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Numero do processo: 13850.720183/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestá-lo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/2012-11 e 16561.720116/2014-57, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestá-lo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/2012-11 e 16561.720116/2014-57, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestálo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/201211 e 16561.720116/201457, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada (Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 0812000201500375), foi lavrado o auto de infração de Outras Multas Administradas pela RFB de fls. 196199, que exige o recolhimento de R$ 19.419.598,00 de multa de isolada em decorrência da não homologação das compensações declaradas nos autos dos processos nºs 13850.720112/201514 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 50 .7 20 18 3/ 20 15 -1 7 Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13850.720183/201517 Resolução nº 1301000.609 S1C3T1 Fl. 3 2 13884.722012/201527, com fundamento no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010. O valor da multa isolada corresponde a 50% do montante de R$ 38.839.197,11 de débitos cujas compensações não foram homologadas nos autos dos processos nºs 13850.720112/201514 (com crédito de R$ 26.682.637,45 de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2012) e 13884.722012/201527 (com crédito de R$ 8.690.511,23 de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2012) Cientificado, o Contribuinte apresentou tempestiva Impugnação aduzindo: I) necessidade de aguardar o julgamento das compensações analisadas nos processos 13850.720112/201514 e 13884.722012/201527, bem como o apensamento dos mesmos; II) revogação da multa isolada por compensação não homologada; III) indevida acumulação da multa de 20%, por atraso no recolhimento do tributo, com a multa isolada de 50%; IV) aplicação do princípio da consunção entre as infrações; V) afronta ao direito de petição e a proporcionalidade; e VI) vedação ao confisco. A DRJ/Curitiba julgou improcedente o pleito do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há como se acatar o pedido de sobrestamento do processo em face do princípio da oficialidade, que, partindo da missão constitucional do Poder Executivo de apreciar a legalidade dos atos de seus agentes, obriga a Administração a impulsionar o processo até a sua conclusão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2012 MULTA ISOLADA. DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É procedente a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO EM JULGAMENTO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade das normas tributárias regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Contribuinte repisou suas razões em Recurso Voluntário. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13850.720183/201517 Resolução nº 1301000.609 S1C3T1 Fl. 4 3 O presente processo não se encontra maduro para julgamento por este Colegiado, em razão da existência de processos prejudiciais com capacidade de afetar as conclusões fiscais que embasaram a autuação em trâmite no âmbito deste CARF. Em primeiro lugar, evidenciase do próprio relatório que o cabimento ou não da multa lançada nestes autos depende da correção ou não das compensações transmitidas através das DCOMPs que originaram os processos nºs 13850.720112/201514 e 13884.722012/2015 27, relativos ao aproveitamento de saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano de 2012, respectivamente. Por sua vez, as DCMPs mencionadas aproveitaram prejuízos fiscais que foram objeto de glosa por parte da fiscalização, através dos Autos de Infração que originaram os processos nº 13850.720178/201504 (IRPJ 2012) e 13850.720207/201520 (CSLL 2012) o que evidencia a prejudicialidade destes em relação àqueles, que por sua vez são prejudiciais ao julgamento da correção ou não da multa isolada. É preciso frisar que todos os cinco processos se encontram sob minha relatoria, e serão pautados e julgados conjuntamente. Entretanto, os processos decorrentes dos autos de infração não se encontram em condição de julgamento, pois a glosa dos prejuízos fiscais apurados em 2012 depende de duas questões prejudicias, que serão aduzidas em seguida: I) Glosa da parcela de R$ 946.643,72 do débito de estimativa do mês de junho/2012, cuja compensação declarada no PER/DCOMP n° 00052.57000.251012.1.3.17 8030, com utilização do crédito oriundo do Reintegra, objeto de pedido de ressarcimento nº 14094.76116.160712.1.1.172876, não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito indicado, nos autos do processo nº 13884.905622/201211; O contribuinte apresentou a compensação relativo a débitos de estimativa do mês de junho/2012, totalizando R$ 23.435.081,49, que foi subtraído do Lucro Real na apuração do IRPJ de 2012. Entretanto, do montante objeto do PER/DCOMP, apenas R$ 22.488.437,77 foi reconhecido pela fiscalização, restando a parcela de R$ 946.643,72 que foi glosada. O processo no qual essa glosa é discutida se encontra atualmente no CARF, pendente de distribuição desde 02/09/2016, de modo que ela não pode ser tomada por definitiva por este Colegiado. De pronto, é evidente a vinculação entre os processos em razão de decorrência, nos termos do art. 6º, §1º, II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; Entretanto, não é possível a este Colegiado requerer o apensamento deste processo aos presentes autos através da sua distribuição por dependência (art. 6º, §2º do RICARF), haja vista que a matéria é de competência da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13850.720183/201517 Resolução nº 1301000.609 S1C3T1 Fl. 5 4 se tratar o REINTEGRA de um regime aduaneiro especial de exportação, nos termos do art. 4º, XVII do Anexo II do RICARF. Desse modo, tratase de hipótese clara de aplicação do art. 6º, §5º do anexo II do RICARF: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Portanto, é mister que o Colegiado decida pelo sobrestamento do presente processo na Câmara, determinando a vinculação dele ao PAF nº 13884.905622/201211, que deverá ter o seu resultado juntado a estes autos, após exarada decisão definitiva na esfera administrativa. II) Glosa da compensação de R$ 19.672.543,46 de prejuízos fiscais de períodos anteriores, conforme Sapli, porquanto o saldo compensável anteriormente disponível foi absorvido pelas infrações tratadas nos autos dos processos nºs 16561.720116/201457 (ajuste dos preços de transferência do anocalendário de 2009) e 13850.720263/201483 (lucros no exterior adicionados a menor ao lucro real do anocalendário de 2010). A despeito da presente questão não ter sido esclarecida devidamente no relatório fiscal, a DRJ trouxe os fundamentos jurídicos para a glosa dos prejuízos fiscais aproveitados pelo contribuinte, nos seguintes termos (fls. 2782/2783): Inexistia qualquer valor compensável em 31/12/2011 e 31/12/2012 porquanto o saldo de R$ 114.079.447,84 de prejuízos fiscais existente em 31/12/2008 foi compensado pela interessada com o lucro real declarado nos anoscalendário de 2009 (R$ 256.392.194,80), 2010 (R$ 48.541.459,78) e 2011 (R$ 13.901.023,52) e o saldo remanescente foi integralmente absorvido pelas autuações tratadas nos processos nºs 16561.720116/201457 (R$ 50.472.907,88) e 13850.720263/201483 (R$ 15.188.214,94): No processo nº 16561.720116/201457 foi tributado o ajuste de R$ 50.472.907,88 decorrente da aplicação de método de preços de transferência no ano calendário de 2009, relativamente a custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de pessoa vinculada no exterior, tendo a exigência correspondente sido integralmente mantida por este colegiado em sessão também realizada em 16/01/2017, por meio do Acórdão 0656.615 da 1ª Turma da DRJ/Curitiba. Quanto ao processo nº 13850.720263/201483, foi apurada a diferença de R$ 15.188.214,94 de lucros no exterior adicionados a menor ao lucro real do ano calendário de 2010 (fls. 27152731), tendo esta exigência absorvido a parcela de R$ 4.556.464,49 do saldo de prejuízos fiscais nos autos do processo nº 13884.721004/201300. Considerando que a contribuinte, cientificada por via postal em 04/08/2014, optou por não apresentar impugnação, foi declarada a revelia na forma prevista no artigo 21 do Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto ao segundo processo, a própria DRJ informa o seu trânsito em julgado na esfera administrativa. Todavia, o processo nº 16561.720116/201457 se encontra atualmente no CARF, indicado para pauta em Maio/2018, sob a relatoria do Conselheiro Luiz Toselli. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13850.720183/201517 Resolução nº 1301000.609 S1C3T1 Fl. 6 5 Verificase que parte dos prejuízos fiscais utilizados pelo contribuinte foram glosados em razão do processo nº 16561.720116/201457, razão pela qual o mesmo se torna prejudicial para o deslinde deste feito, podendo afetar negativamente o saldo positivo de IRPJ calculado pela fiscalização. Desse modo, é o presente processo deve também ser sobrestado até que o processo nº 16561.720116/201457 seja definitivamente julgado na esfera administrativa. Após o seu trânsito em julgado administrativo, deve a sua decisão final ser juntada a estes autos. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para sobrestálo até o julgamento definitivo dos processos administrativos: a) 13884.905622/201211 e b) 16561.720116/201457. Após o trânsito em julgado desses processos, cópia da decisão definitiva deverá ser juntada aos presentes autos, retornando o processo a este relator para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.731522/2011-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÕES FRAUDULENTAS. QUALIFICAÇÃO. APLICABILIDADE.
A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Por outro lado, a glosa de despesas porque o contribuinte não comprovou a efetividade do pagamento ou da prestação do serviço, não autoriza sua aplicação.
