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Numero do processo: 19679.011715/2005-66
Data da sessão: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 15/02/2000, 14/11/2000
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E
JUDICIAL, CONCOMITÂNCIA
SÚMULA CARF n° 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC
Súmula CARF n° 4. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso na parte submetida ao poder judiciário e, na parte conhecida negar provimento ao recurso, quanto a Selic, nos termos do voto do Relator
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/02/2000, 14/11/2000 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL, CONCOMITÂNCIA SÚMULA CARF n° 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF n° 4. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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S3-C3TI El 180 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19679,011715/2005-66 Recurso n" 265327 Voluntário Acórdão n° 3301-00.684 — 3° Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 01 de outubro de 2010 Matéria PIS-MULTA ISOLADA Recorrente ACCENTURE DO BRASIL LTDA. Recorrida PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/02/2000, 14/11/2000 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL, CONCOMITÂNCIA SÚMULA CARF n° 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF n° 4. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso na parte submetida ao poder judiciário e, na parte conhecida negar provimento ao recurso, quanto a Selic, nos termos do voto do Relator. José Adão,ffit6~Morais Relator. EDITADO EM: 27/10/2 Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitotino de Morais (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ São Paulo I, SP, que julgou procedente em parte o lançamento da multa de oficio isolada, no percentual de 75,0 % das parcelas da contribuição para o PIS referentes aos meses de competência de janeiro e outubro de 2000, vencidas em 15/02/2000 e 14/11/2000, respectivamente, pagas depois daquelas datas sem o acréscimo da multa moratória. Cientificada do lançamento, a recorrente impugnou-o, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: "2.1. A Requerente não estava obrigada a pagar quaisquer valores a titulo de multa de mora em razão do recolhimento da contribuição ao COFINS efetuado em atraso, em razão do disposto no artigo 138 do CTN Tendo em vista que quitação do tributo ocorreu antes do inicio de qualquer procedimento de fiscalização a Requerente pode se beneficiar da denúncia espontânea, o que afasia o seu dever de recolher qualquer tipo de penalidade E, como conseqüência, deve ser afastada a exigência de multa de oficio que tenha por fundamento a suposta falta de recolhimento da multa de mora, inexigível no caso em questão 2.2 A doutrina, a jurisprudência do SEI e também a jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda reconhecem que não existe distinção entre multa moratória e multa punitiva, razão pela qual o artigo 138 é perfeitamente aplicável ao caso em tela. 23 A Requerente obteve decisão judicial, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.61 00.005481-0, que reconheceu a improced 5. das cobranças de multa constantes na sua conta-corrente, expedido em 25.4 _00.5, c trq/ as quais consta a exigência de que decorre a multa de oficio aplicada nas Auto Infração Ou seja, a Requerente possui decisão judicial que reconhece que c 1,4fid'r de mora a que se refere esta autuação não era devida, o que torna claro que, „Km — conseqüência, a Requerente não cometeu qualquer inflação e que não pode ser sujeita ao pagamento da multa de oficio em questão 2.4 O Egrégio Conselho de Contribuintes do ME' já pacificou o seu entendimento de que, em tendo ocorrido a denúncia espontânea, confOrme o artigo 138 do CTN, não pode ser exigido do contribuinte o pagamento de multa moratória, o que afasta a possibilidade de aplicação da penalidade de oficio prevista nos artigos 43 e 44 da Lei 9.430/96, Tal jurisprudência é totalmente aplicável a este caso, o que impõe ó cancelamento da exigência de multa em questão, por ser totalmente indevida. 2,5, A Taxa SEL1C não pode ser aplicada, unia vez que não fin criada para .fins tributários, como reconhece a . jurispilidência transcrita anteriormente. 2.6. Por fim, a Requerente pleiteia integral provimento a esta Impugnação 2 CONCOM1TÁNCIA PARCIAL A propositura de ação judicial na parte que são deduzi mesmas razões trazidas na impugnação afasta a aplk, desta ,......—---PIS - DECADÊNCI7 --A //7 Processo n" 19679 011715/2005-66 Acórdão o." 3301-00.684 S3-C3 Ti FF 181 .3. Quanto à Ação de Mandado de Segurança n° .2005.61.00,005481-0 (fls 58- 69, protocolada em 11/04/2005, no seu item i, b fl. (60) questiona, entre outros, sobre Débitos correspondentes à multa em hipótese de denúncia espontânea Requer, entre Outros, a concessão em definitivo da segurança, com a confirmação da liminar, para que seja concedida ordem judicial que determine a expedição de Certidão Negativa, ou Positiva, com Efeito, de Negativa, em nome da Impetrante, com o conseguinte cancelamento dos débitos indicados no seu conta-corrente em virtude da sua manifesta improcedência, seja pela quitação, seja pela cobrança indevida de multa, _seja pelas compensações efetuadas. .3,1. .4 sentença da Justiça Federal (fls. 87-91), quanto à denúncia espontânea, decidiu que:. 'A denúncia espontânea tem por objetivo afastar a responsabilidade por Infrações espontaneamente denunciadas, sendo, que estas podem relacionar-se tanto ao não cumprimento da obrigação de pagar tributo, quanto ao não cumprimento de urna obrigação acessória, Em vista disso, o CTN não faz distinção entre obrigação principal e obrigação acessória, nem entre multa de natureza punitiva ou moratória. Se o contribuinte cumpre sua obrigação tributária fora do prazo legal, porém antes do inicio de qualquer medida fiscal relacionada com a Infração faz jus ao beneficio em análise'. `...entendo que são indevidas as multas de mora cobradas da impetrante pela Receita Federal, sobre recolhimentos efetuados fora de prazo, porém de forma espontânea, razão pela qual estas muitas também não podem obstar o fornecimento da CPD/EM, devendo ser canceladas'. 'Isso posto, julgo procedente o pedido e CONCEDO A SEGURANÇA, para confirmar a liminar que determinou a expedição de Certidão Positiva de Débito, com Efeito, de Negativa em favor da impetrante, bem como pata declarar cancelados os débitos de multas moratórias constantes do relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal em 27/04/2005, acostados aos autos às fls, 541/559'. 'Sentença Sujeita ao duplo grau de jurisdição'. .3.2 Desde 14/11/2008, o processo encontra-se no Tribunal Regional da 3" Região 07 105) aguardando apreciação da apelação da impetrada Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente em parte, transformando a multa isolada em multa de mora, reduzindo o seu percentual de 75,0 % para 20,0%, conforme acórdão n° 16-19.648, às lis. 108/118, assim ementado: "CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA - COMPATI1.3 ILIDADE. Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, faz-se necessária sua prévia constituição Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento). 3 Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8 212/91 por meio de Súmula Vinculamo no 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. JUROS DE MORA - TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SEL1C, porque se encontra amparada por lei, urja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA — MULTA DE OFICIO ISOLADA — RETROATIVIDADE BENIGNA, Em face do principio da retroatividade benigna (ar! 106, II, 'c' do CTN), a multa de oficio isolada de 75% sobre pagamento em atraso sem o acréscimo da multa de mora não é mais aplicável. Cabe, então, a aplicação da multa do 'nora de 0,33% até 20% conforme disposto no art 61 da Lei n° 9430/96." Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 121/141, requerendo a sua reforma a fim de que se dispense a multa de mora, alegando, em síntese, que o pagamento das parcelas da contribuição, ainda que depois dos respectivos vencimentos, mas antes de quaisquer procedimentos administrativos fiscais pelo Fisco, configurou-se o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, art. 138, implicando na exclusão da multa de mora; e, ainda, que obteve decisão judicial reconhecendo a não- incidência de multa de mora sobre seus débitos pagos sob a proteção da denúncia espontânea. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: i) a denúncia espontânea: ilegalidade da cobrança de multa de mora referente aos recolhimentos de tributo em atraso feitos pela recorrente; ii) a sentença proferida no mandado de seguran a n" 2005..61.00.005481-0; iii) a jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes do .1 ust4 io/ da Fazenda: ilegalidade da manutenção da multa de oficio aplicada; e, iv) a ilegitimi. ad- aplicação da taxa Selic. É o relatório, Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70,235, de 06 de março de 1972.. Assim, dele conheço. Conforme se verifica da decisão recorrida, o lançamento da multa isolada de oficio foi cancelado pela autoridade julgadora de primeira que, contudo, determinou a cobrança da multa de mora sobre o débito fiscal vencido em 15/11/2000 e pago em 30/09/2005, sem o acréscimo daquela.. 