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Numero do processo: 13210.000215/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 21 0. 00 02 15 /2 00 7- 81 Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 13210.000215/200781 Acórdão n.º 2402007.013 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 13210.000215/200781 Acórdão n.º 2402007.013 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 13210.000215/200781 Acórdão n.º 2402007.013 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 1030DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000427/2003-01
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
DILIGÊNCIAS.
Indefere-se o pedido de diligência que culmine na inversão do ônus da prova.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É de quem alega o ônus e provar. Não se desincumbindo deste ônus, é de se negar sua pretensão.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.150
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: GUSTAVO KELLY ALENCAR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DILIGÊNCIAS. Indefere-se o pedido de diligência que culmine na inversão do ônus da prova. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É de quem alega o ônus e provar. Não se desincumbindo deste ônus, é de se negar sua pretensão. Recurso negado.
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Recorrida DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DILIGÊNCIAS. Indefere-se o pedido de diligência que culmine na inversão do ônus da prova. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É de quem alega o ônus e provar. Não se desincumbindo deste ônus, é de se negar sua pretensão. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 1" CÂMARA / i a TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. 41, C 10 MARCOS CÂNÍDIDO Presidente o Processo n° 10940.000427/2003-01 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.150 Fl. 204 11\ 101 GUS VO K L • LENCAR Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Tereza Martínez López. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao quarto trimestre de 2002, indeferido pela autoridade competente pelo fato da requerente ter deixado de apresentar, mesmo quando intimada a fazê-lo, alguns dos documentos solicitados pela fiscalização com o fim de comprovar a certeza e liquidez do incentivo pleiteado. É apresentada manifestação de inconformidade, onde se alega que as solicitações foram atendidas, mesmo que, por vezes, fora do prazo, ou que então teriam sido apresentadas justificativas para seu não atendimento. Alega que o Fisco tem as informações que necessita para o atendimento do pedido, e que as alterações na legislação e nos sistemas informatizado trouxeram dificuldades para o acompanhamento pelos contribuintes. Protesta pela produção de prova superveniente e pela sustentação oral do direito reclamado. Remetido o processo à DRJ em Ribeirão Preto/SP é o indeferimento mantido, pela impossibilidade de apresentaçaõ de provas suplementares, pela inexistência de previsão legal para a realização de sustentaçao oral no julgamento da DRJ e, no mérito, pela insuficiência na instrução do feito, resultando na não comprovação do direito creditório do interessado. É apresentado recurso voluntário, onde, inicialmente, pleiteia-se a conversão do feito em diligência, para se apurar a existência e liquidez do crédito, e, no mérito, discute-se sobre o direito ao crédito presumido do IPI, inclusive das aquisições de não contribuintes, e quanto à falta de documentos, alega-se que a complexidade das informações impossibilitou seu atendimento a contento. Por fim, requer a aplicação da Taxa Selic no crédito a ser ressarcido. É o Relatório. 2 Processo n° 10940.000427/2003-01 S2-CITI9 Acórdão n.° 2101-00.150 Fl. 205 9 Voto Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Rei ator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, do recurso conheço. Inicialmente, há que se refutar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, pois a mesma tão somente se destina a inverter o ônus da prova, pois o contribuinte deixou de carrear aos autos, mesmo quando intimado a fazê-lo, os elementos constitutivos do direito que afirma possuir. E a jurisprudência deste colegiado já inclusive se manifestou a respeito: "RV 130.233 (..) ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte a prova dos fatos constitutivos do seu direito. DILIGÊNCIAS. Indefere-se o pedido de diligência que culmine na inversão do ônus da prova." Quanto à falta de prova, é cediço que em processo, administrativo ou judicial, é de quem alega o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito. No caso, mesmo quando oportunizado a fazê-lo, deixou o contribuinte de fornecer os elementos que trariam certeza e liquidez ao direito creditório que alega possuir. Logo, é de se indeferir seu pleito face a absoluta falta de provas. A jurisprudência deste colegiado é tranqüila neste sentido: "RV 139.169 PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratando-se de pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, é do contribuinte o ônus da prova relativa a produtos intermediários, a serem considerados no cálculo do incentivo. Não demonstrados os valores correspondentes a tais produtos, descabe conzputá-los na base de cálculo do beneficio. Recurso negado. RV 138208 IPI CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. -0 NORMAS PROCESSUAIS. Cabe ao interessado no reconhecimento do crédito presumido versado pela Lei n 9.363/96 o ônus da prova de que suas aquisições, para fins de inclusão na base de cálculo de referido beneficio, se enquadram no conceito legal de matérias - primas, produtos intermediários e material de embalagem, tal qual posto pelo art. 147, inciso II, do RIPI/2002, aplicados na industrialização dos seus produtos exportados.Recurso negado." 3 n Processo n° 10940.000427/2003-01 S2-C ITI., Acórdão n.° 2101-00.150 Fl. 206 Quanto às demais alegações, reputo-as prejudicadas face ao indeferimento liminar por falta de provas. Por tal, nego provimento ao recurso. Sala as Sessões, em 08 de maio de 2009. GU KE LLENCAR 4
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Numero do processo: 10935.004185/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE LIDE.
Não se conhece da matéria que não compõe a lide.
CONHECIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2).
CONEXÃO E CONTINÊNCIA. PROCESSOS DE DIFERENTES SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE.
A decisão administrativa limita-se aos autos de infração constantes do processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não está previsto no regulamento processual administrativo.
DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO, SIMULAÇÃO.
Expirado o prazo de cinco anos, a partir do fato gerador, sem que a Fazenda Pública se manifeste, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Cabe à Autoridade Lançadora fazer prova da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A mera retificação de declaração ou mesmo a omissão de informações que dela deveria constar não representa, isoladamente, indício de dolo ou fraude.
LANÇAMENTO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
O lançamento é vinculado e distinto para cada fato gerador, sendo correta a constituição do crédito tributário da obrigação principal mesmo que haja o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PAGAMENTO DE DIÁRIAS.
Integram o salário de contribuição as diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-005.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão relacionada à exigência de garantias, da questão afeta à incidência de contribuição sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho e das alegações de inconstitucionalidade, em rejeitar o pedido de conexão e continência e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a decadência do período de 01/2005 a 06/2005, inclusive. Declarou-se impedida de participar do julgamento deste processo a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, que foi substituída pela conselheira Fernanda Melo Leal.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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AUSÊNCIA DE LIDE. Não se conhece da matéria que não compõe a lide. CONHECIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2). CONEXÃO E CONTINÊNCIA. PROCESSOS DE DIFERENTES SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão administrativa limitase aos autos de infração constantes do processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não está previsto no regulamento processual administrativo. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO, SIMULAÇÃO. Expirado o prazo de cinco anos, a partir do fato gerador, sem que a Fazenda Pública se manifeste, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Cabe à Autoridade Lançadora fazer prova da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A mera retificação de declaração ou mesmo a omissão de informações que dela deveria constar não representa, isoladamente, indício de dolo ou fraude. LANÇAMENTO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. O lançamento é vinculado e distinto para cada fato gerador, sendo correta a constituição do crédito tributário da obrigação principal mesmo que haja o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PAGAMENTO DE DIÁRIAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 41 85 /2 01 0- 14 Fl. 365DF CARF MF 2 Integram o salário de contribuição as diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão relacionada à exigência de garantias, da questão afeta à incidência de contribuição sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho e das alegações de inconstitucionalidade, em rejeitar o pedido de conexão e continência e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a decadência do período de 01/2005 a 06/2005, inclusive. Declarouse impedida de participar do julgamento deste processo a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, que foi substituída pela conselheira Fernanda Melo Leal. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório Tratase do Auto de Infração nº 37.212.5093, constituído em 29/07/2010, para exigência de contribuições previdenciárias, referentes ao período de 01/2005 a 12/2008, decorrente de ação fiscal que resultou, também, nos autos de infração Debcad nºs 37.212.507 7, 37.212.5085 e 37.212.5123. Conforme consta do relatório fiscal (efls. 359 a 365 do Processo nº 10935.004181/201036), os lançamentos tiveram os seguintes fatos geradores: O crédito apurado e lançado através do AI n° 37.212.5077 destinase à Seguridade Social e corresponde à contribuição previdenciária devida pela empresa (quota patronal), a destinada ao GIL/RAT (grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre as remunerações dos empregados, e a contribuição incidente sobre as notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus cooperados à contratante. O AI n° 37.212.507:7 engloba também a glosa de contribuições compensadas pela empresa. (Grifei.) Os créditos apurados e lançados através dos AI's n° 37.212.508 5, 37.212.5093 destinamse à Seguridade Social e correspondem à contribuição previdenciária de segurados empregados, sendo que o 37.212.5085 referese a contribuições descontadas e o 37.212.5093 referese a contribuições que, Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10935.004185/201014 Acórdão n.º 2301005.896 S2C3T1 Fl. 366 3 embora devidas, não foram descontadas pelo empregador. (Grifei.) Por fim, o crédito apurado e lançado através do AI n° 37.212.5123 corresponde às contribuições da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros). As entidades favorecidas pelas contribuições variam de acordo com o enquadramento do código FPAS de cada estabelecimento da empresa. (Grifei.) Portanto, nestes autos consta o lançamento apenas das contribuições incidentes sobre pagamento a empregados que não foram deles descontadas. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação, na qual alegou: a) a decadência dos fatos geradores até 06/2005, porquanto não se provou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; b) que não caberia o lançamento de obrigação principal decorrente do pagamento a empregados, exceto diárias, por tratarse de descumprimento da obrigação acessória; c) que não incidiria contribuição previdenciária sobre os pagamentos de diárias; d) que não incidiria contribuição previdenciária sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho; e) que são indevidos os juros com base na taxa Selic, que possui natureza de indenização, e não de remuneração; f) a conexão e continência do presente processo com os que veiculam os autos de infração nº 37.212.5085, 37.212.5093, 37.212.5123 e 37.212.5182, sobre os quais deve a decisão deste processo deverá incidir direta ou indiretamente. A impugnação foi considerada improcedente. Foi interposto recurso voluntário em que o recorrente pugnou pela devolução da matéria impugnada, nos exatos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Não conheço, entretanto, da questão relacionada à exigência de garantias para interposição do recurso porque é estranha à lide, porquanto nenhuma garantia foi exigida. Também não está na lide, por não corresponder à matéria Fl. 367DF CARF MF 4 lançada constante do Auto de Infração Debcad nº 37.212.5093, que se discute neste autos, a incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho. Também não conheço das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2). 1 Preliminares e prejudiciais de mérito 1.1 CONEXÃO E CONTINÊNCIA ENTRE PROCESSOS Embora esta matéria não componha a lide, a Recorrente solicita que reconheça a conexão e continência entre este processo e os processos que tratam dos DebCad 37.212.5085, 37.212.5093, 37.212.5123 e 37.212.5182. Solicita, pois, que o julgamento dos processos se inicie pelos presentes autos para que a decisão repercuta nos demais. Primeiramente, destacase que o art. 31 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19721, delimita as decisões aos autos de infração que componham o processo, não sendo possível que se estenda o julgamento a outros processos, ainda que, como alegado, possa haver conexão entre os fatos. Admitese, para efeito de convencimento do julgador, que os fatos e provas decorrentes de uma mesma ação fiscal, mas que foram dispersos em distintos processos do mesmo contribuinte, possam ser analisados em conjunto, mas sempre resultando em distinta decisão em cada processo. A esse respeito, registrese que os processos resultantes da mesma ação fiscal foram distribuídos para o mesmo relator, de modo a, quando possível e necessário, presentes as iguais situações de fato e de direito e mesmos elementos de prova, procederse a conclusões convergentes. Por fim, as normas do processo civil têm aplicação apenas subsidiária e não podem ser invocadas no caso, quanto à conexão, pois o rito processual administrativo, notadamente o inc. I do § 1º do art. 6º do Regimento Interno do Carf (Ricarf) 2, já estabelece o instituto no âmbito do tribunal administrativo. Indefiro, pois os pedidos de conexão e de continência. 1.2 DECADÊNCIA A recorrente alega a decadência do lançamento, que se aperfeiçoou em 29/07/2010 (efl. 673), referente aos meses de janeiro a junho de 2005. No relatório fiscal (efls. 359 a 362), a Autoridade Lançadora sustentou ter havido conduta dolosa e fraudulenta da empresa, que, por meio de sucessivas retificações de Gfip, exclusão do nome de empregados e ausência do registro, na contabilidade, das contribuições sobre valores pagos a cooperativas de trabalho objetivou esconder a obrigação 1 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. 2 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10935.004185/201014 Acórdão n.º 2301005.896 S2C3T1 Fl. 367 5 principal de recolher as contribuições devidas. Assim, a Autoridade Fiscal entendeu que a regra decadencial aplicável seria o art. 173 do CTN: A análise dos valores e datas das declarações das GFIP's para o estabelecimento 75.215.756/000157, meses 01/2005 a 06/2005, demonstra que a não declaração de parte dos fatos geradores não ocorreu por simples equívoco da empresa. As GFIP's destes meses foram declaradas dentro do prazo legal, sendo que a GFIP de 03/2005 foi retificada por três vezes e as GFIP's dos outros meses foram retificadas por duas vezes, sempre em datas muito posteriores à da GFIP retificada. Apesar destas retificações, no entanto, os valores referentes às remunerações dos empregados e às bases de cálculo das contribuições incidentes sobre notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho permaneceram os mesmos. (...) ......................................................................................................... Outro fato constatado pela fiscalização é que a sonegação de informações sobre as remunerações dos empregados foi sistemática; ou seja, se determinado empregado não teve seu nome incluído na GFIP de um mês, ele também não seria incluído na GFIP do mês posterior (ex.: Efigênio Alves Machado, empregado relacionado na folha de pagamento de 04/2005 a 09/2005, mas não incluído nas respectivas GFIP's, mesmo após as retificações). Este fato ocorreu até o mês 09/2005 e pode ser confirmado na planilha 24. Pela comparação dos recolhimentos espontâneos efetuados pela Sperafico com os valores declarados em GFIP, referentes às contribuições aqui analisadas, constatase que os valores são iguais ou muito próximos, o que também sugere uma premeditação nas omissões das informações declaradas, conforme relacionado abaixo: ......................................................................................................... Além da obrigação descumprida pela empresa de declarar em GFIP as contribuições devidas, houve descumprimento da obrigação de lançar as contribuições incidentes sobre as notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho em títulos próprios de sua contabilidade, conforme estabelece o artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91. A previsão legal de escrituração em títulos próprios tem o objetivo claro de obrigar o sujeito passivo a demonstrar com transparência as contribuições por ele devidas. O que motiva o sujeito passivo não observar estas regras, senão a intenção de esconder a obrigação principal de recolher as contribuições devidas? Por todos os fatos descritos, não restam dúvidas quanto à natureza dolosa e fraudulenta da conduta adotada pela empresa, o que remete a contagem do prazo de decadência para o artigo 173 do CTN. Fl. 369DF CARF MF 6 Em face das condutas da empresa, a Autoridade Lançadora formalizou representação fiscal para fins penais. Pois bem. Embora compreenda o raciocínio da Autoridade Autuante, não posso com ele concordar. O fato de ter havido sucessivas retificações de Gfip não indica, ao meu ver, conduta dolosa para ocultar a ocorrência do fato gerador ou dificultar o seu conhecimento, pois os dados, mesmo que incorretos, estiveram disponíveis ao Fisco. E ainda, a ausência do nome de empregados em Gfip poderia configurar conduta dolosa se, por exemplo, ele tivesse sido incluído e, posteriormente, mediante retificação de declaração, fosse retirado, diminuindose o valor da contribuição devida. Não foi o que ocorreu porque as retificadoras não alteraram o valor devido, ou seja, não tiveram o objetivo de reduzir o montante a pagar. Os indícios apontados são, ao meu ver, insuficientes para fazer prova da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O relatório de documentos apresentados (efls. 33 a 45) aponta para a existência de recolhimento de contribuição previdenciária no período. Por essas considerações, entendo que se aplica a regra decadencial do § 4º do art. 150 do CTN. Por conseguinte, estão decaídos os lançamentos referentes aos períodos de janeiro a junho de 2005. 2 Mérito 2.1 LANÇAMENTO SOBRE REMUNERAÇÕES DE EMPREGADOS, EXCETO DIÁRIAS A recorrente sustentou que a ausência de informações em Gfip somente poderia dar ensejo ao lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, mas não para o lançamento da obrigação principal. Não assiste razão à recorrente. O lançamento é atividade vinculada (art. 142 do CTN) e é distinto para cada fato gerador. O descumprimento de obrigação acessória corresponde a fato gerador de obrigação tributária diferente do fato gerador do tributo em si. Desse modo, a Autoridade Lançadora procedeu corretamente ao constituir o crédito tributário correspondente às contribuições devidas, apuradas com base em informações fornecidas pela empresa, que não haviam sido incluídas em Gfip. 2.2 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE DIÁRIAS PAGAS Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre diárias pagas, reproduzo trecho do acórdão recorrido, que assumo como minhas razões de decidir: A incidência da contribuição previdenciária sobre as diárias pagas por viagens encontrase prevista no art.28 da Lei 8.212/91, em seus parágrafos 8' e 9°, cito: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (..) § 8° Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10935.004185/201014 Acórdão n.º 2301005.896 S2C3T1 Fl. 368 7 a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% cinqüenta por cento da remuneração mensal; " Assim, não resta dúvida que as diárias que ultrapassam o limite de 50% da remuneração integram a base das contribuições previdenciárias. Cabe ressaltar no caso que a defesa apresentada não trouxe aos autos nenhuma comprovação de que, de fato, os valores pagos foram reembolsos pagos após a apresentação da comprovação das despesas por parte dos empregados que viajaram a trabalho. Assim, resta sem fundamento a discussão sobre o caráter supostamente indenizatório da referida verba. 2.3 JUROS COM BASE NA SELIC Quanto à incidência de juros calculados com base na taxa Selic, devese aplicar a Súmula Carf nº 4 que dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 Conclusões Voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão relacionada à exigência de garantias, da questão afeta à incidência de contribuição sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho e das alegações de inconstitucionalidade; voto, ainda, por rejeitar o pedido de conexão e continência e por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a decadência do período de 01/2005 a 06/2005, inclusive. João Maurício Vital Relator Fl. 371DF CARF MF 8 Fl. 372DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.730521/2011-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 30 52 1/ 20 11 -2 6 Fl. 5355DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.356 2 Relatório LM TRANSPORTES INTERESTADUAIS SERVIÇOS E COMERCIO LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BEL (fls. 5060 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, no sentido de considerar alguns pagamentos por estimativa que não haviam sido tratados quando do lançamento. Do Lançamento Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, exigindo o crédito tributário no valor global de R$ 8.111.825,84, relativos ao anocalendário de 2007, com multa de ofício de 75%, acrescidos de juros de mora e multa isolada, em razão de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada e falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL. Segundo o Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 57 e ss), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: [...] com o objetivo de se verificar a relação existente entre os documentos apresentados (Notas Fiscais de venda de veículos usados) com os depósitos bancários, em 03.08.2011 o Contribuinte foi Intimado a apresentar documentos comprobatórios, hábeis e idôneos, dos valores creditados nas contas correntes de n°s. 499773 e 316202, de sua titularidade, ambas mantidas junto ao Banco BRADESCO, conforme consta dos DEMONSTRATIVOS DE DEPÓSITOS em anexo, preenchendo a coluna denominada COMPROVAÇÃO/JUSTIFICATIVA dos Demonstrativos anexos, solicitando ainda que os documentos deverão estar legíveis para que os mesmos possam ser validados. Em atendimento, o Contribuinte apresenta a referida Planilha com a coluna COMPROVAÇÃO/JUSTIFICATIVA preenchida com informações de Notas Fiscais já apresentadas e emitidas para diversas pessoas físicas e/ou pessoas jurídicas. Após análise dos documentos apresentados (cópias de notas fiscais de venda de veículos usados) constatouse que não existe relação entre os valores objeto da Intimação e os créditos em conta corrente de titularidade da empresa. Os valores a que se referem as Notas Fiscais foram devidamente contabilizados e tributados. Entretanto, os valores depositados e objeto da Intimação datada de 03.08.2011 não tiveram a sua origem comprovada como também não foram devidamente contabilizados. Na realidade não existe nexo causal entre as Notas Fiscais apresentadas e os valores depositados. Os valores são diferentes, como também as respectivas datas dos depósitos e da emissão da Nota Fiscal. Difere também, e principalmente, o nome