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Numero do processo: 18470.722918/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
GLOSA DE DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL MÍNIMO SOBRE O MATERIAL ADQUIRIDO COMPROVADO. VALOR SUPERIOR AO DEDUZIDO. IMPROCEDÊNCIA.
Comprovando-se que da aplicação do percentual mínimo de depreciação sobre os materiais cuja aquisição restou devidamente comprovada, resultou em despesas em valor superior à deduzida pela recorrente, improcede a glosa realizada.
GLOSA DE CUSTOS. EXISTÊNCIA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS.
Os JIB (Joint Interest Billing) são relatórios oficiais amplamente utilizados na indústria do petróleo e gás, constituindo o documento por meio do qual todos os não operadores que atuam em consórcio com a Petrobrás fundamentam seus registros contábeis e fiscais (fl. 496, § 3.15).
De acordo com o art. 845, § 1°, do RIR/99, os esclarecimentos e relatórios só poderiam ser desconsiderados caso contivessem indícios veementes de falsidade ou inexatidão (fl. 497, § 3.20).
Nos termos do § 2º do art. 3º da IN RFB 834/2008, é a Petrobras, na qualidade de empresa líder, que mantém o registro próprio das operações do consórcio. E, em atendimento ao § 5º desse mesmo dispositivo, emite os "comprovantes dos lançamentos efetuados", que são os JIB (fl. 495, § 3.13).
No presente caso, diante de inexistência de dúvidas quanto á exatidão dos relatórios apresentados, e da comprovada dificuldade e onerosidade de se obter os documentos exigidos pelo Fisco, deveria a fiscalização buscar junto à líder do consórcio tal comprovação, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte.
Ademais, glosar de todas as despesas e custos comprovadamente incorridos, afronta a própria sistemática do lucro real. É absolutamente inconcebível sustentar que o Interessado não incorreu em qualquer custo ou despesa, ainda mais na atividade desenvolvida pela Recorrente.
Numero da decisão: 1401-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso, i) por unanimidade de votos, para afastar as glosas de depreciação; e ii) por maioria de votos, para afastar a glosa de custos. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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APLICAÇÃO DO PERCENTUAL MÍNIMO SOBRE O MATERIAL ADQUIRIDO COMPROVADO. VALOR SUPERIOR AO DEDUZIDO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovandose que da aplicação do percentual mínimo de depreciação sobre os materiais cuja aquisição restou devidamente comprovada, resultou em despesas em valor superior à deduzida pela recorrente, improcede a glosa realizada. GLOSA DE CUSTOS. EXISTÊNCIA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. Os JIB (Joint Interest Billing) são relatórios oficiais amplamente utilizados na indústria do petróleo e gás, constituindo o documento por meio do qual todos os não operadores que atuam em consórcio com a Petrobrás fundamentam seus registros contábeis e fiscais (fl. 496, § 3.15). De acordo com o art. 845, § 1°, do RIR/99, os esclarecimentos e relatórios só poderiam ser desconsiderados caso contivessem indícios veementes de falsidade ou inexatidão (fl. 497, § 3.20). Nos termos do § 2º do art. 3º da IN RFB 834/2008, é a Petrobras, na qualidade de empresa líder, que mantém o registro próprio das operações do consórcio. E, em atendimento ao § 5º desse mesmo dispositivo, emite os "comprovantes dos lançamentos efetuados", que são os JIB (fl. 495, § 3.13). No presente caso, diante de inexistência de dúvidas quanto á exatidão dos relatórios apresentados, e da comprovada dificuldade e onerosidade de se obter os documentos exigidos pelo Fisco, deveria a fiscalização buscar junto à líder do consórcio tal comprovação, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 29 18 /2 01 3- 65 Fl. 3118DF CARF MF 2 Ademais, glosar de todas as despesas e custos comprovadamente incorridos, afronta a própria sistemática do lucro real. É absolutamente inconcebível sustentar que o Interessado não incorreu em qualquer custo ou despesa, ainda mais na atividade desenvolvida pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso, i) por unanimidade de votos, para afastar as glosas de depreciação; e ii) por maioria de votos, para afastar a glosa de custos. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Iniciemos com o relatório da decisão de Piso. Relatório INTRODUÇÃO Por meio dos Autos de Infração de fls. 451/465, da DRF Rio de Janeiro II, foi lançado o crédito tributário discriminado na tabela abaixo, referente a fatos geradores ocorridos em 31/08/2008 e 31/12/2008: Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.119 3 FISCALIZAÇÃO 2. O Interessado ("EP ENERGY") tem por objeto social a exploração, a produção, o comércio atacadista e a exportação de petróleo e gás natural. Para o anocalendário 2008, apurou o IRPJ e a CSLL com base no lucro real anual (Termo de Verificação Fiscal (TVF), fl. 427, § 2°). A.1 1ª E 2ª INFRAÇÕES: CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS 3. O autuante lavrou as intimações de fls. 84, 158 e 249, datadas de 03/10/2011, 21/11/2011 e 30/01/2013, solicitando a apresentação dos documentos comprobatórios dos valores informados na DIPJ 2009 a título de "Outros custos" (R$ 10.143.783,63) e "Outras despesas operacionais" (R$ 500.019,21). 4. Em resposta, o Interessado informou que é parte de um consórcio com a Petrobrás para exploração de petróleo e gás natural (contrato às fls. 107/115); apresentou, como comprovantes dos custos e despesas, relatórios daquela empresa (fls. 177/217); e acrescentou que: Quanto aos respectivos documentos fiscais que fundamentam os gastos contidos no referido relatório, informamos que tais documentos ficam em poder de operador do consórcio (Petrobrás). (fl. 85) 5. O autuante não aceitou os comprovantes, por considerar que: 16. (...) os relatórios de gastos fornecidos pela Petrobrás, na verdade uma lista com títulos e números, torna impossível a esta fiscalização a verificação do tipo de gasto realizado e sua dedutibilidade para efeitos de apuração do Imposto de Renda. 6. Os custos e despesas em foco foram glosados com base na IN RFB 834/2008, art. 3°, § 5°, in verbis: § 5º Os livros utilizados para registro das operações do consórcio e os documentos que permitam sua perfeita verificação deverão ser mantidos pelo consórcio e pelas pessoas jurídicas consorciadas pelo prazo de decadência e prescrição estabelecidos pela legislação tributária. 7. A fiscalização destaca que a obrigatoriedade de manter documentos não foi afastada pelas IN RFB 917/2009 e 1.199/2011, que alteraram a legislação tributária sobre consórcios. A.2 3ª INFRAÇÃO: DEPRECIAÇÃO INDEDUTÍVEL 8. Por meio das Intimações de fls. 84 e 158, o autuante solicitou ao Interessado: Fl. 3120DF CARF MF 4 a) Demonstrativo da apuração do valor de R$ 22.073.279,29, declarado na linha 10 da ficha 04A da DIPJ 2009, a título de Encargos de depreciação e exaustão; b) Documentação comprobatória da aquisição dos bens e dos dispêndios com possíveis gastos ativáveis; e c) Esclarecimento sobre o método de depreciação. 9. Consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF, fls. 427/439) que: 16. Analisando os elementos apresentados, constatamos que quanto ao Demonstrativo de Apuração de Depreciação [fls. 168/172], foram listados valores referentes ao anocalendário de 2008 para Plataformas, Oleodutos, Estação de Medição, Poços e Instalações, Despesas de Serviços e Despesas de Equipamentos, além dos valores de depreciação acumulada para os mesmos itens, sem que fosse demonstrado como se chegou a esses valores. 17. Além disso, foi apresentada uma única nota fiscal [fl. 174] de aquisição do ativo permanente, de 30/05/2001, no valor de R$ 307.264.318,80, enquanto o total lançado no Demonstrativo de Apuração de Depreciação em janeiro de 2008 chega a R$ 426.694.563,54. (...) 20. [A novo termo de intimação (fls. 251/252), anexamos] uma planilha [fl. 253], baseada nos Balanços Patrimoniais constantes das DIPJ de 2002 a 2012, para que o contribuinte demonstrasse a composição das rubricas Móveis, Utensílios e Instalações Comerciais; Equipamentos, Máquinas e Instalações Industriais; Outras Imobilizações; Demais Aplicações em Despesas Amortizáveis ou Despesa Pré Operacionais; Depreciação, Amortização ou Quotas de Exaustão. 9.1 Na referida intimação, foi solicitado ao Interessado que demonstrasse a composição e justificasse as variações de algumas contas dos Balanços Patrimoniais das DIPJ 2002 a 2012. 21. Solicitamos [ainda] que fossem listados em separado os bens sujeitos a depreciação, exaustão e amortização, com a indicação das taxas utilizadas pelo contribuinte. (...) 23. Ou seja, a fiscalização permitiu que o contribuinte demonstrasse quais os bens constantes ano a ano do seu patrimônio e quais deles sofreram eventuais depreciação, amortização ou exaustão. (...) 33. [Em resposta de 18/03/2013 (fls. 338/339),] o contribuinte informou que "os bens sujeitos à depreciação são plataformas, tubos, e estações de medição, enquanto os saldos sujeitos à amortização referemse a máquinas, equipamentos e serviços não vinculados a campo em fase de produção". 34. Nos termos de intimação e de reintimação, solicitamos que fossem listados separadamente os bens sujeitos a depreciação, amortização, ou exaustão, porém o contribuinte se limitou à resposta genérica citada no item anterior, o que não permite à fiscalização identificar os bens sujeitos a depreciação ou amortização.(...) 37. Ainda quanto à resposta de 18/03/2013, o contribuinte apresentou planilha [fls. 386/396] contendo as seguintes contas contábeis e as respectivas taxas de "depreciação" dos anos de 2001 a 2007: Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.120 5 9.2 Sobre as referidas planilhas, consta da resposta que: (...) a contribuinte apresenta a demonstração, por ano, das taxas de depreciação utilizadas, devidamente segregadas por grupo de bens (Doc 03). (fl. 340) 10. Voltando ao TVF: 38. A partir do ano calendário de 2008 foram adotadas pela empresa nova classificação contábil e descrição das contas, com as seguintes taxas de depreciação: Fl. 3122DF CARF MF 6 39. Portanto, foram utilizadas taxas inteiramente diferentes de ano para ano, algumas delas elevadíssimas (30%) [Equipamentos de processamento, ano 2005], mesmo se referindo a mesma classificação de bens. (...) 10.1 Nesta resposta, também foram apresentados balancetes referentes a 31 de dezembro de 2001 e 2002 (fls. 341/349) e páginas do livro Razão (fls. 350/385). 70. A adoção de taxas diferentes das previstas nas instruções normativas citadas [IN SRF 162/98 e 130/99], para efeitos de dedutibilidade, está condicionada a existência de laudos emitidos por entidades oficiais de pesquisa cientifica, conforme artigo 310, § 2° do Regulamento do Imposto de Renda. (...) 72. Assim, intimamos o contribuinte a listar em separado os bens sujeitos a depreciação, exaustão e amortização, com a indicação das taxas utilizadas pelo contribuinte. (...) 74. Verificamos no entanto que a empresa não listou os bens que constituíam o imobilizado a cada ano, não apresentou a documentação comprobatória de aquisição dos bens (impossibilitando a verificação do início da depreciação), não apresentou qualquer laudo que justificasse a adoção de taxas diferentes das estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, apresentou demonstrativo com taxas que variavam ano a ano para o mesmo grupo de bens, sem qualquer base científica. (...) 76. E sendo assim, fizemos a inclusão em auto de infração do valor de R$ 22.073.279,29 lançado na DIPJ como "Encargos de Depreciação e Exaustão", por não haver a individualização dos bens passíveis de depreciação ou exaustão, impossibilitando a verificação das taxas e dos valores já depreciados até o momento. IMPUGNAÇÃO 11. O Interessado tomou ciência dos Autos de Infração em 10/04/2013 (fls. 452 e 460) e, em 10/05/2013, interpôs a Impugnação de fls. 485/525, alegando, em síntese: A.3 SOBRE AS GLOSAS DE "OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS" E "OUTROS CUSTOS", DECLARADOS NAS LINHAS 05A/32 (FL. 6) E 04A/17 (FL. 5) DA DIPJ 2009 12. Os JIB (JointInterest Billing) são relatórios oficiais amplamente utilizados na indústria do petróleo e gás, constituindo o documento por meio do qual todos os não operadores que atuam em consórcio com a Petrobrás fundamentam seus registros contábeis e fiscais (fl. 496, § 3.15). 12.1 Consoante o art. 845, § 1°, do RIR/99, os esclarecimentos e relatórios só poderiam ser desconsiderados caso contivessem indícios veementes de falsidade ou inexatidão (fl. 497, § 3.20). 13. A corroborar a procedência dos custos e despesas glosados, apresenta novo cruzamento detalhado entre os registros contábeis dos valores de R$ 500.019,21 (DOC. 2, fls. 550/969) e de R$ 10.143.783,63 (DOC. 3, fls. 967/1.017) (fl. 493, § 3.7). 14. Tal como determina o § 2º do art. 3º da IN RFB 834/2008, é a Petrobras, na qualidade de empresa líder, que mantém o registro próprio das operações do consórcio. E, em atendimento Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.121 7 ao § 5º desse mesmo dispositivo, emite os "comprovantes dos lançamentos efetuados", que são os JIB (fl. 495, § 3.13). 14.1 Do contribuinte não pode ser exigida nenhuma prova adicional, salvo se a lei impusesse forma especial de comprovação da despesa, o que não ocorre. Ao contrário, o § 5° do art. 3° da IN RFB 834/2008 se refere genericamente aos "comprovantes dos lançamentos" efetuados nos livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal utilizados para registro das operações do consórcio, que são precisamente os JIB (fl. 499, § 3.24). 15. A RFB já se manifestou no sentido de que, na hipótese de consórcios, cabe à empresa líder manter o registro das operações realizadas, sendo de sua responsabilidade a emissão de documentos que permitam às consorciadas efetuar os lançamentos contábeis e fiscais de sua quota parte (SC n° 689, de 14/05/1997, Processo de Consulta n° 70, de 23/03/2005, SC n° 523, de 13/11/2007, e Acórdão n° 1232216, de 14/07/2010) (fl. 496, § 3.16). 16. O procedimento efetuado, no sentido da glosa de todas as despesas e custos comprovadamente incorridos, afronta a própria sistemática do lucro real, só sendo admitido na hipótese de arbitramento. É inconcebível sustentar que o Interessado não incorreu em qualquer custo ou despesa (fl. 500, § 3.26). A.4 SOBRE A DEDUTIBILIDADE DA DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO A.4.1 TAXA DE DEPRECIAÇÃO MÉTODO DAS UNIDADES PRODUZIDAS 4.16. Ainda que tais quotas de depreciação sejam usualmente fixadas pelo método linear, em partes iguais ao longo do tempo, fato é que o §3° do art. 309 do RIR concede aos contribuintes a faculdade de optar pela fixação da quota em função do volume da produção de cada período de apuração e sua relação com a possança conhecida da mina, ou seja, o volume da reserva objeto de exploração. Assim, o RIR consagra a aplicação do método das unidades produzidas (conhecido na língua inglesa pelo nome Units of Production " UOP"). (...) 17. O art. 309, § 3°, do RIR/99 dispõe que: Art. 309. Omissis. (...) § 3º A quota de depreciação, registrável em cada período de apuração, dos bens aplicados exclusivamente na exploração de minas, jazidas e florestas, cujo período de exploração total seja inferior ao tempo de vida útil desses bens, poderá ser determinada, opcionalmente, em função do prazo da concessão ou do contrato de exploração ou, ainda, do volume da produção de cada período de apuração e sua relação com a possança conhecida da mina ou dimensão da floresta explorada (Lei nº 4.506, de 1964, arts. 57, § 14, e 59, § 2º). 18. Voltando à argumentação do Interessado: 4.17. SÉRGIO DE IUDÍCIBUS, ELISEU MARTINS [e outros] (...) definem o método UOP nos seguintes termos: "(...) Esse método é baseado numa estimativa do número total de unidades que devem ser produzidas pelo bem a ser depreciado, e a quota anual de depreciação é expressa pela seguinte fórmula: Fl. 3124DF CARF MF 8 Quota de depreciação anual = n° de unidades produzidas no ano X n° de unidades estimadas a serem produzidas durante a vida útil do bem O resultado da fração apresentada representará o percentual de depreciação a ser aplicada no ano X." (Editora Atlas, São Paulo: 2010, pg. 215/252.). (...) 4.29. Dada a sua adequação às atividades desenvolvidas pelas empresas que atuam na exploração e produção de petróleo e gás, temse que todas as firmas de auditores independentes que atuam no Brasil e que atendem essas empresas recomendam a utilização do método UOP para fins de determinação da quota de depreciação aplicável aos bens do ativo imobilizado. Por se caracterizar como procedimento amplamente reconhecido e recomendado por parte dos auditores independentes, a aplicação do método UOP se caracteriza como verdadeiro princípio de contabilidade geralmente aceito, tal como previsto no art. 177 da LSA. (...) A.5 VALOR DOS BENS DEPRECIADOS 4.38. À luz da contabilidade fiscal [NBCT N° 19.1], portanto, o custo de aquisição de um bem registrado no ativo imobilizado deve ser composto não apenas pelo valor do próprio bem, mas também por todos os gastos incorridos para que esse bem esteja em condições de entrar em atividade no processo operacional da sociedade. 4.39. No caso específico das empresas que se dedicam à exploração e produção de petróleo e gás natural, os gastos de perfuração exploratória devem ser contabilizados no ativo imobilizado em andamento, na medida em que associados ao conceito de "unidade de propriedade" que compreende, nessas atividades, o conjunto de equipamentos e instalações necessários à produção em determinado campo no qual exista uma descoberta comercial provada. 4.40. São essas as normas contábeis que regem a capitalização de gastos com serviços exploratórios, por exemplo relativamente à perfuração de poços, que subsequentemente serão capitalizados (ou, se aplicável, baixados definitivamente) pelas sociedades que se dedicam à exploração e produção de petróleo e gás natural. No caso, frisese que a IMPUGNANTE iniciou sua atividade no campo de PescadaArabaiana mediante a aquisição de parte do ativo que já havia sido construído pela Petrobras e já havia entrado em produção, razão pela qual eventuais gastos subsequentes foram diretamente capitalizados no ativo imobilizado. 4.41. Com fundamento nas razões de fato e de direito acima expostas, a IMPUGNANTE registrou a sua quota parte dos bens do ativo imobilizado adquiridos pelo CONSÓRCIO, segregandoos por grupos em contas distintas de seu livro Razão, para que pudesse aplicar as respectivas quotas de amortização fixadas 4.42. Ainda que a IMPUGNANTE não tenha conseguido recuperar em tempo hábil à apresentação dessa IMPUGNAÇÃO cópia de todos os documentos aptos a comprovar o custo de aquisição total do ativo contabilizado no ano de 2008, no valor de R$ 426.694.563,54, juntase aos autos (DOC. 04 [fls. 1.186/1.653]) as notas fiscais, notas de débito e documentos de cobrança do consórcio ("DCC"), todos emitidos pela Petrobras, que perfazem o montante de R$ 368.000.965,37. Noteseque o próprio agente fiscal reconhece expressamente a existência da primeira dessas notas fiscais emitida pela Petrobras, em 20.05.2001, no valor de R$ 307.264.318,80 [fl. 174], expressamente compreendendo poços, plataformas, dutos e equipamentos vinculados à produção de petróleo e gás natural no campo de Pescada Arabaiana. Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.122 9 4.43. Consoante as regras fiscais e contábeis aplicáveis ao caso, a fixação da quota de depreciação calculada com base no método UOP e adotada pela IMPUGNANTE em sua contabilidade, foi obtida pela razão entre a produção mensal certificada pelas notas fiscais/faturas emitidas pela Petrobras na compra do óleo e gás produzidos (no ano de 2008, correspondente ao volume de 654.680,94 BOE), e: (i) de um lado, relativamente aos poços em produção e aos ativos a eles diretamente vinculados, tais como plataformas e estações de medição, tendo por denominador o volume das reservas provadas desenvolvidas, ou seja, já em fase produtiva (3.787.500,00 BOE); e (ii) de outro, relativamente aos dutos de escoamento e demais instalações aptos a atender todas as reservas provadas do campo, inclusive as ainda não desenvolvidas, tendo por denominador o volume das reservas provadas totais (11.929.466,67 BOE). 4.44. A corroborar a procedência do cálculo efetuado para fixação das quotas de depreciação pelo método UOP, a IMPUGNANTE apresenta planilha detalhada dos cálculos efetuados, mensalmente, acompanhada de todos os documentos que a instruem (DOC. 05 [fls. 1.654/1.729]). 4.45. Relativamente aos bens que não estão vinculados à produção de petróleo e gás, ou àqueles cuja vida útil é inferior à do campo, a IMPUGNANTE aplica o método de depreciação linear, a teor do art. 310 do RIR (...) 4.46. Os procedimentos relativos à forma de contabilização e depreciação do ativo imobilizado efetuados pela IMPUGNANTE foram auditados pela Ernest & Young Terco Auditores Independentes S.S., empresa multinacional amplamente reconhecida por sua seriedade e expertise, a qual validou os registros contábeis da IMPUGNANTE, sob responsabilidade profissional, e elaborou as demonstrações financeiras do anocalendário de 2008 (DOC. 06 [fls. 1.730/1.785]). (...) 4.47. Diante do exposto, é inequívoco o fato de que os métodos de depreciação adotados pela IMPUGNANTE estão em perfeita conformidade com as normas contábeis e fiscais, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL todas as respectivas despesas correspondentes às quotas de depreciação. (...) 5.1. Caso, por absurdo, não prevaleçam os argumentos até aqui expostos que determinam o cancelamento integral dos créditos tributários constituído nos AUTOS, o que se admite apenas para fins de argumentação, há outros elementos de fato e de direito que, subsidiariamente, importam no cancelamento substancial da exigência. (...) 5.5. À vista da expressa previsão contida no §3° do art. 310 do RIR e das taxas anuais de depreciação fixadas pela IN SRF 162/98, ainda que a fiscalização reputasse incorretas as taxas aplicadas pela IMPUGNANTE com base no método UOP, ela deveria ter, no mínimo, considerado as taxas anuais de depreciação linear de: (i) 4% aos poços ("edificações"); (ii) 5% às plataformas; e (iii) 10% aos tubos e às estações de medição ("instalações"). 5.6. Adicionalmente, dispõe o art. 312 do RIR: Art. 312 Em relação aos bens móveis, poderão ser adotados, em função do número de horas diárias de operação, os seguintes coeficientes de depreciação acelerada (Lei n 3.470, de 1958, art. 69): (...) III três turnos de oito horas 2,0. Fl. 3126DF CARF MF 10 5.7. Especificamente quanto às plataformas, que inequivocamente se caracterizam como bens móveis, ao considerar a depreciação pelo método linear a fiscalização deveria ter considerado, ainda, a aceleração contábil prevista no dispositivo acima transcrito, perfazendo a taxa anual de 10%, pois é notório que a produção de petróleo e gás natural se dá ininterruptamente, vinte e quatro horas por dia. 5.8. Observese que a estimativa de vida útil conservadoramente adotada pela IMPUGNANTE para fins de cálculo da depreciação via UOP é superior ao prazo de concessão dos campos de Pescada/Arabaiana. 