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Numero do processo: 19515.005187/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. BASE DE CÁLCULO TRIBUTADA. ERRO MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A redução da base de cálculo promovida no lançamento após diligência, por si só, não é causa de nulidade da autuação.
AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
É nulo, por vício material, o auto de infração que não contém motivação explícita, clara e congruente acerca das razões de fato e de direito que ensejaram a sua lavratura.
INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe à decisão de primeira instância criar as supostas razões fáticas que levaram o fisco a enquadrar determinados lançamentos contábeis como atos não cooperativos. Não compete ao julgador, pois, tentar salvar um lançamento deficiente por ausência de motivação e comprovação acerca da ocorrência do fato gerador e matéria tributável, sob pena de violação ao artigo 142 do CTN.
CONCEITO DE ATO COOPERATIVO. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA E FINALÍSTICA.
Os atos praticados pelas Cooperativas no exercício de suas finalidades institucionais, ainda que com terceiros (não associados), não estão sujeitos ao IRPJ e CSLL. A interpretação sistemática e finalística da Lei nº 5.764/71, no contexto da proteção constitucional conferida ao ato cooperativo pelo texto constitucional, deve prevalecer.
COOPERATIVA. ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO FIXO. TRIBUTAÇÃO.
As receitas decorrentes da venda de ativo fixo auferidas por Cooperativas constituem atos não cooperativos, devendo ser oferecidas à tributação.
COOPERATIVA. RENDIMENTO DE APLICAÇÃO FINANCEIRA E JUROS DE MÚTUOS. TRIBUTAÇÃO
Os rendimentos de aplicações financeiras e juros provenientes de operações de mútuos mantidas por Cooperativas estão, como regra geral, sujeitos à tributação, de acordo com precedente jurisprudencial do STJ (Resp 58.265/SP) que vincula o CARF.
COOPERATIVA. RECEITA DE ALUGUÉIS. TRIBUTAÇÃO.
O recebimento de receitas provenientes de alugueis, por serem estranhas à atividade fim da Cooperativa, devem ser tributadas enquanto atos não cooperativos.
IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 105.
Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Na prática, essa Súmula aplica-se indubitavelmente para os fatos compreendidos até 31/12/2006, o que é o caso presente.
Numero da decisão: 1201-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para: (i) acolher a preliminar de existência de erro na decisão de primeira instância, devendo as autoridades competentes reduzir de ofício a base de cálculo tributada, de R$ 252.199.352,81 para R$ 186.116.570,32 (cf. fls. 800/801); (ii) cancelar as exigências decorrentes de todos os itens da Tabela (fls. 800/801), com exceção dos seguintes: juros sobre mútuo - item 26; aplicações financeiras - item 69; aluguéis de bens móveis e imóveis item 60; e vendas de ativo permanente item 66; e (iii) cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los, José Carlos e Paulo Cezar, que davam provimento parcial, em menor extensão, para manter a multa isolada. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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BASE DE CÁLCULO TRIBUTADA. ERRO MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A redução da base de cálculo promovida no lançamento após diligência, por si só, não é causa de nulidade da autuação. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. É nulo, por vício material, o auto de infração que não contém motivação explícita, clara e congruente acerca das razões de fato e de direito que ensejaram a sua lavratura. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. Descabe à decisão de primeira instância criar as supostas razões fáticas que levaram o fisco a enquadrar determinados lançamentos contábeis como atos não cooperativos. Não compete ao julgador, pois, “tentar salvar” um lançamento deficiente por ausência de motivação e comprovação acerca da ocorrência do fato gerador e matéria tributável, sob pena de violação ao artigo 142 do CTN. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA E FINALÍSTICA. Os atos praticados pelas Cooperativas no exercício de suas finalidades institucionais, ainda que com terceiros (não associados), não estão sujeitos ao IRPJ e CSLL. A interpretação sistemática e finalística da Lei nº 5.764/71, no contexto da proteção constitucional conferida ao ato cooperativo pelo texto constitucional, deve prevalecer. COOPERATIVA. ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO FIXO. TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 51 87 /2 00 9- 11 Fl. 13805DF CARF MF 2 As receitas decorrentes da venda de ativo fixo auferidas por Cooperativas constituem atos não cooperativos, devendo ser oferecidas à tributação. COOPERATIVA. RENDIMENTO DE APLICAÇÃO FINANCEIRA E JUROS DE MÚTUOS. TRIBUTAÇÃO Os rendimentos de aplicações financeiras e juros provenientes de operações de mútuos mantidas por Cooperativas estão, como regra geral, sujeitos à tributação, de acordo com precedente jurisprudencial do STJ (Resp 58.265/SP) que vincula o CARF. COOPERATIVA. RECEITA DE ALUGUÉIS. TRIBUTAÇÃO. O recebimento de receitas provenientes de alugueis, por serem estranhas à atividade fim da Cooperativa, devem ser tributadas enquanto atos não cooperativos. IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 105. Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Na prática, essa Súmula aplicase indubitavelmente para os fatos compreendidos até 31/12/2006, o que é o caso presente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para: (i) acolher a preliminar de existência de erro na decisão de primeira instância, devendo as autoridades competentes reduzir de ofício a base de cálculo tributada, de R$ 252.199.352,81 para R$ 186.116.570,32 (cf. fls. 800/801); (ii) cancelar as exigências decorrentes de todos os itens da Tabela (fls. 800/801), com exceção dos seguintes: juros sobre mútuo item 26; aplicações financeiras item 69; aluguéis de bens móveis e imóveis – item 60; e vendas de ativo permanente – item 66; e (iii) cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los, José Carlos e Paulo Cezar, que davam provimento parcial, em menor extensão, para manter a multa isolada. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 03/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Fl. 13806DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem IRPJ (fls. 555/562) e CSLL (fls. 563/568) relativos ao ano base de 2004, acrescidos de multa de ofício de 75% e de multa isolada sobre as estimativas apuradas, decorrentes da constatação de omissão de receitas caracterizadas pela prática de atos não cooperativos não oferecidos à tributação. Conforme registrado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 542/548: [...] 16. Assim, analisamos os valores consignados na DIPJ/2005, exercício 2004, e encontramos valores que, eventualmente poderiam ensejar lançamentos de créditos tributários do IRPJ e da CSLL. Desse modo, encontramos na Ficha 21 Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, linha 09 Outras Receitas e na Ficha 25 Cálculo da Cofins, no valor total anual de R$ 300.866.898,32. 17. Em continuação, intimamos o contribuinte, por meio do "Termo de Constatação e Intimação Fiscal", n° 06, de 02/10/2009, a apresentar, com detalhes, todas as receitas que compõem o valor indicado no item 16 acima, conforme a tabela Receitas de Vendas de Mercadorias e Serviços, anexa ao mencionado Termo, além de apresentar outras informações acerca das mesmas, que poderiam classificálas como receitas advindas de atos nãocooperativos, por exemplo: da comercialização ou industrialização, pela cooperativa, de produtos adquiridos de não associados, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir sua capacidade ociosa; do fornecimento de bens ou serviços a não associados; da participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas; das aplicações financeiras; da alienação de bens do Ativo Permanente; de alugueis de bens móveis ou imóveis; da contratação de bens e serviços do terceiros não associados. 18. Em 09/10/2009 e 27/10/2009 o contribuinte solicitou prazo suplementar para cumprir as obrigações contidas na intimação acima. 19. Em 28/10/2009 e 30/10/2009, o contribuinte apresentou os itens solicitados. B – AS SOCIEDADES COOPERATIVAS [...] 21. É fácil a percepção de que as receitas acima detalhadas devam ser enquadradas como atos NÃOCOOPERATIVOS, e, conseqüentemente, sujeita à tributação do IRPJ e da CSLL, pois Fl. 13807DF CARF MF 4 são distintas das operações usuais as OPERAÇÕES COOPERATIVAS , que geram as sobras líquidas, não tributáveis, obtidas pela COPERSUCAR e que são destinadas a seus associados, conforme dispõe a Lei 5.764/71. [...] 26. Dessa forma, pelos exames realizados e conforme acima descrito, foram encontradas irregularidades neste procedimento fiscal. Ou seja, foram obtidas receitas advindas de operações nãocooperativas e restaram tributos e contribuições não declarados/recolhidos, devidamente lançados por meio de Auto de Infração. A contribuinte, após cientificada dos Autos de Infração, apresentou impugnação (fls. 587/618), por meio da qual alega, em síntese, que: (i) o lançamento contém erro grave quanto à metodologia de apuração, uma vez que a fiscalização não calculou o lucro do que considerou serem atos não cooperativos, limitandose a exigir IRPJ e CSLL sobre receitas, ignorando os custos e despesas a elas vinculadas. Contém erro também de motivação quanto à caracterização do ato não cooperativo alegado; (ii) após descrever pontualmente a natureza dos valores registrados nas contas contábeis que compuseram a base tributada e de anexar vasta documentação a qual, conforme ressalta, nunca foi questionada pelo auditor fiscal , conclui que tais importâncias decorrem de atividades vinculadas aos seus fins institucionais, razão pela qual tais atos são provenientes de atos cooperativos; (iii) parte das importâncias incluídas na base de cálculo utilizada pela fiscalização (tais como "sinistros ressarcidos", "dividendos" e "reversão de provisões") não está sujeita ao IRPJ e CSLL independentemente da distinção entre ato cooperativo e não cooperativo; (iv) ainda que fosse procedente a acusação de que os valores tributados são frutos do ato não cooperativismo, não houve qualquer prejuízo ao fisco, na medida em que as importâncias em questão foram repassadas aos cooperados, que as adicionaram aos seus resultados tributáveis; e (v) não é cabível a imposição de multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Em 09/08/2010, a DRJ solicitou diligência (fls. 785/786), determinando a Intimação da Cooperativa para informar os custos, despesas e encargos diretos relativos às receitas constantes dos itens 1 a 57 da tabela que serviu de parâmetro ao lançamento (fls. 549/552) e para apresentar provas às alegações que defendem trataremse de atos cooperativos. Também foi determinada a subtração das despesas comuns de todos os itens (1 a 96) da tabela elaborada pelo auditor fiscal, calculadas proporcionalmente à participação das receitas de atos não cooperativos em relação à receita total da Cooperativa. Após o contribuinte se manifestar (os elementos apresentados pelo contribuinte foram juntados como Anexo II), foi emitido Relatório de Diligência Fiscal (fls. 796/799), o qual, após acatar a dedução dos custos e despesas, reduziu a base de cálculo tributada, de R$ 252.199.352,81 para R$ 186.116.570,32 (cf. fls. 800/801). Fl. 13808DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 4 5 Posteriormente, nova diligência (fls. 806) foi requerida. Entenderam os Julgadores que a fiscalização deveria melhor esclarecer os motivos pelos quais as receitas correspondentes aos itens 1 a 57 da tabela (fls. 549/552) teriam sido caracterizadas como decorrentes de atos não cooperativos. A autoridade fiscal, então, elaborou outro Relatório de Diligência Fiscal (fls. 961/964), afirmando que já teria tratado suficientemente do tema no TVF. Conclui, no final, que as operações não podem fazer parte do universo da não incidência tributária pois são típicas operações das empresas em geral e também porque algumas possuem natureza financeira. Junta tabela com nota explicativa genérica, numa tentativa frustrada de atender à diligência (fls. 966/967). Cientificada dessa diligência, a Copersucar se manifestou por meio de petição de fls. 975/979. Anexa documentos e enfatiza que todas as importâncias correspondentes aos itens 1 a 57 são provenientes de atividades vinculadas aos seus fins institucionais (atos cooperativos, portanto), bem como que as autuações também são insubsistentes em razão da falta de motivação adequada. Em 05/06/2013, mais uma diligência foi determinada (fls. 981/982) pela DRJ, que considerou a diligência anterior não cumprida, determinando que a unidade de origem descreva cada uma das operações que geraram as receitas consideradas oriundas de atos nãocooperativos relacionadas na tabela base do lançamento (fls. 800/801). Em atendimento à diligência (fls. 992/994), a autoridade fiscal responsável acabou intimando a contribuinte, para que ela prestasse as informações solicitadas pelas autoridades julgadoras de primeira instância. Ato contínuo, a Copersucar manifestouse (fls. 995/998) no sentido de que seria evidente que a determinação em questão teria sido dirigida para a autoridade fiscalizadora, bem como que já teria cumprido e esclarecido adequadamente todos os termos de intimação emitidos durante o procedimento fiscalizatório. Passados 6 (seis) meses, a fiscalização emitiu nova intimação (fls. 1.009/1.014) para a contribuinte, agora para detalhar e comprovar as operações realizadas e a apresentar as razões das contas listadas, em planilha anexa, em arquivos PDF (fls. 1.009/1.013). A contribuinte apresentou petição de fls. 1.015/1.018. Reitera o entendimento exposto no atendimento anterior e requer prazo adicional para juntada dos Razões. Foi, então, (fls. 1.064/1.067) chamada a apresentar "todos os documentos contábeis, relativos aos meses de abril, agosto e dezembro de 2004, que geraram os totais mensais das contas discriminadas em planilha anexa (fls. 1065/1066), documentos estes apresentados em 23/04/2014 (fls. 13.667/13.668) e em 24/04/2014 (fls. 1.068/1.071; e cópia dos Razões fls. 1.072/9.734 Parte 1 e fls. 9.735/13.634 Parte 2). Em seguida, no Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 13.645/13.647), a fiscalização explicita que a Copersucar embora tenha apresentado os lançamentos contábeis (Razões) das contas relacionadas nas fls. 800/801 do processo, deixou de apresentar o detalhamento das operações realizadas, relativas a essas contas, assim como Fl. 13809DF CARF MF 6 deixou de apresentar os correspondentes documentos que geraram os referidos lançamentos contábeis registrados nos meses de abril/2004, agosto/2004 e dezembro/2004. Em resposta, a Cooperativa apresentou petição (fls. 13.685/13.690), requerendo, sem prejuízo do exposto em impugnação e nas manifestações anteriores, sejam rechaçadas as considerações do "Termo de Encerramento de Diligência Fiscal" e declarados insubsistentes os autos de infração pois feitos em desacordo com o artigo 142 do CTN; artigo 10, III, do Decreto 70.23572; e artigos 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Os lançamentos foram julgados parcialmente procedentes por meio de decisão de fls. 13.705/13.735. A ementa do julgado possui a seguinte redação: COOPERATIVA. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NÃOCOOPERATIVOS. O resultado dos atos não cooperativos, ao contrário dos atos cooperativos, aqueles que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, deve ser submetido à tributação do IRPJ e da CSSL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA. Por decorrerem de distinta motivação, devem ser exigidas as multas sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, e o IRPJ e a CSLL apurados pelo ajuste anual, acrescidos da multa de ofício pelo seu não recolhimento. Dessa decisão a autoridade julgadora recorreu de ofício (cf. fl. 13.740). A contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário (fls. 13.751/13.800), por meio do qual, em resumo, reitera as alegações de defesa e demais manifestações, bem como alega: (i) existir erro material na decisão de piso, uma vez que já na primeira diligência a receita considerada omitida foi reduzida de R$ 252.1999.352,81 para R$ 186.116.570,32, redução esta que foi expressamente ressaltada e tida por procedente no acórdão da DRJ, mas cuja diferença deixou de ser computada nos seus cálculos; (ii) a nulidade das autuações em razão do erro originário da base de cálculo, de ausência de motivação, violação ao artigo 142 do CTN e cerceamento do direito de defesa; (iii) que o critério para identificar, a cada situação concreta, se o ato praticado é cooperativo ou não cooperativo e, conseqüentemente, averiguar o regime fiscal aplicável, é a vinculação entre o ato praticado e os objetivos perseguidos pela cooperativa, posição esta inclusive consentânea com o entendimento da Administração Fiscal; e (iv) que as cooperativas, nas operações típicas do ato cooperativo, buscam um resultado positivo para incremento do patrimônio dos seus associados (cooperados), independentemente de essas operações envolverem diretamente o cooperado ou não. Os atos praticados nas contas, nesse sentido, são atos cooperativos autênticos. É o relatório. Fl. 13810DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso voluntário foi apresentado no prazo legal e atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Do erro material constante da decisão da DRJ A Recorrente pede o reconhecimento de nulidade material em face do erro na apuração da base de cálculo tributada, tendo em vista a ausência de dedução de custos e despesas para a totalidade dos itens compreendidos no lançamento. Por ocasião da primeira diligência realizada a pedido da DRJ, a autoridade fiscal concluiu que a base tributável dos lançamentos, inicialmente fixada em R$ 252.199.352,81, deveria ser reduzida para R$ 186.116.570,32 (fls. 796/801). Foi reconhecido que a dedução proporcional de determinados custos e despesas de fato não foi levada em consideração, o que levou a tal ajuste. A DRJ acatou essa redução, conforme atesta a seguinte passagem da decisão de piso (fls. 13.721): Cabe aqui, ressaltar que, como explicitado no relatório, após a primeira diligência, houve o saneamento do lançamento com a apropriação dos custos e despesas, conforme documentação apresentada pela Copersucar, às receitas relativas aos itens 1 a 57, reduzindose o valor tributável anual original, de R$ 252.199.352,81 para R$ 186.116.570,32, dando origem a nova planilha (fls. 800/801). Ocorre, porém, que o quadro constante da decisão, ao indicar o valor remanescente (fls. 13.734/13.735), equivocadamente não faz menção a esta redução, informando um valor menor (de R$ 248.716.821,57, e não de R$ 186.116.570,32). Tratase, a meu ver, de mero erro que pode ser sanado neste momento processual. Nesse contexto, cumpre esclarecer que a retificação da base de cálculo proposta após a diligência, segundo penso, não é caso de nulidade dos Autos de Infração. Tratase, a meu ver, de uma improcedência parcial inerente ao contencioso, não constituindo nenhum vício de forma ou de conteúdo que enseje a nulidade do lançamento. Com efeito, na presente apuração, o fisco levou em conta valores contábeis credores (receitas) e devedores (redutores), conforme aponta a tabela parâmetro (fls. 800/801) e de acordo com o próprio relato do TVF: nos quadros apresentados, as receitas são grafadas entre parênteses (pois, contabilmente, se trata de saldos credores) e os valores grafados sem parentes são redutores dessas receitas (pois, contabilmente, se trata de saldos devedores). A diligência, assim, ao constatar que de fato não havia considerado a totalidade dos custos e despesas relativas aos valores registrados em algumas das contas contábeis, refez a base de cálculo em face do que foi requerido pela DRJ, tendo apurado uma redução favorável ao contribuinte, sem, contudo, agravar a cobrança ou inovar o lançamento. Fl. 13811DF CARF MF 8 A decisão acatou a redução, conforme visto, mas não reproduziu fielmente o montante correto da base remanescente no demonstrativo resumo constante do acórdão1. Nesses termos, oriento meu voto para reconhecer o erro na decisão de primeira instância, devendo a autoridade competente reduzir de ofício a base de cálculo tributada, de R$ 252.199.352,81 para R$ 186.116.570,32, conforme proposto por diligência (fls. 800/801) e acatado pela DRJ (fls. 13.721). Do recurso de ofício A DRJ recorreu de ofício justamente pelo fato de ter acatado a redução da base de cálculo proposta na primeira diligência que solicitou, ainda que tenha cometido o erro de não indicar o montante correto que deveria ter sido excluído no quadro resumo que constou do Acórdão. Mais precisamente, a redução da base de cálculo diz respeito à exclusão dos custos e despesas proporcionais relativas a algumas receitas enquadradas como atos não cooperativos, dedução esta que constitui direito do contribuinte e decorre da própria sistemática de tributação do IRPJ e CSLL. Diante disso, nego provimento ao recurso de ofício. Do recurso voluntário A fiscalização que deu origem aos presentes Autos de Infração se iniciou em 06 de fevereiro de 2008 com a emissão do MPF de fls. 02, tendo por foco o IRPJ do ano calendário de 2004. Somente em 02 de outubro de 2010 a contribuinte foi intimada (vide Termo de Intimação Fiscal nº 06 de fls. 491/493) a detalhar a composição da Linha 09 – Outras Receitas, da DIPJ 2005, no valor total de R$ 300.866.898,32. A contribuinte, então, apresentou respostas e extensa documentação em duas oportunidades, conforme fls. 500/501, colocandose à disposição para eventuais outros esclarecimentos. Ato contínuo, e muito provavelmente em face da proximidade do lançamento ser atingido pela decadência faltavam não mais do que dois meses para que isto ocorresse , a fiscalização lavrou os aludidos Autos de Infração. Ocorre que a natureza das receitas tributadas e a sua metodologia de apuração foram descritas de forma bem singela e sem apontamento das razões concretas que levaram o fisco a considerar que valores registrados em algumas contas contábeis de fato corresponderiam a receitas provenientes de atos não cooperativos. Vejamos, assim, a estrutura do presente lançamento, notadamente no que diz respeito aos elementos que compõem a peça acusatória. Há de início um resumo dos fatos (itens 1 a 19 do TVF – fls. 542 e seguintes), seguido de um texto “modelo” ou “padrão” que interrompe a seqüência numérica dos itens até então expostos. Este texto discorre genericamente sobre sociedades cooperativistas, suas finalidades, atos cooperativos e não cooperativos e respectiva tributação. 1 Pelo que se pode perceber, as despesas gerais apropriadas não foram levadas em conta nesse quadro. Fl. 13812DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 6 9 Findo o texto teórico, o fiscal continua a numeração do relatório, invocando a motivação da autuação em apenas 5 (cinco) parágrafos, os quais ora reproduzo: 20. Conforme mencionado no item 19, a COPERSUCAR apresentou o detalhamento acerca das receitas elencadas nos itens 16 e 17 acima e que compuseram as bases de cálculo do PIS e da COFINS da COPERSUCAR, ou seja, enumerou todas as receitas e resultados mensais que as compunham, sob as rubricas: OUTRAS RECEITAS, conforme o quadro A anexo; comercialização ou industrialização pela cooperativa de produtos adquiridos de não associados para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa, conforme quadro B.1 anexo; participação em Outras Sociedades EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL, conforme o quadro B.3 anexo; Aplicação Financeira, conforme quadro B.4 anexo; Alienação de Bens do Ativo Permanente, conforme quadro B.5 anexo e Alugueis de Bens Móveis e Imóveis, conforme quadro B.6 anexo. É oportuno observar que, nos quadros apresentados, as receitas são grafadas entre parênteses (pois, contabilmente, se trata de saldos credores) e os valores grafados sem parentes são redutores dessas receitas (pois, contabilmente, se trata de saldos devedores). 21. É fácil a percepção de que as receitas acima detalhadas devam ser enquadradas como atos NÃOCOOPERATIVOS, e, consequentemente, sujeita à tributação do IRPJ e da CSLL, pois são distintas das operações usuais as OPERAÇÕES COOPERATIVAS , que geram as sobras líquidas, não tributáveis, obtidas pela COPERSUCAR e que são destinadas a seus associados, conforme dispõe a Lei 5.764/71. 22. Ainda mais, a COPERSUCAR fez acompanhar os detalhamentos mencionados no item 20 de dois arrazoados e do seu Diploma Social, nas quais menciona que os resultados obtidos nessas receitas, contabilizadas em contas específicas, separadamente das receitas usuais, foram carreados aos seus cooperados, e, portanto, não foram oferecidos à tributação pela COPERSUCAR. 23. Também menciona que os resultados em variações cambiais são oferecidos à tributação pelas cooperadas, nos termos do Parecer Normativo 66 de 25/08/1986. O mencionado PN 66/86 não trata dos atos nãocooperativos praticados pela cooperativa, matéria aqui tributada. Tampouco, a alegada "transferência" tributária, não encontra amparo na legislação regente. 