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Numero do processo: 10070.001786/2007-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA .
Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão.
Numero da decisão: 1002-000.002
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
JULIO LIMA SOUZA MARTINS - Presidente.
(assinado digitalmente)
AÍLTON NEVES DA SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA . Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) JULIO LIMA SOUZA MARTINS - Presidente. (assinado digitalmente) AÍLTON NEVES DA SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.001786/200797 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.002 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente WEBB NEGÓCIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA . Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) JULIO LIMA SOUZA MARTINS Presidente. (assinado digitalmente) AÍLTON NEVES DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 17 86 /2 00 7- 97 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte, ora recorrente, foi autuado para a exigência de multa pela entrega fora do prazo legal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao mês de abril de 2006. Alega que apresentou a DCTF semestral tempestivamente por erro, já que reconhece que deveria ter apresentado a declaração mensalmente, mas aponta que estaria impedido de apresentar a declaração correta enquanto a Receita Federal do Brasil não homologasse o seu pedido de cancelamento da DCTF anteriormente apresentado, por tratarse de caso de mudança de periodicidade, na forma do §8° do art. 12 da IN/SRF n° 583/05. Ademais, argumenta que o termo final para a aplicação da referida multa deveria ser afastada posto que o atraso “decorre somente, e tãosomente, da morosidade do serviço público.” Requer ainda a aplicação retroativa do disposto na parte final do art. 13 da IN/SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006, que trata das DCTF’s apresentadas com periodicidade semestral quando o contribuinte estivesse obrigado a apresentar mensalmente tal declaração. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Deve ser mantida a utilização do termo final de incidência contido no § 1° do art. 7° da Lei n° 10.426/2002, por inexistente qualquer previsão legal ou normativa que permita a utilização de outro termo. Lançamento Procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados à primeira Seção do CARF e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. É o Relatório. Voto Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10070.001786/200797 Acórdão n.º 1002000.002 S1C0T2 Fl. 3 3 Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Discutese nos autos o lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF. A Recorrente entregou erradamente, em 12/09/06, DCTF semestral, quando deveria ter entregue a mensal, a qual estava normativamente obrigada. Quando percebeu o erro a Recorrente tentou retificar sua declaração, porém, o sistema de controle da RFB não permitia retificação da DCTF semestral para mensal (mudança de periodicidade), devendo, à época, necessariamente, haver o cancelamento administrativo da primeira declaração para que a segunda pudesse ser recepcionada no sistema, eis que não era permitida na base da dados a existência de 2 declarações de um mesmo contribuinte num mesmo anocalendário com periodicidades distintas. Diante deste quadro, o Recorrente ingressou com pedido de cancelamento da DCTF semestral (fls. 51) e teve de aguardar o deferimento de seu pleito pela autoridade administrativa para, só a partir daí, poder apresentar a DCTF do mês de 04/2006 na forma da legislação vigente. Ocorre que, durante o período compreendido entre a data do protocolo de seu pedido e o deferimento do cancelamento da DCTF semestral pela unidade de origem, a contagem do número de meses de atraso da entrega da DCTF mensal não foi interrompida até fevereiro de 2007, momento em que o contribuinte teve ciência de seu requerimento (fls. 50) e pôde, em 28/02/07 (fls. 46), entregar a declaração mensal de 04/2006, de modo a suprir a obrigação acessória faltante. Por isso, o período de atraso da entrega da DCTF do mês de 04/2006 considerado no cálculo da multa atingiu 9 meses, eis que a data do vencimento da DCTF mensal correspondente ao mês de abril/2006 era 07/06/06, mas a referida declaração só foi efetivamente entregue em 28/02/07 (fls. 46). Cumpre observar que o Recorrente não contesta o atraso na apresentação da DCTF, mas apenas o período que serviu de base ao cálculo do valor da multa exigida, porque entendeu que a DCTF semestral continha todas as informações da DCTF mensal a qual estava normativamente obrigada e que, por isso, poderia perfeitamente ser aceita para suprir a entrega da DCTF de 04/2006. Assim, a discussão ora em debate é se o Recorrente pode ser penalizado com o aumento do numero de meses em atraso da entrega da DCTF mensal em decorrência de um ato administrativo cuja decisão estava alheia a sua vontade, porque a análise acerca de seu requerimento apresentado em 09/11/06 dependia exclusivamente do pronunciamento de um agente público (fls. 51). Com base nesse entendimento, o Recorrente postula que o termo final da contagem dos meses de atraso da DCTF não seria o dia 28/02/07, mas sim o dia 12/09/06 (fls. 47), data que em que entregou a DCTF semestral do ano de 2006, que, segundo diz, continha todas as informações que seriam declaradas na DCTF mensal, de modo a suprir a obrigação acessória correspondente a este períodobase. Fl. 87DF CARF MF 4 Em outras palavras, ou se consideraria como termo final da multa por atraso na entrega da DCTF o dia 28/02/07 data de efetiva entrega da DCTF mensal do mês de 04/2006 ou o dia seguinte ao da ciência do requerimento de cancelamento da DCTF semestral do 1º semestre de 2006; na primeira situação teríamos 9 meses de atraso no cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF e, na segunda, apenas 6. À época dos fatos, o parágrafo 8º do artigo 12 da IN SRF 583/2005 vedava expressamente a retificação da DCTF na situação ora analisada: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 8º A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.(grifei) (...) Além disso, o artigo 13 da mesma Instrução normativa declarava taxativamente que a DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa a um mesmo anocalendário não produziria quaisquer efeitos: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo anocalendário não produzirá efeitos. Por outro lado, a IN SRF 695/2006, no parágrafo único do seu artigo 13, passou a permitir que a DCTF semestral entregue com erro de periodicidade gerasse efeitos em relação às pessoas jurídicas que se enquadrassem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF mensal: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo anocalendário não produzirá efeitos, salvo nos casos de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal. Parágrafo único. Em se tratando de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal, será devida a multa pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado.(grifei) Ora, considerando que o parágrafo único da IN SRF 695/96 flexibilizou os efeitos da entrega da DCTF semestral entregue com erro, estabelecendo regra de contagem de prazo mais branda em relação à situação idêntica à do Recorrente, admitindo como termo ad quem de contagem dos meses de atraso da multa por falta de entrega de DCTF mensal a data da entrega da DCTF semestral, considero licito estender a aplicação dessa mesma regra para a entrega das DCTF em atraso do anocalendário 2006 que encontravamse pendentes de análise, eis que a IN SRF 593 não admitia a produção de quaisquer efeitos da DCTF semestral apresentada com erro nesse período. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10070.001786/200797 Acórdão n.º 1002000.002 S1C0T2 Fl. 4 5 Entendo assim por conta da aplicação do princípio da retroatividade benigna em matéria de multa, que considero aplicável ao caso em análise, eis que o requerimento do Recorrente acerca do cancelamento da DCTF semestral ainda não havia sido analisado no momento da edição da IN SRF 695/2006. Considerando que o art. 13 supra não explicita como se dará a cobrança da multa nesses casos, somente registrando a expressão “período considerado”, entendo que a referida norma deve ser interpretada em conjunto com o artigo 2o da Lei n.° 9.784/99, que regula o Processo Administrativo Federal e assim preceitua: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; Fl. 89DF CARF MF 6 XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Por todo o exposto e com base no princípio da proporcionalidade entendo que a melhor solução para o caso é o afastamento da multa por atraso na entrega da DCTF somente para o período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência da decisão, eis que o procedimento administrativo era necessário para que o contribuinte pudesse sanar sua falha e dependia exclusivamente da atuação do agente público. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto para afastar a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de 04/2006 no período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência da decisão administrativa, de modo que o crédito constituído por força do descumprimento instrumental será equivalente ao calculado conforme quadro abaixo: Quadro indicativo do cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF do mês de 04/2006: Prazo final de entrega Data da entrada do Requerimento de cancelamento da DCTF semestral Data de ciência da decisão de cancelamento da DCTF semestral Data de entrega da DCTF mensal do mês de 04/2006 Nº Meses em atraso (desconsiderado o período em que o requerimento administrativo estava pendente de análise) Cálculo da multa Valor devido (passível de redução) 07/06/2006 12/09/2006 02/2007 28/02/2007 04 8% X R$ 259.434,86 R$ 20.754,78 Ante o exposto voto por dar provimento integral ao recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000437/2007-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12045.000437/200791 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.618 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PAF NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado M.I. MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 37 /2 00 7- 91 Fl. 874DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial. A Contribuinte, por sua vez, intimada do acórdão, opôs Embargos de Declaração, o que motivou a prolação de Acórdão de Embargos, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 12045.000437/200791 Acórdão n.º 9202006.618 CSRFT2 Fl. 3 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: dispõe o Decreto n 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose que o vício observado no acórdão é formal e não material. Em alguns casos desse lote repetitivo, o pedido é no sentido de que se mantenha incólume o lançamento. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.613, de Fl. 876DF CARF MF 4 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.613): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao Contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. Salientese que, em um primeiro momento, o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal, oportunidade em que a Fazenda Nacional expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Em face de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material. Nesse passo, embora o paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial conclua pela inexistência de nulidade, na maioria dos processos que compõem esse lote repetitivo o pedido é no sentido de que seja declarada a ocorrência de vício formal, embora em alguns poucos o pedido seja para que se considere incólume o lançamento. Entretanto, independentemente do pedido da Recorrente, de plano cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização de períodos posteriores a 1996, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: "DAS QUESTÕES PRELIMINARES Fl. 877DF CARF MF Processo nº 12045.000437/200791 Acórdão n.º 9202006.618 CSRFT2 Fl. 4 5 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2" Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio Fl. 878DF CARF MF 6 tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Fl. 879DF CARF MF Processo nº 12045.000437/200791 Acórdão n.º 9202006.618 CSRFT2 Fl. 5 7 Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III Recurso provido." Fl. 880DF CARF MF 8 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 20601.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Ademais, o lançamento foi mantido na integralidade, e não anulado por vício formal, como pleiteia a Fazenda Nacional em quase todos os processos integrantes do lote. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, Fl. 881DF CARF MF Processo nº 12045.000437/200791 Acórdão n.º 9202006.618 CSRFT2 Fl. 6 9 e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 882DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.007234/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PRELIMINAR. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o termo a quo do prazo de caducidade é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício
poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI 9.430/96, ART.42). INEXISTÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. Configuram omissão de receita os valores
creditados em conta de depósito em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ainda, inexistindo escrituração contábil, pela ausência de livros contábeis e fiscais, sobre a receita omitida apurada de ofício impõe-se a aplicação de ofício do regime de apuração do lucro
denominado lucro arbitrado, que considera como base de cálculo do IRPJ (lucro, renda ou acréscimo patrimonial) tão-somente 9,6% (nove vírgula seis por cento) do montante das receitas omitidas.
MULTA QUALIFICADA .SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa
tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada.
Recurso de Oficio e Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.315
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar, que desqualificavam a multa de ofício. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PRELIMINAR. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o termo a quo do prazo de caducidade é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI 9.430/96, ART.42). INEXISTÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ainda, inexistindo escrituração contábil, pela ausência de livros contábeis e fiscais, sobre a receita omitida apurada de ofício impõe-se a aplicação de ofício do regime de apuração do lucro denominado lucro arbitrado, que considera como base de cálculo do IRPJ (lucro, renda ou acréscimo patrimonial) tão-somente 9,6% (nove vírgula seis por cento) do montante das receitas omitidas. MULTA QUALIFICADA .SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada. Recurso de Oficio e Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-22T13:39:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2352862_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-22T13:39:12Z; Last-Modified: 2010-12-22T13:39:12Z; dcterms:modified: 2010-12-22T13:39:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2352862_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:55935c94-1773-4299-8a1c-84e95cb9e2b8; Last-Save-Date: 2010-12-22T13:39:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-22T13:39:12Z; meta:save-date: 2010-12-22T13:39:12Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2352862_0.doc; modified: 2010-12-22T13:39:12Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-22T13:39:12Z; created: 2010-12-22T13:39:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2010-12-22T13:39:12Z; pdf:charsPerPage: 2407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-22T13:39:12Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl. 1 1 0 S1-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.007234/2006-79 Recurso nº 168.563 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402-00.315 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2010 Matéria IRPJ - EXCLUSAO SIMPLES Recorrentes O. S. VEÍCULOS LTDA 2ª TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PRELIMINAR. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o termo a quo do prazo de caducidade é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI 9.430/96, ART.42). INEXISTÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ainda, inexistindo escrituração contábil, pela ausência de livros contábeis e fiscais, sobre a receita omitida apurada de ofício impõe-se a aplicação de ofício do regime de apuração do lucro denominado lucro arbitrado, que considera como base de cálculo do IRPJ (lucro, renda ou acréscimo patrimonial) tão-somente 9,6% (nove vírgula seis por cento) do montante das receitas omitidas. MULTA QUALIFICADA .SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada. Recurso de Oficio e Voluntário Negado. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar, que desqualificavam a multa de ofício. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório O. S. VEÍCULOS LTDA e a 2 a .TURMA DA DRJ BRASÍLA, recorrem (voluntário e de oficio, respectivamente), a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência do IRPJ e reflexos, ano- calendario de 2000, com fulcro nos artigo 33 e 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Em 11/12/2006, após conclusão do procedimento de fiscalização, o Auditor- Fiscal lavrou contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), atinentes ao ano-calendário 2000, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 3.807.503,76 (fls. 21 e 830 a 865), assim discriminado por exação fiscal: I – Auto de Infração do IRPJ (fls. 830/838): IRPJ, R$ 346.274,17; Juros de Mora (calculados até 30/11/2006), R$ 360.258,90; Multa de Ofício Qualificada (150%), R$ 519.411,25. Total do crédito tributário do Auto de Infração do IRPJ: R$ 1.225.944,32. Infração imputada: OMISSÃO DE RECEITAS: DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Arbitramento do lucro com base no art. 530, III, do RIR/99, Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 2 3 tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixou de apresentá-los relativamente ao ano-calendário 2000 (períodos de apuração do lucro arbitrado de ofício: 03/2000, 06/2000, 09/2000 e 12/2000). Enquadramento legal: Lei 9.430/96, arts. 27, I, e 42; RIR/99, arts. 532 e 537. II – Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS - lançamento reflexo (fls. 839/847): PIS, R$ 100.282,55; Juros de Mora (calculados até 30/11/2006), R$ 105.706,91; Multa de Ofício Qualificada (150%), R$ 150.423,80. Total do crédito tributário do Auto de Infração do PIS : R$ 356.413,26. INFRAÇÃO REFLEXA – PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS Enquadramento legal: LC 7/70, arts. 1º e 3º; Lei nº 9.249/95, art. 24, § 2º; Lei 9.715/98, arts. 2º-I, 8º-I, 9º; Lei 9.718/98, arts. 2º e 3º. III – Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS – lançamento reflexo (fls. 848/856): COFINS, R$ 462.842,68; Juros de Mora (calculados até 30/11/2006), R$ 487.878,44; Multa de Ofício Qualificada (150%), R$ 694.264,00. Total do crédito tributário do Auto de Infração da COFINS: R$ 1.644.985,12. INFRAÇÃO REFLEXA – COFINS OMISSÃO DE RECEITA Enquadramento legal: LC 70/91, art. 1º; Lei 9.249/95, art. 24, § 2º; Lei 9.718/98, arts. 2º, 3º e 8º, com alterações de redação da MP nº 1.858/99, e reedições. IV – Auto de Infração da Contribuição Social sobre Lucro Líquido – CSLL – Lançamento reflexo (fls. 857/864): CSLL, R$ 163.888,49; Juros de Mora (calculados até 30/11/2006), R$ 170.439,84; Multa de Ofício Qualificada (150%), R$ 245.832,73. Total do crédito tributário do Auto de Infração da CSLL: R$ 580.161,06. INFRAÇÃO REFLEXA – CSLL SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS Enquadramento legal: Lei 7.689/88, art. 2º e §§; Lei 9.249/95, arts. 19 e 24; Lei 9.316/96, aart. 1º; Lei 9.430/96, art. 28; e MP nº 1.858/99, art. 6º, e reedições. A interessada tomou ciência dos Autos de Infração pessoalmente, por intermédio de seu proprietário ou sócio-diretor Sr. Osmildo Sirinno Rosa, em Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 4 12/12/2006 (fls. 830, 839, 848, 857 e 865); apresentou impugnação em 11/01/2007 às fls. 888/941, juntando, ainda, os documentos às fls. 942/7589. Consta da impugnação do sujeito passivo, em síntese, as seguintes alegações: 1) – Quanto à qualificação da multa de ofício (150%) - aplicação do art. 44, II, da Lei 9.430/96 (atualmente esse dispositivo está com nova redação dada pela MP 351/2007 – art. 14 -, convertida na Lei 11.488/2007). Vale dizer: a multa qualificada de 150% persiste, agora com nova redação. A impugnante alegou que a multa qualificada só é cabível nos casos de evidente intuito de fraude, conforme disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30/11/1964; que, por sua vez, esses dispositivos cuidam, respectivamente, dos crimes de sonegação, fraude e concluio; que é cristalina a redação do art. 44, II, da Lei 9.430/96, quando preceitua que a aplicação da multa qualificada só é cabível nos casos de evidente intuito de fraude; que a expressão “evidente intuito de fraude” do inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96, denota uma ação ou omissão dolosa; que, por outro lado, cuida-se, no caso em exame, de fato gerador ou infração adminstrativo- tributária por presunção legal, ou seja, omissão de receitas nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, por falta ou insuficiência de recolhimentos dos tributos federais (IRPJ, PIS, COFINS e CSLL); que, na espécie, trata-se de presunção legal de fato gerador; que o dolo não se presume; que, por conseguinte, o dolo há que ser provado pelo Fisco, para agravamento da multa de ofício para 150%; que nos casos de tributos lançados com fulcro em presunção legal não tem cabimento a citada multa qualificada, por ser incompatível; que, ademais, não restou demonstrado nos autos qualquer ação ou omissão da impugnante, quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias suscetíveis de configurar “evidente intuito de fraude”; que não se legitima, na espécie, a aplicação da multa de ofício agravada; que a jurispridência administrativa do Conselho de Contribuintes do MF é clara ao apontar que a presunção legal contida no art. 42 da Lei 9.430/96, na qual se apóia o presente lançamento fiscal, não convive com a multa qualificada sem comprovação do dolo específico; que é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, que é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente não somente a intenção mas também o seu objetivo; que, assim, não restou comprovado, no caso, o dolo. Por isso, a contribuinte pediu a redução da multa de ofício de 150% para 75%. 2) - Da decadência: que se não restou comprovado o dolo (o evidente intuito de fraude), deve-se aplicar o prazo decadencial de cinco anos, contado a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN (lançamento por homologação); que, no caso, todos os tributos estão sujeitos ao regime do lançamento por homologação no prazo de cinco anos, inclusive as contribuições; que os fatos geradores referem-se ao ano-calendário 2000; que a contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal tão-somente em 12/12/2006, quando o direito de constituição do crédito tributário já estava totalmente decaído, com base no art. 150, § 4º, do CTN; que é inaplicável às contribuições o prazo decadencial de dez anos do art. 45 da Lei 8.212/91, uma vez que a lei ordinária não pode tratar de prazo de decadência (que essa matéria está reservada à Lei Complementar); que, nesse sentido, inclusive, invoca precedentes ou decisões do Conselho de Contribuintes do MF reconhecendo o afastamento do art. 45 da Lei 8.212/91 quanto às contribuições sociais financiadoras da seguridade social; que, em face disso, deve-se declarar a extinção do crédito tributário relativos a todos os tributos lançados. 3) – Quanto à definição de fato gerador e do contribuinte do IRPJ: que se trata de matéria reservada à Lei Complementar, ou seja, ao CTN (arts. 43 e 45); que os depósitos bancários não se enquadram na condição de fato gerador do IRPJ, pois depósitos bancários não configuram, por si só, acréscimo patrimonial, ou seja, Fl. 437DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 3 5 disponibilidade econômica ou jurídica de renda para incidência de IRPJ; que, no caso, a impugnante, embora titular das contas bancárias que receberam os depósitos, não tem titularidade dos valores, pois os valores depositados pertenciam a terceiros; que a quase totalidade desses valores autuados constituem receitas de terceiros, pois os veículos usados remetidos à impugnante em consignação para venda a outrem, quando da venda eram depositados nas contas da impugnante; que seriam da impugnante apenas as receitas de vendas de veículos usados de sua propriedade, as comissões recebidas pela venda de veículos usados recebidos em consignação e as receitas financeiras pela intermediação de venda de veículos novos e usados nos financiamentos concedidos por instituições financeiras; que, assim, a maioria absoluta dos valores depositados em sua contas correntes não constituíam receitas próprias, mas sim de terceiros; que esses valores de terceiros simplesmente transitavam pelas contas bancárias da impugnante antes de serem repassados aos seus legítimos titulares; que, em vista disso, sequer foram lançados na contabilidade da impugnante, uma vez que esta, por ter feito opção pelo SIMPLES no ano- calendário 2000 e pelo Lucro Presumido em 2001, não estava obrigada à escrituração de quaisquer livros contábeis; que isso foi informado ou esclarecido à autoridade fiscal lançadadora. 4) – Do objeto social da impugnante: que em conformidade com os seus objetivos sociais, durante o ano-calendário 2000, a impugnante exerceu exclusivamente intermediação de vendas de veículos novos e usados, consignação de veículos automotores usados e intermediação de financiamentos de veículos novos e usados. 5) – Das receitas da impugnante e pedido de diligência: que relativo ao ano- calendário 2000 praticamente a totalidade da receita objeto da autuação pelo Fisco teve origem nos serviços de intermediação de operações de financiamentos bancários concedidos pelas instituições financeiras aos compradores de veículos novos e usados; que para moviemntar os ingressos e saídas de recursos, próprios ou de terceirtos, a impugnante mantinha diversas contas correntes junto às instituições financeiras; que para realizar as operações de intermediação de financiamento de veículos novos e usados, a impugnante mantinha contratos com diversas instituições financeiras; que as operações de financiamento ocorriam em dois contextos: a) primeiro contexto: o comprador do veículo, mesmo nos casos de veículos não recebidos em consignação pela impugnante, solicitava diretamente à impugnante a intermediação na aprovação do seu cadastro e na liberação do financiamento, e a instituição financeira depositiva o total do valor financiado, assim como o valor da comissão de intermediação de financiamento, diretamente em alguma de suas contas correntes da impugnante; que isso se dava por imposição da instituição financeira, embora os contratos de intermediação de financiamento não dispusessem a respeito; que, por fim, a impugnante repassava o valor financiado ao proprietário – vendedor do veículo; b) segundo contexto: o proprietário-vendedor deixava o veículo em consignação no estabalecimento da impugnante, que, por sua vez, providenciava a sua venda, de forma a vista ou financiada; que, também, nesse caso, o valor correspondente à venda, fosse a vista ou financiada, era recebido pela impugnante na qualidade de depositária e depositado em alguma de suas contas bancárias e posteriormente era repassado ao proprietário-vendedor, deduzido do valor a comissão de intermediação. Que, nessas situações descritas, a impugnante alegou, destarte, sempre foi mera depositária dos valores, por ser simples intermediária entre os agentes Fl. 438DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 6 financeiros e os compradores de veículos novos e usados, como se pode depreender compulsando os documentos às fls. 661/738; que, ainda, juntou aos autos relação de valores repassados pelo Banco Itaú S/A à impugnante no ano-calendário 2000 (objeto da autuação), correspondentes aos financiamentos concedidos por essa instituição aos compradores de veículos em que houve a intermediação da impugnante (fls. 956/960); que, entretanto, diversas instituições financeiras não forneceram relação dos valores repassados às impugnante quanto ao ano-calendário 2000, embora tivessem sido intimadas para tal pela impugnante; que, diante disso, requer diligência fiscal para essas instituições financeiras apresentem a documentação soclicitada pela impugnante; que, também, a impugnante juntou documentos originais denominados “Check List” e Proposta de Financiamento (Doc.3), relativos aos meses de janeiro de 2000 a dezembro 2000, que contém todas as informações que comprovam, mais uma vez, as operações de financiamento concedidas pelas instituições financeiras aos compradores de veículos, intermediadas pela impugnante, bem como os dados relativos aos veículos e seus respectivos proprietários-vendedores; que, também, acostou cópia do contrato de Prestação de Serviços de Intermediação entre a impugnante e o Banco ABN AMRO REAL (doc. 04); que embora não conste expressamente desse contrato que os valores correspondentes aos financiamentos de veículo devam ser depositados nas contas-correntes da impugnante, basta uma simples conciliação entre o check list e a proposta de financiamento (doc. 3) e os extratos bancários (fls. 81/578) para que seja comprovada a veracidade das afirmações da impugnante; que diversos bancos ainda não forneceram cópia dos contratos de Prestação de Serviços de Intermediação, firmado pela impugnante e as instituições financeiras; que, por isso, seja realizada diligência fiscal para aque essas instituições forneceçam os documentos requeridos pela impugnante; que em razão do exposto a impugnante, no que se refere às operações de intermediação de financiamento, somente ofereceu à tributação as receitas relativas às comissões sobre os serviços prestados, que são receitas próprias; que os valores que simplesmente transitaram pelas suas contas correntes não foram oferecidos à tributação, pois foram repassados aos seus legítimos e efetivos titulares (alienantes dos veículos novos e usados); que segundo o art. 31, caput, da Lei 8.981/95, manda tributar a receita das vendas e serviços nas operações em conta própria, e o preço de serviços prestados e o resultado nas operações de conta alheia; que salta aos olhos que as receitas pertencentes a terceiros – vendedores dos veículos – e que simplesmente transitaram pelas contas correntes da impugnante – não devem ser oferecidas à tributação pela impugnante, sob pena de ofensa ao princípio da capacidade contributiva; que, pelo exposto, requer seja declarada a improcedência dos Autos de Infração ora impugnados (principal e reflexos). 6) Que, na espécie, caso se entenda que houve operações de compra e venda de veículos usados e não intermediação de operações de financiamento, ainda assim são improcedentes os Autos de Infração: que a documentação juntada aos autos pela autoridade lançadora e pela impugnante demonstraria operações de compra e venda de veículos usados realizadas pela impugnante; que, sendo assim, deveria ser tributada apenas a diferença entre o valor de alienação, constante da nota fiscal de venda, e o custo de aquisição do veículo, constante da nota fiscal de entrada, ou seja, venda de veículos usados equiparação a operações de consignação; que, se assim é, restariam, na espécie, bases de cálculo completamente diversas, cujos valores seriam infinitamente menores das apuradas nos lançamentos de ofício ora impugnados; que se impõe a declaração de improcedência dos Autos de Infração, por erro de fato substancial que consiste na indeterminação da base de cálculo dos tributos lançados. 7) – Que meros depósitos bancários, isoladamente considerados, não são suscetíveis de caracterizar o fato jurídico tributário da obrigação de recolher o Imposto de Renda: que meros depósitos bancários não configuram acréscimo patrimonial, pois não há que se cogitar de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos; que não há fato gerador do IR, no caso; que o art. 42 da Lei 9.430/96 não pode criar fato gerador; que segundo a Súmula 182 do extinto Tribunal Fl. 439DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 4 7 Federal de Recursos – TFR é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; ainda, nesse sentido, citou outras decisões do STJ e Tribunais Federais com base na citada Súmula. 8) – Da quebra do sigilo bancário pelo Fisco sem autorização judicial. Ofensa a princípios constitucionais. Inconstitucionalidade do art. 6º da LC 105/01. Irretroatividade da Lei 10.174/2001 - Impossibilidade de sua aplicação ao ano- calendário 2000. 9) Taxa SELIC. Inconstitucionalidade. 10) Multa qualificada de 150%: confisco. Em face das alegações do sujeito passivo em sua impugnação, os autos do processo foram baixados para a unidade de origem da RFB, para que o contribuinte pudesse produzir outras provas e pudesse demonstrar, mediante planilhas mensais lastreadas em provas, as operações que alegara na impugnação (fls. 7609/7617); porém, intimado pela Fiscalização, o sujeito passivo, em apertada síntese, informou que (fl. 7618), verbis: (...) vem informar ... a absoluta impossibilidade da elaboração da planilha solicitada uma vez que toda a documentação original, referente às operações de intermediação financeira, já foi anexada aos autos no momento da apresentação de impugnação... Além disso, conforme é do vosso conhecimento, a O.S Veículos Ltda não mantinha escrita contábil no ano- calendário de 2000.” A decisão recorrida está assim ementada: IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PRELIMINAR. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE CADUCIDADE PARCIAL. O termo inicial do prazo decadencial dessas exações fiscais, as quais seguem as regras do lançamento por homologação, é a data do fato gerador da obrigação tributária. Entretanto, no caso de dolo, fraude ou simulação, o termo a quo do prazo de caducidade é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EMISSÃO DE RMF (DECRETO Nº 3.724/01). TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO PELO BANCO (LC Nº 105/2001). ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO E DE VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA IRRETROATIVIDADE DA LEI. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. A Lei nº 10.174/01, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/96, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN, art. 144, § 1º). Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que Fl. 440DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 8 cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI 9.430/96, ART.42). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INEXISTÊNCIA DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Configuram omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ainda, inexistindo escrituração contábil, pela ausência de livros contábeis e fiscais, sobre a receita omitida apurada de ofício - com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras -, impõe-se a aplicação de ofício do regime de apuração do lucro denominado lucro arbitrado, que considera como base de cálculo do IRPJ (lucro, renda ou acréscimo patrimonial) tão-somente 9,6% (nove vírgula seis por cento) do montante das receitas omitidas. MULTA QUALIFICADA (Lei 9.430/96, art. 44, § 1º, redação dada pela Lei 11.488/2007). SONEGAÇÃO (Lei 4.502/64, art. 71). DOLO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada. O dolo de sonegação é patente, direto, quando o sujeito passivo, tendo extrapolado o limite de receitas anual para enquadramento no Sistema SIMPLES já no segundo mês do ano-calendário e, ainda assim, encerrado o ano-calendário, apresentou Declaração Simplificada do SIMPLES como se não houvesse excesso de receitas, informando e oferecendo à tributação tão-somente três por cento das receitas auferidas, ocultando, dolosamente, noventa e sete por cento das receitas auferidas no ano-calendario, as quais ficaram sem tributação e, também, não foram escrituradas, pois o sujeito passivo não mantinha escrituração contábil nesse ano-calendário objeto da autuação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. Não compete ao julgador administrativo conhecer de pretensa ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Pelo contrário, ao julgador administrativo compete, apenas, verificar se a lei e os atos normativos do Poder Público foram aplicados conforme editados, uma vez que são dotados de presunção de legitimidade e legalidade. O conhecimento e julgamento de eventual vício formal ou material da legislação aplicada e em vigor compete, apenas, ao Poder Judiciário, o qual tem a última palavra em face do princípio da unidade de jurisdição. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. Inexistindo razão jurídica para decidir diversamente, os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal, pois decorrem dos mesmos fatos e das mesmas provas daquele. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os recursos de oficio e voluntário atendem os pressupostos da legislação e, portanto, devem ser acolhidos. Inobstante, as veementes alegações da peça recursal, a decisão recorrida está primorosa e não merece o menor reparo, devendo ser integralmente confirmada. Vejamos seus fundamentos, cujo voto condutor é da lavra do ilustre julgador Nelso Kichel, que atualmente é conselheiro no CARF. PRELIMINAR DE DIREITO MATERIAL: DECADÊNCIA O período objeto do lançamento fiscal do IRPJ e reflexos, dos presentes autos, é o ano-calendário 2000. A impugnante tomou ciência em 12/12/2006 dos Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) atinentes ao ano-calendário 2000. O sujeito passivo, em sua impugnação, alegou decadência integral do crédito tributário objeto dos autos, invocando o § 4º do art. 150 do CTN, uma vez que tadas as exações fiscais em tela estariam sujeitas ao lançamento por homologação, cujo termo inicial do prazo decadencial, de cinco anos, é contado a partir do fato gerador. Na verdade, não houve caducidade integral do direito de constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública Federal, relativo ao ano-alendário 2000. Ou seja, o crédito tributário de que tratam os presentes autos, em parte, foi constituído tempestivamente, ficando a salvo, nessa parte, da alegada decadência. Quanto ao IRPJ e reflexo (CSLL), o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos, diferentemente do que alegou o sujeito passivo, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, uma vez que a única infração imputada “omissão de receitas” decorreu de dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo (CTN, art.173, I, c/c a última parte do § 4ª do art. 150 e art. 149, VII). Considerando que foi adotado pela Fiscalização o regime do lucro arbitrado para o ano-calendário 2000, o qual é trimestral, o IRPJ e reflexo (CSLL) dos três primeiros trimestres do ano-calendário poderiam ter sido exigidos, ainda, no próprio ano-calendário 2000. Assim, o termo a quo do prazo de caducidade do IRPJ e da CSLL, dos três primeiros trimestres do ano-calendário 2000, é o dia 01/01/2001. O sujeito passivo tomou ciência dos lançamentos tão-somente em 12/12/2006. Estão decaídos os créditos tributários do IRPJ e da CSLL concernentes aos três primeiros trimestres do ano-calendário 2000. Ficou a salvo, quanto ao IRPJ e CSLL, apenas o crédito tributário concernente ao quarto trimestre de 2000. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 10 No que tange à Contribuição para o PIS e da COFINS, cujo regime de apuração é mensal, tem-se que as contribuições de janeiro/2000 a novembro/2000 poderiam ter sido exigidas, ainda, no próprio ano-calendário 2000. Logo, quanto às contribuições do citado período, o termo inicial do prazo de caducidade é o dia 01/01/2001. Estão decaídos os créditos tributários do PIS e da COFINS dos períodos de apuração janeiro/2000 a novembro/2000. Ficou a salvo da decadência, apenas, o crédito tributário do PIS e da COFINS relativo ao período de apuração dezembro/2000. Aquestão atinente ao dolo, fraude ou simulação não será enfrentada neste tópico, mas sim quando da apreciação da multa qualificada (aplicação da multa de ofício de 150%). De modo que, por ora, basta a informação ou alusão de que restou, realmente, configurada a existência de dolo, fraude ou silmulação por parte do sujeito passivo, situação que implicou sonegação fiscal e redução indevida dos tributos e das contribuições para a seguridade social do ano-calendário 2000; por isso, do lançamento de ofício e do deslocamento do prazo de decadência para o inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, acolho, em parte, a preliminar de decadência quanto ao ano- calendário 2000, ficando a salvo da caducidade suscitada apenas o crédito tributário: a) do IRPJ e reflexo (CSLL) relativo ao período de apuração – quarto trimestre/2000-, cujo termo de início do prazo para lançamento de ofício é o dia 01/01/2002; b) da Contribuição para o PIS e da COFINS concernente ao período de apuração – dezembro/2000 -, cujo termo de início do prazo para lançamento de ofício é o dia 01/01/2002. PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE OUTRAS PROVAS E DILIGÊNCIA FISCAL O sujeito passivo alegou que, por ocasião da apresentação da impugnação, não conseguira reunir todas as provas da origem de suas receitas do ano-calendário 2000; requereu, então, que se proceda diligência fiscal para coleta de tais provas, junto aos seus parceiros de negócio, pois teria encaminhado correspondência a eles, porém não teve retorno. A diligência fiscal requerida não se presta a tal propósito (recolher documentos internos, sem valor fiscal). As provas, no caso, devem ser produzidas pelo sujeito passivo. O ônus probatório, no caso de omissão de receitas – depósitos bancários não escriturados – é da impugnante, pela presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96, que, implica, em outras palavras, inversão do ônus da prova. Ou seja, a comprovação de que não houve omissão de receitas é da impugnante. (...) Ainda, em relação ao pedido de diligência fiscal, específico para coleta de provas junto a seus parceiros de negócios (instituições financeiras), foi, também, formulado em desacordo com § 1º do art. 16 do PAF, pois pretende coletar documentos de uso interno das empresas – documentos de natureza extra-contábil (não se tratam de notas fiscais de entrada e de saída e também não se tratam de extratos bancários, pois todos os dados de movimentação financeira já constam dos autos); por conseguinte, desnecessários para resolução da lide. Não obstante, de ofício, os autos foram baixados em diligência fiscal, para que o sujeito passivo produzisse outras provas e demonstrasse suas alegações, inclusive para elaboração de planilhas mensais das operações, porém simplesmente Fl. 443DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 6 11 declinou, argumentando que todas as provas já estariam nos autos do presente processo (fls. 7609/7618) Infere-se que o pedido de diligência e de juntada de outras provas não passou de manobra protelatória do sujeito passivo. Portanto, em face do exposto, além dos citados pedidos em tela terem sido formulados em desacordo com inciso IV e § 1º do art. 16 do PAF, estão prejudicados, pois os autos foram baixados em diligência fiscal (por iniciativa de ofício), porém o sujeito passivo nada acrescentou nos autos, em sua defesa, quando da manifestação à fl. 7.618. INFRAÇÃO IMPUTADA: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCO-CONTÁBIL. ARBITRAMENTDO LUCRO: Quanto aos fatos, consta do Auto de Infração a seguinte narrativa da Fiscalização (fls. 831/834), verbis: (...) 001 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Durante o procedimento de fiscalização iniciado em 13/06/2005 (fls. 22 e 23), observou-se à ocorrência de fatos que levaram à tributação da empresa acima identificada com base no Lucro Arbitrado para o ano-calendário de 2000, conforme abaixo relatado. (...) Em 30 de agosto de 2005, a empresa comparece para informar "que não foram encontrados os Livros Fiscais e Bloco de Notas Fiscais referente ao período de 2000. Tendo em vista que a contabilidade referente a esse período de 2.000, foi feita por outro profissional" e que estão tentando localizar o mesmo, solicitando, para tanto, mais 10 (dez) dias de prazo para atendimento (fls. 47). (...) Em 11 de outubro de 2005, o Contribuinte, por meio de Procurador legalmente habilitado, comparece para informar que não possui os extratos bancários do período de janeiro de 2000 a dezembro de 2001, e, mais uma vez, solicita prorrogação no prazo para a apresentação dos livros contábeis/fiscais de 2000, desta vez por mais 30 (trinta) dias. Foi concedido o prazo de mais 15 (quinze) dias para atendimento (fls. 50 e 51); Finalmente, em 04 de novembro de 2005, o Contribuinte comparece para "informar que não foram localizados nenhum documento e/ou livros contábeis/fiscais do ano-calendário de 2000" (fls. 56), sem, no entanto, apresentar também os documentos referentes aos procedimentos prescritos no art. 264, § 1° do RIR/99, obrigatórios nos casos de extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração; Desta forma, foram solicitadas, vias Requisição de Movimentação Financeira- RMF, os extratos de movimentação financeira do Contribuinte nas instituições financeiras em que se conhecia indícios de movimentação nos anos de 2000 e 2001 (58 a 72); Fl. 444DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 12 Em 10 de fevereiro de 2006, de posse das informações enviadas pelas instituições financeiras (fls. 73 a 582), intimou-se, com prazo de 20 (vinte) dias para atendimento, o Contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes conforme relação anexada (fls. 584 a 640). Para a elaboração da aludida relação foram levados em consideração apenas os depósitos/créditos de valor igual ou superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), o que alcança 82% do universo destes valores. Tal corte foi efetuado de maneira a viabilizar os levantamentos, haja vista o volume de informações levantado; (...) Em 10 de abril de 2006, o Contribuinte apresenta "parte dos comprovantes dos valores creditados em suas contas correntes, referentes aos financiamentos de veículos feitos em nome de terceiros, que por motivos de acordos foram creditados nas contas correntes bancárias da empresa nos respectivos bancos". Tais informações somente corroboram parte da movimentação comercial da empresa, mantida à margem da sua contabilidade, pois correspondem a ingressos de recursos, ou seja, de receitas das vendas de veículos negociados pela mesma. Desta forma, não restou comprovadas as origens dos depósitos/créditos efetuados em suas contas correntes bancárias (fls. 659 a 738). Apesar de haver apresentado a Declaração Anual Simplificada para o ano- calendário de 2000 (fls. 39 a 43), o Contribuinte deixou de apresentar o livro Caixa e os documentos de sua escrita contábil/fiscai referentes a este período, apresentando apenas os livros Diários, Razão, Registro de Apuração do JCMS (matriz e filial), Registro de Serviços Prestados (ISSQN) e Registro de Ocorrências relativos ao ano-calendário de 2001 (fls. 26). Com base nas informações coletadas junto às instituições financeiras, elaborou-se o "Relatório dos Créditos Bancários Não Comprovados Pelo Contribuinte" (fls. 743 a 825) a partir do qual obteve-se o "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (fls. 826), pelo qual a fiscalizada, enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte, auferiu no decorrer do ano calendário de 2000, ano de início de atividade, haja visto que, apesar de constituída em 1999 (fls. 27 e 28), somente começou a operar o seu objeto social a partir de 2000, conforme declaração de inatividade apresentada para o ano-calendário de 1999 (fls. 741), receita bruta em montante acumulado no valor de R$ 15.428.091,19 (quinze milhões, quatrocentos e vinte e oito mil, noventa e um reais e dezenove centavos), excedente ao limite estabelecido para ingressar no SIMPLES, que era de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), sendo que apenas nos dois primeiros meses do ano em referência a Receita Bruta apurada já superou o referido limite. Em função desta constatação, em 31/10/2006 formalizou-se a Representação Fiscal para Exclusão do SIMPLES da empresa em tela através do processo administrativo de n° 10120.007234/2006-79, que culminou no ADE n° 65 de 01/11/2006 (fls. 742), por meio do qual a empresa foi excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2000. Confrontando-se os valores de receitas mensais apurados, compilados no "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (fls. 826), que em vários meses supera a casa de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), com os valores de Receita Bruta constantes da ficha 04 da Declaração Simplificada apresentada à SRF pelo Contribuinte (fls. 39), cujo maior valor fica na casa dos R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), evidencia-se a brutal diferença entre os valores movimentados financeiramente durante o ano de 2.000 pela empresa, na ordem de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), e os valores de Receita Bruta declarados, Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 7 13 na casa dos R$ 440.000,00, o que corresponde a cerca de três por cento apenas da sua movimentação financeira. (...) Por fim, tendo em vista que, apesar de intimado e reiteradamente reintimado a apresentar os livros e documentos contábeis/fiscais referentes ao ano-calendário de 2000, o Contribuinte, depois de seguidas solicitações de prorrogação de prazos, nada apresentou, e tendo sido obtida a movimentação financeira da empresa por meio de Requisições de Movimentação Financeira, apurou-se o valor da Omissão de Receitas com base nos Depósitos/créditos Bancários de origens não comprovadas. Tais valores foram considerados para a apuração do seu lucro através do Arbitramento. (...) Quanto aos depósitos a crédito encontrados em suas contas bancárias (valores que não foram escriturados pela impugnante – omissão de receitas), o sujeito passivo objetou que houve quebra do sigilo bancário sem ordem judicial; que houve ofensa a princípios constitucionais; que o art.6º da Lei Complementar 105/2001 seria inconstitucional; que a aplicação retroativa da LC 105/2001 e da Lei 10.174/2001 que alterou o § 3º do art. 11 da Lei 9.311/96 constitui ofensa à segurança jurídica; que, por isso, o lançamento fiscal não pode prosperar. As alegações do sujeito passivo são totalmente infundadas. Primeiro, a instância administrativa não é o fórum adequado para apreciação de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis mencionadas anteriormente, por conta de pretensos vícios formais ou materiais na elaboração desses diplomas legais. O conhecimento dessa argüição, no mérito, é monopólio da jurisdição judicial. Os órgãos de julgamento administrativo não tem competência para apreciar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. No âmbito administrativo, aplica-se a legislação conforme editada pelo Poder Público, pois ela tem presunção de legitimidade e legalidade, até que se prove o contrário na esfera judicial. Sendo assim, no Processo Administrativo Fiscal há tão-somente controle de legalidade do lançamento (verificação se foi aplicada a legislação de regência editada pelo Poder Público), e não controle de legalidade de lei. Tecnicamente, o acesso direto à movimentação financeira das contas bancárias do sujeito pasivo pelo Fisco não constitui quebra do sigilo bancário, em face do art. 6º da LC 105/2001 e dos arts. 195 e 197, II, do CTN, pois contra o Fisco inexiste sigilo bancário, desde que haja procedimento fiscal em curso contra o cliente-contribuinte e indícios de movimentação financeira à margem das escrituração fiscal e contábil, como no caso.. O acesso às contas bancárias do cliente-contribuinte de que tratam os citados diplomas legais está regulamentado pelo Decreto 3.724/2001. Na situação sob exame, a requisição, o acesso e o uso dos dados relativos à movimentação financeira, das contas bancárias do sujeito passivo, deu-se em estrita consonância com a legislação de regência. Logo, não há que se falar em quebra de sigilo bancário e da necessidade de decisão judicial, no caso. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 14 Em relação à aplicação retroativa da Lei 10.174/2001 (art. 1º), também, inexiste óbice algum para tanto, uma vez que a norma que ela veicula tem natureza instrumental ou processual, coadunando-se com o disposto no § 1º do art. 144 do CTN. A propósito, há precedentes jurisprudenciais do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF/4ª Região), do TRF/3ª Região, e do Superior Tribunal de Justiça - STJ, o qual é guardião da norma infraconstitucional, reconhecendo o caráter de norma instrumental ao disposto na Lei nº 10.174/2001 (art. 1º), com aplicação intertemporal. Quanto à decisão do TRF/4ª Região, transcrevemos a ementa do Acórdão da 1ª Turma, de 02/05/2002, verbis: “TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LC nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. 1. A Lei nº 10.174/01, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN, art. 144, § 1º). Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensáveis à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01” (Ac. 1ª Turma do TRF da 4ª R – mv – ag 2002.04.01.003040-0/PR – Rel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria – j 02.05.02 – Agte.: Joaquim Costa; Agdas.: União Federal/Fazenda Nacional – DJU 2 05.06.02, p 164.) (...) Portanto, a requisição, o acesso e o uso dos dados relativos à movimentação financeira, das contas bancárias do sujeito passivo, deu-se em estrita consonância com a legislação de regência. No concerne à omissão de receitas e arbitramento do lucro, a impugnante alegou que os depósitos a crédito em suas contas bancárias não seriam renda, para ensejar a ocorrência do fato gerador dessas exações fiscais; que os depósitos bancários não se enquadram na condição de fato gerador do IRPJ, pois depósitos bancários não configuram, por si só, acréscimo patrimonial, ou seja, disponibilidade econômica ou jurídica de renda para incidência de IRPJ, pois, embora titular das contas bancárias que receberam os depósitos, não tem titularidade dos valores, pois os valores depositados pertenciam a terceiros; que a quase totalidade desses valores autuados constituem receitas de terceiros, pois os veículos usados remetidos à impugnante em consignação para venda em nome de outrem, quando da venda eram depositados nas contas da impugnante, porém os repassava aos proprietários- vendedores; que seriam da impugnante apenas as receitas de vendas de veículos usados de sua propriedade, as comissões recebidas pela venda de veículos usados recebidos em consignação e as receitas financeiras pela intermediação de venda de veículos novos e usados nos financiamentos concedidos por instituições financeiras; que, assim, a maioria absoluta dos valores depositados em sua contas correntes não Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 8 15 constituíam receitas próprias, mas sim de terceiros; que esses valores de terceiros simplesmente transitavam pelas contas bancárias da impugnante antes de serem repassados aos seus legítimos titulares; que, em vista disso, sequer foram lançados na contabilidade da impugnante, uma vez que esta, por ter feito opção pelo SIMPLES no ano-calendário 2000 e pelo Lucro Presumido em 2001, não estava obrigada à escrituração de quaisquer livros contábeis; que isso foi informado ou esclarecido à autoridade fiscal lançadadora; que, ainda, segundo a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR, é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Todas as alegações do sujeito passivo são infundadas. Quanto ao ano-calendário 2000 (período objeto dos autos), a impugnante optou pelo SIMPLES. Encerrado o citado ano-calendário, apresentou Declaração Simplificada – Sistema SIMPLES, como empresa de Pequeno Porte. Nesse ano, faziam jus ao Sistema SIMPLES apenas as empresas com faturamento bruto anual de até R$ 1.200.000,00, desde que não obrigadas ao lucro real. A impugnante não fazia jus à tributação simplificada - Sistema SIMPLES - no ano-calendário 2000, pois extrapolou o citado limite anual já no segundo mês desse ano-calendário. Entretanto, encerrado o ano-calendário 2000, a contribuinte apresentou Declaração Simplicada (Declaração do SIMPLES), informando que- no ano- calendário 2000 -sua receita bruta anual não ultrapassara a R$ 440.000,00, ocultando, dolosamente, receitas tributáveis superior a R$ 15 milhões. Trata –se de declaração veiculando informações falsas, inverídicas, dolosas, com o intuito de ludibriar o Fisco, impedindo ou retardando, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (Lei 4.502/64, art. 71). Por isso, nos autos do processo nª 10120.007234/2006-79 foi excluída do Sistema SIMPLES, quanto ao ano-calendário 2000, antes do lançamento objeto destes autos. Nesse sentido, cabe transcrever as constatações da Fiscalização, conforme descrição dos fatos no Auto de Infração do IRPJ (fls. 831/834), verbis: (...) Com base nas informações coletadas junto às instituições financeiras, elaborou-se o "Relatório dos Créditos Bancários Não Comprovados Pelo Contribuinte" (fls. 743 a 825) a partir do qual obteve-se o "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (fls. 826), pelo qual a fiscalizada, enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte, auferiu no decorrer do ano calendário de 2000, ano de início de atividade, haja visto que, apesar de constituída em 1999 (fls. 27 e 28), somente começou a operar o seu objeto social a partir de 2000, conforme declaração de inatividade apresentada para o ano-calendário de 1999 (fls. 741), receita bruta em montante acumulado no valor de R$ 15.428.091,19 (quinze milhões, quatrocentos e vinte e oito mil, noventa e um reais e dezenove centavos), excedente ao limite estabelecido para ingressar no SIMPLES, que era de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), sendo que apenas nos dois primeiros meses do ano em referência a Receita Bruta apurada já superou o referido limite. (...) Confrontando-se os valores de receitas mensais apurados, compilados no "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (fls. 826), que em vários Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 16 meses supera a casa de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), com os valores de Receita Bruta constantes da ficha 04 da Declaração Simplificada apresentada à SRF pelo Contribuinte (fls. 39), cujo maior valor fica na casa dos R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), evidencia-se a brutal diferença entre os valores movimentados financeiramente durante o ano de 2.000 pela empresa, na ordem de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), e os valores de Receita Bruta declarados, na casa dos R$ 440.000,00, o que corresponde a cerca de três por cento apenas da sua movimentação financeira. (...) Em função desta constatação, em 31/10/2006 formalizou-se a Representação Fiscal para Exclusão do SIMPLES da empresa em tela através do processo administrativo de n° 10120.007234/2006-79, que culminou no ADE n° 65 de 01/11/2006 (fls. 742), por meio do qual a empresa foi excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2000. (...) Por fim, tendo em vista que, apesar de intimado e reiteradamente reintimado a apresentar os livros e documentos contábeis/fiscais referentes ao ano- calendário de 2000, o Contribuinte, depois de seguidas solicitações de prorrogação de prazos, nada apresentou, e tendo sido obtida a movimentação financeira da empresa por meio de Requisições de Movimentação Financeira, apurou-se o valor da Omissão de Receitas com base nos Depósitos/créditos Bancários de origens não comprovadas. Tais valores foram considerados para a apuração do seu lucro através do Arbitramento. (...) Dessa forma, a receita omitida (receita não escriturada pela impugnante), relativa ao ano-calendário 2000, perfaz o montante exato de R$ 15.428.091,19, consoante Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta à fl. 02 dos autos do processo, elaborado com base nos extratos de movimentação financeira de suas contas bancárias, os quais foram fornecidos pelas instituições financeiras diretamente ao Fisco. Intimada diversas vezes, durante o procedimento de fiscalização, a contribuinte deixou de comprovar a origem dos valores depositados a crédito nas suas contas bancárias, atinentes ao ano-calendário 2000. Além disso, a impugnante não mantinha escrituração contábil e fiscal desse ano. No caso, foi aplicada a presunção legal de omissão de receitas de que trata o caput art. 42 da Lei 9.430/96. Vale dizer: o ônus de produzir a prova de que não houve omissão de receitas é da contribuinte, pois a presunção legal inverte ônus da prova. É uma presunção relativa que, entretanto, pode ser elidida. O sujeito passivo objeta que esse montante de receita omitida não é acréscimo patrimonial, não é renda, que não constitui fato gerador do IRPJ e reflexos, pois seria recurso de terceiros movimentado em suas contas correntes, pois se refere a venda de veículos usados recebidos em consignação; que – receita própria – seria tão-somente a comissão de financiamento e o lucro da venda de veículos usados próprios, de sua propriedade. Invocou, ainda, o art. 31 da Lei 8.981/95, o qual estatui, verbis: Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Na verdade, relativo ao ano-calendário 2000, todas as receitas são próprias da impugnante (depósitos a crédito encontrados em suas contas bancárias), pois não restou comprovada nos autos a alegada operação de consignação (venda de veículos consignados, com repasse aos ex-proprietários dos valores que haviam sido depositados nas contas bancárias da impugnante pela instituição financeira). Vale dizer: como a empresa não mantinha escrituração contábil no ano-calendário 2000, Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 9 17 e, também, inexiste documentação idônea ou hábil para comprovar as alegadas operações de conta alheia (inexiste nota fiscal de entrada e saída), suas alegações, sem prova, por conseguinte, estão prejudicadas. Por outro lado, os documentos juntados aos autos – documentos internos da empresa, ou seja, documentos extra contábeis (fls. 888/7589)) -, não são documentos hábeis ou indôneos para fins fiscais (inexiste notas fiscais de entrada e saída de cada operação efetuada), logo, não comprovam que tivesse existido operação de consignação de veículos usados e respectiva venda (inexistem as notas fiscais de entrada e de saída). A impugnante não emititu nota fiscal de entrada e saída para documentar,validamente, as pretensas operações de consignação, para fazer jus à tributação, apenas, da diferença entre o valor de entrada e o de saída (venda) de que trata a IN SRF 152/98. Ainda, o disposto nessa IN/SRF somente se aplica para regime de apuração do lucro real e do lucro presumido, que não é o caso. Os supostos repasses, também, não estão documentados, nem vinculados ou identificados . Na verdade, as operações com veículos usados, pela inexistência de prova hábil e idônea (as operações não foram documentadas com nota fiscal de entrada e saída), presume-se que a transferência de titularidade, junto ao DETRAN, quanto ao veículos usados, tenham sido efetuadas apenas utilizando-se o Documento Único de Transferência - DUT. De modo que as operações ocorreram à revelia da legislação tributária, com total sonegação de tributos e contribuições federais. Este, salvo melhor juízo, foi o modus operandi da autuada no ano-caloendário 2000. Mesmo que a impugnante comprovasse nos autos que todas as receitas decorreram da atividade exercida (venda de veículos usados), ainda, assim, não teria influência no montante de omissão de receitas apuradas pelo Fisco (não haveria abatimento ou redução da receita omitida), pois, na situação sob exame, a autuada não mantinha escrituração contábil no ano-calendário, inexiste documentação de suporte nos termos do art. 923 do RIR/99, não comprovou as pretensas operações de consignação (inexiste nota fiscal de entrada e de saída) e quanto à venda de veículos próprios, também, inexiste nota fiscal de aquisição e de venda. Destarte, para fins fiscais, as operações não foram documentadas validamente. Sendo assim, a impugnante não atende ao disposto nos arts. 2º e 3º da IN SRF 152/98 para fazer jus à tributação pela diferença entre os valores de entrada e saída (e, ainda, esses dispositivos da IN apenas se aplicam para contribuinte enquadrado no regime de apuração pelo lucro real ou presumido, que não é o caso),verbis: Art. 2° Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social - COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1° Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2° O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 18 Art. 3° A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anterior. No mesmo sentido, somente faz prova a favor do contribuinte/comerciante a escrituração contábil, com os documentos de suporte dos respectivos lançamentos contábéis, consoante art. 923 do RIR/99, verbis: DA PROVA Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em seus preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). ÔNUS DA PROVA Art 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Art 925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova dos fatos registrados na sua escrituração (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 3º). Na espécie, inexiste escrituração contábil e inexiste documentação hábil ou idôneas das pretensas operações (não há notas fiscais de entrada e de saída). As receitas – depósitos bancários a crédito em suas contas bancárias- não foram escrituradas e não foram oferecidas à tributação pela impugnante (omissão de receitas). A propósito, o próprio sujeito, em mais de uma oportunidade nos autos, reconheceu, relativo ao ano-calendário 2000, a inexistência de escrituração contábil e fiscal. Nesse sentido, cabe transcrever, uma delas, a constante na fl. 7618, verbis: (...)Além disso, conforme é do vosso conhecimento, a O. S. Veículos Ltda não mantinha escrita contábil no ano-calendário de 2000. Ora, inexistindo escrituração contábil (não há livros contábeis e fiscais), inexistindo documentação hábil (as operações não foram documentadas com notas fiscais de entrada e saída), inexistindo regime de apuração anterior válido (o sujeito foi excluído do regime Simplificado – SIMPLES), e existindo completa omissão de receitas apuradas ex officio, não restou ao Fisco outro caminho, que não o arbitramento do lucro, com base na receita omitida, tendo como suporte os valores depositados a crédito nas suas contas correntes da autuada (movimentação financeira). Somente foram considerados os depósitos igual e acima de cinco mil reais. Incidiu, na espécie, a norma do art. 42 da Lei 9.430/96 que trata da omissão de receitas (presunção legal) decorrente de depósitos bancários não escriturados e sem origem, com inversão do ônus da prova. Por conseguinte, reiterando, não restou ao Fisco outra alternativa que não o arbitramento do lucro com base na receita conhecida (valores extraídos da Fl. 451DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 10 19 movimentação financeira bancária constante das contas correntes da impugnante – depósitos a crédito). O arbitramento do lucro, de ofício, não é penalidade; é regime de apuração do lucro, nos casos em que inexiste escrituração contábil. Na espécie, o arbitramento deu-se com base na receita conhecida, obtida via acesso à movimentação fianceira nas contas correntes bancárias da impugante. Aqui, é preciso desmistificar ou esclarecer que o coeficiente de arbitramento utilizado foi tão- somente de 9,6% (8% + 20%) sobre a receita bruta omitida. Ou seja, o lucro arbitrado corresponde a somente 9,6% da receita bruta omitida. Em outras palavras, o resto, ou seja, 90,4% das receitas omitidas, consideram –se consumidas ou anuladas pelas despesas que geraram as receitas omitidas. Então, não é verdadeira a alegação do sujeito de que 100% do valor dos depósitos a crédito teriam sido considerados acréscimo patrimonial ou renda. Somente foram foram considerados lucros ou acréscimo patrimonial 9,6% das receitas omitidas. Ainda, na diligência fiscal (fls. 7609/7617), o sujeito passivo foi intimado a produzir outras provas, bem como demonstrar em planilhas mensais, a comprovação de todas as operações que teria efetuado (comércio de veículos), como, por exemplo, verbis (fl.7.612): (...) A interessada deverá, em relação a cada operação de intermediação financeira suscitada relativa ao ano-calendário 2000, elaborar planilha mensal de cada operação....,indicando: a) qual veículo automotor de terceiro que foi objeto da intermediação financeira e quem era o proprietário -vendedor; b) quem adquiriu o veículo automotor de terceiro, na operação de intermediação financeira (comprovar a operação e o novo proprietário); c) qual instituição financeira efetuou o financiamento e qual foi o valor pago pelo veículo ao proprietário-vendedor (quanto foi depositado pela instituição financeira na conta da impugnante, comprovação com extrato bancário); quanto a impugnante repassou para o proprietário-vendedor (comprovação: juntar cópia do cheque nominal de pagamento e extrato bancário de compensação do cheque).