Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,220)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,371)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,859)
- Primeira Turma Ordinária (15,833)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,953)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,916)
- Terceira Câmara (66,252)
- Segunda Câmara (54,545)
- Primeira Câmara (19,103)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,775)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,158)
- Segunda Seção de Julgamen (112,982)
- Primeira Seção de Julgame (75,394)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,909)
- Câmara Superior de Recurs (37,687)
- Terceiro Conselho de Cont (25,961)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,650)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,891)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,170)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11070.001283/2010-80
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. OPÇÃO. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO. O Simples Nacional é uma opção da pessoa jurídica para todo ano- calendário, desde que observados os requisitos legais, inclusive no que se refere à escrituração do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que ter oferecido embaraço à fiscalização. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-000.977
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. OPÇÃO. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO. O Simples Nacional é uma opção da pessoa jurídica para todo ano- calendário, desde que observados os requisitos legais, inclusive no que se refere à escrituração do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que ter oferecido embaraço à fiscalização. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 11070.001283/2010-80
conteudo_id_s : 5792972
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.977
nome_arquivo_s : Decisao_11070001283201080.pdf
nome_relator_s : Carmen Ferreira Saraiva
nome_arquivo_pdf_s : 11070001283201080_5792972.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
id : 6992473
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735082803200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 185 1 184 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001283/201080 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.977 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente RADIO MAUÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. OPÇÃO. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO. O Simples Nacional é uma opção da pessoa jurídica para todo ano calendário, desde que observados os requisitos legais, inclusive no que se refere à escrituração do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que ter oferecido embaraço à fiscalização. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001283/201080 Acórdão n.º 180100.977 S1TE01 Fl. 186 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 92, de 08.07.2010, com efeitos a partir de 01.07.2007, fl. 129, em razão de, depois de intimada: (a) ter oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar; (b) verificouse a falta de escrituração do livrocaixa ou não se permitiu a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Para tanto foi indicado o seguinte enquadramento lega: inciso II e VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Na Representação Fiscal, fls. 0104, está registrado que nos anoscalendário de 2007 e 2008 pela falta de escrituração do Livro Diário, do Livro Razão e do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. É fato incontroverso que as despesas da sociedade foram pagas com receitas provenientes de outras fontes, incluindo a própria receita, quais sejam, das pessoas jurídicas Rádio Santa Rosa Ltda, CNPJ 95.818.282/000145, Rádio Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001283/201080 Acórdão n.º 180100.977 S1TE01 Fl. 187 3 Lidersom Ltda, CNPJ 88.628.722/000136, Rádio Mauá Ltda, CNPJ 89.478.944/000160 e Rádio Regional Ltda, CNPJ 89.096.994/000103, que têm em comum o sócio administrador Roberto Antônio Donadel, CPF 102.300.92004. Os autos estão instruídos, dentre outros, com as cópias das Declarações Anuais do Simples Nacional, fls. 4061, do Demonstrativo da Escrituração, fls. 1739 e das Notas Fiscais, fls. 62103. Cientificada em 20.07.2010, fl. 129, a Recorrente apresentou a impugnação em 19.08.2010, fls. 131137, argumentando em síntese Suscita que os prazos para atendimento às intimações foram muito exíguos, de modo sua defesa ficou prejudicada. Defende a tese de que tem direito de se beneficiar do tratamento tributário diferenciado e favorecido previsto do art. 179 da Constituição Federal, uma vez que preenche todas as condições normativas. Esclarece que não houve embaraço à fiscalização, uma vez que atendeu a todas as intimações. Informa que escritura o Livro Caixa, e que não apresentou o Livro Diário e o Livro Razão por estar legalmente desobrigada de têlos. Em relação à movimentação financeira, menciona que as autoridades fiscais não deram oportunidade de escriturála corretamente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Da análise de todo exposto, extraise que os prazos estipulados para o atendimento das solicitações eram curtos, em sua justificativa altera a letra da lei, o que acarreta uma nova interpretação legal, requereu livros os quais a empresa não está obrigada a têlos; no relatório fiscal da infração apenas alegou que a empresa fez uma declaração que não possuía livros os quais não está obrigada a ter; portanto, o procedimento fiscal está eivado de atitudes arbitrárias, equivocadas e tem caráter puramente arrecadatório para os cofres públicos. Mas em caso de interpretação contrária, requer seja mantida a opção do Simples Nacional, caso contrário inviabilizara competitividade da empresa, aumentando os custos dos quais são repassados aos clientes, encarecendo o preço final em relação às demais empresas do ramos que são beneficiadas pela redução dos impostos deste regime de tributação diferenciado ou ainda das tantas rádios piratas que assolam o ramo. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Está registrado como resultado do Acórdão da 14ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1236.344, de 30.03.2011, fls. 152160: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001283/201080 Acórdão n.º 180100.977 S1TE01 Fl. 188 4 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL AnoCalendário:2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá, dentre outras hipóteses, pela falta não justificada de exibição de livros e documentos a que tais empresas estiverem obrigadas e, ainda pela não escrituração do Livro Caixa ou quando não for possível fazer a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao Contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem com a instauração da fase litigiosa por meio da impugnação à autuação, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. Notificada em 28.04.2011, fl. 161, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.05.2011, fls. 175182, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deveria ser intimada antes da formalização da exigência. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Este procedimento, via de regra, é precedido pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. Por ser dispensável, o procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, formalizando em auto de infração ou notificação de lançamento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001283/201080 Acórdão n.º 180100.977 S1TE01 Fl. 189 5 laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual, bem como todos os princípios constitucionais derivados do devido processo legal1. No presente caso, houve a ciência válida de modo que está correta a emissão do ato de exclusão do Simples Nacional. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente alega que o ato administrativo é nulo. O ato administrativo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo a ocasionar a oportunidade de comprovação de todas as matérias de fato e de direito pela defesa 2. A Recorrente foi intimada do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fl. 05, para prestação de informações. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejou o procedimento de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o procedimento não poderia ter sido formalizado. A pessoa jurídica optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal3. Por esta razão está correto o procedimento fiscal, motivado pelo oferecimento de embaraço à fiscalização pela negativa imotivada de fornecimento de dados para fins de exame da escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária de forma integral. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente afirma que fez a opção pelo Simples Nacional nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 e Súmula CARF nº 46. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001283/201080 Acórdão n.º 180100.977 S1TE01 Fl. 190 6 internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Toda pessoa jurídica deve atentar para os princípios fundamentais da contabilidade, dentre outros, o da entidade que distingue que há autonomia patrimonial decorrente da necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Também o da oportunidade que destaca a tempestividade e a integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Ainda o da competência que reconhece que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento4. A pessoa jurídica optante deve manter a escrituração do Livro Diário, do Livro Razão, do Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, do Livro Registro de Inventário e do Livro Registro de Entradas, modelo 1 ou 1A, quando contribuinte do ICMS, do Livro Registro dos Serviços Prestados e do Livro Registro de Serviços Tomados, quando contribuinte do ISS, do Livro de Registro de Entrada e Saída de Selo de Controle, quando contribuinte de IPI, do Livro Registro de Impressão de Documentos Fiscais, pelo estabelecimento gráfico, do Livros específicos pelos contribuintes que comercializem combustíveis, bem como do Livro Registro de Veículos, por todas as pessoas que interfiram habitualmente no processo de intermediação de veículos, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para os registros. A apresentação da escrituração contábil, em especial do Livro Diário e do Livro Razão, dispensa a apresentação do Livro Caixa5. A Recorrente não apresentou o Livro Diário, o Livro Razão e o Livro Caixa e nem a movimentação financeira, inclusive bancária. Diferente do que dispõe a legislação tributária de regência da matéria, a própria Recorrente afirma que não está obrigada a escriturá los. Ademais, é fato incontroverso que as despesas foram pagas com receitas provenientes de outras fontes, incluindo a própria receita, quais sejam, das pessoas jurídicas Rádio Santa Rosa Ltda, CNPJ 95.818.282/000145, Rádio Lidersom Ltda, CNPJ 88.628.722/000136, Rádio Mauá Ltda, CNPJ 89.478.944/000160 e Rádio Regional Ltda, CNPJ 89.096.994/000103, que têm em comum o sócio administrador Roberto Antônio Donadel, CPF 102.300.92004. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não está comprovada. A Recorrente se insurge contra a exclusão do Simples Nacional. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de 4 Fundamentação legal: Rosolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 750, de 29 de dezembro de 1993. 5 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 5, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 10, de 28 de junho de 2007, Resolução CGSN nº 11, de 23 de julho de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008, Resolução CGSN nº 39, de 1º de dezembro de 2008 e Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001283/201080 Acórdão n.º 180100.977 S1TE01 Fl. 191 7 ofício. O seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente6. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência, de sua validade e de sua eficácia. Ademais a Administração Pública deve observar, dentre outros, os princípios da ampla defesa e do contraditório e por esta razão, no processo administrativo fiscal deve ser adotado o critério da necessária indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a sua emissão. O ato de exclusão foi emitido de maneira correta pela autoridade competente em razão de, depois de intimada, ter oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa injustificada de fornecimento de informações que permitissem a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Estes fatos estão comprovados pelos documentos que instruem os autos dos quais se pode verificar que nos anoscalendário de 2007 e 2008 não a escrituração do Livro Diário, do Livro Razão e do Livro Caixa, em conformidade com as afirmativas da própria Recorrente, com o Demonstrativo da Escrituração, fls. 1739, com as Notas Fiscais, fls. 62103, e com as cópias das Declarações Anuais do Simples Nacional, fls. 4061. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) 6 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001283/201080 Acórdão n.º 180100.977 S1TE01 Fl. 192 8 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004947/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para saneamento, a fim de cientificar o sujeito passivo dos despachos de exame e de reexame de admissibilidade que deram seguimento parcial ao seu recurso especial. Posteriormente, devolvam-se os autos à conselheira relatora, para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 35464.004947/2006-11
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5809458
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-000.128
nome_arquivo_s : Decisao_35464004947200611.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 35464004947200611_5809458.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para saneamento, a fim de cientificar o sujeito passivo dos despachos de exame e de reexame de admissibilidade que deram seguimento parcial ao seu recurso especial. Posteriormente, devolvam-se os autos à conselheira relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 7064376