do depositante e o nome do destinatário que consta na nota fiscal. Assim, observase que no dia 04.12.2006 foi emitida a Nota Fiscal n° 04575 em nome de Edmilson Lima de Souza CPF 333.919.12553, com endereço na cidade de Campo FormosoBa, no valor de R$ 24.500,00, enquanto o depósito Fl. 5356DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.357 3 questionado foi feito por FREITAS SILVA AUTOMÓVEIS LTDA. No dia 15.01.2007 foi emitida a Nota Fiscal n° 4670 em nome de Alexandre César Cavalcante, domiciliado na cidade de TeresinaPI enquanto o depósito foi feito por Maxuel Fonseca de Souza. Para o depósito de R$ 2.500,00 efetuado no dia 09.02.2007 apresenta da Nota Fiscal n° 04628 emitida em 24.11.2006 no valor de R$ 21.500,00 em nome de Eliene Araújo Feliciano, residente em Senhor do BonfimBa. Para o depósito no valor de R$ 160.000,00 efetuado em 16.05.2007 por Sid Comercio de Pneus são apresentadas três notas fiscais emitidas em favor de Vanderlei Camilo Corrêa, Dalmy Rocha Isidorio e Itamar Sivirino Barbosa, todos residentes em BrasiliaDF. O depósito de R$ 52.000,00 efetuado no dia 21.05.2007, feito por São Cristóvão VL ME, foi apresentada a Nota Fiscal de prestação de serviços de n° 0098, de 08.06.2007, emitida para a Companhia de Águas e Esgoto do Ceará. Para o depósito efetuado em 25.05.2007 por Shoping Car no valor de R$ 60.000,00, foi apresentada a Nota Fiscal n° 4843, no valor de R$ 17.500,00 emitida para Marchesini e Rios Com. Automóveis Ltda. E assim ocorreu sucessivamente em todos os depósitos efetuados nas contas correntes de n°s. 316202 e 499773, ambas mantidas junto ao Banco BRADESCO, sejam eles depósitos identificados ou depósitos em dinheiro sem identificação do depositante. [...] [...] considerando que não restou comprovada a origem dos depósitos efetuados nem o seu registro contábil como receita auferida e declarada no período, lavramos o presente AUTO DE INFRAÇÃO DO IRPJ com reflexos para a CSLL, PIS e COFINS. [...] Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, foi apresentada impugnação, às fls. 1004/1046, onde aduziu os seguintes argumentos: 1. A impugnante é locadora corporativa de veículos automotores, que somente vende veículos integrantes do ativo imobilizado com a finalidade de renovação da sua frota, não se dedicando, de forma alguma, ao comércio de automóveis. Todas as suas receitas de locação são contabilizadas, assim como o eventual ganho de capital decorrente da venda do ativo imobilizado, tudo devidamente oferecido à tributação; Da preliminar de nulidade pela presunção generalizada de depósitos bancários devidamente comprovados 2. O art. 42 da Lei n°. 9.430/96, ao estabelecer a presunção legal de omissão de receitas a partir de depósitos bancários, não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece a fiscalização responsável por investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Apenas em casos de indício de fraude, é que a autoridade fiscal deve intimar o contribuinte para comprovar a origem do recurso, aplicando a presunção caso não logre fazêlo; 3. O art. 42 da Lei n°. 9.430/96 também não autorizou a presunção de omissão de receitas de depósitos devidamente contabilizados pelo contribuinte, conforme diversos precedentes do CARF (Acórdãos nº 10708600 e 10709451); Fl. 5357DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.358 4 4. Assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, pois a Fiscalização inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar toda sua movimentação financeira de 2007, sob pena de tributação por presunção, e ainda aplicou a presunção de omissão de receitas em relação a depósitos devidamente escriturados pelo contribuinte. Da nulidade por cerceamento do direito de defesa 5. O lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa, vez que a autoridade lançadora apenas fundamenta a autuação de 6 dos 259 depósitos bancários, estendendo sua conclusão aos demais 253 depósitos efetuados; 6. Até então, discutiase depósitos que, apesar de serem diferentes em data, valor e depositante, se assemelhavam pelo tipo de operação: venda do ativo imobilizado, porém existem diversos outros depósitos autuados que não guardam qualquer correlação com aquele tipo de operação, como juros por atraso de pagamento, reembolso de despesas e valores indevidamente creditados com devolução posterior ao depositante 7. A exemplo, o terceiro depósito autuado da c/c 316202, no valor de R$ 47.724,49, referese a juros pelo atraso de pagamento, creditados pela Fiori Veículo e devidamente contabilizados no Livro Diário (doc. 02); Nulidade por erro na determinação da base de cálculo 8. O lançamento é nulo por erro na apuração da data de ocorrência do fato gerador dos tributos e das multas isoladas, vez que os lançamentos foram efetuados em períodos diversos dos depósitos bancários, em desrespeito ao §1º do art. 42 da Lei nº 9.430/96; 9. A exemplo, em relação à c/c 499773: em 03.09.2007 houve um depósito de R$ 30.0000, "Depósito em Dinheiro César Automóveis" (fl. 99), mas esse valor foi tratado pelo autuante como receita omitida no mês de agosto de 2007 (fl.46); em 02.10.2007 foi feito uma Transferência entre Agência Cezar Automóveis, no valor de R$ 59.500,00, mas o valor foi autuado em setembro de 2007, conforme comprova o demonstrativo anexo aos autos de infração (fl. 46). Em relação à c/c 316202: o depósito de R$ 28.000,00, feito pelo Shopping Car em 02.04.2007 (fl. 144), foi autuado como se houvesse ocorrido em março daquele ano (fl. 43); o depósito de 02.05.2007, no valor de R$ 9.865,00, foi tributado em abril (fl. 44); o depósito efetuado em 15.10.2007, de R$ 7.500,00 (fl. 169), foi tributado em setembro (fl. 44); o depósito de R$ 15.000,00, de Milton Saldanha, ocorrido em 06.12.2007 (fl. 178) foi tributado em novembro pelo ilustre autuante (fl. 44); 10. Apenas nos exemplos relacionados estão incorretas as bases de cálculo de oito dos doze meses autuados. Um erro bastante considerável, que afronta claramente o art. 42, §1°, da Lei n° 9430/96; Da comprovação da origem do depósitos 11. A grande maioria dos depósitos autuados se refere à venda de veículos integrantes do ativo imobilizado da impugnante, com o objetivo de renovação da sua frota destinada à locação. Para comprovar a origem destes depósitos, no curso do procedimento fiscal, apresentou diversas notas fiscais de saída, bem como cópia de livros contábeis que comprovam o registro destes valores na contabilidade. Contudo, a fiscalização não se deteve na análise da documentação apresentada; 12. Toda nota fiscal de venda do imobilizado apresentada descreve a placa policial do automóvel vendido. O número da NF e a placa policial, por sua vez, constam do histórico do lançamento contábil no Livro Diário referente à movimentação bancária da empresa (doc. 02). O mesmo número de NF com a placa policial do veículo consta do histórico dos lançamentos contábeis referentes à baixa do imobilizado (doc. 03); Fl. 5358DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.359 5 13. As divergências entre a data de emissão/valor da nota e o depósito se explicam pela existência de vendas de veículos com pagamentos parcelados; 14. As divergências entre o destinatário da nota fiscal e o depositante se justificam pela existência de intermediários no mercado de automóveis usados. A exemplos: a. No dia 04.12.2006 foi emitida a Nota Fiscal n° 04575 em nome de Edmilson Lima de Souza,.CPF 333.919.12553, no valor de R$ 24.500,00, enquanto o depósito questionado foi feito por FREITAS SILVA AUTOMÓVEIS LTDA. O depósito se refere à venda do veículo Palio, Placa JQU5685, integrante do ativo imobilizado, para a Freitas Silva Veículos Ltda, que posteriormente o revendeu para Edmilson Lima Souza. O valor foi pago pela Freitas Veículos em três parcelas, depositadas nos dias 03.01.2007 (R$ 10.000,00), 08.01.2007 (R$ 10.623,90) e 15.01.2007 (R$ 3876,10), devidamente registradas na contabilidade, sendo que os três lançamentos contábeis fazem referência à placa policial do veículo; b. No dia 15.01.2007 foi emitida a Nota Fiscal n° 4670 em nome de Alexandre César Cavalcante, enquanto o depósito foi feito por Maxuel Fonseca de Souza. O depósito se refere à venda do veículo S10, Placa LWI6077, para a Maxwel Fonseca de Souza, pelo preço de R$ 23.500,00, que posteriormente o revendeu para Alexandre Sérgio Costa Cavalcanti. O revendedor efetuou o depósito no mesmo dia 15.01.2007 (R$ 23.500,00), devidamente registradas na contabilidade, sendo que o lançamento faz referência à placa policial do veículo; c. Para o depósito de R$ 2.500,00 efetuado no dia 09.02.2007 apresenta a Nota Fiscal nº 04628 emitida em 24.11.2006 no valor de R$ 21.500, 00 em nome de Eliene Araújo Feliciano. O depósito se refere à venda do veículo Gol, Placa HWO6912, para a Eliane Araújo Feliciano, pelo preço de R$ 21.500,00. A nota fiscal foi emitida 09.02.2007 e o valor foi pago em três parcelas, a primeira na data da emissão da nota fiscal, 09.02.2007 (R$ 2.500,00), a segunda em 02.03.2007 (R$ 15.535,47) e a última em 12.03.2007 (R$ 3.464,53). Esses depósitos foram devidamente registrados na contabilidade, sendo que os três lançamentos contábeis fazem referência à placa policial do veículo; d. Para o depósito no valor de R$ 160.000,00 efetuado em 16.05.2007 por Sid Comercio de Pneus são apresentadas três notas fiscais emitidas em favor de Vanderlei Camilo Corrêa, Dalmy Rocha Isidorio e Itamar Sivirino Barbosa. O depósito se refere à venda de um lote de três veículos S10 CD, Placas MWB0363, MWB2727 e MWB 1394, vendido para a Sid Comércio de Pneus, pelo preço de R$ 160.000,00, que posteriormente revendeu para Vanderlei Camilo Corrêa, Dalmy Rocha Isidorio e Itamar Sivirino Barbosa. As notas fiscais foram emitidas 16.05.2007 em nome dos adquirentes finais, e o revendedor efetuou o depósito no mesmo dia 16.05.2007 (R$ 160.000,00), devidamente registrado na contabilidade, sendo que os três lançamentos contábeis (de R$ 53.333,33 1/3 do valor) fazem referência à placa policial dos veículos; e. O depósito de R$ 52.000,00 efetuado no dia 21.05.2007, feito por São Cristóvão VL ME, foi apresentada a Nota Fiscal de prestação de serviços de n° 0098, de 08.06.2007, emitida para a Companhia de Águas e Esgoto do Ceará. O depósito em questão se refere à venda do veículo S10 CD, Placa MXF0027, para a São Cristóvão Veículos ME, que posteriormente o revendeu para Gildásio Xavier de Oliveira. O revendedor efetuou o depósito no dia 21.05.2007 (R$ 52.000,00) e a nota fiscal de Saída nº 980 foi emitida em 25/06/2007 em nome do adquirente final (não há qualquer vinculação com a tal Nota Fiscal de prestação de serviços de n° 0098, de 08.06.2007, emitida para a Companhia de Águas e Esgoto do Ceará). Fl. 5359DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.360 6 f. Para o depósito efetuado em 25.05.2007 por Shoping Car no valor de R$ 60.000,00, foi apresentada a Nota Fiscal n° 4843, no valor de R$ 17.500,00 emitida para Marchesini e Rios Com. Automóveis Ltda. A fiscalização alega duas divergências entre a nota fiscal apresentada e o depósito bancário. A primeira seria a divergência entre o depositante (Shopping Car) e o destinatário da nota fiscal (Marchesini e Rios Com. Automóveis Ltda). Na realidade, não existe divergência alguma neste aspecto. Shopping Car é o nome de fantasia da Marchesini e Rios Com. Automóveis Ltda, atualmente denominada de Irmãos Curvelo Comércio de Automóveis Ltda. O comprovante de inscrição e situação cadastral expedido pelo RFB, em conjunto com o contrato social, ambos anexados à defesa, podem facilmente comprovar este fato. Inúmeros depósitos foram autuados quando o depositante foi a Shopping Car e o destinatário da nota fiscal foi a Marchesini/Irmãos Curvelo. A segunda divergência ocorre entre o valor do depósito (R$ 60.000,00) e o valor da nota fiscal (R$ 17.500,00). De fato, ocorreu aqui um equívoco do Shopping Car. Ao invés de depositar somente os R$ 17.500,00 referentes à venda do veículo JQS3187, NF nº 4843, a compradora acabou depositando R$ 60.000,00, incluindo R$ 42.500,00 que pertencia, em verdade, à LM Transportes, e Serviços e Comércio Ltda, CNPJ 14.672.885/000180, outra empresa do grupo. Assim, três dias após o depósito ocorrido em 25.05.2007, a impugnante transferiu os R$ 42.500,00 para legítima credora, ficando apenas com os R$ 17.500,00. O extrato e a ordem de transferência anexa comprovam o fato. 15. Junta toda a documentação comprobatória dos 259 depósitos, assim composta: a. extratos bancários já juntados