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Numero do processo: 10830.000237/2008-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 02 37 /2 00 8- 37 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10830.000237/200837 Acórdão n.º 9202005.814 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721386/2013-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. FATO GERADOR TRIBUTÁRIO. ASPECTO TEMPORAL.
O momento de ocorrência do fato gerador é aquele previsto na legislação de regência do tributo. No caso de alienação de ações, por valores superiores ao seu custo de aquisição, o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no momento da efetiva alienação, sendo apurado o tributo devido quando do recebimento do valor avençado.
INCORPORAÇÃO REVERSA. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.
Devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado quando constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização. Inteligência do artigo 135 do Decreto no 3.000, de 1999.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS LEGALMENTE PREVISTA. NECESSIDADE.
Ausente a comprovação da prática intencional, pelo sujeito passivo, das condutas reprovadas pela Lei nº 9.430/96 é inaplicável a qualificadora da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%. Votaram pelas conclusões os Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho e Dione Jesabel Wasilewski. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento ao recurso.
assinado digitalmente
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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FATO GERADOR TRIBUTÁRIO. ASPECTO TEMPORAL. O momento de ocorrência do fato gerador é aquele previsto na legislação de regência do tributo. No caso de alienação de ações, por valores superiores ao seu custo de aquisição, o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no momento da efetiva alienação, sendo apurado o tributo devido quando do recebimento do valor avençado. INCORPORAÇÃO REVERSA. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado quando constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização. Inteligência do artigo 135 do Decreto no 3.000, de 1999. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 13 86 /2 01 3- 48 Fl. 841DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS LEGALMENTE PREVISTA. NECESSIDADE. Ausente a comprovação da prática intencional, pelo sujeito passivo, das condutas reprovadas pela Lei nº 9.430/96 é inaplicável a qualificadora da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%. Votaram pelas conclusões os Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho e Dione Jesabel Wasilewski. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento ao recurso. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ em Brasília/DF, que manteve, na integralidade, o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido nos anoscalendário de 2010 e 2011, em razão de ganho de capital por venda de ações não listadas na bolsa. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 389 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 1.615.468,06, que compreende imposto (R$ 593.756,43), juros de mora (R$ 131.076,97), multa proporcional (R$ 890.634,66), valores consolidados em junho de 2013. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente ao IRPF dos anoscalendário 2010 e 2011, ocorreu em 29 de junho de 2013, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 397. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 842 3 Em 22 de julho de 2013, foi apresentada impugnação (fls 401) ao lançamento. A decisão da 3ª Turma da DRJ BSB, consubstanciada no Acórdão 0361.651 (fls. 704), de 30/05/14, foi pela improcedência da impugnação, mantendose o crédito tributário constituído. Dessa decisão consta o seguinte relatório que, adoto, por sua precisão e clareza (fls 707): "O imposto a pagar apurado decorre de omissão apurada na alienação da participação societária que o Contribuinte possuía no Banco Pactual, CNPJ nº 30.306.294/000145, a UBS Brasil Participações Ltda, CNPJ nº 08.245.975/000191. O conteúdo do Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 371/388, mostra que, nesta operação de venda representada por 7.371.501 ações ordinárias, o Contribuinte “após um complexo processo de reorganização societária”, mediante “sofisticados artifícios contábeis”, “inflou artificialmente o custo das ações” com “o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação”. O processo de reorganização consistiu, segundo a autoridade lançadora, na elevação do capital em empresas investidoras, por meio de equivalência patrimonial com as empresas investidas e, simultaneamente, extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, mediante sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas. Referida alienação foi formalizada em dezembro de 2006, no entanto, o recebimento ocorreu de forma parcelada nos anos calendário de 2006, 2009, 2010 e 2011. A mencionada reorganização societária, com o objetivo de inflar o custo de aquisição das ações, envolveu o Contribuinte, Pactual Holdings S/A, Nova Pactual Participações Ltda (antiga Pactual Participações S/A), Pactual S/A, Banco Pactual S/A, UBS Brasil Participações Ltda, diversas empresas do grupo Pactual e outras pessoas físicas participantes da respectiva composição societária, fls. 372/373. Os registros feitos no TVF demonstram que em 13/10/2006, os sócios da Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A aprovaram, em Assembléia Geral Extraordinária, o aumento do capital social de cada uma das empresas, nos valores de R$ 686 milhões (créditos dos sócios) e R$ 202,5 milhões (distribuição de dividendos e reserva legal), respectivamente. No mesmo dia, as duas pessoas jurídicas foram incorporadas pela Pactual S/A. A fiscalização frisa que “praticamente a totalidade do acervo” das incorporadas referese a participações na incorporadora Pactual. Ato contínuo, com base no artigo 135 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999), em decorrência do aumento de capital em Nova Pactual Participações Ltda, o Contribuinte promove elevação de Fl. 843DF CARF MF 4 R$ 8.117.624,00 no custo de aquisição de seu investimento nessa empresa. No dia 3/11/2006, a Pactual S/A, por meio de Assembléia Geral Extraordinária realizada pelos seus sócios, aumenta em R$ 996.087.876,00 o seu capital social, provenientes de créditos dos sócios. Aqui o Contribuinte, novamente ao amparo do artigo 135 do RIR/1999, eleva o custo de aquisição de sua participação em mais R$ 6.474.568,00. No dia 1º/12/2006, a Pactual S/A é incorporada pelo Banco Pactual S/A. O total dos ativos da Pactual era composto pela participação no Banco Pactual. Os sócios da Pactual, em contrapartida, recebem ações do Banco Pactual. Na mesma data, o Contribuinte aliena as ações do Banco Pactual a UBS Brasil Participações Ltda. A fiscalização constata que os atos societários examinados serviram para o Contribuinte manobrar uma elevação indevida de 695,43% no custo de aquisição de sua participação no Banco Pactual, ao passo que no mesmo período o patrimônio liquido do Banco aumentou em 84,45%, passando de R$ 625.223.115,04 para R$ 1.153.225.211,81, conforme registrado na DIPJ. A autoridade lançadora conclui que o Contribuinte lançou mão de um planejamento tributário praticando atos simulados, pois elevou indevidamente o custo de aquisição da participação societária alienada, especificamente em relação ao efeito produzido pelas capitalizações ocorridas nas empresas Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A, em 13/10/2006, uma vez que esse efeito foi utilizado em duplicidade, haja vista que está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A realizada em 3/11/2006, no valor de R$ 996.087.876,00, quando o fiscalizado ajustou o custo das ações alienadas em R$ 8.117.624,00. Anota a referida autoridade que o único fato econômico que justifica o aumento do custo de aquisição da participação alienada pelo sujeito passivo é o lucro obtido pela Banco Pactual S/A, que sustentou a capitalização de lucros de R$ 996.087.876,00, realizada pela Pactual S/A. Nesse sentido, na ação fiscal realizada, foi ajustado o custo de aquisição das ações alienadas pelo Contribuinte para R$ 10.215.876,70, expurgandose o acréscimo de R$ 6.474.568,00 decorrente da capitalização feita pela Nova Pactual Participações Ltda. A autoridade fiscal explica que o custo de aquisição foi ajustado para refletir o valor dos recursos investidos, sejam do patrimônio do sócio ou dos lucros apurados pela sociedade, fls. 386/387. A apuração do custo de aquisição foi assim demonstrada: Recebimento Fl. 844DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 843 5 Após analisar os documentos e esclarecimentos constantes dos autos, a fiscalização apurou a infração a seguir, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal anotados no auto de infração e no TVF, fls. 372/386, 390 e 394: 001 – Omissão de Ganho de Capital decorrente da Alienação de Ações/Quotas não negociadas em Bolsa de Valores Fato Gerador Valor (R$) Multa (%) 31/3/2010 1.038.886,58 150 20/9/2010 1.038.886,58 150 18/3/2011 1.038.886,58 150 01/7/2011 1.038.886,58 150 A omissão relativa aos anoscalendário 2006 e 2009 foi objeto de autuação nos autos do processo administrativo fiscal nº 19515720.647/201141 Representação Fiscal para Fins Penais Foi formulada Representação Fiscal para Fins Penais, nos autos do processo administrativo nº 19515721.387/201392, tendo em vista que o Contribuinte, ao participar das operações que antecederam a alienação com o fim de majorar indevidamente o custo de aquisição das ações alienadas a UBS Brasil Fl. 845DF CARF MF 6 Participações Ltda, incorreu na prática de ato simulado com o propósito de lesar a Fazenda Nacional. DA IMPUGNAÇÃO Depois de cientificado do Auto de Infração, o Contribuinte apresenta impugnação às fls. 401/460. Reportase aos termos da autuação e da reestruturação societária, para, em seguida, expor os argumentos de defesa. O Auto de Infração e a Reestruturação Societária O lançamento exige a diferença de IRPF referente aos anoscalendário 2010 e 2011, decorrente da apuração de ganho de capital verificado na alienação de ações do Banco Pactual. A alienação alcançou R$ 34.083.513,27, sendo recebidos R$ 13.246.603,51 e R$ 14.902.708,62 em 2006 e 2009, respectivamente. O saldo restante foi recebido em quatro parcelas de R$ 1.483.552,84, nos meses de março/2010, setembro de 2010, março de 2011 e julho/2011. O IRPF relativo aos anoscalendário 2006 e 2009 é objeto de outro auto de infração (processo administrativo nº 19515.720647/201141). Antes da reestruturação, o Impugnante era titular de investimentos representativos de 0,83% da Nova Pactual Participações Ltda, sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital da empresa Pactual S/A, holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual S/A. Os investimentos representativos dos demais 21,82% do capital da Pactual S/A eram de propriedade da Pactual Holdings S/A, sociedade holding na qual o Impugnante não tinha qualquer participação. A autoridade lançadora, conforme TVF, assim questiona os principais atos da REESTRUTURAÇÃO: a) Aumento de capital de PARTICIPAÇÕES realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo de custo dos investimentos do IMPUGNANTE em PARTICIPAÇÕES em R$ 8.117.624,00; b) Também em 13/10/2006, aumento de capital de HOLDINGS mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP; este passo é irrelevante no caso concreto porque, como visto acima, o IMPUGNANTE não era titular de investimentos em HOLDINGS; c) Incorporação de PARTICIPAÇÕES (e HOLDINGS, o que não é relevante no caso) por PACTUAL, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao IMPUGNANTE, em substituição à sua participação no capital da incorporada, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, em PACTUAL; Fl. 846DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 844 7 d) Aumento de capital de PACTUAL ocorrido em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP; com isso, o custo dos investimentos do IMPUGNANTE em PACTUAL aumentou em R$ 6.474.568,00; e) Incorporação de PACTUAL pelo BANCO (incorporação reversa) tendo o IMPUGNANTE recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no BANCO. Realizada a reestruturação societária, o custo dos investimentos do Impugnante no BANCO passou a ser de R$ 16.690.444,70. A capitalização de lucros gerados pelo BANCO, refletida em suas investidoras em razão da aplicação do MEP, seguida da incorporação inversa dessas mesmas investidoras por suas investidas, acarretou majoração do custo de aquisição dos investimentos do Impugnante no BANCO e a conseqüente redução do montante do ganho de capital e do IRPF sobre ele incidente. A fiscalização sustenta que, individualmente, os atos que integraram a reestruturação foram legais, a despeito de as incorporações inversas não terem seguido “o padrão normal”. O TFV afirma que a reorganização societária: a) Implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do IMPUGNANTE no BANCO, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; b) Consubstanciou ato simulado cujos efeitos –artifícios para reduzir o IRPF devido em razão da venda das ações do BANCO –, nos termos do art. 116, parágrafo único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; c) Por ter resultado em majoração indevida do custo de aquisição de investimentos do IMPUGNANTE no BANCO, a REESTRUTURAÇÃO representaria, cumulativamente, uma sonegação, uma fraude e um conluio (artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964), motivando a aplicação da multa de 150%. Em razão dos fatos sintetizados, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do IMPUGNANTE no BANCO. Enquadramento legal Menciona que o auto de infração não indica o dispositivo legal que teria sido infringido, registra como enquadramento legal uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas. Decadência O Impugnante assevera que, no caso do IRPF sobre ganho de capital decorrente da alienação de bem ou direito, o Fl. 847DF CARF MF 8 termo inicial da decadência é a data da sua realização, tendo em vista que se refere a tributo lançado por homologação, sendo irrelevante, para a contagem do prazo, que o pagamento do preço da venda tenha sido feito de forma parcelada ou à vista. A alienação das ações do Banco Pactual ao UBS Brasil ocorreu em 1º/12/2006 e a ciência do auto de infração em 29/6/2013. Logo, decorridos mais de 5 anos entre a data da alienação e a data da ciência, o crédito tributário lançado está extinto por decadência, ainda que caracterizada fraude, dolo ou simulação, hipótese que deslocaria o termo inicial do prazo decadencial para o artigo 173, I, do CTN. Recorre ao artigo 149, parágrafo único, e artigo 150, § 4º, todos do CTN, artigo 140 do IR/1999, artigo 31 da IN SRF nº 84/2001 e à jurisprudência administrava para sustentar seus argumentos de defesa. Operações que precederam a venda do Banco e seus propósitos O Grupo Pactual era composto por diversas holdings – PARTICIPAÇÕES, HOLDINGS e PACTUAL. Por opção, as holdings, que tinham como única função organizar o exercício do controle do Banco Pactual, foram extintas antes da alienação das ações do BANCO. Afirma que o caminho trilhado pelos ACIONISTAS para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico. O acréscimo do custo de seus investimentos é mera conseqüência de aplicação das normas vigentes. Discorre sobre as formas que poderiam ser utilizadas pelos ACIONISTAS para realizar a venda de suas participações no Banco Pactual. Ressalta os tipos de incorporações – diretas e reversas. Restou mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal a incorporação reversa das holdings pelo BANCO. Discorda do exemplo anotado no TVF – evolução patrimonial das empresas hipotéticas ALFA e BETA. Para demonstrar a elevação indevida no custo de aquisição no caso em apreço, a fiscalização traça o seguinte cenário: a) ALFA é constituída com o capital social de R$ 100.000,00; b) BETA recebe os R$ 100.000,00 a título de realização de capital; c) Encerrado o exercício, BETA aufere lucro de R$ 400.000,00; d) Capitalização dos lucros em ALFA, pelo MEP, aumentando o custo dos investimentos dos acionistas para R$ 500.000,00; e) Incorporação de ALFA por BETA; f) BETA, após a incorporação, capitaliza o lucro de R$ 400.000,00; g) O custo dos investimentos dos acionistas de BETA atinge a cifra de R$ 900.000,00 (R$ 500.000,00 reconhecidos em ALFA e R$ 400.000,00 decorrente da capitalização do lucro em BETA). Fl. 848DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 845 9 Repisa que não foi adotado planejamento fiscal para elevar indevidamente o custo de aquisição das ações, mediante aumentos de capital sucedidos por incorporações reversas. A reorganização societária no caso concreto foi realizada por ser a forma mais eficiente e rápida no sentido de fazer com que as ações do BANCO chegassem aos ACIONISTAS. Efeitos das Incorporações Inversas Elabora extensa exposição sobre a reorganização societária realizada pelo Grupo Pactual que culminou na alienação das ações do Banco Pactual pelos acionistas. Nas incorporações inversas, a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também pelo Fisco (IN nº.77/1986, Lei nº 7.450/1985, artigo 63 do DL nº 1.598/1977 e artigos 376 e 377 do RIR/80). Nos itens 5.14 a 5.21, em defesa do processo de reorganização levado a efeito pelos acionistas do Grupo Pactual, relata as operações contábeis decorrentes de uma hipotética incorporação inversa. Pontua que, se o patrimônio líquido da incorporada é representado pelas contas de capital, lucros e reservas, é evidente que ocorrerá a capitalização de tais lucros e reservas nos processos de incorporação, pois tais contas, da incorporada, são transferidas para a incorporadora. Assim, a capitalização feita pela incorporadora acarreta acréscimo do custo de aquisição para os ACIONISTAS. Afirma que a capitalização de lucros antes das incorporações é irrelevante em termos fiscais. No que tange a Nova Pactual Participações Ltda, ocorreu a distribuição e capitalização de lucros previamente à incorporação pela Pactual S/A porque a Nova Pactual distribui lucros de forma desproporcional. Este procedimento não se trata de mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas. Nesse sentido, antes de sua incorporação pela Pactual S/A, a Nova Pactual Participações Ltda realizou capitalização de lucros, em 13/10/2006, aumentando o seu capital em R$ 686.000.0000,00, mediante conversão de créditos detidos por seus quotistas (direito ao recebimento de lucros). Dessa forma, os lucros de Nova Pactual Participações Ltda foram distribuídos e reaplicados na Pactual S/A, acertando as participações dos acionistas no patrimônio liquido antes da incorporação. Esse procedimento elevou a participação indireta do Impugnante no