5.9. Somese a isso o entendimento manifestado pela RFB na seção "Perguntas e Respostas" da DIPJ, no sentido de que o contribuinte é assegurado ao contribuinte o direito de computar a taxa adequada à depreciação dos bens, só sendo necessária prova dessa adequação quando a taxa aplicada for superior à admitida na legislação: (...) [Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica 2009, Capítulo VIII, pergunta 047]. 19. Pede o cancelamento dos autos de infração, ou subsidiariamente o cancelamento parcial, "a fim de que sejam consideradas as despesas de depreciação calculadas com base na taxa linear e na depreciação contábil acelerada". 20. É o relatório. Da análise do auto de infração e dos argumentos da impugnação a Delegacia de Julgamento proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVA. ADMISSIBILIDADE. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Documentos em língua estrangeira só são admitidos como prova quando acompanhados de versão em português, lavrada por tradutor juramentado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. A glosa de custos ou despesas só torna a escrituração imprestável para determinação do lucro real, quando abrange todos ou quase todos os gastos. CONSÓRCIOS. CUSTOS E DESPESAS. CONSORCIADOS RESPONSÁVEIS PELA MANUTENÇÃO DOS COMPROVANTES. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE RELATÓRIOS, PLANILHAS OU TABELAS. IMPOSSIBILIDADE. A IN RFB n° 834/2008 não criou um regime especial de comprovação de gastos para os consórcios. Em vez disso, disciplinou o caput e § 3° do art. 264 do RIR/99, que obrigam as pessoas jurídicas a conservar livros e respectivos comprovantes durante os períodos que mencionam. Para que não houvesse dúvida quanto à titularidade da obrigação, aquela IN dispôs que a manutenção caberia a todas as pessoas jurídicas consorciadas. Dessa forma, as empresas envolvidas devem se organizar para que todas estejam aptas a Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.123 11 apresentar livros e comprovantes, seja qual for a consorciada contratualmente responsável pela guarda. Como as consorciadas estão sujeitas ao regime comum de comprovação, previsto nos arts. 923/925 do RIR/99, relatórios não são documentos hábeis para suportar suas escriturações. Se tal prova fosse admissível, os contribuintes não precisariam conservar qualquer documento fiscal para comprovar custos e despesas, pois bastaria apresentar ao Fisco relatórios, planilhas ou tabelas elaborados por seus fornecedores, o que é absurdo. DEDUÇÃO DO CUSTO COM DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. São requisitos para dedução do custo de depreciação: a) A comprovação do custo de aquisição dos bens ativados, pois é sobre este valor que incide a taxa de depreciação; b) A depreciação acumulada não pode ultrapassar o custo de aquisição, logo o valor acumulado deve ser comprovado; e c) A adequação da taxa de depreciação deve ser comprovada sempre que exceder a usualmente admitida; EMPRESA PRODUTORA DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL. DEPRECIAÇÃO. MÉTODO DAS UNIDADES PRODUZIDAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO VOLUME PRODUZIDO E DAS RESERVAS (POSSANÇA). No caso de bens aplicados exclusivamente na exploração de petróleo e gás natural, cujo período de exploração seja inferior ao tempo de vida útil desses bens, a taxa de depreciação poderá ser determinada em função do volume da produção de cada período e sua relação com as reservas (possança). Portanto, o volume produzido e as reservas devem ser comprovados. BENS ADQUIRIDOS EM CONJUNTO, SEM ESPECIFICAÇÃO DO CUSTO INDIVIDUAL OU GENÉRICO. DEPRECIAÇÃO PELA TAXA DO BEM DE MAIOR VIDA ÚTIL. Quando houver aquisição de bens em conjunto, sem especificação do custo individual ou genérico, o contribuinte deve utilizar a taxa aplicável ao bem de maior vida útil que integrem o conjunto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ERRO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Exonera se o contribuinte da parte do lançamento em que há erro na indicação do momento de ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 Fl. 3128DF CARF MF 12 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. (Ac. 1624335, 10ª Turma da DRJ/SP1, sessão de 18/02/2010, rel.ª Adriane Terumi Futigami) Cientificado da decisão de Piso o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em que alega: Comprovação dos custos incorridos em consórcio com a Petrobrás. Com relação à comprovação dos custos que foram glosados, reafirma que às fls.550/1185 estão juntadas as notas de débito e os documentos de cobrança de crédito do consórcio; Que a decisão recorrida só considerou comprovados determinados gastos que comprovariam as JIB de fls. 1810/1812; Alega a existência da Solução de Divergência da COSIT em seu benefício; Apresenta excertos da doutrina que militariam em seu favor com relação à comprovação da apropriação do rateio de custos em consórcios. Das razões da possibilidade de dedutibilidade da depreciação de bens do ativio imobilizado. Neste item o recorrente repisa as argumentações apresentadas na impugnação; Alega apresentar laudo técnico informando os dados da possança dos postos que comprovariam a regularidade das taxas de depreciação utilizada; Alega que sua contabilidade é submetida à auditoria externa que comprovou a regularidade das despesas de depreciação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Passamos a analisar cada um dos pontos da autuação mantidos pela decisão da Delegacia de Julgamento.. DA GLOSA DOS CUSTOS Com relação ao item da autuação relativo à glosa dos custos informados em DIPJ, conforme alegação da recorrente estes custos foram incorridos em consórcio firmado entre a recorrente e a Petrobrás. Para tanto a recorrente apresentou inúmeras Billing of Statement nas quais alega ter se baseado para a contabilização de seus custos de operação. Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.124 13 Alega, ainda em seu favor, que em se tratando de consórcio a empresa líder, no caso a Petrobrás, é a responsável pela guarda da documentação comprobatória das operações. Vejamos as normas da Lei nº 6.404/76 no que tange à formação dos consórcios de empresas: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Regulamentando o dispositivo a Receita Federal editou a IN RFB nº 834/2008, na qual estabelece as obrigações acerca das responsabilidades tributárias dos consorciados. Vejamos os trechos que nos interessam no presente caso com a redação da época da ocorrência dos fatos geradores do caso. Art. 3º Para efeito do disposto no art. 2º, cada pessoa jurídica participante do consórcio deverá apropriar suas receitas, custos e despesas incorridos, proporcionalmente à sua participação no empreendimento, conforme documento arquivado no órgão de registro. Fl. 3130DF CARF MF 14 § 1º O disposto no caput aplicase para efeito da determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, e da base de cálculo da CSLL. § 2º O consórcio deverá manter registro contábil das operações em Livro Diário próprio, devidamente registrado. § 3º O registro contábil das operações no consórcio deverá corresponder ao somatório dos valores das parcelas das pessoas jurídicas consorciadas, individualizado proporcionalmente à participação de cada consorciado no empreendimento. § 4º Sem prejuízo do disposto nos §§ 2º e 3º, a escrituração das operações objeto do consórcio, relativas à participação das pessoas jurídicas consorciadas, deverá ser efetuada em suas respectivas contabilidades, em livros contábeis, fiscais e auxiliares próprios. § 5º Os livros utilizados para registro das operações do consórcio e os documentos que permitam sua perfeita verificação deverão ser mantidos pelo consórcio e pelas pessoas jurídicas consorciadas pelo prazo de decadência e prescrição estabelecidos pela legislação tributária. Com relação à legalidade da apresentação de documentos para fins de comprovação da regularidade de sua contabilidade assim prescreve o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Analisando a documentação acostada ao processo relativa à glosa dos custos verificamos que quase toda a documentação que o contribuinte alega ser comprobatória refere se, na verdade, aos relatórios encaminhados pela Petrobrás à empresa com a lista de receitas e despesas/custos com a apropriação do percentual cabível a cada consorciado. Verificamos que tais Relatórios não tem nenhum documento anexado comprobatório das despesas. Mais ainda, constatamos a existência de carta enviada pela recorrente à Pretrobrás solicitando a documentação comprobatória da despesas referidas nas Billing os Statement (fls. 329) em razão de solicitação da fiscalização da receita Federal. A Petrobrás respondeu a este requerimento da empresa por email no qual informa que o levantamento das notas fiscais comprobatórias iria requerem um trabalho de três meses e que o custo para a empresa seria de US$ 387.000,00 por todo o trabalho. Consultamos também o Contrato do Consórcio (fls. 264/272) firmado entre as partes nos quais constam as seguintes cláusulas a respeito de auditoria e livros contábeis Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.125 15 Ora da documentação apresentada e da leitura dos fatos acima indicados percebese que: 1) O contribuinte realizou sua escrituração unicamente com base nas informações fornecidas pelos relatórios enviados pela Petrobrás. Não visualizou nem guardou nenhum documento comprobatório das mesmas; 2) No contrato de consórcio, cláusula 6.03, estabeleceuse a possibilidade de a recorrente acessar, auditar e verificar todos os registros das operações, entretanto, para atender às intimações da Receita Federal a recorrente limitouse a apresentar requerimento realizado à Petrobrás e sua resposta solicitando os valores a serem pagos para que os documentos fossem coletados e apresentados à recorrente. 3) Ao contrário do que alega o recorrente, na forma do art. 3º, § 5º, da Instrução Normativa RFB nº 834/2008, os livros e respectivos documentos comprobatórios das operações deverão ser guardados não somente pelo consórcio, mas por todas as empresas consorciadas. Percebese que a recorrente, a partir de suas alegações, demonstra que toda a sua contabilidade era baseada no registro dos valores apresentados pela Petrobrás em seus relatórios mensais. Alega que esta é a prática do mercado e que, por isso, os relatórios seriam a comprovação das referidas despesas e que caberia à Petrobrás guardar a documentação relativa a estas despesas. Ora, talvez esse modo de agir seja comum na indústria de produção de petróleo. Mesmo parecendo estranho e de uma entrega absoluta de confiança entre as partes, pode a empresa basearse em relatórios emitidos por terceiros para realizar os registros em sua contabilidade. O que não pode fazer e nem impor ao fisco, é não cuidar de obter cópias dos documentos que embasam estes relatórios e não zelar pela sua guarda. A contabilidade faz Fl. 3132DF CARF MF 16 prova em favor do contribuinte quando os registros nela inseridos estão suportados por documentos comprobatórios das operações. Mais ainda. Os documentos comprobatórios neste caso não são de impossível obtenção. Conforme correspondências trocada entre a recorrente e a Petrobrás os documentos poderiam ser coletados e apresentados mediante o pagamento de honorários. Bem caros, diga se de passagem, mas pelo que se percebe, devem ser usuais no trato das operações de produção de Petróleo. O contribuinte talvez não tenha obtido os documentos por ter se recusado a pagar montante elevado para sua obtenção, mas esse não é um problema da fiscalização da Receita Federal. Se o contribuinte no livre exercício de sua vontade empresarial resolveu firmar contrato de consórcio com a Petrobrás e nele tem de aceitar cláusulas pouco amistosas, esse problema não é responsabilidade do fisco, mas sim da própria empresa e de seus interesses negociais. Ademais, devemos ter em mente que a empresa poderia, a cada mês buscar cópias dos documentos que embasam os relatórios para sua guarda ou mesmo lutar para incluir tal cláusula em contrato. Ao contrário, em vez de cuidar de se proteger para garantir a regularidade e confiabilidade de sua escrituração, a recorrente apenas deixou todo este encargo por conta da operadora do consórcio sem que legalmente, existisse obrigação legal para isso. Desta forma, tendo em vista que não foi apresentado nenhum documentos comprobatório de custo para suportar os registros contábeis apresentados pela recorrente, tendo em vista que estes basearamse apenas nas planilhas encaminhadas pela Petrobrás e, mais ainda, em razão de inexistir norma que valide este procedimento, há de se considerar que andou bem a fiscalização ao glosar os referidos custos não comprovados. Assim, neste ponto voto por negar provimento ao recurso. DA DEPRECIAÇÃO A análise da glosa relativa aos custos de depreciação passa por dois pontos que foram indicados pela fiscalização como indutores da não aceitação dos custos: O primeiro ponto reside no fato de o contribuinte, mesmo após intimado diversas vezes, não apresentou uma relação detalhada dos itens que compõem as contas do ativo imobilizado sujeitas à depreciação. Inicialmente o contribuinte apresentou planilha com os cálculos de depreciação dando conta de como foram obtidos os valores das despesas de depreciação incluídas em sua apuração. Instado a apresentar a relação dos bens depreciáveis e os documentos comprobatórios de sua aquisição, apresentou as mesmas alegações do ponto precedente, informando que os documento comprobatórios estavam de posse da Petrobrás que é a empresa líder do consórcio. O segundo ponto de discussão decorre de o contribuinte ter informado à fiscalização ter utilizado o método de unidades produzidas para fins dos cálculos de Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.126 17 depreciação. Durante a fiscalização, no entanto, o contribuinte não logrou comprovar a possança comprovada para fins de cálculo desta depreciação, além de não ter apresentado os documentos de aquisição dos ativos depreciáveis. Os documentos apresentados na impugnação às fls. 550/1185 incluem apenas duas notas fiscais de venda da empresa, acrescentadas de outras também de venda para a Petrobrás que não interessam ao nosso caso; os demais são cópias do livro razão, balancetes de apuração, mensagens de email, e planilhas de lançamentos contábeis sem uma indicação da utilidade deles como prova, além de todas Billing of Statement já juntadas anteriormente pela fiscalização; Juntaramse notas de débito da Petrobrás relativas a gastos incorridos; Relatório da Ernest & Young às fls. 1732/1784 Junto com o RV apresenta laudo da Ryder Scott Company em inglês, devidamente traduzida (fls. 1900 em diante), demonstrando a possança do poço O Parecer da Ernest Young de fls. 1762 sobre a forma de cálculo da depreciação. Ora, analisando todas as peças acostadas ao processo, conseguimos depreender que a utilização do método de depreciação com base na quantidade de unidades produzidas é permitida para o tipo de empreendimento conduzido pela empresa. Embora o laudo com a indicação da possança total da reserva de petróleo somente tenha sido disponibilizado quando da apresentação do recurso voluntário, entendo que este possa ser utilizado se os valores das reservas totais e da produção considerada concordarem com os valores utilizados para cálculo da depreciação. Infelizmente para a empresa o que não podemos concordar é a utilização de despesas de depreciação baseadas, unicamente, em planilhas de cálculo sem a apresentação de qualquer documento de aquisição. Notese que a legislação relativa ao registro da exaustão dos recursos minerais possibilita a adoção do método de cálculo baseado na quantidade de unidades produzidas dividida pela possança total da mina. Vejamos Art. 330. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor de recursos minerais, resultante da sua exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59). Fl. 3134DF CARF MF 18 § 1º A quota de exaustão será determinada de acordo com os princípios de depreciação (Subseção II), com base no custo de aquisição ou prospecção, dos recursos minerais explorados (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, § 1º). § 2º O montante da quota de exaustão será determinado tendo em vista o volume da produção no período e sua relação com a possança conhecida da mina, ou em função do prazo de concessão (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, § 2º). § 3º O disposto neste artigo não contempla a exploração de jazidas minerais inesgotáveis ou de exaurimento indeterminável, como as de água mineral. A Delegacia de Julgamento, quanto da análise deste ponto, pronunciouse no sentido de que: A.10 DEPRECIAÇÃO PELO MÉTODO DOS UNIDADES PRODUZIDA (UOP) 45. Na fl. 520, § 4.43, o Interessado informa que: a) o volume produzido em 2008 foi de 654.680,94 BOE (Barrel of oil equivalent); b) para os poços em produção e os ativos a eles diretamente vinculados, como plataformas e estações de medição, a possança é o volume das reservas em fase produtiva, 3.787.500,00 BOE; e c) para os dutos de escoamento e demais instalações aptos a atender todas as reservas provadas, a possança é o volume das reservas provadas totais, 11.929.466,06 BOE. 46. Assim, para os bens vinculados à produção, a depreciação anual seria de 17,29% (=654.680,94/3.787.5000,00) ou 5,49% (=654.680,94/11.929.466,06). 47. Contudo, as taxas efetivamente usadas foram outras, como se verifica pelo Demonstrativo de Depreciação 2008, fl. 393. E, além disso, não se sabe como foi calculada a produção anual de 654.680,94 BOE a partir das NF apresentadas (fls. 1.682/1.728), em que as quantidades de óleo e gás são expressas em metros cúbicos. Falta também comprovação das possanças informadas. A.11 DEPRECIAÇÃO ACELERADA 48. Não é possível aplicar a taxa de depreciação normal das plataformas, 5%, nem a da depreciação acelerada em 3 turnos de 8 horas, 10%, pois não se sabe qual é o custo de aquisição daqueles bens, haja vista a falta de discriminação na NF de venda de ativo imobilizado, fl. 174. A.12 DEPRECIAÇÃO LINEAR 49. Embora o Interessado afirme que "bens que não estão vinculados à produção de petróleo e gás, ou àqueles cuja vida útil é inferior à do campo" foram depreciados linearmente (fl. 520, § 4.45), não se sabe que bens são esses, nem quando e por quanto foram adquiridos, tampouco o valor da respectiva depreciação. Sendo assim, não foi comprovado o direito à dedutibilidade pelo método linear. A.13 DEPRECIAÇÃO PELO BEM DE MAIOR VIDA ÚTIL Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.127 19 50. O principal documento apresentado para comprovar custos de aquisição é a NF da fl. 174, no valor de R$ 307.264.318,80. Os bens negociados foram plataformas, dutos e poços, mas não há discriminação de quanto se pagou pelos bens individualmente, nem do gasto por gênero. 51. A IN SRF n° 162/98 não prevê, no Anexo I, qual é a vida útil de poços, logo deve ser utilizada alguma das vidas úteis indicadas no Anexo II (demais bens). Dos gêneros mencionados neste anexo, o que melhor enquadra poços é edificações, cuja vida útil é de 25 anos. Como este é, inclusive, o prazo sugerido pelo Interessado (fl. 522, § 5.5), poderseia, em tese, depreciar o conjunto de bens pelo método do art. 310, § 3°, do RIR/99, ou seja, à taxa de 4% ao ano. 52. Entretanto, nas planilhas de folhas 386/396, o Interessado nem sequer informou as taxas de depreciação a que os poços foram submetido no período de 2001 a 2007, tampouco comprovou essas taxas e as que foram informadas para as plataformas e os dutos. Assim, não se pode fazer a depreciação conjunta porque a depreciação acumulada é desconhecida. 53. Quanto aos demais documentos, o Interessado afirma que comprovam custos de mais R$ 60.736.646,57 (= R$ 368.000.965,37R$ 307.264.318,80). São Notas de Débito (ND, fls. 1.210/1.445) e Documentos de Cobrança de Consórcio (DCC, fls. 1.446/1.653) de 2001 e 2002, emitidos pela Petrobras. 54. Analisando as ND e os DCC, verificamos que: a) Os documentos de fls. 1.210/1.286, 1.292/1.314, 1.326/1.332 e 1.336/1.346 se referem a gastos direta ou indiretamente relacionados com a perfuração de poços e construção de dutos, portanto podem ser considerados como custo de aquisição; b) Nos documentos de fls. 1.288/1.290, 1.316/1.324, 1.334 e 1.348/1.652, não há elementos suficientes para comprovar que os gastos foram necessários para a aquisição ou entrada em produção/funcionamento de bens do ativo imobilizado. São gastos com serviço de limpeza industrial, alimentação congelada nas plataformas, serviços e custos indiretos não especificados, CPMF, aluguel de área, pessoal, fornecimento de materiais/diesel, timesheet, diárias, mobilização, utilização da PA1 e aluguel de sonda. Portanto, tais documentos não comprovam qualquer custo de aquisição; c) A ND/63, de 02/01/2002, no valor de R$ 2.189.169,83, mencionada na planilha da fl. 1.188, não foi localizada entre os documentos apresentados, de modo que o respectivo custo de aquisição também não está comprovado. 55. Sendo assim, dos gastos relacionados na planilha de fls. 1.188/1.192, foram comprovados os seguintes: Fl. 3136DF CARF MF 20 Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.128 21 56. Portanto, a depreciação dedutível é de R$ 1.868.935,89(=R$ 46.723.397x4%), e a indedutível de R$ 20.204.343,40 (=R$ 22.073.279,29R$ 1.868.935,89) Demonstrase do acima transcrito, que agiu com acerto a Delegacia de Julgamento ao não aceitar os percentuais de despesas apresentados pelo recorrente nas planilhas de fls. 1654/1729, posto que estas valores diferem dos percentuais calculados com base na produção e na possança da reserva. Vejase que a recorrente nas fls. 1860, ao tratar destes cálculos, apresenta os valores de produção, possança, etc, e remete às planilhas apresentadas sem se ater ao fato de que os valores das planilhas diferem dos valores percentuais encontrados quando da realização dos cálculos com base nos dados oferecidos pela própria defesa. Por isso a Delegacia de Julgamento, num esforço para manter parte dos custos de depreciação informados na DIPJ da empresa, decidiu por considerar os custos que conseguiu identificar a partir das notas de débitos enviadas pela Petrobrás à empresa. Apesar de em seu recurso voluntário a recorrente insistir no fato de que os gastos com a depreciação estariam calculados de acordo com a possança da reserva e de sua produção anual, não apresentou detalhamento destas contas, nem os documentos comprobatórios da aquisição dos bens ou serviços ativados. É de se considerar, neste interim, que os gastos com depreciação realizados no ano de 2008 comportaram aproximadamente 40,7% do valor da Receita Bruta da empresa, ou seja, são gastos de valor bastante elevado que mereceriam, no mínimo, um cuidado maior da Fl. 3138DF CARF MF 22 empresa na guarda dos documento de comprovação dos gastos de aquisição dos bens ativáveis e dos cálculos de depreciação realizados para a dedução. Entretanto, havemos de discordar quanto aos cálculos realizados pela Delegacia de Julgamento. Vamos aos motivos: 1 Em primeiro lugar a DRJ desconsiderou o valor de aquisição de R$ 307.264.318,80, que se trata da aquisição de uma plataforma, dutos e poços sob a alegação de que não há a discriminação dos bens que compõem o valor, nem a recorrente informou as taxas de depreciação especificadas. Ora, não entendo ser necessário esta especificação. Como a pró´ria decisão utilizou em seus cálculos o percentual de 4% (o menor percentual aplicável dentre todos os bens passíveis de depreciação) este percentual poderia muito bem ser aplicado a todos os outros materiais. 