/REC julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PAGAMENTO INDEVIDO. VALOR INTEGRALMENTE UTILIZADO PARA EXTINGUIR ESTIMATIVA CONFESSADA EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA NOS AUTOS QUE COMPROVE A MINORAÇÃO DE TAL ESTIMATIVA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IMPROCEDENTE. Tendo o pagamento informado parcialmente como indébito sido utilizado integralmente para extinguir estimativa, não pode o contribuinte, simplesmente ancorando-se em informação de DIPJ, pedir o reconhecimento do indébito, quer porque o meio hábil a confessar débitos no âmbito da Receita Federal é a DCTF (e que denunciou um débito de estimativa igual ao pagamento em foco), quer não trouxe qualquer prova adicional contábil a comprovar a estimativa minorada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.839 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.900810/2009-50 Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual anexou em conjunto cópia do seu balancete do mês de setembro de 2004. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. Tempestividade Como se denota dos autos, o contribuinte foi intimado do teor do acórdão recorrido em 18/11/2014 (fls. 45 do e-processo), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 16/12/2014 (fls. 47 do e-processo), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte e, por isso, uma vez cumprido os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Mérito Da efetiva necessidade de demonstração de liquidez e certeza do crédito que se alega É assente e pacífico o entendimento por este Conselho Administrativo de Recursos Ficais (“CARF”) que é obrigação do contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado com os documentos hábeis e suficientes que lhes deram causa. Nesse sentido, o artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional é claro ao determinar que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Vale frisar que compete ao sujeito passivo acautelar-se quanto ao rigor da prestação das informações traduzidas no PER/DCOMP, a fim de prover a autoridade administrativa de plena condição de aferir a exatidão do crédito declarado, bem como certificar a admissibilidade de fruição do direito postulado. Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.839 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.900810/2009-50 No caso concreto, a DRJ/REC foi bastante clara ao advertir (fls. 43 do e-processo) que não basta ao contribuinte informar que a estimativa de IRPJ de setembro/2004 havia sido minorada pela existência de um balancete de suspensão/redução, quando, nestes autos, somente há indício de tal fato na DIPJ respectiva, instrumento inábil a confessar débitos, mormente porque a DCTF indica o valor majorado, o que levou a inexistência do indébito pedido no PER/Dcomp. Ademais, o contribuinte não juntou o pré-falado balancete aos autos, nem tampouco sua escrita fiscal, para confirmar efetivamente a estimativa de IRPJ de setembro/2004. Na tentativa de contrapor a alegação acima, o contribuinte se limitou tão somente a apresentar o seu balancete referente ao mês de setembro de 2004. Nada obstante, continuou sem apresentar o seu balancete de suspensão/redução, nem tampouco a sua escrita fiscal que lhe desse suporte. Ou seja, o contribuinte continuou sem nada provar. A sua defesa não se encontra instruída com prova hábil e inequívoca apta a balizar a análise conclusiva dos fatos e certificar a plena disponibilidade do direito creditório pretendido. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, compete ao contribuinte materializar suas arguições trazendo a colação prova inequívoca hábil e idônea da ocorrência de imperfeições das informações transmitidas originalmente a Administração Tributária, obedecendo aos ritos e formalidades processuais disciplinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo artigo 74, §11 da Lei n° 9.430/1996. Quer dizer, não basta que o interessado restrinja-se a assegurar a legitimidade da apuração do crédito declarado na DIPJ de referência, mas, também, comprovar a constituição e a disponibilidade da importância pleiteada, visando evidenciar a apuração fiscal originária, apoiando-se em demonstração comparativa, detalhada e conjugada com os dados consignados na DIPJ, bem como se lastreando com o acervo documental fiscal e registros dos fatos contábeis patrimoniais e de resultado. A jurisprudência dessa Turma Extraordinária é firme nesse sentido. Confira-se a título de exemplo o recentíssimo julgado abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.839 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.900810/2009-50 Ano-calendário: 2005 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. (Processo nº 13888.903160/200962. Acórdão nº 1002000.605. Relator Ailton Neves da Silva. Sessão de 12/02/2019) Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito e assim não o fez, torna-se inviável o reconhecimento do crédito pleiteado nos autos, razão pela qual não existem motivos para a reforma do Acórdão da DRJ/REC. Isso posto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010346/2003-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/09/2002
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. DENIFITIVIDADE. MATÉRIA NÃO RECORRIDA
Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício (art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-003.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2002 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. DENIFITIVIDADE. MATÉRIA NÃO RECORRIDA Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício (art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 101 a 104) interposto contra o Acórdão nº 06- 20.419, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (e-fls. 92 a 97), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 03 46 /2 00 3- 34 Fl. 181DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.915 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010346/2003-34 Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal-Fiscalização n° 09.1.01.00-2003- 00687-9 (fl. 01), foi lavrado, em 21/10/2003, o auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF de fls. 16-20, que exige o recolhimento de RS 8.707,35 a titulo de imposto e R$ 6.530,51 de multa de lançamento de oficio de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 2. O lançamento fiscal, com fundamento no alt. 668 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999), refere-se à parcela do débito de IRRF incidente sobre Juros Sobre Capital Próprio (código de receita 5706) do período de apuração 30/09/2002, com vencimento em 09/10/2002, cuja compensação com os créditos a seguir demonstrados não foi homologada pela DRF/Curitiba: . direito creditório oriundo do IRPJ a restituir dos 1° e 2° trimestres/2000, nos autos do processo n° 10980.004854/01-11, conforme Despacho Decisório de fls. 03-05, proferido em 26/05/2003............................................................. .. R$ 2.083,88 . direito creditório oriundo de IRPJ a restituir do ano-calendário de 1999, nos autos do processo n° 10980.003050/00-80 - para o qual foram transferidos os pedidos constantes dos processos n°s 10980006857/00-00 e 10980.000557/01-05, para análise conjunta -, conforme Despacho Decisório de fls. 06-07, também proferido em 26/05/2003 ......... ................................................................................R$ 6 623 47 Soma ...................................................................................... .. R$ 8.707,35 3. Regularmente intimada em 22/ 10/2003, a interessada apresentou, em 21/11/2003, a tempestiva impugnação de fls. 23-26, instruída com os documentos de fls. 27-76, cujo teor é sintetizado a seguir. 3.1. Assevera que possuir saldo suficiente de imposto de renda retido na fonte dos anos- calendário de 1999 e 2000 para compensar com o IRRF de juros sobre capital próprio exigido nos autos; que para comprovar os valores de IRRF no ano-calendário de 1999, anexa fotocópia dos informes de rendimentos no montante de R$ 4.776.632,96 (fls. 27- 42). 3.2. Argumenta que analisando os valores de IRRF informados à Receita Federal, às fls. 29-33 do processo n° 10980.003050/00-80, verificou não constar todas das retenções por ela sofridas; cita como exemplo a fonte pagadora Banco Santander (CNPJ n° 61.472.676/0001- 72), que efetuou retenção de R$ 2.642,57 (fls. 35), mas foi informada retenção de somente R$ 1.848,92; que, da mesma forma, a fonte pagadora Banco Citibank (CNPJ n° 33.479.023/0001-80) deixou de informar a retenção de R$ 5.874,01 (fl. 34); que, somando-se os R$ 6.667,66 de IRRF não considerados pela Receita Federal com o saldo de R$ 6.385,52 a compensar do ano-calendário de 1999 totaliza o valor de R$ 13.053,18. 3.3. Com relação aos 1° e 2° trimestres/2000, informa que os valores apurados pela Receita Federal não condizem com os valores retidos pelas fontes pagadoras; aduz que o auditor-fiscal considerou os montantes retidos de, respectivamente, R$ 256.827,46 e R$ 506.858,13 nos 1° e 2° trimestres/2000, relacionados às fls. 106-126 do processo n° l0980.004854/01-11, ignorando os valores efetivamente retidos, no montante de, respectivamente, R$ 274.195,30 e R$ 520.818,74, cujos comprovantes anexa às fls. 43- 70 dos autos. 3.4. Ao final requer: sejam considerados todos os valores retidos de IRRF relativos ao ano-calendário de 1999 e 1° e 2° trimestres/2000, conforme comprovantes juntados aos autos; após consideração dos valores retidos, que sejam refeitos os cálculos para verificação e constatação de que não houve compensação a maior de tributos; seja declarada a nulidade do presente auto de infração. 3.5. Às fls. 77-78, a interessada junta novo comprovante de informe de rendimentos relativo ao ano-calendário de 2000. Fl. 182DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.915 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010346/2003-34 3.6. Às fls. 80-81, consta despacho da 1ª Turma desta DRJ, devolvendo o processo à DRF/Curitiba para o fim de, com base nos documentos apresentados na presente impugnação e sua análise conjunta com os processos n°s 10980004854/2001-11 e 10980003050/00-80, elaborar informação detalhada e conclusiva, acatando ou não esses documentos. 3.7. Às fls. 86-89, a informação fiscal prestada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária-SEORT da DRF/Curitiba. 4. É o relatório.. O Acórdão a quo, por seu turno, manteve o lançamento fiscal nos termos da ementa abaixo: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Data do fato gerador: 30/09/2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO CUJA COMPENSAÇÃO NÃO FOI HOMOLOGADA EM PROCESSO ANTERIOR. A legislação de regência, vigente à época da autuação, impõe o lançamento de oficio do crédito tributário quando não homologada, em processo anterior, a compensação pretendida pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A autoridade fiscal deve preservar a obrigação tributária do efeito decadencial, como dever de diligência no trato da coisa pública, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme artigos 141 e 142 do CTN. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECISÃO FINAL EM PROCESSO ANTERIOR. DESCABIMENTO DA RETOMADA DA DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NO PRESENTE PROCESSO. Havendo decisão final em processo anterior, porquanto não apresentada manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que indeferiu a compensação da parcela do débito de IRRF cuja exigência foi formalizada nos autos, mediante lançamento de oficio, descabe agora retomar a discussão dessa mesma matéria no presente processo. Os argumentos veiculados em Recurso Voluntário reforçam aqueles outrora apresentados em sede de impugnação que, em síntese apertada, afirma que a Receita Federal não considerou outras retenções por ela sofridas. Cita documentos para comprovar suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, contudo não atende aos requisitos intrínsecos de admissibilidade, portanto, dele não conheço, conforme será explanado nas linhas vindouras. Da definitividade da decisão a quo Fl. 183DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.915 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010346/2003-34 Conforme exposto anteriormente, o cerne do litigio envolve a cobrança de débitos oriundos de DCOMPs não homologadas pela fiscalização (processos n°s 10980.004854/01-11, 10980.003050/00-80). No caso, foram transferidos os pedidos constantes dos processos n°s 10980006857/00-00 e 10980.000557/01-05. Não obstante o Contribuinte tenha alegado existir o crédito para quitar os débitos sob análise (PER), a DRJ afastou suas pretensões por entender que o lançamento foi realizado somente para prevenir a decadência, já que, à época, o pedido de compensação não era considerado confissão de dívida. Ademais, destacou a impossibilidade de se rediscutir matéria que já foi objeto de análise em outros processos que antecederam o presente lançamento fiscal. O Recorrente, por sua vez, repetiu seus argumentos de defesa, deixando, assim, de recorrer da decisão que não analisou, pelos fundamentos já apresentados, o direito ao crédito alegado pelo Contribuinte. Portanto, o teor Recurso Voluntário encontra-se divergente do conteúdo meritório apresentado no Acórdão de piso, o que inviabiliza seu conhecimento. Neste cenário, tornou-se definitiva a decisão recorrida, nos exatos termos do parágrafo único, do artigo 42, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II - de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III - de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Dispositivo Diante do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001318/2003-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 1999
SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O ato societário registrado de integralização do imóvel ao capital social da contribuinte, aliado à matrícula do imóvel perante o cartório de registro e os dados cadastrais perante o INCRA, permitem compreender que o real proprietário do imóvel sobre o qual se cobra o ITR.
Eventual duplicidade de imóveis rurais deve estar comprovada de maneira inequívoca através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2201-005.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 1999 SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. O ato societário registrado de integralização do imóvel ao capital social da contribuinte, aliado à matrícula do imóvel perante o cartório de registro e os dados cadastrais perante o INCRA, permitem compreender que o real proprietário do imóvel sobre o qual se cobra o ITR. Eventual duplicidade de imóveis rurais deve estar comprovada de maneira inequívoca através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 116/122, interposto contra decisão da DRJ em Brasília/DF de fls. 99/102, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR de fls. 5/11, lavrado em 30/10/2003, relativo ao exercício de 1999, com ciência do RECORRENTE em 04/11/2003, conforme AR de fl. 21. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 13 18 /2 00 3- 04 Fl. 279DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 26.975,91 já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Os fatos relevantes do lançamento estão relatados na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 9/10. Em síntese, a contribuinte não comprovou a área efetivamente utilizada para pastagens, em razão da ausência de apresentação de documento capaz de comprovar a quantidade de cabeças de gado declaradas. Assim, foram glosados os valores de acordo com o demonstrativo de apuração do imposto devido de fl. 10, sendo alterado para 0ha a área utilizada para pastagens, reduzindo o grau de utilização do imóvel de 83,3% para 3,2%, a conferir: Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 25/31 em 01/12/2003. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Brasília/DF, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Cientificada do lançamento, em 04/11/2003 (documento "AR" de fls. 16), a empresa interessada, através de advogado e procurador legalmente constituído (doc. de fls. 31), protocolizou, em 01/12/2003, a impugnação de fls. 20/26. Apoiada nos documentos de fls. 29, 30 e 32, alegou e requereu o seguinte, em síntese: • equivocadamente, foi informado na declaração apresentada por ocasião da intimação inicial, que não informou "nenhuma área de pastagens ou cabeças de gado, portanto não há o que se falar em CARTÃO DE VACINAÇÃO — AFTOSA -, conforme solicitado pelo TERMO DE INTIMAÇÃO ACIMA"; • a malfadada declaração, que ora se retifica com apoio nos parágrafos do art. 147 e no inciso VIII do artigo 149, ambos do CTN, não poderia ter sido levada em consideração para embasar o auto de infração em análise, tendo em conta o seu patente equívoco; • na descrição dos fatos não foi consignado a entrega fora do prazo do DIAC e do DIAT, bem como a penalidade aplicável em razão de tal atraso e, muito menos, a discriminação dos valores atribuídos a esse título, sem especificar também os valores cobrados a título de multa e juros; Fl. 280DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 • invoca o disposto no § 2° do artigo 147, e inciso VIII, do artigo 149, ambos do CTN, posto que carreia aos autos tanto a Declaração de Produtor Rural como o Cartão de Vacinação — Aftosa; • esses documentos demonstram que tanto a área de pastagem como o número de cabeças de gado não correspondem a zero, o que, por sua vez, alteram as porcentagens relativas ao grau de utilização do imóvel e a alíquota incidente e, em conseqüência, modificam os cálculos realizados para se chegar ao valor devido à título de ITR/1999 que, diga-se de passagem, encontra-se quitado; • demonstrados os equívocos que inquinam o presente lançamento, o mesmo cabe ser declarado nulo ou, caso contrário, o que se aventa apenas para argumentar, seja o crédito tributário por ventura existente apurado de acordo com as informações contidas no Cartão de Vacinação — Áftosa e na Declaração de Produtor Rural; • questiona, sob vários aspectos, a cobrança dos juros de mora com base na Taxa Selic. citando a favor das suas teses Álvaro Villaça Azevedo e Sacha Calmon de Navarro Coelho, além de julgados do Tribunal Regional Federal da ja Região (Agravo de Instrumento n° 1999.03.00.055161-7 / 96456/SP) e do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (Apelação Cível n° 156.276-8, Relator o Desembargador Pinheiro Lago), e • por fim, requer o cancelamento do crédito tributário ora exigido ou, "ad argumentandum", a sua revisão de ofício de acordo com o disposto nos artigos 147, § 2° e 149, inciso VIII, ambos do CTN, acrescido de juros de mora de 1% ao mês, em substituição à taxa SELIC. Em seguida, foi carreado aos autos o requerimento de fls. 38/39, protocolizado na DRF, em Gov. Valadares, em 18/03/2004, acolhido como "Impugnação Complementar" para efeito deste julgamento. Apoiada nos documentos/extratos de fls. 40/41, 42, 43, 44, 45, 46, 47. 