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Numero do processo: 10620.000025/00-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só se dá em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a correção monetária deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07 (Súmula CARF nº 154).
ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. REGIME DA LEI Nº 9.363/96. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não integram a base de cálculo do Crédito Presumido da Lei nº 9.363/96 as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário (Súmula CARF nº 19).
Numero da decisão: 9303-009.406
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para admitir a atualização pela Taxa SELIC da parcela do crédito que não foi reconhecida em decorrência de oposição estatal ilegítima, a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.Ausente o conselheiro Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só se dá em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a correção monetária deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07 (Súmula CARF nº 154). ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. REGIME DA LEI Nº 9.363/96. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não integram a base de cálculo do Crédito Presumido da Lei nº 9.363/96 as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário (Súmula CARF nº 19).
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só se dá em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a correção monetária deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07 (Súmula CARF nº 154). ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. REGIME DA LEI Nº 9.363/96. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 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(documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.Ausente o conselheiro Demes Brito. Relatório Trata-se de Recursos Especiais, por contrariedade à lei em decisão não unânime, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 331 a 340), e de Divergência, pelo contribuinte (fls. 370 a 390), contra o Acórdão 203-12.163, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 319 a 327), sob a seguinte ementa: Período de Apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 IPI. CRÉDITO GLOSADO. MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS. É correta a redução do valor de crédito de IPI, quando se constatam créditos indevidos relativos a produtos incorporados às instalações industriais, materiais de consumo e as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, que não se consomem em decorrência de uma ação exercida diretamente sobre o produto de fabricação, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização. CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. É cabível a incidência de juros, calculados à taxa Selic, a partir da data da protocolização do pedido, sobre os créditos de IPI objeto de ressarcimento. ACORDAM os Membros ... em dar provimento parcial ao recurso, apenas quanto à incidência da taxa Selic, admitindo-a a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento. O Recurso Voluntário foi contra decisão da DRJ/Juiz de Fora (fls. 253 a 260) que considerou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, para reverter as glosas relativas às aquisições de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 345 e 346), a PGFN defende que ressarcimento e restituição são institutos distintos, não sendo cabível, portanto, no caso dos créditos decorrente do primeiro, a incidência da Taxa SELIC, expressamente prevista em lei somente para a repetição de indébito (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). Em caráter subsidiário, pede que, ao menos, não incida desde a protocolização do pedido. Fl. 471DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.406 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10620.000025/00-51 O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 361 a 369). No seu Recurso Especial, ao qual também foi dado seguimento (fls. 436 e 437), pede (i) o reconhecimento do direito ao creditamento em relação às despesas com energia elétrica e combustíveis e (ii) que a aplicação da Taxa SELIC já se dê a partir do período de apuração do crédito. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 441 a 451 / 462 a 468). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço de ambos os Recursos Especiais. No mérito: I) Recurso Especial da Fazenda Nacional (Aplicação da Taxa SELIC). O assunto foi recentemente pacificado: Súmula CARF nº 154: Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07. Mas, observe-se: há que ter havido oposição ilegítima do Fisco, o que se verifica quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, cabendo a incidência da Taxa SELIC somente sobre a parcela que foi revertida, e não sobre o valor total do direito creditório que ao final foi reconhecido. Vejamos o que aconteceu no caso concreto: - O contribuinte protocolizou dois Pedidos de Ressarcimento (fls. 003 a 006), nos valores de R$ 390.508,62 + R$ 8.841,32 = R$ 399.349,94, relativos ao Crédito Presumido de IPI na exportação, da Lei nº 9.363/96, apurado no 3º trimestre de 1998; - Com base no apurado pela Fiscalização (fls. 103 a 106) a autoridade competente, conforme Despacho Decisório às fls. 188, reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 96.101,30; - Conforme já relatado, a DRJ/Juiz de Fora (fls. 253 a 260) considerou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, revertendo as glosas relativas às Fl. 472DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.406 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10620.000025/00-51 aquisições de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, aumentando o valor reconhecido para R$ 97.520,32 – o que representou um acréscimo tão-somente de R$ 1.419,02. Registre-se ainda que não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só se dá em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, tratando de casos em que se configura a oposição ilegítima do Fisco ao aproveitamento dos créditos. Não entrarei aqui em maiores detalhes, pois a matéria está sumulada, mas faço esta colocação para deixar bem claro que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior), e não ao ressarcimento. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. II) Recurso Especial do Contribuinte II.1) Energia Elétrica e Combustíveis. O assunto, no regime de Lei nº 9.363/96, de há muito, está pacificado: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. II.2) Termo inicial para a aplicação da Taxa SELIC. Isto já foi tratado quando da análise do Recurso Especial da PGFN. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para admitir a atualização pela Taxa SELIC da parcela do crédito que não foi reconhecida em decorrência de oposição estatal ilegítima, a partir de 360 dias do protocolo do pedido, e por negar provimento ao interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 473DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.406 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10620.000025/00-51 Fl. 474DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.722884/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 09/02/2011 a 30/04/2012
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. MULTA ISOLADA.
Aplica-se a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que votaram por cancelar o lançamento.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-06T20:22:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-06T20:22:29Z; Last-Modified: 2019-11-06T20:22:29Z; dcterms:modified: 2019-11-06T20:22:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-06T20:22:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-06T20:22:29Z; meta:save-date: 2019-11-06T20:22:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-06T20:22:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-06T20:22:29Z; created: 2019-11-06T20:22:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-11-06T20:22:29Z; pdf:charsPerPage: 1610; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-06T20:22:29Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10850.722884/2013-22 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-006.930 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2019 Recorrente HYPERMARCAS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/02/2011 a 30/04/2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. MULTA ISOLADA. Aplica-se a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que votaram por cancelar o lançamento. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 28 84 /2 01 3- 22 Fl. 233DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.930 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10850.722884/2013-22 Trata-se de multa isolada prevista no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 motivada pela não homologação de pedido de compensação apresentado pela Recorrente. Impugnada a exigência, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal decidiu por não acatar as alegações da Recorrente, mantendo a penalidade. Irresignada com a decisão da primeira instância, a Recorrente protocolou tempestivamente recurso voluntário alegando o caráter confiscatório da multa aplicada e ofensa ao principio da proporcionalidade. Alega que procedeu dentro dos limites da legalidade e da boa-fé, sem que tenha havido qualquer prova pela Fiscalização em sentido contrário. Finaliza pedindo o cancelamento da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A matéria que se discute nos autos diz respeito à exigência da multa isolada em razão da não homologação de pedido de compensação, nos termos previstos no art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96. Em sede preliminar a Recorrente alega a nulidade da decisão recorrida, por não ter enfrentado as questões constitucionais apresentadas. Entendo não assistir razão ao recurso. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento estão expressamente impedidas de apreciar questões constitucionais, nos termos previstos no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72. "Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)" Quanto ao mérito, a Recorrente traz as mesmas questões constitucionais que foram levadas ao julgamento da primeira instância. Neste ponto situação diferente não pode ocorrer nos julgamento deste Conselho. Tal posição esta em consonância com o art. 26-A do Fl. 234DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.930 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10850.722884/2013-22 Decreto nº 70.235/72 e também em obediência a Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quanto à aplicação da penalidade para os pedidos de ressarcimento e compensação não homologados pela Receita Federal, a legislação vem sofrendo alterações no decorrer do tempo e alteração significativa ocorreu com a revogação do § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/74 pela MP 656/2014 e em seguida pela MP nº 668/2015, que trazia a previsão da aplicação da multa de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito, objeto do pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Em que pese a revogação da multa quando ao pedido de ressarcimento indeferido, foi mantida na legislação a exigência da multa de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, prevista no art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96. Abaixo transcrevo parte do art. 74, com os parágrafos mantidos com sua redação atual e os textos revogados. “Art. 74”. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) ... § 15. Aplica-se o disposto no § 6 o nos casos em que a compensação seja considerada não declarada. (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Revogado pela Medida Provisória nº 668, de 2015) § 16. Nos casos previstos no § 12, o pedido será analisado em caráter definitivo pela autoridade administrativa. (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Revogado pela Medida Provisória nº 668, de 2015) § 17. O valor de que trata o inciso VII do § 3 o poderá ser reduzido ou restabelecido por ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 235DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv608.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12838.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/449.htm#art29 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12249.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12249.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Mpv/mpv656.htm#art56 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art169i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art169i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Mpv/mpv668.htm#art4ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/449.htm#art29 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12249.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Mpv/mpv656.htm#art56 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Mpv/mpv656.htm#art56 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art169i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Mpv/mpv668.htm#art4ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Mpv/mpv668.htm#art4ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/449.htm#art29 Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.930 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10850.722884/2013-22 § 17. Aplica-se a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013)"(grifo nosso) Outro ponto a ser observado, diz respeito as alterações do § 17 que no momento do lançamento, previa a exigência da multa sobre o crédito não homologado e posteriormente foi alterada para a aplicação da multa sobre o débito objeto de declaração de compensação não homologado. As modificações, em nada altera a exigência constante do presente lançamento, pois, a Fiscalização considerou no auto de infração, o valor do crédito registrado nos pedidos de compensação o que equivale ao valor dos débitos compensados, ou seja, não existe nenhuma mudança no lançamento em se considerar o crédito ou débito constante da declaração de compensação. Portanto, não há que se falar em aplicação de retroatividade que possa reduzir o lançamento. Por fim, quanto ao procedimento de cobrança dos débitos controlados no presente processo, por força de determinação legal, fica suspensa a sua exigência até que seja resolvida em definitivo na esfera administrativa, os pedidos de compensação não homologados que deram origem a multa em comento, tendo em vista que tais pedidos foram objeto de impugnação e posterior recurso voluntário, nos termos previstos no art. 74, § 18 da Lei nº 9.430/96. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Relator Fl. 236DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12249.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Mpv/mpv656.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Mpv/mpv656.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm#art151iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm#art151iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art20 Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.930 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10850.722884/2013-22 Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001352/2008-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 08/01/2004
AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA
Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. DENÚNCIA ESPOTÂNEA. INAPLICÁVEL.
A informação extemporânea da desconsolidação do Conhecimento de Carga - House enseja a aplicação da penalidade aduaneira estabelecida no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/66.
Incabível os argumentos de denúncia espontânea por não se aplicar aos casos de descumprimento de prazos. Aplica-se o estabelecido na Súmula CARF no 126.
Numero da decisão: 3001-000.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/01/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. DENÚNCIA ESPOTÂNEA. INAPLICÁVEL. A informação extemporânea da desconsolidação do Conhecimento de Carga - House enseja a aplicação da penalidade aduaneira estabelecida no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/66. Incabível os argumentos de denúncia espontânea por não se aplicar aos casos de descumprimento de prazos. Aplica-se o estabelecido na Súmula CARF no 126.
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LEGITIMIDADE PASSIVA Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. DENÚNCIA ESPOTÂNEA. INAPLICÁVEL. A informação extemporânea da desconsolidação do Conhecimento de Carga - House enseja a aplicação da penalidade aduaneira estabelecida no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei n o 37/66. Incabível os argumentos de denúncia espontânea por não se aplicar aos casos de descumprimento de prazos. Aplica-se o estabelecido na Súmula CARF n o 126. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 13 52 /2 00 8- 98 Fl. 152DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: O presente Auto de Infração refere-se à multa capitulada no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003, no valor de R$10.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.° 800/2007, com a alteração da IN SRF n.° 899/2008. Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da desconsolidação da carga constante dos CE's Máster n.°s 160805052514819 e 160805055732418 em datas posteriores às datas das efetivas atracações das embarcações no porto. Segundo o que consta nos documentos juntados aos autos, estas informações foram prestadas intempestivamente em 05/05/2008, às 18:13 horas e 08/05/2008, às 21:49 horas, respectivamente. Nos termos, então, da IN SRF n.° 800/2007, com a alteração da IN SRF n.° 899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas à conclusão da desconsolidação é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação de fls. 28/35, alegando o que segue: 1- Em relação ao CE genérico 160.805.094.625.090 (Máster 160805052514819), a empresa apresentou o mesmo com um dia de atraso, prestando todas as informações relativas à desconsolidação, sendo as mercadorias liberadas sem conferência aduaneira. O ínfimo atraso deu-se pela fato de o navio ter antecipado a data da atracação e por erro material na informação quanto ao porto de descarga. Por esta razão foi necessário refazer o CE que já havia sido lançado dentro do prazo legal. 2- Em relação ao CE Genérico 160.805096.829.912 (Máster 160805055732418), o atraso se deu por culpa do agente armador que informou incorretamente o NCM e por isso teve que aguardar a retificação do CE, o que foi feito pelo armador extemporaneamente. Mas esta provado que a autuada não agiu com intuito de cometer qualquer infração ou embaraço à atividade fiscal. 3- De qualquer forma a responsabilidade pela infração fica excluída pela denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN. Vale destacar que os dados de embarque foram efetuados antes de qualquer notificação ou intimação por parte da fiscalização. 4- Para justificar a inaplicabilidade da penalidade imposta, cita decisão proferida pela DRJ/SPO II que trata da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação da Lei n° 10.833/2003. Fl. 153DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 5- Tendo a autuada prestado todas as informações relativas a desconsolidaçâo da carga, claro está que não teve intenção de cometer infração e nestas condições não pode prosperar a autuação fiscal. A DRJ de Florianópolis/SC julgou improcedente a Impugnação, mantendo o auto de infração conforme Acórdão n o 07-26.848 a cuja Ementa e trechos do voto seguem transcritos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/06/2008 Ementa: Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10/11/2004 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Voto (...) Além de não comprovar tais alegações para ver excluída a responsabilidade pelas infrações, é de se ressaltar o disposto no art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos dos atos. Tais argumentos, portanto, não afastam a responsabilidade pelas infrações praticadas (...) Protesta, também pela ocorrência da denúncia espontânea de que trata o art. 138 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN). Ocorre que o instituto da denúncia espontânea abrigado no art. 138 do Código Tributário Nacional não alcança as penalidades aplicadas em razão do cumprimento intempestivo de obrigações acessórias autônomas, havendo, nesse mesmo sentido, julgados que corroboram o entendimento de que tais penalidades não são incompatíveis com o preceituado no art. 138 do CTN. Para tanto, é de conferir-se o que foi decidido, por unanimidade de votos, pela Egrégia I a Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n.° 195161/GO (98/0084905-0), cuja exegese do relator, Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999), muito embora tenha versado sobre declaração do imposto de renda, aplica-se, da mesma forma, ao descumprimento da obrigação em tela: (...) Fl. 154DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 Que fique claro que a obrigação sob apreço consiste em registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, na forma e no prazo estabelecido pela Receita Federal, a teor das disposições contidas no art. 50, inciso n, da IN SRF n.° 800/2007, alterada pela IN RFB 899/2008, que determina o seguinte: (...) O Regulamento Aduaneiro vigente à época, Decreto n. ° 4.543/2002, também dispunha sobre a denúncia espontânea e que situações não estavam alcançadas pelo instituto: (...) Já a IN RFB n.° 800/2007, define o que seja transportador para efeitos da regulamentação de que trata: (...) Já a norma penal aplicável em caso de descumprimento da referida obrigação tampouco deixa margem a dúvidas, ao estabelecer ipsis litteris: (...) Logo, o registro dos dados de embarque após o prazo regularmente estabelecido não caracteriza a denúncia espontânea aludida pela defesa, mas sim, precisamente, uma das condutas infracionais cominadas pela multa regulamentar em relevo. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário em que alega os seguintes pontos: preliminarmente afirma ter ocorrido ilegitimidade passiva da Recorrente na qualidade de Agência Marítima. No mérito, a Recorrente destaca que efetuou a retificação das informações incialmente apresentadas dentro do prazo, o que não dá amparo a aplicação da penalidade bem como invoca a denúncia espontânea para afastar a aplicação da multa. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23-B do Fl. 155DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n o 343, de 9 de junho de 2015 1 . Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Preliminar A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário, em sede preliminar, que a multa não pode lhe ser aplicada uma vez que a obrigação acessória deve recair sobre o Transportador Marítimo ou Agente de Carga, tendo em vista que o Agente Marítimo (Recorrente) não se encontra no rol de intervenientes aduaneiros responsáveis pelas informações conforme determinado no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei n o 37/66. Afirma ainda que, no exercício de suas atribuições, não pode ser equiparado a transportador, este sim o responsável por prestar informações acerca do veículo de carga. Portanto, constata-se a ocorrência da ilegitimidade passivo no presente caso. Sobre a questão da legitimidade do Agente Marítimo nas infrações aduaneiras, os arts. 94 e 95, I do Decreto-Lei nº 37/66 c/c o art. 135, II, do CTN são claros para a solução da controvérsia conforme pode ser evidenciado na reprodução a seguir: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completa-los. (...) Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;(...)" (...) 1 Art. 23-B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 156DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados;(...)" Com isso é notória a responsabilidade da Recorrente (Agente Marítimo), representante do transportador estrangeiro, em prestar tempestivamente as informações no Siscomex. Não o fazendo, comete a infração contida na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. Portanto, o Agente Marítimo responde pessoalmente pela infração em comento. A recorrente cita ainda a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decreto-Lei nº 37, de 1966. Esta Súmula restou superada após a redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472/1988 ao artigo 32, I do Decreto-Lei nº 37/66 bem como pela nova redação do inciso II, do parágrafo único do mesmo artigo, dada pela Medida Provisória nº 2158-35/2001, reproduzidos a seguir: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) I - o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) (...) II - o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Destaque-se também que a referida Súmula 192 do TFR restou superada pela decisão do STJ no REsp 1.129.430/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, DJE de 14/12/2010, julgado em sede de recurso repetitivo. A referida decisão judicial foi no sentido de que, no período anterior à vigência do Decreto-Lei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do Decreto-Lei nº 37/66), o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, não poderia ser enquadrado na condição de responsável tributário por ausência de previsão legal. Contudo, a partir da vigência do Decreto-Lei nº 2.472/88 o agente marítimo passou a ser enquadrado como responsável tributário solidário. Colaciono a seguir Ementas da Câmara Superior de Recursos Fiscais que adotaram o mesmo entendimento acima esposado: Fl. 157DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/12/2008, 16/12/2008, 23/12/2008, 02/01/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decret-oLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Acórdão nº 9303-008.393 – 3ª Turma - Conselheira Relatora Tatiana Midori Migiyama) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/05/2010 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. Recurso especial do Contribuinte negado. (Acórdão nº 9303-007.646 – 3ª Turma - Conselheiro Relator Jorge Olmiro Lock Freire) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. (Acórdão nº 9303-003.276 – 3ª Turma - Conselheiro Relator Joel Miyazaki) Diante do exposto, voto por rejeitar a suscitada preliminar de ilegitimidade passiva. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre o cabimento da aplicação da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei n o 37/66 em virtude da inclusão das informações de desconsolidação das cargas sob responsabilidade da Recorrente (CE n o 1608050944625090 e n° 160805096829912) fora do prazo estabelecido no art. 22 da IN RFB nº 800/07. Fl. 158DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 A decisão recorrida foi no sentido de que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato nos termos do art. 136, CTN. Afirma ainda que a denúncia espontânea prevista no art. 138 também do CTN não alcança a penalidade aplicada em face de cumprimento intempestivo de obrigações acessórias. Que, nos termos do Regulamento Aduaneiro, não mais ocorre a denúncia espontânea de infração imputável ao transportador após a formalização da entrada do veículo procedente do exterior, tendo como transportador o desconsolidador responsável pela carga no destino, conforme previsto no art. 2º da IN 800/07. Conclui que o registro de embarque após o prazo regulamentado não caracteriza a denúncia espontânea e sim a conduta infracional constante da presente autuação. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que efetuou a retificação das informações incialmente apresentadas dentro do prazo, o que não dá amparo a aplicação da penalidade. Afirma que nem o Decreto-lei n o 37/66 nem o Regulamento Aduaneiro (Decreto n o 4.543/2002) contemplam a situação autuada, sendo inconcebível a IN criar a situação geradora da penalidade, violando, por conseguinte, o Princípio Constitucional da Reserva Legal. Invoca também, em face da correção de erro formal na apresentação das informações, o princípio da boa-fé. Outra tese argumentativa apresentada pela Recorrente refere-se à denúncia espontânea, uma vez que a retificação ocorreu antes do início de qualquer ação fiscal, o que isentaria o transportador ou o agente de carga de qualquer penalização, com fundamento no art. 138, CTN e no §2º do art. 102 do Decreto-lei n o 37/66. Inicialmente afirma a Recorrente que as informações foram prestadas dentro do prazo, mas que por erro formal necessitou efetuar a retificação das informações. Vejamos as bases legais que levaram a fiscalização a aplicar a multa em questão, começando pelo art. 107, IV, “e” do Decreto-lei n o 37/66: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e Percebe-se que o mandamento legal diz que a forma e o prazo das informações serão definidos pela Receita Federal e foi o que determinou a IN RFB nº 800/07 em seu art. 22: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; Fl. 159DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art107 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art107 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art107 Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para o manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Estamos diante da situação onde a Recorrente deixou de prestar informação de desconsolidação das cargas CE n o 1608050944625090 e n° 160805096829912 fora do prazo estabelecido no art. 22 da IN RFB nº 800/07. Portanto, improcedentes os argumentos da Recorrente em virtude da ausência de apresentação de provas que corroborassem suas afirmações, bem como pelo fato de que consta do processo (e-fls. 12 a 30) os documentos que demonstram que os citados Conhecimentos Eletrônicos – House foram inseridos (desconsolidados) em 05/05/2008 às 18:13:06 e 08/05/2008 às 21:49:37, respectivamente, ou seja, após a atracação dos navios ocorridas em 16/04/2008 e 28/04/2008, respectivamente. A Recorrente alega também que as informações lançadas no sistema foram prestadas antes do início de qualquer ação fiscal. Invoca, para a presente argumentação a aplicação do art. 138 do CTN e o §2º do art. 102 do Decreto-lei no 37/66. O objetivo da denúncia espontânea é estimular que o infrator informe à Administração Aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Destaque-se que, para sua aplicação, é necessário que a infração (tributária ou administrativa) seja passível de denunciação por parte do infrator. Percebe-se que a infração objeto da presente lide, qual seja, condutas extemporâneas do sujeito passivo, naturalmente torna impossível a denunciação espontânea da infração tendo em vista o descumprimento da obrigação dentro do prazo estabelecido na legislação. Para estas infrações, a denúncia espontânea não poderá desfazer ou paralisar o fluxo inevitável transcurso do prazo, circunstância inexorável para ocorrência do instituto alegado. Portanto, nesta linha de entendimento, não há que se falar em denúncia espontânea para as infrações que tem por fundamento o descumprimento de prazos da obrigação acessória, tendo em vista que o núcleo do tipo infracional é o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. Fl. 160DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-000.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10907.001352/2008-98 A Câmara Superior de Recursos Fiscais também tem se posicionado nesta mesma linha de interpretação, conforme pode ser evidenciado no Acórdão nº 9303-003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cuja ementa segue reproduzida: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado” Nessa esteira, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Percebe-se que a Súmula se encaixa exatamente na situação do presente caso. Portanto, improcedente também a alegação da Recorrente na aplicação do instituto da denúncia espontânea da infração no presente caso. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.721811/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. NULIDADE REJEITADA.
