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Numero do processo: 13362.720684/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE.
Tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a alienação de parte da área do imóvel, por meio de documentação válida - Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente -, oImposto sobre a Propriedade Territorial Rural deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a alienação de parte da área do imóvel, por meio de documentação válida Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente , oImposto sobre a Propriedade Territorial Rural deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 72 06 84 /2 00 9- 49 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão de nº 03044.460 da 1ª Turma da DRJ/BSB (fls. 36/43), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte, mantendose, em parte, o crédito tributário lançado. No caso, consta nos autos que, mesmo após ser regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou os documentos que confirmassem o Valor da Terra Nua (VTN) lançado na DITR/2005, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Teresa”, cadastrado perante a RFB sob o NIRF 6.389.5757, localizado no Município de Bom Jesus (PI). Em consequência, a fiscalização alterou o valor do VTN no citado imóvel, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB, restando arbitrado em R$ 6.676.223,40, disto resultando o imposto suplementar de R$ 1.334.744,68. Neste sentido foi emitida a competente Notificação de Lançamento nº 03302/00041/2009 contra a Interessada/Contribuinte, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratório e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 3.019.592,88. Na Impugnação, a Contribuinte legal juntou documentos e apresentou seus argumentos de defesa, que foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “(...) o ITR/2005 que está sendo cobrado da contribuinte referesea imóvelconstituído por duas fazendas (Fazenda Santa Teresa, com área de 48.220,0 ha e FazendaLagoa dos Patos III, com área de 15.200,0 ha); Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 3 3 partes dessas fazendas foram vendidas e parcialmente readquiridas, de forma que, no exercício 2003, a área total do imóvel rural em nome da empresa era de 33.683,9ha e não 63.420,0 ha; comoa área do imóvel rural em nome da empresa passou a ser de 33.683,9 ha, a partir do exercício 2003, de acordo com as escrituras de compra e venda apresentadas, o recolhimento dos valores lançados seria desproporcional; Por fim, requereu: sejarecalculado o imposto com a área de 33.683,9 ha; nãoseja cobrado o débito fiscal e seja retirada a respectiva multa. (...)” (fls. 38). A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento daDelegacia da Receita Federal em Brasília(DF),restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL Cabe reduzir a área total inicialmente declarada, em razão de alienaçõesparciais, as quais foram comprovadas com documentação hábil, nosmoldes da legislação pertinente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Consubstanciada nas provas juntadas aos autosque confirmavama alienação de 13.100,0 ha da área do imóvel,o Colegiado de Primeira Instância admitiu a reduçãoda sua área total para 50.320,0 hectares, situação que refletiu na diminuição doimposto suplementar apurado, restando mantido o valor do VTN/ha arbitrado, que sequer foi impugnado. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Desta feita, apenas em face de Recurso Oficial o procedimento foi submetido à apreciação deste Colendo Conselho, tendo sido distribuído para nossa relatoria, razão pela qual coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade. Diante dos elementos de prova acostados aos autos, o julgador de primeira instância entendeu que houve a efetiva alienação de parte do imóvel denominado inicialmente de “Fazenda SantaTeresa”, localizado no município de Bom Jesus – PI, razão pela qual a incidência do Imposto sobre a PropriedadeTerritorial Rural – ITR, exercício de 2005, só deveria ser mantida sobre a área remanescente. No caso, restou alterada a área total atribuída ao imóvel, de 63.420,0 hectares para 50.320,0 hectares, em face da comprovaçãoda alienação de 13.100,0 ha, reduzindose, assim, o imposto suplementar apurado pela fiscalização do montante de R$ 1.334.744,68 para R$ 635.162,37, acrescido de juros de mora da multa de 75%, inobstante mantido o valor do VTN/ha arbitrado. Na verdade, observando as certidões de inteiro teor dos imóveis rurais juntadas ao feito (fls. 16/20), referentes às Fazendas “Lagoa dos Patos” e “Santa Tereza II”, apresentadas como desmembramentos do imóvel inicialmente verificado (Fazenda SantaTeresa), constatamos que houveram sucessivas alienações (no montante de17.700 ha) e uma posterior aquisição (de 4.600 ha) em tais imóveis – até o ano/exercício fiscalizado, culminando no total de 13.100,0 hectares a serem abatidos da área declarada de 63.420,0 ha. Por outro lado, a Contribuinte não juntou aos autos qualquer documento que comprovasse a alienação inicial da“Fazenda Santa Teresa”, correspondendo a áreade 48.219,98 ha, e aquisição posterior de 31.583,98 hectares, que supostamente conformaria a “Fazenda Santa Tereza II”, impedindo aanálise das alegações quanto a estas operações. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 4 5 Ora, sendo o ônus da prova da Contribuinte, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária, não se concebe alegativas desprovidas do respectivo respaldo assecuratório. Destarte, verificase que foram carreados aos autos Certidões emitidas pelo Cartório de 1º Ofício do Município de Bom Jesus, no Estado do Piauí (fls. 16/20) onde não se observa histórico da alienação daárea de 48.219,98 ha e posterior aquisição de 31.583,98 ha no imóvel rural denominado Fazenda Santa Tereza. De todo modo, restando comprovada a alienação de parte da área do imóvel, cerca de 13.100,0 hectares, por meio de documentação válida – Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente –, o tributo deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente, correspondendo a 50.320,0 hectares. Vejamos algumas ementas deste Colendo Conselho, neste sentido: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2007 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Comprovada a alienação de parte da área do imóvel, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide apenas sobre a parte remanescente. Recurso de ofício negado. (Acórdão nº 2101002.503, Processo nº 13362.720686/200938, Relator Cons. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 1ªTO/1ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 07/08/2014); Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA LANÇADO COM BASE EM LAUDO TÉCNICO. Sendo o valor fundiário do imóvel considerado no lançamento foi determinado por Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, apresentado pelo contribuinte, descabe qualquer impugnação acerca desse aspecto no lançamento. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ALIENAÇÃO PARCIAL DE IMÓVEL. COMPROVAÇÃO. A alienação de imóvel e consequente redução da área tributável para fins de ITR se prova pelos meios admitidos em direito, não sendo para tanto meio exclusivo a averbação A. margem da inscrição da matricula do imóvel, no registro competente, notoriamente porque tanto a propriedade quanto a posse de imóvel materializam a hipótese de incidência do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2102002.470, Processo nº 10384.720190/200756, Relator Cons. RUBENS MAURICIO CARVALHO, 2ªTO/1ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 08/07/2014 grifamos); Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2003 ITR ILEGITIMIDADE PASSIVA Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório do imóvel objeto do lançamento, acompanhado do fato de não constar do título de aquisição a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art.130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pelo ITR devido. (Acórdão nº 2202002.522, Processo nº 10540.720156/200731, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ªTO/2ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 14/02/2014); Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1990 SUJEIÇÃO PASSIVA. Comprovado nos autos que a alienação do imóvel que serviu de base para a exigência do ITR foi realizada em data anterior ao lançamento, este se torna insubsistente por figurar o alienante no polo passivo da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2802002.069, Processo nº 10880.042022/9081, Relator Cons. JACI DE ASSIS JUNIOR, 2ªTE/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 25/02/2013). Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 5 7 Acompanhando os precedentes deste Conselho com mesmo posicionamento em casos similares, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Ante todo o exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentindo de negar provimento ao recurso de oficio. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10665.721803/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO.
Na determinação da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. (Inteligência do art. 3º, § 9º-A, da Lei n.º 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória - MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013).
