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Numero do processo: 13899.001365/2003-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998
DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. MULTA DE OFÍCIO.
DÉBITOS DECLARADOS. NÃO COMPROVADA A INCLUSÃO DOS DÉBITOS NO PARCELAMENTO ESPECIAL.
Inexistindo provas do que alega a contribuinte, deve ser mantido o acórdão recorrido, já que não foram carreados aos autos comprovação de que os débitos tributários tenham sido, de qualquer forma, pagos.
Numero da decisão: 3302-004.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. NÃO COMPROVADA A INCLUSÃO DOS DÉBITOS NO PARCELAMENTO ESPECIAL. Inexistindo provas do que alega a contribuinte, deve ser mantido o acórdão recorrido, já que não foram carreados aos autos comprovação de que os débitos tributários tenham sido, de qualquer forma, pagos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato de Deus, Charles Nunes e Lenisa Prado. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2017 agosto de 2017 Normas da Administração Tributária Normas da Administração Tributária NICHIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA NICHIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 176DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em decorrência de revisão de ofício, onde foram constatadas inexatidões de valores registrados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais - DCTFs, referentes ao período entre novembro e dezembro de 1998. A fiscalização considerou que a comprovação dos valores recolhidos a título de COFINS foi insuficiente. O valor originário da exigência é de R$ 42.989,87 e o crédito tributário é de R$ 117.018,17. Em sua impugnação (fl. 44) o contribuinte informa que os débitos objeto do auto de infração foram inseridos no parcelamento especial previsto pela Lei n. 10.684 - PAES. No despacho de encaminhamento, a autoridade remetente esclarece (fl.70): "Conforme extrato deste processo às folhas 62 e 63, a ciência do Auto de Infração ocorreu em 08/08/2003. Conforme pesquisa no sistema PAES (fl. 64), a conta PAES do contribuinte encontra-se ativa. O contribuinte confessou débitos através do PGD-PAES em 07/10/2003 (fl 64), portanto posteriormente à ciência do AI. Constam no PGD-PAES débitos de COFINS nos mesmo valores do presente AI (P.A. 11/98, valor R$ 5.639,38 e P.A. 12/98, valor R$ 4.955,67)(fl. 65). Considerando que a consolidação da conta PAES do contribuinte ocorreu em 28/12/2004 (fl. 66), quando o presente Auto de Infração encontrava-se suspenso pela impugnação. Considerando que foram consolidados no PAES os débitos de COFINS confessados em PGD-PAES (fl. 67), Considerando que o PGD-PAES foi declarado posteriormente à ciência do AI, Proponho pela exclusão dos débitos de COFINS relativos ao PA 11/98 e 12/98 da consolidação do PAES por duplicidade, ciência deste despacho ao contribuinte e posterior encaminhamento do presente processo à EQFISE para prosseguimento da impugnação apresentada pelo contribuinte". A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) considerou parcialmente procedente a impugnação, somente para cancelar o lançamento da multa de ofício. Esse acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano - calendário: 1998 DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. PAES. Desconsiderada pela autoridade competente a inclusão de débitos no parcelamento especial -PAES - , é de se manter a exigência desses débitos. Com fundamento no art. 106. inciso II, alínea 'c' do CTN e na nova ordem legal trazida pela MP 135/03, Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13899.001365/2003-97 Acórdão n.º 3302-004.683 S3-C3T2 Fl. 177 3 que limitou a aplicação do art. 90 da MP n. 2.158-35, de 2001, é de se exonerar a multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O contribuinte foi intimado sobre o conteúdo do acórdão em 26/03/2010 (fl.96) e interpôs, tempestivamente, recurso voluntário em 20/04/2010 (fl.97). Em 28/01/2015 a 1ª Turma Especial da 3ª Seção deste Conselho converteu o julgamento em diligência, para que a DRF de Osasco (SP), com base na documentação apresentada pela recorrente, assim diligenciasse: (i) verificar e informar se os valores relativos a Cofins, incluídos no auto de infração eletrônico constante do presente processo, foram objeto de parcelamento no Refis (Parcelamento Especial), conforme afirmado pela Recorrente; (ii) confirmar e informar se o parcelamento está regular. Após o relatório do fiscal sobre a diligência ter sido trazido aos, esses retornaram a este Conselho. Em 25/08/2016 esta Turma julgadora decidiu por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que fosse oportunizada a contribuinte se manifestar sobre a conclusão da diligência acostada às folhas 164/165 dos autos. Cumprida a diligência ordenada, os autos retornaram a este Conselho para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Lenisa Rodrigues Prado Apesar de cientificada sobre o Despacho de Diligência de folhas 164/165 dos autos, a contribuinte quedou-se inerte, deixando de apresentar manifestação sobre a conclusão a que chegou a autoridade preparadora. Trata-se de auto de infração lavrado em decorrência de revisão de ofício, onde foram constatadas inexatidões de valores registrados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais - DCTFs, referentes ao período entre novembro e dezembro de 1998. A fiscalização considerou que a comprovação dos valores recolhidos a título de COFINS foi insuficiente. O valor originário da exigência é de R$ 42.989,87 e o crédito tributário é de R$ 117.018,17. Fl. 178DF CARF MF 4 Em recurso voluntário (fls. 96/97), a contribuinte alega, somente, o que abaixo é reproduzido: "FATOS O Débito em questão 11/98 - $ 5639,38 e 12/98- $ 4955,67, estava declarado no parcelamento PAES Lei 10684/03 homologado em 30/07/2003 e posteriormente com sua desistência em 17/08/2009 para adesão da Lei 11941, 27/5/2009 (REFIS). Este por sua vez deferido em 17/08/2009 e sendo devidamente pago. MÉRITO Segue cópias Declaração PAES (Lei 10684/03) configurando os débitos questionados, adesão 11941/09 deferida com o último pagamento efetuado, copias dos dois pedidos de Impugnação 14/08/03 e 31/10/07, para suas análises e considerações, cópia dos darf. CONCLUSÃO A vista do exposto entendemos que estamos honrando com o pagamento do referido débito em questão tanto no PAES 10684/03 como REFIS 11941/09". Consta no Relatório da Diligência ordenada pela 1ª Turma Especial desta 3ª Seção de julgamentos através da Resolução n. 3801-000.929, que tinha por finalidade determinar a autoridade preparadora que "verificasse e informasse se os valores relativos a Cofins, incluído no auto de infração eletrônico constante do presente processo, foram objeto do parcelamento no Refis (Parcelamento Especial), conforme afirmado pela Recorrente" e "confirmar e informar se o parcelamento está regular" a seguinte conclusão: "Considerando o acima exposto, informo que as contribuições da COFINS dos períodos de apuração 11/98 e 12/98, discriminadas no extrato de fls. 162/163 e objeto do presente recurso NÃO foram incluídos na consolidação do parcelamento especial PAES, instituído pela Lei n. 10.684/2003. Quanto ao citado parcelamento, foi o mesmo rescindido para inclusão de seu saldo devedor remanescente em novo parcelamento especial, previsto na Lei n. 11.941/2009, este encerrado por liquidação em 29/07/2011" (fl. 165). Diante da manifestação acima transcrita, que confirma que os débitos ora discutidos não foram incluídos no parcelamento, como sustenta a contribuinte, entendo que não existem motivos para a reforma da decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios termos. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário em tela. (assinatura digital) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13899.001365/2003-97 Acórdão n.º 3302-004.683 S3-C3T2 Fl. 178 5 Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000906/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
IRPJ. CSLL. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO. CONCOMITÂNCIA ENTRE A AÇÃO JUDICIAL E O LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÚMULA CARF N. 01.
A propositura de ação judicial importa em renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente.
Numero da decisão: 1401-002.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, ante a concomitância entre a ação judicial e o lançamento do crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Pesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, ante a concomitância entre a ação judicial e o lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Pesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 IRPJ. CSLL. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO. CONCOMITÂNCIA ENTRE A AÇÃO JUDICIAL E O LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÚMULA CARF N. 01. A propositura de ação judicial importa em renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, ante a concomitância entre a ação judicial e o lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 09 06 /2 01 0- 15 Fl. 391DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (RJ), que manteve o auto de infração lavrado em decorrência supostas infrações à legislação tributária, referentes aos anos calendário de 2006 a 2009, por meio dos quais são exigidos do Recorrente o Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 3.201.837,79 (fls. 248/257 e termo de verificação às fls. 241/245), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 1.156.495,37 (fls. 258/266), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2. As referidas exigências decorrem da apuração de ganho de capital na desapropriação de imóvel no município de Teresópolis, em função da criação de área de interesse ambiental. 3. O montante da indenização foi de R$ 18.261.332,79 e o lançamento se constituiu com a exigibilidade suspensa para fins de prevenir decadência, visto que em 14/1/2010 o interessado obteve decisão liminar que determinou que a “autoridade impetrada se abstenha de cobrar créditos tributários relativos a Imposto de Renda, Cofins, Pis e CSLL, sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação indireta e de precatórios a receber em decorrência de decisão judicial transitada em julgado, concernente a referida desapropriação”. 3. Cientificado da autuação em 21/10/2010 (fl. 274/275), o interessado apresentou a impugnação em 10/11/2010 (fls. 279/289), na qual alegou, em síntese, que a tributação do ganho de capital não pode alcançar as situações que envolvem desapropriação. 4. O Acórdão ora Recorrido (1254.002 2ª Turma da DRJ/RJ1) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 CONCOMITÂNCIA ENTRE A AÇÃO JUDICIAL E O LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A propositura de ação judicial importa em renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. 5. Isto porque segundo a referida DRJ/RJ, conforme documento de fl. 350, o interessado obteve liminar em mandado de segurança na 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro (processo nº 000009257.2010.4.02.5101), em 14/1/2010, na qual determinou que a Receita Federal se abstivesse de cobrar os créditos tributários relativos ao procedimento fiscal nº 2009017199, até decisão final da ação. Em sentença, em 28/4/2010, foi declarada a não incidência de IRPJ, Pis, Cofins e CSLL, sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (fls. 351). A sentença foi confirmada pelo TRF na 2ª Região (fls. 352/364), em 21/1/2011, sem trânsito em julgado. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11052.000906/201015 Acórdão n.º 1401002.010 S1C4T1 Fl. 418 3 6. Em razão disso, nos termos da Súmula n. 01 do CARF, a 2 ª Turma da DRJ/RJ1 não conheceu da Impugnação. 7. Mesmo diante dos fundamentos do referido Acórdão, tendo sido intimado da referida decisão, o Recorrente apresentou petição em 16.10.2013 (fls. 369372) aduzindo que estaria sendo cobrado do referido crédito tributário mesmo tendo a seu favor decisão liminar confirmada em sentença e decisão de segunda instância. Em razão disso, requereu a suspensão de qualquer tipo de cobrança. 8. Ato contínuo, em 04/11/2013 o contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fls. 375 a 384), no qual além de reiterar as razões aduzidas em sede de impugnação, aduz que a não incidência de IR Ganho de Capital sobre indenizações recebidas em razão de desapropriação por interesse público é pacífica no judiciário (Resp. 111.6460 Recurso Repetitivo), e também objeto da Súmula CARF n. 42. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Como bem observado na decisão recorrida, e também aduzido pelo Recorrente, o contribuinte obteve liminar em mandado de segurança na 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro (processo nº 000009257.2010.4.02.5101), em 14/1/2010, na qual determinou que a Receita Federal se abstivesse de cobrar os créditos tributários relativos ao procedimento fiscal nº 2009017199, até decisão final da ação. Em sentença, em 28/4/2010, foi declarada a não incidência de IRPJ, Pis, Cofins e CSLL, sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (fls. 351). O lançamento do presente crédito tributário foi realizado para fins de se prevenir a ocorrência de decadência caso o contribuinte não obtivesse êxito na ação judicial. A sentença foi confirmada pelo TRF na 2ª Região (fls. 352/364), em 21/1/2011. Ao consultar o andamento atual da referida ação verifiquei que a mesma ainda se encontra sem trânsito em julgado em razão da pendência de julgamento de Recurso Especial, que teve o seu recebimento admitido ao final do ano de 2016. De fato, como bem asseverado na decisão Recorrida, e no próprio Recurso do contribuinte, nos termos do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 03, de 14/02/1996, a propositura por qualquer que seja a modalidade processual de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa, por parte do contribuinte, em renúncia tácita às instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto, operandose, por conseguinte, o efeito de constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. Fl. 393DF CARF MF 4 No mesmo sentido é a Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Assim, diante da concomitância entre a ação judicial e o lançamento do crédito tributário, não há outra alternativa a não ser seguir no mesmo sentido da decisão recorrida, razão pela qual não conheço do Recurso interposto e mantenho o crédito tributário, o qual permanecerá com a exigibilidade suspensa até o término da lide judicial.. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 394DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.905792/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os processos referem-se a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QO-RG.