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735089094656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1390; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 214 1 213 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35464.004947/200611 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Resolução nº 9202000.128 – 2ª Turma Data 30 de agosto de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrentes FAZENDA NACIONAL e BANCO SANTANDER BRASIL S/A FAZENDA NACIONAL e BANCO SANTANDER BRASIL S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para saneamento, a fim de cientificar o sujeito passivo dos despachos de exame e de reexame de admissibilidade que deram seguimento parcial ao seu recurso especial. Posteriormente, devolvamse os autos à conselheira relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 54 64 .0 04 94 7/ 20 06 -1 1 Fl. 695DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Resolução nº 9202000.128 CSRFT2 Fl. 215 2 Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 240300.400, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.043.595 8, no valor consolidado de R$ 5.542.605,70 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e dois mil, seiscentos e cinco reais e setenta centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social (cota patronal, parte dos segurados, parte da empresa e incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados para fins de financiar os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e o INCRA, abrangendo os períodos de 01/1999 a 12/2005 (01/1999 a 12/2000, 07/2001 a 12/2001, 07/2003 a 06/2004 e 01/2005 a 12/2005). Apresentada impugnação às fls. 110/128. A Delegacia da Receita Previdenciária em SP, às fls. 226/236, julgou totalmente procedente o lançamento. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 245/265. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 345/355, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART. 150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Resolução nº 9202000.128 CSRFT2 Fl. 216 3 Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173,1, CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça Proferidas em conformidade com o art. 543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art. l50, § 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art. 173,1, do Código Tributário Nacional.' PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PAGAMENTO A SEGURADOS COM CARTÕES DE PREMIAÇÃO. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente NFLD, foi verificado que ocorreu o pagamento aos segurados da empresa através de cartões de premiação com habitualidade, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recalculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 378/382, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, arguindo omissão ao determinar a aplicação da multa de mora mais benéfica ao contribuinte, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/09 ao art. 35 da Lei 8.212/91, de forma indireta, acabando por determinar a aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96. E, conforme se verificou do Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR, anexo ao acórdão ora embargado, a multa de mora aplicada ao contribuinte supera o limite de 20% previsto no art. 61 da Lei 9.430/96, em decorrência de sua omissão na parte dispositiva do acórdão. Os Embargos restaram conhecidos e providos às fls. 417/420, para sanar a obscuridade. Às fls. 422/436, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Retroatividade benigna: observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, Fl. 697DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Resolução nº 9202000.128 CSRFT2 Fl. 217 4 foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 474/478, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência proposta pela União. Intimado à fl. 481, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 484/501, alegando, preliminarmente, ausência de dissídio jurisprudencial a viabilizar o Recurso Especial proposto, e, no mérito, arguindo o cabimento da multa limitada a vinte por cento. Às fls. 547/566, o Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação às matérias: 1. Prazo decadencial do auto de infração. O acórdão recorrido interpretou que no caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o art. 150, § 4º do CTN só seria aplicado quando fosse constatada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, essa não é a melhor solução, conforme a decisão do acórdão paradigma: estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do art. 150, § 4º do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento. Nessa hipótese, é perfeitamente legal e possível afirmar que a ausência do pagamento não desnatura o lançamento por homologação, mormente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. 2. Prêmios – natureza salarial. O acórdão recorrido deu à verba natureza salarial devido a sua habitualidade com que era paga aos empregados. Diversamente, o Contribuinte alega que o acórdão paradigma considera que ganhos eventuais e os abonos desvinculados do salário não integram o salário de contribuição. Às fls. 680/683, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL Fl. 698DF CARF MF Processo nº 35464.004947/200611 Resolução nº 9202000.128 CSRFT2 Fl. 218 5 SEGUIMENTO ao recurso em relação apenas à divergência relativa prazo decadencial do tributo, mantido o despacho em sede de Reexame de Admissibilidade, à fl. 686. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 688/691, requerendo a manutenção do acórdão na parte recorrida. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.043.595 8, no valor consolidado de R$ 5.542.605,70 (cinco milhões, quinhentos e quarenta e dois mil, seiscentos e cinco reais e setenta centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social (cota patronal, parte dos segurados, parte da empresa e incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados para fins de financiar os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e o INCRA, abrangendo os períodos de 01/1999 a 12/2005 (01/1999 a 12/2000, 07/2001 a 12/2001, 07/2003 a 06/2004 e 01/2005 a 12/2005). O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: prazo decadencial do auto de infração. Já o Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência sobre retroatividade benigna. Contudo, observo que o Contribuinte não foi cientificado do seguimento parcial do seu Recurso Especial, que consiste em falha processual que prescinde de regularização. Diante do exposto converto o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para saneamento, a fim de cientificar o sujeito passivo dos despachos de exame e de reexame de admissibilidade que deram seguimento parcial ao seu recurso especial. Posteriormente, devolvamse os autos à Conselheira Relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 699DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721562/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CFL 59. MULTA POR INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESCONTO.
Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA.
No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72).
Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideram-se não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante.
Numero da decisão: 2202-004.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CFL 59. MULTA POR INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESCONTO. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideram-se não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.721562/2009-35
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5798354
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.303
nome_arquivo_s : Decisao_10480721562200935.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10480721562200935_5798354.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
id : 7011311
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735110066176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 198 1 197 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.721562/200935 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.303 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Matéria Obrigações acessórias CFL 59 Recorrente ATLÂNTICA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CFL 59. MULTA POR INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESCONTO. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideramse não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 15 62 /2 00 9- 35 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10480.721562/200935 Acórdão n.º 2202004.303 S2C2T2 Fl. 199 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Segundo relatório fiscal (fls. 76/7), a empresa efetuou, em 2004, consoante contas contábeis especificadas no citado relatório, pagamentos a segurados contribuintes individuais, sem comprovar descontos de contribuições sociais por eles devidas. Em conseqüência, a fiscalização lavrou o presente AI 37.226.5642, infligindo multa de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Cientificada, pessoalmente, em 14/05/2009, a empresa manejou impugnação (fls. 82/4), em 15/06/2009, ocasião em que requer a anulação do AI, argüindo, em síntese, a existência de vício insanável, dada a ausência de precisão, pois, a seu entender, o fisco laborou em equívoco ao considerar elementos sobre os quais não recaem incidências previdenciárias, como aluguel de imóveis, despesas com combustível e premiação não habitual por metas alcançadas. O feito foi convertido em diligência, oportunidade em que o fisco voltou a se pronunciar (fls. 144/5), promovendo retificações nos AI de obrigação principal, lavrados na mesma ação fiscal, mantendo, entretanto, inalterados os fundamentos do presente AIOA. Cientificada da resposta fiscal, a empresa aditou sua impugnação inicial (fls. 152/4), não inovando a matéria, mas simplesmente reiterando seus argumentos iniciais. Eis, em resumo, o que importa relatar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife (PE) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESCONTO. AUSÊNCIA. INFRAÇÃO Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10480.721562/200935 Acórdão n.º 2202004.303 S2C2T2 Fl. 200 3 A empresa, ao remunerar segurados a seu serviço, imantase na obrigação de descontar as contribuições sociais por eles devidas, sob pena de, não o fazendo, configurar infração, passível de multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi cientificada da decisão em 10/02/2014 (A.R. de fl. 169) e interpôs em 10/03/2014 o Recurso Voluntário de fls. 172/196, com as seguintes alegações: decadência das competências 01/2004 a 04/2004; ocorrência de bis in idem, por ter origem semelhante ao auto de infração DEBCAD nº 37.210.4835 (Processo nº 10480.721560/200946); ilegalidade da aferição indireta; não incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas como prolabore a Luciana Hazin. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase do Auto de Infração de nº 37.226.5642, em virtude de a Contribuinte ter efetuado, em 2004, pagamentos a segurados contribuintes individuais, sem comprovar descontos de contribuições sociais por eles devidas, conforme relatório fiscal. A Recorrente alega inicialmente a decadência das competências 01/2004 a 04/2004. No entanto, como se trata de Auto de Infração de Obrigação Acessória, o prazo decadencial a ser aplicado é o disposto no art. 173, I, do CTN. Nesse sentido as seguintes decisões do CARF: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10480.721562/200935 Acórdão n.º 2202004.303 S2C2T2 Fl. 201 4 contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Acórdão nº 9202003.295, Sessão de 31/07/2014). Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. (Acórdão nº 2401004.217, sessão de 08/03/2016). Assim, o prazo decadencial relativo às competências 01/2004 a 04/2004 começa a ser contado a partir de 1º/01/2005, encerrandose em 31/12/2009. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 14/05/2009, não há que se falar em decadência do lançamento. Sobre a alegação de bis in idem, também não assiste razão à Recorrente, uma vez que o dispositivo aqui infringido é aquele previsto no art. 30, I, "a", da Lei nº 8.212/91, c/c art. 4º da Lei nº 10.666/03 e art. 216, I, "a", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e foi imposta pelo fato de a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. Por sua vez, a infração referente ao DEBCAD nº 37.210.4835 (Processo nº 10480.721560/200946) é relativa ao fato de a empresa ter descumprido o seu dever de confeccionar folhas de pagamento abrangendo a totalidade dos segurados a seu serviço e as suas remunerações. Portanto, são obrigações distintas, capituladas em dispositivos legais diferentes. A Recorrente alega, ainda, que a autoridade fiscal utilizou aferição indireta, o que é ilegal, uma vez que possui escrituração fiscal discriminada de todos os recolhimentos de contribuições previdenciárias. No entanto, contrariamente ao que afirma a Recorrente, a auditoria fiscal foi realizada com base nos livros contábeis apresentados pela empresa, utilizando os dados validados no sistema SINCO, assim como os Livros Diário e Razão em meio papel, conforme Relatório Fiscal. Assim, não tem razão a Recorrente quanto à legalidade do método utilizado pela Fiscalização. Por fim, pretende a Recorrente que seja reconhecida a não incidência da tributação sobre os valores de prolabore pagos a Sra. Luciana Hazin. Quanto a essa matéria, observase que ela se encontra fora do litígio e não serão apreciadas as alegações da Contribuinte, visto que não foi contestada expressamente no momento oportuno, ou seja, quando da apresentação da sua impugnação ao lançamento. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.721562/200935 Acórdão n.º 2202004.303 S2C2T2 Fl. 202 5 Conforme já exposto acima, o artigo 17 do Decreto 70.235/72 (PAF) dispõe: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Dessa forma, deve ser mantida a decisão da DRJ. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721604/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS.CONTRADIÇÃO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS.
