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Numero do processo: 10980.001790/2004-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. DCOMP ENVIADA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA.
O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ANTINOMIA. LEI Nº 9.430/96 E IN N°
460/04. CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Incabível alegar violação ao princípio da legalidade em decisão proferida com base na Lei nº 9.430/96 e na IN SRF N° 460/04, eis que inexiste antinomia destas em relação ao instituto da denúncia espontânea do CTN.
Numero da decisão: 1402-000.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Carlos Pelá, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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DCOMP ENVIADA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ANTINOMIA. LEI Nº 9.430/96 E IN N° 460/04. CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Incabível alegar violação ao princípio da legalidade em decisão proferida com base na Lei nº 9.430/96 e na IN SRF N° 460/04, eis que inexiste antinomia destas em relação ao instituto da denúncia espontânea do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Carlos Pelá, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 2 EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Botica Comercial Farmacêutica Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida: “Trata o processo de Declaração de Compensação de fls. 01/02, em que foi declarado crédito referente a base negativa de CSLL, do ano calendário 1999, no valor originário de R$ 875.083,42, a ser compensado com débito de Cofins, do período 11/2003, no total de R$ 1.493.942,41. Conforme Despacho Decisório proferido pela Seort/DRF Curitiba, em 30/06/2005, às fls. 95/100, a autoridade fiscal homologou parcialmente a compensação, até o valor de R$ 1.237.531,69, restando saldo devedor de R$ 256.410,72. Cientificada do Despacho Decisório, por via postal, em 06/07/2005, conforme AR de fl. 105, tempestivamente, em 08/08/2005, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 106/117. À fl. 131 consta despacho proferido por esta DRJ, na data de 11/08/2005, em que a Delegada declarou-se incompetente para a apreciação da manifestação de inconformidade, sob a justificativa de que esta não teve como objeto a homologação parcial de compensação, mas os valores que estavam sendo cobrados. Novo despacho decisório foi elaborado pela DRF/Curitiba, às fls. 132/137, confirmando a decisão anterior, e esclarecendo que, em vista do atraso da entrega da Dcomp, relativamente ao vencimento do débito da Cofins a ser compensado, este foi acrescido de multa moratória de 20% e juros. Cientificada deste Despacho Decisório, por via postal, em 20/09/2005, conforme AR de fl. 142, tempestivamente, em 24/10/2005, a interessada ingressou com a reclamação de fls. 143/175, por meio de seu representante legal, conforme instrumento de fls. 118/119, que se resume a seguir. Preliminar. Competência da DRJ Preliminarmente, a impugnante contesta a declaração de incompetência manifestada pela Delegada da DRJ, alegando que o art. 224 do Regimento Interno da SRF nada trata acerca do mérito ou assunto da manifestação de inconformidade enquanto requisito de procedibilidade para exame do recurso, pois a regra apenas impõe como pressuposto que a manifestação de inconformidade seja apresentada contra a não-homologação ou homologação parcial do pedido de compensação; Afirma que deixou expressamente consignado que a manifestação de inconformidade estava sendo apresentada contra a homologação parcial do Dcomp, e assim, deveria a DRJ ter-se pronunciado, ainda que fosse para declarar que os cálculos estavam corretos e que a cobrança era devida; Fl. 217DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.001790/2004-40 Acórdão n.º 1402-00.253 S1-C4T2 Fl. 216 3 Assinala que, se o despacho decisório apenas homologou parcialmente a compensação por entender haver um crédito remanescente a ser pago, sendo este o fundamento do referido ato administrativo, nada obsta que se impugne os referidos cálculos e valores, os quais apenas servem como suporte à argumentação apresentada e não como único “assunto” trazido no bojo da petição; Aduz que a argumentação apresentada na manifestação de inconformidade é, sem dúvida, o questionamento das razões que levaram à homologação parcial do débito, não havendo outra forma para fazê-lo que não através da demonstração de erro nos cálculos realizados pela autoridade fazendária, que a levaram a emitir carta de cobrança fundada na homologação parcial do Dcomp; Mérito. No mérito, questiona a decisão da autoridade fiscal, que entendeu não ser possível excluir multa moratória, em vista de previsão em instrução normativa da SRF, e ressalta que tal entendimento fere o princípio da legalidade, mesmo reconhecendo explicitamente que houve denúncia espontânea; Explica que, em 19/03/2004, a empresa apresentou declaração de compensação de Cofins com CSLL, não obstante o tenha feito a destempo, já que o prazo para a apresentação da mencionada declaração era 15/12/2003; Justifica que, naquela oportunidade, efetuou a compensação sponte propria, independentemente de atuação do fisco no sentido de cobrar o valor devido, ou seja, antes do início de qualquer procedimento administrativo fiscal. Acrescenta que tal conduta é denominada de denúncia espontânea, e tem como característica intrínseca a dispensa de multa, se efetuada antes do início de qualquer processo administrativo fiscal; Entende que débito espontaneamente confessado é aquele em que o contribuinte informa o valor do imposto antes de verificada qualquer ação tendente a realizar o lançamento de ofício, e recolhe o tributo devido acrescido de juros de mora, ficando excluído o dever de pagar. Afirma que, no caso, o recolhimento do tributo foi realizado nos termos do art. 138 do CTN, e assim fica vedada a incidência de multa de qualquer natureza sobre o valor do débito objeto da compensação; Assevera que a multa de mora não pode ser reclamada no caso de denúncia espontânea, porquanto sua conseqüência jurídica é justamente a exclusão da responsabilidade pela infração; Contesta a interpretação dada pelas autoridades fazendárias, que, em geral, cobram multa moratória naquelas hipóteses, sob alegação de que a mesma não possui caráter punitivo, e cita decisões do STJ, TRF4, Conselho de Contribuintes e doutrina; Sustenta que equivale a denúncia espontânea a hipótese de confissão de dívida como prevista pelo art. 74, §6° da Lei n° 9.430/96, haja vista ser a mesma anterior à realização de qualquer procedimento administrativo, sendo voluntária, devendo portanto ficar afastada a imposição de qualquer penalidade; Princípio da legalidade Reclama que a autoridade fazendária infringiu o princípio da legalidade, já que a Instrução Normativa n° 460/04 não merece aplicabilidade, por ser contrário ao disposto no art. 138 do CTN; Fl. 218DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 4 Cita doutrina comentando o princípio da legalidade; Aponta ser inequívoco que, ao modificar a regulamentação relativa à denúncia espontânea a SRF está extrapolando a sua função exclusivamente regulamentar, para, de forma inadmissível legislar, competência esta exclusiva do Poder Legislativo e com isso ferindo de morte o princípio constitucional da legalidade. Além disso, entende que a instrução normativa encerra antonímia normativa, por conflitar com disposição de norma hierarquicamente superior; Argumenta que, mesmo que a cobrança não fosse insubsistente por estar acrescida de penalidade não prevista na legislação vigente, ainda assim não poderia incidir multa sobre o débito que foi objeto de compensação, mas apenas sobre o valor que deixou de ser compensado, pois em relação ao primeiro ocorreu a denúncia espontânea, a qual afasta a incidência de qualquer penalidade; Observa que a autoridade fazendária fundamenta a cobrança apenas em instruções normativas, e que tal decisão é impertinente em um estado democrático de direito, em que se espera que as autoridades administrativas observem a Constituição Federal, em todos os seus conceitos e princípios, inclusive e especialmente o da legalidade e o da moralidade; Ressalta o dever da administração de imprimir transparência a seus atos, de modo que esta deveria ter apresentado o demonstrativo dos cálculos por escrito para o caso concreto, ainda que a forma utilizada para o cálculo esteja disponível para consulta pela Internet. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 06- 18.769 (fls. 177-184), proferido em 31/07/2008, traz a seguinte ementa: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DA DRJ. DISCUSSÃO DOS VALORES COBRADOS. Deve ser acolhida preliminar de competência da DRJ, contra decisão em que a autoridade julgadora declarou-se incompetente para apreciar os valores cobrados após homologação parcial, uma vez que a discussão acerca do quantum não homologado confunde-se com o próprio mérito da decisão a ser enfrentada. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ANTINOMIA. IN N° 460/04. CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Incabível alegar violação ao princípio da legalidade em decisão proferida com base na IN SRF N° 460/04, eis que inexiste antinomia desta em relação ao instituto da denúncia espontânea do CTN, e os acréscimos exigidos são previstos em lei. COMPENSAÇÃO. DCOMP ENVIADA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTA PUNITIVA. EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. Correta a decisão de parcial homologação de débito com vencimento anterior à data de envio da Dcomp, descabendo alegar denúncia espontânea, que é apta a excluir somente as Fl. 219DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.001790/2004-40 Acórdão n.º 1402-00.253 S1-C4T2 Fl. 217 5 multas de natureza punitiva, não atingindo a multa moratória, de caráter indenizatório, exegese esta que deve prevalecer, sob pena de implicar a absoluta ineficácia da multa de mora.