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Numero do processo: 10980.915803/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.616
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 15 80 3/ 20 12 -7 0 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.915803/201270 Resolução nº 3402001.616 S3C4T2 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório, que indeferiu o pedido de compensação da Contribuinte por concluir que não restou saldo disponível. No Recurso Voluntário ora em apreço, alega a Recorrente que: Transmitiu eletronicamente o Per/Dcomp para compensação de débitos diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa; A compensação não foi homologada face a erro de preenchimento da DCTF e da Dacon correspondente ao período do crédito submetido no Perd/Comp; Quando tomou ciência do indeferimento do pedido de compensação, imediatamente transmitiu as declarações retificadoras, a fim de que constasse o valor correto; Ressaltase que tais retificações foram efetuadas dentro do prazo legal de cinco anos, não tendo precluído o direito da Reclamante de fazêlo. Com isso, invocando o Princípio da Verdade Material, pede pela análise dos documentos anexados com o recurso para o fim de que seja possível confirmar a existência do crédito e a legitimidade da compensação efetuada, com a consequente homologação da compensação pleiteada e extinção do débito vinculado a referida declaração. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.601 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.913460/201217, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.601) "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.915803/201270 Resolução nº 3402001.616 S3C4T2 Fl. 189 3 Da necessidade de diligência para julgamento do litígio Constatase às fls. 6 a 10 dos autos que a Recorrente apresentou em data de 29/10/2010 o PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.04 4640, pelo qual prestou as seguintes informações: Por sua vez, a retificação foi transmitida em 07/12/2012, sendo que a documentação mencionada pela defesa de fato foi anexada nestes autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Para julgamento deste processo, fazse necessário buscar a Verdade Material sobre o objeto do litígio, apurando a legitimidade do crédito discriminado em PER/DCOMP, bem como a documentação apresentada, analisando a suficiência de crédito disponível para compensação com os débitos igualmente informados. Por tais motivos, proponho a conversão do julgamento em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais acostados às fls. 57 a 184, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.044640 e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10980.915803/201270 Resolução nº 3402001.616 S3C4T2 Fl. 190 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais trazidos quando da apresentação do Recurso Voluntário, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP em tela e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720227/2016-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não ocorrendo inovação nos fundamentos do lançamento, bem como foi garantido o direito a ampla defesa e ao contraditório, afasta-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância.
GANHO DE CAPITAL. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. REDUÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. SIMULAÇÃO SUBJETIVA. INOPONÍVEL AO FISCO
A transferência das participações societárias detidas pela pessoa jurídica aos seus sócios, por meio de reorganização societária consistindo em cisões do patrimônio, com o objetivo de reduzir a tributação sobre o ganho de capital decorrente das vendas daquelas participações por pessoas físicas, com aplicação da alíquota de 15% ao invés de 34%, constitui planejamento tributário inoponível ao Fisco, por meio da simulação subjetiva.
REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E ATIVOS AOS SÓCIOS E ACIONISTAS. INEXISTÊNCIA DE NORMA INDUTORA.
O artigo 22 da Lei nº 9.249/95 não é um dispositivo legal que autoriza o contribuinte alterar a realidade fática do negócio, por meio de redução de capital e transferência de ativos e bens, tão somente para permitir a tributação do ganho de capital na pessoa física do sócio, e não na pessoa jurídica.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS -ADMINISTRADORES. PRÁTICA DAS INFRAÇÕES. ARTIGO 135 DO CTN. MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO.
São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sócios-administradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, visando a redução da carga tributária.
TRIBUTOS PAGOS INCIDENTES SOBRE DE GANHO DE CAPITAL PESSOAS LIGADAS. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL PESSOA JURÍDICA.
Valores pagos a título de imposto de renda incidentes sobre o ganho de capital da venda das participações, seja da pessoa física sócio ou das retenções na fonte quando o adquirente situa-se no exterior, devem ser considerados na apuração do ganho de capital do imposto de renda pessoa jurídica lançado de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA.CABIMENTO.
Cabe a qualificação da multa de ofício quando demonstrado a ocorrência da simulação subjetiva, já que o real propósito da reorganização societária foi transferir o sujeito passivo da obrigação tributária de pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital na venda dos empreendimentos imobiliários da pessoa jurídica para seus sócios, para redução da carga tributária.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar se lei vigente afronta a constituição por supostamente representar confisco.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em face da íntima relação de causa e efeito entre ambos.
Numero da decisão: 1302-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e do acórdão recorrido e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte principal, para reconhecer o direito à compensação do imposto de renda pago pelas pessoas ligadas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que também davam provimento quanto à decadência, à exigência principal, multa qualificada e a multa isolada, e ainda, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca quanto à incidência de juros sobre a multa; e, ainda, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários arrolados com base no art. 135, III do CTN, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. Designada como redatora do voto vencedor a conselheira Maria Lucia Miceli.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorrendo inovação nos fundamentos do lançamento, bem como foi garantido o direito a ampla defesa e ao contraditório, afasta-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. GANHO DE CAPITAL. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. REDUÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. SIMULAÇÃO SUBJETIVA. INOPONÍVEL AO FISCO A transferência das participações societárias detidas pela pessoa jurídica aos seus sócios, por meio de reorganização societária consistindo em cisões do patrimônio, com o objetivo de reduzir a tributação sobre o ganho de capital decorrente das vendas daquelas participações por pessoas físicas, com aplicação da alíquota de 15% ao invés de 34%, constitui planejamento tributário inoponível ao Fisco, por meio da simulação subjetiva. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E ATIVOS AOS SÓCIOS E ACIONISTAS. INEXISTÊNCIA DE NORMA INDUTORA. O artigo 22 da Lei nº 9.249/95 não é um dispositivo legal que autoriza o contribuinte alterar a realidade fática do negócio, por meio de redução de capital e transferência de ativos e bens, tão somente para permitir a tributação do ganho de capital na pessoa física do sócio, e não na pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS -ADMINISTRADORES. PRÁTICA DAS INFRAÇÕES. ARTIGO 135 DO CTN. MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO. São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sócios-administradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, visando a redução da carga tributária. TRIBUTOS PAGOS INCIDENTES SOBRE DE GANHO DE CAPITAL PESSOAS LIGADAS. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL PESSOA JURÍDICA. Valores pagos a título de imposto de renda incidentes sobre o ganho de capital da venda das participações, seja da pessoa física sócio ou das retenções na fonte quando o adquirente situa-se no exterior, devem ser considerados na apuração do ganho de capital do imposto de renda pessoa jurídica lançado de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA.CABIMENTO. Cabe a qualificação da multa de ofício quando demonstrado a ocorrência da simulação subjetiva, já que o real propósito da reorganização societária foi transferir o sujeito passivo da obrigação tributária de pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital na venda dos empreendimentos imobiliários da pessoa jurídica para seus sócios, para redução da carga tributária. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar se lei vigente afronta a constituição por supostamente representar confisco. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em face da íntima relação de causa e efeito entre ambos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e do acórdão recorrido e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte principal, para reconhecer o direito à compensação do imposto de renda pago pelas pessoas ligadas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que também davam provimento quanto à decadência, à exigência principal, multa qualificada e a multa isolada, e ainda, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca quanto à incidência de juros sobre a multa; e, ainda, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários arrolados com base no art. 135, III do CTN, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. Designada como redatora do voto vencedor a conselheira Maria Lucia Miceli. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-06T12:54:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2019-02-06T12:54:09Z; dcterms:modified: 2019-02-06T12:54:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2019-02-06T12:54:09Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-06T12:54:09Z; meta:save-date: 2019-02-06T12:54:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-06T12:54:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 88; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 4.771 1 4.770 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720227/201625 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.288 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente BRACOR INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorrendo inovação nos fundamentos do lançamento, bem como foi garantido o direito a ampla defesa e ao contraditório, afastase a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. GANHO DE CAPITAL. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. REDUÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. SIMULAÇÃO SUBJETIVA. INOPONÍVEL AO FISCO A transferência das participações societárias detidas pela pessoa jurídica aos seus sócios, por meio de reorganização societária consistindo em cisões do patrimônio, com o objetivo de reduzir a tributação sobre o ganho de capital decorrente das vendas daquelas participações por pessoas físicas, com aplicação da alíquota de 15% ao invés de 34%, constitui planejamento tributário inoponível ao Fisco, por meio da simulação subjetiva. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E ATIVOS AOS SÓCIOS E ACIONISTAS. INEXISTÊNCIA DE NORMA INDUTORA. O artigo 22 da Lei nº 9.249/95 não é um dispositivo legal que autoriza o contribuinte alterar a realidade fática do negócio, por meio de redução de capital e transferência de ativos e bens, tão somente para permitir a tributação do ganho de capital na pessoa física do sócio, e não na pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 02 27 /2 01 6- 25 Fl. 4771DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.772 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES. PRÁTICA DAS INFRAÇÕES. ARTIGO 135 DO CTN. MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO. São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sóciosadministradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, visando a redução da carga tributária. TRIBUTOS PAGOS INCIDENTES SOBRE DE GANHO DE CAPITAL PESSOAS LIGADAS. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL PESSOA JURÍDICA. Valores pagos a título de imposto de renda incidentes sobre o ganho de capital da venda das participações, seja da pessoa física sócio ou das retenções na fonte quando o adquirente situase no exterior, devem ser considerados na apuração do ganho de capital do imposto de renda pessoa jurídica lançado de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA.CABIMENTO. Cabe a qualificação da multa de ofício quando demonstrado a ocorrência da simulação subjetiva, já que o real propósito da reorganização societária foi transferir o sujeito passivo da obrigação tributária de pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital na venda dos empreendimentos imobiliários da pessoa jurídica para seus sócios, para redução da carga tributária. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar se lei vigente afronta a constituição por supostamente representar confisco. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em face da íntima relação de causa e efeito entre ambos. Fl. 4772DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.773 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e do acórdão recorrido e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte principal, para reconhecer o direito à compensação do imposto de renda pago pelas pessoas ligadas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que também davam provimento quanto à decadência, à exigência principal, multa qualificada e a multa isolada, e ainda, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca quanto à incidência de juros sobre a multa; e, ainda, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários arrolados com base no art. 135, III do CTN, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. Designada como redatora do voto vencedor a conselheira Maria Lucia Miceli. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido, complementandoo ao final: “1. Tratase auto de infração a trazer exigências de IRPJ e CSLL (incluídos principal, juros de mora calculados até 12/2016 e multa de oficio proporcional qualificada), bem que de multa de oficio isolada, tudo alcançando o importe de R$ 31.079.848,66 e respeitante a fatos geradores insertos no anocalendário de 2011. Demais disso, também se cuidou de atribuição de responsabilidade tributária solidária (fls. 2838/2862). Na espécie, acusavase a falta de contabilização de ganho de capital apurado Fl. 4773DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.774 4 em alienação de investimentos (com base física em imóveis), assim avaliados pela equivalência patrimonial, e também a ausência de pagamento das exações acima sobre base de cálculo estimada em função de receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão/redução. Foram trazidos à condição de responsáveis tributários solidários ao Contribuinte: o Sr. Carlos Javier Betancourt e o Sr. Angel David Ariaz. Para mais detido entendimento, reproduzamse alguns excertos da fundamentação colacionada pela Fiscalização (fls. 2796/2836; destaques do original): I. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 1. Este processo tratase apenas do lançamento referente ao ganho de capital obtido na alienação da BRC =XXXIII. Porém como o adquirente foi o Sr. Carlos Betancourt, presidente da Bracor à época, todos os elementos obtidos neste procedimento fiscal foram aqui mantidos. [A dizer e por exemplo, que o Termo ora transcrito faz referência à paginação dos autos sob n° 16561.720129/201698] 2. A presente ação fiscal foi executada ao amparo do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF F) n°08.1.85.002016 000233, fls. 12 e 13, tendo como objeto a verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no AC 2010 e 2011. 3. Em virtude das diversas pessoas físicas e jurídicas envolvidas na negociação entre a BRACOR INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA — CNPJ 07.735.515/000189) e os adquirentes das BRCs, as mesmas foram devidamente identificadas no Anexo 1 deste Termo e serão citadas apenas pela sua abreviatura [ Vide fl. 3133 dos autos sob n° 16561.720129/201698, onde consta o Termo de Anexação de Arquiteo NãoPaginável, em que se noticia a anexação do arquivo zipado ANEXO I, II E III do TVF BRACOR.zip. Para acessar os ditos anexos e a explicação já serve para casos semelhantes basta clicar com o botão esquerdo do mouse sobre a figura constante do índice do eprocesso, a partir do que será feito o download de três arquivos no formato de planilhas BrOffice]. 4. Em 02/06/11, a Bracor alterou seu tipo jurídico de sociedade anônima para sociedade empresária limitada. Em consequência, neste procedimento sempre será mencionado acionistas para eventos ocorridos até 01/06/11 e quotistas após esta data. 5. A Bracor foi selecionada para ser fiscalizada com base nos procedimentos de seleção interna que se originou após análise do ágio informado pela empresa LPP I em valor expressivo no AC 2013. A LLP I é uma das empresas que adquiriram do grupo Prosperitas, as participações societárias que haviam sido adquiridas da Bracor nos AC 2010 e 2011. 6. Com base em dados cadastrais, no cruzamento de dados dos sistemas informatizados da Receita Federal e em notícias divulgadas na mídia chegou se à conclusão que o negócio realizado na venda dos referidos imóveis importou numa quantia aproximada de 2 bilhões de reais, não declarada ao Fisco em sua totalidade e de forma correta. Consequentemente não houve o devido recolhimento de Imposto de Renda e CSLL sobre o efetivo ganho de capital. Fl. 4774DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.775 5 7. Desta forma, após a conclusão do procedimento fiscal que importou em diligências nas diversas empresas adquirentes, objeto de sucessivas reorganizações societárias; aos dirigentes dos adquirentes e da alienante; e intimações à fiscalizada, identificouse a Bracor como real alienante dos imóveis, devida e regularmente abrigados em participações societárias (BRCs — Anexo II), portanto, sujeito passivo da obrigação tributária. II. DOS FATOS 8. O procedimento fiscal teve início em 22/04/2016, fls. 747 (na visão hierárquica do eprocesso é o 5 º documento), quando a Bracor foi cientificada da instauração do referido procedimento por meio do Termo de Início de Fiscalização, fls. 744 a 746 (na visão hierárquica do eprocesso é o 4° documento). 9. Após a prorrogação do prazo para atendimento ao Termo de Início de Fiscalização em 10 dias, em 27/05/2016, o contribuinte apresentou os documentos solicitados. Outras 04 intimações foram realizadas no curso do procedimento fiscal, atendidas tempestivamente pelo contribuinte, as quais serão reportadas na descrição dos fatos, quando necessário. Não existe o termo de intimação n° 02, por equívoco cometido na numeração dos termos. 10. O atendimento ao Termo de Início de Fiscalização da Bracor foi efetivado por meio do Dossiê n" 10010.020.540/01526, reproduzidos às folhas 1235 a 1275 deste processo. Por não ser optante do domicílio eletrônico, verificouse uma certa dificuldade da Bracor na inserção dos arquivos no referido edossiê, o que dificultou bastante a manipulação dos dados por esta fiscalização. Desta forma, a Bracor foi autorizada a responder às intimações subsequentes utilizando o SVA — Sistema Validador de Arquivos. 11. Os elementos de prova utilizados neste procedimento fiscal foram fornecidos peta Bracor mediante intimações e nas diligencias executadas nos contribuintes' LPP I, sucessora das adquirentes do Grupo Prosperitas, TDPFD 08.1.85.00 201600010 1, fls. 1378 a 1706; Sr. Carlos Betancourt, Diretor Presidente da Bracor e adquirente da BRC XXXIII, TDPFD 08.1.85.002016000896, fls. 2977 a 2988; CREDIT SUISSE, administradora de fundos adquirentes de BRCs, TDPFD 08.1.85.002016000829, fls. 2257 a 2903; BRC VII, adquirida pela REC LOG 21 e sua incorporadora a posteriori, TDPFD 08. 1.85.00201600078 0, fls. 1708 a 2093; REC LOG 331, adquirente de BRCs, TDPFD 08.1.85.002016000799, fls. 2096 a 2189; REC LOG 411, adquirente de BRCs, TDPFD 08.1.85.002016000802, fls. 2191 a 2256; BANCO ITALT, acionista da Bracor, pessoa jurídica domiciliada no Brasil, TDPFD 08.1.85.002016001345, fls. 2906 a 2976; Sr. Jorge Carlos Nutiez, Diretor sem designação do Grupo Prosperitas, TDPFD 08.1.85.002016001310; Sr. Luciano Lewandowski, Diretor sem designação do Grupo Prosperitas, TDPFD 08.1.85.002016001329 e Sr. Máximo Pinheiro Lima Netto, Diretor sem designação do Grupo Prosperitas, TDPFD 08.1.85.002016001337, fls. 2989 a 3000. 12. Nos anoscalendário 2006 e 2007, a Bracor adquiriu ou constituiu empresas para abrigar diversos imóveis, com participação societária de 99,99% Tais empresas foram denominadas com a sigla BRC seguida de um numeral romano, de I a XXXV Essas empresas e os imóveis a elas pertencentes estão devidamente discriminados no anexo II deste termo. Sobre a constituição das BRCs não Fl. 4775DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.776 6 emitiremos quaisquer julgamentos pois todos os atos e fatos ocorridos à época já estão abrangidos pela decadência, não sendo o escopo desse procedimento fiscal. 13. No anocalendário 2010, a Bracor resolveu se desfazer da quase totalidade desses imóveis abrigados nas participações societárias, nas quais detinha 99,99% das quotas. Para tanto procedeu a uma reorganização societária que lhe permitiu uma economia tributária indevida. 14. Nos anoscalendário 2010 e 2011, a Bracor promoveu 04 cisões de seu patrimônio datadas de 12/08/10, 30/09/10, 18/01/11 e 03/06/11 (a BRC "mi I, contemplada nesta cisão, só foi alienada em janeiro/2012, não sendo objeto deste procedimento fiscal) que lhe permitiu a transferência de sua participação nas BRCs para seus acionistas/quotistas. Fato subsequente, efetivou a alienação das BRCs para o Grupo Prosperitas, a Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt. 15. Os contratos de compra e venda foram firmados entre a Bracor e o Grupo Prosperitas em 23/12/10 e 18/01/11; entre a Bracor e a CREDIT SUISSE nos dias 28/12/10, 30/03/11 e 06/07/11 (02). Além destes contratos, a Bracor também alienou a BRC XXXIII para o Sr. Carlos Javier Betancourt (seu presidente à época) em 12/05/11 e a BRC XXI para a Tulipa Brazil em 01/06/11. 16. Iniciamos analisando as cisões promovidas pela Bracor nos anos calendário 2010 e 2011, que são o marco inicial do planejamento tributário abusivo executado pela Bracor. II.a DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA 1° CISÃO 12/08/10 17. Em 11/08/10, a Bracor possuía os seguintes acionistas e respectivas participações: 18. A relação de acionistas foi extraída do Livro de Registro e Ações, reproduzidos pela Bracor em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 05, fl. 3005. 19.Na assembleia geral extraordinária da Bracor realizada em 12/08/10, fls. 937 a 1050, foi aprovada a cisão parcial da Bracor com incorporação da Fl. 4776DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.777 7 parcela cindida do seu patrimônio líquido pela BRC I, BRC II BRC VI, BRC IX, BRC XV, BRC XVIII ALEGRIA e BRC XXVIII PRAIA GRANDE. 20. A cisão parcial acarretou a redução do capital social da Bracor em montante correspondente ao patrimônio líquido relativo às participações societárias detidas pela Bracor nas BRCs no total de R$ 75.867.823,00. 21. As parcelas cindidas do patrimônio da Bracor corresponderam ao investimento desta em cada uma das BRCs e foram por elas absorvidas. Portanto, a incorporação das parcelas cindidas não acarretou aumento de capital nas BRCs. 22. Os acionistas da Bracor receberam, em substituição às ações que detinham no capital social da Bracor, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas deixam de ter participação indireta nas BRCs e passam a ter participação direta. A Bracor retirase formalmente do quadro acionário das BRCs informados no item 18 deste termo. 23.Não há distribuição de quotas para os acionistas Itciú e Srs. Carlos, Camilla e Brad, pois possuíam somente uma ação da Barco. 24.A ata da AGE de 12/08/10, fls. 937 a 1050, apesar de constar a aprovação e assinatura de todos os acionistas, foi assinada somente pelos Srs. Carlos e Angel, presidente e secretário da assembleia, que eram Presidente e aretor nagnceiro da Bracor, respectivamente. 25. As BRCs que receberam cisão da Bracor foram alienadas conforme discriminado no quadro a seguir: Fl. 4777DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.778 8 2° CISÃO 30/09/10 26.Em 29/09/10, após a 1° cisão de patrimônio realizada em 12/08/10 e antes da cisão ocorrida em 30/09/10, a Bracor possuía os seguintes acionistas e respectivas participações: 27.Na assembleia geral extraordinária da Bracor realizada em 30/09/10, fls. 1051 a 1085, foi aprovada a cisão parcial da Bracor com incorporação Fl. 4778DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.779 9 da parcela cindida do seu patrimônio líquido pelas BRC III, BRC IV, BRC V, BRC VIII, BRC XI, BRC MI e BRC XIX. 28.A cisão parcial acarretou a redução do capital social da Bracor em montante correspondente ao patrimônio líquido relativo às participações societárias detidas pelo contribuinte nas BRCs no total de R$ 158.862.936,00. As parcelas cindidas do patrimônio da Bracor corresponderam ao investimento desta em cada uma das BRCs e foram por elas absorvidas. Portanto, a incorporação das parcelas cindidas não acarretou aumento de capital nas BRCs. 29.Os acionistas da Bracor receberam, em substituição às ações que detinham do capital social da Bracor, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas deixam de ter participação indireta nas BRCs e passam a ter participação direta. A Bracor retirase formalmente do quadro acionário das BRCs informadas no item 26 deste termo. 30.Não há distribuição de quotas para os acionistas Itati e Srs. Brad e Camilla, pois possuíam somente uma ação da Bracor. 31.Da mesma forma que na ata da AGE de 12/08/10, a ata da AGE de 30/09/10, fls. 1051 a 1085, apesar de constar a aprovação e assinatura de todos os acionistas, foi assinada somente pelo Sr. Carlos e pelo Sr. Angel, presidente e secretário da assembleia, que eram Presidente e Diretor Financeiro da Bracor, respectivamente. 32. As BRCs que receberam cisão da Bracor foram alienadas conforme discriminado no quadro a seguir: Fl. 4779DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.780 10 3ª CISÃO — 18/01/11 33. Após a cisão realizada em 30/09/10 e a dissolução da DELLE HOLDING (explicitada no tópico II.c deste termo) e antes da 3a cisão de patrimônio realizada em 18/01/11, a Bracor possuía os seguintes acionistas e respectivas participações: Fl. 4780DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.781 11 34. Na assembleia geral extraordinária da Bracor realizada em 18/01/11, fls. 1086 a 1198, foi aprovada nova cisão parcial da Bracor com incorporação da parcela cindida do seu patrimônio líquido pelas BRC VII, BRC X, BRC XIV, BRC BRC XX, BRC XXII, BRC XXIJÇ BRC XXV, BRC XXVII, BRC XXX Dutra, BRC XXXI e BRC 35. A cisão parcial acarretou a redução do capital social da Bracor em montante correspondente ao patrimônio líquido relativo às participações societárias detidas pela Bracor nas BRCs no total de R$ 236.707.404,00. 36. As parcelas cindidas do patrimônio da BRA COR corresponderam ao investimento desta em cada uma das BRCs e foram por elas absorvidas. Portanto, a incorporação das parcelas cindidas não acarretou aumento de capital nas BRCs. 37. Os acionistas da Bracor receberam, em substituição às ações que detinham no capital social da Bracor, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas deixam de ter participação indireta nas BRCs e passam a ter participações direta. A Bracor retira se formalmente do quadro de quotista das BRCs. 38. A ata da AGE de 18/01/11, fls. 1086 a 1198, ao contrário da Ata de 12/08/10 e 30/09/10, está devidamente assinada por todos os acionistas da Bracor, sendo que o Sr. Carlos Betancourt assinou como procurador pela Equity, Candango, Gonçalo e KHL. 39. Ás BRCs que receberam cisão da Bracor foram alienadas conforme discriminado no quadro a seguir: Fl. 4781DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.782 12 II. b CONSIDERA CÕES SOBRE AS CISÕES: 40.Inicialmente é importante observar que a maioria dos acionistas/quotistas tinham participação na Bracor desde o anocalendário 2007, com exceção da Candango que adquiriu ações em 03/2010. Os diretores Angel, Colin, Thiago e Camilla (esta já possuía uma ação desde 2007), tornaramse acionistas após serem contemplados num programa de stock option em 27/12/2010, operação que será abordada adiante, sem se aprofundar nos seus aspectos tributários, apenas para contextualizar o empréstimo feito pela Bracor. 41.As justificativas apresentadas nos Protocolos de Justificação, nas respostas da Bracor e de seu Presidente, Sr. Carlos Betancourt, conforme serão relatadas adiante, foram similares, porém não foram suficientes para comprovar o caráter extratributário das cisões. 42.Na análise das cisões, podese constatar que o modus operandi foi o mesmo em todos os procedimentos. Houve redução do capital social do contribuinte por meio de cisão parcial. As parcelas cindidas do patrimônio da Bracor corresponderam ao investimento desta nas BRCs e foram por elas absorvias, sem nenhum aumento de capital nas BRCs.Como pagamento, os acionistas/ quotistas da Bracor receberam, em substituição ás ações/ quotas que detinham no capital social da Bracor, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas/ quotistas deixaram de ter participação indireta nas BRCs e passaram a ter participação direta. 43. Por meio do Termo de Início de Fiscalização, item 5, fls. 744 a 747, a Bracor foi intimada a informar o motivo da cisão de seu Patrimônio para diversas empresas nos AC 2010 e 2011. Assim se pronunciou: “ii) Em relação ao Item 5 do Termo, cumpre esclarecer que a primeira cisão da Bracor, realizada no mês de agosto do AC 2010, foi deliberada pelos acionistas da companhia como parte de uma reestruturação societária que objetivava a segregação de ativos imobiliários com determinadas características comuns, como o tipo de ocupação, para a criação de um fundo imobiliário, o qual, por questões de Fl. 4782DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.783 13 mercado, não chegou a ser concretizado. As cisões subsequentes realizadas no AC 2010 e AC 2011 visaram à segregação dos empreendimentos imobiliárias que já estivessem completos, de forma que os acionistas pudessem, de forma individual e independente, tomar a decisão sobre a alienação ou não de respectivas participações para um fundo imobiliário e/ou terceiros." 44. Para efeito de comparação, destacase a seguir algumas justificativas constantes em todos os protocolos de instrumento e justificação que fundamentaram as cisões promovidas pela Bracor: ".... Além disso, a cisão conforme proposta mostrouse vantajosa, pois permitirá, além da segregação das atividades, a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades, facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua liquidação e à eventual alienação dessas Sociedades, no futuro, no todo ou em parte." Cláusula 1.2 do Protocolo datado de 12/08/10." (Grifo nosso). "... a administração da Bracor entende que a cisão, conforme proposta, garantirá maior flexibilidade em relação aos empreendimentos imobiliários a serem segregados, permitindo a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades e facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, no todo ou em parte, conforme julgarem conveniente." (Grifo nosso). Cláusula 1.2 dos Protocolos datados de 30/09/11 e 18/01/11. No Protocolo datado de 03/06/11 a redação só é alterada modificando Sociedades por BRC XXIII. 45. A resposta da Bracor simplesmente reproduz as justificativas do Protocolo. Podese concluir que a previsão de "eventual alienação" das BRCs ali expressa nada mais é do que a existência de uma negociação já em curso com o Grupo Prosperitas. 46. Com relação aos contratos firmados com a Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt, apesar de ocorrerem num lapso temporal um pouco maior entrai cisão e a alienação, diante da sequência dos atos promovidos pela Bracor, resta evidente que as alienações já eram previstas. 47. A Bracor foi intimada a informar a data em que se iniciaram as negociações com o Grupo Prosperitas, por meio de Termo de Intimação Fiscal 05, item 5, fls. 1284 a 1289. Assim se pronunciou: "(i). No que diz respeito ao item 5 do Termo, informamos que tomamos conhecimento das negociações com a Prospéritas no mês de novembro de 2010 e que o primeiro documento formalizado entre as partes foi a carta de intenções datada de 22 de novembro de 2010. Ainda, informamos que as tratativas anteriores à carta de intenções foram realizadas pelos sócios da Bracor de modo verbal e não temos conhecimentos que tenham sido documentadas”. 48. Percebese que apesar de a "empresa" Bracor tomar conhecimento somente em novembro de 2010, os seus "sócios", na realidade Fl. 4783DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.784 14 diretores/acionistas, já estavam em negociação com os adquirentes, como é usual em negócios complexos como os realizados entre a Bracor e o Grupo Prosperitas. 49.Para maiores esclarecimentos, o Sr. Carlos Betancourt, presidente da Bracor à época da ocorrência dos fatos, foi intimado a informar a data do início das negociações entre o contribuinte e o Grupo Prosperitas. 50.Em resposta ao Termo de Diligencia Fiscal 02, fls. 2977 a 2988, assim posicionouse o Sr. Carlos: Item 4: as negociações com o grupo Properitas foram iniciadas diretamente por alguns dos acionistas da Bracor e informadas à administração da companhia em novembro de 2010. Importante esclarecer que a primeira cisão da Bracor, realizada no mês de agosto do AC 2010, foi deliberada pelos acionistas como parte de uma reestruturação societária que objetivava a segregação de ativos imobiliários para a criação de um fundo imobiliário, o qual, por motivos de mercado, não chegou a ser concretizado. Ainda, as demais cisões da Bracor realizadas no AC 2010 e AC 2011 visaram à segregação dos empreendimentos imobiliários que já estivessem completos, de forma que os acionistas pudessem, de forma individual e independente, tomar a decisão sobre a alienação ou não de respectivas participações para um fundo imobiliário e/ou terceiros. 51.De forma semelhante à resposta da fiscalizada, apenas informa que as negociações foram iniciadas diretamente por alguns acionistas da Bracor e informadas à administração da companhia em novembro de 2010. Além disso, o Sr Carlos também não cita o nome dos acionistas que iniciaram essas negociações. 52.Sem obter sucesso nem com a Bracor nem com seu Presidente à época dos fatos, foram intimados os diretores sem designação do Grupo Prosperitas, Srs. Luciano, Jorge e Maximo para prestar diversos esclarecimentos, entre eles o início das negociações, conforme Termos de Diligência, fls. 2989 a 3000. De forma sucinta, assim se posicionaram os 3 diretores em resposta conjunta, opção dada por esta fiscalização: Item 2: As negociações começaram em novembro de 2010. Em 22 de novembro de 2010, a Prosperitas Investimentos S.A. ("Prosperitas"), hoje com atual denominação HSI Hemisfério Sul Investimentos S.A., assinou uma carta de intenções demonstrando potencial interesse na compra de diversas Spe's geridas pela Bracor Investimentos Imobiliários S.A. ("Brocar"). A Carta de intenções segue em CD. 53.Causounos surpresa a rapidez das negociações. Em apenas 22 dias, dois grandes grupos com diversos acionistas fecharam um acordo para a aquisição de diversos imóveis, abrigados em 19 empresas. Nenhuma documentação foi apresentada para confirmar tal assertiva, além da carta de intenções, que a fiscalização já possuía. Fl. 4784DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.785 15 54.Considerando a informação da vendedora e dos adquirentes, de que o início das negociações ocorreu no início de novembro, constatouse que 2 cisões da Bracor ocorreram após esta data (18/01/11 e 03/06/11) e 2 cisões, alguns dias antes (12/08/10 e 30/09/10. Só nos restou concluir que foram promovidas exclusivamente para o deslocamento do polo passivo da obrigação tributária da Bracor para seus acionistas, que eram beneficiados com alíquotas menores de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital, situação esta que será melhor detalhada adiante. 55.A Bracor foi intimada por meio do Termo de Intimação Fiscal 06 a informar o nome dos acionistas/diretores que iniciaram as negociações com o Grupo Prosperitas. Em resposta, fls. 1297 a 1298, informou que as negociações foram iniciadas pelo acionista Equity Bracor Investments. Importante frisar que o procurador da Equity no Brasil era o Sr. Carlos Bettancourt, acionista e presidente da Bracor, fls. 937 a 1050 deste processo 57 da Ata anexada) e fls. 1086 a 1198 deste processo 96 da Ata anexada). Portanto, a pessoa física que negociou com o Grupo Prosperitas e a Credit Suisse. 56.Outra justificativa apresentada de que as cisões ocorreram em função da necessidade de segregação de ativos imobiliários com determinadas características comuns, na verdade, é infundada, uma vez que não era essencial para que ocorresse a reorganização societária da Bracor por meio de cisões. Estes imóveis já estavam devidamente alocados em empresas criadas/adquiridas para este fim pela Bracor nos anoscalendário 2006 e 2007, ficha cadastral JUCESP, fl. 3001, e Anexo II deste termo. 57. A BRACOR informa ainda que a 1ª cisão, ocorrida em 12/08/10, visava à criação de um fundo imobiliário, o qual, por questões de mercado, não chegou a ser concretizado. Da mesma forma, nada impediria a criação do fundo com os imóveis detidos pelas BRCs, pois a única alteração foi a participação societária nas BRCs dos acionistas da BRACOR que passou a ser direta, em substituição à participação indireta que possuíam até a data das referidas cisões. Frisese que a Bracor era detentora de 99,99% das quotas de todas as BRCs. 58.Com referência à justificativa de que os seus acionistas teriam maior poder de decisão sobre a alienação ou não das respectivas participações para um fundo imobiliário e/ou terceiros, é totalmente invalidada nos contratos de compra e venda firmados com o Grupo Prosperitas, Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt, onde esses mesmos acionistas constituem a BRA COR como sua procuradora com plenos poderes de decisão conforme cláusulas 2.2 dos Contratos e anexos 2.3, fls. 307 a 309, 366 a 433, 621 a 622, 784 a 816, 929 a 939. A justificativa para a outorga da procuração foi o elevado número de vendedores constantes no contrato, ou seja, os acionistas da Bracor. Há uma total divergência entre a justificativa para a cisão e a outorga de procuração. O poder de decisão continua com a Bracor, o que ratifica o caráter ficcional das cisões. 58. Como exemplo reproduzimos a seguir as cláusulas 2.3 e 2.4 do Contrato de Compra e Venda firmado em 23/12/10. Esclareçase que cláusulas idênticas são reproduzidas nos demais contratos citados neste Termo. 2.3. Ao celebrar o presente Contrato, cada um dos Vendedores, por meio deste, constitui e indica a Bracor ("Procuradora dos Fl. 4785DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.786 16 Vendedores") como sua bastante procuradora com relação ao cumprimento do presente Contrato e à execução das operações contempladas neste Contrato, com o poder e a autoridade para atuar, em nome e por conta dos Vendedores, nos limites dos poderes elencados no Anexo 2.3, que incluem poderes para receber citações e notificações em nome dos Vendedores, especialmente, mas não limitado, àquelas previstas no Capítulo IX deste Contrato. 2.3.1 Os poderes previstos na Cláusula 2.3 acima são outorgados em vista do e para o propósito de implementar as operações contempladas no presente Contrato, tendo em vista a quantidade de Vendedores e o fato de parte deles serem domiciliados no exterior. Qualquer obrigação dos Compradores de consultar, notificar, aconselhar ou de outra forma comunicarse com os Vendedores será uma obrigação de consultar, notificar, aconselhar ou de outra forma comunicarse com a Procuradora dos Vendedores. 2.3.2 Os poderes referidos no Anexo 2.3 são outorgados à Procuradora dos Vendedores em caráter irrevogável e irretratável em consonância com o disposto no Art 684 do Código Civil Brasileiro. 2.4. Cada um dos Vendedores concorda que os Compradores poderão confiar nas instruções, decisões e ações da Procuradora dos Vendedores com relação às matérias em que a ação da Procuradora dos Vendedores seja autorizada nos termos deste Contrato. 60. Reforçando, ao mesmo tempo que as cisões visaram maior autonomia de decisões, os "vendedores" e acionistas da Bracor lhe conferem total poder de ação, conforme constatase nas cláusulas reproduzidas acima, com a anuência dos compradores. 61. Aliás, não só anuência como foi uma exigência dos compradores do Grupo Prosperitas, conforme informação do acionista nazi BBA em resposta ao Termo de Diligência 01, fl.2952 a 2954, o qual reproduzimos a seguir: "Com relação à procuração de que trota o Contrato de Compra e Venda das ações das I3RCS, esclarecemos que a referida procuração foi outorgada por exigência dos Compradores, a fim de evitar a necessidade de comunicação com vários vendedores em caso de surgimento de reclamações relativas a eventuais passivos de responsabilidade dos vendedores que viessem a ser identificados após a compra e venda, conforme cláusula 2.3 do Contrato de Compra e Venda e descrito abaixo:" (Grifo nosso). 62.Em resposta ao Termo de Diligência 01, fls. 2998 a 3000, os diretores do Grupo Prosperitas assim se reportaram à participação da Bracor nas negociações: Fl. 4786DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.787 17 Item 3: Toda a negociação foi feita entre a Prosperitas e a Bracor, considerando que a Bracor se apresentou como a gestora das empresas a serem negociadas. Os contratos foram assinados com os acionistas das respectivas empresas adquiridas. 63.Concluise que os adquirentes negociaram e adquiriram da Bracor os imóveis abrigados em participações societárias. Frisese que a Bracor se apresenta como gestora das empresas e procuradora, ao mesmo tempo em que informa aos adquirentes a reorganização societária em curso por ela promovida. Desta forma, os adquirentes assinam os contratos com os acionistas da Bracor. 64.Interessante frisar que a alienação da BRC XXI para a TULIPA LLC, em 01/06/11 (Contrato de Compra e Venda, fls. 755 a 783) foi realizada diretamente pela Bracor, na qualidade de sócia majoritária da BRC XXI De forma inédita, os representantes da Bracor que assinaram o referido contrato foram Camilla Frussa e Rafael Teixeira, diretores sem designação. Totalmente diferente do modus operandi das alienações das BRCs para o Grupo Prosperitas, que foram precedidas de cisões do patrimônio da Bracor e consequente transferência da participação nas BRCs para seus acionistas como vendedores formais nos contratos. 65. Diante de procedimentos tão diversos ao se desfazer de suas participações num mesmo anocalendário, a Bracor foi intimada a esclarecer, por meio de Termo de Intimação 06, qual o motivo para ter promovido cisões de seu patrimônio, o que permitiu a seus acionistas terem participação direta nas BRCs e figurassem como vendedores nos contratos firmados com o Grupo Prosperitas, fato que não ocorreu com a BRC "ou, que tinha adquirente diverso, TULIPA LLC. Inclusive, o ganho de capital foi devidamente calculado e contabilizado na conta contábil 331300, conforme demonstrado pela Bracor em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 05, fl. 1293. 