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Numero do processo: 13647.000112/2002-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.159
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13647.000112/200287 Recurso nº 243.585 Resolução nº 3403000.159 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 3 de fevereiro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente S/A USINA CORURIPE AÇUCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório O processo teve início com o pedido de ressarcimento de IPI protocolado pela Recorrente em 27/09/2002, tendo como crédito o imposto sobre os insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, nos termos do DecretoLei nº 491/69, art. 5º e Lei nº 8.402/92, art. 1º, inciso II e créditoprémio de IPI, previsto no art. 1º do DecretoLei nº 491/69. A unidade de origem ao analisar o pedido entendeu por bem, desmembrar o pedido inicial em dois processos distintos, sendo uma parte os créditos referentes ao art. 5º do DL nº 491/69 e do art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.402/92, permanecendo no presente processo o Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17409.HYLA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13647.000112/200287 Resolução n.º 3403000.159 S3C4T3 Fl. 2 2 valor de R$ 7.878.732,60 e os créditos referentes ao crédito prêmio de IPI, previsto no art. 1º, do DL nº 491/96, no valor de R$ 6.340.144,02, transferidos para outro processo. Iniciada a auditoria para verificar a procedência do pedido de Ressarcimento, a Recorrente informou que em razão da demora da Receita Federal em analisar o pedido, impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230, visando à obtenção do ressarcimento pleiteado. A ação judicial em questão teve decisão parcial favorável, mas em razão de apelação apresentado pela União, foi encaminhada ao Tribunal Regional Federal da 1º Região, onde aguardava decisão. Em razão da propositura da ação judicial decidiu a Unidade de origem indeferir o pedido de ressarcimento, em razão da vedação de ressarcimento quando o crédito pleiteado é objeto de discussão judicial não transitada em julgada, nos termos do art. 170A do CTN e ainda, em razão da opção pelo contribuinte pela via judicial, configurar renuncia às instâncias administrativas. Inconformada com a decisão a Recorrente apresentou impugnação alegando que as restrições do art. 170A do CTN não se aplica ao caso em questão, visto os créditos de IPI, serem apurados na contabilidade não sendo necessária autorização do Fisco ou decisão transitada em julgado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu que o Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230 referiase somente ao crédito premio do IPI e não aos créditos referentes ao art. 5º do DL nº 491/69 e do art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.402/92. Afastada a aplicação do art. 170A do CTN, a autoridade a quo analisou o pedido de ressarcimento e entendeu não estarem presentes os requisitos necessários ao ressarcimento, indeferindo o pedido. Transcrevo abaixo os argumentos apresentados pela autoridade de primeira instância para negar o pleito da Recorrente. “Ai surgem os óbices impeditivos para a concessão do valor pleiteado: 1° o montante requerido, ao contrário do que determina a norma legal, não representa saldo credor, mas, sim, o somatório de pretensos créditos atrelados a operações de exportação ocorridas entre 1999 e 2002 lançado no Registro de Apuração do IPI, 2° decêndio de setembro de 2002; 2° não está comprovado o expurgo de entradas referentes a saídas não tributadas (álcool etílico), o que vai de encontro ao disposto no §3°, do art.2°, da IN SRF n°33/99. Em resumo: só há ressarcimento para saldos credores detectados ao final de cada trimestre civil, restando nãolídimo o pleito de ressarcimento de créditos não confrontados com débitos (não cumulatividade), considerandose cada período de apuração do imposto, bem como os expurgos relativos a entradas que geraram produtos que se situam fora do campo de incidência do IPI. Diante do exposto, VOTO pelo INDEFERIMENTO da solicitação contida na manifestação de inconformidade de fls.77/96”. Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17409.HYLA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13647.000112/200287 Resolução n.º 3403000.159 S3C4T3 Fl. 3 3 A ementa do Acórdão da DRJ foi a seguinte: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Ementa: RESSARCIMENTO DO IPI O ressarcimento de valores vinculados ao Imposto sobre Produtos Industrializados deve obedecer estritamente ao disposto nas Instruções Normativas SRF n's 33/99 e 460/2004. Normas não observadas, é de se indeferir o pedido por carência de suporte legal para seu reconhecimento. Solicitação Indeferida” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, alegando em síntese que o Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230, versa sobre os créditos fundados no art. 1º e 5º do DecretoLei nº 491/96 e este último combinado com o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e inciso II do art. 1º da Lei nº 8.402/92. Alega a Recorrente que embora o objeto da ação judicial seja mais abrangente, pois também inclui a lide sobre o art. 1º do DecretoLei nº 491/69 (crédito presumido) é inequívoca a concomitância da ação judicial com o pedido de ressarcimento constante do presente processo, portanto, a autoridade fazendária perdeu a competência para julgar o mérito da lide. Quanto ao art. 170A do CTN a Recorrente alega não ser aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e apesar do pedido de ressarcimento ser protocolado no ano de 2002, os créditos tributários referemse a períodos anteriores a edição da Emenda Constitucional nº 104 que introduziu a vedação do ressarcimento no art. 170A do CTN. Finalizando, a Recorrente afirma que demonstrou durante a fase de conhecimento, ao atender as intimações da fiscalização que o crédito pleiteado apurado em operações de exportação, tratase de saldo credor e considerando que não houve aproveitamento de créditos não há que se falar em estorno do valor do crédito na contabilidade. Finalizando, afirma que os créditos das entradas relacionadas com as saídas não tributadas (álcool etílico) não estão computadas no crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17409.HYLA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13647.000112/200287 Resolução n.º 3403000.159 S3C4T3 Fl. 4 4 Conforme descrito no relatório a decisão de primeira instância de forma diferente da decisão da unidade de origem, entendeu não existir concomitância entre o Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230 e o pedido de ressarcimento controlado no presente processo. No Recurso, a Recorrente volta a afirmar que a ação judicial impetrada abrange os créditos de IPI apurados nos termos do art. 1º e 5º do DecretoLei nº 491/96, desta forma existiria a concomitância, afastando a discussão na esfera administrativa. Analisando os autos, não foi possível a perfeita identificação da matéria submetida ao Poder Judiciário. Para solucionar a questão é necessário analisar a Petição Inicial da ação em questão e verificar a extensão da discussão que está sendo travada no Poder Judiciário. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que unidade preparadora obtenha junto a Recorrente, cópia da Petição Inicial do Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230. Em seguida, sejam os autos devolvidos a este Colegiado para retomada do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17409.HYLA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 23/02/2011 13:50:49. Documento autenticado digitalmente por WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 23/02/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 25/02/2011 e WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 23/02/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.17409.HYLA Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 758359CBAFD60DA8730D824DBDD9968606928B0D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13647.000112/2002-87. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13956.000594/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 1972
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. SÚMULA CARF Nº 24.
Não compete à Receita Federal do Brasil (RFB) promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.
Numero da decisão: 1201-005.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Magalhães Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Sérgio Magalhães Lima
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1972 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. SÚMULA CARF Nº 24. Não compete à Receita Federal do Brasil (RFB) promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Sérgio Magalhães Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. SÚMULA CARF Nº 24. Não compete à Receita Federal do Brasil (RFB) promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Sérgio Magalhães Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de empréstimo compulsório com lastro em títulos emitidos pela empresa CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A –ELETROBRÁS. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresentou questões contra as razões constantes do despacho decisório e demais argumentos com vistas à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 05 94 /2 00 7- 96 Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.349 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13956.000594/2007-96 demonstração da comprovação do crédito pleiteado, para, ao fim, solicitar a reforma daquele despacho. Contudo, a decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, e manteve a decisão de não reconhecimento do direito creditório, em função da inexistência de previsão legal para a Receita Federal do Brasil (RFB) proceder à restituição pleiteada. Cientificado da decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, e, na oportunidade, além de trazer a narrativa dos fatos, incorporou às alegações, antes apresentadas em sua peça impugnatória, novos argumentos, sintetizados em tópicos sobre a competência da RFB para administração de tributos, sobre a natureza jurídica do empréstimo compulsório e das cautelas de obrigações da Eletrobrás, sobre o prazo de perda de ação (prescrição), além de demais questões ligadas a esses tópicos. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Magalhães Lima, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos, razão porque dele tomo conhecimento. A fim de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, no valor de R$ 15.105.256,69, a Recorrente apresenta uma extensa linha de argumentos com vistas à conclusão de que a Receita Federal do Brasil possui competência para devolução de valores referentes a obrigações da Eletrobrás. Contrariamente ao alegado, a turma julgado aquo fundamentou sua decisão com base na falta de previsão legal para atendimento ao pedido de restituição. Confira-se o seguinte excerto: Assim, como, administrativamente, a Receita Federal do Brasil só pode restituir tributos ou contribuições que por ela sejam administrados, ou seja, como a restituição só pode ser efetivada se a SRF for a um só tempo o órgão administrador do valor devido à União e o órgão competente para efetuar a restituição (ressalvada a hipótese de receitas da União recolhidas mediante Darf), não há como, no presente âmbito, e por falta de previsão legal, atender a qualquer pedido administrativo de restituição (por conseqüência, até mesmo de compensação) que esteja vinculado às mencionadas cautelas emitidas em face de empréstimo compulsório da Eletrobrás. De fato, somente há previsão legal para a RFB restituir indébitos decorrentes de recolhimentos de tributos ou contribuições que administra, ou receitas da União recolhidas via Documento de Arrecadação das Receitas Federais (DARF), e, nesse sentido, inúmeros julgados deste Eg. Conselho foram proferidos em linha com as razões expostas na decisão de piso. Vejam-se as seguintes ementas: Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.349 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13956.000594/2007-96 Ementa: Empréstimo compulsório. Resgate de obrigações da Eletrobrás. Ainda que o empréstimo compulsório sobre a energia elétrica tenha natureza tributária, a Secretaria da Receita Federal não administra tais valores nem é dotada de competência para promover o resgate de obrigações da Eletrobrás. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (Acórdão nº 303-33.149, Terceiro Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, Sessão de 24/05/2006) Ementa: Empréstimo compulsório. Resgate de obrigações da Eletrobrás. Compensação com crédito tributário. Ainda que o empréstimo compulsório tenha natureza tributária, não há a necessária previsão legal para a sua compensação com débitos de natureza tributária administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso desprovido. (Acórdão nº 303-32.764, Terceiro Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, Sessão de 25/06/2006). Após seguidas decisões similares nessa linha de entendimento, restou consolidado na jurisprudência administrativa, por meio do enunciado da súmula CARF nº 24, o comando abaixo transcrito: Súmula CARF nº 24 Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 303-32277, de 10/08/2005 Acórdão nº 301-32112, de 13/09/2005 Acórdão nº 301-32156, de 19/10/2005 Acórdão nº 302-37140, de 10/11/2005 Acórdão nº 303- 32636, de 10/12/2005 Por fim considerando que a referida súmula é vinculante, e se impõe a todos os órgãos da Administração Tributária, sobretudo o próprio CARF, não há que acolher o pleito da Recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso, e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Magalhães Lima Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.349 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13956.000594/2007-96 Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10240.900370/2008-35
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.132
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Relatório O recurso voluntário em julgamento tem origem em declaração de compensação, transmitida por meio do programa PER/DCOMP em 27.02.2004, através da qual a recorrente extinguiu débitos tributários federais oferecendo, em contrapartida, afirmados créditos resultantes de pagamentos a maior da COFINS, apurada com base no fato gerador praticado em 30 de outubro de 2003. Na DRF-Porto Velho/RO, a homologação da compensação foi recusada sumariamente, por meio do despacho decisório mecânico de fls. 6, não precedido de qualquer providência investigativa ou mesmo de intimação que oportunizasse à interessada a produção de prova quanto à existência e ao montante do crédito alegado. Sintética fundamentação exposta no quadro 3 do decisum elucida que o resultado decorreu – apenas – da transmissão da DCOMP sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante de COFINS a pagar naquela competência e efetuado regularmente o recolhimento correspectivo, o sujeito passivo refez os cálculos da base Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17294.DAWF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900370/2008-35 Resolução n.º 3403-00.132 S3-C4T3 Fl. 175 2 imponível do tributo e verificou ter promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o suposto excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação da própria COFINS de outubro de 2003. Irresignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 8/12). Falando pela primeira vez nos autos, relatou que o indébito provinha do equívoco de ter inicialmente acrescido à base de cálculo do tributo a receita de venda de energia elétrica a sociedades de economia mista antes que o respectivo recebimento se desse, conforme lhe facultava o artigo 7 o , da Lei no. 9.718/98. Trouxe aos autos a DCTF retificada posteriormente à intimação do despacho decisório e também a DIPJ relativa ao ano-calendário do fato gerador e tempestivamente entregue, na qual, segundo afirma, teria informado corretamente o tributo devido. Mais importante que isso, porém, advogou infração aos princípios da verdade material e do formalismo moderado no procedimento da autoridade preparadora, eis que, realmente, a negativa veio antes que a existência e o montante do crédito fossem minimamente investigados. Sobreveio, na sequência, aresto da DRJ-Belém/PA desprovendo a manifestação de inconformidade (fls. 97/100). Repetiu-se o fundamento do despacho decisório, acrescentando-se, ainda, que o sujeito passivo, tendo tido a ocasião para documentar a existência do crédito alegado, disperdiçara a oportunidade sem se desincumbir do respectivo ônus. No recurso voluntário manejado, a recorrente, então, procurou detalhar as etapas do procedimento de apuração da base imponível da exação para o período em consideração e, com isso, demonstrar o indébito cujo reconhecimento pretende. Com a peça, trouxe também, além da guia DARF comprobatória do recolhimento supostamente excessivo e das DCTFs original e retificadora, cópia de balancete patrimonial levantado para 30 de outubro de 2003 (fls. 140/152) e de trecho do Livro Razão onde escrituradas operações do período (fls. 153/154). Eis, em síntese, o relatório. Voto Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. Não é de boa técnica que a proposta de conversão do julgamento em diligência antecipe o enfrentamento de questões que, a rigor, serão melhor examinadas quando do retorno dos autos. É por esta razão que entendo mais apropriado expor, aqui, somente o necessário a justificar, perante meus pares, a solução que venho lhes apresentar. Mesmo assim, alguma discussão de caráter procedimental é indispensável – e dela não me furtarei – confortável quanto à permissão regimental de que estes mesmos temas sejam novamente debatidos por ocasião da conclusão do julgamento (artigo 63, §6 o , Anexo II, Portaria MF no. 256/2009). Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17294.DAWF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900370/2008-35 Resolução n.º 3403-00.132 S3-C4T3 Fl. 176 3 O objeto central dos processos administrativo-fiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório de fls. 6, vigorava a IN/SRF no. 600/05, cujo artigo 3 o estabelecia: “Art. 3o. (...) §1o A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. §2 o . Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à SRF procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. §3o. Tratando-se de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do Programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o §2o serão apresentados à SRF após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido.” De ordinário, portanto, a declaração de compensação será transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. O importante é que, dadas as especificidades destas alternativas, apenas no último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório. Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico – a exemplo do caso dos autos – competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova. Daí porque, o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. E se esta imperfeição procedimental não é drástica o bastante para nulificar a decisão, é um elemento a considerar na aplicação, contra o contribuinte, das regras relativas à preclusão da prova. A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17294.DAWF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900370/2008-35 Resolução n.º 3403-00.132 S3-C4T3 Fl. 177 4 Distancia-se do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3 a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF no. 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Com amparo no artigo 16, do Decreto no. 70.235/72, poder-se-ia argumentar que, mesmo privada de oportunidade instrutória prévia ao despacho decisório, a recorrente poderia ter se desincumbido do ônus quando da manifestação de inconformidade e que, in casu, teria desperdiçado a chance deixando de produzir documentos contábeis que apenas vieram aos autos com o recurso voluntário. Diante do fundamento em que escorado o despacho decisório – não retificação da DCTF – a manifestação de inconformidade o atacou precipuamente (não exclusivamente) sob a perspectiva da infração à verdade material e, pois, com argumentos de natureza procedimental. E sendo este o contexto, mais do que demonstrar a existência do crédito, competia à recorrente convencer da própria prescindibilidade da prévia retificação. Esse, afinal, o principal objeto controvertido até então. De acordo com o processualista Moacyr Amaral Santos, um dos propósitos mais importantes em se estabelecer fases ou prazos apropriados à produção de documentos “é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecê-los em juízo” (Prova judiciária no Cível e Comercial, vol.4, São Paulo: Max Limonad, 1972, p. 416). Não vislumbro, na conduta processual da recorrente, indícios de semelhante intenção. De mais a mais, as provas carreadas aos autos com o recurso voluntário – provenientes da escrituração contábil da pessoa jurídica – se conhecidas, podem conferir ao julgamento níveis de certeza quanto aos fatos em debate que tanto a DRF/Porto Velho como a DRJ-Belém estiveram longe de obter. É em consideração à verdade material e por não estar convencido dos motivos da não-homologação nestas instâncias decisórias que proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que, partindo dos documentos carreados aos autos pela recorrente, as seguintes perguntas sejam respondidas: (a) a escrituração contábil da recorrente reveste-se das formalidades aplicáveis? Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17294.DAWF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900370/2008-35 Resolução n.º 3403-00.132 S3-C4T3 Fl. 178 5 (b) a partir da escrituração contábil do período (outubro/2003), em quanto monta a base de cálculo da exação? Que natureza (origem) de receitas integram a base de cálculo (venda de energia elétrica, receitas financeiras, etc.)? Quais as exclusões aplicadas? (c) qual a origem da diferença, caso existente, entre a importância recolhida a maior pela recorrente e aquela efetivamente devida, conforme a base de cálculo apurada no item anterior? Qual o montante das vendas, no período, de bens e serviços a empresas públicas e sociedades de economia mista pelas quais a recorrente efetivamente recebeu? (d) as receitas de vendas a empresas públicas e sociedades de economia mista que, ao recalcular o tributo, a recorrente excluiu da respectiva base imponível, foram oferecidas à tributação por ocasião do efetivo recebimento, em períodos de apuração subseqüentes? (e) o crédito determinado no item anterior é suficiente para liquidar por inteiro a compensação realizada? Pede-se à unidade de origem que, colhidas as respostas, elabore relatório circunstanciado, ao qual poderá acrescer informações adicionais que repute relevantes. Após, dê-se vista do relatório à recorrente, facultando-se-lhe manifestação em 30 (trinta) dias, findos os quais retornem os autos para conclusão do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17294.DAWF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011 09:30:18. Documento autenticado digitalmente por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 15/01/2011 e MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.17294.DAWF Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 41C9786EDE303B68AF9F485F5985130C7D4419C3 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10240.900370/2008-35. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.721369/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. DESMUTUALIZAÇÃO. REGISTRO NO ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis até o final do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo - Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou até o encerramento do período seguinte, devem ser registradas no Ativo Circulante.
BASE DE CÁLCULO. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. DESMUTUALIZAÇÃO. VENDA DE AÇÕES. OBJETO SOCIAL. RECEITA BRUTA OPERACIONAL.
Nas pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento, ou seja, a Receita Bruta Operacional. Este conceito abrange as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários como a compra e venda de ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determina-se pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum appellatum.
O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC). No mesmo sentido, o art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007
LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se à Contribuição para o PIS o decidido sobre a COFINS, por se tratar de mesma matéria fática.
Numero da decisão: 3402-009.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido do contribuinte de sobrestar o julgamento do recurso até o trânsito em julgado seja do RE n. 400.479/RJ ou do RE nº 609.096/RS e, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para não conhecer das alegações de (i) contrariedade interna dos lançamentos (tratamento do mesmo fato simultaneamente como ganho de capital e faturamento) e (ii) impossibilidade da exigência de PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios. No mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais de Laurentiis Galkowicz, que davam provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Marcelo Costa Marques DOliveira (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausentes a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Marcelo Costa Marques DOliveira, a conselheira Cynthia Elena de Campos, substituída pelo conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva, e o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo.