Verificado que o dispositivo do acórdão embargado trata de matéria estranha aos autos, procedente a alegação de existência de contradição e necessário o devido ajuste do acórdão.
Numero da decisão: 1201-001.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração apresentados, com efeitos infringentes, para alterar a redação do dispositivo da decisão.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 EMBARGOS.CONTRADIÇÃO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Verificado que o dispositivo do acórdão embargado trata de matéria estranha aos autos, procedente a alegação de existência de contradição e necessário o devido ajuste do acórdão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10935.721604/2011-67
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5804792
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.880
nome_arquivo_s : Decisao_10935721604201167.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 10935721604201167_5804792.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração apresentados, com efeitos infringentes, para alterar a redação do dispositivo da decisão. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7035480
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735140474880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.721604/201167 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201001.880 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria IRPJ Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado USINA DE BENEFICIAMENTO DE LEITE LATCO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 EMBARGOS.CONTRADIÇÃO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Verificado que o dispositivo do acórdão embargado trata de matéria estranha aos autos, procedente a alegação de existência de contradição e necessário o devido ajuste do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração apresentados, com efeitos infringentes, para alterar a redação do dispositivo da decisão. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 16 04 /2 01 1- 67 Fl. 1710DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CASCAVEL/PR em face do acórdão n. 1201001.450 desta Turma que, por unanimidade de votos, em conheceu dos Recursos de Ofício e Voluntário e, no mérito, negou provimento ao primeiro e dar parcial provimento ao segundo, para, em relação ao IRPJ, manter apenas a multa dos meses de abril a agosto de 2009 e o principal de R$ 151.773,03 (abril de 2009), R$ 62.302,27 (maio de 2009), R$ 192.744,04 (junho de 2009), R$ 10.599,21 e R$ 66.339,36 (julho de 2009) e, no que tange à CSL, manter a multa para os débitos dos meses de abril a agosto de 2009, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 Ementa: INEXISTÊNCIA DE MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que sua inexistência não gera nulidade da infração. DCOMP. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OCORRÊNCIA. A DCOMP apresentada constitui o crédito tributário (art. 74, §6º da Lei nº 9.430/96). Contudo, se apresentada após o início do procedimento fiscal, mas antes da lavratura do Auto de Infração, ela ainda terá o caráter constitutivo, mas não terá o condão de afastar a incidência da multa de ofício. DCTFS RETIFICADORAS. MERA CORREÇÃO DE ERRO. Tendo sido constituído o crédito tributário por meio de DCOMP, em consonância com a DIPJ, o valor zerado informado na DCTF se trata de mero erro material. DECORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DE REUNIÃO DOS PROCESSOS. A reunião dos processos é facultativa e deve ser definida à luz do caso concreto. DA CONSIDERAÇÃO DA MULTA DE MORA. POSSIBILIDADE. Sendo homologada a compensação, deve ser excluído, quando da execução do julgado, o valor recolhido a título de multa de mora do valor devido a título de multa de ofício. MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, haja Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 1201001.880 S1C2T1 Fl. 3 3 vista que ambas penalidades têm como base o valor das receitas tidas como não tributadas pela Fiscalização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tendo o auto de infração referente à CSL sido lançado com base nas mesmas infrações,Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ então, aplicamse as mesmas conclusões alcançadas com relação ao IRPJ. Segundo a ora Embargante, existem contradições na decisão embargada, conforme trecho dos Embargos que destaco abaixo: "Ao dar parcial provimento ao Recurso Voluntário define o Acórdão que, em relação ao IRPJ, manter apenas a multa dos meses de abril a agosto de 2009 e o principal de R$ 151.773,03 (abril de 2009), R$ 62.302,27 (maio de 2009), R$ 192.744,04 (junho de 2009), R$ 10.599,21 e R$ 66.339,36 (julho de 2009) e, no que tange à CSLL, manter a multa para os débitos dos meses de abril a agosto de 2009. Contudo, o lançamento do presente processo se refere as multas aplicadas em relação a DCOMPS apresentadas pelo contribuinte, mas não há valor de principal lançado, mesmo considerando a apuração anual, porque a empresa apresentou prejuízo. Portanto, no entendimento da DRF, constatase um equívoco no Acórdão na parte em que trata da manutenção do principal do ano de 2009, eis que não há valores de principal lançados no período em questão." (nossos grifos) Os Embargos de Declaração foram admitidos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1712DF CARF MF 4 Admissibilidade Os Embargos foram admitidos por meio de despacho, de modo que podemos passar à analise de mérito. Mérito Em suma, a Delegacia de origem alega haver contradição no acórdão embargado, tendo em vista que, segundo a embargante, a Turma de Julgamento deu parcial provimento para manter, em relação ao IRPJ, parte das multas aplicadas e também do principal referente aos meses de abril, maio, junho e julho de 2009 e, isso estaria em desalinho com o objeto do presente processo que se refere apenas às multas aplicadas em relação às DCOMPs apresentadas. De fato, assiste razão à Embargante. Isso porque, conforme se verifica no Auto de Infração de fls. 863872, o presente processo não comporta qualquer lançamento de IRPJ em relação aos meses de abril à julho de 2009, não havendo que se falar em manutenção de principal em relação a tais períodos. Em relação a tais meses, fora lançado apenas o valor referente à multa isolada em decorrência de falta de recolhimento das parcelas de antecipação, conforme abaixo descrito: Período Valor 30/04/2009 R$ 75.886,52 31/05/2009 R$ 45.993,91 30/06/2009 R$ 96.372,02 31/07/2009 R$ 73.178,07 31/08/2009 R$ 178.462,94 Assim, verificada a contradição alegada pela Embargante, deve o dispositivo do acórdão ser alterado para o devido saneamento. Conclusão Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 1201001.880 S1C2T1 Fl. 4 5 Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados com efeitos infringentes, cujo dispositivo passa a ter o seguinte texto: Ante o exposto, voto no sentido de conhecer os Recursos de Ofício e Voluntário e, no mérito, negar provimento ao primeiro e dar parcial provimento ao segundo, apenas para, em relação ao IRPJ, manter apenas a multa dos meses de abril a agosto de 2009 e no que tange à CSL, manter a multa para os débitos dos meses de abril a agosto de 2009. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910618/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 27/11/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.507
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 27/11/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910618/2011-06
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789307
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.507
nome_arquivo_s : Decisao_16327910618201106.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910618201106_5789307.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6986559
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735162494976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910618/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.507 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 27/11/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 18 /2 01 1- 06 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910618/201106 Acórdão n.º 3402004.507 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.752, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 27/11/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910618/201106 Acórdão n.º 3402004.507 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910618/201106 Acórdão n.º 3402004.507 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910618/201106 Acórdão n.º 3402004.507 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000632/2004-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR INDÉBITO
TRIBUTÁRIO, TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. Decai em cinco anos, contados inexoravelmente do
pagamento indevido, o direito de repetir tributo espontaneamente recolhido a maior (CTN: art, 165, I; art. 168, I; e § 1' do art. 150), não prevalecendo a tese dos "cinco anos mais cinco".
Numero da decisão: 1401-000.270
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Ananim Teixeira (Relator) e Mauricio Pereira Faro, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado„ Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR INDÉBITO TRIBUTÁRIO, TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Decai em cinco anos, contados inexoravelmente do pagamento indevido, o direito de repetir tributo espontaneamente recolhido a maior (CTN: art, 165, I; art. 168, I; e § 1' do art. 150), não prevalecendo a tese dos "cinco anos mais cinco".