66. A Bracor foi intimada a esclarecer o motivo da diferença no modus operandi na venda da BRC 20CI e as demais BRCs, que foram precedidas de cisão. Assim se manifestou, fls. 1297 a 1298: (i) No que diz respeito ao item 1 do Termo, informamos que a alienação do imóvel detido pela BRC XXI Empreendimentos Imobiliários Ltda. à Tulipa Brazil LLC ocorreu de forma distinta das demais alienações, pois o imóvel era um terreno e, durante o ano de 2010 e meses iniciais do ano de 2011, os sócios ainda debatiam se a Bracor deveria ou não desenvolver referido terreno quando surgiu um potencial comprador e os sócios unanimemente optaram pela venda. 67. Na alienação da BRC XXXIII para o Sr. Carlos Betancourt também foi negociado um terreno, matrícula 85487, fls. 2987, e foi precedida por uma cisão. Ao que tudo indica, o único motivo para a realização da alienação de forma regular é que tratavase de um adquirente diverso do Grupo Prosperitas, Credit Suisse e do Sr. Carlos Betancourt. II. c DA DISSOLUÇÃO DA DELLE HOLDING S/A Fl. 4787DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.788 18 68. Á Delle Holding era acionista da Bracor desde 17/12/07, detendo a participação de 16,84%. Na Assembleia Geral Extraordinária realizada em 23/12/10, os acionistas da DELLE aprovaram a sua dissolução. O Sr. Carlos Bettancourt foi nomeado liquidante. 69. Em virtude de sua dissolução os ativos remanescentes foram distribuídos a seus acionistas Carlos, Gonçalo e ITALT BBA. As 52.441.461 ações ordinárias da Bracor foram distribuídas na proporção de sua participação. 70. O Itaú BBA recebeu 34.358.824 (11,03%); Sr. Carlos Betancourt recebeu 7.002.594 (2,25%) e Sr. Gonçalo recebeu 11.080.043 (3,56%). 71. Além das ações da Bracor, os acionistas da DELLE receberam quotas das BRCs que a DELLE havia recebido como pagamento nas cisões realizadas em 12/08/10 e 30/09/10. 72. Este fato permitiu aos exacionistas da DELLE tornaremse os quotistas de direito das BRCs e figurassem como vendedores nos Contratos de Compra e Venda datados de 23/12/10, 28/12/10, 18/01/11, 30/03/11, 12/05/11 e 06/07/11 (02). 73. O Sr. Carlos Bettancourt foi intimado, na qualidade de liquidante, a informar o motivo para a dissolução da Delle Holding dias antes da reorganização societária promovida pela Bracor em 18/01/11 e simultânea venda ao Grupo Prosperitas de algumas BRCs. 74. Em resposta ao Termo de Diligência Fiscal 02, fl. 2988, o Sr. Carlos assim se manifestou: Item 3: a Assembleia Geral Extraordinária que deliberou sobre a dissolução da Delle Holdings S.A. ("AGE") foi realizada em 23 de dezembro de 2010 e registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo somente em 31 de janeiro de 2011, conforme comprova cópia da referida ata que segue anexa à presente. Embora o registro da ata de AGE da De//e Holdings S.A. tenha sido efetivado dias antes da reorganização societária da Bracor, a dissolução da referida empresa foi deliberada em 23/12/2010 e já vinha sendo negociada entre seus acionistas desde meados de 2010, tendo em vista a reestruturação da Bracor para criação de fundo de investimento imobiliário, o que não se verificou, conforme mencionado abaixo. 75.Ou seja, a dissolução da DELLE também teve como objetivo a transferência das participações para seus acionistas, pessoas físicas, com exceção do Banco Itatú. Após leitura da Ata de Dissolução da DELLE, verificamos que os acionistas da DELLE também receberam quotas das BRCs, que haviam recebido cisão da Bracor em 12/08/10 e 30/09/10. II.d DA OPÇÃO DE COMPRA PELOS DIRETORES E MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRACÃO Fl. 4788DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.789 19 76.Verificase que durante as negociações para venda de seus ativos, os diretores e membros do Conselho de Administração, CARLOS, CAMILLA, ANGEL, THIAGO e COL1N tornaramse acionistas da Bracor. Posteriormente, constaram como vendedores nos contratos de compra e venda das BRCs. 77.Na reunião do Conselho de Administração realizada em 27/10/10, às 10 h, fl. 3003, a Bracor foi autorizada a conceder empréstimos aos seus diretores e membros do Conselho de Administração CARLOS, ANGEL, COLIN, THIAGO e CAMILLA, para que pudessem comprar ações da própria empresa. O Boletim de Subscrição de Ações, fl. 3006, nos informa a quantidade de ações subscritas por cada diretor/conselheiro. 78.Na reunião do Conselho de Administração realizada no mesmo dia, 27/10/10, às 12 h, foi aprovado o aumento do capital social no valor de R$ 33.035.437,67, fl. 3002. Este aumento de capital ocorreu em virtude do exercício de opções de compra por seus diretores e conselheiros. Conforme determinado na Reunião, as ações adquiridas deveriam ser integralizadas até 17/01/11, véspera da 3' cisão efetuada pela Bracor e alienação de diversas BRCs, mencionadas no item 8 deste termo. 79. É importante frisar que os contratos de empréstimos entre a Bracor e seus diretores,que permitiram a aquisição das ações, foram celebrados em 14/01/11, somente 04 dias antes da 3ª cisão promovida pela BRACOR, fl. 3006. 80.Como os acionistas da Bracor foram desqualificados neste procedimento fiscal como vendedores de fato do negócio realizado, e não sendo objeto desse procedimento, não foi feita uma análise aprofundada sobre os termos do stock options realizados pelos dirigentes da Bracor e o empréstimo concedido. II.e DA ALIENAÇÃO DAS BRCs 81.Nos anoscalendário 2010 e 2011, a Bracor se desfez da maioria das participações societárias que mantinha nas BRCs, num total de 27, conforme demonstrado na tabela seguinte: Fl. 4789DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.790 20 82. Em todos os contratos, com exceção da BRC JOU, a Bracor aparece como procuradora dos vendedores, que eram seus acionistas e que passaram a ser quotistas das BRCs após cisão promovida pela Bracor. Neste procedimento a Bracor foi reconhecida como a real alienante de todas essas participações. III. DA INFRACÃO 83.Após a análise dos elementos colhidos durante o procedimento fiscal instaurado e devidamente explicitado anteriormente, chegase à conclusão de que a transferência das participações societárias detidas pela Bracor para seus Fl. 4790DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.791 21 acionistas, após cisão do seu patrimônio, faz parte de um planejamento tributário abusivo que almejava, como único objetivo, reduzir a tributação sobre o ganho de capital, significando uma economia tributária indevida na ordem de 19%. Esta economia tributária se dá pela aplicação da alíquota de 15% pela qual é tributado o ganho de capital auferido por pessoa física (IRPF) e por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior exceto em paraísos fiscais, (IRRF), em detrimento das alíquotas de IRPJ e da CSLL a que estão sujeitas as pessoas jurídicas e que totalizam 34% 84.A conduta da fiscalizada, juntamente com seus acionistas/diretores, foi a de criar uma pseudosituação que desenquadrasse a Bracor como acionista/quotista das diversas BRCs, buscando desta forma evitar a subsunção dos fatos à norma, objetivando frustrar a tributação do IRPJ e da CSLL. 85.É um caso típico de simulação subjetiva, que envolve a participação de pessoas físicas ou jurídicas, pelo qual se aparenta atribuir direitos a uma determinada pessoa quando a realidade dos fatos se revela totalmente diversa, ou em que se utiliza uma delas ou algumas delas como canal de trânsito de determinados bens ou valores para mascarar o verdadeiro titular ou verdadeiro negócio celebrado. 86.Resumidamente, assim se procedeu a ação: • A Bracor era quotista (99,99%) das BRCs desde 2006/2007 (anexo II deste Temo). • Os acionistas da Bracor na data da alienação das BRCs eram os mesmos desde 2007, de forma direta ou indireta, fl. 3005. • Nos anos 2010 e 2011, a Bracor promove 4 cisões de seu patrimônio, nos dias 12/08/10, 30/09/10 e 18/01/11 e 03/06/11, com versão das parcelas do patrimônio cindido às BRCs, conforme detalhado anteriormente. • Em virtude da redução de capital da Bracor decorrente das cisões promovidas, seus acionistas receberam quotas emitidas pelas BRCs em substituição às ações que detinham da Bracor. • Desta forma, os acionistas da Bracor (até então sócia majoritária das BRCs) deixaram de ter participação indireta nas BRCs e passaram a ter participação direta nas BRCs, como quotistas. • Os acionistas da Bracor são pessoas físicas, com cargos de diretoria na Bracor e pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, com exceção do Banco _nazi. • Ou seja, num breve lapso de tempo a Bracor reduz seu capital social e, em decorrência, transfere sua participação Fl. 4791DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.792 22 acionária nas BRCs para seus acionistas e ato subsequente, essas BRCs são alienadas. • Desta forma, a Bracor deixa de recolher os tributos sobre ganho de capital na ordem de 34%, substituindoa por uma alíquota de 15%, pela qual são tributadas as pessoas físicas e as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. • Além do deslocamento do polo passivo da obrigação tributária da Bracor para seus acionistas com tributação favorecida, houve também a redução indevida da base de cálculo ao desconsiderar a quitação das dívidas das BRCs como parte do preço de compra. IV. DA APURA CÃO DO GANHO DE CAPITAL 87. A Bracor apurou seu resultado tributável nos AC 2010 e 2011 pela sistemática do lucro real anual, com cálculo mensal por estimativa. Desta forma, a determinação do ganho de capital auferido pela fiscalizada na alienação das participações nas BRCs baseouse nos art. 418 e 426 do Decreto 3.000/99, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Tais dispositivos assim disciplinam: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º. Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). § 2º. O saldo das cotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes li'(DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; Fl. 4792DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.793 23 II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. 88. O ganho de capital a ser computado para fins do lucro real (e, por reflexo, para fins de CSLL) deve ser obtido na forma do já citado art. 418 do RIR. Para assim calculálo, o ganho deve ser apurado de acordo com o regime de competência, já que o lucro real nada mais é do que o lucro líquido, determinado com observância dos preceitos da lei comercial, ajustado por adições, exclusões ou compensações autorizadas pelo RIR (art. 247 cic art. 248 do RIR). Pelo regime de competência, o ganho de capital compete ao período em que a transação ocorre, independentemente do seu efetivo recebimento. O ganho auferido nas alienações deverá ser reconhecido e tributado no ano calendário em que foram alienados as BRCs conforme contrato de compra e venda. 89. O art. 421 do RIR/99, a seguir transcrito, prevê a possibilidade de diferimento da tributação do ganho de capital nas vendas de bens do ativo permanente. No entanto, esse diferimento não pode ser aplicado ao presente caso, pois deveria ter sido adotado no momento oportuno pela fiscalizada, que não o fez; aliás, a Bracor não apenas deixou de optar pelo diferimento da tributação, mas agiu fraudulentamente no sentido de se evadir do ganho de capital. "421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração" (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art 31, § 2º). Grifo nosso. 90. O artigo 178, § 1°, da Lei 6.404/76 foi alterado pelo art. 37 da Lei 11.941/09, que suprimiu a denominação "Ativo Permanente", que passou a integrar os subgrupos Investimentos, Imobilizado e Intangíveis, todos inseridos, juntamente com o Realizável a Longo Prazo, no grupo Ativo NãoCirculante. 91. Nos contratos de compra e venda foram informados como preço de compra valores que deveriam ser pagos em espécie, mediante transferência bancária. 92. Da análise mais apurada dos contratos verificamos que a maioria deles possuía cláusulas que previam a quitação de dívidas. Por representar um dispêndio dos adquirentes e uma receita da alienante, deveriam compor o preço de compra. As dívidas foram quitadas com recursos dos adquirentes conforme demonstrados nos comprovantes apresentados pelos diligenciados, adquirentes e sucessores destes, fls. 3007. Ressaltamos que alguns adquirentes informaram que as dívidas assumidas se encontram em aberto. Independente de sua não quitação, as dívidas foram assumidas pelos adquirentes conforme estipulado nos contratos. Fl. 4793DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.794 24 93. Os adquirentes foram indagados qual o motivo de desconsiderarem a assunção das dívidas no preço de compra e consequente cálculo do imposto de renda retido na fonte dos supostos vendedores domiciliados no exterior. 94. Os diretores do grupo Prosperitas assim se pronunciaram sobre o cálculo do imposto de renda retido na fonte, conforme Termo de Diligência 01, fls. 2998 a 3000, abaixo reproduzido: Resposta: "Item 4: O cálculo do ganho de capital foi realizado conforme o preço fixado em cada um dos contratos de compra e venda assinados em comparação com os valores de investimentos registrados no Banco Central no caso dos vendedores domiciliados no exterior. As dívidas foram quitadas posteriormente pela reestruturação do financiamento de cada uma das empresas adquiridas. De fato, nos termos, dentre outros, dos artigos 481 e 482 do Código Civil definição do preço, como demais condições contratuais validamente ajustadas, observam o princípio da autonomia da vontade, pelo qual as partes têm liberdade para contratar e ajustar as condições aplicáveis ao contrato. No caso específico dos termos de diligência, foi exatamente o que ocorreu. As partes definiram um preço e sobre esse preço, válido e contratualmente ajustado, foi apurado o ganho de capital." 95. Realmente as partes são livres para dispor como bem entenderem nas suas relações particulares. O que não é aceitável é que tais decisões sejam lesivas aos interesses da Fazenda Pública, conforme podemos constatar neste procedimento e que ocorreu em todos os contratos de compra e venda assinados pela Bracor nos anos calendário 2010 e 2011. 96. Os diretores do grupo Prosperitas foram enfáticos em dizer que as dívidas foram quitadas posteriormente pela reestruturação do financiamento de cada uma das empresas adquiridas, ou seja, realmente houve a assunção das dívidas e consequente quitação, permitindo à Bracor que não mais figurasse como fiadora destas operações. Apesar de ser um dispêndio dos adquirentes, os mesmos não reconheceram a assunção e quitação de dívidas na composição do preço de compra para cálculo do IRRF devido pelos "vendedores contratuais" domiciliados no exterior. 97.De fato, as partes foram bastantes cuidadosas no sentido de que o preço de compra não contivesse expressamente as dívidas assumidas pelos compradores na sua composição. Vejamos, com exemplo, os incisos do Contrato firmado em 23/12/10, fls. 244 a 273, no que se referem ao preço de compra e dívidas assumidas: 3.1. O preço a ser pago pelos Compradores aos Vendedores, na Data do Fechamento, em contraprestação à venda e transferência das Quotas de cada Sociedade, será o equivalente a (o "Preço de Compra"): Fl. 4794DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.795 25 (i) R$ 10.554.969,00 (dez milhões, quinhentos e cinquenta e quatro novecentos e sessenta e nove reais), pela totalidade das quotas de emissão da BRC III (...)" 98.A obrigação de liquidar as dividas só está informada no anexo 5.1.3, fl. 310, reproduzidos sinteticamente abaixo: 5.1.3 Os Vendedores obtiveram a expressa anuência de todos os credores, companhias securitizadoras e demais instituições ou pessoas jurídicas titulares das operações de crédito elou financiamento realizadas e descritas no Anexo 5.1.3 deste Contrato, de modo a permitira transferência das Quotas sem qualquer Ônus para os Compradores, ou ainda qualquer penalidade decorrente da pertinente operação de crédito e/ou financiamento..." 99.Dispõem de forma semelhante, os incisos 3.1 e 5.1.3 do Contrato de Compra e Venda firmado em 28/12/10, fls. 313 a 354. 100.A Credit Suisse, administradora dos fundos que adquiriram as BRC 1, BRC BRC VI, BRC XV, BRC XVIII e BRC XXVIII, foi intimada a se pronunciar sobre a não inclusão da assunção de dívidas no preço de compra informado nos contratos. Assim se manifestou ,fls. 2895 a 2896: Resposta: Os contratos já apresentados a V.Sa. deixam claro, em suas cláusulas 2.1, que referidos instrumentos foram utilizados para negociar quotas de sociedades. Os preços efetivamente pagos para adquirir essas quotas estão previstos nas cláusulas 3.1 dos contratos, sendo que esses valores foram utilizados nas apurações dos ganhos de capital auferidos pelos vendedores. Adicionalmente, as cláusulas 14.1 (15.1. nos casos das sociedades BRC i e BRC ii) dos mesmos instrumentos fazem referências às quitações de dívidas contraídas pelas sociedades e que deveriam ser quitadas para que as garantias fidejussórias prestadas pela Bracor fossem liberadas. 101.Ou seja, as dividas foram liquidadas, o que permitiu a liberação das garantias fidejussórias prestadas pela Bracor mas não representou um ganho para a Bracor na opinião da Credit Suisse. É importante frisar que os recursos para a quitação das referidas dívidas foram obtidos por meio de subscrição de quotas de cada fundo. 102.Da mesma forma, a empresa LPP I, na qualidade de sucessora da empresa REC LOG 111 (transformada da BRC XXII e incorporadora da MONISH); REC LOG 114 (transformada de BRC VIII e incorporadora da LOKESH); REC LOG 551 (transformada de BRC XXV e incorporadora de REC LOG 51), sucessora das adquirentes e a BRC VII (incorporadora da adquirente REC LOG 2), foram intimadas, a se pronunciarem sobre a não inclusão da assunção de dívidas no preço de compra informado nos contratos, assim se manifestaram: Fl. 4795DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.796 26 103.A empresa REC LOG 411, fls. 2249 a 2250, assim se manifestou: "Item 4 do Termo: Os recursos utilizados para as quitações das dívidas mencionadas no item 3 foram obtidos pelas Compradoras que figuram no Contrato de Compra e Venda referido em tal item." 104.A empresa REC LOG 331 e a LPP 1, fls. 1698 e 2189, por possuir o mesmo procurador assim se manifestaram: "Esclarecemos que, por não sermos parte do referido Contrato de Compra e Venda, não conhecemos os fundamentos econômicos e as razões comercias que levaram as partes deste a ajustar o preço de tal forma. Destacamos que todos os documentos e informações de que dispúnhamos para esclarecer as questões suscitadas nos Termos de Diligência Fiscal anteriormente enviados foram disponibilizadas" 105.Verificamos que nenhum dos adquirentes reconheceu a assunção de dívidas como componente do preço de compra. Apesar disto, não há dúvidas de que o saldo devedor das dívidas assumidas pelas compradoras compôs o preço de compra das empresas e, portanto, deverão ser utilizados na apuração do ganho de capital. 106.Por meio de intimações à Bracor e aos diligenciados, obtivemos os valores das dívidas quitadas e que proporcionaram a liberação da garantia fidejussória prestada pela Bracor em favor das BRCs, fls. 3007, o que demonstra que a beneficiária final destas quitações e também das dívidas não quitadas foi a Bracor. 107.Contatase que além do deslocamento do polo passivo decorrente das reorganizações societárias propostas pela Bracor, houve também uma brutal redução no preço de compra/venda, com o aval das compradoras, que inclusive calcularam o IRRF dos vendedores contratuais em valores inferiores ao que seria devido. Como os acionistas da Bracor foram desconsiderados como alienantes das BRCs não há que se proceder em complementação do imposto de renda retido na fonte pelos adquirentes. 108.Apesar das negativas que as dívidas assumidas pelas adquirentes não compuseram o preço de compra, o fato é, como demonstram os comprovantes dos recursos utilizados para a quitação de algumas dívidas, fl .3007, os adquirentes utilizaram recursos próprios para a quitação dessas dívidas, liberando a Bracor das fianças concedidas. Também é fato, que os valores obtidos pelas BRCs quando da contratação dos Certificados de Recebíveis Imobiliários e outros empréstimos foram indiretamente aproveitados pela BRA COR, como sócia majoritária das BRCs (99,99% das quotas). 109.Desta forma, identificamos como o real preço de venda/compra pare cálculo do ganho de capital obtido pela Bracor os valores dos preços de compra e as dívidas assumidas pelas adquirentes informados nos contratos firmados em 23/12/10, 28/12/10, 18/01/11, 30/03/11, 12/05/11 e 06/07/11. Apesar da informação de que algumas dividas ainda não foram liquidadas, a Bracor não fez a opção pelo regime de caixa no momento apropriado conforme relatado nos itens 87 e 88 deste termo. Fl. 4796DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.797 27 Para apuração do ganho de capital utilizamos o regime de competência como determina a Lei. 110.O valor contábil das BRCs são os valores constantes nos Balanços de Fechamento, anexo aos Contratos ou apresentados pela Bracor mediante intimação. Por conseguinte, apurouse o ganho de capital a seguir discriminado: 111.Diante de todo o exposto, lavrase os Autos de Infração anexos, do qual esse Termo é parte integrante e inseparável, cujos montantes incluem os juros Fl. 4797DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.798 28 e multa, conforme demonstrado nos Autos de Infração, dos quais este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. V. DOS RECOLHIMENTOS REALIZADOS PELAS PESSOAS LIGADAS 112. Deduzse das disposições contratuais constantes dos Contratos de Compra e Venda firmados nos AC 2010 e 2011, fls. 244 a 936, que os acionistas da Bracor, do ponto de vista estritamente formal, alienaram para o grupo Prosperitas, Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt, as cotas das BRCs, obtidas em decorrência da cisão do patrimônio promovida pela Bracor (vide tabela item 81 deste Termo). 113. Em face dessa "alienação", cada uma dessas pessoas ligadas (pessoas físicas ou pessoas jurídicas domiciliadas no exterior) identificadas como vendedores' contratuais apurou seu respectivo ganho de capital na DIRPF do ano calendário de 2010 e 2011 ou teve retido o IRRF (Imposto Retido na Fonte), conforme detalhado no Anexo III deste Termo. 114. Em razão da natureza jurídica diversa do tributo recolhido e daqueles que deveriam ter sido apurados e recolhidos, bem como da distinção existente entre os seus regimes jurídicos, o montante recolhido não pode ser empregado por esta fiscalização para reduzir o crédito tributário lançado a título de IRPJ e CSLL. 115. O art. 74, da Lei 9430/96, dispõe que, cumpridos os preceitos legais, o sujeito passivo que apurar créditos relativos a tributos administrados pela RFB, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Fica evidente, portanto, que não há previsão legal para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Cabe aqui salientar que, na atual sistemática da compensação tributária voluntária (realizada por meio da chamada "Declaração de Compensação — Dcomp'), o artigo 74, § 12, II, "a", da Lei te 9.430/96, estabelece que, na hipótese em que o crédito seja de terceiros, a compensação não é sequer considerada declarada. 116. Concluise que apesar de a evasão econômica ter sido de aproximadamente 19%, a evasão jurídica corresponde à totalidade dos tributos devidos (IRPJ e CSLL) pela pessoa jurídica que não os recolheu correta e tempestivamente, totalizando 34%. Os tributos devem ser lançados integralmente em razão da sua natureza jurídica diversa em relação aos recolhidos a título de IRPF e IRRF. VI. OUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO 117. Em face dos lançamentos de oficio do IRPJ e da CSLL decorrentes do ganho de capital já devidamente caracterizado nos itens precedentes, cumpre o exame da multa de oficio incidente sobre os créditos tributários ora constituídos. 118. A Lei n° 9.430/96 (com redação dada pela Lei n° 11.488/07) constitui o diploma legal que dispõe acerca das multas aplicáveis nos casos de lançamento de oficio. Na situação em comento, há que se destacar a previsão contida no seu artigo 44, inciso I, combinado com o § 10, a seguir transcritos: Fl. 4798DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.799 29 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes muitas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Lei nº 9.430/96 com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) 119.O art. 72 da Lei n° 4.502/64, mencionados no §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, acima transcrito, assim define fraude: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (Lei nº 4.502/64) (Grifas nossos). 120.O procedimento adotado pela fiscalizada está compreendido nas hipóteses previstas na norma acima. O contribuinte Bracor agiu de maneira dolosa, ao praticar atos societários com objetivo de modificar as características essenciais do fato gerador, excluindose do polo passivo da obrigação tributária e atribuindo a terceiros a obrigação de recolher os tributos devidos sobre o ganho de capital obtido, com alíquotas indevidamente favorecidas, em detrimento do erário. 121.Diante das informações reunidas no curso deste procedimento fiscal, já detalhadamente expostas, resta inafastável concluir pela subsunção dos fatos caracterizadores da infração ora apontada à norma que veicula a exasperação da multa de oficio aplicável sobre créditos tributários objeto de lançamento de oficio. A fraude está materializada no uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida. 122. A operação engendrada pela fiscalizada é legal apenas no seu aspecto formal, mas ilícita na medida em que objetivou unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita por meio de reorganização societária efetivada com o desvirtuamento total de institutos do direito privado. Pelo exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. Fl. 4799DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.800 30 123. A Bracor, ao cindir seu patrimônio, sem qualquer motivação extratributária, e consequente transferência das participações nas BRCs para seus acionistas, agiu dolosamente para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador nascido com a alienação que ela, Bracor, em essência, fez. A conduta dolosa da Bracor é patente, pois ela quis, por meio de uma transferência artificiosa das participações da Bracor nas BRCs participações da BRCs para seus acionistas, impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal originada pela alienação das participações das BRCs. 124. A conduta do contribuinte enquadrase, também, no Inciso Ido artigo 2°, da Lei n° 8.137/90, que será abordada no Processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; 125. O patamar de 150% é destinado a apenar as condutas ilícitas intencionalmente praticadas pelos sujeitos passivos tributários. Essa sanção deve ser aplicada em razão do elemento subjetivo da prática delitiva — do querer praticála —, aspecto volitivo do ilícito, exaustiva e inequivocamente caracterizado pelos fatos descritos ao longo do presente termo. VII MULTA ISOLADA 126. Conforme podemos observar nas DIPJs referentes aos AC 2010 e 2011, fls. 14 a 231, a Bracor apurou seu resultado tributável pela sistemática do lucro real anual, com cálculo do imposto de renda e da CSLL devidos mensalmente por estimativa. 127. Em razão da omissão da receita referente ao ganho de capital obtido nas alienações das sociedades BRCs, a Bracor deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas, conforme determina o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 89 da Lei n 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 4800DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.801 31 b) na forma do art. 25? desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. 128. Vale esclarecer que com a edição da Medida Provisória n° 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF n° 105, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1Q, inciso IV da Lei ne 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 129. A Súmula 105 foi aprovada pela 1ª Turma do CSRF na sessão de 08/12/2014, ao analisar os acórdãos 9101001.261, de 22/11/2011 (IRPJ AC 2001); 9101001.203, de 17/10/2011(7RR ÁC 2000 e 2001); 9101001.238, de 21/11/2011 (IRPJ AC 2001); 9101001.307, de 24/04/2012 (IRPJ AC 1998); 1402001.217, de 04/10/2012 (IRPJ AC 2003); 110200.748, de 09/05/2012 (IRPJ AC 2000/2001); 1803 001.263, de 10/04/2012 (IRPJ AC 2002). 130. Devese observar que os acórdãos paradigmas da Súmula 105 referemse a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei n° 11.488/2007, apesar de ter sido aprovada no anocalendário 2014. Portanto, a referida súmula deve inibir os lançamentos da muita isolada cujos fatos geradores ocorreram até 15/07/2007. Após esta data, conforme determina a referida Lei, a multa de oficio por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurada no ajuste anual e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa devem ser aplicadas concomitantemente aos casos concretos. 131. Em recentes decisões do CARF, a seguir descritas, foram proferidas sentenças favoráveis à Fazenda Nacional, ao reconhecer a legalidade da cobrança cumulativa das referidas multas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2008 MULTA ISOLADA. LEI Ng 11.488, DE 2007. BASE DE CÁLCULO. O artigo 44 da Lei ng 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei ng 11.488, de 2007, preceitua que a multa isolada deve ser calculada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, materialidade que não se confunde com a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Ementa Acórdão 9101 002.251, de 01/03/2016 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2008, 2009, 2010, 2011. MULTA ISOLADA Fl. 4801DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.802 32 POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/200/, convertida na Lei 11.488/200/ a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita á incidência da multa de oficio. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Acórdão 1402002.119, de 01/03/2016. 132. É importante ainda destacar que na análise do fato gerador das referidas multas, os critérios material e temporal para sua aplicação são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. Não há concorrência entre as mesmas. 133. As bases de cálculo das estimativas do IRPJ e da CSLL devidas, foram determinadas por meio da inclusão do ganho de capital nas receitas informadas pelo contribuinte em suas DIRIS apresentadas nos meses de dezembro/2010, janeiro/2011, março/2011, maio/2011, junho/2011 e julho/2011 conforme demonstrado no anexo IV deste termo. VIII. IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS 134. Neste procedimento, a BRACOR é identificada como a real beneficiária do ganho de capital apurado na alienação das BRCs discriminadas no item 111 deste termo e, portanto, sujeito passivo da obrigação tributária. 135. Nos termos do artigo 121 da Lei n° 5. 172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional C7N), é sujeito passivo da obrigação tributária: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniário. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Fl. 4802DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.803 33 II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 136. Os acionistas/quotistas da BRACOR receberam, em substituição às ações/quotas que detinham no capital social do contribuinte, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas deixam de ter participação indireta nas BRCs e passaram a ter participação direta. Esta artimanha permitiu que figurassem nos contratos de compra e venda como vendedores das BRCs, apenas sob aspecto formal. 137. A intenção dolosa de não recolher os tributos exigidos por lei é obtida por meio de decisões dos dirigentes da pessoa jurídica responsáveis por dar efetividade às operações de reorganização societária que a princípio seriam lícitas, mas que se revelaram contrárias à legislação tributária ao proporcionar o deslocamento do polo passivo da obrigação tributária, sem nenhuma motivação extratributária. 138. Da análise de toda documentação colhida no curso deste procedimento fiscal, constatamos a participação direta e eficaz dos Srs. Carlos Javier Betancourt e Angel David Árias, respectivamente Presidente e Diretor Financeiro da Bracor, nos AC 2010 e 2011, no planejamento tributário abusivo efetuado pela fiscalizada. 139. Todos os contratos, alterações contratuais e demais documentos foram assinados pelos mesmos como representantes da BRACOR ou das BRCs, fls. 232 a 273, 313 a 354, 476 a 516, 626 a 671, 755 a 783, 827 a 871, 885 a 928. Ficou evidente que esses 2 dirigentes e também acionistas da fiscalizada tiveram participação efetiva nas decisões para a reorganização societária da Bracor e posterior alienação das BRCs pelos seus acionistas, como vendedores contratuais. Tais atos visaram, exclusivamente, a redução da incidência tributária. 140. Além de responsáveis pela administração, como acionistas/quotistas também obtiveram vantagem econômica no negócio. 141. Os demais acionistas/quotistas da BRACOR também obtiveram vantagem econômica, porém não foram obtidos elementos de prova que demonstrassem seu poder de decisão sobre o negócio realizado. Alguns destes acionistas também eram diretores da Bracor, mas não localizamos documentos que fossem firmados pelos mesmos. Ao contrário, o contrato de compra e venda da BRC XXI, que foi alienada pela BRACOR no anocalendário 2011 sem nenhum indicio de irregularidade, foi assinado pelos diretores sem designação Camilla Osborn e Rafael Teixeira. 142. A BRACOR foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal 06, a informar o nome dos acionistas/diretores que iniciaram as negociações com o Grupo Prosperitas. Em resposta, fls. 1297 a 1298, informou que as negociações foram iniciadas pelo acionista Equity Bracor Investments. Importante frisar que o procurador da Equity no Brasil era o Sr. Carlos Bettancourt, (fls. 937 a 1050 deste processo [fl. 57 da Ata anexada] e fls. 1086 a 1198 deste processo [fl. 96 da Ata anexada]). Ou seja, era ele o responsável pelas negociações das BRCs. Fl. 4803DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.804 34 143. Importante frisar que o Sr. Carlos Betancourt, além de Presidente da Bracor e procurador da Equity, também era procurador dos acionistas Candango, KLH, Gonçalo, Colin (procurações anexadas às referidas atas, fls. 937 a 1234), o que lhe dava ainda maior poder de atuação. 144. Todos os Protocolos e Instrumentos de Justificação de Cisão Parcial da BRA COR foram assinados pelo Sr. Angel Ariaz como representante da Bracor e das BRCs, fls. 937 a 1234. 145. Atualmente, o Sr. Angel Ariaz é diretor da BRC VIL Respondeu ao TDPFD 08.1.85.00 2016000780 na qualidade de adquirente das BRC recipientes de cisão da BRACOR. 146. Importante frisar que os 02 dirigentes deliberaram em assembleia pela cisão do patrimônio da BRACOR e consequente redução de seu capital. Inclusive as atas das AGE realizadas em 12/08/10 e 30/09/10, fls. 937 a 1085, que decidiram pelas primeiras cisões foram assinadas somente pelos Srs. Carlos Bettancourt e Angel Ariaz, como presidente e secretário da mesa da Assembleia. Apesar de constar que todos os acionistas assinaram as referidas atas, não obtivemos estas atas com todas as assinaturas, mesmo intimando a BRACOR para apresentálas, fls. 1299 a 1373. As atas das cisões realizadas em 18/01/11 e 03/06/11 encontramse anexadas às folhas 1086 a 1234. 147. O Sr. Carlos Betancourt também foi responsável pela dissolução da DELLE Holding que era acionista da BRACOR deste 17/12/07, como liquidante. Esta dissolução ocorrida em 23/12/10 permitiu ao Sr. Carlos, Gonçalo e Itaii BBA figurassem como acionista da Bracor e quotista das BRCs, fls 148. É fato que as cisões ocorreram no momento em que os acionistas da BRACOR decidiram pela alienação das BRCs, que existiam desde 2006/2007 e foram criadas/adquiridas exclusivamente para abrigar diversos imóveis. 149. Sendo assim, e de acordo com a previsão legal contida no inc. III, no art. 135, da Lei n° 5.172/66 (CIM, constatase a SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE PESSOAL dos sócios com poderes de administração SR. CARLOS JAVIER BETANCOURT e SR. ANGEL DAVID ARIAZ, pelos valores lançados em nome da empresa Bracor, relativos ao período fiscalizado de 01/01/1 0 a 31/12/1, por infração de lei (arts. 72 e 73 da Lei n'4.502/64): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 150. Vale frisar que nos termos do § 2º, artigo 2', da Portaria RFB ri" 2.284/10 não é necessária a emissão de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal Fl. 4804DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.805 35 de Fiscalização para os responsáveis, razão pela qual a ação fiscal firmouse apenas no TDPFF 08.1.85.002016000233, que possui como interessada a Bracor. 151. Entretanto, foi emitido o TDPFD 08.1.85.002016000896 em nome de Sr. Carlos Betancourt, inicialmente na qualidade de comprador da BRC XXXIII. Posteriormente foi intimado a prestar esclarecimentos por ser liquidante da DELLE HOLDING S/A e também presidente da Bracor, à época da ocorrência dos fatos. IX DO PRAZO DECADENCIAL 152. Inicialmente, este procedimento fiscal visava apurar a regularidade fiscal no ganho de capital obtido pela Bracor no AC 2011. Durante os procedimentos, verificouse que alguns contratos foram firmados no AC 2010, portanto o TDPFF foi ampliado para abranger também o AC 2010. 153. O §4° do art. 150 do CTN, assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 154. A Bracor, em virtude do planejamento tributário abusivo, não fez a apuração e o recolhimento dos tributos devidos sobre o ganho de capital obtido na alienação das BRCs. Conforme se depreende do art. 150 citado, para que o contribuinte se enquadre na hipótese ali elencada, deve "antecipar o pagamento". Como não o fez, não lhe cabe esta regra decadencial. 155. Conforme determina o citado artigo, uma segunda hipótese para o desenquadramento dessa hipótese de decadência é a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em ambos os casos, o limite temporal para a constituição do Crédito Tributário passa a ser de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inc. I do art. 173 do CT1V, ou seja, os lançamentos cujos fatos geradores ocorreram no AC 2010 deste procedimento têm por limite de prazo decadencial a data de 31/12/2016. "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" Fl. 4805DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.806 36 X. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FORMALIZADO 156. Em face das constatações discorridas, foram lavrados os pertinentes autos de infração do IRPJ e da CSLL formalizados sob o Processo n° 16.561.720227/201625. 157. Ademais, em função do disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010, alterada pela Portaria RFB n°3.182, de 29 de julho de 2011, será formalizada correspondente representação fiscal para fins penais, Processo n°16561720.231/201693. XI. DO ENCERRAMENTO DA ACÃO FISCAL 158. Nesta data, encerramos o procedimento fiscal instaurado em face do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 08.1.85.00 2076000233. 159. Cópia desse Termo e dos autos de infração em mídia digital serão enviadas, por via postal com Aviso de Recebimento (AR) para ciência e demais providências, respectivamente, ao autuado e aos responsáveis tributários. 160. É facultada aos sujeitos passivos (ao autuado e aos responsáveis solidários) a apresentação de impugnação contra as exigências fiscais, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência das autuações, nos termos dos artigos 5°, 15, 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72 e alterações posteriores. Em conformidade com o art. 3°, parágrafo único, da Portaria RFB n° 2.284.de 29/11/10, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. 161. E, para constar e surtir efeitos legais, na qualidade de autoridade tributária responsável pela constituição do crédito tributário, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, lavro e assino o presente termo, que é parte integrante e inseparável dos autos de infração. [...] 2. Contribuinte e imputados responsáveis tributários solidários tomaram ciência do todo e se insurgiram conforme datas expostas no Quadro 01 a seguir (fls. 4126/4127): 3. Pondera o Contribuinte: 3.1. Autuação não teria fundamento. Nenhum dispositivo legal teria sido infringido. Tudo se basearia na assunção d'um suposto planejamento tributário abusivo. A Fiscalização não teria qualificado os negócios entabulados por simulados. Apenas por Fl. 4806DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.807 37 ensaio mental, poderseia cogitar de infringência ao art. 116, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, porém e desde de logo um tal caminho resultaria em sucesso nenhum, certa a ausência de Lei Ordinária a regulamentar o ato em que a autoridade administrativa viesse a desconsiderar os negócios jurídicos em testilha. 3.2. Ao contrário do afirmado pela Fiscalização, todos os acionistas/quotistas assinaram o livro de atas das Assembleias Gerais em que decididas as cisões, bem que os respectivos livros de presença em tais reuniões assembleares. 3.3. Partira dos acionistas/quotistas no Contribuinte o que revelaria quem, de fato e na sequência, seriam os vendedores de participações societárias nas BRCs a manifestação de vontade atinente às cisões. Para isso, teriam eles vindo a solicitar ao Contribuinte que iniciasse procedimentos (contratação de serviços de consultoria) tendentes à criação d'um Fundo de Investimento Imobiliário. Referido Fundo, realmente, ganhara vida, com coordenador, administrador, assessoria legal, demandas de exigências por parte da Comissão de Valores Imobiliários CVM, e, até, a publicação de oferta pública de quotas, não obstante a desistência subsequente do pedido de registro de tal oferta. Outro dado que revelaria a fonte original do comando de venda das ditas participações societárias poderia ser encontrado na troca de emails entre Equity Bracor Investments (Grupo Equity International), um dos acionistas/quotistas no Contribuinte, e ele próprio (na pessoa do Sr. Carlos Javier Betancourt). Ali são solicitadas informações sobre os investimentos então titulados pelo Contribuinte, isso com vistas à prospecção de outros eventuais e potenciais investidores. 3.4. Na "Carta de Intenção" citada pela Fiscalização, além de seu caráter não vinculativo e em momento algum desqualificada no seu teor, nela já constaria que a venda das participações acionárias nas BRCs se daria por obra e arte dos acionistas/quotistas, tendo o Contribuinte mero papel de representação daquele exato interesse. 3.5. Outro ponto que faria revelar que a intenção de venda partira de seus acionistas/quotistas e não dele, Contribuinte, seria a circunstância de os primeiros vincularemse ao setor de private equity, cujo vetor de atuação seria a obtenção de ganho (via retirada do investimento) no curto e médio prazo. 