2 Ao considerar outros materiais e serviços para cálculo de depreciação baseados nas notas de débitos da Petrobrás apresentadas à empresa e desconsiderar o gasto comprovado com a nota fiscal acima indicada, entendo que envidou em prejuízo ao recorrente ao deixar de considerar parcela das despesas de depreciação com materiais comprovadamente adquiridos para utilização na produção; Assim, no meu entender o recorrente faz jus à dedução do valor de depreciação calculado no percentual de 4%, dobrado em razão de a produção de petróleo, como é de conhecimento geral, ocorrer ininterruptamente, conforme estabelecida a vida útil aplicada às plataformas de vinte e cinco anos, calculados sobre os gastos com materiais conforme considerados pela decisão da DRJ, mais o gasto com a aquisição comprovado de R$ 307.264.318,80. Desta forma a empresa faria jus à dedução com gastos de depreciação no montante de 8% x (R$ 46.723.397,14 + 307.264.318,80) = R$ 28.319.017,27. Ora, como o valor da depreciação utilizado pela empresa em sua DIPJ foi inferior ao montante acima calculado, entendo que deve ser cancelada a glosa relativa à depreciação. Assim, com relação ás despesas com depreciação entendo que deverá ser cancelada a glosa, tendo em vista que, conforme acima demonstrado, o valor passível de despesa como depreciação calculado no percentual mínimo e incluindo a nota fiscal não considerada pela fiscalização, seria maior do que a utilizada pela mesma. Neste sentido voto pelo cancelamento integral da glosa de depreciação. DOS REFLEXOS DA CSLL Em relação aos lançamentos reflexos da CSLL, como as glosas tratam de despesas que refletem no lucro líquido passível de incidência pela CSLL, deve esta igualmente ser parcialmente mantida na proporção da redução das glosas determinadas em relação Pa autuação do IRPJ. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 18470.722918/201365 Acórdão n.º 1401002.112 S1C4T1 Fl. 3.129 23 Voto Vencedor Daniel Ribeiro Silva Redator Designado Com a devida vênia ao Ilmo. colega Relator, vou divergir quanto ao item relativo à glosa de custos. É fato incontroverso que o Recorrente faz parte de um consórcio do qual a Petrobrás é a empresa líder. Não se pode entender que, no caso de um consórcio, seja possível exigir toda a documentação fiscal que se exigiria se a empresa atuasse isoladamente. Para tanto, os JIB (Joint Interest Billing) são relatórios oficiais amplamente utilizados na indústria do petróleo e gás, constituindo o documento por meio do qual todos os não operadores que atuam em consórcio com a Petrobrás fundamentam seus registros contábeis e fiscais (fl. 496, § 3.15). Também concordo com o contribuinte no sentido de que, de acordo com o art. 845, § 1°, do RIR/99, os esclarecimentos e relatórios só poderiam ser desconsiderados caso contivessem indícios veementes de falsidade ou inexatidão (fl. 497, § 3.20). Da análise dos autos, é possível verificar que o contribuinte se esforçou para apresentar todos os relatórios e esclarecimentos que embasaram os custos que foram deduzidos na sua apuração, não podendo apresentar a documentação originária por estar em guarda com a empresa líder. Tal como determina o § 2º do art. 3º da IN RFB 834/2008, é a Petrobras, na qualidade de empresa líder, que mantém o registro próprio das operações do consórcio. E, em atendimento ao § 5º desse mesmo dispositivo, emite os "comprovantes dos lançamentos efetuados", que são os JIB (fl. 495, § 3.13). Entendo que do recorrente não pode ser exigida nenhuma prova adicional, salvo se a lei impusesse forma especial de comprovação da despesa, o que não ocorre. Ao contrário, o § 5° do art. 3° da IN RFB 834/2008 se refere genericamente aos "comprovantes dos lançamentos" efetuados nos livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal utilizados para registro das operações do consórcio, que são precisamente os JIB (fl. 499, § 3.24). A RFB já se manifestou no sentido de que, na hipótese de consórcios, cabe à empresa líder manter o registro das operações realizadas, sendo de sua responsabilidade a emissão de documentos que permitam às consorciadas efetuar os lançamentos contábeis e fiscais de sua quota parte (SC n° 689, de 14/05/1997, Processo de Consulta n° 70, de 23/03/2005, SC n° 523, de 13/11/2007, e Acórdão n° 1232216, de 14/07/2010) (fl. 496, § 3.16). Outrossim, em havendo dúvidas sobre a veracidade e exatidão dos JIBs apresentador pelo contribuinte, poderia a fiscalização ter realizado diligência perante a líder do consórcio. Fl. 3140DF CARF MF 24 O Recorrente comprovou que tentou por todas as vias obter a referida documentação, tanto assim que consta dos autos carta enviada pela recorrente à Petrobrás solicitando a documentação comprobatória da despesas referidas nas Billing os Statement (fls. 329) em razão de solicitação da fiscalização da receita Federal. A Petrobrás respondeu a este requerimento da empresa por email no qual informa que o levantamento das notas fiscais comprobatórias iria requerem um trabalho de três meses e que o custo para a empresa seria de US$ 387.000,00 por todo o trabalho. Ora, ao invés de apurar a documentação juntamente com a empresa líder, desconsiderar os relatórios gerenciais apresentados, e exigir que o contribuinte tenha custos de aproximadamente R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) para poder exercer sua defesa é um grave atentado ao princípio da ampla defesa. Ademais, em total desrespeito ao princípio da verdade material, o procedimento efetuado, no sentido da glosa de todas as despesas e custos comprovadamente incorridos, afronta a própria sistemática do lucro real. É absolutamente inconcebível sustentar que o Interessado não incorreu em qualquer custo ou despesa (fl. 500, § 3.26). Assim, voto pelo Provimento do Recurso Voluntário quanto a este item, acompanhando o Relator nos demais termos do seu voto. É como voto. Daniel Ribeiro Silva Redator Designado Fl. 3141DF CARF MF
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Numero do processo: 13676.000008/2005-98
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2001 VEDAÇÕES À OPÇÃO Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica, na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal, surtindo efeitos a exclusão a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que tal limite for ultrapassado.
Numero da decisão: 1801-000.944
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2001 VEDAÇÕES À OPÇÃO Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica, na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal, surtindo efeitos a exclusão a partir do anocalendário subseqüente àquele em que tal limite for ultrapassado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 368DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra o indeferimento da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS) em face do Ato Declaratório de Exclusão do Simples nº. 511.034, de 2 de agosto de 2004 (fl. 48). O Acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Exercício: 2004 VEDAÇÕES À OPÇÃO Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica, na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal, surtindo efeitos a exclusão a partir do ano calendário subseqüente àquele em que tal limite for ultrapassado. Solicitação Indeferida. A interessada optou pelo Simples em 01/01/2001 e, de acordo com o Ato Declaratório de Exclusão do Simples nº. 511.034, foi excluída da sistemática simplificada, pois no ano imediatamente anterior à sua opção (2000), teria auferido receita bruta superior ao limite legal estabelecido para as micro e pequenas empresas de R$ 1.200.000,00. Na manifestação de inconformidade apresentada alegou, a contribuinte, que no anocalendário 2000 teria auferido receita bruta da ordem de R$ 921.281,46, dentro, portanto, do limite legal e que os efeitos retroativos da exclusão seriam indevidos. Na decisão proferida a 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG observou que a recorrente havia apresentado, em 28/06/2001, DIPJ do anocalendário 2000 com opção pelo lucro real anual na qual fora consignada uma receita bruta anual de R$ 2.498.786,83 e que, imediatamente após o recebimento, via AR, do ADE de exclusão, teria apresentado DIPJ retificadora do anocalendário 2000, em 12/11/2004, nela declarando uma receita bruta anual de R$ 920.959,46, sem, contudo comprovar qualquer erro de preenchimento da declaração original. Os efeitos retroativos da exclusão, no caso de extrapolação de limite de receita bruta, estariam determinados na própria legislação do SIMPLES. Irresignada com o indeferimento de sua solicitação, da qual foi cientificada em 14/09/2007, como comprova o AR à fl. 75, verso, apresentou a contribuinte, em Fl. 369DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13676.000008/200598 Acórdão n.º 180100.944 S1TE01 Fl. 369 3 16/10/2007, o Recurso Voluntário de fls. 76 a 82, instruído com os documentos de fls. 83 a 353. Em apertada síntese alegou que houve preenchimento equivocado da DIPJ original do anocalendário 2000, pois o valor da receita bruta do 2o. trimestre seria resultado da soma da receita bruta do 1oe do 2o. semestres e o valor da receita bruta do 3o. trimestre seria o resultado da somatória da receita bruta dos 1o., 2o. e 3o. trimestres e assim sucessivamente. Tal erro teria sido detectado somente após a troca do contador da empresa, o que ocorreu em novembro de 2004. Apresentou cópia das folhas do Livro Registro de Entradas e Livro Registro de Saídas para comprovar seus argumentos. Protestou contra os efeitos retroativos da exclusão do Simples ao argumento de que compete ao Fisco a apuração e fiscalização de opções de ingresso, sendo injusta a penalização do sujeito passivo por mero erro material de preenchimento de DIPJ. Ao final pugnou; (i) pela atribuição de efeito suspensivo ao recurso; (ii) pela revogação do ato de exclusão do simples, e (iii) pela decretação da nulidade da decisão de 1a. instância a fim de que os autos retornem para que aquela autoridade determine a realização de diligências. Apreciando o litígio esta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara – 1a. Seção do CARF determinou o retorno dos autos em diligência para averiguação das alegações da recorrente no que toca ao erro de preenchimento da DIPJ original, a fim de que: 1) fossem verificadas se as cópias dos Livros acostadas aos autos conferem com os originais em poder da empresa; 2) fosse verificado, a partir da escrituração contábil e fiscal e documentos de suporte, se os valores de receita bruta escriturados correspondem aos valores consignados na DIPJ retificadora do anocalendário 2000; 3) fosse elaborado, ao final dos trabalhos, relatório circunstanciado e conclusivo que elucide o valor da receita bruta total auferida pela empresa no anocalendário 2000; 4) fosse dada ciência à interessada, com prova de seu recebimento nos autos para, no prazo de trinta dias manifestarse sobre as conclusões da diligência, se assim o desejar, retornandose, posteriormente, os presentes autos a este Colegiado para prosseguimento. Foi, então, instaurado o procedimento de diligência fiscal pelo qual foi intimada, a interessada, a apresentar os elementos constantes dos Termos às fls. 363/364. Com base nos elementos apresentados foi produzida a informação fiscal de fls. 365/366. Nela a auditoria informa que ao exame do Livro Diário não conseguiu identificar os lançamentos contábeis relativos as Notas Fiscais de Saída, com a finalidade de verificar o faturamento da empresa. Por tal razão emitiu o Termo de Intimação de 30/08/2011, solicitando que o interessado (i) identificasse no Livro Diário apresentado de n° 33 os lançamentos contábeis das notas fiscais de saída apresentadas, de números 27823 a 32400 (janeiro a dezembro de 2000); (ii) elaborasse planilha indicando os lançamentos contábeis que determinaram os resultados de Fl. 370DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 receitas operacionais de vendas de mercadorias e serviços de seu Livro Diário as folhas 318, 591, 793 e 945 (Demonstrativo do Resultado do Exercício), de forma a permitir a localização dos lançamentos no Livro Diário. A empresa não teria apresentado os esclarecimentos solicitados. A auditoria entendeu, assim, que a receita da empresa no ano de 2000 deveria ser o resultado da soma dos valores contabilizados no Livro Diário com os valores das notas fiscais de saída, que não teriam sido contabilizadas. A receita total da empresa restou determinada em R$ 1.680.731,51. (fl. 365, verso). A interessada foi cientificada do conteúdo do relatório fiscal, em 06/10/2011, e sobre ele não se manifestou no prazo legal concedido de trinta dias. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A empresa recorrente foi excluída da sistemática simplificada, pois no ano imediatamente anterior à sua opção (2000), teria auferido receita bruta superior ao limite legal estabelecido para as micro e pequenas empresas de R$ 1.200.000,00. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário apresentados alegou que no anocalendário 2000 teria auferido receita bruta da ordem de R$ 921.281,46, dentro, portanto, do limite legal, e que teria havido erro no preenchimento da DIPJ original. Em procedimento de diligência fiscal solicitada por esta Turma Julgadora a fim de que fosse apurada a veracidade das alegações, constatou a auditoria fiscal que a receita bruta total da empresa, apurada no ano calendário 2000, totalizou R$ 1.680.731,51, superior, portanto, ao limite legal estabelecido para as micro e pequenas empresas de R$ 1.200.000,00 para aquele período. Em nova oportunidade de defesa concedida à recorrente, esta optou por se calar. Assim, restam comprovados os fatos que levaram à exclusão da empresa do Simples. Havendo prova, nos autos, que no anocalendário 2000 a empresa extrapolou o limite legal de faturamento permitido para as micro e pequenas empresas deve ser mantida a exclusão, com os efeitos retroativos à 01/01/2001. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13676.000008/200598 Acórdão n.º 180100.944 S1TE01 Fl. 370 5 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902189/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 89 /2 00 9- 44 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902189/200944 Acórdão n.º 1302002.503 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902189/200944 Acórdão n.º 1302002.503 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902189/200944 Acórdão n.º 1302002.503 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902189/200944 Acórdão n.º 1302002.503 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902189/200944 Acórdão n.º 1302002.503 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.902424/2009-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.244
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 24 24 /2 00 9- 37 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.902424/200937 Acórdão n.º 9303005.244 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.081, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2001 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.902424/200937 Acórdão n.º 9303005.244 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.902424/200937 Acórdão n.º 9303005.244 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.902424/200937 Acórdão n.º 9303005.244 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.902424/200937 Acórdão n.º 9303005.244 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.902424/200937 Acórdão n.º 9303005.244 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000204/2010-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/04/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 28/04/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16095.000204/201059 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.932 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOCIEDADE GUARULHENSE DE EDUCACAO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/04/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 02 04 /2 01 0- 59 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16095.000204/201059 Acórdão n.º 9202005.932 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.016383/2008-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.004
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que seja anexado aos autos o resulta da decisão do processo número 19679.003731/2004-02. Após, cientificar a recorrente sobre o resultado da diligência, retornar os autos ao relator para prosseguimento.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Após, cientificar a recorrente sobre o resultado da diligência, retornar os autos ao relator para prosseguimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Trata o presente processo de auto de infração exigindo o crédito tributário de R$ 500,00, relativo à multa por ausência de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002. Inconformada, a ora recorrente apresentou impugnação a DRJ onde alegava: Em 15 de março de 2004, a requerente ingressou perante esse Órgão, com um pedido de retificação de sua Ficha Cadastral a fim de que pudesse constar o evento 301, que lhe conferia o status de empresa optante pelo Sistema Simplificado de Tributação, conhecido como SIMPLES. Referido processo foi instruído de todos os documentos hábeis a comprovar a real intenção da requerente de ser optante pelo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 16 38 3/ 20 08 -3 1 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11610.016383/200831 Resolução nº 1001000.004 S1C0T1 Fl. 3 2 Simples, inclusive das respectivas declarações de Imposto de Renda Anual na modalidade Simplificada, procedimento este foi adotado até 30/06/2007, data em que o próprio contribuinte solicitou seu desenquadramento. Como se pode verificar pelo documento ora juntado a este petitório (doc. 2) o mencionado processo se encontra em análise na EQ ANALISE PROC TRIB DIVERSOS DERAT SP, onde aguarda a manifestação dos competentes julgadores. A DRJ proferiu o seguinte acórdão: A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, motivos pelos quais dela tomo conhecimento. Há conexão entre o presente processo e o processo no 19679.003731/200402, este último referente ao pedido da impugnante para que seja reconhecida como optante pelo Simples Federal a partir do início de suas atividades, em 11 de fevereiro de 1999 até 30 de junho de 2007, o qual está pendente de decisão até a presente data e cuja competência é daDelegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributaria de São Paulo. Outrossim, em razão do lapso temporal já transcorrido, conforme autorizado pelo art. 265 § 5o do Código de Processo Civil, o presente processo será solucionado independentemente da decisão do processo conexo. A Lei 9.317/96 e alterações posteriores, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas Simples Federal restringiu a admissão de algumas pessoas jurídicas em razão de sua atividade. O objeto social da impugnante, conforme consta de seu contrato social, “consiste na exploração do ramo de empacotamento, distribuição de brindes, impressos gráficos e folhetos, apoio à organização de feiras e eventos”. Dáse interpretação ampla ao objeto social da empresa uma vez que é bastante genérica a sua descrição, e não há outras provas, nesses autos e nos autos do processo no 19679.003731/200402, das atividades efetivamente desempenhadas pela empresa. Por conseguinte, entendese que a atividade de apoio à organização de feiras e eventos abrange as subatividades usualmente a ela relacionadas, incluindo a criação do logotipo do evento, do material de divulgação do evento e também o fornecimento da mãodeobra especializada para sua realização, tais como, recepcionistas, técnicos de som e de imagem, cerimonial, etc. A criação do logotipo e do material de divulgação é atividade de publicidade, pois, de acordo com o art. 6º do Decreto nº 57.690, de 1º de fevereiro de 1966, que regulamentou a Lei n° 4.680, de 1965, “Agência de Propaganda é a pessoa jurídica especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitários, que, através de Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11610.016383/200831 Resolução nº 1001000.004 S1C0T1 Fl. 4 3 profissionais a seu serviço, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de clientes anunciantes, com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos e serviços, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem”. A disponibilização de pessoal para a realização de determinada tarefa, independentemente de qual seja, constitui locação de mão de obra. Estão impedidas de optar pelo Simples Federal as empresas que têm por atividade tanto a criação de propaganda e publicidade quanto a prestação de serviço mediante locação de mão de obra, por força do art. 9o da Lei 9.317/96, inciso XII, alíneas “d” e “f”. Concluise que no período do lançamento a impugnante estava impedida de optar pelo regime tributário do Simples Federal, ficando obrigada a apresentar a DCTF. Com base no exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformado, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Basicamente, a recorrente repetiu os mesmos argumentos apresentados para a impugnação. Devido a existência de um processo, o de número 19679.003731/200402, pleiteando que seja reconhecida como optante pelo simples, o qual ainda não foi julgado, consoante informação da própria DRJ e, principalmente, devido ao tempo já decorrido, proponho que o processo seja convertido em diligência para que DRF São Paulo anexe aos autos, o resultado do referido processo, que a recorrente seja cientificada do resultado (parágrafo único ao artigo 35 do Decreto 70.235/75) e que os autos sejam devolvidos ao CARF, para o devido julgamento. É como voto (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720393/2011-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 03 93 /2 01 1- 51 Fl. 122DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, somente há justificativa para seu restabelecimento com a confirmação do efetivo desembolso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os de que os gastos seriam elevados e que não teria sido comprovada a efetividade do pagamento. No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. O contribuinte trouxe várias descrições dos serviços médicos ocorridos, com declarações de vários profissionais: No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos são de valores elevados e que não comprovam a efetividade do pagamento de despesas médicas. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10640.720393/201151 Acórdão n.º 2001000.043 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da Fl. 124DF CARF MF 4 esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10640.720393/201151 Acórdão n.º 2001000.043 S2C0T1 Fl. 4 5 VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000863/2009-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas - geradas com o uso do capital que os JCP remuneram - se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores.