Nome do relator: Lázaro Antônio Souza Soares
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DESMUTUALIZAÇÃO. REGISTRO NO ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis até o final do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo - Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou até o encerramento do período seguinte, devem ser registradas no Ativo Circulante. BASE DE CÁLCULO. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. DESMUTUALIZAÇÃO. VENDA DE AÇÕES. OBJETO SOCIAL. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. Nas pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento, ou seja, a Receita Bruta Operacional. Este conceito abrange as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários como a compra e venda de ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determina-se pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum appellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC). No mesmo sentido, o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 69 /2 01 2- 59 Fl. 559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se à Contribuição para o PIS o decidido sobre a COFINS, por se tratar de mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido do contribuinte de sobrestar o julgamento do recurso até o trânsito em julgado seja do RE n. 400.479/RJ ou do RE nº 609.096/RS e, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para não conhecer das alegações de (i) contrariedade interna dos lançamentos (tratamento do mesmo fato simultaneamente como ganho de capital e faturamento) e (ii) impossibilidade da exigência de PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios. No mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais de Laurentiis Galkowicz, que davam provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Marcelo Costa Marques D’Oliveira (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausentes a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Marcelo Costa Marques D’Oliveira, a conselheira Cynthia Elena de Campos, substituída pelo conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva, e o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o Relatório da DRJ – Rio de Janeiro (DRJ-RJO): Trata o presente processo de autos de infração de Contribuição para o PIS/Pasep e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), decorrentes da falta/insuficiência de recolhimento, com apuração de crédito tributário nos seguintes valores: 1. PIS - valor de R$977.852,54, sendo R$435.217,14 de principal; R$326.412,86 de multa de ofício; e R$216.222,54 de juros de mora, calculados até 11/2012. Fl. 560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 2. Cofins - valor de R$6.017.554,02, sendo R$2.678.259,31 de principal; R$2.008.694,48 de multa de ofício; e R$1.330.600,23 de juros de mora, calculados até 11/2012. O interessado tomou ciência do lançamento em 27/11/2012. Consoante Termo de Verificação Fiscal (fls. 61/66), a autuação em foco decorreu das seguintes razões de fato e de direito apuradas no curso do procedimento fiscal: (grifei) DOS FATOS A pessoa jurídica PLANNER CORRETORA DE VALORES S/A, doravante denominada PLANNER, com sede em São Paulo, conforme Contrato Social em vigor, tem como objeto social a exploração de atividades de negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros. Para operar como corretora na Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo - BM&F, estava obrigada a deter títulos patrimoniais da referida bolsa, entidade que, na ocasião da aquisição dos títulos, era constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos. Em 01.10.2007, como conseqüência do processo de desmutualização da BM&F, por meio de cisão parcial entre outras alterações, transformou a BM&F (associação sem fins lucrativos) em BM&F S/A (sociedade com finalidade lucrativa). Nessa data o valor dos Títulos Patrimoniais da BM&F foi devolvido a seus detentores, por meio de ações da BM&F S/A. Na desmutualização da BM&F, em 01.10.2007, a PLANNER recebeu 4.961.610 ações da BM&F S/A, equivalente a 1 (um) Títulos Patrimonial categoria 'Membro de Compensação, 4.898.015 ações da BM&F S/A, equivalente a um Título Patrimonial categoria 'Corretora de Mercadorias' e mais 10.000 ações da BM&F S/A, equivalente a um Título Patrimonial categoria 'Sócio Efetivo', totalizando 9.869.625 ações, equivalente à R$9.869.625,00. A PLANNER vendeu parte das ações da BM&F S/A nas seguintes datas e valores e auferiu os seguintes ganhos (valores em Reais): De acordo com demonstrativos apresentados, Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), do ano calendário de 2007, o contribuinte recolheu o IRPJ e a CSLL relativos à receita obtida com a venda das ações da BM&F S/A. Porém, considerou a venda das ações como venda de bens do Ativo Permanente excluindo os valores da base de cálculo do PIS a da COFINS, ocorrendo, portanto, a falta de recolhimento dessas contribuições, conforme DACON, pois tais receitas compõem o faturamento do contribuinte. DO DIREITO Conforme já relatado anteriormente, as corretoras estavam obrigadas a deter títulos patrimoniais de emissão da BM&F para operar nas bolsas, que até o processo de desmutualização era constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos. Os Fl. 561DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 títulos patrimoniais eram contabilizados no Ativo Permanente - Outros Investimentos, conforme previsto no Capítulo 1, item 11, subitem 3, parágrafo 3º do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional - COSIF. No processo de desmutualização e conseqüente transformação da associação sem fins lucrativos em sociedade anônima, o entendimento da Receita Federal do Brasil é de que houve a devolução do patrimônio da BM&F para as corretoras associadas na forma de ações da BM&F S/A, conforme Solução de Consulta n° 10/07 - Cosit (ementa publicada no DOU de 30.10.2007). (...) Ocorre, portanto, que com a devolução de patrimônio, as corretoras se tornaram detentoras de ações da nova sociedade anônima BM&F S/A. Tais ações não se confundem com os antigos títulos patrimoniais, que deixaram de existir, são equivalentes, apenas, aos valores de cada título, recebidos como devolução de patrimônio de instituição isenta na data da desmutualização. No caso das ações da BM&F S/A, em 24.10.2007, foi assinado Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da BM&F S/A, em que a PLANNER concordou em alienar 986.963 (novecentos e oitenta e seis mil, novecentos e sessenta e três) ações para um fundo de investimentos integrante do grupo de Private Equity General Atlantic, o que ocorreu em 16.11.2007. Portanto a PLANNER já tinha a intenção de vender parte de suas ações. E em 01.11.2007, foi assinado Termo de Adesão e Procuração, em que a PLANNER aderiu à oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da BM&F S/A, para vender (e vendeu) 3.000.000 (três milhões) ações de sua titularidade. A PLANNER ao alienar as ações que possuía da BM&F S/A obteve lucro, pois vendeu as ações por valor superior ao considerado na data da desmutualização, considerado como valor de custo. Assim sendo, deveria ter recolhido as contribuições do PIS e da COFINS sobre a diferença entre o valor recebido e o custo, por se tratar de receita operacional, pois é resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais, e não deveria ter excluído da base de cálculo de tais contribuições por considerar, erroneamente, como venda de bens do ativo permanente. No regulamento anexo à Resolução n° 1655, de 1989 do Banco Central do Brasil, que disciplina a constituição, organização e o funcionamento das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, em seu artigo 2º, inciso XVII, determina, que a sociedade corretora tem por objeto social comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada a regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência. Desta forma o faturamento das instituições financeiras compreende a totalidade das atividades desenvolvidas em torno do seu objeto social. Conforme o Estatuto Social da PLANNER, artigo 4º, IV, a Sociedade tem como objetivo social: "comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada a regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência". O artigo 17 da Lei n° 4.595/64 traz o conceito legal das empresas do setor financeiro, in verbis: Art. 17. Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de Fl. 562DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparam-se às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. (...) O artigo 2º da Lei n° 9.718 de 1998 definiu que a base de cálculo para o PIS e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento. O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 357.950-9/RS, ao examinar os arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718, de 1998, abaixo transcritos in verbis, considerou inconstitucional apenas o § 1º do art. 3º, estando em desacordo, portanto, apenas a expansão da base de cálculo das contribuições em questão. Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...) A declaração de inconstitucionalidade do § 1º, art. 3º, da lei 9718/98 não implica que as receitas financeiras das instituições financeiras não estão sujeitas ao PIS e COFINS, estando estas compreendidas no conceito de faturamento. No Parecer n° 2.773/07 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - Coordenação Geral de Assuntos Tributários, concluiu-se que "têm-se, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao "plus" contido no § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.950- 9/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada". Portanto a venda das ações da BM&F S/A pela PLANNER deve ser considerada como resultado operacional, integrando o lucro real, pois é atividade empresarial definida em seu objetivo social. Deste modo, impõe-se revisar a base de cálculo do PIS e da COFINS apurada pelo contribuinte para recalcular a base tributável. O valor a ser tributado é, portanto, o representado pelo faturamento/receita operacional total, sem a exclusão dos valores considerados como "Venda de Bens do Ativo Permanente". DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO A apuração da insuficiência de recolhimento do PIS e da COFINS é feita considerando os valores do faturamento. Na determinação das bases de cálculo não são excluídos os valores informados como "Venda de Bens do Ativo Permanente", pois como descrito acima, o rendimento da venda das ações da BM&F S/A é considerado receita operacional. Fl. 563DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Inconformados o autuado apresentou, em 24/12/2012, 02 (duas) impugnações de conteúdos similares, com divergência apenas quanto aos tributos objeto dos lançamentos contestados (Cofins - fls. 106/114 e PIS - fls. 164/172). Alegou, em síntese, que: (grifei) Segundo ainda a narrativa fazendária, a Impugnante procedeu à venda das ações da BM&F para um fundo de investimento, obtendo lucro, o que ensejaria a tributação da contribuição do PIS, sobre a diferença entre o valor recebido e o custo. Em realidade, partiu a fiscalização do pressuposto de que o resultado da venda nada mais é do que receita operacional tributável, motivo pelo qual não poderia, na sua visão, a Impugnante ter excluído da base de cálculo de tal contribuição, por considerar, erroneamente, como venda de ativo permanente. (...) Conforme será demonstrado, o referido auto não merece subsistir, à vista da não subsunção dos fatos ocorridos aos dispositivos legais apontados como violados, de acordo, ainda, com recente posicionamento adotado pelo CARF. Contudo, antes de adentrar no mérito da autuação, sucintamente, a Impugnante tratará do processo de Desmutualização que se verificou nos idos de 2007. DA DESMUTUALIZAÇÃO Até 2007, a BM&F era associação sem fim lucrativo, regida por seu respectivo estatuto e pelo artigo 53 e seguintes do Código Civil, com patrimônio representado por títulos de propriedade detidos pelos associados. Durante aquele ano, a BM&F foi objeto de processo de "desmutualização", assim designada a "transformação" de associações integradas exclusivamente pelos membros registrados em sociedades anônimas; seguida da abertura do capital das companhias resultantes de referida "transformação" para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Fl. 564DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Assim, em 20/09/2007, a BM&F passou pelo referido processo, sendo que os títulos desta entidade foram então substituídos pelas ações da BM&F S.A. Vale salientar que as corretoras de valores mobiliários, para atuarem na BM&F, eram obrigadas a deter títulos patrimoniais das referidas entidades. Outrossim, tais títulos por determinação expressa da COSIF, eram contabilizados na conta de "ativo permanente" das corretoras, ficando sujeitos às atualizações periódicas de acordo com informações fornecidas pela BM&F, com base nas demonstrações financeiras. É consenso na doutrina que o processo de desmutualização, representou, verdadeiramente, cisão da entidade, com a consequente incorporação pela nova Sociedade Anônima, sendo certo que as corretoras tiveram seus títulos substituídos pelas ações das duas novas empresas - caso da impugnante. O Fisco Federal, todavia, passou a alegar a ocorrência do que está previsto no art. 61 do Código Civil, vale dizer: uma dissolução da associação, com consequente ganho de capital da diferença do custo de aquisição e do valor contábil, para justificar a tributação pela contribuição (...). Este entendimento foi emanado na solução de consulta - decisão n° 10/2007 da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação (COSIT), cuja ementa passamos a transcrever: Solução de Consulta 10/07 - COSIT Ementa: OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. O Instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei n° 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei n° 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associações se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei n° 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002). O art. 61 da Lei n° 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa. As sociedades corretoras devem avaliar as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo custo de aquisição. O fato de a operação de "desmutualização" de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores. Como consequência desse raciocínio, o FISCO consolidou o entendimento de que as corretoras, que foram devidamente "restituídas", deveriam ter contabilizado os títulos "devolvidos", com nova roupagem na conta ativo circulante e não no ativo permanente, sem razão, contudo. DA NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA Conforme acima referido, a autuação em apreço está fundamentada no entendimento do FISCO de que o resultado da venda, da Impugnante para terceiros, de ações da BM&F, deveria ter recebido o tratamento contábil de receita operacional, e não de venda de ativo imobilizado (permanente). Isso porque, considera o FISCO que, quando do processo de desmutualização, procedeu as então entidades sem fins lucrativos, à devolução de seu patrimônio para os seus associados, vale dizer: para a Impugnante, de forma que a sua posterior alienação consistiria em receita operacional tributável. Fl. 565DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Ocorre que, diferentemente do sustentado pelo FISCO, não houve a restituição do patrimônio, pela associação, aos seus associados, mas, sim, uma cisão e incorporação do patrimônio da associação, com a troca de títulos por ações, resultando, assim, na extinção das entidades sem fins lucrativos. De fato, na desmutualização, as corretoras percebem mera troca de ativos em decorrência da mudança societária havida: de títulos de associações, passam a ter ações de sociedades. Desta feita, não há que se falar em devolução de capital (não sendo aplicável, portanto, o artigo 17, da Lei n° 9.532/97) ou mesmo alienação desses títulos, como que crer o FISCO. A interpretação do Fisco distorce a premissa, ao não reconhecer a cisão de associação, ensejando a aplicação de regra tributária genérica referente à devolução de patrimônio por entidade isenta. Diferentemente, ao caso em exame, aplica-se o disposto no artigo 2033 do Código Civil, que dispõe que: "Salvo disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem-se desde logo por este Código". O artigo 44 do diploma em referencia, por seu turno, no inciso I, faz menção às associações, de forma que não é defensável excluir as associações da ressalva inicial do artigo. Afirmar que a cisão "só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade", recusando sua aplicação às associações em geral é um gravíssimo erro de direito da Solução de Consulta COSIT 10/2007 que compromete todo o raciocínio subsequente. A cisão é figura jurídica típica e consiste na operação pela qual a pessoa jurídica transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais outras, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a pessoa jurídica cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão (artigo 229 da Lei 6.404/1976). Conforme leciona Modesto Carvalhosa, a cisão não se confunde com a liquidação,"(...), na medida em que a transferência do seu patrimônio se faz diretamente a favor das sociedades dela resultantes. (...) diretamente, o patrimônio da sociedade cindida transfere-se às novas ou inexistentes sociedades, que se tornam sucessoras universais, na exata medida da parcela do patrimônio que lhes é transferida." (Comentários à Lei das Sociedade Anônimas, 4º Vol., São Paulo 2002, 300). Os efeitos da cisão não consistem, pois, na liquidação do investimento, com a devolução da respectiva parcela do patrimônio ao sócio, mas sim na mera transferência, total ou parcial, pelo fenômeno de sucessão a título universal, do investimento preexistente em uma pessoa jurídica para uma ou outras mais. Portanto, dúvidas não há que as regras pertinentes à cisão, incorporação aplicam-se, sim, às entidades sem fins lucrativos, de forma que o que ocorreu na época repita-se, foi apenas a substituição dos títulos por ações, com a concretização das aludidas figuras societárias. Nessa linha de raciocínio, havendo troca de um título de uma entidade que deixou de existir, por extinção da própria associação, por um título de participação societária de Fl. 566DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 uma sociedade anônima, que passou a existir, dúvidas não há que onde antes havia títulos, passou a haver ações, em substituição, inclusive para efeito de escrituração contábil, vale dizer, na conta de ativo permanente. Não é demais relembrar: para a atuação no mercado de capitais, as corretoras eram obrigadas a adquirir os títulos patrimoniais das Bolsas, regidas, então, sob a forma de associação. O mercado para tais títulos, portanto, era ilíquido, na medida em que a corretora só se desfazia dos mesmos quando fosse deixar de exercer a sua atividade. Não há dúvida, nessa medida, quanto ao caráter de permanência da aquisição desses títulos. Sua contabilização se dava, portanto e de forma inconteste, em conta de Ativo Permanente e, portanto, as ações que foram recebidas em troca também ficaram lá. A mudança na intenção de venda não justifica a reclassificação, senão nunca haveria venda de ativo permanente! Por todo o exposto, os títulos "transformados" em ações estavam registrados em seu ativo permanente e, portanto, os valores auferidos com a alienação não estariam sujeitos à incidência das referidas contribuições. Nesse sentido é a recente decisão do CARF. Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pelas segunda - evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (16327.000209/2010-19, Data de Publicação: 19/11/2012). DO PEDIDO Por todo o exposto, requer seja a presente impugnação julgada procedente para o fim de decretar a nulidade do presente auto infração, com base nas razões acima referidas. Requer seja deferida a produção de todos os meios em prova admitidos em direito, sobretudo a juntada de novos documentos. Em 18/11/2014, peticionou às fls. 327/343 a fim de complementar a sua defesa. Contudo, como veremos a seguir, operou-se os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação às provas documentais apresentadas em outro momento processual que não seja ao da impugnação. Desta forma, deixou-se de considerar, no presente julgado, a referida petição. É o relatório. A 17ª Turma da DRJ-RJO, em sessão datada de 03/01/2018, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. Foi exarado o Acórdão nº 12-95.304, às fls. 348/372, com a seguinte ementa: Fl. 567DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 CORRETORA DE TÍTULOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de títulos. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. O objeto social da sociedade corretora é a subscrição de emissões de títulos e valores mobiliários para revenda, e a compra e venda de títulos e valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa de desmutualização das Bolsas de Valores, implica no reconhecimento de receita operacional, integrante do faturamento e tributável pelo PIS e COFINS, nos termos do art. 2o e 3o da Lei nº 9.718/98. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. Classificam-se no Ativo Circulante os direitos cuja realização se pretenda que ocorra no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Negociados até o exercício seguinte ao da aquisição, impõe-se a classificação dos títulos no Ativo Circulante, hipótese na qual o faturamento obtido deve ser incluído na base de cálculo das contribuições sociais. MOMENTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. No processo de desmutualização das bolsas, ante a impossibilidade jurídica da ocorrência de cisão das associações civis seguida de incorporação dos patrimônios cindidos pelas sociedades comerciais, considera-se que houve uma devolução de capital promovido pelas associações seguida de subscrição de capital nas novas companhias mediante emissão de ações. Assim, o momento de aquisição destas ações remete à data da desmutualização. LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se à Contribuição para o PIS o decidido sobre a COFINS, por se tratar de mesma matéria fática. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. Na medida em que a prova documental deve ser apresentada quando da interposição da impugnação, que não foi comprovada a ocorrência de qualquer uma das hipóteses legais que justificasse a apresentação de documentação em momento processual posterior ao da impugnação, e que o pedido de juntada de novos documentos aos autos, para ser viável, deve vir acompanhado dos documentos cuja juntada pretende-se seja realizada, fato não verificado até o momento do presente julgamento, e, ainda, sendo prerrogativa da Autoridade Julgadora de 1ª instância indeferir a realização de diligências ou perícias, quando considerá-las prescindíveis ou impraticáveis, é de se rejeitar o pedido de produção de provas, em especial a de prova documental, formulado no desfecho da peça impugnatória. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ-RJO em 16/01/2018 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 377), apresentou Fl. 568DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Recurso Voluntário em 15/02/2018, às fls. 380/400, repisando, basicamente, as mesmas alegações da Impugnação. Em 24/04/2018 a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche parcialmente as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento apenas em parte. I – DA ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE FATURAMENTO. DA ALEGAÇÃO DE QUE AS AÇÕES RECEBIDAS A PARTIR DA “DESMUTUALIZAÇÃO” REPRESENTAM NEGÓCIO RELACIONADO AO CAPITAL PRÓPRIO E NÃO CONFIGURAM SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL. Alega o Recorrente que a autuação não pode prevalecer tendo em vista que a base de cálculo das contribuições, no sistema cumulativo, não compreende a negociação de valores mobiliários. Referida base de cálculo seria limitada ao faturamento, o qual congrega, em seu entender, apenas as receitas originárias da venda de mercadorias e da prestação de serviços, atividades inconfundíveis com a obtenção de receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios ou de terceiros no mercado financeiro e aquelas decorrentes da alienação de participação societária, a exemplo daquelas sobre as quais recaem as cobranças objeto deste processo fiscal. Prossegue sustentando que ações de companhia de capital aberto (no caso, da BM&F S/A), nos termos do artigo 2º, inciso I, da Lei 6.385/76, têm a natureza jurídica de valores mobiliários. Assim, a alienação em objeto não configura uma venda de mercadorias, a qual pressupõe, necessariamente, a comercialização de um bem corpóreo, e também não caracteriza a prestação de um serviço, uma vez que não envolve uma obrigação de fazer (característica intrínseca e indissociável da atividade de serviço). Afirma que, após amplo debate no Plenário da Corte Superior, ficou decidido que faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, sendo inconstitucional a ampliação do “conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”, como previu o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98. Narra que, na ocasião, o Ministro Cezar Peluso, parcialmente vencido no julgamento, reconheceu que a jurisprudência do STF, exposta na ADC nº 1 (Rel. Min. Moreira Alves, DJ 16.06.95), fixou esse mesmo conceito de faturamento. Ao final de seu voto, porém, o Ministro Cezar Peluso entendeu que faturamento deveria ser entendido, não só como “receita Fl. 569DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”, mas, também, como a “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Contudo, analisando as recentes decisões do STF, do STJ e dos Tribunais Regionais Federais, verifico que o entendimento do Poder Judiciário sobre a matéria é oposto ao do Recorrente. Com efeito, apesar deste tema ser objeto do RE 400.479-AgR-ED/RJ, que desde 20/10/2016 se encontra com vista ao Ministro Ricardo Lewandowski (a 2ª Turma do STF, em 25/09/2007, decidiu afetar ao Plenário este julgamento, no qual será discutida a incidência das contribuições para o PIS e COFINS sobre as receitas oriundas dos contratos de seguro e o conceito de “faturamento”), e do RE 609.096-RG/RS (concluso ao Relator em 14/10/2020, no qual será discutida a “exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras”, Tema 372) já existem inúmeras decisões no sentido de que a definição precisa de faturamento consiste na receita obtida em razão do desenvolvimento das atividades que constituem o objeto social da empresa, como pode ser constatado nos seguintes precedentes: a) Recurso Extraordinário com Agravo nº 1.270.374/RJ, Relator Min. Alexandre de Moraes, Publicação em 21/08/2020: (...) É o relatório. Decido. (...) Além disso, a controvérsia foi decidida com base na legislação ordinária pertinente (Lei 9.718/1998), conforme se verifica dos seguintes trechos do voto condutor do acórdão recorrido (Vol. 7, fls. 57-60): “Desde o julgamento da ADC n° 1-1/DF, o STF já havia firmado entendimento no sentido de inexistir equivalência entre os conceitos de faturamento e receita bruta. Porém, o fato de não ter aplicabilidade o conceito de faturamento trazido pelo art. 3°, § 1° da Lei n° 9.718/98, de maneira alguma, deve dar margem à conclusão de que as empresas que não se enquadrassem como comerciantes ou prestadoras de serviço estariam fora do âmbito de incidência da COFINS e do PIS, sob o argumento de que tais exações incidem apenas sobre o faturamento mensal, assim considerada apenas a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços, de modo a não abranger as receitas financeiras auferidas. O