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Numero do processo: 15374.900178/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO.
DISTINÇÃO.
Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado que o indeferimento do reconhecimento do direito creditório apontado para fins de compensação tomou por base declaração retificada antes da emissão despacho decisório, a análise do pedido formalizado pelo contribuinte deve levar em conta o instrumento retificador, descabendo falar em falta de comprovação de liquidez e certeza do crédito na situação em que
o próprio órgão responsável pela apreciação do referido pedido dispõe de meios para aferir tais circunstâncias.
Numero da decisão: 1302-000.737
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO. Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Comprovado que o indeferimento do reconhecimento do direito creditório apontado para fins de compensação tomou por base declaração retificada antes da emissão despacho decisório, a análise do pedido formalizado pelo contribuinte deve levar em conta o instrumento retificador, descabendo falar em falta de comprovação de liquidez e certeza do crédito na situação em que o próprio órgão responsável pela apreciação do referido pedido dispõe de meios para aferir tais circunstâncias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Fl. 153DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900178/200847 Acórdão n.º 130200.737 S1C3T2 Fl. 138 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900178/200847 Acórdão n.º 130200.737 S1C3T2 Fl. 139 3 Relatório CEMISA PARTICIPAÇÕES LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 1999. A compensação requerida não foi homologada sob a alegação de que a Declaração de Informações (DIPJ) apresentada pela contribuinte não indicava existência de crédito. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 10), por meio da qual argumentou que a DIPJ relativa ao exercício de 2000 (DIPJ/2000) havia sido retificada em 10 de outubro de 2007, restando demonstrada, ali, a apuração de saldo negativo de imposto de renda no montante de R$ 1.641,40. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 1229.155, de 11 de março de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da DIPJ apresentada, a retificação somente é admitida se apresentada dentro do decurso do prazo de 5 anos contado da data do fato gerador do tributo ou contribuição (artigo 150, § 4º do CTN) e estejam reunidos os requisitos de certeza e liquidez do crédito pretendido. Ciente da decisão de primeira instância em 08 de abril de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 63, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07 de maio de 2010, conforme registro de recepção de folha 65, por meio do qual sustenta: que não há qualquer irregularidade com o procedimento adotado por ela, vez que é titular de crédito suficiente para promover a compensação, nos termos demonstrados na declaração retificadora; que no julgamento do presente Recurso devem ser observados, entre outros, os princípios da razoabilidade e da igualdade; Fl. 155DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900178/200847 Acórdão n.º 130200.737 S1C3T2 Fl. 140 4 que o presente Recurso deve ser examinado à luz das circunstâncias do caso concreto, devendo ser verificado se o ato em exame atendeu ou concorreu para o atendimento do especifico interesse público almejado pela previsão normativa; que, em sendo titular de créditos a compensar, não há qualquer ilegalidade no procedimento adotado, mormente por serem tais créditos imprescritíveis, nos termos da legislação aplicável. É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900178/200847 Acórdão n.º 130200.737 S1C3T2 Fl. 141 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o processo de pedido de compensação, em que, primeiramente, foi emitido despacho decisório de indeferimento em virtude de a Declaração de Informações apresentada pela requerente não indicar existência de crédito. Posteriormente, apreciando Manifestação de Inconformidade, o citado indeferimento foi confirmado com base nos seguintes fundamentos: a) impossibilidade de retificação da declaração após o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional; e b) ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito indicado para compensação. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte alega que não há qualquer irregularidade com o procedimento por ela adotado, pois é titular de crédito suficiente para promover a compensação, nos termos demonstrados na declaração retificadora. Diz que no julgamento do seu Recurso devem ser observados, entre outros, os princípios da razoabilidade e da igualdade. Argumenta que a peça de defesa deve ser examinada à luz das circunstâncias do caso concreto, devendo ser verificado se o ato em exame atendeu ou concorreu para o atendimento do específico interesse público almejado pela previsão normativa. Adita que, em sendo titular de créditos a compensar, não há qualquer ilegalidade no procedimento adotado, mormente por serem tais créditos imprescritíveis, nos termos da legislação aplicável. Conforme fls. 03, a contribuinte indicou no PER/DCOMP crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no anocalendário de 1999 no montante de R$ 1.641,40. Não consta dos autos a declaração que se supõe tenha servido de base para a emissão do despacho decisório de indeferimento, pois, na declaração de fls. 12/51, consta a indicação de SALDO NEGATIVO de R$ 1.641,40, decorrente de imposto de renda retido na fonte (fls. 25), o que leva à conclusão de que não foi com base nela que o despacho em questão foi emitido. Conforme fls. 08, o despacho decisório foi emitido em 07 de março de 2008, enquanto que a declaração retificadora foi transmitida em 10 de outubro de 2007 (fls. 12), antes, portanto, da emissão do referido despacho. Tais elementos permitem concluir que o despacho decisório de fls. 08 foi emitido com base em declaração que já se encontrava retificada. No PER/DCOMP (fls. 04 – IMPOSTO RETIDO), constam as seguintes informações: CNPJ da Fonte Pagadora: 54.403.563/000150 Código de Receita: 3426 – Aplicações Financeiras de Renda Fixa Fl. 157DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900178/200847 Acórdão n.º 130200.737 S1C3T2 Fl. 142 6 Valor: 1.641,40 Com o devido respeito a quem entenda de modo diverso, penso que a norma citada pela autoridade julgadora de primeira instância para não apreciar a declaração retificadora apresentada pela contribuinte (parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional) não é aplicável ao presente caso. Com efeito, estamos diante de pedido de compensação, situação regida por um conjunto próprio de normas, não havendo, assim, que se falar em aplicação de legislação que disciplina o ato de lançamento. Notese que, se assim for, a aferição da liquidez e certeza dos créditos apontados para compensação, uma vez ultrapassado o prazo estabelecido pelo parágrafo 4º do art. 150 do CTN, não mais poderia ser realizada, o que, de certo, tornaria inócuo o prazo estabelecido pelo parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.833, de 2003 (“o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”). Nessa linha, entendo que, se a norma em comento não pode servir de obstáculo para que a autoridade administrativa competente verifique a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, ela também não pode ser usada como impedimento para que o contribuinte demonstre a existência desse mesmo crédito. Aliás, apesar de não constar dos autos a declaração retificada e que serviu de base para expedição do despacho decisório de indeferimento, podese inferir, a partir das referências feitas na decisão de primeira instância, que a declaração retificadora apresentada pela contribuinte visou, apenas, explicitar o saldo negativo do período, preenchendose a ficha própria relativa à apuração do saldo do imposto a pagar. Destaco, também, que, pelo que se pode depreender do documento de fls. 122, a declaração retificadora em questão foi apresentada em razão de intimação feita nesse sentido pela própria Receita Federal. No que tange ao segundo fundamento utilizado pela autoridade julgadora recorrida para não acolher o pedido da Recorrente, penso, em convergência com o alegado pela contribuinte, que não seja razoável indeferir o pedido de compensação com base na alegação de ausência de comprovação de liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas, vez que, no presente caso, o citado direito creditório deriva, exclusivamente, de imposto de renda retido na fonte, circunstância que possibilitaria à Administração Tributária confirmar a retenção indicada às fls. 04 por meio de informação prestada pela Fonte Pagadora à própria Receita Federal (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF). Ademais, como restou demonstrado, o despacho decisório de indeferimento, ao tomar por base declaração que já havia sido retificada antes de sua emissão, sequer deveria ser considerado, eis que o motivo ali consignado e que serviu de fundamento para o indeferimento não mais existia. Noto, ainda, que a contribuinte juntou à peça recursal (fls. 117/119) comprovantes retenção emitidos pela fonte pagadora. Porém, dentre os documentos juntados, apenas o de fls. 119, no montante de R$ 1.013,26, atende ao disposto no art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985 (“o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser Fl. 158DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900178/200847 Acórdão n.º 130200.737 S1C3T2 Fl. 143 7 compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”). Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 1.013,26. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 159DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10830.721071/2009-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.084
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 71 /2 00 9- 77 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 3 2 Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.964 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10830.721071/200977 Acórdão n.º 9303007.084 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.903726/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITOS DE PIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 37 26 /2 01 2- 01 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10280.903726/201201 Acórdão n.º 3301004.958 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS não cumulativa/o. Intimada a transmitir os arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração acima indicado, a empresa não atendeu. Através de Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado.” Inconformada com a decisão, a empresa interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: a) O Auditor Fiscal, em momento algum, afirma não existir o crédito pleiteado pela contribuinte, mas apenas limitouse a indeferir o pedido de restituição, sustentando que a contribuinte não entregou seus arquivos digitais, documentos indispensáveis para apuração do referido crédito. b) Em 03/10/2011 foi encaminhado ofício SEORT/DRF/BEL n. 7.162/2011 intimando a apresentar por meio magnético, cópia das notas fiscais de entrada que originaram os direitos creditórios de PIS e COFINS nos anos de 2005 a 2010 e planilha em Excel com os direitos creditórios apurados mensalmente no período de 2005 a 2010. c) Impossibilitada de apresentar tais documentos de forma digital, a contribuinte procurou o Auditor Fiscal responsável à época, (...), que informou que deveria entregar as notas fiscais em cópias físicas, bastando acompanhálas de um CD com arquivo em Excel informando todas as notas entregues. Não trouxe provas. d) Diante disso, a intimação realizada por meio do ofício SEORT/DRF/BEL/n° 7.162/2011 foi integralmente cumprida, conforme pode ser observado por meio dos documentos ora anexados. e) Importante ressaltar que, o próprio Auditor Fiscal, (...) determinou em despacho de próprio punho que a empresa não tinha a necessidade de apresentar os documentos referentes a 2005 e 2006." Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10280.903726/201201 Acórdão n.º 3301004.958 S3C3T1 Fl. 4 3 A DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 01029.126. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.952, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.952): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente protocolizou Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da COFINS do 4° trimestre de 2005. O PER foi indeferido (fl. 13), pois não atendeu à intimação (fls. 11/12) para apresentar os correspondentes arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010. Em ambas as peças de defesa, alegou que a DRF não afirmou que não existia o crédito, limitandose a negar o pedido, em razão da não apresentação de arquivos digitais. Adicionalmente, informou que compareceu à DRF, para comunicar que não tinha condições de apresentar tais documentos. Na ocasião, foi solicitado, alternativamente, que entregasse cópias das notas fiscais e CD, com arquivo em Excel, informando as notas fiscais entregues. É ônus do contribuinte comprovar o direito que alega deter (art. 373 do Código Processo Civil). E, como nos autos, não há qualquer documento que possa comprovar a existência e legitimidade dos créditos da COFINS pleiteados, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10280.903726/201201 Acórdão n.º 3301004.958 S3C3T1 Fl. 5 4 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938343/2011-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 43 /2 01 1- 77 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.938343/201177 Acórdão n.º 3401005.260 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o PISem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PISdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.938343/201177 Acórdão n.º 3401005.260 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.938343/201177 Acórdão n.º 3401005.260 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.938343/201177 Acórdão n.º 3401005.260 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.004579/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração ao art. 32, IV, § 6º da Lei 8.212/91, c.c. art. 225, IV e § 4º do Decreto nº 3.048/99, a empresa apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO DA PENALIDADE.