3.6. Estaria fora do alcance do Fisco e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), bem que doutrina já viriam de produzir e defender entendimento nesse sentido decidir sobre que caminhos negociais haveriam de ser tomados pelo Contribuinte e seus acionistas/quotistas, precisamente no que toca à livre escolha que se teria na espécie, isto é, entre tributar o ganho de capital na pessoa jurídica ou na pessoa física dos sócios. Ainda nessa linha, alegase que o Fisco não poderia ditar qualquer ingerência na vida negocial dos particulares, mormente e no caso específico, ao derredor da fixação do preço de alienação das debatidas participações societárias nas BRCs. 3.7. Seria reconhecido pela própria Fiscalização que não fora o Contribuinte o beneficiário dos pagamentos em troca das participações acionárias nas BRCs, mas senão seus acionistas/quotistas. Fl. 4807DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.808 38 3.8. Como resultado da dissolução da Delle Holding S.A., não só pessoas físicas teriam recebido participações societárias nas BRCs antes detidas pela sociedade dissolvida. Foi o caso de Itaú BBA S.A. Nesse sentir, não valeria o raciocínio da Fiscalização tendente a se firmar por alguma economia tributária na percepção de ganho de capital com a venda de referidas participações, certo que a pessoa jurídica Itaú BBA S.A. não disputaria de alíquota mais benéfica, quais pessoas naturais ou pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. 3.9. Nada acresceria na conclusão da Fiscalização a circunstância de o Contribuinte vender sua participação societária na BRC XXI diretamente para Tulipa LLC (Delaware EUA). No particular, considera que a explicação então fornecida nem fora tomada em conta no procedimento de fiscalização. O mesmo sobre as ponderações que se fizera acerca de operações de stock options por meio das quais o Sr. Angel David Ariaz, o Sr. Colin Butterfield, o Sr. Thiago Augusto Cordeiro e a Sra. Camilla Osborn Gomes Nogueira Frussa tornaramse sócios no Contribuinte (a Sra. Camilla aumentou sua participação na oportunidade), via empréstimo conferido por esse último. 3.10. Haveria de se abater sobre a exigência o imposto de renda já pago pelos acionistas/quotistas no Contribuinte (na posição de vendedores de participações societárias nas BRCs): as pessoas físicas, na suas respectivas DIRPF; as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, pelo tanto de imposto de renda incidente na fonte e assim retido pelos compradores de referidas participações. Demais disso, seria também de rigor o aproveitamento de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL então apurados pelo Contribuinte no curso de 2011. 3.11. Não haveria fundamento para qualificação de multa de oficio então imputaria. Isso sem dizer de seu caráter confiscatório, visto ultrapassar o monte principal devido. 3.12. Em caso de empate de votação, que seja reconhecida a presença de dúvida suficiente a determinar o cancelamento da autuação, forte no art. 112 do CTN. 3.13. Inviabilidade de cobrança de multa isolada: certo que já encerrado o anocalendário pertinente no momento da formalização da exigência; e mais ainda de forma cumulativa com a multa de oficio proporcional. 3.14 Afastamento da incidência de juros sobre a multa de oficio proporcional 4. Pondera o Sr. Carlos Javier Betancourt: 4.1. Ratifica as objeções expostas na peça impugnatória colacionada pelo Contribuinte. 4.2. Não caberia a imputação de responsabilidade ao espaço do art. 135 do CTN, pois não se demonstrara ofensa alguma a dispositivo legal que fosse, atuação com excesso de poder, e/ou infração de contrato social ou estatuto, e muito menos haveria no corpo dos autos qualquer indicativo de conduta dolosa, o que, de consequência, já afastaria a qualificação da multa de oficio. No particular, explica que sua participação Fl. 4808DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.809 39 como Presidente de Mesa em Assembleias Gerais Extraordinárias, Diretor Presidente do Contribuinte, de sua atuação como procurador d'alguns acionistas/quotistas no Contribuinte, e como liquidante de Delle Holding S.A., não passam de atos de gestão de interesses de terceiros, a dizer que não estaria à testa das decisões ali tomadas. Nesse passo, repisa pontos da argumentação do Contribuinte, mormente sobre dizer: que todos os acionistas/quotistas assinaram o livro de atas das Assembleias Gerais em que decididas as cisões, bem que os respectivos livros de presença em tais reuniões assembleares; que no papel de procurador não lhe permitiria fazer valer a própria vontade; que partira dos acionistas/quotistas, em conjunto, e não exclusivamente dele em particular, o comando de alienação das participações societárias nas BRCs. Lembra, outrossim, a sua posição como acionista/quotista minoritário no Contribuinte. 4.3.Haveria de se abater sobre a exigência o imposto de renda por ele já pago, conforme anotado em DIRPF. 4.4. Não teria lugar a qualificação de multa de oficio então imputada, pois não se teria demonstrado a existência d'um agir doloso seu que tivesse animado quer alguma fraude, quer algum conluio. Isso sem dizer de seu caráter confiscatório, visto ultrapassar o monte principal devido. Ainda nesse tópico, a própria multa haveria de ser afastada de sua responsabilidade, visto que essa só nasceria a partir do inadimplemento d'uma relação jurídicotributária própria e não de terceiro (o Contribuinte, na espécie). 4.5. Em caso de empate de votação, que seja reconhecida a presença de dúvida suficiente a determinar o cancelamento da autuação, forte no art. 112 do CTN. 5. O Sr. Angel David Ariaz, nos limites dos atos a ele atribuídos pela Fiscalização, registra equivalente insurgência à colacionada pelo Sr. Carlos Javier Betancourt. 6. Esse, o relatório.” Analisadas as razões de impugnação do contribuinte e responsáveis solidários, a 1ª Turma da DRJ/SPO decidiu pela improcedência dos pedidos de cancelamento da autuação e dos termos de sujeição passiva solidária, como denota a ementa do Acórdão n.º 1678.079 abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 FALSO. DEMONSTRAÇÃO. RELATO E CONTRARELATO. A demonstração do falso (de ideação ou formal) é obra de construção argumentativa a contrapor relato e contrarelato. Primeiro, vaise ao substrato documental tendente, sob a alegação do Contribuinte, a demonstrar o negócio jurídico de seu interesse. Depois, de posse disso, nele ou contra ele (documento com o qual se alega a prova d'um negócio jurídico), vaise à busca de contrarelatos, que estão insertos ou no texto do próprio documental apresentado pelo Contribuinte (a Fl. 4809DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.810 40 revelar, como isso, alguma contradição relevante), ou que vêm (ditos contrarelatos) de outros documentos saídos das mãos de terceiros desinteressados, como é o expediente que, no ofício desta Casa, melhor atende pelo nome de circularização, isto é, a inspeção conduzida com o propósito de confirmar perante terceiros desinteressados o tanto relatado no documental fornecido pelo Contribuinte, terceiros esses que, d'alguma forma, foram intervenientes no negócio sob crivo. É imperiosa a construção de discurso e sua necessária articulação com elementos documentais que cuide de demonstrar, sob os moldes antes referidos, o porquê de serem viciados na ideação ou na forma os textoscontrato colacionados pelo Contribuinte para, depois disso e apenas depois disso, imputarlhes (aos textoscontrato) o falso. É o caso presente. O relato conducente à assertiva de os sócios serem os vendedores de participações societárias é falso, é simulado. Assim está e se fez para dissimular a venda de referidas participações a partir do Contribuinte. Quadra a hipótese nos termos da simulação subjetiva, assim prevista no art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal de modo a evitar o seu pagamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. Rende ensejo à tipificação de infração à Lei a conduta simulada do sócioadministrador de pessoa jurídica que colabora na construção do aparente (sócios como vendedores de participações societárias) por sobre o real (Contribuinte como vendedor de participações societárias). Daí resulta a atribuição da posição de garante do crédito tributário aos sócios administradores que assim atuam. VOTO DE QUALIDADE. PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não cabe o expediente do voto de qualidade em sede de primeira instância de julgamento administrativo com o efeito pretendido de, em caso de empate, sempre e toda vez, resolverse a questão a benefício do Contribuinte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. REGRAMENTO DE FLUÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 4810DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.811 41 CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. FATOS IMPONÍVEIS DISTINTOS. É cabível aplicação de multa isolada decorrente de falta de pagamento de estimativas mensais de imposto concomitantemente com multa proporcional incidente sobre aquele devido e não pago ao final do período de apuração anual, haja vista cuidarem de reprimendas a comportamentos distintos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PREJUÍZO OPERACIONAL DO PERÍODO EM CURSO. INFRAÇÃO. ABATIMENTO. O monte infracional deve ser diminuído do prejuízo operacional experimentado no período de apuração em que identificada referida infração. Exaurido o proveito (no caso, nos autos sob nº 16561.720129/201698), não cabe mais reconhecêlo em outras autuações (no caso, autos sob nº 16561.720228/201670, 16561.720227/201625 e 16561.720226/201681). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL OPERACIONAL DO PERÍODO EM CURSO. INFRAÇÃO. ABATIMENTO. O monte infracional deve ser diminuído da base de cálculo negativa da CSLL operacional experimentada no período de apuração em que identificada referida infração. Exaurido o proveito (no caso, nos autos sob nº 16561.720129/201698), não cabe mais reconhecêlo em outras autuações (no caso, autos sob nº 16561.720228/201670, 16561.720227/201625 e 16561.720226/201681). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão acima, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário para submeter o caso à apreciação deste Conselho, reiterando as alegações expostas em 1ª instância, bem como insurgindose, especificamente quanto ao Acórdão recorrido nos seguintes pontos: Preliminarmente: 1. A Turma Julgadora alterou indevidamente o fundamento do TVF. Enquanto o Relatório fiscal fundamentava a lavratura em Fl. 4811DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.812 42 “planejamento tributário abusivo”, a DRJ aponta como fundamento da autuação a “prática de simulação subjetiva”, prevista no art. 167 do Código Civil; 1.1. Enquanto a Fiscalização alegava que a existência de infração/vício estaria na entrega das participações das BRC’s da Recorrente para os seus acionistas (cisões), a Delegacia de Julgamento alegou que a infração estaria no contrato de compra e venda; 2. O Acórdão recorrido seria nulo, em conformidade com o art. 489, §1º, do CPC/2015, pois não teria enfrentado os seguintes argumentos capazes de infirmar as conclusões adotadas: 2.1. A existência de diversos argumentos e documentos que comprovaram a existência de efetivo propósito negocial nas reorganizações societárias, como: a) a busca pela segregação de ativos e a colocação destes em um fundo de investimentos, argumento que foi acompanhado de robusta documentação comprobatória (pareceres, instrumentos contratuais, prospecto, comunicado ao mercado, ofício da Comissão de Valores Mobiliários "CVM' , etc.) vide fls. 32 a 35 da Impugnação. b) a intenção dos acionistas de investir na Recorrente para aproveitar a sua expertise no nicho de incorporação imobiliária e, anos depois, obter, para si, a liquidez de tais investimentos, o que se comprova pela ausência de reinvestimento na Recorrente – vide fls. 40 e 41 da Impugnação; c) a mitigação de eventual risco de conflitos de interesses (conforme disposto nos artigos 115 e 156 da Lei nº 6.404/76 "Lei das S/A'), bem como a conferência de maior governança corporativa na condução dos negócios vide fl. 41 da Impugnação. 2.2. A reorganização societária questionada configura uma opção legal e é admitida por este E. Conselho em diversos julgados vide fls. 44 a 51 da Impugnação; 2.3. O fato gerador no presente caso é auferir o ganho/ter o efetivo acréscimo patrimonial e a Recorrente nunca recebeu os valores decorrentes da alienação das BRC’s – vide fls. 51 a 53 da Impugnação; Fl. 4812DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.813 43 2.4. O Fisco não pode adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares – vide fls. 53 a 58 da Impugnação; 2.5. A intenção de se alienar as BRCs era dos acionistas da Recorrente, o que se comprovou por meio de mensagens eletrônicas enviadas por eles fls. 63 a 68 da Impugnação; 2.6. A alienação da BRC XXI pela Recorrente ocorreu por esta se encontrar em uma situação particular, devidamente esclarecido desde a fiscalização que originou esta lide fls. 70 e 71 da Impugnação; 2.7. A multa qualificada no percentual de 150% não poderia ser aplicada, uma vez que a Recorrente prestou todas as informações requeridas pela Autoridade Fiscal, registrou todos os seus atos nos órgãos competentes, deulhes a devida publicidade e não auferiu qualquer benefício econômico fls. 82 a 90 da Impugnação. 3. Também com base no disposto no art. 489, §1º, CPC/2015, a decisão seria nula por não ter analisado devidamente os precedentes judiciais e administrativos trazidos à colação pela Recorrente. No mérito: 4. A DRJ equivocouse ao alegar, nas fls. 49/50 da decisão recorrida, que os investidores deveriam investir em um Fundo de Investimentos em Participações e não diretamente na “empresa alvo” pois: (i) não cabe à Administração Pública adentrar à liberdade individual dos contribuintes; (ii) a Turma Julgadora não evidenciou quais seriam os benefícios auferidos pela Recorrente; (iii) e, em conjunto com isso, porque tendo a Recorrente cumprido seu papel na qualidade de executora dos empreendimentos imobiliários referentes às BRC’s, não haveria mais qualquer motivo para que os investidores continuassem atrelados a ela para dar seguimento aos seus objetivos individuais. 4.1. Somese a isso, o fato de que a intenção dos acionistas era obter liquidez para eles próprios e não para a Recorrente, haja vista que aqueles não reinvestiram nesta o lucro auferido com a venda das BRC’s; Fl. 4813DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.814 44 4.2. Ademais, foi relevado o fato de que a reorganização societária realizada pela Recorrente conferiu maior governança corporativa na condução dos negócios. 5. Aduz que as procurações outorgadas a Recorrente objetivavam conferir mais agilidade e fluidez nas negociações com os pretensos adquirentes das BRC’s; ademais, esta teria sido uma requisição da própria adquirente (grupo Prosperitas), e não dela (Recorrente). 6. Contrapõe a afirmação da DRJ de que a responsabilidade pelos passivos presentes nas BRC’s passaria para os compradores, pois, conforme a própria resposta do Itaú BBA reproduzida no Acórdão recorrido, os “eventuais passivos” seriam aqueles que “viessem a ser identificados após a compra e venda”; ou seja, o comprador não queria se resguardar dos passivos que já conhecia, mas apenas daqueles que pudessem surgir inesperadamente. 7. A existência de cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade nos Contratos de Compra e Venda jamais poderia representar indício de que a atuação da Recorrente como procuradora dos vendedores das BRC’s estaria “bem além d’um mero instrumento de mandato”, como alegou a DRJ no acórdão combatido, pelos seguintes motivos: 7.1. A previsão de irrevogabilidade e irretratabilidade não era uma autorização ilimitada à Recorrente para que ela pudesse agir como bem entendesse; a procuração não retirou todo o poder de gerência/decisório dos vendedores, mas apenas permitiu à Recorrente adotar os atos necessários para executar aquilo que as partes já haviam decidido (compra e venda das BRC’s); 7.2. A cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade da outorga dos poderes para a Recorrente objetivava, diante da quantidade de vendedores e o fato de parte deles ser domiciliada no exterior, dar segurança ao comprador de que os atos do negócio seriam concentrados em uma única figura, evitando que o negócio emperrasse ou se tornasse moroso pela existência de diversos interlocutores; 7.3. A cláusula 2.3.2 dos contratos de compra e venda (reproduzidos nas fls. 44 e 46 da decisão atacada) encontra fundamento legal na expressa previsão do art. 684 do Código Civil; Fl. 4814DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.815 45 7.4. A existência de cláusula que proibia, pelo prazo de 1 ano, o comprador (Grupo Prosperitas) de contratar empregados da Recorrente se tratou de uma mera disposição negociada entre partes independentes, não podendo o seu teor alterar a conclusão de que os verdadeiros alienantes das BRC’s e beneficiários do ganho de capital ora debatido foram os antigos acionistas da Recorrente e que esta última atuou apenas como procuradora no referido negócio, como aparentemente parece sugerir a DRJ na fl. 46 do acórdão recorrido. 8. A Recorrente não tem ingerência sobre as decisões tomadas na Delle Holding, não podendo a DRJ fundamentar a manutenção das autuações em atos de terceiros. 9. Não observaram a Autoridade Fiscal e a DRJ que as dívidas em questão não foram parte do preço da operação, na realidade, estas foram abatidas do valor da empresa (também chamado "enterprise value'), chegandose ao preço final efetivamente pago (denominado de "equity value'), dado que a intenção das partes era efetivamente a compra e venda das participações societárias nas BRCs. 9.1. Também vale notar que a "anuência de todos os credores, companhias securitizadoras e demais instituições ou pessoas jurídicas titulares das operações de crédito e/ou financiamento" nada mais é do que um "de acordo" dos detentores de créditos das empresas para a alteração de seu controle societário. Isto é, só significa que estes terceiros não se opuseram à operação. Assim, não há como se admitir a alegação da Fiscalização e da DRJ no sentido de que o comprador das BRCs assumiu a quitação das suas dívidas, na medida em que tais valores foram descontados do preço pago pelo Grupo Prosperitas e, por conseguinte, não beneficiaram em nada a Recorrente. 9.2. Alega ser absurdo o raciocínio que o adquirente (Grupo Prosperitas) teria abdicado de considerar parte do valor que pagou pelas BRC’s no preço final ajustado pois, caso houvesse uma redução artificial no preço – o que se alega a título de argumento o resultado seria uma redução no ganho de capital, cuja tributação compete exclusivamente ao vendedor, não gerando qualquer efeito para o comprador, e uma redução no custo daquela participação, o que fará com que o comprador, em eventual alienação deste investimento, tenha um ganho de capital maior e, consequentemente, recolha mais tributo. Fl. 4815DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.816 46 10. Sustenta a inexistência de simulação alegando não ter havido divergência entre a intenção e a vontade declarada. Pontua que admitir que grandes investidores estrangeiros e nacionais, como o Itaú BBA e a Equity International seriam testas de ferro da Recorrente não teria qualquer cabimento. Ademais, afirma que o benefício econômico da alienação das BRC’s nunca foi internalizado pela Recorrente, o que seria essencial para a configuração de simulação relativa subjetiva. Os Responsáveis Solidários Sr. Carlos Javier Betancourt e Sr. Angel David Ariaz, endossaram os argumentos sustentados no Recurso Voluntário da Contribuinte, além de reforçar os argumentos por eles aduzidos em primeira instância administrativa. Às fls. 4706/4760 constam as Contrarrazões ao Recurso Voluntário ofertadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que contrapõe os argumentos da Contribuinte e Responsáveis Solidários aduzindo, em síntese, o seguinte: Preliminarmente: a) Validade da autuação: a autuação detalha a infração, e apura que os fatos apurados se enquadram no conceito de simulação subjetiva. Não há como aceitar uma interpretação de que teria havido mudança de critério jurídico adotado pela Turma Julgadora apenas com base na quantidade de vezes que a palavra “simulação” foi utilizada no lançamento e na decisão recorrida. b) Validade da decisão recorrida: b.1) Não houve distorção do lançamento pela decisão recorrida, mas sim pela Recorrente. Quanto à quantidade de vezes que cada ato cita determinada palavra, argumento levantado pelos recorrentes para demonstrar a suposta inovação proporcionada pela DRJ, como já aventado, esse parâmetro jamais poderia ser utilizado como método de interpretação de um conteúdo. b.2) O julgador não é obrigado a abordar todos os aspectos levantados pelas partes, mas sim fundamentar de maneira suficiente o seu posicionamento. Assim, a legitimidade de uma decisão não decorre da abrangência de sua fundamentação, mas sim de sua suficiência. Colacionou precedentes do CARF posteriores à entrada em vigência do CPC/2015. Fl. 4816DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.817 47 b.3) Não houve deficiência de fundamentação ainda, pois as razões da decisão recorrida destacam: a exclusiva finalidade fiscal das operações praticadas (ou seja, a falta de propósito negocial), a possibilidade de terem sido feitas pelo real alienante, e não pelas interpostas pessoas, a autonomia meramente formal que foi dada aos acionistas, que a participação do Itaú BBA não afasta a participação dos demais acionistas, que segundo os próprios adquirentes, a negociação foi estabelecida com a BRACOR e não com os seus acionistas, e a dissolução da Delle também com exclusiva finalidade fiscal. No mérito, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ratificou as razões do acórdão recorrido e, ao final, requereu a negativa de provimento in totum ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Em seguida, conforme Despacho de efls. 4763 a 4768, tendo em vista a disposição constante no art. 6, § 1º, I, cumulado com os §§ 2º e 3º deste mesmo artigo do Anexo II do atual RICARF, os processos de nºs 16561.720226/201681, 16561.720228/201670 e 16561.720129/201698 foram redistribuídos por prevenção e conexão ao presente processo (16561.720227/201625), para julgamento em conjunto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O Contribuinte e os Responsáveis Solidários, Sr. Carlos Javier Betancourt e Sr. Angel David Ariaz, interpuseram Recurso Voluntário tempestivamente. Logo, por preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos presentes recursos. I – Esclarecimentos Quanto aos Fatos Apurados O procedimento fiscal em pauta deflagrou a formalização de quatro autuações, assim tratadas nos autos sob nº 16561.720129/201698, 16561.720228/2016 70, 16561.720227/201625 e 16561.720226/201681. Todos cuidam de ganho de capital na alienação de participações societárias nas nomeadas BRCs (a seguir citadas), Fl. 4817DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.818 48 em que se aportaram cisões parciais do Contribuinte em epígrafe. Tudo trata da atribuição do excogitado ganho para esse último (dissimulado vendedor) e não para os seus sócios (simulados vendedores). Nos autos sob nº 16561.720129/201698, cuidase do ganho de capital experimentado em face dos seguintes adquirentes das referidas participações societárias: Monish Empreendimentos e Participações S.A., Lokesh Empreendimentos e Participações S.A., Rec Log 21, S.A., Rec Log 31 S.A., Rec Log 41 S.A. Rec Log 51 S.A.; nos autos sob nº 16561.720228/201670, BRC VII; nos autos sob nº 16561.720227/201625, o Sr. Carlos Juan Betancourt; nos autos sob nº 16561.720226/201681, Credit Suisse, na qualidade de administradora de fundos. De ora em diante e a menos que se diga o contrário, seguirseá na linha adotada pela Fiscalização no que tange à referência de elementos de prova, a dizer, tomarseá a paginação documentária guardada nos autos sob nº 16561.720129/201698. II – Das Preliminares A Recorrente sustenta a nulidade da autuação pela ausência de fundamento jurídico para a constituição do crédito tributário objeto do processo, alegando que não existe o apontamento de qualquer dispositivo infringido pela Recorrente, nem mesmo dentre os dispositivos legais citados nos autos de infração de IRPJ e da CSLL. Mais à frente em seu recurso, a Recorrente pontua que a única norma que eventualmente poderia ter sido aventada pela Sra. Agente Fiscal para a desconsideração do negócio jurídico seria o parágrafo único do artigo 116 do CTN. (...) Todavia, cabe observar que os procedimentos necessários para a aplicação dessa norma dependem da elaboração de lei ordinária, a qual, até o presente momento, não foi editada”. Em contraponto, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, afirma ter a autuação detalhado a infração, e apurado que os fatos apurados se enquadram no conceito de simulação subjetiva, e, por via de consequência, o relatório fiscal teria capitulado corretamente os fatos apurados. Como se pode detrair da narrativa das argumentações acima elencadas, a discussão quanto à hipótese de nulidade aventada neste tópico, necessariamente, passa pela verificação da ocorrência, ou não, da prática de simulação subjetiva pela autuada. Sendo assim, entendo que o julgamento da preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de fundamento jurídico suscitada neste tópico deve ser procedido em conjunto com a análise do mérito da presente demanda. Adiante, a Recorrente sustenta a nulidade da decisão recorrida ao afirmar que a Turma Julgadora embasou a sua decisão de manter os lançamentos em razão de suposta infração/vício nos contratos de compra e venda examinados nestes Fl. 4818DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.819 49 autos, alterando, desta forma, o "fundamento" da Sra. Auditora Fiscal que alegava a existência de infração/vício em momento diverso (isto é, nas cisões da Recorrente). Nesse sentido, elabora uma tabela ilustrando que “diferentemente da Sra. Agente Fiscal, a DRJ não traz em seu voto qualquer menção ao termo "planejamento tributário abusivo" (ou similar), mas menciona trinta e sete vezes o termo "simulação" (ou similar) e sete vezes o art. 167 do Código Civil”. No entanto, não merece provimento a referida alegação posto que a autuação deixou bem claro decorrer da falta de apuração de ganho de capital pela BRACOR decorrente da alienação de suas participações societárias em empresas onde eram desenvolvidos projetos imobiliários, ausência de tributação esta que foi consequência de atos simulados. Assiste razão à Procuradoria quando afirma que não há como aceitar uma interpretação com base na quantidade de vezes que uma palavra é utilizada. Embora o termo “simulação” tenha sido amplamente mais utilizado na decisão recorrida do que no lançamento, este deixa claro que a infração se deu porque, em seu entender, os contratos de compra e venda das BRC’s foram simulados, tendo em vista que o real alienante foi a BRACOR. A Recorrente utiliza, também, como fundamento a ensejar a nulidade da decisão recorrida, o artigo 489, do CPC/2015, alegando, para tanto, que a decisão seria nula porque não se pronunciou sobre todos os argumentos suscitados no processo e que seriam capazes “em tese” de alterar a conclusão adotada pelo julgador, assim como não houve manifestação sobre os precedentes citados. Entretanto, também neste ponto, não merecem provimento as alegações da Recorrente. Em primeiro lugar porque, como bem pontuado pela Procuradoria, a necessidade de suficiência de fundamentação não deve ser confundida com a abrangência de todos os pontos que envolvem a controvérsia, de modo que o julgador não está obrigado a abordar todos os aspectos levantados pelas partes; mas tem a obrigação de justificar a sua decisão apenas com os fundamentos que entende serem suficientes para, de acordo com a sua convicção, pôr termo à lide. Nesse sentido segue precedente atual deste Conselho: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. ART. 489, § 1º, DO CPC/2015. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO OCORRÊNCIA. SERVIDOR PÚBLICO. REAJUSTE SALARIAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃOREMUNERATÓRIA. REVISÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. CONTROVÉRSIA DECIDIDA PELA CORTE DE ORIGEM COM BASE NA LEI LOCAL E NAS PROVAS DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 280 DO STF E 7 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. Não há falar em omissão existente no acórdão quando o Fl. 4819DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.820 50 Tribunal local julga integralmente a lide, apenas não adotando a tese defendida pelos recorrentes. Não se pode confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. Afastase a tese de fundamentação deficiente do aresto combatido (art. 489, § 1º, III, IV e VI, do CPC/2015), pois esta Corte Superior possui precedente de que, "se os fundamentos do acórdão recorrido não se mostram suficientes ou corretos na opinião do recorrente, não quer dizer que eles não existam. Não se pode confundir ausência de motivação com fundamentação contrária aos interesses da parte, como ocorreu na espécie. Violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015 não configurada" (AgInt no REsp 1.584.831/CE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/6/2016, DJe 21/6/2016). (...) (AgInt no REsp 1649443 / RO; Relator(a) Ministro OG FERNANDES ; Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 26/09/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 29/09/2017) Igual raciocínio se aplica à alegada ausência de manifestação quanto aos precedentes colacionados, isto é, assim como os argumentos escolhidos pelo contribuinte não necessitam ser, um a um, rebatidos; os precedentes colacionados que tratam de casos com peculiaridades e sujeitos diferentes, não vinculam os julgadores deste processo. Em conclusão, temse que o acórdão recorrido, ratificando o entendimento exposto no relatório fiscal, partiu da premissa de que houve simulação no presente caso, desconsiderando os contratos de compra e venda firmados entre os acionistas da BRACOR e o Grupo Prospéritas, e procedeu ao enquadramento dos fatos em conformidade com tal premissa. Portanto, não se verifica a ocorrência de qualquer hipótese de nulidade no acórdão recorrido. III – Do Mérito Podese extrair do relatório acima que a contribuinte fora autuada por ter deixado de oferecer à tributação o ganho de capital auferido na alienação de participações societárias. A Fiscalização apurou que, mediante a prática de simulação, houve o deslocamento meramente artificial do polo passivo da obrigação tributária da pessoa jurídica para os seus acionistas. Também foi constatada a indevida redução do preço pago. Em face da participação efetiva nos atos praticados e nas decisões da pessoa jurídica, dois acionistas da autuada foram autuados como responsáveis solidários. A dinâmica da infração foi sintetizada no trecho do Relatório Fiscal a seguir transcrito: Fl. 4820DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.821 51 “86. Resumidamente, assim se procedeu a ação: • A Bracor era quotista (99,99%) das BRCs desde 2006/2007 (anexo II deste Termo). • Os acionistas da Bracor na data da alienação das BRCs eram os mesmos desde 2007, de forma direta ou indireta, fl. 3005. • Nos anos 2010 e 2011, a Bracor promove 4 cisões de seu patrimônio, nos dias 12/08/10, 30/09/10 e 18/01/11 e 03/06/11, com versão das parcelas do patrimônio cindido às BRCs, conforme detalhado anteriormente. • Em virtude da redução de capital da Bracor decorrente das cisões promovidas, seus acionistas receberam quotas emitidas pelas BRCs em substituição às ações que detinham da Bracor. • Desta forma, os acionistas da Bracor (até então sócia majoritária das BRCs) deixaram de ter participação indireta nas BRCs e passaram a ter participação direta nas BRCs, como quotistas. • Os acionistas da Bracor são pessoas físicas, com cargos de diretoria na Bracor e pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, com exceção do Banco Itaú. • Ou seja, num breve lapso de tempo a Bracor reduz seu capital social e, em decorrência, transfere sua participação acionária nas BRCs para seus acionistas e ato subsequente, essas BRCs são alienadas. • Desta forma, a Bracor deixa de recolher os tributos sobre ganho de capital na ordem de 34%, substituindoa por uma alíquota de 15%, pela qual são tributadas as pessoas físicas e as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. • Além do deslocamento do polo passivo da obrigação tributária da Bracor para seus acionistas com tributação favorecida, houve também a redução indevida da base de cálculo ao desconsiderar a quitação das dívidas das BRCs como parte do preço de compra”. A Fiscalização entendeu que o fato de os exacionistas da Bracor figurarem formalmente como vendedores das BRC’s e, por via de consequência, serem eles os beneficiados com ganho de capital, ao invés da contribuinte; teria sido fruto de uma simulação, conforme se pode constatar dos trechos do Relatório Fiscal a seguir : “85. É um caso típico de simulação subjetiva, que envolve a participação de pessoas físicas ou jurídicas, pelo qual se aparenta atribuir direitos a uma determinada pessoa quando a realidade dos fatos se revela totalmente diversa, ou em que se utiliza uma delas ou algumas delas como canal de trânsito de determinados bens ou valores para mascarar o verdadeiro titular ou verdadeiro negócio celebrado. (...) Fl. 4821DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.822 52 122. A operação engendrada pela fiscalizada é legal apenas no seu aspecto formal, mas ilícita na medida em que objetivou unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita por meio de reorganização societária efetivada com o desvirtuamento total de institutos do direito privado. Pelo exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. 123. A Bracor, ao cindir seu patrimônio, sem qualquer motivação extratributária, e consequente transferência das participações nas BRCs para seus acionistas, agiu dolosamente para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador nascido com a alienação que ela, Bracor, em essência, fez. A conduta dolosa da Bracor é patente, pois ela quis, por meio de uma transferência artificiosa das participações da Bracor nas BRCs para seus acionistas, impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal originada pela alienação das participações das BRCs.” Destarte, tendo havido os contratos de venda e compra de participações societárias então detidas pelos acionistas/quotistas nas BRCs (vendedores) para pessoas jurídicas debaixo do Grupo Prospéritas (comprador) por simulados, a Fiscalização desconsiderou estes contratos no que se refere àqueles que constavam como vendedores, reorientando este polo contratual para nele colocar quem entendeu ter sido o real vendedor, ou seja, o Contribuinte. Disso seguindose neste, a apuração de ganho de capital. A DRJ, ao ratificar as conclusões da Fiscalização, sustenta a existência de simulação relativa no caso em espeque, discriminando que o ato simulado foi a compra e venda de participação societária por parte de acionistas/quotistas; de outro bordo, dissimulado teria sido a compra e venda de participação por parte do Contribuinte, pois este seria o ato desejado desde o início. A Turma Julgadora “a quo”, partindo do acervo reunido pela Fiscalização, deu maior enfoque para as procurações nas quais os exacionistas da contribuinte conferiam amplos poderes para esta na negociação do contrato de compra e venda. Constam no voto do Acórdão recorrido várias perguntas que objetivam deixar claro a descrença do colegiado quanto à verdadeira intenção dos envolvidos na venda das BRCs ao Grupo Prospéritas. Vejamos alguns trechos do Acórdão recorrido: “18. O caso é de simulação relativa e, assim o sendo, como consequência mínima disso, surgiu para a Fiscalização o dever de apontar o que simulado e o que dissimulado. Ela o fez. Simulada foi a compra e venda de participação societária por parte de acionistas/quotistas; esse o relato, para usar o termo prestigiado na cita acima ao Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Itamar Gaino. Por outro lado, dissimulada foi a compra e venda de participação societária por parte do Contribuinte. Fl. 4822DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.823 53 19. E, agora ao cerne de tudo, de onde precisamente retirou a Fiscalização o contrarelato (também para prestigiar a linha de raciocínio do Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Itamar Gaino, acima citado) que está a desmentir o relato? Segue: 19.1. Tomese a cisão datada de 30/09/2010 (fls. 1051/1085; vide parágrafo 8.3 desse Voto). Se à essa altura os acionistas/quotistas no Contribuinte já eram titulares diretos das posições societárias nas BRCs que vieram de ser negociadas (venda de tais posições para pessoas jurídicas do Grupo Prospéritas) em 23/12/2010 (fls. 237/273), então por que ele, Contribuinte, surge como procurador comum de todos aqueles acionistas/quotistas? O natural não seria o Grupo Prospéritas entabular negociações (em 23/12/2010) com os proprietários (desde 30/09/2010) das participações sob interesse? Vejase a cláusula 2.3 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 253), bem que trechos d'um seu anexo (fls. 307/309): (...) 19.2. Por que os poderes então conferidos ao Contribuinte foram marcadas pelos signos da irrevogabilidade e irretratabilidade? Vejase a cláusula 2.3.2 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 253): 2.3.2. Os poderes referidos no Anexo 2.3 são outorgados à Procuradora dos Vendedores em caráter irrevogável e irretratável em consonância com o disposto no Art. 684 do Código Civil Brasileiro. 19.3. Poderseia dizer que a explicação desse expediente encontrase expresso na cláusula 2.3.1 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 253): 2.3.1. Os poderes previsto na Cláusula 2.3 acima são outorgados em vista do e para o propósito de implementar as operações contempladas no presente Contrato, tendo em vista a quantidade de Vendedores e o fato de parte deles serem domiciliados no exterior. [...]. 19.4. Mas, se assim é ou fosse, temse aí uma contradição. É que o protocolo de justificação da cisão operada a 30/09/2010 refere a uma particular vantagem na dita cisão (fl. 1061): Além disso, a administração da Bracor entende que a cisão, conforme proposta, garantirá maior flexibilidade em relação aos empreendimentos, permitindo a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades e facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, no todo ou em parte, conforme julgarem conveniente. Fl. 4823DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.824 54 19.5. Mas como teriam os acionistas/quotistas no Contribuinte liberdade de decisão quanto ao destino de suas participações nas BRCs (eventual alienação incluída) se na execução do instrumento feito para concretizar a venda de tais participações para o Grupo Prospéritas não tinham eles, acionistas/quotistas, gerência alguma, vistos os poderes entregues ao Contribuinte, encastelado que ficou como procurador comum de todos eles, de modo irrevogável e irretratável? Com os poderes antes especificados e assim qualificados, estáse bem além d'um mero instrumento de mandato. Eis um contrarelato (é o Contribuinte que está na posição de vendedor) ao relato ofertado (no sentido de que seriam os acionistas/quotistas a disputarem a posição de vendedores). 19.6. O mesmo se diga (ou se pergunte, como acima feito) sobre a cisão datada de 18/01/2011 (fls. 1086/1198; vide parágrafo 11.4 desse Voto). Se à essa altura os acionistas/quotistas no Contribuinte já eram titulares diretos das posições societárias nas BRCs que vieram de ser negociadas (venda de tais posições para pessoas jurídicas do Grupo Prospéritas) também e no exato dia de 18/01/2011 (fls. 476/516), então porque ele, Contribuinte, surge como procurador comum de todos aqueles acionistas/quotistas? O natural não seria o Grupo Prospéritas entabular negociações (em 18/01/2011) com os proprietários (alçados a essa condição nessa mesma data) das participações sob interesse? Vejase a cláusula 2.3 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 488), bem que trechos d'um anexo (fls. 621/622): (...) 19.12. O Itaú BBA S.A. aparece como vendedor de suas participações nas BRCs nos dois contratos antes citados (23/12/2010 e 18/01/2011; fls. 237/273, 476/516). Bem, a valer o propósito das cisões havidas em 30/09/2010 e 18/01/2010, isto é, de conferir autonomia de negociação aos acionistas/quotistas, por que é que a referida instituição financeira aceitaria a intermediação do Contribuinte (na figura de procurador com amplos, irrevogáveis e irretratáveis poderes)? Responde Itaú BBA S.A. (fls. 2952/2954) que tal se dera por "exigência dos Compradores, a fim de evitar a necessidade de comunicação com vários vendedores em caso de surgimento de reclamações relativas a eventuais passivos de responsabilidade dos vendedores que viessem a ser identificados após a compra e venda [...]". Mas, pergunta se, quais "eventuais passivos de responsabilidade dos vendedores" se a venda de suas participações nas BRCs foram livres de quaisquer ônus, isto é, líquidas de dívidas tituladas pelas pessoas jurídicas BRCs? Por outra, quando da operação de venda e compra das mencionadas participações nas BRCs, já ficou estabelecido que a responsabilidade pelos passivos ali presentes (nascidos e registrados contra as pessoas jurídicas BRCs) passaria – e efetivamente passou para os compradores12,13. Eis mais um contrarelato (é o Contribuinte que está na posição de vendedor) ao relato ofertado (no sentido de que seriam os acionistas/quotistas a disputar a posição de vendedores). Destaquese também, a seguinte passagem da decisão recorrida em que a Turma Julgadora destaca a possibilidade de que o próprio contribuinte fizesse a venda das participações societárias nas BRC’s diretamente ao Grupo Prospéritas, ao utilizar o Fl. 4824DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.825 55 exemplo em que o contribuinte vendeu a participação que detinha na BRC XXI – Empreendimentos Imobiliários Ltda. com Tulipa LLC (Delaware – EUA) em 01/06/2011 (fls. 755/783): “19.17. Não havia obstáculo negocial à possibilidade de o próprio Contribuinte vender suas participações societárias nas BRCs ao Grupo Prospéritas, isso ao invés de dar curso a cisões de parcelas de seu patrimônio correspondentes a tais participações e, por decorrência de redução do capital social, promover a troca de participações de seus acionistas/quotistas em seu capital por participação deles no capital das BRCs. Isso tanto é verdade que o Contribuinte fechou contrato de venda de sua participação societária na BRC XXI Empreendimentos Imobiliários Ltda. com Tulipa LLC (Delaware EUA) em 01/06/2011 (fls. 755/783). É um contrarelato (é o Contribuinte que está na posição de vendedor) ao relato ofertado (no sentido de justificar a necessidade negocial de se colocar os acionistas/quotistas na posição de vendedores).” Por fim, não se pode deixar de mencionar a conclusão a que chegou a PGFN, quanto à simulação apurada nestes autos: “Em vista do que fora apresentado, fica clara a simulação apurada pelo lançamento. Embora as partes envolvidas tenham declarado a venda das BRC’s pelos acionistas da BRACOR, na realidade tal alienação foi realizada pela própria BRACOR. Como visto, todos os requisitos de um alienante foram observados pela BRACOR, com exceção, por óbvio, do recebimento do preço, que é justamente o núcleo do planejamento orquestrado. A BRACOR foi a responsável: pelo desenvolvimento dos empreendimentos detidos pelas SPE’s; pela negociação das sociedades; pela concretização da venda; pelos direitos e obrigações decorrentes da venda. Outrossim, de acordo com o contrato social da BRACOR, a venda das SPE’s por essa sociedade era a atividade esperada, pois correspondia à conclusão de sua atividade. Contudo, em face da realização de reduções de capital completamente ilegais e a celebração de uma procuração que na realidade procurava neutralizar os efeitos de tais reduções, as partes defendem que seja oposta contra o Fisco tal situação inquestionalmente irreal. Portanto, a simulação é evidente. A divergência entre as vontades real e declarada é inequívoca. E, por último, a exclusiva finalidade fiscal é incontestável. Com efeito, por meio da declaração de reduções de capital que nunca existiram na realidade, as partes procuraram atrair de maneira artificial a incidência do artigo 22 da Lei nº 9.249/1995 e assim deslocar o polo passivo do ganho de capital a ser tributado para pessoas submetidas a alíquota menor. Contudo, não tendo havido verdadeiras devoluções de capital, não há que se falar na aplicação do referido dispositivo. No presente caso não houve devolução de capital, mas sim deslocamento de resultado. Dessa forma, como apurado pelo lançamento, houve simulação subjetiva pois as partes alteraram apenas aparentemente a alienante das BRC’s. E, para tanto, declararam a realização de reduções de capital inexistentes, fizeram com Fl. 4825DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.826 56 que os acionistas assinassem os contratos de compra e venda como se vendedores fossem, e firmaram procurações que visavam a anular os efeitos indesejáveis causados pela transferência formal da propriedade das BRC’s. Em termos concretos, vêse que o resultado obtido pelas partes é igual à venda das BRC’s pela BRACOR com a transferência do resultado para os seus acionistas. Nesse diapasão, vale destacar que a alegação dos autuados de que não houve planejamento em face da ausência do retorno dos recursos a BRACOR não é passível de afastar a conclusão de que houve simulação. Como dito, basta ver que os recursos foram enviados aos acionistas. Assim, o interesse econômico das partes não era reduzir a tributação do ganho exclusivamente pela BRACOR, o que ocorreria caso os recursos tivessem retornado à sociedade. O interesse era comum entre as partes, onde os acionistas da BRACOR, no lugar de promover a venda das BRC’s pela sociedade e posteriormente auferir o resultado das alienações por meio de dividendos, por exemplo (claro, se houvesse lucros acumulados ou reserva de lucros para tanto) “optaram” por declarar uma redução de capital inexistente e assim vender diretamente os empreendimentos e tributar o ganho por uma alíquota reduzida.” Passo à análise da autuação. Como visto, em nenhum momento a Fiscalização comprova – ou a DRJ e a PGFN conseguem sustentar – que a Bracor de fato se evadiu da tributação de 19% [resultante da diferença da alíquota do imposto de renda aplicável às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil (34%), e a alíquota do mesmo gravame aplicada ao ganho de capital das pessoas físicas e pessoas jurídicas domiciliadas no exterior – exceto paraísos fiscais (15%)] sobre o ganho de capital auferido. Isto porque, não houve a comprovação de que os acionistas tivessem reinvestido na Contribuinte, o lucro auferido com a venda das BRC’s. Ora, se o propósito das operações de cisão era evadirse de tributação, simulando uma situação em que a alienação era procedida pelos acionistas (que se submeteriam a uma alíquota menor), por óbvio que a simulação só estaria completa se os valores fossem reinvestidos na Recorrente. Esta é a lógica do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, que tem em seu critério material o verbo “auferir”, acompanhado do complemento “ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza”. Vejamos o disposto no art. 117, do RIR/99. Vejamos: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza.” (grifos) O próprio TVF reconhece que foram os acionistas da Recorrente que receberam os valores das vendas das BRC’s. Senão, vejamos (fl. 30 do TVF): "112. Deduzse das disposições contratuais constantes dos Contratos de Compra e Venda firmados nos AC 2010 e 2011, fls. 244 a 936, que os acionistas da Bracor, do ponto de vista Fl. 4826DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.827 57 estritamente formal, alienaram para o grupo Prosperitas, Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt, as cotas das BRCs, obtidas em decorrência da cisão do patrimônio promovida pela Bracor (vide tabela item 81 deste Termo). 