48, 49, 50, 51, 52, alegou e requereu o seguinte, em síntese: • invoca o disposto no § 4°, do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, para justificar a entrega de novos documentos (certidões do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Jequitinhonha, recibos de entrega de declaração de ITR/1999 e pagamentos efetuados pelas pessoas físicas dos sócios da empresa autuada; • conforme demonstram as Certidões do CRI em anexo, não é a empresa autuada proprietária do imóvel supramencionado, o que, a toda evidência, a exclui da qualidade de contribuinte do 1TR, teor do art. 1°, da Lei n° 9.393/96; • esse fato é corroborado pelos recibos de entrega de declarações de ITR das PESSOAS FISICAS dos sócios da autuada, bem como os pagamentos efetuados pelos mesmos; • na verdade, "in casu", o ITR era recolhido duas vezes, urna em nome da pessoa jurídica, e outra em nome das pessoas físicas dos sócios • somente para fins de argumentação, vez que intransponível a preliminar de ilegitimidade passiva, tem-se que os pagamentos efetuados pelas pessoas físicas dos sócios não foram levados em consideração quando da elaboração do auto, o que, também, configura-se o excesso do suposto crédito tributário; • também as notas fiscais avulsas de produtor, bem como a autorização para trânsito interno, demonstram de forma cabal e inequívoca que a quantidade de cabeças de gado e eqüinos não era zero, corno consta no auto de infração, e • por fim, requer o cancelamento do crédito tributário ora exigido ou, "ad argumentandum", revisá-lo em consonância com os documentos apresentados e, em sendo o caso. acrescendo juros de mora de 1% ao mês, em substituição à taxa SELIC. Fl. 281DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 Também postou, em 04/05/2004 (envelope de fls. 58), o requerimento de fls. 56, carreando aos autos, para reforçar a sua tese de ilegitimidade passiva, o auto de infração eletrônico, doc./cópia de fls. 57, referente à exigência da multa por atraso na entrega da DITR/1999, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Jaguará II" (NIRF 5.480.284-9), em nome de Olga Beatriz Kangussu Santana Ferreira, sócia da empresa autuada. Da Decisão da DRJ convertendo o julgamento em diligência Na primeira oportunidade que apreciou a celeuma, a DRJ em Brasília/DF entendeu por determinar a conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução de fls. 68/72, para que fossem acostados aos autos documentos que a ajudariam “no convencimento quanto à alegada duplicidade cadastral, em relação à área total ou parcial do imóvel aqui tratado, além do quantitativo pecuário existente na propriedade no ano de 1998”. Assim, requereu que o contribuinte apresentasse os seguintes documentos: (i) Contrato social de constituição da pessoa jurídica e alterações contratuais posteriores, especialmente aquelas relacionadas com as possíveis alterações de áreas da “Fazenda Jaguará”; (ii) Certidões atualizadas das Matrículas dos imóveis pertencentes aos sócios da empresa autuada; (iii) Caso exista área remanescente do imóvel, isto é, que não tenha sido objeto de declaração pelas pessoas físicas dos sócios/terceiros para efeito de apuração e recolhimento do ITR/1999, demonstrar essa nova área total e suas respectivas áreas distribuídas/utilizadas (DITR/1999 - Retificadora); e (iv) Anexar os documentos de prova exigidos para comprovar o rebanho apascentado nas pastagens do imóvel no ano de 1998, para justificar a área de pastagem a ele atribuída. Em resposta, a ora RECORRENTE apresentou a declaração de fls. 76/77, acompanhada da documentação de fls. 78/86. Na oportunidade, esclareceu que: Os recibos de entrega de declarações de ITR/1999 das PESSOAS FÍSICAS dos sócios da autuada comprovam, facilmente, que o mesmo imóvel fora inscrito duas vezes junto a Receita Federal, ressaltando, que no tocante aos sócios Carlos Alberto e Olga, apenas acrescentou-se algarismo a frente do nome da fazenda Jaguara, não obstante tratar-se de glebas que compõem o imóvel rural fazenda Jaguara cadastrado sob o NIRF: 1624985-2 (Empreendimentos Agropecuários Helba Ltda). Pois bem. Os NIRF'S 5497578-6 (Rodrigo Campos Kangussu Santana) 5646933-0 (Sandra Mara Kangussu Santana), 5646936-5 (Dante José de Santana), 5480284-9 (Olga Beatriz Kangussu Santana), 5497601-4 (Cristóvão Luiz Kangussu Santana), 6292389-7 (Carlos Alberto Kangussu Santana) e 6094919-8 (Vera Alice Kangussu Santana), nada mais são do glebas que compõem o imóvel rural cadastrado no NIRF 1624985-2 Fl. 282DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 (Empreendimentos Agropecuários Helba Ltda), como sendo de propriedade da ora Impugnante que, repita-se, nunca possuiu terra alguma, conforme prova a certidão do CRI em anexo. Dessa feita, impõe-se cancelar o NIRF: 1624985-2, cadastrado em nome da Impugnante. (...) Deixa a Impugnante de juntar os demais documentos solicitados, tendo em vista que, data vênia, são irrelevantes para o deslinde do presente caso, tendo em conta que não sendo a Impugnante contribuinte do ITR, não há que se falar em juntada de contrato social e muito menos de documentos para comprovar o rebanho apascentando para justificar a área de pastagem. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Brasília/DF julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 99/109): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 1999 Ementa: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não restando comprovado nos autos que a pessoa jurídica interessada, à época do fato gerador do ITR/1999 (1°/01/1999), não era, de fato, proprietária do imóvel por ela declarado, nem a alegada duplicidade cadastral, cabe manter o lançamento realizado em seu nome. DO REBANHO E DA ÁREA DE PASTAGEM ACEITA. A área de pastagem aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita deve ser comprovado com prova documental hábil. DOS JUROS DE MORA (Taxa SELIC). Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou atos normativos da SRF. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 18/04/2006, conforme AR de fls. 115, apresentou o recurso voluntário de fls. 116/122 em 10/7/2013. Em suas razões, praticamente reiterou os argumentos apresentados em sua impugnação, rebatendo as fundamentações do acórdão recorrido e reafirmando que nunca foi proprietária do imóvel em questão, já que a certidão de registro do imóvel não atesta a cessão da área para a empresa, não havendo que se falar em integralização da fazenda Jaguara no capital social da RECORRENTE, conforme trechos abaixo transcritos: Fl. 283DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 Não bastasse, o acórdão parte da premissa de que a fazenda Jaguara fora integralizada no capital social da Requerente, o que já se demonstrou alhures ser um equívoco. A certidão do CRI atesta que as áreas declaradas pelas pessoas físicas dos sócios da Requerente referem-se ao mesmo imóvel, ou seja, fazenda Jaguara, situada no Município de Joaíma. (...) No tocante aos dois primeiros parágrafos de fls. 98 do acórdão, tem a Recorrente a dizer que: 1- constata-se da certidão do CRI que desde 06.03.1972 as pessoas físicas dos sócios são proprietárias do imóvel Jaguará, situado no Município de Joaíma/MG; 2- As únicas alterações ocorreram em 04.02.2003, em 01.06.1999 e em 07.01.2003. Portanto, cabalmente provada a propriedade do imóvel Jaguara desde 1972 até a presente data, incluindo, pois, o ano de 1999. Não há se falar em nova distribuição do imóvel, vez que como acima dito, a diferença de hectares encontrada no acórdão decorre do simples fato deste não ter considerado as áreas pertencentes aos NIRF'S 5.497.601-4, 6.292.389-7 e 6.094.919-8, face a não apresentação do DITR do ano de 1999. Ora, a não apresentação do DITR configura única e exclusivamente a infração de uma obrigação acessória e nunca a inexistência de um imóvel. Por fim, invocou a denúncia espontânea e requereu o afastamento da multa de R$ 8.267,04, já que teria entregue a DITR/1999 no prazo. Não mais discutiu a questão relativa à glosa da área de pastagem declarada. Da Resolução convertendo em diligência Durante a sessão de julgamento realizada em 13/08/2008 (fls. 155/162), a Egrégia 1ª Câmara do 3ª Conselho de Contribuintes entendeu por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem juntasse aos autos os seguintes documentos: a) seja oficiado o INCRA para fornecer informações sobre o imóvel objeto do presente procedimento e eventuais desmembramentos realizados pelos proprietários, bem como fornecer o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural — CCIR, relativo ao exercício de 1999 do imóvel de NIRF 1.624.985-2 e dos imóveis de NIRFs 5497578-6, 5646933-0, 5646936-5, 5480284-9, 5497601-4, 6292389-7, 6094919-8 b) a partir dessas informações, oficiar os respectivos Cartórios de Registro de Imóveis competentes para _fornecerem cópias das respectivas matrículas de registro dos imóveis atualizadas; c) informação sobre os cadastros dos imóveis relativos aos NIRFs abaixo relacionados, bem como cópia da declaração de bens que instrui o Imposto de Renda da Pessoa Física dos respectivos proprietários do exercício de 1999 e anexo de produtor rural se houver: Fl. 284DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 d) seja trazido aos autos cópia da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica da Recorrente e) seja intimada a Recorrente para trazer aos autos cópia do Contrato Social da empresa e todas as suas alterações, com o fim de comprovar a vigência do poder conferido aos subscritores do recurso, bem como, em homenagem ao princípio do contraditório, intimar a recorrente para, querendo, manifestar-se a respeito das diligências realizadas. Em resposta, juntou-se aos autos as fichas de cadastros de fls. 165/176, o ofício expedido pelo Incra de fls. 228/233 e a certidão de inteiro teor emitida pelo cartório de registro de imóveis de fls. 237/239, e o contrato social e alterações da empresa empreendimentos agropecuários Helba Ltda (fls. 244/257), além das declarações de IR da pessoa jurídica e das pessoas físicas. Ato contínuo, foi expedido o termo de fls. 262, intimando o RECORRENTE para, querendo, se manifestar sobre as diligências realizadas no prazo de 30 (trinta) dias. Em razão da devolução do AR com a observação “mudou-se” (fls. 268), a RECORRENTE foi intimada através do edital de intimação 07/2009, de fls. 267. Sem resposta do contribuinte, o processo foi devolvido ao CARF para julgamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Da ilegitimidade passiva Defende a RECORRENTE sua ilegitimidade passiva para responder pelo débito tributário em comento, alegando, em síntese, que a empresa nunca foi proprietária do imóvel em objeto deste processo. Contudo, tal alegação não condiz com a certidão de inteiro teor emitida pelo cartório de registro de imóveis, na qual consta a averbação de uma área de 1.976,15ha de propriedade dos cotistas para a sociedade Empreendimentos Agropecuários Helba Ltda, a conferir (fls. 238): Fl. 285DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 AVERBAÇÃO, Averba-se o CONTRATO de constituição de sociedade Empreendimentos Agropecuários Helba Ltda de 14.10.1980, do qual consta 16 cláusulas distintas; com sede, na fazenda Jaguara, no Município de Joaíma/MG; a sociedade é de exploração agrícola e pastoril e terá um capital de CR$ 16.000.000,00, divididos em 160 cotas no valor de CR$ 100.000,00, distribuídas entre os cotistas; numa área de 1.976,15 Hª, de propriedade dos cotistas, que transferiram para sociedade dentro de um ano a contar do Registro deste contrato em 24.02.1981. CÓPIAS ARQUIVADAS. Ademais, o próprio oficial do Cartório de Registro de Imóveis atestou no ofício nº 12/2009 é de propriedade da RECORRENTE (fl. 237): Senhor Chefe, Em atendimento ao Oficio n° 1369/2009/DRF/GVS/Scat de 19.03.2009, extraído do Processo n° 10630.001318/2003-04, da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, onde V. Sa. solicita certidão do imóvel FAZENDA JAGUARÁ, de propriedade da empresa, Empreendimentos Agropecuários Ltda; segue em anexo a referida Certidão em relatório contendo todas as averbações e registros. Sendo só para o momento, nos colocamos à disposição para maiores esclarecimentos. Também comprova que a RECORRENTE era a proprietária do imóvel a certidão de Espelho do Imóvel rural de fls. 229/233, emitida pelo INCRA, na qual consta a RECORRENTE como declarante da propriedade ora tributada (fl. 232). Ainda segundo o Espelho do Imóvel fornecido pelo INCRA/MG consta que a área medida do imóvel é de 2.017,50ha (fl. 229), exatamente a mesma informada na DITR/99. O mesmo documento atesta, também, que a forma de obtenção do imóvel se deu por meio de incorporação (fl. 230). Na oportunidade, o Chefe da Divisão de Obtenção de Terras do INCRA/MG informou que “não consta no Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR), INCRA, pedido de desmembramento de área do imóvel rural denominado Fazenda Jaguara, situada no Município de Joaíma, cadastrada no Incra sob o no 409.065.000.485-3, com a área de 1.990,70 has” (fl. 228). Neste mesmo sentido, o contrato de constituição da sociedade de fls. 249/256, datado de 24/10/1980 (e registrado em 07/01/1981 – fl. 247), noticia a integralização do imóvel denominado Fazenda Jaguara para o capital social da RECORRENTE: Fl. 286DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 Deste modo, entendo que cai por terra a alegação da RECORRENTE de que nunca foi proprietária do mencionado imóvel. Portanto, voto por negar provimento à alegação de ilegitimidade passiva da empresa RECORRENTE. Do pagamento realizado pelas pessoas físicas A despeito das alegações da RECORRENTE de que o imóvel em questão foi declarado tanto pelas pessoas físicas quanto pelas pessoas jurídicas, entendo que não restou suficientemente comprovado nos autos que se tratam do mesmo imóvel. Primeiramente, não há identidade entre a quantidade de hectares integralizado pelos sócios, de acordo com o contrato social, e o tamanho dos terrenos indicados pelo RECORRENTE em seu recurso voluntário como tendo sido declarado em duplicidade pelos sócios. Isto porque, no contrato social, especificamente às fls. 251/252, verifica-se que os 1.976,15ha do imóvel era constituído por: 743,32ha pertencentes a Paulo Kanussu Santana e Olga Beatriz Kangussu Santa; 712,95ha pertencentes a Carlos Alberto Kangussu e Sandra Mara Kangussu; e 519,90ha pertencentes a Cristovão Luiz Kagussu e Vera Alice Kangussu, ao passo em que as NIRFs indicadas pelo RECORRENTE, e que ensejaram a presente conversão em diligência, são assim divididas: Fl. 287DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 Observa-se uma distinção absoluta entre a composição da área objeto do presente auto de infração (2.017,50ha), e a composição das áreas indicadas pelo RECORRENTE como tendo sido declaradas em duplicidade (1.921,10ha). Em segundo lugar, apesar da certidão emitida pelo cartório de registro de imóveis notificar que os sócios integralizaram terreno no capital social da RECORRENTE, não existe comprovação nos autos de que eles integralizaram todo seu terreno, hipótese em que deixaria de existir qualquer propriedade remanescente em nome das pessoas físicas. Em síntese, não há qualquer informação nos autos indicando que o NIRF 1624985-2 (objeto do presente processo) cadastrado junto à RECORRENTE é composto pelo sete NIRFs apontados pelo RECORRENTE em nome das pessoas físicas. Assim, não havendo prova absoluta de que se tratavam dos mesmos imóveis, entendo que não merecem prosperar as alegações de declaração em duplicidade de um mesmo imóvel. Alerta-se, também, que no entender deste Conselheiro, ainda que ficasse comprovado que os sócios pessoas físicas indevidamente pagaram ITR sobre este mesmo imóvel, tal fato não tem repercussão alguma no crédito tributário discutido em tela. Isto porque, constatado o recolhimento indevido de ITR, caberia àquele que fez o pagamento indevido pleitear a restituição do tributo indevidamente pago, nos termos do art. 165 do CTN, abaixo transcrito: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Denúncia espontânea – Multa por atraso na entrega da declaração Apesar do RECORRENTE apresentar as razões pela qual defende a não incidência da multa por atraso na entrega da declaração de ITR/1999, tal penalidade não foi Fl. 288DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.629 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001318/2003-04 objeto deste lançamento, mas sim do processo apenso (nº 10680.007020/2004-95), também de sob relatoria deste Conselheiro e julgado em conjunto nesta mesma sessão. Assim, voto por não conhecer deste argumento, posto que inaplicável ao presente caso. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.723136/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 07/01/2010 a 16/04/2014
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO E MOTIVAÇÃO DEMONSTRADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Encontrando-se devidamente demonstrados os fundamentos e as razões que ensejaram o lançamento de ofício, bem como a sua manutenção por parte do órgão julgador administrativo de primeira instância, afasta-se a alegação de nulidade por cerceamento da ampla defesa e do contraditório e por ausência de motivação.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 07/01/2010 a 16/04/2014
TROCARTE. CONJUNTO FORMADO PELA CÂNULA E O MANDRIL.