24. Em seguida, procedemos à conciliação dos valores das receitas antes mencionados, excluindo os valores em duplicidade e as receitas que não integram o lucro real, conforme a Tabela RECEITAS DE ATOS NÂO COOPERATIVOS, anexa. Não há, e isso é perceptível de plano, nenhuma consideração individual ou em grupo acerca das contas contábeis selecionadas. O TVF não explica o critério de seleção adotado pelo fisco para incluir ou excluir as contas contábeis supostamente auditadas. Não há Fl. 13813DF CARF MF 10 descrição sobre a natureza dos valores, a quem ou porque foram pagos e ao que de fato se referem, havendo apenas a reprodução do rótulo dos registros usados na contabilidade. Como anexo ao TVF, a fiscalização juntou a referida tabela (fls. 549/552) – a qual, na verdade, é a base do lançamento , mas tal tabela apenas indica o número da conta contábil, a sua descrição e os valores (tanto negativos quanto positivos) nela registrado, e nada mais. Diante da generalidade da acusação, a DRJ, após já ter solicitado uma primeira diligência tendente a confirmar a base de cálculo, requereu uma nova diligência (fls. 806), que foi assim formulada: Da leitura atenta dos autos, constatase que, em relação às receitas constantes dos itens 1 a 57 da tabela de folhas 536 a 539 diretamente relacionadas à tabela "A", de folha 489 , a autoridade tributária não estabeleceu com clareza os motivos que a levaram a conclusão de que decorrem de atos não cooperativos. [...] Tendo isso em conta, sou de parecer que o processo seja encaminhado à Unidade de origem, para que, em sede de diligência voltada à formação da livre convicção deste relator, a autoridade fiscal informe mais claramente os fundamentos que a levaram à conclusão de que as receitas referidas decorrem de atos nãocooperativos. Grifei. Considerando infrutífero o atendimento desse pedido, mais uma diligência, a terceira, foi determinada (fls. 981/982). As autoridades julgadoras ratificaram a posição de que cada uma das operações que geraram as receitas consideradas oriundas de atos não cooperativos, relacionadas na tabela (fls. 800/801), deveria ser detalhada pela fiscalização, de modo ao julgador poder melhor compreender os fatos. Vejase: Em segunda diligência foi solicitado que a autoridade lançadora informasse os motivos que a levaram a considerar cada uma das receitas como advinda de atos nãocooperativos, uma vez que suas razões não estavam bem claras. Em resposta, o AuditorFiscal informou que já tinha tratado suficientemente do tema no Termo de Verificação Fiscal, e discorreu sobre fundamentos teóricos doutrinários em torno da definição de ato cooperativo e ato nãocooperativo. Juntou, também, a tabela de folhas 966/967. Ao processo foi juntada mídia contendo a escrita contábil da Cooperativa. Nela estaria o Plano de Contas, que, possivelmente, traria algum esclarecimento, por meio dos lançamentos contábeis, sobre a atividade da qual resultaram as receitas em cada um dos itens da tabela de folhas 800/801 (exceção feita aos itens das tabelas "B" apresentadas pela Autuada). [...] Para fins de julgamento é imprescindível que a autoridade lançadora descreva cada uma das operações que geraram as receitas consideradas oriundas de atos nãocooperativos. Não Fl. 13814DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 7 11 basta, no caso, a informação genérica de que a convicção baseiase em "operações em geral" de uma conta com nome "Outras", como é o caso do item 44, verbi gratia. Com esta diligência pretendese conhecer os fatos. Para poder concordar ou divergir da interpretação dada pela fiscalização (de que são atos nãocooperativos), é necessário saber que operações deram origem aos registros de cada uma das contas que compõem a base de cálculo, ou seja, o que era registrado em cada um dos itens da tabela de folhas 800/801. Com quem eram realizadas as operações? De que decorrem as receitas? São totalmente desnecessárias para a solução da lide ilações sobre histórico do cooperativismo ou mesmo definições jurisprudenciais ou doutrinárias acerca do tema, sendo suficiente a descrição dos fatos já explicada. Tendo isso em conta, sou de parecer que o processo seja encaminhado à Unidade de origem, para que se cumpra a diligência já referida, detalhando as operações relativas a cada um dos itens constantes da tabela de folhas 800/801, que compuseram a base de cálculo dos tributos lançados, operações essas que levaram a autoridade lançadora à conclusão de que eram atos nãocooperativos. Em “atendimento” à diligência, noto que a fiscalização buscou, na verdade, transferir o ônus da motivação que a levou a tributar algumas das contas contábeis analisadas à Recorrente ao intimála para assim proceder. Em resposta a essa tentativa, a Cooperativa se manifestou no sentido de que tal ônus seria da própria autoridade fiscal, conforme foi determinado pelas autoridades julgadoras. Além disto, alegou que todos os documentos e esclarecimentos solicitados já teriam sido apresentados. Tramitado o feito, foi emitido Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 13.645/13.647), atestando que a Copersucar embora tenha apresentado os lançamentos contábeis (Razões) das contas relacionadas nas fls. 800/801 do processo, deixou de apresentar o detalhamento das operações realizadas, relativas a essas contas, assim como deixou de apresentar os correspondentes documentos que geraram os referidos lançamentos contábeis registrados nos meses de abril/2004, agosto/2004 e dezembro/2004, tendo sido os autos encaminhados novamente para julgamento em primeira instância. A DRJ, ao enfrentar a questão da motivação, parece ter se “esquecido” das solicitações das diligências anteriores, tomando um rumo em caminho antagônico aquele que até então havia adotado. Nesses termos, a decisão de piso considerou que a contribuinte não teria comprovado que as receitas incluídas no lançamento de fato seriam decorrentes de atos não cooperativos, julgando procedente a autuação independentemente dos vícios de motivação que ela próprio identificou em três oportunidades anteriores. A mesma DRJ, em seguida, parece ter se colocado na posição de auditor fiscal autuante, passando ela a descrever quais teriam sido os motivos do lançamento. É notório, digase de passagem, que a decisão a quo, no afã de “rebater” as alegações e provas trazidas pela Recorrente, inseriu argumentos e elementos até então estranhos à lide, numa clara tentativa de conferir uma motivação inexistente na sua origem. Fl. 13815DF CARF MF 12 Nesse estado de coisas, o que precisa ficar claro é que o lançamento realmente tem um grave problema de valoração jurídica dos fatos e do direito, não permitindo ao presente Julgador, salvo algumas exceções, conhecer os motivos determinantes que levaram ao fisco concluir que os valores que tomou por base são atos não cooperativos. Segundo minha avaliação, apenas em relação aos itens aplicações financeiras (item 69), receitas com aluguéis de bens móveis e imóveis (item 60) e receitas de vendas de ativo permanente (item 66) é que o lançamento deve produzir efeitos, como será visto na sequência. Para os demais itens contemplados, todavia, o TVF e a tabela tomada como parâmetro (fls. 549/552), posteriormente retificada (fls. 800/801), não fazem qualquer menção à natureza da receita e ao exato motivo do que levou à aludida caracterização. Não há nenhuma razão individual explicitada, muito menos notícia ou indícios da existência de que houve uma apuração mais detalhada, o que, a meu ver, comprova que realmente os Autos de Infração de fato foram emitidos a partir da adoção de uma interpretação restrita e genérica do conceito de ato não cooperativo e apenas com base na denominação contábil dos lançamentos. Para que não pairem dúvidas, cito alguns exemplos, sem prejuízos de outros, que demonstram a dificuldade, ou melhor, a ausência de motivação no presente lançamento. Itens 1, 2, 3, 4, 5 e 6 Os primeiros seis itens (1 a 6) da tabela indicam tratarse de aquisições para posterior venda/revenda de produtos próprios e materiais diversos aos cooperados. Ao longo do processo, a Copersucar esclareceu que, além da venda das mercadorias de seus associados, também faz parte de seu objeto social “adquirir, quando conveniente para fornecer a seus associados, nas melhores condições de preço e qualidade, bens e insumos necessários às suas atividades industriais e agrícolas” (art. 8º, item “e”, do Estatuto – fls. 508/541). Aduz que foi justamente em razão dessa finalidade que fez as operações, as quais evidentemente constituem parte de seu objeto social e que, portanto, constituem atos cooperativos. O lançamento, porém, não traz nenhuma motivação para contrapor diretamente esse ponto. Não há identificação de que produtos são esses; de quem e a que título foram adquiridos; e, principalmente, quais as razões fáticas que levaram ao fisco a enquadrá los como atos não cooperativos. Itens 7 (juros CR cooperativo), 8 (juros FINEP), 20 (financiamento moeda nacional capital), 30 (bolsas de mercadoria & futuro – hedge), 31 (“operações com swap”) e 33 (conta movimento) O Estatuto Social da Copersucar também prevê a necessidade da Cooperativa “estimular a produção de canadeaçúcar, de melaço, de álcool de seus associados, com recursos financeiros próprios ou de terceiros” (art. 9º, “a”). Nesse contexto, esclarece que, de acordo com os registros contábeis, a interessada obtém créditos com melhores condições de juros juntos às instituições financeiras e os transfere aos cooperados nas mesmas condições contratadas. Tratase de ato cooperativo Fl. 13816DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 8 13 típico, afinal realizado no desempenho de sua atividade institucional e, mesmo que assim não fosse, não há lucro na tributação (as receitas são anuladas pelas despesas). Não há, porém, simplesmente nenhuma alegação sobre a circunstância que levou a fiscalização a incluir esses itens na autuação. Assim como na decisão de piso, parece que o fato da leitura da descrição das contas contábeis permitir seu enquadramento enquanto receita financeira dispensaria o dever quanto à motivação. Atenção especial chamam os itens 30 (hedge) e 31 (swap). Isso porque, após comprovar que a Cooperativa tem por função principal a comercialização da produção dos cooperados, tanto no mercado interno quanto externo, e que ela também é responsável pela administração operacional e financeira dos atos cooperativos (cf. artigos 8º e 10º do Estatuto), seria mesmo até natural a utilização destes tipos contratuais a fim de evitar potenciais prejuízos em razão de oscilações cambiais e de oscilações de preços das “commodities”. Também esse ponto não recebeu nenhuma atenção específica por parte da fiscalização. Itens 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 21 e 22 A Cooperativa sempre alegou que os juros relativos às contingências (provisão de tributos incidentes sobre vendas de mercadorias de cooperados questionados judicialmente) – itens 9 a 17, 21 e 22, dizem respeito à atualização de depósitos judiciais e provisão de débitos fiscais controversos em torno das atividades exploradas, e não receita tributária, conforme precedente do STF. Durante o trâmite desse processo, a Recorrente buscou demonstrar também que ela não adicionou ao resultado tributável as variações monetárias ativas e tampouco deduziu as variações monetárias passivas, razão pela qual a tributação seria indevida também nos termos do artigo 377 do RIR/99 e da Súmula CARF nº 58: As variações monetárias ativas decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, salvo se demonstrado que as variações monetárias passivas incidentes sobre o tributo objeto dos depósitos não tenham sido computadas na apuração desse resultado. Essa linha argumentativa foi ignorada pelo agente fiscal responsável pelo lançamento, que preferiu, sabese lá por qual motivo, incluir tais itens no lançamento. Item 20 (financiamento moeda nacional Capital) Observase, em nota de rodapé da Tabela, informação de que, para fins de apuração da base de cálculo, teriam sido excluídas as receitas relativas a juros de financiamentos moeda estrangeira – (itens 18, 19, 23, 27, 28) e resultado das contas MEP (item 79 = itens 71 a 73, contas credoras e respectivas contas devedoras, itens 75 a 77). Todavia, o item 20 – financiamento moeda nacional capital foi incluído, mesmo tendo a mesma causa e denominação quase igual aos itens 18 e 19, que foram excluídos. Perguntase: Por quê? Não há explicação. Item 53 (diversas) Fl. 13817DF CARF MF 14 São operações praticadas entre a Cooperativa e sociedades investidas. Mais precisamente, a conta contábil da conta contábil 641301101 – item 53 (fls. 658), contém lançamentos com os seguintes descritivos: “INCORP. AO SOBRAS OUTROS RESULTADOS”, “BAIXA PELA REVERSÃO SALDO REPASSE FINAME” e “REVERSÃO PIS PERDA FIN” 2. A contribuinte alega que os dois primeiros descritivos registram, na verdade, dividendos oriundos de distribuição de lucros de sociedades empresárias, obtidos por meio de exploração de atividades relacionadas aos seus objetivos como fruto do ato cooperativo, operação esta, aliás, que é isenta de tributação. Aduz também que a própria Lei n. 5.674/1971, art. 88, prescreve que poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessórios ou complementar. Já a fiscalização nada alega. Presume, com base apenas no nome dado à conta, que são atos não cooperativos sem maiores considerações. Itens 32 (juros clientes diversos), 37 (“importação – operações liquidadas”) 38 (exportaçãooperações liquidadas) Com base nos registros contábeis, percebese que os lançamentos nas contas em questão compreendem os juros originários dos pagamentos em atraso de faturas de venda de açúcar e álcool (item 32), exportações e importações liquidadas (itens 37/38), operações estas que indicam uma vinculação direta com a atividade mercantil praticada pela Copersucar. Por que, então, foram inseridas no lançamento? Não há respostas. Itens 34 (“emprest. Compulsório Eletrobrás”), 35 (“emprest. Compulsório veículos), 40 (“fornecedores”), 41 (“despesas gerais”), 42 (“custos de produção”), 43 (“tributos”), 48 (“cliente MI”), 49 (“clientes ME”), 51 (“recebimentos a maior/outros”), Item 54 (“créditos liquidação duvidosa”) e 55 (“provisões ações judiciais trabalhistas”) É perceptível que os rótulos, por si só, não dizem nada. Já os registros contábeis dão sinais de que as contas contemplam valores objeto de ressarcimentos e reversão de determinadas provisões. Nesse sentido a contribuinte demonstra que não raramente necessita de recursos que lhe são disponibilizados pelos cooperados para fazer frente aos pagamentos de despesas correntes e reservados para a liquidação de potenciais dívidas futuras, o que também enseja a necessidade de constituição de provisões. Não obstante, o fato é que, nos termos do artigo 392, II, do RIR/99, as recuperações de custos, deduções ou provisões devem ser tributadas apenas se, quando incorridas, tiverem sido deduzidas, o que aparentemente não teria ocorrido nessa situação. Os Autos de Infração e TVF, porém, nada dizem sobre esses itens, mencionando apenas as contas e seus respectivos rótulos. Itens 45 (“assessoria”), 46 (“agro industrial”) e 47 (“laboratório”) 2 Estes registros se referem a provisões e serão analisadas no item a seguir. Fl. 13818DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 9 15 Receitas decorrentes de serviços foram registradas nas contas dos itens em comento sem ao menos uma informação específica. Nesse particular, vale assinalar que a Recorrente tem por atividade institucional, ainda que eventual e não tão expressiva quanto a de comércio, a prestação de serviços que envolvem “pesquisas objetivando o desenvolvimento de novas tecnologias no âmbito das atividades ligadas à produção da canadeaçúcar, de açúcar, de álcool, de melaço e de seus respectivos subprodutos, podendo explorar, direta ou indiretamente, os resultados das pesquisas realizadas”, conforme previsão do art. 9º, “f”, do Estatuto. Por que, então, esses itens foram incluídos pela fiscalização? A dúvida paira no ar. Item 50 (“sinistros ressarcidos”) Valores eventualmente recebidos em razão de prêmio por força de sinistro, como regra geral, visam recompor uma perda patrimonial. Não constituem renda. Não ensejam, por si só, disponibilidade de lucro. Também não há explicações dos motivos da fiscalização ter incluído esta rubrica no rol dos valores tributados. Pois bem. Não bastassem esses exemplos, outro fato que chama atenção é o de que o cálculo contido na tabela que serve de base aos Autos de Infração “mistura” valores credores, devedores e zerados, confundindo o leitor e o entendimento conciso da metodologia empregada na apuração da base de cálculo tributada. Há diversos totais e subtotais espalhados, constituindo árdua tarefa averiguar o verdadeiro critério empregado e o que de fato foi ou não incluído na composição do saldo final identificado. Da forma pela qual a autuação encontrase instruída, realmente não há indícios de que a fiscalização tenha se aprofundado na investigação para aferir a origem e condições de auferimento das receitas, tendo em vista que nada foi dito acerca da sua causa, muito menos das suas circunstâncias fáticas, à luz da qual seria possível verificar se são (ou não) passíveis de enquadramento enquanto ato não cooperativo. Pelo contrário, tudo indica que a fiscalização, na iminência de ocorrer a decadência, simplesmente presumiu que parte dos montantes registrados como “outras receitas” para efeitos de PIS e COFINS, do qual a Cooperativa é substituta tributária, deveria também ser tributado pelo IRPJ e de CSLL na qualidade de ato não cooperativo, numa clara tentativa de transferir o ônus da prova em sentido contrário ao contribuinte. Não custa lembrar, nesse contexto, que a precariedade da motivação do presente lançamento foi reconhecida pela própria DRJ, que, por meio de solicitação de sucessivas diligências, implicitamente reconheceu que o presente feito não reúne as condições necessárias para que seja proferida decisão segura acerca da procedência ou não dos principais itens incluídos no lançamento. Conforme visto, a DRJ considerou imprescindível que a Fiscalização “informasse os motivos que a levaram a considerar cada uma das receitas como advinda de atos não cooperativos uma vez que suas razões não estavam bem claras”. Em seguida, chega a registrar que não basta, no caso, a informação genérica de que a convicção baseiase em Fl. 13819DF CARF MF 16 "operações em geral" e que com esta diligência pretendese conhecer os fatos. Para poder concordar ou divergir da interpretação dada pela fiscalização (de que são atos não cooperativos), é necessário saber que operações deram origem aos registros de cada uma das contas que compõem a base de cálculo. Ora, essas partes transcritas são mais do que suficientes para demonstrar que a autuação carece de motivos. Não há valoração fática e jurídica adequada. O que se tem no caso, pois, é um lançamento tributário sem explicitação das suas razões motivadoras e sem a demonstração de que, com exceção de alguns itens, as demais receitas contempladas de fato seriam merecedoras de enquadramento enquanto atos não cooperativos. Tal procedimento, entretanto, fere diretamente os artigos 9º e 10º, III e IV, do Decreto nº 70.235/1972 e artigo 50, II e seu parágrafo único da Lei nº 9.784/99, dispositivos estes que, respectivamente, possuem a seguinte redação: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Artigo 50 Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; [...] Parágrafo 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Ao comentar esse último dispositivo, leciona Hely Lopes Meirelles3 que: [...] na esfera federal, a referida Lei 9.784, de 29.1.99, diz que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação (art. 1º.). No processo e nos atos administrativos a motivação é atendida com a “indicação dos pressupostos de fato e de direito” que determinarem a decisão ou o ato (parágrafo único do art. 1º. e art. 50). A motivação “dever ser explícita, clara e congruente” (parágrafo 1º. do art. 50). Assim, se não 3 Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros. 28ª Edição. P.98. Fl. 13820DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 10 17 permitir o seu devido entendimento, a motivação não atenderá aos seus fins, podendo acarretar a nulidade do ato. O princípio da motivação, segundo doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello4, implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre o evento e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo. Utilizandose dos signos de que se valeu o Legislador, a motivação deve ser explícita, clara e congruente. Motivação explícita “significa o que está explicado, o que é expresso ou vem designado. É o que é anotado, o determinado. Opõemse ao implícito”. Motivação clara consiste na “minudência ou meticulosidade com que o ato deva ser descrito, para que, por suas palavras claras e precisas, não se tenha qualquer dúvida do que a respeito ali se escreve”5. E, finalmente, por motivação congruente entendese aquela que guarda “precisa referibilidade com os fatos ou atos que ensejaram a atuação administrativa. Tratase de um elemento que se depreende do cotejo da motivação com os fatos/atos aos quais ele se refere”6. Da mesma forma que as regras do processo administrativo fiscal, sob o risco de preclusão, não admitem que uma impugnação seja feita sem a indicação das razões de fato e de direito, devendo as provas serem apresentadas na defesa, também o ordenamento jurídico não admite que um lançamento tributário seja feito sem a adequada motivação e instrução probatória. A motivação dos fatos e do direito, em se tratando de lançamento tributário de ofício, constitui medida essencial para que tanto o contribuinte quanto o julgador possam compreender a acusação e avaliar a procedência ou não da autuação perante o caso concreto, sob pena de nulidade do ato administrativo. A ausência de motivação nos atos administrativos de lançamento tributário, ademais, viola a prescrição legal do artigo 142 do CTN, in verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Sobressai desse dispositivo legal a imposição à Administração Tributária (atividade vinculada e obrigatória) de averiguar a subsunção do fato à norma geral e abstrata, individualizandoa e tipificandoa. O ônus da prova quanto à motivação da subsunção do fato à 4 Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros. 15ª edição. P. 102. 5 Cf. De Plácido e Silva. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: Forense. 2002 6 Conforme definição constante do voto do Cons. Carlos Augusto Daniel Neto, no Acórdão nº 3402004.264. Fl. 13821DF CARF MF 18 norma tributária é do fisco, a quem compete a tarefa de justificar, de forma explícita, clara e congruente, os fatos e os elementos probatórios acerca da sua convicção. Para que a autoridade fiscalizatória possa efetivamente proceder ao lançamento, deve antes confirmar a ocorrência dos fatos que teriam deflagrado a incidência tributária. Isso porque a oneração do patrimônio do contribuinte somente pode decorrer de situações suficientemente descritas em lei e perfeitamente identificadas no mundo dos fatos, sob pena de se tributar uma realidade econômica inexistente ou diversa daquela prevista na regra matriz de incidência correspondente. Tratase, aqui, de repetição da regra geral processual de que quem alega deve provar7. O ônus da prova compete a quem acusa. É justamente por isso que o artigo 9º do Decreto 70.235/72 determina que os Autos de Infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Nas lições de Arruda Alvim8, recaindo sobre uma das partes o ônus da prova relativamente a tais e quais fatos, não cumprindo esse ônus e inexistindo nos autos quaisquer outros elementos, pressuporseá um estado de fato contrário a essa parte. Assim, quem devia provar e não o fez perderá a demanda. Feitas essas considerações, forçoso concluir que não é lícito ao presente Julgador dispensar a autoridade lançadora do seu ônus de motivar o lançamento tributário e de comprovar a infração. Admitir tal medida como fez a DRJ significa violar as regras processuais apontadas e, mais ainda, significa descumprir requisito estrutural do lançamento. Não custa lembrar que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: (i) os requisitos fundamentais ou estruturais, e (ii) os requisitos complementares ou formais. Como destaca Manoel Antonio Gadelha Dias9, expresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda: “À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/1972, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindoo de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do 7 Artigo 373, do CPC: "O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 8 Manual de direito processual civil. Volime II. São Paulo: Editora RT. 2007. 9 O vício formal no lançamento tributário. in Direito Tributário e processo administrativo aplicados. TÔRRES, Heleno Taveira, QUEIROZ, Mary Elbe, FEITOSA, Raymundo Juliano (Coords.). São Paulo: Quartier Latin, 2005. pp. 345346 Fl. 13822DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 11 19 lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. [...] Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. Quando o lançamento apresentar falhas em seus requisitos fundamentais ou estruturais (vícios de conteúdo), tais como a ausência de motivação e indevida transferência do ônus da prova, estaremos diante de típico exemplo de nulidade por vício material. Nesse sentido é a posição do CARF, conforme atestam as ementas dos seguintes julgados. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos, quando – entre outras situações – imponham ou agravem sanções, devendo essa motivação ser explícita, clara e congruente, de modo a permitir o pleno exercício do direito de defesa (art. 50, inciso II e § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999). Acórdão nº 1803001.477. Sessão de 11 de setembro de 2012. REVISÃO FISCAL DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado. (Acórdão nº 2301002.079. data da decisão: 01/11/2012). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. VICIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo o auto de infração quando não indica os fatos e os fundamentos jurídicos que ensejaram a sua lavratura. Medida necessária para que tanto o contribuinte quanto o julgador administrativo possam avaliar a procedência jurídica da autuação, perante o caso concreto O processo administrativo fiscal obedecerá, dentre outros, o princípio da motivação, essencial à garantia da ampla defesa e do contraditório. Processo Anulado. (Acórdão nº 230100486. Data de decisão: 07/07/2009. Fl. 13823DF CARF MF 20 PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação. (Acórdão nº 2301004.930. Data de decisão: 09/05/2017). Especificamente sobre a matéria ora abordada, cumpre destacar que também existem decisões do CARF que afastaram lançamentos pelo fato do fisco não ter comprovado que a cooperativa de fato teria auferido receitas tributáveis. Vejase: SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRA LIQUIDA NÃO INCIDÊNCIA A base de cálculo da contribuição social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2° da Lei n° 7.689/88, c/c com os arts. 79 e 111 da Lei n° 5.764/71, mesmo antes da edição da Lei n. 10.865/2004. A Lei n° 8.212/91, artigo 22, § 1°, embora tenha mencionado as cooperativas de crédito, não descaracterizou a roupagem jurídica dos atos cooperativos quanto à não incidência da CSLL. Recurso provido. (Acórdão nº 120100.359. Publicado no DOU em 18/05/2011). CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. SOBRAS LIQUIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos termos dos artigos 1° e 2° da Lei n°7.689/88, c/e artigos 79 e 111 da Lei n° 5.764/71. (Acórdão nº 180300.170. Sessão de 30/09/2009). Na mesma linha desses precedentes, e partindo da premissa de que não houve, nesse caso concreto, a imprescindível valoração jurídica, fática e comprobatória acerca do fato gerador e da matéria tributável, entendo que o presente lançamento, com exceção dos itens já mencionados e que serão objeto de análise específica mais adiante, está eivado de vício material de nulidade. E nem se diga que o fato da decisão prolatada em primeira instância, que notoriamente buscou sustentar a procedência do lançamento tributário por meio de razões e fundamentos que não constam da peça de formalização da exigência, poderia sanar o vício material em questão. Descabe, aqui, falar ou cogitar de nulidade do ato decisório, mas sim da nulidade do Auto de Infração. Em virtude da falta de motivação na peça acusatória, quem não pode subsistir é o próprio lançamento tributário, que é nulo desde sua origem em face de conter vício insanável. Nesse sentido também caminhou a jurisprudência do CARF, na linha dos precedentes a seguir citados. Fl. 13824DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 12 21 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. POSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM FAVOR DO RECORRENTE. APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO 70.235/72. Decisão da DRJ que, admitindo a não permanência do fundamento que amparou o lançamento, baseiase em outros fatos e argumentos jurídicos par sua manutenção, inova na lide, acarretando cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Possibilidade de dar provimento no mérito ao recurso interposto, sem declaração de nulidade, forte no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2402004.977. Sessão de 16/02/2016) INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. (Acórdão nº 1201001.557. Sessão de 14/02/2017) Descabe à decisão de primeira instância, contudo, criar as supostas razões fáticas que levaram o fisco a enquadrar determinados lançamentos contábeis como atos não cooperativos. Não compete ao julgador “tentar salvar” um lançamento deficiente por ausência de motivação e comprovação, sob pena de violação ao artigo 142 do CTN. Essa tentativa da DRJ de buscar sanar vício substancial contrasta, ainda, com o comando previsto nos artigos 145, III10, 14611 e 14912 do CTN, dispositivos estes que vedam a possibilidade de revisão do lançamento quando há “erro de direito”, como foi o caso. Posto isso, reconheço a nulidade material dos lançamentos, com exceção daqueles relativos aos juros sobre mútuos (item 26), às aplicações financeiras (item 69), 10 Artigo 145 – O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: [...]; III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. 