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Numero do processo: 10215.000070/98-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS.
Responde pessoalmente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, nos termos do art. 135. inciso III, da Lei nº 5.172/66 (CTN), a pessoa física que, atuando como verdadeira titular, gerencia ocultamente os negócios da firma individual constituída em nome de interposta pessoa ("laranja").
NOTAS FISCAIS DE COMPRAS. LUCRO ARBITRADO. AUTO DE INFRAÇÃO DO IRPJ. MATÉRIA PRECLUSA.
O auto de infração do IRPJ, regime do lucro arbitrado, não foi impugnado na primeira instância de julgamento. Matéria preclusa.
LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL, PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL E IRRF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO.
Os lançamentos decorrentes também não foram impugnados na instância a quo e seguem a sorte do lançamento principal, não existindo razões fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1301-003.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994, 1995, 1996 RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Responde pessoalmente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, nos termos do art. 135. inciso III, da Lei nº 5.172/66 (CTN), a pessoa física que, atuando como verdadeira titular, gerencia ocultamente os negócios da firma individual constituída em nome de interposta pessoa ("laranja"). NOTAS FISCAIS DE COMPRAS. LUCRO ARBITRADO. AUTO DE INFRAÇÃO DO IRPJ. MATÉRIA PRECLUSA. O auto de infração do IRPJ, regime do lucro arbitrado, não foi impugnado na primeira instância de julgamento. Matéria preclusa. LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL, PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL E IRRF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. Os lançamentos decorrentes também não foram impugnados na instância a quo e seguem a sorte do lançamento principal, não existindo razões fática e jurídica para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 00 70 /9 8- 00 Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 641 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 642 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário apresentado pelo responsável solidário Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA (efls. 380/386), em face da decisão monocrática do Delegado da DRJ/Belém, de 29/03/2000, que manteve o lançamento fiscal procedente, ao julgar improcedente a Impugnação do citado responsável solidário (efls. 433/436). Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 22/01/1998, a Fiscalização da RFB, unidade DRF/Santarém, lavrou Autos de Infração do IRPJ, PIS, Contribuição para a Seguridade Social Cofins, IRRF e CSLL, anoscalendário 1994, 1995 e 1996 (efls. 292/374); que os Autos de infração do IRPJ e da CSLL (efls. 292/332 e 360/374) foram lavrados com base no LUCRO ARBITRADO a partir das compras do período fiscalizado, pois, intimada a pessoa jurídica durante o procedimento de fiscalização , deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos constante do Auto de Infração, in verbis: (...) (...) que os Autos de Infração da Contribuição para o PIS e Contribuição para a Seguridade Social foram lavrados, também, com base nas compras efetuadas pela empresa no período fiscalizado (efls. 327/339 e 340/351); que, por fim, foi lavrado o Auto de Infração do IRRF, apenas quanto aos anos calendário 1994 e 1995: (...) Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 643 4 (...) (...) que os valores tributáveis apurados (somatório das Notas Fiscais de compras) são os seguintes: Mês/Ano Valor 02/94 CR$ 9.269.378,00 03/94 CR$ 2.697.763,00 04/94 CR$ 14.774.400,00 05/94 CR$ 39.317.184,00 08/94 R$ 400.379,00 06/95 R$ 3.256,55 07/95 R$ 503,96 08/95 R$ 2.464,00 09/95 R$ 3.498,43 10/95 R$ 4.172,33 11/95 R$ 8.973,55 12/95 R$ 4.567,95 01/96 R$ 6.652,16 02/96 R$ 36.457,59 03/96 R$ 30.779,47 04/96 R$ 23.825,11 05/96 R$ 38.124,50 06/96 R$ 56.872,39 07/96 R$ 44.284,05 08/96 R$ 40.121,91 09/96 R$ 17.489,22 10/96 R$ 10.309,89 11/96 R$ 6.727,50 12/96 R$ 2.650,99 Obs: (i) A relação completa de Notas Fiscais de compras, CNPJ do emitente, data de emissão, nº da nota e valor constam do Demonstrativo (detalhado), quanto aos períodos fiscalizados (efls. 286/291); (ii) Constam dos autos as cópias das Notas Fiscais de compras (efls.27/285); Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 644 5 (iii) Consta do Relatório de Fiscalização, parte integrante do lançamento fiscal, que as cópias das Notas Fiscais foram fornecidas pelas empresas emitentes através de circularização (efl. 375). que a Fiscalização da RFB qualificou a multa de ofício (150%), pela constatação do intuito de fraude, a empresa firma individual MOACY P. DA SILVA foi constituída em nome de "laranja", sendo o proprietário de fato o Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA, ao qual foi imputada a sujeição passiva solidária (efls.378/379) ; que o crédito tributário, quanto aos Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS, Contribuição para a Seguridade Social Cofins e IRRF), na data da lavratura, perfaz o montante de R$ 387.147,47, assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 30/12/1997) (R$) Multa de Ofício 150% (R$) Total (R$) IRPJ 76.095,46 34.520,85 114.143,25 224.759,56 PIS 7.334,35 3.299,40 11.001,58 21.635,33 Contrib. Seg. Social 20.443,65 9.091,29 30.665,50 60.200,44 IRRF 16.939,52 8.458,05 25.409,30 50.806,87 CSLL 10.096,09 4.505,02 15.144,16 29.745,27 Total 387.147,47 Tendo em vista que a empresa autuada, firma individual MOACY P. DA SILVA, não mais funcionava no endereço cadastral fornecido à RFB, conforme consta do Relatório de Fiscalização (efl. 375), a intimação do Auto de Infração, por conseguinte, foi dada por Edital, afixado em 26/01/98 e desafixado em 10/02/98 (efl. 377). Ainda, foi dada ciência pessoal do lançamento fiscal (Autos de Infração) ao responsável solidário, responsável de fato pela empresa autuada, Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA, em 23/01/1998, conforme Notificação de Lançamento, com assinatura aposta pelo próprio responsável solidário (efls. 378/379). O Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA protocolizou a Impugnação em 10/02/1998 (efls.380/386), argumentando em suas razões, em síntese, pela improcedência da sujeição passiva solidária, pois a Fiscalização não indicara a capitulação legal da responsabilidade tributária quanto ao crédito tributário objeto dos autos. A Delegacia de Julgamento em Belém, em face das alegações do impugnante, solicitou diligência (devolveu os autos do processo à DRF/Santarém) para juntada de documentos (efl. 396). A DRF/Santarém juntou documentos aos autos, conforme Relatório de Diligência (efls. 398/399), consignando o seguinte, in verbis: (...) Conforme ficha multifuncional N° 199900.0635 de 05/04/1999, atividade fiscal diligência que atende determinação proferida pela DRJ BELÉM em 25 de novembro de 1998 ( fl. 381) foram Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 645 6 anexados ao processo os seguintes documentos : notificação de lançamento ( fl. 364 e 365) a qual teve ciência o interessado em 23 de janeiro de 1998, inclusive o interessado menciona a notificação de lançamento em sua impugnação ( fl. 366 a 379 ). Juntase ao processo, também, termo de declaração prestado por ANDRELINO PANTOJA FERREIRA à Delegacia de Polícia Federal em Santarém: no inquérito a polícia apurouse a movimentação da empresa LÍDER COMÉRCIO LTDA , CNPJ : 84.153.154/000103 e MOACY P. DA SILVA de maneira marginal comprovando, assim a intelecção do comerciante RONALDO SOUSA MOREIRA na constituição e movimentação financeira dessas empresas. Outro documento que juntase ao processo é o termo de reinquirição prestado também por ANDRELINO PANTOJA FEREIRA na Delegacia da Polícia Federal em Santarém: no qual cita de forma clara a movimentação da empresa MOACY P. DA SILVA pelo comerciante RONALDO SOUSA MOREIRA . Acrescentase , também, o termo de depoimento prestado pelo Delegado da Receita Federal em Santarém, Sr. MARCOS ANTÔNIO ALVES DE ALMEIDA no qual narra com detalhes a movimentação de várias empresas pelo comerciante RONALDO DE SOUSA MOREIRA sendo que estas empresas estão em nome de terceiros, entre as empresas citada está MOACY P. DA SILVA. Para confirmar a relação do comerciante RONALDO SOUSA ALMEIDA com as aquisições de mercadorias da empresa MOACY P. DA SILVA anexamos ao processo cópia de uma folha do catálogo da lista telefônica onde consta a propriedade dos telefones do comerciante RONALDO DE SOUSA MOREIRA, o telefone ( 091 ) 5221090 consta nas notas fiscais relacionadas nas páginas 213 a 229 do processo. Os documentos supracitados fazem parte do processo penal, já em fase conclusiva, sob condução da Justiça Federal de Santarém . Em observância aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa foram fornecidas cópias dos documentos ora juntados e aqui citados ao comerciante RONALDO SOUSA MOREIRA, Como também fica ciente o mesmo que tem novo prazo de 30 (trinta ) dias para se manifestar sobre o que foi relatado neste relatório conforme preceitua o Decreto 70235/72. (...) O Sr. RONALDO SOUSA MOREIRA foi notificado do resultado da diligência e apresentou contrarrazões em 17/09/1999 (efls. 414/417), argumentando, em apertada síntese, in verbis: (...) Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 646 7 (...) O impugnante juntou documentos, inquirições ou depoimentos de testemunhas ouvidas em juízo (efls. 418/430). Em 29/03/2000, o Delegado da DRJ/Belém, conforme Decisão (efls. 433/436), julgou a Impugnação improcedente, mantendo os autos de infração e a sujeição passiva pessoal do Sr. RONALDO SOUSA MOREIRA, cuja ementa e fundamentação, nessa parte, transcrevo: (...) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994, 1995, 1996 Ementa: Responsabilidade de Terceiros Responde pessoalmente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, nos termos do art. 135. inciso III, da Lei n. 5.172/66 (CTN), a pessoa física que. atuando como verdadeira titular, gerencia ocultamente os negócios da firma individual constituída com a utilização do nome de interposta pessoa. LANÇAMENTO PROCEDENTE Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1994. 1995. 1996 Ementa: Lançamento Decorrente Tratandose tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. LANÇAMENTO PROCEDENTE (...) FUNDAMENTAÇÃO 7.Com referência ao arbitramento de lucro, não houve contestação. Insurgese o Sr. Ronaldo da Silva Moreira com o crédito contra si lavrado justificando ser parte passiva ilegítima, Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 647 8 uma vez que nenhuma relação tem com a empresa Moacy P da Silva. 8. No 'Termo de Esclarecimento" de fls. 07/08. o Sr. Moacy P. da Silva assegura que era funcionário de Ronaldo da Silva Moreira e que a empresa aberta em seu nome não lhe pertencia, era na realidade do seu patrão. Confirmando o fato. há o relatório de fls. 09/17 do Delegado da Polícia Federal em SantarémPA. Ademais, em nenhum momento o interessado desmentiu o depoente. 9. Evidenciando a intenção do notificado de não cumprir com as obrigações tributárias a que estão sujeitas às sociedades comerciais, há ainda as declarações de Andrelino Pantoja Ferreira, fls. 385/387 e 191/396. utilizado, da mesma forma, como "laranja" na empresa Líder Comércio Ltda. 10. Para ratificar a responsabilidade do notificado, observase que o número do telefone que consta nas notas fiscais de fls. 213/227, como sendo da empresa Moacir P. da Silva, é 5221090. De acordo com o catálogo telefônico de Santarém, fls. 397, essa linha é de propriedade de Ronaldo da Silva Moreira. Sobre este fato apontado pelo diligenciador, fls. 383. o impugnante mantevese silente. 11. Fica demonstrado que Ronaldo da Silva Moreira operava comercialmente sob o nome da pessoa jurídica constituída em nome do "laranja" Moacy, este sem nenhuma condição financeira para a constituição da empresa. (...). 12. Relativamente aos argumentos expendidos pelo notificado na petição inicial de fls. 366/372, para refutar a responsabilidade tributária que lhe foi imputada, fazse oportuno ressaltar que os autos de infração lavrados contra a firma MOACY P DA SILVA formalizam o lançamento, constituindo o crédito tributário, cujo recolhimento está sendo exigido do requerente, qualificado na ação fiscal como responsável de fato pela empresa, de acordo com a notificação de fls. 364/365. 13. Sobre a falta de citação do enquadramento legal da transferência de sujeição passiva, a lacuna não impediu que o notificado identificasse o dispositivo regulador da acusação, ao argüir que não se enquadra em nenhum caso dos artigos 128 a 135 da Lei n. 5.172/66, que tratam da responsabilidade tributária. 14. Dispõe o art. 135 do CTN: ART. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 648 9 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 15.Assim, não cabem as alegações de que a notificação de lançamento tem cunho pessoal, já que não atende a nenhum artigo pela responsabilidade do crédito tributário (arts. 128, 129, 130, 131, 132. 133, 134 e 135 do CTN), (...). 16.O lançamento foi feito no nome da pessoa jurídica, contudo a exigência do cumprimento da obrigação tributária esta sendo feita diretamente na figura do responsável, ex vi do disposto no art. 135, III, do CTN. 17.Em vista do exposto e tudo mais que dos autos consta, o lançamento deve ser mantido em sua totalidade. Quanto ao tributos e contribuições lançados por decorrência, diante da íntima relação de causa e efeito que os unem ao tributo principal (IRPJ), seguem a sorte deste. (...) Ciente desse decisum em 07/04/2000, por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 442), o Sr. RONALDO SOUSA MOREIRA, responsável pelo crédito tributário objeto dos autos, apresentou Recurso Voluntário em 03/05/2000 (efls. 444/446 e 616/618), argumentando, em síntese: que a transferência de responsabilidade da obrigação tributária não pode prosperar, uma vez que não foi amplamente investigada a situação financeira e econômica do Sr. Moacy P da Silva, tanto na pessoa jurídica, como na pessoa física, para tomar conhecimento dos bens existentes em nome do proprietário da empresa; que é estranha e absurda a transferência da obrigação tributária da empresa individual para o requerente, sem que fosse amplamente investigado os pontos relacionados, suscitados; que diligência se faz necessário para apurar a responsabilidade do Sr. Moacy P. da Silva, uma vez que a empresa é dele, e quem usufruiu dos ganhos foi o mesmo, tanto que financeira e economicamente vivia muito bem em SantarémPA; que, assim, seja baixado os autos em diligência, para apurar bens em nome da pessoa jurídica e da pessoa física Moacy P. da Silva, bem como veículos registrados no Ciretran em Santarém e DETRAN em Belém; que seja notificada a Prefeitura Municipal de Santarém para apurar terrenos em nome da pessoa jurídica e física de Moacy P. da Silva; que sejam intimadas Concessionárias de Veículos para apurar veículos adquiridos pela pessoa jurídica e física de Moacy P. da Silva; que sejam intimadas Companhias Aéreas quantos bilhetes foram adquiridos no período de1994 a 1996 em nome da pessoa jurídica e física; que, ademais, sejam levadas em consideração as razões de defesa apresentadas na impugnação na instância a quo. Obs: (i) Na época, quando da interposição do recurso voluntário, havia necessidade de apresentação de comprovante de recolhimento de depósito recursal. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 649 10 (ii) Como o recorrente não comprovou recolhimento do depósito recursal, o Recurso Voluntário não subiu ao CARF e o processo foi encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme despacho de expediente de 30/08/2000 (efl. 464). (iii) Em 06/09/2000, o débito foi inscrito pela PFN na Dívida Ativa da União, conforme Termo de Inscrição de Dívida Ativa e Anexos (efls. 466/546). (iv) Em 13/03/2001, a União, por intermédio da PFN, ajuizou Ação de Execução Fiscal de Dívida Ativa contra a pessoa jurídica, firma individual Moacy P. da Silva, conforme Informação de Encaminhamento para Cobrança Judicial (efls. 547/552). (v) Em 07/10/2005, Requerimento de citação do empresário individual Moacy P. da Silva, da parte executada, efetuado na Vara Única, Juízo Federal da Subseção Judiciária de Santarém (efl. 553). (vi) Diligência para localizar bens do executado, suspensão do feito por 60 (sessenta) dias, pedido em 22/03/2006 (efls. 554/555). (vii) Em 20/06/2006, valor consolidado da dívida R$ 1.078.804,06 (efl. 557). (viii) Não foram encontrados bens e valores em nome da pessoa jurídica Moacy P. da Silva, aptos para fazer penhora, em 31/03/2003 ( efls. 597/601). A PFN pediu em 13/06/2006 e em 28/09/2006 ao juízo a pesquisa e bloqueio imediato de numerário em nome da pessoa física Moacy P. da Silva e da pessoa jurídica, através do Sistema "BACENJUD II, ao Banco do Brasil, para fins de depósito em conta aberta à disposição deste D. Juízo (efls. 567/573). (ix) Em 10/08/2007, a pessoa física Moacy Pereira da Silva peticionou a PFN, pedindo que a PFN transfira o débito da empresa Moacy P. da Silva para a pessoa física do Sr RONALDO DE SOUSA MOREIRA, o qual é responsável tributário pelo débito da empresa Moacy P. da Silva, pois o seu Moacy foi utilizado como "laranja" conforme decisão da DRJ/Belém, inclusive, a RFB declarou nula a inscrição no CNPJ desde 2002. Ainda que o Sr. Moacy pediu o desbloqueio de conta poupança na CEF. Como o CNPJ foi cancelado, o CPF não pode mais ficar vinculado ao citado débito (e fls. 574/575). (x) Em 21/06/2002, Declaração emitida pela RFB, informando que a inscrição no CNPJ foi anulada, ex offício, da empresa Moacy P. da Silva (efl. 576) , Ato Declaratório Executivo de 12/06/2002 e DOU de 19/06/2002 (efl. 577).. (xi) Em 14/09/2007, a PFN protocolizou pedido de redirecionamento da execução fiscal contra o Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA. Ou seja: Ação de Execução Fiscal proposta contra Moacy P. da Silva (empresa) e pessoa física foi equivocada, pois desde o início deveria constar no pólo passivo o responsável pelo crédito tributário o Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA e pediu bloqueio de bens do citado responsável pelo crédito tributário (efls. 580/582). (xii) A CDA foi cancelada, que aparelhava a execução fiscal, e foi extinto o processo de execução sem julgamento do mérito, pois não seria redirecionamento de execução, mas sim nomeação à autoria (modificação do pólo passivo), conforme Decisão de primeira instância do Juízo Federal, Vara Única da Subseção Judiciária de Santarém, em 15/07/2008 (efls. 586/587). (xiii) A PFN pediu a remessa dos autos ao TRF/1ª Região para reexame necessário dessa decisão, ou seja, para sua anulação, conforme Agravo de Instrumento (efls.588/596). (xiv) Contra o redirecionamento, o. Sr. RONALDO SOUSA MOREIRA, em 21/11/2012, apresentou objeção ou exceção de préexecutividade, alegando prescrição intercorrente (efls. 602/607). (xv) Em 25/07/2014, Decisão do Juízo Federal da 2º Vara Subseção Judiciária de Santarém/PA excluiu o Sr. RONALDO SOUSA MOREIRA do pólo passivo da execução fiscal pela ocorrência da prescrição intercorrente (redirecionamento não cabível da execução, após sete anos do ajuizamento da ação de execução) (efls. 610/612). (xvi) Em 20/08/2014, a PFN acostou petição nos autos do Processo de Execução Fiscal, chamando o feito à ordem, providência de ordem pública, em face da Súmula Vinculante nº 21 do STF, a qual afeta diretamente os autos do processo de execução e demanda solução diversa da exarada pelo Juízo de 1º grau, pois o Recurso Voluntário do responsável pelo crédito tributário, Sr. RONALDO SOUSA MOREIRA, que foi apresentado tempestivamente ao CC do MF (atual CARF), foi negado seguimento pela autoridade fiscal local (preparadora do processo), por falta de recolhimento do então exigido depósito de 30% do valor do crédito tributário lançado de ofício. Que última manifestação da União nos autos se deu em 14/09/2007 (fls. 74/76). Que, em face da Súmula Vinculante nº 21 do STF, cabível o cancelamento da inscrição em dívida ativa, retorno do processo administrativo ao CARF para correto juízo de admissibilidade do Recurso Voluntário e que a Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 650 11 distribuição da execução fiscal deve ser declarada nula desde a distribuição, de modo que a ação deve ser extinta sem julgamento do mérito (efls. 614/615) (xvii) Em 05/03/2015, o Juízo Federal da 2ª Vara da Subseção Judiciária de Santarém, por Sentença, declarou extinto o processo de execução fiscal, com fundamento no art. 26 da Lei 6.830/80 e art. 267, VI, do CPC, mas condenou a União ao pagamento de honorários advocatícios no valor de R$ 10 (dez) mil, nos termos do § 4º do art. 20 do CPC, pois a desistência da ação de execução fiscal ocorreu após apresentação de exceção de préexecutividade (teve intervenção de advogado da parte ex adversa) (efls. 623/625). (xix) Em 27/03/2015, consta dos autos que a PFN, de forma expressa, não recorreu da condenação dos honorários advocatícios, com a seguinte fundamentação: (...) Fundamento da não interposição de recurso: Considerando a obrigatoriedade desta representação judicial, decorrente dos efeitos da Súmula Vinculante n° 21, do STF, em proceder ao cancelamento da inscrição em dívida, para retorno do processo administrativo ao órgão público federal competente para o correto juízo de admissibilidade do recurso administrativo do contribuinte, foi apontado que a execução se apresentava nula desde a distribuição, de modo que deveria ser extinta sem julgamento do mérito, o que de fato veio a ocorrer, conforme sentença de fls. 167/168verso dos autos, na qual houve condenação ao pagamento de honorários no valor de R$ 10.000,00, cm razão do anterior ingresso de advogados dos executados. Registrese que o valor não se encontra excessivo considerando que o montante das CDA's executadas representava R$ 1.437.116,93, aplicandose, portanto, a dispensa de contestar e recorrer do tema conforme Item 1.20a) acima indicado (...) É o relatório. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 651 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA, responsável pessoal pelo crédito tributário, é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Por isso, conheço do recurso. A lide objeto dos autos versa acerca da imputação pelo Fisco da responsabilidade tributária pessoal do Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA pelo crédito tributário objeto dos autos, por ser o real titular, proprietário de fato, da firma individual Moacy P. da Silva. O recorrente argumentou, nas razões do recurso, que a imputação da responsabilidade pessoal pela obrigação tributária, que lhe fizera o fisco, não deve prosperar, uma vez que não fora amplamente investigada pela Fiscalização da RFB a situação financeira e econômica do Sr. Moacy Pereira da Silva, tanto na pessoa física, quanto na firma individual Moacy P. da Silva. Por isso, requer a conversão do julgamento em diligência para apuração de bens em nome da pessoa jurídica (firma individual) e do seu titular pessoa física (titular de direito). A irresignação do recorrente não merece guarida. Os fatos estão sobejamente apurados, demonstrados e comprovados nos autos, sendo suficientes as provas que constam dos autos para julgamento do mérito da lide. Sendo assim, é desnecessária a realização de diligência, pois todas as provas já constam dos autos. A intenção do recorrente, no caso, tem caráter meramente protelatório, ou seja, busca adiar, procrastinar, o pagamento do crédito tributário. O Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA é o proprietário de fato e administrador de fato da firma individual Moacy P. da Silva. O Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA abriu a empresa, firma individual, Moacy P. da Silva em nome de "laranja" para burlar a Fazenda Nacional, ou seja, utilizou o Sr. Moacy Pereira da Silva como interposta pessoa para esconderse do fisco, para subtrairse ilegalmente do pagamento de tributos federais. Isso está demonstrado e comprovado sobejamente, de forma cristalina, clareza meridiana, nos presentes autos. Veja. Primeiro, aqui cabe transcrever o depoimento espontâneo do Sr. Moacy Pereira da Silva, colhido pelo Delegado da RFB em Santarém/PA, em 14/05/1997 (efls. 09/10), in verbis: Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 652 13 (...) TERMO DE ESCLARECIMENTO Aos quatorze dias do mês de maio de 1997, perante o Delegado da Receita Federal em Santarém/PA, atendendo ao convite formulado pelo r. Delegado, compareceu de forma livre e expontânea, o Sr. MOACY PEREIRA DA SILVA, portador da cédula de identidade RG. 1480687 SEGUP/PA, CPF 232.162.63215, residente e domiciliado à Rua Salvação, S/Nº Liberade nesta cidade, acompanhado de sua genitora a senhora MARIA DAS DORES E SILVA, portadora do RG 110.420 residente à Av. Cuiabá 708 Bairro Matinha nesta cidade, para prestar esclarecimentos a respeito da abertura, atividades comerciais e tributárias da empresa MOACY P. DA SILVA CGC 83.570.192/000107 estabelecida à Travessa Moraes Sarmento Nº 183 Centro Santarém PA. Perguntado pelo Delegado da Receita Federal se o senhor Moacy era o legítimo proprietário da empresa MOACY P. DA SILVA, este respondeu QUE, trabalhava com o comerciante RONALDO DE SOUSA MOREIRA no Supermercado Ideal e que este ao desativar o referido Supermercado, demitiu os funcionários, selecionando alguns para continuarem trabalhando com ele, ocasião em que solicitou documentos pessoais desses funcionários, entre eles, o ora inquirido. Ato contínuo, indagoulhe se havia algum problema em abrir uma firma mercantil em seu nome, haja vista que o Sr. RONALDO MOREIRA iria ofertarlhe a gerência dessa nova empresa, surgindo assim a firma MOACY P. DE SILVA CGC 83.570.192/000107 em seu nome apenas de direito, mas sem nenhuma participação de fato na referida empresa, pois jamais realizou qualquer transação comercial com a mesma. Perguntado pelo Delegado sobre a origem dos recursos financeiros para instalação dessa empresa, respondeu QUE tudo foi providenciado pelo Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA. Perguntado pelo Delegado se o senhor MOACY efetuou alguma movimentação comercial na referida empresa, realizando compras, respondeu QUE após a abertura da empresa MOACY P. DA SILVA, passou a trabalhar como Auxiliar de Escritório na empresa DISTRIBUIDORA LÍDER DA AMAZÔNIA de propriedade do comerciante RONALDO MOREIRA e somente tomou conhecimento que esta empresa estava sendo movimentada por ter visto, de relance, algumas notas fiscais de compras de mercadorias e que jamais efetuou qualquer transação comercial nessa empresa, bem como, nunca assinou qualquer documento ou praticou qualquer ato de gestão na referida. Perguntado pelo Delegado acerca da movimentação da empresa, respondeu QUE acredita que a empresa MOACY P. DA SILVA de sua responsabilidade, era de verdade movimentada pelo comerciante RONALDO MOREIRA, pois certa vez, estava sendo procurado por fiscais da Delegacia Regional da Fazenda Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 653 14 Estadual para prestar esclarecimento sobre um carregamento de açúcar que havia sido adquirido de uma "empresa fantasma" na cidade de Belém e foi orientado pelo próprio comerciante a se esconder e não aparecer. Perguntado pelo Delegado se havia contraído obrigações na compra desse carregamento de açúcar respondeu QUE jamais efetuou qualquer compra em nome da empresa MOACY P. DA SILVA. Perguntado pelo Delegado se Moacy tinha conhecimento de outras firmas constituídas em nome de terceiros pelo comerciante MOREIRA respondeu QUE certa vez verificou, quando digitava notas fiscais no computador, a existência da firma A. PANTOJA em nome do colega de trabalho ANDRE PANTOJA, que trabalha também na empresa DISTRIBUIDORA LÍDER DA AMAZÔNIA como corretor de mercadorias. Indagado sobre a vantagem recebida para abertura dessa empresa, esclareceu QUE o senhor MOREIRA havia lhe prometido dar a gerência da empresa para que administrasse, promessa que jamais se concretizou, pois continua trabalhando no mesmo cargo na Distribuidora Líder da Amazônia de propriedade do referido comerciante. Perguntado pelo Delegado se alguma vez tomou conhecimento que o comerciante RONALDO MOREIRA realizou pedido de compra de mercadoria em nome da empresa MOACY P. DA SILVA respondeu QUE diversas vezes viu e presenciou o senhor MOREIRA efetuando pedidos de compra de mercadoria em nome da empresa MOACY P. DA SILVA, sem qualquer consentimento de sua parte (...) Nesse sentido também a decisão a quo da DRJ/Belém que manteve o lançamento fiscal e a sujeição passiva (responsabilidade tributária pessoal) do Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA (efls. 433/436), cuja fundamentação, nessa parte, transcrevo: (...) FUNDAMENTAÇÃO 7.Com referência ao arbitramento de lucro, não houve contestação. Insurgese o Sr. Ronaldo da Silva Moreira com o crédito contra si lavrado justificando ser parte passiva ilegítima, uma vez que nenhuma relação tem com a empresa Moacy P. da Silva. 8. No 'Termo de Esclarecimento" de fls. 07/08. o Sr. Moacy P. da Silva assegura que era funcionário de Ronaldo da Silva Moreira e que a empresa aberta em seu nome não lhe pertencia, era na realidade do seu patrão. Confirmando o fato há o relatório de fls. 09/17 do Delegado da Polícia Federal em SantarémPA. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 654 15 Ademais, em nenhum momento o interessado desmentiu o depoente. 9. Evidenciando a intenção do notificado de não cumprir com as obrigações tributárias a que estão sujeitas as sociedades comerciais, há ainda as declarações de Andrelino Pantoja Ferreira, fls. 385/387 e 191/396. utilizado, da mesma forma, como "laranja" na empresa Líder Comércio Ltda. 10. Para ratificar a responsabilidade do notificado, observase que o número do telefone que consta nas notas fiscais de fls. 213/227, como sendo da empresa Moacir P. da Silva, é 5221090. De acordo com o catálogo telefônico de Santarém, fls. 397, essa linha é de propriedade de Ronaldo Moreira. Sobre este fato apontado pelo diligenciador, fls. 383, o impugnante mantevese silente. 11. Fica demonstrado que Ronaldo Moreira operava comercialmente sob o nome da pessoa jurídica constituída em nome do "laranja" Moacy, este sem nenhuma condição financeira para a constituição da empresa. (...). 12. Relativamente aos argumentos expendidos pelo notificado na petição inicial de fls. 366/372, para refutar a responsabilidade tributária que lhe foi imputada, fazse oportuno ressaltar que os autos de infração lavrados contra a firma MOACY P. DA SILVA formalizam o lançamento, constituindo o crédito tributário, cujo recolhimento está sendo exigido do requerente, qualificado na ação fiscal como responsável de fato pela empresa, de acordo com a notificação de fls. 364/365. 13. Sobre a falta de citação do enquadramento legal da transferência de sujeição passiva, a lacuna não impediu que o notificado identificasse o dispositivo regulador da acusação, ao argüir que não se enquadra em nenhum caso dos artigos 128 a 135 da Lei n. 5.172/66, que tratam da responsabilidade tributária. 14. Dispõe o art. 135 do CTN: ART. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 15.Assim, não cabem as alegações de que a notificação de lançamento tem cunho pessoal, já que não atende a nenhum artigo pela responsabilidade do crédito tributário (arts. 128, 129, 130, 131, 132. 133, 134 e 135 do CTN), (...). Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 655 16 16.O lançamento foi feito no nome da pessoa jurídica, contudo a exigência do cumprimento da obrigação tributária esta sendo feita diretamente na figura do responsável, ex vi do disposto no art. 135, III, do CTN. 17.Em vista do exposto e tudo mais que dos autos consta, o lançamento deve ser mantido em sua totalidade. Quanto ao tributos e contribuições lançados por decorrência, diante da íntima relação de causa e efeito que os unem ao tributo principal (IRPJ), seguem a sorte deste. (...) Cabe ainda transcrever a petição direcionada pela PFN ao Juízo Federal, Vara Única da Subseção Judiciária de SantarémPA, em 14/09/2007, onde demonstra ao juízo que Moacy Pereira da Silva foi utilizado como "laranja" pelo Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA (efls. 583/585), in verbis: (...) Em consulta ao PAF n° 10215.000070/9800, após reclamação pessoal do responsável incluído junto aos procuradores desta Seccional, emergiu o fato de que este, o Sr. MOACY PEREIRA DA SILVA (CPF n° 232.162.63215), figurou no pólo passivo desta dívida tributária como "laranja". Passemos a narrar, em apertada síntese, os fatos informados pelo Sr. Moacy Pereira da Silva na conversa informal com os procuradores desta Seccional: 1º) que ele era empregado do Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA, e a pedido deste assinou alguns documentos para a abertura da firma ora executada; e, 2o) não participava de nenhuma movimentação e, tampouco, recebia frutos relativos às transações da mesma. Após análise dos procedimentos ocorridos no PAF n° 10215.000070/9800, fica transparente a veracidade da narrativa do Sr. Moacy, pois, o mesmo, deveras, serviu apenas como "meio" (constituindo a empresa executada) para a realização de operações financeiras em favor do Sr. Ronaldo Moreira. Notese, ainda, que o endereço da firma executada condiz com o endereço do Sr. Ronaldo Moreira, não sobressaindo nenhum liame com o Sr. Moacy da Silva, utilizado como "laranja" na constituição da mesma, servindo apenas como escudo para as práticas ilegais daquele. Comprovam as cópias das documentações anexadas não se tratar da primeira vez que o Sr. Ronaldo Moreira utilizou o nome de seus empregados para constituição de firmas que seriam administradas por ele. Inclusive, Excelência, tais operacionalizações ilegais foram objeto de investigação por Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 656 17 parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, cujas infrações restaram comprovadas. Por essas e outras razões é que foi decidido administrativamente, respeitados o contraditório e a ampla defesa, que o Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA (CPF n° 016.833.49253), passaria a atuar como sujeito passivo da obrigação tributária, ficando responsável pessoalmente e exclusivamente pelos débitos da execução fiscal ora cobrada, conforme cópia de decisão anexada. Por todo o expendido, a Fazenda Nacional requer: 1) a conversão, no pólo passivo da presente execução, dos responsáveis pela dívida tributária, sendo que para isso deve ser procedida a retirada do Sr. MOACY PEREIRA DA SILVA (CPF n° 232.162.63215) e a inclusão do Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA (CPF nº 016.833.492 53), com base no art. 135, III, do CTN; 2) a liberação de qualquer bem penhorado nestes autos, de propriedade do Sr. Moacy da Silva, inclusive BACENJUD, caso haja; (...) Como demonstrado, restou comprovada nos autos a sujeição passiva pessoal do Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA (CPF n° 016.833.49253), que constituiu a pessoa jurídica, firma individual em tela, em nome de interposta pessoa ("laranja"). Assim, não tem nexo o pedido de diligência para apurar bens em nome da pessoa física Moacy Pereira da Silva ("laranja"), pois o dono de fato, administrador de fato, da firma individual Moacy. P. da Silva é o Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA. Pedido de diligência desproposital, desnecessário, pois as provas suficientes pra resolução da lide já constam dos autos. Ainda, apenas para argumentar, já restou comprovado nos autos a inexistência de bens em nome da firma individual Moacy P. da Silva, constituída em nome de "laranja". Nesse sentido consta da petição da PFN (União Federal), protocolada em 10/10/2001, dirigida ao juízo federal de Santarém (efl. 600), quando pleiteou o arquivamento do feito por inexistência de bens em nome da firma individual Moacy P. da Silva perante o Registro Imobiliário e no Sistema RENAVAN, in verbis: (...) UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL), por seu Procurador Judicial ao fim assinado, vem respeitosamente perante V. Exa. requerer o arquivamento do feito, nos termos do art. 40, § 2o da Lei n° 6.830/80, tendo sido comprovada a não existência de bens perante o Cartório do Registro de Imóveis e Sistema Renavan, conforme telas em anexo, preservandose, no Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 657 18 entanto, em prol da exequente, o direito de requerer o desarquivamento deste processo em ocorrendo as hipóteses do § 3o do art. 40 do referido diploma legal. (...) Por outro lado, foi encontrado em nome da pessoa física Sr. Moacy Pereira da Silva uma poupança na Caixa Econômica Federal CEF, conforme informou à PFN o próprio Sr. Moacy, em 10/08/2007, porém o bloqueio foi indevido pela execução fiscal ajuizada indevidamente (efl. 574), in verbis: (...) Moacy Pereira da Silva, brasileiro, casado, residente na Rua da Salvação, n° 58 bairro Liberdade, cidade de Santarém, Estado do Pará, portador da Cédula de Identidade RG: 1480687 SSP/PA e do CPF: 232.162.63215, vem mui respeitosamente requerer de V. Sa., que se digne a realizar a transferência do débito do processo em referência, da empresa Moacy P. da Silva ME, inscrita no CPNJ n° 83.570.192/0004107, cuja inscrição do CPNJ foi considerada nula, desde o ano de 2002, conforme resta provado no próprio processo, tendo sido considerado responsável pela movimentação legal da empresa o Sr. Ronaldo de Sousa Moreira, sendo que fui usado. Tendo em vista que minha conta poupança n° 3190 013 000006755, agência Caixa Econômica Federal foi bloqueada por determinação judicial em razão de execução fiscal dessa Procuradoria, por este motivo venho perante V.Sa. pedir que peticione o desbloqueio da mesma, uma vez que o CNPJ da empresa foi cancelado e, conseqüentemente, meu CPF não pode ser mais vinculado a mesma. Peço, por fim, que V.Sa, verifique nos autos do processo administrativo que a Delegacia da Receita Federal em Santarém determinou que a cobrança fosse direcionada ao Sr. Ronaldo de Sousa Moreira, não podendo a dívida a mim ser imputada. (...) Como já dito, a busca por bens para penhora da pessoa física Sr. Moacy e da firma individual, para garantir a execução fiscal, restou sem nexo, pois a inscrição do crédito tributário em Dívida Ativa da União foi equivocada (em nome do "laranja"), quando deveria ter sido em nome do proprietário de fato, administrador de fato, Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA, responsável pessoal. Esse erro ou equívoco foi esclarecido no processo de execução fiscal, de forma incontestável, somente após o pedido do Sr. Moacy Pereira da Silva dirigido à PFN para que fosse efetuado o desbloqueio de sua conta poupança na Agência da CEF (pedido já transcrito anteriormente). Na sequência, então a CDA foi cancelada (inscrição indevida de dívida ativa), a União Federal desistiu da ação de execução fiscal, ou seja, a ação de execução foi julgada extinta sem julgamento do mérito pelo Juízo da 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 658 19 de Santarém, Sentença de 05/03/2015, pelo cancelamento da CDA e pela impossibilidade de redirecionamento da execução contra o Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA, responsável pessoal pelo crédito tributário, sem antes oportunizar o julgamento pelo CARF do seu Recurso Voluntário objeto deste PAF, em face da inexistência de óbice (afastamento da necessidade de depósito recursal) pela aplicação da Súmula Vinculante nº 21 do STF, conforme relatório e parte dispositiva da citada decisão da 2ª Vara Federal (efls. 623/626), que transcrevo no que pertinente, in verbis: (...) Intimada para se manifestar, comparece a exequente requerendo a extinção do feito com apoio no art. 26 da Lei n° 6.830/80, antes os termos da Súmula Vinculante n. 21 do STF. Com esse relatório, passo a decidir. Determina o art. 26 da Lei n. 6.830/80 que "Se, antes da decisão de primeira instância, a inscrição de Divida Ativa foi, a qualquer titulo, cancelada, a execução fiscal será extinta, sem qualquer ônus para as partes". (...) Assim, em harmonia com o exposto, declaro extinto o presente executivo fiscal, com fundamento nos arts. 26 da Lei n. 6.830/80 e 267, VI, do CPC. Em atenção ao princípio da causalidade e pelo fato do ingresso de profissional habilitado para a promoção da defesa da parte executada, condeno a União Federal (Fazenda Nacional) ao pagamento de honorários advocatícios, os quais fixo em R$ 10.000,00 (dez mil reais), nos termos dos § 4o do art. 20 do CPC. Por outro lado, deixo de condenar ao pagamento das custas finais, tendo em vista a disposição contida no art. 4o, I, da Lei n. 9.289/96. Desconstituamse eventuais restrições incidentes sobre bens pertencentes à parte executada. (...) Obs: A inscrição do débito em Dívida Ativa da União, emissão do CDA e ajuizamento da ação de execução fiscal deuse equivocadamente. Houve, na verdade, falha anterior ocorrida na unidade de origem da RFB, que obstara a subida do Recurso Voluntário do responsável pessoal ao CARF, pela exigência indevida de depósito recursal, conforme Termo de Perempção (efls. 447/449). Entretanto, a exigência do depósito recursal foi julgada inconstitucional pelo STF, conforme Súmula Vinculante nº 21 STF. Em suma, como já restou sobejamente demonstrado, o crédito tributário objeto dos presentes autos, relativo aos anoscalendário 1994, 1995 e 1996, é de responsabilidade pessoal do Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA, pela utilização de interposta pessoa, firma individual em nome de "laranja" para ludibriar o fisco, furtarse, ou seja, por tentar se eximir indevidamente do pagamento dos tributos federais. O pedido de conversão do julgamento em diligência para apuração de bens em nome da firma individual e da pessoa física (titular de direito), como já dito anteriormente, Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10215.000070/9800 Acórdão n.º 1301003.507 S1C3T1 Fl. 659 20 é desnecessário para resolução da lide, conforme elementos de prova constantes dos autos. O Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA é o responsável pessoal pelo crédito tributário, pois utilizara o nome de seu empregado Sr. Moacy Pereira da Silva para constituição de firma individual como interposta pessoa ("laranja") para ocultar ou esconder seus negócios do fisco federal. A firma individual Moacy P. da Silva, nos anoscalendário 1994, 1995 e 1996, tinha como proprietário de fato e administrador de fato o Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA. Portanto, devese manter a sujeição passiva, responsabilidade pessoal pelo crédito tributário objeto dos autos quanto aos anoscalendário 1994, 1995 e 1996 , do Sr. RONALDO DE SOUSA MOREIRA. Quanto ao mérito os autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS, Contribuição para Seguridade Social e IRRF não foram objeto das razões do recurso, pois sequer foram impugnados na primeira instância. Matéria preclusa. Por tudo que foi exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 659DF CARF MF
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Numero do processo: 13020.000083/2009-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ.
A entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.597
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrente ESCAVACOES VERANENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. A entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 0. 00 00 83 /2 00 9- 97 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 74 2 Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 61) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 55/57), proferida em sessão de 23/02/2012, consubstanciada no Acórdão n.º 10037.032, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (DRJ/POA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (efl. 2) mantendo válido o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício de 2008, anocalendário de 2007 (efl. 21), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DIPJ. Mantémse a multa se não elididos os fatos que lhes deram causa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente de impugnação à notificação de lançamento (fl. 21) relativa à multa por atraso na entrega de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) referente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007, no valor de R$ 500,00, onde consta o seguinte: a) prazo final de entrega fixado em 30/06/2008; b) data da entrega: 10/02/2009; data de vencimento da notificação: 30/03/2009. Enquadramento legal: art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Em sua impugnação (fl. 2), a defesa alega que "DIPJ 1.º semestre/2007 entregue em 23/05/08 por um lapso de nossa parte, constou no campo Situação Especial: Extinção, quando o correto deveria ter sido inclusão no Simples com Efeitos a partir de 01.07.2007". À fl. 52 está o Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 17 de agosto de 2009: Assunto: Cancelamento de declaração O contribuinte em epígrafe, em 12/02/2009, solicitou a impugnação da multa gerada pelo atraso na entrega da DIPJ n.º 1861749, transmitida em 10/02/2009, com o intuito de corrigir informação prestada na declaração n.º 1496527, transmitida em 23/05/2008. Através de pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que a declaração n.º Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 75 3 1496527 incluía erroneamente a informação de extinção no campo "situação especial". Diante do exposto, efetivamos o cancelamento da declaração n.º 1496527. Dêse ciência ao contribuinte deste despacho decisório, entregandolhe cópia. Remetase o presente processo à DRJ/POA/SECOJ para prosseguimento. A notificação de fl. 33 (data de vencimento 09/07/2008) referese à DIPJ entregue em 23/05/2008 (cancelada). No extrato do processo (fl. 45) consta o débito com vencimento em 30/03/2009. Em síntese, a notificação de lançamento em questão (efl. 21) foi lavrada, eletronicamente, em 10/02/2009, na DRF/Caxias do Sul, homologado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil indicado na notificação de lançamento, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: 2 DADOS DA DECLARAÇÃO Exercício: 2008 Anocalendário: 2007 Forma Tributação: Lucro Presumido Prazo Final Entrega: 30/06/2008 Data Entrega: 10/02/2009 N.º de meses em atraso: 08 3 DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Multa por atraso na entrega da declaração Código 5338 Apuração de Crédito Tributário Base de Cálculo da Multa por Atraso na Entrega da Declaração = R$ 559,91 Formula = Soma Trimestres [F14A/(L21 + L22 + L23 + L31)) Percentual Aplicável: 2% x Quantidade de meses/fração de atraso limitado a 20% = 16% Valor da Multa por atraso na entrega da declaração (= multa mínima): R$ 500,00 4 DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Descrição dos fatos Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que tenha sido integralmente pago, reduzida em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais). Enquadramento legal Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, tendo alegado, em suma, que entregou em 23/05/2008 (dentro do prazo) uma DIPJ na qual, por equívoco, constou no campo situação Especial "Extinção", quando o correto deveria ter sido inclusão no Simples, com efeitos a partir de 01/07/2007. Sustenta que, por força do referido equívoco, certamente para corrigilo, veio a transmitir a DIPJ entregue em 10/02/2009, a qual foi objeto da autuação Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 76 4 com a emissão da notificação de lançamento. Ao final da impugnação, pediu o cancelamento do débito fiscal contestado. Todavia, a tese de defesa não foi acolhida pela DRJ. Eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Analisandose a tela referente à relação de declarações processadas na RFB, acostada à fl. 50, verificase que a declaração n.º 1496527, relativa ao exercício de 2007, ano calendário 2007, está na situação "cancelada". A notificação de fl. 21 corresponde à declaração entregue em 10/02/2009 com o intuito de corrigir informação prestada na declaração cancelada, conforme despacho acima transcrito. Vêse que, mesmo admitido o erro do declarante (DIPJ com situação especial extinção), a declaração que corrige informações anteriores, onde consta que não é retificadora (fl. 20), foi entregue fora do prazo fixado (30/06/2008). Ante o exposto, tendo em vista o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 2002, e alterações, voto por considerar improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário exigido na notificação de lançamento. No recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, com outras palavras, reiterou a impugnação. Advogou que não era possível retificar a primeira declaração transmitida (que estava no prazo), face ao erro cometido (preenchimento no campo Situação Especial do termo "Extinção"), tendo, por isso, sido enviada uma nova declaração. Com tal apontamento, requereu o provimento do recurso. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando o juízo de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 77 5 no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 977,70. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 10/03/2012, efls. 58/60, e protocolo recursal em 19/03/2012, efl. 61), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, entendo que não assiste razão a recorrente. De fato, temos em termos de documentos que lastreiam os autos dois conjuntos probatórios de suporte à instrução: de um lado, o recibo de entrega de DIPJ do e fl. 32, datado de 23/05/2008 (o prazo final de entrega regular seria até o dia 31/07/2007), a notificação de lançamento por atraso do efl. 33 e a DIPJ respectiva no efls. 34/41; e, de outro lado, o recibo de entrega de DIPJ do efl. 20, datado de 10/02/2009 (o prazo final de entrega regular seria até o dia 30/06/2008), a notificação de lançamento por atraso do efl. 21 e a DIPJ respectiva no efls. 22/31. A autuação é pela entrega em atraso da DIPJ do efls. 22/31, que tem o respectivo recibo de entrega colacionado no efl. 20 e a notificação de lançamento por atraso no efl. 21. A defesa, em suma, advoga que a DIPJ do efls. 22/31, que tem o respectivo recibo de entrega colacionado no efl. 20, datado de 10/02/2009, e a notificação de lançamento por atraso no efl. 21, seria uma espécie de "retificadora" da primeira DIPJ transmitida, face ao equívoco de preenchimento aplicado naquela primeira declaração e se cuidarem do mesmo anocalendário, 2007. Ocorre que, a primeira declaração também já havia sido entregue em atraso (efls. 32/33), de modo que, ainda que se tratasse de retificadora, o atraso persistiria. De toda sorte, destaquese que a primeira declaração foi cancelada (efl. 50), inclusive afastando a respectiva multa. Noutro prisma, o contribuinte não apontou a segunda declaração como retificadora da primeira, dever acessório que lhe competia. Então, a segunda declaração efetivamente foi apresentada fora do prazo, conforme consta dos autos (efls. 20/21). E, aliás, é esta a cobrança discutida nos autos (unicamente a multa por atraso da segunda declaração). Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 78 6 Destarte, não vejo como infirmar as razões de decidir adotadas pelo Juízo a quo, especialmente quando destaca que: "Vêse que, mesmo admitido o erro do declarante (DIPJ com situação especial extinção), a declaração que corrige informações anteriores, onde consta que não é retificadora (fl. 20), foi entregue fora do prazo fixado (30/06/2008)." Dito isto, importante asseverar que o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com suas alterações posteriores, estabelece a obrigação de entrega da DIPJ no prazo regulamentar, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DIPJ, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). A análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção queda se alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 79 7 Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.012, 1002000.016, 1002000.075, 1002000.077, 1002000.078, 1002000.079, 1002000.080, 1002000.081, 1002000.083, Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 80 8 1002000.090, 1002000.091 e 1002000.104, dentre outros, seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar, na primeira oportunidade que lhe foi deferida, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 81 9 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13020.000083/200997 Acórdão n.º 1002000.597 S1C0T2 Fl. 82 10 Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades da Administração Tributária Federal, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança, logo é possível ficar livre da sanção, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, só eventualmente se é onerado pela multa e isto se deve as próprias escolhas, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, considerando os elementos dos autos, o controle de legalidade exercido não aponta quaisquer incorreções. Logo, os fundamentos levantados pelo recorrente não são capazes de infirmar as razões de decidir da DRJ, pelo que não merece reparos a decisão vergastada. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.004117/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 06/01/2006 a 23/10/2008
AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO.
O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte marítima, caracteriza a infração contida na alínea e, inciso IV, do artigo 107 do decreto-lei n° 37/66.
Numero da decisão: 3302-006.348
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar as multas lançadas correspondentes à prestação de informação inferior ao prazo de sete dias, vencido o Conselheiro Walker Araújo que lhe negava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte marítima, caracteriza a infração contida na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do decretolei n° 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar as multas lançadas correspondentes à prestação de informação inferior ao prazo de sete dias, vencido o Conselheiro Walker Araújo que lhe negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 41 17 /2 01 0- 72 Fl. 568DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação: O presente processo trata de auto de infração por descumprimento de obrigação de prestação da informação dos dados de embarque de carga embarcada ao exterior. Valor total da autuação R$ 1.015.000,00. Intimada, ingressou a contribuinte com impugnação de folhas 448469. Seguem argumentos. Argüi a ilegitimidade passiva por ser a mesma uma agente de navegação, sendo que o sujeito passivo da infração é o transportador das cargas, não podendo o agente (mandatário) ser penalizado por obrigações imputáveis ao transportador (mandante). Alega atipicidade da conduta. Não houve ausência de prestação de informação, que é o tipo infracional objeto da autuação fiscal, e sim informação fora do prazo. Além disso, a suposta conduta atribuída à impugnante não existiu uma que, à época dos fatos geradores vigorava a antiga redação do artigo 37 da Instrução Normativa SRF no 28, de 27 de abril de 1994, a qual estabelecia que o registro dos dados das mercadorias no Siscomex deveria ocorrer imediatamente após o embarque das mercadorias. Não havia definição sobre o alcance do termo "imediatamente", nem prazo definido para o respectivo registro. Tal situação só foi regularizada após 15/02/2005, com a publicação no DOU da Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, que alterou várias disposições da Instrução Normativa no 28/94. Ainda que, eventual informação tenha sido adicionada posteriormente, configura denúncia espontânea o registro no Siscomex de dados relativos a um transporte marítimo, ainda que fora do prazo desde que anterior à lavratura do auto de infração. Argumenta a decadência do crédito tributário. Alega a inexistência de prejuízo ao Erário. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 3 3 Defende a aplicação do princípio da razoabilidade, e, com base no na SCI Cosit n° 08/2008, afirma que a multa deve ser aplicada somente uma única vez (R$ 5.000,00) independe da quantidade de navios. Solicita a improcedência ou a nulidade do auto de infração. Alternativamente requer a redução do valor da multa para R$ 5.000,00. Ao final, a unidade de origem encaminhou o processo para julgamento. Em 24 de agosto de 2012, através do Acórdão de Impugnação n° 0729.785, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü Conforme se observa no texto legal acima, a infração se configura tanto pela não informação como pela informação fora do prazo e da forma estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Assim, o fato de a informação haver sido prestada em atraso, em vez de simplesmente não prestada, não afasta a configuração da infração; ü E, á época do fato gerador da suposta infração (janeiro de 2006 a outubro de 2008), a Receita Federal estabelecera a forma e o prazo para a prestação das informações dos dados de embarque no artigo 37 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 28/1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005; ü Não há ilegitimidade passiva da agência marítima; ü Em sua impugnação, a empresa autuada utiliza uma argumentação muito comum em processos de vistoria aduaneira: a ilegitimidade passiva do agente marítimo. Todavia, se tal argumentação é indevida em processos de vistoria aduaneira, por maior razão será indevida em processos de registro de dados de embarque; ü Não há que se falar em nulidade por ausência de descrição do fato pelo fato de os dados relativos à infração estarem organizados e demonstrados em tabela que acompanha a autuação fiscal; ü A impugnante não cumpre o ônus de demonstrar a irregularidade na intimação fiscal. Ademais, mesmo que fosse correta a alegação da impugnante de que a tabela organizadora não estava presente na intimação fiscal a ela endereçada, poderia a mesma consultar o processo na repartição pública. Ademais, por ser processo digital, tal acesso poderia ser efetuado pela impugnante em seu domicílio ou por seu causídico em seu escritório; ü Por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, a penalidade independe do efetivo prejuízo ao Erário. Além disso, a Fl. 570DF CARF MF 4 responsabilidade aduaneira/tributária independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (prejuízo ao Fisco), nos termos do artigo 94, §2°, do Decretolei n° 37/66 e 136 do CTN; ü Enganase a impugnante na interpretação do texto da SCI Cosit n° 008/2008 haja vista que a mesma determina a aplicação da multa de R$ 5.000,00 pelo atraso na prestação dos dados de embarque por cada navio transportador, e não uma única vez independente da quantidade de navios. Se prevalecesse a interpretação da impugnante, uma vez que a mesma atrasou a prestação da informação do primeiro navio do presente auto de infração (embarque em janeiro de 2006), a mesma nunca mais se interessaria em prestar as informações dos dados de embarque, sendo que o último navio do presente autuação fiscal é em mais de dois anos posterior (outubro de 2008); ü A impugnante já foi beneficiada pela edição da SCI Cosit n° 08/2008 haja vista que, se não fosse a mesma, a impugnante teria sido autuada em valor muito maior haja vista que em um mesmo navio são embarcadas mercadorias de centenas de Declarações de importação, o que aumentaria muito o montante da autuação fiscal. A empresa MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA teve ciência do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 03/10/2012 (folhas 509). A empresa MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA ingressou com Recurso Voluntário em 29/10/2012, às folhas 511. Foi alegado, em resumo: ü Ilegitimidade passiva; ü Vício formal no Auto de Infração – Nulidade; ü Da não caracterização da infração imposta; ü Denúncia Espontânea. Requerimento Final Diante do exposto, espera a Recorrente que seja o presente recurso recebido para fins de que lhe seja dado provimento para que a infração discutida seja anulada em face das preliminares aventadas, ou seja julgada insubsistente em razão dos ' argumentos acima esboçados, cancelandose a multa exigida, determinandose o arquivamento deste processo. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 4 5 Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, pessoalmente, em 03 de outubro de 2011, folhas 509. A empresa MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA ingressou com Recurso Voluntário, em 29 de outubro de 2011, folhas 511. O Recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü Ilegitimidade passiva; ü Vício formal no Auto de Infração – Nulidade; ü Da não caracterização da infração imposta; ü Denúncia Espontânea. Passase à análise. ILEGITIMIDADE PASSIVA Preliminarmente, alega a impugnante ser parte ilegítima, uma vez que, na qualidade de agente de navegação, na condição, pois, de mera mandatária do transportador marítimo, não deve ser responsabilizada pelos atos praticados pelo transportador. Todavia, dispositivos normativos a respeito encontramse prescritos no artigo 2o da IN RFB nº 800/2007, dessa forma: ° IN RFB nº 800/2007 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: (...) § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (...) IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas " a" e " b" , responsável pela consolidação da carga na origem; Fl. 572DF CARF MF 6 d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas " a" e " b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (grifamos) Dessa forma, ao contrário do entendimento esposado pela Impugnante, o agente marítimo, além de ser o representante do transportador estrangeiro no País, encontrase classificado, também, nos termos do art. 2º, § 1º, inciso IV, da IN RFB nº 800/2007, como uma espécie do gênero transportador, sendo, pois, responsável com este em eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. No âmbito das infrações aduaneiras, observase que a responsabilidade está expressamente prevista o art. 95 do Decretolei nº 37/1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; Assim, por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. Atentese ainda para inciso II do art. 95 do Decretolei nº 37/1966 (acima transcrito) c/c artigo 32, inciso I, parágrafo único, alínea “b” do mesmo diploma legal, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, que tratam expressamente da responsabilidade do transportador e, sendo este estrangeiro, prevêem a responsabilidade solidária de seu representante no País: Art. 32 – É responsável pelo imposto: I – o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II – (...) Parágrafo único – É responsável solidário: a) (...); b) o representante, no País, do transportador estrangeiro. (Grifo e negrito nossos) Inferese, portanto, que a lei designou como responsável solidário o representante no País do transportador estrangeiro. Estabelecidos os pressupostos legais quanto ao instituto da responsabilidade solidária, cabe, a seguir, a análise quanto à responsabilidade do agente marítimo. Observase que, ao aludir à figura do “representante”, a lei não restringe seu conteúdo ao contrato de representação comercial stricto sensu, tal como previsto na comercial, Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 5 7 mas denota a pessoa que atua por ordem e no interesse do transportador perante as autoridades aduaneiras, praticando atos que, dentre outras finalidades, têm estrita relação com controle aduaneiro do veículo e da carga. Assim, incabível restringir a interpretação da lei tributária, sob a ótica dos institutos de direito privado, relativos a contrato de agenciamento e de representação, na pretensão de definir os efeitos tributários, devendose atentar para o aspecto teleológico da norma. A responsabilidade tributária é disciplinada por diploma legal específico, sendo descabido aplicar legislação de direito privado quando existem leis específicas que regem a matéria, pois, é preceito de hermenêutica que a norma especial prevalece sobre a norma geral. Nesse sentido, cabe destacar os ensinamentos doutrinários de Samir Keedi sobre agência marítima: É a empresa que representa o armador em determinado país, estado, cidade ou porto, fazendo a ligação entre este e o usuário do navio. Não é comum o contato do usuário com o armador, diretamente, sendo esta função exercida pelo Agente Marítimo. Entre as importantes atividades de uma Agência Marítima está o angariamento de carga para o espaço do navio e o controle das operações de carga e descarga. O contrato de prestação de serviços costuma incluir a administração do navio, recebimento e remessa do valor do frete ao armador, representação do navio e do armador junto às autoridades portuárias e governamentais, etc., e o atendimento aos clientes. (Keedi, Samir. Transportes e seguros no Comércio Exterior,2ª ed., São Paulo: Aduaneiras, 2003) (destaquei) Diante de abalizada doutrina, podese constatar que o comércio marítimo impõe a necessidade de os armadores possuírem em cada porto um representante, com conhecimento em diversas áreas comerciais e jurídicas, para atuar na prática de determinados atos de interesse daqueles, agindo, portanto, como representante do armador. Assim, o Agente Marítimo é o elo na cadeia de comunicação entre o Armador e as demais pessoas que interagem com o navio quando este chega a um Porto Nacional. Com efeito, sabese que o agente marítimo atua efetivamente como