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Numero do processo: 19515.002910/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
IMUNIDADE/ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO ANTES DO DEFERIMENTO DO CEAS. CEBAS DEFERIDO QUANDO JÁ REVOGADO O § 1º DO ART. 55 DA LEI 8.212/91 PELA MP 446/2008. DISPENSA DE FORMALIZAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. MANUTENÇÃO DA VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS NA VIGÊNCIA DA MP 446/2008.
Não era viável a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção antes do deferimento do CEAS.
O art. 48 da MP n. 446/2008 revogou o exposto no art. 55 da Lei n. 8.212/1991, dispensando a formalização de pedido administrativo perante o órgão fazendário para fins de reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições previdenciárias. Os atos praticados durante a vigência da MP 446/2008 permaneceram válidos, diante da ausência de edição, pelo Congresso Nacional, de Decreto que discipline as relações jurídicas formadas durante a vigência da MP.
No caso, o CEBAS foi deferido apenas em 03/02/2009, quando já estava em vigor a MP n. 446/2008, ou seja, já não era necessária a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção. Considerando que o ato de concessão do CEBAS retroagiu seus efeitos a data do protocolo do requerimento (19/04/2014), não pode ser mantida a autuação no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA.
A aplicação da atual redação do art. 35 da Lei 8.212/91 é mais benéfica, na medida em que o percentual da multa fica limitado a 20%.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS- REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA.
Constitui peça de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir do auto de infração DEBCAD n° 37.180.085-4, os fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007; b) bem como para limitar a multa aplicada a 20%; vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO ANTES DO DEFERIMENTO DO CEAS. CEBAS DEFERIDO QUANDO JÁ REVOGADO O § 1º DO ART. 55 DA LEI 8.212/91 PELA MP 446/2008. DISPENSA DE FORMALIZAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. MANUTENÇÃO DA VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS NA VIGÊNCIA DA MP 446/2008. Não era viável a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção antes do deferimento do CEAS. O art. 48 da MP n. 446/2008 revogou o exposto no art. 55 da Lei n. 8.212/1991, dispensando a formalização de pedido administrativo perante o órgão fazendário para fins de reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições previdenciárias. Os atos praticados durante a vigência da MP 446/2008 permaneceram válidos, diante da ausência de edição, pelo Congresso Nacional, de Decreto que discipline as relações jurídicas formadas durante a vigência da MP. No caso, o CEBAS foi deferido apenas em 03/02/2009, quando já estava em vigor a MP n. 446/2008, ou seja, já não era necessária a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção. Considerando que o ato de concessão do CEBAS retroagiu seus efeitos a data do protocolo do requerimento (19/04/2014), não pode ser mantida a autuação no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 10 /2 01 0- 35 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 A aplicação da atual redação do art. 35 da Lei 8.212/91 é mais benéfica, na medida em que o percentual da multa fica limitado a 20%. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir do auto de infração DEBCAD n° 37.180.0854, os fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007; b) bem como para limitar a multa aplicada a 20%; vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002910/201035 Acórdão n.º 2401003.826 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O processo administrativo em análise decorre de fiscalização na qual foi lavrado contra a Recorrente o DEBCAD nº 37.180.0854, através do qual são exigidas as contribuições previdenciárias destinadas às Outras Entidades (SalárioEducação, SESC, SEBRAE e INCRA), cujo levantamento dos débitos também deu origem ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.304.0555 (parte patronal e GILRAT), tendo em vista que a fiscalização não reconheceu o direito à imunidade constitucional que a Recorrente entendia fazer jus. O contribuinte tomou ciência da autuação em 30/11/2010 (fls. 24). Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 1721), a Recorrente tem como objetivo social o exercício de todas as atividades relacionadas com o ensino em geral e a promoção da cultura judaica e brasileira, mediante a instalação e funcionamento de escolas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O Relatório Fiscal aponta que a Recorrente teve a sua isenção das contribuições previdenciárias relativa ao triênio de 2001 a 2003 cancelada através de Ato Cancelatório emitido em março de 2005, contra o qual a Recorrente não se insurgiu. Vejamos: II – DO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO 5. A Escola Bialik teve sua isenção das contribuições previdenciárias cancelada no triênio de 2001 a 2003, pelo Ato Cancelatório nº 02/2005 (em anexo), emitido em 23/03/2005 e retroativo a 01/01/2001, por descumprimento do art. 55, inciso II, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 206, inciso III do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3048, de 06/05/99. 5.1. O contribuinte apresentou a renovação de seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), concedida pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). No entanto, foi solicitado, por meio do Termo de Intimação Fiscal de 14/07/2010 (em anexo), o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias vigente durante o período (2007), o qual não foi apresentado. Ora, a mera concessão do CEBAS não implica necessária aquisição da isenção correlata, uma vez que a concessão da isenção fiscal depende do preenchimento cumulativo de vários requisitos, dentre os quais está ser portadora do CEBAS. Além disso, é atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, segundo o artigo 33 da Lei no 8.212/91 (inserido pela Lei no 11.491, de 27/05/2009) fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais elencadas no artigo 11 do mesmo diploma legal, o que, por consequência, lhe confere o poder de verificar se as entidades beneficiadas com a isenção das contribuições empresariais incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço (alínea a) realmente preenchem os requisitos necessários. Desta forma, a inexistência de Ato Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias obriga o contribuinte a recolher as contribuições sociais relativas à parte patronal, RAT e Terceiros. Verificase, portanto, que, embora a Recorrente possuísse CEAS válido entre o período de 19/04/2007 a 18/04/2010, os Auditores entenderam que a concessão do CEAS, por si só, não implicaria na concessão da isenção fiscal, por ser esse apenas um dos requisitos, cujo cumprimento é exigido para a concessão da isenção. Consideraram, assim, que, como a Recorrente não preenchia, na época da ocorrência do fato gerador, os requisitos legais para a sua isenção, ela teria omitido informações sobre os valores devidos referentes à parte patronal, SAT e Terceiros, ou seja, apenas os valores devidos pelos segurados empregados e contribuintes individuais foram informados pela empresa e devidamente recolhidos. Por fim, afirma que foram elaboradas planilhas demonstrativas do valor das multas cabíveis ao caso presente de acordo com a legislação vigente à época dos fatos e a que a sucedeu, com o objetivo de garantir a aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, que, no entender dos Auditores, seria a legislação vigente na época do fato gerador (art. 35, alínea a, inciso II da Lei 8.12/91). A ora Recorrente apresentou tempestivamente a impugnação ao Auto de Infração em 29/12/2010, alegando, em síntese, que: · Se caracteriza como entidade imune às contribuições sociais, atendendo aos requisitos do art. 195, parágrafo 7° da Constituição Federal, além de ser possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), bem como de cumprir todos os requisitos do art. 14 do CTN e do art. 55 da Lei 8.212/91 durante o período contestado pelo Auto de Infração, de modo que não subsistiriam motivos legais para manutenção da autuação. · É entidade sem fins lucrativos, voltada para objetivos sociais desde sua fundação, que concede bolsas de estudos, totais e parciais para alunos de famílias que se encontram em situações de destrutibilidade social, não impondo nenhum tipo de distinção aos indivíduos, em observância aos princípios expostos na Lei Orgânica da Assistência Social. · Os requisitos referentes ao gozo da imunidade devem ser previstos por Lei Complementar, conforme dispõe o art. 146, inciso II da CF, bastando, então, o atendimento aos requisitos previstos no art. 14 do CTN para que seja vedado ao Fisco exigir o recolhimento de contribuição previdenciária. · O art. 55 da Lei 8212/91 e o art. 2° do Decreto 2.536/98 são eivados de inconstitucionalidade formal e material, na medida em que impõe restrições que violam o conceito de entidades beneficentes do art. 195, §7°, da Constituição Federal, conforme entendimento do próprio STF, na decisão liminar proferida nos autos de Ação Direta de Inconstitucionalidade de n°s 20285 e 20366. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002910/201035 Acórdão n.º 2401003.826 S2C4T1 Fl. 4 5 · Está registrada perante o CNAS, conforme Processo nº 56.238/66, e vem obtendo a concessão dos Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS desde então. · Embora o seu pedido do CEBAS, referente ao triênio de 2001/2003, tenha sido indeferido através da Resolução nº 50/2004, tal questão se encontra sub judice em virtude da Ação Declaratória n.º 2004.34.00.0195091, em trâmite na 16ª Vara Federal da Secção Judiciária do Distrito Federal. · Ingressou com pedido de revisão da decisão do CNAS, paralelamente, o qual se encontra em tramite no Ministério da Previdência Social, aguardando parecer jurídico e sem decisão acerca da aplicação da MP n° 446/2008. · Foi concedido novamente o deferimento do seu CEBAS, visto que se constatou o cumprimento de todos os requisitos do Decreto nº 2.536/98 para o período de Janeiro/2004 a Dezembro/2006. · Obteve o deferimento do pedido de renovação de seu CEBAS para o período referente aos anos de 2007 a 2009, de acordo com processo n° 71010.000693/200744, nos termos da Resolução CNAS n° 07/2009. Em seguida, requereu a renovação do seu CEBAS, através do processo n ° 71010.005200/200924, porém, ainda não há decisão, o processo encontrase em tramite no Ministério da Educação. · Deveria ser aplicado, no mínimo, o procedimento previsto no art. 71 da Portaria MPS nº 323/2007, segundo o qual o curso da presente autuação deveria ser suspenso até o julgamento da referida Ação Declaratória, nos termos do art. 265 do CPC. · A publicação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou os procedimentos referentes aos cálculos da multa, com a introdução de penalidade mais branda ao contribuinte, razão pela qual deve ser aplicada a retroação prevista no art. 106 do CTN e no art. 5º, XL, da CF. Logo, a multa a ser aplicada deverá limitarse ao percentual de 20%, nos termos do art. 26 da Lei nº 11. 941/09, c/c o art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, não havendo que se falar, ainda, em aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que o lançamento em questão tem como objetivo a cobrança de obrigações principais. · A autoridade fiscal, de forma arbitrária e ilegal, imputou responsabilidade solidária aos diretores e exdiretores da empresa para o pagamento do débito apurado, o que não se pode aceitar, tendo em vista que não existem razões legais para tanto. · Por fim, requereu a (i) improcedência do lançamento; (ii) o valor da multa fosse adequado a nova legislação; (iii) exdiretores fossem excluídos do polo passivo da presente demanda; (iv) fossem deferidas as Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 diligências que se fizerem necessárias com objetivo de comprovar o quanto alegado, bem como a juntada de documentos posteriores que se fizerem necessários. Instada a se manifestar sobre o processo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) ressaltou que as provas constantes nos autos, juntadas pela fiscalização e pela empresa (na defesa apresentada), são suficientes para verificação da legalidade do lançamento, não havendo necessidade para solicitação de diligência, nem tampouco juntada posterior de documentos por parte da Recorrente. Em seguida, analisando as alegações e documentos constantes nos autos, a DRJ julgou improcedente a impugnação nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ISENÇÃO. Somente tinham direito à isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei 8.212/91 e daquelas devidas a outras entidades e fundos, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, as entidades beneficentes de assistência social que cumpriam, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. A lei complementar só é exigível quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria. Os requisitos para o gozo da “isenção” prevista no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. Inaplicabilidade do art. 14 do CTN. A isenção devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. A multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96 somente é aplicável nos casos de pagamentos feitos pelos contribuintes, de forma voluntária, embora em atraso, das contribuições devidas à previdência social e outras entidades ou fundos. Nos lançamentos de ofício de contribuições não declaradas em GFIP, a multa aplicável, a partir de 04/12/2008, data de publicação da Medida Provisória (MP) nº 449, é aquela prevista no Art. 44, I, da Lei 9.430/96 (multa de ofício de 75%). RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002910/201035 Acórdão n.º 2401003.826 S2C4T1 Fl. 5 7 eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3o do art. 4o da Lei no 6.830/80. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser apreciado levandose em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Caso contrário, deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada em 12/07/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 10/08/2012, rebatendo a decisão proferida pela DRJ e reiterando os argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme consta no relatório fiscal, o referido auto de infração foi lavrado em virtude de a Recorrente ter informado ser Entidade Beneficente de Assistência Social em gozo da isenção das Contribuições Previdenciárias, embora não tivesse Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária deferido em seu favor. A Recorrente, em seu recurso, pretende ver reconhecida a sua condição de imune, para, assim, ver desconstituída a cobrança contra si perpetrada. Sendo assim, para apreciação do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, fazse necessário analisar se a Recorrente faz jus à imunidade das contribuições sociais. Como se sabe, a Constituição Federal de 1988 estabelece no seu art. 195, §7º a possibilidade de as entidades beneficentes de assistência social gozarem da imunidade das contribuições previdenciárias, desde que atendidos os requisitos estabelecidos em lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifos nossos). À época dos fatos geradores, os requisitos para reconhecimento da imunidade/isenção estavam assim previstos no art. 55, da Lei n. 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002910/201035 Acórdão n.º 2401003.826 S2C4T1 Fl. 6 9 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] (grifos aditados). No entender dos Auditores Fiscais autuantes, a Recorrente não faz jus à imunidade constitucional por não ter apresentado pedido de expedição de Ato Declaratório de Isenção em seu favor, relativamente ao período abrangido pelos fatos geradores aqui cobrados – 01 /2007 a 12/2007 – tal como determinava o § 1o do artigo 55 da Lei n. 8212/1991, acima transcrito. Compulsando, os autos, contudo, verifico que, com relação ao período de 19/04/2007 a 31/12/2007, a Recorrente fazia sim jus à imunidade constitucional. Vejamos: Conforme se verifica dos documentos anexados aos autos, a Recorrente detinha CEAS válido quanto ao período de 01/01/1998 a 31/12/2000, 01/01/2004 a 31/12/2006 e 19/04/2007 a 18/04/2010. Com relação ao último período – que abrange parte dos fatos geradores objeto da presente autuação – não perceberam os Fiscais Autuantes que o deferimento do CEAS ocorreu apenas em 03/02/2009, através da Resolução CNAS de n. 7/2009. Pois bem, embora à época dos fatos geradores – ano de 2007 – estivesse em vigor o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991, que exigia, além do CEAS, a formalização de pedido administrativo visando o reconhecimento da isenção por ato declaratório, a renovação do certificado de entidade beneficente da Recorrente só foi deferida em 03 de fevereiro de 2009, ainda que com efeitos ex tunc, retroativos à data do protocolo do pedido – 19/04/2007, com validade de três anos. Em 03 de fevereiro de 2009, data do deferimento do CEAS, já não mais estava em vigor o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991. Tal dispositivo havia, à época, sido revogado pelo artigo 48 da Medida Provisória de n. 446, de 07 de novembro de 2008. A referida Medida Provisória instaurou uma nova disciplina legal aplicável à imunidade das contribuições previdenciárias. Dentre as inovações introduzidas, estava a dispensa de formalização de pedido administrativo perante o órgão fazendário para fins de reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica. Para fins de aproveitamento da imunidade/isenção, era suficiente a obtenção da certificação de entidade beneficente de assistência social, bem como o cumprimento dos requisitos previstos no artigo 28 da referida Medida Provisória, a seguir transcritos para melhor análise: Art. 28. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1º; II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; III aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; IV preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; V não seja constituída com patrimônio individual ou de sociedade sem caráter beneficente; VI apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN; VII mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; VIII não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; IX aplique as subvenções e doações recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; X conserve em boa ordem, pelo prazo de dez anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como os atos ou operações realizadas que venham a modificar sua situação patrimonial; XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e XII zele pelo cumprimento de outros requisitos, estabelecidos em lei, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Conforme se verifica da leitura do dispositivo acima, durante o período de vigência da MP 446, não havia a exigência de apresentação de pedido de reconhecimento da Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002910/201035 Acórdão n.º 2401003.826 S2C4T1 Fl. 7 11 isenção para que o contribuinte pudesse gozar da imunidade tributária relativamente às contribuições previdenciárias. A isenção/imunidade decorria automaticamente da obtenção da certificação de entidade beneficente, desde que o contribuinte cumprisse os requisitos acima transcritos. Não existia, contudo, nenhum atestado de cumprimento de tais requisitos. Caso o contribuinte se declarasse imune e o fisco constatasse o descumprimento das exigências do artigo 28, deveria efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas, através de auto de infração devidamente motivado para esse fim. A MP 446 não foi convertida em lei e perdeu a sua eficácia em 10 de fevereiro de 2009, quando, consequentemente, voltou a viger o artigo 55 da Lei n. 8212/1991, até a sua definitiva revogação pela Lei n. 12.101/2009, que atualmente disciplina matéria. Os atos praticados durante o período de vigência da MP 446, contudo, permaneceram válidos, já que não foi editado pelo Congresso Nacional Decreto Legislativo visando disciplinar as relações jurídicas formadas durante a vigência da MP. Esse é, inclusive, o entendimento da Advocacia Geral da União, esposado na Nota DECOR/CGU/AGU N. 180/2009JGAS, abaixo transcrita: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446/2008. REJEIÇÃO. EFEITOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACESSO A BENEFÍCIO FISCAL. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE EDIÇÃO DE DECRETO LEGISLATIVO. PREVALÊNCIA DAS RELAÇÕES JURIDICAS. 1. A referida Medida Provisória rejeitada intentou modificar os procedimentos a serem seguidos pelas entidades interessadas no acesso ao benefício fiscal de que trata o art. 195, par. 5º, da Constituição Federal, estabelecendo novos procedimentos para a concessão de isenção de contribuições previdenciárias e para a outorga do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas). 2. O Congresso Nacional, ao rejeitar a Medida Provisória nº 446/08, não editou o decreto legislativo disciplinando as relações jurídicas dela decorrentes, conforme preconiza do art. 62, par. 3º, da Constituição Federal. 3. Como consequência, é forçoso reconhecer a incidência do art. 62, par. 11, da Constituição Federal, que estabelece que não editado o decreto legislativo a que se refere o par. 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. 4. As relações jurídicas que se formaram sob a égide das regras previstas nos arts. 37, 38, 39, 40 e 41 da Medida Provisória nº 446/08, bem como aquelas decorrentes de atos praticados pela Administração Pública Federal durante o seu período de vigência, continuarão sendo regidas pela citada Medida Provisória. 5. As normas que instituem órgãos e pessoas jurídicas ou alteram suas atribuições não estabelecem relações jurídicas entre sujeitos de direito e por isso não têm sua atividade preservada pelo art. 62, par. 11, da CF/88. Analisando os fatos objeto do presente processo, verificase que, quando do deferimento do pedido de renovação do certificado de entidade beneficente (CEAS), em Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 03/02/2009, já não havia necessidade de apresentação do pedido de reconhecimento da isenção perante a autoridade fazendária, sendo suficiente a obtenção do CEAS para esse fim. Diante disso, não se podia exigir, da Recorrente, a apresentação, em 03/02/2009, de pedido de reconhecimento de isenção das contribuições previdenciárias devidas, ainda mais relativamente a período pretérito. Por outro lado, também não se poderia exigir da Recorrente a apresentação de pedido de reconhecimento de isenção no ano de 2007, se, naquele momento, a Recorrente dispunha de um mero protocolo de pedido de renovação de certificação de entidade beneficente, ainda pendente de apreciação. Ao obter o deferimento, em 03/02/2009, do pedido de renovação do CEAS apresentado em 19/04/2007, a Recorrente passou a fazer jus, automaticamente, à isenção/imunidade das contribuições previdenciárias, bastando, para tanto, cumprir os demais requisitos do artigo 28 da MP 446, dentre os quais não se encontrava a formulação de pleito administrativo de reconhecimento da imunidade/isenção tributária. Não procede, portanto, a exigência de apresentação de pedido de isenção para gozo da imunidade para o período abrangido pelo CEAS, especialmente quando tal exigência é formalizada através de lançamento efetuado no ano de 2010, ou seja, posteriormente ao deferimento do CEAS (03/02/2009). Vale ressaltar que, à época em que lavrado o auto de infração, já estava em vigor a Lei n. 12.101/2009, que revogou o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991 e alterou os requisitos e procedimentos para gozo da imunidade constitucional. Essa novel legislação também dispensa a emissão de ato declaratório de isenção, a qual é automaticamente deferida a partir da concessão da certificação da entidade perante o órgão adequado – sistemática semelhante à prevista durante a vigência da MP 446. Em caso de descumprimento dos requisitos legais para gozo da imunidade/isenção, competia à autoridade fiscal demonstrar esse descumprimento através do ato de lançamento para cobrança das contribuições que deixaram de ser recolhidas. Ressaltese que o único descumprimento apontado no relatório fiscal diz respeito à falta de apresentação de pedido de ato declaratório de isenção, exigência esta indevida, conforme já visto acima. Deve, assim, ser reconhecida a imunidade quanto ao período abrangido pelo CEAS, ou seja, a partir do mês de abril de 2007. Para os meses de janeiro a março, contudo, a Recorrente não possuía CEAS, diante do que deve ser mantida a autuação. Multas Em seguida, a Recorrente pugna, em seu Recurso, subsidiariamente, pela aplicação da multa prevista na atual redação do art. 35 da Lei 8.212/91, respeitandose, portanto, o limite indicado no § 2º do art. 61 da Lei 9.430/96, com o objetivo de que a multa de mora seja limitada a 20%. Ora, da análise do Relatório Fiscal, verificase que a fiscalização considerou a multa de mora de 24%, prevista na legislação anterior, seria mais benéfica, aplicandoa. Entendo, contudo, que a multa de mora prevista na legislação atual é mais benéfica na medida em que está limitada a 20%, sendo devida, portanto, a aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, conforme requerido pela Recorrente. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002910/201035 Acórdão n.º 2401003.826 S2C4T1 Fl. 8 13 Relatório de representantes legais Por fim, a Recorrente requereu a exclusão dos sócios do polo passivo da obrigação tributária, sob o argumento que o simples inadimplemento de contribuições previdenciárias não enseja a responsabilidade solidária dos diretores. Entretanto, esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já decidiu que é cabível a existência do Relatório de Representantes Legais nos Autos de Infração, razão pela qual tal alegação não merece prosperar. Isto porque, a existência do Relatório de Representantes Legais não estabelece a vinculação dos representantes na condição de devedores. A responsabilização é da pessoa jurídica em que foi lavrado o Auto de Infração e não dos seus sócios e gerentes, que, por serem representantes legais do sujeito passivo, constam no relatório apenas para o cumprimento das formalidades exigidas pela Administração. Inclusive, esse entendimento já foi pacificado por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a edição da súmula nº 88. Vejamos: Súmula CARF nº 88: “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sendo assim, considerando que a existência do relatório tem caráter meramente informativo, entendo pela sua manutenção. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para excluir do Auto de Infração DEBCAD n° 37.180.0854 os fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007, bem como para limitar a multa aplicada a 20%. Carolina Wanderley Landim. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10880.915504/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PER/DCOMP. ERRO DE FATO NA INDICAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O DIREITO CREDITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Apenas é plausível a retificação do período e/ou do crédito oriundo de saldo negativo de CSLL utilizado em DCOMP se os demais elementos constantes da declaração - como o valor do saldo negativo pleiteado e/ou das estimativas - corresponderem ao crédito e/ou ao período de apuração que seriam corretos. Não é o que acontece in casu em que todos os elementos da DCOMP referem-se exatamente ao exercício ali declarado.
