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Numero do processo: 13854.000286/2002-02
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS
FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
ADMISSIBILIDADE.
Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº
9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não
contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, utilizados na
industrialização dos produtos exportados (aplicação da jurisprudência STJ,
por força do art. 62A
do RICARF).
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO.
MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DATA DO EMBARQUE PARA O
EXTERIOR.
Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, a conversão do valor da
receita de exportação é calculada com base na taxa de câmbio de compra, em
vigor na data do embarque dos produtos nacionais para o exterior que, no
transporte por via marítima, corresponde à data da cláusula shipped on board
ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Sistema
Integrado de Comércio Exterior Siscomex.
Por outro lado, enquadrase
na
definição de despesa ou receita financeira, respectivamente, a variação
cambial passiva ou ativa decorrente da alteração do valor do crédito de
exportação resultante da variação da taxa de câmbio ocorrida após a data do
embarque até o fechamento do contrato de câmbio.
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL
EXPORTADORA. REQUISITOS ATENDIDOS. ADMISSIBILIDADE.
Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, considerase
empresa
comercial exportadora aquela inscrita no Registro de Exportadores e
Importadores (REI), incluindo tanto a empresa exportadora comum quanto aquela constituída nos termos do Decretolei
nº 1.248, de 1972, a
denominada trading company.
RECEITA DE VENDA DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS.
INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38,
de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda
para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico
de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo,
portanto, a receita de revenda de produtos adquiridos de terceiros.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. ATO
ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO IMPEDITIVO DO DIREITO AO
CRÉDITO. NECESSIDADE.
Somente a oposição constante de ato da Administração tributária, impedindo
a utilização do direito de crédito presumido do IPI, descaracteriza o referido
crédito como escritural, dando ensejo a incidência da taxa Selic a partir da
data da ciência do citado ato (aplicação da jurisprudência STJ, por força do
art. 62A
do RICARF).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-00.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para rejeitar exclusivamente a incidência da taxa Selic no período anterior à data da ciência do despacho decisório.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, utilizados na industrialização dos produtos exportados (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DATA DO EMBARQUE PARA O EXTERIOR. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, a conversão do valor da receita de exportação é calculada com base na taxa de câmbio de compra, em vigor na data do embarque dos produtos nacionais para o exterior que, no transporte por via marítima, corresponde à data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Por outro lado, enquadrase na definição de despesa ou receita financeira, respectivamente, a variação cambial passiva ou ativa decorrente da alteração do valor do crédito de exportação resultante da variação da taxa de câmbio ocorrida após a data do embarque até o fechamento do contrato de câmbio. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. REQUISITOS ATENDIDOS. ADMISSIBILIDADE. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, considerase empresa comercial exportadora aquela inscrita no Registro de Exportadores e Importadores (REI), incluindo tanto a empresa exportadora comum quanto aquela constituída nos termos do Decretolei nº 1.248, de 1972, a denominada trading company. RECEITA DE VENDA DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo, portanto, a receita de revenda de produtos adquiridos de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO IMPEDITIVO DO DIREITO AO CRÉDITO. NECESSIDADE. Somente a oposição constante de ato da Administração tributária, impedindo a utilização do direito de crédito presumido do IPI, descaracteriza o referido crédito como escritural, dando ensejo a incidência da taxa Selic a partir da data da ciência do citado ato (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte
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INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, utilizados na industrialização dos produtos exportados (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DATA DO EMBARQUE PARA O EXTERIOR. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, a conversão do valor da receita de exportação é calculada com base na taxa de câmbio de compra, em vigor na data do embarque dos produtos nacionais para o exterior que, no transporte por via marítima, corresponde à data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Por outro lado, enquadrase na definição de despesa ou receita financeira, respectivamente, a variação cambial passiva ou ativa decorrente da alteração do valor do crédito de exportação resultante da variação da taxa de câmbio ocorrida após a data do embarque até o fechamento do contrato de câmbio. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. REQUISITOS ATENDIDOS. ADMISSIBILIDADE. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, considerase empresa comercial exportadora aquela inscrita no Registro de Exportadores e Importadores (REI), incluindo tanto a empresa exportadora comum quanto Fl. 393DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 aquela constituída nos termos do Decretolei nº 1.248, de 1972, a denominada trading company. RECEITA DE VENDA DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo, portanto, a receita de revenda de produtos adquiridos de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO IMPEDITIVO DO DIREITO AO CRÉDITO. NECESSIDADE. Somente a oposição constante de ato da Administração tributária, impedindo a utilização do direito de crédito presumido do IPI, descaracteriza o referido crédito como escritural, dando ensejo a incidência da taxa Selic a partir da data da ciência do citado ato (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para rejeitar exclusivamente a incidência da taxa Selic no período anterior à data da ciência do despacho decisório. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 01/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1425.018, de 1 de julho de 2009 (fls. 168/183), proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que, por unidade de votos, indeferiram a solicitação, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 383 3 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EMPRESA PRODUTORA EXPORTADORA. A simples revenda para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, sem sofrer qualquer processo de industrialização, não está contemplada no incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida Por bem descrever os fatos, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (fl. 120), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363 de 1996, e a Portaria MF nº 38/97, no valor de R$ 445.900,05, retificado posteriormente para R$ 62.049,18 (fl. 20) relativamente ao 2º trimestre de 2002. O pedido foi deferido parcialmente em virtude de retificações Fl. 395DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 efetuadas no cálculo do crédito presumido, tendo sido reconhecido o direito creditório de R$ 41.733,72, com base na informação fiscal de fls. 117/119, que, em resumo, passo a relatar: 1. Exclusão das aquisições de insumos adquiridos de pessoas físicas; 2. Exclusão do valor de receita de exportações, das variações cambiais; 3. Exclusão do valor de receita de exportações, de remessas com o fim específico de exportação para empresas que não comprovaram que se tratavam de trading companies; 4. Exclusão do valor de receita de exportações, de mercadorias adquiridas para revenda, que foram exportadas mas não foram industrializadas pela empresa; 5. Exclusão dos valores das devoluções do cálculo da receita operacional bruta. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 132/148, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Concorda com a exclusão das devoluções da receita operacional bruta; 2. Preliminarmente, devese ressalvar que o valor utilizado pela fiscalização para o 1º trimestre de 2002, foi o deferido pela própria fiscalização nos autos do processo nº 13854.000180/200209, cujo resultado é objeto de manifestação de inconformidade, podendo ser revisto; 3. Sustenta a inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas, considerando que a Lei nº 9.363/96 determina a utilização do valor total das aquisições de insumos; pelas mesmas razões, deveria ter sido computado o estoque final de matériasprimas (laranjas), adquiridas de pessoas físicas; 4. Defende a inclusão, na receita de exportação, dos valores relativos às variações cambiais, com base na legislação do imposto de renda; 5. Devem ser incluídas as exportações efetuadas pelas empresas que não são trading companies porque elas se enquadram no conceito de empresa comercial exportadora; 6. Não há amparo legal para a exclusão da receita de exportação, da revenda para o exterior de produtos adquiridos no mercado interno; 7. Requer o ressarcimento acrescido de juros calculados pela taxa SELIC, a partir da data do protocolo do pedido. Por fim, requer que as futuras intimações sejam encaminhadas aos seus advogados devidamente constituídos. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 384 5 Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 194), em 26/08/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 221/254, protocolado em 25/09/2009 (fl. 220), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na Manifestação de Inconformidade. Em acréscimo, apresentou os seguintes argumentos: 1) em relação a glosa das receitas de exportação de vendas para empresas comerciais exportadoras, para o fim específico de exportação: 1.1) que embora o Órgão julgador de primeiro grau tivesse acolhido a tese jurídica de que as receitas auferidas nas vendas para qualquer empresa comercial exportadora, seja trading companies ou não, estariam amparadas pelo benefício em tela, manteve a glosa do valor das referidas receitas, com o fundamento de que não havia nos autos provas de que tais produtos tivessem sido remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados, com o fim específico de exportação; e 1.2) que as notas fiscais de saída e os memorandos de exportação, emitidos pelas empresas comerciais exportadoras, contendo informações sobre as datas, quantidades e valores exportados, bem como outros documentos relativos à operação, tais como conhecimento de carga marítimo (bill of landing) e os registros no Siscomex (fls. 332/353), comprovariam as vendas e a remessa para o exterior dos produtos vendidos. 2) em elação as receitas de venda de mercadorias adquiridas de terceiros: 2.1) que a premissa adotada pela DRJ, no sentido de que apenas o resultado obtido com as vendas ao exterior de produtos industrializados e, portanto, sujeitos à incidência do IPI, deve compor a receita de exportação, para fins da determinação do crédito presumido, não encontra amparo na Lei nº 9.363, de 1996, além de conflitar com os atos normativos que regulamentaram essa lei e destoar da posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e 3) em relação a incidência da taxa Selic sobre ressarcimento do valor do crédito presumido do IPI: 3.1) que não existia nenhuma justificativa juridicamente válida para a resistência da Fazenda Nacional não pagar os valores do crédito presumido do IPI acrescidos dos juros Selic, posto que os atos relativos à apuração e ao deferimento do referido crédito seriam da responsabilidade exclusiva das Unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), não podendo o contribuinte ser penalizado pela demora na efetivação do pagamento de tais valores; 3.2) que os valores pagos a destempo pela Fazenda Nacional deveriam ser acrescidos de juros, calculados pelos mesmos critérios utilizados para a cobrança de seus créditos, sob pena de ofensa ao princípio da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito; e Fl. 397DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 3.3) que seriam aplicáveis às hipóteses de ressarcimento tanto o disposto no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que previa a restituição do indébito corrigido monetariamente, quanto o estabelecido no art. 39, parágrafo 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, que instituiu a taxa de juros Selic. No final, requereu o provimento integral do citado Recurso e a reforma do Acórdão recorrido, para que lhe fosse reconhecido o direito ao ressarcimento do valor do crédito presumido do IPI pleiteado, acrescido da taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do presente Pedido de Ressarcimento. Em cumprimento ao despacho de fl. 381, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de agosto de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto do presente processo. De acordo com o Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido do 2º trimestre do ano 2002 (fls. 22/24), a Interessada informou a apuração do crédito presumido do IPI, acumulado até o mês de junho de 2002, no valor de R$ 1.746.244,31, que deduzido do valor de R$ 1.684.195,13, apurado no do 1º trimestre de 2002 (objeto do pedido de ressarcimento no processo nº 13854.000180/200209), resultou no valor de R$ 62.049,18 de crédito presumido do IPI do 2º trimestre do ano 2002, objeto do Pedido de Ressarcimento de fl. 20. Por sua vez, a autoridade fiscal apurou que a Interessada tinha direito apenas ao valor R$ 366.923,61 do crédito presumido do IPI, acumulado até o mês de junho de 2002, que deduzido do valor de R$ 325.189,89, apurado no 1º trimestre de 2002 (processo nº 13854.000180/200209), resultou no valor de R$ 41.733,72 de crédito presumido do IPI do 2º trimestre do ano 2002, conforme Demonstrativo Consolidado de Apuração do Crédito Presumido do 1º e 2º trimestres do ano 2002 (fl. 59). Em decorrência, do valor total pleiteado nos presentes autos (R$ 62.049,18), a autoridade fiscal glosou a importância de R$ 20.315,46, remanescendo uma diferença de R$ 41.733,72. Este foi o valor do crédito reconhecido pela autoridade delegada da Unidade da Receita Federal de origem, que acatou integralmente a glosa proposta na Informação Fiscal de fls. 117/119, nos termos do Despacho Decisório de fl. 120, que foi mantido na íntegra pelo Acórdão recorrido. Em preliminar, a Recorrente pleiteou que, se fosse reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela Fiscalização nos autos do processo nº 13854.000180/200209, a apuração do crédito presumido, relativo ao 2° trimestre Fl. 398DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 385 7 de 2002, objeto deste processo, deveria ser refeita levando em conta o que for decidido naquele processo. Procede tal alegação. Na apuração do saldo do crédito presumido do 2° trimestre de 2002, objeto do presente pedido de ressarcimento, deve ser observado o que for definitivamente decidido no processo nº 13854.000180/200209. No que concerne ao mérito, no presente Recurso, a Interessada manteve a sua irresignação em relação aos seguintes pontos atinentes apuração do valor do crédito presumido do IPI do 2º trimestre do ano 2002: a) a glosa dos valores dos insumos adquiridos de produtores rurais, pessoas físicas não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins,; b) a exclusão do cômputo das receitas de exportação dos valores das receitas de variação monetária ativa, de vendas para empresa comercial exportadora e de revenda de mercadorias adquiridas de terceiros; e c) o indeferimento do acréscimo da taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento em apreço. I. DA GLOSA DOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PRODUTORES RURAIS Nos presentes autos, para fim de apuração do valor do crédito presumido do IPI, o valor total dos insumos (laranjas) adquiridos das pessoas físicas, produtoras rurais, foi integralmente excluído da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sob o argumento de que se tratava de insumos adquiridos de pessoas físicas nãocontribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No julgamento de primeiro grau, a glosa foi integralmente mantida, com base no argumento de que como não houve incidência nem recolhimento das referidas Contribuições sobre adquiridos de pessoas físicas e utilizados na industrialização dos produtos exportados nenhum valor deveria ser ressarcido aos exportadores a título de crédito presumido do IPI. Por outro lado, alegou a Recorrente que era pacífico o entendimento esposado pela jurisprudência administrativa e judicial, no sentido de que era devida a inclusão na base cálculo do crédito presumido do IPI dos valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas nãocontribuintes das mencionadas Contribuições. Tratase de matéria que tem gerado ampla controvérsia no âmbito deste Conselho e do Poder Judiciário. Na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o e. Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, nãocontribuintes da Contribuição Fl. 399DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 para o PIS/Pasep e da Cofins. Refirome ao julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 993164 / MG1, proferido pelos integrantes da Primeira Seção do STJ, cuja ementa segue reproduzida: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas 1 Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13.12.2010, DJe 17.12.2010. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 386 9 complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Fl. 401DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Fl. 402DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 387 11 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, tendo em conta os fundamentos aduzidos no referido julgado, que os adoto na presente decisão, ressalvado o entendimento contrário deste Conselheiro, em cumprimento ao disposto no art. 62A2 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, proponho que seja restabelecida a glosa, mediante adição à base de cálculo dos créditos presumidos do IPI, do valor dos insumos adquiridos dos produtores rurais, pessoas físicas nãocontribuintes das mencionadas Contribuições. II. DA GLOSA DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO No presente caso, foram excluídos do cômputo das receitas de exportação os valores das receitas provenientes de: (i) variação cambial ativa, (ii) venda a empresa comercial exportadora, e (iii) da revenda de mercadorias adquiridas de terceiros. Da glosa das receitas de variação cambial ativa. Na Informação Fiscal de fls. 117/119, deixou consignado a autoridade fiscal que os valores constantes em notas fiscais complementares do preço de venda para o mercado externo não integrariam a receita de exportação, uma vez que tais valores teriam natureza de receita operacional financeira de variação monetária ativa. Seguindo o mesmo entendimento, o Acórdão recorrido manteve a glosa em apreço, acrescentando que a variação cambial ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal de exportação e a data do efetivo embarque dos produtos, nos termos do art. 9º da Lei n. 9718, de 27 de novembro de 1998, teria natureza de receita financeira e por isso não integraria a receita de exportação, uma vez que não seria admitido qualquer outro valor que não fosse aquele consignado na nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimento industrial, sendo irrelevante o valor constante de nota fiscal complementar de preço. 2 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 403DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 12 Por outro lado, o alegou a Recorrente que era equivocado tal entendimento, pois a Lei nº 9718, de 1998, não se aplicaria a situação concreta em julgamento, já que, no caso da recorrente, as notas fiscais complementares emitidas decorreriam da variação cambial ocorrida entre a data da venda e a do efetivo embarque das mercadorias, isto é, antes de a Recorrente “adquirir o direito ao preço decorrente das operações realizadas”. Em tais situações, asseverou a Recorrente, “a jurisprudência vem reconhecendo que as oscilações dessa natureza compõem a receita de exportação, não se confundido com meras variações cambiais do direito de preço”. Assiste razão a Recorrente, senão veja o exposto a seguir. Para efeito de apuração da receita bruta de vendas nas exportações, existe ato normativo específico, disciplinando a matéria. Refirome ao disposto nos itens I e II da Portaria MF nº 356, de 05 de dezembro de 1988, a seguir transcritos: I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (grifos não originais) De acordo, com os referidos comandos normativos, o valor da receita de venda na exportação é determinado com base na taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior3. Somente a variação no preço em moeda nacional decorrente da alteração da taxa câmbio, ocorrida após a referida data e o fechamento do contrato de câmbio, será tratada como variação monetária passiva ou ativa, conforme o caso. Corrobora o asseverado, o disposto no inciso I do art. 6º da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que em complemento ao estabelecido na lei instituidora do incentivo fiscal em destaque, determinou que a relação das notas fiscais relativas às exportações diretas deveria conter, dentre outros dados, a data do embarque da mercadoria para o exterior, a qual, nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex, conforme determinado no inciso I do art. 39 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994. O mesmo entendimento foi manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit), conforme exposto no excerto da Solução de Consulta nº 10, de 17 de junho de 2002, a seguir transcrito: 3 No mesmo sentido, dispõe o inciso I do art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 novembro de 2002, a seguir reproduzido: "Art. 22. A receita de vendas de exportação de bens, serviços e direitos será determinada pela conversão em reais à taxa de câmbio de compra, fixada no boletim de abertura do Banco Central do Brasil, em vigor na data: I — de embarque, no caso de bens"; Fl. 404DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 388 13 A receita de vendas nas exportações de bens, com o valor expresso em moeda estrangeira, será convertida em reais à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos bens para o exterior. Considerase como data de embarque dos bens para o exterior aquela averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Assim, embora a lei instituidora do incentivo determine que a apuração da receita de exportação seja feita com base na legislação que rege a contribuição para o PIS e a Cofins e, subsidiariamente, com base na legislação do Imposto de Renda e do IPI (art. 3º4 da Lei nº 9.363, de 1996), por ser específica, o disposto no itens I e II da Portaria MF nº 356, de 1988, não conflita com o estabelecido no art. 9º5 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trata das variações monetárias concernentes apenas aos “direitos de crédito e das obrigações do contribuinte”. Como na operação de exportação, os direitos de crédito surgem após o embarque da mercadoria para o exterior, logo, somente após a referida data, eventual variação na taxa de câmbio será tratada como despesa ou receita financeira, respectivamente, de variação monetária passiva ou ativa, itens que integram a receita operacional da pessoa jurídica, segundo a legislação do Imposto de Renda. Logo, para efeito do benefício fiscal em apreço, a receita de exportação é considerada efetivada, no ato da entrega do bem ao comprador, ou seja, na data de embarque da mercadoria, que nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex. Em decorrência, qualquer variação no preço do produto, especialmente, em decorrência da variação na taxa câmbio entre a data de emissão da nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimentos e a data de embarque, deve ser objeto de nota fiscal complementar de preço, conforme expressamente determinado no parágrafo único do art. 19 da Lei nº 4.502, de 1964. Com base nessas considerações, reconheço o direito de a Interessada incluir no cômputo da receita de exportação do 2º trimestre do ano 2002 o valor de R$ 288.648,08 (Demonstrativo de fl. 59), referente à receita de exportação glosada sob a alegação de que se tratava de receita de variação cambial ativa. Da glosa das receitas de venda à empresa comercial exportadora, com fim de exportação. 4 "Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafoúnico. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem". 5 "Art. 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso". Fl. 405DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 14 Nos termos da Informação Fiscal (fls. 117/119), integralmente acatada pelo Despacho Decisório de fl. 120, o valor das vendas para as empresas comerciais exportadoras, com fim de exportação, foram a excluídas do valor das receitas de exportação sob o argumento de que empresas comerciais exportadoras adquirentes dos produtos não seriam trading companies, nos termos definidos no Decretolei nº 1.248, de 1972. Por outro lado, sustentou a Recorrente que o direito ao crédito presumido do IPI alcançava as vendas realizadas para qualquer empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, exigindo apenas que tais empresas estivessem habilitadas no Registro de Exportadores e Importadores do Siscomex, independentemente de ser trading companies ou exportadora comum. No mesmo sentido, o entendimento da Turma julgadora a quo. De fato, não há qualquer menção na Lei nº 9.363, de 1996, nem nos atos normativos e pareceres editados pela Administração tributária, que restrinja o benefício em questão apenas as vendas realizadas para as empresas comerciais exportadoras, constituídas nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, as denominada trading companies. De fato, o parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, ao determinando que o referido benefício aplicase às vendas a “empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”, não faz qualquer distinção em relação ao tipo de empresa comercial exportadora. Logo, se a lei não distinguiu, não cabe ao intérprete ou aplicador da norma fazêlo. Por essas razões, também entendo que, para efeito de aplicação do benefício fiscal em tela, equiparase a receita de exportação as vendas, com fim específico de exportação, realizadas a toda e qualquer empresa comercial exportadora, desde que devidamente habilitada no Registro de Exportadores e Importadores do Siscomex, compreendendo as trading companies e as empresas comerciais exportadoras comuns. Assim, no que tange a questão jurídica, estou de pleno acordo com o entendimento esposado pela órgão julgador de primeiro grau e pela Recorrente. Entretanto, embora superada a controvérsia em torno da fundamentação jurídica da exclusão em apreço, a Turma julgadora a quo decidiu manter a glosa em tela, com o argumento de que a Interessada não havia comprovado que os produtos haviam sido remetidos diretamente para embarque ou recinto alfandegado, por conta e ordem das empresas comerciais exportadoras adquirentes. Sendo assim, o Órgão julgador de primeiro grau, além de ter inovado na fundamentação jurídica da glosa em apreço, não se pronunciou acerca das provas carreadas autos (fls. 332/353) nem proporcionou a Recorrente oportunidade para se manifestar a respeito dessa nova fundamentação. Em decorrência, entendo configurado o cerceamento do direito de defesa da Interessada, vício que implicaria, normalmente, nulidade do Acórdão recorrido, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal federal (PAF). Porém, tendo em conta que o mérito da presente questão favorece a Interessada, com respaldo no § 3º do art. 59 do PAF, entendo que tal vício deve superado, haja vista as razões a seguir aduzidas. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 389 15 Com efeito, o entendimento apresentado no voto condutor do Acórdão recorrido diz respeito às condições atinentes à suspensão do IPI, estabelecidas no art. 39 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. No que tange ao crédito presumido do IPI, considerase venda com o fim específico de exportação a saída dos produtos do estabelecimento do produtorvendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente, conforme dispõe o inciso III do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a seguir transcrito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (...) (grifos não originais) Além disso, é a empresa comercial exportadora quem tem o dever de comprovar a efetivação da exportação das mercadorias para o exterior, dentro do prazo máximo de 180 dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtoravendedora, conforme determina o § 4º do art. 2º da Lei nº 9.363, de 1996, a seguir transcrito: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) § 4º A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigada ao pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor correspondente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtora vendedora. (...). (grifos não originais Além disso, o eventual descumprimento da obrigação de exportar não implicaria perda do benefício fiscal usufruído pela vendedora dos produtos, posto que, diante Fl. 407DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 16 de tal hipótese, quem responderia pelo descumprimento do regime seria a empresa comercial exportadora, sendo inclusive obrigada ao pagamento do valor correspondente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtoravendedora. Com essas considerações, reconheço que a Interessada faz jus a inclusão no cômputo das receitas de exportação do valor de R$ 3.073.880,38, referente às receitas de venda para empresa comercial exportadora, com o fim específico exportação, do 2º trimestre de 2002. Segundo a autoridade fiscal, o valor de revenda para o exterior das mercadorias adquiridas terceiros foi excluído do montante das receitas de exportação, porque o benefício do crédito presumido do IPI incidiria apenas sobre as exportações de produtos industrializados pelo próprio produtor e exportador. Por sua vez, entenderam os integrantes do Órgão julgador a quo que, apesar do novo conceito de receita bruta instituído pelo inciso I do § 12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 2003, como esse dispositivo só entrou em vigor em 26/03/2003, ele não alcançaria a apuração do crédito presumido em apreço, uma vez que a dita Portaria não se tratava de ato administrativo meramente interpretativo, mas de norma complementar das leis tributárias (art. 100 do CTN), que regulamentam e detalham as disposições legais. Por outro lado, defendeu a Recorrente a aplicação ao presente caso dos conceitos de receita operacional bruta e de receita de exportação, respectivamente, apresentados nos incisos I e II do § 12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 2003, com o argumento de que, embora vigente após os fatos objeto da presente contenda, por ser norma regulamentar da Lei nº 9.363, de 1997, a cita Portaria teria natureza meramente interpretativa e, por conseguinte, eficácia retroativa, nos termos do art. 106, I, do CTN. No que tange a natureza jurídica do atos normativos administrativos de índole tributária, no meu entendimento, não está com a melhor exegese nem a Turma julgadora de primeiro grau nem a Recorrente. Na verdade, o que a define a natureza jurídica dos atos em comento é a própria lei em função da qual são expedidos. Assim, com exceção das matérias de reserva absoluta de lei, previstas no art. 97 do CTN e no art. 150, inciso I, da Constituição Federal, nos demais casos, a lei pode atribuir às autoridades administrativas a edição de atos normativos com a finalidade de complementar alguns assuntos que, por critério de racionalidade, economicidade e conveniência, podem ser melhor disciplinados na esfera administrativa. Em suma, se o assunto é de reserva de lei ou se encontra completamente nela disciplinado, qualquer ato administrativo que venha a dispor sobre tal matéria, em decorrência do princípio da hierarquia das normas, terá função meramente interpretativa e eficácia retroativa, ex tunc (art. 106, I, do CTN), tendo por finalidade padronizar os procedimentos que deverão ser executados pelas autoridades administrativas hierarquicamente inferiores, de modo que os atos legais sejam fielmente cumpridos no âmbito da Administração tributária. A título de exemplo, pode ser citado o disposto no § 2º do art. 2º6 da Instrução Normativa SRF nº 23, de 1997, que dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido em apreço. 