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.319
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Na determinação da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. (Inteligência do art. 3º, § 9º-A, da Lei n.º 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória - MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013). Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente. Charles Mayer de Castro Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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COFINS. MULTA Recorrente UNIMED DIVINÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Na determinação da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. (Inteligência do art. 3º, § 9ºA, da Lei n.º 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Na determinação da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. (Inteligência do art. 3º, § 9ºA, da Lei n.º 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 18 03 /2 01 1- 01 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos nos anoscalendário de 2007 e 2008, nos valores respectivos de R$ 1.767.823,70 e R$ 8.159.100,80, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Contra a interessada acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 02/22 e 23/43, relativos ao PIS/Pasep e à COFINS, nos respectivos montantes de R$ 1.767.823,70 e R$ 8.159.100,80, incluídos tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até junho de 2011. Consoante o procedimento fiscal, no período compreendido entre janeiro de 2007 e dezembro de 2008, teria a contribuinte indevidamente deduzido da base de cálculo das aludidas contribuições as despesas ou custos relacionados com os atendimentos médicos e demais eventos realizados em seus próprios beneficiários/clientes, enquanto o art. 3.º, §9.º, III, da Lei n. 9.718, de 1998, autorizaria somente a dedução do valor referente às indenizações efetivamente pago, correspondente aos eventos relativos a beneficiários/clientes pertencentes a outra operadora, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Destarte, a partir da reconstituição da base de cálculo das contribuições no regime cumulativo, a autoridade fiscal Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10665.721803/201101 Acórdão n.º 3202001.319 S3C2T2 Fl. 1.189 3 procedeu, através dos autos de infração em referência, ao lançamento dos tributos devidos em cada período de apuração, não pago e não declarado em DCTF. Inconformada, em 16 de agosto de 2011, apresenta a interessada impugnação (fls. 1041/1048), por meio da qual, em síntese, assevera que a interpretação pela autoridade fiscal levada a efeito acerca do art. 3.º, §9.º, III, da lei n. 9.718, de 1998, seria manifestamente equivocada, posto que não existiria no referido dispositivo qualquer elemento que autorizasse o intérprete a inferir que o valor a ser deduzido seria apenas aquele correspondente aos eventos ocorridos com usuários de outras operadoras. Segundo a impugnante: A expressão que corresponde à primeira parte do texto citado, “o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos, ...”, é que constitui a regra geral, e não a segunda parte do texto. Se o texto do dispositivo não contivesse a outra parte, “deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.”, poderseia facilmente concluir que o valor a ser deduzido da base de cálculo do PIS e da Cofins seria o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos relativos a usuários da própria operadora. Não haveria no texto nada que permitisse concluir que os valores se referissem a eventos com usuários de outras operadoras. Haveria a certeza de que o valor a ser deduzido seria o referente aos eventos com usuários da própria operadora, mas haveria uma dúvida razoável se o legislador quisera incluir também os eventos com usuários de outras operadoras. E prossegue: Mas o legislador, ao completar o texto com a expressão “deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”, afastou esta dúvida, para lembrar que existem também os eventos relativos a usuários de outras operadoras e que, em relação a estes também, haverá dedução da base de cálculo. O anunciado da primeira parte do dispositivo, portanto, teria existência autônoma. A segunda parte, contudo, não faria sentido caso inexistente a primeira. Ou seja, a primeira parte seria subordinante da segunda, e esta, subordinada à primeira. Poderseia concluir, assim, que o legislador quisera se referir tanto aos eventos com usuários da própria operadora, como a usuários de outras operadoras. Ao agir assim, alega que o legislador, sem compromisso com os conceitos de faturamento e de resultado, teria querido diminuir a carga tributária do setor, optando por manipular as bases de cálculo das contribuições em vez de estabelecer alíquotas diferenciadas. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Aduz que os termos utilizados pelo legislador por ocasião do art. 3.º, §9.º, III, da Lei n. 9.718, de 1998, equivaleriam aos utilizados no plano de contas estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, motivo porque o conteúdo, sentido e alcance das expressões extraídas de precitado plano deveriam ser neste buscadas. Ao final, requer sejam julgados improcedentes os créditos tributários exigidos através dos autos de infração impugnados. Para tanto, carreia os autos os documentos de fls. 1049/1120. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 0126.847, de 14/8/2013 (fls. 1124 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PIS/PASEP. DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3.º, §9.º, III, DA LEI N. 9.718/1998. A teor do art. 3.º, §9.º, III, da Lei n. 9.718, de 1998, reconhecese como dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep a diferença entre duas quantias: aquela efetivamente paga pela operadora de plano de assistência à saúde cessionária aos seus conveniados, profissionais e/ou empresas, relativamente aos eventos ocorridos com associados das operadoras cedentes; e a correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a título de transferência de responsabilidade e/ou intercâmbio. Com efeito, para que a dedução em causa seja permitida, a diferença entre a primeira e a segunda deve, necessariamente, ser positiva. Caso contrário, os recebimentos da cessionária cobrem os dispêndios com os eventos ocorridos com os clientes das cedentes, restando esvaziado o sentido da referida dedução. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 COFINS. DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3.º, §9.º, III, DA LEI N. 9.718/1998. A teor do art. 3.º, §9.º, III, da Lei n. 9.718, de 1998, reconhecese como dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep a diferença entre duas quantias: aquela efetivamente paga pela operadora de plano de assistência à saúde cessionária aos seus conveniados, profissionais e/ou empresas, relativamente aos eventos ocorridos com associados das operadoras cedentes; e a correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10665.721803/201101 Acórdão n.º 3202001.319 S3C2T2 Fl. 1.190 5 das operadoras cedentes, a título de transferência de responsabilidade e/ou intercâmbio. Com efeito, para que a dedução em causa seja permitida, a diferença entre a primeira e a segunda deve, necessariamente, ser positiva. Caso contrário, os recebimentos da cessionária cobrem os dispêndios com os eventos ocorridos com os clientes das cedentes, restando esvaziado o sentido da referida dedução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1140/1152, por meio do qual repete os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. Às fls. 1181/1182, noticia que, em 25 de outubro de 2013, foi publicada a Lei n° 12.873, de 24 de outubro de 2013 (conversão da Medida Provisória MP nº 619, de 6 de junho de 2013), que acrescentou o §9A ao art.3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, veiculando norma expressamente interpretativa que findou a discussão a respeito da matéria em litígio. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo noticia a fiscalização, a Recorrente deduziu, da base de cálculo do PIS e da Cofins, despesas ou custos relacionados com atendimentos médicos e demais eventos realizados com seus próprios beneficiários/clientes, o que estaria em descompasso com o art. 3º, § 9º, III, da Lei n.º 9.718, de 1998, que autorizaria a dedução somente do valor correspondente às indenizações efetivamente pagas em relação aos eventos ocorridos com os beneficiários/clientes pertencentes a outras operadoras, neste caso deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O entendimento da fiscalização lastreouse no art. 3.º, § 9º, III, da Lei n.º 9.718, de 1998, incluído pela Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, cuja redação, pelo que se encartou no final do dispositivo, permitia, de fato, essa interpretação. Vejamos: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) § 9o. Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (g.n.). Ocorre que a MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013, introduziu, no mesmo art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, o § 9ºA, segundo o qual, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despedidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Eis a sua redação: § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (g.n.). Como a referida lei tem natureza expressamente interpretativa, aplicase a ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN, de modo que o lançamento, ao menos nesta parte, é de todo improcedente. No Termo de Verificação de fls. 36/41, a fiscalização consignou, em dois de seus parágrafos, a impossibilidade de se deduzirem as indenizações com usuários de outros planos de saúde quando o valor recebido a título de transferência de responsabilidade lhe for superior: 18) A Fiscalização apurou ainda os valores recebidos pelo contribuinte de outras operadoras a título de transferências de responsabilidade/intercâmbios, lançados a crédito nas contas 1.2.3.7.3 (até maio/2007) e 1.2.3.4.1 (a partir de junho/2007), também apresentados no Anexo ao Termo de Intimação Fiscal de 05/07/2011. 19) Da análise dos valores apurados verificase que, para todos os meses do período fiscalizado, os valores recebidos pelo contribuinte de outras operadoras a título de transferências de responsabilidade/intercâmbios foram superiores aos valores das indenizações pagas correspondentes aos eventos ocorridos relativos a clientes de outras operadoras. Assim sendo, não há diferenças a serem deduzidas da receita bruta, na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, em virtude do que permite o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. (g.n.). Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10665.721803/201101 Acórdão n.º 3202001.319 S3C2T2 Fl. 1.191 7 Isso está a indicar que, ao reconstituir a apuração da base de cálculo do PIS/Cofins no regime cumulativo, a fiscalização também glosou a dedução dos custos correspondentes aos eventos ocorridos com outras operadoras, uma vez que os valores recebidos pela Recorrente, a título de transferências de responsabilidade, lhes foram superiores, o que está em harmonia com a parte final do disposto no art. 3.º, § 9º, III, da Lei n.º 9.718, de 1998, e não foi contestado pela Recorrente. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os custos assistenciais decorrentes da utilização dos beneficiários da própria operadora e dos beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.006504/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2007
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS.
A Súmula CARF nº 88 dispõe que A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO.
Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculam-se automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A Súmula CARF nº 2 prevê que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC.
A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS.
A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA
Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN.
Numero da decisão: 2301-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR E MAURO JOSE SILVA.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2007 RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. A Súmula CARF nº 88 dispõe que A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO. Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculam-se automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR E MAURO JOSE SILVA.