Não caracteriza a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, o auto de infração que atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO.
Este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar sobre inconstitucionalidade da legislação tributária, de acordo com a Súmula CARF nº 2
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-006.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. NULIDADE REJEITADA. Não caracteriza a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, o auto de infração que atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar sobre inconstitucionalidade da legislação tributária, de acordo com a Súmula CARF nº 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 18 11 /2 01 0- 26 Fl. 197DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.939 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721811/2010-26 Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 152 a 162) interposto pelo Contribuinte, em 23 de abril de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 11-49.097 (fls. 966 a 142), de 28 de janeiro de 2015, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) – DRJ/REC – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade. Visando a elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata-se de Impugnação contra Auto de Infração do IPI, períodos de apuração compreendidos entre setembro de 2009 (sic) e dezembro de 2008, cujos valores foram lançados com multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. A autuação deve-se a divergências entre os valores declarados em DCTF e os escriturados, apuradas pela fiscalização no procedimento de verificações obrigatórias. O Termo de Verificação Fiscal, que integra o lançamento, informa que também foram lavrados autos de infração de IRPJ, Cofins e Pis, formalizados em outros três processos, e contém o seguinte: Utilizaram-se os elementos a seguir para o cotejo das informações contábeis-fiscais, por um lado os registros contábeis apresentados pelo sujeito passivo em meio magnético e com relação ao ano-calendário 2008, extraídos do SPED contábil; por outro lado os dados das DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais e SINAL (Sistema que registra os pagamentos efetuados por DARF) disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil. As divergências apuradas no cotejo contábil-fiscal, objetos de lançamento, encontram-se demonstradas nos DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO integrantes de cada Auto de Infração e comprovadas pela impressão dos registros das DCTF e dos lançamentos do Razão extraídos dos elementos citados no parágrafo anterior com o auxílio do aplicativo “Contágil”. Em 09/04/2010, com a ciência do Termo de Solicitação de esclarecimentos, o sujeito passivo foi informado das divergências constatadas no cotejo contábil-fiscal relativamente aos períodos de apuração de 2006, 2007 e 2008 e intimado a apresentar justificativas sobre as referidas divergências, bem como reiterada solicitação de esclarecimentos relativamente as divergências apuradas nos períodos de apuração de 2005. Em 29/04/2010 foi reiterado o Termo de Solicitação de Esclarecimentos, de 09/04/10. Em 19/05/2010, com a ciência do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, de 18/05/2010, o sujeito passivo foi informado da existência de tributos pagos e não declarados e/ou declarados a menor e intimado a apresentar no prazo de cinco dias úteis, para esses casos, DCTF retificadora, na forma do art. 11, da IN RFB n° 786/2007, sob pena de lançamento de ofício acrescido de multa, das diferenças entre os valores contabilizados e declarados. No mesmo termo foram reiterados os Termos de 09/04/2010 e 29/04/2010. Em 29/06/2010, por ocasião do encerramento dos procedimentos de verificações obrigatórias relativamente aos períodos de apuração de 2005, o sujeito passivo foi mais uma vez intimado, através da ciência do Termo de Fl. 198DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.939 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721811/2010-26 Solicitação de Esclarecimentos - Reiteração a prestar esclarecimentos/justificativas relativos as diferenças apuradas no cotejo contábil-fiscal relativamente aos períodos de apuração dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008 e a apresentar as DCTF retificadoras, relativamente aos tributos pagos e ainda não declarados ou declarados a menor, na forma do art. 11, da IN RFB n° 786/2007, sob pena de lançamento de ofício acrescido de multa, das diferenças entre os valores contabilizados e declarados. Até a presente data, o sujeito passivo não apresentou justificativas, esclarecimentos ou qualquer manifestação sobre as divergências apuradas no cotejo contábil-fiscal relativamente aos períodos de apuração dos anos- calendário 2006, 2007 e 2008. Na Impugnação, tempestiva, a autuada alega preliminarmente que a multa de ofício lançada é confiscatória, enquanto a taxa de juros com base na Selic é ilegal. Tratando da primeira, reporta a doutrina e à jurisprudência do STF, desta citando, inclusive, a ADI nº 551/RJ, que julgou inconstitucional dispositivo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, segundo o qual o percentual mínimo da multa pelo não recolhimento de impostos e taxas estaduais seria 200% (duzentos por cento), enquanto o da multa por sonegação seria 500% (quinhentos por cento), ambos em relação ao valor do tributo. Quanto à taxa Selic, considera sua aplicação também inconstitucional, além de ofensiva à hierarquia das leis porque a Lei nº 9.065, de 1995, não poderia ter alterado o CTN. No mais (“III – DA IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO”, afirma que o Auto de Infração “não tem qualquer fundamentação e está equivocado”, porque o Auditor-Fiscal “não apresentou de forma clara e inequívoca, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o critério por ele adotado para a identificação dessas supostas divergências”, não tendo especificado se decorrem de erro no preenchimento da DCTF ou da DIPJ ou, ainda, se os erros foram identificados na escrituração contábil. E continua: ... não há sequer um Demonstrativo de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo ao período objeto da autuação, que pudesse focar no ERRO para o qual possa ser pretentida qualquer autuação pela autoridade tributária, bem como proporcionar a CONTRIBUINTE sua efetiva defesa. Considerando a ausência efetiva do enquadramento legal e da descrição dos fatos, sem que tivesse sido apresentado trabalho contundente que identificasse a razão e o porque desse divergência, o presente Auto de Infração deve ser considerado NULO E INSUBSISTENTE pela autoridade competente É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator. O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 11-49.097 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 199DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.939 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721811/2010-26 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2008 CONSECTÁRIOS LEGAIS. EVASÃO. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. Nos termos do art. 161, § 1º, do CTN, apenas se a lei não dispuser de modo diverso os juros serão calculados à taxa de 1% ao mês, sendo legítimo o emprego da taxa SELIC, nos termos da legislação vigente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Colegiado. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. NULIDADE REJEITADA. Não caracteriza a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, o auto de infração que atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte alega em seu recurso, em preliminar, a nulidade do processo administrativo por cerceamento ao direito de defesa decorrente de capitulação legal equivocada, com dispositivos legais inexistentes ou revogados, pela não apresentação por parte da fiscalização de forma clara e inequívoca da suposta divergência entre os valores escriturados e os declarados e pagos. Como base legal de suporte a preliminar, faz referência ao Decreto nº 70.235/72 e art. 37 da Constituição Federal. Entendo que não assiste razão ao Contribuinte, na preliminar de nulidade do processo administrativo por cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que não visualizo Fl. 200DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.939 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721811/2010-26 nos autos o alegado descumprimento da legislação no que concerne ao respeito ao disposto no Decreto nº 70.235/72. Quanto ao mérito o Contribuinte alega apenas que a multa de 75% tem caráter confiscatório e que desrespeita princípios constitucionais, importando em nulidade do auto. Para fundamentar cita o art. 150, IV da Constituição Federal e decisões do STJ e STF. Esta questão de mérito, acerca da multa com caráter confiscatório e a sua inconstitucionalidade, merece ser posta diante da seguinte súmula que impede que este Conselho se pronuncie acerca da matéria: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do exposto, voto por não conhecer da matéria relacionada a discussão de inconstitucionalidade da legislação tributária, e na parte conhecida, da preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento ao direito de defesa, voto por negar provimento. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000733/2005-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 04/01/2000 a 01/02/2005
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRAZO DECADENCIAL.
As multas regulamentares constantes do regulamento aduaneiro, estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66 (art. 669 do Decreto 4543/2002 - Regulamento Aduaneiro). O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração.
Numero da decisão: 9303-009.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o conselheiro Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/01/2000 a 01/02/2005 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRAZO DECADENCIAL. As multas regulamentares constantes do regulamento aduaneiro, estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66 (art. 669 do Decreto 4543/2002 - Regulamento Aduaneiro). O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o conselheiro Demes Brito.
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INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRAZO DECADENCIAL. As multas regulamentares constantes do regulamento aduaneiro, estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66 (art. 669 do Decreto 4543/2002 - Regulamento Aduaneiro). O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o conselheiro Demes Brito. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no acórdão nº 3403-002.782, de 25 de fevereiro de 2014 (e-folhas 3.649 e segs), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 04/01/2000 a 01/02/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 07 33 /2 00 5- 39 Fl. 3771DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.587 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10920.000733/2005-39 APREENSÃO ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTOS. LEGALIDADE. É legítima a apreensão administrativa de documentos pela autoridade fiscal, nos estabelecimentos da empresa fiscalizada, não necessitando o fisco de autorização judicial para a tarefa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CONTROLE INTERNO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle interno da Administração. As irregularidades em sua emissão não eivam de nulidade o lançamento efetuado em decorrência do procedimento fiscal, pois não maculam a competência da autoridade fiscal. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 04/01/2000 a 01/02/2005 PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do Decreto-Lei n o 37/1966. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EFEITOS. PENALIDADES. O erro de classificação é sancionado com multa de 1 % do valor aduaneiro da mercadoria importada sendo absolutamente irrelevante o fato de ter havido recolhimento a maior ou a menor, ou de ter havido má-fé ou dolo, ou ainda de estar perfeitamente descrita a mercadoria na declaração de importação. Tal multa não prejudica a exigência dos tributos eventualmente decorrentes da reclassificação, nem a aplicação de penalidades pela falta de recolhimento de tais tributos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias, não constituindo necessariamente tal ato "mudança de critério jurídico". O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). MULTAS. CONFISCO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF n o 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inclusive a que institua penalidades. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. Fl. 3772DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.587 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10920.000733/2005-39 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF. Conforme narrativa dos autos, o importador submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadoria estrangeira, apresentando faturas em valor inferior ao preço efetivamente praticado, razão pela qual lhe foi exigido a diferença dos tributos devidos, multa de ofício qualificada pela falta de recolhimento/declaração inexata, multa pela diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado, multa por classificação incorreta e multa ao controle administrativo das importações. O acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação à multa por infração administrativa das importações referente às declarações de importação registradas até o dia 31 de agosto de 2000. A divergência suscitada no recurso especial (e-folhas 3.676 e segs) diz respeito ao prazo decadencial para aplicação da multa por infração dolosa ao controle administrativo das importações referente às declarações de importação registradas até o dia 31 de agosto de 2000. O acórdão recorrido entendeu que, em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos contados da data da infração, nos termos do art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66. Já no acórdão indicado como paradigma (3201-00.315), prevaleceu o entendimento de que o prazo de que se trata inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador, sempre que for constatada a ocorrência de dolo, fraude e simulação. O dispositivo do acórdão paradigma não deixa dúvida de que, no entendimento do Colegiado, o prazo do art. 173 do Código Tributário Nacional aplica-se também às multas impostas ao importador. Observe-se: Por fm, julgo procedente o recurso de ofício para declarar não aplicável o instituto da decadência no que diz respeito aos lançamentos atinentes ao ano de 2001, devendo ser cobrados os tributos e multas igualmente para as DIs registradas no ano de 2001. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e- folhas 3.740 e segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso especial. Mérito Fl. 3773DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.587 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10920.000733/2005-39 A toda evidência, a questão que se apresenta põe em confronto duas orientações normativas que estabelecem regras distintas para contagem do prazo decadencial no caso de tributos e multa decorrentes da importação de mercadorias. De um lado, têm-se as regras definidas no âmbito da legislação aduaneira, especificamente o Decreto 4.543/2002, que aprovou o Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos controvertidos no presente processo. A matéria é tratada nos arts. 668 e 669, nos seguintes termos: Art. 668. O direito de exigir o tributo extingue-se em cinco anos, contados (Decreto-lei n o 37, de 1966, art. 135, com a redação dada pelo Decreto-lei n o 2.472, de 1988, art. 4 o , e Lei n o 5.172, de 1966, art. 173): I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1 o O direito a que se refere o caput extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei n o 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2 o Tratando-se de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (Decreto-lei n o 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo Decreto-lei n o 2.472, de 1988, art. 4 o ). Art. 669. O direito de impor penalidade extingue-se em cinco anos, a contar da data da infração (Decreto-lei n o 37, de 1966, art. 139). Como não é difícil perceber, o § 2º do art. 668 deixa claro que, tratando-se de exigência de diferença de tributo, o prazo decadencial será contado da data do pagamento efetuado. E, de fato, considerando que o pagamento, no caso dos tributos aduaneiros, se dá na data de ocorrência do fato gerador, a regra definida na legislação aduaneira está em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 150 do Código Tributário Nacional e até mesmo com a interpretação que lhe foi dada pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, ex vi Resp 973.733. Para maior clareza, transcrevem-se ambos a seguir: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Fl. 3774DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.587 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10920.000733/2005-39 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 3775DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.587 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10920.000733/2005-39 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Também em relação às penalidades a Legislação Aduaneira é bem clara, como se pode depreender da leitura dos artigos do RA transcritos acima. O conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal trata a assunto com maestria , conforme se pode depreender de um voto de sua lavra, cujo trechos do voto transcrevo abaixo: Quanto ao seu mérito, discute-se qual o prazo decadencial aplicável às infrações aduaneiras, se o prazo previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66 ou o CTN. Veja como foi decidido no acórdão recorrido: (...) Segundo, porque, como a recorrente tomou ciência da autuação em 18/2/2011, inequivocamente, os atos infracionais cometidos até 17/2/2006, não poderiam ser mais sancionados com a multa em apreço, porque, alcançados pela decadência, pois, transcorrido o prazo de cinco anos, contado data da prática infração, conforme expressamente previsto no art. 139, combinado com o art. 138, ambos do Decreto-lei 37/1966, a seguir transcritos: (...) Sobre este assunto, tive a oportunidade de me manifestar no acórdão 3301- 002.258, proferido em sessão realizada em 25/03/2014, o qual transcrevo abaixo, em parte, utilizando-o como fundamento de decidir: (...) 2.1 DA DECADÊNCIA O recorrente não concorda com o termo inicial do prazo decadencial considerado pela decisão da DRJ/Fortaleza. Segundo ele o início do prazo decadencial começa a ser contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 669 do Decreto nº 4.543/2002 e não a partir do primeiro dia do exercício seguinte a teor do que dispõe o art. 173, inc. I do CTN. Vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional, LC nº 5.172/66 a respeito do prazo decadencial: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 3776DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.587 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10920.000733/2005-39 I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A Constituição Federal, por meio do art. 146, inc. III, “b”, delegou competência para que Lei Complementar estabeleça normas gerais sobre a decadência tributária. Neste sentido os art. 150 e 173 do CTN foram recepcionados como válidos pela carta magna e servem para delimitar o alcance e o conteúdo do prazo decadencial. Neste sentido o § 4º do art. 150 estabelece que, se a lei não fixar prazo, este será de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A doutrina de uma maneira geral, entende que o prazo de cinco anos contados do fato gerador, ou o prazo de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte, constante do art. 173, inc. I, são os limites máximos de que a lei poderá estabelecer. Nada impede que a lei instituidora do tributo, estabeleça prazo inferior àqueles indicados. Estamos analisando aqui o lançamento de penalidade aduaneira que se trata da multa de perdimento que, pelo fato de as mercadorias terem sido consumidas, passou se à aplicação da penalidade correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria. A multa foi aplicada com base no art. 618, inc. XI, § 1º do Decreto 4.543/02, Regulamento Aduaneiro então vigente. O mesmo regulamento aduaneiro prevê disposições sobre decadência da imposição de penalidades nos termos do art. 669, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extingue-se em cinco anos, a contar da data da infração (Decreto-lei n o 37, de 1966, art. 139). Estabeleceu-se aqui um prazo de cinco anos para a aplicação das penalidades previstas no regulamento aduaneiro. Note-se que este prazo não tem o condicional do § 4º do art. 150 do CTN – salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto entendo ser este o prazo decadencial aplicável no presente processo. Veja que este prazo está em consonância com o art. 570 do mesmo Decreto, o qual dispõe sobre o prazo para a realização da Revisão Aduaneira. Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-lei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, art. 2º, e Decreto-lei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: Fl. 3777DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-009.587 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10920.000733/2005-39 I - do registro da declaração de importação correspondente (Decreto-lei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II - do registro de exportação. § 3º Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Para justificar o seu entendimento de que o prazo aplicável de decadência seria o previsto no art. 173, inc. I do CTN, o acórdão recorrido argumenta no sentido de que o art. 54 do Decreto-Lei nº 37/66 que é o sustentáculo legal do art. 570, acima transcrito, não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Ora, ele tanto foi recepcionado que está citado no Regulamento Aduaneiro de 2002, Decreto nº 4.543/2002 e também no Regulamento Aduaneiro de 2009, Decreto nº 6.759/2009, só que neste regulamento o dispositivo está previsto no art. 639. Nos termos do art. 26-A do Decreto 70.235/72, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto, sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, entendo que o prazo para início da contagem do prazo decadencial é o previsto no art. 669 do Decreto 4.543/02, ou seja, cinco anos a contar da data da infração. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 06/04/2010, a penalidade não pode ser aplicada para as infrações anteriores a 06/04/2005. (...) Diante do exposto, não restam dúvidas que as infrações regulamentares constantes do regulamento aduaneiro têm seu prazo decadencial contados nos termos do art. 139 do Decreto-Lei nº 37/1966. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3778DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25
score : 1.0
Numero do processo: 16682.906052/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS.
Descumpridos os requisitos legais, há que ser cassada a imunidade, por se caracterizar como imunidade condicionada.