11 Artigo 146 A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 12 Artigo 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 13825DF CARF MF 22 aluguéis de bens móveis e imóveis (item 60) e vendas de ativo permanente (item 66). Senão, vejamos: Dos atos cooperativos As sociedades cooperativas tiveram sua importância elevada ao patamar constitucional, merecendo tratamento tributário especialmente adequado às suas atividades. Referências às sociedades cooperativas são encontradas em pelo menos seis dispositivos constitucionais, a saber: artigo 5º, XVIII, que trata da autonomia das associações e das cooperativas; o artigo 21, XXV e artigo 174, parágrafos 3º e 4º, nos quais está inserta a proteção das cooperativas de garimpos; o artigo 146, III, “c”, que determina a adequada tributação das cooperativas de um modo geral; artigo 174, parágrafo 2º, ao prescrever que a lei deverá estimular o cooperativismo enquanto atividade econômica; e, por fim o artigo 187, inciso VI, que regula o cooperativismo na política agrícola. O regime jurídico criado pela Constituição Federal de 1988 tem como finalidade beneficiar a formação de cooperativas, com tratamento tributário favorecido em função da nãoonerosidade sobre os atos cooperativos. A filosofia do cooperativismo prega o pensamento de que “a união faz a força”. Diante das altas taxas de desemprego presentes na economia brasileira, a função do cooperativismo há de ser ressaltada e constitui política econômica induzida pelo Legislador. O objetivo social de uma Cooperativa é, por essência, congregar “profissionais” que podem pertencer aos mais variados grupos de negócio, a fim de facilitar a captação de clientes e oferecer melhores condições de prestação de serviço ou comércio, otimizando os esforços individuais de cada participante. É esta a causa de ser de uma cooperativa: prestar serviços aos seus associados. Embora voltado para a prestação dos serviços aos associados, é inerente a atuação da Cooperativa no mercado, em contato com entidades públicas e privadas (beneficiários ou usuários), necessitando manter relações negociais, em conformidade com o seu objeto estatutário, para que possa servir ao seu papel institucional. No campo normativo, a Lei nº 5.764/71 lei esta nacional, aplicável a todas as pessoas políticas e que regulamenta o regime jurídico da sociedade cooperativa contempla características que colocam estas sociedades em uma situação excepcional em relação às demais. O regime jurídicotributário das sociedades cooperativas, porém, ainda é objeto de celeuma, principalmente por conta da divergência existente entre a interpretação restrita ou literal de determinados dispositivos da Lei nº 5.764/71 e a sua interpretação sistemática ou finalística. Os atos cooperativos estão regulados no artigo 79, verbis: “Art. 79 Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” Fl. 13826DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 13 23 Por outro lado, assim dispõem os artigos 85, 86, 87, 88 e 111: “Art. 85 As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86 As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87 Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88 – Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessórios ou complementar. (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” Da leitura de todos esses dispositivos legais, forçoso concluir que os atos não cooperativos de fato são passíveis de tributação, ao passo que os atos cooperativos fogem do campo de incidência. É com base nessa classificação entre atos cooperativos e atos não cooperativos que alguns autores falam que os resultados positivos apurados pela exploração dos primeiros dão origem às sobras, ao passo que os resultados positivos oriundos dos segundos dão origem ao lucro da Cooperativa propriamente dito. Nesta concepção, as sobras devem ser retornadas e tributadas pelos cooperados, ao passo que o lucro deve ser tributado na Cooperativa. Na prática, as cooperativas podem integrar três tipos de operações: (i) a primeira, entre a Cooperativa e os associados, denominada de ato cooperativo (operação interna ou operaçãofim), celebrada apenas entre sócio e cliente da cooperativa, havendo uma dupla identidade; (ii) a segunda entre a Cooperativa e os beneficiários diretos, assim entendido o mercado ou os usuários dos serviços prestados pelos associados, denominada também de operação externa, operaçãomeio ou operação instrumental, praticado no contexto do objeto social e no interesse dos associados, ainda que sem uma participação individualizada; e (iii) a terceira, ato não cooperativo típico, praticada entre a Cooperativa e terceiros e desvinculada do objeto social. Fl. 13827DF CARF MF 24 Nesses termos, dúvidas não pairam acerca da impossibilidade de tributação do ato cooperativo enquanto operação interna (item (i) acima), as sobras, bem como acerca da possibilidade de tributar as operações da Cooperativas com terceiros 9º ("o lucro"). A controvérsia diz respeito à tributação das situações referidas no item (ii), isto é, dos atos praticados entre Cooperativas e “beneficiários diretos”. Nessa situação particular, a autoridade fiscal sustenta a autuação exclusivamente com base na presunção de que determinadas receitas seriam decorrentes de atos não cooperativos, conforme atestariam os rótulos de contas contábeis pinceladas aleatoriamente e sob a premissa de que o ato não cooperativo corresponde a toda operação praticada pela Cooperativa com não associado, independentemente de qualquer outro fator. Também a decisão de piso, ao buscar corrigir o vício material já comentado, justifica suas razões de decidir nessa mesma interpretação restrita, relacionando cada um dos itens com a legenda que criou através de três letras: (a) receita financeira; (b) não comprovado o negóciofim (participação do cooperado em um dos polos) e (c) item com conta contábil sem valores. O silogismo empregado para a constituição e manutenção do crédito tributário pela decisão de piso parece, então, ter sido o seguinte: a Cooperativa possui contas contábeis que, pelo descritivo, presumemse registrarem receitas de atos praticados com terceiros, ou seja, não associados; atos praticados com terceiros (não associados) são atos não cooperativos por definição, independentemente de sua natureza, contexto e vinculação com os objetivos sociais; logo, as receitas auferidas por estes atos deveriam ter sido tributadas pelo IRPJ e CSLL. Admito que a leitura apressada de alguns dispositivos legais isolados da Lei nº 5.764/71, notadamente os artigos 85 a 88 e 111, pode levar ao entendimento restrito da expressão "ato cooperativo", mas daí a afirmar que, juridicamente, é esta a interpretação que deve prevalecer, entendo existir uma distância enorme. Não bastasse o vício de motivação, a meu ver também não basta dizer que como a operação teria sido praticada entre a Cooperativa e um não associado, o ato é não cooperativo por excelência. Não concordo com a definição fazendária. Não é, segundo penso, a partir da identificação do polo da operação praticada pela Cooperativa, mas sim a partir da análise da sua causa dentro do seu contexto operacional, o caminho correto para definir o tratamento tributário dos resultados positivos eventualmente apurados. E essa investigação foi ignorada no caso presente... Ora, o cooperativismo deve ser compreendido dentro do seu contexto histórico e constitucional. Tratase de instituto jurídico que recebeu atenção especial, razão pela qual é digna de uma flexibilização por parte do intérprete. O texto, como se sabe, á apenas "a porta de entrada" para a interpretação. E de uma interpretação sistemática e finalística acerca do papel jurídico das Cooperativas, me parece evidente a tutela constitucional conferida não só aos atos, digamos assim, típicos (com associados), mas também aos essenciais (negócioexterno ou negócio meio) para o exercício das atividades pelas quais foi constituída. A propósito, em Sessão de 14 de fevereiro de 2017, em julgamento proferido por esta C. Câmara e do qual participei, a tributação sobre atosmeio de Cooperativas foi Fl. 13828DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 14 25 afastada por unanimidade de votos (Acórdão nº 1201001.552). Abaixo reproduzo determinada passagem do voto condutor da lavra do Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado: “[...] a Lei nº 5.764/71, sendo anterior à promulgação da CF/88, tempo em que o cuidado especial com o cooperativismo ainda não era matéria constitucional, deve ser interpretada de forma sistemática com o texto constitucional que lhe é posterior. Assim seguindo este racional, devemos aplicar uma interpretação não somente sistemática mas também finalística da Lei n. 5.764/71 de modo a concluir que a sociedade cooperativa visa o exercício de uma atividade econômica, para a qual os seus associados se obrigam a contribuir com bens ou serviços, que ao final se destinam ao mercado. Desta forma, é inevitável que o tratamento diferenciado dado ao ato cooperativo interno (ou atofim previstos no art. 79 da Lei nº 5.764/71) deve abranger alguns atosmeio, realizados com o mercado. Em julgado da CSRF (Acórdão nº 0105591), aliás, já foi assinalado que: não há como negar a necessidade das múltiplas funções da cooperativa, as quais são inerentes à sua missão institucional, sob pena de inviabilizar a atividade de seus associados. E arremata: Assim, a constituição de crédito tributário sobre as operações realizadas pela requerente na aquisição de embalagens, produtos intermediários, etc., utilizados na industrialização de bens do associado, deve ser cancelada, pois tais operações foram realizadas para a consecução de seu objetivo social e pela finalidade de sua constituição. Invoco também outro precedente da CSRF (Acórdão nº 9303001.882), cuja ementa foi assim redigida. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. ATO MEIO. INTERPRETAÇÃO. A interpretação literal não é a única que deve ser empregada quando da análise de uma norma jurídica, tendo em vista que sua adequada aplicação também deve derivar de um estudo sistemático. Ao confrontar os artigos 79, 86, 87 e 111 da Lei nº 5.764/71 com os arts. 146, III, “c” e 174, § 2º da Constituição Federal, bem como com as demais disposições da Lei nº 5.764/71, é possível concluir que os atosmeio, por serem indispensáveis à consecução dos atosfim, também devem ser considerados como cooperativos. Nesse sentido, a Cooperativa somente se relaciona com seus cooperados e com os usuários (mercado), praticando exclusivamente atos de representação dos primeiros necessários à contratação e ao faturamento dos segundos, e distribuindo os resultados havidos Fl. 13829DF CARF MF 26 em razão dos serviços prestados entre os cooperados, tudo isso em consonância com os objetivos sociais constantes de seus estatutos. A título ilustrativo, tomese o exemplo de uma cooperativa de trabalho, formada por motoristas de taxi. Caso admitida a interpretação fazendária, toda “corrida” feita por um taxistacooperado em favor de terceiro ensejaria tributação em nome da cooperativa, por se tratar de um ato nãocooperativo. Nessa linha de raciocínio, tendo em vista que o tipo de uma sociedade cooperativa é realizar atos cooperativos, estes só aconteceriam quando um taxistacooperado levasse outro cooperado como passageiro, o que não se sustenta. A premissa, então, utilizada pela fiscalização, de que qualquer ato praticado pela Cooperativa com não associado constitui ato não cooperativo, ainda mais desprovida de motivação de sua correlação com os fatos, não se sustenta. Não obstante, após análise das contas contábeis incluídas, é possível criar uma convicção segura de que houve registro de receitas provenientes de atos não cooperativos, segundo a minha definição mais ampla, nas contas contábeis que indicam resultados oriundos de aplicações financeiras (item 69), aluguéis de bens móveis e imóveis (item 60) e vendas de ativo permanente (item 66), conforme a seguir aduzido. Aplicações financeiras e juros sobre mútuos Os rendimentos de aplicações financeiras e juros sobre mútuos, segundo entendimento do STJ que vincula o presente julgador, pois proferido em sede de recurso repetitivo, deve ser enquadrado como ato não cooperativo típico, razão pela qual devem ser oferecidos à tributação. Transcrevo abaixo o precedente jurisprudencial referido: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). [...] 10. Consequentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª Seção. Resp 58265/SP. Dje 01/02/2010). Em relação à dedução de despesas, convém recapitular que a fiscalização, na primeira diligência, deduziu os custos e despesas das contas tomadas como parâmetro e a Fl. 13830DF CARF MF Processo nº 19515.005187/200911 Acórdão n.º 1201001.899 S1C2T1 Fl. 15 27 Recorrente não identifica precisamente a qual despesa estaria se referindo, apresentando argumentação de forma genérica que não merece acolhimento. Dessa forma, voto por manter a exigência decorrente dos rendimentos provenientes de juros sobre mútuos (item 26) e aplicações financeiras (item 69) Receitas de vendas de ativo permanente O fisco computou como tributável o resultado apurado em conta com descritivo de “venda de bens do ativo permanente”, o que caracteriza, no contexto da Copersucar, ato não cooperativo, pois estranhos às finalidades sociais e praticados com terceiros. Nesse sentido vem se posicionando o CARF, de acordo com as ementas dos julgados a seguir transcritas. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS DO ATIVO IMOBILIZADO E DO ATIVO INTANGÍVEL. ATOS NÃO COOPERATIVOS. A venda de bens do ativo imobilizado e do ativo intangível, ainda que permitida, não se qualifica como ato cooperativo tal qual definido no art. 79 da Lei 5764/71. Constituise em ato negocial, de mercancia, com a participação de terceiro não cooperado, escapando da moldura delineada para as atividades inerentes ao cooperativismo (Acórdão nº 1103001.050. Sessão de 05/08/2014) GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO FIXO. TRIBUTABILIDADE. Quando uma sociedade cooperativa aufere receitas que não decorrem do ato cooperativo, ou seja, do ato que envolva a presença do cooperado, o resultado de referido ato submetese à tributação regular, salvo disposição expressa de lei em contrário. A alienação de bens do ativo não é ato cooperativo, pelo que os seus efeitos estarão sujeitos à tributação. COOPERATIVA. RECEITA DE ALUGUÉIS. TRIBUTABILIDADE. A percepção, pela cooperativa, de receitas decorrentes de alugueis de imóveis que possui não está alcançada pela exoneração destinada aos atos cooperativos. (Acórdão nº 140100079. Sessão de 29/07/2009) O resultado positivo proveniente da venda de bens do ativo permanente não tem qualquer relação com o objeto social da Copersucar, razão pela qual considero correta a sua tributação (item 60) enquanto ato não cooperativo. Da tributação das receitas de alugueis (item 66) Valendose desse mesmo racional, a percepção, pela Cooperativa, de receitas de alugueis de imóveis que possui não está alcançada pela exoneração destinada aos atos cooperativos. A alegação de que a Recorrente adquiriu terras rurais para arrendamento aos seus associados, mediante cobrança dos alugueis, além de não ter sido comprovada, é estranha ao objeto social da Cooperativa, razão pela qual correta a tributação. Fl. 13831DF CARF MF 28 Da multa isolada A legitimidade da cobrança cumulativa de multa isolada e multa de ofício constitui discussão não recente, mas que ainda gera debates. Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Na prática, essa Súmula aplicase indubitavelmente para os fatos compreendidos até 31/12/2006, o que é o caso presente. Nesse sentido, afasto a aplicação da multa isolada. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. Quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO para: (i) acolher a preliminar de existência de erro na decisão de primeira instância, devendo as autoridades competentes reduzirem de ofício a base de cálculo tributada, de R$ 252.199.352,81 para R$ 186.116.570,32 (cf. fls. 800/801); (ii) cancelar as exigências decorrentes de todos os itens da Tabela (fls. 800/801), com exceção dos seguintes: juros sobre mútuos item 26, aplicações financeiras item 69; aluguéis de bens móveis e imóveis – item 60; e vendas de ativo permanente – item 66; e (iii) cancelar a multa isolada. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 13832DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720441/2015-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2010 a 31/12/2010
LANÇAMENTO. PROCESSO JUDICIAL. DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL.
É regular o lançamento que objetiva prevenir a decadência de débito discutido judicialmente, mesmo que suspenso em razão de depósito no montante integral. Neste caso, as matérias estranhas aos temas submetidos ao crivo do judiciário podem e devem ter sua discussão administrativa regular, com a ressalva de que a exigência do débito lançado está limitada à decisão judicial definitiva.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FATOR DE RISCO ACIDENTÁRIO - FAP
A contestação do Fator de Risco Acidentário atribuído a empresas deve ser objeto de demanda específica junto ao órgão competente do Ministério da Previdência Social.
Numero da decisão: 2201-003.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2010 a 31/12/2010 LANÇAMENTO. PROCESSO JUDICIAL. DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL. É regular o lançamento que objetiva prevenir a decadência de débito discutido judicialmente, mesmo que suspenso em razão de depósito no montante integral. Neste caso, as matérias estranhas aos temas submetidos ao crivo do judiciário podem e devem ter sua discussão administrativa regular, com a ressalva de que a exigência do débito lançado está limitada à decisão judicial definitiva. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FATOR DE RISCO ACIDENTÁRIO - FAP A contestação do Fator de Risco Acidentário atribuído a empresas deve ser objeto de demanda específica junto ao órgão competente do Ministério da Previdência Social.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PROCESSO JUDICIAL. DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL. É regular o lançamento que objetiva prevenir a decadência de débito discutido judicialmente, mesmo que suspenso em razão de depósito no montante integral. Neste caso, as matérias estranhas aos temas submetidos ao crivo do judiciário podem e devem ter sua discussão administrativa regular, com a ressalva de que a exigência do débito lançado está limitada à decisão judicial definitiva. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FATOR DE RISCO ACIDENTÁRIO FAP A contestação do Fator de Risco Acidentário atribuído a empresas deve ser objeto de demanda específica junto ao órgão competente do Ministério da Previdência Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 41 /2 01 5- 05 Fl. 380DF CARF MF 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente a diferenças de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, incidentes sobre a remuneração de empregados, com depósito judicial efetuado em atraso: O lançamento é relativo ao anocalendário de 2010 e, no Relatório Fiscal de fl. 13 a 20, é possível identificar sua motivação, que, em síntese, seria constituir o crédito tributário que decorre da diferença de alíquota GILRAT declarada em GFIP (2%) e a devida nos termos da legislação de regência (5.0877). Portanto, para os períodos de apuração de 11 a 12/2010, foram lançadas no presente processo as diferenças de 3.0877%(5,0877 2), exclusivamente em relação aos valores devidos depositados judicialmente, mas em atraso, nos autos do processo judicial 2010.61.05.0033706. Ressalta a Autoridade lançadora que, em decorrência da suspensão da exigibilidade apontada (depósito judicial no montante integral), o fisco deve se abster de tomar qualquer medida tendente à exigência do crédito tributário enquanto persistir a condição suspensiva. Ciente do lançamento em 13 de fevereiro de 2015, conforme AR de fl. 04, inconformado, o contribuinte formalizou, em 17 de março de 2015, a impugnação de fl. 134 a 156, na qual apresentou as razões que amparam o seu pedido de improcedência total do lançamento ou o sobrestamento do presente até o desfecho da Ação Ordinária acima citada e a exclusão da multa de mora, já que promoveu o depósito judicial. A defesa se estruturou nos tópicos e razões abaixo resumidas: PRELIMINARMENTE DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO : fl. 138 Atualmente, a referida medida judicial encontrase sobrestada na secretaria do tribunal. (fl. 139) Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10830.720441/201505 Acórdão n.º 2201003.786 S2C2T1 Fl. 381 3 Como se vê, é nítida a existência de correlação entre a autuação fiscal ora rebatida e o objeto da Ação Ordinária nº 2010.61.05.0033706. Portanto, o deslinda da referida ação judicial tem implicação direta sobre o presente processo administrativo. DA NULIDADE DO PRESENTE AI fl 143 (...) Nesse sentido, data máxima vênia, mister reconhecerse que, no presente, caso, falhou a d. fiscalização em seu mister de apuração da verdade material dos fatos. (...) (fl. 144) Além disso, o AI ora combatido é nulo de pleno direito, por se revelar absolutamente desmotivado, conforme restará abaixo demonstrado. (...) (fl. 145) Assim, é forçosa a conclusão de que, no presente caso, não houve apropriada motivação fática e legal do lançamento fiscal, culminando, assim, na nulidade material insanável do AI ora resistido. (fl. 146) DO DIREITO DA ILEGALIDADE DO AUMENTO DA ALÍQUOTA BÁSICA DO SAT (fl. 146) (...)não se pode admitir a majoração da alíquota básica do SAT tal como proposta pelo Decreto nº 6.957/2009, uma vez que tal majoração se mostra ilegal e inconstitucional, eis que não foi feita nos ermos da legalidade tributária prevista no art. 150, I, da Constituição Federal, nem nos termos do § 3º do art. 22 da Lei 8.212/91. (...) Assim a presente autuação deve ser cancelada, posto que a impugnante não pode ser obrigada a aplicar a alíquota básica de SAT de 3%, eis que a majoração da alíquota se mostra claramente ilegal.(fl. 151) DAS ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES DA INSTITUIÇÃO DO FAP (fl. 151) Conforme exposto na exordial da ação judicial em questão (doc. 03 pré citado), a instituição do FAP fere diversos princípios constitucionais que norteiam a tributação tais como os princípios da legalidade, da motivação, da razoabilidade, da proporcionalidade e da adequação, bem como o princípio da irretroatividade. A instituição do FAP fere também diversos princípios que norteiam a Seguridade Social tais como o princípio do equilíbrio financeiro e atuarial, o princípio da equidade na participação do custeio; o princípio da solidariedade e a regra de contrapartida. DA EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS RESPONSÁVEIS LEGAIS, SÓCIOS, DIRETORES, ETC. (fl. 153) Fl. 382DF CARF MF 4 (...) Dessa forma, tendo em vista que no caso concreto não está diante de nenhuma das hipóteses previstas no art. 137 do CTN, bem como tendo em vista a revogação do art. 13 da Lei nº 8.620/93 pela Lei nº 11.941/09, requerse, desde já, a imediata exclusão dos referidos agentes do "Relatório de Vínculos" e do pólo passivo da presente autuação. (fl. 155) Na análise da impugnação, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto/SP considerou improcedente a impugnação, nos termos abaixo sintetizados: Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade e ilegalidade (fl. 281) À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade dos dispositivos legais, se estes ferem ou não os princípios de isonomia, estrita legalidade, anterioridade, capacidade contributiva e as limitações estatuídas na Carta Magna. Nulidade (fl. 282) A nulidade do lançamento sustentada pelo impugnante não pode ser acatada por nenhum de seus argumentos. Não houve análise superficial pela fiscalização dos documentos e dos lançamentos fiscais, conforme será demonstrado pelo tratamento de cada questão de mérito ao longo do presente voto. E a invocada determinação pelo STF de sobrestamento de processos alusivos ao FAP em face de questionamento de constitucionalidade pendente em sede de repercussão geral não abrange diretamente os processos administrativos, mas apenas os do âmbito judicial. Efeitos da existência de ação judicial e do depósito judicial (fl. 282) O único efeito que advém da interposição de ação judicial cujo objeto também é matéria do processo administrativo é a renúncia à instância administrativa no que se refere a essa matéria, que passa a ser restrita ao âmbito judicial, cuja solução definitiva irá determinar o resultado no âmbito administrativo. Por seu turno, os efeitos adicionais da existência de depósito judicial, além dos já produzidos pela existência da ação em curso, são a impossibilidade de aplicação de juros ou multa no lançamento de ofício, efeito esse que já foi devidamente considerado pela fiscalização na formalização do lançamento, que se restringe ao valor do tributo, conforme fls 003/0046, e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, que se materializará por meio da suspensão do procedimento de cobrança eventualmente resultante do presente processo. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10830.720441/201505 Acórdão n.