6 “Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2 º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção Fl. 408DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 390 17 Por outro lado, se não é matéria de reserva de lei e a própria lei remete à autoridade administrativa a incumbência de complementar alguns pontos, é inquestionável que o ato normativo administrativo expedido com base nessa prerrogativa terá força normativa e, no que concerne à matéria delegada e desde que obedecido os parâmetros legais, eficácia imediata e prospectiva, ex nunc (art. 3º da Lei de Introdução do Código Civil). Como exemplo e pela pertinência cabe mencionar o disposto no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, que atribuiu ao Ministro da Fazenda competência para expedir as instruções necessárias ao cumprimento da dita Lei, especialmente, no que tange a definição de receita de exportação, conforme exposto no excerto a seguir transcrito: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. (grifos não originais) Dessa forma, fica demonstrado que, para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, a definição de receita de exportação é aquela veiculada em portaria do Ministro da Fazenda. No exercício dessa atribuição, no período de apuração dos créditos em apreço, estava em vigor a Portaria MF nº 38, de 1997, que, respectivamente, nos incisos I e II do § 15 do art. 3º apresentava as seguintes definições para a receita operacional bruta e de exportação, in verbis: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (...). (grifos não originais) Em seguida, foi editada a Portaria MF nº 64, de 2003, que alterou as definições de receita operacional bruta e de receita de exportação, conferindolhes, ao meu sentir, um tratamento mais consentânea com o escopo do benefício fiscal em comento, conforme redação conferida aos incisos I e II do § 12 do art. 3º, a seguir transcritos: de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS”. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 18 Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; (...) (grifos não originais) Comparando os dois tos normativos anteriormente transcritos, fica claro que as definições apresentadas na Portaria MF nº 64, de 2003, refletem com mais propriedade os objetivos colimados pelo incentivo fiscal em destaque, uma vez que, a receita das vendas para o exterior dos produtos in natura ou adquiridos de terceiros passou a ser tratada com neutralidade, não tendo qualquer influência na determinação do percentual utilizado no cálculo dos insumos empregados no processo produtivo do produtorexportador, não integrando a receita de exportação (dividendo) nem a receita operacional bruta (divisor). Além disso, o valor da receita bruta operacional, utilizada no cálculo do citado percentual, ficou depurada dos demais receitas não relacionadas com a atividade industrial (objeto do incentivo em apreço), tais como a receita da prestação de serviços e da venda de produtos estrangeiros. É oportuno ainda esclarecer que a definição de receita operacional bruta, consignada na Portaria revogada, era a mesma utilizada na legislação do Imposto sobre a Renda, daí ter se revelado inadequada para fins de apuração do valor do benefício fiscal em comento. Contrariamente, segundo as definições da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita das vendas para o exterior dos produtos adquiridos de terceiros, ao meu sentir, integrava tanto a receita bruta de exportação (dividendo) quanto a receita operacional bruta (divisor), haja vista que tal tipo se enquadra tanto na definição de mercadorias nacionais quanto de produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria. No presente caso, tendo em conta que a autoridade fiscal excluiu o valor da receita da revenda de mercadorias adquiridas de terceiros da receita bruta exportação (dividendo), mas não fez o mesmo em relação a receita bruta de exportação (divisor), no meu entendimento, agiu em desconformidade como o estabelecido na Portaria MF nº 38, de 1997, que estava em vigor na data do surgimento dos créditos em apreço. Para corrigir tal equívoco, entendo que a receita de venda para exterior dos produtos adquiridos de terceiros do 2º trimestre do ano 2002, no valor de R$ 11.918.893,64 ( Demonstrativo de fl. 59), deve ser adicionada a receita de exportação, conforme determinado pela Recorrente. III. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Fl. 410DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 310200.916 S3C1T2 Fl. 391 19 Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento em apreço, com o argumento de que o contribuinte seria penalizado pelo atraso no pagamento do referido valor e haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. A jurisprudência do STJ pacificou entendimento no sentido de que, em se tratando de créditos escriturais de IPI, só há autorização para atualização monetária, com base na variação da taxa Selic, quando há oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade. Tema que já foi julgado sob o regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, no REsp. nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, cuja ementa segue transcrita: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 411DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 20 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.(grifos do original) Dessa forma, ressalvado o entendimento divergente deste Conselheiro, em consonância com o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, com base nos fundamentos do julgado anteriormente transcrito, acato a incidência da taxa Selic a partir da data da ciência do Despacho Decisório de fl. 120, primeiro ato administrativo que, no caso em tela, impediu a Interessada de utilizar o valor do crédito objeto do presente Recurso. IV. DA CONCLUSÃO Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para reconhecer o direito de a Interessada: a) incluir na base de cálculo do crédito presumido do IPI, o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas; b) incluir no cômputo da receita de exportação do 2º trimestre de 2002 os seguintes valores: (i) R$ 288.648,08, de receita de exportação glosada a título de receita de variação cambial ativa; (ii) R$ 3.073.880,38, relativo às receitas de venda para empresa comercial exportadora, com o fim específico exportação; e (iii) R$ 11.918.893,64, a título de receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros; e c) atualizar o valor do crédito apurado, na forma estabelecida nas alíneas anteriores, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do Despacho Decisório de fl. 120. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 412DF CARF MF Impresso em 01/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01 /04/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10735.003911/2001-47
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995; 1996
IRPF. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS - IHT. INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA.
De conformidade com a jurisprudência consolidada nesta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, lastreada no entendimento do STJ a propósito da matéria, as verbas pagas pela Petrobrás a título de "Indenização de Horas Trabalhadas - IHT" se incluem na base de cálculo do imposto de renda pessoa física, por se caracterizarem como renda proveniente do trabalho,
constituindo-se, por conseguinte, aquisição de disponibilidade econômica, fato gerador do imposto em epígrafe.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.886
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS - Processo n° 10735.003911/2001-47 Recurso n° 151.029 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.886 — r Turma Sessão de 11 de maio de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUIZ ANTÔNIO MOREIRA DA SILVA Assunto: Imposto sobre a Renda Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1995; 1996 IRPF. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS - IHT. INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA. De conformidade com a jurisprudência consolidada nesta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, lastreada no entendimento do STJ a propósito da matéria, as verbas pagas pela Petrobrás a título de "Indenização de Horas Trabalhadas - IHT" se incluem na base de cálculo do imposto de renda pessoa fisica, por se caracterizarem como renda proveniente do trabalho, constituindo-se, por conseguinte, aquisição de disponibilidade econômica, fato gerador do imposto em epígrafe. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes . tos. I Acordam os membros do colegiado, por • 'oria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Moises IJ acomelli N 4. da Silva. I . . . CARLOS ALBE Ï-1' R ITAS BA "1: O - PresidenteCA--4 !,44 e. 't ipre--- - - RYCARDO EN , SUE Á GALHÂES DE OLIVEIRA - Relator EDITADO E : 3 1 MAI 2010 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório LUIZ ANTÔNIO MOREIRA DA SILVA, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 07/12/2001, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, decorrente de omissão de rendimentos percebidos pelo autuado, pagos pela Petrobrás, a título de "Indenização de Horas Trabalhadas — IHT", em relação aos anos-calendário 1995 e 1996, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/07, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da i a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, consubstanciada no Acórdão n° 11.122/2005, às fls. 44/46, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2' Câmara, em 26/04/2007, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n" 102- 48.472, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1996 e 1997 Ementa: RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL - INDENIZAÇÃO — Os valores pagos a título de horas extras para corrigir distorção caracterizada pela execução de serviços emjornada de trabalho ininterrupta na qual o período considerado foi de 8 (oito) horas, têm características inclenizatórias, pois reposição da perda dos correspondentes períodos de descanso. Recurso provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 92198, com arrimo no artigo 7', inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras do Conselho de Contribuintes a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão n° 104-20.700, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argiiida. Em defesa de sua pretensão, assevera que o entendimento adotado pela Câmara recorrida, ao reconhecer a natureza indenizatória das verbas em comento c, por conseguinte, fora do campo de incidência do IRPF, divergiu do decisum paradigma, exarado com base na Lei n° 7313/88, que por sua vez determina a exação tributária sobre todo o rendimento proveniente do trabalho, exceto se for objeto de isenção. 2 \\K Processo n° 10735.003911/2001-47 CSRF-T2 Acórdão o.° 9202-00.886 Fl. 2 Contrapõe-se ao Acórdão atacado, por entender que a incidência do imposto de renda, contemplada pelo artigo 4°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, c/c artigo 43, § I°, do Código Tributário Nacional, independe da denominação dos rendimentos percebidos pela pessoa fisica, impondo seja analisada a efetiva natureza da verba concedida. Dessa forma, o fato de a Petrobrás ter intitulado as verbas em epígrafe de "Indenização de Horas Trabalhadas", por si só, não é capaz de afastar a incidência do imposto de renda, sobretudo quando se constata a inequívoca aquisição de disponibilidade econômica. Sustenta que a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça oferece proteção ao pleito da Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme julgados com suas ementas transcritas na peça recursal, corroborada pela doutrina, igualmente, trazida à colação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 2' Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão n° 104-20.700, relativamente à incidência do IRPF sobre as verbas recebidas a título de "IHT", conforme Despacho n° 102- 0156/2008, às fls. 104/105. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, o contribuinte não ofereceu suas contrarrazões, como se verifica das informações constantes das fls. 116/117. É o relatório. • Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então T Câmara do 1° Conselho a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Primeiro Conselho quanto ao mesmo tema. A fazer prevalecer sua pretensão, infere, em síntese; que o entendimento consubstanciado no Acórdão n° 104-20.700, ora adotado como paradigma, determina a incidência de imposto de renda sobre as verbas pagas pela PETROBRÁS a titulo de "Indenização de Horas Trabalhadas — IHT", ao contrárib do que restou decidido na Câmara recorrida. C\V 3 Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, conclui-se que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, encontrando guarida na farta e mansa jurisprudência administrativa e judicial, como passaremos a demonstrar. Com efeito, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a respeito da matéria, decidindo pela incidência do imposto de renda sobre as verbas pagas pela PETROBRÁS a titulo de IHT, em observância à jurisprudência pacífica do STJ, conforme se extrai do excerto do voto do ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, acolhido por maioria (vencido exclusivamente o Conselheiro Moisés Giacomelli), exarado nos autos do processo n° 13884.001038/2001-32, Recurso n° 104- 150.035, o qual peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, in verbis: "ri A controvérsia a ser dirimida está relacionada à incidência ou não do imposto de renda pessoa física sobre verba recebida pelo contribuinte sob a rubrica "Indenização de Horas Trabalhadas — IHT", de modo que a confirmação do r. acórdão recorrido depende da natureza deste rendimento. A matéria é bastante conhecida no âmbito do Conselho de Contribuintes. Extrai-se dos autos que o recorrente e outros 511 funcionários da Petrobrás ajuizaram reclamatória trabalhista contra a empresa perante a Justiça do Trabalho em São José dos Campos (SP)-- processo n° 1.177/94— pleiteando a implantação do turno de revezamento com jornada de seis horas, bem como o pagamento de horas extras vencidas, considerando que estavam sujeitos à jornada de oito horas. O pedido estava amparado na seguinte cláusula do acordo coletivo: Cláusula 61 — Em atendimento ao inciso XIV do artigo 7° da Constituição Federal, a carta semanal do pessoal engajado no esquema de turno ininterrupto de revezamento é de cinco grupos de turnos, com jornada de 8 horas diárias e carga semanal de 33,6 horas, sem que, em conseqüência, caiba pagamento de qualquer hora extra, garantido, porém, o pagamento dos adicionais de trabalho noturno, hora de repouso e alimentação e periculosidade, quando couber. Parágrafo 1°. Nas unidades onde sejam praticadas cargas diárias ou semanais diferentes da estabelecida no "caput", a Companhia compromete-se a respeitar, enquanto os empregados não manifestarem desejo de modificá-la. Parágrafo 2°. A Companhia estenderá a todos os empregados em turno ininterrupto de revezamento - eventuais vantagens referentes a este regime de trabalho que venham a ser deferidas pela Justiça do Trabalho em reclamações trabalhistas ajuizadas pelos Sindicatos, como substituto processual, simples representante ou qualquer reclamação trabalhista individual ou pãrima, em que figure como reclamada a Companhia, a partir do trânsito 4 Processo n° 10735.003911/200147 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.886 Fl. 3 em julgado, ou seja, quando não couber mais recurso no mesmo processo, admitidas, desde logo, a compensação ou dedução de qualquer pagamento efetuado a mesmo titulo ou mesmo objetivo. Embora este julgador estivesse votando, até pouco tempo atrás, pela improcedência das exigências fiscais relativas a esta matéria, surgiu um fato novo que, segundo penso, justifica a mudança do posicionamento até então adotado, para se chegar à conclusão de que a verba recebida pelo contribuinte é tributável. Trata-se do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial n° 933.11 7/R1% ocorrido em 28/05/2008 no âmbito da Primeira Seção do Egrégio Superior Tribunal de Justiça — STJ, Relator o Ministro José Delgado, no qual se entendeu, por unanimidade de votos que as verbas pagas a titulo de indenização por horas trabalhadas possuem caráter remuneratório, configuram acréscimo patrimonial e ensejam, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional - CIN a incidência de imposto de renda. A ementa do referido acórdão, publicado em 16/06/2008, é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MULTA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. VERBAS INDENIZATORIAS. PETROBRÁS. HORAS-EXTRAS TRABALHADAS (1111). IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. I. Agravo regimental contra decisão que negou seguimento . a recurso especial. 2. O acórdão a quo entendeu pela não-incidência do imposto de renda em horas-extras pagas em decorrência de ruptura de contrato de trabalho que ocasionou a redução da jornada de trabalho para os empregados em regime de • turnos ininterruptos, em face da natureza salarial. 3. A questão da multa constante do art. 44, I, da Lei A' 9.430/96 não foi debatida em momento algum no acórdão recorrido, assim como não foi trazida pela recorrente na sua apelação, ressentindo-se, assim, do necessário prequestionamento. 4. O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTIV). 5. Apesar da denominação "Indenização por floras Trabalhadas — IHT", é a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não. O fato gerador de incidência tributária, conforme dispõe o art. 43 do CTN, sobre renda e proventos, é tudo que tipificar acréscimo ao 5 patrimônio material do contribuinte, e ai estão inseridos os pagamentos efetuados por horas-extras trabalhadas, porquanto sua natureza é remunerató ria, e não indenizatória. 6. O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art. 6°, V, da Lei 7.713/88, bem como no art. 14 da Lei 9.468/97. 7. A Primeira Seção deste Tribunal, no julgamento dos EREsp 695.499/RJ, Rel. Min. Herman Benjamim, em 09/05/2007, pacificou a tese de que as verbas pagas a titulo de indenização por horas trabalhadas possuem caráter remunerató rio e configuram acréscimo patrimonial, e ensejam, nos termos do art. 43 do CTN, a incidência de imposto de renda. 8. Precedentes desta Corte: REsp 939974/RN, Rel. Min. Castro Meira; AgRgREsp 666288/RN, Rel. Min. João Otávio de Noronha; AgRgREsp 978178/RIV, Rel. Min. Humberto Martins; EREsp 695499/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin. 9. Agravo regimental provido. Em razão desse precedente, submeto-me ao posicionamento adotado pelo Egrégio STJ, segundo o qual as verbas recebidas a titulo de "Indenização de Horas Trabalhadas" estão sujeitas à incidência do imposto de renda, de acordo com o artigo 43 do CTN, pois representam acréscimo patrimonial. [1" Na esteira desse entendimento, uma vez firmado o posicionamento deste Egrégio Conselho, arrimado na jurisprudência do STJ, no sentido da incidência do imposto de renda sobre as verbas sub examine, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, impondo seja retificado o Acórdão recorrido, com o fito de restabelecer a Ordem legal nesse sentido. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito aci • esposadas. allk d, én h*, T o 7", Rycardo He fr. e Magalhães e 1 iveira - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720147/2007-51
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INEXISTÊENCIA.
Não há nulidade no processo quando a autoridade lançadora se utiliza de documentos e informações de escrituração obrigatória pelo contribuinte, que devem permanecer à. disposição dos agentes públicos. Menos, ainda, a utilização de elementos fornecidos pelo próprio contribuinte à Receita Federal.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA.
Nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, contudo, em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN.
IMUNIDADE. PROVA. NECESSIDADE.
A mera alegação de imunidade não tem o condão de afastar o lançamento, já que caberia ao recorrente comprovar os fatos que alega.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INEXISTÊENCIA. Não há nulidade no processo quando a autoridade lançadora se utiliza de documentos e informações de escrituração obrigatória pelo contribuinte, que devem permanecer à. disposição dos agentes públicos. Menos, ainda, a utilização de elementos fornecidos pelo próprio contribuinte à Receita Federal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA. Nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, contudo, em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. IMUNIDADE. PROVA. NECESSIDADE. A mera alegação de imunidade não tem o condão de afastar o lançamento, já que caberia ao recorrente comprovar os fatos que alega. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INEXISTÊENCIA. Não há nulidade no processo quando a autoridade lançadora se utiliza de documentos e informações de escrituração obrigatória pelo contribuinte, que devem permanecer à. disposição dos agentes públicos. Menos, ainda, a utilização de elementos fornecidos pelo próprio contribuinte à Receita Federal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA. Nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, contudo, em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. IMUNIDADE. PROVA. NECESSIDADE. A mera alegação de imunidade não tem o condão de afastar o lançamento, já que caberia ao recorrente comprovar os fatos que alega. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 01 47 /2 00 7- 51 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a pessoa jurídica acima identificada foram lavrados os AUTOS DE INFRAÇÃO relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls.02/09, inclusive demonstrativos) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 16/22, inclusive demonstrativos), nos períodos a seguir especificados, para exigência dos créditos tributários também adiante relacionados. Enquadramentos legais nos respectivos autos de infração. Juros de mora calculados até 28/02/2007. Esclareçase que os referidos autos de infração encontramse neste processo administrativo, em cumprimento à disposição contida no art. Io da Portaria SRF n° 6.129, de 2 de dezembro de 2005. Cada um dos supramencionados lançamentos encontrase acompanhado dos respectivos DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO e de MULTA E JUROS DE MORA (PIS, às fls.03/06; Cofins, às fls. 16/19) e do TERMO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL (PIS, às fls. 10/11; Cofins, às fls.23/24). A autoridade fiscal anexou, ainda, os demonstrativos intitulados COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (APURAÇÃO SINTÉTICA), APURAÇÃO DE DÉBITO e DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA (fls. 12/14 e 25/27, respectivamente). Ressaltese que todos os elementos neste item relacionados fazem parte integrante dos autos de infração como se neles transcritos estivessem. Além dos elementos já referidos, a autoridade fiscal acostou aos autos os documentos de fls.28/92, que vêm a ser: i) TERMO DE INTIMAÇÃO e respectivo Aviso de Recebimento AR (fls.28/29); ii) TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL e respectivo AR (fls.30/31); iii) TERMO DE CIÊNCIA E DE SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS e respectivo comprovante de entrega emitido pelos Correios (fls.32/33); iv) Contrato Social da pessoa jurídica LIVRARIA BEREIANA LTDA. (fls.34/36); v) extrato de CONSULTA AO MOVIMENTO ECONÔMICO TRIBUTÁRIO Crédito •• Pis •• "•< Jofins .»'Tributário Valores em reais Períodos de apuração Valores em reais Períodos de apuração Contribuição 5.752,20 Janeiro a 24.608,46 Janeiro a abril e junho a Juros de mora 4.590,96 dezembro/2002 19.656,38 dezembro/2002 Multa de oficio 4.314,11 18.456,29 Total 14.657,27 <52.721,13 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10469.720147/200751 Acórdão n.º 3201001.393 S3C2T1 Fl. 149 3 DA SECRETARIA DE ESTADO DA TRIBUTAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE (MOVECO) da pessoa jurídica TIROL CENTER LTDA, CNPJ n° 08.237.075/000100, relativo ao ano calendário 2002 (fls.37/38); vi) Livro de Apuração do ICMS n° 5, relativo ao anocalendário 2002 (fls.39/64); vii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário 2002 (DIRPJ/2003, parte, fls.65/92); viii) cópia do AR relativo à ciência dos lançamentos (fls.92).Afirma a autoridade fiscal, na “Descrição dos fatos e enquadramento legal” de cada um dos a»'^»s de infração o que adiante se relata. 4 £m procedimento de revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais relativa ao iri,calendário 2002 (DEPJ/2003), foi detectada, nos sistemas da Receita Federal, a falta de .ecolhimento das contribuições para o PIS e a Cofins, indicadas, respectivamente, na ficha 19A, item 32 (fls.67/78), e ficha 20A, item 25 (fls.79/91). Como também não constam de DCTF os valores do PIS e da Cofins devidos, foi elaborado o demonstrativo COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, tendo sido obtidas as bases de cálculo das contribuições com fundamento nos valores escriturados no Livro de Apuração do ICMS, em confronto com o Controle do Movimento Econômico Tributário da Secretaria Estadual de Tributação (MOVECO) e a DIPJ 2003. Em seguida, foram elaborados os demonstrativos denominados APURAÇÃO DE DÉBITO. Considerando que a contribuinte não efetuara qualquer recolhimento, foram elaborados os DEMONSTRATIVOS DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA para cada uma das contribuições, nos quais encontramse explicitados os valores apurados pela autoridade fiscal e exigidos mediante os lançamentos de ofícios objeto do presente processo administrativo fiscal. Ressalva que i) a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às intimações não trouxe quaisquer elementos que viessem a alterar o Relatório de Inconsistência resultante da revisão interna da DIPJ/2003, ii) não houve resposta ao Termo de Ciência e Solicitação de Documentos de que foi cientificada a contribuinte por via postal em 08/03/2007 e iii) os dados contidos nas DCTF e DIPJ/2003 retificadoras não foram considerados nos lançamentos em razão de terem sido apresentadas após iniciado o procedimento fiscal. Devidamente cientificada dos lançamentos (fls.92), a pessoa jurídica autuada apresentou impugnação (fls.93/113), acompanhada tãosomente de cópia de documento de identificação daquela pessoa física. Por meio dessa peça de defesa, alega e requer, em síntese, o que a seguir se relata. Com fundamento no § 4o do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e no fato de ter sido cientificada dos lançamentos em 04/04/2007, levanta Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 preliminar de decadência dos fatos geradores relativos aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2002. Transcreve inúmeros acórdãos do então denominado Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que entende virem em socorro de sua tese. Sob o argumento de ter como objeto social o comércio de livros, afirma gozar da imunidade prevista na letra “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, razão pela qual requer sejam os lançamentos julgados improcedentes. Argúi, ainda, a nulidade das autuações, por ter a autoridade fiscal utilizado, na apuração das contribuições, o Controle do Movimento Econômico Tributário da Secretaria Estadual de Tributação (MOVECO), o que entende consistir em prova emprestada, que fere o direito à ampla defesa e é inadmissível no processo tributário. Ao final, requer a improcedência dos lançamentos. Foi anexado aos autos por esta autoridade julgadora o extrato do sistema RFB SIEFDCTF/CONSULTA PARÂMETROS BÃSICOS, segundo o qual a contribuinte autuada não apresentou as DCTF relativas ao anocalendário 2002. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/REC n.º 27.485, de 08/09/2009: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Aplicado o disposto no inciso I do art. 173 do CTN aos fatos geradores ocorridos em janeiro, fevereiro e março de 2002, temse a extinção do prazo decadencial em 31 de dezembro de 2007, com o que se conclui que o Fisco efetuou o lançamento quando ainda tinha o direito de fazêlo. PIS. ALEGAÇÃO DE IMUNIDADE. A imunidade concedida pela letra “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal alcança apenas os impostos e não as contribuições sociais. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. PERÍODOS DE APURAÇÃO E VALORES APURADOS. MATÉRIAS NÃO 1MPUGNADAS. EFEITOS. Na ausência de contestação expressa de itens da autuação, pressupõese a Fl. 154DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10469.720147/200751 Acórdão n.