representante do transportador em determinado porto, perante as autoridades governamentais e portuárias. Sua missão é assumir o gerenciamento e essa administração envolve múltiplas ações e serviços, incluindo documentação da embarcação e da carga, controles de origem fiscal, recolhimento de tributos, contato com as autoridades, contratação de serviços, tais como, praticagem, rebocadores e lanchas, providências para agendamento da inspeção do navio pelos órgãos competentes (Saúde dos Portos, Polícia Federal e Receita Federal), além de comunicação constante com o operador portuário (responsável pela carga/descarga), entre outros. Considerandose assim as funções exercidas pelo Agente Marítimo, esclareçase ainda que a expressão “representante, no País, do transportador estrangeiro” não tem o significado de representante em todo o território nacional, mas sim de representante no Brasil, podendo este ser nacional ou local. Concluise, portanto, que o transportador estrangeiro de grande porte pode ter um representante em âmbito nacional, sendo usual é que tenha “representantes” locais em cada porto, que são os Agentes Marítimos. Fl. 574DF CARF MF 8 No entanto, em quaisquer das duas hipóteses acima se tem a responsabilidade solidária, conforme dispôs o art. 32 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo art. 1º do DecretoLei nº 2.472/88. O agente marítimo, por atuar como representante do transportador no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Ademais, o representante do transportador estrangeiro firma um Termo de Responsabilidade perante a Aduana, em que declara essa sua condição, evidenciando assim sua responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos, multas e outras obrigações em que incorrer o transportador. Neste ponto, ressaltese que o Termo de Responsabilidade tem amparo legal, estando expressamente previsto no art. 39, §§ 2º e 3º, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decreto nº 2.472/1988: Art. 39 – (...) (...) § 2º O veículo responde pelos débitos fiscais, inclusive os decorrentes de multas aplicadas aos transportadores da carga ou a seus condutores. § 3º O veículo poderá ser liberado, antes da conferência final do manifesto, mediante termo de responsabilidade firmado pelo representante do transportador, no País, quanto aos tributos, multas e demais obrigações que venham a ser apuradas. (Grifo e negrito nossos) Portanto, conforme disposição legal acima, quando o agente marítimo assina o termo de responsabilidade perante Alfândega, o faz na qualidade de representante do transportador. Amparado no citado termo, a empresa atua efetivamente em nome transportador, praticando atos durante o despacho. A jurisprudência tem reconhecido a responsabilidade do agente marítimo, firmando o entendimento de que a Súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, publicada em 1985, foi superada com o advento do Decretolei nº 2.472, de 1988. O Egrégio Conselho de Contribuintes corrobora com o entendimento acima esposado, havendo, ainda, decisões judiciais neste sentido, conforme evidenciam as ementas a seguir transcritas: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Inaplicável, na espécie sob julgamento, a Súmula n. 192 do TFR, esta superada pela edição do DecretoLei n. 2.472/88. (Acórdão nº 30328571, Terceira Câmara, Recurso nº: 118229, Data da Sessão: 25/02/1997) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VISTORIA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO COMO REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO Apurada avaria e falta de mercadoria é responsável pelo tributo e multas o representante do transportador estrangeiro. Inaplicabilidade, no caso, das cláusulas STC (Said to Contain). (Acórdão nº 30128239, Primeira Câmara, Recurso nº: 118200 Data da Sessão: 13/11/1996) PROCESSUAL E TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CONHECIDA. DEPOSITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPORTAÇÃO. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 6 9 EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE FISCAL DO AGENTE MARÍTIMO. SUMULA 192 DO EXTFR. INAPLICABILIDADE. FATO GERADOR. O AGENTE MARÍTIMO, QUANDO NO EXERCÍCIO EXCLUSIVO DAS ATRIBUIÇÕES PRÓPRIAS, NÃO E CONSIDERÁVEL TRIBUTÁRIO, NEM SE EQUIPARA AO TRANSPORTADOR PARA EFEITOS DO DECRETOLEI 37, DE 1966.' (SUMULA 192/ TFR). NÃO SE APLICA O ENTENDIMENTO SUMULADO QUANDO O AGENTE MARÍTIMO ASSINA TERMO DE RESPONSABILIDADE EQUIPARANDOSE AO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. (...) APELAÇÕES E REMESSA IMPROVIDAS. (negritei). (ACÓRDÃO AC 9618/PE, Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Processo nº 91.05.034353, Órgão Julgador: Primeira Turma, Relator: Desembargador Federal CASTRO MEIRA, Data Julgamento: 05/09/1991) Não prospera a tese de que a autuação ofende o artigo 5º, inciso XLV, da Constituição Federal (“nenhuma pena passará da pessoa do condenado”), empregado, por analogia, à penalidade administrativa, pois, diante da legislação de regência, concluise que a multa está sendo aplicada à pessoa designada em lei para responder pela infração, não cabendo falar em cominação de pena transpassando a pessoa responsável. Por fim, o §1º do artigo 37 do DecretoLei n° 37/66 põe uma pá de cal na testilha: § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) VÍCIO FORMAL NO AUTO DE INFRAÇÃO – NULIDADE A questão primaz que deve ser enfrentada em todo o auto de infração relacionado à exigência fiscal é saber quais os motivos invocados pela fiscalização. A impugnação é calcada na alegação de que em momento algum a fiscalização na confecção do auto de infração destacouse quais os motivos que ensejaram a autuação empreendida pela fiscalização. Mais especificamente: Que fatos motivaram a ação fiscal. O artigo 50 da Lei 9784/99 assim dispõe: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... Fl. 576DF CARF MF 10 II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; Uma decisão judicial sem fundamentação é nula. Pelo principio da fundamentação, o juiz é obrigado a basear a sua sentença, dizendo quais as razões que levaramno a decidir daquela maneira. Ele precisa expor a base legal, dizer quais as provas consideradas e porque, ou se for o caso, que analogia ou que costume considerou. A motivação visa balizar a imparcialidade do juiz, para que ele não tome decisões com o simples fim de favorecer uma das partes, e é importantíssima para o Estado de Direito Outra não é a sorte de uma decisão administrativa. O juiz e o julgador devem demonstrar as ilações de que se valeram para atingir a sua decisão. Tal qual o juiz, o julgador, aquele que é competente para analisar a legalidade da ação fiscal, deve demonstrar os pressupostos fáticos que autorizaram que a fiscalização procedesse com o lançamento tributário. Se o direito é uno, todos aqueles que se valem do direito para impingir obrigações ao particular pautadas em Lei, devem demonstrar, através da motivação, porque a Lei se aplicou ao caso concreto. A respeito da obrigação ao princípio da motivação por parte do administrador, ensina o Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello: Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo. A motivação há de ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. Em algumas hipóteses de atos vinculados, isto é, naqueles em que há aplicação quase automática da lei, por não existir campo para interferência de juízos subjetivos do administrador, a simples menção do fato e da regra de Direito aplicada pode ser suficiente, por estar implícita a motivação. Naquele outros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de acurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Discricionariedade e controle jurisdicional. 2ª ed., SP, Malheiros, 2006 pg. 380.) O motivo, como esclarece DIOGENES GASPARINI, "é a circunstância de fato ou de direito que autoriza ou impõe ao agente público a prática do ato administrativo". A motivação pode ou não estar na lei, mas sempre deve ser evidenciada no ato administrativo, também sob pena de nulidade. (GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 61) A motivação da decisão denegatória permite ao particular, não apenas avaliar se houve erro por parte do servidor, se o próprio particular não cumpriu determinado requisito, Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 7 11 mas sobretudo saber sobre qual ponto irá recorrer administrativamente, ou mesmo sobre o quê irá propor ação judicial. Oportuna são as palavras do Prof. Antônio Carlos de Araújo Cintra, quanto à exigibilidade da motivação para os atos administrativos: A explicitação da motivação do ato administrativo é exigência que vem se firmando progressivamente, tendose em conta o exercício do controle aplicável à atividade da Administração Pública, não apenas na intimidade da sua própria organização e por sua própria iniciativa (autocontrole), mas também através da atividade jurisdicional, que lhe é externa e superior. A explicitação dos motivos do ato administrativo permite controlar o subjetivismo do agente e também atende à exigência da demonstração de boafé que deve presidir as relações da Administração Pública com os administrados. Além disto, a fundamentação explícita do ato serve ainda de justificação de sua iniciativa, máxime quanto aos atos que veiculam restrição de direitos, os quais devem sempre trazer adequados e completos fundamentos, como leciona (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo. Motivo e motivação do Ato Administrativo. RT, São Paulo, 1979, p. 110) Hugo de Brito Machado assim explicita o papel da fundamentação na decisão administrativa e sua importância para o particular na persecução do seu direito: Também em se tratando de decisão administrativa, é inegável que a fundamentação está diretamente relacionada com o direito do interessado de influir na formação do convencimento, seja da autoridade administrativa superior, competente para apreciar o recurso cabível no caso, seja do Juiz, ao qual for submetida a pretensão de controle de validade daquela decisão administrativa. (MACHADO, Hugo de Brito, Motivação dos atos administrativos e o interesse Público. Revista AJUFE. Estudos em Homenagem a Jesus Costa Lima e Hugo de Brito Machado. Fortaleza. Ceará, 1999, p.212) A motivação serve não apenas como prestação de contas da administração frente ao particular, mas sobretudo para que todos os cidadãos saibam que tal decisão não foi oriunda de ato arbitrário, mas sim derivado e embasado na lei. Claras são as palavras do Mestre em Direito Administrativo Prof. Hely Lopes Meirelles ao discorrer sobre a obrigatoriedade de embasamento legal na fundamentação das decisões administrativas: No Direito Público, o que há de menos relevante é a vontade do administrador. Seus desejos, suas ambições, seus programas, seus atos não têm eficácia administrativa, nem validade jurídica, se não estiverem alicerçados no Direito e na Lei. Não é a chancela da autoridade que valida o ato e o torna respeitável e Fl. 578DF CARF MF 12 obrigatório. É a legalidade a pedra de toque de todo ato administrativo. Ora, se ninguém é obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, claro está que todo ato do Poder Público deve trazer consigo a demonstração de sua base legal. Assim como todo cidadão, para ser acolhido na sociedade, há de provar sua identidade, o ato administrativo, para ser bem recebido pelos cidadãos, deve patentear sua legalidade, vale dizer, sua identidade com a lei. (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 29ª ed. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 98) A autuação empreendida pela ação fiscal, ato de incoação do processo, é de suma importância para a atuação jurisdicional, pois com ela tanto se fixa a relação entre as partes como delimita a atividade do julgador. A impugnação, instituto que remonta ao direito natural, implica a oposição à demanda, mediante apresentação de argumentos fáticos e jurídicos, processuais e de mérito, visando obstar a ação fiscal. Princípios constitucionais basilares que devem permear a impugnação são o contraditório e a ampla defesa. O contraditório é o exercício da dialética processual, plasmada a partir da pretensão deduzida no Auto de Infração, peça inaugural do Processo Administrativo Fiscal. Tratase de princípio constitucional do processo, cujo escopo é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A impugnação da pretensão varia, em sua forma bilateral, de acordo com o interesse ou direito que se pretende resguardar ou obter. O contraditório implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos. O processo é marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Essa regra de equilíbrio decorre do denominado princípio da igualdade das partes, tão importante para o embate processual quanto qualquer um dos demais princípios orientadores do processo. A ampla defesa representa garantia constitucional prevista no art. 5.º, inciso LV, da Constituição Federal. Sua concepção possui fundamento legal no direito ao contraditório, segundo o qual ninguém pode ser condenado sem ser ouvido. Por força do que foi enunciado, não seria demasiado dizer que a ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, seu epifenômeno, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Vislumbro que os três princípios constitucionais aqui citados foram respeitados. Explico: O fato que ensejou a lavratura do Auto de Infração é certo e definido no seu corpo, às folhas 05 do processo digital: Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 8 13 Em procedimento de auditoria efetuada no SISCOMEX, relativa aos despachos de exportação registrados durante o ano de 2.006, verificamos que o autuado em epígrafe informou o embarque de mercadorias fora do prazo estabelecido pela RFB conforme relação anexa ao presente Auto. Deste modo foram retiradas as telas dos despachos que poderiam ensejar a aplicação da multa em comento, referente aos despachos relacionados na planilha, conforme abaixo descrito. Os dados constantes na planilha provêm do SISCOMEX Exportação e especial atenção deve ser dispensada ao cotejo entre a data do embarque informada pelo transportador e a data em que as informações relativas ao embarque foram registradas no SISCOMEX. Esta segunda data o sistema armazena automaticamente para controle e pode ser checada na função de consulta ao histórico de registros relativos ao despacho de exportação. As telas impressas do SISCOMEX contendo os dados de embarque das mercadorias (inclusive a data do embarque) e os históricos dos despachos de exportação (onde consta a data em que os dados de embarque foram registrados no sistema) encontramse igualmente anexadas ao processo. Na planilha contendo o nome da embarcação consta apenas um dos despachos de exportação em que o autuado teria informado os dados de embarque após o prazo, caracterizando a infração. Por oportuno, ressaltese, é entendimento desta aduana que a infração deva ser aplicada uma vez por transportador e por veículo, sendo irrelevante o número de despachos de exportação que tiveram seus dados informados após o prazo, nos termos da legislação, em cada embarque. Basta uma informação fora do prazo para configurar a infração. No caso em pauta podería caracterizarse o embaraço à fiscalização aduaneira uma vez que a informação do embarque das mercadorias é essencial para a averbação do respectivo despacho de exportação. Quando informado pelo transportador o embarque temse a confirmação de que determinada mercadoria desembaraçada pela SRFB efetivamente foi exportada, em outras palavras, fica confirmada a sua saída física do território nacional. A averbação é o ato final do despacho de exportação. Outro aspecto que reforça a importância do registro dos dados de embarque para fiscalização aduaneira é que as quantidades exportadas das mercadorias serão definidas, em regra, pelas quantidades que o transportador informou que recebeu a bordo de seu veículo. Desta forma o conhecimento de carga emitido pelo transportador é o principal documento que instrui o despacho de exportação, e a informação dos dados que ele contém, no SISCOMEX, é de fundamental importância para o completo e correto controle da operação de exportação. Fl. 580DF CARF MF 14 Esse é o entendimento disposto nos artigos 46 e 51 da IN SRF N° 28/94: A Recorrente teve clara ciência do teor da ação fiscal e dos atos normativos invocados no corpo do Auto de Infração que apontam para a prática de irregularidades nas operações de comércio exterior. DISPOSITIVO LEGAL. TIPICIDADE. A Constituição Federal, em seu art. 237, estabelece: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais ez defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. O caput do art. 33 do DecretoLei n° 37/66 dita que a jurisdição dos serviços aduaneiros se estende por todo o território aduaneiro. O art. 2° do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009 dispõe que o território aduaneiro compreende todo o território nacional. O art. 17 do mesmo Regulamento dispõe: Art. 17. Nas areas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, bem como em outras áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de viajante, procedentes do exterior ou a ele destinados, a administração aduaneira tem precedência sobre os demais órgãos que ali exerçam suas atribuições (DecretoLei no 37, de 1966, art. 35). § lo A precedência de que tratao caput implica: (...) II a competência da administracão aduaneira, sem prejuízo das atribuições de outros órgtãos, para disciplinar a entrada , a permanência, a movimentacão e a saída de pessoas, velculos , unidades de carga e mercadorias nos locais referidos no caput, no que interessar a Fazenda Nacional. Sendo assim, incumbe ao Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização e o controle da entrada e saída de mercadorias, cargas, unidades de cargas No território aduaneiro. O DecretoLei n° 37/66 estabelece que o controle de veículos, mercadorias, animais e pessoas, na zona primária, será disciplinada em Regulamento (art. 34, inciso Ill), bem como estabelecerá a s normas de disciplina aduaneira a que ficam obrigados os veículos, seus tripulantes e passageiros na zona primária, ou quando sujeitos fiscalização (art. 38). Determina, ainda, que o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado (art. 37, caput, com a redação da Lei n° 10.833/03). Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/09, prevê que o controle aduaneiro do veiculo será exercido desde o seu ingresso no território Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 9 15 aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes (art. 26, § 1°). Em seu art. 39, caput, encontrase a determinação de que é livre, no Pais, a entrada e a saída de unidades de carga e seus acessórios e equipamentos, de qualquer nacionalidade, bem como a sua utilização no transporte doméstico (conforme previsão da Lei n° 9.611/98, art. 26). Entretanto, o § 2° do mesmo artigo obsetqe poderá ser exigida a prestação de informações para fins de controle aduaneiro sobre os bens referidos no caput, nos termos estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ocorre que, embora seja livre a entrada e saída de unidades de carga, o mesmo não acontece com o seu conteúdo. Ademais, os contdineres são destinados especificamente para acondicionar mercadorias e podem se prestar a sua ocultação, pois são, em sua maioria, totalmente fechados impedindo a visão de seu interior. Por tal motivo, o Regulamento prevê no caput do art. 42 que o responsável pelo veiculo apresentará à autoridade aduaneira, na forma e no momento estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o manifesto de carga, com cópia dos conhecimentos correspondentes, e a lista de sobressalentes e provisões de bordo, bem como, nos termos do § 1º do mesmo artigo, a relação das unidades de carga vazias existentes a bordo. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por sua vez, editou a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007, a qual dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, a qual estabelece em seu art. 1°: Art. 1º O controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquavidria do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Nos termos do art. 2°, inciso XII, manifesto eletrônico é definido como o manifesto de carga informado à autoridade aduaneira em forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente, contendo inclusive os conteineres vazios. O art. 11 prevê que a informação do manifesto eletrônico compreende a prestação dos dados exigidos pela norma e relacões de conteineres vazios transportados pela embarcacão durante sua viagem pelo território nacional. Nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como as relativas às Escalas, aos dados constantes nos Manifestos Maritrmos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) , denominado Siscomex Carga. Fl. 582DF CARF MF 16 Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga darse á pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. ❉ Da Equiparação a Transportador IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; ❉ Do Controle Aduaneiro O artigo 1º da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, assim estabelece: Art. 1º O controle aduaneiro de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga nos portos, bem como de entrega de carga pelo depositário, serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa e serão processados mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes na forma e prazos estabelecidos nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Sistema Mercante); e http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 10 17 II no Siscomex Carga. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Demonstrase assim que toda a saída ou entrada de mercadorias no território aduaneiro, bem como de unidades de carga presumivelmente vazias, sujeitase, necessariamente AO CONTROLE ADUANEIRO, salvo expressa determinação legal em contrário. O controle aduaneiro tem por escopo justamente CONTROLAR O FLUXO INTERNACIONAL DE MERCADORIAS através das fronteiras, portos e aeroportos. Se determinada mercadoria é ou não sujeita à tributação na saída ou na entrada é algo irrelevcante, pois o CONTROLE ADUANEIRO não se limita a questões de tributação, abarcando também outras áreas imprescindíveis ao interesse da sociedade e a própria segurança nacional. Nesse sentido, o controle aduaneiro exercido pelo Estado, por meio de seus agentes, não é faculdade, nem daquele, nem destes, mas poderdever. O gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e conseqüentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no Pais, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate à pirataria. ▣ DAS INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS O artigo 37 do DecretoLei n° 37/66 estipula que: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as Fl. 584DF CARF MF 18 informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 2o Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 3o A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei no 5.025, de 10 de junho de 1966. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 4o A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput. (Renumerado do Parágrafo único com nova pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) O transportador deverá prestar informações à Receita Federal do Brasil sobre o veiculo e as cargas nacional, estrangeira e de passagem nele transportadas, para cada escala da embarcação em porto alfandegado. Essa obrigação consiste em fornecer registros eletrônicos obrigatórios aos sistemas de controle aduaneiro. A Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994 regulamenta o assunto referente a: ü embarque da mercadoria (Art. 37) A Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 regulamenta o assunto referente a: ü o veiculo transportador e suas escalas em território nacional (Artigos 7º a 9o) ; ü a carga transportada (Art. 10 a 21). A informação da carga transportada no veiculo, por sua vez, compreende: ü a informação do manifesto eletrônico (Art. 11); ü a vinculação do manifesto eletrônico a escala (Art. 12); ü a informação dos conhecimentos eletrônicos (Art. 13 a 16); ü a informação da desconsolidação da carga (Art. 17 a 19); e ü a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação carga (Art 20 a 21). ▣ OS PRAZOS PARA PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES Embarque da mercadoria Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 11 19 Coube à Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994 regulamentar o assunto referente a partida de veículo ao exterior (embarque), em seu artigo 37, que possuia a seguinte redação original: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 Ocorre que esse procedimento carece de qualquer base normativa. Posteriormente, a Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, alterou o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/1994, estabelecendo o prazo de 02(dois) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) Uma nova alteração no artigo, agora dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13 de dezembro de 2.010, alterou o prazo para 07 (sete) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13 de dezembro de 2010) Essa determinação, incorporada na legislação hoje vigente, possui efeito retrotivo dado seu caráter mais benéfico. Art. 39. Entendese por data de embarque da mercadoria: I nas exportações por via marítima, a data da cláusula "shipped on board" ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga; II nas exportações por via aérea, a data do vôo; III nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre, a data da transposição de fronteira da mercadoria, que coincide com a data de seu desembaraço ou da conclusão do trânsito registrada no Sistema pela fiscalização aduaneira; IV nas exportações pelas demais vias de transporte, nas destinadas a uso e consumo de bordo e nas transportadas em mãos ou por meios próprios, a data da averbação automática do embarque, pelo Sistema, que coincide com a data do desembaraço aduaneiro; e Fl. 586DF CARF MF 20 V nas exportações sob o regime DAC, a data da averbação automática, pelo Sistema, que coincide com a data do desembaraço aduaneiro para o regime. ▣ OS FATOS QUE EMBASAM A PRESENTE AÇÃO FISCAL 13 devem ser mantidos. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 12 21 9 devem ser mantidos. Fl. 588DF CARF MF 22 19 devem ser mantidos. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 13 23 19 devem ser mantidos. Fl. 590DF CARF MF 24 16 devem ser mantidos. 13 + 9 + 19 + 19 + 16 = 77 lançamentos devem ser mantidos. Portanto, devem ser mantidos 77 lançamentos, o que resulta no valor de R$ 385.0000,00. ▣ DA SANÇÃO O artigo 107 , inciso IV, alínea “e” do DecretoLei no 37/66, estipula a respectiva sanção: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10909.004117/201072 Acórdão n.º 3302006.348 S3C3T2 Fl. 14 25 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; A argumentação trazida pelo Recorrente não procede, na medida em que a obrigação de prestação de informações deve ser conjugada com os prazos para sua prestação, sob o risco de tornar ineficaz toda a sistemática operacional colocada à disposição dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Da denúncia espontânea A Súmula CARF n° 49 já pacificou o assunto: Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso do Contribuinte e exonerar os lançamentos com prazo inferior a sete dias. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 592DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.908966/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 66 /2 01 3- 13 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.908966/201313 Acórdão n.º 3201004.641 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.792. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.908966/201313 Acórdão n.º 3201004.641 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.908966/201313 Acórdão n.º 3201004.641 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.908966/201313 Acórdão n.º 3201004.641 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.908966/201313 Acórdão n.º 3201004.641 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909477/2008-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. ALOCAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
O CARF não é o órgão competente para processar o pedido de compensação e/ou a retificação de pedido já protocolizado ou DCTF, mas sim a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), através de suas unidades descentralizadas que contenham Divisões, Serviços ou Seções com a função de Orientação e Análise Tributária, pelas quais os contribuintes são administrados respectivamente conforme seus domicílios fiscais. Tampouco podem os órgãos julgadores substituir os contribuintes na atividade de definição voluntária do encontro entre crédito e débitos que configurará pedido de compensação e entrega de DCTF.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Conquanto a demanda tenha sido proposta até 31/12/2008, prevalece o sentido restrito do que se pode entender como prestação de serviço hospitalar, que se vincula aos recursos materiais e humanos próprios de um hospital. Somente àquelas demandas havidas a partir de 01/01/2009 foi conferido um contorno normativo mais abrangente.
SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. ASPECTOS TEMPORAL E MATERIAL.
O entendimento de que os serviços hospitalares são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde ainda que não sejam prestados no interior do estabelecimento hospitalar, que consta de decisão do STJ em sede de Recurso Repetitivos 1116399/BA, somente se aplica às demandas propostas após 01/01/2009 e não alcança serviços prestados pelos sócios, consultas médicas ou serviços profissionais médicos assemelhados, mormente quando a empresa não se enquadra como sociedade empresária, na forma do art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95.
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.579
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. ALOCAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. O CARF não é o órgão competente para processar o pedido de compensação e/ou a retificação de pedido já protocolizado ou DCTF, mas sim a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), através de suas unidades descentralizadas que contenham Divisões, Serviços ou Seções com a função de Orientação e Análise Tributária, pelas quais os contribuintes são administrados respectivamente conforme seus domicílios fiscais. Tampouco podem os órgãos julgadores substituir os contribuintes na atividade de definição voluntária do encontro entre crédito e débitos que configurará pedido de compensação e entrega de DCTF. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Conquanto a demanda tenha sido proposta até 31/12/2008, prevalece o sentido restrito do que se pode entender como prestação de serviço hospitalar, que se vincula aos recursos materiais e humanos próprios de um hospital. Somente àquelas demandas havidas a partir de 01/01/2009 foi conferido um contorno normativo mais abrangente. SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. ASPECTOS TEMPORAL E MATERIAL. O entendimento de que os serviços hospitalares são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde ainda que não sejam prestados no interior do estabelecimento hospitalar, que consta de decisão do STJ em sede de Recurso Repetitivos 1116399/BA, somente se aplica às demandas propostas após 01/01/2009 e não alcança serviços prestados pelos sócios, consultas médicas ou serviços profissionais médicos assemelhados, mormente quando a empresa não se enquadra como sociedade empresária, na forma do art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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ALOCAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. O CARF não é o órgão competente para processar o pedido de compensação e/ou a retificação de pedido já protocolizado ou DCTF, mas sim a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), através de suas unidades descentralizadas que contenham Divisões, Serviços ou Seções com a função de Orientação e Análise Tributária, pelas quais os contribuintes são administrados respectivamente conforme seus domicílios fiscais. Tampouco podem os órgãos julgadores substituir os contribuintes na atividade de definição voluntária do encontro entre crédito e débitos que configurará pedido de compensação e entrega de DCTF. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Conquanto a demanda tenha sido proposta até 31/12/2008, prevalece o sentido restrito do que se pode entender como prestação de serviço hospitalar, que se vincula aos recursos materiais e humanos próprios de um hospital. Somente àquelas demandas havidas a partir de 01/01/2009 foi conferido um contorno normativo mais abrangente. SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. ASPECTOS TEMPORAL E MATERIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 94 77 /2 00 8- 11 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 171 2 O entendimento de que os serviços hospitalares são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde ainda que não sejam prestados no interior do estabelecimento hospitalar, que consta de decisão do STJ em sede de Recurso Repetitivos 1116399/BA, somente se aplica às demandas propostas após 01/01/2009 e não alcança serviços prestados pelos sócios, consultas médicas ou serviços profissionais médicos assemelhados, mormente quando a empresa não se enquadra como sociedade empresária, na forma do art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 172 3 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP (DRJ/SP1) mediante o Acórdão n.º 1625.997, de 12/07/2010 (efls. 120 a 136). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] O presente processo versa acerca das DCOMP eletrônica nº 14115.39652.290l04.1.3.042008 (fls. 6/10), transmitida em 29/01/2004, cuja formalização visou declarar a compensação de débito da Contribuição Social sobre oLucro Liquido (CSLL), apurado no 4° trimestre do anocalendário de 2003, com crédito proveniente de pagamento a maior do mesmo tributo, atinente à apuração do 2° trimestre do anobase de 1999, conforme abaixo especificado: A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico Rastreamento nº 781.218.217, de 12/08/2008 (fl. 1), conforme abaixo detalhado, exarado em sede da Delegacia de Administração Tributária de São Paulo/SP (DERAT/SP), segundo o qual restou decidido NÃO HOMOLOGAR a compensação consignada na DCOMP eletrônica, tendo em vista a demonstração da Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 173 4 inexistência do crédito veiculado, defronte a negativa de disponibilidade do importe associado ao DARF reportado na declaração de compensação, cujo pagamento denotase integralmente vinculado para fins de quitação de débito de IRPJ confessado no próprio 2° trimestre do ano calendário de 1999: (I) VALOR DEVEDOR CONSOLIDADO PARA PAGAMEN'I'0 ATÉ 29/08/2008. Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, consoante AR recebido em 20/08/2008 (fl. 5), o contribuinte protocolou suas contra razões em 19/09/2008 (fls. 11/24), acompanhada dos documentos de fls. 25/98, através da qual submete seus argumentos de forma a contrapor as inferências firmadas na decisão administrativa, quais sejam, em síntese: 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos, relata que protocolou em 25/03/2004, o pedido de restituição de IRPJ, formalizando o Processo Administrativo n° 19679.004225/200422, no valor total de R$ 76.982,13, haja vista ter efetuado o recolhimento a maior do imposto; 2) Assevera que o fundamento daquele pedido de restituição baseavase no recolhimento do imposto em face da opção pelo regime de tributação pelo lucro presumido, valendose da base de cálculo encontrada pela aplicação de 32% (trinta e dois por cento), nos termos da legislação regente à espécie. Entretanto, atesta que através do art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 306, de l2/03/2003, minorou a base imponível das pessoas jurídicas prestadoras de serviços diretamente ligados à atenção e assistência a saúde de 32% (trinta e dois por cento) para 8% (oito por cento), equiparandoos a serviços hospitalares; " 3) Dessa forma, seguindo a esta linha e entendendo certo o direito creditório reivindicado, certifica que encaminhou a presente declaração de compensação a fim de utilizarse de parcela do crédito de IRPJ objeto do Processo Administrativo n° 19679004225/200422. Entretanto, manifestou surpresa com relação aos termos do despacho decisório que inferiu pela negativa de homologação da compensação sob a Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 174 5 argumentação de inexistência de credito disponível para a compensação dos débitos informados na respectiva PER/DCOMP, ensejando, assim, a interposição de manifestação de inconformidade; 4) Sob este contexto, inaugura o desenvolvimento de suas alegações de direito afirmando que a Lei n 9.249, de 1995 estabeleceu tratamento fiscal diferenciado para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares a teor do disposto na alínea a, § 1º do art. 15, cuja redação determina a aplicação da alíquota de 8% (oito por cento) para a base de cálculo de 8% (oito por cento) para a base de cálculo de IRPJ. Porém, à época do inicio da vigência da norma, as clínicas médicas foram excluídas da sistemática aplicada aos serviços hospitalares, tendolhes sido aplicada a alíquota de 32%, e, como conseqüência, o recolhimento do tributo a maior; 5) Acrescenta que ocorreu, em obediência ao principio da igualdade e diante da importância social de suas atividades, a edição da Instrução Normativa SRF nº 306, de 2003, na qual sustenta que o dispositivo previsto no art. 23, estendeu o aludido tratamento fiscal diferenciado às clínicas médicas; 6) Nesse sentido, afirma que de acordo com o contrato social da sociedade o objeto e constituído pela atividade de prestação de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica, englobando os serviços de ressonância magnética, serviços de diagnóstico por registro gráfico ECG, EEG e outros exames análogos, serviços de diagnóstico por métodos ópticos endoscopia e outros exames similares e serviços de litotripcia; 7) Assim, acentua que cotejando as atividades desenvolvidas pela empresa com as atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM n° 1.884, de 11/11/1994, Ministério da Saúde, notase que se verificou com clareza que a entidade se enquadra no permissivo legal, dandolhe direito para a redução da alíquota de 32% para o patamar de 8%, bem como o reconhecimento administrativo do direito à equiparação aos serviços hospitalares das clínicas médicas ante a publicação da IN SRF n° 306, de 2003; 8) Avocando a ementa da Solução de Divergência n° 11, de 21/07/2003, assenta que o assunto restou pacificado no sentido de que o tratamento fiscal que deve ser deferido às pessoas jurídicas que exerçam as atividades previstas pelo art. 23 do normativo legal em destaque; 9) Dessa forma, atesta que o reconhecimento do direito à aplicação da base de cálculo de 8% (oito por cento) para o IRPJ é retroativo uma vez que goza de caráter meramente interpretativo, em estrita observância do art. 106 do CTN. Reforça suas argüições mediante citação de ementa de Solução de Consulta n° 392, de 09/12/2003; 10) Enfim, enfatizando a redação do art. 38 da IN SRF n° 210, de 2002, atesta que assegurou o direito dos contribuintes de corrigirem seus créditos pela taxa SELIC, em estrita observância do que dispunha o art. 39, §4° da Lei n° 9.250, de 1995; 11) Assim sendo, entende restar amplamente demonstrado que empresa faz juz ao crédito relativo ao pagamento a maior decorrente de IRPJ da diferença de alíquota de 32% para 8%, instruído e formalizado pelo Processo Administrativo n° 19679004225/200422, logo, demonstrada a existência de crédito para embasar as compensações realizadas por intermédio da presente DCOMP; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 175 6 12) Seqüencialmente, renova a informação de que o protocolo do processo administrativo que embasou o pedido de restituição do crédito, realizouse em 25/03/2004, portanto, atestando que sua formalização ocorreu no período de vigência da IN SRF n° 306, de 12/03/2004, posteriormente revogada pela introdução da IN SRF n° 480, de 15/12/2004; 13) Nesse sentido, ressalta que o princípio essencial de regência de aplicação da lei no tempo estabelece que, em regra, a lei possui eficácia imediata, determinado as relações jurídicas a que se referem desde o momento que recebem execução até aquele em que cessa sua virtude normativa. Assim, enfatiza que este é o princípio tempus regit actum, cujo significado indica que a lei não pode alcançar fatos ocorridos em período anterior ao início de sua vigência, nem aplicada àqueles ocorridos após a sua revogação. Desse modo, depreende que se tem determinado um fato jurídico ou uma relação jurídica deverseão serem regidas pela lei à época vigente, sendo inoperantes todas as alterações posteriores relacionadas ao caso concreto, salvo expressa determinação em contrário na nova lei correspondente, circunstância que não se aplica a situação presente neste litígio; 14) Sob este contexto, entende que resta demonstrado que o fundamento de validade do pleito ligado à restituição não foi atingido pelas mudanças normativas advindas da IN SRF n° 480, de 15/12/2004 e alterações supervenientes, haja vista a prática do ato jurídico apresentarse de acordo com as determinações infralegais pautadas na IN SRF n° 306, de 12/03/2004; 15) Finalmente, especifica os documentos que foram anexados à manifestação de inconformidade, reivindicando que a análise da presente declaração de compensação seja conjugado com o encontro de informações e valores dos créditos requeridos no Processo Administrativo n° 19679.004225/200422, bem como realizando a suspensão dos débitos com fundamento no art. 151, inciso III do CTN c/c com o art. 74, §§ 7°, 9° e 11 da Lei n° 9.430, de 1996. Por último, requer que sejam acolhidas as razões da presente defesa administrativa, reconhecendo o direito creditório pleiteado e a homologação da compensação em litígio. Ato contínuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SP1 para julgamento da manifestação de inconformidade. [...] (grifos no acórdão da DRJ/SP1). A DRJ/SP1 negou provimento à manifestação de inconformidade, essencialmente por que não houve apresentação de documentação que configurasse lastro para as alegações, que comprovasse que os serviços prestados pelo recorrente caracterizamse como os serviços hospitalares aos quais se aplica o percentual de 8% para aferição do lucro presumido, nem retificação da DCTF correspondente ao IR devido no 2.º trimestre de 1999. Assinala inicialmente a DRJ que não se pode fazer qualquer correlação com o crédito pleiteado neste processo e aquele objeto do processo administrativo n.º 19679.004225/200422, pois aqui se trata de crédito referente ao período 2.º trimestre de 1999, e naquele, 3.º trimestre de 1999 até 3.º trimestre de 2003 (fls, 59 e 60). Acrescenta a decisão de piso que, embora a Lei n.º 9.249/95 em seu art. 15, § 1.º, III, a, excetuasse do percentual de 32 % as atividades hospitalares, a IN SRF n.º 93/1997, em seus artigos 3.º, § 2.º, II e IV, e 36, indicava que os serviços prestados relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada estavam sujeitos ao percentual de lucro presumido de 32 %, a ser aplicado às receitas do trimestre. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 176 7 Segue o relator da decisão recorrida a informar que a interpretação das normas indica que aos serviços hospitalares se aplicava o percentual de 8%, e às atividades de prestação de serviços exercidas por sociedade simples ligada ao exercício de profissão legalmente regulamentada se aplicava o percentual de 32 %. Uma vez que a Portaria MS/GM n.º 1.884/94 foi revogada pela Portaria MS/GM n.º 554/2002, as entidades ditas voltadas para atenção e assitência à saúde devem observar os pressupostos relativos à estrutura definida na Resolução ANVISA/DC n.º 50/2002. O ADI SRF n.º 18/2003 esclareceu que a abrangência do conceito de serviços hospitalares para referese aos prestados por empresários ou sociedades empresárias, e que não alcança os serviços prestados por sócios da empresa e os de natureza intelectual ou científica dos profissionais envolvidos. O referido ADI afasta a aplicação do conceito de serviços hospitalares àqueles desenvolvidos por sociedades simples de serviços de profissão regulamentada, ainda que com o concurso de auxiliares e colaboradores. Continua nessa linha o acórdão recorrido, acrescentando que de acordo com o Código Civil, arts. 966, 967 e 982, o recorrente não se enquadra na condição de sociedade empresária, pois não se submeteu a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, e que seu registro se deu no Cartório de Pessoas Jurídicas, procedimento adstrito às Sociedades Simples. Mesmo se constituída a empresa como Sociedade Empresária, haveria de existir o concurso de profissionais legalmente regulamentados e contratados para a execução da atividadefim, não podendo tais atividades serem desenvolvidas pelos sócios da empresa. O interessado não instruiu os autos com o Contrato Social e material probatório contábil e fiscal que pudesse mostrar a estrutura organizacional da entidade e certificar o enquadramento da pessoa jurídica aos requisitos exigidos pelo art. 23 da IN SRF n.º 306/2003 e pelo ADI SRF n.º 18/2003, para que fosse admitido o percentual de 32% como apuração do lucro presumido. O teor da 2.ª Alteração e Consolidação Contratual registrada em 2003 perante o 6.º Ofício de Registro de Títulos e Documentos e Civil da Pessoa Jurídica de São Paulo/SP (fls. 64/68), em seu preâmbulo e na cláusula primeira demonstra que os sócios, todos médicos, modificaram a situação de "Sociedade Civil Ltda" para "Sociedade Simples Ltda", circunstância incompatível com os requisitos para equiparação dos serviços da empresa a serviços hospitalares, e para os respectivos efeitos tributários. À decisão recorrida constam colacionadas decisões do extinto Conselho de Contribuintes dos anos 2005 e 2007, e do TRF 3.ª Região e STJ, dos anos 2009 e 2007, respectivamente. Afirma o relator daquele acórdão que não produziu qualquer efeito no caso concreto a mudança de interpretação contida na IN SRF n.º 480/2004, vez que a atividade desenvolvida pelo recorrente durante a vigência da IN SRF n.º 306/2003 já naquele período não se qualificava como prestação de serviços hospitalares para efeito de aplicação do percentual de 8%. E aponta que o recorrente não retificou as informações prestadas em DCTF e DIPJ referentes ao ano calendário 1999, para comunicar à RFB as alegadas inconpatibilidades, mantendose a confissão de dívida contida na DCTF entregue e a correlação do débito declarado apurado no 2.º trimestre de 1999 com o pagamento indicado na declaração de compensação, não susbsistindo qualquer direito creditório. Por fim, registra que o contribuinte recorrente não figura como parte interessada nos processos administrativos relacionados à Solução de Divergência e à Solução Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 177 8 de Consulta colacionadas na manifestação de inconformidade, e estas não se aplicam ao caso concreto aqui discutido nem tem eficácia normativa nos termos do art. 100, II, CTN. Irresignado, o contribuinte apresenta, em 10/09/2010, recurso voluntário no qual contesta diretamente algumas das razões de decidir do acórdão recorrido e reitera alguns argumentos contidos na manifestação de inconformidade, conforme resumo a seguir: a) A origem de seu crédito encontrase demonstrada na análise de outro processo administrativo fiscal, de número 19679.004225/200422; b) Ao contrário do que disse a DRJ, o recorrente juntou cópia de seu contrato social, que demonstra que no rol de suas atividades encontrase a prestação de serviços de diagnóstico por imagens sem uso de radiação ionizante exceto ressonância magnética, serviço de diagnóstico por registro gráfico ECG, EEG e outros análogos, serviços de diagnóstico por métodos ópticos endoscopia e outros serviços análogos e serviços de litotripcia; c) Entendimento solidificado do STJ diz que para o conceito de serviços hospitalares não é necessário estrutura hospitalar; d) Traz decisões do STJ de 2009 e 2010; e) O art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95 "concede o benefício fiscal" com foco nos serviços prestados e não no contribuinte que os executa; f) Alega que juntou aos autos cópia integral do processo "onde se encontram todos os pormenores que demonstram a liquidez e certeza do crédito objeto da DCOMP n.º 14115.39652.290104.1.3.042008"; g) As atividades que o recorrente desenvolve submetemse ao percentual de lucro presumido de 8% na forma do que dispõe a IN SRF n.º 306/2003, sob a baliza da Portaria GM n.º 1.884/94, Parte II, Capítulo 2; h) As normas referidas não exigem existência de sociedade empresarial constituída para aplicação do percentual de 8%; i) Deve haver retroação pelo caráter meramente interpretativo da IN SRF 306/2003, na forma do art. 106 do CTN (traz Solução de Consulta a respeito a este e ao item anterior); j) A IN SRF 210/2002 garante a correção pela taxa SELIC; l) Ao tempo do pedido de restituição vigorava a IN SRF n.º 306/2003, e deve prevalecer o princípio tempus regit actum; m) Ainda "requer seja determinada que a 8ª DRF/SP proceda a alocação dos valores compensados com os valores do crédito originado do processo administrativo n.º 19679004225/200422"; n) Por fim, pede que seja suspenso o crédito tributário segundo o que dispõe o art. 151, III, do CTN, e pede que seja reconhecido seu direito creditório, com homologação da compensação pretendida e alocação dos valores conforme análise com o processo n.º 19679.004225/200422. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 178 9 É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Mérito. 1. Origem do crédito. Antes de qualquer exame, é preciso deixar muito claro que, após confirmação mediante vistas às efls. 60 e 61, constatei que o crédito pleiteado objeto do processo administrativo fiscal n.º 19679.004225/200422 referese, de fato, como já delineou a decisão da DRJ/SP1, a período diverso do período ao qual se reporta o crédito sob análise neste processo, 10880.909477/200811. Aqui se trata de crédito relativo ao 2.º trimestre do ano 1999, e naquele, crédito relativo ao período 3.º trimestre de 1999 até 3.º trimestre de 2003. Logo, não há qualquer correspondência que possa ser feita no outro processo que autorize o proveito dos créditos ali discutidos na compensação da CSLL do 4.º trimestre de 2003, motivo do PER/DCOMP n.º 14115.39652.290l04.1.3.042008, ora apreciado. Sendo assim, antecipo que fica afastada sequer a possibilidade de alocação dos valores pleiteados naquele processo com o débito de CSLL que se pretende compensar e cuja exigência encontrase aqui questionada. A retificação de DCTF submetese às conclusões restritas ao propósito particular do contribuinte que preencheu a declaração original. Não pode nem deve a administração tributária avançar no cenário das possibilidades e intenções do sujeito passivo ao tempo da sua pretensão de encontro de contas via débitos de sua responsabilidade e direito creditório que anuncia possuir. Se o contribuinte preencheu indevidamente sua DCOMP, o erro até aí, se é que houve, não é evidente para o Fisco, pois somente o contribuinte tem a certeza absoluta de qual parte dos seus débitos entendia não alcançada pelos créditos que alegava em seu favor, e que pretendia quitar, não cabendo à RFB a busca dessa essência, uma vez que havia débito correlato para o qual fora adequadamente feita a alocação do pagamento. Para isso a DRF que jurisdiciona o contribuinte é a unidade competente para a análise e processamento de eventual pedido de restituição ou compensação Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 179 10 deste pagamento ora reclamado como indevido, já tendo se manifestado por ocasião do Despacho Decisório de efl. 2. O contribuinte não retificou a DCTF e a DIPJ correspondentes ao ano calendário 1999, o que denotaria seu interesse em modificar os valores dos débitos confessados relativamente ao IRPJ devido no período de apuração 2.º trimestre de 1999, e os resultados das correlações com os pagamentos efetuados, declarados na declaração de compensação. Além do que foi dito, é fato que pertence à unidade da RFB que jurisdiciona o domicílio do contribuinte a competência para a análise inicial dos pedidos de compensação/restituição deste. É o que determina o art. 286 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria MF n.º 430/2017): (...) Art. 286. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária (Diort), aos Serviços de Orientação e Análise Tributária (Seort) e às Seções de Orientação e Análise Tributária (Saort) compete: I gerir e executar as atividades relativas a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos, inclusive decorrentes de crédito judicial; (...) E isso foi providenciado ao tempo e sob o conteúdo próprios, na medida do que fora informado na PER/DCOMP e na DCTF original. Vale antecipar também que não faz sentido tecer considerações acerca da suspensão da exigibilidade pugnada no recurso voluntário, com base no art. 151, III, do CTN, pois que o débito que se pretendeu compensar já se encontra suspenso, dada a interposição tempestiva do recurso voluntário. Feitas as observações acima, registrase que as razões ali delineadas aplicam se aos itens "ALOCAÇÃO DO CRÉDITO" e "SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO" contidos no recurso voluntário. Entretanto, como os argumentos que integram o outro processo e que defendem a aplicação do percentual de 8% em lugar de 32%, para as atividades desenvolvidas pelo contribuinte, também dizem respeito ao IRPJ devido no período correspondente ao 2.º trimestre do ano 1999, serão objeto de análise aqui nestes autos. O recorrente argumenta que "Ao contrário do que sustentou o ilustre julgador da 7ª Turma, a recorrente juntou ao presente cópia de seu contrato social, que demonstra fielmente que a Recorrente possui no rol de suas atividades, a prestação de serviços de diagnóstico por imagens sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética, serviço de diagnóstico por registro gráfico ECG, EEG e outros análogos, serviços de diagnóstico por métodos ópticos endoscopia e outros serviços análogos e serviços de litotripcia". Não é a verdade dos autos. Foram juntadas somente cópias das alterações e consolidações contratuais, 2.ª e 3.ª, de 2003 e 2007, respectivamente. Tais cópias encontramse em efls. 29 a 33, 65 a 69, e 93 a 98, e em ambas o objeto da sociedade está registrado como "prestação de serviços profissionais de medicina, notadamente no campo da neurologia e liquor. Os Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 180 11 serviços profissionais mencionados serão prestados no consultório da sede, em hospitais e domicílios da cidade de São Paulo ou de outras cidades do território nacional" (art. 4.º das alterações contratuais) (grifei). Ademais, ali consta também a informação de que a sociedade utilizava a forma de Sociedade Simples e que não tinha inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. O recorrente discorda da apuração do seu lucro presumido sob o percentual de 32%. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de oito por cento sobre a receita bruta, inclusive para serviços hospitalares. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Até 31/12/2008 prevalece o sentido restrito do que se pode entender como prestação de serviço hospitalar, que se vincula aos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, tais como instalação, equipamento, mão de obra e fornecimento de produtos farmacêuticos. O exercício da profissão regulamentada de médico, por si só, não se identifica com atividade peculiar executada no âmbito hospitalar, e por esta razão o coeficiente aplicável à receita bruta é aquele fixado para a prestação de serviço em geral, de trinta e dois por cento para determinação do lucro presumido. Somente a partir de 01/01/2009 um contorno normativo mais abrangente foi conferido à prestação de serviços hospitalares abrangendo o auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 181 12 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo n.º 1116399/BA1, cujo trânsito em julgado ocorreu em 08/11/2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As modificações trazidas pela Lei n.º 11.727/2008 de interesse para o presente julgamento são as reproduzidas a seguir: Lei n.º 11.727/2008: (...) Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1o .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (...) Art. 41. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação: (...) VI – aos arts. 22, 23, 29 e 31, a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei. (...) (grifei). Dado que o teor da decisão do STJ em sede de Recursos Repetitivos — no RE n.º 1116399/BA — fez com que a "estrutura" definida na Resolução ANVISA/DC n.º 50/2002 deixasse de representar requisito para a caracterização da natureza de serviço hospitalar ou equiparado, ainda restaram como pressupostos para essa qualificação a prestação dos serviços sob a forma de sociedade empresária e a ausência de prestação direta dos serviços pelos sócios. A decisão apoiouse na ideia, entre outras, de que: 1) deve haver maquinário específico e custos contabilizados em separado que apontem para a atividade hospitalar ou 1 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de outubro de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=6898628&sReg=20090006481 0&sData=20100224&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 182 13 equiparada, diferenciandoa da simples prestação de atendimento médico, 2) não importa a estrutura do contribuinte mas a natureza do serviço prestado, 3) o caso concreto ali envolvido cuida de empresa prestadora de serviços laboratoriais, e 4) as alterações trazidas pela Lei n.º 11.727/2008 pertinentes à discussão do enquadramento ou não como atividade hospitalar ou equiparada só devem ser aplicadas às demandas ajuizadas após sua vigência, não havendo efeito retroativo. É dizer, preocupase o relator da referida decisão em evitar que as consultas médicas ou serviços profissionais desenvolvidos exclusivamente pelos sócios sejam indevidamente enquadrados no art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95. Vejamos alguns trechos da ementa e voto da mencionada decisão do STJ (no RE 1116399/BA), de interesse para análise, abaixo transcritos: Ementa: (...) a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas (...) (...) Voto: (...) Entretanto, em razão da ocorrência de algumas decisões dissonantes e das novas reflexões e argumentações que foram trazidas a esta Corte, a matéria foi novamente afetada à Primeira Seção que, por ocasião do julgamento do RESP Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 183 14 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, ocorrido no dia 22.4.2009, modificou a orientação até então adotada. (...) Dessa forma, ficou assentado que devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ressaltouse ainda que as alterações preconizadas pela Lei 11.727/08 aos dispositivos legais em discussão apenas devem ser aplicadas à demandas ajuizadas após a sua vigência, não possuindo efeito retroativo. (...) Eis a ementa do julgado acima mencionado: (...) 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. [...] No mesmo sentido, cito outros precedentes: (...) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IRPJ E CSLL – BASE DE CÁLCULO REDUZIDA – LEI 9.249/95 – CONCEITO DE "SERVIÇOS HOSPITALARES" – CARÁTER OBJETIVO – QUESTÃO PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO (RESP 951251/PR) – RECURSO ESPECIAL ADESIVO – SUCUMBÊNCIA INEXISTENTE – AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. (...) 2. A Primeira Seção pacificou o entendimento de que o conceito de serviços hospitalares a que se refere o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, na sua redação original, deve ser interpretado de forma objetiva, abrangendo as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas somente as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. (...) 6. Provido parcialmente o recurso do contribuinte; não conhecido o especial adesivo da Fazenda Nacional (REsp 939.321/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21/5/2009, DJe 4/6/2009). (...) TRIBUTÁRIO – IRPJ E CSLL – ALÍQUOTA REDUZIDA – ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI N. 9.249/95 – LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS – PRESTAÇÃO Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 184 15 DE SERVIÇOS HOSPITALARES – NOVEL ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Concluiu a Primeira Seção que, "por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos." (REsp 951251/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 22.4.2009, DJe 3.6.2009). 2. Para fazer jus à concessão do benefício fiscal previsto nos artigos 15, § 1º, III, "a" e 20 da Lei n. 9.249/95, é necessário que a prestação de serviços hospitalares seja realizada por contribuinte que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, e não apenas a capacidade de internação de pacientes. 3. Merece reforma o entendimento firmado pela Primeira Turma, para reconhecer a incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços laboratoriais de análises clínicas. Embargos de divergência providos (EREsp 956.122/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 01/10/2009). (grifei). [...] Por outro lado, conforme já mencionado, a Corte a quo consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade que é diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, de acordo com a argumentação acima exposta, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso do CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). (grifei). De todo o material colacionado acima, podese concluir que o caso destes autos demanda tão somente observar se restou provado que o recorrente prestou serviços hospitalares propriamente ditos ou aqueles serviços correlatos que se inserem no campo dos efeitos da decisão do STJ no RE n.º 1116399/BA, no 2.º trimestre de 1999. Como já abalizado, as cópias das alterações e consolidações contratuais não dão notícia de que os serviços prestados revestiramse da natureza de serviços hospitalares ou equiparados ou assemelhados. Não há nos autos elemento probante que afaste a interpretação que tais alterações contratuais e o conjunto de circunstâncias sugerem, os quais indicam que os serviços são prestados pelos próprios sócios mediante consultas médicas. Uma vez que o recorrente não trouxe ao processo documentos como Contrato Social, registros contábeis (ainda que só no Livro Caixa), notas fiscais de entrada referentes a insumos e materiais, notas fiscais de serviços, contratos, notas fiscais de aquisição de equipamentos, registro de empregados, entre outros que poderiam ser acostados com teor probatório, nada se pode afirmar acerca de a natureza de seus serviços indicar prestação dos serviços laboratoriais e afins de que trata a alteração introduzida na Lei n.º 9.249, art. 15, § 1.º, III, a, pela Lei n.º 11.727/08. Tampouco ficou caracterizada a exigência de que se trate de Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 185 16 sociedade empresária, modificação também introduzida pela referida lei, e que não se confunde com a capacidade estrutural dispensada pelo STJ. Essa ausência de comprovação da natureza específica da prestação dos serviços médicos impede que a situação fática dos autos possa ser alcançada pelo julgamento do RE 1119399/BA, o qual se referiu a serviços comprovadamente hospitalares, laboratoriais etc., na forma ali definida. Noutra linha também se observa que o próprio decisum alerta para a sua aplicação ex nunc, o que torna sem efeito para o presente caso a análise rígida das alterações promovidas pela Lei n.º 11.727/08 acerca da expansão do conceito de serviços hospitalares para efeitos tributários, devendo ser considerado o conceito anterior, mais detido. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha tido o recorrente a oportunidade para tal, haja vista para as peças de defesa administrativa impetradas. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações3. 2. Legislação vigente ao tempo do pedido de restituição. Mesmo durante a vigência da IN SRF n.º 306/2003 e da redação original da alínea "a", do inciso III, do § 1.º do art. 15 da Lei n.º 9.249/95 a atividade do recorrente não poderia configurar prestação de serviços hospitalares, de maneira que não faz sentido o protesto pela aplicação do princípio tempus regit actum, no recurso voluntário, posto que, nem a mudança de interpretação dada pela IN SRF n.º 480/2004, nem o teor da decisão do STJ em sede de Recursos Repetitivos n.º 1116399/BA repercutem no contexto fático do caso concreto tratado nos autos. Considerandose que o caso concreto aqui julgado repousa num cenário que difere daquele para o qual o STJ determinou que fosse a receita da prestação de serviços submetida ao percentual de 8% para apuração do lucro presumido, e considerandose a legislação vigente ao tempo da prestação dos serviços, tudo evidencia que o percentual a ser aplicado às receitas da atividade do recorrente no 2.º trimestre de 1999 é de 32%. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.909477/200811 Acórdão n.º 1002000.579 S1C0T2 Fl. 186 17 Conclusão. Na ausência de comprovação de que a atividade desenvolvida se submetia ao percentual de 8% para cálculo do lucro presumido no 2.º trimestre de 1999, não ficou demonstrada a certeza e liquidez do crédito pleiteado, não havendo o que homologar nem o que corrigir através da taxa SELIC, já que o crédito pretendido encontrase integralmente alocado a débito confessado em DCTF. Dessa forma, no sentido de tudo que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720289/2015-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. AUTOS DE IRPJ E CSLL. NECESSIDADE DE ARGUIÇÃO DESDE A IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SOMENTE EM RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO
Serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016, art. 2º, inc. I, alínea "a"). Todavia, a falta dessa arguição em Impugnação e a alegação somente em sede de Recurso Voluntário intempestivo, impossibilita o acolhimento do pedido.