4 Processo n" 19679 011715/2005-66 S3-C3 f 1 Acórdão n 3301-00.684 F 1 182 Discordando dessa decisão, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário, suscitando o instituto da denúncia espontânea e, conseqüentemente, o não cabimento da multa de mora nos termos do CTN, art. 138. Assim, as matérias opostas nesta fase recursal se restringem à exigência da multa de mora sobre o débito pago a destempo, sem o acréscimo dessa penalidade, e a exigência de juros de mora à taxa Selic. Conforme consta dos autos e a própria recorrente reconheceu, a exigência de multa de mora sobre os débitos fiscais pagos depois das datas dos respectivos vencimentos, sem o acréscimo dessa penalidade, é também objeto do mandado de segurança n° 2005,61,00,005481-0, Ora, a opção da recorrente pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com idêntico pedido na instância administrativa implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei n' 6..830, de 1980, art. .38, parágrafo único, e do Decreto-lei n" 1,737, de 1979, art. 1", § 2". Trata-se de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cart.), devendo ser aplicada ao presente caso a Súmula n" 01 que assim dispõe, in verbis: "Súmula CARF n" 01 Importa renúncia às inskincia.s administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processojudicial Assim, não se toma conhecimento das razões de mérito contra a exigência de multa de mora sobre o débito pago depois do seu vencimento previsto n legislação tributária, sem o acréscimo daquela penalidade, aplicando-se ao caso referida súmula. Remanesce, todavia, a questão não-oposta ao Poder Judiciário, ou seja, a exigência de juros de mora à taxa Selic sobre créditos tributários pagos depois da data prevista na legislação tributária. No entanto, as alegações de mérito suscitadas, em relação a essa exigência, também ficaram prejudicadas por se tratar de matéria já sumulada pelo Carf por meio da súmula n" 4 que assim dispões, in verbi:s: súmula "Súmula CARF n" 4. A partir de 1" de abril de 199.5, os juros moratórias incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." não se toma conhecimento dessa matéria, aplicando 5 Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos conhecimento do recurso voluntário, quanto à matéria oposta concomitant- judicial e administrativa, ou seja, exigência de multa de mora sobre déb t destempo pela recorrente, e, na parte conhecida, nego-lhe provimento, c, b administrativa competente cuipprir a decisão judicial transitada em julga • José fidtrON,iforino de Morais autos, não tomo -r. ite nas esferase.5 s h cais pagos a ud à autoridade 6
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001690/2007-82
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 28/02/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE. RELAVAÇÃO DA MULTA CONCEDIDA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Considera-se inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização. Deixar de inscrever segurado obrigatório no RGPS constitui infração à legislação previdenciária Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-001.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 28/02/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE. RELAVAÇÃO DA MULTA CONCEDIDA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Considera-se inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização. Deixar de inscrever segurado obrigatório no RGPS constitui infração à legislação previdenciária Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 118 1 117 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001690/200782 Recurso nº 252.578 Voluntário Acórdão nº 2301001.962 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011. Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente ALLIANCE COMÉRCIO DE FRUTAS E VERDURAS LTDA Recorrida DRP EM CAMPINAS SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 28/02/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE. RELAVAÇÃO DA MULTA CONCEDIDA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização. Deixar de inscrever segurado obrigatório no RGPS constitui infração à legislação previdenciária Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 125DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09323.V39C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 126DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09323.V39C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.001690/200782 Acórdão n.º 2301001.962 S2C3T1 Fl. 119 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ALLIANCE COMÉRCIO DE FRUTAS E VERDURAS LTDA contra decisão que julgou procedente lançamento por descumprimento de obrigação acessória. Conforme narra o relatório fiscal, a autuação se deu: “... por deixar de inscrever no Livro de Registro de Empregados n.º 08, o qual visei em branco nesta data às fls. 06, os seguintes seguradosempregados: COMPETÊNCIA NOME DO SEGURADO Nº DO PIS/PASEP 09/2005 MARIA C DE OLIVEIRA 10553272451 09/2005 EDRISLENE M ALVES 12771291241 09/2005 SONIA AP DE SOUZA 12526459267 09/2005 JANE AP MARCEL 12631234229 09/2005 ERICA RODRIGUES 12909909257 09/2005 SILVIA DE BRITO 21002412090 10/2005 MARINA D PEREIRA 12174692793 10/2005 ELIZETE V DOS SANTOS 12281040072 10/2005 SIMONE DE OLIVEIRA 12323681410 10/2005 JEFERSON R DA SILVA 12552201697 11/2005 ANA ALVES N NASCIMENTO 10803215352 01/2006 ADRIANA C DA SILVA 12325118357 02/2006 JESSICA LIRA OLIVEIRA 12324639175” (fl. 14) 2. A decisão, ora recorrida, restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. 1. Deixar a empresa de inscrever segurado empregado no Regime Geral de Previdência Social, pela não formalização do contrato de trabalho, constitui infração punível na forma da lei. Fl. 127DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09323.V39C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 2. A primariedade, a não incorrência em circunstância agravante, o pedido expresso dentro do prazo de defesa e a correção da falta que motivou a autuação, autorizam a concessão do benefício da relevação da penalidade aplicada. AUTUAÇÃO PROCEDENTE RELAVAÇÃO DA MULTA” 3. A empresa, por sua vez, se contrapõe ao entendimento do fisco aduzindo, em síntese, que: a) não deixou de recolher a contribuição, mas o fez em atraso tendo em vista ter sido excluída injustamente do simples federal em virtude de uma inadimplência inexistente; b) os débitos lançados contra a empresa se devem à retirada arbitrária, ilegal e injusta da empresa de sua opção pelo SIMPLES; c) a natureza confiscatória da multa; d) a ilegalidade da aplicação da multa; e e) a inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da taxa SELIC. 4. Devidamente notificado do recurso apresentado pela empresa, o fisco não apresentou contrarrazões, sendo os autos remetidos para a análise deste Conselho. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09323.V39C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.001690/200782 Acórdão n.º 2301001.962 S2C3T1 Fl. 120 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA EXCLUSÃO DA EMPRESA DO SIMPLES 2. Conforme narrado no relatório fiscal, a empresa foi autuada por deixar de inscrever no livro de registro de empregados n.º 08 alguns segurados, conforme relacionados à fl 14. 3. E muito embora o contribuinte alegue que o débito foi lançado devido à sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, sobre a qual não recebeu qualquer informação, devese ressaltar que a opção da empresa pelo regime simplificado não interfere no cumprimento da obrigação acessória indicada no auto de infração. 4. Isso porque a Lei Complementar n.º 123, de 14 de dezembro de 2006, que trata do SIMPLES, prevê o recolhimento mensal mediante documento único de arrecadação para impostos e contribuições, mas não isenta ou modifica o procedimento quando às obrigações acessórias. 5. Além disso, também não há razão para que o auto de infração seja considerado nulo, nos termos do que requerido pelo contribuinte, tendo em vista que o procedimento encontrase devidamente instruído e motivado conforme determinado pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. 6. Dessa forma, entendo que o pedido da empresa não merece ser acolhido nesse ponto. DA RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA 7. Como fora relatado acima, o contribuinte foi autuado por ter deixado de inscrever o nome de alguns segurados empregados em seu Livro de Registro. 8. O artigo 291, parágrafo 1º, do Decreto 3.048/99, vigente à época dos fatos, trazia em seu texto a previsão da relevação da multa aplicada quando o contribuinte protocolasse o pedido dentro do prazo de defesa, for primário e tiver corrigido a falta, in verbis: “Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. Fl. 129DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09323.V39C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” 9. E conforme informado pelo próprio fisco à fl. 89, houve o pedido da relevação dentro do prazo de defesa apresentada tempestivamente e inexistem circunstâncias agravantes. Além disso, o contribuinte corrigiu a falta cometida dentro do prazo de apresentação da defesa, cumprindo, assim, todas as exigência do parágrafo 1º, do artigo 291, do Decreto 3.048/99. 10. Dessa forma, mantenho a relevação da multa concedida pelo julgador de primeira instância. CONCLUSÃO 11. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 130DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09323.V39C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 08/06/2011 08:38:01. Documento autenticado digitalmente por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 08/06/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCELO OLIVEIRA em 13/06/2011 e DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 08/06/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0919.09323.V39C Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 30240D5B5841EB664A925E6587CE9E0982FA0336 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10865.001690/2007-82. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10508.000006/2007-12
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PMPASEP
Data do fato gerador: 30/11/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA, MULTA DE MORA, APLICABILIDADE,
A denúncia espontânea, objeto do Código Tributário Nacional - CTN, art.