Numero da decisão: 3302-004.623
Decisão: (assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 155,41. Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões. A Conselheira Socorro enviará as razões das conclusões para compor o fundamento do voto condutor.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 57 92 /2 01 1- 26 Fl. 266DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 155,41. Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões. A Conselheira Socorro enviará as razões das conclusões para compor o fundamento do voto condutor. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araujo. Relatório Tratase de retorno de diligência, por ser sintético, transcrevese o relatório da resolução nº 3803000.538, relator Jorge Victor Rodrigues, fls. 188/1921: A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/201140, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/201142 (28 PAF). 1 Todas as páginas, referenciadas no acórdão, correspondem ao eprocesso. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10280.905792/201126 Acórdão n.º 3302004.623 S3C3T2 Fl. 3 3 (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento (sic) este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. Fl. 268DF CARF MF 4 (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10280.905792/201126 Acórdão n.º 3302004.623 S3C3T2 Fl. 4 5 utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. Fl. 270DF CARF MF 6 (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para compará la com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10280.905792/201126 Acórdão n.º 3302004.623 S3C3T2 Fl. 5 7 escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Trata se de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente. · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o Fl. 272DF CARF MF 8 valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Conforme exposto anteriormente, o presente processo é um retorno de diligência, onde o relator reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no transcorrer do seu voto. Ele converteu o feito em diligência para, trechos in verbis, fls. 198: Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. A Recorrente foi intimada para apresentar o livro diário geral e o livro razão. Após a elaboração da informação fiscal, ela também foi intimada a manifestarse e assim o fez. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10280.905792/201126 Acórdão n.º 3302004.623 S3C3T2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Reunião de processos A Recorrente pleiteia pela reunião de processos listados, pois eles têm o mesmo objeto, qual seja, a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS ou da contribuição ao PIS, pautado na inconstitucionalidade do art. 3o, parágrafo 1o, da Lei 9.718/98. No que se refere à obrigatoriedade de reunião de processos, não há previsão legal para isso, ademais, os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídico tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória. Nesse sentido, rejeitase a preliminar suscitada. 3. Mérito 3.1. Das provas 3.1.1. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos/falta de retificação da DCTF A Recorrente alega que não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito e que tal postura contraria o art. 65, da Instrução Normativa RFB n. 900, de 30.12.2008, atual art. 76 da Instrução Normativa RFB n. 1300, de 20.11.2012. No que concerne à necessidade de diligências em seu estabelecimento, não há necessidade para tal procedimento no caso em análise, podendo a existência do crédito ocorrer via prova documental. A Recorrente também contestou a decisão da DRJ no que concerne ao fato de que como a DCTF, apresentada por ela confessava débito de valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, e como, até o momento de transmissão do PER/DCOMP, não houve retificação da DCTF, cabia às autoridades julgadoras investigar suposto recolhimento a maior e não julgar no sentido de que a falta de retificação na sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP inviabilizaria a análise do crédito. Quanto à falta de retificação da DCTF e a suposta existência de crédito, este Tribunal Administrativo já se manifestou no seguinte sentido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 274DF CARF MF 10 Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006 (...) Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. (...) (CARF; 3ª Seção; 2ª Câmara, Acórdão: 3201002.420; Relator:Winderley Morais Pereira; Data da sessão: 28.09.2016) (grifos nossos) Logo, ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre por meio de prova cabal a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. No caso em análise, com a baixa do processo à unidade para que se verificasse a base de cálculo sob o novo prisma do reconhecimento da inconstitucionalidade, entendese que a referida argumentação foi superada. No que concerne à formalidade da retificação da DCTF, bem como da inexistência de norma sobre o tema, os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões, seguem os fundamentos colhidos da declaração de voto, apresentada ao final, pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar: Tratandose o presente processo de PER, conforme ratifica a Informação Fiscal de fls. 224/225, esclareçase que há na legislação tributária normas que disciplinam a apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, inclusive a hipótese de sua retificação, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Ocorre que no presente caso, embora não tenha havido retificação da DCTF, o processo foi convertido em diligência, pelo julgador de segunda instância, para verificação pela autoridade preparadora da pertinência do direito arguido em face dos documentos acostados aos autos pelo contribuinte, inclusive no Recurso Voluntário, haja vista não ter sido o contribuinte intimado anteriormente a apresentar referidas provas, restando assim comprovado em diligência, nos termos da Informação Fiscal de fls. 224/225, o direito creditório pleiteado. Existindo a regra posta no § 6º do Decreto nº 70.235, de 1972, em consonância com a regra excepcional do § 4º do citado diploma legal, que permite a aferição no caso concreto das circunstâncias excepcionais para a apreciação da prova no processo administrativo fiscal, a conversão em diligência possibilitou a comprovação do direito pleiteado. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10280.905792/201126 Acórdão n.º 3302004.623 S3C3T2 Fl. 7 11 3.1.2. Insuficiência de provas A Recorrente também argumenta no sentido de que o v. acórdão recorrido entendeu que as provas, juntadas por ela, seriam insuficientes para basear, lastrear, o crédito por ela pleiteado. Ela salienta que apresentou comprovante de arrecadação, balancete e memória de cálculo, referentes ao período sub judice. Quanto à insuficiência de provas, tal argumento também encontrase superado, uma vez que o feito foi convertido em diligência para análise da existência ou não do crédito em questão com base nas provas apresentadas pela Recorrente. 3.1.3. Preclusão da produção de prova A Recorrente rebate a argumentação do acórdão da DRJ, tomando como premissa que os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar o crédito, que entendeu que a prova apresentada por ela estava albergada pelo manto da preclusão. Ela alega que tal posicionamento fere o princípio da verdade material, que estaria contemplada pelo artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972 e colaciona uma série de precedentes deste Conselho Administrativo. Quanto à preclusão da produção de provas, mais uma vez, o argumento também encontrase superado, uma vez que o feito foi convertido em diligência para análise da existência ou não do crédito em questão com base nas provas apresentadas pela Recorrente, sendo, portanto, superada a consideração da preclusão. 3.2. Da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e das alegações da Recorrente após a informação fiscal Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF; RE 585235 QORG / MG ; Relator:Ministro Cezar Peluso; Data do julgamento: 10/09/2008) Posteriormente, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, revogou o dispositivo em questão. Este Tribunal Administrativo está adstrito em suas decisões ao que é julgado em regime de repercussão geral, conforme artigo 62, § 1º, "b", do regimento interno2. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) Fl. 276DF CARF MF 12 Com fundamento neste precedente, o relator da resolução reconheceu a inconstitucionalidade e, por maioria de votos, determinou que a unidade preparadora analisasse a base de cálculo sem a ampliação que foi considerada inconstitucional. Do resultado da diligência, colacionamse trechos, in verbis, da informação fiscal, fls. 224/225 Através do PER – Pedido de Restituição nº 15214.17215.210606.1.2.043507, o contribuinte solicita a restituição de R$509,87, referente ao recolhimento do PIS (8109) ocorrido em 16/08/2001, no valor total de R$15.452,96. Através de pesquisas efetuadas no sistema SIEF Pagamentos localizamos referido pagamento, cujo vencimento ocorreu em 15/08/2001, sendo pago o valor total de R$15.452,96 (R$15.452,95 + acréscimos legais) em 16/08/2001. Identificamos também para essa competência outro pagamento a título de PIS (8109) efetuado em 19/08/2004 no valor total de R$50,99. Através de pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil não localizamos PER/DCOMP referente a este pagamento. Ambos os pagamentos foram utilizados para amortizar o débito confessado através da DCTF do PIS (8109) do Período de Apuração do mês de julho de 2001 Após intimação (fls. 201), o contribuinte apresentou os Livros Diário e Razão do mês de julho de 2001, que verificados conforme Balancete e Contas do Razão (fls. 208/221), apuramos através do demonstrativo abaixo o valor da base de cálculo e da contribuição do PIS referente ao mês de julho de 2001: (...) Conforme demonstrado na planilha acima, o valor apurado à titulo de PIS para a competência julho de 2001 foi R$15.348,53, enquanto que o valor recolhido, conforme já mencionado, foi de R$15.503,94 (R$15.452,95 + R$50,99), pelo que, apuramos um recolhimento a maior de R$155,41. Desta forma, proponho que do valor pleiteado de R$509,87 seja reconhecido o valor parcial de R$155,41 do direito creditório pleiteado no PER nº 15214.17215.210606.1.2.043507, transmitido em 21/06/2006 (fls. 02/04). (grifos não constam no original) Após o relatório de informação fiscal, a Recorrente manifestouse, onde alegou que, in verbis, fls. 230 e seguintes: (...) O levantamento realizado pela fiscalização, no entanto, reconheceu parcialmente o crédito pleiteado pela requerente, b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10280.905792/201126 Acórdão n.º 3302004.623 S3C3T2 Fl. 8 13 apesar de ter localizado o DARF discriminado no PER/DCOMP, decisão essa que não merece prevalecer. Isso porque, por um lapso, a fiscalização não excluiu da base de cálculo os montantes decorrentes da totalidade de receitas, que foram incluídas e calculadas pela empresa conforme predeterminação do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9718, e que, posteriormente foi declarado inconstitucional pelo STF, cujo entendimento já encontrase pacificado pela jurisprudência do CARF. (...) (grifos não constam no original) Não há na manifestação da Recorrente uma indicação precisa de alguma verba, que foi considerada indevidamente pela fiscalização quando da elaboração da diligência, devendo, portanto, prevalecer o resultado da informação fiscal. Logo, para o período de julho de 2001 deve ser reconhecido o valor de R$155,41 do direito creditório pleiteado no PER nº 15214.17215.210606.1.2.04 3507, transmitido em 21/06/2006. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço o recurso voluntário, rejeitando a preliminar suscitada e, no mérito, concedo parcialmente provimento para reconhecimento do crédito nos exatos termos da informação fiscal. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Declaração de Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar Tratandose o presente processo de PER, conforme ratifica a Informação Fiscal de fls. 224/225, esclareçase que há na legislação tributária normas que disciplinam a apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, inclusive a hipótese de sua retificação, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Ocorre que no presente caso, embora não tenha havido retificação da DCTF, o processo foi convertido em diligência, pelo julgador de segunda instância, para verificação pela autoridade preparadora da pertinência do direito arguido em face dos documentos Fl. 278DF CARF MF 14 acostados aos autos pelo contribuinte, inclusive no Recurso Voluntário, haja vista não ter sido o contribuinte intimado anteriormente a apresentar referidas provas, restando assim comprovado em diligência, nos termos da Informação Fiscal de fls. 224/225, o direito creditório pleiteado. Existindo a regra posta no § 6º do Decreto nº 70.235, de 1972, em consonância com a regra excepcional do § 4º do citado diploma legal, que permite a aferição no caso concreto das circunstâncias excepcionais para a apreciação da prova no processo administrativo fiscal, a conversão em diligência possibilitou a comprovação do direito pleiteado. Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 279DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721688/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI.
A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos.
Numero da decisão: 2202-004.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 88 /2 01 1- 54 Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 19515.721688/201154 Acórdão n.º 2202004.095 S2C2T2 Fl. 1.349 2 (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF em função da identificação de omissão de rendimentos. Intimado, o Recorrente apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformado, interpôs Recurso Voluntário ora sob julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 07/11/2011 foi formalizado Auto de Infração (fls. 1.040/1.045) em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF identificando como infrações: "001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal." fl. 1.042; "002 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, apurada conforme Termo de Verificação Fiscal." fl. 1.045; Consta dos autos Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.029/1.034). Intimado em 05/11/2011 (fl. 1.048), o Contribuinte apresentou Impugnação em 08/12/2011 (fls. 1.051/1.060 e docs. anexos fls. 1.061/1.243). Em 13/01/2012 protocolou nova petição (fls. 1.244/1.245 e docs. anexos fls. 1.246/1.258), reclamando a suspensão da Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 19515.721688/201154 Acórdão n.º 2202004.095 S2C2T2 Fl. 1.350 3 exigibilidade do débito fiscal e a procedência da impugnação. Chegando à DRJ, foi proferido o acórdão nº 1664.217, de 16/12/2014 (fls. 1.275/1.292), que negou provimento à defesa e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente definitivamente consolidado na esfera administrativa. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n.º 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário (depósito bancário); e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. TRIBUTAÇÃO. PATRIMÔNIO. RENDIMENTO. Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 19515.721688/201154 Acórdão n.º 2202004.095 S2C2T2 Fl. 1.351 4 Quando o artigo 42 da Lei n.° 9.430/1996 determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário (patrimônio), e sim o rendimento presumivelmente auferido. O efeito da presunção é que, a partir de um fato indiciário, chegase a um fato que se quer provar a ocorrência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, que a operação que deu origem aos depósitos bancários lançados derivam de operações justificáveis. Assim, comprovada a origem dos recursos que transitaram na conta corrente, é de se afastar a presunção de omissão de rendimentos e por via de conseqüência a sua tributação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 06/02/2015 (fl. 1.298), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/03/2015 (fls. 1.313/1.337), argumentando, em síntese, que: · É ilícito o acesso aos extratos bancários, pela autoridade fiscalizadora, sem autorização judicial, configurando hipótese de quebra de sigilo bancário; · Os "depósitos bancários, por si só, não se prestam à caracterização de omissão de receitas, sendo necessária a prova do nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a omissão" fl. 1.334: · Comprovou a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias por meio de documentos hábeis e idôneos, especificamente que representaram mera movimentação financeira decorrente de sua atividade profissional e que os recursos pertenciam a pessoas jurídicas que lhe pertenciam; e · Protesta pela posterior juntada de novas provas e documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 19515.721688/201154 Acórdão n.º 2202004.095 S2C2T2 Fl. 1.352 5 Do sigilo bancário Percebese, entretanto, que o STF já reconheceu, por meio do RE nº 601.314, em sede de repercussão geral que obrigatoriamente deve ser repetido por este Conselho, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF a validade do acesso direto aos dados bancários pela autoridade fazendária, prescindindo de autorização judicial para tanto: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 19515.721688/201154 Acórdão n.º 2202004.095 S2C2T2 Fl. 1.353 6 irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 1509 2016 PUBLIC 16092016) Neste, inclusive, restou fixada a seguinte tese: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; Por essa razão, não pode prevalecer o presente argumento. Da presunção de omissão de rendimentos Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 19515.721688/201154 Acórdão n.º 2202004.095 S2C2T2 Fl. 1.354 7 Em outras palavras, identificados depósitos bancários, exigese tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Nesse caminho, não pode prevalecer a tese de que cabia à autoridade fazendária aprofundar as investigações quando o Contribuinte, devidamente intimado, não logrou apresentar os documentos requeridos. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando da matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. Da comprovação da origem dos recursos Argumenta, subsidiariamente, ter comprovado a origem dos recursos, especificamente que se tratavam de movimentação decorrente de sua atuação profissional ou de receitas de empresas das quais era sócio. Pleiteia ainda pela posterior juntada de provas. Compulsando os autos, constatase que foram anexados em conjunto com a Impugnação: · Identidade; · Comprovantes de residência; · Documentos elaborados pela fiscalização (termos, tabelas etc.); · Declarações de Ajuste Anual da DIRPF; · Demonstrativo de apuração dos ganhos de capital; · Diversas fichas da DIPJ do escritório de advocacia do qual o Contribuinte é sócio; · Documento de veículo de sua titularidade, com DUT de transferência; · DARFs pagos; · Escritura de venda e compra de imóvel; · "Instrumento particular de venda e compra de bem imóvel, financiamento com garantia de propriedade fiduciária de bem imóvel constituída mediante sua alienação fiduciária e outras avenças", figurando o Contribuinte como vendedor e banco como intermediário; · Contrato Social de empresa na qual figura como sócio; Por sua vez, analisando a Impugnação, a DRJ esclareceu que: 5.11.1. Alega o impugnante que parte dos valores depositados e creditados na conta corrente são provenientes da atividade empresarial por ele desempenhada, sendo os valores que transitaram por suas contas pertencentes de fato às pessoas Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 19515.721688/201154 Acórdão n.º 2202004.095 S2C2T2 Fl. 1.355 8 jurídicas das quais é proprietário, mas nada trouxe aos autos nesse sentido. Assim é que cabe exclusivamente ao contribuinte demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso. Dizer, de forma genérica, que a renda advém da sua atividade profissional não basta, pois falta o tratamento individualizado previsto na Lei, além de afrontar a um dos princípios basilares da contabilidade que é o Princípio da Entidade, segundo o qual o patrimônio de uma empresa jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Além disso, não foram apresentadas cópias de cheques emitidos pelas empresas ou extratos bancários demonstrando a saída dos recursos das conta bancárias das empresas e a sua respectiva entrada na conta do sócio, a demonstrar que os rendimentos mencionados transitaram na conta do contribuinte e seriam efetivamente das pessoas jurídicas. Ademais, em se tratando de comprovação de depósitos bancários, e não de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, a existência de rendimentos decorrentes de transações patrimoniais, como apontado pelo impugnante, não prova, por si só, a origem dos depósitos, tal qual foi o contribuinte intimado a fazêlo. Assim é que cabe exclusivamente ao contribuinte demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso. Dizer, de forma genérica, que há rendimentos suficientes não basta, pois falta o tratamento individualizado previsto na Lei. Em outro sentido, a acepção da palavra origem utilizada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas, principalmente, identificar a natureza da operação que deu causa ao crédito. Isto se fundamenta no fato de que, para ser cumprida a ordem legal prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, em que, uma vez comprovada a origem do depósito, este será submetido às normas de tributação específicas, é necessário, para a correta tipificação do caso concreto, que a definição de comprovação da origem inclua também a capacidade de se determinar, com certeza absoluta, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física em razão de sua natureza e titularidade. Em outras palavras, a lei determina que, caso comprovada a origem, devese verificar se há valores tributáveis e se estes compuseram a base de cálculo, caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são simplesmente considerados receita omitida. Ressaltese, mais uma vez, que nenhum documento foi trazido com a impugnação no sentido da comprovação da origem dos depósitos." fls. 1.290/1.291; Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 19515.721688/201154 Acórdão n.º 2202004.095 S2C2T2 Fl. 1.356 9 Em outras palavras, a autoridade julgadora de primeiro grau foi clara em demonstrar que não basta a indicação genérica de valores que constituíram renda ou que justificariam, em abstrato, movimentação financeira em suas contas bancárias. É necessário indicação da origem individualizada de cada depósitos. Portanto, se alega e demonstra, com base na documentação juntada ter alienado imóvel, seria necessário indicar como recebeu o preço, em quais datas e valores, sempre coincidindo com os creditamentos identificados pela autoridade lançadora. No mesmo sentido, os valores que pertenceriam às empresas ou sociedades de que faz parte. Acontece que, analisando as provas juntadas aos autos, percebese que o Contribuinte demonstrou ter vendido veículo e imóvel. Como recebeu o preço? Foi por meio de depósito em conta? Em qual data? No mesmo sentido: se circularam recursos das empresas em suas contas, quais foram esses valores? Em quais datas? Foram devidamente contabilizados? Oferecidos à tributação pelas empresas? Enfim, sem razão o Contribuinte. Efetivamente, já tendo a DRJ esclarecido a necessidade de indicar pormenorizadamente a origem dos recursos, abstevese o Recorrente de fazêlo. As perguntas continuam sem resposta, não permitindo revisar o lançamento. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 1356DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720982/2014-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012
Ementa:
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE.