(...) Entretanto, o sujeito passivo preferiu aduzir que toda a documentação já estava nos presentes autos, e que estava impossibilitado de atender à intimação fiscal, não produzindo nada em seu favor (fl.7.618). Com relação à vetusta Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR, ela não pode ser invocada na espécie, nem a título de argumentação, pois refere a contexto anterior à edição do art. 42 da Lei nº 9.430/96, ou seja, período em que não havia a figura da omissão de receitas por presunção legal, quanto aos depósitos bancários não escrituraos pelo sujeito passivo. Na época (período anterior ao art 42 da Lei 9.430/96), quanto à imputação da infração omissão de receitas, o ônus da prova era do Fisco; porém, agora, o contexto, é outro, o ônus, para afastar a omissão de receita imputada, é do sujeito passivo, ou seja, a novel presunção legal inverteu o ônus da prova. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 20 Diante do exposto, está justificado o arbitramento do lucro, com base na omissão de receitas apurada de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A impugnante alegou que a multa de ofício, no patamar de 150%, seria ilegal e inconstituicional, por ser confiscatória. Por isso, seu completo afastamento ou redução para 75%. Quanto ao questionamento de que a multa de ofício seria ilegal e inconstitucional, não cabe ao julgador administrativo conhecer dessas questões quanto à lei que instituiu a multa de ofício em vigor. Tais questões devem ser alegadas no processo judicial, e não na esfera administrativa. Enquanto vigente a lei, ela tem presunção de legalidade e legitimidade. Não cabe ao julgador administrativo deixar de aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional. Por isso, deixo de conhecer, no mérito, da argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade do percentual da multa aplicada, por falta de competência. Apenas para argumentar, a multa de ofício é necessária para inibir as infrações tributárias. Discute-se na doutrina o seu patamar aceitável. Além disso, para uma corrente de pensamento jurídico o princípio da capacidade contributiva não se aplicaria às penalidades, mas tão-somente aos tributos. A cominação de penalidade administrativa em abstrato deve ser tal que impeça ou iniba a prática de infração tributária. No caso, a cominação em abstato da multa não foi suficiente para evitar a infração tributária, por isso da aplicação em concreto da sanção prevista na lei. Quanto à alegação de que não estaria caracterizado ou configurado o dolo específico que pudesse justificar a qualificação da multa de ofício, convém aduzir que o sujeito passivo está equivocado em sua argumentação, sumariada no relatório. Inexiste incompatibilidade entre omissão de receitas (presunção legal) e aplicação de multa qualificada. No caso, a omissão de receita apurada pelo Fisco salta aos olhos, é cristalina, é tão clara como uma fratura exposta, pois todos os depósitos efetuados a crédito nas contas bancárias do sujeito passivo não foram escriturados na sua contabilidade. Aliás, a autuada sequer mantinha escrituração contábil para o ano-calendário 2000, período objeto da autuação. A infração omissão de receita é indubitável. Ainda, para aliar o útil ao agradável, a legislação tributária, no caso de depósitos bancários não contabilizados, inverteu o ônus da prova. Ou seja, quanto a omissão comum de receitas o ônus da prova é do Fisco, porém, no caso de depósitos bancários a crédito em contas correntes bancárias do sujeito passivo (depósitos não escriturados e sem origem comprovada) o ônus de prova de que inexistiu omissão de receitas é da pessoa jurídica autuada. Na situação em exame, não houve a comprovação da origem dos depósitos bancários. A origem dos recursos movimentados, mesmo quando comprovada (que não é o caso, pois não houve comprovação), não afasta, necessariamente, a omissão Fl. 453DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 11 21 de receitas apurada pelo Fisco e não altera o regime de apuração do lucro arbitrado aplicado de ofício, mormente quando o sujeito passivo para o ano-calendário 2000, como no caso, não mantinha regime de apuração escolhido validamente (foi excluído, antes da autuação, do SIMPLES nos autos do processo PAF n° 10120.007234/2006-79) e, além disso, não mantinha escrituração contábil. Destarte, quanto à materialidade da infração omissão de receita, inexiste dúvida alguma quanto à sua existência e respectivo quantum. A questão que resta a ser analisada é o elemento volitivo, ou seja, o dolo de sonegação, ou seja, o dolo de reduzir, indevidamente, os tributos e contribuições federais. A propósito, convém transcrever as constatações da Fiscalização narradas na descrição dos fatos, constante do Auto de Infração do IRPJ (fls. 832/834), verbis: (...) Apesar de haver apresentado a Declaração Anual Simplificada para o ano-calendário de 2000 (fls. 39 a 43), o Contribuinte deixou de apresentar o livro Caixa e os documentos de sua escrita contábil/fiscal referentes a este período, apresentando apenas os livros Diários, Razão, Registro de Apuração do ICMS (matriz e filial), Registro de Serviços Prestados (ISSQN) e Registro de Ocorrências relativos ao ano-calendário de 2001 (fls. 26). Com base nas informações coletadas junto às instituições financeiras, elaborou-se o "Relatório dos Créditos Bancários Não Comprovados Pelo Contribuinte" (fls. 743 a 825) a partir do qual obteve-se o "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (fls. 826), pelo qual a fiscalizada, enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte, auferiu no decorrer do ano calendário de 2000, ano de início de atividade, haja visto que, apesar de constituída em 1999 (fls. 27 e 28), somente começou a operar o seu objeto social a partir de 2000, conforme declaração de inatividade apresentada para o ano-calendário de 1999 (fls. 741), receita bruta em montante acumulado no valor de R$ 15.428.091,19 (quinze milhões, quatrocentos e vinte e oito mil, noventa e um reais e dezenove centavos), excedente ao limite estabelecido para ingressar no SIMPLES, que era de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), sendo que apenas nos dois primeiros meses do ano em referência a Receita Bruta apurada já superou o referido limite. Em função desta constatação, em 31/10/2006 formalizou-se a Representação Fiscal para Exclusão do SIMPLES da empresa em tela através do processo administrativo de n° 10120.007234/2006-79, que culminou no ADE n° 65 de 01/11/2006 (fls. 742), por meio do qual a empresa foi excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2000. Confrontando-se os valores de receitas mensais apurados, compilados no "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (fls. 826), que em vários meses supera a casa de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), com os valores de Receita Bruta constantes da ficha 04 da Declaração Simplificada apresentada à SRF pelo Contribuinte (fls. 39), cujo maior valor fica na casa dos R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), evidencia-se a brutal diferença entre os valores movimentados financeiramente durante o ano de 2.000 pela empresa, na ordem de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), e os valores de Receita Bruta declarados, na casa dos R$ 440.000,00, o que corresponde a cerca de três por cento apenas da sua movimentação financeira. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 22 Desta forma, diante da enorme discrepância existente entre os valores depositados/creditados nas contas correntes da empresa, sem a comprovação de sua origem por parte do Contribuinte, do ínfimo valor de Receita Bruta apresentado através da Declaração Simplificada para o ano-calendário de 2.000, mantendo-se indevidamente neste sistema de apuração, aliado à não apresentação injustificada dos livros/documentos da sua contabilidade, mesmo após inúmeras solicitações de prorrogação de prazos por parte da empresa para fazê-lo, tendo sido inclusive lavrado o Auto de Embaraço à fiscalização, restou comprovada a intenção do Contribuinte em retardar ao máximo o andamento dos trabalhos fiscais, bem como a deliberada atitude de reduzir os valores de Impostos/Contribuições devidos ao Fisco Federal, através da declaração de valores de Receita Bruta extremamente inferiores aos apurados através da sua movimentação financeira e, com isto, fazer indevidamente os seus recolhimentos através do SIMPLES. Estes procedimentos demonstram a consciência da conduta do Contribuinte visando à redução indevida dos valores dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, constituindo, desta forma, em tese, crime contra a ordem tributária previsto no art. 2o, inciso I, da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990. Por este motivo, a multa de ofício foi qualificada para 150%. Do exposto, infere-se que a ação ou omissão do sujeito passivo, no caso, foi dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, apresentando Declaração do Sistema SIMPLES com apenas três por cento da receita total auferida no ano- calendário 2000, ou seja, declaração com valores de receitas gritantemente menores aos efetivamente auferidos, valores falsos, inverídicos, que implicaram redução indevida de tributos e contribuições federais do ano-base 2000. Se não houvesse a instauração do procedimento fiscal, a totalidade do crédito tributário teria sido perdida (decaída), pois foi totalmente sonegada pelo sujeito passivo. Ainda assim, grande parte do crédito tributário restou decaído, pois o Fisco constatou a infração dolosa, muito tarde, não tendo tempo hábil de salvar por inteiro o crédito tributário, uma vez que, ainda, no procedimento de fiscalização, o sujeito passivo, também, provocou, criou dificuldades de toda ordem, protelou, ao máximo, a conclusão do procedimento de fiscalização, não atendendo às intimações fiscais, formulando sucessivos pedidos de dilação de prazo (com intuito protelatório), tendo sido, inclusive, autuado por embaraço à fiscalização, durante o procedimento fiscal. No caso, a omissão de receitas decorreu de conduta comissiva, dolosa, do sujeito passivo (sonegação e redução indevida de tributos), pois, tendo conhecimento pleno de que já no segundo mês do ano-calendário 2000 tinha extrapolado o limite superior de receitas para enquadramento no Sistema SIMPLES, ainda assim – encerrado o ano-calendário – entregou a Declaração Simplificada do SIMPLES, declarando que suas receitas totais do ano-calendário 2000 não teriam ultrapassado a R$ 440.000,00, quando, na verdade, suas receitas totais superaram a casa dos R$ 15.000.000,00 nesse ano-calendário. Na espécie a omissão de receita é flagrante, pois inexiste escrituração contábil para o ano-calendário 2000, ainda, o citado montante de receitas não foi oferecido à tributação pelo sujeito passivo. Inexistindo regime de apuração válido escolhido pelo contribuinte, incide o regime do lucro arbitrado de ofício, o qual, como já dito, não é penalidade, pois considera como base de cálculo do IRPJ apenas 9,6% das receitas omitidas. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10120.007234/2006-79 Acórdão n.º 1402-00.315 S1-C4T2 Fl. 12 23 O sujeito passivo alegou que houve presunção de dolo e que dolo não se presume. Trata-se de alegação muito infeliz. Segundo a teoria finalista da ação, adotada pelo nosso Código Penal (Parte Geral), art. 18-I, redação dada pela Lei 7,209/1984, e segundo a melhor doutrina pátria de direito penal, o dolo faz parte da tipicidade (do tipo penal), e pode ser dolo direto (ocorre quando o agente quis o resultado e praticou ação nesse sentido) ou dolo indireto ou eventual (quando o agente, com sua ação, assumiu o risco de produzir o resultado). No caso, não se trata de presunção de dolo, mas sim da existência de dolo direto de sonegação (art. 71 da Lei 4.502/64 e art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007), que implicou redução indevida de tributos e contribuições (o sujeito passivo quis e praticou a conduta de sonegação de tributos e contribuições federais, ou seja, reduziu ou suprimiu tributo ou contribuição social, indevidamente, mediante as condutas descritas nos incisos I e II do art.1º da Lei 8.137/90). Diante do exposto, está justificada a qualificação da multa de ofício. Mantenho a aplicação da multa qualificada. JUROS DE MORA – TAXA SELIC O art 161,§ 1ª, do CTN, estatui que os juros de mora serão de um por cento ao mês, se não houver disposição legal em contrário. Porém, existe disposição legal em contrário, ou seja: Art. 13. A partir de 12 de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do artigo 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994 com a redação dada pelo artigo 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo artigo 90 da Lei nº 8.981/95, o artigo 84, inciso I, e o artigo 91, parágrafo único, alínea "a. 2", da Lei nº 8.981/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A partir de 1997, os juros de mora são exigidos com base na taxa SELIC, consoante art. 61,§ 3º, da Lei 9.430/96, verbis: : Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) Juros de mora não são penalidade; possuem natureza compensatória, em face da inadimplência do contribuinte, quanto aos tributos da Fazenda Pública Federal; fato que obriga o Poder Público ir ao mercado financeiro contrair empréstimos - recursos financeiros - pagando a taxa SELIC, para realizar o seu mister constitucional. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA 24 Por isso, é justa e eqüitativa a imposição dos juros de mora com base na taxa SELIC na cobrança do crédito tributário, quanto aos contribuintes inadimplentes. Quanto à alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade da exigência dos juros de mora com base na Taxa SELIC, não cabe ao julgador administrativo conhecer de tal alegação quanto à legislação que impõe a cobrança juros de mora. Tal questionamento deve ser objeto de processo judicial, e não de discussão na esfera administrativa, uma vez que a lei, enquanto não declarada ilegal ou inconstitucional pelo Poder Judiciário, tem presunção de legalidade e legitimidade. Sendo assim, o agente do Fisco, inclusive o julgador administrativo, está vinculada à lei, tendo que aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional. (...) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos de oficio e voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 457DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 11128.003930/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 09/06/2004
EXTRAVIO/ROUBO DE CARGA. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE CULPA DO DEPOSITÁRIO. INOCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE PELOS TRIBUTOS DEVIDOS. IMPOSSIBILIDADE.
1. Não há caso fortuito ou de força maior e, em decorrência, excludente de responsabilidade pelos tributos devidos se, em razão do extravio/roubo da mercadoria estrangeira importada, sob custódia do depositário, este não prova nos autos que não concorreu com culpa para extravio da mercadoria.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/06/2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO). POSSIBILIDADE.
É passível de aplicação a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), calculada sobre o valor tributo devidos, sempre que autoridade fiscal proceder o lançamento de ofício para cobrança de crédito tributário devido e não confessado ou pago pelo contribuinte.
MULTA REGULAMENTAR. EXTRAVIO DE MERCADORIA. COBRANÇA COMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Por sancionar conduta específica, a aplicação da multa regulamentar por extravio da mercadoria pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio.
JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/06/2004
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. MATÉRIA FÁTICA SUFICIENTE PARA FORMAÇÃO DA CONVICÇÃO DO JULGADOR. COMPROVADA PRESCINDIBILIDADE E DESNECESSIDADE. IMPOSSIBILIDADE
Se existe nos autos matéria fática suficiente para formação da convicção do julgador, indefere-se o pedido de realização de diligência por ser prescindível ou desnecessária para o deslinde da controvérsia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/06/2004 EXTRAVIO/ROUBO DE CARGA. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE CULPA DO DEPOSITÁRIO. INOCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE PELOS TRIBUTOS DEVIDOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não há caso fortuito ou de força maior e, em decorrência, excludente de responsabilidade pelos tributos devidos se, em razão do extravio/roubo da mercadoria estrangeira importada, sob custódia do depositário, este não prova nos autos que não concorreu com culpa para extravio da mercadoria. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/06/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO). POSSIBILIDADE. É passível de aplicação a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), calculada sobre o valor tributo devidos, sempre que autoridade fiscal proceder o lançamento de ofício para cobrança de crédito tributário devido e não confessado ou pago pelo contribuinte. MULTA REGULAMENTAR. EXTRAVIO DE MERCADORIA. COBRANÇA COMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Por sancionar conduta específica, a aplicação da multa regulamentar por extravio da mercadoria pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio. JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 39 30 /2 00 5- 18 Fl. 323DF CARF MF 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/06/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. MATÉRIA FÁTICA SUFICIENTE PARA FORMAÇÃO DA CONVICÇÃO DO JULGADOR. COMPROVADA PRESCINDIBILIDADE E DESNECESSIDADE. IMPOSSIBILIDADE Se existe nos autos matéria fática suficiente para formação da convicção do julgador, indeferese o pedido de realização de diligência por ser prescindível ou desnecessária para o deslinde da controvérsia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 6/10), em que formalizada a exigência de II, IPI, Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação, acrescidos de multa d ofício de 75% (setenta e cinco por cento), e de multa regulamentar do II por extravio de mercadoria e multa do controle administrativo por falta de licença de importação, no valor total de R$ 845.261,99. De acordo com a Descrição dos Fatos que integra o citado Auto de Infração, as razões da autuação foi extravio (roubo) da carga, importada por Sony Brasil Ltda., que se encontrava acondicionada no contêiner nº GSTU 731.4307 e amparada pelo conhecimento marítimo nº NOR021635 (CSAV) e House CANSE0404568. Noticia a autoridade fiscal, que após ser descarregado no cais do porto do operador portuário Usiminas, o citado contêiner fora destinado ao pátio do Terminal da autuada, por meio da GMCI nº 1134102/2004, sendo roubado no trajeto entre os dois terminais, conforme descrito no Boletim de Ocorrência nº 005007/2004, emitido pelo 23º Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 324 3 Distrito Policial de Santos e de nº 097/04 da Delegacia Federal de Santos. Posteriormente, o citado container fora localizado vazio em São Roque/SP, sendo em seguinda encaminhado ao terminal portuário anteriormente designado, conforme Boletim de Ocorrência nº 001632/2004. No final do procedimento fiscal de apuração do extravio da mercadoria, a fiscalização concluiu por imputar à Transbrasa Transitaria Brasileira S/A., ora recorrente, a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos devidos na operação, em razão dela ser, na condição depositária, a responsável, perante a autoridade aduaneira, pela guarda das referidas mercadorias. Em sede de impugnação, em síntese, a autuada apresentou as seguintes razões de defesa: a) a subtração da unidade de carga, durante o percurso para sua entrega ou depósito junto à depositária se deu por fato de terceiro, portanto em decorrência de força maior, excludente da responsabilidade do agente transportador ou do depositário para tanto equiparado; b) a legislação aduaneira, a teor do artigo 595 do Decreto 4.543/2002, alberga o reconhecimento da força maior como excludente de responsabilidade fiscal; e c) o ADI SRF 12/2004, não alterava ou revogava o art. 595 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Sobreveio a decisão primeira instância (fls. 97/101), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente em parte, para excluir do total do crédito tributário exigido o valor de R$ 216.638,38, relativo à multa por falta de licença de importação, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 09/06/2004 EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE. CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. ROUBO OU FURTO. De acordo com o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 12, de 31/03/2004, o roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto nº 4.543/2002, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Incabível a exigência da multa por infração administrativa ao controle das importações, consubstanciada na falta de licença de importação, bastando para sua exclusão o fato de que o responsável tributário não tem a obrigação de licenciar a importação. Fl. 325DF CARF MF 4 A interessada foi cientificada da decisão de primeira instância em 19/1/2009 (fl. 105). Em 18/2/2009 (fl. 119), protocolou o recurso voluntário de fls. 119/145, em que reafirmou, as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória. Em aditamento, em preliminar, alegou que nulidade da autuação por vícios formais insanáveis, com base nos seguintes argumentos: a) o pedido de vistoria aduaneira oficial fora apresentado fora do prazo, pois, em 17/9/2004, data da formalização, pela importadora, do pedido de realização de vistoria aduaneira, a mercadoria já deveria ter sido objeto da aplicação da pena de perdimento, posto que, na referida data, já tinha transcorrido o prazo de 90 (noventa) dias, contado da data da descarga da mercadoria extraviada, que ocorrera em 9/6/2004; b) sendo nula a vistoria aduaneira realizada no âmbito do processo nº 11128.005007/200430, consequentemente, nulo também estaria o Auto de Infração dela decorrente; c) houve cerceamento do direito de defesa, por ocasião da realização da vstoria aduaneira oficial, na medida em que a autuada viuse impedida de manifestarse a respeito, inclusive quanto as cláusulas excludentes da responsabilidade de indenizar, conforme previsão legal contida no artigo 595 do RA, na época vigente; d) nos casos de mercadorias importadas sob o Regime Especial de Entreposto Aduaneiro, sem cobertura cambial, não havia embasamento legal para que a Fazenda Nacional exigisse a cobrança de tributos/multas incidentes sobre mercadorias extraviadas/roubadas; e) encontravase amparada pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, na medida em que comunicou espontaneamente as autoridades policiais o roubo/extravio das mercadorias; e f) os tributos foram calculados exclusivamente com dados contidos na fatura proforma, apresentada pelo importador, sem que houvesse a devida análise do valor aduaneiro declarado. No mérito, em aditamento as razões aduzidas na fase impugnatória, a recorrente alegou a improcedência da autuação, baseada nos seguintes novos argumentos: a) dada sua condição de Instalação Portuária de uso Público, dentro do Porto Organizado de Santos, sujeitarseia a contrato privado firmado com a importadora, por meio do qual se responsabilizara pela guarda, manuseio, conservação e conteúdo do contêiner, não mantendo contrato de depósito com a União; b) ausente tal vínculo, só responderia perante a importadora por qualquer prejuízo, ainda mais porque, em razão do regime suspensivo ao qual as mercadorias seriam submetidas, a União não sofrera qualquer dano; c) não restara caracterizado os fatos geradores do imposto de importação, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, verificados na data do registro da declaração de importação, motivo que afastaria igualmente as multas decorrentes do não pagamento de tais tributos. Transcreve jurisprudência e doutrina que ratificariam tal argumento; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 325 5 d) estarseia diante de violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita doutrina e jurisprudência; e) carecia de respaldo legal as multas de ofício cobradas sobre o valor dos tributos lançados, sob o argumento de que não houve lançamento de ofício para exigências dos respectivos tributos; f) era incabível a penalidade prevista no artigo 106, II, “d”, do Decretolei 37/1966, combinado com o art. 628, III, “d”. do Decreto 4.543/2002, face à imposição de multa mais gravosa, prevista no art. 44, I, da lei 9.430/1996 e à cobrança do imposto de importação incidente sobre os bens extraviados; g) era indevida a cobrança de juros de mora sobre o crédito tributário antes de proferida a decisão definitiva e que era ilegal a cobrança com base na variação da taxa Selic; e h) no final, requereu que fosse (i) solicitada à autoridade policial informações sobre as conclusões do inquérito policial e (ii) realizada diligência peranto à Alfândega do Porto de Santos, para responder quesitos que especificaou. Na Sessão de 28 de outubro de 2010, por meio da Resolução nº 310200.148 (fls. 157/162), em consonância com pedido da recorrente, o julgamento foi convertido em diligência, para que fosse solicitado esclarecimentos da autoridade policial e da companhia seguradora da carga acerca dos fatos relacionados com o noticiado extravio/roubo da mercadoria, e que ao final, fosse cientificada a autuada, para se manifestar a respeito dos novos elementos coligidos aos autos. Em cumprimento a referida diligência, a unidade da Receita Federal de origem adotou as seguintes providências: a) por meio do Intimação de fls. 178, a recorrente foi intimada a apresentar a cópias da apólice de seguro e da solicitação de indenização do sinistro, que, em resposta (fls. 181/182), informou que “à época dos fatos (2.004), a mesma não detinha Apólice de Seguro para as hipóteses de roubo de carga transportadas sob o Regime de Trânsito Aduaneiro, e tampouco houve a formalização de Pedido de Indenização da carga extraviada por parte do importador, ou o ajuizamento de ação regressiva de ressarcimento.”; b) por meio do Ofício de fl. 173, foi solicitado ao Delegado de Polícia de Cubatão (SP) se em relação à comunicação do delito relatado no BO 005007/2004 (fls. 175/177), registrado em 10/6/2004 na 23ª Delegacia de Polícia da Capital e enviado aquela Delegacia (ver encaminhamento in fine), fora instaurado inquérito policial e, caso afirmativo, quais foram as conclusões do referido inquérito? E se foram coletados indícios que pusessem em dúvida a veracidade das declarações prestadas pela vítima? Em resposta, por meio dos Ofícios de fls. 210 e 216, o Delegado Primeiro Distrito Policial de Cubatão/SP, informou que o citado BO não havia aportado naquela Delagacia; Fl. 327DF CARF MF 6 c) por meio do Ofício de fl. 213, da seguradora Tokio Marine Brasil S/A., que participara do procedimento de vistoria aduaneira, realizado em 2/5/2005, foi solicitado, em relação à apólice de seguro que acobertava a carga roubada, informação se a indenização fora paga e, caso não tenha sido, qual fora o motivo da negativa. Não houve resposta a esta solicitação; e d) por meio do Ofício de fl. 214, ao Delegado Chefe da Polício Federal em Santos foi solicitado, em relação ao BO 097/04 (fl. 48), registrado em 9/6/2004 naquela Delegacia, quais foram as conclusões do respectivo do procedimento investigatório e se foram coletados indícios que pussesem em dúvida a veracidade das declarações prestadas pela alegada vítima. Após a realização da intimação à recorrente e expedição de ofícios às respectivas autoridades policiais e à seguradora, com base na falta e no teor de algumas respostas apresentadas, a autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem concluiu que o resultado da diligência teria sido improfícuo e propôs o retorno do processo a este Colegiado, sem a necessária ciência da recorrente, para se manifestar a respeito dos novos elementos coligidos autos. Em decorrência dessa omissão, por meio da Resolução nº 3102000.248, de 20 de março de 2013 (fls. 220/225), o julgamento foi novamente convertido em diligência, desta feita para que fosse providenciada a intimação da recorrente e lhe concedido o prazo de 30 (trinta) dias, para manifestação acerca dos novos elementos coliiidos aos autos. Em 19/5/2014 (fls. 228/229), a autuada foi cientificada do resultado da primeira diligência. Por intermédio da petição de fls. 233/235, a recorrente prestou os seguintes esclarecimentos relevantes: a) em resposta ao Ofício do Inspetor da Alfândega do Porto de Santos (fl. 214), o Delegado de Polícia Titular de Cubatão/SP, por meio dos Ofícios de fls. 210 e 216, havia informado que o Boletim de Ocorrência de nº 5.007/2004 (fls. 86/91) fora elaborado no 23º Distrito Policial da Capital/SP, contudo não se tinha notícias nos autos, sobre a realização de diligências perante o citado Distrito, para obtenção de informações sobre a tramitação da instauração de inquérito policial; b) embora recepcionada pela seguradora o Ofício do Inspetor da Alfândega do Porto de Santos (fl. 213), não havia notícias nos autos de que esta havia apresentado as informações solicitadas; c) era fato incontroverso que houve roubo do container nº GSTU 731.4307, que acondicionava a carga extraviada, tanto era verdade que os veículos (trator e reboque) que o transportava foram localizados, posteriormente, na cidade de São Roque/SP; e d) reafirmou que o roubo de carga enquadravase no conceito de caso fortuito ou de força maior, cláusula excludente da responsabilidade de indenizar. Na Sessão de 11 de dezembro de 2014, por meio da Resolução nº 3102 000.332, os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção, novamente, converteram o julgamento, desta feita para que fossem adotadas as seguintes providências, in verbis: Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 326 7 a) solicitar ao Delegado titular do 23º Distrito Policial da Capital/SP informação se o fato delituoso comunicado no Boletim de Ocorrência 5.007/2004 (fls. 86/91 e 175/177) resultou na instauração de inquérito policial e, caso afirmativo, quais foram as conclusões resultantes do respectivo procedimento investigatório, bem assim se foram coletados indícios que ponham em dúvida a veracidade das declarações prestadas pela vítima; e b) intimar a seguradora Tokio Marine Brasil S/A., para, sob pena de imposição da multa prevista no art. 107, IV, “c”, do Decretolei 37/1966, apresentar cópia da apólice de seguro e informar se a indenização relativa a carga segurada foi paga ou não. E, caso negativo, apresentar o motivo da não efetivação do pagamento da indenização decorrente do suposto sinistro. Em 3 de maio de 2017, por meio do Ofício de fls. 288/289, o Delegado titular do 23º Distrito Policial da Capital/SP informou que “não houve instauração de inquérito policial a partir da lavratura do Boletim de Ocorrência 5.007/2004, lavrado nesta Unidade Policial de Natureza Roubo de Veículo. Vítima: Osmar de Souza.” Por sua vez, por intermédio do Ofício de fls. 266/267, a seguradora Tokio Marine Brasil S/A. informou que possuía em seus sistemas a informação de que “houve o pagamento de indenização ao Segurado Sony Brasil LTDA em 29/04/2005 no valor de R$643.989,46 (seiscentos e quarenta e três, novecentos e oitenta e nove reais e quarenta e seis centavos), ocorre que, em razão do lapso temporal”, não possuía “qualquer outro documento relativo a este processo de indenização, além da tela de sistema anexa a esta resposta.” Esclareceu ainda que, de acordo com a Circular SUSEP 74/1999, o prazo para manter a guarda de documentos era o prazo de cinco anos contado do término de vigência do contrato ou do prazo de prescrição de um ano. Assim, “tendo em vista que já se passaram onze anos daquela data até os dias de hoje”, não possuía os documentos solicitados, visto que já ultrapassara o período mínimo de guarda deles. Em 31/5/2017, a autuada foi cientificada do resultado da diligência. Em 30/6/2017, por meio da petição de fls. 307/315 alegou que: a) o Boletim de Ocorrência n° 5.007/2.004, lavrado junto ao 23º Distrito Policial de São Paulo, em 10/6/2004, dizia respeito ao roubo de carga importada durante o transporte rodoviário entre o Terminal da USIMINASCUBATÃOSP e o respectivo Recinto Alfandegado Depositário (TRANSBRASASANTOSSP, ora Requerente), bem como, do respectivo veículo transportador (TRATOR + CARRETA). Não se tratava, portanto, somente de instauração de Inquérito relacionado com o roubo do veículo, conforme mencionado pela Autoridade Policial; b) em face de expressa previsão legal, era dever de ofício da Autoridade Policial determinar a instauração de Inquérito Policial, para apurar a autoria e materialidade do roubo da carga e do respectivo veículo transportador, sob pena de prevaricação no exercício da função pública, até porque, enfatizese, no Estado de São Paulo/SP existia uma Delegacia Especializada para apuração de crimes relacionados com o roubo de cargas, vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil de São Paulo/SP; Fl. 329DF CARF MF 8 c) era fato incontroverso que houve o roubo da carga, juntamente com o respectivo veículo transportador (Trator + Carreta), mediante ação violenta de uma quadrilha organizada, conforme dava conta o Boletim de Ocorrência n° 5.007/2.004 (fls. 29/32), tendo ocorrido inclusive agressão do motorista do aludido veículo, que fora submetido a exame de Corpo de Delito, “conforme documento anexado às fls. 33 dos autos” [fls. 49]; e d) a prova inquestionável de que a carga fora roubada foi que a seguradora TOKIO MARINE BRASIL S/A. reconhecera a ocorrência de sinistro e efetuara o pagamento da indenização à empresa importadora SONY DO BRASIL S/A., conforme resposta ao quesito “b” da diligência. E o referido pagamento fora realizado há pouco mais de 15 (quinze) dias após a conclusão da “Vistoria Aduaneira Oficial” realizada pela Alfândega do Porto de Santos nos autos do processo administrativo n° 11128005.007/200430, o que ocorrera em 14/4/2005 (fls. 51/53). É relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme delineado no relatório precedente, a controvérsia envolve questões preliminares e de mérito. I Da Análise das Questões Prelimares Previamente, é pertinente esclarecer que, em consonância com o disposto no 16 do Decreto 70.235/1972, é na fase impugnatória que são definidos os contornos da lide. No caso em tela, a recorrente não suscitou nenhuma questão preliminar na impugnação anteriormente apresentada, vindo apenas suscitar, na atual fase processual, a nulidade do Auto de Infração e formular pedido de realização de diligência. De todo modo, como as preliminares suscitadas integram as denominadas matérias de ordem pública, tais questões serão aqui analisadas, porém, tendo o cuidado de apreciar apenas os argumentos que, efetivamente, digam respeito apenas às matérias de ordem pública. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração. No que tange à alegada nulidade da autuação, somente na peça recursal em apreço a recorrente apresentou os seguintes argumentos: a) o pedido de vistoria aduaneira oficial fora apresentado fora do prazo, pois, em 17/9/2004, data da formalização do do pedido de realização da vistoria aduaneira oficial pela importadora, a mercadoria já deveria ter sido objeto da aplicação da pena de perdimento, posto que, na referida data, já tinha transcorrido o prazo de 90 (noventa) dias de permanência no recinto alfandegado, contado da data da descarga da mercadoria extraviada, o que ocorrera em 9/6/2004; Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 327 9 b) sendo nula a vistoria aduaneira oficial, realizada no âmbito do processo nº 11128.005007/200430, consequentemente, nulo também estaria o presente Auto de Infração dela decorrente; c) houve cerceamento do direito de defesa, por ocasião da realização da vstoria aduaneira oficial, na medida em que a autuada viuse impedida de manifestarse a respeito das conclusões apresentadas, inclusive quanto as cláusulas excludentes da responsabilidade de indenizar, conforme previsão legal contida no art. 595 do RA/2002, na época vigente; d) nos casos de mercadorias importadas sob o Regime Especial de Entreposto Aduaneiro, sem cobertura cambial, não havia embasamento legal para que a Fazenda Nacional exigisse a cobrança de tributos/multas incidentes sobre mercadorias extraviadas/roubadas; e) encontravase amparada pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, na medida em que comunicara, espontaneamente, as autoridades policiais o roubo/extravio das mercadorias; e f) os tributos foram calculados exclusivamente com base nos dados contidos na fatura proforma, apresentada pelo importador, sem que houvesse a devida análise do valor aduaneiro declarado. Os argumentos suscitados nas alíneas “d” e “f” dizem respeito ao mérito da exigência fiscal. Ademais, tais pontos não foram suscitados na fase impugnatória, consequentemente, sob pena configurar indevida supressão instância, os citados argumentos não serão aqui conhecidos. Resta analisar os argumentos suscitados nas alíneas “a” a “c”, que diz respeito ao procedimento de vistoria aduaneira, que, na época dos fatos, encontravase disciplinado nos arts. 581 a 588 do Decreto 4.543/2002 (RA/2002). Diferentemente do que alegou a recorrente, não há prazo fixado para realização do procedimento de vistoria aduaneira, que será realizado a pedido do depositário, transportador ou importador, ou de ofício, neste último caso, sempre que a autoridade aduaneira tiver conhecimento de fato que a justifique. No caso, a vistoria aduaneira foi realizada em atenção ao pedido formulado pela importadora Sony do Brasil Ltda., formalizado por meio petição de fl. 18, protocolada perante a unidade aduaneira em 17/9/2004. Na referida petição, a importadora informou que não havia Termo de Descarga e de Avaria emitido pelo depositário. Aliás, tal comunicação era da obrigação da autuada, vez que na condição de depositária e transportadora da mercadoria, logo após a constatação do extravio ou roubo, tinha a obrigação de registrar a ocorrência em termo específico e, imediatamente, comunicar o fato à autoridade aduaneira, para as devidas providências, conforme expressamente determinava o art. 583 do RA/2002, a seguir transcrito: Art. 583. Cabe ao depositário, logo após a descarga de volume avariado, ou a constatação de extravio, registrar a ocorrência em termo próprio, disponibilizado para manifestação do Fl. 331DF CARF MF 10 transportador, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Em vez das referidas providências, na petição de fl. 18, a importadora Sony do Brasil Ltda. informou que o Termo de Descarga e Avaria sequer não fora emitido pela autuada. Ademais, não há nos autos qualquer documento que comprove que a recorrente tenha comunicado o mencionado extravio/roubo da carga à autoridade aduaneira. A propósito noticiam os Boletins de Ocorrência (BO) colacionados aos autos (fls. 85/88) que a autuada, logo após o extravio e suposto roubo da carga comunicou o fato apenas às autoridades policiais federais e estaduais. Assim, ao deixar de comunicar o fato a autoridade aduaneira, a recorrente descumpriu expressa determinação prevista no citado preceito regulamentar. A leitura dos referidos documentos revela que a natureza da ocorrência do BO registrado na Polícia Federal foi “Denunciação Caluniosa (A Apurar)” e no BO registrado na Polícia Civil de São Paulo foi “ROUBO CONSUMADO VEÍCULO”. Por todas essas circunstâncias, fica demonstrado que não procede a alegação da recorrente de que, uma vez transcorrido o prazo de 90 (noventa) dias de permanência da mercadoria no recinto alfandegado, a mercadoria estava sujeita a pena de perdimento, logo não poderia ser submetida ao procedimento de vistoria aduaneira, pois, além de não existir a alegada limitação temporal, a autoridade fiscal somente iniciou o procedimento de vistoria aduaneira oficial após o tomar conhecimento do extravio/roubo, por meio da comunicação prestada pela empresa importadora. Dada essa circunstância, fica também afastada de plano a alegação de que no caso em tela houve denúncia espontânea da infração, pois, sabidamente, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei 37/1966, somente a denúncia espontânea regularmente feita perante a autoridade tributária ou aduaneira produz os efeitos legais que lhe são inerentes. E no caso em tela, não houve a denúncia da infração a nenhuma das referidas autoridades, mas comunicação de extravio/roubo do veículo e da carga às autoridades policiais. Além disso, tais denúncias feitas perante às autoridades policiais não veio acompanhada do pagamento dos tributos devidos, condição indispensável para que produzisse os efeitos previsto nos citados preceitos legais. Não se pode olividar que, diferentemente do alegado pela recorrente, não há previsão de aplicação da pena perdimento para a mercadoria extraviada/roubada. Ocorrendo o extravio ou roubo de mercadoria estrangeira entrada no território nacional, o procedimento determinado pela legislação aduaneira, em especial, pelo art. 581 do RA/2002, consiste na realização do procedimento de vistoria aduaneira, com vista a identificar o responsável e apurar o crédito tributário dele exigível, o que foi feito no caso em tela, em conformidade com os requisitos formais determinados na legislação. Com efeito, segundo os documentos de fls. 46/56, extraídos dos autos do processo nº 11128.006007/200430, verificase que o procedimento de vistoria aduaneira em apreço foi realizado em consonância como disposto nos arts. 581 a 588 do RA/2002, poranto, não é possível vislumbrar nenhuma mácula no citado procedimento. Também não procede alegação da recorrente de que houve cerceamento do direito de defesa, por ocasião da realização da vistoria aduaneira oficial, na medida em que a autuada viuse impedida de manifestarse a respeito das conclusões apresentadas, inclusive quanto as cláusulas excludentes da responsabilidade de indenizar, conforme previsão legal contida no art. 595 do RA/2002. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 328 11 Os documentos de fls. 46/56 informam que a recorrente integrou a Comissão Vistoria, porém, sem qualquer explicação ou justificativa, o seu representante se recusou a tomar ciência do Termo de Constatação de fls. 51/53, no qual foi apurado os seguintes fatos relevantes: a) a unidade de carga (container) encontrado vazio foi entregue a empresa Server Terminais sem qualquer comunicação à autoridade aduaneira; b) no momento do extravio a carga encontravase sob a responsabilidade da recorrente, que realizou o transporte por sua conta e risco; e c) a responsabilidade pelo extravio da carga foi imputada à recorrente. Além disso, não se pode olvidar que, no âmbito do procedimento de vistoria aduaneiro, não há previsão para o exercício do contraditório, que somente é oportunizado após a conclusão do citado procedimento, com a ciência do notificado ou autuado, o que, no caso em tela, foi plenamente exercido, haja vista as robustas defesas apresentadas pela autuada, nas duas oportunidades que compereceu aos autos e por ocasião das manifestações sobre os resultados das diligências realizadas. Por todas essas razões, fica demonstrado que o auto de infração em questão não apresenta os vícios formais insanáveis suscitados pela recorrente, logo, rejeitase a alegação de nulidade da autuação suscitada pela recorrente. Dos pedidos e resultados das diligências Também somente nesta fase processual, a recorrente requereu a realização de diligência, para que fosse respondidas os quesitos explicitados no subitem 7.5 do recurso em apreço (fls. 142/143). Da leitura dos referidos quesitos extraise que, para a maioria deles, já existia respostas nos documentos colacionados aos autos. Os demais quesitos, embora não tivessem respostas direta nos autos, estas não trariam contribuição relevante para o deslinde da controvérsia. As informações relevantes para o julgamento da lide, certamente, eram as relacionadas com a investigação policial e liquidação do contrato de seguro, que foram solicitadas na primeira diligência, formalizada por meio da Resolução nº 310200.148 (fls. 157/162), que converteu o julgamento em diligência para que fosse prestados os seguintes esclarecimentos: a) pela autoridade policial, se houve instauração de inquérito policial e, caso positivo, quais as conclusões do procedimento investigatório; e b) pela seguradora, para que apresentasse cópia da apólice do seguro e da respectiva solicitação da indenização. Em resposta às informações solicitadas pelo Inspetor da Alfandega do Porto de Santos (fls. 173 e 214), a autoriddade policial do 1º Distrito Policial de Cubatão/SP, por meio dos ofícios de fls. 210 e 216, limitouse a informar que o Boletim de Ocorrência (BO) nº 5007/2004 (fls. 175/177), registrado na 23ª Delegacia de Policia da Capital, não havia aportado na citada unidade policial. Por sua vez, intimada a apresentar cópias da apólice de seguro e da solicitação de indenização relativa ao sinistro (fl. 178), a autuada informou, por meio da petição de fls. 181/182, que, na época dos fatos (ano de 2004), não detinha apólice de seguro para as hipóteses de roubo de carga transportadas, sob o regime de trânsito aduaneiro, e tampouco houve a formalização de pedido de indenização da carga extraviada por parte do importador, ou o ajuizamento de ação regressiva de ressarcimento. Fl. 333DF CARF MF 12 Enfim, por meio do ofício de fl. 213, o Inspetor da Alfandega do Porto de Santos intimou a seguradora da carga, para que informasse se a indenização fora paga e, caso não tivesse sido, apontasse o motivo da negativa em omitir a prestar qualquer esclarecimento a respeito do que lhe fora solicitado. Após ciência do resultado da diligência, por intermédio da petição de fls. 233/235, a recorrente alegou que: a) em resposta ao Ofício do Inspetor da Alfândega do Porto de Santos (fl. 214), o Delegado de Polícia Titular de Cubatão/SP, por meio dos Ofícios de fls. 210 e 216, havia informado que o Boletim de Ocorrência de nº 5.007/2004 (fls. 86/91 e 175/177) fora elaborado no 23º Distrito Policial da Capital/SP, contudo não havia nos autos notícias sobre a realização de diligências perante o citado Distrito, para fim de obtenção de informações sobre a tramitação da instauração de inquérito policial; e b) embora recepcionado pela seguradora Tokio Marine Brasil S/A. o Ofício de do Inspetor da Alfândega do Porto de Santos (fl. 213), solicitandolhe informações sobre à apólice de seguro e ao pagamento da indenização do sinistro, não havia notícias nos autos de que a dita seguradora havia apresentado as informações solicitadas. Em face dessas novas ponderações, os autos foram novamente convertidos em diligência, nos termos da Resolução nº 3102000.332, para que a unidade de origem da RFB providenciasse o seguinte: a) solicitar ao Delegado titular do 23º Distrito Policial da Capital/SP informação se o fato delituoso comunicado no Boletim de Ocorrência 5.007/2004 (fls. 86/91 e 175/177) resultou na instauração de inquérito policial e, caso afirmativo, quais foram as conclusões resultantes do respectivo procedimento investigatório, bem assim se foram coletados indícios que ponham em dúvida a veracidade das declarações prestadas pela vítima; e b) intimar a seguradora Tokio Marine Brasil S/A., para, sob pena de imposição da multa prevista no art. 107, IV, “c”, do Decretolei 37/1966, apresentar cópia da apólice de seguro e informar se a indenização relativa a carga segurada foi paga ou não. E, caso negativo, apresentar o motivo da não efetivação do pagamento da indenização decorrente do suposto sinistro. Em 3 de maio de 2017, por meio do Ofício de fls. 288/289, o Delegado titular do 23º Distrito Policial da Capital/SP informou que “não houve instauração de inquérito policial a partir da lavratura do Boletim de Ocorrência 5.007/2004, lavrado nesta Unidade Policial de Natureza Roubo de Veículo. Vítima: Osmar de Souza.” (destaque do original). Além do fato de não ter instaurado inquérito policial, chama a atenção na resposta da autoridade policial, a natureza da ocorrência informada no citado documento, ou seja, roubo de veículo e não roubo de carga. Ainda sobre o roubo, a recorrente alegou ter corrido agressão ao motorista do aludido veículo, que fora submetido a exame de Corpo de Delito, “conforme documento anexado às fls. 33 dos autos”. Acontece que o documento de fl. 49 (e não fl. 33) tratase de mera requisição de exame de corpo de delito. Não há nos autos a alegada cópia do documento relativo à realização do citado exame. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 329 13 Por sua vez, por intermédio do Ofício de fls. 266/267, a seguradora Tokio Marine Brasil S/A. limitouse a informar que havia nos seus sistemas a informação “o pagamento de indenização ao Segurado Sony Brasil LTDA em 29/04/2005 no valor de R$643.989,46 (seiscentos e quarenta e três, novecentos e oitenta e nove reais e quarenta e seis centavos), ocorre que, em razão do lapso temporal”. E para comprovar o alegado apresentou os extratos de fls. 268/269 e que não possuía “qualquer outro documento relativo a este processo de indenização”. Esclareceu ainda que, de acordo com a Circular SUSEP 74/1999, o prazo para manter a guardar de documentos era o prazo de cinco anos contado do término de vigência do contrato ou do prazo de prescrição de um ano. Assim, “tendo em vista que já se passaram onze anos daquela data até os dias de hoje”, não possuía os documentos solicitados, visto que já ultrapassara o período mínimo de guarda deles. O que chama atenção na resposta da empresa Seguradora foi a justificativa para não apresentar a documentação solicitada. Acontece que a mesma informação já tinha sido solicitado anteriormente, antes de expirado o alegado prazo, e ela nada respondeu a respeito, portanto, tendo se omitido a prestar qualquer esclarecimento. Além disso, diferentemente do alegado pela recorrente, os extratos apresentados não representam documento hábil e idôneo para fim de comprovar o pagamento da indenização, bem como, o motivo da indenização paga a empresa importadora. A respeito do assunto, cabe repetir que, por meio da petição de fls. 181/182, a autuada informou que, na época dos fatos, ocorridos no ano de 2004, ela não detinha apólice de seguro para as hipóteses de roubo de carga transportadas, sob o regime de trânsito aduaneiro, e tampouco houve a formalização de pedido de indenização da carga extraviada por parte do importador, ou o ajuizamento de ação regressiva de ressarcimento. Diante de tão evidentes contradições e baseados nos documentos colacionados aos autos, os resultados das diligências não comprovam que houve o alegado roubo de carga, mediante assalto a mão armada, conforme alegado pela recorrente. E como foram deferidos em duas oportunidades, certamente, os pedidos de diligências solicitados perderam o objeto. E como os elementos probatórios coligidos aos autos na fase procedimental e nas duas diligências, inequivocamente, os autos encontramse devidamente instruídos para o julgamento das questões meritórias, que será feito a seguir. II Da Análise das Questões de Mérito. No mérito, a recorrente alegou a insubsistência das autuações com base no argumento de que (i) estava caracterizada a excludente de resposabilidade pela ocorrência de caso fortuito ou de força maior, (ii) faltava amparo legal para exigência do crédito tributário lançado, pois não ocorreu o fato gerador dos tributos lançados (iii) não houve dano à Fazenda Nacional, (iv) era incabível a exigência de multa de ofício calculada sobre o valor dos tributos lançados; (v) era indevida a aplicação da multa regulamentar por extravio da mercadoria e (v) era ilegal a cobrança dos juros com base na variação da taxa Selic. Da excludente de responsabilidade. Fl. 335DF CARF MF 14 No recurso em apreço, a recorrente reiterou o argumento aduzido na peça impugnatória no sentido de que o roubo (perda de 100%) das mercadorias objeto da presente autuação caracterizava a hipótese de caso fortuito ou de forca maior, alheio a sua vontade, na condição depositária, o que implicava exclusão da sua responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário exigido. Em face dessa contestação, no presente tópico será analisada a controvérsia concernente à aplicação da excludente de responsabilidade pela infração, em decorrência da presença do caso fortuio ou de força maior. Previamente, cabe ressaltar que, na data da ocorrência do noticiado roubo a mão armada, a referida excludente de responsabilidade encontravase expressamente assegurada no caput do art. 595 do RA/2002, a seguir transcrito: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 5911, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. [...] (grifos não originais) Da simples leitura do referido preceito legal, combinada com o disposto no art. 591 do RA/2002, verificase que o noticiado extravio/roubo2 somente teria o condão de eximir o indigitado responsável pelo pagamento dos tributos e encargos legais devidos se comprovada ocorrência do caso fortuito ou de força maior. Se há previsão na legislação aduaneira para aplicação da referida eximente de responsabilidade, o primeiro passo consiste em saber se o roubo, mediante assalto, enquadrase no conceito de caso fortuito ou de força maior, que se encontra definido no parágrafo único do art. 393 do Código Civil, de 2002, a seguir transcrito: Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. (Grifo não original) O significado dos termos constantes do preceito legal em destaque foi explicitado pelo Prof. Fernando Noronha3 com a seguinte dicção, in verbis: “(...) Efetivamente, a expressão ‘fato necessário, cujos efeitos não eram possível evitar ou impedir’ só ganha sentido quando o fato que causa os danos for necessário, porque sempre 1 Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no37, de 1966, art. 60, parágrafo único). 2 De acordo com o referido Boletim de Ocorrência (BO), colacionado aos autos, o extravio da carga ocorreu no trajeto rodoviário entre o recinto alfandegado do Operador Portuário Usiminas e o recinto alfandegado da autuada, onde deveria permanecer armazenada até a formalização do respectivo desembaraço aduaneiro. O trânsito da referida carga foi feito com amparo da Guia de Movimentação de Conteiner de Importação (GMCI) n° 113410 2/2.004. 3 NORONHA, Fernando. Direito das obrigações. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, v. 1, p. 6323. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 330 15 aconteceria, independentemente da atividade da pessoa (o que significa que terá de ser um fato externo), e quando, além disso, os seus efeitos não pudessem ser evitados (com o que o legislador parece ter querido referir os fatos imprevisíveis), ou não houvesse como impedílos (com o que parece terse querido aludir aos fatos irresistíveis)”. (grifos do original) Com base nas lições do citado Professor, para que haja o caso fortuito ou de força maior devem estar presentes, necessariamente, dois requisitos: (i) fato externo ou necessário e (ii) impossibilidade de evitar ou impedir os efeitos do fato. O fato externo ou necessário é aquele não ligado à atividade desenvolvida pelo indigitado responsável e que ocorreria independentemente dela (atividade), isto é, um fato estranho ao exercício da sua atividade e que, portanto, não lhe poderia ser imputado. Em outras palavras, para que o fato seja caracterizado como necessário ou externo é imprescindível que o indigitado responsável não tenha contribuído de alguma forma (ação ou omissão) para sua realização e não tenha agido com culpa. A inexistência de culpa é requisito necessário, porém não suficiente, para caracterizar o caso fortuito ou de força maior, pois, além dos requisitos da externalidade, ele deve atender os requisitos da irresistibilidade e imprevisibilidade. Logo, no caso em tela, se comprovada a cumplicidade ou a atuação culposa do depositário na causação do fato danoso, os efeitos da exclusão não podem ser operados para eximilo da responsabilidade, haja vista que tal circunstância, por si só, não é suficiente para caracterizar as circunstâncias de caso fortuito ou de força maior. Esse é o entendimento de Caio Mário da Silva Pereira4, para quem: [...] os acontecimentos de força maior ou caso fortuito casus vel damnum fatale atuam como escusativa de responsabilidade quando se demonstra que o fato aconteceu de tal modo que as suas consequências danosas não puderam ser evitadas pelo agente, e destarte ocorreram necessariamente. Por tal razão, excluemse como excludentes de responsabilidade os fatos que foram iniciados ou agravados pelo agente, caso em que este responde integralmente [...]. No mesmo sentido, tem se posicionado a jurisprudência, conforme asseverado por Sérgio Cavalieri Filho5, no excerto a seguir transcrito: [...] a jurisprudência tem responsabilizado o transportador por assaltos, pedradas e outros fatos de terceiros ocorridos no curso da viagem somente quando fica provada a conivência dos seus prepostos, omissão ou qualquer outra forma de participação que caracterize a culpa do transportador [...]. Com base nessa relevante doutrina, fica demonstrado que o roubo de carga, mediante assalto, sem que haja culpa da parte de preposto do transportador, induvidosamente, reúne as condições do caso fortuio ou de foraça maior, e deve ser tratado como excludente de responsabilidade. 4 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Responsabilidade civil. Rio de Janeiro: Forense, 1989, p. 325. 5 CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de responsabilidade civil. 6 ed. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 328. Fl. 337DF CARF MF 16 Entretanto, a simples notícia de que houve o roubo, mediante assalto, certamente não é suficiente para fim de configuração da eximente de responsabilidade. Diante de fatos desse jaez, o indigitado responsável tem o dever de provar a ocorrência do roubo e ainda que ele não concorreu, culposamente, para sua ocorrência. Dado esse contexto, no caso em tela, ao verificar a precariedade dos elementos probatórios coligidos aos autos, para fim de confirmar a ocorrência do alegado roubo, mediante assalto, e a inexistência de culpa por parte da autuada, os autos foram convertidos duas vezes em diligências, para que fossem prestados esclarecimentos pela autoridade policial, acerca das conclusões da noticiada ocorrência policial, e pela autuada e companhia seguradora sobre eventual indenização paga em decorrência de seguro da carga, bem como fossem coligidos aos autos documentos que confirmassem a ocorrência do noticiado roubo, mediante assalto, noticiado no BO nº 5007/2004 (fls. 175/177), registrado perante a 23ª Delegacia de Polícia da Capital. Conforme anteriormente explicitado, em resposta às solicitações que lhe foram endereçadas, a autoridades policial do 1º Distrito Policial de Cubatão/SP, por meio dos ofícios de fls. 210 e 216, limitouse a informar que citado BO, registrado perante a 23ª Delegacia de Policia da Capital, não havia aportado na respectiva unidade policial. E por meio do Ofício de fls. 288/289, o Delegado titular do 23º Distrito Policial da Capital/SP informou que “não houve instauração de inquérito policial a partir da lavratura do Boletim de Ocorrência 5.007/2004, lavrado nesta Unidade Policial”. Por sua vez, a seguradora instada a informar sobre a existência de apólice e eventual solicitação de pagamento de seguro, em relação a primeira diligência, não apresentou respostas, e na segunda diligência, limitouse em alegar que não possuía mais os documentos solicitados e a apresentar extratos extraídos de sistemas internos sobre suposto pagamento de indenização à importadora. Em relação ao primeiro fato, por meio da petição de fls. 181/182, a autuada informou que, na época dos fatos (ano de 2004), não detinha apólice de seguro para as hipóteses de roubo de carga transportadas sob o regime de trânsito aduaneiro, e tampouco houvera a formalização de pedido de indenização da carga extraviada por parte do importador, ou o ajuizamento de ação regressiva de ressarcimento. Enquanto que em relação à segunda resposta da Seguradora, alegou que era “prova inquestionável de que a carga foi objeto de roubo”. Acontece que a simples alegação, sem lastro em provas idôneas, de que o extravio/roubo do container nº GSTU 731.4307, que acondicionava a carga extraviada, era fato incontroverso, porque os veículos (trator e reboque) que o transportava foram localizados, posteriormente, na cidade de São Roque/SP, a meu ver, não é suficiente para que haja dispensa dos tributos e multas lançados, com respaldo em lei. É pertinente ressaltar que tal informação era do interesse da recorrente, haja vista que ratificava a sua tese de defesa. Dessa forma, cabialhe toda diligência possível no sentido de carrear aos autos a dita informação. No entanto, sem qualquer justificativa plausível a recorrente não só se omitiu de trazer aos autos os documentos e informações que corroborassem a sua tese de defesa, como ainda não colaborou com a autoridade fiscal diligenciante, para fim de obtenção da referida informação. Não se pode olvidar que BO tratase apenas de mera formalização de uma noticia criminis perante a autoridade policial, que se consubstancia na redução a termo da comunicação de suposto crime. Logo, tratase de documento que prova apenas a comunicação Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 331 17 de um crime, mas não a sua ocorrência. Ademais, tal comunicação poderá resultar (porém, nem sempre ocorrerá) na instauração de um inquérito policial, com vistas a apuração se houve ou não o crime noticiado e de quem foi a autoria. É oportuno ressaltar que, como todo registro de declaração, o BO é assinado pelo declarante, que se responsabiliza pela veracidade do seu conteúdo. Aliás, existe até uma figura delitiva específica para incriminar a conduta da pessoa que comunica falsamente a ocorrência de crime a autoridade policial, que se encontra prevista no artigo 340 do Código Penal, o que evidencia a possibilidade, em tese, do registro de um BO não representar a verdade nele declarada. Por essas circunstâncias, fica demonstrado que o fato de a autoridade policial ter lavrado o BO não significa que ela aceitou como verdadeira a comunicação da ocorrência do crime e as suas circunstâncias, que será ainda objeto de apuração. Aliás, a autoridade policial tem o dever de registrar toda e qualquer comunicação de crime que lhe seja feita, mas até que haja apuração do delito comunicado, induvidosamente, não que se pode falar na comprovação da noticia criminis. No caso, a simples apresentação do BO, desacompanhada de informações adicionais sobre a instauração do inquérito criminal e o desfecho deste procedimento, inequivocamente, não tem o condão de provar a ocorrência do fato criminoso nele declarado, de modo eximir a recorrente da responsabilidade pelo crédito tributário devido. Nesse sentido, os autos foram baixados em diligência para que a recorrente apresentasse a documentação comprobatória da ocorrência do sinistro. Porém, a autuada informou que não fizera seguro para operação de transferência da carga para o seu terminal, enquanto a seguradora nada respondeu. Assim, se não há nos autos notícia de instauração de inquérito policial ou outro documento hábil e idôneo que confirmasse a ocorrência do noticiado crime de roubo, a apuração de autoria ou indicação de suspeitos, resta não demonstrada o caso fortuito ou de força maior. Entretanto, ainda que admitida a ocorrência do referido roubo, em face das provas indiciárias coligidas aos autos, como não restou demonstrada a inexistência de culpa por parte da recorrente, tal circunstância descaracteriza a alegada eximente de caso fortuito ou de força como excludente de responsabilidade do depositária pelos tributos e encargos legais devidos em razão do extravio da carga. Da falta de amparo legal para exigência do crédito tributário lançado. Apenas no recurso em apreço, a recorrente alegou a exigência do crédito tributário lançado carecia de respaldo legal, baseada nos seguintes argumentos: a) a recorrente nunca mantivera contrato de depósito com a Fazenda Nacional/União Federal, b) nos casos de mercadorias importadas sob o regime especial de entreposto aduaneiro, sem cobertura cambial, não havia embasamento legal para que a Fazenda Nacional exigisse a cobrança de tributos/multas incidentes sobre mercadorias extraviadas/roubadas, até porque, enfatizese, para todos os efeitos legais, até o término do prazo de vigência do aludido regime especial, as mercadorias importadas continuavam sendo estrangeiras; e c) porque a recorrente respondia perante quem lhe entregou a mercadoria (importador/consignatário), e jamais perante quaisquer terceiros, conforme expressa previsão legal na legislação de regência. Fl. 339DF CARF MF 18 Sem razão a recorrente. Sabidamente, a exigência do crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria sob custódia do depositário, assim como todo relação jurídico tributária, decorre sempre de expressa determinação legal e não contratual, como equivocadaemnte entendeu a recorrente. Na época do fato, a obrigação tributária do depositária pelo extravio de mercadoria estava determinada no art. 593 do RA/2002, a seguir transcrito: Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. (grifos não original) Também não procede a alegação de que não há embasamento legal para que a Fazenda Nacional proceda a cobrança de tributos/multas incidentes sobre mercadorias extraviadas/roubadas, quando importadas sob o regime especial de entreposto aduaneiro, sem cobertura cambial, porque, para todos os efeitos legais, até o término do prazo de vigência do aludido regime especial, as mercadorias importadas continuavam sendo estrangeiras. O fato gerador dos tributos lançados incidentes sobre a operação de importação varia conforme o tipo de tributo, mas há em comum o fato de nas respectivas legislação o extravio da mercadoria é equiparado à fota gerador normal. Em ao II, o fato gerador é a entrada de mercadoria estrangeira no País. E para efeito de ocorrência do fato gerador, considerase entrada no País a mercadoria cujo extravio venha ser apurada pela fiscalização aduaneira. Nesse sentido, na época dos fatos, dispunha o art. 72, § 1º, do RA/2002, a seguir transcrito: Art. 72. O fato gerador do imposto de importação é a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro (Decretolei no37, de 1966, art. 1o, com a redação dada pelo Decretolei no2.472, de 1988, art. 1o). § 1º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerase entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira (Decretolei nº 37, de 1966, art. 1o, § 2o, com a redação dada pelo Decretolei no2.472, de 1988, art. 1o). [...] (grifos não originais) Em relação ao IPI, a matéria encontrase disciplinada no art. art. 2º, § 3º, da Lei 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 80 Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. [...] Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11128.003930/200518 Acórdão n.º 3302005.344 S3C3T2 Fl. 332 19 § 3º Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 29 12 2003) (grifos não originais) No que tange a Contribuição para o PIS/PasepImportação e Cofins Importação, também não é diferente, conforme determina o art. 3º, § 3º, da Lei 10.865/2004, a seguir reproduzido: Art. 3º O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. § 1oPara efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. [...](grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, como não foi excepcionado o extravio de carga importada sob o regime aduaneiro especial, inclusive o regime de entreposto aduaneiro, a cobrança também é devida nestas hipóteses. Em suma, com base nos referidos preceitos legais, fica demonstrado que, diferentemente do alegado pela recorrente, o fundamento da cobrança do crédito tributário lançado está amparado em lei e não em contrato de depósito. Das demais questões meritórias suscitadas apenas no recurso voluntário. Em relação as demais questões de mérito suscitadas apenas na fase recursal, deixase de manifestar a respeito em face da preclusão consumativa prevista no art. 17 do Decreto 70.235/1972, a saber: a) inexistência de dano à Fazenda Nacional; b) cobrança indevida das multas de ofício; c) aplicação indevida da multa regulamentar por extravio de mercadoria; e) ilegalidade da cobrança de juros com base na variação da taxa Selic. III Da Conclusão. Por todo o exposto, votase tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 341DF CARF MF 20 Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004740/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild.