Classifica-se no código NCM 9018.39.99 o produto identificado como trocarte, formado pelo conjunto da cânula e mandril, utilizado em cirurgias do abdômen.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-005.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe davam provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/01/2010 a 16/04/2014 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO E MOTIVAÇÃO DEMONSTRADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Encontrando-se devidamente demonstrados os fundamentos e as razões que ensejaram o lançamento de ofício, bem como a sua manutenção por parte do órgão julgador administrativo de primeira instância, afasta-se a alegação de nulidade por cerceamento da ampla defesa e do contraditório e por ausência de motivação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 07/01/2010 a 16/04/2014 TROCARTE. CONJUNTO FORMADO PELA CÂNULA E O MANDRIL. Classifica-se no código NCM 9018.39.99 o produto identificado como “trocarte”, formado pelo conjunto da cânula e mandril, utilizado em cirurgias do abdômen. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe davam provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 31 36 /2 01 4- 15 Fl. 5356DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de autos de infração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (II) e multa regulamentar, lançados em decorrência de erro na classificação fiscal de produtos importados, denominados de forma genérica como “trocarte versaport”, classificados indevidamente pelo contribuinte sob o subitem NCM 9018.39.29, com consequente reconstituição da base de cálculo dos referidos impostos. Segundo a Fiscalização, a classificação fiscal correta para as referidas mercadorias era a NCM 9018.39.99, classificação essa utilizada pelo próprio contribuinte no período de 2009 a 2011, e que, em razão do ex tarifário existente para a NCM 9018.39.29 (alíquota zero para II e IPI), passou a efetuar a classificação nessa última NCM a partir de 2012. De acordo com a Fiscalização, o “trocarte” é um instrumento utilizado em cirurgias videolaparoscópicas que tem como função criar um acesso ao abdômen do paciente, por meio de uma cânula, para a entrada dos instrumentais cirúrgicos. Ainda segundo a Fiscalização, sob o termo “trocarte”, define-se todo o sistema composto por (i) cânula, consistente em um tubo oco, podendo ser liso ou roscado, (ii) o estilete, trocarte ou mandril - são pontiagudos no seu interior e se projetam para além da cânula para penetrar na cavidade abdominal, sendo posteriormente removidos, deixando no local somente a cânula por onde serão inseridos os instrumentais para a realização da cirurgia e (iii) o sistema de vedação de CO2 (válvula interna unidirecional que permite a entrada dos instrumentos sem que ocorram fugas de gás). Por se tratar de um conjunto não identificado em nenhum dos itens e subitens da subposição 9018.39, concluiu a Fiscalização pela aplicação da classificação fiscal NCM 9018.39.99. No que tange às contribuições incidentes nas importações (PIS-Importação e Cofins-Importação), não houve lançamento em razão da redução de alíquotas promovida pelo Decreto nº 6.426/2008. Com base no art. 711 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), lançou-se a multa por erro de classificação fiscal. Cientificado das autuações, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o seu cancelamento, alegando o seguinte: a) a Fiscalização se baseara apenas em informações constantes das DIs e em suposições, sem qualquer fundamento ou análise do produto importado para compreender sua composição ou funcionalidade; Fl. 5357DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 b) não lhe fora oportunizado o direito de esclarecer ao Fisco a classificação fiscal por ele adotado, com violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório; c) o produto importado nada mais era do que uma cânula acompanhada de um acessório, o obturador, indispensável para sua utilização conjunta em cirurgias, sendo o trocarte, portanto, uma cânula evoluída que desempenha a sua principal função; d) o tipo de trocarte importado não é fabricado no Brasil, sem similar nacional, o que reforça a tese de que não deveria haver qualquer tributação sobre ele, dado tratar-se de um produto essencial; e) na classificação fiscal, a função mais específica deve prevalecer sobre as mais genéricas, sendo relevante o “princípio da plena identificação da mercadoria”, sendo aplicável, no presente caso, a classificação fiscal NCM 9018.39.29, já que a característica principal do produto é a cânula; f) se a característica específica não for considerada na classificação (RGI 3a), deve-se, então, considerar a característica essencial do produto (RGI 3b); g) o benefício previsto para a NCM 9018.39.29 não é um ex tarifário propriamente dito, mas uma exceção concedida espontaneamente pelo próprio governo, chamada de Ex – Exceção à TEC, voltada a incentivar uma determinada importação. Posteriormente, o contribuinte trouxe aos autos laudo técnico de identificação do produto importado. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente, tendo o acórdão sido ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 07/01/2010 a 16/04/2014 TROCARTE. Classifica-se no código 9018.39.99 da Nomenclatura Comum do Mercosul a mercadoria identificada como trocarte, instrumento para medicina e cirurgia, específico e diverso de cânula. Aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 e 6, e da Regra Geral Complementar n° 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após afastar as arguições de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a DRJ concluiu que o “trocarte” era um instrumento específico, único e distinto dos demais instrumentos e aparelhos utilizados em medicina ou cirurgias humanas, entendimento esse ratificado pelo próprio Parecer Técnico anexado aos autos pelo então impugnante. Aduziu o julgador a quo que o “Ex-tarifário” não é uma isenção ou redução de imposto, mas a atribuição de uma alíquota diferenciada a determinada mercadoria, não se tratando, portanto, de um benefício fiscal, mas de “adequação ou ajustamento das alíquotas na tarifa aduaneira”. Fl. 5358DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 Cientificado da decisão de primeira instância em 21/07/2017 (e-fl. 5.260), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/08/2017 (e-fl. 5.262) e requereu o cancelamento dos autos de infração, repisando grande parte dos argumentos de defesa, sendo destacado o seguinte: a) nulidade dos autos de infração em decorrência de falhas e vícios verificados no procedimento de fiscalização, tendo em vista a não apresentação de razões e provas suficientes para a reclassificação fiscal, o que viola os princípios da ampla defesa e do contraditório, dada a falta de embasamento técnico; b) nulidade da decisão recorrida por terem sido desconsideradas as provas robustas apresentadas, tendo havido uma fundamentação precária com a utilização de “frases soltas” sem encadeamento lógico, em total desrespeito aos princípios da motivação e da ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de lançamentos decorrentes da reclassificação fiscal do produto identificado como “trocarte”, opinando a Administração tributária pela aplicação da Regra Geral Complementar n°1 (RGC 1) do Mercosul (NCM 9018.39.99) e o Recorrente a regra RGI 3a ou a regra RGI 3b (9018.39.29). I. Preliminares de nulidade. Preliminarmente, o Recorrente alega nulidade dos autos de infração por violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório, dada a falta de embasamento técnico na ação fiscal, e nulidade do acórdão recorrido por ausência de motivação e desrespeito à ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal, o Recorrente alega que “a fiscalização cerceou o direito de defesa da ora Recorrente, pois ao lavrar o presente auto de infração a d. autoridade fiscal não apresentou razões e provas suficientes para justificar a reclassificação fiscal do produto trocarte, baseando-se exclusivamente nas parcas informações constantes nas Declarações de Importação e em definições constantes no dicionário para reclassificar as mercadorias.” (e-fl. 5.269) Analisando-se o Relatório Fiscal (e-fls. 50 a ), constata-se, de pronto, que, diferentemente do alegado pelo Recorrente, a Fiscalização se baseou, inicialmente, nas (i) informações prestadas pelo próprio contribuinte sob intimação quanto à conceituação do produto identificado genericamente como “trocarte” (e-fl. 63), em (ii) informações constantes dos sistemas da Receita Federal em que se identificaram importações do mesmo produto realizadas no período de 2009 a 2014 (e-fl. 63), em (iii) artigo científico da Brazilian Journal of Fl. 5359DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 Videoendoscopic Surgery (e-fl. 68) e em (iv) catálogos técnicos obtidos na página da internet do produtor estrangeiro (www.covidien.com/autosuture), a empresa United States Surgical Corporation, atualmente denominada Covidien, e no Brasil representada pela AUTO SUTURE (e-fls. 69 a 70). Portanto, mostra-se indevida a alegação do Recorrente de que a Fiscalização se baseara apenas em dados constantes das DIs e de definições obtidas em dicionários para identificar o produto “trocarte”, pois, conforme se pode verificar do referido Relatório Fiscal, a Fiscalização discorreu amplamente acerca das características técnicas do produto, coincidindo suas descrições com aquelas trazidas aos autos pelo ora Recorrente, sendo os desenhos e esquemas apresentados por ambos muito próximos uns dos outros. Registre-se, ainda, que, no laudo técnico apresentado pelo Recorrente, o profissional também fez uso de dicionários para definir os termos técnicos referenciados, prática essa que não viciou a análise efetuada, o que fragiliza ainda mais os argumentos de nulidade ora analisados. O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento relevante de identificação do produto que não tenha constado do Relatório Fiscal, conforme se pode verificar dos excertos de tal relatório a seguir transcritos: 4.3. Análise do produto importado 4.3.1. Características do produto A mercadoria cuja classificação se analisa é o Trocarte. Trata-se de instrumento utilizado em cirurgias videolaparoscópicas que tem como função criar um acesso no abdômen do paciente através de uma cânula para a entrada dos instrumentais cirúrgicos. Um editorial escrito pela Brazilian Journal of Videoendoscopic Surgery esclarece que o produto Trocater também é comumente chamado de Trocar ou Trocarte, conforme se pode verificar no documento em anexo (<Documentos Diversos - Outros – Editorial Brazilian Journal>). Para melhor entendimento será usado a palavra Trocarte nesse relatório, o mesmo utilizado pelo sujeito passivo na descrição das mercadorias de suas Declarações de Importação (DI). A palavra Trocarte é usada para definir todo o sistema composto por: 1. A Cânula: consiste de um tubo oco, podendo ser liso ou roscado; 2. O Estilete, Trocarte ou Mandril - são pontiagudo no seu interior, que se projeta para além da Cânula para penetrar na cavidade abdominal, sendo posteriormente removido. Deixando no local somente a Cânula por onde serão inseridos os instrumentais para a realização da cirurgia; 3. E o sistema de vedação de CO2: válvula interna unidirecional que permite a entrada dos instrumentos sem que ocorram fugas de gás. A figura abaixo ilustra melhor todo esse sistema: SISTEMA TROCARTE Fl. 5360DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 (...) Através de uma pesquisa feita na pagina da internet do produtor estrangeiro (www.covidien.com/autosuture), a empresa United States Surgical Corporation, atualmente denominada Covidien, e no Brasil representada pela AUTO SUTURE, conseguiu-se o catálogo dos produtos cirúrgicos. Abaixo reproduzo parte do catálogo, onde se ilustra algumas das mercadorias importadas pela AUTO SUTURE com seus respectivos códigos de produto, os mesmos códigos informados nas suas DIs. Como se pode ver esses produtos são denominados “Sistema Trocarte”, que inclui o Trocarte e a Cânula. (<Documentos Diversos - Outros – Catálogo de produtos>) Verifica-se dos trechos do Relatório Fiscal supra que a Fiscalização procedeu a uma extensa pesquisa para a correta identificação do produto, inclusive em seu catálogo técnico, não se vislumbrando qualquer traço de superficialidade que pudesse comprometer a classificação fiscal defendida, sendo que a identificação do mesmo produto nas peças recursais do contribuinte Fl. 5361DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 e em seu laudo técnico, embora ligeiramente mais extensos, não difere substancialmente daquela apresentada pelo Auditor-Fiscal. Todos os elementos relevantes e essenciais do conjunto importado foram identificados pelo agente fiscal, não tendo o Recorrente apontado especificamente uma omissão relevante que pudesse comprometer a identificação do produto, restringindo sua acusação a alegações genéricas e não coincidentes com a realidade dos autos. Nesse contexto, afasta-se a nulidade arguida em preliminar no que se refere ao procedimento fiscal que antecedeu a autuação. Melhor sorte não pode ter também a alegada nulidade do acórdão recorrido, pois, conforme se pode extrair dos trechos do seu voto condutor, o julgador de primeira instância também buscou identificar o produto importado a partir de suas características essenciais, valendo-se, inclusive, de informações constantes da Impugnação e do laudo técnico carreadas aos autos pelo próprio Recorrente. Tal forma de proceder evidencia que, ao contrário do afirmado pelo Recorrente, as provas apresentadas foram sim analisadas, tendo sido extraídos delas os dados considerados relevantes que levaram o julgador a caminhar na direção então adotada. Eis trechos da decisão de piso que corroboram esse entendimento: Em sua peça de defesa a interessada assim identifica a mercadoria (fl. 5.107): (...) Dentre a vasta gama de equipamentos e suprimentos médicos líderes do setor, um dos produtos importados utilizados para este tipo de cirurgia é o Trocarte. Trata-se de instrumento valvulado, composto de uma cânula (bainha) acompanhada de um obturador (mandril), com a finalidade de criar o acesso para outros instrumentos em cirurgias laparoscópicas e toracoscópicas. ...(Grifos acrescidos) O Parecer Técnico anexado aos autos pela interessada traz as seguintes informações (fls. 5.180, 5.181, 5.189) : O Trocarte é um instrumento utilizado na medicina com o fim de promover a comunicação entre o interior de uma cavidade anatômica e o meio externo. Utilizado em videocirurgias e biópsias, sua origem remonta alguns séculos, tendo sido, através dos anos, aperfeiçoado e modernizado, alargando sua aplicação nos mais variados procedimentos médicos. É composto de duas peças (cânula e mandril), sendo que a essência do trocarte é a cânula, servindo o mandril (instrumento perfuro cortante) somente para vencer a resistência da pele e dos tecidos internos para introdução da cânula... Se consultados, os filólogos não conseguirão afirmar, com certeza, qual o termo correto (trocar, trocarte, trocater) para definir este instrumento utilizado com o fito de manter a comunicação entre uma cavidade anatômica com o meio exterior. O termo tem sua origem na língua francesa "trocart" (1694 - instrumento de cirurgia), existindo escolas que defendem a origem do nome deste instrumento no início do século XVIII, em 1706, como abreviação de "troisequarts", um instrumento com três facetas (perfurador) combinado com uma cânula, para a punção abdominal e drenagem da ascite12... A cânula, representa a verdadeira razão do trocarte, é ela que exerce a função principal deste instrumento. Fl. 5362DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 De outra banda, o mandril é a peça secundária, serve unicamente para a introdução da peça principal (cânula) e nada mais. Pode-se afirmar, portanto, que a CÂNULA é o INSTRUMENTO FIM, enquanto que o MANDRIL é o INSTRUMENTO MEIO... (Grifos acrescidos) O artigo do “Brazilian Journal of Videoendoscopic Surgery” (fl. 5.093), indicado pela fiscalização, assim dispõe: Esse instrumental teria que ser perfuro-cortante e longo o suficiente para ultrapassar todas as camadas da parede abdominal. Além disso, deveria possuir um sistema de vedação de gás adequado. São compostos basicamente de duas partes: Bainha (porção externa que possui um canal para introdução das pinças com um sistema valvulado que impede o escape do gás) e Mandril (porção interna constituída de elemento cortante para atravessar a parede abdominal durante sua introdução) (1). Esse instrumental específico, composto de bainha e mandril é comumente chamado de trocar, trocater ou trocarte...(Grifos acrescidos) A imagem e informação do catálogo técnico indicado pela fiscalização (fl. 5.022) está em sintonia com as informações apresentadas pela impugnante. Em seguida, após expor as regras de classificação fiscal aplicáveis ao caso, o julgador de piso demonstrou as razões que o levaram a concluir em sentido inverso do defendido pelo Recorrente: Tratando-se, pois, de instrumento específico é prescindível a discussão, como pretende a interessada, sobre qual das partes do instrumento (mandril ou cânula) teria a função principal. O caso não requer o esquartejamento do instrumento para fins da correspondente classificação fiscal. Isto porque, como acima indicado, não obstante as informações técnicas, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 9018 tratam tal instrumento (item 3) como único e diverso do instrumento cânula (item 9). Logo, para fins de classificação fiscal, não há motivos para discutir qual parte do instrumento “trocarte” teria função mais nobre. (...) Como registrado anteriormente, a mercadoria em apreço se trata de instrumento específico, não se enquadra como agulhas, sondas, cateteres, cânulas, lancetas para vacinação e cautérios, logo deve a mercadoria ser classificada, por exclusão e, por aplicação da Regra Geral Complementar n° 1, no desdobramento em nível regional (item) 9018.39.9- “Outros” (...) Como não se trata de artigo para fístula arte-riovenosa, deve a mercadoria ser enquadrada, por exclusão no seguinte subitem regional: 9018.39.99 – “Outros”, por aplicação da Regra Geral Complementar n° 1. Resta claro, por conseguinte, que a mercadoria em tela classifica-se no código NCM 9018.39.99, por força da aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1 e 6, e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1, classificação indicada pela fiscalização. Importante esclarecer à impugnante que a mesma comete equívoco ao adotar o entendimento de que as mercadorias em apreço fariam jus a redução de alíquota com base em “Ex-tarifário”. Como se sabe, o “Ex-tarifário”, contração de exceção tarifária, é verdadeira ferramenta dinâmica, utilizada pela administração federal, para promover modificação na alíquota do imposto de importação, dentro de determinada classificação fiscal (NCM), para uma mercadoria específica inclusa naquela classificação fiscal. Isto é, por meio de ato normativo específico da CAMEX, cria-se dentro de determinada classificação fiscal uma alíquota específica para uma determinada mercadoria em especial, distinta da alíquota geral vigente para as demais mercadorias classificáveis naquela mesma classificação fiscal (NCM). Fl. 5363DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 Portanto, para determinada mercadoria cria-se uma exceção tarifária à alíquota normalmente aplicável às mercadorias classificáveis naquele código tarifário NCM. A rigor, tais alterações das alíquotas podem ser tanto para maior, quanto para menor em relação à alíquota normalmente aplicável, evidentemente dependendo apenas da política que a administração federal pretende adotar: se estimular a importação daquela determinada mercadoria ou desestimular. Feitas estas considerações, cumpre então definir qual o critério a ser utilizado para que se possa adotar a alíquota do imposto de importação aplicável a determinada mercadoria classificável em determinado código tarifário (NCM): se a alíquota geral normalmente adotada para aquele código tarifário (NCM) ou a alíquota apresentada em determinado “Ex-tarifário” contido naquele mesmo código tarifário (NCM). Como se percebe, “Ex-tarifário” não se trata de isenção ou mesmo de redução de imposto, mas sim de atribuição de alíquota diferenciada a determinada mercadoria. Se dúvidas pairavam sobre a natureza do “Ex-tarifário”, estas foram dissipadas com o publicação dos Atos Declaratórios Normativos CST n° 14/92 e 66/94, que de modo muito pertinente