A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitando-se eventualmente ao disposto no seu art. 149, V.
independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. APLICABILIDADE.
As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (TIPI).
O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto presta-se a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto.
As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), da qual o Brasil é Signatário, tendo como objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada.
As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. Para se classificar um produto, aplicam-se as Regras do SH, nem mais, nem menos
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.977
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012 Ementa: IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitando-se eventualmente ao disposto no seu art. 149, V. independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. APLICABILIDADE. As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (TIPI). O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto presta-se a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto. As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), da qual o Brasil é Signatário, tendo como objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada. As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. Para se classificar um produto, aplicam-se as Regras do SH, nem mais, nem menos Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 5.967 1 5.966 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.720982/201447 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.977 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2017 Matéria IPI Classificação Fiscal Recorrente Fazenda Nacional Recorrida Plastcor do Brasil Ltda ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012 Ementa: IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitandose eventualmente ao disposto no seu art. 149, V. independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. APLICABILIDADE. As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (TIPI). O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto. As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), da qual o Brasil é Signatário, tendo como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 09 82 /2 01 4- 47 Fl. 5967DF CARF MF 2 objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada. As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. Para se classificar um produto, aplicamse as Regras do SH, nem mais, nem menos Recurso Voluntário Negado. Fl. 5968DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.968 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 5969DF CARF MF 4 Relatório José Henrique Mauri Relator. Tratase de auto de infração para fins de exigência de IPI, relativamente a períodos de abril de 2010 a dezembro de 2012. De acordo com o termo de verificação fiscal, foi apurada classificação fiscal incorreta na saída dos produtos [1] "cones de sinalização", [2] "cavaletes e placas", [3] "fitas zebradas", [4] "outras obras de plástico" ("corrente, pá e enxada antifaiscante, multi suporte, pedestal plástico, porta lima e protetor para podão"), [5] "peças de vestuário e acessórios" ("produtos como colete refletivo, avental PVC, calça PVC, jaqueta PVC, macacão PVC, conjunto jaqueta e capa de chuva") e [6] "protetores auditivos". Além disso, a Fiscalização apurou: · Por meio de auditoria de estoque, saídas de produção própria indevidamente registradas com CFOP 5.102 e 6.102 ("venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros"). · Declaração a menor em DCTF de imposto lançado nas notas fiscais emitidas e registrado nos livros Registro de Saídas e de Apuração do IPI, "retardando o seu conhecimento pela autoridade administrativa, o que caracteriza uma circunstância agravante à aplicação da respectiva penalidade, majorandoa, consequentemente, com o aumento de metade, conforme art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07". Em sua peça impugnatória a interessada alegou, em síntese: 1. Ilegalidade na ação fiscal, à vista de pendência de consulta administrativa. Segundo a Interessada, no dia 24 de setembro de 2012, formulou consulta protocolada na DRF/Limeira (processo n. 10865.723020/201288), que, apesar de reiteração em 27 de setembro de 2013, não teria sido solucionada ainda, impedindo a abertura de procedimento fiscal, nos termos do art. 48 do Decreto n° 70.235, de 1972. 2. Para fins de Classificação fiscal o contribuinte não tinha qualquer referência normativa específica que lhe servisse de norte para afastar as classificações genéricas. 3. Utilizouse do princípio da seletividade em função da essencialidade dos produtos como orientador para classificar os produtos, Princípio que deve também ordenar a interpretação da classificação fiscal. 4. Protestou, a seguir, pela produção de prova pericial, conforme anexo à impugnação, em razão de que a essencialidade dos produtos somente poderia ser auferida por esse meio de prova. 5. Tece breves comentários sobre os produtos autuados e as NCM utilizadas. Fl. 5970DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.969 5 Ao analisar a Impugnação, a 8ª Turma da DRJ/RPO emitiu o Acórdão 14 55.107, de 25 de novembro de 2014, que, por unanimidade de votos, julgoua Procedente Em Parte, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 IPI. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IPI LANÇADO E NÃO DECLARADO, MULTA E SUA MAJORAÇÃO. Declarase não litigiosa a matéria não expressamente contestada pelo contribuinte em sua impugnação de lançamento. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO EM PENDÊNCIA DE CONSULTA. NULIDADE. É nulo, por vício formal, o auto de infração que tenha por objeto a reclassificação fiscal de produto objeto de consulta apresentada pelo contribuinte, especificamente em relação à classificação fiscal por ele adotada, enquanto não solucionada a consulta formulada ou não declarada a sua ineficácia, relativamente às saídas dos referidos produtos ocorridos após a formulação. PERÍCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. Somente cabe a realização de perícia na hipótese de não poder ser produzida nos autos prova equivalente e de ser necessária manifestação de especialista. Descabe a opinião de perito em relação à juízo de aplicação de legislação. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO ANTERIOR DO FISCO. A ausência de manifestação oficial específica sobre a classificação fiscal de determinado produto não retira o ônus do contribuinte de realizar integralmente a atividade prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, sujeitandose eventualmente ao disposto no seu art. 149, V. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. APLICAÇÃO AO ESTABELECIMENTO DA ALÍQUOTA NA TIPI E NÃO ÀS REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. As regras de classificação fiscal são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da tabela de incidência do imposto (Tipi). O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação do produto. Eventual violação ao princípio da seletividade inserese no âmbito de vício do estabelecimento da alíquota para a respectiva posição e não pode ser objeto de apreciação no âmbito do processo administrativo fiscal. AUDITORIA DE ESTOQUE. SAÍDA DE PRODUTOS REVENDIDOS. INSUFICIÊNCIA DE ESTOQUE. Tributamse como produtos de fabricação própria aqueles a que o contribuinte tenha dado saída como revenda, sem ter estoque suficiente de produtos comprados de terceiros para tanto. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 5971DF CARF MF 6 Período de apuração: 01/04/2010 a 30/12/2012 CONES DE SINALIZAÇÃO. Código TIPI: 3926.90.90 Classificase nesta posição o artefato cônico de plástico, para sinalização de trânsito nas ruas, estradas e em outros locais de trânsito, comercialmente denominado "cone de sinalização". CAVALETES E PLACAS. Código TIPI: 3921.11.00 Classificamse nesta posição os cavaletes e placas de sinalização, em formas regulares, de plástico. OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICO (FITAS ZEBRADAS. CORRENTE, PÁ E ENXADA ANTIFAISCANTES, MULTISUPORTE, PEDESTAL, PORTA LIMA E PROTETOR DE PODÃO. PROTETORES AUDITIVOS, DE PLÁSTICO, DO TIPO CONCHA). Código TIPI: 3926.90.90 Classificamse nesta posição as outras obras de plástico não compreendidas em posições anteriores do respectivo capítulo. PEÇAS DE VESTUÁRIO E ACESSÓRIOS DE PVC. Código TIPI: 3926.20.00 Classificamse nesta posição o vestuário e acessórios de PVC. Impugnação Procedente em Parte Irresignada a interessada apresentou Recurso Voluntário, fls. 5933/5958, reprisando as alegando de impugnação, relativamente aos seguintes tópicos,: 1. Preliminarmente: 1.1 Da Inconstitucionalidade da Multa Superior ao Valor do Tributo. 1.2 Da Impossibilidade de Aplicação de Multa de Ofício nos Tributos Lançados sob o Regime de Homologação. 1.3 Da Inexistência de Situação Agravante. 1.4 Da negativa de Realização de Prova Pericial. 2. Mérito 2.1 Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Decorrente das Saídas de Cones em Razão da Pendência de Consulta 2.2 Da Ausência de Regulamentação da Classificação NCM à época dos Fatos e do Respeito ao Princípio da Essencialidade. Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 5972DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.970 7 Voto Conselheiro José Henrique Mauri O Recurso de Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento O auto de infração tratou de três matérias, "lato sensu" (i) classificação fiscal incorreta, (ii) glosa de créditos de revendas e (iii) falta de declaração (em DCTF) de valores lançados em nota fiscal e escriturados no livro registro de saídas e no livro de apuração do IPI. Neste último item, a Fiscalização apurou o imposto não declarado e aplicou a multa aumentada em 50%, por constar “circunstância agravante” (Lei nº 5.502/64, § 6º, inciso I, art. 80). Entretanto, em sede de Recurso Voluntário os questionamentos restringemse à questões de direito, abaixo segregados, restando preclusas as demais matérias, de fato e de direito, constantes da autuação. 1 Das Preliminares 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA SUPERIOR AO VALOR DO TRIBUTO. CONFISCO. e 1.2 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO NOS TRIBUTOS LANÇADOS SOB O REGIME D HOMOLOGAÇÃO A recorrente Insurgese contra a majoração em 50% da multa com fundamento do artigo 80, caput, e § 6º, inciso I da Lei Federal nº 4.502/64. que, segundo seu entendimento fere a vedação constitucional do confisco. Sustenta ainda que referida multa de Ofício é de natureza penal, diferentemente das multas por mora no adimplemento de obrigação tributária, essas sim consideradas remuneratórias ou compensatórias. As alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Fl. 5973DF CARF MF 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Desnecessário maiores delongas, nesse pormenor, pela clareza e objetividade da matéria, bem assim pelo teor das normas transcritas. 1.3 DA INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO AGRAVANTE Alega a recorrente inocorrência de qualquer circunstância a ensejar a qualificação da multa. Não se mostra presente nos autos elementos que mostrem eventual reicindência, consulta prévia da recorrente acerca dos produtos, tampouco existência de artifício doloso na prática da infração, que justificariam o agravamento. O Auditor Fiscal, por seu turno, entendeu haver, ao menos, uma circunstância agravante, ensejando a aplicação do disposto no artigo 80, § 6º, inciso I, da Lei nº 4502/64, eis excerto do Relatório Fiscal: O imposto foi lançado nas notas fiscais emitidas, registrado nos livros Registro de Saídas e de Apuração do IPI, mas não declarados integralmente em DCTF, retardando o seu conhecimento pela autoridade administrativa, o que caracteriza uma circunstância agravante à aplicação da respectiva penalidade, majorandoa, consequentemente, com o aumento de metade conforme art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07. Eis o disposto no referido artigo 80: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imjposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. [...] § 6º O percentual de muilta a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica. II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. Fl. 5974DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.971 9 Vêse que a autuação utilizouse do disposto no inciso I, caracterizado pela constatação de uma circunstância agravante, diferentemente do disposto no inciso II, onde demandaria a tipificação de simulação, fraude ou conluio ou ainda a caracterização de reincidência específica, com apenação qualificada. A conduta resta claramente tipificada no sentido de ocultar os valores devidos dos tributos, o que configura o agravamento da multa nos termos do art. 68, § 1º, IV da lei nº 4.502/64. Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. § 1º São circunstâncias agravantes: I a reincidência; II o fato de o imposto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; III a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sobre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo; IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. [Destaquei] Ademais, o percentual de agravamento de 50% (cinquenta por cento) atendeu as determinações do art. 80, § 6º, I, em função de ter a recorrente cometido a infração de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado. 1.4 DA NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL. Alega a recorrente que, com a negativa da produção de prova pericial, o julgador afrontou de morte o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, tolhendo da recorrente seu direito de se defender. No âmbito do processo administrativo fiscal a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de diligência ou de produção de prova pericial integra poder discricionário da autoridade julgadora. Assim, cabe ao Julgador emitir juízo de valor quanto a necessidade de obtenção de provas adicionais, imprescindíveis Fl. 5975DF CARF MF 10 ao deslinde da controvérsia. Essa é a inteligência que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/19721. Ademais, a realização de diligência somente se justifica se as provas instrutivas dos autos não forem suficientes e, especificamente em relação à perícia técnica, quando houver dúvida sobre questão de natureza técnica, cujos esclarecimentos dependam de conhecimentos especializados. No caso concreto, assim se manifestou o colegiado primário: "Nesse contexto, sabese que as perícias são exigidas quando não se possa produzir prova equivalente nos autos, necessitandose de sua produção por especialista. Não é o caso dos autos, como se verifica pelos quesitos formulados e pelas observações a eles dirigidas durante a análise de mérito. Por fim, como se verá adiante, é possível a análise das classificações fiscais a partir dos documentos que já constam dos autos, sendo prescindível diligência ou perícia." Resta claro que o juízo primário entendeu ser prescindível a realização de perícia para o deslinde da lide. O voto condutor do Acórdão recorrido foi adequadamente motivado quanto ao indeferimento da diligência requerida, não carecendo de reparos. Registrese que nessa oportunidade, em julgamento de segunda instância, poderseia apreciar a necessidade, ou não, de dita perícia, haja vista que sua negativa na primeira instância não significa igual juízo de valor nesta instância superior. Contudo, como relatado, em sede de Recurso Voluntário não há questionamento em relação às NCM aplicadas pela fiscalização (e mantidas no Acórdão recorido) o que tornaria inócua a realização de diligência, posto que a perícia requerida terseia como objeto a obtenção de dados para fins exclusivos de classificação dos produtos, questão inexistente na peça recursal, ora em análise. Assim, por entender prescindíveis, indeferese o pedido de diligência/perícia reiterado pela recorrente. Com base nessas considerações, Nego provimento às preliminares suscitadas. 