Banco Pactual, passando de 0,30% para 0,65%. Aumento do Custo Resultante da Reestruturação. Objeções da Fiscalização Os termos do artigo 130, §1º e artigo 135 do RIR/1999 determinam que, em regra, o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física Fl. 849DF CARF MF 10 corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados. Ocorre que, nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado, ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada. No caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação, mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação. O aumento do custo de aquisição do valor dos investimentos do Impugnante no BANCO se verificaria independentemente da existência de deliberação expressa no sentido da capitalização dos lucros das holdings. A capitalização de lucros gera aumento do custo de aquisição dos investimentos de acionistas, sem cogitar da natureza de lucro. O ajuste feito pelo Impugnante decorre da aplicação da lei e não há como rejeitálo. Carece de base legal a sugestão da fiscalização para baixar uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos, qual seja, a referente a lucros da incorporada que foram capitalizados. A autoridade lançadora limitase a dizer que houve uma “conotação” equivocada do artigo 135 do RIR/1999. A opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do BANCO pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi mera consequência da adoção dessa opção. A lei foi aplicada e o Fisco não pode deixar de fazer o mesmo por considerar que ela beneficia indevidamente o Contribuinte. As distorções apontadas, decorrentes da aplicação do MEP, se verificam não só nas incorporações reversas, mas também em outras situações. O 1º CC já decidiu, em diversas situações, que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”. Arremata que, por vezes, a legislação fiscal contém distorções, algumas favoráveis e outras prejudiciais ao contribuinte, todavia, as correções devem ser feitas pelo legislador que está revestido da respectiva competência. Além disso, faltaria até lógica adotar o procedimento sugerido pela fiscalização, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital. O Impugnante tinha investimentos diretos em Nova Pactual Participações Ltda e a realização de aumento de capital dessa Fl. 850DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 846 11 empresa propiciou um aumento do custo de aquisição de seus investimentos. Após a incorporação da Nova Pactual por Pactual S/A, ocorreu um aumento de capital dessa última, proporcionando ao Impugnante um novo acréscimo de custo. Ressalta que o lançamento contra um dos acionistas do BANCO foi julgado improcedente pelo 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção do Carf. Por coerência com o que consta no TVF, se alguma parcela de custo tivesse que ser desconsiderada seria a decorrente do aumento de capital de Pactual S/A e não de Nova Pactual Participações Ltda, uma vez que: a) O aumento vinculado à Nova Pactual Participações Ltda é resultante da utilização de lucros nela existentes e o Impugnante tinha investimentos diretos na empresa; b) Esse aumento de custo teria ocorrido mesmo na hipótese da Nova Pactual (a investidora) ter incorporado Pactual S/A (a investida), dentro do que seria o “padrão normal” destas operações, conforme sustenta os termos da autuação. Inexistência de Simulação É totalmente equivocada a afirmação de que os atos praticados pelo Impugnante foram simulados. Não houve simulação e, ainda que tivesse ocorrido, o artigo 116, parágrafo único do CTN, não seria aplicável ao caso, seja pela inexistência de simulação, seja pela ineficácia diante da falta de regulamentação, ausência de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. O dispositivo legal inserido no CTN (parágrafo único do artigo 116) visa combater atos em que a simulação não está presente, conforme manifestações do próprio Ministério da Fazenda, o que se evidencia nos termos da Exposição de Motivos nº 211, que acompanhou a MP nº 66/2002. O escopo dessa norma foi atingir atos que, embora lícitos, tivessem sido praticados com abuso de forma ou falta de propósito negocial, mas sem conotação penal, diferentes daqueles em que o evidente intuito de fraude está presente. O Artigo 167, § 1º, inciso I, do CC/2002 contempla situações em que pessoas sem qualquer interesse real participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes, sendo essencial que a parte oculta não apareça, cenário totalmente diverso daquele descrito pela fiscalização. A alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e UBS Brasil. Nada mais. A reestruturação em causa foi feia “ás claras” para viabilizar a negociação das ações do BANCO diretamente pelos CONTROLADORES, e representou a maneira mais rápida e econômica para viabilizar o negócio. Não houve majoração artificial do custo de aquisição das ações. O acréscimo de custo Fl. 851DF CARF MF 12 verificado é atributo de uma participação societária, resultante de aplicação das normas legais vigentes, e pertence ao seu proprietário no momento em que ocorre a capitalização de lucros. A jurisprudência dominante no 1º CC, atual 1ª Seção do Carf, mostra que a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles. Na alienação do BANCO, assim como na REESTRUTURAÇÃO que a precedeu, todas as partes da operação eram conhecidas e foram as destinatárias dos direitos que lhes foram conferidos. O Impugnante junta aos autos parecer elaborado pelo doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira, citado no TFV, no qual, ao analisar a REESTRUTURAÇÃO para um dos controladores, concluiu pela inexistência de qualquer ato simulado. Da Inaplicabilidade da Multa de 150% A fiscalização entendeu que a REESTRUTURAÇÃO teria configurado cumulativamente, uma sonegação, uma fraude e um conluio por parte do IMPUGNANTE, conforme definidos pelos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, por isso, aplicou a multa de oficio de 150%. Todavia, a REESTRUTURAÇÃO foi motivada por objetivos negociais legítimos e a majoração do custo dos investimentos do IMPUGNANTE no BANCO é mera decorrência da aplicação direta da legislação em vigor. Em nenhum momento o IMPUGNANTE se desviou das regras previstas na LSA ou na legislação fiscal. As distorções apontadas no auto de infração decorrem do texto da lei, e, para evitálas, seria necessário descumprir a legislação, implementando procedimento que não tem qualquer base normativa. Jurisprudência do Carf e da CSRF, além de manifestações de doutrinadores, evidencia a inexistência de fraude, sonegação, conluio ou mesmo simulação na forma adotada para alienação das ações de propriedade do IMPUGNANTE no BANCO. Fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual sua cobrança é improcedente. Dos Juros sobre a Multa É descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Do Pedido Requer o IMPUGNANTE a total improcedente do lançamento, com a conseqüente extinção do crédito tributário apurado." Fl. 852DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 847 13 Em 05 de agosto de 2014, o Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 756), de maneira tempestiva, contra a decisão de primeiro grau da qual teve ciência em 07 de julho de 2014. Tal recurso, em linhas gerais, reprisa os argumentos constantes da impugnação. Em 15 de março de 2017, foi juntado parecer jurídico ao processo às fls. 840. O processo foi distribuído em sessão pública, de modo eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Conheço do recurso pois se encontram presentes os requisitos de admissibilidade. Passo a analisálo. Como relatado, a lide se instaura basicamente sobre a quantificação do ganho de capital decorrente da alienação de participação societária do Recorrente após a utilização de diversas incorporações reversas como forma de reestruturação societária que precedeu tal alienação. Tratase de tema complexo, porém já discutido no âmbito deste Colegiado e com reiterada jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive em caso de extrema similaridade, posto que aplicado aos sócios do Recorrente. Me filio ao entendimento que norteia os recentes julgamentos da CSRF. Assim, com o devido pedido de licença à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, relatora do Processo 12448.735830/201142, Acórdão 9020003.765, de 16 de fevereiro de 2016, para adorar seu voto como fundamento para o presente julgamento. Ressalto que, além de minha concordância com os argumento e fundamentos ali esposados, tal decisão se apóia em voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, proferido na decisão consubstancia pelo Acórdão 9202003.700, que elucida a raciocínio jurídico que espelha meu entendimento sobre o tema. Vejamos: "O cerne da questão é identificar se a legislação aplicável no caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica, bem como a Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Fl. 853DF CARF MF 14 Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n°3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; Fl. 854DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 848 15 por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: Fl. 855DF CARF MF 16 de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendo se para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): Fl. 856DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 849 17 a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para nãotributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase Fl. 857DF CARF MF 18 por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 850 19 Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding_______________ (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL);" Assentados quanto a interpretação da norma e portanto, quanto à aplicação da norma ao caso concreto o que fundamenta e explicita minha concordância com a motivação fiscal para o lançamento passemos a examinar as alegações recursais quanto à decadência do crédito tributário, improcedência da decisão de piso, agravamento da multa de ofício, e incidência da taxa SELIC sobre a multa, pontos que não restaram superados após tudo o acima exposto. Fl. 859DF CARF MF 20 DECADÊNCIA Segundo o Recorrente (fls 811), há decadência do crédito tributário constituído. Vejamos seus argumentos: "5.1 0 RECORRENTE alegou na IMPUGNAÇÃO que a alienação das ações do BANCO à UBS ocorreu em 01.12.2006 e, como decorridos mais de 5 anos entre esta data e a da ciência da lavratura do AUTO, em 19.06.2013, o crédito tributário nele lançado estaria extinto por decadência. 5.2. Isso porque, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência se dá no prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, que diz: (...) 5.3. O IRPF incidente sobre ganho de capital é tributo lançado por homologação, já que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o seu pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; assim, a extinção do respectivo crédito tributário, por decadência, se opera no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. 5.4. 0 fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital ocorre na data da alienação do bem ou direito; daí o termo inicial da decadência corresponder à data da sua realização. É irrelevante, para fins de contagem do prazo decadencial, que o pagamento do preço de venda tenha sido feito de forma parcelada ou à vista. 5.5. Tal conclusão é confirmada pelo art. 21 da Lei n° 7.713/1988, reproduzido no art. 140 do RIR e no art. 31 da Instrução Normativa SRF (IN) n° 84, de 11.10.2001, que expressamente dispõem que nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse à vista. Os dispositivos acima mencionados são do seguinte teor: (...) 5.6. Tratase de fato gerador instantâneo, no qual o tributo é devido no momento em que o sujeito passivo pratica a conduta típica (alienação do bem ou direito). 5.7. 0 RECORRENTE alegou, ainda, que o fato de o pagamento do preço ser feito a prazo em nada altera o momento da ocorrência do fato gerador do IRPF sobre o ganho de capital, não existindo nenhuma previsão legal nesse sentido; o que a lei autoriza é tão somente o diferimento do pagamento do imposto para o momento do recebimento do preço pelo alienante. Ou seja, há um deslocamento da data de vencimento do tributo e não de seu fato gerador, que continua sendo a data da alienação do bem ou direito. (...)" (destaques não constam do recurso) Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso (fls. 719): Fl. 860DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 851 21 "Portanto, para solucionar a controvérsia, imprescindível entender como a legislação tributária estabelece a tributação do IRPF sobre ganho de capital nas alienações de bens com recebimento parcelado. A Lei nº 7.713/1988 e o Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999) fixaram regras específicas para a apuração do ganho de capital quando o recebimento do produto da alienação de bens ou direitos ocorre de forma parcelada: Lei nº 7.713/1988 Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. RIR/1999 Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Notase que nas alienações parceladas a apuração do ganho de capital ocorre no momento da realização do negócio, como venda à vista. Contudo, para a tributação do IRPF, de acordo com o percentual de ganho de capital relativo a cada parcela, será considerada a data de recebimento. Apurase o ganho de capital e o percentual referente a cada parcela na data da alienação, no entanto, a tributação do IRPF devido pelo sujeito passivo ocorre nas datas de recebimento de tais parcelas. É o que estabelece a legislação tributária, pois no momento da alienação ainda não há imposto devido, uma vez que o fato gerador e a respectiva obrigação tributária surgem com a aquisição das disponibilidades representadas pelos valores decorrentes da operação de venda. É assim que dispositivos do Código Tributário Nacional (CTN) e da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 determinam (...) Na data da alienação, em 1º/12/2006, o ganho de capital foi apurado. Posteriormente, restou caracterizada a obrigação tributaria (IRPF sobre ganho de capital) no momento da ocorrência do fato gerador. Nestes autos, o fato gerador ocorreu quando foram recebidas as parcelas nos meses de março e setembro de 2010 e março e julho de 2011." Em resumo, nas operações de vendas parceladas, concluise que a apuração do ganho de capital e o fato gerador do IRPF ocorrem em momentos distintos." Fl. 861DF CARF MF 22 (destaques não constam do original) A leitura dos argumentos recursais e da motivação da decisão 'a quo' deixam claro que a divergência interpretativa cingese a questão do momento de ocorrência do fato gerador tributário, posto que, por expressa disposição do Código Tributário vigente, aplicase ao caso em apreço, as regras constantes do parágrafo 4º do artigo 150. Examinemos a questão Inicio pelo próprio conceito de fato gerador, posto que o lançamento tributário, por expressa disposição do CTN, exige sua exata delimitação. Regina Helena Costa (Curso de Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, pg. 198), nos alerta para a dupla acepção da expressão: "Fato gerador "in abstracto" é, assim, substituído pelas expressões hipóteses de incidência ou hipótese tributária, que não deixam dúvidas quanto ao conceito a que se referem o da situação hipotética. E o fato gerador "in concreto " é designado por fato imponível ou fato jurídico tributário, de molde a designar a situação aperfeiçoada no plano concreto" Podemos, portanto, inferir que a expressão fato gerador se refere tanto à escolha que o legislador fez entre os fatos economicamente apreciáveis que uma fez realizados ensejam a obrigação tributária, como também ao próprio fato praticado pelo, a partir da realização, sujeito passivo. A sempre precisa lição de Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário: Linguagem e Método, 2ª Ed., Noeses, pg. 421), elucida: "Como decorrência do acontecimento do evento previsto hipoteticamente na norma tributária, instalase o fato, constituído pela linguagem competente, irradiandose o efeito jurídico próprio, qual seja, o liame abstrato mediante o qual uma pessoa, na qualidade de sujeito ativo, ficará investida do direito subjetivo de exigir de outra, chamada de sujeito passivo, o cumprimento de determinada prestação pecuniária. Empregandose a terminologia do Código Tributário Nacional, diríamos que ocorreu o " fato gerador" (em concreto), surgindo daí a obrigação tributária: é a fenomenologia da chamada "incidência dos tributos". " Esclarecedora explanação. A prática de um ato previsto na lei como ensejador de obrigação tributária, exige daquele que o praticou , o sujeito passivo, o dever de suportar o crédito tributário decorrente da obrigação tributária instaurada, nos termos do artigo 139 do CTN. Novamente nos socorremos dos ensinamentos de Paulo de Barros (ob. cit. pg. 431): "Como elemento indissociável da obrigação tributária, o crédito que falamos surge no mundo jurídico no exato instante em que se opera o fenômeno da incidência, com aplicação da regra matriz do tributo" Assentemos. Tendo praticado o sujeito passivo o fato previsto na norma tributária como ensejador de obrigação dessa espécie, surge em dado momento, o direito do Fl. 862DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 852 23 credor dessa obrigação, o Estado, de exercer seu direito de crédito, ou seja, cobrar o tributo devido. Tal vínculo obrigacional, como recorda Luís Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, pg. 609), não deve perdurar para sempre: "Mas a pergunta é imediata até quando persiste essa relação jurídica? A resposta é: até que surja em evento que dê por extinta a obrigação. Ou seja: uma vez nascida a obrigação tributária, com um fato jurídico tributário, ela persiste até que seja extinta." As formas de extinção da obrigação tributário e do correspondente crédito tributário, como assevera Paulo de Barros (ob. cit. pg. 469): "(...) e assim também a extinção das obrigações tributárias hão de ocorrer nos precisos termos da lei. Nesse terreno, o princípio da estrita legalidade impera em toda a extensão e a ele se ajunta, em vários momentos, o postulado da indisponibilidade dos bens públicos" As formas de extinção do crédito tributário se encontram elencadas no artigo 156 do Código Tributário Nacional. Vejamos a redação do artigo: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da Fl. 863DF CARF MF 24 irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149." (destaquei) Aqui o ponto basilar de nossa análise. É causa de extinção do crédito tributário a decadência e a prescrição. Sobre o tema, leciona Paulo de Barros (Direito Tributário: Fundamentos Jurídicos da Incidência Tributária, 6ª ed., Ed. Saraiva, fls. 234 ): "Um passo que nos parece importante nesse caminho é asseverar que a palavra decadência é usada para denotar esse procedimento complexo, em que se observa o decurso de certo trato de tempo, sem que o titular do direito o exercite, e , quando traduzido em linguagem competente, tem o condão de instaurar a norma decadencial. Em outras palavras, o procedimento prevê desde o ponto que dá início à contagem do prazo decadencial (primeiro dia do exercício seguinte, do fato gerador da homologação), até as últimas providências normativas para a satisfação do direito subjetivo pelo ato que constitui o fato decadencial." Exsurge o ponto fundante da questão, como aliás bem reconhecem tanto a decisão de piso quanto o apelo interposto: a definição do 'dies a quo', do marco inicial da contagem do prazo decadencial. Imprescindível recordar: o momento de ocorrência do fato gerador é escolha do legislador, logo temos que encontrar na lei instituidora do imposto sobre a renda da pessoa física a definição de tal momento. Antes, porém, mister uma visita doutrinária. Há que se recordar que os fatos geradores tributários apresentam momentos de ocorrência distintos, típicos do negócios jurídicos que os ensejam. Enquanto uns ocorrem em um átimo, a circulação de mercadoria por exemplo, outros o acréscimo patrimonial exigem dois momentos distintos para sua apuração. Outros ainda, produzem efeitos contínuos, como, v.g.