indicam que as alterações (redução) de alíquotas “ad valorem” do imposto de importação referem-se, de maneira objetiva aos produtos mencionados, não caracterizando benefício fiscal, e sim adequação ou ajustamento das alíquotas na tarifa aduaneira. Não se confundem com hipótese de redução de imposto, não configuram benefício fiscal. Assim, a primeira providência a ser tomada, para conhecimento da alíquota do imposto de importação aplicável é a pertinente classificação fiscal do produto. Após tal procedimento, tendo sido corretamente classificada a mercadoria no código tarifário (NCM), cumpre finalmente verificar se dentro daquele código tarifário existem produtos específicos a que devam ser aplicadas alíquotas diferenciadas em relação à alíquota vigente para aquele código tarifário. Finalmente, como último passo, há que se verificar se a mercadoria efetivamente importada se enquadra na descrição apontada pelo texto do “Ex-tarifário”. Assim as especificações da mercadoria importada devem estar perfeitamente alinhadas com os requisitos definidos no texto do “Ex-tarifário”. Havendo divergência entre as características da mercadoria importada e o texto apontado no “Ex-tarifário” há que se aplicar à mercadoria importada a alíquota geral vigente para os produtos enquadrados naquele código tarifário (NCM). Por outro lado, havendo compatibilidade entre a mercadoria importada e o texto apontado no “Ex-tarifário” há que se aplicar a alíquota ali definida, sendo esta mais benéfica ou mais gravosa. No caso dos autos as mercadorias devem ser classificadas no código NCM 9018.39.99, restando inaplicável a tese defendida pela impugnante, que pretende seja aplicado “Ex- tarifário” de código tarifário diverso do aplicável às mercadorias (“Ex-tarifário” do código NCM 9018.39.29 – Ex 001). Verifica-se mais uma vez que o Recorrente se vale de argumentos inconsistentes para afirmar a inexistência de motivação na decisão recorrida, pois o julgador não se privou de expor todos os fundamentos que o levaram a decidir de maneira oposta a ele, tendo, inclusive, apontado os equívocos cometidos pelo contribuinte na identificação da extensão da aplicação do ex tarifário. Afasta-se, portanto, a alegação de nulidade do acórdão recorrido. II. Mérito. Classificação fiscal. De início, registre-se que, neste voto, em prol dos princípios da eficiência e da economicidade, não serão apresentadas de forma extensiva as regras de classificação fiscal, restringindo-se a análise à parte controvertida nos autos, tendo em vista que tais regras foram exaustivamente expostas no Relatório de Fiscalização (e-fls. 70 a 75), na Impugnação (e-fls. Fl. 5364DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 5.111 a 5.118), no acórdão recorrido (e-fls. 5.229 a 5.233) e no Recurso Voluntário (e-fls. 5.287 a 5.301). Não obstante, merecem registro a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH) relativa à posição 9018, reproduzida pela Fiscalização no Relatório Fiscal (e-fls. 71 a 72), em que se verifica que as cânulas e os trocartes são identificados separadamente enquanto instrumentos distintos aplicados em cirurgias, verbis: A presente posição compreende um conjunto - particularmente vasto - de instrumentos e aparelhos, de quaisquer matérias (incluídos os metais preciosos), que se caracterizam essencialmente pelo fato de que o seu uso normal exige, na quase totalidade dos casos, a intervenção de um técnico (médico, cirurgião, dentista, veterinário, parteira, etc.), para estabelecer um diagnóstico, para prevenir ou tratar uma doença, para operar, etc. Classificam-se também nesta posição os instrumentos e aparelhos para trabalhos de anatomia ou de dissecação, para autópsias e, sob certas condições, os instrumentos e aparelhos para oficinas de prótese dentária (…) I.- INSTRUMENTOS E APARELHOS UTILIZADOS EM MEDICINA OU EM CIRURGIA HUMANAS Entre estes, devem mencionar-se: A) Os instrumentos e aparelhos que, sob denominações idênticas, servem para atividades múltiplas, tais como: 1) Agulhas (de suturas, de ligaduras, de vacinação, extração de sangue, hipodérmicas, etc.). 2) Lancetas (de vacinação, de sangrias, etc.). 3) Trocartes (de punções, para bílis, universais, etc.). 4) Bisturis e escalpelos de qualquer tipo. 5) Sondas (retais, prostáticas, vesiculares, uretrais, etc.). 6) Espéculos (nasais, bucais, laríngeos, vaginais, retais, etc.). 7) Espelhos e espelhos-refletores (para exames dos olhos, laringe, ouvidos, etc.). 8) Tesouras, cisalhas, pinças, boticões, buris, goivas, malhetes, martelos, serras, facas, curetas, espátulas. 9) Cânulas (cateteres, cânulas de aspiração, etc.). (...) Tanto o Recorrente quanto a Fiscalização concordam, embora por caminhos interpretativos distintos, que o produto sob comento (trocarte) se classifica na subposição 9018.39, dado tratar-se de aparelho para cirurgia (9018) semelhante a seringas, agulhas, cateteres e cânulas (9018.3), que, por exclusão, se encaixa na denominação genérica “Outros” (9018.39). A controvérsia reside na definição do item e do subitem. Argumenta a Fiscalização que, por não se enquadrar em nenhuma das descrições expressamente previstas na tabela para o sétimo dígito da NCM, o trocater deve se classificar no item 9018.39.9 (Outros), enquanto que o Recorrente, identificando o produto como uma “cânula evoluída”, defende sua classificação na posição mais específica (RGI 3a) ou em decorrência de seu caráter essencial (RGI 3b), do que resulta no item 9018.39.2. Segundo o Recorrente, “a função principal do trocarte é de cânula, visto que é este objeto que permite o acesso ao corpo humano durante todo o procedimento cirúrgico, e que possibilita a inserção de diversos outros instrumentos, como câmera, pinças, entre outros.” Ainda Fl. 5365DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 segundo o Recorrente, “o trocarte é um instrumento composto pela cânula e o acessório obturador. São elementos separáveis, porém vendidos em conjunto.” (e-fl. 5.301) O referido produto “trocarte” encontra-se descrito no Relatório Fiscal, no Recurso Voluntário e no laudo técnico, da seguinte forma: 1ª) Relatório Fiscal: Trata-se de instrumento utilizado em cirurgias videolaparoscópicas que tem como função criar um acesso no abdômen do paciente através de uma cânula para a entrada dos instrumentais cirúrgicos. (...) A palavra Trocarte é usada para definir todo o sistema composto por: 1. A Cânula: consiste de um tubo oco, podendo ser liso ou roscado; 2. O Estilete, Trocarte ou Mandril - são pontiagudos no seu interior, que se projeta para além da Cânula para penetrar na cavidade abdominal, sendo posteriormente removido. Deixando no local somente a Cânula por onde serão inseridos os instrumentais para a realização da cirurgia; 3. E o sistema de vedação de CO2: válvula interna unidirecional que permite a entrada dos instrumentos sem que ocorram fugas de gás. (e-fls. 68 a 70) 2ª) Recurso Voluntário: O trocarte é um instrumento valvulado, composto de uma cânula (bainha) acompanhada de um obturador (mandril), que tem por finalidade criar acesso para outros instrumentos em cirurgias laparoscópicas e toracoscópicas, o qual possui a seguinte aparência: (...) Para gerar acesso na parede abdominal, o trocarte deverá ser posicionado no local em que a intervenção cirúrgica deverá ocorrer. Ato seguinte, o obturador será utilizado para fazer uma 1ª punção e perfurar o tecido, oportunidade em que o equipamento será parcialmente introduzido na cavidade. Após a inserção do trocarte no corpo humano, o cirurgião deverá desacoplar o componente obturador, permanecendo apenas a cânula que propiciará acesso para os demais instrumentos cirúrgicos. (e-fl. 5.285) 3ª) Laudo técnico: O Trocarte é um instrumento utilizado na medicina com o fim de promover a comunicação entre o interior de uma cavidade anatômica e o meio externo. (...) É composto de duas peças (cânula e mandril), sendo que a essência do trocarte é a cânula, servindo o mandril (instrumento pérfuro cortante) somente para vencer a resistência da pele e dos tecidos internos para introdução da cânula. Em resumo, a cânula é o instrumento fim e o Mandril o instrumento meio. Em outras palavras, o trocarte é uma cânula sofisticada provida de material acessório (mandril) necessário para sua introdução. (e-fls. 5.180 a 5.181) Considerando as três definições supra, pode-se chegar aos seguintes pontos coincidentes, a saber: (i) trata-se de um instrumento utilizado em cirurgias que tem como escopo a criação de uma ligação entre o meio externo e o interior do abdômen do paciente de forma a permitir a utilização de outros instrumentos cirúrgicos; (ii) composto, basicamente, de uma cânula e de um mandril (ou trocarte), sendo este destinado à perfuração da pele e dos tecidos internos para a introdução da cânula que permanecerá no corpo do paciente durante o procedimento operatório. Fl. 5366DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 Destaque-se neste ponto que somente a Fiscalização fez referência a um terceiro elemento que faz parte do conjunto, o sistema de vedação de CO2, que nada mais é do que uma válvula interna unidirecional que permite a entrada dos instrumentos sem que ocorram fugas de gás. Não há dúvida, portanto, que se está diante de um conjunto formado, principalmente, por duas peças que exercem funções específicas, sendo uma delas utilizada para perfurar o corpo (mandril ou trocarte) e a outra para permitir a introdução de instrumentos cirúrgicos durante a operação (cânula). A sua função precípua é, portanto, permitir que instrumentos cirúrgicos sejam introduzidos no abdômen do paciente de forma a tornar a cirurgia menos invasiva, pois que somente a perfuração feita pelo mandril, acompanhada da introdução da cânula, será suficiente à realização do procedimento. É de se notar que, sem o mandril, perfuração não haverá e a pretendida ligação entre meio externo e interior do corpo não se efetivará; logo, não se vislumbra a possibilidade de se caracterizar o mandril como acessório, pois que é ele que viabiliza, efetivamente, a conexão exterior-interior necessária à realização da cirurgia. Paralelamente, a cânula tem a função de estabilizar a perfuração corporal realizada pelo mandril, de forma a permitir a introdução dos instrumentos cirúrgicos com menos riscos para os demais órgãos e tecidos, em prol da integridade corporal. Uma peça complementa a outra, não havendo a prevalência de nenhuma delas, pois, sem mandril, comunicação exterior-interior não haverá e, sem cânula, a cirurgia com a segurança pretendida pode não se concretizar. É de se destacar que o conjunto é denominado como “Trocater” que vem a ser um outro nome do mandril. Essa conclusão demonstra a fragilidade do argumento do Recorrente de que a cânula seria o elemento mais específico do conjunto em função do seu caráter essencial, pois, conforme apontado, ambas as peças desempenham funções primordiais, não se vislumbrando uma razão lógica para a prevalência de uma sobre a outra. Repisando-se: se o mandril não perfurar o abdômen, a cânula não poderá ser introduzida e, portanto, não haverá cirurgia com segurança nos moldes pretendidos. Da mesma forma, sem a cânula, a perfuração efetuada pelo mandril pode não permitir uma introdução mais segura dos instrumentos cirúrgicos. São funções complementares que viabilizam a cirurgia sem necessidade de se abrir o abdômen do paciente, conforme prática comum há alguns anos. Para justificar a relevância da cânula em relação ao mandril, o laudo técnico carreado aos autos pelo Recorrente informa que, no lugar do mandril, poder-se-ia utilizar uma pequena tesoura para fazer a perfuração (e-fl. 5.195). Contudo, a indicação alternativa de uso de uma tesoura, conforme consta do laudo, sem as especificações técnicas exigidas de um produto utilizado em cirurgias de tal complexidade, denota, no mínimo, um alheamento em relação ao cuidado exigido numa prática cirúrgica segura, bem como quanto à modernização da indústria de instrumentos cirúrgicos que busca incessantemente, conforme demonstrado pelo próprio Recorrente, evoluir em direção a procedimentos médicos cada vez mais seguros e práticos. Fl. 5367DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 A busca por um procedimento cirúrgico menos invasivo e mais seguro encontra- se demonstrado no Relatório Fiscal, no Recurso Voluntário e no próprio laudo técnico, formando a cânula e o mandril um conjunto de peças milimetricamente acopladas, em que o mandril permite a introdução da cânula nas exatas dimensões tecnicamente requeridas. Ainda que o técnico especializado tenha expressado seu ponto de vista, no laudo técnico, no sentido de que a cânula era o instrumento fim e o mandril o instrumento meio, não se pode ignorar que, além do aspecto técnico do produto sob exame, está-se diante da identificação de uma classificação fiscal, que não prescinde da aplicação da legislação tributária a um caso concreto. Os operadores do Direito tributário e aduaneiro não poderão desconsiderar, logicamente, as descrições técnicas específicas de cada área, mas eles as deverão levar em conta enquanto subsídio em sua árdua tarefa de classificar as diferentes mercadorias num contexto tributário complexo. Conforme já demonstrado, o conjunto formado pela cânula e o mandril funciona enquanto unidade, não se vislumbrando a possibilidade de se fazer uso de instrumento tão útil à prática cirúrgica, que tanto tem evoluído, desconsiderando a ciência que o embasara. Se fora concebido dessa forma, inclusive recebendo o conjunto o nome de uma de suas partes (trocater – e não cânula), isso se deveu, indubitavelmente, à necessidade de se obter um conjunto seguro e eficaz, objetivo esse que não se atinge com a substituição do mandril ou trocater por uma pequena tesoura, como constou do laudo técnico. Essas indicações alternativas não são compatíveis com a pretendida atenuação de práticas cirúrgicas invasivas e mais arriscadas. Em consultas realizadas na internet, colheram-se algumas informações que indicam que o conjunto deve ser preservado para se obter o resultado pretendido, conforme se verifica dos excertos a seguir transcritos: a) “O uso do trocater traz benefícios significativos para o paciente: menor tempo de recuperação e, em decorrência, retorno mais breve às atividades cotidianas, redução da dor no período pós-operatório, menor risco de infecção e melhor resultado estético” 1 ; b) “A utilização de instrumentos com diâmetro inferior ao do trocater pode provocar a desinsuflação da cavidade na qual o dispositivo está sendo aplicado” 2 ; c) “A incorporação do mandril na cânula do trocater objetiva minimizar a possibilidade de provocar lesões por penetração nas estruturas intra-abdominais ou intratorácicas” 3 . Verifica-se, portanto, que o trocater foi concebido para ser utilizado enquanto conjunto, sob risco de provocar efeitos adversos não pretendidos caso se utilizem outros instrumentos não criados especificamente para essa atividade cirúrgica; logo, trata-se de um todo cujas partes são, todas elas, imprescindíveis a uma eficaz prática médica. 1 http://www.e-med.net.br/wp-content/uploads/2015/12/Manual-do-Usu%C3%A1rio-Kit-trocater-com- l%C3%A2mina-c%C3%A2nula-torneira-de-g%C3%A1s-e-registro-Vers%C3%A3o-website-Rev.02.pdf 2 Idem 3 Idem Fl. 5368DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 Além disso, o Recorrente não esclareceu, no Recurso Voluntário, a razão específica que o motivou a alterar a classificação fiscal do produto que ele vinha utilizando no período de 2009 a 2011, que é aquela defendida pela Fiscalização, passando a adotar uma outra que então se mostrou interessante. O elemento técnico específico que porventura o tivesse motivado a mudar de posição não ficou bem claro nos autos. Por fim, destaque-se que os princípios da seletividade e da essencialidade do produto invocados pelo Recorrente são, em verdade, vetores constitucionais que deverão nortear a atividade do legislador, bem como do Administrador Público competente, na elaboração das normas jurídicas aplicáveis, inclusive na definição das alíquotas dos tributos, tendo-se em conta o panorama constitucional principiológico em que se inserem. III. Conclusão. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Declaração de Voto Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Com respeito e admiração ao sério e detalhado trabalho do nobre colega relator, venho por meio desta declaração de voto registrar e esclarecer o voto feito em sessão de julgamento, que é divergente. A classificação fiscal do produto em questão encontra uma dificuldade técnica em sua identificação, fato que antecede o próprio enquadramento do produto nas posições classificatórias. O contribuinte classificou na NCM 9018.39.29, por se tratar de uma “Cânula” que possui o “mandril” já acoplado. A fiscalização classificou na NCM 9018.39.99, por entender que se trata de um “trocarte”, que é um conjunto não identificado em nenhum dos itens e subitens da subposição 9018.39. Fl. 5369DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 Não há, no lançamento, um laudo ou uma posição técnica de profissional habilitado na área médica que confirme se o produto é um “trocarte” ou se é uma “cânula”. O contribuinte, por sua vez, apresentou laudo técnico de pessoa habilitada na área médica. Ficou evidente que a semântica entre “trocarte” e “cânula” é tênue e acaba por complicar a própria identificação o produto. Como foi explicado no relatório, a palavra “trocarte” surgiu com a evolução da própria cânula, somente para denominar o conjunto. Assim, o produto em questão não deixa de ser uma cânula, esse é o centro da questão. Em que pese fazer sentido denominar o produto como um “trocarte”, o produto não deixa de ser uma cânula, conforme pode ser verificado na conclusão do relatório técnico de fls. 5173: O laudo técnico é mais extenso e explica a evolução da cânula, assim como aponta suas funções, implicações e denominações. Em razão do exposto, em primeiro lugar, faz sentido classificar a “evolução de uma cânula” dentro do item próprio para a “cânula” (porque corresponde ao texto) e, na sequência, classificar no subitem “outros”, que corresponde à “cânula evoluída”, acompanhada do mandril. Este enquadramento, por si, já supri a necessidade de enquadrar o “trocarte” em um outro subitem. Terminar o enquadramento no item e subitem somente da cânula é que poderia ser um erro na classificação. Estes subitens existem justamente para que as variações dos produtos sejam classificadas, sem perder a sua característica essencial e se manter a classificação do subitem próxima à do item. Assim, considerando o histórico evolutivo apresentado no laudo técnico de fls. 5173, considerando que não existe uma posição criada somente para o “trocarte” e considerando Fl. 5370DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-005.726 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10314.723136/2014-15 que a posição sugerida pela fiscalização é muito genérica e distante da “cânula”, é possível aplicar a RG 3ª para reconhecer que a posição utilizada pelo contribuinte é a mais específica, a NCM 9018.39.29. É inegável a importância que a palavra “cânula” possui na identidade do produto. O lançamento, com base no Art. 142 do CTN, deveria ter demonstrado o contrário por meio de um laudo técnico, mas assim não procedeu e, em razão desse não cumprimento do dever de comprovar a reclassificação proposta, deve ser cancelado. Diante do exposto, sobre a base fática e legal apresentada, voto para que seja DADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 5371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.018297/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PAGAMENTOS EFETUADOS POR AUTORIZAÇÃO DADA PELA MP 175/2002. PAGAMENTOS A MAIOR DE DÉBITOS ATINGIDOS PELO PRAZO DECADENCIAL. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
Em face da não constituição de crédito tributário, pela Fazenda Pública, de fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos, por força do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, tais fatos geradores foram atingidos pelo prazo decadencial. Na eventualidade de recolhimento de tais valores, extintos pela decadência, é cabível o reconhecimento do direito creditório por se caracterizarem como pagamentos indevidos ou a maior que o devido.
ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES DO VALOR REFERENTE A RESULTADO POSITIVO AUFERIDO NA REAVALIAÇÃO DA CARTEIRA DE INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS. APLICAÇÃO APENAS A PARTIR DE 30 DE AGOSTO DE 2002. MP Nº 66/2002 ART 35, III E ART. 63, IV. DECRETO Nº 4.524/2002, ART.28, § 2º, III.