aos autos (fls. 95 a 384); b. prova da contabilização dos depósitos Livro Diário (doc. 02); c. prova da contabilização da venda e a baixa dos veículos do imobilizado Livro Razão (doc. 03); d. planilha explicativa e documentos fiscais e contábeis de cada um dos depósitos autuados, contendo um detalhamento de cada depósito, data, valor, depositante e nota fiscal correspondente, se houver, que permitem a justificativa precisa da origem de cada um dos valores autuados (doc. 05); 16. Boa parte dos depósitos se refere à venda do ativo imobilizado. Porém, existem outros depósitos de origem completamente diversa. Em relação a estes estão sendo juntados os documentos comprobatórios da origem destes depósitos não englobados no relatório, inclusive com a justificativa específica de cada um na planilha anexa (doc. 05); Das deduções na base de cálculo do IRPJ e CSLL 17. O PIS e COFINS não integram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme o art. 41 da Lei nº 8.981/95. Nesse sentido o julgamento no Recurso nº 152586, proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho do CARF; Da multa isolada 18. A exigência das multas isoladas de IRPJ e CSLL concomitantemente com as multas de ofício, o que é vedado,uma vez que a multa de ofício absorve a multa isolada. Nesse sentido a majoritária do CARF; Dos juros sobre a multa 19. A legislação atual não autoriza a exigência de juros sobre a multa. Nesse sentido o Acórdão nº 10196008 da 1ª Câmara do 1º Conselho. Fl. 5360DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.361 7 Por meio do procedimento de diligência (Despacho às folhas 42434244), o contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar a forma de quitação das notas fiscais, bem como justificar eventuais divergências. Em reposta, apresentou os documentos de folhas 4249 4999. Em julgamento realizado em 28 de setembro de 2017, a 1ª Turma da DRJ/BHE, considerou improcedente em parte a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 01 34.782, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. DEDUÇÃO DO PIS E DA COFINS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE. O PIS e a COFINS, lançados de ofício, cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, não são dedutíveis da base de cálculo do imposto. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa isolada, devida pela insuficiência de recolhimento da estimativa mensal do imposto, e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento do imposto apurado na data do fato gerador, têm hipóteses de incidência distintas. Fl. 5361DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.362 8 Portanto, cabível o lançamento concomitante destas penalidades, mormente quando ato normativo expedido pela administração tributária autoriza o procedimento. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário O contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 5103 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, e pede a improcedência do lançamento pelos seguintes motivos, em síntese: Dos equívocos do Acórdão recorrido Da comprovação da origem dos depósitos bancários Das operações suscitadas não comprovadas Do erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL Da insubsistência das multas isoladas sobre as estimativas mensais não recolhidas em razão da concomitância; Da dedução das base de cálculo do IRPJ e da CSLL das contribuições para o PIS e COFINS; Da não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício Recebi os autos, por sorteio, em 19/09/2018. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em razão de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários sem comprovação de origem, relativo ao período de 2007, e falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, totalizando o crédito tributário de R$8.111.825,84, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora e multas isoladas. A DRJ considerou parcialmente procedente a impugnação apresentada e excluiu a multa qualificada, bem como o responsável solidário. Fl. 5362DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.363 9 Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BEL, e intimada ao recolhimento dos débitos em 11/10/2017, conforme termo de abertura de documento, à fl. 5099, e apresentou recurso voluntário no dia 03/11/2017, às fls. 5103 e ss e outros documentos às fls. 5142 a 5345. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Conforme se verifica do TVF, lançouse valores depositados em contas bancárias do recorrente em que não se logrou provar com documentos hábeis e idôneos a sua origem, relativos ao anocalendário de 2007, em que pesem devidamente contabilizados. Ressalta o recorrente que opera no ramo da locação corporativa de veículos automotores, e conforme a utilização do veículo, aqueles com grande utilização são trocados em cerca de um ano, e em média em 18 meses. Diante disso, acaba por vender os veículos com o intuito de continuidade da operação, e na maioria das vezes vende para pessoas jurídicas especializadas em compra e venda de carros e em lotes e assim, os pagamentos recebidos são parcelados e de intermediários no mercado de veículos usados. Assim, juntou farta documentação, ainda em sede de impugnação, a DRJ assim, converteu o julgamento em diligência para sua análise, dessa forma, reduziuse de R$7.046.954,91 para R$2.93.269,01, a base de depósitos sem comprovação, que segundo a própria DRJ estariam divididos em 3 categorias: a) Valor(es) não coincidente(s) com total da(s) NF (R$ 1.323.508,00): nesta categoria estão os depósitos, todos contabilizados, que quitam parcialmente um nota fiscal e/ou mais de uma nota fiscal emitida pelo contribuinte. b) Operação suscitada não comprovada (R$ 375.833,00): nesta categoria encontramse depósitos, todos contabilizados, originados de situações diversas, como mútuo, devoluções de cheques, cuja origem não foi acatada pela decisão por falta de comprovação da operação. c) Depósitos não comprovados (R$ 393.927,00): nesta categoria encontramse os depósitos que, embora contabilizados (salvo sete casos apenas), o próprio contribuinte reconhece não possuir suporte documental para comprovar a origem. Assim, o recorrente em sede de Recurso Voluntário as contrapõem, juntando farta documentação, com as supostas conciliações entre o extrato e a documentação, através de planilhas identificáveis. Admito a juntada de tais documentos em sede recursal, em que pese a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, já que está contrapondo argumentos levantados pela DRJ, e também diante do princípio da verdade material. O CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 5363DF CARF MF Processo nº 10580.730521/201126 Resolução nº 1301000.655 S1C3T1 Fl. 5.364 10 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Pois bem. Entendo que o processo não reúne condições de julgamento. Diante disso, entendo que seja de extrema necessidade o retorno dos autos para a unidade de origem, para que ela analise a documentação juntada aos autos e após a análise já feita pela DRJ verifique se as mesmas comprovam o restante dos depósitos inicialmente tratados como sem origem comprovada, emitindose o relatório conclusivo acerca do trabalho. Posteriormente, a recorrente deverá ser intimada para se tomar ciência do relatório e se desejar, manifestarse acerca do respectivo relatório, nos termos no art. 35, parágrafo único do Decreto 7.574/2011. Após, retornemse para o CARF para seguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 5364DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.000510/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Numero da decisão: 2401-005.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputase válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 05 10 /2 00 6- 71 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 3 2 penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório RICARDO OLIVI JUNIOR, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 0815.281/2009, às fls. 201/224, que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de rendimentos atribuídos a sócios de empresas e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação ao exercício Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 4 3 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 138/142, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/06/2006 (fl. 157), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) RENDIMENTOS ATRIBUÍDOS A SÓCIOS DE EMPRESAS. LUCRO (REAL, ARBITRADO OU PRESUMIDO) DISTRIBUíDO A SÓCIO OU ACIONISTA EXCEDENTE AO ESCRITURADO. Rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, excedente ao valor escriturado, nos termos do artigo 51 e parágrafos da Instrução Normativa SRF n°11/96,conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. b) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. As razões e forma de apuração das infrações acima, estão descritas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Recife/PE entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, conforme relato acima, por não restar comprovado excesso de distribuição de lucro; Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 230/252, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, motivo pelo qual, neste aspecto, adoto o relatório da DRJ, a seguir exposto: Preliminarmente pugna pela nulidade da autuação nos seguintes termos: 11) depósito bancário por si só não pode se constituir em fato gerador do imposto de renda. Os depósitos bancários, tidos como não comprovados, todos feitos em cheques, correspondem a rendimentos de distribuição de lucro, recebidos da Clinica de UltraSonografia e Radiologia de Imperatriz Ltda, da qual é sócio, juntamente, com seu cônjuge, Agueda Maira Matias Olivi. Não houve a verificação do nexo causal, da renda consumida, do aumento do patrimônio, apesar das evidências de que os depósitos bancários correspondiam a recebimentos de lucros Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 5 4 distribuídos. Transcreveu vasta jurisprudência do Conselho de Contribuintes, provendo recurso que alega nulidade de lançamento constituído com base em depósito bancário; (...) 13) a fiscalização ao não verificar o nexo causal entre o depósito bancário e a possível omissão de rendimentos, violou o artigo 142 do CTN, o inciso LV do artigo 5° e o artigo 37, ambos da CF/88, pois não determinou o fato gerador; (...) 2) pelo artigo 142 do CTN, o autor do procedimento fiscal não é autoridade competente para impor Multa de Oficio (penalidade). Pelo artigo 142 do CTN, o autor do procedimento fiscal é competente para, apenas, propor a imposição de penalidade, Multa de Oficio. A Multa de Oficio deve ser lançada por autoridade superior; 3) o Auto de Infração deve ser revisto de oficio, nos termos do artigo 145, inciso II, e artigo 149 do CTN, pelo fato de a fiscalização não ter observado o artigo 142 do CTN, ao fazer uso da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por não ter esgotado todas as maneiras de comprovação de que os valores depositados constituem rendas tributáveis; 4) somente baseados em extratos bancários, não pode a fiscalização comprovar se um fato é verídico ou não. E assim o fazendo estará violando o principio da legalidade, moralidade e direito a ampla defesa; Quanto ao mérito: 5) os depósitos em sua conta corrente bancária foram feitos em cheques prédatados e correspondiam a valores de lucros distribuídos, que eram escriturados contabilmente na conta caixa; 6) o saldo remanescente de lucro do primeiro trimestre, após distribuição, se acumulou com o lucro dos trimestres seguintes, garantindo a. distribuição de lucro, a partir do mês de abril de 2002, conforme os lançamentos da conta “caixa”; 7) não houve qualquer ilegalidade na operação da pessoa jurídica repassar os cheques prédatados aos sócios a titulo de distribuição de lucros, principalmente pelo fato de serem pré datados, onde seria compensado somente em data aprazada. A distribuição de lucros respeitava a trimestralidade, sendo que os valores apurados de lucros de distribuição de mês a mês, refere se a saldo positivo, o qual os sócios poderiam usufruir da forma que lhes conviesse; 8) a fiscalização autuou baseado única e exclusivamente nos valores expressos nos extratos bancários, alegando créditos/depósitos não comprovados, sem de fato apurar a Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 6 5 origem dos cheques depositados, contrariando a legislação, e a jurisprudência a qual afirma que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósito bancários só e' admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre 0 deposito e 0 fato que representa omissão de rendimentos; (...) 