¸ocorre na propriedade de um imóvel urbano. Recordemos a lição de Luís Eduardo Schoueri sobre o momento de ocorrência do fato gerador (Direito Tributário, 3ª ed. E. Saraiva, pag. 496): "Reconhecida a distinção entre hipóteses tributárias instantâneas e periódicas, notase que a referida classificação tornase importante para reconhecer que enquanto para as primeiras não seria necessário que a lei fixasse expressamente seu aspecto temporal (a menos que a lei pretenda deslocar adiante sua ocorrência), para as últimas a fixação expressa do aspecto temporal tornase relevante, já que o legislador deverá determinar a partir de que momento considerase ocorrido o fato jurídico tributário e nascida a obrigação tributária " Assentados nos fundamentos dogmáticos aplicáveis, recordemos o texto legal sobre o imposto de renda incidente sobre o ganho de capital. Dispõe a Lei nº 7.713/88: "Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver." (destaquei) Fl. 864DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 853 25 O Regulamento do Imposto sobre a Renda, disciplinando o comando legal, preceitua: "Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida." (destaquei) Diante da digressão enfrentada, podemos afirmar: a lei tributária assentou que o momento de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física incidente sobre o ganho de capital decorrente de venda a prazo se dá com a percepção das parcelas pagas em cada mês, mesmo devendo ser considerado tal ganho como se a venda fosse realizada à vista. Esclareço, com o perdão da repetição: o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física decorrente do ganho de capital instaura a obrigação tributária a partir da ocorrência da alienação, devendo ser apurado o tributo devido, ou seja, surgindo o direito do Fisco ao crédito tributário com o recebimento das parcelas. Tal afirmação decorre de mais um conceito: lançamento tributário. Me socorro novamente das lições de Barros Carvalho em razão de sua abrangência (ob. cit. pg. 432): "Lançamento tributário é o ato jurídico administrativo, da categoria dos simples, constitutivos e vinculados, mediante o qual se insere na ordem jurídica brasileira uma norma individual e concreta, que tem como antecedente o fato jurídico tributário, e como consequente, a formalização do vínculo obrigacional, pela individualização dos sujeitos ativo e passivo, a determinação do objeto da prestação, formado pela base de cálculo e correspondente alíquota, bem como pelo estabelecimento dos termos espaçotemporais em que o crédito há de ser exigido" Mais sintético, porém não mesmo preciso, Luís Eduardo Schoueri (ob. cit., pg. 575), assevera a função do lançamento: "(...) o lançamento, para que aquele fato jurídico seja formalmente apurado, quantificandose o montante devido" Digo: o lançamento tributário é o ato administrativo pelo qual a autoridade, de modo plenamente vinculado: i) constitui o crédito tributário decorrente da obrigação tributária surgida, posto que constatada a ocorrência do fato gerador, previsto em lei, por meio de ato praticado pelo sujeito passivo, Fl. 865DF CARF MF 26 ii) determina a matéria tributável; iii) calcula o tributo devido; iv) e impõe a penalidade prevista em lei. Ora, o lançamento tributário necessariamente se reporta a um fato gerador in concreto praticado pelo sujeito passivo. Como consequência, há uma matéria tributável a ser determinada, com a discriminação da base de cálculo e da alíquota aplicável. Como visto acima: uma hipótese de incidência (fato gerador 'in abstracto'), um fato imponível (fato gerador 'in concreto'). Não obstante tal afirmação, situações há em que um fato gerador enseja vários momentos de constituição de crédito tributário, como por exemplo, na obtenção da renda pelo trabalho. Surge a importância do aspecto temporal da regra matriz de incidência, acima examinado à luz da Lei nº 7.713/88 e do RIR/99. O lançamento tributário se reporta, forçosamente, a um fato gerador ocorrido. O momento de ocorrência do fato gerado se encontra firmado em lei, independentemente das consequências do negócio jurídico firmado entre as partes (art. 118, II, do CTN). Logo, não assiste razão ao Recorrente. O momento de ocorrência do fato gerador para a apuração do ganho de capital se dá com a percepção no mês das parcelas recebidas. Assim, no caso em concreto, tendo os valores sidos recebidos pelo Recorrente nos anoscalendários de 2009 e 2010, e tido o lançamento tributário se aperfeiçoado com a ciência deste, pelo contribuinte, por via postal, em 29 de juho de 2013, não se verifica inércia do Fisco , suficiente para a perda de seu direito. Recurso negado nessa parte. IMPROCEDÊNCIA DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU Segundo o Recorrente, a decisão de piso é improcedente, posto que não contesta as alegações constantes da impugnação, não analisando seus argumentos sobre a lisura da reorganização societária e o permissivo legal para a incorporação reversa ocorrida, com a consequente alteração do valor de aquisição das ações. Os extensos e recorrentes argumentos recursais (fls. 819 a 826), reprisam a questão do permissivo legal constante do artigo 135 do RIR, além de citar jurisprudência administrativa e judicial que apontando no sentido de seu entendimento. Não observo a improcedência apontada. A decisão de piso foi construída de maneira lógica, fundamentada e devidamente motivada. O fato de não rebater de maneira pontual todos os argumentos constantes da impugnação, não a macula, posto que conexa e como dito, fundamentada, apoiada ainda em doutrina e jurisprudência, permitindo que a posição da Turma de Julgamento seja Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 854 27 perfeitamente inteligível e demonstre inequivocamente os motivos pelo qual se entendeu totalmente procedente o lançamento tributário. Ressalto que a decisão de piso cumpriu todos os requisitos legais para que produza os efeitos que dela se espera. Inequívoco, porém, que tal decisão contrariou os interesses do contribuinte, restando a esse, a propositura do presente recurso voluntário, pelo qual pode reprisar seus argumentos e comproválos, o que garante a ampla defesa por meio do necessário contraditório. Com essas considerações, nego provimento ao recurso nessa parte. INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no mesmo voto acima mencionado, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a Fl. 867DF CARF MF 28 multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Fl. 868DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 855 29 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” Fl. 869DF CARF MF 30 (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Recurso negado também nessa parte. MULTA QUALIFICADA Nesse ponto assiste razão ao Recorrente. O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 19515.721386/201348 Acórdão n.º 2201003.957 S2C2T1 Fl. 856 31 Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? A lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" (destaquei) Não observo a intenção do contribuinte em adotar uma conduta ilegítima. Ao reverso, viu o contribuinte permissivo legal para sua conduta. Muito se discutiu, em vários âmbitos, até que as correntes dos efeitos tributários desse tipo de reorganização societária se materializassem. Não comprovou o Fisco, fraude, sonegação ou conluio. Não se verificam as condições previstas na Lei nº 9.430/96 que determinam a imposição da qualificação da multa. Nesse sentido, dou provimento ao voluntário nesta parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecendo do recurso voluntário, darlhe provimento parcial para determinar a redução do percentual da multa de ofício aplicada para 75%. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 871DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.720268/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
OPÇÃO. INDEFERIMENTO. FALTA DE REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIA IMPEDITIVA.
Ausente a comprovação da regularização tempestiva de pendência fiscal impeditiva do ingresso ao Simples Nacional, há que se manter o indeferimento da opção por essa sistemática de pagamento.
Numero da decisão: 1001-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 OPÇÃO. INDEFERIMENTO. FALTA DE REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIA IMPEDITIVA. Ausente a comprovação da regularização tempestiva de pendência fiscal impeditiva do ingresso ao Simples Nacional, há que se manter o indeferimento da opção por essa sistemática de pagamento.
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INDEFERIMENTO. FALTA DE REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIA IMPEDITIVA. Ausente a comprovação da regularização tempestiva de pendência fiscal impeditiva do ingresso ao Simples Nacional, há que se manter o indeferimento da opção por essa sistemática de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 06) para o ano calendário 2012, tendose em vista a existência de débitos com a Secretaria da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 02 68 /2 01 2- 11 Fl. 272DF CARF MF 2 Receita Federal do Brasil RFB, de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que parcelara os débitos. A decisão de primeira instância (efls. 98/101) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que não houve a regularização das pendências dentro do prazo previsto na legislação, pois o parcelamento foi indeferido e a extinção do débito só ocorreu após esse prazo.: No caso, por meio do parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, a contribuinte tentou regularizar os débitos que ensejaram o indeferimento de sua opção para o Simples Nacional, relativa ao ano calendário de 2012. Entretanto, a consolidação do parcelamento não foi efetivada em virtude de o sistema da RFB ter acusado uma parcela em atraso. A interessada, então, pediu a consolidação manual desses débitos, matéria que foi objeto do processo de parcelamento nº 10650.720218/201225. Entretanto, a DRF em Uberaba denegou o parcelamento pretendido, levando a interessada a quitar os referidos débitos, mediante pagamento, em 26/06/2012. Resta claro, assim, que não houve a regularização das pendências dentro do prazo previsto na legislação supracitada, pois o parcelamento foi indeferido e a extinção do débito só ocorreu após esse prazo. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/08/2014 (efl. 109) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 30/07/2014 (efls. 112/142), em que aduz, em resumo: os débitos do Simples Nacional que impediram a adesão ao sistema simplificado foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/2009; a informação de que a empresa não apresentou os dados suficientes para a consolidação do parcelamento da lei 11.941/2009 não merece prosperar; segundo o art. 22 da Portaria Conj PGFN/RFB 06/2009, os efeitos da exclusão do contribuinte do parcelamento somente produziria efeitos a partir de 06/04/2013, e antes desta data o contribuinte pagou (26/06/2012) integralmente os débitos em questão; protesta contra a exclusão devida a inclusão indevida que teria sido efetuada pela Prefeitura de Ribeirão Preto, com efeitos retroativos a 02/01/2012. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10650.720268/201211 Acórdão n.º 1001000.150 S1C0T1 Fl. 272 3 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 09/10) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Isto porque o débito do Simples Nacional constantes do Termo de Indeferimento foram quitados em 26/06/2012 (efls. 22/23). E para inclusão no Simples Nacional no anocalendário de 2012 o contribuinte dispunha do prazo até 31/01/2012, para regularizar eventuais pendências impeditivas. Assim, os débitos não se encontravam pagos ou com parcelamento em dia em 31/01/2011. Fl. 274DF CARF MF 4 Não há como sustentar que os débitos do Simples nacional referidos no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 06) estariam incluídos no parcelamento previsto na lei 11.941/2009. Isto porque a Portaria Conjunta PGFN/RFB n.6, de 2/07/2009, em seu § 3º do art. 1º deixava claro que não se incluiriam naquele parcelamento débitos do Simples Nacional. § 3º O disposto neste Capítulo não contempla os débitos apurados na forma do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Não se sustenta a afirmação de que os efeitos da exclusão do parcelamento somente se dariam a partir de 06/04/2013. Isto porque somente poderia haver exclusão de parcelamento se este tivesse sido previamente deferido, e no caso presente o pedido de parcelamento foi indeferido, pois não houve a consolidação necessária para o deferimento do parcelamento requerido, por falta de cumprimento, pelo contribuinte, das formalidades previstas na PGFN/RFB n. 2, de 03/02/2011, prescritas exclusivamente para o parcelamento da lei 11.941/2009. Art. 12. Considerase deferido o parcelamento na data em que o sujeito passivo concluir a apresentação das informações necessárias à consolidação de que trata o art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. § 1º Os efeitos do deferimento retroagem à data do requerimento de adesão. § 2º No caso de que trata o inciso II do § 1º do art. 3º os efeitos do deferimento retroagem à data de 30 de novembro de 2009. Por fim destaco, pelos fatos relacionados acima, em especial a impossibilidade de parcelamento dos débitos listados no Termo de Indeferimento, no bojo da parcelamento da lei 11.941/2009, e a falta de diligência do contribuinte no procedimento de consolidação do mesmo parcelamento, que comprovouse que foi indevida a inclusão efetuada pela Prefeitura de Ribeirão Preto (efl. 24), com efeitos retroativos a 02/01/2012. Cabe destacar que é tarefa exclusiva reservada ao Poder Judiciário a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10650.720268/201211 Acórdão n.º 1001000.150 S1C0T1 Fl. 273 5 Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.905484/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2010
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Apresentado o recurso após este prazo, o mesmo não poderá ser conhecido em razão de intempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.807
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2010 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Apresentado o recurso após este prazo, o mesmo não poderá ser conhecido em razão de intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2010 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Apresentado o recurso após este prazo, o mesmo não poderá ser conhecido em razão de intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo. Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, referente ao PER/DCOMP transmitido com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 84 /2 01 2- 80 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10183.905484/201280 Acórdão n.º 3402004.807 S3C4T2 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi INDEFERIDO. Como enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, alegando que, ao solicitar a restituição do valor pago indevidamente pago não foi feita a retificação da DCTF pertinente, portanto, não houve a exclusão do débito declarado erroneamente na DCTF. Em seguida, resume assim os seus pontos de discordância: a) foi localizado o pagamento do crédito pleiteado; b) não há débito referente ao crédito em questão, conforme comprova DCTF retificadora em anexo. Ao final, demonstrada a improcedência do indeferimento de seu pleito, requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo as razões de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.801, de 13 de dezembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10183.905472/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.801): "O presente Recurso Voluntário é manifestamente intempestivo, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/73, verbis: Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10183.905484/201280 Acórdão n.º 3402004.807 S3C4T2 Fl. 4 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Compulsando os autos,verificase que no AR da intimação do resultado de julgamento junto à DRJ consta a seguinte data de recebimento (fl.26): Por outro lado, a data da apresentação do Recurso Voluntário consta em fl.29: Há entre essas duas datas o transcurso de um prazo superior aos trinta dias determinados pelo art. 33 do Decreto regente do processo administrativo fiscal, não vislumbrando este relator qualquer motivo que justifique a interposição extemporânea do presente Recurso. Desse modo, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da sua intempestividade. É como voto." Importante consignar que a data de ciência do Acórdão da DRJ, bem como de interposição do Recurso Voluntário nos autos ora em apreço, são idênticas às identificadas no processo paradigma. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10183.905484/201280 Acórdão n.º 3402004.807 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 39DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.000981/2011-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 09 81 /2 01 1- 42 Fl. 44DF CARF MF 2 Trata o presente processo de indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional retroativamente ao anocalendário de 2010.em decorrência de ausência de opção, por meio da internet. A, ora recorrente, apresentou impugnação à DRJ, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a qual foi indeferida pela DRJ. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente não trouxe fatos novos, em seu recurso voluntário, limitandose a repetir os termos de sua impugnação. Por economia processual, reproduzo a decisão da DRJ: Versa o presente processo sobre Manifestação de Inconformidade contra o DESPACHO DECISÓRIO, datado de 02/04/2012, fls 12 e 13, cientificado via postal, na data de 03/04/2012, conforme “AR”, fl nº 14, que indeferiu o pedido de inclusão da empresa no SIMPLES NACIONAL com data retroativa a 01/01/2010, sob a alegação de que a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, dispõe no seu art. 6º que a opção deverá ser realizada através do Portal do Simples Nacional, fls 16 a 18: a) Que desde o período de competência janeiro de 2010, o recolhimento foi efetuado na Sistemática do Simples, conforme guia de recolhimento anexa; b) Que em 02/04/2012 recebeu o Despacho Decisório indeferindo a solicitação sob a alegação de que a inclusão no Sistema é feita exclusivamente por meio do portal do Simples Nacional na internet; c) Que vale ressaltar que o indeferimento se refere ao período de janeiro a dezembro de 2010, haja vista, que a Autoridade que subscreveu o Despacho Decisório ratifica a adesão do contribuinte a partir de janeiro de 2011; d) Que requer o reconhecimento da adesão ao Simples a partir de janeiro de 2010, por entender que comprovou sua intenção de aderir ao Simples Nacional desde o mês de janeiro de 2010, tanto é verdade que efetuou o recolhimento dos impostos e contribuições através do Simples, no decorrer do anocalendário de 2010; e) Que os procedimentos para a opção do Simples Nacional estão disciplinados nos arts. 6º a 8º da Resolução nº 94, de 2011 do Comitê Gestor; f) Que a própria jurisprudência é mansa e pacífica no CARF, através de várias decisões, e citou vários Acórdãos, que reconhecem que quando ficar comprovada a intenção do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10384.000981/201142 Acórdão n.º 1001000.206 S1C0T1 Fl. 3 3 contribuinte de aderir ao Simples Nacional, sua adesão deve ser reconhecida, ainda que não a tenha exercida por meio apto; g) Que as decisões contidas nos acórdãos acima mencionados, todas foram por unanimidade de votos dos conselheiros presentes, demonstrando assim, a uniformidade do pensamento do CARF, com relação à matéria. h) Que é forçoso concluir que a recorrente tem direito ao reconhecimento à adesão ao Simples Nacional, desde o mês de janeiro de 2010, comprovando de forma incontestável sua intenção de aderir mediante o pagamento dos impostos no período; i) Requereu o reconhecimento de sua adesão. 2. Foram juntados ao processo os seguintes documentos, correspondentes à Comprovantes de Arrecadação: ... 3. De acordo com o Contrato Social a empresa foi registrada na Junta Comercial do Estado do Piauí, na data de 02/09/2009 , sob o nº 22200315534, conforme fls 05 a 07. 4. Para instruir o processo a Delegacia de Origem juntou tela de consulta CNPJ, emitida na data de 23/03/2012, que demonstra que a requerente naquela data era optante pelo SIMPLES NACIONAL, e também a tela de Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, que consta que solicitou o ingresso na data de 31/12/2010, com efeitos a partir de 01/01/2011, fls 10 e 11. 5. É o que importa relatar. Voto 7. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva, e atende aos requisitos de admissibilidades previstos nos arts 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, e dela tomo conhecimento. 8. Analisando os documentos acostados ao processo, verificouse que não há reparos a fazer no Despacho Decisório, tendo em vista, que desde a Resolução CGSN nº 04, de 30/05/2007, já ficou determinado que o ingresso no Simples Nacional deveria ser feito via internet, de acordo com a legislação a seguir transcrita: Resolução CGSN nº 04 – de 30/05/2007 DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL “Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do Fl. 46DF CARF MF 4 primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; ( Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009 ) II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. ( Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009 ) § 1ºB O disposto no § 1ºA não se aplica às empresas em início de atividade. ( Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009 ) § 1ºC Para os fins do disposto no inciso I do § 1ºA deste artigo, a ausência ou irregularidade na inscrição municipal ou estadual, quando exigível, também é considerada como pendência impeditiva à opção pelo Simples Nacional. (Incluído pela Resolução CGSN nº 64, de 17 de agosto de 2009 ) § 2º No momento da opção, o contribuinte deverá prestar declaração quanto ao não enquadramento nas vedações previstas no art. 12, independentemente da verificação efetuadaconforme disposto no art. 9º. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008 ) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação da regularidade da inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível; ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008 ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) III os entes federativos deverão efetuar a comunicação à RFB sobre a regularidade na inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível: ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008 ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) a) até o dia 5 (cinco) de cada mês, relativamente às informações disponibilizadas pela RFB do dia 20 ao dia 31 do mês anterior; ( Incluído pela Resolução CGSN nº 14, de 23 de julho de 2007 ) Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10384.000981/201142 Acórdão n.º 1001000.206 S1C0T1 Fl. 4 5 b) até o dia 15 (quinze) de cada mês, relativamente às informações disponibilizadas pela RFB do dia 1º ao dia 9 do mesmo mês; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 37, de 30 de junho de 2008 ) c) até o dia 25 (vinte e cinco) de cada mês, relativamente às informações disponibilizadas pela RFB do dia 10 ao dia 19 do mesmo mês. ( Incluído pela Resolução CGSN nº 14, de 23 de julho de 2007 ) IV confirmada a regularidade na inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível, ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III, sem manifestação por parte do ente federativo, a opção será deferida, observadas as demais disposições relativas à vedação para ingresso no Simples Nacional e o disposto no § 6º; ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008 ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) V a opção produzirá efeitos: ( Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; ( Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) VI validadas as informações, considerase data de início de atividade: ( Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal; ( Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, a da respectiva abertura. ( Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. Fl. 48DF CARF MF 6 § 5° Excepcionalmente, para as opções efetuadas durante os meses de julho e agosto de 2007, a verificação de que trata o inciso II do § 3° deverá ser realizada: ( Redação dada pela Resolução CGSN n° 22, de 23 de agosto de 2007 ) I até o dia 29 de agosto de 2007, relativamente às opções efetuadas em julho; ( Redação dada pela Resolução CGSN n° 22, de 23 de agosto de 2007 ) II até o dia 10 de setembro de 2007, relativamente às opções efetuadas em agosto. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 22, de 23 de agosto de 2007 ) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. ( Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008)” Conclusão 9. Pelo exposto, encaminho o meu voto, no sentido de considerar a Manifestação de Inconformidade como IMPROCEDENTE. Resta claro que consoante muito bem comprovado pela DRJ, a forma para efetuarse a opção pelo simples nacional é através da internet, consoante o art. 7°, caput, da Resolução n° 4/2007, da CGSN, no uso das atribuições conferidas pela LC 123/2006, no mês de janeiro, de cada ano, produzindo efeitos a partir de então, não havendo previsão para opção retroativa Portanto, nada há a acrescentar a decisão proferida no despacho decisório e pela DRJ . Assim, nego provimento ao presente Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.000120/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 20/07/2004 a 18/01/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS ILÍCITAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO.
A exigência fiscal pautada em provas produzidas em processo criminal que, por sua vez, foram reconhecidas como ilícitas no âmbito judicial.
Ante a impossibilidade de segregar as provas que seriam lícitas daquelas reconhecidas como ilícitas, todo o acervo probatório é contaminado pela ilicitude, o que se dá por derivação (teoria dos frutos da árvore envenenada).
Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 20/07/2004 a 18/01/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS ILÍCITAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. A exigência fiscal pautada em provas produzidas em processo criminal que, por sua vez, foram reconhecidas como ilícitas no âmbito judicial. Ante a impossibilidade de segregar as provas que seriam lícitas daquelas reconhecidas como ilícitas, todo o acervo probatório é contaminado pela ilicitude, o que se dá por derivação (teoria dos frutos da árvore envenenada). Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/07/2004 a 18/01/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS ILÍCITAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. A exigência fiscal pautada em provas produzidas em processo criminal que, por sua vez, foram reconhecidas como ilícitas no âmbito judicial. Ante a impossibilidade de segregar as provas que seriam lícitas daquelas reconhecidas como ilícitas, todo o acervo probatório é contaminado pela ilicitude, o que se dá por derivação (teoria dos frutos da árvore envenenada). Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 01 20 /2 00 9- 48 Fl. 82979DF CARF MF 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Larissa Nunes Girard (suplente convocada). Relatório Trata o processo de procedimento fiscal que amparou a verificação do valor aduaneiro das mercadorias submetidas a despacho por meio das Declarações de Importação (DI's) listadas às fls. 06 a 44 e 798 a 837, registradas pela Recorrente no período de julho de 2004 a janeiro de 2007, que culminou na lavratura dos Autos de Infração n° 01 e 02, juntados às fls. 04 a 1.238, ambos integrados pelo “Relatório de Fiscalização NETWORK 1” de fls. 1.239 a 1.491. Nos referidos Autos de Infração foram formalizadas as seguintes exigências: (i) Crédito tributário apurado no Auto de Infração n° 01 1 R$ 626.758,66 de Imposto de Importação (II), previsto nos arts. 1° e 2°, do Decretolei n° 37 de 1966; 2 R$ 940.137,99 de multa de lançamento de oficio agravada, no percentual de 150% do imposto devido, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996; 3 R$ 4.286.512,93 de multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, nos termos do parágrafo único do art. 88, da Medida Provisória (MP) n° 2.158 35 de 2001, regulamentado pelo art. 633, I, do Decreto n° 4.543, de 2002; 4 R$ 280.377,86 de juros de mora, calculados até 30.01.2009, nos termos do parágrafo terceiro do art. 61 da Lei n° 9.430 de 1996; 5 R$ 743.784,22 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), previsto no art. 2°, I, da Lei n° 4.502 de 1964; 6 R$ 1.115.676,33 de multa de lançamento de ofício agravada do IPI, no percentual de 150% do imposto devido, nos termos do art. 80, II, da Lei n° 4.502 de 1964, com redação dada pela Lei n° 9.430, de 1996; 7 R$ 331.319,34 de juros de mora, calculados até 30.01.2009, nos termos do parágrafo terceiro do art. 61 da Lei n° 9.430 de 1996; 8 R$ 22.014.826,50 de multa regulamentar do IPI, proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria (Lei n° 10.833, de 2003); 9 R$ 500.780,31 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, instituída pelo art. 1° da Lei n° 10.865 de 2004, com detalhamentos em outros artigos dessa mesma Lei; 10 R$ 751.073,06 de multa de lançamento de oficio agravada, no percentual de 150% da contribuição devida, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996; 11 R$ 225.279,15 de juros de mora, calculados até 30.01.2009, nos tennos do parágrafo terceiro do art. 61 da Lei n° 9.430 de 1996; Fl. 82980DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.980 3 12 R$ 108.727,10 de Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação, instituída pelo art. 1° da Lei n° 10.865 de 2004, com detalhamentos em outros artigos dessa mesma Lei; 13 R$ 163.090,93 de multa de lançamento de oficio agravada, no percentual de 150% do imposto devido, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996; 14 R$ 48.908,79 de juros de mora, calculados até 30.01.2009, nos termos do parágrafo terceiro do att. 61 da Lei n° 9.430 de 1996. Total do Crédito tributário apurado neste AI n° 01: R$ 32.137.252,89. (ii) Crédito tributário apurado no Auto de Infração n° 02 15 R$ 285.328,22 de Imposto de Importação (II), previsto nos arts. 1° e 2°, do Decretolei n° 37 de 1966; 16 R8 427.992,33 de multa de lançamento de oficio agravada, no percentual de 150% do imposto devido, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996; 17 R$ 1.987.330,88 de multa administrativa de 100%, sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, nos termos do parágrafo único do art. 88, da Medida Provisória (MP) n° 2.15835 de 2001, regulamentado pelo art. 633, I, do Decreto n° 4.543, de 2002; 18 R$ 99.070,73 de juros de mora, calculados até 30.01.2009, nos termos do parágrafo terceiro do art. 61 da Lei n° 9.430 de 1996; 19 R$ 346.930,05 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), previsto no art. 2°, I, da Lei n° 4.502 de 1964; 20 R$ 519.765,14 de multa de lançamento de oficio agravada do IPI, no percentual de 150% do imposto devido, nos termos do art. 80, II, da Lei n° 4.502 de 1964, com redação dada pela Lei n° 9.430, de 1996; 21 R$ 120.422,05 de juros de mora, calculados até 30.01.2009, nos termos do parágrafo terceiro do art. 61 da Lei n° 9.430 de 1996; 22 R$ 8.305.428,76 de multa regulamentar do IPI, proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria (Lei n° 10.833, de 2003); 23 R$ 238.975,51 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, instituída pelo art. 1° da Lei n° 10.865 de 2004, com detalhamentos em outros artigos dessa mesma Lei; 24 R$ 358.463,27 de multa de lançamento de ofício agravada, no percentual de 150% da contribuição devida, nos temos do art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996; 25 R$ 82.770,22 de juros de mora, calculados até 30.01.2009, nos termos do parágrafo terceiro do art. 61 da Lei n° 9.430 de 1996; Fl. 82981DF CARF MF 4 26 R$ 51.882,81 de Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação, instituída pelo art. 1° da Lei n° 10.865 de 2004, com detalhamentos em outros artigos dessa mesma Lei; 27 R$ 77.824,22 de multa de lançamento de oficio agravada, no percentual de 150% do imposto devido, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996; 28 R$ 17.968,50 de juros de mora, calculados até 30.01.2009, nos termos do parágrafo terceiro do art. 61 da Lei n° 9.430 de 1996. Total do crédito tributário apurado no AI n° 02: R$ 12.920.152,68. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, Acórdão DRJ/FNS nº 0717.528, de 11/09/209, vazada nos seguintes termos (fls. 4.266/4.334): "(...) As autoridades lançadoras aduzem que as exigências fiscais em trato decorreram da ocorrência de subfaturamento nas importações processadas com o registro das DI's listadas às fls. 04 a 42 e 793 a 832, cuja materialidade se deu com o uso de faturas comerciais falsas ocasionando a declaração inexata dos valores de transação e, por conseguinte, a insuficiência de recolhimento do II, do IPI vinculado à importação, da Cofins Importação e do PIS/PasepImportação. Reportandonos ao “Relatório Fiscalização NETWORK I”, convém salientar que, por ora, evidenciaremos seus principais tópicos com vista a demonstrar, sinteticamente, os fatos que ensejaram à autuação em trato, visto que a abordagem analítica dos fundamentos da ação fiscal e, por conseguinte, dos respectivos lançamentos tributários será especificamente tratada quando da análise pormenorizada dos argumentos de defesa apresentados pela contribuinte e demais responsáveis solidários. Nesse passo, a fiscalização prontamente informa que o relatório, além subsidiar a presente ação fiscal, serviu de fundamento para as ações efetuadas em desfavor das seguintes empresas: (i) Mercotex do Brasil Ltda. (PAF n° l5l65.003462/200839), (ii) Opus Trading América do Sul Ltda. (PAF n° l5l65.003460/2008 40), (iii) Muchmore Comercial Ltda; (PAF n° l5165.003455/200837), (iv) Iacex Importação e Exportação Ltda. (PAF n° l5l65.003458/200871), (v) Cotia Trading S/A (PAF n° l5l65.00346l/200894), (vi) Proxim Importadora e Exportadora Ltda. (PAF n° l5l65.003459/200815) e (vii) Tumiza Importação e Exportação Ltda. (PAF n° l5l65.000l 19/200913). Os autuantes esclarecem também que instruem os autos, além dos dossiês cadastrais de todas as pessoas jurídicas e físicas indicadas na investigação e cópias das declarações de importação analisadas, os documentos extraídos do inquérito instaurado pela Polícia Federal na denominada operação “DILÚVIO” (IPL n° 009/2008DPF/PGAPR),extração estas devidamente permitida pela autoridade judicial (processo n° 2006.70.00.002243 56, em tramitação à época na 3” Vara Criminal de Curitiba), bem assim, as cópias dos Autos de Apreensão efetuados também pela Polícia Federal, relativamente Fl. 82982DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.981 5 às empresas Mercotex e Opus e ao contribuinte Marcelo Ralo e do Memorando n°1.411/07 SETEC/SR/DRP/PR. Prosseguindo, a fiscalização apresenta um resumo das declarações de importação registradas pelas empresas mencionadas nas ações fiscais deflagradas na “Operação Dilúvio”, esclarecendo que os valores apresentados referemse tãosomente àqueles declarados pelas empresas autuadas para as mercadorias importadoras. A fiscalização também descreve os fatos que ensejaram a acusação de fraude do valor declarado das mercadorias importadas, evidenciado pela confrontação da verdade formal consignada nos documentos que instruíram respectivos despachos com a verdade material efetivamente verificada, evidenciando de forma inelutável a (i) vinculação existente entre as empresas exportadoras e o Grupo Network 1; (ii) os reais proprietários e controladores das empresas exportadoras; (iii) a efetiva composição societária do Grupo Network l; (iv) o modo de agir adotado para o cometimento dos ilícitos fiscais perpetrados; (v) a falsidade dos valores declarados pelos importadores; (vi) os valores de transação efetivamente praticados; (vii) o real destino dos bens importados; (viii) os responsáveis pela prática das infrações tributárias; (ix) 0 