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Numero do processo: 16095.000155/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REFORMA DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA A COISA JULGADA. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA DOS JULGADOS ADMINISTRATIVOS. DECISÃO NOTIFICAÇÃO REFORMADORA ANULADA.
A decisão definitiva favorável ao contribuinte e proferida pelo órgão julgador administrativo de segunda instância, no caso o Conselho de Recursos da Previdência Social, não pode ser reformada quando já configurado o trânsito em julgado administrativo, ainda mais em se tratando de reforma que prejudica o interessado e foi levada a efeito por auditor fiscal, autoridade fiscal que não proferiu a decisão reformada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente SENAP DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REFORMA DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA A COISA JULGADA. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA DOS JULGADOS ADMINISTRATIVOS. DECISÃO NOTIFICAÇÃO REFORMADORA ANULADA. A decisão definitiva favorável ao contribuinte e proferida pelo órgão julgador administrativo de segunda instância, no caso o Conselho de Recursos da Previdência Social, não pode ser reformada quando já configurado o trânsito em julgado administrativo, ainda mais em se tratando de reforma que prejudica o interessado e foi levada a efeito por auditor fiscal, autoridade fiscal que não proferiu a decisão reformada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Igor Araújo Soares Relator. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000155/200830 Acórdão n.º 2402002.149 S2C4T2 Fl. 303 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por SENAP DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA, em face da Decisão Notificação de fls. 132/136, que manteve a integralidade da NFLD 35.467.8124, por meio da qual foram lançados diferenças de valores relativos ao SAT( Seguro de Acidente de Trabalho), à alíquota de 1% e que estavam com exigibilidade suspensa em decorrência da sentença proferida nos Autos da ação no. 2001.61.00.0157083 Consta do relatório fiscal que o lançamento foi efetuado com a finalidade de prevenir o Fisco dos efeitos da decadência. O lançamento compreende as competências de 11/1998, 12/2008 e 13/2008, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 21/02/2003 (fls. 01). Em seu recurso sustenta a recorrente, a necessidade do julgador em afastar Legislação tida por inconstitucional, no caso, diante da clara inconstitucionalidade do SAT. Defende, ainda a impossibilidade do lançamento, uma vez que o crédito está com a exigibilidade suspensa Por conseguinte, é descabida a aplicação da multa, pois não houve qualquer infração a disposições legais, já que o suposto débito fiscal deuse pela compensação, autorizada por sentença judicial, de créditos de contribuição ao SAT com as contribuições previdenciárias acima destacadas. Finaliza apontando ser inconstitucional a taxa SELIC. Com contrarrazões da Secretaria da Receita Previdenciária às fls. 167/168, os autos foram enviados ao CRPS, que por intermédio de sua 4a Câmara, a unanimidade de votos, não conheceu do recurso voluntário da recorrente, em razão da concomitância entre o presente processo a supramencionada ação judicial. Tal julgamento fora em 21/07/2003. Feito isso os autos baixaram para aguardar o deslinde do processo judicial. Ocorre que, já transitado em julgado o processo administrativo, o qual apenas aguardava o deslinde do processo judicial, a própria Secretaria da Receita Previdenciária, já em 2005, achou por bem reformar a DN anteriormente proferida, sob o fundamento de que a mesma continha lapso manifesto, por ter reconhecido que a contribuinte faria jus ao que descrito no art. 63 da Lei 9.430/96, quanto a multa de mora, ao passo em que tal providência não seria possível pois as contribuições previdenciárias eram regidas por Lei específica, no caso a Lei 8.212/91, que determina que a multa possui caráter irrelevável. Fora então novamente intimada para apresentação de recurso voluntário, recurso este que será o apreciado na presente assentada. Na peça defende ofensa a coisa julgada administrativa, pois todas as esferas de julgamento já haviam sido esgotadas, sem recurso de qualquer das partes, sobre a questão da Fl. 314DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 aplicabilidade à recorrente da regra constante do art. 63 da Lei 9.430/96, não cabendo, portanto, a revisão de ofício. Por fim, aponta que faz jus ao que descrito no art. 63 da Lei 9.430/96 e arrematando ser inconstitucional a contribuição ao SAT e a taxa SELIC. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000155/200830 Acórdão n.º 2402002.149 S2C4T2 Fl. 304 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso merece conhecimento. PRELIMINARMENTE Antes mesmo de se analisar as alegações de mérito objeto do presente recurso voluntário, tenho que existe matéria de ordem a ser apreciada por esta Eg. Turma. Conforme retratado no teor do recurso voluntário impetrado, depreendese da detida análise do processo que no presente caso a auditoria fiscal da Secretaria da Receita Previdenciária, achou por bem reformar a DN n......, prolatada em _/_/_, a qual entendeu, dentre outros pontos, que ao contribuinte deveria ser conferida a garantia inscrita no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/96, a seguir: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A Decisão Notificação reformada e que reconheceu ao contribuinte a benesse inscrita no artigo supra, a época de sua prolação fora atacada pelo competente recurso administrativo, o qual fora remetido ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que por intermédio de sua 4ª CaJ entendeu por negarlhe provimento, sob o argumento da existência de processo judicial que se confundia com a matéria tratada nos autos. Em face de referido acórdão, nenhuma das partes manifestou a sua inconformidade, ou mesmo indicou que este padecia de algum erro material, conforme à época lhe era permitido pelo Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria 88 de 22 de janeiro de 2004 do Ministro da Fazenda, quando poderiam fazer uso inclusive do pedido de revisão. Em não o fazendo, a decisão do CRPS tornouse definitiva. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Por tais motivos, o presente processo administrativo, baixou para aguardar o deslinde do processo judicial impetrado pela parte, para que então se iniciasse, se fosse o caso, a fase de cobrança do crédito tributário constituído em seu desfavor. Dois anos após a referida baixa, o ilustre auditor fiscal da Secretaria da Receita Previdenciária achou por bem rever de ofício a Decisão Notificação proferida, anulandoa e substituindoa pela Decisão Notificação........, por meio da qual o entendimento acerca da aplicação do § 2º art. 63 da Lei 9.430/96 foi reformado. Com a nova Decisão Notificação, o contribuinte teve suprimida a benesse inscrita em referido comando legal, sob o fundamento de que a multa de mora, no âmbito previdenciário é irrelevável de acordo com o disposto no art. 35 da Lei 8.212/91, que deveria ser aplicado ao presente caso, por se tratar de legislação especial quando em comparação com o disposto no art. 63 da Lei 9.430/96. Feito isso, o contribuinte foi intimado e informado sobre a possibilidade da interposição de Recurso Voluntário a este Conselho, o qual ora se encontra sob análise. Pois bem, feitas as breves considerações acima, não vejo outra solução possível, senão em dar provimento ao recurso interposto. Compartilho do entendimento que fundamenta o recurso voluntário no sentido de que é inviável a modificação de uma decisão definitiva já proferida por órgão julgador da administração pública, ainda mais em se tratando de uma decisão que conferiu um direito legalmente previsto ao contribuinte, declarandoo como destinatário incondicional de uma norma tributária válida, cujos efeitos no mundo dos fatos deveriam beneficiarlhe. Como se já não bastasse, a reforma levada a efeito pela nova Decisão Notificação se fez ao arrepio da Lei que rege o processo administrativo fiscal e em claro desrespeito à competência do órgão julgador de segunda instância, que já havia se pronunciado sobre o mérito da demanda. O auditor simplesmente desconsiderou os efeitos de definitividade da decisão proferida e, mesmo sem apontar qualquer justificativa o que a meu ver também não justificaria o procedimento levado a efeito – entendeu ser necessária a reforma da Decisão notificação mantida pelo CRPS, eis que, em sua opinião, não se sustentava no caso a aplicação da Lei 9.430/96. Em verdade, entendo que aquilo o que já decidido pela administração, repita se, em caráter definitivo, há de ser mantido, também sob pena de violação do princípio da segurança jurídica nas relações entre o Fisco e o contribuinte. Ao se falar em processo administrativo fiscal, significa reconhecer a existência de um conjunto de atos préordenados cuja pretensão consiste em solucionar um conflito de interesses, no qual o ente público atua como parte e, ao mesmo tempo, como órgão decisório. Logo, o objetivo do processo administrativo fiscal é solucionar uma lide entre a própria Administração Pública e um particular, na qual há divergência quanto à aplicação e/ou interpretação de uma norma de natureza tributária e que permite, inclusive, o exercício do auto controle da legalidade dos atos que são praticados pela própria administração. E da própria análise da legislação que rege o processo administrativo, há de se perceber tratarse de procedimento que visa, dentre outros, assegurar mecanismos que garantam ao administrado e a própria administração a ampla discussão no que se e refere a decisão acerca da matéria posta em litígio, com um julgamento imparcial e que confira a Fl. 317DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000155/200830 Acórdão n.º 2402002.149 S2C4T2 Fl. 305 7 primazia da justiça fiscal como um bem à sociedade, mesmo que em determinados momentos, venha o contribuinte a sagrase vencedor, sendo, portanto, elidido do pagamento de determinada exigência fiscal. Em se tratando de processo administrativo fiscal, há de se pontuar que o Estado, Poder Executivo, não está exercendo na oportunidade sua atividade típica, de exercer os atos administrativos pelo cumprimento das disposições legais vigentes, mas sim uma atividade de valoração e ao mesmo tempo de revisão dos atos administrativos já praticados por seus agentes competentes. E em assim proceder, o Estado, por meio de órgão devidamente constituídos e organizados está a exercer o poder judicante. É através de seus órgãos, como no caso o CARF ou a época o CRPS, que a administração toma decisões que ensejam na manutenção ou não do lançamento da exigência fiscal imposta ao contribuinte. É através dos representantes de referidos órgãos que a vontade de administração vem a ser emanada diante da clara necessidade de observância da legislação federal que rege a tributação na seara Federal. Tratamse, portanto, de órgãos, cuja competência lhes garante a última palavra em sede da análise dos fundamentos de fato e de direito sobre a devida aplicação no caso em concreto da legislação tributária federal, cujos membros são eleitos pela própria administração, para que na qualidade de órgão julgador, faça valer apenas aquilo o que é justo e legal, sendo portanto, esta, exatamente a vontade e finalidade da administração pública federal, quando se fala na cobrança de impostos e contribuições federais. Segundo a lição de HUGO DE BRITO MACHADO (MACHADO, Hugo de Brito. Processo administrativo tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. p. 156.) : Admitir que a Administração Pública ingresse em juízo para questionar os atos do órgão de julgamento que a integra é admitir – um redobrado absurdo – que esse órgão de julgamento seja uma pessoa distinta daquela. O Estado, enquanto titular de direitos, é corporificado pela Administração Pública, conceito no qual encartam inclusive órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, que não estejam no exercício das respectivas funções, legislativa e jurisdicional. É essa Administração, que é o próprio Estado como sujeito das relações jurídicas, que se coloca como sujeito das relações jurídicas. O EstadoAdministração, por seu turno, pratica funções de controle de legalidade, por meio dos órgãos de julgamento administrativo. Não está, porém, exercitando função jurisdicional, no sentido de garantia constitucional segundo a qual nenhuma lesão ou ameaça de direito pode ser subtraída da apreciação do Judiciário. Só o Estadojurisdição, corporificado pelos órgãos do Poder Judiciário, presta esta importante garantia. Assim, quando um órgão de julgamento administrativo decide um conflito entre o particular e EstadoAdministração, é o próprio Estado, titular de relações jurídicas que está manifestando a sua vontade. [...]. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Logo, outra solução não há, senão que as conclusões dos órgãos de julgamento da administração pública, devem ser observados e cumpridos pelos demais agentes públicos, eis que foram originadas de procedimento transparente e por membros da administração tributária especializados na matéria que fora submetida ao seu crivo. E é exatamente por isso que o próprio Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, prescreve de forma salutar que as decisões de segunda instância que não sejam atacadas pelo Recurso competente tornamse definitivas. Vejamos o seu teor: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. E quando referida decisão estiver dotadas da definitividade preceituada na legislação e fora favorável ao particular, no caso o contribuinte, a Lei determina que seua observância e cumprimento deve darse de foram obrigatória e inclusive, com a desoneração de todos os ônus decorrentes do litígio, verbis: Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio E foi exatamente o caso dos autos. Ao interessado, foi reconhecido o direito de que o prazo de aplicação da multa moratória deveria ser interrompido do momento em que fora concedida medida liminar a seu favor até 30 (trinta) dias após a publicação de decisão que considerasse devido ao tributo, no caso a diferença da alíquota do SAT. Tal entendimento foi mantido pelo CRPS e não foi atacado por recurso de qualquer das partes. Logo, a meu ver, a decisão foi abarcada pelo manto da definitividade, não mais podendo ser revista ao bel prazer da administração, ainda mais sob alegação de má interpretação da Lei. Em um último momento, em última instância, ao exercer, por seu órgão competente, participando na qualidade de parte e julgador, a administração entendeu que deveria reconhecer a recorrente o benefício inscrito no § 2o do art. 63 da Lei 9.430/96. Foi essa a vontade emanada da administração, observado o devido cumprimento da legislação tributária em vigor. Não obstante, o próprio Código Tributário Nacional, em seu art. 156, confere a definitividade do julgamento proferido pela administração, em se tratando da análise da legalidade da tributação, dando por extinto o crédito tributário que vier a ser exonerado ou sobre sua legalidade houver sido proferida decisão administrativa irreformável. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000155/200830 Acórdão n.º 2402002.149 S2C4T2 Fl. 306 9 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória Referidos artigos de Lei, portanto, demonstram de forma clara que as decisões finais e definitivas, tomadas em sede de Processo Administrativo Fiscal configuram o entendimento da própria administração sobre qual exigência fiscal deve ou não vir a ser mantida em face daquilo que disposto pela legislação tributária federal, sendo, portanto, máxime que devam ser obrigatoriamente observadas e cumpridas pelos demais membros da administração tributária, sem a possibilidade de que possam vir a ser reformadas, sob pena do desmantelamento do sistema de julgamentos administrativos fiscais na esfera do governo federal. Não, obstante, mesmo ao desconsiderar aquilo o que fora concluído por julgamento administrativo definitivo, o auditor fiscal levou a efeito nova interpretação, agora mais onerosa ao contribuinte, situação que a meu ver contribui para a insegurança jurídica dos administrados, quando peticionários de reconhecimento de direitos legalmente previstos em seu favor pela legislação. Ora, em assim sendo, se pudesse vir a ser mantido aquilo o que levado a efeito pelo auditor, o processo administrativo fiscal seria infindável, situação esta que traria prejuízos maiores em face da própria administração pública, que seria, portanto, obrigada a arcar com pesados ônus dos trâmites processuais pelo bel prazer de determinado membro da administração tributária que seja lã por que motivo for, veio a discordar do julgamento levado a efeito pela própria administração de que faz parte, tomado por órgão por ela criado exatamente para o fim precípuo. Simplesmente fechar os olhos quanto aos dispositivos de Lei supra e admitir a possibilidade de que os julgamentos levados a efeito por este Eg. Conselho, venham a ser reformados, ainda que por decisão singular, de membro da administração tributária cujos atos são submetidos ao crivo do órgão cuja decisão entendeu por reformar, data máxima vênia de entendimentos contrários, significa a instabilidade da máquina pública na administração tributária e ofensa ao Estado Democrático de Direito. Mais a mais, há de se entender que a decisão proferida pelo CRPS nos presentes autos, tornouse definitiva e, no entendimento deste Relator imutável pela própria administração. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, as decisões expendidas pela Fazenda Pública são de cunho vinculante e, uma vez irretratáveis administrativamente, não admitem qualquer modificação no que restou decido pela instância julgadora fiscal, quando favoráveis ao contribuinte. Interessante considerar o que já restou decidido pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 68.253/PR, de Relatoria do Em. Min. Barros Monteiro, DJ 08.05.70, a seguir: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Coisa julgada fiscal e direito subjetivo. A decisão proferida pela autoridade fiscal, embora de instância administrativa, tem, em relação ao fisco, força vinculatória, equivalente à coisa julgada, principalmente quando aquela decisão gerou direito subjetivo para o contribuinte. Recurso Extraordinário conhecido e provido. Mesmo ainda quando era presente a figura do recurso hierárquico, a jurisprudência dos tribunais pátrios já afastava o entendimento de que a decisão tomada pelo órgão julgador pudesse vir a ser afastada por qualquer motivo pelo Ministro chefe do ministério a que se vincula o órgão. Vejamos: TRIBUTÁRIO – PROCESSO ADMINISTRATIVO – TRIBUTÁRIO –RECURSO DE OFÍCIO: FINALIDADE – REVISÃO ADMINISTRATIVA DA DECISÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. 1. O Código Tributário do Estado do Rio de janeiro permitia o chamado recurso hierárquico (art. 266, § 2º da Lei 3.188//99), plenamente aceito pelo STJ (precedente da 1a. Seção, relator Min. Humberto Gomes de Barros) 2. O recurso hierárquico permite ao Secretário da Fazenda rever a decisão do Conselho de Contribuintes e impugnála se eivada de vícios ou nulidades patentes e devidamente identificadas. 3. O recurso hierárquico não rende ensejo a que a autoridade administrativa, por deleite ou por mero capricho, venha a desfazer a decisão do colegiado. 4. Recurso ordinário provido. (RMS 16.902, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 04.10.2004) (sem grifos no original) ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA – CONSELHO DE CONTRIBUINTES – DECISÃO IRRECORRIDA – RECURSO HIERÁRQUICO –CONTROLE MINISTERIAL – ERRO DE HERMENÊUTICA. I A competência ministerial para controlar os atos da administração pressupõe a existência de algo descontrolado, não incide nas hipóteses em que o órgão controlado se conteve no âmbito de sua competência e do devido processo legal. II O controle do Ministro da Fazenda (Arts. 19 e 20 do DL 200/67) sobre os acórdãos dos conselhos de contribuintes tem como escopo e limite o reparo de nulidades. Não é lícito ao Ministro cassar tais decisões, sob o argumento de que o colegiado errou na interpretação da Lei. III – As decisões do conselho de contribuintes, quando não recorridas, tornamse definitivas, cumprindo à Administração, de ofício, exonerar o sujeito passivo “dos gravames decorrentes do litígio” (Dec. 70.235/72, Art. 45). IV – Ao dar curso a apelo contra decisão definitiva de conselho de contribuintes, o Ministro da Fazenda põe em risco direito Fl. 321DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000155/200830 Acórdão n.º 2402002.149 S2C4T2 Fl. 307 11 líquido e certo do beneficiário da decisão recorrida. (MS 8.810, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 06.10.2003) (Destacamos) Da análise detida dos autos percebo que a Decisão Notificação primeiramente proferida, conforme já relatado, fora atacada pelo competente recurso voluntário da contribuinte, recurso este que fora analisado pelas o CRPS, não tendo sido conhecido em decorrência da concomitância com a ação judicial impetrada. Em face do v. acórdão proferido pelo CRPS não houve a impetração de qualquer recurso ou mesmo pedido de revisão, seja por parte da contribuinte, seja por parte da Fazenda, de modo que o v. acórdão transitou em julgado administrativamente, com a determinação de que os autos aguardassem o julgamento final do Mandado de Segurança, para que a Receita Federal pudesse dar cumprimento ao julgado administrativo final. E somente dois anos depois, veio a receita e determinou a reforma da Decisão Notificação anteriormente proferida. A meu ver a reforma significou uma transgressão ao princípio da coisa julgada, o que não é permitido em nosso ordenamento jurídico, sob pena, ainda de ofensa ao princípio da segurança jurídica, plenamente aplicável ao processo administrativo fiscal. Logo, não vejo possibilidade de que por mero deleite da administração, essa possa vir a modificar um julgado administrativo, sob o fundamento do equívoco na interpretação da legislação, ainda mais para agravar aquilo o que anteriormente decidido, e quando referida decisão garantiu direito subjetivo ao contribuinte, pois, quando fora finalizado o processo judicial, este já tinha em seu favor um ato jurídico perfeito, que lhe garantia a eficácia do § 2º do art. 63 da Lei 9.430/96. Admito, portanto, que a decisão proferida pelo CRPS possui efeito definitivo final do processo administrativo fiscal, à semelhança da coisa julgada material no processo judicial, tão somente em relação à Fazenda Pública, na medida em que, para o contribuinte, em face da garantia de acesso à justiça, o decisum administrativo tem eficácia preclusiva meramente formal, cingindose à impossibilidade de rediscussão da matéria somente perante o órgão julgador da Administração. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, acolhendo a preliminar suscitada, para reconhecer que no caso dos autos houve a ofensa ao caráter de definitividade do julgado proferido pelo Eg. CRPS, determinando a nulidade da Decisão Notificação Reformadora n. 21.425 4/059/2005 , e mantendo, portanto, incólume os fundamentos da Decisão Notificação Reformada n 21.025/109/2003 É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 322DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19615.000597/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/11/1996
DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 –
INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de infração ao disposto no art. 32, inciso I da Lei nº 8.212/1991 c/c art. 225, inciso I e § 9º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 6), a empresa deixou de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, uma vez que deixou de incluir, no referido documento, segurados empregados e suas respectivas remunerações nas competências 07/1996, 08/1996, 09/1996 e 11/1996. A autuada teve ciência do lançamento em 02/01/2007 e apresentou defesa (fls. 21/30) onde alega tão somente que ocorreu a decadência. Pelo Acórdão nº 1119.293 (fls 32/35) a 7ª Turma da DRJ/Recife (PE) considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 41/53) onde mantém sua alegação quanto à decadência. Os autos foram encaminhados a este Conselho para análise do recurso interposto. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19615.000597/200777 Acórdão n.º 2402002.204 S2C4T2 Fl. 57 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 58DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que o direito de aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória encontrase totalmente decaído, uma vez que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 02/01/2007, relativamente à infração ocorrida no período de 07 a 11/1996. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO em face da decadência total. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 59DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19615.000597/200777 Acórdão n.º 2402002.204 S2C4T2 Fl. 58 5 Fl. 60DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11020.720574/2009-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-00.310
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira (Relatora). Designado o Conselheiro Robson José Bayerl
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira (Relatora). Designado o Conselheiro Robson José Bayerl Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira – Relatora Robson José Bayerl – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, fls. 74/76: Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11020.720574/200922 Resolução n.º 340300.310 S3C4T3 Fl. 98 2 Caxias do Sul/RS DRF/CXL (fl. 19), que aprovou a Informação Fiscal de folhas 14 a 18. Em novembro de 2008 a interessada solicitou, através de pedido eletrônico (PER), o ressarcimento do saldo credor oriundo do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativo ao 2 trimestre de 2008. Em setembro de 2009, irresignada com a demora da Receita Federal em analisar seu PER, a interessada impetrou Mandado de Segurança junto à Justiça Federal, objetivando provimento jurisdicional que determinasse à autoridade coatora (no caso, o Delegado da DRF/CXL) o prazo de 30 dias para análise do PER, obtendo a segurança nesse sentido. A autoridade fiscal, em atendimento ao mandado de segurança mencionado, procedeu à análise do PER e reconheceu apenas parcialmente o direito creditório pleiteado pela interessada. Na Informação Fiscal de folhas 14 a 18 a auditora fiscal responsável pela análise do PER relatou as dificuldades encontradas para a comprovação dos créditos, conforme trechos a seguir transcritos: (...) Importante salientar também que todo processo de compensação e/ou ressarcimento de créditos exige da autoridade competente uma série de procedimentos de análise para verificação da origem e da efetiva existência desses créditos, sob pena de enormes danos ao erário público. Para que isso ocorra é fundamental que o contribuinte interessado apresente informações contábeis e fiscais e documentação que não deixem margem de dúvida quanto à sua confiabilidade, aqui, no estrito sentido de comprovação. A ausência dessas informações contábeis e fiscais inviabiliza o trabalho de legitimação dos créditos. A empresa acima qualificada apresenta um histórico de glosa em seus pedidos de restituição. Nesse sentido, tornase ainda mais necessária a auditoria criteriosa. (...) Tendo já realizado algumas verificações básicas, (...) a Auditora optou pela intimação datada de 19/01/2010. A intimação solicitava a relação dos pomares utilizados pela empresa e, em caso de pomares de terceiros, os contratos de parceria, arrendamento e/ou equivalente. A empresa encaminhou resposta à intimação diretamente ao titular da unidade, (...) salientando que tinha uma sentença procedente, com determinação para que fossem concluídas as análises dos pedidos em 30 dias da ciência da decisão (...) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11020.720574/200922 Resolução n.º 340300.310 S3C4T3 Fl. 99 3 Ao avaliar os contratos de utilização de pomares, observouse que existem dois contratos: um de comodato e outro de parceria. No contrato de parceria (...) existe uma cláusula (9º) in verbis: "Resta desde já acordado entre parceiros outorgantes e parceiros outorgados que 15% (quinze por cento) de tudo que for produzido na referida gleba (pomar) deverá ser repassado aos outorgantes (...)" Uma vez que essa produção não vai ser comercializada pela contribuinte em questão (...) confirmase que sobre esse percentual de produção não pode ser solicitado o crédito correspondente. Avaliando a contabilidade da forma como foi apresentada, não é possível segregar quais os custos utilizados na produção específica daquele pomar para que se possa calcular a glosa dos 15% de crédito correspondentes. (...) Dessa forma, sem o tempo necessário para novas intimações que se fazem importantes no momento, e em face do prazo vencido, decide por glosar todas as despesas com a produção, (...) uma vez que está impossibilitada de segregar, de forma documental e sem dúvidas, quais os créditos que a empresa tem direito e quais não têm. (...) Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 3649), sendo esses os pontos de sua discordância, em síntese: • Ao analisar o pedido a auditora apresentou "histórico de glosa" da requerente, tratando de matéria diversa da ora analisada, trazendo fatos que não dizem respeito ao presente pedido de restituição. • Quanto aos contratos de utilização dos pomares, os mesmos foram apresentados conforme requisitado pela auditora e, independentemente de onde foram utilizados, a requerente possui direito ao crédito. • A auditora não considerou os créditos das aquisições de produtos utilizados na produção de bens, deixando de fundamentar o porquê de sua decisão. Diante do habitual entendimento esposado pelo Fisco, o indeferimento se dá pela alegação de que os produtos utilizados na produção não poderiam ser considerados insumos. O critério utilizado é o de desgaste do produto na produção, nos mesmos moldes do conceito de IPI. Assim, o Fisco não reconhece o crédito de despesas com empilhadeiras, despesas com combustíveis e lubrificantes, e despesas diversas. Pretende a auditora aplicar o conceito do IPI para definição de insumos, e utilizar o mesmo conceito para apuração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Porém, jamais se poderia usar o conceito do IPI, que só seria aplicável a produtos, cuja materialidade é totalmente diversa de bens e serviços, como no PIS e na Cofins. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11020.720574/200922 Resolução n.º 340300.310 S3C4T3 Fl. 100 4 Os conceitos utilizados pela auditora vão de encontro às decisões majoritárias da própria Receita Federal, conforme exemplos de decisões administrativas colacionados. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, mediante Acórdão nº 1526.344, de 02 de março de 2011, fls. 73/77, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob os fundamentos conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Cientificada da decisão em 04/05/2011, fls. 79, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 31/05/2011, fls. 80/94, reiterando os argumentos apresentandos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Independente de possíveis debates sobre o acerto da forma de realização do procedimento fiscal ou mesmo a condição da contabilidade apresentada pelo contribuinte, bem assim, a escassez de prazo para conclusão do exame documental, a questão efetiva que se apresenta é que o processo, no estado em que se encontra, não permite qualquer julgamento a respeito do direito altercado. Os elementos constantes do processo são mínimos, para não dizer inexistentes, limitandose a um demonstrativo genérico de glosas que sequer especifica o que efetivamente foi excluído do cálculo realizado pelo contribuinte, ora recorrente, sendo que este, por seu turno, nada colaciona aos autos. Pela razão exposta, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja providenciado o seguinte: I. Apuração pormenorizada do crédito pleiteado, com análise contábil e documental; II. Juntada de todos os termos de intimação e correspondências aviados ao longo do procedimento fiscal, bem assim, de outros documentos reputados necessários à solução do litígio; III. Planilha analítica do crédito requerido, das glosas efetuadas e do saldo porventura reconhecido; IV. Relatório circunstanciado da situação. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11020.720574/200922 Resolução n.º 340300.310 S3C4T3 Fl. 101 5 Findos os procedimentos, abrase vista ao contribuinte para manifestação no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, após o qual deverão os autos ser devolvidos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010314/97-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1985
RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR.
Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou posse de bens imóveis (...) sob-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação (art. 130, CTN). Tal disposição aplica-se tanto aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, quanto aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data (art. 129, CTN).
ILEGITIMIDADE PASSIVA.
A incidência tributária do imposto sobre a propriedade territorial rural - ITR (de competência da União), sob o ângulo do aspecto material da regra matriz, é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil. O proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título, à luz dos artigos 31, do CTN, e 4º, da Lei 9.393/96, são os contribuintes do ITR. ITR. GLOSAS. ÁREAS DE PASTAGEM. ÁREAS DE BENFEITORIAS. ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÔNUS DA PROVA.
Todas as informações inseridas na DITR apresentada estão sujeitas à comprovação, sendo corretas as glosas efetuadas no lançamento de oficio, quando o contribuinte, apesar de intimado, não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos a veracidade dos dados informados. Rejeitar preliminar.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.388
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou posse de bens imóveis (...) sobrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação (art. 130, CTN). Tal disposição aplicase tanto aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, quanto aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data (art. 129, CTN). ILEGITIMIDADE PASSIVA. A incidência tributária do imposto sobre a propriedade territorial rural ITR (de competência da União), sob o ângulo do aspecto material da regra matriz, é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil. O proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título, à luz dos artigos 31, do CTN, e 4º, da Lei 9.393/96, são os contribuintes do ITR. ITR. GLOSAS. ÁREAS DE PASTAGEM. ÁREAS DE BENFEITORIAS. ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÔNUS DA PROVA. Todas as informações inseridas na DITR apresentada estão sujeitas à comprovação, sendo corretas as glosas efetuadas no lançamento de oficio, quando o contribuinte, apesar de intimado, não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos a veracidade dos dados informados. Rejeitar preliminar. Recurso negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.010314/9763 Acórdão n.º 220201.388 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Versa o presente processo sobre Notificações de Lançamento emitidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA em 1985, relativas aos imóveis rurais Fazenda Santa I, Fazenda Santa e Taim ou Estância Trevo, todos localizados no município de Rio Grande/RS. Denominação Área No. INCRA Fazenda Sarita 1 1.293,0 ha. 861.022.030.7400 Fazenda Sarita 7.15017 ha. 861.022.255.7501 Taim ou Estância Trevo 3.798,7 ha. 861.022.029.5054 Verificase que o presente processo é formado por três processos originados do INCRA, Processos Administrativo Fiscal n°s 10366/85, 04509/89 e 00922/89. Tais processos, apensados, vieram para a Delegacia da Receita Federal por conseqüência da Lei n° 8.022/90, que transferiu atribuições de arrecadação, fiscalização e tributação do ITR para esse órgão, sendo enviado para a DRJ em Porto Alegre em 19.11.97, em obediência a comando da Portaria MF no 4.980/94, visto tratarse de processo de impugnação. Notificação 1NCRA/1.985, relativa ao imóvel cadastrado sob o código INCRA 861.022.030.7404 ( Fazenda Santa I) à interessada para encaminhamento de documentos comprobatórios de dados da Declaração de Cadastro constante do Pedido de Alteração Cadastral, no prazo de 30 ( trinta) dias. O não atendimento à Notificação, ou seu atendimento parcial, acarretaria impugnação total ou parcial dos dados apresentados e conseqüente perda do beneficio (redução pela utilização e eficiência na exploração do imóvel) à fl. 02; Notificação no mesmo teor relativa ao imóvel cadastrado no INCRA sob o n° 861.022.255.7501, denominado Fazenda Santa (fl. 03); Notificação no mesmo teor relativamente ao imóvel cadastrado no INCRA sob o n° 861.022.029.5054 denominado Estância Trevo (fl. 04); Declaração para Cadastro de Imóvel Rural DP do imóvel 4110 cadastrado sob o n°861.022.029.5054 datado de 28.08.85 ( fls. 09/12); Ficha de Cadastro DP dos imóveis cadastrados sob os nos 861.022.030.7400 e 861.022.255.7501 ( fls. 13/14); Pedido de Atualização Cadastral PAC do imóvel cadastrado no INCRA sob o n° 861.022.030.7400 motivado por alteração da Razão Social da proprietária e aquisição de área parcial, acompanhado de cópias de Escrituras Públicas de Cessão e Transferência de Direitos Hereditários e de Escritura Pública de Compra e Venda de Imóvel Rural que fazem Miguel Vanderlei Gonçalves e sua esposa à Industrias Luchisinger Madórin Sociedade Anônima de Areas de terras localizadas no município de Rio Grande/RS, no total de 1.293,0 ha Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 ( 2.561.000,0 m2, 622.077,79 m2, 8.862,02 m2 e 88,5 ha.) 'As fls. 16 e 19125, bem como da Ata da Assembléia Geral Extraordinária na qual foi deliberada a alteração da denominação do Grupo e da Industrias Luchsinger Madõrin Sociedade Anônima para Grupo Luxma e Adubos Trevo S.A. Grupo Luxma (fl. 26); Pedido de Atualização Cadastral PAC do imóvel cadastrado sob o no 861.022.029.5054, apresentado em 28.08.85, apresentando os motivos de isenção de Area localizada emr2.286 7 1j dentro da reserva ecológica do Taim e por alteração da Razão Social (fl. 27), apresentando cópias da Ata de Assembléia Geral na qual foi deliberada a troca da denominação da proprietária de Industrias Luchsinger Madõrin Sociedade Anônima para Adubos Trevo S.A. Grupo Luxma (fl. 28), do Certificado de Cadastro daquele imóvel junto ao INCRA no ano de 1.984 ( fl. 29) e do Decreto n°81.603, de 26 de abril de 1.978 que declara de utilidade pública duas áreas localizadas nos municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, constando também a autorização para que a Secretaria Especial do Meio Ambiente promova e execute a desapropriação de que trata o Decreto (fl. 30/32). Apresenta também Recurso Administrativo ao INCRA datado de 09 de julho de 1.985, na qual, além de declarar a caducidade do Decreto n° 81.603/78 em 21 de abril de 1.983, impugna os lançamentos de ITR dos exercícios de 82, 83 e 84, tendo em„vista a indisponibilidade do imóvel no período ( fls. 33/37, juntando novamente as cópias das Escrituras relativas aos imóveis ( fls. 39/54 e 57/58) e Escritura de Retificação e Ratificação relativa A área de 88,5 ha. (fl. 56), bem como da Matricula n° 10.900 do Registro de Imóveis da Comarca de Rio GrandeRS daquela área, estando registrada a compra pela interessada no presente ( f1.59 e 63verso) e Declaração para Cadastro de Imóvel Rural recepcionado pelo INCRA em 28.08.85 ( fls. 60/61); Termo de Impugnação de Dados ( fl. 64), datado de 03.06.86, relativo ao imóvel denominado Taim, cadastrado no INCRA sob o n° 861.022.029.5054, pelo não atendimento da Notificação, assim discriminado: Em 27/01/1998, a DRJ Porto Alegre ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Mantémse o lançamento por não ter o interessado logrado comprovar a alegação de isenção da Area ou de não ser mais o proprietário da mesma. Pedido do interessado apresentado após o transcurso do prazo decadencial. A redução do ITR prevista na legislação de regência depende da utilização e exploração do imóvel. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE Cientificado da referida decisão, o Yara Brasil Fertilizantes S.A interpôs Recurso Voluntário em 07/07/07, afirmando que na época do lançamento as referidas áreas rurais pertenciam a empresa denominada Adubo Trevo S.A. Grupo Luxma. Sendo imperioso afirmar que a empresa Yara Brasil Fertilizantes S.A. não deve figurar no pólo passivo da cobrança fiscal dos valor do ITR. Nesse diapasão segue cópia da Matricula n° 17.170, que demonstra que o imóvel tributado, atualmente, pertence a empresa TREVO FLORESTAL LTDA. ( CNPJ n° 92.660.588/000128); empresa pertencente ao Grupo Trevisa S. A., antiga proprietária da Adubos Trevo S.A. A 1ª, Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento em 18/05/2009, decidiu converter o processo em diligência para: a) confirmar se as pessoas jurídicas apontadas na certidão da matricula do imóvel n° 17.170 pertencem a um mesmo grupo econômico e, em Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.010314/9763 Acórdão n.º 220201.388 S2C2T2 Fl. 3 5 caso positivo, identificar dentre elas o real possuidor do imóvel rural, ou seja, aquele que o explora economicamente; b) colher informações cartorárias e de registro dos demais imóveis rurais que foram objeto de notificação pelo mera, identificandose os mesmos dados requeridos no item anterior; c) identificar, nos registros imobiliários respectivos, se existe prova de quitação do ITR nos momentos de transmissão da propriedade de todos os imóveis rurais de que trata o presente processo. Tal informação é imprescindível para se identificar o pólo passivo da obrigação: o antigo proprietário ou o seu sucessor (art. 130 do CTN). Em Informação fiscal de fls, 316, constatase que nos registros existentes nas matriculas dos imóveis não consta prova de quitação do ITR nos momentos das transmissões, o que indica que o contribuinte/responsável pelo recolhimento do tributo é o proprietário atual dos mesmos, ou seja, Trevo Florestal Ltda. — CNPJ 92.660.588/000128. A empresa citada é quem entrega as Declarações de ITR do imóvel rural com Area de 12.628,2 ha, cadastrado na RFB com o NIRF 3.683.2898, com código no INCRA 86102.22557501, proveniente do agrupamento de todas as matriculas referidas neste processo, sendo o único código do Incra remanescente. Cientificada da informação fiscal a recorrente Yara Brasil Fertilizantes S.A afirma que não é possuidora do imóvel, e que o mesmo não faz parte do seu patrimônio. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Da ilegitimidade passiva De acordo com o Código Tributário Nacional – CTN, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR “tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município.” (art. 29). Estabelece ainda o mesmo código que o “contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.” (art. 31), definição reproduzida na lei tributária (art. 4o da Lei no 9.393, de 1996), sendo oportuno analisar cada um desses conceitos. De acordo com o atual Código Civil (Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002), o proprietário é aquele que “tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha” (art. 1228) e “considerase possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade” (art. 1196). Vale lembrar, ainda, que “a propriedade presume se plena e exclusiva, até prova em contrário” (art. 1.231 do Código Civil). Feitas essas digressões, retornase ao caso em concreto. De acordo com o Registro de Imóveis na averbação n° 6/17.170 de 12 de fevereiro de 1996 (fl. 213), consta que a denominação social da adquirente passou a ser TREVO FLORESTAL LTDA. — GRUPO TREVO. A alienação ocorrida na mesma data (R.7/17.170 — fls. 213 a 214) teve como adquirente EMAGAL — EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS GAÚCHOS LTDA. — GRUPO TREVO, que, também na mesma data, passou a denominarse TREVO FLORESTAL LTDA. — GRUPO TREVO (Av. 8/17.170 — fl. 214). Em 24 de março de 2003 (Av.14/17.170 — fl. 218), o proprietário do imóvel teve sua razão social alterada para TREVO FLORESTAL LTDA. Constatase que nos registros existentes nas matriculas dos imóveis não consta prova de quitação do ITR nos momentos das transmissões, o que indica que o contribuinte/responsável pelo recolhimento do tributo é o proprietário atual dos mesmos, ou seja, Trevo Florestal Ltda. — CNPJ 92.660.588/000128. Registrese a existência de recurso repetitivo do STF, que possibilita o lançamento contra o contribuinte. De acordo com entendimento firmado no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.073.846 SP (2008/01547612), é legitimo o exproprietário de imóvel rural para integrar o pólo passivo de execução fiscal que visa a cobrança de créditos tributários relativos ao ITR, sendo certa a inexistência de registro no cartório competente a comprovar a translação do domínio. No caso concreto, com base nesse entendimento jurisprudencial, o recorrente que figurava como proprietário em registro de cartório na data do fato gerador, é legitimo para figurar como parte passiva. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.010314/9763 Acórdão n.º 220201.388 S2C2T2 Fl. 4 7 Pelos fundamentos expostos e com base nos Recursos Repetitivos do STF, não acolho a preliminar de ilegitimidade passiva. O fundamento do auto de infração está devidamente explicado no. As glosas efetuadas podem ser identificadas claramente, assim como na descrição dos fatos. Registrese que todas as informações inseridas na DITR apresentada estão sujeitas à comprovação, sendo corretas as glosas efetuadas no lançamento de oficio, quando o contribuinte, apesar de intimado, não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos a veracidade dos dados informados. Ante ao exposto, voto por rejeitar preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10530.002242/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.174
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado, em 23/07/2007, para exigir multa no valor de R$ 8.464,01, por ter a empresa deixado de apresentar Guia de Recolhimento ao do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 12/1999. No relatório fiscal (fls. 12/17), a Autoridade Tributária informou que não constaram em GFIP os pagamentos realizados a contribuintes individuais e autônomos, segurados empregados e a título de prólabore. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 162/163) requerendo a total improcedência do lançamento, pois estaria decaído o direito do Fisco de constituir o crédito devido a título de multa em decorrência do descumprimento de obrigação acessória. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 167/172) julgou o lançamento procedente, entendendo que o prazo de decadência seria de 10 anos. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 176/185) repetindo seus argumentos. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 10530.002242/200788 Acórdão n.º 240202.174 S2C4T2 Fl. 194 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando a situação fática dos autos e os fundamentos apresentados nas defesas administrativas, verificase que é infundada a obrigação tributária constituída através da presente demanda, por ter sido na sua integralidade alcançada pela decadência. Nesse sentido, cabe ressaltar que o presente lançamento foi constituído em 23/07/2007 para exigir multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias ocorridas no período compreendido entre 01/1999 a 12/1999. Havia, na época da lavratura da notificação, previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Sendo assim, aplicandose as regras decadenciais previstas no CTN – seja aquela contida no art. 150, § 4º, ou aquela prevista no art. 173, inc. I, do CTN –, deve ser reconhecida, de ofício, a extinção dos créditos tributários exigidos na presente demanda, por estarem decaídos. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, reconhecendo a extinção dos créditos tributários pela decadência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 199DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
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Numero do processo: 13603.003463/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2003
MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA
Deve ser excluída a multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº 10.246, de 2002, quando o responsável não puder mais realizar o recolhimento do imposto em razão do encerramento do período de apuração do tributo, mas paga os juros moratórios respectivos, antes de qualquer procedimento da Fazenda, caracterizando, dessa forma, denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1302-005.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada, vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Andréia Lucia Machado Mourão e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Andréia Lucia Machado Mourão e Paulo Henrique Silva Figueiredo votaram pelas conclusões do Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cleucio Santos Nunes.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