Numero da decisão: 1101-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto que segue em anexo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. ERRO DE FATO NA INDICAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O DIREITO CREDITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Apenas é plausível a retificação do período e/ou do crédito oriundo de saldo negativo de CSLL utilizado em DCOMP se os demais elementos constantes da declaração - como o valor do saldo negativo pleiteado e/ou das estimativas - corresponderem ao crédito e/ou ao período de apuração que seriam corretos. Não é o que acontece in casu em que todos os elementos da DCOMP referem-se exatamente ao exercício ali declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto que segue em anexo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Mateus Ciccone.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. ERRO DE FATO NA INDICAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O DIREITO CREDITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Apenas é plausível a retificação do período e/ou do crédito oriundo de saldo negativo de CSLL utilizado em DCOMP se os demais elementos constantes da declaração como o valor do saldo negativo pleiteado e/ou das estimativas corresponderem ao crédito e/ou ao período de apuração que seriam corretos. Não é o que acontece in casu em que todos os elementos da DCOMP referemse exatamente ao exercício ali declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto que segue em anexo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 55 04 /2 00 8- 87 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Cuidase, na origem, de Declarações de Compensação – DCOMPs eletrônicas de débitos neles detalhados com crédito proveniente de saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). As declarações foram transmitidas entre fevereiro e novembro de 2004, indicando como período de apuração o anocalendário de 2003, cujo crédito seria de R$ 946.482,45 (fls. 09/28 e 34/52) e de R$ 30.682,68 (fl. 29/33). À fl. 04, foi proferido despacho intimando o Contribuinte para que retificasse as DCOMPs apresentadas ou a DIPJ correspondente, “indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e o detalhamento do crédito utilizado na sua composição”, haja vista que: “Foi localizada mais de uma DIPJ ativa para o período de apuração do saldo negativo informado no PER/COMP. Apuração: EXERCÍCIO DE 2004 DIPJ 1: 01/01/2003 a 31/01/2003 DIPJ 2: 01/02/2003 a 31/12/2003” Conforme número de rastreamento (n. 629164381), o Contribuinte foi intimado em 09/10/2006 (fl. 5). Ante a inércia do Contribuinte em esclarecer e, se o caso, retificar as DCOMPs apresentadas e/ou a própria DIPJ 2003, sobreveio o despacho decisório da Delegacia de Administração Tributária de São Paulo – DERAT/SP indeferindo os pedidos de compensação, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que houve entrega de mais de uma Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) para o período de apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. DIPJ 1: 01/01/2003 a 31/01/2003 DIPJ 2: 01/02/2003 a 31/12/2003 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 30.682,68. Diante do exposto, NÃO HOMOLO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/11/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 1.092.923,57 218.584,67 615.234,75 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.915504/200887 Acórdão n.º 1101001.220 S1C1T1 Fl. 3 3 Intimado desse despacho em 02/12/2008, por via postal (fl.08), a Contribuinte sucessora apresentou manifestação de inconformidade (fls. 54/65), em 29/12/2008, acompanhada dos documentos de fls. (66/111). Na referida manifestação, a Contribuinte defendeu a existência de erro no preenchimento das DCOMPs, referente à identificação do anocalendário da origem do crédito, eis que havia consignado equivocadamente que o saldo negativo da CSLL correspondia ao Exercício 2004 – ano calendário 2003 (R$ 946.482,45), quando, em verdade, seria referente ao Exercício 2003 – ano calendário 2002 (R$ 2.661.267,52). Assim, pugnou pela retificação do período indicado e pela homologação das compensações. Em 30/05/2011, a DERAT/SP1 proferiu o despacho n. 24/2011 (fls. 113/114), determinando a realização de diligências e averiguações para: “2) Certificar a existência de Pedido de Restituição ou Declaração de Compensação distintas daquelas associadas à lide, versando sobre crédito proveniente do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, promovendo a análise conjugada com elementos integrantes dos autos, bem como daqueles que serão inseridos no curso do reexame do presente pleito, emitindo os despachos decisórios correspondentes, caso couber; 3) Lavratura de Relatório Fiscal conclusivo e pormenorizado dos procedimentos adotados no âmbito da unidade administrativa, bem assim a descrição expressa e fundamentada das inferências evidenciadas por intermédio das verificações conduzidas com base no acervo de informações coletadas e oportunamente analisadas. ” (fl. 114, destacamos). Em cumprimento àquela determinação, a Autoridade Fiscal juntou aos autos o Despacho Decisório no Processo Administrativo n. 16327.000720/200383 – no qual havia sido deferido em parte outros pedidos de compensação utilizando o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2002 (fls. 119/131) –, DCTFs e DIPJ do período de 2003 (fls. 132/173) e uma Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes (fl. 174/178) objeto dos pedidos de compensação sob exame, a qual resume e confirma a existência de crédito no valor de R$ 946.482,44, referente ao anocalendário 2003 (fl. 175). Diante de tais informações, a Autoridade Fiscal elaborou Relatório Fiscal conclusivo, nos seguintes termos, litteris: “O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela 7ª Turma, da DJ/SP1, conforme despacho nº 24/2011 de fls. 113 a 114, para reapreciação das informações constantes das DCOMP eletrônicas vinculadas ao despacho decisório em questão. As DCOMP eletrônicas tratam da utilização de saldo negativo de CSLL apurado no período de fevereiro de 2003 a dezembro de 2003 conforme documentos de fls. 139 a 173, no valor de R$ 946.482,44. O saldo negativo de CSLL do ano de 2002 foi objeto do processo nº 16327.000720/200383, conforme documentação de fls. 119 a 131. Efetuamos a confirmação dos valores compensados como estimativa de CSLL no período de fevereiro de 2003 a dezembro de 2003, estando tudo conforme. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 Efetuamos a verificação das compensações efetuadas nas DCOMP eletrônicas vinculadas ao despacho decisório nº de rastreamento 808273205 de fls. 01, utilizando o sistema SAPO, obtendo os resultados de fls. 174 a 178. Os resultados permitem a homologação das compensações, com exceção da compensação da DCOMP nº 03490.79450.250705.1.7.036755 (fls. 115 a 118) que deve ser homologada apenas parcialmente, restando saldo de débito no valor de R$ 43.030,55 (fl. 178). Intimese o interessado a tomar ciência da presente informação, facultado o direito de se manifestar no prazo de 10 (dez) dias. Após encaminhese o processo a 7ª Turma, da DJ/SP1.” (fl. 181, sem grifos no original). Assim, restou concluído que a Contribuinte teria um saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2003, no valor de R$ 946.482,44 que seria suficiente para quitar quase a integralidade dos débitos existentes, remanescendo um débito no valor de R$ 43.030,55 (fl. 178), e que o saldo negativo do anocalendário 2002 havia sido parcialmente utilizado no Processo Administrativo n. 16327.000720/200383. Intimada, em 13/09/2011 a Contribuinte apresentou manifestação sobre o despacho supratranscrito, reiterando a existência de erro material quanto à indicação do período de apuração nas DCOMPs e concluindo que, “caso fosse considerado o saldo negativo de CSLL do anobase de 2002, o crédito tributário pleiteado por meio do PER/DCOMP nº 31567.01703.270204.1.3.031468 seria suficiente para a realização das compensações pleiteadas” (fl. 186). A corroborar suas alegações, a Contribuinte juntou informações fiscais às fls. 241/251, acompanhadas do extrato do Processo Administrativo 16327.000720/200383, e valores ali compensados com o saldo negativo relativo ao anocalendário 2002 (fls. 252/256), comprovando um saldo residual de R$ 995.739,61 (fl. 257), o extrato Completo de Todas as Compensações realizadas pela Contribuinte (fls. 260/262), de modo que seria irrefutável que o saldo negativo de 2002 seria suficiente para quitar todos os débitos e ainda remanesceria um crédito de R$ 174.753,38 (fl. 275/279), conforme expresso às fls. 269/270. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ/SP1 a julgou improcedente por maioria e manteve a não homologação das compensações, por entender inexistir o alegado, e único, fundamento da Contribuinte: existência de erro no preenchimento do período das DCOMPs; bem como porque a Contribuinte não pretendia a utilização do crédito do anocalendário de 2003, conforme afirmou em todas as manifestações, mas apenas o crédito do anocalendário de 2002. O voto vencedor entendeu que, verbis: “Seria possível admitir a ocorrência de erro de fato caso houvesse a indicação errônea do exercício a que se refere o saldo negativo, porém outros elementos do PERDCOMP (o valor do saldo negativo ou o valor das estimativas indicadas, por exemplo) levassem à conclusão de que o crédito utilizado na compensação correspondia, efetivamente, a outro período de apuração. Não foi o que ocorreu no caso. Todos os valores inseridos no PERDCOMP indicam que, de fato, o contribuinte efetuou compensação utilizando o saldo negativo do período de fevereiro a dezembro de 2003. Basta comparar o PERDCOMP nº 38242.08761.190705.1.7.03.5115 (fls. 38 a 44), que aponta como Fl. 825DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.915504/200887 Acórdão n.º 1101001.220 S1C1T1 Fl. 4 5 crédito o saldo negativo de CSLL do Exercício 2004, no valor de R$ 946.482,45, e estimativas dos meses do anocalendário 2003, com a DIPJ referente ao período de 01.02.2003 a 31.12.2003 e perceberemos que os valores são os mesmos, tanto do saldo negativo (R$ 946.482,45, fls. 107 e 108), como das estimativas (fls. 139 a 168). Vejase, portanto, numa situação inusitada, posto que, não aceitando os argumentos veiculados na manifestação de inconformidade, só me resta considerála improcedente, apesar de haver crédito suficiente de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2003 para extinguir quase na totalidade os débitos compensados, conforme informação elaborada pela autoridade fiscal em sede de diligência (fls. 179/180).” (fl. 288, destaquei) Referido julgamento restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2003 PERDCOMP. ERRO DE FATO NA INDICAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O DIREITO CREDITÓRIO. INOCORRÊNCIA. A alegação de erro de fato na indicação do exercício de apuração do saldo negativo de CSLL utilizado como crédito no PERDCOMP somente é plausível se outros elementos constantes da declaração, como o valor do saldo negativo pleiteado e/ou das estimativas, correspondem ao crédito de outro período de apuração. Não é o que acontece quando todos os elementos do PERDCOMP referemse exatamente ao exercício ali declarado. ” (fl. 280). Intimado em 02/05/2012 (fl. 302), a Contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em julgamento, requerendo a homologação dos pedidos de compensação, nos termos do votovencido (fls. 282/285), firme nos fundamentos (i) de alegada ocorrência de erro de preenchimento nas DCOMPs e (ii) de existência do crédito no anocalendário de 2002, esta lastreada nos documentos de fls. 267/277, verbis: “12. Sendo assim, não restam dúvidas de que o mero preenchimento incorreto do PER/DCOMP não pode ensejar a não homologação das compensações pleiteadas. […] 14. Ou seja, como reconhecido pelo V. Acórdão recorrido, e muito bem destacado pelo Voto Vencido, é fato incontroverso que o Recorrente possui o crédito pleiteado, restando comprovado que não existe prejuízo ao Erário. Dessa forma, o Recorrente não pode ser prejudicado pelo mero erro de preenchimento de uma obrigação acessória, sob pena de enriquecimento sem causa da União. ” (fl. 308). “(iv) tal fato (suficiência do saldo negativo) é facilmente visualizado por intermédio dos demonstrativos consolidados acostados às fls. 267/277 dos presentes autos, não havendo controvérsia quanto a esse ponto” (fl. 309). Fl. 826DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Em 14/10/2014, o Recorrente protocolou memorial neste E. Conselho, no qual (i) reconhece que o erro de preenchimento das DCOMPs, suscitado durante todo esse processo administrativo, referese tão somente à DCOMP n. 31567.01703.270204.1.3.031468 (fls. 29/33); e (ii) que todas as demais DCOMPs estariam corretas (em contradição ao exposto no recurso voluntário), sendo certo que se refeririam ao anocalendário 2003 (exercício 2004), tendo sido formulado o seguinte pedido: “Dessa forma, sendo certo que o débito declarado no PER/DECOMP [sic] nº 31567.01703.270204.1.3.031468 (retificado pelo PER/DCOMP nº 31567.01703.270204.1.3.03 1468 [sic]) foi extinto com a homologação da compensação declarada no processo administrativo nº 16327.000720/200383 e que a basenegativa de CSLL do anobase 2003 é suficiente para ensejar a homologação das compensações objeto […]” (memorial protocolado, grifos acrescidos). Por fim, acrescentase que o presente feito havia sido pautado inicialmente para a sessão de julgamento de 21/10/2014 desta E. Turma, tendo sido adiado para esta sessão (02/12/2014) a pedido do Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR: Inicialmente, cumpre aferir a tempestividade do recurso voluntário interposto às fls. 303/313. O Contribuinte foi intimado do r. decisum de primeira instância em 02/05/2012 (quartafeira) – consoante AR à fl. 302 –, nos moldes do art. 23, §1º, II, do Decreto n. 70.235/72. O trintídio legal para interposição do recurso findaria, portanto, em 1º/06/2012 (sextafeira), nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/1972. Tempestivo, portanto, o recurso interposto em 1º/06/2012. Como relatado, a presente lide consiste em verificar se houve ou não erro do Contribuinte no preenchimento das DCOMPs quanto à indicação do períodobase do crédito: se o exercício 2004 (ano calendário 2003), cujo saldo negativo da CSLL seria de R$ 946.482,45, conforme identificado pelo voto vencedor na DRJ/SP1; ou se o exercício 2003 (ano calendário 2002), cujo crédito seria de R$ 2.661.267,52 indicado pelo Recorrente (fl.312) ou esse crédito seria de R$ 995.739,61, “consoante demonstrado e carreado às fls. 255/257” (fl. 287) e afirmado pelo voto vencido na origem. A fim de corretamente analisar a presente demanda, insta reafirmar e ter presente que, entre fevereiro de 2004 e julho de 2005, a Contribuinte apresentou 20 (vinte) DCOMPs que foram reunidas e indeferidas pelo despacho decisório, mantido pela decisão recorrida, e que todas aquelas Declarações de Compensação referiamse ao saldo negativo apurado no anocalendário de 2003, exercício de 2004. É o que se revela da análise detalhada das declarações às fls. 09/52. Igualmente, é possível aferir daqueles documentos que foram apresentadas diversas DCOMPs retificadoras, sendo que todas mantêm o anocalendário de 2003 como período de apuração do crédito e fazem remissão à DCOMP n. 38242.08761.190705.1.7.03 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.915504/200887 Acórdão n.º 1101001.220 S1C1T1 Fl. 5 7 5115 que foi a retificadora da primeira declaração enviada, a DCOMP n. 25948.87450.27.02.04.1.3.034335, cujo crédito indicado era de R$ 946.482,45 (fls. 38/39). Assim, em 27/02/2004, a Contribuinte apresentou a DCOMP n. 31567.01703.270204.1.3.031468 (anocalendário 2003, crédito de R$ 30.682,68); e a DCOMP 25948.87450.27.02.04.1.3.034335 (anocalendário 2003, crédito de R$ 946.482,45) e, sendo essa a declaração inicial, foram apresentadas outras oito DCOMPs – posteriormente retificadas –, visando a compensação integral desse saldo negativo. Confiramse essas informações no quadro abaixo: PERD/COMP originária n. PERD/COMP retificadora n. Remissão à PERD/COMP inicial n. Crédito na data da transmissão 31567.01703.270204.1.3.03 1468 (fls. 29/33) Não há Não há R$ 30.682,68 25948.87450.270204.1.3.03 4335 38242.08761.190705.1.7.03 5115 (fls. 38/44) Não há. R$ 946.482,45, ( fls. 40/42) 39162.35807.310304.1.3.03 6060 27655.76656.250705.1.7.03 9479 (fls. 25/28) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 885.735,12 07845.01622.300404.1.03 1497 35958.48288.250705.1.7.03 6462 (fls. 34/37) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 855.535,74 37270.13927.310504.1.3.03 8993 39343.78483.260705.1.7.03 2120 (fls. 45/48) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 802.674,27 10136.41428.300604.1.3.03 4540 40632.07647.250705.1.7.03 4394 (fls. 49/52) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 781.679,79 10600.22506.310804.1.3.03 5858 15700.85103.250705.1.7.03 1100 (fls. 17/20) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 688.146,28 19374.95721.300904.1.3.03 1624 14664.94285.250705.1.7.03 2629 (fls. 13/16) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 611.824,20 15831.40599.291004.1.3.03 0504 10590.17015.250705.1.7.03 8100 (fls. 9/12) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 606.681,73 13881.56009.241104.1.3.03 7374 23434.89949.250705.1.7.03 0875 (fls. 21/24) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 590.827,48 13930.80360.280105.1.3.03 2496 03490.79450.250705.1.7.03 6755 (fls. 115/118) 38242.08761.190705.1.7.03 5115 R$ 507.266,99 Do demonstrativo acima, podese concluir que: a) Quanto ao período: foram apresentadas duas DCOMPs iniciais e independentes (ns. 31567.01703.270204.1.3.031468 (fls. 29/33) e 25948.87450.270204.1.3.03 4335), sendo que em todas – inclusive naquelas que se seguiram mensalmente até Fl. 828DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 novembro/2004 – o período de apuração indicado SEMPRE foi o anocalendário de 2003. b) Quanto ao crédito: a DCOMP n. 31567.01703.270204.1.3.031468 indicou R$ 30.682,68, enquanto que na DCOMP n. 25948.87450.270204.1.3.034335 foi indicado o montante de R$ 946.482,45, tendo as demais DCOMPs decorrentes desta última indicado como “crédito original da data da transmissão” a diferença entre aquele saldo negativo e o débito compensado na DCOMP anterior, atualizado pela SELIC. Além da divergência quanto aos valores do crédito (R$ 30.682,68 e R$ 946.482,45), a Fiscalização apurou ainda que a Contribuinte apresentou duas DIPJs para o mesmo período (uma de 01/01/2003 a 31/01/2003; e outra de 01/02/2003 a 31/12/2003), razão pela qual se entendeu imprescindível que a Contribuinte precisasse os períodos a que cada DCOMP se referia e, se o caso, apresentasse declarações retificadoras (fls. 04 e 05). Essa providência, contudo, nunca foi cumprida pela Recorrente, o que motivou a reunião de todas as DCOMPS referentes ao saldo negativo do anocalendário de 2003 e o indeferimento das compensações pelo despacho decisório. Tal entendimento deve ser mantido, eis que essas divergências quanto aos valores do crédito e quanto à existência de duas DIPJs para o anocalendário de 2003 não foram impugnadas, esclarecidas ou motivaram a apresentação das diversas DCOMPs retificadoras supracitadas, tendo a ora Recorrente se limitado e insistido no suposto erro de preenchimento quanto ao período do crédito (suposto anocalendário 2002). Ora, pareceme que as postulações não guardam conexão com o real problema apresentado nos autos desde o despacho decisório. Soa inequívoco inexistir qualquer erro de preenchimento, na medida em que, isolandose em dois grupos as DCOMPs apresentadas, i. Todas indicam como período de apuração do crédito o anocalendário 2003; ii. O valor do crédito nas declarações é aquele apurado na DIPJ2004, cujo saldo apurado entre 01°/02/2003 e 31/12/2003 foi exatamente de R$ 946.482,44 (fls. 107/108); iii. Com exceção da DCOMP n. 31567.01703.270204.1.3.031468 (fls. 29/33), todas as demais se referem àquela inicial n. 25948.87450.270204.1.3.034335 (retificada às fls. 38/44). Assim, ainda que se possa eventualmente questionar a reunião indevida de todas as DCOMPs pela d. Autoridade Fiscal, fato é que há informações conflitantes naquelas declarações e que não foram esclarecidas pela Recorrente, a despeito de regularmente intimada a tanto (fl. 05). Daí porque concluiu – corretamente a meu ver – o v. voto vencedor na instância a qua, no sentido de que inexistiria o defendido erro de preenchimento em todas as DCOMPs quanto ao período de apuração do crédito, in verbis: “Todos os valores inseridos no PERDCOMP indicam que, de fato, o contribuinte efetuou compensação utilizando o saldo negativo do período de fevereiro a dezembro de 2003. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.915504/200887 Acórdão n.º 1101001.220 S1C1T1 Fl. 6 9 Basta comparar o PERDCOMP nº 38242.08761.190705.1.7.03.5115 (fls. 38 a 44), que aponta como crédito o saldo negativo de CSLL do Exercício 2004, no valor de R$ 946.482,45, e estimativas dos meses do anocalendário 2003, com a DIPJ referente ao período de 01.02.2003 a 31.12.2003 e perceberemos que os valores são os mesmos, tanto do saldo negativo (R$ 946.482,45, fls. 107 e 108), como das estimativas (fls. 139 a 168).” (fl. 288, destaquei) Insisto que tanto os fundamentos do r. despacho decisório (existência de informações divergentes quanto aos créditos e envio de duas DIPJs para o ano calendário 2003) quanto da r. decisão recorrida (inexistência de erro de fato, ante a correlação entre as demais informações das DCOMPS) não foram questionados pela ora Recorrente que apenas alegou a existência do suposto erro de fato – aqui já refutado –, o que igualmente implica no reconhecimento de que se busca, em verdade, a modificação do crédito que se pretendia utilizar inicialmente e não simplesmente a retificação de um erro de preenchimento. Aliás, em sede de memorial apresentado em 14/10/2014, o Contribuinte reconheceu que o alegado erro no preenchimento seria apenas em relação à DCOMP n. 31567.01703.270204.1.3.031468 (fls. 29/33), buscando demonstrar “a suficiência da base negativa de CSLL do anocalendário 2003 para a extinção das compensações”. Nessa situação, contudo, entendo que a Recorrente abdicou da utilização do saldo negativo apurado no anocalendário de 2003 e pretende, desde a impugnação apresentada às fls. 54/65, utilizar a integralidade do saldo negativo referente ao anocalendário de 2002, que seria de R$ 2.661.267,52, como afirmado no pedido do recurso voluntário ora em julgamento (fl. 312), não sendo crível a modificação da causa de pedir e pedido por meio de memorial. Vejase que, considerando as conclusões da diligência realizada às fls. 181/182, com base nos documentos de fls. 115/178 – que foi claramente descrita e acolhida pelo voto vencido na origem (fls. 284/287) –, a Contribuinte aparentemente até teria saldo creditório no montante de R$ 995.739,61, referente ao saldo negativo apurado no ano calendário 2002, eis que parte do saldo negativo de R$ 2.661.267,52 já teria sido utilizada em outros pedidos de compensação, controlados no Processo Administrativo n. 16327.000720/200383 (fls. 121/131 e 250/254). Deste modo, quanto ao ano calendário de 2003, haveria um crédito a favor da Recorrente no montante de R$ 946.482,45, que foi corretamente contabilizado e que seria suficiente para a “homologação das compensações, com exceção da DCOMP n. 03490.79450.250705.1.7.036755 (fls. 115 a 118) que deve ser homologada apenas parcialmente, restando saldo de débito no valor de R$ 43.030,55 (fl. 178)”, conforme afirmado no r. despacho da diligência (fls. 181/182). E quanto ao ano calendário de 2002, haveria um saldo creditório de R$ 995.739,61 (anocalendário 2002), conforme extratos de fls. 250/254. Diante de tal situação inusitada, compartilho do entendimento do v. voto vencedor na origem: “Vejome, portanto, numa situação inusitada, posto que, não aceitando os argumentos veiculados na manifestação de inconformidade, só me resta considerála improcedente, apesar de haver crédito suficiente de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2003 para extinguir quase na totalidade os débitos Fl. 830DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 compensados, conforme informação elaborada pela autoridade fiscal em sede de diligência (fls. 179 a 180)” (fl. 288, destaquei). A conclusão não poderia ser diferente porque, quanto ao crédito do ano calendário de 2003, a Recorrente insiste que foi equivocadamente indicado em todas as DCOMPs apresentadas, deixando de impugnar os únicos fundamentos adotados pelo despacho decisório já – exaustivamente – listados: divergência quanto ao crédito apurado para o anocalendário de 2003 e a existência de duas DIPJs para aquele período, razão pela qual a matéria estaria preclusa. Somese a esses argumentos a inexistência de quaisquer documentos nos autos que pudessem sanar, nesse momento, as dúvidas lançadas em primeira instância. Nessa situação, é evidente que o recurso voluntário sob julgamento impugna matéria diversa daquela em que se fundamentou tanto o despacho decisório quanto os fundamentos utilizados pela r. decisão de primeira instância em relação à inexistência do alegado erro no preenchimento das DCOMPS. E, em relação ao pedido para utilização do crédito referente ao ano calendário de 2002, a despeito de equivocado o valor pretendido e indicado no recurso voluntário (fl. 312), ressalto que a Instrução Normativa SRF n. 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da apresentação das retificações das DCOMPs, apenas autorizava a retificação da DCOMP em caso de “inexatidões materiais”, não sendo essa a hipótese vertente, conforme já explanado acima. Eis a dicção dos dispositivos da IN SRF n. 460, com as alterações da IN SRF n. 534, de 05 de abril de 2005, verbis: Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Diante de todas essas evidências, apenas me resta desprover o recurso voluntário e manter o voto vencedor na origem, a despeito de considerar que existiria crédito de saldo negativo da CSLL, referente ao anocalendário 2003, suficiente para quitar grande parte do débito indicado, haja vista que (i) a Recorrente abdicou de tal discussão ao sempre requerer a homologação das DCOMPs com base no “saldo negativo de CSLL apurado no ano base de 2002 (exercício de 2003), cujo valor corresponde a R$ 2.661.267,52” (fl. 312, pedido do recurso voluntário); e (ii) não é possível afirmar se tais créditos já teriam sido (ou não) utilizados, ainda que parcialmente, em outras DCOMPs. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.915504/200887 Acórdão n.º 1101001.220 S1C1T1 Fl. 7 11 Por fim, a título meramente elucidativo, ressalto que há entendimento nesse E. Conselho quanto à imprescritibilidade do saldo negativo da CSLL, chancelado inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, no sentido de que “o aproveitamento dos saldos negativos dos períodos de apuração seguintes independe de autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro conta corrente a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados” (fls. 08/09 do acórdão n. 910100.411 – P.A. 11080.006480/0004 – 1ª Turma da CSRF – Sessão de 01/11/2009 – Cons. Rel. Karem Jureidini Dias). No mesmo sentido, fls. 10/11 do acórdão n. 910100347, P.A. 13839.000190/200143, 1ª Turma da CSRF, Sessão de 26/08/2009 – Cons. Rel. Antônio Praga. Assim, “a cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur” (fl. 09 do acórdão n. 910100.411 – P.A. 11080.006480/0004 – 1ª Turma da CSRF – Sessão de 01/11/2009). Por conta disso, seria descabida a contagem do prazo prescricional quinquenal para que a Recorrente exercesse seu direito à restituição no caso de saldo negativo de IRPJ quando mantido o regime de apuração do lucro real, uma vez que o saldo negativo é apurado e renovado a cada período. Nesse sentido, vejamos alguns precedentes da CSRF, in verbis: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Não deve ser aplicado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que contribuinte exerça seu direito à restituição nos casos de saldo negativo de CSLL, uma vez que, mantido no regime de apuração do lucro real, poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento, renovados a cada período de apuração. DEVIDO PROCESSO LEGAL. Reconhecida a tempestividade do pedido da Contribuinte, devem os autos retornarem à autoridade jurisdicionante, para exame do mérito.” (CARF – P.A. 10880.015970/0013 – Acórdão n. 910100.510 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Sessão de 26/01/2010) “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não deve ser aplicado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que o contribuinte exerça seu direito à restituição nos casos de saldo negativo de IRPJ e CSLL, quando mantido o regime de apuração do lucro real, uma vez que o saldo negativo é apurado e renovado a cada período” (CARF – P.A. 11080.006480/0004 – Acórdão n. 910100.411 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Sessão de 03/11/2009) Fl. 832DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 12 Nada obstante, é de rigor ressaltar que a questão não é pacífica, existindo precedentes, até mesmo desta Col. 1ª Turma (prolatado com antiga composição), no sentido de que “a demonstração de direito creditório em DCOMP não pode ser admitida como manifestação de vontade hábil a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pleito da restituição de indébito” (fl. 16 do acórdão n. 110100672, P.A. 11610.003142/200318, Sessão de 14/03/2012, Cons. Rel. Edeli Pereira Bessa) – ocasião em que fiquei vencido. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, mas NEGOLHE provimento, ante a inexistência de erros materiais nas DCOMPs apresentadas. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 833DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 12448.727859/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
Ementa:
NATUREZA JURÍDICA DA ATIVIDADE EXPLORADA. CONJUNTO FÁTICO. COMPROVAÇÃO.