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A Súmula CARF nº 88 dispõe que “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO. Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculamse automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 65 04 /2 00 7- 12 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR E MAURO JOSE SILVA. Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.052.5531, cadastrada no sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT) sob o número 10384.006504/200712, de crédito constituído contra o Município de Cabeceiras do Piauí — Câmara Municipal, CNPJ 04.390.663/000110, relativo a contribuições para o financiamento da Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do Trabalho RAT, conforme previsto no artigo 22, incisos I e II da Lei 8.212/91. No relatório fiscal, fls. 24/29, é informado que o lançamento incidiu sobre remunerações de vereadores e de empregados comuns do município, dado que o mesmo não possui regime próprio de previdência. Da apuração dos valores devidos pelo Contribuinte resultou o lançamento de R$ 31.343,78 (trinta e um mil, trezentos e quarenta e três reais e setenta e oito centavos), consolidado em 19111/2007, conforme Discriminativo Analítico de Débito (DAD), fls. 04/07, Discriminativo Sintético de Débito (DSD), fls. 08/09, e Relatório de Lançamentos, fls. 10/11. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 131 3 A competência para julgamento do processo foi transferida para a Delegacia da da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A competência para julgamento do processo foi transferida para a Delegacia da da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de Julgamento em Recife através da Portaria RFB 564, de 04/04/2008 (DOU de 07/04/2008). Da impugnação Feita a ciência por via postal em 23111/2007 (uma sexta feira), o Recorrente apresentou impugnação tempestiva em 26 /12/2007, fls. 50/66, protocolo 10384 . 007444/2007 47, trazendo, em síntese, os seguintes argumentos: a) Seria inconstitucional a cobrança sobre remunerações de detentores de mandatos eletivos feita com base no § 1.° do art. 13 da Lei 9 . 506/97, como já reconhecido pelo STF. Isso porque se trata de nova fonte , que não foi estabelecida mediante lei complementar, contrariando o disposto no art . 195 da Constituição. b) Não poderia a contribuição previdenciária incidir sobre remunerações de trabalhadores autônomos, operários da construção civil e prestadores de serviços, que não constituem `salário', dado que esse pressupõe a existência de vínculo empregatício. Salário seria a contraprestação devida pelo empregador ao empregado em virtude de contrato de trabalho, motivo pelo qual tais remunerações não poderiam ser reputadas, tecnicamente, como salários. Dito de outra forma, prestadores de serviços não poderiam ser equiparados a empregados (conforme conceito do art. 3.° da CLT) e, como tal, considerados segurados obrigatórios; c) Assim sendo, por não incidir sobre a folha de salários, seria inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo município feita a partir da promulgação da Lei 7.787/89, em especial do art. 3.° de tal norma, por ofensa ao art. 195 da Constituição. d) Além disso, a contribuição criada pela Lei 7.787/89 seria similar à Contribuição Social sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas (CSLL), dado que os valores retirados periodicamente pelos sócios constituem o lucro da pessoa jurídica. e) A cobrança de contribuições incidentes sobre pagamentos a autônomos, avulsos e administradores já teria, inclusive, sido suspensa pela Resolução do Senado Federal de n.° 14, publicada no DOU de 28/04/1995, que suspendeu a execução da expressão "avulsos, autônomos e administradores" do citado art. V' da Lei 7.787/89 Por outro lado, sendo da competência do município a elaboração do estatuto de seus servidores e a legislação sobre a sua previdência social, não restaria dúvida de que Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 também lhe compete tratar sobre a previdência social de seus prestadores de serviço. Logo, a vinculação obrigatória dos servidores do município ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) seria uma invasão à competência municipal, vedada pelo § 1.° do art. 149 da Constituição Alega também o Recorrente que município não pode ser equiparado a empregador ou empresa, por ser ente da federação, pessoa jurídica de direito público interno que não aufere lucro nem faturamento, que não se confunde com empregador, cuja definição se encontra no art. 2.° da CLT. f) Por fim, o Impugnante alega não poder ser aplicado ao caso o § 13 do art. 40 da Constituição Federal — que trata da vinculação obrigatória de servidores ocupantes de cargos temporários e empregados públicos ao RGPS — por carecer o mesmo de edição de lei que fixe o valor a ser recolhido: enquanto a lei regulamentadora não for publicada não haverá meios de os municípios quantificarem o valor a ser recolhido ao INSS, não podendo ser utilizado o percentual aplicado às empresas privadas e aos empregados desta; g) Não poderia incidir a contribuição previdenciária sobre funções gratificadas, por não se incorporarem ao salário, tendo inclusive órgãos como o TCU, Senado, Câmara, STJ e STF devolvido a seus servidores os descontos que haviam feito a título de contribuição sobre o valor recebido por desempenho de função; h) O Impugnante também informa ter ocorrido infração ao princípio da proibição do excesso', ou da proporcionalidade, por estarem sendo cobrados valores indevidos; i) Não teria ocorrido o crime de sonegação previdenciária. j) Seria ilegal a aplicação da taxa SELIC, por contrariar o disposto no art.406 do Código Civil e no art., 161 do CTN. A interpretação do § 1º do art. 161 do CTN, combinado com o art. 146, III, `b', da Constituição Federal faria com que apenas através de lei complementar pudesse ser instituída cobrança de juros superiores à taxa de 1 % (um por cento) ao mês, dado que crédito tributário é matéria reservada a tal tipo de norma , como, aliás, já reconhecido pelos tribunais superiores . A falta de criação da taxa SELIC por lei complementar afrontaria a Constituição e o CTN, caracterizando a ilegalidade da aplicação de tal taxa. Ademais, a aplicação da taxa SELIC teria efeito confiscatório, afrontando a Constituição (150, IV). O ora Recorrente alega que o próprio INSS já teria pleiteado junto ao STJ — Resp 823216SC e outros julgados — a inaplicabilidade da taxa SELIC como índice para Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 132 5 atualização dos débitos previdenciários, por entender que tal incidência seria contrária ao CC e ao CTN, devendo as decisões administrativas seguir o entendimento que o INSS defende na esfera judicial. Tal entendimento estaria correto, na medida em que na taxa SELIC estariam embutidos simultaneamente juros moratórios , remuneratórios e correção monetária , tornando inadequada tal taxa para aplicar os efeitos da mora, pois de tal forma estarseia penalizando em duplicidade (bis in idem). Em 29/05/2008, foi prolatado Acórdão n. 1122.477 6° Turma da DRJ/REC que julgou procedente o lançamento: Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da inconstitucionalidade de Lei nas decisões administrativas só pode ser feito após manifestação, nesse sentido, do STF, do Senado Federal ou da Justiça Federal. RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO. Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculamse automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social. TAXA SELIC. É pacífico o..entendimento de que é legal a aplicação da taxa SELIC aos débitos para a Previdência em atraso. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. É incompetente a Delegacia de Julgamento para decidir pela ocorrência ou não de crime. Lançamento Procedente. Irresignado com o decisum, o Município interpôs recurso voluntário [fls. 90 108] que repisa os mesmos argumentos dispostos na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade [ciência: 15/07/2008 e interposição: 14/08/2008], conheço do recurso e passo ao seu exame. I CORESPONSÁVEIS Argüi a recorrente a exclusão do nome do Prefeito da relação de coresponsáveis e da relação de vínculos, haja vista que o quadro de coobrigados será repetido na eventual e futura Certidão da Dívida Ativa. Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo fiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Nesse sentido, o CARF já emitiu enunciado de Súmula que consolidou o entendimento acima manifestado: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, não acolho a preliminar suscitada. II REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 133 7 Das contribuições incidentes sobre os valores pagos a detentores de mandatos eletivos assiste razão ao Recorrente quando afirma ser inconstitucional a cobrança sobre remunerações de detentores de mandatos eletivos feita com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506, de 3011011997, dado que devido a tal vício essa norma já teve sua. execução suspensa pelo Senado Federal. Ocorre que nessa NFLD o lançamento dessas contribuições abrangeu apenas as competências de 01/2007 e seguintes, sendo que a cobrança está sendo feita com base na alínea "j" do mesmo inciso 1 do art. 12 da Lei n° 8.212191, acrescentada pela Lei n° 10.887, de 18/06/2004, que incluiu os detentores de mandatos eletivos no rol de segurados obrigatórios do RGPS, e não com base no dispositivo declarado inconstitucional. Tal alínea foi introduzida quando o art. 195, I, "a", da Constituição, com a redação dada pela Emenda 20/1998, já permitia a cobrança de contribuições sobre quaisquer "rendimentos do trabalho", expressão que abrange também os valores recebidos por vereadores, não padecendo, portanto, do vício que motivou o reconhecimento da inconstitucionalidade da alínea “h”. São devidas, portanto, as contribuições para o financiamento da Seguridade Social incidentes sobreos subsídios de vereadores lançadas. As alegações sobre a inconstitucionalidade da Lei 7.787189 são totalmente inócuas. De há muito tal Lei deixou de ser usada, por ter sido substituída pela Lei 8.212/91 e, posteriormente, no tocante a empresários, trabalhadores autônomos e avulsos, pela Lei Complementar n. 84, de 18/01/1996 e, por fim, pela Lei 9.876, de 26/11/1999, que alterou a 8.212/91. Cabe dizer também que nesta NFLD foram incluídas apenas contribuições descontadas de empregados, aí incluídos os vereadores, previstas no art. 20 da Lei 8.212/91. São sem sentido, portanto, as alegações trazidas na impugnação sobre inconstitucionalidade de cobrança de contribuições sobre remunerações de trabalhadores autônomos, empresários, prestadores de serviços, avulsos etc., por estranhas ao lançamento. O Recorrente também menciona os operários da construção civil, mas não foram lançadas contribuições incidentes sobre segurados de tal categoria: os únicos cinco segurados cujos descontos deram origem ao lançamento e que não são vereadores foram listados no Relatório de Fatos Geradores, não consta que nenhum deles seja operário da construção civil. Foi juntada aos autos a folha de pagamentos do mês de 01/2007, fl. 34. Na folha o município chama os segurados cujas contribuições foram lançadas em outras competências (em 01/2007, especificamente, os recolhimentos foram suficientes para quitar o valor descontado desses segurados) de `funcionários comissionados'. Com essa expressão certamente o município se refere a servidores efetivos que exercem funções gratificadas ou a ocupantes de cargos em comissão. Quanto aos efetivos, cabe notar que a competência do município para legislar sobre a previdência social de seus servidores nunca foi negada. Ocorre que ela também não foi exercida pelo Recorrente: o relatório fiscal informa claramente que o município não dispõe de regime próprio de previdência social (RPPS), fato não contestado na impugnação. Na ausência de regime próprio, aplicase o RGPS aos ocupantes de cargos efetivos, conforme art. 13 da Lei 8.212/91: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social. consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio. de previdência social (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99) Vêse que a Lei 8.212191 prevê que na ausência de norma municipal que assegure pensão e aposentadoria aos servidores e respectivos dependentes os mesmos não podem ficar desamparados, ocorrendo então a vinculação automática e obrigatória ao RGPS. Já em relação aos ocupantes de cargos em comissão, os mesmos estariam vinculados ao RGPS ainda que o município dispusesse de RPPS, por conta do disposto no § 13 do art. 40 da Constituição, que veda a vinculação de tais servidores a regimes próprios: 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 15112/98) Ressaltese que alegação de que o citado § 13 necessitaria de regulamentação não tem embasamento nenhum: a Constituição determina a aplicação do RGPS sem ressalvas, deixando claro que todas as normas relacionadas a tal regime valem para os referidos servidores, não havendo motivo para se falar em nova regulamentação, até porque se fosse necessário emitir novas normas a Constituição estaria prevendo a vinculação de servidores a um regime especial, com regras próprias, e não ao geral. O simples fato de o Recorrente ter a opinião de que não poderiam ser aplicados ao mesmo os percentuais devidos pelos empregadores da iniciativa privada não faz com que isso se torne verdade. O Município até chega a dizer que não pode ser equiparado a empregador ou empresa, citando os artigos 2.