Numero da decisão: 1302-003.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENNTO. OMISSÃO DO ACÓRDÃO Embargante BRF S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. AUTOS DE IRPJ E CSLL. NECESSIDADE DE ARGUIÇÃO DESDE A IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SOMENTE EM RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO Serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016, art. 2º, inc. I, alínea "a"). Todavia, a falta dessa arguição em Impugnação e a alegação somente em sede de Recurso Voluntário intempestivo, impossibilita o acolhimento do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 89 /2 01 5- 88 Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração da Contribuinte opostos face ao Acórdão nº 1302002.614 por meio do qual o Colegiado não conheceu do recurso voluntário, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE A falta de interposição de recurso voluntário no prazo regulamentar de 30 dias (Decreto n° 70.235/1972, art. 33) implica o não conhecimento do recurso voluntário. O resultado de julgamento foi assim registrado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarouse impedido o conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva. O Despacho de Admissibilidade destacou os seguintes pontos dos Embargos: Em síntese, a embargante alega que houve omissões, contradições, abaixo resumidas: 1 Da contradição entre a ementa e os fatos ocorridos: erro na Indicação do AnoCalendário; 2 Da Omissão constante da Ementa; 3 Da Contradição entre o Acórdão e o Resultado do Julgamento; 4 Omissão Quanto à Análise do Tópico do Recurso Voluntário; 5 Lei 13.655/2018: Fato novo necessidade de aplicação imediata ao caso concreto; 6 Lei 13.655/2018: Fato novo necessidade de aplicação imediata ao caso. Em conclusão, apenas um tópico dos Embargos foi admitido, nos seguintes termos: Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 65, §§ 1° e 3°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, ADMITO Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 4 3 PARCIALMENTE os presentes embargos opostos pelos sujeitos passivos, a fim de que sejam submetidas à apreciação da Turma apenas o vício apontado no tópico 5 (Omissão Quanto à Análise do Tópico II.2 do Recurso Voluntário) e REJEITO, em caráter definitivo, os demais vícios apontados (Tópicos 1 a 4 e Tópico 6). Analisando essa conclusão do Despacho de Admissibilidade, identifiquei que, em realidade o tópico admitido diz respeito ao item 4 Omissão Quanto à Análise do Tópico II.1 do Recurso Voluntário. O item 5 foi rejeitado. Assim, o tópico admitido foi tratado no Despacho de Admissibilidade, nos seguintes termos: 4 Omissão Quanto à Análise do Tópico II.1 do Recurso Voluntário A embargante assim procura demonstrar esta omissão: 4 Omissão Quanto à Análise do Tópico II.1 do Recurso Voluntário Igualmente, quando da análise das demais razões expostas no voto do eminente relator, verificase clara omissão no tocante à ausência de análise de tópico preliminar do Recurso Voluntário, a saber: "II. 1 Da Nulidade do Termo de Perempção Apresentação Tempestiva do Recurso Voluntário". Este tópico do recurso voluntário, assim como o tratado acima, é autônomo e capaz de, ao menos, anular a decisão da DRJ, já que, se acolhido, tornará nulo o procedimento adotado desde a fiscalização. Nessa linha, este tópico merece constar expressamente do voto do acórdão, já que os argumentos aduzidos no Recurso Voluntário acerca da aplicação dos termos da Portaria RFB n° 666/2008 levam a conclusão de que os autos de infração de IRPJ e de CSLL devem ser objetos de um único processo administrativo. De fato, mencionese, inclusive, que os autos de infração foram objeto de um mesmo Mandado de Procedimento Fiscal. Vejase: (...) Todavia, muito embora toda a argumentação desenvolvida pela Embargante neste tópico preliminar do Recurso Voluntário que ora se ratifica , o voto do acórdão embargado não o enfrentou, devendo ser complementado pelo colegiado. Inclusive, ressaltese, caso essa matéria preliminar fosse devidamente apreciada e julgada, não seria o caso de se cogitar sobre a intempestividade do Recurso Voluntário protocolado, uma vez que se trata de tema regulado por norma expedida pela própria Secretaria da Receita Federal (Portaria n° 666/2008), que não foi observada no presente lançamento. Dessa forma, resta clara a omissão na qual incorreu o acórdão embargado, sendo a matéria mais que apta a alterar a conclusão adotada pelo órgão julgador. De fato, a embargante tem razão. Tratase de matéria que diz respeito a própria intempestividade, constante do Recurso voluntário e como tal deveria ter sido enfrentada pela Turma. O voto restringiuse a declarar a intempestividade do recurso, nos seguintes termos: Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Em cumprimento às referidas normas que estabelecem prazo de 30 dias da intimação para a interposição de recurso voluntário e à vista do não cumprimento, em específico, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, com base nas demonstrações retro, as quais indicam que é intempestiva a sua interposição. (... ) [A seguir o voto passa a tratar de outra preliminar de ordem pública levantada pela defesa] É verdade que conforme jurisprudência pacífica, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pedidos e argumentos suscitados pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para sustentar sua decisão. Mas este não é o caso, pois tratase de defesa quanto ao próprio cerne da tempestividade, que em tese poderia mudar o destino do julgamento. E sendo assim, sobre essa temática a Turma deveria ter se pronunciado, conferindo completude ao provimento jurisdicional em todos os seus aspectos relevantes. Pelo exposto, em juízo prelibatório, não há como dizer que a omissão apontada é manifestamente improcedente ou que não foi objetivamente apontada. Portanto, ACOLHO este item dos embargos para que seja submetido à Turma julgadora. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Nos termos do Despacho de Admissibilidade, os Embargos de Declaração da Contribuinte são tempestivos e foram parcialmente admitidos. Na forma relatada, admitiramse somente as alegações de omissão no que diz respeito aos fundamentos da conclusão quanto à intempestividade do Recurso Voluntário e em relação à aplicação, ao caso, da Portaria RFB nº 666/2008, revogada pela Portaria RFB nº 354/2016 e revogada pela Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016 que, dispõe sobre a formalização de processos, por meio das quais a Embargante sustenta que a fiscalização não poderia ter constituído dois processos administrativos, mas deveria ter incluído os autos de infração (IRPJ e CSLL) em um único PAF. Sobre esses pontos específicos, vejase o que consignou o relatório do Acórdão embargado: (...) Todavia, há neste processo (IRPJ) questão particular que deve ser tratada, já de início, que diz respeito à intempestividade da interposição do recurso voluntário desse caso, como segue. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 6 5 Conforme Termo de Abertura de Mensagem (fl. 1049), registrada na Caixa Postal da Recorrente (eCAC, Domicílio Tributário Eletrônico – DTE), em 08/07/2016, a Recorrente acessou a Intimação para Ciência do Acórdão e Intimação para interpor recurso voluntário. Todavia, não houve a interposição de recurso voluntário no prazo regulamentar de 30 dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33). Lavrouse, assim, Termo de Perempção (fl. 1050), juntado aos autos, em 24/08/2016. Somente, em 26/08/2016 (fls. 105 a 1107), a Recorrente protocolou neste processo, recurso voluntário. No entanto, alegou preliminarmente que seria nulo o Termo de Perempção, pelo fato de que, em realidade, teria interposto recurso voluntário em 04/08/2016, só que nos autos do referido PAF nº 11516.720291/201557 (CSLL). A Recorrente fundamentou tal procedimento nas normas estabelecidas pela Portaria RFB nº 666/2008, revogada pela Portaria RFB nº 354/2016 e revogada pela Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016 que, dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), cujo teor foi a seguir transcrito foi mantido pela nova e vigente portaria, em seu art. 2º, inciso I, alínea ‘a’. Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016 Art. 2º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Não obstante tais orientações para a formalização de processos administrativos unificados, verificase que, no caso, cadastraramse dois processos, um para cada tributo: IRPJ e CSLL. Em cada processo houve intimação individualizada para ciência e apresentação de recurso. Em momento algum a Recorrente insurgiu quanto à necessidade de se unificar os processos em cumprimento às referidas Portarias. Somente, diante do protocolo do Recurso Voluntário, após o prazo legal de 30 dias da intimação do acórdão recorrido, recorreuse a tais orientações das Portarias. Verificase, portanto, que o trecho retro transcrito do voto em questão, não contemplou todos esses fundamentos, unicamente para não ser repetitivo. Pois, logo acima, o relatório havia consignado toda a fundamentação com base na qual concluiuse por não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. De qualquer forma, para sanar a alegada omissão, integro os fundamentos acima transcritos ao voto do Acórdão embargado, de modo que a arguição, somente em sede de Recurso Voluntário, quanto á necessidade de unificação dos processos administrativos fiscais, ainda que o Recurso Voluntário fosse tempestivo, estaria preclusa pelo fato de não ter sido sustentada na Impugnação. Com base em tais fundamentos, voto por acolher os Embargos para sanar a referida omissão. Porém, sem efeitos infringentes. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 11516.720289/201588 Acórdão n.º 1302003.280 S1C3T2 Fl. 7 6 (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003696/2007-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma.
Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
Numero da decisão: 1003-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, tratase de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 36 96 /2 00 7- 11 Fl. 52DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 1423.284, de 22 de abril de 2009, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 2022, julgando procedente o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao anocalendário 2006, nos moldes da ementa abaixo transcrita: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 . ENTREGA FORA DO PRAZO DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA INOCORRÊNCIA. Não há denúncia espontânea quando o contribuinte apresenta, com atraso, a DCTF. O art. 138 do CTN não se aplica às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Tratandose de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência de fato gerador, o atraso na entrega da DCTF não encontra guarida no instituto da exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 2832, requerendo sua reforma, e, para tanto, argumentou, em síntese, a insubsistência do lançamento por ter ficada caracterizada a ocorrência de denúncia espontânea, vez que , in casu, tal instituto pode ser reconhecido nem a necessidade de pagamento de tributo, porque não haveria valor a recolher em decorrência da infração cometida, conjugando a interpretação dos arts. 138 e 113 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, trouxe os mesmos argumentos apresentados em sua impugnação, buscando socorrerse nos artigos 138 e 113 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, o procedimento fiscal foi efetuado nos estritos termos legais, ao qual agente público está plenamente vinculado, nos termos do art. 3° e parágrafo único do art. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.003696/200711 Acórdão n.º 1003000.337 S1C0T3 Fl. 53 3 142 do Código Tributário Nacional e art. 37 da Constituição Federal, logo, a decisão recorrida não merece reforma. Isso porque o afastamento das penalidades em função da denúncia espontânea não ocorre quando a causa da penalidade é o descumprimento de uma conduta meramente formal, como nos casos de entrega, com atraso, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF . E, nos autos está comprovado que a Recorrente, de fato, descumpriu a obrigação de entregar a DCTF no prazo regulamentar, tanto que ela nem questiona isso. Sendo assim, como não existe na lei dispensa do pagamento de multa por atraso na entrega da referida declaração, restou evidenciado que a sanção foi aplicada de acordo com o determinado na legislação tributária pertinente e que fundamentou o lançamento. Ademais, a Recorrente afirma que o instituto da denúncia espontânea alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração: O Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Todavia, a Recorrente a questão é objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com entendimento vinculante na administração tributária federal determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 54DF CARF MF 4 Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.909846/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.438
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BANCO BRADESCO BBI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 98 46 /2 01 1- 25 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 3 2 Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Alternativamente, caso as receitas financeiras de instituições financeiras fossem entendidas como receita de prestação de serviços, pleiteou o deferimento parcial do pleito, argumentando que as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 4 3 próprios ou de terceiros não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da Cofins, quando não houvesse intermediação financeira. O interessado alegou que além de auferir receitas decorrentes da prestação de serviços bancários, praticaria operações de interesse próprio, como aplicação de seu capital de giro e do capital de terceiros, remuneração de depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Tais operações não estariam incluídas no conceito de faturamento e não integrariam a base de cálculo do PIS e da Cofins. Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.165, de 30/09/2016, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais típicas. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, é tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 5 4 dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual repete as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.423, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.909418/201101, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.423): Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 6 5 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 7 6 seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 8 7 intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 9 8 que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 10 9 ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 11 10 determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 12 11 bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente é um banco – uma instituição financeira cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e crédito imobiliário), inclusive câmbio de administração de valores mobiliários, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor (Estatuto às fls. 17 e ss.). Assim, todas as receitas originárias da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social, compõem a base de cálculo do PIS, não importando se derivem da aplicação de recursos próprios (como aplicação de seu capital de giro) ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente, o que inclui os juros sobre o capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido em outras sociedades e a remuneração dos depósitos compulsórios, porquanto auferidas no exercício de suas atividades empresariais. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.909846/201125 Acórdão n.º 3201004.438 S3C2T1 Fl. 13 12 (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, na solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.423 (processo 16327.909418/201101). Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.004091/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68
Súmula CARF nº 68:
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária.
ALEGADA PRESCRIÇÃO. NÃO CONSTATADA.
A prescrição diz respeito ao ato de cobrança do tributo pelo FISCO. O prazo para o FISCO cobrar o pagamento do tributo é de 5 anos contados da constituição definitiva do tributo, ou seja, do lançamento definitivo. Processo administrativo ainda discute a legalidade do lançamento, portanto, enquanto se discute a validade do lançamento, não se inicia o prazo prescricional para a cobrança de seu pagamento.
PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Havendo a exigência de IRPF suplementar, resta claro que houve o recolhimento parcial.
IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. DECADÊNCIA NÃO RECONHECIDA. SÚMULA 38 DO CARF
Súmula CARF nº 38
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano-calendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, deve-se afastar a alegação de decadência do crédito tributário.
Numero da decisão: 2301-005.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68 Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. ALEGADA PRESCRIÇÃO. NÃO CONSTATADA. A prescrição diz respeito ao ato de cobrança do tributo pelo FISCO. O prazo para o FISCO cobrar o pagamento do tributo é de 5 anos contados da constituição definitiva do tributo, ou seja, do lançamento definitivo. Processo administrativo ainda discute a legalidade do lançamento, portanto, enquanto se discute a validade do lançamento, não se inicia o prazo prescricional para a cobrança de seu pagamento. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Havendo a exigência de IRPF suplementar, resta claro que houve o recolhimento parcial. IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. DECADÊNCIA NÃO RECONHECIDA. SÚMULA 38 DO CARF Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano-calendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, deve-se afastar a alegação de decadência do crédito tributário.