10) Multa de Oficio aplicada no percentual de 75% configura confisco nos termos do inciso IV do artigo l50 do CF/88, tendo em vista que no caso em questão, não ocorreu nenhuma ofensa grave a ordem tributária, como se vê do auto de infração e demonstrativo de apuração de crédito tributário, onde se constatou que o impugnante além de praticar a operação de forma legal, conforme manda a legislação do lucro presumido, colaborou com a fiscalização apresentando todas as informações. Transcreveu vasta jurisprudência do Poder Judiciário sobre a inaplicabilidade da multa de oficio no percentual de 75%; Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE A recorrente aduz que o depósito bancário por si só não pode se constituir em fato gerador do imposto de renda. Transcreve vasta jurisprudência do Conselho de Contribuintes, provendo recurso que alega nulidade de lançamento constituído com base em depósito bancário. Esclarece que a fiscalização ao não verificar o nexo causal entre o depósito bancário e a possível omissão de rendimentos, violou artigo 142 do CTN, o inciso LV do artigo 5° e o artigo 37, ambos da CF/88, pois não determinou o fato gerador; Pois bem, com relação à utilização das informações bancárias do Autuado para a constituição do crédito tributário, a Lei Complementar n° 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, já previa, desde janeiro/2001, a possibilidade Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 7 6 de a autoridade fiscal examinar as informações referentes a contas de depósito em instituições financeiras. Vejamos: Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Vale salientar ainda que, em recente assentada (24/02/2016), o Supremo Tribunal Federal julgou, com repercussão geral, constitucionais os dispositivos da LC n° 105/2001 que permitem à Receita Federal obter dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial1. Prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Nos casos em que a movimentação financeira supera em muito aos rendimentos declarados, a Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001, autoriza ao Auditor Fiscal da Receita Federal a obtenção de extrato de conta corrente bancária por requerimento à instituição financeira. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal fazer uso da presunção de infração de omissão de rendimentos por não comprovação da origem do depósito bancário, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, no procedimento fiscal, a fiscalização não deixou de observar os princípios do artigo 37 da CF/88, não ofendeu direitos e garantias do contribuinte, ditados no artigo 5° da CF/88, e nem se utilizou de forma ilegal do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O fato de a fiscalização ter se valido da movimentação financeira e da intimação para comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes não descaracterizou o procedimento de lançamento nos termos do artigo 142 do CTN. Como, adiante se verá, quando da apreciação do mérito, a fiscalização valeuse de um instrumento legal para caracterizar a infração de omissão de rendimentos que foi o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, fundamento legal do Auto de Infração, autorizando a presunção de omissão de rendimentos pela não comprovação da origem dos recursos dos depósitos bancários. A descrição dos fatos no Auto de Infração e os elementos de prova carreados aos autos pela fiscalização não deixam dúvida nenhuma quanto à infração cometida pelo contribuinte: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. Ressaltese que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos recursos dos depósitos das contas correntes. Há de se esclarecer que os Termos de Intimação já advertiam da infração prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, na hipótese de não comprovação da origem dos recursos. Quanto à intimação para apresentação da cópia dos cheques, relacionados aos depósitos bancários feitos em cheques, há de se esclarecer que fiscalização lavrou Termo de Intimação, concedendo prazo de 20 dias, do qual o contribuinte tomou ciência em 05/05/2006, Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 8 7 fls. 111, e Termo de Reintimação, concedendo prazo de 5 dias, do qual o contribuinte tomou ciência em 12/06/2006. Somente decorrido o prazo e não tendo sido apresentada justificativa é que a fiscalização lavrou o Auto de Infração, cientificado em 27/06/2006. Concebese que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO DOS DEPÓSITOS Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art. 42, Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 9 8 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será *tirada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares' tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ('Incluído pela Lei n°10637, de 30,12,2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm corno verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário, conforme demasiadamente tratado em diversos outros votos deste Relator. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 10 9 recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, existe a Súmula CARF n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em seu recurso, o contribuinte afirma que os depósitos bancários referemse a recebimento de lucros distribuídos relativos a sua participação societária na Clínica de Ultra Sonografia e Radiologia de Imperatriz Em que pesem as razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 143/147, anexo ao Auto de Infração, essa argumentação não foi aceita pela fiscalização, pelos seguintes motivos: l) conforme demonstrado na escrituração, os valores distribuídos na forma de lucros para os sócios saem da conta Caixa, ou seja, em dinheiro, e os valores passíveis de comprovação foram depositados em cheque. 2) a conta Caixa é abastecida pelo dinheiro que vem da conta Bancos, lançamento que é registrado, como débito na Caixa por “cheques emitidos n/dia”, cuja contrapartida na conta bancos é “cheque emitidos n/dia”. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 11 10 3) alguns dias antes, ou na data da distribuição, há uma transferência da Conta Bancos para a conta Caixa de valor considerável para que, seja posteriormente realizada a distribuição de lucros, conforme exposto no “Demonstrativo de Saldo de Caixa e Distribuição de Lucros”. Não merece reparo o feito fiscal, há de se ressaltar que não houve apresentação de prova dessa alegação. O contribuinte sequer apresenta documento que demonstrasse ter os cheques ingressado na conta "caixa" da empresa. A argumentação de que a conta “caixa” era utilizada para movimentação de recursos recebidos em espécie e em cheques e a argumentação de que os cheques, emitidos pelos clientes da Clínica de UltraSonografia e Radiologia de Imperatriz, eram repassados aos sócios a título de adiantamento de lucro necessitam de comprovação. Tecnicamente, os cheques de clientes recebidos pela Clínica de Ultra Sonografia e Radiologia de Imperatriz poderiam ser lançados na conta “caixa” em contrapartida da conta “receita de prestação de serviço”. Para o caso, a comprovação de recebimento de lucro se daria pela demonstração de que o depósito feito se referia a cheque emitido pela Clínica de Ultra Sonografia e Radiologia de Imperatriz O contribuinte, durante o procedimento fiscal e na impugnação, não carreou prova que pudesse correlacionar o depósito bancário como rendimento de lucro da Clinica de UltraSonografia e Radiologia de Imperatriz. Mais uma vez, repiso, o contribuinte nada se esforça ou argumenta sobre a comprovação dos numerários, apenas demonstrando descontentamento com a legislação, ou seja, em relação aos depósitos efetuados na conta bancária não foram apresentados esclarecimentos convincentes e muito menos documentos hábeis e idôneos a demonstrar a origem de cada depósito bancário. MULTA DE OFÍCIO O recorrente insurgese quanto a multa de ofício por ferir o princípio do não confisco. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10325.000510/200671 Acórdão n.º 2401005.999 S2C4T1 Fl. 12 11 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a preliminar e, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.963906/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 06 /2 00 9- 11 Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 15374.963906/200911 Acórdão n.º 9303007.957 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.613, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de COFINS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.613 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 15374.963906/200911 Acórdão n.º 9303007.957 CSRFT3 Fl. 4 3 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 15374.963906/200911 Acórdão n.º 9303007.957 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 15374.963906/200911 Acórdão n.º 9303007.957 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 15374.963906/200911 Acórdão n.º 9303007.957 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1862DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.721949/2013-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
AVISO PREVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957/RS - STJ. PARECER PGFN 485/2016
Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, haja vista sua natureza indenizatória, não integrando o salário-de-contribuição.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA.
Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada.
RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Numero da decisão: 9202-007.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a qualificação da multa de ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957/RS STJ. PARECER PGFN 485/2016 Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, haja vista sua natureza indenizatória, não integrando o saláriodecontribuição. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a qualificação da multa de ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Mário Pereira de Pinho Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 19 49 /2 01 3- 01 Fl. 2094DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Adotando as informações do acórdão recorrido, esclareço que a autuação versa sobre cobrança de contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, em relação ao período de 01/01/2009 a 31/12/2011. Os DEBCADs são: AIOP n° 51.044.8593 (patronal), AIOP n° 51.044.8607 (segurados empregados), DEBCAD 51.044.8623 (AI 34), DEBCAD 51.044.8631 (AI 35), DEBCAD 51.044.8640 (AI 38). Figuram no pólo passivo o contribuinte e demais empresas cujas atividades e composição societárias levaram, no entender da fiscalização, a caracterização de confusão patrimonial. De acordo com o Relatório Fiscal, a autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa GLOBO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, considerando os seus segurados empregados e contribuintes individuais como, de fato, vinculados à autuada, diante da constatação de simulação, evasão e elisão fiscal na constituição da pessoa jurídica desconsiderada, com propósito exclusivo de se beneficiar de sistema de tributação menos oneroso – SIMPLES, não possuindo endereço ou estrutura própria, ocupando o mesmo domicílio da autuada, cujos sócios também compõe o seu quadro societário. Tal situação fática motivou a qualificação das multas aplicadas. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas encontram se discriminados nos levantamentos abaixo elencados: Levantamento F1/F2 – “FP Globo Equipamentos declarada em GFIP”contribuições da parte da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados que prestaram serviços a autuada (Globo Central), mas que formalmente estavam registrados na empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, nos estabelecimentos CNPJ nº 71.821.342/000110 (Lev. F1) e CNPJ nº 71.821.342/000200 (Lev. F2); Levantamento RA – Remuneração Administrador contribuições da parte da empresa incidentes sobre o pro labore pago aos segurados contribuintes individuais (Administradores), por serviços prestados a autuada (Globo Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10860.721949/201301 Acórdão n.