Numero da decisão: 9101-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. O conselheiro Luís Flávio Neto manifestou intenção de apresentar declaração de voto, porém não o fez até o encerramento do prazo regimental.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas - geradas com o uso do capital que os JCP remuneram - se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. O conselheiro Luís Flávio Neto manifestou intenção de apresentar declaração de voto, porém não o fez até o encerramento do prazo regimental. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 923 1 922 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000863/200981 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.068 – 1ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2017 Matéria JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RETROATIVOS. Recorrente BV LEASING ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. O conselheiro Luís Flávio Neto manifestou intenção de apresentar declaração de voto, porém não o fez até o encerramento do prazo regimental. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 63 /2 00 9- 81 Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 924 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratamse de Autos de Infração (Efls. 190 ss.) para a exigência de créditos de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2005, sob a acusação fiscal de que a contribuinte teria efetuado o pagamento de Juros sobre Capital Próprio a seus acionistas neste período sem observar o regime de competência, ao haver os calculado com base nos resultados ou lucros acumulados nos exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005, extrapolando assim os limites legais para a sua dedutibilidade, conforme o artigo 9o. da Lei n. 9.249/95, Instrução Normativa SRF n. 11/96 e Ato Declaratório Normativo COSIT n°. 13/96. Adicionalmente, de acordo com o Termo de Verificação de Infração (E fls. 180 ss.), considerouse que a empresa teria compensado indevidamente prejuízos fiscais existentes no anocalendário de 2005, conforme os artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99, o que deu origem a outro auto de infração e ao respectivo processo n. 16327.000862/200936. A contribuinte apresentou Impugnação (Efls. 205 ss.) requendo, primeiramente, a reunião dos dois processos, e sustentando os seguintes pontos, condensados pelo relatório da decisão da DRJ e também utilizado no acórdão recorrido: “3.2. A autuação apóiase na premissa de que os limites e critérios a serem observados pelo contribuinte seriam aqueles prevalecentes na data em que o valor dos JCP é imputado ao resultado do exercício. Não havendo deliberação a respeito da destinação dos lucros registrados nos exercícios anteriores a 2005, inexistente seria a despesa do valor excedente aos limites de distribuição de JCP em 2005. Assim, parte do valor de JCP pago em 2005 não seria despesa dedutível na apuração do IRPJ e CSLL, configurando excesso aos limites aplicáveis aquele período, o que resultou em glosa dessa parcela. 3.3. A lei 9.249/95, em seu § 7.º do art.9.º, admitiu que o valor pago como JCP fosse imputado ao valor dos dividendos referidos no art. 202 da lei 6.406 (leiase 6.404)/76. Sendo assim, os JCP devem receber o mesmo tratamento societário dado nesse art. 202, sem prejuízo do disposto no § 2.º do art. 9.º da lei 9.249/95. 3.4. A lei equiparou os JCP aos dividendos para todos efeitos societários quando o valor daqueles fosse a estes imputado por assembleia realizada para deliberar seu pagamento, desde que atendidas as condições previstas no § 2.º referido: expressa concordância dos acionistas em relação à não distribuição de dividendos nos períodos em que os respectivos lucros foram gerados, registro dos lucros não distribuídos em conta de reserva, e recolhimento de IR na fonte, efetuado integralmente pela impugnante. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 925 3 3.5. A lei 9.249/95, ao permitir que o valor dos JCP pagos fosse imputado como dividendo, conferiu a eles tratamento tributário de despesa financeira, sem interferir na disciplina prevista no plano societário. Por isso os JCP no campo tributário submetemse à incidência de IRRF, sendo despesa dedutível na apuração do IRPJ e CSLL devidos por aqueles que os pagam, e receita tributável para quem os recebe. 3.6. O § 3.º do art. 202 da lei 6.404/76, expressamente mencionado no § 7.º do art. 9.º da lei 9.249/95, contempla a possibilidade de suspensão, em assembléia geral, do pagamento de dividendos, desde que não haja oposição de qualquer acionista presente, e o § 5.º admite que os lucros não distribuídos sejam pagos como dividendos assim que a situação financeira da companhia permitir. Foi o que ocorreu nesse caso: necessitando de recursos para desenvolvimento de suas atividades, a impugnante deliberou pelo não pagamento de dividendos em 2002 até 2004, fazendoo apenas em 2005, quando houve melhora de sua situação financeira. 3.7. Atendidas as condições impostas pela legislação societária, e efetuado o recolhimento do IRRF referido no § 2.º do art.9.º da lei 9.249/95, foram satisfeitas as condições para que a impugnante adotasse o procedimento de dedução do valor pago como JCP, eis que existentes lucros acumulados ou reservas de lucros em valor compatível com os limites fiscais prevalecentes na data de sua apuração, não na data do pagamento. O exemplo dado pela autuante, de indedutibilidade de despesas de depreciação, está fora do contexto dos autos eis que encargos de depreciação somente não são lançados em situações específicas que não ocorreram no caso presente. 3.8. Se a dedutibilidade dos JCP pagos dependesse de mera deliberação em assembleia, bastaria à impugnante promover a simples reratificação das atas de registro das decisões tomadas no passado, fazendo constar delas a determinação de pagamento dos JCP nos períodos questionados pela fiscalização, e efetuar o ajuste dos exercícios anteriores permitido pela legislação societária. Porém, a impugnante entende que seja questão de natureza material, preferindo agir de forma transparente e na absoluta boa fé. 3.9. Se falta houve, admitindo para argumentar, resumirseia à inexatidão do período base referido no § 5.º do art.6.º do decretolei 1.598/77, que apenas constitui motivo de lançamento se provocar postergação de IRPJ ou redução indevida do lucro real. Ora, restou provado nos autos, e a autoridade fiscal não contesta, que se a impugnante houvesse pago ou creditado os JCP nas datas a que se referem os respectivos lucros, atenderia plenamente as condições e limites exigidos para sua dedutibilidade. Deixando de pagálos naqueles momentos, os acionistas da empresa não causaram qualquer prejuízo à arrecadação, ao contrário, suportaram onus tributário superior ao que lhes seria imposto se não houvesse a renúncia temporária à prerrogativa de creditar essa verba nos próprios períodos em que foram gerados os lucros, razão pela qual soa absurdo falarse em lesão ao erário. Conclui que é nulo o lançamento. 3.10. A lei não pode impor ao acionista obrigação de deliberar pelo pagamento de JCP em qualquer período, punindoo com pena de preclusão do direito de fazelo no futuro, pois isso significaria interferência indevida da lei tributária na gestão da companhia, fato não admitido em nosso ordenamento jurídico. Também submeteria os investidores à incidência de IRPJ, CSLL e IRRF para evitar a preclusão desse direito. Ainda que houvesse a capitalização dos JCP, não seria elidida a incidência do IRRF, ocorrendo descapitalização da sociedade investida, bem como dos investidores, configurandose ofensa ao princípio constitucional que garante o não confisco. Cita jurisprudência a embasar sua tese. 3.11. Um simples ato administrativo, a IN SRF 11/96, jamais poderia inovar em relação à lei, pois tratase de norma cujo único fim é expor a interpretação da administração tributária sobre o tema, e que nem sempre é a mais razoável.” Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 926 4 A autuação foi mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (Efls. 436 ss.), que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R PJ Data do fato gerador: 31/12/2005 NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por se tratar de opção do contribuinte. Para fins de dedutibilidade, a inclusão de juros sobre o capital próprio é faculdade concedida pela lei, cujo exercício se sujeita a limite absoluto, correspondente ao produto da variação da TJLP sobre o patrimônio líquido, não podendo o contribuinte exercêla em anos posteriores, retroagindo a limite de ano anterior. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. As normas disciplinadoras do IRPJ regem também as obrigações concernentes à CSLL, no que cabíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Na sequência, a contribuinte protocolizou petição de desistência parcial (Efls. 453 ss.) do recurso, manifestando, com suas palavras, “interesse em permanecer discutindo a dedutibilidade dos JCPs pagos em 2005, levando em conta o limite relativo aos saldos de lucros acumulados e reservas de lucros de exercícios anteriores a 2004, no valor de R$ 68.692.177.54.” Isso porque, complementa, “o limite considerado pela autoridade fiscal como dedutível a título de JCP corresponde à parcela relativa ao patrimônio líquido do exercício social de 2004, no valor de R$ 53.973.689,67, enquanto a Impugnante entende que o limite a ser observado para esse efeito corresponde à parcela que a autoridade fiscalizadora denomina de ‘saldos de lucros acumulados e reservas de lucros de exercício anteriores’, no valor deR$ 68.692.177,54.” Insurgindose contra a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 516 ss.), deduzindo as seguintes razões de defesa, conforme sintetizado pelo acórdão recorrido: “a) preliminarmente, o acórdão recorrido é omisso, por não ter considerado a desistência parcial do seu recurso, e mantido a exigência na íntegra. Assim, requer seja homologada a desistência parcial manifestada, ou, alternativamente, explicitados os motivos que tenham levado a r. Turma Julgadora a não fazêlo, garantindose assim o princípio ao devido processo legal e à prestação jurisdicional Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 927 5 requerida; b) é possível a deliberação de JCP em exercícios subsequentes ao de sua apuração, não ocorrendo renúncia ou preclusão do direito, ou desrespeito ao regime de competência, caso não se decida em assembleia no próprio exercício em que se calculam os juros; c) a Assembleia geral é órgão soberano para dispor sobre qualquer matéria de interesse dos acionistas, ainda que relacionadas ao passado, sobretudo no que se refere à remuneração do investimento feito pelos respectivos acionistas, incluindose aí os JCP, que podem ser imputados aos dividendos sem distinção do período do qual provenham; d) se a lei não proíbe o pagamento de JCP em período posterior à apuração dos lucros considerados para esse fim, não poderia o seu aplicador estabelecer qualquer restrição ao exercício desse direito; e) ao contrário do que afirmam a autoridade lançadora e a Turma recorrida, as INs SRF n°s 11/96, e 41/98, invocadas como fundamento para justificar a suposta proibição, não contemplam qualquer restrição à imputação de JCP ao saldo de lucros acumulados; f) existe jurisprudência favorável do Conselho de Contribuintes (Acórdãos nºs 10708.941 e 10196.751)e do Superior Tribunal de Justiça – STJ (Resp n°. 1.086.752PR); g) a despesa correspondente ao saldo remanescente de JCP relativos ao ano de 200 foi efetivamente incorrida somente quando da realização da assembleia que determinou o seu pagamento, pois apenas por ocasião desse evento é que consumou se tal obrigação, e por isso contabilizada somente nessa data, não havendo qualquer descumprimento do regime de competência; h) a lei estabelece dois parâmetros a serem considerados pelo contribuinte para fins de dedutibilidade dos JCP: os lucros do exercício, computados antes da dedução desse encargo, ou, alternativamente, os lucros acumulados e reservas de lucros, desde que em montante igual ou superior a duas vezes o valor dos juros a serem pagos ou creditados, tendose adotado o segundo deles (R$ 68.692.177,54, correspondente à metade dos lucros acumulados e reservas de lucros, que totalizavam R$ 137.384.355,08). Ao final, requer seja acolhida a preliminar suscitada, para suprir a omissão da decisão recorrida sobre a extinção, por força de pagamento, de parte da obrigação tributária que ensejou o auto de infração impugnado, e pugna pelo cancelamento da exigência fiscal.” O Acórdão n. 1102000.934 (Efls. 1585 ss.) negou provimento ao recurso voluntário, considerandose, no que ora interessa, que os Juros sobre Capital Próprio só passariam a existir no mundo jurídico com o pagamento ou o crédito individualizado, quando apenas então poderiam ser compreendidos como despesas incorridas, com seu cálculo pautado em função do patrimônio e lucros do exercício em que teriam surgido, como demonstra a ementa abaixo: “OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. É impossível reputar como omissa decisão que não analisou pedido do contribuinte ainda não formulado. Hipótese em que a decisão de 1a instância foi proferida em sessão de julgamento realizada em 12 de novembro de 2009, enquanto o pedido de desistência foi protocolado após essa data, em 24 de novembro de 2009. PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 928 6 A homologação da desistência parcial é da competência da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o sujeito passivo, não cabendo ao CARF sobre ela decidir. Ademais, os documentos dos autos demonstram que o pedido perdeu seu objeto, pois a desistência parcial do recurso já foi processada. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) é optativo, e, nos termos da lei, eles só passam a existir no mundo jurídico com o pagamento ou o crédito individualizado ao titular, sócios ou acionistas. Somente nesse momento podem ser considerados como despesa incorrida, devendose realizar seu cálculo em função do patrimônio e lucros do exercício em que surgiram. Não é possível se apurar o montante de despesa incorrida com base em períodos anteriores a sua existência. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Pedido Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar suscitada, não conhecer do pedido de homologação de desistência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos na votação: o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava provimento, e os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que acompanharam o voto divergente pelas suas conclusões. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho apresentou declaração de voto.” A contribuinte então interpôs Recurso Especial (Efls. 701 ss.), iniciando com a demonstração de contradições que entendeu havidas no acórdão recorrido, para se apontar três divergências e os repectivos paradigmas quanto (i) à natureza jurídica de dividendos dos JCP, razão pela qual deveriam ser excluídos do lucro líquido para efeitos de tributação do IRPJ e CSLL, enquanto a decisão recorrida os compreenderia como juros, dandolhes o tratamento de receita financeira (Acórdão n. 10709.570); (ii) possibilidade de cálculo e pagamento com base em lucros auferidos em exercícios anteriores e não distribuídos nos períodos em que apurados (Acórdãos n. 1202000.766 e 10708.941), ressaltandose sobre esse ponto: Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 929 7 Por fim, a terceira divergência apresentada diz respeito (iii) à ausência de deliberação da assembleia sobre os JCP não configurar renúncia ao direito de distribuição em momento posterior (Acórdãos n. 1401000.902 e1401000.901); por fim complementando com a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp n. 1.086.752PR, em que se registrou que a legislação não imporia que a dedução dos JCP deveria ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa, mas, ao contrário, permitiria que ela ocorresse em um ano calendário futuro, quando efetivamente realizado o pagamento. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 930 8 O recurso foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 877 ss.), resaltandose que este o compreendeu como referente a “único ponto, qual seja, a definição dos limites para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A recorrente defende a dedutibilidade fiscal dos juros pagos tendo em conta um limite superior àquele que foi considerado pelo acórdão recorrido.” Fezse essa ressalva porque, como demonstrado, a Recorrente estruturou seu recurso de modo a dividilo em três divergências, apresentando paradigmas específicos para cada uma delas. O despacho de admissibilidade, por sua vez, compreendendo que se tratariam de diferentes teses jurídicas sobre uma mesma matéria, tomou para sua análise os dois primeiros acórdãos indicados, no caso um sobre o primeiro fundamento e outro sobre o segundo, rejeitando o primeiro deles (Acórdão n. 10709.570) para dar seguimento ao recurso pelo segundo (Acórdãos n. 1202000.766). Nesse sentido, com a premissa adotada, não apreciou todas os acórdãos apresentados, restringindose aos dois primeiros. Por fim, a Fazenda Nacional ofereceu Contrarrazões (Efls. 884 ss.) sustentando (i) a ausência de previsão legal para o pagamento de Juros sobre Capital Próprio retroativos na forma pretendida pelo sujeito passivo; (ii) o dever de observância do regime de competência, respeitandose a previsão do art. 9º da Lei n. 9.249/95, e a legalidade do art. 29 da IN SRF n. 11/96; bem como (iii) a ausência de deliberação, no momento oportuno, sobre o pagamento dos JCP nos limites autorizados pela lei, implicandose a renúncia ao direito de dedutibilidade. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da contribuinte. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 931 9 primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, é importante que se ressalve, para fins de delimitar o âmbito de conhecimento do recurso especial, que este foi estruturado pela contribuinte sob três divergências distintas, para as quais foram indicados os respectivos paradigmas: (i) natureza jurídica de dividendos dos JCP, razão pela qual deveriam ser excluídos do lucro líquido para efeitos de tributação do IRPJ e CSLL, enquanto a decisão recorrida os compreenderia como juros, dandolhes o tratamento de receita financeira (Acórdão n. 10709.570); (ii) possibilidade de cálculo e pagmento com base em lucros auferidos em exercícios anteriores e não distribuídos nos períodos em que apurados (Acórdãos n. 1202000.766 e 10708.941); e (iii) não configuração de renúncia ao direito de distribuição em momento posterior pela ausência de deliberação da assembleia sobre os JCP (Acórdãos n. 1401000.902 e1401000.901). Por sua vez, o despacho de admissibilidade compreendeu que se tratariam de diferentes teses jurídicas sobre uma mesma matéria, tomando para análise apenas os dois primeiros acórdãos indicados, no caso um sobre o primeiro fundamento indicado no parágrafo anterior e outro sobre o segundo. Leiase: “Importante registrar que o recurso especial versa sobre um único ponto, qual seja, a definição dos limites para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A recorrente defende a dedutibilidade fiscal dos juros pagos tendo em conta um limite superior àquele que foi considerado pelo acórdão recorrido. (…) Com relação aos paradigmas apresentados, de se observar que, conforme dito, o recurso especial versa sobre uma única matéria, sendo que o contribuinte apresenta cinco paradigmas, que seriam representativos de três diferentes “pontos”, que, a seu ver, seriam objeto de divergência, a saber: (i) natureza jurídica dos JCP (juros sobre o capital próprio) – dividendos; (ii) distribuição cumulada dos JCP – possibilidade; (iii) renúncia – interpretação restritiva. Não se há de confundir a matéria, que é o ponto que a recorrente deseja rediscutir, com tese jurídica. Uma mesma matéria pode comportar diversas teses jurídicas. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 932 10 Assim, temse que o contribuinte apresenta acórdãos vinculando diversas tese jurídicas distintas, contudo, todas versando sobre o mesmo e único ponto, já antes referido. Assim, considerandose a expressa previsão regimental contida no art. 67 do RICARF, e o fato de que a recorrente não especificou qualquer ordem de prioridade na análise dos paradigmas, apenas os dois primeiros citados no recurso serão considerados para fins de análise. Transcrevese a seguir excertos da exposição da recorrente, com os destaques da própria, somente até o ponto em que abarcado pelos dois primeiros paradigmas a serem analisados: “Interposto o Recurso Voluntário, foi ele desprovido por voto de qualidade pelo r. acórdão recorrido, prevalecendo o argumento de que o pagamento de JCPs não poderia ter sido feito de forma retroativa, seja porque não houve deliberação expressa da assembleia de acionistas da Recorrente acerca da suspensão do pagamento daquela verba, seja porque essa despesa só poderia ser calculada nos limites do exercício em que surgiu, não sendo possível apurar o seu montante com base em períodos anteriores a sua existência. (...) A primeira divergência diz respeito à natureza jurídica dos JCPs, que no entender da Recorrente e da 7a Câmara do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda é a de dividendos, razão pela qual essa verba deveria ser excluída do lucro líquido para efeito de tributação pelo IRPJ e CSLL, enquanto a decisão recorrida afirma ter a característica de juros. Confirase: ACÓRDÃO RECORRIDO "Apesar de a doutrina afirmar que a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio é a de distribuição sui generis de lucro, não há dúvidas de que a lei fiscal lhes dá o tratamento de despesa financeira. E como despesa financeira, só podem ser apropriados no período a que competirem" (Cf. fl. 674, grifamos) ACÓRDÃO PARADIGMA "DEDUTIBILIDADE DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO POR SEREM DESPESAS NECESSÁRIAS Diante da norma específica sobre a matéria, vedatória da dedução dos juros sobre o capital próprio, não se há de cogitar da cláusula geral de dedutibilidade. Ademais, os juros sobre o capital próprio, a rigor, não são despesas, mas distribuição de resultados, conforme a própria Deliberação CVM 207/96, e que, portanto, seriam objeto de exclusão do lucro líquido, apesar do emprego do termo dedução." (Processo Administrativo n. 16327.001065/200119, Acórdão n. 10709.570, 7a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Turma Ordinária, sessão de 13 de novembro de 2008, destaques nossos) E nem poderia ser de outra forma, pois, repitase, se a principal condição para que os JCPs possam ser pagos e deduzidos é a existência de lucros ou lucros acumulados, então de juros não se trata, pois a obrigação de pagálos independe da situação patrimonial do devedor. Nessas condições, deveriam ser excluídos do lucro líquido para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, na forma preconizada pela ementa acima. (...) Mas ainda que juros fossem, nada impede que sejam calculados e pagos com base em lucros auferidos em exercícios anteriores e não distribuídos no período em que foram apurados. Nesse ponto, a divergência jurisprudencial pode ser assim demonstrada: ACÓRDÃO RECORRIDO "Contudo, pareceme evidente que, quando a lei permite que se deduza, para efeitos da apuração do lucro real, os JCP calculados pela aplicação pro rata dia da taxa TJLP sobre os valores das contas do patrimônio líquido, estáse limitando o cálculo para o mesmo período da apuração do lucro real. Apesar de a doutrina afirmar que a Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 933 11 natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio é a de distribuição sui generis de lucro, não há dúvidas de que a lei fiscal lhes dá o tratamento de despesa financeira. E como despesa financeira, só podem ser apropriados no período a que competirem. Não é razoável se entender que a lei permitiu implicitamente a dedução de uma despesa calculada com base no patrimônio de períodos anteriores. Isso seria o mesmo que admitir, por exemplo, a dedução de juros sobre um empréstimo relativos ao ano calendário anterior" (Cf. fl. 673, grifamos) ACÓRDÃOS DIVERGENTES "JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. POSSIBILIDADE DE REMUNERAÇÃO COM BASE EM PERÍODOS ANTERIORES. O Art. 9o da Lei n" 9249/95 não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Diante dessa falta de restrição temporal e da discricionariedade das sociedades em remunerar os juros sobre capital próprio aos acionistas, os juros não precisam ser obrigatoriamente pagos ou creditados ao final de cada período, o que permite o pagamento em um momento futuro. ART. 29 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 11/96. REGIME DE COMPETÊNCIA. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provado, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição” (Processo Administrativo n. 12963.000065/201036, Acórdão n. 1202000.766, 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção, julgado em 8 de maio de 2012) (...) Como se vê dos paradigmas, inexiste qualquer norma que determine a apuração e distribuição dos JCPs exclusivamente com base nos lucros apurados no ano imediatamente anterior a esse evento, nem limitando a dedução ao primeiro ano em que poderiam ser pagos/creditados. O art. 9o da Lei n. 9.249/95 exige única e exclusivamente que a dedução fiscal se dê no ano em que ocorrer o pagamento ou crédito, observados os limites quantitativos (e não temporais) ali previstos. Passo à análise. A demonstração de divergência com relação ao primeiro paradigma (acórdão no 10709.570), por parte da recorrente, está completamente equivocada. A recorrente apóiase na falsa premissa de que o acórdão paradigma teria permitido a dedução/exclusão dos JCP pagos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, por têlos considerado como dividendos, conforme o seguinte excerto do recurso (grifei): “E nem poderia ser de outra forma, pois, repitase, se a principal condição para que os JCPs possam ser pagos e deduzidos é a existência de lucros ou lucros acumulados, então de juros não se trata, pois a obrigação de pagálos independe da situação patrimonial do devedor. Nessas condições, deveriam ser excluídos do lucro líquido para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, na forma preconizada pela ementa acima.” Ocorre que, em primeiro lugar, no caso paradigma se discutia apenas a dedutibilidade dos JCP da base de cálculo da CSLL, e não do IRPJ. E, em segundo, o resultado do julgamento foi contrário ao que afirmou, ou imaginou ter sido, a recorrente. Basta ler o último parágrafo do voto condutor: “Por tudo isso, nego provimento ao recurso”. Assim também a parte dispositiva: “ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e Fl. 933DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 934 12 voto que passam a integrar o presente julgado”. A ementa referida pela recorrente, portanto, reflete o fundamento utilizado pelo colegiado para refutar o argumento (da empresa recorrente naquele processo) de que as despesas com JCP deveriam ser inseridas no conceito geral de dedutibilidade das despesas para fins de CSLL. Portanto, o colegiado, no acórdão paradigma, ao contrário do que aduziu a recorrente, considerou os JCP indedutíveis da base de cálculo da CSLL (e não se pronunciou acerca do IRPJ, porque sequer fazia parte do litígio). Com relação ao segundo paradigma (acórdão no 1202000.766), contudo, entendo ter a recorrente demonstrado adequadamente a divergência. A divergência jurisprudencial se caracteriza quando, em situações idênticas ou análogas, e em face do mesmo arcabouço normativo, são adotadas soluções diversas. O contexto fático no acórdão paradigma é, substancialmente, idêntico ao caso dos autos, conforme se confirma pelo seguinte excerto do relatório do citado paradigma: “Tratase, em suma, de glosa da dedutibilidade de juros sobre o capital próprio (“JCP”) pagos em 2007 pela Recorrente, calculados sobre a remuneração do capital próprio até 2006, tendo a fiscalização entendido que a dedução somente seria possível sobre a remuneração do próprio ano de 2007, o que teria motivado a glosa relativa aos períodos anteriores. E, de fato, a decisão proferida se deu em sentido diametralmente oposto ao defendido no acórdão recorrido, posto que o colegiado em questão, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. A divergência resta estampada no seguinte excerto da ementa do acórdão paradigma (grifei): “O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provado, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição.” Comprovada, portanto, a divergência jurisprudencial, opino no sentido de que se deva DAR SEGUIMENTO ao recurso especial do sujeito passivo (art. 68 do RICARF). Observase, portanto, que de acordo com a premissa adotada, o despacho de admissibilidade conheceu o recurso com fundamento no Acórdão n. 1202000.766 – que na estrutura da contribuinte se referia à segunda divergência apresentada, sobre a possibilidade de se pagar os JCP com base em lucros apurados em períodos anteriores –, delimitandose o espectro do conhecimento a este julgado e tema, embora ele permita a abordagem de diferentes fundamentos, como, afinal, deduzse do despacho de admissiblidade, ao tratar todos as questões como um único tema. Assim, votase por CONHECER O RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 935 13 MÉRITO Conforme a análise de conhecimento procedida, devolvese, então, ao julgamento deste Colegiado a questão dos limites da dedutibilidade dos Juros sobre Capital Próprio, cujo pagamento foi deliberado no ano calendário de 2005, com relação a lucros apurados nos anos calendários de 2002, 2003, 2004 e 2005. Observase que, com a desistência parcial requerida pela Recorrente, reconheceuse como devido o crédito correspondente ao valor do JCP que excedia ao limite da metade dos lucros acumulados apurados nos exercícios anteriores a 2005, imputado indedutível, subsistindo a discussão somente quanto à possibilidade de se considerar dedutível na base de cálculo do IRPJ e CSLL, no ano calendário de 2005, as despesas com JCP correspondentes à variação da TJLP de 01.01.2002 a 29.12.2005, data da deliberação do pagamento, observandose o limite previsto no § 1º, do art. 9º da Lei 9.249/2005 em relação ao ano do pagamento, vale dizer, os lucros e sua reservas acumulados até 31.12.2004 (valor superior ao lucro do exercício). Pois bem. Sustenta a contribuinte em seu recurso especial que seus acionistas mantiveramna capitalizada no intervalo de 2002 a 2004, nada impedindo que os JCP pagos fossem calculados em função da variação da TJLP sobre os saldos da contas integrantes do patrimônio líquido nesses anos anteriores, uma vez (i) existentes lucros em valor superior ou igual a duas vezes os JCP na data em que deliberado o pagamento e também nesses outros exercícios; (ii) apuração dos JCP dedutíveis mediante a aplicação da TJLP sobre o saldo das contas do patrimônio líquido verificada em cada exercício respectivo, ano a ano; (iii) deliberação ou pagamento dos JCP com individualização dos beneficiários; e (iv) pagamento do IRRF à alíquota de 15%. Defende, ainda, que o limite correspondente à aplicação da TJLP sobre o PL deve considerar, em relação ao JCP cumulado, aquele existente em cada exercício e não o específico da data do ano do pagamento, que neste caso deve ser considerado apenas para o cálculo do limite deste próprio ano. Afinal, em seu posicionamento, “fosse necessário limitar a dedução do JCP cumulado também à TJLP aplicado sobre o PL existente no ano do pagamento ou crédito, ficaria praticamente inviabilizada a dedução cumulada, tonando inútil não apenas a lei, mas também a jurisprudência administrativa.” Sobre o presente tema, como já votei em julgamento anteriores neste colegiado, não discordo da possibilidade de a assembleia da companhia deliberar o pagamento de Juros sobre Capital Próprio num ano calendário com lucros apurados em execícios anteriores, os considerando para a verificação dos limites da TJLP, desde que atendidos os demais requsitos legais, como a identificação de lucros superior ou igual a Fl. 935DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 936 14 duas vezes os JCP, conquanto a sua limitação quanto à referida taxa ao exercício da deliberação naturalmente representaria um caminho contrário a se alcançar o objetivo pretendido de atração do capital de longo prazo para investimento e também a própria remuneração dos acionista e recomposição do seu patrimônio monetariamente. De fato se considera o instante da deliberação do pagamento dos JCP como aquele em que nasce a obrigação e, portanto, deve ser registrada contabilmente segundo o regime de competência – aliás, em linha que não se distancia completamente da orientação fiscal, a não ser quanto à definição do instante desse nascimento. Isso, porém, não afasta a possibilidade dessa deliberação ocorrer num dado exercício com relação a períodos ateriores, tampouco obrigada a assembleia deliberar anualmente o pagamento dos JCP, sob pena de renúncia a esse direito ou à sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e CSLL, não só por ausência de previsão legal nesse sentido – valendo a máxima do direito privado de que a regra é a permissão e a obrigação previsão legal expressa –, porque também configuraria clara ingerência da Administração na sociedade empresária. Também não se aplica, por fim, o racional de que porque se cuidaria de um benefício fiscal poderia sofrer qualquer limitação, haja vista que se trata de uma regra ordinária de dedutibilidade, para a adequada determinação da base de cáculo do IRPJ e da CSLL, em consonância com a hipótese de incidência do imposto. Nesse sentido, adotase como razões de decidir, por trazer maiores detalhes desse posicionamento, a declaração de voto contida no acórdão recorrido, realizada pelo então ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, da qual se transcreve trecho a seguir: “Declaração de Voto Discutese nos autos a respeito dos limites de dedutibilidade de despesas com juros sobre capital próprio (JCP) de que trata o art. 9º da Lei n. 9.249/1995 para apuração das bases de cálculo do IRPJ e de CSLL, cujo pagamento foi deliberado e realizado pela Contribuinte no ano calendário de 2005. Originariamente, para fins de apuração do limite previsto no § 1º, do art. 9º da Lei nº 9.249/1995 – lucro ou lucros acumulados e reservas de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados – a Contribuinte considerou os limites referentes a cada ano (2002, 2003, 2004 e 2005), conforme demonstrado às fls. 181. Posteriormente, a Contribuinte desistiu parcialmente da impugnação para reconhecer como devido o crédito tributário constituído por força de indedutibilidade do valor do JCP que excedia ao limite da metade dos lucros acumulados apurados nos exercícios anteriores a 2005 (ano da deliberação do pagamento do JCP). Permanece apenas a discussão sobre a possibilidade de considerar dedutível na base de cálculo do IRPJ e CSLL, no ano calendário de 2005, despesas com JCP correspondentes à variação da TJLP desde 01.01.2002 (vide fls. 258) até a data da deliberação do pagamento, qual seja, 29.12.2005, observandose o limite previsto no Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 937 15 § 1º, do art. 9º da Lei 9.249/2005 em relação ao ano do pagamento, no caso, os lucros e reservas de lucros acumulados até 31.12.2004 (valor superior ao lucro do exercício). Com a devida vênia, a adequada interpretação do art. 9º, caput da Lei nº 9.249/1995 demanda a análise do histórico do instituto, bem como do cenário econômico em que foi editada a referida lei. Histórico e Cenário Econômico da Instituição do JCP O JCP não é instituto recente. Na antiga Lei das S/A (DecretoLei nº 2.627/1940, art. 129, §1º, alínea “e”), editada em 1940, havia menção aos juros pagos aos acionistas e à determinação do limite da taxa de juros, que não poderia exceder a 6% ao ano. Verbis: “nas despesas de instalação deverão ser incluidos os juros pagos aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. Os estatutos fixarão a taxa de juro, que não poderá exceder de 6 % (seis por cento) ao ano, e o prazo para a amortização.” Apenas com o advento do art. 43 do Decretolei 4.178/1942 (reproduzido no Decretolei 5.844/1943), a despesa de JCP passou a não ser dedutível do cálculo do lucro real. Verbis: “Art. 43. A base do imposto será dada pelo lucro real ou presumido correspondente ao ano social ou civil anterior ao exercício financeiro em que o imposto for devido. § 1º Serão adicionados ao lucro real, para tributação em cada exercício financeiro: (...) e) os juros sôbre o capital ou quota social atribuídos ao titular e sócios das firmas e sociedades;” (grifei) O art. 49 da Lei nº 4.506/1964, na linha do Decretolei 5.844/1943, dispôs que: “Art. 49. Não serão admitidas como custos ou despesas operacionais as importâncias creditadas ao titular ou aos sócios da emprêsa, a título de juros sôbre o capital social, ressalvado o disposto no parágrafo único dêste artigo. Parágrafo único. São admitidos juros de até 12% (doze por cento) ao ano sôbre o capital, pagos pelas cooperativas de acôrdo com a legislação em vigor.” (grifei) A atual Lei das S/A (Lei nº 6.404/1976), que revogou o Decretolei nº 2.627/1940, dispunha em seu artigo 179, V, posteriormente revogado pela Lei 11.638/2007, o quanto segue: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais.” (grifei) Apesar de o artigo da Lei das S/A prever situação específica, qual seja, o JCP pagos no período que anteceder ao início das atividades, é inconteste que havia a previsão do instituto no referido diploma. Da análise dos citados dispositivos, é possível sustentar que, até o advento da Lei nº 9.249/1995, o JCP era instituto já previsto na legislação, tanto societária como tributária, sendo que não havia limites no âmbito societário para o seu pagamento (pois o limite de 6% do art. 129 do Decretolei 2.627/1940 fora revogado pela atual Lei das S/A). Contudo, a partir do Decretolei nº 4.178/1942, a despesa passou a ser considerada não dedutível da base de cálculo do IRPJ. O JCP, nos moldes em que se conhece hoje, foi instituído pelo art. 9º da Lei nº 9.249/1995, com alterações efetuadas pela Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a Fl. 937DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 938 16 título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa juridical não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, os juros de que trata este artigo serão adicionados à base de cálculo de incidência do adicional previsto no § 1º do art. 3º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não sera considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. O referido art. 9º da Lei 9.249/1995 tem natureza híbrida, pois (i) cria a possibilidade da remuneração do capital investido, condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reserva de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (natureza societária); e (ii) reduziu a restrição à dedução no lucro real, autorizando a dedução do JCP até o limite da variação da TJLP (natureza tributária). O dispositivo mencionado não limita o pagamento do JCP à variação da TJLP, mas tão somente limita a dedutibilidade destes juros no lucro real à variação da referida taxa. A sociedade poderá deliberar o pagamento de JCP a uma taxa superior à TJLP, mas sempre respeitado o limite do lucro do período e do lucro acumulado previsto no parágrafo 1º, uma vez se tratar de um limite imposto sob a ótica do direito societário. Obviamente, caso a taxa utilizada seja superior à TJLP, o valor será dedutível apenas no limite da variação deste índice. A lei também não dispôs expressamente sobre o período da variação da TJLP que deve ser aplicado a cada caso, reservandose a estabelecer que a dedução estaria limitada à “variação, ‘pro rata dia’, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP”. A Lei nº 9.249/1995 teve origem no Projeto de Lei nº 913/1995 da lavra do próprio Poder Executivo. Para a melhor exegese do instituto ora em análise, é válida a reprodução da parte da Exposição de Motivos do referido Projeto de Lei, assinado pelo então Ministro Pedro Malan, na parte que trata da criação do JCP: Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 939 17 “10. Com vistas a equiparar a tributação dos diversos tipos de rendimentos do capital, o Projeto introduz a possibilidade de remuneração do capital próprio investido na atividade produtiva, permitindo a dedução dos juros pagos ao acionista, até o limite da variação da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP; compatibiliza as alíquotas aplicáveis aos rendimentos provenientes de capital de risco àquelas pela qual são tributados os rendimentos do mercado financeiro, desonera os dividendos, caminha na direção da equalização do tratamento tributário do capital nacional e estrangeiro; e revoga antiga isenção do imposto de renda incidente sobre a remessa de juros para o exterior, prevista no DecretoLei nº 1.215, de 1972 (arts. 9º a 12, § 2º do art. 13, art. 28 e inciso I do art. 32), a fim de que não ocorra qualquer desarmonia no tratamento tributário que se pretende atingir, igualandose, para esse fim, o aplicador nacional e estrangeiro. 11. A permissão da dedução de juros pagos ao acionista, até o limite proposto, em especial, deverá provocar um incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras, capacitandoas a elevar o nível de investimentos, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentado da economia. Objetivo a ser atingido mediante a adoção de política tributária moderna e compatível com aquela praticada pelos demais países emergentes, que competem com o Brasil na captação de recursos internacionais para investimento.” Merecem destaque nos parágrafos da Exposição de Motivos do Projeto de Lei reproduzidos acima, os seguintes motivos para a criação do instituto e do respectivo tratamento tributário: (i) equiparar a tributação dos diversos tipos de investimento em capital; (ii) provocar incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras; e (iii) adoção de política tributária moderna e compatível com aquela praticada pelos demais países emergentes, que competem com o Brasil na captação de recursos internacionais para investimento. Ademais, importante considerar o momento econômico do país à época da edição da lei. Vale lembrar que esta mesma lei extinguiu a conhecida correção monetária de balanço. Com a criação do Plano Real, a inflação que andava a passos galopantes foi contida, razão pela qual não havia mais sentido permitir a correção monetária dos balanços das empresas. Neste ponto, reproduzse os seguintes parágrafos da referida Exposição de Motivos do Projeto de Lei 913/1995, verbis: “2. A reforma objetiva simplificar a apuração do imposto, reduzindo as vias de planejamento fiscal, uniformizar o tratamento tributário dos diversos tipos de renda, integrando a tributação das pessoas físicas e jurídicas, ampliar o campo de incidência do tributo, com vistas a alcançar os rendimentos auferidos no exterior por contribuintes estabelecidos no País e, finalmente, articular a tributação das empresas com o Plano de Estabilização Econômica. 3. Neste sentido, a proposição extingue os efeitos da correção monetária das demonstrações financeiras – inclusive para fins societários –, combinando a medida com expressiva redução de alíquotas (art. 1º ao 5º). (...) 5. Os elevados índices de inflação exigiram a criação de poderosos instrumentos de indexação que, com o Plano Real e a estabilização da economia, estão sendo gradualmente eliminados. 6. O processo de desregulamentação da indexação de salários está em curso e da mesma forma com relação aos demais preços da economia, como por exemplo preços públicos, juros e câmbio. Restam, entretanto, ativos indexados, de que são exemplo o patrimônio das empresas e os créditos de natureza tributária. 7. A extinção da correção monetária do balanço simplifica consideravelmente a apuração da base tributável e reduz a possibilidade de planejamentos fiscais.” Fl. 939DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 940 18 (grifei) O JCP foi introduzido no bojo dessa grande reforma econômico tributária, a fim de adaptar a legislação tributária à nova realidade econômica do país, tendo como grande marco a criação o Plano Real. Era sabido que a inflação havia sido contida, mas não eliminada por completo. A própria exposição de motivos reconhece que a inflação estava sendo “gradualmente” eliminada. Desta forma, com a extinção da correção monetária do balanço, a legislação deveria criar outra forma de atualizar os investimentos efetuados pelos sócios nas empresas, de forma a não tornar desvantajoso o investimento em capital, principalmente em relação aos investimentos efetuados nas empresas a título de empréstimo. Neste cenário, criouse o JCP e permitiuse a dedutibilidade dos pagamentos efetuados até o limite da TJLP. A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) foi instituída pela Medida Provisória nº 684, de 31 de outubro de 1994, convertida, após diversas reedições, na Lei nº 9.365/1996 e regulamentada pela Resolução nº 2.121/1994 do Banco Central. Originariamente, a TJLP era calculada “a partir da rentabilidade nominal média, em moeda nacional, verificada em período imediatamente anterior de sua vigência, nos títulos da Dívida externa e interna de aquisição voluntária”. Com o advento da Medida Provisória nº 1.921/1999, a TJLP passou a ser calculada a partir (i) “da meta de inflação calculada pro rata para os doze meses seguintes ao primeiro mês de vigência da taxa, inclusive, baseada nas metas anuais fixadas pelo Conselho Monetário Nacional”; e (ii) “prêmio de risco”. O que se pretende demonstrar ao citar a legislação referente à TJLP é que essa taxa, além do parâmetro de remuneração, também se utiliza de parâmetros de medição da inflação, não tendo sido escolhida aleatoriamente, ou seja, era uma taxa que representava também a inflação. Em suma, a reforma proposta pelo Poder Executivo e acolhida pelo Congresso Nacional era justamente no sentido de incentivar o investidor nacional e estrangeiro a investir no capital de longo prazo e produtivo do país. Para tanto, proporcionou mecanismos que, além da remuneração, também garantissem que o investimento não seria corroído pela inflação que, apesar de contida, ainda era e é verifica no nosso país. Ou seja, além de remunerar o investidor pela indisponibilidade do capital investido, a aplicação da taxa TJLP garantia também que o investimento não seria afetado pela inflação. A criação de limites em relação aos lucros acumulados e o lucro do exercício (aspecto societário da norma) visou garantir que o capital e reservas da empresa não fossem prejudicados pelo pagamento dos JCP. A criação destes limites pode ser verificada também em outras situações, como, por exemplo, quando a Lei das S/ trata do pagamento de dividendos (art. 202, I). Traçados em breves linhas o histórico e o contexto econômico da criação do instituto, passase a analisar os aspectos contábeis acerca do momento adequado à contabilização da despesa de JCP. Aspectos Contábeis Relativos ao Correto Registro da Despesa Não há dúvida de que a dedutibilidade dos JCP’s obedece ao princípio de competência. Segundo a lei de regência, a observância do regime de competência nos termos da lei não é determinada pelo critério de apuração respectivo, mas sim pelo pagamento ou crédito a titular, sócio ou acionista, decorrente de deliberação expressa da Assembleia da Companhia. A obrigatoriedade da realização de assembleia para deliberação dos juros encontrase pacificada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, verbis: Os juros sobre o capital próprio não têm natureza acessória, pois dependem de deliberação em assembleia, que determina se os pagará ou não" (Informativo Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 941 19 438/STJREsp 1.171.095/RS, Relator originário o e. Min. Massami Uyeda, Relator para acórdão o e. Min. Sidnei Beneti, julgado em 9/6/2010. Grifos nossos). Portanto, o período de competência para dedutibilidade dos JCP´s da base de cálculo do IRPJ é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito destes juros, ainda que o capital seja remunerado tomandose por base valores existentes em períodos pretéritos, tal como ocorre no caso, desde que respeitados os critérios e limites previstos em lei na data da deliberação dO pagamento ou crédito. Nesse sentido, vejase lição de Edmar Andrade, verbis: "o período de competência do encargo relativo aos juros sobre capital é aquele em que ocorre a deliberação pelo seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão". ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. ___. Há precedente dessa Corte Administrativa nesse sentido, verbis: “JUROS S/ CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no ano calendário em que se deliberou sua distribuição.” (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.751 em 29.05.2008 – destacamos) O registro do JCP no passivo somente pode ocorrer quando este for caracterizado como uma obrigação. Considerandose que o pagamento de JCP é uma faculdade da companhia e depende de deliberação dos sócios/acionista, a obrigação surge apenas quando da deliberação pelo pagamento. Assim, não há que se falar (a) que o registro contábil da aplicação da variação da TJLP referente aos anos de 2002, 2003 e 2004 deveria ter sido efetuado em cada ano, pois nestes anos não havia obrigação, mas uma mera expectativa de direito na medida em que a obrigação surge apenas com a deliberação; (b) e que o JCP se confunde com o dividendo obrigatório. A previsão contida no § 7º do referido art. 9º da Lei 9.249/1995, que possibilita que o JCP pago seja imputado ao valor dos dividendos obrigatórios a serem pagos pela empresa aos seus acionistas/sócios não confere ao JCP a natureza de dividendos. A legislação autoriza que a empresa opte por descontar o valor do JCP pago do valor do dividendo obrigatório a ser pago aos seus acionistas/sócios, mas isso não faz com que sua natureza possa ser equiparada a de dividendos. Neste sentido é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Confirase: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INSURGÊNCIA QUANTO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO EMBARGADA. RECEBIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. DIFERENCIAL ACIONÁRIO. BRASIL TELECOM. DIVIDENDOS E JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. OFENSA AOS ARTS. 128 E 460 DO CPC. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. OCORRÊNCIA. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. RECURSO MANIFESTAMENTE INFUNDADO E PROCRASTINATÓRIO. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 557, § 2º, CPC. (...) Fl. 941DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 942 20 2. Os dividendos decorrem do desempenho financeiro da empresa, ou seja, do lucro apurado pela empresa no período de um ano, remunerando o investidor pelo sucesso do empreendimento social. Os juros sobre capital próprio, por sua vez, têm origem nos lucros apresentados nos anos anteriores e que ficaram retidos na sociedade e tem por finalidade remunerar o investidor pela indisponibilidade do capital aplicado na companhia. Possuem ditas verbas natureza jurídica distinta. Precedentes. (...) (EDcl no AREsp 207.825/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 06/11/2012, DJe 12/11/2012) No mesmo sentido: “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BRASIL TELECOM S.A.. CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. DIVIDENDOS. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. IMPOSIÇÃO DE MULTA. ART. 557, § 2º, DO CPC. (...) 2. É possível a cumulação de indenizações a título de juros sobre o capital próprio e de dividendos, tendo em vista a natureza jurídica distinta das referidas rubricas. 3. Os dividendos decorrem do lucro apurado pela sociedade empresária no período de um ano, cuja parcela é, conforme o caso, distribuída a seus sócios e os juros sobre capital próprio consistem no pagamento de uma remuneração aos acionistas a título de retribuição pelo investimento, calculados sobre as contas do patrimônio líquido da pessoa jurídica. (...) (AgRg no AREsp 104.647/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 24/04/2012, DJe 02/05/2012) Dedutibilidade da Despesa Não obstante a competência para o reconhecimento contábil da despesa de JCP seja a do momento da deliberação, na análise do aspecto tributário do instituto, entendo que o Termo de Verificação Fiscal (fls. 184) carece de razão ao afirmar que: “Do ponto de vista fiscal, é no momento em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que deverá ser observado pelo contribuinte os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros, não existe a despesa e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo inexistente. Em princípio não existem normas que proíbam que os sócios ou acionistas deliberem o pagamento de juros tendo como base de cálculo o patrimônio líquido de outro exercício já encerrado. Entretanto se o juros não foram pagos em determinado exercício já encerrado, concluise que os sócios renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e observando que as demonstrações contábeis são consideradas “ato jurídico perfeito”, impõese a conclusão que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação” Em resumo, a Fiscalização reconhece que (i) a competência para reconhecer a despesa de JCP seria o momento em que há a deliberação por parte dos sócios/acionistas; (ii) é possível a deliberação de pagamento de JCP tendo como base de cálculo o patrimônio liquido de outro exercício já encerrado; e (iii) que se o juros não foram pagos em determinado exercício já encerrado haveria uma renúncia por parte dos sócios da dedutibilidade prevista na lei. A conclusão da Fiscalização no sentido de que o não pagamento de JCP no exercício já encerrado representa renúncia à dedutibilidade é incongruente, pois, no exercício já encerrado, como a própria Fiscalização reconhece, não existia obrigação de pagar. Ora, como pagar algo, cuja obrigação inexiste? A própria Instrução Normativa SRF 11/1996 corrobora o entendimento de que a despesa de JCP é dedutível pelo regime de competência. Confirase: “Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 943 21 poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP.” Ora, considerando que foi respeitado o regime de competência, ou seja, adespesa foi reconhecida no ano em que houve a deliberação do pagamento do JCP (nascimento da obrigação), não haveria motivos para se limitar a dedução apenas dos juros calculados com base na variação da TJLP do exercício referente ao pagamento. O regime de competência seria desrespeitado se a deliberação de pagamento de JCP tivesse ocorrido em 2005 e o registro da despesa apenas no ano de 2006. Neste caso, reconheço que haveria sim a inobservância do regime de competência. É de se destacar que nem a lei, nem tampouco a referida Instrução Normativa determina que a variação da TJLP deva ser aquela referente somente ao exercício do pagamento. Não há esta limitação nos referidos normativos. A grande celeuma acerca do tema referese à confusão entre o conceito de (i) competência contábil para reconhecimento da despesa, o que diz respeito meramente a uma regra contábil e (ii) o lapso temporal referente à variação da TJLP para fins de dedutibilidade da despesa, o que é uma regra fiscal. Não é possível dizer que a variação TJLP deve respeitar o regime de competência. Esta afirmação demonstra, claramente, a confusão dos dois conceitos. A observância ao regime de competência (regra contábil) diz respeito ao momento contábil adequado para o registro da despesa, o que, como já demonstrado, é o momento da deliberação do pagamento. Já a variação da taxa TJLP (regra fiscal) a ser considerada para fins de dedutibilidade é aquela aplicada sobre o período em que o patrimônio líquido ainda não foi remunerado, atendendo assim a finalidade da lei editada por iniciativa do próprio Poder Executivo, qual seja, permitir que o investidor seja compensado pela extinção da correção monetária do balanço, evitando que o investimento realizado seja corroído pela inflação. Desta forma, limitar a dedução da JCP apenas à variação da taxa TJLP do período da deliberação é contrário à motivação da criação do art. 9º da Lei 9.249/1995, a qual era, entre outras, incentivar o investimento no capital de longo prazo. Ou seja, a limitação da dedutibilidade seria um desestímulo ao investimento na Companhia na medida em que não tornaria o investimento em capital atrativo, considerando a possibilidade do investidor optar pelo o investimento através de empréstimos, o que lhe asseguraria a dedutibilidade dos juros sem qualquer limitação. Além disso, o argumento da renúncia à dedução dos juros não deve prosperar na medida em que é possível se verificar em determinado exercício a impossibilidade do pagamento de JCP, seja por motivos de insuficiência de lucros acumulados ou lucros do exercício, seja pela insuficiência de caixa ou ainda para atender políticas e metas de investimentos da empresa. Ou seja, nada impede que os acionistas/sócios deliberem pelo pagamento do JCP em um exercício em que as condições se apresentem favoráveis para tanto (disponibilidade de lucros, caixa etc.). Ademais, não é possível comparar o presente caso à hipótese da depreciação, como pretendeu a fiscalização ao alegar que (fls. 183 e 184): “No direito tributário, temos por definição e jurisprudência já consagrada, o caso da depreciação. Este instituto também se revela como uma faculdade da pessoa jurídica posta em todos os períodos de apuração. Entretanto, não é admissível a apropriação por taxas acumuladas, isto é, para um bem que deva ser depreciado a 10% a.a., passase dois anos sem apropriação da depreciação para num terceiro ano levar a depreciação do bem a taxa de 30%”. Note que este exemplo não é válido, pois apenas a dedutibilidade da despesa de depreciação é uma faculdade do contribuinte (art. 305 do RIR/99), já o registro Fl. 943DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 944 22 contábil da despesa é uma obrigação imposta pelo art. 183, V da Lei das S/A. Ou seja, sempre houve a obrigação, diferentemente do caso do JCP em que a obrigação surge no momento da deliberação. Não é possível também comparar o presente caso às hipóteses de contrato de empréstimo como pretendeu o ilustre Conselheiro Relator em seu voto condutor, pois, com a devida vênia, a obrigação de pagar juros no caso de empréstimo surge quando da assinatura do contrato. Ou seja, mesmo que os juros sejam pagos apenas um, dois ou três anos depois, a despesa deve ser registrada por competência, pois já há uma obrigação firmada. Em relação aos julgados do CARF reproduzidos no voto do ilustre Conselheiro Relator, digase, com a devida vênia, que referidos precedentes não trataram bem sobre a matéria de competência para o reconhecimento contábil do JCP. Transcreve o relator os seguintes julgados: DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decider pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9° da Lei n° 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. INOBSERVÂNCIA DE REGIME CONTÁBIL. INOCORRÊNCIA. Não tratando os autos de registro em período diverso ao que competia a despesa, ou de postergação do pagamento do imposto, descabe apreciar os efeitos preconizados pelas normas regulamentares que disciplinam tais matérias (artigos 247 e 273 do RIR/99). (Acórdão n° 130200.044, 2a Turma Ordinária/3a Câmara/1a SJ, sessão de 27 de agosto de 2009, relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) ......................................................................... REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, soment podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. (Acórdão n° 120100.348, 1a Turma Ordinária/2a Câmara/1a SJ, sessão de 11 de novembro de 2010, redator do voto vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto) ........................................................................... DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. (Acórdão n° 1301001.118, 1a Turma Ordinária/3a Câmara/1a SJ, sessão de 05 de dezembro de 2012, redator do voto vencedor Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) Conforme já mencionado anteriormente, a dedução da despesa está vinculada ao momento em que está é reconhecida, ou seja, no surgimento da obrigação (deliberação do pagamento). Ou seja, respeitado o regime de competência (momento de reconhecimento da despesa contábil), o JCP é dedutível desde que respeite a variação da TJLP. Não se deve confundir a competência para apropriação da despesa e o período de incidência do TJLP para fins de limitação da remuneração do patrimônio líquido. A lei e/ou a instrução normativa não limitam a variação da TJLP apenas ao ano da Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 945 23 deliberação. Ao contrário, a exposição de motivos da lei e os fundamentos que levaram o Poder Executivo a propor a edição da norma não permitem conclusão distinta da que a variação da taxa TJLP a ser considerada para fins de dedutibilidade é aquela que remunera efetivamente o patrimônio líquido ou, em outros termos, é aquela aplicada sobre o período em que o patrimônio liquid ainda não foi remunerado. Como se disse, a aplicação da taxa TJLP indica que o JCP visa, além de remunerar o investidor pela indisponibilidade de capital, evitar que o investimento efetuado seja corroído pela inflação, entendimento este reforçado pelo cenário econômico da época da criação da lei e pelas medidas instituídas pelo próprio diploma legal, como a extinção da correção monetária do balanço. Nesse sentido é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, verbis: “MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV – ‘O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976’. V Recurso especial improvido.” Nesse mesmo sentido são os seguintes julgados do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anos calendário: 2002 e 2006 Ementa: JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL — O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no ano calendario em que se deliberou sua distribuição.” (Acórdão n° 10196.751, Primeiro Conselho de Contribuintes/1a Câmara, sessão de 29 de maio de 2008, relator Conselheiro Valmir Sandri) .............................................................................. IRPJ — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP — PAGAMENTO ACUMULADO — POSSIBILIDADE — Provado nos autos do processo que, ano a ano, a recorrente tinha capacidade para distribuir JCP, nada obsta que possa fazelo em ano calendário posterior, de forma acumulada. IRPJ — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP — PAGAMENTO Fl. 945DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 946 24 ACUMULADO — LIMITES PARA AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE — Ainda que nada obste a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter este sido passível de distribuição, para efeitos de aferição dos limites possíveis de dedutibilidade do encargo, se deve levar em conta os parâmetros existentes no ano calendário em que se deliberou a sua distribuição. (Acórdão n° 107.08.941, Primeiro Conselho de Contribuintes/7a Câmara, sessão de 28 de março de 2007, relator Natanael Martins) Por fim, vale analisar se a dedutibilidade do JCP é (ou não) benefício fiscal. Neste ponto, é importante lembrar que o referido art. 9º da Lei 9.249/95 tem natureza híbrida. Para fins societários, a condição para o pagamento é a “existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados” (“limite societário/contábil”). Atendida esta condição/limite, a sociedade está autorizada a efetuar o pagamento. Sob o ponto de vista fiscal, estabeleceu a lei que somente seria dedutível do lucro real o JCP calculado sobre a variação da taxa TJLP (“limite tributário”). Ou seja, se o “limite societário” for maior que o “limite tributário”, a empresa está autorizada ao pagamento do valor no “limite societário”, contudo a dedutibilidade está restrita ao “limite tributário”, qual seja a variação TJLP. Notese que, neste caso, ou seja, “limite societário/contábil” maior que “limite tributário”, o valor excedente não será dedutível do lucro real, contudo, será tributado pelo IRRF, previsto no § 2º, pois esta tributação está vinculada ao valor do pagamento e não ao valor dedutível. O que, a depender da situação, a tributação na fonte pode ser superior ao valor do IRPJ que deixou de ser recolhido em virtude da dedução da despesa. Não há como considerar que a dedutibilidade do JCP é um benefício fiscal, na medida em esta norma apenas reduziu a restrição à dedução, ainda que parcial, de uma despesa contábil, a qual, vale lembrar, antes do Decreto 4.178/1943, já foi dedutível. Destaquese que o cálculo do Imposto de Renda tem como regra geral que todas as despesas contábeis são dedutíveis, exceto aquelas para as quais a lei prevê expressamente a sua adição ao lucro real. Ou seja, o cálculo do lucro real parte do lucro liquid contábil, o qual é ajustado por adições e exclusões previstas na lei. Desta forma, uma lei que apenas reduz a restrição à dedutibilidade de uma despesa, que como regra geral já seria dedutível, não pode ser considerada um benefício fiscal. Considerar a dedução de JCP como um benefício fiscal implica dizer que todas as despesas que são consideradas dedutíveis pela legislação do imposto de renda seriam frutos de benefícios fiscais concedidos pela lei, o que claramente não é uma preposição verdadeira, pois se está diante de norma que diz respeito à própria forma de apuração do tributo. Um exemplo claro de benefício fiscal é o caso dos incentivos à inovação tecnológica, no qual o art. 19 da Lei 11.196/2005 autoriza, além da dedução da despesa contábil com pesquisa e desenvolvimento, a exclusão de 60% a 80% do valor registrado como despesa. Ou seja, a parte da norma que trata sobre a dedutibilidade da despesa não tem caráter de benefício fiscal, contudo, a parte que trata da exclusão tem nítido caráter de benesse concedida pelo legislador, na medida em que permite uma exclusão além do valor registrado como despesa contábil. Não há como se entender, portanto, que a previsão contida no art. 9º da Lei nº 9.249/1995 é um benefício fiscal. Em suma, considerandose que: (i) a criação do JCP teve por motivação equiparar a tributação dos diversos tipos de investimento em capital, provocar incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras e adotar uma política tributária moderna e compatível com Fl. 946DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 947 25 aquela praticada pelos demais países emergentes, que competem com o Brasil na captação de recursos internacionais para investimento; (ii) limitar o período de variação da TJLP seria um desestímulo para o investimento no capital de longo prazo quando comparado a outros tipos de investimento; (iii) a aplicação da taxa TJLP indica que o JCP visa, além de remunerar o investidor pela indisponibilidade de capital, evitar que o investimento efetuado seja corroído pela inflação, entendimento este reforçado pelo cenário econômico da época da criação da lei e pelas medidas instituídas pelo próprio diploma legal, como a extinção da correção monetária do balanço; (iv) a obrigação legal de pagamento do JCP surge apenas quando da deliberação dos acionistas/sócios, diferentemente do que ocorre, por exemplo, nos empréstimos quando a obrigação de pagar juros se dá no momento da assinatura do contrato; (v) o registro contábil de um passivo e da respectiva despesa exige a existência de uma obrigação, o que significa dizer que o exercício contábil (“competência) adequado para o registro da despesa de JCP é aquele em que houve a deliberação do pagamento; (vi) o art. 9º da Lei 9.249/1995 e a Instrução Normativa SRF nº 11/1996 não limitam a variação da TJLP apenas ao ano da deliberação do pagamento; e (vii) não é possível considerar que a falta de deliberação do pagamento de JCP em um determinado exercício importa em renúncia à dedutibilidade da despesa de JCP, por não se tratar de um benefício, mas sim uma mera norma de apuração do tributo, como os demais dispositivos que tratam de despesas não dedutíveis no lucro real. Oriento voto no sentido de conhecer do recurso voluntário da Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento para permitir que a Contribuinte efetue a dedução integral do JCP calculado conforme a variação da TJLP dos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005, limitado apenas a metade dos lucros acumulados e reservas de lucros apurados em 31.12.2004.” Por essas razões adicionadas com maiores detalhes, concluise pela dedutibilidade dos Juros sobre Capital Próprio calculados de acordo com a TJLP dos anos calendários 2002, 2003, 2004 e 2005, desconstituindose o crédito tributário ora exigido, que restou remanescente depois da desistência parcial requerida. Assim sendo, votase por DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Redatora Designada. Em que pese o muito bem fundamentado voto proferido pela ilustre Conselheira Relatora, o colegiado divergiu de sua conclusão quanto ao mérito do recurso especial. A discussão, conforme esclarecido no voto vencido, cingese à possibilidade de a pessoa jurídica deduzir, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado anocalendário, tão somente os juros sobre o capital próprio (JCP) calculados Fl. 947DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 948 26 sobre os valores das contas do patrimônio líquido no exercício social correspondente ao ano calendário em questão (entendimento da Fiscalização) ou também em relação a exercícios sociais anteriores (entendimento da Contribuinte). Como se extrai do Termo de Verificação Fiscal (efls. 180 a 187), no demonstrativo de cálculo do JCP apresentado pela empresa, o valor deduzido de R$ 95.000.000,00 não respeita o limite de dedutibilidade dos JCP determinado pela variação, pro rata dia, da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido no exercício social de 2005. Isso porque a empresa, em seu cálculo, considerou possível o pagamento de JCP referentes a exercícios sociais anteriores, tomando como limite de cada ano o produto da aplicação da TJLP prorata dia sobre o Patrimônio Líquido correspondente. Conforme exposto pela Fiscalização, a contribuinte "calculou o montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição para cada anocalendário de 2002 a 2005, e o considerou dedutível no anocalendário de 2005". A deliberação para o pagamento, por sua vez, ocorreu através de Assembléia Geral Extraordinária em 29/12/2005. Como resta evidente pelos próprios precedentes trazidos pela Contribuinte e pela Fazenda, a matéria não se encontra pacificada no âmbito do CARF. As decisões mais recentes desta 1ª Turma da CSRF, no entanto, vão no sentido da indedutibilidade dos JCP em relação a períodos pretéritos. Com efeito, na sessão de 20 de janeiro de 2016, foram prolatados três acórdãos (de nºs 9101002.180, 9101002.181 e 9101002.182, este último, inclusive, tendo reformado o acórdão citado pela contribuinte no item 38 do seu Recurso Especial), todos de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo nessa linha. Em todas essas votações, meu voto acompanhou o Relator, por entender que: a) os Juros sobre o Capital Próprio representam uma remuneração dos sócios pelo capital investido; b) por serem juros pagos pelas pessoas jurídicas a seus sócios, têm a natureza contábil de despesas (contrapartida das receitas advindas do uso desse capital); c) por serem uma despesa, transitam pelo resultado; e d) por transitarem pelo resultado, não podem ser pagos ou creditados após o encerramento do período. Já na sessão de 1º de março de 2016, um processo de minha relatoria foi a julgamento, tendo esta Turma decidido que não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores (acórdão nº 9101002.248) e que os mesmos têm natureza de despesas, e não de dividendos. Nesse contexto, trazse para o presente caso os argumentos expendidos na decisão em questão, dirimidas eventuais diferenças. Em primeiro lugar, registrese presente o fato de que a Lei nº 9.249/1995 visou estimular o investimento de capital nas empresas e desestimular o financiamento das atividades operacionais, mediante empréstimos, que caracterizavam uma subcapitalização. Constatase, também, que a lei não mencionou o momento em que tais juros devem ser pagos. Contudo, vislumbrase isso desnecessário, porque se a norma estabelece limites para fins de dedução do lucro real, é porque estamos falando de uma despesa contábil, que tem limites de dedutibilidade para fins de lucro real. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 949 27 Por oportuno, transcrevese trecho do acórdão recorrido nº 1102000.934, de 8 de outubro de 2013, da lavra do exConselheiro José Evande Carvalho Araújo: Contudo, pareceme evidente que, quando a lei permite que se deduza, para efeitos da apuração do lucro real, os JCP calculados pela aplicação pro rata dia da taxa TJLP sobre os valores das contas do patrimônio líquido, estáse limitando o cálculo para o mesmo período da apuração do lucro real. Apesar de a doutrina afirmar que a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio é a de distribuição sui generis de lucro, não há dúvidas de que a lei fiscal lhes dá o tratamento de despesa financeira. E como despesa financeira, só podem ser apropriados no período a que competirem. Não é razoável se entender que a lei permitiu implicitamente a dedução de uma despesa calculada com base no patrimônio de períodos anteriores. Isso seria o mesmo que admitir, por exemplo, a dedução de juros sobre um empréstimo relativos ao anocalendário anterior. (Grifei) Antes da deliberação para o pagamento dos JCP não há que se falar em direito subjetivo dos sócios ao seu recebimento, nem em despesa incorrida. De fato, a despesa só surge após deliberação acerca do pagamento ou do creditamento dos juros e da sua correspondente contabilização. Para os exercícios pretéritos, não tendo havido pagamento da despesa ou apropriação da obrigação para pagar os sócios em conta de passivo, não há que se falar em despesa incorrida. Consubstancia uma afronta ao regime de competência quando em 2005, a contribuinte decide apropriar uma despesa cujos fatos geradores ocorreram entre 2002 e 2004. Neste sentido e, em que pese a recorrente dizer que Hirome Higuchi coloca em discussão a isenção e seriedade do CARF, por entender que ele faz um arrazoado técnico sobre a matéria, trago à colação a lição desse doutrinador (HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática. 38ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2013. p. 127.), reproduzida no acórdão recorrido: Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no períodobase correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (Grifei) Fl. 949DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 950 28 A Recorrente aduz que a doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho1, citada pelo acórdão recorrido como fundamento a corroborar a tese da impossibilidade de dedução de JCP referente a períodos anteriores, peca pela "absoluta contradição". Entende que a conclusão de que "os JCPs pagos acumuladamente não seriam dedutíveis, por não ter ocorrido deliberação de pagálos nos exercícios aos quais se referem" é contraditória com a afirmação de que a despesa de juros só existe após a deliberação de seu pagamento ou crédito. Não se vislumbra, entretanto, a alegada contradição. O que o doutrinador deixa claro é que o pagamento de JCP depende da deliberação dos sócios, mas a sua dedutibilidade para fins de apuração dos tributos, depende ainda do reflexo que essa deliberação dos sócios venha a ter na contabilidade, seja através do efetivo pagamento, seja através do reconhecimento da obrigação em conta de passivo no respectivo ano em que houve a deliberação. Por isso, embora o autor considere a possibilidade de se deliberar sobre períodos passados, ressalta que a possibilidade jurídica de pagamentos de JCP é completamente diferente do tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. Nesse sentido, desse Autor (Edmar Oliveira Andrade Filho), podese extrair assim os seguintes ensinamentos: De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Esta faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ações das pessoas, em que as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade, delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em principio, uma sociedade pode, no presente, deliberar sobre o pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para contagem de juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer. (...) Há de se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, a dedução dos juros sobre capital está sujeita a observância de limites quantitativos objetivos no momento em que eles vierem a diminuir o resultado do período que servirá de elemento para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (Grifei) Assim, dos citados trechos do Doutrinador, podese extrair o entendimento de que é possível aos sócios deliberarem até mesmo sobre o pagamento de JCP de períodos passados, mas que este dispêndio é uma liberalidade dos sócios e acionistas e, como tal, para fins fiscais, não pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porque está em descordo acordo com as Leis nº 9.249/1995, nº 6.404/76 e legislação complementar. 