113. Em face dessa 'alienação', cada uma dessas pessoas ligadas (pessoas físicas ou pessoas jurídicas domiciliadas no exterior) identificadas como vendedores contratuais apurou seu respectivo ganho de capital na DIRPF do anocalendário de 2010 e 2011 ou teve retido o IRRF (Imposto Retido na Fonte), conforme detalhado no Anexo III deste Termo." (grifos nossos) Logo, como atestado pela própria Fiscalização, foram os acionistas (“vendedores contratuais”) portanto, aqueles que praticaram o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital previsto na hipótese do art. 117, RIR/99. Se pudéssemos cogitar a existência de algum benefício pretendido na simulação dos contratos de compra e venda das BRC’s, este benefício teria sido aquele, porventura obtido pelos acionistas (“vendedores contratuais”), caso a tributação do ganho de capital na pessoa física fosse mais benéfica, do que se o resultado fosse tributado a título de distribuição de dividendos da sociedade. No entanto, mesmo no caso descrito acima, o polo passivo da obrigação tributária constituída deveria ser composto pelos acionistas, e não pelo contribuinte aqui autuado. Na simulação relativa, segundo Silvio Rodrigues (Direito Civil: parte geral. 41. Ed., v. 1) há dois negócios jurídicos “um, simulado, ostensivo, aparente, que não representa o íntimo querer das partes; e outro, dissimulado, oculto, que justamente constitui a relação jurídica verdadeira”. É também denominada dissimulação. Nas palavras de Maria Rita Ferragut (As Provas e o Direito Tributário: teoria e prática como instrumento para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016): “(...)dissimular é disfarçar, fingir, ocultar, encobrir. Disfarça se uma realidade jurídica (ato ou negócio formalmente realizado), ocultandose outra que é a efetivamente praticada (ato ou negócio dissimulado, para os fins de diminuir, ou até mesmo eliminar, a carga tributária.” (g. n.) Ora, se o contribuinte tencionava evadirse de oneração tributária através da prática de um ilícito, a Fiscalização deveria ter comprovado que os lucros obtidos pelos acionistas, e já tributados na pessoa física sob uma alíquota menor, tivessem retornado ao patrimônio do contribuinte. Apenas se isto fosse comprovado, é que poderíamos perquirir quanto à hipótese da ocorrência, ou não, de simulação. Isto porque, a este ponto a Fiscalização teria demonstrado que o contribuinte teria tido uma economia de 19% (34% 15%) na tributação do IR sobre ganho de capital. Fl. 4827DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.828 58 Contudo, o Relatório Fiscal apenas desqualifica um contrato de compra e venda para, a partir de presunção, imputar um suposto benefício ilícito. Entretanto, a mencionada imputação é vaga pois desacompanhada da devida comprovação de que o contribuinte tenha, efetivamente, fruído do benefício decorrente da simulação. Repisase, a Fiscalização deveria comprovar que o contribuinte se beneficiou, de fato, de menor carga tributária através de atos simulados. Diversamente, neste caso podese afirmar que não houve a diminuição da carga tributária, justamente porque não houve prática do fato gerador pela Recorrente. Houve sim, a prática do fato gerador (auferir ganho de capital) pelos acionistas, os quais foram tributados nas estritas conformidades da lei. Logo, a inexistência de prática do fato gerador, cumulado com a falta de provas a demonstrar que a Recorrente tenha efetivamente se beneficiado, financeira ou economicamente, de um suposto negócio simulado, por si só, já seria motivo suficiente para cancelar os autos de infração em tela, sem a análise da ocorrência da hipótese de simulação. Não obstante isso, cabem algumas considerações quanto aos contra argumentos utilizados pelo Fisco para caracterizar a simulação tanto no procedimento, quanto no processo administrativo tributário, pois entendo que os indícios reunidos não são aptos à comprovação da simulação imputada. Como primeiro ponto, registro não caberem ponderações quanto à ausência, ou presença, de motivação extratributária para as cisões, e a consequente transferência das participações nas BRCs para seus acionistas, pois o Fisco não tem a prerrogativa de ditar ou desconsiderar a forma como os contribuintes se organizam para praticar o fato gerador; ressalvado, por óbvio, a comprovação da prática de fraude ou simulação. Nesse sentido inclusive, este Conselho já considerou legítimo o direito de o contribuinte organizar seus negócios de forma mais eficiente. Vejamos: “CONTRATOS DE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. ART. 565, CÓDIGO CIVIL. PROPÓSITO NEGOCIAL. ANÁLISE. DESCABIMENTO. Os contratos de locação de veículos automóveis não podem ser desconsiderados quando atendidos os requisitos previstos no art. 565, do Código Civil, ou seja, a cessão de coisa a outrem; por tempo determinado ou não; coisa não fungível e mediante certa retribuição. Afastase a possibilidade de desconsideração do contrato com base na alegada inexistência de propósito negocial, por inexistir de disposição legal a determinar, identificar, ou apontar o que deva ser tido por “propósito negocial”; do mesmo modo, não cabe à autoridade fiscal a discricionariedade de apontar em quais operações existe e em quais não existe proposta negocial. (Acórdão nº 1302003.159, Sessão de 16 de outubro de 2018.) Fl. 4828DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.829 59 ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. (Acórdão n.º 1402002.740, Sessão de 19 de setembro de 2017) “PIS. REGIME MONOFÁSICO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. Fl. 4829DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.830 60 ART. 116, P.U. DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126, III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada para exercer a atividade de revendedor atacadista efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda dos produtos. A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. (Acórdão nº3403002.519, 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária. Sessão de 22 de outubro de 2013.) Outrossim, temse que a operação de redução de capital da Bracor não é prova de ilicitude, na medida em que atende às previsões existentes na legislação, e, no limite, somente poderia ser desconsiderada com base em conceitos ainda não amparados na legislação tributária vigente (abuso de direito ou abuso de forma), conforme já explanado. A jurisprudência do CARF, em sua maioria, tem referendado operações semelhantes de redução de capital com devolução de participação em controladas aos acionistas pessoas físicas e posterior alienação de tal participação, conforme demonstram os seguintes julgados: "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO. É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderandoo, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. Tratase de norma indutora de comportamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. São legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. Não há dúvidas de que as operações em análise observaram as disposições do artigo 22, da Lei nº Fl. 4830DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.831 61 9.249/95 e, para superação questões operacionais e de imagem da Neogama (governança e transparência corporativa), a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente." (Acórdão nº 1201002.584 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 21 de setembro de 2018, Redatora designada Conselheira Gisele Barra Bossa) "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. AUSÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembleia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa." (Acórdão nº 1301003.023 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 16 de maio de 2018, Relatora Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto) "VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA RECEBIDA PELOS SÓCIOS APÓS OPERAÇÃO DE REDUÇÃO DE CAPITAL. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO LEGÍTIMO. Restando comprovado que a negociação da participação societária foi de fato e de direito realizada pelas pessoas físicas (ausência de simulação), bem como que a redução de capital com entrega de participação aos sócios produziu as consequências jurídicas normalmente esperadas para este tipo de operação (negócio dotado de "causa"), não há base para que o fisco desconsidere os efeitos tributários a pretexto de tributar os atos segundo o que, no seu entender, seria o seu desfecho previsível." (Acórdão nº 1401002.347 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 10 de abril de 2018, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) De forma semelhante, entendo que as procurações outorgadas à Contribuinte não são indícios aptos à comprovação de uma simulação nos contratos de compra e venda que originaram o ganho de capital. De um lado, o próprio TVF já havia consignado, conforme resposta do Banco Itaú BBA, que a outorga de procurações para que a Contribuinte tivesse amplos Fl. 4831DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.832 62 poderes de negociação foi uma solicitação/exigência do Grupo Prospéritas (comprador) e não da Recorrente (suposta vendedora). Vejamos: "61. Aliás, não só anuência como foi uma exigência dos compradores do Grupo Prosperitas, conforme informação do acionista Itaú BBA em resposta ao Termo de Diligência 01, fl. 295 2 a 2954, o qual reproduzimos a seguir: 'Com relação à procuração de que trata o Contrato de Compra e Venda das ações das BRCs, esclarecemos que a referida procuração foi outorgada por exigência dos Compradores, a fim de evitar a necessidade de comunicação com vários vendedores em caso de surgimento de reclamações relativas a eventuais passivos de responsabilidade dos vendedores que viessem a ser identificados após a compra e venda, conforme cláusula 2.3 do Contrato de Compra e Venda e descrito abaixo:" (Fl. 15 do TVF g.n.) No mesmo sentido, a cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade não seria apta a infirmar a validade dos negócios, pois esta teria sido constituída para o propósito de implementar as operações contempladas no presente Contrato, tendo em vista a quantidade de Vendedores e o fato de parte deles serem domiciliados no exterior, conforme consta na cláusula 2.3.1 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 253). As duas exigências descritas acima são, a meu ver, razoáveis, pois buscam prevenir o comprador das dificuldades que o negócio com vários interlocutores – das mais variadas formas, e situados nos lugares longínquos – pudesse representar. Ademais, cumpre registrar que a Fiscalização não conseguiu trazer provas capazes de desqualificar a veracidade das informações colhidas em seu próprio trabalho fiscal. Em resumo: as presunções e suposições quanto ao motivo por que o Contribuinte tenha surgido como procurador comum de todos aqueles acionistas/quotistas, no meu entendimento, não são suficientes para contrapor o fato de que a simulação não restou comprovada, em razão da ausência de comprovação do reinvestimento ou internalização dos ganhos/lucros obtidos com a alienação das BRC’s ao patrimônio do contribuinte. Desse modo, restam esvaziadas as demais discussões quanto a (i) redução indevida da base de cálculo ao desconsiderar a quitação das dívidas das BRCs como parte do preço de compra; (ii) multas; (iii) juros sobre multas e (iv) responsabilidade solidária; (v) preliminares de nulidade. Fl. 4832DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.833 63 IV – Conclusão Conforme o exposto, rejeito as preliminares suscitadas, para no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, cancelado a presente autuação e os Termos de Sujeição Passiva Solidária, decorrentes dos Autos de Infração ora entelados. É como voto. Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Voto Vencedor Maria Lúcia Miceli Redatora Designada O presente lançamento decorre de planejamento tributário, no qual a autoridade fiscal concluiu que a transferência das participações societárias detidas pela autuada denominada neste voto por BRACOR, para seus acionistas, após cisão de seu patrimônio, teve a intenção de reduzir a tributação sobre o ganho de capital, significando uma economia tributária com a redução do percentual de 34% (tributação da pessoa jurídica) para 15% (tributação da pessoa física). A multa de ofício foi qualificada para 150%, e houve a responsabilização dos sócios pessoas físicas, com base no artigo 135, inciso III do CTN. Além disso, também foram lavradas multas isoladas pela falta de pagamento das estimativas devidas, tratandose de tributação pelo lucro real, apuração anual. O nobre relator, como de praxe, em seu voto brilhantemente articulado e fundamentado, afastou as preliminares de nulidade, e deu provimento ao recurso voluntário para cancelar na totalidade o lançamento, assim como os Termos de Sujeição Passiva Solidária. Entretanto, ouso divergir do entendimento do relator, por entender que houve planejamento tributário, cabendo a qualificação da multa de ofício para 150%, mas devendo o crédito tributário lançado ser compensado com os recolhimentos a título de ganho de capital efetuado pelos vendedores (os sócios) incidentes sobre estas operações. Também entendo ser procedente o lançamento das multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas, já que não existe concomitância, assim a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim concluo que deva ser mantida a imputação da responsabilidade solidária aos sócios, com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN. Passo, então, a expor os fundamentos de minha divergência. A seguir, de uma forma bem resumida, a BRACOR entende como pontos essenciais que seriam suficientes para infirmar a presente autuação: 1) A existência de propósito negocial nas reorganizações societárias, como: a) busca pela segregação de ativos e a colocação destes em um fundo de investimentos Fl. 4833DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.834 64 b) a intenção dos acionistas de investir na BRACOR para aproveitar a sua expertise no nicho de incorporação imobiliária e, anos depois, obter, para si, a liquidez de tais investimentos, o que se comprova pela ausência de reinvestimentos na BRACOR. c) a mitigação de eventual risco de conflitos de interesses bem como a conferência de maior governança corporativa na condução dos negócios. 2) a reorganização societária questionada configura uma opção legal e é admitida por este CARF em diversos julgados. 3) o fato gerador no presente caso é auferir o ganho/ter o efetivo acréscimo patrimonial e a BRACOR nunca recebeu os valores decorrentes das alienações das BRCs. 4) não pode ocorrer ingerência do Fisco sobre os negócios particulares. 5) a intenção de se alienar era dos acionistas da BRACOR. 6) a alienação da BRC XXI pela BRACOR ocorreu por esta se encontrar em situação particular. 7) a multa qualificada no percentual de 150% não poderia ser aplicada, uma vez que a BRACOR prestou todas as informações requeridas pela autoridade fiscal, registrou todos os seus atos nos órgãos competentes, deulhes a devida publicidade e não auferiu qualquer benefício econômico. Pois bem. A BRACOR relata que tem como objeto social a identificação, aquisição, desenvolvimento, manutenção, administração e/ou alienação de unidades imobiliárias industriais, comerciais ou de escritórios. Esclarece que passou a organizar seus empreendimentos em Sociedades de Propósito Específico (SPE), tendo como particularidade o fato de que possuem como propósito específico o desenvolvimento de um único empreendimento imobiliário previamente definido. Usando este modelo, o aporte de recursos do investidor se dá por meio de subscrição e integralização das cotas sociais ou ações da SPE, a depender do tipo societário, tornandose sócio do empreendimento. Nestes termos, a responsabilidade do investidor é limitada na proporção do capital social, ocorre a segregação de riscos inerentes a cada obra, além de possibilitar diferentes tipos de financiamentos conforme o caso. Portanto, a organização societária adotada pela BRACOR para o exercício de sua atividade econômica, com a criação de diversos empreendimentos vinculados às SPE denominadas de BRC I a BRC XXXV, foi assim demonstrada no recurso voluntário: Fl. 4834DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.835 65 Conclui afirmando que a criação das BRC pela BRACOR ocorreu à luz de todo o regramento jurídico que rege a atividade de incorporação imobiliária, possibilitando uma melhor capacidade de gestão dos empreendimentos no que se refere à segregação de riscos e aumento da diversidade de financiamentos, bem como oferecendo uma maior transparência e segurança aos investidores e compradores que se relacionavam com a BRACOR. Neste ponto, a BRACOR registra em sua defesa que não houve por parte da fiscalização e da DRJ qualquer questionamento quanto à sua estruturação dos negócios, com a criação das diversas BRCs. E sequer poderia. Como a própria BRACOR afirma, o Fisco não pode ingerir na forma em que o contribuinte estrutura e promove os seus negócios. Se optou por segregar seus empreendimentos em diversas SPEs, não pode a Administração interferir com qualquer ato em sua organização, determinando que adote outro modelo de negócios. De fato, própria BRACOR inicia sua defesa explicando que a legislação instituiu uma sistemática de proteção patrimonial denominada de "patrimônio de afetação", previsto no artigo 31 A da Lei nº 4.591/64, com redação dada pela Lei nº 10.931/2004, que possui, inclusive, regime próprio de tributação, semelhante ao SIMPLES, permitindo recolhimento único que abrange IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, a BRACOR, por intermédio de seus sócios, preferiu utilizar as SPEs por entender que teria vantagens gerenciais e financeiras. Ora, se por um lado o Fisco não pode interferir na gerência dos negócios do contribuinte, de outra parte, me questiono se é possível o contribuinte intervir na sua estrutura negocial somente para reduzir os tributos. Este é o ponto central dos autos, que perpassa necessariamente pela análise da reorganização societária que ocorreu a partir de 12/08/2010. É necessário ressaltar que a escolha do modelo societário define a forma de tributação quando da venda dos empreendimentos imobiliários. De acordo com o modelo adotado, a BRACOR é sócia majoritária, detentora de 99,9% das ações de cada BRC. Assim, no curso normal do exercício de seus negócios, quando da alienação da participação da BRC, e considerando que a BRACOR optou pelo lucro real anual, com cálculo mensal de estimativas, caberia a tributação do ganho de capital auferido, nos termos do artigo 418 e Fl. 4835DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.836 66 426 do RIR/99, com a incidência da alíquota de 34 %. Este seria o desfecho esperado quando da realização de seu negócio, frisando que o objeto social da BRACOR é a identificação, aquisição, desenvolvimento, manutenção, administração e/ou alienação de unidades imobiliárias industriais, comerciais ou de escritórios. E é com base nessa premissa que concluo não ter cabimento o argumento de defesa da BRACOR de que seria válida uma reorganização societária com a finalidade de transferir os ganhos de capital da pessoa jurídica para a pessoa física com a redução da tributação tendo por fundamento legal o artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Diferente do que alega a BRACOR, este dispositivo legal não é uma disposição autorizativa que permite ao contribuinte escolher qual a forma que irá tributar seu ganho de capital quando da venda de algum ativo. O artigo 22 da Lei nº 9.249/95 tão somente disciplina a tributação de ganho de capital e a avaliação de bens entregues a sócio ou acionista como devolução de capital societário. Considerando o contexto histórico, este dispositivo veio pacificar o tratamento tributário acerca da dissolução de sociedade com devolução de capital em bens e direitos ao titular, sócio ou acionista, reduzindo as vias de planejamento fiscal e integrando a tributação das pessoas físicas e jurídicas. Neste contexto, é temeroso afirmar que este dispositivo seria uma autorização de opção legal, entre realizar ganho de capital na pessoa jurídica ou na pessoa física, permitindo diversos planejamentos tributários como se constata nos caso destes autos. Em nenhum momento o artigo 22 da Lei nº 9.249/95 autoriza a devolução de um bem, que sempre pertenceu a pessoa jurídica, para que ele seja alienado pela pessoa física do sócio. Como dito antes, primeiro se define o modelo de negócio que certamente afetará o fato gerador, determinando quem é sujeito passivo da obrigação tributária, a base de cálculo e a legislação a ser aplicada. No caso concreto, foi escolha da BRACOR o modelo já descrito neste voto, sendo ela o sujeito passivo da obrigação tributária que surge com a venda das BRCs, uma vez que possui a participação de 99,9 % das mesmas. Jamais o artigo 22 da Lei nº 9.249/95 se prestará para justificar qualquer reorganização societária para tão somente permitir que a tributação do ganho de capital seja transferido da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio. Tanto que, como bem frisou o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal, houve a alienação da BRC XXI para a TULIPA LLC, em 01/06/2011, diretamente pela BRACOR, na qualidade de sócia majoritária. Ou seja, o fato gerador ocorreu dentro do modelo de negócio escolhido, tendo como sujeito passivo da obrigação tributária a BRACOR, na qualidade de alienante da maior parte das ações, devendo ser aplicado o disposto nos já citados artigos 418 e 426 do RIR/99. E, de fato, restou consignado no TVF, item 63, que o ganho de capital obtido com esta venda foi devidamente calculado e contabilizado na conta contábil 331300. A BRACOR vem justificar no recurso que a alienação da BRC XXI para a Tulipa LLC teria envolvido uma situação particular esclarecida durante a ação fiscal, assim como na impugnação. Afirma que o lançamento estaria pautado no total inconformismo do fisco e da DRJ pela forma que ocorreu a reestruturação societária e a venda das demais BRC. De fato, a BRACOR esclareceu qual foi o motivo para a venda da BRC XXI. E poderia ter sido qualquer outro motivo, não importa qual. O que foi destacado no TVF é que, de todas as BRC, no total de trinta e cinco, apenas uma venda se deu na forma que seria a esperada no curso normal de seu negócio, considerando a estrutura organizacional adotada. As demais vendas ocorreram através de seus sócios, procedimento que só foi possível por Fl. 4836DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.837 67 causa das várias cisões do patrimônio da BRACOR, reduzindo seu capital com a entrega das participações das BRC aos seus sócios. E, então, a pergunta: a reorganização societária era necessária, ou foi mero artifício para permitir a tributação do ganho de capital pela regra do artigo 22 da Lei nº 9.249/95, na pessoas física dos sócios, com aplicação da alíquota de 15%, ao invés da tributação na BRACOR, pessoa jurídica, cuja alíquota totaliza 34 % ? De acordo com a defesa, houve propósito negocial nas vendas das BRC realizadas pelos acionistas da BRACOR, e as reduções de capital foram legítimas e válidas, não tendo sido realizadas de maneira simulada e com a exclusiva finalidade de reduzir a alíquota a ser aplicável ao ganho de capital. Para dirimir a questão, me valho do irreparável trabalho do auditor fiscal, que fez um exame pormenorizado de cada cisão ocorrida, afastando todas as justificativas apresentadas, concluindo que a reorganização societária não era necessária. Da mesma forma, nas contrarrazões apresentadas, a Procuradoria da Fazenda Nacional faz uma análise completa acerca das reduções do capital e entrega da participação das BRC aos sócios, concluindo que estas operações que não encontram respaldo na legislação societária (artigo 173 da Lei nº 6.404/76) e na doutrina, pois há limitação, em função do Princípio da Imutabilidade, uma vez que capital social deve garantir tantos os interesses dos acionistas como dos credores da sociedade. Assim, a partir do citado Princípio, o capital social somente pode ser reduzido nos casos de absorção de prejuízos e de capital excessivo, e jamais de acordo com o livre interesse dos sócios, sob pena de prejudicar os interesses dos credores da sociedade. Além disso, concordou com todos os pontos levantados pelo auditor fiscal, também afastando as justificativas apresentadas para a reorganização societária que ocorreu com a cisões. De forma resumido, elaborei tabela onde destaco as justificativas utilizadas para cada cisão, e faço meus comentários logo a seguir: Data da Cisão Protocolo e Instrumento de Justificação de Cisão Parcial 12/08/2010 Redução do capital em R$ 75.867.823,00 => os sócios e a BRACOR entenderam ser conveniente a segregação dos empreendimentos imobiliários de escritório e de varejo dos empreendimentos imobiliários industriais e de logística, => a cisão conforme proposta mostrouse vantajosa, pois permitirá, além da segregação das atividades, a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades, facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, no futuro, no todo ou em parte 30/09/2010 Redução do capital em R$ 158.862.936,00 => que as Sociedades são proprietárias de imóveis, nos quais foram desenvolvidos empreendimentos imobiliários de natureza industrial e de logística, os quais se encontram concluídos na presente data. => que a Bracor como sociedade holding, também detém participações societárias em outras sociedades, detentoras de imóveis nos quais se encontram em desenvolvimento empreendimentos imobiliários de natureza industrial e de logística, Fl. 4837DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.838 68 que demandam maior intervenção da Bracor, seja na supervisão da construção de tais empreendimentos, seja no aporte dos recursos necessários para o término das obras. => a cisão (...) se justifica uma vez que certos empreendimentos imobiliários de natureza industrial e de logística cuja construção encontrase concluída e cujos respectivos instrumentos de financiamento permitam o prépagamento ou, ainda, cujos desenvolvimentos já tenham atingido um ponto de equilíbrio ou de consolidação (e que, portanto, requerem menor intervenção da Bracor nos mesmos) devem ser segregados dos demais empreendimentos imobiliários que ainda encontramse em fase de construção, com financiamentos que inviabilizam o prépagamento ou, ainda, em fase da maturação e desenvolvimento (...) pois fará com que a Bracor administre de maneira mais eficiente tais empreendimentos imobiliários ainda em desenvolvimento, concentrando maiores esforços sobre eles. => a cisão (...) garantirá maior flexibilidade em relação aos empreendimentos, permitindo a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades e facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, 18/01/2011 Redução do capital em R$ 236.707.404,00 => a cisão (...) é a forma mais adequada para atingir o objetivo de segregar os empreendimentos imobiliários em desenvolvimento ou desenvolvidos pelas Sociedades dos demais empreendimentos em que a Bracor detém participação. => garantirá maior flexibilidade em relação aos empreendimentos a serem segregados, permitindo a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades e facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, É possível perceber que em todos os Protocolos possuem duas justificativas mais importantes: a) a cisão permitiria a segregação dos empreendimentos, permitindo uma maior administração da BRACOR. Ora, mas não foi exatamente esta justificativa para adoção do modelo estrutural, consignado no início do recurso voluntário, no qual a recorrente explica porque cada empreendimento estava vinculado a uma Sociedade Propósito Específico? Como pode agora querer justificar uma cisão com o objetivo de atingir uma situação que já existia desde o início, anosbase de 2006 e 2007 ? Todos os empreendimentos já estavam segregados para que, nas palavras da própria BRACOR, permitisse uma melhor capacidade de gestão: Nesse cenário, exatamente de acordo com a "nova" legislação, a Recorrente constituiu, nos anos de 2006 e 2007, diversas SPEs denominadas "BRC", com essa sigla seguida do numeral I a XXXV, cujo Fl. 4838DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.839 69 objetivo era segregar diversos empreendimentos imobiliários que estavam sob a sua condução. Como se pode perceber, a criação das BRCs pela Recorrente ocorreu à luz de todo o regramento jurídico que rege a atividade de incorporação imobiliária no Brasil, possibilitando uma melhor capacidade de gestão dos empreendimentos no que se refere à segregação de riscos e aumento da diversidade de financiamentos, bem como oferecendo uma maior transparência e segurança aos investidores e compradores que se relacionavam com a Recorrente. Como bem apontou a PFN nas contrarrazões, em que pese a utilização da palavra "segregar", o que os acionistas promoveram foram a retirada desses empreendimentos da BRACOR (recorrente), pois indiscutivelmente eles foram extirpados do patrimônio da sociedade. Contudo, "segregar" não pode ser confundido com "retirar". Ora, as BRC foram desenvolvidas com recursos e esforços da BRACOR ao longo dos anos de 2006/2007 com o objetivo de auferir lucro. Entretanto, quando é chegada a ora da concretização do seu objetivo social a venda do empreendimento imobiliário concluído (ou em vias de) este fato é um dos motivos para que ocorra a cisão. Esta constatação fica ainda mais patente na segunda cisão, como exposto a seguir. No protocolo da segunda cisão consta que, considerando que "as Sociedades são proprietárias de imóveis, nos quais foram desenvolvidos empreendimentos imobiliários de natureza industrial e de logística, os quais se encontram concluídos na presente data", e que as demais sociedades (BRC) "demandam maior intervenção da Bracor, seja na supervisão da construção de tais empreendimentos, seja no aporte dos recursos necessários para o término das obras", estes fatos seriam a justificativa para a cisão com a redução do capital. Ora, mas não é exatamente este o negócio da BRACOR, e na estrutura organizacional adotada ? Ainda justificando a reorganização societária, a defesa esclarece que o principal objetivo dos acionistas, ligados ao setor de "private equity", seria o investimento na BRACOR, aproveitando sua expertise na incorporação imobiliária, por meio das BRCs. Após essa etapa, o foco dos investidores seria agregar liquidez ao seu investimento inicial e sair do negócio. Ou seja, após a Bracor cumprir seu papel na qualidade de executora dos empreendimentos imobiliários referentes às BRCs, não haveria mais qualquer motivo para que os investidores continuassem atrelados a ela para dar seguimento aos seus objetivos individuais. Reafirma que a intenção dos acionistas seria obter liquidez para eles próprios e não para a Bracor, tanto que não houve o reinvestimento do lucro obtido com a venda das BRCs na holding. Mais uma vez ratifico minha posição. Não se trata de ingerência do FISCO como afirma a BRACOR. De fato, a legislação brasileira não proíbe que os contribuintes estruturem suas operações na forma que lhes for mais conveniente sob o ponto de vista fiscal. Entretanto, uma vez feita a opção, e tendo ciência das conseqüências tributárias, não tem cabimento alterar as características de um negócio para tão somente para obter vantagens fiscais. Repito: ao estruturar o negócio utilizando Sociedades de Propósito Específico, devese arcar com todas as conseqüências legais, inclusive a tributária, não podendo apenas se valer das vantagens com relação a governança corporativa e segregação dos Fl. 4839DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.840 70 riscos. Uma vez terminado o empreendimento imobiliário, é lógico que o passo seguinte é a sua venda, que deverá ter como alienante a Bracor, detentora de 99,9% das ações, com incidência de IRPJ e CSLL. Quanto ao interesse dos acionistas, em querer agregar liquidez ao seu investimento inicial e sair do negócio, com a venda do empreendimento, esta é a conduta mais do que esperada, principalmente no mercado imobiliário. Entretanto, estes objetivos seriam atingidos com a venda das BRCs pela Bracor, sendo desnecessária a operação de cisão e transferência das SPEs para os acionistas. Tanto que, como visto, a BRACOR foi a verdadeira protagonista da venda, ponto que será explorado mais adiante. E quanto à inexistência do reinvestimento do lucro obtido na BRACOR, como argumento de defesa, também não é fato capaz de invalidar o lançamento. Como foi dito, tratamse de acionistas ligados ao setor de "private equity", cujo principal objetivo é agregar valor ao seu investimento. Melhor ainda se este valor agregado vem com uma carga tributária menor, como se apresentou no presente caso. Apenas para finalizar esta questão, transcrevo parte da defesa na qual a BRACOR esclarece os motivos que levaram à reorganização societária: Diante da constatação de que a sua forma de organização societária como controladora de diversas SPEs já não atendia os seus objetivos empresariais, bem como de que os empreendimentos correspondentes a cada uma das BRCs sociedades com propósitos específicos já estavam finalizados, a Recorrente decidiu cindir parcialmente o seu patrimônio com o objetivo de segregar tais ativos de sua operação. Como dito, é de causar estranheza esta justificativa. A "contestada" organização societária traz o benefício de exatamente segregar os ativos de sua operação. E quanto ao fato de que alguns empreendimentos já estariam finalizados, é de longe um motivo para cisão. É como se uma fábrica de carros fizesse reorganização societária a medida que os carros ficassem prontos, sob a justificativa de facilitar o gerenciamento da produção. Ora, o empreendimento finalizado é justamente o produto a ser negociado, sendo de clareza incontestável que a titular para a venda é a BRACOR. A BRACOR também alega que, durante a fiscalização, teria justificado a cisão de agosto/2010 (primeira cisão) para ocorresse a segregação dos ativos imobiliários com determinadas características comuns como o tipo de ocupação, para criação de um fundo imobiliário, o qual, por questões de mercado não chegou a ser concretizado. Ora, mais uma vez não há justificativa para segregar o que já está segregado. Seja para criar um fundo imobiliário, seja para qualquer outro objetivo, esta alegação não é capaz de justificar a cisão de agosto/2010. Inclusive, a facilidade de obter investimentos específicos, como seria este fundo, já era justificativa para adoção do modelo societário, com sociedades de propósito específico. Portanto, esta suposta justificativa não tem o condão de infirmar as conclusões do auditor fiscal. Ademais, como consignou o auditor fiscal no TVF, demonstra a existência de uma negociação em curso com o Grupo Prosperitas. b) a facilitação da tomada de decisão de cada sócio em relação à sua participação e à eventual alienação dessas BRC. Fl. 4840DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.841 71 Em sua defesa, a BRACOR alega o objetivo das cisões foi permitir aos acionistas que tivessem a liberdade de decidir o que fazer com a sua parte no investimento nas BRCs. Esclarece ainda que, tomada essa decisão de que as BRCs seriam alienadas ao Grupo Prosperitas, passaram os antigos acionistas da BRACOR, juntamente com os adquirentes, a ter um segundo objetivo, a consumação/execução/implementação do negócio jurídico, para o qual a BRACOR foi chamada para facilitar. Diante da existência de diversos acionistas, a outorga das procurações se mostrou uma medida que conferiu agilidade e fluidez. Ora, esta justificativa é totalmente inócua, pois, na prática, os sócios deram procuração a BRACOR dando amplos e irrestritos poderes para promover e se responsabilizar pela venda, podendo agir de acordo com o seu critério e, inclusive, renunciar ou modificar conteúdo do contrato de compra e venda. Não se trata de agir dentro de limites estabelecidos na procuração, como se alega na defesa, pois os limites não foram estabelecidos. Assim, a pretensa liberdade de decisão por parte dos acionistas inexiste. E, apenas para concluir, transcrevo parte das contrarrazões da PFN acerca deste item, com as quais concordo e adoto no meu voto: De acordo com as referidas cláusulas, além de concretizar a compra e venda conforme os seus próprios critérios, a BRACOR também assumiu a responsabilidade por todos os direitos e deveres após a concretização do negócio. Pela procuração cabe a BRACOR cobrar os adquirentes por eventual inadimplência, assim como responder perante os adquirentes por eventuais reclamações. Ou seja, de acordo com a formalidade que os autuados propõem como verdadeira, a BRACOR nada vendeu, contudo assumiu todos os direitos e obrigações tal como tivesse vendido. Em outras palavras, além de ter cedido gratuitamente algo que desenvolveu com seus recursos e esforços, a BRACOR promoveu a venda, assumiu os riscos da operação, mas nada recebeu! E quanto à necessidade de procurações para conferir agilidade e fluidez nas negociações, ora, essa era exatamente a vantagem que se pretendia com a estrutura inicial da sociedade, tendo a BRACOR como sócio majoritária das BRCs. Ou seja, depois da reorganização societária, ao fim e ao cabo, a BRACOR atuou nas vendas das BRCs nos exatos termos que atuaria se nada tivesse sido alterado. A grande diferença é a vantagem fiscal obtida, com a redução das alíquotas. A BRACOR ainda alega que a outorga da procuração ocorreu por exigência dos compradores do Grupo Prosperitas, conforme atestaria a resposta do Itaú BBA (um dos vendedores). Por outro lado, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, aos serem indagados acerca das negociações, os três diretores do Grupo Prosperitas informaram que a BRACOR se apresentou como gestora, tornando frágil as alegações da defesa, senão vejamos: Toda a negociação foi feita entre a Properitas e a Bracor, considerando que a Bracor se apresentou como a gestora das empresas a serem negociadas. Os contratos foram assinados com os acionistas das respectivas empresas adquiridas. (grifei) Outra questão levantada seria que a intenção de venda partiu de um grupo investidor internacional que figurava como acionista da BRACOR, totalmente autônomo e independente, a Equity International, que negociava diretamente com o Grupo Prosperitas. Fl. 4841DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.842 72 Acerca desta questão, o auditor fiscal pontuou que o Sr. Carlos Betancourt era o procurador da Equity International, portanto, a pessoa física que negociou com o Grupo Prosperitas. Ocorre que este fato não impede que a vendas das BRCs seja feita pela BRACOR. Não havia qualquer impedimento legal. O fato de um acionista buscar compradores para os empreendimentos imobiliários não implica em cisão e redução do capital. Como dito antes, uma vez adotado um modelo de negócio, nele devem ser pautadas as operações de venda, ainda que tenha sido um acionista em particular que tenha encontrado um potencial comprador. A BRACOR ainda alega que houve entendimento equivocado a respeito da dissolução da sociedade Delle Holding S.A. No entendimento do auditor fiscal, esta operação também teve como objetivo a transferência das participações das BRCs para os seus acionistas, pessoas físicas. Segundo a BRACOR, seria uma alegação vazia, já que o acionista Itaú BBA possuía maior participação na Delle Holding S.A, mas não pode se beneficiar de uma alíquota reduzida na tributação do ganho de capital. Antes, devese esclarecer que, em razão da dissolução da Delle Holding S.A., houve a distribuição das ações ordinárias da BRACOR, e na proporção da participação de cada acionista. Mas, além das ações da BRACOR, os acionistas da DELLE receberam quotas das BRCs que a DELLE havia recebido como pagamento das cisões realizadas em 12/08/2010 e 30/09/2010. É necessário perceber que, se não tivesse ocorrido a dissolução em 23/12/2010, diante do esquema engendrado pela BRACOR, a DELLE Holding S.A., que possuía uma participação na BRACOR de 16,48%, seria uma das alienantes das BRCs que receberia em razão das cisões, e não se beneficiaria da alíquota reduzida, por se tratar de pessoa jurídica. Com a dissolução da DELLE Holding S.A., ainda que o Itaú BBA também não pudesse se beneficiar com a redução da tributação, esta limitação se restringiu a sua participação na BRACOR, e por conseguinte também nas ações da BRCs que o citado acionista recebeu. Do comparativo dos percentuais de participação na BRACOR, o Itaú BBA passou a ter 10,58% das ações, percentual menor que a DELLE Holding possuía. Mas o Sr. Carlos Bentecourt passou a deter 4,55%, e o Sr. Gonçalo, 3,41%. Vejam os quadros com a participação acionária após a 1ª cisão, e depois da 2ª cisão, com a dissolução da DELLE: Fl. 4842DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.843 73 Continuando em sua defesa, a BRACOR alega que não teria ocorrido uma economia fiscal, pois o Itaú BBA era o acionista com maior participação. Ocorre que a maior participação era na DELLE Holding S.A. A questão é quais os efeitos produzidos na participação da BRACOR. Conforme exposto acima, houve a redução da participação de uma pessoa jurídica (Itaú BBA) de 16,84 % para 10,58%, e um aumento da participação das pessoas físicas, o que proporciona economia fiscal com a suposta venda das BRCs pelos sócios. Outro ponto a ser analisado é quanto à alegada ingerência do Fisco sobre os preços pagos pelas BRCs. O auditor fiscal incluiu no preço pago as dívidas assumidas pelos compradores, majorando a base de cálculo do ganho de capital. Já a defesa alega que as dívidas não foram parte do preço da operação, mas foram abatidas do valor da empresa, também chamado "enterprise value", chegandose ao preço final efetivamente pago, denominado "equity value". Esclarece que esta forma de precificação na alienação de participação em uma sociedade é bastante comum, apresentando trechos de site especializado no assunto. Em que pese afirmar que o enterprise value e equity value seriam uma forma usual de precificação, não restou comprovado nos autos que ela teria sido utilizada. Ademais, os trechos do artigo transcrito apresenta método de avaliação de uma empresa, em que seja utilizado uma abordagem do ponto de vista do mercado. Da leitura do artigo, e dos demais encontrados em outros sites também especializados, verifico que esta metodologia se presta para comparabilidade entre empresas. Também é possível encontrar as seguintes definições para "enterprise value": O que é Enterprise Value (Valor Intrínseco)? O Enterprise Value (Valor Intrínseco) é um indicador que leva em conta a cotação das ações de uma empresa (valor de mercado), juntamente com seus ativos (caixa e patrimônio) e passivos (dívidas), para definir quando a companhia realmente vale. Também conhecido como valor do empreendimento, podese dizer que o Entreprise Value mostra quanto custaria para comprar a companhia e todos os seus ativos, descontado o caixa e saldando suas dívidas.