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Numero do processo: 10735.901525/2013-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2013 a 28/02/2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.929
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2013 a 28/02/2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório Trata-se de declaração de compensação em face de pagamento a maior a título de Contribuição para o COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 15 25 /2 01 3- 56 Fl. 80DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.929 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.901525/2013-56 Após análise, a DRF de origem proferiu despacho decisório mediante o qual aludida compensação restou não homologada, posto que o documento de arrecadação (Darf) indicado pela declarante corresponderia a pagamento integralmente utilizado para a quitação de débitos da mesma contribuinte, inexistindo direito creditório disponível à compensação promovida através da mencionada declaração. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual requer seja decretada a insubsistência do despacho decisório. Assevera que teria efetuado o envio, pela internet, de arquivo “EFD- Contribuições”, e aponta a data em que teria efetuado o recolhimento da contribuição. Historia que, posteriormente, teria identificado o cometimento de um erro na apuração do mencionado montante, reenviando os arquivos aludidos. Em se tratando do arquivo “EFD-Contribuições”, indicando a data do feito. Regista que, no caso do Dacon, a transmissão teria ocorrido antes da ciência do despacho decisório. Ressalta que a retificação do Dacon teria sido levada a efeito ao abrigo da espontaneidade, porquanto anterior a qualquer procedimento por parte do fisco. Restaria invertido, assim, o ônus da prova acerca da inexistência de pagamento a maior, ostentando precitado demonstrativo os mesmos efeitos e natureza do originalmente apresentado. Sustenta que subsistiria crédito a ser utilizado em futuras compensações. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a impugnação, por entender que seria ônus da Recorrente provar que o montante outrora declarado não seria correto, o que não se confunde com a simples retificação de declarações, ainda que eventualmente recepcionadas e processadas pela administração tributária. Observou que a distribuição dinâmica do ônus probante recai, neste particular, sobre o inconformado, vez que a administração é provocada a fulminar crédito tributário pelo próprio contribuinte confessado. É o que se extrai do Enunciado 436 da Súmula do STJ, segundo o qual a entrega de declaração pelo contribuinte, uma vez reconhecendo débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual reitera os argumentos apresentados quando da Manifestação de Inconformidade. Afirma, ainda, que retificou a DCTF e que esta providencia é aceita pelo CARF. Registre-se que a recorrente, que não trouxe qualquer documentação ao menos indiciária do seu direito quando da Manifestação de Inconformidade, também não o fez quando da apresentação do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.926, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.901522/2013-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 81DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.929 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.901525/2013-56 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.926): O Recurso é tempestivo e a matéria é de competência deste colegiado, razão pela qual dele conheço. A Recorrente pleiteou a compensação de valores recolhidos, no seu entender, a maior, a título de PIS. Antes de adentrar na análise da distribuição do ônus da prova no Processo Administrativo Fiscal, é necessário superar a questão da necessidade ou não da retificação Contudo, a Recorrente não juntou seu requerimento, à Manifestação de Inconformidade nem ao Recurso Voluntário qualquer elementos de prova por meio do qual demonstrasse, ainda que de maneira indiciária, o motivo do recolhimento a maior, o que eventualmente poderia levar este Colegiado a deliberar pela conversão do julgamento em diligência. Em razão do fato da Recorrente não haver trazido ao processo qualquer documentação comprobatória do seu crédito, é de se aplicar o entendimento deste Colegiado no sentido de que o ônus da produção de tais provas é do Contribuinte, bem como o de que estas provas devem ser produzidas no momento processual próprio. Isto porque no processo brasileiro vigora a regra geral de que o dever de produzir provas recai sobre quem alega o direito. Assim, enquanto na lavratura de Autos de Infração o ônus probatório da ocorrência do fato típico recai sobre a Administração, nos pedidos de Compensação e Repetição de Indébito recai sobre o particular o ônus de demonstrar o direito ao crédito, no que a Recorrente não se desincumbiu, deixando de trazer aos autos documentos que minimamente corroborassem suas alegações. Neste sentido é importante destacar que para a compensação e restituição de tributos é necessário que a Requerente traga aos autos no momento apropriado, ou seja, no mais tardar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, não apenas os documentos arrecadatórios por meio do qual ela declara o valor da "base de cálculo" sobre a qual calculou o tributo, mas também os documentos comprobatórios de tais fatos (notas fiscais por exemplo), livros contábeis e planilhas, lembrando que se trata do exercício de um direito creditório, cujo ônus da prova, repita-se, incumbe a quem alega. Este é o entendimento desta Turma acerca do tema, retratado pelo Acórdão 3302- 006.493 prolatado no dia 30 de janeiro de 2019. "ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado." Também merece transcrição o Acórdão n. 3302-006.427, também proferido por esta Turma na Sessão do dia 29 de janeiro de 2019. "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de documentos amparados pelos livros contábeis." Cumpre destacar que a mera retificação da DCTF não é suficiente para a comprovação do direito creditório. Fl. 82DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.929 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.901525/2013-56 Conclusivamente, diante do fato de que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar a origem dos créditos, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720399/2009-82
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
DÉBITOS ANTERIORMENTE NÃO CONFESSADOS. DECLARAÇÃO ACOMPANHADA DO RESPECTIVO PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA.
Conforme o art. 138 do CTN, é possível a aplicação do instituto da denúncia espontânea para a exclusão da multa de mora, quando o sujeito passivo informa débitos não confessados anteriormente, desde que acompanhado do efetivo pagamento do principal e dos juros de mora. No caso concreto, não se verifica o cumprimento de tais condições, tendo em vista que a entrega de declaração de compensação não equivale ao efetivo pagamento do tributo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 DÉBITOS ANTERIORMENTE NÃO CONFESSADOS. DECLARAÇÃO ACOMPANHADA DO RESPECTIVO PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Conforme o art. 138 do CTN, é possível a aplicação do instituto da denúncia espontânea para a exclusão da multa de mora, quando o sujeito passivo informa débitos não confessados anteriormente, desde que acompanhado do efetivo pagamento do principal e dos juros de mora. No caso concreto, não se verifica o cumprimento de tais condições, tendo em vista que a entrega de declaração de compensação não equivale ao efetivo pagamento do tributo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 51 1 50 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.720399/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.728 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 14 de maio de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente LATICINIOS CEREJEIRAS MULTIBOM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/12/2005 DÉBITOS ANTERIORMENTE NÃO CONFESSADOS. DECLARAÇÃO ACOMPANHADA DO RESPECTIVO PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Conforme o art. 138 do CTN, é possível a aplicação do instituto da denúncia espontânea para a exclusão da multa de mora, quando o sujeito passivo informa débitos não confessados anteriormente, desde que acompanhado do efetivo pagamento do principal e dos juros de mora. No caso concreto, não se verifica o cumprimento de tais condições, tendo em vista que a entrega de declaração de compensação não equivale ao efetivo pagamento do tributo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 03 99 /2 00 9- 82 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.720399/200982 Acórdão n.º 3002000.728 S3C0T2 Fl. 52 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Transcrevese relatório do Acórdão recorrido, por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de declaração de compensação transmitida em 06/04/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 4.008,34 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 30/11/2005, com arrecadação em 29/12/2005, no valor originário de R$4.008,34. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 07), asseverou que “analisadas as informações prestadas (..) constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose 0 valor do crédito pretendido. (..) Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelou se insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, homologo parcialmente a compensação declarada”. Cientificada, a interessada apresentou, em 10.06.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fl. 09): “No mês de novembro/2005, a empresa (...) deveria recolher de COFINS o valor de R$ 45.564,72 (...), porém já havia recolhido (...) o valor de R$ 76.138,78 (...) e recolheu ainda 0 valor de R$ 4.008,34 (...), resultando desta forma crédito a ser compensado do valor integral pago indevidamente (...). Oportunamente, a empresa aproveitou 0 crédito do pagamento efetuado indevidamente em 29/12/05, no valor de R$ 4,008,34 (...), para compensar débito de. IRPJ da competência 11/2005 (...). No PER/DCOMP, foi informado o DARF de pagamento, como origem do crédito. Portanto, a compensação foi efetuada de forma legal, o que toma o despacho decisório (...) sem nenhum efeito. Diante dos fatos apresentados, requer a anulação do referido despacho decisório, por ser de Justiça e Direito." Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13227.720399/200982 Acórdão n.º 3002000.728 S3C0T2 Fl. 53 3 Posteriormente, analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNT01 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 ` CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. CRÉDiTO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (36/43), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, argumentando em seu favor a impossibilidade de aplicação da multa de mora por aplicação do instituto da denúncia espontânea ao caso. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.720399/200982 Acórdão n.º 3002000.728 S3C0T2 Fl. 54 4 A lide posta nos autos restringese à cobrança da multa de mora sobre o débito compensado pelo contribuinte e, assim, tornado insuficiente o crédito já reconhecido e utilizado para tal compensação. Por isso, a ora recorrente trouxe o argumento que seria incabida a cobrança da multa de mora, pois o fato dos autos se amoldaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea, a qual afastaria a incidência de tal multa. Primeiramente, devese esclarecer que ocorreu, ao longo do tempo, uma mudança interpretativa sobre a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea em situações como a que se apresenta nos autos ora analisados. Com efeito, com base nesse instituto jurídico, atualmente, vislumbrase possível a exclusão da multa de mora para débitos não declarados anteriormente, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, desde que sejam efetivamente pagos, principal e juros, quando da apresentação da declaração correspondente. A esse teor reproduzse o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) No caso em tela, contudo, encontramse presentes nos autos os documentos (fl. 03/07) que comprovam que a contribuinte não satisfez as condições necessárias ao aproveitamento do benefício da denúncia espontânea. Em outras palavras, para quitar um tributo já vencido, a contribuinte limitouse a transmitir um PER/DCOMP, incluindo como débito somente o valor principal devido, sem considerar os juros de mora incidentes. Tal fato, por si só, já seria suficiente para afastar a denúncia espontânea. Ademais, contudo, outro aspecto fundamental deve ser reafirmado. A teor do art. 138 do Código Tributário Nacional, acima transcrito, o quê afasta a responsabilidade pela multa de mora é o pagamento do principal devido e dos juros moratórios. Dessa maneira, embora a compensação extinga o crédito tributário, o faz sob condição resolutória, o que não equivale ao pagamento preconizado na norma como condição para aplicação do instituto da denúncia espontânea. Ressaltese que esse entendimento tem sido majoritariamente adotado pelas Turmas desta Corte, como se constata no Acórdão nº 9303006.011 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da lavra do I. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, parcialmente reproduzido abaixo: Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13227.720399/200982 Acórdão n.º 3002000.728 S3C0T2 Fl. 55 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. (grifo nosso) Assim sendo, não há como negar que não estão presentes no caso concreto os requisitos necessários para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000101/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM CRÉDITOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. PROVA DA AUTOCOMPENSAÇÃO.
Na análise da composição do saldo negativo de CSLL, quando existe a alegação de compensação com créditos de exercícios anteriores, hpa de se demonstrar não só que existiam créditos disponíveis da contribuição em anos anteriores como se estes não foram utilizados e, sendo utilizados nas compensação de estimativa devidas, houve a devida informação destas compensações em DCTF. Não se apresentando a prova completa destas compensações não se pode considerar os valores das estimativas informados
como compensadas.
Numero da decisão: 1401-003.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM CRÉDITOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. PROVA DA AUTOCOMPENSAÇÃO. Na análise da composição do saldo negativo de CSLL, quando existe a alegação de compensação com créditos de exercícios anteriores, hpa de se demonstrar não só que existiam créditos disponíveis da contribuição em anos anteriores como se estes não foram utilizados e, sendo utilizados nas compensação de estimativa devidas, houve a devida informação destas compensações em DCTF. Não se apresentando a prova completa destas compensações não se pode considerar os valores das estimativas informados como compensadas.
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ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM CRÉDITOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. PROVA DA AUTOCOMPENSAÇÃO. Na análise da composição do saldo negativo de CSLL, quando existe a alegação de compensação com créditos de exercícios anteriores, hpa de se demonstrar não só que existiam créditos disponíveis da contribuição em anos anteriores como se estes não foram utilizados e, sendo utilizados nas compensação de estimativa devidas, houve a devida informação destas compensações em DCTF. Não se apresentando a prova completa destas compensações não se pode considerar os valores das estimativas informados como compensadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária PER/DCOMP - SALDO NEGATIVO DE CSLL PER/DCOMP - SALDO NEGATIVO DE CSLL NUTRISPORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VESTUÁRIOS LTDA NUTRISPORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VESTUÁRIOS LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16306.000101/2008-41 Acórdão n.º 1401-003.484 S1-C4T1 Fl. 184 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório NUTRISPORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VESTUÁRIOS LTDA., apresenta manifestação de inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo - DERAT (fls. 51 a 58) que não homologou as PER/DCOMP apresentadas pela contribuinte , listadas às fls.54, relativas ao saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2001. 2 Ao analisar o direito creditório declarado, o auditor fiscal verificou que a contribuinte recolheu em DARF , relativamente às estimativas devidas de CSLL durante o ano-calendário de 2001, o valor total de R$ 67.988,22 , que foram declaradas em DCTF, 3 Relativamente às compensações sem processo efetuadas com o saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2000, foi verificado, através do despacho decisório proferido junto ao processo n°.l0880.913708/2006-l1(fls. 33 a 39), que ele foi suficiente apenas para compensar as estimativas de abril, maio e parte da de junho (R$ 1.787,72). 4 Assim o valor apurado do saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2001 foi de R$ 94.585,97. 5 O auditor fiscal constatou que esse saldo negativo foi inteiramente consumido em compensações sem processo de estimativas de CSLL do ano- calendário seguinte, 2002, conforme cálculo do sistema SAPO ( fls. 49 e 50), não restando qualquer saldo passível que ser aproveitado na presente PER/DCOMP. 6 Cientificada em 08/08/2008, conforme AR de fls. 58/verso, a contribuinte apresentou, em 08/09/2008, manifestação de inconformidade de fls. 60 a 62, apresentando suas razões. 6.1 Alega ter retificado a DIPJ/2002, para que os valores reflitam as compensações com e sem processo efetuadas. 6.2 Alega ter retificado os PER/DCOMP do presente processo. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16306.000101/2008-41 Acórdão n.º 1401-003.484 S1-C4T1 Fl. 185 3 6.3 Alega que teria efetuado compensações sem processo de estimativas , e apresenta um demonstrativo com os valores que alega ter compensado e cópias dos DARF de recolhimento de estimativas e requerendo que seja acolhida a manifestação de inconformidade e cancelado o débito fiscal reclamado. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento a considerou procedente em parte reconhecendo a homologação tácita de dois PER/DCOMP por ter decorrido o prazo de cinco anos entre o protocolo e a ciência da decisão e mantendo o que foi analisado anteriormente pela Delegacia de Origem em relação às compensações realizadas. Cientificado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual pretende a revisão da decisão em razão de alegar que comprovou a compensação das estimativas e que haveria crédito suficiente para suportar as compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Trata o presente caso de saldo negativo de CSLL que foi composto de valores por estimativa que, em partem haviam sido compensados com saldos credores de períodos anteriores. Na análise do crédito a Delegacia de Origem confirmou as compensações das estimativas do ano de 2001 com os créditos de saldo negativo do ano 2000, baseando, corretamente, sua análise nas informações de autocompensação da DCTF, conforme normas da Lei n 8.383/91, assim, as estimativas compensadas com créditos de exercícios anteriores foram consideradas e confirmadas na medida em que foram informadas nas DCTF da empresa. Assim, verificou que, em verdade as estimativas do ano-calendário 2001 não estariam integralmente quitadas, fazendo com que o saldo negativo do referido ano tivesse seu valor reduzido. Mais ainda, constatou a mesma decisão que do saldo negativo apurado no ano de 2001 e requerido por meio de PER/DCOMP foi também utilizado pela empresa na compensação de débitos de CSLL por estimativa do ano-calendário 2002 por meio de compensações sem processo na DCTF. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 16306.000101/2008-41 Acórdão n.º 1401-003.484 S1-C4T1 Fl. 186 4 Desta constatação, novamente de forma correta, a delegacia de origem utilizou o saldo negativo do ano de 2001 para confirmar as compensações das estimativas do ano de 2002 informadas em DCTF, apurando, ao final, que não mais existia valores remanescentes do saldo negativo do ano de 2001 para utilizar na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP a ele vinculados. No seu recurso voluntário o recorrente apenas apresenta argumentações jurídicas de modo a ver prevalecer o seu direito sem, no entanto, apresentar documentos a infirmar as alegações da Delegacia de Origem. Veja-se que para justificar compensações realizadas com créditos de exercícios anteriores não basta a simples apresentação do razão da empresa. A empresa tinha a obrigação de informar essas compensações em sua DCTF e, assim, possibilitar o acompanhamento e controle destas compensações, o que não foi feito. Note-se que o simples fato de o recorrente alegar que realizou a retificação das DCTFs não tem o condão de desconstituir a análise realizada e as decisões prolatadas anteriormente. De maneira simples o que ocorreu neste caso é que a empresa, possuindo saldos negativos de ano a ano, os utilizava em compensação de débitos por estimativa do exercício subsequente e, talvez sem o devido controle, utilizou novamente os mesmos saldos nos PER/DCOMP apresentados neste processo. Concluo afirmando que, em verdade, a Delegacia de Origem apurou corretamente os créditos do contribuinte, os utilizou nas compensações realizadas por estimativa em DCTF e ao final constatou que não mais restava saldo passível de compensação. Pela minha própria experiência conferi os procedimentos realizados e confirmei a sua correção, razão pela qual entendo que não procedem as alegações do contribuinte em sentido contrário, mercê de não estarem acompanhadas de provas de sua consistência, em especial, as DCTFs que demonstrassem as compensações realizadas com saldos de exercícios anteriores na forma da Lei nº 8.383/91. Por todo o exposto e constatando que ante a não apresentação de provas da realização das compensações de estimativas em DCTF que a empresa afirma terem composto seu saldo negativo, entendo não haverem créditos adicionais a serem reconhecidos em favor do contribuinte, por estas razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.726349/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONTO INCONDICIONAL.