Numero da decisão: 3301-006.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. Descumpridos os requisitos legais, há que ser cassada a imunidade, por se caracterizar como imunidade condicionada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação encaminhada por meio do programa PER/DCOMP, na qual pleiteia-se o reconhecimento do direito creditório relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, bem como a compensação do(s) débito(s) discriminado(s). De acordo com o Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, o pedido de restituição foi indeferido, sob o fundamento de que não havia crédito disponível, por estar o pagamento alegado como indevido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado como devido. Devidamente cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde sustenta que: - Originariamente, trata-se do processo administrativo nº 10768.003554/2010-21, relativo a pedido de restituição de recolhimentos indevidos de PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de junho/2000, até a data de protocolo do requerimento; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 60 52 /2 01 2- 41 Fl. 6670DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 - Trata-se a requerente de entidade constitucionalmente imune ao recolhimento das contribuições sociais, nos termos do art. 195, § 7º, da Constituição, tendo sido o pedido instruído com os documentos necessários à comprovação da natureza jurídica da entidade de assistência social, e do cumprimento dos requisitos dos arts. 14 do CTN e 55 da Lei nº 8.212/91. Além de consagrada como entidade de assistência social pelos órgãos competentes, dentre eles o CNAS, sustenta que atendia, no período dos fatos geradores em questão, e ainda atende aos requisitos da legislação em vigor para fruição da imunidade tributária, bem como aos ditames das normas infraconstitucionais; - Argumenta que autoridade que proferiu o despacho decisório não observou a natureza jurídica da entidade requerente, instituição beneficente de assistência social, portadora do CEBAS; - Alega que restou demonstrado o recolhimento dos valores que a requerente pretende ver restituídos, conforme DARF anexado, comprovando a efetiva existência do crédito; - Sendo espécie de ato administrativo, o indeferimento deve observar os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, estabelecidos no art. 37 da Constituição, além daqueles previstos na Lei nº 9.784/99, sob pena de nulidade; - No presente caso, faltou ao despacho decisório a fundamentação que motivou o indeferimento, restando ausente a explicitação dos motivos de fato e de direito que levaram a tal decisão, o que enseja sua anulação por ofensa ao art. 37 da Constituição e aos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99, cabendo revisão a qualquer tempo, pela Administração, conforme Súmula nº 473 do STF. - O estatuto social da requerente não apenas comprova o desenvolvimento de atividades sociais, mas também evidencia o atendimento aos condicionantes estabelecidos pelo art. 14 do CTN e pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91; - A requerente protocolou seu pedido de renovação do CEAS junto ao MEC, o qual está pendente de análise. Por outro lado, obteve a renovação do Título de Utilidade Pública Federal, com validade até 30/04/2012, comprovando as atividades sociais desenvolvidas e o devido registro contábil de suas receitas e despesas; - A requerente é detentora do CEAS desde 1981, requerendo a cada três anos sua renovação, inexistindo pedido administrativo indeferido. Não havendo decisão nos demais pedidos de renovação, prevalecerá o último CEAS válido, nos termos do § 3º do art. 3º do Decreto nº 2.536/1998; - A requerente também se encontra há muito no gozo do benefício fiscal sob a ótica das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei nº 3.577/1959 e do Decreto nº 1.117/1962; - Conforme declaração expedida pelo órgão de fiscalização, à época, tem-se que a requerente possui o seu reconhecimento como entidade filantrópica, encontrando-se no gozo do benefício fiscal relativo às contribuições sociais; - A requerente obteve decisão no TFR, cujos efeitos de validade foram consagrados pelo instituto da coisa julgada, consagrando o benefício fiscal e afastando qualquer dúvida acerca de tal direito, o que ensejará o deferimento do pedido de restituição; Fl. 6671DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 - Assim, com o advento da Lei nº 8.212/91, a requerente esteve sob a condição estabelecida no art. 55, § 1º, ou seja no gozo da imunidade tributária, dispensados quaisquer procedimentos formais de reconhecimento deste direito; - Com a Constituição de 1988, o benefício fiscal relativo à cota patronal outorgado às entidades filantrópicas ganhou ares constitucionais, conforme art. 195, § 7º, sendo delegada à lei a missão de estipular os critérios para a sua concessão, o que só ocorreu com a Lei nº 8.212/91, observando-se que no período entre a promulgação da Constituição e a edição da Lei foi respeitado o direito das entidades que já gozavam da isenção; - Assim, não só pela disposição expressa do art. 55, § 1º, da Lei nº8.212/91, ao qual se aplica a interpretação literal, nos termos do art. 111 do CTN, mas também pelo cumprimento dos requisitos previstos em seus dispositivos, restou assegurado o direito à imunidade tributária relativa às contribuições sociais a seu favor; - Em conformidade com tais argumentos, foi proferida sentença nos autos dos embargos à execução fiscal nº 2007.51.01.531575-0, que, em análise idêntica ao presente caso, reconheceu o direito à imunidade da requerente no tocante às contribuições sociais; - As contribuições sociais, à época de sua instituição pela LC nº 7/70, também eram cobradas de instituições filantrópicas. Porém, com a Constituição de 1988, art. 195, § 7º, ficou garantida não só a imunidade dos impostos (art. 150, inc. VI, alínea “c”), como também das contribuições sociais para as entidades de assistência social, ratificando o benefício social, isenção, que a Lei nº 3.577/1959 instituiu, com força maior; - Em que pese o art. 9º, incs. III e IV, do Decreto nº 4.524/2002 determinar que são contribuintes do PIS incidente sobre a folha de salários as instituições de educação e de assistência social, que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532/1997, e as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532/1997, evidente a sua inconstitucionalidade por infringir o art. 195, § 7º, da Constituição; - O STF já se manifestou favoravelmente acerca da incidência da regra de imunidade para as entidades sem fins lucrativos, conforme decisão citada, não havendo que se falar em incidência de PIS sobre folha de salários das instituições de assistência social; - Quanto às normas regulamentadoras, o art. 14 do CTN encontra-se espelhado no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ambos estabelecendo os requisitos para que a entidade usufrua da imunidade constitucional, diferindo apenas nos requisitos formais, quais sejam os títulos; - Por todo o exposto, requer que seja declarada a nulidade do despacho decisório emitido em 05/12/2012, tendo em vista os argumentos e provas trazidos e, por conseguinte, solicita a compensação do montante recolhido indevidamente. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, firmando o entendimento de que seria incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. Além disso, restou acordado que não padece de nulidade a decisão administrativa que contenha as informações relativas aos fundamentos fáticos e legais que ensejaram o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte. Fl. 6672DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 Irresignada, a requerente apresentou recurso voluntário, onde, essencialmente repisa os mesmos argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, aos quais acrescenta que: - Preliminarmente, defende a tempestividade do recurso e sustenta a necessidade de sobrestamento do processo em razão do julgamento do processo n° 10768.003554/2010-21, referente à a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição Social, no período de junho de 2000 a maio de 2010, vez que a decisão final do pedido de restituição a ser proferida no âmbito daquele processo, implicará na alteração da decisão deste feito. - Defende a nulidade da decisão recorrida, alegando ausência de motivação nos autos do processo mencionado e inobservância dos requisitos administrativos; - No mérito, defende a impossibilidade da vinculação da cobrança de mensalidade com a condição de entidade beneficente de assistência social. Sustenta o enquadramento das atividades de educação no conceito de assistência social em sentido amplo; - Quanto ao período de julho/2005 a janeiro/2006, e janeiro/2008 a março/2009, em que, nos termos do acórdão recorrido, a recorrente teria descumprido os requisitos necessários à fruição do benefício, alega que a fiscalização deixou de considerar que a contribuinte dispunha de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CBAS). - Quanto à demonstração do descumprimento dos requisitos legais no período compreendido entre fevereiro/2006 e dezembro/2007, argumenta que a decisão de 1ª Instância que negou o direito à restituição de natureza semelhante no âmbito do processo administrativo- fiscal n° 16682.720677/2011-37 foi parcialmente revogada pelo CARF, o que demonstraria a fragilidade do procedimento fiscal conduzido. Nesse trilhar, registra ainda que o processo n° 16682.720013/2011-78 foi extinto em decorrência dos vícios insanáveis em sua constituição. Conclui que as situações fáticas então analisadas não resistiram a uma análise mais aprofundada. Por fim, requer: a) O sobrestamento do presente recurso voluntário até o julgamento final do processo administrativo n.o 10768.003554/2010-21, tendo em visto que este se trata do processo principal concernente ao pleito de restituição dos valores pleiteados no período de junho de 2000 a maio de 2010, sendo certo o deferimento do pedido de restituição naquele processo, implicará no deferimento da restituição suscitada no presente feito; b) Alternativamente, a anulação da decisão ora combatida, vez que a autoridade julgadora utilizou de fundamentação estranha à realidade fática processo n° 10768.003554/2010- 21, restringindo seus argumentos apenas a parte do período requerido, não enfrentando todo o pleito inicial, além do fato que ela sequer analisou os documentos apresentados pela ora recorrente; c) Caso não seja acolhido o pleito acima, o que se admite somente por hipótese, que seja acolhida a tese de mérito, para reformar a decisão ora guerreada, tendo em vista que a ora recorrente demonstrou cumprir todos os requisitos necessários para fruição do benefício fiscal atinente à imunidade tributária, fazendo jus à restituição dos valores indevidamente recolhidos. É o relatório. Fl. 6673DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.624, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.905999/2012-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.624): O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINARES - NULIDADE DO ACÓRDÃO DRJ 2.Alega a recorrente : - De plano, insta consignar que o pedido de restituição objeto deste processo, tem como fundamento o processo principal n 10768.003554/2010-21, que se trata do pedido restituição dos recolhimentos indevidos relativos à contribuição social instituída para financiamento do Programa de Integração Social (PIS), encontra-se maculado, ante a ausência do preenchimento dos requisitos mínimos dos princípios e normas que regem a administração pública, motivo pela qual a presente negativa não pode ser mantida, nos termos que restará demonstrado a seguir. - Neste ínterim, mister destacar que a decisão que negou o direito a restituição nos autos do processo n.o 10768.003554/2010-21, não o fez com a devida fundamentação, carecendo de amparo legal, ao passo certo que a ausência de fundamentação naquela decisão, via de consequência, implicada na nulidade da negativa do presente pedido de restituição. 3. A recorrente é titular de processo administrativo de n 19768.003554/2010-21, onde pleiteia a restituição de valores pagos a título de PIS- FOLHA DE PAGAMENTO, referente ao período de junho/2000 a maio/2010, processo este em andamento na DEMAC/RJ. 4. O pedido constante do PER objeto destes autos refere-se a PIS-FOLHA DE PAGAMENTO, do período de julho/2007, portanto período compreendido no processo citado. 5. Consta do Acórdão DRJ/RJ as seguintes informações a respeito do processo administrativo nº 19768.003554/2010-21 : O contribuinte, em sua manifestação, informa que o direito creditório informado no presente PER/DCOMP já havia sido objeto de análise Fl. 6674DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 nos autos do processo administrativo nº 10768.003554/2010-21. Em consulta ao sistema e-Processo, verifica-se que o processo citado corresponde a pedido de restituição, formulado em papel pelo contribuinte em 07/06/2010, relativo a valores de PIS recolhidos com base na folha de salários, no período entre jun/2000 e a data de protocolo daquele pedido, abrangendo, portanto, o período de apuração objeto do presente pedido, 04/2008. Em 11/09/2012 foi proferida decisão pela DEMAC/RJ, com o seguinte teor em sua parte dispositiva: Diante de todo o exposto, no uso da competência prevista no artigo 295, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012 publicada no DOU em 17/05/2012, e tendo em vista a delegação de competência disposta no artigo 5o , inciso I da Portaria DEMAC/RJO n° 63, de 18/07/2012, publicada no D.O.U. De 23/07/2012, em consonância com o que dispõe o artigo 39, § I o da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, DECIDO CONSIDERAR NÃO FORMULADOS os pedidos de restituição constantes deste processo. Apesar de não haver menção na parte dispositiva da referida decisão, a autoridade local, na verdade, considerou extinto pelo decurso do prazo decadencial o direito à restituição dos valores recolhidos anteriormente a 08/06/2005, conforme demonstra o trecho abaixo reproduzido: Pelo acima exposto, fica confirmada a extinção do direito à restituição, relativamente aos pagamentos efetuados anteriormente a 08/06/2005, pelo decurso de prazo superior a cinco anos entre a data do pedido de restituição e estes pagamentos. Já em relação aos pagamentos realizados a partir daquela data, os pedidos de restituição foram considerados não formulados, conforme consta na parte dispositiva da decisão. O contribuinte apresentou pedido de reexame da decisão, o que foi indeferido pela DEMAC/RJ. Interposto recurso hierárquico pelo contribuinte, foi proferido o Despacho Decisório nº 211, de 11/12/2014, pela SRRF07/Disit, com a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A restituição será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante formulário Pedido de Restituição, previsto na legislação, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Será considerado não formulado o pedido de restituição quando o sujeito passivo não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição e não tenha apresentado justificativa aceitável para a sua impossibilidade de utilização. Às fls. 925 a 937 daquele processo consta o Parecer Diort/DRF/RJI nº 863/2015, proferido em 10/06/2015, em razão do Mandado de Segurança nº 2015.51.01.038428-6, impetrado em 15/04/2015 pelo interessado, para requerer que fosse suspenso o óbice relativo à formalização do pedido de restituição em formato papel, devendo ser realizados a análise e o julgamento do mérito do pedido, proferindo-se novo despacho decisório. Naqueles autos judiciais foi concedida medida liminar em 15/04/2015, conforme transcrição abaixo: Diante do exposto, DEFIRO o pedido liminar, para que seja apreciado e decidido o requerimento elaborado pela impetrante através de formulário impresso, nos autos do Processo Administrativo n. 10768.003554/2010-21, nos termos da exordial. Fl. 6675DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 Em conseqüência, o referido Parecer analisou o mérito do pedido, e concluiu da seguinte forma: 4. CONCLUSÃO 4.1 Da análise realizada acima, concluímos que, para todas as datas anteriores a 07/06/2005 (inclusive), é insubsistente o pedido de ressarcimento por advento da prescrição do direito de pedir, pelo decurso de prazo superior a cinco anos entre a data do pedido de restituição e os pagamentos efetuados, em contrariedade ao art. 168, inc I, c/c arts. 150, § 1º e 165, inc I, do Código Tributário Nacional – CTN, conforme entendido no Despacho Decisório nº 134/2012 da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes (DIORT/DEMAC/RJO) de 1/09/2012, fls. 835/838, e ratificado pelo Despacho Decisório nº 211 – SRRF07/Disit de 11/12/2014, às fls. 909/916. 4.2 Além disso, os períodos relativos à competência compreendida entre fevereiro de 2006 e dezembro de 2007 foram objeto de Auto de Infração sob o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de nº 07185.00.2010.00377-55, às fls. 494/527 do processo de nº 16682.720677/2011-37, mantido quanto à cobrança do tributo pelo acórdão de nº 13-39.502, em 24 de janeiro de 2012. Desta forma, não cabe a repetição de indébito para este período. 4.3 Por fim, concluímos que a Solução de Divergência COSIT nº 3, de 14/02/2008, o art. 9º, incs III e IV, do Decreto n º 4.524, de 17 de dezembro de 2002, e o arrazoado no voto da 4ª Turma da DRJ/RJ2, no acórdão de nº 13-39.502, em 24 de janeiro de 2012, indicam claramente que a A SOCIEDADE UNIFICADA DE ENSINO AUGUSTO MOTTA deve pagar o PIS-Folha. 4.4 Desta forma, proponho NEGAR INTEGRALMENTE O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO no presente processo. Foi, então, proferido novo despacho decisório, encaminhado para ciência ao contribuinte em 26/06/2015, com o seguinte teor: Com fulcro no Parecer nº 863/2015, às fls. 924/937 deste processo, que aprovo e adoto como parte integrante deste Despacho Decisório, DECIDO INDEFERIR o Pedido de Restituição contido nas fls. 48/49 do presente processo, e DETERMINO: 1) Não reconhecer o direito creditório pleiteado. 2) Indeferir todos os pedidos de restituição do presente processo. 3) Não homologar os débitos constantes nas DCOMP do presente processo. 4) Encaminhar os débitos relativos às DCOMP do item acima para cobrança. 5) Fazer a ciência do contribuinte do inteiro teor deste Despacho Decisório, e do Parecer nº 863/2015 às fls. 924/937 deste processo. 6) Fazer conhecer do prosseguimento ao atendimento do Mandado de Notificação nº MTL.0026.000032-7/2015, da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro, cientificando a autoridade judicial do inteiro teor deste Despacho Decisório, e do Parecer nº 863/2015 às fls. 924/937 deste processo. Fl. 6676DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 6. Portanto, verifica-se que, no processo administrativo de nº 10768.003554/2010-21, não foi reconhecido o direito creditório pretendido pela recorrente e que tal processo administrativo se encontra em fase de ciência da decisão ao requerente., o que parece já ter sido providenciado, pois que a recorrente cita a falta de fundamentação do despacho decisório emitido naqueles autos. 7. O despacho decisório eletrônico emitido nos presentes autos, portanto, foi emitido de forma correta, uma vez que o pagamento efetivado não está disponível para ser considerado indevido e, por consequencia, não há crédito a ser reconhecido á requerente, assim foi indeferido e pedido de restituição 8. Também correta a fundamentação do Acórdão DRJ/RJ, uma vez que manteve o despacho decisório eletrônico, pois no processo administrativo nº 10768.003554/2010-21 o crédito não foi reconhecido. 9. Alega a recorrente que a falta de fundamentação no despacho decisório emitido no processo administrativo n 10768.003554/2010-21, o que implicaria na nulidade do presente pedido de restituição. 10. Equivocada a recorrente, pois qualquer discussão referente a decisão constante daqueles autos deve ser travada lá, naqueles autos, não nestes. 11. Portanto, não há nulidade no despacho decisório eletrônico tampouco no Acórdão DRJ/RJ, pois corretamente fundamentados. 12. Ademais, não estão presentes os motivos de nulidade constantes do artigo 59 do Decreto n 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 13. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. - SOBRESTAMENTO DOS PRESENTES AUTOS 14. Defende a recorrente, como argumento preliminar a necessidade de sobrestamento dos presentes autos, diante da dependência do andamento destes autos com a decisão a ser tomada nos autos do processo administrativo n 10768.003554/2010- 21, assim argumentando : Requer seja sobrestado o presente recurso voluntário até o julgamento final do processo administrativo n.o 10768.003554/2010-21, tendo em visto que este se trata do processo principal concernente ao pleito de Fl. 6677DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 restituição dos valores pleiteados no período de junho de 2000 a maio de 2010, sendo certo o deferimento do pedido de restituição naquele processo, implicará no deferimento da restituição suscitada no presente feito, motivo pelo qual deve ser sobrestado o presente processo. 15. O que de fato pretende a recorrente é vincular estes autos ao processo administrativo n 10768.003554/2010-21, para ver seu direito creditório reconhecido. 16. Não cabe razão á recorrente, pois o pedido naqueles autos compreende o pedido objeto destes autos, portanto não há fundamento no sobrestamento destes autos, se tratam de mesmo objeto, uma vez decididos aqueles autos, estariam automaticamente decididos estes, por absoluta identidade de objetos. 17. Desta forma, rejeito esta preliminar por absoluta falta de objeto. NO MÉRITO 18. No mérito, o que se verifica é uma duplicidade de pedidos de restituição, um efetivado nos autos do processo administrativo n 10768.003554/2010- 21, qual seja pedido de restituição de valores recolhidos a título de PIS - FOLHA DE PAGAMENTO, referentes ao período de junho/2000 a maio/2010 e o efetivado no PER – Pedido Eletrônico de Restituição de nº 37248.08468.040610.1.2.04-0573, de valor recolhido a título de PIS – FOLHA DE PAGAMENTO, referente ao período de julho/2007, analisado nestes autos. 19. Claramente o pedido analisado nestes autos está compreendido no efetivado naqueles autos em análise na DEMAC/RJ, onde se concentra toda a discussão a respeito do direito da recorrente com relação á restituição da Contribuição ao PIS- FOLHA DE PAGAMENTO. 20. Como bem assevera o Ilustre Julgador da DRJ, em seu voto condutor do Acórdão aqui combatido, deve ser dado prosseguimento aos autos do processo nº 10768.003554/2010-21, que se encontra pendente de ciência de decisão á ora recorrente, pois lá naqueles autos se encontra toda a fundamentação e discussão do mérito da matéria de fundo, qual seja a imunidade da instituição requerente da restituição do tributo. Desta forma, o mérito da questão está todo concentrado naqueles autos. 21. Reproduzimos aqui, trecho do voto condutor do Acórdão em lide, por esclarecer a questão fulcral, da ligação estreita dos autos do processo nº 10768.003554/2010-21 (onde se encontra o pedido de restituição referente ao período 2000/2010) com os autos do processo nº 16682.720677/2011-37 (que contém lançamento formalizado em auto de infração para exigir PIS e COFINS incidentes sobre o faturamento da recorrente, no período de apuração 02/2006 a 12/2007, compreendendo, portanto, o período objeto dos presentes autos – julho/2007),com o qual concordo e utilizo como razões de decidir : Por todo o acima exposto, constata-se que, relativamente ao período de apuração objeto do presente pedido de restituição, jul/2007, concluiu-se nos autos do processo nº 10768.003554/2010-21 que não era cabível a restituição pretendida do PIS – Folha de Salários recolhido, em razão da lavratura de auto de infração nos autos do processo nº 16682.720677/2011-37, mantido quanto à cobrança deste tributo pelo Acórdão nº 13-39.502, de 24/01/2012, proferido pela então 4º Turma de Julgamento da DRJ/RJ2. Portanto, a análise do mérito do presente pedido de restituição está diretamente vinculada à análise das decisões acima transcritas, assim como, e principalmente, do lançamento efetuado no processo nº 16682.720677/2011-37, o que se fará adiante, em item específico deste voto. Fl. 6678DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 22. Quanto aos autos do processo nº 16682.720677/2011-37, o Ilustre Julgador da DRJ, mais uma vez nos esclarece sobre sua situação e a sua ligação com o processo nº 10768.003554/2010-21. Mais uma vez, reproduzimos os dizeres do Ilustre Julgador e, pela clareza, os adotamos como razão de decidir no presente voto : O processo nº 16682.720677/2011-37, mencionado nos autos do processo administrativo nº 10768.003554/2010-21, acima citado, corresponde a auto de infração lavrado pela DEMAC/RJ contra o contribuinte, para exigência de Cofins e PIS incidentes sobre o faturamento, relativas aos períodos de apuração 02/2006 a 12/2007, com multa de ofício de 150%. Relativamente ao período objeto do presente pedido de restituição, 07/2007, foi apurado naquele lançamento o PIS – Faturamento a recolher no valor de R$ 84.482,04. Do relatório fiscal que acompanha aquela exigência citam-se os trechos abaixo: 6. DA CONCLUSÃO Já examinamos que tanto a imunidade tributária de impostos quanto a isenção de contribuições sociais não é absoluta e estão condicionadas ao atendimento de determinados requisitos previstos em Lei. Concluiu-se que a entidade fiscalizada, a SOCIEDADE UNIFICADA DE ENSINO AUGUSTO MOTTA deve ter suspensa a imunidade/isenção das contribuições nos anos de 2006 e 2007 em virtude do não cumprimento dos seguintes requisitos legais: a) A empresa feriu a aplicação do Princípio da Entidade, que preconiza a autonomia patrimonial da pessoa jurídica, garantindo que o patrimônio desta não se confunda com o dos seus sócios ou proprietários, promovendo or/parente ao pagar suas despesas médicas em desacordo com artigo 55 IV da Lei 8212/91. b) Promoveu vantagem indevida ao pagar salários robustos a seus dirigentes e conselheiros, três deles filhos da Chanceler, em desacordo com artigo 55 IV da Lei 8212/91. c) Promoveu vantagem indevida à sua chanceler ao pagar, mesmo que durante curto período, um VGBL tendo-a como sua beneficiária, em desacordo com artigo 55 inciso IV da Lei 8.212/91. d) Promoveu despesas incompatíveis com seu objetivo social, em desacordo com o art. 55 IV da Lei 8212/91 ao realizar despesas de patrocínio com clubes de futebol. e) Realizou despesas com empresa extinta ou inexistente, sem comprovação com documentação hábil e idônea de sua necessidade e cujo objetivo não foi esclarecido, fato este que está em desacordo com o art. 55 IV da Lei 8212/91. f) Promoveu vantagem indevida a seu REITOR ao pagar a empresa a ele pertencente valores consideráveis, em desacordo com artigo 55 IV da Lei 8212/91. Fl. 6679DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 7. DAS INFRAÇÕES Lei 12.101/2009 Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1º. Considerar-se-á automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2º. O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. (…) 7.2 – PIS Do mesmo modo, em virtude do não atendimento dos requisitos para pagamento do PIS na modalidade de PIS-Folha, conforme já relatado, lavramos Auto de Infração da PIS-faturamento para os anos-calendário de 2006 e 2007. Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, assim dispôs: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III - instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV - instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; (…) Art. 17. Aplicam-se às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991,. Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 13): (...) Fl. 6680DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 III - instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV - instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (…) Lei 9.532/97: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. São sujeitas, portanto, ao PIS/Pasep na forma cumulativa as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensino fundamental e médio e educação superior (Lei nº 10.637/2002, art. 8º, inciso IV e art. 68, inciso II). Impugnado aquele lançamento, foi proferida decisão de 1ª instância,conforme Acórdão nº 13-39.502, de 24/01/2012, da então 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2, considerando parcialmente procedente a exigência, apenas para reduzir a multa de ofício para o Fl. 6681DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 percentual de 75%, mantendo integralmente as contribuições exigidas, com as ementas abaixo: IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o benefício constitucional a essas restrito. MULTA QUALIFICADA – A impossibilidade de se escamotear a ocorrência do fato gerador, ainda que eventualmente tenham sido utilizados subterfúgios por parte da impugnante, impede a qualificação da multa de ofício. Contra esta decisão foram interpostos recursos voluntário e de ofício, relativamente aos quais foi proferido o Acórdão nº 3201-001.394, em 21/08/2013, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, negando provimento a ambos os recursos, com as seguintes ementas: IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. As instituições sem fins lucrativos dedicadas à área educacional enquadram-se como entidades beneficentes de assistência social para fins da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF/88. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As entidades beneficentes de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária. Quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta deve ser suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, exigindo-se os tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. Deste último Acórdão extrai-se, ainda, o trecho abaixo: Diante do exposto, conclui-se as condutas praticadas pela recorrente violam os requisitos impostos pelo artigo 14 do CTN e pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91, mostrando-se correta a suspensão da imunidade e a consequente exigência dos tributos não recolhidos pela recorrente. Foi, ainda, interposto recurso especial pela PFN à CSRF, visando manter a multa qualificada, ao qual foi dado seguimento na análise de sua admissibilidade. Contra tal recurso foram interpostas contra-razões pelo contribuinte, tendo sido também interpostos pela instituição embargos de declaração contra o Acórdão nº 3201-001.394. Ambos os recursos, embargos e especial, encontram-se pendentes de apreciação pelo CARF. Fl. 6682DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 Na manifestação de inconformidade que ora se analisa, o contribuinte traz, como a própria instituição afirma, relativamente ao mérito de seu pedido de restituição, as mesmas alegações já apresentadas nos autos do processo administrativo nº 10768.003554/2010-21, entendendo tratar-se de entidade imune à incidência do PIS, com fundamento no artigo 195, § 7º, da Constituição, atendendo aos requisitos previstos nos artigos 14 do CTN e 55 da Lei nº 8.212/91. A mesma alegação é trazida pela requerente também na impugnação interposta contra o auto de infração lavrado no processo nº 16682.720677/2011-37, conforme demonstram os trechos abaixo reproduzidos, extraídos daquele recurso: Diante da vasta fundamentação acima mencionada, resta patente o reconhecimento do direito à imunidade tributária estabelecida no artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição da República, tendo em vista a prova incontroversa do cumprimento pela impugnante aos requisitos necessários ao gozo da benesse, consoante previsto no artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991.” “Desta forma, em vista da natureza de contribuição social da exação instituída pela Lei Complementar nº 7, de 1970, a incidência do PIS, inclusive no que pertine à folha de pagamento, às entidades beneficentes de assistência social, resulta na flagrante violação da garantia constitucional da imunidade as contribuições sociais a que estas instituições fazem jus, como ocorre no caso da impugnante que, ao contrário do que foi autuado, por ter sido imune a época dos fatos geradores, não pode ser atingida pela incidência do PIS, quer seja sobre a folha de salários, quer seja sobre o total do faturamento, como foi lançado, indevidamente. Portanto, não havia e não há que se falar na incidência de PIS no faturamento da impugnante, que era a época discutida, reprise- se, comprovadamente entidade beneficente de assistência social, sem finalidade de lucro, em observância ao artigo 195, parágrafo 7º da Constituição da República, que prevê a imunidade das contribuições sociais, nos termos estabelecidos em lei, o que implica a inviabilidade de se exigir o recolhimento dos valores lavrados, visto serem indevidos, por total respaldo no que reza a Lei Maior, a própria Constituição Federal.” Analisando tal alegação, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF assim concluiu, conforme trechos do Acórdão nº 3201- 001.394, abaixo transcritos: “Diante do explanado, em síntese, temos que as entidades de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária. Ressalta-se que os requisitos necessitam ser cumpridos de forma integral sob pena de não ensejarem no direito à imunidade.” Fl. 6683DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 “Mostra-se necessário ainda fundamentar a suspensão do direito a imunidade, estabelecida pelo artigo 32 da Lei nº12.101, de 27/11/09: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerar-se-á automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Segundo este dispositivo, quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta será suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, devendo se lavrado o auto de infração referente aos tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. Tal dispositivo mostra-se em harmonia com o parágrafo 1º do artigo 14 do CTN, que determina a suspensão da imunidade quando descumpridos os seus requisitos de concessão. Observa-se que, em que pese a norma prevista pelo artigo 32 da Lei nº 12.101/09 não ser contemporânea dos fatos que ensejaram o lançamento, ela se aplica ao presente processo dado não se tratar de direito material, mas sim possuir caráter processual.” “No tocante à análise da possibilidade de fruição da imunidade por entidades de educação, a controvérsia reside no fato de que o artigo 150, VI, c, da CF/88 confere expressamente imunidade em relação a impostos às instituições de assistência social e de educação, ao passo que ao artigo 195, 7º, faz referência exclusivamente às entidades de assistência social. As diferentes redações levam ao entendimento de que as instituições de educação não estariam albergadas pela imunidade em relação a contribuições sociais estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF. Em que pese a falta de univocidade de sentido dos termos empregados pela CF, temos que o conceito abrange todas as entidades de assistência social, entre elas as dedicadas a área educacional. Afinal, a própria CF estabelece em seu artigo 6º que a educação é um direito social de grande relevância, como a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. Ademais, a legislação que rege a imunidade – notadamente o inciso III do artigo 55 da Lei nº 8212/91 (redação original) – Fl. 6684DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 estabelece a concessão de imunidade para entidade que “promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes”.” “O primeiro fato aventado diz respeito aos pagamentos efetuados pela requerente entre 24/01/2007 e 28/02/2007, que totalizaram o valor de R$ 59.230,00, referentes à cirurgia e tratamento feito pelo sócio ARAPUAN MEDEIROS DA MOTTA, Chanceler da entidade até 25/10/2002. (…) As entidades assistenciais, para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º, devem caracterizar-se como tal, atendendo aos hipossuficientes, e não utilizando seu patrimônio para cobrir despesas de seus ex-dirigentes.” “O segundo fato trazido aos autos refere-se a 87 pagamentos feitos à empresa "VIDA ESTÉTICA INTERNACIONAL", CNPJ 40.258.386/000150, entre 3/2/06 e 18/12/07, que totalizaram mais de R$ 570.000,00 em 2006 e mais de R$ 537.000,00 em 2007. (…) Desta forma, concluo que a recorrente não atendeu aos requisitos necessário à manutenção da imunidade em relação a contribuições sociais durante o período em que efetuou os citados pagamentos, compreendidos entre 3/2/06 e 18/12/07. “ “A fiscalização afirma ainda que cinco pagamentos de planos de previdência privada feitos pela fiscalizada entre 24/2/2006 e 29/6/2006, totalizando R$ 25.000,00, e tendo como beneficiária a Sra. Ana Cristina Monteiro da Motta Cruz, Chanceler da instituição, corresponderiam a remuneração indireta. (…) Desta forma, os citados pagamentos de planos de previdência privada à chanceler da instituição configura remuneração indireta, incidindo na hipótese do artigo 55, inciso IV da Lei 8.212/91, mostrando-se correta a suspensão da imunidade em relação ao período de 24/2/2006 e 29/6/2006.” “A fiscalização afirma ainda que os pagamentos feitos à empresa GARRIDO SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO E NEGÓCIOS EMP. LTDA, do então Reitor da SUAM (até 03/2008), José Remizio Moreira Garrido, que totalizaram mais de R$ 760.000,00 em 2007, corresponderiam à vantagem indevida a dirigente da entidade. (…) Diante do exposto, conclui-se as condutas praticadas pela recorrente violam os requisitos impostos pelo artigo 14 do CTN e pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91, mostrando-se correta a suspensão da imunidade e a consequente exigência dos tributos não recolhidos pela recorrente.” Fl. 6685DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 Conforme demonstrado acima, o colegiado de 2ª instância concluiu que as entidades de assistência social gozam da imunidade prevista no artigo 195, § 7º da Constituição, devendo, para tanto, atender os requisitos definidos no artigo 14 do CTN e, ainda, considerando os períodos objeto daquele lançamento, 2006 a 2007, aqueles previstos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Descumpridos os requisitos para gozo da imunidade, esta será suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, devendo ser exigidos os tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. O Acórdão conclui, ainda, que o conceito constitucional de “entidade de assistência social”, para fins de fruição da imunidade, abrange também aquelas dedicadas à área educacional, como é o caso do contribuinte. A partir de tais definições, o Acórdão passa a analisar os diversos fatos apurados pela Fiscalização naqueles autos, os quais ensejariam a suspensão da imunidade, nos termos dos dispositivos legais acima citados, concluindo que a instituição não atendeu os requisitos legais para a manutenção da imunidade em relação às contribuições sociais no período compreendido entre fev/2006 e dez/2007, violando os requisitos previstos nos artigos 14 do CTN e 55 da Lei nº 8.212/91, estando correta a suspensão da imunidade aplicada pela Fiscalização e a conseqüente exigência dos tributos lançados, não recolhidos pelo contribuinte. Desta forma, constata-se que o mérito do presente pedido de restituição já foi apreciado nos autos do processo nº 16682.720677/2011-37, conforme decisão proferida em 2ª instância de julgamento, a qual manteve a exigência do PIS - Faturamento no valor de R$ 84.482,04 para o período objeto do presente pedido, jul/2007. Assim, não pode esta Turma de Julgamento pronunciar-se novamente acerca de tal questão, uma vez que a aplicação da imunidade pretendida pelo contribuinte naquele período já foi afastada pelo julgamento efetuado pelo CARF, tratando-se, portanto, de matéria já julgada administrativamente. Em conseqüência, sendo devido o valor de R$ 84.482,04 a título de PIS para o período jul/2007, não há como autorizar a devolução do valor recolhido pelo contribuinte, R$ 31.265,80. No entanto, o valor já recolhido deverá ser considerado quando da fase de cobrança dos créditos lançados por meio do processo nº 16682.720677/2011-37,evitando-se duplicidade de recolhimento. 23. Em pesquisa no sítio deste CARF na Internet, encontramos o Acórdão 9303- 004.602, exarado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do processo 16682.720677/2011-37, onde não foi conhecido o recurso especial interposto pela PGFN, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende Fl. 6686DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-006.659 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.906052/2012-41 recorrer, não se pode admitir, por falta de prequestionamento, recurso que a pretenda discutir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. 24. Por elucidativo, destacamos o seguinte trecho do relatório constante do voto condutor do citado Acórdão : Admitido o recurso da Fazenda Nacional, o sujeito passivo, dela cientificado, apresentou contrarrazões nas quais postula o não conhecimento do recurso da Fazenda por não haver similitude entre as situações lá discutidas reiteração da conduta de declarar e recolher valores menores do que os devidos por entidade comercial e a do recorrido, no qual se discute se os pagamentos efetuados contrariam as normas reguladoras da "imunidade" das entidades sem fins lucrativos. O sujeito passivo também apresentou recurso especial contra a manutenção da exigência. Ele, entretanto, não foi admitido. 25. Portanto, conclui-se que a recorrente cometeu as infrações descritas Conclusão 27. Diante das infrações cometidas, não há como prosperar o recurso interposto, portanto NEGO PROVIMENTO ao recurso. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 6687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36202.000761/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência (e-fls. 1145/1150), assim foi relatado o processo: DO LANÇAMENTO Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada contra o contribuinte acima identificado, relativa às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais sem descontos na remuneração, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT, e de retenção de 11% sobre serviços tomados mediante cessão de mão-de-obra, além das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros) e das diferenças decorrentes de recolhimento a menor de acréscimos legais DAL, abrangendo o período de 01/1999 a 10/2006, com declaração parcial em GFIP, conforme relatório fiscal às folhas 177/183 [e-fls. 178/184], acompanhado de anexos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 02 .0 00 76 1/ 20 07 -1 7 Fl. 1474DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2201-000.380 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.000761/2007-17 Processo digital numerado até a folha n º 762, volume III. Folhas n º 763 e 764 não numeradas. A presente decisão do Recurso Voluntário foi numerada iniciando na folha n º 765. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte tomou ciência do lançamento, inconformado apresentou impugnação às fls. 223/334, acompanhada de anexos [e-fls. 228/306 e e-fls. 461/493]. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal considerou o lançamento procedente, fls. 338/342 [e-fls. 497/501]. O contribuinte tomou ciência da decisão em 16/02/2007 (fls. 638), inconformado apresentou recurso voluntário, em 19/03/2007, fls. 349/365 [e-fls. 508/524], acompanhado de anexos (fls. 366/637) [e-fls. 525/761 e e-fls. 919/953], em síntese: A fiscalização considerou como Contribuinte Individual estagiários, empregados com recolhimento já efetuado em GFIP e, ainda, alunos que obtiveram reembolso de mensalidades e alunos bolsistas. Relaciona os estagiários que firmaram Termo de Compromisso de Estágio. Relaciona os alunos e ex-alunos que obtiveram o reembolso de matrícula por desistência do curso. Apresenta relação nominal dos alunos bolsistas. Apresenta a relação dos empregados cujas contribuições previdenciárias já foram recolhidas nas rescisões e reclamações trabalhistas. Apresenta relação dos empregados que foram considerados contribuintes individuais sobre os quais incidiu 11% a título de retenção. Apresenta relação de contribuintes individuais considerados como não incluído em GFIP, mas que constavam em GFIP. Apresenta pagamento de custas processuais relativas ao processo proposto pelo contribuinte (UCES) onde o Sr JADER DE FREITAS figura como Requerido. Relaciona os dois atletas que patrocina, considerados como contribuintes individuais, mas nunca estabeleceram nenhuma relação empregatícia com a Instituição, não havendo razão para que houvesse contribuição previdenciária. Apresenta relação de pagamento a pessoas jurídicas consideradas como contribuintes individuais. Pede a exclusão do Sr. Jackson Carvalho Siqueira da relação de coresponsáveis; requer, ainda, que seja concedido prazo, caso haja necessidade de juntada de algum novo documento requisitado por este órgão; Os autos foram baixados em diligência para análise e pronunciamento do recurso apresentado (fls. 640/641) [e-fls. 956/957]. Em resposta a diligência fiscal (fls. 642/665) [e-fls. 959/982] informou que o lançamento foi retificado considerando os argumentos do recurso, apresentando planilhas dos valores mantidos e retificados (fls. 642/645) e excluindo do rol de co-responsáveis da empresa o Sr. JACKSON CARVALHO SIQUEIRA, a partir de 06/11/1992, face Ata anexada. Apresentou, ainda, relação de pagamentos feitos a contribuintes individuais (fls. 646/653) [e-fls. 963/970]. Encaminhados à Delegacia de Julgamento – DRJ Rio de Janeiro II (fls. 666), os autos foram despachados a DRP em Vitória/Es para seguimento ao Segundo Conselho de Contribuintes do MF, informando que a Decisão de primeira instância encerrou sua fase decisória (fls. 667/669) [e-fls. 685/686]. Não consta nos autos registro da ciência do contribuinte em relação ao resultado da diligência fiscal (fls. 642 a 653), tampouco sua manifestação. O contribuinte apresentou Mandado de Segurança proc. 2007.50.01.0131919, 2ª Vara Federal Cível de Vitória, folhas 671 a 672 [e-fls. 989/990], para determinar o Fl. 1475DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2201-000.380 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.000761/2007-17 recebimento do recurso administrativo interposto independentemente do recolhimento do depósito prévio de 30% (trinta por cento) do valor do lançamento. É o relatório. Da Resolução convertendo em diligência Durante a sessão de julgamento realizada em 03/12/2010 (e-fls. 1145/1150, replicada às e-fls. 1378/1382), a Egrégia 3ª Turma Especial da 2ª Seção de julgamento entendeu por converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB em Vitória/ES: - faça saneamento dos autos, excluindo o período decadente, se houver; - dê conhecimento ao contribuinte: a) da diligência fiscal (fls. 642 a 653) [e-fls. 959/970], e b) do resultado do lançamento após a exclusão do período decadente; abrindo prazo para manifestação; - apresente contrarrazões, caso queira, aos argumentos do contribuinte quanto: a) à diligência fiscal (fls. 642 a 653), b) ao resultado do lançamento revisto em razão da decadência, c) ao recurso apresentado, bem como, d) outras informações que se fizerem necessárias; - ao final, encaminhe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF os autos com todos os argumentos e fundamentos necessários à decisão de segunda instância administrativa fiscal. Em resposta, foi proferida pela delegacia de origem a manifestação de fls. 1401/1407, no qual ficou consignado que, considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 22/12/2006, estão decaídas todas as competências anteriores a 12/2001, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Assim, foram excluídas as competências de janeiro/1999 a setembro/2001. Ademais, foi elaborada tabela de e-fls. 1404/1406 consolidando as alterações feitas pela diligência fiscal anterior (e-fls. 959/970). Ato contínuo, foi expedido o termo de e-fl. 1409, concedendo prazo de 30 (trinta) dias para o RECORRENTE se manifestar sobre o resultado da diligência. Da Manifestação sobre o Resultado da Conversão em Diligência Devidamente intimado em 11/06/2018, o RECORRENTE apresentou a manifestação de e-fls. 1415/1422 em 16/07/2018 alegando, em síntese: (i) A necessidade de nova diligência fiscal, posto que a diligência fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal em Vitória (e-fls. 959/970) não considerou os documentos e informações apresentados pelo contribuinte em sede de recurso voluntário (e-fls. 525/761 e e-fls. 919/953), no sentido de atestar que os “contribuintes individuais” considerados pela fiscalização eram, em verdade, estagiários, empregados com recolhimento já efetuado em GFIP, alunos que obtiveram bolsas de estudos e/ou reembolso de mensalidades, esportistas patrocinados e pagamento feitos a título de custas processuais e a pessoa jurídica; (ii) a prescrição intercorrente do crédito tributário, em razão da paralização do feito por mais de 8 (oito) anos; Fl. 1476DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 2201-000.380 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.000761/2007-17 (iii) A existência de indícios da adesão do débito à programa de parcelamento. Tendo em vista o retorno da diligência, os autos foram encaminhados em novo sorteio e distribuídos para este relator em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Da Conversão em Diligência Antes de adentrar no mérito da questão, verifico que houve a constatação de possível parcelamento do débito controlado no presente processo, ante a manifestação do RECORRENTE à fl. 1421. Nesta oportunidade, o RECORRENTE aduz que inseriu todos os débitos tributários no programa de parcelamento federal, indicando a existência das seguintes contas: Apesar do RECORRENTE não ter indicado qual programa aderiu, infere-se, pelo campo mês/ano e pelo valor envolvido neste processo, que o débito provavelmente foi incluído no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Medida Provisória nº 783/2017, convertida na Lei nº 13.496/2017. Deste modo, em razão da suspeita de inclusão do débito no parcelamento do PERT, não confirmada de forma evidente nos autos, entendo ser prudente a conversão do julgamento em diligência, para baixa do processo à unidade de origem para confirmar a inclusão, ou não, do débito objeto deste processo em programa de parcelamento, já que o RECORRENTE afirma que, conforme informações repassadas à época, que os mencionados parcelamentos englobariam todos os seus débitos tributários existentes no âmbito federal. A verificação deste fato é importante para o deslinde da questão, já que o parcelamento tributário comporta em renúncia ao direito sobre o qual se funda a autuação, o que Fl. 1477DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 2201-000.380 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.000761/2007-17 ocasionaria o não conhecimento do Recurso Voluntário. Neste sentido, aponto o seguinte precedente do CARF: RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 11.941/09. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. (acórdão nº 2401-003.933; data de julgamento: 12/03/2015) Neste sentido, entendo que a baixa em diligência deve ser aproveitada para que a Unidade Preparadora analise, também, a documentação apresentada pelo contribuinte em sede de recurso voluntário a fim de identificar se os valores apontados como pagos a (i) estagiários, (ii) reembolso de matricula/mensalidades; (iii) alunos bolsistas; (iv) empregados cujas contribuições foram recolhidas na ocasião da rescisão do contrato ou em reclamação trabalhista; (v) empregados da RECORRENTE (não havendo razão para cobrar a retenção dos 11% como se fossem contratos de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra); (vi) esportistas patrocinados; (vii) a título de custas processuais; e (viii) a pessoas jurídicas, constam na base de cálculo objeto do presente lançamento. Ato contínuo, deve a unidade preparadora elaborar relatório circunstanciado discriminando, por competência, os valores das rubricas acima apontadas que fazem parte da base de cálculo do presente lançamento. Ou seja, deve haver um esclarecimento para saber se os valores apresentados documentalmente pelo contribuinte constam da base de cálculo do presente lançamento e, caso positivo, tais valores devem ser discriminados em relatório circunstanciado, por competência. Ademais, deve ser observada a alegação do RECORRENTE de que, ao contrário do apurado pela fiscalização, muitos dos contribuintes destacados em lista anexa à NFLD, foram, de fato, incluídos em GFIP, mesmo os contribuintes individuais. Apontou lista relacionando os nomes desses contribuintes (fls. 516/521). Assim a unidade preparadora deve verificar tal alegação e, se for o caso, retificar a lista dos contribuintes não incluídos em GFIP. CONCLUSÃO Neste sentido, entendo por converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora verifique se, em algum momento, o débito controlado neste processo, inscrito na DEBCAD nº 37.019.689-9, foi incluído em parcelamento a pedido do contribuinte. Ademais, caso não tenha havido o parcelamento do débito, deve a unidade preparadora analisar a documentação apresentada em sede de recurso voluntário a fim de verificar se os valores apontados como pagos pelo RECORRENTE a (i) estagiários, (ii) reembolso de matricula/mensalidades; (iii) alunos bolsistas; (iv) empregados cujas contribuições foram recolhidas na ocasião da rescisão do contrato ou em reclamação trabalhista; (v) empregados da RECORRENTE (não havendo razão para cobrar a retenção dos 11% como se Fl. 1478DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 2201-000.380 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36202.000761/2007-17 fossem contratos de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra); (vi) esportistas patrocinados; (vii) a título de custas processuais; e (viii) a pessoas jurídicas, constam na base de cálculo objeto do presente lançamento e, caso positivo, tais valores devem ser discriminados em relatório circunstanciado, por competência. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 1479DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.721425/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
INTERPOSTAS PESSOAS
Terceiras pessoas são inseridas na sociedade como pseudo sujeitos das relações jurídicas, em prol de benefícios ilícitos em favor do titular oculto, que faz o aproveitamento econômico do negócio.