138, não se aplica a tributos sujeitos a lançamento por homologação,
regularmente declarados e pagos a destempo, inexistindo amparo legal para exclusão da multa de mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.725
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López que deram provimento apenas para os valores pagos antes da entrega da DCTF.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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MORA ISOLADA-PIS Recorrente JOANES INDUSTRIAL S/A PRODUTOS QUIMIICOS E VEGETAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PMPASEP Data do fato gerador: 30/11/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA, MULTA DE MORA, APLICABILIDADE, A denúncia espontânea, objeto do Código Tributário Nacional - CTN, art. 138, não se aplica a tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, inexistindo amparo legal para exclusão da multa de mora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López que deram provimento apenas para os valores pagos antes da entrega da DCTF. r--) n. I , i Rod iÁla'r-bst'r,t, P\orrésidente i José Ad-FoNitolíno de Morais - Relator EDITADO EM: 06/12/: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente), Mauricio Taveira e Silva, Maria Teresa Martinez López, José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DR1 Salvador, BA, que julgou procedente o lançamento da multa moratória isolada sobre as parcelas da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), pagas depois da data dos respectivos vencimentos, fixada em lei, sem o acréscimo daquela multa. Cientificada do lançamento, a recorrente impugnou-o, requerendo o seu cancelamento, alegando, em síntese, denúncia espontânea pelo fato de todas as parcelas terem sido pagas antes da instauração de quaisquer procedimentos administrativos fiscais por parte do Fisco.. Analisada a impugnação, aquela URI julgou o lançamento procedente, conforme acórdão n" 15-21,245, às fls. 121/123, sob a seguinte ementa: "MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa de moia não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão cm casos de denúncia espontânea Inconformada, com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls, 127/132, requerendo a sua a reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, a mesma razão expendida na impugnação, ou seja, a ocorrência da denúncia espontânea nos termos do CTN, art 138 o que implica no afastamento da multa de mora. É o relatório, Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70,235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Preliminarmente, ao contrário do entendimento da recorrente, a multa de mora, objeto do lançamento em discussão, teve fundamento o art. 43 da Lei n" 9.430, de 27/12/1996, c/c o art. 161, §§ 1°c 2' desta mesma lei, e não o art. 44, inciso I. Assim, não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna das leis, previsto no CTN, art. 106, para afastar a multa e cancelar o lançamento. rN, O instituto da denúncia espontânea, ao contrário do entendimento da recorrente, não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmOte- declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, como no presente caso. Tanto é verdade qtr,e,` o CTN, assim dispõe: "Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual fbr o motivo determinante —da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabívei7s e 2 Processo n" 10508 000006/2007-12 S3-C3T1 Acórdão n." :3301-00.725 FI. 140 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." (grifo não-original). Conforme se verifica deste dispositivo legal, além dos juros de mora, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento está sujeito à imposição de penalidades previstas nele e/ ou em lei tributária. No presente caso, a multa lançada e exigida teve como fundamento a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, arts 43 e 61, §§ 1° e 20. No lançamento por homologação, o contribuinte tem o dever legal e a obrigação de calcular o valor do tributo e recolhê-lo. Assim, ao fazê-lo com atraso, não pode ser beneficiado pelo instituto da denúncia espontânea. Também este tem sido o entendimento do antigo Segundo Conselho de Contribuintes conforme provam as ementas a seguir transcritas: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA, APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art.. 138 do CTN refère-se a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso (Ar. N" 203-12 .511, de 18/10/2007, Rei Dr. Emanuel Carlos Dantas de As.sis). DENÚNCIA ESPONTÁNEA, INOCOR,RÊNCIA O pagamento de tributo ou contribuição espontâneo e extemporâneo enseja a inclusão de multa e juros de mora, cuja natureza se caracteriza pelo caráter compensatório ou reparatório. (Ar. 201-81,587, de 07/11/2008, Rei, Dr. Mauricio Taveira e Silva) Cabe, ainda, ressaltar que, na esfera do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), .já editou súmula sobre esta matéria, a de tf .360, publicada no Dje, de 09/09/2008, que assim dispõe, ii? verbis: "Súmula n" 360 — 5771: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Dessa forma, ao contrário do entendimento da recorrente, o instituto d-a denúncia espontânea não se aplica às parcelas da contribuição para o PIS declaradas e pa0. -a destempo. • Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. José ~Varino de Morais 3
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Numero do processo: 12045.000426/2007-19
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. VÍCIO MATERIAL. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN.
Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal.
O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Numero da decisão: 2301-003.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso. Declaração de voto: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente à época do julgamento), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes (Relator) e Mauro José Silva.
Conforme o art. 17, inciso III, do Anexo II, do RICARF, a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Presidente da 2ª Seção de Julgamento, designou-se Redatora ad hoc para formalizar o presente acórdão, dado que o Relator original, Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, não mais integra o CARF.
Como Redatora ad hoc apenas para formalizar o acórdão, a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo serviu-se das minutas de relatório, voto e ementa inseridas pelo Relator no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas.
A declaração de voto não foi localizada e o seu proponente não mais integra o CARF, de sorte que considera-se como não formulada.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. VÍCIO MATERIAL. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. VÍCIO MATERIAL. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso. Declaração de voto: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente à época do julgamento), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes (Relator) e Mauro José Silva. Conforme o art. 17, inciso III, do Anexo II, do RICARF, a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Presidente da 2ª Seção de Julgamento, designou-se Redatora ad hoc para formalizar o presente acórdão, dado que o Relator original, Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, não mais integra o CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 26 /2 00 7- 19 Fl. 2560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 Como Redatora ad hoc apenas para formalizar o acórdão, a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo serviu-se das minutas de relatório, voto e ementa inseridas pelo Relator no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas. A declaração de voto não foi localizada e o seu proponente não mais integra o CARF, de sorte que considera-se como não formulada. Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA contra decisão monocrática que julgou procedente o lançamento de contribuições destinadas a terceiros (SESC, SENAC e SEBRAE) e aquelas compensadas nos processos judiciais de compensação. 2. Como razões recursais aduz a empresa, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, defende que a fiscalização teria ignorado o domicilio fiscal da recorrente, pois não Observou que a empresa possuiu sua sede no Município de Rio das Flores, no Estado do Rio de Janeiro, conforme consta do seu contrato social e outros documentos carreados aos autos; as legislações previdenciária e tributária aplicáveis ao caso são no sentido de que, a coleta de elementos subsidiários ou complementares, indispensáveis a uma eficiente cobertura fiscal, deverá ser realizada no estabelecimento ,centralizador com a emissão de subsidio fiscal (Item IV da Ordem de Serviço' INSS/DAF 190); a exigência de documentos de todos os estabelecimentos da empresa em exíguo prazo e fora do estabelecimento centralizador, impossibilitou a completa apresentação formal dos elementos solicitados pelo fisco; b) houve abuso de poder, haja vista que a fiscalização permaneceu quase que um ano na empresa, quando dispõe o Decreto 70.235/72, que o prazo máximo é de 60 dias, o que teria contrariado o principio da legalidade; c) o período fiscalizado foi de janeiro de 1996 a dezembro 1998, sendo que a empresa já teria sido fiscalizada nó período de janeiro de 1995 a abril de 1997, para o qual já existe confissão de divida e parcelamento aprovado pelo próprio INSS; d) O contrato social foi desprezado, o que causa estranheza o fato de que a fiscalização escolheu somente 'um dos sócios para caracterizá-lo como empregado; e) a empresa teria conseguido decisão judicial favorável, proibindo que o INSS fizesse qualquer levantamento de debito de seguro de acidente de trabalho relativamente à empresa recorrente; f) no mérito, que o crédito previdenciário levantado contra a empresa é indevido, pois não houve o pagamento de remuneração para as pessoas caracterizadas pelo fisco como empregadas. 3. As contrarrazões do fisco batalham pela manutenção do decisum, haja vista que o crédito teria sido apurado e constituído corretamente, nos termos da legislação previdenciária aplicável o lançamento fiscal. 4. Em assentada anterior a então 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS apreciou as preliminares levantadas pela empresa e resolveu converter o julgamento em diligencia para que o fisco prestasse esclarecimentos adicionais em relação ao lançamento fiscal, face d existência de fiscalização anterior encerrada 30/05/1997, em períodos que se sobrepõem. 