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(assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild. RELATÓRIO Cuida o presente processo de pedido de compensação (DCOMP) nº 2497.99089.120304.1.3.041202 (fls. 01/10), o qual visa compensar pagamento a maior ou indevido de IRPJ devido no mês de setembro de 2002, no valor requerido de R$ 334.157,68. A fiscalização, ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP (fls. 13/17), acabou por não homologar a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas em vistas à vedação contida no art. 10 da Instrução Normativa nº 600/05. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 04 74 0/ 20 05 -6 1 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 19647.004740/200561 Resolução nº 1301000.485 S1C3T1 Fl. 154 2 Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 22/34, informando em síntese que: a previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei. quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da IN SRF 600/05 ainda não existia. se a compensação do IRPJ de setembro de 2002 recolhido a maior não fosse realizada, haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais e suficiente para suportar as compensações efetuadas. o Despacho Decisório da DRF/Recife é fruto de uma revisão de oficio de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando são considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela DRF), o que configura uma violação ao artigo 149 do CTN. A 3ª Turma da DRJ/REC prolatou o Acórdão n° 1128.423, o qual manteve a negativa em relação a compensação, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, destacando que: A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pela contribuinte em 2002, passível de compensação com os débitos; Previsão do artigo 10 da IN SRF 600/05 não tem amparo em lei; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 19647.004740/200561 Resolução nº 1301000.485 S1C3T1 Fl. 155 3 Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de setembro de 2002 recolhida a maior, haveria aumento saldo negativo ao final do ano; Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo~administrativo n° 19647.009690/200699; e Indevida revisão de lançamento. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. VOTO Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Primeiramente a Recorrente destaca que a presente autuação se trata de uma indevida revisão de ofício, tendo em vista a segregação do crédito tributário exigido no PTA nº 19647.009690/200699, o que resultou um aumento no crédito tributário original pelo fato do referido desdobramento deste crédito em vários processos específicos diferentes. Relata que a revisão se deu em virtude da alteração de procedimento com base na Solução de Consulta nº 18/2006 (a qual acarretou na gradação da exigência fiscal com advento do desdobramento do crédito tributário por conta da alteração da metodologia aplicada, o que contraria os arts. 145 e 149 do CTN. Nesse ponto a decisão se manifestação da seguinte forma: Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em consequência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anoscalendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de divida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Co sit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. E através do presente processo que os débitos das estimativas não homologadas serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. 0 não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 19647.004740/200561 Resolução nº 1301000.485 S1C3T1 Fl. 156 4 processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Concordo com a decisão de primeira instância, não há de se falar em revisão de ofício no presente caso, tendo em vista que não houve influência daquele processo em relação ao presente processo. Rejeito, portanto, a nulidade suscitada. Passemos à análise da autuação; Tratase de procedimento de Declaração de Compensação não homologado por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do imposto ou da contribuição devidos no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. A decisão da DRJ sumarizou a problemática, nos seguintes termos: Conforme informado nas DCOMPs, a contribuinte recolheu, a titulo de estimativa apurada em setembro de 2002, IRPJ no valor de R$ 515.590,85. Deste montante, considera que o valor de R$ 334.157,68 excedeu o devido, em face do que postula utilizálo na compensação com débitos da CSLL, do PIS e da Cofins apurados no anocalendário 2004. O direito creditório não foi reconhecido pela DRF/Recife, ao fundamento de que os valores pagos por estimativa somente podem ser utilizados para dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, conforme dispõe o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, in verbis: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Sustenta a impugnante que a norma não tem amparo legal, por estabelecer restrição não prevista em lei, e que ainda não estava em vigor quando das compensações em questão. (...) O que ocorre é que as estimativas mensais não são passíveis de restituição, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Sendo mera antecipação, não extinguem o crédito tributário, não havendo falar em pagamento indevido ou a maior. Quando, ao final do anocalendário, apurase saldo Fl. 156DF CARF MF Processo nº 19647.004740/200561 Resolução nº 1301000.485 S1C3T1 Fl. 157 5 negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, ai sim passível de restituição ou compensação. (...) Como se vê, pagamentos a maior a titulo de estimativa em determinado mês, por constituírem mera antecipação da contribuição devida, não estão aptos a ser restituídos e não se revestem dos atributos de liquidez e certeza, razão pela qual não podem ser utilizados para extinguir créditos tributários por via da compensação (art. 170 do CTN) I . A utilização desses valores somente poderá se dar na dedução do IRPJ devido ao final do ano ou na composição do saldo negativo, o qual poderá ser restituído ou compensado a partir de janeiro do ano seguinte ao do encerramento do período de apuração. Observese que, coerentemente, a falta de pagamento da estimativa ou seu pagamento a menor também não propiciam a cobrança da diferença, limitandose a Administração à exigência de multa isolada calculada sobre o valor que não foi pago (art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 1997) 2 . Como visto, a negativa da decisão de DRJ foi amparada no entendimento de que os recolhimentos de estimativa mensal só poderiam ser utilizados na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. No entanto, entendo pela possibilidade de compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior ao longo de determinado anocalendário, independentemente da formação do saldo negativo do período respectivo, nos termos da Súmula 84 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 84 – Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Isso porque a Recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período apurado de acordo com a legislação de regência (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996), esse excedente passa a configurar indébito tributário passível de restituição ou compensação de imediato. Ou seja, na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período , o referido excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Assim, caberia verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de tributo no referido período de apuração, isto é, no mês de setembro de 2002, no valor requerido de R$ 334.157,68. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 19647.004740/200561 Resolução nº 1301000.485 S1C3T1 Fl. 158 6 Diante de todo o acima exposto, converto o presente julgamento em diligência para verificar a pretensão do contribuinte para que: (i) seja atestada a existência, ou não, de PER/DCOMP´s relativa ao saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002; e (ii) seja atestada de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização para que seja procedida a compensação do saldo negativo de IRPJ e CSLL do período, com os débitos objeto do pedido de compensação deste processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002. Em relação as verificações acima requisitadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001572/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE- BRA
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE BRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 72 /2 00 8- 91 Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.160 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pela tomadora de serviço contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.605.8905 (fls. 3/59) no valor de R$ 1.587.034,47 com data de cientificação do recorrente em 29/09/2003 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 1064/1079) por sua clareza e precisão: “LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.605.8905 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 667.863,83 acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 50/53), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT (até 06/1997) e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/1997), referentes às competências: 05/1995 a 12/1998. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.161 3 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa BJ SERVICES DO BRASIL LTDA – CNPJ 15.680.333/000186, em cumprimento ao contrato nº 161.7.755.934. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 29/09/2003 apresentou impugnação em 14/10/2003, fls. 69, através do instrumento de fls. 70/76, alegando, em síntese: Prejuducial decadência 3.1. que ocorreu a decadência parcial do direito de constituição do crédito em análise, tendo em vista o decurso de prazo maior de cinco anos entre alguns dos pretensos fatos geradores do tributo e a notificação, sendo pacífico o entendimento do STJ de que a decadência em questão é regida pelo Código Tributário Nacional; Da inexistência da “cessão de mão de obra” 3.2. que não houve serviço contínuo e nem os empregados ficaram à disposição da contratante, o contrato foi firmado para fins de realização de serviços determinados, jamais para fornecimento de mão de obra; portanto não ficou caracterizada a cessão de mão de obra; 3.3. o contrato em tela versou somente sobre uma prestação de serviços da empresa contratada para a impugnante, e ressaltese, pelo prazo necessário para a consecução do objeto contratado; 3.4. o escopo da lei é abranger aqueles serviços de trato sucessivo, de prestação permanente, a mando do tomador. A lei quer abarcar os contratos em que o próprio serviço seja o seu objeto, e não meio para obtenção de um resultado Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.162 4 diverso, os quais contam apenas com a supervisão do tomador de serviços, mas não com seu comando (e é esta a hipótese vertente); 3.5. assim a conclusão a que se chega, é que não pode ser imputada uma responsabilização solidária, levandose em conta que o contrato que celebrou não foi de CESSÃO DE MÃO DE OBRA, de acordo com os termos da Lei; 3.6. mesmo que a autarquia vislumbrasse a existência de cessão de mão de obra, deveria a mesma fazer consignar na notificação o serviço realizado pela empresa contratada, permitindo o exercício da ampla defesa, inclusive para pleitear uma redução do débito; Da solidariedade 3.7. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.8. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.9. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.10. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.11. a autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.163 5 3.12. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a autarquia equivocadamente considerou o valor das notas fiscais como base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante dos salários, uma vez que embutidos no valor das notas fiscais ou da faturas, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.13. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.14. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. DO ADITAMENTO 4. A PETROBRAS, apresentou aditamento, fls. 501, anexando a documentação de fls. 502/808. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A BJ SERVICES DO BRASIL LTDA, notificada do lançamento, em 21/10/2003, AR fls. 67, apresentou impugnação em 05/11/2003, fls. 79/106, anexando documentos de fls. 108/491, e argumentando em síntese: 5.1. cumpre esclarecer que o contrato que dispõe acerca dos serviços prestados pela BJ SERVICES DO BRASIL à PETROBRAS, qual seja, o 105.2.040.930 (doc. 03), recebe em cada filial da ora impugnante uma numeração, a fim de diferenciar o local da prestação de serviço, razão pela qual, no presente caso, a fiscalização faz referência ao contrato n° 161.7.755.934 (doc. 04); 5.2. a imperfeição da aplicação do instituto da solidariedade exsurge da própria descrição do fato gerador da contribuição, quando informa da não comprovação pela empresa contratante do cumprimento das obrigações previdenciárias, através de guias e folhas de pagamento específicas dos segurados empregados alocados no serviço; Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.164 6 5.3. verificase a necessidade de fiscalização no estabelecimento da prestadora de serviços para averiguar o efetivo recolhimento, sob pena de sacrificar o princípio da verdade material; 5.4. o INSS transferiu ao particular suas obrigações, violando o art. 142 do CTN e vários princípios constitucionais e legais; 5.5. a Lei 9129/1995 alargou o conceito de cessão de mão de obra, extrapolando definições fixadas no Direito Civil e do Trabalho, constituindo afronta ao art. 110 do CTN; 5.6. na data da constituição do crédito, setembro/2003, já havia ocorrido a decadência do direito de a autarquia proceder ao lançamento, pois como se trata de tributo sujeito à homologação, aplicase o art. 150, §4° do CTN, com prazo ininterrupto de cinco anos; 5.7. diante da abrangência do conceito de cessão de mãodeobra trazido pela Lei nº 9129/1995, poderíamos concluir que qualquer serviço estaria incluído na definição, exsurgindo a primeira ilegalidade, por afronta ao art. 110 do CTN; 5.8. os serviços foram prestados de forma independente por pessoal especializado através de máquinas e tecnologia específicas desta, inexistindo a cessão de mão de obra; 5.9. além do que os serviços prestados à Petrobras, sem continuidade, relacionam se à sua atividade fim, razão porque não se caracteriza a hipótese prevista no art. 31 da Lei 8212/91, na redação dada pela Lei 9129/1995; 5.10. a Ordem de Serviço 203/1999, em seu item 16, exclui vários serviços que jamais caracterizariam a cessão de mãodeobra; 5.11. o art. 31 da Lei 8212/1991 elegeu como responsável pelo cumprimento da obrigação pessoa totalmente estranha ao fato gerador da obrigação, vulnerando o art. 128 do CTN; 5.12. o real conceito de responsável tributário deve ser alcançado através de interpretação sistemática dos arts. 121, II e 128 do CTN, concluindo que a terceira Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.165 7 pessoa eleita há de estar vinculada ao fato gerador ou, em outras palavras, ter uma mínima relação material com a hipótese de incidência; 5.13. a relação entre o tomador e o prestador é puramente contratual, caracterizada pela execução de uma obrigação de fazer, não tendo o tomador nenhuma participação na relação laboral; 5.14. não está se alegando o benefício de ordem, mas apenas de se dar a real interpretação ao art. 110 do CTN, devendo ser notificadas ambas, prestadora e tomadora, desde que haja configurada a existência do débito tributário dentro das normas do CTN; 5.15. o fato gerador do tributo é a relação de emprego e o pagamento da remuneração, do qual o único devedor é o empregador, não fazendo o tomador de serviços parte desta relação, sendo responsável solidário na eventual hipótese de descumprimento da obrigação, e para tanto, deve ser verificado o inadimplemento do devedor; 5.16. não pode o INSS estabelecer base de cálculo mediante a aplicação de percentual sobre as notas fiscais de serviços, posto que a contribuição é calculada sobre salários só podendo incidir sobre remuneração a este título; 5.17. a obtenção da base de cálculo mediante elemento subsidiário só pode ocorrer por lei strictu sensu o que não ocorreu. O art. 33, §4°, da Lei 8212/1991 estabeleceu aferição indireta na hipótese de execução de obra de construção civil, o que não é o caso, e nada estabeleceu a respeito de base de cálculo, nem autorizou fosse fixada por decreto ou ato normativo menor; 5.18. o INSS não deveria, utilizando de sua atividade discricionária, autuar a Petrobras, sem se certificar da ausência de pagamento. Não obstante tal fato, a empresa está acostando ao feito cópias autenticadas de guias de recolhimento do estabelecimento de Mossoró, esclarecendo que é inviável a elaboração de folhas de pagamento/guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora; 5.19. chega a constituir máfé a exigência da elaboração dos referidos documentos, devendo o administrador, mesmo na atividade discricionária, utilizá Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.166 8 la com prudência e proporcionalidade para atender ao disposto no art. 37 caput da Constituição Federal. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, fls. 108/491 e 502/803, os autos foram encaminhados à Junta Notificante, para apreciação, tendose concluído, em 18/05/2004, fls. 811/812, pela manutenção do débito, tendo em vista que as impugnantes não lograram comprovar "....a distinção das GRPS (itens 2.V e 2.VIII) ao tomador do serviço ou às Notas Fiscais de Prestação dos Serviços oriundas do contrato nº 161.7.755.934". (sic) 7. Em pronunciamento, de fls. 815/817, o Serviço de Análise de Defesas e Recursos retornou o processo à junta fiscal para que esclarecesse se no período de vigência da Lei 9129/1995 (21.11.95 até 29.04.97), os serviços prestados pela BJ SERVICES DO BRASIL LTDA estavam relacionados à atividade fim da empresa contratante. 8. Em resposta, fls. 818/819, a auditoria fiscal esclarece que, ao contrário do que alega a empresa em sua defesa, a natureza da prestação dos serviços enquadrase no conceito de cessão de mãodeobra, uma vez que é prevista a manutenção de trabalhadores à disposição da contratante, em suas dependências, para a realização de serviços de natureza contínua, o que pode ser observado em diversas cláusulas do contrato. Outrossim, deixa claro que no período do débito, e consequentemente no período de vigência da Lei nº 9.129/1995, ou seja de 21/11/1995 a 29/04/1997, os serviços prestados pela empresa BJ SERVICES DO BRASIL LTDA não estavam relacionados à atividade fim da empresa Petrobras Petróleo Brasileiro S.A; tal fato pode ser constatado pelo objeto do contrato, ou seja, "prestação de serviços técnicos especializados de cimentação, restauração, estimulação e demais serviços constantes do Anexo B ..." em confronto com o disposto no Relatório Fiscal, de que a PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S.A, "......é uma sociedade de economia mista, sob o controle da União e vinculada ao Ministério de Minas e Energias, cujo objeto é a pesquisa, a lavra, a refinação, o processamento e o transporte do petróleo e seus derivados". Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.167 9 DO JULGAMENTO E RECURSO 9. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0846/2004, de 19/10/2004, fls. 821/836. Devidamente notificada a PETROBRAS em 26/10/2004 (fls. 837) e a BJ SERVICES DO BRASIL LTDA notificada em 26/10/2004 (fls. 838). 10. A PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, em 23/11/2004 (fls. 847/855). A empresa contratada não apresentou recurso. DAS CONTRARAZÕES 11. Após a elaboração das ContraRazões, às fls. 862/866, o processo foi encaminhado ao CRPS. 12. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através Acórdão 0000518, de 13/05/2005 (fls. 869/873), decidiu anular a Decisão Notificação – DN, por unanimidade, determinando que fosse verificado se a prestadora de serviços teve fiscalização total no período abrangido pela NFLD ou se aderiu ao REFIS, em período concomitante com o lançamento fiscal da NFLD em apreço, e concluiu que a existência de uma das situações, fiscalização total, ou adesão ao REFIS por si só já levaria à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do "bis in idem", e que, caso não se verificasse nenhuma destas duas situações, deveria ser analisada a contabilidade da prestadora dos serviços para comprovar a regularidade de suas contribuições perante a Previdência Social, no período abrangido por esta NFLD, assegurando a existência do crédito imputado à Recorrente por solidariedade. 13. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 875/879). 14. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão (fls. 880 e fls. 886), sendo concedido às mesmas, prazo Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.168 10 para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS em 27/06/2005 (fls. 881/884). 15. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme Acórdão nº 0000049, de 31/01/2006, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados do CRPS (fls. 891/893). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 16. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 17. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 18. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS nº 0000518, de 13/05/2005 (fls. 869/873), o Auditor Fiscal efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal SRFB, fls. 922, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9.964/2000 – REFIS, fls. 923, assim como ao parcelamento especial da lei nº 10684/2003 – PAES, fls. 924. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.169 11 19. Assim sendo, a Petrobras e a prestadora de serviços foram notificadas do Resultado da Diligência de 17/01/2008, fls. 925, assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 770/2012 (Petrobrás – fls. 929) em 14/06/2012, fls. 931 e, através da INTIMAÇÃO nº 771/2012 (B J Services – fls. 930) em 15/06/2012, fls. 932, entretanto apenas a BJ SERVICES DO BRASIL LTDA se manifestou (processo apensado nº 10010.006923/071293). 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1998 DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. O direito de a Seguridade e Social apurar e constituir seus créditos, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CARACTERIZAÇÃO. A previsão contratual de colocação, à disposição do contratante, de segurados que realizem serviços de necessidade permanente, ainda que de forma intermitente, é fator essencial à configuração da cessão de mãodeobra. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.170 12 artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – A Petrobras apresentou Recurso Voluntário às fls. 1.087/1.105 pugnando pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 7 – Após análise pela DRJ reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do E. STF ficou restando apenas para julgamento as competências 09/1998 e 12/1998 do presente lançamento. 8 – Essa matéria não é nova nessa C. Turma sendo que houve o julgamento no Ac. 2201003.412 j. em 07/02/2017 assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.171 13 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. 9 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. 10 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual suas razões incorporo como fundamento de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.172 14 apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.173 15 (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.174 16 mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.175 17 Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.176 18 consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195.” 11 – Às fls. 895 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: 12 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.177 19 tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.178 20 por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.179 21 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.180 22 convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.181 23 "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.182 24 Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” 13 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.183 25 Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.184 26 ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.185 27 Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.186 28 "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.187 29 respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” Conclusão 14 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 18471.001572/200891 Acórdão n.º 2201004.077 S2C2T1 Fl. 1.188 30 Fl. 1237DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.916070/2011-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/03/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 31/03/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 70 /2 01 1- 56 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.838, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 4 3 Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 5 4 "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 6 5 Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13888.916070/201156 Acórdão n.º 9303006.172 CSRFT3 Fl. 7 6 Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.676160/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2006
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.098
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2006 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 61 60 /2 00 9- 66 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de PIS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de PIS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de PIS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10880.676160/200966 Acórdão n.º 3401004.098 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1109DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.005720/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO ANTES DE 9/6/2005. PRAZO DECADENCIAL DE 10 (DEZ ANOS) CONTADO DO FATO GERADOR.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO APÓS EXPIRADO O PRAZO DECENDIAL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR O INDÉBITO.
Ainda que formulado antes de 9 de junho de 2005, considera-se alcançado pela decadência o pedido restituição protocolado após o expirado o prazo decendial de decadência fixado na jurisprudência do STF e STJ.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez demonstrada a existência de vícios de contradição e omissão, acolhe-se os embargos de declaração, para aclarar e integrar o acórdão embargado e, no caso, retificá-lo, com efeitos infringentes, mediante alteração do resultado do julgamento de dar provimento parcial ao recurso voluntário para negar provimento ao recurso voluntário.
Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado e, com efeitos infringentes, alterar o resultado do julgamento de "dar provimento parcial ao recurso voluntário" para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO ANTES DE 9/6/2005. PRAZO DECADENCIAL DE 10 (DEZ ANOS) CONTADO DO FATO GERADOR. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO APÓS EXPIRADO O PRAZO DECENDIAL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR O INDÉBITO. Ainda que formulado antes de 9 de junho de 2005, considera-se alcançado pela decadência o pedido restituição protocolado após o expirado o prazo decendial de decadência fixado na jurisprudência do STF e STJ. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrada a existência de vícios de contradição e omissão, acolhe-se os embargos de declaração, para aclarar e integrar o acórdão embargado e, no caso, retificá-lo, com efeitos infringentes, mediante alteração do resultado do julgamento de dar provimento parcial ao recurso voluntário para negar provimento ao recurso voluntário. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado e, com efeitos infringentes, alterar o resultado do julgamento de "dar provimento parcial ao recurso voluntário" para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
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(VOTORANTIM CIMENTOS S/A.) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO ANTES DE 9/6/2005. PRAZO DECADENCIAL DE 10 (DEZ ANOS) CONTADO DO FATO GERADOR. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO APÓS EXPIRADO O PRAZO DECENDIAL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR O INDÉBITO. Ainda que formulado antes de 9 de junho de 2005, considerase alcançado pela decadência o pedido restituição protocolado após o expirado o prazo decendial de decadência fixado na jurisprudência do STF e STJ. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 30/11/1989 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrada a existência de vícios de contradição e omissão, acolhese os embargos de declaração, para aclarar e integrar o acórdão embargado e, no caso, retificálo, com efeitos infringentes, mediante alteração do resultado do julgamento de “dar provimento parcial ao recurso voluntário” para negar provimento ao recurso voluntário. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 57 20 /2 00 5- 30 Fl. 180DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado e, com efeitos infringentes, alterar o resultado do julgamento de "dar provimento parcial ao recurso voluntário" para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, tempestivamente opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo de suprir supostos vícios de contradição e omissão no acórdão nº 3302003.013, de 26 de janeiro de 2016. A embargante alegou vício de contradição, sob o argumento de que o voto condutor da decisão embargada invocara a Súmula CARF nº 91, que estabelece o prazo de dez anos contado do fato gerador do tributo para a repetição do indébito tributário, mas, ao mesmo tempo, declarara que não estava prescrito pedido de repetição protocolado em 8 de junho de 2005, que buscava ressuscitar o tributo recolhido entre 1988 e 1990. E haveria vício de omissão, porque o referido voto nada dissera sobre a tese do recurso voluntário, que seria a utilização da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 9 de outubro de 1995, como termo a quo da contagem do prazo prescricional. No despacho de admissibilidade colacionados aos autos, sob o argumento de que estava caracterizados os alegados vícios de contradição e omissão, os embargos foram admitidos, para fim de correção do julgado embargado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez atendido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise dos alegados vícios de contradição e omissão. Em relação ao primeiro vício, a recorrente alegou que o condutor do julgado embargado conflitava com sua conclusão, vez que no referido voto citara a Súmula CARF nº Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19679.005720/200530 Acórdão n.º 3302005.337 S3C3T2 Fl. 181 3 91, que estabelece o prazo de dez anos, contado do fato gerador, para a repetição do indébito, mas na conclusão do voto declarara que não estava prescrito o pedido de repetição do indébito, protocolado em 8 de junho de 2005. O deslinde da questão exige a leitura dos excertos pertinentes do voto vergastado, que seguem transcritos: Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. Esse assunto encontra pacificado nesse E. Conselho por meio da Súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” No caso em exame o indébito pleiteado se refere aos fatos mencionados no preâmbulo do relatório, cujo pedido foi protocolado em 08 junho de 2005. De modo que, solicitado a restituição antes de 09 de junho de 2005, implica em afastar à decadência e assegurar o exame da matéria de fundo pela instância a quo. Em face do exposto, voto no sentido de afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à origem para o exame da matéria de fundo. A simples leitura dos textos transcritos não deixam qualquer dúvida que a motivação da decisão foi baseada na aplicação da jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621, sob regime de repercussão geral, e sumulada por este Conselho, por meio da referida Súmula CARF nº 91. Assim, não resta qualquer dúvida que o fundamento da decisão prolatada no acórdão embargado foi a adoção do prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, para os pedidos de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação, protocolados nas unidades da RFB antes de 9 de junho de 2005. No caso, é incontroverso que o pedido de restituição de fls. 2/3 foi protocolado no dia 8 de junho de 2005, portanto, um dia antes do prazo estabelecido nas referenciadas jurisprudências. Assim, retroagindo a contagem do prazo a partir da data do protocolo, verificase que o interstício de 10 (dez) anos teve como termo inicial o dia 9 de junho de 1995. Logo, em conformidade com as citadas jurisprudências, os indébitos com fato gerador ocorridos antes dessa data, inequivocamente, entravamse fulminados pelo decadência. Fl. 182DF CARF MF 4 E no caso em tela, de acordo com as planilhas de fls. 8/10, o fato gerador mais recente referese à Contribuição para o PIS/Pasep do mês de maio de 1989, cujo fato gerador ocorreu no dia 30 de novembro de 1989, o vencimento ocorreu no dia 10 de fevereiro de 1990 e o pagamento foi feito na data de vencimento. E como os fatos geradores de todos os créditos objeto do presente pedido de restituição ocorreram bem antes do termo inicial do prazo decadencial acima mencionado, chegase a inevitável conclusão que, na data em que protocolado o referido pedido, o direito de pleitear a restituição dos mencionados créditos já se encontrava extinto pela decadência. Dessa forma, revelase flagrantemente contraditória a conclusão do voto condutor do julgado recorrido em cotejo com fundamentos nele próprio apresentados, em decorrência, acolhese os presentes embargos para reconhecer e declara a decadência do direito de restituição dos supostos indébitos objeto do presente pedido de restituição. Também resta configurado o alegado vício de omissão, posto que, no referido julgado embargado, não fora feita qualquer menção à alegação suscitada pela embargada no recurso voluntário acerca da utilização da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 9 de outubro de 1995, como termo a quo da contagem do prazo decadencial em comento. E para suprir o mencionado vício, passase analisar a referida alegação. Para a recorrente, as regras sobre prescrição (decadência, no entendimento deste Relator) do direito de pedir o indébito, previstas nos arts. 168 e 169 do CTN, não se aplicavam aos casos de pagamento indevido por inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo declarada pelo STF ou por resolução do Senado Federal, nos casos previstos no art. 52, X, da CF/1988. Nesse sentido, alegou a recorrente que, in verbis: [...] a Resolução nº 49, editada pelo Senado Federal com base no artigo 52, X, da CF/88, tem os mesmos efeitos das declarações de inconstitucionalidade oriundas do controle concentrado exercido pelo Supremo Tribunal Federal, quais sejam, atingem a todos (efeito ergo omnes) e desde o inicio da norma impugnada (efeito ex tunc). Com base nesse entendimento, a recorrente alegou que o prazo prescricional seria contado a partir da data da publicação do acórdão do STF em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ou da Resolução do Senado. Essa alegação, sabidamente conflita com a jurisprudência do STF, consolidada no julgamento do RE nº 566.621, sob regime de repercussão geral, e deste Conselho, objeto da Súmula CARF nº 91, ambas de aplicação obrigatória pelos membros deste Conselho, por expressa determinação do art. 45, VI, e do art. 62, § 2º, ambos do Anexo II do RICARF/2015. Por essas razões, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que o termo do prazo decadencial em comento seria contado a partir da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 9 de outubro de 1995. No caso, em consonância com as referidas jurisprudências, de aplicação obrigatória pelos membros deste Conselho, o prazo decadencial decendial em comento conta se a partir da data da ocorrência do fato gerador. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19679.005720/200530 Acórdão n.º 3302005.337 S3C3T2 Fl. 182 5 Por todo exposto, acolhese os presentes embargos, para retificar o acórdão embargado e, com efeitos infringentes, alterar o resultado do julgamento de “dar provimento parcial ao recurso voluntário” para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 184DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720192/2016-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Quando a análise dos autos permite concluir que não há qualquer conduta imputada à pessoa física que demonstre o auxílio à prática do fato gerador da obrigação tributária ou mesmo a obtenção de qualquer benefício financeiro de tais atos não há que se manter a responsabilização.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN.
O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN.
O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais.
Numero da decisão: 1401-002.183
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, negar provimento aos recursos voluntários apresentados por ANDRÉ LUIZ BISCA, MARCIO APARECIDO BANDEIRA e MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA; dar provimento aos recursos voluntários apresentados por CLÁUDIA MARIA ROSA, BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA., BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA., VITOR BANDEIRA, LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA e SERGIO JOSÉ BANDEIRA.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando a análise dos autos permite concluir que não há qualquer conduta imputada à pessoa física que demonstre o auxílio à prática do fato gerador da obrigação tributária ou mesmo a obtenção de qualquer benefício financeiro de tais atos não há que se manter a responsabilização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal “interesse comum” deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 92 /2 01 6- 78 Fl. 9721DF CARF MF 2 pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, negar provimento aos recursos voluntários apresentados por ANDRÉ LUIZ BISCA, MARCIO APARECIDO BANDEIRA e MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA; dar provimento aos recursos voluntários apresentados por CLÁUDIA MARIA ROSA, BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA., BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA., VITOR BANDEIRA, LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA e SERGIO JOSÉ BANDEIRA. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 9722DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.722 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ (fls. 8080/8091); de CSLL (fls. 8092/8103); de PIS (fls. 8104/8116) e de COFINS (fls. 8117/8129), ano calendário 2012, lavrados em razão da constatação da existência da contabilização de custos que não foram comprovados e da utilização indevida de créditos de PIS e COFINS deles decorrentes. O relatório da decisão recorrida bem retrata os fundamentos da autuação: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 7991/8046), o procedimento fiscal teve origem na Operação LavaRápido, deflagrada pela Polícia Federal em 31/10/2012, conforme IP nº 0028/201211 e autos nº 000574333.2012.403.6181. Conforme despacho proferido no processo de nº 0011928 87.2012.403.6181 pelo Exmo. Juiz Dr. Márcio Ferro Catapani, substituto da 2ª VCF (Vara Criminal Federal) de São Paulo, especializada em lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores, foi autorizado expressamente que todo o material produzido na investigação fosse utilizado pela RFB, tanto no âmbito de inteligência fiscal, como no âmbito de eventuais fiscalizações a serem abertas (fls. 11/27). A empresa Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. foi uma das empresas que se beneficiou do esquema fraudulento montado por Antônio Honorato Bérgamo, comprando notas fiscais frias de empresas do “grupo econômico” controlado por ele para se creditar indevidamente de tributos. A referida empresa, especializada em lingotes e ligas de alumínio reciclado, foi constituída em 07/08/2006 pelos sócios Marco Aurélio Cantizani de Oliveira (70% das quotas) e André Luiz Bisca (30% das quotas). Em 26/03/2009 retirouse da sociedade Marco Aurélio Cantizani de Oliveira transferindo suas quotas para André Luiz Bisca, que passou a deter 100% do capital social. Em 10/08/2009 foi admitida na sociedade a Sra. Maria Gorete da Silva Dantas na qualidade de sócia com 1% das quotas sociais. Em 11/10/2012 foi alterado o capital social da empresa com a integralização fraudulenta de uma propriedade rural no valor de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) como sendo de propriedade do Sr. André Luiz Bisca. Conforme resposta à intimação fiscal, o contribuinte confirmou que o imóvel pertencia ao Sr. Sérgio Romano que iria entrar como investidor na empresa. Entretanto, conforme se observou nas averbações do 1° Cartório de Registro de Imóveis Comarca de Botucatu SP, o referido imóvel já estava penhorado desde abril de 2009 para garantia de dívida e em 01/11/2012 o imóvel foi adjudicado a Wilson Castelão. Em 12/08/2013 a Sra. Maria Gorete da Silva Dantas retirouse da sociedade, sendo redistribuída para André Luiz Bisca a totalidade das quotas. Em 01/04/2014 foi admitida na sociedade a Sra. Sandra Marisa Bisca, esposa de André Luiz Bisca, na qualidade de sócia com 0,1% das quotas sociais. Fl. 9723DF CARF MF 4 O Sr. André Luiz Bisca trabalhou na empresa Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. na função de técnico de planejamento e controle da produção no período de set/2005 a fev/2009. Portanto, na ocasião da constituição da Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda (agosto/2006) André era funcionário da Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda, que tinha como sócio o Sr. Marco Aurélio Cantizani de Oliveira. Este se retirou da Recuperadora Vista Azul em março/2009, justamente no mês seguinte à saída de André do quadro de funcionários da Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. O Sr. André Luiz Bisca reside em uma casa simples no Ipiranga, em São Paulo SP e sua evolução patrimonial demonstra que não usufrui a riqueza gerada pela Recuperadora Vista Azul. A Sra. Sandra Marisa Bisca trabalhou, no período de julho de 2010 a janeiro de 2014, na empresa Savol Veículos Ltda. na função de “Operador do Comércio emlojas e mercados” (CBO 5211). Em janeiro de 2014, quando saiu da empresa, seu salário era de R$1.586,16. MERCANTIL COMERCIAL ROAL LTDA. Uma das emitente das notas fiscais frias, a Mercantil Comercial Roal Ltda. (CNPJ 08.944.537/000111), é uma empresa de fachada, controlada por ANTÔNIO HONORATO BÉRGAMO, em nome dos laranjas Joilson da Silva Alves e Kleber Aparecido de Souza, faturou centenas de notas para várias empresas do setor metalúrgico para aproveitamento de benefícios fiscais. Além de seus sócios serem laranjas, a ROAL não existe, não possui depósito, não possui loja, funcionários, não recolhe impostos, não entrega declarações à RFB. Conforme planilha enviada por Elvira Donadio Xavier à Antônio Honorato Bérgamo, o valor total de emissão de notas da Roal para a Recuperadora Vista Azul no mês de abril/2012 foi de R$ 2.260.580,30. Elvira era a gerente do escritório de Bérgamo em São Paulo, estava dedicada a gerenciar a operação Roal com a Recuperadora Vista Azul. Em sua oitiva na Polícia Federal, Elvira, a priori, disse desconhecer a empresa Roal e as outras noteiras, mas diante das provas apresentadas, por fim reconheceu que atuou com a emissão de notas da empresa Mercantil Roal para a Recuperadora Vista Azul e informou que tais notas tinham por finalidade gerar créditos de ICMS para a empresa cliente. O anexo I (fls. 8047/8053) do termo de verificação fiscal demonstra a “venda de mercadorias” da Mercantil Comercial Roal para a Recuperadora Vista Azul, no total de R$ 22.128.370,11, mais as NFs relativas as comissões no total de R$ 427.999,22. OUTRAS EMPRESAS Durante o curso da ação fiscal o contribuinte foi intimado a comprovar, em relação às notas fiscais de compras de mercadorias junto aos fornecedores relacionados no Termo de Intimação Fiscal de 11/02/2015, a efetiva entrada dos insumos recebidos na empresa e sua incorporação ao estoque de matériasprimas do estabelecimento. Foi solicitado ainda que comprovasse os transportes dessas mercadorias até seu estabelecimento. Como resposta a essas indagações o contribuinte limitouse a dizer que não tem recibos de transporte/frete devido ao emitente ser o transportador das mercadorias. Fl. 9724DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.723 5 Em 19/03/2015, o contribuinte foi intimado novamente a comprovar a efetiva entrada dos insumos recebidos na empresa e sua incorporação ao estoque de matériasprimas do estabelecimento, bem como esclarecer como eram feitos os controles de estoque e o recebimento das mercadorias. Ressaltase que o contribuinte não apresentou o livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, exigido pelos artigos 444 e 461 do Decreto nº 7.212 de 15/06/2010 (RIPI). Em 11/02/2012, foram lavrados Termo de Intimação Fiscal aos principais fornecedores do contribuinte solicitando aos mesmos que apresentassem cópias das notas fiscais de vendas de mercadorias para a empresa RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. no anocalendário de 2012, cópia dos lançamentos contábeis correspondentes, comprovantes de recebimento dos pagamentos das referidas notas fiscais e conhecimentos de transportes das mercadorias. As seguintes empresas foram intimadas: MAXION WHEEL DO BRASIL LTDA. A empresa Maxion Wheel do Brasil Ltda. apresentou cópias das DANFES referentes às vendas para a Recuperadora Vista Azul no anocalendário de 2012, no valor total de R$ 4.768.876,30; extratos bancários comprovando o recebimento dos montantes referentes às vendas efetuadas; razão contábil e lista de preço de sucatas. Esclareceu ainda que todos os pedidos para vendas de sucatas para a Recuperadora Vista Azul eram tratados com o Sr. Marcio Aparecido Bandeira. Contrariamente ao afirmado pelo contribuinte que o frete era por conta do emitente, a empresa Maxion Wheel do Brasil Ltda. afirmou em resposta à intimação fiscal de 11/02/2015 que todos os fretes relacionados às vendas de sucatas eram por conta do destinatário. BRASIL COMÉRCIO E RECICLAGEM DE ALUMÍNIO LTDA. A empresa Brasil Comércio e Reciclagem de Alumínio Ltda. apresentou notas fiscais eletrônicas de vendas no anocalendário de 2012, no valor total de R$ 2.196.919,50, cópia do razão analítico dos lançamentos contábeis e conhecimentos de transportes das operações. PROLIND INDUSTRIAL LTDA. A empresa Prolind Industrial Ltda. apresentou cópia de todas as notas fiscais eletrônicas de vendas de mercadorias para a Recuperadora Vista Azul no ano calendário de 2012, no valor total de R$ 9.956.753,42; cópia dos lançamentos contábeis correspondentes; comprovantes de recebimento das referidas notas fiscais e conhecimentos de transportes referente aos transportes das mercadorias. Esclareceu que quanto às condições comerciais, mensalmente a Prolind Fl. 9725DF CARF MF 6 determinava o valor mínimo de venda da sucata e seu Gerente de Suprimentos/Compras (Sr. Lucas Negreiros) enviava email para o Sr. Márcio Bandeira, proprietário da empresa Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda, para informar o preço que a Prolind estaria praticando. A empresa Prolind Industrial Ltda. por sua vez afirmou em resposta à intimação fiscal de 11/02/2015 que não há conhecimentos de transportes, pois a responsabilidade pelo transporte era da própria Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda., a qual fazia a coleta e transporte com seu próprio caminhão, que deixava uma caçamba vazia e depois fazia a coleta. Tal fato pode ser observado nas próprias notas fiscais. DEMAIS EMPRESAS ACIMA RELACIONADAS As demais empresas não responderam ao termo de intimação fiscal para apresentar cópia dos lançamentos contábeis correspondentes, comprovantes de recebimento dos pagamentos das referidas notas fiscais e conhecimentos de transportes das mercadorias transacionadas com a fiscalizada pelos motivos abaixo discriminados: RAIRA COMÉRCIO DE METAIS LTDA (CNPJ 12.457.295/000109) Conforme o anexo II do termo de verificação fiscal (fls. 8054/8063), a empresa Raira Comércio de Metais Ltda. vendeu mercadorias no anocalendário de 2012 para a fiscalizada no montante de R$ 33.275.913,30. A empresa apenas apresentou DIPJ para os anoscalendário de 2010 (com receita bruta declarada de zero) e 2011 (com receita bruta declarada de R$ 44.781.281,20). Não houve DIPJ para o anocalendário de 2012. A empresa foi intimada, em 11/02/2015, via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.626.8732 BR, a comprovar essas vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “mudouse”. Seus sócios são Jacson Pires de Oliveira (CPF 628.453.81891) e Marcelo Breda Rodrigues (CPF 116.512.01862). O primeiro foi intimado em 25/02/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.627.6685 BR, que retornou com a indicação “desconhecido” gravada no AR. O segundo também foi intimado em 25/02/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.627.6699 BR, com ciência em 02/03/2015. Nunca atendeu à intimação. Conforme foto do endereço da empresa na RFB, tratase de uma residência. Conforme as declarações de renda dos anoscalendário de 2010; 2011; 2012 e 2014, o patrimônio do Sr. Jacson Pires de Oliveira limitavase ao capital social na Raira Comércio de Metais Ltda., no montante de R$ 100.000,00. A mesma situação ocorre com o Sr. Marcelo Breda Rodrigues, cujo patrimônio também se limitava às quotas de capital social na Raira Comércio de Metais Ltda., no montante de R$ 100.000,00. Fotos das residências dos Srs. Jacson e Marcelo apontam casas humildes e suas evoluções patrimoniais demonstram que não usufruíram a riqueza gerada pela empresa RAIRA. Os mesmos disponibilizaram seus dados pessoais (“laranjas”) para constituição de empresa de fachada, visando acobertar os reais beneficiários que de fato gerenciaram e usufruíram todos os recursos gerados pelas empresas, inclusive em relação aos valores dos tributos sonegados. WEFA COMÉRCIO DE METAIS LTDA. (CNPJ 13.923.312/000119) Fl. 9726DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.724 7 Conforme o anexo III do termo de verificação fiscal (fls. 8064/8067), a empresa Wefa Comércio de Metais Ltda. vendeu mercadorias no anocalendário de 2012 para a fiscalizada, no montante de R$ 13.446.143,12. A empresa apenas apresentou DIPJ para os anocalendário de 2011 (com receita bruta declarada de zero) e 2012 (com receita bruta declarada de zero). A empresa foi intimada, em 11/02/2015, via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.626.8729 BR, a comprovar essas vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “ausente” após três tentativas de entrega. Seus sócios são Fabio José Ferrari (CPF 940.104.47834) e Heder Antonio de Souza (CPF 175.853.64890). O primeiro foi intimado em 03/03/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº SF 57.075.5007 BR, que retornou com a indicação “não procurado” gravada no AR após três tentativas de entrega. O segundo também foi intimado em 03/03/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº SF 57.075.5024 BR, com ciência em 04/03/2015. Nunca atendeu à intimação. Conforme as declarações de rendas do Sr. Fábio José Ferrari dos anos calendário de 2011 e 2012, seu patrimônio limitavase às quotas da empresa, no montante de R$ 50.000,00. Já o Sr. Heder Antonio de Souza possuía no anocalendário de 2011 somente as quotas de capital social da empresa e, no anocalendário de 2012, além das quotas de capital, um veículo no valor de R$ 48.000,00 e dívidas de R$ 34.150,02. Tanto o endereço do Sr. Fabio Ferrari (Av. Vereador José Ferreira, 611 – Extrema – MG) quanto o endereço da empresa (Av. Vereador José Ferreira, 607 – Extrema – MG) não foram possíveis de localizar através do Google Maps. Assim sendo, as evoluções patrimoniais de Fabio e Heder demonstram que eles não usufruíram a riqueza gerada pela empresa WEFA. Os mesmos disponibilizaram seus dados pessoais (“laranjas”) para constituição de empresa de fachada, visando acobertar os reais beneficiários que de fato gerenciaram e usufruíram todos os recursos gerados pela empresa, inclusive em relação aos valores dos tributos sonegados. MAPARIS COMÉRCIO DE METAIS LTDA. (CNPJ 13.498.912/000187) Conforme o anexo IV do termo de verificação fiscal (fls. 8068/8070), a empresa Maparis Comércio de Metais Ltda. vendeu mercadorias no anocalendário de 2012 para a fiscalizada no montante de R$ 5.090.079,00. A empresa nunca apresentou DIPJ. A empresa foi intimada, em 11/02/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.626.8777 BR, a comprovar as vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “não existe o número indicado”. Seus sócios são Eduardo Conduta (CPF 339.627.88875) e Adilson Borges Conegundes (CPF 289.435.09880). O primeiro foi intimado em 03/03/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.627.7425 BR, com ciência em 05/03/2015. Nunca atendeu à intimação. Retirou se da sociedade em fev/2012. O segundo também foi intimado em 03/03/2015 por via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.627.7411 BR, com ciência em 04/03/2015. Sua advogada, Dra. Luciene Cardoso, ligou dizendo que havia recebido orientação do Ministério Público para só atender se fosse reintimado. Fl. 9727DF CARF MF 8 Dessa forma, o mesmo foi reintimado em 10/04/2015 via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.634.3950 BR, com ciência em 15/04/2015. Compareceu em 27/04/2015 a esta Delegacia para prestar esclarecimentos, onde confirmou que emprestou seu nome para constituir a empresa em troca de uma promessa de emprego, conforme Termo de Comparecimento e Declaração de 27/04/2015 anexo a este processo. Em 12/03/2015 a fiscalização compareceu no endereço da empresa e lavrou o Termo de Constatação Fiscal (em anexo ao processo) confirmando que não existe o número 100 na Rua Maparis. Conforme as declarações de rendimentos dos anoscalendário de 2011 e 2012, o Sr. Eduardo Conduta possuía um patrimônio de R$ 7.750,00, sendo R$ 5.000,00 relativos a 10% das quotas da empresa e R$ 2.750,00 em espécie. O Sr. Adilson Borges Conegundes nunca entregou declaração de renda para a Receita Federal. Assim sendo, ficou demonstrado que Adilson e Eduardo que não usufruíram a riqueza gerada pela empresa MAPARIS. Os mesmos disponibilizaram seus dados pessoais (“laranjas”) para constituição de empresa de fachada, visando acobertar os reais beneficiários que de fato gerenciaram e usufruíram todos os recursos gerados pelas empresas, inclusive em relação aos valores dos tributos sonegados. WTK COM. ATACADISTA E VAREJISTA DE METAIS LTDA. (CNPJ 11.192.186/000144) Conforme o anexo V do termo de verificação (fls. 8071/8073), a empresa WTK Comércio Atacadista e Varejista de Metais Ltda. vendeu mercadorias no ano calendário de 2012 para a fiscalizada no montante de R$ 4.770.829,64. A empresa apresentou apenas a DIPJ no anocalendário de 2009 (com receita bruta declarada de zero). A empresa foi intimada em 11/02/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.626.8794 BR, a comprovar essas vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “mudouse”. Seus sócios são Francisco Agostinho da Silva (CPF Suspenso nº 605.781.74359), Gabriel Ferreira de Mattos (CPF 127.783.36648) e Marcelo Barros de Lima (CPF 017.989.88763). O primeiro foi intimado em 10/08/2015, por via postal, aviso de recebimento n° JH 64.291.5108 BR. A intimação retornou com a indicação “desconhecido” gravada no envelope. O segundo foi intimado em 10/08/2015 por via postal, aviso de recebimento n° JH 64.291.5099 BR. A intimação retornou com a indicação “não procurado” gravada no envelope. O terceiro foi intimado em 12/03/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.628.0217 BR, ciência em 18/03/2015. Em declaração por escrito o Sr. Marcelo afirmou que trabalhou na empresa por no máximo 2 meses, mas uma vez que não cumpriram o combinado pediu demissão. ANELKA METAIS NÃO FERROSOS LTDA. (CNPJ 16.626.169/000145) Conforme o anexo VI do termo de verificação fiscal (fls. 8074/8076), a empresa WTK Comércio Atacadista e Varejista de Metais Ltda. vendeu, no ano calendário de 2012, mercadorias para a fiscalizada no montante de R$ 4.632.165,95. A empresa nunca apresentou DIPJ à RFB. A empresa foi intimada em 11/02/2015 por via postal, através de aviso de recebimento nº JG 76.626.8803 BR, a comprovar essas vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. O AR retornou com a indicação “mudouse”. Fl. 9728DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.725 9 Seus sócios são Ricardo Alexandre Trevor Barreiro (CPF 165.927.06856) e Rosangela Palomo (CPF 089.843.94858). O primeiro foi intimado em 03/03/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.627.7399 BR, com ciência em 06/03/2015. Nunca atendeu à intimação. A segunda foi também intimada em 03/03/2015 via postal, aviso de recebimento nº JG 76.627.7408 BR, com ciência em 06/03/2015. Compareceu em 16/03/2015 a Delegacia para prestar esclarecimentos, onde confirmou que na época foi proposta sociedade da empresa ANELKA e que, logo após a abertura da empresa em 11/07/2012, pediu para retirarse, pois não concordou com o que iriam fazer com a empresa. Retirouse da sociedade em 07/08/2012, conforme cópia da alteração contratual por ela anexada. Observase que o endereço da empresa na RFB (Rua Ernesto Franco, 108 A – Vila Prudente – São Paulo – SP) é esquina com a Rua Maparis, já mencionada anteriormente como endereço da empresa Maparis Comércio de Metais Ltda. Em 12/03/2015, a fiscalização compareceu ao endereço da empresa e lavrou o Termo de Constatação Fiscal confirmando que a mesma nunca existiu naquele endereço (anexo ao processo). O Sr. Ricardo Alexandre Trevor Barreiro nunca entregou declaração à RFB e não foi constatada omissão (isento). A Sra. Rosangela não teve participação nos atos da empresa, haja vista que sua saída foi em 07/08/2012 e a emissão de notas fiscais da empresa foram após essa data. Assim sendo, ficou constatado que Alexandre reside em local humilde e sua evolução patrimonial demonstra que não usufruiu a riqueza gerada pela empresa ANELKA. O mesmo disponibilizou seus dados pessoais (“laranja”) para constituição de empresa de fachada, visando acobertar os reais beneficiários que de fato gerenciaram e usufruíram todos os recursos gerados pelas empresas, inclusive em relação aos valores dos tributos sonegados. CENTRAL RECICLAGEM DE METAIS LTDA. (CNPJ 13.752.336/000152) Conforme o anexo VII do termo de verificação (fls. 8077/8079), a empresa Central Reciclagem de Metais Ltda. vendeu, no anocalendário de 2012, mercadorias para a fiscalizada no montante de R$ 4.217.220,00. A empresa apresentou DIPJ de inativa no anocalendário de 2011 e DIPJ no anocalendário de 2012 com receita bruta declarada de R$ 1.091.250,08. A empresa foi intimada em 11/02/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.626.8785 BR, a comprovar as vendas e seu recebimento, bem como esclarecer a relação comercial entre as empresas. A Intimação retornou com a indicação “mudouse”. Seus sócios são Francisco Manoel de Freitas (CPF 143.361.32801) e Paulo Sergio de Oliveira (CPF 118.118.63663). O primeiro foi intimado em 12/03/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.628.0234 BR, que retornou com a indicação “ausente” gravada no AR após três tentativas de entrega. O segundo foi também intimado em 