Foi considerada inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficando afastadas da tributação as demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, o que não compreende as receitas de reavaliação de investimentos imobiliários
Numero da decisão: 3301-006.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PAGAMENTOS EFETUADOS POR AUTORIZAÇÃO DADA PELA MP 175/2002. PAGAMENTOS A MAIOR DE DÉBITOS ATINGIDOS PELO PRAZO DECADENCIAL. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Em face da não constituição de crédito tributário, pela Fazenda Pública, de fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos, por força do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, tais fatos geradores foram atingidos pelo prazo decadencial. Na eventualidade de recolhimento de tais valores, extintos pela decadência, é cabível o reconhecimento do direito creditório por se caracterizarem como pagamentos indevidos ou a maior que o devido. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES DO VALOR REFERENTE A RESULTADO POSITIVO AUFERIDO NA REAVALIAÇÃO DA CARTEIRA DE INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS. APLICAÇÃO APENAS A PARTIR DE 30 DE AGOSTO DE 2002. MP Nº 66/2002 ART 35, III E ART. 63, IV. DECRETO Nº 4.524/2002, ART.28, § 2º, III. Foi considerada inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficando afastadas da tributação as demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, o que não compreende as receitas de reavaliação de investimentos imobiliários
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PAGAMENTOS EFETUADOS POR AUTORIZAÇÃO DADA PELA MP 175/2002. PAGAMENTOS A MAIOR DE DÉBITOS ATINGIDOS PELO PRAZO DECADENCIAL. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Em face da não constituição de crédito tributário, pela Fazenda Pública, de fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos, por força do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, tais fatos geradores foram atingidos pelo prazo decadencial. Na eventualidade de recolhimento de tais valores, extintos pela decadência, é cabível o reconhecimento do direito creditório por se caracterizarem como pagamentos indevidos ou a maior que o devido. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES DO VALOR REFERENTE A RESULTADO POSITIVO AUFERIDO NA REAVALIAÇÃO DA CARTEIRA DE INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS. APLICAÇÃO APENAS A PARTIR DE 30 DE AGOSTO DE 2002. MP Nº 66/2002 ART 35, III E ART. 63, IV. DECRETO Nº 4.524/2002, ART.28, § 2º, III. Foi considerada inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficando afastadas da tributação as demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, o que não compreende as receitas de reavaliação de investimentos imobiliários Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 82 97 /2 00 2- 11 Fl. 258DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam estes autos de análise de Declaração de Compensação (fls.02/03 dos autos digitais), onde a ora recorrente pretende compensar débito de IRRF, com créditos de PIS/PASEP e COFINS, originados em dois pagamentos realizados via DARF, alegados a uma como sendo pagamento a maior, uma vez que parte dos débitos pagos estavam já fulminados pela decadência e a duas que parte dos valores pagos se referia á recolhimento indevido por não ter a recorrente efetuado a exclusão, da base de cálculo das contribuições, de valores referentes a reavaliação de imóveis. 2. Cientificada do Despacho Decisório – Parecer nº06/2003 (fls. 36/40 dos autos digitais), que não homologou a compensação, a ora recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que foi dirigida á DRJ/RIO DE JANEIRO I para análise. 3. Assima 3ª Turma da DRJ/RIO DE JANEIRO I fez constar no relatório do Acórdão nº 9.590 : Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação. Através do Despacho Decisório Parecer n° 06/2003 (fls. 36/40), a Compensação não foi homologada. O interessado, cientificado em 11/08/2004 (fl. 45), apresentou, em 09/09/2004, a manifestação de inconformidade de fls. 48/59. Na referida peça, o interessado alega, em síntese, que: em face da anistia prevista no art. 12 da MP 175/2002, efetuou o recolhimento de débitos do PIS que já estavam extintos pela decadência (fatos geradores ocorridos em 1997) considerandose o decurso do prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador; em face da anistia prevista no art. 12 da MP 175/2002, efetuou o recolhimento indevido de débitos do PIS e da Cofins, relativos ao período de 1999, considerandose a não exclusão, da base de cálculo, de valores referentes à reavalição de imóveis o fato de a IN SRF 247, de Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10768.018297/200211 Acórdão n.º 3301006.843 S3C3T1 Fl. 258 3 21/11/2002, declarar que os referidos valores deveriam ser excluídos da base de cálculo a partir de 30/08/2002 apenas corrobora o direito de exclusão, uma vez que as IN não podem criar direitos, e, ademais, os resultados positivos da reavaliação da carteira imobiliária não têm natureza de receita. É o relatório. 4. A DRJ/RIO DE JANEIRO I, analisando a questão, assim ementou o seu Acórdão : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário : 2002 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Mantémse o Despacho Decisório proferido na forma da legislação de regência. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR. Não compete à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação em vigor, pois essa competência foi atribuída pela Constituição de 1988 (art. 102), em caráter privativo,ao Poder Judiciário. Solicitação Indeferida 5. Inconformada com tal decisão, a requerente apresentou recurso voluntário, reiterando a argumentação trazida na sua manifestação de inconformidade e, ainda, acrescentado outros argumentos, nos seguintes termos, em síntese : PIS fatos geradores ocorridos em 01/1997 em face da anistia prevista no art. 12 da MP 175/2002, efetuou o recolhimento em 11/2002, de débitos do PIS que já haviam sido alcançados pela decadência considerandose o decurso do prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, gerando assim parte do alegado pagamento a maior; PIS e COFINS fatos geradores ocorridos em 02/1999 também em face da anistia prevista no art. 12 da MP 175/2002, efetuou o recolhimento em 11/2002 do PIS e da COFINS, relativos ao periodo de 02/1999, sem ter excluído, da base de cálculo, os valores referentes à reavaliação de imóveis o fato de a IN SRF 247, de 21/11/2002, declarar que os referidos valores deveriam ser excluídos da base de cálculo a partir de 30/08/2002 apenas corrobora o direito de exclusão, uma vez que as IN não podem criar direitos, e, ademais, os resultados positivos da reavaliação da carteira imobiliária não têm natureza de receita. não se trata de reconhecer a ilegalidade/inconstitucionalidade de “legislação” em Fl. 260DF CARF MF 4 vigor, mas sim, buscar o afastamento da norma que lhe impõe limitação temporal ao seu direito; conclui acrescentando que mesmo que se entenda que as reservas de reavaliação de imóveis constituem receita, com as decisões do E. STF proferidas nos Recursos Extraordinários n° 357950, 390840, 358273 e 346084, que declararam a inconstitucionalidade do art. § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, restou pacificado o entendimento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS está limitada ao faturamento, sendo correta, portanto, a aduzida exclusão da reserva de reavaliação da sua base de cálculo. requer, por meio do presente Recurso Voluntário, e considerando todos os argumentos já expostos, a RECORRENTE o recebimento e o conhecimento do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, com o DEFERIMENTO do Pedido de Restituição solicitado, e, consequentemente, a HOMOLOGAÇÃO das Declarações de Compensação apresentadas, com o que se estará fazendo justiça; 6. Anexa ás razões recursais arrolamento de bens, cópia do estatuto social, estrutura completa do plano contábil, demonstrações contábeis para os exercícios findos de 2004 e 2005 e parecer de auditoria independente. 7. Em informação nº INF10615071052, ás fls. 255 dos autos digitais, a Sexta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes assim se pronunciou : Sorteado o recurso voluntário n° 150.701 a este Conselheiro na Sessão desta Sexta Câmara de 23/04/2008, o apreciei, extraindo dos autos o quanto segue. Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação dos débitos do IRRF incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado, dos fatos geradores relativos à 2“ semana do mês de dezembro de 2002, compensados com créditos de pagamento a Inaior do PIS e da COFINS. (…) Vêse, pois, que se trata de exigência do IRRF decorrente de compensação não homologada pela administração tributária, mas cuja origem do crédito alegado pela recorrente é o pagamento a maior do PIS e da COFINS. Nesse sentido, dispõe o Regimento Intemo do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 (DOU de 28 de junho de 2007), que: “Art 23. Incluemse na competência dos Conselhos os recursos voluntários interpostos em processos administrativos de restituição,ressarcimento e compensação, bem como de reconhecimento de isenção ou imunidade tributária. § 1” A competéncia para o julgamento de recurso voluntário em processo administrativo de apreciação de compensação é definida pelo crédito alegado. " (Grifamos) Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10768.018297/200211 Acórdão n.º 3301006.843 S3C3T1 Fl. 259 5 Destarte ainda, que pela atribuição outorgada às Câmaras do E. Segundo Conselho de Contribuintes, para apreciação de matérias desta natureza, por força do disposto no art. 21, também do aduzido Regimento Intemo, falece competência a esta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para apreciar o litígio aqui instaurado. (…) De acordo. Encaminhese o presente processo à Secretaria Geral do Primeiro Conselho de Contribuintes, para encaminhamento ao Segundo Conselho de Contribuintes. 8. Os autos, então, vieram a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Verndramini 9. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 10. Como a própria recorrente descreve, de acordo com seus estatutos, é entidade fechada de previdência complementar (”EFPC”), que foi regulada nos termos da Lei n.° 6.345, de 15 de julho de 1977, sob a forma de fundação, sem fins lucrativos, regulada, atualmente, pela Lei Complementar n.° 109, de 29 de maio de 2001, que revogou aquele dispositivo legal, e se dedica à instituição, administração e concessão de benefícios de natureza previdenciária em favor de seus representantes, revertendo integralmente o seu patrimônio em prol desta finalidade. 11. Duas questões são postas a debate nestes autos : a uma o recolhimento indevido de Contribuição ao PIS, por terem sido os débitos objeto de recolhimento atingidos por prazo decadencial, a duas o recolhimento indevido de Contribuição ao PIS e COFINS em função da não exclusão, da base de cálculo das contribuições, dos valores referentes á reavaliação de imóveis. 12. Examinemos as questões. DO RECOLHIMENTO INDEVIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS, POR TEREM SIDO OS DÉBITOS, OBJETO DO RECOLHIMENTO, ATINGIDOS PRO PRAZO DECADENCIAL. 13. Alega a recorrente : Nos termos já afirmados, a RECORRENTE apresentou a competente declaração de compensação, em face da Fl. 262DF CARF MF 6 existência de recolhimentos indevidos a título da contribuição ao PIS, relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a outubro de 1997 (R$ 22.478.98) e no período de novembro e dezembro de 1997 (R$ 6.818,22), a fim de proceder a compensação dos referidos créditos com débitos de Imposto de Renda Retido na modalidade Fonte – IRRF, referente ao período de apuração que se encerrou em I4/02/2002, ou seja, na segunda semana de dezembro de 2002. Em face de sua opção pela anistia prevista no artigo 12 da Medida Provisória n.° 175/2002, a RECORRENTE efetuou o recolhimento de débitos da contribuição ao PIS referentes a fatos geradores ocorridos até 31/11/2002. Ocorre que, posteriormente ao recolhimento dos débitos acima referidos, constatou a RECORRENTE que havia indevidamente incluído no recolhimento débitos já extintos. Do referido pagamento indevido, é que surgiram parte dos créditos utilizados na indigitada compensação com IRRF. Com efeito, a RECORRENTE pagou com os benefícios da anistia, débitos que já estavam extintos pela decadência, nos termos do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. (…) Analisandose o presente caso em que (/)o tributo exigido contribuição ao PIS é sujeito ao lançamento por homologação; (ir) os fatos jurídicos tributários (fatos geradores) ocorreram entre janeiro e dezembro de 1997, concluise gue: quando do pagamento, por meio da anistia, os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos no ano de 1997,_já haviam sido definitivamente extintos pela decadência do direito do fisco de constituilos. Em resumo, houve o regular lançamento, acompanhado do pagamento, e ocorreu o decurso do prazo de cinco anos a contarse da ocorrência dos fatos geradores ocorridos em 1997, portanto os créditos utilizados para a compensação são legítimos, pois decorrentes de um pagamento indevido, não havendo que se falar em aplicação do prazo decenal previsto na Lei n.° 8.212/91. 14. Os DARF utilizados estão anexados aos autos ás fls.38 dos autos digitais, nos valores de R$ 892.441,30 ( código de receita 9562 – COFINS IN SRF 89/2001, ART 7 , PARAGRAFO 8) e R$ 258.355,42 (código de receita 9558 – PIS IN SRF 89/2001, ART 7, PARAGRAFO 8), pagos no dia 29/11/2002, cuja arrecadação foi confirmada nos sistemas da SRF ás fls. 39/40. 15. O Despacho Decisório Parecer nº 06/2003, ás fls 53 dos autos digitais detalha o pedido do recorrente : Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10768.018297/200211 Acórdão n.º 3301006.843 S3C3T1 Fl. 260 7 16. O Acórdão DRJ manteve os termos do Despacho Decisório que assim foi redigido, citamos trechos : Os Darfs anexados, por cópia, às fls. 22, foram recolhidos em nome da própria empresa interessada e foram confirmados através dos documentos de fls. 23 e 24. Em atendimento ao Termo de Intimação n° 076/2002, de 27/12/2002, anexado por cópia às fls. 26 (AR às fls. 34), o interessado apresentou cópias do Livro Razão Analítico, quadros demonstrativos e exposição de motivos (fls. 29 a 33) através dos quais manifestase que o contribuinte considerou indevidos os recolhimentos relativos ao PIS apurado para o ano de l997 (R3 22.478,98 para os meses de janeiro a outubro e R$ 6.818,22 para novembro e dezembro), por considerar que as mesmas já teriam decaído por terem transcorrido mais de cinco anos de sua ocorrência e ainda do PIS apurado para 1999 (RS 56.848,48), decorrente da receita de reavaliação de imóveis, e da COFINS, também apurada para 1999 (R$ 262.377,58) e decorrente, também, da mencionada receita de reavaliação. (…) No que concerne às alegações do interessado quanto à possível decadência da contribuição para o PIS apurada para os meses do anocalendário de 1997, cumpre considerar que a Instrução Normativa SRF n° 247, de 21/11/2002, em seus artigos 105 e Fl. 264DF CARF MF 8 106, estabeleceu de forma clara que os prazos de decadência e de prescrição de PIS/Pasep e de Cofins são decenais. Tal entendimento já encontrava suporte na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, em seus artigos 45 e 46, que determinavam prazos decenais de decadência e prescrição para as contribuições destinadas à seguridade social. 17. Verificase que foram aceitos os valores como recolhidos a maior, (quais sejam R$ 22.478,98 + R$ 6.818,22 + R$ 56.848,48 = R$ 86.145,68 referente ao PIS e R$ 262.377,58 referente á COFINS), )entretanto o que se decidiu foi que os débitos, como fatos geradores da Contribuição ao PIS, objeto de tais recolhimentos não haviam sido atingidos pelo prazo decadencial, uma vez que os artigos 105 e 106 da IN SRF nº 247/2002, com suporte nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 determinavam que prazos decenais de decadência e prescrição para as contribuições destinadas á seguridade social. 18. Em 11/06/2008, o STF emitiu a Súmula Vinculante nº 08, assim redigida : São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. 19. Mais tarde, o STF modulou esta decisão : As normas relativas à prescrição e à decadência tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a lei complementar, tanto sob a Constituição pretérita (art. 18, § 1º, da CF/1967/1969) quanto sob a Constituição atual (art. 146, b, III, da CF/1988). Interpretação que preserva a força normativa da Constituição, que prevê disciplina homogênea, em âmbito nacional, da prescrição, decadência, obrigação e crédito tributários. (...) O CTN/1966 (Lei 5.172/1966), promulgado como lei ordinária e recebido como lei complementar pelas Constituições de 1967/1969 e 1988, disciplina a prescrição e a decadência tributárias. [RE 556.664, rel. min. Gilmar Mendes, P, j. 126 2008, DJE 216 de 14112008.] Estou acolhendo parcialmente o pedido de modulação de efeitos, tendo em vista a repercussão e a insegurança jurídica que se pode ter na hipótese; mas estou tentando delimitar esse quadro de modo a afastar a possibilidade de repetição de indébito de valores recolhidos nestas condições, com exceção das ações propostas antes da conclusão do julgamento. Nesse sentido, eu diria que o Fisco está impedido, fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN/1966, de exigir as contribuições da seguridade social. No entanto, os valores já recolhidos nestas condições, seja administrativamente, seja por execução fiscal, não devem ser devolvidos ao contribuinte, salvo se ajuizada a ação antes da conclusão do presente julgamento. Em outras palavras, são legítimos os recolhimentos efetuados nos prazos previstos nos arts. 45 e 46 e não impugnados antes da conclusão deste julgamento. Portanto, reitero o voto pelo desprovimento do recurso extraordinário, declarando a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5º do DL 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/1991, porém, com a modulação dos efeitos, ex nunc, apenas em relação às Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10768.018297/200211 Acórdão n.º 3301006.843 S3C3T1 Fl. 261 9 eventuais repetições de indébito ajuizadas após a presente data, a data do julgamento. [RE 556.664, proposta do rel. min. Gilmar Mendes, P, j. 126 2008, DJE 216 de 14112008.] Declaração de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, salvo para as ações judiciais propostas até 1162008, data em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/1991. [RE 559.943, rel. min. Cármen Lúcia, P, j. 1262008, DJE 182 de 2692008, Tema 3.] 20. Desta forma, fixouse que o prazo decadencial e prescricional para as contribuições para a seguridade social era de 05 anos, entretanto, com a ressalva de modulação dos efeitos desta decisão. 21. A Declaração de Compensação e o anexo Pedido de Restituição em exame foram protocolados em 18/12/2002, antes da data determinada pelo STF, de 11/06/2008, como data fatal, portanto, para o caso em exame aplicase a regra do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da data do fato gerador do tributo para que a Fazenda constitua o crédito tributário. 22. Portanto, os débitos, objeto do pedido, referentes aos períodos de janeiro a outubro de 1997 (R$ 22.478,98), á data do recolhimento (29/11/2002), sem que a Fazenda tivesse tomado a inciativa de constituir o crédito tributário, foram atingidos pelo prazo decadencial. 23. Já para os débitos referentes a novembro e dezembro de 1997 (R$ 6.818,22), á data do recolhimento (29/11/2002), o débito referente a novembro já estava fulminado pelo prazo decadencial, o débito referente a dezembro não, entretanto, não há notícia nos autos que o crédito tributário referente a dezembro de 1997 tivesse sido constituído até dezembro de 2002, o que leva á conclusão que o débito referente a dezembro de 1997 também foi fulminado pela decadência. 24. Diante do exposto, assiste razão á impetrante com relação aos débitos atingidos pela decadência, quais sejam os débitos referentes ao ano de 1997, para os quais deve ser reconhecido o direito creditório. DO RECOLHIMENTO INDEVIDO DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS EM FUNÇÃO DA NÃO EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES, DOS VALORES REFERENTES Á REAVALIAÇÃO DE IMÓVEIS. 25. Para o caso específico, a Medida Provisória nº 66, de 2002, assim estabeleceu : Art. 35. As entidades fechadas de previdência complementar poderão excluir da base de cálculo das contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins, além dos valores já previstos na legislação vigente, os referentes a: I rendimentos relativos a receitas de aluguel, destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; Fl. 266DF CARF MF 10 II receita decorrente da venda de bens imóveis, destinada ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; III o resultado positivo auferido na reavaliação da carteira de investimentos imobiliários referida nos incisos I e II. (…) Art. 63. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de outubro de 2002, em relação aos arts. 31 e 49; II a partir de 1º de dezembro de 2002, em relação aos arts. 1º a 11; III a partir de 1º de janeiro de 2003, em relação aos arts. 12, 37, 40 a 45 e 48; IV a partir da data da publicação desta Medida Provisória, em relação aos demais artigos. 26. A Medida Provisória citada foi publicada no DOU de 30/08/2002, portanto, o disposto no artigo 35 produziu efeitos somente a partir de 30/08/2002. 27. Regulamentando o dispositivo, o Decreto nº 4.524/2002, assim dispôs : Art. 28. As entidades fechadas e abertas de previdência complementar, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor (Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, inciso V, Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 5º, § 6º, inciso III, e § 7º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 2º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 35): I da parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e II dos rendimentos auferidos nas aplicações de recursos financeiros destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates. § 1º A dedução prevista no inciso II do caput: I restringese aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões; e II aplicase também aos rendimentos dos ativos financeiros garantidores das provisões técnicas de empresas de seguros privados destinadas exclusivamente a planos de benefícios de caráter previdenciário e a seguros de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. § 2º A partir de 30 de agosto de 2002, além das exclusões previstas no caput, as entidades fechadas de previdência complementar podem excluir os valores referentes a: Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10768.018297/200211 Acórdão n.º 3301006.843 S3C3T1 Fl. 262 11 I rendimentos relativos a receitas de aluguel, destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; II receita decorrente da venda de bens imóveis, destinada ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; e III o resultado positivo, auferido na reavaliação da carteira de investimentos imobiliários referida nos incisos I e II deste parágrafo. 28. A Instrução Normativa nº 247/2002, apenas reproduziu o mesmo dispositivo : Art. 29. As entidades fechadas e abertas de previdência complementar, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I da parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; II dos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; e III do imposto de renda de que trata o art. 2º da Medida Provisória nº 2.222, de 4 de setembro de 2001. § 1º A dedução prevista no inciso II: I restringese aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões; e II aplicase também aos rendimentos dos ativos financeiros garantidores das provisões técnicas de empresas de seguros privados, destinadas exclusivamente a planos de benefícios de caráter previdenciário e a seguros de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. § 2º Para efeito do § 1º, consideramse rendimentos de aplicações financeiras os auferidos em operações realizadas nos mercados de renda fixa e de renda variável, inclusive mútuos de recursos financeiros, e em outras operações tributadas pelo imposto de renda como operações de renda fixa. § 3º A exclusão prevista no inciso III do caput somente poderá ser efetuada se os rendimentos previstos no inciso II, também do caput, forem excluídos da mesma base de cálculo pelo seu valor líquido, deduzido do referido imposto. § 4º As entidades fechadas de previdência complementar registradas na Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), na forma do art. 19 da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, com a alteração introduzida pela Medida Provisória nº 2.17744, de 24 de agosto de 2001, que operam planos de assistência à saúde de acordo com as condições estabelecidas no art. 76 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, podem efetuar as deduções prevista no art. 26 desta Instrução Normativa. § 5º Além das exclusões previstas no caput, as entidades fechadas de previdência complementar podem excluir os valores referentes: I a rendimentos relativos a receitas de aluguel, destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; Fl. 268DF CARF MF 12 II à receita decorrente da venda de bens imóveis, destinada ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; e III ao resultado positivo, auferido na reavaliação da carteira de investimentos imobiliários referida nos incisos I e II deste parágrafo. § 6º Aplicase o disposto: I no § 4º, a partir de 1º de dezembro de 2001; e II no § 5º, a partir de 30 de agosto de 2002. 29. Entretanto, no mérito, neste ponto em questão, 30. Diante do exposto, nego provimento ao recurso neste quesito, a discussão principal posta nos autos referese ao conceito de faturamento para instituições de previdência privada para fins de incidência da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS no regime cumulativo. 31. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os REs nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/ PR. 32. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227, DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871) 33. Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10768.018297/200211 Acórdão n.º 3301006.843 S3C3T1 Fl. 263 13 de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 34. Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 35. Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas outras receitas. 36. De outro lado, as atividades da Recorrida também não podem ser equiparadas àquelas típicas de instituições financeiras. Conforme se verifica do estatuto social da Contribuinte, a mesma é uma entidade fechada de previdência privada, constituída sob a forma de sociedade civil e que tem por objetivo suplementar as prestações asseguradas pela Fl. 270DF CARF MF 14 previdência oficial. A discussão posta referese à exclusão da base de cálculo do PIS/Faturamento dos valores decorrentes da reavaliação de investimentos imobiliários.. 37. Foram excluídas da base de cálculo do PIS/Faturamento as receitas decorrentes de reavaliação de investimentos imobiliários porque ainda não realizados, não se constituindo em "receita auferida", disposição contida no então vigente §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. Sobrevindo a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS pelo STF, em sede de repercussão geral, com ainda mais razão devem ser excluídas do campo de incidência da referida contribuição todas as demais receitas que não sejam provenientes do faturamento, no caso, àquelas relativas à reavaliação de investimentos imobiliários. Conclusão 38. Neste norte, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720280/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO.
Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo, excluindo-se as aquisições que não se mostrem necessárias à consecução das atividades que compõem o objeto social do contribuinte.
CRÉDITO. ENERGIA TÉRMICA. INSUMO DE PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios na aquisição de gás amônia e gás freon utilizados na produção de energia térmica consumida no processo produtivo permitem a apropriação de créditos da contribuição não cumulativa, observados os demais requisitos da lei.
CRÉDITO. INSUMOS. ANÁLISES DE LABORATÓRIO. LIMPEZA DA FÁBRICA. PRODUÇÃO DE ALIMENTO. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios na aquisição de insumos utilizados em análises de laboratório e de bens e serviços consumidos na limpeza da fábrica produtora de alimentos permitem a apropriação de créditos da contribuição não cumulativa, observados os demais requisitos da lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa amparada na documentação contábil-fiscal do sujeito passivo não infirmada com documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-006.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para, observados os demais requisitos da lei, reverter as glosas relativas a (i) créditos decorrentes de aquisições de gás amônia e de gás freon utilizados na produção de energia térmica utilizada durante o processo produtivo e a (ii) créditos na aquisição de insumos utilizados em análises de laboratório e, desde que comprovado seu uso no ambiente de produção, de bens e serviços utilizados na limpeza da fábrica.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo, excluindo-se as aquisições que não se mostrem necessárias à consecução das atividades que compõem o objeto social do contribuinte. CRÉDITO. ENERGIA TÉRMICA. INSUMO DE PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. Os dispêndios na aquisição de gás amônia e gás freon utilizados na produção de energia térmica consumida no processo produtivo permitem a apropriação de créditos da contribuição não cumulativa, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. INSUMOS. ANÁLISES DE LABORATÓRIO. LIMPEZA DA FÁBRICA. PRODUÇÃO DE ALIMENTO. POSSIBILIDADE. Os dispêndios na aquisição de insumos utilizados em análises de laboratório e de bens e serviços consumidos na limpeza da fábrica produtora de alimentos permitem a apropriação de créditos da contribuição não cumulativa, observados os demais requisitos da lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa amparada na documentação contábil-fiscal do sujeito passivo não infirmada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para, observados os demais requisitos da lei, reverter as glosas relativas a (i) créditos decorrentes de aquisições de gás amônia e de gás freon utilizados na produção de energia térmica utilizada durante o processo produtivo e a (ii) créditos na aquisição de insumos utilizados em análises de laboratório e, desde que comprovado seu uso no ambiente de produção, de bens e serviços utilizados na limpeza da fábrica. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo, excluindo-se as aquisições que não se mostrem necessárias à consecução das atividades que compõem o objeto social do contribuinte. CRÉDITO. ENERGIA TÉRMICA. INSUMO DE PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. Os dispêndios na aquisição de gás amônia e gás freon utilizados na produção de energia térmica consumida no processo produtivo permitem a apropriação de créditos da contribuição não cumulativa, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. INSUMOS. ANÁLISES DE LABORATÓRIO. LIMPEZA DA FÁBRICA. PRODUÇÃO DE ALIMENTO. POSSIBILIDADE. Os dispêndios na aquisição de insumos utilizados em análises de laboratório e de bens e serviços consumidos na limpeza da fábrica produtora de alimentos permitem a apropriação de créditos da contribuição não cumulativa, observados os demais requisitos da lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa amparada na documentação contábil-fiscal do sujeito passivo não infirmada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 02 80 /2 01 1- 63 Fl. 3413DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para, observados os demais requisitos da lei, reverter as glosas relativas a (i) créditos decorrentes de aquisições de gás amônia e de gás freon utilizados na produção de energia térmica utilizada durante o processo produtivo e a (ii) créditos na aquisição de insumos utilizados em análises de laboratório e, desde que comprovado seu uso no ambiente de produção, de bens e serviços utilizados na limpeza da fábrica. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte acima identificado em contraposição ao despacho decisório da repartição de origem que deferira apenas parcialmente o Pedido de Ressarcimento relativo a créditos da contribuição para o PIS e homologara a compensação no limite do direito creditório reconhecido. O Pedido de Ressarcimento se refere à aquisição de insumos (bens e serviços) utilizados na fabricação de produtos destinados à venda, tributados ou não, e à aquisição de insumos agropecuários de pessoas físicas e jurídicas geradores de crédito presumido. Referido pedido foi objeto de verificação por parte da Fiscalização que, da análise do Dacon, notas fiscais, livros contábeis e fiscais, demais documentos comprobatórios do crédito e do processo produtivo da pessoa jurídica, glosou créditos relativos a insumos aplicados na produção e a bens a serem revendidos referentes a: a) aquisição de insumos tributados à alíquota zero das contribuições (leite UHT, leite em pó desnatado e queijo parmesão); b) aquisição de insumos indiretos utilizados como energia térmica (gás amônia e gás freon); c) aquisição de insumos indiretos utilizados em laboratório e de limpeza; d) aquisição de insumos sujeitos à tributação monofásica (óleo diesel e gás GLP); e) aquisição de insumos junto a pessoas físicas; Fl. 3414DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 f) notas fiscais repetidas; g) aquisição de insumos sujeitos ao crédito presumido, junto a pessoas físicas, classificados indevidamente como bens utilizados como insumos, que foram realocados como crédito presumido; h) despesas com energia elétrica que se mostraram ser de outra natureza; i) despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas não escriturados pela pessoa jurídica; j) devolução de vendas sujeitas à incidência não cumulativa (produtos sujeitos à alíquota zero); k) despesas de armazenagem e frete nas operações de venda (aquisição de serviços junto a pessoas físicas, serviços não identificados como fretes e locação de veículos); l) valores não comprovados relativos a créditos presumidos da agroindústria. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte se contrapôs às glosas relativas a (i) aquisição de insumos indiretos (bens e serviços) utilizados como energia térmica, (ii) aquisição de insumos indiretos utilizados em laboratório e de limpeza, (iii) aquisição de insumos indiretos não aplicados diretamente no processo produtivo, (iv) despesas com energia elétrica e (v) despesas de armazenagem e frete. O acórdão da DRJ, cuja decisão se baseou no conceito de insumo restrito aos bens e serviços aplicados diretamente na produção, restou ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão da DRJ em 04/06/2018 (e-fl. 3396), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 04/07/2018 (e-fl. 3399) e requereu a reforma do acórdão de primeira instância, repisando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. Fl. 3415DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de Pedido de Ressarcimento (PER) da contribuição para o PIS não cumulativa, cumulado com Declaração de Compensação (DComp), cujo crédito foi admitido somente em parte pela repartição de origem, decisão essa mantida na Delegacia de Julgamento (DRJ). De início, registre-se que, apesar de a Fiscalização ter procedido a uma gama mais ampla de glosas de créditos, o Recorrente restringiu sua contrariedade, desde a Manifestação de Inconformidade, aos seguintes itens: (i) aquisição de insumos indiretos (bens e serviços) utilizados como energia térmica, (ii) aquisição de insumos indiretos utilizados em laboratório e de limpeza, (iii) aquisição de insumos indiretos não aplicados diretamente no processo produtivo, (iv) despesas com energia elétrica e (v) despesas de armazenagem e frete. Logo, o presente julgamento se restringirá a tais matérias, tendo em vista que a lide se formou somente em relação a elas. Antes de adentrar a análise do recurso, mister identificar o objeto social da pessoa jurídica para fins de se verificar o enquadramento no conceito de insumos dos itens contestados nessa condição, a saber: “beneficiamento de leite, fabricação, importação e exportação de leite em pó e de laticínios em geral; fabricação de rações balanceadas para animais; produção e comercialização de sucos, néctares, chás, bebidas mistas e produtos similares; e comércio atacadista de leite e alimentos laticínios em geral” (e-fl. 3369). Nesta análise, será considerado o conceito de insumos, a seguir apresentado, para fins de geração de créditos na não cumulatividade das contribuições, conceito esse já consolidado neste CARF, bem como no Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 1.221.170) e na própria Administração Pública Federal (Nota SEI 63/18 da PGFN e Parecer Normativo Cosit 5/2018). I. Não cumulatividade das contribuições. Conceito de insumo. A não cumulatividade das contribuições sociais (PIS e Cofins) não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, relativa a impostos, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere-se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento relaciona- se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinte-industrial, encontrando-se circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontra-se destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito a crédito. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no percebimento de receitas, base de cálculo das contribuições, tem-se um complexo de atividades envolvidas que extrapolam os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o processo produtivo da pessoa jurídica. Fl. 3416DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 Nesse sentido, o regime não cumulativo das contribuições sociais não se restringe à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratando-se, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 1 . Como leciona Marco Aurélio Greco 2 , ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei 10.637/2002 disciplina a matéria relativa ao direito de crédito na não cumulatividade da Cofins nos seguintes termos: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 1 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 2 GRECO, Marco Aurélio. Não-cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não- cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 3417DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art37art3i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art37art3i Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; I - dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I - de mão-de-obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4 o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. Com base no conceito de insumo acima abordado, passa-se à análise dos diferentes itens glosados pela Fiscalização. Fl. 3418DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art37art3v http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art45 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art45 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.684.htm#art25art3ix http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.684.htm#art25art3ix http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.684.htm#art25art3%C2%A71ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.684.htm#art25art3%C2%A71ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art37art3%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art37art3%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art37art3%C2%A72 Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 II. Aquisição de insumos indiretos (bens e serviços) utilizados como energia térmica. O Recorrente alega, contrapondo-se às conclusões da Fiscalização e da DRJ, que o gás amônia e o gás freon sempre foram utilizados como insumos em seu processo produtivo, argumentado que a Lei nº 11.488/2007 3 veio, não só preencher a lacuna deixada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas ratificar o seu procedimento. De início, ressalte-se que inexiste nos autos controvérsia quanto à efetiva utilização dos bens identificados como gás amônia e gás freon no processo produtivo, tendo formado a lide somente em relação à existência ou não de autorização legal quanto à apropriação de créditos em sua aquisição ou à sua subsunção ou não ao conceito de insumo. Considerando o objeto social do Recorrente, é possível constatar que, no beneficiamento de leite e na fabricação de leite em pó, de laticínios em geral e de produtos similares, a energia térmica se mostra como elemento essencial à produção, pois que necessária, por exemplo, ao resfriamento e conservação do leite, bem ao aquecimento de água utilizada em eventual pasteurização. No período de apuração dos créditos controvertidos nestes autos – 2º trimestre de 2006 –, ainda não havia previsão expressa de direito a crédito na aquisição de energia térmica, o que veio a ocorrer somente a partir de 15/6/2007, data da vigência da Lei 11.488/2007, que deu nova redação ao inciso IX do art. 3º da Lei 10.637/2002. Contudo, considerando como um todo a sistemática da não cumulatividade instituída pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, é possível verificar que foram previstas, no geral, duas origens de créditos das contribuições não cumulativas, a saber: os créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo e os outros relativos a previsões expressas constantes das leis, como, por exemplo, os aluguéis de prédios e máquinas utilizados em atividades na empresa. Nesse contexto, é possível concluir que a previsão expressa de apuração de crédito a partir da aquisição da energia térmica instituída pela Lei nº 11.488/2007 se refere à energia térmica não utilizada como insumo na produção, uma vez que, nessa última hipótese, o direito de crédito já se encontrava autorizado no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, vigentes desde o início da instituição da não cumulatividade das contribuições. Tal entendimento pode ser extraído indiretamente do teor do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 2/2003, verbis: Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência não-cumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e 3 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3419DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 II prestação de serviços. (...) Art. 3º Para os fatos geradores da contribuição para o PIS/Pasep, na modalidade não- cumulativa, ocorridos em dezembro de 2002 e janeiro de 2003: (...) II não poderá ser descontado: a) o crédito do PIS/Pasep calculado em relação ao valor da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, exceto quando se tratar de insumo utilizado na forma prevista no art. 1º; (g.n.) Assim, de acordo com a definição de insumo aqui adotada, pode-se concluir que, por se tratar de bens essenciais ao processo produtivo do Recorrente, geram crédito da contribuição as aquisições de gás amônia e de gás freon utilizados na produção de energia térmica consumida durante o processo produtivo, observados os demais requisitos da lei. Nesse sentido, revertem-se as glosas efetuadas pela Fiscalização. III. Aquisição de insumos indiretos utilizados em laboratório e de limpeza. A Fiscalização, amparando-se no conceito restritivo de insumos e na ausência de previsão expressa, glosou os créditos decorrentes da aquisição de produtos utilizados em laboratório de análise e em serviços de limpeza em geral, entendimento esse ratificado pela DRJ. O Recorrente, por seu turno, se contrapôs ao conceito restritivo de insumos, argumentado tratar-se de produtos e serviços essenciais ao seu processo produtivo. Pelo que consta dos autos, os referidos laboratórios são utilizados para análise dos produtos manejados e fabricados pelo Recorrente, análise essa que, por se referir a produtos destinados ao consumo humano e animal, se mostram como essenciais ao processo produtivo, encontrando-se, por conseguinte, em conformidade com o conceito de insumos acima abordado. Quanto aos produtos e serviços utilizados na limpeza em geral, eles podem se destinar tanto à higienização e à limpeza da fábrica quanto dos demais setores administrativos da empresa. Quando aplicados no ambiente produtivo, considerando que se está diante de uma indústria produtora de alimentos, perecíveis em sua maioria, referidos itens se mostram necessários, ou mesmo imprescindíveis, à produção, em conformidade com as exigências sanitárias. Nesse sentido, observados os demais requisitos da lei, dá-se provimento ao recurso quanto ao direito de crédito na aquisição de insumos utilizados em análises de laboratório e, desde que comprovado seu uso no ambiente de produção, de bens e serviços utilizados na limpeza da fábrica. IV. Insumos indiretos não aplicados diretamente no processo produtivo. A Fiscalização, considerando a ausência de autorização normativa, procedeu à glosa, além dos créditos relativos a serviços aplicados em laboratório e na limpeza em geral, de Fl. 3420DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 créditos decorrentes de serviços de conservação de máquinas e equipamentos, de aquisição de bens do ativo imobilizado, de materiais de expediente, de compra de água mineral para funcionários, de produtos para tratamento de água, de fardamento e de conservação de prédios e terrenos. Tal entendimento foi referendado pela DRJ que se valeu da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016. Destaque-se que, quanto às glosas relativas à aquisição de material de expediente e de água mineral para funcionários, dúvidas não há quanto ao seu não enquadramento no conceito de insumos adotado neste voto, nem quanto à ausência de previsão expressa na lei. A defesa do Recorrente quanto a este item, tanto na primeira instância, quanto em sede de recurso voluntário, se restringiu ao seguinte: Aquisição de insumos indiretos não aplicados diretamente no processo produtivo Considerando que a base de cálculo do PIS e da Cofins, na modalidade não cumulativa, conforme art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Impende, portanto, concluir que os insumos indiretos, independentemente de sua classificação contábil, utilizados pela empresa em sua atividade econômica, geram direito a crédito dessas contribuições, fazendo, assim, valer o princípio da não cumulatividade. (e-fl. 3406) Constata-se do excerto supra que a defesa do Recorrente é extremamente genérica, não identificando e nem demonstrando, e muito menos comprovando, a utilização dos bens e serviços glosados, fato esse que o desfavorece bastante, pois, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização acatou os créditos decorrentes de aquisições de lubrificantes para caldeira (óleo BPF, lenha e casca de castanha adquiridos de pessoas jurídicas), conserto de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, água utilizada no processo produtivo e energia (e-fl. 22). Nota-se que os serviços cuja utilização no processo produtivo, ainda que indiretamente, fora comprovada foram admitidos pela Fiscalização, restringindo-se, portanto, as glosas aos demais itens assim não considerados. O Recorrente poderia ter se valido tanto da Manifestação de Inconformidade quanto do Recurso Voluntário para comprovar eventuais equívocos contidos na conclusão da repartição de origem, restringindo, contudo, sua defesa a um só argumento, extremamente genérico, desacompanhado de qualquer elemento demonstrativo ou comprobatório, situação essa que não se coaduna com o ônus da prova que recai sobre aquele que alega ser detentor de um direito a par de constatações não elididas. Não se pode ignorar que, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), o ônus da prova encontra-se delimitado de forma expressa, dispondo o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 nos seguintes termos: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; Fl. 3421DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com os dispositivos supra, tem-se que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento e, mesmo considerando o princípio da busca da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode, eventualmente, ir além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, os créditos pleiteados foram calculados, presume-se, com base na escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, bem como na documentação fiscal que a embasa, não se vislumbrando, a princípio, razões à sua não apresentação, o mais extensivamente possível, quando do procedimento e do processo fiscais. Destaque-se que o Recorrente, durante todo o trâmite do processo, teve diferentes oportunidades para carrear aos autos os documentos que pudessem comprovar a alegação da existência dos referidos créditos, restringindo sua defesa, conforme já dito, a uma só alegação genérica. Dessa forma, nega-se provimento a esse item. V. Despesas com energia elétrica. Conforme consta do Relatório de Verificação Fiscal (e-fl. 22), os créditos relativos às aquisições de energia elétrica foram acatados, exceto quanto às “operações não caracterizadoras de compra de energia elétrica”. A DRJ destacou que, no demonstrativo elaborado pela Fiscalização, identificado como “Serviços de Energia Elétrica”, os itens glosados encontravam-se identificados. No referido demonstrativo (e-fls. 1.737 a 1746), os créditos relativos à energia elétrica acatados são identificados como adquiridos da COELCE, da CEAL, da CELPE etc., sendo as glosas decorrentes da existência de campos em branco e de descrições não condizentes com o consumo de energia, como, por exemplo, “Cooperativa de Laticínios Médio Jaguaribe”, “Bemetal Indústria e Comércio Ltda.” e “Almoxarifado família”. O Recorrente restringe sua defesa à falta de identificação, por parte da Fiscalização, de quais notas fiscais teriam sido glosadas. Contudo, conforme acima apontado, a alegada omissão a que o Recorrente se refere não existe, não se acatando, portanto, sua defesa quanto a este item, precipuamente se se Fl. 3422DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-006.004 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.720280/2011-63 considerar que a Fiscalização já havia acatado mais de 95% do total do crédito devidamente comprovado requerido a esse título. VI. Despesas de armazenagem e frete em operações de venda. A Fiscalização consignou no Relatório de Verificação Fiscal que se acataram os créditos relativos a fretes e armazenagem em operações de venda, tendo as glosas efetuadas se restringido a (i) fretes contratados junto a pessoas físicas, (ii) serviços não identificados como fretes (combustíveis, conserto de veículos, pagamento de comissões, despesas com fundo fixo etc.) e (iii) locação de veículos (e-fl. 23). A defesa do Recorrente se restringe ao seguinte: Em relação a este item, a INCONFORMADA repete os mesmos argumentos apresentados ao item “Aquisição de insumos indiretos não aplicados diretamente no processo produtivo”. (e-fls. 3361 e 3407). O referido item reportado pelo Recorrente foi analisado no item IV deste voto, cuja conclusão foi no sentido de negar provimento por total falta de demonstração e comprovação das alegações apresentadas. Portanto com base nos mesmos fundamentos contidos no item IV supra, nega-se provimento ao recurso quanto a este item. VII. Conclusão. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para, observados os demais requisitos da lei, reverter as glosas relativas a (i) créditos decorrentes de aquisições de gás amônia e de gás freon utilizados na produção de energia térmica utilizada durante o processo produtivo e a (ii) créditos na aquisição de insumos utilizados em análises de laboratório e, desde que comprovado seu uso no ambiente de produção, de bens e serviços utilizados na limpeza da fábrica. É como voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 3423DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.721018/2013-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
O Recurso Especial deve ser conhecido quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, evidenciando-se interpretação divergente relativamente ao mesmo arcabouço jurídico-normativo, atendidos os demais pressupostos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO EFETIVA DA ORIGEM DE TODOS OS VALORES AUTUADOS. IMPOSSIBILIDADE DE CONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS COMO ORIUNDOS DA ATIVIDADE RURAL.