Os descontos incondicionais concedidos posteriormente e que não constavam discriminados nas Notas Fiscais não podem ser excluídos das receitas auferidas.
BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO INCONDICIONAL.
As bonificações, sejam concedidas mediante abatimento de preço, em mercadorias, ou ainda em moeda enquanto "rebaixe de preço", somente terão o valor correspondente excluído, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, quando revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONTO INCONDICIONAL.
Os descontos incondicionais concedidos posteriormente e que não constavam discriminados nas Notas Fiscais não podem ser excluídos das receitas auferidas.
BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO INCONDICIONAL.
As bonificações, sejam concedidas mediante abatimento de preço, em mercadorias, ou ainda em moeda enquanto "rebaixe de preço", somente terão o valor correspondente excluído, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, quando revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS
Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da impugnação trazer ao julgado todas as informações e documentos comprobatórios dos fatos que alega, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3401-006.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para manter o lançamento em relação a Descontos Recebidos Price, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para manter o lançamento em relação às rubricas restantes, vencido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONTO INCONDICIONAL. Os descontos incondicionais concedidos posteriormente e que não constavam discriminados nas Notas Fiscais não podem ser excluídos das receitas auferidas. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO INCONDICIONAL. As bonificações, sejam concedidas mediante abatimento de preço, em mercadorias, ou ainda em moeda enquanto "rebaixe de preço", somente terão o valor correspondente excluído, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, quando revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONTO INCONDICIONAL. Os descontos incondicionais concedidos posteriormente e que não constavam discriminados nas Notas Fiscais não podem ser excluídos das receitas auferidas. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO INCONDICIONAL. As bonificações, sejam concedidas mediante abatimento de preço, em mercadorias, ou ainda em moeda enquanto "rebaixe de preço", somente terão o valor correspondente excluído, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, quando revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da impugnação trazer ao julgado todas as informações e documentos comprobatórios dos fatos que alega, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para manter o lançamento em relação a Descontos Recebidos Price, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para manter o lançamento em relação às rubricas restantes, vencido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
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DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONTO INCONDICIONAL. Os descontos incondicionais concedidos posteriormente e que não constavam discriminados nas Notas Fiscais não podem ser excluídos das receitas auferidas. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO INCONDICIONAL. As bonificações, sejam concedidas mediante abatimento de preço, em mercadorias, ou ainda em moeda enquanto "rebaixe de preço", somente terão o valor correspondente excluído, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, quando revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONTO INCONDICIONAL. Os descontos incondicionais concedidos posteriormente e que não constavam discriminados nas Notas Fiscais não podem ser excluídos das receitas auferidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 63 49 /2 01 5- 68 Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 620 2 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO INCONDICIONAL. As bonificações, sejam concedidas mediante abatimento de preço, em mercadorias, ou ainda em moeda enquanto "rebaixe de preço", somente terão o valor correspondente excluído, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, quando revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da impugnação trazer ao julgado todas as informações e documentos comprobatórios dos fatos que alega, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para manter o lançamento em relação a “Descontos Recebidos – Price”, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para manter o lançamento em relação às rubricas restantes, vencido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado, em decorrência de ação fiscal junto à empresa, para cobrança de PIS e Cofins: Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 621 3 A fiscalização foi efetuada para o período de apuração relativo ao ano de 2011, e restringiuse a verificação da apuração com base nos livros contábeis, nas contas que compõem a base de cálculo, considerando a natureza das contas em confronto com os valores informados em DACON e DCTF. No ano de 2011, a empresa registrou diversos lançamentos “a crédito” da conta de despesas PUBLICIDADE (código: 2178), cujos históricos dizem respeitos a “Entrada/recebimento de títulos VPC”. Esses lançamentos têm como contrapartidas contas do ativo: “Créditos Diversos VPC a Receber” ou “Disponível – Bancos”. Tratase de créditos referentes a Verbas de Propaganda Cooperada (VPC) decorrentes de campanha publicitária institucionalizada promovida pela Eletro Shopping, em coparticipação com seus fornecedores. Como receita total compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, o recebimento de VPC deve compor o rol de receitas sujeitas às Contribuições. Igualmente ao referido no item anterior, a empresa registrou recebimentos do que chama “VPC – Verbas de Propaganda Cooperada”, com lançamentos a crédito da conta DESCONTOS RECEBIDOS VPC/MERCADORIA (código 11632), cujos históricos se referem a recebimento de mercadorias em bonificação ou brindes, e com contrapartidas em conta de estoque interno de mercadorias (conta 7307 Bonificações de FornecedoresEntrada). A empresa contabilizou a receita acima no grupo de “receitas financeiras” e, com isso, deixou de incluir na base de tributação das Contribuições para o PIS/Cofins. O recebimento de mercadorias em bonificação não tem natureza jurídica de receita financeira; portanto, não estão sujeitas à alíquota “zero” e sim às alíquotas normais do PIS/Cofins. Também, no ano de 2011, a empresa registrou recebimentos em conta de receita financeira, a crédito da conta DESCONTOS RECEBIDOS PRICE (código 11633), cujos históricos se referem a “recebimentos créditos Price ... das empresas TIM, BCP ...” e com contrapartidas em conta de Banco c/movimento (recebimentos). A empresa deixou de incluir tais receitas na base de tributação do PIS/Cofins ao classificálas no rol de suas receitas financeiras, quando, por sua natureza jurídica, tratase de receitas provenientes das relações negociais da fiscalizada com outras empresas, suas fornecedoras. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 622 4 Cientificada pessoalmente a empresa apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela DRJ Belo Horizonte, acórdão nº 0273.756, de 29 de junho de 2017, por unanimidade de votos. Após ser regularmente cientificada a empresa apresentou Recurso Voluntário nos seguintes termos: 1) Da improcedência da autuação quanto aos valores registrados a crédito da conta publicidade. Os valores "Créditos Diversos VPC a Receber" é típica relação de acerto contratual de rateio de custos e despesas com propaganda e publicidade, e os ingressos se referem a operações de reembolso de pagamentos com divulgação de marcas efetuados pelos seus fornecedores; 2) Da improcedência da autuação quanto aos valores registrados a crédito da conta "Descontos Recebidos VPC / Mercadoria". Os ingressos se referem a reembolsos de pagamentos na forma de descontos, valores ou mesmo mercadorias dadas em bonificação; 3) Da improcedência da autuação quanto aos valores registrados a crédito da conta "descontos recebidos price" . É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. 1) valores registrados a crédito da conta publicidade. Para a recorrente os valores "Créditos Diversos VPC a Receber" referemse a típica relação de acerto contratual de rateio de custos e despesas com propaganda e publicidade, e os ingressos são relativos a operações de reembolso de pagamentos com divulgação de marcas efetuados pelos seus fornecedores. E os valores registrados a crédito da conta "Descontos Recebidos VPC / Mercadoria" se referem a reembolsos de pagamentos na forma de descontos, valores ou mesmo mercadorias dadas em bonificação. Como é sabido com o advento do RE 585.235/MG, de relatoria do Min. Cezar Peluso, em sede de repercussão geral, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o conceito ampliado de faturamento, correspondente à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, restou prejudicado, retomando sua acepção original, compreendendo a venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, como dispunha o art. 2º, caput da LC 70/91 e o art. 3º, caput da Lei nº 9.718/98. Posteriormente a Lei nº 12.973/14, que alterou o art. 3º, caput da Lei nº 9.718/98 e o art. 12 do DL 1.598/77, definiu o faturamento como equivalendo à receita bruta, porém, entendendose como tal o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço da prestação de serviços em geral, o resultado auferido nas operações de conta alheia e as Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 623 5 receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos excludentes. No caso tratase de pessoa jurídica cujo objeto social principal consiste na atividade de comércio varejista de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e art. 1º da Lei nº 10.833, 29 de dezembro de 2003, a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, no regime não cumulativo, é a totalidade das receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas no § 3º do artigo 1º, respectivamente. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita; Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 624 6 VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. VII financeiras decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, referentes a receitas excluídas da base de cálculo da Cofins; VIII relativas aos ganhos decorrentes de avaliação do ativo e passivo com base no valor justo; IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; X reconhecidas pela construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos; XI relativas ao valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam as alíneas “a”, “b”, “c” e “e” do § 1o do art. 19 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; e XII relativas ao prêmio na emissão de debêntures.(grifos nossos) Observase que a Lei se refere a possibilidade de exclusão dos descontos incondicionais concedidos, no caso estamos a analisar descontos recebidos dos fornecedores, e a própria recorrente esclarece que a VPC representa ingressos referentes a operações de reembolso de pagamentos com divulgação de marcas, ou reembolso de despesas rateadas com publicidade. Por força de disposição contratual, a recorrente se obriga a adiantar o pagamento da totalidade das despesas com propaganda, enquanto seus fornecedores se comprometem a recompensála na forma de descontos, valores, ou mesmo mercadorias dadas em bonificação. Analisando o RIR/1999, utilizado subsidiariamente, temos que: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II o resultado auferido nas operações de conta alheia; III as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; (grifos nossos) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 625 7 A Solução de Consulta Cosit nº 34, de 21/11/2013, assim fez a diferenciação entre descontos condicionais e incondicionais: Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. (grifos nossos) A Solução de Consulta esta em consonância com a legislação em vigor, que define a obrigação de indicação do desconto em Nota Fiscal, conforme pode ser visto no item 4.2 da IN SRF nº 51/1978: 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. O assunto não é novo nesse Colegiado, que já se debruçou várias vezes sobre o tema, citando como exemplo os seguintes julgados: COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. EXIGÊNCIA. Os descontos incondicionais, como parcelas redutoras do valor de venda ou da prestação de serviços, para efeitos fiscais, mormente para o desiderato do art. 2º, I da Lei nº 9.718/98, não devem depender de evento futuro e incerto e ainda constar expressamente da nota fiscal ou fatura correspondente, conforme preceitua o item 4.2 da IN SRF 51/78, com fulcro nos arts. 96, 100 e 115 do Código Tributário Nacional, não servindo como sucedâneo dos aludidos documentos fiscais, escritos particulares emitidos pelo próprio contribuinte. (Acórdão nº 3401003.404, Relator Robson José Bayerl, por maioria de votos) COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. EXIGÊNCIA. Os descontos incondicionais, como parcelas redutoras do valor de venda ou da prestação de serviços, para efeitos fiscais, devem constar expressamente da nota fiscal ou fatura correspondente, conforme preceitua o item 4.2 da IN SRF 51/78, com fundamento Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 626 8 nos arts. 96, 100 e 115 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 3401005.032, Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, por unanimidade de votos) E restou esclarecido no Acórdão nº 3401003.404 citado a possibilidade de disciplinamento da obrigação acessória de inclusão do desconto em Nota Fiscal ser efetuada por Instrução Normativa: A inclusão do desconto incondicional em nota, exigida pelo ato normativo em apreço é claramente obrigação acessória, que, por sua natureza, não exige lei, em sentido estrito, para seu estabelecimento, consoante dispõe o art. 115 do Código Tributário Nacional: “Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.” (destacado) Já o art. 96 do mesmo diploma disciplina que o termo “legislação” compreende “as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.” (destacado) As normas complementares, por seu turno, são catalogadas no art. 100 do mesmo codex, incluindose nessa categoria, por força do inciso I, “os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas”, classe a que pertencem as instruções normativas baixadas pela Receita Federal. Logo, improcedente a argumentação do recorrente segundo a qual a ausência de lei, impondo o registro do desconto na nota fiscal, não poderia tolher o seu direito ao vindicado abatimento, quando da apuração das contribuições em debate. Conforme esclarecido no Relatório Fiscal, os descontos foram concedidos posteriormente e não constavam discriminados nas Notas Fiscais, portanto não há que se falar em possibilidade de sua exclusão. Logo, correta a tributação dos valores recebidos a título de Verbas de Propaganda Cooperada (VPC), contabilizadas a crédito da conta de despesas com PUBLICIDADE (código 2178), e da conta DESCONTOS RECEBIDOS VPC/MERCADORIA (código 11632), uma vez que se trata de receita auferida pela pessoa jurídica nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, art 1º, §§ 1º e 2º, e Lei n° 10.833, de 2003, art 1º, §§ 1º e 2º. 2) Da improcedência da autuação quanto aos valores registrados a crédito da conta "descontos recebidos price" . A empresa registrou recebimentos em conta de receita financeira, a crédito da conta DESCONTOS RECEBIDOS PRICE (código 11633), deixando de incluir tais receitas na base de tributação do PIS/Cofins. A fiscalização entendeu que tais receitas são provenientes Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 627 9 das relações negociais da fiscalizada com fornecedores, e não poderiam ser classificadas como receitas financeiras, sujeitas à alíquota 0 (zero). A recorrente alega que os valores não possuem natureza jurídica de receita, e que os descontos obtidos correspondem a elementos "redutores de custo de aquisição ou de estoque". Esclarece que os chamados "descontos recebidos PRICE" são bonificações concedidas em moeda (dinheiro) enquanto "rebaixe de preço". O tema já foi discutido no item precedente, e como regra geral todas as receitas auferidas são computadas na base de cálculo, admitindose algumas exclusões em lei. Como no caso anterior os descontos recebidos não se amoldam aos descontos incondicionais concedidos, já que as verbas descritas foram recebidas e não concedidas como está na lei. Resta saber se os descontos podem ser considerados receitas financeiras como alega a recorrente. O desconto financeiro é aquele concedido pelo vendedor de mercadorias ou prestador de serviços aos seus clientes, na hipótese de pagamento da fatura em data anterior ao do vencimento, mediante a aplicação de uma taxa de desconto, calculada sobre o período antecipado. Assim, o preço da compra e venda de mercadoria ou da prestação de serviços é pactuado, ocorre o fato gerador, e no futuro, a depender de certo evento – o pagamento antecipado, aquele desconto poderá ser dado ou não. Tratase, pela sua natureza, de um desconto condicionado e não um redutor do preço, não podendo ser excluído da base de cálculo das contribuições. (“Introdução à Contabilidade”, São Paulo: Ed. Atlas) Esses descontos configuram receita financeira para o comprador e despesa financeira para o vendedor, em consonância com os arts. 373 e 374 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Logo os "descontos recebidos price" não configuram descontos incondicionais (comerciais) aptos a reduzir o custo das mercadorias adquiridas, e diferentemente do que foi registrado pela recorrente nos livros contábeis, não consubstanciam receitas financeiras, encaixandose no conceito amplo de receita admitido no direito tributário, nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, art 1º, §§ 1º e 2º, e Lei n° 10.833, de 2003, art 1º, §§ 1º e 2º, para efeito de incidência da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. Pelo exposto voto por conhecer o Recurso Voluntário e negarlhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10480.726349/201568 Acórdão n.º 3401006.208 S3C4T1 Fl. 628 10 Fl. 628DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001957/2006-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Rejeitam-se embargos de declaração que suscitam omissão inexistente na decisão.