12/03/2015 por via postal, aviso de recebimento nº JG 76.628.0225 BR, com ciência em 16/03/2015. Não atendeu à intimação. GLOSA DOS CUSTOS Fl. 9729DF CARF MF 10 Em razão dos fatos acima relatados, foram glosadas as compras efetivadas juntos a essas empresas no montante de R$ 82.978.271,13, com reflexos no IRPJ e CSLL e nos créditos de PIS/PASEP e Cofins. MULTA DE OFÍCIO O autuante duplicou a multa de ofício por entender que os fatos enquadram se no conceito de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA No curso da fiscalização alguns fatos levaram à conclusão que o Sr. Márcio Aparecido Bandeira (CPF 012.901.59890) e seus familiares são os gestores/administradores do esquema fraudulento envolvendo a RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. e, portanto, reais beneficiários dos valores obtidos por meio desse esquema, sendo: A) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 11/02/2015 a empresa PROLIND INDUSTRIAL LTDA, por meio de seu procurador Luiz Aurélio Bitencourt Leite, afirmou: Quanto as condições comerciais, mensalmente a Prolind determinava o valor mínimo de venda de sucata e nosso Gerente de Suprimentos/Compras (Sr. Lucas Negreiros) enviava email para o Sr. Márcio Bandeira (email márcio.bandeira2@uol.com.br), proprietário da empresa Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda, para informar o preço que a Prolind estaria praticando. A Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda por vezes atrasava o pagamento das notas fiscais e o Sr. Lucas Negreiros também era acionado internamente na Prolind para ajudar na cobrança deste recebível, que sempre era realizada via fone diretamente com o Sr. Márcio Bandeira, celular (11) 983398931 ou fixo (11) 23318038. B) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 11/02/2015 a empresa MAXION WHEELS DO BRASIL LTDA, por meio de sua procuradora Jaqueline Barbosa Brito Ferraz, afirmou: ... Todos os pedidos para vendas de sucatas para a Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda eram tratados com o Sr. MÁRCIO BANDEIRA PELO TELEFONE:983398031. C) Notificação Extrajudicial de 07/03/2014 do Banco HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo para cobrança de arrendamento mercantil (leasing) de uma máquina extrusora de alumínio (Nota Fiscal nº 15.214 ano 2013) fruto do contrato de arrendamento mercantil registrado sob o número 4550611707. No instrumento de procuração do HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo a favor de RICARDO BERNARDI E OUTROS (Escritório Bernardi e Schnapp Advogados) consta poderes para “substabelecer, com reservas mandato, e desde que para advogados e/ou estagiários integrantes do ESCRITÓRIO BERNARDI & SCHNAPP ADVOGADOS”. No instrumento Particular de Substabelecimento do Sr. Bruno Delgado Chiaradia (OAB/SP nº 177.650) consta “para o fim de providenciar notificações extrajudiciais à empresa RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA – EPP e aos garantidores ANDRE LUIZ BISCA e MARCIO APARECIDO BANDEIRA, relativamente ao contrato de arrendamento mercantil de nº 4550611707”. Em 29/07/2015 foi enviado o ofício nº 132/2015 – RFB/DEFIS SPO/DIFIS I/GAB para o HSBC Bank Brasil S.A. – Banco Múltiplo solicitando cópia do contrato de arrendamento mencionado. Em 06/08/2015 o banco enviou cópia do referido contrato de leasing, onde se pode observar o Sr. Marcio Aparecido Fl. 9730DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.726 11 Bandeira assinando como interveniente da operação, juntamente com o Sr. André Luiz Bisca. D) Termo de Audiência de 06/10/2014 da Justiça do Trabalho – 2ª Região – 1ª Vara do Trabalho de Guarulhos (autos nº 100072894.2014.5.02.0311) Nesse termo, constam como litigantes o Sr. Francisco Dantas Rodrigues (reclamante) e Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda – EPP (1ª reclamada), Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda (2ª reclamada) e Bandeira Indústria de Alumínio Ltda (3ª reclamada), a Dra. Vanessa Anitablian Baltazar, MM Juíza do Trabalho, discorre no item Responsabilidade das 2ª e 3ª reclamadas: O reclamante sustenta que as três reclamadas formam um grupo econômico, sendo administradas e gerenciadas, de fato, pelo Sr. Márcio Aparecido Bandeira, sócio das 2ª e 3ª reclamadas. O Sr. Francisco Dantas Rodrigues (CPF 346.579.73886) foi intimado via postal em 08/04/2015 para prestar esclarecimentos, mas o aviso de recebimento nº JG 76.634.3889 BR retornou com a indicação “desconhecido” gravada. E) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 23/06/2015 a empresa FUNDIÇÃO VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA declarou: ... O Sr.Márcio Bandeira indicava a Fundição Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda para compra de produtos apenas em 2012, não sabendo sua relação com a empresa Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. De Metais Ltda ou outros terceiros. F) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 30/07/2014, onde se solicitou a empresa cópia dos emails trocados com o Sr. Marcio Aparecido Bandeira, a empresa PROLIND INDUSTRIAL LTDA, enviou cópia de diversos e mails trocados entre o Sr. Lucas Negreiros (seu gerente de compras) e o Sr. Márcio Aparecido Bandeira. Nesses emails (em anexo ao processo) podese observar que Marcio ditava as regras comerciais na empresa RECUPERADORA VISTA AZUL IND. e COM. de METAIS LTDA. G) Da participação do contador – Marcelo Caldeira Silva O Sr. Marcelo Caldeira da Silva (CPF 132.598.72809), contador da Recuperadora Vista Azul também responde como contador em empresas da família Bandeira. Ele assina como testemunha no contrato social de VISTA AZUL e da MB REPRESENTAÇÕES e ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA (CNPJ 08.197.457/000140), cujos sócios são Márcio Aparecido Bandeira (CPF 012.901.59890) e CLÁUDIA Maria Rosa (CPF 151.492.78882), cunhada de Márcio. Marcelo Caldeira Silva foi também responsável pelo preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) das seguintes empresas: a) DE LUNA COMÉRCIO DE SUCATAS DE METAIS LTDA (CNPJ 05.954.829/000147): empresa constituída em 01/10/2003, localizada na Rua Francisco Pedroso de Toledo, 660 – Vila Livieiro – São Paulo – SP, teve seu quadro societário alterado em 25/08/2009 para inclusão de Rodrigo Pelicer Fl. 9731DF CARF MF 12 Bandeira (CPF 326.971.96803) e Vitor Bandeira (CPF 355.691.47861), filho de Márcio Aparecido Bandeira. b) BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA (CNPJ 04.261.142/000163): empresa constituída em 01/02/2001, localizada na Rua Francisco Pedroso de Toledo, s/nº – Vila Livieiro – São Paulo – SP, tendo como sócios iniciais Aparecida Maria de Andrade Bandeira (CPF 284.356.39843), mãe de Marcio, Luzia de Fatima Rosa Bandeira (CPF 007.059.43844), esposa de Marcio e o próprio Márcio Aparecido Bandeira. Hoje são sócios da empresa Luiza de Fatima Rosa Bandeira e Sergio Jose Bandeira (CPF 086.678.86843), irmão de Marcio. c) MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. (CNPJ 08.197.457/000140): empresa constituída em 02/08/2006, localizada na Av. Carlos Liviero, 830 Vila Livieiro – São Paulo – SP, tendo como sócios Marcio Aparecido Bandeira e CLÁUDIA Maria Rosa. Marcelo Caldeira Silva e Pedro Aparecido Souza (CPF 872.247.39804) são sócios da empresa Edmar Assessoria Contábil Ltda – ME (CNPJ 02.201.238/0001 00) e, conforme resultados de consulta às bases do sistema Receitanet Log, transmitiram as declarações não só da Recuperadora Vista Azul, mas das empresas da família Bandeira e de seus sócios. Em consulta a este sistema foi constatado que o Mac – Address (*) de nº 00 261845BBE7 e C4346B63FF40, código que identifica o hardware, a estação de trabalho ou o notebook usado para realizar as transmissões das declarações à RFB, foram usados para transmitir as DIRPF e DCTF relacionadas abaixo: (DCTF MARÇO 2015 – RECUPERADORA VISTA AZUL) (IRPF 2015 ANDRE LUIZ BISCA) (DCTF MARÇO 2015 – BANDEIRA 2) (DCTF MARÇO 2015 – MB REPRESENTAÇÕES) (DCTF MARÇO 2015 – DE LUNA) (IRPF 2015 – CLÁUDIA MARIA ROSA) (IRPF 2015 – LUZIA DE FATIMA ROSA BANDEIRA) (IRPF 2015 – MARCIO APARECIDO BANDEIRA) (IRPF 2015 – RODRIGO PELICER BANDEIRA) (IRPF 2015 – SERGIO BANDEIRA) (IRPF 2015 – SILVIO ROBERTO BANDEIRA) (IRPF 2015 – VITOR BANDEIRA) H) Na DIRPF do anocalendário de 2009 de CLÁUDIA Maria Rosa, cunhada de Marcio Aparecido Bandeira, consta empréstimo de R$ 51.000,00 para Andre Luiz Bisca, sócio da Recuperadora Vista Azul. I) A evolução patrimonial do Sr. Marcio Aparecido Bandeira foi a seguinte: AC 2011 R$ 3.104.791,88; AC 2011 R$ 3.272.729,43; AC 2012 R$ 3.474.882,98; AC 2013 R$0,00 e AC 2014 R$ 1.930.000,00. Fl. 9732DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.727 13 Observase que em 2013 o contribuinte esvaziou seu patrimônio declarado na DIRPF do anocalendário de 2012 (em anexo ao processo) e no anocalendário de 2014 declarou apenas as quotas de participação nas empresas MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda (R$ 30.000,00) e Bandeira Indústria De Alumínio (R$ 1.900.000,00). J) Na DIRPF de Silvio Roberto Bandeira (CPF 063.808.37884), irmão de Marcio Aparecido Bandeira, constam rendimentos tributáveis recebidos da Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. Metais Ltda nos seguintes valores: AC 2010 R$ 6.287,46; AC 2011 R$ 14.267,87; AC 2012 R$ 14.253,56; AC 2013 R$ 17.905,70; AC 2014 R$ 18.615,23. K) Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 23/06/2015 a empresa Tradição Factoring Sociedade de Fomento Comercial Ltda, através de seu sócio Sr. Bruno Bello Vicintin afirmou: ... Informase, por fim, que, atualmente, o contato da Tradição Factoring na empresa RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA é a Sra. CLÁUDIA Maria Rosa (Gerente Financeira), sendo os dados para contato os seguinte: telefone (11) 23349100, (11) 29150239; email: financeiro@vistaazulmetais.com.br. L) Em resposta à RMF nº 08.1.11.002015002190 o Banco Santander enviou cópia de contrato de leasing no valor de R$ 1.890.000,00 para aquisição de forno câmara para homogeneização junto à empresa Sylconstec Indústria de Máquinas Ltda. Além do contrato de leasing e da NFe da Sylconstec o banco enviou cópia dos emails trocados na operação. Nesses emails (em anexo ao processo) aparece o Sr. Vitor Bandeira, filho de Marcio Aparecido Bandeira, como participante das negociações. M) BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA. (CNPJ 09.643.536/0001 08). A empresa Bandeira Indústria de Alumínio Ltda, situada na Av. L 1 s/nº Quadra O, Lote 39, Distrito Industrial, Jaguaribe – CE, tem como sócios os irmãos Márcio Aparecido Bandeira e Sérgio José Bandeira. No anocalendário de 2012 a Recuperadora Vista Azul vendeu o montante de R$ 26.830.123,34 para a Bandeira Indústria de Alumínio Ltda., o que representou 20,2% de suas vendas nesse ano calendário. Por outro lado, a Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. nesse mesmo ano de 2012 adquiriu mercadorias no valor total de R$ 41.761.832,50; ou seja, mais de 64% de suas compras em 2012 foram adquiridas da Recuperadora Vista Azul. Esses fatos levam a crer que o esquema de notas frias usado pela Recuperadora Vista Azul teve como principal beneficiário a Bandeira Indústria de Alumínio, que comprou grande parte de sua produção. Segundo o sítio na internet da empresa (www.bandeiraindustria.com.br) a Bandeira Indústria de Alumínio Ltda trabalha com reciclagem de alumínio (lingotes, refugos, cavaco de usinagem, etc), fundido essas matériasprimas para transformálas em lingotes e comercializar para vários tipos de indústrias. N) M.B. REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. (CNPJ 08.197.457/000140). Empresa constituída em 02/08/2006, localizada na Av. Carlos Liviero, 830 – Vila Liviero – São Paulo – SP, tendo como sócios Marcio Aparecido Bandeira e CLÁUDIA Maria Rosa. Segundo ficha cadastral registrada na JUCESP Fl. 9733DF CARF MF 14 a empresa tem como objeto social atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica. No anocalendário de 2012 a Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda emitiu pagamentos para a M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda no valor de R$ 45.108,00. Apesar desse valor representar menos de 12% do faturamento da M.B no anocalendário de 2012 (R$ 400.800,00) não houve emissão de nota fiscal da M.B. Representações para a Recuperadora Vista Azul justificando a prestação de quaisquer serviços. Por tudo que foi descrito nos itens precedentes ficou configurado como reais beneficiários das operações da empresa o Sr. Marcio Aparecido Bandeira, seus familiares e respectivas empresas. Portanto, nos termos do art. 124 (Sujeito Passivo) c/c os arts. 135, inciso III (Responsabilidade de Terceiros) e 137 (Responsabilidade por Infrações) do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) e art. 210, inciso VI e parágrafos, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99), restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos contribuintes abaixo qualificados, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda – CNPJ 08.504.271000196: a) ANDRÉ LUIZ BISCA – CPF 195.229.89894 Sócio administrador da empresa Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. b) MÁRCIO APARECIDO BANDEIRA – CPF 012.901.59890 Por toda a participação já descrita anteriormente: declarações das empresas Prolind Industrial Ltda e Maxion Wheels do Brasil Ltda; notificação extrajudicial do HSBC; termo de audiência trabalhista, etc. Sócio administrador das empresas Bandeira Indústria de Alumínio Ltda e M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda. Alienou todos os seus bens no anocalendário de 2014. c) LUZIA DE FATIMA ROSA BANDEIRA – CPF 007.059.43844 Esposa de Marcio Aparecido Bandeira e sócia da empresa Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda (CNPJ 04.261.142/000163), onde existem vários imóveis declarados em DOI. d) CLÁUDIA MARIA ROSA – CPF 151.492.78882 Irmã de Luzia de Fatima Rosa Bandeira e sócia da empresa MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda (CNPJ 08.197.457/000140). Segundo a empresa Tradição Factoring Sociedade De Fomento Comercial Ltda. é a atual gerente financeira da Recuperadora Vista Azul. Fez empréstimo ao sócio da Recuperadora Vista Azul, André Luiz Bisca, e foi adquirente de imóveis que estavam em nome de Marcio Aparecido Bandeira. e) VITOR BANDEIRA – CPF 355.691.47861 Filho de Márcio Aparecido Bandeira e sócio da empresa De Luna Comércio De Sucatas De Metais Ltda. Aparece nas declarações do Banco Santander como participante das negociações para aquisição de forno câmara para homogeneização junto à empresa Sylconstec Indústria de Máquinas Ltda. Fl. 9734DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.728 15 f) SERGIO JOSÉ BANDEIRA – CPF 088.678.86843 Irmão de Marcio Aparecido Bandeira e sócio administrador das empresas Bandeira Indústria de Alumínio Ltda e Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda. g) SILVIO ROBERTO BANDEIRA – CPF 063.808.37884 Irmão de Marcio Aparecido Bandeira e constam rendimentos tributáveis recebidos da Recuperadora Vista Azul Ind. e Com. Metais Ltda. h) BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA – CNPJ 09.643.536/0001 08 Empresa do ramo de reciclagem de alumínio e cujos sócios são os irmãos Marcio Aparecido Bandeira e Sérgio José Bandeira, adquiriu da Recuperadora Vista Azul no anocalendário de 2012 mercadorias no valor total de R$ 41.761.832,50; ou seja, mais de 64% de suas compras em 2012. i) BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA – CNPJ 04.261.142/000163 Empresa do ramo de comércio atacadista de metais ferrosos e não ferrosos e sucatas em geral. Constituída em 23/01/2001 tinha como sócias Aparecida Maria de Andrade Bandeira (mãe de Márcio) e Luzia de Fatima Rosa Bandeira (esposa de Márcio). Em 03/10/2002 retirase da sociedade Aparecida Maria de Andrade Bandeira e é admitido Sérgio José Bandeira. É onde hoje se encontram os principais bens da família Bandeira. j) M.B. REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA EPP – CNPJ 08.197.457/000140 Empresa constituída em 26/07/2006 no ramo de representação comercial e consultoria em gestão empresarial, tem como sócios Marcio Aparecido Bandeira e CLÁUDIA Maria Rosa. No anocalendário de 2012 a Recuperadora Vista Azul emitiu pagamentos para a M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda no valor de R$ 45.108,00. Não houve emissão de nota fiscal da M.B. Representações para a Recuperadora Vista Azul justificando a prestação de quaisquer serviços. DAS IMPUGNAÇÕES SILVIO ROBERTO BANDEIRA apresentou, em 17/06/2016, a impugnação de folhas 8222, alegando que foi funcionário da Recuperadora Vista Azul, exercendo o cargo de gerente de compras, percebendo salário e comissões pelas vendas, por isso não poderia lhe recair a responsabilidade sobre os débitos da Recuperadora Vista Azul. Anexa os documentos de folhas 8223 a 8239. ANDRÉ LUIZ BISCA e CLÁUDIA MARIA ROSA apresentaram, em 17/06/2016, a impugnação de folhas 8242 a 8246 (fls. 8283/8287), alegando que, em meados de junho de 2010, o sócio André recebeu proposta de investimento pelo Sr. Sérgio Romano, proprietário do imóvel rural citado na investigação, que integraria o imóvel ao capital social para ulterior transferência. Contudo, a negociação não progrediu, não tendo sido localizado o Sr. Sérgio Romano para desfazimento da proposta. Tanto o é, que o imóvel sequer foi transferido oficialmente para a empresa, conforme se verifica na matrícula anexa (fls. 8294/8307). Fl. 9735DF CARF MF 16 Alegam que é confusa a afirmação da fiscalização, já que reconhece como fraudulenta a integralização, ao mesmo tempo em que utiliza o seu valor para demonstrar a evolução patrimonial do Sr. André. Alegam que as aquisições de sucata de alumínio foram realizadas; no ano de 2012, por isso a administração da empresa não poderia ser responsabilizada pela não localização dos fornecedores. Os documentos comprobatórios da operação encontramse no Posto Fiscal de Guarulhos e os livros com os registros ao encargo do síndico da massa falida da Recuperadora Vista Azul. Alegam que a afirmação da fiscalização, baseada em informações de dois clientes, de que a Sra. Cláudia era gerente financeira no ano de 2012, não é verdadeira, pois, conforme documentos de folhas 8308/8321, o referido cargo era exercido pela Sra. Vanessa Gorricho Madeira, que laborou na empresa entre 02/01/2007 a 08/05/2014, fato imprestável como indício à corresponsabilidade. Alegam que o lançamento foi efetuado com base em presunções, o que é incabível no direito tributário. Alegam que a multa de ofício tem caráter confiscatório, devendo ser reduzida para 20%. Por último, requer que seja acolhida a impugnação para que sejam declarados nulos os autos de infração. MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA; BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA.; BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA.; MÁRCIO APARECIDO BANDEIRA; VITOR BANDEIRA; LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA; SÉRGIO JOSÉ BANDEIRA, apresentaram a impugnação de folhas 8323/8348 (constam também cópias da impugnação às fls. 8509/8534; 8695/8720; 8881/8906; 9067/9092; 9304/9329), alegando, em síntese, o seguinte: a nulidade dos autos de infração pela falta de indicação no Mandado de Procedimento Fiscal de todos os tributos e contribuições objeto do lançamento e porque nenhuma das notificações no MPF foram encaminhadas aos impugnantes, que não participaram da formação do processo administrativo, incluindoos como corresponsáveis em notório elemento surpresa. a nulidade dos autos de infração em face da finalização da lavratura dos autos de infração fora do prazo legal de validade do MPF. a relação entre a Bandeira Indústria e a Recuperadora Vista Azul foi estritamente comercial em 2012, com compra e venda de produtos. A Bandeira Indústria possui grande quantidade de fornecedores, com volume anual de mais de R$ 50.000.000,00 em 2012, razão pela qual é impertinente afirmar que se beneficia de qualquer ato praticado pela Recuperadora Vista Azul, por isso esse indício deve ser completamente afastado. Aliás, casso tivessem sido intimados pela fiscalização para prestar e comprovar a informação, nenhum suposto indício subsistiria. os impugnantes são parceiros de negócios da Recuperadora Vista Azul, interessados na aquisição de produtos desta, inexistindo os indícios postos pela fiscalização, já que (a) inexistiu qualquer gerência comercial do Sr. Márcio na Recuperadora Vista Azul, como fez crer a fiscalização. Ao revés, o Sr. Márcio é conhecedor e atuante da área de metais, sendo comum manter contato com bons fornecedores. Tanto a PROLIND quanto a MAXION são fornecedores de sucata. Na relação deste com a Recuperadora Vista Azul, o Sr. Márcio tinha a liberdade de comercializar como parceiro de negócios, afinal já era sócio na Bandeira Industria e auxiliava nos negócios em São Paulo, cuja proximidade da Recuperadora Vista Fl. 9736DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.729 17 Azul facilitava o trabalho; (b) diferentemente do que foi afirmado, o Sr. Márcio teve verdadeira involução patrimonial nos anoscalendário de 2010 a 2014; (c) o Sr. Vitor participou da negociação de máquina de forno homogenizador, pois conhecia o Sr. Benedito – Sylcontec e tinha interesse que a RVA adquirisse a máquina, pois esse processo fazia parte dos produtos que eram comprados pela Bandeira Indústria; (d) a M. B. Representações possui as notas do período na relação com a Recuperadora Vista Azul. A Sra. Cláudia não é sócia da M.B. Representações desde 2013 e, no período apurado, todos os bens eram de propriedade do Sr. Márcio, conforme a DIRPF. o fato de todas as empresas possuírem o mesmo contador não é juridicamente relevante, pois o Sr. Marcelo é contador de muitas outras empresas, operando no mercado desde 1996, tendo inclusive cedido parte de seus contratos para Edemar Assessoria Contábil (ver documentos anexados fls. 8353/8508). no termo de verificação fiscal a fiscalização transcreveu parte do relatório da sentença trabalhista e não o dispositivo de sua decisão. Caso houvesse a devida cautela, teria percebido que o resultado da sentença é completamente divergente ao pretendido pela fiscalização, já que foi julgada improcedente a ação em relação a Bandeira 2 e Bandeira Indústria, excluindoas do pólo passivo da ação. Ou seja, não houve o pretendido reconhecimento do grupo econômico. embora tenham sido prestados os esclarecimentos que a movimentação bancária não se refere ao faturamento da empresa, ignorou o agente fiscal tal situação, pretendendo fazer crer que todos os valores constantes do extrato seriam valores relativos ao faturamento, presumindo dessa forma indevidamente a base de cálculo, mesmo diante de diversos esclarecimentos e provas apresentados durante a fiscalização. diante das operações bancárias devidamente comprovadas, resta não observada a regra primordial atinente aos direitos tributário e administrativo, qual seja o princípio da verdade real. alega que a multa de ofício é inconstitucional por conta de seu efeito confiscatório, devendo por conta disso ser reduzida para 20%, cujo percentual se mostra devido e compatível com a Constituição Federal. Por fim, requerem (i) que seja acolhida a impugnação, com a suspensão dos efeitos jurídicos, abstendose a Receita Federal do Brasil de exigir o valor consignado nos autos de infração, ou praticar quaisquer atos tendentes à negativação ou inscrição do débito até o julgamento do mérito; (ii) que seja afastada a solidariedade dos impugnantes; (iii) reconhecida a nulidade dos lançamentos; (iv) seja obstada a realização de qualquer representação fiscal para fins penais, até o julgamento final na esfera administrativa. Também protesta pela produção posterior de provas e pela realização de perícia, indicando o Sr. Marcelo Caldeira Silva como perito. Em 22 de março de 2017 a DRJ em Porto Alegre julgou parcialmente procedente a impugnação para excluir do polo passivo da obrigação tributária o Sr. Silvio Roberto Bandeira, visto que não foi provada qual foi a sua participação na prática das infrações tributárias atribuídas ao autuado. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 9737DF CARF MF 18 Anocalendário: 2012 IMPUGNAÇÃO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. EFEITOS. A impugnação apresentada tempestivamente pelos responsáveis solidários suspende a exigibilidade do crédito tributário e aproveita aos demais interessados. PRELIMINAR. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. O Mandato de Procedimento Fiscal (MPF) é ato de natureza gerencial, utilizado para controle interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Eventuais vícios na sua emissão dizem respeito unicamente à Administração Tributária e não contaminam o procedimento fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não expõe os motivos que a justifique e que não formule quesitos referentes ao exame desejado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre questões relacionadas constitucionalidade das multas de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIZAÇÃO. Respondem também pelo crédito tributário as pessoas (físicas ou jurídicas) que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica que praticaram os atos e negócios jurídicos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Com base no § 2º do art. 1º da Portaria MF nº 63/2017, recorreuse de ofício dessa decisão, tendo em vista a exclusão do Sr. Silvio Roberto Bandeira do polo passivo da obrigação tributária. O Despacho de fl. 9.593 detalha as intimações e a apresentação de recursos voluntários: Trata o presente processo de autos de infração relativo ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS em que ocorreram os seguintes fatos: 1. O acórdão da DRJ 1058323 (às fls. 9491 a 9518), de 22/03/2017, julgou a impugnação procedente em parte do Sr. Sílvio Roberto Bandeira para exclusão do mesmo (mas há recurso de ofício) e improcedente a impugnação dos demais sujeitos passivos solidários. 2. Em 24/04/2017, por meio eletrônico foi feita a intimação nº 269/2017 para o sujeito passivo acima identificado com prova de recebimento mediante envio ao domicílio tributário eletrônico do mesmo, conforme Termo de Registro à fl. 9555 e de Ciência por decurso de prazo à fl. 9587, e por via postal as intimações de nº 288/2017 e 289/2017, 291/2017 a 293/2017 e 295/2017 a 297/2017 para os sujeitos passivos solidários, com aviso de recebimento em 11/04/2017, 12/04/2017 e 17/04/2017, bem como, em razão dos AR devolvidos (às fls. 9580 a 9581 e às fls. 9584 a 9586), as intimações nº 290/2017 e 294/2017 por edital em 11/05/2017 (às fls. 9588 e 9589). Fl. 9738DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.730 19 3. Em 08/05/2017, foi feita a solicitação de juntada do recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários no processo administrativo nº 19515.720191/201623 (que trata de auto de infração relativo ao IRRF) às fls. 9563 a 9702. 4. Dentre os recursos da solicitação de juntada ao processo 19515.720191/201623, constatase que no recurso voluntário de fls. 9563 a 9592 consta referência ao mandado de procedimento fiscal nº 08.1.11.002014008900, aos AIIM 19515.720191/201623 e AIIM19515720192/201678, bem como questionamento em relação ao “mandado de procedimento fiscal, sua conclusão em Termo de Verificação Fiscal e os Autos de Infração sofrerem nulidades insanáveis”, terminando por requerer no pedido que “ante o todo acima exposto e considerando as nulidades que maculam o lançamento, tal como efetuado, requer que seja recebido o recurso administrativo para a abstenção da RFB de lhe exigir o valor consignado nos Autos de Infração, ou mesmo praticar quaisquer atos tendentes à negativação, inscrição, etc, até ulterior julgamento de mérito.”. Diante do exposto acima, proponho que os recursos voluntários juntados ao processo 19515.720191/201623 sejam copiados para o presente processo, bem como, após isso, encaminhado o presente processo atualizado no SIEF – Processos para “Suspenso – Recurso Voluntário” ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) com vistas à tomada das providências cabíveis em relação aos recursos. De fato, os recursos voluntários apresentados originalmente indicavam como processo o presente (19515.720192/201678), tendo havido alteração manual indicando a juntada no processo 19515.720192/201623, exemplo (fl. 9.594): Não foram apresentadas contrarrazões ao recurso de oficio. Quanto aos recursos voluntários de ANDRÉ LUIZ BISCA e CLAUDIA MARIA ROSA (fls 9.6249.629), assim como de MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA; BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA.; BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA.; MÁRCIO APARECIDO BANDEIRA; VITOR BANDEIRA; LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA; SÉRGIO JOSÉ BANDEIRA (fls. 9.6309.659), ambos foram apresentados em 8 de maio de 2017 e basicamente repetem os argumentos expostos na impugnação, acima relatados. Recebi o processo em distribuição realizada em 21 de setembro de 2017. Fl. 9739DF CARF MF 20 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Recurso de Ofício Silvio Roberto Bandeira A Portaria MF nº 63/2017 estabeleceu novo limite para a interposição de recurso de ofício e esclareceu que este é aplicável quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Diante disso, houve recurso de ofício da decisão na parte em que excluiu Silvio Roberto Bandeira do polo passivo da obrigação tributária. A autoridade autuante se baseou nos seguintes fatos para considerar Silvio Roberto Bandeira como responsável pelo crédito tributário cobrado no auto de infração lavrado contra a empresa Recuperadora Vista Azul: (i) Silvio Roberto Bandeira é irmão de Marcio Aparecido Bandeira, este tido como administrador de fato da empresa Recuperadora Vista Azul; (ii) a DIRPF de Silvio Roberto Bandeira foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir a DCTF da Recuperadora Vista Azul e de seus sócios; (iii) na DIRPF de Silvio Roberto Bandeira constam rendimentos tributáveis recebidos da Recuperadora Vista Azul (em média R$14 mil por ano, de 2010 a 2014) A base legal indicada foi o artigo 124, I, do CTN (fl. 8.085). Em sua defesa, Silvio Roberto Bandeira alega que foi funcionário da Recuperadora Vista Azul, exercendo o cargo de gerente de compras, percebendo salário e comissões pelas vendas, fato este que não pode lhe acarretar responsabilidade tributária. O acórdão recorrido concordou com este entendimento, nos seguintes termos: "Observase que os fatos utilizados para incluir Silvio Roberto Bandeira no polo passivo da obrigação tributária não demonstram o interesse comum na situação em que constitua o fato gerador, pois não ficou claro qual o seu ganho com as infrações cometidas pela Recuperadora Vista Azul, além do recebimento de salários. Além disso, não há informações a respeito de sua participação societária no grupo de empresas envolvidas na prática das infrações tributárias ou beneficiárias dos resultados obtidos pela Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. Fl. 9740DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.731 21 Por outro lado, mesmo que o Sr. Silvio Roberto Bandeira exercesse o cargo de gerente de compra, não foi provada qual foi a sua participação na prática das infrações tributárias atribuídas ao autuado." De fato, existe um certo consenso de que o “interesse comum” referido no inciso I do artigo 124 do CTN deve ser jurídico e não meramente econômico. O alcance de tal interesse jurídico é que causa maiores discussões. É amplamente aceito que o artigo 124, I, do CTN se aplica a situações em que as pessoas compõem o mesmo pólo da relação jurídica. Assim, Sacha Calmon Navarro Coelho observa: “... o inciso I noticia a solidariedade natural. É o caso de dois irmãos que são coproprietários pro indiviso de um trato de terra. Todos são, naturalmente, codevedores solidários do imposto territorial rural (ITR).” 1. No mesmo sentido, Paulo de Barros Carvalho: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." 2. Nesse passo, o STJ tem decidido que tal interesse comum pode ocorrer "no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador"3. Também se reconhece que nem mesmo o fato de pessoas integrarem o mesmo grupo econômico é suficiente para a responsabilização solidária: "1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. (...)"4 1 Coelho, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro, 5a ed., Rio de Janeiro: Forense, 2000. p. 594. 2 Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo: Saraiva, 1996. p. 220 3 AgRg no Ag 1.288.247∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 03∕11∕2010; AgRg no Ag 1.055.860∕RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 26∕03∕2009; REsp 884.845∕SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 05∕02∕2009, DJe 18∕02∕2009, REsp 1.001.450∕RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 27.3.2008. 