5. A diligência fiscal foi devidamente cumprida, no que resultou nos esclarecimentos prestados pelo auditor fiscal no sentido de que a presente fiscalização aproveitou Fl. 2561DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 os recolhimentos relativos aos empregados considerados no levantamento do débito, bem como que não houve incidência de contribuições em duplicidade ou mesmo a revisão de lançamento. E o relatório Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Redatora ad hoc. Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pelo Relator, Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida, de sorte que o posicionamento adotado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade, e passo ao exame das questões preliminares adiante identificadas. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Antes de adentrar na análise do presente processo, relembro aos nobres colegas que já apreciamos inúmeros processos do mesmo contribuinte sobre a mesma fiscalização, decorrente do MPF nº 09241334 (fl.60), que originou, também, a fiscalização ora guerreada. Em todos os casos anteriormente analisados, por unanimidade de votos, essa Turma já sotrancou o entendimento de que a fiscalização era maculada de irregularidades, devendo, por consectário, ser adotado o mesmo entendimento. 3. Ora, irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 4. Compulsando os autos, verifica-se que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD (fls 78/80), determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/0012-89 situado na Rua São José, 90 - 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 5. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 - Rio das Flores - Volta Redonda/RJ. 6. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 7. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constata-se que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Fl. 2562DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 Tribunal Regional Federal da 2ª Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: “VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra-se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20 a alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 – Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquia-previdenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2 o do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Não obstante repute louvável toda e qualquer medida administrativa que tenha como escopo resguardar o munus fiscalizatório dos órgãos públicos, mormente em se tratando de hipótese de persecução de débitos fiscais, a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem-se como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2 o do art. 127 do CTN - “A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito...” -, não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicílio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distância da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstância ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização/arrecadação de tributos. A opção Fl. 2563DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria nº 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995, promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondo-se, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores – RJ. Condeno o Réu no reembolso das custas judiciais e no pagamento de honorários de advogado, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa. É como voto. EMENTA ADMINISTRATIVO – ALTERAÇÃO DE SEDE - DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO – RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO - ART. 127, § 2 O , DO CTN. I – Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem-se como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II – A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2 o do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III – Recurso provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas. Fl. 2564DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 Decide a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, à unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, constante dos autos, que fica fazendo parte integrante do presente julgado. Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2007. (data de julgamento) SERGIO SCHWAITZER RELATOR PROCESSO Nº 2003.51.01.022430-0 IV - APELACAO CIVEL ( AC /346266 ) AUTUADO EM 14.07.2004 PROC. ORIGINÁRIO Nº200351010224300 JUSTIÇA FEDERAL RIO DE JANEIRO VARA: 19CI APTE: MI MONTREAL INFORMATICA LTDA ADV: JOAO LUIZ PINTO DA NOBREGA E OUTROS APDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS ADV: FERNANDO LINO VIEIRA RELATOR: DES.FED.SERGIO SCHWAITZER - 7A.TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Em 07/12/2007 - 12:40 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(O) Décima Nona Vara Federal do Rio de Janeiro(GR 00/0162527)07/0162527 Em 27/11/2007 - 12:40 Trânsito em Julgado DATA DO ÚLTIMO PRAZO: Em 05/11/2007 - 16:44 Recebimento NA(O) SUBSECRETARIA DA 7A.TURMA ESPECIALIZADA” 8. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores – RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 9. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. 10. Com efeito, a fiscalização deixou de observar a legislação que disciplina a matéria relativa ao domicílio tributário, a começar pelo próprio Código Civil: Código Civil: “Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: ... IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.” 11. A seu turno, o Código Tributário Nacional assevera com clareza: “Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: ... Fl. 2565DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior.” 11. Pelos dispositivos legais acima alinhavados, constata-se que é pacifico o entendimento quanto ao estabelecimento do domicílio tributário por intermédio da fixação da sede da empresa. É bem verdade que o órgão fiscalizador pode recusar o domicílio eleito nas hipóteses previstas no artigo 127, §2° do CTN, mas desde que o faça de forma justificada. Para tanto, o ato normativo cuidou de estabelecer regras para a fixação de ofício do domicílio. Neste caso, o estabelecimento centralizador é aquele onde se encontra a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral. 12. Em síntese, temos que, em regra, é respeitada a vontade do sujeito passivo na eleição de seu domicílio tributário e, conseqüentemente, de seu estabelecimento centralizador perante o fisco, que pode ser alterada de ofício nas hipóteses, comprovadamente, de impedimento ou dificuldade para a realização da auditoria fiscal. E no presente caso a fiscalização em momento algum recusou o domicílio eleito pelo recorrente preferindo, entretanto, defender o acerto da fiscalização no estabelecimento determinado pelos próprios auditores. 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório. DO VÍCIO MATERIAL 15. Entende-se por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais pré-estabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 16. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. Fl. 2566DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 17. Destarte, ao analisar o voto condutor, observa-se que as alegações ali trazidas referem-se á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 18. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto-de-infração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confunde-se com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 19. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 20. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebê-la como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 21. No caso do ato administrativo de lançamento, o auto-de-infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra-matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 2567DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 11. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 192-00.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 22. Para ratificar esse entendimento destaca-se a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 23. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 24. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE - VÍCIO FORMAL - LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevem-se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 108-08.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 25. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 26. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Fl. 2568DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. 27. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, pode-se assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 28. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 29. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/2007-25, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 30. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, anular o lançamento por vício material. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 31. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para ANULAR o lançamento fiscal por vício material. Fl. 2569DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-003.786 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12045.000426/2007-19 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo (voto de Damião Cordeiro de Moraes) Fl. 2570DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11070.000365/2008-92
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2007
VÍNCULO EMPREGATÍCIO DIRETO COM ADMINISTRAÇÃO - DETERMINAÇÃO LEGAL
Se lei determina que a contratação de Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate de Endemias ocorra diretamente com o órgão da Administração Pública Direta, Autárquica e Fundacional, a contratação de forma indireta ocorrida após a vigência da lei deve ser desconsiderada e o vinculo estabelecido com o órgão em questão.
VÍNCULO DE EMPREGO - DEMONSTRAÇÃO - INOCORRÊNCIA
A caracterização de vinculo entre segurados e empresa deve restar
cabalmente demonstrada pela auditoria fiscal, sobretudo no que tange à existência dos pressupostos da relação de emprego.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, NFLD. CARACTERIZAÇÃO.
DESCRIÇÃO DEFICIENTE DOS FATOS. NULIDADE POR VICIO MATERIAL.