entendimento acerca do conceito de faturamento como sendo a receita bruta decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços foi firmada, no STF, com base em julgamentos que se referiam ao FINSOCIAL das empresas comerciais, mercantis e mistas, tendo sido a noção de faturamento aferida, portanto, com relação às empresas dessa natureza. De todo modo, a definição precisa de faturamento consiste na receita obtida em razão do desenvolvimento das atividades que constituem o objeto social da empresa. Esse foi o sentido em que se manifestou o Eminente Ministro Cezar Peluso, no RE 346.084: […] Fl. 570DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 O STF, no julgamento do recurso extraordinário em comento, julgou inconstitucional apenas o § 1° do art. 3° da Lei, mantendo incólumes o art. 2° e o caput do art. 3°, que assim versam: (...) Assim, as contribuições PIS e COFINS continuam a incidir sobre o faturamento, entendido como receita bruta da pessoa jurídica. Essa receita bruta, porém, não pode mais ser considerada como todo o montante que ingressa no patrimônio da pessoa jurídica, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei. Fica então a questão sobre qual é a hipótese de incidência do PIS e da COFINS - sobre qual tipo de receita bruta elas incidem. Como dito, a jurisprudência firme do STF definiu o faturamento, dentro de exame circunscrito a empresas mercantis e prestadoras de serviços, como a receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou de serviços. Ou seja, tal conceito abarca, justamente, a receita bruta obtida com o desenvolvimento da atividade social das pessoas jurídicas que estavam compreendidas na análise - empresas prestadoras de serviços e mercantis. Trazendo o conceito, portanto, para um universo maior de empresas, ou seja, abarcando todo o tipo de pessoa jurídica, qualquer que seja seu objeto social, logicamente a definição de faturamento deverá ser mais ampla, sob pena de, partindo-se de premissa errada, chegar-se à absurda conclusão de que as demais empresas não possuem faturamento. Assim, se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento". Conclui-se, pois, na esteira do sustentado pelo Colendo STF, que o conceito de faturamento equivale ao de receita operacional. Esse entendimento decorre do fato de que a receita bruta (faturamento) é a receita obtida com a venda de mercadorias ou com a prestação de serviços, para as empresas mercantis e prestadoras de serviços, ou seja, a receita bruta obtida com a atividade empresarial típica, segundo o seu objeto social, para as demais empresas. Esse raciocínio encontra respaldo, ademais, no princípio da solidariedade no custeio da Seguridade Social, constante do art. 195 da CF/88, que estipula que "a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais". Desse modo, somente em relação às contribuições incidentes sobre as receitas não - operacionais da autora é que se revela indevida a incidência para a COFINS/PIS, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título.” Trata-se de matéria situada no contexto normativo infraconstitucional, de forma que as alegadas ofensas à Constituição seriam meramente indiretas (ou mediatas), o que inviabiliza o conhecimento do referido apelo. Por fim, a argumentação recursal traz versão dos fatos diversa da exposta no acórdão, de modo que o acolhimento do recurso passa necessariamente pela revisão das provas. Incide, portanto, o óbice da Súmula 279 desta CORTE: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. Fl. 571DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Diante do exposto, com base no art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, NEGO SEGUIMENTO AO AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. b) Recurso Extraordinário nº 867.694/CE, Relator Min. Dias Toffoli, Publicação em 10/05/2017: (...) Decido. Afasto o sobrestamento antes determinado e passo à análise do recurso com base na jurisprudência da Corte. A irresignação não merece prosperar. Sobre o conceito de faturamento, tradicionalmente, o STF não se debruçava sobre ele no que se refere às receitas que devem ou não integrá-lo. A partir do julgamento que declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei nº 9.718/98, diversos questionamentos surgiram, notadamente em face das receitas auferidas por instituições financeiras e equiparadas. Daí que, em diversos precedentes, o STF passou a esclarecer o conceito de faturamento, construído sobretudo no RE nº 150.755, sob a expressão receita bruta de venda de mercadorias ou de prestação de serviços, querendo significar que tal conceito está ligado à ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se incluem as receitas resultantes do exercício de atividades empresariais típicas. O Ministro Cezar Peluso, em seu voto nos RE nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, em nenhum momento defende uma acepção restrita do conceito de faturamento. Sua excelência sempre defendeu a acomodação prática do conceito legal do termo faturamento, estampado na Constituição, às exigências históricas da evolução da atividade empresarial. Nesse sentido é que, na jurisprudência do Supremo Tribunal, os salários e encargos sociais e trabalhistas reembolsados às empresas de trabalho temporário ou às prestadoras de serviços terceirizados integram a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (RE nº 683.334, AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski , DJe de 13/8/12; AI nº 857.624/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia , DJe de 8/2/13; AI nº 860.933/PR-AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux , DJe de 9/12/15; ARE nº 956.862/SP, Rel. Min. Celso de Mello , DJe de 31/5/16). No mesmo sentido, ambas as Turmas têm decidido, quanto à taxa de administração de cartão de crédito, ser essa um custo operacional que o estabelecimento comercial paga à administradora, a qual não estaria inclusa nas exceções legais que permitem subtrair verbas da base de cálculo da COFINS e do PIS. (RE nº 959.162/SC, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello , DJe de 25/10/16; ARE nº 813.397/PE-AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux , DJe de 12/11/16; RE nº 813.061/RS-AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber , DJe de 19/2/15. No caso dos autos, o Tribunal de origem consignou que a receitas relativas à correção monetária, juros e multa de mora decorrentes da venda de imóveis decorrem da atividade empresarial da incorporação imobiliária e da construção Fl. 572DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 civil, restando claro que seriam compatíveis com o conceito de faturamento, o que está conforme a orientação da Corte. Além do mais, em casos como o presente, os Ministros da Corte têm concluído pela necessidade de reanálise da causa à luz da legislação infraconstitucional e do conjunto fático e probatório, com vistas a aferir especificamente o enquadramento das atividades empresariais desenvolvidas na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse sentido: (...) Ante o exposto, nos termos do artigo 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, nego seguimento ao recurso. c) Emb. Decl. no Recurso Extraordinário com Agravo nº 1.218.326/SP, Relator Min. Luiz Fux, Publicação em 05/11/2019: (...) É o relatório. DECIDO. Não merecem acolhida as pretensões da parte embargante. (...) In casu, a decisão hostilizada assentou que a conclusão do acórdão recorrido não divergiu da jurisprudência desta Corte, consoante tese firmada no julgamento do RE 585.235-QO-RG, no sentido da “inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98”, uma vez que o acórdão recorrido “afastou a incidência do PIS/COFINS sobre receitas que não aquelas caracterizadas como receita bruta operacional – nulificando parte da cobrança administrativa”. (...) Demais disso, partindo das premissas assentadas pelo Tribunal a quo, verifica-se que o acórdão recorrido não divergiu da orientação firmada por esta Corte, de que “receita bruta” e “faturamento” são termos considerados equivalentes para fins tributários e expressam a totalidade das receitas percebidas pelo contribuinte com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, ou seja, consistem na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Nesse contexto, não se verifica nenhuma das hipóteses ensejadoras dos embargos de declaração, eis que a decisão embargada, não tendo partido de premissas equivocadas, apreciou as questões suscitadas no recurso extraordinário de maneira clara e coerente, em consonância com a jurisprudência pertinente. (...) Ex positis, DESPROVEJO os embargos. d) Recurso Extraordinário nº 853.463/PE, Relator Min. Roberto Barroso, Publicação em 28/05/2015: Fl. 573DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 A pretensão não merece acolhida. Segundo a jurisprudência firmado nesta Corte, a mera alegação de que os valores em questão são repassados a terceiros não é suficiente para afastar o conceito de faturamento previsto no art. 195, I, da Constituição Federal. Isso porque o enquadramento de determinada receita como faturamento, para fins de incidência do Pis/Cofins, não depende de sua destinação, mas do fato de a receita decorrer do exercício das atividades empresariais. Nessas circunstâncias, o Tribunal assentou o entendimento de que a receita bruta e o faturamento, para fins de definição da base de cálculo para a incidência do Pis e da Cofins, são termos sinônimos e consistem na totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Nessa linha, veja-se ementa do RE 816.363-AgR, julgado sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski: (...) No que tange especificamente à taxa de administração de cartão de crédito, o Ministro Celso de Mello, no autos do RE 744.449/RS, consignou que “o valor da taxa de administração cobrado pelas operadoras de cartão de crédito/débito constitui despesa operacional e integra a receita obtida pela pessoa jurídica com a venda do produto/serviço, ainda que tal percentual fique retido pela operadora no repasse do valor da operação.”. (...) Diante do exposto, com base no art. 557 do CPC e no art. 21, § 1º, do RI/STF, nego seguimento ao recurso. e) Recurso Extraordinário nº 635.443/ES, Relator Min. Dias Toffoli, Publicação em 14/05/2020: No que se refere à incidência do PIS e da COFINS, tributos de competência da União, as orientações da Corte acerca do propósito negocial que subsidiou a operação que trouxe bens ou mercadorias ao território nacional também são determinantes na análise do pressuposto de fato necessário à ocorrência do fato gerador dessas contribuições. Em diversos julgamentos, o Supremo Tribunal Federal passou a entender o conceito de faturamento, construído sobretudo no RE nº 150.755/PE, como a receita bruta auferida de venda de mercadorias e prestação de serviços, de modo a relacioná-lo à ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas. Por isso, o Ministro Cezar Peluso já alertava ser preciso cotejar a modalidade de receita com o tipo de empresa que a aufere para determinar se a receita integra o faturamento da empresa por conta da correlação com os objetivos sociais dessa (RE nº 400.479/RJ- AgR-ED). f) Recurso Extraordinário nº 1.203.682/RJ, Relator Min. Gilmar Mendes, Publicação em 03/06/2020: (...) É o relatório. Decido. O recurso não merece prosperar. Fl. 574DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Na hipótese, verifico que o Tribunal de origem, ao examinar a legislação infraconstitucional aplicável à espécie (Lei 9.718/98, Lei 8.987/9 e Lei 9.472/975) e o conjunto probatório constante dos autos, consignou a legitimidade da tributação sobre o faturamento/receita bruta da parte recorrente. Nesse sentido, extrai-se o seguinte trecho do acórdão impugnado: “O cerne da controvérsia reside em saber se o valor percebido pela apelante pelo uso da estrutura de terceiros pode ser tributado, caracterizando receita, a incidir as contribuições para o PIS e para a COFINS. Diz a recorrente que os valores que recebe de seus usuários em razão da co-prestação de serviços de telefonia representam meros ingressos que transitam por sua conta, a serem repassados futuramente a terceiros. (…) Em suma, a recorrente aventa ser hipótese de não incidência, por não se tratar de receita, não se amoldando o ingresso ao prescrito no artigo 195, inciso 1, alínea "b", da Constituição de 1988. Malgrado assim divise, a realidade orienta diversamente. (…) Faturamento, assim, deve ser tomado como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, que seria formalidade exigida unicamente nas vendas mercantis a prazo, segundo o artigo 1°, da Lei 187/36, tal como considerando pelo Ministro Moreira Alves em seu voto, por ocasião do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1-DF, quando apreciada a constitucionalidade da Lei Complementar n° 70/91, que trata da COFINS. (…) Estabelecido que faturamento importa no total das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada, passa-se a verificar se os valores percebidos pela apelante constituem ou não receita passível de se enquadrar no conceito de faturamento, com consequente incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, ou se importa em mero ingresso de valores de terceiros, a serem oportunamente repassados, a caracterizar hipótese de não incidência. E, não obstante a impetrante persevere na ideia de que os valores que paga à operadora em que finalizada a chamada fora da sua região represente mero ingresso, a realidade orienta diversamente, pois é receita, traduzindo-se em faturamento. Não se trata de receita de terceiros, mas de receita própria, com a qual remunera terceiro pela utilização dessa estrutura, remuneração caracterizada como custo operacional. Pensar diversamente importaria, como salientado na sentença, em confundir receita com lucro. (...) Interessante que um dos argumentos da apelante se calca na ideia que ‘não há como se considerar os valores que ingressam na contabilidade de uma empresa unicamente para serem repassados a terceiros (passivos) como receita própria do contribuinte, pois esse valor não se agrega ao seu patrimônio’. É de clareza solar que tais ingressos no caixa da empresa representam receitas passíveis da incidência de PIS e COFINS, por representarem o seu faturamento, agregando efetivamente a seu patrimônio, com a exclusão posterior dos custos. (...) Fl. 575DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Pensar diferentemente representa a exclusão de todo e qualquer custo integrante dos serviços prestados do faturamento da impetrante, seja aquele relativo à aquisição, exemplificativamente, de cabos para as redes, ou os serviços terceirizados. Dentro dessa perspectiva, incidem as contribuições sobre o faturamento da impetrante, ainda que este agregue valores relativos aos seus custos, inclusive os serviços prestados por terceiros para a finalização das chamadas de seus usuários, os destinatários finais dos preços nos quais embutido o valor das contribuições”. (eDOC 36, p. 90-101) Assim, verifica-se que a matéria debatida pelo Tribunal de origem restringe-se ao âmbito infraconstitucional, de modo que a ofensa à Constituição, se existente, seria reflexa ou indireta, o que inviabiliza o processamento do presente recurso. Além disso, divergir desse entendimento demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório, providência inviável no âmbito do recurso extraordinário. Nesses termos, incide no caso a Súmula 279 do Supremo Tribunal Federal. (...) Ante o exposto, nego seguimento ao recurso (artigo 932, VIII, do CPC, c/c art. 21, §1º, do RISTF) e, tendo em vista tratar-se de mandado de segurança na origem, deixo de aplicar o disposto no § 11 do art. 85 do CPC, em virtude do art. 25 da Lei 12.016/2009. Seguindo o entendimento pacífico do STF, faz-se necessário verificar quais as atividades empresariais típicas do Recorrente. Para tanto, é possível valer-se do art. 4º do Estatuto Social da empresa, às fls. 13/14 (ressaltando que o fato de uma empresa não indicar determinada atividade em seu contrato social/estatuto social não impede que ela seja típica, se tal condição for verificada a partir dos negócios efetivamente conduzidos por esta empresa, até mesmo por aplicação do Princípio da Verdade Material): Artigo 4° - A Sociedade terá por objetivo social: I. Operar em recinto ou em sistema mantido por Bolsa de Valores; II. Subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; III. Intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; IV. Comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada a regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; V. Encarregar-se da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários; VI. Incumbir-se da subscrição, da transferência e da autenticação de endossos, de desdobramento de cautelas, de recebimento e pagamento de resgates, juros e outros proventos de títulos e valores mobiliários; VII. Exercer funções de agente fiduciário; VIII. Instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento; IX. Constituir sociedade de investimento - capital estrangeiro e administrar a respectiva carteira de títulos e valores mobiliários; X. Exercer as funções de agente emissor de certificados e manter serviços de ações escriturais; Fl. 576DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 XI. Emitir certificados de depósito de ações; XII. Intermediar operações no mercado de câmbio, inclusive por meio de sistemas de negociação de ativos autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários, abrangendo ambiente de pregão viva voz; XIII. Praticar operações no mercado de câmbio; XIV. Praticar operações de conta margem, conforme regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários; XV. Realizar operações compromissadas; XVI. Praticar operações de compra e venda de meteis preciosos, no mercado físico, por conta própria e de terceiros, nos termos da regulamentação baixada pelo Banco Central do Brasil; XVII. Operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; XVIII. Prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica, em operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais; e XIX. Exercer outras atividades expressamente autorizadas, em conjunto, pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários. Resta, então, verificar qual a atividade efetivamente praticada pelo Recorrente e que a Autoridade Fazendária entendeu ser tributável pelo PIS/Cofins. Para tanto, vejamos o que consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 61/63: Em 01.10.2007, como conseqüência do processo de desmutualização da BM&F, por meio de cisão parcial entre outras alterações, transformou a BM&F (associação sem fins lucrativos) em BM&F S/A (sociedade com finalidade lucrativa). Nessa data o valor dos Títulos Patrimoniais da BM&F foi devolvido a seus detentores, por meio de ações da BM&F S/A. Na desmutualização da BM&F, em 01.10.2007, a PLANNER recebeu 4.961.610 ações da BM&F S/A, equivalente a 1 (um) Títulos Patrimonial categoria 'Membro de Compensação, 4.898.015 ações da BM&F S/A, equivalente a um Título Patrimonial categoria 'Corretora de Mercadorias' e mais 10.000 ações da BM&F S/A, equivalente a um Título Patrimonial categoria 'Sócio Efetivo', totalizando 9.869.625 ações, equivalente à R$9.869.625,00. A PLANNER vendeu parte das ações da BM&F S/A nas seguintes datas e valores e auferiu os seguintes ganhos (valores em Reais): (...) De acordo com demonstrativos apresentados, Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), do ano calendário de 2007, o contribuinte recolheu o IRPJ e a CSLL relativos à receita obtida com a venda das ações da BM&F S/A. Porém, considerou a venda das ações como venda de bens do Ativo Permanente excluindo os valores da base de cálculo do PIS a da COFINS, ocorrendo, portanto, a falta de recolhimento dessas contribuições, conforme DACON, pois tais receitas compõem o faturamento do contribuinte. (...) Fl. 577DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Ocorre, portanto, que com a devolução de patrimônio, as corretoras se tornaram detentoras de ações da nova sociedade anônima BM&F S/A. Tais ações não se confundem com os antigos títulos patrimoniais, que deixaram de existir, são equivalentes, apenas, aos valores de cada título, recebidos como devolução de patrimônio de instituição isenta na data da desmutualização. No caso das ações da BM&F S/A, em 24.10.2007, foi assinado Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da BM&F S/A, em que a PLANNER concordou em alienar 986.963 (novecentos e oitenta e seis mil, novecentos e sessenta e três) ações para um fundo de investimentos integrante do grupo de Private Equity General Atlantic, o que ocorreu em 16.11.2007. Portanto a PLANNER já tinha a intenção de vender parte de suas ações. E, em 01.11.2007, foi assinado Termo de Adesão e Procuração, em que a PLANNER aderiu à oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da BM&F S/A, para vender (e vendeu) 3.000.000 (três milhões) ações de sua titularidade. A PLANNER ao alienar as ações que possuía da BM&F S/A obteve lucro, pois vendeu as ações por valor superior ao considerado na data da desmutualização, considerado como valor de custo. Assim sendo, deveria ter recolhido as contribuições do PIS e da COFINS sobre a diferença entre o valor recebido e o custo, por se tratar de receita operacional, pois é resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais, e não deveria ter excluído da base de cálculo de tais contribuições por considerar, erroneamente, como venda de bens do ativo permanente. Logo, verifica-se de imediato que os valores originados da operação descrita acima se caracterizam como receita operacional do Recorrente, pois derivadas de sua atividade empresarial típica, nos termos delimitados pelo STF, e dessa forma devem ser tributados pelo PIS e pela COFINS. Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido de cancelamento dos autos de infração com base neste fundamento. II – DA ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE RECEITA OPERACIONAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES DA BM&F - DA ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES POR ENVOLVER ALIENAÇÃO DE ATIVO PERMANENTE O Recorrente alega que devem ser afastadas as exigências de PIS e COFINS decorrentes da alienação das ações da BM&F S/A por envolverem receitas isentas destas contribuições, conforme prevê o artigo 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98 - alienação de bens do ativo permanente, e em função do que prevê a Lei das S/A, em seu art. 179, III, que classifica como investimentos, no grupo do ativo não circulante (antigo imobilizado) “as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de quaisquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade companhia ou da empresa”. Sustenta que não se pode confundir os ativos originários de inversões de capital fixas feitas pela pessoa jurídica sem perspectiva imediata de negociação com aquelas adquiridas e revendidas no curso do regular desenvolvimento dos seus negócios. Em seu entender, o fato de a Recorrente ter como atividade econômica a compra e venda de títulos e valores mobiliários não faz com que quaisquer papéis de sua propriedade, quando adquiridos e alienados, sejam necessariamente tratados como resultados operacionais. Fl. 578DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 A participação societária na sucessora da associação que conduzia os negócios financeiros distingue-se dos mais variados papéis de companhias de capital aberto comprados e revendidos rotineiramente no mercado pelo Impugnante. São três as razões que conduzem à referida conclusão: - Em primeiro lugar, porque sua aquisição se deu em nome próprio e com recursos exclusivos da Recorrente. Não se confundem, assim, com as ações em geral adquiridas por conta e ordem dos seus clientes ou até mesmo em nome próprio, porém, com o objetivo exclusivamente financeiro, mediante busca da melhor forma de remunerar o capital investido. Aliás, justamente por se tratar de participação institucional (e não temporária e especulativa), em que a Recorrente atua como acionista ativo e dirigente (e não como mera acionista de capital), é que se justifica a sua avaliação pelo método de equivalência patrimonial; - Por segundo, em razão de a substituição dos papéis da BM&F S/A ter se dado em consequência de negócio que não modificou a continuidade na sua propriedade. De fato, a investida pela Recorrente era associação da qual detinha título patrimonial. Daí fica nítido que a Recorrente não tinha por objetivo a propriedade provisória da participação em análise (característica presente nas compras de ações feitas na sua atividade operacional), mas sim a detinha institucionalmente e continuou a assim fazer com o lote de ações que manteve; - Em terceiro lugar, há que se considerar como data de aquisição, a fim de avaliar a permanência do investimento, o momento de obtenção do título patrimonial para a operação na então Associação BM&F, e não a data em que ocorrida a “desmutualização” (agosto/2007), que deu origem à BM&F S/A. Afirma que a conclusão é mandatória, uma vez que esta foi constituída por cisão, operação por meio da qual o próprio Fisco considera inexistir alienação e nova aquisição e o seu objetivo foi que a BM&F S/A simplesmente sucedesse à Associação BM&F em tudo o que diz respeito às operações relacionadas com títulos e valores mobiliários futuros realizados pela cindida, num mero transpasse patrimonial de uma pessoa jurídica a outra. Disso resultaria que a data para fins de aquisição deve ser o momento no passado longínquo em que se deu a obtenção do título patrimonial e que, em tal momento, era indubitável o caráter de permanência da propriedade, tanto que remanesceu por anos com a Recorrente. Todas as matérias alegadas pelo Recorrente já foram objeto de análise neste Conselho em quase 2 dezenas de julgamento nos últimos 3 anos. O tema da “desmutualização” das participações na antiga associação sem fins lucrativos BM&F, com a substituição de títulos desta por ações na nova empresa, BM&F S/A, criada como sociedade de quotas por ações, já é inclusive objeto de Súmula deste CARF. Fazendo um levantamento de todas estas decisões, verifico que o entendimento da matéria já se encontra consolidado em âmbito administrativo. Assim sendo, adoto como fundamento da minha decisão as razões explicitadas em recente voto do conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no Acórdão nº 9303-010.691, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão datada de 16/09/2020, por refletirem o meu entendimento pessoal sobre o tema: Fl. 579DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 O tema não é novo nesta Câmara, e foi analisado, nos dois últimos anos, por mais de uma dezena de vezes, tendo prevalecido o entendimento de que se classificam no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, e de que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano e/ou meses após o seu recebimento ou até o encerramento do período seguinte, devem ser registradas no Ativo Circulante: (...) Atuei como relator nesses dois últimos acórdãos (no 9303-005.447 e 448), que tratavam de duas operações, uma de recebimento de ações ordinárias nominativas da BOVESPA HOLDING, em 28/08/2007, em substituição à sua participação societária na CBLC, ações essas totalmente vendidas em outubro de 2007, e outra de recebimento de ações da BM&F S/A, em 20/09/2007, em substituição do títulos patrimoniais que possuía na associação sem fins lucrativos BM&F, ações essas totalmente vendidas em novembro de 2007. A situação que se apresenta no presente processo se refere a ações recebidas em 12/10/2007, com a desmutualização, e vendidas ainda em 2007. Como registrado no voto que prevaleceu no acórdão recorrido: “Em face de todos os elementos probantes acima citados, assim como em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, é de se concluir que a Recorrente obteve, com a desmutualização, ações de terceiros com a intenção (ou compromisso) de posterior alienação e que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007).” Portanto, coincide a situação em análise não só com a apresentada nos Acórdãos nº 9303-005.447 e 448, de minha relatoria, mas com a quase totalidade dos casos que chegaram a esta CSRF, não merecendo desfecho distinto. Nos referidos Acórdãos nº 9303-005.447 e 448, adotei como razão de decidir (o que foi majoritariamente acolhido pelo colegiado) exatamente o posicionamento externado pelo Cons. Luís Eduardo Garrossino Barbieri em voto vencedor no Acórdão nº 3202- 001.178, que corresponde, coincidentemente, ao acórdão recorrido no presente processo: “A tributação pelo PIS e pela Cofins em decorrência das vendas das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A relativas ao processo denominado de desmutualização das bolsas de valores é uma matéria recorrente no âmbito do contencioso administrativo. Existem decisões antagônicas, a exemplo das decisões paradigmáticas constantes do presente recurso especial. As decisões que entendem pela impossibilidade da tributação, em apertada síntese, concluíram que o entendimento da fiscalização estava equivocado, na medida em que não houve uma devolução do patrimônio aos associados das antigas associações, mas uma cisão seguida de incorporação, em alguns casos, ou em meras trocas de ações da incorporada (CBLC) pelas ações da Bovespa Holding S/A. Nessas circunstâncias, os antigos títulos patrimoniais e/ou as ações da CBLC teriam sido substituídos por ações das novas companhias e permanecem no ativo permanente, não podendo, suas vendas, serem tributadas pelo PIS e pela Cofins, por disposição expressa constante do inc. IV do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A outra linha decisória, a qual me filio, são representadas, a título de exemplo pelos Acórdãos nº 3302-002.713, de 16/09/2014, e 3202-001.178, de 24/04/2014. Por economia processual e nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto o voto condutor do voto vencedor do Acórdão nº 3202-001.178, elaborado pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, utilizando-o como razão de decidir.” Fl. 580DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Assim, a construção adotada naquela ocasião se amolda fática e juridicamente ao caso que aqui se analisa em sede de recurso especial, pelo que reitero as razões de decidir, que constituem, ipisis literis, a tese encampada no acórdão recorrido. Em síntese, com a operação de desmutualização não houve uma “mera sucessão” da associação sem fins lucrativos pelas sociedades anônimas de capital aberto, por expressa vedação legal (art. 61 do Código Civil, não se aplicado ao caso o art. 1.113 da mesma codificação, que se refere especificamente ao ato de transformação de “sociedades”). Não houve uma singela “transformação” dos títulos patrimoniais detidos por ações das novas companhias, uma vez que se tratam de direitos de naturezas jurídicas absolutamente distintas. Ao fim e ao cabo, a recorrente recebeu novas ações, até então inexistentes, emitidas por pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade anônima (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.). O que houve, juridicamente, foi a devolução à recorrente dos valores que correspondiam aos títulos patrimoniais que detinha, embora não devolvidos em espécie, mas utilizados na obtenção/subscrição de ações das novas sociedades (Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A), muito embora todas as operações societárias tenham sido conduzidas para tentar contornar o negócio jurídico efetivamente ocorrido, estruturadas com a aparência de “cisão seguida de incorporação”. Quanto à escrituração das ações recebidas em decorrência da desmutualização, é regulada pelo art. 179 da Lei das S.A. (nº 6.404/1976), que determina a classificação como “ativo circulante” para “...as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte”. Recorde-se que a BM&F S.A foi criada em setembro de 2007, e as ações recebidas objeto do contencioso foram alienadas em novembro 2007, portanto, em até três meses após o recebimento. Não há, deste modo, como acatar a tese da recorrente de que as ações recebidas deveriam ser classificadas no Ativo Permanente. Logo, caracterizada a necessidade de registro no ativo circulante. A intenção de venda é notória, pois registrada, inclusive, em caráter público, tanto a criação da Bovespa Holding S.A. em agosto de 2007, quanto a Oferta Pública Inicial (IPO) das ações em outubro de 2007, conforme pode ser atestado, a título ilustrativo, no informativo publicado na “Revista Bovespa” (site www.bmfbovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/104/Capa.shtml), além dos prospectos transcritos no acórdão recorrido. Registro, adicionalmente, tendo em conta os distintos posicionamentos no seio deste colegiado, que o presente caso diverge, por exemplo, do julgado no Acórdão nº 9303- 009.828, de 10/12/2019, no qual a alienação ocorreu em torno de 5 (cinco) anos após a desmutualização, e 4 (quatro) anos da incorporação. Evidente o intuito da “desmutualização”, sob o aspecto financeiro, ao “substituir” títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos em ações negociáveis por valores substancialmente superiores, visando à obtenção de lucro com a receita da venda de parcela das ações recebidas, o que, destaque-se, não é irregular, desde que se recolham os tributos devidos, decorrentes da obtenção das receitas. As receitas obtidas com a alienação das ações constituem receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica, sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em função do disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, e pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos §§ 5º e 6º do art. 3º da mesma lei. Fl. 581DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Assim, mantendo o posicionamento já externado em julgados anteriores, e seguindo o entendimento que vem sendo uniformizado em mais de uma dezena de julgados recentes desta CSRF sobre o tema em debate, concluo que, no caso em análise, no qual a alienação das ações ocorreu em menos de 3 meses da desmutualização, a escrituração se dá no Ativo Circulante, que abrange as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, e que, nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas de “desmutualização”. A votação deste Acórdão se deu, em relação a este tema, por maioria, conforme consta da decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em razão da Súmula CARF nº 108. O art. 61 do Código Civil, utilizado no Acórdão acima como fundamento para negar a tese de que “houve uma mera sucessão da associação sem fins lucrativos pelas sociedades anônimas de capital aberto”, também se opõe à tese deste presente recurso de que “a substituição dos papéis da BM&F S/A se deu em consequência de negócio que não modificou a continuidade na sua propriedade”: Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. (...) Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. (...) Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Fl. 582DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos verifica-se que a operação realizada seguiu estas determinações, com a dissolução da BM&F, a dedução (devolução) das quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56 (ou seja, dedução/devolução para associado que fosse titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação) e, por deliberação dos associados, a restituição, atualizado o respectivo valor, das contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. Tal restituição se deu, conforme deliberado pelos associados, em ações da nova empresa, a BM&F S/A. Assim, também não merece prosperar a tese trazida neste recurso de que “deveria ser considerada, como data de aquisição, a fim de avaliar a permanência do investimento, o momento de obtenção do título patrimonial para a operação na então Associação BM&F, e não a data em que ocorrida a “desmutualização” (agosto/2007), que deu origem à BM&F S/A”. O objetivo deste argumento do Recorrente é afastar a alegação feita pela Fazenda Nacional de que, quanto ao registro das ações como ativo circulante ou não circulante (antiga conta “Investimentos”), o critério legal foi estabelecido pelo art. 179 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A), que determina a classificação como “ativo circulante” para “...as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte”. No caso ora em análise, o Recorrente vendeu suas ações, recebidas em Outubro de 2007, em Novembro e Dezembro do mesmo ano, o que demonstra, de forma inequívoca, sua caracterização como “direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente”, implicando sua classificação contábil no ativo circulante e impedindo a exclusão prevista no art. 3º, § 2º, IV, da Lei nº 9.718/98 (com a redação da MP nº 1.724, de 29/10/1998): Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: (...) IV - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. O art. 179 da Lei nº 6.404, de 1976 e o item 68 do Pronunciamento Técnico CPC 26 justificam que as ações ou cotas de outras sociedades sejam classificadas como ativo circulante, em conta de ativos destinados à comercialização, ainda que, por razões mercadológicas, não sejam realizadas, vendidas ou consumidas dentro do período de até doze meses após a data do balanço. Isso porque a orientação, desde a origem da operação, seria a alienação, conforme contrato de promessa de venda assinado pelo Recorrente, e pela definição operacional do tipo de atividade que desempenha e explora, o que não justificaria a classificação desses investimentos em contas do ativo não circulante como, por exemplo, o grupo “investimentos”. O mencionado art. 179 da Lei nº 6.404, de 1976 dispõe: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: Fl. 583DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III - em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) V – (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) Já os itens 66 a 68 do Pronunciamento Técnico CPC 26 orientam: Ativo circulante 66. O ativo deve ser classificado como circulante quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios: (a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade; (b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; (c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou (d) é caixa ou equivalente de caixa (conforme definido no Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa), a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do balanço. Todos os demais ativos devem ser classificados como não circulante. 67. Este Pronunciamento utiliza o termo “não circulante” para incluir ativos tangíveis, intangíveis e ativos financeiros de natureza associada a longo prazo. Não se proíbe o uso de descrições alternativas desde que seu sentido seja claro. 67A. O ativo não circulante deve ser subdividido em realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. 68. O ciclo operacional da entidade é o tempo entre a aquisição de ativos para processamento e sua realização em caixa ou seus equivalentes. Quando o ciclo operacional normal da entidade não for claramente identificável, pressupõe-se que sua duração seja de doze meses. Os ativos circulantes incluem ativos (tais como estoque e contas a receber comerciais) que são vendidos, consumidos ou realizados como parte do ciclo operacional normal mesmo quando não se espera que sejam realizados no período de até doze meses após a data do balanço. Os ativos circulantes também incluem ativos essencialmente mantidos com a finalidade de serem negociados (por exemplo, ativos Fl. 584DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 financeiros dentro dessa categoria classificados como disponíveis para venda de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 38 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração) e a parcela circulante de ativos financeiros não circulantes. Transcrevo também, por relevante para a compreensão da matéria, os seguintes excertos do Parecer de Orientação CVM nº 17, de 15/02/1989, o qual, embora anterior às alterações no art. 179 da Lei nº 6.404/76, levadas a efeito pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, fornece importante orientação a respeito da classificação das participações societárias: 10. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS Do ponto de vista da Lei nº 6.404, os direitos (inclusive participação societária) realizáveis após o término do exercício seguinte devem ser classificados no Realizável a Longo Prazo e no Circulante se realizados no decorrer do exercício seguinte. Já em Investimentos (no Ativo Permanente) devem ser classificadas as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante (e no Realizável a Longo Prazo) e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia. Assim, pode-se ter participações societárias tanto classificadas no Circulante/Realizável a Longo Prazo quanto em Investimentos –Ativo Permanente. A diferença é que a primeira é de caráter temporário e a segunda permanente (o que não significa que a empresa não possa vir a vendê-las um dia). Isto posto, cabe distinguir as participações permanentes das participações temporárias. As participações permanentes são aplicações de interesse exclusivamente operacional, destinadas à manutenção, complementação ou diversificação das atividades próprias da companhia, ou exercidas com essa finalidade. São as participações previstas no § 3º do artigo 2º da Lei nº 6.404/76: "A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiar-se de incentivos fiscais" . Neste caso ressalta o interesse da companhia investidora em participar do empreendimento, inclusive beneficiando-se de incentivos fiscais em projetos de sua iniciativa. No caso dos investimentos em ações ou quotas de outras empresas, embora possam ser realizados para atender aos mais diversos objetivos, pode-se agrupá-los da seguinte forma: a) participações voluntárias de caráter meramente especulativo ou com o objetivo de obter, independentemente de prazo, rendimentos produzidos pela sua valorização e negociação. São normalmente as aplicações feitas em Bolsa, embora a empresa possa manter " permanentemente" uma carteira de ações comprando e vendendo ações de acordo com a sua expectativa de valorização, este é tipicamente um investimento temporário (classificação: Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo, consoante a expectativa de alienação); b) participações voluntárias exercidas para extensão ou complementação das atividades da investidora, ou mesmo para diversificação (horizontalização) dessas atividades, ou ainda como estratégia operacional (segurança no fornecimento de insumos, eliminação de concorrência etc). Neste caso espera-se não o rendimento da valorização dessas ações no mercado, mas sim o rendimento, produzido pelas operações da empresa investida ou pela melhoria operacional da empresa investidora. Assim, mesmo que um investimento dessa natureza possa, a qualquer momento, ser alienado, não deve ser Fl. 585DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 considerado como temporário, são investimentos permanentes (classificação: Ativo Permanente/Investimentos); c) participações compulsórias: normalmente decorrem das aplicações de incentivos fiscais, mas podem surgir em função de outros motivos e interesses econômicos, como é o caso das participações em ações de companhias telefônicas (planos de expansão) e outras participações até em decorrência de imposição legal. As participações compulsórias dificilmente apresentam características de "permanente", como visto acima. Deve ser feita uma exceção para os casos de aplicações em projetos próprios nas áreas incentivadas. Assim, a aquisição das ações, ou “direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente”, pelo Recorrente, deve ser tomada por ocorrida em 01/10/2007, pois foi a data da desmutualização com intenção de venda da ações, e não no momento de obtenção do título patrimonial para a operação na então Associação BM&F, como pretende o Recorrente. Com base nesse fundamento a Autoridade Fiscal procedeu à autuação, conforme Termo de Verificação Fiscal: Para operar como corretora na Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo — BM&F, estava obrigada a deter títulos patrimoniais da referida bolsa, entidade que, na ocasião da aquisição dos títulos, era constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos. Em 01.10.2007, como conseqüência do processo de desmutualização da BM&F, por meio de cisão parcial entre outras alterações, transformou a BM&F (associação sem fins lucrativos) em BM&F S/A (sociedade com finalidade lucrativa). Nessa data o valor dos Títulos Patrimoniais da BM&F foi devolvido à seus detentores, por meio de ações da BM&F S/A. Na desmutualização da BM&F, em 01.10.2007, a PLANNER recebeu 4.961.610 ações da BM&F S/A, equivalente a 1 (um) Títulos Patrimonial categoria 'Membro de Compensação, 4.898.015 ações da BM&F S/A, equivalente a um Título Patrimonial categoria 'Corretora de Mercadorias' e mais 10.000 ações da BM&F S/A, equivalente a um Título Patrimonial categoria 'Sócio Efetivo', totalizando 9.869.625 ações, equivalente à R$9.869.625,00. A PLANNER vendeu parte das ações da BM&F S/A nas seguintes datas e valores e auferiu os seguintes ganhos (valores em Reais): No processo de desmutualização e conseqüente transformação da associação sem fins lucrativos em sociedade anônima, o entendimento da Receita Federal do Brasil é de que houve a devolução do patrimônio da BM&F para as corretoras associadas na forma de ações da BM&F S/A, conforme Solução de Consulta n° 10/07 - Cosit (ementa publicada no DOU de 30.10.2007). (...) Fl. 586DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Ocorre, portanto, que com a devolução de patrimônio, as corretoras se tornaram detentoras de ações da nova sociedade anônima BM&F S/A. Tais ações não se confundem com os antigos títulos patrimoniais, que deixaram de existir, são equivalentes, apenas, aos valores de cada título, recebidos como devolução de patrimônio de instituição isenta na data da desmutualização. No caso das ações da BM&F S/A, em 24.10.2007, foi assinado Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da BM&F S/A, em que a PLANNER concordou em alienar 986.963 (novecentos e oitenta e seis mil, novecentos e sessenta e três) ações para um fundo de investimentos integrante do grupo de Private Equity General Atlantic, o que ocorreu em 16.11.2007. Portanto a PLANNER já tinha a intenção de vender parte de suas ações. E em 01.11.2007, foi assinado Termo de Adesão e Procuração, em que a PLANNER aderiu à oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da BM&F S/A, para vender (e vendeu) 3.000.000 (três milhões) ações de sua titularidade. A reforçar este entendimento, trago à colação decisão exarada no Acórdão nº 9303-009.828 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), proferido em sessão de 10/12/2019, que deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, mas por entender que não havia intenção de negociar as ações em curto prazo, tendo em vista que a alienação somente ocorreu em torno de 5 (cinco) anos após a desmutualização e 4 (quatro) anos da incorporação de ações: DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES NO ATIVO PERMANENTE. POSSIBILIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Cabe à autoridade fiscal que procedeu à autuação apresentar os elementos que comprovem que a recorrente, no momento do recebimento das ações, tinha efetivamente a intenção (ou mesmo a obrigação) de negociá-las em curto prazo, o que não ocorreu nos presentes autos. Considerando-se que o Sujeito Passivo não efetuou a venda das ações da Bovespa Holding S.A., tendo ocorrido a alienação de apenas parte das ações da Nova Bolsa S.A. em torno de 5 (cinco) anos após a desmutualização e 4 (quatro) anos da incorporação de ações, assentada está a sua intenção, no momento do recebimento das referidas ações, de permanecer com as mesmas a título de investimento de caráter permanente, estando correta a sua classificação contábil, portanto, no ativo permanente ou não circulante. Por fim, quanto ao pedido de avaliação das ações pelo método de equivalência patrimonial, devo ressaltar que, apesar de não ter sido tratado especificamente no Acórdão da CSRF cujos fundamentos foram adotados como minhas razões de decidir, foram objeto de inúmeras outras decisões, dentre as quais no Acórdão nº 9101-004.560, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, exarado na sessão de 03/12/2019, do qual igualmente adoto seus fundamentos, por refletirem meu entendimento sobre a matéria e o entendimento consolidado neste Conselho: I - Recurso Especial da Contribuinte Pretende-se devolver para discussão as matérias (1) “aplicação do instituto de cisão para as sociedades empresárias, como as associações civis sem fins lucrativos”; (2) “devolução do patrimônio aos associados ou substituição dos títulos patrimoniais por ações”; (3) “atualização dos títulos patrimoniais por figura análoga ao MEP e da tributação aplicável” e (4) “ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre multas punitivas ou isoladas”. Fl. 587DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 As três primeiras matérias são correlacionadas, estando no contexto da infração tributária no qual o Fisco “não considerou os valores recebidos como devolução do patrimônio da associação isenta BM&F na apuração do IRPJ e CSLL”. Encontram-se no contexto do evento denominado "desmutualização". A BOVESPA e a BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS (BM&F) eram entidades do mercado de capitais constituídas sob forma de associações civis, sem finalidade lucrativa. A captação de recursos, desde a criação da instituição mutualizada Bolsa de Valores de São Paulo, em 1960, deu-se por meio da emissão de títulos patrimoniais, que legitimava os adquirentes, pessoas jurídicas e físicas, a atuar nas operações intermediadas do mercado. Seguindo uma tendência internacional, em 2007, as bolsas de valores empreenderam um processo de mudança, deixando de operar na forma de associação civil sem fins lucrativos, para uma sociedade por ações. Transcorreram-se reorganizações, com a cisão parcial da BOVESPA e da BM&F, criando-se novas sociedades por ações. Ao final, consumou-se a integração das sociedades Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo, resultando na criação da BM&FBovespa S.A. - Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros. Fato é que as entidades que detinham títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F foram transformadas em acionistas da nova sociedade por ações criada. (...) Por isso que, diante dos fundamentos da decisão recorrida, a Contribuinte optou por estruturar o recurso especial em três partes. (...) Enfim, na matéria “atualização dos títulos patrimoniais por figura análoga ao MEP e da tributação aplicável”, entende que o valor contábil dos títulos patrimoniais corresponde ao seu valor de aquisição que se submeteria às regras de atualização do MEP – método de equivalência patrimonial. Transcrevo excerto da matéria: (...) Ocorre que, no que diz respeito à operação de desmutualização, foi aprovada a Súmula CARF nº 118, com o seguinte enunciado: Caracteriza ganho tributável por pessoa jurídica domiciliada no país a diferença positiva entre o valor das ações ou quotas de capital recebidas em razão da transferência do patrimônio de entidade sem fins lucrativos para entidade empresarial e o valor despendido na aquisição de título patrimonial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: 1201-001.395, de 03/03/2016; 1301-002.432, de 16/05/2017; 1302-002.001, de 06/10/2016; 1401-001.886, de 18/05/2017; 1402-002.404, de 15/02/2017; 9101- 002.462, de 19/10/2016; 9101-002.696, de 16/03/2017; 9101-003.376, de 05/02/2018 Transcrevo excerto da ementa, na parte que interessa ao debate dos autos, de três precedentes: (Acórdão nº 9101-002.696) (...) (Acórdão nº 9101-003.376) (...) Fl. 588DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INAPLICABILIDADE AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DE ASSOCIAÇÕES. O Método da Equivalência Patrimonial (MEP) constitui critério contábil previsto na lei que rege as sociedades anônimas para avaliação do investimento no capital de empresas controladas ou coligadas, que são sociedades com fins econômicos, não se aplicando à propriedade de títulos patrimoniais de associações sem fins lucrativos, como eram a Bovespa e a BM&F. (...) (Acórdão nº 9101-002.462) (...) DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FIM LUCRATIVO. DISSOLUÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TÍTULOS PATRIMONIAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. A cisão da BOVESPA e BM&F, associações civis sem fins lucrativos, consuma a devolução dos títulos patrimoniais aos associados. Não tem previsão legal a utilização, por associação civil, de instituto de modificação societária destinado às sociedades anônimas. Por consequência, tampouco se aplica a atualização de valores dos títulos patrimoniais de associações civis sem finalidade lucrativa com base no Método de Equivalência Patrimonial, próprio para investimentos em coligadas e controladas das sociedades anônimas que visam o lucro. Como se pode observar, tratam os precedentes precisamente das matérias que foram apreciadas pela decisão recorrida, e, na mesma medida, das matérias que pretende devolver a Contribuinte em seu recurso especial. Transcrevo ementa da decisão recorrida, na parte que interessa, para não deixar dúvidas: (...) GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO ISENTA BMF. O ganho de capital deve ser apurado levando-se em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta. Verifica-se, portanto, que a decisão recorrida encontra-se convergente com a Súmula CARF nº 118. Como já dito, a matéria foi pacificada em âmbito administrativo com a Súmula CARF nº 118: Caracteriza ganho tributável por pessoa jurídica domiciliada no país a diferença positiva entre o valor das ações ou quotas de capital recebidas em razão da transferência do patrimônio de entidade sem fins lucrativos para entidade empresarial e o valor despendido na aquisição de título patrimonial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). No Poder Judiciário a matéria também é frequente, com posição pacífica favorável à Fazenda Pública, conforme os seguintes precedentes: Fl. 589DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 a) Recurso Extraordinário com Agravo nº 1.272.708/SP, Supremo Tribunal Federal, Relator Min. Ricardo Lewandowski, Publicação em 15/09/2020: Trata-se de agravo contra decisão por meio da qual foi negado seguimento ao recurso extraordinário interposto em face de acórdão de cuja ementa destaca-se: “TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO ‘MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL’. CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART: 17 DA LEI 9.532/97” (pág. 244 do documento eletrônico 1). (...) A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela negativa de seguimento ao recurso. A pretensão recursal não merece acolhida. (...) Além disso, o Tribunal de origem dirimiu a questão em exame com apoio nos seguintes fundamentos: “A controvérsia diz com a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada ‘desmutualização’. Dizem os citados dispositivos legal: (...) A parte impetrante sustenta que a simples conversão dos títulos em ações, quando da transformação de associação em sociedade por ações, não representa ganho de capital, diante da premissa de que esta transformação societária não implica em dissolução ou liquidação da sociedade, nos termos dos arts. 1.113 e 2.033 do Código Civil. Na hipótese, afirma que, não havendo dissolução da sociedade, não teria havido devolução real ou virtual dos valores correspondentes, de forma a tornar inaplicável a aplicação do art. 17 da Lei 9.532/97. Destarte, não caberia a incidência do IRPJ e CSLL nos valores espelhados pela conta ‘Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais’. Em última análise, entende que a incidência somente poderia ocorrer por ocasião da venda das citadas ações. Penso, contudo, que a impetrante não está com a razão, porque a conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. Fl. 590DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Em outras palavras, está caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela. Destarte, os ganhos de capital, na espécie, configuram renda para efeito de tributação. Cumpre ressaltar que o conceito de renda vem a ser estabelecido pelo art. 43 do CTN, com a redação determinada pela Lei Complementar n. 104/01: (...) Vê-se, portanto, que o CTN adotou, como muitas outras legislações, o conceito de renda acréscimo, para definir os contornos do fato gerador do imposto de renda, vale dizer, exige que haja acréscimo de valor ao patrimônio do contribuinte. [...] No caso em tela, a inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manter-se-á íntegra. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. Por isso mesmo, não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. De outra parte, não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo ‘método da equivalência patrimonial’, posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. Com efeito, ‘equivalência patrimonial’, segundo definição encontrada no site ‘Portal de Contabilidade’ , é ‘o método que consiste em atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida, e no reconhecimento dos seus efeitos na demonstração do resultado do exercício’. Por este método, o valor do investimento será determinado mediante a aplicação da porcentagem de participação no capital social, sobre o patrimônio líquido de cada sociedade coligada ou controlada. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, de forma a se enquadrarem no art. 17 da Lei 9.532/97. Nesse contexto, verifico que a controvérsia dos autos foi decidida com base na interpretação das normas infraconstitucionais aplicáveis à espécie. Dessa forma, o exame da alegada ofensa ao texto constitucional envolve a reanálise da interpretação dada às referidas normas pelo Tribunal a quo, de modo que eventual afronta à Constituição Federal seria indireta, o que inviabiliza o recurso extraordinário. Fl. 591DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 34 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 b) Agravo de Instrumento (AI), Processo nº 1013546-76.2019.4.01.0000, TRF da 1ª Região, Relator Desembargador Federal Hercules Fajoses, Publicação em 07/10/2019: Trata-se de agravo de instrumento interposto por MERRILL LYNCH S/A CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIARIOS, com pedido de antecipação da tutela recursal, contra decisão proferida nos autos da Ação Anulatória nº 1008237-59.2019.4.01.3400, em trâmite perante a 22ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal. (...) Sustenta o agravante que: [...] é pessoa jurídica de direito privado que desenvolve, perante a bolsa de valores, atual B3 (fruto da aglutinação das atividades das antigas Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F, Bolsa de Valores de São Paulo - Bovespa e Cetip), atividades de negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis nos mercados organizados pela bolsa de valores. Em 2007 a Agravante vendeu ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A de sua titularidade, decorrentes da transformação dos antigos títulos patrimoniais que possuía junto a tais entidades, quando estas ainda funcionavam como associações, antes da denominada operação de desmutualização das Bolsas. Em razão dessas reestruturações societárias, os títulos da Bovespa e da BM&F que a Agravante detinha, foram reclassificados como ações da Bovespa Holding S.A. e ações da BM&F S.A., respectivamente, conforme previamente deliberado em AGE, em operação denominada desmutualização. Na prática, não houve qualquer alteração concreta no patrimônio da Agravante, que seguiu detendo participação societária da bolsa, equivalente ao montante outrora investido. Por conta disso, pode-se afirmar que houve mera troca de nome dos bens registrados sob a rubrica Títulos, para ativos de idêntico valor denominados Ações, de modo que as ações recebidas pela Agravante permaneceram contabilizadas em seu ativo permanente (atual ativo não circulante). Considerando se tratar de venda de bens classificados no ativo permanente (atual ativo não circulante), sua venda não estava sujeita à exigência da COFINS e da Contribuição ao PIS por força de expressa previsão do artigo 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718/98. Requer seja antecipada a tutela recursal para determinar a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários materializados nos Autos de Infração objeto do Processo Administrativo nº 16327.001329/2009-91. (...) É o relatório. Decido: (...) A agravante tem como objeto social a compra e venda de títulos e valores mobiliários, por conta própria ou de terceiros, de modo que a alienação das ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A constitui atividade empresarial típica, cujas receitas sujeitam-se à incidência do PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998. A propósito, adiciono julgado do egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região: (...) MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSUAL CIVIL. TUTELA ANTECIPADA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTANTE DO PA Nº 16327.000857/2010-67. BOVESPA E BM&F. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A E ALIENADOS CONFORME OBJETO SOCIAL DA AGRAVANTE. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. (...) Fl. 592DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 5. A matéria controvertida cinge-se à incidência do PIS e da Cofins sobre as operações de alienação de parte dessas ações ocorridas entre outubro/2007 e em abril/2008. 6. A agravante tem como objeto social a compra e venda de títulos e valores mobiliários, por conta própria ou de terceiros, portanto, a alienação de ações ocorrida no período acima mencionado deveria ter sido contabilizada como ativo circulante da empresa, com base no disposto na Lei n. 6.404/1976 (art. 179) e não no ativo permanente. 7. As receitas auferidas pela alienação de parte das ações de sua titularidade recebidas, quando da desmutualização da BM&F S.A e Bovespa, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98, por se tratar de atividade afeta ao estatuto social da agravante. 8. Descabe, em cognição meramente sumária, suplantar o amplo conhecimento da questão feito até então pelo Fisco Federal, cujas funções estão abrigadas pelo manto da presunção iuris tantum de veracidade e legalidade, ainda mais que a imposição fiscal restou mantida depois de exaustivo percurso das vias recursais da Receita Federal, no qual a impetrante sucumbiu. 9. Não tem relevância o modo de aquisição das tais ações, dado o já mencionado objetivo social da agravante (compra e venda de títulos e valores mobiliários). A aquisição das referidas ações como consequência da "desmutualização" foi a devolução dos títulos sob essa forma, conforme deliberado pelos interessados, o que significa que a partir do recebimento das ações o titular delas deveria escriturá-la como ativo circulante e não mais como ativo permanente, dada a peculiar natureza delas. 10. Neste juízo de cognição sumária e nesta sede, não há como afastar o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com a alienação das ações que constituem/integram a receita bruta operacional da agravante. 11. Agravo de instrumento improvido e agravo interno prejudicado. (AGRAVO DE INSTRUMENTO - 0019977-94.2016.4.03.0000 Relator DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA TRF3 TERCEIRA TURMA e-DJF DATA 24/03/2017). Nesse contexto, legitima, portanto, a incidência do PIS/COFINS sobre os valores obtidos quando da alienação das ações da Bovespa Holding S/A e a BM&F S/A. Assim, ausente a plausibilidade do direito alegado. Todavia, em pedido subsidiário, requer a agravante o deferimento da tutela provisória para o fim de se reconhecer a suspensão de exigibilidade dos valores em discussão considerando o oferecimento de apólice de Seguro Garantia como contracautela ou, ainda, para determinar que os débitos objeto do Processo administrativo nº 16327.001329/2009-91 não constituam óbice à renovação de certidão de regularidade fiscal, tampouco ensejem apontamento do nome da agravante em órgão de proteção ao crédito. (...) Assim, ante o oferecimento de seguro garantia, DEFIRO, EM PARTE, A TUTELA DE URGÊNCIA pleiteada para determinar a emissão de Certidão Positiva com Efeito de Negativa de Débitos, em favor da requerente, nos termos da fundamentação supra. Ressalto, todavia, que a emissão da certidão deve ser levada a efeito caso o único impedimento existente ao ato seja o débito objeto do Processo Administrativo nº 16327.001329/2009-91. c) ApCiv - Apelação Cível, Processo nº 5019140-50.2017.4.03.6100/SP, TRF da 3ª Região, Relatora Juíza Federal Convocada Eliana Borges de Mello Marcelo, Publicação em 15/08/2018: E M E N T A MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E BM&F. ALIENAÇÃO DE AÇÕES ORIGINADAS DA CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS. OBJETO SOCIAL DA CONTRIBUINTE. COMPRA E VENDA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO Fl. 593DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 36 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. 1. No curso da operação de desmutualização da Bovespa e BM&F, em 2007, a apelante, anteriormente associada, comprometeu-se a alienar 35% (trinta e cinco por cento) das ações recebidas na conversão de seus títulos patrimoniais. 2. A questão ora proposta resume-se à incidência do PIS e da Cofins sobre as operações de alienação dessas ações, mediante a correta classificação contábil. 3. A apelante tem como objeto social a compra e venda de títulos e valores mobiliários, por conta própria ou de terceiros, e diante das alienações previamente previstas das ações obtidas por meio da desmutualização, que ocorreram efetivamente no período de outubro a dezembro de 2007 e abril de 2008, referidas ações deveriam ter sido contabilizadas como ativo circulante da empresa, com base no disposto no art. 179 da Lei 6.404/76. 4. Assim, as receitas auferidas pela alienação de parte das ações recebidas na desmutualização da BM&F S.A e Bovespa, já prevista por ocasião da transação, deveriam ser enquadradas como receitas brutas operacionais, sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, nos termos do art. 3º da Lei 9.718/98, por se tratar de atividade afeta ao estatuto social da apelante, não havendo que se falar na aplicação da isenção prevista no art. 3º, §2º, inc. IV, da Lei 9.718/98, que trata apenas dos bens caracterizados como do ativo não circulante. 5. Sob outro aspecto, considerando que, a alteração societária da BOVESPA e BM&F teve como consequência a mudança da natureza dos títulos convertidos em ações, descabida a alegação da utilização do método de equivalência patrimonial para a atualização das ações, posto que somente cabível na avaliação dos investimentos em coligadas ou controladas e em sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum, nos termos do art. 248 da Lei 7.404/64, que não se aplica ao caso em espécie. 6. Diante da situação analisada, não há que se falar também na possibilidade de afastamento da aplicação da multa de ofício. 7. Apelação improvida. d) Agravo de Instrumento, Processo nº 5040141-94.2018.4.04.0000/PR, TRF da 4ª Região, Relator Desembargador Federal Roger Raupp Rios, Decisão em 12/06/2019: RELATÓRIO Trata-se de agravo de instrumento, com pedido de antecipação da tutela recursal, interposto contra decisão que, no Mandado de Segurança n. 50448312120184047000, que tem por objeto pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do Processo Administrativo 10980.726071/2010-83, deferiu parcialmente o pedido de liminar, autorizando, somente, a expedição da certidão positiva com efeitos de negativa. Eis o teor da decisão recorrida (evento 03): (...) É o Relatório, Fl. 594DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 37 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 DECIDO. A decisão guerreada e inquinada de ilegalidade está assim fundamentada - Processo Administrativo nº 10980.726071/2010-83: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL MANIFESTA INTENÇÃO DE VENDA ART.179 DA LEI N° 6.404/76 E "PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE" A classificação contábil de um bem deve ser efetuada de acordo com sua natureza e a intenção ou não de mantê-lo no patrimônio de forma duradoura, à luz da atividade da empresa. Diante dos documentos que comprovam que havia intenção de venda, as ações da BOVESPA S/A e da BM&F S/A deveriam ter sido classificadas no ativo circulante. E a receita da alienação como operacional, integrante do faturamento da instituição financeira e, por conseguinte, tributável pelo PIS e COFINS. Observância do art. 179 da Lei n° 6.404/76 e do "Princípio da Oportunidade", que é um dos princípios contábeis geralmente aceitos que devem ser adotados, por força do art. 177 da Lei n° 6.404/76, e dos art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE VENDA NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3° DA LEI N° 8.718/98 A Fiscalização concluiu que havia intenção de venda, com base no "Termo de Adesão e Procuração à Oferta Pública de Ações da BM&FS/A e Carta Mandato à BOVESPA. Portanto, tratava-se de ações classificáveis no ativo circulante, cuja venda implicava no reconhecimento de receita operacional, integrante do faturamento e tributável pelo PIS e COFINS, nos termos dos art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. Não aplicáveis a previsão legal de não incidência sobre receitas não operacionais e a inconstitucionalidade da incidência das contribuições sobre receitas não integrantes do faturamento. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO BACEN PARA AVALIAR A CORREÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL De acordo com a Lei n° 10.593/02 e o Regimento Interno da SRF (atual RFB), este órgão é competente para fiscalizar a apuração do PIS e COFINS. Ademais, a conclusão do autuante baseou-se nos art. 177 e 179 da Lei n° 6.404/76, aos quais está sujeira a autuada e estão em harmonia com as normas do COSIF (…).” (...) Diz, o presente feito, com a incidência de PIS e COFINS, em decorrência da desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA. Pois bem. Até 28 de agosto de 2007, a Bolsa de Valores de São Paulo consubstanciava- se em uma instituição mutualizada - formada por membros que contribuem para a associação objetivando um benefício comum - e sem fins lucrativos. Porém, na referida data, houve a aprovação da desmutualização da BOVESPA, que consistiu, efetivamente, na extinção da associação civil BOVESPA e na criação das sociedades empresariais BOVESPA Holding S/A e BOVESPA Serviços S/A. Por ocasião da desmutualização os outrora associados tiveram seus títulos patrimoniais substituídos por ações da então novel sociedade BOVESPA Holding S/A. Instada a se manifestar acerca do procedimento, a Coordenadoria-Geral de Tributação da Receita Federal - COSIT externou, através da Solução de Consulta nº 10/07, entendimento no sentido de que a desmutualização acarreta na incidência de IRPJ e de Fl. 595DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 38 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 CSLL, à vista da aquisição de disponibilidade financeira pelas associadas. Confira-se, a propósito a ementa da aludida consulta: "OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associações se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002). O art. 61 da Lei nº 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa. As sociedades corretoras devem avaliar as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo custo de aquisição. O fato de a operação de 'desmutualização' de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores." A impetrante argumenta que a BOVESPA, em 1997, passou por processo semelhante, ocasião em que a Secretaria da Receita Federal, por meio da Solução de Consulta nº 13/97, pronunciou-se pela não incidência do IRPJ e da CSLL, entendendo não ter havido, naquele caso, acréscimo patrimonial, solução que deve ser adotada na presente hipótese. Alega que a mera conversão dos títulos patrimoniais em ações não configura acréscimo patrimonial, considerando que tal conversão ocorreu pelo valor contábil dos títulos, sem a realização ou distribuição de resultado, patrimônio ou lucro, não havendo que se falar na incidência de PIS e COFINS sobre o faturamento, posi, também não se refere a prestação de serviços financeiros. Aparentemente a desmutualização da BOVESPA ocasionou a devolução de patrimônio aos associados, ora impetrantes que, desse modo, adquiriram disponibilidade financeira, a configurar faturamento, em tese, incidindo o PIS e COFINS. Na desmutualização, em visão sumária, houve a efetiva dissolução da associação BOVESPA com a criação de pessoas jurídicas de natureza diversa, quais sejam, as sociedades empresariais BOVESPA Holding S/A e BOVESPA Serviços S/A. Nessa conjectura, de rigor a observância das disposições contidas no diploma substantivo civil, acerca das associações, verbis: "Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. (...)." Dessarte, deixando de existir a associação, o destino do seu patrimônio há de ser aquele previsto na norma de regência, não se podendo excogitar de destinação diversa. Fl. 596DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 39 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Registre-se, por oportuno, que tanto a doutrina quanto a jurisprudência são reticentes no tocante à possibilidade de aplicabilidade do instituto da cisão no âmbito das associações. Entretanto, temos essa discussão por despicienda ao deslinde da questão vertida nestes autos. Deveras, ainda que se apregoe ter havido cisão da associação BOVESPA com a criação das sociedades empresárias BOVESPA Holding e BOVESPA Serviços S/A, forçoso reconhecer que houve, indubitavelmente, a extinção da associação até então existente, a legitimar, no tocante ao seu patrimônio, a observância do regramento acima transcrito. A se entender em sentido contrário, haveria a possibilidade de ofensa ao indigitado dispositivo, na medida em que, para ser dada destinação diversa ao patrimônio da associação, bastaria a cisão desta em sociedades comerciais que, como cediço, possuem plena liberdade para dispor acerca do seu patrimônio. Conclui-se, assim, que a desmutualização da BOVESPA acarretou na efetiva devolução do seu patrimônio aos associados, tendo tal restituição ocorrido mediante a substituição de títulos patrimoniais por ações da Bovespa Holding S/A. Nesse contexto, de rigor a incidência do quanto previsto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97, verbis: "Art. 17. Sujeita-se à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicam-se as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado." (g.n) Acerca do tema vertido nestes autos, a jurisprudência existente é uníssona no sentido de que a desmutualização da BOVESPA acarretou em ganhos patrimoniais às associadas, a legitimar a incidência do IRPJ e da CSLL. Confira-se, a respeito, o seguinte julgado: (...) Fl. 597DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 40 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao apelo interposto, mantendo a sentença recorrida, nos termos da fundamentação. Não existe, portanto, a plausibilidade de êxito da demanda. (...) Ante o exposto, defiro em parte a liminar, determinando à autoridade impetrada que se abstenha de negar a expedição da certidão positiva com efeitos de negativa do art. 206 do CTN em favor da impetrante, bem como da prática de qualquer ato de cobrança ou de inscrição em cadastros restritivos de crédito, desde que não exista outro impedimento além dos débitos garantidos pelo seguro garantia apresentado nestes autos, e que a garantia prestada esteja de acordo com os requisitos previstos na Portaria PGFN nº 164/2014. (...) É o relatório. VOTO Insurge-se a parte recorrente contra o indeferimento de pedido de liminar visando ao reconhecimento do direito à suspensão da exigibilidade do débito constituído no Procedimento Administrativo n. 10980.726071/2010-83, em que já prestadas informações pela impetrada. (...) A liminar em mandado de segurança, por sua vez, pressupõe relevância do fundamento e risco de ineficácia da medida, caso deferida apenas ao final (artigo 7º, III, da Lei n. 12.016/09). Considerando a celeridade do rito do mandado de segurança, a decisão agravada não representa perigo iminente de lesão grave ao patrimônio ou direito da parte agravante e não há risco de ineficácia da decisão a ser proferida quando do julgamento definitivo da ação. Ademais, a par dessas razões processuais, também não verifico a verossimilhança do direito invocado, como demonstram os seguintes precedentes: (...) É caso, assim, de manutenção da decisão atacada. Dispositivo Ante o exposto, voto por negar provimento ao agravo de instrumento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. III – DA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE INTERNA DOS LANÇAMENTOS - TRATAMENTO DO MESMO FATO SIMULTANEAMENTE COMO GANHO DE CAPITAL (RECEITA NÃO OPERACIONAL) E FATURAMENTO Sustenta o Recorrente que “não poderia a mesma Fiscalização e por meio do mesmo procedimento, considerar a mesma receita como faturamento, a fim de lavrar os autos de Fl. 598DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 41 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 infração de PIS e COFINS e simultaneamente reconhecer e conferir o tratamento a esses valores de ganho de capital. De duas a uma: ou (1) se trata de ganho de capital (para o que não há que cogitar de PIS e COFINS); ou (2) se está diante de receita operacional, para o que caberia cogitar de PIS e COFINS, porém, o IRPJ e a CSLL deveriam ser acrescidos no cálculo do resultado tributável geral”. O Decreto-Lei nº 1.598, de 1977 traz o conceito de ganho de capital e o inclui dentro os resultados não operacionais: SEÇÃO III Resultados Não Operacionais SUBSEÇÃO I Ganhos e Perdas de Capital Conceito e Determinação Art. 31 - Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (Redação original) Art. 31. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo não circulante, classificados como investimentos, imobilizado ou intangível. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1º - Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. (Redação original) § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada e das perdas estimadas no valor de ativos. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) O Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR), que regulamentou a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda (posteriormente revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018), determinou que a receita proveniente de ganhos de capital sofreria tributação definitiva: TÍTULO X TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA CAPÍTULO I GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS Seção I Incidência Fl. 599DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 42 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). § 1º O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, ao ganho de capital auferido em operações com ouro não considerado ativo financeiro (Lei nº 7.766, de 1989, art. 13, parágrafo único). § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). § 3º O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País (Lei nº 9.249, de 1995, art. 18). § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). § 5º A tributação independe da localização dos bens ou direitos, observado o disposto no art. 997. (...) Seção VIII Devolução de Capital em Bens e Direitos Art. 238. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). § 1º No caso de a devolução realizar-se pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto devido pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, § 1º). § 2º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, § 2º). (...) Devolução de Capital em Bens ou Direitos Art. 419. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem transferidos ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). Parágrafo único. No caso de a devolução realizar-se pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos transferidos será considerada ganho de Fl. 600DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 43 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, § 1º). (...) Subseção VII Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão Art. 430. Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computada na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 34): I - somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor do acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de dez anos; II - será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder ao valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 34, § 1º): I - discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração; e II - mantiver, no LALUR, controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito à atualização monetária até 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período de apuração a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão e respectiva atualização monetária até 31 de dezembro de 1995, quando for o caso, deduzidas como custo ou despesa operacional (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 34, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). O Recorrente tem razão quanto às suas conclusões, porém parte de uma premissa equivocada. Realmente, o ganho de capital se caracteriza por ser uma receita não operacional, logo sobre esta não podem incidir as contribuições para o PIS e a COFINS. Contudo, toda a análise realizada neste voto levou à conclusão de que as ações da BM&F S/A, recebidas em 2007 pelo Recorrente, devem ser classificadas contabilmente no ativo circulante, pois desde a sua obtenção já havia o compromisso de vendê-las. Nesse contexto, o ganho obtido com a venda destas ações se constitui em lucro operacional, e não como ganho de capital. Se, em processo distinto, referente a apuração de IRPJ e CSLL, foi esta a imputação feita pelo Fisco, cabe ao contribuinte discutir naquele processo um eventual erro material na apuração dos tributos. No entanto, eventual decisão naquele processo não vincula a decisão a ser tomada neste. Os tributos em questão estão sendo discutidos em Fl. 601DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 44 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 Seções diversas deste Conselho, devido à competência regimental de cada uma delas, inexistindo vinculação entre os processos e muito menos entre as decisões. Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal, através de sua Coordenação-Geral de Tributação, publicou em 27/06/2017 a Solução de Consulta nº 347 – Cosit, manifestando-se sobre a tributação em situações análogas nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ LUCRO PRESUMIDO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. RECEITA OBTIDA. A receita obtida na alienação de participação societária de caráter não permanente por pessoa jurídica que tenha como um de seus objetos sociais a compra e venda de participações societárias deve ser computada como receita bruta, integrando a base de cálculo imposto apurado com base no lucro presumido. O percentual de presunção a ser aplicado é de 32%. A alienação de participação societária de caráter permanente está sujeita à apuração do ganho de capital, que deve ser diretamente computado na base de cálculo do imposto. Dispositivos Legais: art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 15, III, “C”, da Lei nº 9.249, de 1995; e art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL LUCRO PRESUMIDO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. RECEITA OBTIDA. A receita obtida na alienação de participação societária de caráter não permanente por pessoa jurídica que tenha como um de seus objetos sociais a compra e venda de participações societárias deve ser computada como receita bruta, integrando a base de cálculo da contribuição apurada com base no lucro presumido. O percentual de presunção a ser aplicado é de 32%. A alienação de participação societária de caráter permanente está sujeita à apuração do ganho de capital, que deve ser diretamente computado na base de cálculo da contribuição. Dispositivos Legais: Art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; e art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins RECEITA DE ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REGIME DE APURAÇÃO CUMULATIVA. A receita decorrente da alienação de participação societária de caráter não permanente por pessoa jurídica que tenha como um de seus objetos sociais a compra e venda de participações societárias deve ser computada como receita bruta, integrando a base de cálculo da contribuição no regime de apuração cumulativa. A receita decorrente da alienação de participação societária de caráter permanente não integra a base de cálculo da contribuição. Dispositivos Legais: art. 10, II, da Lei nº 10.833, de 2003; e arts 2º e 3º, § 2º, IV, da Lei nº 9.718, de 1998. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 45 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 RECEITA DE ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REGIME DE APURAÇÃO CUMULATIVA. A receita decorrente da alienação de participação societária de caráter não permanente por pessoa jurídica que tenha como um de seus objetos sociais a compra e venda de participações societárias deve ser computada como receita bruta, integrando a base de cálculo da contribuição no regime de apuração cumulativa. A receita decorrente da alienação de participação societária de caráter permanente não integra a base de cálculo da contribuição. Dispositivos Legais: art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 2002; e arts 2º e 3º, § 2º, IV, da Lei nº 9.718, de 1998. Apesar do quanto exposto, devo ressaltar que esta matéria não foi objeto de contestação pelo contribuinte em nenhuma de suas duas Impugnações, constituindo-se em evidente inovação recursal. O art. 17 do Decreto-Lei nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, expressamente veda tal conduta: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) No mesmo sentido o art. 1.013, § 1º, da Lei nº 13.105/2015 (CPC): Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. Esse também é o entendimento doutrinário, conforme lecionam Fredie Didier Jr. et alii na obra Curso de Direito Processual Civil, 13ª ed., vol. 03, 2016, págs. 142: 10.3. Efeito devolutivo: extensão e profundidade (efeito translativo) (...) A interposição do recurso transfere ao órgão ad quem o conhecimento da matéria impugnada. O efeito devolutivo deve ser examinado em duas dimensões: extensão (dimensão horizontal) e profundidade (dimensão vertical). Podem variar, de recurso para recurso, a extensão e a profundidade do efeito devolutivo. O estudo da profundidade do efeito devolutivo é examinado por alguns autores como se se tratasse de efeito diverso: denominam o fenômeno de efeito translativo. A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determina- se pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum appellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC). Sobre o tema, convém ressaltar que as normas que cuidam da apelação funcionam como regra geral. A extensão do efeito devolutivo determina o objeto litigioso, a questão principal do procedimento recursal. Trata-se da dimensão horizontal do efeito devolutivo. Pelo exposto, voto por não conhecer deste pedido do Recorrente. Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 46 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 IV – DA ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA DE PIS E DA COFINS SOBRE AS RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE APLICAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS Alega o Recorrente que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo STF, a base de cálculo do PIS/COFINS ficou limitada à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Assim, apresenta pedido subsidiário para que, ao menos, a aplicação de recursos próprios não seja considerada uma prestação de serviços, pois a Fiscalização teria afirmado que a aplicação de recursos na compra e venda de ações representa prestação de serviços. Haveria, dessa forma, em suas palavras, “utilização do capital próprio, uma imaginada “prestação de serviço a si próprio” (negócio inexistente)”. Tal afirmação, contudo, não corresponde à realidade. Vejamos, mais uma vez, em que termos foi realizada a acusação fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal: Em 01.10.2007, como conseqüência do processo de desmutualização da BM&F, por meio de cisão parcial entre outras alterações, transformou a BM&F (associação sem fins lucrativos) em BM&F S/A (sociedade com finalidade lucrativa). Nessa data o valor dos Títulos Patrimoniais da BM&F foi devolvido a seus detentores, por meio de ações da BM&F S/A. Na desmutualização da BM&F, em 01.10.2007, a PLANNER recebeu 4.961.610 ações da BM&F S/A, equivalente a 1 (um) Títulos Patrimonial categoria 'Membro de Compensação, 4.898.015 ações da BM&F S/A, equivalente a um Título Patrimonial categoria 'Corretora de Mercadorias' e mais 10.000 ações da BM&F S/A, equivalente a um Título Patrimonial categoria 'Sócio Efetivo', totalizando 9.869.625 ações, equivalente à R$9.869.625,00. A PLANNER vendeu parte das ações da BM&F S/A nas seguintes datas e valores e auferiu os seguintes ganhos (valores em Reais): (...) De acordo com demonstrativos apresentados, Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), do ano calendário de 2007, o contribuinte recolheu o IRPJ e a CSLL relativos à receita obtida com a venda das ações da BM&F S/A. Porém, considerou a venda das ações como venda de bens do Ativo Permanente excluindo os valores da base de cálculo do PIS a da COFINS, ocorrendo, portanto, a falta de recolhimento dessas contribuições, conforme DACON, pois tais receitas compõem o faturamento do contribuinte. (...) Ocorre, portanto, que com a devolução de patrimônio, as corretoras se tornaram detentoras de ações da nova sociedade anônima BM&F S/A. Tais ações não se confundem com os antigos títulos patrimoniais, que deixaram de existir, são equivalentes, apenas, aos valores de cada título, recebidos como devolução de patrimônio de instituição isenta na data da desmutualização. No caso das ações da BM&F S/A, em 24.10.2007, foi assinado Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da BM&F S/A, em que a PLANNER concordou em alienar 986.963 (novecentos e oitenta e seis mil, novecentos e sessenta e três) ações para um fundo de investimentos integrante do grupo de Private Equity Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 47 do Acórdão n.º 3402-009.511 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721369/2012-59 General Atlantic, o que ocorreu em 16.11.2007. Portanto a PLANNER já tinha a intenção de vender parte de suas ações. E, em 01.11.2007, foi assinado Termo de Adesão e Procuração, em que a PLANNER aderiu à oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da BM&F S/A, para vender (e vendeu) 3.000.000 (três milhões) ações de sua titularidade. A PLANNER ao alienar as ações que possuía da BM&F S/A obteve lucro, pois vendeu as ações por valor superior ao considerado na data da desmutualização, considerado como valor de custo. Assim sendo, deveria ter recolhido as contribuições do PIS e da COFINS sobre a diferença entre o valor recebido e o custo, por se tratar de receita operacional, pois é resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais, e não deveria ter excluído da base de cálculo de tais contribuições por considerar, erroneamente, como venda de bens do ativo permanente. Como se percebe, não houve a citada imputação de “prestação de serviço a si próprio”, mas sim de ter o contribuinte, de forma equivocada, excluído do seu faturamento a receita obtida com a venda das ações, a qual, por conta dos seus objetivos sociais, se caracteriza como receita operacional, resultado de sua atividade empresarial típica e, portanto, tributável pelo PIS e pela COFINS. Tal análise, inclusive, já foi amplamente realizada ao longo deste voto, nos tópicos antecedentes. De qualquer sorte, devo considerar que, nos termos em que foi formulado o presente pedido subsidiário, este não deve ser conhecido, pois não foi objeto de nenhuma das duas Impugnações apresentadas anteriormente. Com efeito, naquelas peças recursais nada foi discutido acerca de “prestação de serviço a si próprio” ou sobre a impossibilidade da incidência destas contribuições sobre “receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios”. Logo, utilizo-me dos mesmos fundamentos trazidos no tópico precedente para votar por não conhecer deste pedido do Recorrente. V – DA CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER EM PARTE do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000346/2008-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.164
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, por meio do qual a recorrente intenta receber pelo saldo credor acumulado da contribuição ao PIS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao primeiro trimestre de 2006, em virtude da percepção de receitas tributadas à alíquota zero, conforme asseguram os artigos 17, da Lei no. 11.033/04 e 16, da Lei no. 11.116/04. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou o relatório acostado às fls. 16/19 dos autos no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, a recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) a recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3o, inciso IX, da Lei no. 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (fls. 54/57), afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a requerente – trazendo aos autos planilha demonstrativa (fls. 59) – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semi elaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJPorto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. Este o relatório do essencial. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, Relator. De acordo com a fiscalização, o crédito a que a recorrente faz jus seria inferior ao pretendido, inicialmente porque operações realizadas no trimestre para transferência a terceiros de direitos creditórios relativos ao ICMS não teriam sido espontaneamente submetidas à tributação. Anexo ao relatório de informação fiscal, às fls. 14, há, inclusive, uma planilha demonstrativa dos valores que, segundo o auditor encarregado do procedimento, a recorrente teria auferido como resultado dos aludidos negócios jurídicos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000346/200828 Resolução n.º 340300.164 S3C4T3 Fl. 2 3 De sua parte, a interessada nega sumariamente, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso que, de fato, haja praticado semelhantes operações, sustentando também que a legislação local as vedaria. Especulo que, no intento de explicar a origem dos valores que a fiscalização interpretou serem provenientes destas transferências, a recorrente traz aos autos cópia de convênio firmado com a Secretaria da Fazenda do RS (fls. 54/57), relatando ser titular de incentivo fiscal concernente ao ICMS. Do documento se lê, com efeito, que, atendida uma série de condições, a recorrente desfrutaria, desde julho de 2004, de crédito presumido do ICMS correspondente a uma parcela do valor do próprio imposto incidente nas operações de saída de fertilizantes de fabricação própria, com destino a outros estados da federação. Sinteticamente, portanto, ao comercializar os produtos a adquirentes de outras unidades federativas e apurar o imposto correspectivo, a pessoa jurídica reconheceria, em sua escrita fiscal e contábil, um direito oponível ao Estado do Rio Grande do Sul, no importe de 75% daquele tributo. Diante de eventos sujeitos a procedimentos contábeis tão distintos, difícil conceber que a fiscalização os possa ter confundido. Enquanto a transferência onerosa de saldos credores do ICMS se processa por lançamento a crédito em conta de “impostos a recuperar” e a débito de “caixa” ou “bancos”, acompanhada, simultaneamente, por uma redução de mesmo valor nos saldos mantidos no livro de apuração do tributo, a apropriação do alegado crédito presumido conduz a registros opostos em “impostos a recuperar”. A conta é debitada (isto é, acrescida) e assim permanecerá até que, chegado o vencimento do prazo para o recolhimento do ICMS, a compensação aconteça. Daí porque, ao menos por ora, a versão trazida pela parte não me satisfaz inteiramente. É fato que a fiscalização não produziu nos autos sequer um início de prova do fato que alega: a cessão onerosa de créditos de ICMS. Limitase, como expus, a confeccionar uma planilha demonstrativa dos valores que supostamente teriam sido auferidos pela empresa a este título. Os autos não contêm, repitase, qualquer elemento documental capaz de debelar a incerteza quanto à ocorrência das tais operações. Observo, todavia, do “Termo de Início de Fiscalização” que, ao ensejo do procedimento, a empresa foi intimada a fornecer à auditoria uma vasta gama de documentos fiscais e contábeis, alguns dos quais, em tese, aptos a melhorar os níveis de certeza no julgamento da lide. Entre eles, cito em particular a requisição de informação quanto “ao valor mensal das receitas com créditos de ICMS transferidos a terceiros”. Mais importante até, vejo de fls. 10/11, que a recorrente atendeu à intimação entregando à autoridade um CDROM que supostamente continha: (i) balancetes, (ii) razões de contas como “vendas diversas” e “receitas diversas”, (iii) demonstrativo de cálculos, (iv) planilha dos incentivos fiscais, e (iv) livros fiscais (entrada, saída e apuração) relativos ao ICMS. Ao que tudo indica, portanto, foi com base no exame destes elementos que a fiscalização produziu o relatório de fls. 16/19 e as planilhas que o acompanham, a significar que tenha compulsado documentos aptos a esclarecer a questão. Neste contexto, a proposta que apresento é a de conversão do julgamento em diligência, sem o que tenho por prematura a resolução do recurso. Como a medida, porém, não pode se prestar a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova, limito me a determinar ao órgão de origem que junte aos autos via impressa dos elementos documentais – dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização – que Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 entenda capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros. Aproveito o ensejo para também determinar à autoridade de origem que, a partir do exame deste mesmo conjunto documental, informe sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, os que tinham por objeto a remessa de produtos acabados daqueles que, de outro lado, envolveram somente itens em fabricação. Caso afirmativa a resposta, deverá a autoridade elaborar quadro separando as duas situações. Finda a diligência que, repito, não objetiva a coleta de provas adicionais àquelas já anteriormente entregues pela recorrente, a autoridade elaborará relatório conclusivo a respeito das questões submetidas (descrevendo, inclusive, as supostas transferências de saldo credor de ICMS) e, na seqüência, abrirá vista para manifestação da interessada, no prazo de trinta dias. Feito isso, retornem os autos para continuação do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 17546.000324/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
GFIP. INEXATIDÃO. DADOS NÃO RELACIONADOS COM OS FATOS GERADORES.
Constitui infração apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante.
DOLO OU CULPA.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratandose
de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.768
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2000, inclusive; e para que a multa seja recalculada de acordo com o art. 32A da Lei nº 11.941/2009 e comparada com a multa anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SERMAC ADMINISTRAÇÃO DE CONSÓRCIOS LTDA Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 GFIP. INEXATIDÃO. DADOS NÃO RELACIONADOS COM OS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. DOLO OU CULPA. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2000, inclusive; e para que a multa seja recalculada de acordo com o art. 32A da Lei nº 11.941/2009 e comparada com a multa anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Leôncio Nobre de Medeiros e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 17546.000324/200768 Acórdão n.º 2402001.768 S2C4T2 Fl. 268 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV, § 4º, do Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), a empresa apresentou – nas competências 01/1999 a 12/2001 – ao Fisco as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) com informações inexatas nos campos terceiros/outras entidades e fundos, pois neste campo deveria consta o “código 115”. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 08) informa que foi aplicada a multa prevista no art. 32, inciso IV e § 6o, da Lei no 8.212/1991, c/c o art. 284, inciso III, e art. 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, atualizada pela Portaria do Ministério da Previdência Social ((MPS)/GM n° 119, de 19/04/2006. O valor da multa foi calculado conforme planilha de fl. 07 e resultou em R$ 2.255,76 (dois mil, duzentos e cinqüenta e cinco reais e setenta e seis centavos) A Auditoria Fiscal fez constar dos autos Relatório Fiscal da Multa da Infração, relatando ainda, que não foram configuradas as agravantes previstas no artigo 290 do RPS, e observa que o contribuinte não é reincidente. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/07/2006 (fl. 01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 18/31) – acompanhada de anexos de fls. 32/235 –, alegando, em síntese, que: 1. Da Decadência. Os autos de infração devem ser anulados uma vez que a Previdência Social tem o prazo de cinco anos para apurar e constituir seus créditos. A seguir transcreve ementas de acórdão proferidos pelos Tribunais Regionais Federais; 2. Da Contribuição de Autônomos Folha de Rendimentos incluindo pessoas físicas sem vínculo empregatício. O Auto de Infração não deve prosperar mesmo não sendo esse o entendimento desta Delegacia de Julgamento, posto que, as contribuições sociais exigidas nos autos são anteriores a EC 20/98, não sendo portanto considerados segurados obrigatórios os administradores e autônomos. Continua discutindo sobre a citada Emenda Constitucional sob o argumento de que a mesma não revigora a constitucionalidade dos termos administradores e autônomos, permanecendo a inconstitucionalidade até a atualidade. Termina o argumento referindo que a contribuição Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 4 sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais é ilegal e inconstitucional à medida que amplia a base de cálculo sem a devida Lei Complementar; 3. Quanto a contribuição destinada a terceiros e SAT INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO que em face da atividade empresarial da contestante não estar ligada nem ao sistema agrário do país , nem ao sistema educacional ,está desobrigada de recolher as contribuições destinada a esses terceiros,e ainda, por força do previsto no seu código FPAS; 4. Da Contribuição ao SAT. Transcreve ementa do TRT da quarta região que entende como de risco leve a atividade desenvolvida pela administradoras de consórcio sujeitandose assim à alíquota de 1% a titulo de SAT; 5. Do Vinculo Trabalhista. A fiscalização previdenciária não possui poderes para investigar a situação fática caracterizadora da relação empregatícia. Que no Relatório Fiscal não há qualquer prova ou elementos capazes de comprovar a existência do vínculo empregatício entre o suposto empregado e a empresa de modo a tornar legitima a imposição fiscal. Que as contribuições decorrentes desse ato devem ser cobradas na justiça do trabalho; 6. Das Multas. Existe verdadeira acumulação de multa, o que é proibido pelo direito, nem se diga que se trata de multas diferentes uma pela falta de recolhimento outra pela falta de declaração em documentos.Que a multa não pode ser cumulativa nem em duplicidade; 7. Dos documentos faltantes. Foi lavrado um auto de infração por não apresentação de folhas de pagamento n.° 35.835.2649, no entanto explica que as mesmas estavam em poder do antigo contador e estão sendo apresentadas em anexo, devendo dessa forma ser anulado o auto de infração n.° 35.835.2630, anexa ainda a relação dos trabalhadores do arquivo SEFIP das competências 09.00 a 04.01; 8. Do Pedido. Pelas razões expostas requer a improcedência dos referidos autos de infração e os respectivos cancelamentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em CampinasSP – por meio do Acórdão 0518.025 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 237/239) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 243/264), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em JundiaíSP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls.265/266). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 17546.000324/200768 Acórdão n.º 2402001.768 S2C4T2 Fl. 269 5 É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fl. 266) e não há óbice ao seu conhecimento. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, para as competências 01/1999 a 12/2001. DA PRELIMINAR: Em sede de preliminar, faremos a verificação do instituto da decadência tributária, pois se constata que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. A decadência deve ser verificada considerandose a recente Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.(g.n.;) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 17546.000324/200768 Acórdão n.º 2402001.768 S2C4T2 Fl. 270 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Assim, como a autuação se deu em 28/07/2006, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 01/1999 a 12/2001, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 8 reconhecese que ocorreu a decadência tributária e que deverão ser excluídos do total da multa os valores até a competência 11/2000, inclusive. Esclarecemos que a competência 12/2000 não deve ser excluída do cálculo do lançamento fiscal ora analisado, porquanto a sua exigibilidade e a sua hipótese imponível (situação fática da hipótese de incidência da multa) somente ocorrerão a partir de 01/2001, com a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, quando poderia ter sido efetuado o lançamento fiscal. Diante disso, acato parcialmente a preliminar ora examinada, no que tange à decadência tributária, excluindo os valores da multa apurados em competências anteriores a 12/2000, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Quanto à alegação de que inexiste a infração imputada pela auditoria fiscal, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente apresentou ao Fisco as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) com informações inexatas nos campos terceiros/outras entidades e fundos, pois nestes campos deveriam consta o “código 115”. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV, § 4º, do Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), transcritos abaixo: Lei no 8.212/1991 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4°. (redação dada pela Lei n° 9.528/97). (g.n.) Decreto no 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 17546.000324/200768 Acórdão n.º 2402001.768 S2C4T2 Fl. 271 9 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 3o A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4o O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente estava obrigada a apresentar ao Fisco a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações corretas nos campos terceiros/outras entidades e fundos. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Com relação ao pedido de relevação da penalidade, a autuada não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto no 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas dentro do prazo de impugnação, apesar de ser primária, com pedido no prazo da defesa e não ter incorrido em circunstância agravante (fls. 01 e 06/08). Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação da multa, eis que a ela estava obrigada a informar mensalmente, por meio da GFIP, o código correto do FPAS nos campos terceiros/outras entidades e fundos. Por fim, é importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é apresentar mensalmente ao INSS a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 10 Previdência Social (GFIP) com as informações exatas e completas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, não cabendo ao fisco analisar os motivos da não apresentação dos mesmos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Logo, não procede a alegação da Recorrente, eis que ela apresentou ao Fisco as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) com informações inexatas nos campos terceiros/outras entidades e fundos, para as competências 12/2000 a 12/2001. Ainda dentro do aspecto meritório e em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e § 6o, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto no art. 32A da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei nº 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei nº 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 17546.000324/200768 Acórdão n.º 2402001.768 S2C4T2 Fl. 272 11 § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o grau de retroatividade média da norma (princípio da retroatividade benigna tributária) previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II. tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei no 8.212/1991. Em muitos casos, o novo cálculo torna o valor da multa mais benéfico à recorrente, por conduzir a um menor valor. Com isso, por determinação do art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), a Receita Federal do Brasil deve calcular a forma de aplicação da multa, conforme previsto pela Lei no 11.941/2009, e comparála com a multa aplicada, para verificar qual o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo, a fim de adotálo. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 12 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) ocorreu a decadência tributária até a competência 11/2000, inclusive; e (ii) seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 11.941/2009 (nova legislação) e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo, na forma do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901056/2008-86
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/05/2002
Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL.
Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido.
Numero da decisão: 3401-001.696
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Odassi Guerzoni Filho e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento transmitido por Dcomp em 31/03/2004, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, a título de PIS. A DRF em Florianópolis/SC indeferiu o pedido por despacho decisório eletrônico (fls. 05) em razão de não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados em PER/Dcomp. Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade/Impugnação, alegando tão somente que é uma entidade fechada de previdência complementar, sem fins lucrativos com autonomia administrativa e financeira; e que deixou de retificar a DCTF nos períodos informados, o que ocasionou o despacho decisório, mas que em 30/05/2008 tomou tal providência no sentido de solucionar a diferença apresentada. A DRJ em Florianópolis/SC manteve a decisão da DRF, prolatando a seguinte ementa (fls. 11): “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 23/02/2010 (fls. 14) e interpôs Recurso Voluntário em 24/03/2010 (fls. 15/27) alegando, em resumo, o seguinte: 1. O crédito no valor original de R$ 5.675,75 é decorrente do pagamento a maior realizado em 14/06/2002; 2. A Recorrente constatou que, por um equívoco, deixou de retificar a DCTF, mas que em 30/05/2008 apresentou Manifestação de Inconformidade e informou a retificação demonstrando “existência inequívoca” do crédito pleiteado; 3. A compensação não poderia ter sido indeferida sob alegação de que a retificação da DCTF afasta a certeza e liquidez do crédito informado; 4. A decisão afronta os princípios da legalidade e da moralidade administrativa, além de configurar em ilícito do Estado; 5. A autoridade julgadora negou a homologação sem qualquer fundamento legal. Houve superficialidade na análise e ausência de motivação adequada, fatores que implicam em nulidade do acórdão; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901056/200886 Acórdão n.º 3401001.696 S3C4T1 Fl. 111 3 6. Afirma que houve preenchimento equivocado da DCTF, na qual constou o montante de R$ 10.155,58, após, devidamente retificado para R$ 4.479,83; 7. Que utilizou o valor recolhido a maior para efetuar a compensação que ora se nega, pois o Fisco, sem realizar qualquer diligência, entendeu que a Recorrente não detinha crédito líquido e certo quando da compensação; 8. O direito ao ressarcimento do pagamento a maior nasce no exato momento do pagamento indevido e “independe de qualquer pronunciamento administrativo ou judicial, que terá natureza meramente declaratória, e não constitutiva.”. Ao final, pede a Recorrente que o Recurso Voluntário seja acolhido para determinar o retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, devido à nulidade procedimental, ou ainda, em sendo o caso de julgamento de mérito deste Recurso, requer a reforma daquela decisão. Submetido ao CARF, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, fls. 65/66, nos seguintes termos: “Em face de todo o exposto e considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho a conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.” A DRF em Santa Catarina respondeu, respectivamente, aos quesitos formulados pelo CARF, fls 73: 1. À época do Despacho Decisório o crédito era improcedente, pois passou a existir com a retificação da DCTF, motivada pela nãohomologação da compensação. O valor do crédito corresponderia à diferença entre o débito indicado na DCTF antes da não homologação da Dcomp e o valor informado na retificadora; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 2. Após a retificação da DCTF, a diferença ficou “desvinculada” e, através de consulta ao sistema SIEF, verificouse não haver outras Dcomp que tenham utilizado como crédito alguma parcela do DARF; 3. A alocação dos R$ 5.675,75 do débito compensado na Dcomp indica que o valor é suficiente para a compensação declarada. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 09/03/2011 e manifestouse, às fls. 76/79: 1. O relatório da delegacia de origem confirmou a existência do crédito e em valor suficiente para a compensação, além de ter informado que o crédito não foi utilizado em outra Declaração de Compensação; 2. Reconhecido o direito através da diligência, a decisão que negou a homologação não pode subsistir; Ao final, reitera o pedido para que o Recurso Voluntário seja acolhido e a decisão, reformada. É o relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperativo esclarece que este processo foi apreciado, originalmente, pela 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, desta Terceira Seção do CARF. Após a realização de diligência e devolução dos autos, o processo foi distribuído para esta 1a Turma Ordinária, para este Conselheiro. Ultrapassado esse esclarecimento, passase à análise do caso: Como verificado pelo relatório, o cerne da questão consiste na existência ou não do crédito tributário utilizado na compensação. A perícia constatou que a Contribuinte protocolou o pedido de compensação com base em um DCTF, o qual levou a equipe fiscal concluir pela inexistência do crédito requerido. Após a emissão do despacho decisório, a Recorrente retificou o DCTF e, após a retificação, constatouse a existência de crédito suficiência para compensar o valor declarado no pedido de compensação. Muito embora a existência do crédito seja inequívoca, pois constatada em diligência pericial, devese analisar outra questão, qual seja: a retificação do DCTF após o despacho decisório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901056/200886 Acórdão n.º 3401001.696 S3C4T1 Fl. 112 5 É certo que o § 1o, do art. 147, do CTN, dispõe que a retificação da declaração deve ocorrer antes da notificação do lançamento. Como a declaração de compensação é confissão de dívida, nos termos §6o, do art.74, da Lei nº 9.430/96, o lançamento, no caso, seria a homologação por meio do despacho decisório, ou seja, a Recorrente deveria apresentar a retificação antes da emissão do despacho decisório. Não obstante, entendo que essa regra deve ser flexibilizada, pois ela busca inibir erros dolosos na declaração, com o fim de ludibriar o fisco. No caso em tela, verificase que o erro na declaração excluiu os créditos da Recorrente, e não os do fisco, o que evidencia a falta de vontade de fraudar a arrecadação. Além disso, a processo administrativo deve prezar pela verdade material e uma vez constatada, por diligência, a existência de crédito em favor da Recorrente, não se pode indeferilos, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Há de se destacar que, durante a ação fiscal que visou apurar o crédito, antes da emissão do despacho decisório, a própria autoridade fiscal já tinha condições de verificar o crédito da Contribuinte e não o fez. Diante dessas considerações, deve ser reconhecido o direito creditório e homologada as compensações efetuadas. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, reconhecendo o direito creditório da Recorrente e homologando integralmente a compensação objeto do presente processo. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10976.000781/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991.
INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos
do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado
antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não
são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos
mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa
de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no
art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 30/12/2009, data da ciência do sujeito passivo,
e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período
compreendido entre 01/2004 a 12/2004. Com isso, as competências
posteriores a 12/2003 não foram abrangidas pela decadência, permitindo o
direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento
fiscal.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou
sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode,
sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que
reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no
art. 22, IV, da Lei n° 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de
cooperativa de trabalho.
Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da
empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições
previdenciárias.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais CARF
afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos
termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da
constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso
administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no
ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou
seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na
taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados
pela Secretaria da Receita Federal.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas
ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As
demais sofrerão os efeitos da tributação.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou
resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente,
integra o salário de contribuição.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT). INCIDÊNCIA.
CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e
legais as contribuições destinadas ao SAT.
preponderante da empresa, que é aquela exercida pelo maior número de
segurados empregados e trabalhadores avulsos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.771
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ABONO Recorrente CEVA LOGISTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 30/12/2009, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período compreendido entre 01/2004 a 12/2004. Com isso, as competências posteriores a 12/2003 não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 2 A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais sofrerão os efeitos da tributação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legais as contribuições destinadas ao SAT. O percentual contributivo será aplicado de acordo com o tipo de atividade preponderante da empresa, que é aquela exercida pelo maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.403 3 Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Leôncio Nobre de Medeiros e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausentes os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, lavrado em face da sociedade empresária CEVA LOGISTICS Ltda, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 438/453 – Volume III) informa que os fatos geradores apurados no presente lançamento fiscal não foram declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e são decorrentes das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre valores pagos a empregados a títulos de ajuda habitação, aviso prévio especial, bônus, participação nos lucros ou resultados (PLR) e veículos a dirigentes, bem como valores pagos a cooperativas. Foram verificados, dentre outros documentos, folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), Guias da Previdência Social (GPS), e relatórios extraídos dos sistemas de consulta CNISA, PLENUS, da Receita Federal do Brasil (RFB). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/12/2009, mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (fl. 01 e 437). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1050/1264 e fls. 1268/1283 – Volume VI), alegando, em síntese, que: 1. DECADÊNCIA. Que os valores lançados já se encontram extintos pela decadência, por determinação do artigo 150, §4° c/c o artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional, pois o Auto de Infração que exige valores supostamente não recolhidos pela impugnante no ano de 2004, apenas foi lavrado em dezembro de 2009; 2. AFERIÇÃO INDIRETA. Que no caso em apreço tivesse o autuante verificado, além dos registros contábeis da impugnante, as folhas de salário de cada filial, certamente não teria lavrado a autuação ora impugnada ou quando muito, a teria lavrado com a devida discriminação de cada um dos funcionários envolvidos. Ou seja, o que fez o autuante foi utilizarse indevidamente do extremo instituo da aferição indireta para tentar buscar fundamento para o lançamento, o que não pode ser admitido, já que a legislação de regência permite a utilização de aferição indireta em situações pontuais que, data máxima vênia, não ocorrem na hipótese destes autos (transcreve o artigo 148 do CTN e decisões administrativas sobre a matéria). Se foi entregue à fiscalização documentação idônea envolvendo a relação dos empregados da impugnante, como de fato ocorreu, é extreme de dúvidas de que bastaria o cotejo de tais documentos para se afirmar, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.404 5 com a devida precisão, que os pagamentos realizados pela impugnante estavam todos amparados em documentos de suporte hábeis e idôneos; 3. CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Discorre sobre o conceito de salário de contribuição, e diz que no caso em tela, nem a ajuda habitação, o aviso prévio especial e o bônus pagos pela impugnante se enquadram na categoria de remuneração porque não são decorrentes da relação sinalagmática entre o empregado e a impugnante, pois o seu pagamento não decorreu de retribuição ao trabalho prestado (transcreve entendimento doutrinário sobre a natureza contraprestacional ou sinalagmática da remuneração). Que pela análise do parágrafo 9° do mesmo artigo 28 da Lei 8.212; de 1991, que explicita as parcelas que não integram o salário de contribuição para fins previdenciários, verificase que há, basicamente, dois tipos de pagamentos que não devem servir para a incidência de contribuições previdenciárias: os pagamentos com caráter indenizatório e os ressarcimentos de despesas (define pagamentos indenizatórios e ressarcitórios); 4. AJUDA HABITAÇÃO. Que a ajuda habitação era paga pela impugnante para funcionários que estivessem trabalhando fora dos seus respectivos locais de trabalho, ou seja, se o funcionário A, lotado na filial da impugnante em Santo Amaro, viesse a ser requisitado a executar um trabalho de 40 dias em Betim, a impugnante disponibilizava apartamento alugado para o referido funcionário, ao invés de colocálo em hotéis e suportar o custo com diárias. A ajuda habitação recebida por alguns empregados da impugnante não era beneficio auferido pelo trabalho que realizavam, mas sim ressarcimento pela impugnante de despesas incorridas em decorrência da mudança temporária de seu local de trabalho. Não há qualquer acréscimo ao patrimônio dos empregados da impugnante que se utilizam dessa ajuda habitação para fazer frente às despesas que decorriam com o aluguel de moradias, enquanto estivessem naquelas localidades para as quais foram temporariamente transferidos. Que nenhum funcionário receberia a citada ajuda habitação por mais de 12 meses, fato este que demonstra seu caráter não habitual (cita como exemplo nomes de alguns funcionários); 5. AVISO PRÉVIO ESPECIAL. Que o aviso prévio especial era pago por óbvio, quando do término do pacto laboral dos funcionários com a impugnante, portanto, sem habitualidade, tudo conforme previsto na Convenção Coletiva do Trabalho. Portanto, não havia qualquer liberalidade por parte da impugnante no pagamento dessa verba (transcreve o disposto na cláusula 21a da Convenção Coletiva do Trabalho). Transcreve decisões judiciais/administrativas e o disposto no item 7, letra “e”, do § 9°, do artigo 28 da Lei n° 8.212 de 1991, e conclui que com base nos dispositivos legais e regulamentares e na pacífica jurisprudência dos Tribunais judiciais e administrativos, a indenização paga pela impugnante a seus empregados demitidos, com Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 6 certeza se enquadra na hipótese de ganho eventual e sem habitualidade, visto que seu pagamento é desvinculado do salário e que se trata de ganho eventual; 6. BÔNUS. Que os bônus pagos aos empregados são, em verdade, verdadeiro prêmio por contribuições e iniciativas para o melhor desenvolvimento das atividades sociais da impugnante, a titulo de exemplo cita nomes de alguns funcionários, e diz que esta não possui natureza salarial, uma vez que não é habitual porque apenas paga como recompensa por uma invenção/iniciativa, bem como não decorrem da prestação de trabalho dos empregados à impugnante (transcreve decisão judicial/administrativa e entendimento doutrinário); 7. PAGAMENTOS À COOPERATIVAS. Que a contribuição instituída pela Lei n° 9.876, de 1999 é incompatível com diversos comandos constitucionais, em especial os artigos 195, §4°; 154, I, e 145, §1°, todos da Constituição Federal e, ainda, afronta disposições infraconstitucionais, tais como o artigo 128 do Código Tributário Nacional; 8. CONTROLE DA LEGALIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. Que em sede administrativa não somente se pode, como se deve, reconhecer a possibilidade da autoridade julgadora deixar de aplicar determinada disposição normativa, pelo fato de não estar em consonância com o sistema jurídico vigente, seja ela constitucional ou inconstitucional; 9. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR. Que ao não individualizar cada um dos beneficiários, acabou por comprometer a validade da exigência, implicando em manifesto cerceamento ao direito de defesa, pois, limitouse o autuante a informar o somatório pago pela impugnante a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), e aplicou a correspondente contribuição previdenciária sobre essa base. A Constituição Federal, desde logo, independentemente da edição de qualquer legislação sobre a matéria, imunizou o pagamento de PLR da incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que claramente destacouo da remuneração. Assim, pela imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo de PLR para viabilizar tal pagamento. Diz que nem a Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, nem as Medidas Provisórias anteriormente editadas, para regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, estabelecem ou estabeleceram – e nem poderiam – novo regime aos pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados, limitandose a sugerir uma forma para que as empresas implementem programas de participação nos lucros e resultados, nos termos da Constituição Federal. Da análise da legislação que instituiu o PLR, verificase que pelo menos três parâmetros básicos para a implantação do benefício foram estabelecidos, quais seja: (i) negociação entre a empresa e seus empregados, por meio de comissão escolhida entre as partes, convenção ou acordo coletivo; (ii) regras claras e objetivas oriundas Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.405 7 dos instrumentos decorrentes das negociações; (iii) participação/ciência da entidade sindical acerca das negociações. No caso da impugnante, os Acordos de PLR aplicáveis são Acordos Coletivos que foram firmados entre a impugnante e seus funcionários (representados pelas Comissões de Empregados, devidamente eleitas) e, ainda, com a participação do Sindicato dos Empregados. Diante da exiguidade do prazo de defesa, a impugnante anexará os Acordos de PLR de suas filiais oportunamente. Portanto, podese concluir, prima facie, que estes possuem todos os elementos necessários ao pleno atendimento dos requisitos constantes da legislação vigente, que foi, portanto, completamente atendida pela impugnante. Tanto é que em nenhum momento o fiscal autuante contesta os critérios adotados pela impugnante para estabelecer o seu programa de participação nos lucros e resultados. Ocorre que, não obstante o fato de ter a impugnante cumprido todas as diretrizes da legislação quando da emissão de seus PLR’s, para justificar a incidência de contribuições previdenciárias a fiscalização apegouse ao argumento de que não haveria provas de que as metas estipuladas teriam sido atingidas. Assim, desde 1988, os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados das empresas não podem ser incluídos no salário de contribuição e, conseqüentemente, sobre tais valores não devem incidir as contribuições previdenciárias, independentemente da edição de qualquer ato normativo ou da formalização de qualquer ato convencional a respeito, (transcreve decisões judiciais); 10. VEÍCULOS A DIRIGENTES. Que as despesas incorridas eram para o trabalho e não pelo trabalho, portanto, não se enquadra no conceito de salário de contribuição. Que os diretores e gerentes beneficiados com essa parcela são descontados em folhas de pagamento, o que não foi observado pelo autuante. Assim, na medida em que a parcela denominada veículos a dirigentes é descontada dos respectivos beneficiados, mister se faz aplicar ao caso em apreço a pacífica jurisprudência dos tribunais pátrios que afasta a natureza salarial de parcelas que são objeto de desconto em folha. Tendo em vista que a parcela veículo a dirigentes é fornecida para o trabalho, sabidamente não podem agregar ao salário de contribuição dos beneficiados, pois não se destina a retribuir o trabalho prestado, e com o desconto em folha dos beneficiados, temse que não se está diante de verbas integrantes do salário de contribuição; 11. INADEQUAÇÃO DO CÁLCULO DO RAT. Que ao aplicar a mesma alíquota de 2% de maneira indistinta para todas as dezenas de filiais da impugnante, o autuante incorreu em grave equívoco na media em que de acordo com a legislação vigente o cálculo do risco de acidente de trabalho deve ser apurado, filial por filial. Transcreve a legislação que dispõe sobre o SAT (artigo 26 do Decreto n° 2.173, de 1997, artigo 202 e 203, do Decreto 3.048, de 1999) e decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e diz que com base na jurisprudência pacífica do E. Superior Tribunal de Justiça, o grau de risco e, portanto, a alíquota aplicável, deve ser fixada com base em Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 8 cada estabelecimento, razão pela qual a alíquota de 2% que pretende o autuante aplicar para todas as filiais da impugnante é de todo inservível; 12. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. No que tange a aplicação dos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência vêm reconhecendo a inaplicabilidade da taxa referencial SELIC aos créditos tributários, uma vez que esta taxa não foi criada por lei para fins tributários (transcreve decisão proferida pelo STJ). Destaca que, embora as autoridades administrativas não tem competência para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de regras vigentes no ordenamento, elas podem afastar a sua aplicação com base em precedentes jurisprudenciais que, como já demonstramos acima, vêm reconhecendo a inexigibilidade de juros de mora calculados pela Taxa Referencial SELIC; 13. PEDIDO. Pede que seja decretada a improcedência da autuação. Requerse, na remota hipótese de não decretar a total insubsistência da exigência ora impugnada, que determine a realização de diligência que permita à impugnante apresentar todas as provas documentais e mesmo testemunhais. Na medida em que a autuação ora combatida é intimamente relacionada com a exigência formulada nas autuações n's 37.211.7783 e 37.211.7775, requer que sejam as defesas acostadas umas às outras e que o julgamento delas seja feito de maneira uniforme, evitandose com isso a prolação de decisões conflitantes sobre o mesmo tema. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo HorizonteMG – por meio do Acórdão 0227.425 da 7a Turma da DRJ/BHE (fls. 1285/1307 – Volume VI) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 1315/1383 – Volume VII), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Agência da Delegacia da Receita Federal do Brasil em BetimMG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 1401 – Volume VII). É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.406 9 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fl. 1315). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que seja declarada a extinção do crédito tributário ora analisado, pois, como o período fiscalizado referese às competências de 01/2004 a 12/2004, os créditos apurados foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 156, inciso V, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 10 Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.407 11 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento. (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2004 a 12/2004 e foi efetuado em 30/12/2009, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 437). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, conforme Fl. 11DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 12 Discriminativo do Débito DD (fls. 04/48 – Volume I). Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que nenhuma competência lançada foi abrangida pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2004 a 12/2004 e não está abarcado pela decadência tributária. Diante disso, rejeito a preliminar de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega ilegitimidade do arbitramento, realizado pela AuditoriaFiscal, para apuração da base de cálculo da rubrica Veículos a Dirigentes. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – item 3.1.4 e subitens – (fls. 449/451 – Volume III), visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Nesse item 3.1.4 e subitens, constatase que a rubrica Veículos a Dirigentes foi apurada por aferição indireta, em virtude da apresentação deficiente dos esclarecimentos a que fora intimada a Recorrente, a teor do contido nos §§ 1°, 3° e 5° do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991, tendo concluído que os veículos fornecidos a Dirigentes e utilizados para uso pessoal em horários fora do trabalho e finais de semana, tratavase de utilidade salarial, integrando, portanto, a remuneração do empregado, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 37.257.8667 pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Consoante subitem 3.1.4.5 do Relatório Fiscal (fls. 451), o Anexo VD – período de 01/2004 a 12/2004, discrimina mês a mês, os valores devidos a título de Veículo a Dirigentes, inclusive considera a dedução do desconto da rubrica 7515 – DESCONTO ALUGUEL DE VEÍCULO, embasados nas Folhas de Pagamento/Resumos e registros contábeis, apresentados à Fiscalização. Quanto à individualização dos beneficiados com a rubrica Veículos a Dirigentes, registrase que no Anexo “VD – VEÍCULOS A DIRIGENTES” (fls. 587/596 – Volume III) constam os nomes de todos os beneficiados, por estabelecimentos e competências. Quanto às demais rubricas consideradas como integrantes do salário de contribuição, quais sejam: ajuda habitação, aviso prévio especial, bônus, participação nos lucros ou resultados, assim como os valores pagos a cooperativas, não consta dos autos que foram apuradas por aferição indireta. Diante disso, pela leitura do Relatório Fiscal de fls. 438/453, verificase que a fundamentação legal que embasou o lançamento fiscal é justamente o art. 33, parágrafo 3°, da Lei n° 8.212/1991. Essa fundamentação legal também está registrada no anexo Fundamentos Legais do Débito (FLD) de fls. 49/51. Logo, a forma de apuração da base de cálculo, mediante critério de aferição indireta, encontrase devidamente demonstrada nas peças que integram o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), tais como: Relatório Fiscal (fls. 438/453 – Fl. 12DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.408 13 Volume III); Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 49/51 – Volume I); Discriminativo do Débito DAD (fls. 04/48 – Volume I); dentre outros. Nesse sentido, dispõem o art. 148 do CTN e o art. 33, parágrafo 3°, da Lei no 8.212/1991, respectivamente, transcritos abaixo: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, parágrafo 3°, da Lei no 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da base de cálculo dos valores lançados no presente processo, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil Fl. 13DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 14 pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A Recorrente alega inconstitucionalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, transcrito abaixo: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC Fl. 14DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.409 15 estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei nº 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. LEI nº 5.172/1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art.161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelece os arts. 34 e 35 da Lei n° 8.212/1991, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 16 O art. 35 da Lei n° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado Fl. 16DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.410 17 pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 49/51 – Volume I), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação tributáriaprevidenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Fl. 17DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 18 Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. No que tange a arguição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a incidência de contribuições concernente à contratação de serviços de cooperativa de trabalho, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei n° 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF, devidamente retromencionado na análise da inconstitucionalidade da taxa de juros (taxa SELIC). Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados de cooperativas de trabalho. Para fins de esclarecimentos, convém apreciar a legislação que trata da contribuição sobre os serviços de cooperativas de trabalho. A partir da competência março de 2000, a tomadora de serviços prestados por cooperativa de trabalho ficou com o dever de contribuir com a alíquota de 15% sobre o valor da nota fiscal/fatura para a seguridade social. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestes termos: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Uma vez que a Recorrente tomou serviços da cooperativa de trabalho MULTICOOP Cooperativa de Trabalho Profissional, Informática e Serviços Logísticos Ltda (CNPJ: 00.908.322/000133), deveria ter contribuído para a seguridade social com a alíquota de 15% sobre as respectivas notas fiscais ou fatura, a partir da competência março de 2000. Em face da constatação da existência de pagamentos, caracterizado está o fato imponível (fato jurídico tributário, situação fática) da contribuição social. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.411 19 Com relação à alegação de inconstitucionalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446 SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Frisamos novamente que não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF, devidamente mencionado na análise da inconstitucionalidade da taxa de juros (taxa SELIC). O art. 22, inciso II, da Lei n° 8.212/1991 – diploma que dispõe sobre o custeio da Seguridade Social e dá outras providências – estabelece: Fl. 19DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 20 Art. 22. (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n° 9 732, dei1.12.98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Com efeito, o dispositivo legal susomencionado estabelece que a alíquota do SAT a ser aplicada no cálculo contributivo é definida em relação à atividade preponderante exercida pelos segurados da empresa e o grau de risco (leve, médio e grave) presente no ambiente de trabalho. Ressaltarse que considera atividade preponderante a que ocupa, levandose em conta todos os estabelecimentos da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do art. 202, § 3°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, transcrito abaixo: Art. 202 (...) § 3o Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (g.n.) Assim, o enquadramento é feito, levando em consideração todos os estabelecimentos da empresa, de modo que a alíquota do SAT/GILRAT seja única. Com isso, para efeito do enquadramento da empresa no grau de risco leve, médio ou grave, devese levar em consideração a atividade econômica preponderante da empresa e não a atividade de cada estabelecimento como deseja a Autuada em sua peça recursal. Acrescentase que, à luz do anexo IV do Regulamento da Previdência Social (RPS), é possível identificar qual o grau de risco atribuído à empresa, de acordo com o tipo de atividade laboral. É importante ressaltar que, no presente lançamento, não se cobra diferença de alíquota para o seguro de acidente do trabalho por reenquadramento nos graus de risco, mas sim, de aplicação da mesma alíquota de 2% (dois por cento) que a empresa considerou para cálculo da referida contribuição, conforme informado nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), do mesmo período deste lançamento. Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidos os valores de contribuições sociais destinados para Fl. 20DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.412 21 o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT) e não há qualquer inadequação no cálculo desses valores. Quanto aos valores lançados em decorrência da remuneração proveniente da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o procedimento de auditoria fiscal demonstrou que tal verba foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. Esclarecemos que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, §9º, da Lei no 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/2000. No presente processo, a remuneração, cognominada de participação nos lucros e resultados, paga aos segurados fora realizada em desacordo com o mencionado diploma legal e, com isso, deverá integrar o salário de contribuição dos valores lançados. Lei no 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.) Nesse sentido, a Lei nº 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei nº 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei nº 10.101/2000: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 21DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 22 I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Verificase que a verba cognominada de Participação nos Lucros ou Resultados foi paga pela empresa em desacordo com os dispositivos legais, conforme devidamente enfatizado no conjunto fáticoprobatório do item 3.1.3 do Relatório Fiscal (fls. 444/449 – Volume III), visto que: 1. a empresa não convenciona com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados, conforme relatado no item 3.1.3.4.2.1, em relação aos estabelecimentos das localidades de Duque de Caxias RJ, JoinvilleSC, ManausAM e CuiabáMT; 2. foram estipulados critérios de metas e parâmetros para o cumprimento de metas, porém a Recorrente não apresentou os resultados que pudessem embasar o pagamento decorrente de PLR, exceto para as localidades de BetimMG e Sete Lagoas MG, explicitado no item 3.1.3.6 (fl. 447 – Volume III). É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivo de Trabalho referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, muito mais importante e mesmo essencial é a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. São normas que visam incentivar o desenvolvimento com o comprometimento do empregado no resultado financeiro ou operacional, daí as metas serem estipuladas previamente com a concordância dos interessados. Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Quanto à alegação de que ao não individualizar cada um dos beneficiários, acabou por comprometer a validade da exigência, implicando em manifesto cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, não merece acolhida, visto que no Anexo APURAÇÃO PLR, juntado às fls. 493/586, consta a individualização de cada beneficiário com os respectivos valores recebidos a título de PLR. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.413 23 Por fim, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Assim, passarei a utilizar os fundamentos registrados na decisão de primeira instância (fls. 1285/1307 – Volume VI) para explicitar os elementos fáticos e jurídicos desta decisão, bem como eles serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, §1o, da Lei no 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal – transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) §1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Com isso, esclarecemos que a decisão de primeira instância abordou de forma suficiente todas as argumentações de mérito registradas na peça recursal de fls. 1315/1383 – Volume VI, nos seguintes termos: “CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Considerando a interpretação que deve ser dada ao dispositivo constitucional que determina o financiamento da Seguridade Social por toda a sociedade (princípio da solidariedade) o que diretamente é feito pelas contribuições previdenciárias dos empregadores, empresas e dos trabalhadores nos moldes determinados pelo artigo 195, inciso I e II, verificase que não há limites de incidência tão somente sobre as verbas devidas pelas empresas aos segurados empregados que tenham naturezas salariais, assim consideradas como contraprestação do trabalho, efetivamente, prestado. Ao contrário, o permissivo constitucional amplia a incidência das alíquotas previdenciárias a quaisquer rendimentos dos segurados empregados, o que vem demonstrar que, para fins de incidência da contribuição previdenciária, tal dispositivo constitucional recepcionou o conceito ampliativo de salário, abarcando, inclusive, outras parcelas, desde que sejam oriundas da relação contratual trabalhista. O dispositivo constitucional, em sua redação atual após a Emenda Constitucional n° 20, de 15.12.1998, assim preconiza: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: Fl. 23DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 24 a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditadas, a qualquer título, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregatício. Omissis. Omissis. II – do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o artigo 201; Observese que a competência para instituição da contribuição social não se restringe apenas à folha de salários, mas também a de incluir os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, mesmo sem vínculo empregatício. Assim, de acordo com a norma de incidência tributária, haverá ou não a tributação a depender da natureza de cada verba, excluindo somente aquelas de natureza indenizatória e, no caso, a legislação previdenciária exclui, expressamente, da incidência de contribuição todas as verbas que efetivamente não apresentam natureza salarial, conforme se depreende do § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991 (parcelas não integrantes do saláriodecontribuição). (...) Posto isso, cabe apreciar as questões colocadas pela impugnante quando contesta o pagamento das rubricas Ajuda Habitação, Aviso Prévio Especial, Bônus e Veículos a Dirigentes, por considerálas não integrantes do salário de contribuição, já que não possuem natureza salarial. AJUDA HABITAÇÃO O conceito de salário de contribuição é bastante abrangente como se observa dos artigos 195, da Constituição Federal de 1988 e do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991, em sua redação dada pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997. Tendo em vista o conceito de salário de contribuição anteriormente explicitado, temos que todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, são considerados saláriodecontribuição e nesse caso incluemse a ajuda habitação paga pela empresa em benefício de seus empregados. Tratase de vantagem fornecida pelo empregador em decorrência do contrato como forma de gratificação pelo trabalho desenvolvido. Estão presentes, assim, os requisitos do salário in natura, quais sejam o fundamento contratual (expresso ou tácito), habitualidade, comutatividade (contraprestação) e o suprimento de necessidades do trabalhador. (...) Consoante item 3.1.1.4 do Relatório do Auto de Infração, às fls.443, a referida rubrica foi paga ou creditada, de forma Fl. 24DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.414 25 habitual e em várias parcelas ao mesmo empregado, tendo a Fiscalização constatado, ainda, na análise do Registro de Empregados, que não foi consignado qualquer registro de mudança de local de trabalho do empregado por motivo de transferência, afastando a possibilidade de correlação de ajuda de custo, na forma do artigo 470 da CLT, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. AVISO PRÉVIO ESPECIAL E BÔNUS Conforme a legislação já citada nesta decisão, os valores percebidos a título de Aviso Prévio Especial e Bônus pelos segurados empregados, independentemente da forma como foram pagos, integram o saláriodecontribuição e, conseqüentemente, constituem base de cálculo da contribuição previdenciária, senão vejamos. (...) No caso em exame a verba paga aos empregados a título de Aviso Prévio Especial, está prevista na Cláusula 21 da Convenção Coletiva de Trabalho CCT, fixandose os critérios e condições para que o empregado faz jus ao beneficio. Como já dito, a Consolidação das Leis do Trabalho, no artigo 457, parágrafo 1°, prescreve que integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pago pelo empregador. Desta forma inexistem dúvidas que a verba paga a título de Aviso Prévio Especial pela empresa aos empregados é uma "gratificação ajustada", revestindose de natureza salarial, podendo ser exigida pelo trabalhador se preenchido as condições e critérios previstos na CCT, logo, não há que se falar em eventualidade e liberalidade. Também, não procedem as alegações de que as importâncias pagas aos empregados tem natureza indenizatória, pois indenizar significa reparar, compensar, ressarcir. No caso, são oferecidas vantagens para o trabalhador demitido sem justa causa, com mais de 50 (cinqüenta) anos de idade, aviso prévio especial, e bônus para aqueles que tivessem atitudes ou idéias inovadoras que melhorariam a qualidade e a imagem da empresa. Por todo o exposto, concluise que as verbas pagas pela empresa a título de Aviso Prévio Especial e Bônus, possuem natureza jurídica salarial e integram, indubitavelmente, o salário de contribuição, conforme definido no inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212 de 1991, visto que referidas verbas não constam das exceções contidas nas alíneas do § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 26 VEÍCULOS A DIRIGENTES O conceito de salário de contribuição é bastante abrangente como se observa dos artigos 195, da Constituição Federal de 1988 e do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991, em sua redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997, transcritos nesta decisão. (...) Consoante se vê nos itens 3.1.4.4.1.2 e 3.1.4.5, do Relatório do Auto de Infração, fls.451, não foram incluídos na base de cálculo do presente lançamento, a parcela correspondente às horas para o trabalho e os valores relativos aos descontos da rubrica 7515 – Desconto Aluguel de Veículo constante das folhas de pagamento/Resumos. Portanto, na aferição da base de cálculo da rubrica Veículos a Dirigentes, foram considerados apenas a parcela das horas em que os veículos não eram utilizados pelos dirigentes para o trabalho, ou seja, das 720 horas mensais (30 x 24), foram deduzidas 220 horas (10 x 22) para o trabalho, sendo que o restante, 500 horas mensais foram consideradas pelo trabalho, conforme item 3.1.4.4.1.2, do Relatório do Auto de Infração, às fls. 451. Este raciocínio é válido para todas as hipóteses de pagamento in natura. Se o empregado utiliza o veículo da empresa para o cumprimento de suas tarefas profissionais, para o serviço, não se considera o uso do veículo como prestação de caráter remuneratório, estando fora do conceito de saláriode contribuição; mas se é permitido a este empregado permanecer de posse do veículo fora do horário de expediente, utilizandoo para seu lazer e de sua família, a situação se altera, pois então o caráter remuneratório fazse evidente. O ponto de diferenciação é este: tudo que for concedido ao empregado para que ele execute suas tarefas de forma mais eficiente é prestação para o trabalho, que não compõe seu salário e, portanto, não integra o saláriodecontribuição; tudo que a ele for concedido como retribuição pelo exercício de suas atividades, que não serão fruídas durante o transcorrer do serviço, é prestação pelo trabalho, compondo o salário de contribuição. (...) Portanto, considerando que na apuração da base de cálculo, relativo à rubrica veículos a dirigentes, foram deduzidos os valores constantes das folhas de pagamento a título de desconto de aluguel de veículos – código 7515 e a parcela das horas aferidas destinadas para o trabalho, irrepreensível o procedimento fiscal quanto ao arbitramento da base de cálculo relativa às horas em que o veículo ficava com os dirigentes pelo trabalho, devendo pois integrar o salário de contribuição para efeitos de incidência das contribuições previdenciárias. Os valores foram discriminados no Anexo VD – Veículos a Dirigentes, juntado às fls. 587 a 596.” (Decisão de primeira Fl. 26DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000781/200913 Acórdão n.º 2402001.771 S2C4T2 Fl. 1.415 27 instância: Acórdão 0227.425 da 7a Turma da DRJ/BHE, fls. 1285/1307 – Volume VI) Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento fiscal foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10611.000308/2011-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 27/04/2011
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO
Não deve ser conhecido o pedido cujo objeto não tem pertinência com a matéria em litígio.
Numero da decisão: 3001-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira
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NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o pedido cujo objeto não tem pertinência com a matéria em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: “O interessado protocolizou o Pedido de Restituição, relativo ao tributo imposto de importação no valor de R$ 596,25, pago na importação a que se refere a NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE BAGAGEM ACOMPANHADA nº 3765, de 27/04/2011. A procedência do pedido foi analisada pela Equipe Aduaneira do Terminal de Passageiros do Aeroporto Internacional Tancredo Neves EAD3 (Tps), que decidiu pelo lançamento do tributo pago na operação de importação em tela. Cientificada da decisão em 07/02/2011 (fl.28) e inconformado, apresentou manifestação de inconformidade em 02/03/2011 (fl.30) contestando a decisão administrativa com os seguintes argumentos: Há nulidade do lançamento pela falta de discriminação dos bens objeto de lançamento; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 03 08 /2 01 1- 81 Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.074 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.000308/2011-81 Todos os bens trazidos do exterior são de uso pessoal não se enquadrando no art.157, III, do RA. “ A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão foi assim ementado: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constitui crédito a restituir como pagamento a maior ou indevido somente quando haja a efetiva comprovação do direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em síntese, o colegiado afastou a preliminar de nulidade, pois não identificou os vícios previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. E, no mérito, ratificou o lançamento de ofício efetuado por meio da Notificação de Lançamento nº 3.765, de 27/04/11, e, por conseguinte, negou o direito à restituição. O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, novamente, em sede de preliminar, pede a decretação da nulidade do lançamento de ofício, porque os bens não foram discriminados, o que o impediu de verificar quais itens foram autuados e a adequação do valor a eles atribuído. No mérito, alega que o despacho decisório se equivocou e classificou os bens no inciso III do art. 33 da IN RFB n° 1.059/10, cuja isenção estava limitada a US$ 500.00. Contudo, tratava-se de bens de uso pessoal, os quais gozavam da isenção integral do inciso II do art. 33 da IN RFB nº 1.059/10. É o relatório Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Relator. O presente litígio versa sobre o Despacho Decisório, que indeferiu Pedido de Restituição do Imposto de Importação (fls. 25 e 26), pago em decorrência da lavratura da Notificação de Lançamento (NL) nº 3.765 (fl. 09). A NL data de 27/04/11, quando dela a recorrente tomou ciência e efetuou o pagamento que julga ser indevido e que pretende que lhe seja restituído. No recurso voluntário, tal qual na impugnação, a recorrente somente contesta o lançamento de ofício. Na preliminar pede a decretação da nulidade da NL, pela falta de discriminação dos bens. E, no mérito, o cancelamento do lançamento, porque se tratava de bens de uso pessoal, cuja isenção do II não estava sujeita a limites, nos termos do art. 33 da IN RFB 1.059/10. Contudo, a NL não integra a lide em exame, a qual, repito, cuida do Despacho Decisório que indeferiu Pedido de Restituição do Imposto de Importação (fls. 25 e 26). Com efeito, nos termos dos artigos 9º e 11 do Decreto nº 70.235/72, a NL constitui instrumento de formalização de lançamento de ofício, que poder ser impugnada, dentro Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.074 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10611.000308/2011-81 do prazo legal de trinta dias da data da ciência (artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72), quando então instaura-se um litígio para discussão administrativa da exigência do respectivo tributo. Isto posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990052/2009-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 29/12/2005
ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO.
Deve ser reconhecido o crédito informado em DCOMP de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ quando o valor apurado da referida estimativa, inferior, no montante alegado, ao pagamento efetuado, é comprovado por documentos contábeis e a não utilização do valor pago a maior no saldo negativo do período é demonstrada na DIPJ correspondente.
Numero da decisão: 1001-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo a novembro de 2005 no montante de R$ 15.792,48 e homologar parcialmente a DCOMP 36565.92991.301106.1.3.04-7010 no limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: Sérgio Abelson
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 29/12/2005 ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Deve ser reconhecido o crédito informado em DCOMP de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ quando o valor apurado da referida estimativa, inferior, no montante alegado, ao pagamento efetuado, é comprovado por documentos contábeis e a não utilização do valor pago a maior no saldo negativo do período é demonstrada na DIPJ correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo a novembro de 2005 no montante de R$ 15.792,48 e homologar parcialmente a DCOMP 36565.92991.301106.1.3.04-7010 no limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Deve ser reconhecido o crédito informado em DCOMP de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ quando o valor apurado da referida estimativa, inferior, no montante alegado, ao pagamento efetuado, é comprovado por documentos contábeis e a não utilização do valor pago a maior no saldo negativo do período é demonstrada na DIPJ correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo a novembro de 2005 no montante de R$ 15.792,48 e homologar parcialmente a DCOMP 36565.92991.301106.1.3.04-7010 no limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 00 52 /2 00 9- 01 Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.655 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.990052/2009-01 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 21/24) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 03, que não homologou a compensação constante da DCOMP 36565.92991.301106.1.3.04-7010 (folhas 04/08), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 25.435,10, tendo em vista que os valores do DARF informado como origem do crédito, de período de apuração 30/11/2005, data de arrecadação 29/12/2005, código de receita 2362 (IRPJ- PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL - ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS - ESTIMATIVA MENSAL) e valor total de R$ 331.487,92, foram integralmente utilizados para quitação do débito da contribuinte discriminado no DARF, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade (folha 02), a contribuinte alega, em síntese, que constatou que havia erro no valor do débito de estimativa de IRPJ de novembro de 2005 informado na DCTF, o qual não correspondia ao valor informado na DIPJ 2006, relativa ao ano-calendário 2005, razão pela qual, após tomar conhecimento do Despacho Decisório em questão, apresentou DCTF retificadora, corrigindo o valor do referido débito. No acórdão a quo, a não-homologação foi mantida pelo fato da contribuinte ter retificado sua DCTF após ter tomado ciência do despacho decisório sem ter trazido aos autos nenhuma prova material que pudesse justificar o erro ocorrido na declaração original. Ciência do acórdão DRJ em 24/04/2014 (folha 26). Recurso voluntário apresentado em 08/05/2014 (folha 27). A recorrente, às folhas 27/41, em síntese do necessário, solicita apreciação dos documentos contábeis comprobatórios que apresenta (folhas 61/91), em nome do princípio da verdade material e, se necessário, a conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e admissível segundo os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele conheço. O demonstrativo elaborado pela recorrente, à folha 61, é amparado pelos documentos contábeis subsequentes, indicados no próprio demonstrativo, e confirmam o valor da estimativa de IRPJ de novembro de 2005 no montante de R$ 315.695,44. Não constava do processo, contudo a DIPJ relativa ao período, na qual seria possível verificar qual montante de estimativa de IRPJ de novembro de 2005 foi utilizado na apuração do resultado daquele tributo no referido ano-calendário. Tal verificação mostrou-se Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.655 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.990052/2009-01 necessária para que não houvesse dupla utilização do crédito: na compensação de pagamento indevido ou a maior e na apuração do resultado do ano-calendário. Com isso, o julgamento foi convertido em diligência determinada pela Resolução 1001-000.144, proferida por esta 1ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF em 12 de setembro de 2019, para que fosse anexada aos autos cópia integral da DIPJ 2006, relativa ao ano-calendário 2005, ativa e, se houvesse, da(s) retificada(s). Em resposta, foram anexados ao processo a DIPJ às folhas 97/142, o extrato informando tratar-se de DIPJ original ativa à folha 143 e nova cópia da DIPJ anexada pela contribuinte, às folhas 153/202. Na referida declaração é possível constatar que o valor da estimativa de IRPJ de novembro de 2005 utilizada na apuração do saldo negativo do período foi de R$ 315.695,44. Fica, desta forma, comprovado que o pagamento no montante de R$ 331.487,92, efetuado a maior, gerou um crédito de R$ 15.792,48 que não foi utilizado no referido saldo negativo. O crédito em questão, portanto, constitui pagamento indevido ou a maior com liquidez e certeza conformadas, encontrando-se apto a compensar os débitos confessados na DCOMP em tela. Quanto ao pagamento no valor principal de R$ 9.642,62, que a recorrente demonstra, à folha 59, ter efetuado para extinguir parte dos débitos compensados na DCOMP em questão, eventual questionamento porventura necessário deverá ser dirigido à Unidade de Origem. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo a novembro de 2005 no montante de R$ 15.792,48 e homologar parcialmente a DCOMP 36565.92991.301106.1.3.04-7010 no limite do crédito reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital
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