Para fins estritamente tributários, a falta de autorização para funcionamento, bem como a ausência de observância de requisitos formais previstos na legislação de regência, não interferem na capacidade tributária passiva da pessoa jurídica. No caso vertente, os elementos fáticos trazidos ao processo comprovam o exercício de atividade seguradora por parte da contribuinte fiscalizada, motivo pelo qual a ela devem ser aplicadas as normas tributárias que lhe são próprias.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso sob exame, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente.
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1301-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier que reduziam a multa de ofício para 75%.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009 Ementa: NATUREZA JURÍDICA DA ATIVIDADE EXPLORADA. CONJUNTO FÁTICO. COMPROVAÇÃO. Para fins estritamente tributários, a falta de autorização para funcionamento, bem como a ausência de observância de requisitos formais previstos na legislação de regência, não interferem na capacidade tributária passiva da pessoa jurídica. No caso vertente, os elementos fáticos trazidos ao processo comprovam o exercício de atividade seguradora por parte da contribuinte fiscalizada, motivo pelo qual a ela devem ser aplicadas as normas tributárias que lhe são próprias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso sob exame, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier que reduziam a multa de ofício para 75%. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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CONJUNTO FÁTICO. COMPROVAÇÃO. Para fins estritamente tributários, a falta de autorização para funcionamento, bem como a ausência de observância de requisitos formais previstos na legislação de regência, não interferem na capacidade tributária passiva da pessoa jurídica. No caso vertente, os elementos fáticos trazidos ao processo comprovam o exercício de atividade seguradora por parte da contribuinte fiscalizada, motivo pelo qual a ela devem ser aplicadas as normas tributárias que lhe são próprias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso sob exame, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 78 59 /2 01 1- 51 Fl. 15402DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.403 2 regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier que reduziam a multa de ofício para 75%. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 15403DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.404 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao ano calendário de 2008, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Por bem sintetizar os fatos retratados nos presentes autos e a contestação inicial trazida pela fiscalizada, sirvome de fragmentos do relatório constante da decisão exarada em primeira instância. [...] A programação da presente fiscalização ocorreu a partir da verificação, no sistema (SIAFI), de pagamentos efetuados pelo Comando da Marinha, CNPJ 00.394.502/043897, no anocalendário de 2008, num montante de R$ 3.330.640,26, à empresa Brasilcred Clube de Seguros S/C Ltda, enquanto que esta informou, em sua DIPJ/2009, uma receita de apenas R$ 240,90. Em 01/12/2010, foi lavrado o Termo de Início do Procedimento Fiscal, tendo sido solicitados os livros comerciais e fiscais, além dos extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras e do demonstrativo das vendas realizadas por clientes. Em 03/12/2010, sob a alegação de que a empresa encontrarseia em fase de reorganização estrutural, foi solicitada a dilação do prazo por 20 (vinte) dias úteis, para cumprimento da intimação. Em 30/12/2010, foi requerida nova prorrogação de 30 (trinta) dias, para entrega da documentação constante do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Em 15/02/2011, a Brasilcred apresentou o contrato social e seus aditivos, CNPJ e RG/CPF dos sócios. Em 17/02/2011, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, solicitando ao contribuinte todos os comprovantes dos recebimentos do Comando da Marinha. Em 21/02/2011, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal para apresentação dos livros fiscais e comerciais, sob pena de arbitramento do lucro nos termos do art. 538, inciso III, do Decreto 3.000/99 (RIR/1999). Foi concedido, ainda, o prazo adicional de 30 (trinta) dias para que a empresa, na falta dos referidos documentos, providenciasse a reconstituição da escrituração, acompanhada da respectiva documentação hábil e idônea. Em 03/03/2011, mais uma vez, sob alegação de reorganização estrutural, a pessoa jurídica solicitou a prorrogação do prazo por mais 30 (trinta) dias para atendimento à fiscalização. Decorrido o prazo sem apresentação dos elementos solicitados, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal, em 11/04/2011. Fl. 15404DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.405 4 Em 15/04/2011, a Brasilcred, tendo por referência o Termo de Intimação Fiscal de 17/02/2011, informou a impossibilidade de apresentar todos os comprovantes de recebimentos do Comando da Marinha, uma vez que não havia qualquer relação contratual direta entre a empresa e a Marinha do Brasil, esclarecendo, ainda, que a relação existente ocorre entre a Brasilcred e os servidores da Marinha e que a Marinha apenas retinha e repassava à fiscalizada os valores dos contratos de seus servidores. Em resposta aos Termos de Intimação Fiscal de 18/04/2011 e de Reintimação Fiscal de 25/05/2011, o contribuinte esclareceu que firmou avença individual com servidores da Marinha acerca de serviços funerários, com os valores descontados em folha de pagamento, e que os mesmos eram meros ingressos, repassados às empresas funerárias, não correspondendo a receitas da atividade da pessoa jurídica. Explicou, ainda, que ao marinheiro associado era concedida a possibilidade de contribuir de forma direta a partir da retenção do valor em sua folha de pagamento. Portanto, os valores mais elevados estavam relacionados às contribuições a partir da retenção em folha salarial, enquanto que os de menor porte, decorreriam de contribuições isoladas, ou seja, os associados que não optaram pela citada forma de retenção na folha, contribuíam individualmente. A fiscalização relata que, embora o contribuinte tenha citado que todos os valores foram contabilizados, não apresentou os livros a que estava obrigado a escriturar. Em 09/06/2011, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal para comprovação da origem, contabilização e tributação dos créditos constantes da contacorrente 104.0584, agência 0373, do Unibanco, apresentada pelo contribuinte. Em 16/06/2011, em resposta ao termo datado de 09/06/2011, a fiscalizada inicialmente reiterou que, conforme a própria denominação de sua razão social, consistia em um clube, cuja atuação estava voltada para o auxílio funerário dos marinheiros associados. Esclareceu que tratavase de uma pessoa jurídica voltada unicamente ao fim de promover uma assistência funerária aos seus associados, de modo que os aludidos beneficiários contribuíam para tal fim. Informou ainda, que os referidos créditos eram advindos das contribuições dos marinheiros associados à contribuinte. Em 24/10/2011 e 26/10/2011, para dirimir todas as dúvidas e se obter os elementos necessários à conclusão da presente fiscalização, foram encaminhados os ofícios n° 081, 083 e 084, ao Diretor do Departamento de Serviços Sociais do Abrigo do Marinheiro, solicitando toda documentação envolvendo a Associação Civil sem fins lucrativos e a Brasilcred Clube de Seguros S/C Ltda. Através das Cartas N° 003 e 004, datadas de 25/10/2011 e 16/11/2011, respectivamente, o Abrigo do Marinheiro encaminhou contratos e convênios firmados com a Brasilcred Clube de Seguros S/C Ltda e o resumo das arrecadações, taxas de administração e repasses efetuados. Em 31/10/2011, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal solicitando à fiscalizada apresentar a relação dos beneficiários do "Plano de Assistência Póstuma para o Pessoal da Marinha (SAPPMB), no anocalendário 2008, acompanhada das respectivas "Propostas", "Declaração de Aceitação de Condições pelo Titular" e os "valores contratados". Fl. 15405DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.406 5 Em 25/11/2011, nova intimação foi encaminhada a Brasilcred solicitando a relação dos beneficiários do Plano de Assistência Póstuma e os valores pagos no anocalendário 2008. Em 30/11/2011, a fiscalizada através do expediente datado de 28/11/2011, apresentou o espelho dos valores arrecadados mensalmente, bem como os arquivos em meio magnético de todos os beneficiários do plano de assistência funeral, com os respectivos valores descontados em bilhetes de pagamentos (BP). À luz de toda documentação obtida no curso da presente ação fiscal, a fiscalização constatou o seguinte: A Brasilcred Clube de Seguros S/C Ltda, segundo seu contrato social Capítulo I, itens 3.1 e 3.1.1, é uma empresa que tem por objetivo congregar pessoas físicas com interesse comum, visando o desenvolvimento do hábito da previdência contra riscos que gravam a pessoa humana e suas faculdades, difundindo a prática de seguros ou facilitando a sua realização por parte dos mesmos, celebrando qualquer acordo com pessoas físicas ou jurídicas que se faça necessário ao cumprimento de suas finalidades sociais. Sua fonte de receitas é proveniente dos Contratos N° AMN001/2006 e Nº AMN004/2008, celebrado entre o Abrigo do Marinheiro (AMN) e a Brasilcred Clube de Seguros S/C Ltda, para prestação do serviço relativo à Assistência Póstuma para o Pessoal da Marinha do Brasil (APPMB) em todo o Território Nacional e no Exterior, conforme especificado nas "Condições Especiais" estabelecidas em seus anexos e apêndices. As planilhas apresentadas pelo Abrigo do Marinheiro (AMN) denominadas "Resumo das arrecadações, taxas de administração e repasses feitos por ordens bancárias pela PAPEM à Brasilcred, autorizadas pelo AMN, referentes às mensalidades dos associados à Carteira de Assistência Póstuma para o Pessoal da Marinha (CAPPMB)" comprovam todos os valores arrecadados por consignações em BP (Bilhetes de Pagamento) do pessoal da Marinha, destinados à Brasilcred. O saldo final após as deduções discriminadas (coluna H), gerou as ordens bancárias (OB), cujos valores foram creditados na contacorrente n° 104.0584, agência 0373, do Unibanco, de titularidade da fiscalizada. Os documentos apresentados pela Brasilcred, em 30/11/2011, confirmam todos os valores informados pelo Abrigo do Marinheiro. Diante de todas as provas constantes dos autos, não resta dúvidas à fiscalização que o contribuinte auferiu receitas pela prestação de serviços de seguros de "Assistência Póstuma", originárias dos servidores da Marinha do Brasil, através dos contratos firmados com o Abrigo do Marinheiro (AMN). A Brasilcred emitiu cartasproposta aos servidores integrantes da Marinha do Brasil, no que tange aos seus serviços de seguros (como dito por ela) e, consequentemente, em contrapartida, obteve receitas pela prestação desses serviços. Embora a fiscalizada procure alegar que o numerário em questão não se trata de receitas de sua atividade e sim de "ingressos", que são imediatamente repassados às empresas funerárias e afins, já em outras oportunidades se contradiz e afirma que recebe remuneração pela prestação dos serviços ao pessoal da Marinha. Em sua resposta datada de 15/04/2011, cita textualmente que "A contribuinte emite cartas proposta aos servidores integrantes da Marinha do Brasil, no que tange aos seus serviços de seguros. Ao firmar os contratos com grande parte dos servidores, a remuneração pelos serviços prestados de seguros é realizada por meio de dedução da Fl. 15406DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.407 6 remuneração percebida por eles da Marinha do Brasil. Em suma, informa que a Marinha do Brasil, tão somente, retinha e repassava à fiscalizada os valores dos contratos de seus servidores". Com base no descrito nas "Condições Especiais" que constitui o anexo do contrato firmado com o Abrigo do Marinheiro, é possível elencar vários tópicos característicos de um contrato de seguro, em plena conformidade com o Código Civil, como, por exemplo: No item 2.0, o objetivo do contrato é a prestação de serviços relativos ao funeral (falecimento e/ou amputação) oferecido ao pessoal da Marinha. É definido como "Acidente Pessoal" o evento exclusivo, pessoal, diretamente externo, súbito, imprevisível, involuntário, causador de morte (item 3.0).Os custos estipulados (item 9.0), segundo os planos, prazos de carência, estão discriminados no item 8.0. As inclusões na APPMB serão sempre procedidas pelo preenchimento e assinatura de um CartãoProposta, onde consta uma "Declaração do Usuário Titular", como prova de que leu e compreendeu tudo ali escrito e recebeu e compreendeu tudo descrito na sinopse do contrato (item 13.0). No item 5.0, a Brasilcred garante um completo serviço funerário para os associados com a garantia de coberturas discriminadas em 27 (vinte e sete) itens, excluídos os casos mencionados no item 6.0, que levam em consideração, doenças preexistentes, deficiências de órgãos, membros ou sentidos do usuário, conhecidas por ocasião da inclusão no plano e não informadas. O pagamento da mensalidade é o que garante a cobertura do SAPPMB. Assim, a falta de consignação de qualquer mensalidade acarreta a suspensão da cobertura, com a exclusão do usuário no terceiro mês consecutivo como descrito no item 10.2. Em seu subitem 10.7, fica o usuário informado que não cabe devolução de mensalidades pagas, qualquer que seja o motivo, exceto no caso mencionado no subitem 10.6. A Brasilcred dispõe de um atendimento através de "Call Center 24 horas" para solicitação do serviço funerário. Os serviços não sendo executados através do "Call Center" não terão, sob qualquer hipótese, direito a reembolso ou indenização compensatória. Casos esporádicos, movidos por motivos de extrema força maior e devidamente comprovados em análise conjunta feita pelo contratante e pela contratada, poderão ser objetos de reembolso até o limite máximo de R$ 1.600,00 por funeral (item 11.0 e 12.0). Tais estipulações contratuais estão em conformidade com o denominado contrato de seguro, nos termos do disposto nos artigos 757, 759, 760, 763, 766 e 771 do Código Civil de 2002. A fiscalização não tem dúvidas de que a fiscalizada realiza atividade de uma empresa de seguros, equiparandose às instituições financeiras (art. 1º, Parágrafo único, da Lei 7.492/86), sujeitandose dessa forma, à legislação fiscal a elas pertinente. Suas receitas são decorrentes das contribuições (prêmios) recebidos do pessoal da Marinha, a título de assistência funeral. Devidamente comprovada a atividade da pessoa jurídica, bem como a origem de suas receitas, cabe agora, a apuração dos valores omitidos: a) O demonstrativo do resumo das arrecadações fornecido pelo Abrigo do Marinheiro, em sua coluna A, apresenta os valores brutos arrecadados, mensalmente, dos associados, ou seja a receita bruta relativa aos associados que Fl. 15407DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.408 7 optaram pelo desconto em Bilhetes de Pagamento (BP), correspondentes aos sistemas SISPAG, SIAPE e repasses STM. Excluindose dessas receitas as contribuições relativas aos Ministros do Superior Tribunal Militar STM, as informações do Abrigo do Marinheiro estão de acordo com as da Brasilcred apresentadas nos "Espelhos de Arrecadação Mensal" e nos arquivos mensais em meio magnético, com as contribuições discriminadas por servidor. b) As demais receitas estão representadas pelos depósitos bancários de origem não comprovada (já excluídos os depositados pela Pagadoria de Pessoal da Marinha), discriminadas, no anexo ao Termo de Intimação Fiscal, datado de 09/06/2011. Segundo o contribuinte, esses depósitos decorrem de contribuições isoladas, ou seja, dos associados que não optaram pela forma de retenção em folha, e que contribuem individualmente. Neste caso, considerouse presunção de omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, tendo em vista que o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea daquilo que estava alegando. Assim, com base no “demonstrativo das receitas auferidas e omitidas”, em anexo, apurouse os valores a serem tributados. Constatase, portanto, que a fiscalizada omitiu informações ao prestar informação falsa em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2009), ao declarar uma receita de apenas R$ 240,90, enquanto que ficou demonstrada através da ação fiscal, uma receita bruta de R$ 3.538.196,47, advinda das contribuições do pessoal da Marinha. Não foram informados os tributos devidos na DCTF e DACON (IRPJ, CSSL, PIS, COFINS), bem como não foram efetuados quaisquer recolhimentos. Evidenciase assim o claro intuito do contribuinte de eximirse de pagar os tributos devidos, como objetivamente circunstanciado no parágrafo anterior, caracterizando evidente intuito de fraude, cabendo assim a aplicação da multa de 150%, prevista no inciso II do art. 957 do RIR/1999. Relativamente às receitas apuradas através dos depósitos bancários de origem não comprovada, por se tratar de presunção legal, aplicouse a multa de 75%, conforme, inciso I, do art. 957 do RIR/99. Embora não esteja cadastrada na SUSEP, conforme resultado de pesquisa, a Brasilcred, por realizar atividades de empresa de seguros privados, equiparandose às instituições financeiras, está sujeita: a alíquota de 4%, para efeito de apuração da COFINS, nos termos do art. 18 da Lei 10.684/2003 c/c art, 3º, parágrafo 6º, item II, da Lei 9.718/1998; a alíquota de 15%, a partir de 01/05/2008, para efeito de apuração da CSSL, conforme art. 17 da Lei 11.727/08. Tendo em vista a falta de apresentação dos livros e documentos a que estava obrigada a escriturar (Lucro Presumido), foi efetuado o arbitramento do lucro nos termos do art. 530, inciso III, do RIR/99, cabendo a aplicação do percentual de 45% sobre a receita bruta, conforme disposto no art. 537 do RIR/99. Inconformado, o interessado apresentou impugnação, em 12/01/2012 (fls. 15.293/15.304) alegando, em síntese, o seguinte: que os extratos bancários e os valores apontados nos contratos realizados, não correspondem a renda auferida, e, por isso, o IRPJ e reflexos não podem ser lançados como pretendido pelo Ilustre Fiscal, sendo o presente auto de infração totalmente impertinente. Fl. 15408DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.409 8 que a Brasilcred Clube de Seguros s/c Ltda., conforme a própria denominação de sua razão social, consiste em um clube, cuja atuação está voltada para a atividade de auxílio funerário dos marinheiros associados. que os marinheiros associados contribuem para o Clube, que por sua vez repassa parte dos valores às funerárias, sendo esse fato ratificado pela própria Marinha em comunicação ao Ilustre Fiscal. que, portanto, a totalidade dos valores ingressados na conta corrente do Impugnante não corresponde a renda efetivamente auferida. que há diferença entre movimentação financeira e renda; que a renda auferida pelo Contribuinte não corresponde a totalidade dos valores ingressados em sua conta corrente, uma vez que tais valores eram repassados as empresas funerárias (prestadoras de serviços); cita a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e acórdão do Egrégio Conselho de Contribuintes. que foi fornecida planilha que informa os repasses para os fornecedores de serviços funerários, que comprova que os ingressos não configuram receita. que o princípio da verdade real (ou material) deve nortear a realização de toda e qualquer atividade fiscalizatória da Administração Pública. que o serviço prestado pela Contribuinte é a administração dos recursos dos associados do Abrigo do Marinheiro, realizando os pagamentos às funerárias e outros fornecedores de serviços correlacionados advindos de óbito de seus associados e/ou familiares. que a atividade do Contribuinte é clara e indiscutível, tanto na sua descrição contratual, como no próprio Boletim emitido internamente pela Diretoria de Comunicações e Tecnologia da Informação da Marinha aos seus servidores. que, conforme Boletim, o Serviço de Assistência Póstuma para o Pessoal da Marinha (ASSIT POS), comercializado pela empresa Brasilcred, não constitui cobertura de seguro, mas sim um serviço do tipo contributário, totalmente custeado pelo titular. que quem presta o serviço é o Abrigo dos Marinheiros, conforme Boletim apresentado. . que todo contrato de seguro traz em si o risco para ambas as partes, mas que, no caso em concreto, não há risco para a autuada, que se limita a administrar os recursos depositados pelos marinheiros. que não assume riscos pelos associados, que sabem que, cedo ou tarde, necessitarão fazer uso do serviço ofertado pelo Abrigo do Marinheiro. A questão não é de risco assumido, mas de redução de seu custo por meio do associativismo. .que, para acentuar a distinção entre a atividade do Contribuinte e a atividade das empresas seguradoras, temos o fato de o Abrigo dos Marinheiros dispor de parte dos valores relativos a contribuição dos associados; que se a relação existente fosse entre segurador e segurada, não haveria tal reserva de dinheiro ao próprio Abrigo dos Marinheiros. .que a prova pericial se faz imprescindível para que se chegue à verdade material sobre uma suposta infração, uma vez que somente através de perícia técnica é que se pode chegar à conclusão sobre os fatos relevantes, como a comprovação da Fl. 15409DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.410 9 remessa de mercadorias sem a devida documentação fiscal, alegação esta que cairá por terra com a planilha que anexa a impugnante demonstrando de forma clara que não houve qualquer irregularidade por parte da impugnante. .que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que seja apurada a verdade material dos fatos. .que a multa aplicada, prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, § 1º, não converge com a realidade fática do contribuinte, o qual sempre procedeu em consonância com os ditames da lei, e atendeu a todas as solicitações do Fisco Federal, não tendo ocorrido fraude. O interessado, por fim, requer: a) que seja declarada nulidade, em virtude do cerceamento do direito de defesa; b) que, caso não seja declarada a nulidade acima requerida, que seja extinto por absoluta falta de provas; c) que, em não acolhida a arguição anterior, roga que seja declarada a improcedência do lançamento, tendo em vista a impossibilidade de considerar movimentação bancária como se renda o fosse, bem como por inexistir a renda indicada pelo Ilustre Fiscal como auferida; d) que seja desconsiderada a multa qualificada, uma vez que o Contribuinte não procedeu de modo lesivo ao Fisco. e) que, caso não sejam admitidas a argumentações acima relatadas, que se converta o julgamento em diligência, determinando a realização de EXAME PERICIAL na documentação fiscal, e demais que ache necessária. f) que seja realizada a intimação de todos os atos processuais, inclusive quando da inclusão em pauta de julgamento para fins de SUSTENTAÇÃO ORAL de suas razões, através de aviso de recebimento, no endereço do procurador, na pessoa do advogado José Erinaldo Dantas Filho, inscrito na OAB/CE sob o n° 11.200, com endereço na Rua Nunes Valente, 2604, Bairro Dionísio Torres, CEP 60125071, Fortaleza/CE. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1247.568, de 19 de junho de 2012, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa, em razão da falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto nº 70.235/72. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. Não é permitido que intimações, publicações ou notificações dirigidas ao procurador do contribuinte sejam encaminhadas a endereço diverso de seu domicílio fiscal, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 15410DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.411 10 PERÍCIA/DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a perícia/diligência que, além de não preencher os requisitos formais previstos no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, tendo em vista que os documentos juntados aos autos são suficientes para formar a convicção da autoridade julgadora. Além disso, uma perícia só se justifica, quando haja controvérsia que demande um exame técnico especializado, o que, data venia, não é o caso do presente processo. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade, devendo ser afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando o interessado tem amplo acesso aos elementos constantes da peça de autuação, lavrada em estrita observância aos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, apresenta defesa em tempo hábil instaurando regularmente o contraditório e defendese amplamente em seu arrazoado, fazendo constar as razões de fato e de direito que entendeu amparálo, demonstrando perfeita compreensão dos fatos apresentados. ARBITRAMENTO. LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que o interessado, mesmo intimado, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração, cabível o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA BRUTA AUFERIDA SUPERIOR À RECEITA DECLARADA. Comprovado no autos que a receita auferida foi superior à receita declarada, mantémse a autuação. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CSLL/PIS/COFINS. DECORRÊNCIA. Subsistindo as matérias fáticas que ensejaram o lançamento matriz (IRPJ), igual sorte colhem os autos de infração lavrados por mera decorrência, tendo em vista o nexo causal existente entre eles. MULTA QUALIFICADA DE 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). DECLARAÇÃO DE VALORES A MENOR NA DIPJ. CABIMENTO A conduta do interessado de declarar a menor, na DIPJ, as receitas auferidas denota a prática dolosa de não pagar os tributos devidos, caracterizando o evidente intuito de fraude, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 15.378/15.391, por meio do qual renova a argumentação expendida na defesa inaugural. Fl. 15411DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.412 11 É o Relatório. Fl. 15412DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.413 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao ano calendário de 2008, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Mantidas as exigências pela autoridade julgadora de primeira instância, a autuada interpôs recurso voluntário, cujas razões passo a apreciar. INOCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO Alega a Recorrente que em nenhum momento causou qualquer lesão ao Fisco. Afirma que os extratos bancários e os valores apontados nos contratos realizados não correspondem à renda auferida por ela. Diz que apenas presta serviços de administração dos recursos dos associados e os repassa às funerárias. Argumenta que, para ser SEGURO, é essencial o RISCO, o que não existe em seu caso. Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 15.184/15.1921, temos que: i) a contribuinte fiscalizada, nos termos do seu contrato social, é pessoa jurídica que tem por objeto “congregar pessoas físicas com interesse em comum, visando o desenvolvimento do hábito da previdência contra riscos que gravam a pessoa humana e suas faculdades, difundindo a prática do seguros ou facilitando a sua realização por parte dos mesmos”; ii) a fonte das receitas auferidas pela ora Recorrente está representada por mensalidades derivadas de contratos firmados com a entidade ABRIGO DO MARINHEIRO (AMN), por meio dos quais ela se obriga a prestar assistência póstuma aos servidores da marinha, civis ou militares, em todo território nacional e no exterior; iii) intimada a esclarecer se os valores por ela recebidos tinham tratamento de receita e eram contabilizados e oferecidos à tributação (fls. 40), a contribuinte informou (fls. 43/45): a) que os montantes descontados dos salários dos servidores da Marinha e que a ela eram repassados não representavam receitas, mas, sim, meros INGRESSOS, imediatamente repassados a empresas funerárias e afins; b) e que todos os valores foram contabilizados e que, caso a Fiscalização entendesse que tinha havido recolhimento a menor de tributos, colocavase à disposição para o imediato adimplemento; 1 A numeração corresponde a do arquivo digital. Fl. 15413DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.414 13 iv) não obstante a alegação de que os recursos recebidos não constituíam receitas, a Recorrente afirmou (fls. 35/36): O Ilustre Fiscal requer que seja apresentado “todos os comprovantes dos recebimentos do Comando da Marinha, CNPJ 00.394.502/043897, acompanhados das respectivas notas fiscais.” Porém, informamos a impossibilidade de apresentar tais documentações, uma vez que não há qualquer relação contratual direta entre a Contribuinte e a Marinha do Brasil. A relação existente ocorrera entre a empresa Fiscalizada e os servidores da Marinha. A contribuinte emitiu cartasproposta aos servidores integrantes da Marinha do Brasil, no que tange aos seus serviços de seguros. Ao firmar os contratos com grande parte dos servidores, a remuneração pelos serviços prestados de seguros , realizara (sic) por meio de dedução da remuneração percebida por eles da Marinha do Brasil (GRIFEI) v) embora a contribuinte tenha afirmado que todos os valores recebidos haviam sido devidamente contabilizados, apesar de reiteradas intimações, não apresentou os livros de escrituração obrigatória. No referido Termo de Constatação Fiscal, a autoridade autuante, tomando por base as disposições do Código Civil brasileiro, traça um comparativo entre um CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS e um CONTRATO DE SEGUROS, momento em que argumenta que a “...instituição do seguro surgiu do aperfeiçoamento, ao longo do tempo, das garantias de proteção e reparação, criadas pelo homem com a finalidade de prevenir e reparar suas perdas, como a morte de uma pessoa, deixando desamparados aqueles que dependiam de sua atividade, ou a destruição de coisas e bens, fazendo desaparecer ou reduzir seu patrimônio.” A partir da comparação em referência, a autoridade fiscal, levando em conta o contrato assinado entre a Recorrente e o ABRIGO DO MARINHEIRO, destaca os seguintes pontos, caracterizadores de um contrato de seguros: 1. o objetivo do contrato é a prestação de serviços relativos ao funeral (falecimento e/ou amputação), para os servidores da Marinha; 2. o contrato define como ACIDENTE PESSOAL o evento exclusivo, pessoal, diretamente externo, súbito, imprevisível, involuntário, causador de morte; 3. os planos oferecidos, seus custos e prazos de carência, são devidamente estipulados no contrato; 4. a inclusão do servidor da Marinha na denominada ASSISTÊNCIA PÓSTUMA PARA O PESSOAL DA MARINHA DO BRASIL (APPMB) é promovida por meio de CARTAPROPOSTA, na qual consta uma DECLARAÇÃO DO USUÁRIO TITULAR, comprovando que ele tem perfeito conhecimento dos termos nela apresentados; Fl. 15414DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.415 14 5. é garantido ao signatário da CARTAPROPOSTA um completo serviço funerário, em que, excluídos os casos associados à doenças preeexistentes, deficiências de órgãos, membros ou sentidos, que eram de conhecimento prévio e que não foram informadas, são oferecidas coberturas discriminadas em vinte e sete itens; 6. a garantia da “cobertura” é representada pelo pagamento das mensalidades, de modo que a falta de consignação de qualquer uma delas acarreta a sua suspensão, sendo o contratante excluído no terceiro mês consecutivo; 7. como regra, não cabe a devolução de mensalidades pagas; 8. os serviços devem ser solicitados por meio de CALL CENTER 24 HORAS, pois, de outra forma, como regra, não terão direito a reembolso ou indenização compensatória. Na mesma linha que foi adotada pela autoridade fiscal no Termo de Constatação Fiscal, transcrevo algumas disposições da norma civil brasileira acerca do contrato de seguro. Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados. ... Art. 759. A emissão da apólice deverá ser precedida de proposta escrita com a declaração dos elementos essenciais do interesse a ser garantido e do risco. ... Art. 760. A apólice ou o bilhete de seguro serão nominativos, à ordem ou ao portador, e mencionarão os riscos assumidos, o início e o fim de sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, quando for o caso, o nome do segurado e o do beneficiário. ... Art. 763. Não terá direito a indenização o segurado que estiver em mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro antes de sua purgação. ... Art. 771. Sob pena de perder o direito à indenização, o segurado participará o sinistro ao segurador, logo que o saiba, e tomará as providências imediatas para minorarlhe as conseqüências. Parágrafo único. Correm à conta do segurador, até o limite fixado no contrato, as despesas de salvamento conseqüente ao sinistro. A meu ver, o cenário fático descrito pela autoridade fiscalizadora enquadrase perfeitamente no regramento trazido pelo Carta Civil, sendo irrelevante, do ponto de vista estritamente tributário, o fato de a Recorrente não estar legalmente autorizada a atuar como seguradora. Fl. 15415DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.416 15 A autoridade julgadora, a meu juízo, rebateu com propriedade a argumentação trazida em sede de impugnação e que no recurso foi repisada, motivo pelo qual reproduzo fragmentos do voto condutor da decisão por ela proferida. [...] A fiscalização, com amparo em várias cláusulas dos referidos contratos, entendeu que o interessado realizaria atividade de uma empresa de seguros, equiparandose às instituições financeiras (art. 1ª, Parágrafo único, da Lei 7.492/86), sujeitandose dessa forma, à legislação fiscal a elas pertinente. Suas receitas seriam, portanto, decorrentes das contribuições (prêmios) recebidos do pessoal da Marinha, a título de assistência funeral. O interessado, por sua vez, alega que a atividade prestada, qual seja, Serviço de Assistência Póstuma para o Pessoal da Marinha do Brasil, tanto pela descrição contratual, como pelo Boletim emitido internamente pela Diretoria de Comunicações e Tecnologia da Informação da Marinha, não constituiria cobertura de seguro, mas sim, um serviço do tipo contributivo, totalmente custeado pelo titular. Argumenta que, conforme a própria denominação de sua razão social, consistiria em um clube, cuja atuação estaria voltada para a atividade de auxílio funerário dos marinheiros associados. Estes contribuiriam para o clube, que, por sua vez, repassaria parte dos valores às funerárias. Afirma que o serviço prestado seria de administração dos recursos dos associados do Abrigo do Marinheiro, realizando os pagamentos às funerárias e outros fornecedores de serviços correlacionados advindos de óbito de seus associados e/ou familiares. Aduz que todo contrato de seguro traz em si o risco para ambas as partes, mas que, no caso em concreto, não assumiria riscos pelos associados, pois se limitaria a administrar os recursos depositados pelos marinheiros. Defende que a totalidade dos valores ingressados em sua conta corrente não corresponderia à renda efetivamente auferida e que os repasses para os fornecedores de serviços funerários comprovaria que os ingressos não configurariam receita. A controvérsia estabelecida nos autos gira em torno do seguinte: o interessado está exercendo atividade de seguradora, hipótese em que a receita auferida, a título de prêmio de seguro, deve ser oferecida à tributação, tese defendida pela fiscalização, ou está apenas prestando serviços de administração de recursos dos associados do Abrigo do Marinheiro (recursos de terceiros), e os repassando às funerárias, hipótese em que somente a receita da atividade prestada deveria ser tributada, tese defendida pelo interessado. Da análise detalhada dos contratos AMN001/2006 e Nº AMN004/2008, celebrado entre o interessado e o Abrigo do Marinheiro (AMN), constante dos autos, concluise, na mesma linha adotada pela fiscalização, que estes são efetivamente contratos de seguro. Com base no descrito nas "Condições Especiais" que constitui o anexo dos contratos firmados com o Abrigo do Marinheiro, é possível, como bem frisou a fiscalização, elencar vários tópicos característicos de um contrato de seguro, em plena conformidade com o Código Civil/2002, como por exemplo: Fl. 15416DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.417 16 No item 2.0, o objetivo do contrato é a prestação de serviços relativos ao funeral (falecimento e/ou amputação) oferecido ao pessoal da Marinha. É definido como "Acidente Pessoal" o evento exclusivo, pessoal, diretamente externo, súbito, imprevisível, involuntário, causador de morte (item 3.0).Os custos estipulados (item 9.0), segundo os planos, prazos de carência, estão discriminados no item 8.0. As inclusões na APPMB serão sempre procedidas pelo preenchimento e assinatura de um CartãoProposta, onde consta uma "Declaração do Usuário Titular", como prova de que leu e compreendeu tudo ali escrito e recebeu e compreendeu tudo descrito na sinopse do contrato (item 13.0). Diz o Código Civil: Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo à pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados. Art. 759. A emissão da apólice deverá ser precedida de proposta escrita com a declaração dos elementos essenciais do interesse a ser garantido e do risco. Art. 760. A apólice ou o bilhete de seguro serão nominativos, à ordem ou ao portador, e mencionarão os riscos assumidos, o início e o fim de sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, quando for o caso, o nome do segurado e o do beneficiário. Art. 797. No seguro de vida para o caso de morte, é lícito estipularse um prazo de carência, durante o qual o segurador não responde pela ocorrência do sinistro. No item 5.0, o interessado garante um completo serviço funerário para os associados com a garantia de coberturas discriminadas em diversos itens, excluídos os casos mencionados no item 6.0, que levam em consideração, doenças preexistentes, deficiências de órgãos, membros ou sentidos do usuário, conhecidas por ocasião da inclusão no plano e não informadas pelo titular. Diz o Código Civil: Art. 766. Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido. O pagamento da mensalidade é o que garante a cobertura do SAPPMB. Assim, a falta de consignação de qualquer mensalidade acarreta a suspensão da cobertura, com a exclusão do usuário no terceiro mês consecutivo como descrito no item 10.2. Em seu subitem 10.7, fica o usuário informado que não cabe devolução de mensalidades pagas, qualquer que seja o motivo, exceto no caso mencionado no subitem 10.6. Diz o Código Civil: Art. 763. Não terá direito à indenização o segurado que estiver em mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro antes de sua purgação. O interessado dispõe de um atendimento através de "Call Center 24 horas" para solicitação do serviço funerário. Os serviços não sendo executados através do "Call Center" não terão, sob qualquer hipótese, direito a reembolso ou indenização compensatória. Fl. 15417DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.418 17 Casos esporádicos, movidos por motivos de força maior e devidamente comprovados em análise conjunta feita pelo contratante e pela contratada, poderão ser objetos de reembolso até o limite máximo de R$ 1.600,00 por funeral (item 11.0 e 12.0). Diz o Código Civil: Art. 771. Sob pena de perder o direito à indenização, o segurado participará o sinistro ao segurador, logo que o saiba, e tomará as providências imediatas para minorarlhe as consequências. Parágrafo único. Correm à conta do segurador, até o limite fixado no contrato, as despesas de salvamento consequente ao sinistro. Portanto, pelo exposto, restou devidamente provado que o interessado está, de fato, exercendo atividade de seguradora, no segmento de auxílio funeral, e não apenas prestando serviços de administração de recursos dos associados do Abrigo do Marinheiro. Por conseguinte, os valores recebidos do pessoal da Marinha são receitas auferidas, a título de prêmio de seguro, e não meros ingressos, devendo, assim, ser oferecidas à tributação. Quanto à alegação do interessado, de que o Boletim emitido internamente pela Diretoria de Comunicações da Marinha (fls. 15.325/15.328) seria prova de que não prestaria atividade de seguro, a mesma não tem fundamento. Isto porque, em primeiro lugar, tal Boletim é, como o próprio interessado afirma, documento emitido internamente pela Marinha que não tem valor probante para refutar as cláusulas contratuais. Em segundo lugar, nada dispõe a respeito da natureza do serviço prestado pelo interessado, mencionando, tão somente, que o Serviço de Assistência Póstuma será comercializado pelo interessado, o que sugere não ser mera administração de recursos. Os repasses efetuados às funerárias poderiam, em tese, ser consideradas como despesas do interessado. Contudo, in casu, não cabe deduzilas, já que o regime de apuração pelo lucro arbitrado, utilizado nos autos, já embute um valor de despesas predeterminado. A afirmação do interessado de que não assumiria riscos, preceito este inerente a todo contrato de seguro, não deve prevalecer. Por exemplo: há disposição contratual expressa (item 6.2) no sentido de que o interessado, ainda que julgue que o falecimento do usuário tenha sido causado por doença preexistente ou por qualquer outra causa de exclusão da garantia não declarada, se obriga a tomar todas as providências para o funeral, ainda que pleiteie o reembolso dos gastos, por meio de sindicância. Ora, se o interessado não tem a garantia de que irá receber o valor desembolsado, já que o resultado da sindicância será sempre passível de questionamento, inclusive pela via judicial, está claro que está assumindo um risco. Portanto, pelo exposto, o interessado omitiu informações na sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2009), ao declarar uma receita de apenas R$ 240,90, enquanto que ficou demonstrada através da ação fiscal, uma receita bruta de R$ 3.538.196,47, advinda das contribuições do pessoal da Marinha. Não foram informados os tributos devidos na DCTF e DACON (IRPJ, CSSL, PIS, COFINS), bem como não foram efetuados quaisquer recolhimentos. Comprovado no autos que a receita de seguros auferida foi superior à receita declarada, a autuação é procedente. Fl. 15418DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.419 18 Embora entenda que o pronunciamento acima seja merecedor de reparo em relação ao RISCO no contrato de seguro, eis que este não está associado ao segurador, mas, sim, ao segurado, vez que decorre da possibilidade de, no futuro, um evento inesperado suscetível de gerar dano ocorrer, penso que, no mais, ele demonstra, a exemplo do que fez autoridade autuante, a perfeita compatibilidade da atividade explorada pela Recorrente com as normas disciplinadoras do já referido contrato de seguros. Não se pode negar que a Recorrente poderia atuar tão somente no campo da intermediação entre os segurados e a seguradora, revelandose, assim, como uma espécie de corretora de seguros, mas isso sequer é alegado, e, além do mais, nenhuma conclusão pode ser extraída nesse sentido, eis que a contribuinte não apresentou a sua escrituração contábil. Assim, considerado o conjunto fático retratado nos autos e, especialmente, a ausência de comprovação contábil das operações realizadas, a conclusão esposada no ato decisório recorrido, a meu ver, é inafastável. NECESSIDADE DE PERÍCIA Sustenta a Recorrente que a perícia apresentase como algo determinante para elucidar se houve ou não a infração à ela imputada. Adiante, requer a conversão do julgamento em diligência “para que possa ser apurada a verdade material dos fatos”. Rejeito, primeiramente, o pedido de perícia, eis que não observadas as condições estabelecidas pela norma processual, abaixo reproduzidas, para a sua formulação. Art. 16. A impugnação mencionará: ... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. ... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. No que diz respeito ao pedido de diligência, julgoo dispensável, vez que os elementos reunidos ao processos revelamse suficientes à solução da controvérsia. Ademais, a Recorrente foi reiteradamente intimada a apresentar os elementos necessários aos esclarecimentos dos fatos apurados no curso da ação fiscal, e, se não o fez, ou foi porque não dispunha de meios para tal, ou foi, simplesmente, por entender que tais elementos em nada contribuiriam para elidir as infrações que lhe foram imputadas. Requerer a realização do procedimento em sede de julgamento com o intuito de carrear ao processo prova que deveria ter sido produzida no curso da ação fiscal, ou, quando muito, na fase de defesa, com o devido respeito, revela pretensão meramente protelatória. Não é merecedor de acolhimento, também, o pedido de diligência. Fl. 15419DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.420 19 MULTA QUALIFICADA Argumenta a Recorrente que “a multa aplicada não converge com a realidade fática do contribuinte, o qual sempre procedeu em consonância com os ditames da lei, e atendeu a todas as solicitações do Fisco Federal, quando da fiscalização.” Diz que não auferiu a renda indicada pela autuação e reitera que movimentação financeira e renda são conceitos distintos. Ressalto, de início, que atender às requisições promovidas pela autoridade fiscal no curso do procedimento fiscalizatório constitui obrigação do administrado, e, por absoluta ausência de previsão legal, em nada contribui para relevar a penalidade aplicada. Diferentemente do sustentado pela Recorrente, a “realidade fática” espelhada nos autos revela que ela deixou de observar os “ditames da lei”, vez que, embora tenha auferido receitas no montante de R$ 3.538.196,47, conforme apuração feita pela Fiscalização, declarou ao Fisco tão somente o valor de R$ 240,90. Cumpre destacar que, independentemente do entendimento que a fiscalizada tinha acerca do que deveria considerar como receita para fins de determinação da base de cálculo do imposto e das contribuições, resta induvidoso que o montante de R$ 240,90 é absolutamente irreal e não guarda qualquer relação com os valores recebidos a título de mensalidades do seguro funeral. No presente caso, a omissão de receita está representada por PROVA DIRETA, devidamente carreada ao processo pela autoridade fiscal, cabendo ressaltar que mesmo na apuração efetuada por meio dos extratos bancários, apesar da ausência de apresentação da documentação de suporte, a própria contribuinte afirma que os depósitos bancários questionados pela Fiscalização corresponderam a contribuições isoladas de associados (segurados) que não optaram pela retenção em folha. Registro que, não obstante o disposto no parágrafo anterior, a autoridade autuante só aplicou a multa qualificada na constituição do crédito tributário correspondente à parcela da receita que derivou das informações prestadas pela entidade ABRIGO DO MARINHEIRO (AMN), cabendo observar que as receitas presumidas em virtude da ausência da comprovação da origem dos créditos bancários representaram tão somente 4,63% do total apurado (R$ 163.887,34 de R$ 3.538.196,47). No que diz respeito ao argumento de que não se pode confundir movimentação financeira com renda, assinalo que não é exatamente essa a situação retratada na peça acusatória. Com efeito, a partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” (art. 42, caput). No caso sob apreciação, em que, em razão da falta de apresentação dos livros de escrituração obrigatória, o lançamento tributário foi efetuado com base no lucro arbitrado, o procedimento da Fiscalização de adicionar às receitas apuradas a partir das informações prestadas pelo ABRIGO DO Fl. 15420DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.727859/201151 Acórdão n.º 1301001.714 S1C3T1 Fl. 15.421 20 MARINHEIRO as que foram presumidas com base no dispositivo legal referenciado não é merecedor de reparos. A súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, referenciada na peça recursal, diz respeito a fatos ocorridos antes da entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 1996, acima mencionada, descabendo, pois, a sua aplicação aos fatos geradores que serviram de suporte para os lançamentos tributários ora sob exame. No que tange ao pronunciamento da Segunda Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, também citado pela Recorrente em sua peça de defesa, cabe observar que ele, o pronunciamento, não era representativo da jurisprudência predominante no âmbito do Colegiado de segunda instância, tanto que, em momento posterior, exatamente em virtude de reiteradas decisões no mesmo sentido, foi editada a súmula CARF nº 26, a seguir reproduzida Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A título meramente ilustrativo, assinalo que o referido pronunciamento da Segunda Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, representado pelo acórdão nº 10246.231, foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão realizada 12 de junho de 2006 (acórdão nº 0400.259). Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 15421DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 11516.001816/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009
MULTA DE MORA
A utilização da multa de mora encontra amparo legal no artigo 35, da Lei
8.212/91, até 11/08, e no art. 44, da Lei 9.430/96, a partir de 12/2008.
RETROAÇÃO BENÉFICAINAPLICÁVEL
Somente se aplica a penalidade superveniente, se mais benéfica, quando se
tratar de mesma infração
Numero da decisão: 2301-003.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.Redator designado: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 MULTA DE MORA A utilização da multa de mora encontra amparo legal no artigo 35, da Lei 8.212/91, até 11/08, e no art. 44, da Lei 9.430/96, a partir de 12/2008. RETROAÇÃO BENÉFICAINAPLICÁVEL Somente se aplica a “penalidade superveniente”, se mais benéfica, quando se tratar de mesma infração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.Redator designado: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 16 /2 01 0- 47 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO. Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD n° 37.250.62402, fls. 01 a 23, por meio do qual a autoridade fiscal exigese da contribuinte a quantia de R$58.762,49 (cinqüenta e oito mil, setecentos e sessenta e dois reais, quarenta e nove centavos), materializado em 31/05/2010. Através do relatório fiscal de fls. [24 a 29] consta o lançamento correspondente à contribuição previdenciária patronal bem como a designada ao financiamento do benefício em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa SAT/RAT, incidente sobre o pagamento de salários dos segurados empregados e contribuintes. Foi informado pelo órgão lançador que de acordo com a Lei Complementar 128/2008 a autuada se enquadrava até 2008 no anexo V e após 2009 no anexo IV. De acordo com o relatório da autoridade fiscalizadora o recolhimento das contribuições previdenciárias não pode ser realizado pelo simples nacional, vez que o contribuinte não tem como objeto social atividade não amparada pela legislação – exploração de mão de obra especializada para serviços de limpeza e conservação, no qual a referida lei exige o recolhimento aplicável aos contribuintes. Explica que foi lançado como crédito os destaques da retenção de 11% para a seguridade social com base em verificações em folhas de pagamento, recisões e GFIP sendo efetuados os levantamentos. Consoante relato da fiscalização, se procedeu ao comparativo de das multas em atendimento a legislação, bem como foi o lançamento se tornou objeto de representação para fins penais, por configurar crime em tese de sonegação de contribuição previdenciária. Irresignados com a Autuação ofereceram impugnação administrativa fls. [108 a 110], alegando que foi realizado um recalculo do período em acordo com a LC 128/2009, porém o valor não esta em sintonia com a notificação. Arrola os valores que entendem devidos e os créditos apurados. Por fim pede o cancelamento da multa de oficio alegando que a empresa não agiu com dolo de sonegação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC, acórdão Nº 0727.771 – 5ª Turma da DRJ/FNS, na sessão 15 de março de 2012, conheceu da impugnação e julgou improcedente, mantendo a exigibilidade do crédito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.001816/201047 Acórdão n.º 2301003.900 S2C3T1 Fl. 1.161 3 PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/08/2008 A 31/12/2009 SIMPLES NACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. As atividades de prestação de serviços de vigilância, limpeza ou conservação não terá incluída no Simples Nacional a contribuição patronal, a cargo da pessoa jurídica, devendo ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A Delegacia da Receita, em seu acórdão, relata que a Autuada não questiona o lançamento tributário, pretendendo apenas que seja compensado o saldo credor remanescente da contribuição social retido na cessão de mão de obra. Entende o órgão julgador não acolher a pretensão da impugnante em ver compensado o saldo remanescente da retenção dos 11% de contribuição sobre os seguintes argumentos: 1 O lançamento tributário foi realizado dentro da sua formalidade, em consonância com a legislação em vigor. 2 Em se tratando da compensação dos valores retidos, fundamenta com base no art. 48 da RFB IN n. 900 de dezembro de 2008, dispõe que: a) Art. 48. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuiçõe previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário desde que a retenção esteja: I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; e (grifamos) I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mãodeobra ou pela execução da empreitada total; e (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n" 973, de 27 de novembro de 2009) II destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. § Io A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 contribuições previdenciárias, não podendo absorver contribuições destinadas outras entidades ou fundos, as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. §2° Para fins de compensação da importância retida, será considerada com competência da retenção o mês da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. § 3° O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser declarada em GFIP na competência de sua efetivação, ou objeto de restituição, na forma dos arts. 17 a 19. (grifamos) § 4o A compensação do valor retido somente poderá ser feita pelo estabelecimento que sofreu a retenção. 3 Em se tratando das penalidades, entende o órgão julgador que nos termos do art. 142 e parágrafo único do CTN, a constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Desse modo, na lavratura do auto de infração, não é lícito ao agente público discricionariamente, furtarse de aplicar a lei vigente ao quantificar o montante do crédito tributário exigível de ofício, inclusive no tocante à penalidade cabível. Voto Vencido Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Por ser tempestivo conheço o recurso interposto. Tratase de Recurso interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC, acórdão Nº 0727.771 – 5ª Turma da DRJ/FNS, na sessão 15 de março de 2012, conheceu da impugnação e negou provimento. No tocante a impugnação à multa de ofício, a Autuada requer o cancelamento alegando que não houve a intenção de sonegar. Foi aplicado pelo órgão julgador a quo a multa no percentual de 75%, (setenta e cinco por cento), imposta pelo inciso I, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. E, ainda, a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1997, é única e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata. Ocorre que, esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.001816/201047 Acórdão n.º 2301003.900 S2C3T1 Fl. 1.162 5 estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplica se a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a multa referente à percentagem de 75% (setenta e cinco por cento) será aplicada em referência às competências a partir de dezembro de 2008 até dezembro de 2009. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Da multa aplicada Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 A autuação em comento refere se ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigia se à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, acima transcrito. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único d art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos da multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.001816/201047 Acórdão n.º 2301003.900 S2C3T1 Fl. 1.163 7 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta fosse sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinava se a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relaciona s com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vincula se à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35 A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art.32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificando as. Nesses casos, concluindo se pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominar lhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verifica se a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.001816/201047 Acórdão n.º 2301003.900 S2C3T1 Fl. 1.164 9 da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO para que seja aplicada aos fatos geradores do lançamento, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 até a competência 11/08, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Voto Vencedor Bernadete de Oliveira Barros – Redatora Designada Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, em relação à multa aplicada, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por dar provimento parcial, para que seja cotejada as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Entende que somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008, e que multa de mora anterior somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Contudo, observase que a infração discutida por meio do presente processo administrativo fiscal referese à inexistência dos recolhimentos reputados devidos, que ensejou atitude do Fisco quanto ao lançamento de ofício. Analisando a Lei nº 8.212/91 de forma sistêmica e harmônica, na sua atual redação, é de se concluir que a previsão constante do art. 35 referese, tão somente, aos recolhimentos espontâneos, enquanto que a previsão constante do art. 35A cuida, expressamente, dos casos de lançamento de ofício. E, de uma análise mais acurada da redação do invocado art. 106, II, ‘c’ do CTN, concluise pela impropriedade da intenção do Relator, vez que a inteligência do referido artigo prevê a aplicação da “penalidade superveniente”, quando mais benéfica, respeitante à mesma infração. O art. 35 da Lei n° 8.212/1991, na redação vigente até 11/2008, estabelece que, não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao princípio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Ou seja, a multa prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/91, denominada de moratória, regulava, nos incisos do referido artigo, casos diversos que acarretavam tratamentos distintos. Os incisos ‘I’ e ‘II’ do citado artigo regulavam, respectivamente, a multa aplicável quando do recolhimento espontâneo e àquela atinente aos casos de lançamento de ofício. É oportuno lembrar que a notificação fiscal de lançamento era o veículo utilizado para fins de constituição de crédito, por iniciativa do Fisco, decorrente de obrigação tributária principal inadimplida, mas que, com o advento da M.P 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, tal veículo passou a ser denominado Auto de Infração, consoante a nova redação dada ao art. 37 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.001816/201047 Acórdão n.º 2301003.900 S2C3T1 Fl. 1.165 11 Resta claro que o inciso ‘I’ do art. 35, ao tempo dos fatos geradores incluídos no lançamento em tela, era aplicável, somente, aos casos de recolhimento extemporâneo albergados pela espontaneidade do Sujeito Passivo, enquanto que o inciso ‘II’ tratava dos casos nos quais, verificada a inércia do Contribuinte, o Fisco agia, providenciando o lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário reputado devido. Portanto, sendo vedada a retroação in pejus, deverá ser mantida a multa “moratória” tal como aplicada pela Autoridade Fiscal ao tempo do lançamento sob exame. Nesse sentido, VOTO por manter a multa aplicada. Bernadete de Oliveira Barros Conselheira Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 13002.720422/2013-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 02/08/2013
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. COMPROVAÇÃO DE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. NECESSIDADE.