º 9202007.582 CSRFT2 Fl. 3 3 Central), mas que formalmente estavam registrados na empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, CNPJ nº 71.821.342/000110. *Os valores lançados nos levantamentos acima descritos (FI/F2/RA) foram apurados na análise das Folhas de pagamentos/FP e GFIP, período 01/2009 a 13/2011, declaradas pela Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, nos estabelecimentos CNPJ nº 71.821.342/000110 e CNPJ nº 71.821.342/000200, valores discriminados no Anexo I. Levantamento A1/A2 Aviso Prévio Indenizado contribuições da parte dos segurados empregados e da empresa incidentes sobre o aviso prévio indenizado e seus reflexos, pago por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, não declarados em GFIP, cujos valores, discriminados no Anexo II, foram apurados nas folhas de pagamento de empregados que formalmente estavam registrados na empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, CNPJ nº 71.821.342/000110 (Lev. A1) e CNPJ nº 71.821.342/000200 (Lev. A2), mas que efetivamente prestavam serviços a autuada (Globo Central). Levantamento P1/P2 Participação nos Lucros e Resultados – contribuições da parte dos segurados empregados e da empresa incidentes sobre remuneração indireta, não declaradas em GFIP, a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, conforme valores discriminados no Anexo III e apurados nas folhas de pagamento de empregados formalmente registrados na empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda/ME, CNPJ nº 71.821.342/000110 (Lev. P1) e CNPJ nº 71.821.342/000200 (Lev. P2), mas que efetivamente prestavam serviços a autuada (Globo Central); Levantamento E1/E2 Abono Especial contribuições da parte dos segurados empregados e da empresa incidentes sobre remuneração indireta, a título de "Abono Salarial – Especial/ASE", pago aos segurados empregados formalmente registrados na empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda.ME, CNPJ n° 71.821.342/000110 (Lev. El) e CNPJ n° 71.821.342/000200 (Lev. E2), mas que efetivamente prestavam serviços a autuada (Globo Central), relacionados no Anexo IV. A remuneração indireta não foi incluída em folha de pagamento normal, mas foi apresentada, após solicitação, folhas/relação de pagamentos suplementar exclusivo do Abono (doc. VII), cujos valores não foram declarados em GFIP e não foram considerados como base de cálculo, sob o argumento de que estariam expressamente desvinculados do salário, conforme Convenção Coletiva de Trabalho CCT. *As informações contábeis e dos trabalhadores foram extraídas dos arquivos digitais gerados pela empresa Globo Central de Usinagem Ltda. CNPJ n° 03.940.850/000168 no padrão MANAD, e dos arquivos digitais gerados pela empresa Globo Equipamentos Industriais Ltda.ME CNPJ n° 71.821.342/000110, padrão MANAD. Após o trâmite processual a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária julgou parcialmente procedente o recurso voluntário. Por meio do acórdão 2401004.510, o Colegiado recorrido: 1) conheceu dos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários e negoulhes seguimento, 2) conheceu do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, para: a) afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; e b) no mérito: b.1) quanto à caracterização dos segurados empregados e contribuintes individuais Fl. 2096DF CARF MF 4 como prestadores de serviços da autuada, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos F1, F2 e RA; b.2) quanto ao pagamento de valores a título de aviso prévio indenizado, por maioria, dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento os levantamentos A1 e A2, b.3) quanto ao pagamento de valores a título de participação nos lucros e resultados, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos P1 e P2; b.4) quanto ao pagamento de valores a título de abono especial, negar provimento ao recurso, mantendo os levantamentos E1 e E2; b.5) quanto à caracterização de grupo econômico, negar provimento ao recurso; b.6) quanto à multa qualificada, dar provimento ao recurso, para reduzir o percentual da multa aplicada para 75%; b.7) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, CFL 34, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a agravante e reduzir o valor da multa ao patamar básico; b.8) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, CFL 35, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a agravante e reduzir o valor da multa ao patamar básico; b.9) quantos às demais alegações, negar provimento ao recurso. Contra parte do acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário para afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado (levantamentos A1 e A2), e desqualificar e desagravar (CBL 34 e 35) a multa de ofício imputada no lançamento, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial o qual foi, após julgamento de Agravo, integralmente conhecido. No que tange a primeira matéria, citando como paradigma o acórdão nº 2302 003.218, defende que, até que transite em julgado a decisão proferida no REsp 1.230.957/RS, deve ser mantida a incidência das contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado e o 13º salário a ele reflexo. Quanto à multa qualificada, com base nos acórdão paradigmas 9202003.827 e 2401003.562, defende sua manutenção nos termos em que lançada haja vista a caracterização de dolo consubstanciado na utilização de interposta pessoa para encobrir vínculo empregatício. Intimados dos acórdão e do Recurso Especial, o Contribuinte e solidários apresentaram Embargos de Declaração os quais foram rejeitados nos termos do despacho de e fls. 2.031/2038. Foi juntada também contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão nos pontos suscitados pela Fazenda Nacional. Tempestivamente e de forma conjunta, Contribuinte e solidários interpõem Recurso Especial. Citando como paradigmas os acórdãos nº 3202000.473 e 210101.855 requer a reforma do julgado na parte que afastou a nulidade da decisão de primeira instância. Defendem, por se tratar de um vício sanável, que a autoridade competente antes de não conhecer da impugnação deveria ordenar a intimação dos contribuintes para apresentarem os respectivos instrumentos de representação processual. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pelo não conhecimento do recurso do Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10860.721949/201301 Acórdão n.º 9202007.582 CSRFT2 Fl. 4 5 Do Recurso da Fazenda Nacional O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade razão pela qual, reiterando a decisão proferida em sede de Agravo, dele conheço. Conforme consta do relatório o recurso da União tem como objeto a discussão acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado e sobre a qualificação da multa. Aviso prévio indenizado Quanto ao primeiro tema, a matéria recebida pelo despacho de admissibilidade se limita à analise dos efeitos da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 1.230.957/RS. O acórdão, proferido na sistemática de recurso repetitivo, ainda não teria transitado em julgado haja vista interposição de Recurso junto ao Supremo Tribunal Federal, fato que impediria a conclusão pela improcedência do lançamento por força do art. 62, do Anexo II do RICARF. Essa Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou sobre o tema. Na ocasião, por voto de qualidade, o Colegiado concluiu estar a verba incluída no conceito de salário de contribuição, entendendo pela inexistência de decisão vinculante em sentido diverso. Em que pese o entendimento da então maioria, mais uma vez peço vênia para divergir, e o faço adotando como razões de decidir a fundamentação apresentada pela Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, sob forma de declaração de voto, no acórdão nº 9202006.464. vejamos: Após o voto do Conselheiro Redator, a quem rendo as minhas homenagens, ouso divergir, com a devida vênia, do posicionamento adotado, mormente quanto à aplicação do Recurso Especial n.º 1.230.957 RS, julgado sob a sistemática dos repetitivos, no qual consta a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a Fl. 2098DF CARF MF 6 incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. (...). 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários(...). 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (...) 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 10860.721949/201301 Acórdão n.º 9202007.582 CSRFT2 Fl. 5 7 empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. (...). Do mencionado Acórdão podemos extrair o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, inclusive, de modo reiterado, em razão do número de precedentes citados no inteiro teor da decisão, no sentido da não incidência das contribuições previdenciárias sobre as rubricas em análise, notadamente: o terço constitucional de férias, o aviso prévio indenizado e a importância paga nos 15 primeiros dias que antecedem o auxíliodoença. Convém destacar que foi recebido Recurso Extraordinário contra a decisão do REsp n.º 1230.957 RS, no Supremo Tribunal Federal, no qual a única matéria não recebida, por ausência de repercussão geral, foi o aviso prévio indenizado, pois segundo a Corte Suprema não se trata de tema de cunho constitucional. Desse modo, houve a separação dos capítulos da sentença, de modo que uns capítulos estão pendentes de julgamentos e um capítulo transitou em julgado, qual seja o capítulo referente ao aviso prévio. Temos, pela Teoria dos capítulos da sentença, aceita doutrinariamente e prevista 523 do CPC, que, no dizer de Cândido Rangel Dinamarco, o capítulo da sentença é toda unidade decisória autônoma contida na parte dispositiva de uma decisão judicial. Complementa Freddie Didier Jr. que essa unidade autônoma tanto pode encerrar uma decisão sobre a pretensão ao julgamento de mérito (capítulos puramente processuais), como uma decisão sobre o próprio mérito (capítulos de mérito). Além da previsão geral contida no CPC, em meu entender, o Decreto n.º 70.235/72, norma regente do processo administrativo fiscal, aplica a teoria dos capítulos da sentença ao permitir a formação de autos apartados para a imediata cobrança do objeto não contestado, no caso de impugnação parcial, de acordo com o disposto no art. 21, § 1º, abaixo transcrito: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, Fl. 2100DF CARF MF 8 antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. Como se percebe, o que faz a autoridade preparadora nada mais é do que cobrar o tributo correspondente ao capítulo da decisão transitada em julgado, enquanto as demais matérias continuam em julgamento, pois oportunamente impugnadas. Notase, assim, que a interpretação adotada tem como fundamento de validade tanto a norma específica quanto a norma geral processual, de aplicação supletiva e subsidiária ao processo administrativo, nos termos do art. 15 do Código de Processo Civil: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Assim, estamos diante do seguinte panorama processual: quanto ao aviso prévio indenizado, capítulo integrante da decisão proferida em repetitivo, não lhe foi atribuída repercussão geral para fins de recebimento do RE interposto, portanto, não se encontra mais pendente de julgamento, tornandose imutável e indiscutível a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, de modo definitivo, pois não cabe mais recurso (coisa julgada material); no que se referem às demais rubricas objeto do RE, que representam os outros capítulos do Acórdão, convém destacar que encontramse pendentes de apreciação pela Corte Suprema, restando suspensa a aplicação do repetitivo sobre tais temas, em razão da atribuição de repercussão geral das matérias. Desse modo, adoto a decisão definitiva sobre o aviso prévio indenizado, proferida dentro do microssistema de formação concentrada de precedentes obrigatórios, em razão do efeito vinculante, em obediência ao disposto no art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais abaixo transcrito: (...) Apenas para ilustrar o apontado feito pela Ilustre Conselheira, destaco que foi por meio da análise do Recurso Extraordinário nº 892.238/RS que o Supremo Tribunal Federal se manifestou por inexistir viés constitucional na discussão acerca da natureza jurídica das verbas pagas a título de avisoprévio indenizado. O Ministro Luiz Fux ao fundamentar sua decisão destacou: A questão posta à apreciação deste Supremo Tribunal Federal cingese à definição da natureza de parcelas pagas ao empregado, para fins de enquadramento ou não na base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do que determina o artigo 28 da Lei 8.212/1991. Não há, portanto, matéria constitucional a ser analisada. O Tribunal de origem decidiu a controvérsia acerca da incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de adicional de férias, aviso prévio indenizado, décimo terceiro Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 10860.721949/201301 Acórdão n.