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/08/2008 (A.R. de fl. 188), a recorrente interpôs recurso voluntário em 18/09/2008 (fl. 189-193) onde sustenta ter ocorrido a denúncia espontânea, decorrente da apresentação de PER-DCOMP. Como conseqüência, considera indevida a incidência de multa, seja moratória ou de ofício. Alega, ainda, que a competência para tratar sobre responsabilidade quanto a infrações é do Código Tributário Nacional, não podendo tal matéria ser alterada por normas de inferior hierarquia. Nesse sentido, entende que a decisão recorrida merece reparos já que a incidência da multa moratória tem por base a Lei Ordinária nº 9.430/96 e a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 460/04. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se observar, de plano, que a recorrente tão-somente repisa alguns dos argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Dessa forma, e considerando que tais argumentos foram adequadamente enfrentados na decisão de primeira instância, peço vênia para adotar parte dos fundamentos do voto contido naquele Acórdão relativo à matéria aqui discutida. Destaque-se, de início, que o instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. Veja-se a fundamentação do voto de primeira instância: “... Não merecem prevalecer os argumentos formulados pela interessada. Ela recorre ao instituto da denúncia espontânea, assim introduzido no ordenamento jurídico, através do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 6 A tese da impugnante se funda na premissa de que a denúncia espontânea excluiria toda e qualquer modalidade de penalidade, inclusive as de caráter moratório. Essa interpretação, à primeira vista possível em face da literalidade da redação, a qual não estabelece distinção entre as modalidades de multa, torna-se insustentável quando examinada a partir de uma perspectiva sistemática, que leva em conta a lógica interna do ordenamento jurídico como um todo. Inicialmente, há que se distinguir a multa punitiva da multa moratória, sendo esta indenizatória e aquela punitiva, conforme ensina Paulo de Barros Carvalho, em Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Saraiva, 2004, pg. 514: As multas de mora são também penalidades pecuniárias, mas destituídas de nota punitiva. Nelas predomina o intuito indenizatório, pela contingência de o Poder Público receber a destempo, com as inconveniências que isso normalmente acarreta, o tributo a que tem direito. Muitos a consideram de natureza civil, porquanto largamente utilizadas em contratos regidos pelo direito privado. Essa doutrina não procede. São previstas em leis tributárias e aplicadas por funcionários administrativos do Poder Público. A interpretação que deve prevalecer, quanto aos efeitos da denúncia espontânea, é aquela segundo a qual os benefícios decorrentes da denúncia espontânea circunscrevem-se às multas de natureza punitiva, que são justamente aquelas aplicadas pela autoridade fiscal em procedimento de fiscalização, não se aplicando às penalidades de caráter indenizatório, como a multa de mora. É que, caso a multa moratória fosse também excluída pela denúncia espontânea, seria ela totalmente inócua, já que o contribuinte sempre poderia optar por deixar de recolher o tributo no prazo legal, e escolher um dia qualquer para saldar sua dívida com o fisco, bastando que pague “espontaneamente”, sem qualquer multa pelo inadimplemento. Além disso, na hipótese de o fisco bater a sua porta antes do pagamento, também não poderia exigir a multa de mora, já que a penalidade cabível seria a multa de ofício. Em suma, caso vingasse a tese formulada pela litigante, a multa de mora seria absolutamente desprovida de eficácia, pois jamais seria exigível, nem por ato espontâneo do contribuinte, nem por dever do fisco. Por óbvio que essa conclusão foge ao bom senso, e merece, portanto, ser rejeitada. Não pode o ordenamento jurídico, por um lado, criar um instituto e conferir legitimidade à autoridade fiscal para aplicá-lo visando a determinados fins, e, de outro lado, retirar-lhe totalmente sua eficácia. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifou-se) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 221DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.001790/2004-40 Acórdão n.º 1402-00.253 S1-C4T2 Fl. 218 7 §3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) A interpretação no sentido de que a denúncia espontânea é apta a eximir o contribuinte somente das penalidades de natureza punitiva, sendo ineficaz quanto às multas moratórias, é compartilhada por Paulo de Barros Carvalho, ao comentar o art. 138 do CTN, na obra Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Saraiva, 2004, pg. 512: A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas - juros de mora e multa de mora - por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. (Grifou-se) Na jurisprudência do Conselho de Contribuintes encontram-se diversos julgados em consonância com a presente decisão, conforme se transcreve a seguir: Número do Recurso: 135810 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10746.000330/2005-58 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: RESTITUIÇÃO/COMP COFINS Recorrida/Interessado: DRJ-BRASÍLIA/DF Data da Sessão: 18/10/2007 15:00:00 Relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis Decisão: ACÓRDÃO 203-12511 Resultado: NPQ - NEGADO PROVIMENTO POR QUALIDADE Texto da Decisão: Pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mauro Wasilewski (Suplente) e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA 8 A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN refere-se a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. (Grifou-se) Recurso negado. ____________________________________________________ Número do Recurso: 151552 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10830.003822/00-15 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrida/Interessado: 4ª TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Data da Sessão: 24/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 101-96167 Resultado: DPU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA- EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA- O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. (Grifou-se) COMPENSAÇÃO- Se a Secretaria da Receita Federal reconhece o valor do crédito integrante do pedido de restituição, e se esse valor é suficiente para comportar todos os débitos cuja compensação foi pleiteada, é de ser homologada a compensação. ...” Quanto ao argumento de que a autoridade fazendária teria infringido o princípio da legalidade, pondera-se que, ao contrário do que pensa a interessada, a Lei nº 9.430/96 encontra-se inserida normalmente no ordenamento jurídico Pátrio e que a Instrução Normativa n° 460/04 foi elaborada em consonância com a norma veiculada pelo art. 138 do CTN e art. 61 da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, veja-se a decisão de primeira instância. “A interessada reclama que a autoridade fazendária infringiu o princípio da legalidade, já que a Instrução Normativa n° 460/04 não merece aplicabilidade, por ser contrário ao disposto no art. 138 do CTN. Aponta ser inequívoco que, ao modificar a regulamentação relativa à denúncia espontânea a SRF extrapolou a sua função exclusivamente regulamentar, sendo que a competência para legislar é exclusiva do Poder Legislativo, e com isso feriu de morte o princípio constitucional da legalidade. Além disso, entende que a instrução normativa encerra antonímia normativa, por conflitar com disposição de norma hierarquicamente superior. Observa que a autoridade fazendária fundamenta a cobrança apenas em instruções Fl. 223DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.001790/2004-40 Acórdão n.º 1402-00.253 S1-C4T2 Fl. 219 9 normativas, e que tal decisão é impertinente em um estado democrático de direito, em que se espera que as autoridades administrativas observem a Constituição Federal, em todos os seus conceitos e princípios, inclusive e especialmente o da legalidade e o da moralidade. Ressalta o dever da administração de imprimir transparência a seus atos, de modo que esta deveria ter apresentado o demonstrativo dos cálculos por escrito para o caso concreto, ainda que a forma utilizada para o cálculo esteja disponível para consulta pela Internet. Sem razão à impugnante. A contrário do que pensa a interessada, e de acordo com os fundamentos explanados no item anterior, a Instrução Normativa n° 460/04 foi elaborada em consonância com a norma veiculada pelo art. 138 do CTN. Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Grifou-se) Os acréscimos legais a que se refere o dispositivo acima são os previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, já citado anteriormente, e que foram corretamente aplicados pela autoridade administrativa. Nos cálculos, foram levados em conta as datas do vencimento da Cofins (15/12/2003) e da entrega da Dcomp (19/03/2004). Assim, foram aplicados multa de 20%, pelo transcurso de mais de sessenta dias, e juros de 3,35%, considerando as taxas de janeiro (1,27%), fevereiro (1,08%) e março (1%). Dessa forma, inexistindo qualquer antinomia entre as disposições da Instrução Normativa n° 460/04 e o CTN, e não tendo o regulamento administrativo exigido nada além do que a lei já estipula, não vislumbro qualquer afronta ao princípio da legalidade. Finalmente, a aventada falta de transparência não subsiste, já que no segundo despacho, a autoridade fiscal demonstra como chegou aos valores não homologados.” Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 2 de setembro de 2010. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 05/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 08/10/2010 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.908593/2009-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário:2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial..
