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Numero do processo: 10469.720948/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RELATOR DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) RELATOR DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 257 1 256 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.720948/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.341 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2013 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente PÉROLA SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) RELATOR DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 09 48 /2 01 0- 11 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PÉROLA SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA, em face do acórdão prolatado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário. 2. Segundo o relatório fiscal (ff. 6 e 7) o Auto de Infração número 37.282.7039, se deu por ter o contribuinte deixado de atender à forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para apresentação de informações em meio digital, relativos ao ano de 2007, mesmo depois de intimada por duas vezes através dos Termos de Início de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal. 3. O acórdão de primeira instância restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DIGITAIS DENTRO DO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA. Constitui infração deixar a pessoa jurídica que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação dos respectivos arquivos digitais e sistemas. COMPENSAÇÃO. PEDIDO INICIAL. APRECIAÇÃO NA DRJ. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. A competência da DRJ para apreciar pedidos de compensação limitasse a análise da Manifestação de Inconformidade decorrente de decisão desfavorável anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 56) 4. Buscando reverter à decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, (ff. 72 a 76) aduzindo em síntese: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10469.720948/201011 Acórdão n.º 2301003.341 S2C3T1 Fl. 258 3 a) que os recolhimentos das contribuições eram descontados automaticamente da empresa (na fonte) e repassados diretamente ao órgão publico fiscalizador, na forma dos 11% (onze por cento), sobre o faturamento, para o qual a empresa autuada presta seus serviços; b) alega que de acordo com levantamento feito pela empresa, levando em consideração os cálculos referentes ao ano de 2007, fora recolhido diretamente da fonte pelo Estado o montante de R$ 346.661,00 (trezentos e quarenta e seis mil, seiscentos e sessenta e um reais), sendo o valor devido de R$ 283.831,21 (duzentos e oitenta e três mil, oitocentos e trinta e um reais e vinte e um centavos). Ou seja, há um crédito da empresa junto ao Fisco no valor de 62.830,37 (sessenta e dois mil, oitocentos e trinta reais e trinta e sete centavos); c) ressalta que diferentemente do que se constata nos julgamentos efetuados, deve ser feita a compensação de créditos tributários, cita a Lei 8.383/91, art. 66; d) por fim, requer o conhecimento e provimento do presente recurso para determinar a apuração do crédito em favor do recorrente. 5. Consta Despacho do fisco (f. 256), atestando que o recurso voluntário interposto pelo contribuinte é intempestivo. 6. Sem contrarrazões por parte do Fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE RECURSAL 1. Como é cediço, o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. 2. Nesse sentido, todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não ato processual a ele assegurado. 3. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 4. O artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” 5. No mesmo sentido dos citados dispositivos, o artigo 5º, do Decreto n.º 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. 6. E sobre a questão, o Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamento o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: “Art. 9º Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º).” 7. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: a) “Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. b) § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: c) I for determinado o fechamento do fórum; d) II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. e) § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). f) [...] g) Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. h) Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense.” 8. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria: i) “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. j) Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10469.720948/201011 Acórdão n.º 2301003.341 S2C3T1 Fl. 259 5 9. In casu, compulsando os autos, verificase que o contribuinte foi cientificado do acórdão nº 1135.750 – prolatado pela 7º Turma da DRJ/REC – no dia 16/08/2012 (quintafeira), conforme declaração do contribuinte juntado (f. 70), iniciando, assim, seu prazo para apresentar recurso voluntário no primeiro dia útil subsequente, qual seja, sextafeira, dia 17/08/2012, e terminando aludido prazo na segundafeira, dia 17/09/2012. Todavia, o recurso somente foi protocolado em 21/09/2012 (sextafeira), nos termos do documento de (f. 72), ou seja, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias, sendo, assim, o recurso voluntário totalmente intempestivo. 10. Não obstante isso, o contribuinte não juntou aos autos prova no sentido de desqualificar o despacho exarado pela primeira instância ou que justificasse o atraso em protocolar a peça recursal. 11. Posto isso, não conheço do recurso por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. CONCLUSÃO 12. Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, pois apresentado a destempo, mantendo intacta a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10384.901597/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 15 97 /2 00 9- 44 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901597/200944 Acórdão n.º 3301001.857 S3C3T1 Fl. 71 2 Relatório O contribuinte solicitou, por meio de PER/DCOMP a compensação de crédito decorrente de valor pago a maior a título de Cofins relativa ao período de apuração de fevereiro/2004 no valor de R$ 8.261,63 que corresponderia à diferença entre o valor do DARF pago em 15/03/2004, R$ 13.649,65, e o valor devido da contribuição no valor de R$ 5.388,02. A DRF/Teresina indeferiu o seu pedido, por meio do Despacho Decisório de 25/03/2009, fl. 15, em decorrência da inexistência do crédito pleiteado pois todo o valor pago do DARF em questão estaria totalmente alocado para pagamento da própria Cofins do período de apuração de fevereiro/2004, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado com a decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 2/3, alegando em síntese que o valor do DARF em questão foi recolhido em valor superior ao devido em consonância com a DCTF retificadora relativa ao primeiro trimestre de 2004. Nesta oportunidade apresentou cópia da DCTF retificadora na qual corrige o valor confessado da Cofins relativa a fevereiro/2004 para o valor de R$ 5.388,02, fl. 20. Esta DCTF retificadora foi entregue em 28/04/2009, ou seja, posteriormente à ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, 02/04/2009. A DRJ em Fortaleza (CE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano Calendário: 2004 NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não recohecido. Inconformado com a Decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 46/49, afirmando que vinha recolhendo a Cofins com base na alíquota de 7,6% e Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901597/200944 Acórdão n.º 3301001.857 S3C3T1 Fl. 72 3 posteriormente, percebendo o erro, passou a pagar na forma correta com alíquota de 3% e solicitou por meio de PER/DCOMP a compensação dos valores pago a maior. Informa que por exercer a atividade de Ensino Fundamental e Médio, estaria obrigado à apuração da Cofins dentro do regime cumulativo, conforme art. 10, inc. XIV, da Lei 10833/2003. Que após tomar conhecimento do Despacho Decisório de não homologação da compensação, providenciou a apresentação de DCTF retificadora na qual informou corretamente o valor devido da Cofins com a utilização da alíquota de 3%. Informa também que, por entender de direito certo, efetuou na contabilidade todos os ajustes, conforme demonstrado em folhas do livro razão as quais juntou cópias. Por fim, requer a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901597/200944 Acórdão n.º 3301001.857 S3C3T1 Fl. 73 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Está demonstrado nos autos que efetivamente o contribuinte está sujeito ao regime cumulativo na apuração da Cofins. Verificase na cláusula primeira do Contrato Social Consolidado da recorrente que o objeto da sociedade é “formação educacional de jovens nos ensinos infantil, fundamental e médio”. Conforme art. 10, inc. XIV da Lei nº 10.833/2003, abaixo parcialmente transcrito, não se aplicam as regras do regime não cumulativo de apuração da Cofins às receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Art. 10 – Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: .... XIV as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Está também demonstrado nos autos que o valor de R$ 13.649,65 recolhido por meio de DARF, com código 2172, referente ao período de apuração de fevereiro/2004 foi calculado de acordo com as regras da não cumulatividade a qual prevê a aplicação da alíquota de 7,6%. A análise do espelho da DIPJ, fl. 30, aliada aos dados colhidos da conta Cofins a pagar do Livro Razão, cópia às fls. 59/60, não deixa margem de dúvida quanto a este fato. Veja que para março/2004 o contribuinte apurou débito da Cofins no valor de R$ 13.649,65, não houve apuração de crédito, resultando em contribuição a pagar no valor de R$ 13.649,65. Portanto está comprovado nos autos que o contribuinte deveria recolher a título de Cofins relativo ao fato gerador de fevereiro/2004, o valor de R$ 5.388,02. Considerando que o valor pago foi de R$ 13.649,65, então o valor da diferença, R$ 8.261,63, configurase como valor pago a maior ou indevidamente e é justamente este o valor indicado como crédito no PER/DCOMP. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901597/200944 Acórdão n.º 3301001.857 S3C3T1 Fl. 74 5 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) O simples erro no preenchimento da DCTF não pode ser elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com o art. 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como ocorreu nestes autos administrativos. Alerto que caberá à unidade preparadora, no caso a DRF/Teresina efetuar todos os ajustes necessários, inclusive verificar se o crédito autorizado não está sendo utilizado indevidamente em outras PER/DCOMP. Desta forma dou provimento ao recurso voluntário no sentido de homologar as compensações efetuadas no limite do crédito pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo ao pagamento indevido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10945.001768/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
Ementa:
Consoante redação do art. 33 do Decreto 70.235/1972, o prazo para a interposição do Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância, se a ciência se der por via postal. Após este prazo, o recurso não será conhecido.
Numero da decisão: 1802-001.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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Após este prazo, o recurso não será conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 17 68 /2 00 8- 50 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente, com o fito de reformar o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta. Por economia processual, transcrevo o Relatório constante no Acórdão supra citado: A pessoa jurídica acima identificada apresentou pedido de inclusão no Simples Nacional com efeito retroativo a 01/07/2007, afirmando que tomou todas as providências dentro do prazo legal de opção e quando da formalização da opção na internet recebeu a seguinte informação: "Você já efetuou sua solicitação de opção pelo Simples Nacional". Esclareceu que não imprimiu o formulário que continha a referida informação, mas em razão dela quedouse tranqüilo, considerando que já havia efetuado opção. A Delegacia da Receita Federal de Foz do Iguaçu indeferiu o pedido por meio da Informação Fiscal e do Despacho Decisório de fls. 23 a 26. O motivo invocado para o indeferimento foi a falta de comprovação do fato alegado, uma vez que a própria requerente admitiu que não imprimiu o formulário. Inconformada com o indeferimento, a pessoa jurídica interessada apresentou a manifestação (fls. 2930), acompanhada de documentos (fls. 31 a 42), com as seguinte alegações: Afirma que a realidade fática é que efetivamente no prazo legal formulou seu pedido de opção pelo Simples Nacional e foilhe informado textualmente que já havia efetuado sua solicitação de opção pelo Simples Nacional. Alega que, embora não tenha imprimido a referida mensagem, houve evidente falha do programa da Receita Federal, conforme comprovam as informações do mesmo teor que na época foram dadas a diversos outros contribuintes (em anexo). Assevera que sempre foi optante pelo Simples e reitera o pedido de que seja considerada optante pelo Simples Nacional desde a data de 01/07/2007. Em sua decisão, a – DRJCTA houve por bem não reconhecer o pedido da Contribuinte, conforme ementa transcrita abaixo: SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO. FORMA. PRAZO. INCLUSÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10945.001768/200850 Acórdão n.º 1802001.844 S1TE02 Fl. 59 3 A solicitação de opção pelo Simples Nacional deve ser feita via internet, sendo incabível a inclusão retroativa de oficio no regime se o contribuinte interessado não comprova ter formalizado a opção no prazo estabelecido pelo Comitê Gestor do Simples Nacional. Ante a improcedência da sua Impugnação, o Contribuinte, apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma do julgado, argumentando que formulou tempestivamente o seu pedido de opção ao simples nacional, que fora informado pelo sistema da Receita Federal que havia efetuado com sucesso sua opção ao Simples Nacional. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Da Tempestividade O presente recurso é intempestivo e não pode ser conhecido. Verificase que a Recorrente tomou ciência do julgamento da DRJ, em 31/08/2011, dia útil (quartafeira), conforme aviso de recebimento de folhas 53, tendo como termo final o dia 30/09/2011, também dia útil (sextafeira). Ocorre que, o protocolo do recurso voluntário ocorreu apenas no dia 03/10/11 (segundafeira), ou seja, 33 dias após. Com efeito, não fora observado o prazo legal de 30 dias, contados após a intimação da decisão de primeira instância, conforme prescreve o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, ante sua intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10120.900126/2008-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Este processo foi analisado por este colegiado em 14 de março de 2012, todavia sem adentrarse ao mérito do litígio, resultando na Resolução nº 180100.888, fls. 136 a 138, que anulou a decisão de Primeiro Grau e remeteu os autos para nova apreciação. Aproveito o relatório e voto da Resolução para historiar os fatos que deram origem a este litígio: “Tratase de PER/DCOMP transmitidos eletronicamente entre 26 e 31/08/2004, pelos quais pretende, a empresa interessada, a homologação da compensação de débitos próprios com direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do exercício 1999, no valor total de R$ 115.364,38 (fls. 01 a 61). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 00 12 6/ 20 08 -3 9 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.900126/200839 Resolução nº 1801000.306 S1TE01 Fl. 3 2 Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 62/69 as compensações foram não homologadas sob o seguinte fundamento: "...já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data da transmissão do PER/DCOMP e a data da apuração do saldo negativo: Data da apuração do saldo negativo: 31/12/1998 Data da transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 26/08/2004 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 115.364,38.” A interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 70, instruída com os documentos de fls. 71/83, considerada tempestiva, arguindo que o crédito informado nos PER/DCOMP decorreria de IRRF sobre juros sobre o capital próprio, retenção essa sofrida da Govesa Administradora de Consórcios Ltda., investida com nome atual de Govesa Indústria, Comércio e Serviços Ltda., sendo esta última a responsável pelo recolhimento da guia Darf. A empresa teria se creditado do montante integral dos juros remuneratórios, mas teria recebido o valor liquido correspondente ao montante menos o valor do imposto de renda retido na fonte. Aduz que, ao contrário do informado nos PER/DCOMP, o mês que se originou o crédito seria dezembro de 1999, que corresponde ao mesmo mês em que teria sido registrado o fato contábil no Livro Diário (fls. 78/81). Se fosse considerada a referida data o crédito informado não estaria decaído, visto que os PER/DCOMP teriam sido transmitidos em três datas distintas, 26/08/2004, 27/08/2004 e 31/08/2004. Pelo acórdão n ° 0335.995, de 19/03/2010 (fls. 96/100), a DRJ em Brasília/DF não conheceu da manifestação de inconformidade, ao argumento de que o direito creditório pleiteado nos PER/DCOMP pela interessada seria relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998 e que a manifestação de inconformidade traria alegações de defesa a respeito de direito creditório relativo a IRRF do anocalendário 1999; "Assim, a petição se refere a credito diverso daquele de que trata as declarações de compensação apresentadas'". [...] Em sua defesa, resumidamente, contesta a afirmação da autoridade julgadora de que não teria juntado provas aos autos quanto à origem do crédito informado nos PER/DCOMP, pois a prova inequívoca teria sido juntada à fl. 79, com a cópia da página do Livro Diário na qual consta o registro do valor de R$ 115.364,38, como apurado no anocalendário 1999 e que, de fato, teria sido cometido erro na grafia do período do crédito nos PER/DCOMP. Pede por prova pericial para vistoria do referido Livro Diário para comprovação do quanto consignado na cópia de fl. 79. Ao final pede pelo provimento do recurso.” Constatado, naquela ocasião, alguns equívocos na decisão que configuraram cerceamento de defesa, decidiuse pelo retorno dos autos à Turma Julgadora a quo. Foi então prolatado o Acórdão nº 0349.453/12, fls. 157 a 159, julgando improcedente o pedido da contribuinte, que restou assim ementado: “DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.900126/200839 Resolução nº 1801000.306 S1TE01 Fl. 4 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” Fundamentouse o votocondutor nos seguintes termos: “No entanto, a cópia do registro apresentada pela contribuinte, por si só, não é suficiente para comprovar as alegações da interessada. Para tanto, seria necessário apresentar documentos hábeis a demonstrar o fato contábil, conforme disposto no artigo 26 do Decreto 7.574/2011. Adicionalmente, consultas efetuadas aos sistemas da RFB (fl. 156) indicam que no ano calendário 1999, não foi apurado saldo negativo de IRPJ pela contribuinte. De modo que, ainda que a contribuinte tivesse demonstrado o erro de fato alegado (o que não ocorreu), o direito creditório pleiteado seria inexistente. Assim, uma vez não demonstrada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 217, instruído com Darf de e fls. 214 e outros documentos, apresentando o Darf para comprovar a retenção de IR sofrida, corroborando o registro já apresentado no Diário. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente defende que sofreu retenção de IR pela fonte pagadora, Govesa Construtora Ltda, no valor de 115.364,38, valor este que reflete no saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999. Por lapso, esclarece que preencheu o Per/Dcomp assinalando o ‘exercício de 1999’ e não exercício 2000, como seria o correto. Em primeira apreciação, este colegiado entendeu ser plausível o erro alegado e, em face de incongruências no primeiro acórdão prolatado pela Turma de Julgamento de primeira instância, reconheceu a ocorrência de cerceamento de defesa, pelo que houve o retorno dos autos para nova apreciação do litígio naquela instância. Neste segundo julgamento, resta patente no acórdão que a recorrente entregou DIPJ relativa ao anocalendário de 1999 (DIPJ/00) sem apresentar qualquer saldo negativo, fls. 156, razão pela qual insuficiente a mera exibição de fl. do Diário com os registros contábeis do recebimento dos juros de capital próprio e retenção sofrida pela fonte pagadora. 1 AR – 18/01/2013, efls. 196; Recurso – 18/02/2013, efls. 218 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.900126/200839 Resolução nº 1801000.306 S1TE01 Fl. 5 4 Assim consta da DIPJ/00 entregue pela recorrente: IMPOSTO DEVIDO 61.253,70 ( + ) ADICIONAL 16.835,86 ( = ) IRPJ 75.639,50 ( ) PAT 2.450,15 ( ) IRRF 75.639,50 ( = ) SALDO DE IRPJ 0,00 A recorrente, então, apresenta no Recurso Voluntário cópia de DARF da referida retenção efetuada pela empresa “Govesa Construtora Ltda.”, em atraso, constando como beneficiária, o que daria lastro ao registro contábil já previamente apresentado. Entendo que ambas as partes têm medida razão. A Turma Julgadora a quo atribui à recorrente o ônus da prova, que deve ser promovida de forma cabal, para atestar o direito à restituição do crédito requerido. Aplicação correta da norma tributária. Todavia, verifico nos autos que, em nenhum momento, a recorrente foi alertada sobre quais os documentos realmente necessários para a prova do indébito. Por outro lado, não consta do processo cópia completa da DIPJ/00, ou pesquisas de DIRF, que poderiam ter sido juntados ao processo. Por outro lado, no DARF exibido pela recorrente não verifico a autenticação do banco recebedor, embora seja um documento cuja cópia foi autenticada em cartório. E a recorrente não apresenta cópia de fls. do Razão referentes aos registros contábeis do recebimento do valor em questão (a recorrente afirma que a receita correspondente à retenção foi declarada ao fisco), bem como da retenção sofrida, balancetes mensais registrados no Diário à época dos fatos, enfim, em busca da verdade material os autos devem retornar à unidade de jurisdição da recorrente, para que: I) a recorrente seja intimada a: a) apresentar quadro analítico das receitas financeiras recebidas no ano calendário de 1999, demonstrando que o valor confere com o valor a este título oferecido à tributação na DIPJ/00, bem como os registros contábeis pertinentes e documentos sobre os quais os lançamentos foram efetuados; b) apresentar quadro analítico dos valores retidos de imposto de renda por fontes pagadoras, decompondo o valor declarado na DIPJ/00, R$75.639,50, estabelecendo o nexo com as receitas acima informadas/ou outras, bem como os registros contábeis pertinentes e documentos sobre os quais os lançamentos foram efetuados; c) apresentar o balancete mensal correspondente, registrado no Diário à época dos fatos. II) a autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá: a) juntar ao processo cópia completa da DIPJ/00 e pesquisas de DIRF referentes ao ano calendário de 1999, nas quais a recorrente constou como beneficiária; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.900126/200839 Resolução nº 1801000.306 S1TE01 Fl. 6 5 b) verificar o registro do pagamento do Darf apresentado pela recorrente, inclusive se a retenção sofrida foi em seu favor (não de sócios) e se corresponde ao valor pago e oferecido à tributação, registrado no Livro Diário; A autoridade designada ao cumprimento das diligências deverá lavrar um Relatório Fiscal explicitando o resultado do procedimento fiscal e o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, salientando se o valor de R$75.639,50 informado na DIPJ/00, a título de IRRF, está ou não inserido no valor pleiteado de R$115.364,38. A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo regulamentar para se manifestar, se desejar. Encerrados todos os procedimentos, os autos deverão retornar a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10940.900229/2010-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO REDUZIDO EM VIRTUDE DE ERRO MATERIAL NA QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA MENSAL POR COMPENSAÇÃO PRECEDENTE. SANEAMENTO.
É passível de saneamento o evidente erro material no preenchimento de declaração de compensação precedente, que contribuiu para a formação do saldo negativo em 2003.
POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE O DIREITO CREDITÓRIO.
A lei admite a incidência da taxa selic sobre o saldo negativo de um ano (2002), quando ele é compensado com débito de estimativa do ano seguinte (fevereiro/2003).
Numero da decisão: 1802-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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SALDO NEGATIVO REDUZIDO EM VIRTUDE DE ERRO MATERIAL NA QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA MENSAL POR COMPENSAÇÃO PRECEDENTE. SANEAMENTO. É passível de saneamento o evidente erro material no preenchimento de declaração de compensação precedente, que contribuiu para a formação do saldo negativo em 2003. POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE O DIREITO CREDITÓRIO. A lei admite a incidência da taxa selic sobre o saldo negativo de um ano (2002), quando ele é compensado com débito de estimativa do ano seguinte (fevereiro/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 02 29 /2 01 0- 60 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900229/201060 Acórdão n.º 1802001.877 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900229/201060 Acórdão n.º 1802001.877 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declarações de compensação apresentadas pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0633.499, às fls. 47 a 49: O presente processo referese a despacho decisório emitido por processamento eletrônico, em que é homologada parcialmente a compensação declarada pelo DCOMP nº 40645.17601.130906.1.7.035404. 2. A fundamentação da decisão do referido despacho decisório constituise do seguinte: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificou se: (...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 21.510,85. Valor na DIPJ: R$ 21.510,85. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 683.940,52. CSLL devida: R$ 662.429,67. Valor do saldo negativo disponível = (parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 21.282,13. 3. O despacho decisório foi cientificado ao contribuinte em 18/03/2010. O contribuinte apresentou, em 15/04/2010, manifestação de inconformidade em que se insurge contra o decidido no despacho, alegando o segue, em síntese. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900229/201060 Acórdão n.º 1802001.877 S1TE02 Fl. 5 4 4. Na DIPJ 2003, temse na ficha 17 um saldo negativo de R$ 7.701,29. Assim, na estimativa do mês de janeiro de 2003, o valor foi acrescido da SELIC em R$ 228,72, totalizando R$ 7.930,01. Na DCOMP, o requerente omitiu o valor consolidado, tendo lançado unicamente o valor de R$ 7.701,29, o que ocasionou a diferença. Como mencionado, a DRJ Curitiba/PR manteve a homologação apenas parcial em relação às compensações, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA DE CSLL OU DE IRPJ. ATUALIZAÇÃO PARA A FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. INEXISTÊNCIA. O valor da CSLL ou do IRPJ devidos por estimativa durante o anocalendário não se sujeita a atualização pela Taxa Selic, nem por qualquer outro índice, para a formação do saldo negativo do tributo relativo ao próprio anocalendário em referência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/09/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/10/2011, com os argumentos descritos abaixo: O Acórdão proferido neste processo erroneamente entendeu: a) que na DCOMP apresentada, o contribuinte buscou compensar R$ 7.930,01; b) que esse crédito decorreria de saldo negativo de CSLL do próprio ano em curso, ou seja, 2003; c) que não seria cabível a compensação de R$ 228,72, por ser atualização de valor da estimativa de janeiro de 2003 para compor o saldo negativo do próprio ano de 2003. Equivocase, no entanto, o Acórdão recorrido porque: a) requereuse compensação de R$ 7.930,01; b) mas esse valor se origina dos seguintes itens: b1) R$ 7.701,29, referente a saldo negativo de CSSL do anocalendário de 2002; Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900229/201060 Acórdão n.º 1802001.877 S1TE02 Fl. 6 5 b2) R$ 228,72, referentes a atualização em janeiro de 2003 (taxa SELIC 1,97%) mais 1% (atualização no mês da compensação fevereiro de 2003). Portanto, a diferença recusada pela autoridade fiscal (R$ 228,72) se refere a atualização em janeiro e fevereiro de 2003 de saldo negativo de CSLL apurado em 2002; Essa atualização monetária é permitida pela ordem tributária passada e presente; O Acórdão recorrido se fundamentou em apreciação errônea dos fatos ocorridos; Equivocado está o Acórdão proferido neste processo, porquanto os juros foram calculados em 2003, sobre saldo negativo de CSLL de 2002, conforme sempre permitiu e ainda autoriza a legislação tributária; Isto exposto, requerse seja conhecido e provido este RECURSO, para reconhecer a legalidade e validade da parcela de juros, calculada em 2003, de saldo negativo de CSLL apurado em 2002. Este é o Relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900229/201060 Acórdão n.º 1802001.877 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que homologou apenas parcialmente declarações de compensação por ela apresentadas, em que utiliza crédito referente a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003. O Despacho Decisório e os demonstrativos de análise do crédito, às fls. 39 a 43, esclarecem que foram apresentados dois PER/DCOMP, com os números 40645.17601.130906.1.7.035404 e 32884.06491.310304.1.3.038650. O primeiro dos PER/DCOMP acima referidos foi homologado totalmente pela Delegacia de origem. Ele foi o único citado pela decisão de primeira instância administrativa, mas a homologação parcial ocorreu na verdade em relação ao segundo PER/DCOMP. O crédito reivindicado nestas compensações corresponde a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, no valor original de R$ 21.510,85, enquanto que os débitos correspondem a estimativas de CSLL de janeiro e fevereiro de 2004, respectivamente. Após a análise sobre a quitação das estimativas em 2003, a Delegacia de origem reconheceu saldo negativo de CSLL no valor de R$ 21.282,13. Este crédito foi suficiente para homologar totalmente o primeiro PER/DCOMP e parcialmente o segundo deles, restando em relação a este um saldo devedor de R$ 236,40. O reconhecimento apenas parcial do crédito de 2003 pela Delegacia de origem está relacionado especificamente à quitação da estimativa de janeiro/2003. Conforme indica a DCTF às fls. 19, parte desta estimativa foi quitada por pagamento (R$ 79.166,85) e parte por compensação com saldo negativo de 2002 (R$ 7.930,01). Ocorre que dos R$ 7.930,01 quitados por compensação, só foram confirmados R$ 7.701,29, restando uma diferença não confirmada de R$ 228,72. Desde o início, a Contribuinte busca esclarecer: que apurou saldo negativo de CSLL em 2002, no valor de R$ 7.701,29; que utilizou este saldo negativo para quitar por compensação parte da estimativa de janeiro de 2003, no montante de R$ 7.930,01; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900229/201060 Acórdão n.º 1802001.877 S1TE02 Fl. 8 7 que a diferença entre os R$ 7.701,29 e os R$ 7.930,01, ou seja, R$ 228,72, corresponde à taxa selic de janeiro/2003 (1,97%) e de fevereiro de 2003 (1%), que seriam aplicáveis ao direito creditório (saldo negativo de 2002); que na declaração de compensação referente à quitação da estimativa de janeiro/2003 (processo nº 10940.001170/200304), ela omitiu o valor consolidado de R$ 7.930,01, tendo lançado unicamente o valor de R$ 7.701,29, razão porque foi apresentada a diferença que originou a homologação parcial; que a DCTF do 1° Trimestre de 2003 (em anexo) indica que é o valor de R$ 7.930,01 que foi apropriado como compensado no campo “OUTRAS COMPENSAÇÕES”. Realmente, a decisão de primeira instância incorreu em equívoco quanto aos argumentos e à pretensão da Contribuinte neste processo. Sua intenção não é a de inflar o saldo negativo de 2003 aplicando a taxa selic sobre a estimativa de janeiro/2003 até o final do ano. O que ela pretende especificamente é que seja reconhecida como estimativa de janeiro/2003, na parte quitada por compensação, o valor de R$ 7.930,01. Vêse que houve erro material no preenchimento da declaração de compensação referente ao processo nº 10940.001170/200304, onde a Contribuinte informou débito de R$ 7.701,29 para a estimativa de janeiro/2003, e não R$ 7.930,01. Estes R$ 7.701,29 coincidem exatamente com valor original do crédito de 2002. Para quitar por compensação a estimativa de janeiro/2003, a Contribuinte tem o direito de aplicar a taxa selic de janeiro/2003 (1,97%) e de fevereiro/2003 (1%) sobre o saldo negativo de 2002. Estes coeficientes aplicados sobre o valor de R$ 7.701,29 resultam exatamente no valor de R$ 7.930,01, e está claro pela DCTF que este é o valor que a Contribuinte pretendia quitar por compensação com o saldo negativo do ano anterior. Nesse contexto, deve ser suprido o erro no preenchimento da declaração de compensação referente à quitação da estimativa de janeiro/2003. Deste modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para que na apuração do saldo negativo de CSLL em 2003, seja considerada como parte da estimativa de janeiro/2003 o valor de R$ 7.930,01 (e não R$ 7.701,29), e para que na quitação desta parte da estimativa, por compensação com saldo negativo do ano anterior (2002), sejam computados os devidos índices relativos à taxa selic. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900229/201060 Acórdão n.º 1802001.877 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900184/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância.
O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância. O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 01 84 /2 01 0- 44 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belém que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deferiu, em parte, o pedido de ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI às fls. 02/21, apurado para o 2º trimestre de 2002, e, conseqüentemente, homologou, em parte, as compensações informadas nas Declarações de Compensação, objeto deste processo, transmitidas a partir de 06/03/2007. O deferimento parcial do pedido de ressarcimento e, conseqüentemente, a homologação parcial decorreram de glosas de créditos aproveitados indevidamente pela recorrente sobre custos que não se enquadram no conceito de insumos utilizados no seu processo industrial, conforme Relatório Fiscal às fls. 88/93 e Despacho Decisório às fls. 57. Inconformada com aquele despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 65/75), insistindo no ressarcimento integral do valor pleiteado e na homologação das compensações declaradas, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) Preliminarmente, quanto à tempestividade: ‘Em 23.03.2011 (quarta feira), a REQUERENTE foi intimada do despacho decisório (Doc. N° 03) que homologou parcialmente o seu pedido de compensação. Vêse, pois, que é tempestiva a presente manifestação de inconformidade, eis que protocolada dentro do prazo de 30 dias previsto no art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 66 da IN/RFB n° 900/2008, isto é, até o dia 22.04.2011 (sextafeira), inclusive.”; b) No mérito, alega que o entendimento da Unidade, baseado no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, não merece prosperar, uma vez que tal parecer extrapola o teor do art. 164 do RIPI, afrontando o princípio da legalidade, além de não se encontrar em consonância com os precedentes firmados nos Conselhos de Contribuintes e nos Tribunais do País, tendo sido todos os materiais adquiridos consumidos na produção; b) Contesta também a glosa do frete, argumentando: ‘as despesas acessórias ICMS, frete e seguro integram o valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na produção para efeito da apuração do crédito presumido do IPI, desde que sejam cobradas do adquirente ou, seja, se estiverem incluídas no preço do produto. É o que dispõe o art. 14 da Instrução Normativa SRF 419, de 2004’; Solicita perícia, indicando questionamento e perito, e pede o provimento de sua manifestação.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ não conheceu dela, conforme Acórdão nº 0124.185, datado de 08/02/2012, às fls. 130/132, sob a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO INTEMPESTIVA. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, apresentar manifestação contra a decisão da Unidade de origem. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida.” Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.900184/201044 Acórdão n.º 3301002.032 S3C3T1 Fl. 183 3 Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 137/150), requerendo a sua reforma a fim de que se defira seu pedido de ressarcimento e se homologuem as compensações declaradas, alegando, em síntese: (i) em preliminar, a possibilidade de analisar a manifestação de inconformidade interposta de forma intempestiva e, consequentemente, anular a decisão recorrida e determinar à autoridade julgadora de primeira instância que profira nova decisão enfrentando as questões de mérito, expendidas na manifestação de inconformidade; e, (ii) no mérito: a) a nulidade de despacho decisório por ausência de descrição dos fatos e fundamentação legal; e, b) a documentação apresentada comprova o ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende, em parte, aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. No entanto questão preliminar prejudica o conhecimento das questões de mérito nele expendidas e, conseqüentemente, seu julgamento nesta fase recursal. A autoridade julgadora de primeira instância não conheceu das razões de mérito da impugnação, com fundamento no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 15, c/c o art. 23, pelo fato de aquela ter sido interposta a destempo, ou seja, depois de decorridos mais de 30 trinta dias, contados da data em que a recorrente foi intimada do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as Dcomp em discussão. Em seu recurso voluntário, a recorrente reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade interposta por ela. Contudo, em face dos princípios da razoabilidade e da verdade material, suscitou a possibilidade de sua análise e julgamento pela autoridade julgadora de primeira instância, com a conseqüente anulação, por esta Turma Ordinária de Julgamento, da decisão de primeira instância e a determinação para que outra seja proferida por aquela autoridade com o enfretamento do mérito. Ao contrário do seu entendimento, inexiste amparo legal para se anular a decisão recorrida e para se determinar a prolação de uma nova pela autoridade julgadora de primeira instância. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que instituiu a compensação de créditos contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), assim dispõe: “Art. 74. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...]. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...].” Por sua vez o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, estabelece: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” No presente caso, conforme demonstrado na decisão recorrida e reconhecido pela própria recorrente a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente. Assim sendo, a apreciação e julgamento das matérias de mérito, expendidas no recurso voluntário, ficaram prejudicadas. O recurso voluntário somente teria cabimento quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade decidida em primeira instância, contudo esta não foi suscitada. Aquele decreto assim dispõe: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Conforme demonstrado anteriormente, a recorrente não contestou a perempção decidida em primeira instância. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.900184/201044 Acórdão n.º 3301002.032 S3C3T1 Fl. 184 5 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10783.725547/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES – Relator Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa RECAUCHUTADORA JUIZ DE FORA LTDA em face da decisão que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada pela empresa e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01 01 2008 a 31 12 2008 e 13 2008. 2. De acordo com o relatório fiscal do lançamento, a fiscalização constatou que a empresa estava sem opção pelo SIMPLES NACIONAL no período fiscalizado e mesmo assim recolhia tributos à Previdência Social no código de pagamento 2003 como se do SIMPLES fosse. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 25 54 7/ 20 11 -7 6 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10783.725547/201176 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.362 S2C3T1 Fl. 609 2 3. Segue trecho do relatório fiscal do lançamento que descreve os procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os fatos geradores da exação. Na auditoria Fiscal desenvolvia na empresa constatamos a que a mesma estava sem opção pelo SIMPLES NACIONAL no período de 01 08 a 12 09 e recolhendo para a Previdência Social no código de pagamento 2003 como se do SIMPLES fosse. A empresa foi intimada a apresentar o Termo de Opção do SIMPLES NACIONAL através do Termo de Procedimento Fiscal – TIPF datado em 28 09 2011 e com ciência em 03 10 2011, porém a empresa não apresentou o Termo de adesão àquele sistema alegando não possuir. Verificamos, que as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs do período de 01 09 a 12 09, foram apresentadas com erros de informações que alteram os valores das contribuições previdenciárias. Tal fato ocorreu no momento que o contribuinte informou o código de pagamento 2003 e no campo destinado ao SIMPLES o código “2” que significa a opção pelo SIMPLES. Agindo dessa forma, as contribuições foram substituídas pelas contribuições sobre o faturamento, e consequentemente impediu que o sistema efetuasse corretamente os cálculos das contribuições previdenciárias devidas. Considerando que o sujeito passivo fez a opção sem preencher os requisitos legais para se enquadras como optante pelo SIMPLES NACIONAL no período de 01 09 a 12 09, deixou de efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias (parte patronal) e contribuições para outras entidades (terceiros) não embutidas nos percentuais do Simples Nacional, estão sendo cobradas as contribuições (previdenciárias e terceiros) que seriam devidas às demais empresas. Também observamos diferença significativa aos compararmos os pagamentos efetuados aos empregados e os valores declaradas em RAIS e em GFIP. Através do exame procedido nas Folhas de Pagamento, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP e nos dados constantes dos sistemas corporativos da RFB, constatamos que o contribuinte entregou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias no período de 01 09 a 11 09. Tal infração ocorreu no momento em que a empresa deixou de incluir em GFIPs segurados empregados conforme planilhas anexas. (37 38) 4. Após a apuração de todos os fatos, a fiscalização lavrou cinco autos de infração contra a empresa: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10783.725547/201176 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.362 S2C3T1 Fl. 610 3 a) AI DEBCAD Nº 37.319.0514, valor original de R$ 209.716,94: contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT 2%); b) AI DEBCAD Nº 37.319.0492, valor original de R$ 51.762,35: contribuições devidas e descontadas dos segurados empregados; c) AI DEBCAD Nº 37.319.0522, valor original de R$ 56.847,06: contribuições destinadas a terceiros e outras entidades; d) AI DEBCAD Nº 37.319.0484, FL 68, valor original de R$ 30.488,60: penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 5. Após ser devidamente cientificada do lançamento fiscal em 20 12 2011, a empresa, apresentou impugnação tempestiva às fls. 397 411. Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte o Colegiado de primeira instância julgou improcedente em parte a impugnação da empresa, retificando o débito tendo em vista que considerou que o relatório fiscal não trouxe qualquer informação sobre o reenquadramento da atividade preponderante da empresa, e consequentemente manteve o enquadramento previsto nos documentos oficiais da empresa, retificando a alíquota aplicada de 2% para 1% para todas as competências. 6. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “SIMPLES NACIONAL. NÃO OPTANTE. São devidas as contribuições sociais patronais das empresas não optantes pelo SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTA SAT. REENQUADRAMENTO ATIVIDADE PREPONDERANTE. FUNDAMENTAÇÃO. À falta de fundamentação para o reenquadramento da atividade preponderante da empresa, há de se cobrar a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, pela alíquota correspondente ao CNAE da atividade declarada em documentos oficiais da empresa. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Não restou comprovada a cobrança em duplicidade de contribuições sociais sobre as bases de cálculo apuradas. ADICIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA. A remuneração adicional de férias integra o saláriodecontribuição. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Fl. 610DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10783.725547/201176 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.362 S2C3T1 Fl. 611 4 Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. É devida a multa de ofício sobre as contribuições não declaradas e não recolhidas nas competências anteriores à vigência da MP 449 2008, quando mais benéfica ao contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. (ff. 558)” 7. Inconformada com a decisão proferida o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as fls. 570 587, no qual aduz em síntese: a) sustenta que a empresa é optante do SIMPLES e ainda que não tenha o termo de adesão ao programa, documento comprobatório (como argumento a primeira instância) a empresa recolhia os valores devidos de contribuição previdenciária como optante do SIMPLES; b) aduz que os valores devidos de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos por rescisão contratual, devem ser declarados indevidos, uma vez que não fazem parte da base de cálculo da contribuição e se tratam de verbas indenizatórias; c) aduz que a lista da fiscalização apresenta empregados que não estão na folha de pagamentos da empresa, conforme cópia da folha de pagamentos por competência; d) argumenta que no mês de competência da rescisão contratual, alguns empregados continuaram a integrar a folha de pagamentos para a fiscalização, acarretando a dupla tributação sobre as verbas pagas àquele empregado, uma apurada pelo valor da rescisão e também sobre os valores pagos em folha de pagamentos; e) que o abono constitucional de férias possui natureza indenizatória o que acarreta a sua exclusão da base de cálculo da contribuição social previdenciária; f) no tocante a multa, sustenta que a empresa não pode ser penalizada pela não entrega de documentos não pertinentes à fiscalização realizada, pois todos os documentos necessários à fiscalização foram entregues, portanto, indevida a penalidade aplicada à empresa; g) por fim, argumenta que o abono constitucional possui natureza indenizatória, não podendo ser incluído na base de cálculo da contribuição. h) quanto ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória, consta, em algumas competências, limite de aplicação da multa superior ao que deveria efetivamente ser aplicado. 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10783.725547/201176 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.362 S2C3T1 Fl. 612 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES REFERENTES A NÃO EMPREGADOS DA EMPRESA A recorrente sustenta em seu recurso voluntário que os lançamentos fiscais trouxeram uma lista de segurados utilizada para apuração dos valores devidos, a qual apresenta empregados que não constavam na folha de pagamento, nas rescisões contratuais ou RAIS. A primeira instância administrativa, ao analisar o argumento do contribuinte, limitouse a dizer que “a empresa impugnante apenas alegou, porém não identificou os supostos erros propriamente ditos” f. 563. No entanto em sede recursal o contribuinte apresenta uma lista de nomes de pessoas e a respectiva competência, na qual foi lançada indevidamente: Competência 01 2008 e 02 2008 os segurados Arlindo Timóteo Macena, Celso Tavares da Silva, Edinaldo Ferreira Araújo, Maciel Macena dos Santos, Marivaldo de Araújo Nascimento, Valdi Batista dos Santos, não integram a folha de pagamentos da empresa. Competência 03 2008 os segurados Fábio da Silva Freias, Marivaldo de Araújo Nascimento e valdi Batista dos Santos. Competência 04 2008 o segurado Valdi Batista dos Santos. Competência 05 2008 os segurados Fabiano Lima de Fontes, Gean Ferreria de Araújo, José Justino da Costa, José Raimundo Ferreira de Araújo e Valdi Batista dos Santos. Competência 06 2008 Carlos André Gonçalves, José Humberto de Souza Macena, Marinaldo de Araújo Nascimento e Valdi Batista dos santos. Competência 07 2008 Marinaldo de Araújo Nascimento e Valdi Batista dos Santos. Competência 09 2008 Fernando Veneranda da Silva. Na competência 10 2008 Francisco Meireles. Competência 13 2008 Reginaldo Pires Ferreira. Diante dessa alegação do contribuinte e do fato da primeira instância não ter apreciado tal argumento mais profundamente, dada a falta de indicação pontual dos elementos impugnados, com o intuito de fazer prevalecer a verdade material dos fatos apresentados no Processo Administrativo Fiscal e para que não paire nenhuma dúvida sobre a origem do lançamento, sugiro a conversão do julgamento em diligência, para que sejam apuradas as bases de cálculo das contribuições, sendo essa devidamente fundamentada além de que também seja esclarecida a presença das pessoas citadas pela recorrente como empregados. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10783.725547/201176 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.362 S2C3T1 Fl. 613 6 Após esse procedimento, dêse vista do resultado da diligência ao contribuinte para que, no prazo de 30 dias, caso queira, manifestese sobre o documento produzido pelo fisco. CONCLUSÃO Converter o julgamento em diligência para que a primeira instância administrativa, avalie os argumentos trazidos pela recorrente e se pronuncie, no sentido de esclarecer a presença das pessoas citadas pela recorrente como indevidamente incluídas no lançamento fiscal tendo em vista que a empresa alega ausência de vínculo na relação empregatícia e nas rescisões anteriores do contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 613DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10469.721418/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. CINCO ANOS CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. APLICÁVEL APENAS A PAGAMENTOS EFETUADOS APÓS SUA ENTRADA EM VIGOR.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo ocorrido pagamento antes da entrada em vigor da LC 118/05, prevalece o entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o prazo prescricional para requerer a restituição ou a compensação só tem inicio após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação, se esta for tácita.
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, a DA CF/88.
Compreende-se no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal.
MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. ELEMENTO CONSTITUTIVO DO TIPO OBJETIVO DA INFRAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO.
Sendo a comprovação da falsidade da declaração um elemento constitutivo do tipo objetivo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91, o auto de infração tem que vir instruído, necessariamente, com os elementos de convicção que conduziram o auditor fiscal a inferir a presença do dolo na conduta infracional, até porque o exame da legalidade e legitimidade da autuação pelos órgãos judicantes administrativos depende da análise de tais meios de prova para sindicar a efetiva falsidade da declaração, os quais não são supríveis pela mera presunção de veracidade inerente ao ato administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à verba referente a "um terço de férias", por integrar o salário de contribuição, vencidos o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Fabio Pallaretti Calcini. Por maioria de votos em negar provimento ao recurso quanto à verba referente a "horas extras", por integrar o salário de contribuição, vencidos o Conselheiro Relator e o Conselheiro Fabio Pallaretti Calcini. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso quanto à prescrição dos créditos compensáveis, desde que procedida a pertinente retificação das Decisão em GFIP e para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PRAZO PRESCRICIONAL. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. CINCO ANOS CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. APLICÁVEL APENAS A PAGAMENTOS EFETUADOS APÓS SUA ENTRADA EM VIGOR. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo ocorrido pagamento antes da entrada em vigor da LC 118/05, prevalece o entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o prazo prescricional para requerer a restituição ou a compensação só tem inicio após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação, se esta for tácita. RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, ‘a’ DA CF/88. Compreendese no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. ELEMENTO CONSTITUTIVO DO TIPO OBJETIVO DA INFRAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 14 18 /2 01 1- 71 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Sendo a comprovação da falsidade da declaração um elemento constitutivo do tipo objetivo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91, o auto de infração tem que vir instruído, necessariamente, com os elementos de convicção que conduziram o auditor fiscal a inferir a presença do dolo na conduta infracional, até porque o exame da legalidade e legitimidade da autuação pelos órgãos judicantes administrativos depende da análise de tais meios de prova para sindicar a efetiva falsidade da declaração, os quais não são supríveis pela mera presunção de veracidade inerente ao ato administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à verba referente a "um terço de férias", por integrar o salário de contribuição, vencidos o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Fabio Pallaretti Calcini. Por maioria de votos em negar provimento ao recurso quanto à verba referente a "horas extras", por integrar o salário de contribuição, vencidos o Conselheiro Relator e o Conselheiro Fabio Pallaretti Calcini. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso quanto à prescrição dos créditos compensáveis, desde que procedida a pertinente retificação das Decisão em GFIP e para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Trata se do Auto de Infração nº 37.281.6312, lavrado em 16/03/2011, em face de MUNICÍPIO DE JARDIM DO SERIDÓ PREFEITURA MUNICIPAL, no valor de R$ 1.943.821,00 (um milhão, novecentos e quarenta e três mil oitocentos e vinte e um reais), referente à glosa de compensação de contribuições previdenciárias efetuada pelo Município em epígrafe no período de 01/2009 a 12/2009, bem como à multa isolada por falsidade de declaração sobre os valores compensados, conforme se infere do Relatório Fiscal. Informa, ainda, o Relatório Fiscal, que o crédito apontado nas compensações seriam referentes a: a) contribuições recolhidas sobre a remuneração de eletivos, julgada Fl. 646DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 642 3 inconstitucional, no período de 02/98 a 09/2004 e b) contribuições recolhidas sobre verbas indenizatórias (1/3 de férias, abono, horasextras, férias indenizadas e proporcionais, “férias corresp 45 dias”) no período de de 09/99 a 08/2009. A glosa, por sua vez, se deu pelos seguintes fundamentos: a) prescrição das compensações de contribuições sobre eletivos relativas às competências 02/98 a 01/2004 (iniciadas com a declaração apresentada em 06/03/2009); b) as diferenças a menor entre os valores declarados e os recolhidos em diversas competências de 01/2001 a 09/2004 (quadro 2 de f. 11), atestando o recolhimento parcial nestas competências, impossibilitando vincular os pagamentos às parcelas declaradas; c) omissão na retificação das GFIP que teriam registrado as contribuições sobre eletivos; d) todas as verbas identificadas como indenizatórias no Ofício 217/2010 tem, na realidade natureza salarial nos termos do artigo 28 da Lei n º 8.212/91 (exceção para férias indenizadas); e) quanto às férias indenizadas, o recolhimento a elas relativo (no valor de R$ 93.43 e realizado em 07/2001) se encontrava prescrito na data da primeira compensação desta competência: GFIP de 01/2009 declarada em 05/2009 (quadro 1 já referido); f) ainda quanto às férias indenizadas, na competência 07/2001, o valor recolhido foi inferior ao declarado, impossibilitando afirmar a que se referiam os recolhimento efetuado. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva, entretanto, a autuação foi mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. É de cinco anos o prazo para compensação de contribuições de natureza previdenciária recolhidas indevidamente, contados a partir do recolhimento. COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DE GFIP. É requisito para compensação de valores indevidamente recolhidos que se retifique a(s) GFIP correspondente(s) a tais equívocos, com vistas a garantir o correto pagamento dos benefícios previdenciários. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. A compensação indevida, com falsidade na declaração, sujeita o contribuinte à multa isolada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 647DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Irresignado, o Município interpôs Recurso Voluntário, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Determinado número de débitos foi incluído em parcelamento, e, por essa razão, teve o respectivo prazo prescricional interrompido, permitindo a efetivação da restituição em tempo hábil, contradizendo o que alega a autoridade. 2) Houve a devida retenção a titulo de quitação de contribuição previdenciária corrente no período questionado, segundo informa os Demonstrativos de Repasses/Retenções no FPM. Outrossim, as obrigações correntes foram executadas em seu tempo regular, através de retenção direta na cota designada à edilidade do FPM. Utiliza certidões como fator comprobatório de sua regularidade fiscal. 3) Quanto à cota patronal, não há irregularidades por parte do Município, pois a parcela compensada não diz respeito ao valor que teve descontado o segurado, mas sim, a verba recolhida efetivamente e exclusivamente pelo ente público. Isto posto, qualquer indébito advindo da cota do segurado, não se aplica ao caso em questão, já que a repetição de cota patronal não atinge a remuneração do segurado, bem como seu tempo de contribuição. 4) Parcela do montante passível de repetição se originou de recolhimentos indevidos efetuados sobre natureza indenizatória (terço de férias e adicional horas extras), o que não integra base de cálculo das contribuições previdenciárias, e, por consequência, não inseridas no saláriode contribuição. Não há duvidas, então, quanto à possibilidade de compensação das verbas citadas, ante o reconhecimento de sua natureza indenizatória. 5) A multa instituída é confiscatória, haja vista seu valor exagerado e injustiça de sua aplicação, configurado extorsão estatal em virtude da ausência de sucesso da demonstração, por via administrativa, do direito às compensações. Ademais, a referida multa infringe a razoabilidade e a proporcionalidade, tratandose de uma política fiscal cuja finalidade é amedrontar o contribuinte. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Do Mérito Fl. 648DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 643 5 Do prazo prescricional A decisão recorrida afirma ser de cinco anos, contados do recolhimento, o prazo para compensação de contribuições previdenciárias pagas indevidamente. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça havia pacificado entendimento no sentido de que o prazo para requerer a restituição ou compensação só teria inicio após o decurso do prazo para homologação, sendo esta tácita. Com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, posicionamento acima referido restou superado, pelo que dispõe o art. 3º da Lei, in verbis: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Ressaltese, contudo, que a Corte Superior afastou, ao dispositivo acima colacionado, a aplicação do art. 106, I, do CTN, que autoriza a retroatividade de normas meramente interpretativas, posto que a Lei alterou materialmente o termo inicial do prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Dessa forma, o dispositivo deve ser aplicado para todos os pagamentos realizados a partir da entrada em vigor da LC 118/2005, que ocorreu em 09/06/2005. Nesse sentido: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118∕2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado Fl. 649DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118∕2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118∕2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118∕2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida. (AI no EREsp nº 644.736/PE, Rel. Min TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgado em 06/06/07, DJe de 27/08/2007). Observese, ainda, trecho do voto do Relator: Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118∕05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Verificase, portanto, que a inovação da LC 118/05 não pode ser aplicada ao caso em exame, uma vez que os pagamentos que deram origem ao crédito do Recorrente ocorreram antes de sua entrada em vigor. Diante do exposto, nesse aspecto, assiste razão à Recorrente ao afirmar que não decorreu o prazo prescricional para requerer a compensação em questão, contudo, não porque este prazo seja de dez anos, e sim porque a contagem do prazo de cinco anos só tem início após o decurso dos cinco anos referentes ao prazo para o Fisco homologar o pagamento, no caso de homologação tácita, conforme entendimento pacificado pelo STJ, aplicável a todos os pagamentos anteriores à vigência da LC 118/2005. Preclusão sobre matérias não impugnadas. Cumpre ressaltar que o fundamento da autuação diz respeito, também, ao fato de o contribuinte não ter observado, para fins da compensação, vários requisitos previstos na Instrução Normativa MPS/SRP Nº 15, de 12/09/2006. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 644 7 A esse respeito, observase que, com o contribuinte se limitou apresentar uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Em momento algum negou que deixou de apresentar prévia retificação de todas as GFIP em que foram informadas inicialmente as remunerações dos exercentes de mandato eletivo, limitandose a alegar que a retificação é desnecessária. Isso tudo além de não ter comprovado totalmente o recolhimento indevido. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Ademais, o art. 16 do Decreto 70.235/1972 assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Do caráter indenizatório do terço de férias e do adicional de horaextra Foram incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciáriaa os pagamentos efetuados aos servidores a título de adicional de horasextras e 1/3 de férias, quando se sabe que diversas dessas rubricas possuem caráter indenizatório e, portanto, sobre elas não incide contribuição previdenciária. Isto porque a Constituição Federal, no seu art. 195, I, alínea “a”, instituiu a contribuição social a ser recolhida pelo empregador, pela empresa ou entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre “a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física ou jurídica que lhe preste serviço, sem vínculo empregatício”. Como se depreende da simples leitura do dispositivo constitucional, a tributação através de contribuições previdenciárias está limitada àquelas verbas correspondentes a rendimentos pagos em decorrência da prestação de serviços, isto é, de caráter eminentemente remuneratório, como compensação pelos esforços despendidos e serviços prestados. Contrario sensu, o dispositivo constitucional excluiu as verbas de natureza indenizatória ou não remuneratória, entendidas como aquelas destinadas a compensar a pessoa física ou jurídica prestadora dos serviços por renúncia a direito ou por prejuízo, econômico ou jurídico, que tiver sofrido. É que estas não têm qualquer correspondência com o serviço prestado ou o tempo posto à disposição da empresa, buscando apenas recompor o patrimônio jurídico afetado. Assim, somente devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos em caráter remuneratório, o que pode ser extraído, inclusive, da literalidade do art. 22 da Lei nº 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 652DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 645 9 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifase). No tocante ao acréscimo de 1/3 de férias pago ao trabalhador, verificase que a Constituição Federal estabelece, no seu art. 7º, XVII, que o empregado terá direito ao acréscimo de 1/3 (um terço) do seu salário quando do gozo das férias. Entretanto, é nítido o caráter não remuneratório de tais verbas, já que o empregado recebe além do seu salário corrente, um acréscimo pelo período que ficará de férias, de modo que não deve ser submetido à incidência da contribuição previdenciária. Ocorre que é nítido o caráter indenizatório de tais verbas, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA.ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. A Primeira Seção, ao apreciar a Petição 7.296/PE (Rel. Min. Eliana Calmon), acolheu o Incidente de Uniformização de Jurisprudência para afastar a cobrança de Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. Entendimento que se aplica inclusive aos empregados celetistas contratados por empresas privadas. (AgRg no EREsp 957.719/SC, Rel. Min. César Asfor Rocha, DJ de 16/11/2010). 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no Ag 1358108/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2011, DJe 11/02/2011) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Primeira Seção do STJ considerava legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso, no sentido de que não incide Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional de férias, dada a natureza indenizatória dessa verba. Precedentes: EREsp 956.289/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe 10/11/2009; Pet 7.296/PE, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 10/11/2009. 4. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg 1123792/DF, 1ª Turma, Ministro relator Benedito Gonçalves, publicado em 17/03/2010). Fl. 653DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Esclarecido o meu entendimento acerca da não incidência da contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 de férias, cumpre examinar a inclusão no salário de contribuição dos valores pagos a título de horas extras, já que tais verbas, consoante entendimento do STF, também não possuem natureza remuneratória, mas sim indenizatória. As horas extras de serviço prestadas pelo empregado são previstas na Constituição Federal no art. 7º, XVI, que garantiu ao trabalhador o direito à “remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal”. Assim, diante de tal previsão, as empresas são obrigadas a pagar aos seus empregados, quando estes prestam serviços em horas extras, montante referente ao tempo de serviço prestado além do seu horário de trabalho, proporcional à sua remuneração, mais um adicional de 50% sobre esse valor. Dizse indenizatório o adicional uma vez que tal verba é recebida para compensar o empregado pela perda do direito de descanso quando exerce trabalho extraordinário. Como medida reparatória pelo direito perdido, o adicional de 50% em nada acresce e não decorre diretamente da prestação do serviço, mas sim do prejuízo sofrido pelo empregado, como meio de reparálo. A fração paga correspondente ao tempo extra de trabalho, e proporcional ao salário do empregado, é que representa efetivamente a contraprestação pelos serviços ao empregador. O adicional de 50%, contudo, tem natureza eminentemente indenizatória, já que representa um acréscimo reparatório à ausência de repouso entre jornadas previsto inclusive contratualmente. Cumpre destacar que o Supremo Tribunal Federal, com fundamento na natureza indenizatória das horas extras, afastou a incidência de contribuição previdenciária sobre verbas recebidas aquele título: Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Prequestionamento. Ocorrência. 3. Servidores públicos federais. Incidência de contribuição previdenciária. Férias e horas extras. Verbas indenizatórias. Impossibilidade. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 545317 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 19/02/2008, DJe047 DIVULG 13032008, PUBLIC 14032008, EMENT VOL0231106 PP01068 LEXSTF v. 30, n. 355, 2008, p. 306311). Destaquese, por fim, que o afastamento das contribuições previdenciárias em comento não significa reconhecerlhe a inconstitucionalidade, uma vez que não se impede a aplicação de qualquer dispositivo legal, mas tão somente de dar efetivo cumprimento às normas legais de acordo com a redação do art. 195 da Constituição Federal e art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Vejase que não existe qualquer norma legal expressa determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas acima citadas, sendo que a exigência de tais valores decorre de interpretação da Receita Federal, que entende que todo o montante recebido pelo empregado que não esteja excepcionada no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/1991 constitui verba remuneratório, o que não é a inteligência do art. 195 da Constituição Federal e art. 22 da Lei nº 8.212/1991, conforme já explicitado. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 646 11 Se não há, portanto, afastamento de dispositivo legal expresso, não há que se falar em declaração indireta de inconstitucionalidade, mas sim de aplicar corretamente os dispositivos legais. Ante o exposto, diante da natureza indenizatória do adicional de 50% das horas extras, bem como do adicional de 1/3 de férias, deve ser dado parcial provimento ao presente Recurso Voluntário para excluir essas verbas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Da multa isolada Urge ser examinada a perfeita subsunção da conduta praticada pelo Recorrente ao tipo infracional que lhe fora imputado pela fiscalização. Relata o auditor fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, ad litteris et verbis: 13 E, em razão de as GFIPs das competências 01/2009 a 13/2009 enviadas após 04/12/2008, conforme descrito na coluna “data de envio da GFIP”, do quadro 1 constante no parágrafo 3, período de vigência da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008 (....), que, dentre outras alterações, acrescentou os §§9º e 10 ao artigo 89 da Lei nº 8.212/91, in verbis, que se constituem no fundamento legal da glosa dos valores compensados e falsamente declarados na GFIPs das competências 01/2009 a 13/2009 Diante da conduta acima descrita, concluiu a autoridade fiscal que as ações perpetradas pelo Contribuinte se subsumiam, com perfeito ajuste, no tipo infracional descrito no §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, que pela sua relevância para o deslinde da causa o transcrevemos a seguir, procedendo então à lavratura do Auto de Infração correspondente. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Fl. 655DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Da mera leitura dos dispositivos suso transcritos, percebemos a cominação de duas penalidades pecuniárias para a conduta consistente na compensação indevida de contribuições previdenciárias: I. A multa de mora, calculada segundo a memória de cálculo descrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. (art. 89, §9º da Lei nº 8.212/91) II. Multa isolada, no valor correspondente ao dobro do previsto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96. (art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91) Em razão da duplicidade de penalidades cominadas a uma mesma conduta, surgem alguns questionamentos a exigir nossa digressão, dentre outros: a) As penalidades indicadas são aplicáveis de forma alternativa ou de maneira cumulativa? b) Em que hipóteses será aplicada a multa de mora? E a multa isolada? c) O que se entende por “falsidade da declaração” e qual a abrangência de tal termo? d) Quais seriam os elementos de convicção com aptidão para se comprovar a falsidade de declaração? Entendo que a resposta a tais indagações deve ser formulada levandose em consideração uma interpretação sistemática e teleológica das normas tributárias em realce, realizada de acordo com o balizamento encartado no Capítulo IV do Título I do CTN, observado o princípio da proporcionalidade implicitamente permeado na Escritura Constitucional. Nessa perspectiva, se nos afigura que a pedra de toque a impingir um diferencial significativo entre as penalidades previstas nos §§ 9º e 10 do aludido art. 89 encontrase assentado na comprovação da falsidade da declaração, circunstância essencial e indispensável para a inflição da penalidade mais severa. Do que se extrai da dicção do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, a aplicação da multa isolada encontrase subjugada à ocorrência simultânea de duas condicionantes Fl. 656DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 647 13 inafastáveis, sendo a primeira a própria compensação indevida (“na hipótese de compensação indevida”) e a segunda, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (“quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”). Ambos assumem, dessa maneira, cunho de aplicação cumulativa, de modo que a ausência de uma ou de outra não se rende ensejo à aplicação da penalidade em relevo. Nessa perspectiva, a mera compensação indevida de contribuições previdenciárias configurase, tão somente, inadimplemento de tributo devido e não recolhido, em relação aos quais, na constituição de ofício do crédito tributário, além do principal, o lançamento deverá contemplar os acréscimos legais de caráter moratório, nos termos fixados no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Fato diametralmente diverso se configura com o emprego de meio fraudulento, aqui incluída a falsidade, visando a iludir o Fisco Federal sobre a efetiva ocorrência do fato jurígeno tributário, ou a excluir ou modificar suas características essenciais e/ou efeitos, ocultandoo, assim, de forma ardilosa. Na apreciação do caso concreto, uma vez caracterizada a compensação indevida, a configuração da hipótese de incidência da multa isolada exige, para a sua consumação, a demonstração da falsidade, eis que elemento objetivo do tipo, sendo necessária e imprescindível sua comprovação, a teor do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Indispensável, pois, se perquirir onde se encontra a falsidade ou fraude na declaração das compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, e se fazer coligir aos autos os elementos de convicção da efetiva ocorrência da falsia em relevo. Ora, mas o que se entende por falsidade de declaração? Um mero erro material de digitação na GFIP, resultando num montante de compensação a maior que as forças do crédito de titularidade do sujeito passivo, já se consumaria numa falsidade de declaração? Uma declaração a maior do montante compensável, em GFIP, resultante do emprego de metodologia de atualização do crédito e de acumulação de juros moratórios diferente da adotada pela RFB, seria suficiente para enquadrála como acometida de falsidade? Ou seria necessário, para a consumação da conduta típica em tela, que o infrator, consciente de que não possui qualquer direito creditório, informe dolosamente no documento em apreço compensação de créditos previdenciários sabidamente inexistentes (ou a menor) visando à redução do montante a ser recolhido? A Lei nº 8.212/91 não define, para fins de enquadramento na conduta tipificada no §10 do seu art. 89, o conceito do termo “falsidade de declaração”, tampouco sua abrangência e alcance. Nessas situações, ante a ausência de disposição expressa, o codex Fl. 657DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 tributário impõese a integração legislativa mediante a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a equidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Tratandose de normas que impingem ao infrator uma penalidade decorrente da transgressão de uma norma de conduta, nada mais natural do que a integração analógica com as normas que dimanam do Direito Penal. Sob tal prisma, há que se perquirir se, para a caracterização de falsidade de declaração, seria necessária a tipificação de falsidade de documento público ou, numa gradação mais branda, suficiente seria a mera falsidade ideológica? Cumpre salientar que, para os efeitos da incidência da lei penal, a GFIP equiparase a documento público, a teor dos §§ 2º e 3º do art. 297 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/ 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Fl. 658DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 648 15 II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Seja num caso, seja no outro, os princípios de direito público atávicos ao Direito Penal exigem, para a subsunção à conduta típica, não somente a coincidência objetiva de condutas, mas, também, a presença do elemento subjetivo consubstanciado no dolo ou na culpa, esta, quando expressamente prevista no corpo do tipo, a teor do Parágrafo Único do art. 18 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Art. 18 Dizse o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209/84) Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209/84) I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo;(Incluído pela Lei nº 7.209/84) Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209/84) II culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Fl. 659DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Parágrafo único Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Assim, sob o prisma da norma que pespega penalidades, indispensável para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo consistente na consciência e vontade de concretizar os requisitos objetivos do tipo. Mostrase valioso revisitar também os conceitos jurídicos assentados na Lei nº 4.502/64, verbatim: Lei nº 4.502/64 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...) §2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...) Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Notese, ainda, que a falsidade ideológica se qualifica como um tipo penal incongruente, exigindo para a sua caracterização, além do dolo genérico, uma intenção especial do agente, um requisito subjetivo transcendental denominado dolo específico, consubstanciado Fl. 660DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 649 17 num especial fim de agir, in casu, a intenção de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Pintado nesse matiz o quadro fáticojurídico, se nos antolha que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, necessária é a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica descrita na norma, consistente na consciência do agente de que, mesmo sabedor de que não possui direito creditório à altura, mesmo assim informa na GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando a esquivarse do recolhimento da exação devida. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A tal conclusão também se converge, ao se apreciar, pelo crivo da proporcionalidade, a dualidade de imputações fixadas nos parágrafos 9º e 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91: Tratandose de compensação indevida, nas hipóteses em que o agente não teve a intenção de fraudar a norma tributária, a penalidade pecuniária a ser aplicada será a mais branda, nos termos fixados no §9º do suso mencionado art. 89, consistente na multa de mora graduada na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/96, além dos juros moratórios. Tratandose, por outro viés, de tentativa de fraude mediante a consciente e inescusável inserção de informações falsas na GFIP, visando dolosamente a reduzir tributo, rigorosa deverá ser a punição a ser infligida ao infrator, consistente na multa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Nestes casos, assentado que a penalidade estabelecida na lei é por demais severa, deve o agente fiscal se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Não por outra razão, a hipótese típica em debate exige do agente fiscal, além da descrição do fato e da disposição legal infringida (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), a comprovação da falsidade da declaração. Não se pode perder de vista que a interpretação defendida nos parágrafos antecedentes também se coaduna à regra de hermenêutica plantada no art. 112 do CTN, do qual floresce o princípio da interpretação mais benéfica ao infrator da lei que definir infrações ou cominar penalidades em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 661DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Tal interpretação, indubitavelmente, se revela como a mais benéfica ao acusado, uma vez que exclui do tipo infracional mais severo as compensações indevidas nas quais o agente não teve o dolo de fraudar a Lei de Custeio da Seguridade Social, conduzindo tais casos à hipótese genérica e abstrata assentada no §9º do citado art. 89 da Lei nº 8.212/91, que prevê, tão somente, a incidência de juros e multa moratória sobre o montante indevidamente compensado. Corrobora o entendimento acima externado as disposições inscritas na Seção V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, do Capítulo V da IN RFB nº 900/2008, cujo art. 45 prevê que o sujeito passivo deve recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos, mesmo na hipótese de a compensação considerada como indevida ser decorrente de informação incorreta em GFIP. Instrução Normativa RFB nº 900/2008 SEÇÃO V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Art. 44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (...) Art. 45. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Art. 46. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Da conjugação dos termos alinhados nos artigos 45 e 46 extraise que a mera constatação de informação incorreta em GFIP da qual decorra compensação indevida de contribuições previdenciárias não implica, automaticamente, a imputação da multa isolada prevista no art. 46 da mesma Instrução Normativa em foco, eis que tal increpação depende da efetiva comprovação da falsidade da declaração. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 650 19 Deflui daí o reconhecimento do próprio Poder Executivo de que a simples informação incorreta na GFIP da qual decorra compensação indevida não importa de per se em falsidade da declaração, sendo necessária a comprovação do elemento subjetivo do tipo, consistente na consciência e vontade de fraudar a lei visando a reduzir o montante de tributo devido. Daí a necessidade de se instruir o processo com os elementos de convicção que conduziram o auditor fiscal a inferir o dolo da conduta infracional. Avulta, de todo o exposto, que a aplicação de penalidade mais severa, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado, de maneira inequívoca, o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude, nos termos acima comentados , situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior envergadura, com o propósito não somente de punir o infrator pela conduta perpetrada, extrapolando o evento do mero inadimplemento, como, também, de reprimir e desestimular comportamentos futuros de idêntico jaez. Olhando com os olhos de ver, o fato agravado na hipótese do §10 do dispositivo legal em realce não é a mera compensação indevida, mas, sim, a ação dolosa e consciente de falsear a forma ou o conteúdo da declaração de compensação visando a iludir o Fisco Federal quanto à efetiva ocorrência dos fatos geradores. Daí a necessidade de efetiva comprovação, pela Fiscalização, da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. No caso ora em apreciação, julgandose detentor de um direito de crédito em face da fazenda pública consistente em contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, o Recorrente promoveu a compensação de um volume creditório por ele calculado, informando tal evento nas GFIP. A fiscalização, ao sindicar a regularidade da compensação levada a cabo pelo Município em foco, concluiu que a compensação assim conduzida pelo sujeito passivo, não se encontrava em consonância com a lei, procedendo à glosa dos valores indevidamente compensados, aplicandolhe a penalidade prevista no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, além do lançamento de ofício do principal, indevidamente compensado. lém da autuação referida no parágrafo anterior, a fiscalização procedeu à imputação, pela mesma conduta, da multa isolada prevista no §10 do já citado art. 89, cumulando a penalidade ora infligida com a multa prevista no §9º do mesmo dispositivo legal, circunstância que, em princípio, pode sugerir a ocorrência de indesejável bis in idem. Chamamos a atenção para o fato de que, nas autuações convencionais, a mera descrição do fato e da disposição legal infringida no Relatório Fiscal da Infração, ante a reconhecida presunção de veracidade dos atos administrativos, já se configura como prova dos fatos infirmados pelos agentes públicos do fisco, a qual, dada a sua natureza iuris tantum, admite prova em contrário a ônus do sujeito passivo. Ocorre, todavia, que, na hipótese infracional ora em debate, conforme já salientado alhures, a lei expressamente exige, na lavratura de Auto de Infração do vertente jaez, além da descrição do fato e da disposição legal infringida, um plus extra a mais (a redundância é proposital) consubstanciado na comprovação da falsidade da declaração por parte da Fl. 663DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Autoridade Lançadora, não se mostrando suficiente para fazer prova dos fatos, por força da própria lei, a mera presunção de veracidade do ato administrativo. Ocorre que, compulsando os autos, não logramos deparar com qualquer indício de prova material tendente à comprovação da falsidade de declaração .Registrese que, sendo a comprovação da falsidade da declaração um elemento constitutivo do tipo objetivo infracional em apreço, o auto de infração tem que vir instruído, necessariamente, com os elementos de convicção que conduziram o auditor fiscal a inferir a presença do dolo na conduta infracional, até porque o exame da legalidade e legitimidade da autuação, pelos órgãos judicantes administrativos, depende da análise de tais meios de prova para sindicar a efetiva falsidade da declaração, os quais, reiterese, não são supríveis pela mera presunção de veracidade inerente ao ato administrativo. Avulta, de todo o exposto, que o vertente Auto de Infração houvese por instruído de maneira abominável, não honrando a Autoridade Fiscal demonstrar e comprovar a falsidade da declaração, elemento constitutivo do tipo, carência esta que implica a não subsunção do fato espécie à hipótese abstrata e genérica prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, circunstância que importa na improcedência da multa isolada aviada no Auto de Infração ora em julgamento. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que o prazo prescricional de cinco anos para compensação seja contado a partir da homologação, tácita ou expressa, dos pagamento efetuados, sendo necessária a retificação em GFIP para a fruição do crédito, bem como para afastar a incidência da multa isolada e das contribuições previdenciárias sobre o adicional de horasextras e terço de férias. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Voto Vencedor DO ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS E HORAS EXTRAS. Atrevome a divergir, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo à exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias das rubricas pagas a segurados obrigatórios do RGPS a título de horas extras e do adicional constitucional de férias previsto no inciso XVII do art. 7º da CF/88, por entender que tais verbas subsumem se ao conceito jurídico de salário de contribuição. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 651 21 Ilhada nas conjunturas clássicas do Fordismo, grassa ainda no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação direta e efetiva dos serviços executados pelos empregados à empresa. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 665DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, “Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança”. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. As sucessivas evoluções na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real.s Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. O que dizer, também, do salário do jogador de futebol não titular, que passa a temporada inteira sem ser, sequer, escalado para o banco de reserva? Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas. Assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada começou a perceber que o conceito de remuneração não mais se circunscrevia meramente à contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, tinha a sua abrangência elastecida a todas as verbas e vantagens auferidas pelo obreiro em decorrência do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o trabalhador estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 652 23 patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora possam não representar contrapartida direta pelo trabalho realizado. Em magnífico trabalho doutrinário, Amauri Mascaro Nascimento compra essa briga, desenvolvendo uma releitura do conceito de remuneração, realçando as notas características da prestação pecuniária ora em debate: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 653 25 RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação", mas, sim, de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba Fl. 669DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Da matriz jurídica e filosófica dos aludidos dispositivos, podese extrair, por decorrência lógica, que se encontram compreendidos no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer vantagem concedida e/ou verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 670DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 654 27 b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 671DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 672DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 655 29 Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas pagas a título de horas extras e 1/3 constitucional de férias não se houveram por incluídas no rol numerus clausus de excepcionalidades exposto no já transcrito §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, o §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, expressamente inclui a remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal no conceito de saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. No que pertine às horas extras, a sua natureza salarial é inconteste tanto na doutrina como na jurisprudência, estando sua disciplina jurídica regulamentada pelos artigos 59 a 61 da CLT. Consolidação das Leis do Trabalho Fl. 673DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Art. 59 A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho. 1º Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho deverá constar, obrigatoriamente, a importância da remuneração da hora suplementar, que será, pelo menos, 20% (vinte por cento) superior à da hora normal. §2o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) §3º Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária, na forma do parágrafo anterior, fará o trabalhador jus ao pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão. (Incluído pela Lei nº 9.601, de 21.1.1998) §4o Os empregados sob o regime de tempo parcial não poderão prestar horas extras. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164 41, de 2001) Art. 60 Nas atividades insalubres, assim consideradas as constantes dos quadros mencionados no capítulo "Da Segurança e da Medicina do Trabalho", ou que neles venham a ser incluídas por ato do Ministro do Trabalho, Industria e Comercio, quaisquer prorrogações só poderão ser acordadas mediante licença prévia das autoridades competentes em matéria de higiene do trabalho, as quais, para esse efeito, procederão aos necessários exames locais e à verificação dos métodos e processos de trabalho, quer diretamente, quer por intermédio de autoridades sanitárias federais, estaduais e municipais, com quem entrarão em entendimento para tal fim. Art. 61 Ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a duração do trabalho exceder do limite legal ou convencionado, seja para fazer face a motivo de força maior, seja para atender à realização ou conclusão de serviços inadiáveis ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto. §1º O excesso, nos casos deste artigo, poderá ser exigido independentemente de acordo ou contrato coletivo e deverá ser comunicado, dentro de 10 (dez) dias, à autoridade competente em matéria de trabalho, ou, antes desse prazo, justificado no momento da fiscalização sem prejuízo dessa comunicação. §2º Nos casos de excesso de horário por motivo de força maior, a remuneração da hora excedente não será inferior à da hora normal. Nos demais casos de excesso previstos neste artigo, a remuneração será, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) superior à da hora normal, e o trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não fixe expressamente outro limite. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10469.721418/201171 Acórdão n.º 2302002.652 S2C3T2 Fl. 656 31 §3º Sempre que ocorrer interrupção do trabalho, resultante de causas acidentais, ou de força maior, que determinem a impossibilidade de sua realização, a duração do trabalho poderá ser prorrogada pelo tempo necessário até o máximo de 2 (duas) horas, durante o número de dias indispensáveis à recuperação do tempo perdido, desde que não exceda de 10 (dez) horas diárias, em período não superior a 45 (quarenta e cinco) dias por ano, sujeita essa recuperação à prévia autorização da autoridade competente. Não por outro motivo, a própria Constituição Federal, ao tratar de tais rubricas, referese expressamente à sua natureza remuneratória: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XVI remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal. (grifos nossos) XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; (grifos nossos) Diante dos aludidos dispositivos, estando as referidas rubricas congregadas no conceito jurídico de Salário de Contribuição, devidas são as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, na forma prescrita na Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, voto no sentido da manutenção das verbas pagas a título de adicional de horasextras e do terço constitucional de férias a que se referem os incisos XVI e XVII, respectivamente, do art. 7º da CF/88, na base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, tão somente para que o prazo prescricional de cinco anos para compensação seja contado a partir da homologação, tácita ou expressa, dos pagamento efetuados. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 18471.003270/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores pagos pela empresa aos segurados, por intermédio de cartão salário, se constituem em fato gerador de contribuição previdenciária. Estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária.
VALET-RANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba -Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa aos segurados, por intermédio de cartão salário, se constituem em fato gerador de contribuição previdenciária. Estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. VALET-RANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba -Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa aos segurados, por intermédio de cartão salário, se constituem em fato gerador de contribuição previdenciária. Estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 32 70 /2 00 8- 57 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003270/200857 Acórdão n.º 2302002.607 S2C3T2 Fl. 249 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 27/10/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 04/12/2008, referese às contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre a remuneração dos empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme consta do relatório fiscal de fls.29/38, a autuada regularmente intimada a apresentar as folhas de pagamento, não o fez, sendo a base de cálculo do débito apurada através dos registros contábeis, onde se verificou que os valores declarados em GFIP eram inferiores aos valores contabilizados referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativamente a pagamentos efetuados através de “cartão salário”. Aduz também o relatório, que foram tomados como base de incidência contributiva os valores referentes a alimentação e valetransporte pagos em pecúnia. A autuada não apresentou adesão ao PAT. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para esclarecimentos quanto aos lançamentos contábeis utilizados e informação fiscal de fls. 220/221, se pronunciou pela retificação do crédito lançado para as alegações da autuada que se mostraram procedentes, conforme discriminativo de fls. 222. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, com regular prazo para manifestação, após o que, Acórdão de fls. 259/268 julgou o lançamento procedente em parte, para excluir das bases de cálculo os pagamentos feitos à Locadora São Rafael Ltda; a Luiz Fernando Ramalho, a título de prêmio de seguro; bem como os lançamentos contábeis relativos ao saláriofamília, valetransporte e valerefeição, feitos a crédito da conta 52.1019 Salários, conforme consta da planilha de fls. 232, elaborada pela fiscalização no cumprimento da diligência. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) Que inexiste vínculo empregatício entre os prestadores e a recorrente; b) que demonstrou na diligência que o contador utilizou metodologia que foge aos padrões habituais lançando o pagamento de valores na conta “prestação de serviços”, quando deveria lançar na conta “adiantamento de salários a pagar”; c) que os pagamentos de salário foram devidamente contabilizados e pagas as contribuições; d) que os valores levantados se tratam de adiantamento de salários; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que por medida de segurança realiza o pagamento de valealimentação e valetransporte em dinheiro, o que foi permitido por Acordo Coletivo; f) que o STF considerou inconstitucional a cobrança da contribuição previdenciária sobre o valetransporte em pecúnia. Requer a revisão do Acórdão, para considerar a impugnação procedente em seu todo. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003270/200857 Acórdão n.º 2302002.607 S2C3T2 Fl. 250 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos é de se ver que o crédito lançado referese às contribuições relativas à parte patronal e que tiveram como base de incidência valores apurados através da contabilidade da recorrente pagos através de “cartãosalário”, alimentação e vale transporte em pecúnia. Em que pesem os argumentos da recorrente quanto a métodos não convencionais de contabilização e por isso não haveria incidência de contribuição previdenciária sobre os valores lançados na conta prestação de serviço, informo à recorrente que a diligência efetuada após a impugnação, se deteve sobre o assunto e inclusive se pronunciou pela retificação do crédito lançado para aquelas alegações que se mostraram procedentes na análise da contabilidade. Todavia, os valores que permaneceram no Auto de Infração referentes a pagamentos efetuados através de cartãosalário devem integrar a base contributiva previdenciária, porque não houve qualquer demonstração por parte da recorrente de que não se subsumem ao conceito de salário de contribuição exposto no artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Quanto ao fornecimento de alimentação em pecúnia aos empregados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A par do conceito de salário de contribuição, acima transcrito, a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; exceptuou da base de incidência contributiva o fornecimento de alimentação somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: Fl. 324DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Os fatos geradores das contribuições lançadas estão descritos no relatório fiscal e se referem ao fornecimento de alimentação em pecúnia aos segurados sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). e Decreto n.º 5, de 14/01/1991: Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a L 006.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo Fl. 325DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003270/200857 Acórdão n.º 2302002.607 S2C3T2 Fl. 251 7 de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação citada que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica, a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento não deve ser retificado. Muito embora a recorrente alegue que o pagamento de alimentação em pecúnia esteja ao abrigo do Acordo Coletivo de Trabalho, tal instrumento não tem força de lei para impor a isenção das contribuições previdenciárias sobre determinada rubrica. Ademais, o acordo tem valor entre as partes, mas não pode ser aposto à Fazenda Nacional. Quanto ao valetransporte, merece acolhida a argüição da recorrente e deve ser obedecida a Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32, que desonerou a verba da incidência contributiva previdenciária, quando paga em pecúnia: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" . Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência aà Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 326DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 17515.000544/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/08/2008
Ementa:
Não deve ser provido Embargos de Declaração que não demonstra vícios do julgado embargado. Os Embargos de Declaração não tem o condão de alterar a decisão proferida e, sim, aperfeiçoa-la.
Embargos de Declaração Rejeitados
Numero da decisão: 3801-001.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (presidente da turma), Charles Pereira Nunes (suplente), Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/08/2008 Ementa: Não deve ser provido Embargos de Declaração que não demonstra vícios do julgado embargado. Os Embargos de Declaração não tem o condão de alterar a decisão proferida e, sim, aperfeiçoa-la. Embargos de Declaração Rejeitados
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Os Embargos de Declaração não tem o condão de alterar a decisão proferida e, sim, aperfeiçoala. Embargos de Declaração Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (presidente da turma), Charles Pereira Nunes (suplente), Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 51 5. 00 05 44 /2 00 8- 30 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, sob o argumento de que a decisão Embargada não se manifestou acerca da impossibilidade de análise do processo administrativo, quando o contribuinte faz a opção pela discussão judicial da matéria. Desta forma, invoca a contradição do julgado, uma vez que “se a Turma reconheceu a concomitância entre as esferas, administrativa e judicial, a consequência seria o não conhecimento do recurso voluntário, e não, o seu provimento”. Cumpre relatar, ainda, que a decisão embargada, ao identificar o trânsito em julgado da discussão proposta pelo contribuinte no Poder Judiciário, reconheceu que não poderia subsistir o crédito tributário constituído no presente processo administrativo. Neste sentido, restou assim ementado o julgado: “Diante da imunidade em relação aos Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP e a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social ter sido reconhecida no âmbito do Poder Judiciário, essa deve ser reconhecida em sede administrativa.” Este é o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Os Embargos de Declaração foram opostos dentro do prazo legal pela Fazenda Nacional. Portanto, deles conheço. De pronto, contudo, consigno que não assiste razão à Embargante. Explicase. No acórdão embargado, de fato, houve a indicação de que o contribuinte havia proposto medida judicial, com o escopo de ver reconhecida a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e que esta foi reconhecida no âmbito do Poder Judiciário, com decisão favorável ao contribuinte transitada em julgado. Ocorre que, como inclusive reconhecido pela própria Delegacia Fiscal de Julgamento, em decisão proferida, o lançamento efetivado através do presente processo administrativo teve o condão de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, uma vez que a matéria estava sendo discutida judicialmente pelo contribuinte. Inclusive, esse foi o argumento para que, em 1ª instância administrativa, fosse mantida a aplicação da multa de ofício aplicada. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 17515.000544/200830 Acórdão n.º 3801001.994 S3TE01 Fl. 12 3 Neste sentido, reconhecida a imunidade em relação ao Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP e a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social pelo Poder Judiciário, não poderia subsistir o lançamento do crédito tributário, que, repitase, foi efetivado para prevenir a decadência do direito de a Fazenda constituílo. Não se vislumbra, portanto, qualquer vício do julgado, que possa ser objeto de Embargos de Declaração. Pelo contrário, a contradição apontada pela Fazenda Nacional foi justamente a fundamentação do julgamento colegiado, para que fosse dado provimento ao Recurso Voluntário do Embargado: a decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte extinguiu o crédito tributário constituído no presente processo administrativo. Esclareçase, ainda, que os Embargos de Declaração não tem o condão de alterar a decisão proferida e, sim, aperfeiçoala, quando presente algum vício na decisão proferida pelo colegiado. Desta forma, conheço dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, mas a eles nego provimento, pela ausência de contradição que ensejasse a sua oposição. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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