O reconhecimento à isenção do IPI na aquisição de automóveis em virtude de deficiência física requer seja comprovada a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo adquirido (artigo 5º da Lei nº 10.690, de 16/06/2003).
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-004.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 02/08/2013 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. COMPROVAÇÃO DE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. NECESSIDADE. O reconhecimento à isenção do IPI na aquisição de automóveis em virtude de deficiência física requer seja comprovada a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo adquirido (artigo 5º da Lei nº 10.690, de 16/06/2003). Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. COMPROVAÇÃO DE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. NECESSIDADE. O reconhecimento à isenção do IPI na aquisição de automóveis em virtude de deficiência física requer seja comprovada a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo adquirido (artigo 5º da Lei nº 10.690, de 16/06/2003). Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 72 04 22 /2 01 3- 50 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 64/66 do processo digitalizado), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do interessado sob o fundamento de que a não comprovação da disponibilidade financeira ou patrimonial único fundamento para a negativa da fruição à isenção do IPI na aquisição de veículos por deficientes físicos é requisito prescrito em lei (Lei nº 10.690, de 16/06/2003) e em instrução normativa (IN RFB nº 988, de 22/12/2009). Ressaltou ainda a instância a quo que a exigência em tela "visa evitar que a isenção seja deferida a pessoas desprovidas de recursos para a aquisição do veículo, que apenas 'emprestam seu nome' [...] a terceiros que irão comprar o veículo com o benefício legal". A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra o recorrente ocorreu em 21/02/2014 (fls. 71). Inconformado, o mesmo apresentou, em 28/02/2014, o "recurso voluntário" de fls. 68, onde ressalta exclusivamente o seguinte: SEGUE DOCUMENTAÇÃO ANEXADA COMPROVAS DE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL, PARA COMPRA DO VEÍCULO Anexa aos autos, fls. 69/70, CONTRATO PARTICULAR DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITO DE POSSE. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a lide se restringe ao exame quanto ao atendimento às condições inerentes à comprovação da disponibilidade financeira ou patrimonial para aquisição de veículo com isenção de IPI, já que não se discute que o recorrente, dada sua deficiência física, faz jus à fruição à isenção em tela. Neste comenos, a Lei nº 10.690, de 16/06/2003, exige a comprovação da disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo adquirido. É o que prescreve seu artigo 5º, verbis: Art. 5º Para os fins da isenção estabelecida no art. 1º da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, com a nova redação dada por esta Lei, os adquirentes de automóveis de passageiros deverão comprovar a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal normatizará o disposto neste artigo. Por seu turno, como requisito para a fruição da isenção em tela, a Instrução Normativa RFB nº 988, de 22/12/2009, em ser artigo 3º, inciso II, requer seja apresentada: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 13002.720422/201350 Acórdão n.º 3802004.094 S3TE02 Fl. 76 3 II – Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial da pessoa portadora de deficiência ou do autista, apresentada diretamente ou por intermédio de seu representante legal, na forma do Anexo II, disponibilidade esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido; Ou seja, a exigência contida na instrução normativa em comento em nada extrapola a imposição legal. Ademais, o fato de a citada instrução normativa exigir apenas a apresentação de declaração não exime o interessado de comprovar a veracidade do que foi pelo mesmo declarado, devendo este, se exigido, comprovar que realmente dispõe de recursos ou de patrimônio compatíveis com a aquisição do veículo vislumbrado, no valor de R$ 33.465,65 (conf. fls. 42 e 50). Entendendo que os rendimentos e o patrimônio declarados pelo interessado não eram suficientes à comprovação da disponibilidade financeira suficiente à aquisição do veículo, a DRF Novo Hamburgo, mediante o termo de intimação de fls. 36, intimou o recorrente a comprovar a origem dos recursos necessários à transação comercial. Vale ressaltar que às fls. 38 consta expediente da unidade de origem, acostado aos autos do processo nº 13002.720632/201186, segundo o qual o contribuinte chegou a pedir desistência do feito por não ter condições de comprovar a disponibilidade financeira, uma vez que não está auferindo renda. Posteriormente, porém, apresentou nova petição, objeto deste processo, onde apresenta como única fonte de renda uma aposentaria por invalidez, de um salário mínimo (conforme extrato da previdência social de agosto de 2013, segundo o qual o interessado recebe aposentadoria no montante de R$ 678,00 salário mínimo vigente à época). Na manifestação de inconformidade (fls. 48/49) o interessado acosta aos autos extrato de conta bancária de 17/10/2013, que demonstra saldo de R$ 32.465,91 (fls. 54), além de certificado de registro de veículo Ford Fiesta, ano/modelo 1995, o qual seria dado como entrada do veículo novo, e que, segundo informa, fora avaliado em R$ 6.000,00. A instância a quo, no entanto, entendeu que "não houve a comprovação da origem dos valores depositados na conta apresentada". Em razão disso, não reconheceu o direito requerido. Agora, em sede recursal, o reclamante anexa aos autos um contrato particular de cessão e transferência de direito de posse, fls. 69/70, mediante o qual, em 09/07/2013, teria transferido a posse de um terreno pelo valor de R$ 60.000,00. Embora nada tenha ressaltado nesse sentido, penso que o recorrente, com tal documento, pretende comprovar a fonte dos recursos disponíveis em sua conta corrente. Não obstante o entendimento pavimentado nesta Turma no sentido de que devem ser admitidas as provas colimadas pelo sujeito passivo mesmo em sede recursal, entendo que aceitar o contrato em tela, sem um exame mais profundo acerca da veracidade da transação objeto de aludido negócio jurídico, representaria uma supressão da competência da unidade de ponta, justamente àquela que tem os meios efetivos para fazer a devida inquisição fiscal. Ademais, o interessado poderia ter trazido aos autos a comprovação do pagamento pela cessão da posse reportada, o que não foi feito. Tal investigação, diante de Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 4 eventual renovação do pedido pelo interessado, poderá ser objeto de exame pela unidade jurisdicionante, a qual, se comprovados os recursos disponíveis, certamente terminará por dar provimento ao pleito. No presente momento, no entanto, entendo que não há elementos para reconhecer o direito ao benefício vislumbrado por falta de comprovação da disponibilidade financeira ou patrimonial. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário formalizado pelo suplicante. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002002/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.718
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório TOHNES IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÃO teve lavrado contra si o Auto de Infração das fls. 3 a 67, para aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento das mercadorias importadas nos anos de 2007 a 2010, registradas como operações por conta própria e por encomenda, no montante de R$ 3.591.778,83 em face da impossibilidade de sua apreensão, vez que já foram consumidas, nos termos do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação do art. 59 da Lei nº 10.627, de 30 de dezembro de 2002, e dos arts. 73 e 81 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. De acordo com o termo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 02 00 2/ 20 10 -2 5 Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.871 2 Descrição dos Fatos e Enquadramento Lega que instrui o AI, o autuado não comprovou a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos financeiros envolvidos nas operações de importação, em face da não comprovação de suas fontes de financiamento, que mesmo que fossem consideradas, se mostraram insuficientes ao fluxo financeiro da empresa, e aos baixos resultados apresentados na sua atividade mercantil. Em impugnação (fls. 541 a 561), a autuada alega, sinteticamente, que não se poderia presumir a ocorrência de interposição fraudulenta em suas operações de comércio exterior pela simples não comprovação de integralização do capital social, considerando sem origem lícita toda a receita gerada nas atividades comerciais da empresa para efeito de comprovação dos recursos empregados na execução de suas atividades de comércio exterior. Aduz ainda que os contratos de mútuos apresentados para efeito de origem dos recursos foram desconsiderados pela simples análise da declaração de renda dos mutuantes, sem que efetivamente se caracterizasse sua inexistência. E ainda que os empréstimos junto ao BANDES não foram considerados. Aponta vício material no quantum da penalidade, já que em sua apuração encontramse incluídas importações realizadas por conta e ordem de terceiro, para as quais o recurso envolvido não é próprio do importador, mas dos adquirentes das mercadorias importadas. Pugnou por que se considerasse com origem comprovada, para fins de comprovação dos recursos envolvidos na execução de suas importações, as receitas provenientes de sua atividade empresarial, relacionadas à revenda das mercadorias importadas por sua conta e risco e aquelas provenientes das operações por conta e ordem de terceiro e por encomenda, bem como os financiamentos obtidos no programa FUNDAP, para as quais requereu a realização de diligência para sua identificação e quantificação. O pedido de diligência foi deferido pela Autoridade Julgadora de primeira instância, que providenciou a verificação completa das DI’s, mediante pesquisas nos sistemas extratores de dados, para determinar quais foram efetivamente registradas na modalidade “por conta e ordem de terceiros”, quem são esses terceiros (razão social e CNPJ) e qual o seu valor aduaneiro.” A 4ª Turma da DRJ/REC julgou a impugnação parcialmente procedente, para, acolhendo os resultados da diligência, excluir da exação todas as DI’s cursadas na modalidade por conta e ordem de terceiros. O Acórdão nº 1147.680, de 16 de setembro de 2014, fls. 3.772 a 3.790, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2007 a 30/06/2010 INCOMPATIBILIDADE ENTRE OS MONTANTES DAS OPERAÇÕES TRANSACIONADAS NO COMÉRCIO EXTERIOR E A CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA DA EMPRESA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. A incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira e econômica da pessoa jurídica é uma presunção legal juris tantum de interposição fraudulenta de terceiros, a qual só poderá ser afastada pela apresentação de documentação idônea capaz de comprovar a origem lícita dos recursos utilizados nas transações em questão. Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.872 3 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. A pena de perdimento, na hipótese de interposição fraudulenta de terceiros, convertese na multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida ou não for localizada. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. ADQUIRENTE DECLARADO NÃO DESCARACTERIZADO. EXTENSÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. A caracterização da interposição fraudulenta pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados em importações por conta própria, por si só, não é suficiente a caracterizar idêntica ocorrência nas operações realizadas por conta e ordem de terceiro, sem que se apure idêntica ocorrência em relação ao terceiro supridor dos recursos. Não tendo sido descaracterizada a condição do adquirente declarado, não há que se fala em interposição fraudulenta de tais operações, devendo as mesmas serem excluídas da base de apuração da penalidade aplicável ao importador ostensivo. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de laudo técnico quando os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presidente da 4ª Turma da DRJ/REC recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Cuidase também de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 3.820 a 3.859, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, oferece razões recursais assim sintetizadas pela própria recorrente: a) a DRJ conferiu à questão da integralização do capital social efeito que não possui qualquer base legal, pois a não comprovação da origem dos recursos utilizados em sua integralização não autoriza concluir que a Recorrente não possui origem para suas operações de importação; b) o fato de a Fiscalização considerar que não foi comprovada a origem lícita da integralização do capital social não tem o condão de contaminar os recursos utilizados em todas as operações de comércio exterior realizadas Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.873 4 pela empresa, nos termos dos Acórdãos 07 35.071 e 0735.070 da DRJ/FNS; c) a Recorrente apresentou documentos e esclarecimentos solicitados à Fiscalização quanto à origem dos recursos utilizados na integralização do capital social, consoante se verifica exemplificativamente nos documentos constantes às fls. 921 a 940 e 1020 a 1065 dos autos e declaração de fls. 1.018 a 1.019; d) a ausência de declaração para fins de tributação do imposto de renda pelos supridores dos recursos utilizados na integralização do capital social não é suficiente para afastar a licitude dos recursos; mormente diante da efetiva comprovação da origem; e) a omissão de rendimentos nas declarações em tela poderia ensejar, em tese, eventual violação dos dispositivos do RIR, mas não a conclusão de que os recursos são ilícitos; f) ainda que não se considere comprovada a origem dos recursos utilizados na integralização do capital social, o que se admite exclusivamente para fins de argumentação, só poderiam ser desconsideradas as importações que utilizaram tais recursos e não genericamente todas as importações, como foi feito pela Fiscalização; g) a Recorrente provou (fls. 3.513 a 3.602) que possui financiamento decorrente do BANDES relativamente ao FUNDAP; h) a Recorrente comprovou que possui contratos de financiamento, consoante se verifica nos documentos acostados às fls. 3.605 a 3.640 e mútuo, conforme documentos de fls. 3.674 a 3.681; i) a Recorrente apresentou conjuntos de Notas Fiscais da matriz e da filial dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009. consoante reconhecido pelo AFRFB à fl. 11 do Auto de Infração, sendo que as Notas Fiscais gozam de presunção de veracidade, só podendo ser afastadas por meio de robusta prova em sentido contrário, o que não ocorreu no caso concreto, até mesmo por impossibilidade material; j) a Recorrente igualmente apresentou os seguintes documentos que dão suporte à demonstração de que possui origem para os recursos os quais, no entanto, não foram sequer citados no Acórdão recorrido: Balancetes dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 (fls 1.259 a 2.205); Diário, Razão, Registro de Entradas e Saídas e Planos de Contas dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 (fls. 1.259 a 2.205); Demonstrativo da formação de preço (fls. 2.207 a 2.279); Extratos mensais das movimentações bancárias de suas contas (fls. 2.802 a 3.116); e, Contratos de compra e venda celebrados com empresas no exterior (fls. 3.118 a 3.134). Requer que se julgue improcedente a parcela remanescente do lançamento. Sucessivamente, que se anule o lançamento porque o Auto de Infração não possui a descrição de fatos específicos referentes a cada uma DI's tidas como irregulares em flagrante violação ao Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.874 5 disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e. que se anule a decisão recorrida por cerceamento ao direito de defesa, convertendo o feito em diligência e baixando os autos à origem para que sejam consideradas lícitas todas as receitas da autuada provenientes de: 1. venda com nota fiscal das mercadorias importadas por conta própria ou por encomenda; 2. prestação de serviços, nas operações por conta e ordem; 3. financiamentos recebidos do BANDES, em decorrência do regime FUNDAP, relativo às importações realizadas sob a égide desse benefício fiscal; 4. contratos de mútuo, onde não tenha havido por parte dos fiscais autuantes circularização, ou pelo menos intimação dos mutuantes, exigindolhes a comprovação da origem dos recursos emprestados. 5. que tais receitas deduzidas do pagamento ao fornecedor estrangeiro e dos impostos sejam apropriadas no financiamento das operações subseqüentes, dandose preferência às operações de comércio exterior, em detrimento de outras contas a pagar não vinculadas ao comércio exterior (exemplo IPTU, luz, etc); 6. realizada a diligência, seja o auto de infração julgado improcedente, senão nulo, pelas razões já expostas. Pugna, ainda, pela ulterior juntada de documentos, em atenção ao princípio da verdade material. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator. O recorrente infirma o procedimento, aventando ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, na medida em que se omitiu em descrever os fatos específicos referentes a cada uma DI's tidas como irregulares. Ao longo das fls. 4 a 67, a autoridade fiscal descreve minudentemente a infração constatada, habilitando à recorrente o pleno exercício de seu direito de defesa. Esta consideração é suficiente para que se afaste a arguição. A decisão recorrida também é inquinada de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, por carência de fundamentação para a rejeição do pedido de diligência. A propósito, transcrevo os parágrafos pertinentes do voto condutor da decisão recorrida: Por fim, considerando vencidos todos os itens das contrarrazões da recorrente, convêm observar ainda que os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e julgamento do feito, demonstrandose despicienda e meramente procrastinatória a providência genérica solicitada pela defendente Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.875 6 para a realização de diligências e perícias necessárias à elucidação das questões apontadas. Ora, nos termos dispostos no Decreto nº 70.235/72, art.18 c/c art.28, in fine, com as respectivas redações dadas pela Lei 8.748/93, tornase dispensável a realização de tal perícia em face de estarem presentes nestes autos todos os elementos necessários à formação da convicção do órgão julgador para a consequente solução da lide, conclusão a que este relator já chegara justamente depois de examinar todos os documentos acostados. A propósito, as diligências e a perícia técnica são meios de prova auxiliares da formação do julgador, destinadas ao esclarecimento de questões dúbias e à elucidação de aspectos técnicos, cuja solução necessite de expertise e conhecimento especializados e que escapam do conhecimento das partes. Dito de outra forma, a perícia e mesmo as diligências não se presta para a produção de provas que a parte pode e deve produzir, no momento processual oportuno. A jurisprudência desta Turma Recursal caminha nessa direção: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Ademais, não se trata de direito subjetivo, como pretende a recorrente, mas de discricionariedade da autoridade julgadora de primeira instância, que pode indeferila quando entendêlas desnecessárias, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, desde que o faça fundamentadamente. E as justificativas apresentadas no voto condutor do Acórdão recorrido – a existência, nos autos, de documentos suficientes para a formação da convicção do julgador e a desnecessidade da providência – atendem a essa condição. Ainda antes de adentrar o mérito, devo mencionar, quanto ao pedido de dilação probatória na fase recursal, que, a teor do § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a produção probatória é concentrada na reclamação, precluindo o direito fazêlo posteriormente a menos que se comprovem alguma das hipóteses excepcionais elencadas nas alíneas “a” a “c”. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.876 7 VOTO VENCEDOR Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Redator designado. Apesar de compreender perfeitamente as razões que levaram ao Ilustre Relator, Conselheiro Alexandre Kern, a concluir pelo descabimento do requerimento de perícia ou pela conversão do julgamento em diligência, não comungo da mesma conclusão no caso em concreto, pois que entendo que o mesmo ostenta particularidades que merecem ser aprofundadas, em prol da verdade material e posterior viabilização de um julgamento justo. Daí porque me foi endereçada a tarefa de expressar a posição da maioria do colegiado que entendeu por bem em efetivar a conversão do julgamento em diligência, a qual passo a me dedicar. Como bem relatado pelo Ilustre Relator, cujas assertivas consignadas em seu Relatório adoto integralmente, no caso em concreto estamos diante de aplicação de multa substitutiva da pena de perdimento, fundamentada na pretensa falta de comprovação da origem, transferência e disponibilidade dos recursos empregados pelo contribuinte nas importações por ele levadas a cabo através das DI´s relacionadas nos autos, cuja capitulação legal encontrase plasmada nos §§2º e 3º c/c inciso V, do art. 23, do Decreto nº 1.455/76, nos seguintes termos: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) ... § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)” O preceito legal acima dá conta de que existem duas presunções atuando no lançamento em análise, a saber: a) Presunção de Dano ao Erário, de modo que pela conjugação do “caput” com cada um dos incisos, presumese a existência de dano ao erário pelo simples fato de haver a interposição fraudulenta por meio de ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação (inciso V, primeira parte); Fl. 3876DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.877 8 b) Presunção de Interposição Fraudulenta, em um segundo plano, de modo que presumirseá a ocorrência de interposição fraudulenta se não restar comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos utilizados no comércio exterior (inciso V, segunda parte c/c §2º, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76). Portanto, para que haja dano ao erário, basta que haja ocultação do real adquirente, que necessariamente deve se concretizar mediante fraude ou simulação [01], ou então, também presumirseá dano ao erário se restar caracterizada a interposição fraudulenta, esta, por sua vez, também presumida pela falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos valores necessários para as importações [02], ou simplesmente falta de “capacidade financeira”. Em face da atuação conjugada de duas presunções, tenho que a prova a ser colhida deve ser robusta, para que não atue a Administração no campo das meras suposições ou presunções simples, sendo que, a análise do caso concreto requer uma cuidadosa reflexão sobre os elementos de fato (que devem ser cabalmente comprovados), para que se aquilate a subsunção do mesmo ao preceito legal punitivo. Com efeito, constatase que a Recorrente suscita desde o primeiro momento que falou no processo, de que dispunha de capacidade financeira para realização das importações, plasmada na captação de recursos através de operações de mútuos, financiamentos perante instituições financeiras e pelo fluxo de recebimentos perante seus próprios clientes. De fato, constatase que a Administração, seja a autoridade autuante seja a DRJ, desconsiderou os contratos de mútuo sob fundamento de que não teriam os mutuantes declarado/comprovado a operação perante o Fisco, e, quanto aos financiamentos, que tais valores seriam irrisórios perante o montante das importações concretizadas. Além desses elementos controvertidos, houve ainda a revisão aduaneira com relação as DI´s que diziam respeito a importações consumadas na modalidade “por conta e ordem”, as quais, reconhecendo ser incompatível com o instituto da interposição fraudulenta, máxime na modalidade presumida pela falta de “capacidade financeira”, foram excluídas e anulados os lançamento pertinentes pela decisão da DRJ, motivando a interposição de Recurso de Ofício pela autoridade de piso. Esta anulação pronunciada pela DRJ, por certo que produz reflexos na análise do “fluxo de caixa” que a Recorrente deveria manter para dar efetividade às importações que realizara, inclusive no que tange a outras modalidades de importação, pois que pode ter usufruído de tais recursos para fazer frente a outras importações e posteriormente utilizado outros recursos para honrar aquela anterior (por conta e ordem de um destinatário identificado no mercado nacional). Ainda, os valores relativos a prestação de serviços pelas importações por conta e ordem, por certo devem compor sua “capacidade financeira” para honrar com importações de outras modalidades, pois que a remuneração da Recorrente nas importações por conta e ordem são decorrentes de prestação de serviços, normalmente cobradas juntamente com o preço total envolvido na importação. Daí porque exsurgiu a dúvida do Colegiado no que tange a recomposição do fluxo de caixa levandose em consideração as origens de recursos provenientes das operações de financiamento com instituições financeiras, e também as origens de recursos provenientes das operações de importação por conta e ordem, entendendo por bem a maioria dos Fl. 3877DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.878 9 Conselheiros, em determinar a realização da diligência, previamente a análise do mérito da contenda. Para amparar esta providência, invocase o art. 29, do Decreto nº 70.235/72, que assim permite aos julgadores: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim sendo, entendeuse que o processo não se encontrava em condições de receber um julgamento justo, pelo que se votou pela sua conversão em diligência, no sentido de determinar que a autoridade preparadora adotasse as seguintes providências: a) Refazer o fluxo de pagamentos e recebimentos, cotejando com as disponibilidades de caixa/banco da Recorrente, excluindo as operações de importação por conta e ordem; b) Considerar o preço pela prestação de serviços decorrentes das importações por conta e ordem realizadas pela Recorrente, assim como os aportes de investimentos fruto de captações junto a instituições financeiras; c) Em face das providências acima, elaborar “Relatório de Recomposição do Fluxo de Caixa” da Recorrente e sua aplicação das operações de importação direta ou por encomenda (estas, se houverem – identificar esta circunstância), manifestandose circunstanciada e objetivamente sobre a existência de recursos para cada uma das Declarações de Importação realizadas; d) Para orientação do julgamento a ser proferido após cumprimento da diligência, abrir uma opção no “Relatório de Recomposição do Fluxo de Caixa”, no qual se leve em consideração os mútuos declarados pela Recorrente, na pressuposição de que os mesmos efetivamente tivessem existido, e após, também em adendo ao mesmo Relatório, manifestandose circunstanciada e objetivamente sobre a existência de recursos para cada uma das Declarações de Importação realizadas, também nesse pressuposto. e) Intimar a Recorrente para manifestarse sobre o Relatório conclusivo da diligência, em prazo não inferior a 30 dias, após o que, com ou sem manifestação, seja determinado o retorno dos autos ao Conselho para reinserção em pauta de julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19515.006573/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA.
Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os CONSELHEIROS RAFAEL PANDOLFO, FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2255; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 707 1 706 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.006573/200831 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.882 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2014 Matéria IRPF depósitos bancários Recorrente ALBERTO JULIANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 65 73 /2 00 8- 31 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os CONSELHEIROS RAFAEL PANDOLFO, FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Por sintetizar bem os fatos até a decisão de primeira instância, adoto o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), conforme abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração defls. 788 a 799, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 765 a 787, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anoscalendário de 2003 a 2005, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 1.593.884,14, dos quais, R$ 718.258,02 são referentes a imposto, R$ 538.693,49 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 336.932,63 correspondem a juros de mora. Conforme se depreende do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: Fl. 953DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 708 3 1 omissão de rendimentos recebidos de Itaú Vida e Previdência SA, em 2003, a título de resgate de previdência privada PF, nos termos dispostos no item II do Termo de Verificação Fiscal; 2 omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrado no item I do Termo de Verificação Fiscal e respectivos documentos anexos, os quais são partes integrantes do presente auto de infração; 3 omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, nos termos do item III do Termo de Verificação Fiscal. Cientificado do lançamento em 31/10/2008 (fl. 803), o contribuinte apresentou, em 25/11/2008, a impugnação de fls. 805 a 823, alegando, em suma, que: 1 os depósitos bancários, embora possam ser indício de auferimento de renda, não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, cabendo à fiscalização demonstrar o nexo causal entre cada depósito e o fato para caracterizar a omissão de rendimentos; 2 o Fisco não pode prescindir das diligências probatórias previstas na lei como necessárias ao pleno conhecimento do objeto do processo, sob pena de estar sendo desrespeitado o princípio da verdade material; 3 a fiscalização violou o princípio da inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados, ao basearse em informações cedidas por instituições financeiras. Tal fato resulta em afronta ao disposto no artigo 5o , X e XII, da Constituição Federal, devendo o auto ser considerado nulo de pleno direito; 4 ao depararse com as disposições do artigo 43 do CTN, não é possível considerar a simples movimentação financeira como sendo renda. Para a constatação de auferimento de renda devese abater as despesas da receita, e não, equiparar a receita à renda como quer a fiscalização; 5 os depósitos bancários, se não acompanhados de outros indícios, não podem ensejar a presunção válida de omissão de rendimentos tal qual instituída no artigo 42 da lei 9.430/96, uma vez que os valores depositados podem ser provenientes de renda não passível de tributação, ou embora passível, já tributada. 6 não infringiu nenhum dos dispositivos legais trazidos à baila pela fiscalização. Isto porque, a legislação em comento possui correta derivação constitucional, pois assim como o Texto Maior e o CTN, as leis 7.713/88 e 8.134/90, determinam que o IR deve incidir somente sobre o acréscimo patrimonial auferido; 7 em momento algum restou evidenciado pela fiscalização a existência de acréscimo patrimonial; 8 o STF já decidiu ser inconstitucional a TR, antecessora e semelhante à taxa SELIC, que não deve ser utilizada como atualização de valores. A incidência da SELIC para a correção de valores carece de constitucionalidade, contrariando dispositivos constitucionais basilares do sistema financeiro nacional e do regime tributário. A Quarta Turma da DRJ/SP2 julgou improcedente a impugnação, cujo Acórdão nº 1750.664 (fls. 843 a 852) foi assim ementado: Fl. 954DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: SIGILO BANCÁRIO Em tendo a requisição de informações à instituição financeira sido feita em consonância com a Lei Complementar n° 105/2001 e com o Decreto n° 3.724/2001, não se há que falar em quebra ilegal de sigilo bancário. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES Á PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9.430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10 de outubro de 2011, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 662, o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 31 do mesmo mês (fls. 876 a 916), no qual repisa os mesmos argumentos da impugnação, acrescendo apenas as alegações de que a autoridade fiscal não obedeceu ao princípio da legalidade e que a infração relativa à omissão dos rendimentos de ganho de capital foi atingida pela decadência. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida, anulandose o Auto de Infração. Posteriormente, em 11 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou petição (fls. 920 a 950), com base nos artigos 3º, inciso III, 6º, parágrafo único, 17 e 38, da Lei nº 9.784/99, requerendo a juntada das razões anexas, em complemento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude de três infrações: 001 – omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI ; 002 – omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais ; 003 omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inicialmente, cabe analisar a petição do contribuinte entregue após o prazo do recurso voluntário. Ele fundamenta seu pedido na Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo na Administração Pública Federal. No entanto, essa lei só se aplica ao processo administrativo fiscal de forma subsidiária, em face do disposto no seu artigo 69: “ Os processos administrativos específicos Fl. 955DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 709 5 continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”. O processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto 70.235/72, que disciplina os prazos dos recursos, conforme abaixo: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Assim, o pedido do contribuinte foi apresentado intempestivamente. Porém, como suas alegações são no sentido de que ocorreu erro de fato, cabe analisálas, em respeito ao princípio da verdade material. O contribuinte aponta que a autoridade fiscal incorreu em erro de fato, ou erro material, pois as contas correntes de depósitos ou investimentos eram mantidas em conjunto com a contribuinte Neir Tornesi Juliani e, portanto, o lançamento deveria ter sido efetuado sobre 50% (cinqüenta por cento) dos valores apurados, na forma do disposto no artigo 42, § 6º da Lei nº 9.430/96. Afirma que os erros cometidos são incontornáveis e solicita a nulidade do lançamento. Não assiste razão ao recorrente, posto que o lançamento foi efetuado de acordo com as normas legais. Primeiramente, convém observar que, em relação a todas as contas bancárias conjuntas, ambos os cotitulares foram intimados a justificar a origem dos depósitos, conforme termos às fls. 29 a 85 (contribuinte fiscalizado) e fls. 86 a 141 (cotitular Neir Tornesi Juliani), tendo apresentado respostas às fls. 196 e 197. Outrossim, verificase que a contribuinte Neir Tornesi Juliani é dependente do contribuinte fiscalizado nos exercícios de 2004, 2005 e 2006, consoante as Declarações de Ajuste Anual (fls. 05 a 18). O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 disciplina: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [..] § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). Fl. 956DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 No presente caso, como as declarações de rendimentos foram apresentadas em conjunto, não se aplica esse dispositivo, previsto no § 6º, devendo os valores dos rendimentos omitidos ser imputados ao contribuinte declarante, que é o fiscalizado. Está correta, portanto, a interpretação dada aos fatos pela autoridade lançadora, não merecendo nenhum reparo nesse aspecto relativo às contas bancárias conjuntas. No seu recurso voluntário, o recorrente alega, preliminarmente, ofensa ao princípio da legalidade e violação do sigilo bancário. Afirma que o Auto de Infração está eivado de vícios formais, o que o torna nulo, porém não aponta quais seriam esses erros, fazendo apenas alegações genéricas. Preliminar de nulidade por ofensa ao princípio da legalidade Não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade, uma vez que se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 710 7 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais, razão pela qual não se acolhe essa preliminar de nulidade. Da preliminar de nulidade por violação do sigilo bancário A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II – o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários, tendo os apresentado de forma incompleta. Assim, a autoridade fiscal emitiu a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), solicitando às instituições financeiras os extratos não apresentados pelo contribuinte, ou apresentados de maneira incompleta, seguindo as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º. Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a transferência de sigilo bancário das instituições financeiras para a Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, Rel. Rafael Pandolfo. Redator designado: Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.964, Rel. Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo Fl. 959DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 711 9 sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, Rel. Nathalia Mesquita Ceia). Da decadência Na impugnação ao lançamento, o contribuinte não se insurgiu contra as infrações 001 – omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI – e 002 – omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais , contudo, no recurso voluntário ele alega decadência da infração 002, relativa a omissão de ganhos de capital, sem apontar, no entanto, as razões para tal. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, trazendo novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Entretanto, são feitas exceções a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência. Assim, passo a apreciar essa questão. Foram lançadas as infrações abaixo, relativas aos seguintes períodos: 001 omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI: 03/2003 a 12/2003; 002 – omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais: 07/2004; 003 omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada: 01/2003 a 12/2005. As infrações 001 e 003 têm como fatos geradores o dia 31 de dezembro de cada ano. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente das infrações 001 e 003, embora apurado mensalmente, está sujeito ao regime de apuração anual, mediante a entrega da Declaração de Ajuste Anual – DAA. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Assim o fato gerador da infração 001 ocorreu no dia 31/12/2003, assim como a infração 003 tem os fatos geradores nas datas de 31/12/2003, 31/12/2004 e 31/12/2005. Já o fato gerador do ganho de capital ocorre no mês de sua percepção, que no caso é 07/2004, pois se trata de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, não se submetendo ao ajuste anual. No que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: Fl. 960DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Contudo, a verificação da existência de antecipação de recolhimento se reporta ao fato gerador objeto do lançamento, considerando o regime a este aplicável segundo a legislação de regência. No presente caso, ocorreu a antecipação do pagamento em relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima referido. Em se tratando de imposto de renda sobre ganho de capital, cuja regime de tributação impõe a tributação separada das demais categorias de renda, há que haver recolhimento específico relativo a tal incidência para permitir a aplicação do artigo 150, Fl. 961DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 712 11 parágrafo 4º do CTN, não se prestando para tanto recolhimentos de imposto de renda relativos a outros fatos geradores, ainda relativos ao mesmo anocalendário. Considerando que o período lançado mais antigo referese a 31/12/2003, temos que a decadência somente ocorreria em 31/12/2008, ou seja, 5 (cinco) anos após o fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 31/10/2008 (fl. 803), o lançamento é legítimo, rejeitandose a preliminar de decadência. Da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários O recorrente alega que os depósitos efetuados em suas contas bancárias não caracterizam, por si sós, disponibilidade de rendimentos e, assim, não podem ser considerados como renda. Aduz, ainda, que a fiscalização não demonstrou, em nenhum momento, a existência de acréscimo patrimonial. Ressaltese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. No decorrer do procedimento, o contribuinte informou (fl. 196) que as movimentações financeiras efetuadas em suas contas correntes, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, referiamse a rendimentos de aplicações na caderneta de poupança e prazo fixo, resultante de economias de vários anos, as quais foram informadas nas DIRPF's apresentadas. No entanto, o mesmo não logrou comprovar suas alegações nos termos previstos na legislação. Ademais, a fiscalização informou, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 770 a 775) que não foram incluídos no cômputo do crédito apurado os valores identificados como resgates de aplicações financeiras, assim como os valores decorrentes de transferência entre contas correntes de mesma titularidade. Quanto à necessidade de o Fisco demonstrar o acréscimo patrimonial, conforme alegado pelo recorrente, é de se aplicar o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o recorrente não logrou comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Da aplicação da taxa Selic como taxa de juros Fl. 962DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nesse ponto. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 963DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15504.726467/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMPARECIMENTO ESPONTANEO DO SUJEITO PASSIVO.
O comparecimento espontâneo do Sujeito Passivo, oferecendo impugnação administrativa em face do lançamento supre eventual nulidade e até mesmo a falta de intimação do Auto de Infração, a teor do §1º do art. 214 do CPC.
AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. VIA POSTAL NO DOMICILIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO.
É válida a intimação por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo Sujeito Passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS.
ISENÇÃO. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos, a ônus do beneficiário.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE.
É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do §3º do mesmo dispositivo legal suso mencionado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMPARECIMENTO ESPONTANEO DO SUJEITO PASSIVO. O comparecimento espontâneo do Sujeito Passivo, oferecendo impugnação administrativa em face do lançamento supre eventual nulidade e até mesmo a falta de intimação do Auto de Infração, a teor do §1º do art. 214 do CPC. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. VIA POSTAL NO DOMICILIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. É válida a intimação por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo Sujeito Passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 64 67 /2 01 3- 11 Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS. ISENÇÃO. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos, a ônus do beneficiário. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.063 3 I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do §3º do mesmo dispositivo legal suso mencionado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009. Data da lavratura dos Autos de Infração: 28/08/2013. Data da Ciência dos Autos de Infração: 02/09/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou procedente em parte o lançamento tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.045.7622, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, não recolhidas aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 25/46. De acordo com a resenha fiscal, os créditos ora em fase de constituição foram apurados através do comparativo entre os valores declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs e as nas folhas de pagamento. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas rubricas de natureza remuneratória pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, bem como as remunerações pagas a Segurados Contribuintes Individuais prestadores de serviço pessoas físicas, com recursos do SUS. Na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos com os respectivos valores declarados em GFIP, a fiscalização constatou a existência de rubricas de natureza remuneratória que não foram consideradas nas bases de cálculo declaradas em GFIP, procedendo ao lançamento das contribuições correspondentes devidas. Na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos com os respectivos valores declarados em GFIP, a fiscalização encontrou casos em que segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais foram omitidos da GFIP em determinadas competências, procedendo ao lançamento das Contribuições Previdenciárias correspondentes devidas. Integra também o lançamento diferença de contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, decorrente de erro no autoenquadramento do Contribuinte. Foram considerados no lançamento os valores recolhidos mediante GPS — Guias de Pagamento da Previdência Social, conforme demonstrado no "Relatório de Documentos Apresentados" e "Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados", integrantes do lançamento fiscal. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.064 5 Integram ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio dos seguintes Autos de Infração de Obrigação Acessória: · AIOA nº 51.045.7614 CFL 30, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em razão de este ter deixado de incluir em suas folhas de pagamentos todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. · AIOA nº 51.045.7630 CFL 78, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP contendo informações incorretas ou omissas. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 884/903. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1448.481 – 16ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 983/1031, julgando procedente em parte o lançamento, para dele excluir, tão somente, as obrigações tributárias decorrentes dos empenhos cancelados, apurados mediante o Levantamento “DP2 – DIFERENÇA CI CAT 13 FORA GFIP”, retificando o lançamento na forma exposta no quadro a fl. 1020 e 1032. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04/04/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1057. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1038/1053, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Nulidade da intimação. Aduz que a intimação deveria ser feita na pessoa do AdvogadoGeral do Estado de Minas Gerais; Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 · Que o Órgão Julgador de 1ª Instância indeferiu a produção de prova pericial; · Que o lançamento se baseou em mera presunção, na medida em que não identificou faticamente os serviços prestados pelos prestadores do SUS; · Que as gratificações pagas aos servidores públicos cedidos por outros órgãos não devem ser consideradas na base de cálculo da contribuição previdenciária dado o seu caráter eminentemente temporário; · Que o prêmio produtividade se refere à participação nos resultados, a qual não é tributável; · Que não incide Contribuições Previdenciárias sobre as diárias, ainda que excedentes a 50%, dada a sua natureza indenizatória; · Que inexiste fundamento fático e legal para enquadrar o Estado e a Secretaria Estadual de Saúde na alíquota de 2% do GILRAT; Ao fim, requer a improcedência do lançamento; Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.065 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/04/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 06/05/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA INTIMAÇÃO O Recorrente alega a nulidade da intimação do lançamento. Sem razão. A comunicação dos atos processuais consiste na transmissão de informações sobre os atos praticados no curso do processo às pessoas sobre cujas esferas de direito atuarão os efeitos deste, permitindo dessarte às partes envolvidas a perpetração de condutas positivas ou negativas do seu interesse. Configurase, portanto, elemento essencial à efetividade do princípio do contraditório e da ampla defesa. Segundo a Cartilha estabelecida pelo Decreto nº 70.235/72, a intimação do sujeito passivo poderá ser realizada, dentre outras formas, pessoalmente, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. A intimação pode, igualmente, ser levada a cabo por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido à administração tributária para fins cadastrais. Cumpre salientar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que os meios de intimação previstos no Decreto nº 70.235/72 não estão sujeitos a qualquer ordem de preferência, conforme assim determina o §3º do art. 23 do citado Diploma Legal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.066 9 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Assim conduzido o ato de intimação do sujeito passivo, este será considerado formalmente intimado do ato em apreço na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal, ou, de outro canto, tratandose de intimação via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Conforme se observa do texto legislativo, o ordenamento jurídico não exige, para a formalização da intimação, que a ciência do ato processual seja realizada pessoalmente pelo representante legal da pessoa jurídica intimada. Tal conclusão não discrepa do entendimento jurisprudencial acerca da matéria, o qual pugna que a intimação por via postal, endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido, é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação, inclusive por pessoas estranhas ao seu corpo funcional porteiros, vigilantes, etc. desde que usualmente recebam a correspondência da empresa. Perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 9, de observância vinculante, exorta ser válida a ciência da notificação por via postal Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que ele não seja o representante legal do destinatário. Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No presente caso, conforme demonstrado a fls. 881 e 882, procedeuse à ciência do lançamento ao Estado de Minas Gerais – Secretaria de Estado de Saúde, no endereço do seu domicilio tributário à Rodovia Prefeito Américo Gianetti, 4143 – 12º andar, Bairro Serra Verde, CEP 31630.369 – Belo Horizonte/MG, conforme Aviso de Recebimento nº SA 885032431 BR, a qual se consumou em 02/09/2013. Procedeuse, igualmente, a ciência do lançamento à AdvocaciaGeral do Estado de Minas Gerais, à rua Espirito Santo, nº 495 – 7º andar – Centro. CEP 30160080 – Belo Horizonte/MG, conforme Aviso de Recebimento nº SA 885 033 220 BR, a qual se consumou em 06/09/2013. Em função da efetiva ciência, tanto do sujeito passivo quanto da Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais, foram interpostas impugnações administrativas em face do lançamento em relevo, em dois instrumentos distintos a fls. 884/903 e a fls. 920/941, demonstrando que a intimação do lançamento levado a efeito pela Administração Tributária cumpriu, efetivamente, seu papel. Como se tal não bastasse, é de conhecimento sólido entre aqueles que militam com profissionalismo no ramo do Direito Processual que o comparecimento espontâneo do Interessado supre até mesmo a falta de citação, a teor do §1º do art. 214 do CPC, efeito reconhecido pela Suprema Corte de Justiça, consoante se depreende dos seguintes julgados. AgRg na CR 2498 US 2007/00811750 Data de publicação: 03/11/2008 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. CARTA ROGATÓRIA. COMPARECIMENTOESPONTÂNEO DO INTERESSADO. APLICAÇÃO AO CASO DO ART. 214 , § 1º , DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL . CITAÇÃO. REMESSA DOS AUTOS À JUSTIÇA FEDERAL. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE. Nos termos do art. 214, §1º , do Código de Processo Civil , o comparecimento espontâneo do réu supre a falta de citação. Desnecessária, assim, a remessa dos autos à Justiça Federal para cumprimento do exequatur. Agravo regimental improvido. AgRg no AREsp 485332 / SP Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO DJe 13/05/2014 GRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESCONSIDERAÇÃO DA Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.067 11 PERSONALIDADE JURÍDICA. REQUISITOS. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A conclusão a que chegou o Tribunal de origem, acerca da presença dos requisitos necessários para ensejar a desconsideração da personalidade jurídica da recorrida, decorreu de convicção formada em face dos elementos fáticos existentes nos autos. Rever os fundamentos do acórdão recorrido importaria necessariamente no reexame de provas, o que é defeso nesta fase recursal (Súmula 7/STJ) e impede o conhecimento do recurso por ambas alíneas. 2. Conforme a remansosa jurisprudência do STJ, o comparecimento espontâneo do requerido supre a eventual ausência de citação, conforme o disposto no art. 214, § 1º, do CPC. 3. Ademais, a Corte local apurou que não houve prejuízo advindo da ausência de citação, pois, conforme afirmou o Tribunal de origem, antes mesmo que isso acontecesse, apresentou impugnação à fase de cumprimento de sentença" e "têm ciência de tudo quanto ocorreu na execução, inclusive do prazo para pagamento do débito". Dessarte, na esteira da iterativa jurisprudência desta Corte, não se anula ato processual, caso o vício formal não impeça seja atingida a sua finalidade. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Por tais razões, considerando haver sido, não somente o Sujeito Passivo, como também, a AdvocaciaGeral do Estado de Minas Gerais, cientificadas regularmente, nos termos da lei, a respeito da lançamento tributário que ora se discute, e ainda que, em prazo hábil, compareceu o Sujeito Passivo aos autos do processo apresentando impugnação ao lançamento, rejeitamos a preliminar de nulidade da intimação. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 3.1. DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O Recorrente alega que o lançamento se baseou em mera presunção, na medida em que não identificou faticamente os serviços prestados pelos prestadores do SUS. Sem razão. De acordo com a resenha fiscal, os créditos ora em fase de constituição foram apurados através do comparativo entre os valores declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs e as nas folhas de pagamento. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas rubricas de natureza remuneratória pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, bem como as remunerações pagas a Segurados Contribuintes Individuais prestadores de serviço pessoas físicas, com recursos do SUS. Na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos com os respectivos valores declarados em GFIP, a fiscalização constatou a existência de rubricas de natureza remuneratória que não foram consideradas nas bases de cálculo declaradas em GFIP, procedendo ao lançamento das contribuições correspondentes devidas. Na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos com os respectivos valores declarados em GFIP, a fiscalização encontrou casos em que segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais foram omitidos da GFIP em determinadas competências, procedendo ao lançamento das Contribuições Previdenciárias correspondentes devidas. No que tange ao lançamento tendo por fatos geradores os pagamentos efetuados a prestadores de serviços, pessoa física, com recursos do SUS, a Fiscalização constatou que tais fatos jurígenos tributários foram feitos de forma “globalizada” utilizando um credor virtual de CNPJ nº 99.999.997/981411, denominado “PAGTO.DE PRESTADORES DE SERVIÇOS/FUNDO ESTADUAL DE SAUDE”. Na impossibilidade de se discriminar, em tais arquivos, os valores pagos a pessoa física prestadora de serviço SUS, a Fiscalização solicitou informação ao setor responsável, tendo sido atendida pela Superintendência de Programação Assistencial / Subsecretaria de Regulação, na pessoa da Diretora Vânia de Freitas Drumond, CPF:128.278.86634, que forneceu Arquivo Digital, em formato de planilha EXCEL, contendo a Relação nominal de pagamentos a Prestadores SUS. A Gerência de Informação de Serviços Assistenciais, setor responsável por estas informações, alegou que os dados solicitados estavam o no SGIF – Sistema de Gestão de Informação Financeira, cuja administração técnica estaria fora do controle da Secretaria da Saúde, sendo que o sistema só permitia a extração da informação pagamentos feitos aos prestadoresSUS e o cadastro dos prestadores pessoa física com Nome, CPF e NIT (dentre outros dados pessoais) na forma que foi apresentada à fiscalização, inclusive com vários NIT faltantes. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.068 13 O formato e a organização em que estas informações sobre os pagamentos a prestadores SUS foram encaminhados à Fiscalização não são compatíveis com a estrutura de uma Folha de Pagamento. A planilha EXCEL encaminhada em 15/05/2012 apresentou inconsistências que, após questionamento ao setor de Regulação, geraram novas versões em formato DBF, e uma versão final em formato banco de dados ACCESSMDB, em 26/03/2013, que complementou, ainda que de forma precária, as referidas informações – fora do que seria um formato Folha de Pagamento. Diante da situação acima descrita, e da alegada supracitada impossibilidade de acerto, a Fiscalização elaborou o discriminativo acostado no Anexo 12 – Relação de Pagamentos a Prestadores SUS, a fls. 576/854, discriminando nominalmente, por prestador, o nome, competência tributária, CPF, NIT, valor do serviço e competência em que o serviço foi prestado. Tal discriminativo foi elaborado a partir do cruzamento das informações encaminhadas em formato EXCEL, DBF e ACCESS, sendo buscado o NIT do trabalhador através de aplicativo do sistema CONTAGIL nos Cadastros informatizados da Receita Federal, “montando” a Fiscalização, de maneira precária, o que seria a “Folha de Pagamento de Prestadores SUS”, incumbência essa que seria da própria Recorrente, por força da Obrigação Tributária Acessória prevista no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Aditese que, em razão da não inclusão de tais prestadores de serviço nas Folhas de Pagamento da empresa, esta foi autuada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.045.7614 CFL 30, em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A relação de pagamentos do Anexo 12, a fls. 576/854, foi apresentada para a empresa mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 011/2013, a fls. 125/126, para confirmação/esclarecimentos. “5. Confirmar, através de declaração, a situação de Não declarados em GFIP dos pagamentos a Pessoa Física, a titulo de SERVIÇOS SUS, transitados no sistema SIAFI com “relação” agrupada fornecida pelo setor de Regulação arquivo “0055 Relação de Pagamento a Prestadores SUS.xls” encaminhado no CD anexo.” Em resposta, a Secretaria de Estado de Saúde, em ofício a fl. 127, não questionou os valores da relação, restringindose ao texto reproduzido adiante: “5) No que diz respeito aos prestadores do SUS, é efetuada a retenção e o recolhimento da parte do segurado, porém não é feito o recolhimento da parte patronal e respectiva declaração em GFIP, por falta de dados no Cadastro Nacional de Estabelecimento”. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Não procede, portanto, a alegação de que o lançamento teria se baseado em mera presunção, na medida em que não identificou faticamente os serviços prestados pelos prestadores do SUS. De acordo com o art, 22, III, da Lei nº 8.212/91, a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, independentemente de quais tenham sido os serviços prestados à empresa, circunstância que torna desnecessária a sua discriminação no Relatório Fiscal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (ACS: ver lei 10.666/2003) Por outro lado, o saláriodecontribuição para o contribuinte individual, base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, consiste na remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. Como visto, a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias consistente na remuneração auferida pelo trabalhador, independe de quais tenham sido os serviços prestados à empresa, circunstância que torna desnecessária a sua discriminação no Relatório Fiscal. Além disso, os serviços prestados pelos Segurados Contribuintes Individuais em apreço ao Recorrente já são do conhecimento do próprio Recorrente, circunstância que, também, torna desnecessária a sua discriminação no Relatório Fiscal. 3.2. DAS RUBRICAS DE NATUREZA REMUNERATÓRIA O Recorrente alega que as gratificações pagas aos servidores públicos cedidos por outros órgãos não devem ser consideradas na base de cálculo da contribuição previdenciária dado o seu caráter eminentemente temporário. Aduz que o prêmio produtividade se refere à participação nos resultados, a qual não é tributável. Argumenta, ainda, que não incide Contribuições Previdenciárias sobre as diárias, ainda que excedentes a 50%, dada a sua natureza indenizatória. Longe da razão. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.069 15 Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.070 17 trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (grifos nossos) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.071 19 trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador mesmo que sem prestar qualquer labor, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, mesmo que na forma de utilidades, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.072 21 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração Social PIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, em atenção aos termos insculpidos no art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção, de sorte que, onde o legislador ordinário não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.073 23 Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. 