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Numero do processo: 11080.725588/2010-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se conhece do recurso especial quando a decisão recorrida utilizou mais de um fundamento independente e suficiente para a sua fundamentação, enquanto o recurso somente ataca um desses fundamentos.
Hipótese em que, na decisão recorrida, o crédito extemporâneo não foi reconhecido por não ter havido retificação da DACON nem prova inequívoca de não aproveitamento desse crédito em outro período de apuração, enquanto o recurso apenas atacou a necessidade de retificação da DACON, pois o paradigma convergiu com o recorrido quanto à necessidade de prova do não aproveitamento do crédito em outro período.
Numero da decisão: 9303-012.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente).
Nome do relator: Rodrigo Mineiro Fernandes
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece do recurso especial quando a decisão recorrida utilizou mais de um fundamento independente e suficiente para a sua fundamentação, enquanto o recurso somente ataca um desses fundamentos. Hipótese em que, na decisão recorrida, o crédito extemporâneo não foi reconhecido por não ter havido retificação da DACON nem prova inequívoca de não aproveitamento desse crédito em outro período de apuração, enquanto o recurso apenas atacou a necessidade de retificação da DACON, pois o paradigma convergiu com o recorrido quanto à necessidade de prova do não aproveitamento do crédito em outro período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 55 88 /2 01 0- 61 Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-012.731 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725588/2010-61 Trata-se de recurso especial de divergência (fls. 375 a 399), interposto pelo sujeito passivo, em face do Acórdão nº 3302-008.835, de 29 de julho de 2020 (fls. 359 a 368), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, assim ementado: RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito paia o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório. desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação. por força do artigo 17. do Decreto n° 70.235/72. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Consta do dispositivo do Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado. por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face da preclusão. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. Em relação à matéria que interessa ao recurso em análise - créditos extemporâneos – decidiu-se que não se cumpriram requisitos de retificação do Dacon e DCTF, tampouco teria sido demonstrado que tais valores não foram aproveitados em outros períodos de apuração. O sujeito passivo suscitou divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária referente (1) à nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa decorrente da ausência de análise probatória e (2) ao direito ao aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições sociais não cumulativas. Indicou como paradigma, respectivamente, o Acórdão n° 1301-003.283, para a matéria 1 (um) e os acórdãos nº 9303-006.248 e 9303-008.635, para a matéria 2 (dois). O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento negou seguimento para as duas matérias (Despacho às fls. 476 a 484). Inconformada, a contribuinte ROSINA ALIMENTOS LTDA interpôs agravo, que foi acolhido, dando seguimento ao recurso especial unicamente em relação à matéria: “direito de aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas” (Despacho às fls. 504 a 516). A PGFN apresentou suas contrarrazões, alegando que o aproveitamento dos créditos extemporâneos deve ser efetivado mediante retificação do DACON e da DCTF. Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-012.731 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725588/2010-61 O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e, após sorteio, posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Do Conhecimento O recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte é tempestivo, restando analisar-se o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matéria que foi dado seguimento é referente ao “direito de aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas”, especialmente a necessidade de se retificar o Dacon para fins de utilização de crédito extemporâneo de Cofins. O voto condutor da decisão recorrida discorreu sobre a existência de autorização legal para o aproveitamento extemporâneo de créditos. Nada obstante, manteve a glosa dos créditos extemporâneos por entender que “o direito a crédito de PIS/Cofins não-cumulativos em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, prescinde da necessária retificação do Dacon e da DCTF, ou de eventual comprovação de não utilização do crédito.” Transcrevo as ementas dos acórdãos indicados como paradigmas: Acórdão n° 9303-006.248 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social-Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3o, § 4°, da Lei n° 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de "Ajustes Positivos de Créditos" e de "Ajustes Negativos de Créditos", contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 34/201C, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-012.731 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725588/2010-61 Acórdão n° 9303-008.635 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3o. § 4% da Lei n.8 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte Constata-se que as decisões apontadas como paradigmas vão no sentido de dispensar a prévia retificação do Dacon do período correspondente para viabilizar o aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições sociais não cumulativas. Transcrevo excerto do parecer que fundamentou o despacho de admissibilidade do recurso em análise: A decisão recorrida, a par da exigência de retificação prévia do Dacon do período do crédito, invocou um fundamento adicional para negar provimento ao recurso quanto à matéria: o fato de o recorrente não ter demonstrado/comprovado que os créditos extemporâneos não foram apropriados/utilizados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário por expressa determinação legal. Todavia, a peça do recurso especial nada se referiu a esse segundo fundamento jurídico. De tal modo, remanesceu no aresto recorrido fundamento inatacado, suficiente, por si só, para determinar o desprovimento do pedido, evidência que atrai, mutatis mutandis, a regra inscrita na Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal, deste teor: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Destarte, é inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Neste mesmo sentido precedente do STJ. “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO FISCAL. PRESCRIÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. CDA. DEFEITO FORMA. NULIDADE. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 283/STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (...) 3.Não se conhece do recurso especial que não ataca fundamento que, por si só, é suficiente para fundamentar o juízo emitido pelo acórdão recorrido, evidência que atrai, mutatis mutandis, , a regra inscrita na Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal, deste teor: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 4. Na espécie, o acórdão recorrido desproveu o agravo interno sob o argumento de prescrição do crédito fiscal e, também, de nulidade da CDA. As razões de Fl. 531DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-012.731 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725588/2010-61 recurso especial, todavia, apenas impugnaram a matéria referente à prescrição dos valores exigidos. (...)” ( STJ, 1ª Turma, REsp 704504 / RS, Relator: Ministro José Delgado) Nesta mesma linha já decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS RELEVANTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO, IMPOSSIBILIDADE DE PROVIMENTO. Inviável o recurso especial que pleiteia a reforma de acórdão mas não impugna todos os fundamentos relevantes da decisão recorrida. (Acórdão nº 910100.692, Relator: Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho) Digno de nota, os acórdãos indicados como paradigmas, se, por um lado, dispensaram a prévia retificação do Dacon como condição para a fruição extemporânea de créditos, nada aduziram em relação à retificação da DCTF, também requerida pela decisão recorrida. Tampouco decidiram pela desnecessidade de comprovação de aproveitamento do crédito extemporâneo em outros períodos, requisito alternativo erigido no Acórdão vergastado. Nessas condições, é impossível extrair o dissídio suscitado. Este colegiado apreciou fatos semelhantes no julgamento do processo nº 10835.720075/2008-15 e, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso (Acórdão nº 9303-010.665, sessão de 15 de setembro de 2020, relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos). Transcrevo excerto do voto condutor do referido acórdão: [...] parece claro, ao revés do que se entendeu no despacho de Agravo, que o acórdão recorrido impõe como condição de reconhecimento do crédito a demonstração de que não tenha sido já utilizado, mas não exige que essa demonstração se dê estritamente por meio da retificação do Dacon. Tal demonstração pode ser feita, materialmente, também por diligência fiscal ou em planilhas/demonstrativos do contribuinte. A ementa, ao utilizar a conjunção alternativa “ou” não deixa dúvidas quanto a essa interpretação. Desse modo, tem-se que as decisões comparadas dão a mesma interpretação à matéria, isto é, de admitir o que pretende a recorrente em tese, isto é, que a mera ausência de retificação de Dacon não seja motivo exclusiva para glosa. Todavia, a motivação do acórdão recorrido para rejeitar o recurso, nesta parte, é pela falta dessa demonstração de que o crédito já não tenha sido utilizado, seja em Dacon, seja de outro modo qualquer. [...] Portanto, considerando que o acórdão recorrido e o paradigma apresentado não divergem em qualquer tese, e ainda, que a motivação do acórdão recorrido para rejeitar os créditos extemporâneos foi a falta de demonstração da não utilização do crédito pleiteado, por qualquer meio, voto por não conhecer do Recurso Especial do contribuinte. Dessa forma, afasto o fundamento do Despacho de Agravo, visto que a decisão recorrida entendeu como condição de reconhecimento do crédito a demonstração de que este não tenha sido utilizado anteriormente, que poderia ser feito por meio de outros elementos de prova além da retificação do Dacon. Portanto, conclui-se que as decisões comparadas dão a mesma interpretação à matéria, inexistindo o dissídio jurisprudencial alegado. Fl. 532DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-012.731 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725588/2010-61 Da Conclusão Em face das razões e fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do Recurso Especial de divergência interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 533DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000952/2010-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2005 a 21/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO – MULTA
Representa infração punível com multa a empresa deixar de registrar segurado empregado a seu serviço
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal sejam julgadas em conjunto
MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE
Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições
sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte
CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA
Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo
e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie
AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE
Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA
A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.648
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2005 a 21/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO – MULTA Representa infração punível com multa a empresa deixar de registrar segurado empregado a seu serviço REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal sejam julgadas em conjunto MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. Recurso Voluntário Negado.
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A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestarse durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000952/201009 Acórdão n.º 2402002.648 S2C4T2 Fl. 139 3 Relatório Tratase de infração à Lei n. 8.213/1991, art. 17, combinado com o art. 18, inciso I e § 1º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de inscrever o segurado empregado. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 26/28), foi constatado em análise de processo trabalhista em face da autuada, decorrente da ação proposta pela segurada reclamante Tema Brasil Zanata. De acordo com a inicial, a reclamada teria sido contratada em 01/06/2005 e dispensada em 21/12/2005, sem ter sua Carteira de Trabalho e Previdência Social anotada, sendo que sua remuneração variava de acordo com o numero de aulas que ministrava, cujos valores eram depositados diretamente em uma conta de poupança. A auditoria fiscal informa que não foram encontrados registros de tais pagamentos à segurada, em qualquer categoria de segurado, quer seja na folha de pagamento, quer seja nos registros contábeis. É informado que foi efetuado acordo sem o reconhecimento do vínculo empregatício, porém a auditoria fiscal lembra que se trata de acordo entre as partes e, apesar de ter sido homologado pela Justiça do Trabalho, não tem o condão de se opor ao que dispõe o art. 123 do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeitos passivo das obrigações tributárias correspondentes.” A multa foi aumentada em duas vezes, haja vista a existência de agravante de reincidência genérica. A autuada teve ciência do lançamento em 01/03/2010 e apresentou defesa (fls. 56/72) onde solicita julgamento conjunto de diversos autos de infração, sob o argumento de que os relatórios que acompanhariam os mesmos, trariam a descrição do mesmo fato gerador ou de fatos geradores semelhantes e interrelacionados. Tece considerações a respeito da conduta da empresa e informa que além da ação fiscal sofrida, ainda estaria enfrentando ação judicial com o objetivo de garantir a moralidade na administração da empresa em razão de práticas criminosas de um de seus sócios com poder de gerência. Questiona a abertura do procedimento fiscal, a qual teria coincidido com questões policiais e judiciais enfrentadas pela empresa o que teria levado a transparecer que a motivação para a ação fiscal seria estas questões. Apresenta suas suspeitas de que as causas para o levantamento se prendeu a denúncias contidas nas ações judiciais. No entanto, entende que tais motivos não poderiam ser considerados para tal mister. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Argumenta que sempre atendeu a auditoria fiscal de forma célere e que após longa ação fiscal foi surpreendida com várias autuações sem que tivesse havido qualquer discussão prévia da matéria. Considera que a autoridade fiscal incorreu em vários equívocos. Apresenta considerações doutrinárias sobre o lançamento e invoca princípios dentre os quais o da audiência do interessado, a fim de se respeitar o direito ao contraditório. Entende que a auditoria fiscal tomou para si competência legalmente atribuída à Justiça do Trabalho, ao autuar a empresa pelo não reconhecimento do vínculo laboral, quando a própria Justiça do Trabalho já tinha homologado tal entendimento. Manifesta seu inconformismo pelo fato de auditoria da Receita Federal do Brasil ter aplicado um procedimento de avaliação da base tributável por aferição indireta quando a contabilidade e as declarações feitas refletem a realidade dos atos praticados ela empresa. Menciona outros princípios que entende aplicáveis à situação e considera que o lançamento seria nulo pela ausência de descrição clara e precisa dos fatos geradores. Irresignase pelo fato da atividade fiscal não ter sido exercida nas dependências da empresa, situação em que considera que a interpretação dada aos relatórios e informações, por parte da auditoria fiscal, seria completamente diferente. Solicita que lhe seja facultada a apresentação de documentos e informações complementares mesmo após o vencimento do prazo legal tendo em vista a não disponibilização de cópia de documentos integrantes da autuação solicitadas. Solicita ainda que os autos sejam encaminhados em diligência para saneamento dos erros apontados, bem como solicita a realização de perícia. Pelo Acórdão nº 0339956 (fls. 99/106), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 109/126) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000952/201009 Acórdão n.º 2402002.648 S2C4T2 Fl. 140 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Quanto à solicitação da recorrente de julgamento em conjunto de diversas autuações, vale dizer que não existe previsão legal que obrigue a tal procedimento. Além disso, a autuação em ela, qual seja, aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória de não inscrição de segurado empregado não guarda qualquer conexão com as demais autuações, não havendo qualquer vinculação com o julgamento dos demais recursos. A recorrente considera que o que motivou o início da ação fiscal teriam sido questões policiais e judiciais enfrentadas pela recorrente à época. Entende que tais questões não poderiam levar à instauração do procedimento fiscal. Cumpre dizer que não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à decisão de se instaurar um procedimento fiscal frente a este contribuinte. Valendose da competência legal prevista no art. 33 da Lei nº 8.212/1991, pode a Secretaria da Receita Federal do Brasil decidir o momento oportuno para iniciar uma ação fiscal, uma vez que tal dispositivo determina que compete ao citado órgão planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 da mesma lei das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Da leitura do recurso apresentado verificase que a recorrente apresenta vários argumentos que não são pertinentes aos presentes autos, sobretudo seu inconformismo quanto a uma suposta utilização de aferição indireta para apuração da base de cálculo. Cumpre esclarecer que estamos diante de um lançamento de multa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista na Lei n. 8.213/1991, art. 17, combinado com o art. 18, inciso I e § 1º do Decreto nº 3.048/1999. De acordo com o Relatório Fiscal, a autuada deixou de registrar a segurada Tema Brasil Zanata , conforme apurado em reclamatória trabalhista promovida por esta. A recorrente manifesta seu inconformismo por ter sido autuada no final da ação fiscal sem que lhe tivesse sido oportunizado inteirarse como também manifestarse a respeito dos trabalhos da auditoria fiscal que resultou nos lançamentos. O procedimento da auditoria fiscal não se consubstancia em cerceamento de defesa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 O trabalho da auditoria fiscal junto ao contribuinte para apurar eventuais contribuições não recolhidas ou descumprimento de obrigações acessórias se dá na chamada fase oficiosa do lançamento. A fase oficiosa se encerra com o efetivo lançamento e, a partir de então, iniciase a fase contenciosa, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestação. O cerceamento de defesa só é passível de ocorrer na fase contenciosa, quando já existe o lançamento. Não há que se conceder oportunidade para manifestação ao contribuinte durante a fase oficiosa, porque nesse momento, não há do que se defender, haja vista a ausência de lançamento. A recorrente questiona o mérito quando afirma que no acordo homologado na Justiça do Trabalho não houve o reconhecimento do vínculo. Ocorre que os pagamentos extrafolha efetuados à segurada em questão, tiveram as contribuições correspondentes objeto de lançamento nos autos do AI DEBCAD nº 37.257.4122, processo nº 10120.000975/201013, já julgado por este Conselho. Por meio do Acórdão nº 2401.02.057, a 1ª Turma Ordinária desta Câmara, negou provimento ao recurso apresentado. Abaixo transcrevo trechos do citado acórdão: Assim, diante da constatação de que a empresa tinha por prática o pagamento, sem o devido registro, de parcelas salariais aos seus empregados, não poderia o Fisco deixar de apurar as contribuições decorrentes das remunerações que a empresa não houvera declarado na GFIP. Observese que o presente lançamento contemplou apenas as remunerações verificadas nos processos trabalhistas, as quais, repitase, não foram lançadas nas folhas de pagamento. Chamo atenção que aqui não se está a exigir contribuição sobre os valores pagos no bojo das reclamatórias, haja vista que esse mister é da alçada da Justiça do Trabalho, nos termos do inciso VII do art. 114 da Carta Magna. A bem da verdade, as quantias em questão, como foram comprovadamente pagas pela empresa, conforme os recibos e depósitos bancários, não fazem parte dos pedidos nas ações trabalhistas. Assim, é perfeitamente legítimo que o Fisco, ao se deparar com esses pagamentos não contabilizados, exija as contribuições devidas. Portando, devo afastar desde já argumento da empresa de que cumpria regularmente com suas obrigações fiscais e trabalhistas, uma vez que ao efetuar pagamentos "extrafolha" a empresa agredia a um só tempo os preceitos do Direito do Trabalho e do Direito Previdenciário. Entendo, assim, que a ocorrência costumeira do artifício de pagar remunerações "por fora", visando à supressão de obrigações trabalhistas e previdenciárias, está bem caracterizado no presente AI, portanto, observo que o Fisco não deixou de demonstrar a ocorrência da hipótese de incidência de contribuições, que se materializou pelo pagamento de parcelas salariais não lançadas em folha de pagamento, não declaradas em GFIP e nem registradas na escrita contábil. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000952/201009 Acórdão n.º 2402002.648 S2C4T2 Fl. 141 7 A recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato de os trabalhos de auditoria terem sido efetuados fora do estabelecimento da empresa, uma vez que considera que se assim não tivesse ocorrido as conclusões da auditoria fiscal poderiam ser diferentes. Tal alegação não merece melhor sorte. Não há qualquer obrigatoriedade em que os trabalhos de auditoria fiscal ocorram no estabelecimento do sujeito passivo. Asseverese que esta matéria é, inclusive, objeto de súmula emitida pelo CARF, especificamente, a Súmula nº 06, aprovada pela Portaria CARF nº 49/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 07/12/2010, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. A recorrente alega que a decisão recorrida foi homologatória onde reafirmou os procedimentos utilizados pelo auditor fiscal para o cálculo dos tributos lançados, sem, contudo, contraditar as diversas alegações e ilegalidades feitas na defesa. A decisão recorrida não merece reparo. O julgador de primeira instância, com base nas informações fornecidas pela auditoria fiscal e razões de defesa apresentadas pela recorrente decidiu pela procedência do lançamento pelos motivos que elenca. Cumpre ressaltar que o órgão julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: “RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido.” Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 “REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.)” Por fim, a recorrente solicita que os autos sejam baixados em diligência para saneamento dos vícios apontados, bem como a realização de perícia contábil. Não se verifica qualquer necessidade de saneamento. Os argumentos apresentados pela recorrente não demonstram a existência de vícios que ensejassem a necessidade de diligência para o seu saneamento. Quanto à perícia, sua necessidade para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000952/201009 Acórdão n.º 2402002.648 S2C4T2 Fl. 142 9 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável, o que não se verifica. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Nada mais havendo a ser enfrentado e diante do exposto. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001135/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA.