Ainda que a atividade rural seja normalmente exercida de maneira informal, o que, em muitos casos, inviabiliza uma comprovação detalhada da origem dos valores depositados em conta, na situação sob análise, diante do elevado valor omitido, a atividade certamente deveria ser de grande porte, tendo, portanto, como o Contribuinte se cercar de um lastro probatório mais robusto, com a indicação, no mínimo, do nexo lógico entre o valor da produção rural e dos depósitos bancários.
Numero da decisão: 9202-008.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardoso- Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. O Recurso Especial deve ser conhecido quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, evidenciandose interpretação divergente relativamente ao mesmo arcabouço jurídiconormativo, atendidos os demais pressupostos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO EFETIVA DA ORIGEM DE TODOS OS VALORES AUTUADOS. IMPOSSIBILIDADE DE CONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS COMO ORIUNDOS DA ATIVIDADE RURAL. Ainda que a atividade rural seja normalmente exercida de maneira informal, o que, em muitos casos, inviabiliza uma comprovação detalhada da origem dos valores depositados em conta, na situação sob análise, diante do elevado valor omitido, a atividade certamente deveria ser de grande porte, tendo, portanto, como o Contribuinte se cercar de um lastro probatório mais robusto, com a indicação, no mínimo, do nexo lógico entre o valor da produção rural e dos depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 10 18 /2 01 3- 50 Fl. 3118DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2402005.830, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 10 de maio de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 3013: RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Valor exonerado, na data de julgamento, inferior ao disposto no artigo 1º da Portaria MF n.º 03/2008 aplicabilidade da Súmula CARF n.º 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. ATIVIDADE RURAL. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei n.º 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei n.º 7.713/88. Havendo omissão deve ser considerado lícito o lançamento realizado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. EXCLUSÃO. Excluída a qualificadora da multa nos termos da Súmula CARF n.º 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessárias a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No que se refere ao recurso especial, fls. 3038 a 3087, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 3096 a 3103, para discutir a matéria relativa à redução da base de cálculo da exigência relativa à omissão de rendimentos oriunda de depósitos bancários para 20%, nos termos da Lei n.º 8.023/90, quando o Contribuinte exercer exclusivamente atividade rural. Em seu recurso, aduz o Contribuinte, em síntese, que: a) identificado que o contribuinte atua, com exclusiva dedicação, na exploração de atividade rural, as omissões de rendimentos identificadas por depósitos bancários devem ser submetidas ao regime de tributação próprio do segmento, na forma prevista no art. 50 da Lei n° 8.023, de 1990 reproduzido no art. 71 do Decreto n° 3.000, de 1999; b) o próprio arbitramento do resultado da atividade rural, em caso de falta de escrituração em Livro Caixa, é também realizado a partir da adoção do percentual de 20% (vinte por cento) da receita bruta do anocalendário, na forma do § Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 9202008.153 CSRFT2 Fl. 3 3 2° do art. 18 da Lei n° 9.250, de 1995, constante também do § 2° do art. 60 do Regulamento do Imposto de Renda; c) há de prevalecer o entendimento firmado nos acórdãos adotados como paradigmas, para efeito de determinar a aplicação do regime previsto na Lei n° 8.023/90, que limita a base de cálculo em 20% (vinte por cento) da receita bruta, em relação aos rendimentos omitidos, por presunção, a partir de depósitos bancários, diante da dedicação exclusiva do contribuinte ao exercício de atividade rural. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, consoante Despacho de fl. 3.105, alegando, em suma; a) no presente caso não se verifica a divergência necessária a sustentar parte do recurso interposto pelo contribuinte; b) da simples leitura do trecho acima, verificase que os paradigmas reconheceram a tributação diferenciada em razão da constatação de dedicação exclusiva à atividade rural, o que foi expressamente consignado em ambas as ementas. Ou seja, afastouse o art. 42 da Lei nº 9430/96 em razão da dedicação exclusiva à atividade rural; c) no caso a Turma manteve a autuação do art. 42 da Lei nº 9430/96, partindo da mesma premissa, uma vez que não restou comprovado que o contribuinte dedicavase exclusivamente à atividade rural; d) não há que se falar em teses conflitantes entre recorrido e paradigmas, ao contrário, a tese adotada é a mesma, ou seja diante da comprovação de dedicação exclusiva à atividade rural, afastase o art. 42 da Lei nº 9430/96. Entretanto, no acórdão recorrido não houve a comprovação de atividades exclusivamente rurais; e) foram adotadas soluções diversas, em razão de conjuntos fáticos probatórios diversos. Como de se esperar com base na análise fática/probatória acórdãos paradigmas e recorrido chegaram a conclusões diversas; f) não obstante a desejada semelhança fática das situações, na verdade a questão é eminentemente probatória, não havendo que se falar em teses jurídicas conflitantes; g) questão central a ser debatida neste caso é saber se aos depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, por meios hábeis e idôneos, de forma cabal e contundente, como derivada em sua totalidade de créditos oriundos da atividade rural, pode ser aplicada a tributação especial da Lei nº 8.023/90, conforme pretende o contribuinte; h) a presunção legal relativa de omissão de receitas ou rendimentos somente será afastada no caso de o contribuinte, através de documentação hábil e idônea, comprovar a origem dos valores depositados/creditados em sua conta bancária; i) na hipótese dos autos, restou patente que o contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos recursos depositados em Fl. 3120DF CARF MF 4 sua conta bancária, razão pela qual, acertadamente, a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, lavrado com fundamento na presunção legal de omissão de receitas, prevista nos art. 42 da Lei 9.430/96; j) em nenhum momento, o próprio contribuinte vinculou, demonstrando de forma precisa com indicação da origem e com coincidência de datas e valores, os depósitos bancários de origem não comprovada a rendimentos oriundos exclusivamente da atividade rural; k) como já demonstrado a própria DRJ e a Turma recorrida, alicerçadas no conjunto probatório, esclarecem de modo inquestionável que a autoridade autuante em nenhum momento reconheceu que os depósitos bancários tiveram origem no exercício da atividade rural; l) como o contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação da origem dos valores depositados, nem logrou demonstrar, por documentação hábil e idônea, que tais valores derivariam da atividade rural, não se podendo depreender, do conjunto probatório, de forma comprovada e cabal, quais eventos constituiriam a real origem dos montantes objeto da movimentação financeira, ônus este a cargo do contribuinte, do qual não conseguiu desincumbir se; m) em nenhum momento, a autoridade autuante, ou a autoridade julgadora de primeira ou segunda instância constata ou demonstra que os rendimentos de depósitos bancários não comprovados são oriundos da atividade rural; n) cabe ao contribuinte o ônus de provar, por meios hábeis e idôneos, de forma cabal e contundente, e não por meio de mera declaração, que a totalidade dos depósitos não comprovados derivou de créditos oriundos de atividade rural, justamente porque esses rendimentos estão sujeitos a uma tributação mais benéfica; o) deve ser mantida a decisão a quo, mantendose o lançamento por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz – Relatora 1. Do conhecimento Sustenta a Recorrida a impossibilidade de conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, considerando a ausência da divergência jurisprudencial suscitada. A Procuradoria da Fazenda Nacional assevera que os paradigmas indicados reconheceram a tributação diferenciada em razão da constatação de dedicação exclusiva à atividade rural. Contudo, o acórdão recorrido manteve a autuação do art. 42 da Lei 9.430/96, Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 9202008.153 CSRFT2 Fl. 4 5 uma vez que não restou comprovado que o Contribuinte dedicavase exclusivamente à atividade rural. Assim, na visão da Recorrida, não obstante a desejada semelhança fática das situações, na verdade a questão é eminentemente probatória, não havendo que se falar em teses jurídicas conflitantes. Com a análise dos julgados, observase que o acórdão recorrido assim tratou da matéria, no voto vencedor: Noutro giro, não há como acatar o argumento do relator no sentido de que não havendo “qualquer indício de que tais rendimentos tiveram origem em atividades não rurais, salvo as que excepcionamos neste voto, deve ser mantido o regime tributário próprio da atividade e arbitrado o tributo com a base de cálculo prevista em lei específica do setor”. Destaquese que no caso em comento restou sem comprovação montante considerável de depósitos bancários, sendo que a mera ausência de evidência de que o contribuinte tenha atividades outras que a rural não é suficiente para inverter o ônus de prova a ele atribuído por força do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, à mingua de qualquer permissivo normativo nesse sentido. Anotese que as receitas comprovadamente associadas à atividade rural, e que haviam sido omitidas do conhecimento do fisco foram devidamente objeto de lançamento, sob outro embasamento legal. O relator alega que as peculiaridades da atividade rural são empecilho para a vinculação clara de notas fiscais de produtor aos depósitos bancários. Não comungo com tal percepção dos fatos. Ainda que se admita – o que não me parece inconteste, tratando se mais de conjectura – que tal proceder possa ser mais dificultoso para os produtores rurais do que para os demais contribuintes, poderia perfeitamente o autuado fazer correspondências bastante satisfatórias entre as operações de venda e os créditos em suas contascorrente, mesmo que não se ajustassem à perfeição desejada. O que minimamente se requer é que, ainda que não haja coincidência exata de datas e valores, sejam apresentadas justificativas plausíveis e que esclareçam a origem, de maneira individualizada, dos depósitos sujeitos à comprovação. A análise da movimentação financeira deve ser efetuada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento esse que foi escorreitamente observado pela fiscalização no caso em tela. (...). No que se referem ao paradigmas, o entendimento é no sentido de que “o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.º 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% da omissão apurada”. Fl. 3122DF CARF MF 6 Com o cotejo entre o acórdão recorrido e os acórdão paradigmas, notase que embora o voto vencedor tenha considerado que “a ausência de evidência de que o contribuinte tenha atividades outras que não a rural não é suficiente para inverter o ônus de prova a ele atribuído por força do art. 42 da Lei n.º 9.430/96”, por uma questão lógica, deduzse que, aparentemente, o Contribuinte exercia atividade exclusivamente rural. Pela a interpretação que se faz do acórdão vergastado, a razão de “inexistir evidências de que o Contribuinte tenha outras atividades que não a rural”, ou seja, “exerça atividade exclusivamente rural”, não afasta a presunção legal definida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, para o Colegiado a quo, tal situação não é apta a inverter o ônus da prova atribuído ao Contribuinte. Desse modo, pela leitura das decisões ora analisadas, resta clara a existência da divergência jurisprudencial arguida, pois, como discorrido anteriormente, os paradigmas aplicam a tributação favorecida, quando o Contribuinte se dedica à atividade exclusivamente rural, e, por outro lado, o acórdão recorrido mantém a presunção legal estabelecida. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. 2. Do mérito. Quanto ao mérito, requer o Contribuinte a reforma do acórdão recorrido, pois, tendo em vista sua atuação exclusiva na exploração da atividade rural, as omissões de rendimentos identificadas por depósitos bancários devem ser submetidas ao regime de tributação próprio do segmento, na forma do art. 50 da Lei n.º 8.023/90, reproduzido no art. 71 do Decreto 3.000/99. Por sua vez, a Recorrida assevera, em síntese, dentre outros argumentos, cabe ao contribuinte o ônus de provar, por meios hábeis e idôneos, de forma cabal e contundente, e não por meio de mera declaração, que a totalidade dos depósitos não comprovados derivou de créditos oriundos de atividade rural, justamente porque esses rendimentos estão sujeitos a uma tributação mais benéfica. Compulsandose os autos, verificase que o Termo de Verificação fiscal, fl. 1635, assim dispôs: Reiterase que apesar de regularmente intimado a comprovar individualmente, mediante documentação hábil e idônea compatível em datas e valores, a origem dos créditos/depósitos efetuados nos anoscalendário 2008 e 2009, em contas bancárias de sua titularidade, o contribuinte apresentou parca documentação capaz de provar parte da origem de tais valores, sendo que esta Fiscalização, por meio de procedimentos de Diligências vinculadas ao presente procedimento fiscal, conseguiu comprovar a origem de alguns dos depósitos/créditos efetuados em contas bancárias do contribuinte conforme documentação apresentada por empresas e pessoas físicas que efetuam transações comerciais com o contribuinte — vide docs folhas 1256 a 1514. A identificação dos créditos/depósitos comprovados e não comprovados, bem como as observações fiscais sobre as justificativas do contribuinte, encontramse explicitadas em planilha às folhas 1575 a 1594, sendo que, à folha , temos um quadro resumido dos valores originais que compõem mensalmente os valores lançados em c da uma das contas bancárias do contribuinte, cujos depósitos/créditos bancos não têm origem comprovada. Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 9202008.153 CSRFT2 Fl. 5 7 Pelo que consta processo, o procedimento adotado pelo fisco oportunizou inúmeras vezes ao Contribuinte a apresentação de documentos aptos à demonstração da origem dos depósitos, inclusive, foram considerados os documentos que possuíram aptidão para tanto, como se verifica dos trechos abaixo do TVF, fls. 1632 e 1633: As respostas às intimações fiscais, subsidiaram a composição da efetiva receita da atividade rural do contribuinte, conforme adiante explicitado, como também deram suporte à comprovação de parte dos depósitos bancários efetuados em contas de titularidade do contribuinte. Há de se ressaltar que, das respostas à intimação feitas pelas empresas circularizadas, emergem informações e documentos (cópia de notas fiscais de produtor, notas fiscais de entrada, cópias de transferências/depósitos bancários) que comprovam parte da origem dos depósitos/créditos bancários efetuados em contas bancárias de titularidade do contribuinte. No entanto, tais documentos servem também para revelar discrepâncias existentes entre as datas apostas em tais documentos, com as datas da escrituração dos mesmos no livro Caixa. (...). Entendendo que as dilações de prazo concedidas até o momento foram mais do que suficientes para apresentação da documentação probante da origem dos depósitos bancários por parte do contribuinte; que a documentação solicitada à apresentação, se de boa guarda por parte do contribuinte, não redundaria em tanta demora ao atendimento das intimações; e que grande parte das alegações do contribuinte vinham sendo entregues desacompanhadas de documentação hábil e idônea capazes de dar suporte ao alegado, esta Fiscalização, de posse dos documentos disponibilizados pelo contribuinte em cumprimento às intimações fiscais emitidas, e também com base nas informações coletadas em diligências vinculadas ao presente procedimento fiscal, efetuadas junto aos clientes do contribuinte em tela, efetuou a apuração dos seguintes créditos tributários: (...). Analisando a planilha de fl. 1.595, percebese um total de R$ 5.760.083,45 de depósitos de origem não comprovada. E, pelo que consta do acórdão de impugnação, foi mantido o valor de R$ 5.132.004,32 a titulo de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. Já os rendimentos omitidos provenientes da atividade rural totalizaram R$ 2.849.952,17. Portanto, a discrepância de valores é tão elevada que não se mostra razoável considerar como oriundos da atividade rural os depósitos de origem não comprovada, pois, pela vasta movimentação financeira, a atividade desenvolvida pelo Contribuinte tinha dimensão capaz de ensejar o acompanhamento de um arcabouço probatório mais amplo. Cabe esclarecer que, em muitos casos, identificada a exclusividade de atuação do Contribuinte no exercício da atividade rural, é possível, com a análise do caso concreto, quando as diferenças resultantes da comprovação da origem são mínimas, afastar a tributação tal como lançada. Fl. 3124DF CARF MF 8 Contudo, essa não é a situação dos autos. Dessa forma, entendo que o acórdão de segunda instância não merece reforma. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 3125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.912438/2009-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO.
Tendo sido comprovado mediante documentação hábil e idônea o crédito informado no PER/DCOMP, há que se reconhecer o indébito. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1002-000.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Ailton Neves da Silva- Presidente.