º 2201003.786 S2C2T1 Fl. 382 5 Aplicação da multa de mora (fl. 284) O depósito judicial garante somente o valor da obrigação tributária até o limite do valor efetivamente depositado. Ocorre que o valor da obrigação tributária devida é aquele consolidado no momento do depósito, que deve incluir todos os acréscimos legais previstos em lei. Relatório de Vínculos (fl. 285) Deve ser esclarecido que a inclusão dos sócios no relatório denominado “Relatório de Vínculos”, bem como no Relatório Fiscal, dáse em caráter meramente informativo, ou seja, ela não implica a colocação dessas pessoas físicas no pólo passivo da relação jurídica processual instaurada com a lavratura do presente Auto de Infração. Visa apenas instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo. Ciente do Acórdão da DRJ em 10 de maio de 2016, conforme Termos de fl. 288/289, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 293/320, em 08 de junho de 2016, no qual, basicamente, reitera os mesmos tópicos e argumentos já expressos na impugnação, os quais serão tratados com mais detalhes no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. PRELIMINARMENTE DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO (fl. 298) A recorrente reforça que pleiteou judicialmente objetivando não ser compelida ao recolhimento complementar da contribuição ao SAT, em virtude da aplicação do FAP e da indevida majoração da alíquota básica do SAT. Sustenta que seu processo aguarda análise de Recursos Especial e Extraordinário e que há, no STF, reconhecimento de repercussão geral de matéria constitucional que resultou no sobrestamento do feito. Afirma a nítida correlação entre a atuação fiscal ora combatida e a Ação Ordinária nº 2010.61.05.0033706, concluindo que tal lide judicial tem implicação direta sobre o presente processo administrativo. Como se viu no Relatório, a Autoridade Fiscal reconhece a existência da ação judicial indicada pelo contribuinte em seu Recurso, tanto que o presente lançamento está Fl. 384DF CARF MF 6 relacionado especificamente à diferença entre os débitos declarados em GFIP e aqueles que seriam devidos se aplicadas as novas alíquotas de SAT/RAT, diferenças estas que, ainda que com atraso, foram depositadas judicialmente. Ainda no Relatório fiscal, é possível identificar a ressalva que, em decorrência da suspensão da exigibilidade apontada (depósito judicial no montante integral), o fisco deve se abster de tomar qualquer medida tendente à exigência do crédito tributário enquanto persistir a condição suspensiva. Portanto, exatamente por conta da alegada identidade entre os débitos ora em discussão e os valores depositados em juízo, é que os créditos tributários aqui lançados estão suspensos e assim permanecerão até que haja decisão definitiva do processo judicial. O que se tem é que tais diferenças, por óbvio, não foram informadas em GFIP pelo contribuinte, o que exige o lançamento fiscal exclusivamente para se prevenir a decadência, tudo nos termos do art. 63 da Lei 9430/96, que assim dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Não obstante, há um rito administrativo que não se mostra prejudicado pela situação atual do processo judicial, tampouco há amparo legal para que o procedimento administrativo seja suspenso. Muito embora, em particular nos casos de repercussão geral reconhecida pelo STF e pelo STJ em matéria constitucional, no âmbito do julgamento em 2ª Instância, havia possibilidade de tal sobrestamento (art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Contudo, o novo Regimento Interno do CARF não mais prevê tal possibilidade. Naturalmente, nestes casos, em razão da supremacia da decisão judicial sobre a administrativa, não há espaço para discussões relativas aos mesmo objeto e causa de pedir levados ao crivo do judiciário. É este o sentido da Súmula Carf abaixo transcrita: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não há amparo legal para o sobrestamento do presente feito administrativo, sendo certo que o crédito tributário aqui lançado estará suspenso até que concluído o julgamento do processo judicial, oportunidade em que, caso o contribuinte obtenha o provimento judicial definitivo, poderá reaver os valores depositados em juízo, ao passo que, caso tenha negado o seu intento, os valores depositados serão convertidos em renda da União e utilizados para extinguir os débitos resultantes do presente lançamento. DA NULIDADE MATERIAL DOS PRESENTES AIS (fl. 304) A recorrente entende que a decisão de piso deve ser reformada no tocante à violação da busca da verdade material, afirmando que é um dever da Administração Pública Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10830.720441/201505 Acórdão n.º 2201003.786 S2C2T1 Fl. 383 7 investigar, com base na realidade dos fatos, a efetiva existência dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Após citar doutrina sobre o tema, ressalta que a fiscalização falhou em seu dever de apuração da verdade material dos fatos, limitandose a examinar superficialmente os lançamento fiscais e documentos da recorrente, sem de ater ao fato de que o STF determinou o sobrestamento de todos os casos relativo à constitucionalidade do FAP. Não assiste razão à defesa, já que, como restou bem claro no Relatório e nas demais peças do processo, a autuação fiscal, basicamente, decorre da identificação de débitos declarados em GFIP apurados sob alíquota inferior à vigente, cuja diferença teria sido depositada pelo contribuinte em juízo. Assim, não havia nada mais a ser avaliado pelo AuditorFiscal, pois a base de cálculo já havia sido admitida pelo contribuinte ao apurar seus débitos aplicando a alíquota que entendia devida. A partir daí, o Agente promoveu o lançamento exclusivamente para prevenir a decadência, reconhecendo que os valores relativos à diferença foram depositados judicialmente e determinando que a cobrança do crédito tributário lançado permanecesse sobrestada até o fim da lide judicial. Assim, não há dúvidas de que as afirmações fiscais tem lastro documental, legal e fático que evidenciam a regularidade do lançamento e confirmam o acerto decisão recorrida. DO DIREITO DA ILEGALIDADE DO AUMENTO DA ALÍQUOTA BÁSICA DO SAT (fl. 308) DAS ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES DA INSTITUIÇÃO DO FAP (fl. 313) Inicia o contribuinte reafirmando que a matéria de direito está sendo discutida na esfera judicial e pede vênia para apresentar um breve resumo das teses ventiladas na referida medida judicial que corroboram seu argumento do sentido de que a majoração da alíquota do SAT feita pelo Decreto nº6.957/09 seria ilegal. Afirma que não discute o fato de que o Decreto pode ou não alterar o grau de risco da empresa, o que questiona é que a legislação não foi observada para tal majoração. Alega que a instituição do FAP fere princípios constitucionais que norteiam a tributação e também diversos princípios que norteiam a Seguridade Social. Prossegue com o seu breve resumo para concluir afirmando que autuação merece ser integralmente cancelada, por não estar obrigada à nova alíquota do SAT em 3% em razão de sua flagrante ilegalidade. Deixo de tratar com maiores detalhes os argumentos recursais neste tema por restar inconteste que a questão da regularidade da majoração das alíquotas do SAT é o objeto da ação judicial muitas vezes citadas no presente voto. Sobre este tema não cabe ao julgador administrativo tecer qualquer consideração, posto que seriam inócuas, em razão da preponderância da decisão judicial sobre a administrativa. Fl. 386DF CARF MF 8 Como já destacado alhures, quando o contribuinte optou por recorrer ao judiciário, abdicou da discussão administrativa sobre a mesma matéria. Ademais, não cabe, no julgamento administrativo de 2ª Instância qualquer juízo sobre a inconstitucionalidade de leis tributária ou mesmo sobre afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, tudo conforme se vê nos comandos abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ricarf. Portaria MF 343/2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ademais, há que se ressaltar que é possível a contestação do FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social. Entretanto, tal demanda deve ser formalizada junto ao próprio MPS, nos termos do art. 202B do Decreto 3.048/1999. Portanto, irretocável o lançamento e a decisão recorrida. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA DE 20% E JUROS SELIC (CAUSA SUSPENSIVA = DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO) (fl. 316) Alega a Recorrente que jamais foi constituída em mora, em virtude da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário aqui exigido, prevista no art. 151, III do CTN, afirmando que os depósitos judiciais foram efetuados antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização a eles relativos. Sustenta que este Conselho é uníssono no sentido de não admitir a incidência de acréscimos legais a partir do implemento do depósito. Ora, o art. 151, inciso III da Lei 5.172/66 é expresso ao prever que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. E assim foi feito. Até que se haja decisão final lide na esfera administrativa, será mantida a suspensão do débito ora em discussão. O mesmo art. 151, em seu inciso II, prevê que o depósito no montante integral, igualmente, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Portanto, como no caso em tela, conforme afirmação da Autoridade Fiscal, o efetivo depósito ocorreu extemporaneamente, em 21/12/2010 (item 5, fl. 14) o que justificou a incidência de acréscimos moratórios devidos entre a data do vencimento do tributo e o seu efetivo depósito. Tal exigência está perfeitamente alinhada aos precedentes administrativos apresentados pelo contribuinte, já que, de fato, não se admite a incidência de acréscimos legais a partir do implemento do depósito. Assim, nada a prover neta parte. Por fim, quanto ao pedido de ciência de termos e atos processuais na pessoa do patrono do requerente, não há amparo legal para tanto, já que é regular a ciência do contribuinte em qualquer uma das hipóteses descritas no art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão: Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10830.720441/201505 Acórdão n.º 2201003.786 S2C2T1 Fl. 384 9 Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928481/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.381
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 81 /2 00 9- 30 Fl. 706DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.279 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 11080.928481/200930 Acórdão n.º 3402004.381 S3C4T2 Fl. 112 3 A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.279), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: Fl. 708DF CARF MF 4 a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 574 a 586, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de novembro de 2005, no total de R$ 4.946.258,76, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CERCEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime nãocumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 17%, 14%, 17%, 14% e 34%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Da mesma forma, as receitas auferidas na execução do contrato CERCO/2005 41, no mês de novembro de 2005, no total de R$ 15.457,36, também foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime não cumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº Fl. 709DF CARF MF Processo nº 11080.928481/200930 Acórdão n.º 3402004.381 S3C4T2 Fl. 113 5 0000100200800010811, em decorrência do contrato ter sido firmado posteriormente a 31/11/2003. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 588 a 611, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra que a Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; vi) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vii) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos Fl. 710DF CARF MF 6 autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 642 a 652, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 711DF CARF MF Processo nº 11080.928481/200930 Acórdão n.º 3402004.381 S3C4T2 Fl. 114 7 Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 7) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 712DF CARF MF 8 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua Fl. 713DF CARF MF Processo nº 11080.928481/200930 Acórdão n.º 3402004.381 S3C4T2 Fl. 115 9 apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 574 a 586). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 588 a 611), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 714DF CARF MF 10 deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 574 a 586) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls 588 a 611), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 715DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720174/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO
Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição entre o decidido no voto condutor e a parte dispositiva da ementa.
Numero da decisão: 3302-004.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 11/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição entre o decidido no voto condutor e a parte dispositiva da ementa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 11/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 74 /2 01 1- 55 Fl. 3262DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Cervejaria Petrópolis S/A, ora Embargante, contra o Acórdão nº 3102002.194 que, negou provimento ao Recurso de Ofício e, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para (i) para reconhecer o direito da empresa de não recolher o Imposto nas vendas à empresa JM Indústria Comércio e Logística Ltda. no período em que vigeu a Medida Cautelar nº. 2006.02.01.0129684; e (ii) reconhecer o direito aos créditos glosados por equivocada indicação da legislação nas notas fiscais; nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 BENEFÍCIO FISCAL. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. ISENÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. CONDIÇÃO. Geram crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos isentos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967 desde que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos sujeitos ao pagamento do referido Imposto. Inaplicável no caso a permissão outorgada pelo artigo 11 da Lei 9.779/99 de manutenção de aproveitamento do crédito correspondente às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. ISENÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE ESTABELECIMENTO LOCALIZADO NA AMAZÔNIA OCIDENTAL. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS. OMISSÃO NA NOTA FISCAL DE PRECEITO REGULAMENTAR. MENÇÃO DA MATRIZ LEGAL. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. 1. É assegurada a manutenção do crédito do IPI, relativo a produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, adquiridos com isenção e empregados na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem de produtos sujeitos ao pagamento do referido Imposto. 2. A omissão na nota fiscal de compra do dispositivo regulamentar, contido no Regulamento do IPI vigente da nada do fato gerador, tratase de requisito formal superado com a indicação do dispositivo (matriz) legal regulamentado, que assegurava a manutenção do crédito do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITO. EVENTO CONDICIONANTE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. ESCOPO DA LIDE. RESTRIÇÃO. Uma vez que a Autoridade Fiscal tenha fundamentado a autuação na interpretação de que a Solução de Consulta deve ser aplicada até que tenha ocorrido o evento especificado nela própria como sendo a data limite de sua eficácia, cabe ao julgador apenas avaliar se a leitura dos fatos empregada pelo Fisco está em harmonia com a legislação e com os termos da Solução. Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 15563.720174/201155 Acórdão n.º 3302004.702 S3C3T2 Fl. 3 3 A decisão proferida na Solução de Consulta favorável à consulente fica sem efeito a partir da data de revogação do provimento jurisdicional ao qual ela estava atrelada. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Segundo a Embargante o v. acórdão embargado é obscuro, contraditório e omisso pelos seguintes motivos: a) obscuro: pelo fato da ementa retratar juízos que, por mais tenham sido discutidos quando da apreciação do caso concreto, acabaram por não prevalecer, de modo que a presença desse elemento na ementa apenas pode engendrar a confusão naqueles que debruçarem sobre a decisão tomada pelo Colegiado; Ao final, pede a exclusão do trecho constante na ementa, a seguir transcrito: Inaplicável no caso a permissão outorgada pelo artigo 11 da Lei 9.779/99 de manutenção de aproveitamento do crédito correspondente às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero; b) contraditório: pelo fato do vencido e o voto vencedor adotarem premissas fáticas absolutamente incompatíveis entre si como suportes de suas conclusões; c) omisso: quanto a inaplicabilidade dos artigos 472 e 811 do CPC e, aplicabilidade da consulta sobre as vendas à Leyroz; e Em 11 de outubro de 2016, foi proferido o despacho de fls. 2.0082.015 inadmitindo os Embargos de Declaração. Intimada da referida decisão, a ora Embargante interpôs Recurso Especial (fls. 2.0232.091) pleiteando (i) preliminarmente, o rejulgamento dos Embargos de Declaração; e (ii) provimento do recurso para cancelamento integral do Auto de Infração. Já em 02 de dezembro de 2016, foi proferido o despacho negando seguimento ao Recurso Especial (fls. 2.1442.151) nos seguintes termos: Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Por força do disposto no art. 71, § 2º, inciso V (falta de préquestionamento da matéria, no caso de recurso interposto pelo sujeito passivo), do RICARF, este despacho é definitivo, não mais cabendo a interposição de recurso na esfera administrativa. Fl. 3264DF CARF MF 4 Encaminhese à ARF PETRÓPÓLIS/RJ para dar ciência ao contribuinte deste despacho e para tomar as providências necessárias à execução do acórdão recorrido, em virtude de haverem se esgotado todas as possibilidades de recurso. Contra referida decisão, a ora Embargante interpôs Agravo (fls.2.1572.179) que restou não conhecido por meio do despacho proferido às fls. 2.2282.231, com determinação de retorno à unidade de origem para execução do acórdão. Inconformada com as decisões anteriormente citadas, a ora Embargante impetrou Mandado de Segurança, distribuído sob o nº 100091993.2017.4.01.3400, em trâmite perante a 20ª Vara da Justiça Federal de Brasília/DF e, obteve decisão favorável, em sede de Agravo de Instrumento, para (i) suspender os efeitos da decisão monocrática que rejeitou os Embargos de Declaração; e (ii) determinar que o julgamento dos Embargos de Declaração sejam submetidos ao Colegiado administrativo competente. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Em cumprimento a decisão judicial proferida no Agravo de Instrumento nº 100092178.2017.4.01.0000, submeto à esta Turma o julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela empresa Cervejaria Petrópolis S/A contra decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário. A Embargante entende que o v. acórdão embargado é obscuro, contraditório e omisso pelos seguintes motivos: a) obscuro: pelo fato da ementa retratar juízos que, por mais tenham sido discutidos quando da apreciação do caso concreto, acabaram por não prevalecer, de modo que a presença desse elemento na ementa apenas pode engendrar a confusão naqueles que debruçarem sobre a decisão tomada pelo Colegiado; Ao final, pede a exclusão do trecho constante na ementa, a seguir transcrito: Inaplicável no caso a permissão outorgada pelo artigo 11 da Lei 9.779/99 de manutenção de aproveitamento do crédito correspondente às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero; b) contraditório: pelo fato do vencido e o voto vencedor adotarem premissas fáticas absolutamente incompatíveis entre si como suportes de suas conclusões; c) omisso: quanto a inaplicabilidade dos artigos 472 e 811 do CPC e, aplicabilidade da consulta sobre as vendas à Leyroz; e Passase, então, a análise dos argumentos apresentados pelo Embargante. a) Obscuridade Segundo a Embargante o acórdão Embargado é obscuro: i) pelo fato de que apenas se faz menção à malsinada Lei nº 9.779/99 no voto vencido do eminente Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, sendo certo que não há Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 15563.720174/201155 Acórdão n.º 3302004.702 S3C3T2 Fl. 4 5 qualquer referência a esse diploma normativo no vencedor, da lavra do emérito Conselheiro José Fernandes; e ii) que a ementa apenas deve contemplar as posições que prevaleceram por ocasião do respectivo julgamento, razão pela qual propugna que a malfada alusão à Lei nº 9.779/99 que apenas consta do voto vencido não deveria consta da ementa do r. decisum vergastado, tendo em vista que a conclusão a que chegou a Colenda Turma não envolveu qualquer juízo sobre essa lei ordinária. Ao final, pede seja saneada a referida obscuridade, com a competente supressão do trecho constante da ementa que retrata a inaplicabilidade da Lei nº 9.779/99. A decisão que afastou a obscuridade suscitada pela Embargante assim expôs seus motivos: Não há a alegada obscuridade do Acórdão ante a menção, restrita ao Voto vencido, à Lei nº 9.779/99. Em sede de Recurso Voluntário, a ora Embargante alegou que o artigo 11 da Lei 9.779/99 autorizaria a manutenção dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados “decorrentes da operação anterior de aquisição de insumos, inclusive de produto isento”, compensadoo com o Imposto devido na saída de produtos. Como resposta à pretensão da parte, foi necessário abordar o assunto, o que levou a Turma à conclusão de que era inaplicável, no caso concreto, a permissão outorgada pelo artigo 11 da Lei 9.779/99, pois essa trata da manutenção de aproveitamento do crédito na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero, e aqui discutese a manutenção de créditos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem isentos e não aplicados em produtos isentos. Pois bem. Nos termos do item "1.4.1.1. Ementa" do Manual do Conselheiro, havendo no julgamento voto vencedor e vencido, a ementa refletirá apenas as teses vencedoras, a saber: 1.4.1.1. Ementa A ementa não é obra apenas do relator, portanto deve espelhar o entendimento da Turma julgadora na apreciação do recurso. Não obstante, o relator deve apresentar uma proposta de ementa, consentânea com o sentido de seu voto, junto com a minuta trazida para julgamento. Contudo, ela deve ser submetida a julgamento e eventualmente pode ser alterada, de forma a traduzir exatamente o decidido no julgamento. Se houver voto vencedor e vencido, a ementa refletirá apenas as teses vencedoras. Como reflete uma decisão, que pode ser aplicada a casos análogos, a ementa deve ser redigida de forma a facilmente permitir a sua consulta nos repositórios de jurisprudência disponíveis no sítio do CARF na internet ou nas publicações oficiais. Quando a decisão decorre de aplicação de súmula, esta deve estar indicada na ementa. Fl. 3266DF CARF MF 6 Ressaltese que a ementa não tem a função de fundamentar a decisão proferida, cabendo ao texto do voto do relator tal incumbência. Assim, o relator não deve na ementa historiar ou resumir a argumentação do voto, tampouco citar o texto da lei ou a orientação doutrinária que o embasou. Analisando a parte do voto vencedor contida no v. acórdão Embargado, constatase inexistir questionamento sobre a inaplicabilidade da Lei nº 9.779/99 (matéria analisado apenas no voto vencido), sendo abordado, tão e somente questões relativas a indicação errada, nas respectivas notas fiscais de compra, do dispositivo regulamentar que dava suporte ao direito de manutenção do crédito do IPI. Para o condutor do voto vencedor "...embora no corpo das referidas fiscais colacionadas aos autos (fls. 17 e ss.) não tenha sido mencionado o art. 82, III, do RIPI/2002 (Decreto 4.544/2002), preceito regulamentar que dava guarida ao uso do benefício fiscal em tela, verificase que nelas consta, expressamente, o art. 6º do Decretolei 1.435/75, que, conforme mencionado, representa a matriz legal que, inequivocamente, assegurava a manutenção do crédito do IPI glosado pela fiscalização". Ou seja, a única questão tratada no voto vencedor para admitir o direito de crédito do IPI, foi a matéria concernente ao erro no preenchimento de notas fiscais, inexistindo, assim, qualquer alusão a inaplicabilidade da Lei nº 9.779/99. Nestes termos, entendo que razão assiste à Embargante, devendo, ser excluída da ementa o seguinte trecho: Inaplicável no caso a permissão outorgada pelo artigo 11 da Lei 9.779/99 de manutenção de aproveitamento do crédito correspondente às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero; b) Contradição Alega a Embargante que o acórdão Embargado é contraditório, posto que o voto vencido e o voto vencedor adotam premissas fáticas absolutamente incompatíveis entre si como suportes de suas conclusões. No entendimento da Embargante a contradição se deu porque no voto vencido consta que é incontroverso o fato de que os insumos adquiridos pela Embargante foram empregados na fabricação de produtos desonerados, ao passo que no voto vencedor é claríssimo ao afirmar que inexiste controvérsia sobre o fato de os insumos terem, sim, sido utilizados na confecção de produtos sujeitos ao pagamento do IPI. Por sua vez, a decisão inadmitiu os aclaratórios com base nos seguintes fundamentos: Liminarmente, não vejo como a contradição entre Voto vencedor e vencido dê ensejo à interposição de Embargos de Declaração. Conforme dito alhures, a contradição que motiva a interposição dos Aclaratórios é aquela que se verifica entre os fundamentos do voto e as suas conclusões e não entre os entendimentos divergentes confrontados no Acórdão. E, de fato, é perfeitamente possível que, com base nos elementos de prova colacionados aos autos, Relator do Voto Vencido e Redator do Voto vencedor cheguem à conclusões diferentes acerca das circunstâncias fáticas examinadas. Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 15563.720174/201155 Acórdão n.º 3302004.702 S3C3T2 Fl. 5 7 Noutro vértice, imperioso dizer que, o que se lê no Voto vencido não diverge do que se lê no Voto vencedor. Com efeito, o Voto vencido refere o fato de os produtos fabricados pela Recorrente estarem desonerados do Imposto na saída de seu estabelecimento5, ao passo que o Voto vencedor faz menção à utilização dos referidos insumos na industrialização de produtos sujeitos ao pagamento do referido imposto. A afirmação de que o produto está sujeito ao pagamento do Imposto não é contraditória com a afirmação de que eles estivessem desonerados. No caso específico dos autos, em regra geral, haveria sujeição ao pagamento do Imposto, contudo, a operação fora desonerada por medida judicial. Mas o que realmente interessa aqui pontuar é que, independentemente de ser ou não esse o núcleo da questão, o fato é que a contradição apontada não preenche os requisitos legais para admissão dos Aclaratórios, tal como esclarecido nas considerações preambulares que foram feitas no presente item. Conforme doutrinam Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha, é omissa a decisão: a) que não se manifestar sobre um pedido ou b) sobre argumentos relevantes lançados pelas partes e c) quando não apreciadas matérias de ordem pública, portanto cognoscíveis de ofício pelo magistrado, tenham ou não sido suscitadas pelas partes. Os mesmos autores consideram obscura a decisão quando ininteligível, portanto, mal redigida, faltandolhe a devida clareza. E contraditória, quando traz proposições inconciliáveis entre si, exemplificando com aquela em que há uma contradição entre os seus fundamentos e a sua conclusão. (Direito processual civil: meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. Salvador: JusPODIVM, 2006, p. 131). No presente caso, concordo com o fundamento utilizado no despacho que admitiu os Embargos de Declaração, posto que não há contradição entre entendimentos divergentes confrontados no v. acórdão (voto vencido X voto vencedor), sendo que a contradição que motiva a interposição dos Aclaratórios é aquela que se verifica entre os fundamentos do voto e as suas conclusões. Por tais razões, não acolho a contradição suscitada pela Embargante. c) Omissão A omissão suscitada pela Recorrente diz respeito aos argumentos apresentados em sede recursal concernentes as operações (saídas de mercadorias) envolvendo à empresa Leyroz de Caixas, tidos por não enfrentados no v. acórdão Embargado. Porém, antes de analisar as omissões suscitadas pela Embargante, destacase alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal que motivaram a exigência do tributo incidente sobre as operações vinculadas à empresa Leyros de Caixas: A fiscalizada vendeu para duas distribuidoras deixando de destacar e recolher o IPI por de medida judicial (matriz e filiais), a saber: JM INDÚSTRIA COMÉRCIO E LOGÍSTICA LTDA, CNPJ: 04.660.550/000198 e LEYROZ DE CAXIAS INDÚSTRIA COMÉRCIO & LOGÍSTICA LTDA, CNPJ: 06.958.578/0001 31. A ação judicial movida pela primeira, serviu para instruir o processo de consulta n° 13748.000523/200587. O processo, no entanto, não faz qualquer menção à ação judicial da segunda. (...) Fl. 3268DF CARF MF 8 Assim, o auto de infração está sendo lavrado no contribuinte industrial, pois foram verificadas situações que, em que pese o contribuinte ser possuidor de decisão favorável em processo de consulta foram verificadas situações de perda do efeito da consulta a partir de certa data nas saídas para um dos distribuidores (JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO) e como ficará demonstrado, a consulta não faz efeitos para as saídas para a LEYROZ DE CAXIAS. (...) Assim, em 04 de julho de 2006, a decisão foi reformada, tendo perdido seus efeitos práticos, pois ao determinar que a JM não mais receba a cerveja sem qualquer destaque de IPI e sim com base nos valores e alíquotas da TIPI (que no caso do produto comercializado, cerveja de malte classificação 22030000, tem alíquota de 40%) a tributação é mais gravosa do que com base na pauta. Devem, portanto, ser constituídos os créditos tributários referentes às saídas sem destaque de IPI à JM INDÚSTRIA COMÉRCIO E LOGÍSTICA LTDA, CNPJ: 04.660.550/000198 (e suas filiais) a partir da reforma da decisão, pois se a consulenteindustrial der saída a este distribuidor deve fazêlo em respeito às normas vigentes da Receita Federal do Brasil, ou na melhor das hipóteses, segundo o que determina a decisão reformada em 04 de julho de 2006, com base nos valores da mercadorias e alíquotas da TIPI (o que se demonstrará, seria mais gravoso ao contribuinte). (...) Ao tempo da formulação da consulta já se tinha conhecimento do efeito multiplicador de diversas ações judiciais da mesma natureza interpostas por contribuintes de todo o País questionando a cobrança do IPI com base em pautas fiscais. Dada a inovação de tal sistemática, muitas liminares eram concedidas, para pouco tempo depois terem seus efeitos cassados. Não havia um padrão de comportamento, "cada história é uma história". Sendo assim, a consulente já poderia àquela época ter informado o órgão consultivo da existência de outros processos judiciais de seus clientes que estivessem sendo beneficiados por decisões judiciais similares. Mais especificamente, o da LEYROZ DE CAXIAS, a que veio dar saída sem destaque de IPI em "cumprimento a ordem judicial". Ao não informar ao órgão consultivo da existência de outro processo judicial, assumiu o risco de dar saída a produtos de sua fabricação para terceiros, sem que estivesse coberto pelos efeitos da consulta. (...). A consulente, portanto, deveria ter informado ao órgão consultivo da existência de outra ação judicial, no caso, o da LEYROZ DE CAXIAS. Ao deixar de fazêlo, assumiu o risco de dar saída a produtos de sua fabricação para terceiros beneficiários de decisões judiciais, sem cobertura da decisão favorável em processo de consulta. O contribuinte de direito certamente não poderia deixar de cumprir decisão judicial do não destaque do imposto, mas ninguém lhe obrigara a comercializar seus produtos ao autor da ação judicial beneficiário da medida liminar, decorrendo a relação comercial estabelecida entre eles de manifestação da vontade de ambos, a qual, todavia, não poderá ser oponível à Fazenda Pública, por força do que dispõe o art. 123 do Código Tributário Nacional. Assim, por todo o exposto, a decisão favorável em processo de consulta não faz seus efeitos nas saídas para a LEYROZ DE CAXIAS.” 