4 Superior Tribunal de Justiça, EREsp 834.044∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8.9.2010, DJe 29.9.2010 Fl. 9741DF CARF MF 22 É que integrar o grupo pode significar interesse (econômico) meramente indireto na realização do fato gerador (ou seja, intenção de participar dos respectivos resultados), mas não necessariamente interesse direto ou realização conjunta de tal situação. Assim, para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de tal interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, quando participam em conjunto da conduta descrita na hipótese de incidência, naturalmente cada uma atuando em nome próprio. Esta participação comum na realização da hipótese de incidência ocorre seja de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, seja indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. Nesses termos, Kiyoshi Harada, fazendo referência a trecho de obra de Sampaio Costa: "Ensina Carlos Jorge Sampaio Costa: ... a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e∕ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência. Por exemplo, a afixação de cartazes de propaganda de empresa distribuidora de derivados de petróleo em postos de gasolina é, geralmente, um fato gerador de taxa municipal cuja ocorrência interessa não somente à empresa distribuidora, beneficiária direta da propaganda, como também ao posto de gasolina, que é solidário com aquela no pagamento da taxa. (...) Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica. (...) (Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador, Revista de Direito Tributário, Ano II, nº 4. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1978, p. 304)" 5 No caso, a análise dos autos permite concluir que não há qualquer conduta imputada a Silvio Roberto Bandeira que demonstre o auxílio à prática do fato gerador da obrigação tributária ora cobrada ou mesmo a obtenção de qualquer benefício financeiro de tais atos. O simples fato de ser da família de outros imputados responsáveis tributários, trabalhar na empresa autuada recebendo rendimentos de salário de cerca de R$14 mil por ano e se utilizar do mesmo contador da empresa autuada para a transmissão de suas declarações de ajuste anual não pode acarretar a responsabilidade por tributos devidos pela empresa. Sem reparos, portanto, à decisão recorrida. 5 Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador, Disponível em http://www.investidura.com.br/ufsc/109direitotributario/3454responsabilidadetributariasolidariapor interessecomumnasituacaoqueconstituaofatogerador.html, acesso em 20.10.2016 Fl. 9742DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.732 23 Recursos Voluntários Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Contextualizando os fatos, temos que a empresa contribuinte foi autuada por contabilizar custos com base em documentos tidos por inidôneos e as pessoas físicas e empresas em questão foram indicadas como responsáveis por supostamente terem interesse comum na situação que resultou no fato gerador, sendo a base legal específica indicada no auto de infração para cada um dos responsáveis o artigo 124, I, do CTN (fls. 8.0848.086). Não obstante, o TVF contém também o seguinte trecho: Por tudo que foi descrito nos itens precedentes ficou configurado como reais beneficiários das operações da empresa sob fiscalização o Sr. Marcio Aparecido Bandeira, seus familiares e respectivas empresas. Portanto, nos termos do art. 124 (Sujeito Passivo) c/c os arts. 135, inciso III (Responsabilidade de Terceiros) e 137 (Responsabilidade por Infrações) do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) e art. 210, inciso VI e parágrafos, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99), restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos contribuintes abaixo qualificados, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa RECUPERADORA VISTA AZUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA – CNPJ 08.504.271000196: (...) A contribuinte não apresentou impugnação aos autos de infração. Assim, de acordo com o art. 21 do Decreto 70.235/1972, as questões tratadas nos autos devem ser consideradas consolidadas juridicamente em relação a ela. Antes de passarmos à análise da situação de cada um dos imputados responsáveis tributários, ressalto que não procede a alegação feita por alguns deles de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, seja pela falta de indicação de todos os tributos e contribuições objeto do lançamento, porque a lavratura dos autos de infração ocorreu fora do prazo legal de validade do MPF e/ou porque os responsáveis tributários não foram previamente intimados ou notificados da existência do procedimento fiscal. Neste ponto, sem reparos ao exposto no acórdão recorrido, que adoto como razões de decidir neste voto (até porque tratase de argumentos meramente transcritos da impugnação): O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (instituído pela Portaria SRF Nº 1.265, de 1999) encontrase atualmente revogado e substituído pelo Termo de Fl. 9743DF CARF MF 24 Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPFF) instituído pela Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014, que dispôs sobre o planejamento das atividades fiscais e estabeleceu normas para a execução dos procedimentos fiscais relativos ao controle aduaneiro do comércio exterior e aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O MPF, mero ato de natureza gerencial, era uma ordem administrativa para que as autoridades fiscais executem atividades relacionadas à verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte dos sujeitos passivos e era um instrumento de controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por ter sido criado por ato infralegal, eventual vício na sua emissão não tinha o poder de contaminar o procedimento fiscal ou o lançamento propriamente dito, pois estes últimos estão assentados em diplomas normativos de hierarquia superior, o Decreto nº 70.235, de 1972, e a Lei nº 5.172, de 1966, (CTN) que, em momento algum, conferem àquele a condição de requisito de validade do lançamento. A atividade de lançamento do crédito tributário é vinculada, conforme disposições dos arts. 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, transcritos a seguir: Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (realcei) O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário administrado pela Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 6º, I, a, da Lei nº 10.593, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, in verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; O mínimo que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devia fazer era o que estava determinado no MPF, em face do dever de obediência previsto no art. 116, inc. IV, da Lei 8.112, de 1990, mas essa ordem não o limitava no exercício da sua competência. De sorte que, ao constatar a existência de infração à legislação tributária o AuditorFiscal ficava, em função da vinculação legal, obrigado a efetuar o lançamento de todo o crédito tributário, mesmo de tributos que não constaram originalmente no MPF, sob pena de ser responsabilizado funcionalmente. Assim, a falta de indicação no MPF de todos os tributos objeto da fiscalização não impedia que o AuditorFiscal efetuasse o lançamento do crédito tributário, pois sua atividade é vinculada. Como se disse, o MPF era um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Da mesma forma quanto a extrapolação do prazo Fl. 9744DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.733 25 para a realização do procedimento fiscal, que diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento. A exemplo do MPF, o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), também é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Qualquer irregularidade na sua expedição diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento fiscal, que é regido pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Para o contribuinte, se apresenta apenas como um instrumento de garantia, na medida em que, permitindo ser confirmada a sua autenticidade pela Internet no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dá segurança sobre a pessoa que se apresenta como representante do Fisco Nacional. Desse modo, os lançamentos são válidos, mesmo que tenham sido extrapolados os prazos para a realização do procedimento fiscal, que não tenham sido relacionados todos os tributos objeto da fiscalização e que o lançamento abranja períodos de apuração que não tenham constado no Mandado de Procedimento Fiscal. No que se refere ao fato de os responsáveis tributários terem sido incluídos no pólo passivo da obrigação tributária sem terem sido previamente intimados ou notificados da existência do procedimento fiscal, devese registrar que a fase procedimental do processo administrativo fiscal não é marcada pelo contraditório. O lançamento pode ser efetuado simplesmente com as informações disponíveis pelo Fisco. Não há necessidade de que o fisco notifique os investigados da instauração do procedimento fiscal, nem mesmo ouvir ou pedir esclarecimentos e informações sobre os fatos e atos praticados pelo contribuinte, bastando que possua os elementos suficientes para a constituição do crédito tributário. Tratase da fase investigatória cujas informações interessam unicamente ao fisco, por isso que somente são solicitadas informações ou esclarecimentos se estas forem de interesse para a fiscalização. Somente com a manifestação da pretensão estatal, materializada com o lançamento do crédito tributário, é que surge para o contribuinte o direito de exercer sua defesa contra os fatos apontados pela fiscalização. Exercido o direito de defesa, desde que tenha sido efetuado no prazo de 30 dias contados da ciência do lançamento, é que se instaura a fase litigiosa do procedimento, conforme art. 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso dos autos, o direito de defesa foi exercido de acordo com o referido Decreto. Assim, tanto o procedimento fiscal, como os autos de infração e os termos de sujeição passiva, não apresentam nenhuma ilegalidade ou irregularidade capaz de decretar a sua nulidade dos referidos atos. Da mesma forma, não procede a argumentação de que os lançamentos foram baseados em presunções não autorizadas pela legislação. Isso porque a autoridade autuante sequer precisou se utilizar de qualquer hipótese de presunção legal. Conforme exaustivamente relatado, os lançamentos foram baseados em provas concretas da existência de contabilização de custos não comprovados, que reduziram as bases de cálculos do IRPJ e da CSLL e que Fl. 9745DF CARF MF 26 geraram indevidamente créditos de PIS/Pasep e Cofins. Não há reparos a se fazer quanto à instrução processual relacionada à autuação da empresa contribuinte, portanto. Finalmente, noto que não é caso de aplicação do artigo 112 do CTN, seja porque este é aplicável apenas às infrações e penalidades e não ao principal de tributo devido, seja porque, no caso, não há qualquer sombra de dúvida quanto a qualquer circunstância mencionada nos incisos deste artigo. Passamos à análise da situação das pessoas indicadas como responsáveis. ANDRÉ LUIZ BISCA A autoridade autuante se baseou nos seguintes fatos para considerar André Luiz Bisca como responsável pelo crédito tributário cobrado no auto de infração lavrado contra a empresa Recuperadora Vista Azul: (i) a DIRPF de André Luiz Bisca foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e de seus sócios; (ii) em 2006, André Luiz Bisca participou da constituição da empresa autuada, detendo inicialmente 30% das quotas, participação aumentada para 99,9% em 2009 quando Marco Aurélio Cantizani de Oliveira se retirou da sociedade. (iii) André Luiz Bisca foi administrador da empresa autuada e constou como devedor solidário e garantidor em contratos de arrendamento mercantil de bens por ela celebrados. (iv) em 2012 André Luiz Bisca pretendeu integralizar ao capital social da empresa uma propriedade rural supostamente sua no valor de R$ 12 milhões. Em respostas a intimações posteriores alegouse que o imóvel pertencia ao Sr. Sérgio Romano que iria entrar como investidor. Entretanto, as averbações do Cartório de Registro de Imóveis indicam que o imóvel estava penhorado para garantia de dívida desde abril de 2009 e em 01/11/2012 o imóvel foi adjudicado a um terceiro. (v) A evolução patrimonial de André Luiz Bisca, conforme quadro abaixo, demonstra que ele não usufrui da riqueza gerada pela empresa autuada isso se se considerar que aumento de capital acima citado foi fraudulento e não houve a variação patrimonial de R$12 milhões . Na ocasião da constituição da empresa autuada, André Luiz Bisca era técnico de planejamento e controle da produção da empresa Vista Azul Ind. e Com. de Metais Ltda, a qual tinha como sócio Marco Aurélio Cantizani de Oliveira. Este se retirou da empresa autuada no mês seguinte à saída de André do quadro de funcionários da Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. Fl. 9746DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.734 27 No caso, os fatos narrados no TVF parecem demonstrar que André Luiz Bisca emprestou seu nome para que outra pessoa efetivamente agisse e usufruísse dos recursos financeiros então resultantes. No entanto, diferentemente de outros casos de utilização de "laranjas" (em que estes não têm efetiva ciência dos atos que são praticados em seu nome), no caso em questão o imputado responsável solidário efetivamente assinou os documentos, o que demonstra que ele estava a par, ou deveria estar, do dia a dia da empresa autuada. Pois bem. Já se discorreu neste voto sobre o conceito jurídico de "interesse comum", na parte relativa ao recurso de ofício. E, no caso, é possível afirmar que André Luiz Bisca participou da conduta descrita na hipótese de incidência. Vale reiterar aqui os fundamentos do acórdão recorrido: Entretanto, o fato relevante para a manutenção do Sr. André Luiz Bisca no polo passivo da obrigação tributária é o fato de ele figurar como detentor de 99% das cotas sociais da Recuperadora Vista Azul e como representante legal da empresa. Nessa condição de sócio, a utilização de notas fiscais cujas operações não foram comprovadas, que geraram custos e créditos de PIS/Pasep e Cofins fictícios, caracteriza o interesse comum na situação em que constitua o fato gerador da obrigação tributária (art. 124, I, do CTN) pelo ganho obtido com essas operações falsas e, também, a prática de ato com infração à lei e ao contrato social (art. 135, do CTN), fraude, definido no art. 72 da lei nº 4.502, de 1964, como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Diferentemente da alegação de que as aquisições de sucata de alumínio foram realizadas, a fiscalização comprovou com vasta documentação (intimações não respondidas, diligências no endereço das empresas, declarações de rendas e situação patrimonial de sócios, depoimentos de pessoas envolvidas, movimentação bancária que demonstra a inexistência de pagamentos relacionados às supostas compras) que as empresas Mercantil Comercial Roal Ltda., Raira Comércio de Metais Ltda., Wefa Comércio de Metais Ltda.; Maparis Comércio de Metais Ltda.; WTK Comércio Atacadista e Varejista de Metais Ltda.; Anelka Metais Não Ferrosos Ltda. e Central Reciclagem de Metais Ltda. não existiram fisicamente (empresas de fachada) e que serviram unicamente para a geração de custos e créditos fictícios, mediante a emissão de notas fiscais “frias”. Além disso, a Recuperadora Vista Azul não apresentou os documentos comprobatórios das operações quando intimada e não apresentou impugnação aos autos de infração. Conclusão: ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário de André Luiz Bisca. CLAUDIA MARIA ROSA Foi responsabilizada com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e de seus sócios; Fl. 9747DF CARF MF 28 (ii) e resposta à intimação datada de junho de 2015, a empresa Tradição Factoring Sociedade de Fomento Comercial Ltda afirmou que Claudia Maria Rosa era seu contato como gerente financeira da empresa autuada; (iii) é irmã de Luzia de Fatima Rosa Bandeira e portanto cunhada de Márcio Aparecido Bandeira, sendo sócia, juntamente com este, da MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda. (empresa esta também incluída no polo passivo da obrigação tributária ora discutida, por supostamente ter recebido valores da Recuperadora Vista Azul sem contrapartida de prestação de serviços); (iv) em sua DIRPF do anocalendário de 2009 consta empréstimo de R$ 51.000,00 para Andre Luiz Bisca. O acórdão recorrido manteve sua responsabilização tendo em vista que "Estes fatos justificam a sua manutenção no pólo passivo da obrigação tributária, pois participou efetivamente na prática dos atos fraudulentos, como também foi beneficiária dessa prática, ao receber valores via MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda., sem que tenha sido comprovada qualquer contraprestação pelos valores recebidos." Ocorre que, no caso, não vejo como tais fatos possam resultar em responsabilização solidária de Claudia Maria Rosa por tributos devidos pela empresa autuada. Isso porque tratase de fatos isolados que não necessariamente apontam na mesma direção, qual seja, a de provar que a imputada responsável praticou em conjunto o fato gerador e/ou dele se beneficiou. O fato de contratar o mesmo contador da autuada para a transmissão de sua DIRPF nada diz sobre sua ingerência na empresa. Da mesma forma, o fato de uma empresa dizer que ela atuou como gerente financeira em 2015 não significa que se possa entender que Claudia Maria Rosa praticou os atos que geraram os fatos geradores, que são de 2012. Ser da família de pessoas que se beneficiaram de supostas sonegações e fraudes também nada prova. Assim como não aponta necessariamente para a conclusão de que ela participou do esquema de sonegação o fato de constar, em sua DIRPF do anocalendário de 2009, empréstimo de R$ 51.000,00 para Andre Luiz Bisca. O único fato que poderia, em tese, gerar responsabilização é o de ser sócia de empresa que supostamente auxiliou a empresa autuada a sonegar tributos. Neste caso, Claudia Maria Rosa poderia ser responsabilizada pelos tributos devidos pela empresa da qual é sócia, a MB Representações. Mas isso desde que provada a responsabilidade desta empresa e, também, desde que citado o enquadramento legal correto (art. 135 do CTN) e provada a prática, por Cláudia Maria Rosa, de atos contrários à lei ou ao contrato social. Não é o caso, já que não consta do TVF qualquer menção a uma atuação específica de Claudia Maria Rosa em atos que tenham gerado obrigações tributárias (no máximo, como se verá no item a seguir, há atos praticados pela MB Representações, mas não se menciona a atuação de Cláudia Maria Rosa não se sabe se ela era apenas sócia sem conhecimento dos atos de gestão da empresa ou se praticava efetivamente tal gestão). Conclusão: neste sentido, voto por dar provimento ao recurso voluntário de Cláudia Maria Rosa. MB REPRESENTAÇÕES E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, BANDEIRA INDÚSTRIA DE ALUMÍNIO LTDA. e BANDEIRA 2 COMÉRCIO DE SUCATAS E METAIS LTDA. Fl. 9748DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.735 29 Tais empresas foram responsabilizadas por supostamente terem recebido valores da Recuperadora Vista Azul sem contrapartida de fornecimento de bens ou serviços e por terem transmitido declarações do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e de seus sócios. Especificamente, a MB Representações tem como sócios Marcio Aparecido Bandeira e Claudia Maria Rosa, também indicados como responsáveis no auto de infração em questão. Em 2012 esta empresa recebeu pagamentos da empresa autuada no valor total de R$ 45.108,00 sem contrapartida em notas fiscais tal valor corresponde a menos de 12% de seu faturamento naquele ano, que foi de R$ 400.800,00. Embora alegue que juntou as notas aos autos não menciona fls. nem foi possível localizar tais documentos. Conclusão: neste sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário de MB Representações. Quanto à Bandeira Indústria de Alumínio Ltda., esta tem como sócios os irmãos Márcio Aparecido Bandeira e Sérgio José Bandeira, também indicados como responsáveis no auto de infração em questão. No anocalendário de 2012 a empresa autuada vendeu o montante de R$ 26.830.123,34 para a Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. (o que corresponde a 20,2% de suas vendas no anocalendário) e esta adquiriu daquela mercadorias no valor total de R$ 41.761.832,50 (ou seja, mais de 64% de suas compras em 2012 foram adquiridas da empresa autuada). O TVF considerou que "esses fatos levam a crer que o esquema de notas frias usado pela Recuperadora Vista Azul teve como principal beneficiário a Bandeira Indústria de Alumínio, que comprou grande parte de sua produção". Em sua defesa, a empresa alega que sua relação com a autuada era estritamente comercial e que se tivesse sido intimada a tanto poderia ter comprovado isso documentalmente. De fato, as acusações relacionadas à empresa Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. constantes do TVF parecem ter sido baseadas unicamente no fato de esta empresa pertencer a integrantes da "família Bandeira". A empresa não está entre as que foram intimadas a comprovar a relação comercial com a autuada, nem consta entre aquelas para as quais não foram comprovadas as operações. Vejase, neste sentido, o pertinente trecho do TVF (fl. 8.026): Fl. 9749DF CARF MF 30 Vale ressaltar que a decisão recorrida aponta como única razão para manter a responsabilidade tributária da Bandeira Indústria de Alumínios Ltda. o fato de ser grande o volume de transações entre ela e a autuada. Confirase: Ficou devidamente comprovado que o gerenciamento da Recuperadora Vista Azul Indústria e Comércio de Metais Ltda. foi efetuado pelo Sr. Marcio Aparecido Bandeira, por seu filho Vitor Bandeira e que grande parte das vendas eram canalizadas para a empresa Bandeira Indústria de Alumínios Ltda., de propriedade Marcio Aparecido Bandeira e Sérgio José Bandeira. (grifamos) Ora, o fato de ser grande o volume de operações entre as empresas, por si só, não leva à responsabilização tributária de ninguém. Seria necessário também alegar e buscar provas de que tais operações não ocorreram. No caso, cabia à autoridade autuante fazer prova dos fatos tidos como fundamento para responsabilizar solidariamente a empresa Bandeira Indústria de Alumínio Ltda., não obstante, não há sequer alegação ou início de prova de que as compras e vendas praticadas com a autuada efetivamente não ocorreram. Conclusão: diante disso, voto dar provimento ao recurso voluntário da empresa Bandeira Indústria de Alumínio Ltda.. Sobre a Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda., esta empresa também pertence à "família Bandeira" e o TVF afirma que "é onde hoje se encontram os principais bens da família Bandeira.". Não há qualquer alegação sobre condutas específicas praticadas por esta empresa capazes de consubstanciar "interesse comum" nos atos que geraram os fatos geradores (isto é, no recebimento de valores da Recuperadora Vista Azul sem contrapartida de fornecimento de bens ou serviços). O simples fato de ser detentora de bens de integrantes de uma família que supostamente sonegaram tributos não acarreta a responsabilidade solidária de ninguém. Pretender atingir os bens da "família Bandeira" dessa forma é subverter a legislação sobre desconsideração da personalidade jurídica. Conclusão: diante disso, voto dar provimento ao recurso voluntário da empresa Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda. Fl. 9750DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.736 31 MÁRCIO APARECIDO BANDEIRA Foi responsabilizado com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul; (ii) é sócio administrador das empresas Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. e M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda. (iii) declarações de terceiros provadas por cópias de emails e indicam que atuava de fato como administrador da empresa autuada Recuperadora Vista Azul, ditando as regras comerciais a serem por ela adotadas. (iv) esvaziou seu patrimônio declarado na DIPRF anocalendário de 2012, e no anocalendário de 2014 declarou apenas as quotas de participação nas empresas M.B. Representações e Assessoria Empresarial Ltda. (R$ 30.000,00) e Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. (R$ 1.900.000,00). O TVF concluiu que tais fatos levaram a crer que Márcio Aparecido Bandeira e familiares são os gestores/administradores do esquema fraudulento envolvendo a Recuperadora Vista Azul e, portanto, reais beneficiários dos valores obtidos por meio desse esquema. Lembrando que restou provado quanto a diversas empresas que não se manifestaram nos autos que as compras efetuadas pela Recuperadora Vista Azul não existiram efetivamente, servindo apenas para dar origem, em tese, ao seu estoque de mercadorias de origem não comprovada. Em sua defesa, Marcio Aparecido Bandeira nega a ingerência comercial na empresa autuada e informa que é apenas parceiro de negócios desta, interessado na compra de produtos e conhecedor e atuante da área de metais, sendo comum manter contato com bons fornecedores. Afirma, ainda, ter tido verdadeira involução patrimonial nos anoscalendário de 2010 a 2014. A afirmação sobre a involução patrimonial confirma o esvaziamento patrimonial indicado pela fiscalização como indício de fraude. Além disso, não obstante a fiscalização tenha alegado e trazido provas de que Marcio Aparecido Bandeira atuou como administrador de fato da empresa autuada, sua defesa se limita a contradizer tais afirmações sem fornecer qualquer documento que sirva de contraprova. Conclusão: diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado por Marcio Aparecido Bandeira. VITOR BANDEIRA Fl. 9751DF CARF MF 32 Foi responsabilizado com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e seus sócios; (ii) é filho de Márcio Aparecido Bandeira e, desde 2009, sócio da De Luna Comércio de Sucatas de Metais Ltda., (iii) participou das negociações para que a empresa autuada adquirisse um forno câmara para homogeneização, conforme cópias e contrato e de emails obtidos pela fiscalização. O acórdão recorrido entendeu que tais provas eram suficientes para caracterizar a gestão, por parte de Vitor Bandeira, da empresa autuada. Todavia, entendo que tal entendimento não prospera. Novamente, tratase de indícios que não necessariamente apontam para uma mesma conclusão, e que portanto nada provam. Já se afirmou que utilizar o mesmo contador não indica qualquer ligação entre as pessoas, já que se trata de um terceiro que presta exatamente esse serviço, de forma, a princípio, lícita. Simplesmente ser parente de alguém que é imputado responsável tributário não torna a pessoa mais "suspeita" de ter se beneficiado de eventuais ocultações patrimoniais desta nem indica qualquer cometimento de ilícito. Ser sócio de empresa do mesmo ramo de atividade da que está sendo investigada também não. Tais fatos até poderiam servir como indício caso houvesse provas mais contundentes da participação de Vitor Bandeira nos negócios da empresa autuada. Ocorre que ter participado pontualmente de uma negociação de aquisição de bem não tem o condão de fazer com que a pessoa possa ser considerada administradora de fato daquela empresa. Conclusão: por tais motivos, voto por dar provimento ao recurso voluntário de Vitor Bandeira. LUZIA DE FÁTIMA ROSA BANDEIRA Foi responsabilizada com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul; (ii) é esposa de Marcio Aparecido Bandeira e sócia da empresa Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda., onde, segundo a fiscalização, se encontram os principais bens da família Bandeira. Aplicamse aqui os fundamentos expostos acima quanto à irrelevância, para fins da caracterização da responsabilidade tributária, de ter utilizado os serviços do mesmo contador e de simplesmente ser parente de alguém imputado como responsável tributário. O TVF não menciona qualquer conduta específica de Luzia de Fátima Rosa Bandeira nem traz qualquer prova acerca de eventual benefício direto por ela obtido em razão das condutas realizadas por seu marido. Embora o fato de ser esposa de pessoa indicada como responsável tributário possa significar ter se beneficiado dos desvios por ele praticados, isso, por si só, não é fundamento para a indicação da mulher como responsável no auto de infração. Novamente, pecou o TVF em não ter produzido provas mais contundentes do que pretendeu alegar. Conclusão: por tais motivos, voto por dar provimento ao recurso voluntário de Luzia de Fátima Rosa Bandeira. Fl. 9752DF CARF MF Processo nº 19515.720192/201678 Acórdão n.º 1401002.183 S1C4T1 Fl. 9.737 33 SÉRGIO JOSÉ BANDEIRA Foi responsabilizado com fundamento nos seguintes fatos: (i) sua DIRPF foi transmitida do mesmo hardware utilizado para transmitir as declarações da Recuperadora Vista Azul e seus sócios; (ii) é irmão de Márcio Aparecido Bandeira e sócio administrador de Bandeira Indústria de Alumínio Ltda. e de Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda., onde, segundo a fiscalização, se encontram os principais bens da família Bandeira. Considero aplicáveis aqui os mesmos motivos da exclusão de responsabilidade tributária já expostos nos trechos relativos a Vitor Bandeira e Luzia de Fátima Rosa Bandeira. Conclusão: voto por dar provimento ao recurso voluntário de Sérgio José Bandeira. Por fim, quanto à alegação de alguns dos responsáveis relativamente à possibilidade de aplicação do princípio do não confisco e limitação do percentual da multa, novamente louvo a argumentação tecida no acórdão recorrido, a qual adoto integralmente como razões de decidir, com fundamento no § 3º do artigo 57 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: O disposto no inc. IV do art. 150 da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco, é dirigida ao legislador quando da elaboração da lei tributária. A multa aplicável nos casos de lançamento de ofício está prevista na Lei nº 9.430, de 1996 (art. 44). Desse modo, positivada a norma, em face da vinculação estatuída pelo art. 142 do Código Tributário Nacional e do disposto no inc. III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, é dever da autoridade fiscal aplicála. Essa disposição legal é reforçada pelo inc. V do art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). A lei emanada do Poder Legislativo por meio de processo próprio e sancionada pelo chefe do Executivo goza de presunção de constitucionalidade. Uma vez publicada, subentendese válida e eficaz. É obrigatória a sua aplicação. É de extrema importância que assim o seja, principalmente para a segurança jurídica que garante os direitos e deveres do cidadão. Por outro lado, cabe ao Poder Judiciário a competência para declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, conforme arts. 97 e 102 da Constituição Federal. O art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, veda expressamente aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a menos que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (§ 6º, inc. I). A questão da apreciação de argumentos sobre a inconstitucionalidade de lei tributária está consolidada na esfera administrativa, tratase de matéria estranha à Fl. 9753DF CARF MF 34 sua competência, inclusive com súmula a respeito, aprovada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acrescentase que o autuante demonstrou claramente que contribuinte utilizou notas fiscais frias, gerando custos fictícios que reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e geraram créditos indevidos de PIS/Pasep e Cofins, conduta dolosa adotada com o propósito de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir seu pagamento, enquadrandose na hipótese prevista nos art. 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Para esses casos, o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, determina a duplicação da multa prevista no inc. I do referido artigo. Portanto, a multa de ofício foi aplicada corretamente, conforme previsto na lei, devendo ser mantida no percentual utilizado nos lançamentos. CONCLUSÃO Conforme exposto acima, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, negar provimento aos recursos voluntários apresentados por André Luiz Bisca, Marcio Aparecido Bandeira e MB Representações e Assessoria Empresarial Ltda. e dar provimento aos recursos voluntários apresentados por Cláudia Maria Rosa, Bandeira Indústria de Alumínio Ltda., Bandeira 2 Comércio de Sucatas e Metais Ltda., Vitor Bandeira, Luzia de Fátima Rosa Bandeira e Sergio José Bandeira. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 9754DF CARF MF
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