montante de tributos sonegados; (x) os contribuintes e demais responsáveis solidários; e (xi) as infrações e penalidades cometidas. Relativamente às empresas exportadoras, a fiscalização informa que do total de 216 DI°s analisadas, somente 04 (quatro) referemse a empresa All Tradelogistic Corporation, sendo que as demais dizem tinham como interessadas as empresas Shellton Inc., Nations Inc., All Network Inc., Neils Trading Corporation. Com referência ao funcionamento do Grupo Network l, a fiscalização esclarece que da análise dos documentos e das provas que se encontram acostadas aos autos foi possível mostrar que: (i) o grupo é controlado por Marcelo Adorno e William Haddad Uzum, sendo, por conseguinte, os reais proprietários das empresas que o integram; (ii) Marcelo Ralo é quem o administra, respondendo de fato pelo controle financeiro do grupo, notadamente, naquelas operações fraudulentas; (iii) Sílvia Helena Disperatti é responsável pelo controle administrativo, auxiliando, por conseguinte, Marcelo Ralo em sua atividade. Quanto à exportadora Neils Trading Corporation, as autoridades fiscais esclarecem, com base nos documentos acostados “que a NEILS é que detém o poder de controle sobre todas as pretensas exportadoras e sobre 0 destino dos bens, vez que a ela compete formular as ordens e compra, determinar os embarcadores/exportadores, efetuar o pagamento dos bens e, ainda, fixar o preço aviltado pelo qual serão refaturados”. Com relação às exportadoras Shellton Inc., Nations Inc., All Network Inc.,Neils Trading Corporation, a fiscalização demonstra que seu controle financeiro e bancário é exercido pelo Grupo Network l, sob o comando de Marcelo Adomo e William Fl. 82983DF CARF MF 6 Haddad Uzum (reais proprietários); ou de Marcelo Ralo, Silvia Helena Disperatti e Gladys Blézio (prepostos destes últimos). Nesse passo, a fiscalização afirma que os documentos constantes dos autos, notadamente inúmeras Cartas de Fianças e Acordos finnados entre distribuidores e fabricantes, além de reforçar a acusação anteriormente citada, confinnam a vinculação das empresas exportadoras com as sociedades empresariais que integram o Grupo Network 1 no Brasil. Com vista a demonstrar o padrão de comportamento adotado na quase totalidade das operações de importação realizadas por empresas do próprio Grupo Network 1 ou por meio de terceiros importadores (Grupo MAM), que resultou no subfaturamento do Valor Aduaneiro das mercadorias, as autoridades lançadoras trouxeram como exemplo a operação de venda de produtos da marca Juniper para a Petrobrás (“PO#JUN021/05 Petrobras Case”), cujo memorial, além de trazer informações sobre 0 Grupo Network 1, informa a logistica da operação, prazos, fluxo de caixa, etc, indicando que a importação foi fonnalizada através da ora autuada (Intersmart), ressaltando o modus operandi empregado pelo grupo para reduzir dolosamente a base de cálculo dos tributos aduaneiros em percentuais que variaram entre 30% (trinta por cento) e 85% (oitenta e cinco por cento) do valor efetivamente negociado. Pelo fato de o “Relatório Fiscalização NETWORK 1”, referirse a diversas autuações, no Tópico que trata da metodologia de apuração do Valor Aduaneiro, a fiscalização esclarece que: “Considerando a existência de centenas de ordens de compra (PO), não há meios ou necessidade de se repetir individualmente a demonstração de subfaturamento apontada no tópico anterior. Por essa razão, os cálculos que serão exibidos posteriormente farão menção apenas aos valores declarados pelo importador e aos fixados com base nas POs utilizadas como paradigma, que serão devidamente anexadas para comprovação. Ressaltamos, ainda, que não nos valemos apenas de POs para definição dos valores aduaneiros, haja vista termos localizado outros documentos, de idêntico conteúdo, que, a exemplo das ordens de compra, atestam o valor real de transação. Como exemplo podese citar a planilha “resumo de compras 1999 ate hoje.xls”, que discrímína todos os pagamentos efetuados para o fornecedor JUNIPER, contendo indicação sobre os bens, valor FOB, quantidades, números de invoice, datas de embarque, adquirentes, etc. Outro ponto que necessita ser explicitado diz respeito aos critérios de arquivamento dos documentos comprobatórios do valor aduaneiro, que foram ordenados por fabricante (e não por importador). A decisão em questão se pauta no princípio da economia processual, tendo presente o fato de que bens constantes de uma mesma PO, por vezes, foram enviados de forma fracionada, o que significa dizer que uma única PO pode se referir a mais de uma Fl. 82984DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.982 7 declaração de importação e, não raro, a mais de um importador. Assim, evitase a inserção repetida de documentos no processo. Em termos práticos, suponhamos que a IACEX tenha importado bens de diversos fabricantes, dentre os quais a JUNIPER. No tópico referente à IACEX haverá uma planilha, ordenada por DI, detalhando todos os itens pertinentes à valoração, dentre os quais os fabricantes. Para localizar a PO em questão, devese procurar a pasta do fabricante JUNIPER, onde haverá também uma planilha, ordenada por importador, estabelecendose assim uma referência cruzada. Eventuais esclarecimentos sobre os critérios de valoração serão informados nesta pasta. Informamos, ainda, que em razão da limitação do campo da planilha destinado à descrição dos bens, alguns deles não se mostram completos. Nessas hipóteses, em caso de dúvidas, deverão ser consultadas as declarações de importação em anexo, onde se poderá comprovar que se tratam dos mesmos bens descritos nas ordens de compra ou documento de efeito equivalente”. Particularmente, em relação à autuada, as autoridades lançadoras constataram o cometimento de irregularidades em 124 DI's registradas por Intersmart, mas que em face das modificações societárias ocorridas durante 0 período abrangido pela investigação fiscal em trato foram lavrados 2 (dois) autos de infração (AI's); no período relativo primeiro Auto de Infração figuravam como sócios da Intersmart as empresas Café Fino e Hexa 7, ambas controladas pela empresa Savannah, razão pela qual foram arrolados como responsáveis solidários Marcelo Adomo, William Haddad Uzum e Marcelo Ralo; no segundo o quadro societário da Intersmart é alterado com a inclusão de dois sócios sucessores, que fonnalmente adquiriram a empresa em 13.12.2005, nesse sentido, foram arrolados como responsáveis solidários, além dos antes indicados (Marcelo Adomo, William Haddad Uzum e Marcelo Ralo), J oão Ricardo de Toledo e Rafael Nassar Paloni. Objetivando demonstrar sinteticamente o valor aduaneiro verificado em ato de oficio, as autoridades lançadoras elaboraram o demonstrativo acostado às fls. 1.400 a 1.481. Na primeira tabela é informados o número da declaração de importação e respectiva adição, a data de seu registro, o importador, o exportador, a descrição da mercadoria, sua quantidade, valor unitário e valor total, expresso em dólar estadunidense e em real, apurando o montante declarado de R$ 14.729.978,41. Na segunda tabela, contrapondo as informações declaradas pela autuada, a fiscalização apresenta o valor efetivo das referidas transações, para tanto, utiliza como “paradigma” as Ordens de Compra PO, documento que tomou possível verificar o verdadeiro valor da mercadoria importada, informandoos tanto em dólar estadunidense como em real, apurando, por conseguinte, um montante de R$ 21.003.822,22. Fl. 82985DF CARF MF 8 A fiscalização esclarece, também, que as mencionadas Ordens de Compra (PO) e demais documentos de efeito equivalentes utilizados como subsídio à identificação do valor de transação praticado pelas empresas que registraram as declarações de importação elencadas no relatório em apreço encontramse juntados às fls. 2.840 a 3.513, sendo que, para uma melhor visualização, foram ordenadas pelos respectivos fabricantes das mercadorias importadas. Nesse diapasão, a fiscalização concluiu que as operações de importação realizadas ein favor do Grupo Network 1 foram efetivadas de forma irregular e fraudulenta, pelos motivos a seguir sintetizados: (í) As declarações de importação e os correspondentes documentos instrutivos dos despachos foram produzidos no intuito de burlar os controles exercidos pela Aduana brasileira, logo são ideologicamente falsos; (ii) As notas fiscais referentes à venda no mercado interno são inidôneas, não servindo de elementos de prova em favor das empresas importadoras de direito, uma vez que foram fraudulentamente emitidas para “esquentar” o valor das mercadorias e ocultar os reais adquirentes (importadores de fato);e (iii) A entrega a consumo dos bens irregularmente importados constituiu prática predatória que transgride a livre concorrência e o mercado interno. Das Impugnações Intimados das presentes exações a autuada e os responsáveis solidários (fls. 3.515 a 3.554), ingressaram com as impugnações: Intersmart Comércio Importação e Exportação de Produtos Eletrônicos Ltda. (fls. 3.555 a 3.666 e documentos de fls. 3.670 a 3.699 e 3.702 a 3.724, além de 273 volumes de documentos contendo 40.982 páginas); William Haddad Uzum (fls. 3.726 a 3.773); Marcelo Adomo (fls. 3.778 a 3.824); Marcelo Ralo (fls. 3.831 a 3.867); João Ricardo de Toledo (fls. 3.889 a 3.983); e Rafael Nassar Paloni (fls.3.988 a 4.084), conforme corrobora o demonstrativo de fl. 4.097. Síntese das alegações de lntersmart Comércio Importação e Exportacão de Produtos Eletrônicos Ltda. Alega que a redução do valor aduaneiro das mercadorias importadas apurado nos autos de infração impugnados representa menos de 3,7% do montante das mercadorias importadas no período referente à investigação fiscal em tela, portanto, irrisório, atestando, por si só, a regularidade das operações e infirmando o apontado subfaturamento. Repudia a acusação de vinculação com outras empresas, notadamente com as fornecedoras estrangeiras dos bens que importa e as sociedades constituídas pelo Grupo MAM. Nesse sentido, alega que não mantém qualquer relação com as pessoas físicas ou jurídicas elencadas no relatório de fiscalização com intuito de fraudar os controles aduaneiros e a legislação tributária, tanto que após exaustiva inspeção das autoridades da RFB comprovouse não somente quem são os sócios da Intersmart, os reais adquirentes e vendedores, bem assim sua Fl. 82986DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.983 9 capacidade econômica e financeira para arcar com os dispêndios relativos à aquisição das mercadorias importadas. Afirma que a suposta diferença entre o valor arbitrado e o realizado, portanto, o subfaturamento do valor de transação das mercadorias importadas, é inconsistente pelo fato de a autuada se submeter ao regime de apuração denominado “lucro real”, que, com exceção do imposto de importação, os demais impostos e contribuições incidem tanto na entrada quanto na saída dos produtos do estabelecimento da importadora, não havendo, por conseguinte, qualquer beneficio em favor da impugnante, na medida que o montante de tributo pago na entrada é descontado com o devido na saída. Alega que o fato de manter relações comerciais regulares com os distribuidores Neils, Nations e Shellton, dentre outras pessoas jurídicas e físicas, não significa que está vinculada a essas empresas ou respectivas pessoas físicas; salienta que essa presunção do fisco não tem o condão de atribuir a si a conduta fraudulenta nas operações em causa, com objetivo de reduzir o montante dos tributos devidos na importação e na circulação interna dos produtos adquiridos. Afirma que as autoridades lançadoras não apresentam qualquer documento que demonstre que a lntersmart participa dessas ou de outras empresas, que movimente conta bancária que não seja de sua titularidade. Relativamente às operações de importação e de entrada de produtos estrangeiros no estabelecimento da autuada, a impugnante aduz que os adquiriu de forma regular dos distribuidores estrangeiros, efetuou sua internação sob a égide da legislação vigente, recolheu os tributos incidentes, emitiu os correspondentes documentos fiscais, registrouos em sua escrita contábil e pagou respectivos fomecedores via Banco Central. De outra parte, com relação às operações subseqüentes (de saída e/ou venda dos referidos produtos), igualmente alega sua conduta regular. Salienta que no período analisado emitiu 64.862 notas fiscais para 12.200 clientes, sendo que desse total, em relação aos produtos objeto dos autos de infração em apreço, emitiu 26.412 notas fiscais de venda para 5.780 empresas diversas, conforme demonstram os livros de registros e a respectiva documentação fiscal e contábil, razão pela qual discorda da alegada inidoneidade das notas fiscais, uma vez que refletem a realidade das transações efetuadas, notadamente, quanto aos tributos recolhidos. Nesse intento, se diz surpresa pelo fato de a fiscalização não haver requisitado mencionada documentação fiscal e contábil para verificar os lançamentos de saídas e conseqüentes incidências de impostos recolhidos e, por conseguinte, não deduzir do crédito tributário lançado os valores correspondentes aos recolhimentos efetuados em decorrência das vendas, ocasião em que emitiu as notas fiscais de saída, evidenciando a fragilidade, o caráter arbitrário e o cerceamento de defesa Fl. 82987DF CARF MF 10 perpetrado pela fiscalização; não prosperando a conclusão de que as saídas de mercadorias foram irregulares e simuladas, devendo, por conseguinte, ser decretada a nulidade dos autos de infração. Quanto à valoração aduaneira dos produtos por ela importados, a impugnante inicia sua contestação argüindo que não pode prevalecer à atribuição de preço com base em PO (purchase order) ou ordem de compra, pois se trata de documento que não retrata uma transação conclusiva, portanto, sujeita à variação de preço mediante, por exemplo, um desconto concedido pelo fornecedor, conforme ocorreu em diversas importações objeto da autuação, a exemplo das Declarações de Importação n° 05/04987806 e O5/13748380. Noutra vertente, aduz que a fiscalização, contrariando o CTN (arts. 110 e 112), atribuiu preços diversos para um mesmo produto, evidenciando que a autuação pautouse presunção, em face do desconhecimento das autoridades lançadoras acerca do correto valor de transação, desguarnecendo o auto de infração de subsídio legal para justificar o lançamento na medida em que não se pode aceitar valoração aduaneira embasada em meras cotações, propostas ou planilhas, cuja origem a autuada desconhece. Cita, como exemplo, a diferença do valor paradigma atribuído ao produto “NSISG2000FE4” evidenciado na análise conjunta das operações consubstanciadas nas Declarações de Importação n° 05/05794084 e 06/00308116. Para ilustrar o alegado, a impugnante indica os casos que a fiscalização arbitrou diversos valores para um mesmo produto: M40E, MIO, PIGESFP, M7I, NTDY40NB, PElGESFP, NS 204001, NS025001, FPCE, P40C3SONSMIR, NSISG1000, PE4OC3SONSMIR, NSSGT008, J43002FELSACUS, NS ISG2000FE4, SFPIGESX, NSSGT208, J2300 1S2FELS ACUS, JXCBLV35DTE, TK210K, VTG3306, VR100, CBL PWR1OACSTR US, MEMRE256S E PWRMIOIM7IACR. Prosseguindo, argumenta que o critério de valoração adotado pela fiscalização foi impreciso e subjetivo, desprovido, portanto, de amparo legal, pois foram utilizados documentos cujo lapso temporal entre a operação objeto de valoração e respectivo paradigma mostra que as datas das “ordens de compra” estão muito distantes daquela em que se efetuou a importação. Finalizando os argumentos contrários à valoração aduaneira, alega que a fiscalização não considerou separadamente, item por item, os produtos indicados nas adições das declarações de importação analisadas, valorandoas genericamente; não levou em consideração a variação cambial ocorrida entre a DI paradigma e a registrada pela importadora;não considerou a sazonalidade dos produtos, constituindo vícios insanáveis que impõe a insubsistência da autuação vergastada. Quanto às penalidades, aduz ser inaplicável a multa do inciso I do artigo 633 do Decreto n° 4.543/2002 (RA/02), pois o fisco não demonstrou a divergência de preço ou a fraude no valor aduaneiro das mercadorias importadas. Adverte que o inciso I do parágrafo 5° do citado artigo prescreve que não constitui Fl. 82988DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.984 11 infração administrativa ao controle das importações a diferença de preço quando não foi superior a 10%. Esclarece que das 124 declarações de importação em que a fiscalização apontou a ocorrência de irregularidade, 96 DI's apresentaram variação de preço inferior a 10%, seja pela ótica do valor declarado na DI ou do valor do produto importado. Alega também que o RIPI, em especial a norma disposta no parágrafo único do artigo 483, impede a aplicação cumulativa de penalidade de natureza regulamentar, ainda mais quando essa se refere à aplicação simultânea de uma multa prescrita no RA e a outra no RIPI, por representar ato arbitrário e confiscatório. Sustenta que foi inadvertidamente aplicada a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa pecuniária por conta de sua comercialização, cumulada com a devida por falta de pagamento de tributos, sem sequer ter a autoridade lançadora deduzido do montante exigido os tributos recolhidos por ocasião do registro das declarações de importação, prática vedada pela CF/ 88 por revelar bis in idem. Ainda com relação à multa regulamentar do IPI, a impugnante afirma que sua aplicação no montante exigido fere o princípio da razoabilidade e proporcionalidade, uma vez que representa mais de treze vezes o valor dos tributos lançados de oficio, afrontando o comando contido no artigo 150, IV da CF/88, que só admite o confisco na hipótese elencada em seu artigo 243, fato alheio aos presentes autos. Entende, igualmente, que a autuação ora versada desatendeu o princípio da capacidade contributiva, de que trata o artigo 145, § 1° da CF/88, pois os impostos devem ser individualizados conforme o potencial contributivo do sujeito passivo, respeitando suas peculiaridades financeiras, circunstância não observada pelas autoridades lançadoras quando impingiram a penalidade à autuada, de sorte que os autos de infração padecem de inconstitucionalidade. Pretende seja desconstituída a Representação Fiscal para Fins Penais, com arrimo em julgado do STF, proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1521, quando o pretório excelso firmou entendimento no sentido de que somente é permitida referida representação após o término do processo administrativofiscal, momento em que se considera definitivamente constituído o crédito tributário e apto o contribuinte para efetuar, se for o caso, o respectivo pagamento, hipótese que se extinguirá, por via de conseqüência a punibilidade nos termos do artigo 34 da Lei n° 9.249/95, de aplicação análoga ao caso vertente. Por fim, requer a insubsistência do Auto de