1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 5976DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.972 11 2 Mérito 2.1 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO DECORRENTE DAS SAÍDAS DE CONES EM RAZÃO DA PENDÊNCIA DE CONSULTA Insurgese contra a decisão recorrida no tocante ao entendimento de que "a suspensão da exigibilidade do tributo, em razão da consulta formulada pela Recorrente, não produziu qualquer efeito com relação ao período anterior, podendo o fisco iniciar procedimento fiscais com relação a esse período". Entende a Recorrente que o dispositivo legal (Decreto 7.574/2011, art. 89) estabelece que nenhum procedimento fiscal será instaurado a partir da apresentação da consulta, independentemente de estarem os fatos geradores situados antes ou depois da formalização da consulta. Art.89. Nenhum procedimento fiscal será instaurado, relativamente à espécie consultada, contra o sujeito passivo alcançado pela consulta, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que lhe der solução definitiva. (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 48 e 49; Lei no9.430, de 1996, art. 48, caput e § 3o). Não assiste razão a recorrente. Os fatos geradores ocorridos anteriormente à protocolização não são alcançados pelos efeitos do processo de consulta, isso porque os efeitos da Consulta iniciase com sua formalização, não abraçando fatos geradores pretéritos. É o que se extrai dos artigos 89, suso transcrito, e do artigo 90, ambos do Decreto nº 7.574/2011. Não é por outra razão que a decisão de Consulta, contrária à orientação adotada pelo contribuinte, obrigao a recolher, no prazo do art. 89 do Decreto nº 7.574/2011, o imposto que deixou de ser registrado ou lançado a partir da consulta, sem os acréscimos relativos a multas e juros, diversamente do que ocorre em relação aos débitos verificados anteriormente à data da apresentação da Consulta, em que sobre eles incidirão os acréscimos legais. Art. 90. Em se tratando de consulta eficaz e formulada antes do vencimento do débito, não incidirão encargos moratórios desde seu protocolo até o trigésimo dia subsequente à data da ciência de sua solução (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 161, § 2º). Dessarte, o instituto da consulta não tem efeito retroativo e não ampara a consulente em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a sua protocolização. No caso concreto, como a consulta fora formulada pela Recorrente em 24 de setembro de 2012, são válidos os lançamentos anteriores, ou seja, efetuados a partir de janeiro de 2010 (termo inicial do período autuado) até a data da formulação da consulta (setembro de 2012). Fl. 5977DF CARF MF 12 Diante do exposto, entendo não terem alicerce lógico e jurídico as alegações da recorrente, relativas aos efeitos do processo de consulta. 2.2 DA AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO NCM À ÉPOCA DOS FATOS E DO RESPEITO AO PRINCÍPIO DA ESSENCIALIDADE. Sustenta que "os fatos geradores descritos no combatido auto de infração ocorreram entre os exercícios de 2010, 2011 e 2012, ou seja, em sua maior parte anteriormente à qualquer definição pelo Fisco das corretas classificações". Alega ainda que na ausência de regulamentação, valiase do princípio da essencialidade, previsto na CF. Sobre o presente quesito, assim se manifestou o julgado primário, no voto precursor do Acórdão recorrido: 37. A Interessada ainda alegou que a maioria dos fatos geradores teria ocorrido “anteriormente à qualquer definição pelo Fisco das corretas classificações”. 38. Entretanto, tal situação não tem conseqüência alguma para as infrações apuradas, pois a legislação exige que o contribuinte efetue a classificação corretamente, apresentando consulta se houver dúvidas. 39. Quando o contribuinte efetua a classificação por sua conta e risco, o Fisco tem o poder e dever de averiguar a classificação fiscal e efetuar o lançamento, com aplicação de multa de ofício, se dela discordar. Das disposições já reproduzidas sobre o processo de consulta, sabese que somente a consulta eficaz tem o condão de impedir a incidência de encargos moratórios (juros e multa de mora, uma vez que a multa de ofício somente seria exigível após o encerramento do processo de consulta) 2. 40. Esclareçase, por fim, que o IPI é imposto cujo lançamento é da modalidade por homologação, em que o contribuinte tem o ônus de aplicar a legislação para efetuar a apuração e o recolhimento do imposto, o que abrange a classificação fiscal dos produtos que fabrica e vende. 41. Dessa forma, cabe ao sujeito passivo o dever de praticar a atividade prevista no art. 1503 do Código Tributário Nacional, sujeitando se eventualmente ao disposto no art. 149, V4. [...] 2 Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Art. 90. Em se tratando de consulta eficaz e formulada antes do vencimento do débito, não incidirão encargos moratórios desde seu protocolo até o trigésimo dia subsequente à data da ciência de sua solução (Lei n o 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 161, § 2 o ). 3 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Fl. 5978DF CARF MF Processo nº 10865.720982/201447 Acórdão n.º 3301003.977 S3C3T1 Fl. 5.973 13 50. O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deva ser aplicada a produto classificado em determinada posição e não pode servir de referência à classificação, em si, do produto. Assim, eventual violação ao princípio da seletividade inserese no âmbito de vício do estabelecimento da alíquota para a respectiva posição e, como tais disposições são reguladas por decreto presidencial, não poderia a autoridade julgadora administrativa afastálas, nos termos do art. 59 do Decreto n. 7.574, de 20115. 51. O excesso ou arbitrariedade da lei ou do decreto na fixação da alíquota passaria por análise do ato legislativo (em sentido amplo) sob o prisma do devido processo legal substantivo6, questão que, por dizer respeito aos limites do ato de legislar, também é impossível de ser discutida no âmbito do processo administrativo fiscal. Sem reparos as palavras ditas no Acórdão recorrido, suso transcritas. As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH)7, da qual o Brasil é Signatário, tendo como objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada. As Regras lá estabelecidas não se confundem com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional, por determinação constitucional. Para se classificar um produto, aplicamse as Regras do SH, nada mais, nem menos. No Sistema Tributário Brasileiro a classificação fiscal de produtos é de responsabilidade do contribuinte, sujeito passivo da obrigação tributária, valendo se, para tanto, das ferramentas positivadas em nosso sistema normativo: (i) das Regras preconizadas pelo SH, propriamente dito, (ii) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), expressando o posicionamento do Conselho de Cooperação Aduaneira/CCA (conhecido como Organização Mundial de Aduanas/OMA), o (iii) 5 Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei n o 11.941, de 2009, art. 25). 6 3. Esta Corte tem historicamente confirmado e garantido a proibição constitucional às sanções políticas, invocando, para tanto, o direito ao exercício de atividades econômicas e profissionais lícitas (art. 170, par. ún. , da Constituição), a violação do devido processo legal substantivo (falta de proporcionalidade e razoabilidade de medidas gravosas que se predispõem a substituir os mecanismos de cobrança de créditos tributários) e a violação do devido processo legal manifestado no direito de acesso aos órgãos do Executivo ou do Judiciário tanto para controle da validade dos créditos tributários, cuja inadimplência pretensamente justifica a nefasta penalidade, quanto para controle do próprio ato que culmina na restrição. (Supremo Tribunal Federal. ADI n. 1736. Relator: Min. Joaquim Barbosa. Disponível em <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=582642>.) 7 A “Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias” foi celebrada em Bruxelas, em 14/06/1983, e entrou em vigor internacional a partir de 1988. No Brasil, foi aprovada pelo Decreto Legislativo n. 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto n. 97.409, de 23/12/1988 (publicado no Diário Oficial da União de 27/12/1988). Fl. 5979DF CARF MF 14 índice alfabético do SH, também publicado pela OMA; e (iv) dos pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do SH. 8 Ao lado destes atos internacionais há ainda manifestações no âmbito do MERCOSUL e atos normativos nacionais, como Instruções Normativas (IN) da RFB e Atos Declaratórios Interpretativos da RFB (ADI), e ainda, mais especificamente, na espécie, da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), este último para fins de identificar a alíquota de IPI aplicável. Portanto, independentemente de quando, no tempo e espaço, ocorrera o fato gerador de IPI, em se ocorrendo, surge a obrigação do contribuinte pela classificação fiscal, sujeita a revisão por parte da fiscalização, atraindo para si [contribuinte] o ônus de eventual incorreção na codificação utilizada. Com essas considerações, resta concluso que o Acórdão recorrido não carece de reparos. No mais, quanto as demais matérias constantes do Acórdão recorrido, sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora recorrente, caracterizase a Preclusão, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72. Dispositivo Ante o todo exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator 8 dados coletados na Declaração de Voto de lavra do conselheiro Rosaldo Trevisan, Inserida no Acórdão nº 3403003.186. Fl. 5980DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.001153/2004-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - MIM
Ano calendário: 2002
RENDIMENTOS, MÚTUO ENTRE COLIGADAS, INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO,
Os rendimentos obtidos em operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas devem ser acrescidos à receita bruta para cálculo da base de incidência das estimativas mensais.
BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO, EMPREENDIMENTOS JUNTO À
SUDENE O beneficio fiscal de redução do imposto previsto no artigo 14 da Lei n° 4,239, de 1963, foi extinto a partir de 1' de janeiro de 2001 (MP 2,199, de 2001, art. 2°). In casu, a interessada somente veio a ter novamente reconhecido o direito ao beneficio de redução de imposto, em 13 de fevereiro
de 200.3, por ato próprio do Delegado da DRF em Montes Claros/MG, razão pela qual, no ano calendário 2002, não fazia jus à redução do imposto.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2002
FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS,
CONSTATAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, INCIDÊNCIA
DE MULTA ISOLADA, A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo sendo passível de ser exigida em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever - não observado - de recolher antecipações, mediante estimativas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.265
Decisão: Acordam os membros do colegiada, Pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Guilherme Polastri Gomes, André Almeida Blanco e Rogério Garcia Peres que davam provimento ao recurso. O Conselheiro André Almeida Blanco apresentará declaração de voto.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO, EMPREENDIMENTOS JUNTO À SUDENE O beneficio fiscal de redução do imposto previsto no artigo 14 da Lei n° 4,239, de 1963, foi extinto a partir de 1' de janeiro de 2001 (MP 2,199, de 2001, art. 2°). In casu, a interessada somente veio a ter novamente reconhecido o direito ao beneficio de redução de imposto, em 13 de fevereiro de 200.3, por ato próprio do Delegado da DRF em Montes Claros/MG, razão pela qual, no ano-calendário 2002, não fazia jus à redução do imposto, ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS, CONSTATAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO, INCIDÊNCIA DE MULTA ISOLADA, A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo sendo passível de ser exigida em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever - não observado - de recolher antecipações, mediante estimativas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presente autos. Acordam os membros do colegiada, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Guilherme Polastri Gomes, André Almeida Blanco e Rogério Garcia Peres que davam provimento ao recurso. O Conselheiro André Almeida Blanco apresentará declaração de voto. ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente MARIA L oi \int /13rp, FURDES MIREZ Relatora EDITADO EM: 20 DEZ zoitr Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carmen] Ferreira Saraiva, Guilherme Polastri Gomes, Maria de Lourdes .Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de auto de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, (fls. 04 a 11) que constituiu o crédito tributário no valor total de R$ 525.992,14, correspondente à multa de oficio exigida isoladamente, tendo em conta a apuração, no ano-calendário 2002, das seguintes irregularidades assim descritas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração — fls. 06 a 08 e anexos integrantes às fis, 12 a 16: "( ) 001 - MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRP1 SOBRE BASE DE CÁLCULO ES11MADA Nas verificações referentes à apuração das estimativas mensais constatou-se o recolhimento a menor da (estimativa do IRPT nos períodos de março/2002 a dezembro/2002 Verificou-se que o contribuinte, que optou pela apuração anual do IRP,T, no ano calendário 2002, estando obrigado ao recolhimento do imposto de renda mensal por. estimativa, incorreu nas seguintes infrações/incorreções: 1) não incluiu, na base de cálculo do IRPJ devido mensalmente com base na receita bruta e acréscimos, os valores referentes a juros recebidos sobre operações com coligadas, registrados na conta contábil 720 12; 2) no período de apuração maio/2002, utilizou-se, indevidamente, de beneficio de redução no percentual de 37,5% sobre a venda de leite pré-condensado, no valor de R$ 42 968,25 - que consta do ANEXO 1 - CÁLCULO DA ISENÇÃO/REDUÇÃO fRPJ do demonstrativo CÁLCULO POR ESTIMATIVA - IRPJ apresentado pelo contribuinte; 2 Processo n° 10670.001153/2004-77 S1-TE01 Acórdão n ° 1801-00265 Fl 2 3) quando da apuração da isenção do IRP.I mensal, que consta do mesmo anexo do demonstrativo apresentado pelo contribuinte, não deduziu da base de cálculo (receita isenta mensal), o valor de R$ 20 000,00 mensais para cálculo do adicional à alíquota de 10% Assim, o valor da isenção restou majorado em R$ 2 000,00 (dois mil reais) a cada período de apuração. Em fiscalização anterior em que foi lavrado o auto de infração 10670 001327/2002- 30, o contribuinte apresentou como .justificativa para a não inclusão dos juros sobre operações de mútuo com coligadas na base de cálculo do IRPI antecipado mensalmente, uma possível equiparação deste tipo de receita à aplicação financeira de renda fixa, as quais conforme o art 225 do RIR199, não são incluídas na antecipação mensal Todavia, a não inclusão destes valores na base de cálculo do IR mensal é indevida, urna vez que tais receitas somente são equiparadas às operações de renda fixa para fins de incidência do Imposta de Renda na Fonte, conforme preceituado no caput do art. 70 da Lei 8.981, de 20/01/1995 O artigo 40 da Instrução Normativa SRF 93/97 dispôs que "serão acrescidos à base de cálculo, no mês em que forem auferidos, os ganhos de capital, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na/atividade, inclusive: I - os rendimentos auferidosonas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, exceto se a mutuaria for instituição autorizada funcionar pelo Banco Central do Brasil" Assim sendo, tais receitas foram incluídas na apuração das estimativas mensais. Com relação ao beneficio de redução, conforme consta da representação fiscal constante do processo 10670000181/2004-77 - cópia as folhas 76 a 80, o contribuinte está desacobertado do referido beneficio no período de 1° de janeiro de 2001 a 16 de julho de 2002, em razão do disposto no art. 3° da Medida Provisória tf 2 199 de 24/08/2001 e regulamentações do Decreto n° 4.213, de 26/04/2002 Merece destaque o fato do Contribuinte não haver se utilizado do beneficio de redução na apuração anual do IRP.I, conforme se constata na análise da ficha 10 da DIP.1/2003 (folha 81). A exclusão do beneficio de redução consta do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO FISCAL. DE ISENÇÃO/REDUÇÃO - 2002. O art. 542 do Decreto n° 3000, RIR/99, que trata do adicional do imposto de renda dispõe: -"A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de vinte mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeita-se à incidência de adicional de imposto à alíquota de dez por cento (L ei . 