(documento assinado digitalmente)
Cleucio Santos Nunes - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lucia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert, e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-23T01:35:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-23T01:35:05Z; Last-Modified: 2021-11-23T01:35:05Z; dcterms:modified: 2021-11-23T01:35:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-23T01:35:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-23T01:35:05Z; meta:save-date: 2021-11-23T01:35:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-23T01:35:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-23T01:35:05Z; created: 2021-11-23T01:35:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-11-23T01:35:05Z; pdf:charsPerPage: 2274; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-23T01:35:05Z | Conteúdo => SS11--CC 33TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 13603.003463/2007-61 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1302-005.909 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 22 de outubro de 2021 RReeccoorrrreennttee IBIRITERMO S/A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2003 MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Deve ser excluída a multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº 10.246, de 2002, quando o responsável não puder mais realizar o recolhimento do imposto em razão do encerramento do período de apuração do tributo, mas paga os juros moratórios respectivos, antes de qualquer procedimento da Fazenda, caracterizando, dessa forma, denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada, vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Andréia Lucia Machado Mourão e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Andréia Lucia Machado Mourão e Paulo Henrique Silva Figueiredo votaram pelas conclusões do Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cleucio Santos Nunes. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lucia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert, e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 34 63 /2 00 7- 61 Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.909 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.003463/2007-61 Trata-se de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo em epígrafe, com amparo no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. O presente litígio tem por objeto exigência de multa lançada isoladamente em razão da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre valores pagos pela recorrente à Petrobrás no ano de 2003 a título de juros decorrentes de contrato de mútuo, conforme argumentação exposta no termo de verificação fiscal (TVF) e respectivo auto de infração (e-fl. 6 e ss.). Proposta impugnação ao lançamento (e-fl. 275 e ss.), a DRJ de origem julgou-a improcedente (e-fl. 356 e ss.), conforme ementa do acórdão a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2003 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE. Sujeita-se à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § lº, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário pedindo ao final seja afastada a exigência da multa isolada, sob as seguintes alegações, em síntese (e-fl. 370 e ss.): a) é incabível a exigência da multa isolada tendo em vista a ocorrência de denúncia espontânea; b) a multa isolada afronta os princípios da legalidade e da tipicidade cerrada uma vez que inexiste previsão legal para sua imposição; c) a multa possui caráter desproporcional, desarrazoado e confiscatório, pois não houve prejuízo ao Erário. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais previstos nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, logo, dele tomo conhecimento. Conforme explicado no TVF, a multa isolada imposta à ora recorrente pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre valores pagos à Petrobrás no ano de 2003 a título de juros teve como fundamento o art. 9º da Lei nº 10.426/2002 e o Parecer Normativo Cosit nº 01/2002, que assim estabelecem: Lei nº 10.426/2002: Art. 9º Sujeita-se às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Fl. 442DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.909 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.003463/2007-61 Parecer Normativo Cosit nº 01/2002: Penalidades aplicáveis pela não-retenção ou não-pagamento do imposto (...) 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatando-se que o contribuinte: (g.n.) a) não submeteu o rendimento à tributação, ser-lhe-ão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; (g.n.) b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. (g.n.) (...) Conforme consta no TVF, não houve o lançamento de juros de mora isolados, haja vista que a recorrente os recolheu mediante DARF no dia 17/03/2006 (vide "Demonstrativo dos valores devidos à titulo de juros", à e-fl. 16). A recorrente alega inicialmente ser incabível a exigência da multa isolada, tendo em vista a ocorrência da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, que assim estabelece: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A DRJ de origem ao examinar a questão entendeu não ter ocorrido a denúncia espontânea, sob o argumento de que esta só se verificaria acaso fosse "acompanhada do pagamento do imposto que deixou de ser retido" (e-fl. 365). Tal interpretação, entretanto, não se coaduna com o disposto no referido Parecer Normativo Cosit nº 01/2002, pois após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento foi, ou deveria ter sido, tributado pelo beneficiário, como se passou no caso sob exame, o pagamento do imposto não mais deve ser exigido da fonte pagadora dos rendimentos, e sim do beneficiário. Assim, nos termos do art. 138 do CTN, a falta de retenção e recolhimento do imposto pela ora recorrente não impediria, por si só, a ocorrência da denúncia espontânea, uma vez que após 31/12/2003 a obrigação de pagar do imposto de renda passou a ser da Petrobrás, e o lançamento da multa isolada ocorreu apenas em 2007. Por outro lado, o STJ, quando do julgamento do Resp nº 1.149.022-SP, realizado sob o rito dos "recursos repetitivos", assim se pronunciou sobre a questão da denúncia espontânea: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO Fl. 443DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.909 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.003463/2007-61 PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. (g.n.) (...) 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (...) Pelo exame do que foi decidido no âmbito do referido Resp nº 1.149.022-SP, verifica-se que a declaração espontânea do débito afasta a ocorrência da denúncia espontânea. E, no caso, a recorrente, a quem incumbe provar fazer jus aos efeitos da denúncia espontânea, não comprovou ter deixado de informar na DIRF referente ao ano de 2003, o IRRF incidente sobre os juros pagos à Petrobrás. Noutros termos, acaso a recorrente tenha informado o débito de IRRF na DIRF referente ao ano de 2003, cabível é a exigência da multa isolada lançada de ofício em 2007. E, ao contrário, acaso recorrente não tenha informado o débito de IRRF na DIRF referente ao ano de 2003, o recolhimento dos juros moratórios feito em 17/03/2006 deve ser reconhecido como denúncia espontânea da infração, daí porque seria incabível a exigência da multa isolada lançada de ofício em 2007. Mas como a recorrente não trouxe aos autos a referida DIRF, deixou de comprovar o alegado direito à denúncia espontânea. Fl. 444DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.909 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.003463/2007-61 A recorrente também alega que a multa isolada afronta os princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, uma vez que inexiste previsão legal para sua aplicação. Sem razão a recorrente. Conforme se verifica no auto de infração e no TVF, a multa isolada imposta pela autoridade tributária teve como fundamento o art. 9º da Lei nº 10.426/2002, in verbis: Art. 9º Sujeita-se às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Revela-se, portanto, incabível a alegação de afronta os princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, haja vista a existência de disposição legal expressa estabelecendo a imposição da multa isolada de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/96) à fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, como se passou no caso dos presentes autos. Por fim, alega ainda a recorrente que a multa lançada possui caráter desproporcional, desarrazoado e confiscatório, haja vista que não houve prejuízo ao Erário. O CARF, entretanto, não detém competência para se manifestar sobre essa matéria, pois ao fim e ao cabo tal alegação deságua na suposta inconstitucionalidade do art. 9º da Lei nº 10.426/2002. É o que dispõe a Súmula CARF nº 2, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Voto Vencedor Conselheiro Cleucio Santos Nunes, Relator. Conforme relatado pelo Conselheiro Relator, em voto muito bem fundamentado, a questão dos presentes autos se resume à não retenção e respectivo não recolhimento, por parte da recorrente, de IRRF sobre rendimentos pagos à empresa Petrobrás. Em razão dessa omissão, foi lavrado auto de infração, o qual aplicou multa isolada nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426 de 2002. A recorrente se defende, alegando que, antes de qualquer procedimento fiscal da Fazenda, recolheu os juros moratórios sobre o montante de imposto de renda não retido, razão Fl. 445DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.909 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.003463/2007-61 pela qual entende ser legítima a incidência do art. 138 do CTN, de modo que não deveria ser dela cobrada a citada multa isolada. Assim, o auto de infração não procede, o que daria respaldo ao provimento do seu recurso voluntário. A DRJ julgou procedente o auto de infração, uma vez que, para efeito do reconhecimento da denúncia espontânea, a recorrente deveria ter comprovado que recolheu o IRRF, concomitante ao pagamento dos juros. Registre-se que, o recolhimento dos juros se deu em 2006 e o IRRF incidiu em 2003. Assim, depois de encerrado o período em que o imposto deveria ter sido retido, não cabe mais à fonte pagadora realizar a retenção. O relator – e a nosso juízo corretamente – entendeu que não poderia a fonte pagadora, para efeitos de denúncia espontânea, recolher o IRRF depois do encerramento do período de apuração. No ponto, afastou esse argumento da DRJ, invocando, inclusive, Parecer Normativo Cosit nº 01/2002, que prevê a citada impossibilidade. Alertou o relator também que, em precedente do Superior Tribunal de Justiça, Resp. nº 1.149.022-SP, decido sob a sistemática dos “recursos repetitivos” (art. 543-C, do CPC de 1973), fixou-se o entendimento de que a entrega de declaração pelo contribuinte ao Fisco implica em confissão do débito tributário, razão pela qual, a Fazenda está dispensada da realização de lançamento. Por conseguinte, se o contribuinte entrega declaração e não paga o tributo, não cabe mais denúncia espontânea, ainda que o pagamento ocorra antes de qualquer notificação da Fazenda, devendo o pagamento ser acompanhado da multa moratória, pois ao Fisco resta tão somente inscrever o crédito na dívida ativa e cobra-lo mediante execução fiscal, se for o caso. Por outro lado, se o contribuinte entrega declaração informando valor menor do que o devido, mas posteriormente a retifica antes de notificação da Fazenda, e recolhe o valor referente à diferença, nesta hipótese caberá a denúncia espontânea com exclusão da multa de mora pelas mesmas razões. Ou seja, com a retificação, o contribuinte confessou a totalidade do débito e o recolheu. Diante desse precedente do STJ, o relator votou por negar provimento ao recurso, sob o argumento de que a recorrente não demonstrou que deixou de reter o IRRF do qual era responsável, pois não trouxe aos autos a DIRF com o apontamento do valor retido, referente ao ano de 2003, sobre os juros pagos à Petrobrás. Argumenta que, caso a recorrente tivesse informado o débito de IRRF na DIRF, seria cabível a exigência da multa isolada lançada de ofício em 2007. E, ao contrário, se a recorrente não informou o débito de IRRF na DIRF referente ao ano de 2003, o recolhimento dos juros moratórios, feito em 17/03/2006, deveria ser reconhecido como denúncia espontânea da infração, daí porque seria incabível a exigência da multa isolada lançada de ofício em 2007. O caso guarda certa peculiaridade, pois a recorrente não reteve o IRRF sobre rendimentos que pagou à empresa Petrobrás em 2003, período em que o imposto incidiu. Depois de encerrado o período, não seria mais possível ao responsável tributário recolher IRRF, uma vez que essa obrigação é transposta ao contribuinte, que recebeu o crédito integral, isto é, sem a retenção do imposto. Trata-se da hipótese de responsabilidade suplementar a que se refere o art. 128 do CTN em sua parte final. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Nesse sentido, corrobora o Parecer Normativo Cosit nº 01/2002, citado no corpo do voto do relator. Fl. 446DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.909 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.003463/2007-61 Se assim, depois de 2003, a recorrente, na qualidade de responsável que era, não teria como recolher o IRRF. Acresça-se que, conforme sustentado da tribuna pela patrona da recorrente, a empresa é coligada à Petrobras, razão pela qual detinha o conhecimento de que o IRRF foi recolhido pela companhia estatal. No entanto, a recorrente, não cumpriu sua obrigação de reter o valor do imposto no momento em que isso deveria ter sido feito. Assim, recolheu o valor correspondente ao juros moratórios em 17/03/2006, mas somente foi notificada do auto de infração com a exigência da multa isolada a que se refere o art. 9º da Lei nº 10.426 de 2002, em 2007, portanto, depois de ter se denunciado espontaneamente. Na sessão de julgamento, foi aberta divergência, porque a multa isolada não deve ser exigida no caso concreto. Isso porque, a denúncia espontânea é um benefício dado pela legislação tributária em que o sujeito passivo, tendo praticado infração tributária, antecipa-se a qualquer pronunciamento da Fazenda relacionado à infração, e a confessa, recolhendo, se for o caso, o tributo devido, acompanhado dos juros moratórios. Nessa hipótese, deverão ser excluídas eventuais penalidades pela prática da infração espontaneamente confessada. No caso dos autos, não sendo possível à recorrente recolher o valor do principal, qual seja, o IRRF não retido, restou a ela pagar os juros moratórios pela mora de não ter feito a retenção e o respectivo recolhimento no tempo correto, qual seja, em 2003. Considerando que ficou comprovado que a recorrente pagou os juros moratórios antes da autuação fiscal, ficou configurada a denúncia espontânea, pois a única obrigação pertinente à responsável tributária nessa situação seria o pagamento dos juros e não o principal. Assim, incabível a exigência da multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº 10.246, de 2002. O argumento do relator referente a ausência de prova da DIRF não deve prevalecer. A divergência do colegiado, neste ponto, levou em consideração que a DIRF não constitui exatamente confissão de dívida e essa matéria não foi objeto da autuação e nem da decisão da DRJ, não podendo, nesta fase em que o processo se encontra, ser óbice para o reconhecimento da denúncia espontânea. Diante do exposto, pedindo vênia ao relator, voto em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada, reformando-se integralmente a decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes - Redator designado Fl. 447DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10530.721267/2017-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS.
Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VISTAS DO PROCESSO
O interessado tem o direito de ter vistas do processo fiscal por meio do Portal e-CAC, com acesso com certificação digital, ou na repartição lançadora, no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a alegação de desconhecimento dos autos não pode ser oposta como hipótese de cerceamento do direito de defesa.
JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. DRJ EM LOCALIDADE DIVERSA.
É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo.
Aplicação da Súmula CARF nº 102.
JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. SUSTENTAÇÃO ORAL.
As normas que regulam o julgamento tributário fiscal em primeira instância não preveem a possibilidade de sustentação oral e nem exige intimação prévia ao sujeito passivo em relação às sessões realizadas no âmbito dos colegiados das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil.
COMUNICAÇÃO POR EDITAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Far-se-á a intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Quando resultar improfícuo este meio de ciência, a intimação poderá ser feita por edital.
PROVAS. ADMISSIBILIDADE
É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde obtidas licitamente e que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer.
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA.
A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondo-se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 3401-010.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Garcia Dias dos Santos
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VISTAS DO PROCESSO O interessado tem o direito de ter vistas do processo fiscal por meio do Portal e-CAC, com acesso com certificação digital, ou na repartição lançadora, no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a alegação de desconhecimento dos autos não pode ser oposta como hipótese de cerceamento do direito de defesa. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. DRJ EM LOCALIDADE DIVERSA. É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF nº 102. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. As normas que regulam o julgamento tributário fiscal em primeira instância não preveem a possibilidade de sustentação oral e nem exige intimação prévia ao sujeito passivo em relação às sessões realizadas no âmbito dos colegiados das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. COMUNICAÇÃO POR EDITAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Far-se-á a intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Quando resultar improfícuo este meio de ciência, a intimação poderá ser feita por edital. PROVAS. ADMISSIBILIDADE É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde obtidas licitamente e que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondo-se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
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EFEITOS. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VISTAS DO PROCESSO O interessado tem o direito de ter vistas do processo fiscal por meio do Portal e- CAC, com acesso com certificação digital, ou na repartição lançadora, no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a alegação de desconhecimento dos autos não pode ser oposta como hipótese de cerceamento do direito de defesa. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. DRJ EM LOCALIDADE DIVERSA. É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF nº 102. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. As normas que regulam o julgamento tributário fiscal em primeira instância não preveem a possibilidade de sustentação oral e nem exige intimação prévia ao sujeito passivo em relação às sessões realizadas no âmbito dos colegiados das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. COMUNICAÇÃO POR EDITAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Far-se-á a intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Quando resultar improfícuo este meio de ciência, a intimação poderá ser feita por edital. PROVAS. ADMISSIBILIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 12 67 /2 01 7- 56 Fl. 3066DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde obtidas licitamente e que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondo-se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Do lançamento Cuida-se de auto de infração de Cofins, referente aos anos-calendário de 2012 a 2014, totalizando (principal, multa e juros, calculados até 03/2017) o valor de R$ 1.864.704,89, em razão da insuficiência de recolhimento da contribuição relativa a diferenças encontradas e não esclarecidas entre valores constantes em DCTF/DACON e/ou na DIPJ/ECF, quando confrontados com as receitas apuradas junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM/BA. O quadro abaixo resume as diferenças. Fl. 3067DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 Relatou a Fiscalização que as correspondências remetidas para o endereço cadastrado estavam sendo devolvidas, razão pela qual diligenciou presencialmente e constatou que se trata de endereço inexistente (o nº 280 da Praça São João, em Barrocas/BA). Na oportunidade, verificou que, no mesmo local, mas em outra numeração (nº 310), há um imóvel em que consta o nome da empresa na fachada, mas que, segundo a vizinhança, nada ali funciona desde maio de 2016. O auditor fiscal compareceu também à agência dos Correios que atende ao local e foi informado que o proprietário da contribuinte fora instado a não mais utilizar o nº 280, que não existe, e que, ainda assim, os Correios vinham entregando-lhe as correspondências, pois o local de funcionamento da empresa era quase em frente à agência postal, de conhecimento, portanto, dos funcionários dos Correios. Foi informado também que o proprietário da contribuinte solicitou que não lhe fosse feita a entrega de correspondências, que deveriam ficar sempre na própria agência, para que fossem por ele apanhadas. Este procedimento se chama “posta restante a pedido”. No entanto, o proprietário não vinha buscando as postagens, razão pela qual os envelopes vêm sendo devolvidos com a anotação “não procurado”. Após, verificou o auditor fiscal a alteração de endereço da fiscalizada no sistema CNPJ da cidade de Barrocas/BA para a cidade de Biritinga/BA, oportunidade em que foi postado novamente o Termo de Início para a Praça da Matriz, nº 168, Centro, Biritinga/BA. Decorridos mais de 30 dias sem providências dos Correios, após reclamação, o serviço postal registrou em seu sistema a incompletude de endereço. Neste interim, verificou o auditor fiscal que, mais uma vez, a Fiscalizada alterara seu endereço, agora para a Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar, sala 6, ainda na cidade de Biritinga/BA. Compareceu em diligência ao local no dia 07/02/2017, quando constatou que não existe o número 184, na Praça 23 de Abril, em Biritinga/BA, último e atual endereço tributário da Fiscalizada. Asseverou também que nesta praça há poucos imóveis, e o único com alguma possibilidade de possuir a referida sala no 1º andar, é o imóvel com número 194. Contudo, por lá ninguém conhece a empresa, e que o funcionário dos Correios afirmou desconhecer a empresa e a confirmou a inexistência do número 184 na referida praça. Por essa razão, promoveu a ciência do termo de início de procedimento fiscal em 22/02/2017 por meio do edital de fl. 93, publicado em 07/02/2017, para que a empresa fosse intimada a esclarecer as diferenças entre as receitas informadas, débitos declarados e as receitas apuradas junto ao TCM/BA, bem como a apresentar o Livro Caixa dos anos-calendário 2012 e 2013; a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) do ano-calendário 2014 e a transmitir Escrituração Contábil Digital (ECD) ao Sistema Público de Escrituração Digital Fl. 3068DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 (Sped) do ano 2014. Conforme consulta aos empenhos no sistema do TCM/BA, verificou que os pagamentos se referem a serviços, principalmente locação de veículos a prefeituras. A empresa não atendeu à intimação, implicando lançamento das diferenças com base nas receitas apuradas junto ao TCM/BA e arbitramento do lucro dos três anos com fundamento no inciso III, artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995. Como algumas municipalidades efetuaram retenções de imposto de renda, referidos montantes foram deduzidos do lançamento. Por fim, asseverou a Fiscalização que, devido à enorme diferença entre as receitas apuradas e os valores declarados/informados à Receita Federal, a declaração de inatividade e a sucessiva eleição de domicílios tributários para endereços inexistentes, restou evidente a intencionalidade do administrador de elidir os tributos devidos. No seu entender, este comportamento, tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade tributária federal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e com reflexo na sua obrigação do pagamento de tributo, classifica-se como sonegação fiscal pelo artigo 71 da Lei nº 4502, de 1964, e implica lançamento tributário com multa de ofício duplicada, conforme determinado pelo § 1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996 e o oferecimento de Representação Fiscal para Fins Penais com fulcro no inciso I, artigo 2º, da Lei nº 8.137/1990. Da impugnação Ciente do lançamento em 31/03/2017 por meio do edital de fl. 2807, publicado em 16/03/2017, a empresa ofereceu a Impugnação de fls. 2822/2834 alegando: Cerceamento ao direito de defesa, em função de os autos não se encontrarem disponíveis em meio digital ou para extração em meio físico nas dependências da RFB para que tomasse conhecimento da exação; Vício de formação do auto de infração, que teria se usado de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições, método que deveria ser apenas subsidiário, não aplicável ao caso concreto, pois acredita ter vício na ciência por edital, haja vista que o auditor fiscal destinou correspondências a endereços já desatualizados, não tendo se configurado assim tentativas válidas de ciência por esse meio; A imprestabilidade e a ilegalidade do uso das informações obtidas junto ao TCM/BA para fins fiscais, por ausência de convênio válido entre os órgãos. A impugnação fora apresentada com a assinatura de seu representante Ângelo Franco Gomes de Rezende, mas sem seu documento de identificação, razão pela qual a DRF Feira de Santana/BA intimou a empresa a apresentar o documento de identidade faltante, para seguimento do feito. Após mais um AR devolvido, a DRF enviou nova intimação, agora diretamente para o endereço do escritório de advocacia representante da empresa, Rezende Advogados Associados, tendo finalmente recebido em resposta o documento faltante. Do acórdão de DRJ Fl. 3069DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 Em sessão ocorrida em 22/09/2017, a 1ª Turma da DRJ em Belém/PA julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito exigido, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede na fase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos e razões de fato e de direito. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - VISTAS AO PROCESSO - O interessado tem o direito de ter vistas ao processo fiscal por meio do Portal e- CAC, com acesso com certificação digital, ou na repartição lançadora, no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a discussão sobre a não entrega da cópia do processo não pode ser oposta como uma das hipóteses prováveis de cerceamento do direito de defesa, aludido no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Ademais, se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de direito de defesa. COMUNICAÇÃO POR EDITAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA. Far-se-á a intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, quando resultar improfícuo este meio de ciência, a intimação poderá ser feita por edital publicado. PROVAS - ADMISSIBILIDADE - É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa. Do recurso voluntário Fl. 3070DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 Ciente desta decisão por via pessoal em 02/10/2017 (fl. 2895), a empresa apresentou o recurso voluntário de fls. 2982/3204 em 23/04/2018 alegando: Preliminarmente, a nulidade da ciência do acórdão de DRJ em razão de a pessoa por meio de quem teria ocorrido a intimação (Manoel Santos da Silva Junior) não dispor de poderes para receber intimações ou de representar a Recorrente perante a RFB, haja vista que a procuração de fls. 2896/2897, além de não deferir poderes perante a RFB, é específica e outorgada com finalidade determinada, qual seja de representar a empresa em licitações e pregões presenciais; A nulidade do julgamento perante a DRJ, por cerceamento ao seu direito de defesa, já que, jurisdicionado em Feira de Santana/BA, teve sua impugnação apreciada pela DRJ Belém/PA, em inobservância do enunciado de nº 102 do CARF. Além do mais, não fora intimada acerca da realização do julgamento, violando diversos direitos inerentes à advocacia; Cerceamento ao direito de defesa, em função de os autos não se encontrarem disponíveis em meio digital ou para extração em meio físico nas dependências da RFB para que tomasse conhecimento da exação; Vício de formação do auto de infração, que, diante da ausência de esclarecimentos por parte da Recorrente, teria se utilizado de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições, método que no seu entender deveria ser apenas subsidiário, não aplicável ao caso concreto, pois reputa como irregular a ciência por edital, dado que o auditor fiscal destinou correspondências a endereços já desatualizados, não tendo se configurado, assim, tentativas válidas de ciência pelos meios ordinários; Além do mais, adveio em favor da Recorrente um fato relevante: a própria DRF de Feira de Santana/BA reconheceu que a Recorrente efetivamente encontra-se estabelecida no endereço informado à RFB e para o qual não fora encaminhada qualquer notificação ou intimação (Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar - Centro - Biritinga/BA); A imprestabilidade e a ilegalidade do uso das informações obtidas junto ao TCM/BA para fins fiscais, por ausência de convênio válido entre os órgãos. Ao fim, pugna pela nulidade do auto de infração, pelas razões expostas; subsidiariamente, pela devolução do prazo para impugnação; e, no mérito, pela reversão dos valores lançados, incluindo a multa qualificada. É o relatório. Voto Fl. 3071DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, Relator. Da preliminar de tempestividade O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, mas aparentemente se mostra intempestivo, pois fora apresentado em 23/04/2018 contra decisão de piso cuja ciência teria ocorrido em 02/10/2017 (fl. 2895). A peça recursal, no entanto, prequestiona a suposta intempestividade da defesa apresentada em 23/04/2018, amparando-se na alegação de que a ciência pessoal do acórdão de DRJ ocorrida em 02/10/2017 (fl. 2895) é inválida, em razão de a pessoa por meio de quem teria ocorrido a intimação (Manoel Santos da Silva Junior) não dispor de poderes para receber intimações ou de representar a Recorrente perante a RFB. Esclarece, ademais, que a procuração de fls. 2896/2897 é específica e outorgada com finalidade determinada, qual seja de representar a empresa em licitações e pregões presenciais. De fato, o instrumento de fls. 2896/2897 limita-se a conferir poderes especiais de representação em licitações e