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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REQUISITOS. Recorrente HENNINGS VEDAÇÕES HIDRÁULICAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 85 93 /2 00 9- 65 Fl. 489DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 340300.990, de 02/06/2011, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINACIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AnoCalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Intimada da decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados pelo presidente da 3ª Turma. Irresignada, insurgiuse contra o entendimento de que a DCTF retificadora é o documento hábil para comprovar oriundo do pagamento a maior. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 180300.250. O exame de admissibilidade do recurso encontrase à fl. 479. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 481/485) É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que, a despeito da retificação da DCTF, a Recorrente não logrou comprovar, mediante a entrega de documentação hábil, o crédito que pretendia compensar, o paradigma concluiu que, para a mesma situação (aqui, tratase de retificação de DIPJ), mas havendo a comprovação das retenções do imposto (origem do crédito lá reclamado), as compensações vinculadas deveriam ser homologadas. Vejam os seguintes parágrafos de cada qual: Acórdão recorrido: A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumente a ocorrência de equívoco no preenchimento da DCTF, sem apresentar provas documentais a comprovar as suas alegações. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13971.908593/200965 Acórdão n.º 9303006.264 CSRFT3 Fl. 489 3 A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes na DCTF. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Acórdão paradigma: A nosso juízo, portanto, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Os acórdãos confrontados tratam de situações diversas: num caso, houve a comprovação do crédito mediante a análise de documentos colacionados aos autos pelo contribuinte; no outro, não. Ante o exposto, não conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 491DF CARF MF 4 Fl. 492DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.006632/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1995
RECURSO VOLUNTÁRIO. OBJETO EM CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF n. 1. NÃO CONHECIMENTO.
Caracterizada, no caso concreto, a concomitância de instâncias judicial e administrativa, vez que o objeto do recurso voluntário é o mesmo daquele discutido na esfera judicial, decorre a renúncia às instâncias administrativas, não havendo, assim, de se conhecer do recurso voluntário, forte na Súmula CARF n. 1.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2402-006.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1995 RECURSO VOLUNTÁRIO. OBJETO EM CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF n. 1. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada, no caso concreto, a concomitância de instâncias judicial e administrativa, vez que o objeto do recurso voluntário é o mesmo daquele discutido na esfera judicial, decorre a renúncia às instâncias administrativas, não havendo, assim, de se conhecer do recurso voluntário, forte na Súmula CARF n. 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti.
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OBJETO EM CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF n. 1. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada, no caso concreto, a concomitância de instâncias judicial e administrativa, vez que o objeto do recurso voluntário é o mesmo daquele discutido na esfera judicial, decorre a renúncia às instâncias administrativas, não havendo, assim, de se conhecer do recurso voluntário, forte na Súmula CARF n. 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 66 32 /2 00 8- 12 Fl. 404DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 18050.006632/200812 Acórdão n.º 2402006.054 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 74/85 em face da Decisão Notificação (DN) n. 04.601.0/0374/1999 Diretoria de Arrecadação e Fiscalização/Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização em Salvador/BA (efls. 65/68), que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 32.616.0485 consolidado no valor total de R$ 912.201,72 na data de 18/12/1998 e constituído na data de 21/01/1999 Competências: 08/1995 a 13/1995 (efls. 02/08) com fulcro em contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à glosa das compensações efetuadas pela empresa referenciada, nas competências 08/1995 a 13/1995, referente ao montante que excedeu ao valor a compensar, nos termos da sentença proferida nos autos do processo n. 9515269 (efls. 13/16), no valor de R$ 912.201,72 conforme discriminado nos demonstrativos de cálculo de efls. 12 e 17/46, anexos do Relatório Fiscal de efls. 09/11. A Recorrente foi regularmente cientificada da NFLD DEBCAD n. 32.616.0485 (efls. 02/08) em 21/01/1999, e, irresignado, apresentou, em 04/02/2009, a impugnação de efls. 54/59, julgada improcedente pela Diretoria de Arrecadação e Fiscalização/Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização em Salvador/B, sumarizada conforme ementa abaixo transcrita: A Recorrente foi cientificada do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 04.601.0/0374/1999 (efls. 65/68) em 04/02/2000, conforme informado no DESPACHO DRF/SDR/SECAT n. 0330/2012 (efl. 71) a despeito de o Recorrente e o sistema de cobrança/consulta dados identificadores de processo do próprio INSS informarem a data de 31/01/2000 (efls. 117 e 381) , e, inconformado, apresentou Recurso Voluntário (efls. 74/85) em 15/02/2000, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da impugnação de efls. 54/59. Todavia, o Recurso Voluntário de efls. 74/85, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, nos termos do despacho de 19/06/2002, da lavra do Serviço de Análise de Defesas e Recursos/INSS (efl. 115). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Fl. 406DF CARF MF 4 Nesse contexto, a Procuradoria da Fazenda Nacional na Bahia procedeu à revisão da legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa, concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 74/85, conforme despacho de efls. 333/335. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 18050.006632/200812 Acórdão n.º 2402006.054 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário de efls. 74/85, a despeito da divergência de datas de ciência da decisão recorrida DecisãoNotificação (DN) n. 04.601.0/0374/1999 (efls. 65/68) , 31/01/2000 ou 04/02/2000 (efls. 71, 117 e 381), é tempestivo, vez que protocolizado em 15/02/2000, havendose, todavia, considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, nos termos do despacho de 19/06/2002, da lavra do Serviço de Análise de Defesas e Recursos/INSS (efl. 115). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Destarte, a Procuradoria da Fazenda Nacional na Bahia procedeu ao controle de legalidade da decisão que negou seguimento ao recurso administrativo com fundamento no art. 126, §1°., da Lei n. 8.213/1991, exarada pela autoridade administrativa (Serviço de Análise de Defesas e Recursos/INSS) efl. 115, concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 74/85, conforme despacho de efls. 333/335. Uma vez declarada a nulidade do ato que indeferiu o seguimento do recurso, deve ser proferida nova decisão administrativa sobre o juízo de admissibilidade recursal, e, não havendo outra causa autônoma impeditiva do seguimento do recurso, este deve ser processado normalmente. É o que passo a fazer. De plano, verificase que, no mérito, o núcleo do litígio, ora em apreço, concentrase no "tipo de correção monetária que incidirá sobre o crédito da Recorrente", conforme este mesmo reconhece na peça recursal de efls. 74/85, vez que superada a discussão acerca da inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Na perspectiva da autoridade lançadora, as contribuições recolhidas indevidamente serão atualizadas pelos mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição, com respaldo no disposto no art. 89, §§4°. a 6°., da Lei n. 8.212/1991, com as alterações da Lei n. 9.032/1995 e Lei n. 9.129/1995, ressaltandose a redação dos referidos dispositivos legais vigentes à época dos fatos. É oportuno destacar que a Lei n. 11.941/2009 conferiu nova redação ao art. 89 (caput e parágrafos), aplicando aos valores a serem restituídos ou compensados a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Esta é a regra atualmente em vigor. Fl. 408DF CARF MF 6 No caso concreto, a Recorrente, de acordo com a autoridade lançadora, ao proceder a compensação, utilizouse de índices diversos daqueles definidos pelo INSS, à vista dos demonstrativos de cálculo de efls. 12 e 17/46, anexos do Relatório Fiscal de efls. 09/11, decorrendo a lavratura da NFLD DEBCAD n. 32.616.0485 a partir da diferença entre os valores das contribuições recolhidas (empresários e autônomos) atualizadas pela empresa e as mesmas contribuições atualizadas pelo INSS. Ocorre que o litígio estabelecido no Recurso Voluntário de efls. 74/85 é, também, objeto de disputa judicial, conforme consta das peças judiciais de efls. 13/16; 88/95; 103/106; 179/183; 187/189; 198/203; 208/219; e 258/274, e denunciado pela própria Recorrente na peça recursal retrocitada. Isto posto, resta caracterizada, no caso concreto, a renúncia às instâncias administrativas, uma vez presente a propositura pela Recorrente de demanda judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, atraindo, desta forma, a incidência da Súmula CARF n. 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Destarte, resta prejudicado o Recurso Voluntário de efls. 74/85, não havendo dele de se conhecer. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário de efls. 74/85. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 409DF CARF MF
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Numero do processo: 13749.000165/2010-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 01 65 /2 01 0- 60 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13749.000165/201060 Acórdão n.º 1001000.309 S1C0T1 Fl. 123 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 12054.262, de 25/03/2013 (efls. 12/14), objetivando a reforma do referido julgado. Em 04/01/2013, a empresa fez a opção pelo Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 19/02/2014 (efl. 17), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Competências 1) Competência – 05/2007 Valor: R$ 125,87 2) Competência – 06/2007 Valor: R$ 125,87 3) Competência – 07/2007 Valor: R$ 125,87 4) Competência: 08/2007 Valor: R$ 125,87 5) Competência – 09/2007 Valor: R$ 125,87 6) Competência – 10/2007 Valor: R$ 125,87 7) Competência – 11/2007 Valor: R$ 43,35 8) Competência – 12/2007 Valor: R$ 130,39 9) Competência – 06/2008 Valor: R$ 100,65 10) Competência – 07/2008 Valor: R$ 100,65 11) Competência – 08/2008 Valor: R$ 100,65 12) Competência – 09/2008 Valor: R$ 100,65 13) Competência – 10/2008 Valor: R$ 100,65 14) Competência – 11/2008 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13749.000165/201060 Acórdão n.º 1001000.309 S1C0T1 Fl. 124 3 Valor: 100,65 15) Competência – 12/2008 Valor: R$ 100,65 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção, alegando, em síntese, que "providenciou o quanto antes a quitação de todas as parcelas que restavam em aberto antes de findar o prazo para a impugnação do indeferimento da nova opção pelo Simples Nacional" e faz alegações de inconstitucionalidade da legislação de regência. Anexa comprovante de pagamentos (efls. 18/33). A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 Regularização intempestiva das pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. O legislador fixou um prazo peremptório para a regularização das pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, as quais devem ser saneadas até o término do prazo para solicitação da opção pelo regime especial de tributação. Alegação de inconstitucionalidade da legislação de regência. Impossibilidade de apreciação do tema no processo administrativo fiscal. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente pessoalmente da decisão de primeira instância em 25/11/2014, conforme documento à efl. 63, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 26/12/2014 (e fls. 67/71), conforme envelope de postagem à efl. 75/76. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13749.000165/201060 Acórdão n.º 1001000.309 S1C0T1 Fl. 125 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de os referidos débitos não estarem com a exigibilidade suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante os art. 7° e 17, ambos da Resolução CGSN n° 004/2007, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma e prazo de ingresso no regime especial: (grifos não constam do original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3° deste artigo e observado o disposto no § 3° do artigo 21. (...) Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que os débitos foram regularmente quitados dentro do prazo, faz alegações de inconstitucionalidade da legislação de regência e cita julgado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Em sua peça recursal, a postulante acrescenta outros argumentos, em resumo: que a empresa foi excluída de ofício em 2008, cujos débitos previdenciários foram regularizados em 30/12/2008 "e por um parcelamento excepcional da MP 303 de 29/06/2006, que acreditava ter sido incluído no parcelamento efetuado para a sua regularização". que providenciou a "quitação de todas as parcelas do parcelamento citado que restavam em aberto antes de findar o prazo para nova opção pelo Simples Nacional que fez em 2009", sendo indeferida. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13749.000165/201060 Acórdão n.º 1001000.309 S1C0T1 Fl. 126 5 que "os débitos que constaram no despacho de indeferimento questionado apareceram somente quando a empresa, diante de sua insegurança resolveu por si só tentar fazer nova inclusão para o ano de 2010". que "se a primeira impugnação, referente ao processo n° 13749.000594/200901 for analisada com base nas informações da época em que foi impetrada a empresa será considerada enquadrada no Simples Nacional desde 2007, ininterruptamente, deixando de ter razão de existir a impugnação aqui sobre recurso". que "mesmo a empresa tendo quitado todos os débitos que constaram em aberto antes de findar o prazo para impugnar da segunda tentativa de inclusão pósexclusão de ofício, essa tenha sido considerada improcedente por conta dos pagamentos terem ocorrido após findar o prazo para opção"; e que "há outro processo de impugnação sob o n°. processual 13749.000594/200901 que ainda não foi julgado e é anterior ao aqui discutido. Sendo julgado procedente a empresa deverá ser reenquadrada como optante do Simples Nacional em 01 de janeiro de 2009". Quanto à alegação de pendência de julgamento do outro processo citado, n° 13749.000594/200901, que julgado daria azo à razão da recorrente, constatase que o referido processo não tem o mesmo objeto do presente. O mesmo consta como revisão do indeferimento de opção no SN no AC2009, sendo julgado favoravelmente ao interessado e arquivado. Em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Com relação aos comprovantes de pagamentos anexados pela recorrente (e fls. 18/33), constatase que todos os recolhimentos foram efetuados em 16/03/2010, com exceção do recolhimento referente à competência 05/2007 (efl. 18). Conforme disposto no art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, o favorecimento fiscal instituído pela Lei Complementar é somente para os contribuintes que não Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13749.000165/201060 Acórdão n.º 1001000.309 S1C0T1 Fl. 127 6 possuem pendências com débitos tributários no prazo limite para a solicitação da opção, não se enquadrando a recorrente nesta situação em 31/01/2010, pois com relação ao débito fiscal o pagamento foi efetuado somente em 16/03/2010. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspenso perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.911797/2011-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