Os requisitos previstos no art. 291, §1º do Decreto nº 3.048/99 são cumulativos. Se todos não forem preenchidos simultaneamente pelo sujeito passivo, como exige a norma, não há que se falar em relevação da penalidade
Numero da decisão: 2402-006.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice- presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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Constitui infração ao art. 32, IV, § 6º da Lei 8.212/91, c.c. art. 225, IV e § 4º do Decreto nº 3.048/99, a empresa apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. Os requisitos previstos no art. 291, §1º do Decreto nº 3.048/99 são cumulativos. Se todos não forem preenchidos simultaneamente pelo sujeito passivo, como exige a norma, não há que se falar em relevação da penalidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 45 79 /2 00 8- 15 Fl. 145DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1527.018, da 7ª Turma da DRJ de Salvador (fls. 120/127), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.174.3958 para a imposição de multa, por ter a contribuinte apresentado Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, incidindo, assim, na conduta prevista no disposto no art. 32, IV e parágrafo 6º da Lei 8.212/91, c.c. o art. 225 e § 4º do Decreto nº 3.048/99. Segundo consta do relatório fiscal de fls. 19/22, a contribuinte informou no campo FPAS das GFIP do período de 01/2003 a 12/2003 o código 582 (Órgãos Públicos) quando o correto é 515. Assim, foram preenchidos 12 (doze) campos com informações incorretas. Devido a esse equívoco, a GFIP não apresentou o valor da contribuição devida a Terceiros. Ainda, a contribuinte informou, durante todo o ano de 2003, o código de Terceiros (Outras Entidades), como zero, tal qual um órgão da administração pública, tendo por consequência outros 12 (doze) campos com informações inexatas. Ademais, nas GFIP apresentadas, relativas às competências outubro/2003, novembro/2003 e dezembro/2003, informou o número 17011617637 como sendo o NIT/PIS do trabalhador Joselino Trindade Nogueira Sacerdote. Na realidade, o NIT/PIS em questão pertence a Carlos Henrique Souza Oliveira, sendo 10789190904 o verdadeiro número do NIT/PIS de Joselino, como revelou pesquisa no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS. Com isso, foram mais 3 (três) o número de campos com informações inexatas. Em função disso, foi aplicada multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 e nos arts. 284, III e 373 do Decreto nº 3.048/99, que prevê que o valor da multa para cada campo informado incorretamente é de R$ 62,74 (sessenta e dois reais e setenta e quatro centavos). Informa o auditor que o quantitativo de erros no preenchimento dos campos da GFIP por competência não ultrapassou o limite determinado em função do número de segurados da empresa, como determina do art. 284, de modo que considerando que a empresa preencheu 27 (vinte e sete) campos com erro, o valor total da multa aplicada perfaz o importe de R$1.693,98 (um mil e seiscentos e noventa e três reais e noventa e oito centavos). A recorrente apresentou impugnação arguindo, em síntese, prescrição e decadência da multa lançada, bem como das obrigações principais e objeto de outros autos de infração. No mérito, alega multa deve ser relevada, uma vez que não houve dolo ou culpa de sua parte no cometimento da incorreção que, ademais, atingiu apenas o patamar procedimental. Afirma que não houve nenhuma defasagem em relação ao valor devido e o que foi pago, de modo que recolheu a contribuição devida e apenas por falhas no próprio sistema, o recolhimento restou demonstrado de forma divergente. A DRJ em Salvador julgou procedente o lançamento, porém, com atenuação da multa em 50%, nos termos doa art. 291, caput, do Decreto nº 3.048/99, uma vez que Fl. 146DF CARF MF conforme consulta efetuada no sistema informatizado da Receita Federal, a contribuinte corrigiu todas as 27 (vinte e sete) ocorrências apontadas mediante a apresentação de novas GFIP’s dentro do prazo para impugnação. Desse modo, a multa aplicada passou a ser de R$ 846,99 (oitocentos e quarenta e seis reais e noventa e nova centavos) e a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AUTODEINFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso IV, § 6º, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com o art. 225, IV e § 4o do Decreto 3.048, de 06 de maio 1999, a empresa apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. MULTA. O valor da multa aplicada está em consonância com a Lei 8.212/91, artigo 32, § 6o, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com o art. 284, inciso III, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. ATENUAÇÃO DA MULTA. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido integralmente a falta até o termo final do prazo para impugnação (Decreto nº 6.032, de 01/02/2007, DOU de 02/02/2007). ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Intimada dessa decisão aos 29/06//2012, a contribuinte interpôs recurso voluntário a 01/08/2012, repetindo os argumentos de mérito já tecidos em sua impugnação, no sentido de que não agiu de máfé no cometimento da infração, uma vez que corrigiu todas as faltas apontadas, conforme legislação vigente, devendo, por conseguinte, haver a possibilidade de relevação da pena em relação a todo o período. Cita precedente o TRF2 que entende ir ao encontro dessa sua pretensão. Ademais, além da ausência de máfé, afirma que o cumprimento da obrigação comprova, de forma implícita, que a relevação da multa deveria ter ocorrido de Fl. 147DF CARF MF 4 forma a abarcar todas as obrigações, uma vez que tal pedido de relevação não deve ser interpretado apenas quando elaborado expressamente. Requer, por fim, o provimento do recurso, para anular a multa imposta ou para que seja concedida sua a “relevação global”. Sem contrarrazões. Encaminhados os autos a este Conselho para julgamento do recurso, constatou o então relator que a presente autuação estaria relacionada à exigência das contribuições previdenciárias consubstanciadas nos Procedimentos Administrativos Fiscais de nºs 18050.004559/200844 (DEBCAD nº 37.174.3915), 18050.004560/200879 (DEBCAD nº 37.174.3907), 18050.004561/200813 (DEBCAD nº 37.174.3923), 18050.004562/200868 (DEBCAD nº 37.174.3931) e 18050.004574/200892 (DEBCAD nº 37.174.3974). Nesse contexto, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem providenciadas cópias dos autos dos PAF’s em questão por entender o relator que o julgamento das infrações por descumprimento de obrigações principais, então pendentes de análise perante a DRJ em Salvador, poderia impactar diretamente no desfecho desta demanda, uma vez que, no seu entendimento, caso fosse reconhecido que os valores constituídos naquelas notificações fiscais não são devidos, poderia haver a exclusão total da multa aplicada neste processo. Cumprida a diligência e vindo aos autos as cópias solicitadas, o processo retornou, então, a este E. Conselho para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. DA NÃO RELEVAÇÃO DA MULTA. As punições constantes da legislação previdenciária são passíveis de atenuação ou relevação mediante certas condições, consoante o que prevê o Regulamento da Previdência Social (RPS), em seu artigo 291, caput, e parágrafo 1º, abaixo transcritos: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Pelo teor do disposto no § 1º do art. 291 do Decreto nº 3.048/99, os requisitos ali arrolados são cumulativos e não podem ser desprezados para o gozo do benefício da Fl. 148DF CARF MF relevação. Nesse sentido, para que o sujeito passivo obtenha a relevação da multa aplicada, além de ser primário e não ter incorrido em circunstâncias agravantes, são necessárias a formulação do pedido nesse sentido e a correção da falta dentro do prazo de impugnação. Já para que o contribuinte obtenha a atenuação da multa imposta, basta que corrija a falta até o termo final do prazo para impugnação, conforme dispõe o caput do dispositivo. No presente caso, a recorrente corrigiu as 27 (vinte e sete) ocorrências verificadas que ensejaram a lavratura do auto de infração dentro do prazo para a impugnação, mas não fez o pedido expresso de relevação da multa aplicada na peça de defesa, como exige a norma inserta no § 1º do art. 291, supratranscrito. Desse modo, faz jus, tão somente, à atenuação da multa prevista no caput do dispositivo. Todavia, argumenta que o fato de ter corrigido todas as faltas apontadas também comprova, de forma implícita, que a relevação da multa deveria ter ocorrido de forma a abarcar todas as obrigações, uma vez que o pedido de relevação não deve ser interpretado apenas quando elaborado expressamente. É dizer, pelo teor de seu argumento, pretende que a correção da falta seja interpretada como pedido implícito de relevação e, assim sendo, supra a ausência do pedido expresso a que a norma faz referência. No entanto, como já salientado, os requisitos do art. 291, § 1º do Decreto nº 3.048/99 são cumulativos e devem ser todos satisfeitos, simultaneamente, para que a relevação da penalidade seja possível. Como nos ensina Carlos Maximiliano “não se presumem, na lei, palavras inúteis”1 (e aqui nos referimos à lei como norma em sentido lato). Desse modo, se a norma exige pedido expresso de relevação da multa, não é lícito ao aplicador da norma interpretar a correção da falta como “pedido implícito” de relevação apto a ensejar a sua concessão, especialmente quando essa mesma norma já atribui a essa providência de correção outra consequência, qual seja a atenuação da pena, de que, a propósito, como já relatado, a recorrente já se beneficiou. DO PRECEDENTE DO TRF2 Por derradeiro, cumpre esclarecer que o precedente do E. Tribunal Regional Federal da 2ª Região citado pela recorrente no seu recurso, que, no seu entendimento, ampararia seu pedido de relevação da multa, versa hipótese distinta da tratada nos presentes autos. Com efeito, pelo teor da ementa transcrita no recurso voluntário, o precedente em questão (AC 200002010066180) trata de hipótese de imposição de multa processual em caso de Embargos de Declaração entendidos protelatórios pelo julgador “a quo”. Naquele processo, o Tribunal “ad quem” (no caso, o TRF2) entendeu que a imposição de multa por oposição de embargos declaratórios com intuito procrastinatório é penalidade grave, que demanda manifesto intuito de retardar o feito, sendo ferramenta de coibição do “abuso que beire a máfé processual”, o que o Tribunal entendeu não ter se verificado naquele caso concreto. Assim, houve por bem, conforme ementa do julgado, “relevar” a penalidade. 1 in Hermenêutica e aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 204. Fl. 149DF CARF MF 6 Pois bem. A multa tratada naquele caso estava prevista, à época, no art. 538, p. ún., do CPC/73 (prevista, atualmente, no art. 1026, § 2º do NCPC), que assim dispunha: Art. 538. Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, por qualquer das partes. Parágrafo único. Quando manifestamente protelatórios os embargos, o juiz ou o tribunal, declarando que o são, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente de 1% (um por cento) sobre o valor da causa. Na reiteração de embargos protelatórios, a multa é elevada a até 10% (dez por cento), ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao depósito do valor respectivo. Conforme se constata do teor do parágrafo único do dispositivo acima reproduzido, o juiz ou tribunal condenará o embargante a pagar ao embargado multa de 1% (um por cento) sobre valor da causa quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração. Ou seja, o intuito protelatório dos embargos de declaração (e a máfé subjacente a essa conduta) é requisito para a aplicação da multa na hipótese tratada no CPC 538 p. ún. Disso deflui que quando o E. TRF2 alude a “relevar” a multa, sabendo que, como nos ensina o léxico, relevar significa “perdoar” e perdoar, por sua vez, é “renunciar à punição”, o que fez aquele tribunal, em verdade, foi cancelar a multa aplicada posto que, uma vez que se verificou, como expresso na ementa, a não ocorrência no caso do “abuso que beire a máfé processual”, não estava satisfeito o requisito legal exigido para a punição. Em outros termos, não houve perdão da punição (ou seja, “relevação” da pena) uma vez que ela sequer poderia ter sido aplicada porque não havia causa legal para isso. Daí seu cancelamento (e não relevação!) pelo Tribunal. Diferente é a situação tratada nestes autos. Aqui, a multa é a pena pela prática da infração verificada. O requisito para a aplicação da pena é a prática da infração, e não ter havido, ou não, máfé. Por sua vez, as hipóteses de relevação da penalidade estão expressamente previstas na norma, qual seja o já citado art. 291, § 1º do Decreto nº 3.048/99, que não prevê a boafé ou a ausência de máfé como requisito isolado para tanto. Ao contrário, como já exposto, para que a multa seja relevada, é necessário que sejam cumpridos, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados. Desse modo, as situações tratadas neste caso concreto e no julgado trazido pela recorrente em seu recurso voluntário são absolutamente distintas, de modo que o precedente colacionado não é hábil a amparar suas razões visando à relevação da multa que lhe foi imposta. CONCLUSÃO Fl. 150DF CARF MF Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.006894/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