pregões presenciais nos seguintes termos: (...) a quem confere(m) poderes especiais, para em conjunto ou separadamente, representá-la perante quaisquer Órgãos e/ou Repartições Públicas Municipais, Estaduais, Federais e Autarquias, inclusive prefeituras, com o fim especial de representá-la em LICITAÇÕES e PREGÕES PRESENCIAIS, com poderes de ofertar lances, dá e receber quitação, podendo para tanto, apresentar, juntar, analisar e retirar documentos, fazendo provas dos documentos apresentados, requerer, alegar, concordar, discordar, assinar documentos, papeletas e tudo referente a licitação, assinar termos, prestar declarações. assinar contratos de qualquer natureza; receber e endossar cheques em nome da outorgante, assinar recibos, dar quitação; apresentar propostas, cumprir todas as formalidades de praxe, dar e receber quitação, concordar com todos os seus termos, assistir a abertura de propostas; fazer impugnações, reclamações, protestos; prestar cauções, levantá-las, receber as Importâncias caucionadas ou depositadas; concordar, discordar, transigir, desistir; podendo enfim, tudo mais fazer que se torne necessário ao bom, fiei e cabal desempenho do presente mandato, inclusive substabelecer poderes, o que tudo dará por firme e valiosa como se a própria fosse. (...) Dessa maneira, tem razão à Recorrente quando afirma que a ciência pessoal ocorrida em 23/04/2018 se mostra irregular ante a ausência de assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, devidamente constituídos, conforme exige o art. 23, I, do Decreto nº 70.235/1972. Tendo em vista que a Recorrente procedeu da forma prevista no parágrafo 8° do art. 272 do CPC/2015, arguindo a nulidade da intimação como preliminar de recurso para que este tenha seu trânsito regular, informado o relator pelos princípios da celeridade processual e do aproveitamento dos atos, ante o afastamento da intempestividade, conheço do presente e passo ao exame das questões nele veiculadas. Das demais questões preliminares Fl. 3072DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 A Recorrente também reputa como viciado o início da fase litigiosa, especificamente os desdobramentos da ciência do auto de infração, em função de os autos não se encontrarem disponíveis em meio digital ou para extração física nas dependências da RFB para que pudesse tomar conhecimento da exação, cerceando seu direito de defesa. Alega especificamente que não teve acesso digital ao processo mediante portal e- CAC nem pela conta pessoal do advogado que subscreve o presente voluntário nem pela conta da própria pessoa jurídica, acessada por seu procurador em 19 e 20/04/2017. Aduz também que teve seu atendimento presencial em 25/04/2017 negado pela DRF Feira de Santana/BA, por ausência de agendamento, e que somente obteve cópia de parte do processo (até fls. 1462) no dia seguinte, na mesma unidade, obtendo o restante dos autos a partir de agendamento no CAC da DRF Salvador no dia subsequente, 27/04/2017. Desta maneira, diante da greve geral nacional ocorrida em 28/04/2017, do fim de semana dos dias 29 e 30/04/2017 e o feriado do dia 01/05/2017, não dispôs de prazo suficiente para produção de sua defesa perante o colegiado de primeira instância. Em que pese a potencial relevância dos fatos narrados, não considero configurado o cerceamento ao direito de defesa dado que a Recorrente tudo alega, mas nada traz aos autos para comprovar aludidos fatos. Isso se dá quer na oportunidade em que faz sua defesa perante o colegiado de piso quer agora, na interposição do recurso voluntário, conduta essa última que considero ainda mais grave diante das razões de decidir do acórdão de 1ª instância, em que expressamente foi asseverado que não havia qualquer prova das restrições apontadas. É bom lembrar que compete à Recorrente – e não ao órgão julgador - instruir as peças recursais com os documentos que as fundamentam, nos termos do que preconizam os art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Normas dessa natureza estão difundidas em diferentes diplomas e, em verdade, apenas dão corpo ao instituto do ônus da prova, conforme previsto no art. 373 do CPC/2015. Demais disso, não se mostra razoável a alegação de ausência de prazo para produção de defesa na medida em que afirma ter tomado ciência do auto de infração mediante edital em 31/03/2017, a partir do qual poderia obter acesso aos autos (i) digitalmente, via e-CAC, tentativa ocorrida somente 19/04/2017, após 19 dias, que alega ter sido frustrada, evento não comprovado; e (ii) presencialmente, o que somente veio fazer em 26/04/2017, após 26 dias; fatos esses que evidenciam, quando muito, sua desídia, e não a ineficácia administrativa, como alega. Não acolho a nulidade suscitada. Ainda em questão preliminar, sustenta a Recorrente que seria nulo o julgamento perante a DRJ, por cerceamento ao seu direito de defesa, já que, jurisdicionado em Feira de Santana/BA, teve sua impugnação apreciada pela DRJ Belém/PA, em inobservância do enunciado de nº 102 do CARF. Além do mais, não teria sido intimada previamente acerca da realização do julgamento, violando diversos direitos inerentes à advocacia, em especial a possibilidade de sustentação oral. Primeiramente, observo que a Súmula nº 102 desta Casa advoga em sentido contrário ao levantado pela Recorrente, pois reputa como “ (...) válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo”. Fl. 3073DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 Também não se sustenta o alegado cerceamento ao direito de defesa decorrente de violação aos direitos inerentes à advocacia, por ausência de intimação prévia acerca da realização do julgamento de primeira instância. Primeiro porque a Portaria MF nº 431, de 2011, que até então regulava o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) não prevê a possibilidade de sustentação oral e nem exige intimação prévia ao sujeito passivo em relação às sessões realizadas no âmbito dos colegiados que formam aquela instância de julgamento. Nem mesmo o invocado art. 339 do antigo Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria MF Nº 430, de 2017) tem relevância para a questão, pois se limita a atribuir aos Presidentes de Turma das DRJ a incumbência de “distribuir os processos aos julgadores de acordo com os critérios e prioridades estabelecidos, organizar a pauta das sessões de julgamento e decidir acerca das solicitações de diligências feitas pelo relator”. Nesse contexto, ainda que as prerrogativas supostamente violadas decorram abstratamente do próprio princípio da ampla defesa, o rito do processo administrativo em sede de julgamento de primeira instância deve, necessariamente, seguir o regramento normativo pertinente, sendo certo que, desta feita, a instrução probatória e, em última análise, a própria defesa devem ficar circunscritas aos meios autorizados pela legislação processual administrativa, sem que isso reste caracterizada qualquer restrição ilegítima aos direitos processuais constitucionalmente garantidos. Afasto, portanto, a nulidade levantada. Do mérito Já no mérito, alega ter ocorrido vício de formação do auto de infração, que, diante da ausência de esclarecimentos por parte da Recorrente, teria se utilizado de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições, método que no seu entender deveria ser apenas subsidiário, não aplicável ao caso concreto, pois reputa como irregular a ciência por edital, já que o auditor fiscal teria destinado correspondências a endereços já desatualizados, não tendo se configurado, assim, tentativas válidas de ciência pelos meios ordinários. Quanto ao ponto, observo que o Termo de Inicio de Fiscalização fora lavrado em 13/06/2016 (fls. 55 e ss), oportunidade em que o endereço válido, fornecido pelo próprio contribuinte em 06/07/2015, era Praça São João, nº 280 – Centro, Barrocas- BA., CEP: 48.705.000 (fl. 87), para o qual foi encaminhado referido termo, e devolvido, vide AR de fls. 85/86. A alteração de seu endereço para a cidade de Biritinga/BA somente veio a ocorrer em 01/09/2016 (fl. 90). Dessa forma, considero como atendido o requisito previsto no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, que condiciona à existência de frustrada tentativa prévia de ciência por via pessoal, postal ou eletrônica para que a intimação seja feita por edital. Diante desse quadro, resta desnecessário o exame das demais tentativas de ciência, mas ainda assim prossigo em sua análise, uma que vez denotam evidências relevantes do claro tumulto processual provocado pelo sujeito passivo. Fl. 3074DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 Após frustrada tentativa de ciência postal, procedeu a Fiscalização à diligência presencial, tendo constatado que se trata de endereço inexistente (o nº 280 da Praça São João, em Barrocas/BA). Na oportunidade, verificou que, no mesmo local, mas em outra numeração (nº 310), há um imóvel em que consta o nome da empresa na fachada, mas que, segundo a vizinhança, nada ali funcionava desde maio de 2016. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o auditor fiscal compareceu também à agência dos Correios que atende ao local e foi informado que o proprietário da contribuinte fora instado a não mais utilizar o nº 280, que não existe, e que, ainda assim, os Correios vinham entregando-lhe as correspondências, pois o local efetivo de funcionamento da empresa era quase em frente à agência postal, de conhecimento, portanto, dos funcionários dos Correios. Foi informado também que o proprietário da Recorrente solicitou que não lhe fosse feita a entrega de correspondências, que deveriam ficar sempre na própria agência, para que fossem por ele apanhadas, procedimento conhecido como “posta restante a pedido”. No entanto, o proprietário da Recorrente não vinha buscando as postagens, razão pela qual os envelopes vinham sendo devolvidos com a anotação “não procurado”. Após, verificou o auditor fiscal a alteração de endereço da fiscalizada no sistema CNPJ da cidade de Barrocas/BA para a cidade de Biritinga/BA em 01/09/2016 (fl. 90), tendo efetuado em 30/12/2016 nova tentativa de postagem do Termo de Início para a Praça da Matriz, nº 168, Centro, Biritinga/BA. Decorridos mais de 30 dias sem providências dos Correios, após reclamação, o serviço postal registrou em seu sistema a incompletude de endereço (fl. 89). Quanto a esse ponto, sustenta a Recorrente que a postagem fora remetida já para endereço desatualizado, pois teria efetuado a alteração de seu endereço para Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar, sala 6, ainda na cidade de Biritinga/BA, em 29/12/2016, um dia antes do protocolo dos Correios. Com efeito, em relação a esta segunda tentativa de postagem (de 30/12/2016, para Praça da Matriz, nº 168, Centro, Biritinga/BA), é importante observar que a alteração do domicílio tributário não tem efeitos automáticos, como preconiza a Recorrente, até porque pode a Administração Fazendária recusar o novo endereço com amparo no art. 127, § 2º, do CTN. No caso em tela, a alteração passou a surtir efeitos apenas em 03/01/2017 (fl. 90), após a remessa da intimação em questão, fragilizando a tese da Recorrente. Só que outro ponto é que mais chama a atenção: é possível notar do AR de fl. 89 que os Correios teve frustrada a tentativa de entrega por mais uma vez ter encontrado dificuldades de localizar o endereço cadastrado, como ocorrera com o endereço anterior, à Praça São João, nº 280 – Centro, Barrocas- BA, de número inexistente. A situação ainda piora, pois, neste interim, verificou o auditor fiscal que, mais uma vez, a Fiscalizada alterara seu endereço, agora para a Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar, sala 6, ainda na cidade de Biritinga/BA, tendo comparecido em diligência ao local no dia 07/02/2017, quando constatou que não existe o número 184, na Praça 23 de Abril, em Biritinga/BA, último e atual endereço tributário da Fiscalizada. Asseverou também que nesta praça há poucos imóveis, e o único com alguma possibilidade de possuir a referida sala no 1º andar, é o imóvel com número 194. Contudo, por lá ninguém conhece a empresa, e que o funcionário dos Correios da localidade afirmou desconhecer a empresa e confirmou a inexistência do número 184 na referida praça. Fl. 3075DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 Contra esse ponto, a Recorrente noticia fato relevante posterior: a própria DRF de Feira de Santana/BA teria reconhecido que a empresa efetivamente encontra-se estabelecida no endereço informado à RFB, Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar - Centro - Biritinga/BA. Ocorre que, a meu ver, tal evento não altera em nada a força dos indícios consubstanciados nos fatos narrados, principalmente porque a razão fática que impossibilitou a localização de seu endereço pelo auditor fiscal fora, conforme aduz a empresa, a aposição equivocada de placa com o número 194 (e não número 184) no endereço apontado. Ora, considerar essa sucessão de três equívocos no cadastro perante a Administração Tributária como meras coincidências e, ao fim, ainda reputar seus desdobramentos como ineficácia fazendária atenta inclusive contra o bom senso, razão pela qual, como já havia antecipado, reputo como válida a ciência do termo de início mediante edital e, por consequência, a premissa de que a Recorrente não teria atendido aos questionamentos nele existentes. Dito isto, passo ao exame da questão de fundo, isto é, a possibilidade de o auditor fiscal se utilizar de aferição indireta para recomposição da base de cálculo das contribuições e, nessa hipótese, as alegadas imprestabilidade e ilegalidade do uso das informações obtidas junto ao TCM/BA para fins fiscais, por ausência de convênio válido entre os órgãos. O primeiro ponto a observar é que a exação fiscal não se amparou em mera presunção para a qual não se oportunizou à Recorrente o direito ao afastamento. Pelo contrário, diante das inconsistências encontradas e não esclarecidas entre valores constantes em DCTF/DACON e/ou na DIPJ/ECF, quando confrontados com as receitas apuradas junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM/BA, a autoridade fiscal intimou a empresa a esclarecer essas diferenças (fls. 55/84), não tendo recebido qualquer resposta durante o procedimento fiscal. Na intimação em questão, o auditor fiscal identificou cada valor recebido pela empresa de acordo com as informações extraídas da base de dados do TCM/BA, concedendo-lhe a oportunidade de trazer os esclarecimentos pertinentes, o que não fora feito na ocasião. Em verdade, a Recorrente não trouxe, quer na Impugnação quer no Recurso Voluntário, uma única palavra que diga respeito a essas diferenças, tendo se limitado a alegar a invalidade do uso dessas informações, o que, no meu entendimento, igualmente não deve prosperar. Primeiro porque seu principal argumento de defesa se ampara na inexistência de convênio válido entre o TCM/BA e a RFB para uso dessas informações para fins fiscais. Ocorre que, privilegiando o princípio da transparência administrativa, referidos dados são abertos, extraídos da base de dados pública daquela Corte de Contas, e estão disponíveis para quaisquer interessados, incluindo, nesse caso, as administrações fazendárias, sendo, portanto, desnecessária a existência de convênio para o seu uso. Ademais, afirma o auditor fiscal que consulta à base de dados do TCM/BA demonstra que os pagamentos se referem a serviços, principalmente locação de veículos a prefeituras, atraindo a incidência das contribuições, fato que, de modo semelhante, não fora especificamente refutado pela Recorrente em sua impugnação e no presente recurso voluntário. Com efeito, o princípio da verdade material decorre do princípio da legalidade e sustenta o dever de diligência atribuído à Administração em busca do conhecimento da verdade Fl. 3076DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 que, hipoteticamente, esteja mais próxima da realidade dos fatos, ainda que reste prejudicial aos interesses fazendários. Detém, no entanto, dupla face, traduzindo-se também na possibilidade de se considerar todos os fatos e provas, desde que lícitos, mesmo que não tenham sido declarados e obtidos nos meios ordinariamente destinados a esse fim. Por essa razão, nego provimento ao recurso nesse ponto, mantendo o lançamento em relação às diferenças entre os valores constantes em DCTF/DACON e/ou na DIPJ/ECF, quando confrontados com as receitas apuradas junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM/BA. Da qualificação da multa de ofício Por fim, sustenta a Recorrente que deveria a multa qualificada ser afastada, já que sua aplicação teria se amparado na impossibilidade de localização do sujeito passivo nos endereços cadastrados durante as tentativas de ciência, o que, no seu entender, sequer se configurou, conforme já exposto. Daí que, afastado o argumento relativo aos endereços inconsistentes, não se justificaria o agravamento da multa, considerado o entendimento representado nas Súmulas n° 14 e nº 25 deste CARF. Também não lhe assiste razão nesse ponto. Penso que não se trate de aplicação dos enunciados de n° 14 ou nº 25 deste Conselho, abaixo reproduzidos, principalmente porque a qualificação da multa não se amparou em mera omissão de receitas e sim, na prática reiterada – por três anos sucessivos – e sem qualquer justificativa aparente - mesmo em sede de recurso voluntário - de sistematicamente não oferecer à tributação a maior parte das receitas auferidas durante o desempenho de suas atividades, além de sucessivamente eleger domicílios tributários com endereços inexistentes, comportamentos estes que, conjuntamente, no meu entendimento, são tendentes a impedir o conhecimento por parte da autoridade tributária federal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, como consta na capitulação invocada. Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Diversos são os precedentes desta Casa que aplicam tal entendimento, a teor do que restou decidido, por exemplo, à unanimidade, no Acórdão nº 9303-004.666, de relatoria da i. Conselheira Érika Costa Camargos Autran, veja-se: MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. Fl. 3077DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-010.226 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721267/2017-56 A prática reiterada de informar por meio de declarações entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, durante vários períodos, de valores menores, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei n. º4.502, de 1964, enseja a aplicação da multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Nesse mesmo sentido os Acórdãos nº 9303-005.058, nº 9303-004.316, n º 9303-008.395, da Câmara Superior, e nº 3301-004.354, nº 3401-004.360, nº 3201-002.186, nº 3302-003.101, e diversos outros. Nos termos, portanto, da jurisprudência majoritária do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a sua aplicação e lesar o Fisco, ensejando a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, pelo que considero justificada a duplicação da multa, nos termos do que preconiza o parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, nego provimento ao recurso também neste ponto, para manter a qualificação da multa de ofício aplicada. Conclusão Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É o voto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos Fl. 3078DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10730.900947/2009-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.272
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte em 31.01.2006 (fl. 236), indicando como crédito o recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação ao fato gerador 13/05/2005. A homologação da compensação foi recusada por meio de Despacho Decisório (fl. 240) sob o fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados no PER/DCOMP”. A notificação aconteceu em 04.03.2009 (fl. 244). Fl. 311DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Resolução n.º 3403000.272 S3C4T3 Fl. 2 2 O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/8) alegando, em síntese, que houve recolhimento a maior a título de Cofins nãocumulativo, em razão de ter computado no regime nãocumulativo receitas que deveriam ter sido submetidas ao regime cumulativo, por força do art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 e arts. 2º e 3º da IN SRF nº 658/2006. Estes dispositivos preveêm o seguinte, sucessivamente: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; Fl. 312DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Resolução n.º 3403000.272 S3C4T3 Fl. 3 3 II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Alega que, tendo percebido o erro na apuração, recalculou os valores pertinentes ao regime regime nãocumulativo, resultando no indébito cujo valor indicou como crédito na DCOMP, “mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente (doc. 8), fato que induziu a digna autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar, conforme expôs no r. despacho decisório ora enfrentado” (itens 3.5 e 3.5.1 da manifestação de inconformidade). Informou, ainda, que havia usado o índice errado da Selic para a atualização do indébito e que também havia deixado de recolher uma diferença de valor em relação ao regime cumulativo, mas que providenciou o recolhimento destes valores por meio de DARF. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Resolução n.º 3403000.272 S3C4T3 Fl. 4 4 Com a manifestação de inconformidade juntou cópia dos contratos firmados com FURNAS – CENTRAIS ELÉTRICAS S/A, em 05.05.1998 (Contrato 12.399), com as CENTRAIS GERADORAS DO SUL DO BRASIL – GERASUL em 20.10.1999 (Contrato 2118002) e com a COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO RIO DE JANEIRO – CERJ em 26.06.2002 e 21.07.2003. Todos estes contratos foram firmados pelo prazo de 20 anos. Também juntou cópia da DCTF e da DCOMP relacionada aos períodos envolvidos. Em seguida o contribuinte protocolou um aditamento à manifestação de inconformidade (fls. 201/202), promovendo a juntada de “demonstrativo da composição das corretas bases de cálculo da COFINS no período, nos regimes cumulativo e não cumulativo, acompanhado do Balancete e das folhas do Livro Razão correspondentes, que indicam (i) a receita bruta de venda de energia elétrica no mês; (ii) a parcela da receita decorrente dos contratos sujeitos ao regime cumulativo; bem como (iii) as receitas diferidas na forma do artigo 7° da Lei n° 9.718/98”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II/RJ (DRJ), por meio do Acórdão nº 1330.889, de 18 de agosto de 2010 (fls. 270/272), manteve a decisão de não homologação, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/05/2005 Preço Predeterminado. Subsistência. Até a primeira alteração. A permanência no regime cumulativo do PIS e da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei n° 10.833/03, depende do miter predeterminado do preço, que subsiste somente até a implementação, após 31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto proferido na DRJ, depois de esclarecer que a IN SRF 486/2004 foi revogada pela IN SRF 658/2006, explcou o Relator o seguinte, analisando os contratos: Em juizo inicial, por meio do confronto dos dados acima sintetizados com os requisitos legais (1 a 4), acima resumidos, concluise que os mencionados contratos atendem as exigências da lei para que a contribuinte possa adotar o regime cumulativo para as receitas dai derivadas. Ocorre que ha outro requisito referente a permanência no regime. A lei impõe a exclusão do regime cumulativo, quando da primeira alteração no preço do fornecimento, conforme se verifica abaixo: Instrução Normativa SRF n°658/2006 Fl. 314DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Resolução n.º 3403000.272 S3C4T3 Fl. 5 5 Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1° Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 22, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: 1 de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. E necessário, então, voltar a examinar cada contrato para verificar se atende ao disposto no art. 3º da IN n° 658/06, que regulou o preço predeterminado referenciado na Lei. No primeiro contrato, firmado com FURNAS, registrase na cláusula 28, pág. 33 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no mês de setembro, deduzindose daí ter havido em setembro de 2004 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de outubro de 2004 as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não cumulativo, no periodo de abril de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No segundo contrato, firmado com a GERASUL, registrase na cláusula 28, pág. 34 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no mês de setembro, deduzindose dai ter havido em setembro de 2004 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de outubro de 2004 as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não Fl. 315DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Resolução n.º 3403000.272 S3C4T3 Fl. 6 6 cumulativo, no período de abril de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No terceiro contrato, firmado com a CERJ, registrase na cláusula 12, pág. 20 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no dia 31/12, deduzindose dai ter havido em 31/12/03 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de janeiro de 2004 as receito decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime nãocumulativo, no período de abril de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No quarto contrato, firmado também com a CERJ, registrase no parágrafo primeiro da cláusula 15, com a redação dada pelo Primeiro Termo Aditivo ao contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no dia 31/12, a partir de 31/12/03, que é a data de inicio conforme na cláusula 2, com a redação dada pelo Primeiro Termo Aditivo ao contrato, deduzindose dai ter havido em 31/12/04 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de janeiro de 2005, as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não cumulativo, no período de abril de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. Conclusão: Quanto aos contratos analisados, não procede o pedido, porquanto, o regime da nãocumulatividade fora adotado corretamente no período de abril de 2005, descabendo a troca para o regime cumulativo, não existindo, assim, o crédito que dai decorreria. O contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reitera os mesmos argumentos da sua manifestação de inconformidade, além de alegar a nulidade do acórdão da DRJ por ter se omitido da apreciação do Ofício ANEEL nº 1431/2006, “no qual o o próprio Governo Federal, por intermédio de seu órgão técnico competente, havia afirmado peremptoriamente que esses reajsutes ‘visam exatamente refletir a variação podenrada dos custos dos insumos utilizados’, nas forma prevista nos mencionados artigos 27, § 1º, II da Lei nº 9.069/95 e artigo 109 da Lei nº 11.196/05”, alegando, ainda, que diante desta prova incumbiria ao Fisco produzir contraprova de que os índices dos contratos seria superiores ao que corresponderiam ao acréscimo do custo de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Error! Reference source not found. Fls. 7 ___________ Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. A discussão gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2005, que mantém no regime cumulativo de apuração da Pis/Cofins as receitas decorrentes de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, desde que “com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço determinado, de bens ou serviços”. A DRJ recusou este tratamento aos contratos do recorrente por entender que tal dispositivo apenas se aplicaria enquanto perdurasse o mesmo preço cobrado antes da edição da Lei nº 10.833/2003, deixando de receber este tratamento depois da primeira atualização prevista no contrato. Aliás, a DRJ utiliza como critério a data prevista no texto do contratos, presumindo que naquela data teria se concretizado a atualização do valor do contrato. O Poder Judiciário vem interpretando a Lei de maneira diferente, no sentido de que “O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado” (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007). No entendimento deste relator, a matéria jurídica está bem delimitada, sendo possível o seu julgamento. No entanto, concordo com entendimento dos colegas, manifestado em sessão de julgamento, quanto ao fato de que simplesmente não houve a auditoria fiscal quanto aos valores apresentados pelo contribuinte. Ou seja, não se sabe se o crédito apresentado pelo contribuinte de fato confere com a diferença de valores que teria sido recolhida a maior, ou ainda, se realmente decorre da sujeição ao regime cumulativo das receitas decorrentes dos contratos apresentados pelo contribuinte. Por isso, entendo ser o caso de converter o julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos para a Delegacia de origem para que seja auditada a apuração do indébito apresentada pelo contribuinte, verificando qual o valor das receitas que envolvem cada um dos contratos em questão, e qual seria o valor do indébito, considerando os valores recolhidos e a apuração das demais receitas pelo regime nãocumulativo, se a receita destes contratos de fato devessem se sujeitar ao regime cumulativo. Deve ser verificado, ainda, com as intimações ao contribuinte que sejam necessárias, em que momentos foi aplicado o reajuste relativos aos contratos, indicando os valores anteriores e posteriores ao reajuste, bem como o tipo, o percentual e a natureza dos Fl. 317DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Resolução n.º 3403000.272 S3C4T3 Fl. 8 8 índices de atualização que foram aplicados, em relação ao período entre a edição da Lei nº 10.833/2003 e o momento final do período em relação ao qual se refere o presente caso. Depois de lavrado relatório conclusivo da diligência, deve ser concedida vista de 30 (trinta) dias para o contribuinte se manifestar a seu respeito, então devolvendose os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 318DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19615.001333/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004
NFLD. SALÁRIO EDUCAÇÃO. GLOSA DE DESPESAS COM DEPENDENTES. ENTREGA DEFICIENTE DA RAIS. ÔNUS DA PROVA. Para se contrapor ao lançamento no exercício de 2003, deveria a recorrente comprovar a entrega tempestiva e consistente da RAÍ relativa ao período, ou mesmo apresentar as declarações que alude o art. 7o da Resolução
02/2000, do FNDE. Em não o fazendo, merece ser mantida a glosa e o
lançamento efetuado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.075