1 Em relação aos fatos apurados pela fiscalização, a Embargante, seja em sede de impugnação, seja em sede recursal, apresentou os seguintes argumentos em relação as operações realizadas com a empresa Leyroz de Caixas: a) A Recorrente não fez parte dos processos judiciais que suspenderam a incidência do IPI nas vendas a determinados clientes. Portanto, sua situação é apenas de terceira que esteve sujeita à determinação judicial e a submeteu ao crivo da 1 Trecho extraído da decisão de primeira instância. Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 15563.720174/201155 Acórdão n.º 3302004.702 S3C3T2 Fl. 6 9 Receita Federal a postura que deveria adotar, que digase de passagem, na resposta à consulta, firmou os parâmetros de sua ação. Logo, não tem o que discutir sobre a sentença ou sobre tutela antecipada, mas sobre a ordem que recebeu e que deveria dar cumprimento, sob pena de responder por crime de desobediência (artigo 330 CP). Cita os artigos 472, 811 e 14, inciso V do antigo CPC, como fundamento da justificar a não participação nas ações judiciais e, para cumprir a determinação judicial. b) A Empresa Leyroz obteve antecipação de tutela para o fim de suspender a incidência do IPI relativo às saídas dos produtos fabricados pela Recorrente, destinados à autora da ação, processo nº 2004.51.10.0064866. Tal decisão produziu efeitos em relação à recorrente desde que foi intimada a cumprir a determinação judicial até que a decisão foi revogada no início do ano de 2010. c) Assente que a decisão judicial perdurou entre 2004 e 2010, há de produzir seus regulares e jurídicos efeitos a Solução de Consulta obtida pela recorrente, não havendo responsabilidade por parte da recorrente, haja vista não ter integrado a lide, sendo apenas terceiro em relação ao processo. d) A Turma Julgadora "a quo" reconheceu a efic[acia da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 60/2006, em resposta a consulta formulada pela recorrente para o fim de afastar a responsabilidade desta em relação a todo o período em que deixou de recolher o tributo em virtude de determinação judicial, pois, tal responsabilidade recairia à autora da ação, contudo, equivocadamente, somente em relação à JM Ind. Com. e Log. Ltda, mencionada na consulta formulada e apresentada à Receita Federal. e) Tece comentários sobre os efeitos da consulta, entendo ser esta aplicável à todos os contribuintes que realizam operações idênticas, independente de constar como Consulente no processo administrativo. Diz que as ações judiciais promovidas pelas empresas JM e Leyroz são idênticas, justificando, assim,a aplicação do entendimento proferida na consulta realizada pela JM ao caso da empresa Leyroz. Por sua vez, o v. acórdão embargado solucionou o litígio com base nos seguintes fundamentos: No vertente litígio resta incontroverso, conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração litigado, que a decisão da Fiscalização Federal de afastar em parte os efeitos da Solução de Consulta favorável à Recorrente deveuse, exclusivamente, a certas particularidades de cunho técnico jurídico. Não houve qualquer inferência a respeito da prática de atos simulados que subtraíssem por completo a efetividade do expediente. Assim, nenhuma outra razão poderá ser considerada no juízo que se faça sobre o tema, mas apenas aquela que motivou a lavratura do Auto de Infração. Quanto a isso, no Auto, decidiuse pela perda de efeito da Solução de Consulta em relação à empresa JM Indústria Comércio e Logística Ltda para as operações imediatamente posteriores à cassação da tutela, tal como foi assentado na própria Solução. Encontrase transcrita no texto (e à folha 361 (numeração digital) do Processo) a decisão colegiada da 3ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, citada pelos Auditores, datada de 04 de julho de 2006. Já no que diz respeito à empresa Leyroz de Caxias Ind. Com. E Logística Ltda, a Fiscalização considerou a Solução de Consulta inaplicável porque, em seu corpo, “em nenhum momento sequer, é feita qualquer menção a LEYROZ DE Fl. 3270DF CARF MF 10 CAXIAS, ou distribuidor detentor de medida judicial”, mas apenas à empresa JM Indústria Comércio e Logística Ltda. Em sua defesa, a Recorrente alega inexistência de intimação judicial informandoa da alteração na ordem judicial anterior, além da existência de medida judicial concedendo efeito suspensivo ao recurso especial, restabelecendo as decisões de primeira instância, que suspenderam a exigibilidade do Imposto sobre Produtos Industrializados. O assunto foi examinado no Voto condutor da decisão recorrida. Transcrevo o excerto correspondente. Relativamente á JM, como a autoridade fiscal se viu obrigada a obedecer a solução dada á consulta já referenciada, a questão posta em litígio ficou restrita á eficácia da decisão judicial que afastou a tributação, pois segundo o Fisco a perda da eficácia se deu em 04/07/2006 e para a impugnante ainda se encontra eficaz. Também neste ponto está sem razão a impugnante. As normas do processo civil são expressas no sentido de que os recursos apresentados aos tribunais superiores (recurso especial e extraordinário) terão apenas o efeito devolutivo. Assim, a decisão proferida em sede de apelação terá total eficácia, podendo ser imediatamente executada. Como o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em análise da apelação apresentada pela Fazenda Nacional no processo ajuizado pela empresa JM (fls. 361/366), proferiu decisão favorável ao Fisco, é fácil perceber que a partir da publicação de tal decisão é possível a exigência dos valores relativos ao IPI incidente nas saídas de produtos promovidas pela impugnante com destino à empresa JM. (grifos acrescidos) Entendo, porém, que a autoridade fiscal não está totalmente correta pois a decisão judicial somente se aperfeiçoa com a publicação. Da consulta à tramitação processual feita no sítio do TRF 2ª Região (fls. 1650/1655), observase que o acórdão foi publicado no Diário da Justiça, fls. 275/280, em 16/10/2006, passando, então, a partir desta data, a ser de conhecimento público, produzindo efeitos contra todos os sujeitos passíveis de serem alcançados pelo conteúdo decisório nele exarado. Assim, a exigência do IPI, em obediência á solução de consulta mencionada, somente poderia se dar em relação aos fatos geradores ocorridos após a publicação do acórdão, sendo improcedente o lançamento dos débitos relativos aos fatos geradores relativos ás saídas para a empresa JM ocorridas antes de 16 de outubro de 2006. Faço minhas as palavras do i. Julgador de primeira instância no que concerne à data a partir da qual produziramse os efeitos da decisão favorável ao Fisco na ação ajuizada pela empresa JM. O mesmo, contudo, não posso dizer em relação à medida cautelar concedendo efeito suspensivo ao recurso especial e extraordinário. Assim manifestouse o Sr. Desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, na decisão tomada nos autos da Medida Cautelar nº. 2006.02.01.0129684, suspendendo os efeitos da decisão do TRF da 2ª Região, entre as datas de 22/11/2006 (data da concessão da liminar) (fls. 1558/1640 dos autos e Doc. 09 da Impugnação) até 14/05/2007 (data em que a decisão foi reconsiderada). Pelo exposto, concedo a liminar para atribuir efeito suspensivo aos recursos especial e extraordinário a serem interpostos, suspendendo, em parte, a eficácia do v. acórdão da 3 ª Turma Especializada deste Tribunal, que deu provimento parcial à apelação da UNIÃO, até o exame de admissibilidade, restabelecendo os efeitos da Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 15563.720174/201155 Acórdão n.º 3302004.702 S3C3T2 Fl. 7 11 decisão de primeiro grau nos termos em que foi proferida, para todos os efeitos legais. Penso que assista razão à Parte. Uma vez que o Acórdão da 3 ª Turma Especializada tenha determinado, conforme descreve o Exmo. Sr. Desembargador no Voto correspondente, a aplicação de legislação revogada e mais gravosa do que a pauta fiscal contra a qual a impetrante insurgiase, houve por bem, em decisão monocrática, conceder a liminar atribuindo efeito suspensivo aos recursos especial e extraordinário que viessem a ser interpostos pela Parte e, o mais importante, restabelecendo a condição anterior, nos termos em que a sentença de primeiro grau havia determinado. Já no que se refere às aquisições realizadas à empresa Leyroz de Caxias, além da motivação relacionada aos efeitos da Solução de Consulta, que, pela própria natureza do instituto e legislação que o rege, limitarseiam à empresa citada no corpo da Consulta, no caso a JM, temse, ainda, a o fato de que jamais foi afastada a tributação, mas determinada a suspensão, razão pela qual, uma vez que provimento jurisdicional tenha perdido efeito, deverão ser exigidos os débitos correspondentes. Também sobre assunto falouse na Decisão recorrida, cuja fundamentação, mais uma vez, acolho. Ainda sobre a Leyroz, devemos deixar bem claro que a decisão judicial, nos termos em que foi proferida, jamais afastou a aplicação da tributação das operações, optando por apenas suspender a sua exigibilidade. Com a perda de sua eficácia em 21/01/2010 a situação retornou a sua condição normal de exigibilidade, estando totalmente correto o lançamento dos débitos decorrentes das saídas para esse adquirente. Nas palavras da Embargante o v. acórdão restou omisso (i) primeiramente, pelo fato de não constar na decisão motivação legal (entendase citação de norma) para afastar os efeitos da consulta; e (ii) segundo, em relação ao fato dela responder pelo tributo não destacado nas vendas à Leyroz de Caxias realizadas enquanto vigente a liminar proferido no processo judicial. Em que pese os argumentos apresentados pela Embargante, entendo que não há omissão a ser sanada no acórdão combatido. A uma, porque o voto condutor do acórdão recorrido analisou, de forma adequada, ainda que de forma sucinta, todos os argumentos relevantes suscitados pela Embargante. A duas, porque o fato de a Embargante não concordar ou entender que os argumentos apresentados no voto condutor do julgado não são corretos, certamente, não configura omissão, sendo que o mero inconformismo com a decisão deve ser objeto de recurso próprio. Ora, o primeiro ponto omisso pela Embargante que diz respeito a ausência de fundamento legal para afastar os efeitos da consulta foi devidamente analisada pelo julgador, onde restou confirmado que o resultado da Consulta Administrativa se aplica apenas ao próprio Consulente. O fato do relator não ter apontado nenhum dispositivo legal para justificar sua decisão, não acarreta, no entendimento deste relator omissão. O mesmo se diga em relação a matéria envolvendo a exigência do tributo enquanto vigente a liminar proferida na ação ajuizada pela empresa Leyroz, onde o i. relator, Fl. 3272DF CARF MF 12 adotando os fundamentos da decisão de piso, justificou os motivos para manutenção do lançamento fiscal. Com efeito, restou consignado no voto condutor os motivos pelos quais ele entendeu serem distintas as decisões proferidas nas ações judiciais movidas pela JM e pela Leiroz e, assim, por não aplicar/cumprir a decisão proferida na ação da Leiroz. Com efeito, os embargos declaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida ou contraditória no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. Deste modo, entendo não ser o caso de omissão apontada pela Embargante em relação as matérias por ela suscitadas, posto que o sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permite que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência de que as decisões devem formar um conjunto coerente de enfrentamento das razões apresentadas pelo recorrente, sendo assim desnecessário o enfrentamento pontoaponto: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater se aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Diante do exposto, acolho parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto Relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 3273DF CARF MF
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Numero do processo: 13858.000227/2006-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2005
OPÇÃO SIMPLES. IMPEDIMENTO.
Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário
imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal.
EFEITO RETROATIVO.
A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
Numero da decisão: 1801-000.585
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinhos Machado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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IMPEDIMENTO. Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinhos Machado. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 82DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13858.000227/200610 Acórdão n.º 180100.585 S1TE01 Fl. 10.5 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FCA/SP nº 470.197, de 07 de agosto de 2003, com efeitos a partir de 01/01/2001, fl. 12, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 05/05/2000 Situação excludente: (evento 304): Descrição: receita bruta de R$ 805.288,62 no anocalendário de 2000 ultrapassou o limite. Data da ocorrência: 31/12/2000 Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9°, II; art.12; art.14, I; art.15, IV. Lei n°9.779, de 19/01/1999: art. 6°. Instrução Normativa SRF n° 250, de 26/11/2002: art.20, II; art.21; art.23, I; art.24, IV, c/c parágrafo único. A Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, com pedido de revisão do ato em rito sumário. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 37/38, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido assim ementado: SIVEX LOTE 003/2003. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECEITA BRUTA INCOMPATÍVEL COM O PORTE. IMPUGNAÇÃO. Por força de disposições da Lei nº 9.317/96, artigo 9º, II, e alterações posteriores em vigor, vedase à opção pelo Simples a pessoa jurídica que ultrapasse o limite de receita bruta prevista na lei proporcionalmente a sua constituição. Caso de exclusão obrigatória por não comunicação da pessoa jurídica, Lei nº 9.317/96, art. 13, § 2º, II. Cientificada em 09/06/2006 (sextafeira), fl. 31, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 11/07/2006, fls. 01/10, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que o ato de exclusão é ilegal, uma vez que no anocalendário de 2000 o limite de receita bruta era de R$900.000,00 pois era proporcional ao número de meses em que ela houver exercido atividade, desconsideradas as frações dos meses a partir do mês de abril de 2000. Diz ser inconstitucional o procedimento, dado que no período ultrapassou o Fl. 83DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13858.000227/200610 Acórdão n.º 180100.585 S1TE01 Fl. 11.5 3 valor da receita bruta em R$5.288,62 e que não por somente por este motivo não pode ser apenada de forma tão gravosa. Procura demonstrar que os efeitos da exclusão não podem retroagir (art. 106 do Código Tributário Nacional). Descreve o limite legal da receita bruta vigente para o ano calendário de 2006, época em que tomou ciência da exclusão. Requer a produção de provas. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, e demonstrada a insubsistência e improcedência do Ato Declaratório Executivo n.° 470.197 de 07.08.2003, requer o acolhimento da presente impugnação, julgandoa procedente, com a manutenção da impugnante no regime do SIMPLES. Termos em que, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1419.858, de 28/07/2008, fls. 40/44: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE PERMITIDO. Verificado que o montante de receita bruta global ultrapassa o limite proporcional referido em lei, incide a hipótese excludente. Notificada em 18/08/2008, fl. 67, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17/09/2008, fls. 69/82, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Isto posto, é o presente para requerer o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, a fim de que seja concedido o direito da recorrente de ser mantida no SIMPLES, desde a sua constituição, assim como, seja declarado improcedente o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n° 470.197/2003. Outrossim, caso assim não se entenda, em última hipótese, requer que o ato que a excluiu do SIMPLES seja aplicado somente para o anocalendário de 2000. Protesta ainda a recorrente pela oportunidade de realizar SUSTENTAÇÃO ORAL no dia do julgamento do recurso, para que possa demonstrar suas razões perante os Julgadores de Segunda Instância administrativa. É o Relatório. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13858.000227/200610 Acórdão n.º 180100.585 S1TE01 Fl. 12.5 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Requerente pleiteia fazer sustentação oral. O Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, fixa: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II para cada processo: a) o nome do relator; b) os números do processo e do recurso; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. [...] Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; Neste sentido, tem cabimento que a pauta da sessão de julgamento dos processos no CARF seja publicada no DOU. Também há possibilidade jurídica de que a Recorrente ou seu representante legal faça sustentação oral durante o julgamento do recurso voluntário, desde que observados os demais requisitos. A Recorrente alega que o procedimento é nulo. O Ato Declaratório Executivo DRF/FCA/SP nº 470.197, de 07 de agosto de 2003, fl. 12, foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilo ou impugnálo no prazo legal. No exercício da função pública, a autoridade administrativa, de forma vinculada e obrigatória, procedeu com observância de todos os requisitos legais que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos Fl. 85DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13858.000227/200610 Acórdão n.º 180100.585 S1TE01 Fl. 13.5 5 nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a manifestação de inconformidade acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e assim a indicação do enquadramento legal não propicia a nulidade do ato em litígio. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil (CR) e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Desta forma, a sua alegação não tem fundamento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Neste sentido, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim, seu pleito deve ser indeferido. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição da República Federativa do Brasil (CR) de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, determina: Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: [...] II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) [...] Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil Fl. 86DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13858.000227/200610 Acórdão n.º 180100.585 S1TE01 Fl. 14.5 6 reais); (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) [...] §1oNa hipótese de início de atividade no anocalendário imediatamente anterior ao da opção, os valores a que se referem os incisos e I e II serão, respectivamente, de R$ 10.000,00 (dez mil reais) e R$ 100.000,00 (cem mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. (Redação dada pela Lei nº 9.779, de 19.01.1999) [...] Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: [...] II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Ficou comprovado nos autos que a Recorrente informou à RFB que auferiu receita bruta a partir do mês de maio do anocalendário de 2000, fl. 35. O somatório das receitas brutas declaradas compõe o montante de R$ 805.288,62, fls. 34/35, no período. Em conformidade com a legislação de regência o valor máximo da receita bruta global para permanência no Simples no presente caso seria de R$800.000,00. Por esta razão ultrapassou no anocalendário de 2000 o limite da receita bruta anual. As normas regulamentares estabelecem valores fixos e o excesso, seja qual for a dimensão, é causa determinante para excluir a Recorrente do Simples. A descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento das condições legais. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. No presente caso a Recorrente incorreu em situação excludente e por esta razão não poderia optar Fl. 87DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13858.000227/200610 Acórdão n.º 180100.585 S1TE01 Fl. 15.5 7 pelo Simples. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990). Logo, não cabem reparos ao procedimento fiscal. A Recorrente discorda dos efeitos retroativos da exclusão. A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, determina: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16/06//2010 (https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&s Reg=200900296277&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF, acesso em 01/02/2011): RECURSO ESPECIAL Nº 1.124.507 MG (2009/00296277) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : MADEPLACAS LTDA ADVOGADO : HÉLCIO GERALDO DE OLIVEIRA CORRÊA E OUTRO(S) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI Fl. 88DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13858.000227/200610 Acórdão n.º 180100.585 S1TE01 Fl. 16.5 8 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...] 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. Neste sentido, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 01/01/2001, ela fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias, uma vez que ultrapassou o limite da receita bruta global no anocalendário de 2000. Por conseguinte, o efeito retroativo da exclusão de ofício do Simples não pode ser alterado, uma vez foi aplicada regularmente a legislação de regência. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13858.000227/200610 Acórdão n.º 180100.585 S1TE01 Fl. 17.5 9 No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente entende que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 90DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10380.011571/2007-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 DCTF. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n o. 49).
Numero da decisão: 1801-000.713
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DCTF. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF no. 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Tratase de auto de infração (fl. .04) que exige multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativa ao 4o. trimestre do anocalendário 2000. Segundo o que consta do Auto de Infração, a DCTF relativa ao 4o. trimestre do anocalendário de 2000, cujo prazo de entrega exauriuse em 15/02/2001, foi apresentada em 19/05/2001, ensejando a incidência de R$ 57,34, por mêscalendário ou fração de atraso, prevista no artigo 6o. da IN SRF no. 126, de 1998. Tendo havido atraso de quatro meses no adimplemento da obrigação acessória, foi imposta à interessada a multa no valor de R$ 229,36 reduzida para R$ 114,68, em razão do benefício da retroatividade benigna do art. 106, II “c”, do CTN. A interessada apresentou impugnação tempestiva argüindo que a entrega em atraso, porém espontânea da DCTF, juntamente com o pagamento pontual dos tributos nela informados, caracteriza a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Apreciando o litígio a DRJ em Fortaleza/CE julgou a exigência procedente ao argumento de que o descumprimento, ou o cumprimento tardio, da obrigação acessória de entrega de DCTF sujeitase às penalidades previstas na legislação de regência e que a denuncia espontânea não se aplicaria às obrigações acessórias. Notificada da decisão, em 01/07/2010 (AR fl. 39) e irresignada, apresentou a interessada, em 23/07/2010, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Como bem ressaltou a autoridade julgadora “a quo”, o fato de a contribuinte ter apresentado sua a DCTF relativa ao 4o. trimestre do anocalendário 2001 de forma espontânea, mas fora do prazo limite determinado pela legislação de regência, não a desobrigada da penalidade. É que a multa incide, justamente, pela demora, pelo atraso na Fl. 65DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.011571/200781 Acórdão n.º 180100.713 S1TE01 Fl. 57 3 apresentação da DCTF, de entrega obrigatória pelas pessoas jurídicas. Desnecessário, assim, transcrever, novamente, toda a legislação de regência do tema, já colacionada aos autos pela decisão da autoridade julgadora de primeira instância, para demonstrar que é a Lei que determina a entrega da DCTF no prazo por ela estabelecido e a aplicação de multa, no caso de inobservância desse prazo. Tratandose de descumprimento, ou de cumprimento extemporâneo, de obrigação acessória, não se aplica, in casu, o benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. Este Órgão Colegiado já pacificou entendimento nesse sentido, tendo sido, inclusive, editada a Súmula no. 49, abaixo reproduzida, que vincula obrigatoriamente todos os demais julgados das Turmas de Julgamento desta Corte Administrativa: Súmula CARF no. 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo quanto exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 66DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10880.721059/2013-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 08/07/2009, 18/08/2009
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL.