Numero da decisão: 9202-006.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÕES FRAUDULENTAS. QUALIFICAÇÃO. APLICABILIDADE. A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Por outro lado, a glosa de despesas porque o contribuinte não comprovou a efetividade do pagamento ou da prestação do serviço, não autoriza sua aplicação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.731522/201198 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.895 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANGELA AUGUSTA SANTOS RIBEIRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÕES FRAUDULENTAS. QUALIFICAÇÃO. APLICABILIDADE. A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Por outro lado, a glosa de despesas porque o contribuinte não comprovou a efetividade do pagamento ou da prestação do serviço, não autoriza sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 15 22 /2 01 1- 98 Fl. 230DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2801003.953, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, decorrente da glosa de despesas com previdência oficial e privada, dependentes, instrução, médicos e afins e pensão alimentícia, que "reduziram indevidamente a base de cálculo do imposto", como consta do quadro resumo na folha 08, resultando na exigência de R$ 65.133,80 a título de imposto, acrescido de multa proporcional no percentual de 150%, no importe de R$ 97.700,71 e mais juros de mora calculados pela Selic. O Contribuinte apresentou a impugnação, manifestandose, essencialmente, contra a aplicação da multa no percentual qualificado de 150%. Além disso, em "aditivo" apresentado em 16/11/2011, disse que na apuração do imposto devido o Auditor Fiscal não considerara o valor do imposto de renda retido na fonte, "comprovado", e assim faz demonstração de como seria o valor correto, inclusive apurando valor a restituir em alguns dos anos em comento. Tendo em conta a concordância parcial da Impugnante, com apuração de imposto devido nos anos de 2006 e 2007, a DRFB elaborou demonstrativo de "cobrança transferida" para outro processo, conforme folhas 110/111. A DRJ manteve as glosas efetuadas e a multa no percentual aplicado de 150%, julgandose improcedente a impugnação, inclusive quanto à alegação de apuração incorreta em relação à não consideração de imposto retido, reputandose procedente a autuação fiscal. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando os termos da impugnação. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para que, em relação às infrações de glosa de previdência oficial (R$ 276,36) e glosa de despesas médicas (R$ 61.781,20), seja aplicada a multa de 75%, mantendose a multa de 150% em relação às demais infrações. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10580.731522/201198 Acórdão n.º 9202006.895 CSRFT2 Fl. 10 3 PERCENTUAL DE MULTA. LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26A DO PAF. Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REITERAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DEDUÇÕES. MULTA. QUALIFICAÇÃO. APLICABILIDADE. A multa no percentual de 150% é a espécie de multa que tem por conteúdo a qualificação da penalidade. Deve ser aplicada quando a Administração Fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Por outro lado, a glosa de despesas porque o contribuinte não comprovou a efetividade do pagamento ou da prestação do serviço, não autoriza sua aplicação. A aplicação da multa é cindível, no lançamento, podendose aplicar a determinadas infrações, onde se demonstra a inclusão de deduções inexistentes, com o claro intuito de obter restituições maiores que o devido, o percentual qualificado, e a outras infrações, apuradas a partir da mesma declaração, porém apenas pela falta de comprovação mediante documentação hábil e idônea, o percentual de 75%. DIRPF. APURAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O imposto sobre a renda é sujeito ao lançamento por homologação, conforme artigo 150 do CTN, sendo o lançamento de ofício suplementar. Portanto, aquilo que foi apurado na declaração de ajuste anual pela contribuinte permanece, descontandose do imposto apurado em procedimento de ofício o imposto já declarado como devido. Em relação ao imposto retido na fonte, a contribuinte já recebera a restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 153/168, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: qualificação da multa. Enquanto o acórdão recorrido entendeu por excluir a qualificação da multa em relação às despesas médicas e com a previdência oficial, por não restar caracterizado o elemento subjetivo do tipo, nos acórdãos paradigmas entendeuse pela qualificação da multa de ofício nos casos em que o contribuinte tenha reduzido o montante a pagar a título de IRPF ou obteve restituição indevida do tributo, em razão de deduções de despesas médicas não alicerçadas em suporte probatório idôneo e suficiente. Fl. 232DF CARF MF 4 Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 170/173, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: qualificação da multa. Cientificada às fls. 177, a Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, às fls. 180/183, alegando obscuridade na decisão embargada. Porém, os Embargos restaram rejeitados às fls. 200/203, e, dessa decisão, a Contribuinte foi cientificada à fl. 217. A Contribuinte também apresentou Contrarrazões às fls. 194/196, reforçando argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. Às fls. 220 consta que foi desapensado dos presentes autos o processo nº 10580.731665/201108, sendo a Sra. Maria Elvira Santana do Valle cientificada, conforme AR juntado à fl. 227. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, decorrente da glosa de despesas com previdência oficial e privada, dependentes, instrução, médicos e afins e pensão alimentícia, que "reduziram indevidamente a base de cálculo do imposto", como consta do quadro resumo na folha 08, resultando na exigência de R$ 65.133,80 a título de imposto, acrescido de multa proporcional no percentual de 150%, no importe de R$ 97.700,71 e mais juros de mora calculados pela Selic. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à qualificação da multa. Conforme se observa do acórdão da DRJ, sobre o imposto lançado foi aplicada a multa qualificada de 150%, julgandose fraudulenta a prática sistemática de declarar deduções inexistentes com o objetivo de obter restituições indevidas. A impugnante argumenta, em síntese, que no lançamento não foi compensado o imposto retido na fonte nos diversos períodos. Quanto à multa, argumenta que os erros em sua declaração foram cometidos por culpa do profissional que contratara para confeccionálas, e que confiando na sua competência, não tinha qualquer noção destas irregularidades. Não houve, portanto, intuito de fraude, que de qualquer forma deveria restar comprovado e evidente para que coubesse a qualificação da multa, como requer a lei, não podendo ser meramente presumido. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10580.731522/201198 Acórdão n.º 9202006.895 CSRFT2 Fl. 11 5 Todavia as provas dos autos apontam para declarações totalmente desligadas da realidade da contribuinte, dedução de pensão alimentícia para quem não possui dependentes, dedução de despesas médicas sem comprovação, indicação de CPF pessoa física sem esclarecimento de quem se trata (se é que a contribuinte os conhece, pois sequer fez esse esclarecimento), dedução de filhos maiores de 24 anos não inválidos como dependentes, doações sem comprovantes etc. Defendo que a multa é um tipo de penalidade a ser utilizada com parcimônia. É sanção imposta ao autor de um ato ilícito, consistente na agressão a um bem jurídico tutelado pelo Estado. Deste modo, temse que as multas fiscais, a despeito sanções, medidas repressivas a uma conduta reprovável, isto é, o não recolhimento de tributos. Tais multas, têm nítido escopo de impor castigo e repreensão ao devedor e, também, um evidente caráter pedagógico e inibitório do não pagamento dos tributos. Nesta medida, a qualificação de multas, por representar não só uma sanção ao descumprimento do dever de pagar o tributo, mas também uma repressão a uma conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada livremente pelo fisco, pois este deverá motivar a efetiva e clara conduta reiterada do Contribuinte. Já a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, respeitando assim o princípio da legalidade e a vontade do legislador. Uma vez que a literalidade do dispositivo legal ressaltou expressamente que para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas evidentes do intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que preveem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Pensar diferente levaria a ideia de que toda omissão de rendimentos seria caso de aplicação de multa qualificada, e se assim fosse, o próprio dispositivo legal deveria trazer essa previsão, contudo não o fez, justamente por que a simples realização da conduta “omissão de rendimentos” não caracteriza o intuito de fraudar. Assim, tomando como base os dispositivos legais atinentes a fraude fiscal, tenho que salientar que foi escorreito o acórdão recorrido ao citar que seu conceito esta delineado na leitura conjunta da Lei 4.502/64 nos arts 71,72 e 73, Lei 9430/96 em seu artigo 44, e Decreto 3000/99, art. 957. Disso se depreende que juridicamente, entendese por máfé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente, Fl. 234DF CARF MF 6 pois, quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. Considero que o intuito de fraude aparece de forma clarividente em casos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Todavia, no caso em tela, além da conduta reiterada da alegação de que o contador fez tudo e que a Contribuinte não sabia, restou evidente a tentativa de evidenciar na declaração algo que não coincide com os fatos reais da vida do contribuinte. Importante relembrar aqui a figura da responsabilidade do Contribuinte pelas informações entregues a Receita Federal, mesmo que através de profissional habilitado o mandato particular não elide o peso e o valor das informações prestadas. Contudo tendo sido comprovada a fraude, é correta a aplicação da multa qualificada, devendo ser majorada a multa para 150% nos termos legais. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912303/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 23 03 /2 01 2- 86 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.912303/201286 Acórdão n.º 3201003.831 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.676, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.912303/201286 Acórdão n.º 3201003.831 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.912303/201286 Acórdão n.º 3201003.831 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.912303/201286 Acórdão n.º 3201003.831 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.005358/2008-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE.
Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplica-se a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontram-se previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE. Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplica-se a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontram-se previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE. Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplicase a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontramse previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 53 58 /2 00 8- 47 Fl. 158DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 131 à 137) interposto contra o Acórdão n° 0635.497, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 126 à 128), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (efls. 2 à 7) apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa consubstanciada nos seguintes termos: 8. Conforme se infere da defesa apresentada, alega a contribuinte que o débito 9020600808533 teria sido quitado e que os demais débitos estariam “subjudice”, em fase de execução fiscal, com oferecimento de embargos e concessão da suspensão da execução. 9. Realmente, segundo consta nos autos, o débito número 9020600808533 foi recolhido em 30/09/08 (vide fls. 80 e 81), porém, o fato dos demais débitos estarem sendo discutidos judicialmente, mesmo que com o oferecimento de embargos, ainda que garantidos por penhora, não implica a suspensão da sua exigibilidade (vide art. 151 da Lei 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional), mas apenas autoriza a emissão de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa, nos termos do art. 206 do CTN. 10. Vejamos a íntegra dos citados dispositivos do CTN: (...) 11. Portanto, considerando que a contribuinte possui débitos com exigibilidade não suspensa, forçoso reconhecer a procedência do ADE. Conclusão 12. Isso posto, voto pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a exclusão da empresa do Simples Nacional. GN Notase, portanto, que o cerne do Acórdão foi a desconsideração da garantia de penhora em processo judicial, segundo a qual, na opinião dos julgadores de piso, não seria apta a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Conforme se extrai dos presentes autos, a Recorrente teve sua exclusão do SIMPLES Nacional efetuada de ofício pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/LON nº 294882, de 22/08/08 (efl. 08). O motivo para a retirada daquele regime tributário foi fundamentado na existência de débitos com a Fazenda Pública Federal. Os argumentos apresentados no Recurso Voluntário reiteram aqueles veiculados na Manifestação de Inconformidade. A Recorrente colaciona diversos elementos probatórios, apontando a garantia do indigitado débito, bem como a prescrição de créditos tributários. Cumpre transcrever os principais trechos: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10930.005358/200847 Acórdão n.º 1002000.269 S1C0T2 Fl. 159 3 Inicialmente cumpre esclarecer que os débitos que deram origem ao Ato Declaratório Executivo ADE n° 294882, de 22/08/2008, excluindo a contribuinte do Simples Nacional, são objeto de Execução Fiscal com penhora devidamente efetivada bem como com a oposição de Embargos à Execução, os quais encontramse pendentes de julgamento.Insta destacar que todos os elementos alegados pela Recorrente foram devidamente comprovados. Contudo, o Ilustre relator Denny Medeiros da Silveira em seu voto, sustenta o entendimento de que o fato dos débitos estarem sendo discutidos judicialmente, mesmo com oferecimento de Embargos à Execução, ainda que garantidos por penhora, não implicaria na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, vide Art. 151 do CTN, onde somente seria autorizada a emissão de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa, nos termos do art. 206 do CTN. Diante disso, cabe ressaltar que o aludido entendimento está totalmente equivocado, uma vez que a natureza da norma de suspensão da exigibilidade do crédito tributário não pode ficar restrita ao que o legislador pretendeu dar ao art. 151 do CTN. (...) Desta forma, quando da ocorrência de um processo de positivação (Execução Fiscal), no sentido de que as normas aumentam o seu grau de concretude, a fim de alcançar a satisfação do crédito tributário do sujeito ativo, há que se reconhecer que quaisquer normas jurídicas individuais e concretas que sejam introduzidas no sistema e que impeçam a progressão do processo de positivação, assumem a característica de normas de suspensão da exigibilidade da obrigação tributária, tanto potencial, como efetiva. (...) Desta feita, no presente caso concreto já existe uma Execução Fiscal que fora ajuizada com a finalidade de o Fisco ver satisfeita a obrigação tributária imposta ao contribuinte, onde a mesma encontrase devidamente garantida com a efetivação da penhora realizada nos autos bem como com a oposição dos Embargos à Execução. Não podemos olvidar que no ordenamento jurídico existem outras Leis que albergam normas processuais, como por exemplo, a Lei Federal n° 6830/80 que é específica para um dado tipo de ação tributária, no caso a Execução Fiscal. No art. 9o, da referida Lei, estão contidas outras hipóteses de interferência na exigülidade da obrigação tributária, tendo em vista que a previsão do art. 206 do CTN equipara à causa suspensiva do artigo 151 a hipótese em que a obrigação tributaria já está garantida por meio de penhora nos autos de uma ação de cobrança, ou seja, quando já foi proposta o Executivo Fiscal. Fl. 160DF CARF MF 4 (...) Portanto podemos concluir que os débitos que deram origem ao ADE n° 294882, estão com sua exigibilidade integralmente suspensa, uma vez que conforme acima explanada os débitos estão garantidos pela penhora bem como pela oposição dos Embargos à Execução. (...) Enquanto perdurarem as garantias existentes no âmbito das Execuções Fiscais, não há que se falar em exigência dos tributos, vez que necessário se faz o fim do Executivo Fiscal, momento em que os bens penhorados serão levados a Leilão e o produto da arrecadação convertido para os cofres públicos. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do SIMPLES Nacional, desvinculada de crédito tributário. Este não é exigido nos presentes autos, e também não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6º, § 1º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Mérito Por primeiro, impende destacar que em momento algum ficou contestada a existência de débitos para com a Fazenda. Tampouco se alegou nulidade do Ato Declaratório Executivo per se. Ademais, a Contribuinte proativamente relacionou todos os valores em debate, os quais foram objeto do aludido ADE. Noutro giro, ressalto que apenas se intentou afastar a existência dos indigitados débitos, o que macularia a exclusão do SIMPLES Nacional, haja vista a discussão judicial e a suposta suspensão da exigibilidade do crédito. Nessa trilha, ao contrário do que foi sustentado pela Recorrente, os débitos não se encontravam com a exigibilidade suspensa quando da publicação do indigitado Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10930.005358/200847 Acórdão n.º 1002000.269 S1C0T2 Fl. 160 5 ADE, razão pela qual restou correta sua exclusão do SIMPLES. Em verdade, confundese os institutos da "suspensão da exigibilidade" do crédito tributário com a "suspensão da executoriedade" deste, buscando atribuir efeitos idênticos a ambos os institutos, o que não é permitido pela legislação (em especial o art. 111 do CTN). Somandose a este aspecto, a leitura do art. 151 do CTN expõe num rol taxativo os autorizativos da suspensão da exigibilidade do crédito. Destaco, ainda, que a Recorrente não demonstrou em momento algum seu enquadramento nos permissivos do indigitado dispositivo do Código Tributário. Tais elementos foram muito bem explanados no Acórdão de piso, cujo teor reitero e desde já utilizo como fundamentação do presente decisum: 8. Conforme se infere da defesa apresentada, alega a contribuinte que o débito 9020600808533 teria sido quitado e que os demais débitos estariam “subjudice”, em fase de execução fiscal, com oferecimento de embargos e concessão da suspensão da execução. 9. Realmente, segundo consta nos autos, o débito número 9020600808533 foi recolhido em 30/09/08 (vide fls. 80 e 81), porém, o fato dos demais débitos estarem sendo discutidos judicialmente, mesmo que com o oferecimento de embargos, ainda que garantidos por penhora, não implica a suspensão da sua exigibilidade (vide art. 151 da Lei 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional), mas apenas autoriza a emissão de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa, nos termos do art. 206 do CTN. De arremate, ainda que não abordado tal espeque em sede Recursal, anoto que não se trata de violação à Súmula CARF n° 22, por não haver qualquer mácula ao direito de defesa, restando o ADE íntegro em conteúdo e forma. Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Este enunciado teve por paradigmas os Acórdãos ns.º 30331479, de 17/06/2004, 30331882, de 24/02/2005, 30131763, de 14/04/2005, 30131917, de 17/06/2005, e 30132.120, de 13/09/2005. Ainda nessa explanação, há consolidada jurisprudência neste c. Conselho, no sentido de aplicar a aludida Súmula apenas nos casos de SIMPLES Federal, vide Acórdão n° 9101002.297, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido pela i. Conselheira Adriana Gomes Rêgo. Portanto, a leitura do enunciado sumular reforça a correta intelecção exarada no âmbito do Acórdão recorrido. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ, haja vista ter sido demonstrada a inequívoca existência de débitos sem exigibilidade suspensa. Fl. 162DF CARF MF 6 Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a conseqüente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000482/2009-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O pagamento da exigência, sendo uma das modalidades de extinção do crédito tributário, é incompatível com a interposição de recurso.