9 249, de 1995, art. 3°, 1', e Lei ri° 9.430, de 1996, art. 4 0 ) 1 . Quando da apuração do beneficio de isenção e redução mensal, o contribuinte deveria ter aplicado a aliquota de 10% sobre a parcela da receita isenta mensal apurada excedente ao valor de R$ 20 000,00 Todavia o contribuinte aplicou a aliquota de 10%, referente ao adicional, sobre a totalidade da receita isenta mensal apurada, adotando critério diverso daquele utilizado para a apuração do adicional devido sobre a estimativa mensal. Através deste expediente o contribuinte aumentou, indevidamente, o valor da isenção/redução mensal em R$ 2.000,00 (dois mil reais). A exclusão dos valores indevidos também constam do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO FISCAL. DE ISENÇÃO/REDUÇÃO - 2002, que é parte integrante deste auto de infração. Os valores lançados através do presente auto de infração constam do DEMONSTRATIVO DA MULTA SOBRE. ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA, APUPADA COM BASE. NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS, que constitui parte integrante do presente auto de infração Data Valor Multa Isolada 31/03/2002 R$ 53 611,84 30/04/2002 R$ 52 628,81 31/05/2002 R$ 54 514,24 30/06/2002 R$ 55 031,99 31/07/2002 R$ 55 887,63 3 31/08/2002 R$ 48 707,99 30/09/2002 R$ 49. 842,28 31/10/2002 R$ 51. 344,56 30/11/2002 R$ 52 417,24 31/12/2002 R$ 52.005,56 Enquadramento Legal: Arts 222, 841, incisos III, IV, VI e parágrafo único, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR199 A empresa foi cientificada do lançamento, na pessoa de seu representante legal e em 14/12/2004 protocolizou a impugnação de fls. 106 a 111 alegando, em síntese, que o pagamento por estimativa e a apuração da respectiva base de cálculo sujeitar-se-iam, no período dos mútuos, ao disposto nos artigos 222 e seguintes do RIR/2001, e que teria obedecido ao disposto no § 1° do art. 225 do Decreto 3.000, de 26.03.99. Afirma que, ao se admitir que os juros devessem ser acrescidos à base de cálculo, seria imperiosa a dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte. Alega que o beneficio fiscal de isenção de 50% do imposto de renda para as empresas industriais e agrícolas que estivessem operando na área da SUDENE, não teria sido revogado e que o art. 14 da Lei n". 4.239, de 27..06,63, ao conceder isenção por prazo certo e em função de determinadas condições, não poderia ser revogado ou modificado por outra lei, fazendo juntar os documentos de fis.112/122„ Pelo Acórdão 12-15,191, de 26/07/2007 (fls. 128 a 134), a l a . Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJOI julgou o lançamento parcialmente procedente. Inicialmente aquela autoridade alertou que o item "compensação indevida no período de apuração (maio/02), face à correção monetária de crédito relativo a pagamento indevido incorretamente efetuado" não teria sido objeto de lançamento no presente processo. No mérito, em relação aos valores auferidos a título de juros sobre contratos de mútuo com empresas coligadas, afirmou que mútuo não se equipara a aplicação financeira, por ausência de disposição legal nesse sentido e que o art, 40 da Instrução Normativa SRF n° 93/97, deixaria claro que os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligados devem compor a base de cálculo no mês em que furem auferidos. Observou que a competência para reconhecimento e concessão de beneficio de redução de imposto é da Receita Federal, nos termos do artigo 16 da Lei n o 4219, de 1963 e que à SUDENE caberia apenas a concessão do beneficio de isenção do imposto, corno dispõe o artigo 37 da Lei 5.508, de 1968. Nesse contexto o artigo 553 do Decreto n° 3000, de 1999 — RIR199, estabeleceu que a pessoa jurídica que mantivesse em operação empreendimento industrial ou agrícola na área da SUDENE deveria apresentar requerimento ao Delegado da Receita Federal de sua jurisdição solicitando o beneficio à redução do imposto de renda, demonstrando o atendimento às condições mínimas para o gozo do favor fiscal, observando, ainda, que o direito da contribuinte de usufruir de beneficio, até 2,013, teria sido adquirido apenas em relação ao beneficio de isenção, preconizado no artigo 13 da Lei n"., 4,239/63, e não em relação ao beneficio de redução, previsto no artigo 14 do mesmo diploma legal, cuja única exigência seria o imprescindível reconhecimento do beneficio pelo Delegado da Receita Federal titular da jurisdição. 4 Processo n" 10670 001153/2004-77 SI-TE01 Acórdão o " 1801-00265 El 3 Consignou que o beneficio de redução do imposto e adicionais não restituiveis foi extinto a partir de 1° de janeiro de 2001 pelo artigo 2' da MP 2.058, de 2000, com exceção daqueles que viessem a ser considerados pelo Poder Executivo como prioritários para o desenvolvimento regional e que, no presente caso, somente em 1.3/02/2003 teria sido editado o Ato Declaratório Executivo DRF/MCR/MG n° 036, de 1.3.02.2003 que reconheceu o beneficio de redução de imposto à interessada. Logo, o Auto de Infração estaria correto, pois a interessada estaria sem cobertura do referido beneficio no período de 1 ° de janeiro de 2001 a 16 de julho de 2002 e, portanto, a multa isolada em face do não pagamento do IRPJ estimado incidente sobre as bases de cálculo seria devida, com a competente redução, para 50%, nos termos do artigo 14 da Lei n". 11.488, de 2007, combinado com o artigo 106, II do CTN, conforme demonstrativo ao final do voto (fl. 134). Cientificada, em 24/08/2007, do Acórdão da DRJ no Rio de Janeiro/R301 (conforme comprova o AR de E. 139), a contribuinte interpôs, em 24/09/2007, Recurso Voluntário em face deste Colegiado, no qual reitera todos os argumentos expendidos na impugnação, acrescentando que a multa isolada não poderia ser aplicada após o encerramento do ano-calendário, com a apuração e o recolhimento dos tributos devidos com base no balanço anual e entrega das respectivas declarações, conforme ilustraria a jurisprudência administrativa colacionada, pugnando, ao final, pelo cancelamento da autuação, ou, em suas palavras sucessivamente, se assim não for decidido, para se determinar a incidência sobre a diferença entre o imposto anual e o apurado por estimativa, se houver; procedendo-se à indispensável liquidação, para esta quantificação." É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento.. MÉRITO Cumpre, inicialmente, consignar que não tem amparo legal algum o procedimento adotado pela recorrente de não incluir, nas bases de cálculo das estimativas mensais, os valores dos mútuos pactuados com empresas do mesmo grupo, ao argumento de que tais operações estariam equiparadas às operações financeiras de renda fixa, pois assim teria ficado definido pelo artigo 70 da Lei ir 8.541, de 23 de dezembro de 1992. Não tem guarida tal entendimento. O Legislador Ordinário apenas e exclusivamente elegeu o mútuo como grandeza, como base de cálculo para incidência de IRRF. Não há, por esta razão, motivo para se equiparar o mútuo a uma aplicação financeira de renda fixa, para fins de determinar a base de cálculo do IRPJ que é tributo distinto do IRRF. É o que se verifica da leitura do capta mencionado do dispositivo legal: 5 Art. 70. As operações de mútuo e de compra vinculada à revenda, no mercado secundário, tendo por objeto ouro, ativo financeiro, continuam equiparadas às operações de renda ,fixa para fins de incidência do imposto de renda na fonte Nem se diga que houve interpretação equivocada da recorrente, pois o comando legal é claro, nele não se encontrando qualquer omissão, obscuridade ou lacuna que mereça ou necessite de interpretação que não seja a literal, Ademais, como bem ressaltou a autoridade julgadora de P Instância, há comando normativo expresso no sentido de que os valores auferidos em operações de mútuo entre empresas do mesmo grupo devem integrar a base de cálculo para incidência das estimativas mensais. IN SRF n", 93, de 24 de dezembro de 1997, art. 4": Art.C. Serão acrescidos à base de cálculo, no mês em que forem auferidos, os ganhos de capital, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na atividade, inclusive.. - os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, exceto se a mutuária for instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil,. Quanto ao IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos com operações de mútuo, sua dedução só é admitida quando forem adimplidas duas condições: (i) restar comprovada a sua efetiva retenção e recolhimento e, (ii) quando comprovado, também, que os rendimentos que deram origem à retenção foram oferecidos à tributação. O ônus dessa prova compete ao contribuinte que, in caszt, deixou de fazê-lo. No que toca ao gozo do beneficio de redução do imposto de se consignar que a recorrente pretende, uma vez mais, dar interpretação própria aos comandos legais que regem a matéria ao atribuir ao beneficio de redução de imposto, a que se refere o artigo 14 da Lei 4,2.39, de 1963, as mesmas peculiaridades atribuídas pelo Legislador ao beneficio de isenção de imposto, previsto no artigo 13 do mesmo diploma legal. Nesse contexto, cumpre trazer à colação tais dispositivos. Lei n", 4,239, de 27 de junho de 1963. Aprova o Plano Diretor do Desenvolvimento do Nordeste para os anos de 1963, 1964 e 1965, e dá outras providências. CAPITULO III Dos incentivos .fiscais Art. 13. Os empreendimentos industriais e agrícolas que se instalarem na área de atuação da SUDENE, até o exercício de 1968, inclusive, ficarão isentos de imposto de renda e adicionais não restituíveis, pelo prazo de 10 atlas, a contar da entrada em operação de cada empreendimento. 6 (/) Processo n° 10670001153/2004-77 SI-TE01 Acórdilo o ° 1801-00.265 F1 4 Art, 14. Até o exercício de 1973 inclusive, os empreendimentos industriais e agrícolas que estiverem operando na área de atuação da SUDENE à data da publicação desta lei, pacarão com a redução de 50% (cinqüenta por cento) o imposto de renda e adicionais não restituíveis. (destaques acrescidos) In casu, o que se está a analisar é o beneficio de redução do imposto a que se refere o artigo 14. Destaque-se que a competência para o reconhecimento do benefício de redução do imposto a que alude o artigo 14 acima transcrito cabe à Receita Federal, mediante a apresentação, pelo interessado, de documento fornecido pela SUDENE, no sentido de cumprir as exigências para o seu gozo, conforme disciplinou o art. 16 do mesmo diploma legal: Art. 16 A SUDENE, mediante as cautelas que instituir, .fornecerá, as empresas interessadas, declaração de que satisfazem as condições exigidas para o benefício da isenção a que se refere o artigo 13, ou da redução prevista no artigo 14, documento que instruirá o processo de reconhecimento pelo Diretor da Divisão do Imposto de Renda, do direito das empresas ao favor tributário. A Lei n° 5.508, de 11 de outubro de 1.968, em seu artigo 37, atribuiu competência à SUDENE para reconhecer apenas o beneficio de isenção do imposto de renda previsto no art. 13 da Lei n° 4,239, de 1963, permanecendo com a Secretaria da Receita Federal a competência para reconhecer o beneficio de redução do imposto de renda prevista no artigo 14. Art. 37. Os benefícios previstos no art. 13 da Lei n". 4.239, de 27 de junho de 1963, modificado pelo art. 34 desta Lei, uma vez reconhecidos pela SUDENE serão comunicados às Delegacias Regionais e Seccionais do Imposto de Renda para tomarem conhecimento da concessão. (destaques acrescidos) Disciplinando a matéria, o artigo 55.3 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), reeditando a norma inserida nos regulamentos anteriores, estabeleceu que o direito à redução do imposto de renda em relação ao empreendimento industrial ou agrícola que a pessoa jurídica mantiver em operação na área de atuação da SUDENE, será reconhecido pelo Delegado da Receita Federal, mediante requerimento da pessoa jurídica interessada, o qual deverá ser instruído com a mencionada declaração expedida pela SUDENE atestando que estariam satisfeitas as condições mínimas para o gozo do favor fiscal. Tratando-se, o beneficio em questão, de redução de imposto e não de isenção, fica afastada a argumentação da interessada de que teria o direito adquirido ao beneficio até o ano de 2.013, uma vez que o comando legal regulador não poderia ser modificado ou revogado por outra lei, nos termos do artigo 178 do CTN, ora reproduzido: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em .fienção de determinadas condições, pode ser revogada ou 7 modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso Hl do art. 104 Não havendo impedimento legal para modificação das regras para concessão, gozo e cálculo do beneficio de redução do imposto previsto no artigo 14 da Lei n'. 4.239, de 1963, a Lei n° 9.532/97, no artigo, 3 0, § 2°, incisos 1, II e III e § 3', determinou que os benefícios fiscais de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis de que trata o art. 14 da Lei n° 4239, de 1963, e alterações posteriores, passassem a ser calculados nos percentuais de 37,5% (de 01/01/1998 a 31/12/2003), 25% (de 01/01/2004 a 31/12/2008) e 12,5% (de 01/01/2009 a 31/12/2013), ficando extintos a partir de primeiro de janeiro de 2014.. Em nova modificação legislativa a Medida Provisória n°. 2058,. de 14/12/2000, posteriormente reeditada sob o n". 2.199, de 24 de agosto de 2001, determinou, no artigo 2", a extinção de tal beneficio a partir de 1' de janeiro de 2001, com exceção daqueles considerados pelo Poder Executivo como prioritários para o desenvolvimento da região: MP 2A99 de 24/08/2001 Art 2" Fica extinto, relativamente ao período de apuração iniciado a partir de 1" de janeiro de 2001, o benefício fiscal de redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituimis, de que trata o art. 14 da Lei 1V". 4.239, de 27 de junho de 1963, e o art. 22 do Decreto-Lei IV', 756, de 11 de agosto de 1969, exceto para aqueles empreendimentos dos setores da economia que venham a ser considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, e para os que têm sede na área de jurisdição da Zona Franca de Manaus. De se ressaltar que, de acordo com o artigo 2° da E.C. n'. 32/2001, as Medidas Provisórias que não foram convertidas em lei até a data de sua promulgação continuam em vigor até que o Congresso Nacional as converta em Lei ou as rejeite. 'Tendo em conta que o empreendimento da interessada não foi considerado prioritário para o desenvolvimento daquela região por qualquer ato do Poder Executivo o beneficio de redução de imposto de que gozava cessou em 31/12/2000, pela extinção do beneficio determinada pela MP 2.199, de 2001. A interessada somente veio a ter novamente reconhecido o direito ao beneficio de redução de imposto, pelo Ato Declaratório Executivo DRPMCR/MG ri° 36, em 13 de fevereiro de 2003, razão pela qual, no ano-calendário 2002, não fazia jus à redução do imposto. Como último argumento a defesa afirma não ser cabível a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do ano- calendário, depois de apurado e recolhido o tributo devido, colacionando jurisprudência administrativa deste Órgão Colegiado para ilustrar sua tese. Entretanto, esta Relatora considera que a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas é devida em qualquer caso. A exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que abandona a regra geral de tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias - dever instrumental, Tal penalidade não se confunde com a multa aplicável sobre o montante devido de imposto ou contribuição apurado ao final do período de apuração, pois esta última visa punir a absoluta falta de pagamento de tributo, obrigação a Processo n" 10670 001153/2004-77 S1-TE01 Acórdão o.° 1801-00.265 FI 5 principal, Corno se verifica as hipóteses de incidência são distintas, o que torna os ilícitos distintos e inconfundíveis Ambas as penalidades - a multa exigível no caso de falta de pagamento sobre o IRPJ apurado e devido ao final do período de apuração e a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas - são aplicáveis por se tratarem, ambas as situações, de infrações diversas, com hipóteses de incidência distintas: (i) no caso da multa de oficio exigida juntamente com o tributo ou a contribuição não pagos, o fato ilícito que sustenta a imputação é a falta de pagamento e a falta de declaração ou declaração inexata do tributo ou contribuição devidos ao final do período de apuração anual; (ii) no que diz respeito à multa isolada, a ilicitude decorre da falta de recolhimento das estimativas mensalmente devidas no curso do ano-calendário. Extraio tal entendimento da própria Lei 9.430/96, cujo artigo 44, base legal do artigo 957 do RIR199 transcrevo, em sua redação original: Lei n". 