Numero da decisão: 3001-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
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PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 17 97 /2 01 1- 11 Fl. 167DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 952454094 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 0689.50625.090409.1.7.040344, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o limite do Crédito analisado corresponde ao valor do crédito original na data de transmissão do PaR/DCOMP no total de R$ 8.060,70. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante do exposto, foi considerada não homologada a compensação e, como consequencia, posto em cobrança o crédito tributário cujo principal perfaz R$ 8.230,31, acrescido de multa no valor de R$ 1.646,06 e os correspondentes juros de R$ 2.935,75. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, alega que recolheu COFINS de forma equivocada. Erro na apuração da COFINS A apuração, a título de COFINS, em 11/2005, foi da importância de R$ 54.688,13, quando, na verdade, deveria ter recolhido o valor de R$ 19.557,80, resultando no crédito a compensar, de débitos com créditos, referente a pagamento a maior no valor de R$ 35.130,33, recolhido em DARF datado de 15/12/2005. O motivo do equívoco, se refere a inclusão na apuração, do valor da revenda de mercadorias com incidência monofásica de PÌS e COFINS, não tendo sido aprovado o crédito sobre fretes, amortizações e depreciações, DCTF e DACON A fim de providenciar a correção de sua conduta, retificou a DACON e DCTF, além de anexar planilhas extraídas de instrumentos contábeis, relatório de venda e do regime monofásico retirados do sistema gerencial, para recompor a apuração das contribuições. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.911797/201111 Acórdão n.º 3001000.199 S3C0T1 Fl. 168 3 Pugna pela aplicação da Verdade material. DRJ/JFA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0950.462 1 ª Turma ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 20689.50625.090409.1.7.040344, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ R$54.688,13, recolhido em 15/12/2005. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que em síntese e entre outros aspectos, reafirma a pretensão expressa no PER/DCOMP ora analisado, e, ainda, que o crédito informado é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, a compensação realizada mediante entrega da DCOMP, possuir crédito informado existente já na data da transmissão dessa Declaração. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF quando da entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Meios e Momento de Apresentação da Prova Caberia ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na respectiva DCTF. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, e dos documentos que a respaldem. Fl. 169DF CARF MF 4 Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) contenha as razões e provas que o interessado possua. Para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos. Mesmo nos casos de apresentação de DCTF retificadora, se esta se der após a entrega do PER/DCOMP, há que se ter apresentação dos documentos a que já se referiu. Por oportuno, transcrevo, também, o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão nº 380302.491 anteriormente citado: Observase que por entender suficiente à comprovação de seu direito, a contribuinte acostou aos autos apenas, copias de DARF, de DCTF e de DACON (originais e retificadores). Tais documentos, todavia, não evidenciam, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Inexistindo provas técnicas, contábeis e jurídicas de que as operações não se realizaram ao arrepio da lei, há que ser acatado o ato administrativo realizado” Recurso Voluntário Em sua peça recursal a Recorrente limitouse a repisar os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada. Erro no Recolhimento Em síntese, alega que recolheu, erroneamente, COFINS, referente à competência 11/2005, no valor de R$ 54.688,13. Enquanto que, na verdade, deveria ter recolhido o valor de R$ 19.557,80. Tal pagamento a maior gerou o crédito de R$ 35.130,33. Houve retificação da DACON e DCTF; além da tentativa de comprovação através de planilhas, instrumentos contábeis e relatórios do sistema gerencial para recompor a apuração das contribuições Incidência Monofásica O equívoco deuse pela inclusão do valor da revenda de mercadorias com incidência monofásica de PÌS e COFINS, nas receitas da Recorrente. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Mérito O litígio contido neste processo administrativo fiscal gira em torno da falta, por parte da Recorrente, da efetiva demonstração de seu erro. Pretende a Recorrente, através Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11020.911797/201111 Acórdão n.º 3001000.199 S3C0T1 Fl. 169 5 de seu Recurso Voluntário, ver reconhecida, e, por conseguinte, restar declarada por este Conselho, a ocorrência de erro, uma vez que teria recolhido o valor Erro no preenchimento A recorrente alega ter recolhido R$ 54.688,13, mas, segundo seu entendimento posterior, deveria ter recolhido o correto valor de R$ 19.557,80. Tal pagamento, a maior, gerou o crédito de R$ 35.130,33 solicitado. Origem do Crédito Pleiteado A alegação da Recorrente referese a ocorrência de erro material na apuração do tributo em tela, tendo ocorrido pagamento a maior, motivo pelo qual manejou a referenciada DCOMP, a fim de ressarcir o que considerou indevido, vez que apontou, a seu entender, a existência de crédito próprio suficiente para fomentar a compensação. Nestes autos, a Recorrente aponta ter retificado DACON e DCTF, e, a fim de esclarecer a origem dos créditos, tabulouos em planilha acessória. A fim de demonstrar seu crédito, é dever da Recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou, o reflexo nas declarações eletrônicas retificadoras obrigações acessórias que servem para constituir o Fl. 171DF CARF MF 6 crédito tributário. No entanto, não indicou, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Existe, no documento ANEXO CÁLCULO CORRETO PARA O PA 11/2005, menção a receitas totais com venda de mercadorias R$ 2.991.266,91, mas nenhuma das notas fiscais, mesmo que por amostragem, foram anexadas a este processo, a fim de comprovar que o débito anteriormente constituído via DCTF original, merece ser infirmado. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados, isto sim, de memoriais de cálculo, servirão à apreciação do julgador, e convencerse, justamente, do real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PR OVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invo cado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11020.911797/201111 Acórdão n.º 3001000.199 S3C0T1 Fl. 170 7 produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a i nexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus d e prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado. "Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 173DF CARF MF 8 Renato Vieira de Avila Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900054/2008-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2000
SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA
PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O
prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo
encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009.