Numero da decisão: 1402-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento, mantendo a Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INTERPOSTAS PESSOAS Terceiras pessoas são inseridas na sociedade como pseudo sujeitos das relações jurídicas, em prol de benefícios ilícitos em favor do titular oculto, que faz o aproveitamento econômico do negócio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento, mantendo a Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 14 25 /2 01 2- 60 Fl. 730DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 731 2 Relatório Tratamse de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional de 11/06/2012 que excluiu a contribuinte retroativamente a partir de 01/07/2007, nos termos do inciso IV do artigo 29 da Lei Complementar 123/06, devido a constatação de que a Recorrente constituiu grupo econômico de fato e irregular, com interpostas pessoas/empresas visando se manter e se beneficiar da tributação simplificada. Para complementar o histórico fático dos autos, utilizo o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 636/664), de 17/07/2012, contra Exclusão do Simples Nacional – Ato Declaratório Executivo Seort/DRFNHO nº 20, de 11 de junho de 2012 (fl 633). A ciência deuse em 15/06/2012 (fl. 634). 2. Segundo o corpo do referido ADE (fl. 633) a empresa foi excluída da sistemática simplificada em virtude do enquadramento previsto no art. 29, inciso IV da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Os efeitos da exclusão foram fixados a partir do dia 01.07.2007, conforme disposto art.31, inciso II, da Lei Complementar nº 123/06; e no art.6º, inciso IV, da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. 3. Segundo a Representação Fiscal para a Exclusão do Simples (fls 02/25), constatouse que a diligenciada enquadrase na situação prevista na LC 123, Art. 29, IV, uma vez que, juntamente com as empresas CALÇADOS DI CRISTALLI LTDA, CNPJ 02.452.360/000150, CALÇADOS MOLLINO LTDA, CNPJ 09.475.352/000178, MIXAGE CALÇADOS LTDA, CNPJ 07.025.664/000154 e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA, CNPJ 03.979.181/000138, constituiu grupo econômico de fato e irregular, com a finalidade de sonegar contribuições sociais e contribuições de intervenção no domínio econômico. Para este fim de caracterização da interposição listouse fatos como: a) A Calçados Di Cristalli Ltda, iniciou suas atividades em 03/1998. Em 04/2008, em sede de alteração da composição do quadro, retirouse o sócio Cléber Cavallin e ingressou Matheus Fuhrmann, de apenas 8 meses de idade (ver RG no Anexo I), filho de Léo Fuhrmann (sócio administrador e de Daiana Sulamita de Souza Fuhrmann, sócia administradora da Calçados Mollino Ltda. Em sua oitava alteração contratual, datada de 11/2010, registrou a incorporação da sociedade empresária Diversu´s Componentes para Calçados Ltda; b) A empresa Calçados Mollino Ltda, doravante designada apenas como MOLLINO, iniciou suas atividades em 04/2008. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 732 3 Seu quadro societário apresenta a mesma composição desde o início das atividades. Sócia majoritária e administradora, Daiana Sulamita de Souza Fuhrmann participa com 98% (noventa e oito por cento) do capital social. O restante do capital social foi integralizado pelo senhor Jéferson Cássio de Souza, seu irmão e funcionário da DI CRISTALLI. c) A sociedade DIVERSU'S COMPONENTES PARA CALCADOS LTDA, CNPJ 07.188.995/000105, foi registrada em 12/2004 pelos sócios Márcia Adriana Colombo e Jones Gonçalves de Araújo. Sua sede social era na rua João Petry, nº 18, em Três Coroas. Em 07/2005, o sócio Jones Gonçalves de Araújo transferiu sua participação para Jéferson Cássio de Souza; d) Três anos antes da incorporação da diligenciada pela Calçados Di Cristalli Ltda, o novo contato informado já era o da contadora da DI CRISTALLI. Além de utilizar a mesma contadora da DI CRISTALLI muito antes da incorporação, encontramos outras duas evidências da confusão entre essas duas empresas. A primeira diz respeito ao domicílio. Intimada a apresentar cópia das matrículas do registro de imóveis referente aos prédios situados à rua João Petry, nº 18, e à rua Imperatriz Leopoldina, nº 33, a DI CRISTALLI apresentou a matrícula do Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de Igrejinha nº 16280, Anexo VII, a partir da qual é possível constatar que se trata do mesmo imóvel, com frente para a rua Imperatriz Leopoldina, nº 33, Três Coroas, RS. A transferência de domicílio proposta na terceira alteração contratual não passou de uma alteração de “fachada”. A diligenciada ocupou sempre a mesma sede, as mesmas instalações, o mesmo domicílio da filial da DI CRISTALLI. A diligenciada e a filial da Calçados Di Cristalli Ltda eram a mesma unidade fabril. As faturas de fornecimento de água e energia elétrica do período também confirmam essa simulação. No Anexo VIII, apresentamos faturas dos anos 2007, 2008 e 2009. Observamos que, apesar do domicílio da diligenciada ter sido alterado em 12/2007, não houve qualquer alteração no endereço das faturas. E mais, as faturas saem em nome da DI CRISTALLI. Outro fato que mostra a relação de dependência da diligenciada em relação à DI CRISTALLI diz respeito aos sócios Márcia Adriana Colombo e Jéferson Cássio de Souza. De acordo com informações extraídas do CNIS, constatamos que eles eram empregados da DI CRISTALLI em período concomitante. A senhora Márcia, sócia da diligenciada em 2004, é empregada da DI CRISTALLI desde 2000. O senhor Jéferson, sócio desde 07/2005, foi admitido como empregado da DI CRISTALLI no mês seguinte, 08/2005, e trabalhou até 05/2010 no estabelecimento filial. Além disso, como já relatado, participou Fl. 732DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 733 4 do quadro societário da MOLLINO desde sua constituição. Documentos comprobatórios seguem no Anexo IX. e) Antes mesmo de aprofundar a análise, é possível constatar que a diligenciada operava como uma mera “prestadora de serviço". Estava inserida em uma cadeia onde realizava parte das tarefas de produção de calçados. Seu custo dos produtos vendidos era composto basicamente por custo de mão de obra. Funcionava como uma espécie de prestadora de serviços industriais. f) No Anexo XII, segue a tabela com as participações da DI CRISTALLI e da Calçados Mollino Ltda apresentadas separadamente. (...) A tabela acima dispensa maiores comentários. A diligenciada operava de forma cativa para o grupo formado pela DI CRISTALLI e a MOLLINO. Mas as evidências não param por aí. Essas duas empresas detinham inclusive ingerência financeira sobre a diligenciada, como veremos a seguir... g) Da análise da conta do Ativo Circulante BANCO DO BRASIL S/A, código 011120000001, verificamos um preciso sincronismo entre a saída de recursos para o pagamento de despesas e os aportes financeiro por parte dos “clientes”. h) Com exceção dos dias 04 e 05 de novembro, que devem ser analisados conjuntamente, assim como os dias 22 e 24 do mesmo mês, em todos os demais o ajuste era diário. Observese que tamanho sincronismo não era nem respaldado por contrato formal celebrado entre as partes. Havia apenas “contrato verbal”, como a própria empresa informou. Vide Anexo XV, item 2. Esse mecanismo, constatado ao longo dos anoscalendário auditados (2009 e 2010), evidencia a ingerência financeira exercida por parte das empresas Calçados Di Cristalli Ltda e Calçados Mollino Ltda. i) 3.1.2.5. DA MATÉRIAPRIMA A conta de despesa MATÉRIA PRIMA, código 311111210001, apresenta outras evidências da relação de dependência entre diligenciada e a DI CRISTALLI, como demonstra a documentação trazida ao Anexo XVI. Primeiramente, vejamos os lançamentos efetuados no razão. Todas as compras efetuadas no período tiveram apenas uma origem: Calçados Di Cristalli Ltda. Toda e qualquer necessidade de matéria prima era atendida pela DI CRISTALLI. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 734 5 Sequer uma agulha era adquirida de outro fornecedor. A diligenciada funcionava como um mero “departamento” da DI CRISTALLI, sob sua total ingerência. Robustecendo ainda mais o indício apontado no parágrafo anterior, vejamos algumas notas fiscais de aquisição dessas matérias primas, também apresentadas no Anexo XVI. O endereço e o telefone do destinatário, diligenciada, é o mesmo da DI CRISTALLI, ambos informados no mesmo documento. A confusão entre as empresas era imensa. Seus próprios controles, em alguns momentos, não conseguiam esconder as evidências. A diligenciada era a própria Calçados Di Cristalli Ltda. 3.1.2.6. DA MOVIMENTAÇÃO DE MERCADORIAS Ainda explorando a contabilidade, solicitamos notas fiscais e duplicatas relativas à prestação de serviço para a DI CRISTALLI e a MOLLINO. Alguns desses documentos são apresentados no Anexo XVII. Observase, novamente, o controle exercido pela DI CRISTALLI. As notas tratam da remessa de mercadorias da diligenciada para a MOLLINO, tendo como transportadora a DI CRISTALLI. Considerando que o transporte de mercadorias não faz parte do objeto social da Calçados Di Cristalli Ltda, mais uma vez temos evidente a confusão entre a diligenciada e a DI CRISTALLI. Neste caso, evidenciando também a participação da MOLLINO. j) 7. DOS BENEFÍCIOS FISCAIS UTILIZADOS INDEVIDAMENTE Assim, tendo em vista todos os fatos narrados e exaustivamente documentados no presente relatório, é mister afirmar que as sociedades Calçados DI CRISTALLI Ltda e Calçados MOLLINO Ltda constituíram grupo econômico de fato e irregular, por meio do qual exploraram a mão de obra registrada em três empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, DIVERSU´S Componentes para Calçados Ltda, MIXAGE Calçados Ltda e CLEITON Lazaretti & Cia Ltda. O risco da atividade econômica assumido por estas três sociedades se deu de forma artificial e com o objetivo de criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores de contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Uma vez estando os empregados registrados nessas três “prestadoras de serviço”, a DI CRISTALLI e a MOLLINO usufruíram, irregularmente, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às micro e empresas de pequeno porte, SIMPLES NACIONAL. k) Em face dos fatos relatados, entendemos que o Diversu´s Componentes para Calçados Ltda foi utilizada como empresa interposta pelo grupo econômico capitaneado pela DI CRISTALLI e pela MOLLINO, a fim de obter os benefícios fiscais relatados no item 7. Dessa forma, concluímos que essa conduta constitui infração à LC 123, hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL conforme inciso IV, do artigo 29, da mesma Lei. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 735 6 Assim, formalizamos a presente representação fiscal para que a empresa DIVERSU´S COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA seja EXCLUÍDA do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 1º de julho de 2007, nos termos do parágrafo 1º e/ou 2º, do artigo 29, da Lei Complementar 123/06. (...) 4. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 636/664), de 17/07/2012, ao referido ADE, através da qual vem alegar que: QUE a indústria calçadista se utiliza com grande freqüência dos chamados “ateliês”, sendo que diversas empresas desativam suas seções de pré fabricação, optando pela contratação dos serviços desses ateliês, e indo a produção desses para a “empresa denominada de âncora”. Com isso muitos funcionários dessa empresa âncora passaram a ser donos do seu próprio negócio sem que isso afrontasse qualquer norma legal. Diz que não conhece nenhuma indústria de calçado que não trabalhe em parceria com ateliês no que diz respeito a fase do processo de costura. QUE a Di Cristalli atuaria na condição de empresa âncora com as parcerias firmadas com esses ateliês, entre os quais Diversu’s Componentes para Calçados Ltda., Mixage Calçados Ltda. e Cleiton Lazaretti e Cia Ltda. QUE a empresa Diversu’s se especializou no refinamento na parte da costura e da forração, ou seja, efetuava tão somente esses dois tipos de trabalho, sendo criada para trabalhar em parceria com a empresa âncora, no caso a autuada. QUE o fato de a contadora dessas empresas ser a mesma da Di Cristalli não significa nenhum vínculo, pois essa profissional pode ter tantos quantos clientes consiga atender. Diz, ainda, que seria verdade que a contadora é sua funcionária, mas mesmo assim ela teria liberdade total para trabalhar fora do expediente normal naquilo que melhor lhe aproveitar. QUE o fato de constar nos dados cadastrais da empresa “Diversu’s” o telefone, email e local de trabalho da sede da Di Cristalli não fazem qualquer meio de prova. QUE o fato das faturas de energia elétrica da empresa da Diversu’s saírem em nome da Di Cristalli se deve ao fato de ela ser proprietária do imóvel. O efetivo pagamento deuse pela Diversus. QUE o fato de os ateliês adquirirem seus insumos da empresa âncora faz parte da parceria entre ambos (preços facilitados, condições de pagamento...). QUE as DIRPFs da sócia Márcia Adriana Colombo comprovam que apenas no ano de 2010 percebeu lucros na ordem de R$ 19.000,00, ou seja, seria sócia de fato e de direito; Fl. 735DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 736 7 QUE a empresa foi constituída por funcionários da Di Cristalli. Sua constituição foi com o propósito de trabalhar em parceria com a Di Cristalli, logo não seria estranho que todas as suas receitas fossem provenientes da Di Cristalli, mas, que, todavia, tal fato não descaracterizaria a independência entre ambas. QUE o fato de a contadora ser a mesma da Di Cristalli em nada vincularia ambas empresas, sendo que essa empresa não suportou despesas com locação em virtude de convênios com a Prefeitura. QUE o mesmo prédio abrigou as empresas Mixage e Cleiton Lazaretti devido ao fato de ele ser grande e bem dividido. QUE a senhora Marli Maria Pletsch, funcionária da Di Cristalli, é uma profissional de destaque na região. QUE por uma questão de isonomia, todos são iguais perante a lei, sendo vedado à União instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. Isso se enquadraria no caso da Di Cristalli no exato instante em que todas as grandes indústrias de calçado trabalham diariamente com os chamados ateliês. O Auto de Infração violou o princípio constitucional da igualdade ao impedir a autuada de concorrer em igualdade de condições com as empresas do seu segmento. QUE o planejamento fiscal adotado pela Di Cristalli é incentivado por órgãos do governo e amplamente utilizado por todas as indústrias de calçado. A Carta Constitucional assegurou ao contribuinte a liberdade para organizar e reorganizar seus negócios da forma que entender conveniente. QUE a parceria entre a empresa âncora (Di Cristalli) e os ateliês não se amolda ao conceito de simulação, pois existiram declarações de vontade no sentido de perfectibilizar a parceria, bem como as intenções de ambas as partes são verdadeiras, legítimas e reais, sendo as empresas envolvidas autônomas e independentes. Por fim, requer: a) o recebimento de sua impugnação; b) que sejam intimados para prestar depoimento perante a autoridade fiscal a Sra. Márcia Adriana Colombo, Diego Cavallin, Cleiton Lazzareti, Cleber Cavallin e Lucas Henrique Kem; c) que seja tornado nulo e insubsistente o Auto de Infração, tornandose sem efeito o Ato Declaratório e as penas pretendidas em face da autuada, com a competente baixa dos seus registros; d) a eventual juntada de qualquer meio de prova, mediante eventuais diligências a serem requeridas, a fim de confirmar as suas alegações. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo a exclusão da empresa do simples, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 736DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 737 8 Anocalendário: 2007 INTERPOSTAS PESSOAS Terceiras pessoas são inseridas na sociedade como pseudo sujeitos das relações jurídicas, em prol de benefícios ilícitos em favor do titular oculto, que faz o aproveitamento econômico do negócio. DEPOIMENTOS No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, entre outros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando preliminar de nulidade do v. acórdão recorrido devido a DRJ não ter acolhido o pedido de oitiva de testemunha/administradores e de resto repisa os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos foram remetidos para as Turmas Ordinárias do E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 738 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivos pelos quais deve ser admitido. Preliminar: A Recorrente sustenta a nulidade da decisão recorrida por ter cerceado seu direito de defesa, ao negar a realização de prova testemunhal, requerida em impugnação. Em relação alegação de oitiva das testemunhas, esclarecese que no processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias. Assim, como a decisão recorrida motivou o indeferimento da instrução probatória nos seguintes termos: 11. Sobre o pedido de depoimentos do impugnante, digase que no rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, entre outros. O contribuinte deveria ter apresentado esses depoimentos sob a forma de declaração escrita, assim como outras provas que entendesse pertinentes, junto com sua impugnação. Em todo o caso, pela análise dos autos, tal pedido também não se justifica quando as provas abordadas no julgamento estão suficientemente claras nos autos, através de documentos, declarações, circularizações, planilhas, informações prestadas pelas próprias empresas, entre outros. No presente caso, mostrase prescindível a realização da oitiva das testemunhas, sendo que eventuais testemunhos poderiam ser objeto de declarações escritas, trazidas pela Recorrente, as quais seriam consideradas em conjunto com as demais provas acostadas aos autos. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 739 10 Assim, como para os julgadores da DRJ e para este Relator a oitiva de testemunhas não é necessária para formar sua convicção entendo que não restou configurado o cerceamento ao direito de defesa e a nulidade do v. acórdão recorrido conforme alegado pela Recorrente. Desta forma, rejeito o pleito de nulidade do acórdão recorrido, bem como o pedido de oitiva de testemunhas. Assim, rejeito as alegações de nulidade feitas pela Recorrente referentes ao Ato de Exclusão do Simples Nacional devido a erro na fundamentação. Quanto ao mérito. Conforme apontado no v. acórdão recorrido, este processo de exclusão é decorrente da constatação pela fiscalização de criação de grupo econômico com utilização de interpostas pessoas/empresas. Foi apontado e comprovado por meio de documentos que existia confusão patrimonial e física entre a Recorrente (um dos ateliers do grupo econômico) e a empresa Cristalli, todas do mesmo grupo econômico. A fiscalização afirmou e comprovou que a Recorrente embora constituída regularmente, não era, de fato, sociedade independente, mas sim mero estabelecimento da empresa Cristalli, que posteriormente incorporou a própria contribuinte, a Diversu’s Componentes para Calçados Ltda. Alias, a própria incorporação da Recorrente pela Cristalli comprova a interdependência entre as duas empresas, bem como entre as demais que fazem parte do mesmo grupo econômico. Restou comprovado nos autos que a Recorrente utilizava o mesmo endereço da empresa Cristalli, consta forte vinculo familiar entre os sócios da Recorrente e as outras empresas pertencentes ao grupo econômico, a Recorrente tinha junto ao sistema CNPJ da Receita Federal os mesmos dados cadastrais da empresa Di Cristallli (histórico cadastral de 19/12/2007), as faturas de fornecimento de água e de energia elétrica saiam em nome da empresa Di Cristalli, os sócios da Recorrente eram funcionários da Cristalli, a matéria prima era adquirida pela empresa Cristalli e repassada a Recorrente, foi encontrado notas fiscais de remessas de mercadorias constando o mesmo endereço do vendedor da matéria prima (Di Cristalli) com o do adquirente, no caso a Recorrente, dentre outras constatações que não deixam dúvidas de que a Recorrente era pessoa/empresa interposta. De resto utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido para fundamentar meu voto. 16. Para ficar didaticamente melhor a exposição dos motivos que levaram a fiscalização às conclusões, assim como a respectiva análise dos argumentos apresentados na impugnação pela autuada, passaremos a verificar ponto a ponto do conjunto Fl. 739DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 740 11 probatório constante nos autos. Tal simulação estaria fundamentada nos itens, a seguir dispostos: 1º) Mesmo endereço das “prestadoras de serviço” A Di Cristalli se localiza na Rua Imperatriz Leopoldina nº 26, em Três Coroas, sendo que em dezembro de 2007 abriu uma filial no nº 33 dessa mesma rua. Nesse mesmo endereço operaria a empresa Diversu’s Componentes para Calçados Ltda. (ANEXO I e ANEXO VII 2). Os endereços se confundiam, assim como o funcionamento dentro da mesma área industrial, pois era utilizada a mesma sede e as mesmas instalações, demonstrando se tratarem da mesma unidade fabril. Da mesma forma as empresas Mixage e Cleiton Lazaretti foram estabelecidas no mesmo endereço (Rua Parobé, 306). A fiscalização visitou as instalações e constatou se tratar de um único imóvel, um galpão industrial, com uma única entrada e uma só portaria, o que pode ser observado nas fotos com a visão geral das instalações juntadas aos autos (Anexo XXX). Observouse um verdadeiro arranjo nos contratos de aluguel, pois esses são iguais para todas as empresas interpostas, com as mesmas datas, prazos de duração, dizeres, cláusulas, até mesmo os sinais de pontuação são ipsis litteris, sendo os reconhecimentos de firma feitos na mesma data e horário, no município de Três Coroas (Anexo XXIX). O impugnante alega que no caso das empresas Mixage e Cleiton Lazaretti o prédio era grande e bem dividido, no entanto, não se verificou separação alguma entre ambas. A igualdade dos endereços dessas empresas demonstra estarmos tratando de um único grupo econômico. 