° e 3.° da Consolidação das Leis do Trabalho, aparentemente esquecendo que o direito previdenciário é autônomo, estando tal assunto disciplinado no art. 15 da Lei 8.212/91, de forma a espancar qualquer dúvida: Art. 15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Tanto o direito previdenciário é autônomo que, por exemplo, os exercentes de mandato eletivo são enquadrados como empregados pela Lei 8.212/91, deixando claro que os conceitos da CLT — no caso, o art. 3.°, que define `empregado' — só se aplicam subsidiariamente ao direito previdenciário: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 134 9 j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regi .me próprio de previdência social; (Incluído pela Lei n° 10.887, de 2004) Especificamente em relação aos valores recebidos por funcionários efetivos por conta do exercício de funções comissionadas, cabe dizer que as decisões judiciais que • reconhecem não incidir contribuições para a aposentadoria sobre as respectivas gratificações foram todas embasadas no regime jurídico único dos servidores da União, regrado pela Lei 8.112, de 11/12/1990, ou em regimes jurídicos que o copiaram. Tais normas e os entendimentos delas decorrentes não se aplicam ao caso, dado que não se está discutindo o custeio de aposentadorias concedidas por regime próprio de previdência, mas sim o financiamento da Seguridade Social. No âmbito do RGPS a incidência das contribuições é ditada, basicamente, pelo art. 28 da Lei 8.212191,.que.traz o seguinte conceito de saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuiçdo: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a. qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo .de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10112/97) Vêse que o conceito de saláriodecontribuição abrange as quantias recebidas a título de função gratificada, dado que elas são sem dúvida rendimentos pagos em retribuição ao trabalho. As exceções ao enquadramento no conceito de saláriodecontribuição são apenas as trazidas no § 9.° do mesmo artigo, e dentre elas não se encontram valores recebidos a título de gratificação por exercício de função. Tal gratificação, portanto, integra o saláriodecontribuição, sendo, em conseqüência, levada em conta no cálculo do valor dos benefícios do RGPS. O mesmo não acontece no regime dos servidores públicos federais, pois a Lei 9.527, de 10/1211997, modificou o art. 62 da Lei 8.112/90, que previa que as gratificações integrariam os proventos da aposentadoria, sendo essa a razão de ser de as gratificações recebidas por exercício de • função comissionada por servidores federais terem deixado de compor a base de cálculo das contribuições para o financiamento da aposentadoria prevista na Lei 8.112/90. Como, no entanto, no âmbito do RGPS a gratificação é levada em conta no cálculo dos benefícios, é justo e necessário que sobre a mesma incidam as contribuições. III INCONSTITUCIONALIDADE, SELIC E REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 Em relação as demais matérias tratadas no Recurso Voluntário, devem ser aplicados os enunciados das Súmulas deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. IV MULTA Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 135 11 Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. V DISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para aplicar, se mais benéfica ao contribuinte, a multa prevista no art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, sendo que no mais fica mantida a r. decisão recorrida. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10480.722522/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano calendário: 2005, 2006, 2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS SORTEIOS
VÍDEOS LOTÉRIAS Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA.
A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
DA MULTA QUALIFICADA
Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos.
Rejeito Preliminar.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2202-001.460
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS SORTEIOS VÍDEOS LOTÉRIAS Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA. A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. DA MULTA QUALIFICADA Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos. Rejeito Preliminar. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Juliana Bandeira Toscano, Odmir Fernandes e Nelson Mallmann . Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 220201.460 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, SISTEMA RECIFENSE DE MÁQUINAS LTDA, foi lavrado auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (fls. 02 a 07), lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 141.016.112,75 (principal, multa e juros). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 16 a 45), o lançamento decorreu da falta de recolhimento sobre pagamentos a beneficiários não identificados (infração 001) e da falta de recolhimento sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada (infração 002). Qualificouse a multa (150%). Apresentouse impugnação, às fls. 920 a 963, contrapondose, em síntese, que: o lançamento seria nulo, porquanto teria havido cerceamento do direito de defesa. Solicitouse a reabertura do prazo de 6 dias para apresentação de “razões complementares”; teria havido “erro de enquadramento legal”. O que se apurou na ação fiscal não se subsumiria à norma do art. 674 do RIR, de 1999. Os valores tributados não corresponderiam, em sua totalidade, a prêmios pagos em pecúnia. Teria sido maculado o princípio da capacidade contributiva; teria sido desconsiderada a regra de isenção do § 1º do art. 676, do RIR de 1999; Requereuse perícia, a ser efetuada nas máquinas apreendidas pela Polícia Federal, para levantamento dos prêmios que foram pagos; a tributação a título de pagamento sem causa/operação não comprovada teria sido incorreta, pois que não teriam sido comprovados os pagamentos; – não teria havido motivo para a aplicação da multa qualificada; A DRJ/Recife julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Sujeitase à incidência do IRRF, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. É cabível a aplicação de multa qualificada (150%) quando se constata o evidente intuito de fraudar o fisco por parte do contribuinte, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito a contribuinte interpõe recurso voluntário reiterando as razões da impugnação. Indica que o lançamento se pautou em duas situações: a primeira, pagamento de prêmios a apostadores em máquinas de vídeo loteria, entendendo a autoridade lançadora que havia obrigatoriedade de identificação dos ganhadores e a retenção do impostos de renda na fonte; a segunda se refere a falta de comprovação da origem e efetividade da entrega de numerário em operações de mutuo entre a Recorrente e empresas coligadas ou entre a recorrente e seus sócios. Alega cerceamento do direito de defesa e exige a anulação do processo e restabelecimento do prazo de impugnação, uma vez que não teria acesso a documentos que teriam sido retidos pela Policia Federal; Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 220201.460 S2C2T2 Fl. 3 5 Indica que lhe estaria prejudicada a defesa tendo em vista que só teve acesso a documentação 6 dias após o início de prazo de impugnação, o que limitaria a sua defesa. Do cerceamento do direito de defesa por indeferimento do pedido de pericia, uma vez que teria apresentado laudos indicando que tão somente 2,2353% das apostas estariam sujeitas a incidência do mesmo. Do IRRF incidente sobre os prêmios pagos – pagamento a beneficiário não identificado. Alega que nunca poderia a autoridade lançadora simplesmente ter considerado todo o movimento de “Saída de Máquinas” como prêmios entregues em dinheiro, sujeitando o fato à hipótese de incidência prescrita pelo artigo 674 do Regulamento, vez que o pagamento de prêmios lotéricos tem regra de incidência específica do IRRF. No caso em análise pelo fato de não ter sido identificados os ganhadores dos prêmios, a autuação caracterizou a hipótese de pagamentos a beneficiário não identificado (art. 674 do RIR) considerando como líquidos os valores pagos e procedendo o reajuste da base de cálculo do IRRF. Presumiu que a receita tributável é o valor líquido pago ao apostados mais a quantia que deveria ter sido recolhida de IRRF. Nesse caso surge a impossibilidade pois as máquinas de vídeo loteria distribuem prêmios em valores superiores ao que efetivamente arrecadam A autuação deixou de admitir a existência de prêmios distribuídos na forma de bens e serviços, como os créditos para possibilitar novas apostas Da desconsideração da regra de isenção no art. 676, § 1 do RIR/99, da necessidade de diligência para obtenção de relatório gerados pelas máquinas de vídeoloteria; Do IRRF sobre pagamentos sem causa/operação não comprovada, indica que não existe a prova do pagamento do recurso. Se a operação é questionada justamente ante a ausência de prova da efetiva entrega do valor do empréstimo, não há como considerar que houve o pagamento a beneficiário não identificado. Da ausência de requisitos para imposição da multa qualificada. No entendimento da autoridade lançadora a falta de declaração dos valores dos prêmios e a falta de prova relativo aos empréstimos escriturados foi o suficiente, no entendimento da autoridade lançadora para caracterizar, a qualificação da multa. É o relatório. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Do Pedido de Pericia É de ser indeferido o pedido de perícia quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. Dos Pagamentos a Beneficiários não Identificados A infração apontada se refere ao art. 674 do RIR. Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §3º). Entendo que não seria o caso de ser aplicado o artigo 676 do RIR Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 220201.460 S2C2T2 Fl. 4 7 Art.676. Estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de trinta por cento, exclusivamente na fonte: I os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em loterias, inclusive as instantâneas, mesmo as de finalidade assistencial, ainda que exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos os de turfe e sorteios de qualquer espécie, exclusive os de antecipação nos títulos de capitalização e os de amortização e resgate das ações das sociedades anônimas ( Lei 4.506, de 1964, art. 14); II os prêmios em concursos de prognósticos desportivos, seja qual for o valor do rateio atribuído a cada ganhador (Decreto Lei 1.493, de 7 de dezembro de 1976, art. 10). §1º O imposto de que trata o inciso I incidirá sobre o total dos prêmios lotéricos e de sweepstake superiores a onze reais e dez centavos, devendo a Secretaria da Receita Federal pronunciar se sobre o cálculo desse imposto (DecretoLei 204, de 27 de fevereiro de 1967, art. 5º, §§1ºe 2º, e Lei 5.971, de 11 de dezembro de 1973, art. 21, Lei 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei 9.249, de 1995, art. 30). Os jogos de vídeo loteria se enquadram como modalidade sorteios em geral. Os lucros decorrentes de prêmios distribuídos por intermédio de jogos de bingo estariam sujeitos ao imposto de 30% (trinta por cento), mediante desconto na fonte pagadora, quando distribuídos em dinheiro, e devidamente identificados os beneficiários. Os valores dos prêmios distribuídos nas máquinas de vídeo lotéria são determinados com base na leitura de "saída", quando inexistente qualquer forma de controle específico ou de registro contábil. O sujeito passivo da obrigação tributária, na condição de responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre a distribuição de prêmios, nas atividades de apostas em vídeo loteria , é a fonte pagadora A isenção de R$ 11,11 é aplicável apenas aos prêmios lotéricos (Loteria Federal) e de Sweepstake (aposta em Corrida de Cavalos). Desta forma, o limite de isenção de R$ 11,11 é inaplicável no caso de prêmios em dinheiro obtidos em sorteios realizados na exploração de vídeo loterias. Do Pagamento sem causa/operação não comprovada De acordo com a autoridade recorrida: Consoante Termo de Verificação Fiscal, uma vez que não houve comprovação da origem e efetividade da entrega de suprimentos de numerários, bem assim de empréstimos supostamente contraídos com empresas ligadas e sócios, sobre os respectivos pagamentos (aos sócios e aos supostos emprestadores), lançados no livro caixa, incidiria IRRF, nos termos do § 1º do art. 674 do RIR, de 1999. 24. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Para a defesa, o lançamento encerraria contradição, pois que a consideração de que não houvera “prova da entrega de recursos a terceiros”, iria de encontro ao comando do § 1º do art. 674 do RIR, de 1999, que pressuporia a existência de pagamento. Não há acordar com o argumento. O lançamento não se deu à conta de não ter havido “prova de entrega de recursos a terceiros”. O que lhe deu ensejo, como dito, foi a constatação de que diversos pagamentos registrados no livro caixa não teriam comprovação de suas causas ou das respectivas operações, o que se amolda à hipótese do referido parágrafo. Por outro lado, a comprovação de que houve pagamentos resta evidenciada nos próprios lançamentos contábeis, que, como se sabe, provam contra o contribuinte. O fato de não ter sido comprovada a origem e efetividade de entrega dos suprimentos de numerários, bem assim dos empréstimos, não desdiz os lançamentos a crédito da conta caixa, representativos dos pagamentos. Se eles não existiram, o que se cogita para argumentar, era da obrigação do contribuinte ter efetuado os devidos estornos __ o que efetivamente não se fez. Da Qualificação da Multa Cabível a multa qualificada de 150%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos. Cabe apontas as considerações da autoridade preparadora: Consoante a defesa, a qualificação da multa teria sido indevida, pois que não teria sido provada a intenção de fraudar o fisco por parte do contribuinte, “limitandose a autoridade fiscal a assentar que o crime ocorreu em tese”. A simples omissão de receita não poderia dar ensejo à qualificação, posição adotada pelo Conselho de Contribuintes (Carf), inclusive objeto da súmula nº 14 do 1º Conselh1. Mais uma vez, não lhe assiste razão. O não recolhimento, tampouco declaração __ sequer foram apontados os ganhadores __, do IRRF incidente sobre a totalidade dos prêmios pagos, de forma contumaz (anos de 2005 a 2007), bem assim a realização de pagamentos cujas respectivas operações não se comprovaram, em conjunto, evidenciam a intenção deliberada de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador do tributo, particularidade que se amolda ao art. 71 da Lei nº 4.502, de 196412, e, de conseqüente ao inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Como se vê nos autos, o contribuinte foi autuado sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização sistemática do expediente de "escrituração paralela"; "demonstrativos identificando a sua real arrecadação e distribuição de prêmios". Ou seja, ao deixar de contabilizar propositalmente e reiteradamente a distribuição de prêmios, o contribuinte ocultou deliberadamente a sua real destinação, impedindo de forma maliciosa e ardilosa o conhecimento, por parte da Secretaria da Receita Federal, da ocorrência do fato Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 220201.460 S2C2T2 Fl. 5 9 gerador da obrigação tributária, qual seja, o pagamento de prêmios em sorteios de vídeo loteria, ou operações não comprovada com a intenção de propiciar pagamentos a terceiros. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/01/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10855.907022/2012-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/12/2008
SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS.
O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação.
Numero da decisão: 1802-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 70 22 /2 01 2- 47 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907022/201247 Acórdão n.º 1802002.449 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Tratase de Pedido de Restituição das contribuições sociais retidos na fonte por ocasião de pagamento de serviços de terceiros. Na fundamentação do Despacho Decisório que indeferiu o Pedido, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: o crédito, cuja restituição se pretende decorrente de retenção indevida praticada pela Impugnante referente a serviço prestado por pessoa jurídica optante do SIMPLES Nacional, nos termos em que instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. ... Consoante relatado e conforme comprovam os respectivos documentos fiscais, a Impugnante contratou a prestação de serviços da pessoa jurídica de direito privado ‘Guarapuã Florestal Ltda – EPP’ (...). Com base nas disposições do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 e da Lei nº 10.833/2003, a Impugnante é obrigada a reter os valores concernentes ao imposto de renda e às contribuições sociais CSLL, PIS e COFINS Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907022/201247 Acórdão n.º 1802002.449 S1TE02 Fl. 38 3 incidentes sobre as operações e repassálos (...) na condição de substituta tributária. Todavia, a Impugnante constatou posteriormente que a pessoa jurídica substituída fornecedora dos serviços contratados à época dos fatos geradores ora considerados, era optante do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, situação em que permaneceu no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, como bem comprovam os documentos inclusos. ... Por esta peculiar sistemática, o adimplemento dos mencionados tributos dáse de modo unificado, por meio de uma alíquota única, ao encargo da pessoa jurídica optante do SIMPLES, o que indelevelmente a desonera as empresas porventura obrigadas às retenções de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, como a Impugnante, a assim procederem. ... Nesta esteira, a retenção praticada pela Impugnante não teve sentido algum e o montante recolhido por ela por ocasião da operação retratada notadamente constitui indébito, cuja restituição se justifica (...).” A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 30/12/2008 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. Ainda que indevida a retenção de tributos devidos por prestadora de serviços optante pelo Simples, a restituição de valores depende da demonstração da assunção do ônus tributário por parte da tomadora dos serviços que efetuou as retenções por ocasião do pagamento das respectivas notas fiscais, sem o que esta última não preenche os requisitos para que lhe sejam restituídos os valores eventual e indevidamente recolhidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 29/10/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/11/2013. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907022/201247 Acórdão n.º 1802002.449 S1TE02 Fl. 39 4 No Recurso faz arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário, eis que tem autorização expressa da empresa para a qual o encargo foi transferido para pleitear a devolução do indébito. Este é o Relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907022/201247 Acórdão n.º 1802002.449 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. A análise feita sobre o pedido apresentado pela contribuinte se deu no âmbito do processamento eletrônico de declarações, meio legítimo e eficiente de verificação dos pleitos formalizados pelos sujeitos passivos, também de forma eletrônica, em busca dos créditos que entendem possuir contra a Fazenda Pública. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na sequ ência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Desse modo, para a homologação desse crédito a Administração Fazendária solicitou que o contribuinte juntasse ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento ao pedido de restituição. A Recorrente por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade juntou: a) consulta feita na internet em que consta a informação de que a empresa Guarapuã Florestal Ltda – ME estaria compreendida no Simples no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, o que abarca os pagamentos tidos por indevidos. b) notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços nas quais estão destacadas as parcelas referentes aos tributos que teriam sido indevidamente retidos. Os valores segundo análise da DRJ são compatíveis com o montante do crédito inscrito no Pedido de Restituição. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907022/201247 Acórdão n.º 1802002.449 S1TE02 Fl. 41 6 c) documento endereçado à contribuinte, no qual consta a seguinte solicitação: “GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, cadastrada no CNPJ sob o nº 10.296.543/000151, estabelecida à Rua Ruy Barbosa, nº 685 – Centro, município de Buri/SP, vem solicitar através desta a restituição de imposto descontado indevidamente em notas fiscais devido empresa ser optante do SIMPLES NACIONAL, conf. Demonstrativo abaixo” Com isso a Recorrente requer a restituição de apenas uma parcela do valor recolhido por meio do DARF inscrito no Pedido, razão pela qual não foi possível a verificação, a partir dos valores, da exata composição do DARF de forma a aferir se o valor recolhido corresponde efetivamente ao tido por indevido. Uma demonstração da composição do DARF seria indispensável para a efetiva comprovação da inclusão dos valores eventualmente indevidos nos recolhimentos efetuados. Seria caso de baixar esse processo em diligência, caso a Recorrente não viesse reiteradamente se evadindo em demonstrar que de fato assumiu o ônus do tributo retido da prestadora de serviço indevidamente. Pelo contrário, deu todos os indícios, inclusive com a declaração da empresa Guarapuã Florestal Ltda – EPP, que não assumiu o ônus, mas que apenas se prendeu a parte final do CTN, artigo 166, onde mediante autorização de quem sofreu o ônus do tributo, haveria a possibilidade de efetuar o pedido de restituição em nome próprio. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Nesse sentido a Lei nº 9.430/96, art, 74, § 12, II, “a” veda expressamente a trasferência de créditos tributários para terceiros. A esse respeito já há jurisprudência consolidada, senão vejamos: "TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A TERCEIROS – LEI 9.430/96 – IN SRF 21/97 E 41/2000 – LEGALIDADE. A Lei 9.430/96 permitiu que a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, autorizasse a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. O art. 15 da IN 21/97, permitiu a transferência de créditos do contribuinte que excedessem o total de seus débitos, o que foi posteriormente proibido com o advento da IN 41/2000 (exceto se se tratasse de débito consolidado no âmbito do REFIS) e passou a constar expressamente do art. 74, § 12, II, "a" da Lei 9.430/96. Dentro do poder discricionário que lhe foi outorgado, a Secretaria da Receita Federal poderia alterar os critérios da compensação, sem que isso importe em ofensa à Lei Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907022/201247 Acórdão n.º 1802002.449 S1TE02 Fl. 42 7 9.430/96. (REsp 677874/PR Ministra ELIANA CALMON DJ 24.04.2006)". A autorização de restituição a quem não teve o ônus seria o mesmo que a Administração Fazendária anuir com o enriquecimento ilícito ou sem causa, também denominado enriquecimento indevido, ou locupletamento, pois configuraria aumento patrimonial sem causa jurídica, ou o que se perderia sem causa legítima. Isso porque em momento algum está estabelecido que o produto da restituição será repassado a quem teve o ônus. Nesse sentido prescreve o Código Civil: “Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituíla, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido.” Isso porque a despesa já incorrida foi integralmente registrada em conta de resultado atribuida ao fornecedor, sendo sua contrapartida registrada em conta de passivo, uma parte devida ao fornecedor e o restante em tributos retidos de terceiro. A recuperação do crédito tributário daria ensejo ao registro em conta redutora de passivo com a contrapartida em caixa / bancos. Essa prática daria ensejo a obteção de uma receita decorrente da cessão de créditos tributários, essa vedada pela legislação ora em vigor, sem qualquer tributação. No presente caso, havendo crédito tributário a ser restituído, caberia somente a empresa GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, contribuinte do tributo para solicitar a restituição. Sendo assim, resta claro que a parte final do caput do art. 166 do CTN deve ser interpretado de acordo com o restante do sistema jurídico que rege a matéria, em especial os citados anteriormente. Por oportuno cabe salientar ainda que se trata apenas de “Pedido de Restituição”, pois em caso de “Pedido de Compensação” a Recorrente estaria sujeita à multa correspondente a compensação não declarada, nos termos do diploma legal supra citado. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo a decisão da delegacia de origem. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907022/201247 Acórdão n.º 1802002.449 S1TE02 Fl. 43 8 Declaração de Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Faço a presente declaração de voto para demonstrar os fundamentos que me levam a acompanhar o relator no não provimento do recurso voluntário. O art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN, trazido à baila para o exame das questões suscitadas, guarda relação com a antiga classificação dos contribuintes em “contribuinte de direito” e “contribuinte de fato”. O chamado “contribuinte de fato”, na lógica dos tributos indiretos (p/ ex., IPI e ICMS), desimportante para o direito tributário num primeiro momento, adquire relevância nos casos de restituição de indébito, eis que de acordo com o referido artigo: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. O problema é que essa lógica não se aplica aos tributos retidos na fonte. Ocorrida a retenção de tributo e presente o respectivo beneficiário do pagamento que ensejou essa retenção, tal situação refoge ao campo do art. 166 do CTN. A fonte pagadora é encarregada de cumprir um dever administrativo (de reter e recolher o tributo), na condição de mero responsável, mas não ocupa a posição do chamado “contribuinte de direito” (que se perfaz na pessoa do fabricante, no caso do IPI, e do comerciante, no caso do ICMS). Tratandose de retenção na fonte, a condição de contribuinte, desde o início, cabe ao beneficiário do pagamento/rendimento, ou seja, àquele que sofreu a retenção do tributo, e é somente ele quem poderá reivindicar a repetição do tributo retido e que se configurou como indébito tributário. Nesse caso, a fonte pagadora não possui legitimidade para figurar no pólo ativo da repetição de indébito. Não se aplica aqui a autorização mencionada no art. 166 do CTN, eis que a situação seria de apropriação/aproveitamento de crédito de terceiro, o que não é admitido pela legislação (Lei nº 9430, art. 74), e a referida autorização não poderia servir a esse fim – transferência de direito creditório de um contribuinte para outro. Por essas razões, acompanho o relator e também nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907022/201247 Acórdão n.º 1802002.449 S1TE02 Fl. 44 9 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10530.720051/2004-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.040
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma da terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Numero do processo: 10314.004007/2010-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/04/2010, 06/04/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/04/2010, 06/04/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/04/2010, 06/04/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 40 07 /2 01 0- 09 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004007/201009 Acórdão n.º 3803006.616 S3TE03 Fl. 425 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/04/2010, 06/04/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004007/201009 Acórdão n.º 3803006.616 S3TE03 Fl. 426 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004007/201009 Acórdão n.º 3803006.616 S3TE03 Fl. 427 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004007/201009 Acórdão n.º 3803006.616 S3TE03 Fl. 428 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16682.900838/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO DURANTE O MESMO EXERCÍCIO. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal, poderá utilizar o valor pago na dedução de valores devidos a título de estimativa mensal durante o mesmo ano-calendário em que houve o recolhimento indevido, até o limite do débito em aberto.
Numero da decisão: 1401-001.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta participou do julgamento substituindo a Conselheira Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva- Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Berra Presta.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO DURANTE O MESMO EXERCÍCIO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal, poderá utilizar o valor pago na dedução de valores devidos a título de estimativa mensal durante o mesmo ano calendário em que houve o recolhimento indevido, até o limite do débito em aberto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta participou do julgamento substituindo a Conselheira Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Berra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 38 /2 01 0- 93 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16682.900838/201093 Acórdão n.º 1401001.165 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela BTG Pactual Asset Management S/A contra o Acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil, no Rio de Janeiro/RJ I – DRJ/RJ1, que, por maioria de votos, vencida a Relatora, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adotase parcialmente o Relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 93103) "O presente processo tem como objeto a declaração de compensação 11431.88803.020409.1.7.04.0038, retificadora da de nº 40365.84227.310108.1.3.041903, por meio da qual a interessada formalizou encontro de contas que envolve os seguintes débitos e créditos: Crédito: • valor original de R$ 1.672.913,86, parte integrante do darf no total de R$ 2.077.997.997,96 código 2319 ( IRPJ Estimativa), período de apuração 02/2007, data de recolhimento 30/03/2007; Débito: • Valor original de R$ 229.395,74, código 2319, período de apuração dez/2007; Em despacho decisório eletrônico (fls 07) do qual a interessada foi cientificada em 22/09/2010 (fls 10/11) a Administração Pública declarou não homologada a compensação declarada. O fundamento de assim decidir foi o fato de o crédito alegado ser oriundo de recolhimento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real. O dispositivo legal referido para fins de respaldar tal fundamento foi o art 10 da IN 600/2010. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 12, protocolada em 22/10/2010, na qual solicita perícia e alega que: • Apurou, no mês de fevereiro /2007, estimativa de IRPJ no valor de R$ 411.334,10 e, por erro de fato, recolheu R$ 2.077.997,93. Seu crédito corresponde à diferença entre ambos os valores; • O débito de estimativa do mês de fevereiro/2007 pode ser confirmado pela DIPJ entregue para o período; • O art. 10 da IN 600/05 não impede a compensação pretendida. Somente os valores corretamente calculados e recolhidos com base nas regras de estimativa mensal devem aguardar a apuração do lucro real realizada ao fim do ano calendário para que possam ser utilizadas em eventuais compensações; • As regras de compensação estão hoje previstas na IN RFB Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16682.900838/201093 Acórdão n.º 1401001.165 S1C4T1 Fl. 4 3 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005. Portanto, este último até inaplicável ao caso concreto; • Ainda que não homologada a compensação, não pode ser cobrado débito correspondente. A doutrina e jurisprudência já firmaram entendimento de que não se pode cobrar estimativas após o fim do ano calendário; • A não homologação da compensação não pode acarretar cobrança de multa e juros em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do presente; É o relatório." A 6ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro – RJ – DRJ/RJ1, por maioria de votos, vencida a Relatora, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pela contribuinte, sob a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2008 CRÉDITO ORIUNDO DE ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica que apurar eventuais créditos oriundos de estimativa mensal de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL somente poderá utilizar tal valor na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Cientificada do Acórdão (fls. 93103) em 24/04/2012, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 109134, no qual arguiu, em suma: i) a regularidade da compensação, devido a mero erro formal no preenchimento da DARF; ii) a possibilidade de compensação de recolhimento indevido de IRPJ em estimativa mensal por meio de PER/DCOMP; e iii) a impossibilidade de cobrança de débitos de estimativas mensais após findo o anocalendário; iv) a impossibilidade de cobrança de juros, multas e correção monetária, e a inaplicabilidade da taxa SELIC. Nestes termos, requereu a reforma do acórdão recorrido, e a homologação da compensação requerida via DCOMP, ou, sucessivamente, a inaplicabilidade de multa e juros sobre o débito tributário em cobrança, ou ainda o afastamento da taxa SELIC. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16682.900838/201093 Acórdão n.