Numero da decisão: 2002-000.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Virgílio Cansino Gil (relator) que o conheceram integralmente. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O pagamento da exigência, sendo uma das modalidades de extinção do crédito tributário, é incompatível com a interposição de recurso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 77 1 76 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.000482/200949 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.200 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria IRPF Recorrente ERNANI SILVEIRA GUSMAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O pagamento da exigência, sendo uma das modalidades de extinção do crédito tributário, é incompatível com a interposição de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Virgílio Cansino Gil (relator) que o conheceram integralmente. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 04 82 /2 00 9- 49 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13706.000482/200949 Acórdão n.º 2002000.200 S2C0T2 Fl. 78 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.57/59) contra decisão de primeira instância (fls.32/35), que votou pela procedência parcial da impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado o auto de infração por, Declaração Indevida de Despesas Médicas e por Omissão de Rendimentos de Alugueis ou Royalties Recebidos de Pessoa Jurídica. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, requerendo a improcedência parcial do lançamento, pelos seguintes fundamentos: 1) Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis ou Royalties Recebidos de Pessoa Jurídica, alega que houve um engano nos valores da coluna "Rendimentos Recebidos". Diz que a despesa paga para a cobrança ou recebimento do rendimento (taxa de administração) foi somada aos alugueis, ao invés de ser subtraída, de acordo com a Receita Federal. 2) Quanto a Dedução Indevida de Despesas Médicas, o contribuinte reconheceu que os pagamentos efetuados a Sondotécnica Engenharia Ltda, referemse ao plano de saúde da AMIL Opção Plus, para ele e sua esposa Maria Helena Maia Gusmão, que não é sua dependente para Imposto de Renda (declara em separado) fls.2/3 dos autos, sendo certo que junta DARF no valor de R$ 4.320,77 (fl.21). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou pela improcedência da impugnação parcial e manutenção do crédito tributário litigioso, descontando o valor recolhido. Inconformado, o recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde em razões preliminares, que o valor cobrado neste feito já foi efetivamente pago, conforme documento acostado aos autos (fl.69), no valor de R$ 17.095,72. No mérito alude que: conforme documento em anexo fornecido pela empresa Sondotécnica Engenharia de Solos Ltda (CNPJ nº 33.386.210/000119) de fls.65/66, o contribuinte Ernani da Silveira Gusmão, no ano de 2003, pagou em seu nome o valor de R$ 15.711,90, à título de mensalidades de plano de saúde, por intermédio da referida empresa sendo o mesmo ofertado, via convênio, pela AMIL Assistência Médica Internacional Ltda. Sob este título alega o recorrente, ainda ter informado errado (mero erro material), o valor para efeito de dedução, diz que seu erro foi apenas parcial, haja vista que com base na tal declaração da empresa, o mesmo constitui o direito legal da dedução mesmo que parcial. No que pertine ao valor referente aos alugueis recebidos de pessoa jurídica, diz que o próprio Acórdão admite que pode ter havido erro material no preenchimento da declaração, pois aparentemente os valores da taxa de administração foram somados aos alugueis recebidos, ao invés de serem subtraídos (conforme documento de fl.67). Por final, requer a insubsistência e improcedência parcial da ação fiscal, que seja acolhido o presente recurso e, que seja restituído ao Espólio do contribuinte os valores pagos a maior. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13706.000482/200949 Acórdão n.º 2002000.200 S2C0T2 Fl. 79 3 É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo. O AR foi recebido em 26/12/2014 (fl.54), com a ciência do contribuinte, foi interposto Recurso Voluntário em 26/01/2015, tudo conforme fl.75 dos autos. A representação do Espólio, é verificada à fl.60, com procuração reconhecida, sendo certo que sua filha Maria Beatriz Gusmão Pinheiro de Barros, é sua testamentária. Pois bem, em razões preliminares, o espólio de Ernani da Silveira Gusmão, alega que o valor cobrado nestes autos já foi efetivamente pago, no valor de R$ 17.095,72 pago no dia 29/12/2014. Verificando o documento de fl.43 dos autos, a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu um DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) no valor de R$ 17.095,72, sob o código 2904, para vencimento até 30/12/2014, sendo assim, não há de falarse em cobrança, pois o valor cobrado neste feito foi pontualmente pago. O pagamento do valor cobrado no auto de infração, logo após o julgamento de primeira instância da esfera administrativa, não impede o conhecimento do Recurso Voluntário, pois ainda se está aperfeiçoando o ato administrativo, sendo que a manifestação de continuidade da parte foi expressa através da apresentação de recurso prórpio. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13706.000482/200949 Acórdão n.º 2002000.200 S2C0T2 Fl. 80 4 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do Conselheiro Relator quanto à possibilidade de conhecimento do recurso apresentado. Da análise dos autos, verificase que, em 29/12/2014, após a ciência da decisão do colegiado de primeira instância em 26/12/2014, o crédito tributário em litígio foi extinto pelo pagamento, conforme atestam extrato de fl.51, despacho à fl.75 e informação do representante legal do espólio à fl. 57. Posteriormente, em 26/01/2015, foi apresentado o recurso de fls. 57. A fase litigiosa do procedimento administrativo se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. Com o pagamento do crédito exigido, finda o conflito e a obrigação tributária deixa de existir. O pagamento efetuado pelo contribuinte, de acordo com o art.156, inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), é uma das modalidades de extinção do crédito tributário: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...)” Constatase ainda que o recolhimento efetuado se utilizou do benefício da redução de 30% da multa de ofício, previsto no art.6º, inciso III, da Lei nº 8.218, de 1991: Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) .... III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) .... Ora, o benefício concedido tem como razão de ser justamente a não apresentação de recurso. É facultado ao contribuinte renunciar à apresentação do recurso e ter o benefício de pagar o tributo com a redução da multa em 30%. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13706.000482/200949 Acórdão n.º 2002000.200 S2C0T2 Fl. 81 5 Portanto, tendo sido feita a opção pelo pagamento do crédito, com sua conseqüente extinção, o contribuinte renunciou ao direito de discutir a exação fiscal, sendo incabível qualquer manifestação desta instância de julgamento quanto às questões suscitadas pelo representante legal do espólio do contribuinte às fls. 57/71. Este entendimento está em harmonia com a jurisprudência deste CARF, como se extrai das ementas dos seguintes acórdãos: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998,1999,2000 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DO INTERESSE PARA RECORRER. Constatada a extinção do crédito tributário pelo pagamento, incide a preclusão lógica do direito de recorrer. O parcelamento e a quitação do crédito tributário são incompatíveis com o ato volitivo de interposição de recurso voluntário. Ausente o interesse para recorrer, não deve ser conhecido o recurso, eis que ausente um dos seus pressupostos de admissibilidade. (Acórdão nº 2201003.989, de 5/10/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 VALOR DO LANÇAMENTO FIRMADO NA INSTÂNCIA RECORRIDA. PAGAMENTO. PRECLUSÃO LÓGICA. Havendo o contribuinte realizado o pagamento do valor da autuação conforme estabelecido no acórdão recorrido, com os termos deste aquiesceu, não havendo mais falar em exercício do direito a recorrer, o qual restou precluso. (Acórdão nº 2802003.109, de 10/9/2014) Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900104/2006-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2001
JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO.
A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF.
DELIMITAÇÃO DA LIDE
Restringindo-se os fundamentos do não-reconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2001
Ementa:LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadrando-se a Recorrente no conceito legal de "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%.
Numero da decisão: 1302-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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B. R. M. INSTITUTO BARUERENSE DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001 JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO. A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF. DELIMITAÇÃO DA LIDE Restringindose os fundamentos do nãoreconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2001 Ementa:LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadrandose a Recorrente no conceito legal de "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 01 04 /2 00 6- 70 Fl. 135DF CARF MF 2 Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Empresa apresentou DComp eletrônica pleiteando a compensação de crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ. O fundamento seria a errada utilização do percentual de presunção de 32%, aplicada aos serviços em geral, quando devia ter aplicado o percentual de 8%, uma vez que se considera no rol dos prestadores de "serviços hospitalares". Despacho Decisório (DD) da autoridade competente negou o direito creditório sob a alegação de que a atividade exercida não se enquadrava em "serviços hospitalares", estando correta a aplicação do percentual de lucro presumido de 32% sobre a receita bruta. É de se destacar que a discussão sobre o conceito de atividade hospitalar é empreendida em tese, não sendo discutidos outros temas que não a aplicação ou não do percentual de presunção reduzido, ou, mesmo, perquiridas outras provas ou peculiaridades inerentes à Sociedade. A Empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando que sua atividade é sim hospitalar e que deve aplicar o percentual de 8%, fazendo citação a decisões do CARF e da justiça que assim entenderam, além de vários atos normativos da Receita Federal. A Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade, enfatizando a necessidade de o prestador do serviço atender aos requisitos do artigo 27 da Instrução Normativa 480, de 2004, com a alteração introduzida pela Instrução Normativa nº 539, de 2005, quais sejam: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 12 da IN SRF nº 539, de 2005, ou, no caso da atribuição "Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia", exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC n2 50, de 2002, da Anvisa; b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC n2 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC n2 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n2 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.900104/200670 Acórdão n.º 1302002.978 S1C3T2 Fl. 136 3 c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n2 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil; d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI n° 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto. Assim, considerou que a empresa não comprovou o atendimento aos requisitos apontados. Insatisfeita com a decisão daquela Turma, a Sociedade apresentou Recurso Voluntário renovando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade e acrescentando que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o conceito de "serviço hospitalar" para fins tributários, privilegiando o aspecto objetivo (que tipo de serviço é prestado), em detrimento do subjetivo (quem presta o serviço). Assim, em sede de recursos repetitivos, decidiu favoravelmente ao entendimento da Recorrente, pelo que requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Recurso é tempestivo e a representação é regular, pelo que conheço do Recurso Voluntário. A lide é imitada à discussão em tese do conceito de "serviços hospitalares" constante do artigo 15, § 1º, inciso III alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, vigente à época, abaixo transcrito: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Fl. 137DF CARF MF 4 Nesta seara, discutese: a atividade desenvolvida pela Recorrente é "serviço hospitalar" nos termos da lei vigente à época? O Contrato Social da Empresa informa que o objeto social é a prestação de serviços em ressonância magnética, tomografia computadorizada e raio x. Mesmo com a riqueza de argumentação e ainda que este Relator entenda que a interpretação envolve abordagem subjetiva, em função dos custos envolvidos nos serviços de internação de pacientes, fato é que Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp 1116399 Bahia, na sistemática do artigo 543C do CPC, atual artigo 1.041 no NOVO CPC, com trânsito em julgado em 3 de novembro de 2010, formulou a seguinte tese: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Na ação, em resposta a embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, assim se manifestou o colegiado: 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. Cumpre destacar que a referida alínea "a" acima transcrita sofreu alargamento do conceito de "serviço hospitalar", com a alteração promovida pela Lei nº 11.727, de 2008: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10825.900104/200670 Acórdão n.º 1302002.978 S1C3T2 Fl. 137 5 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (...) Fato é que a interpretação dada pelo julgado tem uma abordagem objetiva da norma, referente ao tipo de atividade desenvolvida e não ao sujeito da ação. A tese classifica como "serviços hospitalares" aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Quanto ao local de prestação afirma que são prestados dentro dos hospitais, em regra, mas não necessariamente. Sob a ótica da tese, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, como se vê do artigo 62 § 2º do Anexo II do RICARF, não há como negar que a atividade desenvolvida pela recorrente enquadrase no conceito de "serviços hospitalares". Como nenhum outro aspecto do direito creditório foi alvo de questionamento no Despacho Decisório, nada há que impeça o seu reconhecimento. Feitas a considerações pertinentes, dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado e homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10235.721754/2013-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial.