1993, 1994, 1995, 1996, 1997
LUCRO REAL. RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO
DE RENDA. DECADÊNCIA.
Decai em cinco anos, a contar da extinção do crédito tributário, o direito de restituição de tributo pago a maior. A lei tributária não prevê interrupção do prazo de decadência.
Numero da decisão: 1302-000.704
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997 LUCRO REAL. RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA. DECADÊNCIA. Decai em cinco anos, a contar da extinção do crédito tributário, o direito de restituição de tributo pago a maior. A lei tributária não prevê interrupção do prazo de decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello , Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 123DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006894/200619 Acórdão n.º 130200.704 S1C3T2 Fl. 106 2 Tratase de Recurso Voluntário em relação ao acórdão DRJ que indeferiu a manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indeferiu restituição de R$ 33.879,51, postulada sobre saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) supostamente havidos nos anoscalendários de 1993 a 1997. A contribuinte foi intimada do despacho decisório em 12/8/09 (fls. 64 e 78) e apresentou a manifestação de inconformidade em 1/9/09 (fl. 65). A inconformada não concorda que o prazo decadencial tenha expirado [sic], uma vez que utilizou o crédito no valor de R$ 1.368,31 em 31/12/01 para compensar IRPJ do 4° trimestre de 2001, vencível em 31/1/02. Tal operação deu "movimento assim ao crédito dentro do prazo". Assim, o prazo decadencial não teria ocorrido porque o pedido de restituição ocorreu em menos de cinco anos desde a última compensação. A DRJ decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997 LUCRO REAL. RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA. DECADÊNCIA. Decai em cinco anos, a contar da extinção do crédito tributário, o direito de restituição de tributo pago a maior. A lei tributária não prevê interrupção do prazo de decadência. Manifestação de. Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacase no voto condutor do acórdão recorrido: A restituição de tributo pago a maior está prevista no Código Tributário Nacional, nos artigos 165 a 169. A restituição de saldo negativo apurado em IRPJ, em caso de opção pelo lucro real anual, está prevista no art. 6°, § 1°, II, in fine, da Lei 9.430/96. Segundo o alegado pela contribuinte, teria havido interrupção do prazo de decadência em decorrência de compensação de parte do crédito postulado com débito vencível em 31/1/02. A lei tributária não prevê a interrupção do prazo para contagem da decadência, diferentemente do que ocorre quanto ã prescrição, tanto para cobrar crédito tributário (art. 174, parágrafo único, do CTN), como para restituir pagamento indevido ou a maior (art. 169, parágrafo único, do CTN). Por isso, não tem razão a inconformada. A recorrente foi cientificada do acórdão em 26/10/2010 e apresentou recurso em 17/11/2010. Em 25/08/2006, a recorrente ingressou com pedido de restituição de R$ 33.879,51 relativo ao crédito remanescente, atualizado até o anocalendário 2005 do saldo Fl. 124DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006894/200619 Acórdão n.º 130200.704 S1C3T2 Fl. 107 3 negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado nos anoscalendário de 1993 A 1997 após deduzidos os débitos de IRPJ objeto de autocompensação apurados nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001. Pois, como a requerente utilizou crédito de R$ 1.368,31, oriundo de saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anoscalendários 1993 A 1997, em 31/12/2001, a mesma entende que seu prazo para pleitear a restituição do saldo remanescente somente se iniciaria a partir de 31/12/2001. Assim, como em 31/12/2001 fora utilizado parte do crédito, para compensação de R$ 1.368,31 a titulo de Imposto de Renda referente ao 40 Trimestre de 2001, a ora recorrente entende que seu prazo para requerer a restituição iniciouse em 31/12/2001 e findaria em dezembro de 2006, visto que o seu crédito poderia ser utilizado a partir de 1997 até 2001, e contandose daquele ano, a data de extinção do crédito tributário ocorreu em dezembro de 2001, quando iniciouse o prazo decadencial de 5 (cinco) anos até dezembro de 2006, com previsão legal no artigo 168, inciso I do CTN. Portanto, o pedido de restituição protocolado em 25/0812006 ocorreu dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito tributário (em 31112/2001), nos termos da legislação vigente do artigo 168, inciso I do CTN. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006894/200619 Acórdão n.º 130200.704 S1C3T2 Fl. 108 4 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Não assiste razão à recorrente. Como se pode verificar a fls. 01 e seguintes, a recorrente protocolou em 25/08/2006 pedido de restituição de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no período de 1993 a 1997. Segundo tabela de fls. 03, a recorrente tenta demonstrar que vinha aproveitando os saldos negativos gerados desde 1993 nos anos seguintes . Em 2001, afirma que compensou R$ 1.368,31 do saldo atualizado com o IRPJ estimativas devidas naquele exercício. A fls.3/4 traz tabela abaixo reproduzida, onde demonstraria a origem de seus saldo negativo: Fl. 126DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006894/200619 Acórdão n.º 130200.704 S1C3T2 Fl. 109 5 Em seguida traz demonstração da compensação de estimativas: O despacho decisório (fls. 59) afirma: Tratandose de saldo negativo de IRPJ apurado na modalidade de lucro real anual com pagamento mensal das estimativas porventura devidas, os recolhimentos das estimativas não extinguem desde logo o eventual crédito tributário que só será apurado por ocasião do ajuste periódico. Destarte, o inicio da Fl. 127DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006894/200619 Acórdão n.º 130200.704 S1C3T2 Fl. 110 6 contagem do prazo decadencial dáse a partir do dia seguinte ao do encerramento do anocalendário (31/12). Em relação aos anoscalendário objeto de análise nesse processo, discriminados h fl.02 (1993, 1994, 1995, 1996 e 1997), não tem a contribuinte direito à restituição/compensação, haja vista que na data de protocolo deste processo (25/08/2006), já se passara o mencionado qüinqüênio legal, estando o direito da interessada definitivamente decaído. Em consulta aos sistemas COMPROT e SIEF/PERDCOMP (fls. 56 e 57), verificouse que não há entrega de processos ou DCOMP's eletrônicas tendo por origem do direito creditório o analisado neste processo. Em sede de impugnação, afirma a recorrente: Com relação ao prazo decadencial,não concordamos que ele tenha expirado,uma vez que utilizamos este crédito em 31/12/2001 no valor de R$ 1.368,31,para compensação de Imposto de Renda ref.4°trimestre de 2001,imposto este que tem como base de cálculo o período de 31/12/2001 com vencimento em 31/01/2002.Dando movimento assim ao crédito dentro do prazo.Após esta data não foi mais usado para compensações,mas protocolamos o Pedido de Restituição em 25/08/2006. Acreditamos estar dentro do prazo decadencial,porque do período 31/12/2001(ultima compensação) a 25/08/2006(data do protocolo) ,não fecharia o período decadencial de cinco anos, com termo inicial expressamente fixado pelo art.168,inciso I do Código Tributário Nacional. Anexamos ao processo parte da DCTF(fls. 72 e seg.) onde consta a compensação mencionada em 31/12/2001 e também parte da DIPJ,para comprovação da utilização do crédito dentro do prazo decadencial. No acórdão DRJ afirmase: Segundo o alegado pela contribuinte, teria havido interrupção do prazo de decadência em decorrência de compensação de parte do crédito postulado com débito vencível em 31/1/02. A lei tributária não prevê a interrupção do prazo para contagem da decadência, diferentemente do que ocorre quanto ã prescrição, tanto para cobrar crédito tributário (art. 174, parágrafo único, do CTN), como para restituir pagamento indevido ou a maior (art. 169, parágrafo único, do CTN). Por isso, não tem razão a inconformada. Como se pode observar, a recorrente apenas alega que teria utilizado, em 2001, parcela do saldo negativo acumulado em exercícios anteriores para compensação com a estimativa de IRPJ de dezembro de 2001, trazendo como prova a DCTF de fls. 74, desacompanhada de qualquer lançamento contábil que demonstre a origem do crédito utilizado. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006894/200619 Acórdão n.º 130200.704 S1C3T2 Fl. 111 7 Desde 1996 já havia a necessidade do contribuinte requerer restituição/ compensação de seus créditos com débitos perante o fisco: Lei 9.430/96: Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. A IN 73/1996, dispunha: Art. 7º A DCTF deverá conter as seguintes informações, relativas ao trimestre de competência: I número de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes CGC do estabelecimento declarante; II razão social; III trimestre de ocorrência dos fatos geradores; IV faturamento mensal; V dados cadastrais do representante da pessoa jurídica; VI código da receita e sua denominação; VII período de apuração; VIII base de cálculo, exceto para o IPI, o IOF e a CPMF; IX saldo credor anterior, créditos e débitos do período de apuração, relativos ao IPI; X total do imposto apurado; XI compensações; XII valores com exigibilidade suspensa; XIII pagamentos efetuados; XIV parcelamentos concedidos; XV o saldo a pagar por tributo ou contribuição; XVI pedido de parcelamento dos tributos e contribuições a pagar, se for o caso. § 1º No caso de compensação deverá ser informado o código da receita, a data do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor utilizado para compensação. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.006894/200619 Acórdão n.