A determinação de realização de perícia é uma faculdade atribuída ao julgador de primeira instância que a deferirá quando entendê-la necessária, não se configurando nulidade o indeferimento de perícia considerada prescindível em face dos elementos comprobatórios já presentes nos autos.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. GPS ACOPLADO A MÁQUINAS PRODUZIDAS PELO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.
O primeiro passo para se efetuar a classificação fiscal da mercadoria é fazer sua correta análise merceológica. O GPS quando acoplado a máquina agrícola deve seguir a classificação da máquina agrícola que lhe dá a característica principal pela aplicação da RGI1 do Sistema Harmonizado.
Numero da decisão: 3201-009.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis (Relator) e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente e Relator
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Régis Venter (suplente convocado).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. A determinação de realização de perícia é uma faculdade atribuída ao julgador de primeira instância que a deferirá quando entendê-la necessária, não se configurando nulidade o indeferimento de perícia considerada prescindível em face dos elementos comprobatórios já presentes nos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. GPS ACOPLADO A MÁQUINAS PRODUZIDAS PELO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. O primeiro passo para se efetuar a classificação fiscal da mercadoria é fazer sua correta análise merceológica. O GPS quando acoplado a máquina agrícola deve seguir a classificação da máquina agrícola que lhe dá a característica principal pela aplicação da RGI1 do Sistema Harmonizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis (Relator) e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Presidente e Relator (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Régis Venter (suplente convocado).
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. A determinação de realização de perícia é uma faculdade atribuída ao julgador de primeira instância que a deferirá quando entendê-la necessária, não se configurando nulidade o indeferimento de perícia considerada prescindível em face dos elementos comprobatórios já presentes nos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. GPS ACOPLADO A MÁQUINAS PRODUZIDAS PELO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. O primeiro passo para se efetuar a classificação fiscal da mercadoria é fazer sua correta análise merceológica. O GPS quando acoplado a máquina agrícola deve seguir a classificação da máquina agrícola que lhe dá a característica principal pela aplicação da RGI1 do Sistema Harmonizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis (Relator) e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 11 35 /2 00 8- 17 Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 Mara Cristina Sifuentes - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Régis Venter (suplente convocado). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em contraposição ao acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do deferimento apenas parcial do Pedido de Ressarcimento de créditos do IPI e a homologação na mesma proporção da compensação declarada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF (e-fls. 37 a 38), o contribuinte importava aparelhos do tipo GPS, com entrada no estabelecimento sob o código “3.102 – Compras para Comercialização”, e os vendia separadamente ou acoplados a máquinas e equipamentos por ele fabricados, utilizados na chamada “Agricultura de Precisão Stara” (pulverizadores agrícolas de barra, distribuidores e plataformas para milho). Na venda isolada do GPS, o contribuinte o classificava na posição 8526.91.00 (alíquota do IPI de 20%), sendo que, na venda em que ele era acoplado a máquinas por ele fabricadas, a classificação mudava para a posição própria das referidas máquinas (posições 8424 e 8432 – alíquota zero do IPI), com exceção do GPS utilizado em “plataforma para Milho”, situação em que se mantinha a posição da venda isolada. Segundo a Fiscalização, o GPS, inobstante a sua importância, era um acessório opcional dos equipamentos utilizados na atividade agrícola mecanizada de precisão, podendo, inclusive, ser utilizado em máquinas usadas, sendo de “fácil instalação e operação” e de “fácil operação e remoção”, conforme informava o site da empresa na internet. A Fiscalização alterou a classificação fiscal do GPS quando acoplado em máquinas industrializadas pelo contribuinte com base no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 22/2004, cujo texto é o seguinte: “Os Aparelhos receptores GPS, que desempenham função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, classificam-se no Código 8526.9100". Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação da forma como declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) “a agricultura de precisão surgiu com o intuito de uniformizar as produtividades das lavouras, fazendo com que as manchas fossem abolidas e se nivelasse tudo pela alta produtividade” (e-fl. 62); Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 b) as máquinas por ele produzidas foram desenvolvidas de forma a permitir ao agricultor grande autonomia dentro da propriedade, precipuamente quando utilizadas à noite, o que somente era possível graças ao DGPS/GPS, de alta precisão, que não se restringia a um mero acessório opcional, dada a sua importante função de melhorar a eficiência da produção rural; c) quando a máquina era vendida completa, com o GPS já instalado, tinha-se um equipamento único, submetido à classificação própria dos implementos agrícolas, especialmente das posições 8242 e 8432 da TIPI; d) o GPS importado era submetido, dentro da própria empresa, a um processo de industrialização para adaptá-lo ao mercado nacional; e) necessidade de realização de perícia, sendo formulados os quesitos. O acórdão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Aparelhos receptores GPS (Global Positioning System - Sistema de Posicionamento Global), que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, inclusive nos casos em que são instalados em implementos agrícolas, classificam-se no código 8526.91.00 da Tabela de Incidência do IPI, com alíquota de 20%. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É desnecessária a realização de perícia, tendente a responder quesitos a respeito de matéria já esclarecida nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Merecem destaque as seguintes conclusões presentes no voto condutor do acórdão de primeira instância: a) “embora o interessado alegue a realização de uma série de adaptações nos aparelhos GPS, para otimização do seu uso nos implementos agrícolas, tais adaptações não descaracterizam o GPS, tampouco transformam o implemento que recebe o GPS em novo produto, conclusões que, absolutamente, não se opõem às virtudes da utilização de recursos tecnológicos, no contexto da agricultura de precisão, muito bem explicadas, aliás, pelo manifestante” (e-fl. 124); Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 b) a Nota 2, “a”, da Seção XVI da TIPI, em que se encontra o Capítulo 85, no qual se classifica o GPS (código 8526.91.00), assim dispõe: “2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificam-se de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84. 73, 84.85, 85.03, 85.22, 85.29. 85.38 e 85.48) incluem-se nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem”. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/12/2010 (e-fl. 129), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 19/01/2011 (e-fl. 130) e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa, sendo acrescida a preliminar de nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório em que se deferiu apenas parcialmente o Pedido de Ressarcimento de créditos do IPI e homologou-se na mesma proporção a compensação declarada, em razão da reclassificação fiscal realizada pela Fiscalização do produto importado – GPS – quando vendido acoplado a equipamentos de alta precisão fabricados pelo Recorrente (pulverizadores agrícolas de barra e distribuidores). I. Preliminar de nulidade. Indeferimento de perícia. Preliminarmente, o Recorrente requer o reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia. De pronto, deve-se salientar que, de acordo com o art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972 1 , a determinação da realização de perícia é uma faculdade atribuída ao julgador de primeira instância que a deferirá quando entendê-la necessária ou imprescindível, não se tratando, portanto, de atividade diretamente decorrente do interesse exclusivo do contribuinte. Como bem consignou o relator do voto condutor do acórdão recorrido, a matéria dos autos relativa à classificação fiscal dos aparelhos GPS instalados em máquinas fabricadas pelo Recorrente se encontrava suficientemente esclarecida neste processo, motivo pelo qual a perícia mostrava-se desnecessária. 1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 Realmente, compulsando os autos, é possível constatar que tanto a Fiscalização quanto o Recorrente apresentaram elementos suficientes à caracterização do aparelho GPS e de seu uso, como, exemplificativamente, as próprias peças recursais contendo informações técnicas e imagens dos aparelhos e equipamentos (Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário), o documento apresentado sob intimação acerca da importância do uso do GPS nas máquinas Stara (e-fls. 16 a 21) e as instruções de montagem (e-fls. 86 a 118). Nesse sentido, afasta-se a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Classificação fiscal. GPS. No presente caso, conforme constatado pela Fiscalização e confirmado pelo Recorrente, na venda isolada do GPS, o aparelho era classificado na posição 8526.91.00 (alíquota do IPI de 20%), sendo que, na venda em que ele era acoplado a máquinas fabricadas pela empresa, a classificação mudava para a posição própria das referidas máquinas (posições 8424 e 8432 – alíquota zero do IPI), com exceção do GPS utilizado em “plataforma para Milho”, situação em que se mantinha a posição da venda isolada. Conforme a Fiscalização e a DRJ já destacaram, não há dúvidas acerca da importância do GPS na melhoria da eficiência da produção rural, no entanto, a tarefa de classificação de mercadorias para fins fiscais se prende às regras do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, em que se define, a priori, que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos da tabela de incidência têm apenas valor indicativo, sendo que, para os efeitos legais, a classificação dos produtos é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo. A classificação fiscal do GPS acoplado a equipamentos fabricados pelo Recorrente definida pela Fiscalização pautou-se no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 22/2004, que assim determina: Os Aparelhos receptores GPS, que desempenham função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, classificam-se no Código 8526.9100. O capítulo 85 da Tabela da Incidência do IPI (TIPI) compreende as “máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios”. A posição 8526, por seu turno, se refere a “aparelhos de radiodetecção e de radiossondagem (radar), aparelhos de radionavegação e aparelhos de radiotelecomando” e o código 8526.9100 é exclusivo dos “aparelhos de radionavegação”. De acordo com o acima relatado, não se controverte nos autos sobre a classificação fiscal do GPS vendido isoladamente ou acoplado à “plataforma para milho”, pois ambos, Recorrente e Fiscalização, assentem no código 8526.9100, restringindo-se a lide à classificação desse mesmo aparelho mas quando acoplado a pulverizadores agrícolas de barra e distribuidores industrializados pelo Recorrente, que defende que, nesses casos, a classificação Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 fiscal do GPS deve seguir a da máquina em que instalado, instalação essa realizada por meio de um procedimento complexo de montagem (industrialização). Contudo, milita em desfavor da defesa do Recorrente a Nota 2, “a”, da Seção XVI da TIPI, seção essa em que se encontram os Capítulos 84 e 85, abarcando, portanto, o GPS (código 8526.91.00), cujo teor é seguinte: 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificam-se de acordo com as regras seguintes: a) As partes que constituam artigos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.85, 85.03, 85.22, 85.29. 85.38 e 85.48) incluem-se nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; Nota-se que as partes dos artigos dos capítulos 84 e 85, alcançando, por conseguinte, tanto as posições defendidas pelo Recorrente (8424 e 8432) quanto aquela definida pela Fiscalização (8526), classificam-se nessas mesmas posições independentemente da máquina a que se destinem. Transcreve-se, na sequência, trecho do voto condutor do acórdão recorrido em que o relator aprofundou-se nessa questão: Também é importante levar em conta o trecho adiante transcrito das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, e alterações posteriores, no tocante às Considerações Gerais da mesma Seção XVI, do que se depreende que os aparelhos GPS seguem o seu próprio regime em todos os casos, mesmo se concebidos especialmente para serem utilizados como partes de uma máquina determinada: (...) II - PARTES (Nota 2 da Seção) De um modo geral, ressalvadas as exclusões compreendidas no número 1, acima, as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou para várias máquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 84. 79 ou 85. 43) classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluem-se, todavia, em posições próprias diferentes das máquinas: (...) Todavia. estas disposições não se aplicam às partes que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.85 e 85.48). Os artefatos deste tipo seguem o seu próprio regime em todos os casos. mesmo se concebidos especialmente para serem utilizados como partes de uma máquina determinada. É o que acontece, entre outros, com: (...) Consequentemente, os aparelhos GPS em questão classificam-se em seu código próprio, mesmo que tenham sido adaptados e instalados nos implementos agrícolas fabricados pelo interessado, motivo pelo qual resta correta a classificação adotada pela Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 fiscalização, nessas situações, no código 8526.91.00 da TIPI, referente a aparelhos de radionavegação, com alíquota de 20% para o IPI. (e-fls. 124 a 126) Vale destacar que as posições defendidas pelo Recorrente (8424 2 e 8432 3 ) se referem apenas às máquinas prontas ali identificadas, não havendo qualquer referência a eventuais partes ou componentes a elas acoplados, constatação essa que adiciona mais um elemento contrário à defesa do Recorrente. III. Conclusão. Diante do exposto, conclui-se que a Fiscalização agiu bem ao reclassificar o GPS acoplado a máquinas fabricadas pelo Recorrente na mesma posição do GPS comercializado individualizadamente. Portanto, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis 2 Aparelhos mecânicos (mesmo manuais) para projetar, dispersar ou pulverizar líquidos ou pós; extintores, mesmo carregados; pistolas aerográficas e aparelhos semelhantes; máquinas e aparelhos de jato de areia, de jato de vapor e aparelhos de jato semelhantes. 3 Máquinas e aparelhos de uso agrícola, hortícola ou florestal, para preparação ou trabalho do solo ou para cultura; rolos para gramados (relvados*) ou para campos de esporte. Voto Vencedor Mara Cristina Sifuentes, Redatora Designada. Em que pese o bem fundamentado voto do Relator, ouso dele discordar pela razões que passo a expor. A divergência na turma se instaurou sobre a classificação do GPS, quando incorporado em máquinas agrícolas. A recorrente efetuou a classificação fiscal do GPS, em conjunto com as máquinas por ela fabricadas, posições 8424 e 8432, para pulverizadores agrícolas de barra e distribuidores industrializados, esclarecendo que os equipamentos são instalados nas máquinas por meio de um procedimento complexo de montagem (industrialização). A fiscalização entendeu que o GPS deveria ser classificado na NCM 8526.91.00, desconsiderando o fato de ele estar incorporado na máquina agrícola, e classificando-o de maneira isolada. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 A empresa adquire os GPS e os acopla às máquinas por ela fabricadas. Tanto o relator quanto a fiscalização entenderam ser aplicável no caso a Nota 2, “a”, da Seção XVI da TIPI, onde se encontram os Capítulos 84 e 85: 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificam-se de acordo com as regras seguintes: a) As partes que constituam artigos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.85, 85.03, 85.22, 85.29. 85.38 e 85.48) incluem-se nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; E referem-se as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, e alterações posteriores, no tocante às Considerações Gerais da mesma Seção XVI, do que se depreende que os aparelhos GPS seguem o seu próprio regime em todos os casos, mesmo se concebidos especialmente para serem utilizados como partes de uma máquina determinada: (...) II - PARTES (Nota 2 da Seção) De um modo geral, ressalvadas as exclusões compreendidas no número 1, acima, as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou para várias máquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 84. 79 ou 85. 43) classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluem-se, todavia, em posições próprias diferentes das máquinas: (...) Todavia. estas disposições não se aplicam às partes que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.85 e 85.48). Os artefatos deste tipo seguem o seu próprio regime em todos os casos. mesmo se concebidos especialmente para serem utilizados como partes de uma máquina determinada. É o que acontece, entre outros, com: (...) E concluem que, os aparelhos GPS em questão classificam-se em seu código próprio, mesmo que tenham sido adaptados e instalados nos implementos agrícolas fabricados pelo interessado, motivo pelo qual resta correta a classificação adotada pela fiscalização, nessas situações, no código 8526.91.00 da TIPI, referente a aparelhos de radionavegação, com alíquota de 20% para o IPI. Entretanto, partem de premissa equivocada. A classificação fiscal de mercadoria parte de uma regra, que poderíamos chamar de regra zero. Toda mercadoria para ser classificada deve antes ser identificada, ou seja, é necessário a análise merceológica da mercadoria, com estudo de suas funções, características e especificações técnicas. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 No presente caso a empresa revende máquinas por ela fabricada, conforme consta nas notas fiscais de venda anexadas no processo. E são as máquinas que devem ser classificadas, e não as partes da máquina. Se a empresa fosse autuada pela venda de partes estaria correta a aplicação da Nota 2, “a”, da Seção XVI da TIPI, e respectiva NESH. Mas esse não foi o caso. A empresa foi autuada pela venda de máquinas por ela fabricadas que possuíam GPS. Vide por exemplo nota fiscal, efl. 29: Assim, após a identificação da mercadoria, deve-se partir para as regras de classificação do Sistema Harmonizado. A RGI 1 dispõe que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (RGI 2 a 5). A RGI 6, por sua vez, dispõe que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para os efeitos legais, pelos textos dessas subposições, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Pela aplicação da RGI 1 os pulverizadores agrícolas de barra e os distribuidores foram classificados pela recorrente nas posições 8424 e 8432 corretamente, como pode ser visto no texto das posições vigentes à época: 84.24-Aparelhos mecânicos (mesmo manuais) para projetar, dispersar ou pulverizar líquidos ou pós; extintores, mesmo carregados; pistolas aerográficas e aparelhos semelhantes; máquinas e aparelhos de jato de areia, de jato de vapor e aparelhos de jato semelhantes. ... 8424.8--Outros aparelhos: 8424.81---Para agricultura ou horticultura 8424.81.1-Para projetar, dispersar ou pulverizar fungicidas, inseticidas e outros produtos para combate a pragas Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 8424.81.11-Aparelhos manuais 8424.81.19-Outros E 84.32-Máquinas e aparelhos de uso agrícola, hortícola ou florestal, para preparação ou trabalho do solo ou para cultura; rolos para gramados, ou para campos de esporte. ... 8432.30.10-Semeadores-adubadores Para as máquinas em questão a RGI 1 é suficiente para determinar a classificação correta. Apenas para efeitos de melhor compreensão, não podemos perder de vista, que uma máquina é classificada pela sua função principal, e em pulverizador agrícola ou um semeador agrícola, nunca poderá se afirmar que a sua principal função é o GPS. Pela Nota 3 da seção XVI, as máquinas devem ser classificadas por sua função principal: 3.- Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto E complementa a NESH: VI.- MÁQUINAS COM FUNÇÕES MÚLTIPLAS; COMBINAÇÕES DE MÁQUINAS (Nota 3 da Seção) Geralmente uma máquina concebida para executar várias funções diferentes classifica- se segundo a principal função que a caracteriza. Máquinas com funções múltiplas são, por exemplo, as máquinas-ferramentas para trabalhar metais utilizando ferramentas intercambiáveis que lhes permitam executar diversas operações (por exemplo, fresagem, mandrilagem, brunição). ... Para efeito da aplicação das disposições acima, consideram-se como formando um único corpo as máquinas de espécies diferentes que se incorporem umas às outras ou montadas umas sobre as outras, bem como as máquinas montadas sobre uma base, armação ou suporte comuns, ou dispostas em um invólucro comum. Os diferentes elementos só podem ser considerados como formando um único corpo quando concebidos para serem fixados, em caráter permanente, uns aos outros, ou ao elemento comum (base, armação invólucro, etc.). Excluem-se, então, os conjuntos constituídos a título provisório ou montagens que não sejam normalmente concebidas como uma combinação de máquinas. Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-009.574 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.001135/2008-17 Conclusão. Diante do exposto, conclui-se que a reclassificação efetuada pela Fiscalização foi errada, e que é correta a classificação fiscal utilização pela recorrente. Portanto, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13851.901910/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DE PIS E COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES.
O STF, no julgamento do RE nº 574.076-PR, manifestou o entendimento pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, por corresponder à rubrica não integrante do faturamento, modulando-se os efeitos para sua aplicação a partir de 15/03/2017, preservando-se as ações judiciais e administrativas protocoladas antes desta data. Aplicação do art. 62, §1º, II, b, e § 2º, do RICARF.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
INTIMAÇÕES. ENVIO AO PATRONO. SÚMULA CARF Nº 110 (VINCULANTE).
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
Numero da decisão: 3301-011.446
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Marco Antonio Marinho Nunes
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DIREITO CREDITÓRIO DE PIS E COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. O STF, no julgamento do RE nº 574.076-PR, manifestou o entendimento pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, por corresponder à rubrica não integrante do faturamento, modulando- se os efeitos para sua aplicação a partir de 15/03/2017, preservando-se as ações judiciais e administrativas protocoladas antes desta data. Aplicação do art. 62, §1º, II, “b”, e § 2º, do RICARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 INTIMAÇÕES. ENVIO AO PATRONO. SÚMULA CARF Nº 110 (VINCULANTE). No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 19 10 /2 01 2- 84 Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.446 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901910/2012-84 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão nº 14-41.663 – 5ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório Nº de Rastreamento 031078518, às fls. 05-07, por intermédio do qual, foi indeferido o Pedido de Restituição objeto do PER/DCOMP nº 26947.10403.070308.1.6.04-0435, em razão de o pagamento indicado como origem do crédito encontrar-se integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte. No referido PER/DCOMP, nº 26947.10403.070308.1.6.04-0435, o tipo de crédito envolve Pagamento Indevido ou a Maior decorrente do recolhimento efetuado para a contribuição Cofins Não-Cumulativa, código de receita 5856, período de apuração 09/2007, no montante de R$ 29.560,22, sendo pleiteado o mesmo valor como restituição. Por bem descrever os fatos, adoto, como parte de meu relatório, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautar-se-ão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Trata-se de Manifestação de Inconformidade, interposta pelos representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 045, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição eletrônico nº 26947.10403.070308.1.6.04-0435, protocolado em 07/03/2008, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 29.560,22. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido (fl. 004), o valor a ser restituído é correspondente ao DARF com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara - SP, que, em 04/09/2012, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.446 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901910/2012-84 Cientificada do Despacho Decisório, em 14/09/2012 (fl. 009), a contribuinte ingressou, em 15/10/2012 (fl. 049), com a manifestação de inconformidade de fls. 010/022 e documentos anexos, considerada tempestiva nos Despachos de Encaminhamento (fls. 050/051 - NÃO!!!), na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. De início, reconhece inexistir previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, o que fez com que originalmente houvesse incluído o ICMS em seus cálculos. 2. Posteriormente, identificou existir inconstitucionalidade nessa inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições e, em conseqüência, o valor pago a maior seria passível de compensação ou ressarcimento. Fundamenta esse seu suposto direito na argumentação de que originalmente a Constituição previa a possibilidade do PIS e da COFINS onerarem o faturamento e somente com o advento da EC nº 20/1998 é que passou a também admitir a receita das pessoas jurídicas como base de cálculo dessas contribuições. Acrescenta que os vocábulos “faturamento” e “receita” devem ter significado bem definido desde o nível constitucional, não se admitindo que a Constituição tenha deixado livre ao legislador infra-constitucional a definição desses termos, estando tais termos vinculados ao conteúdo semântico usado no mundo jurídico, proveniente da doutrina, da jurisprudência ou, ainda, do direito privado. Reforça que as leis nº 9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/2003 seriam inconstitucionais por não terem excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições que regulam, ao conferir aos termos “faturamento” e “receita” conceito mais abrangente do que o consagrado na doutrina e na jurisprudência do STF, pois esses últimos entenderiam que o conceito de receita bruta a que se referem aquelas leis coincide com o de faturamento (ADIN 1.103-1 – Min, Néri da Silveira). Apresenta diversos elementos da doutrina na tentativa de comprovar que o ICMS não seria compatível com o conceito de receita, por não trazer bônus, benefício ou aumento patrimonial para a empresa e ser apenas um valor que transita pela sua contabilidade e não pode ser objeto de comércio. Defende que o ICMS seria receita do Estado. Insiste que não se configuraria a hipótese de incidência do tributo, pois o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento nem de receita, que caracterizam a base de cálculo. Aduz que a permissão dada pela Lei Complementar nº 87/1996 para que o ICMS integre sua própria base de cálculo é específica e não pode ser estendida para além do âmbito do ICMS para justificar a inclusão desse tributo na base de cálculo de outros tributos, o que não considera razoável. Reforça que a incidência de contribuições sobre um dispêndio da empresa acarretaria duplicidade de um ônus fiscal a um só título, em ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade. Traz jurisprudência, em especial o julgamento do RE nº 240.785 pelo Plenário do STF, ainda pendente, mas no qual 6 dos 11 Ministros já se manifestaram pela não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Conclui requerendo seja julgada procedente a manifestação para cancelar o Despacho Decisório Eletrônico e homologar o pedido de restituição e solicita que as intimações sejam direcionadas ao subscritor da manifestação. É o relatório. Devidamente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso e não reconheceu o direito creditório trazido a litígio, nos termos do voto do relator, conforme Acórdão nº 14-41.663, datado de 26/04/2013, cuja ementa transcrevo a seguir: Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.446 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901910/2012-84 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, podendo dela ser excluído somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços na condição de substituto tributário. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do julgamento de primeiro grau, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, em que reapresenta as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, com a seguinte estrutura: 1. DOS FATOS: 2. O ACÓRDÃO DRJ/RPO N° 14-41.663 DE 26/04/2013: 3. DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO - DO DIREITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: 4. DA MANIFESTAÇÃO DOS MINISTROS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REUNIÃO PLENÁRIA SOBRE A NÃO-INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: 5. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS - OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: 6. DO PEDIDO: Encerra o Recurso Voluntário com os seguintes pedidos: 6. DO PEDIDO: Face ao exposto, a Contribuinte requer que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário para reformar o Acórdão Recorrido, proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto-SP, reconhecendo a existência dos créditos em favor da Contribuinte, em respeito aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, bem como em face da argumentação específica contida em cada um dos itens retro expostos. Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.446 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901910/2012-84 Requer, por fim, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Termos em que pede deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. I ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. II FUNDAMENTOS II.1 Considerações Iniciais Na origem, o Pedido de Restituição da Contribuinte foi submetido à análise eletrônica, realizada pelos sistemas de arrecadação e cobrança da Receita Federal, que concluiu pela inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP como gênese do crédito, em razão de sua utilização integral para quitação de débitos da própria Recorrente. Sendo essa a motivação do ato administrativo original, entendo que o deferimento do pleito creditório em litígio nestes autos não depende apenas da procedência do direito em tese alegado (possibilidade jurídica do pedido - alegação de indevida inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições), mas também da comprovação documental, por meio de conjunto probatório hábil e idôneo, do crédito requerido (existência e composição do crédito vinculado ao direito arguido). Isso porque, em processos de Restituição/Ressarcimento/Compensação, o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/2015, incumbindo ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional. Portanto, são importantes para a devida análise do pleito: i) A possibilidade jurídica do pedido; e ii) A comprovação documental do crédito dele decorrente. II.2 ICMS na Base de Cálculo da Contribuição Em síntese, a Recorrente defende que o crédito pleiteado decorre da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da Contribuição apurada no mês a que se refere seu Pedido de Restituição. Traz considerável arrazoado sobre o assunto, em que são destacados ensinamentos doutrinários e judiciais, os quais, segundo a Recorrente, ratificam sua tese. Aprecio. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706/PR, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, conforme ementa a seguir: Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.446 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901910/2012-84 RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017) Ressalte-se que, contra tal decisão, até recentemente, pendia apreciação de Embargos de Declaração com o objetivo de esclarecimento de vários pontos, inclusive pleito de efeitos infringentes e modulação dos efeitos. No entanto, em julgamento datado de 13/05/2021, a questão foi definitivamente resolvida mediante a seguinte decisão: Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). Dessa forma, o STF modulou os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento. Ademais, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer SEI nº 7698/2021/ME, com a seguinte conclusão: 16. Ante o exposto, nos termos expostos na ata de julgamento já publicada, conclui-se que cabe à Administração Tributária, consoante autorizado pelo art. 19, VI c/c 19-A, III, e § 1º , da Lei nº 10.522/2002, observar, em relação a todos os seus procedimentos, que: Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.446 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901910/2012-84 a) conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, “O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS”; b) os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e c) o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. Quanto à aplicação dessa decisão judicial em sede de processo administrativo, dispõe o art. 62, §2º, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, como o pedido formulado nos presentes autos se deu em 29/02/2008 (transmissão do PER original), dentro do marco temporal estabelecido pelo STF para modulação dos efeitos do julgado, deve ser aplicado ao presente processo administrativo o entendimento do STF fixado no julgamento do RE nº 574.076/PR. Desta feita, o pedido é juridicamente possível. II.3 Comprovação Documental do Crédito De início, destaco ser jurisprudência consolidada neste Colegiado que a restituição/compensação tributária, via PER/DCOMP, não está vinculada à retificação de DCTF, Dacon, DIPJ, antes ou depois da emissão do Despacho Decisório, desde que a Contribuinte comprove a existência/legitimidade do seu crédito. Portanto, independentemente da caracterização de confissão do débito declarado em DCTF (destacado pela DRJ), encontra-se superada a questão da necessidade de retificação das declarações em causa como condição para deferimento do crédito pleiteado, importando, sim, a verificação da comprovação desse crédito. Ademais, ressalte-se que a comprovação do direito creditório não é feita apenas com meras alegações ou, até mesmo, retificação de declarações, mas primordialmente com documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos a tal intento. Isso porque o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/2015, como já mencionado no início deste Voto. Pois bem. A Recorrente não se preocupou em acostar aos autos quaisquer documentos tendentes a comprovar documentalmente a legitimidade do crédito requerido. No caso, a Recorrente não acostou a escrita contábil e fiscal que desse suporte à apuração da Contribuição com a suposta base de cálculo majorada, em razão da inclusão do ICMS. Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.446 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901910/2012-84 Ora, para deferimento do crédito apresentado em PER/DCOMP, faz-se necessária a apresentação do suporte contábil/fiscal que lhe demonstre, devidamente conciliado. Quanto aos diversos princípios dos quais se socorre a Contribuinte em seu Recurso Voluntário (proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade), nenhum deles se presta a suprimir a necessária comprovação do crédito em discussão. Portanto, há de ser improvido o Recurso Voluntário. II.4 Da Intimação ao Patrono Por fim, no que diz respeito ao pedido de intimações destes autos ao patrono da Recorrente, tal assunto encontra-se sumulado no âmbito deste Colegiado, conforme abaixo: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, o pleito de intimação do patrono da Recorrente deve ser indeferido. III CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf
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Numero do processo: 10315.001104/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS DE INTERESSE DA
PREVIDÊNCIA SOCIAL. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A não apresentação de documentos de interesse para o lançamento ou sua apresentação deficiente constitui infração e justifica o arbitramento de contribuições previdenciárias, assumindo o contribuinte o ônus da prova.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.708
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INFRAÇÃO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A não apresentação de documentos de interesse para o lançamento ou sua apresentação deficiente constitui infração e justifica o arbitramento de contribuições previdenciárias, assumindo o contribuinte o ônus da prova. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001104/201021 Acórdão n.º 240202.708 S2C4T2 Fl. 139 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 23/12/2010 com base nos valores não declarados em GFIP. Como a recorrente não apresentou os documentos necessários para o lançamento, foi utilizada a técnica de arbitramento de valores correspondentes ao serviço de frete. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida e do relatório fiscal: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. Estando presentes os pressupostos contidos nos artigos 10, 11 e 23 do Decreto nº 70.235/72, não há que se acatar alegações de nulidades por ausência desses elementos. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração trazem informações seguras e detalhadas sobre a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas e o total acrescido de juros e multa. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. As contribuições previdenciárias incidentes estão previstas nos arts. 20 e 21 da Lei 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. TERCEIROS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias destinadas a terceiros (SEST e SENAT) as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos. PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA INDEFERIMENTO. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Tomase como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. ... Relatório Fiscal: 3.1 No presente Auto de Infração foram lançadas as contribuições previdenciárias devidas e destinadas outras entidades e fundos (SEST/SENAT), não declaradas em GFIP nem recolhidas: 1) Incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais fretistas (aferidas indiretamente) na aliquota de 2,5% para todo o período. 3.2 Seguem em anexo, em meio digital, as planilhas: "FRETISTA" e "FRETISTA CONSOLIDADO" contendo as remunerações dos segurados. Os dados foram extraídos dor arquivos no formato do SIM fomecidos pelo TCM — Tribunal de Contas dos Municípios. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Alega que o lançamento é nulo por não ter atendido ao disposto no art. 23, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que a intimação deve ser pessoal, bem como para ser válida a notificação de lançamento tem que seguir o que determina o art. 11, do Decreto nº 70.235/72, o que, no presente caso não ocorreu. A presente notificação é omissa em relação ao valor do crédito tributário, ao prazo para recolhimento ou impugnação, além de não constar a disposição legal infringida. Em seguida, afirma que a Prefeitura Municipal de Saboeiro foi notificada a recolher ou impugnar o auto de infração no valor de R$ 7.296,36, o qual não deve prosperar, vez que os valores já recolhidos pela prefeitura correspondem corretamente ao devido pelo município. Prossegue afirmando que o auto de infração não atende ao disposto no art. 9º, do Decreto nº 70.235/72, por não estar devidamente detalhado, não possuir provas da existência do crédito, nem de como se chegou a tais valores. Ainda em sede de preliminar, aponta outro vícios no presente lançamento, em virtude de não constar do auto de infração os seguintes requisitos: a) local, data e horário da lavratura; b) descrição dos fatos; c) disposição legal infringida e a penalidade aplicável; e d) determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias. Alega, ainda, que alguns dos serviços foram prestados por servidores efetivos do quadro daquela municipalidade. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001104/201021 Acórdão n.º 240202.708 S2C4T2 Fl. 140 5 Contesta a incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos isolados referentes a consultas médicas (em consultórios particulares) e cobranças de pagamento de passagens de enfermos para unidades hospitalares fora da cidade e outros contratos eventuais de locação de veículos. Em relação especificamente ao trabalhador – prestador de serviços eventual (sic) – na condição de contribuinte individual, defende que o mesmo não está sujeito a subordinação hierárquica, controle de horário ou cumprimento de quaisquer normas impostas de forma unilateral. Em relação à contribuição sobre fretistas, a defesa alega que esse tipo de serviço não foi contratado pelo município. O que ocorreu, de fato, foi a mera locação de veículos. Colaciona julgados acerca do tema e afirma que em virtude da má confecção da peça de lançamento (auto de infração) restou configurado o cerceamento ao direito de defesa. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001104/201021 Acórdão n.º 240202.708 S2C4T2 Fl. 141 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento ou não devidamente detalhadas em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No mérito Embora insista o recorrente quanto a inexistência de relação de emprego com prestadores de serviços médicos e fretistas, ressaltase que o lançamento manteve a condição de contribuinte individual dessas pessoas físicas e não as caracterizou como segurados empregados. Outra alegação, desprovida de prova, é que não foram contratados fretistas pessoais físicas, mas sim uma locação de veículos. Em nenhuma de suas peças recursais a recorrente olvidou qualquer esforço para comprovar o alegado. É ônus de quem alega comprovar a matéria alegada; sobretudo, quando durante o procedimento fiscal se esquivou de apresentar os documentos necessários às verificações pertinentes à fiscalização de tributos. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os eventuais recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34, 35 e 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Em razão da clareza do lançamento é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Quanto as demais alegações, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001104/201021 Acórdão n.º 240202.708 S2C4T2 Fl. 142 9 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.720794/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jan 14 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 06/09/2002, 14/10/2002, 01/02/2005, 29/06/2005
ERRO NO ENQUADRAMENTO NO DESTAQUE TARIFÁRIO. II. IPI. PIS. COFINS. MULTA 1% DO VALOR ADUANEIRO. EX 007.
O enquadramento da mercadoria importada em destaque tarifário a que não faz jus, enseja a cobrança da diferença desse tributo, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, além da cobrança da multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro por enquadramento incorreto do bem em destaque tarifário.
Com fulcro nos elementos probatórios constantes dos presentes autos, incorreta a utilização do Ex 007 da NCM 8430.41.90 pelo importador, vez que não demonstrado nos autos que as perfuratrizes importadas teriam capacidade para furos de profundidade máxima igual ou superior a 50m, como indicado no Ex.
Numero da decisão: 3402-009.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado) e Thaís de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Renata da Silveira Bilhim e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: Maysa de Sá Pittondo Deligne
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II. IPI. PIS. COFINS. MULTA 1% DO VALOR ADUANEIRO. EX 007. O enquadramento da mercadoria importada em destaque tarifário a que não faz jus, enseja a cobrança da diferença desse tributo, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, além da cobrança da multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro por enquadramento incorreto do bem em destaque tarifário. Com fulcro nos elementos probatórios constantes dos presentes autos, incorreta a utilização do Ex 007 da NCM 8430.41.90 pelo importador, vez que não demonstrado nos autos que as perfuratrizes importadas teriam capacidade para furos de profundidade máxima igual ou superior a 50m, como indicado no Ex. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado) e Thaís de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Renata da Silveira Bilhim e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 07 94 /2 00 7- 58 Fl. 446DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 Por bem relatar os fatos deste processo, peço vênia para reproduzir o relatório da Resolução n.º 3402-001.463, de 23/10/2018, de relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro: 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego parte do relatório veiculado no acórdão n. 1148.178 (fls. 294/318), desenvolvido pela DRJ de Recife/PE, o que passo a fazer nos seguintes termos: DO LANÇAMENTO Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPFF n° 06.1.51.002007000598, a Inspetoria de Belo Horizonte/MG procedeu auditoria nas importações realizadas pela empresa Minerações Brasileiras Reunidas S A MBR para verificar a regularidade da classificação fiscal, bem como a devida utilização dos Ex tarifários adotados nas importações de mercadorias por ela promovidas. O presente processo trata de máquinas importadas através de quatro DI nºs 02/07996169/001, 02/09149609/001 05/01091674/001 e 05/06793545/001, registradas em 06/09/2002, 14/10/2002, 01/02/2005, 29/06/2005, respectivamente. O Relatório de Fiscalização apresentado, às fls. 30 a 48, terá seus principais tópicos resumidos a seguir: 1. Identificação da mercadoria. Utilização indevida de Ex. Diferença de II, IPI e Contribuições Sociais a recolher: As mercadorias objeto das DI analisadas foram classificadas corretamente no código TEC/TIPI 8430.41.90, valendo-se, contudo, o importador, do Extarifário 007, ao amparo da Resolução Camex nº 32, de 29.08.2001, prorrogada pela Resolução Camex nº 16, de 10.06.2003, cópia às fls. 73 e 74. A mercadoria foi assim descrita nas DI pelo importador: "Perfuratriz de solo, auto propelida, do tipo rotativa com impacto de fundo, para furos de profundidade máxima igual ou superior a 50m, diâmetro máximo igual ou superior a 200mm e volume de ar igual ou superior a 28.320cm3/min, sistema de avanço acionado por corrente, Modelo T4BH, completa com seus pertences e acessórios para perfeito funcionamento e montagem" (Grifos da relatora) O texto do Ex tarifário 007, citado, assim descreve o produto por ele beneficiado com redução temporária de alíquota do II: “NCM DESCRIÇÃO 8430.41.90 (BK) Ex 007 Perfuratrizes de solo, auto propelidas, do tipo rotativa com impacto de fundo, para furos de profundidade máxima igual ou superior a 50m, diâmetro máximo igual ou superior a 200mm e volume de ar igual ou superior a 28.320cm3/min, sistema de avanço acionado por correntes” Fotos do equipamento foram juntadas aos autos pela fiscalização, às fls. 122 a 126. Observou a fiscalização que o texto do destaque tarifário em questão foi incluído literalmente no campo próprio de descrição da mercadoria nas DI, exatamente em toda a parte que antecede a indicação dos modelos (T4BH). No entanto, com base em informações técnicas obtidas nos manuais de operação e manutenção do equipamento e de treinamento apresentado, digitalizados às fls. 130 a 144, dos autos, a fiscalização constatou que a Perfuratriz T4BH IngersollRand era rotativa de passos múltiplos, com Fl. 447DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 cabeçote hidráulico e montada sobre uma carreta (rodas), especificamente projetada para a perfuração de furo de detonação, com profundidade máxima de até 24,38 m. As faixas do diâmetro nominal do furo variavam de 71/2 a 10 pol. (190,5 mm a 254 mm) para métodos de perfuração rotativa ou com martelo de fundo. Concluiu a fiscalização que a mercadoria importada, embora, de fato, possuísse algumas características constantes do texto descritivo do Extarifário pleiteado, como, por exemplo, o fato de ser rotativa e o diâmetro máximo do furo, NÃO apresentava todas as características necessárias e obrigatórias para fazer jus a ele, como, por exemplo, não alcançava furos de profundidade máxima igual ou superior a 50 m (alcançando a profundidade máxima de até 24,38 m, conforme descrito no manual de operação e manutenção do equipamento). Sendo assim, não poderia usufruir do benefício concedido (redução para 4% da alíquota do II), sujeitando-se à alíquota regular de 14% desse imposto, devendo, portanto, ser cobrada a diferença de 10% da alíquota. Informou que foi deduzido do valor do imposto devido, o recolhido. Relativamente ao IPI, embora não tenha havido alteração na sua alíquota, houve modificação da base de cálculo sobre a qual ela foi aplicada, tendo em vista que o II faz parte da base de cálculo do IPI. No que diz respeito à Cofins e ao PIS/Pasep, também são devidas as diferenças dessas contribuições, em virtude da alteração de suas bases de cálculo, por conta da majoração do II e do IPI que delas fazem parte. 2. Penalidades cabíveis: 2.1. Multa por enquadramento incorreto em destaque tarifário: Em relação ao enquadramento incorreto em destaque tarifário, foi aplicada pela autoridade lançadora a multa prevista no art. 84, inc. I, da MP nº 2.158/2001 (para fatos geradores a partir de 27.08.2001 até 29.12.2003), e art. 84, inc. I, da MP nº 2.158/2001 c/c art 69 e 81, inc. IV, da Lei nº 10.833/03 (para fatos geradores a partir de 30.12.2003), no montante de 1% sobre o seu valor aduaneiro, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa por declaração inexata do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. 2.2. Multa de ofício: Tendo o contribuinte se beneficiado da redução tarifária, valendo-se da utilização indevida do Ex em questão, o que lhe possibilitou pagamento de tributos a menor, coube, também, a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença do II, IPI, Cofins e PIS/Pasep, prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, c/c art. 645 Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/02. Ressaltou, novamente, a autoridade lançadora que, do montante apurado seriam deduzidos os valores recolhidos à época pelo contribuinte. Foram, então, lavrados os Autos de Infração (AI), às fls. 03 a 29, a saber: O primeiro para a cobrança do Imposto de Importação (II), no valor de R$ 835.286,35, acrescido dos juros de mora, no montante de R$ 426.955,83, da multa de ofício, no valor de R$ 626.464,76, além da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, nos montantes de R$ 34.042,92 (art.84, I, MP 2.158/2001) e de R$ 41.291,48 Fl. 448DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 (art.84,I, MP 215835/01, c/c art.69 e 81, IV, da Lei 10.833/2003), totalizando este auto R$ 1.964.041,34 (um milhão, novecentos e sessenta e quatro mil, quarenta e um reais e trinta e quatro centavos). O segundo lançamento foi para a cobrança da diferença do IPI, no valor de R$ 20.487,64, acrescida dos juros de mora, no montante de R$ 14.670,42, e da multa de ofício, no valor de R$ 15.365,73, totalizando este auto R$ 50.523,79 (cinqüenta mil, quinhentos e vinte e três reais e setenta e nove centavos). O terceiro lançamento foi para a cobrança da diferença da Cofins, no valor de R$ 15.798,35, acrescida dos juros de mora, no montante de R$ 4.925,72, e da multa de ofício, no valor de R$ 11.848,76, totalizando este auto R$ 32.572,83 (trinta e dois mil, quinhentos e setenta e dois reais e oitenta e três centavos). O quarto e último auto foi para a cobrança da diferença do PIS/Pasep, no valor de R$ 3.436,42, acrescida dos juros de mora, no montante de R$ 1.071,34, e da multa de ofício, no valor de R$ 2.577,32, totalizando este auto R$ 7.085,08 (sete mil, oitenta e cinco reais e oito centavos). O valor total do crédito tributário foi de R$ 2.054.223,04 (dois milhões, cinquenta e quatro mil, duzentos e vinte e três reais e quatro centavos) termos do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, à fl. 25. (...). DO DEFERIMENTO E DA REALIZAÇÃO DA PERÍCIA Ao analisar os autos, os argumentos apresentados pelas partes foram considerados robustos pela relatora, que assim se expressou, às fls. 210 a 216, no despacho nº 3.032, datado de 27.11.2012: (...). Concordou, então, com o pedido de perícia técnica proposto pela impugnante, nos termos do art. 16, inc. IV, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.723/93, objetivando solucionar a questão principal da lide: saber se as máquinas, na configuração em que foram encomendas e importadas, eram próprias para furos de profundidade máxima igual ou superior a 50m, tal como previa o Ex tarifário 007 da Res. Camex 32/2001, prorrogado até 30.06.2005 pela Res. Camex 16/2003. Através do despacho acima mencionado, nº 3.032, datado de 27.11.2012, a Presidente da 6ª Turma da DRJ/REC acatou a proposta de diligência da relatora, sendo os autos remetidos à unidade preparadora para a realização de perícia técnica no equipamento objeto da DI sob exame. Transcreve-se a seguir a parte desse despacho que trata dos quesitos formulados pela defendente e de demais observações e perguntas feitas pela relatora: Os quesitos formulados pela defendente foram os seguintes: 1) É correto afirmar que a real capacidade de perfuração da perfuratriz T4BH IngersollRand é dada por sua força de retração em quilogramas, também denominada força de Pull Back? 2) Em caso positivo, no que concerne às perfuratrizes T4BH, a força de retração informada nos manuais de serviço e operação, assim como na literatura comercial, é de 9.979 kg? Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 3) Qual o comprimento e quantidade de hastes necessárias para a realização de furo com profundidade igual a 50m? 4) Qual o peso total das hastes necessárias, em quilogramas, para a realização de furo com profundidade igual a 50m? 5) É possível concluir, com base nos dados verificados, que, para a realização de furo com profundidade igual a 50m, a perfuratriz mencionada no quesito n° 1), utiliza apenas parte de sua capacidade (54%)? 6) Qual a capacidade máxima real de perfuração, em metros, da perfuratriz mencionada no quesito n° 1? (...). As respostas aos quesitos formulados pelo interessado e pela relatora, objeto do laudo técnico nº 125235, emitido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial CETEC SENAI, juntado a este processo, às fls. 237 a 271, serão a seguir copiados, bem como os registros fotográficos do equipamento e documentos em que se amparou a perícia: (...). A unidade preparadora informou nos autos, às fls. 280 e 282 que: i) o procedimento da Perícia Técnica fora encerrado em 04.06.2014, sendo que o Relatório de Diligência se encontrava anexado aos autos; ii) a ciência ao contribuinte fora efetuada em 09.06.2014 de acordo com o disposto na Portaria SRF n° 1.769, de 12/07/2005, Anexo Único, alínea "m", item 1, subitem 1.2 d, conforme aviso de recebimento (AR, à fl.147); iii) o interessado não se manifestara a respeito do resultado da Perícia. Propôs o encaminhamento dos autos à DRJ/Recife para prosseguimento do feito. Em petição2 protocolizada na DRF/BH, em 24.09.2014, o contribuinte alega que, quando da realização da perícia, não havia hastes suficientes disponíveis na Mina Jangada, local onde se encontrava a perfuratriz que seria periciada, que permitissem a realização dos testes de profundidade de perfuração, mas que àquela data (setembro de 2014) já dispunha das hastes e equipamentos necessários. Pelo exposto, requer nova perícia técnica, designando o funcionário responsável para o acompanhamento da diligência. (...). 2. A impugnação apresentada pelo contribuinte as fls. 162/174 foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/09/2002, 14/10/2002, 01/02/2005, 29/06/2005 Cobrança da diferença do II. Multa de ofício de 75%. Multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria por enquadramento incorreto em destaque tarifário. O enquadramento da mercadoria importada em destaque tarifário a que não faz jus, enseja a cobrança da diferença desse tributo, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, além da cobrança da multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro por enquadramento incorreto do bem em destaque tarifário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/09/2002, 14/10/2002, 01/02/2005, 29/06/2005 Cobrança da diferença do IPI. Multa de ofício de 75%. O enquadramento da mercadoria Fl. 450DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 importada em destaque tarifário a que não faz jus, ensejando a cobrança da diferença do II, acarreta a alteração da base de cálculo do IPI e a consequente cobrança de sua diferença, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/02/2005, 29/06/2005 Cobrança da diferença da Cofins. Multa de ofício de 75%. O enquadramento da mercadoria importada em destaque tarifário a que não faz jus, ensejando a cobrança das diferenças do II e do IPI, acarreta a alteração da base de cálculo dessa contribuição social e a consequente cobrança de sua diferença, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/02/2005, 29/06/2005 Cobrança da diferença do PIS/Pasep. Multa de ofício de 75%. O enquadramento da mercadoria importada em destaque tarifário a que não faz jus, ensejando a cobrança das diferenças do II e do IPI, acarreta a alteração da base de cálculo dessa contribuição social e a consequente cobrança de sua diferença, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/02/2005, 29/06/2005 Perícia Técnica. Indeferimento. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. As provas trazidas aos autos são robustas para a decisão da lide. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Tendo em vista a aludida decisão, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário de fls. 324/343, oportunidade em repisou as alegações desenvolvidas em sua impugnação e subsidiariamente repisou a necessidade de realização e nova perícia técnica com as hastes adequadas para verificar se as máquinas aqui tratadas possuíam ou não a capacidade de perfuração igual a 50 metros. É o relatório. (e-fls. 387/393 - grifei) Na referida Resolução, o então Relator do caso propôs a conversão do julgamento do processo em diligência para a produção de perícia técnica, nos seguintes termos: 5. Conforme se observa dos autos, a presente questão consiste em verificar se os bens importados pela recorrente se enquadram ou não em ex tarifário 007 assim descrito: Código 8430.41.90 (BK) "Ex"007 Perfuratrizes de solo, auto propelidas, do tipo rotativa com impacto de fundo, para furos de profundidade máxima igual ou superior a 50m, diâmetro máximo igual ou superior a 200mm e volume de ar igual ou superior a 28.320cm3/min, sistema de avanço acionado por correntes. 6. Conforme se observa do Termo de Verificação Fiscal, bem como da decisão recorrida, é inconteste que as perfuratrizes importadas pela recorrente preenchiam todas as características descritas no ex, com uma única exceção, qual seja, sua capacidade de perfuração que, segundo a acusação fiscal, seria equivalente a 24,38 metros. 7. Em 1a instância administrativa, o presente julgamento foi convertido em diligência para que as máquinas importadas fossem analisadas em operação, de modo a atestar a sua capacidade ou não de perfuração igual ou superior a 50 metros. Tal diligência redundou no laudo pericial de fls. 236/271 que, dentre outras coisas, assim concluiu: Fl. 451DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 8. Segundo o contribuinte, à época em que feita a perícia, a empresa não possuía as hastes adequadas que permitissem que a máquina fizesse a perfuração com profundidade igual ou superior a 50 metros. A fiscalização, por seu turno, alega que o contribuinte demorou quase um ano para prestar tais informações de forma clara e que, apenas depois de concluído o citado laudo técnico, informou ter adquirido hastes próprias para a perfuração de 50 metros, oportunidade em que já estava precluso o seu direito de produção de prova técnica. 9. Embora seja compreensível a irresignação da fiscalização, não me parece salutar seguir adiante em um processo pautado em um laudo inconclusivo sem antes, todavia, mais uma vez tentar a realização da sobredita perícia técnica, de modo a afastar qualquer dúvida quanto à capacidade de perfuração das máquinas importadas. 10. Assim, em compasso com o princípio da verdade material1 e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que seja produzida perícia técnica para que sejam respondidos todos os quesitos formulados no despacho de fls. 210/216. Na hipótese das máquinas importadas estarem inoperantes, tal análise poderá ser realizada mediante a constatação de máquinas equivalentes e com as mesmíssimas características técnicas daquelas importadas, aplicando, por analogia, o disposto no art. 64, § 3o, inciso II do Decreto n. 7.574/2011. 11. Insta registrar que, no termos do art. 373, inciso II do Código de Processo Civil, é ônus do contribuinte fazer prova de fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito pretendido pela fiscalização. Logo, caso seja novamente impossível a realização de uma análise técnica das máquinas em funcionamento, o contribuinte poderá arcar com a deficiência quanto a tal ônus. 12. Elaborado o sobredito laudo técnico, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (e-fls. 393/395 - grifei) Em 20/09/2019 foi elaborado o Relatório da Diligência das e-fls. 441/442 com as seguintes informações sobre a diligência solicitada: 2- Relatório Inicialmente anexei ao processo os seguintes documentos digitalizados: - TCIF 01 / 6177-2019-0053, informando a empresa MBR da solicitação de perícia pelo CARF e intimando-a a providenciar a execução do furo com a perfuratriz, fls 398 a 421; Fl. 452DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 - Resposta à Intimação: a MBR indica o engº Rogerio José como contato, fls 403 a 421; - TIF 02 / 6177-2019-0053, reintimando a empresa a tomar as providencias solicitadas e efetuar o furo de comprovação, fls 423 a 425; - Resposta à Intimação do TIF 02 onde a MBR solicita suspensão do prazo para execução da perícia, fls 426 a 436; - TC 03 / 6177-2019-0053, dando ciência à MBR da devolução do processo para o CARF, fls 437 a 440. Para atender à solicitação do CARF constante da Resolução nº 3402-001.463, esta Unidade Preparadora enviou o Termo de Ciência e Intimação Fiscal nº TCIF 01 / 6177- 2019-0053 de 17/06/2019 para a MBR, dando ciência da solicitação de Diligencia e intimando a empresa para disponibilizar as perfuratrizes, programar a execução dos furos de comprovação conforme solicitado pelo CARF e indicar um representante para ser o responsável ou contato para as ações da diligência. A ciência foi no dia 24/06/2019, por meio da Caixa Postal Eletronica do DTE. A empresa respondeu por meio da carta nº 0215/2019 de 04/07/19 indicando o engº Rogério José de Oliveira para ser o contato para a realização da perícia. Passei então a fazer contatos telefônicos com o Sr Rogério tentando agendar a execução dos furos. No início ele pediu prazo maior para resolver o assunto, depois foi ficando evasivo e informando da dificuldade para a execução dos furos, no final não atendia os meus telefonemas. Emiti então nova intimação, TIF 02 / 6177-2019-0053, reintimando a empresa a tomar as providencias solicitadas e agendar a execução do furo de comprovação para ser feito até 20 dias da data de recebimento. Em resposta a este TIF-02, a MBR enviou correspondência de nº 0266/2019 datada de 21/08/2019 onde apresenta petição com dois itens conforme a seguir: “a) a suspensão do prazo até que seja cancelado o auto de interdição nº 012/2019, para realização da perícia em perfuratriz efetivamente semelhante às que deram origem ao auto de infração objeto do Processo Administrativo nº 10680-720.794/2007-58, como consignado na Resolução nº 3402-001.463; b) a dilação do prazo por setenta dias, para realização da perícia na perfuratriz localizada em Itabira, caso o i. auditor-fiscal entenda que essa perfuratriz é capaz de demonstrar de forma indiciária que aquelas que deram origem ao auto de infração objeto do Processo Administrativo nº 10680-720.794/2007-58 podem realizar perfurações de pelo menos 50 metros;” A MBR explica ainda na petição que no caso da alternativa “b” a perfuratriz a ser utilizada só tem condições de executar furo até 46 m, para comprovar de forma indireta que a perfuratriz sob análise tem capacidade de executar furos acima de 50 m. Diante desta “petição” solicitando a suspensão do prazo da diligência, emiti então o termo TC 03 / 6177-2019-0053, datado de 12/09/19, dando ciência à MBR da devolução do processo para o CARF, com o seguinte teor: “Informo a V.Sa que este auditor não tem autonomia para decidir sobre estes dois itens e que, diante da impossibilidade de se efetuar a perícia solicitada, está devolvendo o processo para o CARF, para que esta Corte Recursal tome as providencias que julgar adequadas.” Fl. 453DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 A ciência deste termo TC-03 foi no dia 17/09/19, por abertura de mensagem na Caixa Postal Eletrônica. Cumpre registrar ainda que todos os termos enviados à MBR foram registrados na Caixa Postal Eletrônica da matriz uma vez que a filial objeto do auto de infração está com o CNPJ cancelado. (e-fls. 441/442 - grifei) Em seguida, os autos foram distribuídos a essa relatora para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e cabe ser conhecido. Como relatado, os Autos de Infração lavrados no presente processo se referem à máquinas importadas através de quatro Declarações de Importação (DI) nºs 02/07996169/001, 02/09149609/001, 05/01091674/001 e 05/06793545/001, registradas respectivamente em 06/09/2002, 14/10/2002, 01/02/2005, 29/06/2005. Todas as mercadorias importadas dos exportadores Atlas Copco Drilling Solutions (ATLAS COPCO) e Ingersoll – Rand International Sales S/A (INGERSOLL) seriam perfuratrizes de solo autopropulsoras classificadas corretamente na NCM 8430.41.90 1 . A única divergência entre o entendimento adotado pelo importador e aquele adotado pela fiscalização foi quanto à utilização do Extarifário 007, adotado pelo importador com fulcro na Resolução Camex nº 32/2001, prorrogada pela Resolução Camex nº 16/2003. Isso porque, segundo o entendimento fiscal, as máquinas importadas não teriam a capacidade para realizarem furos de profundidade igual ou superior à 50 (cinquenta) metros: 8430.41.90 “Ex”007 - Perfuratrizes de solo, autopropelidas, do tipo rotativa com impacto de fundo, para furos de profundidade máxima igual ou superior a 50m, diâmetro máximo igual ou superior a 200mm e volume de ar igual ou superior a 28.320cm3/min, sistema de avanço acionado por correntes (grifei) A fiscalização se respaldou no manual técnico das mercadorias apresentados pela própria empresa importadora em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 02/05/2007 (e-fl. 129), que expressamente indicam que as máquinas teriam capacidade para furos de profundidade máxima de 24,38m: Trecho do Manual LEQUIP Treinamento. Máquinas ATLAS COPCO – Quadro à e-fl. 136 (íntegra do documento constante das e-fls. 130-137): 1 8430.41.90 - Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes - Outras máquinas e aparelhos de terraplenagem, nivelamento, raspagem, escavação, compactação, extração ou perfuração da terra, de minerais ou minérios; bateestacas e arrancaestacas; limpaneves - Outras máquinas de sondagem ou de perfuração: - Autopropulsadas - Outras Fl. 454DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 Trecho do Manual de Operação e Manutenção. Máquinas INGERSOLL – Item 3.1 à e-fl. 143 (íntegra do documento constante das e-fls. 138-144): Desde a Impugnação, a empresa importadora sustenta que as máquinas teriam efetiva capacidade de atingir profundidade superior à considerada pela fiscalização, podendo inclusive atingir os 50m de profundidade identificado na posição do Extarifário. Para respaldar sua alegação trouxe aos autos documento assinado pela empresa ATLAS COPCO (e-fl. 187/193) afirmando essa capacidade e requereu a realização de perícia técnica. A perícia solicitada foi deferida pela Delegacia de Julgamento (e-fl. 210/216), mas não foi eficaz para comprovar a capacidade de perfuração das máquinas, seja porque uma das máquinas apontadas pela empresa não se encontrava mais em operação, seja porque não foram disponibilizadas hastes para a realização da perfuração em profundidade maior de 50 metros (vide histórico no relatório da diligência das e-fls. 272/277). Uma vez que o laudo técnico produzido na diligência determinada pela DRJ foi inconclusivo para determinar a capacidade de perfuração da máquina em razão da não realização de testes de verificação, neste CARF foi novamente oportunizada a realização da perícia técnica pela empresa Recorrente por meio da Resolução n.º 3402-001.463, de 23/10/2018. Vejamos novamente as considerações feitas pela necessidade de se oportunizar à Recorrente um efetivo teste de verificação das máquinas importadas ou com as mesmas características técnicas daquelas importadas: 7. Em 1a instância administrativa, o presente julgamento foi convertido em diligência para que as máquinas importadas fossem analisadas em operação, de modo a atestar a sua capacidade ou não de perfuração igual ou superior a 50 metros. Tal diligência redundou no laudo pericial de fls. 236/271 que, dentre outras coisas, assim concluiu: Fl. 455DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 8. Segundo o contribuinte, à época em que feita a perícia, a empresa não possuía as hastes adequadas que permitissem que a máquina fizesse a perfuração com profundidade igual ou superior a 50 metros. A fiscalização, por seu turno, alega que o contribuinte demorou quase um ano para prestar tais informações de forma clara e que, apenas depois de concluído o citado laudo técnico, informou ter adquirido hastes próprias para a perfuração de 50 metros, oportunidade em que já estava precluso o seu direito de produção de prova técnica. 9. Embora seja compreensível a irresignação da fiscalização, não me parece salutar seguir adiante em um processo pautado em um laudo inconclusivo sem antes, todavia, mais uma vez tentar a realização da sobredita perícia técnica, de modo a afastar qualquer dúvida quanto à capacidade de perfuração das máquinas importadas. 10. Assim, em compasso com o princípio da verdade material1 e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que seja produzida perícia técnica para que sejam respondidos todos os quesitos formulados no despacho de fls. 210/216. Na hipótese das máquinas importadas estarem inoperantes, tal análise poderá ser realizada mediante a constatação de máquinas equivalentes e com as mesmíssimas características técnicas daquelas importadas, aplicando, por analogia, o disposto no art. 64, § 3o, inciso II do Decreto n. 7.574/2011. 11. Insta registrar que, no termos do art. 373, inciso II do Código de Processo Civil, é ônus do contribuinte fazer prova de fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito pretendido pela fiscalização. Logo, caso seja novamente impossível a realização de uma análise técnica das máquinas em funcionamento, o contribuinte poderá arcar com a deficiência quanto a tal ônus. 12. Elaborado o sobredito laudo técnico, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (e-fls. 393/395 - grifei) Contudo, como já antecipado na Resolução, no parágrafo 11 da Resolução acima transcrita, mostrou-se novamente impossível a realização da perícia técnica. Em manifestação protocolada em julho/2019 (e-fls. 409/410) a Recorrente indica o assistente técnico para acompanhar a perícia em uma máquina que teria as mesmas características técnicas daquelas objeto da autuação. Isso porque, como informado pela Recorrente, “as perfuratrizes objeto da autuação (modelo “T4BH” marca Atlas Copco ou Ingersoll Rand com números de série 7762, 7763, 7832, 7919, 8204 e 8256) já não se encontram Fl. 456DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 mais em operação” (e-fl. 409). Contudo, nessa oportunidade, a Recorrente não trouxe qualquer elemento técnico para evidenciar quais seriam as similaridades técnicas da nova máquina que poderia ser objeto de perícia e a razão pela qual ela seria comparável com as máquinas que são objeto da autuação. Nesta mesma petição, a Recorrente requereu a dilação do prazo por 20 (vinte) dias para apontar uma de suas minas onde seria possível a realização da perfuração segura de 50 (cinquenta) metros. Deferida a dilação do prazo e recebida nova intimação pela empresa, foi apresentada petição em 21/08/2019 (e-fls. 426/436) no qual a empresa informa genericamente que “conta com duas máquinas perfuratrizes em seu ativo, no Estado de Minas Gerais”, sendo que apenas uma delas seria simular às máquinas autuadas. Esta única máquina similar estaria localizada na mina de Ouro Preto (‘Complexo Fábrica’) que está interditada desde 20/02/2019 pelo Auto de Interdição n.º 012/2019 da Agência Nacional de Mineração. Com isso, a empresa solicitou a dilação do prazo até a liberação do estabelecimento: a) a suspensão do prazo até que seja cancelado o auto de interdição nº 012/2019, para realização da perícia em perfuratriz efetivamente semelhante às que deram origem ao auto de infração objeto do Processo Administrativo nº 10680-720.794/2007-58, como consignado na Resolução nº 3402-001.463; (e-fl. 428) Semelhante ao que ocorreu na manifestação anterior, observa-se que a empresa não evidenciou de que forma essa máquina que se encontra em seu ativo teria similaridade técnica com aquelas que são objeto da autuação. Não foram apresentadas na petição quaisquer elementos fáticos relacionados à máquina na qual requer a realização da perícia. Com isso, não é possível sequer confirmar a afirmação feita pela empresa de que possui em seu ativo uma máquina que efetivamente seria similar àquelas autuadas. Nesse sentido, não foram apresentados pela empresa elementos concretos nos autos que justifiquem uma dilação do prazo de realização da perícia até a liberação do estabelecimento, vez que sequer é possível confirmar se essa perícia poderia ser efetiva (realizada em máquinas com efetiva similaridade técnica). Além disso, essa dilação de prazo poderia ser indeterminada, considerando o cenário da mineração após as tragédias que ocorreram em Minas Gerais, em especial no Município de Brumadinho em janeiro de 2019. 2 Nesta mesma petição, a empresa requereu subsidiariamente a realização dos testes na outra perfuratriz constante de seu ativo localizada em Itabira, mas que não teria similaridade técnica com aquelas importadas: b) a dilação do prazo por setenta dias, para realização da perícia na perfuratriz localizada em Itabira, caso o i. auditor-fiscal entenda que essa perfuratriz é capaz de demonstrar de forma indiciária que aquelas que deram origem ao auto de infração objeto do Processo Administrativo nº 10680-720.794/2007-58 podem realizar perfurações de pelo menos 50 metros; Contudo, a realização da perícia em uma máquina que sequer teria a similaridade técnica semelhante às máquinas objeto da autuação não traria qualquer proveito ao presente processo, vez que não evidenciaria que as máquinas importadas efetivamente poderiam atingir 50 (cinquenta) metros. 2 Vide, a título de exemplo: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/01/23/interna_gerais,1116284/brumadinho-1-ano-depois-natureza- tenta-resistir-a-tragedia.shtml Fl. 457DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 Diante deste cenário, a perícia não pôde ser realizada, inexistindo elementos nos autos passíveis de demonstrar que o presente processo mereceria ser novamente convertido em diligência para a sua realização. A empresa não apresentou qualquer elemento documental que evidencie com clareza que possui máquinas com similaridade técnica semelhante àquelas objeto da autuação. Com isso, cabe à Recorrente arcar com essa deficiência probatória, sendo certo que não constam dos presentes autos quaisquer documentos ou informações técnicas contundentes que afastem as informações constantes dos manuais técnicos apresentados pela empresa em sede de fiscalização, no qual se respalda o Auto de Infração, no sentido de que as máquinas apenas realizam perfurações até 24,38 metros (trechos acima transcritos). Insta salientar que a informação apresentada em declaração prestada por um dos fabricantes anexadas à Impugnação Administrativa (ATLAS COPCO) não traz respaldo técnico suficiente para afastar as informações constantes do próprio manual técnico das perfuratrizes importadas, que expressamente evidenciam a capacidade máxima de perfuração de 24,38 metros. Não é possível afirmar categoricamente como pretende a Recorrente, com base nas informações constantes dos presentes autos, que o “Manual LEQUIP Treinamento” das máquinas Atlas Copco estaria supostamente maculado por um erro na informação quanto a capacidade máxima de perfuração, que é exatamente coincidente com a informação de perfuração máxima constante do Manual de Operação e Manutenção das máquinas da empresa INGERSOLL, que seriam semelhantes (igualmente 24,38 metros de perfuração máxima). Ademais, não há qualquer informação em sentido contrário quanto às máquinas da fabricante INGERSOLL nos presentes autos. Quanto ao laudo técnico elaborado em dezembro/2014 anexado aos presentes autos (elaborado pelo Responsável Elon Silva Figueiredo – e-fls. 358/373), cumpre salientar que as informações técnicas da perfuratriz na qual foi realizado o teste são aparentemente diferentes daquelas que foram objeto da autuação. De fato, as informações técnicas sintetizadas na última página do relatório trazem a informação de “profundidade máxima de furo” de 45 metros e “profundidade máxima do furo, opção” de até 54,1 metros (e-fl. 373): Fl. 458DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-009.774 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720794/2007-58 Assim, pelas informações constantes do processo, não é possível afirmar que a máquina T4BH na qual foi realizado o teste pelo Sr. Elon Silva Figueiredo teria efetiva capacidade técnica semelhante às máquinas objeto da autuação. Desta forma, com fulcro nos elementos probatórios constantes dos presentes autos, cabe ser mantida a autuação que afastou a utilização do Ex007 da NCM 8430.41.90, vez que não demonstrado pela Recorrente que as perfuratrizes importadas teriam capacidade “para furos de profundidade máxima igual ou superior a 50m”, como indicado no Ex. Além da exigência dos tributos recolhidos a menor com fulcro no Ex 007 (II, IPI, PIS e COFINS), acrescido de juros e multa, igualmente cabível a penalidade ao controle administrativo aplicada por erro no enquadramento no referido extarifário, como um detalhamento instituído para a identificação da mercadoria na forma do art. 84, I, MP 2158- 35/01: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria (grifei) Ao contrário do que alega de forma geral a Recorrente em sua peça recursal, não se identifica qualquer ilegalidade na incidência desta penalidade na hipótese ou mesmo das demais penalidades aplicadas em razão do não recolhimento dos tributos. CONCLUSÃO Diante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 459DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 36266.003423/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004
DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 –
INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI E SITUAÇÃO FINANCEIRA DIFÍCIL
NÃO REPRESENTA ÓBICE AO LANÇAMENTO
O fato da empresa não haver infringido a lei ou estar em situação financeira difícil não é razão para que não se efetue o lançamento que é atividade vinculada e obrigatória
ANÁLISE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS – AUDITORIA FISCAL – COMPETÊNCIA
A auditoria fiscal detém competência legal para analisar as demonstrações contábeis das empresas para fins de verificação do fiel cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias, por força de lei, não lhe sendo exigida formação como contador habilitado
NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS – LANÇAMENTO ARBITRADO POSSIBILIDADE LEGAL
Na ausência de apresentação de documentos que permitam apurar o real valor do salário de contribuição, pode a auditoria fiscal utilizar-se da prerrogativa de arbitrar o valor devido com fundamento no art. 33 § 3º da Lei nº 8.212/1991
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.540
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI E SITUAÇÃO FINANCEIRA DIFÍCIL NÃO REPRESENTA ÓBICE AO LANÇAMENTO O fato da empresa não haver infringido a lei ou estar em situação financeira difícil não é razão para que não se efetue o lançamento que é atividade vinculada e obrigatória ANÁLISE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS – AUDITORIA FISCAL – COMPETÊNCIA A auditoria fiscal detém competência legal para analisar as demonstrações contábeis das empresas para fins de verificação do fiel cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias, por força de lei, não lhe sendo exigida formação como contador habilitado Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS – LANÇAMENTO ARBITRADO POSSIBILIDADE LEGAL Na ausência de apresentação de documentos que permitam apurar o real valor do salário de contribuição, pode a auditoria fiscal utilizarse da prerrogativa de arbitrar o valor devido com fundamento no art. 33 § 3º da Lei nº 8.212/1991 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. . Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36266.003423/200792 Acórdão n.º 2402002.540 S2C4T2 Fl. 172 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados incidentes sobre os valores de décimos terceiros salários pagos nos meses de dezembro dos anos de 1999 a 2004, bem como sobre a remuneração apurada com base nos valores declarados na RAIS – Relação Anual de Informações Sociais no período de 1997 e 1998 Também faz parte do lançamento a contribuição do contribuinte individual, incidente sobre prólabore aferido, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei nº 10.666/2003. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 38/41), a autuada é optante pelo SIMPLES e não apresentou quaisquer documentos relativos aos exercícios de 1997 a 2004. Somente a partir de 2005, a empresa apresentou folhas de pagamento, assim, no período até 12/2004, a base de cálculo da contribuição dos segurados empregados foi apurada com base nos valores constantes na RAIS e o prólabore dos sócios foi aferido em dois salários mínimos. A autuada teve ciência do lançamento em 20/03/2007 e apresentou defesa (fls. 51/64) onde alega que parte do lançamento estaria alcançada pela decadência. Argumenta que é empresa idônea e que jamais deixou de recolher seus débitos corretamente, como também que o valor apurado é impagável sobretudo considerando a péssima situação financeira que enfrenta. Alega que a auditora fiscal não estaria inscrita no CRC – Conselho Regional de Contabilidade, condição de validade para a presente autuação. Aduz que a auditoria fiscal utilizou documentos que não comprovam a veracidade dos fatos, ou seja, os exatos valores recebidos por cada Segurado Empregado, donde se conclui que não houve fiscalização justa. Não concorda com os valores de juros e multa aplicados e que não caberia a aplicação de correção monetária. Pelo Acórdão nº 1719.584 (fls. 123/130), a 8ª Turma da DRJ/São Paulo II considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 136/158) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 01/1997 a 12/2004 e foi efetuado em 20/03/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36266.003423/200792 Acórdão n.º 2402002.540 S2C4T2 Fl. 173 5 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, o levantamento RAÍ – RAIS período anterior à GFIP está decadente por qualquer tese. Por sua vez o levantamento PRO – Aferição PróLabore não foi alcançado pela decadência por tratar de competências a partir de 04/2003 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36266.003423/200792 Acórdão n.º 2402002.540 S2C4T2 Fl. 174 7 Quanto ao levantamento DCT – Décimo Terceiro Salário, verificase que encontramse decadentes as competências 13/1999 e 13/2001, a primeira por qualquer das teses e a segunda pela aplicação do art. 150 § 4º uma vez que ocorreu a antecipação de pagamento. A recorrente também alega que nunca infringiu a lei e o montante apurado seria impagável considerando as péssimas condições financeiras da empresa. Além disso, refuta a decisão de primeira instância que busca amparo no art. 142 do Código Tributário Nacional para afastar tal alegação. De fato a decisão recorrida não merece reparo. Não existe permissivo legal para desconstituição do lançamento com base nos argumentos apresentados pela recorrente e de fato a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do art. 142 do CTN e seu § único, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Quanto à alegação da recorrente de que os órgãos públicos,visando restabelecer a regularidade de recolhimento de contribuições devidas pelos contribuintes, promulgam legislação permissionária a titulo de anistia, vale dizer que não foi apontada qualquer legislação nesse sentido. A recorrente alega ainda a nulidade da autuação sob o argumento da ausência de habilitação da auditoria fiscal no Conselho Regional de Contabilidade – CRC. Tal argumento não pode ser acolhido e já foi tratado no âmbito do 2º Conselho de Contribuintes com muita propriedade no Acórdão nº 20178.132, do qual transcrevo o seguinte trecho: “Acórdão no 20178.132, de 02 de dezembro de 2004, relator Antonio Carlos Atulim. Insurgiuse a recorrente contra o fato de o auditorfiscal não ter inscrição no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), o que, em sua visão, a impossibilitaria de efetuar perícia contábil. Há que se distinguir a perícia contábil, atividade exercida por contabilistas, da auditoriafiscal, atividade exercida por auditoresfiscais. Da consulta à obra Dicionário de Contabilidade, de A. Lopes de Sá e Ana M. Lopes de Sá (7ª ed. rev. e ampl., São Paulo, Atlas, 1983), vemos que o verbete “perícia contábil” possui os significados de “verificação de registros contábeis; análise para verificar a exatidão de fatos registrados; processo usado na técnica da Contabilidade para obter dados pela verificação de registros realizados” (p. 319). No verbete “perícia fiscal” encontramos: “exame de escrita Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 efetuado por agentes fiscais nos livros do contribuinte, para verificar a exatidão do pagamento de tributos. O fisco costuma realizar seu trabalho mediante Programas de Fiscalização” (p. 320). No mesmo dicionário (p. 32), encontramos que auditoria tem o mesmo significado que perícia, tendo sido mais usada nos últimos tempos por se tratar de palavra com origem na língua inglesa (auditing), língua essa que vem predominando na seara administrativa e contábil. Assim, quando um contador, que inegavelmente deve ser registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), faz uma auditoria, seu escopo é bem diferente do abrangido pelo agente do Fisco, ao fazer uma auditoriafiscal. Aquele verifica as operações e os lançamentos usualmente com a finalidade de emitir um parecer técnico de auditoria, atestando que as demonstrações financeiras da empresa correspondem à realidade dos fatos e obedecem aos princípios de contabilidade geralmente aceitos. O pano de fundo é a lei comercial. Destinatários são os acionistas e o mercado acionário em geral. O Estado não verifica direta e regularmente a competência e a integridade dos profissionais que exercem tal atividade. Isso toca aos CRC. Já o auditorfiscal, como agente do Estado, verifica operações contábeis tãosomente com o objetivo de certificarse do fiel cumprimento das obrigações tributárias. O pano de fundo predominante é a lei fiscal. O conhecimento contábil é meramente instrumental. Seu trabalho não servirá para dar qualquer informação à sociedade, mas para cobrar tributos que eventualmente não tenham sido pagos. Quem verifica sua competência e integridade, por meio da Administração Direta, é o próprio Estado, maior interessado em que sua atividade seja exercida da forma mais eficiente possível. Quem define suas atribuições é a lei federal, que não condiciona, em momento algum, que ele seja registrado em qualquer órgão. Sequer se lhe exige a formação em contabilidade. Assim, para verificar o cumprimento das obrigações fiscais dos contribuintes, o AFRF se serve dos documentos e da contabilidade da empresa. Isso não significa, em hipótese alguma, que o AFRF esteja desempenhando funções reservadas legalmente aos contadores habilitados, tais como confecção e assinatura de demonstrativos contábeis, mas apenas servindose do trabalho produzido pelos contadores para sua fiscalização. Tal entendimento já está pacificado, tanto na área judicial quanto na área administrativa, como demonstram os julgados abaixo: “Tributário. Embargos à execução fiscal. Conselho Regional de Contabilidade CRC. Registro de funcionário público. Inscrição. I Prova documental suficiente para ilidir a presunção legal de certeza e liquidez da dívida ativa regularmente inscrita. II Não é obrigatório o registro de funcionário público no órgão fiscalizador, em vista da atividade básica do Estado não afrontar o art. 1º da Lei 6.839/80. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36266.003423/200792 Acórdão n.º 2402002.540 S2C4T2 Fl. 175 9 II Remessa oficial e apelação cível improvidas.” (Tribunal Regional Federal da Terceira Região, 3ª Turma, Apelação Cível e Remessa oficial, Processo nº 97.03.0016650/MS, Relatora Juíza Cecília Hamati, Decisão (unânime) de 28/04/1999, Diário da Justiça de 21/07/1999, p. 56) “Administrativo. Registro junto a Conselho profissional. Não exigência Funcionário público municipal. Auditor de tributos municipais. Conselho Regional de Contabilidade. Contador. Atribuições diferentes. Qualquer curso de nível superior. Os auditores de tributos municipais não são necessariamente graduados em Ciências Contábeis, nem exercem o oficio de contabilistas/contadores, não se sujeitando, portanto, à exigência do registro junto ao CRC para exercerem suas funções de fiscalização. Remessa oficial e apelo improvidos.” (Tribunal Regional Federal da Quinta Região, Primeira Turma, Apelação em Mandado de Segurança nº 59.405, Processo nº 97.05.13063 9/CE, Relator Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, Decisão (unânime) de 05/10/2000, Diário da Justiça de 19/12/2001, p. 40) “NULIDADE INSCRIÇÃO NO CRC O exercício da função de AFTN não está condicionado à habilitação prévia em Ciências Contábeis, nem à inscrição nos Conselhos Regionais de Contabilidade. (...). (Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, Acórdão nº 10704914, Recurso Voluntário nº 115.897, Processo nº 13964.000204/9674, Relator o Conselheiro Francisco de Assis Vaz Guimarães, Recorrente a Vesul S/A Veículos, Recorrida a DRJ em Florianópolis SC, Sessão de 15/04/1998) “AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE AFTN DESNECESSÁRIA FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS, BEM COMO INSCRIÇÃO NO CRC A autoridade legalmente habilitada para proceder à fiscalização e lançamento de impostos e contribuições, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, é o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional (art. 1º, inciso II do Decreto nº 90.928 de 1985), sendo que a lei não condiciona o exercício da função de AFTN à habilitação prévia em Ciências Contábeis, nem à inscrição no Conselho Regional de Contabilidade (CRC)”. (...). (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Acórdão nº 10417.775, Recurso Voluntário nº 120.591, Processo nº 10783.009204/9580, Relatora a Conselheira Elizabeth Carreiro Varão, Recorrente a Clear Comissária de Serviços Aduaneiros Ltda., Recorrida: DRJ no Rio de Janeiro RJ, Sessão de 05/12/2000) Pelo exposto, concluise que o AuditorFiscal da Receita Federal não carece de inscrição no Conselho Regional de Contabilidade para exercer suas funções, e tendo este se limitado às atividades a ele atribuídas por lei, descabido falarse em ofensa à lei ou à constituição.” Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 No âmbito da então Secretaria da Receita Previdenciária, órgão responsável à época do lançamento, pela constituição do crédito em comento, a competência da auditoria fiscal para analisar as demonstrações contábeis das empresas com o propósito de verificar o cumprimento das obrigações principais e acessórias perante a Seguridade Social estava expressamente disposta no art 8º, inciso I, alínea “c’, da Lei 10.593/2002, in verbis: “Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: (....) c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial;” A recorrente questiona o procedimento de arbitramento utilizado e informa que a documentação esteve à disposição da auditoria fiscal à exceção daquela desnecessária para as empresas optantes pelo SIMPLES. Cabe esclarecer que de acordo com o Relatório Fiscal de 1997 a 2004, a recorrente não apresentou documento algum, nem o Livro de Registro de Empregados e só veio a apresentar as folhas de pagamento a partir de 2005. De fato a ausência de apresentação de documentos autoriza a auditoria fiscal a efetuar o lançamento por arbitramento, conforme dispõe o art. 33, § 3º da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida A recorrente alega que a auditoria fiscal desprezou os valores declarados em GFIP, os quais demonstrariam valores reais de remunerações. Ocorre que a presente autuação contém valores que não foram declarados em GFIP. Relativamente aos segurados empregados, o lançamento compreende as competências até 12/1998, período anterior à implantação da GFIP. Além disso, a auditoria fiscal informa que a recorrente deixou de informar os valores dos décimos terceiros salários em GFIP até o exercício de 2004. Portanto, a alegação não tem fundamento. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36266.003423/200792 Acórdão n.º 2402002.540 S2C4T2 Fl. 176 11 Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL e reconhecer a decadência até 13/2001, nos termos do voto. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000257/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, a fundamentação legal que o ampara.
DECLARAÇÃO EM GFIP – CONFISSÃO DE DÍVIDA
As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento.
COMPENSAÇÃO – TRIBUTO SUB JUDICE SEM DECISÃO DEFINITIVA IMPOSSIBILIDADE
Nos termos do Código Tributário Nacional é vedada a compensação
mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO – PRECLUSÃO – NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, a fundamentação legal que o ampara. DECLARAÇÃO EM GFIP – CONFISSÃO DE DÍVIDA As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. COMPENSAÇÃO – TRIBUTO SUB JUDICE SEM DECISÃO DEFINITIVA IMPOSSIBILIDADE Nos termos do Código Tributário Nacional é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO – PRECLUSÃO – NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva Recurso Voluntário Negado.
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DECLARAÇÃO EM GFIP – CONFISSÃO DE DÍVIDA As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. COMPENSAÇÃO – TRIBUTO SUB JUDICE SEM DECISÃO DEFINITIVA IMPOSSIBILIDADE Nos termos do Código Tributário Nacional é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO – PRECLUSÃO – NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva Recurso Voluntário Negado Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues . Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000257/200855 Acórdão n.º 2402002.785 S2C4T2 Fl. 209 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 64/65), foram apuradas diferenças entre os valores que a empresa declarou em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e aqueles efetivamente recolhidos por meio de guia. A autuada teve ciência do lançamento em 31/10/2006 e apresentou defesa (fls. 71/88) onde alega que a conta apresentada pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS não tem liquidez, nem certeza, nem exigibilidade. Argumenta que é credora do Instituto Nacional do Seguro Social —INSS no valor de R$ 3.631.938,16 (três milhões, seiscentos e trinta e um mil, novecentos e trinta e oito reais, e dezesseis reais), crédito ajuizado junto a Justiça Federal, conforme faz prova relatório anexo, portanto, o INSS não pode alegar ignorância, porque, deuse a litispendência, e, citado para apresentar razões, deixou a matéria transcorrer in albis, neste passo estaria consolidado o crédito. Aduz que o crédito da empresa Sadokin, consolidado, a rigor, em última instância, caracteriza a Compensação, com fulcro no artigo 368 do Código Civil. Entende que a compensação não necessita de outorga judicial, haja vista que o direito do contribuinte préexiste. Pela Decisão Notificação nº 21.4254/113/2007 (fls. 144/146), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 11/167), onde efetua a repetição das alegações de defesa e inova na alegação de que haveria prescrição. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega que o crédito lançado não teria liquidez, certeza e exigibilidade, uma vez que esta teria efetuado recolhimentos. Cumpre dizer que não há qualquer irregularidade no presente lançamento. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, contribuições cujos fatos geradores foram declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e que não foram recolhidas em sua integralidade pela recorrente. Toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Quanto aos recolhimentos que a recorrente diz ter efetuado, estes foram integralmente aproveitados para abater do valor lançado, conforme se pode observar no relatório Discriminatativo Analítico do Débito DAD (fls. 04/17). Não custa relembrar o que dispõe o § 1º do art. 225 do Decreto nº 3.048/1999 a respeito da conseqüência da entrega da GFIP, verbis: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. (g.n.) Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa e nulidade da notificação. Quanto à alegação da recorrente de que teria efetuado compensações, melhor sorte não lhe assiste. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000257/200855 Acórdão n.º 2402002.785 S2C4T2 Fl. 210 5 Asseverese que a recorrente junta aos autos planilha (fls. 136/139), onde estão relacionadas diversas ações judiciais propostas por esta (cinquenta no total), com diversos objetos, as quais, de acordo com seu entendimento, lhe proporcionaria um crédito de R$ 3.631.938,16. No entanto, a recorrente não juntou aos autos nenhuma decisão judicial definitiva que autorizasse a realização de compensações. Entende a recorrente que a compensação não necessita de outorga judicial, haja vista que o direito do contribuinte préexiste. Tal entendimento é contrário ao que dispõe o Código Tributário Nacional em seu artigo 170A segundo o qual “É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Além disso, a recorrente sequer teria informado tais compensações em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e não traz demonstração de que teria procedido efetivamente a compensação por meio de seus registros contábeis. Portanto, não há razão no argumento. Por fim, a recorrente alegou que teria ocorrido a prescrição, no entanto, o fez de forma inovadora em sede de recurso e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.011993/2008-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006
ASSISTÊNCIA À SAÚDE. DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS.