Numero da decisão: 9202-007.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 17 54 /2 01 3- 20 Fl. 129DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402005.316 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 14 de junho de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 88: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido.. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 99 a 104, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 114 a 120, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante ao regime de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente. Destacase que, para a decisão a quo, deve ser cancelada a exigência tributária, enquanto, para o acórdão paradigma, devem ser aplicadas as tabelas vigentes à época em que os rendimentos foram auferidos pelo contribuinte. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) mais especificamente, temos que não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; b) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10235.721754/201320 Acórdão n.º 9202007.005 CSRFT2 Fl. 3 3 imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões, conforme se extrai do Despacho de fls. 126. É. o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. Embora não argüida pela Recorrida a questão atinente ao conhecimento do recurso interposto pela Procuradoria, importante se faz apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista os fundamentos que passo a expor. Não deve ser conhecido o presente recurso, pois a decisão vergastada utilizou como fundamento de decidir o REsp n.º 1.118.429/SP e, principalmente, o RE n.º 614.406, para a interpretação do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, sendo que a decisão paradigma não tratou da aplicação do referido RE, razão pela qual não se mostra possível vislumbrar que, caso aplicada a decisão do STF, a Turma se posicionaria da maneira ocorrida. Portanto, o acórdão paradigma não serve como parâmetro para a presente análise (aplicação da norma oriunda da decisão proferida nos autos do RE n.º 614.406). Cabe ressaltar que tal interpretação decorre inclusive da ausência de competência deste Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, de modo que, excepcionalmente, se admite o controle de constitucionalidade decorrente do cumprimento de precedente obrigatório, razão pela qual não seria possível ao colegiado paradigma, em controle de legalidade, fazer análise sobre os efeitos da inconstitucionalidade de um dispositivo legal, em face da ausência de aplicação da decisão proferida em sede de repetitivo. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por ausência de demonstração da divergência jurisprudencial. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 131DF CARF MF 4 Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720472/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. CONSULTA FORMULADA.
Não é nulo o auto de infração que exige crédito tributário relativo a matérias diversas daquelas tratadas em processo de consulta pendente de solução. Não é nulo o auto de infração efetuado depois dos 30 dias do prazo da ciência da consulta.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo.
MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não-cumulatividade e da cumulatividade.
As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo.
MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não-cumulatividade e da cumulatividade.
As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns.
Numero da decisão: 3401-005.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, André Henrique Lemos e Cássio Schappo. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl foi coletado em maio de 2018, não tendo, portanto, participado da votação o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, que substituiu, em junho de 2018, o Conselheiro Robson José Bayerl.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CONSULTA FORMULADA. Não é nulo o auto de infração que exige crédito tributário relativo a matérias diversas daquelas tratadas em processo de consulta pendente de solução. Não é nulo o auto de infração efetuado depois dos 30 dias do prazo da ciência da consulta. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não-cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não-cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns.
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CONSULTA FORMULADA. Não é nulo o auto de infração que exige crédito tributário relativo a matérias diversas daquelas tratadas em processo de consulta pendente de solução. Não é nulo o auto de infração efetuado depois dos 30 dias do prazo da ciência da consulta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 72 /2 01 1- 24 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 376 2 recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, André Henrique Lemos e Cássio Schappo. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl foi coletado em maio de 2018, não tendo, portanto, participado da votação o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, que substituiu, em junho de 2018, o Conselheiro Robson José Bayerl. Rosaldo Trevisan Presidente. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 377 3 (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Reproduzo aqui, resumidamente, o relatório que consta no acórdão DRJ nº 0537.644, de 16/04/2012, da 3ª Turma da DRJ/CPS, por bem descrever os fatos: Tratase de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS formalizadas em autos de infração. O feito referese a fatos geradores ocorridos em março e abril de 2006 e totalizou crédito tributário de R$ 496.116,5, somados principal, multa de ofício e juros de mora. Os motivos da autuação foram detalhados em Termo de Verificação Fiscal que compõe os autos. A autoridade aponta diferenças de recolhimento das contribuições verificadas no período tendo em vista o regime não cumulativo das contribuições e a tributação do álcool para fins carburante segundo o regime cumulativo. O referido Termo é iniciado com a informação acerca do objeto principal da contribuinte: O sujeito passivo em epígrafe tem por objeto social principal o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, comércio atacadista de lubrificantes comércio atacadista de gás liquefeito de petróleo (glp) e transporte rodoviário de produtos perigosos. Depois, anuncia o que se constatou após o exame da documentação examinada no curso da ação fiscal: Após análise da documentação apresentada, constante dos Termos e Intimações, a fiscalização constatou que o sujeito passivo incluiu a venda de álcool carburante (regime de apuração cumulativo) dentre as operações com direito a crédito da não cumulatividade, quando a legislação estabelece, para o período fiscalizado, que a receita auferida com a venda do álcool para fins carburantes encontrase no regime cumulativo de contribuição, e a pessoa jurídica não pode calcular créditos sobre quaisquer custos, despesas e encargos vinculados a essa receita (art. 10, inciso I da Lei nº 10.833/03). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 378 4 O sujeito passivo apresentou os dados contábeis e escrituração fiscal em meio digital, conforme Documentos anexos denominados Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, devidamente validados no SVA Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme cópias anexadas ao processo administrativo, visto que uma via de cada recibo foi entregue sob recibo ao Procurador do contribuinte, quando da prestação dos arquivos digitais. As bases de cálculos, alíquota aplicada e contribuições devidas, relativamente à Receita auferida com a venda de álcool para fins carburantes são as seguintes: Constatouse ainda que o contribuinte não efetuou o rateio entre as receitas sujeitas ao regime da cumulatividade e da nãocumulatividade, isto é, na hipótese da pessoa jurídica estar submetida ao regime nãocumulativo da contribuição (ou seja, for tributada pelo IRPJ com base no lucro real), havendo custos, despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas aos regimes cumulativo (tal como álcool para fins carburantes) e nãocumulativo da contribuição, os créditos devem ser determinados pela pessoa jurídica de acordo com os métodos de rateio/apropriação dispostos nos artigos 21 a 28 da IN SRF 404/2004 ,de 12/03/2004, publicada no DOU em 15/03/2004. [...] O autor do feito passa, na sequência, a apresentar tabelas comparativas entre os valores declarados em DACON pela contribuinte e os apurados pela fiscalização, com base nos elementos da escrituração contábil e fiscal apresentados pelo sujeito passivo. Primeiramente, faz isso com relação ao PIS e à Cofins apurados: Depois, compara os créditos a descontar informados pelo contribuinte no DACON com os créditos a descontar calculados pelo Fisco: Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 379 5 Nos quadros seguintes, o Termo de Verificação Fiscal consolida as diferenças verificadas na apuração do PIS e da Cofins pelo regime não cumulatividade e em razão da inclusão das receitas de vendas de álcool para fins carburantes no regime cumulativo. A autoridade fiscal apresenta ainda planilha expondo o controle da apuração e utilização por desconto dos créditos da não cumulatividade. Ao fim do Termo, a autoridade ainda observa o seguinte: CRÉDITOS ANTERIORES LANÇADOS NO DACON Os créditos anteriores a janeiro de 2006 foram desconsiderados pela fiscalização tendo em vista a constatação que o sujeito passivo está preenchendo incorretamente o DACON, gerando créditos considerados inexistentes pela Fiscalização, seja por não tributar o Álcool Carburante de forma cumulativa, como previsto pela legislação, seja por não ter efetuado corretamente o rateio proporcional, na forma apresentada pela fiscalização no presente lançamento. Contribuinte não registrou nenhum valor em DCTF acerca das contribuições do PIS e COFINS. Como o DACON tem natureza jurídica apenas informativa e não gera direitos em relação à decadência, ou seja, o período anterior a 01/2006 foi atingido pela decadência, mesmo com erros em seu preenchimento, o mesmo argumento se aplica em relação aos créditos indevidos informados na DACON, ou seja, entende o AuditorFiscal Notificante que não há que se falar em direito adquirido a tais supostos créditos, visto que inexistentes e manifestamente ilícitos, salvo prova em contrário nos termos da legislação Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 380 6 vigente, sem o que estarseia promovendo, em tese, o enriquecimento sem causa e ilícito do contribuinte, pois tais créditos são absolutamente inválidos, no entendimento deste Notificante. PROCESSO DE CONSULTA SOLUCIONADO O Contribuinte apresentou, sob intimação, o Processo de Consulta 10835.000136/200735, de 07/02/2007, protocolizada no CAC/DRF Presidente Prudente (SP). Foi localizada internamente a Solução de Consulta nº 306 SRRF08/DISIT, de 26/08/2010, cujo entendimento final sobre o mérito é o mesmo observado por este AuditorFiscal, ou seja, no período fiscalizado o Álcool carburante sofria incidência pelo sistema cumulativo, às alíquotas 1,46% (PIS) e 6,74% (COFINS). O sujeito passivo foi cientificado da consulta supra em 17/09/2010, conforme cópias anexas, através do Comunicado SEORT/DRF/CPS nº 1.615/2010, de 01/09/2010 e, além disso, apesar de intimado e reintimado, não tomou quaisquerdas providências cabíveis para as retificações e respectivos recolhimentos cabíveis nos aplicativos da Receita Federal (DACON e DCTF). Entende o Notificante que o procedimento do sujeito passivo caracteriza, em tese, ilícito contra a ordem tributária, visto que mesmo cientificado da irregularidade dos procedimentos realizados até então, não retificou as Declarações apresentadas (DCTF e DACON) e nem efetuou quaisquer recolhimentos pertinentes, no prazo legal de 30 (trinta) dias após a ciência da Solução de Consulta acima. Com tal procedimento, caracterizado, em tese, como doloso e lesivo ao Erário efetuado pelo contribuinte, especialmente após a ciência da consulta em questão, há que se observar o prazo decadencial mais favorável à União, previsto no Artigo 173, inciso I, combinado com o Artigo 150, parágrafo quarto, ambos do CTN Código Tributário Nacional. [...] Anotou ainda a fiscalização que a ação fiscal estava sendo encerrada parcialmente, continuando em andamento a verificação em relação aos períodos posteriores. Notificada da exigência em 31/03/2011, em 02/05/2011 a contribuinte postou impugnação argumentando, em síntese, o que segue. [...] Ao fim da peça de impugnação, a contribuinte assim resume suas pretensões: (a) reconhecer a NULIDADE do MPF 08.1.04.002009010506 e, por conseqüência, do lançamento consubstanciado no Processo Administrativo 10830.7204728/201124 por se referirem a fatos que estão pendentes de serem solucionados no Processo de Consulta nº 10835.000136/200735, [... ] o que invalida o MPF [...] Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 381 7 (b) subsidiariamente, reconhecer a existência de saldos credores acumulados da contribuição ao PIS e da COFINS referentes aos períodos de apuração até dezembro de 2005 (tacitamente homologados ou cuja verificação pelo Fisco se torna impossível pelo decurso do prazo decadencial), injustificadamente desconsiderados pela fiscalização, abatendose no montante dos créditos aquilo que eventualmente for devido e lançado no presente auto de infração; (d) também de forma subsidiária o reconhecimento de que, na forma do art. 10 da Lei n. 10.833/03, as receitas sujeitas ao regime concentrado não estão vinculadas à sistemática cumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, o que inverte o cálculo do rateio em relação àquilo que fez a fiscalização, devendo ser adotado o cálculo aqui apresentado pela Impugnante. O acórdão da DRJ foi pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PENDÊNCIA DE CONSULTA. Não é nulo o auto de infração que exige crédito tributário relativo a matérias diversas daquelas tratadas em processo de consulta pendente de solução. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃOCUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 382 8 estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃOCUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da Cofins, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Cofins, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 383 9 A contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde argumenta em síntese, reproduzindo o relatório da Resolução nº 3401000.749, de 25 de julho de 2013, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara: [...] Alega que o Termo fiscal encerrou parcialmente a fiscalização, ressalvando que as competências de janeiro a abril de 2006 poderiam ser submetidas a novos exames. Pondera contra a revisão de competências já tratadas em lançamento pois a Administração Fiscal não teria o direito de prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência adiando por tempo indeterminado a possibilidade de rever aquilo que já fez. Acrescenta que a auditoria apurou, com base no aplicativo CONTAGIL, valores passíveis de aproveitamento como crédito. Contudo, prossegue, o Fisco não descreveu os itens que a seu ver não dariam direito a crédito. Ainda, alerta que a planilha que está anexada à intimação (Modelo Analítico Dinâmico dos Itens de Notas Fiscais de Entrada) não permite nenhum tipo de identificação de quais bens foram tratados entre aqueles que dão direito a crédito e quais foram excluídos do creditamento. E conclui que sem a indicação do que se entende que não gera direito a crédito fica nítido o cerceamento do direito de defesa visto que a fiscalização desconsiderou aproximadamente R$ 1,5 milhões (que representam 95%) dos bens adquiridos para revenda. A Recorrente se insurge contra o trabalho fiscal tenho em vista a consulta sobre interpretação da legislação tributária formulada à Administração Pública, objeto do presente processo. Alega em síntese: A Recorrente tem sua sede administrativa localizada no município de Presidente Prudente/SP, e dentre seus objetivos sociais, está a distribuição de combustíveis líquidos, derivados de petróleo e álcool combustível. Na execução de seu objetivo social, adquire combustível diretamente dos produtores e de outras empresas distribuidoras (que nessa condição são chamadas de "congêneres"). Nesse ponto é preciso consignar que não há como o empresário, devido à sua descomunal obrigação em relação à legislação conhecer todos os seus direitos e obrigações, por exemplo, no âmbito tributário, contábil, trabalhista, ambiental, do direito do consumidor, etc. [...] Como regular contribuinte, que sempre buscou cumprir suas obrigações fiscais, acessórias e principais e, considerando sua atividade, em 07 de fevereiro de 2007 valeuse dessa via e apresentou, na DRF/Presidente Prudente, consulta autuada sob n. 10835.000136/200735, dirigida à Superintendência da Secretária da Receita Federal da 8ª Região Fiscal. Em suas razões, a Recorrente expôs sua situação (de ser empresa Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 384 10 distribuidora de combustíveis), que adquire álcool etílico hidratado carburante (AEHC) de distribuidores congêneres e revende a mercadoria tanto para outros distribuidores quanto para a rede varejista. A dúvida que motivou a consulta surgiu em vista das disposições da Medida Provisória 199118/ 00 e das Leis 9.900/00; 10.637/02; 10.833/03 e 10.865/04 que disciplinam que a tributação sobre o álcool para fins carburantes com alíquota de: 1,46% (PIS) e 6,74% (COFINS) nas distribuidoras, sem esclarecer a hipótese de operação de compra e venda entre empresas congêneres, ou seja, uma distribuidora de combustível adquirindo o produto de outra distribuidora. [...] Ainda que a Fiscalização tenha levantado que a consulta foi solucionada e o Contribuinte foi cientificado da decisão em 17 de setembro de 2010, devese ter em conta que o Mandado de Procedimento Fiscal teve seu início em 18 de agosto de 2009. [...] A Recorrente argumenta ainda que o art. 48 do Decreto 70.235, de 1972 impede a instauração de procedimento fiscal contra contribuinte relativamente a questão que se encontra pendente de consulta, o que tornaria nulo o lançamento. A Recorrente alega que teria sido tolhida no exercício do seu direito de defesa na medida em que o auditor não lhe devolveu os documentos que foram entregues no curso do trabalho fiscal, notadamente o LALUR, Livro de Apuração do Lucro Real. Solicita, dessa forma, que o prazo de defesa lhe seja reaberto após a devolução dos documentos em foco. Sobre a desconsideração dos créditos não cumulativos apurados antes de janeiro de 2006, alega a Recorrente que: O direito de se valer dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS na modalidade não cumulativa seguem a regra geral do CTN, portanto, extinguindose com o decurso do prazo de cinco anos, no caso, contados a partir do período de apuração de aquisição do insumo. Assim, a Receita Federal do Brasil considera a dedução dos créditos do PIS e da COFINS uma "restituição", e não aceita a dedução de saldo credor originários de fatos geradores com mais de cinco anos, contados do fato gerador. Tomado esse norte, da mesma forma que não poderia hoje o Recorrente querer utilizar créditos gerados a partir da aquisição de insumos relativos ao período de apuração anteriores a dezembro de 2005, não pode também a administração retroagir mais de cinco anos para desconsiderar os créditos acumulados como fez no curso da ação fiscal. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 385 11 Superado o lustro, ou considera –se tacitamente homologada a apuração feita pelo contribuinte ou operam – se os efeitos da decadência [...] Dessa forma é descabida a pretensão da Autoridade Fiscal quando desconsidera os saldos de crédito acumulados até dezembro de 2005 [...]. Devem eles ser mantidos e abatidos em relação ao valor lançado, se eventualmente subsistir o trabalho fiscal, haja vista a nulidade apontada no tópico anterior. Seguindo, a Recorrente contesta a desconsideração de créditos por parte da auditoria sem a necessária motivação, o que tornaria nulo o procedimento: No "Termo de Verificação" a fiscalização diz que os créditos da não cumulatividade foram apurados com base nos elementos da escrituração contábil e fiscal, apresentadas em meio digital pelo contribuinte, cujos valores foram submetidos ao aplicativo de Auditoria Fiscal CONTAGIL, que apurou os valores passíveis de aproveitamento como crédito conforme dados constantes de planilha que seguiu anexada à autuação. Apesar disso não descreve os itens que a fiscalização entende que dão ou não dão direito a crédito. A planilha que está anexada à intimação (Modelo Analítico Dinâmico dos Itens de Notas Fiscais de Entrada) não permite nenhum tipo de identificação de quais bens foram tratados entre aqueles que dão direito a crédito e quais foram excluídos do creditamento. Ora, a fiscalização teve acesso a todos os documentos da Contribuinte, incluído o livro razão, e não teve sequer o cuidado de indicar as situações que segundo seu entendimento não dão direito a crédito! Ao mesmo tempo o art. 3º da Lei n. 10.637/02 e da Lei n.º 10.833/03 são claros em relacionar as situações que geram direito ao desconto de créditos, de forma que, observada essa situação, o direito a crédito é decorrência lógica e inconteste. A fiscalização desconsiderou aproximadamente R$ 1,5 milhões (que representam 95%) dos bens adquiridos para revenda, e tudo sem a indicação do que se entende que não gera direito a crédito. Dessa maneira é nítido o cerceamento de defesa visto que a Contribuinte não tem sequer como entender quais situações tiveram o crédito desconsiderado. Em mais esse ponto, portanto, é viciado o trabalho da fiscalização, o que não pode resultar em outra consequência, senão a anulação do lançamento pela incompletude do trabalho da fiscalização e pelo claro prejuízo à Contribuinte que fica impossibilitada de apresentar defesa contra esse aspecto. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 386 12 No tocante à apuração do PIS e da Cofins, a contribuinte aponta falhas na auditoria: [...]a fiscalização afirma que a Contribuinte não efetuou o rateio entre as despesas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não cumulatividade. Constata que teve receita [...] originária de operações com produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica do PIS e da COFINS; deixou sem esclarecimento quais das atividades estão sujeitas à incidência concentrada e que deram origem a essas receitas. Afirma que na hipótese de a pessoa jurídica estar submetida ao regime não cumulativo, havendo custos e despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo, os créditos devem ser determinados de acordo com os métodos de rateio/apropriação dos arts. 21 a 28 da INSRF 404/04. Em determinada altura do "Termo de Verificação" (item 12) confunde os regimes de recolhimento com os de apuração quando diz que a Contribuinte erra: [...] por não ter efetuado o rateio proporcional, entre as receitas não cumulativas e as cumulativas concentradas, na forma apresentada pela fiscalização no presente lançamento. Nesse ponto é preciso deixar bem clara a diferença entre "regime de recolhimento monofásico ou concentrado" e regimes de incidência "cumulativa" e "não cumulativa". Apesar de a comercialização ou produção de um determinado serviço ou produto estar submetido ao regime especial ou incidência monofásica com alíquota zero nas cadeias subsequentes, a diferenciação entre regime não cumulativo e cumulativo é feita na forma da Lei n.º 10.637/02 e Lei n.º 10.833/03, que expressamente designam quais estão na exceção do regime cumulativo, nos seguintes termos (Lei n. 10.833/03) [...] Com relação às receitas vinculadas à tributação concentrada, tratase de comercialização, principalmente, de óleo diesel e gasolina. Nessa situação, embora não possa descontar os créditos relativamente aos bens adquiridos para revenda (art. 3º inciso I da Lei nº 10.833/03) pode apurar esses créditos em relação a determinadas situações como o consumo de energia elétrica (art. 3 o , inciso III da Lei n. 10.833/03); aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (inciso IV); contraprestações de operações de arrendamento mercantil (inciso V); máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (inciso VI); armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (inciso IX), entre outros [...] Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 387 13 Citando soluções de consulta da Receita Federal prossegue concluindo que revendedores de produtos sujeitos à alíquota zero ou tributação concentrada, podem ao mesmo tempo estar no regime nãocumulativo e descontar créditos em relação a determinadas operações que mesmo sujeitas a alíquota zero ou tributação concentrada, não há vedação ou rateio do crédito, podendo ser tomado integralmente. E continua: Diferente do entendimento da auditoria quando vinculou as receitas sujeitas à tributação concentrada à sistemática cumulativa, o que o art. 2º, § 1º da Lei n. 10.833/03 faz é simplesmente estabelecer uma alíquota diferenciada para o recolhimento das contribuições; nesse sentido, não exclui nenhuma atividade do regime não cumulativo: Art. 2º . Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o. Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I Nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; [...] A tributação concentrada ou monofásica não se confunde com os regimes cumulativo ou não cumulativo de apuração das contribuições, como parece entender a fiscalização quando no "Termo de Verificação" anota que a Contribuinte erra quando não efetua "o rateio proporcional entre as receitas não cumulativas e as cumulativas concentradas". De modo geral, a tributação monofásica consiste na atribuição da responsabilidade ao fabricante ou importador de certos produtos de recolher as contribuições à uma alíquota diferenciada (leiase majorada), de modo a "concentrar" a carga tributária incidente sobre toda a cadeia produtiva. Por outro lado, a venda dos produtos monofásicos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas) fica sujeito à alíquota zero. Assim, os demais elos da cadeia dos produtos submetidos ao regime monofásico, à exceção do produtor ou importador (responsáveis pelo recolhimento do tributo à uma alíquota maior) ficam desobrigados do recolhimento porquanto sobre a receita por eles auferida aplicase a alíquota zero. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 388 14 A circunstância dessa receita estar submetida à alíquota zero não impede que estes contribuintes possam manter os créditos em relação a determinadas despesas, como garante o art. 17 da Lei n. 11.033/04: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. É nesse sentido que a Contribuinte apurou créditos em relação aos custos com comercialização de óleo diesel (principalmente) e gasolina, não estando impedida de efetuar o rateio correto [...] O rateio apresentado pela fiscalização no "Termo de Verificação" é equivocado pois exclui as receitas do regime concentrado. Dessa maneira, o correto seria calcular [...] créditos sobre o somatório das receitas não cumulativas e concentradas [...], sendo essa a maneira certa de aplicação do rateio, pelo fato de as receitas do regime concentrado não necessariamente estarem vinculadas ao regime cumulativo, como se demonstrou. A Recorrente por fim requer: (a) reconhecer a NULIDADE do MPF 08.1.04.002009010506 e, por consequência, do lançamento consubstanciado no Processo Administrativo 10830.7204728/201124 por se referirem a fatos que estão pendentes de serem solucionados no Processo de Consulta nº 10835.000136/200735, [... ] o que invalida o MPF [...] (b) subsidiariamente, reconhecer a existência de saldos credores acumulados da contribuição ao PIS e da COFINS referentes aos períodos de apuração até dezembro de 2005 (tacitamente homologados ou cuja verificação pelo Fisco se torna impossível pelo decurso do prazo decadencial), injustificadamente desconsiderados pela fiscalização, abatendose no montante dos créditos aquilo que eventualmente for devido e lançado no presente auto de infração; (c) de forma subsidiária o reconhecimento de que, na forma do art. 10 da Lei n. 10.833/03, as receitas sujeitas ao regime concentrado não estão vinculadas à sistemática cumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, o que inverte o cálculo do rateio em relação àquilo que fez a fiscalização, devendo ser adotado o cálculo aqui apresentado pela Impugnante. Em 25/07/2013, por meio da Resolução nº 3401000.749, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, o julgamento foi convertido em diligência para: Diferentemente, o colegiado houve por bem ver esclarecido primeiro se este lançamento, que engloba apenas os meses de janeiro e fevereiro de 2006, efetivamente alcança alguma receita obtida com a revenda de combustível adquirido de outra Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 389 15 distribuidora. Assim, decidiu, por maioria, determinar a realização de diligência para que: a) a fiscalização afirme se em algum dos meses objeto do lançamento há na base de cálculo por ela adotada a inclusão de receitas que a contribuinte tenha obtido com a revenda de combustível adquirido de outras distribuidoras e, em caso afirmativo, discrimine o valor dessas receitas e o montante de cada tributo sobre elas exigido neste processo; b) confirme se esse é o objeto da consulta formulada, se ela foi declarada ineficaz, e informe a data em que a empresa foi validamente comunicada de seu resultado; c) sendo a data acima posterior à de início da ação fiscal, aponte por que, ainda assim, entende cabível aquela inclusão. Em 09/04/2014 a Delegacia da RFB em Campinas por meio da informação fiscal afirma: que a consulta foi formulada à unidade da RFB que não a do domicílio tributário, contrariando o art. 47 do Decreto nº 70.235/72; o MPF foi genericamente dirigido às contribuições para o PIS e COFINS, período de janeiro a dezembro de 2006; A consulta foi respondida pela SRRF em São Paulo por meio da SC nº 306, de 26/08/2010, e o contribuinte foi cientificado do teor por meio do Comunicado Seort/DRF/CPS nº14615/010, de 01/09/2010, cuja ciência ocorreu em 17/09/2010, na sede do estabelecimento 001, em Paulínia (SP); o contribuinte não adotou providências de retificação das declarações e/ou recolhimentos após os 30 dias da ciência da consulta, nos termos do art. 48 do Decreto nº 70.235/72; quanto aos questionamentos apresentados por meio da Resolução Carf nº3401000.749, esclarece: a) sim, em relação ao álcool carburante, com tributação no regime cumulativo no período apurado de débito, conforme legislação vigente e da própria Solução de Consulta em questão, que o contribuinte deliberadamente houve por bem não acatar. Segue abaixo a discriminação da base de cálculo, alíquota e contribuição por tributo: Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 390 16 b) Não consta que a consulta foi declarada ineficaz, e sua ciência ocorreu em 17/09/2010, conforme AR anexado aos autos do processo. Ressaltese que o primeiro AI foi lavrado em 29/03/2011. Entende o notificante que no momento da lavratura não havia impedimento para a constituição do crédito tributário; c) segue resumo dos motivos pelos quais o notificante entende que a inclusão é pertinente e o débito deve ser mantido: o contribuinte exigiu protocolo da consulta em local diverso do previsto nas normas com isso a DRF Campinas não teve ciência da existência da consulta à época da emissão do MPF; a determinação da fiscalização foi baseada em indicativos e pesquisas internas da RFB e foram apuradas diversas outras irregularidades e créditos tributários não relacionados na consulta; é inverosímel a alegação do sujeito passivo que não teve ciência da consulta; e ele não adotou as providencias necessárias para corrigir os erros no prazo legal após a ciência da consulta; solicita o notificante aos senhores julgadores que seja revista a questão do dolo relativo à prática de sonegação das contribuições devidas; Em 19/02/2014 a DRF Campinas apresenta informação fiscal complementar: como nos autos não consta a ciência do sujeito passivo em relação à Resolução Carf nº3401 000.749, foi acionado o procedimento digital de ciência eletrônica e por isso retificada a informação fiscal, tendo em vista a ciência por meio eletrônico; Em 19/02/2014 foi disponibilizada a informação fiscal e demais documentos na caixa postal do contribuinte, sendo a ciência por decurso de prazo considerada em 06/03/2014. Em 20/02/2014 as 15:56h o contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos. Em 25/03/2014 a DRF Campinas acusa o recebimento de aviso postal com as alegações do contribuinte em relação à informação fiscal: a própria autoridade fiscal admite que o que era objeto de consulta foi submetido a fiscalização, o que implica na nulidade de todo o procedimento; admite também que a consulta foi respondida e não declarada ineficaz; Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 391 17 a legislação veda retificações no curso de procedimento fiscal, havendo inclusive perda da espontaneidade; requer seja anulado o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar: da consulta e seus efeitos. A recorrente protocolou em 07/02/2007 pedido de solução de consulta relativa às contribuições PIS e Cofins. Ela apresentou as seguintes informações e questionamentos: é empresa distribuidora de líquidos derivados de petróleo e álcool combustível; adquire álcool etílico hidratado carburante de distribuidores congêneres e revende a referida mercadoria para outras distribuidoras e rede varejista; a MP 1.99118/2000 e as Leis nº 9.900/200, 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004 tributam o álcool para fins carburantes com alíquotas de 1,46% PIS e 6,74% Cofins nas distribuidoras; na legislação não existe a hipótese de operação de compra e venda entre empresas congêneres, ou seja, a aquisição de outra distribuidora; conclui com o questionamento se caberia a incidência ou não do PIS e Cofins quando uma distribuidora adquire o produto de outra distribuidora, e quais alíquotas seriam aplicadas. A DRF Campinas emitiu o MPF nº 08.01.04.002009010506 para verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte nos meses de janeiro a dezembro de 2006, relativas às contribuições do PIS e Cofins. A fiscalização teve início em 03/09/2009 com a lavratura do Termo de Início de fiscalização e intimação fiscal. Segundo o Decreto nº 70.235/1972: Art. 48 Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente a data da ciência: I – de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II – de decisão de segunda instância. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 392 18 Está claro que o Decreto nº 70.235/1972 proíbe a instauração de procedimento fiscal contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada. Como o procedimento fiscal foi aberto em sentido amplo, entendo, a princípio, que poderia ser abarcado pelo mesmo somente as obrigações tributárias relativas às contribuições do PIS e Cofins que não se enquadrassem no objeto da consulta que é a tributação do álcool etílico hidratado carburante, no regime monofásico, quando a compra ou venda ocorrerem entre distribuidoras. Quanto ao alegado na autuação sobre a ineficácia da consulta e sobre a não produção de efeitos pelo fato de a mesma ter sido protocolada em unidade diferente do domicilio fiscal do contribuinte, temos que o art. 48 da Lei nº 9430/96 estipulava, redação válida no período, que: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. ... § 1º A competência para solucionar consulta ou declarar sua ineficácia será atribuída: I – a órgão central da SRF, nos casos de consultas formuladas por órgão central da administração pública federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional; II a órgão regional da SRF, nos demais casos. Logo, fica claro que quem poderia alegar a ineficácia da consulta seria a autoridade competente para efetuar a análise da consulta, e isso não foi efetuado já que a consulta foi solucionada conforme SC nº 306, de 26 de agosto de 2010, pela Divisão de Tributação/DISIT da SRRF08. Quanto a não produção de efeitos pelo descumprimento do art. 47 do Decreto nº 70.235/1972 e aplicação do art. 52: Art. 47. A consulta deverá ser apresentada por escrito, no domicilio tributário do consulente, ao órgão local da entidade incumbida de administrar o tributo sobre que versa. Art. 52. Não produzirá efeitos a consulta formulada: I – em desacordo com os artigos 46 e 47; ... Divirjo do entendimento exarado pela fiscalização quanto a não produção de efeitos da consulta. De fato o Decreto nº 70.235/1972 estipula que a consulta deverá ser apresentada no domicilio tributário do consulente, e a IN nº 740/2007, vigente à época, estipulava que a consulta seria formulada pelo estabelecimento matriz e a solução aproveitada por todos os estabelecimentos. O domicílio fiscal do contribuinte é aquele que ele elege perante RFB, e é esse domicilio que esta apto a receber as intimações da RFB. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 393 19 Não é possível imaginar uma empresa como uma entidade fragmentada no exercício dos seus direitos e também não é possível imaginar a RFB como um órgão particionado. Ora a RFB é única e por isso qualquer unidade está apta a receber os pleitos dos contribuintes e encaminhálos a quem deve solucionálos conforme as prerrogativas e competências institucionais. Se a RFB reparte as atividades é por necessidades administrativas e melhoria de procedimentos, mas a partir do momento em que aceita receber e protocolar um pleito do contribuinte entendo que foram sanadas as falhas quanto ao protocolo na unidade de jurisdição do domicilio tributário, e mais, a partir do momento em que a consulta foi solucionada, e o julgador não encontrou óbices para a solução da consulta, não nos resta mais falar sobre a não produção de efeitos. Também discordo do entendimento da fiscalização de que o assunto está disciplinado em leis e normas publicadas antes da apresentação da consulta, pois se assim fosse a própria RFB declararia a ineficácia da consulta. O que não ocorreu. Ademais é o próprio entendimento da RFB em seu art. 14 da IN 740/207 que esclarece quanto a produção de efeitos da consulta: Art. 14 A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da solução de consulta. Ora se a consulta foi respondida pela RFB é porque ela foi considerada eficaz, já que no caso de ineficácia ela deveria ter sido declarada pela autoridade julgadora. Se ela é eficaz, ela produz efeitos. O recebimento da consulta pela unidade da RFB gerou no contribuinte expectativa de solução, e a resposta à consulta garantiu a certeza que as formalidades foram cumpridas ou sanadas. Não pode a administração pública acarretar insegurança jurídica ao contribuinte por não ser coerente em suas atividades. Por todo o exposto entendo que a consulta foi eficaz e por isso produziu efeitos relativamente à matéria consultada até o trigésimo dia seguinte ao da ciência pelo consulente, e que o escopo da consulta, que estaria abrangido pelo art. 48 do Decreto nº 70.235/1972, seria as obrigações tributárias relativas às contribuições do PIS e Cofins que se enquadrassem na tributação do álcool etílico hidratado carburante, no regime monofásico, quando a compra ou venda ocorrerem entre distribuidoras. Da impossibilidade de retificação dos dados pela empresa. Outro ponto que merece ser discutido antes de entrarmos no mérito é sobre a possibilidade da empresa retificar suas informações após o resultado da consulta formulada. A consulta da contribuinte foi solucionada em 26/08/2010, SC nº 306, pela Divisão de Tributação/DISIT da SRRF08. E a contribuinte tomou ciência da Solução de consulta em 17/09/2010, conforme AR anexado aos autos. A empresa alega que a ciência é inválida já que foi realizada em domicílio tributário indevido do contribuinte e por pessoa não autorizada. O domicílio tributário da Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 394 20 matriz do contribuinte é a DRF Campinas, e a consulta foi protocolada na DRF Presidente Prudente. Segundo a Informação Fiscal, resultado da diligência efetuada, o contribuinte foi cientificado do teor da consulta por meio do Comunicado Seort/DRF/CPS nº14615/010, de 01/09/2010, cuja ciência ocorreu em 17/09/2010, na sede do estabelecimento 0001, em Paulínia (SP), que pertence a jurisdição da DRF Campinas. Ora o protocolo em unidade diferente do estipulado pela IN SRF 740/2007 foi convalidado pela Superintendência da RFB com a emissão da solução da consulta, e por isso a ciência foi encaminhada à unidade do domicilio fiscal da matriz da empresa, então não prospera a argumentação da empresa sobre a invalidade do domicilio tributário. E qualquer falha no recebimento da ciência foi sanada a partir do momento que a própria contribuinte admite conhecer o teor da solução de consulta. Ou seja, o ato de ciência alcançou seu efeito. O sujeito passivo tinha espontaneidade para fazer as retificações em seus registros contábeis até 30 dias após a data da ciência, ou seja, até trinta dias após 17/09/2010, conforme art. 48 do Decreto nº 70.235/1972, entretanto essas alterações não foram efetuadas, pois o contribuinte alega que como estava sob procedimento fiscal não poderia fazer as retificações. Então razão parcial assiste a recorrente ao alegar que estava sob procedimento fiscal e não poderia fazer as retificações. De fato ao iniciar o procedimento fiscal a empresa perde a espontaneidade para fazer retificações, o que significa que ela não deixará de estar sujeita as multas aplicáveis. Entretanto isso não significa que ela não possa fazer as retificações. Ela poderá fazer, mas caso o procedimento esteja em andamento, a fiscalização constatando que a retificação foi efetuada depois caberá a aplicação das multas. Assim, a empresa poderia ter efetuado a retificação e não o fazendo incidiu nas sanções legais que foram aplicadas pela fiscalização. Sob a validade do auto de infração emitido após a data da solução da consulta. Já é posicionamento dominante no CARF que eventuais omissões ou incorreções que afetem o MPF não contaminam a autuação, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada para a autoridade fiscal, que não pode se eximir de fazer o lançamento, conforme art. 142 do CTN. PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Acórdão nº 9303.003.876, de 19/05/2016, do conselheiro Rodrigo da Costa Possas. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 395 21 A autuação ocorreu em 29/03/2011, após a produção de efeitos da consulta, no que tange ao objeto consultado, o que conforme o entendimento dominante expresso no acórdão citado, e com o qual concordo, seria plenamente cabível. Concluo que como o auto de infração foi emitido após 30 dias da ciência da solução de consulta ele é válido. DOS LANÇAMENTOS COMPLEMENTARES. A recorrente alega que o processo 10830.721425/201106, não apenas efetuou ajustes no lançamento anterior, mas refez todo o lançamento dos processos: 10830.001238/201102, 10830.001756/201118 e 10830.720472/201124. Comparando as autuações temos que: PROCESSO PERÍODO LANÇADO SUPLEMENTAR DATA LANÇAMENTO SITUAÇÃO PROCESSO 10830.721425/201106 05 A 12/2006 01 A 04/2006 27/05/2011 Com relatora 10830.001238/201102 01 A 02/2006 28/01/2011 Com relatora 10830.001756/201118 01 A 02/2006 Julgado 10830.720472/201124 03 A 04/2006 29/03/2011 Com relatora In casu, o auto sob análise nesse processo referese ao valor apurado em relação ao que 03/2006 e 04/2006, parecendo haver relação entre os processos, visto que o período, demonstrativos, situações, todos insertos nos dois Autos de Infração, a primeira vista parecem serem idênticos, e considerando o lançamento suplementar efetuado. Isso nos leva a crer que se trata da mesma ocorrência. Mas não é possível precisar qual o escopo dessa autuação sem adentrar na análise do mérito do processo 10830.721425/201106, cujo lançamento suplementar ocorreu em data posterior a data do lançamento desse processo. Seria descabida uma nova exigência relativa à situação anteriormente considerada, sob pena de se incorrer na figura esdrúxula do bis in idem, prática não aceita no Direito Tributário Brasileiro. Entretanto, é preciso verificar se o lançamento foi efetuado novamente, ocorrendo a anulação do presente lançamento, ou se ele foi complementado. O processo 10830.001756/201118 foi julgado em 25/07/2013, acórdão nº 3401002.339, onde deuse provimento ao recurso voluntário para considerar nulo o lançamento, conforme ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 REFISCALIZAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO AO ART. 149 DO CTN. INEXISTÊNCIA. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A revisão do lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente comprovada a ocorrência de algumas das hipóteses permissivas, elencadas no artigo 149, e incisos, do CTN. Inexistindo subsunção dos fatos ensejadores da revisão de lançamento àquele dispositivo legal, cingese a autuação de vício material e consequente nulidade. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 396 22 Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Segundo o voto da relatora: O termo de verificação fiscal colacionado aos autos informa que a presente Autuação referese a lançamento complementar ao Auto de Infração nº. 10830.0001238/201102, em razão da constatação de erro de digitação no aplicativo interno de auditoria SAFIRA, na qual foi colocado o valor da contribuição como base de cálculo, o que culminou num lançamento a menor no processo principal. Evidenciase, deste modo, que ao realizar lançamento complementar, a autoridade fiscal procedeu com a revisão de ofício do processo principal quando da apuração do equívoco dos valores alhures referidos. É o que se verá adiante. Inicialmente, cumpre destacar que a feitura do termo de verificação fiscal complementar se deu após a notificação do lançamento principal, conforme foi constatado pela DRJ quando do julgamento do processo principal acima indicado, na fl. 06 do Acórdão nº. 0537.646, in verbis: “Notificada da exigência em 29/01/2011, em 01/03/2011 a contribuinte postou impugnação argumentando, em síntese, o que segue. (...) Destaca que foi intimada do lançamento em 29/01/2011 e que em 08/02/2011 recebeu Termo de Verificação Complementar para sanear R$ 50.642,25 de diferença lançada a menor, valor esse que será objeto de auto de infração específico.” Temse, assim, que no momento da ciência do lançamento principal ao sujeito passivo, operouse a constituição definitiva do crédito, ... Portanto, ao Fisco, se não houver provocação do sujeito passivo (incisos I e II), apenas será permitida a realização de revisão do lançamento nas hipóteses do art. 149, do CTN, in verbis: ... Logo, a retificação de ofício do Auto de Infração apenas será possível quando demonstrada a subsunção da situação fática descrita à norma, qual seja erro de digitação no sistema ensejador de equívoco na apuração da base de cálculo, com o consequente recolhimento a menor, a uma das hipóteses previstas no dispositivo acima transcrito. Contudo, uma perfunctória leitura do art. 149 do CTN permitirá reconhecer a ausência de enquadramento do fato analisado no Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 397 23 presente processo administrativo, inexistindo, portanto, amparo legal que justifique o lançamento sob análise. ... Salientese que a nulidade em razão da indevida retificação de ofício é de natureza material, por atingir elemento essencial do lançamento, de modo a tolher qualquer pretensão arrecadatória. ... Destarte, não subsistem razões que permitam o prosseguimento da pretensão fazendária no que concerne aos valores discutidos na ação fiscal em epígrafe, uma vez que constatado vício de natureza material, enseja, assim, o reconhecimento da sua nulidade. Portanto o processo 10830.001756/201118, já se encontra julgado definitivamente no âmbito do CARF, não havendo propositura de Recurso Especial. Quanto ao presente processo, constam nos autos vários TVFs, e a fiscalização afirma que a fiscalização foi feita por parte, sendo emitidos termos complementares e lançamentos complementares, assim que foram constatadas diferenças nos lançamentos anteriores efetuados. A fiscalização informa também ter dado ciências parciais ao contribuinte. Para os meses de março e abril de 2006 foi efetuado lançamento complementar, conforme TVF fls. 77 e sgs, lavrado em 29/03/2011, relativo ao PA 10830.720472/201124: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao MPF n° 08.1.04.00200901050 6, procedemos às verificações relativas ao cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, nos meses de março e abril de 2006, relativas às contribuições do PIS e da COFINS, resultando na lavratura do presente lançamento de ofício, com o objetivo de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, prevenindo a eventual discussão sobre prazos decadenciais e tendo em vista que foi apurada a infração aos dispositivos legais adiante mencionados. As Fls. 91 e sgs.. consta novo TVF, para os períodos de janeiro a dezembro de 2006, com data de lavratura em 27/05/2011: PARTE B LANÇAMENTOS REF. AJUSTES DOS OUTROS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NESTE PROCEDIMENTO FISCAL 12.Considerando que o contribuinte apresentou com deficiência, apesar de intimado e reintimado, os relatórios, planilhas, demonstrativos e documentação relativos aos bens para revenda, quanto à validade dos créditos a descontar em geral, no que se refere ao regime da não cumulatividade, e especialmente deixou de apresentar os documentos relativos aos aluguéis de imóveis e de locação de máquinas e equipamentos, ambos de pessoas Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 398 24 jurídicas (comprovação da finalidade e validade do suposto crédito, recibos, notas fiscais, contratos, etc), conforme lançamentos no DACON, os valores de créditos a descontar preliminar e inicialmente aceitos, mediante rateio proporcional, estão sendo ora desconsiderados pelo Fisco e lançados a título de contribuições suplementares, em razão dos procedimentos finais de encerramento da ação fiscal e da falta de completa e necessária comprovação documental, conforme quadro abaixo: ... 13. Considerando a grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo; as dificuldades geradas pelo contribuinte durante a ação fiscal, pela morosidade e apresentação deficiente de elementos, justificativas e documentos, bem como pela grande discrepância entre os valores de contribuição apurados pelo Fisco e os declarados pelo sujeito passivo, efetuouse, para fins de encerramento do procedimento fiscal, uma revisão final dos documentos, informações e arquivos digitais em poder da Fiscalização, elaborandose, no período janeiro a abril de 2006, um novo quadro demonstrativo das receitas, com base nos dados contábeis do próprio sujeito passivo, e constantes do Anexo V, cujo resumo segue abaixo: ... 14. Com base no quadro acima, e nos valores lançados anteriormente, foram apuradas as seguintes diferenças, relativas às receitas não cumulativas, no período de janeiro a abril de 2006: ... 15.0s valores consolidados da parte B, referente aos ajustes finais do período janeiro a abril de 2006 são os seguintes: Não resta dúvida, a partir da leitura dos excertos acima reproduzidos do TVF, que, para os meses de março e abril de 2006, o que consta nos presentes autos é a complementação do que foi lançado nos outros processos. Quanto a possível alegação que não caberia revisão de ofício nos moldes do art. 149 do CTN, discordo desse posicionamento. Entendo que a fiscalização efetuou a revisão do lançamento, dentro do prazo legal e ao amparo da legislação em vigor: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 399 25 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Do não acesso ao Lalur (livro de apuração do lucro real) A recorrente alega que a auditoria estava em poder, de entre outros documentos, o livro de apuração do lucro real (LALUR) e que a decisão da DRJ foi que os documentos não devolvidos não seriam relevantes para a defesa. A DRJ assim se posicionou no acórdão recorrido: Ainda com relação ao trabalho fiscal, alega a contribuinte cerceamento de defesa já que ficou impedida de elaborar defesa técnica pela retenção do Livro de Apuração do Lucro Real pela auditoria. Inicialmente, é preciso destacar que a contribuinte construiu defesa bem argumentada, demonstrando ter conhecimento de todos os pontos que fundamentaram o lançamento fiscal, o que de pronto já afasta a possibilidade de ter sido tolhida em seu exercício do direito de defesa. Não obstante, eventual não devolução do LALUR não acarretaria nenhum prejuízo à construção da defesa da contribuinte. Isto porque, é preciso lembrar, o presente auto de infração referese a autuação do PIS e da Cofins, não tendo qualquer relação com esses tributos os registros levados ao Livro de Apuração do Lucro Real. Finalmente, é preciso Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 400 26 acrescentar que os demais elementos da escrituração fiscal e contábil foram apresentados em cópias digitais, sendo certo que a contribuinte mantém os originais dos registros em seu poder. Segundo informações constantes no site da Receita Federal na internet: O Livro de Apuração do Lucro Real, também conhecido pela sigla Lalur, é um livro de escrituração de natureza eminentemente fiscal, criado pelo Decreto Lei nº 1.598, de 1977, conforme previsão do § 2º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, e alterações posteriores, e destinado à apuração extra contábil do lucro real sujeito à tributação pelo imposto de renda em cada período de apuração, contendo, ainda, elementos que poderão afetar os resultados de períodos futuros,. O Lalur, cujas folhas são numeradas tipograficamente, é composto de duas partes, com igual quantidade de folhas cada uma, reunidas em um só volume encadernado, a saber: a) Parte A, destinada aos lançamentos de ajuste do lucro líquido do período (adições, exclusões e compensações), tendo como fecho a transcrição da demonstração do lucro real; e b) Parte B, destinada exclusivamente ao controle dos valores que não constem da escrituração comercial, mas que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos futuros. Acompanho o posicionamento da DRJ para o qual não houve prejuízo para a recorrente, já que a autuação referese às contribuições de PIS/Pasep e Cofins, cujas informações podem ser obtidas em outros livros e documentos em poder do contribuinte, não sendo imprescindível o acesso ao Lalur para efetuar a defesa. Tanto não ficou prejudicada que a recorrente demonstra, trazendo provas e alegações em seu recurso voluntário, do inteiro teor da autuação e suas repercussões. Mérito Vencidos os argumentos que poderiam prejudicar a análise do mérito passemos a analise das questões focais do processo. Os fatos que motivaram a autuação foram os seguintes: tributação das receitas auferidas com a venda de álcool carburante no regime não cumulativo. Para autuação as receitas são submetidas ao regime cumulativo e o contribuinte não poderia calcular créditos sobre custos, despesas ou encargos vinculados; falta de rateio proporcional das receitas submetidas ao regime não cumulativo com a consequente apropriação a maior de creditos; crédito do regime não cumulativo calculados sobre aluguéis, máquinas e equipamentos devem ser desconsiderados, bem como os créditos anteriores a janeiro de 2006, pela decadência. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 401 27 Da desconsideração do saldo de crédito anterior a janeiro de 2006. A recorrente alega que a autoridade fiscal cometeu uma impropriedade ao desconsiderar os saldos de crédito acumulados até dezembro de 2005 para as contribuições, o que fez com base no argumento de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon estaria preenchido de maneira incorreta. Com isso desconsiderou R$ 388.508,01 em créditos de Cofins e R$ 84.030,37 relativos a contribuição ao PIS (quadro auxiliar “controle de utilização dos créditos – DACON x Fisco”, item 11 do Termo de Verificação). A DRJ analisou a questão e fez a seguinte análise: Ocorre que a Administração Tributária, dentro do prazo que lhe cabia agiu no sentido de aferir o procedimento da contribuinte quanto à apuração e recolhimento de PIS e de Cofins devidos no ano de 2006. E para isso teve que avaliar os créditos de períodos anteriores que influíram, pela via do desconto, no valor dos débitos inscritos pelo sujeito passivo em seus DACONs. Não é nova a discussão sobre até onde pode ir a ação da Fazenda em relação a valores que, embora apurados em períodos passados já alcançados pela decadência, continuam a produzir efeitos ao longo do tempo. O tema vincula se, por exemplo, aos prazos envolvendo o diferimento do lucro inflacionário, rubrica cuja apuração repercutia sobre o resultado fiscal de períodos de apuração subsequentes. Provocada, a esfera de julgamento administrativo superior sumulou que o prazo contra o Fisco corre a partir do momento em que essa grandeza assumia repercussões tributárias, mediante, por exemplo, a realização do lucro inflacionário em percentuais menores que os legalmente devidos. Confirase o enunciado da correspondente Súmula: Súmula CARF Nº 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. No caso em tela, a repercussão tributária do saldo acumulado de créditos não cumulativos coincide com o do aproveitamento do crédito via desconto reduzindo o valor da contribuição a pagar. Ou seja, embora o saldo tenha origem em períodos já atingidos pela decadência, sua utilização se dá em período não decaído, podendo o Fisco questionar a legitimidade do saldo aproveitado. Não há, portanto, a alegada expiração do prazo na ação da Fazenda Pública. Nesse contexto agiu a fiscalização no presente caso. Verificando que a contribuinte deixou de proceder ao necessário rateio na proporção da parcela das receitas submetidas à tributação não cumulativa a fim de calcular os créditos não cumulativos; não possuía comprovação das despesas, custos e encargos comuns, assim como sua escrituração indicava valores de aquisições Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 402 28 inferiores aos levados às DACONs, foi correto o procedimento Fiscal de desconsiderar os saldos de créditos não cumulativos apurados em períodos anteriores a janeiro de 2006. Carece de sustentação a alegação da recorrente. Entendo que agiu correto a fiscalização e acompanho o posicionamento da DRJ. Não cabe ao contribuinte usufruir de créditos que não tem direito e que não comprova o seu direito. Se não fosse efetuado conforme foi pela fiscalização o contribuinte poderia estar usufruindo de créditos que não possuía e enriquecendo às custas da administração, o que não é permitido. Com a constatação do preenchimento errado das Dacons apresentadas não há como a fiscalização considerar os créditos alegados pela recorrente. Da não discriminação dos itens que dão ou não direito ao crédito Quanto aos itens que dão ou não direito a crédito a recorrente apresenta a argumentação que a planilha anexada à intimação (modelo analítico dinâmico dos itens de notas fiscais de entrada) não permite nenhum tipo de identificação de quais bens foram tratados. Discordo novamente da argumentação da recorrente. Os créditos passíveis de aproveitamento foram apurados a partir das informações prestadas pelo contribuinte nas Dacons e a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar arquivos digitais com suas operações comerciais. A fiscalização buscou o auxílio de aplicativo informatizado para submeter os arquivos apresentados à consistência das informações prestadas, tarefa que seria perto do impossível se não fosse o auxílio dessas ferramentas. Importante ressaltar, conforme podese verificar no Termo de Verificação, não houve crítica quanto a possibilidade de determinado item dar direito a crédito ou não, todos as compras apresentadas pela recorrente foram consideradas e de acordo com a classificação dos créditos efetuada pela empresa, o que o programa computacional efetuou foi somente totalizar as compras a partir das notas fiscais. Os créditos totalizados resultaram em valor menor que o calculado pela contribuinte o que resultou na autuação das diferenças apuradas. Como os dados utilizados foram os mesmos dados fornecidos pela empresa e utilizada a mesma classificação dos créditos por ela adotada não há que se falar em prejuízo à defesa pela não identificação de quais créditos foram tratados. Do Regime de apuração concentrado e incidência não cumulativa. A fiscalização afirma que a contribuinte não efetuou o rateio entre as despesas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não cumulatividade, e por haver custos e despesas comuns ao auferimento de receitas sujeitas a ambos os regimes os créditos devem ser determinados de acordo com os métodos de rateio/apropriação dos arts. 21 a 28 da IN SRF nº 404/2004. A recorrente alega que estaria sujeita a tributação concentrada e não à tributação cumulativa como faz crer a autuação. E que no caso da tributação concentrada ou monofásica não há vedação à utilização de outros créditos vinculados a essas vendas, apresenta as soluções de consulta nº 141/2007 e 139/2010 para embasar seu entendimento. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 403 29 Anexa também a ementa da SC nº 49, de 2 de abril de 2009, onde esta estipulado que no caso de produtor de álcool, os insumos utilizados na produção deste geram créditos calculados com base na alíquota prevista no caput do art. 2ºda Lei nº 10.833/2003 que é de 7,6 para a Cofins. Afirma a recorrente que a lei faz é estabelecer uma alíquota diferenciada para o recolhimento das contribuições, não excluindo nenhuma atividade do regime não cumulativo. A DRJ analisou a questão e apresenta a seguinte posição: A questão da apuração do crédito não cumulativo por rateio está vinculada às pessoas jurídicas que se sujeitam à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins apenas em relação a parte de suas receitas. Nesses casos, em relação aos custos, despesas e encargos comuns os créditos devem ser apurados na proporção das receitas não cumulativas na matriz da receita bruta. O procedimento está estabelecido no art. 3º, §§7º e 8º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. A matriz de receitas da contribuinte fiscalizada é formada por receitas submetidas aos regimes não cumulativo e cumulativo (caso do álcool para fins carburantes) o que implica a apuração dos créditos da não cumulatividade segundo o método do rateio proporcional. Isso não é discutido pela contribuinte. A discussão se instala em torno das receitas que devem ser levadas nesse cálculo. Mais especificamente, a disputa reside na interpretação do termo receita bruta sujeita à incidência não cumulativa utilizado no inciso II. Segundo a auditoria, o termo não compreenderia as receitas de vendas realizadas com isenção, não alcançadas pela contribuição ou com alíquota zero. Nessa última situação encontramse as receitas decorrentes dos produtos submetidos à tributação monofásica. A contribuinte, por sua vez, repele o cálculo da proporcionalidade elaborada pela fiscalização, arguindo que a auditoria confunde regime cumulativo com tributação concentrada e reivindica créditos calculados também em relação aos custos com comercialização de óleo diesel e gasolina submetidos ao regime de incidência concentrada, conforme tabelas juntadas às fls. 29/32 da peça de defesa. Sobre a legislação que trata do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS e da Cofins, verificase que os arts. 1º e arts 3º, § 8º, II, das Leis nº10.637 de 2002, e nº 10.833, de 2003, assim dispõem: Lei nº 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 404 30 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II – (Vetado) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: (...) II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 405 31 (...) Lei nº 10.833, de 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 406 32 (...) II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) Os § 2º dos arts. 1º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 estabelecem que a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é o valor do faturamento conforme definido nos respectivos caput, ou seja, a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, os § 3º dos arts. 1º das mencionadas leis, estabelecem que não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, as receitas relacionadas nos respectivos incisos dos citados § 3º dos arts. 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Pode se concluir assim que o legislador ordinário ao estabelecer o método do rateio proporcional previsto nos incisos II dos § 8º dos arts. 3º, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, quis dizer que somente o montante da receita auferida que integrar a base de cálculo a ser submetida, efetivamente, a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS e da Cofins, respectivamente, nas alíquotas de 1,65% e de 7,6% é que deve ser considerado para efeito de cálculo da relação percentual existente para o rateio proporcional aos custos, despesas e encargos comuns, para fins de aproveitamento de créditos a serem descontados das mencionadas contribuições. Nessa medida, as receitas de vendas de produtos sujeitos à alíquota zero, caso dos produtos submetidos à tributação concentrada em fases anteriores da cadeia de produção, não integram o montante da base de cálculo a ser oferecido mensalmente à incidência e recolhimento das aludidas contribuições no regime da nãocumulatividade. Portanto, o valor correspondente às referidas receitas não compõe nem montante da receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e nem o da receita bruta total, auferida em cada mês, para não distorcer o percentual a ser encontrado para a utilização do método do rateio proporcional aos custos, despesas e encargos comuns, para fins de aproveitamento de créditos a serem descontados das mencionadas contribuições. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 407 33 Logo, às receitas auferidas pela pessoa jurídica, em decorrência de vendas realizadas com isenção, não alcançadas pela incidência, com alíquota zero, por não integrarem a receita bruta mensal sujeita à incidência nãocumulativa, base de cálculo para a aplicação e recolhimento das respectivas alíquotas nãocumulativas, também não integram o montante da receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa utilizado na definição do percentual para o método do rateio proporcional, porque, de fato, sobre referidas receitas não há incidência e recolhimento, efetivo, da Contribuição para o PIS e da Cofins. Essas receitas também não integram o montante da receita bruta total, auferidas em cada mês, para efeito de estabelecimento do percentual existente entre ambas as receitas, a ser aplicado na apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. Chegase assim, ao entendimento de que o montante da receita bruta total, auferida em cada mês, para efeito de determinação do percentual existente entre ambas as receitas, para fins de apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele encontrado após o somatório dos valores das receitas que foram, efetivamente, oferecidos às incidências e recolhimentos das citadas contribuições, nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. Essa interpretação evita distorções no estabelecimento do percentual do rateio calculado sobre os custos, despesas e encargos comuns utilizado no método do rateio proporcional de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e da Cofins, ou seja, o percentual encontrado decorre, exatamente, do somatório de receitas que foram, efetivamente, tributadas com as incidências e recolhimentos das mencionadas contribuições tanto no regime da não cumulatividade quanto no regime da cumulatividade. Nesse contexto, está correta a conclusão da auditoria acerca da incorreta apuração dos créditos não cumulativos pela contribuinte em razão da ausência de rateio proporcional. Considerando o §3º do art. 57 do RICARF e por a recorrente não ter apresentado novas razões de defesa, confirmo a decisão recorrida e a adota para fundamentar meu posicionamento. Por todo a exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10830.720472/201124 Acórdão n.º 3401005.097 S3C4T1 Fl. 408 34 Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914211/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.852
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 11 /2 01 2- 31 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914211/201231 Acórdão n.º 3201003.852 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.919, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914211/201231 Acórdão n.º 3201003.852 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914211/201231 Acórdão n.º 3201003.852 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914211/201231 Acórdão n.º 3201003.852 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13643.000359/2010-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 03 59 /2 01 0- 43 Fl. 72DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos. Lançamento, mediante notificação de lançamento fundamentou a recusa de documentos por falta de comprovação do pagamento. A DRJ apontou problema de pratica reiterada de deduções elevadas e apontou vários elementos que indicariam a realização de uma investigação. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os documentos usuais de comprovação de pagamento foram apresentados. A fiscalização limitou a recusa a falta de comprovação de pagamento, sem indicar problemas nos documentos. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Há elementos na documentação que indicam a necessidade de verificação, investigação, aliás muito bem apontados pela DRJ, mas em que pese a qualidade dos argumentos, eles servem mais como embasamento de um procedimento de investigação, que não foi feito, do que como comprovação de vício, de inidoneidade. Como a alegação de recusa, no lançamento, se limitou a falta de comprovação do pagamento, e os documentos indicam pagamento de serviços médicos, na dúvida, na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13643.000359/201043 Acórdão n.º 2001000.553 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: Fl. 74DF CARF MF 4 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13643.000359/201043 Acórdão n.º 2001000.553 S2C0T1 Fl. 4 5 XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