º 3201001.393 S3C2T1 Fl. 150 5 concordância da autuada em relação à parte não impugnada, o que implica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto inexistir lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOÍINS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2002,01/06/2002 a 31/12/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Aplicado o disposto no inciso I do art. 173 do CTN aos fatos geradores ocorridos em janeiro, fevereiro e março de 2002, temse a extinção do prazo decadencial em 31 de dezembro de 2007, com o que se conclui que o Fisco efetuou o lançamento quando ainda tinha o direito de fazêlo. COFINS. ALEGAÇÃO DE IMUNIDADE. A imunidade concedida pela letra “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal alcança apenas os impostos e não as contribuições sociais. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A falta OU insuficiência de recolhimento da Cofíns constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. PERÍODOS DE APURAÇÃO E VALORES APURADOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Na ausência de contestação expressa de itens da autuação, pressupõese a concordância da autuada em relação à parte não impugnada, o que implica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto inexistir lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 6 Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nestes autos o lançamento de PIS e COFINS do ano de 2002. Da preliminar de prova emprestada Alega a recorrente nulidade do lançamento, pois a autoridade fazendária não poderia se utilizar do Controle do Movimento Econômico Tributário da Secretaria Estadual de Tributação, (MOVECO) e a DIPJ 2003 para suportar o lançamento. Sem razão. Os dados utilizados para suportar o lançamento possuem base legal e são de escrituração obrigatória pelo contribuinte, não havendo qualquer irregularidade em sua utilização. Neste sentido, bem dispôs a decisão recorrida: Entretanto, como já demonstrado, no caso em lide não se caracterizou o empréstimo de prova, uma vez que a Fiscalização, para efetuar os lançamentos, não se baseou em conclusões produzidas em outro processo e, por óbvio, não se caracteriza como prova emprestada a utilização de documentos e informações de escrituração obrigatória pelo contribuinte, que devem permanecer à. disposição dos agentes públicos. Menos, ainda, a utilização de elementos fornecidos pelo próprio contribuinte à Receita Federal. Ademais, a recorrente, em momento algum, comprovou alguma violação à ampla defesa e contraditório da recorrente. Assim, é de ser afastada a preliminar apontada. Da preliminar de decadência. Alega a recorrente a decadência do direito ao lançamento do período de janeiro à março de 2002. Novamente, sem razão. Quando o contribuinte não efetua qualquer recolhimento, o prazo decadencial não é mais de cinco anos do art. 150 do CTN, mas o previsto no art. 173 do mesmo diploma legal. Esta Corte já se manifestou sobre o tema no Acórdão CSRF/0101.994: O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10469.720147/200751 Acórdão n.º 3201001.393 S3C2T1 Fl. 151 7 pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esta posição, inclusive, é de muito suportada pelo STJ, e ainda se mantém, como vemos em decisão de 06/2013 nos autos do AgRg no AREsp 252942/PE, posição, inclusive, submetida ao procedimento de recurso repetitivo, de seguimento obrigatório por esta Corte: TRIBUTÁRIO. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RENDIMENTOS. SÚMULA 7/STJ. DISPOSITIVOS LEGAIS IMPERTINENTES. SÚMULA 284/STF. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I, DO CPC. 1. Cuidase, originariamente, de Ação Anulatória que pretende desconstituir lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto relativo a 1994 e 1995. 2. Não está configurada a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal local julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. 3. O Tribunal a quo, mediante análise da prova documental produzida pelo contribuinte, concluiu pela comprovação parcial da origem dos rendimentos tributados. A reforma de tal entendimento demanda revolvimento fáticoprobatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 4. Da mesma forma, o exame das alegadas nulidades havidas no processo administrativofiscal exigem revolvimento de prova documental, uma vez que o Tribunal a quo atestou que "os documentos acostados aos autos demonstram que, ao demandante, foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, nas diversas fases do processo administrativo, tendo sido devidamente observadas as formalidades do Decreto 70.235/72" (fl. 592). 5. Os arts. 333, I, do CPC e 204 do CTN que disciplinam o ônus da prova e a presunção de certeza e liquidez da CDA não possuem carga normativa suficiente para amparar a tese da Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 8 Fazenda Nacional, no sentido da necessidade de averbação do contrato na matrícula do imóvel. Incide, por analogia, a Súmula 284/STF. 6. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 7. In casu, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1994, o lançamento somente poderia ter sido realizado no decorrer do ano de 1995, de modo que o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1996. Como o prazo decadencial de cinco anos se encerraria em 31 de dezembro de 2000, e a constituição do crédito tributário deuse em junho de 2000 (fl. 593), não há falar em decadência do direito de lançar o tributo. 8. Agravos Regimentais não providos. Assim, deve ser rejeitada a preliminar de decadência levantada. Do mérito No mérito, alega a recorrente ser pessoa jurídica imune, motivo pelo qual não poderia ser imputada à mesma exigência de PIS e COFINS. A mera alegação de imunidade não tem o condão de afastar o lançamento, já que caberia ao recorrente comprovar os fatos que alega. Isso porque, apesar do CARF buscar sempre a verdade material, para que esta seja alcançada, neste tipo de processo, o contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Nesse sentido, há diversos julgados, como vemos por analogia: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10469.720147/200751 Acórdão n.º 3201001.393 S3C2T1 Fl. 152 9 Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Na medida em que a recorrente não comprovou a imunidade que alega possuir, não pode ser afastado o lançamento. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 21 de agosto de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 10909.900165/2008-79
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Ker, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Ker, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 01 65 /2 00 8- 79 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.770, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 55 a 58, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 08/17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DComp apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Sustentou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse, ainda, pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis refutou os argumentos da impugnante assentando que, em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações sobre este juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, no sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, mais, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 63 a 75, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados, trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa, Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900165/200879 Acórdão n.º 3803000.631 S3TE03 Fl. 96 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não de aplicação do instituto da denúncia espontânea para o ato praticado pela Contribuinte de prover compensação dos seus débitos a destempo sem a incidência da multa de mora. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários não dolosos (não prestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não é aplicável ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari1 para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais 1 Denari, Zelmo e Costa Jr., Paulo José. Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, 2 ed., São Paulo: Saraiva, 1996, p. 24, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN 4 sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas. A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho2: Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso, a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. 2 Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 6 ed., São Pau: Saraiva, 1993, p. 348/351. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900165/200879 Acórdão n.º 3803000.631 S3TE03 Fl. 97 5 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo o critério acima, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterseá a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN 6 por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação é o meio de constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901192/2008-76
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
Ementa:PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO.
Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimado diligência, não apresenta as provas do crédito alegado.
Numero da decisão: 3401-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 Ementa:PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO. Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimado diligência, não apresenta as provas do crédito alegado.
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FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO. Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimado diligência, não apresenta as provas do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 11 92 /2 00 8- 76 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Trata o presente processo de PER/Dcomp entregue cm 14/05/2004 indicando um Crédito Pagamento Indevido ou a Maior no valor original de R$ 4.155,20, que teria origem no Darf ('afins, período de apuração de 18/12/2001, código da receita "6147", recolhido em 18/12/2001 no valor de R$ 8.102,64. 0 débito indicado na compensação foi a Cofins do período de apuração de abril de 2004. O Despacho Decisório eletrônico emitido pela DRF/Florianopolis, todavia, não reconheceu a. existência do crédito postulado, sob fundamento de que o Darf indicado pela interessada não fora localizado nos sistemas da Receita Federal; assim, não homologou a compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade a interessada argumentou que, na condição de pessoa jurídica concessionária de serviço público de energia elétrica e o prestando a órgãos públicos, está sujeita A incidência, na fonte do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins, tudo nos termos do art. 64 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Informou ainda que somente em maio de 2004 apercebeuse que a Universidade Federal de Santa Catarina, quando do pagamento da fatura de energia elétrica, efetuava a retenção do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep e que a recolhia em seu nome (interessada) aos Cofres Públicos, e, visando a sua compensação, requereu e obteve da referida instituição a copia da tela Siafi representativa do documento de arrecadação (Condarf). De posse de tal documento, informou ter segregado o valor total retido de forma a obter a quantia correspondente a cada tributo, sendo que, em relação à Cofins, identificou a quantia de R$ 4.155,20, a qual, por não ter sido utilizada para a redução do saldo a pagar da contribuição, indicou para ser compensada com o valor da Cofins do período de apuração de abril de 2004, segundo ela, conforme lhe permitiria o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Juntou cópia da tela de consulta ao Siafi. A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, todavia, não acatou os argumentos da Impugnante alegando, em resumo, e não obstante não tivesse questionado a afirmação de que teria havido de fato a retenção na fonte, que a contribuinte não poderia ter se valido da Dcomp para se aproveitar dos valores retidos sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos As contribuições objeto das retenções e aos períodos base a que pertencem; o saldo credor porventura resultante é que poderia ser usado para a compensação posterior. No Recurso Voluntário a interessada afirmou nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da contribuição devida e ponderou que a retenção na fonte possui natureza jurídica de um pagamento, uma vez que é um depósito nas contas públicas provenientes de recursos do próprio contribuinte. Citou manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 10a Região Fiscal (Processo de Consulta n° 196/2006) que iria na linha de seu posicionamento, arguindo, por fim, que, em caso de reforma da decisão ora recorrida, nenhum prejuízo seria causado ao erário. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901192/200876 Acórdão n.º 3401002.907 S3C4T1 Fl. 6 3 O processo foi enviado para diligencia para que se comprovasse o crédito pleiteado por esta Turma no qual retornou para julgamento sem a devida comprovação do direito creditório. E o Relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. O julgamento da presente demanda resumese a duas partes, a primeira quanto a possibilidade de ressarcimento da parcela da COFINS retida na fonte por entidade pública e não aproveitada, pela Contribuinte, para abatimento do valor devido; a segunda se, de fato, existe algum valor retido e não utilizado. Na primeira análise do recurso voluntário, muito embora o julgamento tenha sido convertido em diligência, no voto do relator original, já foi analisada a primeira parte e concluiuse pela possibilidade de ressarcimento de tais créditos para compensação. Por essa razão, reputo já ultrapassada essa questão, restando analisar somente se existiu retenção não aproveitada para abatimento. O art. 333, inciso I, do CPC, determina que a prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito. O § 4º, art. 16, por sua vez, determina que os documentos devem ser apresentados junto à impugnação, no caso em tela, junto à manifestação de inconformidade. No processo ora analisado, além de não ter apresentado os documentos comprovadores do crédito anexados à manifestação de inconformidade, a Recorrente deixou de apresentados quando interpôs o recurso voluntário. Ainda assim, em busca da verdade material, o julgamento foi convertido em diligência a fim de se saber se existe ou não o crédito alegado pela Recorrente. Do retorno da diligência foi proferido o despacho pela DRF de inexistência de documentos comprovando o direito creditório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Mesmo sendo intimada, a Recorrente não apresentou os documentos. Desse modo, entendo que a converter o julgamento em diligência mais uma vez foge à razoabilidade, principalmente quando a Recorrente já teve diversas oportunidades de provar o alegado e foi omissa. Assim sendo, não estando provada a existência do crédito, o pedido de compensação deve ser indeferido. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Angela Sartori Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000042/2005-25
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001
EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA.
Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo sócio participa com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global supere o limite legal vigente no ano-calendário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.042
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Beatriz Veríssimo de Sena.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo sócio participa com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global supere o limite legal vigente no ano-calendário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , ACORDAM os membros da 1 a câmara / 2a turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os , Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Beatriz Veríssimo de Sena. hl jjít M ' n N*AN0 D ORI P - d . te 14 iii AULO ROSA 'Relato Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. o Processo n° 10840.000042/2005-25 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.042 Fl. 71 Ausente justificadarnente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declarató rio Executivo n" 580444 fl. 16), de 02 de agosto de 2004, de emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto, foi excluída a partir de 01/01/2002 do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9.317, de 05/12/1996, e alterações posteriores, em virtude de constatação da seguinte situação excludente: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. Quanto ao mérito alega que no caso deveria ser considerado o Estatuto da Micro Empresa e Empresa de Pequeno Porte, consoante Lei n° 9.841, de 1999, que em seu art. 8' estabelece que a perda da condição de Empresa de Pequeno Porte em decorrência de excesso de receita Bruta somente ocorrerá se o excesso ocorrer durante dois anos consecutivos ou cinco alternados. Para corroborar seus argumentos juntou matéria veiculada pelo jornal Valor Econômico sobre elevação dos limites para o Simples e artigo publicado na revista Ação Fiscal sobre oficinas mecânicas. É a síntese do essencial. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 RECEITA BRUTA GLOBAL. SÓCIO PARTICIPANTE DE OUTRA EMPRESA. Caracteriza-se situação excludente do sistema simplificado quando o sócio de empresa optante pelo SIMPLES participa com mais de 10% no capital de outra empresa e o faturamento global superar, em todo o ano-calendário, o limite máximo legalmente estabelecido. SIMPLES. DATA DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO. 2 Processo n° 10840.000042/2005-25 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.042 Fl. 72 Os efeitos da exclusão devem obedecer à legislação vigente à época do ato declaratório de exclusão do Simples. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DE ATOS ADMINISTRATIVOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. As razões de recurso são as mesmas apresentadas em sede de impugnação. A decisão a quo não merece reparo. As hipóteses de vedação há opção pelo SIMPLES são as especificadas na Lei 9.317/96 e alterações posteriores. Dentre elas, o fato de o titular ou sócio participar com mais de 10% do capital de outra empresa, quando a receita bruta global ultrapassar o limite especificado no artigo 2° da Lei. CAPITULO V • DAS VEDAÇÕES À OPÇÃO Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°; Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se: 1- microempresa, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano- calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); 1- microempresa a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano- calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) II - empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta superior a R$120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$720.000,00 (setecentos e vinte mil reais). II - empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano- calendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e 3 Processo n° 10840.000042/2005-25 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.042 Fl. 73 duzentos mil reais). (Redação dada pela Lei n° 9.732, de 11.12.1998) II - empresa de pequeno porte a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) ,¢ 1° No caso de início de atividade no próprio ano-calendário, os limites de que tratam os incisos I e II serão proporcionais ao número de meses em que a pessoa jurídica houver exercido atividade, desconsideradas as frações de meses. § 2 0 Para os fins do disposto neste artigo, considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. O limite a partir do qual a opção estava vedada para empresas de pequeno porte era de 720 mil reais até o ano de 1998, de 1,2 milhões de reais até o ano de 2005 e de 2,4 milhões de reais a partir dessa data. A empresa não nega que excedeu o valor fixado na Lei, conforme se depreende do trecho a seguir, extraído do recurso voluntário. Os faturnmentos da recorrente, nos citados anos calendários, acrescidos da outra empresa do qual o sócio participava com mais de 10%, fato este ocorrido até 21 de março de 2.003, ultrapassaram o limite de R$ 1.200.000,00, tão somente no ano calendário de 2.002, entretanto, não ultrapassaram o limite de R$ 2.400.000,00, conforme demonstra o quadro abaixo, que pode ser confirmado pelas cópias das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, que foram apresentadas pela RECORRENTE e pela empresa MARAPECO — Transportes e Serviços Ltda. — EPP, a qual não teve faturamento a partir de 1 de janeiro de 2.002. O quadro abaixo referido no texto especifica o faturamento da recorrente e o da empresa Marapeco Transportes e Serviços Ltda, revelando que no ano de 2001 (e não 2002) o valor do faturamento global de fato excedeu os 1,2 milhões especificados na Lei, perfazendo um total de R$ 1.433.400,70. A razão de assim defender-se, conforme se depreende do teor do texto supra, está no entendimento de que o limite, no ano de 2001, já seria o de R$ 2,4 milhões, por força do disposto na Lei 9.841/99. Ora, o assunto já foi enfrentado pelo i. Julgador de primeira instância. Permito-me reproduzir excerto do voto condutor. Quanto à alegação do contribuinte de que deveriam ser aplicadas as determinações da Lei n°9.841, de 1999, Estatuto da ME e da EPP, a mesma não pode ser aceita. 4 Processo n° 10840.00004212005-25 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.042 Fl. 74 De acordo com o art. 10 da Lei n" 9.964, de 2000, as normas constantes da Lei n" 9.841, de 1999, não têm efeitos tributários, o que equivale a dizer que o tratamento tributário simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte optantes pelo Simples, é o instituído pela Lei n" 9.9317, de 1996 e alterações posteriores: "Lei 9.964, de 10 de abril de 2000 ... Art. 10. O tratamento tributário simplcado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei n o 9.841, de 5 de outubro de 1999." A legislação não pode ser clara sobre o assunto. O limite só passa a ser de 2,4 milhões com o advento da Lei 11.196/05, que deu nova redação ao inciso II do artigo 2° Lei 9.317/96, matriz legal do SIMPLES, elevando o valor ao patamar alegado, mas não aplicável aos fatos ocorridos ao longo do ano de 2001 e, por conseguinte, impre= vel para solução da lide a favor da recorrente.1 S da. essões, em 25 de março de 2009. -1 , n I '1 ' 4,1.1549 It ULO ROSA 1 5
score : 1.0
Numero do processo: 10540.001742/2009-45
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF N 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr.
Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF N 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido.
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 17 42 /2 00 9- 45 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001742/200945 Acórdão n.º 2102002.706 S2C1T2 Fl. 102 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1522.927, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 54), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física —IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 25.116,73, incluída a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a titulo de "Valores Indenizatórios de URV", em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ n° 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ no 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a titulo de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória, a Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003; b) seguiu a informação prestada pela fonte pagadora. Portanto, caso seja considerado que se tratam de rendimentos tributáveis, Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001742/200945 Acórdão n.º 2102002.706 S2C1T2 Fl. 103 3 não poderia ser penalizada com multa e juros .de mora, pois a fonte pagadora teria o dever de reter o imposto devido e efetuar o seu recolhimento. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 60/89, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo, e ao final requer seja julgado nulo o Auto de Infração, pelo reconhecimento da impropriedade da forma de constituição do débito, ou improcedente, pela indubitável natureza indenizatória da "URV" e dos juros morat6rios, bem como pela ilegitimidade ativa da própria Unido Federal. Outrossim, caso mantida a exigência — o que mais uma vez se cogita apenas por dever de cautela — requer seja excluída a incidência da MULTA no importe de 75% do débito, haja vista não restar comprovada a existência de qualquer tipo de infração cometida diretamente pela Contribuinte, já que as informações foram baseadas em Lei Estadual, e ainda a exclusão da incidência do Imposto de Renda que recaiu sobre os juros de mora do período. Efetuado sobrestamento do julgamento deste recurso, consoante Resolução de nº 2101000.092, de 20/09/2012. É o Relatório. Voto Conselheira José Raimundo Tosta Santos, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Consoante descrição dos fatos no auto de infração, este lançamento decorre da classificação indevida de rendimentos tributáveis, na Declaração de Ajuste Anual, como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001742/200945 Acórdão n.º 2102002.706 S2C1T2 Fl. 104 4 parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Inicialmente, cumpre esclarecer que a matéria foi colocada em pauta de julgamento nesta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção do CARF, tendo em vista a transferência deste Relator para compor o Colegiado. Constatei, então, que esta Turma não sobrestava o julgamento dos recursos que tratam da tributação de valores auferidos acumuladamente, a título de “Indenização URV”, por considerar, no mérito, em votação unânime, indevida a exigência tributária em exame. Após analisar os fundamentos para cancelamento da exigência tributária, firmei convencimento do seu acerto, razão pela qual peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102 001.337, de 08/06/2011, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do ministério público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente se deve alterar a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003), que em tudo se aplica ao presente caso e que ora se toma como razões de decidir: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001742/200945 Acórdão n.º 2102002.706 S2C1T2 Fl. 105 5 da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001742/200945 Acórdão n.º 2102002.706 S2C1T2 Fl. 106 6 II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001742/200945 Acórdão n.º 2102002.706 S2C1T2 Fl. 107 7 não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o lançamento em exame, de modo que se torna desnecessária a análise das demais questões suscitadas pela defesa. Registrese, por oportuno, que o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no mesmo sentido, no julgamento do Recurso Especial nº 1.187.109 MA (2010/00570259), sessão realizada em 17/08/2010, cuja ementa se transcreve: EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001742/200945 Acórdão n.º 2102002.706 S2C1T2 Fl. 108 8 SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, conheceu em parte do recurso e, nessa parte, negoulhe provimento, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins (Presidente), Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. BrasíliaDF, 17 de agosto de 2010(Data do Julgamento) MINISTRA ELIANA CALMON Relatora Por fim, este Colegiado já se manifestou em diversos julgados (Acórdãos nºs 2102001.931, 2102001.690, 210201.565, 210201.565, dentre outros), sempre em votação unânime, que os valores das diferenças de URV percebidos pelos magistrados do Estado da Bahia não são rendimentos tributáveis. Do Acórdão nº 2102002.614, sessão de 20/08/2013, transcrevo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001742/200945 Acórdão n.º 2102002.706 S2C1T2 Fl. 109 9 renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10925.000191/2004-73
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES. PRESTADORA DE SERVIÇOS DE REFRIGERAÇÃO, COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS E EQUIPAMENTOS PARA REFRIGERAÇÃO.
Comprovado o não enquadramento da atividade como de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, afasta-se a exclusão determinada com base no art. 9°, III, da Lei n.° 9.317/96. Precedentes.
Recurso Voluntário provido..
Numero da decisão: 1102-000.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Opperman Thome e José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:46:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:46:47Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:46:47Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:46:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:605ea58c-5c70-49ef-8579-3f7d756cfdf8; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:46:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:46:47Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:46:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:46:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:46:47Z; created: 2010-12-21T10:46:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-12-21T10:46:47Z; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:46:47Z | Conteúdo => SI-C1T2 F1 113 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10925.000191/2004-73 Recurso n" 341.551 Voluntário Acórdão n" 1102-00.251 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES Recorrente MEGAFRIO REFRIGERAÇÃO LTDA. Recorrida 4" TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG EMENTA: SIMPLES. PRESTADORA DE SERVIÇOS DE REFRIGERAÇÃO, COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS E. EQUIPAMENTOS PARA REFRIGERAÇÃO. Comprovado o não enquadramento da atividade como de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, afasta-se a exclusão determinada com base no art. 9°, III, da Lei n..° 9.317/96. Precedentes, Recurso Voluntário provido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Opperman Thome e José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, íVOI-EigeialASESSOA MONTEIRO - Presidente SILVANA R-WIGNO GUERRA BARRETTO Relatora EDITADO EM: 1 O N V 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), José Sergio Gomes, João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), João Otavio Oppernian Thomé, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado) e Silvana Rescigno Guerra Barreto (Relatora). iv) v) vi) Relatório A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba, Santa Catarina, expediu o Ato Declaratório Executivo DRFLIOA n.° 13, de 23 de março de 2004, para determinar a exclusão da Recorrente do SIMPLES, a partir de 01 de janeiro de 2002, em razão da atividade por ela desempenhada, com fundamento no art. 9°, XIII, da Lei n..° 9.317/96., Inconformada, a Recorrente apresentou Impugnação, manifestando-se contrariamente ao procedimento de exclusão, com base nos seguintes argumentos: Dedica-se às atividades de prestação de serviços em refrigeração, comércio e distribuição de peças e equipamentos de refrigeração, que não se assemelham à profissão de engenheiro; O STJ já teria decidido que mera resolução de conselho profissional, de atividades empresariais não diretamente relacionadas com as atividades típicas ou privativas mencionadas na lei regulamentadora da profissão não sujeita a empresa ao registro no conselho de fiscalização profissional; iii) O tratamento jurídico diferenciado, simplificado determinado pelos artigos 170 e 179, da Constituição Federal deveriam ser observados; O alcance do termo "assemelhados" não pode ser extensivo para dar margem a conclusões subjetivas e discricionárias, a interpretação deve ser restritiva; Teriam sido violados os princípios da razoabilidade ou da proporcionalidade e da capacidade contributiva, ambos de base constitucional; Incabível a retroação do ato de exclusão, quando a empresa indicou as atividades que desempenha quando do cadastro do órgão fazendário, o que deveria afastar a imposição de penalidades e multas; vii) Deveria ser aplicado o comando do art,112, do CTN que exige interpretação mais benigna na exclusão de penalidade; viii) O Tribunal Regional Federal da 4° Região, em casos análogos teria interpretado de forma restritiva o comando do inciso XIII, do art, 9°, da Lei n,' 9,317/96. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte indeferiu a solicitação da Recorrente, invocando o Ato Declaratório Normativo (AD(N)) COSIT ri,' 4, de 22 de fevereiro de 2000 que expressa o entendimento de que não é possível a i) 2 Processo n" 10925 000191/2004-73 SI-C1T2 Acórdão n " 1102-04.25I Fl 114 adesão ao SIMPLES por contribuintes que exercem atividade de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia. Acrescentou a Turma .Julgadora que os efeitos da exclusão determinados pelo Ato Declaratório não merecem reparos, já que estão em consonância com a disciplina da Instrução Normativa n,' 355, de 29 de agosto de 2003, e, finalmente, esclarece que as considerações envolvendo matéria constitucional não são passíveis de análise e as decisões e doutrina colacionadas não vinculam o julgador. Diante do indeferimento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as razões postas na Impugnação, transcrevendo decisões dos Tribunais pátrios e acrescentando que, atualmente estaria perfeitamente enquadrada no atual Simples Nacional instituído pela Lei Complementar n.° 123/2006; É. o relatório. 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preenchidos os pressupostos recursais, passo a apreciar o Recurso Voluntário. A Recorrente insurge-se através de Recurso Voluntário contra os efeitos retroativos do Ato Declaratório Executivo n,° 13, de 23 de março de 2004 que a excluiu do SIMPLES, por considerar as atividades de prestação de serviços de refrigeração, comércio e indústria de peças para equipamentos de refrigeração como de engenharia ou assemelhada. O ato de exclusão está fundamentado no art. 9°, XIII, da Lei n.° 9,317/96: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica . („) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produto, de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão urjo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; "( ) Deflui-se da leitura do inciso XIII, do ali, 90 acima transcrito que a vedação para adesão ao SIMPLES ali disciplinada está diretamente relacionada ao exercício de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, hipótese diversa da submetida à apreciação do Colegiada, haja vista que as atividades que motivaram a exclusão são desempenhadas por técnicos, sem formação de nível superior.. As notas fiscais de fis, 19/30 comprovam a natureza das atividades — manutenção de ar condicionado, instalação de equipamentos de refrigeração, reformas de portas frigoríficas, montagem de câmara frigorifica — e autorizam a manutenção da Recorrente no SIMPLES, notadamente se observado o comando dos artigos 17, § 1 2 e 18, § 5 9-B , da Lei Complementar n,° 123/06, verbis: "Art. 17 Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte (,.) §1 As vedações relativas a evercicio de atividades previstas no capta deste artigo não se aplicam ás pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5"-B a 5"-E do cirt. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo (. Art 18. § Sem prejuízo do disposto no ,sÇ' 1' do art. 17 desta Lei Complementar, serâo tributadas na fbrina do Anexo 1.11 4 Processo n" 10925.000191/2004-7.3 S1-C1T2 Acórdão n." 1102-00251 Fl 115 desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: «) IX - serviços de instalação, de reparos e de manutenção em mera!, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; " (...) Por fim, transcrevo decisões na mesma direção do presente voto, verbis: "SIMPLES - EXCLUSÃO A SSunto- Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das- Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador. 17/11/2000 SIMPLES NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALA ÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS CENTRAIS DE AR CONDICIONADO, DE VENTILA ÇA-0 E REFRIGERAÇÃO LC 123/06. Aplicação retroativa benéfica Serviços- de instalação e manutenção de aparelhos e sistemas de ar condicionado, refrigeração, ventilação, aquecimento e tratamento de ar em ambientes controlados são citados na Lei Complementar 1.23, de 2006, como atividades econômicas beneficiadas pelo recolhimento de impostos e contribuições na .forma simplificada. Fato com repercussão pretérita por força do princípio da rettoativide benigna previsto no Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3" C011wIho de Contribuintes /3a. Turma Especial / ACÓRDÃO 393-00 044 em .2.2.10.2008, Relatar Regis Xavier Holanda, Publicado no DOU em: 05.03.2009) "Ementa SIMPLES EXCLUSÃO Não poderá ser confundida com atividade similar a de engenharia mecânica, privativa de engenheiros ou assemelhados, ramo de oficina de prestação de serviços na área de manutenção e reparo de equipamentos hidráulicos e pneumáticos. Atividade exercida não se encontra enquadrada nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostas e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" (Recurso 136444, Rel. Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Acórdão 302-39217, Sessão do dia 06/12/07) "Simples. Exclusão indevida. Não poderá ser confundida com atividade similar a de engenharia mecânica privativa de engenheiros ou a.ssemelhados ramo de oficina de prestação de serviços na reli:unia de máquinas pesadas, tratores e comércio de peças e equipamentos. Atividade exercida não se encontra enquadrada nas atividades incluídas- nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno palie RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" (Recurso 133141, Rei Sílvio Marcos Rareei° Fiúza, Acórdão 303-33212, Sessão cio dia 2510506) Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para determinar a manutenção da Recorrente no SIMPLES. SILVANA RESCIGP140 GUERRA BARRETTO 6
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006413/2005-09
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2003
PAGAMENTO. INDEVIDO. DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. DEVOLUÇÃO.
Constado o pagamento em duplicidade pela Autoridade Fiscal, impõe em reconhecer o direito ao indébito ao Sujeito Passivo da Obrigação, devolvendo-o em razão de ter sofrido o ônus, não justifica o indeferimento por outras causas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do pagamento indevido de PIS, COFINS e IPI.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2003 PAGAMENTO. INDEVIDO. DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. DEVOLUÇÃO. Constado o pagamento em duplicidade pela Autoridade Fiscal, impõe em reconhecer o direito ao indébito ao Sujeito Passivo da Obrigação, devolvendo-o em razão de ter sofrido o ônus, não justifica o indeferimento por outras causas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INDEVIDO. DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. DEVOLUÇÃO. Constado o pagamento em duplicidade pela Autoridade Fiscal, impõe em reconhecer o direito ao indébito ao Sujeito Passivo da Obrigação, devolvendoo em razão de ter sofrido o ônus, não justifica o indeferimento por outras causas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do pagamento indevido de PIS, COFINS e IPI. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 64 13 /2 00 5- 09 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Tratase de pedido de restituição de valores pagos indevidamente de contribuição e impostos incidentes sobre importação decorrente do pedido de cancelamento de declaração de importação, consequentemente, o reconhecimento do direito creditório. Extraíse dos autos que a Recorrente pagou em duplicidade os tributos incidentes na importação de bens em decorrência falha no sistema, constatado ingressou com pedido de cancelamento de declaração de importação nº 05/06392532 que teria sido registrada junto com a DI 05/06395817, ambas em 26 de junho de 2005, e, o reconhecimento de direito creditório em reaver o que desembolsou desnecessariamente em relação DI nº 05/06392532. A solicitação de cancelamento da DI nº 05/06392532 foi autorizada conforme se vê da decisão de fl.44. Restou esclarecido no Despacho que houve pagamento referente as duas DI. Apresentado o pedido foi instado apresentar os livros diários, razões que comprovasse o lançamento, bem como, balancete do mês de Junho de 2005, balanço patrimonial de 2005 e termos de abertura e encerramento dos respectivos livros. Exaurido o prazo fixado para apresentação dos documentos solicitados sem manifestação por parte da Interessada, sobreveio o Despacho de fls. 58/59 deferindo o pleito quanto ao direito creditório tãosó em relação ao Imposto de Importação. O pedido quanto aos demais tributos (PIS, COFINS, IPI) e a taxa de utilização do SISCOMEX restaram indeferidos ao argumento de que o contribuinte deixou de fazer prova a assunção do encargo financeiro sem repasse a terceiros dos valores dos tributos que foram pleiteados a devolução, fl.56. A decisão recorrida manteve na integra o Despacho que indeferiu o reconhecimento do direito creditório do pagamento em duplicidade do PIS, COFINS, IPI e Taxa de Utilização do SISCOMEX pelo mesmo motivo falta de comprovação da assunção do encargo financeiro sem repasse a terceiros dos valores dos tributos. Com as razões recursais foram juntados documentos, instado a Fazenda Nacional a se manifestar, afirmou ser intempestivo, restou desentranhados por decisão do Presidente da Terceira Seção, Henrique Pinheiro Torres. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A questão trazida neste caderno processual administrativo não demanda complexidade. Tratase de pagamento em duplicidade decorrente do cancelamento da Declaração de Importação – DI nº 05/06392532, a Autoridade Administrativa cancelou a DI gerada por falha no sistema, conferiu os pagamentos pelo Sistema Sinal, negou o pleito diante da inexistência de prova de que o ônus não tivesse sido repassado a terceiros. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11128.006413/200509 Acórdão n.º 3403002.554 S3C4T3 Fl. 5 3 A intimação de fls. 56, além de solicitar os livros fiscais, constou em observação: “conforme o Parecer COSIT nº 47, de 17/11/2003, fica dispensada a comprovação da assunção de encargos financeira referente ao Imposto de Importação”. Em resumo, esse é o argumento que subsidiou a decisão recorrida. O verdadeiro titular do direito de pleitear o indébito é quem desembolsa os recursos financeiros e sofre ônus. No caso em tela a Importação davase diretamente para a Recorrente é o que se extraí dos documentos anexados, portanto, a exigência de comprovação de assunção se revela obstáculo desnecessário, principalmente no caso dos autos, configura procedimento usual de dificultar. A comprovação de que ônus é da empresa Aços Vilares S/A está estampada nas Declarações de Importação, que demonstram que a importação era para a mesma. No caso de importação o sujeito passivo é o importador, e, é ele que suporta a repercussão prevista em lei. É de toda sabença que não há desembaraço aduaneiro sem o prévio pagamento do IPI II, PIS, COFINS, ICMS. No caso o ICMS e o IPI são os únicos impostos de natureza a comportar transferência do encargo financeiro a terceiros. No caso concreto o IPI incidiu em operação de importação para o próprio sujeito passivo da obrigação, a interessada. Pode até aventarse que a transferência é juridicamente possibilitada. Quanto a Taxa de uso do SISCOMEX, por falta de previsão legal e tratarse de contraprestação pela utilização do sistema, nesse ponto não assiste direito ao pleito. Constatado pela Autoridade Administrativa a existência do pagamento relativo às duas declarações de importação e tendo sido uma delas canceladas é o bastante para reconhecer o direito creditório à pessoa que efetivamente executou o recolhimento dos tributos. Com essas razões, conheço do recurso e dou provimento parcial para reconhecer o direito creditório em relação ao pagamento indevido para o PIS, COFINS e IPI. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003824/2004-06
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1995, 1996
ITR - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA
Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01
de janeiro (art.. 150, § 4º do CTN).