3.2.1. DAS GRATIFICAÇÕES Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que os proventos auferidos por segurados obrigatórios do RGPS, a título de gratificação, encontrase abraçado pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Ao contrário do que entende o Recorrente, a não eventualidade no recebimento de uma rubrica não se configura condição para a sua integração na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. De acordo com os termos constitucionais já ventilados, “os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário (conceito de Direito do Trabalho) para efeito de contribuição previdenciária”. Todavia, a base de cálculo das citadas contribuições sociais não é só a “folha de salários” (conceito de direito do trabalho), mas, também, “todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, onde se compreendem até mesmo os ganhos eventuais auferidos pelos segurados obrigatórios do RGPS. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque representam, nada mais, do que uma contraprestação remuneratória auferida pelos empregados que hajam alcançado as metas estabelecidas pela Recorrente, sendo irrelevante para o caso se os beneficiários são servidores próprios ou servidores cedidos por outros órgãos. Atingindo o trabalhador as metas definidas pelo empregador, este se titulariza no direito subjetivo à gratificação. Tais ganhos ingressam na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços ao Recorrente, em decorrência do contrato de trabalho, sendo, portanto, um benefício concedido pelo trabalho e não para o trabalho, de onde dessai a sua natureza remuneratória. Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários, dada a sua natureza jurídica de gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. 3.2.2. DOS PRÊMIOS O Recorrente alega que o prêmio produtividade se refere à participação nos resultados, a qual não é tributável. Sem razão também. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.074 25 Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Assim, para que a rubrica paga a título de PLR legal se poste a salvo da incidência de Contribuições Previdenciárias, é necessário que sejam observados todos os requisitos dispostos na Lei nº 10.101/2000. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Assim, para que a verba paga a título de PLR fuja às garras do Fisco é necessário que o interessado, mediante documentos idôneo, comprove os seguintes requisitos: · Que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 · Que o plano de incentivo à produtividade tenha traduzido, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; Ø O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. · Que o pagamento da PLR tenha resultado de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Que das negociações suso citadas, tenham resultados instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · Que a negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · Que o instrumento formal resultante do acordo em realce tenha sido arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; · Que a PLR não tenha sido usada para substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · Que a PLR não tenha sido distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; Tendo em vista que o Recorrente não comprovou o adimplemento das condições essenciais para a subsunção da rubrica em tela à hipótese vertida na alínea ‘j’ do §9º Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.075 27 do art. 28 da Lei nº 8.212/91, resulta, por decorrência lógica, a incidência da regra geral de tributação. Assim, deve persistir o lançamento das Contribuições Previdenciárias incidentes sobre o total das vantagens auferidas pelo segurado a título de Participação nos Resultados. 3.2.3. DAS DIÁRIAS Alega o Recorrente que não incide Contribuições Previdenciárias sobre as diárias, ainda que excedentes a 50%, dada a sua natureza indenizatória. Engraçado ... A lei dispõe em sentido contrário !!! Todavia, apesar da contrariedade do Recorrente, este Sodalício se curva ao Império da Lei sendo certo que a alínea ‘a’ do §8º da Lei nº 8.212/91 estatui, expressamente, que o total das diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal, integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) Nesse sentido, é copiosa a jurisprudência promanada do Superior Tribunal de Justiça, REsp 591961 / DF Re. Min. Luiz Fux. DJ 22/03/2004 Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 PREVIDENCIÁRIO. SERVIDORES PÚBLICOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE DIÁRIA DE VIAGEM. INCLUSÃO. ART. 1º DA LEI 9.783/99. 1. A Previdência Social é instrumento de política social do governo, sendo certo que sua finalidade primeira é a manutenção do nível de renda do trabalhador em casos de infortúnios ou de aposentadoria, abrangendo atividades de seguro social definidas como aquelas destinadas a amparar o trabalhador nos eventos previsíveis ou não, como velhice, doença, invalidez: aposentadorias, pensões, auxílio doença e auxílioacidente do trabalho, além de outros benefícios ao trabalhador. 2. A concessão dos benefícios restaria inviável não houvesse uma contraprestação que assegurasse a fonte de custeio. 3. Consectariamente, o fato ensejador da contribuição previdenciária não é a relação custobenefício e sim a natureza jurídica da parcela percebida pelo servidor, que encerra verba recebida em virtude de prestação do serviço. 4. As diárias de viagens não integram o saláriodecontribuição, desde que não excedam a 50% da remuneração mensal do empregado. (Art. 1º da lei 9.783/99). 5. Deveras, as normas tributárias isentivas são de interpretação estrita, não havendo como se conferir a alforria fiscal (art. 111, CTN). 6. Recurso especial desprovido. O Recorrente alega que “o trabalho fiscal também não demonstrou, de forma inequívoca, como chegou à conclusão de que as mesmas ultrapassam 50% a remuneração do servidor”. Realmente, deve ser muito difícil para o Recorrente entender ... matemática ... Conforme consignado no item 5.4.1. do Relatório Fiscal, a fl. 37, o anexo 3, a fls. 501/510, comporta discriminativo de apuração onde apresenta, para cada trabalhador nele elencado, a base de cálculo mensal, os valores pagos a título de diárias, o total da base de cálculo declarada em GFIP, dentre outras informações. “5.4.1. O Anexo 3 – “Pagtos a Título de Diárias para servidores CAT20” discrimina, servidor por servidor, as ocorrências de valores de diárias maiores que 50% da remuneração mensal. Tais valores pagos a título de Diárias (coluna “Diárias”) foram enquadrados como Base de Cálculo Não DECLARADA, lançadas então no Levantamento DI (veja DD – Discriminativo de Débito em anexo). 5.4.2. As diárias pagas foram apuradas pelos Empenhos/Liquidações relacionados no Anexo 4 – “Liquidações: Vrs (a título de Diárias) pagos a Servidores CAT20”. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.076 29 Assim, sempre que o valor das diárias for maior que 50% (cinquenta por cento quer dizer a metade !!!) do valor da base de cálculo do trabalhador, restará configurado que o valor total das diárias ultrapassou 50% da remuneração do servidor. Aditese que, para facilitar a compreensão, a Autoridade Lançadora complementou o discriminativo do anexo 3 com a coluna da extrema direita intitulada “Análise Diárias”, com as seguintes observações: · “Vr Diárias > 50% BCFPG” – significa que o valor das diárias é maior que 50% da base de cálculo registrada na Folha de Pagamento. · “Servidor com DIÁRIA e BC_FPG=0 nesta COMP” – significa que o servidor naquela competência tem sua remuneração na folha de pagamento igual a zero. Sendo a metade de zero igual a zero, deflui que qualquer que seja a diária recebida esta será, necessariamente, maior do que a metade da remuneração auferida pelo servidor. Nada obstante, com tudo isso, o Recorrente ainda alega que “o trabalho fiscal também não demonstrou, de forma inequívoca, como chegou à conclusão de que as mesmas ultrapassam 50% a remuneração do servidor”. Se nos antolha que a deficiência não é do trabalho fiscal ... Assim, deve persistir o lançamento das Contribuições Previdenciárias incidentes sobre o total das diárias auferidas pelo segurado, quando excedentes a cinquenta por cento da sua remuneração mensal. 3.3. DA ALIQUOTA DO SAT O Recorrente alega que inexiste fundamento fático e legal para enquadrar o Estado e a Secretaria Estadual de Saúde na alíquota de 2% do GILRAT. Ainda sem razão ... No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta de 1988, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.077 31 creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (grifos nossos) §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) §6º Verificado erro no auto enquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) §7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º. §8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. §9º A contribuição de que trata este artigo, a cargo da microempresa e da empresa de pequeno porte não optantes pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, corresponde ao percentual mínimo, nos termos do inciso I do art. 17 da Lei nº 8.864, de 28 de março de 1994. (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 §10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §12. Para os fins do §11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa e deve ser em função da atividade econômica preponderante. Todavia, o §5º, in fine, do art. 202 do RPS estabelece a competência da, hoje, Secretaria da Receita Federal do Brasil para rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores devidos. Nos termos do §1º do art. 86 da IN SRP nº 3/2005, o auto enquadramento para fins de determinação de grau de risco de acidente de trabalho será realizado pela atividade econômica da empresa, em atenção à Classificação Nacional de Atividades Econômicas – Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.078 33 CNAE, sendo oportuno ressaltar que, na hipótese de a empresa exercer mais de uma atividade econômica, o auto enquadramento se dará na atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada aquela que ocupar o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 86. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta IN, são: (...) II para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 71, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: a) um por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) dois por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; c) três por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; (...) §1º A contribuição prevista no inciso II do caput, será definida da seguinte forma: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, obedecendo as seguintes disposições: a) a empresa com um estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrarseá na respectiva atividade; b) a empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e prevalecerá, como preponderante, aquela que tenha o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; c) a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 d) os órgãos da administração pública direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembleias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, enquadrarse ão na respectiva atividade, observado o disposto no §9º; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) (...) II considerase preponderante a atividade econômica que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, observado que: a) apurado na empresa ou no órgão do poder público, o mesmo número de segurados empregados e trabalhadores avulsos em atividades econômicas distintas, considerarseá como preponderante aquela que corresponder ao maior grau de risco; (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) b) não serão considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros; (...) IV verificado erro no auto enquadramento, a SRP adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo ao lançamento do crédito relativo aos valores porventura devidos. (...) §9º Na hipótese de um órgão da administração pública direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarseá o disposto na alínea "c" do inciso I do §1º deste artigo. (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) (...) Há que se destacar, de plano, que uma mesma atividade pode ser executada tanto pela iniciativa privada, como uma atividade econômica propriamente dita, ou seja, um meio de obtenção de lucro, bem como pela administração pública, no desempenho de um serviço público. É o que sói ocorrer nos casos de saúde, educação e cultura, dentre tantos outros. Tal segregação é relevante, pois importará enquadramento CNAE distintos. A Tabela 1 do Anexo II da IN MPS/SRP nº 3/2005 relaciona os códigos CNAE das atividades, os correspondentes códigos FPAS e os percentuais de contribuição para o financiamento de aposentadorias especiais e dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, previstos no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Os códigos FPAS são listados em ordem numérica e se vinculam ao código CNAE da atividade à qual correspondem. Para fins do disposto no art. 137 §§ 1º e 2º da IN MPS/SRP nº 03/2005 deverá o sujeito passivo observar rigorosamente o código CNAE de sua atividade a fim de identificar o código FPAS atribuído pela Tabela 1. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.079 35 Notese que, no caso das atividades de saúde, se a atividade for prestada pela iniciativa privada, o seu enquadramento no código FPAS será o 515, sujeita à alíquota de SAT de 2%, conforme tabela que ora se vos segue: CNAE RAT FPAS Descrição da atividade 86500/99 2,00% 515 Atividades de profissionais da área de saúde não especificadas anteriormente 86607/00 2,00% 515 Atividades de apoio à gestão de saúde 86909/01 2,00% 515 Atividades de práticas integrativas e complementares em saúde humana 86909/99 2,00% 515 Outras atividades de atenção à saúde humana não especificadas anteriormente 87204/99 2,00% 515 Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química não especificadas anteriormente Registrese, a fim de nocautear qualquer duvida ainda renitente, que com a promulgação da EC nº 19/98, e o fim da obrigatoriedade do Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos, os entes federativos passaram a poder contratar servidores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, os quais deveriam ser mensalmente declarados em GFIP. Houvese então por criado o código FPAS 582, e as atividades a eles associadas, conforme tabela abaixo, extraída da IN SRP nº 3/2005. ANEXO II ‐ IN 03/2005 ‐ TABELA 1 CNAE RAT FPAS Descrição da atividade 64107/00 1,00% 582 Banco Central 84116/00 2,00% 582 Administração pública em geral 84124/00 2,00% 582 Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais 84132/00 2,00% 582 Regulação das atividades econômicas 84213/00 2,00% 582 Relações exteriores 84221/00 2,00% 582 Defesa 84230/00 2,00% 582 Justiça 84248/00 2,00% 582 Segurança e ordem pública 84256/00 2,00% 582 Defesa Civil 84302/00 2,00% 582 Seguridade social obrigatória 99008/00 1,00% 582 Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais sem acordo internacional de isenção (com acordo: FPAS 876) Conforme se observa, as atividades associadas ao FPAS 582 são todas vinculadas às funções típicas de Estado, como Administração pública em geral, Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais, relações exteriores, defesa, segurança, justiça, seguridade social, etc. Nenhuma delas, de forma alguma, encontrase relacionada com atividade econômica stricto sensu. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Ultrapassada tal questão, nos concentrando na identificação do código CNAE aplicado à espécie, apuramos que, tratandose de um serviço público prestado pela administração pública, o enquadramento na Classificação Nacional de Atividades Econômicas ajustase na Seção ‘O’, Divisão 84 – “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL”. Tratandose de Administração pública representada por um único CNPJ, como assim demonstram as provas contidas nos autos, a classificação se estende pelo Grupo “84.1 Administração do estado e da política econômica e social” e se completa com a classe “84.116 Administração pública em geral” e subclasse “84116/00 Administração pública em geral”, conforme a Estrutura detalhada CNAE 2.0, a consulta na página da internet http://www2.sefaz.to.gov.br/consultas/cnae_arquivos/CNAE%202.0%20Subclasses%20 %20Estrutura%20detalhada.pdf. No vertente processo, o próprio Recorrente admite que a que a Administração Pública é classificada como 84116/00. Ostentando a atividade desenvolvida pela administração pública em geral classificação CNAE 84116/00, a esta corresponde o grau de risco médio, nos termos do ANEXO V do Regulamento da Previdência Social, que expõe a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, conforme a classificação nacional de atividades econômicas, implicando, pois, na fixação de alíquota para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho em 2%. CNAE ATIVIDADE SAT 84116/00 Administração pública em geral 2% 84124/00 Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais. 2% 84132/00 Regulação das atividades econômicas 2% 84213/00 Relações exteriores 2% 84221/00 Defesa 2% 84230/00 Justiça 2% 84248/00 Segurança e ordem pública 2% 84256/00 Defesa Civil 2% Não merece reparo, pois, o lançamento, eis que a alíquota de 2% para o SAT houvese aplicada em estreita sintonia com as normas fixadas na legislação previdenciária. 3.4. DA PERÍCIA Alega o Recorrente cerceamento de defesa em razão de o Órgão Julgador de 1ª Instância ter indeferido a produção de prova pericial. Permanece sem razão. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.080 37 Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de situações fáticas, cujo teor já é do conhecimento do Auditor Fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da Autoridade Julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nessa prumada, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do Contribuinte, desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade, em regra, são tidos como prescindíveis, uma vez que os Agentes do Fisco são dotados de conhecimento específico sobre a matéria objeto do seu dever de oficio e competência legal para o exame e apreciação dos paramentos atávicos aos fatos geradores apurados, circunstância que torna despicienda a manifestação de pessoa estranha aos procedimentos fiscalizatórios que, em tese, nada irá acrescentar ao convencimento motivado do Julgador. Há que se considerar, igualmente, que o Ordenamento Jurídico Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise garantia do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem ser valorados com ampla liberdade, desde que tal operação intelectual seja realizada motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e de razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora. Notório o escólio de Gomes Filho (in Direito à Prova no Processo Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 162): “Se de um lado, em oposição ao critério das provas legais, o livre convencimento pressupõe a ausência de regras abstratas e gerais de valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais, por outro implica a observância de certas prescrições tendentes a assegurar a correção epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”. Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de identificação da subsunção do fato concreto à norma jurídica de regência, de valoração das provas, sob a ótica que demanda a controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por desígnio propiciar ao Julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às circunstâncias substanciais pertinentes ao evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência. Não se mostra despiciendo relembrar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo do Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo quarto. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.081 39 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Com efeito, emerge dos dispositivos legais que regem a matéria em debate que as provas documentais que dão esteio aos argumentos e alegações de defesa têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais acima referidas, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. No caso em debate, o Órgão Julgador de 1ª Instância considerou desnecessária a produção de prova pericial em razão de a perícia não se prestar à solução de alguns quesitos, seja por ser incompatível com outros, seja, ainda, pelo fato de alguns outros quesitos não demandarem conhecimento técnico a ensejar o deferimento de expediente pericial, não possuindo este Colegiado competência para sindicar as razões do convencimento do Órgão Julgador a quo. E diga a DRJ/RPO “Pelo exposto, tenho que o pedido de perícia merece ser indeferido, seja por não se prestar à solução de alguns quesitos, seja por ser incompatível com outros, seja, ainda, pelo fato de alguns outros quesito não demandarem conhecimento técnico a ensejar o deferimento de expediente pericial.”. Corroboramos o entendimento do Órgão Julgador de 1ª Instância. Alguns dos quesitos suscitados pelo Recorrente são irrelevantes para a solução do vertente litigio (1, 14). Outros, por seu turno (2 a 11) devem ser provados, necessariamente, mediante a apresentação de provas documentais, as quais têm que ser colacionadas aos autos na mesma ocasião da impugnação, sob pena de preclusão, não se prestando a perícia para suprir tal deficiência. Há ainda aqueles (12 e 13) que independem de conhecimento específico de perito, por estarem perfeitamente descritos e caracterizados no Relatório Fiscal. Por tais razões, indeferimos a produção da prova pericial pretendida 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.082 41 Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011086/2005-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. PROTOCOLO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE DO SUJEITO PASSIVO.
A partir do exercício de 2001, é obrigatória a apresentação do ADA - Ato Declaratório Ambiental para exclusão, da base de cálculo do ITR, da Área de Preservação Permanente, acatando-se o protocolo do documento junto ao Ibama antes de iniciada a ação fiscal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL.
Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é requerida a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental - ADA, bem como a averbação da área junto ao Registro de Imóveis. Porém a averbação da área, à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, supre a necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA.
No caso, a averbação ocorreu após a ocorrência do fato gerador, então é de se manter a glosa.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1- em relação à Reserva Legal, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Tereza Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso; e 2- em relação à Área de Preservação Permanente, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Marcelo Oliveira, que votaram por dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, quanto à Área de Preservação Permanente.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada
EDITADO EM: 19/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. PROTOCOLO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE DO SUJEITO PASSIVO. A partir do exercício de 2001, é obrigatória a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para exclusão, da base de cálculo do ITR, da Área de Preservação Permanente, acatandose o protocolo do documento junto ao Ibama antes de iniciada a ação fiscal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é requerida a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA, bem como a averbação da área junto ao Registro de Imóveis. Porém a averbação da área, à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, supre a necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu após a ocorrência do fato gerador, então é de se manter a glosa. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 10 86 /2 00 5- 86 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 236 2 Acordam os membros do colegiado: 1 em relação à Reserva Legal, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Tereza Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso; e 2 em relação à Área de Preservação Permanente, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Marcelo Oliveira, que votaram por dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, quanto à Área de Preservação Permanente. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada EDITADO EM: 19/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório O Acórdão nº 220100.889, da 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 173 a 181), julgado na sessão plenária de 21 de outubro de 2010, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, considerando possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal no exercício de 2001. Transcrevese a ementa do julgado: AUTO DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO SUPLEMENTAR DE ITR. GLOSA DE ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA POR FALTA DO COMPETENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) EXPEDIDO PELO IBAMA. Descabida a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área da Reserva Legal da Fl. 236DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 237 3 propriedade em função da não apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental, fatos estes que foram devidamente sanados e comprovados devidamente, mesmo fora do prazo, durante a fase processual administrativa RESERVA LEGAL. Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afrontar dispositivo legal. Recurso Voluntário Provido. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (efls. 187 a 210), onde defendeu a necessidade de apresentação tempestiva de ADA para ser possível a dedução tanto da área de preservação permanente como da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. Fundamentou seu pedido, em síntese, no teor do art. 17O, § l o da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. lo da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, no art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, no art. 10 do Decreto no 4.382,de 19 de setembro de 2002 e, ainda, com fulcro no art. 17 da IN SRF no 60, de 06 de junho de 2001 e na Solução de Consulta Interna COSIT no 12, de 21 de maio de 2003. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou os seguintes paradigmas: Acórdão no 39100037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 211a 216. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte ofertou contrarrazões (efls. 220 a 232), onde defende, em síntese, que: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 238 4 a) o art. 10, inciso II, da Lei n° 9.393, de 1996, não condiciona, nem vincula o benefício de isenção do ITR para as áreas em questão à apresentação do ADA ao IBAMA, Aliás, pelo contrário: segundo o § 7° do próprio art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996, a isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente não se sujeita ou condiciona a qualquer "prévia comprovação" por parte do proprietário; b) A exigência do ADA teria sido estabelecida por Instruções Normativas, que não poderiam ter inovado ou extrapolado o conteúdo das leis regradoras da hipótese de incidência do ITR, sob pena de violação ao princípio da legalidade. A mesma impossibilidade de inovação ou extrapolação seria aplicável ao Decreto n° 4.382, de 2002; c) O art. 17O, § I o da Lei n° 6.938, de 1981, com redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000, foi revogado pelo § 7o do art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996 (que, a seu ver, dispensa qualquer comprovação para a isenção do ITR), revogação realizada pela Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001; d) Não haveria prazo legal para a apresentação do ADA e nem para a averbação da Reserva Legal (as quais ocorreram antes do início da ação fiscal) e que as áreas em questão, além de legalmente dispensadas de comprovação prévia, teriam restado demonstradas como existentes a partir da documentação acostada aos autos, devendose observar o princípio da verdade material. Propugna assim a autuada que se mantenha a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator A discussão trata da necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, para o exercício de 2001. No caso concreto, o ADA acostado aos autos foi protocolizado em 18/11/2004 (efl. 19), anteriormente ao início da fiscalização, que se deu em 27/04/2005 (efl. 4). Quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. Entendo a princípio que, em se tratando de requisito para fins de redução da base de cálculo do ITR, a apresentação do ADA para fins da referida redução deveria se dar até a data de ocorrência do fato gerador (no caso 01/01/2001). Fl. 238DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 239 5 Todavia, de se respeitar o fato de que a legislação vigente à época do fato gerador, a saber, a Instrução Normativa SRF nº 73, de 18 de julho de 2000, em seu art. 17, inciso III, concedia prazo adicional ao contribuinte, possibilitando a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR – DITR, ressaltandose aqui meu entendimento de competência plena da referida Instrução Normativa para determinar a data para cumprimento de obrigação prevista em lei. In casu, a DITR do exercício de 2001 deveria ser entregue até o dia 28 de setembro de 2001, conforme dispunha o art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 61, de 6 de junho de 2001. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2001 poderia ser entregue até o dia 28 de março de 2002. Como, no presente caso, ele foi apresentado apenas em 18 de novembro de 2004 (efl. 19), há que se reconhecer sua intempestividade, tendo o mesmo sido entregue, ainda, após a fiscalização ter se iniciado em 27/09/2005 (efl. 4). Assim, não suprida a obrigação de apresentação de ADA de forma tempestiva, não é de se admitir a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, devendose dar provimento ao Recurso da Fazenda nesta seara, restabelecendo a glosa da área de preservação permanente, de 298,5 ha. Por sua vez, sobre o tema da reserva legal, esclareçase que essa tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) como já citado, a apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1o de janeiro do anocalendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O acórdão recorrido dispensou a obrigação de apresentação do ADA, considerando que tal reserva ficou parcialmente documentada como existente (no valor de 975,2 ha), a partir de sua averbação no registro competente. A propósito, também julgo que a averbação tempestiva da área na matrícula do imóvel, por constituir a área de reserva legal, é comprovação suficiente do fato, mesmo se desacompanhada de ADA. Quanto à tal averbação, na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. Para que todos possam decidir com suas convicções, esclareço que, no presente caso, a área de reserva legal declarada é de 975,2ha (60% da área total do imóvel) e que, teve sua averbação realizada em 18/06/2003 (vide efls. 16 a 18), assim, posteriormente à ocorrência do fato gerador em 01/01/2001. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 240 6 Do meu ponto de vista, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, §2o, na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Observese que, após as alterações da Medida Provisória nº 2.166 67, de 24 de agosto de 2001, essa exigência passou para o §8o do mesmo artigo. Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de reserva legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da área de reserva legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. No presente caso, com a averbação intempestiva da área de reserva legal, não se pode admitir sua dedução da base de cálculo do ITR, dandose provimento ao Recurso Especial em questão também quanto a esta matéria, restabelecendose, destarte, a glosa de 975,2 ha. de reserva legal, efetuada pela autoridade autuante. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 240DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 241 7 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Divirjo do voto do Ilustre Conselheiro Relator, unicamente em relação à APP – Área de Preservação Permanente. Tratase do imóvel rural denominado Fazenda Pedra Azul, no Município de Cerro Azul/PR, em relação ao qual foi glosada a área de 298,5 hectares a título de APP – Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação tempestiva do ADA – Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, no exercício de 2001. Examinandose a legislação de regência, verificase que o direito à exclusão, da base de cálculo do ITR, da área de Preservação Permanente, está garantido na Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 10. Por outro lado, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1° do art. 170, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal e, conforme Instruções Normativas da Receita Federal, foi estabelecido o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para o protocolo do requerimento do documento junto ao Ibama. Entretanto o ADA, ainda que apresentado tempestivamente, como a própria denominação está a evidenciar, tem efeito apenas declaratório, portanto não tem o condão de constituir o direito, representado pela existência efetiva da área de Preservação Permanente, no imóvel objeto da autuação. Nesse passo, há que ser reconhecida a espontaneidade do Contribuinte, quando o ADA é protocolado após o fato gerador, porém antes do início da respectiva ação fiscal. Com estas considerações, verificase que, no presente caso, a Contribuinte protocolou o ADA no Ibama em 18/11/2004 (fl. 17), enquanto que o procedimento fiscal somente foi iniciado em 27/04/2005 (fls. 03), portanto resta clara a espontaneidade do sujeito passivo. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa da ARL – Área de Reserva Legal, no termos do voto do Relator, e acatar a APP – Área de Preservação Permanente de 298,5 hectares. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 241DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 242 8 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19396.720021/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Aplica-se o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação de serviços em geral.