º 1401001.165 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende aos pressupostos de admissibilidade. Quanto ao mérito, pretende a Recorrente demonstrar que o requerimento levado a efeito por meio de PER/DCOMP foi instrumento hábil a permitir a compensação de CSLL pago a maior em estimativa mensal de fevereiro de 2007 na quantia de R$ 1.672.913,86 a ser compensado com o débito de estimativa do mês de dezembro de 2007, no valor de R$ 229.395,74. No caso em comento, tanto em despacho decisório de fls. 07, quanto em Acórdão da DRJ/RJ1 de fls. 93103 foi negado ao contribuinte o direito de ter compensados os referidos crédito e débito. Nesse sentido, compartilho do entendimento no voto vencido da DRJ/RJ1, exposto no Acórdão recorrido, visto que assiste razão à Recorrente quanto ao fato de que nada obsta a compensação no curso do anocalendário de valores pagos a maior a título de estimativa de CSLL, já que o indébito é verificado na data de seu recolhimento, e, portanto, uma vez recolhido, é estabilizado para fins de compensação ou restituição. A decisão recorrida asseverou que as estimativas mensais de IRPJ pagas a maior não poderiam ser objeto de compensação por meio de PER/DCOMP em razão do disposto no art. 10 da INSRF nº 600/2005, que assim determinava: “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período”. Ocorre que quando apresentada a declaração PER/DCOMP pela recorrente, o diploma normativo que regulamentava os pedidos de compensação de créditos tributários era a IN SRF nº 900/08, que não obstava a compensação de créditos oriundos de recolhimentos de estimativa. A compensação tributária extingue o crédito tributário e as formas e possibilidades em que pode ocorrer são as contempladas na legislação vigente à época da formulação do pedido compensatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16682.900838/201093 Acórdão n.º 1401001.165 S1C4T1 Fl. 6 5 Este, inclusive, é o entendimento adotado pelo STJ: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizoua apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. 4. A redação original do artigo 74, da Lei 9.430/96, dispõe: "Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". 5. Consectariamente, a autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si. 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.430/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em consequência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16682.900838/201093 Acórdão n.º 1401001.165 S1C4T1 Fl. 7 6 Secretaria da Receita Federal, tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. 8. Deveras, com o advento da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, que acrescentou o artigo 170A ao Código Tributário Nacional, agregouse mais um requisito à compensação tributária a saber: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). 10. In casu, a empresa recorrente ajuizou a ação ordinária em 19/12/2005, pleiteando a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS E COFINS com parcelas vencidas e vincendas de quaisquer tributos e/ou contribuições federais. 11. À época do ajuizamento da demanda, vigia a Lei 9.430/96, com as alterações levadas a efeito pela Lei 10.637/02, sendo admitida a compensação, sponte própria, entre quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações. 12. Ausência de interesse recursal quanto à não incidência do art. 170A do CTN, porquanto: a) a sentença reconheceu o direito da recorrente à compensação tributária, sem imposição de qualquer restrição; b) cabia à Fazenda Nacional alegar, em sede de apelação, a aplicação do referido dispositivo legal, nos termos do art. 333, do CPC, posto fato restritivo do direito do autor, o que não ocorreu in casu; c) o Tribunal Regional não conheceu do recurso adesivo da recorrente, ao fundamento de que, não tendo a sentença se manifestado a respeito da limitação ao direito à compensação, na haveria sucumbência, nem, por conseguinte, interesse recursal”. [...] Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16682.900838/201093 Acórdão n.º 1401001.165 S1C4T1 Fl. 8 7 17. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido, apenas para reconhecer o direito da recorrente à compensação tributária, nos termos da Lei 9.430/96. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 1137738 / SP – 1ª T – Rel. Min. Luiz Fux – Dje 01/02/2010) A partir da entrada em vigor da IN RFB nº 900/2008, as estimativas pagas a maior podem ser compensadas via PER/DCOMP, hipótese esta a dos presentes autos. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o valor recolhido a maior pela recorrente tornouse, a partir do mês seguinte ao do seu pagamento, passível de compensação/restituição com débito que possuía em período posterior. Este Colegiado, inclusive, já pacificou entendimento sobre o tema ao editar a Súmula nº 84: "Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Feitas essas considerações, temse que a compensação requerida pelo Recorrente via DCOMP deve ser homologada, pelos motivos acima expostos. Diante do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 16832.000427/2009-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
JUROS DE MORA TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL.
De acordo com art.44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL
Sendo a exigência reflexa de CSLL decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Numero da decisão: 1103-001.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Omissão de receitas Recorrente QUANTOR ENGENHARIA ELETRÔNICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DE LIVROS DE APURAÇÃO DO ICMS E ISS. POSSIBILIDADE. É cabível a lavratura de auto de infração com base na receita conhecida, escriturada nos Livros de Registro de Apuração do ICMS e ISS. LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. O fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de sucessivas e reiteradas intimações, autoriza o arbitramento do lucro. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal (Súmula CARF nº 59) LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Sendo a exigência reflexa de CSLL decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO VEDADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Nem sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação da lei pode ser afastada, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e de entendimento administrativo já consolidado (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 04 27 /2 00 9- 00 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000427/200900 Acórdão n.º 1103001.126 S1C1T3 Fl. 981 2 Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. De acordo com art.44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000427/200900 Acórdão n.º 1103001.126 S1C1T3 Fl. 982 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL (1º a 4º trimestres de 2005), com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls. 148/165). A ciência do contribuinte ocorreu pessoalmente em 17/6/09 (fls.149 e 154). No “Termo de Constatação Fiscal” (fls.145/146) a fiscalização consignou, verbis: 1) com o Termo de Início de Fiscalização lavrado em 25/09/08, foram solicitados os esclarecimentos devidos a respeito de inconsistências observadas tanto na própria DIPJ apresentada em 28/06/2006, em si, como entre ela e a DCTF do mesmo período, dada a superioridade dos valores registrados na DIPJ em relação aos informados em DCTF quanto a ‘IRPJ a Pagar’, ‘CSLL a Pagar’ e ‘IRPJ por Estimativa’; 2) o contribuinte declarou que ‘a troca de contabilista e o extravio dos documentos’ deixou a empresa desprovida de informações e registros do ano anterior, o que o levou, simplesmente, a zerar os valores referentes ao exercício anterior, na DIPJ original, e o fez solicitar a esta fiscalização cópia da DIPJ do anocalendário anterior. 3) na DIPJ original mencionada o contribuinte apurou o IRPJ por estimativa, o qual, entretanto, não foi recolhido; 4) em 29/10/2008, já iniciada a fiscalização, o contribuinte cancelou a Declaração original apresentando DIPJ Retificadora para incluir os mesmos valores constantes da DCTF e, assim, anular as discrepâncias apontadas acima, que originaram o MPF/RPF determinante desta fiscalização. 5) foram lavrados seguidos Termos de Intimações para o contribuinte apresentar os livros e documentos que comprovassem a efetividade dos valores então declarados/retificados; 6) diante da alegação de roubo da documentação comprobatória exigida, ao contribuinte ainda restaria a reimpressão dos arquivos e registros contábeis e/ou o próprio refazimento de sua escrita comercial fiscal; 7) o contribuinte terminou por apresentar apenas os livros LALUR e os de Registro de Apuração do ICMS e do ISS, a pedido da fiscalização; 8) finalmente, diante da declaração dada por escrito em 21/05 do corrente, na qual o contribuinte afirma a ‘Impossibilidade da Apresentação do livro Diário e Razão entre o período de 2004 e 2006 em decorrência do extravio por Roubo...’ (sic) fica definitivamente constatada a indisponibilidade do documentário exigido, por falta de apresentação dos mesmos, o que inviabiliza Fl. 982DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000427/200900 Acórdão n.º 1103001.126 S1C1T3 Fl. 983 4 a comprovação dos dados e informações declarados na DIPJ e conseqüentemente na DCTF. Assim, do exposto, e para salvaguarda dos interesses da Fazenda Nacional, somos obrigados a arbitrar o lucro do contribuinte com base na receita conhecida, levantada dos Livros de Registro de Apuração do ICMS e do ISS, para constituição e cobrança do Crédito Tributário em Auto de Infração, com aplicação da multa de ofício e demais acréscimos legais previstos, em consonância com o disposto nos art.530, inciso III e 532, do Decreto nº 3.000/99 e art.44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Para efeito de cálculo dos valores devidos, deixamos de considerar eventuais prejuízos acumulados, em razão do arbitramento do lucro devido à falta de apresentação do documentário contábil fiscal obrigatório. Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Primeira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.293/306): ARGUIÇÃO DE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DEVIDAMENTE ESCRITURADOS. Constitui hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica a não apresentação à autoridade tributária pela interessada de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. RECEITA OMITIDA. LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS. OBSERVÂNCIA DO CFOP. Tendo a fiscalização considerado o Livro de Apuração do ICMS hábil e os lançamentos nele registrados idôneos, somente devem ser tributados como receita omitida os valores lançados cujos Códigos Fiscais de Operações e Prestações correspondam a operações relativas a venda de mercadorias. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Na ocasião, o colegiado de primeira instância não considerou como receitas omitidas valores registrados no Livro de Apuração do ICMS que não correspondiam a operações de vendas de mercadorias. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000427/200900 Acórdão n.º 1103001.126 S1C1T3 Fl. 984 5 Devidamente cientificado em 20/4/12 (fl.956), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/5/12 (fls.959/973), em que alegou, em síntese: os documentos apresentados após o julgamento em primeira instância, mas antes da ciência da respectiva decisão, deveriam ser apreciados pelo CARF em homenagem ao princípio da verdade material e às garantias da ampla defesa e do contraditório; caberia à fiscalização o ônus da prova quanto à omissão de receitas e à necessidade do arbitramento dos lucros; teria havido incorreção ao se enquadrar a hipótese fática à norma prevista no art.530 do RIR/99, vez que a escrita comercial/fiscal teria sido refeita posteriormente, sendo necessário o aproveitamento dos prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores; “...a Fazenda Pública, se quiser recorrer ao arbitramento da base de cálculo, deverá realizar uma série de atos orientados no sentido de levantar dados e elementos, concretos e verdadeiros, que conduzam de forma lógica e racional à verdade que quer demonstrar e permitam, assim, um regular arbitramento, o que, ao que parece, não foi o atuar da autoridade fiscal”; a aplicação da multa de ofício aplicada no percentual de 75% seria arbitrária, além de representar verdadeiro confisco e violar o princípio da proporcionalidade; seria desproporcional a incidência dos juros moratórios. Ao final, o Recorrente pleiteou a juntada posterior de documentos, que, no seu entender, seriam indispensáveis ao exercício do direito de defesa. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Para que as alegações de defesa possam ser conhecidas, importa inicialmente verificar se o recurso foi apresentado tempestivamente. Ao contribuinte a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil encaminhou a Intimação nº 2012/000844 (fl.955) com cópia do acórdão recorrido. A ciência concretizouse em 20/4/12 (sextafeira), conforme Aviso de Recebimento (fl.956). Dispõe o Decreto nº 70.235, de 6/3/72, que regula o processo administrativo tributário federal: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ..... Art. 23. Farseá a intimação: ..... Fl. 984DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000427/200900 Acórdão n.º 1103001.126 S1C1T3 Fl. 985 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..... § 2° Considerase feita a intimação: ..... II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” (destaquei) Assim, conforme art.5º do Decreto nº 70.235/72, a contagem do prazo recursal, com a exclusão do dia da intimação, iniciarseia em 23/4/12 (segundafeira). Porém, o dia 23 de abril é considerado feriado no Estado do Rio de Janeiro, conforme Lei nº 5.198, de 5/3/08: Lei nº 5198, de 05 de Março de 2008 do Rio de janeiro INSTITUI FERIADO ESTADUAL, DIA 23 DE ABRIL, "DIA DE SÃO JORGE.” O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica instituído como feriado estadual o dia 23 de abril, "Dia de São Jorge". Art. 2º Esta Lei entrará em vigor na data da sua publicação, revogandose as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 05 de março de 2008. SÉRGIO CABRAL | Governador Assim, a contagem do prazo recursal iniciouse, no caso concreto, em 24/4/12 (terçafeira), sendo o vencimento (trigésimo dia) em 23/5/12 (quartafeira). Tendo sido o recurso voluntário protocolizado nesta da data (fl.959), a interposição foi tempestiva. Preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, conhecese do recurso voluntário. Inicialmente, quanto aos documentos juntados aos autos após o julgamento em primeira instância, entendo que podem ser apreciados em sede recursal, mormente em homenagem ao princípio da verdade material, inerente ao processo administrativo tributário federal. Tal decisão vai ao encontro da jurisprudência desta Turma que admite, inclusive, documentos apresentados em memoriais após a apresentação do recurso voluntário e até mesmo, excepcionalmente, quando da sustentação oral das partes, desde que, por óbvio, sejam relevantes ao deslinde da controvérsia. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000427/200900 Acórdão n.º 1103001.126 S1C1T3 Fl. 986 7 Por meio do “Aditamento à impugnação” (fls.341/351), o sujeito passivo requereu a juntada de novos documentos, tendo ainda tecido considerações sobre o ônus da prova por parte da autoridade fiscal, a prevalência do princípio da verdade material, e, ainda, acerca da inexigibilidade da multa de ofício e dos juros de mora. Como se nota, tais argumentos foram todos reiterados no recurso voluntário e, portanto, serão devidamente apreciados neste voto. A fiscalização, em várias oportunidades, intimou o contribuinte a apresentar os livros contábeis e respectivos documentos de escrituração, sendo que apenas quando soube que não seriam entregues por terem sido extraviados, procedeu ao arbitramento do lucro com base nas receitas conhecidas e à luz de permissivo legal. Dispõe o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário.” (destaquei) A fiscalização, ao contrário do que alega o Recorrente, não se desincumbiu do ônus de comprovar a omissão de receitas, vez que as obteve a partir dos Livros de Apuração do ICMS e ISS. A respeito da apresentação do Livro Diário (fls.370/805) apenas com o “Aditamento à impugnação”, ou seja, após a lavratura dos autos de infração, cabe lembrar que não produz mínimo efeito sobre o arbitramento do lucro, conforme consolidada jurisprudência deste Conselho, como se nota da Súmula CARF nº 59: Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000427/200900 Acórdão n.º 1103001.126 S1C1T3 Fl. 987 8 A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. O fato de os livros contábeis terem sido objeto de roubo, devidamente comunicado pelo contribuinte em 16/4/09 (fls.61 e 64), levou a autoridade fazendária a corretamente lhe conferir nova oportunidade para reconstituir os livros Diário e Razão, mesmo tendo decorrido quase 6 (seis) meses do suposto fato criminoso. Este teria ocorrido em 4/11/08, conforme comunicação à autoridade policial, nos termos do Registro de Ocorrência nº 006657/0001/08 (fls.57/58), e, em 27/4/09, a fiscalização, por meio de Termo de Intimação Fiscal (fls.65/66), concedeu ao contribuinte, notificado pessoalmente em 30/4/09, 20 (vinte) dias para “...viabilizar a simples reimpressão do arquivo digitalizado ou mesmo o refazimento da escrita comercial e fiscal, para a reprodução e regularização dos referidos livros” (Diário e Razão do anocalendário 2005), o que não foi providenciado. O próprio contribuinte afirmou, em 21/5/09, que seria impossível apresentálos (fl.67). Caso a autoridade fazendária, imediatamente após o conhecimento do suposto roubo dos livros, houvesse lavrado o auto de infração, tal procedimento poderia permitir o acolhimento da reconstituição da escrita após o lançamento tributário, dada a particularidade que o caso encerra. Porém, como visto, não foi isso que ocorreu. Diante da afirmação do contribuinte, não restou outra alternativa à fiscalização senão, após o transcurso do prazo concedido, proceder ao arbitramento do lucro. No tocante à multa de ofício, o percentual aplicado de 75% (setenta e cinco por cento) decorreu de expressa previsão legal. À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Cabe lembrar que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). Nem sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação da lei pode ser afastada, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e de entendimento administrativo já consolidado: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tal raciocínio aplicase à exigência de juros de mora, cuja legitimidade com base na taxa Selic foi reconhecida a ponto de também merecer o seguinte verbete: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000427/200900 Acórdão n.º 1103001.126 S1C1T3 Fl. 988 9 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Impõese a adoção de igual orientação decisória ao lançamento de CSLL, pois decorre dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ. A propósito, vale lembrar o que dispõe a Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ..... §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10920.908175/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO E VOTO A empresa recorre do Acórdão nº 0356.228 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, efls. 77 a 81, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação), objetos destes autos. A empresa argumenta que procedeu a recolhimentos de tributos, via DARF, em valores maiores que os efetivamente devidos. Apresenta cópia de DIPJ, folha do Razão e DCTF retificadora pretendendo comprovar o erro cometido na DCTF originalmente entregue. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 08 17 5/ 20 09 -8 5 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908175/200985 Resolução nº 1801000.371 S1TE01 Fl. 3 2 O Despacho Decisório eletrônico restringese a denegar o pedido com base no fato de o valor recolhido por intermédio do Darf haver sido inteiramente alocado no período correspondente. A Turma Julgadora de Primeira Instância entendeu serem insuficientes as provas oferecidas pela empresa para comprovar o efetivo erro de recolhimento do tributo, alegado como efetuado em valor maior do que o devido. Assim restou ementado o Acórdão: DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 84 a 177, reiterando os termos da defesa exordial e acrescentando, em síntese, que procedeu ao recolhimento a maior do tributo em razão de haver incluído como receita financeira variações cambiais ativas relativa a uma atualização cambial feita indevidamente. Esclarece que o lançamento contábil errôneo foi devidamente estornado na contabilidade em 01/12/2005 e que a DIPJ foi corretamente preenchida, enquanto a DCTF relativa ao período em que houve o lançamento contábil indevido, não. Assim que flagrouse do erro, procedeu à retificação da DCTF, a qual não foi admitida. Para comprovar o alegado, junta ao Recurso Voluntário, entre outros documentos, em cópias: extratos bancários dos meses de abril, maio e junho de 2005; folhas do Diário e do Razão relativas aos lançamentos contábeis de variação cambial ativa e passiva, bem como dos tributos a pagar (IRPJ e CSLL); planilha demonstrando os cálculos das variações cambiais; notas fiscais de liquidações comprovando as operações em abril, maio e junho de 2005, planilhas de cálculo de apuração do IRPJ e CSLL. É o suficiente para o relatório. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. 1 AR – 18/12/2013, efls. 86; Recurso – 16/01/2014, efls. 88 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908175/200985 Resolução nº 1801000.371 S1TE01 Fl. 4 3 A recorrente pleiteia restituição da CSLL relativa ao 2º trimestre de 2005, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que informou equivocadamente em DCTF – original que o valor referente a CSLL do referido trimestre era da ordem de R$ 2.150,35 (pago em duas cotas), mas o valor correto é de R$ 1.675,90. Requer a devolução da diferença sobre as duas cotas. Este processo tem como objeto o DARF, segundo a recorrente, relativo a uma das parcelas, e a diferença pleiteada é da ordem de R$ 237,23. A Turma Julgadora de Primeira Instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de serem insuficientes as provas exibidas pela recorrente, não sendo hábil para comprovar o erro alegado a apresentação de DCTF retificadora. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo do IRPJ devido, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908175/200985 Resolução nº 1801000.371 S1TE01 Fl. 5 4 prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro, todavia, mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos completa. A DIPJ original, cuja natureza é meramente informativa, e a DCTF retificadoras são, de fato, insuficientes. Mas, entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, os registros contábeis pertinentes, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época para verificarse os valores devidos de IRPJ, no caso, relativo ao 2º trimestre de 2005 e o porquê da exclusão dos valores de variação cambial ativa que originalmente foram oferecidos à tributação. Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que, a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo do IRPJ relativo ao 2º trimestre de 2005 junto a contabilidade completa da recorrente, bem como a correção do procedimento em expurgar a variação cambial ativa e Saldo do IRPJ apurado, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando aos autos, em cópia, os registros contábeis pertinentes. A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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