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. Tendo sido comprovado mediante documentação hábil e idônea o crédito informado no PER/DCOMP, há que se reconhecer o indébito. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório reconhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. Tendo sido comprovado mediante documentação hábil e idônea o crédito informado no PER/DCOMP, há que se reconhecer o indébito. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ailton Neves da Silva- Presidente. Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento do recurso administrativo na primeira instância administrativa, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ: Trata-se da manifestação de inconformidade de fls. 11/12 contra o despacho decisório de fl. 07, que não reconheceu o direito creditório reclamado no PER/DCOMP nº 17183.70650.070207.1.3.04-0924, derivado de pagamento indevido e, como consequência, não homologou a compensação correspondente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 24 38 /2 00 9- 13 Fl. 136DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.881 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.912438/2009-13 Reproduzo a seguir imagem do campo 3 do despacho decisório, que permite visualizar os elementos essenciais do presente litígio. Como se vê acima, o crédito declarado pela contribuinte no PER/DCOMP transmitido em 07/02/2007 diz respeito a pagamento indevido de IRRF (cód. 0561), cujo recolhimento ocorrera em 10/01/2007. A não homologação levada a efeito pela autoridade fazendária deveu-se à constatação de que o crédito já teria sido utilizado anteriormente para quitação de outros débitos. Na manifestação de inconformidade, a interessada reclama a efetiva existência do direito creditório. Alega que o pagamento indevido que deu origem ao crédito compensado seria derivado de pagamento em duplicidade de débito vencido em dezembro de 2006, relativo a imposto retido na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado (“IRRF férias”). Os pagamentos em questão teriam ocorrido em 21/12/2006 (no valor total de R$ 25.144.77) e em 10/01/2007 (também no valor total de R$ 25.144,77), conforme documentos de fls. 24/25. Solicita, pois, a revisão do despacho decisório. Observe-se que o direito creditório reclamado no PER/DCOMP nº 17183.70650.070207.1.3.04-0924 foi de R$ 25.144,77. Esse é o valor do litígio. O recurso foi julgado improcedente pela DRJ, recebendo o julgamento a seguintes ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DCTF. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar a efetiva ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, pois é ele quem alega a existência do crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 42), pelo qual repisa os argumento do recurso em primeiro grau. Sobre a origem do crédito, afirma: Fl. 137DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.881 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.912438/2009-13 “ Em 21/12/2006, o recorrente efetuou o pagamento de R$ 25.144,77, sob o código 0561, correspondente ao IRRF sobre as férias, através do DARF200600339, conforme consta da Razão Contábil da Empresa(período 01/01/2006 – 31/12/2006), ora anexada. No mês seguinte, em 10/01/2007, por equívoco, efetuou outro pagamento, na mesma quantia(R$ 25.144,77) – DARF 200700007, referente ao mesmo fato gerador(IRRF – férias do mês de dezembro), comprovado através da Razão Contábil(período 01/01/2007-28/02/2007), acostada ao presente recurso. Com o equívoco, a empresa recorrente buscou, através da PER/DCOMP nº.17183.70650.070207.1.3.04-0924, em 07/02/2007, creditar-se no valor para fins de compensação. O pedido não foi deferido.” Ademais, apresenta argumentos, acompanhados de jurisprudência e doutrina, no sentido da possibilidade de reconhecimento do crédito mesmo sem a retificação da DCTF. Junta DCTF retificadora não transmitida e demonstrativos contábeis. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Rafael Zedral Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo pois: 1. A ciência do Acórdão ocorreu em 12/11/2015 conforme e-fls. 40; 2. Seu Recurso Voluntário foi protocolado no dia 14/12/2015 (uma segunda- feira) conforme e-fls. 41 (considerando que o prazo de trinta dias esgotou- se num sábado (dia 12/12/2015). Ademais, atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Fl. 138DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.881 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.912438/2009-13 Entendo que assiste razão à recorrente. Mas, inicialmente convém observar que o indébito tributário não decorre de um pagamento realizado a maior ou feito indevidamente. O simples pagamento em duplicidade não gera nenhum crédito, porque, mesmo pago a maior, ou como no caso presente, pago em duplicidade, há mecanismos para aproveitamento deste pagamento que não deveria ter sido realizado. Basta que o contribuinte vincule este DARF pago em duplicidade a um débito, e o faz isto informando em DCTF que este DARF amortiza determinado débito. Assim, um DARF de IRPJ pode amortizar um débito de PIS se assim foi declarado em DCTF. Ocorre o indébito quando o pagamento não está (ou não deveria estar) atrelado a um débito realmente devido. Ou melhor: quando está vinculado a um débito indevidamente declarado. Faço esta observação para esclarecer que a questão aqui não é se houve ou não um recolhimento em duplicidade. A DRJ de Porto Alegre RS já reconheceu este fato. Mas também reconheceu que este DARF pago em duplicidade foi aproveitado para amortizar um débito, conforme declaração da recorrente em DCTF. Assim, temos dois débitos de IRRF IRRF 0561 do 2º Decêndio de 2006, declarado em DCTF no valor de R$ 58.913,09, vencido em 26/12/2006; IRRF 0561 do 3º Decêndio de 2006, declarado em DCTF no valor de R$ 47.447,24, vencido em 10/01/2007. Quanto a este último, a recorrente alega que o segundo recolhimento DARF de R$ 25.144,77 recolhido em 10/01/2007 foi indevido. Conforme extrato da DCTF incluída no corpo do próprio Acórdão (e-fls. 37) o débito de IRRF do 3º decêndio de dezembro 2006 está vinculado a dois DARF. PA 26/12/2006 Vencimento 10/01/2007 IRRF R$ 22.332,47 IRRF FÉRIAS R$ 25.144,77 Total R$ 47.477,24 Enquanto que o primeiro DARF de R$ 25.144,77 está vinculado ao decêndio anterior, ou seja, PA 2º Decêndio de Dezembro de 2006: 2º dec dezembro 2006 vencimento 26/12/2006 IRRF 2ª PARC/13º salário R$ 33.768,32 IRRF FÉRIAS R$ 25.144,77 Total R$ 58.913,09 Analisando a Folha de Pagamento de Dezembro (e-fls. 54), a cópia do razão (e- fls. 125/126), os demais documentos, vejo que há verossimilhança dos argumentos da recorrente. Fl. 139DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.881 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.912438/2009-13 Vejamos: O débito de R$ 58.913,09 é composto de: R$ 33.768,32 referente à 2ª parcela da gratificação de natal; R$ 25.144,77 referente ao IRRF sobre as férias. A cópia do Livro Razão juntado pela recorrente às e-fls. 125, demonstra com clareza a composição deste débito: Verifico que o débito de IRRF do 2º decêndio de 12/2006 está corretamente declarado em DCTF e não merece reparos. Quanto ao débito do 3º decêndio de 12/2006, verifico a existência do erro alegado pela recorrente. Se olharmos a folha de pagamento de e-fls. 54, verificaremos que, de fato, a soma das rubricas IRRF R$ 22.332,47 e IRRF FÉRIAS R$ 25.144,77 é de R$ 47.477,24, o que vem a ser o mesmo valor declarado em DCTF (e-fls. 38). Aparentemente, afastaria qualquer alegação de erro pois os valores de IRRF coincidem com o declarado em DCTF. No entanto, o IRRF sobre férias (R$ 25.144,77) já está declarado no PA do 2º decêndio de 12/2006, e não deveria estar declarado no 3º decêndio. Deste modo, percebe-se que houve não só um pagamento em duplicidade mas um lançamento em DCTF em duplicidade. E isso se justifica pois erros desta natureza frequentemente ocorrem junto com outros erros. DISPOSITIVO Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento, reconhecendo o crédito declarado no PER/DCOMP 17183.70650.070207.1.3.04-0924, homologando as compensações até o limite do crédito. É como voto. Rafael Zedral - Relator Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.900912/2008-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/11/2002
CANCELAMENTO DE DÉBITOS. EXTRAPOLAÇÃO DO ESCOPO DA LIDE E DA COMPETÊNCIA DO CARF. COMPETÊNCIA DA DRF.
O cancelamento dos débitos da DCOMP não é objeto da lide e extrapola a competência do CARF. É de competência da DRF, conforme Regimento Interno da RFB.
Numero da decisão: 1001-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/11/2002 CANCELAMENTO DE DÉBITOS. EXTRAPOLAÇÃO DO ESCOPO DA LIDE E DA COMPETÊNCIA DO CARF. COMPETÊNCIA DA DRF. O cancelamento dos débitos da DCOMP não é objeto da lide e extrapola a competência do CARF. É de competência da DRF, conforme Regimento Interno da RFB.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/11/2002 CANCELAMENTO DE DÉBITOS. EXTRAPOLAÇÃO DO ESCOPO DA LIDE E DA COMPETÊNCIA DO CARF. COMPETÊNCIA DA DRF. O cancelamento dos débitos da DCOMP não é objeto da lide e extrapola a competência do CARF. É de competência da DRF, conforme Regimento Interno da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 09 12 /2 00 8- 41 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13609.900912/200841 Acórdão n.º 1001001.403 S1C0T1 Fl. 138 2 O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 18/11/2004 através da PER/DCOMP nº 39205.68329.181104.1.3.046334, que apresentou como crédito pagamento a maior de IRRF, efetuado em 13/11/2002, no valor de R$ 19.183,20 (DCOMP às fls. 02 a 06). Transcrevo, abaixo, parte do relatório da decisão de primeira instância, que resume o pleito: O despacho decisório a fl. 8 homologou parcialmente a compensação efetuada por meio do PER/DCOMP a fl. 1, transmitido em 18/11/2004. O interessado pretendeu extinguir mediante compensação R$ 19.011,12 de débito de imposto de renda retido na fonte (IRRF), alegando possuir R$ 19.183,20 de crédito também de IRRF. O débito e o crédito têm ambos o mesmo código de recolhimento: 0561. Segundo a motivação dada ao despacho, foi localizado o pagamento correspondente ao crédito alegado pelo interessado, mas este já havia sido parcialmente usado para a quitação de outros débitos, de modo que o saldo disponível para compensação se limitou a R$ 172,08. Por isso, o direito de crédito reconhecido foi igual a este último valor, enquanto foi considerado indevidamente compensado débito no montante de R$ 18.861,06. Enquadramento legal da decisão: artigos 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), artigo 74 da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho, conforme informe a folhas 9, fezse por via postal em 19.05.2008. Em 12.06.2008 foi apresentada a manifestação de inconformidade juntada a folhas 11. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. (...) Síntese do caso • No 4° trimestre de 2002 a Orthocrin apurou R$ 20.895,20 de IRRF a pagar incidente sobre rendimentos de trabalho assalariado referente à 2ª semana de novembro (código de receita 05611). A quantia foi paga por meio de dois DARF, um no valor de R$ 1.884,08, e outro no de R$ 19.183,20 (does. 2 e 3). Os dois perfazem RS 21.067,28, ao passo que deveriam ser pagos apenas R$ 20.895,20, de modo que restaram em favor da requerente R$ 172,08. • Houve um equívoco no preenchimento do segundo DARF, pois onde contou R$ 19.183,20 devia ter constado R$ 19.011,12. • A providencia óbvia a tomar seria solicitar o ressarcimento do crédito. A requerente, porém, por um lapso escusável, apresentou pedido de compensação do suposto crédito de R$ 19.183,20 (valor pago por meio do segundo DARF), com suposto débito de R$ 19.011,12, montante já pago por meio do segundo DARF (conf. doc. 4). • A requerente concorda com a parte do despacho decisório em que se reconhece o direito creditório de R$ 172,08. Sua manifestação de inconformidade diz respeito à parte da decisão segundo a qual o crédito reconhecido seria insuficiente para a quitação do débito objeto do pedido de compensação, de modo que restariam R$ 18.861,04 pendentes de pagamento, a ser acrescidos de juros de mora e multa. Débito já quitado Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13609.900912/200841 Acórdão n.º 1001001.403 S1C0T1 Fl. 139 3 • É certo que a requerente contribuiu para o equívoco em que incorreu o auditor responsável pelo despacho. Não obstante, tal lapso, perfeitamente escusável, não pode servir como fundamento para uma conclusão que se não coaduna com a realidade dos fatos. • Conforme se demonstrou, o pedido de compensação apresentou dois equívocos. O primeiro e mais importante é que não havia débito a ser compensado, pois os R$ 19.011,12 já haviam sido pagos por meio do DARF anexo. O segundo é que o crédito da requerente era de apenas R$ 172,08. Dessa forma, se, de um lado, a requerente não detinha crédito de R$ 19.183,20 (mas apenas de R$ 172,08), de outro lado, também não era devedora de R$ 19.011,12. • O correto seria, então, apenas reconhecer o crédito de R$ 172,08, e não determinar o pagamento de importância que comprovadamente já foi paga. Conclusão • Requerse que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente, , para reconhecer a inexistência de débito pendente de pagamento, bem como para, reconhecendo a existência de crédito de R$ 172,08, determinar sua respectiva restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG, no Acórdão às fls. 36 a 40 do presente processo (Acórdão 0223.637, de 09/09/2009), julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 NEGAÇÃO DO DÉBITO INDEVIDAMENTE COMPENSADO No processo administrativo instaurado em decorrência da contestação do despacho decisório que não homologa a compensação não cabe alegar a inexistência nem a extinção prévia do débito. No voto, ponderou que o contribuinte expressamente concordava com a parte da decisão que diz respeito à apuração do seu direito creditório (R$ 172,08), mas contrapõe que o débito compensado já havia sido quitado anteriormente, razão pela qual, em vez de ser submetido à cobrança do débito indevidamente compensado, lhe deveria ser restituído o montante do crédito em questão. Argumentou que na manifestação de inconformidade pode ser contestado o não reconhecimento do crédito alegado, bem como os critérios de utilização deste crédito que resultaram na não homologação da compensação declarada, mas não o próprio débito de que o contribuinte confessou ser devedor. Que uma vez que o contribuinte concorda que o seu verdadeiro direito creditório se limita ao montante reconhecido no despacho decisório, e que não se queixa de nenhuma incorreção nem impropriedade no aproveitamento do montante reconhecido, sua manifestação de inconformidade não se sustenta. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13609.900912/200841 Acórdão n.º 1001001.403 S1C0T1 Fl. 140 4 Alertou que o contribuinte poderia apresentar petição dirigida à autoridade administrativa competente (a mesma que proferiu o despacho decisório em causa), postulando que esta, em revisão de oficio, na competência atribuída pelo Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, efetuasse o cancelamento do débito que alega já se achar extinto. Cientificado da decisão de primeira instância em 01/10/2009 (Aviso de Recebimento à fl. 44), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 28/10/2009 (recurso às fls. 45 a 52, carimbo aposto na primeira folha). Nele repete as alegações da Manifestação de Inconformidade, de que apresentou equivocadamente a DCOMP, uma vez que o débito do período informado foi quitado por pagamento. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, o contribuinte esclarece, já na Manifestação de Inconformidade, que de fato, o crédito disponível é de apenas R$ 172,08. A inexistência de direito creditório além do já reconhecido é, portanto, é matéria não impugnada, definitivamente julgada pelo Despacho Decisório, conforme art. 17 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O objetivo dos recursos apresentados em primeira e segunda instância é o cancelamento do débito informado em DCOMP. No entanto, não cabe a este colegiado determinar cancelamento de DCOMP ou de débitos ali informados. O escopo da lide, na compensação, é a existência do direito creditório, conforme caput e § 4º do art. 135 da IN RFB 171/2017 (abaixo transcritos – grifos nossos). Esse, como dito acima, já foi perfeita e definitivamente julgado pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas – MG (fl. 09). Art. 135. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, pedido de ressarcimento ou pedido de reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o indeferimento do Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13609.900912/200841 Acórdão n.º 1001001.403 S1C0T1 Fl. 141 5 pedido ou a não homologação da compensação, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (...) § 4º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. Assim, está correta a decisão de primeira instância, cujo voto transcrevo parcialmente abaixo, e cujos fundamentos adoto, conforme art. 150, § 1º, da Lei nº 9.784/1999: O contribuinte, ainda que admita que o seu crédito se reduz a R$ 172,08, contrapõe que o débito compensado já havia sido quitado anteriormente, razão pela qual, em vez de ser submetido à cobrança do débito indevidamente compensado, lhe deveria ser restituído o montante do crédito em questão. Portanto, a argumentação do contribuinte consiste, em essência, em negar a existência do débito que pretendeu extinguir mediante compensação. Contudo, semelhante argumento não pode ser acatado em se tratando de manifestação de inconformidade com despacho decisório que não homologou compensação. Ocorre que litígio dessa natureza limitase à não homologação da compensação, ou seja, podem ser contestados o não reconhecimento do crédito alegado, bem como os critérios de utilização deste crédito que resultaram na não homologação da compensação declarada, mas não o próprio débito de que o contribuinte confessou ser devedor. Tal conclusão decorre das disposições da Lei n° 9.430, de 1996, acerca do assunto, adiante transcritas. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) (...) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) (...) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13609.900912/200841 Acórdão n.º 1001001.403 S1C0T1 Fl. 142 6 § 9° É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) De acordo com a legislação supra, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O ato ou negócio subordinado à condição resolutória, nos termos do artigo 127 do Código Civil de 2002, produz efeitos plenamente desde que celebrado. Esses efeitos somente cessarão ou serão desfeitos na hipótese de a condição resolutiva confirmarse. Assim, tanto que declarada, os efeitos extintivos da compensação se operam e só poderão ser desfeitos caso a autoridade administrativa venha a lhe denegar homologação. Ou seja, o que está sob condição resolutória é apenas o poder liberatório da compensação, o seu valor como prova definitiva de quitação do débito, mas não a integralidade dos seus efeitos. A homologação poderá ser total ou parcialmente negada se o crédito for inexistente, insuficiente ou inadequado, ou se se tratar de débito cuja extinção por meio de compensação for vedada. Todavia, uma vez declarada a compensação, a existência e a exigibilidade do débito não se subordina a nenhuma condição. O débito presumese existente e exigível e não cabe discussão desses dois aspectos no âmbito da apreciação da declaração de compensação. Tampouco poderá ser esse o objeto de eventual Manifestação de inconformidade, uma vez que, como já mencionado anteriormente, esta é cabível contra a não homologação da compensação, e não para desconstituir débitos porventura indevidamente declarados pelo contribuinte. (...) Uma vez que o contribuinte concorda que o seu verdadeiro direito creditório se limita ao montante reconhecido no despacho decisório, e que não se queixa de nenhuma incorreção nem impropriedade no aproveitamento do montante reconhecido, sua manifestação de inconformidade não se sustenta. Seguese também que os documentos juntados pelo contribuinte com o intuito de comprovar que o débito compensado não existia por já ter sido pago não lhe trazem nenhum proveito. Em verdade, tais provas, assim como os argumentos correlatos, o contribuinte poderá empregar, se lhe aprouver, em eventual petição dirigida à autoridade administrativa competente (a mesma que proferiu o despacho decisório em causa) postulando que esta, em revisão de oficio, efetue o cancelamento do débito que alega já se achar extinto. Acerca dessa autoridade competente, o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 4 de março de 2009 assim dispõe: Art. 226. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat das Derat, Deinf, ALF Classe "Especial A" e DRF Classe “A”, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat das ALF Classe "A", DRF Classe "B" e IRF Classe "Especial A" e "Especial B" e Seções de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat das DRF Classe "C" compete realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário. [...] Art. 280. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13609.900912/200841 Acórdão n.º 1001001.403 S1C0T1 Fl. 143 7 I decidir sobre a revisão de oficio, seja a pedido do contribuinte ou no interesse da administração, inclusive quanto aos créditos tributários lançados, inscritos ou não em Divida Ativa da União; (Os grifos não são do original) A apresentação da petição referida no parágrafo anterior, porém, não instaura litígio administrativo regulado pelo Decreto n° 70.235, de 1972. Tampouco se permite que, por meio de manifestação de inconformidade como despacho que não homologar compensação declarada, o contribuinte requeira em seu lugar restituição de crédito que alegue possuir. A declaração a fl. 1, enviada pelo contribuinte, refere se apenas a compensação, de modo que pedido de restituição é matéria estranha à lide e dele não se pode tomar conhecimento. Caso pretenda postular qualquer restituição, o contribuinte adotar os procedimentos fixados especificamente na legislação para semelhante pretensão. Em face do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não homologar a parte em litígio da compensação declarada e para não conhecer do pedido de restituição de nenhum montante. De fato, a manifestação de inconformidade não foi contra a não homologação da compensação, nem provocou julgamento sobre a natureza do direito creditório. Como dito acima, não homologada a DCOMP, o débito em aberto decorrente poderá ser objeto de pedido de revisão junto à unidade de origem. Esta, após a devida análise, decidirá sobre o cancelamento, no exercício da competência determinada pelo Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 430/2017), Anexo I, artigos 272, inciso III, e 336, inciso III. Concluise que o pedido de cancelamento de DCOMP e de débitos foge à competência do julgamento da compensação e extrapola o objeto da lide, que é o direito creditório. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 144DF CARF MF
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