I - Representa vício material à descrição deficiente do fato gerador que justifica a imposição fiscal levada a efeito pela autoridade lançadora.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.815
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento, pela ocorrência de vício, os valores correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 12/06/2006, data da publicação da Medida n Provisória 297, posteriormente convertida na Lei n° 11.305/2006, pelas razões apresentadas nos termos do voto da relatora, II) Por maioria de votos: a) em reconhecer o vicio como material, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos Ronaldo Lima de Macedo e Ana Maria Bandeira (relatora); e b) quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Maria da Glória Faria, Redator Designado Rogério de Léllis Pinto.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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VÍNCULO DE EMPREGO - DEMONSTRAÇÃO - INOCORRÊNCIA A caracterização de vinculo entre segurados e empresa deve restar cabalmente demonstrada pela auditoria fiscal, sobretudo no que tange à existência dos pressupostos da relação de emprego. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, NFLD. CARACTERIZAÇÃO. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DOS FATOS. NULIDADE POR VICIO MATERIAL. I - Representa vício material à descrição deficiente do fato gerador que justifica a imposição fiscal levada a efeito pela autoridade lançadora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Lla Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento, pela ocorrência de vício, os valores correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 12/06/2006, data da publicação da Medida n Provisória 297, posteriormente convertida na Lei n° 11.305/2006, pelas razões apresenta nos termos do voto da relatora, II) Por maioria de votos: a) em reconhecer o vicio como material, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos Ronaldo Lima de Macedo e Ana Maria Bandeira (relatora); e b) quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Maria da Glória Faz-ia, Redator Designado Rogério de Léllis Pinto /10eir/01411111P..9 ARC O OLIVEIRA - Presidente ‘'I9DEIRA — Relatora ai RO É D ELLIS PINTO — Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente), 2 Processo ri* 11070.000365/2008-92 52-C41-2 Acórdão n,' 2402-00.815 Fl 890 Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e a destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, O Relatório Fiscal (fis. 83/87) informa que na ação fiscal foi constatada a existência de pagamentos à Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais — APAE de Tenente Portela. Tais pagamentos eram provenientes de convênios firmados denominados Área Indígena, Programa Inclusão Indígena, Primeira Infância Melhor, Programa Sentinela, CRAS, CAPS e PSF. Foram solicitados os convênios e foram apresentados os de if 001 a 005/2007 e 010/2007. Junto à conveniada, a auditoria fiscal verificou que a conveniente tem autoridade direta com os segurados integrantes dos convênios. Determina admissões, rescisões e homologa pedidos de férias A conveniada recebe do Município uma valor denominada "Comissão da APAE" e efetua o recolhimento apenas da contribuição dos segurados, uma vez que é uma entidade filantrópica em gozo de isenção. A auditoria fiscal informa que a profissão de Agente Comunitário de Saúde foi criada pela Lei n° 10.507/2002 que em seu art. 4' estabelecia que este profissional prestaria os serviços ao gestor local do SUS, mediante vínculo direto ou indireto. Entretanto, a lei citada acima foi expressamente revogada pela Lei ri° 11.350/2006, a qual eu seu artigo segundo passou a determinar que o exercício das atividades de Agente Comunitário de Saúde e de Agente de Combate de Endemias se daria mediante vínculo direto com os órgãos ou entidades da administração direta autárquica ou fimdacional. A notificada, em todo o período do lançamento, registrou empregados em atividade nos programas de saúde da mesma em uma entidade isenta de contribuições Seguridade Social, passando a usufruir da isenção, indevidamente, face à não extensão d isenção a outra pessoa jurídica. No contexto fático, observou-se que o poder de gestão nos programas s- saúde é da notificada, a qual seria a verdadeira empregadora e que a conveniada se limita a uma atuação burocrática cobrando honorários a título de comissão ou taxa de administração. A notificada apresentou defesa (fls. 822/828), onde apresenta preliminar rde decadência e afirma que a responsabilidade pelos valores lançados é a APAE com quem forani.., firmados os contratos de trabalho. 3 Entende não ser fato criador de responsabilidade pata o Município,o fato deste haver indicado profissionais para trabalharem na APAE, uma vez que é o gestor dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Assistência Social — FNAS. Afirma que como gestor dos recursos repassados tem o encargo de supervisionar a execução do programa. Pelo Acórdão n" 18-9455 (fis 832/840), o lançamento foi considerado procedente em parte para o acolhimento da preliminar de decadência, a qual foi reconhecida até a competêncial 1/2001, pela aplicação do art. 173, Inciso I, do Código Tributário Nacional. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fis, 874/884) onde tece considerações teóricas a respeito de convênios, do regime Constitucional dos serviços de Saúde, argumenta que a APAE seria um ente de cooperação e que inexiste rela de emprego entre o Poder Público e pessoas físicas, exceto pela via do preenchimento cargos através de concurso público. É o relatório. 4 Processo IV 11070.000365/2008-92 S2-C4T2 Acórdão a° 2402-00.815 Fl. 891 Voto Vencido Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega que a responsabilidade pelas contribuições lançadas seria da conveniada, APAE, com a qual os segurados teriam formalizado vínculo de emprego. Verifica-se que os segurados em questão prestavam serviços nos diversos programas de saúde do Município que detém a qualidade de gestor do SUS — Sistema único de Saúde, dos recursos repassados para tal finalidade. A auditoria fiscal informou que de acordo com a Lei n° 10,507, de 10/07/2002, O Agente Comunitário de Saúde prestaria serviços ao gestor local do SUS, mediante vínculo direto e indireto. Somente a partir da edição da Medida Provisória n° 297, publicada em 12/06/2006, posteriormente convertida na Lei n° 11.350, de 05/10/2006 é que restou obrigatório que o vínculo do Agente Comunitário de Saúde, bem como do Agente de Combate de Endemias se desse diretamente com os órgãos ou entidades da administração direta, autárquica ou finidacional. A lei citada no parágrafo anterior também determinou que a vinculação com o órgão se desse por meio de concurso público, conforme se observa dos dispositivos abaixo transcritos. "Art22-O exercício das atividades de Agente Comunitário de Saúde e de Agente de Combate às Endemias, nos termos desta Lei, dar-se-á exclusivamente no âmbito do Sistema ÚlliC0 de Saúde-SUS, na execução das atividades de responsabilidade dos entes federados, mediante vínculo direto entre os referidos Agentes e órgão ou entidade da administração direta, autárquica ou fiindacionat („) Art.9QA contratação de Agentes Comunitários de Saúde e de Agentes de Combate às Endemias deverá ser precedida de processo seletivo público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para o exercício das atividades, que atenda aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Diante da legislação acima, é possível concluir que a partir da Lei -.1° 11..350/2006 não há a possibilidade legal de a contratação dos segurados ocorrer por niek indireto, pois a própria lei obriga o ente público a efetuar a contratação direta devidamente precedida de processo seletivo. A recorrente alega impossibilidade de estabelecimento de vínculo entre a mesma e os segurados face à obrigatoriedade da Administração contratar por meio de concurso público. Mesmo que não seja possível a vinculação de segurados empregados ao Município sem a prévia aprovação em concurso público, houve a ocorrência do fato gerador da contribuição social para a Seguridade Social a cargo da empresa (no caso o Município, que é empresa para fins previdenciários, nos termos do art. 15, 1, da Lei n, ° 8,212/91), incidente sobre a folha de salários, bem como a cargo dos trabalhadores, dado o teor do artigo 4. G do Código Tributário Nacional, "in verbis": Art. 4, 'A natureza jurídica especifica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualifica-la: 1 - a denominação e demais características formais adotadas pela Lei,. II - a destinação legal do produto de sua arrecadação". Ao manter a contratação indireta quando a lei obrigava o Município à contratação direta e precedida de processo seletivo, ainda que se questione a validade do ato administrativo, subsiste a ocorrência do fato gerador, pois ao contrário, conceder-se-ia uma benesse fiscal àqueles que não observam a Lei. Por essa razão, abstrai-se, para os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, nos termos do art. 118 do Código Tributário Nacional: Art. 118 A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se" 1 - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Nesse sentido, não há impedimento para que a fiscalização verifique as características da prestação do serviço e lance as contribuições previdenciárias decorrentes dos fatos geradores verificados. Portanto, como houve remuneração paga ao trabalhador contratado, ocorreu o fato gerador de contribuições previdenciárias. Quanto ao período anterior à Lei n° 11.350/2006, por outro lado, não havia na lei a vedação acima, sendo que a lei permitia a contratação de forma indireta Portanto, a princípio, não reside ilegalidade no fato da recorrente haver formalizado convênio com entidade para execução dos serviços assistenciais à saúde, anteriormente à Lei 11.350/2006. 1( Ao realizar convênio com determinada entidade, a Municipalidade delegou competência à conveniada para prestar serviços assistenciais de saúde, mediante o repasse de recursos financeiros para tanto. Os diversos convênios foram firmados com a APAE local, entí‘ de considerada beneficente de assistência social em gozo de isenção. Em razão de tal N\ somente as contribuições dos segurados teriam sido recolhidas. 6 Processo n°11070 000365/2008-92 S2-C4T2 Acórdão ri ° 2402-00.815 Fl 892 Entendeu a auditoria fiscal que a isenção da APAE não poderia ser estendida à recorrente. De fato, a lei veda que a isenção a que faz jus determinada entidade seja usufruída por outra, mas a meu ver, não é esse o cerne da questão. Ainda que cause espécie uma entidade em gozo de isenção assumir a condição de conveniada, o lançamento em questão só pode prevalecer se restar demonstrado que o convênio em questão foi formalizado com o propósito de simular a situação fática na qual o vínculo empregatício ocorre efetivamente com o Município. Da análise da documentação juntada aos autos, verifica-se a existência de correspondências da Secretaria Municipal de Saúde encaminhada à APAE em que a primeira informa carga horária e local de trabalho de segurados, bem corno requerimentos de férias de alguns segurados encaminhados diretamente ao Município. A meu ver, os argumentos e documentação juntada pela auditoria fiscal não demonstram de forma cabal que o vínculo de emprego se dá de fato com a Municipalidade, principalmente no que tange ao quesito relacionado à subordinação. Assevere-se que a conduta da APAE ao firmar tais convênios pode ser verificada à luz dos dispositivos legais com amparo dos quais é urna entidade em gozo de isenção, no entanto, o lançamento não se deu contra a APAE, mas contra o Município, sob o argumento de que este seria o verdadeiro empregador. Portanto, o alegado vínculo empregaticio deveria estar demonstrado de forma mais contundente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento por vício formal, os valores correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 12/06/2006, data da publicação da Medida Provisória 297, posteriormente convertida na Lei n° 11_305/2006, pelas razões apresentadas. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de abril de 2010 OfÀzioiá? ANA MARIA BA DEIRA Relatora (./ 7 Voto Vencedor Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, Redator Designado Em que pese o posicionamento da ilustre Relatora, peço-lhe vênia para discordar quanto a natureza do vício a ser declarado. Dos argumentos trazidos à baila pela douta Relatora, não podemos discordar do fato de que nos autos, especialmente no Relatório Fiscal, existe uma flagrante imprecisão da autoridade fiscal em demonstrar a existência da relação de emprego para justificar o enquadramento por ela efetuado, Na esteira desse ideal, em reiteradas oportunidades tenho me posicionado no sentido de que nos lançamento decorrentes de caracterização de vínculo de emprego, somente tem lugar se, e somente se, houver sido expostos os elementos que lhe dão essência ou ainda a existência de simulação. A douta Relatora bem viu que dos autos não consta essa exposição, optando pela declaração de nulidade. Contudo, o que não posso concordar é o fato de que a nulidade seja de natureza formal, uma vez que o vício encontrado não diz respeito a mero elemento formal do auto, mas sim a sua própria essência, • É preciso lembrar que entre os deveres da fiscalização ao lavrar uma autuação fiscal, nos termos do art, 142 do CTN, está o de descrever adequadamente o fato a ser tributado, ou seja, um dos pilares da atuação estatal relacionada ao lançamento de oficio, é a demonstração de que a hipótese de incidência foi realizada pelo contribuinte, e que por essa razão lhe será cobrado o tributo correspondente. Quando a autoridade fiscal faz uma exposição frágil e sem conteúdo do fato tributável, como no caso em tela, não apenas uma formalidade está sendo desprezada, mas sim a própria certeza de que a obrigação tributária existe, e se assim o é, a materialidade do lançamento reporta-se insustentável. Esse, inclusive, tem sido o posicionamento deste Egrégio Conselho, como àã,,,) observa dos arestos abaixo transcritos: "(„) .4 descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação.. " (Recurso n. 131.449, Acórdão n. 108-07556, 8" Câmara, Relatar Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, sessão de julgamento de 15/10/2003) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos ,fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sedo imputado. Trata-se, no 8 Processo n° 11070 000365/2008-92 82-01T2 Acórdão nó 2402-00.815 Fl 893 caso, de nulidade pro vicio material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorffilcia da hipótese de incidência." (Recurso n 132.213, Acórdão n 101-94049, 1° Câmara, Relator Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, sessão de julgamento de 06/12/2002) "LANÇAMENTO - NULIDADE - VÍCIO MATERIAL - DECADÊNCIA - Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vicio de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, § do CI7V., (RV 138,595, Acórdão no. 102-47201, 2'. Câmara do 1". Conselho, julgado em 10-11- 2005). Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, para DAR-LHE PROVIMENTO, e reconhecer a nulidade do lançamento em decorrência de vício material. Sala das essCr em 27 de abril de 2010 RO I6 4 , r $ E LELLIS PINTO - Redator Designado i(j 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS y QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11070M00365/2008-9.2 Recurso n° : 165A60 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial tf 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ir' 2402-00..815 Bras' ia, 6 de agosto de 2010 ELIAS SAMPAIO F -IRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial E 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador . (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 36048.000022/2006-74
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2301-000.054
Decisão: RESOLVEM os membros da Terceira Câmara, Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 'fS.4 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 36048000022/2006-74 Recurso n° 145418 Resolução ii° 2301-00.054 - 3° Câmara / P Turma Ordinária Data 24 de fevereiro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DO CEARÁ - COELCE Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Terceira Câmara, Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de J g; ato, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Rep. • 7 1 gem, nos termos do voto do relator. 14° JUL • E AR VIE : • *NIES - • -sidente LEON It QUE • 1:4 5 LOPES - Relator _---- — Participaram do julgamento os Conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Processo n' 36048000022/2006-74 S2-C3T1 Resolução n.° 2301-00.051 Fl. 2 DILIGÊNCIA Ocorrendo ajuntada de novos documentos peio ccninbiente e ar quzdquer manifestação da SRP a res?eito, importa em que seja realizada mva diligência peta ma/TI:dação da autoridade e conseqiienteciênciado~paraeventualmanifestação. Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, expedida em 08/12105, em desfavor da Companhia Energética do Ceará - COELCE, referente às contribuições devidas a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de reembolso creche, não consideradas pela empresa parcelas integrantes do salário de contribuição, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa (SAT) e as destinadas ao SEBRAE, durante o período de 08/99 a 02/05. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 915/919, tem-se como fatos geradores das contribuições previdenciárias as seguintes rubricas: a) CRE — Creche acima de 7 anos: traz os valores pagos pela Recorrente a título de reembolso creche para os segurados empregados cujos filhos apresentavam idade acima de 7 anos, configurando-se em salário de contribuição, conforme prescreve a legislação; b) CSE — Creche sem recibo: refere-se aos pagamentos efetuados pela Recorrente a titulo de reembolso creche para seus segurados empregados, sem que tenham sido apresentados os respectivos comprovantes de despesas (recibos emitidos pelas escolas), apesar de solicitação por parte da auditoria, configurando-se em salário de contribuição. Inconformada, apresentou Defesa tempestiva de fls. 926/941, tendo a Decisão- Notificação (fls. 959/941), julgado procedente o lançamento. Irresignada interpôs Recurso Voluntário tempestivo (fls. 979/1011), alegando, em síntese: a) a decadência do direito de constituir o crédito previdenciário, relativamente aos fatos geradores supostamente ocorridos no período anterior a 12/2000; b) o cerceamento ao direito de defesa, posto que tomou ciência, no mesmo período, de 24 lançamentos tributários, todos com prazos comuns de defesa; c) a impossibilidade de tributação previdenciária sobre o pagamento de Reembolso-Creche; d) a impossibilidade da cobrança da contribuição ao SAT ter como base a atividade preponderante da empresa e não de suas filiais; 2 Processo n° 36048000022/2006-74 S2-C3T1 Resolução ft° 2301-00.054 Fl. 3 Por fim, a Secretaria da Receita Previdenciária apresentou Contra-Razões às fls. 1034/1046, aduzindo que os argumentos expostos no Recurso Voluntário não justificam qualquer alteração do lançamento. É o relatório Mérito No mérito, a questão controvertida se resume em saber se há ou não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores despendidos pela empresa a titulo de auxilio creche, visto que a fiscalização considerou as rubricas "CRE — Creche acima de 7 anos" e "CSE — Creche sem recibo" como salário de contribuição, portanto, fato gerador de contribuições sociais para Seguridade Social, conforme preconiza o art. 28, I, da Lei8.212/91. A Recorrente se defende alegando que os valores pagos a titulo de auxilio creche não integram o salário de contribuição, eis que não configura em ganho habitual, tampouco em remuneração, mas sim, em um direito do empregado que funciona como abono indenizatório pela atividade que é de obrigação da Recorrente. Pois bem. Não vislumbro a possibilidade de julgamento deste processo, pelo menos neste momento, em razão de a Fiscalização não ter apreciado a documentação acostada pela ora Recorrente constante nos anexos I, II e III dos autos, que, segundo suas alegações, trata-se de documentos das declarações das creches e recibos intercalados, valores esses indenizatórios que não incidem contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9° da Lei n°8.212/91. Assim, uma vez que os documentos carreados aos autos pela Recorrente não foram analisados, resta patente a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização verifique se a documentação acostada guarda pertinência com a presente autuação, para, se for o caso, exclui-los do lançamento. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, e determino a conversão do julgamento em diligência, para determinar que a Receita Federal do Brasil proceda com a análise dos documentos acostados pela Recorrente nos anexos I, II e III dos autos, nos termos acima articulados. O .viin A E t. ior PIRES LOPES - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001187/2009-11
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA CONCORDÂNCIA COM OS LANÇAMENTOS NÃO QUESTIONADOS Não
havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso,
presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Primeira
Instância. Controvérsia não instaurada.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE
A autarquia FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA FAMEMA foi criada pela Lei Estadual nº 8.898/1994, em regime especial, vinculada a
Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, gozando dos privilégios administrativos do Estado e auferindo vantagens tributárias e as prerrogativas processuais da Fazenda Pública.
No art. 3º da referida Lei assim está prescrito: “ A Faculdade assumirá os serviços atualmente prestados pela atual Faculdade de Medicina de Marília, bem como o patrimônio, os direitos e obrigações que vierem a lhe ser transferidos pelo Município e pela Fundação Municipal de Ensino Superior.”
O Hospital das Clínicas de Marília e os estabelecimentos a ele vinculados, até então mantidos pela FUMES, passam a ser mantidos pela FAMEMA, como órgão complementar da docência , pesquisa e prestação de assistência à saúde da população.
TRANSFERÊNCIA DE ISENÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Incabível o aproveitamento de isenção de terceira entidade, quando demonstrado que os segurados encontram-se sob a gestão de instituição que não possui direito a mesma.
FUMES ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO NÃO COMPROVAÇÃO DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS
Mesmo considerando correto o lançamento das contribuições na instituição FAMEMA, por deter essa o poder diretivo em relação aos segurados lançados na presente autuação, convém mencionar que da análise dos autos não restou demonstrado o direito adquirido a isenção da instituição FUMES.
Não demonstrou o recorrente o preenchimento dos requisitos quando da edição do DECRETO-LEI 1.572/77, nem tampouco o preenchimento dos requisitos previstos na lei 8212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.152
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA CONCORDÂNCIA COM OS LANÇAMENTOS NÃO QUESTIONADOS Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Primeira Instância. Controvérsia não instaurada. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE A autarquia FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA FAMEMA foi criada pela Lei Estadual nº 8.898/1994, em regime especial, vinculada a Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, gozando dos privilégios administrativos do Estado e auferindo vantagens tributárias e as prerrogativas processuais da Fazenda Pública. No art. 3º da referida Lei assim está prescrito: “ A Faculdade assumirá os serviços atualmente prestados pela atual Faculdade de Medicina de Marília, bem como o patrimônio, os direitos e obrigações que vierem a lhe ser transferidos pelo Município e pela Fundação Municipal de Ensino Superior.” O Hospital das Clínicas de Marília e os estabelecimentos a ele vinculados, até então mantidos pela FUMES, passam a ser mantidos pela FAMEMA, como órgão complementar da docência , pesquisa e prestação de assistência à saúde da população. TRANSFERÊNCIA DE ISENÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Incabível o aproveitamento de isenção de terceira entidade, quando demonstrado que os segurados encontram-se sob a gestão de instituição que não possui direito a mesma. FUMES ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO NÃO COMPROVAÇÃO DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS Mesmo considerando correto o lançamento das contribuições na instituição FAMEMA, por deter essa o poder diretivo em relação aos segurados lançados na presente autuação, convém mencionar que da análise dos autos não restou demonstrado o direito adquirido a isenção da instituição FUMES. Não demonstrou o recorrente o preenchimento dos requisitos quando da edição do DECRETO-LEI 1.572/77, nem tampouco o preenchimento dos requisitos previstos na lei 8212/91. Recurso Voluntário Negado.
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Controvérsia não instaurada. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE A autarquia FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA FAMEMA foi criada pela Lei Estadual nº 8.898/1994, em regime especial, vinculada a Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, gozando dos privilégios administrativos do Estado e auferindo vantagens tributárias e as prerrogativas processuais da Fazenda Pública. No art. 3º da referida Lei assim está prescrito: “ A Faculdade assumirá os serviços atualmente prestados pela atual Faculdade de Medicina de Marília, bem como o patrimônio, os direitos e obrigações que vierem a lhe ser transferidos pelo Município e pela Fundação Municipal de Ensino Superior.” O Hospital das Clínicas de Marília e os estabelecimentos a ele vinculados, até então mantidos pela FUMES, passam a ser mantidos pela FAMEMA, como órgão complementar da docência , pesquisa e prestação de assistência à saúde da população. TRANSFERÊNCIA DE ISENÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Incabível o aproveitamento de isenção de terceira entidade, quando demonstrado que os segurados encontramse sob a gestão de instituição que não possui direito a mesma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 11 87 /2 00 9- 11 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 FUMES ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO NÃO COMPROVAÇÃO DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS Mesmo considerando correto o lançamento das contribuições na instituição FAMEMA, por deter essa o poder diretivo em relação aos segurados lançados na presente autuação, convém mencionar que da análise dos autos não restou demonstrado o direito adquirido a isenção da instituição FUMES. Não demonstrou o recorrente o preenchimento dos requisitos quando da edição do DECRETOLEI 1.572/77, nem tampouco o preenchimento dos requisitos previstos na lei 8212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.217.9401, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados, no período compreendido entre as competências 01/2005 a 05/2009. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 41 a 52, analisada a documentação as Contribuições Previdenciárias tiveram como FATO GERADOR: Durante o procedimento fiscal verificamos que, no período acima, foram efetuados os recolhimentos das contribuições devidas à . Seguridade Social somente em relação às contribuições retidas "a cargo de segurados", embora o sujeito passivo acima identificado, na condição de "Autarquia Estadual", estivesse obrigado a efetuar também os recolhimentos das contribuições "a cargo de empresas", incidentes sobre os pagamentos realizados aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, conforme será esclarecido mais adiante (DA SUJEIÇÃO PASSIVA). 3. Ainda com relação aos segurados objeto do presente Auto, esclarecemos: a) os segurados empregados encontramse registrados em Livros de Registro de Empregados do sujeito passivo solidário FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE ENSINO SUPERIOR DE MARILIA, bem como suas remunerações e contribuições retidas foram declaradas em Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIPs elaboradas em nome do mesmo sujeito passivo solidário; b) os contribuintes individuais prestaram serviços à Autarquia Estadual FACULDADE DE MEDICINA DE MARILIA na qualidade de "médicos residentes", "residentes em área profissional da saúde", tais como enfermeiros, e em outras atividades sem vínculos empregatícios, sendo que também suas remunerações e contribuições retidas foram declaradas em Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIPs elaboradas em nome do sujeito passivo solidário FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE ENSINO SUPERIOR DE MARILIA; c) os recolhimentos das contribuições retidas dos referidos segurados, com deduções de valores pagos a empregados a título de saláriofamília e saláriomaternidade, foram realizados em Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 nome e no CNPJ da FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE ENSINO SUPERIOR DE MARILIA; e, d) referidas GFIPs foram elaboradas indevidamente com o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social, isenta de contribuições previdenciárias). Quanto a multa imposta, destaca que os fatos geradores apurados não foram declarados nas GFIP, devida comparação, das multas até a vigência da Medida Provisória 449/2008 com a multa após a vigência da referida MP, aplicando a mais benigna, conforme demonstrado no relatório do AI. Ainda, conforme mencionado acima, foi elaborado relatório de sujeição passiva, fl. 49 a 56, descrevendo a responsabilidade da FAMEMA, da FUMES, desde a criação das mesmas, fazendo inclusive apanhado acerca da pedido de isenção. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 20/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/11/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 159 a 168, questionando a sujeição passiva, nos seguintes termos: Está claro assim, que se tratam de servidores da Fundação, a qual se encontra isenta dos recolhimentos. Assim, não pode a fiscalização pretender transferir encargo inexistente, à autarquia defendente. Cobrar da defendente pagamento de débito que não é de sua responsabilidade. Não são seus funcionários, não há como proceder recolhimento de terceiro, terceiro que, com visto, está isento desse mesmo recolhimento. Não pode ser responsabilizada por débitos decorrentes de uma relação que não mantém; de relação de emprego que não detém. Aliás, seus servidores serão contratados sob o regime estatutário. Repitase mais uma vez: as Instituição são distintas; os propósitos são distintos; não se confundem. Data venia, não se pode pretender cometa tal ilegalidade, com o que se mostra manifestamente indevida a imposição da multa em questão. A FUMES, as fls. 171 a 180, apresentou defesa, argumentando ser detentora do direito adquirido a isenção. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 185 a 196. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 N° do processo na origem DEBCAD n'37.217.9401 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 4 5 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal Art. 124. São solidariamente obrigadas, nos termos do art. 124. I do Código Tributário Nacional. A mera concessão do CEBAS não implica em necessária aquisição da isenção correlata, vez que a concessão da isenção fiscal depende do preenchimento cumulativo dos várias requisitos elencados no citado art. 55 da lei n.° 8.212/91, dentre os quais está ser portadora do CEBAS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 200 a 210, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam, por parte da FUMES, destaca a sua condição de isenta, sendo indevida a cota patronal. Já a recorrente FAMEMA, destaca além da condição de isenta, o fato de não ser a responsável. Basicamente, alegam: · Ilegitimidade passiva da recorrente, visto que não possui nenhum servidor . Com efeito, a provisão de cargos depende exclusivamente de lei estadual, situação que não ocorreu até a presente data.; · Indevido o lançamento contra a recorrente, visto que não pode ser responsabilizada pelos funcionários da Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília, entidade jurídica absolutamente distinta da recorrente, Autônoma, própria e que não se confunde com a Autarquia; · A Fundação em questão encontrase ISENTA ou IMUNE, dos recolhimentos pretendidos, por força de expressas disposições legais, daí a pretensão da Fiscalização de, por não sendo devidos pela Fundação pretender sejam devidos por alguém, no caso a Autarquia Faculdade de Medicina de Marília; · No que concerne à isenção da Fundação destaca: o A FUMES foi criada pela Lei Municipal nº 1371/66, vindo a ser declarada de utilidade Pública em 1968, sendo que neste mesmo ano requereu seu competente registro no Conselho Nacional de Serviços Social, na forma do Decreto nº 1117/62. o Em 1977, o Decreto 1572, revogou a Lei 3577/59, estabelecendo determinadas condições para que as instituições continuassem a gozar da isenção fiscal. A FUMES cumprindo os requisitos , obteve o Certificado de Filantropia e a declaração de Utilidade Pública. o Pretendeu o Instituto que a FUMES não faria jus a isenção, sob a alegação de que o Certificado de Filantropia só foi emitido em Fl. 240DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 1983, enquanto a Declaração era de 1981. O requerimento foi formulado antecipadamente, obtendo então a Declaração, portanto se ocorreu atraso na expedição, tal fato nada altera, pois o dispositivo é claro: tenha requerido ou venha a requerer o reconhecimento de Utilidade Pública Federal; o Ainda que assim não fosse, ainda que não houvesse a FUMES tomado a providência, ainda que não houvesse requerido seu reconhecimento, fato é desde 1968, a fundação possui Declaração Municipal de Utilidade Pública; o Destacase que, muito antes da exigência prevista no Decreto Lei 1577/77, já se encontrava a FUMES devidamente registrada no Conselho Nacional de Serviço Social. Contudo, com a edição desse diploma, de sorte a manterse isenta, também cumpriu a exigência no tocante ao Certificado; o Ocorreu que por questões internas daquele conselho, O certificado somente foi expedido em 21/06/1983, porém como nele expresso, com validade a partir de 07/06/1977. Ou seja, nada mais fez o Conselho do que ratificar o reconhecimento; o E não se perca que o Instituto, inclusive na NFLD em questão, reconheceu, enfim não questionou estar a FUMES isenta dos recolhimentos, desde a sua criação; o Ora se compete ao Conselho tal certificado para fins de isenção, por força de expressa disposição legal, é evidente que não pode o INSS emiscuirse na competência alheia e negar validade a ato de outra pasta, negar vigência à lei; o A FUMES é a única instituição médico hospitalar a prestar serviços gratuitos em toda a região; o Ademais, com o advento da Lei 8212/91, em seu art. 55 que abrigou expressamente a hipótese vertente, todos os requisitos por ele exigidos estão fielmente presentes como se comprova com a própria documentação atrelada a NFLD; o Por força do disposto no art. 206 do Decreto 3048/99, encontra se, também isenta do recolhimento pretendido; o Outro fundamento para inexistência de débitos diz respeito ao art. 4º da Lei 9429/96, onde encontramse extintos todos os débitos da natureza daquele objeto do procedimento de cobrança, com relação às entidades do caráter de Fundação; o Outro argumento para corroborar é a reunião realizada pelo plenário do CNAS, baixou resolução considerando entidade beneficente de assistência social, e daí isenta do recolhimento aquelas que tenham percentual de atendimento na área de saúde, decorrente de convênio firmado com o SUS igual ou superior a 60% do total de sua capacidade instalada. Neste ponto, também a Fl. 241DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 5 7 FUMES cumpriu o requisito, visto que 95% de sua capacidade hospitalar é destinada a convênio; · Pretende a fiscalização, por encontrarse a FUMES isenta, transferir para terceiro, no caso a recorrente, débito existente; · Destaca, ainda, que ainda que fosse a recorrente responsável pelo recolhimento de contribuições previdenciárias dos funcionários da fundação, procede o recurso em questão, visto que estando a FUMES isenta e imune desses recolhimentos, não estando ela obrigada, da mesma forma, não estará a recorrente; · Reconhecido administrativamente pelo INSS não serem devidos recolhimentos, evidente que não houve transferência de nenhuma obrigação para que a executa, pois só se transfere obrigação existente, não inexistente; · Requer seja acolhido o presente recurso, para fins de arquivamento da NFLD. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 226. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar, quanto a preliminar de que ilegítimo a recorrente para figurar no pólo passivo do lançamento em questão (Entidade FAMEMA), razão não confiro ao recorrente. Aliás, não é a primeira vez que essa matéria é submetida a este colegiado, sendo que nas duas ocasiões, Acordão n. 20601.550 da Sexta Câmara do 2 CC de o do ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Acórdão n° 20601166, datado de 07/08/200 desta mesma relatora, tendo o recorrente apresentado os mesmos argumentos, sendo que a legislação apresentada pela autoridade fiscal deixa clara como se desenvolvem as atividades da autuada. Conforme descrito no relatório fiscal a autarquia FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA – FAMEMA foi criada pela Lei Estadual nº 8.898/1994, em regime especial, vinculada a Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, gozando dos privilégios administrativos do Estado e auferindo vantagens tributárias e as prerrogativas processuais da Fazenda Pública. No art. 3º da referida Lei assim está prescrito: “ A Faculdade assumirá os serviços atualmente prestados pela atual Faculdade de Medicina de Marília, bem como o patrimônio, os direitos e obrigações que vierem a lhe ser transferidos pelo Município e pela Fundação Municipal de Ensino Superior.” O Hospital das Clínicas de Marília e os estabelecimentos a ele vinculados, até então mantidos pela FUMES, passam a ser mantidos pela FAMEMA, como órgão complementar da docência , pesquisa e prestação de assistência à saúde da população. No art. 6º, ainda da mesma lei, resta descrita a autonomia da autarquia em relação a gestão administrativa, financeira e patrimonial, exercendo suas competências nos assuntos inerentes ao pessoal, organização de serviços e controle interno, bem como, elaboração do orçamento, gerir a receita e os recursos adicionais, administrar bens e celebrar contratos e convênios. Institui em seu art. 13 o Quadro de Pessoal Permanente e em Comissão, fixados em lei, com acesso mediante concurso público. Revogou a Lei Estadual nº 9236/66, que havia criado a Faculdade de Medicina de Marília, até então mantida pela FUMES. Conforme descrito nas disposições transitórias o pessoal docente, técnico e administrativo em exercício na Faculdade, mantida pela FUMES, passam com a concordância do Município e da própria fundação a prestar serviços a FAMEMA, mantido o regime jurídico e os direitos até então assegurados. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 6 9 Descreve ainda, que os ditos servidores da FUMES, ao final de 60 dias, poderiam optar por permanecer na FAMEMA, mediante concurso público. E enquanto não estabelecido, para o pessoal do Estado, o Regime Jurídico Único, os servidores da Faculdade serão regidos pela CLT. Nesse sentido, alega ainda a recorrente, que a lei de sua criação é clara em estabelecer que a prestação de serviços por empregados da FUMES é temporária, ou seja, ate a realização dos concursos para provimento dos quadros da autarquia. Fica evidenciado com esse argumento que a FANEMA, vem sim ,executando suas atividades, por meio de trabalhadores vinculados originalmente a FUMES, o que apenas reforça ser a FAMEMA a responsável pela coordenação dos serviços, estando, os segurados descritos na presente autuação a ela vinculados. Tais questões são ratificadas pelo Decreto 39.877/94, que regulamenta a Lei 8.898/94, em especial o § 1º e 2º que dispõem que a assunção dos direitos e obrigações trabalhistas pela autarquia especial recém criada vigorará a partir do afastamento desses empregados, autorizado pelo Município e pela entidade mantenedora da Faculdade, combinado com a opção individual de permanência na autarquia, até a realização de concurso público. Tais dispositivos abrangem os empregados da FUMES que prestam serviços no Hospital das Clínicas de Marília da Secretaria de Estado da Saúde, que até então era administrado pela FUMES por força do convênio, e em estabelecimentos a este vinculados, para atividades de ensino, pesquisas e assistência. O mesmo decreto estabelece que o prédio e equipamentos do Hospital das Clínicas de Marília, que à época estava em uso pela Faculdade de Medicina até então mantida pela FUMES, pertence à Secretaria de Saúde do Estado, que autoriza a cessão de uso das instalações à autarquia especial FAMEMA. