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Numero do processo: 10280.005015/2004-51
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/03/1998 a 31/07/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO EXISTENTES. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Devem ser saneadas a omissão e a contradição constatadas na apreciação dos Embargos de Declaração.
Numero da decisão: 3401-002.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos de declaração.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/1998 a 31/07/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO EXISTENTES. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Devem ser saneadas a omissão e a contradição constatadas na apreciação dos Embargos de Declaração.
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO EXISTENTES. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Devem ser saneadas a omissão e a contradição constatadas na apreciação dos Embargos de Declaração. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos de declaração. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 50 15 /2 00 4- 51 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.555/568), opostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3401001.757 (fls.209/216), pelo qual foi declarado nulo o auto de infração objeto deste processo, em decorrência da falta de intimação da pessoa jurídica e da incompetência da autoridade fiscal que efetuou o lançamento. Nos Embargos, é alegado o seguinte: O acórdão não conheceu o Recurso da pessoa jurídica, por ser intempestivo, e declarou a nulidade do acórdão por razões não alegadas nos Recursos interpostos pelos responsáveis, contudo, não fundamentou por que o declarou nulo por razões não ventiladas nos recursos conhecidos, o que configura a omissão; O acórdão é contraditório, pois considerou a intimação do Sr. Edson Souza Geraldes, o qual tinha condição de sócio na época do lançamento, para aferir a tempestividade, mas desconsiderou a intimação do lançamento da pessoa jurídica realizada na mesma pessoa; O acórdão foi omisso por não analisar “a declaração de fls. 279/280 de Edson Souza Geraldes no sentido de que teve seu nome usado na transferência de empresa”; O acórdão também foi obscuro por não apontar a prova na qual se embasou para concluir que a Empresa funcionava no endereço da Rua Dom Gerardo, 35, Sala 702, Centro, Rio de JaneiroRJ; O Acórdão é contraditório porque reconhece que, em nenhum momento, a empresa foi intimada no endereço da Rua Dom Gerardo, 35, sala 702, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Ao fim, a Embargante pediu o saneamento dos vícios apontados e prequestionamento das matérias que não foram objeto de análise expressa no acórdão embargado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Os Embargos são tempestivos e atendem os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Embargante alega diversas omissões e contradições no acórdão, as quais, segundo a Embargante, devem ser sanadas. Passase a analisar um a um. 1. Da omissão por falta de fundamento ao conhecer matéria não ventilada nos Recursos Conhecidos. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10280.005015/200451 Acórdão n.º 3401002.283 S3C4T1 Fl. 571 3 O auto de infração foi lavrado contra a empresa e com responsabilização dos exsócios. Na análise dos autos, ficou constatado que a empresa não foi intimada do auto de infração, mas somente do acórdão da DRJ, enquanto os exsócios foram intimados tanto do auto de infração, quanto da decisão da instância de piso. A empresa apresentou dois Recursos Voluntários, mas ambos estavam intempestivos, por isso não foram conhecidos. Os sócios Simon Bolívar da Silva Bueno, Edison Donizetti Benette e Emílio Maioli Bueno interpuseram Recursos tempestivamente. A Embargante alega que o acórdão foi omisso, haja vista ter declarado a nulidade do auto de infração por falta de intimação da pessoa jurídica, mas sem fundamentar por que analisou essa matéria sem ela ser levantada nos Recursos conhecidos. Nesse ponto, não houve omissão, mas sim contradição entre o fundamento do voto e o dispositivo. Isso fica evidente ao se ler os últimos dois parágrafos do voto: “A decisão do processo que trata do IRPJ reforça a conclusão na qual chegou este Conselheiro: a de que dolo não foi provado. Desse modo, a responsabilização dos sócios é incabível, e como a pessoa jurídica foi intimada somente após o julgamento da DRJ, em 14/08/2007 (fl.308), o lançamento já estava integralmente decaído. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para declarar nulo o auto de infração, em decorrência da falta de intimação da pessoa jurídica e da incompetência da autoridade fiscal que efetuou o lançamento”. Como é perceptível, o voto era no sentido de cancelar o auto de infração pela falta de prova de dolo dos sócios e decadência em relação à pessoa jurídica. Contudo, o dispositivo foi escrito equivocadamente no sentido de declarar nulo o auto de infração por falta de intimação da pessoa jurídica e incompetência da autoridade fiscal que efetuou o lançamento. Há de esclarecer que muito embora a decadência não tenha sido ventilada nos recursos conhecidos, ela é matéria ordem pública, de modo que pode ser reconhecida ex officio, como no presente caso. Portanto, apesar de não se tratar de omissão, acolho os embargos de declaração por contradição, rerratificando a parte dispositiva do voto para ficar da seguinte forma: “Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para cancelar o auto de infração, em decorrência da falta de prova de dolo e fraude dos sócios e exsócios, bem como pela decadência em relação à pessoa jurídica”. 2.Da contradição em relação à validade da intimação. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 A embargante alega ocorrência de contradição no acórdão, pois a intimação da pessoa jurídica na pessoa do sócio Edson Souza Geraldes foi considerada válida para contagem da tempestividade, mas foi desconsiderada para validade do auto de infração. Nesse ponto, não há contradição, pois, em nenhum momento, a intimação foi desconsiderada. Ficou bem claro no voto condutor que, da lavratura do auto de infração, somente os sócios, pessoas físicas, foram intimados. A pessoa jurídica somente recebeu a primeira intimação depois do acórdão da DRJ, em 14/08/2007, conforme fl. 321(digital). Isso fica evidente na leitura do trecho contido na fl. 215 dos autos, o qual é transcrito abaixo: “O simples indício não tem força para responsabilizar pessoalmente os sócios. Como os sócios devem ser pessoalmente responsabilizados somente em casos excepcionais, com provas inequívocas, o que não é o caso, afasto a responsabilidade pessoal dos sócios. Por outro lado, como a empresa não foi intimada da lavratura do auto de infração, recebendo a primeira intimação somente após o julgamento da DRJ, é o caso de nulidade do lançamento. Ainda que se considerasse por convalidar a intimação da pessoa jurídica após a decisão da DRJ, o lançamento não seria válido, pois alcançado pela decadência. Isso porque o prazo para a Fazenda constituir o crédito dos tributos sujeito ao lançamento por homologação é cinco anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, se houver a antecipação do recolhimento, nos termos art. 150, §4o; ou no prazo cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. O período lançado mais recente é de julho de 2000, e a pessoa jurídica foi intimada do acórdão da DRJ somente em 14/08/2007 (fl.308). Portanto, o lançamento está decaído, em qualquer contagem que seja levada em consideração”.(grifo não consta no original) Portanto, por não existir contradição, não acolho os embargos de declaração nessa parte. Da omissão por não analisar “a declaração de fls. 279/280 de Edson Souza Geraldes no sentido de que teve seu nome usado na transferência de empresa”. A Recorrente alega que o acórdão foi omisso, por não analisar a declaração de fls. 279/280, nos autos digitais fls. 297/298, na qual o Sr. Edson Souza Geraldes alega que não é proprietário da empresa, mas que teve seu nome usado. Realmente, o voto condutor não analisou essa declaração. Contudo, ela não tem força para alterar a decisão por dois motivos: primeiro, porque não pode ser tomada como prova testemunhal, haja vista que o Sr. Edson Souza Geraldes foi responsabilizado, sendo parte do processo, de modo que não tem o compromisso testemunhal de sempre falar a verdade. A responsabilização dos exsócios devese dar de modo inequívoco, com provas cabais, sem margens para erros. In casu, a declaração do Sr. Edson Geraldes, por si só, não tem força para tal, pois pode ter sido usada como estratégia de defesa para não ser responsabilizado. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10280.005015/200451 Acórdão n.º 3401002.283 S3C4T1 Fl. 572 5 Cabe destacar, também, que mesmo não sendo verídica essa declaração, não tem força de manter a responsabilização do Sr. Edson Geraldes, pois a fraude que leva à responsabilização da pessoa física não é a fraude no processo, mas sim a fraude no recolhimento do tributo. Portanto, a desconsideração da declaração do Sr. Edson Geraldes, que exime os demais sócios, não tem força de responsabilizálo. Em segundo lugar, porque a declaração foi assinada em janeiro de 2005, após a primeira ciência de exsócios, a qual se deu em 21/12/2004 (fl.94). Portanto, suposta prova seria posterior à lavratura do auto de infração, de modo que não tem força para sustentálo. Portanto, nesse ponto, acolho os embargos para sanar a omissão, sem aplicar os efeitos infringentes. Da obscuridade e contradição em relação ao endereço da empresa no endereço da Rua Dom Gerardo, 35, Sala 702, Centro, Rio de JaneiroRJ A Embargante alega que o acórdão foi obscuro, vez que não indicou em qual prova se apoiou para entender que a empresa realmente funcionava no endereço da Rua Dom Gerardo, 35, Sala 702, Centro, Rio de JaneiroRJ. A alegação da Embargante não merece acolhimento, pois no voto condutor restou bem claro que quem mencionou o novo endereço foi a própria fiscalização, na fl. 78. A única prova da fiscalização de que o endereço era ficto ocorreu porque a intimação foi entregue na sala do Tribunal de Arbitragem, contudo, na análise dos autos ficou comprovado, por declaração do Tribunal de Arbitragem e pelo Contrato de Aluguel que a intimação foi enviada para a sala errada, o que fez cair a única prova levantada pela autoridade fiscal. Essa conclusão é clara no seguinte trecho do voto: “há a descrição de que os exsócios Édison Donizatti Benette e Emílio Maiolli Bueno teriam transferido as suas participações, fraudulentamente, para Olávio Florentino e Edson Souza Geraldes e que a confirmação dessa fraude ‘deuse com a mudança de endereço, fictício, da empresa, em 28.07.2002: Rua Dom Geraldo, 35, Sala 702 – Centro’, sendo esse endereço ocupado pelo Tribunal de Justiça Arbitral das Comarcas Brasileiras. Ocorre que o aludido Tribunal Arbitral apresentou declaração informando que está sediado no mesmo endereço, mas na sala 701 e que há outras empresas no mesmo prédio (fl.214). Além disso, a Recorrente apresentou contrato de locação (fls.210/212) provando que seu endereço ficava no local, mas na sala 702. Outro fato que reforça a mudança de endereço sem fraude, do Estado do Pará para o Estado do Rio de Janeiro, é a intimação do acórdão da DRJ à empresa, em endereço localizado no centro da capital fluminense. Insta salientar que, apesar de não ser o mesmo endereço da Rua Dom Geraldo, nas fls.317 e 318 os Recorrentes apresentaram cópia da alteração contratual, pela qual fixa como novo endereço a Av. Treze de Maio, nº 33, sala 3013, Centro, Rio de Janeiro. Isso leva à conclusão de que, no decorrer deste processo administrativo, a empresa mudouse da rua Dom Geral para a Rua Treze de Maio, ambas na cidade do Rio de Janeiro. Logo, a empresa saiu, realmente, do Estado do Fl. 568DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 Pará para ser sediada no Estado do Rio de Janeiro, afastando se, assim, a fraude alegada pela Autoridade Fiscal. Contra as provas apresentadas pela Recorrente não tem nenhum outro documento que demonstre, de modo irrefutável, a existência da fraude”. (fls.214/215) Ainda quanto ao endereço, a Recorrente alega que o acórdão foi contraditório ao informar que a empresa nunca foi intimada no endereço da Rua Dom Gerardo. Ocorre que não há a contradição. A empresa não foi intimada no endereço da Rua Dom Gerardo, porque a intimação do auto de infração foi encaminhada para a sala errada. E depois do acórdão da DRJ foi intimada no endereço da Rua Treze de Maio “porque no decorrer deste processo administrativo a empresa mudouse”. Portanto, dúvida não resta de que o convencimento do julgador, neste ponto, foi bem fundamentado, não existindo nenhuma obscuridade ou contradição. Ex positis, acolho parcialmente os Embargos de Declaração: 1) para reconhecer a contradição do acórdão e rerratificar o dispositivo do voto condutor para cancelar o auto de infração, em decorrência da falta de prova de dolo e fraude dos sócios e dos ex sócios, bem como pela decadência, em relação à pessoa jurídica. 2) Acolho também para sanear a omissão em relação a análise da declaração de fls. 279/280 de Edson Souza Geraldes, no sentido de que teve seu nome usado na transferência de empresa. Quanto às demais alegações de omissão e de contradição, nego acolhimento. É como voto. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003179/2003-72
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário.
A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3402-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por reconhecer a concomitância com processo judicial.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por reconhecer a concomitância com processo judicial. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por reconhecer a concomitância com processo judicial. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 31 79 /2 00 3- 72 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 66 (verso) dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto da relatora Susan Mara Cordeiro Rovere Ribeiro nos seguintes termos: “Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o programa de Integração Social (PIS), lavrado em 17/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 11/07/2003 (fls. 25), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 4.702,90), em virtude de não localização dos pagamentos vinculados aos débitos declarados para os períodos de agosto e setembro de 1998. Em oposição ao presente lançamento, foi protocolizada em 13/08/2003, a impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/20, com alegação de que os débitos são indevidos, pois foi impetrado um mandado de segurança com pedido de liminar na 15ª Vara Federal de São Paulo, autuado sob n° 2000.03.99.0422195, o qual autorizava o contribuinte a proceder a compensação nos termos do art. 66 da Lei n° 8383/91, dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS nos moldes da sistemática dos DecretosLei n° 2.445 e 2.449 ambos de 1988, com outros tributos e contribuições federais. Acrescenta o interessado que a segurança foi concedida, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar seu crédito com o próprio PIS vincendo, de acordo com a certidão de objeto e pé que apresenta às fls. 11. Por meio do despacho de fls. 50 a autoridade preparadora, atestando ser tempestiva a impugnação, encaminhou o processo para julgamento. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0533.896 de fls. 66 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade antes do início do procedimento fiscal, incabível seria a aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de suspensão de exigibilidade não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10875.003179/200372 Acórdão n.º 3402002.924 S3C4T2 Fl. 3 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho de Recursos Fiscais através de procurador, onde alega não concordar com o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo mas dele NÃO tomo conhecimento por reconhecer em face do seu pedido, a concomitância da questão na esfera judicial e administrativa, no caso, adotando as razões da decisão recorrida, através do voto do relator de fls.66 a 68 (verso), que deixo de repetir aqui, mas será lido em sessão se necessário. Também, é sumula nesse Conselho o seguinte: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. ” Isto Posto, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 12466.002945/2009-14
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-001.707
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 14/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Monica Elisa de Lima, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a conselheira .Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 29 45 /2 00 9- 14 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 2.113.481,36 referente a PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada impetrou a ação judicial nº 2004.50.01.0052060 2006 na qual a Justiça Federal determinou que a aplicação das alíquotas das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação fosse feita, única e exclusivamente, sobre o valor aduaneiro das mercadorias. Ao amparo da decisão liminar, cuja comunicação à autoridade aduaneira se procedeu em 10/05/2004, a interessada registrou Declarações de Importação no período de 01/09/2004 a 30/09/2004 adotando a base de cálculo reduzida. A liminar foi revogada em 16/10/2006 e a segurança foi denegada. A interessada apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal. O auto de infração foi lavrado para a prevenção da decadência do crédito tributário, enquanto aguarda decisão final da Justiça Federal. Cientificada pela via pessoal a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que impetrou ação judicial para contestar a exigência das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação calculadas sobre a base de cálculo estabelecida pela Lei nº 10.865/2004, pois há violação do artigo 149, II, “a”, da Constituição Federal, além de que somente Lei Complementar poderia instituir e dispor sobre a base de cálculo referida. Alega que a discussão judicial ainda persiste. Requer seja anulado ou julgado totalmente improcedente ou insubsistente o auto de infração. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis não conheceu da defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/FNS n.º 29.537: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002945/200914 Acórdão n.º 3201001.707 S3C2T1 Fl. 442 3 As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. Impugnação improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo. Discutese nos autos a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação, mais especificamente quanto ao entendimento do valor aduaneiro. A decisão recorrida não conheceu do recurso por concomitância do debate com o processo judicial n.º 2004.50.01.0052060, onde também é discutida a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação. Correta a decisão, já que a discussão travada é a mesma. Podemos ver dos documentos juntados que ambos os processos tratam da mesma questão, o que impede a análise do recurso interposto, em face da Súmula n. 05 desta Corte: Súmula n. 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 20 de agosto de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 766DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 18471.001607/2003-87
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/08/2002
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO DE ENTENDIMENTO EXPRESSO EM SÚMULA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. ART. 72 DO RICARF
Consoante expressa disposição regimental (art. 72, § 4º do RICARF aprovado pela Portaria MF 256/2009), "as súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF".
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA Nº 02 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES:
Os órgãos administrativos de julgamento não têm competência para afastar, por inconstitucional, norma legal vigente e eficaz (SÚMULA NO 2 do Segundo Conselho de Contribuintes aprovada em 26 de setembro de 2007):
"O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária".
COFINS. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
Constitui receita das cooperativas de serviço, tributável pela COFINS após a revogação da isenção prevista na LC 70/91, todo o valor por ela recebido do tomador do serviço, não se lhes estendendo a exclusão estatuída pelo art. 15 da MP 2.158-35 para as cooperativas de produção por força do que dispõe o art. 111 do CTN.
Numero da decisão: 3401-000.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na parte que dele se conheceu, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 06/08/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente da turma), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça e Dalton César Cordeiro de Miranda (relator).
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/1999 a 31/08/2002 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO DE ENTENDIMENTO EXPRESSO EM SÚMULA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. ART. 72 DO RICARF Consoante expressa disposição regimental (art. 72, § 4º do RICARF aprovado pela Portaria MF 256/2009), "as súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF". IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA Nº 02 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: Os órgãos administrativos de julgamento não têm competência para afastar, por inconstitucional, norma legal vigente e eficaz (SÚMULA NO 2 do Segundo Conselho de Contribuintes aprovada em 26 de setembro de 2007): "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". COFINS. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Constitui receita das cooperativas de serviço, tributável pela COFINS após a revogação da isenção prevista na LC 70/91, todo o valor por ela recebido do tomador do serviço, não se lhes estendendo a exclusão estatuída pelo art. 15 da MP 2.158-35 para as cooperativas de produção por força do que dispõe o art. 111 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na parte que dele se conheceu, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 06/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente da turma), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça e Dalton César Cordeiro de Miranda (relator).
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OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO DE ENTENDIMENTO EXPRESSO EM SÚMULA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. ART. 72 DO RICARF Consoante expressa disposição regimental (art. 72, § 4º do RICARF aprovado pela Portaria MF 256/2009), "as súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF". IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA Nº 02 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: Os órgãos administrativos de julgamento não têm competência para afastar, por inconstitucional, norma legal vigente e eficaz (SÚMULA NO 2 do Segundo Conselho de Contribuintes aprovada em 26 de setembro de 2007): "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". COFINS. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Constitui receita das cooperativas de serviço, tributável pela COFINS após a revogação da isenção prevista na LC 70/91, todo o valor por ela recebido do tomador do serviço, não se lhes estendendo a exclusão estatuída pelo art. 15 da MP 2.15835 para as cooperativas de produção por força do que dispõe o art. 111 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 07 /2 00 3- 87 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na parte que dele se conheceu, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 06/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente da turma), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça e Dalton César Cordeiro de Miranda (relator). Relatório Este recurso voluntário foi julgado em julho de 2010 na forma do voto proferido pelo Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, que, no entanto, não o formalizou até a sua saída do Conselho. Em 2014, designei o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça ad hoc, mas este último também deixou a condição de conselheiro sem completar a tarefa. Cumproa agora por designação do atual Presidente da Câmara e Presidente, à época do julgamento, da Primeira Turma. Começo por reproduzir parte do relatório da decisão de primeiro grau: Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 117 a 134 do presente processo, formalizando a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cams, com intimação para recolhimento do valor de R$ L991.352,45, acrescido de multa de oficio e juros de mora regulamentares, relativamente a períodos de apuração entre novembro de 1999 a agosto de 2002, resultante da falta de recolhimento da exação especificada. De acordo com a fiscal autuante, o referido Auto é decorrente da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago para Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, conforme descrito as fls. 125 e no Termo de Verificação de fls. 117/118. Após ver rejeitada na íntegra sua impugnação, com a manutenção do lançamento em sua totalidade, o sujeito passivo reapresenta, em tempestivo recurso voluntário, os argumentos nela expendidos, quais sejam : Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS Processo nº 18471.001607/200387 Acórdão n.º 3401000.870 S3C4T1 Fl. 281 3 a) "ilegalidade e inconstitucionalidade da tributação de receitas pertencentes a terceiros", defendendo ser este o caso dos valores recebidos pela cooperativa mas destinados aos seus membros, o que implica considerar inconstitucional a revogação da isenção prevista no art. 6º da Lei Complementar 70/91, intentada pela Medida Provisória 1.858/99; b) aplicação, para a COFINS, do entendimento já aceito pelos tribunais quanto ao ISS no caso de empresas de intermedição de mãodeobra, isto é, que a receita de tais entidades é apenas a comissão recebida, não incidindo o imposto sobre a parcela recebida pela empresa mas destinada ao pagamento dos salários e encargos dos empregados; c) subsidiariamente, caso admitido que Medidas Provisórias possam alterar disposições relativas a cooperativas (que exigiriam, segundo o recorrente, lei complementar), que lhe seja aplicado o disposto no art. 15 da MP 2.158/2001, que sucedeu a 1.858, e que prevê a dedutibilidade dos valores "repassados aos associados decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa". É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado ad hoc Fui designado pelo Presidente da Câmara para a redação do acórdão, mesmo não tendo participado daquele julgamento, dado que nenhum dos demais componentes do colegiado à época integra, hoje, o CARF. No cumprimento dessa tarefa, me limitarei a reproduzir, o mais fielmente possível, a posição dos integrantes do colegiado à época, que conheço de outros julgados. Quando realizado o julgamento deste recurso, já vigia a Súmula nº 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, aprovada em sessão realizada em 2007, que diz: SÚMULA NO 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Vigia, igualmente, o regimento do CARF baixado, no ano anterior, com a Portaria MF nº 256, cujo art. 72 preconiza: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar proposta) de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS 4 § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Destarte, não conheceu o colegiado de todas as alegações que implicassem reconhecimento de inconstitucionalidade de qualquer dos atos em que se baseia a autuação, especialmente a revogação, pela MP 1.858, da isenção concedida às cooperativas pela Lei Complementar 70/91. Destarte, conheceu do recurso apenas quanto à caracterização como receitas próprias de todo o valor recebido pela cooperativa, rejeitando a tese de que parte deles pertenceria aos associados, o que impede a pretendida extensão do art. 15 da MP 2.15835 às cooperativas de serviço. Para o primeiro ponto, considerou o colegiado que há, de fato, uma prestação de serviço pela cooperativa ao cliente, dado que apenas entre eles resta configurado vínculo contratual, o que permite, inclusive, que o cliente demande judicialmente a cooperativa e não o seu cooperado. Ademais, que se os valores recebidos pela cooperativa não constituíssem mesmo receitas suas, mas, ao contrário, do seu associado, redundante seria a isenção prevista já desde o início pela Lei Complementar 70: não havendo receita, estarseia a tratar de simples não incidência. Esse entendimento implica, pois, que o montante recebido pela cooperativa é receita sua, sendo parte dela repassada aos cooperados exatamente na mesma forma como ocorre com as cooperativas de produção beneficiadas com a redução de base de cálculo estabelecida no art. 15 da MP 2.15835. O que impede, no entanto, a aplicação deste dispositivo às cooperativas que não comercializam produto é o art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Assim, embora a similitude das situações, forçoso reconhecer que o dispositivo "legal" que instituiu a redução da base de cálculo apenas o fez para as cooperativas de produção, aquelas que recebem, para comercialização, o produto elaborado pelo cooperado. Entendido, como entendeu o colegiado, aplicável a restrição do art. 111 do CTN aos casos de redução de base de cálculo, às primeiras deve ficar restrito o benefício. Com essas considerações, decidiu a Turma por conhecer apenas parcialmente do recurso, negandolhe provimento. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS Processo nº 18471.001607/200387 Acórdão n.º 3401000.870 S3C4T1 Fl. 282 5 Esse o acórdão que me coube redigir. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS
score : 1.0
Numero do processo: 10507.000734/2008-15
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA - Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-001.274
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA - Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 2 Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (Assinado digitalmente) (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10507.000734/200815 Acórdão n.º 220201.274 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) correspondente aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 305.763,29, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Entendeu a Autoridade Fiscal que as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994. Conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. Analisada a impugnação apresentada, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA julgoua improcedente, conforme o acórdão n. 1523.122, às fls. 166/173, sob a seguinte ementa: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 4 As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformado com essa decisão, a parte recorrente interpôs recurso voluntário, às fls. 181/264, requerendo a sua reforma, a fim de que seja cancelado o débito fiscal contra si lavrado. O recurso encontrase amparado nos seguintes argumentos: a) a decisão recorrida não teria enfrentando as questões relativas à legitimidade da União para cobrar o imposto de renda e à quebra da capacidade contributiva do recorrente; b) natureza indenizatória das diferenças de URV, cujo pagamento se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006. Consistindo apenas medida destinada a evitar as perdas decorrentes do aviltamento da moeda, esses valores recebidos pela parte recorrente não deveriam ser levados à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial que veda a tributação da mera correção monetária; c) equiparação da situação em tela (CTN, art. 108) à definição normatizada pelo STF que, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória e que, por esse motivo, está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Qualquer tratamento diferenciado violaria o Princípio da Isonomia (CF, art. 150, II); d) incorreção das alíquotas utilizadas pela autoridade fiscal, pois nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento; e) o lançamento fiscal teria tributado isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10507.000734/200815 Acórdão n.º 220201.274 S2C2T2 Fl. 3 5 f) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), valores sujeitos, respectivamente, à tributação exclusiva e à isenção; g) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora; h) a parte recorrente não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, mas, seguindo a informação prestada pela fonte pagadora, declarou os valores recebidos em decorrência da LC 20/03 no campo dos rendimentos nãotributados; i) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha sobre a natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, a conduta realizada pela parte recorrente foi lastreada em ato normativo, trazendo a aplicação do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; j) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Vencido Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. O recorrente busca afastar exigência fiscal consubstanciada em auto de infração relativo à Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Tais rendimentos, conforme refere a autuação fiscal, decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. A referida legislação complementar assim dispõe: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art.2º desta Lei.” Por sua vez, refere o auto de infração lavrado: Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10507.000734/200815 Acórdão n.º 220201.274 S2C2T2 Fl. 4 7 “Preceitua a referida Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União.” Inicialmente afasto a alegada omissão da decisão recorrida, que foi clara ao reconhecer tanto a legitimidade da União na cobrança do imposto não retido pela fonte pagadora, como a tributação do rendimento percebido pelo recorrente, dotado, segundo o decisum, de natureza salarial reveladora de nova capacidade contributiva. Ainda em sede preambular, é imperioso esclarecer que a discussão em tela não diz respeito à isenção, mas ao fenômeno da nãoincidência tributária. Isso porque o dano, juridicamente considerado, situase fora do raio de alcance da hipótese normativa tributária, em virtude da sua incompatibilidade com o conceito de rendimento tributável. A solução da controvérsia, portanto, passa ao largo das diretivas fixadas pelo art. 150, §6º, da Constituição Federal. A Lei Complementar nº 20/03, do Estado da Bahia, disciplinou a relação jurídica material estabelecida entre o Estado e seus agentes públicos. O art. 3º dessa Lei determinou, expressamente, que o valor recebido pelo recorrente, conforme preceitua o art. 2º do mesmo Diploma, possui natureza indenizatória. Entretanto, como se colhe da fundamentação utilizada no auto de infração, a autoridade fiscal entendeu que aludida legislação teria adentrado em seara normativa reservada constitucionalmente à União. As vicissitudes de um sistema federativo podem ensejar a existência de eventuais invasões de competências legislativas. Entretanto, nesse conflito jurídicopolítico, a segurança jurídica não pode ser colocada em xeque. Esse é o motivo por que foram instituídos mecanismos diretos e difusos para controle da constitucionalidade no Brasil. O presente dilema pode ser sintetizado do seguinte modo: o contribuinte recorrente, seguindo o enquadramento jurídico adotado pela fonte pagadora, lançou os valores dela recebidos como rendimentos não tributados. A fonte pagadora, por sua vez, deixou de realizar a retenção do imposto objeto do auto de infração por estar submetida à Lei Estadual Baiana, que atribuiu natureza indenizatória aos valores pagos ao Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 8 recorrente. Como conseqüência, os valores situaramse fora da área de incidência desse tributo, cuja arrecadação é destinada ao próprio Estado da Bahia, nos termos do art. 157, I, da Constituição Federal; a Fazenda Nacional entende que a aludida legislação estadual não tem o condão de alterar o âmbito da sua competência tributária. Certa ou errada a conclusão contida no auto de infração, verificase que a mesma pressupõe a inconstitucionalidade da lei estadual baiana. Ninguém pode servir a dois deuses ao mesmo tempo. A vetusta lição bíblica, contida em Mateus, pode ser transportada para um sistema federativo, guiado por três deuses (União, Estados e Municípios), impedindo que um mesmo fato receba distintos enquadramentos jurídicos. É o que, infelizmente, acontece no presente caso, de onde surgiu o paradoxo ora dirimido. Ocorre que a inconstitucionalidade possui foro jurisdicional próprio, sendo vedado à Administração desconsiderar o conteúdo deôntico de qualquer diploma normativo por esse fundamento, seja ele explícito, seja ele implícito, enquanto pressuposto lógico. A ressalva atinge Administração tanto na análise de justificativas argüidas pelos contribuintes, como na retirada ou desconsideração de obstáculos normativos vigentes que impeçam a atuação fazendária. O tratamento adotado pela Corte Administrativa deve ser o mesmo, pois as duas hipóteses repousam sobre o mesmo fundamento, a partir do qual foi editada a Súmula nº 2 do próprio CARF. Afasto, também, a violação à isonomia tal qual suscitada na peça recursal. A Resolução n° 245, do STF, diz respeito, exclusivamente, ao abono variável previsto pela Lei nº 9.555/98. Não obstante, entendo que o reconhecimento dos efeitos jurídicos decorrentes desse ato normativo excepcional, editado pelo STF, deve ser reproduzido diante da Lei Complementar 20/03, diploma vigente, dotado de presunção de constitucionalidade, que exerce inegável cogência sobre o conteúdo da obrigação tributária debatida, conforme acima já alinhado. Diante desse quadro, entendo que o caminho prévio adotado pela União deva ser aquele previsto no art. 103 da Constituição Federal. Retirado do mundo jurídico o entrave materializado no art. 3º da Lei Complementar Baiana nº 20, de 08 de setembro de 2003, estará a Fazenda Pública livre para o exercício da sua capacidade tributária ativa. Assim, ressaltase que o ingresso na discussão a respeito da titularidade da capacidade tributária ativa diante do preceito contido no art. 157, I, da Constituição Federal exige, no presente caso, a prévia superação do tema relativo à validade do art. 3º da LC 20/03, que condiciona o comportamento tanto do contribuinte como da fonte pagadora. Desse modo, persistindo a barreira normativa materializada no art. 3º da LC 20/03, considerando que a presunção de constitucionalidade desse dispositivo estadual não foi relativizada pela União Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10507.000734/200815 Acórdão n.º 220201.274 S2C2T2 Fl. 5 9 através do instrumento judicial adequado e tendo em vista que é vedado a esse Tribunal qualquer desconsideração legal sob o pálio da inconstitucionalidade, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a preliminar de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10507.000734/200815 Acórdão n.º 220201.274 S2C2T2 Fl. 6 11 No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 12 Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10507.000734/200815 Acórdão n.º 220201.274 S2C2T2 Fl. 7 13 dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 30/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 17253.000028/2009-14
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004
DECADÊNCIA PARCIAL.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2000, anteriores a 08/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004 DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. MULTA DE MORA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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PREV NFLD Recorrente MELMETAL CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004 DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. MULTA DE MORA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 25 3. 00 00 28 /2 00 9- 14 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2000, anteriores a 08/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator Designado Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 803 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.735.6497, lavrada em 02/08/2005, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações aferidas indiretamente com base em notas fiscais emitidas pela fiscalizada, no período de 02/99 a 12/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 115.703,07, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 08/08/2005, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 88/121, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 712/719, a DRP/Florianópolis concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 05/12/2005, fls. 719. O recurso voluntário, apresentado em 04/01/2006, fls. 720/754, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Entende que o arbitramento foi aplicado sem obediência aos ditames legais. Tal medida extrema estaria, no presente caso, em ofensa ao art. 142 do CTN. Argumenta que os prazos concedidos para atendimento de intimações não atenderam à razoabilidade. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 812DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 804 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada Fl. 814DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 805 7 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 815DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 806 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: Fl. 817DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies Fl. 818DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 807 11 a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a existência de pagamentos no período que interessa para a discussão sobre a regra decadencial. Portanto, em consonância com nossa posição acima apresentada, adotamos o dies a quo da decadência aquele do art. 150, §4º do CTN até o momento no qual o fisco se pronuncia no sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com o início da fiscalização. Logo, tendo a fiscalização sido iniciada em 04/2005, estariam atingidos pela decadência os fatos geradores até 03/2000. No entanto, os demais fatos geradores submetemse ao dies a quo do art. 173, Fl. 819DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 inciso I, o que nos leva a afastar os fatos geradores ocorridos até 11/1999, considerando a ciência do relatório complementar em 08/08/2005. Assim, acaba por prevalecer a decadência até 03/2000. Aferição indireta. Motivação. A recorrente reclama que o lançamento foi lavrado com base em aferição indireta, porém não foi este o procedimento da fiscalização no caso. Conforme relatório fiscal, foram lançados dois levantamentos: FPG e DAL. O primeiro relativo a contribuições de contribuintes individuais apuradas em folha de pagamento e o segundo relativo a diferenças de acréscimos legais. Impertinentes, portanto, os argumentos nesse sentido. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; · lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 808 13 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 809 15 Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência Fl. 823DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 16 dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 810 17 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a excluir a: (i) afastar os fatos geradores até 03/2000, por conta da decadência; (ii) afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 825DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 18 Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes – Redator Designado Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MELAMETAL CONSTRUÇÕES LTDA em face da decisão julgou procedente o lançamento de débito por falta de recolhimento de contribuição social previdenciária, referente ao período de 02/1999 a 12/2004. DA DECADÊNCIA No caso em tela, peço vênia para divergir do posicionamento do nobre Conselheiro Relator que aplica a regra do art. 173, inciso I, do CTN, por entender que deve ser considerada a determinação do art. 150, §4º. Isso porque sobre a decadência, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 826DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 811 19 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do Fl. 827DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 20 contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, ff. 70 a 71, que a fiscalização examinou livro diário nº 08; folha de pagamento, GFIP, comprovante de recolhimento e outros. Além disso, do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, ff. 42 a 53, verificase que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17253.000028/200914 Acórdão n.º 2301002.739 S2C3T1 Fl. 812 21 Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. O CARF, por intermédio de uma de suas Câmaras Superiores, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal)”. (Processo nº 36918.002963/200575; Recurso nº 243.707 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.418) Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada ao lançamento fiscal a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. E com base nas informações expostas acima, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 08/08/2005, referente às contribuições do período de 01/02/1999 a 31/12/2004 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 02/1999 a 07/2000, restando mantidas as competências 08/2000 a 12/2004. DA MULTA APLICADA E no que se refere à multa aplicada, tornase importante apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 829DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 22 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. No mais, acompanho as doutas considerações do relator em seu voto condutor. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para: a) decotar do lançamento as competências 02/1999 a 07/2000, conforme regra do artigo 150, §4º, do CTN; b) aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado Fl. 830DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 14052.000343/92-92
Data da sessão: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS - FATURAMENTO - DECORRENCIA - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo
matriz é aplicável ao julgamento do processo
decorrente, dada a relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.337
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda mara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Júlio Cesar Gomes da Silva
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T14:58:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T14:58:38Z; Last-Modified: 2009-07-07T14:58:38Z; dcterms:modified: 2009-07-07T14:58:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T14:58:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T14:58:38Z; meta:save-date: 2009-07-07T14:58:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T14:58:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T14:58:38Z; created: 2009-07-07T14:58:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-07-07T14:58:38Z; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T14:58:38Z | Conteúdo => MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 14052/000.343/92-92 MNS Sessão de 20 de outubro de 1995 ACORDA° No 102-30.337 RECURSO NO : 89.924 - PIS/FATURAMENTO - EX.: 1987 RECORRENTE : INDUSTRIA DE MOVEIS FENIX LTDA RECORRIDA : DRF - BRASILIA - DF PIS - FATURAMENTO - DECORRENCIA - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no pro- cesso matriz é aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito que vincula um ao outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDUSTRIA DE MOVEIS FENIX LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda mara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o pre- sente iulgado. R.R 1,,-1 cL=p-=: R4=ss^de, em 2n de outubro dr= 1995. ANTnNIn DEERTTAS DUTRA/4 - PRESIDENTE ---, --- - _, c----------_, ATI_LIO rESAR snwt, DA RILVA) - RELATOR '\„4---A---4----k---k-4 VISTO EM 101NRFMRERP RIBEIRO MUNES ROCHA - PROCURADOR DA FA SESSA0 DE 2: ENDA NACIONAL 08 O F1 igq5, .,, 1 ' ,w ‘ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Waidevan Alves de Oliveira, JOSé Clóvis Alves, Sueli Efignia Mendes de Britto Ursula 1-~en, Maria C11=a rir= Andrade Fi gueiredo e josf= Cario ,=- 3 as=~11n 2. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 14052/000.343/92-52 RECURSO No : 89.924 ACORDO No : 102-30=337 RECORRENTE : INDUSTRIA DE MOVEIS FENIX LTDA RELATORIO Trata o presente processo de recurso contra a decisão do Delegado da Receita Federal que manteve a exigOncia contida no Auto de infração de fls. ní. A exigência se refere a crédito tributário de PISIFATU- RAMENTn e seus .Rrrésrimns, lançado f-r.m decorrência de débito de IRPJ, A_pur,ridn no prnry n No 10452/000 342/92--02 Impugnação tempestiva e idêntica a do processo matriz. Contrariando a impugnação, a decisão de ia instência afirma que, se tratando de ação reflexa, a conexão deste com o proces- so que lhe dá origem é matéria que não comporta qualquer discussão, valendo dizer que a decisão proferida no processo base influirA deci- sivamente heste. No recurso o recorrente reitera os argumentos usados na impugnação E requer seja julgado insubsistente o Auto de infração. .1=7 n rd=lattirn. T. 3. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 14057/000.43!92-92 ACORDO No 102-30.337 VOTO Conselheiro Júlio César Somes da Silva, Relator: O recurso está revestido das formalidades legais e nele o Contribuinte repete os mesmos argumentos já a apresentados no pro- cesso matriz e que foram apreciados tanto pela autoridade recorrida, como pela 2;,t Câmara do 10 Conselho de Contribuintes. Ao recurso interposto no processo matriz, foi negado provimento pela 2a Câmara relativamente a esigncia do IRPJ, na forma do Ar-nrn No. 102-2S.P96. Assim, de acordo com o principio adotado neste Conse- lho, de que o decidido no processo matriz constitui prejulgado aplicá- vel ao iulqamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito que vincula um ao outro, nego provimento ao recurso interposto. RrRsilia - DF, 20 de outubro de 1995. Júlio César Somes da_Sii-vPt - P:lator Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.000338/2005-11
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PAF — PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir.
PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO — O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. No caso, a diferença entre os valores das receitas declarados através da DIPJ referente ao período e os valores depositados em contas-correntes da pessoa jurídica, que durante a ação fiscal são foram explicados,comprovam os pressupostos legais preconizados na lei como suficientes para respaldar o lançamento.
PAF — ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DO AUTO DE INFRAÇÃO — Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade.
IRPJ – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM JUSTIFICADA – ÔNUS DA PROVA – Lei 9430/1996, artigo 42. A partir da vigência desta lei o ônus da prova é do Contribuinte. Subsumindo-se os fatos ao comando normativo do artigo 42, cabe ao titular das contas correntes justificar a origem dos recursos.
LANÇAMENTOS DECORRENTES - CSLL/PIS/COFINS - Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino.
Numero da decisão: 1102-000.264
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19515,000.3.38/2005-11 Recurso n" 161.826 Voluntário Acórdão n" 1102-00264 – 1" Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria IRRI E OUTROS Recorrente KHER EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÃO LTDA Recorrida 2A,TURMA DRJ BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 PAF — PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir, PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO — O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. No caso, a diferença entre os valores das receitas declarados através da DIPJ referente ao período e os valores depositados em contas-correntes da pessoa jurídica, que durante a ação fiscal são foram explicados,comprovam os pressupostos legais preconizados na lei como suficientes para respaldar o lançamento. PAF — ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DO AUTO DE INFRAÇÃO — Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária.. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. IRPJ – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM JUSTIFICADA – ÔNUS DA PROVA – Lei 9430/1996, artigo 42. A partir da vigência desta lei o ônus da prova é do Contribuinte. Subsumindo-se os fatos ao comando normativo do artigo 42, cabe ao titular das contas correntes justificar a origem dos recursos, LANÇAMENTOS DECORRENTES - .CSLL/ PIS/COHNS - Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. li IV k MA II A ' SSOA MONTEIRO —Presidente e Relatora EDITADO EM. SET 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Barreto, José Sergio Gomes (Suplente convocado), Manoel Mota Fonseca e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) 2 .12 Processo n" 19515.0003.38/2005-11 S1-CIT2 Má dão n " 1102-00,264 Fl 512 Relatório Trata-se de lançamento para exigência do IRRI, às ti. 258/260, PIS, fis. 265/267, COFINS, fi, 272/274, CSLL,11.278/280, referente ao ano-calendário 2001. O termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 394/396, narra os fatos que deram causa ao lançamento. A Contribuinte é intimada, em 0.3/03/2004, a entregar as cópias de suas Declarações de Rendimentos e extratos de todas as contas bancárias da qual era titular. Não atende. Reintimada, em 19/04/2004, fis,54/55; 01/06/2004,11s,57158; 26/07/2004, fis.62, continua silente. Às fls. 64, é lavrado Termo de embaraço à fiscalização, em 12/08/2004. Em 1.3/09/2004, conforme fis,66, REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA N°08.1.90.00-2004-00367-4, para O Banco Real; às Es. 175, REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA N '08.1.90.00-2004-00369-0, para o BANESPA; fis,198, REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NP 081 90.00-2004-00.368-2, para o BRADESCO. Em 13/12/2004, conforme fis, 215, o agente do fisco devolve os documentos e livros recebidos, através do "Termo de Devolução de Livros". Em seguida, às Es, 216, intima a Contribuinte a justificara a origem dos valores depositados em sua conta-corrente, (anexos às fis,217/244), concede o prazo de 20 dias, Em resposta datada de 19/01/2005„ às fis,245, a empresa pede prazo adicional de 30 (trinta) dias para entrega dos documentos, não atende ao Termo de Intimação.. Às Ils, 250, Termo de Verificação e Constatação Fiscal narra o procedimento, consigna que a falta de atendimento às intimações é procedimento repetido pela contribuinte desde o inicio da fiscalização, há 12 meses. Todo o procedimento adotado nessa fase apontaria a suficiência de tempo concedido pela fiscalização para que a Contribuinte explicasse e comprovasse a origem dos depósitos bancários, através de documentação especifica, mormente pelo fato de os depósitos bancários superarem em expressivo montante a receita bruta declarada. Ante a ausência da comprovação documental da origem dos depósitos e dos créditos bancários efetuados em conta de titularidade da empresa, considera, nos termos do artigo 42 da Lei n°9.430/96 e seus parágrafos 1°, 2° e .3°, a diferença existente entre o total dos depósitos/créditos bancários e as receitas brutas declaradas pelo contribuinte, omissão de receitas. Capitula a infração nos termos dos artigos 249, inciso II; 251 e parágrafo único; 279; 282 287: 288; e 528 todos do Decreto n°1.000/99 (RIR199), Demonstra os valores na tabela de fis.25 L té• • 3 Irresignada a Contribuinte interpõe as razões impugnatórias de fls. 283/33.5, onde, em síntese, aduz: a) a título de preâmbulo, a inexplicável ausência do relatório de acompanhamento do auto de infração.. Afirma ter sido a origem da ação fiscal oriunda de denúncia "sui generis", com precedente iaríssimos, por se tratar de questões fali-libares. Narra os pormenores, para dizer que "Estamos diante, portanto, Senhores Julgadores, não diante de um problema de Direito Tributário ou societário. Ao contrário, trata-se de mais um drama de cunho sociológico, com fumes conotações de problemas psiquiátricos.. Lamentavelmente cabe a esta Corte Administrativa decidir sobre o mérito da impugnação ora apresentada;" b) preliminar de cerceamento do direito de defesa, porque a ação fiscal deconera de denúncia e não dos critérios normais de uma programação fiscal. Ainda, a fiscalização não permitira a Contribuinte tomar ciência do teor da denúncia. Em 23 de novembro de 2004 pedira acesso ao "dossiê do Contribuinte"e o fisco não atendera. Cita os direitos e garantias individuais constantes na CF, discorre vastamente sobre os direitos individuais e de como a máquina estatal pode ser distorcida com outros fins, para concluir que foi vítima de exceção e arbitrariedade; c) falta do devido processo legal, linha na qual invoca o artigo 2 0. da Lei 9784/99, decreto 2134/1997, artigo 13; d) do conceito e classificação do sigilo, nos termos cio Decreto 2134/97, artigo 15,17, para questionar o que o dossiê teria de secreto e quem seria a autoridade do Ministro da Fazenda para declará-lo como tal; e) discorre sobre o ato nulo e anulável, para concluir que diante dos fatos narrados e do ato praticado pelo fisco estaria diante de um ato nulo de pleno direito, linha na qual transcreve jurisprudência; .0 "do segredo do advogado" — discorre sobre o conceito de segredo e seus elementos, dever ético e dever moral , à Lei 8906/94, arL34,VII, para dizer ilegal a revelação do sigilo profissional , quando a lei assim determinar. Refere-se à validade das provas obtidas por meio ilegal, para dizer que "O lançamento .fiscal foi baseado em argumentos apresentados pelo advogado cio autuado Durante muitos anos Ricardo Clemente Kherlakian atuou • como advogado e procurador do autuado, na defesa de seIIs interesses, estabelecendo uma relação inequivocamente profissional Pior que isto, embora condenável apenas (?) socialmente, ou seja, embora não existam meios na sociedade humana paia punir-se tais atitudes, o "denunciante" - a pessoa que deu origem as ações fiscais ora impugnadas-nada mais é que filho e irmão dos autuados ff(", g) Quanto ao direito refere-se à Súmula 182 cio TFR, comenta a impossibilidade de prosperar o lançamento com base em presunção, menciona o Decreto-Lei 2471/88, linha na qual transcreve decisões judiciais. Comenta e reproduz o artigo 142 do CTN , para concluir que o anus da prova é do fisco; h) invoca "direito ao silêncio e não comprovação da origem dos recursos", porque "É muito importante ressaltar que o artigo 42 da Lei Processo n" 19515 000338/2005-11 S1-C1T2 Acórdão n " 1102-00.264 Fl 513 9 430/96, alterado pelo artigo 58 da MP n° 66/02, presume omissão de receita quando o contribuinte, regularmente intimado, NÃO COMPROVE, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Apesar da jurisprudência e doutrina não aceitarem que pelo simples depósito bancário ocorre o fato gerador do imposto de renda, a legislação de regência em nenhum momento afirma que o simples SILÊNCIO do contribuinte, admitido pela Constituição Federal (art 5°) e pelo artigo 27 da Lei 9.784/99, importe no reconhecimento da verdade dos fatos Muito pelo contrário A Lei 9 784/99 dispõe no artigo 27 o seguinte Ari 27 — O desatendimento da intimação 11C70 importa o reconhecimento da verdade dos .firto.s, nem a renúncia a direito pelo administrado." i) obtenção dos extratos bancários sem autorização judicial competente — do se2redo do banqueiro - O termo de embaraço à fiscalização seria insuficiente para justificar a quebra do sigilo. O fornecimento dos extratos bancários ao fisco mediante mera solicitação da Receita Federal eiva de nulidade absoluta a prova obtida, tornando-a, inclusive, de impossível convalidação. Ademais, o art. .38 da Lei 4,595/64 impõe de forma determinante o sigilo bancário. Cita o artigo .3'. da Lei 90.34/95 que trata das provas em processo investigatório, e Lei 961.3/1998 ( que dispõe sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens), para concluir que a prova daí obtida é nula; j) a Lei Complementar 105/2001 só poderia se aplicar aos fatos geradores ocorridos a partir de sua edição; Conclui o pedido na seguinte linha: -) Sejam acolhidas todas as preliminares argüidas com a conseqüente anulação do auto de infração em todos os seus termos, 2. Se entender esse colegiado de não acolher as preliminares, o que se admite apenas por amor ao debate e ao direito, que sejam acolhidas as razões esposadas no mérito desta peça impugnatária, acolhendo-as integralmente e, por conseguinte, concluindo pela total improcedência do auto de infração; 3. Requer, ainda, por derradeiro, que quando da realização da sessão de julgamento pelos membros desta prestigiosa corte administrativa, seja a impugnante intimada co;;; a devida antecedência, para que possa acompanha-Ia, sozinha ou representada por advogado, oferecer memoriais, sustentar orahnente, etc., praticando, enfim, todos os atos necessários a sua ampla defesa 4 As pi esentes razões de Impugnação são extensivas aos tributos reflexos Decisão de fis..438/44.3 , está assim ementada: •" • Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - 1RPJ Ano- calendário . 2001 EXTRATOS BANCÁRIOS Em confOrmidade com o artigo 332 do CPC, todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, são hábeis para provar a verdade dos fatos Nesse sentido, nada obsta a que extratos bancários sejam utilizados como um meio de provar o cometimento de qualquer infração fiscal SIGILO BANCÁRIO Não configura quebra de sigilo o fOrnecimento ao Fisco de informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, as quais permanecem protegidas sob o manto do sigilo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavra/uma do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de coceamento de defesa se nos autos existem os elementos e provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada DA TRIBUTAÇA0 REFLEXA Lançamentos reflexos Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRRI, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das . pessoas jurídicas. quando não tiverem sido oferecidos argumentos específicos para se contrapor a ele. ASSIllii0. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IR.PJ Ano- calendário 2001 EXTRATOS BANCÁRIOS Em confOrmidade com o artigo 332 do CPC, todos os meios legais, bem como 0.5 moralmente legítimos, são hábeis para provar a verdade dos finos. Nesse sentido, nada obsta a que extratos bancários sejam utilizados como um meio de provar o cometimento de qualquer. infração fiscal. SIGILO BANCÁRIO Não configura quebra de sigilo o fOrnecimento ao Fisco de infinmações sobre a movimentação bancária do contribuinte, as quais permanecem protegidas sob o manto do sigilo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a .feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos e provas necessários á solução cio lifigio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada DA TRIBUTA (,:A0 REFLEA4. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de !bruta exaustiva a mate-Tia referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas quando não tiverem sido oferecidos argumentos especificas paia se contrapor a ele. Lançamento procedente 6) Processo n" 195 15 000338/2005-11 SI-C1T2 Acórdão o" I 02-00,264 El 514 Ciente em , 12/07/2007,conforme AR de fls. 452, a Contribuinte interpõe o especial em 26107/2007, fls,4521507, onde repisa as razões impugnatórias oferecidas, que podem ser resumidos: a)preliminar de cerceamento do direito de defesa,(i) porque a ação fiscal decorrera de denúncia e não dos critérios normais de urna programação fiscal.. Ainda, a fiscalização não permitira a Contribuinte tornar ciência do teor da denúncia que a motivou. Em 23 de novembro de 2004 pedira acesso ao "dossiê do Contribuinte"e o fisco não atendera. Cita os direitos e garantias individuais constantes na CF, discorre vastamente sobre os direitos individuais e de como a máquina estatal pode ser distorcida com outros fins; (ii) Reclama da impossibilidade de fazer sustentação oral no julgamento de l'srau, comenta a Portaria do Ministro de Estado 258/01 que disciplina as DRJ , e diz que ser impedido de fazer sustentação oral fora outra forma de cerceamento do seu direito de defesa. Reclama de ser vítima de exceção e arbitrariedade pois restou impedido de realizar urna ampla defesa; b) desrespeito ao devido processo legal e aos princípios de regência do Processo administrativo , linha na qual invoca o artigo 2'. da Lei 9784/99, e artigo 1.3 do Decreto 2134/1997; c) depósitos bancários — Discorre sobre o tema, nos termos do artigo 153,11 da CF para conceituar o que é rendaRepisa que depósito bancário não é renda,Reclama da desconsideração das despesa na base de cálculo da exigência , o que já apontaria para inconsistência do lançamento (colaciona jurisprudência); c,1 refere-se ao dever/poder de investigação da ocorrência do fato gerador, em atenção aos princípios da verdade material e da oficialidade. Descabe considerar provados os fatos com base em presunção legal. E o ônus da prova é do fisco; d)ônits da prova no processo administrativo fiscal - se a premissa da fiscalização é de que os depósitos bancários consistiriam em rendimentos não declarados, necessário produzir as provas, em 'observância das formalidades essenciais à garantia das direitos dos administrados" (artigo 20, inciso V111, da Lei n'9,784/99). O ônus da prova é de quem alega, nos termos do artigo 36 da Lei 9784/99 e artigo .333 do Código de Processo Civil,Comenta que o artigo 9' do Decreto if 70.235/72 traz idêntica disposição. Expõe estudo sobre o ônus da prova, para dizer que A presunção de legitimidade do ato de lançamento não justifica nem explica a tese da atribuição do ônus probandi ao contribuinte; e) refere-se aos limites da presunção; f) vicio de origem por violação do sigilo bancário, este só poderia ser quebrado por ordem judicial. A Lei Complementar n° 105/01 (artigo 6°) pretende tornar o Fisco Federal independente de autorização judicial, O Decreto n° 3.7.24/01 e a Portada n° 180/01 operacionalizam a quebra do sigilo bancário por parte dos agentes fiscais, definindo que tal providência somente será possível quando houver procedimento de -fiscalização em curso e desde que ocorra, no caso concreto, uma das onze hipóteses em que a verificação é considerada indispensável pela autoridade competente. Refere- se à parcialidade do procedimento e do excesso de poderes concentrados em um órgão administrativo; £1 — a Lei Complementar 105/01 ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, bastando a vontade do agente público, ainda que motivada e fundamentada confronta com o posicionamento atual do Supremo Tribunal Federal, razão pela qual não pode ser admitida em nosso ordenamento jurídico, sob pena de violara artigo 5°, incisos X e XII, da Constituição. Resume o pedido nos seguintes termos: i) seja acolhido o recurso e haja seu integral provimento, reconhecendo-se a nulidade da decisão recorrida por ofensa ao princípio da ampla defesa; ii) ou, alternativamente, o acolhimento do presente recurso pelas demais razões aqui expostas, que levam à reforma integral da decisão recorrida e ao cancelamento do debito apurado a titulo de TRPF(sic); iii)pede para ser devidamente intimado da data a se realizar a sessão de julgamento deste recurso para que possa, querendo, realizar sustentação oral e acompanhar os debates Despacho de fls, 510 encaminha o processo ao CARF. O recebo,por sorteio, para relato, Este é o Relatório. 8 Processo n" 19515 000338/2005-11 SI-CII2 Acórdão n" 1102-00,264 F1 515 k) Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relatar O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Trata-se de exigência decorrente de omissão de receitas operacionais da Contribuinte, ora recorrente, decorrente da sua atividade social , no ano-calendário de 2001 detectada a partir do confronto das receitas declaradas, através da DTP.' e aquelas verificadas através dos depósitos bancários realizados nas contas-correntes da empresa, cuja origem, mesmo após intimação, restou inexplicada. Por economia processual analiso as matérias oferecidas , em bloco, Inicio com a análise da preliminar de nulidade do procedimento, por desrespeitos aos princípios de regência do PAF, que resume as demais oferecidas, tais sejam de cerceamento do direito de defesa,(i) porque a ação fiscal decorrera de denúncia e não dos critérios normais de uma programação fiscal, por falta de acesso ao "dossiê do Contribuinte"; impossibilidade de fazer sustentação oral no julgamento de l'srau; inobservância de preceitos constitucionais e legais (art. 50, inciso 1_,V, da Constituição de 1988, o artigo 2'. da Lei 9784/99, e artigo 13 do Decreto 21.34/1997, Todavia, a análise dos autos permite conferir que o mesmo passa pelo controle de legalidade do ato administartiva. O procedimento necessitava, apenas, da resposta da Contribuinte quanto à origem dos depósitos realizados nas contas correntes de titularidade da pessoa jurídica e, como provam os autos, essa resposta não foi produzida em nenhum momento processual (fase inquisitória, impugnatória ou recursal). Assim, ausente qualquer motivo suficiente a determinar a nulidade do lançamento realizado pela Autoridade Fiscal, nos moldes estabelecidos pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como com fulcro no artigo 59 do Decreto n°70.235/1972. Observo, ainda, que não houve qualquer ato tendente a cercear do direito de defesa da Recorrente, haja vista que a mesma foi regularmente intimada, tendo tomado ciência dos termos lavrados durante o procedimento de fiscalização e, ainda, dos autos de infração.Nesses as infrações que lhe foram imputadas encontram-se descritas e devidamente capituladas no próprio termo e decorrem de matéria de fato.(Valores depositados cuja origem não foi justificada). A Contribuinte reclama da falta de obediência aos Princípios de regência do PAF, mas, tal evento não se verificou, O Prof Souto Maior Borges em seu Livro Lançamento Tributário, Malheiros Editores, SP, 2 8 ed.1999, p, 120/121 leciona, que o "procedimento administrativo de lançamento é o caminho juridicamente condicionado por meio do qual a manifestações kr,e) jurídicas de plano superior . - a legislação - produz manifestação jurídica de plano inferior o ato administrativo do lançamento. (.....) E, porque o procedimento de lançamento é vinculado e obrigatório, o seu objeto não é relegado pela lei à livre disponibilidade das partes que nele intervêm. É indisponivel, em principio, a atividade de lançamento- e, portanto insuscetivel de renúncia". Deste modo o procedimento seguiu as regras prescritas , pois como ensina Roque Antonio Carrazza, a Constituição Brasileira, obriga à sintonia constitucional não só em razão da emissão das leis, decreto, portarias, instrumentos normativos, como também não permite omissão às suas edições, quando assim determina que ao lado da inconstitucionalidade por ação (artigo 102, I, 'a', e III, 'a', `b' e 'e' da CF) a partir da edição de 1988, há a inconstitucionalidade por omissão (art. 103 e parágrafos I', 2°, 3°, da CF). O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência cio fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. Ao cabimento dos comandos normativos da Lei 9784/99,(Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal )e Decreto 2134/1997, (Regulamenta o art.. 23 da Lei n°8.159, de 8 de Janeiro de 1991, que dispõe sobre a categoria dos documentos públicos sigilosos e o acesso a eles, e da outras providências), opõe a prevalência normativa hierárquica do Decreto 70235/1972. E aos dispositivos invocados, isoladamente, como suficientes para se declarar a nulidade do procedimento se contrapõe o regramento específico de regência do processo administrativo fiscal . Em resumo, os fatos que ensejam a NULIDADE são os previstos no art. 59 do Decreto if 70,235/71, o que não é o presente caso, bem como o processo está suficientemente claro tanto no que toca ao objetivo, como quanto à tipificação legal do fato. O contribuinte, em momento algum, vacilou na sua bem elaborada defesa, e não menos claro Recurso„ Também ausente proibição ao fisco para obter informações junto aos estabelecimentos bancários, em processo de auditoria, consoante disposto no art, 195 do CTN, na Lei complementar 105/2001, Decreto 3724/2001 e Decreto 3724/2001, ou seja, os extratos foram obtidos, por meios lícitos, e dentro do devido processo legal, Ainda, à suposta ofensa ao direito de defesa por falta de acesso ao dossiê do contribuinte, tal não se verifica. A Contribuinte, é que supõe ter sido a ação fiscal produzida por denúncia. Todavia este assunto sequer é abordado pelas autoridades administrativas, sendo, portanto, estranho à lide. O lançamento tem como base legal o artigo 24 da Lei 9249/1995, c/c artigo 42 da Lei 9430 e Arts, 249, inciso II, 251 e parágrafo único 279, 282, 287, e 288, do RIR/99, Lei 9249/1995 Art. 24. Verificada a 011113,5ãO de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados. de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. io Processo n" 19515 000.338/2005-11 SI-C1T2 Acórdão ii" 1102-K264 F1 516 Cabe destacar que a edição da Lei 9430/1996, o ônus de provar a origem do recurso é do Contribuinte. A omissão de receita se caracteriza pela manutenção dos depósitos em conta corrente da pessoa jurídica, que não se encontram devidamente justificados, como determina a letra do artigo 42, a seguir transcrito: Lei 9430/1995 Artigo 42 Caracterizam-se também como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais' o lindar, pessoa .física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados- nessas operaçães Quanto ao fato de que "depósito" não representa "renda", no conceito constitucionalmente instituído, opõe-se o silêncio da Contribuinte que em nenhum momento opôs qualquer argumento de fato que maculasse a base exigível. Esta se fez em estrita sintonia com o dispositivo legalmente instituído. À possível exclusão de custos, se opostos tempestivamente e restassem devidamente comprovados poderiam ser aceitos. Todavia as razões se pautaram em argumentos de direito, doutrinariamente corretos mas que não se compaginavam com os fatos ora analisados, prejudicando, portanto, sua aceitação O lançamento observa o Princípio da indisponibilidade dos bens públicos imprescindível no trato do ato administrativo, tributário, principalmente. Em estudo sobre o crédito tributário e segurança jurídica exigidos na atividade administrativa plenamente vinculada, Afirmou Baleeiro (Direito Tributário BrasileiroSaraival 999, p..779): "No &l eito tributário, onde se fortalece ao extremo a segurança Jurídica, as- princípios da legalidade e da especificidade legal são de sabida relevância. O agente da Administração Fazendár ia, que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei —que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de discricionariedade." No caso em lide, num primeiro momento, após conseguir o extrato, o fisco intimou o contribuinte a comprovar a origem do numerário que lastreara os depósitos efetuados em sua conta bancária. E a conta bancária, efetivamente, é dele contribuinte tanto que não contesta, até porque a intimação não foi atendida na oportunidade da fiscalização, nem também por ocasião da defesa ou do Recurso_ Quanto ao mérito, propriamente dito, os dados que informam as declarações de rendimentos estão sujeitos às verificações de oficio.0 contribuinte se obriga a manter à disposição do fisco todos os livros de escrituração fiscal e contábil, segundo o regime de opção cio lucro e a fazer prova do seu acerto junto ao fisco. À análise da constitucionalidade da Lei complementar 105/2001, não pode ser oposta a este colegiada, por lhe faltar competência para se pronunciar sobre a matéria (inclusive sumulada): .5 SUMULA CAIU' N" 2 O CARP não é competente para se pronunciai .. .sobre a inconstitueionalidade de lei tributária Quanto aos lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino. Por todo o exposto rejeito as preliminares e, no mérito, NEGO provimento ao recurso. 1 M L •44AS PESSOA MONTEIRO 12
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Numero do processo: 13884.000535/2002-02
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPF
Período de apuração:1997, 1998 e 1999
IRPF. INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT)
O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CIN.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.734
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT) O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CIN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presente11. utos. /Acordam os membros do olegiado, po , maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Moises () iacomelli N es da Silva. 1 1 yr---_. CARLOS ALBERT 3 F • - TAS 13'AItRETO- Presidente ----,./1110 •, AL 8 L COELHO A 'C UD • JÚNIOR elator -----.. EDITADO EM: 4 MAIO 2010, / / / f.. 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial por divergência [fls. 137 e ss] interposto em face do v. acórdão [fls. 129 e ss] proferido pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho do Conselho de Contribuintes, com espeque nos artigo 7°, inciso II, do RICSRF, aprovado pela Portaria n. 147/2007. O e. Órgão do Conselho de Contribuintes entendeu que não são tributáveis os rendimentos pagos pela Petrobrás – Indenização por Horas Trabalhadas (IHT) IRPF - INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT) - Não são tributáveis os rendimentos pagos pela Petrobrás em razão da desobediência ao novo regime de sobreaviso implementado pela Constituição Federal de 1988. Hipótese distinta do pagamento de hora extra a destempo. A Petrobrás apenas conseguiu adaptar os contratos de trabalho e implantar turmas de serviço de acordo o novo regime de trabalho dois anos após a promulgação da CF188, daí porque as verbas pagas em decorrência de acordo coletivo têm caráter nitidamente indenizatório. O dinheiro recebido pelo empregado não se traduz em riqueza nova, nem tampouco em acréscimo patrimonial, mas apenas recompõe o seu patrimônio diante do prejuízo sofrido por não exercitar o direito à folga previsto pela nova regra constitucional. Recurso provido. Alega a Fazenda Nacional existir divergência jurisprudencial entre o decidido no acórdão recorrido e o entendimento manifestado no Acórdão n° 104-20.700, conforme ementa, abaixo transcrita: IRPF - RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO - RETENÇÃO NA FONTE - INDENIZAÇÃO HORAS EXTRAS TRABALHADAS - IHT – A importância recebida a este titulo é tributável nos termos da legislação vigente - Lei 7.713/88. Recurso Negado Argumenta a Recorrente que há clara divergência jurisprudencial uma vez que tanto a decisão recorrida como a constante do acórdão paradigma foram proferidas em situações fáticas semelhantes, qual seja o pagamento de 'Indenização de Horas Trabalhadas — IHT pela PETROBRÁS. Do breve voto do Acórdão n° 104-20.700 colhe-se o excerto: 2 Processo n° 13884.000535/2002-02 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.734 Fl. 2 A controvérsia gira em torno da natureza tributária dos rendimentos percebidos da PETROBRÁS a título de diferença de horas trabalhadas que excederam a jornada normal de trabalho. O Esclareça que esse rendimento foi percebido em decorrência de efetiva contraprestação de jornada diária de trabalho, tanto assim o foi, que a fonte pagadora em atendimento a legislação em vigor, efetuou a retenção na fonte, apesar da denominação ali posta. Por outro lado, o acórdão recorrido, por sua vez, manifesta entendimento expresso a própria ementa no sentido de que tais verbas têm caráter nitidamente indenizatório, colhendo-se de seu voto condutor o seguinte arrazoado: A Constituição de 1988 alterou, em seu art. 7°, inc. XIV, as jornadas de trabalho até então vigentes. Por isso, a partir de então, o revezamento no regime de sobreaviso, que era de 1 dia de trabalho para um dia de folga (I x 1), passou a ser de um dia de trabalho para um dia e meio de folga (I x 1,5). Alguns empregados da Petrobrás — como é o caso do Recorrente — se enquadravam em tal regime, trabalhando no sistema de I x I . Ocorre que com a alteração constitucional, caberia aos empregadores alterar o referido regime de revezamento. A Petrobrás, entretanto, só conseguiu se adequar à nova sistemática dois anos após sua entrada em vigor: em 1990. Ao fazê-lo, a Petrobras estava descumprindo uma determinação constitucional (de folga de um dia e meio). Por isso, em razão da violação ao direito dos empregados constitucionalmente garantido — ao descanso na sistemática do I x 1,5 —foi feito um acordo com a Petrobrás (homologado judicialmente), para pagamento dos valores devidos pelo descanso não gozado (e por isso valores denominados de "hora extra). O pagamento destes valores, conforme o acordo, seria feito parceladamente, nos anos de 1995e 1996. [..] Diante de tal explicação, parece-me que, de fato, os valores ora em discussão tratam de verdadeira indenização. Isto porque as verbas pagas pela Petrobrás em razão do mencionado acordo tinham o objetivo de repor a violação a um direito dos trabalhadores — ou seja, tinham o objetivo de indenizá-los em razão do desrespeito ao descanso constitucionalmente garantido. (grifei) Diante disso, entendeu o i. Presidente da então Segunda Câmara do Primeiro Conselho do Conselho de Contribuintes [fls. 149-150] pelo seguimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Devidamente intimado para ofertar contra-razões ao recurso especial, o sujeito passivo da obrigação tributária pugnou pela manutenção do decisum recorrido. É o relatório. 3 Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR, Relator Sendo tempestiva a interposição e demonstrada a divergência jurisprudencial [Acórdão 104-20700] pela Fazenda Nacional, deve o Especial ser conhecido. Perpassado o exame de admissibilidade, passo à apreciação do mérito. A controvérsia gira em torno da natureza tributária dos rendimentos percebidos da PETROBRÁS a titulo de diferença de horas trabalhadas que excederam a jornada normal de trabalho. Esclareça que esse rendimento foi percebido em decorrência de efetiva contraprestação de jornada diária de trabalho, tanto assim o foi, que a fonte pagadora em atendimento a legislação em vigor, efetuou a retenção na fonte, apesar da denominação ali posta. Os entendimentos conflitantes a respeito do tema surgiram em razão da dúvida quanto à natureza de tais verbas. A corrente que entende que as mesmas sejam tributáveis, atribui a elas o caráter de mero pagamento de horas-extras. Já a corrente que entende pela sua não-tributabilidade, lhes atribui caráter indenizatório. Não obstante o posicionamento colacionado no decisum recorrido, entendo, com espeque na jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, que a referida "indenização de horas trabalhadas (IHT)" tem caráter remuneratório. Deveras, a verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" - IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, ainda que fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda, consoante restou assente pela Primeira Seção do STJ: "TRIBUTÁRIO. IHT. PETROBRÁ S. CARÁTER REMUNERATÓRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. 1- Está pacificado no âmbito da Primeira Seção do STJ, desde o julgamento do EREsp 695.499/RJ, da relatoria do Min. HERM-AN BENJAMIN, publicado no DJU de 24.09.2007, o entendimento de que o pagamento de horas extraordinárias, ainda que em virtude de acordo coletivo, tem natureza remunerató ria a caracterizar acréscimo patrimonial sujeito à incidência de imposto de renda, nos termos do art. 43 do CTN. Precedentes: EREsp 666.288/RN, Rel. MM. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28.05.2008, DJe de 09.06.2008; AgRg no REsp 933.117/RN, Rel. MM. JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28.05.2008, DJe de 16.06.2008; REsp 904.057/RN, Rel. MM. TEORI ALBINO ZAVASCIG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06.05.2008, DJe de 15.05.2008. II - Embargos de divergência improvidos." (EREsp 939.974/RN, Rel. Ministro Francisco Falcão, julgado em 22.10.2008, DJe 10.11.2008) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO POR HORAS EXTRAS. TRABALHADAS - \ A 4 Processo n° 13884.000535/2002-02 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.734 Fl. 3 IHT. PETROBRÁ S. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 1. Os valores recebidos a título de verba indenizatória sobre horas extras trabalhadas - "Indenizaçã o por Horas Trabalhadas - IHT" - pagos a funcionário da Petróleo Brasileiro S.A - Petrobrás possuem natureza remuneratória, devendo sofrer a incidência do imposto de renda. 2. Não é o nomen juris, mas a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não. O fato gerador de incidência tributária sobre renda e proventos, conforme dispõe o art. 43 do CIN, é tudo que tipificar acréscimo ao patrimônio material do contribuinte. 3. O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art. 6°, E da Lei 7.713/88, bem como no art. 14 da Lei 9.468/97. 4. Precedentes da Primeira Seção deste Tribunal: EREsp 695.499/RJ,Rel. Min. Herman Benjamim, em 09/05/2007; EREsp 670514 / RN, Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado, DJ de 16.06.2008, p. 1. 5. Embargos de divergência providos." (EREsp 979.765/SE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 13.08.2008, DJe 01.09.2008) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PETROBRÁS. HORAS-EXTRAS. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES. PRECEDENTES. I. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos termos do art. 43 e seus parágrafos do CTN, os "acréscimos patrimoniais", assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte. 2. A Primeira Seção, no julgamento do recurso dos Embargos de Divergência 695.499/R.I (Min. Herman Benjamin, DJ de 24.09.07), assentou o entendimento de que o pagamento a título de horas extraordinárias, ainda que efetuado por força de acordo coletivo, configura acréscimo patrimonial e, portanto, é fato gerador de imposto de renda. 3. Embargos de divergência conhecidos e desprovidos." (EREsp 666.2881RN, Rel. Ministro Teori Albino Zavaseki, julgado em 28.05.2008, DJe 09.06.2008) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MULTA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. PETROBRÁS. HORAS-EXTRAS TRABALHADAS (IHT). IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que negou seguimento a recurso especial. 2. O acórdão a quo entendeu pela não-incidência do imposto de renda em horas-extras pagas em decorrência de ruptura de contrato de trabalho que ocasionou a redução da jornada de trabalho para os empregados em regime de turnos ( i ininterruptos, em face da natureza salarial. \s 5 3. A questão da multa constante do art. 44, I, da Lei n°9.430/96 não foi debatida em momento algum no acórdão recorrido, assim como não foi trazida pela recorrente na sua apelação, ressentindo-se, assim, do necessário prequestionamento. 4. O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTIV). 5. Apesar da denominação "Indenização por Horas Trabalhadas - IHT", é a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não. O fato gerador de incidência tributária, conforme dispõe o art. 43 do CTN, sobre renda e proventos, é tudo que tipificar acréscimo ao patrimônio material do contribuinte, e aí estão inseridos os pagamentos efetuados por horas-extras trabalhadas, porquanto sua natureza é remunerató ria, e não indenizató ria. 6. O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art. 6°, V, da Lei 7.713/88, bem como no art. 14 da Lei 9.468/97. 7.A Primeira Seção deste Tribunal, no julgamento dos EREsp 695.499/RI, Rel. Min. Herman Benjamim, em 09/05/2007, pacificou a tese de que as verbas pagas a título de indenização por horas rabalhadas possuem caráter remuneratório e configuram acréscimo patrimonial, e ensejam, nos termos do art. 43 do CIN, a incidência de imposto de renda. 8. Precedentes desta Corte: REsp 939974/R1V, Rel. Min. Castro Meira; AgRgREsp 666288/RN, ReL MM. João Otávio de Noronha; AgRgREsp 978I78/RN, Rel. Min. Humberto Martins; EREsp 695499/RI, Rel. Min. Herman Benjamin. 9. Agravo regimental provido." (AgRg no REsp 933.117/1RN, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 28.05.2008, DJe 16.06.2008) "TRIBUTÁRIO. "INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS". FUNCIONÁRIOS DA PETROBRÁS. NATUREZA DA VERBA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. 1. Com o julgamento dos EREsp 695.499/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, a Primeira Seção firmou o entendimento de que "o pagamento, por força de acordo coletivo, de verba devida em razão de horas extraordinárias tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, incidindo, pois, o Imposto de Renda." 2. Para fins de incidência de Imposto de Renda, é irrelevante o nomen iuris que empregado e empregador atribuam a pagamento que este faz àquele, importando, isto sim, a real natureza jurídica da verba em questão. 3. O pagamento, por força de acordo coletivo, de quantia devida em razão de quitação de dívida salarial de sobrejornada tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, em que incide o Imposto de Renda. 4. Embargos de Divergência providos." (EREsp 952.196/SE, Rel. Ministro Hennan Benjamin, Primeira Seção, julgado em 28.05.2008, DJe 19.12.2008) 6 Processo n° 13884.000535/2002-02 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.734 Fl. 4 Nesse sentido, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o voto. --- Ma Coelhe • rruda Júnio - t ator 7
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Numero do processo: 15374.000841/00-47
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 e 1997.
DESCONTOS CONCEDIDOS Os descontos que podem ser deduzidos da receita bruta do período são apenas os descontos incondicionais escriturados e amparados por documentos fiscais próprios, e que incidiram sobre receitas que integram a receita bruta do período.
RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL - O valor recebido do valor de face de tíquete alimentação vendido, mas não resgatado pela empresa credenciada que forneceu o alimento, é receita de serviço, integrando.
CSLL/PIS/COFINS - Por serem lançamentos reflexos do IRPJ, tendo em vista decorrerem de mesma matéria tributável e mesmos meios de prova, aplica-se a estes o disposto no voto para o IRPJ.
Numero da decisão: 1301-000.584
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.
Nome do relator: Valmi Sandri
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DESCONTOS CONCEDIDOS Os descontos que podem ser deduzidos da receita bruta do período são apenas os descontos incondicionais escriturados e amparados por documentos fiscais próprios, e que incidiram sobre receitas que integram a receita bruta do período. RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL O valor recebido do valor de face de tíquete alimentação vendido, mas não resgatado pela empresa credenciada que forneceu o alimento, é receita de serviço, integrando. CSLL/PIS/COFINS Por serem lançamentos reflexos do IRPJ, tendo em vista decorrerem de mesma matéria tributável e mesmos meios de prova, aplicase a estes o disposto no voto para o IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva (Suplente Convocado). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário impetrado por ARE Empreendimentos Ltda., contra a decisão contida no acórdão n° 0318.563, de 22 de setembro de 2006, proferido pela 2ª Turma da DRJ em Brasília, que julgou procedentes em parte os autos de infração lavrados contra o contribuinte para exigência de IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, relativos aos anos calendário de 1996 e 1997, com base nas acusações de omissão de receitas e glosa de despesas. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 111 e seguintes), a autoridade autuante esclarece que o contribuinte explora a atividade de intermediação de serviços, entre o cliente, que adquire os tickets para repassar a terceiros e a rede credenciada que fornece as refeições. Relata que, em suas atividades operacionais, o contribuinte relaciona se com 02 (dois) grupos de clientes. O primeiro grupo de clientes engloba as empresas que adquirem os tickets para repassar aos seus funcionários. O segundo se refere a rede de restaurantes e similares, que fornecem refeições e/ou alimentos mediante o pagamento através de tickets. Informa que, ao primeiro grupo, os tickets refeições são vendidos pelo valor facial, acrescido da intermediação de serviços, e que não há padrão de procedimento comercial rígido, sendo que de alguns clientes cobra taxa de intermediação (que varia de 0,001% a 6%) e de outros não (por exemplo de órgãos do Governo; da imprensa em geral, da Caixa Econômica Federal). Com a rede de restaurantes credenciados, assina contratos de intermediação de serviços, comprometendose a resgatar os tickets pelo valor facial, recebidos em pagamento dos alimentos ou refeições fornecidas, desde que apresentados para resgate dentro de prazo previamente fixado, deduzido da taxa de intermediação (que varia de 3 a 5%), a ser paga pelo credenciado. Os tickets não apresentados ou apresentados fora do prazo são considerados tickets não resgatados ou tickets não retornados. Diz que através do livro Razão Auxiliar procedeu ao levantamento dos valores contabilizados como receita, e subdividiu o faturamento da empresa em três parcelas correspondentes, respectivamente, ao valor facial dos tickets, à intermediação dos serviços prestados e à diferença entre o valor facial e o valor pago a rede de credenciados. Informou ter constatado, através do cruzamento de dados contabilizados com a declaração de imposto de renda, que o contribuinte deduziu da receita bruta, desconto condicional, nos valores de R$ 5.877.586,94 em 1996 e R$ 8.377.689,98 em 1997. E glosou os descontos com a seguinte motivação: “É de se chamar atenção que sobre o faturamento correspondente ao valor facial dos tickets, parcela mais expressiva, não incide os tributos federais. Não incidindo, se houve desconto concedido sobre o valor facial dos tickets, este desconto, seja condicional ou incondicional, tornase indedutível, em razão do principal não ter sido tributado; Em relação ao valor da intermediação de serviços, é de se observar que o reconhecimento da receita ocorre no momento em que a rede credenciada efetua o pagamento ou no momento em que ocorre o resgate dos tickets. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 4 4 No resgate aplicase as cláusulas literais do contrato, observandose prazos de resgate; preservação dos tickets, inaceitandose rasuras, deformações etc.. O poder de negociação da rede de restaurantes e similares após o fornecimento da refeição é praticamente nula. Aplicase o acordado nos contratos. Em relação à rede de clientes, após verificada a política de fixação das taxas de intermediação, acreditase que o poder de negociação já tenha sido exaurido. Observar que nesta fase, as taxas cobradas são ínfimas sendo que em algumas operações nulas. Alertase para o fato de que o valor da intermediação de serviços cobrada da rede de clientes é significativamente inferior ao desconto concedido.” Sobre os tickets não resgatados, informou que no anocalendário de 1996, o contribuinte considerou seu valor facial como sendo outras receitas operacionais, oferecendo à tributação ao IRPJ (lucro real, ficha 06, linha 12), mas não procedeu assim no anocalendário de 1997, nem recolheu as contribuições sociais a título de PIS e COFINS sobre essas parcelas. As matérias tributáveis identificadas pela autoridade fiscal foram as seguintes: 1 Omissão de receitas correspondente a descontos incondicionais não comprovados: 1996 R$ 5.877.586,94 1997 R$ 8.377.689,98 2 Omissão de receitas correspondentes a tíquetes não retornados ou resgatados: 1996 R$ 48.559,73 1997 R$ 7.393.080,25 3 Glosa de despesas: 1996 R$ 503.696,20 1997 R$ 60.026,28 Ao impugnar a acusação, a interessada alegou que o auditor não produziu qualquer prova efetiva, senão algumas planilhas, e que sequer há discriminação, dentre as contas que compõem o Razão, daquelas que teriam sido analisadas. Esclareceu que a importância apontada como omitida em 1996, referese à despesa de variação monetária de uma dívida sua, que deveria ter sido informada na linha 06/14 da DIRPJ e não na linha 03/10, e que esse equívoco não causou qualquer reflexo na apuração das bases de cálculo do IR e da CSLL. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 5 5 Para 1997, alega que o montante lançado como omissão também está devidamente escriturado, conforme balancete anexado (fl. 187/239), e que não resta dúvida, com base na classificação contábil e nas faturas emitidas, que a natureza desses descontos é incondicional, sendo dados aos maiores clientes em estratégia mercadológica. Enfatiza que o próprio Auditor, no corpo do Termo de Verificação Fiscal, reconhece expressamente a não cobrança de taxa de intermediação de alguns clientes. Destaca que no caso da Caixa Econômica Federal, a taxa de intermediação era negativa, o que representava, na realidade, um desconto de natureza incondicional sobre o valor dos tíquetes. Quanto aos tíquetes não retornáveis lançados como omissão de receitas em 1997, alegou que o valor foi registrado como "Outras Receitas", e que seu faturamento, que inclui apenas o preço do serviço prestado, e que para ser reconhecida para fins de IRPJ e CSLL, dependia de cada contrato firmado com os clientes, onde ficava estabelecido o prazo de validade de todos os tíquetes, sendo indispensável que o Auditor analisasse, contrato a contrato, o prazo de validade dos tíquetes, de modo a identificar quais, de fato, teriam efetivamente vencido. Ao apreciar a impugnação, o relator de primeira instância assentou não ser possível um julgamento adequado em virtude da insuficiência de documentos e demonstrativos anexados pelo sujeito passivo, bem assim pela autoridade fiscal diante dos fatos trazidos por aquele, e baixou os autos em diligência, tendo sido determinado: Ao Auditor Fiscal: • Fato gerador 1997 — • Elaborar relatório conclusivo quanto à resposta e os documentos apresentados pelo sujeito passivo para demonstrar a escrituração e declaração do valor referente aos tíquetes não retornáveis como "outras receitas"; • Esclarecer o porquê de não ter lançado a diferença entre o desconto incondicional declarado na DIRPJ, R$ 8.377.689,98, e o desconto incondicional apurado com base no Razão, R$ 5.986.040,27 (planilha fl. 110); • Se considerou, conforme Termo de Verificação às fls. 111/117, que não cabia falar em desconto incondicional sobre o valor de face do tíquete vendido, que não é tributável, e por isso não abateu o valor apurado no razão, por que não fez o mesmo para o fato gerador ocorrido em 1996 (quando abateu R$ 27.059,98 apurados no Razão). Salientese que o fundamento para o lançamento que consta no auto de infração é a falta de comprovação do desconto, o que justificaria lançar apenas a diferença; • Com base em que o Auditor pôde afirmar que todo o desconto foi dado sobre o valor de face de venda do tíquete? O desconto concedido não se referia, pelo menos em parte, à dispensa da taxa de intermediação? Se sim, elaborar planilha desmembrando o desconto, pois a taxa de intermediação foi tributada, não servindo, em conseqüência, o raciocínio utilizado no Termo de Verificação. Além disso, não há como identificar no auto de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 6 6 infração se todo o desconto glosado incidiu sobre os tíquetes cujos valores de face não foram tributados, ou seja, que incidiu sobre tíquetes resgatados. Como chegou a esta conclusão, a fim de efetuar a glosa integral, com base no fato de que a venda não foi tributada? Provar, mediante apresentação de planilhas detalhadas e conclusivas, bem assim de documentação que as baseou; • Com base na resposta e documentos apresentados pelo sujeito passivo, elaborar relatório conclusivo quanto ao total de descontos incondicionais dedutíveis, por incidirem sobre receita de venda tributada; • Com base na resposta e documentos apresentados pelo sujeito passivo, elaborar relatório conclusivo quanto ao total dos impostos e contribuições que poderiam ter sido deduzidos da receita bruta; • Fato gerador em 1996 • Anexar as fls. do Razão que comprovam os valores apurados nas planilhas às fls. 98/104; • Demonstrar em planilha, com indicação das fls. do processo referentes às cópias do Razão de 1996 que serão anexadas, como foi obtido o montante de R$ 16.692.879,12, apurado na planilha à fl. 102, referente à receita de intermediações; • Caso, com base em nova análise e nas respostas do sujeito passivo, sejam comprovados todos os descontos, elaborar demonstrativo com o mesmo detalhamento solicitado no item referente ao fato gerador em 1997: parcela do desconto referente a receitas tributáveis, quais sejam, taxas de intermediação e valores de face dos tíquetes não resgatados; • Com base na resposta e documentos apresentados pelo sujeito passivo, elaborar relatório conclusivo quanto ao total dos impostos e contribuições que poderiam ter sido deduzidos da receita bruta; Ao sujeito passivo: • Fato gerador em 1997 • Demonstrar que efetivamente escriturou e declarou o valor correspondente aos tíquetes não retomáveis como "Outras receitas"; • Demonstrar, com indicação das páginas do Razão e anexação de cópias do mesmo, como chegou ao montante de descontos incondicionais de R$ 8.377.689,98, constante do balancete à fl. 197. Isto porque, conforme cópias do Razão anexadas pelo Auditor Fiscal, todo este montante está dividido entre descontos incondicionais (conta 311710100), R$ 5.986.040,27, e descontos condicionais (conta 3412800), R$ 2.391.649,71; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 7 7 • Demonstrar, com cópias do Razão e elaboração de planilha com indicação dos números das contas, como foi formado o valor da conta "Impostos Contribuições Incidentes" constante do balancete às fls. 197/198, com valor de R$ 1.137.582,40, que foi declarado como "Demais Impostos e Contr. Inc. S/Vendas e Serv" na DIRPJ. Atentar para o fato de que na planilha à fl. 110, o valor de impostos e contribuições incidentes sobre serviços apurados pelo Auditor, baseado no Razão, foi de R$ 1.077.556,12, tendo sido lançada à diferença de R$ 60.026,28. Com base na cópia do balancete anexada pelo sujeito passivo, verificase que há diferença entre o os valores de Cofins e PIS constantes neste e no levantamento feito pelo Auditor. Para o ISS os valores no balancete e na planilha são iguais. • Fato gerador em 1996 • Demonstrar, com cópias do Razão e elaboração de planilha com indicação dos números das contas, como foi formado o valor da conta "Variação Monetária Operações" constante do balancete à fl. 227, com valor de R$ 5.904.646,92, que foi declarado como desconto na DIRPJ. Atentar para o fato de que a conta 3412800 (do ano de 1997 – vide fl. 51) tem o seguinte nome: "Descontos concedidos cond / Variação Monetária cta a pagar". Então pode ser que aquela conta de variação monetária tenha se originado desta conta de desconto condicional; caso em que a declaração estaria correta, havendo dedução indevida da receita; • Demonstrar, com cópias do Razão e elaboração de planilha com indicação dos números das contas, como foi formado o valor da conta "Impostos Contrib Incidentes" constante do balancete à fl.. 227, com valor de R$ 1.175.727,69, que foi declarado como "Demais Impostos e Contr. Inc. S/ Vendas e Serv" na DIRPJ. Atentar para o fato de que na planilha à fl. 104, o valor de impostos e contribuições incidentes sobre serviços apurados pelo Auditor, baseado no Razão, R$ 672.031,49, tendo sido lançada a diferença de R$ 503.696,20; No retorno da diligência, a Turma de Julgamento julgou procedentes os lançamentos em relação às seguintes matérias tributáveis: Itens 1996 (R$) 1997 (R$) Descontos incondicionais não comprovados 5.877.586,94 8.377.689,98 Tíquetes não retornados ou resgatados 7.393.080,25 Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 21/11/2006, deduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1 Dos descontos concedidos Redução do preço de venda Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 8 8 Afirma que a única premissa do auto de infração seria de que o livro contábil razão não comprovaria a existência da concessão de descontos incondicionais, e, portanto, sequer de forma presuntiva provouse a retromencionada omissão de receitas. Traz jurisprudência do 1° CC no sentido de que cabe à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Diz que a acusação de omissão de receita só pode existir quando a certeza das conclusões for absoluta, e que o livro razão seria apenas um indício que demandaria um aprofundamento da fiscalização. Cita jurisprudência contida no AC 10178.997 e AC CSRF/01.1.445 a 1.447, e conclui dizendo que caberia à fiscalização fazer prova da inverdade dos fatos registrados na contabilidade. 