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TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 68 Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. ALEGADA PRESCRIÇÃO. NÃO CONSTATADA. A prescrição diz respeito ao ato de cobrança do tributo pelo FISCO. O prazo para o FISCO cobrar o pagamento do tributo é de 5 anos contados da constituição definitiva do tributo, ou seja, do lançamento definitivo. Processo administrativo ainda discute a legalidade do lançamento, portanto, enquanto se discute a validade do lançamento, não se inicia o prazo prescricional para a cobrança de seu pagamento. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Havendo a exigência de IRPF suplementar, resta claro que houve o recolhimento parcial. IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. DECADÊNCIA NÃO RECONHECIDA. SÚMULA 38 DO CARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 40 91 /2 00 7- 43 Fl. 56DF CARF MF 2 Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nas fls. 45/ 51, em face da decisão da DRJ (fls. 38/41) proferida pela Acórdão 074ª Turma da DRJ/FNS, 16.478 de 05 de junho de 2009, que julgou procedente o lançamento. Conforme se depreende do Auto de Infração (fls. 17/22) lançado contra o Contribuinte, tratase de uma revisão de oficio de sua declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2003 anocalendário 2002 – na qual a contribuinte declarou que recebeu R$47.812,35 de rendimentos de pessoa jurídica com vínculo, enquanto que efetivamente recebeu R$63.325,47, conforme DIRF expedida pelo Comando do Exército. Desta forma, alterouse o saldo de imposto a restituir, de R$5.923,31 para R$1.657,20. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11516.004091/200743 Acórdão n.º 2301005.820 S2C3T1 Fl. 57 3 Alega o Contribuinte em sua impugnação (fls. 2/7), que o valor apurado como omitido corresponde ao adicional por tempo de serviço e que não há incidência de IRPF sobre o mesmo. Afirma que o adicional por tempo de serviço, no caso dos funcionários públicos, não se constitui em acréscimo patrimonial, conforme o art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), mas sim em indenização paga pelo Estado em virtude das vedações impostas ao servidor pela Lei n°. 11.094/2005 e Lei n°. 8.112/90, as quais dispõem sobre o Regime Jurídico de Servidor Público. Na DRJ (fls. 38/41) observa que o lançamento foi julgado procedente, visto que: · A Lei n°. 8.852/94, referenciada pelo Contribuinte foi editada como forma de regulamentar os incisos XI e XII dos artigos 37 e 39 da Constituição e que restou claro que a sua natureza não é tributária, não podendo se contrapor à Lei 7.713/88; · Para a tributação do IRPF, importa o total dos rendimentos auferidos, sendo que o art. 38 do RIR/99 não deixa margem para dúvidas quanto ao fato de que, independente da denominação que seja dada aos rendimentos ou a forma de percepção da renda ou proventos, para a incidência do imposto sobre a renda ou proventos, basta o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. · Para que um rendimento, embora no campo da incidência, não seja tributado, se faz necessária uma norma explícita que o isente, sendo que não há sua exclusão no art. 39 do RIR/99; No Recurso Voluntário interposto nas fls. 45/ 51, a Contribuinte pugna pela: · Traz conceitos de rendimentos e vantagens, sendo o primeiro proveniente do trabalho assalariado e o segundo, verbas recebidas que complementam o salário, compreendem em gratificações, prêmios, plano de saúde, entre outros. · A Lei 8.852/94 é explicita ao considerar no seu artigo 1°, inciso III, letra “n”, que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração; · Artigo 43 do RIR/99 determina que apenas remuneração por trabalho assalariado incide IRPF, não se reportando que adicional por tempo de serviço estaria sujeito a incidência, sendo certo a sua exclusão; · Adicional por Tempo de Serviço” pago pelo ente Público tem natureza indenizatória em razão das restrições a que o servidor público está sujeito; já o adicional por tempo de serviço pago pelo setor privado é uma remuneração destinada a estimular a fidelidade e a produção, junto ao empregador. · Diferencia proventos de indenizações, sendo o primeiro, quantitativos em dinheiro que o militar percebe na inatividade, quer na reserva remunerada ou reformado (Art. 68 da Lei 279/79), logo o militar ativo Fl. 58DF CARF MF 4 recebe vencimentos e o militar inativo recebe proventos; e o segundo, o quantitativo em dinheiro, isento de qualquer tributação, devido ao militar para ressarcimento de despesas impostas pelo exercício de suas funções; · Ao adicional por tempo de serviço é indenização paga pelo Estado ao servidor em virtude das vedações impostas e, portanto, não há hipótese de incidência sobre o Adicional por tempo de serviço, uma vez que as parcelas tributadas não são componentes da remuneração do Autor. Este é o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta das fls. 44, a Contribuinte foi intimada em 10/10/2009, sendo que apresentou seu Recurso Voluntário (fl. 45) em 04/11/2009, portanto tempestivo. Conheço do recurso, passo à análise de seu mérito. Mérito Tratase de IRPF lançado sobre o adicional por tempo de serviço, no qual o Contribuinte entende que a verba é indenizatória e, portanto, não incide IRPF. Em suas razoes recursais, o Contribuinte afirma que a Lei 8.852/94 é explicita ao considerar no seu artigo 1°, inciso III, letra “n”, que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Já o no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não está contemplado. Portanto, são tributáveis os rendimentos recebidos mediante tal rubrica. Sobre a alegação, este Conselho tem o entendimento sumulado que: Súmula CARF nº 68: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11516.004091/200743 Acórdão n.º 2301005.820 S2C3T1 Fl. 58 5 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, a Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, por não ser legislação específica do Direito Tributário. O RIR/99 é claro ao determinar em seu Art. 39 os rendimentos isentos e não tributáveis. Nele não há a inserção do adicional por tempo de serviço. Apenas uma lei pode conferir isenção ou exclusão de incidência de IRPF. Não havendo norma que permita a exclusão do rendimento da base de cálculo do IRPF, não há que se falar em não incidência do tributo. Ademais, o adicional por tempo de serviço não se caracteriza verba indenizatória. É verba salarial conferida ao funcionário público. Ao final o contribuinte afirma em suposta prescrição do crédito tributário, ao afirmar que: “Ademais, o Termo de Auto de Infração, haja vista o período de apuração, no qual a incidência do fato gerador do termo de auto de infração anocalendário 2002 exercício 2003, está prescrito em 31/12/2007, como determina o CTN”. A prescrição é uma das formas de extinção dos créditos tributários. No direito tributário pode ser definida como a extinção do direito ao crédito tributário ocorrida pela inércia do fisco ao deixar de promover as medidas necessárias para a garantia do direito. A prescrição é regida pelo art. 174 do CTN que determina: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Este instituto serve como base de defesa, para a contribuinte, quando se propõem a demanda executiva perante o judiciário. A presente fase se discute a constituição do crédito. Tratase do processo administrativo, no qual se verifica a validade do lançamento, ou seja, da constituição do crédito tributário. Findo o processo administrativo, Fl. 60DF CARF MF 6 temse a constituição definitiva do crédito tributário, iniciandose, a partir de então, a contagem do prazo prescricional. Portanto, não resta caracterizada a ocorrência da prescrição arguida pela Contribuinte. Também não é o caso de decadência. Conforme consta dos autos, tratase de IRPF suplementar lançado, proveniente do ano calendário de 2002, exercício de 2003, cuja intimação do Auto de Infração pela contribuinte se deu em 23/08/2007. Tratandose de IRPF com pagamento parcial pelo Contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo §4º do art. 150 do CTN, ou seja, prazo de 05 anos contados do Fato Gerador, conforme Jurisprudência consolidada deste Conselho: PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Acórdão nº 9202002.548 Sessão de 5 de março de 2013) Houve pagamento parcial no presente caso, pois conforme o próprio Auto de Infração determina, tratase de exigência de crédito tributário proveniente de IRPF Suplementar. O Fato Gerador do IRPF se dá no dia 31 de dezembro de cada ano calendário, por ser imposto do tipo complexivo, conforme o entendimento já formalizado por este Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. INTIMAÇÃO DE OUTRAS PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE. Considerandose que o autuado era quem efetivamente movimentava a conta corrente bancária de pessoa jurídica já extinta, da qual os sócios atestaram não participar da Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11516.004091/200743 Acórdão n.º 2301005.820 S2C3T1 Fl. 59 7 movimentação financeira no período autuado, não há necessidade na espécie de intimação de outras pessoas que supostamente eram procuradores da pessoa jurídica para se aperfeiçoar o lançamento. LEGITIMIDADE PASSIVA O recorrente se enquadra dentro do conceito de contribuinte, haja vista que, tendo movimentado isoladamente a conta bancária objeto da apuração, praticou a conduta definida como fato gerador do imposto de renda. UTILIZAÇÃO DA TABELA ANUAL Os rendimentos apurados a partir de depósitos bancários estão sujeitos ao ajuste na declaração anual. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. A utilização de conta corrente bancária de pessoa jurídica extinta, por dois anoscalendário consecutivos representa conduta dolosa que atrai a aplicação da multa qualificada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005,2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexistiu cerceamento ao direito de defesa do autuado, posto que o fisco procedeu a mais de uma intimação para apresentação de documentos que aquele detinha poderes para apresentálos. Recurso Voluntário Negado. CARF. Acórdão 2402005.594. Sessão 19/01/2017 Tratase, inclusive, o entendimento da Súmula CARF de n. 38: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Desta forma, se o Fato Gerador do IRPF é complexivo e se aperfeiçoa no dia 31/12 de cada anocalendário e, considerando que o presente lançamento diz respeito ao Ano Calendário de 2002, o fato gerador se deu em 31/12/2002, ocorrendo a decadência apenas em 31/12/2007. Conforme consta das fls. 34, o conhecimento da contribuinte se deu em 23/08/2007, e, desta forma, não se constata a decadência no presente caso. Fl. 62DF CARF MF 8 Ademais, tratase de direito creditório em favor da Contribuinte, sendo que a constatação da decadência e da prescrição, neste caso, seria apenas prejudicial ao pedido da mesma, razão pela qual não se entende do pedido formulado em seu Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento aos pedidos da Contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.002358/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida no RE nº 585.235/MG pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006 (repercussão geral).
RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS.
Nos termos do art. 62, §2º do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DESCONSTITUIÇÃO DA CAUSA ORIGINAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EFEITOS.
No caso de julgamento do CARF decidindo pela existência, em tese, do direito ao crédito, ocorre a desconstituição da causa original do Despacho Decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo Despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004
PIS. RESTITUIÇÃO. DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao pedido da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS discutido a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) afastar o fundamento original do Despacho Decisório com base no RE nº 585.235-1/MG e, (ii) determinar que a autoridade fiscal de origem apure, por meio de novo Despacho Decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida no RE nº 585.235/MG pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006 (repercussão geral). RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. Nos termos do art. 62, §2º do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DESCONSTITUIÇÃO DA CAUSA ORIGINAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EFEITOS. No caso de julgamento do CARF decidindo pela existência, em tese, do direito ao crédito, ocorre a desconstituição da causa original do Despacho Decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo Despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004 PIS. RESTITUIÇÃO. DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao pedido da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS discutido a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado.
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BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida no RE nº 585.235/MG pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006 (repercussão geral). RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. Nos termos do art. 62, §2º do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DESCONSTITUIÇÃO DA CAUSA ORIGINAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EFEITOS. No caso de julgamento do CARF decidindo pela existência, em tese, do direito ao crédito, ocorre a desconstituição da causa original do Despacho Decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo Despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004 PIS. RESTITUIÇÃO. DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao pedido da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS discutido a partir da mesma matéria fática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 23 58 /2 00 6- 41 Fl. 219DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) afastar o fundamento original do Despacho Decisório com base no RE nº 585.2351/MG e, (ii) determinar que a autoridade fiscal de origem apure, por meio de novo Despacho Decisório, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Pedido de Restituição (fls. 2/9), protocolado em 14/03/2006, relativo ao alegado pagamento indevido do PIS e da COFINS sobre as “Receitas Financeiras” e outras especificadas, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Alega a Recorrente que o Pedido de Restituição se refere a pagamentos indevidos de PIS e CCOFINS realizados entre janeiro de 2001 a janeiro de 2004, sobre Receitas financeiras (e outras), que segundo o citado dispositivo legal, integrariam a base de cálculo das contribuições. A empresa apresentou sua defesa contra o Despacho Decisório nº 2.789, de 29 de outubro de 2007 (fls. 134/137), proferido pela DRF de Feira de Santana (BA), que indeferiu o direito creditório da contribuinte, no valor original de RS 786.472,31. Na fundamentação do Despacho Decisório, o Fisco ressalta que "(...) a Lei n° 9.718. de 1998, se encontra plenamente válida no ordenamento jurídico pátrio, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal, a decisão acerca da inconstitucionalidade da norma legal questionada". Cientificada do despacho decisório em 12/11/2007, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade em 11/12/2007, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: a) inconstitucionalidade decisão do STF: não se trata de decidir sobre a inconstitucionalidade de norma legal, mas de aplicar o entendimento pacifico do Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconsistência da alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718, de 1998, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários n° 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840; b) ilegalidade: o alargamento pretendido pela Lei n° 9.718, de 1998, também violou o art. 110 do Código Tributário Nacional, padecendo, assim, de vício de ilegalidade; Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10580.002358/200641 Acórdão n.º 3402006.108 S3C4T2 Fl. 220 3 c) Taxa Selic: os valores a serem restituídos devem ser atualizados pela taxa Selic, desde a data do recolhimento indevido até a data da efetiva restituição, em atendimento ao que dispõe a Lei n° 9.250, de 1995, e a Instrução Normativa SRF n°600, de 2005; e d) impossibilidade de apresentação de PER/DCOMP: o pedido de restituição se deu em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins; Ocorre que esse tipo de requisição somente pode ser efetuado através do programa PER/DCOMP quando a quitação do tributo tiver ocorrido por meio de pagamento de DARF; Entretanto, no presente caso , as contribuições não foram pagas mediante DARF, eis que a quitação ocorreu mediante compensação; Dada a impossibilidade de utilização do PER/DCOMP, o pedido foi preenchido em formulário, nos termos dos §§ 2' e 3° do art. 76 da IN SRF n° 600. de 2005. Por meio do Acórdão nº 1520.408, de 20 de agosto de 2009, a 4ª Turma da DRJ Salvador/BA, indeferiu a Manifestação de Inconformidade, sob o principal argumento de que a decisão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, não atende aos requisitos do Decreto nº 2.346/97, e, portanto, não pode ser aplicada aos demais contribuintes. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional e que o plenário do Supremo Tribunal Federal já declarou essa inconstitucionalidade em caráter definitivo. Existindo decisão definitiva do STF, ainda que proferida no controle difuso, os arts. 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97 autorizam a autoridade administrativa a decidir de acordo com o que preceitua o STF. Disse que recolheu indevidamente as Contribuições por ter incluído em sua base de cálculo, além das Receitas Financeiras, as seguintes contas da contabilidade: 44.101 1 Abatimentos obtidos (ORO); 44.101.5 Brindes e Amostras; 44.1012 Outras Rendas (ORO) 44.2000 Recuperação Créditos Fiscais; 44.2012 Ressarcimento Créd Presumido IPI s/ Pis Cofins; 44.2020 Recuperação Crédito Fiscal; 44.2021 Crédito Presumido do ICMS 90% vendas MI e 44.2022 Recuperação Créd Fiscal Crédito Presumido ICMS 90% Vendas MI Crédito ICMS Extemp. Comunic/Combustível, receitas essas distintas do faturamento, as quais, segundo a decisão do STF, não poderiam ter sofrido a incidência tributária. Anexa planilha demonstrativa. Da impossibilidade de apresentação de PER/DCOMP: alega que tinha direito ao beneficio do crédito presumido de IPI, instituído pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/2001. Além disso, a Recorrente possuía outros créditos passíveis de compensação. Esses créditos foram utilizados para quitar os débitos relativos às contribuições ao PIS e COFINS, nos termos do disposto na Lei n. 9.718/98. Requer a reforma da decisão recorrida e o deferimento da Restituição pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Fl. 221DF CARF MF 4 O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS e da COFINS incidente sobre recolhimentos, cuja base de cálculo não seja, exclusivamente, o valor das vendas de bens e serviços no mercado interno. Em seu recurso requer que sejam excluídas da base de cálculo as Receitas Financeiras, assim como os abatimentos obtidos, outras rendas, recuperação de créditos fiscais, dentre outras rubricas, apurada entre 01/2001 e 01/2004, conforme Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. A solicitação foi formalizada através do formulário Pedido de Ressarcimento, aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, em virtude da impossibilidade de ter seu pleito requerido eletronicamente mediante a utilização do Programa PER/DCOMP. O fundamento do indébito é a declaração de inconstitucionalidade, em sede de controle difuso, do dispositivo legal que serviu de base aos recolhimentos, qual seja: o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. No entanto, a Delegacia de Julgamento em Salvador/BA, entendeu à época, que tal decisão se aplica unicamente ao caso concreto julgado pelo STF, não sendo passível de ser estendida a outros contribuintes. a) Da Prescrição Preliminarmente, cabeme apreciar de ofício a questão da prescrição (ou da decadência como entendem alguns) do direito à restituição do indébito. No caso concreto estamos diante do Pedido de Restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Ao julgar o RE nº 566.621, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento com caráter de repercussão geral, considerou que para Ações de repetição do indébito propostas até 08 de junho de 2005 deve prevalecer o prazo de 10 (dez) anos, nos termos da jurisprudência do STJ, e o prazo de 5 (cinco) anos para ações propostas a partir de 09 de junho de 2005, a teor do art. 3º, combinado com o art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005. No caso, o Pedido de Restituição foi protocolado (em formulário papel) em 14/03/2006 (doc. fl. 2). Tendo a Recorrente manejado o Pedido de Restituição em 14 de março de 2006, aplicase ao caso concreto o prazo de prescrição de 05 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, a teor dos arts. 3º e 4º da Lei nº 118, de 09/02/2005, combinado com o art. 168, I, do CTN. Aplicandose tal critério, verificase que no caso sob análise não existe nenhum pagamento prescrito, pois os débitos informados referente aos fatos geradores ocorridos entre 01/2001 e 01/2004, foram consideradas extintas por meio de compensação. O débito referente ao mês de Janeiro/2001, foi extintas por compensação em 10/04/2001, conforme data de protocolo da declaração de compensação (fl. 35). O de fevereiro/2001, compensado em 04/05/2001 (fl. 36). E os débitos dos períodos de março a dezembro de 2001 foram extintas por compensações efetuadas ao longo de 2004 (fls. 37 e ss.). Assim, não havendo prescrição, passase ao exame da questão de fundo. b) Do Direito alegado pela Recorrente É consabido que o Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário nº 357.950/RS, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e a constitucionalidade do art. 8º da referida lei. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10580.002358/200641 Acórdão n.º 3402006.108 S3C4T2 Fl. 221 5 A análise do inteiro teor daquela decisão revela que somente as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços podem sofrer a incidência do PIS e da COFINS, uma vez que o Tribunal considerou que o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 era incompatível com o art. 195, I, “b” da Constituição, em sua redação original, e que a mácula do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da EC nº 20/98. Como é cediço, existindo decisão definitiva do STF, proferida em sede de controle difuso, a questão que se coloca é a possibilidade de a Administração Pública estendê la aos demais contribuintes. Mais adiante, ao julgar o RE nº 585.2351/MG, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da questão constitucional versada nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.784/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. org. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. E inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." Verificase que o §2º do art. 62, do Regimento Interno do CARF vincula os Conselheiros às decisões proferidas pelo STF e pelo STJ nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Posto isto, considerando que o indébito ora pleiteado decorre da alegada inclusão na base de cálculo da Contribuição do PIS e da COFINS sobre as Receitas Financeiras, bem como dos abatimentos obtidos, outras rendas, recuperação de créditos fiscais, dentre outros, apurada entre 01/2001 e 01/2004, que, em preincípio, não se identificam com o conceito de faturamento estabelecido pelo STF, voto no sentido de reconhecer, em tese, a existência do direito da Recorrente à repetição do indébito com base no RE nº 585.2351/MG. c) Da Liquidez e Certeza do crédito Ultrapassado a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito alegado. Como relatado, o presente processo se refere ao Pedido de Restituição de contribuições do PIS e da COFINS recolhidos (fls. 2/9), cuja base de cálculo não seja, Fl. 223DF CARF MF 6 exclusivamente, o valor das vendas de bens e serviços no mercado interno. Em suma, a Recorrente requer que sejam excluídas da base de cálculo as Receitas financeiras, assim como os abatimentos obtidos, outras rendas, recuperação de créditos fiscais, dentre outros. Pois bem. Como visto, o pedido foi negado, por entender a fiscalização no seu Despacho Decisório nº 2.789/2007, proferido pela DRF/Feira de Santana (BA), que (fls. 134/137): "(...) A Constituição Federal em seu art. 2° estabelece o principio da separação e independência dos Poderes, sendo, portanto, interditado ao Executivo avocar matéria de competência privativa do Poder Judiciário como é a de decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal. A Secretaria da Receita Federal, como órgão da Administração Direta da Unido, não é competente para decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal, cabendolhe, mediante ação administrativa, aplicar a lei tributária ao caso concreto. O foro competente para apreciar argüição de descumprimento de preceito constitucional é o Supremo Tribunal Federal, consoante dispõe art. 102, parágrafo único da Constituição Federal. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O texto legal é bastante claro ao determinar que as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins serão calculadas com base no seu faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitindose a exclusão apenas das parcelas elencadas pela lei, pois a lista é exaustiva, de modo que não cabem novas exclusões além daquelas ali discriminadas.(...)" Este mesmo entendimento também foi referendado pela decisão de primeira instância administrativa, conforme se verifica no Acórdão às fls. 159/165. No entanto, no caso, vislumbrase a necessidade de reforma do Despacho Decisório e da decisão de primeira instância, vez que o fundamento jurídico por elas concedidos (Recursos Extraordinários n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3° da Lei nº 9.718, de 1998, excluindo as receitas estranhas ao faturamento da base de cálculo do PIS c da Cofins), foi no sentido que, "tais ações julgadas tem efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omines, como requereu a Recorrente". Por outro lado, como vimos no tópico "b" acima (do direito), ao julgar o RE nº 585.2351/MG, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da questão constitucional versada nos RE nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, conforme definido no RE nº 585.2351/MG, em sede de repercussão geral. Assim, diante destas circunstâncias, afastado o único fundamento jurídico apresentado para a negativa à restituição do crédito, necessário que seja realizado um novo trabalho fiscal para a confirmação da validade e liquidez do crédito, e não simplesmente realização de uma diligência para a verificação de sua validade nesta segunda instância administrativa. Isto porque no caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRF, em seu Despacho Decisório de fls. 134/137, não apreciou esse aspecto. Assim, e Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10580.002358/200641 Acórdão n.º 3402006.108 S3C4T2 Fl. 222 7 considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, bem como já entendido em outras oportunidades por este Conselho, como por exemplo: "Processo administrativo fiscal. Nulidade. Supressão de instância. Cerceamento do direito de defesa. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada toda a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa. Nulo é o ato administrativo maculado com vício dessa natureza. Processo que se declara nulo a partir do despacho decisório viciado, inclusive." (Grifei) (PAF nº 16327.002874/9971 Data da Sessão 05/12/2006 Relator Tarásio Campelo Borges Nº Acórdão 30333.805). Desta forma, devem os autos retornar para a Unidade preparadora de origem (DRF/Feira de Santana/BA), para apreciar quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito alegado no pedido. d) Dispositivo Diante do acima exposto, deve ser dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja reformado o Despacho Decisório de fls. 134/137, afastando sua fundamentação e, que seja analisada pela autoridade fiscal a liquidez e certeza do crédito pleiteado no Pedido de Restituição relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2001 a janeiro de 2004 (fls. 2/9). É como voto. Waldir Navarro Bezerra (assinado digitalmente) Fl. 225DF CARF MF
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