º 9202007.582 CSRFT2 Fl. 6 9 proporcional, auxíliodoença e horas extras, tão somente a partir de interpretação e aplicação das normas infraconstitucionais pertinentes (Lei 8.212/1991, Lei 8.213/1991 e Decreto 3.038/1999). (...) Ressaltese que a questão em discussão difere do tema submetido à repercussão geral, nos autos do RE 565.160, sob a relatoria do Min. Marco Aurélio, em sessão realizada em 10/11/2007 (Tema 20), posto que neste último será definida a interpretação do termo “folha de salários”, mencionado expressamente pelo artigo 195 da Constituição Federal, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal. Igualmente, não se confunde com a questão posta nos autos do RE 593.068, submetido à repercussão geral em 07/05/2009 e em julgamento por este Plenário, sob a relatoria do Min. Roberto Barroso (Tema 163), visto que este último trata da delimitação do conceito de remuneração, para fins de aferição da base de cálculo das contribuições previdenciárias pagas pelo servidor público, com base na solidariedade de custeio, prevista expressamente pela Constituição Federal a partir da Emenda Constitucional 41/2003, ao lado do caráter contributivo do regime previdenciário assegurado aos servidores públicos. Diante do exposto, manifestome pela inexistência de repercussão geral da questão suscitada. Vale destacar que, em consulta ao sítio do STJ acerca do status atual do Tema 478, cuja tese firmada ora nos interessa "Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial.", é possível perceber a seguinte nota de "Anotações Nugep": "REsp 1.230.957/RS sobrestado pelo Tema 163/STF (decisão da VicePresidência do STJ de 25/07/2014)". Ora, tal nota somente faz sentido em relação aos demais pontos enfrentados pelo citado recurso especial, cuja abrangência como destacado pelo próprio Ministro Luiz Fux, e acima citado, não engloba a discussão infraconstitucional da natureza jurídica da verba conhecida como aviso prévio indenizado. Por fim, relevante destacar a existência de Parecer Normativo da própria Procuradoria da Fazenda Nacional no mesmo sentido. Eis o teor da ementa do Parecer PGFN nº 485/2016, atualizado em 05/10/2017: p) Aviso prévio indenizado REsp 1.230.957/RS (tema nº 478 de recursos repetitivos) Resumo: Não incidência de contribuição previdenciária, a cargo da empresa, sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, haja vista sua natureza indenizatória, não integrando o saláriodecontribuição. OBSERVAÇÃO: Apesar da possibilidade de o STJ revisitar o tema diante do julgamento do tema nº 020 de repercussão geral, o fato é que o STF, analisando especificamente o tema em referência (nº 759 de repercussão geral), reputoulhe Fl. 2102DF CARF MF 10 infraconstitucional e, assim, sem repercussão geral, razão pela qual, ao menos no atual momento, não se encontram presentes os pressupostos para a incidência da ressalva prevista no inciso V do art. 19 da Lei nº 10.522/02. OBSERVAÇÃO 2: o entendimento firmado pelo STJ no julgamento do REsp 1.230.957/RS não abrange o reflexo do aviso prévio indenizado no 13º salário (gratificação natalina), por possuir natureza remuneratória (isto é, não tem cunho indenizatório), conforme precedentes da própria Corte Superior a seguir: EDcl no AgRg no REsp 1512946/RS; AgRg no REsp nº 1.359.259/SE; AgRg no REsp nº 1.535.343/CE; e AgRg no REsp nº 1.383.613/PR; REsp 1531412/PE. Referência: Nota PGFN/CRJ nº 485/2016 e Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2017. Data da alteração da redação da Observação 1: 05/10/2017 Diante do exposto, adotando a teoria dos 'Capítulos da Sentença', devese concluir pela existência de trânsito em julgado de parte da decisão proferida no Resp 1.230.957/RS, razão pela qual e por força do art. 62 do RICARF, entendo pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de aviso prévio indenizado. Qualificação da multa Quanto ao segundo tema abordado, qualificação da multa, conforme já manifestado em outras oportunidade, inclusive por meio do acórdão 9202003.827 citado como paradigma, entendo que a aplicação da multa qualificada somente é cabível quando o sujeito passivo tenha agido com o evidente intuito de fraude, conduta que deve ser incontestavelmente justificada e comprovada: devese comprovar que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito indispensável para qualificação. Também entendo que um contribuinte ao estruturar um planejamento tributário, prática que se baseada em atos lícitos é, na verdade, um direito do sujeito passivo sempre o fará no intuito de reduzir o valor do imposto (essa é sua função) e isso por si só não pode ser considerado como ato fraudulento. Entretanto, com a devida vênia, ao contrário do voto do Relator no acórdão recorrido, há nos autos elementos suficientes para justificar a qualificação da multa, até porque o dolo que justificou a desconsideração da personalidade jurídica e o conseqüente reconhecimento do vínculo de emprego, é, no meu entender, o mesmo dolo que caracteriza o tipo Fraude previsto no art. Art 72 da Lei nº 4.502/64. Ao analisar o relatório fiscal percebemos que o ato praticado pelo contribuinte não pode ser classificado como 'planejamento tributário' ou mera interpretação equivocada do Contribuinte do ordenamento jurídico, afinal utilizarse de interposta pessoa (empresa do Simples) com o intuito de camuflar o real valor dos tributos devidos não pode ser considerado conduta lícita. Ocorreu uma deliberada ação do contribuinte no intuito de lesar o fisco e os fatos narrados pelo fiscal são suficientes para comprovar o dolo. Vejamos, com apoio na descrição feita pelo extenso relatório fiscal, alguns exemplos dessa conduta dolosa: Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 10860.721949/201301 Acórdão n.º 9202007.582 CSRFT2 Fl. 7 11 3.1.1. Com base nas informações extraídas dos Contratos Sociais e respectivas alterações, todos anexados ao presente AIOP (DOC. Ia e Ib), formatamos quadro comparativo da evolução cadastral e societária das duas empresas acima citadas, obtivemos as seguintes informações: A empresa "Globo Equipamentos", optante pelo SIMPLES desde 1997, foi constituída em 30/06/1993, com objeto social de "Usinagem, Fabricação de Equipamentos Industriais e Manutenção e Consertos de Equipamentos Afins", tinha seu quadro social composto pelos Sr. MAURO APARECIDO DE PAULA FERREIRA (33,33 % das quotas), ANTONIO CLÁUDIO CHAVETTE (33,33 % das quotas) e GILBERTO GERALDO DE OLIVEIRA (33,33 % das quotas). Já a empresa "Globo Central", constituída em 27/06/2000, com objeto social idêntico ao da "Globo Equipamentos", tinha seu quadro social composto pelas esposas dos administradores / sócios da "Globo Equipamentos", ou seja: Sra. ROSÂNGELA MARIA AMBRÓSIO FERREIRA, com 33,33 % das quotas (ESPOSA do Sr. MAURO), Sra. SIRLENE DA SILVA BARRETO CHAVETTE, com 33,33 % das quotas (ESPOSA do Sr. ANTONIO), e Sra. SILENE ANDREUSSI, com 33,34 % das quotas, (ESPOSA do Sr. GILBERTO). Em 06/2004, quase que simultaneamente, as empresas alteram o domicílio tributário para o mesmo endereço / logradouro (Rua Rodolfo Alberto Wisling, 331 Dist. Ind. Jambeiro Jambeiro SP), e alteram / mesclam seus quadros societários, transferindo, simultaneamente e na mesma proporção, pequenas parcelas das quotas da "GLOBO CENTRAL" aos administradores da "GLOBO EQUIPAMENTOS" (Sr. MAURO e ANTONIO CHAVETTE), cedidas pelas respectivas esposas, enquanto que na "GLOBO EQUIPAMENTOS" a cessão de quotas ocorrera de forma inversa, ou seja, o Sr. MAURO e Sr. ANTONIO CHAVETTE cediam pequenas parcelas às respectivas esposas; Também em 06/2004, a "GLOBO CENTRAL" cria o estabelecimento / filial CNPJ n° 03.940.850/000249, no município de Botucatu / SP, sito à Av. Paula Vieira, 96 Vila Jahu Botucatu SP. Idêntico movimento, só que desta feita 11/04/2006, foi realizado pela "GLOBO EQUIPAMENTOS", ou seja, cria o estabelecimento / filial CNPJ n° 71.821.342/000200, no mesmo endereço (Av. Paula Vieira, 96 Vila Jahu Botucatu SP); Em 06/10/2005, a "GLOBO CENTRAL" altera seu objeto social, incluindo novas atividades as já existentes. Mesmo movimento, só que desta feita 12/11/2007, foi realizado pela "GLOBO EQUIPAMENTOS"; Em 11/2007, quase que simultaneamente, as empresas fazem um novo rearranjo em seus quadros societários, transferindo / remanejando parcelas das quotas, mas mantendo os verdadeiros administradores da "GLOBO CENTRAL" (Sr. MAURO APARECIDO DE PAULA FERREIRA e ANTONIO CLÁUDIO CHAVETTE) e da "GLOBO EQUIPAMENTOS" (Sr. GILBERTO Fl. 2104DF CARF MF 12 GERALDO DE OLIVEIRA), no "controle" dos negócios. Tal afirmativa será comprovada mais abaixo; Simultaneamente, em 02/03/2010, ambas transferem suas respectivas filiais para novo endereço: Rua Jose Lapenna, 231/233 Dist. Industrial Botucatu SP; e Por fim, a título de informação, mesmo fora do período auditado, em 09/2012, as empresas realizam idênticas alterações em seu objeto social, remanejam parcelas das quotas do respectivo Capital Social, mantendo, de forma igualitária, os verdadeiros administradores das empresas, ou seja, Sr. MAURO APARECIDO DE PAULA FERREIRA, ANTONIO CLÁUDIO CHAVETTE e Sr. GILBERTO GERALDO DE OLIVEIRA, no "controle" dos negócios, excluindo, em definitivo, dos respectivos quadros societários as respectivas esposas, uma vez que, com o advento da "desoneração da folha de pagamentos" a simulação e a fraude à lei tributária não mais se faziam necessárias. ... 3.2. VÍNCULOS E MASSA SALARIAL x FATURAMENTO 3.2.2. Logo, tomando por base apenas as despesas com as remunerações pagas aos segurados e declaradas em GFIP pela GLOBO EQUIPAMENTOS, constatase que aquelas despesas superam, em muito (quatrocentos e trinta e oito por cento), a receita bruta declarada / extraída das PJSI e/ou DASN, enquanto que na GLOBO CENTRAL a massa salarial total representava apenas 2,4 % (dois vírgula quatro por cento) do faturamento, sendo este faturamento mais de 26 (vinte e seis) vezes superior ao da GLOBO EQUIPAMENTOS, conforme demonstrado nos quadros acima. A explicação para esta discrepância está registrada, principalmente, na contabilidade das duas empresas, as quais serão demonstradas nos tópicos seguintes. ... 3.3. FATURAMENTO X CARTEIRA DE CLIENTES 3.3.1. Com base nas informações extraídas das DASN, das Notas Fiscais e da escrituração contábil da GLOBO EQUIPAMENTOS, períodosbase 01/2008 a 12/2011, constata se que, em média, 90,0 % (noventa por cento) das operações de "vendas de produtos e/ou industrialização efetuada para terceiros" tinham como cliente principal (s/c) a GLOBO CENTRAL, conforme demonstrado no quadro abaixo: ... 3.4. DA CONFUSÃO PATRIMONIAL E DA GESTÃO EMPRESARIAL ATÍPICA 3.4.1. Da análise realizada nos documentos auditados da empresa GLOBO EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS Ltda., constatamos que o pagamento da remuneração dos segurados Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 10860.721949/201301 Acórdão n.