CSLL. PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Aplica-se o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da
base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral.
Numero da decisão: 1302-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação de serviços em geral. CSLL. PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 21 /2 01 1- 38 Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, acrescidos da multa de 75% e dos juros de mora, lançados pelo fato da Interessada ter aplicado incorretamente os coeficientes de 8% e 12% respectivamente, ao invés dos 32% previstos na legislação para a determinação do Lucro Presumido. Cientificada do Auto de Infração em 15/12/2011, a Interessada apresentou Impugnação tempestiva em 13/01/2012, com os anexos de fls. 1059/1166, com alegações que podem assim ser resumidas: que seu objetivo é “comércio varejista de peças e equipamentos elétricos, hidráulicos, comercio varejista de peças para mototres, serviços de engenharia, montagem e manutenção de instrumentação industrial, mecânica, elétrica e calderaria, serviçoes de construção civil e manitenção de plataformas”, cujos serviços incluem o fornecimento de materiais. que desde 97 o ADN nº 6, já definia o percentual de 8% para a construção por empreitada, quando houvesse emprego de materiais em qualquer quantidade e de 32% quando aplicado unicamente mão de obra. que a Solução de Consulta nº 278 de 08/11/2004 da 8ª RF, decidiu que “para efeito de determinação na base de cálculo do IR pelo lucro presumido, aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta auferida em decorrência de prestação de serviços de instalação elétrica, com fornecimento de material. A decisão considerou a ADN nº 6. que todas as notas juntadas contem referências aos pedidos, propostas, ordens de serviço, contratos e detalham os serviços, sempre incluindo o fornecimento de material e o fato de por equivoco não constar nas notas especificamente o fornecimento de materiais não pode ser óbice a busca da verdade operacional. protesta por todos os meios de prova A 9ª Turma da DRJ/RJ1, através do acórdão 1258.876, decidiu por unanimidade de votos, negar provimento às impugnações, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IRPJ Anocalendário: 2008 PERCENTUAL APLICÁVEL PARA OBTENÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO NO CASO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.432 3 de serviços em geral. No caso específico de contratação de prestação de serviços da construção civil ou de serviços auxiliares da construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, aplicase o percentual de 8% em vez de 32%. ASSUNTO: CSLL Anocalendário: 2008 PERCENTUAL APLICÁVEL PARA OBTENÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO NO CASO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral. No caso específico de contratação de prestação de serviços da construção civil ou de serviços auxiliares da construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, aplicase o percentual de 12% em vez de 32%. Cientificado da decisão em 20/09/13, apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 17/10/13, reiterando os termos das impugnações e aduzindo em síntese o seguinte: ‐ que não obstante a revogação do ADN nº 6/1997, a própria decisão recorrida informa que, após a publicação da IN SRF nº 539/2005, a Solução de Consulta nº 225/2008, assim decidiu a questão: "As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de oito por cento na determinação da base de cálculo dq Imposto de Renda, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%". Grifos nossos. ‐ que a Recorrente, conforme comprovam o seu contrato social e os demais documentos juntados, não é prestadora de serviços em geral, mas sim, de serviços auxiliares e de construção, sempre com emprego total de materiais, enquadrando‐se, no caput do art. 15, da Lei 9.249/95. ‐ não obstante todo o elenco de documentos solicitados e obtidos, fundamentou a lavratura do Auto de Infração, tão somente, no fato de a impugnante "descrever em sua razão social exercer Manutenções Técnicas" (fls. 1348), sem que, pelo menos, cotejasse os serviços descritos nas notas fiscais, com as suas respectivas propostas, ordens de compra etc. ‐ que em obediência aos princípios da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como à isonomta tributária, preceitos aos quais a Administração se encontra vinculada, resta a declaração de enquadramento do sujeito passivo Recorrente nos percentuais de 8% e de 12%, respectivamente para a tributação do IRPJ e da CSLL. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 ‐ que decisões do finado Conselho de Contribuintes deixam antever que as execuções de obras hidráulicas, elétricas, de construção e assemelhados, se classificam como serviços auxiliares da construção civil e a ela devem se equiparar para efeito de tributação. ‐ que tem a fiscalização o exclusivo ônus de provar que os coeficientes utilizados pela Recorrente são inadequados. que os serviços executados se referem a instalação e reparos de válvulas; abertura e reteste em permutador de gás; reparo em válvula de controle; remoção e instalação de válvula de bloqueio; revisão em vasos de óleo de selagem; retirada e reinstalação de válvulas etc. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1382/1386, foram executados com emprego total de material e se enquadram, inegavelmente, como de instalações hidráulicas, elétricas ou de montagem industrial. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1387/1389, são de deslocamento e pintura interna da curva de admissão; manutenção em turbo geradores e compressores, com emprego total de material e, indubitavelmente, se enquadram como de instalações hidráulicas, elétricas ou de montagem industrial. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1390, são de caldeiraria e pintura; instalação de transmissores de vazão, pressão e temperatura, painel, pedestais e cabos em P‐31, com emprego total de material, os quais, sem dúvida, são serviços hidráulicos. ‐ que todos estes serviços estão previstos como auxiliares da construção no anexo XIII da IN SRP 03 de 2005, utilizada como parâmetro pelos fundamentos do próprio v. Acórdão. É o Relatório. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.433 5 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e assim sendo, dele conheço. Pela legislação mencionada verificase que a regra geral, para a determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, foi a da aplicação do percentual de 8% para as atividades de comércio e indústria e de 32% para a de prestação de serviços em geral. No que concerne à atividade de prestação de serviços de construção por empreitada, a Receita Federal houve por bem expedir o Ato Declaratório Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, aqui reproduzido (grifos meus): “I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais.” II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra 'a', deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido." É preciso esclarecer que o item II do referido ADN, o qual, com base no art. 36, IV, da Lei nº 8.981/1995, não permitia que optassem pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas que se dedicassem à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis e à execução de obras da construção civil, com emprego de materiais em qualquer quantidade, foi tacitamente revogado, em função da derrogação expressa do aludido dispositivo legal pelo artigo 14 da Lei nº 9.718/1998. Em 29/12/2004, foi publicada a IN SRF nº 480, de 15/12/2004, que tratava da retenção, na fonte, de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep, determinando em seu art. 2º o seguinte (Grifei): Art. 2º A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção ( Anexo I ), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda, determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. No referido Anexo I – Tabela de Retenções, temse para o serviço de construção civil por empreitada com emprego de materiais a alíquota de 1,2% para a retenção Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 do IRPJ, a qual foi obtida mediante a aplicação de 15% sobre a base de cálculo de 8% da receita bruta. Porém, em seu artigo 32, a referida IN SRF nº 480, determinava que as disposições constantes dos artigos 1º a 20 alcançavam somente as retenções na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep, não alterando a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995. Em 27 de abril de 2005, foi publicada a IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, a qual assim alterou a IN SRF nº 480 (grifos meus): “Art. 1 º Os arts. 1 º , 3 º , 18, 19, 20, 21, 22. 26, 27 e 32 da Instrução Normativa SRF n º 480, de 15 de dezembro de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.1 º ................................................................................................. § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: I serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (...) "Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (..) II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei n º 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1 º , e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27."(NR)” Assim sendo, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 8% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. No que concerne à CSLL, o artigo 29 da Lei nº 9.430/1996, assim dispõe (grifos meus): Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.434 7 “Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período.” Por sua vez, o art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, com redação determinada pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, estabelece o seguinte (grifos meus): “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.” O referido art. 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249, de 1995, assim dispõe (grifos meus): “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade.” Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Da leitura dos referidos artigos, verificase que a regra geral estabelecida para a determinação da base de cálculo presumida da CSLL, foi a da aplicação do percentual de 12% para as atividades de comércio e indústria (como também se observa dos referidos artigos, para as atividades de comércio e indústria a base de cálculo presumida do IRPJ é igual a 8% da receita bruta) e de 32% para a de prestação de serviços em geral (como também se observa dos referidos artigos para a atividade de prestação de serviços em geral a base de cálculo presumida do IRPJ é igual a 32% da receita bruta). Como já visto, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 12% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. Em suma, a partir de 27/04/2005, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar, respectivamente, o percentual de 8% e de 12% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. Da Jurisprudência Administrativa Nesse mesmo sentido, trago à colação ementas de soluções de consulta e de decisões administrativas que bem distinguem a legislação aplicável à espécie antes e após a publicação, em 27/04/2005, da IN SRF nº 539, de 25/04/2005: Antes da Publicação em 27/04/2005 da IN SRF nº 539, de 25/04/2005 Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 8, de 20/01/2004 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ementa: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 8% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. Dispositivos Legais: art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995; IN SRF n° 93, de 1997; ADN Cosit nº 6, de 1997 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.435 9 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. Dispositivos Legais: art. 20 da Lei n° 9.249, de 1995, com a redação dada pelo art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003; art. 56 da IN SRF n° 93, de 1997; ADN Cosit nº 6, de 1997. Acórdão DRJ/CTA nº 117210, de 21/08/2004 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATOS DE EMPREITADA. As receitas decorrentes de contratos de empreitada de construção civil que abranjam tanto a mãodeobra quanto o fornecimento de materiais estão sujeitas, no total, ao percentual de 8% de determinação da base de cálculo do imposto de renda pelo lucro presumido. Acórdão DRJ/REC nº 1111867, de 08/04/2005 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. As receitas relativas a contratos de empreitada que abrangem tanto a mãodeobra quanto o fornecimento de materiais, estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL no lucro presumido, enquanto que aquelas decorrentes de construção por administração ou empreitada unicamente de mãodeobra, ou a prestação de serviços em geral, estão sujeitas ao percentual de 32%. Após a Publicação em 27/04/2005 da IN SRF nº 539, de 25/04/2005 Solução de Consulta nº 225 SRRF/8ª RF/Disit, de 11/07/2008 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de oito por cento na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Dispositivos Legais: Lei n.° 9.249, de 1995, artigo 15, caput e § 1.º, inciso III; Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 06, de 1997; Instrução Normativa SRF n.º 93, de 1997, artigo 3.º, § 2.º, IV, “d”; Instrução Normativa SRF n.º 480, de 2004, artigo 1.º, § 7.º, II c/c artigo 32, II; Instrução Normativa SRF n.º 539, de 2005, artigo 1.º; Instrução Normativa RFB nº 829, de 18 de março de 2008, Anexo I. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de doze por cento na determinação da base de cálculo da CSLL, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%. Dispositivos Legais: Lei n.º 8.981, de 1995, artigo 57; Lei n.º 10.684, de 2003, artigo 22; Lei n.º 9.249, de 1995, artigo 15, § 1.º, inciso III e artigo 20; Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 06, de 1997; Instrução Normativa SRF n.º 390, de 2004, artigos 88, inciso I e 89, inciso I; Instrução Normativa SRF nº. 480, de 2004, artigo 1.º, § 7.º, II c/c artigo 32, II; Instrução Normativa SRF n.º 539, de 2005, artigo 1.º; Instrução Normativa RFB nº 829, de 18 de março de 2008, Anexo I. Acórdão DRJ/POA nº 1041.164, de 08/11/2012 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32% quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Acórdão DRJ/POA nº 1041.168, de 08/11/2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.436 11 As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32%, quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Acórdão DRJ/POA nº 1041.169, de 08/11/2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Comprovada a contratação e prestação de fato de serviços de construção civil, no regime de empreitada total, com o fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, é correta a utilização do percentual de 12% para presunção da base de cálculo da CSLL. Do Conceito de Contratação de Prestação de Serviços de Construção Civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, são materiais incorporados à obra. Como já visto, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 8% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, se a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Nas demais, o percentual aplicável é de 32%. A IN SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente no anocalendário de 2006, assim dispunha em seu Título V, Normas e Procedimentos Aplicáveis à Atividade de Construção Civil, Capítulo I, Disposições Preliminares, Seção Única, Conceitos: Art. 413. Considerase: I – obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo XIII; (...) X – serviço de construção civil, aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo XIII; (...) Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 XXVIII – contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assuma a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; (...) § 1º Será também considerada empreitada total: I o repasse integral do contrato, na forma do inciso XXXIX do caput; (...) III – a empreitada por preço unitário e a tarefa, cuja contratação atenda aos requisitos previstos no art. 1851 § 2º Receberá tratamento de empreitada parcial: I – a contratação de empresa não registrada no CREA ou de empresa registrada naquele conselho com habilitação apenas para a realização de serviços específicos, como os de instalação hidráulica, elétrica e similares, ainda que essas empresas assumam a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários á realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, observado o disposto no inciso III do art. 27 (...) III – a reforma de pequeno valor, definida no inciso V do caput deste artigo; IV – aquela realizada por empresa construtora em que tenha ocorrido faturamento de subempreiteira diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador, ainda que a subempreiteira tenha sido contratada pela construtora. (...) Da leitura do art. 413 da IN SRP nº 3, de 2005, verificase que a Discriminação de Obras e Serviços de Construção Civil encontrase no seu Anexo XIII, cujo conteúdo está em conformidade com a CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas. No referido Anexo XIII, temse discriminadas as obras e serviços de construção civil. Concluo que à condição necessária para aplicação dos percentuais em foco de 8% (IRPJ) e de 12% (CSLL) aos contratos de prestação de serviços por empreitada no anocalendário de 2008, a qual é a de que a contratação seja de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.437 13 Sendo assim temos que: Considerase obra de construção civil a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo conforme discriminação no Anexo XIII da IN SRP nº 3, de 2005. Considerase serviço de construção civil aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo XIII da IN SRP nº 3, de 2005. Considerase contrato de construção civil ou contrato de empreitada aquele celebrado entre o dono da obra e uma empresa para a execução da obra ou serviço de construção civil. O contrato de construção civil ou contrato de empreitada pode ser na modalidade total ou parcial. Será total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX do art. 413 da IN SRP nº 3/2005, que assuma a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material. Será parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material. Da Metodologia de Análise do Percentual a Aplicar à Cada uma das Notas Fiscais Tendo em vista que a Recorrente teve atividades diversificadas de prestação de serviços durante o anocalendário de 2008, entende que para cada uma delas deveria ter aplicado o percentual correspondente a cada atividade, nos termos do que determina a Lei nº 9.249, de 1995, art. 15. § 2º (§ 3º do art. 519 do RIR/1999). É evidente que compete a Recorrente a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, dos serviços por ela prestados que entende ser aplicado o percentual de 8% (IRPJ) e de 12% (CSLL) e não o de 32% aplicável a prestação de serviços em geral. Assim sendo, passo a analisar os documentos apresentados pela Recorrente e chego à seguinte conclusão: Cliente Man Turbo do Brasil Ltda. (CNPJ 04.838.010/000151) NF Eletrônica nº 00000015, emitida em 02/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 140/07, cujo assunto é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Retirada e Instalação de Válvulas Esfera e Borboleta na Parada de Produção de PPM1”. NF Eletrônica nº 00000019, emitida em 02/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 255/07, cujo assunto é “Proposta Comercial para Serviços de Intervenção nos Permutadores de Gás do TCB (PC0020101/ 02B1/ B2)”. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 NF Eletrônica nº 00000128, emitida em 14/05/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 066/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Reparo em Válvula de Controle VAPP2 Balanceada de 3” x 600”# PGP1 – RP508”. NF Eletrônica nº 00000160, emitida em 30/06/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 095/08, cujo assunto é “Proposta Comercial de Serviços Substituição das Válvulas a Montante e a Jusante das PSV’S 221101 e 221102ª do TCA de PPM1”. Às fls. 1.238 juntou a Ordem de Compra nº 002362, sendo a especificação técnica de “Serviço de Remoção e Instalação de Válvulas de Bloqueio das PSV`S” OBS: Atende ao Projeto O&M – PPM1”. NF Eletrônica nº 00000218, emitida em 25/08/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 154/08, cujo assunto está ilegível, sendo o Preço Global dos Serviços (Permutador de Gás 02) de R$ 124.776,50. Às fl. 1.126 juntou a Ordem de Compra nº 002650, emitida em 25/08/2008, no valor total de R$ 124.776,50 referente à Proposta da Interessada 154/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Inspeção Periódica NR 13 do Permutador de Gás 02 do TCA OBS: Atende Projeto O&M – PCH2”. NF Eletrônica nº 00000244, emitida em 24/09/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 173/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para serviços de raqueteamento da planta, remoção dos spool’s e teto hood do compressor / TCA da plataforma de PCH2”. À fl. 1.133 juntou a Ordem de Compra nº 002829, referente à Proposta da Interessada 173/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Raqueteamento e Desraqueteamento Atende Projeto O&M – PCH2 TCA”. NF Eletrônica nº 00000289, emitida em 25/11/2008, acompnhada da Proposta Comercial nº 230/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para execução dos serviços de reparos em válvula de controle 6” x 600# RP 520 da plataforma de PCH2”. Às fl. 1.137 juntou a Ordem de Compra nº 003094, referente à Proposta Comercial da Interessada 230/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Reparo em Válvula de Controle FV Anti Surge 1º Estágio – Globo Não balanceada 6” x 600# OBS: Atende Projeto O&M – PCH2 RP 520”. NF Eletrônica nº 00000310, emitida em 10/12/2008, acompanhada da Proposta Comercial para serviços de Inspeção Periódica NR13 em equipamento do TCA da plataforma de PPM1”. Às fl. 1.141 juntou a Ordem de Compra nº 003220, referente à Proposta Comercial da Interessada 227/08 Revisão A de 26/11/2008, sendo a especificação técnica de “Serviço de Inspeção Periódica NR13 em vasos Elevados de Óleo de Selagem 9VC0021001/ 02A OBS: Atende Projeto O&M – PPM1”. Com base em todos estes contratos, entendio que os mesmos não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para todos o percentual de 32%. Cliente Turbomeca do Brasil Indústria e Comércio Ltda. do Brasil Ltda. (CNPJ 48.090.120/000153) NF Eletrônica nº 00000039, emitida em 28/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 206/07 Rev. C, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Deslocamento e Pintura Interna da Curva de Admissão do TGC de PGP1”. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.438 15 NF Eletrônica nº 00000109, emitida em 18/04/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 034/08, datada de 19/02/2008, cujo assunto é “Proposta Comercial para Aplicação na Pintura do Circuito de CO2 dos TC´S e TG´S de PPM1”. NF Eletrônica nº 00000111, emitida em 18/04/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 228/07 Rev. A (no topo da proposta está manuscrito que dela se originaram as faturas 37/111), datada de 30/11/2007, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Saneamento de Pendências das RTI’s e dos TC’s de PPM1”. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, os serviços ora em análise de aplicação de pintura nos Turbo Geradores e Turbo Compressores da Palaforma de Pampo(PPM1) e nos Turbo Compressores A, B e C da Plataforma de Pampo (PPM1) não têm natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, por si só, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para ambos o percentual de 32%. NF Eletrônica nº 00000335, emitida em 29/12/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 131/08 Revisão A (no topo da proposta está manuscrito que dela decorreram as notas fiscais 335/445/565, datada de 18/05/2009, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Saneamento de Pendências das RTI’s dos TC’s e TG’s de PGP1”. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, os serviços ora em análise de saneamento de pendências dos Turbo Compressores e dos Turbo Geradores da Plataforma de Garoupa (PGP1) não têm natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços Cliente Caterpillar Brasil Ltda.(CNPJ 61.064.911/000258) NF Eletrônica nº 00000045, emitida em 01/02/2008, cuja discriminação dos serviços é a seguinte: “Serviço de Reparo em Atuadores da SDV01 / SDV02/ SDV 03/ BDV 02 Conforme nossa proposta 223/07 – Atividades 1, 2 e 3. Conforme sua OS 50283 e OSI 16865”. Às fls. 1.215 a 1.220, juntou a Proposta Comercial nº 264/07, é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Reparo de Atuadores Pneumáticos”, sendo o Preço Total dos Serviços de R$ 9.190,00. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise de reparo em atuadores pneumáticos não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, já afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços. Cliente Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás.(CNPJ 33.000.167/100750) NF Eletrônica nº 00000044, emitida em 01/02/2008, acompanhada da Proposta pa Contratação de Pequenos Serviços nº 20070341, cujo objeto é o de “Delineamento e Reparo no Casulo do TCA” da plataforma Petrobrás XXVII (P27). Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise no Turbo Compressor A da Plataforma P27 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, por si só, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para ambos o percentual de 32%. NF Eletrônica nº 00000253, emitida em 07/10/2008, no valor de R$ 47.135,03 (fls.1239), cuja discriminação dos serviços é a seguinte: “Serviço de Instalação de Transmissores de Vazão, Pressão e Temperatura, Painel, Pedestais e Cabos com Materiais de Aplicação em P31 Conforme Contrato Nº 1003536148 Conforme sua Autorização de Serviço – AS 20082698”. Às fls. 1.240 a 1.247, juntou a Solicitação de Proposta para Contratação de Pequenos Serviços nº 20082698, emitida 25/06/2008, cujo objeto é o de “Serviço de instalação de transmissores de vazão, pressão e temperatura, painel pedestais e cabos, conforme descrito nos desenhos anexos, pertencentes ao sistema de detecção de vazamentos” da plataforma P31 offshore. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise no Turbo Compressor A da Plataforma P27 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil e no sistema de detecção de vazamentos da Plataforma P31 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços Portanto, após analisar a legislação que rege a matéria e todas as Notas Fiscais acarreadas aos autos, as quais dariam suporte ao uso que fez dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, cheguei à conclusão de que o percentual utilizado pela fiscalização no presente caso é o correto. Sendo assim, todas as Notas Fiscais anexadas pela Recorrente, inclusive as que não foram combatidas diretamente neste voto, têm o mesmo padrão, uma vez que a discriminação dos serviços nelas é similar e não se enquadram nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005. Não tendo a natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, devendo, por isso, ser utilizado para todas elas o percentual de 32% que é a regra geral. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente os lançamentos do IRPJ e da CSLL. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.439 17 Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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