(grifei) Fonte: Suno Research em https://www.sunoresearch.com.br/artigos/enterprisevalue valorintrinseco/ O quanto custaria para comprar a companhia Enterprise Value significa o preço a ser pago. Já o "equity value" seria o valor final da empresa, calculado utilizando o Fluxo de Caixa Descontado, método de avaliação financeira. Mas o importante notar que esses métodos consideram, como custo para compra de uma empresa, as dívidas que devem ser quitadas. Ou seja, indiscutivelmente estes valores fazem parte do preço. Outro argumento da BRACOR seria que a quitação das dívidas não lhe teria trazido qualquer benefício. Para rebater esta alegação, reproduzido as contrarrazões da PFN, cujos fundamentos eu concordo, e tomo como razão de decidir: Fl. 4843DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.844 74 Mais uma vez a conclusão fiscal se mostra correta. Isso porque, diferente do que propõe os recorrentes, não se está diante de uma compra e venda de participação societária onde o preço pactuado levou em consideração as dívidas dessa participação. No caso em apreço, os compradores assumiram dívidas da alienante, o que, ao contrário do que dizem os recorrentes, proporcionou indiscutível aumento patrimonial da BRACOR em face da venda. Por certo, de acordo com o lançamento, foi apurado que, além dos pagamentos em troca das BRC’s, o Grupo Prosperitas assumiu a obrigação de pagar dívidas assumidas pela BRACOR em operações de créditos que envolviam as ações das BRC’s. Tais operações de créditos propiciaram a BRACOR recursos financeiros que foram utilizados pela própria BRACOR no desenvolvimento dos empreendimentos imobiliários detidos pelas BRC’s. Assim, as ações das BRC’s foram utilizadas pela BRACOR como garantias dos recursos obtidos, as quais deveriam ser liberadas quando da venda das BRC’s. Portanto, ao assumir as dívidas da BRACOR em razão dos recursos obtidos para financiamento dos seus empreendimentos imobiliários, por certo que o Grupo Prosperitas proporcionou a BRACOR inegável aumento patrimonial. Permitiu que a BRACOR cancelasse a obrigação de saldar tais “empréstimos”. Dessa forma, tendo em vista que a assunção das dívidas da BRACOR pelo Grupo Prosperitas teve como causa direta a venda das BRC’s, por certo que tais valores devem compor o preço de venda desses empreendimentos. Como já dito, sendo as dívidas da BRACOR, é inegável o seu benefício. Caso as dívidas fossem exclusivas das BRC’s e não afetassem em nada a BRACOR, não haveria benefício direto a sociedade alienante. Por todo acima exposto, não há reparos a ser feito na base de cálculo da autuação, sendo correta a inclusão das dívidas no preço das BRCs. A BRACOR ainda aborda a questão acerca da concessão de um plano de stock options, afirmando que não invalidaria a terceira cisão. Alega que, da leitura do TVF, não restou claro qual seria o efeito pretendido pela auditora fiscal. Como a própria BRACOR pontua no recurso, o auditor fiscal asseverou que não seria feito uma análise mais aprofundada sobre os termos do stock options, já que os acionistas da BRACOR foram desqualificados como vendedores das BRCs. No entanto, diferente do que alega a BRACOR, restou claro no TVF que a concessão de um plano de stock options teve como objetivo tornar os membros do Conselho de Administração, Carlos, Camilla, Angel, Thiago e Colin, acionistas da BRACOR, para então figurarem como vendedores nos contratos de compra e venda das BRCs. Foi realizada reunião deste Conselho de Administração, na qual se aprovou aumento de capital de R$ 33.035.437,67, e que deveria ser integralizados até 17/01/2011, véspera da 3ª cisão. Mais uma vez reproduzo o comparativo das participações societárias antes da 3ª cisão, no qual se percebe o aumento do percentual de pessoas físicas, potencializando a vantagem fiscal na venda das BRCs, com a tributação do ganho de capital a alíquota de 15%: Fl. 4844DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.845 75 De todo acima exposto, é irreparável a conclusão do auditor fiscal, corroborada pelas contrarrazões da PFN, que se trata de simulação subjetiva, pois, da análise de todos passos engendrados com as cisões, o real propósito desta "reorganização societária" foi transferir o sujeito passivo da obrigação tributária de pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital na venda dos empreendimentos imobiliários da pessoa jurídica (BRACOR) para os seus sócios, por ser mais vantajoso, significando um economia tributária no que reduz o percentual de 34% para 15%. Com relação à simulação subjetiva, Marco Aurélio Grecco (Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2011, p. 276), assim esclarece: Nas simulações subjetivas estão abrangidas as hipóteses que envolvem a participação de pessoas, físicas ou jurídicas, em que se aparenta atribuir direitos a uma quando isto não é o que realmente acontece, ou em que se utiliza uma delas como interposta pessoa ou canal de trânsito de determinados bens ou valores para mascarar o verdadeiro titular ou o verdadeiro negócio celebrado. Faz parte da simulação que, no negócio aparente, todos os atos estejam formalmente dentro do previsto na legislação. Acerca deste ponto, BRACOR contesta a afirmação do auditor fiscal de que as atas das AGE de 12/08/2010 e 30/10/2010, apesar de constar a aprovação e assinatura de todos os acionistas, teriam sido assinadas somente pelos Srs. Carlos e Angel, que eram o Presidente e Diretor Financeiro da BRACOR. Informa que as citadas ATAS devidamente assinadas por todos os acionistas foram apresentadas com a impugnação. Às fls. 3304 a 3313 constam as cópias das ATAS, na qual se verifica que foi assinada por todos os acionistas. Entretanto, estas ATAS não foram apresentadas na Junta Comercial de São Paulo, órgão que confere publicidade e oficialidade a estes documentos. A autoridade fiscal obteve, junto a JUCESP, as ATAS que foram devidamente registradas, e nestes documentos constam apenas as assinaturas dos Srs. Carlos e Angel, conforme se pode verificar às fls. 937/1085. Fl. 4845DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.846 76 Ainda acerca do tópico de quem seria o real alienante, retorno à questão da segregação do negócio para sua potencial venda a fundo de investimentos. Na tentativa de justificar a primeira cisão de agosto/2010, a BRACOR alega que a intenção de venda das BRCs seria dos acionistas, o que se comprovaria por meio de mensagens eletrônicas enviadas por eles, além da contratação de parecer jurídico, cujo escopo era tratar da "segregação do negócio relativo à imóveis não industriais e de logística, para potencial venda do referido negócio para um fundo de investimento brasileiro." A leitura do citado parecer jurídico é muito elucidativa, e ratifica as conclusões do auditor fiscal. Ele foi elaborado pelo escritório Machado, Meyer, Sendacs e Opice, em 02/08/2010, fls. 3321/3338, do qual destaco os seguintes trechos: Dentre as referidas SPEs, 26 são empresas que detêm ativos imobiliários, sendo que 19 são proprietárias de imóveis industriais e de logística e as 7 remanescentes são proprietárias de imóveis de escritórios e de varejo (BRC I, BRC II, BRC VI, BRC IX, BRC XV, BRC XVIII, BRC XXVIII, conjuntamente denominadas "Empresasalvo"). (...) Atualmente, a Bracor pretende segregar sua participação acionária nas Empresasalvo com o objetivo de alienar, total ou parcialmente, tais empresas para um fundo de investimento detido por novos investidores ("Fundo"). Para tanto, estudase a alternativa de realizar uma cisão da Bracor em relação às ações ou quotas detidas nas Empresasalvo, com versão da parcela cindida para as próprias empresas, de tal forma que os Acionistas passem a deter participação direta nas Empresas alvo. Segundo fomos informados, a Bracor possui um saldo de prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores, os quais poderão ser aproveitados para a compensação de lucros futuros, incluindo eventual ganho de capital na alienação de investimentos. Não obstante, a transferência das Empresasalvo para os Acionistas foi definida pela Bracor como a alternativa mais eficiente, do ponto de vista fiscal, para a alienação das Empresasalvo, após estudos realizados pela empresa. É válido lembrar que, por força da legislação fiscal em vigor, parte do saldo de prejuízos fiscais acumulados da Bracor será extinto em função da realização da cisão acima mencionada. Não é preciso fazer maior ilações ... Primeiro, que o termo segregar foi utilizado como a ação de destacar do patrimônio da BRACOR os empreendimentos que pretendia alienar. E restou claro que todos estavam cientes que venda poderia, e deveria, ocorrer tendo como alienante a BRACOR. A "reorganização societária", efetuado por meio da cisão para segregar as Empresasalvo para a venda, teve como único objetivo ser mais eficiente sob o ponto de vista fiscal. Ou seja, claramente, o escopo fático jurídico foi alterado por meio da reorganização societária, com o único objetivo de aplicar o artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Repitase que este dispositivo jamais autorizou que fossem realizadas alterações na realidade fática para ele fosse aplicado. Para esta conselheira, após a leitura deste parecer Fl. 4846DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.847 77 técnico, do qual todos tiveram conhecimento, e ironicamente foi trazido como prova de defesa, faz cair por terra toda defesa. Está claro que não existe nenhum outro propósito negocial a não ser a redução da tributação do ganho de capital. Todas os outros objetivos dos acionistas apontados na defesa, tais como maior autonomia e necessidade de segregação dos negócios, não justificam a reorganização societária como já fartamente demonstrado. E, em que pese este parecer tratar da primeira cisão, o procedimento nas demais foi o mesmo. Sempre teve o objetivo de obter vantagens fiscais, sendo que a BRACOR tinha o conhecimento de que ela deveria ser a alienante das BRCs, mas preferiu utilizar da simulação subjetiva para alterar a legislação a ser aplicada na determinação dos tributos devidos no ganho de capital. Por fim, cumpre registrar que a jurisprudência trazida do CARF não é vinculante. Importa registrar que as hipóteses de observância obrigatória estão descritas no art. 45, VI e art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). A lei, por sua vez, é de observância e aplicação vinculante por força do caput do art. 62 do mesmo regimento. Ainda na tentativa de demonstrar que os reais vendedores seriam os acionistas, a BRACOR menciona a Carta de Intenção, assinada em 22/11/2010, na qual demonstraria que ela teria representado o interesse dos seus acionistas, e não os seus interesses próprios. Destacou que o objetivo da Carta seria "resumir os termos de uma potencial venda, por parte dos acionistas (os "Acionistas Vendedores"), da Bracor". Continua esclarecendo que, tendo em vista a grande quantidade de acionistas, especialmente situados fora do Brasil, uma alternativa de conferir maior praticidade e agilidade nas negociações contratuais foi a outorga de procurações à BRACOR para que tais acionistas pudessem ser representados. Afirma que as negociações com o Grupo Prosperitas só teriam se iniciado em novembro de 2010. Mais uma vez as alegações da BRACOR não são capazes de infirmar o lançamento. Considerando o já citado Parecer, datado de 02/08/2010, a BRACOR já tinha definido a forma de negociação da venda das BRCs, com a participação direta dos acionistas nas SPE, já que esta configuração se apresentou como "alternativa mais eficiente, do ponto de vista fiscal". A Carta de Intenção, de 22/11/2010, fazendo referência aos acionistas como vendedores, faz parte da objetivo de promover o deslocamento do polo passivo da obrigação tributária da Bracor para seus acionistas, conforme afirmou a autoridade fiscal, com a qual eu concordo. A BRACOR ainda tenta argumentar que o fato de a Carta de Intenções não ter caráter vinculante, podendo a negociação não se concretizar com o Grupo Prosperitas, as últimas cisões parciais, realizadas em 18/01/2011 e 03/06/2011 (esta última não faz parte da autuação) se justificariam para conferir maior poder de decisão aos sócios quanto ao destino das BRCs. Como já dito antes, esta alegação não se sustenta diante da procuração outorgando amplos e irrestritos poderes a BRACOR na venda das BRCs, o que torna a vontade dos acionistas sem qualquer efeito prático. Retornando à questão da base de cálculo do lançamento, uma vez que fiz referência ao Parecer elaborado pela pelo escritório Machado, Meyer, Sendacs e Opice, em 02/08/2010, fls. 3321/3338, consta, neste documento, que o preço de venda das quotas seria definido a partir de um valor inicial fixo e de uma parcela variável. Acerca da parcela fixa, no Parecer restou consignado, no último parágrafo da página 14, que: Fl. 4847DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.848 78 Ainda sobre o risco associado à cessão do direito à parcela variável, fomos informados de que a definição do preço de venda das Empresasalvo (parcela fixa) levará em consideração (i) o valor de mercado dos imóveis detidos pelas Empresasalvo, com base em laudo de avaliação elaborada para este fim, e (ii) as dívidas detidas por tais empresas junto a terceiros. Mais uma vez o raciocínio do auditor fiscal se mostra perfeito, ratificado pelo Parecer jurídico trazido aos autos pela BRACOR. Portanto, correta a inclusão das dívidas das BRCs no preço pago. Do aproveitamento do Imposto de Renda já recolhido pelas pessoas ligadas. Em sua defesa, a BRACOR requer que os pagamentos a título de imposto de renda retido na fonte, recolhidos pelas pessoas que atuaram como vendedoras das BRCs, sejam aproveitados para compensar o crédito tributário lançado. De fato, os recolhimentos, tanto do sócios pessoas físicas (imposto de renda incidente sobre o ganho de capital declarado em suas DIRPF), quanto as retenções do imposto de renda na fonte quando a adquirente situavase no exterior, incidiram sobre as mesmas operações da venda das BRCs, cujo ganho de capital está sendo tributado no presente lançamento, mas tendo como sujeito passivo a própria BRACOR. Mas não se pode esquecer que o principal objetivo da atividade de fiscalização é que sejam constituídos os créditos tributários incidentes sobre estas operações de venda, e que sejam de fato recolhidos aos cofres públicos. Ora, ainda que o recolhimento tenha sido efetuado por sujeito passivo diverso, já houve ingresso de tributos relativos a estas operações. Não seria sequer justo, tendo em vista o prazo concedido ao Fisco para revisar a apuração do imposto devido, impor àqueles que recolheram indevidamente que peçam a compensação nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. É quase certo que já tenha ocorrido o decadência do direito à restituição do indébito, como já ocorreu no presente caso. Neste sentido, transcrevo trecho do voto do Acórdão nº 1103001.016, da lavra do ilustre Conselheiro André Mendes de Moura, citado no recurso voluntário: Entendo que, neste caso, os valores pagos a título de imposto de renda pessoa física devem ser considerados, na apuração do crédito tributário em debate. Ainda que por um caminho tortuoso, parcela do crédito tributário constituído por meio de lançamento de ofício de IR13.3 foi paga, e por isso deve ser levada em conta. Por outro lado, o crédito tributário referente à CSLL permanece intacto Pelo exposto, voto por dar provimento quanto a esta matéria, para que os pagamentos efetuados pelas pessoas ligadas sejam utilizados para compensar o lançamento de IRPJ. Da multa de ofício qualificada. Fl. 4848DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.849 79 Por todo o acima exposto, restou comprovada a simulação subjetiva, sendo correta a aplicação a multa de ofício qualificada, nos termos do artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. O dolo nesta conduta restou ainda mais demonstrado quando, considerando Parecer datado em 02/08/2010, antes das cisões, a BRACOR solicita opinião acerca da operação que pretendia realizar, partindo da premissa que a venda através de seus sócios seria mais eficiente do ponto de vista fiscal. Mas não é só. No próprio Parecer elaborado pelo escritório Machado, Meyer, Sendacs e Opice, há o item II.3 Aspectos legais relacionados à realização de planejamento tributário e análise do caso concreto, o qual aborda a possibilidade de as autoridades fiscais questionarem toda a operação. Destaco alguns trechos: Conforme mencionado nos fatos e premissas acima, a realização da operação na forma descrita no presente memorando irá possibilitar que os Acionistas alienem suas participações nas Empresasalvo com um impacto tributário menor do que aquele que seria aplicável caso a alienação fosse realizada de forma direta, por meio da própria Bracor. Neste sentido, para o exame dos aspectos fiscais da operação, é pertinente avaliar a existência de um risco atrelado à possibilidade de desconsideração das estruturas por parte das autoridades fiscais, considerando os dispositivos legais presentes no ordenamento jurídico brasileiro e o atual cenário jurisprudencial. (...) Quanto à simulação, o Código Civil não define seu conceito, mas discorre sobre os negócios jurídicos que demonstrariam sua ocorrência, quais sejam aqueles que (i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente conferem ou transmitem; (....). Não obstante, a partir de tal dispositivo, a doutrina e jurisprudência costumam definir a simulação como um vício de vontade, consistente no descompasso entre o que foi declarado e a real intenção das partes. (...) Em suma, as autoridades julgadoras da esfera administrativa parecem estar concentrando a análise dos negócios jurídicos não apenas na perspectiva da legalidade, mas também de sua legitimidade, aferida a partir da existência de substância econômica para sua realização, a qual seria necessária para que os negócios sejam considerados válidos. Assim, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes evidencia casos de desconsideração de transações implementadas pelos contribuintes quando entendido que tal implementação em razões ligadas exclusivamente à economia de tributos. (...) Fl. 4849DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.850 80 A propósito, a própria operação ora comentada, em que a Bracor pretende alienar parte de seus investimentos, já revela a importância de haver uma segregação dos empreendimentos imobiliários em sociedades específicas. (...) (...) É necessário ressaltar, porém, que, tendo em vista o cenário jurisprudencial, não é possível afastar o risco de que a operação venha a ser questionada no futuro. As autoridades fiscais poderiam alegar que a operação de cisão e transferência das Empresasalvo para os Acionistas foi realizada com o propósito de reduzir a carga tributária na alienação dessas empresas e, com isso, questionar sua validade. Caso tal hipótese venha se materializar, nossa opinião é de que eventual autuação seria direcionada exclusivamente a Bracor, sob a alegação de que o propósito real seria a venda das SPEs pela Bracor e não pelos Acionistas. A BRACOR, juntamente com seus acionistas, tinham total conhecimento das conseqüências das operações, deixando claro, ainda, que intenção da reorganização societária seria apenas para reduzir a carga tributária. O risco foi assumido. A simulação subjetiva foi perpetrada. Ninguém foi pego de surpresa frente aos questionamentos do Fisco. O Parecer jurídico alertou que a validade desta operação poderia ser questionada, como de fato o foi. A BRACOR ainda se manifesta quanto à manutenção da multa qualificada de ofício no caso de voto de qualidade, fato que não ocorreu no presente julgamento, cujo resultado foi por maioria de votos. Logo, deixo de analisar esta questão por ser desnecessário. Quanto à alegação de que a multa qualificada de ofício representaria confisco, me reporto à Súmula CARF nº 2, no sentido que este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei, ainda em vigor até a presente data. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da decadência do lançamento Uma vez definida a aplicação da multa de ofício qualificada, também restou afastada a alegação de decadência para o anocalendário de 2010, já que a contagem do prazo para o lançamento deve ser feito nos termos do artigo 173, inciso I do CTN. Nestes termos, o prazo se inicia em 01/01/2012, e finda em 31/12/2016. Como a ciência ocorreu em 13/12/2016, o direito ao lançamento não estava decaído. Da impossibilidade de cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa Fl. 4850DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.851 81 A BRACOR também contesta a cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa, seja porque ela só tem cabimento durante o exercício, seja porque seria concomitante com a multa de oficio. Entendo que não assiste razão à BRACOR, ressaltando que as multas isoladas foram aplicadas para os anoscalendário de 2010 e 2011, ou seja, após as alterações da MP nº 351/2007. A multa de ofício qualificada, cujo fundamento legal é o já citado artigo 44, inciso I, combinado com §1º, da Lei nº 9.430/96, penaliza o contribuinte que omite rendimentos. Já a multa isolada, prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b", visa penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL. A seguir, os citados dispositivos legais: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. Além disso, a alegação de que o lançamento da multa isolada não poderia ocorrer após o encerramento do exercício não encontra respaldo na citada legislação. O dispositivo dispositivo legal que fundamenta a multa isolada é claro e não possui qualquer condicionante. É claro que o lançamento de multa isolada só tem aplicação após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL). Do contrário, se for constatado, durante o anocalendário, falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa, o lançamento deverá constituir o crédito tributário em sua totalidade principal, multa de ofício e juros de mora, para cobrança da estimativa devida. Da ilegalidade da cobrança de Juros sobre a Multa de Ofício. Fl. 4851DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.852 82 A BRACOR ainda contesta a cobrança de juros sobre a multo de oficio. Ocorre que esta matéria já se encontra sumulada pelo CARF, devendo esta conselheira observála: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, na determinação do crédito tributário devido, os juros de mora deverão incidir sobre a multa de ofício, e calculados tendo por base a taxa SELIC. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SÓCIOS Passo a julgar os recursos voluntários das pessoas físicas responsáveis solidárias, Sr. Carlos Javier Betancourt e Sr. Angel David Ariaz, cuja responsabilidade foi imputada com base no artigo 135, inciso III do CTN. Cumpre registrar que as defesas trazem as mesmas alegações, e serão analisadas em conjunto. Preliminares Em preliminar, alega nulidade da decisão recorrida, pois a autoridade julgadora ignorou os argumentos trazidos no que se refere "Análise das Condutas Praticadas pelo Impugnante", se limitando a reiterar as ilações do TVF, bem como apresentou alegações que sequer foram questionadas pelos recorrentes solidários. Não assiste razão ao Sr. Carlos e Sr. Angel, pois a DRJ, diante das alegações de que teriam apenas atuado no exercício regular dos cargos de direção e gerência, não acatou a defesa entendendo que "Não vinga o discurso de serem eles meros representantes". Houve, portanto, manifestação por parte da autoridade julgadora a quo acerca das alegações apresentadas na impugnação. Quanto a apresentar novas alegações, o que se percebe é o julgador desenvolveu seu raciocínio dentro da legislação tributária, trazendo algumas matérias que, ainda que não combatidos na defesa, estão presentes por força de lei. O fato de consignar no voto todos os aspectos tributários que julga importante registrar não torna nulo o acórdão. Faz parte do seu raciocínio jurídico. Os recorrentes solidários ainda alegam que a decisão recorrida inovou na fundamentação para a manutenção da responsabilidade solidária ao apresentar um novo dispositivo legal que não foi trazido na autuação. Fl. 4852DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.853 83 Não houve inovação na fundamentação. Da leitura do voto, o julgador a quo conclui que houve a simulação, tipo infracional definido no artigo 167, §1º, inciso I do Código Civil, que assim dispõe: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; No Termo de Verificação Fiscal, item 82, que o lançamento decorre da constatação de que se trata de simulação subjetiva, assim consignado: 82. É um caso típico de simulação subjetiva, que envolve a participação de pessoas físicas ou jurídicas, pelo qual se aparenta atribuir direitos a uma determinada pessoa quando a realidade dos fatos se revela totalmente diversa, ou em que se utiliza uma delas ou algumas delas como canal de trânsito de determinados bens ou valores para mascarar o verdadeiro titular ou verdadeiro negócio celebrado Ou seja, ainda que não mencionado o dispositivo legal, está patente a constatação do tipo infracional definido no artigo 167, §1º, inciso I do Código Civil. Por sua vez, a DRJ tratou da fundamentação da responsabilidade solidária dos sócios administradores nos seguintes termos: Mesmo que se lhe reconheça autonomia e independência de personalidade jurídica (da pessoa jurídica), ela não faz o que faz por si, mas senão por arte e graça de seus sócios administradores. Pois bem, visto o arranjo simulatório antes alinhavado que perfez o tipo infracional definido no art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil, agora impende identificar quais dentre os sóciosadministradores no Contribuinte deram vida ao dito arranjo. Isso feito, reificase sobres esses precisos sócios administradores a hipótese do art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, certo que, a toda força, realizam eles atos em infração de Lei (art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil, assim combinado com os arts. 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964): Da leitura do trecho acima, constatase que não houve inovação da fundamentação, e sim a ratificação, uma vez que verificouse que os atos praticados pelos recorrentes solidários subsumemse ao previsto no artigo 135, inciso III do CTN (atos praticados com infração de lei), já que por meio deles a simulação foi levada a efeito. Logo, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida suscitada pelos recorrentes solidários. Fl. 4853DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.854 84 Do mérito Lançamento Quanto ao lançamento, os recorrentes solidários reiteram as razões expostas pela Bracor Investimentos Imobiliários LTDA no seu recurso voluntário, já devidamente analisadas. Passo, então, a análise das demais questões trazidas quanto ao mérito. Do mérito Imputação da responsabilidade solidária com base no artigo 135, inciso III do CTN Passo a julgar o mérito quanto à imputação da responsabilidade solidária do Sr. Carlos e Sr. Angel. Resumidamente, os recorrentes solidários alegam que: 1. Não houve demonstração de atos personalíssimos que foram praticados pelos recorrentes solidários com dolo, elemento indispensável para aplicação do artigo 135 do CTN. 2. Toda a conduta dos recorrentes solidários ocorreu no exercício de suas funções perante a empresa BRACOR ou em nome de seus acionistas. 3. A atuação do recorrente Carlos como procurador não altera o fato de que os reais alienantes das BRCs foram os acionistas. 4. Não ocorreu fraude, simulação ou conluio. As alegações dos recorrentes solidários não se sustentam considerando todo o suporte fático contido nos autos. Como já dito antes, a simulação tem como característica a existência de um ato isolado ser formalmente legal, mas que mascara o real negócio que se pretende atingir. Logo, a alegação de que os recorrentes solidários agiram dentro dos limites do exercício de suas funções é mais do que esperado. Faz parte da simulação. São vários atos que individualmente estão revestidos de legalidade, mas que no total se percebe qual foi a real intenção. E, no presente caso, só com a atuação do Sr. Carlos e do Sr. Angel que todos esses atos puderam ser praticados. No TVF restou consignado o poder de decisão destas pessoas físicas nas pessoas jurídicas envolvidas, assim como a sua efetiva participação nas operações que foram consideradas simuladas. A seguir reproduzo os mesmos trechos trazidos nas contrarrazões da PFN, e suas conclusões, que adoto no meu voto: 131. Da análise de toda documentação colhida no curso deste procedimento fiscal, constatamos a participação direta e eficaz dos Srs. Carlos Javier Betancourt e Angel David Ariaz, respectivamente Presidente e Diretor Financeiro da Bracor, nos AC 2010 e 2011, no planejamento tributário abusivo efetuado pela fiscalizada. Fl. 4854DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.855 85 132. Todos os contratos, alterações contratuais e demais documentos foram assinados pelos mesmos como representantes da BRACOR ou das BRCs, fls. 232 a 273, 313 a 354, 476 a 516, 626 a 671, 755 a 783, 827 a 871, 885 a 928. Ficou evidente que esses 2 dirigentes e também acionistas da fiscalizada tiveram participação efetiva nas decisões para a reorganização societária da Bracor e posterior alienação das BRCs pelos seus acionistas, como vendedores contratuais. Tais atos visaram, exclusivamente, a redução da incidência tributária. omissis 135. A BRACOR foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal 06, a informar o nome dos acionistas/diretores que iniciaram as negociações com o Grupo Prosperitas. Em resposta, fls. 1297 a 1298, informou que as negociações foram iniciadas pelo acionista Equity Bracor Investments. Importante frisar que o procurador da Equity no Brasil era o Sr. Carlos Bettancourt, (fls. 937 a 1050 deste processo [fl. 57 da Ata anexada] e fls. 1086 a 1198 deste processo [fl. 96 da Ata anexada]). Ou seja, era ele o responsável pelas negociações das BRCs. 136. Importante frisar que o Sr. Carlos Betancourt, além de Presidente da Bracor e procurador da Equity, também era procurador dos acionistas Candango, KLH, Gonçalo, Colin (procurações anexadas às referidas atas, fls. 937 a 1234), o que lhe dava ainda maior poder de atuação. 137. Todos os Protocolos e Instrumentos de Justificação de Cisão Parcial da BRACOR foram assinados pelo Sr. Angel Ariaz como representante da Bracor e das BRCs, fls. 937 a 1234. omissis 139. Importante frisar que os 02 dirigentes deliberaram em assembleia pela cisão do patrimônio da BRACOR e consequente redução de seu capital. Inclusive as atas das AGE realizadas em 12/08/10 e 30/09/10, fls. 937 a 1085, que decidiram pelas primeiras cisões foram assinadas somente pelos Srs. Carlos Bettancourt e Angel Ariaz, como presidente e secretário da mesa da Assembleia. Apesar de constar que todos os acionistas assinaram as referidas atas, não obtivemos estas atas com todas as assinaturas, mesmo intimando a BRACOR para apresentálas, fls. 1299 a 1373. As atas das cisões realizadas em 18/01/11 e 03/06/11 encontramse anexadas às folhas 1086 a 1234. 140. O Sr. Carlos Betancourt também foi responsável pela dissolução da DELLE Holding que era acionista da BRACOR deste 17/12/07, como liquidante. Esta dissolução ocorrida em 23/12/10 permitiu ao Sr. Carlos, Gonçalo e Itaú BBA figurassem como acionista da Bracor e quotista das BRCs, fls. (grifo nosso) Vêse, portanto, que sem a participação efetiva dos dois acionistas enquanto representantes das pessoas jurídicas envolvidas, mormente da BRACOR, das BRC’s e de alguns Fl. 4855DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.856 86 acionistas, a simulação autuada não teria ocorrido. Logo, tendo esses acionistas “forçado” as pessoas jurídicas que representavam a agirem em infração à lei, também atuaram com excesso de poderes, razão pela qual é plenamente devida a sua responsabilização nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. Não há reparo a ser feito nas conclusões do auditor fiscal, ratificado pela decisão recorrida e pelas contrarrazões da PFN. Para reforçar que não pode haver outra conclusão, me reporto novamente ao Parecer elaborado pelo escritório Machado, Meyer, Sendacs e Opice, em 02/08/2010, no qual consta que "a transferência das Empresasalvo para os Acionistas foi definida pela Bracor como a alternativa mais eficiente, do ponto de vista fiscal, para a alienação das Empresas alvo, após estudos realizados pela empresa.". Ou seja, partiu daqueles que estavam na função direção a decisão de transferir as Empresasalvo, leiase BRCs, para os acionistas, tão somente por se apresentar como uma alternativa mais eficiente do ponto de vista fiscal. Por todo acima exposto, nego provimento aos recursos voluntários dos Sr. Carlos e Sr. Angel quanto a esta matéria, mantendo a imputação da responsabilidade solidária com base no artigo 135, inciso III do CTN. Do Princípio da Pessoalidade da Pena Os recorrentes alegam que o Princípio da Pessoalidade da Pena deve ser aplicado no presente caso, em respeito ao artigo 5º, inciso XLV da CF/88. Alega que a multa qualificada deve ser afastada, vez que o condenado, no caso, tratase de pessoa jurídica. Se equivocam os recorrentes em querer aplicas na esfera tributária princípio que deve ser observado no Direito Penal. No presente caso, o que se deve observar é o Código Tributário Nacional que expressamente determina que, nos termos do artigo 135, inciso III CTN, os sócios serão responsáveis pelo crédito tributário correspondente a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Esclareço que crédito tributário inclui principal, multa e juros, sem qualquer previsão de exceção. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por: 1) afastar as preliminares de nulidade da autuação e do acórdão recorrido, bem como a decadência do direito para o lançamento; 2) no mérito: 2.1) dar provimento parcial, para reconhecer o direito à compensação do imposto de renda pago pelos sócios pessoas físicas, e do imposto de renda retido na fonte no caso dos adquirentes situados no exterior, desde que decorrentes das operações das vendas das Fl. 4856DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.857 87 BRCs, bem como manter a multa de ofício qualificada, a cobrança das multas isoladas pelo falta de recolhimento do IRPJ e CSLL a título de estimativa, e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. 2.2) negar provimento ao recurso voluntário dos sócios Sr. Carlos Javier Betancourt e Sr. Angel David Ariaz, quanto à imputação da responsabilidade solidária com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN. É como voto. (assinatura digital) Maria Lucia Miceli Redatora Designada Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Valhome desta declaração apenas e tão somente para esclarecer minha posição quanto ao afastamento da exigência de juros sobre multa e, assim, resguardar minha pretensão de permanecer no cargo de Conselheiro, cujo munus assumi, honrada e orgulhosamente. Isto porque, destaquese, não dei provimento ao Recurso Voluntário por entender correta a tese jurídica do contribuinte neste ponto, valendo frisar que não desconheço o teor da Súmula/CARF de nº 108 e nem tampouco as consequências regimentalmente previstas quanto ao seu afastamento. Sempre me manifestei pelo cabimento do cômputo do juros sobre a multa de ofício, mesmo antes da edição da predita Súmula. As razões de minha decisão, neste caso, cingem à coerência entre o que acordei quanto ao mérito e as decorrências de semelhante posicionamento... é que, se dei provimento ao Recurso Voluntário no mérito, lógico, e consentâneo, seria acordarse pelo afastamento da própria multa de ofício! Se não há crédito (melhor dizendo, se entendo inexistir infração à legislação tributária mormente por entender não ter ocorrido na espécie simulação a justificar a desconsideração dos negócios pactuados), não há multa; se não há multa, não há juros sobre ela incidíveis. Por esta razão, e tão somente em razão dela, votei por afastar a cominação dos encargos moratórios sobre a penalidade imposta. O problema é que este Colegiado vem adotando entendimento majoritário, digase, a meu sentir, e com a devida e maxima venia, equivocado, de que, superado o mérito, mesmo os Conselheiros que proveram o apelo quanto ao seu objeto principal, estariam instados Fl. 4857DF CARF MF Processo nº 16561.720227/201625 Acórdão n.º 1302003.288 S1C3T2 Fl. 4.858 88 a se pronunciar sobre os pedidos sucessivos (cuja análise restaria prejudicada acaso providas as razões de insurgência do contribuinte). Semelhante posição, contudo, revela, e insisto aqui na vênia pedida, revelaria uma inegável incongruência, e até contradição, entre o que decidi e o que estou sendo compelido a analisar. Não me é dado afastar a existência do próprio crédito tributário e, contrario sensu, manter a exigência quanto a parte que lhe é acessória (multa e juros). Vale a minha persistência: em tese, sempre achei cabível a exigência de juros sobre a multa de ofício, mesmo antes da edição da prefalada Súmula 108. Afasto, neste feito, tal cobrança apenas por coerência lógicosistêmica com o que decidi em relação ao próprio crédito tributário. Por tais razões que, quanto aos juros sobre multa, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 4858DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.909836/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.428
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BANCO BRADESCO BBI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 98 36 /2 01 1- 90 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Alternativamente, caso as receitas financeiras de instituições financeiras fossem entendidas como receita de prestação de serviços, pleiteou o deferimento parcial do pleito, argumentando que as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 4 3 próprios ou de terceiros não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da Cofins, quando não houvesse intermediação financeira. O interessado alegou que além de auferir receitas decorrentes da prestação de serviços bancários, praticaria operações de interesse próprio, como aplicação de seu capital de giro e do capital de terceiros, remuneração de depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Tais operações não estariam incluídas no conceito de faturamento e não integrariam a base de cálculo do PIS e da Cofins. Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.155, de 30/09/2016, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais típicas. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, é tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 5 4 dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual repete as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.423, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.909418/201101, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 6 5 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.423): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 7 6 Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 8 7 Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 9 8 receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 10 9 restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 11 10 Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 12 11 ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente é um banco – uma instituição financeira cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e crédito imobiliário), inclusive câmbio de administração de valores mobiliários, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor (Estatuto às fls. 17 e ss.). Assim, todas as receitas originárias da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social, compõem a base de cálculo do PIS, não importando se derivem da aplicação de recursos próprios (como aplicação de seu capital de giro) ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente, o que inclui os juros sobre o capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido em outras sociedades e a remuneração dos depósitos compulsórios, porquanto auferidas no exercício de suas atividades empresariais. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.909836/201190 Acórdão n.º 3201004.428 S3C2T1 Fl. 13 12 (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, na solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.423 (processo 16327.909418/201101). Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722899/2016-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE.
Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação.
BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO.
Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE.
Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação.
BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO.
Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
Numero da decisão: 3401-005.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em votação efetuada em novembro de 2018, em afastar as preliminares de nulidade, e, por maioria de votos, em votação efetuada em janeiro de 2019, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que davam provimento parcial ao recurso, por carência probatória a cargo do fisco, apenas em relação aos contratos para os quais a imputação fiscal é fundada unicamente na existência de contratos celebrados com empresas vinculadas, e no fato de serem simultâneos, fazerem menções recíprocas, com responsabilidade civil (e co-seguro) solidária, e terem rescisão vinculada. Os Conselheiros Rodolfo Tsuboi e Mara Cristina Sifuentes acompanharam o relator pelas conclusões, acordando especificamente em relação à falta de fundamentação em relação à base de cálculo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em votação efetuada em novembro de 2018, em afastar as preliminares de nulidade, e, por maioria de votos, em votação efetuada em janeiro de 2019, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que davam provimento parcial ao recurso, por carência probatória a cargo do fisco, apenas em relação aos contratos para os quais a imputação fiscal é fundada unicamente na existência de contratos celebrados com empresas vinculadas, e no fato de serem simultâneos, fazerem menções recíprocas, com responsabilidade civil (e co-seguro) solidária, e terem rescisão vinculada. Os Conselheiros Rodolfo Tsuboi e Mara Cristina Sifuentes acompanharam o relator pelas conclusões, acordando especificamente em relação à falta de fundamentação em relação à base de cálculo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
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BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 28 99 /2 01 6- 07 Fl. 47889DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.890 2 BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em votação efetuada em novembro de 2018, em afastar as preliminares de nulidade, e, por maioria de votos, em votação efetuada em janeiro de 2019, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que davam provimento parcial ao recurso, por carência probatória a cargo do fisco, apenas em relação aos contratos para os quais a imputação fiscal é fundada unicamente na existência de contratos celebrados com empresas vinculadas, e no fato de serem simultâneos, fazerem menções recíprocas, com responsabilidade civil (e coseguro) solidária, e terem rescisão vinculada. Os Conselheiros Rodolfo Tsuboi e Mara Cristina Sifuentes acompanharam o relator pelas conclusões, acordando especificamente em relação à falta de fundamentação em relação à base de cálculo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório 1. Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, com início em 05/05/2016, para verificação do cumprimentos das suas obrigações referentes à CIDE, o Imposto de Renda a ser retido na fonte, e o PIS e COFINS incidentes na Importação, relativas ao período de apuração compreendido entre 01/2012 e 12/2012. 2. Como resultado do procedimento fiscal, foram lavrados Autos de Infração para o PIS/PASEP e para a Cofins, com crédito tributário no valor total de R$844.031.750,50 e R$3.887.661.396,51, respectivamente, com juros de mora calculados até dezembro de 2016. O AuditorFiscal da Receita Federal responsável elaborou Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 47.350 à 47.503, que integra os referidos Autos de Infração. Fl. 47890DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.891 3 3. Neste TVF, a Autoridade Tributária informa que o procedimento de fiscalização teve por escopo inicial apurar a possível incidência de Imposto de Renda na Fonte, CIDE e o PIS e a COFINS – Importação sobre pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a título de afretamento de plataformas, navios e sondas para pesquisa/exploração de petróleo e gás (doravante chamadas “unidades”). 4. Através de Termo de Início de Ação Fiscal, foi requisitado do fiscalizado, dentre outros documentos, a relação de valores por ele pagos a beneficiários no exterior ao longo do ano de 2012, à título de afretamento. 5. O contribuinte, em sua resposta, apresentou Planilha com relação de pagamentos ao exterior que listava 3977 pagamentos feitos a 389 beneficiários diferentes, em um montante de R$ 25.741.330.811,25. Do montante de cerca de R$ 25 bilhões, foram selecionados pela Autoridade Tributária cerca de R$ 23,775 bilhões para aprofundamento da análise, visando verificar se houve a falta de recolhimento de tributos devidos em pagamentos a beneficiários no exterior. 6. Em seguida, o AuditorFiscal descreve no TVF como se deram as infrações à legislação tributária: tratase de contratações em que as prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRAS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária; os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo grupo próprio econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRAS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte, sem o recolhimento da CIDE e sem o PIS/COFINS Importação, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte; em que pese a repartição formal em dois contratos, não há afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. A unidade de perfuração/sondagem/exploração “pertence” à própria empresa contratada para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração, ou à sua controladora estrangeira – seja a título de propriedade, seja por detenção do direito de exploração comercial da unidade; as Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante. A contratante PETROBRAS está perfeitamente ciente da vinculação entre as contratadas e de sua atuação conjunta no desempenho dos contratos, pois a intenção da primeira e das segundas é a mesma: firmar contrato de prestação de serviços com o menor impacto tributário; as contratações descritas no TVF obedecem a verdadeiro modelo de contratação adotado pela PETROBRAS, minuciosamente delineado nos Convites, em seus procedimentos licitatórios, ou mesmo em negociação direta, sem licitação. Esta conclusão se Fl. 47891DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.892 4 impõe pela evidente semelhança entre as situações descritas no TVF e as constatadas em procedimentos fiscais anteriores, relatados no item 3 do TVF. 7. A Autoridade Fiscal descreveu as contratações separadamente, identificandoas pelo nome da unidade. Cópias integrais dos contratos foram anexadas ao processo administrativo. Foram ressaltados os pontos comuns aos diversos contratos, relevantes para caracterização da infração, bem como eventuais particularidades que, em seu entendimento, confirmariam, em cada caso, o que pretendia demonstrar: que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, corresponderiam, de fato, a remuneração pela prestação de serviços. 8. Em seguida, apresentou a base legal para a autuação, nos seguintes termos: 6.1 Tributação do PIS/COFINS Importação de Serviços (...) Os serviços atingidos pelas contribuições são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses (art. 1º, parágrafo 1º): i) executados no País; ou ii) executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. O fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação é: i) a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou ii) o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de importação de serviços (art. 4º , inciso IV). São contribuintes (art. 5º): (...) II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; (...) 7. Da Apuração do Crédito Tributário Lançado de Ofício Com base em todo o exposto, concluímos pelo lançamento de ofício do IRRF, da CIDE, do PIS e da Cofins Importação, incidentes sobre pagamentos efetuados pela contribuinte a empresas estrangeiras, a título de afretamento, no ano de 2012. Fl. 47892DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.893 5 Os tributos lançados de ofício foram calculados sobre os pagamentos selecionados pela fiscalização, com as características descritas na inferência fiscal, ou seja, em que o suposto afretamento é parte integrante e indissociável dos serviços prestados pelo grupo econômico contratado pela PETROBRAS – vide Planilha “Beneficiários de Pagamentos ao Exterior à Título de Afretamento”, anexo a este Termo. (...) Identificamos, desta forma, os pagamentos efetuados sem a devida retenção do IRRF, da CIDE, do PIS e da COFINS. Estes pagamentos foram totalizados por mês. Em seguida, aplicamos a alíquota correspondente a cada caso. (...) A CIDE tem sua alíquota de 10%, O PIS com alíquota de 1,65% e a COFINS de 7,6%, conforme determina a legislação supracitada. (...) Na apuração do PIS e da COFINS, observamos a Instrução Normativa SRF 572/2005, que esclarece como deve ser efetivado o cálculo do PIS e COFINS Importação. (...) 9. O Interessado apresentou Impugnação, nos seguintes termos: Como será visto a seguir, não pode prosperar a presente autuação fiscal, pelos seguintes pontos, que serão melhor minudenciados em itens próprios: a) preliminar quanto a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, tendo em vista a ausência de fundamentação legal a respaldar a desconsideração do contrato de afretamento como tal, e sua classificação como contrato de prestação de serviços, já que não houve qualquer reconhecimento por parte da fiscalização de dolo, fraude ou simulação por parte da contribuinte; b) Conhecimento prévio da modelagem contratual usada pela Impugnante e validação de tal procedimento pela RFB quando da autorização de inclusão dos bens afretados no REPETRO; c) a existência da legislação do REPETRO respalda a pratica de bipartição de contratos em serviço e afretamento sendo este, inclusive, um requisito necessário para adesão ao Regime; d) Art. 106 da Lei 13.043/2014 que introduziu os §§ 2º a 8º ao art. 1º da Lei 9.481/97, reconhecendo a prática de mercado atinente a bipartição dos contratos em serviços e afretamento, demonstrando ser absolutamente correta tal conduta; e) Violação aos arts. 109 e 110 do CTN; f) Inexigibilidade da cobrança do PIS e da COFINS; Fl. 47893DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.894 6 g) procedimentos necessários para a correção da base de cálculo, caso se entenda pela manutenção das exigências fiscais; e h) Indevida cobrança de juros sobre a multa de ofício. (...) 3. PRELIMINAR 3.1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Com a análise detida dos argumentos defendidos no TVF, fica claro o total desconhecimento acerca das operações praticadas pelo setor econômico que explora petróleo e gás natural, bem como de toda a legislação que envolve essa imensa indústria. Um exemplo disso foi a comparação descabida da atividade da Impugnante com a contratação de um empresa para a retirada de entulho de uma obra. (...) Levandose em consideração o histórico das autuações anteriores, podemos perceber uma postura contraditória da fiscalização, que ao autuar as empresas prestadoras de serviço no Brasil no passado, entendeu que o serviço foi todo prestado no Brasil, mas que agora parte da premissa de que a única operação praticada foi a contratação de prestação de serviços da empresa estrangeira. Assim, ao autuar a tomadora dos serviços (caso da Impugnante), considerase tudo uma operação de importação de serviços, desconsiderando o fato de que foi celebrado um contrato de afretamento com a empresa estrangeira e um contrato de prestação de serviços com a empresa nacional. Já ao autuar a prestadora de serviços no Brasil, considera que o serviço foi prestado por empresa nacional. Nesta esteira, podemos perceber que a fiscalização se utiliza de premissas absolutamente equivocadas. A uma porque, a um só tempo, assume a existência de um único contrato para prestação de serviço por empresa estrangeira, se olvidando que o serviço foi efetivamente prestado no Brasil por uma empresa nacional. Nunca é demais lembrar que é no Brasil em que se encontram os blocos de petróleo a serem explorados. A duas porque, sendo o serviço todo prestado no Brasil por uma empresa nacional, não haveria o que se falar em IRRF, CIDE importação e PIS e COFINS importação. (...) Com efeito, para que se pudesse descaracterizar a bipartição, seria necessário, por exemplo, demonstrar que: (i) a adesão ao REPETRO foi irregular ou que não foram preenchidos os requisitos para tal; (ii) que não há substância nas contratações Fl. 47894DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.895 7 efetuadas; (iii) que o bem não é da empresa estrangeira; ou (iv) que os serviços não são prestados pelas empresas brasileiras. Porém, nenhuma das hipóteses mencionadas foi verificada no caso concreto. Ainda que por hipótese se admitisse que houve a desconsideração dos contratos sem o apontamento por parte da fiscalização da prática de dolo, fraude ou simulação, a recaracterização contratual deveria indicar uma prestação de serviço em território nacional e não uma importação de serviço como determina o agente fiscalizador. Isso porque a prestação do serviço ocorre em território nacional. (...) Dessa forma, é de se indagar qual teria sido a base legal usada pela fiscalização para descaracterizar a modelagem contratual utilizada, eis que, como já afirmado anteriormente, não foi verificada a existência de dolo, fraude e simulação. (...) Dessa feita, é evidente a completa nulidade do auto de infração combatido, por violação aos artigos 10, inciso III e 59, inciso II do DecretoLei n° 70.2335/72, já que não se expõe a base legal para a desconsideração da modelagem contratual adotada. 4. MÉRITO Caso seja ultrapassada a preliminar anteriormente levantada, o que se admite apenas com base no princípio da eventualidade, passa a Impugnante a tecer os seus argumentos acerca do mérito. 4.1. Da regularidade do procedimento adotado pela Impugnante (...) 4.1.2. INEXISTÊNCIA DE ARTIFICIALIDADE NA VINCULAÇÃO DE CONTRATOS (...) O fato de as empresas que contrataram com a Impugnante pertencerem ao mesmo grupo em nada interfere na autonomia e individualização dos contratos de afretamento e de prestação de serviços porque, ainda que tais contratos tivessem sido firmados num só instrumento e com a mesma pessoa jurídica, eles permaneceriam individualizados. (...) Face do exposto, se eventualmente fosse comprovada uma atribuição irreal de preços aos contratos o que sequer foi cogitado , seria cabível a glosa do excesso de custo do afretamento. Porém, nada justifica a desqualificação do contrato Fl. 47895DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.896 8 de afretamento para atribuirlhe a natureza de prestação de serviços e, com isso, tributálo integralmente como tal. Neste contexto, importante ressaltar a alteração promovida pelo art. 106 da Lei 13.043/2014 que introduziu os §§ 2º a 8º ao art. 1º da Lei 9.481/97, nos seguintes termos: "Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de containeres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (...) § 2° No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (...) § 6º A parcela do contrato de afretamento que exceder os limites estabelecidos no g 2° sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), quando a remessa for destinada a país ou dependência com tributação favorecida, ou quando o arrendante ou locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430. de 27 de dezembro de 1996. As disposições contidas anteriormente transcritas, apesar de posteriores aos fatos geradores objeto da autuação, são de extrema importância para solução desta lide, uma vez que expressam, de forma explícita, a plena legalidade dos contratos coligados de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea. Fl. 47896DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.897 9 Como já defendido alhures, não se trata aqui de aplicação retroativa da norma, mas sim do reconhecimento legal da própria essência dos negócios jurídicos realizados pela Impugnante, antes praxe costumeira expressamente chancelada pelo artigo 100, III, do CTN. Dessa forma, a novel lei demonstra que está equivocada a premissa adotada pela fiscalização, pois é válida a bipartição de contratos em que são mantidas as autonomias dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, não havendo o que se falar desnaturação dos instrumentos ou dos pagamentos deles decorrentes, de modo a reputálos como um único contrato de prestação de serviços. Com efeito, a Lei 13.043/2014 não "criou" a hipótese de contratação de afretamento e prestação de serviços com execução simultânea firmada com empresas vinculadas entre si. O que ela fez, na verdade, foi apenas estabelecer parâmetros de aplicação da alíquota zero de IRRF nestas situações, reconhecendo a prática do mercado que, digase, já se encontrava expressamente normatizada desde 2008 por meio da legislação do REPETRO, editada pela própria Receita Federal do Brasil, como será melhor discorrido em tópico próprio. Interpretação diversa, no sentido de que a bipartição somente seria válida após a edição da Lei 13.043/2014, levaria a absurda conclusão de que, até 31/12/2014, todas as contratações realizadas neste formato seriam uma "simulação", devendo, portanto, ser tributadas como um importação de serviços, ao passo que, após 01/01/2015, os contratos firmados nestes mesmos moldes passariam a gozar de plena legalidade, com o correlato reconhecimento fiscal do afretamento. (...) 4.4. Dos ajustes necessários às bases de cálculo dos tributos Mais uma vez com base no princípio da eventualidade, caso se entenda pela manutenção do lançamento, com a desconsideração dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, alguns ajustes devem ser realizados na base de cálculo, como será demonstrado nos subitens a seguir: 4.4.1. Da exclusão dos valores referentes ao contrato n° 2300.0050143.09.2 (...) 4.4.2. Da exclusão dos valores referentes ao contrato n° 2050.0073952.12.2 (...) 4.4.3. Da necessidade de exclusão do IRRF das bases de cálculo Fl. 47897DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.898 10 a) Ilegalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo do PIS e da COFINS (...) 4.5. Não incidência de juros de mora sobre multa de ofício 10. A DRJ/RJO decidiu, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar de nulidade suscitada e julgar procedentes os lançamentos, mantendo as exigências da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas na legislação do processo administrativo em geral e do processo administrativo fiscal e não havendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, não há que se falar em nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. NATUREZA DO PAGAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. Na existência de dois contratos: um de afretamento de embarcação marítima e outro de prestação de serviços de exploração de petróleo; para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo em vista a realidade fática, e não a formalidade dos contratos, uma vez que o fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. A base de cálculo da contribuição é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições. 11. No voto, encontrase a fundamentação para a decisão proferida pela DRJ/RJO, nos seguintes termos: Continuando, já que afastada a questão de afretamento para apoio marítimo, cumpre determinar qual seria a natureza dos pagamentos à empresa estrangeira, referente aos contratos de afretamento das plataformas, para fins de demonstrar que houve, Fl. 47898DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.899 11 de fato, uma bipartição dos contratos para evitar a tributação do PIS e Cofins Importação. Para deslinde desta questão, vale lembrar mais uma vez da publicação de Ives Gandra Martins, no qual diz que o afretamento implica um contrato mais complexo, composto por todas as operações necessárias para a sua finalidade. No caso de afretamento a que se refere o trabalho do tributarista, as operações eram específicas de apoio marítimo. Mas, no caso de contrato de afretamento de plataforma, as operações necessárias para o cumprimento de sua finalidade seriam a própria prestação de serviços, a saber: pesquisa, perfuração, cimentação, perfilagem, estimulação, todas relacionadas com o objeto contratado com a empresa brasileira. O próprio tributarista entende que o contrato de afretamento pressupõe prestação de serviços, de forma que o objeto afretado atinja sua finalidade. (...) Os motivos que levam a essa remuneração de acordo com a produção residem, como já dito, na própria natureza do contrato. Tratase de afretamento de plataforma, cuja contratação só se justifica em função de sua operacionalidade, ou seja, a prestação dos serviços. Outro indício que o contrato de afretamento de plataforma inclui a prestação dos serviços está na cláusula do item 3.19 – Substituição (desse mesmo contrato), de que a contratada empresa estrangeira, assume a responsabilidade financeira para manter e substituir ou reparar qualquer equipamento com defeito e para fornecer peças de reposição necessárias e/ou consumíveis. (...) Essa cláusula firma mais ainda a convicção de que os contratos se fundem em um só, com o principal objetivo: prestação de serviços. De acordo com esta cláusula, está acordado que o custo do desgaste da unidade, grande parte decorrente da prestação do serviço de perfuração/exploração do gás e petróleo, firmado com a empresa brasileira, é por conta e risco da empresa estrangeira. Ora, como justificar que a empresa estrangeira arca com os custos que decorrem da prestação de serviços contratados com a empresa brasileira, senão que ambas (empresa estrangeira e brasileira) atuam como se fossem uma única empresa para atingir um único objeto: a perfuração/exploração de gás e petróleo. (...) Por todo acima exposto, é de se concordar com a autoridade fiscal de que se está diante de um único contrato de prestação de serviços de perfuração/exploração de gás e petróleo, e que foi bipartido tão somente para evitar a incidência de tributação, Fl. 47899DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.900 12 quer do IRRF, CIDE, PIS e Cofins, sendo a situação de cada contrato esclarecida no TVF. Por fim, sobre a alteração da Lei nº 9.481, de 1997, promovido pela Lei nº 13.043, de 2015, entendese que a mesma continua a não admitir a bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços em tela. A referida modificação apenas estipula um teto para a parcela relativa ao contrato de afretamento. Outrossim, ainda que se tenha outro entendimento, considerando que a referida alteração entrou em vigor a partir de 01/01/2015, esse dispositivo não tem nenhuma influência sobre o que foi apurado no presente processo. 12. O contribuinte, irresignado com esta decisão, apresentou Recurso Voluntário. Preliminarmente, nesta nova peça, persiste na tese da nulidade da autuação, sob, basicamente, os mesmos argumentos já aduzidos na Impugnação. 13. Quanto ao mérito, reproduz, basicamente, os mesmos argumentos já expostos na Impugnação para contestar a decisão da DRJ. Desta feita, no entanto, apresenta trechos de jurisprudência do CARF, a fim de sustentar sua tese sobre a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. 14. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário, alegando, inicialmente, a inexistência de nulidade no lançamento fiscal, considerando que a autuação está devidamente fundamentada, ao contrário do que afirma o contribuinte. 15. Quanto ao mérito, apresenta farta jurisprudência sobre os contratos de prestação de serviços firmados pela Petrobrás. Destaca o Acórdão CARF nº 3403002.702, Sessão de 29/01/2014, cuja conclusão foi que “a bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (...) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções”. 16. Cita também os Acórdãos CARF nº 2202003.063 (Sessão de 09/12/2015) e 3302003.095 (Sessão de 15/03/2016), ambos no mesmo sentido. 17. Cita, igualmente, decisão judicial exarada em 15/01/2015, na qual o Juiz Federal no TRF da 2ª Região indefere o pedido liminar da agravante, Maré Alta do Brasil Navegação Ltda, prestadora de serviços da Petrobrás, nos seguintes termos: Indefiro a liminar pleiteada, à míngua de fumaça do bom direito, pelas razões que passo a aduzir. A decisão agravada deve ser mantida tendo em vista que não há razões que apontem para eventual caráter teratológico ou de grave erro de perspectiva na avaliação da matéria de fato que norteou o juízo recorrido. (...) Fl. 47900DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.901 13 Vejase que a construção contratual utilizada pela recorrente, somente encontrou amparo na legislação tributária no final do ano de 2014, induzindo à conclusão segundo a qual os negócios jurídicos não guardavam consonância com a legislação de regência, devendo, desse modo, prevalecer a conclusão da maioria, vazada no julgamento pelo CARF. Destaco que a nova legislação não pode ser aplicada retroativamente por não se tratar de lei mais benéfica, lex mitior, mas legislação que inaugura novo regime jurídico, com caráter prospectivo. 18. A Procuradoria, após algumas considerações gerais sobre o procedimento fiscal, prossegue rebatendo os argumentos da Recorrente, nos seguintes termos: Porém, em que pese a repartição formal dos contratos, na verdade, não existe afretamento autônomo. A única contratação existente é de pesquisa e exploração de petróleo e gás, sendo o fornecimento da unidade apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. As contratadas – a estrangeira e a brasileira – pertencem a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do know how da prestação de serviços. Sendo assim, desempenharam de forma conjunta e solidária as atividades formalmente contratadas de forma segregada. Logo, os valores pagos às empresas estrangeiras a título de afretamento correspondem, de fato, à remuneração pela prestação de serviços técnicos e assim devem ser tributados. (...) Contudo, a fiscalização não discute a possibilidade de, em tese, existir contratos coligados, com dependência recíproca. O que ficou demonstrado, por meio de provas, é que, na realidade, não existiu essa forma de contratação, mas sim uma única prestação de serviços realizada pelo grupo econômico, formalmente repartida em dois contratos para reduzir a carga tributária. O fornecimento da plataforma é apenas meio para alcançar a verdadeira atividade pretendida pela Petrobrás. Nesse caso, não se trata de invadir a liberdade negocial, mas sim definir a verdadeira natureza dos pagamentos realizados para a empresa no exterior, no intuito de imputar os efeitos tributários previstos em lei. (...) No passo, ainda que formalmente a recorrente tenha repartido a prestação de serviço em dois contratos distintos, as provas trazidas pela fiscalização mostram uma realidade diferente. O fornecimento da plataforma não se revelou uma contratação autônoma, ao contrário, ela apenas ocorreu como meio e instrumento necessário para a atividade de exploração de petróleo e gás, tanto que os contratos alegadamente autônomos se confundiam em diversas cláusulas. Fl. 47901DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.902 14 Logo, examinada a estrutura dos contratos, verificase que a bipartição destes em afretamento e serviços é meramente formal. A realidade fática dos contratos é de que não havia afretamento puro e simples, pois o fornecimento das unidades é parte integrante e indissociável dos serviços contratados. Os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras significam, em verdade, a remuneração por serviços prestados, sujeita à incidência do IRF e da CIDE. Ademais, a natureza destes pagamentos não pode ser definida apenas pelo formalismo de cláusulas contratuais de um contrato isolado, e sim, pela realidade fática na execução dos contratos vinculados e interdependentes. (...) Da redação literal dos dispositivos não há como sustentar esse argumento. Previa a Instrução Normativa – RFB nº 844/08 (já com a redação da IN 941/09): (...) Daí se vê que a exigência de execução simultânea diz respeito a serviços e cessão de bens contratados ambos com a mesma pessoa jurídica, a saber, a prestadora de serviços. A IN regulamentadora do REPETRO em momento algum diz respeito à contratação separada de duas pessoas jurídicas, uma para o fornecimento de bens e outra para a prestação de serviços. Assim, a simultaneidade dos contratos não diz respeito à adequação ao regime especial REPETRO, mas sim ao planejamento e unidade dos contratos de prestação de serviços e “afretamento”. (...) Dessarte, revelase adequado o procedimento do fiscal, que conferiu o correto tratamento tributário aos pagamentos realizados à empresa estrangeira. Permitir que a recorrente segregue artificialmente a contratação e atribua ao suposto afretamento 90% dos pagamentos, deixando de recolher IRFonte, CIDE e PIS/COFINImportação, significa subterfúgio injustificado à tributação devida, que não pode ser permitida por esta Turma. 19. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator Fl. 47902DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.903 15 20. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Tendo sido admitido o presente Recurso, passo à análise dos seus fundamentos. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 21. O recorrente alega violação aos artigos 10, inciso III e 59, inciso II, do DecretoLei n° 70.235/72, já que não se expõe a base legal para a desconsideração da modelagem contratual adotada. Afirma a ocorrência de bis in idem, ausência de demonstração de dolo, fraude ou simulação, adoção de posturas contraditórias e ausência de clara e inequívoca fundamentação das razões que levaram o responsável pela fiscalização a tachar de artificial a bipartição contratual. 22. O art. 10, inciso III, se refere à necessária descrição do fato, enquanto o art. 59, inciso II, se refere à preterição do direito de defesa. Analisando o Termo de Verificação Fiscal (TVF) que integra os Autos de Infração, verifico que houve uma minuciosa descrição dos fatos pela Autoridade Tributária, identificando, em cada um dos contratos objeto de autuação, as cláusulas que caracterizariam, em seu entendimento, a artificialidade da bipartição contratual. Apresentou, igualmente, um histórico de autuações similares, bem como vasta jurisprudência sobre casos semelhantes. 23. Da mesma forma, o Recorrente teve acesso a todas as provas produzidas e demais documentos que compõem o presente processo administrativo fiscal. Foi oportunizado momento processual para apresentação de sua defesa, de forma ampla, inaugurando o contraditório. E pela leitura da peça impugnatória, observase que compreendeu perfeitamente todas as acusações que lhe estavam sendo imputadas, como já observado pela instância de piso. 24. Nesse contexto, não vejo qualquer razão para que seja declarada a nulidade das autuações. Os fatos trazidos pelo Recorrente nesta preliminar, em verdade, retratam seu inconformismo com as autuações, sendo, portanto, matéria de mérito, e não causas ensejadoras de nulidade. 25. Voto pela improcedência desta preliminar. II DA ALEGAÇÃO DE REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO 26. A partir da análise do Termo de Verificação Fiscal, em cotejo com a Impugnação apresentada, observase que o cerne da autuação resumese à questão da chamada "bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços e de afretamento". O Recorrente entendeu perfeitamente esta acusação, focando seu recurso na busca por descaracterizar a alegação de artificialidade. 27. Inicialmente, cabe analisar a legislação de regência. Fl. 47903DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.904 16 28. O Repetro é o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural (IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º). O regime foi instituído pelo Decreto nº 3.161, de 02/09/1999 (revogado) que teve por base a Lei nº 9.430, de 1996 (art. 79, § único) e atualmente é regulamentado pelo Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), por força do previsto no artigo 93 do Decretolei nº 37, de 1966. Lei nº 9.430/96 Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) Decreto nº 3.161, de 1999 Art. 1º Fica instituído, nos termos deste Decreto, o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, conforme definidas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. § 1º Os bens de que trata este artigo são os constantes de relação estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. [...] Art. 5º A Secretaria da Receita Federal expedirá as normas necessárias ao disciplinamento do REPETRO. 29. Com base nesse art. 5º do Decreto nº 3.161/99, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 112, de 1999: Art. 1º O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, instituído pelo Decreto nº 3.161, de 2 de setembro de 1999, será aplicado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. [...] Art. 6º O regime aduaneiro de admissão temporária aplicase aos bens referidos no caput e no § 1º do art. 2º importados para utilização exclusiva nas atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, por pessoa jurídica que tenha firmado contrato de concessão ou que possua autorização do órgão competente para exercer essas atividades no País, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. [...] Fl. 47904DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.905 17 § 2º O regime aduaneiro de que trata este artigo poderá ter como beneficiária pessoa jurídica sediada no País que tenha sido subcontratada pela concessionária para executar as atividades de pesquisa ou produção de petróleo ou gás natural. 30. A IN SRF nº 112/99 foi revogada pela IN SRF nº 27, de 2000, a qual, por sua vez, foi revogada pela IN SRF nº 87/2000. De qualquer forma, mantevese a máxima de que beneficiária do REPETRO era a pessoa jurídica que estivesse à frente da execução das atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, fosse ela a própria concessionária, a pessoa jurídica contratada pela concessionária ou as subcontratadas para exercer essas atividades, conforme se verifica no seu art. 5º: Instrução Normativa SRF nº 87, de 2000 Art. 5º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997; e II que mantenha controle contábil informatizado, inclusive da situação e movimentação do estoque de bens sujeitos ao Repetro, que possibilite o acompanhamento da aplicação do regime, bem assim da utilização dos bens na atividade para a qual foram importados, mediante utilização de sistema próprio. § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, à pessoa jurídica contratada, pela concessionária ou autorizada, para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem assim às sub contratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o parágrafo anterior, contratada pela concessionária ou autorizada, não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela autorizada a promover a importação de bens. 31. Poucos meses depois, outra IN foi expedida para disciplinar o REPETRO. Tratase da Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, que revogou a IN SRF nº 87, de 2000. No entanto, a nova IN simplesmente manteve a mesma redação da IN anterior. A revogação se explica pela prática que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) possuía à época, de anualmente reeditar suas instruções normativas. 32. Vale destacar que, em 2002, o Decreto instituidor do REPETRO foi revogado pelo então novo Regulamento Aduaneiro, que passou a ser o fundamento para as instruções normativas da RFB sobre o tema, sem trazer inovação no que se refere ao tema da presente análise. 33. A IN SRF nº 04/2001, vigorou até 2008, ano em que foi editada a Instrução Normativa RFB nº 844, da qual destaco os seguintes comandos normativos em sua redação original: Fl. 47905DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.906 18 Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. 34. Como se observa, a Instrução Normativa RFB nº 844/2008, em sua redação original, não alterou a IN anterior na parte relativa aos beneficiários do regime. Também não havia qualquer referência a contrato de afretamento de embarcações, embora houvesse várias menções a contratos de aluguel de bens estrangeiros. 35. Apenas com a alteração promovida pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009, a Instrução Normativa RFB nº 844/2008, passou a se referir expressamente aos contratos de afretamento. Notese que, com essa alteração, a RFB expressamente admitiu que a mesma pessoa jurídica contratada pela concessionária para a prestação de serviços pudesse providenciar o fornecimento de bem necessário a essa execução, amparado em contrato de afretamento distinto do contrato de serviços, desde que tivessem execução simultânea. Tratase da previsão contida no § 3º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941/2009: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de Fl. 47906DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.907 19 empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) § 4º Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) 36. Com esse § 3º incluído no art. 5º da IN RFB nº 844/2008, pela IN RFB nº 941/2009, a própria RFB admitiu que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. 37. Cabe destacar que, neste mesmo ano de 2009, foi publicado o Decreto nº 6.759, de 05/02/2009, com o novo Regulamento Aduaneiro, contendo redação semelhante ao Regulamento de 2002, na parte relativa ao REPETRO. 38. Em 2010, o regramento foi novamente alterado, desta vez pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13/09/2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.089, de 30/11/2010. Como resultado dessas alterações, a IN RFB nº 844/2008 assumiu a redação que se encontrava vigente à época de ocorrência dos fatos geradores alcançados pelo lançamento fiscal ora combatido. 39. Vale destacar que a alteração promovida pela IN RFB nº 1070/2010 no art. 5º da IN RFB nº 844/2008, reproduz com exatidão o art. 461A do Regulamento Aduaneiro, introduzido apenas três dias antes pelo Decreto nº 7.296, de 10/09/2010. 40. Na nova redação dada ao art. 5º da IN RFB nº 844/2008, pela IN RFB nº 1070/2010, a grande inovação foi a inclusão da pessoa jurídica contratada para o afretamento no rol de possíveis beneficiárias do REPETRO, ao lado da concessionária da exploração de petróleo e da pessoa jurídica contratada (ou subcontratada) para a prestação de serviços, como se verifica no inciso II do § 1º: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada Fl. 47907DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.908 20 pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do §1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) 41. A nova redação dada ao § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008 deixa claro que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também pode ser parte no contrato de afretamento. Com isso, podese afirmar que a RFB mantém a possibilidade de a concessionária da exploração de petróleo celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos: um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Com a diferença que agora essa pessoa jurídica poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, sendo parte ou não deste contrato. 42. A IN RFB nº 844/2008 foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.415, de 04/12/2013, atualmente em vigor. 43. A Autoridade Tributária responsável pelo procedimento fiscal, entretanto, teve entendimento diverso. Observese a fundamentação contida no TVF, tópico 5, "Das Infrações": Conforme antecipamos, tratase de contratações (...) artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRÁS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico (...). Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação fornecida pelo próprio grupo econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, (...) enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços (...). É de se notar que, no contexto concreto destas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Entender o contrário seria admitir, por exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho. (...) As Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a Fl. 47908DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.909 21 sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante (...). 44. A partir da análise da legislação e das provas coletadas, verifico que as conclusões da Autoridade Tributária mostramse equivocadas. A alegação de artificialidade (simulação ou planejamento tributário abusivo) na bipartição dos contratos não restou comprovada no procedimento fiscal. Além disso, esta possibilidade de bipartição contratual está expressamente prevista na legislação do Repetro, sendo justamente o modelo construído pelo legislador para possibilitar que as empresas se utilizem deste regime aduaneiro especial. O art. 5º, §§ 3º e 8º, c/c o art. 17, § 9º, todos da IN RFB nº 844/2008 (e alterações), determinam o seguinte: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (...) § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) (...) § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) (...) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF no 285, de 2003. (...) § 9º Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º; e Fl. 47909DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.910 22 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) 45. Interpretando os dispositivos normativos que regem a matéria, a Secretaria da Receita Federal publicou, em sua página institucional na internet, o "Manual do Repetro / RepetroSped", com último acesso em 15/09/2018 no endereço eletrônico http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/repetro. 46. No tópico "4 Contratos" deste Manual, consta o seguinte: 4.1 INTRODUÇÃO (...) 4.1.4 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS O Contrato de Prestação de Serviços, no caso do Repetro, é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime/prestador do serviço) e o tomador de serviços (operadora contratante) e que estabelece os direitos e obrigações das partes no tocante à prestação de serviços no País. Nota: É possível também que empresa estrangeira seja contratada pela operadora para a prestação de serviços, mas, neste caso, como a legislação brasileira não permite que aquela preste os serviços diretamente no País (vide o tópico 2.6.4 Prestação de Serviços ou Produção de Bens no País por Sociedade Empresário Estrangeira em Beneficiários do Repetro), uma empresa designada deverá fazer parte do contrato com a finalidade de importar o bem e prestar os serviços contratados (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 4º; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º c/c art. 4º, § único, inc. II, alínea c). A prestação de serviços no Repetro deve estar ligada às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Regulamento Aduaneiro, art. 458; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º). (...) 4.1.5 CONTRATO DE AFRETAMENTO Ao Contrato de Afretamento por Tempo, no caso do Repetro, se aplicam as mesmas disposições previstas no tópico 4.1.4 acima. (...) 4.1.6 CONTRATO TRIPARTITE Fl. 47910DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.911 23 O Contrato Tripartite, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de três partes: 1) Proprietário do bem (ou armador, no caso de embarcação): é a empresa estrangeira contratada para ceder o bem temporariamente; 2) Contratante: é a operadora, pessoa jurídica sediada no País, detentora de concessão, de autorização ou de cessão, ou a contratada sob o regime de partilha de produção, para o exercício, no País, das atividades de que trata o artigo 1º da IN RFB nº 1.415, de 2013. É o tomador de serviços (contratante); e 3) Designada: é a pessoa jurídica, sediada no País, contratada para promover a importação dos bens e prestar os serviços contratados. É possível a ocorrência de variações na composição das partes. Assim, pode ocorrer, por exemplo, a existência de um consórcio de operadoras (no lugar de uma operadora) ou de um consórcio de prestadores de serviços (no lugar de um único prestador de serviços). Além disso, o contrato tripartite pode ser instrumentalizado por um único contrato ou por dois contratos, neste último caso ele será denominado contrato de execução simultânea. 4.1.7 CONTRATO DE EXECUÇÃO SIMULTÂNEA O Contrato de Execução Simultânea, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de dois contratos distintos, que devem ser executados simultaneamente: 1) Contrato de Importação (arrendamento operacional, afretamento, locação ou empréstimo); e 2) Contrato de Prestação de Serviços. Esse tipo de contrato é mais usual nos casos de importação de embarcações ou plataformas para execução das atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás. Deste modo, podemos ter as seguintes combinações contratuais: (...) 4) contrato de prestação de serviços c/c contrato de afretamento de embarcação ou plataforma (este último é uma modalidade do contrato de importação). Nota: não confundir "contrato de prestação de serviços c/c contrato de locação de bens" com "contrato de prestação de serviços com locação de bens". No primeiro caso, temos uma combinação de dois contratos: o contrato de prestação de serviços com o contrato de importação, os quais serão Fl. 47911DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.912 24 executados de maneira simultânea, tão logo o bem seja importado. Mas, no segundo caso, temos um único contrato para utilização interna no País, mas que não se enquadra no Repetro por não atender aos preceitos legais, conforme tópico Disposições sobre Contratos. 47. Vejamos o que dispõe o citado tópico "4.2 Disposições sobre Contratos": 4.2.5 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM LOCAÇÃO DE BENS O Contrato de Prestação de Serviços é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime/prestador do serviço) e o tomador de serviços (operadora contratante) e define os direitos e obrigações das partes no tocante à prestação de serviços no País . Para outras informações sobre contratos de prestação de serviços, vide o tópico "4.1.4 Contrato de Prestação de Serviços" em Contratos – Introdução. Por outro lado, o contrato de prestação de serviços com locação de bens é uma construção contratual extravagante, que se caracteriza por uma dissimulação da ocorrência do fato gerador. Portanto, será objeto de indeferimento o pedido do sujeito passivo que tenha como suporte fático tal avença. Abaixo, desenvolvese o arrazoado conducente à dissimulação. (...) Nota: é possível ainda que o prestador de serviços queira dissimular também o nome do instituto de locação, adotando outros vocábulos análogos, tais como: arrendado, disponibilizado, posto à disposição, cedido, cessão de uso, etc. Porém, isso não altera, de forma alguma, o caráter dissimulatório dessa construção contratual extravagante, aplicandose o disposto no presente tópico. (...) Concluindo, o contrato de prestação de serviços com locação é: 1) ilícito, uma vez que fere as regras estabelecidas no direito positivo pátrio ao distorcer o instituto da locação com a finalidade de se obter a redução da base de cálculo do tributo devido (Código Tributário Nacional, art. 116, parágrafo único; Código Civil, art. 104, inciso II); 2) impossível, porque um locador não pode prestar serviços sem estar na posse da coisa, pois em um contrato de locação deve haver a efetiva transferência de posse da coisa do locador para o locatário (Código Civil, art. 565 c/c art. 566, inciso I) e o locatário é quem deve fazer uso da coisa e não o locador (Código Civil, art. 569, inciso I). Logo, a prestação de serviços com locação de bens é algo impossível, pois como poderia o Fl. 47912DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.913 25 locador ceder a posse da coisa e ao mesmo tempo prestar o serviço com esse mesma coisa? Destarte, ainda que as partes assinassem um contrato (ou cláusula) de "retorno de posse", isso descaracterizaria completamente o instituto da locação, não passando de uma simulação, pois o locatário não mais teria a posse da coisa ao devolvêla ao locador (Código Civil, art. 104, inciso II). (...) Destarte, será objeto de indeferimento do pedido de aplicação do regime quando, no Resumo de Contrato apresentado, houver sido assinalada, no item 4.2, a opção: 1) "2. Prestação de serviços com aluguel de bens"; 2) "8. Prestação de serviços com locação de bens"; 3) "8. Prestação de serviços com disponibilização de bens"; 4) "8. Prestação de serviços com cessão de bens"; 5) "8. Prestação de serviços com cessão de uso de bens"; ou 6) Qualquer outro nomen iuris que distorça o instituto da prestação de serviços. 48. Como se depreende da legislação colacionada, bem como da interpretação do tema pela própria RFB, órgão ao qual foi delegada a função de disciplinar a matéria, a "bipartição contratual", como denomina a Autoridade Fiscal o modelo de contratação da Recorrente, ou o "Contrato Tripartite", também um "Contrato de Execução Simultânea", na denominação dada pela RFB, não só pode ser utilizada, como deve ser utilizada. 49. Isso porque a RFB orienta os contratantes, no tópico 4.2.5, acima colacionado, no sentido de que será objeto de indeferimento do pedido de aplicação do regime quando, no Resumo de Contrato apresentado, houver sido assinalada, no item 4.2, a opção que trate de prestação de serviços cumulada com aluguel, locação de bens ou qualquer outro nomen iuris que distorça o instituto da prestação de serviços. 