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13876.000632/2004-58
conteudo_id_s : 5812406
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.270
nome_arquivo_s : Decisao_13876000632200458.pdf
nome_relator_s : Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
nome_arquivo_pdf_s : 13876000632200458_5812406.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Ananim Teixeira (Relator) e Mauricio Pereira Faro, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado„ Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
id : 7074730
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735247429632
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T23:43:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T23:43:43Z; Last-Modified: 2010-09-01T23:43:44Z; dcterms:modified: 2010-09-01T23:43:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b45c8989-ddce-40b0-b356-3bbbccd96b7c; Last-Save-Date: 2010-09-01T23:43:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T23:43:44Z; meta:save-date: 2010-09-01T23:43:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T23:43:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T23:43:43Z; created: 2010-09-01T23:43:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-09-01T23:43:43Z; pdf:charsPerPage: 1415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T23:43:43Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fi 1 : `‘';12;W—,,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA ,t • '41 "' • -4' €- :r CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo na 13876.000632/2004-58 Recurso n a 165133 Voluntário Acórdão na 1401-00.270- — 4" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2010 Matéria CSLL, Recorrente BRASSUCO INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR INDÉBITO TRIBUTÁRIO, TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Decai em cinco anos, contados inexoravelmente do pagamento indevido, o direito de repetir tributo espontaneamente recolhido a maior (CTN: art, 165, I; art. 168, I; e § 1' do art. 150), não prevalecendo a tese dos "cinco anos mais cinco". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Ananim Teixeira (Relator) e Mauricio Pereira Faro, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado„ Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor, Viviane Vidal Waiier - Presidente , _ Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Lio Beze eto - Redator Designado EDITADO EM: 05/08/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Ananim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias„ Processo n° 13876.000632/2004-58 S1-C411 Acórdão n ° 1401-00270- Fl 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário visando o deferimento de Declaração de Compensação de CSLL, cujo período de apuração do crédito se deu em 31/07/1998 e o débito compensado teve seu período de apuração em dezembro de 2002, A Recorrente recolheu valor maior do que o devido relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido apurado no período de 31/07/1998 e pago em 31/08/1998, alcançando, à época, o valor de R$ 1.879,64. Em 2002, a Recorrente atualizou o indébito tributário iniciou o procedimento compensatório deste com a própria CSLL apurada no mês de dezembro de 2002, cujo valor perfazia em R$ 1.879,64. Tal procedimento foi informado por meio da DCTF referente ao 4° trimestre de 2002, a qual foi entregue em 14/02/2003. Em 2004, a Recorrente deparou com a necessidade de retificar a DCTF referente ao 4° trimestre de 2002 (objeto da compensação). Porém, na versão da declaração retificadora não era mais permitido a formalização de compensação sem que fosse informado o número do respectivo processo administrativo. Diante dessa situação a Recorrente formalizou o processo administrativo, por meio da entrega da Declaração de Compensação. Todavia, a autoridade administrativa não reconheceu o crédito pleiteado e, por conseguinte, não homologou a compensação efetuada. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando que: (i) efetuou recolhimento a maior de CSLL; (ii) efetuou a compensação do referido indébito com a CSLL devida no mês de outubro de 2002; (iii) o Fisco fora noticiado de tal procedimento por meio de DCTF, entregue em 14/02/2003, A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação, conforme acórdão DRJ/RPO n° 14-16.947 (fis. 178/183), cujas ementas seguem transcritas abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar inteipretou (Lei Complementar n" 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento, Assunto: Normas de Administração Tributária Processo ri° 1.3876.000632/2004-58 SI -C4T1 Acórao '1401-00.270- Fl 3 Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA N° 66, de 2002 A compensação tributária, a partir de 1° de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinaçã o constitucional. Diante da negativa, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma: a) Que não houvera motivos justos e legais para que a autoridade administrativa não homologasse a compensação, tendo em vista que a contribuinte respeitara todas as disposições legais pertinentes à restituição/compensação de tributos federais, instituídas por lei e/ou reguladas pela RFB; b) Que a Recorrente informara a autoridade administrativa de sua compensação em 14/02/2003, quando entregou a DCTF e, portanto, dentro do prazo decadencial; c) Que, ainda, não pode a autoridade administrativa amparar-se na retroatividade da Lei Complementar n° 118/2005 para denegar a compensação da recorrente, É o relatório, Voto Vencido Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos exigidos pela legislação de regência, dele conheço. Inicialmente, alega a Recorrente que respeitara todas as disposições legais pertinentes à compensação de tributos federais, instituídas por lei e/ou reguladas pela Secretaria da Receita Federal por meio de instruções normativas, quando da informação a esta por meio de DCTF do seu procedimento compensatório. Ocorre que o crédito fora compensado em dezembro de 2002, durante a vigência da Instrução Normativa IV 210/2002, na qual dispunha: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. 3 Processo n° 13876.00063212004-58 Aeárao o,' 1401-00270- El. 4 § ia A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRE da "Declaração de Compensação". § A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento § 3 Não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo: - o saldo a restituir apurado na DIRPF; II - os tributos e contribuições devidos no registro da DL. III - os débitos relativos aos tributos e contribuições. administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União; e IV - os créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo. § O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação". § .5' A compensação de tributo ou contribuição lançado de oficio importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. § 6°A Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo sujeito passivo ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição. (incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) § 7" Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação. (incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) § 8" O disposto no § 7" também se aplica aos pedidos de compensação já deferidos pela autoridade competente da SRF (incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003). Ou seja, a compensação deveria ter sido efetuada mediante o encaminhamento à Declaração de Compensação, que somente foi realizado em 23/09/2004, Diante da decorrência do lapso temporal entre a compensação contábil e a entrega da declaração de compensação, passa-se a discorrer acerca do prazo decadencial do direito de o contribuinte pleitear a compensação. 4 , Processo n° 13876000632/2004-58 51-C41-1 Acórdão n.° 1401-00.270- Fl 5 Segundo o art. 168 do Código Tributário Nacional, o direito do contribuinte de pleitear a restituição das contribuições indevidamente recolhidas extingue-se em cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. Em se tratando de tributo sujeito à homologação, não ocorrendo homologação expressa, aguardam-se cinco anos para que se considere ocorrida a homologação tácita e, conseqüentemente, a extinção do crédito tributário. Assim, aplica-se o art. 150, §4°, do CTN, in litteris Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade aáninistrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. áç 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Segundo o entendimento massivo da doutrina e jurisprudência, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria inicio o prazo previsto no art. 168, L E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Todavia, o art. 3 0 da Lei Complementar n° 118/2005, proclamando-se meramente interpretativo, fixou a data do pagamento como termo inicial para a contagem do prazo decadencial. Confira-se: Ari, 3 0. Para efeito de interpretação do inciso 1 do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ,sr 1" do art. 1.50 da referida Lei, Art. 40 Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 30, o disposto no art 106, inciso 1, da Lei no 5 172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Acerca da determinação da retroatividade do dispositivo transcrito acima, faz-se mister analisar o voto do Exmo. Sr, Ministro Teori Albino Zavascki, quando a Corte Especial apreciou o incidente de inconstitucionalidade l , declarando inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3 0, o disposto no art 106, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional", do dispositivo em questão. , ' AI nos ERESP 644,736/PE, Min, Teori Albino Zavaseki, julgado em 06,06.2007, D3 de 27,08.20077 5 Processo o° 3876,0006.32/2004-58 Sl-C,111 Acórdão n 1401-00.270- FI, 6 IV - Inconstitucionalidade do art. 4 0, segunda parte, da LC 118/0.5 7. Não se nega ao Legislativo o poder de alterar a norma (e, portanto, se .for o caso, também a interpretação formada em relação a ela). Pode, sim, ,fazê-lo, mas não COM efeitos retroativos.. Admitir a aplicação do art. 3" da LC 118/2005, sobre os fatos passados, nomeadamente os que são objeto de demandas em juízo, seria consagrar verdadeira invasão, pelo Legislativo, da .função jurisdicional, comprometendo a autonomia e a independência do Poder Judiciário. Significaria, ademais, consagrar ofensa à cláusula constitucional que assegura, em face da lei nova, o direito adquirida, o ato jurídico perfeito e à coisa julgada. Portanto, o referido dispositivo, por ser inovador no plano das narinas, somente pode ser aplicado legitimamente a situações que venham a ocorrer a partir da vigência da Lei Complementar 118/2005, que ocorreu 120 dias após a sua publicação (art. 4,, ou seja, no dia 09 de junho de 2005.. Tratando-se de norma que reduz prazo de prescrição, cumpre observar, na sua aplicação, a regra clássica de direito intertemporal, afirmada na doutrina e na . jurisprudência em situações dessa natureza: o termo inicial do novo prazo será o da data da vigência da lei que o estabelece, salvo se a prescrição (ou, se for o caso, a decadência), iniciada na vigência da lei antiga, vier a se completar, segundo a lei antiga, em menos tempo, São precedentes do STF nesse sentido,. "Prescrição Extintiva Lei nova que lhe reduz prazo. Aplica-se à prescrição em curso, mas contando-se o novo prazo a partir da nova lei, Só se aplicará a lei antiga, se o seu prazo se consumar antes que se complete o prazo maior da lei nova, contado da vigência desta, pois seria absurdo que, visando a lei nova reduzir o prazo, chegasse a resultado oposto, de ampliá-lo" (RE .37,223, Min. Luiz Gallotti, julgado em 10. 07.58)., "Ação Rescisória. Decadência. Direito Intertemporal. Se o restante do prazo de decadência ,fixado na lei anterior for _superior ao novo prazo estabelecido pela lei nova, despreza-se o período já transcorrido, para levar-se em conta, exclusivamente, o prazo da lei nova, a partir do início da sua vigência" (AR 90.5/DF, Min, Moreira Alves, DJ de 28.04.78). No mesmo sentido: RE 93.110/RJ, Min. Xavier de Albuquerque, julgado em 05,11 .80; AR 1,02.5-6/PR, Min. Xavier de Albuquerque, DJ de 13.03,81. É o que se colhe, também, de abalizada doutrina, como, v.g., a de Pontes de Miranda (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, 1998, Tomo VI, p, 359), Barbosa Moreira (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, 1976, volume V, p, 205-207) e Galeno Lacerda, este com a seguinte e didática lição sobre situação análoga (redução do prazo da ação rescisória, operada pelo CPC de 1973); 6 Processo ri' 13876,000632/2004-58 S1-C4T1 Acórdão ri.' 1401-00270- El 7 "A mais notável redução de prazo operada pelo Código vigente incidiu sobre o de propositura da ação rescisória. O velho e mal situado prazo de cinco anos prescrito pelo Código Civil (art. 178, áç 10, VIII) foi diminuído drasticamente para dois anos (art. 495), Surge, aqui, interessante problema de direito transitório, quanto à situação dos prazos em curso pelo direito anterior. A regra para os prazos diminuídos é inversa da vigorante para os dilatados. Nestes, como vimos, soma-se o período da lei antiga ao saldo, ampliado, pela lei nova. Quando se trata de redução, porém, não se podem misturar períodos regidos por leis diferentes- ou se conta o prazo, todo ele pela lei antiga, ou todo, pela regra nova, a partir, porém, da vigência desta.. Qual o critério para identificar, no caso concreto, a orientação a seguir? A resposta é simples, Basta que se verffique qual o saldo a fluir pela lei antiga. Se .for inferior à totalidade do prazo da nova lei, continua-se a contar dito saldo pela regra antiga. Se superior, despreza-se o período já decorrido, para computar-se, exclusivamente, o prazo da lei nova, na sua totalidade, a partir da entrada em vigor desta. Assim, por exemplo, no que concerne à ação rescisória„se já decorreram quatro anos pela lei antiga, só ela é que há de vigorar: o saldo de um ano, porque menor ao prazo do novo preceito construa a .fluir, mesmo sob a vigência deste. Se, porém, passou-se, apenas, um ano sob o direito revogado, o saldo de quatro, quando da entrada em vigor tia regra nova, é superior ao prazo por esta determinado.. Por este motivo, a norma de aplicação imediata exige que o cômputo se proceda, exclusivamente, pela lei nova, a partir, evidentemente, de sua entrada em vigor, isto é, os dois anos deverão contar-se a partir de 1' de janeiro de 1974. O termo inicial não poderia ser, nesta hipótese, o do trânsito em julgado da sentença, operado sob lei antiga, porque haveria, então, condenável retroatividade" (O Novo Direito Processual Civil e os Feitos Pendentes, Forense, 1974, pp. 100-101). Câmara Leal tem pensamento semelhante.: "Estabelecendo a nova lei um prazo mais curto de prescrição, esse começará a correr da data da nova lei, Salvo se a prescrição iniciada na vigência da lei antiga viesse a se completar em menos tempo, segundo essa lei, que, nesse caso, continuaria a regê-la, relativamente ao prazo" (Da Prescrição e da Decadência, Forense, 1978, p.90). Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte ,forma..' relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 0.906,05), aprazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema antellar, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 7 Processo n° 13876..000632/2004-58 S1-C4 Acórdão n 0 1401-00.270- F I 8 8. Ocorre que o art, 4" da Lei Complementar 118/2005, em sua segunda parte, determina, de modo expresso, que, relativamente ao seu art. 3", seja observado "o disposto no art. 106, 1, da Lei 5,172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional", vale dizer, que seja aplicada inclusive aos atos ou fatos pretéritos. Ora, conforme antes demonstrado, a aplicação retroativa do dispositivo importa, nesse caso, ofensa à Constituição, nomeadamente ao seu art. 2" (que consagra a autonomia e independência do Poder Judiciário em relação ao Poder Legislativo) e ao inciso XXXVI do art. 5", que resguarda, da aplicação da lei nova, o direito adquirido, o ato .jurídico perfeito e a coisa julgada" Diante do exposto, entendo que somente a partir da homologação cio crédito tributário é que teria início o prazo previsto no art. 168, L Em não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Assim, voto no sentido de baixar o feito para análise e confirmação da certeza e liquidez do suposto indébito pleiteado. Alexandre Antonio Ananim Teixeira Processo n" 13876.000632/2004-58 S1-C4 -11 Acórdào n " 1401 -00,270- Fl. 9 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator A minha discordância em relação ao voto vencido se dá em relação ao prazo decadencial, onde foi abraçada a tese "dos cinco anos mais cinco" adotada pelo STJ. Essa tese caracterizar-se-ia pelo prazo de cinco anos para repetir o indébito (art. 168 do CTN) só começar a fluir a partir da extinção do crédito tributário, que se operaria, então, com a homologação do pagamento antecipado (expressa ou tácita). Convirjo para o entendimento adotado tanto pela DRF quanto pela DRJ, ao decidiram que o direito à repetição do indébito já havia decaído, uma vez o prazo decadencial começaria a fluir a partir da data da extinção do crédito tributário, que operar-se-ia no momento do pagamento (indevido), ex vi art, 168, 1 c/c 165, 1, ambos do CTN. Desnecessário se faz a distinção entre prescrição e decadência, no caso do direito de repetir o indébito, quando este direito está claramente descrito em categorias jurídicos-positivas (arts. 165 e 168 do CTN). Não podemos nos afastar do fato de que, decadência e prescrição são, no dizer de Pontes de Miranda (Tratado do Direito Privado, vol.6, p,100) conceitos jurídicos-positivos. Estas categorias jurídicos-positivas estão muito bem delineados nos artigos 165, 1 e 168, 1, do CTN, verbis: "A ri. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ,sç 4" do artigo 162, nos seguintes casos: 1 - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do .fato gerador efetivamente ocorrido; "Art. 168, O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1 - nas hipóteses dos incisos 1 e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; "(grifei) O § 1 0 do artigo 150 afirma que no lançamento por homologação o pagamento extingue o crédito tributário, por condição resolutória de ulterior homologação, Essa condição não descaracteriza a extinção do crédito no momento do pagamento do tributo, pois não impede a eficácia imediata do ato produzido. Aliás, tal aspecto foi ratificado pela Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, que definiu, em seu art, 3 0, o momento da ocorrência da extinção do crédito tributário: "A ri. .rfr Para efeito de interpretação do inciso 1 do art 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 —Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de /9 Processo n" 13876 000632/2004-58 S1-C411 Acórdão n " 1401-00.270- Fl t 0 tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1" do ar!, 150 da referida Lei Portanto, de plano não há como se aceitar como razoável a tese dos "cinco mais cinco anos" em que o prazo de cinco anos para repetir o indébito (art. 168 do CTN) só começaria a fluir a partir da extinção do crédito tributário, que se operaria, então, com a homologação do pagamento antecipado (expressa ou tácita). A evidência, que os defensores dessa tese, em primeiro lugar, partem de premissas que considero equivocadas. A primeira delas é a de que o instituto da homologação se caracteriza pela homologação do "pagamento" e não da "atividade" e, a última, e quiçá mais importante, desconsideram os efeitos da condição resolutória no sentido de extinguir o crédito tributário no átimo do seu pagamento e, na mesma dimensão quantitativa. É que a homologação vem como uma prerrogativa do fisco no sentido de que, acaso sobrevenha alguma diferença paga a menor quando se homologa toda a "atividade" envolvida, o fisco no uso dessa prerrogativa possa se utilizar do lançamento suplementar. Apenas isso. Outrossim, apesar de a meu ver, desnecessária, inclusive para a fundamentação deste voto conforme se demonstrou, a simples existência empírica da Lei Complementar n°118, de 09/02/2005, corrobora ainda mais com o entendimento acima apregoada. Essa Lei em seu artigo 3' veio interpretar o inciso 1 do art. 168 do CTN: Art. 3' Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1" do art. 150 da referida Lei. Como se viu a Lei Complementar está aqui sendo usada apenas corno um argumento subsidiário, mas não o principal, o que quer dizer que as alegações concernentes à inconstitucionalidade da referida Lei, além de não poderem ser aferidas em sede administrativa são completamente inócuas perante o presente Voto. Dessa forma, não há como o administrador público afastar a prescrição/decadência na repetição de indébito tributário, em face de tudo que foi dito alhures e das normas gerais e abstratas correspondentes a estes institutos estarem perfeitamente descritas em categorias jurídicos-positivas na figura dos arts. 165 e 168 do CTN, No caso concreto, tendo o pleito se dado há mais de cinco anos dos pagamentos está ele completamente fulminado pela decadência e conseqüentemente as compensações pretendidas foram corretamente não-homologadas pela DRF Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. ' ntoni erra Neto to
score : 1.0
Numero do processo: 15979.000274/2007-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15979.000274/2007-01
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789450
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.782
nome_arquivo_s : Decisao_15979000274200701.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15979000274200701_5789450.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6987570
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735283081216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15979.000274/200701 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.782 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado APM EMEF UNIAO CIVICA FEMININA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 9. 00 02 74 /2 00 7- 01 Fl. 226DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 15979.000274/200701 Acórdão n.º 9202005.782 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, Fl. 228DF CARF MF 4 mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 15979.000274/200701 Acórdão n.º 9202005.782 CSRFT2 Fl. 4 5 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 230DF CARF MF 6 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da Fl. 231DF CARF MF Processo nº 15979.000274/200701 Acórdão n.º 9202005.782 CSRFT2 Fl. 5 7 multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 232DF CARF MF 8 § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15979.000274/200701 Acórdão n.º 9202005.782 CSRFT2 Fl. 6 9 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.001007/95-91
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: ADUANEIRO — IMPORTAÇÃO — DRAWBACK SUSPENSÃO —
Comprovada nos autos o adimplemento do compromisso de exportação.
Recurso Especial da Fazenda Nacional improvido.
Numero da decisão: CSRF/03-03.083
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento.ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Henrique Prado Megda
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s : ADUANEIRO — IMPORTAÇÃO — DRAWBACK SUSPENSÃO — Comprovada nos autos o adimplemento do compromisso de exportação. Recurso Especial da Fazenda Nacional improvido.
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 10480.001007/95-91
conteudo_id_s : 5793140
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : CSRF/03-03.083
nome_arquivo_s : Decisao_104800010079591.pdf
nome_relator_s : Henrique Prado Megda
nome_arquivo_pdf_s : 104800010079591_5793140.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento.ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6992477
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735287275520
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T14:39:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:39:55Z; Last-Modified: 2009-07-08T14:39:55Z; dcterms:modified: 2009-07-08T14:39:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T14:39:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T14:39:55Z; meta:save-date: 2009-07-08T14:39:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T14:39:55Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:39:55Z; created: 2009-07-08T14:39:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-08T14:39:55Z; pdf:charsPerPage: 1067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:39:55Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA - CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° 10480.001007/95-91 Recurso n° RP/301-0.539 Matéria DRAWBACK Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : USINA1POJUCA S/A Recorrida : i a CÂMARA 00 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 10 de abril de 2000 Acórdão n° : CSRF/03-03.083 ADUANEIRO — IMPORTAÇÃO — DRAWBACK SUSPENSÃO — Comprovada nos autos o adimplemento do compromisso de exportação. Recurso Especial da Fazenda Nacional improvido. Vistos relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela Fazenda Nacional. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento.ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. -a ON P f " RA R* BRIGUES PRESIDENTE HENRIQ E PRADO MEGDA REATOR FORMALIZADO EM: 20 JUNI Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARE, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, JOÃO HOLANDA COSTA e N1LTON LUIZ BARTOLI. Processo n° : 10480001007/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.083 Recurso n° : RP/301-0.539 Recorrente n° : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário da USINA IPOJUCA S/A por intermédio do Acórdão n° 301-28.112, de 28/06/96, assim ementado: "Imposto de Importação — O aditivo ao Ato Concessório de drawback emitido pela CACEX mesmo após a data da efetiva exportação da mercadoria e após a expedição do Relatório de Comprovação de drawback, tem validade e está dentro das atribuições da CACEX, nos termos da Resolução 1.031/71 da Comissão de política Aduaneira. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs tempestivo recurso especial contra a decisão proferida pela Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes por entender que o aditivo ao ato concessório do beneficio, emitido pela CACEX após a data da efetiva exportação da mercadoria, posterior, portanto a ocorrência do fato gerador, não tem o poder de alterar as condições então vigentes, com fulcro no disposto no art. 105 do CTN, assim se expressando: "O art. 105 do Código Tributário Nacional dispõe que a legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa. Na seqüência, os arts. 116 e 117 estabelecem o seguinte: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I —(omissis) '/ `7 0‘ Processo n° 10480.001007/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.083 II — Tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: I — sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento;" Ademais, Fábio Fanucchi, ia "Curso de Direito Tributário Brasileiro", esclarece que "instantâneos são os fatos geradores que ocorrem num momento dado de tempo e que, cada vez surgem, dão lugar a uma relação obrigacional tributária autônoma (Amílcar de Araújo Falcão). O exemplo se encontra nos atuais impostos de circulação de mercadorias, sobre produtos industrializados, exportação e importação. Cada saída de mercadoria ou produto industrializado do estabelecimento do contribuinte, ou cada saída de mercadoria nacional ou cada entrada de mercadoria estrangeira do/e no território nacional, dá lugar ao aparecimento de uma obrigação tributária representada por imposto calculado sobre o valor dos bens saídos ou entrados. Ocorrido o fato gerador instantaneamente, já se sabe que a lei aplicável é aquela que esteja em vigor nesse momento, sem necessidade de maiores análises no deslinde do montante da obrigação então surgida." Portanto, no caso concreto, a legislação de regência era aquela que vigorava até o momento da exportação (implemento da condição). Outrossim, há que se esclarecer que a definição de legislação tributária compreende os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, uma vez que se tratam de normas complementares das próprias leis (art. 100, CTN). Aliás, ao comentar este artigo, Luiz Emygdio F. da Rosa Júnior, em seu "Manual de Direito Financeiro e Direito Tributário, ilumina este ponto, ao dizer que são normas complementares das normas principais os "atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas sobre a matéria tributária, tais como circulares, ordens de serviço, portarias, instruções, etc, e objetivam, além de dar orientação geral aos contribuintes, instruir os funcionários públicos que estão encarregados da parte administrativa referente aos tributos, devendo por questão de o, Processo n° :10480.001007/95-91 Acórdão n° CSRF/03-03.083 hierarquia que existe entre leis, estarem em conformidade com o diploma legal ao qual são pertinentes. Tais atos tem força normativa e seu descumprimento implica na imposição de sanções, sendo, pois, lei, entendida em seu sentido amplo". Desta forma, não resta dúvida de que, quando o fato gerador revestiu-se das qualidades de perfeito e acabado, vigorava o ato concessório n° 1970-92/00103, de 19/03/92. Se posteriormente, foi expedido um aditivo a este ato, tendo já ocorrido o fato gerador, este aditivo perdeu seu objeto, pois que tardio. Assim sendo, procedeu corretamente a autoridade fiscal e o julgador de primeira instância ao manter a autuação". Devidamente cientificado, o sujeito passivo encaminhou suas contra razões na apelação promovida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com guarda do prazo legal, e alegando, basicamente, que reconheceram, tanto o senhor julgador de primeira instância, o Excelentíssimo Sr. Delegado da DRJ — Recife — PE, e a digna representante da Procuradoria da Fazenda Nacional que a DECEX ao imitir o Relatório de Comprovação n° 0007-94/0144-3, de 23111/94, o SUBSTITUTO, o fez no pleno e exclusivo exercício de uma prerrogativa legal que lhe foi atribuída pela Administração Pública Federal. Prosseguiu afirmando que, como bem assinalado pelo ilustre relator do Acórdão recorrido, "Constitui atribuição da DECEX nos termos da Resolução 1.033/71 da Comissão de Política Aduaneira, então Conselho, a concessão dos benefícios fiscais de suspensão e isenção de Tributos, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, BEM COMO A VERIFICAÇÃO DO ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTARIdestaque do Relator). E foi no cumprimento dessa prerrogativa legal que a DECEX, reviu o seu erro, emitindo o segundo relatório para substituir o relatório cujo conteúdo não era verdadeiro. Outro procedimento não lhe restava senão o que adotou, como forma de evitar que um contribuinte no exercício correto de um benefício fiscal por ela concedido e administrativo em todas as suas etapas, não fosse injustificadamente punido. 13» 4 Processo n° : 10480.001007/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.083 É verdadeiramente no mínimo extravagante se considerar o primeiro relatório o viciado, como um ato jurídico perfeito e acabado, capaz de gerar efeitos jurídicos. Razões não haveriam que justificassem a responsabilização da empresa por erro da DECEX em não proceder com a mesma eficiência, demonstrada na retificação do relatório inicial, quando elaborou esse relatório, em 11/08/94 Para a suplicante a sua situação jurídica estava amplamente consolidada desde 28/01/94, quando exportou as 800 toneladas restantes. Quando vendendo o açúcar ao preço de US$ 275,00 líquido ou US$ 280,00 bruto por tonelada métrica, realizara as receitas cambiais a que se obrigara em virtude do ato concessório. Evidentemente não era da sua competência acompanhar a seqüência dos atos burocráticos internos, para verificar o seu correto desenvolvimento, no trâmite entre órgãos do próprio Governo. Cumpre registrar, Excelentíssimos Juizes, que a DECEX ao anular o primeiro relatório, antes que gerasse qualquer efeito jurídico, o fez por iniciativa própria, sem qualquer provocação da empresa. Agia dessa forma, fundamentando-se no poder que tem a Administração Pública de rever, no âmbito da sua respectiva competência legal seus próprios atos, substituindo-os quando imperfeitos. Por mais que se divaga sobre a matéria, resta inútil, porém o discurso que foge dessa verdade cristalina e que constitui o cerne do problema. Um ato administrativo viciado foi, oportunamente, substituído por outro ato, por quem estava legalmente habilitado a fazê-lo." É o relatório i 4 Processo n° 10480.001007/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03 083 VOTO CONSELHEIRO RELATOR HENRIQUE PRADO MEGDA De fato, como alegado pelo sujeito passivo, encontra se acostada aos autos (fis. 27 a 32) cópia autenticada do Relatório de Comprovação de "drawback" n 0007-94/0144-3, emitido pela CACEX em 23/11/94, referente ao Ato Concessório objeto da lide, em substituição ao Relatório de Comprovação de "drawback" n 0007-94/0103-0, que deu suporte à lavratura do Auto de Infração contendo a exigência fiscal que ora se examina, em grau de recurso. Verifica-se, portanto, que a CACEX, à luz de novos elementos comprobatórios, reviu a posição inicialmente adotada, em razão de não terem sido praticados, integralmente, os preços determinados pelo Departamento Técnico de Intercâmbio Comercial - DTIC para uma parcela de 800 tm, e declarou cumpridas as formalidades legais para integral comprovação do Ato Concessório em comento. Com amparo no entendimento de que tais alterações somente podem ser efetuadas enquanto perdurar o regime especial, isto é, antes de encerrada a operação, sem, contudo, questionar a competência do DECEX para conceder o Regime e alterar as condições nele estabelecidas, a autoridade monocrática julgou procedente, em parte, a ação administrativa, declarando devidos a diferença de Imposto de Importação, os juros de mora e a multa prevista no art. 4, inciso 1, da lei 8218/91, e exonerando a exigência relativa à multa do controle administrativo das importações. Já o voto condutor do acórdão considerou totalmente cumprido o compromisso de exportação assumido pela empresa, conforme atestado pela CACEX no exercício da competência que lhe foi delegada pela Portaria MF n A Processo n° 10480.001007/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.083 36/82, nos termos da Resolução n 1033/71 da Comissão de Política Aduaneira, a quem foi atribuída especificamente a competência para outorgar a suspensão dos tributos para as importações sob essa modalidade, pelo art. 4 do Decreto 68.904/71, que regulamentou o art. 78 do Decreto lei 37/66, o qual trata dos estímulos concedidos às referidas operações de "drawback". Bem fundamentado o aresto, não vejo como dar acolhida ao pleito da recorrente, impondo se o reconhecimento de que o "drawback" já foi consumado, sabendo-se que o insumo efetivamente importado foi integralmente exportado, atendendo às exigências de preço e prazo fixadas pelo DTIC. Se assim foi concedido ao contribuinte pelo órgão competente, assim deve ser aceito pela fiscalização, sob pena de violação dos princípios da segurança jurídica e da moralidade administrativa. Deste modo, voto para negar provimento ao Recurso Especial interposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, 10 de abril de 2000. H NRIQUE f5RADO MEGDA 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912536/2009-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.912536/2009-68
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5818952
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.195
nome_arquivo_s : Decisao_10680912536200968.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 10680912536200968_5818952.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
id : 7085795
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735294615552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.912536/200968 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.195 – 1ª Turma Sessão de 7 de novembro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 36 /2 00 9- 68 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10680.912536/200968 Acórdão n.º 9101003.195 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao que foi decidido sobre compensação tributária realizada com base em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1801000.932, de 16/03/2012, por meio do qual houve provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de estabelecer que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, houve seguimento. A contribuinte apresentou as contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.190, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11060.901149/200966. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.190): Não há condições para conhecer do recurso especial da PGFN. Em seu recurso, a PGFN defende a tese de que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal não constitui indébito passível de restituição/compensação desde a data de seu recolhimento. Na linha do que está sendo defendido no recurso, as estimativas são meras antecipações, e só podem ser Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10680.912536/200968 Acórdão n.º 9101003.195 CSRFT1 Fl. 4 3 aproveitadas para redução do tributo no ajuste anual, ou para formação de saldo negativo. Entretanto, a matéria objeto da divergência jurisprudencial está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. O acórdão recorrido destacou que o único fundamento para a negativa da compensação até aquele momento processual era a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados. E mencionando expressamente a Súmula CARF nº 84, o acórdão recorrido afastou esse óbice, e determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que fosse analisado o mérito do pedido. Assim, tratandose de acórdão que expressamente adotou entendimento de súmula do CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. Os autos devem ser encaminhados na forma estabelecida pelo acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720154/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 1401-002.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora de primeira instância para que efetue novo julgamento, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Decisão Recorrida Nula.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.720154/2012-48
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5818400
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.123
nome_arquivo_s : Decisao_16561720154201248.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 16561720154201248_5818400.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora de primeira instância para que efetue novo julgamento, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
id : 7083729
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735316635648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1508; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.765 1 3.764 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720154/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.123 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente BRIDGESTONE FIRESTONE DO BRASIL IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora de primeira instância para que efetue novo julgamento, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 54 /2 01 2- 48 Fl. 3765DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 1646.178 5 ª Turma da DRJ/SP1 que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o lançamento. A autuação decorreu de fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, destinada à verificação do cumprimento das disposições das normas de preços de transferência aplicáveis aos produtos importados no ano calendário de 2008, que derivou nos lançamentos de IRPJ (R$ 8.439.108,64) e CSLL (R$ 3.013.933,76), considerados tributo, multa de ofício e juros de mora. O relatório do acórdão da DRJ bem descreve todo o ocorrido até aquele momento: DOS FATOS E DAS VERIFICAÇÕES FISCAIS A contribuinte foi intimada a prestar informações e esclarecimentos sobre o método adotado, demonstrativos e memórias de cálculos que deram suporte aos valores pr ela ajustados, além dos arquivos magnéticos contendo as informações contábeis e fiscais. Da análise das informações constantes na DIPJ e demais documentos apresentados durante o procedimento fiscal, a fiscalização constatou que a contribuinte calculou e declarou um valor de ajuste (importações) de R$ 7.493.792,15, utilizando os métodos PIC (Preços Independentes Comparados) e PRL (Preço de Revenda menos Lucro), com margens de 20% (PRL20) e 60% (PRL60) conforme a seguir sintetizado: Preço parâmetro método PIC Para a comprovação do preço de transferência pelo método PIC (artigo 8o da IN SRF nº 243/2002), a contribuinte usou três formas: a) aquisição no mercado interno de pessoas jurídicas não vinculadas, através de notas fiscais de aquisição (13 produtos); b) operações de compras e vendas praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas no exterior, através de faturas internacionais (1381 produtos); c) cotações de Bolsa de âmbito internacional para as importações de borrachas naturais de códigos EA045, JA062, TA012 e TA039. A comprovação foi realizada pelas cotações médias de cada mês ocorridas na Bolsa de Mercadorias e Futuro de Singapura SICOM, por tratarse de "commodities". As borrachas naturais são negociadas na Bolsa de Mercadorias de Cingapura sob a classificação RSS3 (borrachas convencionais Ribbed Smokes Sheets folhas fumadas) e TSR20 (borrachas tecnicamente especificadas) cujos contratos padrão Fl. 3766DF CARF MF Processo nº 16561.720154/201248 Acórdão n.º 1401002.123 S1C4T1 Fl. 3.766 3 são negociados sob a forma de SMR20 (Standard Malaysian Rubber) e SIR20 (Standard Indonesian Rubber). As cotações de preços na Bolsa de Mercadorias de Cingapura foram entregues pelo contribuinte e estão anexadas no eprocesso ("PIC Bolsa Cingapura Preço da Borracha Natural"). Preço parâmetro método PRL20 A contribuinte adotou o método PRL20 para 227 produtos. Os cálculos da contribuinte foram efetuados segundo o disposto na alínea "a" do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 e encontramse anexadas no eprocesso ("PRL20 Demonstrativo de Apuração"). Preço parâmetro método PRL60 A contribuinte adotou o método PRL60 para 2 produtos: a) código TA091 borracha natural de classificação internacional VS2 e STR20 CV; e b) código TA077 borracha natural de classificação internacional SIR20 CV. Em termo de resposta firmado em 02/04/2012, protocolou a entrega da apuração e memória de cálculo dos citados produtos TA077 e TA091 e, também, pelo método PIC, alegando que as referidas borrachas são similares àquelas negociadas na Bolsa de Mercadorias de Cingapura. As memórias de cálculos da contribuinte estão anexadas no eprocesso ("PRL60 Memória de Cálculo TA091 e TA077"). Analisando os cálculos da contribuinte, a fiscalização, constatando que não foram efetuados em conformidade com o disposto no § 10 do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002, não os aceitou. Quanto à aceitação do método PIC para esses produtos, as considerações da fiscalização (fls. 666/667) encontramse sintetizadas no item “DO CÁLCULO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PELA FISCALIZAÇÃO”, subitem “Do método PRL60”. CÁLCULO DO PREÇO DE TRANSFERENCIA PELA FISCALIZAÇÃO. Da seleção de produtos Na seleção dos produtos, a fiscalização elaborou uma tabela com os custos totais de importação na condição CIF + II em reais, no ano, por produto e com pessoas vinculadas. Por amostragem, realizou um corte no percentual de 81,18% dos custos totais acumulados de importação. Dessa forma, observando a tabela de fl. 664, a fiscalização concluiu que os produtos selecionados abrangeram os produtos de códigos "TA091 borracha natural de classificação internacional VS2" até o produto de código "80271 pneumáticos novos de borracha", cujos valores de importações (CIF+II) totalizaram 81,18% do custo total de importação. Do método PIC A fiscalização aceitou a documentação de comprovação do preço de transferência com base nas notas fiscais de aquisição relativa às compras nacionais, Fl. 3767DF CARF MF 4 bem como, as "invoices" internacionais relativas às operações entre terceiros não vinculados no exterior. Também, foram aceitas as cotações de preços da Bolsa de Mercadorias e Futuro de Cingapura relativas aos preços da borracha natural RSS3 e TSR20, na comprovação do preço de transferência dos produtos EA045, TA062, TA012 e TA039. No entanto, conforme demonstrativo de fl. 665, a fiscalização apurou divergências no cálculo do preço parâmetro em reais, em relação aos valores informados pela contribuinte, a seguir sintetizadas (valores em reais): A metodologia de cálculo da fiscalização consistiu em converter os preços médios mensais da Bolsa de Cingapura em US$/KG (ver no eprocesso, as cotações da Bolsa "PIC Bolsa de Cingapura Borracha Natural"), pela taxa de câmbio venda (R$/US$) do último dia do mês. Com isso determinou os preços da borracha natural em reais, mensalmente. A determinação do preço parâmetro (R$/KG) foi calculada pela média aritmética dos preços mensais em reais, isto é, a soma dos preços em R$/KG apurados mensalmente dividida por 12 meses. Os preços parâmetro calculados pela fiscalização foram menores que os calculados pelo contribuinte, o que foi suficiente para gerar a necessidade de ajustes no preço de transferência. O valor de ajuste apurado pela fiscalização, adotandose o método PIC, para os produtos EA045 e TA062, foi de R$ 7.877.324,45, conforme demonstrativo de apuração está em anexo, a seguir sintetizado: Do método PRL60 A contribuinte adotou o método PRL60 para 2 produtos: a) código TA091 borracha natural de classificação internacional VS2 e STR20 CV; e b) código TA077 borracha natural de classificação internacional SIR20 CV. O valor de ajuste da foi R$ 0.00. Os cálculos constam do eprocesso ("PRL60 Memória de Cálculo TA091 e TA077"). Mas também apresentou apuração e memória de cálculo pelo método PIC, alegando que as referidas borrachas são similares àquelas negociadas na Bolsa de Mercadorias de Cingapura. A fiscalização discorda dessa afirmação da contribuinte, pelos seguintes motivos: “21. Os contratos padronizados e negociados na Bolsa são as de classificação internacional denominado TSR (borrachas tecnicamente especificadas), mais especificamente, as borrachas do tipo RSS3 e TSR20. Fl. 3768DF CARF MF Processo nº 16561.720154/201248 Acórdão n.º 1401002.123 S1C4T1 Fl. 3.767 5 Os contratos da borracha natural do tipo TSR20 (na Bolsa de Cingapura) são relativos às borrachas SIR20 (padrão da Indonésia), SMR20 (padrão da Malásia), STR20 (padrão da Tailândia). Esses padrões de borrachas são determinados por cada um dos três países, mas obedecem as especificações de graus de qualidade estabelecidas pela Organização Internacional de Normalização (ISO). As borrachas naturais passam por testes de qualificação antes de serem classificadas como SIR20/SMR20/STR20. Para serem classificadas nesses padrões, são analisados diversos parâmetros como: conteúdo de sujeiras, teor de cinzas, nitrogênio, teor de matéria volátil, índice de retenção de plasticidade (PRI) e cor, que são testados por instrumentos. A ISO especificou seis diferentes graus de TSR, conforme relacionadas abaixo: • L TSR alta qualidade e borracha de cor clara preparados a partir do látex; • CV TSR viscosidade estabilizada de alta qualidade (borracha de látex); • TSR 5 de boa qualidade, látex de borracha, mais escura que a TSRL; • TSR10 e 20 graus de boa qualidade derivados do coágulo do campo; • TSR 50 até 0,50% de conteúdo de sujibilidade em peso. 22. No ano calendário de 2008, a fiscalizada importou borrachas naturais de classificação TSR, mas de graus de qualidade SIR 20CV, VS2 e STR 20CV. Esses graus de borracha não são negociados na Bolsa de Mercadorias de Cingapura. 23. O contribuinte realizou os cálculos do preço de transferência, desses produtos, adotandose o método do PRL60. Mas, no mesmo termo de resposta (02/04/2012), alegou que essas matérias primas são similares às borrachas naturais de grau SIR20. 24. Não concordamos. A borracha natural negociada na Bolsa de Mercadorias é a classificação TSR (borrachas tecnicamente especificadas) de grau de qualidade SIR20 (Standard Indonesian Rubber 20). 25. As borrachas de grau SIR20 CV, STR20 CV e VS2 são borrachas com viscosidade estabilizada e qualidade diferenciada do grau de borracha negociada na Bolsa. 26. As seis classificações de borrachas da ISO estabelecem graus diferenciados da qualidade da borracha, que por sua vez, implicam aplicações com finalidades distintas para consumo na produção. 27. Não haveria a necessidade de classificação da borracha pela ISO (em seis graus), caso as aplicações e destino para o consumo fossem os mesmos. 28. Por conseqüência, cada grau de qualidade da borracha natural tem um preço de negociação. 29. Não estamos afirmando que os produtos são totalmente diferentes, mas sim, afirmando que entre um grau e outro de qualidade da borracha natural, existem propriedades técnicas, específicas e químicas diferentes, e que, na Bolsa de Fl. 3769DF CARF MF 6 Mercadorias e Futuros de Cingapura não existem os contratos padronizados de negociação dessas qualidades de borrachas SIR20 CV/STR20 CV/VS2”. Considerando que a fiscalizada adotou um procedimento diferente do disposto no § 10 do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 no cálculo do preço de transferência dos produtos TA077 e TA091 pelo método PRL60, a fiscalização refez os cálculos, em conformidade, com a referida instrução normativa. Os preços praticados foram calculados em conformidade com os valores constantes nas Declarações de Importação (DIs), por código de produto adquirido de pessoas vinculadas, considerando o disposto nos artigos 3º e 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002. A metodologia utilizada para cálculo do preço parâmetro, pelo método PRL60, está prevista no § 10 do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. A fiscalizada importou borrachas naturais para consumo na produção de diversos tipos de pneus, donde se conclui que a matéria prima importada poderá ter mais de um preço parâmetro, porque ela foi consumida em mais de um produto acabado. Nessas situações, o preço parâmetro final foi determinado pela média ponderada, calculada em função das quantidades consumidas de matérias primas vendidas para pessoas não vinculadas. As quantidades sujeitas a ajuste foram calculadas em função das quantidades vendidas. O valor total de ajuste apurado pelo método PRL60 foi de R$ 58.768.726,94 conforme a seguir sintetizado: Do método PRL20 Os preços praticados foram calculados ponderandose os valores dos estoques iniciais em 01/01/2008 com os custos de importação incorridos durante o anocalendário de 2008, na forma determinada pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, que consiste no custo da mercadoria importada + seguros internacionais + fretes internacionais + Imposto de Importação. Os preços parâmetro foram calculados de acordo com a alínea "a" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002, por código de item importado. As quantidades sujeitas a ajuste foram calculadas em função das quantidades revendidas. O valor total de ajuste apurado pelo método PRL20 foi de R$ 563.792,70, conforme a seguir sintetizado (valores em reais): Fl. 3770DF CARF MF Processo nº 16561.720154/201248 Acórdão n.º 1401002.123 S1C4T1 Fl. 3.768 7 DA INFRAÇÃO APURADA Dos fatos, análises e demonstrativos expostos, a fiscalização conclui que o valor total de ajuste sujeito à adição no LALUR foi de R$ 67.209.844.09, já deduzidos os ajustes efetuados pela contribuinte quanto aos produtos auditados, conforme a seguir sintetizado: RETIFICAÇÃO DO LALUR Considerando que a presente ação fiscal resultou em retificação do saldo de prejuízo fiscal e do saldo de base negativa da CSLL, a contribuinte foi intimada a retificar o LALUR relativo ao ano calendário de 2008. DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2008: Cientificada dos lançamentos, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3529/3556, reclamando ausência de comprovação pela fiscalização sa utilização do método menos gravoso à impugnante; inaplicabilidade do método PLR 60 para as borrachas TA077 e TA091 pela forma prevista na IN 243/2002; A IN SRF nº 243/2002 (artigo 38) reconhece que, além do valor do preço parâmetro, há a possibilidade de redução do valor adicional de 5% sobre o preço calculado através de um dos métodos previstos para ajuste dos preços de transferência, o que, todavia, não foi considerado pela fiscalização, ainda que a divergência seja maior que 5%, deve ser aplicada a margem de divergência para reduzir o valor do ajuste e finaliza com pedido de perícia para demonstração de inexistência de ajuste para fins de preços Fl. 3771DF CARF MF 8 de transferência em relação aos produtos TA077 e TA091, considerando a aplicação do método PIC. Apreciada a impugnação, os lançamentos foram mantidos, pois segundo entendimento da DRJ, não é possível aceitarse a apuração efetuada pela contribuinte com base no método PIC, apresentada apenas durante a ação fiscal e não condizente com a DIPJ/2009, na qual consta a apuração pelo método PRL60, que é o método que deve ser adotado no caso em tela (como o foi). Em face da não aceitação do método PIC, por preclusão do direito da contribuinte, a DRJ entendru como irrelevante a discussão acerca da similaridade das borrachas de códigos TA091 e TA077 com as borrachas negociadas na Bolsa de Mercadorias de Cingapura, fazendose, portanto, desnecessária a análise do laudo apresentado pela impugnante (doc. 05), a prova pericial e a análise dos cálculos apresentados pela contribuinte pelo método PIC. Indeferiuse, portanto, a produção de prova pericial. A alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade do método PRL60 de acordo, com a IN SRF nº 243/2002, deixou de ser apreciada, sob argumento de que na esfera administrativa não cabe apreciar tais questões, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário, com vistas a obter a reforma do julgado reclamando i) quanto à utilização do PLR 60, a necessidade de utilização do método menos gravoso à Recorrente; ii) inaplicabilidade do PLR 60 para as borrachas TA 077 e TA 091 pela forma prevista na Instrução normativa SRF 243/2002; iii) dever da salvaguarda prevista no artigo 38 da IN/SRF 243/2002, segundo o qual será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado a ser utilizado como de importação ou exportação e subsidiariamente insiste na realização da prova pericial para confirmação do método de cálculo utilizado. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar modificação do critério jurídico da autuação. Preliminarmente, alega a Recorrente a nulidade da decisão recorrida, haja vista ter a mesma deixado de avaliar diversos argumentos que poderiam infirmar a exigência tributária. Conforme demonstra a Recorrente a decisão de piso alterou indevidamente o fundamento do auto de infração, pois rejeitou a possibilidade adoção de outro método apresentado durante a fiscalização, mesmo tendo a autoridade fiscal superado a questão e aceitado o método alternativo PIC. Conforme consta no TVF (fls. 661/662), a fiscalização entendeu possível a aceitação do método PIC no curso da fiscalização, contudo, tal aceitação dependeria da demonstração da similiaridade das borrachas TA077 borracha natural de classificação internacional SIR20CV (padrão Indonésia) e TA091 borracha natural de classificação internacional STR20CV e VS2 (padrão Tailândia) com aquelas negociadas na SICOM Bolsa de Mercadorias e Futuros de Singapura, conforme esclarece nos itens de 20 a 30 do TVF. Fl. 3772DF CARF MF Processo nº 16561.720154/201248 Acórdão n.º 1401002.123 S1C4T1 Fl. 3.769 9 Na sua impugnação a Recorrente defendeu a possibilidade de aceitação do Método PIC no caso concreto a partir as cotações de preços médios da Bolsa de Mercadorias e Futuro de Singapura (SICOM) e anexou laudo técnico, no sentido de que as borrachas TA077 e TA091 seriam do tipo TSR20, e poderiam ter sido classificadas como SIR 20 CV, VS2 e STR 20CV, não cabendo afastar o Método PIC apenas com base no argumento de que referidas borrachas não são negociadas pela SICOM. Contudo, o Acórdão n. 1647.578 5ª Turma da DRJ/SP1, inovou na acusação ao mencionar que a não aceitação do Método PIC se deu não por falta de comprovação de sua viabilidade, mas por em razão de preclusão na sua apresentação como restou fundamentado com o seguinte conteúdo: [...] "não é possível aceitarse a apuração efetuada pela contribuinte com base no método PIC, apresentada apenas durante a ação fiscal e não condizente com a DIPJ/2009, na qual consta a apuração pelo método PRL60, que é o método que deve ser adotado no caso em tela (como o foi). Em face da não aceitação do método PIC, por preclusão do direito da contribuinte, tornase irrelevante a discussão acerca da similaridade das borrachas de códigos TA091 e TA077 com as borrachas negociadas na Bolsa de Mercadorias de Cingapura, fazendose, portanto, desnecessária a análise do laudo apresentado pela impugnante (doc. 05), a prova pericial e a análise dos cálculos apresentados pela contribuinte pelo método PIC. Indeferese, portanto, a produção de prova pericial". Neste ponto, merece amparo o pleito da recorrente, uma vez que não cabe à DRJ analisar a possibilidade de substituição do método, pois a questão foi superada pela própria autoridade fiscal, que aceitou o método PIC em substituição ao método PLR 60, discordando, tão somente, quanto à similaridade das borrachas TA077 e TA091 com aquelas negociadas na SICOM. À DRJ cabia ter se limitado à verificação da similaridade entre as borrachas naturais TA077 e TA091 e aquelas negociadas na SICOM e não quanto à possiblidade ou não de aceitação do método alternativo, vez que a questão já havia sido superada pela autoridade fiscal em seu TVF. Ou em caso de discordância em relação ao procedimento fiscal julgar pela sua improcedência, não sendo o caso de inoválo. Resta claro, assim, que não foram apreciadas alegações importantes feitas pela Recorrente, limitandose a decisão recorrida às questões gerais, de fundo, relativamente a cada uma das respectivas infrações (correção da apuração pelo Método PIC). A Autoridade Julgadora não atentou para o fato de que os argumentos exposados pela Recorrente poderiam influenciar significativamente no quantum a ser exigido. De forma que, uma vez apresentado argumento que, no entender da Recorrente, seria suficiente para anular a exigência (por tornála ilíquida e incerta) ou, no mínimo, reduzíla em valores importantes, e não se manifestando a autoridade julgadora de 1ª instância a este respeito, a apreciação por este Colegiado dessas matérias, novamente trazidas no recurso voluntário, representaria cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo que, a teor do Decreto nº 70.235/72, tem assegurada a possibilidade de ver seu argumento apreciado ao menos por duas instâncias administrativas de julgamento, antes de se tornar definitiva a acusação fiscal. Fl. 3773DF CARF MF 10 Em tais condições, o Decreto nº 70.235/72 impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifei) Não vejo condições de aplicação do § 3º acima transcrito, haja vista que eventual decisão de mérito proferida nesta instância administrativa de julgamento não reúne condições para, por si só, ser classificada como favorável ao sujeito passivo, na medida em que à Fazenda Nacional está assegurado o direito de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais se caracterizada a divergência de entendimento em relação a julgado proferido por outro Colegiado desta Casa. Nesse sentido, não pode a turma do CARF apreciar essas matérias sob pena de incorrer na indesejável supressão de instância, com claro prejuízo ao sujeito passivo, que deixa de ver apreciadas razões relevantes do seu inconformismo nas duas instâncias de julgamento administrativo. De se concluir que o caminho viável para afastar a mencionada omissão é a determinação de nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos à primeira instância para prolação de novo acórdão. É assim que têm sido encaminhadas questões dessa natureza pelas turmas do CARF, como se pode ver das decisões abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. FALTA DE APRECIAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. A falta de apreciação, por parte do acórdão de primeiro grau, de razões recursais aptas a ensejar a reforma ou cancelamento da exigência, implica em cerceamento de Fl. 3774DF CARF MF Processo nº 16561.720154/201248 Acórdão n.º 1401002.123 S1C4T1 Fl. 3.770 11 defesa via supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões. Decisão Recorrida Nula." Acórdão n.° 2402004.733, de 09/12/2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2011 DECISÃO CITRA PETITA. NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões. Decisão recorrida nula. Acórdão nº 3201002.876, de 26 de junho de 2017 Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 3775DF CARF MF
score : 1.0