Numero da decisão: 9101-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luís Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 EMBARGOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Rejeitam-se embargos de declaração que suscitam omissão inexistente na decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luís Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-04T00:42:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-04T00:42:18Z; Last-Modified: 2019-07-04T00:42:18Z; dcterms:modified: 2019-07-04T00:42:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-04T00:42:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-04T00:42:18Z; meta:save-date: 2019-07-04T00:42:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-04T00:42:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-04T00:42:18Z; created: 2019-07-04T00:42:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-04T00:42:18Z; pdf:charsPerPage: 1460; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-04T00:42:18Z | Conteúdo => CSRF-T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.001957/2006-24 Recurso Embargos Acórdão nº 9101-004.229 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 6 de junho de 2019 Embargante BANCO SANTANDER BRASIL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 EMBARGOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Rejeitam-se embargos de declaração que suscitam omissão inexistente na decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luís Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório São embargos de declaração (e-fl. 5216/5229) interpostos por BANCO SANTANDER BRASIL S/A ("Embargante") em face do Acórdão nº 9101-003.875, da sessão de 6 de novembro de 2018, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que deu provimento ao recurso especial da PGFN. O acórdão embargado apresentou a seguinte ementa e dispositivo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 57 /2 00 6- 24 Fl. 5258DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.229 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.001957/2006-24 MULTAS REGULATÓRIAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas de natureza não tributárias, regulatórias de setor econômico específico, não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizaria a continuidade da prestação do serviço. A dedução das multas administrativas das bases de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Pública, e em maior extensão, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua desídia, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe negaram provimento. (...) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Os embargos de declaração foram admitidos parcialmente pelo despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 5249/5257, para que o Colegiado se pronuncie a respeito de potencial omissão, sobre glosa de despesa com multas regulatórias em relação à base de cálculo da CSLL. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. A princípio, vale dizer que o exame de admissibilidade em sede de despacho de embargos de declaração é procedimento sumário, constituindo-se em uma verificação preliminar. Nesse contexto, cabe ao relator o encargo de uma apreciação mais detalhada sobre o caso devolvido. E, tendo sido cumpridos os requisitos formais para oposição dos embargos (tempestividade e legitimidade) previstos no art. 65, Anexo II do RICARF, prossigo no exame da omissão apontada. Transcrevo excerto do despacho de exame de admissibilidade: Por fim, aduz a Embargante que o acórdão teria incorrido em omissão, posto que em nenhum momento apresentou os fundamentos que levariam à manutenção da glosa em relação à CSLL, por entender que todo o racional desenvolvido pelo voto condutor faz menção, apenas, à legislação do IRPJ. Fl. 5259DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.229 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.001957/2006-24 Diante desse cenário, alega que a CSLL possui normas específicas na determinação de sua base de cálculo, que nem sempre são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. A leitura do acórdão, em sua inteireza, realmente evidencia que não há menção específica quanto à aplicabilidade das regras do IRPJ para a determinação da base de cálculo da CSLL, ainda que por decorrência ou efeito reflexo. Como tal informação não consta do voto condutor nem tampouco da ementa da decisão, parece-me que, quanto a este ponto, assiste razão à Embargante, cabendo ao Colegiado manifestar-se expressamente sobre a questão, que foi tratada no recorrido e suscitada em contrarrazões. Segue excerto dos embargos: Não assiste razão à Embargante. A matéria devolvida para apreciação do Colegiado, por ocasião do julgamento do recurso especial, foi a dedutibilidade de multas regulamentares, de natureza não tributária, aplicada por órgãos reguladores. Inclusive, a leitura do acórdão, em sua inteireza, revela, logo no primeiro parágrafo do exame do mérito (e-fl. 5199): A matéria devolvida consiste em apreciar se multas regulamentares, de natureza não tributária, aplicada por órgãos reguladores, são dedutíveis ou não da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (Grifei) Fl. 5260DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.229 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.001957/2006-24 A matéria dedutibilidade de multas regulamentares de natureza não tributária aplicada por órgãos reguladores, desde o início de fase contenciosa, foi tratada tendo repercussão tanto na base de cálculo do IRPJ quanto da CSLL. A própria Contribuinte, em suas manifestações em peças de defesa anteriormente apresentadas, tratou da matéria dedutibilidade de multas regulamentares de natureza não tributária aplicada por órgãos reguladores, sempre entendendo que a discussão tinha repercussão tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Transcrevo excertos da impugnação (e-fls. 553 e 555): Portanto, como pode o Sr. Agente da Fiscalização considerar indedutíveis na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL as importâncias relativas à multa com o atraso no pagamento de tributos? (...) Nesse sentido, inadmissível as alegações do Sr. Agente da Fiscalização constante no item III do Termo de Constatação anexo aos AIIM's ora impugnados, já que, como visto, referidas multas são compensatórias e não punitivas. Com isso, são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL devidos pela Impugnante, o que deve ser reconhecido por essa I. Turma Julgadora, afastando, desde já o presente item dos AIIM's em questão. Transcrevo excerto do recurso voluntário (e-fl. 1521): Por este motivo, devem ser consideradas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, por estarem em consonância com os requisitos do art. 299, §1° e 20, do RIR/99, uma vez que decorrem dos equívocos absolutamente normais, cometidos pelas instituições financeiras quando da realização de suas atividades precípuas, quais sejam, captar e investir recursos, o que só pode ensejar a reforma de decisão recorrida. Em contrarrazões, não mudou seu discurso a Embargante (e-fls. 5056, 5058 e 5060): III - MÉRITO - DA INSUBSISTÊNCIA DO RECURSO ESPECIAL - NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO QUANTO À DEDUTIBILIDADE DAS MULTAS APLICADAS PELO BACEN Acaso a preliminar arguida não seja suficiente ao não-conhecimento do recurso e à manutenção do acórdão recorrido na parte em que favorável à Recorrida, também pelo mérito o Recurso Especial da PGFN não merece prosperar, tendo em vista a inquestionável possibilidade de dedução das multas aplicadas pelo BACEN da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com respaldo na legislação aplicável vigente. (...) Destarte, as multas aplicadas pelo BACEN em sua ação regulamentadora da atividade econômica da Recorrida e, ainda, as multas sobre cheques devolvidos indevidamente, são consequências das atividades normais da pessoa jurídica, ou seja, tais multas resultaram de equívocos cometidos no exercício da atividade empresarial. Portanto, diferentemente do que pretende fazer crer a PGFN e de acordo com o entendimento do acórdão recorrido, não há dúvidas de que as multas se revestem da condição de despesas operacionais, passíveis de serem deduzidas na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (...) Fl. 5261DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.229 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.001957/2006-24 Sendo assim, considerando a incontestável possibilidade de dedução das multas aplicadas pelo BACEN da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de acordo com o disposto nos artigos 41, §5°, e 57 da Lei n° 8.981/95, no artigo 47, §§1° e 2° da Lei n° 4.506/64, no artigo 299, §§1° e 2º do RIR/99, deve esta C. CSRF manter o acórdão recorrido neste ponto, sendo negado provimento ao Recurso Especial interposto. (Grifos originais) Inconcebível, nesse contexto, em sede de embargos de declaração, suscitar que não houve manifestação sobre a CSLL. Em nenhum momento no decorrer da fase contenciosa houve qualquer insurgência sobre o art. 47 da Lei n. 4.506, de 1964 e a IN SRF n. 390, de 2004. Ora, a matéria devolvida para apreciação da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais foi dedutibilidade de multas regulamentares, de natureza não tributária, aplicada por órgãos reguladores. O recurso especial da PGFN apresenta, em seu pedido, a reforma da decisão recorrida e o restabelecimento do lançamento. O dispositivo da decisão recorrida dispõe, sobre a matéria, "DAR provimento ao recurso em relação as multas por infrações não tributárias". Em toda a fase inquisitória e contenciosa restou consolidado que a matéria tem repercussão no IRPJ e CSLL. Caso tivesse a Embargante, realmente, a intenção de trazer à discussão matéria no sentido de que, ainda que a dedutibilidade fosse aplicada ao IRPJ, não seria à CSLL, deveria ter trazido manifestação expressa sobre o ponto. Mas, como se pode observar, em nenhum momento da fase contenciosa a matéria foi trazida. Apresentar nova discussão em sede de embargos de declaração releva o uso indevido do recurso, com intuito deliberadamente protelatório. Enfim, vale registrar que o presente caso retrata situação no qual se recorre não porque se acredita na existência do bom direito, mas sim para especular. Para ganhar tempo. Transforma-se numa estratégia para protelar a decisão definitiva. É a cultura do litígio pelo litígio. E inflam-se os estoques de processos, independente das medidas tomadas visando a otimização dos julgamentos. Lanço mais uma vez o olhar sobre o caso concreto. Foi proferida decisão definitiva na esfera contenciosa administrativa tributária sobre a matéria. E ainda assim, recorre-se trazendo argumento nunca trazido em nenhuma peça recursal, em nenhuma das instâncias anteriores, seja impugnação, recurso voluntário ou contrarrazões, com plena consciência de que os embargos de declaração não se prestariam para tal situação. E consomem- se recursos públicos para julgar um recurso sem substância. Vale destacar que o fato de o contencioso administrativo tributário federal, na medida em que não demanda nenhum custo para sua utilização, atribui para o cidadão uma maior responsabilidade. Justamente porque não há custo para se recorrer, é que se deve fazer um uso adequado do contencioso administrativo, sob pena de se impor ao erário público e à sociedade despesas que poderiam ser evitadas. Não há que se tolerar um desvirtuamento do recurso. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 5262DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.229 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.001957/2006-24 Fl. 5263DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.725777/2016-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-001.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 57 77 /2 01 6- 43 Fl. 184DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 46 a 50), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 30 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 2. Cientificado do lançamento em 19/07/2016 (fl. 52), o interessado apresentou, em 26/07/2016, a impugnação de folhas 2 e seguintes, à qual juntou os documentos de folhas 11 e seguintes, apresentando a seguinte argumentação: No quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS (Fls. 02 de 04) da notificação de lançamento em referência, no qual essa Delegacia da Receita FederalGO recusa os laudos médico e periciais apresentados, sob alegação de não haver sido comprovada a existência de moléstia grave, contesto a recusa dessa DRFGO porquanto foram emitidos e apresentados laudos médicos e periciais pela entidade Fundação Banco de Olhos, credenciada pelo SUS local para consultas em oftalmologia, (já que o referido SUS local não possui aparelhagem necessária para esses procedimentos) adicionados, também, por laudo do INSS, que, como resultado de perícia efetuada, embora tenha constatado a doença (CID H54.4 conforme citada no laudo) não concordou com a isenção pretendida por não se tratar de cegueira total. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 24/05/2018, no acórdão 0662.639, às efls. 75 a 79, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 84 a 166 no qual alega, em síntese, que: · possui cegueira monocular desde junho de 2014; · a tributação de sua aposentadoria é indevida; · o laudo constatando a moléstia foi emitido por hospital filantrópico; · é pacífico nos tribunais superiores a desnecessidade da moléstia ser comprovada mediante laudo oficial. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10120.725777/201643 Acórdão n.º 2002001.123 S2C0T2 Fl. 183 3 Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 15/06/2018, efls. 169 e apresentou Recurso Voluntário em 05/07/2018, às efls. 169. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, sendo ratificado pela decisão da DRJ, nos seguintes termos: 10. No caso presente, a autoridade lançadora não reconheceu a isenção dos rendimentos do contribuinte porque o laudo pericial por ele apresentado não foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou do Município. O interessado alega que sua condição é atestada por laudo emitido por entidade credenciada pelo SUS local para consultas em oftalmologia e por "laudo do INSS". 11. Os documentos referidos pelo interessado, todavia, não configuram laudo médico oficial nos termos previstos na lei isentiva, pois o primeiro deles não é emitido por serviço médico oficial federal, estadual, distrital ou municipal (fls. 14 a 16) e o segundo é mero despacho administrativo da Agência da Previdência Social de GoiâniaOeste, denegatório de reconhecimento de isenção de Imposto de Renda dos proventos recebidos pelo interessado (fl. 18). Logo, a fiscalização baseia o auto de infração apenas no laudo emitido, não questionando a origem dos proventos do contribuinte. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia Fl. 186DF CARF MF 4 irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10120.725777/201643 Acórdão n.º 2002001.123 S2C0T2 Fl. 184 5 PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Declarante De fato, os laudos oficiais juntados às efls. 112 a 123 atestam a moléstia grave que acomete o contribuinte. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 188DF CARF MF 6 Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725673/2018-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-001.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada pela conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MARIA DIVINA MOURA GONCALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada pela conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 56 73 /2 01 8- 30 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10380.725673/201830 Acórdão n.º 2002001.081 S2C0T2 Fl. 88 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/13), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2014. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$2.566,89, para saldo de imposto a pagar de R$5.347,96. A notificação noticia as infrações de omissão de rendimentos e de deduções indevidas de previdência privada e de despesas médicas. Impugnação Cientificada à contribuinte em 3/7/2018, a NL foi objeto de impugnação parcial, em 10/7/2018, à fl. 2/18 dos autos, na qual a contribuinte contestou parte das glosas das deduções, indicando a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 13ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte (fls. 53/56). O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer parte das despesas médicas (R$378,23). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 1/11/2018 (fl. 82), a contribuinte, em 7/11/2018 (fl. 61), apresentou recurso voluntário, às fls. 61/81, no qual alega que o total das despesas próprias com CAMED somariam R$1.496,36. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide A contribuinte não impugnou a omissão de rendimentos e parte da glosa de despesas médicas. Em seu recurso, ela não se manifesta acerca da glosa da previdência privada, limitandose a questionar parte da glosa do pagamento efetuado à CAMED. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10380.725673/201830 Acórdão n.º 2002001.081 S2C0T2 Fl. 89 3 Dessa feita, não cabe a este colegiado se pronunciar sobre as matérias não contestadas. Mérito O litígio recai sobre a dedução de despesa médica informada com CAMED. A despesa, no valor de R$6.481,17, foi glosada por falta de documentação comprobatória no curso da ação fiscal. Em sua impugnação, a contribuinte requereu o restabelecimento do montante de R$1.325,37, decorrente da soma dos pagamentos de R$1.118,13 e de R$207,24. O colegiado de primeira instância acatou a dedução de R$378,23, consignando: Na impugnação, a contribuinte defende que devem ser somados, para fim de dedução, o valor que consta no documento de fl. 14, R$ 1.118,13, com o valor da “mensalidade/contribuição” que consta do documento de fl. 15, R$ 207,24. No entanto, em pesquisa ao portal DMED, cujo extrato juntei à fl. 52, temos que a contribuinte tem cinco dependentes no referido plano de saúde. Assim, não há como saber se as contribuições informadas à fl. 14 são referentes à própria contribuinte. Além disso, no mesmo extrato de fl. 52 consta a informação que “o valor anual pago referente ao titular” é R$ 378,23. Observo que este valor corresponde exatamente à soma da participação financeira com as mensalidades/contribuição que constam do demonstrativo de fl. 15. Assim, entendo que restam comprovados pagamentos para o plano de saúde CAMED, referente à própria contribuinte, no valor de R$ 378,23, devendo ser mantida a glosa de despesas médicas de R$ 6.103,54. Em seu recurso, além do comprovante de rendimentos de fl.64 e do demonstrativo de fls. 65/66, que já integravam os autos, a recorrente junta contracheques de fls. 68/81, de onde constam descontos mensais a título de "Contribuição ao Plano de Saúde da CAMED", que totalizam o montante de R$1.118,13, indicado no comprovante de rendimentos. Do exame desses documentos, concluo que essas contribuições não se confundem com os valores indicados no demonstrativo de fls.65/66 e que também não integraram a DMED (fl.52), que só incluiu valores indicados no demonstrativo. Reforça esse entendimento o fato de que o valor da mensalidade paga em favor da contribuinte nesse demonstrativo (R$207,20) está bem abaixo dos valores dos demais participantes. Isto posto, concluo que deve ser restabelecida a dedução de despesa médica no valor de R$1.118,13. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10380.725673/201830 Acórdão n.º 2002001.081 S2C0T2 Fl. 90 4 Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução do valor de R$1.118,13 a título de despesas médicas. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011167/2009-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/09/2004 a 03/01/2005
ATOS PRATICADOS MEDIANTE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS. PRINCÍPIO DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA. PRINCÍPIO DA DESCOBERTA INEVITÁVEL. PRINCÍPIO DA FONTE INDEPENDENTE. MITIGAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Não serão consideradas ilícitas as provas derivadas de provas ilícitas, quando ficar demonstrado que elas poderiam ser obtidas por uma fonte independente, bastando, para tanto, que se desse andamento aos trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação fiscal.