50. Outro elemento de interpretação que deve ser destacado é a finalidade da norma instituidora do Repetro. A Lei nº 9.478, de 06/08/1997, a chamada Nova Lei do Petróleo, possibilitou a abertura do mercado exploratório, e outras empresas além da Petrobrás conquistaram o direito de lavra. A lei tributária modificou a aplicação do Regime de Admissão Temporária e limitou a suspensão dos tributos de comércio exterior para importação de bens às atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás. Neste mesmo ano foi criada a Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP). 51. Com a Lei nº 9.478/97, foi permitida a participação das empresas privadas estrangeiras e outras empresas nacionais na área de pesquisa e exploração de petróleo. A Lei nº 9.430/96, através do art. 79, parágrafo único, trouxe a permissão legal para o chefe do Poder Executivo conceder à importação de bens considerados de interesse da economia nacional, tais como os bens destinados à atividade de pesquisa e lavra de petróleo e gás de forma temporária, suspensão tributária total. Fl. 47913DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.914 26 52. Em 02/09/1999 foi publicado o Decreto 3.161/99, que instituiu o Repetro, como resultado da necessidade do Estado brasileiro de facilitar, através da desoneração tributária, a importação de bens que pudessem ser utilizados na exploração e produção do petróleo. O país buscava a sua autosuficiência na produção de petróleo (alcançada no dia 26/05/2006, com a produção de 1,87 milhão de barris diários, contra um consumo diário estimado de 1,83 milhão de barris diários), mas para tanto precisava viabilizar a utilização de bens de altíssimo valor e tecnologia, como as plataformas de petróleo. 53. Tais bens, fabricados no exterior e importados, ou fabricados no Brasil e objeto de exportação ficta, precisavam sofrer uma desoneração tributária que tornasse viável economicamente o investimento de empresas estrangeiras e nacionais, notadamente a Petrobrás, no setor petrolífero, tendo em vista a grande concorrência entre países na busca por investimentos neste setor. 54. Ao tempo dos fatos, já estava vigente o Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro 2009), que previa o seguinte tratamento para estes bens: DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO E DE IMPORTAÇÃO DE BENS DESTINADOS ÀS ATIVIDADES DE PESQUISA E DE LAVRA DAS JAZIDAS DE PETRÓLEO E DE GÁS NATURAL REPETRO Art. 458. O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, previstas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, é o que permite, conforme o caso, a aplicação dos seguintes tratamentos aduaneiros: I exportação, sem que tenha ocorrido sua saída do território aduaneiro e posterior aplicação do regime de admissão temporária, no caso de bens a que se referem os §§ 1º e 2º, de fabricação nacional, vendido a pessoa sediada no exterior; II exportação, sem que tenha ocorrido sua saída do território aduaneiro, de partes e peças de reposição destinadas aos bens referidos nos §§ 1º e 2º, já admitidos no regime aduaneiro especial de admissão temporária; e III importação, sob o regime de drawback, na modalidade de suspensão, de matériasprimas, produtos semielaborados ou acabados e de partes ou peças, utilizados na fabricação dos bens referidos nos §§ 1º e 2º, e posterior comprovação do adimplemento das obrigações decorrentes da aplicação desse regime mediante a exportação referida nos incisos I ou II. § 1º Os bens de que trata o caput são os constantes de relação elaborada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2º O regime poderá ser aplicado, ainda, às máquinas e aos equipamentos sobressalentes, às ferramentas e aos aparelhos e a outras partes e peças destinados a garantir a operacionalidade dos bens referidos no § 1º. Fl. 47914DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.915 27 § 3º Quando se tratar de bem referido nos §§ 1º e 2º, procedente do exterior, será aplicado, também, o regime de admissão temporária. 55. A IN SRF nº 844/2008 e alterações, por sua vez, detalhava o tratamento aduaneiro positivado no Decreto nº 6.759/2009: Art. 25 O regime de admissão temporária extinguese com a adoção de uma das seguintes providências, pelo beneficiário, que deverá ser requerida dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: I reexportação, inclusive no caso de bem referido no inciso I do art. 3º; II entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlo; III destruição, às expensas do interessado; IV transferência para outro regime aduaneiro especial; ou V despacho para consumo. (...) § 6º Nas hipóteses de extinção referidas nos incisos II a IV do caput, não será exigido o pagamento dos tributos suspensos pela aplicação do regime, sem prejuízo da exigência da multa referida no § 5º, caso a providência tenha sido requerida após expirado o prazo de vigência do regime e antes de iniciada a exigência do crédito constituído no TR. (...) Art. 26. Tratandose de embarcação ou plataforma, após formalizada a reexportação, enquanto autorizada a permanecer no mar territorial brasileiro pelo órgão competente da Marinha do Brasil, será considerada automaticamente em admissão temporária, nos termos do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 285, de 2003, dispensada sua saída do território aduaneiro. 56. Portanto, buscava o legislador a desoneração tributária do setor petrolífero, com a suspensão total dos impostos incidentes na importação, quando da admissão temporária, e sua dispensa integral quando da extinção do regime, se atendidas todas as condições deste. 57. A Autoridade Tributária, no entanto, desconsiderou completamente a finalidade do regime, afirmando que a bipartição dos contratos era artificial, consistindo em mera repartição formal dos contratos, não havendo que se falar em afretamento autônomo, pois o fornecimento da unidade seria parte integrante e instrumental dos serviços contratados. 58. No entanto, todo o modelo construído pela legislador visa a promover a desoneração tributária através da separação das operações de afretamento e de prestação de Fl. 47915DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.916 28 serviços, permitindo a dispensa total dos tributos incidentes sobre aquela, havendo a incidência apenas sobre esta. O AuditorFiscal, apesar da legislação ser bastante cristalina sobre o tema, afirma que o fornecimento da unidade não pode estar dissociado da prestação de serviços. 59. A partir desse raciocínio, lavrou auto de infração exigindo o PIS/Pasep e a Cofins incidentes na importação sobre o valor total do contrato de afretamento, quando o objetivo do Repetro é justamente dispensar esta incidência de uma parte da operação, aquela parcela referente ao afretamento, garantindo para isso a plena legalidade da bipartição contratual e inclusive determinando que ambos os contratos estejam vinculados e tenham execução simultânea. 60. Nesse sentido, as seguintes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: a) Acórdão nº 3301004.592 – Terceira Seção de Julgamento 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Em análise à defesa referente à acusação de que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços seria, por si só, indevida, entendo que assiste razão à Impugnante. Em outras palavras, entendo que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços encontra amparo na legislação tributária do País, inclusive à época dos fatos abrangidos pelo lançamento. Conforme restou claro, a Autoridade Fiscal entendeu que a segregação dos contratos é indevida haja vista que “o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados”, de modo que “tratase de uma só contratação, cujo fundamento econômico é o serviço de produção de petróleo de petróleo e gás natural”. (...) Voltando à questão da legalidade do arranjo contratual utilizado, da mesma forma que a Impugnante, entendo que a própria Receita Federal, mesmo antes de 2011, já considerava legítima a coexistência de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, pois nas suas Instruções Normativas expressamente admite a celebração de contratos dessa natureza por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás, inclusive quando as contrapartes são pessoas jurídicas vinculadas, conforme passo a demonstrar. (...) E se é autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não haveria razão para se opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, Fl. 47916DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.917 29 pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. Essa é a razão de minha discordância em relação ao mais importante fundamento do lançamento, qual seja, a premissa de que, no contexto sob exame, haveria uma indissociabilidade absoluta entre o fornecimento da unidade flutuante e a prestação de serviços realizada por meio dela, o que tornaria a contratação segregada indevida por natureza. Ainda segundo a Autoridade Fiscal, a contratação segregada somente teria sido admitida após a alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014 (Termo de Verificação, item IV). Neste ponto, há que se concordar com a Contribuinte quando, no item 4.7 de sua Impugnação, afirma que a Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, ao alterar o art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, inovou apenas no sentido de estabelecer um limite objetivo para uma prática que já era admitida anteriormente, na hipótese de serem vinculadas as contrapartes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, com execução simultânea e celebrados com uma mesma pessoa jurídica, normalmente a concessionária da exploração de petróleo: (...) Portanto, com a devida vênia, no meu modo de ver o melhor entendimento para o tema aqui analisado é o seguinte: o arranjo contratual utilizado pela Impugnante não encontrou amparo na legislação tributária apenas com a alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014. Na verdade, esse arranjo já era expressamente admitido pela própria Receita Federal pelo menos desde de alteração promovida pela IN RFB nº 941, de 2009. Ademais, é exatamente esse o entendimento da Coordenação Geral de Tributação da RFB (Cosit), expresso na Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, e expedido antes mesmo da publicação da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014. b) Acórdão nº 1402002.726 – Primeira Seção de Julgamento 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 15/08/2017: Inicialmente, temse que não há vedação legislativa para que o contribuinte reparta sua operação em afretamento e prestação de serviços. Muito pelo contrário, o art. 1º da Lei n. 9.481/1997, com redação dada pela Lei n. 13.043/2014, incluiu expressamente embarcações utilizadas na exploração e produção de petróleo no rol de hipóteses em que a alíquota restou reduzida a zero. A própria COSIT em mais de uma ocasião manifestouse pela possibilidade de as empresas de óleo e gás adotarem a referida Fl. 47917DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.918 30 estrutura negocial com repartição entre prestação de serviços e afretamento, é o que se lê no próprio acórdão da DRJ: (...) A partir disso temse que a mera bipartição de contratos, não conduz necessariamente à consideração de tratarse de operação simulada. c) Acórdão nº 2401005.149 – Segunda Seção de Julgamento 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 05/12/2017: Dessa forma, o fato de haver necessidade de serem executados simultaneamente contratos de afretamento e de prestação de serviços (fls. 15.257/15.335), de nenhum modo traz indicativo de inexistência ou artificialidade de negócio jurídico, mas tão somente da existência de contratos coligados de modo a garantir a segurança e eficácia dos objetos negociais sem os desnaturar como contratos distintos. (...) A caracterização de contrato de afretamento como sendo de prestação de serviços técnicos, por presunção, sem trazer motivação sólida e prova robusta e adequada da acusação, de modo a afastar a autonomia dos contratos e a liberdade na gestão dos negócios da empresa, não pode prevalecer. O lançamento foi efetuado tomando como base a totalidade dos valores remetidos ao exterior a título de afretamento das embarcações como se não existissem referidos contratos e sem comprovação de ausência de propósito negocial. Sendo assim, estarseia afirmando que foram cedidas plataformas sem pagamento de qualquer valor, ou que os serviços poderiam ser realizados sem a plataforma. Não verifico base fática e legal para se considerar 100% (cem por cento) do valor do afretamento como prestação de serviços técnicos. O fato dos contratos terem sido pactuados com empresas do mesmo grupo não autorizaria essa presunção. Da mesma forma, a existência de cláusulas contratuais estabelecendo a vinculação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços não transformaria todos os valores pagos em prestação de serviços técnicos remetidos ao exterior. Tendo em vista que a constituição do crédito tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, não pode a fiscalização lançar mão de presunções, sem autorização em lei, para a cobrança de tributo. A complexidade do negócio jurídico envolvido demandaria da autoridade Fiscal uma análise mais aprofundada da ocorrência do fato gerador para se chegar à conclusão de que os valores remetidos ao exterior decorreram da prestação de serviços e não do pagamento dos afretamentos. A vinculação na execução simultânea de contratos de Fl. 47918DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.919 31 afretamento e de prestação de serviços é perfeitamente legítima e não autoriza a desconsideração dos contratos pactuados da forma como efetivada no lançamento. No caso em apreço constatase que a presunção lançada pela fiscalização para descaracterizar os contratos de afretamento não encontra respaldo na Lei nº 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico, conforme se destaca: (...) Conforme se vê do diploma legal, no caso de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos, a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga, podendo referido percentual ser elevado em até 10 % (dez por cento). Referida lei apenas corroborou situação já existente em face de negócios jurídicos firmados em que envolviam a prospecção e exploração de petróleo em águas profundas no mar, por envolver afretamento de plataforma de custos elevadíssimos, equipadas com tecnologia específica para a tal exploração e que prepondera significativamente sobre o valor do serviço, tanto que o próprio legislador considerou as proporções percentuais razoáveis. Desse modo, se o próprio legislador trata da execução simultânea do contrato de afretamento de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural por pessoas jurídicas vinculadas entre si, inclusive estabelecendo o limite da parcela relativa ao afretamento, que poderá chegar a 95% (§ 8º, do art. 1º da Lei nº 9.481/97), verificase que a presunção configurada na acusação fiscal ressai totalmente insubsistente. A uma, porque não se pode motivar o lançamento por presunção não estabelecida em lei; a duas, porque não há ilegitimidade na contratação de afretamento na forma como pactuada; a três, porque dentro do conjunto dos contratos, independente se foi feito de forma conjunta ou separada, deveria o fiscal ter excluído da base de incidência o que efetivamente não configura a prestação de serviços. Não há motivação razoável para a interpretação a que chegou a fiscalização. Nesse diapasão, a Coordenação Geral de Tributação (COSIT) publicou a Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, antes mesmo das alterações introduzidas na Lei nº 9.481/97, pela Lei nº 13.043/2014, em que respalda o procedimento adotado pela Recorrente no que tange a liberdade das empresas na forma Fl. 47919DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.920 32 de montar os seus negócios e de contratação, em especial para a exploração de petróleo. 61. Apesar de restar claro, a meu ver, que a utilização do regime aduaneiro Repetro para fins de suspensão dos tributos incidentes na admissão temporária das plataformas de exploração de petróleo pressupõe que a contratação destas esteja prevista em contrato distinto daquele referente à prestação de serviços, devese ter em conta que a artificialidade da "bipartição" ainda assim poderia realmente ocorrer, mas, neste caso, teria o AuditorFiscal que demonstrar que não ocorreu o afretamento, ou que a empresa estrangeira não existia, ou demonstrar a falta de capacidade operacional de alguma das empresas contratadas, ou divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado, ou que havia manipulação dos contratos com a finalidade de distribuir custos e receitas de forma a diminuir, fraudulentamente, a incidência dos tributos. 62. Apesar do TVF conter uma extensa análise das cláusulas contratuais, não vislumbro a identificação de qualquer destas situações, ou de outras que pudessem comprovar a artificialidade alegada. Vejamos, a seguir, os fatos que foram destacados pela Autoridade Fiscal, a partir das cláusulas contratuais, como indícios da simulação. 63. Em relação ao fato de que as empresas contratadas pela Petrobrás pertencem a um mesmo grupo econômico, tal situação deve ser levado em conta apenas para uma análise mais cuidadosa dessa operação mas, por si só, isoladamente, não tem o condão de indicar uma simulação nessas contratações. Devese levar em conta que o § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008 deixa claro que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também pode ser parte no contrato de afretamento, ou seja, a concessionária da exploração de petróleo possa celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos: um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. 64. Se tal combinação é admitida expressamente na própria legislação, não se pode imaginar que o fato das empresas contratantes pertencerem a um mesmo grupo econômico seja impeditivo para a separação dos contratos, já que poderia até mesmo haver apenas uma empresa sendo parte em ambos os contratos. 65. Ademais, a Lei nº 13.043, de 2014, ao alterar a Lei nº 9.481/97, para tratar da execução simultânea dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, admitiu expressamente a possibilidade de que estes contratos sejam celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si. Os limites percentuais lá estabelecidos, inclusive, só são aplicáveis justamente quando existir tal vinculação. 66. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3301004.592 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Mas, o mais importante aqui é observar que uma das combinações possíveis que se pode extrair da nova redação dada ao § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, é a hipótese em que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também é parte no contrato de afretamento. Ou seja, podese afirmar que a Receita Federal, com amparo direto no Regulamento Aduaneiro, continuou admitindo que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma Fl. 47920DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.921 33 pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Por fim, há que se registrar que a IN RFB nº 844, de 2008, foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.415, de 4 de dezembro de 2013, atualmente em vigor. Com base na análise acima empreendida, podese concluir que a Receita Federal, mesmo antes de 2011, já admitia a possibilidade de a concessionária da exploração de petróleo celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. E se é autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não haveria razão para se opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. 67. Quanto a estas empresas, pertencentes ou não ao mesmo grupo econômico, assumirem direitos e obrigações recíprocos, entendo que tal situação se mostra perfeitamente compatível com um modelo de contratação no qual os contratos, por exigência legal, devem possuir execução simultânea. Afinal, o inadimplemento de uma poderá acarretar a inviabilidade material de cumprimento contratual pela outra. Sem os serviços, de nada serve a plataforma; sem a plataforma, não há como ser executado o serviço. 68. Aliás, esta é uma característica geral dos contratos: estabelecer direitos e obrigações recíprocos; entendo que andou mal o Fisco ao não detalhar quais seriam estes direitos e obrigações recíprocos que tornariam artificial a bipartição contratual efetivada. 69. Quanto à responsabilidade solidária, também me parece uma consequencia natural da interdependência e complementariedade existente entre os contratos e o tipo de atividades. Tanto o afretador quanto o prestador de serviços estão sujeitos à ocorrência de acidentes de trabalho que possa vitimar um funcionário de alguma das contratadas; ou de algum acidente ambiental. Em tais casos, pode ser muito difícil identificar o responsável, ou mesmo ambos podem ser responsáveis. Pode decorrer de uma falha da plataforma ou de sua má utilização pelos prestadores de serviço. 70. Pelas mesmas razões, nada vejo de irregular no fato dos contratos de afretamento declararemse vinculados a contratos de prestação de serviços, e que ambos sejam assinados na mesma data, visto que a legislação determina exatamente isso: os contratos devem estar vinculados e ter sua execução simultânea, conforme IN RFB nº 844/2008, art. 5º § 3º, c/c art. 17, § 9º, inciso I. Daí porque as prorrogações de prazo do afretamento, por meio de aditivos, são espelhadas por iguais prorrogações do contrato de serviços, por meio de aditivos assinados nas mesmas datas. Fl. 47921DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.922 34 71. Na mesma linha, o fato de alguns contratos de afretamento estipularem que a medição do afretamento se dará por meio de Boletins de Medição assinados por ambas as partes, à semelhança do que ocorre com os contratos de serviços, também não indica uma simulação contratual ou um abuso de formas. É natural que o período de medição do afretamento seja o mesmo adotado para a medição dos serviços: do primeiro ao último dia do mês de competência. 72. As plataformas possuem uma capacidade operacional, a qual vai influenciar no preço do contrato. Logicamente, existem plataformas com diferentes níveis tecnológicos e capacidade de produção. Da mesma forma, existem prestadores de serviço mais eficientes que outros, com maior expertise e que conseguem, com uma mesma plataforma, alcançar diferentes níveis de produtividade. 73. Me parece natural uma operação de exploração de petróleo em que o afretante deseje estipular o pagamento dos contratos com base na produção, ou seja, no desempenho da plataforma e da equipe contratada para operála. Logo, entendo que estipular o pagamento de ambos os contratos com base em Boletins de Medição seja, inclusive, a forma mais eficaz de garantir o retorno do contratante pelo valor desembolsado para a empreitada global. 74. Sobre a rescisão do contrato de serviços ser base para a rescisão do contrato de afretamento, tratase de consequencia natural da vinculação entre os contratos e a necessidade de sua execução simultânea, tendo em vista que a prestação de serviços não pode se dar sem a plataforma fretada, ao mesmo tempo que a plataforma de nada serve sem a prestação do serviço de perfuração. 75. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3301004.592 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Em sua extensa e bastante didática defesa, a Contribuinte esclareceu a natureza diversa e o objeto próprio de cada um dos contratos – de afretamento e de prestação de serviços de operação e manutenção (O&M) –, que justificam a celebração de contratos coligados (e não um único contrato de prestação de serviços abrangendo a disponibilização da unidade flutuante). Depois, demonstrou que há razões para que a contratação seja realizada com empresas vinculadas entre si, e também que é natural que haja cláusulas contratuais recíprocas entre contratos coligados. 76. Pelo mesmo fato das empresas pertencerem a um mesmo grupo e de terem, assim, vantagens pela sinergia existente; e por conta da exigência imposta pela legislação de execução simultânea dos contratos, também entendo perfeitamente normal que as empresas fretadoras figurem como coseguradas em seguros de responsabilidade civil firmados pelas prestadoras de serviços e, da mesma forma, que estas, nos contratos de afretamento, assinem, como solidariamente responsáveis com as Contratadas (Fretadoras). O AuditorFiscal não se aprofundou sobre o porquê deste fato implicar uma simulação ou artificialidade das contratações. 77. No tocante às cláusulas dos contratos de afretamento dizerem que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e Fl. 47922DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.923 35 comando exclusivo das Fretadoras ou seus prepostos, também não vejo qualquer irregularidade, pois tais operações não se confundem com a prestação dos serviços de perfuração, objeto do segundo contrato. Além disso, estão expressamente previstas na definição de afretamento por tempo, contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado, diferenciandose do afretamento a casco nú, contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação, conforme art. 2º, incisos I e II, da Lei nº 9.432, de1997: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens; 78. Em relação aos contratos de afretamento trazerem a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos supostamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Perfuração, Sondador, Assistente de Sondador, etc, também não identifico elementos para comprovar que os valores pagos a título de afretamento se referem, na verdade, a prestação de serviços, apesar de, aparentemente, haver uma irregularidade nesta cláusula. 79. Esta constatação feita pelo AuditorFiscal poderia indicar a utilização dos contratos para manipular a distribuição de custos e receitas de forma a diminuir de forma fraudulenta a incidência de tributos. No entanto, pela descrição do fato, o que ocorreu foi uma alocação de custos na empresa Fretadora estrangeira, que seria a beneficiária do Repetro com a suspensão e posterior dispensa do pagamento dos tributos. 80. O usual, neste tipo de prática de sonegação fiscal, é justamente o contrário; alocar custos na empresa nacional, para diminuir seu lucro e consequentemente o IRPJ e a CSLL a pagar; e deslocar receitas pra empresa beneficiada pelo regime, para diminuir a incidência de tributos sobre o lucro e também sobre o faturamento. 81. O entendimento poderia ser, talvez, de que a assunção de custos pela Fretadora indicaria que, por consequencia, receitas da prestação de serviços também estariam sendo deslocadas para a Fretadora. Ou de que a existência destes custos no contrato de afretamento indicaria que esta seria uma única operação prestação de serviços, e não um afretamento autônomo. Não me parece que esse ponto tenha sido suficientemente esclarecido pelo autuante. 82. De qualquer sorte, o AuditorFiscal não se aprofundou em sua análise. Seria necessário avaliar qual o valor dos custos com o fornecimento desse pessoal em relação Fl. 47923DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.924 36 aos custos totais do contrato e também da empresa prestadora de serviços, para identificar a sua relevância. Além disso, como o contrato é de "afretamento por tempo", o Fretador está obrigado contratualmente a fornecer a tripulação para operar a plataforma, digase de passagem, uma "plataforma de exploração de petróleo". 83. Logo, seria necessário também indicar quais as atividades deste pessoal, pois apesar da denominação dos cargos levar a crer que estariam relacionadas com o objeto do segundo contrato, de prestação de serviços, há a possibilidade de que estivessem envolvidos em atividades próprias de uma tripulação de plataforma de petróleo. Tal exame precisaria ser feito à luz dos objetos dos contratos, verificando qual a delimitação de cada um deles. 84. A Autoridade Fiscal afirma também que a maior parte do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços. Que as contratadas dividiam as receitas e os custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante. No entanto, limitase a uma afirmação isolada, em um único parágrafo do TVF, sem informar qual seria esta proporção, muito menos apresentando qualquer informação adicional que pudesse indicar a existência de uma manipulação de receitas entre os contratos. 85. A DRJRJO, porém, utilizandose de argumentos de outras autuações fiscais, que não esta, entendeu equivocadamente que havia sido determinado a proporção entre as receitas dos contratos, como se depreende do seguinte excerto: Dos Contratos Coligados e os Arts. 109 e 110 do CTN A autoridade fiscal afirmou que a impugnante havia contratado serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços de petróleo e outros serviços ligados ao setor. Tal contratação, entretanto, teria sido “artificialmente bipartida em dois (sic) contratos”: um de afretamento e outro de serviços; que os contratos de afretamento envolvem grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos firmados, enquanto os contratos com as empresas sediadas no Brasil prevêem pagamentos da ordem de 10%; que as contratadas – a estrangeira e a brasileira pertencem a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do knowhow da prestação de serviços de pesquisas e exploração de petróleo/gás. Desta forma, desempenharam de forma conjunta e solidária, atividades formalmente contratadas de forma segregada, mas que tinham um único objetivo, prestação de serviços necessários para a autuada. Considerando a realidade fática apontada, a Fiscalização concluiu que se tratava de um único contrato de prestação de serviços, não podendo atribuir os pagamentos, feitos à empresa estrangeira, a simples afretamento. Afirma que o serviço prestado absorve o afretamento, já que o primeiro é a atividade fim e o segundo é atividademeio. 86. Ora, a afirmação de que a proporção dos pagamentos foi de 90% para o contrato de afretamento e 10% para o de serviços, bem como a tese de que o serviço prestado absorve o afretamento, constam, no Termo de Verificação Fiscal, no tópico "3. Da Legislação Fl. 47924DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.925 37 Pertinente à Alíquota Zero de IRRF no Afretamento de Embarcações Procedimentos Fiscais Anteriores Jurisprudência Administrativa", e se referem a outras ações fiscais. No presente processo, entretanto, a Autoridade Tributária não lança mão da tese da atividade meio; e aborda a questão da proporção dos pagamentos de forma bastante superficial. 87. De qualquer sorte, mesmo que esta fosse a proporção da divisão de receitas entre os contratos no presente caso, ainda assim entendo que não haveria qualquer abusividade a ensejar a qualificação de artificial para o arranjo contratual realizado pelo Recorrente, ou a demonstrar, isoladamente, a existência de uma simulação. Isso porque tal divisão se mostra perfeitamente compatível com o custo dos contratos. 88. Plataformas de exploração de petróleo envolvem altíssima tecnologia e seu custo é muito elevado. Para se ter uma idéia, a plataforma P57, construída no Brasil, custou, segundo reportagem do jornal O Globo, acessado pela internet através do link https://oglobo.globo.com/economia/construcaodeplataformanobrasiljatemcustomenor quenoexterior2942610, cerca de US$ 1,2 bilhão de dólares. Os contratos de prestação de serviços envolvem, em geral, apenas custo de mãodeobra relacionado diretamente à exploração de petróleo e equipamentos de menor valor, como computadores, laboratório, etc. Os contratos de afretamento da Petrobrás são "por tempo", logo ainda envolvem a tripulação que deixará a plataforma "armada", bem como toda a parte de manutenção desta, incluindo pessoal especializado e materiais de reparo e manutenção. Logo, tratase de situação peculiar, na qual entendo razoável a desproporção entre as remunerações dos contratos. 89. Deve ser destacado também que a própria legislação estabeleceu parâmetros de avaliação do que seria uma proporção razoável entre esses contratos, conforme se depreende do art. 1º da Lei nº 9.481/97, com redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) § 2º Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) Fl. 47925DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.926 38 I 85% (oitenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) II 80% (oitenta por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) III 65% (sessenta e cinco por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (...) § 6º A parcela do contrato de afretamento ou aluguel de embarcação marítima que exceder os limites estabelecidos nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), exceto nos casos em que a remessa seja destinada a país ou dependência com tributação favorecida ou em que o fretador, arrendante ou locador de embarcação marítima seja beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, hipóteses em que a totalidade da remessa estará sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) § 7º Para efeitos do disposto nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo, a pessoa jurídica fretadora, arrendadora ou locadora de embarcação marítima sediada no exterior será considerada vinculada à pessoa jurídica prestadora do serviço, quando: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (...) § 8º Ato do Ministro de Estado da Fazenda poderá elevar em até dez pontos percentuais os limites de que tratam os §§ 2º, 9º e 11 deste artigo, com base em estudos econômicos. § 9º A partir de 1º de janeiro de 2018, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte, na hipótese prevista no § 2º deste artigo, fica limitada aos seguintes percentuais: (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) I 70% (setenta por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) II 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) III 50% (cinquenta por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) 90. Os percentuais fixados nesta legislação foram obtidos a partir de médias internacionais na prática desta formatação contratual, como indicado na Exposição de Fl. 47926DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.927 39 Motivos nº 00100/2017 MF, da MP nº 795/2017, posteriormente convertida na Lei nº 13.586, de 2017: 2. A Medida Provisória tem por objetivo aprimorar a legislação tributária aplicada às empresas do setor de petróleo estabelecendo regras claras de tributação, dando segurança jurídica às empresas e à Administração Tributária e incentivando os investimentos na indústria petrolífera no Brasil. (...) 4. O art. 2º deste Projeto altera os §§ 2º a 8º e acrescenta os §§ 9º a 12 ao art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, que tratam da incidência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF nas remessas ao exterior a título de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas. 4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor. 4.2. Entretanto, os percentuais atualmente estabelecidos apresentam um desequilíbrio econômico e não estão compatíveis com os percentuais adotados por outros países. Nesse sentido, o § 9º ajusta os percentuais a fim de manter a segurança jurídica. 4.3. As alterações promovidas nos §§ 2º a 6º e no § 8º têm como objetivo adequar a redação às alterações mencionadas anteriormente e esclarecer acerca da incidência de IRRF à alíquota de vinte e cinco por cento sobre a totalidade da remessa destinada a país com tributação favorecida ou a beneficiário de regime fiscal privilegiado. 4.4. A alteração promovida no § 7º tem como objetivo ajustar a definição de empresa vinculada a pessoa jurídica prestadora do serviço. O conceito anterior não alcançava situações importantes de vinculação, tal como a hipótese de controle societário ou administrativo comum. 4.5. O § 11 estabelece o percentual máximo atribuído ao contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito para fins de aplicação da redução a zero de IRRF prevista no inciso I do caput, visando a evitar o abuso na utilização do referido benefício e a transferência de lucros para o exterior. Fl. 47927DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.928 40 4.6. Por fim, o § 12 traz norma que esclarece que os percentuais definidos nos §§ 2º e 9º não se aplicam à apuração da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE de que trata a Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEP Importação e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, permanecendo válidas, para efeitos de apuração desses tributos, a natureza e as condições do contrato de afretamento ou aluguel. 5. O art. 3º deste Projeto possibilita que, para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, as empresas possam adotar os percentuais máximos previstos no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, mediante recolhimento em janeiro de 2018 da diferença de IRRF, acrescida de juros de mora, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, condicionada à desistência expressa e irrevogável das ações administrativas e judiciais. Isso porque, antes do estabelecimento dos percentuais expressamente em lei, havia grande divergência de entendimento entre o Fisco e os contribuintes, o que gerava litígios administrativos e judiciais. (...) 7. O art. 5º institui regime especial de importação com suspensão do pagamento dos tributos federais em relação a bens cuja permanência no País seja definitiva e que estejam destinados às atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos. Tal regime desonera estas atividades do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação. 8. O art. 6º desonera os tributos federais na importação e na aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para serem utilizados integralmente no processo produtivo de produto final destinado às atividades de trata o caput do art. 5º. De igual sorte, os fabricantesintermediários que industrializem produtos a serem diretamente fornecidos as empresas de que trata o art. 6º poderão importar ou adquirir bens no mercado interno com desoneração dos tributos federais. 91. Como se depreende da leitura da EM, os percentuais foram estabelecidos de forma a refletir o que é praticado internacionalmente, em média. Inicialmente, para plataformas de petróleo (inciso I, embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga), foi estabelecido que o percentual do afretamento, sobre o valor global dos dois contratos, poderia alcançar até 95%, sendo 85% de imediato e mais 10% mediante Ato do Ministro de Estado da Fazenda. Mesmo com a redução destes percentuais a partir de 01/01/2018, ainda poderia ser estabelecida uma proporção com até 80% do valor total Fl. 47928DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.929 41 dos contratos unicamente para o contrato de afretamento, o que não é tão distante dos percentual de 90% calculado em fiscalizações anteriores. 92. Isso significa que este argumento da Fiscalização não pode servir de base para indicar uma "artificialidade da bipartição contratual". A proporção indicada nos procedimentos fiscais anteriores não tem nada de absurdo, ou de flagrantemente simulado, com o objetivo de repartir as receitas entre os contratos de forma a fraudar o Fisco. Com efeito, verificase que os custos das operações justifica a desproporção entre os contratos, nada havendo de ilegal ou simulado, não tendo a Fiscalização logrado êxito em provar o contrário. 93. Vejase que em outros procedimentos fiscais o Fisco conseguiu demonstrar que a empresa que executava os serviços operava com prejuízos, enquanto a fretadora tinha alta lucratividade; porém, em seguida, a fretadora estrangeira repassava valores para o prestador dos serviços, a título de "ressarcimentos de despesas", fato que denotava alta probabilidade de triangulação de contratos com objetivo de simulação. Naqueles casos, este CARF acordou pela manutenção da autuação. 94. Em resumo, o meu entendimento é que, para demonstrar que houve uma simulação, um conluio entre os contratantes, ou um planejamento tributário abusivo, de forma a tornar "artificial" a bipartição contratual, teria o AuditorFiscal que demonstrar que parte do valor global da empreitada, que deveria corresponder a pagamento pela prestação de serviços, foi pago através do contrato de afretamento, com o objetivo de evitar fraudulentamente a incidência de tributos. 95. Poderia valerse de laudo técnico sobre quantidade de pessoal necessário para a empreitada, tendo em vista que a prestação de serviços tem como custo, basicamente, despesas com mão de obra. Teria ainda a opção de realizar essa apuração indo pessoalmente à plataforma (em operação em alto mar) e verificar in loco as operações e os funcionários responsáveis por cada tarefa, acompanhado de profissionais de ambos os contratantes. 96. Entretanto, em todo o TVF, não se verifica a existência de provas deste deslocamento de receitas entre os contratos, muito menos da sua quantificação. Apesar de listar uma grande quantidade de cláusulas sob suspeição, o objetivo da Autoridade Fiscal é, nitidamente, tentar comprovar sua tese de que o contrato de serviços absorve o de afretamento, que não existiria de forma autônoma. Nenhuma destas cláusulas se presta a demonstrar que valores do contrato de serviços estaria sendo pago através do contrato de afretamento. 97. Apesar de mencionar, de forma superficial, que a receita entre os contratos seria repartida da forma como desejassem as empresas, com o objetivo de diminuir a incidência de tributos, não se aprofundou na tentativa de sua comprovação, muito menos de sua quantificação. 98. Tendo o nome de funcionários e suas atividades desenvolvidas, e os salários respectivos (principal custo, que é mão de obra), acrescidos de demais verbas incidentes sobre a folha de salários, poderia levantar os demais custos (administrativos, seguros, equipamentos) e, acrescentando a margem de lucro, apurar um valor razoável para a prestação de serviços e comparálo com o valor fixado no contato. 99. Assim, haveria uma base de comparação com o valor estipulado em contrato e, caso fosse apurado que este valor havia sido subfaturado, a diferença poderia ser Fl. 47929DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.930 42 lançada através de Auto de Infração. Neste ponto, inclusive, reside mais um equívoco grave da autuação. 100. Com efeito, mesmo que superada a questão da legalidade da bipartição contratual, bem como a questão da carência de provas sobre a artificialidade ou o planejamento tributário abusivo, ainda assim o Auto de Infração não poderia prosperar, pois a Autoridade Fiscal, ao realizar o lançamento, decidiu por incluir todo o valor do afretamento na base de cálculo, como se este não tivesse sequer existido. 101. Na verdade, tal decisão mostrase coerente com a linha de autuação, segundo a qual não há afretamento autônomo, sendo a bipartição contratual uma artificialidade e, portanto, todo o valor da empreitada seria, unicamente, prestação de serviços. O afretamento seria apenas uma atividade meio, um custo necessário para a execução do serviço. Por esse raciocínio deveria existir apenas um contrato, o que justificaria o lançamento ter por base de cálculo todo o valor do projeto. 102. Obviamente tal tese não deve prevalecer, pois já demonstrada a legalidade da arquitetura contratual adotada. Além do mais, usar todo o valor do afretamento como base de cálculo para o lançamento significa concluir que o incentivo do Repetro não poderia ser utilizado pelo recorrente, sem qualquer base jurídica. O incentivo existe, o recorrente a se habilitou a utilizálo conforme as regras da Receita Federal, e se algum abuso de formas existiu, deveria ter sido devidamente quantificado, e não simplesmente adotar a solução mais fácil, qual seja, autuar todo o valor. 103. Por fim, há uma última questão a ser enfrentada. Caso reste superada a questão da legalidade da bipartição contratual, bem como a questão da carência de provas sobre a artificialidade ou o planejamento tributário abusivo, e se entenda que a base de cálculo do lançamento deve incluir todo o valor referente ao afretamento, e não apenas o valor do serviço que fora subfaturado, ainda assim o Auto de Infração não poderia prosperar. Explico. 104. Como bem destacado no item "3.1.1 Da existência de bis in idem", no Recurso Voluntário, a questão final que deve ser analisada trata do correto enquadramento legal do fato pela Autoridade Tributária. Afinal, se esta entende que a repartição em dois contratos era simulada, sendo inexistente o contrato de afretamento, pois seria parte integrante do contrato de prestação de serviços, não há que se falar em cobrança de PIS e COFINS Importação do Recorrente. 105. Com efeito, estes dois tributos incidem sobre a importação de bens. Mas no contexto apresentado pela Autoridade Fiscal, o que existe, em verdade, é o contrato da Petrobrás com a empresa nacional prestadora dos serviços, a qual, por sua vez, teria como parte integrante deste contrato a importação da plataforma que se pretendia simular como uma contratação apartada. 106. A importação da plataforma pela Petrobrás seria artificial, sendo que a verdadeira operação, que se pretendia encobrir, seria a importação realizada pela empresa nacional prestadora dos serviços de exploração e produção de petróleo. Assim, a Petrobrás estaria pagando por uma importação que deveria ser realizada pela prestadora dos serviços. 107. Nesse caso, entretanto, a cobrança deveria ser referente à retenção de PIS e COFINS na fonte, em relação a um pagamento que deveria estar inserido no contrato com a empresa nacional. Quem poderia ser autuada em relação ao PIS e COFINS Importação Fl. 47930DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.931 43 seria o real importador, no caso, a empresa nacional contratada para prestar os serviços, e não a Petrobrás. Nesse contexto, haveria uma ilegitimidade passiva na autuação da Petrobrás, pois esta não deveria figurar no pólo passivo destes tributos sobre a importação. 108. Ao mesmo tempo, descaracterizar a bipartição contratual para afirmar que havia apenas um único contrato não poderia ser causa para esta autuação, mesmo que fosse efetivada contra a empresa nacional prestadora dos serviços. Isso porque esta também poderia estar habilitada ao Repetro, conforme estabelece o art. 461A, § 1º, inciso II, e § 2º, do Decreto 6759/2009 (Regulamento Aduaneiro): Art. 461A. O REPETRO será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 1º Poderá ser habilitada ao REPETRO a pessoa jurídica: (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 458; IA detentora de cessão, nos termos da Lei nº 12.276, de 2010; IB contratada sob o regime de partilha de produção, nos termos da Lei nº 12.351, de 2010; e II contratada pela pessoa jurídica referida nos incisos I, IA ou IB, em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, ou por suas subcontratadas. § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao REPETRO para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). 109. Logo, não haveria qualquer sentido em simular uma bipartição da operação, um vez que a empresa nacional contratada também poderia realizar a importação sob o regime do REPETRO. Tal artifício fraudulento só faria sentido caso se pretendesse desviar receitas do contrato de prestação de serviços, no qual há tributação, para o contrato de afretamento, no qual os tributos estão dispensados. Entretanto, tal fato não foi sequer alegado pela Fiscalização, muito menos comprovado. 110. Além disso, o lançamento que poderia ser feito contra o recorrente seria de PIS/Cofins retido na fonte, e não de PIS/Cofins Importação, já que a importação realizada pela Petrobrás teria sido simulada, na tese da fiscalização. Tendo em vista que essa importação estaria inserida no contrato de serviços, o qual "absorveria" também o valor do afretamento, logicamente o valor a ser cobrado da Petrobrás seria, como já dito, referente ao PIS/Cofins retido na fonte incidente sobre a prestação de serviços. Fl. 47931DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.932 44 111. Por fim, vale destacar que, em recente julgamento, datado de 23/10/2018, relativo ao processo n° 004018575.2015.4.01.3400, o juízo da 14ª Vara da Justiça Federal de Brasília proferiu decisão favorável ao Recorrente em caso praticamente idêntico, apesar de tratar da CIDE, nos seguintes termos: Na espécie, a discussão envolve prática muito comum na estrutura contratual adotada por empresas do setor de petróleo e de gás, na qual há a celebração de duas avenças distintas pela petroleira nacional, quais sejam: uma de afretamento, com a empresa proprietária do bem e domiciliada no exterior; outra de prestação de serviços para operação do objeto afretado, firmado com empresa brasileira prestadora de serviços, mormente integrante do mesmo grupo econômico da sociedade estrangeira proprietária do bem. O ponto fulcral da presente demanda é saber se o valor pago a título de afretamento seria, em verdade, remuneração simulada de prestação de serviços, o que justificaria a incidência da CIDE na forma assim sustentada pela União: (...) A Petrobrás aduz que a fiscalização considerou erroneamente que o afretamento é parte integrante e inseparável dos serviços prestados. A RFB entendeu, ainda, que plataformas não são embarcações. (...) Entrementes, quanto à alegação da bipartição artificial de contratos, sobreleva sinalar que o próprio CARF, recentemente, nos autos do processo administrativo n. 16682.721161/201291, em sessão realizada no dia 05/12/2017, por unanimidade, reconheceu a possibilidade de execução simultânea de contratos, aduzindo que a Lei n. 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei n. 13.043/2014, trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico. Como a análise fiscal era pertinente a fatos geradores do IRRF, atinente ao anocalendário de 2008, é notório que a própria Administração Fazendária, por meio de seu órgão julgador e colegiado, tenha admitido que tal norma apenas reconheceu uma situação de fato em benefício do contribuinte. Ainda nesta assentada, fixou o entendimento de que “as plataformas (fixas e flutuantes) devem ser consideradas como embarcações”. (...) Com efeito, a Lei n. 13.043/2014, acrescentando parágrafos ao artigo 1º da Lei n. 9.481/1997, assim estabeleceu: (...) Fl. 47932DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.933 45 Ao assim dispor, a legislação prevê a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e prestação de serviços, com pessoas jurídicas vinculadas entre si, estabelecendo, para fins de alíquota do imposto de renda na fonte, os percentuais máximos da parcela relativa ao afretamento ou aluguel. A título elucidativo, ressalto que a recente alteração dos supracitados incisos pela Lei n. 13.586/2017 colocou uma pá de cal sobre a discussão quanto à possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e prestação de serviços, o que veio a ser corroborado pela Instrução Normativa n. 1.778, de 19/12/20173, por meio da qual a Receita Federal do Brasil esclarece os procedimentos a serem adotados pelos contribuintes nesses casos, especialmente no que se refere à fruição da alíquota zero do IRRF em operações de afretamento e aluguel de embarcações para atividades de exploração e produção de petróleo e gás. Pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, quanto aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008, “na operação, atribuise valor bastante expressivo ao contrato de afretamento (90% da soma dos dois contratos), cujos pagamentos foram destinados ao exterior, sem retenção de serviços, e pago à contratada nacional, com retenção de imposto. Valor menor (10% do total) foi atribuído à prestação de serviços, e pago à contratada nacional com retenção de imposto” (fl. 65verso). A Solução de Consulta Cosit 225/2014, formulada quando da contratação da construção e afretamento de embarcações de última geração para utilização por pessoa jurídica domiciliada no exterior e seus parceiros na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, conclui que, “respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está enquadrado no inciso I do art. 1º da Lei n. 9.841/97, estando sujeito à alíquota zero do IRRF” (fls. 197/200). Posteriormente, a Solução de Consulta Cosit n. 12/2015, formulada por pessoa jurídica no exterior, concluiu que “o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de plataforma semissubmerssível está sujeito à alíquota zero do IRRF. A parcela relativa ao contrato de afretamento estará limitada a 80% do valor global do contrato, quando houver execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si (fl. 202). Sendo assim, em que pese a legislação citada (Lei nº 13.043/2014) ser posterior aos fatos geradores e versar sobre tributo diverso (IR) daquele discutido nos autos (CIDE), ela é, não se pode negar, o reconhecimento expresso pela lei da autonomia do contrato de afretamento diante do contrato de Fl. 47933DF CARF MF Processo nº 16682.722899/201607 Acórdão n.º 3401005.807 S3C4T1 Fl. 47.934 46 prestação de serviço, o que, por conseguinte, demonstra o excesso na lavratura do Auto de Infração em espeque, que tomou por base o valor total dos contratos, sem indicação da quantia considerada abusiva no contrato de afretamento. Esclareço que não se trata de retroatividade de norma interpretativa, mas apenas de paradigma legislativo que reconhece uma situação fática há tempos existente como prática comercial. Nem o contribuinte está certo em superfaturar o contrato de afretamento nem a RFB está com a razão em considerar o valor total dos contratos, como negócio jurídico único, para o fim de proceder ao lançamento e, nessa esteira, fixar multa pela suposta sonegação. Aliás, o Auto é, inclusive, contrário ao novel entendimento do próprio CARF na análise da existência do contrato de afretamento em conjunto com o de prestação de serviços no setor petroleiro, realidade legislativa inconteste, conforme já explicitado. (...) Por essas razões, ante o excesso verificado, a anulação do auto de infração é medida que se impõe. Pelo exposto, confirmo a decisão que antecipou os efeitos da tutela e acolho o pedido autoral para anular o Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n. 16682.721162/201235, cancelando qualquer cobrança a ele pertinente, facultando à ré a lavratura de novo lançamento, nos termos do art. 148 do CTN, conforme explicitado na fundamentação (art. 487, I, do CPC). 112. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e dar integral provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 47934DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001264/2005-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 12 64 /2 00 5- 04 Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10855.001264/200504 Acórdão n.º 3301005.476 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) da contribuição (PIS/Cofins) e de homologação da compensação (DCOMP) até o limite do crédito reconhecido, conforme Informação Fiscal presente nos autos, informação essa que embasara a referida decisão de origem. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação do despacho decisório, em virtude de violação ao princípio da motivação e à garantia constitucional da ampla defesa, ou, subsidiariamente, a sua reforma, alegando violação ao princípio da verdade material. Segundo o então Manifestante, o ressarcimento das contribuições não estava limitado ao crédito apurado no mercado externo, tendo a própria Administração Pública identificado e confirmado expressamente a existência de saldo credor em valor total suficiente à homologação da compensação declarada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12072.913, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado pelo fato de que, em relação à receita auferida com operações no mercado interno, somente poderia ser compensado com outros tributos o saldo credor das contribuições acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões e, no mérito, (i) a equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo, (ii) o direito à compensação nos termos das Leis n° 11.116/05 e 9.430/96, (iii) violação ao princípio da hierarquia das leis e (iv) impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10855.001264/200504 Acórdão n.º 3301005.476 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.475, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10855.720785/201013, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.475): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar "Nulidade do acórdão recorrido, por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões" A recorrente alega que o Despacho decisório e a decisão recorrida seriam nulos, pois desprovidos das fundamentações fáticas e legais, o que feriria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 5° da CF) e o art. 2° da Lei n° 9.784/99. O Despacho Decisório (fls. 526 a 529) fundamentouse na Informação Fiscal (fls. 448 a 465) que traz relato detalhado do trabalho de auditoria fiscal, com os tipos de crédito e receitas tributáveis analisados e os correspondentes fundamentos legais. E ainda os Anexos I ao XXVIII com os demonstrativos de cálculo dos créditos admitidos e glosados e das receitas sujeitas à tributação. E a decisão recorrida (fls. 601 a 611) seguiu a mesma linha. Enfrentou a preliminar de nulidade, remetendose à devidamente fundamentada e motivada Informação Fiscal e, no mérito, afastou os argumentos, citando os dispositivos legais em que se baseou. Não há, portanto, nulidade alguma, pelo que afasto a preliminar. Mérito "Da equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo do direito à compensação posicionamento consolidado do E. STF" "Do direito à compensação nos termos da Lei n° 11.116/05 da violação ao princípio da hierarquia das leis" "Do direito à compensação, nos termos da Lei n° 9.430/96" A conclusão da auditoria fiscal (fl. 463) foi a de que, ao fim do 2° trimestre de 2005, o contribuinte tinha R$ 351.985,48 de saldo de créditos Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10855.001264/200504 Acórdão n.º 3301005.476 S3C3T1 Fl. 5 4 de COFINS "Mercado Interno" (a compensar com débitos da COFINS futuros) e R$ 313.715, 35 de saldo créditos de COFINS "Mercado Externo"(créditos passíveis de restituição ou ressarcimento), após a glosa de R$ 124.732,91. A glosa motivou a homologação parcial das compensações vinculadas. Nos tópicos em epígrafe, a recorrente discorre longamente sobre teses jurídicas, cujo objetivo é o de obter autorização para utilizar o saldo de créditos de COFINS "Mercado Interno" para liquidar os débitos que restaram em aberto em razão da glosa de créditos. Inicia, informando que importa e produz mercadorias cuja venda é tributada pelo PIS/COFINS sobre uma base de cálculo reduzida (§2° do art. 1° da Lei n° 10.485/02). Subentendese que teria acumulado créditos em razão do benefício da redução de base de cálculo com manutenção integral de créditos. Discorre longamente sobre a identidade entre os institutos da isenção e da redução de base de cálculo, o que teria restado assentado pelo STF, no RE n° 635.688/RS, com repercussão geral. E destaca que esta decisão vincula o CARF, por força regimento interno. Ao fim, consigna que mantém integralmente os créditos de COFINS sobre as compras, apesar de gozar de redução de base de cálculo nas vendas, com base no art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que os créditos acumulados em razão de isenção poderiam ser objetos de pedidos de ressarcimento, nos termos do inciso II do art. 16 da Lei n° 11.116/05. Neste ponto, vale reproduzir a ementa do RE 635.688/RS, de 16/10/14, os citados dispositivos legais e ainda o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96: RE 635.688/RS "Recurso Extraordinário. 2. Direito Tributário. ICMS. 3. Não cumulatividade. Interpretação do disposto art. 155, §2º, II, da Constituição Federal. Redução de base de cálculo. Isenção parcial. Anulação proporcional dos créditos relativos às operações anteriores, salvo determinação legal em contrário na legislação estadual. 4. Previsão em convênio (CONFAZ). Natureza autorizativa. Ausência de determinação legal estadual para manutenção integral dos créditos. Anulação proporcional do crédito relativo às operações anteriores. 5. Repercussão geral. 6.Recurso extraordinário não provido." Lei n° 11.033/04 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Lei n° 11.116/05 "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10855.001264/200504 Acórdão n.º 3301005.476 S3C3T1 Fl. 6 5 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Prossegue, alegando que não se pode interpretar como impedimento ao ressarcimento/compensação dos créditos COFINS "Mercado Interno" o previsto no art. 21 da IN SRF n° 600/05: a uma, porque o conceito de redução de base de cálculo se equipara ao de isenção; e, a duas, pois estaria violando o princípio da hierarquia das leis, pois confrontase com os citados art. 16 da Lei n° 11.116/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim dispõe o art. 21 da IN SRF n° 600/05, em vigor no período em análise: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (...)" Por fim, alega que o direito à compensação de créditos com débitos está previsto no inciso II do art. 156 do CTN modalidade de extinção do crédito tributário. Que reconheceu a existência de saldo credor de COFINS "Mercado Interno" o que já evidencia o direito a que faz menção o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10855.001264/200504 Acórdão n.º 3301005.476 S3C3T1 Fl. 7 6 Que a compensação é o restabelecimento do direito à propriedade disposto no inciso XXII do art. 5° da CF. Que a não aceitação da compensação e a correspondente exigência dos débitos que por meio dela haviam sido liquidados atentaria contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da CF e art. 2° da Lei n° 9.784/99. Não assiste razão à recorrente. De pronto consigno que o tema relacionado à possível inconstitucionalidade da vedação legal ao ressarcimento de créditos da COFINS "Mercado Aberto" não se discute no âmbito deste colegiado, por força da Súmula CARF n° 2. Assim, nego provimento às alegações correlatas. Prossigo a análise do recurso, citando o art. 170 do CTN, que dispõe que a compensação de créditos líquidos e certos será autorizada por lei. Em sua esteira, foram editados os artigos 74 da Lei n° 9.430/96, 16 da Lei n° 11.116/05 e 17 da Lei n° 11.033/03, que dispõem que somente créditos acumulados em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência podem ser objetos de ressarcimento e/ou compensação com qualquer tipo de débito tributário federal. Dentre as hipóteses, portanto, não se inclui o excedente de créditos motivados por vendas com redução de base de cálculo. E o então vigente art. 21 da IN SRF n° 600/05 tão somente reproduziu tal interpretação dos dispositivos legais e, assim, de forma alguma os afrontou. O argumento de defesa que merece destaque é o que equipara a redução de base de cálculo à isenção, com base em decisão do STF, com repercussão, à qual estaríamos vinculados, por força do art. 62 do RICARF. Interpreto o RE 635.688/RS no contexto em que se insere. Os institutos foram equiparados para os fins a que se prestava aquele julgamento, qual seja, determinação do estorno do ICMS das compras cujas saídas gozavam do benefício fiscal da redução de base de cálculo do ICMS, como forma de preservação do princípio constitucional da não cumulatividade que rege este tributo. Não entendo, portanto, que o STF tenha introduzido um novo entendimento a ser aplicado em todos as circunstâncias e para todos os fins legais. E, não custa lembrar que não se está aqui vedando o direito ao crédito ou à sua manutenção o acúmulo, ocasionado por redução da base de cálculo das vendas correspondentes não se encontra entre as hipóteses de estorno de crédito do §13 do art. 3° da Lei n° 10.833/03 porém tão somente cumprindo determinação prevista em lei ordinária, cuja competência lhe foi atribuída pelo art. 170 do CTN. Isto posto, nego provimento aos argumentos contidos nos tópicos do recurso voluntário em epígrafe. "Da impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora art. 100 do CTN" Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10855.001264/200504 Acórdão n.º 3301005.476 S3C3T1 Fl. 8 7 Protesta contra a cobrança de juros e multa de mora, que foram acrescidos aos débitos liquidados com créditos glosados. Não conheço dos argumentos contidos neste tópico, pois não integra esta lide a cobrança dos débitos que restaram em aberto em virtude da não homologação da compensação. Conclusão Conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, nego provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 644DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910600/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/06/2004
PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO-CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública - art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 3401-005.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITO REGIME NÃOCUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 06 00 /2 01 2- 97 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.910600/201297 Acórdão n.º 3401005.495 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o PER/DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório, por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que “... apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. E para comprovar o alegado, anexa planilha demonstrativa de cálculo que embasou o pedido. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não haver direito a crédito das contribuições (PIS e COFINS) nas operações de distribuição de combustíveis, na sistemática da nãocumulatividade. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, na qual sustenta, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida, sob o argumento de que esta se equivocou ao concluir que a recorrente atua, exclusivamente, no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, e que, por tal razão, não apreciou os verdadeiros motivos que geraram o crédito ora pleiteado. No mérito, defendeu a existência do direito creditório derivado da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Ao final, pugnou pela nulidade da decisão combatida e, subsidiariamente, pela reforma do acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.489, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.910586/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.489): Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.910600/201297 Acórdão n.º 3401005.495 S3C4T1 Fl. 4 3 "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Defende a recorrente que o acórdão ora se equivocou ao concluir que a recorrente atua exclusivamente no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, motivo pelo qual julgou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Conforme relatado, a recorrente em sua Manifestação de Inconformidade se limitou em alegar que “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. O acórdão recorrido foi claro ao afirmar que: Conforme manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte alega haver efetuado pagamento a maior de PIS e Cofins, dos períodos de janeiro a junho de 2004, por não utilizar os créditos permitidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (o art. 15 desta Lei estende a aplicação de dispositivos ao PIS/Pasep). Contudo, não determina e tampouco discrimina a que se referem os aludidos créditos, se decorrentes de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Tampouco a planilha apresentada menciona essa origem, discriminando apenas os valores dos aludidos créditos de cada período. [...] Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Diante do exposto não há razões para cassar o acórdão guerreado, uma vez que apreciou e fundamentou a improcedência da Manifestação de Inconformidade. Quanto ao argumento de que o acórdão recorrido concluiu que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes” Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.910600/201297 Acórdão n.º 3401005.495 S3C4T1 Fl. 5 4 e que a comercialização de tais produtos não é onerada pelas contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, motivo pelo qual não há razão para que a aquisição destes produtos gere crédito desta contribuição, não merece prosperar. Após apontar a carência probatória, o acórdão recorrido menciona que: De qualquer maneira, tendo em vista que o objeto social principal da contribuinte, segundo a Cláusula Terceira de seu Contrato Social, é o comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes, cabe lembrar a legislação de regência que determinou a forma de tributação incidente sobre essa atividade econômica. Deste modo, percebese que o acórdão recorrido em momento algum afirma que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes”, apenas complementa sua fundamentação no sentido de que o “objeto social principal da contribuinte” é a exploração destas atividades, e que estas não geram crédito. Ressaltase, que em momento algum a recorrente, na Manifestação de Inconformidade, informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Por tais razões, não merece amparo a preliminar arguida. No mérito, a recorrente sustenta a existência do aludido credito, o qual deriva da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Pois bem. Conforme relatado e também mencionado quando da análise da preliminar arguida, a recorrente simplesmente alegou possuir crédito de R$ 1.561,32, pois “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. Ademais, não informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade, assim como não anexa aos autos documentos capazes de demonstrar seu direito creditório. É de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.910600/201297 Acórdão n.º 3401005.495 S3C4T1 Fl. 6 5 confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Oportuno mencionar também que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.901403/2009-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de
janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.
Numero da decisão: 1103-000.743
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento
parcial ao recurso para afastar o fundamento da decisão recorrida que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRJ de origem para verificação do valor e da disponibilidade do crédito pleiteado.
Nome do relator: MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para afastar o fundamento da decisão recorrida que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRJ de origem para verificação do valor e da disponibilidade do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Processo nº 13609.901403/200917 Acórdão n.º 1103000.743 S1C1T3 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 34 por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.º 29873.07590.280906.1.7.041599 transmitido em 28/09/2006, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 5993 (estimativa mensal), no valor de R$ 34.864,32, efetuado em 27/02/2004. Consta do despacho decisório, que o pagamento efetuado a esse título foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 18.731,10 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho se deu em 02/04/2009 (fl. 35). Em 30/04/2009 foi postada a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 05. Nela constam os seguintes argumentos: • A empresa manifestante é contribuinte do imposto de renda, realizando sua apuração mensal por estimativa. • Sendo assim, a empresa realiza o recolhimento mensal do imposto de renda sobre a receita bruta e, findo o período de apuração do IRPJ, realiza a compensação dos valores pagos a maior com outros tributos federais. • Nesse sentido, a empresa recolheu no mês de janeiro de 2004 o valor de R$ 34.864,32, a título de imposto de renda por estimativa, sendo pago um DARF neste valor. • Posteriormente a empresa verificou que não era necessário recolher imposto de renda em janeiro, sendo, assim, restou um saldo creditório a ser compensado no importe de R$34.864,32. • No mês de julho de 2007, foi apurado IRPJ no valor de R$18.731,10, pago através do PER/DCOMP nº 29873.07590.280906.1.7.041599, tendo como origem de crédito o DARF (IRPJ) de valor R$34.864,32, sendo assim, restou o crédito de R$16.133,22. Processo nº 13609.901403/200917 Acórdão n.º 1103000.743 S1C1T3 Fl. 3 3 • Ato contínuo, o valor restante do pagamento indevido foi compensado com o débito no importe de R$13.547,60 para compensar parcialmente um débito de IRPJ de setembro de 2004, através da PER/DCOMP nº 05311.77598.300605.1.3.049543. • Conforme orientação da SAORT, a Receita Federal não reconheceu o crédito porque o DARF no valor de R$34.864,32 foi declarado na DCTF, ocorrendo a alocação do crédito pelo órgão federal. O Contribuinte, percebendo que o valor recolhido através dos DARF era indevido, deveria ter retificado a declaração para assim ocorrer o reconhecimento do crédito perante a Fazenda Nacional. • Diante disso, podemos ver que o crédito existe e o que ocorreu foi erro forma por parte do contribuinte não retificando a DCTF, impossibilitando assim, o reconhecimento do crédito pela Receita Federal. • No entanto, é direito do contribuinte compensar os valores pago indevidamente a título de tributos, uma vez que o pagamento foi indevido, conforme o artigo 165, do CTN. • Contudo a empresa manifestante recebeu despacho decisório não homologando a compensação em questão, exigindo o valor de R$34.864,32. • O art. 165, inciso II, do código Tributário Nacional, determina os casos em a Administração Fazendária está obrigada a restituir ou compensar os tributos indevidamente recolhidos. No caso em tela houve recolhimento, a maior, de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, conforme se depreende da simples análise da legislação pertinente e conforme comprovante de pagamento em anexo. • Nestes termos, o CTN coloca em seu art. 165, o direito a compensação ou restituição dos valores pagos indevidamente ao Estado. • Para corroborar seu entendimento de que a empresa tem direito ao imediato ressarcimento, transcreve ementas de decisões do Supremo Tribunal de Justiça. • Cita doutrina de Gabriel Lacerda Tróia sobre o direito do contribuinte ao ressarcimento de tributo indevido. Acrescenta que sendo o tributo indevido, é inegável o direito da autora de postular a compensação do débito por ela suportado. Sendo assim, diante do exposto, requer a empresa o reconhecimento do crédito a título de imposto de renda recolhido a maior e a homologação da compensação realizada, bem como se abster da cobrança da multa no valor de R$3.746,22 e juros no valor de R$11.774,36, bem como anular o lançamento realizado, tendo em vista que é evidente o pagamento indevido pela impugnante. A 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por meio do acórdão n.º :0233.539, decidiu (ementa) “COMPENSAÇÃO ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período Processo nº 13609.901403/200917 Acórdão n.º 1103000.743 S1C1T3 Fl. 4 4 de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL.” No recurso, o sujeito passivo apresenta basicamente as mesmas razões, adicionando, a inconstitucionalidade da multa (confiscatória), e, ainda, a indevida atualização do débito pela Selic. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Antes de ir ao mérito, insta introduzir um pequeno histórico a respeito do tema em questão, ou seja, a restituição e valores pagos a maior ou indevidamente a título de estimativa. Sem delongas, valores pagos antecipadamente, as estimativas, são antecipações dos tributos devidos em 31 e dezembro, e, assim, eles só serão indevidos ou maior do que devidos, após, a apuração destes tributos naquela data. O sujeito passivo pode, ainda, suspender seus pagamentos de antecipações (estimativas) se apurar no chamado balancete de suspensão, que já pagara (antecipara) valores o suficiente até aquela data. Da matéria tratada no parágrafo acima, não se tem dúvidas, o problema surge quando o sujeito passivo apura um valor baseado na sua receita bruta, e posteriormente, observa que cometera um erro na apuração ou no cálculo da receita bruta. Esta matéria, sim, há ou havia um controvérsia. As IN SRF nº 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, em seus arts. 10, vedavam a restituição ou compensação do valor pago a maior ou indevidamente a título de estimativa, verbis: “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” (grifouse) Processo nº 13609.901403/200917 Acórdão n.º 1103000.743 S1C1T3 Fl. 5 5 Posteriomente, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que passou a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, alterou o entendimento do pagamento indevido ou a maior de estimativa, pois, passou a tratar de indébito tributário, conforme se nota da redação de seu art. 11, que excluiu da restrição o texto relativo à estimativa: “Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Neste momento, surge um outro problema que é saber se a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, tem caráter interpretativo, e em sendo assim, retroage. Instada a resolver a questão, a Coordenação – Geral de Tributação (COSIT), por meio da Solução de Consulta Interna n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, portanto, recentemente, asseverou (ementa): “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.” Processo nº 13609.901403/200917 Acórdão n.º 1103000.743 S1C1T3 Fl. 6 6 Assim, de acordo com a COSIT, coordenação responsável pelo entendimento oficial da administração tributária federal, o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, teve caráter interpretativo, e assim, retroage. Dessa forma, não tem mais razão a polêmica a respeito de que se estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, são ou não são indébito tributário, pois, o entendimento da administração tributária externado pela COSIT foi contundente no sentido de que são indébito tributário. Voltando aos autos em questão, necessitase analisar o teor do acórdão recorrido, a saber: “Quanto ao mérito, mesmo que se confirme a diferença entre o valor do débito de estimativa de IRPJ e o respectivo recolhimento, tampouco que se retifique a DCTF ou a DIPJ, não se pode homologar a compensação pretendida na DCOMP objeto deste processo. O recolhimento apontado como a maior do que o devido têm código de receita 5993, ou seja, é de antecipação mensal por estimativa.” Assim, do acórdão transcrito, observo, que o voto não adentrou propriamente no mérito, pois, usara a condicional quando tratou do mérito. Isto se deu, não por falta de selo, mas porque o entendimento do i. relator, do voto atacado, era da não necessidade de resolver o mérito, devido ao seguinte entendimento, a saber: “Só é possível avaliar a existência de crédito passível de restituição ou compensação comparandose o valor do tributo apurado sobre o lucro real anual com as deduções admitidas na ficha 12 A da DIPJ, entre as quais estão as antecipações mensais pagas. Ao final do ano, apurase o IRPJ anual e dele é deduzido, entre outras parcelas, o valor do IRPJ mensal efetivamente pago. Se a soma dos valores pagos durante o ano acrescido das demais deduções superar o imposto calculado com base no lucro real anual, apurase saldo negativo de IRPJ a pagar. Só este saldo negativo é passível de restituição ou compensação.. De acordo com o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Idêntica disposição foi mantida no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Processo nº 13609.901403/200917 Acórdão n.º 1103000.743 S1C1T3 Fl. 7 7 O art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996, autoriza usar crédito passível de restituição para compensação de débitos próprios. Só o saldo negativo de IRPJ é passível de restituição ou compensação. O recolhimento de antecipação mensal não caracteriza pagamento indevido ou a maior, que dê direito à restituição. Portanto, no caso, não se tendo utilizado crédito passível de restituição, o art. 74 da Lei n.º 9.430 não se aplica.” Assim, como visto, o mérito não foi analisado pelo acórdão recorrido. Dessa forma, em consonância com a Coordenação – Geral de Tributação, afasto a argumentação do acórdão recorrido no sentido de que valores pagos a título de estimativas maiores do que o devido ou indevidos, não são indébitos tributários e devolvo os autos para a Douta 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, para que profira, um outro acórdão se manifestando sobre o mérito do litígio. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904953/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO.
Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99.
Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.016
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 49 53 /2 01 2- 43 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.904953/201243 Acórdão n.º 3402006.016 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre a declaração de compensação parcialmente homologada tendo em vista que o DARF apontado foi utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que, no despacho decisório, foi reconhecido crédito menor do que o valor do pagamento a maior no Darf mencionado. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 02050.653: Cientificada desta decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário tempestivo, alegando o direito à compensação, eis que possuiria crédito oponível à Receita Federal, sendolhe facultado compensar diretamente o suposto indébito, fazendo apenas a exigida "Declaração de Compensação", sem necessidade de qualquer recurso ao Judiciário. Requer a recorrente que as publicações e intimações do feito sejam lançadas em nome das patronas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.005, de 11 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10183.903448/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.005): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Indeferese o pedido da recorrente para intimação em nome das patronas, vez que inexiste previsão legal nesse sentido. No âmbito do processo administrativo fiscal, as regras sobre as intimações de atos processuais fiscal dizem respeito somente à ciência do próprio sujeito passivo no seu domicílio tributário. A matéria está pacificada nesse sentido neste CARF, conforme Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.904953/201243 Acórdão n.º 3402006.016 S3C4T2 Fl. 0 3 enunciado da Súmula CARF nº 110: "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Não se discute que a recorrente, como qualquer outro contribuinte, tem o direito de efetuar administrativamente a compensação de débitos próprios administrados pela Receita Federal mediante a entrega de declaração de compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mesmo porque ela pode efetivamente fazêlo, obtendo, inclusive, o deferimento parcial de seu pleito. Também não há controvérsia nos autos acerca do fato de que o DARF especificado como origem do crédito tratase de um efetivo pagamento indevido. O fato que levou à homologação parcial da compensação declarada foi que a requerente já havia utilizado parte do crédito apontado para a compensação de débitos declarados em outras PER/DCOMP's, como já havida observado o julgador a quo: O despacho contestado já reconhece o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é a insuficiência do pagamento a maior, considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores. Nos PER/DCOMP, há o campo intitulado "Crédito Original na Data da Transmissão". Conforme instruções de preenchimento do programa gerador do PER/DCOMP, o valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Quando nenhuma parcela do pagamento indevido ou a maior tiver sido restituída ou utilizada em compensação anterior, ou seja, no primeiro PER/DCOMP em que o crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo "Valor Original do Crédito Inicial". A cada novo PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser menor do que o do PER/DCOMP anterior. Portanto, na análise da compensação em litígio, não se pode desconsiderar as compensações anteriores que utilizam o mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas. (...) Em que pese a então manifestante não ter contestado a parte do despacho decisório que discriminou as parcelas do crédito original que haviam sido utilizadas em compensações anteriores, a Delegacia de Julgamento explicou em detalhes como se deu o consumo do crédito nas outras PER/DCOMP's especificadas. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10183.904953/201243 Acórdão n.º 3402006.016 S3C4T2 Fl. 0 4 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. No entanto, a recorrente se ateve apenas a argumentações genéricas, sem a apresentação de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, a qual deve, então, ser mantida. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902962/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir.
Numero da decisão: 3401-005.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira Ávila (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta na Resolução CARF nº 3401000.497, de 26/06/2012, que converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguardasse o julgamento do Processo nº 10830.014190/201011, que trata do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 29 62 /2 01 0- 66 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10830.902962/201066 Acórdão n.º 3401005.781 S3C4T1 Fl. 585 2 recolhimento do IPI a menor , cuja apuração se deu mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (saldo credor apurado conforme o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e IN SRF nº 33 de 1999), relativo ao 3º trimestre de 2006, no valor de R$ 19.635.865,48, o qual foi formulado mediante a entrega de PER/Dcomp em 26/10/2006, ao qual foram vinculadas declarações de compensação de débitos mediante a entrega de Dcomp em datas posteriores e em montante equivalente ao crédito postulado. A DRF em Campinas SP, todavia, acolhendo parecer emitido pelo seu Serviço de Fiscalização, reconheceu apenas de forma parcial o montante do crédito pleiteado, de sorte que não homologou todas as compensações declaradas. Na Informação Fiscal em que baseado o Despacho Decisório da DRF, observase que a glosa parcial decorreu da constatação de “falta de lançamento do IPI”, o que, por sua vez, teria se originado no “uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando esses produtos/modelos”.(sic) Esclarece ainda a autoridade fiscal na sua informação que esse IPI recolhido a menor fora objeto de lançamento de oficio por meio de auto de infração autuado em outro processo administrativo, qual seja, o de nº 10830.014190/201011, cuja apuração se dera mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI. Assim, o crédito reconhecido montou a R$ 16.890.620,47 e foi esse o limite utilizado para a homologação das compensações declaradas, de sorte que os débitos exsurgidos foram objeto de cartas de cobrança. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, preliminarmente, pediu a unificação do presente processo àquele em que autuado o mencionado lançamento de ofício do IPI, sob o argumento de que, ocorrendo o cancelamento do auto de infração, a reconstituição de seu saldo credor e que implicou na glosa ora em discussão também deixaria de existir. Para tanto, invocou a aplicação da regra contida no § 2º do art. 29 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e no inciso II do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008. Ad argumentandum, pediu, alternativamente, que se sobrestasse o julgamento do presente feito até que se tenha uma decisão quanto aos rumos do referido processo nº 10830.014190/201011. Quanto ao mérito, a interessada reproduziu os seus argumentos de defesa lançados na impugnação ao referido lançamento de oficio, os quais, em apertadíssima síntese, clamam pela nulidade Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10830.902962/201066 Acórdão n.º 3401005.781 S3C4T1 Fl. 586 3 da autuação por falha na busca da verdade dos fatos [ a fiscalização não teria demonstrado interesse em apurar a inexistência de produtos comercializados sem o benefício da isenção fiscal de que trata a Lei 8.248/91], e, quanto ao mérito, que nenhum dos produtos/modelos escolhidos pelo Fisco para motivar a imputação [não inclusão na portaria ministerial para a fruição do benefício] deixou de constar do referido ato infralegal, de sorte que a reconstituição de sua escrita fiscal não poderia ser dada como certa. A 8a Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, todavia, considerou improcedentes os termos da Manifestação de Inconformidade. Para afastar a regra constante do inciso II, do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008, de que “Serão objeto de um único processo administrativo: [...] II –...a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes;”, esclareceu a instância de piso que o referido processo nº 10830.014190/201011, que trata do auto de infração de IPI, “não decorreu da não homologação das compensações, como é o caso da multa isolada ou de glosas de créditos, ao contrário, a não homologação das compensação é que é decorrente do lançamento efetivado e da consequente diminuição do saldo credor de IPI, [...]”. Quanto ao pedido da interessada para a juntada ou anexação dos processos, alegou a DRJ não existir qualquer dispositivo legal a prever tais hipóteses, e, quanto ao pedido de sobrestamento, esclareceu não existir essa figura jurídica no processo administrativo tributário. No mérito, a instância de piso assim se manifestou, verbis: “[...]Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. [...]”E foi justamente invocando os termos da decisão que essa mesma 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP proferira no Acórdão nº 14032.958, de 22/03/2011, no bojo do referido processo administrativo nº 10830.014190/201011, ou seja, mantendo na íntegra no auto de infração, que a DRJ manteve as glosas e a não homologação das compensações tratadas no presente processo. No Recurso Voluntário a interessada, preliminarmente, suscitou a nulidade do “Despacho Decisório” (sic) [na verdade, pretendeu referirse ao Acórdão da DRJ, ora vergastado] sob o argumento de que não fora cientificada em tempo hábil [o fora em 06/05/2011] dos termos daquele Acórdão nº 14032.958, de sorte que sua defesa teria sido cerceada na medida em que não teve acesso aos fundamentos que, na verdade, foram utilizados para manter o indeferimento de seu pleito contido na Manifestação de Inconformidade. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10830.902962/201066 Acórdão n.º 3401005.781 S3C4T1 Fl. 587 4 Esclareço eu que, na verdade, a Recorrente pediu um novo prazo para a apresentação de suas considerações, desta feita, levando em conta os termos do Acórdão da DRJ proferido no processo que versa sobre o auto de infração. A Recorrente insistiu na juntada dos processos [este e o do auto de infração], ou, alternativamente, no sobrestamento do presente julgamento até que se decida sobre os rumos da lide envolvendo o auto de infração, de modo a se evitar prejuízo de sua parte. Explica que esse prejuízo ocorreria no caso de obter uma decisão desfavorável neste processo, situação que o obrigaria ao recolhimento imediato dos débitos cuja compensação não fora homologada, e, de outra parte, caso futuramente venha obter uma decisão favorável no processo que trata do lançamento dos débitos do IPI, o que evidenciaria a improcedência das glosas dos créditos; assim, teria havido um locupletamento ilegal por parte do Fisco. A DRF Campinas, em 08/06/2015, devolveu o processo ao CARF sob a seguinte argumentação: A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o SOBRESTAMENTO do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. Em não havendo diligência a ser tomada a cabo por esta DRF, retornese ao CARF para, se julgado conveniente, seja feita a análise em conjunto do presente com o que lhe precede. Nesse ínterim o Processo nº 10830.014190/201011 foi julgado procedente conforme acórdão CARF nº 3201003.372, de 31/01/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo.conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Recurso Voluntário Provido Em resumo, as razões de decidir do acórdão citado foram: A teor do relatado tratase de processo que discute o benefício da isenção prevista na lei de informática a telefones celulares Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10830.902962/201066 Acórdão n.º 3401005.781 S3C4T1 Fl. 588 5 fabricados pela Recorrente. A Fiscalização da Receita Federal entendeu que os produtos apresentavam alterações nos seus modelos que desqualificavam a habilitação inicial, promovida pela Motorola junto aos órgãos públicos e formalizada na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. ... O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão crucial do presente processo foi a não existência de crédito para homologar as compensações declaradas, conforme explicado na Resolução que converteu o julgamento em diligência: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10830.902962/201066 Acórdão n.º 3401005.781 S3C4T1 Fl. 589 6 daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Então, não obstante a Recorrente aqui apresente contestação às glosas efetuadas em seu pedido de ressarcimento de IPI, o fato é que o fez reproduzindo as suas alegações lançadas na Impugnação apresentada naquele processo, que trata do auto de infração de IPI. Como relatei acima, a própria DRJ considerou que, verbis, “Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco”. Além disso, uma outra questão prejudicial suscitada pela Recorrente é, referindose aos procedimentos adotados pelo Fisco na auditoria fiscal que resultou no auto de infração, de que a autoridade fiscal teria incorrido em “patente falha na busca da verdade dos fatos”, e contra ou a favor desse argumento não é possível a este Relator apresentar considerações, haja vista a inexistência, neste processo, dos elementos e documentos necessários para tanto. Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Portanto concluído no julgamento do processo que trata da autuação fiscal pela correção das anotações efetuadas pela recorrente no Livro de IPI, e pela existência do crédito alegado é de se homologar as compensações declaradas, já que esse foi o único impedimento para tanto. Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por dar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10830.902962/201066 Acórdão n.º 3401005.781 S3C4T1 Fl. 590 7 Fl. 590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18490.720181/2015-70
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18490.720181/201570 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.376 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ALBINO F SANTOS & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 81 /2 01 5- 70 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 18490.720181/201570 Acórdão n.º 1003000.376 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.799, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP inicial nº 07313.01244.191110.1.7.043189 e PER/DCOMP nº 26622.48774.301110.1.3.044197, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484, período de apuração 08/08/1980. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 6.859,26, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 77.024,50, recolhido em 30/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 292, de 13/05/2015, às fls. 21 e 22, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 07313.01244.191110.1.7.043189 (fls. 02/06), que solicita crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado sob o código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04; e da DCOMP nº 26622.48774.301110.1.3.044197 (fls. 07/10), vinculada à DCOMP nº 07313.01244.191110.1.7.043189. À fl. 12, constatase que a partir das características do DARF discriminado na DCOMP nº 07313.01244.191110.1.7.04 3189, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para amortização de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados nas DCOMPs (...):. Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório solicitado mediante a DCOMP nº 07313.01244.191110.1.7.043189, correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 6.859,26, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações pretendidas nas DCOMPs nos 07313.01244.191110.1.7.043189 e 26622.48774.301110.1.3.044197; c) DETERMINAR A COBRANÇA do débito confessado na DCOMP acima mencionada, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para Fl. 88DF CARF MF Processo nº 18490.720181/201570 Acórdão n.º 1003000.376 S1C0T3 Fl. 4 3 cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que efetuou pagamento indevido CSLLEstimativa (2484), referente ao mês de fevereiro de 2006, no valor de R$ 6.859,26, via DARF, através de parcelamento PEPAR (Proc. 10280901298/200897) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 07313.01244.191110.1.7.043189 e 26622.48774.301110.1.3.044197; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido de parcela relativa a CSLL (2484), referente ao mês de fevereiro de 2006, no valor de R$ 6.859,26. Contudo, afirma que teria Fl. 89DF CARF MF Processo nº 18490.720181/201570 Acórdão n.º 1003000.376 S1C0T3 Fl. 5 4 efetuado o pagamento do citado valor indevidamente, via DARF, e que foi posteriormente quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009. A PER/DCOMP inicial apresentada pela Recorrente de nº 07313.01244.191110.1.7.043189 (fls. 2 a 10), informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 7.024,50. A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 21 e 22), que o DARF informado no PER/DCOMP como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.901.298/200897, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 14/06/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2007 –, relativa ao anocalendário de 2006, onde consta, no período de Fevereiro/2006, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 6.859,26: a contribuinte apresentou, em 25/10/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Fevereiro/2006, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 6.859,26, com saldo a pagar de mesmo valor: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.901298/200897 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração fevereiro/2006, no valor originário de R$ 6.859,26 (mesmo valor informado na DCTF),(...): Verificase que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.901298/200897, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 7.024,50, recolhido em 30/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração fevereiro/2006. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.901.298/200897 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 18490.720181/201570 Acórdão n.º 1003000.376 S1C0T3 Fl. 6 5 Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 91DF CARF MF
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