1 (Disponível em <http://www.fiscosoft.com.br/a/2fac/irpjecslljurossobreocapitalpropriocalculadosobrea movimentacaodopatrimonioliquidoosfatoseaconsultaedmaroliveiraandradefilho>, acesso em 10/07/2017, às 15h58min ) Fl. 950DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 951 29 Cumpre reproduzir, ainda, a lição de Edmar Oliveira Andrade Filho, apresentada pelo acórdão recorrido: Se em determinado exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas é lícito inferir que eles deliberaram pelo nãopagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e considerando demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas são consideradas "ato jurídico perfeito", impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. (Grifei) Nesse diapasão, o Autor conclui que a deliberação tomada no presente não pode produzir efeitos fiscais para exercícios passados, cujos balanços só podem ser retificados em caso de erro, dolo ou simulação. E é aqui que reside a questão: o momento em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício. Como após a apuração do lucro, não há que se falar mais em pagamento ou reconhecimento da obrigação referentes às despesas de juros sobre o capital próprio, relativamente aos anoscalendário de 2002 a 2004, não se poderia mais pagar juros sobre capital próprio; daí porque o “períodobase correspondente”, como dito, necessariamente precisa ser o de apuração do lucro. No presente processo, em relação aos anoscalendário 2002 a 2004, para os quais a deliberação para pagamento de JCP só ocorreu em dezembro de 2005, e não foi constituída a obrigação de pagar os JCP correspondentes nos AC 2002 a 2004, não há que se falar em despesas incorridas. Poderseia argumentar que a lei autoriza o cálculo de JCP sobre os lucros acumulados de anos anteriores; contudo, a menção aos lucros acumulados trazida pela Lei nº 9.249, de 1995, diz respeito tão somente a um dos limites para fins de dedutibilidade do lucro real, senão vejamos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual Fl. 951DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 952 30 ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Grifei) Neste sentido também entendeu a Conselheira Edeli Pereira Bessa, por meio do Acórdão nº 1101000.904, de 12 de junho de 2013: Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no ano calendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. (Grifei) Além disso, o fato de a Assembleia Geral deliberar ao final do ano de 2005 acerca do pagamento de juros sobre o capital, que poderia ter sido deliberado em exercícios passados, não tem o condão de subverter o regime de competência e tornar dedutível despesa não incorrida a seu tempo. É dizer, não tendo a despesa com JCP incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzila na apuração do lucro real de exercício posterior. A imputação dessa despesa só poderia ser efetivada com retificação do balanço, e esta retificação só tem previsão nas hipóteses de ocorrência de erro, dolo ou simulação, o que não é o caso. Para se considerar a despesa como efetivamente incorrida, são necessários dois requisitos: i) a deliberação acerca do pagamento ou creditamento dos JCP e ii) a devida contabilização do pagamento da despesa ou da apropriação da obrigação em conta de passivo. Dessa forma, como exposto acima, a deliberação para creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores não tem validade para fins fiscais, pois se refere a despesas que não foram incorridas naqueles exercícios. Não se discute que a deliberação sobre o pagamento ou creditamento de JCP é uma faculdade. O ponto é que essa faculdade precisa ser exercida no momento da apuração do lucro, por se estar tratando de uma despesa da pessoa jurídica. É uma faculdade dos sócios e acionistas deliberar sobre pagamento de JCP em 2005, poderia não têlo feito. Mas ao decidir fazer uso desta faculdade, a deliberação só pode abranger o pagamento de JCP sobre o patrimônio líquido existente ao final do anocalendário de 2005, não podendo criar despesas para períodos de apuração já encerrados. Ademais, a despesa só pode ser calculada nos limites do exercício em que surgiu, não sendo possível apurála com base em períodos anteriores à sua existência. A recorrente argumenta que não existe qualquer norma que obrigue, para fins de dedutibilidade dos JCP, que o pagamento ou crédito seja feito em cada ano. Defende que o artigo 9º da Lei nº 9.249/95 "exige única e exclusivamente que a dedução fiscal se dê no ano em que ocorrer o pagamento ou crédito". Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 953 31 Tal afirmativa não procede. A Lei nº 9.249, de 1995 tem sua aplicação juntamente com as demais leis e atos normativos que disciplinam as atividades das empresas, a deliberação de seus atos e o registro dos fatos contábeis, não podendo ser interpretada à margem desse arcabouço jurídico, mormente no que respeita a Lei das Sociedades Anônimas nº 6.404/76. Se a Lei nº 9.249/95 silenciou, o regime a ser adotado é o de competência, estabelecido no art.177 da Lei nº 6.404/76 como regra geral, verbis: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. (Grifei) Ou seja, a Lei nº 6.404/76 adotou o regime de competência como regra geral, devendo o regime de caixa ser aplicado excepcionalmente, para isso, deve estar previsto expressamente em lei. Nesse mesmo sentido, a citada lei, em seu art. 187, que trata da demonstração do Resultado do Exercício, vincula as despesas, custos e encargos às receitas correspondentes do mesmo exercício, verbis: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Temse ainda a Instrução Normativa SRF nº 11/96, que em seu artigo 29 disciplina a possibilidade de dedução de juros sobre capital próprio, e ratifica a interpretação da Lei nº 6.404/76, verbis: Juros Sobre Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. (Grifei) A matéria também se encontra regulamentada na IN SRF nº 41/98, nos seguintes termos: Art. 1º Para efeito do disposto no art. 9º da Lei Nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada, na escrituração contábil da Fl. 953DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 954 32 pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. (Grifei) O normativo acima esclarece que é possível o pagamento posterior de juros sobre capital próprio, mas desde que a despesa tenha sido reconhecida e devidamente registrada no anocalendário correspondente ao que foi utilizado para cômputo do JCP, em contrapartida à conta do passivo, que represente a obrigação perante os sócios para pagamento futuro. O que não ocorreu no presente caso. O entendimento inserido pela autoridade fiscal em seu relatório não merece reparos. Como dito anteriormente, o pagamento pode ser efetivado em momento posterior, desde que haja o creditamento em favor dos sócios, ou seja, a devida contabilização da obrigação em conta de passivo, em contrapartida a contabilização da despesa incorrida em conta de resultado. No caso em apreço, muito embora a contribuinte tenha calculado os JCP com base em patrimônio líquido de cada um dos anos pretéritos, como não contabilizou a despesa no exercício correspondente, não pode de fato fazêlo a posteriori, pelas razões já expendidas. Resta claro, assim, que a legislação adota como regra geral o regime de competência para o registro das mutações patrimoniais e das receitas e despesas. As exceções devem vir explícitas na lei. Contudo, a Lei nº 9.249/95 não tratou de excepcionar a regra geral, razão pela qual seria um contrassenso, calcular os JCP com base no patrimônio líquido de um determinado anocalendário, e apropriar essa despesa em um anocalendário distinto daquele que serviu como parâmetro para o cálculo dos JCP. Antes, é preciso compreender os juros sobre capital próprio como destinação do lucro formado a partir da aplicação do capital dos sócios, e uma destinação opcional, em substituição à distribuição de lucros, consoante expressa o art. 9º, §7º da Lei nº 9.249/95, ao permitir que o valor dos JCP seja "imputado ao valor dos dividendos" obrigatórios, "de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo" da retenção na fonte prevista no §2º daquele dispositivo. Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ trazido pela Contribuinte em seu recurso [REsp nº 1.086.752PR (2008/01933882), 1ª Turma, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJ 11/03/2009], observase que não se trata de decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 CPC). Não se aplica, portanto, o comando de vinculação de decisões veiculado no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015. Acrescentese que este REsp nº 1.086.752 do STJ é um precedente isolado, não havendo outros no mesmo sentido. Além do que, seu entendimento contraria frontalmente o art. 177 da Lei nº 6.404/76, que estabelece a regra geral do regime de competência. Colacionase um excerto do RESP, que demonstra tal contradição: II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16327.000863/200981 Acórdão n.º 9101003.068 CSRFT1 Fl. 955 33 esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. (Grifei) Logo, data venia, resta equivocado o entendimento consignado neste RESP, e talvez por esta razão, não se encontrem outros julgados neste sentido. Além disso, a contribuinte ainda se insurge contra o acórdão recorrido, fundamentada no art. 114 do Código Civil, no sentido de que a renúncia ao direito de deliberação não ocorreu, porque ao teor desse dispositivo, toda renúncia tem que ser expressa. Ocorre que não procede tal alegação pois, no âmbito da contabilidade e do direito tributário, há regras específicas, como já tratadas, para reconhecimento de receitas e despesas, e a deliberação, como já dito, tem repercussão no reconhecimento dessas receitas e despesas. Portanto, sem o reconhecimento no exercício social de apuração dos resultados, posto que não houve deliberação, o efeito é a impossibilidade de fazêlo em outro momento. Por todo exposto, temse que as despesas com JCP somente podem incorrer, no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Ressalto que despesas incorridas são aquelas efetivamente pagas ou apropriadas contabilmente como obrigação em conta de passivo. Não tendo incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzilas na apuração do lucro real de exercício posterior. É dizer, não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Logo, não se admite também que os JCP sejam calculados de acordo com os valores e limites de exercícios anteriores, sem que se tenha feito o pagamento ou o crédito nas respectivas competências. Nesse sentido, cumpre ressaltar que os limites de que tratam o caput e o § 1º do artigo 9º da Lei nº 9.249/95 obrigatoriamente devem se referir ao período em que há o pagamento ou o creditamento dos JCP. Assim, tanto os lucros e os saldos dos lucros acumulados e reserva de lucros, quanto a variação da TJLP e os saldos das contas de PL, devem referirse ao ano em que ocorre a deliberação e o pagamento ou creditamento dos juros. Correta, portanto, a glosa levada a cabo pela Fiscalização do montante deduzido como despesa com juros sobre capital próprio pela Recorrente que excedeu o limite de dedutibilidade determinado pela variação, pro rata dia, da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido no exercício social de 2005, devendo ser mantido o lançamento. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 955DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908423/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 28/04/2006
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 84 23 /2 00 9- 81 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10875.908423/200981 Acórdão n.º 1302002.477 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 09/08/2007, a Dcomp de nº 05768.48087.090807.1.3.045402, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código CSLL (2484 Estimativa), pago em 28/04/2006, no valor de R$ 90.944,13, a fim de quitar débito do próprio Cofins, relativo à competência de abril de 2007, no montante de R$ 34.200,80. Em Outubro de 2010, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixouse de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 44), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 46). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10875.908423/200981 Acórdão n.º 1302002.477 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL (2484 Estimativa) pago em 28/04/2006. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10875.908423/200981 Acórdão n.º 1302002.477 S1C3T2 Fl. 5 4 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000206/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
Ementa:
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS.
Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.
Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amônia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PC-PC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999-ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL-3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF-312-MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM.
Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora.
Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora.
Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE.
Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero.
Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA).
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 20/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amônia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PCPC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 3 3 NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA). Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 20/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem retratar os fatos até o presente momento, reproduzse o relatório da resposta da DRJ à Resolução proferida por essa Turma, contudo à época com outra composição: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS – Mercado Interno Não Tributado, no valor de R$ 3.563.022,48, apurados sob o regime da não cumulatividade, decorrentes das operações da interessada com o mercado interno em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção, ou suspensão das contribuições que remanesceram ao final do 4º trimestre de 2007, após as deduções do valor a recolher da contribuição, concernentes as demais operações, conforme pedido (fls. 02 a 03). Fl. 2227DF CARF MF 4 Na apreciação do pedido, por meio do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal (fls. 515 a 534) e do respectivo Despacho Decisório, o pedido foi reconhecido parcialmente no valor de R$ 1.911.947,79 e em conseqüência homologadas parcialmente as respectivas compensações. Inconformada a recorrente ingressou com Manifestação de Inconformidade (fls. 711a 756) em relação ao indeferimento parcial do crédito pretendido. A DRJ/Florianópolis, conforme Acórdão 0723.180 – 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 1402 a 1441), por unanimidade de votos julgou procedente parcialmente a Manifestação de Inconformidade, alterando o montante do crédito reconhecido para R$ 1.933.323,83. Cientificada, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 1447 a 1556). Em 21 de março de 2013, foi proferida a Resolução nº 3302 000.280 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 1559 a 1569), no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator para: Neste contexto, o presente processo deve ser convertido em diligência para que seja oportunizada a Recorrente a prova do direito que busca relacionados a todas as glosas efetuadas, e em especial para que em relação: a) às embalagens de apresentação, junte planilha detalhada relativa as aquisições de embalagens e aponte sua destinação (apresentação ou transporte) com a respectiva demonstração; b) às peças e partes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; c) aos combustíveis e lubrificantes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; d) a aquisição de serviços, demonstrativo relacionando os serviços e sua aplicação nas atividades da Recorrente; e) aos fretes, elabore demonstrativo informando a utilização dos serviços de frete; Em todos os casos acima listados e em relação aos demais eventualmente não apontados, caberá a Recorrente disponibilizar a autoridade preparadora os documentos necessários à comprovação dos direitos pleiteados. Neste contexto, voto por converter por converter (sic) o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a Fiscalização intime a Interessada a comprovar ou demonstrar as questões tratadas no presente processo. Caberá a Fiscalização lavrar termo de conclusão a respeito dos temas e demonstrativos apresentados na presente diligência, e outros mais que entendam necessários ao bom deslinde do processo, do qual dará ciência à Interessada para se manifestar. Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 4 5 Mediante a Intimação Saort 360/2014 (fls. 1572/1573), de 04 de agosto de 2014, a recorrente foi intimada a atender as solicitações em referência. Em 03 de setembro de 2014, foram apresentados os esclarecimentos de fls. 1575 a 2057, além de arquivos digitais (arquivo não paginável), fls. 2058 e 2068. É o relatório. Em atendimento a determinação constante da Resolução retro mencionada, procedeuse a regular intimação da recorrente e a recepção do que foi apresentado. Assim, as informações ora apresentadas constituem mero relatório de conclusão da diligência estando assentada, apenas, no que contém os documentos digitais encaminhados, sem que tenha ocorrido o confronto ou cotejamento com os documentos originais constituídos por: notas fiscais, recibos, livros e documentos contábeis ou qualquer outro comprovante que pudesse dar suporte as informações registradas. Também não foram solicitadas notas fiscais, por amostragem, para confronto ou conferência com os dados registrados. Em resposta ao item 07 da Intimação a recorrente apresentou uma relação de todos os documentos, arquivos digitais, e memórias de cálculos solicitados, bem como de arquivos complementares, conforme planilha abaixo: Assunto ITEM da Arquivo Valor VALORR$ Intimação Subtotal R$ 2 Item 2 a) Relação das notas fiscais de aquisição de embalagens de apresentação.xls 2.342.495,61 Embalagens de apresentação 2 Item 2 b) Arquivo com as imagens fotográficas das embalagens de apresentação.pdf 2.342.495,61 Peças e partes 3 Item 3 Peças e materiais de reposição aplicados na manutenção de máq. e equip..xls 749.508,14 749.508,14 Combustíveis e lubrificantes 4 Item 4 Relação dos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo.xls 55.013,86 55.013,86 5 Item 5 a) Serviços utiliz. como insumos relac. diretamente com a produção.xls 440.923,19 5 Item 5 b) Demais serviços.xls 54.599,17 Serviços 5 Item 5 c) Serviços cuja função não foi identificada.xls 33.454,28 5 Item 5 d) Demonstrativo com a utilização dos serviços de frete (Linha 03).xls 9.549.164,56 10.078.141,20 Serviços de frete 6 Item 6 Demonstrativo com a utilização dos serviços de frete(Linha 07).xls 6.545.168,52 6.545.168,52 Relação dos documentos apresentados 7 Item 7 Relação dos documentos, arquivos digitais e memórias de cálculo apresentados.xls Arquivos complementares Ativo imobilizado Relação dos bens.xls 114.798,97 Ativo imobilizado Arquivo com as imagens fotográficas dos bens.pdf 114.798,97 Fluxo do Processo de Produção.pdf Registros Fotográficos do Fluxo do Processo de Produ ção.pdf Relatórios do SIGSIF.pdf 19.885.126,30 O montante controverso, de acordo com o recurso voluntário, resumese aos valores relacionados abaixo: Descrição Valores Valores Linha 02 Bens utilizados como Insumos 3.842.689,41 Embalagens de Apresentação 2.342.495,61 Embalagens de Transporte 394.943,30 Materiais de Reposição (Peças em geral) 749.508,14 Produtos de Conservação e Limpeza 310.461,95 Outros Insumos 45.280,41 Fl. 2229DF CARF MF 6 Linha 03 Serviços utilizados como Insumos 10.259.206,88 Serviços 10.259.206,88 Linha 07 Despesas de Armazenagem e Frete na Oper. De Venda 6.952.151,38 Fretes 6.952.151,38 Linha 09 Encargos de Depreciação de bens do Ativo Imobilizado 114.798,97 Encargos de Depreciação de bens do Ativo Imobilizado 114.798,97 Linha 13 Outras Operações com Direito a Crédito 55.013,86 Combustíveis e Lubrificantes 55.013,86 TOTAL 21.223.860,50 As fls. 2208 e seguintes do processo veio a manifestação da recorrente sobre as conclusões da diligencia fiscal, onde, em apertada síntese, insurgiuse contra as decisões dos itens relacionados às embalagens de apresentação (3.1), material de reposição (3.2), serviços utilizados como insumos (3.3), despesa de armazenagem e frete na venda na operação de venda (3.4), bens do ativo imobilizado (3.5), e outras operações com direito a crédito (3.6). Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator II. MÉRITO Quanto ao mérito, estamos diante de matéria já conhecida dessa E. Turma relacionada a caracterização de insumos utilizados na atividade desenvolvida pela recorrente. Peço vênia para transcrever abaixo o entendimento relacionado ao conceito de insumo para PIS e COFINS nãocumulativos, trazidos pelo i. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, em processo em que a recorrente é parte, do qual adoto como razão de decidir, ressaltando que em alguns pontos analisados no presente caso esse relator diverge do entendimento esposado pelo Conselheiro Paulo Guilherme: Passando à análise dos pontos controvertidos, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 5 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na Fl. 2231DF CARF MF 8 prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 6 9 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 2233DF CARF MF 10 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 7 11 "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA Fl. 2235DF CARF MF 12 SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 8 13 inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro Fl. 2237DF CARF MF 14 de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 9 15 CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de Fl. 2239DF CARF MF 16 bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica dos pontos controvertidos. Considerando que já houve no presente processo decisão quanto a outros "insumos" utilizados pela recorrente, conforme trazido no relatório, que servem de base para o Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 10 17 cálculo de crédito de PIS e COFINS nãocumulativos, passamos a análise de dos itens aos quais se debruçou a Diligência Fiscal. II.1 Embalagem De Apresentação e Embalagem De Transporte A fiscalização efetuou a glosa por entender que as embalagens se destinam precipuamente ao transporte de produtos acabados nos termos do artigo 4º, inciso IV e artigo 6º do Decreto nº 4.544/2002: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): [...] IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. Fl. 2241DF CARF MF 18 O acórdão de primeira instância manteve a glosa, salientando que algumas embalagens poderiam gerar créditos, mas pela falta de documentação probatória, tais embalagens não poderiam ser consideradas. Em recurso voluntário, a recorrente defendeu que a legislação não diferenciou conceito de embalagem de apresentação e de embalagem de acondicionamento, sendo que ambas gerariam créditos da nãocumulatividade das contribuições. Alega ainda que as embalagens destinadas a transporte não são passíveis de utilização e oneraram o custo final do produto, constituindo custo de aquisição de insumos. Quanto à glosa de outras embalagens que acondicionam os produtos comercializados, a recorrente entendeu tratarem de embalagens de apresentação, não se destinando apenas ao transporte, mas garantindo a integridade dos produtos e destaque frente aos consumidores, não sendo passíveis de reutilização. A resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar as embalagens que fossem de apresentação. O relatório fiscal elaborado reconheceu parcialmente o direito de creditamento, mantendo a glosa relativa a embalagens consideradas como de transporte. Por se tratar de fase posterior ao processo produtivo da Recorrente, as embalagens utilizadas com função precípua de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integram o processo produtivo, seja direta ou indiretamente e, nessa condição, não geram créditos. Por seu turno, entendeu que as embalagens de apresentação, por integrar o processo produtivo da Recorrente, visto que por não se destinarem apenas ao transporte do produto e por alteram a apresentação do produto que embala, são passíveis de creditamento. Entretanto, entendo que independentemente de serem de apresentação ou de transporte, ou por ter sido utilizada em etapa posterior a fabricação do produto, os materiais de embalagens, seja com a finalidade de alterar o produto que embala ou de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, devem ser admitidos como insumos de produção e, consequentemente gerar créditos de PIS/COFINS. Vale dizer, considerando que operação realizada pela Recorrente envolve o manuseio de produtos alimentícios, as embalagens de transporte são necessárias para proteger e evitar qualquer contato externo com o produto e principalmente evitar qualquer risco de contaminação. Desta forma, entendo que, para fins de apropriação de crédito do PIS e da Cofins, é irrelevante o fato de o material de embalagem ser de apresentação ou de transporte, se tais materiais são utilizados no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser comercializado, como ocorreu com os materiais de embalagem destinados à proteção contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, conforme devidamente explicitado pela Recorrente em sede recursal. Ora, se tais materiais representam custos incorridos na fase de produção do bem destinado à venda, certamente, inexiste razão plausível para excluir da base de cálculo dos referidos créditos pelo simples fato de serem embalagens utilizadas no transporte do referido produto. Portanto, além do valor reconhecido anteriormente a título de embalagens de apresentação, deve ser admitido também o crédito relativo as embalagens consideradas pela Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 11 19 fiscalização como de transporte, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, e as embalagens de transporte propriamente dita. II.2 Peças e Partes Material de Reposição A resolução que deferiu a diligência requereu que fosse discriminado que peças teriam sido utilizadas em manutenções e que peças não teriam sido utilizadas. A diligência concluir que parte dos valores glosados se referia à manutenção de máquinas e equipamentos, no entanto, aparentemente, por sua natureza, teriam sido considerados como acréscimos na vida útil dos equipamentos superior a um ano, nas máquinas e equipamentos usados na industrialização e que deveriam ser contabilizados no ativo imobilizado para futuras depreciações. Por seu turno, a recorrente se manifestou no sentido de que a diligência teria confirmado que todas as peças se referem à manutenção de máquinas e equipamentos. A recorrente apresentou arquivo contendo a relação de peças destinadas à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na industrialização. Relativamente ao questionamento fiscal, o artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999 dispõe: Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). § 2º Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. Fl. 2243DF CARF MF 20 § 3º Somente serão permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Assim, as despesas de manutenção que acarretem o aumento da vida útil do bem, prevista na data de sua aquisição deve ser ativada e sujeita a depreciações futuras. A motivação da autoridade fiscal foi a seguinte: "Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 3 a – Peças e materiais de rep.aplic.manut.maq.e equipamentos.