Numero da decisão: 1402-000.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinando-se o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2000 SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Fl. 230DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 140200.606 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório SUPREV SERVICOS DE CONSULTORIA E ASSESSORIA EM PREVIDENCIA S/S LTDA., com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou improcedente seu pleito. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): A contribuinte qualificada em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação declarada, objeto do presente processo. A Autoridade Administrativa proferiu o Despacho Decisório A fl. 09, nos seguintes termos: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 6.697,75 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (...) Enquadramento Legal: Parágrafo I° do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Cientificada do Despacho Decisório (fls. 11 e 12), a interessada apresentou, por intermédio de seus procuradores (fls. 21 a 30, 35 e 36), a manifestação de inconformidade acostada As fls. 13 a 20, em 14/04/2008, aduzindo em sua defesa, em síntese: o crédito referese a um saldo negativo acumulado apontado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica de períodos anteriores ao pedido de compensação, conforme tabela anexa (doc. 02); como se depreende das DIPJ já encaminhadas, desde o ano fiscal de 1997 vem acumulando e compensando crédito tributário; a apresentação da manifestação de inconformidade acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 140200.606 S1C4T2 Fl. 0 3 Requer seja concedido efeito suspensivo A manifestação de inconformidade, acolhendoa para o fim de homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 42818.48687.311003.1.3.026091. A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APURAÇÃO TRIMESTRAL. Inexistindo saldo negativo apurado na DIPJ e não tendo sido comprovado no processo a existência de crédito líquido e certo passível de compensação, fica mantido o decidido pela Autoridade Administrativa, que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 140200.606 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direto creditório do IRPJ apurado no encerramento do 4o. trimestre anocalendário de 2000, que segundo a decisão recorrida é inexistente.. O recurso voluntário da contribuinte está calcado na tese de que o pleito referese ao saldo negativo de recolhimentos acumulado em 2000 e que a decisão restringiuse apenas ao valor apurado no 2o. trimestre de 2000. A Câmara Superior nos últimos 3 anos, havia sedimentado o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão nº 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL, a 1a. Turma da CSRF vinha decidindo que o inicio da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o seguinte julgado. Acórdão nº 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Todavia, na sessão da CSRF de agosto/2010, a matéria foi revista, conforme Acórdão 910100.347 (ementa e fundamentos a seguir transcritos): Ementa: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL,acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados d operíodo que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos,mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades.Recurso Provido. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 140200.606 S1C4T2 Fl. 0 5 {...] Voto (...) Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos – retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; Fl. 234DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 140200.606 S1C4T2 Fl. 0 6 II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social – Lucro Real a partir do anocalendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado e apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de Fl. 235DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 140200.606 S1C4T2 Fl. 0 7 dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º do art. 2º será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º. §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. §2º Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda . §3º Observado o disposto no §4º do art. 2º, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10. §4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (...) Fl. 236DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 140200.606 S1C4T2 Fl. 0 8 Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996. IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 210 de 30.09.2002 Restituição Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6º Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 140200.606 S1C4T2 Fl. 0 9 O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear a restituição ou compensação desse saldo. No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Registrese que, da mesma forma que o contribuinte pode pleitear hoje a restituição de saldos nos quais estão incluídos valores gerados há 10 dez ou 15 anos, a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação desses saldos. Não se trata, evidentemente, de auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim: a própria formação do saldo. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao crédito em questão. Tal situação se verifica no presente caso. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, qual seja apurar o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ acumulado em 30/06/2000, passível de compensação. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 238DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000754/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Restando comprovadas as contradições no Acórdão recorrido, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão embargada.
Numero da decisão: 2201-004.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para sanar a decisão apontada, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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CONTRADIÇÃO. Restando comprovadas as contradições no Acórdão recorrido, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para sanar a decisão apontada, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 54 /2 00 9- 32 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201004.069 S2C2T1 Fl. 454 2 Tratamse de Embargos Inominados apresentados pela contribuinte em face de acórdão proferido pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção. A 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção exarou o Acórdão n° 2201 003.622, conhecendo do recurso voluntário e negandolhe provimento, conforme se vê da ementa e parte dispositiva: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAISPREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Incide em descumprimento de obrigação acessória deixar de preparar folhas de pagamentos de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. EMBARGOS O sujeito passivo aponta diversos equívocos relativos ao aresto sob censura. Inicialmente alega que os fundamentos do acórdão embargado foram extraídos de fatos oriundos de outro auto de infração lavrado contra a embargante e que compõe o PAF n.° 10976.000751/200907. Afirma que este auto, para exigência de obrigação principal, é mais abrangente do que a presente lavratura, posto que contempla as matérias pagamento de plano de saúde e retenção em serviços realizados por empreitada, as quais não integram o auto de infração sob cuidado. Citase ainda a menção do Relator a desistência parcial do recurso, o que não ocorreu no presente processo, além de citação de uma diligência fiscal, que também não foi efetuada. Requer que sejam analisadas todas as questões trazidas em seu recurso e sanadas as inexatidões citadas. O Despacho de Admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls.450/452) decidiu admitir o recurso, nos termos seguintes: Os embargos inominados são previstos no art. 66 do Regimento Interno do CARF RICARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.° 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores, e tem por finalidade corrigir inexatidões materiais e erros de escrita/cálculo, nos seguintes termos: Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201004.069 S2C2T1 Fl. 455 3 Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Vejamos então se de fato ocorreram as incorreções apontadas: omissão na apreciação das matérias recursais De fato, observase que o Relator deixou de apreciar argumentos do recurso sob a justificativa de que as questões já haviam sido decididas nos processos relativos à exigência da obrigação principal. Ocorre que sequer foi mencionado o processo em que foi apreciada cada uma das questões. Por outro lado, observase que o Relator também confundiuse ao narrar a infração sob julgamento. O caso trata de infração relativa à preparação de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões normativos, todavia, o relator mencionou que seria infração relativa à Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, como se pode ver do seguinte trecho do voto condutor do acórdão: No presente caso, é incontroversa a conduta de apresentação de GFIP com informações omissas ou incompletas, tanto assim que foram apresentadas posteriormente as GFIP retificadoras. desistência do recurso O voto do Relator menciona a existência de um parcelamento que abrangeria parte do crédito, todavia inexiste parcelamento deste auto de infração, o que denota a ocorrência de erro material no acórdão. diligência fiscal Inexistiu no presente caso a realização de diligência fiscal, mas no relatório do acórdão consta dados acerca de uma diligência. Na verdade a Resolução n° 2403000.090 está vinculada ao PAF n.° 10976.000751/200907, não se referindo ao processo sob apreciação. Demonstrase assim mais um equívoco na decisão que merece saneamento. Registrese que a peça recursal está sendo recebida como embargos inominados, previstos no art. 66 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.