9.430, de 26 de dezembro de 1996: Redação Original Art. 44. Nos casos de lançamento de alicio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; "§ I" As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. .2", que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo .fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente; A Lei n". 11.488, de 15 de junho de 2007 deu nova redação ao artigo 44 acima transcrito: Redação Modificada Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas. 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 9 II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: b) na . fbrina do art. 2" desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. No que importa à presente análise a nova redação dada ao dispositivo legal promoveu sutil alteração apartando as infrações distintas em incisos distintos e alterando, apenas, o valor da multa isolada, originariamente exigida na alíquota de 75%, reduzindo-a para 50%, o que foi observado pela autoridade julgadora "a quo" que, em respeito ao princípio da retroatividade benigna consagrado no artigo 106 do CTN, exonerou a diferença do crédito tributário exigido com base na alíquota anterior., Mas o conteúdo jurídico, propriamente dito, do dispositivo legal não foi alterado. Nesse contexto o conteúdo jurídico, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever — não observado - de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação - lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato — multa isolada. Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a Lei prevê a multa de oficio (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Entretanto, pode ocorrer de um mesmo contribuinte incidir nos dois tipos. Deixar de recolher as antecipações obrigatórias, sujeitando-se à penalidade da multa isolada, e, conjuntamente, deixar de recolher o imposto apurado ao final do ano-calendário, sujeitando-se ao recolhimento deste imposto acrescido da multa de oficio de 75%. Há, inclusive, ,jurisprudência administrativa a referendar o entendimento aqui adotado: RECURSOS DE OFÍCIO - IRPJ — ESTIMATIVAS — Cabível o lançamento de multa de oficio isolada na falta de recolhimento de estimativas, quando o lançamento se dá depois de encerrado o ano-calendário correspondente [Acórdão 101-96176 - PRIMEIRA CAMA.RA - Data da Sessão: 24/05/2007 - Relator: Caio Marcos Cândido] CSLL MULTA ISOLADA EXIGIDAS, CONCOMITANTEMENTE, NO LANÇAMENTO — Por se tratar de hipóteses legais distintas, são cabíveis, no lançamento de oficio, a aplicação de multa exigida isoladamente, por falta de recolhimento dos valores devidos por estimativa, bem como as que se exigem juntamente com o imposto ou contribuição que forem apurados no procedimento fiscal. (Inciso II parágrafo 1",do artigo 44 da Lei 9430) Contudo, nos termos da alínea c, do 10 Processo n 0 10670 001153/2004-77 SI-TE01 Acórdão n° 1801-00.265 Fl 6 inciso II do artigo 106 do CTN deverá ser aplicado o coeficiente de 50%, veiculado no artigo 18 da MP303/2006 [Acórdão 108- 08962 - OITAVA Cá/IARA - Data da Sessão: 17/08/2006 - Relator Ivete Malaquias Pessoa Monteiro]. MULTA DE OFICIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas [Acórdão 101-96049 - PRIMEIRA CÂMARA - Data da Sessão - 28/03/2007 - Relatar.- Caio Marcos Cândido]. Procedente, portanto, in casu, a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. , l\z 1,9 _ yyv MARIA DE ( Lái,IRDE' S RiAMIREZ - Relatoraà, Declaração de Voto Conselheiro André Almeida Blanco. Pedi vista dos autos em mesa, com apoio no art, 58, IV, parágrafos 3' e 4° do Regimento Interno do CARF, para melhor analisar a procedência da aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de De se analisar se "a aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo sendo passível de ser exigida em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever — não observado - de recolher antecipações, mediante estimativas". Me parece que não. Explico. Havendo tributo a ser pago, a multa isolada deve se limitar ao valor da provisão do tributo. A presente regra tem razão de ser no fato de que o lançamento deverá ser feito com base e limite no tributo apurado em balanço, já que encerrado o ano calendário sem que o fisco tenha lançado a multa isolada; a estimativa existe para substituir o imposto, durante o ano-calendário, quando ainda não se conhece o seu valor. O mesmo tratamento se reserva à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. II Assim, encerrado o ano calendário sem que o fisco tenha lançado a multa prejuízo ou resultado nulo, descabe o lançamento da multa isolada com baseisolada havendo em estimativa. SUPERIOR DE do Processo no, relativo ao 1RPJ Nesse sentido o Acórdão no, 9101-00,167 da 1" Turma da CÂMARA RECURSOS FISCAIS, proferido em sessão de 15 de junho de 2009, nos autos 10140.000532/2003-57 (Recurso Especial do Procurador no. 103-138.442), E OUTRO - MULTA ISOLADA. Do aresta destaco seu fundamento relativamente à esta matéria e reproduzo ia verbis: "Além disso, a CSLL no ano-calendário de 1999, Exercício de 2000, é descabida porque a empresa apurou crédito de CSLL no período, estando correto o entendimento do relato, do aresta ocorrido a respeito. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição apurada no encerramento do ano-calendário, e não sobre o valor calculado em base estimada no curso do ano- calendário de correspondência, de sorte que é insubsistente a aplicação da referida multa diante da falta de estimativa se a contribuinte recolhe, ao longo do ano, valor igual ou superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Não tenho dúvida de que, no curso do ano-calendário, a multa é calculada por estimativa com base na receita bruta que, aí, é a sua base de cálculo Todavia, encerrado o período base, levantado o balanço e apurado o lucro líquido do período, feita a provisão do imposto, emerge sobranceiro o conceito de tributo referido no art. 44 da Lei n° 9.430/96 que deve prevalecer como limite para a base de cálculo da multa isolada, Ou seja, a multa isolada não poderá exceder esse valor. Com efeito, o art. 44 da Lei n° 9.430/96 estabelece que a multa de oficio incide sobre o valor do tributo ou diferença de tributo. Enquanto não determinado esse valor, a multa por falta de recolhimento de estimativa, sem levantamento de balanço de suspensão, é calculada por estimativa, com base na receita bruta. Encerrado o ano calendário sem que o fisco tenha lançado a multa isolada, e, se o balanço do exercício apontar. prejuízo ou resultado nulo, descabe o lançamento da multa isolada com base em estimativa. Havendo tributo a ser pago, a multa isolada limitar-se-á ao valor da provisão do tributo. E isto porque o lançamento terá de ser feito com base e limite no tributo apurado em balanço, não mais por estimativa, já que ela existe para substituir' o imposto, durante o ano-calendário, quando ainda não se conhece o seu valor. O mesmo tratamento se reserva à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Este o entendimento contido no Acórdão CSRF/01-05.201, de 14/0.3/2005, no julgamento do Recurso 108-132.915." 12 ANDRÉ ALMEI Processo o 10670.001153/2004-77 81-TE01 Acórdão n' 1801-00,265 Fl 7 Do resultado deste recente julgado da I" Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e de outra parte do voto condutor dessume-se que esta é a posição assentada no âmbito do CARF, consolidando a melhor jurisprudência desta casa. Senão vejamos: "Por outro lado, é verdade que o Conselho de Contribuintes, inicialmente, teve interpretações divergentes em suas Câmaras sobre algumas hipóteses de incidência da multa isolada, até que, no julgamento do Recurso 108-130 096, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF 01-04.915, de 12/04/2004, em voto condutor do ilustre Conselheiro José Clóvis .Alves, pacificou diversas situações ali tratadas Posteriormente, outros julgados desta Turma consolidaram o entendimento então adotado. Aperfeiçoando ainda mais essa unificação de jurisprudência outros acórdãos do Colegiada, como, v g, o Acórdão n° CSRF/01-05. 65.2, de 27/03/2007, do ilustre Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, quando do julgamento do Recurso n° 1 08-133.750. No "leading case", o relatar, com recurso aos princípios da razoabilidade, do fino consumado (lucro real anuaí), da proporcionalidade e com vista ao disposto no art. 112 do Código Ti -1 Nacional (CTN), em minuciosa motivação, interpretou o inciso IV do § 1°, do art. 44 da Lei n° 9.4.30/96 subordinando-o ao disposto no "capta" do dispositivo, e examinando diversas situações fática.s com apresentação de soluções para cada hipótese levantada." Com base nestas razões e com apoio na jurisprudência do CARF apontada, tomo a liberdade de divergir da Ilustre Relatora MARIA DE LOURDES RAMIREZ, com a devida vênia, e voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, 13
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Numero do processo: 13971.720198/2008-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-005.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Recorrente INDUMA S/A INDÚSTRIA DE PAPEL E PAPELÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 98 /2 00 8- 71 Fl. 207DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2005, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Carioca I, localizado no Município de TaióSC. Conforme descrição dos fatos (efl. 03) a autuação foi assim resumida pelo órgão fiscal: Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: GLOSA DA AREA DECLARADA COMO DE RESERVA LEGAL MAS CUJA AVERBAÇÃO NA MATRICULA DO IMÓVEL NÃO FOI COMPROVADA, SENDO MANTIDO O VALOR DE 88,0 HECTARES CONSTANTE DA CERTIDÃO DO REGISTRO DE IMÓVEIS DDE(sic) TAIÓ/SC, REFERENTE LIVRO 3B, FOLHA 239, REGISTRO N ° 2405. Exercício ARL Declarado ARL Apurado Averbação ADA 2005 287,9ha 88ha 02/06/1987 (apenas dos 88ha) efls. 29/30 2008 (apenas dos 88ha) efls. 33 Irresignado com a autuação o Contribuinte apresentou Impugnação (efls. 38/59), que foi julgada improcedente conforme o acórdão n° 0420.969, proferido pela DRJ em 02/07/2010, possuindo a seguinte ementa (efls. 75/83): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 RESERVA LEGAL. REQUISITOS. AVERBAÇÃO Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 88/107). Em sessão plenária de 03/12/2014, foi julgado o recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102003.211 (efls. 123/131), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13971.720198/200871 Acórdão n.º 9202005.418 CSRFT2 Fl. 207 3 Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS MORATÓRIOS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Recurso Voluntário Negado Cientificada do acórdão em 04/02/2015 (efls. 137), o Contribuinte interpôs, no dia 13/02/2015, o Recurso Especial de efls. 139/145, com fundamento no artigo 64, II c/c artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, visando rediscutir o restabelecimento da ARL – Área de Reserva Legal declarado, alegando contrariedade à lei nº 9.636, de 1996 e ao art. 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 1965 (com redação dada pela Lei n° 7.803/89). Em exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial, conforme o Despacho s/n, de 30/09/2015 (efls. 173/175). O paradigma indicado pela Contribuinte possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, Fl. 209DF CARF MF 4 estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Recurso especial negado. O contribuinte peticionou reiterando os fundamentos já apresentados em sede do Recurso Especial (efls. 177/179). A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões sustentando inicialmente que o Recurso Especial do Contribuinte não merece ser acolhido, pois “não há divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma no tocante à possibilidade de exclusão da glosa da área de reserva legal”. Utilizase das seguintes palavras para defender a inadmissibilidade do recurso: Ocorre que o acórdão recorrido fundamentou a manutenção da glosa parcial na ausência de averbação da área de 368,7ha na matrícula do imóvel. O voto condutor acrescentou que, na situação fática em análise, o ADA e o laudo juntados aos autos também apontavam a referida área de reserva legal de 88ha. Por sua vez, o apontado acórdão paradigma não trata da ausência de averbação e prova da área de reserva legal, mas da averbação realizada a destempo, mais especificamente, entre o fato gerador e o início da ação fiscal. Tratamse de situações fáticas distintas e, portanto, as decisões proferidas nos respectivos autos não têm o condão de formar paradigma apto à interposição de recurso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Neste contexto, o Recurso Especial da contribuinte mostrase MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL, razão pela qual a União (Fazenda Nacional) requer a negativa parcial de seguimento do recurso interposto. A Fazenda Nacional, caso não seja acolhido o pedido de inadmissibilidade, alega ainda que “a Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada “a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área” (Art. 16 § 2°)” considerando, portanto, a averbação da ARL à margem da matricula do imóvel de caráter constitutivo. (efls. 189/198). Ao final, a Fazenda Nacional pede seja inadmitido o Recurso do Contribuinte, ou caso entendase pelo conhecimento, seja negado provimento ao Recurso Especial, mantendose o inteiro teor da decisão recorrida. O Contribuinte, às efls. 201/205, apresenta petição na qual apresenta argumentação de que ocorreu prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, razão pela qual pede o reconhecimento da extinção do crédito fiscal em discussão. É o relatório. Voto Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13971.720198/200871 Acórdão n.º 9202005.418 CSRFT2 Fl. 208 5 Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial do Contribuinte, contra decisão por maioria dos votos proferida em 03/12/2014, foi interposto na modalidade de divergência jurisprudencial previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Conhecimento do Recurso Em pese ser o recurso ser tempestivo, fazse necessário analisar outro requisito, qual seja o da divergência jurisprudencial, questão suscitada pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões. Analisando os argumentos apresentados pelo Fisco quanto a inexistência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas, entendo que razão lhe assiste. A inexistência de divergência jurisprudencial mostrase na medida em que as situações fáticas do presente caso e do caso do acórdão paradigma são distintas. O acórdão paradigma traz a situação em que a ARL foi desconsiderada pela fiscalização pois a averbação se deu em data posterior ao fato gerador. No presente caso a ARL foi desconsiderada pois não há averbação, bem como não a ADA do quantum declarado pelo contribuinte. Portanto, caso a jurisprudência indicada pelo Contribuinte como paradigma fosse aplicada ao presente processo o Contribuinte não teria benefícios, pois segundo o posicionamento contido no acórdão paradigma a averbação deve ser considera ainda que intempestiva, contudo, na presente situação não há que se falar em intempestividade, afinal não há averbação da ARL declarada. Para que se pudesse conhecer do recurso neste ponto, deveria ter sido indicado como paradigma um acórdão onde o relator também tivesse analisado a possibilidade de isenção de ARL mesmo sem averbação à margem da inscrição do imóvel ou ADA. Importante relembrar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face de incidências tributárias da mesma espécie. Não estou aqui adentrando ao mérito de estar ou não correto o entendimento descrito no acórdão recorrido, mas que as situações diversas impendem que se avance no conhecimento da questão por parte desta CSRF. Face o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte pela ausência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 211DF CARF MF 6 Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722910/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
NÃO-CUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS.