A incorporação de ações constitui uma forma de alienação. O sujeito passivo transfere ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Sendo este superior ao valor de aquisição, a operação importa em variação patrimonial a título de ganho de capital, tributável pelo imposto de renda, ainda que não haja ganho financeiro.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-005.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento e a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 08/07/2009, 18/08/2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação. O sujeito passivo transfere ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Sendo este superior ao valor de aquisição, a operação importa em variação patrimonial a título de ganho de capital, tributável pelo imposto de renda, ainda que não haja ganho financeiro. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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Recorrente OSÓRIO HENRIQUE FURLAN JUNIOR E MÁRCIA REGINA PASSOS FURLAN Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 08/07/2009, 18/08/2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação. O sujeito passivo transfere ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Sendo este superior ao valor de aquisição, a operação importa em variação patrimonial a título de ganho de capital, tributável pelo imposto de renda, ainda que não haja ganho financeiro. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento e a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 10 59 /2 01 3- 53 Fl. 1180DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, às efls. 510 a 515, cientificado aos contribuintes Osório Henrique Furlan Junior e Márcia Regina Passos Furlan esta por sujeição passiva solidária, porque casada com Osório em regime de comunhão universal de bens , em 23/03/2013 (efls. 554 e 555). O lançamento visou à constituição de créditos devido à omissão dos ganhos de capital auferidos na alienação da totalidade das ações da HFF Particiações S.A HFF e alienação da totalidade das ações preferenciais da Sadia S.A. Sadia, ambas para a BRF Brasil Foods S.A. BRF, por meio de incorporação de ações, conforme consta no termo de verificação fiscal TVF às efls. 516 a 551. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 19.035.771,79, já calculado com multa de ofício e juros de mora até março de 2013, para os fatos geradores ocorridos em 08/07/2009 e 18/08/2009. De acordo com o TVF, o contribuinte era inicialmente titular de participação societária nas empresas HFF e Sadia, e, nos termos de operação de incorporação de ações, passou a ter participação societária na BRF, tornandose essa última a única investidora da HFF e da Sadia, conforme representado a seguir: Situação Inicial Sócios => HHF Sadia Incorporação de Ações Sócios => BRF => HHF Sadia Pela diferença do valor entre sua participação societária inicial e a participação societária recebida, em face do aumento de capital realizado na empresa BRF, Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 816 3 mediante a conferência da participação societária inicial, na operação de incorporação de ações, a fiscalização apurou ganho de capital, nos seguintes termos: 1 Incorporação de Ações HHF => BRF ( ) Número de Ações da HFF alienadas 10.805.490 (*) Custo Unitário (médio) da ação da HFF 1,00 (=) Custo Total das ações alienadas 10.805.490,00 ( ) Ações da BRF recebidas por ação da HFF 0,166247 (*) Número de Ações da HFF alienadas 10.805.490 (=) Total de ações da BRF recebidas 1.796.380 (*) Preço Unitário da Ação da BRF 39,40 (=) Valor Total das ações recebidas 70.777.372,00 ( ) Valor Total das ações recebidas 70.777.372,00 () Custo Total das ações alienadas 10.805.490,00 (=) Ganho de Capital Apurado 59.971.882,00 2 Incorporação de Ações Sadia => BRF ( ) Número de Ações da Sadia alienadas 879.713 (*) Custo Unitário (médio) da ação da HFF 4,19 (=) Custo Total das ações alienadas 3.685.997,47 ( ) Ações da BRF recebidas por ação da HFF 0,132998 (*) Número de Ações da Sadia alienadas 879.713 (=) Total de ações da BRF recebidas 117.000 (*) Preço Unitário da Ação da BRF 39,32 (=) Valor Total das ações recebidas 4.600.440,00 ( ) Valor Total das ações recebidas 4.600.440,00 () Custo Total das ações alienadas 3.685.997,47 (=) Ganho de Capital Apurado 914.442,53 O auto de infração foi impugnado, às efls. 558 a 604, em 23/04/2013. Já a 5ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0249.307, prolatado em 27/09/2013, às efls. 748 a 763, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformado, em 12/02/2014, o contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 768 a 827, cuja síntese argumentativa se extrai ao seu final: Incorporação de Ações Fl. 1182DF CARF MF 4 (i) A incorporação das ações foi deliberada e aprovada por assembléia geral em vista dos interesses da sociedade e não de seus acionistas; (ii) não houve, no referido processo de aprovação, manifestação de vontade expressa por parte dos acionistas, no sentido da transmissão da propriedade das ações em questão à BRF no contexto de tal operação. Os acionistas que participaram de tal processo enquanto integrantes da Assembleia Geral e votaram acerca da aprovação da operação, o fizeram no exercício de sua função social e não em vista de seus interesses individuais; (iii) trata se a incorporação de ações de hipótese de subrogação real legal por meio da qual se operou a substituição das ações detidas anteriormente por ações da BRF, mantendo se a mesma proporção e valor do investimento anteriormente detido; (iv) com efeito, não houve, em momento algum, a intenção por parte do Impugnante em transferir o investimento detido na Sadia à BRF. Inclusive, eventual alienação deste investimento pelo Impugnante iria de encontro com o propósito primordial de sua constituição: a preservação do investimento na Sadia no âmbito familiar; (v) buscou se, por meio do uso desse instrumento societário (i.e. incorporação de ações) a unificação/associação de dois negócios que antes eram performados/executados separadamente. Conforme destacado no Fato Relevante, o objetivo de ambas as companhias em se associarem consistiu em passar a atuar conjuntamente no mercado, ganhando força operacional, administrativa e negocial em escala nacional e internacional; (vi) em recente sessão de julgamento (19.2.2013 i. e. posterior à lavratura dos Autos de Infração aqui impugnados), a 2a Câmara da 2a Turma Ordinária do CARF proferiu decisão favorável ao contribuinte em processo administrativo semelhante ao caso objeto destes Autos de Infração, sob o entendimento de que, de fato, a operação de incorporação de ações não consiste em evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda; (vii) Diante da ausência da manifestação de vontade do Impugnante em transferir a propriedade de suas ações à BRF no contexto de tal operação, não pode ser esta tratada como evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à regular incidência do IRPF; (viii) admitir que a incorporação de ações é uma operação de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, além de ir contra o ordenamento jurídico pátrio, como se mostrou, levará à autuação de mais de 30 mil antigos acionistas da Sadia, que investiram seu patrimônio na sociedade devido à sua sólida tradição e não necessariamente pretendiam alienar as suas ações; e, (ix) se em complemento à inexistência da cultura de investimentos em bolsa no Brasil, o Governo passar a tributar fatos que independem da vontade dos acionistas e/ ou exigir Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 817 5 tributos sobre ganhos irreais, criar se á um ambiente de insegurança jurídica generalizada no Mercado, no qual as pessoas deixarão de investir em bolsa com receio de serem autuadas sem nem mesmo saberem que ocorreu uma operação supostamente sujeita à incidência de imposto de renda. Permuta e Inexistência de acréscimo Patrimonial (x) ad argumentandum, tendo em vista que a própria D. Fiscalização reconhece que o Impugnante recebeu ações BRF em contraprestação às suas ações detidas anteriormente, não há dúvidas de que, na remota hipótese de se considerar que a incorporação de ações é alienação, tratar se ia de uma típica operação de permuta. Conforme remansosa jurisprudência do E. CARF, a permuta não está sujeita à incidência de IRPF se não houver torna, sendo a autuação insubsistente também por este ângulo. Regime de Caixa (xi) ainda que se entenda que a incorporação de ações é uma forma de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, o auto ora guerreado não merece prosperar nos termos em que lavrado, na medida em que o suposto ganho nunca foi percebido pelo Impugnante. Juros xii) merecem ser afastados os juros de mora sobre a multa de ofício, por manifesta ofensa à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica. (Sublinhas do original.) Em 08/05/2014, foram apresentadas contrarrazões ao recurso voluntário, pela a Procuradoria da Fazenda Nacional, às efls. 831 a 853. O recurso voluntário foi apreciado, em 10/02/2015, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 2202002.980, às e fls. 932 a 972, que tem a seguinte ementa: OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES A incorporação de ações constitui uma forma de alienação. O sujeito passivo transfere ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Recurso negado O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam o recurso. O Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT declarouse suspeito. Os Conselheiros JIMIR Fl. 1184DF CARF MF 6 DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR apresentarão declaração de voto. Recurso especial dos sujeitos passivos Por meio da Intimação nº 08.196/1241/2015 (efl. 977), os sujeitos passivos foram cientificado do acórdão em 10/08/2015 (efls. 980 e 981). Em 25/08/2015, eles apresentaram recurso especial de divergência, às efls. 984 a 1024, no qual, em suma, pretendem demonstrar divergência quanto a duas matérias: a) operação de incorporação de ações não caracterizaria alienação, configurando hipótese de subrogação, não impactando acréscimo patrimonial, com base nos seguintes argumentos divergentes postos no acórdão paradigma nº 9202003.579: i) o patrimônio do sócio é substituído por outro de idêntico valor, independentemente da vontade dos sócios, por deliberação da pessoa jurídica, isso descaracteriza a alienação, que é um ato decorrente da manifestação de vontade; ii) não ocorrência de alienação, mas mera substituição na participação societária, subrogação real, sem incidência de imposto de renda; iii) ignorada a ausência da manifestação de vontade, a única possibilidade de alienação seria a permuta sem torna, sobre a qual, independentemente da natureza dos bens trasladados, não deve sofrer incidência do IRPF; iv) somente quando há alienação da participação com recebimento de quantias pelos sujeitos passivos é que se verificaria ganho tributável, antes disso não há realização de renda. b) exigência de juros sobre multa de ofício, indevida pelo entendimento expresso nos acórdãos paradigmas nº 910100.722 e nº 0203.133 que entendem não serem as multas de ofício caracterizáveis como tributo. Por fim, pleiteia a procedência do seu recurso especial de divergência para que sejam sanadas as divergências apontadas. O recurso especial interposto pelo contribuinte e pela responsável solidária foi apreciado pela Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, por meio do despacho de efls. 1130 a 1136, em 10/09/2015. Foi dado seguimento ao recurso para que sejam rediscutidas as duas matérias: natureza jurídica da incorporação de ações, se tributável ou não, e juros de mora sobre a multa de ofício. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência da admissibilidade do recurso especial, em 11/09/2015 (efl. 1137), apresentando contrarrazões em 28/09/2015, às e fls. 1138 a 1158. Argumenta, inicialmente, que a incorporação de ações não importa em sub rogação real, pois nesta há substituição de um bem por outro que lhe tenha identidade jurídica, e ações de uma companhia não tem essa identidade com a de outra. De plano, se vê que há Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 818 7 alteração de relação jurídica, pois se tratam de títulos mobiliários referentes a sociedades diferentes, com valores patrimoniais diferentes e submetidos a estatutos sociais diversos. Além disso, a Procuradora exemplifica: As ações originárias legitimavam o acionista a receber dividendos da 'sociedade A'. As ações supostamente substitutas legitimam o acionista a receber dividendos da 'sociedade B'...o acionista será colocado em situação jurídica completamente nova." Afirma ainda não ser possível nem mesmo caracterizar como permuta essa operação, pois importa em subscrição (art. 252 da Lei nº 6.404/1976 Lei das Sociedades por Ações) e esta sempre será uma obrigação pecuniária e não de troca, ainda que possa ser saldada com bens. Daí chega à conclusão que ocorre uma verdadeira alienação na incorporação de ações. No tocante a ausência de manifestação de vontade, argumenta que a ausência de declaração da vontade é distinta dessa e, no caso da incorporação de ações, os acionistas da companhia incorporada manifestam sim sua vontade. O fazem, inclusive, em sede de Assembleia Geral, conforme preceitua o artigo 252, § 2º, da Lei das S/A; a Assembleia manifesta a vontade dos sócios da pessoa jurídica. Expressa ainda: Dessa forma, há duas manifestações de vontade na operação: a dos sócios em Assembleia Geral, aprovando a incorporação de ações e conferindo poderes de representação à sociedade empresária; a da sociedade empresária nos limites da representação conferida, que aliena as ações e as incorpora ao capital de outra sociedade. Os efeitos da segunda manifestação de vontade, sejam civis, societários ou tributários, se darão em face do representado (acionista), não do representante (sociedade), pelo que se nota que, embora a incorporação de ações seja conduzida pela pessoa jurídica, o ganho ou perda patrimonial ocorre na pessoa do acionista. Essa conclusão parte do artigo 116 do Código Civil, já citado. (Negritos do original) Em se tratando da disponibilidade de rendimentos financeiros para tributação pelo IRPF, afirma que não é essa a disposição normativa para incidência do imposto de renda, mas a econômica ou jurídica (art. 43 do CTN), que se dá pela própria incorporação das ações, implicando mutação patrimonial positiva para os sujeitos passivos, sem o ingresso de recursos financeiros. Exemplo disso seria a existência do art. 23 da Lei nº 9.249/1995. Já quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, afirma que os débitos para com a União citados no art. 61 da Lei nº 9.460/1996, incluem tributos e multas de ofício sobre eles aplicadas. Encerra, pedindo pela denegação de provimento recurso especial interposto. É o relatório. Voto Fl. 1186DF CARF MF 8 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Desde logo, há que se observar a inexistência de qualquer discussão em torno de apuração do tributo, tudo gira e torno da natureza jurídica da operação de incorporação de ações e seus efeitos tributários, bem como da possibilidade de exação de juros sobre as multas de ofício. a) Incorporação de ações; alienação sujeita à tributação de ganho de capital O posicionamento por mim adotado no que toca a operação de incorporação de ações, em tudo é concorde ao exposto pela e. conselheira Maria Helena Cotta Cardozo em seu voto na relatoria do acórdão nº 9202003.579, enfrenta os mesmos questionamentos aqui colocados, com a seguinte dicção: Assim, de plano cabe assentar que a operação ora tratada é a incorporação de ações, prevista no art. 252, da Lei nº 6.404, de 1976, afastandose desde já qualquer associação com a operação de incorporação de empresa, que não foi objeto do Auto de Infração. Com efeito, as peças processuais em momento algum apontam para qualquer associação ou eventual confusão envolvendo a operação autuada com a operação de incorporação de empresa. Feitas estas considerações, verificase que a tributação do Imposto de Renda envolve uma série de incidências, legalmente previstas, cuja matriz encontrase no art. 43 do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção (...)” O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada à operação ou ao ganho. Nesse passo, resta cristalino que a exclusão da tributação pelo Imposto de Renda, de qualquer acréscimo patrimonial, tem de estar prevista em lei, já que a regra geral é a tributação. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 819 9 Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Assim, na esteira da determinação da Lei Complementar, a Lei Ordinária buscou abarcar todas as operações que importam em alienação, inclusive arrematando o rol do § 3º com a expressão “contratos afins”, deixando claro que a relação ali contida não se esgota. Mais ainda, a Lei Ordinária claramente determina que se deve buscar a essência material dos eventuais ganhos, independentemente da denominação que lhes seja atribuída. Fl. 1188DF CARF MF 10 No caso em apreço, a operação objeto da autuação foi a incorporação de ações, da empresa HFF Participações S.A e a Sadia S.A. tiveram suas ações incorporadas pela BRF Brasil Foods S.A, com base no artigo 252 da Lei nº 6.404, de 1976, que assim estabelece: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléia geral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento de capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2º A assembléia geral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto da metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. HFF e Sadia tornaramse assim subsidiárias integrais da BRF. Os negócios realizados indubitavelmente implicaram aumento patrimonial dos contribuintes e assim se manifesta a conselheira: Com efeito, não existe regramatriz de incidência de Imposto de Renda que contemple, específica e literalmente, o ganho eventualmente obtido na operação de incorporação de ações. Entretanto, isso não significa que a operação se encontre a salvo da tributação, já que também não existe norma legal excluindo ou isentando da tributação tal operação. Assim, resta perquirir se, na esteira da Lei Complementar, bem como do § 4º, do art. 2º, da Lei nº 7.713, de 1988, acima transcrito, o ganho obtido na operação de incorporação de ações, na sua essência e materialidade, estaria contemplado em regramatriz de incidência do Imposto de Renda. Para tanto, é necessário que se abstraia a denominação “incorporação de ações”, constante do artigo 252 da Lei nº 6.404, de 1976, cuja impropriedade foi inclusive remarcada pela doutrina, aqui representada por Fran Martins, cujo texto foi colacionado na peça de autuação: “(...) apesar de falar a lei em incorporação (que na realidade não é), permanece existindo a sociedade que se converte em subsidiária integral, pois na verdade as suas ações são Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 820 11 transferidas pelos acionistas para a sociedade controladora, recebendo esses acionistas, da primeira sociedade, em troca de suas ações, ações da controladora.” (Martins, Fran. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, 4ª edição, revista e atualizada por Roberto Papini. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 1.040) Nesses termos, adentrando à materialidade do negócio jurídico tipificado no art. 252 da Lei das SA, praticado no caso dos autos, constatase: o aumento de capital da BRF Brasil Foods, sociedade incorporadora das ações, com a transferência das ações representativas desse aumento pelos acionistas da HFF e da Sadia, que se tornaram subsidiárias integrais da BRF, sendo que o respectivo pagamento não foi efetuado em dinheiro, mas sim em ações; ocorreu de fato uma alienação, já que a empresa BRF Brasil Foods adquiriu, dos sócios das duas empresas, todas as ações por estes detidas em outras sociedades, pagando o respectivo preço por meio da entrega de ações de sua emissão. Nesse diapasão, seguiu explanando a relatora do voto que entendo escorreito: Destarte, verificase que o negócio jurídico tipificado no art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, embora seja denominado “incorporação de ações”, tratase, na sua essência, de uma modalidade de alienação, materializada pela transferência de ações, dos sócios daquela que passará a ser subsidiária integral, para a empresa incorporadora, a título de subscrição de capital não com dinheiro, mas sim com bens. Em contrapartida a incorporadora, ao invés de numerário, paga o respectivo preço também em ações. Assim, ocorrendo alienação, a qualquer título, independentemente da denominação que seja atribuída à operação, é cabível a incidência do Imposto de Renda, no caso de eventual ganho, conforme os dispositivos legais já colacionados, constantes da Lei Complementar e da Lei nº 7.713, de 1988. Nesse sentido, compulsandose a legislação referente à tributação de operações envolvendo participações societárias, verificase que o art. 23, da Lei nº 9.249, de 1995, é aplicável à espécie, já que estabelece: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do Decreto lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 1190DF CARF MF 12 § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital.” Concluindo, a operação ora analisada, por todos os argumentos esposados, encontrase efetivamente sob a incidência do Imposto de Renda, portanto cabível a exigência contida no Auto de Infração, ressaltandose que a desqualificação da penalidade não mais se encontra em discussão (...) O entendimento ora esposado foi explicitado por Luís Eduardo Schoueri, em artigo publicado na Revista Dialética de Direito nº 200 (“Incorporação de Ações: Natureza Societária e Efeitos Tributários”, pp. 59/60 e 66/67): “Ante o exposto, concluímos que a incorporação de ações é: i) um negócio típico do Direito Societário, voltado à concentração empresarial; ii) que se operacionaliza mediante: a) o aumento de capital da sociedade “incorporadora”, em regime extraordinário, porquanto ausente o direito de preferência dos acionistas desta; b) a subscrição e a integralização deste por meio da transferência das ações da sociedade ‘incorporada’, também sob regime extraordinário, uma vez que a lei atribui à diretoria desta sociedade uma autorização para fazêlo no lugar dos acionistas; iii) que apresenta os seguintes efeitos: a) alienação das ações da ‘incorporada’, a título de integralização do capital da ‘incorporadora’; b) transformação dos sócios da ‘incorporada’ em sócios da ‘incorporadora’; c) conversão da ‘incorporada’ em subsidiária integral da ‘incorporadora’. (...) Como acima evidenciado, na incorporação de ações, existe uma verdadeira alienação (disposição do direito de propriedade) das ações da sociedade ‘incorporada’. Logo, eventuais diferenças entre o valor de alienação de tais ações e o respectivo custo poderiam gerar a apuração de ganho (se positiva a diferença) ou perda (se negativa a diferença) de capital. O ganho de capital seria tributável para ambas as espécies de acionistas; (...) Com relação ao tratamento fiscal a que se submete o acionista pessoa física na incorporação de ações, uma evidência da compatibilidade entre a apuração de ganho de capital e o conceito de renda é oferecida pelo artigo 23 da Lei nº 9.249/1995, que, ao que nos consta, nunca teve sua legalidade ou inconstitucionalidade questionada, muito menos declarada: Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 821 13 (...)Vejase que interessante: o dispositivo acima transcrito alude à transferência de bens a título de integralização de capital. Na incorporação de ações, ocorre uma subscrição de capital com bens sujeita a regime extraordinário. O artigo 23 da Lei nº 9.249/1995 não esclarece ser aplicável apenas a conferência de bens que segue à risca os artigos 7º a 10 do Estatuto do Anonimato, nem que ele não se aplica nos casos em que as pessoas físicas são representadas, ainda que indiretamente. Dessa feita, o artigo acima trazido à colação poderia ser aplicado aos casos de incorporação de ações. Mas, mesmo que se concluísse não ser possível essa aplicação direta desse dispositivo – cujo escopo não foi o de criar hipótese de tributação de ganho de capital, mas permitir o diferimento da tributação desse ganho, mediante a transferência de bens a valor contábil – ele nos mostra que, aos olhos da legislação, é admitida a incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado na troca de um bem por ações ou quotas de uma empresa.” E ainda Fran Martins: “Pois, na verdade, a conversão de uma sociedade anônima existente em subsidiária integral mediante a chamada incorporação das ações da primeira no patrimônio da segunda nada mais é do que um aumento de capital da sociedade controladora, ou, na expressão da lei, incorporadora, com a subscrição das ações desse aumento pelos acionistas da sociedade que vai tornarse subsidiária integral, sendo o pagamento dessas ações feito não em dinheiro mas com as ações dos acionistas da sociedade a ser incorporada.” (Martins, Fran. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, 4ª edição, revista e atualizada por Roberto Papini. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 1.040) Assim, ficou assentado que o imposto de renda incide sobre a operação em tela nos termos da legislação apontada, e ao enfrentar argumentos do contribuinte naquele processo, que tinham o mesmo teor do atual, forte não só na legislação, mas também em abalizada doutrina conforme, no citado acórdão, a então conselheira relatora com precisão explanou, in verbis: ... a incorporação de ações, na sua essência, caracteriza uma alienação, sujeita à incidência de Imposto de Renda, quando apurado ganho de capital, como ocorreu no caso em exame. Ainda assim, os principais argumentos que sustentaram a tese do Contribuinte serão enfrentados, a saber: a suposta posição de passividade do Contribuinte, no caso de incorporação de ações; a ausência de circulação de numerário e a suposta necessidade de atendimento ao regime de caixa; a identificação da operação de incorporação de ações com a subrogação real ou a permuta. Fl. 1192DF CARF MF 14 Quanto ao primeiro argumento, observase que a alegada passividade do sócio da empresa cujas ações são incorporadas é bastante discutível, já que, ao ingressar em uma sociedade empresarial, o sócio automaticamente está concordando com a sistemática de adoção de decisões majoritárias, o que obviamente implica na aceitação de que eventualmente possa se encontrar em situação minoritária. Ademais, para o sócio dissidente sempre existe o direito de retirada, garantido no art. 252, da Lei das Sociedades Anônimas. (...) Nesse sentido, manifestase a doutrina Luís Eduardo Schoueri, em artigo já citado no presente voto (pp. 57 e 67): “Ainda que tivesse alguma relevância a investigação acerca da vontade específica dos acionistas quanto à incorporação de ações (o que se cogita apenas para argumentar), não se poderia afirmar que tal vontade seria ausente. Acerca da maioria, poderseia dizer (embora impropriamente) que eles concordariam com a transferência das ações, já que teriam votado favoravelmente à sua conclusão. E quanto à minoria, haveria de se levar em conta a previsão, no parágrafo 2º do artigo 252, do direito de retirada. Uma vez não exercido esse direito, seria presumível a aceitação da operação pelos acionistas dissidentes (o negócio jurídico também se forma pelo ‘comportamento concludente’). (...) Mencionese, ainda, que não há óbice à conclusão acima apresentada na alegação de que não seria cabível a apuração de ganho de capital na incorporação de ações em razão de a transferência das ações da sociedade ‘incorporada’ darse de maneira alheia à vontade do acionista. Como já demonstrado, não concordamos com a afirmação de que faltaria vontade na operação. Na incorporação de ações, há alienação, o que é suficiente para o surgimento do ganho, independentemente da natureza do negócio.” Importante salientar ainda o argumento trazido nas contrarrazões da Fazenda que enfocam a vontade dos contribuintes expressa através da representação dos sócios contida na deliberação da Assembléia Geral e em particular o argumento que novamente peço vênia para reproduzir: Dessa forma, há duas manifestações de vontade na operação: a dos sócios em Assembleia Geral, aprovando a incorporação de ações e conferindo poderes de representação à sociedade empresária; a da sociedade empresária nos limites da representação conferida, que aliena as ações e as incorpora ao capital de outra sociedade. Retomando o caminho proposto pela conselheira relatora do citado acórdão, Dra. Maria Helena, temos a seguinte consideração sobre a base normativa do ganho de capital ocorrido: Quanto ao argumento, no sentido de que não haveria ganho na operação ora tratada – ausência de circulação de numerário e suposta necessidade de atendimento ao regime de caixa – o art. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 822 15 23 da Lei nº 9.249, de 1995, que é dirigido às Pessoas Físicas, quando se refere à integralização em bens, não deixa dúvidas sobre a possibilidade de tributação pelo Imposto de Renda, mesmo sem que ocorra a circulação de numerário. Ainda que assim não fosse, o art. 43 do CTN é claro, no sentido de que qualquer disponibilidade – econômica ou jurídica – caracteriza a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, sem a exigência de que haja fluxo financeiro. Assim, para que se caracterize a disponibilidade, é suficiente que haja o direito incontestável ao ganho. E, no caso da incorporação de ações, surge para o acionista da sociedade cujas ações foram incorporadas, incontestavelmente, a disponibilidade sobre as ações recebidas da incorporadora. Ditas ações passam a integrar o patrimônio do acionista da subsidiária integral, já que este passa a fruir do seu valor agregado. No entender do Contribuinte, as características acima, já rechaçadas no presente voto, conduziriam à identificação da operação de incorporação de ações com uma subrogação real derivada de lei, ou com uma simples permuta. Entretanto, tais associações não resistem a uma análise mais profunda. Quanto à identificação da incorporação de ações com uma sub rogação real, esta não se sustenta, já que, conforme o próprio trecho colacionado pelo Contribuinte, excerto do voto condutor do acórdão recorrido, com tal subrogação “operase a substituição de um bem por outro, sendo que o bem adveniente não apenas toma o lugar do bem substituído, mas também reveste a mesma natureza e se submete ao mesmo regime jurídico do bem substituído”. Ora, de plano constatase que a incorporação de ações não se amolda a tal definição, já que o dispositivo legal que a prevê em momento algum aponta para uma relação de substituição absoluta, muito menos para a manutenção da mesma natureza jurídica ou o mesmo regime jurídico do bem substituído. A título de exemplo, a própria classe das ações poderia ser diferente, após a incorporação. A impropriedade de tal comparação foi inclusive registrada por Luís Eduardo Schoueri, em obra já citada no presente voto (p. 52): “Nesse contexto, não vislumbramos a previsão de subrogação real no artigo 252 da Lei das Sociedades Anônimas. Ali, não criou, o legislador, qualquer ficção. Em momento algum o dispositivo dá a entender que as ações de ‘B’ deveriam ser consideradas como ações de ‘A’. Não vemos, ademais, que a lei tenha estabelecido a substituição das ações mediante um juízo relativo, ou seja, com vistas a uma relação jurídica particular. Pelo contrário, as ações, tanto as da companhia ‘incorporada’, como as da ‘incorporadora’, são tratadas em si e por si. Prova disso é, como se disse acima, que as ações de ‘B’ não autorizam o sócio a exercer quaisquer direitos em face de ‘A’, o que decorre da relação jurídica particular em que se encontram insertas as ações desta.” Fl. 1194DF CARF MF 16 No que tange à identificação da operação de incorporação de ações com uma permuta, com vistas a alijála da tributação pelo Imposto de Renda, lembrese de que tal operação encontrase inserida no rol daquelas que importam em alienação, constantes do § 3º, do art. 3º, da Lei nº 7.713, de 1988. Entretanto, a operação prevista no art. 252, da Lei das Sociedades Anônimas, como já demonstrado no presente voto, tratase de subscrição de capital, e como tal, pressupõe a estipulação de um preço, expresso em moeda, o que a afasta definitivamente do conceito de permuta, no sentido de simples troca, como quer o Contribuinte. Com efeito, no caso em apreço, o valor das ações recebidas da incorporadora em muito superaram o valor das ações incorporadas, o que por si só já evidencia o ganho de capital, sem qualquer justificativa legal para que não seja tributado pelo Imposto de Renda. Na espécie, cabe aqui reiterar a doutrina de Modesto Carvalhosa, cujo texto foi colacionada na peça de autuação: “(...) os controladores, voluntariamente, e os minoritários (que não exercitem o direito de recesso), compulsoriamente, adquirem ações da incorporadora, tendo como moeda de pagamento as ações de emissão da incorporada, de sua propriedade. Assim, não há troca ou permuta, como se poderia concluir numa primeira impressão. Os acionistas da incorporada subscrevem o aumento de capital da incorporadora com suas ações de emissão daquela. (...) No mais, tratase de um aumento de capital da incorporadora, mediante conferência de todas as ações de emissão da incorporada.” (Carvalhosa, Modesto, Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, 4º Volume, Tomo II, 4ª edição, São Paulo, Saraiva, 2011, PP. 173) Além disso, quanto a existência de subrogação invocada no recurso especial com base em: Parecer Normativo CST nº 39/81 e Parcer CVM, no Processo RJ20142584, salientase que, no caso do primeiro, tratavase de fusão, incorporação ou cisão de empresas e não de incorporação de ações, ou seja, uma universalidade patrimonial. Já o Parecer CVM, para um determinado processo, serve apenas como argumento, pois não implica qualquer vinculação neste processo fiscal, valendo não mais do que os argumentos doutrinários e de julgados trazidos em sentido contrário, seja pela conselheira Maria Helena em seu percuciente voto, seja pela Procuradora em suas contrarrazões. Dessarte, entendo não ser devido o provimento ao recurso especial de divergência quanto a essa matéria. b) Juros de mora sobre multa de ofício Quanto ao art. 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996, utilizado pela autoridade lançadora para fins de caracterização da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo assistir razão à Fazenda quanto à interpretação do mesmo abranger, à luz do caput do mesmo, não só o valor dos tributos em si, mas também a multa de ofício, visto que: (a) decorre, sim, a referida multa de ofício dos referidos tributos ou contribuições quando lançados pela autoridade tributária e, ainda, (b) a multa de ofício integra, ainda, a obrigação tributária principal, com fulcro no art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional, bem como o conceito de crédito tributário, cabível assim a incidência de juros de mora sobre seu valor, com fulcro no art. 161 do CTN. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 823 17 Acerca desta última consideração, entendo decorrer tal abrangência da multa de ofício no conceito de crédito tributário diretamente do disposto nos arts. 142 e 161 do CTN, na forma brilhantemente disposta no voto de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão 9.202002.600, o qual adoto aqui como razões de decidir, in verbis: “(...) Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possuir natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa,como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Dessa forma, também não há que se prover o recurso especial no tocante à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício objeto de lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento e manter o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1196DF CARF MF 18 Declaração de Voto Conselheira Patricia da Silva. De acordo com a observação do ilustre Relator: “Desde logo, há que se observar a inexistência de qualquer discussão em torno de apuração do tributo, tudo gira e torno da natureza jurídica da operação de incorporação de ações e seus efeitos tributários, bem como da possibilidade de exação de juros sobre as multas de ofício.” A discussão da incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física em face da operação de “incorporação de ações” de não ser matéria nova neste Conselho, e as razões constantes do voto do ilustre Relator, são as razões do Voto Vencido do acórdão 9202.003.579, que entendo, não trazer fundamentações a me convencerem de que seria necessário alterar o posicionamento deste CARF quanto à questão. Como relevantes e esclarecedoras, trago como razões de minha Declaração de Voto, o posicionamento desta Câmara Superior de Recursos Fiscais no supramencionado acórdão, verbis: Como dito acima, a matéria envolve a exigência de imposto de renda incidente sobre ganho de capital apurado em operação denominada “incorporação de ações”, a qual se encontra disciplinada pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76, da seguinte forma: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º. A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2º. A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 824 19 disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 3º. Aprovado o laudo de avaliação pela assembléia geral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Estão citados como enquadramentos legais da infração, dentre tantos outros, o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88 e o artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, segundo os quais: Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º. Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do Decreto Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. (...) § 3°. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Isso caracteriza alienação, com ganho de capital, da forma prevista no artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88 e no artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95? De acordo com o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.11a, Alienar significa “Transferir para outrem o domínio de; tornar alheio; alhear;”. Sob minha ótica, “incorporação de ações” não se confunde com “incorporação de sociedades” nem tampouco com “subscrição de capital em bens” e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. Fl. 1198DF CARF MF 20 Na incorporação de empresas, ocorre a transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, com a extinção daquela. Já a integralização de capital consiste na subscrição de capital, quando uma sociedade comercial é constituída, ou seja, os sócios assinam um termo prometendo injetar valores na empresa, quer sob a forma de dinheiro ou de bens e direitos. A integralização do capital é o cumprimento da promessa, quando do sócio efetivamente entrega os valores ou bens para a empresa. O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembleia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de ajuste anual. Não se pode olvidar que de acordo com o artigo 5°, inciso II, com o artigo 37 e com o artigo 150, inciso I, todos da Constituição Federal, ao que se soma o artigo 97, incisos I e III, e § 1°, do Código Tributário Nacional – CTN, somente a lei pode instituir ou majorar tributos, bem como definir o fato gerador da obrigação tributária. Importante, neste momento, trazer à colação trecho da obra Sociedade Anônima – 30 Anos da Lei 6.404/76, coordenada por Rodrigo Monteiro de Castro e por Leandro Santos de Aragão, Editora Quartier Latin, 2007, p. 119143, contém artigo de autoria de Alberto Xavier, chamado Incorporação de Ações: Natureza Jurídica e Regime Tributário, que muito bem esclarece a questão: [...] Na verdade, incorporação de ações e incorporação de sociedades são fenômenos radicalmente distintos. As características essenciais da incorporação de sociedades consistem na transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, ocorrendo uma sucessão a título universal (art. 227, “caput”), bem como na extinção da sociedade incorporada¸ sem liquidação, a qual ocorre Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 825 21 precisamente em decorrência da transmissão do seu patrimônio a título universal (art. 227, § 3°). (...) Na figura da incorporação de ações não ocorre nenhum dos traços essenciais da incorporação de sociedades. Não ocorre a transmissão de um patrimônio líquido global, como universalidade, mediante sucessão a título universal, mas simplesmente uma operação que tem por objeto, não a totalidade de um patrimônio¸ mas tão somente a totalidade das ações do capital de uma companhia préexistente. Não ocorre também a extinção da sociedade cujas ações são objeto da “incorporação” a que se refere o art. 252, precisamente porque a operação tem o objetivo oposto de manter a respectiva personalidadejurídica, pressuposto lógico necessário da conversão da sociedade préexistente em subsidiária integral da “companhia incorporadora” das ações. (...) Pode, pois, concluirse não existir qualquer relação de identidade nem sequer de analogia entre a figura da incorporação de ações, regulada no art. 252, e a figura da incorporação de sociedades, regulada no art. 227. Também são totalmente distintas a figura da incorporação de ações e a figura da subscrição de capital em bens, regulada nos artigos 7° a 10. (...) A figura da subscrição de capital em bens reveste, pois, a natureza jurídica de um contrato entre o acionista e a sociedade, pelo qual o acionista transfere a titularidade de um bem ou direito préexistente no seu patrimônio para o patrimônio da sociedade, a qual, afetando esse bem ao seu próprio capital social, emite ações que são atribuídas ao acionista em contrapartida dos bens ou direitos conferidos. (...) A conferência de bens para a subscrição de capital é um ato de alienação cuja especificidade radica no fato de a contraprestação correlativa à entrega pelo sócio dos bens conferidos para integralização do capital estar na entrega pela sociedade, não de dinheiro ou bens de pagamento (como sucede na compra e venda), nem de bens de primeiro grau (como sucede na permuta), mas de bens de segundo grau, que são as ações ou quotas representativas do status de sócio do subscritor. Fl. 1200DF CARF MF 22 (...) Fácil se torna, pois, demonstrar que a figura da incorporação de ações regulada no art. 252 é radicalmente distinta da figura de subscrição de aumento de capital em bens. Tenhase presente que o objetivo essencial da figura da “incorporação de ações” consiste na “incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira para convertêla em subsidiária integral” (art. 252 “caput”). Ora, se a incorporação de ações se fizesse pelo mecanismo da subscrição de capital em bens, isto é, pelo mecanismo de subscrição entre os sócios e a sociedade, o objetivo de constituição de subsidiária integral exigiria, necessariamente, a unanimidade dos sócios da sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, de tal modo que bastaria a discordância de um para que a operação se tornasse inviável. Precisamente porque a lei pretendeu viabilizar a formação superveniente de subsidiária integral, prescindindo a regra da unanimidade, ela foi forçada a abandonar a construção jurídica da figura da incorporação de ações baseada numa pluralidade decontratos de subscrição em bens, para optar pela configuração jurídica da operação como um contrato não já entre sócio e sociedade, mas entre duas sociedades, a companhia cujas ações houverem de ser incorporadas e a companhia incorporadora. Este contrato resulta da convergência da vontade das duas companhias, expressa nas deliberações das respectivas assembléias gerais, a que se referem os §§ 1° e 2° do art. 252. A configuração da operação de incorporação de ações como um contrato entre duas sociedades, e não como um contrato entre sócio e sociedade (como é a conferência de bens), resulta da necessidade de permitir que ela seja aprovada pela maioria e não pela unanimidade dos sócios, sendo que a maioria na sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas é uma maioria qualificada, exigindo o voto da metade, no mínimo, das ações com direito a voto (art. 252, § 2°). (...) Se bem se reparar, em parte alguma o art. 252 atribui relevância à manifestação de vontade do sócio na sua qualidade de subscritor, como sucederia se se tratasse de subscrição de capital em bens, atuando apenas o sócio nas vestes de membro de um órgão da companhia – a assembléia geral – na qual pode exprimir o seu direito de voto. O objeto do contrato de incorporação de ações é precisamente a totalidade das ações do capital social de Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 826 23 uma companhia que será objeto de ato de subscrição a ser praticado pela própria companhia cujas ações houverem de ser incorporadas e de ato de aumento de capital na companhia incorporadora das ações. É precisamente da fusão destes atos unilaterais praticados ao nível corporativo de cada uma das sociedades que resulta o contrato de incorporação de ações. (...) Um dos efeitos típicos do contrato de incorporação de ações consiste precisamente na substituição no patrimônio dos sócios das ações previamente existentes, representativas do capital da sociedade da qual originariamente participavam, por ações da sociedade incorporadora emitidas em conseqüência da incorporação das mesmas ações. Tratase de fenômeno meramente substitutivo, que não decorre de uma transmissão, seja ope voluntaris, seja ope legis. O único fenômeno de transmissão em sentido técnico que existe não tem como transmitente o titular das ações a serem incorporadas, pois não existe manifestação de vontade deste, na sua qualidade de proprietário das ações, mas sim a sociedade incorporadora das ações, uma vez que, nos termos do § 3° do art. 252, “aprovado o laudo de avaliação pela Assembléia Geral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhe couberem.” O titular das ações a serem objeto de incorporação nada faz, nada transmite, nada permuta: limitase “passivamente” a receber da sociedade incorporadora ações substitutivas das originariamentedetidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar equivalente ao das ações substituídas por um fenômeno de subrogação real. Das considerações precedentes acerca da natureza jurídica da incorporação de ações resulta claramente que se trata de um instituto de direito societário dotado de características próprias e que impedem a sua identificação, seja com a figura da incorporação de sociedades, seja com a figura de subscrição de aumento de capital em bens. (...) No que concerne às pessoas físicas, tratase de saber se, caso o aumento de capital da companhia incorporadora de ações se tenha baseado em laudo de avaliação que fixe o valor das ações a preço de mercado, superior ao valor pelo qual tais ações constam da declaração de bens dos Fl. 1202DF CARF MF 24 sócios, será a diferença a maior tributável como ganho de capital, nos termos do art. 23 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. (...) (...) Em face das considerações pendentes, relativas à natureza jurídica da figura de incorporação de ações e à nítida distinção relativamente à figura de subscrição de aumento de capital em bens, fácil se torna concluir que o art. 23 acima citado é exclusivamente aplicável a esta última figura, como aliás resulta do seu próprio caput¸ que se refere a uma transferência “a título de integralização de capital”. Ora, como atrás já largamente se demonstrou, enquanto na subscrição de bens para aumento de capital a operação é realizada entre o sócio e a sociedade¸ na figura da incorporação de ações a operação é realizada entre suas sociedades, a sociedade incorporadora das ações e a sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, sendo que o aumento de capital será subscrito por esta última. Conseqüentemente, na figura da incorporação de ações o acionista não transfere bens ou direitos de qualquer natureza, limitandose, de modo estático e passivo (como numa “quase desapropriação”), a ter no seu patrimônio substituídas as ações que previamente detinha pelas novas ações emitidas pela companhia incorporadora, ocorrendo um fenômeno de subrogação real. Não sendo aplicável à hipótese de incorporação de ações o art. 23 da Lei n° 9.249/95, os sócios pessoas físicas poderão manter o mesmo valor das ações da companhia incorporada, constante das declarações anteriores, limitandose a informar que esse mesmo valor se refere às ações da companhia incorporadora que as substituíram. A tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá em caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho computado pela diferença entre o preço de alienação e o custo originário constante da declaração de bens. Tenhase finalmente presente que esta é a solução que melhor se adequa ao art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), pois só neste momento ocorrerá realização efetiva de um ganho, até então meramente potencial, pois precisamente neste momento é que ocorrerá a aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda. No mesmo sentido, leciona NELSON EIZIRIK [Incorporação de ações: aspectos polêmicos. São Paulo: Editora Quartier Latin do Brasil, 2009, p. 7899]: Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 827 25 A incorporação de ações constitui a operação pela qual uma sociedade anônima é convertida em subsidiária integral de outra companhia brasileira, estando expressamente prevista no artigo 252 da Lei n. 6.404/1976. A incorporação de ações para o fim de constituição de subsidiária integral constitui manifestamente um instituto jurídico decorrente do processo crescente de concentração empresarial. O moderno capitalismo caracterizase, conforme pode ser observado na prática de negócios, por um alto grau de concentração econômica , o qual decorre de três fatores essenciais: a) da existência de economias de escala que a concentração possibilita, quer ao nível da unidade técnica de produção, quer ao nível da gestão empresarial, dado que os empresários buscam sempre minimizar seus custos de produção e de distribuição dos produtos; b) o impacto dos avanços tecnológicos na produção econômica; como a inovação tecnológica constitui uma das principais fontes de lucros das empresas e dada a maior dificuldade de seu desenvolvimento em unidade isoladas de produção, há uma tendência crescente para a concentração; c) da necessidade de diversificação na produção e distribuição dos produtos, com a consequente diminuição dos riscos inerentes a uma atividade monoprodutora. É inegável que uma das funções básicas do moderno direito societário é a de prover os instrumentos jurídicos adequados à instrumentalização e disciplina legal do processo de concentração empresarial. Nesse sentido, podemos verificar, conceitualmente, a existência de dois grandes grupos de instrumentos jurídicos societários aptos a instrumentalizarem a concentração empresarial: a dois institutos que permitem a conjugação de atividades, porém mantida a personalidade jurídica das empresas, como ocorre com os grupos de sociedades; e a dois institutos que instrumentalizam a concentração por integração ou interpretação societária, como ocorre nas fusões e incorporações , em que desaparece a personalidade jurídica de uma das empresas envolvidas. Além dos institutos clássicos acima referidos, a disciplina jurídicosocietária prevê determinados institutos híbridos, como é o caso da incorporação de ações para constituição de subsidiária integral, na qual procedese a uma modalidade de concentração empresarial em que se mantém a personalidade jurídica da companhia cujas ações são incorporadas, passando ela, porém a ter apenas um acionista. Fl. 1204DF CARF MF 26 [...] Tratase, portanto, de típica operação de integração empresarial, que não se confunde com a operação de aumento de capital, embora traga, como uma de suas consequências, por força da incorporação das ações da incorporada ao capital da incorporadora, o aumento de capital desta última. [...]A subscrição constitui o ato pelo qual alguém transfere a título de propriedade bens ou direitos de seu patrimônio para o patrimônio da sociedade, passando tais bens ou direitos a integrar o fundo comum ou social. Em contrapartida à conferência dos bens para a integralização do capital social, são atribuídas ao subscritor, que passará a gozar, a partir de então, do ‘status socii’. A subscrição de capital em bens, está prevista nos artigos 7º a 10 da Lei das S.A, encerra um contrato entre a sociedade e o novo acionista. Na incorporação de ações, por outro lado, é estabelecida uma relação entre duas sociedades – a incorporadora e aquela cujas ações serão incorporadas. Verificase, assim, a convergência de vontades entre as duas companhias, cujas assembleias aprovam a operação de incorporação de ações pode ser deliberada por maioria, não exigindo a unanimidade. [...] Uma outra diferença entre a subscrição e a incorporação de ações centrase no elemento vontade. Com efeito, na subscrição, o subscritor manifesta sua vontade de se tornar sócio da companhia. Tratase de ato unilateral e voluntário, pelo qual a pessoa que deseja se tornar acionista da sociedade manifesta a sua vontade de contribuir para o capital social, obrigandose por determinado número de ações. Na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendolhe, apenas no caso de dissidência, o exercício do direito de recesso. Na incorporação de ações, assim, haverá subscrição, independentemente da vontade do acionista minoritário, de ações da sociedade incorporadora com a totalidade das ações do capital social da companhia cujas ações serão incorporadas. [...] Na incorporação de ações, assim como ocorre na incorporação de sociedades, os acionistas da companhia incorporada perdem a titularidade das ações de sua propriedade e, em contrapartida, recebem ações de emissão da incorporadora. Contudo, a operação de incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei Societária, não se confunde com a incorporação de sociedades. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 828 27 Nos termos do artigo 227 da Lei Societária, a incorporação de sociedade constitui operação mediante a qual uma das sociedades é absorvida por outra, que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. Assim, em decorrência da incorporação, a sociedade incorporada desaparece e o seu patrimônio é incorporado à sociedade incorporadora, que realiza um aumento de capital a ser subscrito com a versão do patrimônio da incorporadora. Os acionistas da incorporadora perdem os direitos que tinham em relação ao patrimônio da sociedade extinta e passam a ser acionistas da sociedade incorporadora, recebendo, em substituição às suas antigas ações, ações de emissão da sociedade incorporadora. A Lei n. 6.404/76 especificou, nos três parágrafos do artigo 227, o procedimento a ser observado tanto pela companhia incorporadora quanto pela incorporada. Por sua vez, a incorporação de ações, como antes referido, constitui operação pela qual uma sociedade anônima é convertida em subsidiária integral de outra companhia brasileira, estando expressamente prevista no artigo 252 da Lei n. 6.404/76. Não há, na hipótese prevista no artigo 252 da Lei das SA, embora a norma mencione “incorporação” de ações, incorporação de uma sociedade por outra. A doutrina, aliás, tem criticado a utilização, pelo legislador, da palavra “incorporação”, conhecida como uma operação em que se extingue a sociedade incorporada, sendo sucedida pela incorporadora, o que não ocorre na incorporação de ações. [...]A incorporação de ações disciplinada no artigo 252 da Lei das S.A constitui negócio plurilateral, cujo objeto é a integração de participação societária, mediante a agregação de todas as ações da incorporadora ao patrimônio da incorporadora, mantida a personalidade jurídica da incorporada. Ou seja, não há, na incorporação de ações, a extinção da sociedade, cujas ações foram “incorporadas”, muito menos a sucessão em seus direitos e obrigações. [...] A operação prevista no artigo 252da Lei das S.A, tem por objetivo a transformação de sociedade pluripessoal em subsidiária integral, mediante a “incorporação” da totalidade das ações de sua emissão ao patrimônio da companhia “incorporada”. Uma das principais características da operação de incorporação de ações é a compulsoriedade da transferência das ações dos acionistas, independentemente Fl. 1206DF CARF MF 28 de seu consentimento. Isto é, verificase a total ausência do elemento volitivo para a efetivação e concretização deste tipo de operação. A operação de incorporação de ações decorre unicamente da deliberação assemblear, a cuja decisão os acionistaseventualmente discordantes não poderão opor se, estando impossibilitados de impedir a operação. É nas assembleias gerais que será verificada a vontade social das duas sociedades: a incorporadora e a da que terá suas ações incorporadas. Uma vez adquirida a personalidade jurídica como registro de seus atos constitutivos, sociedade passa a ter existência distinta da de seus membros, sendo considerada uma pessoa, a quem a Lei atribui capacidade para adquirir e transmitir direitos. [...] Na hipótese de incorporação de ações, a assembleia geral da sociedade cujas ações serão incorporadas delibera, por maioria, realizar a operação. Tratase de manifestação da vontade social, tendo em vista os interesses da sociedade e não os dos acionistas individualmente considerados. [...] Após a aprovação da operação de incorporação de ações pela maioria na assembleia geral, a diretoria da companhia que terá suas ações incorporadas, ao subscrever o aumento do capital da sociedade incorporadora com ações dos acionistas, está executando a vontade social.[...] Como referido, o ato jurídico de subscrição não é praticado, portanto, pelos acionistas, mas pela diretoria da sociedade cujas ações serão incorporadas. [Grifouse] No caso, não ocorre uma integralização de capital pela pessoa física, tratandose de operação levada a efeito pelas pessoas jurídicas envolvidas no processo de incorporação de ações. Outrossim, não se tem transferência, por ato de alienação, de bens da pessoa física para uma pessoa jurídica. Ocorre apenas uma subrogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas de outra, e isso por força de lei. Conforme a lição de Maria Helena Diniz (in Curso de Direito Civil Brasileiro, 2º Volume, São Paulo, Editora Saraiva, 19ª ed., p. 264, 2004), o termo subrogação advém do latim subrogatio, designando substituição de uma coisa por outra, com mesmos ônus e atributos, caso em que se tem a subrogação real. Nesse sentido, entendo que não há como se comparar, para fins de justificar a tributação, integralização de capital social por pessoa física com incorporação de ações entre pessoas jurídicas. Não se pode olvidar que de acordo com o artigo 5°, inciso II, com o artigo 37 e com o artigo 150, inciso I, todos da Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 829 29 Constituição Federal, ao que se soma o artigo 97, incisos I e III, e § 1°, do Código Tributário Nacional – CTN, somente a lei pode instituir ou majorar tributos, bem como definir o fato gerador da obrigação tributária. É exclusividade de lei determinar a hipótese de incidência tributária e seus elementos quantitativos – base de cálculo e alíquota. Apenas a lei pode fixar as situações que, ocorridas no mundo fático, geram a obrigação de pagar tributo e o quantum debeatur. Nesse sentido, cumpre destacar as seguintes lições de Roque Antonio Carrazza: Portanto, o princípio da legalidade, no Direito Tributário, não exige, apenas, que a atuação do Fisco rime com uma lei material (simples preeminência de lei). Mais do que isto, determina que cada ato concreto do Fisco, que importe exigência de um tributo, seja rigorosamente autorizado por uma lei. É o que se convencionou chamar reserva absoluta de lei formal (Alberto Xavier) ou de estrita legalidade (Geraldo Ataliba). Também a conduta da Fazenda Pública, ao cobrar um tributo (atividade tipicamente administrativa), deve vir disciplinada numa lei ordinária, que minudencie os casos e o modo como deve ser aplicada. Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abstratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do princípio da legalidade. Convém lembrar que são ‘elementos essenciais’ do tributo os que, de algum modo, influem no an e no quantum da obrigação tributária. (Curso de Direito Constitucional Tributário, 12. ed., Malheiros: 1999, p. 178179) Ato contínuo, pretendeu a Autoridade Fiscal justificar a tributação por meio da aplicação do disposto na Lei n. 7713, de 22 de dezembro de 1988, que altera a legislação do imposto de renda e dá outras providências: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. Fl. 1208DF CARF MF 30 (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valorde transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. [Grifo nosso] Resta claro que os arts. 1º e 2º tratam da hipótese que define incidência da ocorrência do fato gerador, que só ocorre, como definido em Lei, quando os rendimentos são percebidos por pessoas físicas. Além disso, define claramente, que o imposto será devido, pelas pessoas físicas, à medida em que os rendimentos e ganho de capital foram percebidos. É certo que a Constituição da República de 1988 outorgou competência tributária aos entes federativos por meio de regras compostas por expressões que denotam riqueza tributável (os “fatossignos presuntivos de riqueza”, conforme expressão Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 830 31 cunhada por Alfredo Augusto Becker). Dada a vaguidão e a ambiguidade dos vocábulos, é patente a dificuldade de se precisar, semanticamente, o que deve ser entendido por “renda e proventos de qualquer natureza”, “faturamento”, “receita”, “salários”, dentre outros. O legislador constituinte se utilizou de conceitos fechados e determinados, que vinculam a atividade do legislador infraconstitucional, como forma de se garantir a segurança jurídica e a legalidade. Quis o legislador constituinte repartir, com rigidez e precisão, o espaço de tributação de cada ente federativo, evitando, desta forma, conflitos de competência. Se com a rígida discriminação de competências tributárias, vemos a todo o tempo situações de bitributação, certamente a adoção de tipos aumentaria, sobremaneira, as invasões de competência. Os conceitos constitucionais não poderão ser alterados pelo legislador infraconstitucional, a quem caberá, tão somente, definilo por meio de instrumento normativopróprio (a Lei Complementar prevista no artigo 146 da Lei Constitucional de 1988, que será objeto de análise em tópico próprio). Qualquer atuação que extrapole o conceito constitucional, implica reconhecimento do vício de inconstitucionalidade da norma jurídica tributária. A regra prevista no inciso III do artigo 153 da Constituição da República de 1988, outorga competência à União para instituir imposto sobre a “renda e proventos de qualquer natureza”. Nesse diapasão, cumprenos construir o conceito constitucional de renda7, fixando as balizas constitucionais à atuação do legislador infraconstitucional. Em sua acepção de base, identificamos no vocábulo “renda” diversos significados que nos orientam neste trabalho de construção de sentido; dentre elas, destacamos: (i) produto anual ou mensal de propriedades rurais ou urbanas, de bens móveis ou imóveis, de benefícios, capitais em giro, empregos, inscrições, pensões etc.; produto, receita, rendimento; (ii) rendimento líquido depois de deduzidas as despesas materiais. (iii) totalidade dos rendimentos que entram num cofre geral. (iv) importância superior a determinado limite e estabelecida pelas leis fiscais como rendimento da atividade econômica do indivíduo8. Por sua vez, o vocábulo “provento” tem como acepção de base os significados de “ganho”, “lucro”, “proveito” ou “rendimento”. Tratase de espécie do gênero, “renda”. Como se percebe, a acepção de base é insuficiente para que se conceitue juridicamente “renda e proventos de qualquer natureza”. Cumpre analisar a regra do artigo 153, III, com outras regras e princípios do Texto Constitucional. Não obstante, é decisivo apartar a palavra “renda” de outros vocábulos, que dela se aproximam ou, ao menos, tangenciamna. Contudo, é importante distanciar “renda” de “faturamento”, Fl. 1210DF CARF MF 32 “receita”, “patrimônio”, “capital”, “ganho”, “rendimentos” e “lucro”. “Faturamento” é fonte de custeio prevista no artigo 195, I, b, da Constituição Federal de 1988 para a instituição de contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, não podendo ser confundida com o vocábulo ora investigado. Faturamento consiste no ato ou efeito de faturar, isto é, extrair uma fatura relacionada à uma venda mercantil ou prestação de serviço, conforme disposto na Lei nº 5.474/68. Tratase de conceito oriundo do direito privado incorporado pelo legislador constituinte. A riqueza tributável consiste na soma dos valores auferidos constantes nas faturas emitidas. Não se confunde, portanto, com “renda”. “Receita” também é fonte de custeio prevista no artigo 195, I, b, do Diploma Constitucional, constituindo gênero do qual o “faturamento” é uma espécie. Na lição de Paulo de Barros Carvalho2: Receita é a entrada que, integrandose ao patrimônio sem quaisquer reservas ou condições, vem acrescer seu vulto como elemento novo positivo. Assim, quando o particular vende determinado bem que lhe pertence, o dinheiro recebido é receita, uma vez que altera a situação patrimonial do vendedor. O emprego do vocábulo deixa clara a diferença existente entre “renda” e “receita”, conquanto a presença daquela pressuponha a existência desta. O legislador constituinte também diferencia “patrimônio” de “renda”. Isso fica nítido, por exemplo, pelo disposto no artigo 150, VI, a e c e os §§1º, 2º e 4º, do Texto Constitucional, em que são mencionados no mesmo enunciado, denotando conteúdo semântico diverso. Tratase de conceito oriundo do direito privado, que designa o conjunto de bens e direitos de determinada pessoa, física ou jurídica (pública ou privada), estaticamente considerados. Renda também não se confunde com “capital”, que é empregada pelo constituinte como espécie de investimento permanente. É quantia, pertencente ao patrimônio de um indivíduo, utilizada para produzir bens de capital (juros, correção monetária, lucro, dentre outros). “Ganho” e “rendimentos” consistem em entradas no patrimônio de uma pessoa, física ou jurídica, mas também não podem ser equiparadas à renda, visto que a Lei Maior de 1988 também as utiliza em acepção, muito similar ao de receita. “Lucro”, por fim, consiste no resultado positivo de uma determinada atividade econômica, obtida por uma pessoa física ou jurídica. O lucro é materialidade empregada pelo constituinte para fins de custeio da seguridade social por meio de contribuição (artigo 195, I, c). Para José Artur Lima Gonçalves3, tratase de “noção parcial em relação à renda”. Por outro lado, não obstante as delimitações negativas que buscamos realizar, é importante salientar que o Texto Constitucional consagra o direito de propriedade (artigo 5º, Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 831 33 XXII, da Constituição da República de 1988), a capacidade contributiva (artigo 145, §1º, do mesmo Diploma) e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III). A tributação consiste em invasão no patrimônio do contribuinte, relativizando o seu direito de propriedade, que destaca parte de sua riqueza (a ser calculada de acordo com o referencial adotado – renda, patrimônio, faturamento, receita, dentre outros) e a entrega ao Estado, como forma de abastecimento dos cofres públicos e concretização dos valores constitucionais perseguidos pela sociedade. Esta invasão, no entanto, não pode aniquilar direitos fundamentais. A capacidade contributiva, a seu turno, impõe que o legislador capte as manifestações de riqueza, previamente estipuladas pelas regras de competência tributária. Com essas palavras, queremos pontuar que só há renda– acréscimo patrimonial – após o confronto entre as receitas e as despesas, de modo a se tributar, efetivamente, riqueza disponível, e não um ônus, uma perda ou, enfim, qualquer decréscimo patrimonial. Nesse diapasão, parecenos que o vocábulo renda só pode significar o acréscimo de riqueza definitivo ao patrimônio do contribuinte, obtido após a dedução das despesas indispensáveis à manutenção da fonte produtora, verificada em determinado período de tempo. O conceito em tela distinguese principalmente da noção de “patrimônio” (que é o conjunto estático de bens) e de “receita” (ingresso patrimonial), vez que sua configuração depende da dedução de determinadas saídas. Do contrário, terseia renda como sinônimo de receita. Posto isso, cabe analisar se a definição do conceito de “renda e proventos de qualquer natureza” realizada pelo legislador nacional complementar, é compatível com a regra de competência do artigo 153, III, da Carta Magna de 1988. Coube à Lei Complementar, nos termos do artigo 146, III, a, da Constituição da República, definir os conceitos constitucionais, a fim de delimitar e balizar o legislador ordinário na expedição da regramatriz de incidência dos tributos de sua competência. O legislador complementar, portanto, deve se ater ao conceito constitucional de renda, semprejuízo das demais limitações formais e materiais ao poder de tributar previstas na Carta Magna de 1988. Nesse diapasão, o legislador complementar definiu o conceito de renda, conforme o artigo 43, I e II, do CTN – Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 1212DF CARF MF 34 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. A definição do legislador complementar coadunase com o conceito constitucional de renda construído, razão pela qual inexiste incompatibilidade vertical. O legislador ordinário poderá eleger como hipótese de incidência do tributo em análise a conduta pela qual o contribuinte aufere um acréscimo patrimonial em caráter definitivo, seja ele enquadrado na definição de renda (definida como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (todo e qualquer acréscimo que não advenha do capital ou do trabalho, tais como alugueis, royalties, dentre outros). A tributação da renda só é possível quando configurada a disponibilidade –econômica ou jurídica – que denote manifestação de capacidade contributiva por parte do contribuinte. A disponibilidade econômica referese à efetiva disponibilidade dos recursos financeiros em caixa, enquanto a disponibilidade jurídica consiste em título jurídico, líquido e certo, que lhe permite obter, incontestavelmente, a realização em dinheiro. O importante, para que se viabilize a incidência do tributo, é que o contribuinte adquira esta disponibilidade e manifeste capacidade econômica para arcar com a carga tributária que lhe será imposta em razão deste acréscimo. Definir se a incorporação de ações enseja ganho de capital aos acionistas, pessoas físicas da empresa incorporada, exige domínio do conceito constitucional de renda, da sua definição à luz do Código Tributário Nacional e se há subsunção deste evento, ou não, ao critério material da hipótese de incidência da norma tributário. Ademais, é decisivo saber se esta operação societária equiparase à alienação de bens ou direitos por meio de subscrição de ações, conforme disposto no §3º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88. De nossa parte, afirmo sem qualquer receio que a incorporação de ações não se equipara à alienação de bens. Alienar tem como acepção de base a transferência de algo a outrem. O Código Civil de 2002, trata a alienação como forma de perda da propriedade, consoante o artigo 1.275, I, e se concretiza quando há um negócio jurídico bilateral, pelo qual o alienante transfere, a título gratuito ou oneroso, determinado bem ou direito ao alienatário. Na incorporação de ações ocorre troca, permuta ou, como enuncia a Lei das Sociedades Anônimas, substituição de ações. Esta transação, frisese, não se dá entre os acionistas da incorporada e a sociedade incorporadora, mas sim entre as duas companhias. Os acionistas da incorporada deliberam sobre a formalização da operação, mas não se exige votação unânime. O sócio que tenha recusado a incorporação, caso não exerça o seu direito de retirada, sofrerá os efeitos da operação societária, passando a ser considerado acionista da incorporadora, de quem receberá novas ações, em substituição àquelas que possuía, cabendolhe efetuar as alterações necessárias em sua Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 832 35 declaração de bens. A incorporação tem como um de seus efeitos a transformação da sociedade incorporada em sua subsidiária integral – e não a sua extinção, como ocorre com a incorporação tradicional – da qual a incorporadora passa a ser a única acionista. Ato contínuo, a incorporadora emite ações em seu nome, para substituir aquelas que foram incorporadas, cujo valor pode ser idêntico, inferior ou superior ao valor de custo. Daí o caráter de permuta: o acionista entrega a sua participação societária, e recebe em troca novas ações, agora da empresa incorporadora. Trocamse, portanto, títulos por outros títulos. O fato de as novas ações serem eventualmente superiores ao valor contabilizado (ou valor de custo), não permite dizer que houve acréscimo patrimonial, visto que não há qualquer disponibilidade efetiva de renda. Esta somente se verificará quando o contribuinte efetuar a alienação da participação societária, recebendo, em contrapartida, o preço. O ganho de capital, portanto, depende da realização da renda. Relevante salientar que este ganho verificado em razão da substituição dos títulos é meramente potencial. Como é cediço, o mercado de capitais é sazonal, de modo que o contribuinte pode sofrer a desvalorização de suas ações, nova valorização, e assim sucessivamente. Somente quando ocorrer a alienação efetiva da participação, com recebimento das quantias pela sociedade empresária, é que se poderá verificar a existência, ou não, de ganho de capital tributável. Desta forma, ainda que se possa aceitar a ocorrência de uma transferência de ações (dos acionistas da incorporada à incorporadora), não há recebimento de preço pelos títulos, mas sim de novas ações, cujo valor total, ainda que superior, poderá ser momentâneo, diante das variáveis acima mencionadas. Assim, inexiste qualquer ganho de capital tributável pelo imposto sobre a renda quando ocorre a denominada incorporação de ações. A situação descrita não se amolda ao critério material da norma tributária. Não há efetivo acréscimo patrimonial, mas mera possibilidade de acréscimo, a ser verificado quando da efetiva alienação destas ações. Por conseguinte, exigir o tributo da pessoa física, nestas situações, não só afronta o conceito constitucional de “renda e proventos de qualquer natureza” porquanto tributase patrimônio e não renda como também viola o princípio da capacidade contributiva (artigo 145, §1º, da Lei Constitucional de 1988, vez que o contribuinte não manifesta qualquer riqueza passível de tributável) e da legalidade (artigo 150, I, do mesmo Diploma, vez que se exige exação sem respaldo em lei ou na própria Carta Magna). A partir dessa conclusão, surgem algumas indagações: a) o contribuinte que consta da autuação pessoa fisica percebeu/recebeu algo em operação? Fl. 1214DF CARF MF 36 Entendo que não, pois não houve a venda de ações. Não houve realização monetária neste momento; b) Ocorreu integralização de capital por pessoa física, sujeita a tributação pela Lei 9.249? Entendo que não, pois houve incorporação de ações, entre pessoas jurídicas, instituto jurídico definido em lei, diverso da integraliação de ações c) Há hipótese de incidência do IRPF nessa operação, sobre a pessoa física? Entendo que haverá quando a pessoa física vender suas ações. Aliás, é bom destacar que a Declaração de Rendimentos da Pessoa Física do contribuinte, sujeito passivo da relação jurídicotributária, não foi alterada, persistindo com o mesmo valor, mesmo após a incorporação de ações, haja vista que não houve alteração do patrimônio. Não se deve esquecer as lições do Professor Alberto Xavier que leciona: "A tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho a diferença entre o preço de alienação e o custo originário constante da declaração de bens"; d) Por derradeiro, questionase: sendo o contribuinte acionista com poder de decisão na assembleia geral e, por conseguinte, definido a incorporação, não seria a hipótese de se tributar pela existência de elemento de vontade? Entendo que não, pois, conforme lições do Professor NELSON EIZIRIK, na incorporação de ações é estabelecida uma relação entre duas sociedades – a incorporadora e aquela cujas ações serão incorporadas. Verificase, assim, a convergência de vontades entre as duas companhias, cujas assembleias aprovam a operação de incorporação de ações pode ser deliberada por maioria, não exigindo a unanimidade. Ademais, na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendolhe, apenas no caso de dissidência, o exercício do direito de recesso. Registro, por oportuno, que tal entendimento foi manifestado recentemente [19/05/2014] pela d. Procuradoria Federal que atua junto a Comissão de Valores MobiliárioCVM, em Parecer n /2014/GJU2/PFE/PGF/AG [doc. entregue com os memoriais] da lavra da Procuradora Federal Raquel Passarelli de Souza Toledo de Campos, conforme se observa: ASSUNTO: CONSULTA. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. EFEITOS PARA OS ACIONISTAS DA INCORPORADA. [...] 17. Tanto a vontade que movimenta a incorporação de ações é a das sociedades envolvidas, e não de cada acionista de per si, que a transação é aprovada pela maioria de votos e não por sua unanimidade. Assim, repitase, a vontade individual determina, apenas, se a Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 833 37 ação detida por certo titular será ou não substituída por outra emitida pela nova controladora. Mas é a vontade das assembleias que constitui elemento essencial do negócio de incorporação de ações. 18. Assim, em uma visão global da operação, temos que o negócio é celebrado entre as companhias, que manifestam vontade de contratar por meio das respectivas assembleias e completam as formalidades legais por seus diretores. A emissão das novas ações para os acionistas da incorporada termina de cumprir o procedimento legal e é consequência da aquisição dos títulos originais pela incorporadora e da necessária recomposição dos patrimônios individuais afetados. 19. Por todo o exposto, não existe alienação das ações pelos acionistas da incorporada, cujas manifestações de vontade estão dirigidas à celebração do negócio social. Embora a vontade individual seja relevante para a efetiva substituição detítulos, não o é para perfectibilidade do negócio. A substituição final é consequência legal e lógica da operação e condição imprescindível ao equilíbio dos interesses contínuos. Portanto, não se pode ignorar o princípio da entidade e dizer, noutra linha, que não haverá tributação. Entendo que a ocorrência do fato gerador do IRPF quando existir a realização dessa renda. Salvo engano, a figura da incorporação de ações está contemplada com benefício semelhante, embora não expresso, àquele previsto no artigo 121, inciso II, do RIR/99, segundo o qual não se sujeita à apuração de ganho de capital tributável a permuta de unidades imobiliárias sem recebimento de torna. Sob minha ótica, também justifica a manutenção do decisum recorrido o § único, do artigo 38, do RIR/99, que assim determina: Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. (Grifei) Fl. 1216DF CARF MF 38 Tal regra estabelece o regime de caixa para as pessoas físicas e, inquestionavelmente, o sujeito passivo não recebeu nenhum numerário com a incorporação das ações. Haverá ganho de capital, sim, quando o contribuinte alienar, por valor superior ao custo de aquisição, a participação societária recebida em razão da incorporação de ações ora apreciada. Ressalto, ainda, por derradeiro e importantíssimo, que o TRF 4º, no julgamento da Apelação n.º 505279342.2011.4.04.7000, da lavra do Ilustre Des. Otávio Roberto Pamplona que: “Não há alienação de ações ou mesmo uma incorporação ficta, mas sim a subrogação legal dos acionistas cujas ações houveram de ser incorporadas, nas ações da incorporadora. (...) A Alienação importa na renúncia de um direito e é, portanto voluntária. Tendo em vista que a subrogação real derivada de lei há a substituição de uma coisa por outras em razão de expressa previsão legal, não há que se confundir alienação com subrogação real. De qualquer forma, entendo haver, no momento da incorporação de ações mera substituição das ações da incorporada pelas ações da incorporadora, na proporção determinada por meio da avaliação contratada para esse fim (art. 252, § 1.º), respeitados o protocolo e a justificação nos termos dos art. 224 e 225 da LSA (art. 252, caput). Não há que se falar, portanto, em alienação de ações da incorporada para posterior compra de ações da incorporadora, até mesmo porque a incorporação (e a consequente substituição das ações) pode ocorrer sem o consentimento do acionista [como é o caso aqui], uma vez que não depende de unanimidade na deliberação da Assembleia Geral, prescindindo dessa forma, da manifestação de vontade do sócio na qualidade de subscritor. ... Por todo o exposto, não existe alienação das ações pelos acionistas da incorporada, cujas manifestações de vontade individual seja relevante para a efetiva substituição dos títulos, não o é para a perfectibilidade do negócio. A substituição final é a consequência legal e a lógica da operação e condição imprescindível ao equilíbrio dos interesses contíguos.” Com meus comentários em negrito. Assim, a melhor interpretação ao caso é: 1. A incorporação das ações da HFF foi deliberada e aprovada por sua assembleia geral em vista dos interesses da sociedade e não de seus acionistas; Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 9202005.534 CSRFT2 Fl. 834 39 2. Não houve, no referido processo de aprovação, manifestação de vontade expressa por parte dos acionistas, incluindose o Recorrente, sendo tal requisito imprescindível à existência de uma alienação; 3. A incorporação de ações se deu por meio de subrogação real legal, com a simples substituição das ações da HFF de titularidade do Recorrente por ações da BRF, mantendose a mesma proporção e valor de investimento anteriormente detido; e 4. Juntamente com as manifestações da CVM e do Poder Judiciário, este CARF deverá manter seu posicionamento anteriormente esposado no acórdão 9202.003.579. (Assinado digitalmente) Patricia da Silva Não foram apresentadas outras declarações de voto no prazo regimental. Fl. 1218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11613.000032/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/06/2007
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/06/2007 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11613.000032/200889 Recurso nº 2 De Ofício Acórdão nº 3402004.238 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CARAIBA METAIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/06/2007 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 00 32 /2 00 8- 89 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11613.000032/200889 Acórdão n.º 3402004.238 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do Acórdão 08024.465, que ao julgar a impugnação cancelou a exação objeto dos autos em montante que, à época da decisão, ultrapassou o limite de alçada. O valor exonerado (principal + multa de ofício), contudo, é inferior ao limite atualmente vigente, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.199, de 26 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10410.720607/201445, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.199): "Como relatado, o valor exonerado objeto do recurso de ofício foi inferior à R$ 2.500.000,00. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), estabeleceu que: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Por seu turno, a Súmula CARF, abaixo transcrita, explicita o direito intertemporal para aplicação do teor da transcrita Portaria Ministerial, consoante o brocardo que é princípio do direito adjetivo, qual seja, tempus regit actum. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11613.000032/200889 Acórdão n.º 3402004.238 S3C4T2 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com efeito, sendo o valor de alçada nesta data inferior à R$ 2.500.000,00, o presente recurso não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901579/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.928
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 79 /2 01 2- 16 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.560, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13116.901579/201216 Acórdão n.º 3201002.928 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.910489/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE ESTIMATIVA.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84). Compensação homologada até o limite do crédito reconhecido na diligência.
Numero da decisão: 1402-002.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 10.734,42; homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite.
( Assinado Digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(Assinado Digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84). Compensação homologada até o limite do crédito reconhecido na diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 10.734,42; homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. ( Assinado Digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 04 89 /2 00 9- 79 Fl. 563DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo da análise da Declaração de Compensação 22875.87462.250907.1.3.04 9801, através da qual o interessado objetivava compensar débito de IRPJ – 2362, referente ao Período de Apuração ago/2005 no valor original de R$ 14.158,70 utilizandose de crédito de R$ 10.734,42 oriundo do pagamento indevido efetuado em 29/06/2005 no valor total de R$ 79.581,25, relativo a estimativa de IRPJ (2362), Período de Apuração 05/2005. A DCOMP 22875.87462.250907.1.3.049801 teve processamento eletrônico com Despacho Decisório emitido em 07/10/2009, o qual não homologou a compensação pleiteada em razão do crédito se referir a pagamento a título de estimativa mensal, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ do período, nos termos do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 (fl 04). O interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente nos termos do Acórdão 1435.391 – 5ª Turma da DRJ/RPO (fls 54 a 65). Inconformado o interessado interpôs Recurso Voluntário. Através do Acórdão 1801001.975 – 1 ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF aplicou o entendimento da Súmula 84 e determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição do recorrente para pronunciamento quanto à existência do direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa e para pronunciamento quanto à homologação da compensação pleiteada. Após análise dos créditos de fls. 557/558 e Relatório de fl. 559, foi apresentado aos autos Informação Fiscal de fls. 560/561 nos seguintes termos: Saldo Negativo IRPJ AC 2005 O Saldo Negativo IRPJ AC 2005 foi pleiteado através da DCOMP 32515.33421.250808.1.702 2220 e, conforme análise do crédito juntada às fls 557 e 558, não consta na sua composição o pagamento efetuado em 29/06/2005 no valor total de R$ 79.581,25. Juntamos telas extraídas dos sistemas donde se conclui que não houve apuração de estimativa de 05/2005. A totalidade do pagamento de R$ R$ 79.581,25 efetuado em 29/06/2005 encontrase disponível (fl 554). Também efetuamos a vinculação do pagamento indevido de R$ R$ 79.581,25 aos débitos constante nas DCOMPs 27511.27066.170407.1.3.043480 e 22875.87462.250907.1.3.049801. Conforme relatório de fl 559 haveria suficiência para compensação dos débitos da DCOMP 27511.27066.170407.1.3.043480 e para compensação parcial do débito da DCOMP 22875.87462.250907.1.3.049801. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10855.910489/200979 Acórdão n.º 1402002.696 S1C4T2 Fl. 564 3 Considerando que a DCOMP 27511.27066.170407.1.3.043480 (processo 10855.909722/2009 71) está vinculada ao mesmo crédito objeto de análise neste processo administrativo e que tal documento encontrase aguardando julgamento encaminhamos a presente informação solicitando orientações quanto ao prosseguimento do determinado no Acórdão 1801001.975 – 1 ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Encaminhese ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais propondo pela análise em conjunto com o processo 10855.909722/200971. É o relatório. Fl. 565DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Quanto ao mérito, adoto o entendimento vencedor da r. decisão da 1 Turma Especial, registrada na Resolução/Acórdão1801.001.975 de fls. 546/549 onde aplicou a Súmula Carf número 84, acolhendo o requerimento da Recorrente de que o recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário pode gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Para não deixar dúvida, colaciono a parte do voto vencedor da Resolução. No mérito observase que o órgão de origem de jurisdição da recorrente e a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiram o pleito ao argumento de que não pode haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário a gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi superada neste órgão de julgamento como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10855.910489/200979 Acórdão n.º 1402002.696 S1C4T2 Fl. 565 5 No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de maio de 2005, em valor maior que o devido. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante o órgão de sua jurisdição – DRF Sorocaba o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o mérito da decisão proferida por aquela autoridade no Despacho Decisório jungiuse à impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, o que não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade da DRF em Sorocaba e a Turma Julgadora de 1a. Instância, centraram suas decisões na possibilidade do pedido, e assim não analisaram a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade do órgão local – DRF em Sorocaba, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oportunidade de apresentar manifestação de inconformidade junto à DRJ em Ribeirão Preto/SP, assim como aditar suas razões recursais, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação em todas as instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade da DRF em Sorocaba/SP, Fl. 567DF CARF MF 6 com o conseqüente retorno dos autos àquela autoridade, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido e sobre a homologação das compensações. De acordo com a r. Informação Fiscal de fls.560/561, o mesmo crédito também foi utilizado no DCOMP 27511.27066.170407.1.3.043480, do processo 10855.909722/200971, o qual se encontra aguardando julgamento por este E. CARF/MF. Segue a parte da Informação Fiscal que nos interessa: Saldo Negativo IRPJ AC 2005 O Saldo Negativo IRPJ AC 2005 foi pleiteado através da DCOMP 32515.33421.250808.1.702 2220 e, conforme análise do crédito juntada às fls 557 e 558, não consta na sua composição o pagamento efetuado em 29/06/2005 no valor total de R$ 79.581,25. Juntamos telas extraídas dos sistemas donde se conclui que não houve apuração de estimativa de 05/2005. A totalidade do pagamento de R$ R$ 79.581,25 efetuado em 29/06/2005 encontrase disponível (fl 554). Também efetuamos a vinculação do pagamento indevido de R$ R$ 79.581,25 aos débitos constante nas DCOMPs 27511.27066.170407.1.3.043480 e 22875.87462.250907.1.3.049801. Conforme relatório de fl 559 haveria suficiência para compensação dos débitos da DCOMP 27511.27066.170407.1.3.043480 e para compensação parcial do débito da DCOMP 22875.87462.250907.1.3.049801. Considerando que a DCOMP 27511.27066.170407.1.3.043480 (processo 10855.909722/2009 71) está vinculada ao mesmo crédito objeto de análise neste processo administrativo e que tal documento encontrase aguardando julgamento encaminhamos a presente informação solicitando orientações quanto ao prosseguimento do determinado no Acórdão 1801 001.975 – 1 ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Encaminhese ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais propondo pela análise em conjunto com o processo 10855.909722/200971. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10855.910489/200979 Acórdão n.º 1402002.696 S1C4T2 Fl. 566 7 Consta também a informação de que o crédito não é suficiente para compensar os dois pedidos. Entretanto, de forma individual, para o presente processo existe crédito suficiente para o valor de R$ 10.734,42 a ser compensado, conforme relatório de fls. 559 e Informação Fiscal de fls. 560/561. Sendo assim, como existe crédito suficiente para compensar parcialmente o débito constante no PER/DCOMP, homologo a compensação requerida até o limite solicitado de R$ 10.734,42. (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