° 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores, uma vez que é patente a ocorrência de erro decorrente de utilização no julgamento de fatos relativos a outro processo. É o relatório. Voto Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201004.069 S2C2T1 Fl. 456 4 Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Conheço dos Embargos Inominados opostos pela contribuinte e passo a sua análise. Por oportuno, utilizose da delimitação trazida pelo despacho de admissibilidade para apreciar cada uma das razões trazidas no recurso. Omissão na apreciação das matérias recursais O presente caso cuida de lançamento por descumprimento de obrigação acessória em que o sujeito passivo deixou de preparar folhas de pagamentos de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A impugnação ao lançamento e o próprio recurso voluntário atacaram a presente autuação de forma apenas indireta, posto que em nenhum momento afirmouse nas peças defensivas que inexistiu o descumprimento da obrigação acessória. Toda a argumentação foi no sentido de rebater o lançamento da obrigação principal, tanto que o sujeito passivo se limitou a repetiu o recurso utilizado para tentar desconstituir a dita obrigação principal. Não havendo impugnação/recurso específico para o presente processo e já tendo sido refutados os argumentos por ocasião do julgamento da obrigação principal, na mesma sessão de julgamento, despiciendo seria o julgador trazer todos os aspectos expressamente impugnados no processo que versa sobre a obrigação principal. Tanto a autoridade julgadora de primeira instância, quanto o julgador de segunda instância se limitaram a fazer remissão ao processo principal (descumprimento de obrigação principal). O fato de o último julgador não ter mencionado especificamente o número desse processo não pode ser caracterizado como omissão, eis que a numeração do processo é de fácil conhecimento, já que ambos os processos foram pautados simultaneamente e decorrem da mesma ação fiscal. Desse modo, não vislumbro omissão na apreciação das razões recursais passíveis de saneamento por Embargos. Utilização de fundamentação de outro processo Alude o despacho de admissibilidade que: O caso trata de infração relativa à preparação de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões normativos, todavia, o relator mencionou que seria infração relativa à Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, como se pode ver do seguinte trecho do voto condutor do acórdão: No presente caso, é incontroversa a conduta de apresentação de GFIP com informações omissas ou incompletas, tanto assim que foram apresentadas posteriormente as GFIP retificadoras. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201004.069 S2C2T1 Fl. 457 5 Nesse caso, não obstante outros trechos do acórdão vergastado evidenciarem que o julgamento está a tratar do descumprimento de obrigação acessória, em que o sujeito passivo deixou de preparar folhas de pagamentos de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, evidencia se que foi utilizada fundamentação de outro processo em que se discute obrigação acessória diversa da presente. Destarte, devem ser acolhidos os embargos inominados para substituir o parágrafo em negrito nos termos seguintes: “No presente caso, é incontroversa a conduta de deixar de preparar folhas de pagamentos de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Desistência do recurso De acordo com o despacho de admissibilidade, o voto do Relator menciona a existência de um parcelamento que abrangeria parte do crédito, todavia inexiste parcelamento neste auto de infração, o que denota a ocorrência de erro material no acórdão. Todavia, através de uma leitura mais atenta, inferese que o acórdão combatido faz referência à parte do crédito tributário lançado na ação fiscal que foi objeto de parcelamento, tanto assim que a conclusão é de que: “não há definitividade dessa autuação na esfera administrativa. Desse modo, entendo que não há contradição, obscuridade ou omissão a ser sanada. Da existência da diligência fiscal De fato, o relatório da presente decisão faz referência a uma diligência fiscal que fora realizada no processo de que trata a presente obrigação acessória. Apesar de não haver nenhuma referência a essa diligência no bojo do voto do acórdão, deverá a narrativa relacionada à diligência fiscal ser extirpada do relatório do julgado. Assim sendo, acolho os embargos para em reconhecendo a contradição existente excluir a parte do relatório que menciona a existência de diligência fiscal. Conclusão Ante o exposto, voto em conhecer e acolher parcialmente os embargos inominados para: 1) alterar a fundamentação do julgado onde consta: “No presente caso, é incontroversa a conduta de apresentação de GFIP com informações omissas ou incompletas, tanto assim que foram apresentadas posteriormente as GFIP retificadoras”, para: No presente caso, é incontroversa a conduta de deixar de preparar folhas de pagamentos de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 2) Excluir a parte do Relatório do acórdão que faz menção à diligência fiscal. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201004.069 S2C2T1 Fl. 458 6 (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907153/2011-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 07 15 3/ 20 11 -5 3 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 63 2 A recorrente, em manifestação de inconformidade, solicita a extinção do crédito tributário relativo ao despacho decisório, mediante o deferimento da compensação com débitos. Erro no preenchimento da DCOMP Ao preencher o Per/Dcomp, teria informado que a totalidade de créditos de de PIS seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas, quando, de fato, tais créditos vincularseiam, também, com receitas de exportação. A justificativa do lapso, segundo o raciocínio apontado, decorreria do fato de ter tomado por base os dados da DACON original, a qual não segregou, ou vinculou, a receita interna e externa, mas teria informado de forma mensal totalizada. Ou seja, por ter consignado que os créditos estavam integralmente vinculados a receitas não tributadas no mercado interno, quando deveria ter segregado entre receitas de mercado interno e externo. Origem do Crédito mercado interno não tributado e receita de exportação Argumenta que a totalidade do crédito de PIS a compensar seria oriunda de aquisicões no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas. Quando, em verdade, apenas parte de aquisições ocorreram no mercado interno com receitas não tributadas. Enquanto parcela diversa referiase a receita de exportação. A Ficha 28B, DACON, apresenta informação do crédito de PIS vinculado a receita não tributada no mercado interno e proveniente de exportação, assegurando a legitimidade do crédito. Documentos anexados Foram anexados a estes autos: cópia parcial da DACON originária, referente ao terceiro trimestre de 2004 e cópia parcial da DACON do mês de janeiro de 2006 e Per Dcomp. VOTO VENCIDO Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário que pretende demonstrar a ocorrência de erro no preenchimento de valores em DACON. Em síntese, a recorrente aponta crédito decorrentes de venda não tributada no mercado interno e crédito advindo da atividade de exportação, e pretende aproveitar o crédito mediante compensação. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, conforme relatado acima, sustentase em dois argumentos centrais. O primeiro, de plano, considero superado, pois este Conselho detém competência para analisar as compensações postas no litígio administrativo. O segundo, merecedor de maior atenção, revelase no tema acerca da possibilidade de busca da verdade material por este Tribunal Administrativo. Meios de Prova do Crédito Tributário Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 64 3 A recorrente argumenta que seus créditos são legítimos, não indicando porém, nenhum documento comprobatório de sua narrativa. Ao contrário, limitase a repisar os argumento trazidos em manifestação de inconformidade sustentandoos, basicamente, nas DACONs. Em outros julgados, fui adepto à corrente mais formalista, no que tange à possibilidade da juntada de documentos após o início da fase litigiosa, no processo administrativo federal, aceitandoos, tão somente, sob a tutela dos artigos 14 e 16 do Decreto 70.235/72. Esta egrégia Primeira Turma Extraordinária, muito embora, vem aplicando entendimento mais favorável ao contribuinte, motivo pelo qual, arredo posição de decisões anteriores para seguir os precedentes, como ressaltado a seguir: Da proposta de diligência Conforme observase do voto condutor do acórdão recorrido, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, o interessado indicou como crédito a compensar, o constante de DARF relativo ao IPI do período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 11.253,67, mas que, entretanto, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que o valor recolhido, referente ao citado DARF, encontravase inteiramente alocado para a quitação de outros débitos do sujeito passivo e, por conseguinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, notadamente, em razão de o Colegiado a quo concluir que o contribuinte, ao apresentar sua manifestação de inconformidade, não a instruiu com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito creditório pleiteado. O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade afirma que "devido a erro de preenchimento da DCTF (...), onde a empresa informou como débito total o valor de R$ 11.253,67 (...) referende ao Débito de IPI do mês de Abril desse mesmo ano, enquanto o valor apurado foi de R$ 6.027, 56 (...), gerouse um pequeno equívoco na constatação da existência do crédito", e que "constatado o erro de preenchimento em sua DCTF, procedemos a retificação da mesma a qual gerou o recibo de entrega nº 12.67.79.26.7273"; logo, "conforme se pode observar, a inexistência do crédito apontada (...) se deu apenas pelo erro cometido pela empresa no preenchimento de sua DCTF referente ao 1º Semestre de 2005". Não obstante o contribuinte, além de reconhecer o evidenciado equivoco e de ter apresentado juntamente com sua manifestação de inconformidade, a cópia da DCTF retificadora do período de apuração em questão e do PER/DCOMP, verdade é que com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida, o recorrente colaciona as cópias: do livro Registro de Apuração do