Infração. Complementando sua defesa, a contribuinte esclarece que providenciou a juntada aos autos, em volumes apartados, dos documentos a seguir elencados: (i) DI's objeto do procedimento fiscal em trato, registradas nos anos de 2004 a 2007 (volumes 1 a 23); (ii)livros Registro de Entrada referentes ao periodo de janeiro de 2004 a julho de 2007 (volumes 24 a 27); (iii) notas Fl. 82989DF CARF MF 12 fiscais de saídas emitidas nos anos de 2004 a 2007 (volumes 28 a 240); (iv)livros Registro de Saída referentes ao período de janeiro de 2004 a abril de 2007 (volumes 241 a 251); (v) conhecimentos de transportes dos anos de 2005 e 2006 (volumes 252 a 253); (vi) comprovantes de pagamento referentes ao período de janeiro de 2004 a março de 2007 (volumes 254 a 259); (vii) livros de Registro de Apuração do IPI dos anos de 2004 a 2007 (volumes 260 a 263); (viii) DACON dos anos de 2005 a 2007 (volumes 264 a 266); (ix) DCTF dos anos de 2004 a 2007 (volumes 267 a 270); (x) LALUR dos anos de 2004 a 2007 (volumes 271 a 272); e (xi) demonstrativos dos impostos e contribuições recolhidas dos anos de 2004 a 2007 (volume 273). Síntese das alegações de William Haddad Uzum, Marcela Adorno e Marcelo Ralo Perscrutando as impugnações apresentadas por William Haddad Uzum (fls. 3.726 a 3.773), Marcelo Adorno (fls. 3.778 a 3.824) e Marcelo Ralo (fls. 3.831 a 3.867),indicados como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado contra a contribuinte Intersmart, depreendese que os argumentos de defesa são comuns entre eles, razão por que serão tratados de forma conjunta. Nesse passo os impugnantes argúem, em preliminar, a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa em face da inobservância das normas insitas no inciso LV do art. 5° da CF/88 e no inciso I do art. 7° do Decreto 70.235/72 (PAF), porquanto não lhes foi oportunizado participarem dos procedimentos inerentes à investigação fiscal que culminou com a lavratura dos autos de infração em apreço. Nessa linha de argumentação, reclamam ainda da exigüidade do prazo concedido para apresentarem consistentes defesas tendo em vista a amplitude e complexidade da matéria tratada nos presentes autos, bem assim afirmam que foi sonegado o conhecimento das razões de defesa apresentada pela autuada Intersmart. Noutra preliminar os impugnantes aduzem ilegitimidade e ilegalidade para figurarem no pólo passivo da relação jurídica na condição de responsáveis solidários. Com animo nos arts. 121 e 129 a 134 do CTN, alegam a impossibilidade de serem incluídos como responsáveis, seja por substituição, transferência ou sucessão, não obstante admitirem que o comando estatuído no art. 128 do referido diploma legal pennite atribuir responsabilidade tributária à terceira pessoa vinculada ao fato gerador. No entanto, tal condição não se verificou nos autos, pois não promoveram o registro das declarações de importação, não efetuaram quaisquer operações de importação, adquiriram no mercado interno ou comercializaram as mercadorias importadas de que trata a autuação. Em última preliminar, afirmam que a fiscalização incorreu em erro de fato quando, ao efetuar a valoração aduaneira dos produtos importados, não considerou os descontos concedidos pelos fornecedores estrangeiros, utilizou como parâmetro de comparação e conseqüente arbitramento preços de mercadorias referentes a importações realizadas em período anterior ou posterior àquelas, bem como pelo fato de existirem preços Fl. 82990DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.985 13 diversos para idênticos produtos importados, demonstrando fragilidade da valoração e incerteza jurídica do acusado subfaturamento. Além de repisar a controvérsia aduzida preliminarmente, no mérito centra seu inconformismo em argumentos semelhantes àqueles apresentados pela contribuinte, razão pela qual serão sumarizados. Afirmam que as autoridades lançadoras ignoraram os preceitos legais informados nos arts. 20 e 148 do CTN, nos arts. 76 a 82 do Decreto n° 4.543, de 2002 (RA/02),na IN/SRF n° 327, de 2003 e no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (AVA/GATT), notadamente, os que se referem à metodologia de arbitramento do valor de transação, ao pautarem o procedimento fiscal em “Purchase order” (PO) e planilhas diversas, acompanhadas de correspondências eletrônicas, reportandose a fatos geradores muito anteriores àqueles referentes aos créditos tributários reclamados, infringindo nesse aspecto, também, ao comando do art. ll2 do CTN. Padecendo a autuação de vício insanável que impõe a nulidade dos lançamentos. Alegam que não há como prevalecer a exigência das multas regulamentares exigidas com fundamento em fraude fiscal se a fiscalização não logrou provála, pois se trata de requisito de validade imprescindível, não admitindo sua ocorrência por presunção ou pautada em ilações, conforme quer o fisco. Contestam, por fim, a aplicação da taxa Selic como indexador de débitos de natureza tributária, por se tratar de taxa média utilizada para ajustar financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia para títulos federais. Salientam que referida taxa contraria também o princípio da legalidade pelo fato de ser fixada por ato normativo do Banco Central do Brasil (BCB) ao invés de lei. Em face de todo o exposto, requerem a insubsistência dos lançamentos, bem como a exclusão da autuação por conta da manifesta ilegitimidade passiva. Síntese das alegações de João Ricardo de Toledo e Rafael Nassar Paloni No que concerne às impugnações apresentadas pelos sócios da contribuinte, João Ricardo de Toledo (fls. 3.889 a 3.983) e Rafael Nassar Paloni (fls. 3.988 a 4.084), autuados como responsáveis solidários do crédito tributário exigido no Auto de Infração n° 02, observase que os argumentos de mérito trazidos são idênticos aos aduzidos pela Intersmart Comércio Importação e Exportação de Produtos Eletrônicos Ltda., tornandose desnecessário novamente relatálos. Nesse sentido, me limitarei a sintetizar o inconformismo dos impugnantes acerca da preliminar de ilegitimidade argüida. Fl. 82991DF CARF MF 14 Para justificar o entendimento de que são partes ilegítimas para figurarem como responsáveis solidários da pessoa jurídica autuada, sustentam que sua inclusão na relação jurídica contraria os princípios que norteiam a sociedade por cotas de responsabilidade limitada e o conceito de personalidade jurídica de direito privado, essenciais à preservação das sociedades regularmente constituídas, conforme consigna o art. 1.052 do Código Civil brasileiro, pois a característica fundamental desse tipo societário é justamente estabelecer em seu capital um marco intransponível de obrigatoriedade de seus sócios por dívidas por contraídas pela pessoa jurídica, exceto nos casos em que se comprove que seus gestores agiram em oposição ao contrato ou à lei, não sendo o caso sob exame. Dessa forma, pleiteiam sua exclusão do pólo passivo da autuação em comento posto que a contribuinte permanece em plena e regular atividade, não havendo porque desconstituir sua personalidade jurídica, e pela falta de prova de que praticaram atos com excesso de mandato ou desvio de finalidade social ou contrários ao contrato ou à lei. É o Relatório. A DRJ em Florianópolis (SC) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fl. 4.266/4.269): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 20/07/2004 a 18/01/2007 RESPONSÁVEIS. ADMINISTRADORES. São responsáveis pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias não adimplidas, os administradores que praticam atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, na condição de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, assim como os mandatários, prepostos, empregados e pessoas que embora não figurem nos documentos constitutivos das sociedades empresariais tenham pleno domínio os atos imputados como fraudulentos. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS São responsáveis solidários da exação Fiscal as pessoas físicas que embora não constam formalmente indicadas nas operações de importação e nem figurem como sócias das empresas importadoras provase que efetivamente gerenciaram e/ou comandaram as importações de forma direta ou por intermédio de prepostos. FATURA COMERCIAL. FRAUDE. SUBFATURAMENTO. Caracteriza evidente intuito de fraude O desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas instruído com faturas comerciais inidôneas. A comprovação da existência do subfaturamento do preço das mercadorias por eles efetivamente importadas e a vinculação de exportadores e importadores ocultos enseja a falsidade Fl. 82992DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.986 15 ideológica das faturas comerciais e justifica a cobrança de oficio das diferenças de tributos e demais penalidades cabíveis. VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. FRAUDE. Não obstante a valoração aduaneira de mercadorias ser é regida pelo Acordo de Valoração Aduaneira, implementado pelo GATT, nos caso de fraude O valor aduaneiro atribuído para fins de incidência de direitos aduaneiros passa a ser regulado por procedimento autônomo. ANÁLISE DAS PROVAS. A conclusão a ser extraída das provas existentes nos autos se sujeita ao princípio da legalidade, do livre convencimento motivado do julgador e às limitações e assunções eventualmente obrigatórias na sua apreciação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. O lançamento é ato no qual a Fazenda Nacional deduz sua pretensão acerca do crédito tributário apurado de oficio cujo aperfeiçoamento ocorre com a ciência do sujeito passivo, quando se dá por encerrado a fase inquisitória do procedimento. A apresentação de impugnação pelo autuado inaugura a fase imediatamente posterior, denominada litigiosa, momento em que é disponibilizado ao contribuinte o direito de exercer plenamente sua defesa. A não participação do investigado antes da cientificação do auto de infração que formalizou o crédito tributário não importa em ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. Na~o compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da constitucionalidade ou legalidade das normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico, por se tratar de competência privativa do Judiciário. PENALIDADES APLICADAS. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO As multas administrativas e/ou fiscais não têm natureza confiscatória, alcançam apenas os sujeitos passivos infratores, com maior intensidade aqueles que agiram com o intuito doloso, em nada afetando os que cumprem com suas obrigações legais. MULTAS DE OFÍCIO E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FRAUDE DOCUMENTAL. PENALIDADES.AGRAVAMENTO. Constatado que o valor da mercadoria foi subfaturado utilizando se de artifício doloso (fraude fiscal), resta caracterizado, em tese, o crime contra a ordem tributária e de sonegação fiscal, cabível, Fl. 82993DF CARF MF 16 portanto, na espécie, o agravamento das multas incidentes sobre os tributos não recolhidos, bem assim, as multas do controle administrativo da importação. PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA REGULAMENTAR. Os que entregarem a consumo, produtos de procedência estrangeira, importados irregular ou fraudulentamente, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança dos juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic está em conformidade com o disposto na legislação de regência. MULTAS REGULAMENTARES. PENALIDADES DE NATUREZA DIVERSA. NÃO OCORRÊNCIA DE “BIS IN IDEM”. A multa equivalente a cem por cento da diferença entre o valor efetivo e o declarado tem por fato gerador a declaração inexata do valor das mercadorias importadas com evidente intuito de fraude do controle aduaneiro. A multa equivalente a cem por cento do valor aduaneiro apurado das mercadorias tem por fato gerador a entrega a consumo de mercadoria estrangeira que tenha sido importada de forma irregular ou fraudulenta. Por se tratar de multas que possuem natureza jurídica diversa, não se verifica a concorrência da autuação sobre um mesmo fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimados em 2009, e não concordando com a decisão de primeira instância, todos Recorrentes apresentaram seus Recursos Voluntários, sendo eles: como Contribuinte a INTERSMART COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA., e como responsáveis solidários o Sr. RAFAEL NASSAR PALONI, Sr. JOÃO RICARDO DE TOLEDO, Sr. WILLIAM HADDAD UZUM, Sr. MARCELO RALO e Sr. MARCELO ADOMO, indicados como responsáveis solidários perante o crédito tributário lançado nos Autos de Infração 01 e 02, repisando os argumentos apresentados na inicial, alegando a ilegitimidade para comporem o pólo passivo da presente relação jurídica. Sua contestação centrase na falta de prova de suas efetivas participações nas respectivas operações uma vez que não registraram nenhuma das declarações de importação e não adquiriram ou comercializaram no Brasil qualquer das referidas mercadorias. Verificase que todos os recursos apresentados são tempestivos e desta forma os autos, então, foram encaminhados a este CARF para julgamento. Da conversão do Julgamento em Diligência Durante análise dos Recursos Voluntários interpostos, observouse que a fiscalização concitou que o Relatório de Fiscalização, além subsidiar a presente ação fiscal, Fl. 82994DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.987 17 serviu de fundamento para as ações efetuadas em desfavor das seguintes outras empresas: (i) Mercotex do Brasil Ltda. (PAF n° l5l65.003462/200839); (ii) Opus Trading América do Sul Ltda. (PAF n° l5l65.003460/200840); (iii) Muchmore Comercial Ltda; (PAF n° l5165.003455/200837); (iv) Iacex Importação e Exportação Ltda. (PAF n° l5l65.003458/200871); (v) Cotia Trading S/A (PAF n° l5l65.00346l/200894); (vi) Proxim Importadora e Exportadora Ltda. (PAF n° l5l65.003459/200815), e (vii) Tumiza Importação e Exportação Ltda. (PAF n° l5l65.000119/200913). Esclarece também o Fisco, que instruem os autos, além dos dossiês cadastrais de todas as pessoas jurídicas e físicas indicadas na investigação e cópias das declarações de importação analisadas, os documentos extraídos do inquérito instaurado pela Polícia Federal na denominada "Operação DILÚVIO” (IPL n° 009/2008DPF/ PGAPR), extração estas devidamente permitida pela autoridade judicial (Processo n° 2006.70.00.002243 56, em tramitação à época na 3ª Vara Federal Criminal de Curitiba PR), bem assim, as cópias dos Autos de Apreensão efetuados também pela Polícia Federal, relativamente às empresas Mercotex e Opus e ao contribuinte Marcelo Ralo e do Memorando n° l.411/07 SETEC/SR/DRP/PR. Ressaltase que a ação fiscal que originou este Auto de Infração foi resultante da denominada "Operação Dilúvio", implementada pela Polícia Federal que concluiu haver um complexo esquema fraudulento administrado pelo Grupo MAM, através de operações de importação tidas como simuladas, com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, sob a alegada prática de utilização de documentos ideológica e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas. É de conhecimento deste Colegiado (matéria discutida em outros processos) que o Poder Judiciário no HC nº 142.045/PR, declarou ilícitas provas colhidas via prorrogações de interceptação telefônica na Operação Dilúvio. Destacase que não foram anuladas todas as provas produzidas durante o inquérito policial, mas sim todas aquelas que de alguma forma decorrem das escutas e interceptações irregulares, havidas das prorrogações consideradas ilegais. O HC nº 142.045 (PR), foi impetrado pelo advogado René Ariel Dotti, em benefício de Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho, apontados como autoridades coatoras o Eg. TRF da 4ª Região. O ato de coação ilegal consistiu na decisão que julgou regular a interceptação telefônica e suas sucessivas prorrogações realizadas para a apuração de conduta criminosa dos pacientes, nos autos do Inquérito Policial (IPL) n° 2006.70.00.0224356. A decisão final do STJ, apontada na conclusão do Relator designado para redigir o voto vencedor foi a seguinte: “Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.686 (6ª Turma, sessão de 9.9.08), reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que ‘toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas’ seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito”. Fl. 82995DF CARF MF 18 Portanto, o STJ declarou por via de consequência a ilegalidade das provas produzida no inquérito policial consideradas “frutos da árvore envenenada”, cujo “sopro de vida” origem tenha sido a interceptação telefônica após o lapso legal de 60 dias. Observase, porém, que o STJ não declarou a ilegalidade de toda prova produzida no inquérito policial, mas apenas da interceptação telefônica no tocante às sucessivas renovações e daquela decorrente dela, estipulando ainda o prazo máximo da interceptação telefônica, qual seja, de 60 dias, desde que houvesse decisão fundamentada. Dessa forma, tornavase imprescindível que essa turma de julgamento identificasse, dentre as provas coletadas pela fiscalização, quais foram efetivamente afetadas pela decisão do STJ, separando daquelas que foram decorrentes da interceptação quando ela ainda era válida (os primeiros sessenta dias), além daquelas decorrentes de procedimentos fiscais realizados pela própria Fiscalização da Receita Federal do Brasil, dentro de sua competência legal. Dentro desse contexto, este Relator propôs e foi acompanhado pelo Colegiado, que o julgamento deveria ser convertido em diligência, conforme Resolução nº 3402000.839, de 24/11/2016, a fim de que os autos retornassem à repartição de origem (IRF de Curitiba/PR), para que a autoridade fiscal competente procedesse as seguintes providências e informações (fls. 82.878/82.896): (i). Identificar, dentre as provas utilizadas para o lançamento, aquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; (ii). Separar e identificar nos autos, as provas que derivaram do primeiro período de 60 (sessenta) dias da interceptação telefônica, inclusive cópias das decisões que insejaram os correlatos Mandado de busca e apreensão; (iii). Identificar as provas produzidas por fonte independente, como por exemplo, as apresentadas durante a ação fiscal, manifestandose sobre as mesmas; (iv). Identificar, nos autos, as provas que a RFB poderia ter acesso independentemente de autorização judicial; (v). anexar o inteiro teor da decisão judicial do HC nº 142.045/PR, e (vi). anexar as transcrições das escutas telefônicas referentes ao período de interceptação validado pelo STJ (os primeiros sessenta dias), e vii). anexar cópia da Ação Criminal da Ação promovida pelo MPF. Por fim, determinou que após a conclusão dessas diligências, o Recorrente e responsáveis solidários, fossem intimados do inteiro teor do resultado da diligência, para, querendo, no prazo de trinta dias, manifestaremse sobre o feito. Em cumprimento a tal diligência adveio as