A falta de apresentação de documentação comprobatória dos custos sobre os quais foram apropriados créditos de COFINS, na sistemática da não-cumulatividade, enseja a glosa desses créditos.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para apreciar a alegação de que a multa de ofício teria natureza confiscatória. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
PIS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplica-se a mesma solução dada à COFINS, em razão dos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1301-002.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
(Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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GLOSA DE CRÉDITOS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. A falta de apresentação de documentação comprobatória dos custos sobre os quais foram apropriados créditos de COFINS, na sistemática da não cumulatividade, enseja a glosa desses créditos. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para apreciar a alegação de que a multa de ofício teria natureza confiscatória. Aplicação da Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 PIS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase a mesma solução dada à COFINS, em razão dos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 10 /2 01 3- 06 Fl. 843DF CARF MF 2 Milene de Araújo Macedo Relatora (Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário, interposto contra o Acórdão nº 1660.946 6ª Turma da DRJ/SPO, que considerou improcedente a impugnação da contribuinte para manter os autos de infração relativos à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, no montante de R$ 185.834,31 e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no montante total de R$ 855.964,13, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2009. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento, para os períodos de apuração janeiro/2009 a dezembro/2009, da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 507/529), no montante total de R$ 402.928,87 e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 485/506), no montante total de R$ 1.855.914,88. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 441/484), o auditor fiscal fundamenta a lavratura dos autos de infração nos seguintes termos: A fiscalizada foi Intimada e Reintimada em 19/08/2013 e 30/10/2013, respectivamentes, a comprovar com documentações hábeis e consistentes os valores que embasaram os registros contábeis no grupo Custo/Despesas, apresentando somente uma pequena parte que serão anexados aos autos. Para todos os valores evidenciados abaixo não houve apresentação de nenhum documental, alegando dificuldades em localizálos. Em razão estaremos constituindo o Crédito Tributário com a lavratura do Auto de Infração com os respectivos reflexos. [segue planilha com os lançamentos contábeis discriminados com número de conta, data, histórico e valor] Cientificada dos autos de infração em 06/12/2013, a contribuinte apresentou impugnação em 06/01/2014 (fls. 533/543), na qual alega que: • o auto de infração foi entregue sem sequer a numeração que lhe é característica. É provável, como sugere a praxe, que haja numeração específica para o auto de infração, bem como um processo Comprot igualmente numerado em que sejam agrupados os documentos pertinentes. Todavia, tais informações não constam de nenhum documento entregue à contribuinte, o que demonstra a desídia e incúria com as quais o auditor fiscal tratou o presente caso. Além disso, é de se notar a confusa redação dada ao Termo de Verificação Fiscal, com contas desordenadas e que tornam difícil o Fl. 844DF CARF MF Processo nº 19515.722910/201306 Acórdão n.º 1301002.543 S1C3T1 Fl. 844 3 entendimento dos métodos utilizados para se chegar ao valor considerado como tributável pelo auditor fiscal. Não obstante, apesar do questionável cerceamento de defesa imposto à impugnante, visando cumprir com seus deveres de lealdade processual e boafé objetiva, não se furtará a impugnar, ponto a ponto, os injustos motivos apresentados quando da lavratura do auto de infração; • o fundamento do lançamento de ofício seria a inexistência de documentação hábil e idônea a comprovar as despesas e custos escriturados. Para o autuante, a apresentação de notas fiscais não basta à efetiva comprovação da existência de despesas e custos. Sua argumentação assentase, basicamente, na premissa de não ser suficiente a apresentação das notas fiscais, devendo ser trazidos à baila mais documentos que comprovem a efetiva prestação dos serviços ou aquisição dos produtos. Tal requisito é absurdo e não deve condizer com a atuação da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A nota fiscal é documento idôneo e hábil a comprovar a realização de serviço; • a escrituração contábil, que se destina ao registro ordenado dos fatos administrativos da empresa, é lastreada em documentação hábil e idônea que comprova, de forma irretorquível, os fatos registrados; • seria completamente desarrazoado requerer que a empresa, a fim de poder deduzir seus custos e despesas, realizasse contratos formais de toda sorte nas suas relações; • o auditor fiscal simplesmente resolveu desconsiderar as notas fiscais apresentadas em uma inaceitável presunção de inidoneidade dos documentos, o que não se admite. A menos que houvesse algum indício de não prestação do serviço ou de não aquisição do insumo é que tal procedimento poderia subsistir. Do contrário, as notas fiscais apresentadas são suficientes para comprovar a realização do serviço ou entrega do insumo adquirido; • a Constituição Federal, em seu art. 150, inciso IV, prevê o princípio da vedação ao confisco tributário, segundo o qual tributos e multas tributárias não podem ter o efeito de confiscar a propriedade privada dos contribuintes. Citase jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; • a documentação necessária à discussão do assunto contido nestes autos foi providenciada pela contribuinte durante o procedimento de fiscalização levado a efeito pelo auditor fiscal. Assim, de acordo com o art. 37 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, a impugnante espera e requer seja aproveitada pela autoridade julgadora toda a documentação apresentada durante o procedimento de fiscalização ao auditor fiscal. Ao final da impugnação, há o requerimento para que todas as intimações decorrentes deste processo sejam feitas em nome de Pedro Guilherme Gonçalves de Souza (OAB/SP 246.785), sob pena de nulidade." No julgamento realizado em 28 de agosto de 2014, a 6ª Turma da DRJ/SPO julgou parcialmente procedente a impugnação, por meio do acórdão nº 1660.946, assim ementado: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PROVA. Fl. 845DF CARF MF 4 Não tendo sido apresentados documentos que comprovem a ocorrência das despesas registradas na escrituração, revelase indevido o aproveitamento de créditos delas decorrentes na apuração da Cofins segundo a modalidade não cumulativa. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PROVA. Não tendo sido apresentados documentos que comprovem a ocorrência das despesas registradas na escrituração, revelase indevido o aproveitamento de créditos delas decorrentes na apuração do PIS/Pasep segundo a modalidade não cumulativa. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Devidamente cientificado em 28/02/2015 (fls. 753), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 24/02/2015 (fls. 756) , o recurso voluntário de fls. 757 a 763, argumentando, em síntese os itens a seguir relacionados, os quais serão melhor detalhados por ocasião do voto: Tece considerações acerca da sistemática da nãocumulatividade prevista nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03; Alega ter a decisão recorrida fundamentadose na insuficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovação das despesas e dos custos das quais tomou créditos para a COFINS e PIS. De acordo com o relator as notas fiscais seriam insuficientes para comprovação das despesas devendo ser trazidos mais documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços e aquisição dos produtos; Afirma ser absurda a exigência da fiscalização de que a contribuinte, a fim de poder deduzir seus custos e despesas, realizasse contratos formais de toda sorte em suas relações empresariais. Acrescenta que a nota fiscal é documento hábil e idôneo à comprovação da prestação dos serviços e aquisição dos produtos e, a menos que houvesse qualquer indício de não prestação de serviço ou aquisição dos produtos é que tal exigência poderia subsistir; Alega que a multa no percentual de 75% viola o princípio da vedação ao confisco tributário. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo Fl. 846DF CARF MF Processo nº 19515.722910/201306 Acórdão n.º 1301002.543 S1C3T1 Fl. 845 5 O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. DO MÉRITO Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 441 a 484) que apesar das intimações da fiscalização em 19/08/2013 e 30/10/2013, a recorrente não apresentou nenhum documento comprobatório dos valores registrados no grupo Custo/Despesas transcritos no referido termo. Por este motivo foi efetuada a constituição do crédito tributário decorrente das glosas dos créditos de COFINS e PIS apropriados sobre os custos não comprovados. Veja o que consta do Termo de Verificação Fiscal: A fiscalizada foi Intimada e Reintimada em 19/08/2013 e 30/10/2013, respectivamentes, a comprovar com documentações hábeis e consistentes os valores que embasaram os registros contábeis no grupo Custo/Despesas, apresentando somente uma pequena parte que serão anexados aos autos. Para todos os valores evidenciados abaixo não houve apresentação de nenhum documental, alegando dificuldades em localizálos. Em razão estaremos constituindo o Crédito Tributário com a lavratura do Auto de Infração com os respectivos reflexos. No recurso voluntário apresentado alega a recorrente que a decisão recorrida teria aceitado como insuficiente a apresentação das notas fiscais que embasariam a escrituração contábil, desconsiderando esses documentos entregues durante a fiscalização. Acrescenta ser absurda a exigência da fiscalização de que a dedução de custos e despesas estaria condicionada à realização de contratos formais de toda sorte em suas relações empresariais, e afirma que a nota fiscal é documento hábil e idôneo à comprovação da prestação de serviços e aquisição de produtos Diversamente do alegado pela recorrente, a decisão recorrida manteve o lançamento em virtude da falta de apresentação de documentação comprobatória dos custos sobre os quais foram apropriados créditos de COFINS e PIS e não sob a fundamentação de que as notas fiscais apresentadas seriam insuficientes para comprovação dos custos. Veja o que consta do acórdão recorrido: "Pela leitura desse trecho do Termo de Verificação Fiscal, vêse que o motivo da lavratura dos autos de infração é, como acima dito, muito simples e de fácil compreensão, ou seja, tãosomente o fato de que a contribuinte, mesmo intimada especificamente para isso, não apresentou os documentos que embasariam os registros contábeis. Se, como ela afirma, sua escrituração é lastreada em documentação hábil e idônea que comprovaria os fatos registrados, deveria então têlos apresentados à fiscalização. Vale dizer que nem mesmo junto com a impugnação ela trouxe aos autos tais documentos. Ela afirma que teria providenciado a entrega desses documentos durante o procedimento de fiscalização, o que não faz sentido, já que o motivo da lavratura do auto de infração é justamente a não entrega desses documentos. Além disso ela não trouxe aos autos nenhum comprovante de que tenha de fato apresentado esses documentos, ao contrário do que preceitua o art. 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 847DF CARF MF 6 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (destaque acrescido) É certo que a contribuinte apresentou alguns documentos durante a fiscalização, o que é dito pelo próprio autuante no Termo de Verificação Fiscal: apresentando somente uma pequena parte que serão anexados aos autos. A análise desses documentos apresentados gerou outros lançamentos de ofício, objeto do processo administrativo n° 19515.722908/201329, cujo Termo de Verificação Fiscal foi anexado aos autos por este julgador às fls. 689/728. Entretanto, os autos de infração objeto deste processo administrativo, ratifiquese, têm apenas como motivo a não apresentação de documentos." Dessa forma, considerando que não constam dos autos documentos comprobatórios dos custos sobre os quais foram apropriados créditos de COFINS e PIS, não merece reparos o acórdão recorrido que considerou procedente o lançamento efetuado pela fiscalização. Relativamente às alegações de que a multa de ofício teria natureza confiscatória, sua aplicação decorre de expressa disposição legal contida no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Referida matéria não pode ser objeto de análise por este Colegiado, em cumprimento à Súmula CARF nº 2 , de observância obrigatória pelos membros do CARF nos termos do art. 72, do Anexo II, do RICARF: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 848DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.903811/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.008
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado no Pedido de Restituição já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do presente pleito. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte protestou por não ter sido intimado para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito e requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 03 81 1/ 20 11 -9 1 Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10530.903811/201191 Resolução nº 3201001.008 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse, a partir do confronto das informações declaradas e prestadas pelo contribuinte, na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando o seguinte: a) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, sendo descabida a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário; b) o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material, encontrandose a contabilidade lastreada em documentação idônea; c) o valor informado no campo "Receita da Revenda de Mercadorias" da Ficha 06A "Demonstração do Resultado" da DIPJ está considerando o valor da faturamento com vendas de veículos usados, ao passo que o valor informado no campo "Faturamento/Receita Bruta" das Fichas que demonstram o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS considera somente o valor do lucro na venda de veículos usados, conforme determina o art. 5° da Lei nº 9.716/1998, fato esse que se comprova pela planilha de cálculo juntada ao recurso, a qual esclarece a apuração da contribuição, bem como o valor do crédito devido; d) o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/1998, em sede de repercussão geral, devendose observar o teor do art. 26A do Decreto 70.235/72 e o art. 62A do RICARF; e) a Lei nº 11.941/2009 revogou o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/1998. Ao final, pugna o Recorrente pelo provimento do recurso voluntário para que seja reconhecido o seu direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei 9718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.004, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 10530.903807/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.004): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10530.903811/201191 Resolução nº 3201001.008 S3C2T1 Fl. 4 3 "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. Inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e do aumento deste de 2% para 3%, instituídos pela Lei 9.718/98. Acolhimento do resultado da diligência e reconhecimento da atualização dos valores com fundamento no artigo 39, § 4° da Lei 9.430/96 (Taxa Selic). Aplicação desde a data da protocolização do pedido." (Processo 13839.001097/200580; Acórdão 3401003.778; Relator Conselheiro ANDRÉ HENRIQUE LEMOS, Sessão de 23/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10530.903811/201191 Resolução nº 3201001.008 S3C2T1 Fl. 5 4 Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10530.903811/201191 Resolução nº 3201001.008 S3C2T1 Fl. 6 5 Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801 000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10530.903811/201191 Resolução nº 3201001.008 S3C2T1 Fl. 7 6 Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, Balancete e livro Razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, consignando os resultados apurados em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.004526/2001-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Devem ser acolhidos os embargos inominados para correção de lapso manifesto, mediante a prolação de um novo acórdão, nos termos do artigo 66 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
Embargos Acolhidos.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos inominados opostos pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional no corpo do recurso especial interposto às e-fls. 598, para retificar a ementa do Acórdão nº 3302-00.090.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Devem ser acolhidos os embargos inominados para correção de lapso manifesto, mediante a prolação de um novo acórdão, nos termos do artigo 66 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Embargos Acolhidos. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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LAPSO MANIFESTO. Devem ser acolhidos os embargos inominados para correção de lapso manifesto, mediante a prolação de um novo acórdão, nos termos do artigo 66 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Embargos Acolhidos. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos inominados opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no corpo do recurso especial interposto às efls. 598, para retificar a ementa do Acórdão nº 330200.090. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 45 26 /2 00 1- 81 Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10860.004526/200181 Acórdão n.º 3302004.730 S3C3T2 Fl. 709 2 Trata o presente de retificação de lapso manifesto ocorrido no Acórdão nº xx, alegado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em razões de recurso especial de efls. 594 em diante, nos seguintes termos: DA CONTRADIÇÃO DA EMENTA COM 0 DISPOSITIVO Ressaltase, também, que a ementa do acórdão recorrido é contraditória em relação ao dispositivo e seus fundamentos. Isso por que a ementa menciona discussão quanto ao ônus da prova no processo administrativo fiscal e as conseqüências para a falta de atendimento A intimação do Fisco, ao passo que os fundamentos e dispositivo do acórdão dizem respeito A inclusão da variação cambial na receita de exportação. Na análise da admissibilidade do recurso especial, despacho de efls. 631/632, entendeuse que a contradição apontada representava lapso manifesto, encaminhado para ser corrigido pelo Presidente da Turma, de acordo com artigo 66 do anterior Regimento Interno, Portaria MF nº 256/2009. Com a alteração ocorrida no novo Regimento Interno RICARF Portaria MF nº 343/2015, em seu artigo 66, determinouse novo sorteio para correção do lapso manifesto mediante a prolação de novo acórdão, conforme despacho de efls. 706/707. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O objetivo deste novo acórdão é de apenas corrigir a ementa do Acórdão nº 330200.090, de efls. 581/585, que versou sobre glosas de créditos presumidos de IPI de que a Lei nº 9.363/1996 relativas a não consideração da receita de variação cambial como receita de exportação e de produtos não considerados como insumos para a legislação do IPI. Transcreve se ementa, relatório e voto do Acórdão nº 330200.090: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual .da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários apreciação de pedido formulado, o não atendimento Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10860.004526/200181 Acórdão n.º 3302004.730 S3C3T2 Fl. 710 3 no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Solicitação Indeferida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 2' turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar como receita de exportação a diferença relativa ao câmbio entre a data da emissão da nota e a data do embarque. Relatório Por bem descrever a controvérsia, passo a transcrever o relatório constante da decisão ora recorrida: "Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Taubaté que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363 de 1996, e a Portaria MF n° 38/97, no valor de R$ 79.063,07, e do saldo credor de IPI de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, no montante de R$ 70.936,93. Apresentou, também, pedidos de compensação de tributos. Ambos os pedidos foram deferidos parcialmente em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, e no saldo credor apurado no livro de apuração do imposto, tendo sido reconhecido o direito creditório de R$ 70.051,47, quanto ao crédito presumido e de R$ R$ 70.350,53, quando ao saldo credor do imposto, glosas de R$ 9.011,60 e R$ 586,40 respectivamente. Com base no Termo de Contestação Fiscal de fls. 123/143 as glosas foram efetuadas pelos motivos que, em resumo, passo a relatar: CRÉDITO PRESUMIDO Receita de Exportação — Variação Cambial: A empresa incluiu no cálculo da receita de exportação valores de notas fiscais decorrentes de variação cambial, que devem ser consideradas como receitas financeiras; Glosa de insumos não admitidos pela legislação do IPI: A empresa incluiu no montante dos insumos utilizados no cálculo do crédito presumido itens que não são matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, tais como: STABREX ST40 (utilizado no tratamento das Aguas das torres de resfriamento' para inibição do aparecimento de incrustações internas); TRASAR 20230 (utilizado no tratamento das Aguas das torres de resfriamento para inibição do aparecimento de Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10860.004526/200181 Acórdão n.º 3302004.730 S3C3T2 Fl. 711 4 incrustações internas); Gás Carbônico (agente propulsor de injetoras utilizado na movimentação de coque para não entupir a injetora); Argônio (utilizado para misturar o aço na panela e proteger o aço da oxidação atmosférica); THERMOLENE Gás (combustível utilizado no processo de corte de.lingotes e barras de aço); Oxigênio Liquido (utilizado no processo de corte e para baixar o teor de carbono do aço, limpar o aço na panela e na válvula gaveta); Querosene (combustível que inicia o aquecimento da rede de alimentação dos fomos de aquecimento de matériaprima); óleo Combustível 2A, 3A (utilizado no sistema de aquecimento de blocos para o processo de forjamento de rodas); Aditivo para óleo Pesado (utilizado para baixar a viscosidade do óleo BPF e para não causar entupimento das tubulações e partes internas dos queimadores); Gás Liquefeito de PetróleoGLP (combustível utilizado como fonte térmica); Pistola mod. 5 c/bico (ferramenta utilizada no processo de inspeção durante a identificação de dimensão e tipo de roda ferroviária); SALDO CREDOR Glosa de insumos não admitidos pela legislação do IPI: 0 estabelecimento da empresa efetuou o crédito do IPI proveniente de aquisições que não se referem A matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, tais como: TRASAR (solução para tratamento de água de refrigeração de máquinas e equipamentos , que circula nas tubulações do sistema de resfriamento) e Aditivo para Oleo (utilizado para baixar a viscosidade do óleo BPF e para não causar entupimento das tubulações e partes internas dos queimadores). Em razão do deferimento parcial dos ressarcimentos, a autoridade da Delegacia da Receita Federal homologou parcialmente as compensações, até o valor do crédito deferido, remanescendo o saldo devedor de R$ 7.223,92 e R$ 2.374,08 (fls 152 e 153). Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, em resumo, o que segue: Variação Cambial Segundo a Constituição Federal (artigo 153,11), o Imposto de Exportação tem como fato gerador a saída de produto nacional ou nacionalizado do território nacional e sendo assim não se pode dizer que a exportação se configura com a simples saída dos produtos do estabelecimento industrial para exportação. Assim, alegar que é a emissão da NF, em moeda nacional, que acoberta a saída dos produtos do estabelecimento industrial para a exportação, desconfigura a exportação e altera a regra matriz deste imposto. Este entendimento está, inclusive, pacificado no E. Conselho de Contribuintes. Glosa de Insumos Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10860.004526/200181 Acórdão n.º 3302004.730 S3C3T2 Fl. 712 5 Para a industrialização dos produtos que a requerente fabrica (rodas ferroviárias, eixos ferroviários, rodas para pontes rolantes, lingotes e roldanas) é indispensável aquisição das mercadorias glosadas, vez que tais mercadorias são destinadas exclusivamente A sua finalidade industrial, até porque se assim não fosse, não teria sentido tais aquisições. Tais insumos participam fisicamente do processo produtivo, consumindose ou desgastandose sem os quais o produto final não seria elaborado; 0 direito a estes créditos é de longa data reconhecido não s6 pelo Judiciário, como também pela própria Administração Fazendária; 0 artigo 6° da IN 69 de 06/08/2001 prescreve que os combustíveis adquiridos no mercado interno fazem parte do cálculo do crédito presumido de 1PI. Referida IN é Ato Normativo, com efeito "erga omnes" e, neste sentido, é legislação tributária a qual impõe ao fisco a obrigação de absterse de glosar os créditos em análise (óleos, GLP, gás, lubrificantes, querosene), com decorrência do disposto no parágrafo único do artigo 100 do CTN;" Acórdão de n° 14 18.279 da DRJ de Ribeirao Preto negou provimento pretensão da recorrente em sessão de 27 de fevereiro de 2008, e prolatou a ementa ora transcrita: Assunto; Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. 0 valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COMPRAS. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de calculo do incentivo fiscal. SALDO CREDOR DE IPI. INSUMOS. Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas, produtos intermediários "strictosensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens/produtos desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de contato fisico. É o Relatório. Voto Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10860.004526/200181 Acórdão n.º 3302004.730 S3C3T2 Fl. 713 6 Conselheiro GILENO GURJA0 BARRETO, Relator. 0 recurso voluntário é tempestivo e atende as condições de admissibilidade, por isso dele o conheço. Duas controvérsias exsurgem dos autos ora apreciados. A primeira quanto possibilidade de calcularse o crédito presumido sobre aquisições de produtos não "consumidos" diretamente no processo de produção da mercadoria. A segunda quanto ao cômputo na receita de exportação de variação cambial intrínseca aos produtos exportados. Quanto a primeira controvérsia, conquanto não concorde com a posição inclusive jurisprudencial desse Conselho, por ser de opinião de que o crédito sobre o qual discorremos não se tratar de crédito de IPI, mas de crédito presumido de PIS e de COFINS, apenas compensável com o IPI, logo por isso inaplicável a legislação de regência desse tributo, exceto quando esgotada a via do Regulamento do Imposto de Renda, tal como previsto pela Lei n° 9.363/96. Outrossim, curvarmeei à jurisprudência dessa Conselho, tendo constatado que tais produtos adquiridos cujo crédito é ora glosado são aplicados no processo produtivo, mas não diretamente consumidos no produto final. Além do que quanto aos óleos combustíveis, há vedação expressa po via de súmula do 2° Conselho de Contribuintes. Quanto ao segundo tema, porém, concordo com a pretensão do contribuinte. Isso porque há dois tipos de "variação cambial". E que aqui não se queira, como feito pela douta DRJ, aplicarse a legislação do PIS e da COFINS por sua conveniência, pois foi isso que constatamos do texto do Acórdão recorrido. Quando falamos em consumir o insumos, aplicase o IPI. Quando estamos a falar de variações, cambiais, aplicase a Lei n° 9.718/98. Há a variação cambial "financeira" e a variação cambial "receita de vendas", por assim dizer. A primeira ocorre após o fechamento do câmbio, que é o momento da conversão da receita de exportação em moeda nacional, por determinação da legislação que rege o curso forçado de nossa moeda. E isso é fartamente amparado pela legislação comercial e pelas normas contábeis. A primeira, classificada em conta de receitas financeiras, é a chamada variação cambial do contas a receber. Após o fechamento do câmbio, varia o contas a receber. A segunda, é forçosamente contabilizada como receita de vendas de mercadorias, pois que a tradição da propriedade ocorre no momento do acertamento do preço ou do compromisso em pagá lo. Do contrário os inconterms CIF e FOB inexistiriam. E isso vale quando o resultado é positivo ou negativo. 0 contrário também ensejará a redução dos percentuais de exportação quando ocorrerem. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10860.004526/200181 Acórdão n.º 3302004.730 S3C3T2 Fl. 714 7 Por isso, concordo com a pretensão do contribuinte de calcular o crédito presumido do IPI sobre as receitas de exportação acrescidas (ou reduzidas) da variação cambial anterior à data de fechamento do câmbio, inclusive objeto de emissão de nota fiscal complementar, como manda a legislação comercial e inclusive para que tais valores sejam base de cálculo do ICMS, como manda a legislação desse tributo e mais, como manda a legislação do próprio PIS e COFINS, mormente na sua forma "importação", quando estabeleceu o fisco na IN n° 436/2004 que "considerase valor das despesas aduaneiras o valor dessas despesas utilizado para o cálculo do ICMS. Na hipótese de não serem conhecidos todos os elementos que compõem o valor das despesas aduaneiras no momento do fato gerador das contribuições, deverá ser utilizado o valor do ICMS calculado com os elementos conhecidos nesse momento. Conhecido o valor do ICMS devido, e sendo este diferente do valor do ICMS calculado nos termos previstos na IN, o importador deverá ajustar o cálculo e, caso necessário, recolher a diferença das contribuições, sem o pagamento de multa e juros, até a data do desembaraço aduaneiro." Isso posto, voto no sentido de prover parcialmente a pretensão da recorrente, negando provimento quanto à possibilidade de creditamento sobre produtos não consumidos na industrialização do produto exportado, e dando provimento quanto à inserção no percentual para cálculo do crédito presumido das variações cambiais ocorridas antes do fechamento do câmbio, objeto de emissão de notas fiscais complementares e submetidas a tributação pelo ICMS. Girleno Gurjão Barreto Constatase a obviedade do lapso manifesto, pois o acórdão versou sobre glosas de créditos presumidos de IPI de que trata a Lei nº 9.363/1996, decidindo ao final pela manutenção da glosa relativa à não caracterização de determinados produtos como insumos, bem como considerando a receita de variação cambial ocorrida antes do fechamento do câmbio como receita de exportação, completamente dissonante da ementa elaborada, a qual dispôs sobre ônus da prova e falta de atendimento à intimação. Destarte, substituise a ementa elaborada no Acórdão nº 330200.090, efl. 581, pela ementa abaixo, que passa a integrar o referido acórdão: Assunto; Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. 0 valor das variações cambiais ocorridas antes do fechamento do câmbio, objeto de emissão de notas fiscais complementares e submetidas à tributação pelo ICMS, compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COMPRAS. DIREITO AO CRÉDITO. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10860.004526/200181 Acórdão n.º 3302004.730 S3C3T2 Fl. 715 8 Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de calculo do incentivo fiscal. SALDO CREDOR DE IPI. INSUMOS. Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas, produtos intermediários "strictosensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens/produtos desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de contato fisico direto com o produto em fabricação. Diante do exposto, acolhemse os embargos inominados opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no corpo do recurso especial interposto às efls. 598, para retificar a ementa do Acórdão nº 330200.090, nos termos acima referidos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 715DF CARF MF
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