2 Vales (tickets) não retornáveis quando expirado o prazo de validade estipulado nos contratos firmados com os clientes. Afirma que o valor foi adicionado à base de cálculo do IR e da CSLL como outras receitas, pois não tem natureza de faturamento. Diz tratarse de meros ingressos de caixa, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, visto que seu faturamento é somente aquele relativo à prestação de serviços. Aduz que, como prestadora de serviço, estaria sujeita ao PISRepique e não ao PISfaturamento, e que é correta a atitude de adicionar para fins de COFINS somente o valor da comissão pela prestação dos serviços. Conclui dizendo que o reconhecimento, para fins de IR e CSLL, das referidas receitas, dependia de cada contrato firmado entre a recorrente e seus clientes, nos quais ficava estabelecido o prazo de validade de todos os vales (tickets). Em 17/10/2008, o contribuinte protocolou petição no Conselho nos seguintes termos: O contribuinte recorre a esta Câmara do C. Conselho de Contribuintes objetivando a reforma de decisão singular que manteve em parte lançamento fiscal de IRPJ, CSSL, Contribuição ao PIS e COFINS, consubstanciado nas seguintes constatações: (i) omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da concessão de abatimentos e/ou descontos incondicionais concedidos sobre receita operacional auferida em 1996 e 1997; e (ii) omissão de receitas decorrente de receita de tickets não retornados ou resgatados no ano de 1.997. Em especial no que .tange ao primeiro item acima abordado, a Recorrente apresenta cópias de notas fiscais referentes aos anos calendários de 1996 e 1997, com os devidos destaques dos descontos incondicionais concedidos, de forma a comprovar a veracidade da concessão dos descontos incondicionais glosados pela d. Fiscalização Fazendária e afastar a alegação de omissão de receitas. Adicionalmente, esclarece a Recorrente que esses documentos não foram apresentados em momento anterior em razão de força maior, pois encontravamse retidos perante o Departamento de Receitas Mobiliárias da Prefeitura Municipal de Campinas, para Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 9 9 fins de fiscalização tributária, conforme documento já acostado aos autos. Diante do exposto, requer a Recorrente a juntada aos autos dos documentos anexos, bem com a conversão do presente julgamento em diligência, em atenção ao principio da verdade material. O julgamento iniciouse perante a extinta 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 17 de dezembro de 2008, quando foi convertido em diligência conforme voto do Relator, nos seguintes termos: O contribuinte apresenta nesta fase recursal os documentos constantes dos anexos que podem modificar as exigências originalmente formalizadas através dos autos de infrações. Conforme artigo 16 §4º, letra "a" do Decreto 70.235/72, tendo o contribuinte demonstrado a impossibilidade da juntada dos documentos nas fases anteriores e assim acolho os documentos determino ajuntada aos autos como anexos. Converto o julgamento em diligência para que a fiscalização examine os documentos juntados bem como sua contabilização e se pronuncie sobre eventual redução do crédito tributário lançado em decorrência da comprovação ora juntada, ou mesmo apresentada no curso da diligência.” Em junho de 2010, o processo retornou ao CARF com a seguinte informação, prestada em 31/05/2010: Durante julgamento do processo número 15374.000841/0047, foi solicitado pela 2ª Turma do Conselho de Contribuinte, para diligenciar a contabilidade do contribuinte em tela, com a finalidade de verificar a veracidade dos documentos juntados na tentativa de reduzir o crédito tributário constituído. O contribuinte foi intimado em 26/06/2009 por meio de (AR) para apresentar o livro diário referente aos anos calendários de 1996 e 1997, onde em principio estariam escriturados os documentos fiscais apresentados ao Conselho de Contribuinte. Passado o prazo concedido o contribuinte não apresentou as informações solicitadas, obrigando a autoridade tributante a reintimálo em 24/03/2010, via (AR), concedendolhe um prazo de vinte dias para apresentar os livros diários e informar à conta que foi debitada, a página e o número do livro diário onde os lançamentos foram efetuados. Expirado o prazo novamente de apresentação das informações sem que o contribuinte informasse os pedidos efetuados pela autoridade tributante, foram encerrados os trabalhos de diligências. Em 26 de abril de 2010, por meio de (AR), foi dada ciência ao contribuinte do encerramento dos trabalhos, dandolhe um prazo de 20 (vinte dias), para sua manifestação ou contestação, cujo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 10 10 prazo foi expirado sem que o contribuinte apresentase suas contra razões. Tendo sido encerrado o procedimento fiscal conforme o RPF supracitado, propõese o encaminhamento desse processo para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 11 11 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O presente recurso reúne os pressupostos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se viu do relato, duas são as matérias a serem analisadas por este Colegiado. A primeira se refere à acusação de omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da concessão de abatimentos e/ou descontos incondicionais concedidos sobre a receita operacional nos anoscalendário de 1996 e 1997. A segunda, referese à acusação de omissão de receitas referentes aos tickets não retornados ou resgatados. Antes de ingressar na análise das questões propriamente ditas, é importante deixar claro como se desenvolveu a auditoria, a fim de que se entenda as razões pelas quais muitos fatos só ficaram esclarecidos com a diligência determinada pelo relator de primeira instância, após a impugnação apresentada. Registra o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 111: Em cumprimento à determinação contida na Ficha Multifuncional nº. 01666/99, após comparecermos no local indicado como sendo endereço sede da empresa, em 18/10/1999, demos início à fiscalização do contribuinte acima identificado. Naquela oportunidade fomos recebidos pelo procurador da empresa, Sr. Elias José Ribeiro, que nos informou que as atividades da empresa encontravamse desativadas; Que ele era o único funcionário mantido para representála nas audiências de reconciliação e julgamento de ações trabalhistas; Que os documentos estavam no depósito da empresa FINK, encaixotados; Que à medida que houvesse solicitação, seria providenciado o desarquivamento e sua apresentação à fiscalização. Nesta oportunidade nos forneceu a identificação, endereço e telefone do escritório de contabilidade, Domingos Pinho Contadores, para eventuais contatos. Em contato com o escritório de contabilidade, fomos atendidos pelo Sr. Alexandre Silva, que nos informou que em face da rescisão do contrato de prestação de serviços o atendimento à fiscalização dependeria de autorização dos sócios daquela empresa. Em face das dificuldades advindas com a desativação da empresa e a falta de representação na área contábil financeira, auditamos os livros contábeis e fiscais com base nos princípios contábeis e legislação fiscal vigentes. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 12 12 As planilhas que acompanharam o Termo de Verificação Fiscal, evidenciam que a autoridade fiscal levantou os valores registrados na escrituração do contribuinte para cruzálos com os informados nas declarações de IRPJ. Essa introdução justifica a razão pela qual algumas questões só afloraram a partir da inauguração do litígio. No tocante aos descontos incondicionais não comprovados, no Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora relata ter constatado, através do cruzamento dos dados contabilizados com a declaração de imposto de renda, que o contribuinte deduziu da receita bruta, a título de desconto incondicional, os valores de R$ 5.877.586,94 em 1996 e R$ 8.377.689,98 em 1997. Com a impugnação, o contribuinte alegou que, quanto ao anocalendário de 1996, tratarse de despesa de variação monetária de uma dívida sua, que deveria ter sido informada na linha 06/14 da DIRPJ e não na linha 03/10, e que esse equívoco não causou qualquer reflexo na apuração das bases de cálculo do IR e da CSLL. No procedimento de diligência foi pedido ao contribuinte (fls. 524/525), a apresentação do detalhamento contábil que permitisse comprovar o fato por ele inovado, alegação de erro cometido no preenchimento da declaração, o quê, contudo, não foi cumprido. No recurso, o contribuinte repete a alegação de erro no preenchimento da declaração, e diz que apresentou a prova, no caso, o contrato de mútuo. Aduz que o auto de infração, bem como o Termo de Verificação Fiscal que o acompanha, não faz menção alguma à falta de comprovação de despesa financeira (argumento pelo qual foi mantida a autuação), limitandose a apresentar fundamentos legais unicamente em relação à pretensa omissão de receita oriunda da concessão de descontos incondicionais não comprovados. E sustenta que a decisão é nula, porque a autuação foi mantida por fundamento diverso daquele alocado nos autos de infração. Com a devida vênia ao argumento acima aduzido, o mesmo não tem como prosperar, eis que a autuação não foi mantida com fundamento diverso do da autuação. Na realidade, o julgador a quo destacou que o próprio contribuinte admite que não existiram os descontos incondicionais cujo valor foi glosado (diferença entre o informado na declaração e o contabilizado), e foi esse o fundamento para manter a exigência. A inovação, quem a trouxe aos autos foi o contribuinte, ao alegar erro no valor informado, que corresponderia a variações monetárias passivas. Porém, para desconstituir a acusação, caberia ao contribuinte fazer acompanhar sua alegação com a respectiva prova. E, diferentemente do que pensa o contribuinte, a apresentação do contrato não se presta a provar o alegado erro no preenchimento da declaração. Para o ano de 1997, o valor deduzido na declaração a título de descontos incondicionais foi de R$ 8.377.689,98, e a escrituração registra R$ 2.391.649,71 a título de descontos concedidos condicionais e R$ 5.986.040,27 a título de descontos incondicionais. A autoridade fiscal glosouos integralmente, pelo fato de que os descontos condicionais são indedutíveis, ao passo que os incondicionais não foram comprovados com a apresentação de notas fiscais onde estivessem destacados. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 13 13 Em sua defesa, o contribuinte apresentou o balancete levantado em dezembro de 1997, onde consta a informação de descontos incondicionais no montante declarado à SRF em sua DIRPJ, e na fase de diligência, apresentou cópias de notas fiscais por ele emitidas com indicação destacada de descontos concedidos em janeiro e fevereiro de 1997, em um total de R$ 475.330,28. O julgador a quo esclareceu que as notas fiscais apresentadas, além de representarem apenas 5% do valor deduzido, não representam descontos incondicionais concedidos, porque se referem a clientes para os quais não são cobradas taxas de intermediação, mas apenas o valor de face dos tickets, que são “anulados” quando do resgate junto à rede credenciada. Dessa forma, não sendo tributada a venda sobre a qual incidiu o desconto, não pode o respectivo valor reduzir a receita tributada. E para o valor efetivamente escriturado como desconto incondicional (R$ 5.986.040,270), não foram apresentadas as notas fiscais comprobatórias. Quanto ao balancete, em que o valor a título de desconto incondicional coincide com o informado na DIPJ, identificou o julgador a manipulação das contas referentes a descontos concedidos (condicionais) e descontos incondicionais, tendo o contribuinte transferido em abril/97, o saldo da conta relativa a descontos condicionais (R$ 2.391.649,71), para a conta de descontos incondicionais. No recurso, o contribuinte nada aditou que pudesse desconstituir a conclusão do voto condutor do acórdão recorrido. Quanto aos tickets não retornados ou resgatados, afirma a recorrente que o respectivo valor fora contabilizado como "outras receitas", por não terem natureza de faturamento, sendo meros ingressos de caixa. Alega que seu faturamento é somente aquele relativo à prestação de serviços, não sendo, portanto sujeito à incidência do PIS e da COFINS, e mais, que como prestadora de serviço estaria sujeita ao PIS REPIQUE e não ao PIS faturamento. Pondera que para fins de COFINS, somente deve ser considerado o valor da comissão pela prestação dos serviços. Diz que o reconhecimento das referidas receitas para fins de IR e CSLL, dependia de cada contrato firmado entre a recorrente e seus clientes, nos quais ficava estabelecido o prazo de validade de todos os vales (tickets). No que se refere ao IRPJ e à CSLL, a afirmativa da Recorrente não encontra respaldo nos autos, eis que os valores não foram efetivamente declarados para efeito de IRPJ e CSLL, conforme já apontou o relator do voto condutor da decisão recorrida. A menção à análise dos contratos também é impertinente, pois o lançamento se deu a partir do confronto dos valores informados na DIPJ com os registrados na escrituração. Resta, assim analisar a alegação de que o valor do ticket não retornado não configura faturamento. A atividade de prestação de serviços de intermediação e fornecimento de tickets desempenhada pela recorrente consiste no seguinte: A Recorrente vende os tickets pelo valor de face (acrescido ou não de uma comissão), a empresas que os adquirem para repassá los aos seus funcionários. Posteriormente, resgataos da rede credenciada pelo valor de face (diminuído de comissão de intermediação). Para resgate, o ticket deve ser apresentado dentro Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.000841/0047 Acórdão n.º 1301000.584 S1C3T1 Fl. 14 14 do prazo previamente fixado, sob pena de não poderem mais ser resgatados, arcando a rede credenciada (restaurantes) com o prejuízo. Portanto, é óbvio que compõem a receita de prestação de serviços de intermediação e fornecimento de tickets a comissão recebida na venda dos tíquetes, a comissão cobrada no resgate dos tíquetes, correspondente à diferença entre o valor de face e o valor pago ao credenciado e o valor de face do tíquete que não foi resgatado (seja por falta de apresentação ou apresentação fora do prazo). Finalmente, os documentos trazidos na fase recursal não podem ser considerados porque a recorrente, intimada em junho de 2009 e reintimada em março de 2010 a apresentar o Livro Diário onde deveriam estar escrituradas as notas fiscais trazidas, não atendeu às intimações. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 29 em junho de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI
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