º 130200.704 S1C3T2 Fl. 112 8 § 2º No caso de compensação de tributos ou contribuições de espécies diferentes deverá ser indicado o número do correspondente ato autorizativo da Receita Federal. Como se pode observar, pela legislação vigente, a recorrente teria diversas formas de demonstrar o que alega (contabilidade, pedido de compensação ou DCTF´s) e traz apenas a afirmação de que teria compensado o valor referente a estimativa de 2001, o que não tem o condão de demonstrar que a origem do crédito seria saldo negativo que vinha sendo utilizados para compensar estimativas e gerando novos saldos negativos que, finalmente teria gerado saldo negativo em 2001 e este, tendo sido utilizado apenas parcialmente, poderia ser utilizado até 2006, quando formalizou o pedido de restituição/compensação. Deve se destacar que a recorrente não alega a tese dos 5+5 anos para o pedido de restituição de pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Diante do exposto, tendo sido o pedido de restituição feito após o prazo de cinco anos decorridos após o pagamento a maior (surgimento do saldo negativo), nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 130DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002402/2002-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (cumulado com posterior transmissão de DCOMPs), através da qual o contribuinte solicitou restituição de valores pagos de COFINS entre maio de 1999 e setembro de 2001, alegando que os recolhimentos feitos seriam indevidos. A DRF de origem intimou a contribuinte a justificar seu pleito, tendo como resposta a apresentação de documentos, com a declaração de que preenchia os requisitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 02 40 2/ 20 02 -2 1 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11060.002402/200221 Resolução nº 3402001.413 S3C4T2 Fl. 564 2 previstos para entidade enquadrada nos arts. 12 ou 15 da Lei n° 9.532, de 1997. Foi solicitado à Fiscalização que verificasse a legalidade ou não dos recolhimentos tidos por indevidos. Analisada a questão, foi emitido o Ato Declaratório executivo DRF/STM no 31, de 27/11/2009 (fls.378), que suspendeu o benefício da isenção/imunidade tributária usufruída pela Associação (processo n. 11060.002891/200997). A DRF jurisdicionante apreciou a questão e se manifestou através de Despacho Decisório 873, de 23/11/2010 (fls. 446 a 453), indeferiu o pedido de restituição requerido pela contribuinte pela inexistência de crédito, e não homologou as compensações. Inconformada, a interessada apresentou, através de procurador, manifestação de inconformidade (fls. 466 a 480), por meio da qual, alega seu pleno direito à isenção da COFINS, requerendo o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação e o pedido de restituição feitos. Por meio do acórdão nº 1031.811, de 26 de maio de 2011 (fls. 492 a 506), a 2ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/09/2001 IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. REQUISITOS LEGAIS. Para o gozo da imunidade das contribuições para seguridade social, a entidade beneficente de assistência social deve atender os requisitos da lei, entre eles, o Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. ISENÇÃO. MP N° 1.8586, de 1999 (DEPOIS N° 2.15835, DE 2001). RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. Somente as instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532, de 1997, são isentas da COFINS e exclusivamente com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 520 a 538), alegando o pleno atendimento aos requisitos necessários a concessão da isenção da COFINS, e requerendo o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação e o pedido de restituição feitos. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11060.002402/200221 Resolução nº 3402001.413 S3C4T2 Fl. 565 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A questão trazida a este colegiado cingese sobre a análise de direito creditório e homologação de Declarações de Compensação. Segundo o entendimento da recorrente, seu direito creditório originouse nos recolhimentos indevidos efetuados tendo em vista seu enquadramento como Associações Civis sem fins lucrativos, fazendo jus à isenção de COFINS. A unidade de origem, após análise da situação fática do contribuinte, emitiu o Ato Declaratório executivo DRF/STM no 31, de 27/11/2009 (fls.378), que suspendeu o benefício da isenção/imunidade tributária usufruída pela Associação (processo n. 11060.002891/200997). Portanto, constatase que a questão de fundo é tratada no processo administrativo 11060.002891/200997, que suspendeu o benefício da isenção/imunidade tributária usufruída pela Associação. Dessa forma, diante deste cenário fático jurídico, resta claro que a resolução da presente demanda perpassa, obrigatoriamente, pelo resultado definitivo da discussão travada no âmbito dos autos n. 11060.002891/200997. Diante deste quadro, resolvo por sobrestar o julgamento do presente feito na unidade de origem, até que haja trânsito julgado administrativo da decisão proferida no âmbito dos autos n. 11060.002891/200997 e, advindo o trânsito, seja providenciada a juntada da decisão final a ser proferida naquele processo. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 565DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000786/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tanto em sede de impugnação, como em Recurso Voluntário, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-004.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tanto em sede de impugnação, como em Recurso Voluntário, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tanto em sede de impugnação, como em Recurso Voluntário, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 07 86 /2 00 7- 31 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13855.000786/200731 Acórdão n.º 3201004.174 S3C2T1 Fl. 185 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1427.691, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que brevemente relatou o feito: Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 6/17 e 18/28, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, respectivamente, dos períodos de janeiro de 2002 a maio de 2004, exigindose lhe o crédito tributário no valor total de R$367.337,83. O enquadramento legal encontrase a fls. 11 e 16, 23 e 27/28. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 144/154, na qual tratou tãosomente de uma suposta exclusão do Simples, discorrendo longamente sobre seu direito à opção pelo Sistema Integrado de Pagamento, transcrevendo jurisprudência sobre o tema. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados, aduzindo que (i) a intimação e as guias emitidas pela RFB estariam em nome de empresa diversa, qual seja “Santa Maria Transporte de Trabalhadores LTDA”, o que significaria erro quanto ao sujeito passivo; (ii) reitera os argumentos da impugnação e que (iii) possui tratamento diferenciado em razão de ser micro empresa optante pelo SIMPLES. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13855.000786/200731 Acórdão n.º 3201004.174 S3C2T1 Fl. 186 3 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Inicialmente, a Recorrente aduz questão preliminar consistente que a intimação de guias emitidas pela RFB seriam destinadas a empresa diversa, “Santa Maria Transporte de Trabalhadores LTDA”, pelo que requer o "Retomo do processo a delegacia da Receita Federal em face de erro quanto ao agente que figura no pólo passivo da ação;" Pois bem. Na capa do presente procedimento administrativo consta a indicação da empresa SANTA MARIA SERVIÇOS DE COLHEITA LTDA ME, CNPJ 04.649.560/0001 22. Essa mesma denominação e CNPJ constam também do Mandado de Procedimento Fiscal, do Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário e do Auto de Infração. Em todos os documentos que instruíram as autuações consta o mesmo CNPJ 04.649.560/000122, embora apareçam outras denominações, tais como SANTA MARIA TRABALHO RURAL S/C LTDA. De fato, no documento de intimação do acórdão, fl. 161, consta o nome SANTA MARIA TRANSPORTE DE TRABALHADORES LTDA ME, contudo, com o mesmo CNPJ 04.649.560/000122. A alegação do Recorrente, com a devida vênia, é absolutamente desprovida de qualquer razoabilidade e parece ter por objetivo exclusivamente o tumulto do feito. Por uma simples consulta ao cadastro CNPJ da empresa é possível verificar que houve alteração da sua denominação social, sendo, atualmente, SANTA MARIA TRANSPORTE DE TRABALHADORES LTDA. Assim, resta superada a despropositada alegação da Recorrente. Quanto ao mérito do Recurso, conforme relatado, a matéria em litígio tem caráter eminentemente processual. Tratase de definir se a Impugnação apresentada pelo Contribuinte teve o condão de efetivamente impugnar a autuação ou não. Confirase os termos da sucinta decisão: Assim dispõe o Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em sua impugnação, a interessada limitouse a tratar do seu direito à opção pelo Simples e contestar sua exclusão do mesmo. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13855.000786/200731 Acórdão n.º 3201004.174 S3C2T1 Fl. 187 4 No entanto, não consta nos autos qualquer informação que corrobore sua reclamação. Ao contrário, nas declarações dos exercícios de 2003 e 2004, a impugnante informou se tratar de “Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada – Empresa Privada” e “Sociedade Empresária Limitada”, respectivamente, na condição de inativa (fls. 100 e 102). Na DIPJ2005, ela informou a opção pelo Lucro Presumido como forma de tributação, qualificandose como “PJ em Geral” e “Sociedade Empresária Limitada” (fl. 105). No tocante às infrações apontadas nas autuações, nenhuma contestação foi apresentada, restando somente a aplicação do art. 17 supra. Pelo exposto, VOTO por não conhecer da impugnação. A descrição dos fatos e enquadramento legal constante dos Autos de Infração lavrados (PIS e COFINS) consta, em síntese: · A Recorrente constou como beneficiária de diversos pagamentos realizados por empresas a título de serviços prestados, nos anos calendários de 2002, 2003 e 2004, com receita total de R$2.830.086,92 · A Recorrente, nos anoscalendário de 2002 e 2003 apresentou Declarações Anuais Simplificadas na qualidade de inativa. · No anocalendário de 2004, a Recorrente apresentou DIPJ pelo regime do lucro presumido com receita bruta de R$1.807,05. · Durante o curso da ação fiscal, a Recorrente foi intimada a apresentar documentos e livros fiscais, sendo que pelo exame dos livros Diário e Razão relativos aos anos de 2002 a 2004, registrou receita pela prestação de serviços no valor de R$3.204.876,91. Esses valores foram considerados como base de cálculo pela Fiscalização. Notase que tratase de autuação simples realizada a partir dos livros fiscais apresentados pela própria contribuinte. Não obstante, em sua impugnação, alega o Recorrente que "tratase de processo administrativo de exclusão do SIMPLES" e que "tomou conhecimento da exclusão, por via do ato declaratório executivo, que especifica que a empresa deveria realizar suas atividades com o auxilio de um engenheiro agrônomo, e por isso não se enquadraria no SIMPLES." A partir disso, passa a defender seu direito ao regime tributário do SIMPLES, sem apresentar qualquer questionamento relativos às bases de cálculo, alíquotas e metodologia utilizadas na autuação fiscal. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13855.000786/200731 Acórdão n.º 3201004.174 S3C2T1 Fl. 188 5 Com efeito, não consta dos autos qualquer documentação comprobatória ou indiciária de que a Recorrente tenha sido optante pelo SIMPLES. Pelo contrário, as declarações anuais dos anos de 2002 e 2003 apresentam a condição de empresa inativa e, a de 2004, de empresa optante pelo lucro presumido. A questão relativa ao suposto enquadramento ao SIMPLES é absolutamente estranha aos autos e, portanto, não se sustenta como argumento de defesa em face do lançamento. Desse modo, correto o entendimento da DRJ pela hipótese prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ademais, é de se notar que a Recorrente sequer se insurgiu quanto ao único fundamento da decisão Recorrida, que é o não conhecimento da Impugnação por ausência de impugnação específica. Assim, à exemplo do que ocorreu na Impugnação apresentada, também em sede de Recurso Voluntário a Recorrente não foi capaz de impugnar, seja efetivamente ou mesmo em tese, os termos da decisão. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário do contribuinte, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900613/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1998
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA.