2º) Do objeto social e do vínculo societário entre as empresas Inicialmente se diga que conforme os documentos constitutivos das sociedades todas operavam na fabricação de calçados, sendo que nas empresas interpostas, cada uma tinha responsabilidade por uma etapa do processo industrial, conforme o próprio contribuinte demonstra em sua impugnação. Essa repartição do processo produtivo é mais um elemento de que na verdade o processo industrial foi dividido conscientemente para as empresas interpostas. Por outro lado, há forte vínculo familiar entre os sócios das empresas envolvidas. O exame das cópias dos contratos sociais e dos documentos acostados revela que todas as empresas têm como sócio pelo menos um integrante da família Fuhrmann/Souza, ou, ainda, funcionários das empresas por eles controlados. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 741 12 A Di Cristalli tinha em seu quadro societário o Sr. Léo Fuhrmann, e com a saída do sócio Cléber Cavallin, ingressou Matheus Furmann, filho do Sr. Léo, de apenas 8 meses de idade à época. Da empresa Calçados Mollino Ltda. era sócia administradora a Sra. Daiana Sulamita de Souza Furmann, esposa do Sr. Léo, e Jefferson Cássio de Souza, irmão de Daiana (Anexo I). Jefferson era também sócio da empresa Diversu’s Componentes para Calçados Ltda. Da empresa Calçados Mixage Ltda. temos como sócio majoritário Daniel Fuhrmann, menor de idade, que é sobrinho de Léo Fuhrmann, com 95% das quotas. O sócio minoritário com 5% das quotas é Diego Cavallin, irmão de Cléber Cavallin que foi sócio da Di Cristalli entre 2005 e 2008. Destaquese que Diego Cavallin era também empregado da Di Cristalli desde janeiro de 2006, como se observa em extrato do CNIS e Ficha de Registro de Empregados (Anexo XIX). A funcionária da Di Cristalis, Sra. Márcia Maria Pletsch, por sua vez, na entrega da DIRPF dos anos calendários de 2009 e 2010, além de se declarar empregada da fiscalizada, também informava ser administradora da empresa Diversu’s (Anexo XLIII). Tal engenharia societária facilitou todo o esquema de simulação imposto, visto que não se tratava de diversas empresas, mas de um único grupo econômico. 3º) Dados cadastrais de empresa eram os mesmos da Di Cristalli A empresa Diversu’s tinha junto ao sistema CNPJ da Receita Federal os mesmos dados cadastrais da empresa Di Cristallli (histórico cadastral de 19/12/2007). Isso já constava registrado três anos antes de sua incorporação3 pelo impugnante (novembro de 2010), como pode se observar à fl. 87 dos autos. Em tais dados da empresa Diversu’s o email do responsável era marli@dicristalli.com.br (funcionária da Di Cristalli), sendo que o telefone para contato (51) 35468600, também era o mesmo da Di Cristalli. Alega que o fato de constar nos dados cadastrais da empresa “Diversu’s” o telefone, o email corporativo e o local de trabalho da sede da Di Cristalli não faz qualquer meio de prova. Discordamos, visto que qualquer contato que se fosse fazer com a Diversu’s teria que passar pelo controle da Di Cristalli, o que demonstra a ingerência da mesma sobre a empresa. 4º) Despesas de água, energia elétrica, telefonia Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 742 13 No endereço utilizado pela empresa Diversu’s as faturas de fornecimento de água e de energia elétrica saiam em nome da empresa Di Cristalli (Anexo VIII). No mesmo sentido, a empresa Cleiton Lazaretti trabalhando como prestadora de serviço no segmento de calçados possuía uma média de 100 empregados, e mesmo com tantos empregados não tinha despesas com energia elétrica, telefonia ou fornecimento de água, conforme o seu Livro Razão (Anexo XXXII). A impugnante confirma que as faturas dessas despesas saíam em seu nome no caso da empresa Diversu’s, justificando que se devia ao fato de ser ela proprietária do imóvel. Ora, a Di Cristalis não iria pagar todas essas despesas de outra empresa sem o devido ressarcimento, os quais não ocorriam conforme verificado na contabilidade de ambas empresas pela fiscalização. Fica claro que a autonomia dessas empresas não passava de mera simulação, pois a Di Cristalli era responsável por todas as referidas despesas. 5º) Os sócios das empresas eram funcionários da Di Cristalli em período concomitante Os sócios da empresa Diversu’s, Márcia Adriana Colombo e Jéferson Cássio de Souza, eram empregados da fiscalizada em período concomitante. A Sra. Márcia era empregada da empresa desde o ano de 2000, enquanto que o Sr. Jefferson de Souza, que entrou como sócio em julho de 2005, foi admitido no mês seguinte pela impugnante (Anexo IX). Ora, é estranho que alguém que assumira num mês como sócio de uma empresa, ficando em tal situação por anos, no mês seguinte procuraria emprego numa outra empresa em “horário integral”, se não fosse pelo fato de que na verdade tal atividade societária fosse fictícia. Mesma situação se verifica no tocante a Diego Cavallin, sócio administrador da empresa Mixage, visto que o outro sócio era menor de idade. Diego era empregado da Di Cristalli desde janeiro de 2006 (Anexo XIX). Sua jornada de trabalho conforme o registro funcional era das 6h45min às 17h30min de segundafeira a sextafeira, ficando óbvio que não administrava a empresa Mixage, ou então, a administrava representando a Di Cristalli (visto o outro sócio ser menor). 6º) O produto da atividade das empresas ia para a Di Cristalli e Mollino A produção das empresas interpostas era direcionada para abastecer as empresas Di Cristalli e Mollino. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 743 14 A Diversu’s operava como uma prestadora de serviço quase que exclusivamente para o grupo econômico formado pela Di Cristalli e Mollino, com percentual de 100% em praticamente todos os períodos fiscalizados. Da mesma forma, a empresa Mixage atuava como prestadora de serviço de acordo com a receita bruta declarada. A totalidade de seu faturamento provinha das empresas Di Cirstallis e Mollino, ou seja, trabalhava unicamente para esse grupo econômico. A empresa Cleiton Lazaretti, por sua vez, também prestou serviços predominantemente para a fiscalizada e para a Mollino, sendo que a partir de março de 2010 a empresa Mixage passou também a utilizar os seus serviços, visto que fazia parte do mesmo grupo econômico como já vimos. A justificativa do impugnante, no caso da empresa Mixage, alegando que não seria estranho que todas as receitas dessa sociedade viessem da sua proveniência devido a parceria entre as duas empresas, o que não descaracterizaria a independência de ambas, ao contrário, não tem como se manter, pois apenas confirma que o grupo econômico que formava adquiria toda a produção dessas empresas interpostas, demonstrando sim que havia total dependência de relação econômica. 7º) Sincronismo entre os pagamentos de despesas das empresas interpostas e os aportes financeiros feitos pela Di Cristalli e Mollino Em verificação na conta Passivo Circulante – Adiantamento a Clientes da empresa Diversu’s foi possível observar que os diversos aportes financeiros feitos pela Di Cristalli e Mollino apresentavam um preciso sincronismo com a saída de recursos para pagamentos das suas despesas. A fiscalização verificou o mesmo no tocante a empresa Mixage. Cópias do Livro Razão referente à conta do Banco do Brasil demonstraram um sincronismo entre os adiantamentos recebidos pela Di Cristalli e Mollino com os pagamentos de despesas feitas pela Mixage. A constatação de que as despesas da Mixage eram pagas pela fiscalizada fica clara visto que os recebimentos de duplicatas tinham valores similares aos que deveriam ser pagos pela interposta. Na empresa Cleiton Lazaretti foi também feita tabela demonstrando a ingerência financeira das empresas Calçados Di Cristalli Ltda e Calçados Mollino Ltda. Como se observa, estas empresas receberam aportes financeiros da autuada – na forma de depósitos, adiantamentos e transferências entre contas – que foram necessários para cobrir seus gastos operacionais. Desta forma, é patente que o liame existente entre as empresas foge totalmente de uma simples relação comercial entre pessoas jurídicas. É inevitável concluir que havia dependência econômicofinanceira entre essas empresas. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 744 15 8º) Compra da matéria prima das empresas vinha da Di Cristalli A matéria prima adquirida pelas empresas interpostas era adquirida pela autuada. No caso da empresa Diversu’s a rubrica contábil referente à matéria prima demonstra que todas as compras efetuadas no período tiveram apenas uma origem – Calçados Di Cristalli. Nada era adquirido de outro fornecedor, demonstrando que a empresa funcionava realmente como um departamento da fiscalizada. O mesmo acontecia com a empresa Mixage, onde todas as despesas da conta matéria prima têm como fornecedor o impugnante. A própria Di Cristalli confirma isso, ao tentar justificar que o fato dessas empresas adquirirem os seus insumos fazia parte da parceria que montara com as mesmas. A compra de insumos somente de um fornecedor demonstra algo mais que a alegada parceria, pois é uma conexão clara da dependência que havia em tais relações. 9º) Compra de materiais diversos pela Di Cristalli Além da fiscalizada fornecer toda a matéria prima para a empresa Mixage também fornecia sacos plásticos, panos de limpeza, lâmpadas, papel higiênico, etc. Evidente fica que a empresa Mixage não passava de um mero estabelecimento da fiscalizada e da Mollino, pois não era responsável nem pela compra de materiais diversos. 10º) Ausência de área administrativa e de outros setores nas interpostas Os funcionários das empresas interpostas eram na sua totalidade da atividade fim, ou seja, não existiam outros setores a não ser o de produção. Por exemplo, os trabalhadores da empresa Mixage eram na sua totalidade da área de produção. É inconcebível que não houvesse funcionários alocados em outras atividades. Além disso, na contabilidade da empresa, não existe nenhum registro de prestação de serviços de qualquer outra ordem que pudesse vir a dispensar a necessidade de mão de obra em outras áreas, como recursos humanos, contabilidade, logística, administração, etc. Da mesma forma, a empresa Cleiton Lazaretti não passava de um mero departamento ligado fisicamente a Mixage e atendendo à fiscalizada e à Mollino. O quadro de funcionários da Cleiton Lazaretti era na sua totalidade composto por “sapateiros” que Fl. 744DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 745 16 trabalhavam na área de produção. Ou seja, só existiam trabalhadores na atividade fim, também sem funcionários na área administrativa. Os seus 104 funcionários tinham tal incumbência (exceção feita a um porteiro), ou seja, realmente não havia nenhum funcionário em qualquer outra área da empresa. Não é crível que inexistissem funcionários em outras áreas. Na verdade fica nítido que toda a parte de logística, de administração e das demais atividades era feita pelas empresas Di Cristalli e Mollino, que eram as reais responsáveis por todo esse corpo funcional. 11º) Notas fiscais de remessa tinham o mesmo endereço do vendedor e do comprador O esquema de simulação tomou uma proporção tão grande que vários descuidos foram cometidos, como, por exemplo, não perceberam ao emitir diversas notas fiscais fictícias que o endereço do vendedor da matéria prima – Di Cristalli – era o mesmo da entrega da mercadoria – Diversu’s, inclusive, com o mesmo telefone do destinatário (35468600). 12º) Não havia transporte das mercadorias, tanto que constava como transportador a própria Di Cristalli As notas fiscais de remessa de mercadorias da Diversu’s para a empresa Mollino, tinha como transportadora a fiscalizada, sendo que não faz parte do objeto social da Calçados Di Cristalli o transporte de mercadorias. Na verdade, essas mercadorias nunca eram transportadas, pois se encontravam todas na mesma unidade fabril. Da mesma forma, as notas fiscais de remessa de mercadoria, em tese transação entre a Mixage e a Cleiton Lazaretti, eram também transportadas pela Di Cristalli, ou seja, o transporte das mercadorias não era feito por uma transportadora, mas sim pela própria indústria de calçados, a qual seria posteriormente destinatária de toda a produção junto com a empresa Mollino. Fica claro que se tratava da sua própria produção, objetivando tais notas fiscais de remessa apenas dar aparência de veracidade a essas transações. 13º) Responsabilidade na entrega da DANFE Tanto era que a empresa Mixage era dependente da autuada que nos documentos fiscais – DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) – quem respondia pela empresa na identificação do emitente era a empresa Di Cristalli, sendo a referência eletrônica eliane@dicristalli.com.br, funcionária da fiscalizada (Anexo XXIV). 14º) Uma empresa interposta respondia por intimações de outra A simulação tomou uma proporção tamanha que o descontrole e a confusão entre os envolvidos foi acumulando provas, como no Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 746 17 caso em que intimada a empresa Mixage a declarar onde se estabelecia, respondeu em nome da empresa Cleiton Lazaretti & Cia Ltda. 15º) Os contratos entre a Di Cristalli e as interpostas eram todos “verbais” A empresa Mollino disse que a prestação de serviço da empresa Cleiton Lazaretti para com a Di Cristalli e Mollino era verbal (observese que a empresa Mollino respondia em nome da Di Cristalli). A Diversos operava de forma cativa para o grupo formado pela DI CRISTALLI e a MOLLINO através de contratos verbais. Intimada a empresa Mixage deu a mesma resposta, ou seja, que seu contrato com a Cleiton Lazaretti era verbal. Ou seja, a empresa Cleiton mesmo tendo recebido no período mais de 2,5 milhões de reais, quer nos fazer acreditar que fazia apenas contratos verbais com esses compradores. Não haveria previsão de multas por não entrega ou inadimplência. Não é factível esse procedimento, a não ser pelo fato de que todas essas operações eram na verdade fictícias, pertencentes a mesma unidade fabril. 16º) Telefone nas notas fiscais emitidas O telefone impresso como pertencente à empresa Cleiton Lazaretti nas notas fiscais de saída era o da Di Cristallis. Ou seja, qualquer reclamação por parte dos compradores, esses deveriam se dirigir a Di Cristalli, e não a empresa Cleiton Lazaretti. 17º) Todas as empresas tinham a mesma contadora, a qual era empregada da Di Cristalli Inicialmente se registre que essa contadora não se tratava de uma profissional autônoma ou pertencente a algum Escritório Contábil, mas sim de uma empregada da empresa Di Cristalli em tempo integral. A funcionária da Di Cristallis era a responsável pela contabilidade de todas essas empresas. Isso é verificável na declaração das empresas para a própria Receita Federal. A justificativa de que o fato da empregada da Di Cristallis ser a contadora das empresas interpostas não significaria nenhum vínculo, podendo essa profissional ter tantos clientes quanto conseguisse atender, não procede, tendo em vista que a mesma se identificava como funcionária da Di Cristalli, com email personalizado da empresa, e com o telefone desta para qualquer contato. Sendo que tais atividades com órgãos públicos eram realizadas no seu horário de expediente na Di Cristalli. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 747 18 A utilização da mesma contadora serviu para facilitar o trâmite contábil dessas operações. 18º) Informações entregues nas GFIPs As informações entregues em GFIP de todas as empresas traziam o mesmo responsável, com o telefone e o endereço eletrônico da empresa Di Cristalli – márcia@dicristalli.com.br. Por outro lado, a responsável pela entrega da GFIP da Mixage se chamava Andréa, mas o telefone e o email informados eram também da Di Cristalli. Essa senhora seria Andréa Fuhrmann Lazaretti, irmã do administrador do impugnante, e funcionária da empresa Diversu’s. A empresa Cleiton Lazaretti, por sua vez, apresentava também em sua GFIP o email e telefone da fiscalizada. O nome dado como responsável era de Loiva Terezinha da Silva Cemin, funcionária da empresa Diversu’s. A confusão era tanta entre as sociedades, que se vê que era comum as funcionárias de uma empresa fazerem trabalhos relacionados a outras, inclusive, apresentando declarações fiscais, dados que não teriam como ter acesso, se não estivéssemos tratando de uma única unidade fabril. As transmissões da GFIP da filial da Di Cristalli foram feitas pela mesma senhora Loiva Cemim, ou seja, idêntica pessoa que transmitiu as declarações da empresa Cleiton Lazaretti. A conclusão é óbvia: as funções administrativas das prestadoras de serviço eram feitas pelos funcionários da estrutura da Di Cristallis. As prestadoras não eram autônomas, não assumiam efetivamente o risco do negócio. Eram pessoas jurídicas interpostas com o único fim de beneficiar o Di Cristallis e a empresa Mollino. A observação de que a senhora Marli Maria Pletsch seria uma profissional de destaque da região não muda em nada a constatação de que ela agia em nome dos interesses da Di Cristalli. 19º) Endereço IP de transmissão de documentos fiscais das empresas era o mesmo Se houvesse alguma dúvida ainda de que a transmissão de todos esses documentos fiscais vieram da mesma origem, essa foi dizimada pelo fato de que o endereço IP de todas essas declarações ser idêntico. Todas as declarações foram transmitidas da mesma máquina, cujo IP é 193.168.1.20. 20º) Das reclamatórias trabalhistas Nas demandas trabalhistas movidas contra a empresa Mixage atuaram como prepostas as senhoras Marli Maria Pletsch e Loiva Terezinha da Silva Cemim, sendo que ambas não teriam Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 748 19 nenhum vínculo com a empresa Mixage, como já vimos – a primeira empregada da Di Cristalli e a segunda da Diversu’s. Outra senhora chamada Cristina Inês Zumach, funcionária da Mixage, atuou como preposta da empresa Cleiton Lazaretti. O advogado que representava as reclamadas era o mesmo, Dr. Fausto Guido Beck. Ou seja, a representação das empresas na Justiça do Trabalho era feita por funcionários do grupo econômico, sendo comum funcionários de uma das empresas interpostas representando as outras. A conclusão é óbvia: as funções administrativas das prestadoras de serviço eram feitas pelos empregados da estrutura da autuada. A impugnante em sua defesa diz ser sabido que a Justiça do Trabalho possui entendimento pacificado no sentido de que a tomadora de serviços deve responder solidariamente com a prestadora de serviço pelos débitos trabalhistas, entendendo ser normal que viesse a ser incluído no pólo passivo de funcionários dos estabelecimentos que chamava ateliês. Pelo contrário! Como veremos nos processos mencionados a seguir, ficou comprovado na Justiça do Trabalho que as empresas realmente seriam interpostas, pertencendo a mesma unidade fabril. a) Do processo nº 00801200935104007 No processo trabalhista nº 00801200935104007, da 1ª Vara do Trabalho de Gramado, o reclamante que teria prestado serviço a empresa Cleiton Lazaretti, trabalhava com uniforme (avental) da empresa Mixage. Transcrevemos o que é dito em tal processo: “Necessário destacarse que ambas as empresas de fato constituem a mesma unidade fabril, com mesmo maquinário, funcionários ...” (gn) b) Funcionária Zimmermann Zimmer A funcionária Juliana Zimmermann Zimmer que movia processo contra a empresa Cleiton Lazaretti, afirma que trabalhava com o uniforme da empresa Mixage, declarando que ambas empresas formavam uma mesma unidade fabril, compartilhando maquinário e funcionários. E, mesmo tendo vínculo empregatício com essa empresa, quem acolheu a demanda judicial foi a empresa Mixage, de acordo com a Guia de Previdência Social relativa ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o processo, demonstrando solidariedade trabalhista tacitamente reconhecida. Nesse mesmo processo, a empresa Cleiton Lazaretti designou como preposto o Sr. Fernando Orestes Cicarolli que era funcionário da Di Cristalli. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 749 20 c) Decisão da Justiça do Trabalho no processo nº 00766200935204002 A própria Justiça do Trabalho reconheceu que tais empresas eram integrantes do mesmo grupo econômico, sempre estando sob a mesma direção, controle e administração dos mesmos proprietários, como se observa no processo nº 00766200935204002, da 2ª Vara de Trabalho de Gramado: “As reclamadas são solidariamente responsáveis pelos créditos trabalhistas da reclamante, eis que integrantes do mesmo grupo econômico. Com efeito, embora cada uma delas tenha personalidade jurídica própria, sempre estiveram sob a direção, controle e administração dos mesmos proprietários...” (gn) Como vemos, foi juntada aos autos pela fiscalização amplo conjunto probatório que deu suporte às suas conclusões. Esse conjunto de provas demonstrou que as empresas Diversu’s, Mixage e Cleiton Lazaretti se tratavam de empresas interpostas, pois tínhamos um só grupo econômico responsável por todo o processo produtivo, pertencente às empresas Di Cristalli e Mollino. Não era caso de terceirização, mas sim desse próprio grupo econômico agindo em todos os momentos da produção. Sobre a alegação do contribuinte de que deveria ser dado tratamento isonômico a sua condição, pois todos são iguais perante a lei, violando o princípio constitucional da igualdade, no sentido de que todas as grandes indústrias de calçado trabalhariam da forma da autuada, discordarse a partir do momento em que ficaram devidamente caracterizadas as simulações dessas operações. Se outras empresas agem dessa forma, estarão essas sujeitas as mesmas sanções de cunho tributário, podendo, inclusive, o contribuinte informar à fiscalização a quais empresas específicas esteja se referindo em sua impugnação. As provas juntadas aos autos, como já comentadas, possibilitaram a conclusão que tais empresas não eram independentes, pois sua separação é uma ficção meramente formal, caracterizandose como um só grupo econômico. As empresas interpostas seriam na realidade uma filial/departamento da autuada com o intuito exclusivo de se beneficiar do tratamento fiscal e previdenciário favorável que as micro e pequenas empresas possuem que é a tributação através do SIMPLES, assim como do creditamento indevido de PIS e de COFINS. A justificativa apresentada pelo impugnante de que o seu planejamento fiscal seria incentivado por órgãos do governo, sendolhe assegurada a liberdade para organizar e reorganizar seus negócios da forma que entender conveniente também não prospera, pois não pode o interesse sob a tese de se valer da sua liberdade de livre iniciativa afrontar e desrespeitar normas Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 750 21 previstas no ordenamento jurídico, especialmente em simular situações para obter vantagens econômicas e fiscais. Os compromissos contratuais da autonomia privada não podem causar prejuízos a terceiros. Nesse sentido já se manifestou o antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, em diversos acórdãos: Acórdão 10195.537. CARF O ponto fulcral para a solução do presente litígio se encontra na fronteira entre o planejamento oponível e o não oponível ao fisco. Em oportunidade anterior em que me manifestei sobre o tema, ponderei ser indiscutível que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazêlo de forma a obter maior economia de tributos possível. Ressaltei, porém, haver diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam reduzir artificialmente a carga tributária. O direito do contribuinte de autoorganizar sua vida não é ilimitado. Os direitos de alguns sofrem limitações impostas pelos direitos de outrem. Atuando dentro da lei, o empresário é livre para gerir os seus negócios, mas não para gerir os negócios do Estado. .... Portanto, não basta que as partes queiram se submeter à disciplina dos atos que praticaram, é necessário também que os atos praticados sejam sérios. A lição de Ricardo Mariz foi repetida em publicação' mais recente, nos seguintes termos: "A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferenciase da evasão fiscal ilícita por três e apenas três elementos: (1) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência do fato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões conformes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados." A acusação é de simulação. (gn) Acórdão 10195.552. CARF. Assim, se, de um lado, há que se reconhecer o direito do agente em planejar seu negócio de modo economicamente mais vantajoso, utilizandose de formas jurídicas alternativas e legais para atingir o mesmo fim, não é aceitável o abuso de direito para lograr o mesmo fim. Aquele que pratica determinado ato jurídico com a finalidade única e exclusiva de fugir ao tributo, está abusando das formas jurídicas. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 751 22 Hermes Marcelo Huck, em seu artigo Evasão e Elisão no Direito Tributário Internacional, afirma que: “ Muito embora não haja no Brasil, a exemplo de outros países, uma espécie de norma geral tributária permitindo a desconsideração do ato jurídico julgado abusivo e a tributação do resultado econômico alcançado pelo agente, não se pode negar que o planejamento tributário, quando estruturado por uma construção elisiva, mas sem qualquer finalidade negocial senão a da economia fiscal, pode ser taxado como forma de abuso de direito, sujeitandose à desconsideração para efeitos fiscais.”(gn) A inexistência de separação de fato entre o contribuinte e as empresas interpostas prestadoras de serviço ficou cristalino pelos 20 itens já mencionados trazidos pelo procedimento fiscal, onde se evidencia a total dependência administrativa de uma para com as outras (compra de matéria prima, compra de materiais diversos, energia elétrica, materiais de limpeza, telefonia, portaria, servidos prestados por terceiros, despesas diversas, utilização de mesmos dados cadastrais, logística e funcionários, solidariedade trabalhista, etc.). Não pode ser alegado que houve planejamento tributário válido, que é a escolha entre opções legalmente aceitas na legislação tributária, pois não foi o que ocorreu nos caso em apreço nestes autos. A liberdade constitucional de contratar e da livre iniciativa não pode ser utilizada de forma simulada, de modo atingir a eficiência econômica da operação da contribuinte através de evasão fiscal. O art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional já prevê esse tipo de situação nos casos em que a autoridade administrativa desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo sujeito passivo com o intuito de benefício próprio via simulação: “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: .... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; .. “ (gn) Segundo enfatiza o autor Luciano Amaro, no livro Direito Tributário Brasileiro, ed. Saraiva, 2000, p. 223, a simulação, “uma vez comprovada, autoriza o Fisco a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes“. Neste mesmo sentido, citase Heleno Taveira Torres, no livro Grandes Questões Atuais do Direito Tributário – 5º volume, ed. Dialética, 2001, p. 138/139: “... haja vista o princípio da inoponibilidade Fl. 751DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 752 23 à Fazenda Pública dos efeitos e da validade dos atos e negócios jurídicos (art. 118, CTN), bem como autorização outorgada no art. 149, VII, CTN, o teor do art. 105, do Código Civil [1916], já se encontrava superado desde a entrada em vigor do CTN...” Ainda, “No primeiro caso [art. 118 do CTN] pela determinação genérica daquela previsão normativa, não se limitando à simulação stricto sensu, mas aplicandose a qualquer hipótese de vício de vontade ou de forma, independentemente se este advinha de fatos praticados com dolo, fraude, simulação, abuso do direito ou erro....”. Ocorre que comprovado que os negócios jurídicos praticados foram simulados, e que infringiram a lei tributária, estando inseridos, portanto, no campo da evasão fiscal, e não no da elisão fiscal (planejamento tributário), descabe a alegação do interessado de que a fiscalização teria dado determinado efeito tributário através de uma interpretação econômica. A desconsideração de negócios simulados como o aqui em análise já foi matéria de acórdão da Delegacia de Julgamento, conforme se verifica abaixo: Acórdão nº. : 1018.351 – 8ª Turma da DRJ/POA Sessão de : 29 de janeiro de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Ementa: A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, cabendo a desconsideração dos atos jurídicos simulados e da pessoa jurídica que apenas aparentemente figurava como contribuinte, e devendo o correspondente tributo ser exigido da pessoa que efetivamente teve relação pessoal e direta com o fato gerador. (gn) Em relação ao pedido para que a exclusão tenha efeitos a partir de 01/02/2009 e não de 01/07/2007, entendo que não deve ser provido, eis que o artigo 31, inciso II, da Lei Complementar nº 123/06 e o art.6º, inciso IV, da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, determina que a exclusão da empresa do simples se de a partir do mês seguinte da ocorrência da situação que impede a permanência no regime simplificado. Desta forma, rejeito o pedido da Recorrente para que os efeitos da exclusão se de a partir de 01/02/2009. Pelo exposto e por tudo que consta nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo a Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 11065.721425/201260 Acórdão n.º 1402004.019 S1C4T2 Fl. 753 24 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720033/2015-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 08/08/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO.
A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida.
Numero da decisão: 3302-007.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata. Relatório Trata-se de Auto de Infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro no valor de R$ 545.788,53, nos termos do artigo 23, § 3º do Decreto-Lei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 combinado com art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 33 /2 01 5- 47 Fl. 477DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 Além da devedora principal, foram incluídos como responsáveis solidários a empresa Multisourcing Tecnologia e Informática Ltda, Maria Helena da Silva e Viviany Queiros da Costa. A fiscalização apurou que a empresa Multisourcing Tecnologia e Informática Ltda não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração à legislação aplicável à matéria com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Pelo exposto no Relatório de Procedimento Fiscal, a empresa Multisourcing Tecnologia e Informática Ltda, é pessoa fraudulentamente interposta nas operações em que figurou como importadora e adquirente de produtos para informática entre 2010 e 2013, sendo que no presente caso, o Auto de Infração tem por REAL COMPRADOR no mercado interno a empresa Toten Informática Eireli. Cientificados no Auto de Infração, somente a empresa Toten Informátiva Eireli apresentou impugnação, alegando, em síntese apertada: (i) que não infringiu nenhum dos artigos que fundamentam o lançamento fiscal; (ii) que nunca adiantou recursos para financiar as importações realizados pela empresa Multisourcing, sequer contrato foi firmado entre as partes, apenas foi feito pedido com prazo de entrega de 60 dias; (iii) não há provas que demonstram o suposto ilícito apontado nos autos; e (iv) não restou comprovado pelo agente fiscal a tentativa de reduzir o pagamento do imposto. A DRJ, por sua vez, julgou improcedente a impugnação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 08/08/2012 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastá-lo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Cientificada da decisão em 23.02.2016, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 24.03.2016, reproduzindo suas alegações de defesa. Adicionalmente, pleiteou a nulidade da decisão recorrida, por inexistir prova da interposição fraudulenta. É o relatório. Voto Fl. 478DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 Conselheiro Walker Araujo, Relator. I - Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II - Questões Preliminares II.1. – Nulidade do Lançamento – Ausência de Comprovação de Interposição Fraudulenta Alega a Recorrente que a fiscalização não provou ou comprovou a ocorrência de qualquer ato ou ação irregular de sua parte, tampouco a pretensa interposição fraudulenta. Com base nesse argumento, entende haver nulidade do lançamento. Em que pese o argumento suscitado pela Recorrente, a questão sobre existir ou não prova para demonstrar o ilícito sob análise não é causa de nulidade do lançamento fiscal, a teor da previsão contida nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido: Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/03/2007 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. (acórdão 2402-005.188) Portanto, não se vislumbra, qualquer afronta aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pelo que rejeito a preliminar de nulidade suscitada. III - Mérito A Recorrente alega, em síntese, nos tópicos seguintes de sua peça recursal: ( i) que não infringiu nenhum dos artigos que fundamentam o lançamento fiscal; (ii) que nunca adiantou recursos para financiar as importações realizados pela empresa Multisourcing, sequer contrato foi firmado entre as partes, apenas foi feito pedido com prazo de entrega de 60 dias; (iii) Fl. 479DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 não há provas que demonstram o suposto ilícito apontado nos autos; e (iv) não restou comprovado pelo agente fiscal a tentativa de reduzir o pagamento do imposto. Para contextualização dos fatos, importante pontuar as três modalidades de importação previstas na legislação: - Importação direta, nos termos do Decreto Lei n° 37/66 e da Instrução Normativa SRF n° 680/2006. O destinatário da mercadoria importada é o próprio importador, para, posteriormente, revendê-la ou para consumo próprio. A revenda tratada aqui é uma venda pulverizada e/ou sem um destinatário pré-determinado, ou seja, sem um comprador do bem importado definido antes da data do registro da Declaração de Importação. - Importação por “conta e ordem”, nos termos dos arts. 80 e 81 da Medida Provisória n° 2.158/01-35 e da Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002. O destinatário da mercadoria importada é o adquirente e é dele que provém os recursos para a aquisição dos bens no mercado externo. A Lei 10.637/02 aponta, em seu artigo 27, a presunção de operação por conta e ordem quando esta for realizada mediante recurso de terceiros, como se vê: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. - Importação por encomenda – tratada no artigo 11 da Lei 11.281/06, abaixo reproduzido, e conforme a Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006. O destinatário da mercadoria importada é o encomendante, por qualquer espécie de avença firmada antes da importação, porém, os recursos utilizados são do próprio importador, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. Lei n° 11.281/2006 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. §1º A Secretaria da Receita Federal: I - estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II - poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. §2º A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do §1º deste artigo presume-se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. §3º Considera-se promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) A pessoa jurídica que pretender importar deve se enquadrar necessariamente em uma dessas três modalidades, com a adoção dos respectivos procedimentos, previstos nas instruções normativas acima citadas, para a adequada identificação do adquirente ou do encomendante. Fl. 480DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 Ou seja, se o destinatário de bem importado já é conhecido no momento do registro da respectiva Declaração de Importação, deve ser necessariamente informado aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros - na forma da IN SRF nº 225/02 para a modalidade de Importação por “conta e ordem” e da IN SRF nº 634/2006 para a modalidade de Importação por “encomenda”. Portanto, o interessado na importação - o efetivo adquirente - deve ser identificado perante os órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros, sob o risco de restar configurada a infração ora caracterizada e consequente penalização devido à ocultação do verdadeiro adquirente das mercadorias importadas. No presente caso, o auto de infração foi lavrado para exigência decorrente de infrações cometidas prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-lei nº 1.455/1976: Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A pena prevista para as infrações acima descritas é o perdimento das mercadorias importadas, conforme parágrafo 1º do artigo 23, do Decreto-lei nº 1.455/1976, assim disposto: §1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Em razão de parte das mercadorias importadas terem sido consumidas ou revendidas no mercado interno, a fiscalização lavrou auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do mesmo artigo 23, do Decreto-lei nº 1.455/1976, nos seguintes termos, in verbis: §3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Assim, a autuação consiste na constatação da ocorrência de ocultação do real adquirente da mercadoria mediante simulação na importação. Em resumo, a fiscalização acusa que a importadora (Multisourcing) não realizou a importações com recursos próprios, tendo recebido adiantamentos da empresa Toten, real adquirente da mercadorias. Numa consulta aos autos, mais precisamente no Relatório Fiscal, constata-se que a fiscalização demonstrou uma realidade formal e fática diversa do que alegou a Recorrente, haja vista que restou devidamente comprovado que, embora conste das DI´s modalidade de importação "por conta própria", outros aspectos extraídos do referido termo, a saber: (i) A Recorrente não era habilitada a operar no comércio exterior; (ii) a empresa Multisourcing não tinha capacidade operacional, não possuía funcionário e sede para armazenar mercadorias, (iii) os sócios da Recorrente participaram de atos societários da empresa Multisourcing; (iv) há comprovação por meio de extratos bancários que demonstram haver adiantamentos de recursos para financiar as importações; (v) a margem de lucro da empresa Multisourcing era ínfima, demonstrando que a intenção da empresa não era lucro, mas tão e somente intermediar a importação sob análise, ocultando o real adquirente da mercadoria; (vi) que o negócio Fl. 481DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 praticado entre os envolvidos acarretou redução ilícita dos impostos incidentes na importação; e (vii) que a própria Recorrente afirmou um sua defesa que realizada pedidos com antecedência de 60 dias, demonstram que a operação sob análise não foi realizada "por contra própria". Todos esses fatos foram devidamente analisados na decisão recorrida. A Recorrente, por sua vez, reproduziu seus argumentos explicitados na impugnação, não contestando pontualmente a decisão de piso, por esse motivo e, por concordar com suas razões, os adoto como fundamento para negar provimento ao recurso da Recorrente Romário de Oliveira, destacando, contudo, apenas o trecho da decisão que análise os fatos anteriormente citados, a saber: “❉ A INAPTIDÃO DA MULTISOURCING Em diligência ao estabelecimento da empresa em 02/10/2014, no endereço cadastrado no CNPJ, encontrou-se o local fechado com placas de “Aluga-se”: (...) Além disso, verificou-se que a empresa estava omissa quanto à obrigação de transmitir à RFB a declaração de informações econômico-fiscais da pessoa jurídica (DIPJ). A última DIPJ entregue foi a de 2012 (relativa ao exercício de 2011). Face a essas constatações, foi proposta a inaptidão da inscrição no CNPJ da MULTISOURCING, nos termos do art. 37 da Instrução Normativa RFB n° 1.470/2014. O processo foi formalizado sob o n° 11829-720.050/2014-01 e a DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO foi publicada através do Ato Declaratório Executivo n° 003, de 02/03/15, no Edital Eletrônico n° 001075057 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campinas-SP (DOC 27). Reforça-se assim o fato de que a empresa MultisourcingG não desenvolvia atividade empresarial de fato, mas era usada apenas para a prática de ilícitos tributário- aduaneiros como exemplo a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas. ⊙ DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS EXECUTADOS EM 2012 E 2014 PELA ALFÂNDEGA DO AEROPORTO DE GUARULHOS Em 13/11/2012, a Alfândega do Aeroporto de Guarulhos (ALF/GRU) aplicou, em sede de procedimento especial previsto na IN RFB n° 1.169/2011, pena de perdimento sobre as mercadorias trazidas ao país por via aérea naquele aeroporto cuja importação foi iniciada pela empresa Multisourcing com o registro das DIs n° 12/0005205-8 e 12/0119356-9 em, respectivamente, 02/01/2012 e 19/01/2012. A ALF/GRU concluiu que a empresa Multisourcing atuou como interposta pessoa, ocultando os reais adquirentes das mercadorias, no caso, impressoras, plotters, escaneadoras, multifuncionais e unidades de armazenamento NAS. Concluiu que os reais adquirentes eram as empresas: Provider Tecnologia e Sistemas Ltda, Dit Distribuidora de Informática e Telecom Ltda, Toten Informática Ltda, Toten Informática Eireli ME e Ciscom Informática Eireli. O processo de perdimento foi formalizado sob o n° 10814- 727.744/2012-04. Posteriormente, em 07/04/2014, a ALF/GRU aplicou nova pena de perdimento nas mercadorias cuja importação foi iniciada pela MULTISOURCING com o registro da Dl n° 13/1064611-4 em 04/06/2013. Tratavam-se de unidades de armazenamento NAS, fontes de alimentação e cartuchos para toner. Novamente, concluiu-se que os verdadeiros adquirentes eram três das cinco empresas anteriormente identificadas como reais adquirentes: Ciscom Informática Eireli, Toten Informática Eireli e Toten Informática Ltda ME. Este processo foi formalizado sob o n° 10814-722.723/2014-56. ❉ A PROXIMIDADE DOS SÓCIOS DO EXPORTADOR, IMPORTADOR E REAL ADQUIRENTE OCULTO Todos as importações sujeitas a pena de perdimento neste auto de infração tiveram como exportador a empresa Conactalnc., sediada em Weston, Florida, Estados Unidos Fl. 482DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 da América. A Conacta Inc. foi desativada em 28/09/2012 (DOC 28), mas consta como exportadora das mercadorias importadas pela MULTISOURCING até 08/03/2013. Abaixo a Tabela 3 relaciona os sócios proprietários das três empresas mencionadas neste tópico: A sócia majoritária da TOTEN Maria Helena da Silva bem como seu filho Ânderson Pinto de Souza (DOC 37) são testemunhas na décima alteração do contrato social da empresa Multisourcing, realizada em 27/02/2012, conforme visto no documento entregue à Alfândega do Aeroporto de Guarulhos por ocasião do procedimento especial executado no ano de 2012 sob o n° 10814-727.744/2012-04 (DOC 38, tópico 7.3 deste Termo). Além disso, Ânderson Pinto de Souza atuou como procurador da empresa Dit Distribuidora e Integradora de Tecnologia Lida, outorgado por Viviany Queiroz Costa, sócia daquela empresa, para fins de tomada de ciência da pena de perdimento aplicada no âmbito do mesmo procedimento especial citado no parágrafo anterior (DOC 39). O quadro e as constatações acima mostram que a mesma pessoa controlava o exportador e o importador e a controladora do real adquirente tinha estreita relação com a controladora do importador e exportador. Este controle absoluto sobre a cadeia implica em prática de interposição fraudulenta de terceiros, ao utilizar o importador como mera empresa de fachada que repassa as mercadorias ao real adquirente a preço de custo ou com baixíssima margem de lucro. Por isso que é fundamental a identificação do REAL COMPRADOR na operação de importação, seja pela modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros" ou pela modalidade de "importação por encomenda". ❉ FALTA DE HABILITAÇÃO PARA OPERAR NO COMÉRCIO EXTERIOR A empresa Toten Informática nunca se habilitou a operar no comércio exterior perante a Receita Federal do Brasil. Por isso, a inviabilidade de se adotar a modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros" ou a modalidade de "importação por encomenda". É alegado às folhas 22 da impugnação: A afirmação do auditor de que TOTEN aproveitou-se da habilitação da MULTISOURCING para que esta trouxesse as mercadorias para aquela como se fossem importações para uso próprio é TOTALMENTE equivocada. Sempre adquirimos produtos de diversos fornecedores no Brasil e não usamos qualquer espécie de importador. Como não podia importar, a empresa Toten Informática aproveitou-se da empresa Multisourcing, na condição de importador interposto, para que esta trouxesse as