Os valores relativos a assistência médica integram o salário de contribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados.
Numero da decisão: 9202-010.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Maria Helena Cotta Cardozo.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecilia Lustosa da Cruz - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Não informado
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006 ASSISTÊNCIA À SAÚDE. DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS. Os valores relativos a assistência médica integram o salário de contribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Maria Helena Cotta Cardozo. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecilia Lustosa da Cruz - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-01-06T02:36:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-01-06T02:36:23Z; Last-Modified: 2022-01-06T02:36:23Z; dcterms:modified: 2022-01-06T02:36:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-01-06T02:36:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-01-06T02:36:23Z; meta:save-date: 2022-01-06T02:36:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-01-06T02:36:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-01-06T02:36:23Z; created: 2022-01-06T02:36:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2022-01-06T02:36:23Z; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-01-06T02:36:23Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10830.011993/2008-91 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202-010.020 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 26 de outubro de 2021 Recorrente HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006 ASSISTÊNCIA À SAÚDE. DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS. Os valores relativos a assistência médica integram o salário de contribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Maria Helena Cotta Cardozo. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecilia Lustosa da Cruz - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 2401004.792 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em 10 de maio de 2017, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 1379 e seguintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 19 93 /2 00 8- 91 Fl. 1505DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-010.020 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.011993/2008-91 Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES. O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o salário-de- contribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos. ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota de contribuição para a GILRAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 88. A inclusão dos sócios no Relatório de Representantes Legais REPLEG Não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. No que se refere ao Recurso Especial, fls. 1438 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 1485 e seguintes, para se rediscutir a matéria a) Salário indireto - Assistência Médica. Em seu recurso, a contribuinte, em síntese, aduz que: a) não há qualquer dispositivo normativo indicado no auto de infração ou nas decisões proferidas até o momento que permita a mínima inferência de que a concessão do plano de saúde aos empregados da Recorrente deva ser idêntico para todos os empregados; b) é uma determinação expressa para que os valores relacionados aos planos de saúde, frise-se, concedidos indistintamente a todos os empregados da Recorrente devem ser excluídos do cálculo da contribuição previdenciária conforme está prescrito no §1º do art. 201, que se reporta ao §9º do art. 214, do Decreto nº 3.048/99; c) o acórdão recorrido transborda os limites do ato administrativo vinculado (art. 142, CTN), pois a legislação exige apenas que os planos de saúde configurem um benefício aplicável a todos os empregados e isto, como já demonstrado pela própria fiscalização, foi e é atendido pela Recorrente Intimada, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, como se observa das fls. 1499 e seguintes, sustentando, em suma: a) ao dispor sobre a assistência médica, o artigo 28, § 9º da Lei nº 8.212/1991 traz a exigência de que o programa esteja disponível à totalidade de seus empregados e dirigente; b) a autuada criou uma classe de empregados privilegiados dentro da empresa, contemplando-os com benefícios não extensíveis aos demais. Dessa forma, também na Fl. 1506DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-010.020 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.011993/2008-91 assistência médica ficou descaracterizada a isenção prevista na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não cumpridos os seus requisitos c) para cumprir a hipótese de isenção em comento, é necessário não só a extensão do plano de saúde para todos os empregados, mas também que a cobertura seja a mesma; d) deve ser aplicado o artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional, segundo o qual se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção; e) O entendimento exposto encontra respaldo na mais recente jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão 9202-006.482; É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes demais os pressupostos de admissibilidade. Conforme narrado, a matéria admitida para rediscussão foi a caracterização do plano de saúde como salário de contribuição. O Colegiado prolator do acórdão recorrido consignou entendimento no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência os planos de saúde que foram considerados estendidos a todos os trabalhadores. A Relatora do acórdão recorrido, de forma acertada, ao meu ver, diferenciou o tratamento atribuído às situações nas quais os planos são custeados pelo trabalhador e pela empresa das situações nas quais não há coparticipação, arcando a empresa, exclusivamente, com o ônus. Contudo, quanto ao plano de saúde executivo da Sul América (restrito a dirigentes) e as diferenças pagas pela empresa relativas ao plano superior (acomodação em quarto privativo) para os quais não ocorreu o pagamento pelo trabalhador da respectiva diferença, os valores foram entendidos como remuneração e, portanto, integrantes do salário de contribuição. O meu entendimento converge com o que foi esposado, razão pela qual deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos, consoante transcrição abaixo: PLANO DE SAÚDE Nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'q', acima citado, para que o plano de assistência médica ou odontológica não integre o salário de contribuição, a cobertura deve ser oferecida a todos os empregados e dirigentes da empresa. Conforme relatado, a Honda fornecia plano de assistência médica para todos seus empregados, sendo que para os da matriz em Sumaré era oferecido o plano da UNIMED Campinas Cooperativa de Trabalho Médico e para os da filial de São Paulo o plano da Sul América Seguro Saúde S/A. Todos os segurados tinham acesso a um plano básico, com cobertura padrão, sem custo, incluindo seus dependentes, sendo permitida, porém, a opção por um plano superior (acomodação em quarto privativo) mediante pagamento da diferença de custo. Apurou-se que os empregados com cargos de gerência e diretoria recebiam o beneficio do plano executivo de assistência médica da Sul América, com custo exclusivo da empresa de R$ 511,67 (em 07/06) por segurado, demonstrando um tratamento Fl. 1507DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-010.020 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.011993/2008-91 diferenciado em função do cargo, pois esse plano não foi disponibilizado aos demais segurados empregados. Além disso, apurou-se que empregados com plano superior (acomodação em quarto privativo) auferiam o beneficio sem a respectiva contribuição da diferença. Vê-se que a controvérsia dos autos está na interpretação conferida à Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea ‘q’. De um lado a fiscalização entendeu que para o gozo da isenção prevista no dispositivo legal citado, o plano de saúde ofertado pela empresa deve ser idêntico para todos os empregados. Já o sujeito passivo entende que basta ter cobertura a todos, não havendo impedimento em diferenciar a qualidade ou abrangência do plano em virtude do cargo ocupado pelo segurado. A cobertura é a garantia de proteção contra o risco de determinado evento. Já o risco é um evento futuro, incerto e que independe da vontade das partes. Para o custeio de um plano, cada risco deve ser considerado isoladamente, devendo o prêmio ou contribuição a ser pago pelo segurado (ou pela empresa, ou por ambos) ser calculado conforme os riscos contratados. Assim, dependendo dos riscos acobertados, tem-se o montante devido pelo participante do plano para caso haja o sinistro (acontecimento do evento de risco previsto no plano), possa usufruir os benefícios propostos pelo plano contratado. No caso dos planos de saúde, além dos riscos acobertados, também são oferecidas comodidades, como planos enfermaria ou apartamento, com ou sem reembolso de despesas médicas, reembolso de medicamentos etc. Tais comodidades também integram o cálculo do prêmio ou contribuição. Logo, os riscos acobertados e as comodidades do plano importam no valor a ser pago pelo participante ou por ele e a patrocinadora (empresa que oferece o plano a seus empregados), ou somente pela patrocinadora. Portanto, dizer que a cobertura deve abranger a todos os empregados e dirigentes não significa, necessariamente, que os riscos acobertados e as comodidades tenham que ser iguais para todos. Aliás, caso assim o fosse, seria uma forma de burlar o dispositivo previsto em lei, acima transcrito, pois se o plano é também custeado pelo trabalhador e a empresa oferecesse somente um plano que cobrisse vários riscos e com muitas comodidades (mais caro), poderia incorrer na grande probabilidade dos segurados com menores salários não aderirem ao plano, podendo-se inferir que o plano, apesar de “oferecido para todos”, somente visaria a acobertar os trabalhadores com maiores salários. Desta forma, para os planos coparticipativos, em que trabalhador e empresa participam do custeio, não existe vedação legal à oferta de planos diferenciados para determinados trabalhadores (por exemplo, um plano para empregados e outro para dirigentes). Basta que sejam oferecidos a todos. A condição estipulada pelo legislador na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “q” restaria atendida pelo fato de haver cobertura de assistência médica e/ou plano de saúde a todos os empregados e dirigentes da empresa, ainda que os riscos acobertados sejam diferentes entre si. Assim, não é necessário que a cobertura disponibilizada pela empresa seja a mesma para todos os grupos de colaboradores, basta que haja cobertura e que ela abranja a todos os empregados e dirigentes para que seja determinada a não inclusão dos valores Fl. 1508DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-010.020 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.011993/2008-91 correspondentes à assistência médica ou ao plano de saúde no cômputo do salário-de- contribuição e a consequente não incidência de contribuições previdenciárias. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes. A condição assim delineada está em acordo com a finalidade da norma de não incidência condicionada, que é a de garantir a isonomia entre todos os empregados e dirigentes. Assim, para planos custeados por empregado e empresa, não há problema em se oferecer planos diferenciados aos empregados e dirigentes, desde que os funcionários possam optar pelo plano que desejarem. Esta seria a melhor forma de atingir o propósito legal, oferecendo planos diferenciados, mas que todos os trabalhadores pudessem aderir a eles, garantindo a cobertura a todos os empregados e dirigentes. Por outro lado, se a empresa assume a totalidade do custo com o plano, a oferta de planos diferenciados, em função do cargo ou salário, com acesso exclusivo, apresenta evidente discriminação, desvirtuando o propósito legal. No presente caso, a oferta de planos de diferentes seguradoras aos funcionários da matriz em Sumaré e da filial de São Paulo não descaracteriza a condição de abrangência geral, pois a cobertura, além de similar, abrange a totalidade de trabalhadores. Não exige a norma que tal assistência seja prestada por uma única pessoa jurídica. No caso em análise, em que o plano foi custeado totalmente pela empresa, não há óbice em oferecer planos diferenciados para seus empregados e dirigentes, mas desde que os mesmos possam optar pelo plano que desejarem. Assim, qualquer valor recebido pelos segurados a título de assistência médica, em dissonância com o plano básico oferecido pela empresa, que foi disponibilizado à totalidade de empregados e dirigentes, são entendidos como remuneração e integram o salário de contribuição, pois assim não está garantida a isonomia entre todos os empregados e dirigentes. No caso em apreço, estão em dissonância com os planos básicos, os valores pagos para o plano executivo da Sul América (restrito a dirigentes) e as diferenças pagas pela empresa relativas ao plano superior (acomodação em quarto privativo) para os quais não ocorreu o pagamento pelo trabalhador da respectiva diferença. Logo, estes valores são entendidos como remuneração, integram o salário de contribuição, e devem ser mantidos no lançamento. Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores relativos aos planos básicos da Unimed e Sul América, disponibilizados à totalidade de empregados e dirigentes. O lançamento em litígio teve por base o disposto na Lei 8.212/91, artigo 28, inciso I, já transcrito acima. (...). Assim, a questão posta nos autos, quanto à ausência de coparticipação, é peculiar e, por esse motivo, o acórdão recorrido não merece reforma. Diante do exposto, voto em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 1509DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-010.020 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.011993/2008-91 Fl. 1510DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.002213/2007-89
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1103-000.053
Decisão: acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002213/200789 Resolução n.º 110300.053 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório e voto Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1617.273/2008 (fls. 387), da 1ª Turma da DRJ/São Paulo ISP. Os fatos foram descritos no relatório da decisão contestada nos seguintes termos: “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 29/08/2007 (fls. 221, 231, 241, 251 e 261), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o PIS, à COFINS, à CSLL, à Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2004. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 196 a 199) e demonstrativos anexos, a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, e por depósitos bancários também não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, mas que possuem históricos que configuram vendas efetivamente realizadas; 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de percentual do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 209 a 214. (...) 4. O enquadramento legal das multas de ofício aplicadas no percentual de 75% sobre a receita omitida caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/1996, e o das multas de ofício aplicadas no percentual de 150% sobre a receita omitida caracterizada por depósitos bancários com históricos que configuram vendas efetivamente realizadas é o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/1996 (fls. 217, 227, 237, 247 e 257). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 217, 227, 237, 247 e 257). 5. Irresignada com os lançamentos, em 19 de setembro de 2007, a empresa apresentou, representada por procurador (fls. 290 a 298) a impugnação de fls. 277 a 290, instruída com os documentos de fls. 291 a 376 (...)” A exigência foi julgada procedente pelo órgão de primeira instância, nos termos do acórdão assim ementado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002213/200789 Resolução n.º 110300.053 S1C1T3 Fl. 3 3 INFRAÇÃO ATRIBUÍDA. CIÊNCIA E DESCRIÇÃO CLARA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A ciência à contribuinte de auto de infração acompanhado de Termo de Verificação Fiscal que descreve claramente a infração que lhe é atribuída e a inexistência de fato que impeça a autuada de se defender plenamente afastam a caracterização de preterição do direito de defesa e ofensa aos princípios constitucionais do devido processo, contraditório e ampla defesa. ENVIO DE INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. Intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do sujeito passivo entendido como o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo mesmo sujeito passivo para fins cadastrais. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Fl. 552DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002213/200789 Resolução n.º 110300.053 S1C1T3 Fl. 4 4 Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. NATUREZA VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte.” Cientificada da decisão em 04/11/2008 (fls. 423), a contribuinte interpôs o recurso no dia 17 do mesmo mês (fls. 424 e 437). O recurso é tempestivo e foi apresentado por parte legítima, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. A contribuinte alegou na impugnação e no recurso que a exigência estaria calcada em atos administrativos que teriam desconsiderado, sem autorização judicial, o seu sigilo bancário com suporte em legislação inconstitucional. Tal matéria é objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314 no STF – Supremo Tribunal Federal com reconhecimento de repercussão geral conforme previsto no art. 543B do CPC – Código de Processo Civil. No âmbito administrativo, o Ricarf – Regimento Interno do Carf prevê, no art. 62A do Anexo II, a reprodução pelos conselheiros das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática da repercussão geral, sobrestandose os julgamentos dos recursos sempre que o Supremo também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. A Portaria Carf nº 001/2012 prevê o sobrestamento do julgamento administrativo quando estiver comprovadamente determinado pelo STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, de modo independente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002213/200789 Resolução n.º 110300.053 S1C1T3 Fl. 5 5 O que se tem constatado no STF é a devolução de autos ao tribunal de origem para o sobrestamento em razão da repercussão geral reconhecida no referido RE nº 601.314, a exemplo dos Agravos de Instrumento nº 668.843 e 765.714. Assim, identifico no caso concreto a situação prevista para sobrestamento do julgamento administrativo, devolvendose os autos à Secretaria da Câmara conforme art. 2º, §3º, da Portaria Carf 001/2012. Conclusão Pelo exposto, voto pelo sobrestamento do feito nos termos acima propostos. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 554DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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