ÁREA DE. PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Devidamente comprovado que a área é de preservação permanente a mesma poderá ser excluída da base de cálculo do ITR.
Preliminar de decadência acolhida
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.666
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Relator, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao exercício de 1995 e, no mérito, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1995, 1996 ITR - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art.. 150, § 4º do CTN). ÁREA DE. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Devidamente comprovado que a área é de preservação permanente a mesma poderá ser excluída da base de cálculo do ITR. Preliminar de decadência acolhida Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-14T17:25:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-14T17:25:01Z; Last-Modified: 2010-12-14T17:25:01Z; dcterms:modified: 2010-12-14T17:25:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6d914ca5-0195-40ac-97b3-60330e1c3179; Last-Save-Date: 2010-12-14T17:25:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-14T17:25:01Z; meta:save-date: 2010-12-14T17:25:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-14T17:25:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-14T17:25:01Z; created: 2010-12-14T17:25:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-12-14T17:25:01Z; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-14T17:25:01Z | Conteúdo => //f• ANN Relator PEDRO ANAN Relator S2-C2T2 11 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 1028.3.00.3824/2004-06 Recurso n° 332,222 Voluntário Acórdão n" 2202-00.666 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2010 Matéria ITR Ex(s).: 1995 e 1996 Recorrente ISAAC BENAYON SABBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1995, 1996 1TR - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA Sendo a apuração e o pagamento do 1TR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei n" 9..393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art.. 150, § 4." do CTN). ÁREA DE. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Devidamente comprovado que a área é de preservação permanente a mesma poderá ser excluída da base de cálculo do 1TR. Preliminar de decadência acolhida Recurso provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Relator, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao exercício de 1995 e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, EDITADO EM: 2 2 (NT 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassulli Júnior (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. 2 Processo n" 10283 003824/2004-06 Acóifflo n " 2202-09T666 S2-C2T2 El 2 Relatório Trata-se de exigência do Imposto Territorial Rural dos exercícios de 1995 e de 1996 efetuada mediante notificações de lançamento, nos valores de R$ 1,959,28 e de R$ 1.188,25 (fls.. 40/41) respectivamente, referente ao imóvel denominado "Ilha de Niterói", localizado em Porto Velho/RO, com área de 2204. ha e registrado na SRF sob numero 2342616..0. O contribuinte impugnou os lançamentos alegando que os valores do 1TR estão elevados (R$ 59,60 e R$ .35,09, respectivamente), motivados pelos cálculos com base em injustificável aumento do Valor da Terra Nua — VTN, arbitrado pela Secretaria da Receita Federal, e por ter sido tributada área de reserva florestal, alegando que o imóvel está localizado na Zona 4 do zoneamento Sócio-econômico-ecológico a que se refere a Lei Complementar número 52/1991 do Estado de Rondônia, que amplia para 100% a zona de preservação ecológica. Pela Resolução número 301-1,663, de 13/7/2006, da Primeira Câmara do Terceiro Conselhos de Contribuintes, o julgamento foi convertido em diligência para que o Mera informasse: a) se a tão-só localização do imóvel na mencionada Zona 4, implicaria caracterizar tal imóvel como área de utilização limitada; b) como está classificado o imóvel nesse órgão; e c) na hipótese de estar classificado corno área de reserva legal, se sua localização na Zona 4 excluiria a obrigação de averbação na sua matricula. O Incra respondeu nos termos do Oficio 1.819/SR(17)/G/INCRA, de 4(8/2007, da Superintendência Regional de Rondônia (fi. 149), no qual informou: que de conformidade com a Lei Complementar da 52/91 do Governo de Rondônia, as áreas da Zona 4 tiveram uso restrito, sugerindo consulta junto à Sedam em vista da nova aproximação; com relação à classificação dos imóveis, o que pode informar e a classificação por dimensão e produtividade, corno segue: Grande Propriedade Improdutiva; • quanto à classificação por zona e a exclusão da averbação da reserva legal, sugere consulta junto à Sedam/RO. Solicitada a prestar informações, a Sedam respondeu pelo Oficio 1.104/GAB/SEDAM (fl. 152), encaminhando os documentos de fis. 153/179 e informando que imóvel fica impossibilitado de averbar a reserva legal por se tratar de área de preservação permanente do Rio Madeira, Pela Resolução número 301-2,068, de 13 de novembro de .2008, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que o lbama informasse: a) sobre a quantidade de áreas do imóvel "Ilha de Niterói", com área total de 2 204 lia e registrado na SRF sob ri° 23426160, que estava registrada ou aceita por essa autarquia, nos anos de 1994 e de 1995, como de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossisternas (ali 11 da Lei 1- 8.847/94); e 3 b) sobre se esse imóvel está localizado na Zona 4 do zoneamento Sócioeconómico- ecológico do Estado de Rondónia, estabelecido pela Lei Complementar n° 52/1991 (art 28, IV, abaixo transcrito), e , em caso positivo, se essa localização implica ou é saficient para reconhecê-lo como área de reserva legal, de preservação permanente ou de inter es se ecológico para a proteção dos ecos.sístemas. Houve cumprimento da diligência conforme podemos verificar através do oficio 831/2009 GAB/1BAMA/RO documentos de tis,. 195/196. É o relatório 4 Processo n" 10283 003824/2004-06 Acóalào n " 2202-00.666 S2-C2T2 Fl 3 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JÚNIOR, Relatar O presente recurso preenche os recursos de admissibilidade, portanto ele deve ser conhecido DECADÊNCIA EXERCÍCIO 1995 Antes de verificarmos eventual questão de mérito, gostaria de levantar de oficio urna preliminar que é matéria de ordem pública e essencial para encerrarmos a presente lide, apesar de não sido argüida pelo Recorrente. Podemos verificar que trata-se de atuação referente ao exercício de 1995, sendo que a notificação de lançamento foi efetuada em 02 de junho 2000. No que diz respeito ao lançamento referente ao exercício de 1995. Como o 1TR é um tributo sujeito a homologação, nos termos do que dispõe o artigo 10, da Lei n°9.39.3, de 1996. entendo que devemos aplicar ao presente caso, para fins de contagem do início do prazo decadencial o disposto no parágrafo LI", do artigo 150 do CTN, ou seja o prazo se inicia a partir do fato gerador do tributo que no caso do 1TR ocorre em 1 de janeiro de cada ano- calendário: Ar! 1.50 O lançamento por homologação, que ocorre quanto CIOS Liibutov cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento .sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim eyercida pelo obrigado, expressamente a homologa I" O pagamento antecipado pelo obrigado nos lermos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento § 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores é homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando é extinção total ou parcial do crédito. § 3" 0.s atos a que se refere a parágrqfir anterior serão, pot étn, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fido gerador; expirado esse 5 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito„salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desta forma, como houve o fato gerador do tributo ocorreu em 01 de janeiro de 1995, e o auto de infração só foi lavrado em 02 de junho de 2000, entendo que operou-se a decadência em constituir o crédito tributário no que diz respeito ao ano-calendário de 1995. MÉRITO Verifico que, instado a se manifestar sobre se a localização do imóvel na Zona 4 do zoneamento Sócio-econômico-ecológico a que se refere a Lei Complementar 11 8 52/1991 do Estado de Rondônia implicaria caracterizar' o imóvel como área de utilização limitada, o mera respondeu que as áreas da Zona 4 tiveram uso restrito e sugere que seja feita consulta à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) do Governo de Rondônia. Por sua vez, a Sedam informa que o imóvel está impossibilitado de averbar a área como de reserva legal por se tratar de área de preservação permanente do Rio Madeira. Verifica-se que na DITR/1994 o interessado incluiu 50% da área como de reserva legal (fi.. 37) e que 50% da área do imóvel estava gravado desde 1992 como de preservação florestal, conforme acordo entre o contribuinte e o MAMA averbado na matricula cartorial do imóvel (fl. 83), O IBAMA por sua vez informa que o registro da reserva legal era um procedimento feito diretamente pelo contribuinte, é que a área de preservação permanente, não constava no termo de averbação da reserva legal, sendo que havia somente um termo de compromisso que não era averbado em cartório. No que diz respeito a localização do imóvel zona 4 do zoneamento sócio-econômico ecológico do Estado de Rondônia, o MAMA não informou que não poderia se manifestar uma vez que isso é competência do Estado de Rondônia. Trata-se de lide sobre a exclusão ou não do .ITR„ sobre áreas de reserva florestal que o interessado alega existir, primeiramente em percentual de 50%, averbado na matricula do imóvel "ILHA DE NITEROI", com área de 2204. ha, e, depois, em 100%, a partir da Lei Complementar 52/1991 do Governo do Estado de Rondônia, que dispõe sobre o Zoneamento Sócio-econômico-ecológico de Rondônia. Podemos verificar que após todas as diligências efetuadas, e documentos juntados pelo Recorrente, podemos concluir que a área em questão pode ser classificada como área de preservação permanente, portanto passível de exclusão da base de cálculo do ITR, forma \Trinai dreSel Des , ilevanto de ofício a p provimento ao reun. ( conheço do recurso, no que diz respeito ao exercício de 1995, je decadência, e no que diz respeito ao exercício de 1996, dou Wo pelo Recorrente, PEDRO ANN.N JUNIOR 6 Data da ciência: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10283003824200406 Recurso n": 332222 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art. 81 do Regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" .256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 22024)0.666. Brasília/DF, r2 2 ou EVELINE COÊLHO DE. MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ) Apenas com Ciência ) Com Recurso Especial ) Com Embargos de Declaração 10 Procurador( a) da Fazenda Nacional
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