Numero da decisão: 9303-008.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões de mérito, cujo juízo restou prejudicado em razão da decisão a respeito da preliminar de nulidade das provas, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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COMPROVAÇÃO. PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS. PRINCÍPIO DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA. PRINCÍPIO DA DESCOBERTA INEVITÁVEL. PRINCÍPIO DA FONTE INDEPENDENTE. MITIGAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não serão consideradas ilícitas as provas derivadas de provas ilícitas, quando ficar demonstrado que elas poderiam ser obtidas por uma fonte independente, bastando, para tanto, que se desse andamento aos trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões de mérito, cujo juízo restou prejudicado em razão da decisão a respeito da preliminar de nulidade das provas, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 11 67 /2 00 9- 75 Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no acórdão nº 3401004.427, de 20 de março de 2018 (efolhas 2.276 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/09/2004 a 03/01/2005 DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO FINAL. LANÇAMENTO. DATA DA CIÊNCIA. Dispõe o art. 138, parágrafo único, do DecretoLei nº 37/66 que o direito de exigir diferença de tributo extinguese no prazo de 05 (cinco) anos, a partir do pagamento efetuado, entendendose como termo final do lapso extintivo a ciência do instrumento de lançamento, o que, nas hipóteses de emprego de edital, verifica se após 15 (quinze) dias da publicação, consoante art. 23, IV do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 30/09/2004 a 03/01/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio” (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal. Recurso de ofício negado e recurvo voluntário provido. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 2.317 e segs) está relacionada à possibilidade de que seja aplicado no processo administrativo fiscal a Teoria da Descoberta Inevitável e a Teoria da Fonte Independente para fins de validação das provas apresentadas pela Fiscalização Federal. Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 4 3 O litígio versa sobre procedimento de fiscalização levado a efeito em face da empresa CIL Comércio de Informática Ltda, no qual obtiveramse diversos elementos de prova da prática dos ilícitos tributários e aduaneiros de interposição fraudulenta, de subfaturamento, quebra da cadeia do IPI e obtenção de benefícios fiscais vinculados ao ICMS, praticados pela empresa em conluio com outras diversas empresas vinculadas ao chamado Grupo MAM. Para internalizar as mercadorias introduzidas fraudulentamente no país, interpunhamse entre o Real Importador e o Real Exportador diversas empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas ("laranjas"), que atuavam de forma simulada e sob controle centralizado dos mentores intelectuais do chamado Grupo MAM. Assim, embora a real operação se desse entre as duas pessoas situadas na posição extrema da cadeia (Real Importador e Real Exportador), apareciam, entre elas, um exportador fictício, um importador fictício e um distribuidor intermediário, que operacionalizavam os ilícitos tributários. Para comprovar que as operações eram, na verdade, praticadas entre o Real Exportador (Samsung, Verbatim, AMD International Sales & Services) e o Real Importador (CIL Comércio de Informática Ltda), e não entre as interpostas pessoas que figuravam nos documentos apresentados à autoridade aduaneira, a Fiscalização Federal lançou mão de diversas elemento de prova, tais como: Purchase Order (ordem de compra) emitido pela CIL para a Samsung; documento apreendido na CIL, intitulado Tabela de Drives Gravadores CD/DVD Samsung Importação 2, referindose a diversas operações de importações realizadas; Tabela de Custos de Importação Samsung apreendida em estabelecimento da CIL, com simulação dos custos de importação de mercadorias; Ordem de Compra de Produtos Pedido a Fornecedor da CIL para a Lansaret, solicitando a entrega de produtos importados; emails de negociação de preços de importação entre a CIL e a Samsung; Commercial Invoice emitida pela Samsung contra a CIL etc etc etc. Com base nesses elementos de prova, as empresas foram autuadas pela prática dos ilícitos tributários a que se fez referência linhas acima. Simultaneamente, tramitava perante o Poder Judiciário, o processo crime decorrente das ações perpetradas pelas pessoas físicas e jurídicas envolvidas nas ações criminosas. Neste, restou concedido Habeas Corpus pelo Superior Tribunal de Justiça, no qual foram consideradas ilícitas todas as interceptações telefônicas realizadas após o sexagésimo dia em que elas se iniciaram. Uma vez que seja incontestável o vínculo entre as escutas telefônicas Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 5 4 e os Mandados de Busca e Apreensão que autorizaram a autoridade policial a realizar a busca e a decorrente apreensão dos documentos que comprovaram as práticas irregulares de que se trata, discutese neste processo, à luz das Teorias supramencionadas, a validade de todo o acervo probatório de que lançou mão o Fisco para constituição do crédito tributário. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 2.357 e segs. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 2.377 e segs. Pede que não seja dado seguimento ao recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator Conhecimento do Recurso Especial Em sede de contrarrazões, o contribuinte defende que o recurso não pode ser admitido. Segundo alega, tratamse de situações fáticas distintas, pois, enquanto, no paradigma, o procedimento fiscal já havia sido instaurado por ocasião da decretação da nulidade das provas, no recorrido esta circunstância não é identificada. Sem razão a contrarrazoante. A instauração do procedimento fiscal em si antes da decisão que considerou nulas as escutas telefônicas em nada modifica a possibilidade de que as provas fossem obtidas por fontes independentes e/ou que os fatos ilícitos possam ser considerados de descoberta inevitável, circunstâncias suficientes e necessárias à aplicação da Teoria da Descoberta Inevitável e da Teoria da Fonte Independente. De fato, o art. 157 do Código do Processo Penal dispõe sobre circunstâncias hipotéticas, consideradas em tese, do que resta irrelevante e sem efeito prático ou teórico a instauração prévia do procedimento fiscal, pois as fontes das quais as provas provém e as Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 6 5 circunstâncias que tornam a descoberta inevitável não se modificam com a instauração do procedimento. E mais. Se, conforme entende a contrarrazoante, o início do procedimento fiscal revela a possibilidade de que as provas sejam (ou fossem) obtidas independentemente dos malsinados mandados de busca e apreensão, pareceme incontroverso que tais provas poderiam ser descobertas por fonte independente e, ainda mais, que a execução desses procedimentos de praxe da Fiscalização Federal conduziriam à descoberta inevitável dos fatos ilícitos. Portanto, o juízo formado no julgamento paradigma, ora confrontado com a decisão recorrida, para o fim de considerar a possibilidade de mitigação da Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada por força da aplicação das duas Teorias retrocitadas, não guarda relação com a obtenção de provas em procedimento autônomo prévio, distante e independente das provas consideradas ilícitas, pois a Teoria da Descoberta Inevitável e a Teoria da Fonte Independente não foram construídas sob tal perspectiva, mas à luz da possibilidade de que os fatos viessem a ser descobertos por fonte independente e/ou que sua descoberta fosse inevitável. Ora, e, de fato, se estivéssemos falando de provas sobre as quais não se cogitasse os efeitos decorrentes da Teoria do Fruto da Árvore Envenenada, condição que, segundo parece entender a contrarrazoante, está presente no acórdão paradigma, então não haveria razão para que se falasse em mitigação de seus efeitos. Como adiante pretendemos esclarecer, a única condição de natureza factual para que seja considerada a possibilidade de aplicação das Teorias sub examine é a de que as empresas autuadas já estivessem sendo investigadas e não que o procedimento fiscal em si já tivesse sido instaurado. Mérito No mérito, uma vez que a recorrente tenha contraditado exclusivamente a questão abordada nas linhas acima, ou seja, a aplicação da Teoria da Descoberta Inevitável e da Teoria da Fonte Independente como elementos de mitigação da Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada, dessa matéria, a seguir, nos ocuparemos. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 7 6 Como já exaustivamente esclarecido nos autos, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento proferido no HC nº 142.045/PR, em que figuravam como pacientes Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, sócios da empresa MAM, reconheceu a nulidade parcial das escutas telefônicas obtidas em cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão MBAs emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR. A decisão foi assim ementada. Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Principio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindo se, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei n° 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei n° 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei n° 9.296/96 (art. 5°), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2°) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explicita ou implícita violação do art. 5° da Lei n° 9.296/96, evidente violação do principio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar ás mãos do Juiz originário para determinações de direito. Liminarmente, releva destacar que nem a decisão proferida pelo juízo de primeiro grau, nem o procedimento levado a efeito pela autoridade policial e/ou pela autoridade fiscal e nem mesmo as próprias interceptações telefônicas, em sua integralidade, foram consideradas abusivas. Como se depreende do teor da decisão acima transcrita, a irregularidade apontada na decisão referese a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, que excederam até mesmo os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2°). Outrossim, a decisão tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça eximiuse de qualquer ilação acerca de seus efeitos sobre o acervo probatório que lastreava a acusação. Em lugar disso, determinou a restituição dos autos ao Juiz originário para as determinações de direito. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 8 7 Por força da decisão proferida pelo STJ, o Juiz Federal Substituto Tiago do Carmo Martins, reconhecendo a higidez das provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica, encaminhou o processo ao Ministério Público Federal, para que, na qualidade de autor da denúncia, se manifestasse acerca da instrução probatória do processo criminal à luz da decisão tomada no HC 142045/PR. O despacho teve o seguinte teor. "Em relação ao referencial temporal adotado por aquela Corte, ante a leitura dos votos proferidos naquele julgamento, tenho que o julgado limitou a utilização dessa técnica investigativa ao prazo de 60 (sessenta) dias. Assim, permanecem hígidas as provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes. Os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também permanecem hígidos, pois derivaram de prova obtida licitamente. De outra parte, segundo os termos do julgado, as interceptações telefônicas realizadas a partir da quarta prorrogação autorizada encontramse maculadas pelo vicio insanável da ilicitude. São, portanto, imprestáveis para fins de utilização de prova no processo penal. Correlatamente, os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também encontramse eivado de ilicitude, pela aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada", agora expressamente adotado pelo CPP (art. 157, §1°, do CPP). Confrontado com o Habeas Corpus concedido aos pacientes, o Parquet entendeu pela impossibilidade de separação das provas colacionadas aos autos, nos seguintes termos. "Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos em cumprimento destes, não seria possível a apreensão, para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias; sem a análise destes pela Receita Federal em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham a denúncia não teriam sido produzidos. Insistindo: a pretendida separação é impossível." Das considerações até aqui postas, é possível afirmar que: (i) nos autos do Habeas Corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça nenhuma decisão foi tomada acerca dos efeitos sobre o acervo probatório no qual lastreavase a acusação; (ii) o Juíz originário, considerando a higidez de parte das provas encaminhou o processo ao Ministério Público Federal, autor da denúncia crime, para que nessa qualidade, se posicionasse em relação Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 9 8 às consequências do HC no processo criminal em curso; (iii) o Ministério Público Federal entendeu que as provas anuladas e as provas derivadas seriam indissociáveis, uma vez que as últimas fossem decorrência dos mandados de busca e apreensão e estes das escutas telefônicas. Salvo melhor juízo, parecenos que a decisão proferida no processo criminal seja dotada de certas particularidades que, necessariamente, deverão ser levadas em conta na decisão que será tomada neste processo administrativo fiscal. Em primeiro lugar, é incontroverso que apenas uma parcela das provas obtidas nas ações impetradas pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal foram consideradas obtidas por meios ilegais. Portanto, o caso não é de pressuposta ilegalidade de todo o acervo probatório que instruiu o processo judicial e que instrui o vertente processo, como, as vezes, parece que se pretende fazer crer. Em lugar disso, tratase apenas da declaração de nulidade das escutas que excederam os sessenta dias inicialmente autorizados e, como consequência, da possível nulidade das provas que, segundo se entenda, estejam contaminadas pela invalidade das intercepções ilegais. Em segundo, como também parece ficar claro do teor das decisões proferidas em juízo, na ótica do Poder Judiciário, parte das provas teriam restado incólumes, desde que fosse apontada a linha divisória entre estas e aquelas. Contudo, segundo entendimento do Ministério Público Federal, autor da denúncia, todas as provas estavam, de alguma forma, vinculadas as escutas ilegais, já que, com base nelas, obtiveramse os necessários mandados e busca e apreensão, autorização que teria permitido às autoridades fazendárias e policiais ter acesso aos diversos documentos que terminaram constituindo o acervo probatório dos autos. É precisamente nesse ponto que algumas relevantes ponderações precisam ser feitas. Como se pretenderá demonstrar com a necessária objetividade e clareza, o juízo que se formou no processo criminal em relação à validade das provas ditas derivadas das interceptações ilícitas, data maxima venia, não levou em consideração certas prerrogativas que detém os servidores da Secretaria da Receita Federal no exercício das funções que lhe competem. A esse respeito, imperioso registrar que o entendimento manifesto pelo Ministério Público Federal no processo que tramitava na esfera judicial não vincula a Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 10 9 administração tributária, tampouco se aplica automaticamente ao processo administrativo fiscal. Corrobora esse entendimento a manifestação do próprio Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança nº 000284395.2014.404.0000/PR, impetrado contra o Juízo da 14a Vara Federal de Curitiba Tribunal Regional Federal da 4a. Região, acerca dos efeitos da anulação das provas obtidas no âmbito da mesma "Operação Dilúvio" sobre os procedimentos administrativos disciplinares instaurados com base no compartilhamento dessas mesmas provas. Assim decidiu o Tribunal Regional da 4ª Região a respeito. MANDADO DE SEGURANÇA. TERCEIRO INTERESSADO. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE PARCIAL DECLARADA PELO STJ. EFEITOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA ESTRANHA AO JUÍZO CRIMINAL. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. 1. Não se presta o mandado de segurança para determinar ao juízo a quo que, acerca de pedido formulado por terceiro interessado, decida em ou outro sentido. 2. Desborda da competência do juízo criminal e até mesmo da esfera penal decidir a respeito de nulidades pela utilização da prova emprestada em procedimentos administrativos disciplinares. 3. Descabido exigirse que o juízo penal, diante de julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça que anula apenas parcialmente as interceptações telemáticas profira decisão complementar que esclareça os efeitos da anulação. 4. Compete à autoridade administrativa responsável pela utilização da prova emprestada, certificarse acerca dos efeitos de eventual anulação sobre os procedimentos disciplinares, cabendo ao interessado a interposição de recurso administrativo e impugnação na via judicial apropriada. Sentença denegada Feitas tais considerações preambulares, penso que devamos, a partir daqui, enfrentar a questão nevrálgica posta nos autos, que diz respeito à mitigação, no particular, da Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada em face à Teoria da Descoberta Inevitável e à Teoria da Fonte Independente para fins de validação das provas carreadas aos autos pela Fiscalização Federal. Sem adentrar ao relato histórico que descreve a origem e a construção teórica que abriu espaço à adoção das citadas Teorias no ordenamento jurídico pátrio (até mesmo para que não se transbordem os limites próprios do PAF), restrinjome à análise das disposições Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 11 10 legais expressamente contidas no Código do Processo Penal, após modificações introduzidas pela Lei 11.680/2008, a seguir reproduzido. Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (grifos meus) § 2º Considerase fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (grifos meus) A parte inicial do parágrafo 1º, acima, expressa, em disposição literal de Lei, o que se costuma designar por Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada. Logo a seguir, ainda no teor das disposições contidas no parágrafo 1º, introduzse a hipótese contemplada pela Teoria da Fonte Independente, que, em combinação com o disposto no parágrafo segundo, remete à Teoria da Descoberta Inevitável. Interessa sublinhar, neste ponto, que, como se depreende da leitura do parágrafo anterior, o que se discute no presente processo, em verdade, não diz respeito à aplicação de diferentes teorias jurídicas ou orientações doutrinárias às circunstâncias fáticas descritas nos autos, mas à interpretação de disposição literal de lei contida no Código do Processo Penal, com o fito de decidir se a norma geral e abstrata que estabelece ressalvas à ilicitude das provas derivadas de provas ilícitas deve ser considerada e aplicada ao caso concreto. Temse, pois, que, combinadas as disposições contidas nos parágrafos 1º e 2º do art. 157 do Código do Processo Penal, as provas derivadas das provas ilícitas poderão ser aceitas no processo quando puderem ser obtidas por uma fonte independente das provas consideradas ilícitas, em circunstâncias tais que, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, sejam capazes de conduzir ao fato objeto da prova. Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 12 11 Como já destacado linhas acima, a razão maior para que o Ministério Público Federal tenha considerado as provas derivadas indissociáveis dos procedimentos preliminares adotados pelas autoridades policiais e fazendárias, decorre da circunstância de que, "Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão (...)". Pois aí reside a questão nodal do processo. Como a seguir restará sobejamente demonstrado, os AuditoresFiscais da Receita Federal, no âmbito de suas prerrogativas legais, prescindem de ordem judicial para executar o procedimento de busca e apreensão nas dependências do contribuinte. De fato, é essa a conclusão insofismável a que se chega com base na simples leitura da legislação que regulamenta o exercício do cargo. Observese (todos grifos acrescidos). Código Tributário Nacional Lei 5.172, de 25/10/1966 TÍTULO IV Administração Tributária CAPÍTULO I Fiscalização Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 13 12 Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Lei nº 4.502/64 Art . 94. A fiscalização será exercida sôbre tôdas as pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não que forem sujeitos passivos de obrigações tributárias previstas na legislação do impôsto de consumo, inclusive sôbre as que gozarem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. Parágrafo único. As pessoas a que se refere êste artigo exibirão aos agentes fiscalizadores, sempre que exigido, os produtos, os livros fiscais e comerciais e todos os documentos ou papéis, em uso ou já arquivados, que forem julgados necessários à fiscalização e lhes franquearão os seus estabelecimentos, depósitos, dependências e móveis, a qualquer hora do dia ou da noite, se à noite estiverem funcionando. Art . 95. Os agentes fiscalizadores que procederem a diligências de fiscalização lavrarão, além do auto de infração que couber, têrmos circunstanciados de início e de conclusão de cada uma delas, nos quais consignarão as datas inicial e final do período fiscalizado, a relação dos livros e documentos comerciais e fiscais exibidos e tudo mais que seja de interêsse para a fiscalização. Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 14 13 (...) § 2º Quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando seja necessário à efetivação de medidas acauteladoras do interêsse do fisco, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção, os agentes fiscalizadores, diretamente ou através das repartições a que pertencerem, poderão requisitar o auxílio da fôrça pública federal, estadual ou municipal. Art . 97. Mediante intimação escrita são obrigados a prestar às autoridades fiscalizadoras tôdas as informações de que disponham com relação aos produtos, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e semelhantes; III as empresas transportadoras e os transportadores singulares; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII as repartições públicas e autárquicas federais as entidades paraestatais e de economia mista; VIII tôdas as demais pessoas naturais ou jurídicas cujas atividades envolvam negócios ligados ao impôsto de consumo. Lei nº 8.630/93 Art. 36. Compete ao Ministério da Fazenda, por intermédio das repartições aduaneiras: (...) § 2° No exercício de suas atribuições, a autoridade aduaneira terá livre acesso a quaisquer dependências do porto e às embarcações atracadas ou não, bem como aos locais onde se encontrem mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, podendo, quando julgar necessário, requisitar papéis, livros e outros documentos, inclusive, quando necessário, o apoio de força pública federal, estadual ou municipal. Lei nº 9.430/96 Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Retenção de Livros e Documentos Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 15 14 escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Lacração de Arquivos Art. 36. A autoridade fiscal encarregada de diligência ou fiscalização poderá promover a lacração de móveis, caixas, cofres ou depósitos onde se encontram arquivos e documentos, toda vez que ficar caracterizada a resistência ou o embaraço à fiscalização, ou ainda quando as circunstâncias ou a quantidade de documentos não permitirem sua identificação e conferência no local ou no momento em que foram encontrados. Parágrafo único. O sujeito passivo e demais responsáveis serão previamente notificados para acompanharem o procedimento de rompimento do lacre e identificação dos elementos de interesse da fiscalização. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercício futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Arquivos Magnéticos Art. 38. O sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada. Como se depreende das disposições legais acima transcritas, a legislação tributária considera inaplicáveis quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito que detém a Fiscalização Federal de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Estabelece, também, que, mediante intimação por escrito, todas as pessoas naturais ou jurídicas cujas atividades envolvam negócios ligados ao Imposto sobre Produtos Industrializados deverão prestar por escrito as informações requeridas. Ainda, que a fiscalização alcança todas as pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não que Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 16 15 forem sujeitos passivos de obrigações tributárias previstas na legislação do imposto, devendo elas exibir aos agentes fiscalizadores, sempre que exigido, os produtos, os livros fiscais e comerciais e todos os documentos ou papéis, em uso ou já arquivados, que forem julgados necessários à fiscalização. Ainda mais, que as pessoas deverão franquear à Fiscalização Federal os seus estabelecimentos, depósitos, dependências e móveis, a qualquer hora do dia ou da noite, se à noite estiverem funcionando e autoriza o Fisco a proceder ao exame, inclusive, de documentos mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados. E que se diga, não estamos aqui nos referindo apenas ao poder outorgado por lei à Fiscalização Federal no exercício de suas funções, mas, para além disso, de um dever legal, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade fiscal que vier a negligenciálos. A toda evidência, a despeito do fato de que parte das provas colacionadas aos autos tenham efetivamente sido obtidas com base em pesquisas e consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal, sem qualquer vínculo com o que fora apreendido nas dependências dos contribuinte, o fato é que todos os elementos de prova que instruem o presente processo notadamente poderiam ser obtidos independentemente dos mandados de busca e apreensão que terminaram por dar ensejo à decretação da nulidade de todo arcabouço probatório contido nos autos, bastando, para tanto que a Fiscalização Federal, com apoio ou não de força policial, seguisse os procedimentos autorizados em Lei. Significa dizer, seguisse os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação do Órgão. É possível que se indague, ainda, se, mesmo admitidos todos os pressupostos até aqui declinados, teria a Fiscalização Federal tomado a iniciativa de instaurar um procedimento fiscal em face dos sujeitos passivos relacionados nos autos. A resposta a essa suposta indagação, a meu sentir, é facilmente respondida à luz do disposto na Lei nº 9.296/96, que exige a comprovação de indícios de autoria e materialidade do delito sob investigação para concessão da ordem judicial autorizando, dentre outros, a quebra do sigilo telefônico e telemático. Ora, a conclusão natural e inevitável a que se chega é que as investigações das operações empreendidas pelos agentes envolvidos nas práticas ilícitas de que tratam os autos já estavam em curso antes que o Poder Judiciário tivesse autorizado as interceptações telefônicas, razão a mais para que se reconheça que as provas obtidas no cumprimento dos MBAs haveriam de ser alcançadas pela ação da Fiscalização Federal no curso dos Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 17 16 procedimentos fiscais autorizados em lei, próprios, típicos e inerentes às atividades desenvolvidas pelo Órgão, uma vez que atos ilícitos já fossem de conhecimento do Fisco. Como base em todo o exposto, me sinto seguro em afirmar que, no caso concreto, deve prevalecer o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 157 do Código do Processo Penal, na parte em que admite as provas derivadas de provas ilícitas, desde que fique demonstrado que tais provas, as derivadas, poderiam ser obtidas por meios independentes, seguindose os procedimentos típicos e de praxe da Fiscalização da Receita Federal. Por óbvio as interceptações telefônicas não compreendidas dentro do período que estende de 25/05/2005 a 23/07/2005 (60 dias considerados legais) não podem ser admitidas como prova do ilícito tributário de que ora se cuida. Voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja afastada a prejudicial de nulidade das provas colacionadas aos autos, por força das disposições contidas nos parágrafos 1º e 2º do art. 157 do Código do Processo Penal, conforme fundamentação expressa no voto. O processo deve retornar à instância recorrida para exame das questões de mérito cujo juízo restou prejudicado em razão da decisão a respeito da preliminar de nulidade das provas. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 18 17 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre conselheiro relator para expor meu entendimento acerca da matéria trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional – qual seja, sobre a aceitação ou não das provas derivadas de provas ilícitas no presente processo. Nada obstante o excelente voto do ilustre conselheiro Andrada, importante trazer alguns fatos importantes constantes do voto do conselheiro Rosaldo Trevisan – presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção: “Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator designado Minha divergência em relação ao voto do relator restringese à acolhida da chamada “teoria da descoberta inevitável”, e não é nova no seio do colegiado, já tendo sido externada em outros julgados, a exemplo dos Acórdãos e no 3401003.171, de 17/05/2016, no 3401004.396, de 27/02/2018, dos quais extraio alguns argumentos a seguir. Portanto, externo no presente voto o posicionamento jurídico que prevaleceu no colegiado, durante a sessão de julgamento, tanto daquele quanto deste processo. Recordo, no entanto, que, no presente caso, o tratamento do recurso de ofício e da questão da decadência foi unânime no colegiado, não versando o presente voto sobre tais temas. Precedente da turma – Análise dos processos judiciais referentes à chamada “Operação Dilúvio” No primeiro julgado administrativo citado (Acórdão no 3401003.171), por mim relatado, deparouse a turma com a decisão do STJ pela nulidade de interceptações telefônicas, analisando as peças do processo judicial correspondente. No processo no 2006.70.00.0224356, percebeuse que eram seis os réus: Sun Nim Kun, Yuri Leite San Tian Sun, e Lenytonio Amorim Pereira, Marco Antonio Mansur, Marco Antonio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Saleski, todos com denúncia oferecida e recebida por Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 19 18 infração ao disposto no artigos 299 do Código Penal, combinado com o artigo 71 do mesmo código, recebida. No volume 5 do processo, consta a apreciação, pelo STJ, do HC no 142.045/PR (tendo como pacientes Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho), no qual foi concedida a ordem, por maioria, para "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito(sic)". Da decisão foram interpostos embargos de declaração em 09/01/2010, não apreciados até a data da anexação (11/04/2011). Percebe se que diante da ausência de definitividade da decisão do STJ, o juízo decidiu pela suspensão dos autos, por seis meses, em 06/06/2011. Rejeitados os embargos apresentados, e negado seguimento a Recurso Extraordinário (RE), e a agravo no RE (ARE), autuado no STF sob o no 659.387, o juízo originário se manifestou, antes do julgamento do último agravo, em 08/11/20114, entendendo que restariam hígidas as provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes, e que: 251658240 O Ministério Público foi, então, intimado a respeito da decisão, e se manifestou no sentido de que a invalidação das escutas telefônicas não se alastra pelas demais provas constantes nos autos, obtidas em outras operações, e que o STJ não trancou ou extinguiu as ações penais, mas ordenou o retorno ao juízo originário "para determinações de direito". E é nessa peça, atinente ao HC no 142.045/PR, e redigida pelo Ministério Público Federal, em 15/12/2011, que se encontra polêmico excerto: Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 20 19 251658240 251658240 Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 21 20 251658240 Nas palavras do Ministério Público Federal, àquela data 15/12/2011, só restaria aos procedimentos administrativos calcados nos documentos obtidos na chamada "Operação Dilúvio" a alternativa do "salvo melhor juízo". E foi com base em tal manifestação do Ministério Público que o juízo de primeira instância, em 16/04/2012, decidiu pela absolvição sumária dos réus, Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 22 21 conforme artigos 386, III e 397, III do Código de processo Penal, enviando os autos para arquivo em 20/09/2013. Em tese, este julgador tem todo o direito de discordar do entendimento externado pelo STJ (ainda mais por estar em desconformidade com a jurisprudência anterior e posterior do mesmo tribunal), mas, por outro lado, tem todo o dever de acatálo, sob pena de subversão do ordenamento jurídico, da função dos distintos poderes, e da unidade de jurisdição. Daí não compactuarmos com a tese externada no voto do relator, encampando a chamada “Teoria da Descoberta Inevitável”, que equivale, a nosso ver, a assimilar que os fins (quando considerados nobres) justificam os meios (ainda que ilícitos). Em outras palavras, a nosso ver, tal tese equivale a entender que é válida a prova, ainda que obtida ilicitamente de fato, quando esta poderia ser obtida de forma lícita, dentro dos poderes regulares da fiscalização. Nosso posicionamento, conforme externado no citado precedente administrativo (Acórdão no 3401003.171), no entanto, acolhe toda e qualquer prova derivada de ação fiscal autônoma (alheia à chamada “Operação Dilúvio” ou derivada de documentos em posse da própria RFB v. g., registros em sistemas informatizados). Das conversões em diligência Na primeira conversão em diligência, pela Resolução no 3401000.792, de 29/01/2014, foram contempladas ambas as correntes de pensamento (a do relator, atrelada à chamada “teoria da descoberta inevitável”, e a da maioria do colegiado, que demanda a análise de fontes autônomas de prova, independentes daquelas judicialmente afastadas). A demanda era para que a unidade preparadora identificasse os elementos de prova atrelados à “Operação Dilúvio” e aqueles que foram obtidos por outro modo, elaborando relatório circunstanciado. Não atendido a contento o demandado à unidade preparadora, houve uma segunda conversão em diligência, pela Resolução no 3401000.911, de 28/01/2016, reiterando, objetivamente, os questionamentos. No Relatório de Diligência Fiscal referente à segunda conversão, datado de 13/03/2007, a autoridade fiscal, após tecer comentários sobre as teorias Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 23 22 “dos frutos da árvore envenenada”, “da descoberta inevitável” e da “fonte independente”, responde aos questionamentos do tribunal administrativo, esclarecendo já de início que todos os documentos referenciados no relatório de auditoria utilizados para formalização do lançamento foram apreendidos por ocasião dos procedimentos de busca e apreensão decorrentes da denominada “Operação Dilúvio”, mas que vários deles poderiam ser obtidos de outra forma. A resposta, assim, é satisfatória apenas a aqueles que albergam a chamada “teria da descoberta inevitável”, entre os quais não nos incluímos, e admite textualmente que a integralidade dos documentos que embasam o lançamento deriva da Operação Dilúvio, restando pouco a este colegiado analisar, diante das considerações externadas no tópico anterior, sobre a validade das provas relativas tal operação. Assim, não há, efetivamente, ação fiscal autônoma (quando me refiro a ação fiscal autônoma, tenho em mente qualquer elemento constante dos autos em análise, e que seja por si expurgados os documentos obtidos na “Operação Dilúvio” suficiente para manutenção da autuação), sendo absolutamente insuficientes os elementos carreados pela diligência para a manutenção do lançamento. Considerações finais Pelo exposto, entendo que, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio”, não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal, caracterizando carência probatória.” Peço vênia ao relator quando traz: “Como base em todo o exposto, me sinto seguro em afirmar que, no caso concreto, deve prevalecer o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 157 do Código do Processo Penal, na parte em que admite as provas derivadas de provas ilícitas, desde que fique demonstrado que tais provas, as derivadas, poderiam ser obtidas por meios independentes, seguindose os procedimentos típicos e de praxe da Fiscalização da Receita Federal.” Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 24 23 Ora, as provas derivadas de provas ilícitas consideradas nesse processo, como firmou o próprio Ministério Público, foram decorrentes da operação dilúvio – que foram textualmente consideradas pelo STJ como ilícitas. Ademais, não há como atestar que poderiam ser obtidas por meio independente – pois pelos documentos internos e escutas – entendo que a autoridade fiscal nem conseguiria compor tais provas. O fato é que as provas utilizadas pela fiscalização são derivadas de provas ilícitas. Nessa linha, concordo com o conselheiro Rosaldo Trevisan quando diz: “Assim, não há, efetivamente, ação fiscal autônoma (quando me refiro a ação fiscal autônoma, tenho em mente qualquer elemento constante dos autos em análise, e que seja por si expurgados os documentos obtidos na “Operação Dilúvio” suficiente para manutenção da autuação), sendo absolutamente insuficientes os elementos carreados pela diligência para a manutenção do lançamento.” Cabe ainda trazer decisão recente do STJ publicada em 28.8.2018 pelo Ministro Feliz Fischer (destaques meus): “[...] DECISÃO Tratase de recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição da República, contra o v. acórdão prolatado pelo eg. Tribunal Regional da 3ª Região, assim ementado (fls. 33923393): "PENAL. PROCESSO PENAL. EMBARGOS INFRINGENTES. OPERAÇÃO "PORTO EUROPA". BUSCA E APREENSÃO DERIVADA DE ESCUTA TELEFÔNICA REALIZADA NA "OPERAÇÃO DILÚVIO". DIVERGÊNCIA QUANTO À ILICITUDE, POR DERIVAÇÃO, DA PROVA DOS AUTOS. HC 142.045/PR, DO C. STJ. ILICITUDE DE TODA A ESCUTA. TELEFÔNICA DA "OPERAÇÃO DILÚVIO", A CONTAMINAR A INSTRUÇÃO DOS AUTOS. PROVA ILÍCITA POR DERIVAÇÃO. COISA JULGADA MATERIAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA A AÇÃO PENAL EM EPÍGRAFE. Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 25 24 EMBARGOS INFRINGENTES CONHECIDOS E AOS QUAIS SE DÁ PROVIMENTO. 1. No caso, pois, verificase que o dissenso diz respeito, unicamente, ao fato de serem as provas produzidas nos autos ilícitas por derivação, ou não. 2. Como bem levantado pela Defensoria Pública da União, os acusados Fernando Souza Costa e Jorge Rodrigues Moura encontravamse indefesos, sem advogado, após a prolação do acórdão ora objeto de embargos infringentes. Uma vez intimada, a DPU, portanto, apresentou, no prazo de direito, as razões recursais em nome de seus representados, de modo que não há que se falar em intempestividade. Demais disso, há por ora que se reforçar que a questão em discussão (nulidade processual absoluta de processo penal) é matéria de ordem pública, que pode ser conhecida e apreciada ex officio por este Tribunal. Portanto, ainda que os embargos infringentes em análise fossem, de fato, intempestivos, da análise do mérito dos demais recursos ora em apreciação poderia advir decisão judicial a aproveitar todos os réus deste feito mesmo aqueles que não houvessem apresentado embargos infringentes. Assim, por mais uma vez, não há que se falar em não conhecimento do petitório em tela. Preliminar afastada. 3. Após análise detida dos votos e acórdão do C. STJ no que se refere ao HC 142.045/PR que apreciou a nulidade da escuta telefônica da "Operação Dilúvio" entendeu a Corte Superior que toda a escuta telefônica deveria ser declarada ilícita. E, como é premissa, no caso tanto no voto vencedor quanto no vencido, salientese que a prova de busca e apreensão ora guerreada é consequência única e direta de tal interceptação telefônica ilícita, não há outra alternativa a não ser reconhecer a ilicitude por derivação de todo o conjunto probatório dos autos, in casu. 4. Demais disso, o não reconhecimento dos exatos termos do julgado supraenunciado constituiria patente violação à coisa julgada material, uma vez que frontalmente contrário ao já decidido, no caso, pelo STJ. Embargos infringentes, todos conhecidos, e aos quais se dá provimento." Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 26 25 Nas razões do recurso especial, o MINISTÉRIO PÚBLICO sustenta ofensa aos artigos 157, §1º, segunda parte, e, 395, inciso III, ambos do Código de Processo Penal. Alegou, em síntese, que no julgamento do HC 142.045/PR, esta Corte de Justiça nem todas as provas obtidas por meio da interceptação telefônica foram declaradas nulas, de modo que tanto aquelas colhidas antes das interceptações quanto aquelas obtidas nos primeiros 30 após a medida são válidas. Sustenta também que as provas obtidas através do procedimento de cooperação internacional teve início a partir de provas válidas e, por isso, não foram contaminadas. Nesse contexto, aduz que as provas obtidas sem a pecha de nulidade podem ser utilizadas na formação da opinio delicti da acusação, sobretudo em decorrência da aplicação da teoria da contaminação expurgada, a qual foi recepcionada pelo art. 157 do CPP, que, por sua vez, determina uma exceção à teoria norteamericana do fruit of the poisonous tree. Requer, com isto, seja conhecido e provido o recurso especial para o fim de reformar o venerando acórdão impugnado, a fim de que, dandose a correta interpretação ao disposto no artigo 157, §1°, segunda parte e 395, III, do Código de Processo Penal, reconhecer a licitude das provas que instruíram a denúncia e determinar o regular prosseguimento do feito. (fl. 3411) Apresentadas as contrarrazões (fls. 34173430), o recurso foi admitido na origem e os autos encaminhados a esta Corte Superior. A d. SubprocuradoriaGeral da República apresentou parecer pelo provimento do recurso especial (fls. 34973507). É o relatório. Decido. A alegação cingese ao reconhecimento da licitude ou ilicitude das provas amealhadas nos autos da ação penal. Para melhor delimitação do tema a ser analisado. O v. acórdão impugnado está fundamentado nos seguintes termos (fls. 33843394): "Do mérito recursal. Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 27 26 Da leitura do voto do Exmo. Relator (fls. 2763/2770), verificase, ademais, que é incontroverso nos autos que as provas obtidas no presente feito são de fato diretamente derivadas de interceptação telefônica realizada na "Operação Dilúvio", esta já devidamente apreciada pelo C. Superior Tribunal de Justiça. É o que salienta o voto condutor, conforme vale por ora destacar, verbis: "Confirmase, neste quadro, o fato de a acusação ampararse em prova obtida não sem o concurso dos resultados da interceptarão telefônica." (fl. 2798 destaquei). Desta forma, a divergência na verdade se restringe mais ainda: seria a interceptação telefônica da qual decorrera a busca e apreensão destes autos totalmente ilícita o que contaminaria em toda a sua extensão. a prova ora colacionada, por derivação ou estaria, no caso, a prova originária (da "Operação Dilúvio") abarcada por alguma das hipóteses de exceção? O voto condutor entendeu que a prova destes autos, derivada de interceptação telefônica realizada na "Operação Dilúvio", seria lícita, nos seguintes termos: " Do acórdão proferido no julgamento do habeas coreus pelo STJ verificase ter sido a ordem concedida na consideração de excesso de prazo da escuta telefônica, fundamento logicamente hábil à decretação de ilicitude da prova apenas no período de prorrogação reputada abusiva, de modo a ao menos a prova obtida no período inicial de 15 dias, com a prorrogação por mais 15 dias, não estar fulminada pela ilicitude. O fundamento para decretação da ilicitude não cobre a prova toda da interceptação telefônica, só uma parte dessa prova terá sido obtida com inobservância à lei, só uma parcela da prova é ilícita, por outro lado a ilicitude contamina para frente, não para trás, é o período subsequente das sucessivas prorroRacões que é derivado, não o contrário, de modo a afrontar a lógica a ideia de ilicitude extensiva ao período inicial da escuta telefônica." ('lls 2768v./2769 grifo nosso). Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 28 27 Assim, em síntese, para o Nobre Desembargador Peixoto Junior, portanto, a busca e apreensão destes autos seria lícita, uma vez que derivada de escuta telefônica não declarada ilegal, em sua totalidade, pelo STJ, nos autos do Habeas Corpus n° 142.045. Entretanto, por outro lado, o voto vencido entendeu pela extensão da ilicitude a toda a escuta telefônica, e, por conseguinte, pela adesão à tese da prova ilícita por derivação sem limitações ou exceções no caso da busca e apreensão dos autos. Senão, vejamos: "Dentro desse contexto, as medidas de busca e apreensão realizadas nestes autos estão alicerçadas no relatório produzido com base nas provas colhidas na 'Operação Dilúvio, cuja ilicitude foi proclamada pelo C STJ, quando do julgamento do HC n" 142.045, em 15/04/2010. Nesse ponto, é importante sinalar que dúvidas não subsistem acerca do alcance da decisão do C. STJ. porque o acórdão é expresso no sentido de reputar ilícita toda a prova produzida .." (J7 2898v. g. n.) " Pretende a defesa, destarte, a prevalência do voto vencido – este também de acordo, aliás, com a r. sentença de primeiro grau, in casu. Pois bem. Com razão a defesa, devem ser providos os recursos. Após análise detida dos votos e acórdão do C. STJ no que se refere ao HC 142.045/PR que apreciou a nulidade da escuta telefônica da "Operação Dilúvio" entendeu a Corte Superior, por maioria, que toda a escuta telefônica deveria ser declarada ilícita. E por dois fundamentos: 1. Excesso de prorrogação de prazos, indefinidamente e 2. Ausência de fundamentação judicial para tanto. Tais ilicitudes contaminaram a interceptação telefônica em sua totalidade e, como é premissa, no caso tanto do voto vencedor quanto do vencido que a prova de busca e apreensão ora guerreada é consequência única e direta da interceptação telefônica ilícita da "Operação Dilúvio", não há outra alternativa a não ser reconhecer a ilicitude por derivação de todo o conjunto probatório dos autos ora postos em análise. Demais disso, o não reconhecimento dos exatos termos do julgado supraenunciado constituiria patente violação à coisa julgada material, uma Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 29 28 vez que frontalmente contrário ao já decidido pelo STJ, in casu o que não é permitido na hipótese. Transcrevo, outrossim, o v. acórdão do E. STJ, em julgamento do Habeas Corpus n" 142.045/PR, fazendo menção a alguns destaques, a seguir: "EMENTA. Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Princípio da razoabilidade (violação). É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindose, porém, a interceptação 'nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer'. A Lei n° 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, 'uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova'. Inexistindo, na Lei n° 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei n° 9.296/96 (art. 5°), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2°) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explícita ou implícita violação do art. 5° da Lei n° 9.296/96, evidente violação do princípio da razoabilidade. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito." Nesta mesma esteira, o votocondutor do Ministro NILSON NAVES, a embasar o acórdão supra, verbis: "Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.666 (6° Turma, sessão de 9.9.08), reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que 'toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas' seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito." (g n ). Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 30 29 Assim sendo, TODA a prova produzida na "Operação Dilúvio" foi declarada ilícita pelo STJ. E, como a busca e apreensão dos autos é de forma incontroversa derivada exclusivamente daquela escuta telefônica, há de ser também considerada nula e inválida, por derivação. Tais são os termos do voto da Desembargadora Cecília Mello, que ora transcrevemos, verbis: "Neste ponto, é importante sinalar que dúvidas não subsistem acerca do alcance da decisão do C. STJ, porque o acórdão é expresso no sentido de reputar ilícita toda prova produzida, conforme excerto do voto que ora transcrevo: 'Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC 76686 (6" Turma, sessão de 9.9.08), reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que 'toda prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas', seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendq os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito.' (g.n) Ora, o artigo 5", inciso LVI, da CF, estabelece que 'são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos'. Por sua vez, o artigo 157, caput e §1°, do CPP expressamente dispõem: 'art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Alterado pela L011.6902008) § I° São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. (Acrescentado pela L011.6902008' Da conjugação das normas aludidas, emerge a inadmissibilidade das provas ilícitas e das provas ilícitas por derivação, em consagração à 'Teoria dos Frutos da árvore envenenada'. É imperioso anotar a existência de elo de causalidade entre as provas obtidas na 'Operação Dilúvio' e as que instruem o presente feito, não incidindo as exceções previstas iro artigo 157, 61° do CPP. Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 31 30 No caso sub examen, as investigações que culminaram com a presente ação penal foram realizadas a partir de provas consideradas ilícitas pelo C. STJ, sendo manifesta a sua nulidade. Ante o exposto., nego provimento ao recurso ministerial, mantendo, na íntegra, a sentença absolutória, por seus próprios fundamentos." (destaquei). Por derradeiro, pois, de se frisar que, uma vez reconhecido o inevitável nexo de causalidade entre (todas) as provas ilícitas da "Operação Dilúvio" e o conjunto probatório dos autos – produzido única e exclusivamente por derivação das escutas telefônicas e, ademais, dado o fato notório do trânsito em julgado do HC 142.045/PR cujo desfecho foi pela clara e inequívoca declaração de nulidade de toda a escuta telefônica a ocasionar a busca e apreensão ora questionada não há como se afastar a ilicitude das provas dos autos, por derivação; devendo a apelação ministerial ser, portanto, desprovida, nos exatos termos do voto vencido. Não há, afinal, justa causa a embasar a ação penal, que deve, portanto, ser extinta; tudo nos termos do artigo 395, inciso III, do Código de Processo Penal. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO aos embargos infringentes, para fazer prevalecer o voto vencido e negar provimento ao recurso ministerial, mantendose, pois, na integra, a r. sentença a ano, absolutória, por seus próprios e exatos fundamentos." (fls. 33843394, grifei) Da análise do excerto colacionado verificase, ao contrário do alegado, a inexistência da qualquer ilegalidade a amparar o provimento do presente inconformismo, uma vez que as conclusões do acórdão recorrido estão em sintonia com o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça. Da análise do excerto acima colacionado, verifico que o eg. Tribunal de origem declinou, de forma explícita, as razões baseado nas provas carreadas aos autos pelas quais concluiu, no caso concreto, que todas as provas, inclusive as obtidas através de busca e apreensão, são derivadas exclusivamente da escuta telefônica declarada ilegal por esta Corte de Justiça. Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 32 31 Ora, está assentado nesta Corte que as premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias não podem ser modificadas no âmbito do apelo extremo, nos termos da Súmula n. 7/STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Na hipótese, entender de modo contrário ao estabelecido pelo Tribunal a quo, ou seja, dizer quais e tais provas são ou não derivadas da interceptação telefônica declarada ilegal por esta Corte de Justiça, como pretende a parte recorrente, demandaria o revolvimento, no presente recurso, do material fáticoprobatório dos autos, inviável nesta instância. A propósito: "PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO. EXCLUDENTE DE ILICITUDE. LEGÍTIMA DEFESA. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA. DÚVIDA ACERCA DOS FATOS. REVERSÃO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A desconstituição das premissas fáticas assentadas no acórdão, relativamente à existência de prova cabal nos autos de terem os acusados agido amparados pela excludente de ilicitude da legítima defesa, exigiria revolvimento fáticoprobatório, o que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 2. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp 982.218/AP, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe 23/10/2017) "PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO. LEGÍTIMA DEFESA. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA. COMPETÊNCIA DO JÚRI. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Concluindo o Tribunal a quo, após exame da prova testemunhal e pericial, que há lastro probatório consistente da legítima defesa, não pode este STJ concluir em sentido contrário sem reexaminar o conjunto fáticoprobatório. Incidência da Súmula n. 7/STJ. 2. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp 1577440/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe 22/09/2017) Ante o exposto, com fulcro no art. 255, § 4º, inciso I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso especial. P. e I. Brasília (DF), 23 de agosto de 2018. Ministro Felix Fischer Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 33 32 Relator” Nessa linha, com a devida vênia, entendo que não há mais que se discutir teorias, quer seja, para aplicação da teoria da árvore envenenada ou não, eis que, no presente caso, o que se deve considerar é a decisão proferida pelo STJ que, por sua vez, está sendo observada pelos demais tribunais. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Demes Brito Conselheiro Demes Brito Em que pese o brilhante voto do Ilustre Relator, o qual acompanhei, passo a expor meu entendimento quanto a matéria. In caso, tratase de auto de infração para exigência de Imposto de Importação – II e Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, vinculado à importação, e multa isolada (art. 83 da Lei nº 4.502/64), período setembro/2004 a janeiro/2005, onde foram arrolados como coobrigados os sujeitos passivos CIL Comércio de Informática Ltda, HiTech do Brasil S/A, Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Salewski. A matéria devolvida para esta E. Câmara Superior, diz respeito quanto à aplicabilidade "Teoria da Descoberta Inevitável" e da "Teoria da Fonte Independente" no processo administrativo fiscal. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso de Ofício, para afastar o lançamento em relação à DI 04/09868005, afetada pela decadência, e parcial provimento ao Recurso Voluntário no que se refere ás demais DI's. Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 34 33 Ao prolatar o acórdão recorrido, o Relator Vencido aplicou a exceção da descoberta inevitável, externada em outros julgados, a exemplo dos Acórdãos e nº 3401003.171, de 17/05/2016, nº 3401004.396, de 27/02/2018, com a tese de que a Autoridade Lançadora, valendose de duas prerrogativas ao proceder á retenção de livros, documentos e arquivos da Contribuinte encontrados em suas instalações de modo que essas peças viriam ao processo de qualquer modo, independente da autorização judicial, porque este procedimento decorre de lei válida e vigente. Para o deslinde da controvérsia posta em julgamento, transcreve o que de fato interessa, a motivação do lançamento: Relata a fiscalização, no Relatório de Auditoria de fls. 37/142, que a ação fiscal que deu origem ao presente lançamento foi amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização nº 04.1.51.002008000550, de 8 de abril de 2008, que investigou as operações da empresa CIL Comércio de Informática Ltda., CNPJ nº 24.073.694/000155, doravante denominada simplesmente CIL, no período de setembro de 2004 a janeiro de 2005, que teriam sido realizadas em conluio com diversas empresas direta ou indiretamente vinculadas ao chamado Grupo MAM. Conforme os autos, a ação fiscal foi deflagrada depois do recebimento,pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Recife, de documentos inclusive em meio magnético selecionados pela Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída pela Portaria SRF nº 1.172, de 17 de novembro de 2006, através da Representação Fiscal nº 10980.005072/200795, procedente da Divisão de Administração Aduaneira (Diana)da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal (SRRF09). Da Operação Dilúvio A OPERAÇÃO DILÚVIO consiste de um conjunto de procedimentos adotados pela Policia Federal e pela Receita Federal„ devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificai as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributarias sob controle de MARCO, ANTONIO MANSUR. Tratase de um conjunto de empresas, constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas, que atuavam, de forma dissimulada, como importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais adquirentes destas mercadorias, estes sim, reais importadores que adquiriam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como importadores, tampouco como adquirentes,' perante os controles administrativos e aduaneiros. Durante o período de investigação constatouse a existência dessa organização criminosa bem como se identificou a maioria dos intervenientes, especialmente os controladores do esquema e seus principais beneficiários (clientes adquirentes de fato das mercadorias estrangeiras). Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 35 34 Ainda nesta etapa, além da ocultação dos reais adquirentes,'foi também possível comprovar a prática de inúmeras outras fraudes relacionadas com o comércio exterior, tais como subfaturamento dos preços declarados, falsificação de documentos corrupção de servidores públicos, etc. No dia16 de agosto de 2006 foi deflagrada a parte ostensiva da Operação Dilúvio, tendo sido realizadas centenas de diligências em diversos endereços comerciais e residenciais, localizados em oito Unidades da Federação, e no exterior, com vistas a localizar e apreender documentos que permitissem comprovar as fraudes praticadas. Nesta operação, que envolveu' a participação de quase 2000 servidores da Policia Federal e da Receita Federal, houve a apreensão de grande quantidade de documentos, meios magnéticos e mercadorias, assim como a realização da prisão de mais de uma centena de pessoas. Os elementos apreendidos (documentos, meios magnéticos e objetos) foram todos remetidos para Curitiba, PR, tendo sido imediatamente disponibilizados pela Justiça Federal daquela cidade para fins de procedimentos fiscais da Secretaria da Receita Federal. Em 05 de dezembro de 2006, por meio da Portaria SRF n° 1.211, foi constituída uma equipe para análise e preparo das ações fiscais referentes As empresas envolvidas nas operações de comércio exterior realizadas irregular e fraudulentamente pelas empresas controladas por MARCO ANTÔNIO MANSUR. Esta equipe, sediada 'em Curitiba, procedeu A triagem e seleção dos documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiês para serem remetidos As unidades de fiscalização. Do Grupo MAM Além da ocultação dos reais adquirentes, as empresas importadoras e distribuidoras controladas por MARCO ANTONIO MANSUR, doravante denominada GRUPO MAM, em conluio com seus clientes, praticavam também, de forma sistemática, o subfaturamento dos preços declarados, como ficará demonstrado nos capítulos que tratam do Modus Operand e dos Fatos Analisados. Resumidamente, podese caracterizar o Grupo MAM como sendo uma organização empresarial "que atuava em todas as etapas do fluxo operacional e logístico das importações realizadas por conta e ordem das empresas adquirentes das mercadorias estrangeiras. Para tanto, dispunha de várias empresas operando sob controle centralizado como se fossem departamentos de uma única empresa. Assim, havia as empresas constituídas no exterior para atuar como se fossem agentes de carga e exportadores, as empresas importadoras (denominadas trading) e as empresas distribuidoras (adquirentes fictícios). Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 36 35 Os controladores desta organização (MARCO ANTONIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO e ALESSANDRA SALEWSKI) e seus gerentes operacionais determinavam todos os procedimentos, desde a forma como as mercadorias deveriam ser embarcadas, como os documentos deveriam ser emitidos (quando não eram eles mesmos que Os emitiam), Como seria feita a declaração de importação, como seriam emitidas as notas fiscais de entrada e de saída por todas as empresas utilizadas no fluxo até que a mercadoria fosse colocada à disposição do seu cliente. As mercadorias devem ser remetidas a um Exportador Fictício controlado pelo próprio cliente. Grupo MAM e cliente combinam, sob orientação do primeiro, os elementos a serem declarados na operação, os preços a serem declarados, se a importação será declarada por conta própria do importador, ou se por conta e ordem de um distribuidor (fachada) e as condições para entrega das mercadorias ao cliente. As mercadorias são embarcadas em nome do importador (trading). As faturas comerciais são refeitas para consignar como comprador o próprio importador ou alguma distribuidora controlada pelo Grupo MAM. A empresa importadora registra 'a DI com preços, subfaturados e emite Nota Fiscal de entrada. Dá saída às mercadorias para o Distribuidor 'por valor semelhante aos valores constantes na nota de entrada. 0 distribuidor emite Nota Fiscal de venda para o cliente ou para um segundo distribuidor: ou ainda para alguma empresa indicada pelo cliente. Esta nota pode ser emitida por valor próximo ao valor, de entrada ou por valor que corresponde ao valor real das mercadorias aCrescido dos custos, reconstituindo, portanto, o custo real do cliente. Fluxo Financeiro O cliente efetua o pagamento correspondente ao valor da Nota Fiscal da suposta venda ao distribuidor. O distribuidor repassa ao importador o valor correspondente a sua Nota Fiscal e Saída. O importador efetua a cobertura cambial da parcela declarada na DI em beneficio do seu exportador fictício, fechando o ciclo financeiro da importação. No entanto, se saída ao cliente se da pelo valor real da operação comercial acrescido dos custos operacionais, a remessa da parte não declarada ficara por conta do GRUPO MAM; 'o se a saída ao cliente se da por valor próximo ao valor subfaturado, a remessa da parcela não declarada ficara sob responsabilidade do próprio cliente. Eventualmente o pagamento total da operação no exterior é realizado pelo cliente. Neste caso o GRUPO MAM fica com uma DI em aberto a sua disposição para remeter divisas ao exterior. A conta do exportador fictício fica a disposição do GRUPO MAM para realizar os pagamentos aos reais fornecedores no exterior por conta dos seus clientes, ou simplesmente para remeter de manter divisas no exterior. A parte visível da operação, ou seja, o registro da DI, a emissão das notas de entrada e de saída até que a mercadoria chegue ao real adquirente é toda controlada de forma Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 37 36 centralizada, como se todas as empresas envolvidas fossem apenas departamentos de uma única firma. Embora estas operações não . passem de simulação, haja vista que os documentos emitidos, o são apenas para fazer parecera existência de operações comerciais que nunca aconteceram, observase uma grande preocupação da organização em manter uma formalidade coerente, garantindo, para cada documento emitido, o correspondente fluxo financeiro, assim como, mantendo contratos escritos de compra e venda ou de prestação de serviço entre as empresas importadoras sob seu controle. A verdadeira operação comercial, no entanto, entre o comprador (real adquirente) e o seu fornecedor, permanecerá totalmente oculta. A formalização contábil da entrada das mercadorias na empresa cliente será efetuada como se fosse uma simples aquisição no mercado nacional. De outro lado, as empresas do GRUPO MAM figuram como se fossem comerciantes internacionais, embora nunca tenham efetuado qualquer operação comercial com o exterior. As operações simuladas patrocinadas pelo GRUPO MAM constituem, de fato, um produto oferecido e vendido aos seus clientes que permite a estes a obtenção, como principal beneficio, da redução de seus custos operacionais. Várias são as vantagens obtidas pelas empresas clientes na utilização dos serviços oferecidos pelo GRUPO MAM. Dentre elas, destacamse: Redução dos tributos incidentes na importação pela prática sistemática de subfaturamento dos preços declarados. Razoável segurança em relação a fiscalização, na medida em que os elementos que revelam as efetivas transações comerciais permanecerão ocultos, inclusive no caso de ações ostensivas da Aduana nos estabelecimentos dos importadores ou dos distribuidores. Quebra da cadeia do IPI, pois o real adquirente das mercadorias importadas por sua conta e ordem deveria ser equiparado A. empresa industrial, para efeito de incidência do IPI, na saída dos produtos importados. A ocultação permite a ele uma certa imunidade em relação a este tributo. Compartilhamento dos benefícios auferidos pelas empresas importadoras em relação ao ICMS, na forma' de descontos referentes a estes tributos. As empresas importadoras são, normalmente, domiciliadas em municípios cujos Estados concedem benefícios especiais de ICMS, tais como diferimento de seu pagamento, ou financiamentos especiais. Possibilidade de formalização de uma rede de distribuição para os seus produtos no território nacional nos casos de empresas que são apenas agentes de venda que atuam em nome das empresas estrangeiras ou dos próprios fabricantes dos produtos importados. Nestes casos, as empresas do GRUPO MAM atuam também como distribuidores que formalizam documentalmente a entrega das mercadorias aos clientes de seus clientes, ou seja, aqueles para quem as mercadorias já haviam sido vendidas' pelo agente de vendas. Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 38 37 Neste caso, o cliente do GRUPO MAM é o agente de vendas de um exportador estrangeiro, ou seja, é o próprio exportador, por meio de seu representante no Brasil. Com efeito, como se vê os elementos analisados pela fiscalização são decorrentes em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Policia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões emitidos pela Justiça Federal em ParanaguáPR, motivados por investigação realizada pela Receita Federal em conjunto com a Policia Federal de uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR, dedicada prática de diversas fraudes em operações de comércio exterior e outras. Os procedimentos de investigação conduzidos sob a denominação de OPERAÇÃO DILÚVIO iniciaramse em 2005 e culminaram com a deflagração de uma grande operação ostensiva em mais de 100 endereços comerciais e residenciais em diversos Estados. Sem embargo, a Autoridade Fiscal teve acesso e obtenção de cópias dos documentos da " operação dilúvio", assim como seu uso para fins fiscais estão autorizados por decisão de Justiça Federal de Paranaguá, datada de 24/08/2006 nos autos do IPL 2006.70.08.00020874. O Auto de Infração foi motivado com alto teor probatório das ilicitudes praticadas pela Contribuinte, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal, todo contraditório, ampla defesa foram exercidos neste contencioso, com supedâneo na estrita legalidade do devido processo legal, portanto, não há o que se falar em ilegalidade ou nulidade das provas carreadas junto aos autos, até porque para delimitar as condutas há de se perquirir o lançamento tributário em separado dos eventos criminosos tratados no poder judiciário. No que tange a tese do Relator Vencido quanto a "teoria da descoberta inevitável", em nenhum momento da ação fiscal foi tratada, no caso, é fundamentada em uma suposição de relator a quo, que serviu apenas para suscitar argumentos desnecessários, municiando a Contribuinte com argumentos para se buscar nulidades que não existe, tendo em vista que ação fiscal foi amplamente amparada e fundamentada, respeitandose para tanto, o devido processo legal, ampla defesa e contraditório. Portanto, in caso não há o que se falar em "teoria da descoberta inevitável", a ação fiscal foi motivada em procedimento legal, por meio de Mandado de Procedimento fiscal, oportunidade que foi conferida a todos o exercício da ampla defesa e contraditório. Neste sentido, as informações oriundas da "operação dilúvio", remetidos por meio do processo de representação fiscal, sendo seu uso para fins tributários autorizado por decisão de Justiça Federal nos autos do Verifico que os elementos analisados pela fiscalização são decorrentes em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Policia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões emitidos pela Justiça Federal em ParanaguáPR, motivados por investigação realizada pela Receita Federal em conjunto com a Policia Federal de uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR, dedicada prática de diversas fraudes em operações de comércio exterior e outras. Os procedimentos de investigação conduzidos sob a denominação de OPERAÇÃO DILÚVIO iniciaramse em 2005 e culminaram com a deflagração de uma grande operação ostensiva em mais de 100 endereços comerciais e residenciais em diversos Estados. Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 39 38 Sem embargo, a Autoridade Fiscal teve acesso e obtenção de cópias dos documentos da " operação dilúvio", assim como seu uso para fins fiscais estão autorizados por decisão de Justiça Federal de Paranaguá, datada de 24/08/2006 nos autos do IPL 2006.70.08.00020874. O Auto de Infração foi motivado com alto teor probatório das ilicitudes praticadas pela Contribuinte, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal, todo contraditório, ampla defesa foram exercidos neste contencioso, com supedâneo na estrita legalidade do devido processo legal, portanto, não há o que se falar em ilegalidade ou nulidade das provas carreadas junto aos autos, até porque para delimitar as condutas há de se perquirir o lançamento tributário em separado dos eventos criminosos tratados no poder judiciário. No que tange a tese da decisão recorrida quanto a "teoria da descoberta inevitável", em nenhum momento da ação fiscal foi tratada, no caso, é fundamentada em uma suposição de relator Vencido a quo, que serviu apenas para suscitar argumentos desnecessários, municiando a Contribuinte com argumentos para se buscar nulidades que não existe, tendo em vista que ação fiscal foi amplamente amparada e fundamentada, respeitando para tanto, o devido processo legal, ampla defesa e contraditório. Portanto, in caso não há o que se falar em "teoria da descoberta inevitável", a ação fiscal foi motivada em procedimento legal, por meio de Mandado de Procedimento fiscal, oportunidade que foi conferida a todos o exercício da ampla defesa e contraditório. Neste sentido, as informações oriundas da "operação dilúvio", remetidos por meio do processo de representação fiscal, sendo seu uso autorizado por decisão de Justiça Federal, foram no sentido de noticiar as fraudes, com essas informações, a Autoridade Fiscal de modo legal iniciou o procedimento fiscalizatório. Até porque os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições de regência, conforme o previsto no artigo 125 do Decretolei nº 5.844, de 1943 e artigo 2º do Decretolei nº 1.718, de 1979. Destarte, penso que seria um prejuízo a sociedade, em especial ao trabalho fiscal, aventar nulidades que não existem, em favor de condutas ilícitas perpetuadas por atores que buscam burlar o sistema tributário em detrimento do Estado. Neste contexto, não o que se falar em nulidade relativamente as imputações que foram tratadas de modo pormenorizado com relação acusação fiscal, bem como de seus respectivos anexos, Ademais, seria um prejuízo a sociedade, em especial ao trabalho fiscal, aventar nulidades que não existem, em favor de condutas ilícitas perpetuadas por atores que buscam burlar o sistema tributário em detrimento ao erário. As provas acostadas, possuem a descrição das irregularidades que fundamentam as conclusões para cada uma das DI’s. Comprovase, portanto, que a real operação de importação ocorreu entre o fabricante e a verdadeira importadora, sendo todas as operações intermediárias simuladas, criadas apenas para dar uma aparência de legalidade à fraude. Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 40 39 Neste sentido, as operações praticadas com a participação da Contribuinte não podem ser consideradas legítimas, autorizando a aplicação em espécie da penalidade prevista no artigo 23, inciso V do DecretoLei 1.455/76. Frente aos fatos, documentos fortemente comprobatórios, seria irrelevante lavrar o autos de infração especialmente em desfavor do importador de direito, empresa de fachada, quando restou comprovada o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas, seu verdadeiro proprietário, mesmo com a simulação ocorrida nas diferentes etapas da importação, negociação, despacho aduaneiro, revenda a terceiros, em alguns casos, fechamento de câmbio, restou exteriorizado a presença de terceiros ocultando a Contribuinte, real adquirente das mercadorias estrangeiras. Reforço, que em nenhuma hipótese tem amparo na tese de que o artigo 11 da lei nº 11.281/2006, trata de hipótese de importação destinada a revenda a "encomendante predeterminada", ou seja, a Contribuinte não se reveste dessa figura, pois para tal conduta, conforme previsto no dispositivo supra, o parágrafo primeiro versa que ficam determinados os requisitos e condições para atuação da pessoa jurídica na forma referida, o que não atendido pela Contribuinte e tão pouco pela importadoras. Tal assertiva, ainda que jungindo pelo parágrafo 2º do mesmo diploma legal, dispõe que: " A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do parágrafo 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação nos artigos 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001". De modo que, a lei nº 11.281/06, criou a figura do " "encomendante predeterminado", e da IN SRF nº 634/2006, regulamentou os procedimentos nas operações de importação que a Contribuinte declarou como sendo nessa modalidade, não foram atendidas as condições e requisitos legais, tais como, habilitação, indicação na DI do nome do real encomendante visto que as distribuidoras são empresas constituídas por "laranjas", portando, a Contribuinte não se enquadra nessa modalidade. O que de fato ocorreu, é que nas operações comerciais tratava de atos dissimulados com objetivo de produzir uma aparente normalidade comercial, como destacado pela Contribuinte, não tendo ocorrido a compra e venda nos moldes comerciais, pois parte estava sendo negociada pela Contribuinte que articulava a venda manipulando preços com o fornecedor estrangeiro, orientava a compra, sem a intervenção de importadora de direito, que restou comprovada a inexistência da figura da compra e venda de mercadorias, mas apenas uma simulação. Em verdade a Contribuinte era a real adquirente das mercadorias estrangeiras que até encaminhava numerário para pagamento das mercadorias, quando ocorria a declaração a Autoridade Aduaneira por valores subfaturados. Outra questão que me chama atenção, em contrarrazões, a Contribuinte aponta a decisão proferida pelo STJ no HC nº 142.045/PR, no qual foi reconhecida a nulidade da interceptação telefônica no que diz respeito às sucessivas renovações, além de toda prova decorrente dela. O HC nº 142.045 – PR foi impetrado em benefício de Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho, apontando como autoridade coatora o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O ato de coação ilegal consistiu na decisão que julgou regular a Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 41 40 interceptação telefônica e suas sucessivas prorrogações realizadas para a apuração de conduta criminosa dos pacientes, nos autos do inquérito policial n° 2006.70.00.0224356. Em sua decisão, o STJ não declarou a ilegalidade de toda prova produzida no inquérito policial, mas apenas da interceptação telefônica no tocante às sucessivas renovações e daquela decorrente dela (aplicação da teoria do fruto da árvore envenenada, atualmente positivada no artigo 157 do CPP). Se faz necessário advertir, que o Relator Vencido ter se concentrado em julgar matéria que lhe foi devolvida, tratando exclusivamente da legalidade do lançamento tributário, desnecessário e inútil suas conclusões a respeito de um processo criminal que não se confunde com o Fiscal, antes que se argumente qualquer tese a esse respeito, in caso foi materializado uma das maiores fraudes em detrimento do comércio exterior, em especial aos cofres públicos, partindose de uma premissa equivocada, o STJ resolve com seus argumentos absolver ou condenar os participes da fraude, em via reversa as condutas ilícitas ao erário também devem ser anuladas? As condutas foram individualizadas, os documentos carreados aos autos provêm de fonte independente de interceptações telefônicas consideradas ilegais pelo STJ, o que não se comunicam com o presente processo fiscal, não há qualquer ligação com o coso concreto. Caso o STJ ou STF, entendam em absolver os réus, não desvirtua o ilícito cometido em âmbito fiscal, lembrando que se trata de lançamento fiscal em desfavor da Contribuinte que cometeu fraudes ao comércio exterior, portanto não há o que se falar em nulidade. ´ Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito1, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)2 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o 1 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 2 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 19647.011167/200975 Acórdão n.º 9303008.694 CSRFT3 Fl. 42 41 dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...] Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2480DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917087/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: Wesley Rocha
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário não conhecido.
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DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 87 /2 00 9- 21 Fl. 1412DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 15374.917087/200921 Acórdão n.º 2301005.326 S2C3T1 Fl. 1.413 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo, portanto dele o conheço. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 1414DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 15374.917087/200921 Acórdão n.º 2301005.326 S2C3T1 Fl. 1.414 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1416DF CARF MF 6 Fl. 1417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004724/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1201-002.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa 01/2003, e prolatar novo Despacho Decisório, retomando-se novo rito processual.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Efigênio de Freitas Júnior Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa 01/2003, e prolatar novo Despacho Decisório, retomando-se novo rito processual. (ASSINADO DIGITALMENTE) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior Relator Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa 01/2003, e prolatar novo Despacho Decisório, retomandose novo rito processual. (ASSINADO DIGITALMENTE) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 47 24 /2 00 5- 78 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 19647.004724/200578 Acórdão n.º 1201002.999 S1C2T1 Fl. 202 2 Relatório TELASA CELULAR S/A, já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário em face do Acórdão 1127.250, proferido pela 3ª Turma da DRJ Recife/PE, em 7 de agosto de 2009. 2. Tratase de Declarações de Compensação DCOMP's, transmitidas em 10.02.2004, em que o contribuinte compensou débitos próprios com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, no valor originário de R$ 556.526,21 (efls. 328). 3. Despacho Decisório, proferido em 08.03.2007, não homologou a compensação declarada ante a proibição de compensar crédito decorrente de estimativa no próprio período de apuração nos seguintes termos (efls. 3133): 5. Conforme preceitua o artigo 10 IN SRF N.° 600 de 28.12.2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (índevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. 6. Portanto, o valor dito como sendo de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, referido no item "1" acima, não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR" para compensação de débitos (grifo nosso). 4. Em face do referido Despacho Decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida pela DRJ: 3. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ nº 01.009.686/000144, sucessora da TELASA CELULAR S/A, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 38/52), alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife; b) que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005; c) que, quando muito, o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, impediria a compensação do IRPJ e da CSLL pagos a maior com outros tributos, e não com eles próprios, e que esse entendimento está exposto no “perguntas e respostas” do sítio da Receita Federal; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 19647.004724/200578 Acórdão n.º 1201002.999 S1C2T1 Fl. 203 3 d) que, se não fosse realizada a compensação do IRPJ recolhido a maior, haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2003; e) que possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo nº 19647.009690/200699, que não haveria saldo negativo ao final do anocalendário 2003. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; f) que o despacho decisório decorre da revisão de ofício havida nos autos do processo nº 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). 5. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, em 7.08.2009, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. 6. Cientificada da decisão de primeira instância, em 19.10.2009, a recorrente interpôs recurso voluntário, em 17.11.2009, em que repisa os argumentos expostos na manifestação de Fl. 203DF CARF MF Processo nº 19647.004724/200578 Acórdão n.º 1201002.999 S1C2T1 Fl. 204 4 inconformidade no sentido de que o artigo 10 da IN SRF n° 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse prevista em lei. 7. Alega ainda que, na hipótese de se entender pela vinculação entre este processo e o processo 19647.009690/200699, a decisão final neste processo deve aguardar o resultado daquele. 8. Por fim, requer a homologação integral da compensação efetuada. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 10. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 11. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que compensou crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa de IRPJ, recolhido em janeiro/2003, no valor originário de R$ 556.526,21, com débito de IRPJ no período de maio a outubro de 2003. 12. A Administração Tributária não homologou a compensação por entender que, nos termos do artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o pagamento indevido ou a maior de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento. Tal entendimento foi corroborado pela decisão de primeira instância. 13. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o referido artigo 10 da IN SRF n° 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse prevista em lei. 14. Observa ainda a recorrente, que, em outubro de 2006, foi cientificada dos lançamentos de IRPJ e de CSLL nos autos do processo administrativo nº 19647.009690/2006 99, em que constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSL devidos por estimativa mensal. Posteriormente, em sede revisão de ofício, em razão da solução de consulta interna Cosit nº 18, de 2006 e com a finalidade de evitar cobrança em duplicidade, foram excluídos do processo nº 19647.009690/200699 certos valores que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC, tal qual o processo ora em análise. 15. Acerca da relação entre este processo e o processo administrativo nº 19647.009690/2006, assim se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância: Fl. 204DF CARF MF Processo nº 19647.004724/200578 Acórdão n.º 1201002.999 S1C2T1 Fl. 205 5 28. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de ofício havida nos autos do processo administrativo nº 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 29. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em consequência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anoscalendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 30. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de ofício, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 31. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo nº 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que os débitos das estimativas não homologados serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo nº 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo nº 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. 16. Nos autos do processo administrativo nº 19647.009690/200699, o relatório contido no Acórdão CARF nº 1402001.876 tratou da matéria nos seguintes termos: Tratase de autos de infração de IRPJ (período 01/2000 a 12/2004) e CSLL (período 01/1998 a 12/2004), cumulados com juros, multa de ofício e multa isolada, apurados em decorrência da glosa de exclusão indevida na apuração do Lucro Real (fls. 424/463 digital, 209/248 papel). A ciência foi tomada em 30/10/06. A Tim Nordeste S/A (antiga Maxitel S/A), foi autuada em razão da sua condição de sucessora da Tim Nordeste Telecomunicações S/A (antiga Telpe Celular S/A), que, por sua vez, sucedeu as empresas: Telasa Celular S/A, Teleceará Fl. 205DF CARF MF Processo nº 19647.004724/200578 Acórdão n.º 1201002.999 S1C2T1 Fl. 206 6 Celular S/A, Telern Celular S/A, Telepisa Celular S/A e Telpa Celular S/A. Conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 482/538, 265/321 papel) as infrações apuradas podem ser resumidas da seguinte forma: Infração 6. Deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas. Glosa de dedução de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa. A fiscalização não conseguiu confirmar créditos informados em diversas DCOMP’s transmitidas pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 1998 a 2004); e Infração 7. Multas isoladas por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidas por estimativa mensal. Em razão das infrações apuradas acima, sustenta a fiscalização que as empresas sucedidas teriam deixado de recolher (ou teriam recolhido a menor) os valores devidos pelas estimativas de IRPJ e CSLL, sujeitandose, portanto, à multa isolada de 50%. Envolve as empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 4º trimestre de 2001, 2002 a 2004 e CSLL 1998 a 2004). Em relação a esta última infração, no que toca ao IRPJ, esclareçase que foram lançadas apenas as diferenças a maior apuradas com base nas novas infrações levantadas para os meses de outubro, novembro e dezembro do anocalendário de 2001, haja vista que no processo n°. 19647.012821/200534 já está sendo cobrada multa isolada (IRPJ estimativa) para esses meses (Encerramento Parcial), contra a empresa Tim Nordeste Telecomunicações S/A (CNPJ 02.336.993/000100 incorporada). Com relação a CSLL, da mesma forma, foram lançadas apenas as diferenças a maior apuradas para o anocalendário 2001, com base nas novas infrações apuradas, uma vez que no processo n°. 19647.012818/200511 já está sendo cobrada a multa isolada (CSLL Estimativa) para esse ano (Encerramento Parcial). Vale notar, para logo, que após a impugnação dos autos de infração, a Fiscalização produziu um Relatório de Informação Fiscal, por meio do qual procurou aplicar a Solução de Consulta Interna COSIT nº. 18, de 13/10/06. Com isso, os valores lançados referentes às infrações 6 e 7 foi revisto de ofício, diminuindo o montante da exigência contida no presente processo. (Acórdão CARF 1402001.876, de 26 de novembro de 2014, efls. 40034004; grifo nosso) 17. Vejase que no último parágrafo do trecho acima transcrito, o Relator observa que os valores lançados a título de estimativas não recolhidas e respectivas multas isoladas foram excluídos do processo administrativo nº 19647.009690/200699, tendo em vista a solução de Fl. 206DF CARF MF Processo nº 19647.004724/200578 Acórdão n.º 1201002.999 S1C2T1 Fl. 207 7 consulta interna Cosit n. 18, de 2006. Portanto, a relação existente entre o processo administrativo nº 19647.009690/200699 e este é que as infrações excluídas daquele foram lançadas neste. 18. A autoridade de primeira instância, por sua vez, não entrou no mérito do crédito, apenas assentou ser proibido compensar crédito decorrente de estimativa no próprio período de apuração, tal qual previsto no artigo 10 da IN SRF nº 600, de 2005. O que não impede o julgamento deste feito. 19. Ocorre que a proibição de compensar crédito decorrente de estimativa no próprio período de apuração, prevista no artigo 10 da IN SRF nº 460, de 2004 e reproduzida no artigo 10 da IN SRF nº 600, de 2005, deixou de existir na IN RFB nº 900, de 2008, que revogou a IN nº 600, de 2005. Com efeito, é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa, conforme a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. 20. Nessa linha, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada e a Unidade Local, à luz da súmula CARF nº 84, deve analisar a certeza e liquidez (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa. Conclusão 21. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, recolhido em janeiro de 2003, e prolatar novo Despacho Decisório, retomandose novo rito processual. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior Relator Fl. 207DF CARF MF
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