manifestações contidas na Informação Fiscal nº 018/2017 de fls. 82.901/82.904, oportunidade em que o Fisco pode fornecer todas as respostas as perguntas elaboradas por este CARF. Vejase os principais trechos abaixo reproduzido (fls. 82.902/82.903): " (...). Fl. 82996DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.988 19 Conforme consta do relatado, a decisão final do STJ nos autos do HC 142.045/PR decretou a ilegalidade de todas as provas obtidas mediante interceptação das comunicações após o prazo de 30 dias. Ressalva seja feita que o juízo originário delimitou o alcance da decisão circunscrito às interceptações nos primeiros 60 dias. (...) No presente caso, a descoberta dos fatos narrados na autuação somente foi possível com base na prova resultante das interceptações telefônicas e nas delas decorrentes, pois sem o empréstimo das investigações criminais, haja vista a extensão e complexidade das organizações, não haveria como descobrilas. Não há conhecimento de outras fontes independentes, ainda que apenas no âmbito fiscal. Desta forma não há o que se atender para os quesitos (i) e (ii), seu resultado é um conjunto vazio de elementos, já que as provas obtidas através das interceptações alcançam a todo o material probante acostado aos autos. O cerne da autuação fiscal encontrase nas provas relativas ao subfaturamento, a existência das centenas de ordens de compra, as denominadas (PO's), preponderantemente utilizadas como paradigmas, e milhares de documentos eletrônicos outros. Conforme relatado no tópico “4. DAS IMPORTADORAS E SUAS OPERAÇÕES”, a arrecadação através das apreensões judiciais efetuadas, destacadamente nos denominados alvos SPC24 e SPC64, expuseram a realidade de preços praticados pelas empresas. Amargamente, esta fiscalização declara que sem tais documentos eletrônicos a presente autuação fiscal não prosperaria, portanto não há o que se identificar quanto o quesito (iv). Quanto ao (vi) tornase sem efeito já que, nos primeiros 60 dias de interceptações, período considerado válido, em nada vincula se ao GRUPO NETWORK 1 face a embrionária fase que se encontrava a investigação, tendo ainda por objeto apenas empresas do GRUPO MAM. (..) (Grifei). Conforme verificase nos autos, todos os interessados (Recorrentes e responsáveis solidários) apresentaram suas Manifestações sobre o resultado da diligência, sendo eles: como Contribuinte a INTERSMART COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA. (fls. 82.945/82.951), e como responsáveis solidários o Sr. RAFAEL NASSAR PALONI, Sr. JOÃO RICARDO DE TOLEDO (fls. 82.931/82.937), Sr. WILLIAM HADDAD UZUM (fls. 82.963/82.969), Sr. MARCELO RALO (fls. 82.972/82.978) e Sr. MARCELO ADORNO (fls. 82.954/82.960), indicados como responsáveis solidários perante o crédito tributário lançado nos Autos de Infração 01 e 02. Verificase que todos os interessados argumentaram no mesmo sentido: "(...) Tendo em vista a decisão final do STJ nos autos do HC 142.045/PR, que decretou a ilegalidade de todas as provas obtidas mediante interceptação das comunicações, submetido o processo a julgamento, através Resolução n° 340200.839 de Fl. 82997DF CARF MF 20 24/11/16, essa C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o processo em diligência visando determinar a extensão da ilicitude da "prova" acostada aos autos que fundamentaria a acusação fiscal, tendo a d. Fiscalização certificado que: (...)". "(...) Diante da comprovada da irregularidade e ilicitude na utilização daqueles elementos "probatórios" fornecidos pelo Ministério Público que embasam a presente ação fiscal, não há como recusar a "ilicitude e imprestabilidade das informações" delas resultantes e invocadas como "provas" da acusação impondose o seu desentranhamento, tal como já decidiu o E. Supremo Tribunal Federal e se pode ver da seguinte ementa:(...)". (...) Portanto, E. Conselho, como resultou plenamente demonstrado, não há dúvida de que os Autos de Infração ns° 01 e 02 II, IPI, PIS COFINS e respectivas MULTAS e juros, são atos administrativos nulos de pleno direito, seja em face dos inúmeros erros de fato e de direito que ostentam, seja porque as acusações e pretensões fiscais neles consubstanciadas mostramse totalmente insubsistentes, injurídicas e ilegais". Posto isso, os autos retornaram a esta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1. Da admissibilidade dos recursos Os recursos voluntários interpostos preenchem os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual passo a conhecêlos a seguir. Dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade por infração à legislação aduaneira apontada na autuação fiscal, as razões de contestação apresentadas por um dos acusados em princípio aproveitam ao outro autuado, com exceção de eventuais alegações de caráter pessoal que possam importar na caracterização de dolo específico. 2. Da relação dos processos judiciais x diligência realizada Preliminarmente, é importante esclarecer que a conversão do julgamento em diligência, apesar de demandar cópias das principais peças dos processos judiciais, também era focada na verificação da procedência da alegação de que os "Habeas Corpus" citado, consideraram ilícitas todas as provas colhidas mediante as interceptações telefônicas”, conforme pode ser observado no excerto final da Resolução nº 3402000.839, de 24/11/2016 (fl. 82.878/82.896), já transcrito no Relatório acima. Neste contexto, e com o mesmo escopo de verificar se as provas carreadas a este processo administrativo estariam eventualmente maculadas por força de decisão judicial, entendemos suficiente o resultado da diligência, na qual a unidade local intimou a empresa a apresentar as cópias solicitadas pelo CARF, tendo, como resposta, a apresentação de documentos digitalizados dos seguintes documentos: Ofício nº 8427401 de 18/06/2014, referente ao Inquérito Policial nº 2006.70.00.0224356/PR; Ação Penal nº 2007.70.00.033251 0/PR (Sentença); Ação Penal nº 2007.70.00.0197047/PR (Sentença); Nas referidas Sentenças, Fl. 82998DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.989 21 são feitos referência (com trechos citados) dos Habeas Corpus (HC) nº 142.045/PR e do HC nº 109.205/PR. Após análise de tudo que consta das peças judiciais acima, entendo que o teor do processo judicial afeta, sim, o julgamento do presente processo administrativo. Ao contrário do que entendeu o Fisco na decisão recorrida, não vejo como considerar, no presente contencioso, válidas, as provas que o Poder Judiciário entendeu como obtidas ilicitamente, ainda mais diante da manifestação do Ministério Público, defensor da ordem jurídica, que concedeu amplitude até maior do que a inicialmente definida pelo Juízo, além de ser considerado relevente que a própria fiscalização consignar em sua Informação Fiscal nº 018/2017 de fls. 82.901/82.904, conforme trecho abaixo reproduzido e que será melhor delineado na sequência deste voto: "(...) Conforme consta do relatado, a decisão final do STJ nos autos do HC 142.045/PR, decretou a ilegalidade de todas as provas obtidas mediante interceptação das comunicações após o prazo de 30 dias. Ressalva seja feita que o juízo originário delimitou o alcance da decisão circunscrito às interceptações nos primeiros 60 dias". "(...) Todavia, não é o que se sucede para o caso em tela, pois conforme esclarece o juízo, colhida a manifestação do Ministério Público Federal, autos da Ação Penal nº 2006.70.00.0224356/PR, ação principal da “Operação Dilúvio”, trecho abaixo transcrito e, na íntegra anexada a esta Informação Fiscal, fica claro o reconhecimento da extensão do vício decretado:(...)". 3. Do reconhecimento judicial quanto à ilicitude das provas produzidas Apesar da dimensão do presente caso, em especial por conta da complexidade das operações que foram objeto de investigações pela Polícia Federal e que redundaram na presente exigência fiscal, tenho para mim que o presente julgamento não demanda maiores digressões, haja vista o teor da decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), considerandose a resposta pertinentemente ofertada pelo Fisco de fls. 82.901/82.904, em razão da determinação de diligência emanada deste CARF. E mais. Este assunto já foi compartilhado por essa Turma Ordinária (TO), como pode ser observado no voto do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, prolatado no PAF nº 15165.003460/200840, Acórdão nº 3402003.195, de 23/08/2016, o qual, digase de passagem, tratou com pecisão desta mesma questão fática de uma empresa arrolada no Relatório Fiscal mencionado nestes autos, que reproduzo a seguir adotandoo como fundamentos para decidir a presente questão, efetuandose algumas adaptações pontuais ao caso em concreto. Conforme se observa dos autos, o Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do HC nº 142.045/PR, assim decidiu (trecho reproduzido fl. 82.905): Ementa: Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Princípio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindose, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". Fl. 82999DF CARF MF 22 2. A Lei nº 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei nº 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei nº 9.296/96 (art. 5º), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2º) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explícita ou implícita violação do art. 5º da Lei nº 9.296/96, evidente violação do princípio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito. (STJ; HC 142.045/PR, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), Rel. p/ Acórdão Ministro NILSON NAVES, SEXTA TURMA, julgado em 15/04/2010, DJe 28/06/2010) (grifos nosso). Em voto vencedor, assim se manifestou o Ministro Nelson Naves: (...). Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.686 (6ª Turma, sessão de 9.9.08), reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que "toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas" seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito (...). Ressaltese, inclusive, que referida ordem foi objeto de pedido de extensão, o que foi deferido pelo STJ, consoante se observa abaixo: PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. PEDIDO DE EXTENSÃO. SIMILITUDE DE SITUAÇÃO PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA DE EMPECILHO INERENTE A CIRCUNSTÂNCIA DE CARÁTER EXCLUSIVAMENTE PESSOAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 580 DO CPP. POSSIBILIDADE. PEDIDO DEFERIDO. 1. Demonstrada a similitude da situação processual dos requerentes com a dos pacientes, devese estender a ordem, eis que não se verifica a existência de qualquer circunstância de caráter exclusivamente pessoal que a obstaculize, sendo aplicável, portanto, o artigo 580 do Código de Processo Penal. 2. Dada a documentação acostada aos autos, excepcionalmente, entendese que os efeitos dessa decisão devem ser estendidos também aos demais corréus da ação penal, pois, evidenciandose o semelhante contexto no que tange à medida constritiva telefônica, o deferimento se lhes alcança. 3. Pedido de extensão deferido em relação aos peticionários, bem como aos demais corréus em idêntica situação, nos termos do primevo voto concessivo, para "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que 'toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas' seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito". Fl. 83000DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.990 23 (STJ; PExt no HC 142.045/PR, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 10/06/2016) (g.n.). Deferida a citada ordem, referida decisão foi objeto de análise pelo juízo criminal de 1ª instância, onde corria a ação criminal correlata (autos nº 2007.70.00.0197047/PR). Nesta oportunidade, assim se manifestou o juízo de 1ª instância, conforme se extrai de cópia dos documentos de fls. 82.921/82.922: (...) A despeito de este juízo ter considerado inicialmente válidas as interceptações telefônicas realizadas nos primeiros sessenta dias da medida, o parquet apontou a impossibilidade de separação das provas colhidas, nos moldes pretendidos. Isso porque foram os elementos colhidos em todo o período em que perduraram as interceptações, analisados em conjunto, que deram suporte às medidas de busca e apreensão posteriormente deferidas que, por sua vez, deram ensejo à colheita de elementos representativos da materialidade do crime de descaminho e de falsidade ideológica, tais como notas fiscais e dados armazenados em computadores. A esse respeito, colhese da manifestação ministerial: Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos com o cumprimento destes, não seria possível a apreensão, para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias descaminhadas; sem a análise destes, pela Receita Federal, em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo; a pretendida separação é impossível. Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada" (art. 157, §1°, CPP). Em conclusão, não subsistem razões para continuidade da persecução penal em relação aos crimes de descaminho e de falsidade ideológica, ante a ausência de elementos representativos da materialidade delitiva. Por conseqüência, também não subsiste a imputação relativamente ao delito de quadrilha. Com efeito, a denúncia imputou aos réus a associação "para o cometimento de diversos delitos de falsidade ideológica e descaminho". Não configurados os delitos para os quais pretensamente a quadrilha se formara, não há que se falar na prática do delito de quadrilha. Por todo o exposto, ante a ausência de elementos que indiquem a materialidade delitiva dos crimes descritos na denúncia, a absolvição sumária dos acusados, com supedâneo nos artigos 386, III, e 397, III, ambos do CPP, é medida que se impõe. (...). Dispositivo Ante o exposto: Fl. 83001DF CARF MF 24 a) absolvo sumariamente os réus Roberto Graziano, Enrico Luglio Neto, Jacob Magid, Roberto Peretz, Maria das Graças Beniz da Silva, Álvaro Regis de Menezes, Flavio Neves da Silva, Adriana de Melo Carneiro, Luiz Gabriel, Carlos Alberto Pintor e Márcio Machado Volpe, da prática dos crimes previstos nos artigos 288, 299 e 334, caput, todos do Código Penal, com supedâneo nos artigos 386, III, e 397, III, ambos do CPP; b) absolvo sumariamente os réus Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Salewski da prática dos crimes previstos nos artigos 299 e 334, caput, ambos do CP, com supedâneo nos artigos 386, III, e 397, III, ambos do CPP (...). Grifei. De suma importância também, a conclusão que decorre da diligência determinada por este Tribunal Administrativo que vai no mesmo sentido (resposta aos quesitos elaborados). É o que se depreende dos seguintes trechos da Informação Fiscal nº 018/2017, prolatada pela IRF/Curitiba/PR. Vejase trechos selecionados (fls. 82.903): (...). No presente caso, a descoberta dos fatos narrados na autuação somente fora possível com base na prova resultante das interceptações telefônicas e nas delas decorrentes, pois sem o empréstimo das investigações criminais, haja vista a extensão e complexidade das organizações, não haveria como descobrilas. Não há conhecimento de outras fontes independentes, ainda que apenas no âmbito fiscal. Desta forma não há o que se atender para os quesitos (i) e (ii), seu resultado é um conjunto vazio de elementos, já que as provas obtidas através das interceptações alcançam a todo o material probante acostado aos autos. As provas arrecadadas no procedimento judicial demonstraramse suficientes para delimitar e quantificar o lançamento fiscal não tendo sido apresentados elementos outros no decorrer da ação fiscal, tornando o contido no quesito (iii) também com resultado nulo. O cerne da autuação fiscal encontrase nas provas relativas ao subfaturamento, a existência das centenas de ordens de compra, as denominadas (PO's), preponderantemente utilizadas como paradigmas, e milhares de documentos eletrônicos outros. Conforme relatado no tópico “4. DAS IMPORTADORAS E SUAS OPERAÇÕES”, a arrecadação através das apreensões judiciais efetuadas, destacadamente nos denominados alvos SPC24 e SPC64, expuseram a realidade de preços praticados pelas empresas. Amargamente, esta fiscalização declara que sem tais documentos eletrônicos a presente autuação fiscal não prosperaria, portanto não há o que se identificar quanto o quesito (iv). Quanto ao (vi) tornase sem efeito já que, nos primeiros 60 dias de interceptações, período considerado válido, em nada vinculase ao GRUPO NETWORK 1 face a embrionária fase que se encontrava a investigação, tendo ainda por objeto apenas empresas do GRUPO MAM. (...)" Grifei. Portanto, podemos concluir que, se o Ministério Público, a Justiça Federal e, até mesmo o Fisco, entendem ser impossível separar eventuais provas lícitas daquelas declaradas ilícitas (ainda que por derivação) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), não resta alternativa senão reconhecer a ilicitude de todas as provas produzidas no presente processo administrativo, anulando, por conseguinte, o lançamento perpetrado, o que reconheço em favor de todos os autuados, quais sejam: a Recorrente INTERSMART COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA., e os Senhores RAFAEL NASSAR PALONI, JOÃO RICARDO DE TOLEDO, WILLIAM HADDAD Fl. 83002DF CARF MF Processo nº 15165.000120/200948 Acórdão n.º 3402004.799 S3C4T2 Fl. 82.991 25 UZUM, MARCELO RALO e MARCELO ADORNO, indicados como responsáveis solidários perante o crédito tributário lançado nos Autos de Infração 01 e 02. A extensão da decisão aqui veiculada, reconhecida de ofício, é medida imperiosa, haja vista que estamos diante de típica hipótese de responsabilidade solidária. Ocorre que, exceção feita a empresa INTERSMART, todos os demais responsabilizados assim foram inseridos no presente processo administrativo por conta de reconhecida solidariedade. Assim, sob uma perspectiva de direito material (solidariedade) o resultado da presente demanda afeta diretamente todos os responsabilizados naquilo em que lhe aprouver. Tratase de questão ínsita do instituto da solidariedade1. 4. Dispositivo Posto isto, reconheço a ilicitude (por derivação) das provas produzidas no presente processo administrativo e, por conseguinte, anulo o lançamento aqui tratado em favor de todos os autuados: INTERSMART COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA., bem como os indicados como responsáveis solidários perante o crédito tributário lançado nos Autos de Infração 01 e 02, os Senhores RAFAEL NASSAR PALONI, JOÃO RICARDO DE TOLEDO, WILLIAM HADDAD UZUM, MARCELO RALO e MARCELO ADORNO. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator 1 Só não há esta extensão quanto aos efeitos materiais da decisão se, para proferir a decisão do caso, o julgador leva em consideração características pessoais de um dos responsáveis. Fl. 83003DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000265/2008-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS.
Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite - caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matéria-prima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. PRODUTOS QUÍMICOS. RESÍDUOS INDUSTRIAIS. TRATAMENTO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com aquisições de produtos químicos utilizados no tratamento de resíduos industriais.
Numero da decisão: 9303-005.651
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para não considerar como insumo os produtos utilizados no tratamento dos resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconelo, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONFEPAR AGROINDUSTRIAL COOPERATIVA CENTRAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. PRODUTOS QUÍMICOS. RESÍDUOS INDUSTRIAIS. TRATAMENTO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com aquisições de produtos químicos utilizados no tratamento de resíduos industriais. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para não considerar como insumo os produtos utilizados no tratamento dos resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconelo, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 65 /2 00 8- 64 Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3802001.481, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para: · Restabelecer a dedução da base de cálculo da Contribuição dos valores das receitas obtidas nas vendas com suspensão de leite in natura; · Restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das aquisições de produtos químicos utilizados na higienização dos equipamentos industriais e no tratamento dos resíduos industriais; e · Homologar as compensações até o limite do valor do crédito reconhecido. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo a reforma do acórdão recorrido para restabelecer a glosa efetivada em relação aos produtos químicos utilizados na higienização dos equipamentos e no tratamento dos resíduos industriais. Apresenta, dentre outras, as seguintes razões: · Os produtos químicos utilizados na higienização de equipamentos e no tratamento dos resíduos industriais, embora não sejam bens do ativo permanente, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, assim não se enquadram na condição de insumo, tampouco podem ser aproveitados como créditos da contribuição. · A decisão ora recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelos arts. 3º, II, da Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c o disposto na IN´s SRF nºs 247/2002 e 404/2004, em razão de uma interpretação equivocada, acabou por criar dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser restabelecida a decisão de primeira instância, a ratificadas. Em Despacho do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 4 3 Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, cujos principais argumentos foram: · Os materiais informados nas contas 7.0.0.00.09 e 7.1.0.00.09 – produtos químicos são utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite – caminhões, silos e equipamentos industriais conforme nota da inspeção federal (SIF); · Os equipamentos operam com ciclos determinados sendo obrigatório a assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado; · O setor de laticínio gera resíduos industriais que necessitam ser tratados na estação de tratamento, devido ao grande teor de partículas gordurosas a utilização de reagentes químicos é necessário para o efetivo tratamento dos resíduos, a água tratada é destinada ao Ribeirão Cambezinho de acordo com a legislação ambiental, são utilizados os seguintes insumos: soda cáustica, ácido peracético, ácido nítrico, ácido sulfúrico, peróxido de hidrogênio, polímero aniônico, policloreto de alumínio, nutrientes e aminoácidos; · Por conseguinte, restam enquadrados no conceito de insumo, eis que a intenção da lei é favorecer a cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.641, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 16366.000239/200836, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.641): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Fl. 503DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 5 4 Do Mérito "Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 6 5 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 7 6 Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 8 7 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; Fl. 507DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 9 8 e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 10 9 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 11 10 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, manifesto minha concordância com o entendimento expressado pelo nobre conselheiro José Fernandes do Nascimento – que peço licença para transcrever parte: “[...] No caso em apreço, a higienização dos equipamentos industriais e o tratamento dos resíduos decorrentes do processo de industrialização são exigências do próprio Poder Público que devem ser cumpridas pela Recorrente, sob pena de inviabilizado o processo produtivo. Em consequência, os gastos com a aquisição dos produtos químicos utilizados nessa atividade são considerados insumos, posto que são essenciais à manutenção do processo de fabricação. No Acórdão nº 930301.740, ao analisar questão similar, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) manifestou o mesmo entendimento, conforme explicitado na ementa a seguir transcrita: COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF. 3ª Turma. Ac. 930301.740, de 9/11/2011, rel. Nanci Gama). Com base no exposto, fica demonstrado que os gastos com a aquisição dos produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e no tratamentos dos resíduos industriais, enquadramse no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, portanto, deve ser computado na base de cálculo dos créditos da Cofins.” Fl. 510DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 12 11 Ora, tal como exposto pelo sujeito passivo, os produtos químicos em questão são utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite – caminhões, silos e equipamentos industriais conforme nota da inspeção federal (SIF) e tais equipamentos operam com ciclos determinados, sendo, assim, obrigatório a assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. " (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre os gastos incorridos com produtos químicos para o tratamento de resíduos industriais. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.833/2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Importante explicar, que minha concordância com a relatora em relação à manutenção dos créditos relativos a higienização dos equipamentos industriais, deuse porque entendo que efetivamente são itens consumidos diretamente no processo produtivo do leite. Porém não concordo com as razões motivadas por ela para aceitação do crédito, no sentido que para tanto, basta conferir a sua essencialidade em relação às atividades produtivas da empresa. Como está claro no meu voto, esta tese extrapola os limites estabelecidos pela lei. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade da Cofins sobre as aquisições de produtos químicos utilizados no tratamento de resíduos industriais. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais produtos integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da Cofins: 1 Deixouse de transcrever o fragmento do voto do paradigma no qual a relatora reconhecia, também, o direito de créditos sobre as aquisições de produtos químicos utilizados no tratamento dos resíduos industriais, pois esse entedimento foi vencido, não se aplicando à solução do presente litígio (íntegra no processo paradigma). Fl. 511DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 13 12 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 512DF CARF MF Processo nº 16366.000265/200864 Acórdão n.º 9303005.651 CSRFT3 Fl. 14 13 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que os produtos químicos adquiridos para o tratamento de resíduos industriais não constituem insumos dos produtos fabricados e vendidos pelo contribuinte nem foram utilizados diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Observe que a sua utilização somente realizase após a conclusão da fabricação ou produção do bem. Tratase de insumo utilizado após o fim do processo industrial. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens que não foram utilizados no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no tratamento de resíduos industriais, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para não considerar como insumo os produtos utilizados no tratamento dos resíduos industriais. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100482/2006-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-005.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado H. KUNTZLER & CIA. LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 82 /2 00 6- 62 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 9303005.604 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3301002.124, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para: · reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre as aquisições de equipamentos de proteção individual; · reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre os gastos incorridos com o tratamento de resíduos industriais. No recurso especial, a PFN insurgese contra o reconhecimento do direito de crédito sobre os itens acima identificados. Seu principal argumento é o de que tais insumos não foram diretamente utilizados na fabricação do produto, não podendo, desta forma, originar créditos da contribuição. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido mediante despacho do Presidente da Câmara competente e a contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.601, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 11065.003652/200581, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.601): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido aplicou o conceito intermediário de insumos, de molde a permitir o creditamento sobre alguns gastos realizados pela contribuinte, o segundo paradigma, o Acórdão de nº 20219.127, aplicou o conceito mais estrito, nos moldes em que adotado nos atos normativos expedidos pela RFB. Conhecido, passamos à análise do mérito do litígio. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 9303005.604 CSRFT3 Fl. 4 3 Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorro me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 9303005.604 CSRFT3 Fl. 5 4 Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Câmara baixa reconheceu o crédito de PIS/Cofins sobre os gastos com o tratamento de resíduos industriais e com os equipamentos de proteção individual. A contribuinte dedicase à atividade de fabricação de calçados. Para tanto, sustenta ser obrigada, por lei, a fazer tratamento de seus resíduos industriais, o que faz através da contratação de empresa especializada. Ora, o fato de ser obrigada, por lei, a fazer o adequado tratamento de seus resíduos industriais – muitas outras obrigações legais têm as pessoas jurídicas, nem por isso podem se enquadrar como insumos –, não acarreta, por consequência lógica inarredável, o creditamento sobre os gastos assim realizados. Ainda que não se aplique, no conceito de insumos, o próprio da legislação do IPI, não se pode adotar, como regra, aquele que alcance gastos só efetuados após a conclusão do processo produtivo, dado que não aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de seus produtos. Insumo, é até desnecessário enfatizar, só pode ser, como regra, aquilo que vem antes, não depois de concluído o processo. Contudo, concordamos, pelos motivos que aqui vimos de adotar, que os gastos realizados na aquisição de equipamentos de proteção individual sejam considerados insumos para o efeito da legislação do PIS/Cofins não cumulativo, conforme esta mesma Turma recentemente decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2002 a 31/01/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente na prestação de serviços, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso uniformes e materiais de segurança de uso obrigatório na prestação dos serviços, são bens que se consomem gradualmente com o tempo na prestação dos serviços executados pelo contribuinte. (CSRF/3ª Turma, rel. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.192, de 17/05/2017). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, a fim de excluir o creditamento apenas sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais." Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 9303005.604 CSRFT3 Fl. 6 5 A declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello não foi transcrita neste voto, pois o entendimento defendido foi vencido na votação, não se aplicando à solução do litígios deste processo (entendimento no sentido de reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre os gastos incorridos com o tratamento de resíduos industriais, em razão de atender ao critério da necessidade/essencialidade com o processo produtivo). Todavia, a declaração de voto consta, na sua íntegra, do acórdão do processo paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, a fim de excluir o creditamento apenas sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000794/2007-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 94 /2 00 7- 29 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 9202005.838 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905008/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO.
Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015.
A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelando-se provas precárias, insuficientes.
Numero da decisão: 3401-004.236
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO. Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015. A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelandose provas precárias, insuficientes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, oriundo de processo de PER/DCOMP, no qual o sujeito passivo indicou suposto crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurado sob o regime da nãocumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 08 /2 01 2- 38 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10925.905008/201238 Acórdão n.º 3401004.236 S3C4T1 Fl. 3 2 O pedido da recorrente foi indeferido através do Despacho Decisório Eletrônico que instrui os autos, onde informouse que o pagamento indicado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível. Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade defendendo que recolheu contribuições indevidamente, vez que não tinha efetuado exclusões da base de cálculo da referida contribuição, previstas em lei. Apresentou DACON retificadora onde apura saldo credor, de modo que o recolhimento feito anteriormente, mostrase indevido, logo, passível de restituição. Asseverou que, por um lapso, deixou de retificar tal informação em DCTF e que a informação em DACON é suficiente para demonstrar seu direito. Defende que a circunstância de não retificar a DCTF não inviabiliza a restituição de valores comprovadamente indevidos. Sobreveio acórdão nº 07030.988 da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde essencialmente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, afirmando possuir o direito pleiteado e citando o Acórdão nº 3302002.104 do CARF como jurisprudência que entende amparar seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.207, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.904977/201271, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10925.905008/201238 Acórdão n.º 3401004.236 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.207): "I. Do conhecimento e admissibilidade dos recursos voluntário O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ, em 21/05/2013 (efl. 64), vindo a ser interposto recurso voluntário, 19/06/2013. Assim, preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do mérito O julgamento deste processo servirá de paradigma aos demais processos vinculados, seguindo, portanto, a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Como se viu do Relatório acima, entende a Recorrente que faz jus a compensação da contribuição para o PIS, referente ao mês de abril 2005, vez que teria o recolhido indevidamente, não excluindo de sua base de cálculo parcelas autorizadas pela legislação de regência. Para dar azo ao seu suposto direito, em 21/08/2009, apresentou DACON retificador. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 exige que o contribuinte apresente provas documentais no momento da impugnação, porém, este E. Tribunal tem flexibilizado em razão do princípio da verdade material, possibilitando que o sujeito passivo produza provas em momento posterior. Em casos em que o contribuinte não traz qualquer prova DARF, DCTF, Livros contábeis, etc), este CARF tem entendido que tal ônus é da parte que pleiteia o crédito, dentre outros, acórdão 3401003.652, referente ao processo 13888.900243/201467, de minha relatoria, o qual também serviu de paradigma. Diz a Recorrente que tentou fazer sua DCTF retificadora logo após o despacho decisório, porém recebera informação "... (mensagem de erro) de que o prazo para a retificação de informações havia expirado." (efl. 68), porém, não há nos autos tal prova. Defende que seus créditos são advindos de ter deixado de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, parcelas legalmente admitidas pela legislação de regência (artigo 15 da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10925.905008/201238 Acórdão n.º 3401004.236 S3C4T1 Fl. 5 4 MPV 2.158351; artigo 17, da Lei 10.684/20032 e artigo 1° da Lei 10.676/20033. As hipóteses de exclusão contidas nas legislações referidas são variadas, porém, a Recorrente apenas trouxe a prova no DACON, o qual não traz a origem destes créditos, ou seja, o nexo causal da retificação com a real existências destes tais créditos, ou qualquer explicação ou elemento de prova que indique com precisão o valor do pleito à restituir; e o DARF, do recolhimento supostamente indevido. Como se sabe, em sede de pedido de restituição e/ou compensação, o ônus da prova cabe ao contribuinte, por força do artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I, do CPC/1973 (vigência à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015, o 1 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 2 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 3 Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10925.905008/201238 Acórdão n.º 3401004.236 S3C4T1 Fl. 6 5 que, no caso dos autos, no entender deste relator, não fora feito pela Recorrente. O DACON e DARF juntados pela Recorrente não são provas suficientes para comprovar, minimamente, o direito à restituição perseguido, revelandose provas precárias para este fim. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe nego provimento." Registrese que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a recorrente trouxe como provas de seu suposto crédito, apenas a DACON retificadora e DARF, sendo estes, consoante entendimento exposto, elementos insuficientes para comprovar o direito à restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
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