mercadorias para aquela como se fossem importações para uso próprio. Esta é uma característica típica das empresas ocultadas: falta de habilitação para operar no comércio exterior. Daí decorre a necessidade de utilizar o nome de outra empresa para levar a cabo as importações pretendidas. Fl. 483DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 ❉ INCAPACIDADE OPERACIONAL DA MULTISOURCING Como já demonstrado, a empresa Multisourcing não tinha capacidade financeiro-operacional para atuar como importadora e revendedora de mercadorias no montante registrado pelas suas Declarações de Importação entre os anos de 2010 e 2013. Assim, sua única função nessa cadeia era ceder o nome para registro das Declarações de Importação de mercadorias destinadas a outras empresas. ❉ ADIANTAMENTO DE RECURSOS PARA O CÂMBIO E OS TRIBUTOS A empresa Multisourcing não tinha condições financeiras para suportar o ônus das importações, incluindo pagamentos ao exportador, tributos de importação e custos diversos como transporte, armazenagem e outros. No entanto, ela fechava os contratos de câmbio em seu nome e os recursos para quitação dos tributos incidentes no momento do registro das Declarações de Importação saíam de contas bancárias dela. Isso só era possível pois os reais adquirentes daquelas mercadorias adiantavam os recursos nas contas da empresa Multisourcing. Da análise dos extratos bancários da MULTISOURCING conseguidos juntos ao Banco do Brasil e Itaú Unibanco (DOC 324), através de Requisição de Movimentação Financeira, podemos verificar os frequentes adiantamentos de recursos. É alegado às folhas 16 da impugnação: A afirmação de que a empresa Multisourcing não tinha capacidade financeiro- operacional para atuar como importadora e revendedora de mercadorias nos parece ser bastante desarrazoada visto que nas diversas aquisições feitas jamais tivemos que fazer qualquer pagamento antecipado, demonstrando capacidade financeira adequada ao porte da empresa. Abaixo são demonstrados exemplos de depósitos da TOTEN na conta da MULTISOURCING no Banco do Brasil n° 500003, agência 1880, no mesmo dia ou no dia útil anterior ao fechamento do câmbio de importação da MULTISOURCING e/ou ao registro da Dl efetuado diretamente por ela ou através da Lopes Comércio Exterior LtdaME (comissária de despacho), que acarreta pagamento das despesas aduaneiras (tributos federais, taxa do Siscomex, etc). Na Figura 9 acima, vê-se que a TOTEN adiantou em 29/08/2012 os recursos para pagamento dos tributos federais e estaduais da DI n° 12/1607475-7, registrada em 30/08/2012 pela MULTISOURCING, além dos recursos para pagamento à transportadora da carga e ao fiel depositário (Infraero). Na Figura 10, a TOTEN adianta recursos para pagamento à empresa transportadora e tributos federais da DI n° 12/1734729-3, registrada pela comissária de despacho contratada pela MULTISOURCING. Fl. 484DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 Nas Figuras 11 a 16, pode-se visualizar diversos exemplos de adiantamentos por parte da TOTEN à MULITSOURCING seja para fechamento de câmbio de importação, seja para registro de DI, pagamento à transportadora ou ao depositário. Todos os adiantamentos apurados a partir dos extratos bancários podem ser visualizados no anexo (DOC 29). Fl. 485DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 Algumas DIs do período analisado foram inteiramente financiadas pela TOTEN, outras parcialmente e outras ainda financiadas por outras empresas ocultadas. Os contratos de câmbio de importação também foram total ou parcialmente financiados pela TOTEN, mas não foi possível estabelecer relação unívoca entre cada contrato de câmbio e a DI correspondente diante da documentação levantada. Por esta razão, para fins de identificação do real destinatário de cada mercadoria declarada nas Declarações de Importação, foi observado o destinatário das notas fiscais de saída das mercadorias individualmente, conforme mostrado no tópico seguinte. Os valores apresentados nas as Figuras 11 a 16, evidendciam exemplos de adiantamentos por parte da empresa Toten Informática à empresa Multisourcing seja para fechamento de câmbio de importação, seja para registro de Declaração de Importação. O próprio histórico presente nos extratos indicam que o destino dos recursos foram para financiar as operações de importação, o que suficiente para caracterizar a modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros". Como o ADQUIRENTE (real comprador no mercado interno – empresa Toten Informática) não foi identificado na Declaração de Importação aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros, constitui prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, conduta tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. ❉ NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E SAÍDA DA MULTISOURCING Esta fiscalização extraiu via sistema SPED as notas fiscais emitidas pela Empresa Multisourcing a partir de 01/01/2011 e os dados foram tabulados em planilhas. Foi realizado o mapeamento entre os itens das DIs, das notas fiscais de entrada e das notas fiscais de saída emitidas pela Multisourcing. Este mapeamento possibilitou visualizar as datas de saída nas mercadorias em relação às datas de entrada. Na maioria dos casos, a nota fiscal de saída foi emitida na mesma data que a nota de entrada. Em alguns casos foi emitida apenas poucos dias após a nota de entrada. Este fato revela que a Empresa Multisourcing não fazia estoque de mercadorias, pois já sabia as empresas destinatárias das mercadorias de antemão. O espaço temporal entre a importação e a revenda, em alguns casos no mesmo dia da importação, reveste o ato de mera formalidade para encobrir a fraude perpetrada por meio de simulação. As figuras abaixo trazem os detalhes das notas fiscais emitidas pela MULTISOURCING relativas às mercadorias importadas a partir de 2011 cujo real adquirente oculto foi a TOTEN.(...) É alegado às folhas 17 da impugnação: Ora evidentemente a Fiscalização não poderá responder tais perguntas até por que não as tem. A TOTEN não foi encomendante de nenhuma importação junto aos diversos fornecedores, até porque não conhece a organização, estrutura e funcionalidade de cada um deles. Não temos como saber de quem os nossos fornecedores compraram, quando o fizeram, qual valor foi pago e como adquiriram! O que existe de fato é uma compra no mercado nacional!!! Também é alegado às folhas 42 da impugnação: A presunção apontada neste item carece ainda de qualquer validade jurídica, visto que para se conhecer o que a empresa mantém em estoque deve-se NECESSARIAMENTE analisar o livro de inventário, ou ainda fazer olevantamento specífico das entradas e das saídas de mercadorias. É inadmissível que se tente através de teorias dissociadas da verdade dos fatos, comprovar algo com ausência de provas reais da matéria. Não se pode admitir em qualquer hipótese que a Autoridade autuante, a seu bel prazer, faça acusações sem provas apenas externando a sua teoria conspiratória. Não se trata de mera presunção ou teoria conspiratória. Fl. 486DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 As figuras 16 à 26 demonstram factualmente que as mercadorias importadas apenas transpassam pela empresa Multisourcing e são prontamente revendidas à empresa Toten Informática. (...) Não se tratam de compras no mercado nacional, pois essas informações colacionadas do Relatório de Procedimento Fiscal demonstram que no momento o registro das Declarações de Importação o REAL COMPRADOR no mercado interno já é conhecido (Importação para PESSOA PREDETERMINADA – empresa Toten Informática) através de um importador interposto – empresa Multisourcing. No mais, a fonte de recursos para financiar as operações de importação é a empresa Toten Informática, o que configura a modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros". Uma vez que o ADQUIRENTE (Real Comprador – Empresa Toten Informática) não foi identificado, constitui prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, conduta tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. ❉ COMPARAÇÃO DAS MARGENS DE LUCRO Outro elemento extraído da análise das notas fiscais é a baixa margem de lucro praticada pela MULTISOURCING em comparação com a margem de lucro praticada pelos ocultados na revenda dos produtos de informática aos órgãos públicos. As figuras abaixo mostram as margens de lucro da TOTEN na revenda dos produtos importados através das DIs n° 12/1734729-3 e 12/1791989-0 aos órgãos públicos em comparação às margens de lucro da MULTISOURCING na “revenda” à TOTEN. Planilha com o cálculo detalhado da margem de lucro para uma mercadoria específica está anexa a estes autos (DOC 31). A margem de lucro é muito maior na revenda aos órgãos públicos, sendo a margem da MULTISOURCING em alguns casos até mesmo negativa! Isso mostra que a MULTISOURCING não era empresa com objetivo de gerar lucro e remunerar os sócios, mas tinha tão somente objetivo de ser a empresa que formalizava as importações do grupo, para assim ocultar os reais adquirentes da relação com o Fisco. A coluna “Custo Unitário (R$)” representa o desembolso efetivo na compra daquele produto; foi calculado a partir do valor total da nota fiscal de compra, proporcionalmente ao valor do produto (item da NF). A coluna “Receita Unitária (R$)” representa o valor recebido na venda, excluídos os tributos incidentes na venda (Pis/Cofins, IPI, ICMS), somados os tributos incidentes na compra (créditos de Pis/Cofins, IPI, ICMS); assim, a “Receita Unitária (R$)” representa o real valor faturado pela empresa, após o desconto dos tributos sobre consumo. Fl. 487DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 No meu entendimento, a Recorrente foi incapazes de contraditar todo o conjunto probatório produzido pela fiscalização, revelando, ao meu ver, ser verdadeiro a acusação de que trata de interposição fraudulenta. Não é demais lembrar, que o tipo infracional visa coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Trata-se de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática ilegais, dentre outras, a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJ e da CSLL. Portanto, resta claro que a norma infracional, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. Com efeito, o ato infracional pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º, V, do art. 23, do Decreto Lei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação. Com base nesse dispositivo, há alguns julgados do CARF que têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida 1 . Contudo, entendo, que não há duas modalidades de interposição, posto que o § 2º do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455, de 1976, apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Em qualquer caso, com ou sem presunção, deve ser aplicada a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23, V, do mesmo diploma legal, a multa substitutiva ao importador ostensivo. IV - Conclusão Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo 1 Acórdãos nº 310200.582 e nº 310200.589, 3ª S.1ª C. 2ª TO Fl. 488DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.647 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11829.720033/2015-47 Fl. 489DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.005396/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA 38 DO CARF.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. LEI Nº 9.430/96.
A partir da vigência da Lei 9.430/96, a existência de depósitos de origens não comprovadas tornou-se uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, sendo ônus do contribuinte a apresentação de justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contas correntes. Recai sobre o titular da conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira o dever de comprovar a origem dos depósitos, mediante documentação que reputar idônea.
Numero da decisão: 2202-005.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA 38 DO CARF. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. LEI Nº 9.430/96. A partir da vigência da Lei 9.430/96, a existência de depósitos de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, sendo ônus do contribuinte a apresentação de justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contas correntes. Recai sobre o titular da conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira o dever de comprovar a origem dos depósitos, mediante documentação que reputar idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 53 96 /2 00 8- 51 Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13888.005396/200851 Acórdão n.º 2202005.484 S2C2T2 Fl. 667 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por EDSON DE OLIVEIRA RODRIGUES contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo DRJ/SP2, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança de R$ 101.522,05 (cento e um mil, quinhentos e vinte e dois reais e cinco centavos), referente à obrigação principal, juros de mora e multa de ofício. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal contidos no auto de infração (f. 367/377), a autuação se deu por duas razões: i) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais” (f. 371), gerando imposto devido no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), em razão da alienação de cotas da empresa Indemetal Gráficos Ltda, CNPJ n° 01.352.861/000100 e de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), por força da alienação de cotas da empresa Indemetal Indústria de Etiquetas Metálicas Ltda, CNPJ n° 48.985.899/000175; e ii) “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” (f. 373), haja vista não ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sua impugnação, acostada às f. 392/400, o ora recorrente reconhece que “[c]om relação ao ganho capital apontado nos itens 7 e 8 do relatório da auditora, realmente ela tem razão, houve uma falha (…)” (f. 392), tornando a autuação, neste ponto, incontroversa. Transcrevo, por esse motivo, tão somente a ementa do objurgado acórdão (f. 578), que sintetiza a matéria devolvida a esta instância revisora: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1996, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. GANHO DE CAPITAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada e definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria acerca da qual o contribuinte tenha concordado com o procedimento da fiscalização. Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 13/08/2010, recurso voluntário (f. 89/91), argumentando, em caráter preliminar, ter sido o crédito fulminado pela decadência. Quanto ao mérito, declinou as mesmas razões lançadas na peça da impugnação no tocante à origem dos depósitos e afirmou que lhe estariam sendo exigidas obrigações cabíveis somente às pessoas jurídicas. É o relatório. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13888.005396/200851 Acórdão n.º 2202005.484 S2C2T2 Fl. 668 3 Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Malgrado tenha suscitado a decadência apenas em sede recursal, por se tratar de matéria de ordem pública, cognoscível até mesmo de ofício, conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. I – PRELIMINAR: DA DECADÊNCIA Em suas razões recursais suscita a ocorrência da decadência, sob a alegação de que [o] § 4º, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, consagra que "os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos". A norma em destaque definiu como momento IR no qual estará configurada a presunção de omissão de renda, o mês em que o depósito for efetivado. Por esta dicção chegase a conclusão que cuidase de hipótese de incidência incorrida mensalmente. (...) Desta forma, o instituto da decadência albergou grande parte do auto de infração, devendo ser excluído os valores atinentes a este período maculado pela decadência. (f. 622) Entretanto, ao contrário do sustentado, consabido ser o fato gerador do imposto de renda complexivo, aperfeiçoandose em 31 de dezembro de cada ano. O verbete sumular de nº 38 deste Conselho, inclusive, determina que “[o] fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Às f. 379 consta ter sido o ora recorrente cientificado da lavratura do auto de infração em 08/12/2008, referente ao anocalendário de 2003. Quanto a essa hipótese de extinção do crédito tributário, pacífica a jurisprudência, firmada no RESP nº 973.333/SC, sob a sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de que, tratandose de tributos sujeitos à homologação, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, desde que tenha havido pagamento antecipado e que não esteja configurado dolo, fraude ou simulação. Esse entendimento, inclusive, foi consolidado na súmula CARF nº 72, que, em idêntico sentido, dispõe que, comprovado ter o contribuinte agido com dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, CTN, por força do art. 149, VII do mesmo diploma. Ainda que se aplique a regra insculpida no art. 150, § 4º, do CTN ao presente caso, certo não ter se operado a decadência. Com base nessas razões, rejeito a preliminar. II – MÉRITO: DA (NÃO) COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS De acordo com o art. 42 da Lei n° 9.430/96, para a os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430/96, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13888.005396/200851 Acórdão n.º 2202005.484 S2C2T2 Fl. 669 4 Assim, não me convenço de que teria de ser a autuação cancelada ao argumento de que não se poderia “(...) exigir de uma pessoa física a apresentação de documentação comprobatória da origem de todas as operações bancárias que pratica [porque] equivale[ria] a imporlhe o dever de escriturar em livros todas estas operações, tal como se exige de uma pessoa jurídica (...).” (f. 646) Recai, portanto, sobre o recorrente o dever de comprovar a origem dos depósitos, mediante documentação que reputar idônea. Em suas razões, afirma o recorrente que os depósitos teriam a seguinte gênese: i) numerário, em espécie, devidamente declarados em sua DIRPF 2004; ii) distribuição de lucros pela empresa Indemetal Indústria de Etiquetas Metálicas Ltda.; e iii) venda das cotas, em 29/07/2003, das empresas das quais figurava como sócio. O recorrente alega ter depositado, em espécie, em sua conta corrente, o valor de R$250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais). Para além de a alegação não ter sido acompanhada de qualquer documentação, como bem lançado pela DRJ, o fato de ele ter disponibilidade financeira não significa, por si só, que os recursos tenham sido depositados em sua conta. Não se pode descartar a possibilidade de que tais recursos tenham tido outros destinos, ou mesmo que não tenham tido destino algum, uma vez que o impugnante declarou possuir, em 31/12/2003, o valor de R$ 250.000,00 em espécie, ou seja, um valor ainda maior do que possuía no início do ano. Em síntese, não se pode simplesmente presumir que esses valores tenham sido depositados na conta bancária investigada pela fiscalização. (f. 594/596) Carece igualmente de prova documental a indigitada venda de sua participação societária na Indemetal Indústria de Etiquetas Metálicas Ltda. e Indemetal Gráficos Ltda., razão pela qual deve a autuação ser mantida, pois o ora recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe cabia. Por fim, quanto ao numerário depositado cuja origem está na suposta distribuição de lucros, salientou a fiscalização que (...) apesar de corresponderem em data e valor, não restam comprovados tendo em vista, em principio, que não houve informação por parte da empresa Indemetal Indústria Etiquetas Metálicas Ltda de qualquer pagamento a título de lucros e dividendos ao contribuinte. Outro fator interessante, é que o contribuinte continua a ter depósitos em conta corrente de valores mensais de R$ 2.000,00 após sua saída da sociedade. Desta forma temse que mesmo depois do mês de julho, em que o contribuinte já havia se retirado da sociedade, continuou recebendo depósitos mensais em sua conta corrente dos mesmos valores. (f. 357; sublinhas deste voto) Replico, por correto, excertos do voto da DRJ que cotejam a documentação apresentada: Analisando a DIRPF 2004 do impugnante (fls. 14 a 16), verificase que, na Declaração de Bens e Direitos (fl. 15), na rubrica "CC — Indemetal Etiquetas Ltda. Brasil", consta, em 31/12/2002, o saldo de R$ 1.152.597,00, e, em 31/12/2003, o Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13888.005396/200851 Acórdão n.º 2202005.484 S2C2T2 Fl. 670 5 saldo de R$ 997.597,00, o que resulta numa diminuição de exatamente R$ 155.000,00. Estranhamente, contudo, na DIRPF 2003 (fls. 281 a 283), o saldo em 31/12/2002, nessa mesma rubrica, é igual a R$ 877.597,00 (fl. 282) e, portanto, não coincide com o que foi informado na DIRPF 2004, além de ser inferior ao saldo de 31/12/2003 (R$ 997.597,00), o que aponta para o não recebimento de lucros no anocalendário 2003. Verificase, ainda, conforme pesquisa anexada à fl. 284, que a empresa Indemetal Indústria de Etiquetas Metálicas Ltda., CNPJ no 48.985.899/000175, declarou ter distribuído ao impugnante, no anocalendário de 2002, o valor de R$ 530.000,00 a título de lucros e dividendos. E mais, o impugnante declarou, em sua DIRPF 2003, ter recebido em 2002 rendimentos isentos e não tributáveis no valor de R$ 534.338,00, ou seja, um valor quase igual ao que a mencionada pessoa jurídica informou terlhe pago. Em outras palavras, a análise dessas informações levanos à conclusão de que o lucro de R$ 530.000,00 foi distribuído no próprio ano de 2002, e não posteriormente, como afirma o impugnante. Com relação ao anocalendário de 2003, a pesquisa de fl. 285 mostra que o impugnante não recebeu lucros e dividendos das pessoas jurídicas de que era sócio. Tampouco informou tais rendimentos em sua DIRPF 2004. Depreendese, portanto, que os documentos apresentados pelo impugnante para comprovar o recebimento, no ano de 2003, de rendimentos decorrentes de distribuição de lucros são incompatíveis com as informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil por ele mesmo e também pela empresa que teria pago tais rendimentos. (f. 596; sublinhas deste voto) Não tendo logrado êxito em comprovar a origem dos depósitos, merece a autuação ser mantida. III – CONCLUSÃO Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 670DF CARF MF
score : 1.0