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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SALÁRIOEDUCAÇÃO. GLOSA DE DESPESAS COM DEPENDENTES. ENTREGA DEFICIENTE DA RAIS. ÔNUS DA PROVA. Para se contrapor ao lançamento no exercício de 2003, deveria a recorrente comprovar a entrega tempestiva e consistente da RAÍ relativa ao período, ou mesmo apresentar as declarações que alude o art. 7o da Resolução 02/2000, do FNDE. Em não o fazendo, merece ser mantida a glosa e o lançamento efetuado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1171DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de credito tributário constituído em face de COMPANHIA DE PROCESSAMENTO DE DADOS DO RIO GRANDE DO NORTE, por meio da NFLD 37.121.2790, na qual foram lançadas contribuições sociais relativas ao salárioeducação decorrentes de glosa de deduções realizadas a título de indenização de dependentes em razão da recorrente ser optante pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME). O crédito foi apurado mediante dados constantes no Sistema da Gestão da arrecadação SIGA do FNDE. O lançamento compreende o período de 01/1997 a 12/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 03/12/2007 (fls. 997). Impugnado parcialmente o lançamento, somente com relação as competências dos anos de 2001 e 2003, a DRJ de Recife (fls. 1069/1090) concluiu por manter em parte a exigência fiscal, declarando a decadência já com fundamento no art. 150, 4o do CTN, relativamente as contribuições lançadas até a competência de 11/2002, inclusive. Fora então interposto recurso voluntário (fls. 1107/1108), por meio do qual sustenta o recorrente: 1. que as competências de 12/2002, 01/2003 a 12/2003, 01/2004 a 05/2004 e 07/2004 a 12/2004 devem ser excluídas do lançamento já que com relação as mesmas, as respectivas RAI’s foram enviadas em época própria, uma vez que a não apresentação de referido documento fora a justificativa adotada pelo acórdão recorrido para manter o lançamento; Enviados os autos a este Eg.Conselho, na assentada de 21/10/2010, esta Turma determinou fosse o julgamento convertido em diligência, determinando o seguinte: Por tais motivos e a teor do disposto no art. 29 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem a origem e sejam encaminhados ao ilustre auditor fiscal da Receita Federal para que informe (i) se a RAI do período de 2003 fora encaminhada e recebida pelo INSS em época própria, e (ii) se esta se identifica perfeitamente, a alunos, competências e valores das glosas efetuadas e objeto da presente NFLD. Após, que seja determinada a intimação do contribuinte acerca dos esclarecimentos da fiscalização, para que, querendo, apresente manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias, com a posterior remessa dos autos a este Eg. Conselho. Baixados os autos, sobreveio resposta da fiscalização no sentido de que a RAÍ do período de 2003 fora enviada, contudo, com erros e fora do prazo estabelecido para tanto, motivo pelo qual opinou o fiscal pela manutenção das glosas efetuadas. Fl. 1172DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19615.001333/200731 Acórdão n.º 2402002.075 S2C4T2 Fl. 1.172 3 Devidamente cientificado o contribuinte, novamente subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1173DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Conforme já demonstrado, no presente caso não mais se discutem as competências anteriores a 11/2002, eis que já consideradas decaídas pelo v. acórdão de primeira instância. Ademais, de todo o lançamento efetuado, somente as competências de 2001 (já considerada decaída) e de 2003 vieram a ser objeto de impugnação, motivo pelo qual as demais foram consideradas incontroversas. Neste ínterim, conforme já exposto, o motivo da conversão do julgamento em diligência foi o de que o único motivo utilizado pelo v. acórdão para a manutenção de referido lançamento (2003) fora o fato de que a RAÍ não teria sido recebida pelo sistema. Diante de referida alegação, o contribuinte juntou aos autos a RAI de 2003, demonstrando ter enviado corretamente o arquivo e requerendo, portanto, a anulação do lançamento. Assim, fora determinada a conversão em diligência para que a fiscalização apontasse se a RAI fora de fato encaminhada, recebida e se referia a aos empregados, lançamentos e períodos glosados na presente NFLD. Em resposta, a diligência concluiu que de fato a contribuinte enviou a RAÍ de 2003, entretanto, além de ter sido enviada fora do prazo determinado pelo art. 10 da Resolução n. 02 de 20 de agosto de 2002, do FNDE, que estas continham inconsistências. Restou apurado pela diligência que a RAI relativa ao primeiro semestre de 2003 deveria ter sido enviada até 31/07/2003, quando, em verdade, somente foi enviada em 16/12/2003, ao passo em que a relativa ao segundo semestre, que deveria ter sido entregue até 01/01/2004, somente fora entregue em 14/06/2004. Além disso, demonstro o ilustre fiscal que de fato haviam as apontadas inconsistências nos arquivos enviados e que estas foram cientificadas à recorrente, conforme telas do sistema SIGA colacionadas às fls. 1.144 e 1.145, sem que tenham sido corrigidas ou mesmo sanadas as irregularidades apontadas. Em não o fazendo, de fato não há como acatarse a tese recursal de que a RAÍ de 2003 foi devidamente entregue, pois o arquivo enviado continha inconsistências que não Fl. 1174DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19615.001333/200731 Acórdão n.º 2402002.075 S2C4T2 Fl. 1.173 5 vieram a ser sanadas pelo contribuinte, logo, não poderia ser considerada apta a desconstituir as glosas efetuadas. De outra banda, conforme demonstrou o v. acórdão recorrido, mesmo em não apresentando a RAÍ, a recorrente nem mesmo apresentou além das folhas de pagamento, as declarações a que estavam obrigados os funcionários, conforme determinado pelo art. 7o da Resolução n. 02 do FNDE. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 1175DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000249/2003-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.287
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte em 10/02/2003, requerendo o ressarcimento do saldo credor de IPI em relação ao 3º trimestre de 2001. Para avaliar a existência e determinar a quantidade do crédito, a fiscalização expediu notificação nos seguintes termos (fl. 17): Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI de filial (01.107.389/0 0565), com lastro no art. 11 da Lei n.° 9.779/99 e na IN SRF n.° 33/9, sem pedido / declaração de compensação, porém requerido pelo estabelecimento matriz (01.107.3891000131). Ocorre que em consulta aos sistemas eletrônicos da SRF, verifiquei que situação da filial pretensa detentora dos créditos é de Fl. 327DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20578.TG2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10070.000249/200304 Resolução n.º 3403000.287 S3C4T3 Fl. 2 2 CANCELADA, cujo motivo é extinção por encerramento/liquidação voluntária , conforme tela de fls. 15 e 16 . Por este motivo, proponho o encaminhamento do presente processo ao CACCATETE para que a requerente seja intimada a esclarecer a situação de sua filial, bem como ratificar, ou não, o pleito de fls.01 . Em caso positivo: 1. juntar a este cópia autenticada e legível da CND do INSS, conforme determina o art.195 §3º da CF. 2. anexar cópia autenticada legível das folhas do Livro de Apuração do IPI Mod. 08 referente ao(s) período(s) em questão com o devido estorno dos créditos. O contribuinte foi notificado em 24/03/2004 (fl.19v). Sem que chegasse a prestar esclarecimentos, em 16/06/2003 o contribuinte promoveu a transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), utilizando os créditos do pedido de ressarcimento (fls. 26 a 29). Depois disso, em 28/04/2008, foi proferido Despacho Decisório indeferindo o ressarcimento e negando a compensação nos seguintes termos: “O art. 40 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e que, por força de seu art. 69, aplicase subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, determina o arquivamento do processo quando não ocorrer, por parte do interessado, o atendimento a intimações. Ou seja, encerrase a análise do pleito sem apreciação do mérito, in verbis: ‘"Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo f ado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo."’ (grifos e negritos nossos) Isso posto, e Considerando que a instrução do processo, efetuada pelo interessado, não permite a análise do Pedido em pauta; Considerando, ainda, que, no caso em comento, o contribuinte não respondeu à intimação de fl. 19, elaborada por esta Equipe, cuja finalidade era instruir corretamente o processo, o qual, em consequência, não será imediatamente arquivado, como determina o dispositivo legal acima reproduzido, simplesmente porque há débitos que devem ser cobrados, INDEFIRO, sem exame do mérito, o crédito pleiteado, visto que, por INAÇÃO do requerente, não estão presentes nos autos os elementos necessários à sua correta instrução e análise. Em consequência, NÃO HOMOLOGO a DCOMP eletrônica de nº Fl. 328DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20578.TG2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10070.000249/200304 Resolução n.º 3403000.287 S3C4T3 Fl. 3 3 41782.09019.160603.1.3.010415 de fls. 25 a 29, bem como quaisquer outras DCOMP que se lastreiem no presente processo. Cabe manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, contra o presente Despacho Decisório dirigida ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 40 e 41) alegando o seguinte: “a) A compensação do crédito de IPI pleiteada, no valor de R$ 6.140,49 foi feita pelo Estabelecimento Matriz, tendo em vista que O Estabelecimento Filial, detentor do crédito havia sido baixado, conforme constatou e relatou o ilustre servidor que estava analisando o processo. A exigência de juntada da CND do INSS, apesar de descabida (CF art. 195 § 30) e da Cópia do Livro de Apuração do IP I, ao contrario do que afirma o ilustre julgador, foi feita como solicitada, tendo sido entregue no balcão da ARF do •Catete, não podendo ser motivo do indeferimento o pedido. b) Por outro lado, observase que o Pedido de Ressarcimento foi protocolado em 11 de fevereiro de 2p03, conforme cópia em anexo. O contribuinte foi informado do indeferindo no dia 14 de maio de 2008, portanto passados mais de 5 anos, situação em que o Crédito deve ser considerado homologado, segundo regra estabelecida no parágrafo 5° do artigo 74 da Lei 9430/96. Art. 74, 5 5° da Lei 9430/96 O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 ( cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação Em face de todo o exposto e considerando que o crédito pleiteado é legítimo e ainda que entre a data do pedido e a do indeferimento já se passaram mais de 5 anos, requer a V. Sa julgar pela total improcedência do indeferimento, julgando pela procedência do Pedido de Ressarcimento e Compensação realizada, determinando, em consequência, a manutenção do crédito compensado, fazendose a necessária JUSTIÇA.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG (DRJ), por meio do Acórdão nº 0920.669, de 10 de setembro de 2008 (fls. 45/48), manteve o indeferimento, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo de que dispõe a Autoridade Administrativa para homologar a compensação é contado da data da entrega da Declaração de Fl. 329DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20578.TG2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10070.000249/200304 Resolução n.º 3403000.287 S3C4T3 Fl. 4 4 Compensação e não do protocolo do Pedido de Ressarcimento, anteriormente formalizado. Solicitação Indeferida” O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 51/56) alegando, em síntese, o seguinte: “...mesmo após a RECORRENTE afirmar que juntou todos os documentos solicitados na intimação, o voto proferido pelo i. Relator se limitou a dizer o seguinte: “Em sua defesa o requerente afirma que apresentou a documentação solicitada à fl. 17”. Contudo, compulsandose os autos, referidos documentos não foram encontrados. Além disso, não juntou qualquer prova da entrega dos citados ou de outros documentos necessários à análise do pleito. Tampouco os apresentou agora, juntem manifestação de inconformidade" Ora, a RECORRENTE só não apresentou a referida documentação junto da Manifestação de Inconformidade em razão de já têla apresentado oportunamente na data solicitada pela fiscalização, o que não significa que tais documentos não existem. (...) Ademais, vale ressaltar que o Livro de Apuração de IPI sempre esteve guardado nos arquivos da RECORRENTE à disposição da fiscalização, assim como as CND's do INSS que poderiam, inclusive, ser consultadas pela internet. Ou seja, • muito embora a autoridade 1 iscai tivesse meios para comprovar a existência do crédito ao qual se pretendeu compensar, esta em momento algum logrou comprovar a sua inexistência.” Apresentou certidão de regularidade fiscal e cópia do livro de apuração do IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. É bem verdade que houve a notificação do contribuinte para apresentar esclarecimentos e documentos, conforme consta à fl. 7. Ocorre que tal notificação não estipulou um prazo para atendimento, conforme previsto no art. 40 da Lei nº 9.784/99, nem de maneira alguma sinalizou a conseqüência de seu não atendimento. Fl. 330DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20578.TG2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10070.000249/200304 Resolução n.º 3403000.287 S3C4T3 Fl. 5 5 Com efeito, dispõe o art. 40 que “Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo" (grifos editado). Provavelmente porque na época se tratava apenas de um pedido de ressarcimento, em relação ao qual não corre nenhum prazo de homologação contra o Fisco. Apenas depois daquela notificação é que houve a apresentação de Declaração de Compensação. Em relação á compensação, diferentemente, passa a correr prazo contra o Fisco, de 5 anos para sua homologação, sob pena de homologação tácita, extinguindose os débitos indicados pelo contribuinte. Depois da apresentação da Declaração de Compensação pelo contribuinte, em 2003, seguiuse diretamente e abruptamente a decisão de não homologação desta Declaração de Compensação pelo Fisco, em 2008, portanto, sem nenhuma notificação entre estas duas etapas. Somese a este contexto a confusão da contribuinte em alegar que apresentou documentos que não estão nos autos. Diante deste confuso panorama, em respeito á verdade material e como forma de assegurar a ampla defesa do contribuinte, entendo oportuna a conversão do julgamento em diligência, para requerer que a Unidade de origem notifique o contribuinte a apresentar os documentos que comprovam a acumulação dos créditos de IPI no trimestre, demonstrando também que promoveu o devido estorno do saldo de créditos pleiteado no presente processo. Deve a Unidade de origem, ao final, elaborar relatório conclusivo a respeito da diligência, dizendo se houve a demonstração do direito de crédito. Em seguida, deve intimar o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, devolvendose então os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 331DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20578.TG2Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por IVAN ALLEGRETTI em 29/02/2012 14:38:41. Documento autenticado digitalmente por IVAN ALLEGRETTI em 29/02/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 29/02/2012 e IVAN ALLEGRETTI em 29/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.20578.TG2Z Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 8E542D44DB95C623E16DC7691C2345DE2839A6F2 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10070.000249/2003-04. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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