O mero esclarecimento de que débitos não compensados foram objeto de parcelamento especial, sendo injustificada, assim, a sua cobrança, não constitui argumento passível de apreciação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1302-000.738
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA. O mero esclarecimento de que débitos não compensados foram objeto de parcelamento especial, sendo injustificada, assim, a sua cobrança, não constitui argumento passível de apreciação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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AUSÊNCIA. O mero esclarecimento de que débitos não compensados foram objeto de parcelamento especial, sendo injustificada, assim, a sua cobrança, não constitui argumento passível de apreciação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900613/200833 Acórdão n.º 130200.738 S1C3T2 Fl. 80 2 Fl. 88DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900613/200833 Acórdão n.º 130200.738 S1C3T2 Fl. 81 3 Relatório CENTER HOTEL S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, transmitida em 16 de agosto de 2004, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 1997. O Despacho Decisório de fls. 08 indica que o indeferimento se deu em virtude da caducidade do direito de a contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior, conforme transcrição abaixo. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP original com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP original e a data de apuração do saldo negativo. PER/DCOMP original com demonstrativo de crédito: 27859.75973.160804.1.3.029307 Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1997 Data de transmissão do PER/DCOMP original com demonstrativo do crédito: 16/08/2004 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 10.262,57 Diante de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº 1232.787, de 18 de agosto de 2010, decidiu pelo indeferimento dos pedidos ali veiculados. O referido julgado restou assim ementado: PRAZO PARA PLEITEAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para reconhecimento de direito creditório, relativo a tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, ainda que tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extinguese após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, nos termos dos artigos 150, § 1º, 165 e 168, todos do Código Tributário Nacional. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900613/200833 Acórdão n.º 130200.738 S1C3T2 Fl. 82 4 Ciente da Decisão de primeira instância em 05 de outubro de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 42, a contribuinte, fazendo referência aos processos administrativos nºs 15374.900890/200846 e 15374.900821/200832, que denominou “processos de cobranças”, e aos processos nºs 15374.900685/200881 e 15374.900613/2008 33, que denominou “processos de crédito”, apresentou recurso voluntário em 21 de outubro de 2010, conforme registro de recepção de folha 44, por meio do qual argumenta que foi surpreendida com a Carta de Cobrança, uma vez que, em tempo hábil, formalizou Pedido de Parcelamento de Dividas Não Parceladas Anteriormente. É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.900613/200833 Acórdão n.º 130200.738 S1C3T2 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Cuida o presente processo de não homologação de compensação em virtude da caducidade do direito de se repetir o crédito indicado para fins de compensação. Não obstante o fato de o documento de fls. 44/45 fazer referência a este Colegiado, visto que nele foi introduzido, à mão, a expressão “AO EGRÉGIO CONSELHO ADM DE RECURSOS FISCAIS – CARF , inexiste, ali, argumento passível de análise por parte desta instância julgadora. Com efeito, a contribuinte, insatisfeita com carta de cobrança que lhe foi encaminhada, limitase a informar que formalizou pedido de parcelamento e a requerer a apensação de outros processos administrativos. Assim, sou pelo não conhecimento do documento de fls. 44/45, devendo a autoridade administrativa de jurisdição da contribuinte manifestarse sobre a informação e pedido nele consignados. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 91DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10950.721394/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO.
A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o presumido.
ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO.
A escrituração do livro Diário, autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, poderá ser aceita pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que o registro e autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro.
REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO.
A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo.
Numero da decisão: 2401-005.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente momentaneamente o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012, 2013 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o presumido. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. A escrituração do livro Diário, autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, poderá ser aceita pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que o registro e autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO. A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo.
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LUCRO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o presumido. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. A escrituração do livro Diário, autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, poderá ser aceita pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que o registro e autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. CORREÇÃO. A mera identificação de erro de contabilização, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 13 94 /2 01 7- 12 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 660 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente momentaneamente o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 3ª Turma da DRJ/SDR e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 578/583): O interessado impugna lançamento do imposto de renda dos anoscalendário 2012 e 2013, onde foi tributado o recebimento de lucros excedentes ao lucro presumido, resultando em imposto de R$ 1.003.359,51. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte recebera da empresa Agrocana Participações Ltda. lucros de R$ 980.397,00 em 2012 e R$ 3.362.562,62 em 2013. Em 2012, porém, a empresa, que declara pelo lucro presumido, não havia faturado qualquer receita. No início do ano registrara prejuízo acumulado de R$ 5.626.935,14. No final do ano os prejuízos acumulados se elevaram a R$ 10.417.631,86. Estes valores estavam consignados na demonstração de lucros ou prejuízos acumulados do livro Diário como a seguir: Saldo no início do Exercício (5.626.935,14) () Prejuízo do Exercício (851.778,72) () Lucro Distribuído no Exercício (3.938.918,00) () SALDO FINAL DE PREJUÍZOS ACUMULADOS (10.417.631,86) Não havia assim lucros contabilizados que justificassem a distribuição isenta em 2012. Em 2013 a empresa contabilizou um faturamento de R$ 15.010.770,14 em uma única operação, por serviços de Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 661 3 corretagem prestados à empresa Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda. Para este negócio a Agrocana emitira a sua primeira nota fiscal, nº 01, apesar de existir desde 2006. Os pagamentos não transitaram pela conta da empresa, mas foram pagos diretamente aos sócios, acobertados como contrato de mútuo. A DIPJ da Agrocana não informa o pagamento de lucros aos sócios em 2013. A contabilidade também se mostrou irregular e inábil para comprovar a existência de lucro superior ao lucro presumido em 2012 que pudesse ser distribuído aos sócios com isenção do imposto de renda. O livro Diário somente foi registrado na Junta Comercial em 2016, depois do início da fiscalização e depois de a empresa haver sido intimada em diligência. A distribuição de lucros aos sócios foi escriturada como tendo ocorrido em 18/10/2013, quando na verdade os sócios já haviam recebido os pagamentos da Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda. em 02/01/2013 e 17/06/2013. O resultado também foi irregularmente contabilizado, pois não foram integralmente consideradas as despesas com IRPJ, CSSL, COFINS e PIS, nem tampouco o imposto retido na fonte pela Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda. A retenção na fonte foi registrada como créditos a recuperar, inclusive após o encerramento do exercício, redundando em acréscimo indevido do Lucro Líquido contábil a integrar a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. O patrimônio líquido da empresa foi contabilizado com sinal invertido, como se fosse positivo, quando na verdade era de menos R$ 2.076.489,11. O saldo de prejuízos acumulados no início de 2013, como já mencionado, era de R$ 10.417.631,86. Não assim haveria lucro que pudesse ser distribuído aos sócios em 2013. O lucro presumido em 2013 que poderia ser distribuído aos sócios com isenção do imposto de renda foi calculado como a seguir: Lucro Presumido Disponível para Distribuição Faturamento 15.010.770,14 Lucro Presumido 4.803.446,44 Imposto de Renda 720.516,97 Adicional de IR 474.344,64 CSLL 432.310,18 PIS 97.570,01 COFINS 450.323,10 Lucro Disponível para Distribuição 2.628.381,55 Sócio Participação Lucro Disponível para Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 662 4 Societária (%) Distribuição (R$) Júlio Barea Neto 24,89 654.204,17 Ermeto Barea 24,89 654.204,17 Ernani José Barea 24,89 654.204,17 Edgar Luiz Barea 9,33 245.228,00 Ana Lourdes Barea 9,33 245.228,00 Bernadete Barea Aita 6,67 175.313,05 TOTAL 100,00 2.628.381,55 Sócio Distribuição de Lucros Efetiva Distribuição de Lucros Permitida pela Legislação Excesso de Lucros Distribuídos a ser Tributado Ernani José Barea 3.362.562,62 654.204,17 2.708.358,45 O impugnante argumenta preliminarmente que os documentos contábeis utilizados pela fiscalização somente lhe foram devolvidos em 20/04/2017, implicando cerceamento do direito de defesa, pois reduziu o tempo de que dispunha para analisálos no prazo de impugnação. Havia sido notificado em 04/04/2017. Apresenta a sua impugnação em 03/05/2017. No mérito argumenta em síntese que declarou os rendimentos como lucros isentos em 2012 pois assim lhe foram informados pela sua empresa no comprovante anual de rendimentos. A responsabilidade, portanto, seria da fonte pagadora. Quanto aos rendimentos de 2013, a fiscalização se baseia no fato de que os pagamentos foram feitos diretamente aos sócios, sem passar pelas contas da empresa, mas os negócios de mútuo que justificaram este procedimento são perfeitamente legais. Um simples cálculo demonstra a existência do lucro disponível para distribuição isenta: faturamento de R$ 15.010.770,14 menos tributos de R$ 2.181.064,90 resulta em um saldo a distribuir de R$ 12.829.705,24. Em 01/06/2017 apresenta nova impugnação, onde acrescenta, em síntese, que houve erro na contabilidade da empresa. Os valores recebidos somente em parte são lucros. A outra parte é devolução de investimento realizado pelos sócios em 2007. Não se trata, portanto, de fato gerador do imposto. A verdade material deve prevalecer sobre a mera forma. Apresenta balanço corrigido. Repete que são perfeitamente legítimos os pagamentos efetuados diretamente aos sócios, sem passar pela conta da empresa em 2013. Os livros Diário não foram tempestivamente registrados por falha do contador, mas garante que foram confeccionados na época certa, porém com os erros já mencionados. A exigência de registro é puramente para fins Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 663 5 comerciais e para empresas sujeitas ao lucro real, e não para estabelecer o lucro presumido. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 1543.883 (fls. 578/583), de 26/12/2017, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012, 2013 ISENÇÃO. LUCRO DISTRIBUÍDO. LUCRO PRESUMIDO. Somente é isento do imposto de renda da pessoa física o lucro distribuído até o limite do lucro presumido, líquido de impostos e contribuições, ou quando comprovada por escrituração mantida em conformidade com as leis comerciais a disponibilidade de lucro superior ao lucro presumido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Não procedem as arguições de nulidade, pois o lançamento foi correta e exaustivamente fundamentado, e contém todos os elementos necessários ao pleno exercício do direito de defesa, como demonstram os próprios argumentos de mérito desenvolvidos pelo impugnante. Ademais, os documentos contábeis que alega não lhe foram devolvidos em tempo já estavam anexados aos autos, aos quais teve pleno acesso. 2. Os lucros pagos pelas pessoas jurídicas são rendimentos, e por isso fato gerador do imposto de renda. A sua tributação estava regulamentada no art. 35 da Lei 7.713/1988. Com a Lei nº 8.383/1991, art. 75, os lucros ou dividendos recebidos a partir de 01/01/1993 passaram a ser considerados rendimentos isentos. No caso de empresas optantes pela sistemática do lucro presumido, consideramse rendimentos isentos do imposto os lucros distribuídos aos sócios até o limite do lucro apurado de acordo com esta presunção (art. 39, do Decreto n° 3.000/1999). 3. A Instrução Normativa SRF nº 11/1996, em seu artigo 51, admite que sejam considerados isentos também os rendimentos distribuídos acima deste limite, mas restringe tal benefício ao caso em que a “empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado”. O objetivo é excluir deste benefício os lucros obtidos através de eventuais receitas omitidas na apuração do lucro presumido ou pagamentos sem causa. Deve assim Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 664 6 restar demonstrado que o lucro excedente resultou de uma lucratividade real superior à lucratividade presumida, como efeito de uma maior produtividade e eficiência empresarial, e não da omissão de receita ou pagamentos injustificados. 4. É evidente que a escrituração exigida neste caso é aquela que seja hábil a demonstrar o lucro efetivo, ou seja, a mesma à qual estão obrigadas as empresas que se submetem à sistemática de apuração do imposto pelo lucro real. Para tanto é indispensável que a escrituração contábil cumpra os requisitos formais estabelecidos nas normas pertinentes, dentre as quais se insere a Instrução Normativa SRF n° 16, de 1984. 5. O impugnante se detém em demonstrar legítimo o pagamento de lucros diretamente na conta do sócio, sem passar pelas contas da empresa. Mas não está em questão aqui a legitimidade deste procedimento mas sim o seu registro irregular na contabilidade da empresa, com datas incompatíveis com as operações envolvidas. Estas e as demais irregularidades apontadas pela fiscalização o impugnante não as contesta especificamente; pelo contrário, admite agora que teria havido erro na escrita da empresa, o que apenas corrobora como imprestável a contabilidade para comprovar a existência de lucro que poderia ser distribuído com isenção acima do lucro presumido. 6. O impugnante altera a versão dos fatos que havia declarado e confirmado na fiscalização. Agora afirma que os valores recebidos da sua empresa não seriam apenas lucros, mas também devolução do capital investido pelos sócios. Não comprova, porém, este fato, pois apresenta apenas cópia de um novo balanço patrimonial. Evidente que, assim como a anterior, esta nova escrita não tem qualquer poder de prova perante terceiros. Além de desprovida das formalidades extrínsecas que lhe garantissem validade, está desacompanhada de documentação comprobatória quanto à alegada devolução de capital. Para tanto seria imprescindível comprovar a efetividade do negócio alegado. Não foi apresentada, por exemplo, a ata de assembléia que teria decidido tal devolução, muito menos o seu registro tempestivo na Junta Comercial, como seria indispensável. A contabilidade irregular e desacompanhada de documentação comprobatória não transfere o ônus da prova em contrário para a Administração, como resulta dos artigos 923 e 924 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do imposto de Renda). 7. As declarações prestadas também não poderiam ser alteradas pelo contribuinte depois de notificado o lançamento. Como dispõe o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional, somente se admite a alteração da declaração com o objetivo de excluir tributo regularmente notificado quando comprovado o erro cometido e antes da notificação do lançamento. 8. Argumenta que os erros detectados pela fiscalização quanto à inexistência de lucros que pudessem ser distribuídos confirmariam os seus argumentos de que se trata em parte da devolução de capital. Tais erros, porém, Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 665 7 somente foram referidos para demonstrar a invalidade da escrituração apresentada, e não para comprovar que não tenham sido distribuídos os lucros declarados. Não há qualquer contradição. Os lucros efetivamente distribuídos podem resultar de faturamento não contabilizado pela empresa, e por isso não tributado no lucro presumido. O sócio receberia assim como isentos rendimentos não submetidos à tributação na pessoa jurídica. É exatamente para impedir esta possibilidade que a lei exige a escrituração comercial regular, como já acima referido. 9. Argumenta que a responsabilidade seria da fonte pagadora, que o teria informado como isentos os lucros distribuídos. Mas para se beneficiar da isenção na pessoa física, o beneficiário deveria comprovar a contabilização regular de lucros disponíveis superiores ao lucro presumido. Como beneficiário dos rendimentos o autuado é o sujeito passivo e o responsável pela apresentação de provas da pretendida isenção. Ademais, a responsabilidade por infrações à legislação tributária se define objetivamente, abstraindose da intenção do agente ou do responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, como dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 589/618), reiterando os argumentos já apresentados, conforme demonstrado abaixo, em síntese: a. A escrituração contábil da AGROCANA contém um simples erro quanto às retiradas de valores relativos à venda das ações do seu ativo não circulante (investimento), que infelizmente foram lançadas como distribuição de lucros quando na verdade e de fato eram simples retorno de investimento dos sócios, por outro lado, este erro de escrituração não materializa uma receita omitida ou dinheiro novo que desse nascimento a fato gerador do Imposto sobre a Renda. Lembramos que um erro material não dá margem à incidência tributária. b. Das saídas do ano de 2010 a 2012, parte das retiradas correspondem a efetiva distribuição de lucros isentos, mas grande parte se refere a retorno de investimento pela venda de ações do seu ativo permanente que ingressaram no seu ativo mediante integralização de capital social em 2007, portanto, não se trata de dinheiro novo, mas mútuo (adiantamento) para futura redução de capital social. c. Assim, considerando a reclassificação contábil das saídas do adiantamento para futura redução de capital social, ao invés da impossível distribuição de lucros durante os anos de 2010 a 2012, concluímos que no ano de 2013 a AGROCANA possuía lucros acumulados e não prejuízos acumulados, dando margem à distribuição isenta de lucros do ano de 2013. d. O fluxo financeiro demonstra claramente que os recursos entregues aos sócios correspondem à venda das ações da USACIGA e não lucro isento decorrente de faturamento omitido como foi presumido. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 666 8 e. Desde o início do procedimento fiscal, restou comprovado que os serviços prestados pela AGROCANA foram pagos pela SANTA TEREZINHA mediante compensação com saldo de mútuo (contraído em 02/01/2013), de adiantamento de parte do preço pago por conta e ordem da AGROCANA aos seus sócios (assunção de dívida em 17/06/2013) e saldo através de TED, e, que os lucros dessa atividade foram distribuídos para os sócios dentro dos limites de isenção. f. Ao realizar o julgamento do v. Acórdão, os ilustres julgadores valemse de dois pesos e duas medidas ao descartar os erros apontados na contabilidade, ainda que fundamentados em vasto conteúdo probante, no entanto, utilizamse da contabilidade para manter a autuação indevida. g. Conforme restou demostrado, equivocamse os ilustres julgadores ao alegar que os valores informados pelo Recorrente como devolução de capital, podem ter sido originados de valores não tributados na pessoa jurídica (AGROCANA), entendimento este mantido mesmo diante da juntada aos autos da comprovação de recolhimentos a título de tributos incidentes sobre o ganho de capital que perfazem aproximadamente mais de dois milhões de reais conforme observamos através dos extratos bancários e do contrato de venda das ações. h. Por fim, por todo o exposto ao longo do presente Recurso Voluntário, o Recorrente rogou pela análise das alegações em observância ao princípio da verdade real, vez que, notoriamente por vezes, este deixou de ser observado. i. Diante do exposto, requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e ao final provido, a fim de que sejam acolhidas as razões do Recorrente e assim declarado o cancelamento da exação, consubstanciada no presente Auto de Infração, a qual entendeu que houve a distribuição de lucros não declarados, de modo a afastar a cobrança de IRPF. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme certidão de fls. 656, e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 667 9 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Mérito. Conforme informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 347/370), o contribuinte, relativamente aos anoscalendários 2012 e 2013, teria declarado rendimentos isentos ou nãotributáveis recebidos a título de lucros distribuídos por pessoa jurídica da qual é sócio em valores superiores ao lucro presumido apurado por essa empresa em cada anocalendário, deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. O mérito do recurso da recorrente, embora extenso, concentrase basicamente na defesa da existência de lucros para distribuição, não constatado pela fiscalização, em razão de erro de lançamento contábil nas saídas de recursos da AGROCANA para os sócios, inclusive para o contribuinte autuado. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 668 10 Dessa forma, sustenta que com correção das saídas de lucros para mútuos (adiantamentos) aos sócios para futura redução de capital social, os balanços dos anos de 2009 a 2012 não apresentariam o prejuízo contábil apontado pela fiscalização, mas lucro. No seu entender, o mero erro de contabilização, apesar de desastroso, não poderia dar ensejo a fato gerador do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física. Sustenta, ainda, que a determinação contida no inciso II, § 2°, do art. 48, da IN 93/97, guarda relação exclusivamente com as formalidades intrínsecas da escrituração contábil e não com as formalidades extrínsecas desta. Pois bem. Antes de adentrar ao mérito da discussão posta, examinando as provas dos autos, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. Nesse desiderato, cumpre pontuar que a isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10, da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Em suma, a empresa enquadrada no regime de Lucro Presumido está autorizada a distribuir lucros excedentes, desde que demonstrados através de escrituração contábil com observância das normas legais, que o lucro efetivo é maior. O art. 48 da IN SRF nº 93/97, vigente à época dos fatos geradores, estabelecia as condições para a distribuição de lucros e dividendos isentos pelas empresas, da seguinte forma: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. §1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. §2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 669 11 II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. §4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº9.250, de 1995. §5º A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. §6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. §7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. §8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. No mesmo sentido o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 04/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 51 da Instrução Normativa nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: I no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 670 12 distribuído, a título de lucros, sem incidência do imposto, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido ou arbitrado e os valores corresponndentes ao imposto de renda da pessoa jurídica, inclusive adicional, quando devido, à contribuição social sobre o lucro, à contribuição para a seguridade social COFINS e às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. II na hipótese do § 2º do art. 51 da IN nº 11, de 1996, a parcela dos lucros e dividendos que exceder o valor da base de càlculo do imposto da pessoa jurídica, a ser distribuída também sem a incidência do imposto, será determinada deduzindose do lucro líquido do período, após o imposto de renda, o valor determinado na forma do inciso anterior. Na mesma toada, são também as disposições do art. 238 da IN RFB nº 1.700/2017, atualmente vigente. (...) II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. Em suma, a empresa tributada com base no lucro presumido poderá distribuir a título de lucros, com isenção do imposto de renda, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido e os tributos a que está sujeita. Caso deseje distribuir valores acima deste limite, deverá demonstrar por meio de escrituração contábil elaborada com observância da legislação comercial que o lucro efetivo é maior que o apurado segundo as regras do lucro presumido. Mesmo que o lucro contábil apurado no exercício não seja suficiente, a pessoa jurídica pode ainda distribuir lucros acima desse valor, com a condição de que possua saldo na conta lucros acumulados ou reserva de lucros. No entanto, para esses últimos casos a empresa deve possuir escrituração regular, baseada em registros permanentes e seguindo as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios. O art. 258 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda), dispõe sobre essas formalidades, da seguinte forma: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 671 13 cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). O dispositivo em referência tratase, para efeitos de apuração do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, das formalidades intrínsecas e extrínsecas de escrituração do Livro Diário, inclusive a sua obrigatoriedade de registro no órgão competente. A propósito, cabe destacar que o limite temporal à autenticação do Livro Diário encontrase regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 16, de 10 de março de 1984, que assim determina: Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos Órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro "Diário" autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. A exigência de autenticação do Livro Diário também consta do Código Civil, conforme abaixo: Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. A escrituração comercial regular deve se basear em registros permanentes de todas as operações relevantes, o que exclui confecções e provas produzidas posteriormente aos fatos que deveriam ser registrados à medida que ocorrem. Os livros contábeis são documentos, por assim dizer, históricos, e a sua historicidade mesma é requisito formal indispensável. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 672 14 Nesse sentido, para distribuição de lucros acima do lucro presumido, há a necessidade de existir lucro contábil que possibilite tal distribuição, que se faz conhecido a partir da sua apuração (do lucro), mediante o levantamento de demonstrativos à época própria e com observância das exigências da legislação comercial. Se há distribuição de lucro acima do montante presumido, essa parcela excedente deve ser efetivamente demonstrada e essa demonstração deve se revestir das formalidades pertinentes. As escriturações contábeis, apesar de não obrigatórias para as optantes pelo lucro presumido, são necessárias para que seja permitida a distribuição de valores superiores ao lucro presumido com isenção do imposto de renda. Portanto, verificado qualquer vício, erro ou deficiência que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira do contribuinte, tal escrituração contábil deve ser considerada inapta a demonstrar a apuração do lucro efetivo. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos controversos, a fim de solucionar a lide. Pois bem. De início, destacase que estamos diante de isenção1 relativa a distribuição de lucros excedentes que possui condições para sua fruição, inclusive formalidades intrínsecas e extrínsecas que devem ser observadas. Mais do que a existência das escriturações contábeis, essas devem ser regulares, além de guardarem harmonia com as informações prestadas, sob pena de se desqualificar sua força probante. Não se trata de formalismo vazio, pois a autenticidade dos livros contábeis e a confiabilidade das informações que ali constam, é condição para a fruição da isenção. No caso dos autos, a fiscalização apontou diversos vícios relativos à escrituração comercial da pessoa jurídica que promoveu a distribuição de “lucros” ao contribuinte fiscalizado nos anos de 2012 e 2013, dentre as quais: intempestividade, irregularidades formais e inconsistências materiais. Tais irregularidades convergiram para que a fiscalização efetuasse o lançamento tributário, conforme se observa dos seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 347/370): (...) 3.1) Anocalendário 2012, exercício 2013. Verificamos nos Livros Diário e Razão da empresa Agrocana Participações Ltda que não houve o registro de receita/faturamento no ano de 2012 e nem a emissão de nota 1 Sobre a isenção, vale as seguintes observações: “(i) há inúmeros fenômenos que ocasionam a não incidência tributária, estando a imunidade tributária e a isenção, incluídas nesse rol; (ii) nesse sentido, o resultado da isenção, isenção heterônoma, imunidade, definição limitada de critério normativo e criação normativa reduzida é a própria não incidência tributária; (iii) isenção não é dispensa legal de pagamento de tributo devido, pois admitir isso implica em ferir o princípio da não contraditoriedade das normas jurídicas, dado que não é possível admitir certo descompasso de normas no tempo, ou seja, uma norma que tribute e uma outra que logo em seguida realiza a dispensa do pagamento do tributo; (ii) dessa forma, tanto na isenção, quanto na imunidade tributária, ocorre a não incidência; (iii) a diferença da imunidade tributária para a isenção, enquanto técnicas utilizadas pelo legislador, é eminentemente formal, pois a imunidade tributária possui assento em norma constitucional de competência, sendo que a isenção opera no plano da legislação infraconstitucional, voltada à construção da norma tributária. A isenção, portanto, decorre de enunciados que informarão a norma (de conduta) tributária. A imunidade, por sua vez, está contida, integra a norma constitucional de competência”. LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 105/106. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 673 15 fiscal. Ressaltese que a primeira nota fiscal emitida pela empresa, a nota fiscal n° 01, ocorreu somente em 2013. E, de acordo com a “Demonstração do Resultado do Exercício em 31/12/2012”, houve a apuração de “Prejuízo Líquido Exercício” de R$851.778,72(oitocentos e cinqüenta e um mil, setecentos e setenta e oito reais e setenta e dois centavos)conforme folha 33 do Livro Diário. Se houve prejuízo, não poderia haver a distribuição de lucros, a não ser que houvesse lucros acumulados. De acordo com a “Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados em 31/12/2012”, havia um saldo de prejuízos acumulados no início do exercício de R$5.626.935,14 (cinco milhões, seiscentos e vinte e seis mil, novecentos e trinta e cinco reais e quatorze centavos), conforme folha 34 do Livro Diário de 2012, que confere com o valor registrado no Livro Diário de 2011, na folha 33 do mesmo. Portanto, a distribuição de lucros de forma isenta, no ano calendário de 2012, foi irregular e os rendimentos, no valor de R$980.397,00 (novecentos e oitenta mil e trezentos e noventa e sete reais) devem ser tributados na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física. 3.2) Anocalendário 2013, exercício 2014. De acordo com a análise da DIPJDeclaração de Informações EconômicoFiscais, dos Livros Razão e Diário da empresa Agrocana Participações Ltda, as informações prestadas pela Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda e a DIRPFDeclaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte, contatamos as seguintes irregularidades quanto à distribuição dos lucros referentes ao anocalendário de 2013: 3.2.1) Recursos não transitaram pela empresa Agrocana Participações Ltda e a distribuição dos lucros não foi paga pela mesma, além de terem sido pagos antes da emissão da única nota fiscal e antes de se apurar o lucro. (...) 3.2.1.1) Em 02/01/2013 foram transferidos diretamente às pessoas físicas, sócias da Agrocana Participações LTDA, um total de R$ 6.570.643,87 a título de “Contrato de Mútuo”, os seguintes valores: (...) É evidente que o contrato de mútuo feito entre a Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda e os sócios da empresa Agrocana Participações LTDA estava diretamente vinculado ao pagamento dos serviços constantes da Nota Fiscal nº01, até porque os valores respeitam a proporção da participação societária de cada sócio: Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 674 16 (...) Tanto é que a Agrocana Participações LTDA assumiu depois o contrato de mútuo. Fica evidente que foi um adiantamento do pagamento da Nota Fiscal nº01 feito diretamente para as pessoas físicas dos sócios da Agrocana Participações LTDA. Ou seja, foi uma distribuição de lucros antecipada, antes da emissão da nota fiscal, que ocorreu em 01/08/2013, e muito antes de se apurar se haveria lucro ou não e ainda, com recursos que não transitaram pela empresa. 3.2.1.2) Posteriormente, em 17/06/2013, foram pagos mais R$ 6.939.049,35, também diretamente para as pessoas físicas, sócias da Agrocana Participações Ltda, nos seguintes valores parciais: (...) (...) Novamente, foi uma distribuição de lucros antecipada, antes da emissão da nota fiscal, que ocorreu em 01/08/2013, e muito antes de se apurar se haveria lucro ou não. (...) 3.2.1.3) O valor restante, R$ 577.914,54 (R$ 14.087.607,78 – R$ 6.570.643,87 – R$ 6.939.049,25), foi transferido diretamente à Agrocana Participações Ltda, em 18/10/2013. (...) Ressaltese que este registro só foi efetuado em 18/10/2013, sendo que os sócios já haviam recebido os recursos em 02/01/2013 e 17/06/2013, conforme demonstrado anteriormente. 3.2.2) A empresa Agrocana Participações LTDA fez apuração errada do resultado do anocalendário 2013. Na apuração do resultado, a empresa Agrocana Participações Ltda não considerou integralmente as despesas com IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. (...) Conforme já citado no item 3.2.1, praticamente foi feita uma distribuição do faturamento, muito antes de se fazer uma apuração do resultado, e este artifício de inflar os lucros, após a distribuição dos mesmos, evidencia a finalidade de dar cobertura a valores indevidamente distribuídos aos sócios. 3.2.3) O Livro Diário da AGROCANA PARTICIPAÇÕES LTDA só foi registrado na Junta Comercial em 28/06/2016, após o início do procedimento fiscal do contribuinte pessoa física e após a ciência do procedimento de diligência junto à empresa. (...) Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 675 17 Constatase também pelas DIPJ’sDeclarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica dos anoscalendário 2012 e 2013, exercícios 2013 e 2014, que os valores do Balanço Patrimonial informados à Receita Federal, não são compatíveis com os valores registrados na contabilidade, conforme demonstrado abaixo: (...) Portanto, de acordo com a legislação acima citada, a escrituração se encontrava irregular, por questões formais, na data da efetiva distribuição dos lucros e até o início do procedimento fiscal, não podendo ser utilizada como elemento de prova para que a empresa distribua lucros acima do Lucro Presumido, deduzidos dos impostos e contribuições, o que seria uma exceção à regra. 3.2.4) Não havia lucros acumulados no início de 2013. O Balanço de Encerramento de 2012 registrou Saldo Final de Prejuízos Acumulados de R$10.417.631,86 (dez milhões, quatrocentos e dezessete mil, seiscentos e trinta e um reais e oitenta e seis centavos), conforme folha 35 do Livro Diário. (...) 3.2.5) A empresa AGROCANA PARTICIPAÇÕES LTDA não informou em sua DIPJ que tenha efetuado distribuição de lucros aos sócios, apesar de ter registrado em sua contabilidade. (...) Os fatos acima relatados, relativos à escrituração comercial da pessoa jurídica que promoveu a distribuição de "lucros" ao contribuinte fiscalizado nos anos de 2012 e 2013 (intempestividade, irregularidades formais e inconsistências materiais) convergem no sentido de comprometer a idoneidade probatória dos livros e demonstrativos com que ele pretendeu comprovar a existência, no patrimônio da empresa da qual efetivamente recebera rendimentos em valores superiores ao lucro presumido deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal naqueles anos, de lucros contábeis em montantes suficientes para amparar o pagamento de rendimentos excedentes do lucro presumido sem incidência do Imposto de Renda de Pessoa Física. O relato fiscal demonstra, sobretudo: (i) a falta de confiabilidade dos dados em virtude da inadequação das normas contábeis; (ii) inconsistência das demonstrações contábeis; (iii) conjunto de informações contraditórias e equivocadas; (iv) ausência de retificação das declarações apresentadas; (v) a não valorização da contabilidade por parte da empresa, sobretudo tendo em vista que as informações contábeis não refletem a realidade. Ademais, não basta sustentar a existência de indícios de lucros para distribuição, sob o prisma da verdade material, devendo, ainda, comprovar a regularidade das escriturações contábeis. Entendo que a exigência de escrituração contábil regular e harmônica como condição para fins de fruição da isenção, não permite ao julgador que afaste sua obrigatoriedade, invocando o princípio da verdade material. Isso porque, muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 676 18 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Os fatos e argumentos trazidos pelo contribuinte, para longe de afastar a acusação fiscal, corroboram o acerto do lançamento, pois demonstram que a contabilidade da empresa era defeituosa e irregular, havendo diversas inconsistências materiais e formais. Nesse sentido, a ausência de confiabilidade das informações constantes nos demonstrativos contábeis da empresa faz prova contrária aos interesses do recorrente, lembrando que a análise da prova é livre ao julgador. Para além do exposto, a mera identificação de erro de contabilização pelo recorrente, por si só, não afasta a procedência do lançamento se todas as medidas necessárias à sua correção não foram levadas a termo. Ora, vale novamente destacar que o que está regularmente registrado na contabilidade faz prova contra o contribuinte. Nesse sentido, cumpre pontuar que o contribuinte não demonstrou a retificação dos livros contábeis da AGROCANA, bem como das respectivas declarações fiscais, dos anos calendários de 2012 e 2013. Limitouse a juntar, em sede de impugnação, novo Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício Analítica, mas que também não cumprem as formalidades legais, estando, inclusive, ausente a assinatura do técnico contábil e do sócio administrador. A propósito, cumpre transcrever os seguintes trechos da decisão recorrida e que endossam o entendimento aqui exposto: O impugnante se detém em demonstrar legítimo o pagamento de lucros diretamente na conta do sócio, sem passar pelas contas da empresa. Mas não está em questão aqui a legitimidade deste procedimento mas sim o seu registro irregular na contabilidade da empresa, com datas incompatíveis com as operações envolvidas. Estas e as demais irregularidades apontadas pela fiscalização o impugnante não as contesta especificamente; pelo contrário, admite agora que teria havido erro na escrita da empresa, o que apenas corrobora como imprestável a contabilidade para comprovar a existência de lucro que poderia ser distribuído com isenção acima do lucro presumido. O impugnante altera a versão dos fatos que havia declarado e confirmado na fiscalização. Agora afirma que os valores recebidos da sua empresa não seriam apenas lucros, mas também devolução do capital investido pelos sócios. Não comprova, porém, este fato, pois apresenta apenas cópia de um novo balanço patrimonial. Evidente que, assim como a anterior, esta nova escrita não tem qualquer poder de prova perante terceiros. Além de desprovida das formalidades extrínsecas que lhe garantissem validade, está desacompanhada de documentação comprobatória quanto à alegada devolução de capital. Para tanto seria imprescindível comprovar a efetividade do negócio alegado. Não foi apresentada, por exemplo, a ata de assembléia que teria decidido tal devolução, muito menos o seu registro tempestivo na Junta Comercial, como seria indispensável. A contabilidade irregular e desacompanhada de documentação comprobatória não transfere o ônus da prova em Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 677 19 contrário para a Administração, como resulta dos artigos 923 e 924 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do imposto de Renda): (...) Argumenta que os erros detectados pela fiscalização quanto à inexistência de lucros que pudessem ser distribuídos confirmariam os seus argumentos de que se trata em parte da devolução de capital. Tais erros, porém, somente foram referidos para demonstrar a invalidade da escrituração apresentada, e não para comprovar que não tenham sido distribuídos os lucros declarados. Não há qualquer contradição. Os lucros efetivamente distribuídos podem resultar de faturamento não contabilizado pela empresa, e por isso não tributado no lucro presumido. O sócio receberia assim como isentos rendimentos não submetidos à tributação na pessoa jurídica. É exatamente para impedir esta possibilidade que a lei exige a escrituração comercial regular, como já acima referido. Os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para afastar a higidez do lançamento, além de não cumprirem as formalidades legais e que são essenciais para atestar sua regularidade, a fim de que possam representar indício de prova favorável ao recorrente. Não cabe ao julgador a tarefa de reajustar os livros contábeis da recorrente, atestando os valores ali informados, sendo ônus de defesa do próprio contribuinte, mormente considerando que há diversos erros de lançamentos contábeis, inclusive confessados em sua peça de defesa. E, ainda, a recorrente juntou em sede de Recurso Voluntário diversos extratos em conta corrente, desacompanhados de um relatório analítico explicativo, ou planilhamento de somas, impedindo sua análise detalhada. Conforme esclarece Fabiana Del Padre Tomé2, “(...) provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. Enfim, se a recorrente não comprova por meio de escrituração contábil, elaborada com observância da legislação comercial, que a existência de lucro efetivo é maior do que o apurado segundo as regras do lucro presumido, não cabe invocar a isenção relativa a distribuição de lucros excedentes, eis que ausente condição exigida para sua fruição, não cabendo suscitar, neste aspecto, o princípio da verdade material para afastar obrigatoriedade trazida pela legislação de regência. Portanto, na ausência de escrituração contábil regular, feita com observância da lei comercial, a distribuição de lucros isenta limitase ao valor da base de cálculo do imposto (lucro arbitrado), diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, nos exatos termos definidos no art. 48, § 2º, inciso I, da IN SRF nº 93, de 1997. Dessa forma, sem razão à recorrente, estando hígido o lançamento que ora se combate. 2 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 405. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10950.721394/201712 Acórdão n.º 2401005.769 S2C4T1 Fl. 678 20 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NERGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 678DF CARF MF
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