º 9202007.582 CSRFT2 Fl. 8 13 empregados e o prólabore pago aos segurados contribuintes individuais; o recolhimento das GPS (Guia da Previdência Social) contendo as contribuições devidas / retidas dos segurados empregados / contribuinte individual; o recolhimento das GRF (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço); e dos DARF 0561 (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), dentre inúmeras outras irregularidades, foram efetivados, de forma direta e única, com recursos provenientes, exclusivamente, da GLOBO CENTRAL DE USINAGEM Ltda. ... EQUIPAMENTOS Da análise inicial realizada na contabilidade da empresa GLOBO EQUIPAMENTOS encontramos as seguintes situações que indicam anormalidade: ausência de registros de despesas com aquisição de matérias primas, energia elétrica, combustíveis, aluguel ou depreciação de instalações e equipamentos e ausência de registros de instalações e equipamentos no ativo, tendo ocorrido em todo o período auditado (01/2008 a 12/2011). Os custos ou despesas com mãodeobra (SALÁRIOS, PRO LABORE, FÉRIAS, 13° SALÁRIO, RESCISÕES, ...), os encargos sociais (INSS, FGTS, ...), bem como, os dispêndios com alimentação do trabalhador, valetransporte, assistência médica e demais benefícios, estão registrados à CRÉDITO, através da CONTA: "1.01.01.04.01 GLOBO CENTRAL". ... As fotos / informações do subitem 3.9.1.3., dão uma clara visão do tamanho das instalações e do quantitativo de maquinário existente no "grupo" (?). Na página da GLOBO CENTRAL, reiteramos, datada de 2010, são listadas 64 (sessenta e quatro) maquinas / equipamentos. Neste mesmo ano, a GLOBO CENTRAL contou, em média, com 12 (doze) funcionários, enquanto que na GLOBO EQUIPAMENTOS, a média foi de 333 (trezentos e trinta e três) colaboradores. Logo, podemos concluir, mais uma vez, que a atuação "cruzada" das empresas se deu da seguinte forma: enquanto a GLOBO CENTRAL se encarregava, dentre outras obrigações, com a parte operacional (instalações e equipamentos), a GLOBO EQUIPAMENTOS se especializou em fornecer a necessária mão de obra para a prestação de serviços de usinagem de precisão. Diante do contexto dos autos, os argumentos e provas apresentados pelo contribuinte não são suficientes para afastar a caracterização da conduta dolosa, ou melhor, das condutas por ele praticadas com o único intuito de lesar o fisco e reduzir indevidamente o valor do tributo devido. Fl. 2106DF CARF MF 14 Assim, dou provimento ao recurso da União neste ponto e mantenho a qualificação da multa de ofício e o agravamento da respectivas multas lavradas em razão do descumprimento de obrigações acessórias. Do Recurso do Contribuinte: Antes de me manifestar sobre o mérito, e considerando as ponderações feitas pela Recorrida, oportuno rever o juízo de admissibilidade da peça recursal. Segundo descrito no despacho de efls. 2.077/2.086, o presente Recurso Especial visa à rediscussão da matéria "Ausência de intimação para regularização de vício processual saneável" (representação processual), onde teria havido divergência de interpretação acerca do artigo 13 do Código de Processo Civil. A divergência foi assim resumida pela autoridade competente: Diferentemente do que ocorreu nos paradigmas onde os contribuintes foram intimados a sanear a irregularidade, tal providência não ocorreu nos autos deste processo por parte da RFB, o que levou ao não conhecimento das impugnações dos solidários. Em que pese a irregularidade ter ocorrido quando da apresentação da impugnação e não do recurso, é certo que o entendimento dos paradigmas é no sentido de tratarse de um vício saneável, cuja regularização está prevista na lei e não foi observada. Ocorre que a partir de uma leitura mais detida das decisões entendo que os paradigmas apresentados não são aptos para sustentar a tese das Recorrentes, inexistindo manifestação daqueles Colegiados no sentido de ser nulo acórdão proferido por autoridade competente no caso de inexistir ausência de intimação para regularização processual, considerando que no caso concreto a impugnação foi apresentada de forma conjunta pelas partes mesma peça processual razão pela qual todos os argumentos apresentados foram devidamente analisados pelo Colegiado. No primeiro acórdão citado como paradigma, 3202000.473, a irregularidade foi constatada pela unidade preparadora no momento em que o contribuinte interpôs 'manifestação de inconformidade' contra despacho decisório que indeferiu seu pedido de restituição/compensação de tributo. O segundo paradigma de nº 210101.855, o Contribuinte foi intimado para regularizar sua representação processual em relação ao Recurso Voluntário. Diante da inércia da parte o Colegiado declarou o recurso deserto. Em ambos os casos, quando da constatação da irregularidade postulatória, já havia sido instaurada a lide, posto ter havido a correta apresentação de impugnação/pedido de restituição que foi devidamente julgada. A ausência de regularização dos contribuintes nestes casos gerou como efeito uma desistência do recurso, fato comum e admitido no processo administrativo. De toda forma, mesmo sem entrar no mérito da conduta daqueles contribuintes, fato é que não há como concluir que os Colegiados entenderiam pela nulidade das decisões de primeira instância por ausência de capacidade postulatória do representante notadamente nos casos em que a peça de defesa foi apresentada de forma conjunta pelas partes, tendo os argumentos sido na totalidade enfrentados pela autoridade julgadora. Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 10860.721949/201301 Acórdão n.º 9202007.582 CSRFT2 Fl. 9 15 No mais, lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais e no presente caso os acórdãos indicados como paradigmas não fazem qualquer menção acerca da caracterização de eventual nulidade na forma como suscitada pelas Recorrentes. O Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a pressupostos estabelecidos no RICARF. Ao julgar o Recurso Especial, a CSRF não constitui uma terceira instância, mas sim instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. Assim, diante das situações fáticas enfrentadas, entendo pela impossibilidade de se estabelecer a divergência na forma como suscitado pelas partes, razão pela qual deixo de conhecer do recurso. Conclusão: Diante do exposto, conheço do recurso da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento parcial para reestabelecer a qualificação da multa e não conheço do recurso interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2108DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.901692/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/01/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.901692/201408 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.637 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PIS/PASEP Recorrente FUNDACAO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/01/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 16 92 /2 01 4- 08 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10830.901692/201408 Acórdão n.º 3401005.637 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.079, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10830.901692/201408 Acórdão n.º 3401005.637 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.901692/201408 Acórdão n.º 3401005.637 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10830.901692/201408 Acórdão n.º 3401005.637 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10830.901692/201408 Acórdão n.º 3401005.637 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903838/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifeste-se, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 75/113, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifestese, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 75/113, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 66/68 apresentado em face da decisão em sede de manifestação de inconformidade (fls. 57/60) que não reconheceu o direito de crédito da ora Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 03 83 8/ 20 09 -1 5 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.903838/200915 Resolução nº 2201000.347 S2C2T1 Fl. 131 2 Dado o didatismo do relatório elaborado na decisão recorrida, transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de n.º 18301.52542.090306.1.3.046008, por intermédio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRRF, código de arrecadação: 5706), concernente ao período de apuração: 31/12/2005. Por intermédio do despacho decisório de fl. 15, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 02/03, na qual alega, em síntese, que: a) o presente despacho apresenta a não homologação do crédito pleiteado pela Agroceres, acusando que este já tenha sido utilizado no pagamento de número 2255925091; b) por um equívoco no momento do preenchimento da DCTF do mês de dezembro de 2005, informou um débito no valor de R$ 225.000,00, código receita: 5706, PA 5ª semana/Dezembro, o qual não ocorreu, gerando, portanto, valor pago indevidamente, representado pelo DARF no valor de R$ 75.000,00 (parte de R$ 225.000,00), cujo pagamento ocorreu em 04/01/2006 (doc.1); c) para comprovar que não houve o pagamento de Juros sobre remuneração de capital próprio, o qual geraria a obrigatoriedade de recolhimento do IRRF, apresenta cópia da DIPJ 2006 (doc. 2), anocalendário de 2005, onde verificase na Ficha 06A, página 05, linha 35, que tal valor apresentase zerado; d) ainda, com o intuito de corrigir o engano, estamos apresentando cópia da DCTF originalmente enviada (doc.3), e de sua retificação (doc.4). Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade, de forma que seja reconhecido o crédito no valor de R$ 75.000,00, e homologada integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP 18301.52542.090306.1.3.04 6008. A decisão recorrida não reconheceu o direito ao crédito que a Recorrente alega ter, conforme ementa de fl. 57: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 04/01/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.903838/200915 Resolução nº 2201000.347 S2C2T1 Fl. 132 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado desta decisão (fl. 64), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Apresentou Recurso Voluntário de fls. 66/68 praticamente repetindo os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, , mas complementando as provas com documentos contábeis, conforme mencionado na decisão recorrida.. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que a análise de mérito referente ao direito creditório deve ser feito pela decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.903838/200915 Resolução nº 2201000.347 S2C2T1 Fl. 133 4 Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Ocorre que, no presente caso, a Recorrente trouxe aos autos, diversos documentos , conforme se verifica do arrazoado abaixo transcrito: Retornando ao presente acórdão, o mesmo cita que a DIPJ/2006 e a DCTF retificadora, apresentadas, somente indiciam que teríamos efetuado pagamento a maior que o devido, e que as mesmas desacompanhadas da escrita contábil, não produzem o efeito desejado. Sendo assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRRF são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. E, em se tratando de Juros sobre o Capital Próprio, em que há vínculos entre as partes (transferidor e destinatário da transferência), a prova de que não ocorreu o pagamento, conforme alegado por nós, dáse mediante cópia dos extratos bancários do contribuinte, lastreados em lançamentos contábeis (Livros Diário e Razão). Iniciamos nosso recurso com a comprovação de que o referido imposto fora devidamente lançado e estornado, na empresa Agroceres Multimix Nutrição Animal Ltda., conforme demonstrado no Razão da conta contábil 02920 — Juros sobre o Capital a Pagar, em anexo (doc. 5), cujos lançamentos podem ser confrontados com os respectivos livros Diário (doc. 6 a 11): A mesma conta contábil do período de dezembro/2005 registra saldo "zero" (doc. 12), de valor de juros sobre o capital a pagar: Com o intuito de comprovarmos que não houve "pagamento" de Juros de Capital Próprio durante o ano de 2.006, cujo fato gerador seria dezembro/2005, estamos disponibilizando a conta contábil 10237— Banco Bradesco S/A. (docs. 13 a 25) pertencente à empresa Montebel Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.903838/200915 Resolução nº 2201000.347 S2C2T1 Fl. 134 5 Empreendimentos e Participações S/A, e a cópia do extrato da instituição bancária (docs. 26 a 38), onde não consta tal recebimento. Acrescentamos o Balanço do ano de 2.005 (doc. 39) onde não consta valor de juros sobre o capital a receber, e o balancete do mesmo período (docs. 40 a 43), com as contas sintéticas e analíticas para facilitar a análise e a comprovação de que não houve o já mencionado direito a receber na empresa Montebel. Conforme se verifica da análise dos autos, há indícios de que a Recorrente está com a razão Conclusão Diante do exposto, converto o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifestese, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 75/113, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.653307/2016-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 07 /2 01 6- 79 Fl. 682DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.210, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, na decisão nele transcrita, proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.720238/201645, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento do processo nº 19311.720238/201645, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10880.653307/201679 Acórdão n.º 3201005.116 S3C2T1 Fl. 661 3 DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 684DF CARF MF
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