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações." Assim como o i. Conselheiro acima já mencionado, entendo que a motivação é por demais sucinta e sem comprovação, ainda que indiciária, do aumento de vida útil, pois não evidencia como ocorreria o aumento, transparecendo, inclusive falta de convicção na alegação, ao afirmar que "aparentemente" teriam sido considerados insumos que acresceriam vida útil. Neste sentido, citamse acórdãos: Acórdão nº 1401000.769: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Ainda que se comprovasse o aumento da vida útil dos bens, estarseia diante da inobservância do regime de competência, vez que deveria ser reconhecido o direito de deduzir as despesas por meio de depreciação. Nestes casos, o procedimento que deve ser adotado pela Autoridade Fiscal é o disposto no Parecer Normativo COSIT nº 02/96, sob pena se exigir o recolhimento do tributo que se sabe será restituído, vez que a empresa terá direito a apropriar as depreciações daqueles bens ativados. Acórdão nº 130200.463: DESPESAS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO. ATIVAÇÃO. No caso de despesas com reparos e conservação de bens, a capitalização dos montantes correspondentes só deverá ser efetivada se dos reparos ou da conservação resultar aumento da vida útil do respectivo bem. Tratandose de procedimento de ofício, cabe à autoridade fiscal demonstrar tal ocorrência e, sendo o caso, a determinação do novo valor contábil do bem, do novo prazo de sua vida útil e, por decorrência, da taxa de depreciação a ser utilizada. Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 12 21 Acórdão nº 10517.423: BENS IMOBILIZÁVEIS POR SUA NATUREZA Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens, de forma a mantêlos em condições eficientes de operação. Se isso não ficar caracterizado ou os consertos redundarem em aumento da vida útil do bem em mais de um ano, devese imobilizálo. Recurso de oficio conhecido e improvido. Acórdão nº 10322.314: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Portanto, considero que o valor que se refere a custos de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção, e, à vista das premissas anteriormente abordadas, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais despesas. II.3. Aquisições de produtos de Conservação e Limpeza No que tange a referido item, entendo que a irresignação apresentada pela recorrente apresenta sustentação para prosperar. Conforme planilha apresentada nas peças de defesa da contribuinte, os produtos sobre os quais se requer o creditamento da COFINS, seriam utilizados na limpeza de carretas, silos, tanques, máquinas e equipamentos de produção. A contribuinte faz menção ainda a Solução de Consulta DISIT 08 nº 13, de janeiro de 2010, a qual supostamente lhe garantiria o direito ao crédito da contribuição sobre a aquisição dos produtos indicados na planilha. Extraise da mencionada consulta o seguinte trecho: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. A partir de 1 o de dezembro de 2002, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins as despesas efetuadas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) No que toca aos "produtos utilizados na limpeza", a possibilidade de apuração de créditos se limita aos dispêndios relativos àqueles produtos de aplicação necessária no curso do próprio processo produtivo, ou seja, não enseja apuração de Fl. 2245DF CARF MF 22 créditos dispêndios com produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo. (destaquei) (...) Ora, a Solução de Consulta trazida pela recorrente traz a possibilidade de ser creditada pelos dispêndios na aquisição dos produtos de limpeza utilizados na higienização, o que de fato restou constatado no decorrer do presente processo. Conforme demonstrado, a limpeza e higienização é parte indissociável do processo de produção da contribuinte, motivo pelo qual entendo ser possível o cretitamento pleiteado, devendo ser levantada a glosa dos créditos quanto aos itens em análise. II.4. Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes No que tange ao presente item, o entendimento desse relator e idêntico ao exarado pelo i. Cons. Paulo Guilherme, traduzido no voto proferido no processo n.º 10925.001199/200961, razão pela qual pedese vênia para transportar as razões do processo mencionado para esses autos, com as alterações pertinentes ao caso em tela. A recorrente pugna pelo reconhecimento de valores relativos à utilização de gás Ultrasystem, graxas, óleos e lubrificantes que seriam usados em equipamentos do setor produtivo como empilhadeiras, máquinas do setor de leite longa vida etc. A diligência in loco confirmou a utilização das empilhadeiras no transporte de bobina para embalagem de lona vida do almoxarifado até a produção e também de esteira até o local de reserva do leite (chamado quarentena). Assim, comprovada a utilização no setor produtivo, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais aquisições. II.5. Aquisição de Amônia No mesmo sentido quanto aos combustíveis e lubrificantes, comungo do entendimento do i. Conselheiro alhures mencionado. Quanto a este item, a diligência in loco constatou que o produto é utilizado na sala de máquinas, em compressores para geração de água fria, posteriormente utilizada na refrigeração do leite e derivados e nas câmaras frias de maturação de queijos. Assim, pela descrição, podemos verificar que a amônia é utilizada no processo produtivo, devendo ser reconhecido o creditamento sobre o valor de sua aquisição. II.6 Serviços Utilizados como Insumo Linha 3 e Despesas de Fretes e Armazenagem na Operação de Venda Linha 07 Novamente pedindo vênia para utilizar as conclusões do voto proferido no processo nº 10925.001199/200961, transcrevo abaixo os apontamento trazidos pelo i. Relator naquela oportunidade, esclarecendo que faço alterações relacionadas a dados próprios do processo em análise, e ressalvando o entendimento quanto a possibilidade de haver o creditamento observado sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. A fiscalização glosou serviços informados na linha 03 das fichas 4 e 6 do DACON Serviços utilizados como insumos, constantes do Anexo III relativos a manutenções Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 13 23 das instalações industriais, carga de resíduos, dedetização, etc e ainda fretes nas aquisições de insumos, fretes entre estabelecimentos (coleta e produção, produção e venda, armazenamento de queijo e retorno do produto à empresa). Em relação à linha 07, a fiscalização glosou créditos a este título por falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância. A recorrente apresentou em cumprimento da diligência, planilhas que apresentaram um valor a menor de R$ 181.065,68, em ralação ao valor apresentado no recurso voluntário, motivo pelo qual, no que tange a tal diferença não resta outra alternativa a não ser a manutenção da glosa em virtude da não apresentação de documentos comprobatórios, solicitados pela intimação fiscal Saort nº 360/2014. Quanto aos serviços utilizados como insumos, a glosa mantida na primeira instância fundamentouse no fato de a recorrente não ter indicado ou explicado em que consistiriam estes serviços e onde seriam aplicados. A recorrente defendeu que tais serviços são utilizados na manutenção industrial, no resfriamento de leite, análises laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros, sendo essenciais ao processo produtivo. A resolução, então, solicitou a demonstração de que tais serviços seriam aplicados diretamente no processo produtivo dos bens destinados à venda, cujo cumprimento resultou na Intimação Saort nº 360/2014, da qual transcrevese a parte relativa aos serviços utilizados como insumos: 6. QUANTO AOS SERVIÇOS GERAIS, tais como: ”manutenção industrial (de empilhadeira, de equipamentos de queijaria, de caldeira, do setor de produtos UHT, etc), resfriamento do leite, reforma do equipamento queijomatic, dentre outros que são utilizadas nas etapas de manipulação do produto dentro da linha de produção daquelas que não se encontram dentro da linha de produção; 6.1 APRESENTAR relação de todas as notas fiscais de ENTRADA, correspondente aos serviços gerais (item 6) que sejam aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda, contendo: CPF fornecedor/CNPJ emissor; nome do fornecedor; CNPJ estabelecimento de entrada; número da nota fiscal; data da emissão; data da entrada; CFOP; descrição do serviço; valor total; totalizador ao final de cada mês; discriminar os serviços gerais utilizados na produção dos que não se encontram na produção da empresa, por seção/setor onde podem ser localizadas. Em resposta, a recorrente informou ter apresentado as planilhas contendo os serviços utilizados diretamente no processo produtivo 5.a, uma planilha com os demais serviços 5.b, uma planilha com serviços cuja função não foi reconhecida 5.c, e notas fiscais de aquisição de insumos, informadas equivocadamente como serviços 5.d. Fl. 2247DF CARF MF 24 O relatório fiscal resultado da diligência consignou que no arquivo 5.a serviços utilizados como insumos diretamente na produção a recorrente relacionou serviços que não seriam utilizados diretamente na produção ou que deveriam ser amortizados por ampliar a vida útil em mais de um ano. Da planilha 5.b, manteve a glosa daqueles identificados como serviços sem função identificada, que o relatório identificou como item 5.d, mas que a recorrente referiuse como item 5.c. A recorrente propugnou em sua manifestação sobre o resultado da diligência pela reconhecimento do creditamento sobre os itens 5.a e 5.b, reconhecendo como não comprovados os serviços do item 5.c. Quanto ao item 5.d, nada informou. Dentre os serviços relacionados no item 5.a, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas a serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, pois que se referem a dispêndios anteriores ou posteriores à produção, bem como serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano, que pertencem ao ativo permanente. Concernente ao item 5.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais telefônicos etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa. Relativamente ao item 5.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa. Concernente aos fretes, as glosas ocorreram pela falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda ou de insumos, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância por entender ainda que a informação em linha equivocada do Dacon ensejaria a manutenção da glosa. A recorrente defende que a glosa empreendida pelo Fisco foi arbitrária, que o mero equívoco na inserção de fretes de aquisição de insumos e transferência de insumos na linha de despesas de fretes sobre a venda não pode obstar o reconhecimento ao direito creditório, e ,por fim, pugna pelo creditamento quanto aos fretes nas aquisições de insumos, entre transferências de insumos entre os pontos de coleta e a indústria, aos fretes entre a produção e os pontos de venda e aos próprios fretes sobre a venda, solicitando ainda a baixa em diligência, caso se entendesse que as provas juntadas fossem insuficientes. Neste sentido, a resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar os fretes em operações de venda, bem como elaborasse demonstrativo, separando o frete sobre a aquisição de insumos, sobre as operações de vendas e sobre as transferências entre estabelecimentos. Intimada a realizar a separação, com apresentação de documentação probatória, a recorrente apresentou as seguintes planilhas: a) VENDA PROD. ACABADO: Frete na venda de produtos acabados (leite e derivados). b) VENDA PROD. AGROP.: Frete na venda de produtos agropecuários (ração e farelo de trigo). c) TRANSFERÊNCIA CD: Frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 14 25 Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR. d) TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO: Frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais. e) TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. f) COMPRA INSUMOS: Frete na compra de insumos (leite in natura, lenha e cavaco, embalagens, ingredientes, etc). g) COMPRA USO E CONSUMO: Frete na compra de insumos (peças, etc.) classificados como de uso e consumo. h) TRANSFERÊNCIA PC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais. i) TRANSFERÊNCIA PCPC: frete de leite in natura entre postos de coleta. j) COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na compra de produtos agropecuários (farelo de soja, farelo de trigo, ração, sal mineral, calcário, suplementos para ração, etc), destinados à revenda aos produtores de leite. k) COMPRA IMOBILIZADO: Frete na compra de bens para o ativo imobilizado. 1) DEVOLUÇÃO DE VENDAS: Frete referente devolução de venda de produtos acabados (leite longa vida, manteiga, etc). m) REMESSA ANÁLISE: Frete na remessa de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. n) RETORNO ANÁLISE: Frete no retorno de caixas/vasilhames nos quais foram remetidas as amostras de produtos (leite in natura) para análise em estabelecimentos terceirizados. o) REMESSA CONSERTO: Frete na remessa de bens (prensa, cilindro, pistão, etc.) para conserto. p) RETORNO CONSERTO: Frete no retorno de bens (filadeira, etc.) remetidos para conserto. q) DIVERSOS: Outros fretes não enquadrados nas classificações acima. O relatório final da diligência abordou apenas os fretes relacionados nas planilhas TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO, TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA e COMPRA IMOBILIZADO, entendendo pela impossibilidade de creditamento. Fl. 2249DF CARF MF 26 Em manifestação ao relatório final de diligência, a recorrente reafirma o direito ao creditamento, seja como frete na aquisição de insumos, seja como fretes sobre vendas, bem como entende confirmado o creditamento sobre as demais planilhas. Inicialmente, salientase que, embora o relatório seja omisso quanto às demais planilhas, algumas descrições são suficientes para formação de convicção quanto à possibilidade de creditamento. Assim, os fretes nas aquisições de insumo devem ser reconhecidos por se tratarem de custo de aquisição, bem como os fretes de transferências de insumos entre estabelecimentos, por se tratarem de serviços consumidos durante o processo produtivo, incluindo aqui os fretes entre os pontos de coleta até a produção, conforme explicitado no FLUXO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO NA INDÚSTRIA: DE LACTICÍNIOS TIROL LTDA 01.1. TRANSPORTE 1º PERCURSO: Nesta primeira etapa há o custo de transporte, que é o valor pago ao transportador para fazer a coleta do leite na propriedade do produtor rural e sua transferência até os postos de resfriamento, ou dependendo da localização da propriedade e da indústria, o leite já é transferido diretamente para a indústria, sem passar pelo posto de resfriamento [...] 02.1. TRANSPORTE 2º PERCURSO: Nesta segunda etapa, há custo de transporte, que é o valor pago às transportadoras pelo serviço de transporte entre o posto de resfriamento e a indústria. Neste sentido, deve ser reconhecido o direito ao creditamento das seguintes planilhas, sobre as quais o relatório fiscal não se pronunciou: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, por se tratarem de fretes sobre vendas, nos termos do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. COMPRA DE INSUMOS: segundo a recorrente são fretes nas compras de insumos que compõem o custo de aquisição e geram direito a crédito. Entretanto, verificase na informação prestada pela recorrente, a aquisição referese a leite in natura, lenha, cavaco, embalagens, ingredientes e descrições genéricas como diversos, outras cargas, conforme nf, ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO: nesse tópico divirjo, com a devida vênia, da posição esposada pelo n. relator do processo 10925.001199/200961, pois entendo ser direito do contribuinte se creditar na referida operação. Desta feita, com a devida licença, tomo por razão de decidir o voto vencedor relacionado à matéria, redigido pelo i. Conselheiro Walker Araujo, nos seguintes termos: É de se ver que a fundamentação para manutenção da glosa de créditos calculados sobre fretes foi no sentido de que os bens Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 15 27 sujeitos à alíquota zero, cuja base de cálculo do crédito já engloba o valor do frete e do seguro, não dá direito ao crédito. Em relação à esta matéria, esta Turma já adotou posicionamento contrário ao entendimento apresentado pelo i. Relator, por meio do acórdão nº 3302002.922, de relatória da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar a questão sob análise, a saber: Conforme acima demonstrado a fundamentação da glosa de créditos calculados sobre fretes prendese ao fato de que as aquisições dos insumos são tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002. No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403 001.944, de 09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Nesse sentido, registro excertos da referida decisão, nos termos do voto condutor: A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei). “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor:(...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)”(grifei). Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da Fl. 2251DF CARF MF 28 contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). )(grifei). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Portanto, por ser passível de creditamento, a glosa de créditos relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero deve ser totalmente revertida. TRANSFERÊNCIA PC e PCPC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos. REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE: fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO: por se tratar de frete utilizado em manutenção de bens da produção, segundo informação da recorrente, não havendo qualquer objeção no relatório fiscal da diligência. Porém, relativamente às planilhas abaixo, entendo que a glosa deve ser mantida: * TRANSFERÊNCIA CD frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR), TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais e TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 16 29 despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Por outro lado, para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 2253DF CARF MF 30 Portanto, incabível o creditamento relativo a tais despesas. * COMPRA USO E CONSUMO: a recorrente afirmou que se trata de frete material e uso e consumo (peças etc), cuja descrição não permite a identificação da natureza da carga e sua utilização no processo produtivo, impossibilitando o creditamento como insumos. * COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA por se tratar de frete na aquisição de bens para revenda, compondo o custo de aquisição destes bens, informados na linha 01 do DACON. A inclusão destes fretes em diligência representa inovação, pois as alegações no recurso especial referiam a fretes na aquisição de insumos, fretes internos de insumos (pontos de coleta até a unidade de produção) e fretes em operações de venda. A inclusão neste momento somente seria possível, em homenagem ao princípio da verdade material, se a recorrente comprovasse o erro cometido no preenchimento da linha 01 do DACON, o que até então não fora cogitado, nem provado na diligência. Assim, entendo incabível esta inovação em sede de diligência. * COMPRA IMOBILIZADO, pois não se refere a serviços utilizados no processo produtivo nem a frete nas operações de vendas, razão pela qual tais aquisições não geram créditos, ressalvada a possibilidade de creditamento sobre as futuras depreciações, desde que relativas a bens utilizados no processo produtivo, o que, entretanto, não restou comprovado na diligência, além de que o pedido representa inovação, pois a defesa inicial pautouse na existência de fretes como insumos, aquisição de insumos e sobre vendas. * DEVOLUÇÃO DE VENDAS: a informação prestada referese a devoluções de leite, produto com alíquota zero, cujo custo de aquisição não gera crédito, além de representar inovação nas razões recursais manifestadas em manifestação de inconformidade e impugnação, por não se tratar de frete na aquisição de insumos, ou de transferências de insumos ou produtos acabados, nem de frete na operação de venda. * DIVERSOS, pois a generalidade da descrição não permite a comprovação de sua utilização no processo produtivo ou nas operações de venda. Assim, devem gerar créditos os fretes relativos às planilhas VENDA PROD. ACABADO, VENDA PROD. AGROP, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE, RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO, FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, ressalvando a necessidade de a unidade de execução do acórdão apurar o crédito relativo à COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. II.7 Encargos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado A fiscalização glosou o creditamento sobre encargos de depreciação relativos a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, a veículos da administração , à correção monetária do imobilizado e outros bens não utilizados na linha de produção, e também relativos a bens sem comprovação documental. O relatório da diligência pouco esclareceu sobre os bens do ativo imobilizado, declarando que (efl. 2097): Após análise do demonstrativo contendo novas e detalhadas informações (descrição do bem , destinação do bem utilização/função no p0ocesso produtivo) não foi possível Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302004.879 S3C3T2 Fl. 17 31 enquadrar os referidos bens incorporados ao ativo imobilizado como adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Neste sentido, impôemse a manutenção da glosa. Entretanto, analisando os documento acostados aos autos (efls 1384 a 1394), entendo devam ser mantidas as glosas relativas a EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP , CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. III. Conclusão Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens, inclusive aquelas consideradas pela fiscalização como de transporte, as quais foram registradas pela recorrente como de transporte, aquisição de material de reposição, aquisição de amônia, combustíveis e lubrificantes, serviços como insumos, fretes nas: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, COMPRA DE INSUMOS, FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO; e encargos de depreciação, nesse caso devendo ser mantidas as glosas relativas a (efls. 1384 a 13394) EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP , CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. , todos valores referentes a base de cálculo. De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes da planilha COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido, a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. É como voto. Fl. 2255DF CARF MF 32 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 2256DF CARF MF
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