IPI, Modelo 8, do anocalendário de 2005 (fls. 125 a 151), da PER/DCOMP 09262.56375.310805.1.3.04 5123, transmitida em 31.08.2005, acompanhada dos respectivos DARF e comprovante de recolhimento bancário (fls. 152 a 160), da DCTF/SEMESTRAL 100.0000.2010.2080235820 referente ao 1º Semestre de 2005 Número do Recibo 41.72.69.01.9197, recepcionada Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 65 4 e processada em 30.08.2010 (fls. 161 a 276), do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 861818943, emitido em 19.04.2010 (fl. 282). Em face do exposto, e do possível erro quando do registro dos fatos contábeis na sua escrituração, com reflexo no preenchimento da DCTF, que, ao menos em tese, deveriam ser sanados de ofício, mediante a confirmação da aludida DCTF, mas que não se observa a manifestação conclusiva da autoridade fiscal competente para se pronunciar sobre referido documento DCTF retificadora e tendo em vista verossimilhança das alegações do contribuinte e em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que, nas circunstâncias observadas nestes autos, devem nortear o processo administrativo fiscal de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, em consonância, inclusive, com os termos do recente Acórdão 9303005.096, da 3ª Turma da CSRF, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a autoridade preparadora da unidade fiscal de origem analise os O recurso voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a não só confirmar a existência do indébito alegado, mas, sobretudo, para demonstrar o acerto quanto à apresentação da DCTF retificadora Neste sentido, Robson Bayerl, nos autos do processo n.º 13502.900764/201311 assevera: Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. O caso presente, contudo, escapa aos precedentes acima mencionados, por manterse inerte a recorrente no sentido de apresentação das provas a fim de comprovar existência ao seu direito de crédito, por exemplo, das receitas advindas das atividades de exportação. Faço, portanto, análise que nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, resumese a líde no protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 66 5 Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 67 6 somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 68 7 diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, os documentos trazidos no Recurso Voluntário, são insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 69 8 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como no caso, a comprovação de suas vendas para exportação. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 70 9 controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 71 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila VOTO VENCEDOR Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo Em que pesem os elogiáveis argumentos do Voto Vencido, da lavra do I. Conselheiro Relator, Sr. Renato Vieira de Avila, peço licença, primeiro, para, aqui, em nome da eficiência, reproduzir seu Relatório e, segundo, em divergindo do seu entendimento, para, em breves linhas, explicitar as razões às quais considero que justifica a conversão do presente julgamento em diligência. Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 72 11 requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao quarto trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 22934.90570.310708.1.3.110407 e no Per/Dcomp 31997.84035.300608.1.1.114300. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao quarto trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábilfiscal do interessado. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.907153/201153 Resolução nº 3001000.041 S3C0T1 Fl. 73 12 Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao quarto trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a DRF/CASCAVEL. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente no Per/Dcomp 22934.90570.310708.1.3.110407 e no Per/Dcomp 31997.84035.300608.1.1.114300. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.940596/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 13/08/2004
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.876
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 13/08/2004 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 13/08/2004 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 05 96 /2 01 1- 39 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.940596/201139 Acórdão n.º 3302004.876 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.359. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.940596/201139 Acórdão n.º 3302004.876 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.940596/201139 Acórdão n.º 3302004.876 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.940596/201139 Acórdão n.º 3302004.876 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.940596/201139 Acórdão n.º 3302004.876 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727440/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Processo julgado em 8/3/18, às 13h30min.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Processo julgado em 8/3/18, às 13h30min. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 27 44 0/ 20 09 -2 4 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10580.727440/200924 Resolução nº 2401000.639 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Embargos Declaratórios (fls. 242/257) opostos tempestivamente em 13/06/2014 pelo contribuinte, em face do Acórdão 2101002.440, da 1ª. Turma Ordinária, 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, que proveu parcialmente o Recurso Voluntário, exonerando do crédito tributário lançado, a multa de ofício por erro escusável. Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram parcialmente admitidos, em 14 de setembro de 2015, por meio de despacho da Conselheira Cleci Coti Martins (Relatora ad hoc), o admitindo em relação a apenas para sanar omissão em relação “ao imposto de renda sobre os juros de mora que, definitivamente foram objeto de questionamento no Recurso Voluntário”, com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 280/282). Todavia, sobreveio despacho do Presidente do CARF (fls. 283/284), nos seguintes termos: “Assunto: Processo incompatível com a situação de julgamento – ‘controle transferido para parcelamento’ O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) realizou levantamento no acervo e identificou vários processos em situação incompatível com as situações de julgamento como: ‘devedor sem embargos’, ‘enviado à PFN’ e ‘controle transferido para parcelamento’. Diante do resultado observouse que este processo se encontra na situação ‘controle transferido para parcelamento’ e, conforme Nota Técnica Codac nº 009/2016, deverá ser retornado à unidade preparadora para saneamento, mediante adoção dos procedimentos abaixo transcritos: ‘3. Processos na situação “controle transferido para parcelamento’ O provável motivo de haver processos nesta situação localizados no Carf é a consolidação de parcelamentos especiais que aplica tacitamente a desistência do julgamento das impugnações e recursos a partir da inclusão dos processos pelo contribuinte na consolidação dos parcelamentos. No caso do parcelamento da Lei nº 12.996, de 2014, se o processo estava na situação ‘suspenso por julgamento’ e foi incluído na consolidação, a desistência da impugnação ou dos recursos foi aplicada automaticamente e a situação do processo foi atualizada para ‘controle transferido para parcelamento’. Vide nota Sief Processos nº 005/2015. (http://intranet.receita.fazenda/administracao/suara/codac/notas tecnicas/siefprocessos/siefprocessos2015/anexossiefprocessos 2015/notasiefproeessosno00520 15). O mesmo tratamento foi dado Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10580.727440/200924 Resolução nº 2401000.639 S2C4T1 Fl. 4 3 na consolidação do parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Estes processos devem ser encaminhados para equipes de parcelamento, para acompanhamento, controle e seguimento da cobrança, se for o caso. Informase que após a consolidação do parcelamento da Lei nº 12.996, de 2014, foram enviados arquivos para DRJs e Carf com lista de processos em que foi aplicada desistência de julgamento, para que estes fossem movimentados para unidades preparadoras para acompanhamento do parcelamento e seguimento da cobrança. Entretanto, ainda assim, é possivel que existam processos no Carf que não foram devolvidos para unidades preparadoras. Para os demais processos que se encontram nesta situação, devese analisar se o pedido de parcelamento configurou desistência do recurso, de acordo com o art. 78 do RICARF e proceder de acordo com as orientações contidas na Nota Sief Processos nº 007/2016.” (http://intranet.receita.fazenda/administracao/suara/codac/notas tecnceas/siefprocessos/siefprocessos2016/anexossiefprocessos 2016/notasiefprocessosno00720 16) Diante do exposto, retornese o processo à unidade de origem para saneamento e se o parcelamento não abranger a totalidade do crédito em litígio, os autos deverão retornar ao CARF para apreciação da parte não contemplada pelo parcelamento.” (grifei) É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10580.727440/200924 Resolução nº 2401000.639 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DO MÉRITO Conforme relatado, verificouse que este processo se encontra na situação “controle transferido para parcelamento” e, conforme Despacho do Presidente do CARF (fls. 283/284), deverá ser retornado à unidade preparadora para saneamento. Pois bem, é de conhecimento geral que a inclusão do débito em parcelamento implica na renúncia do Contribuinte ao direito sobre o qual se funda a demanda, nos termos do artigo 78, § 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Entretanto, para que não paire dúvida acerca do tema, bem como se evite qualquer alegação de nulidade, converto o julgamento em diligência, determinando que seja cumprido o Despacho de fls. 283/284, informando se o parcelamento noticiado abrange a totalidade do crédito em litígio e, após, retornem os presentes autos conclusos para julgamento. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 301DF CARF MF
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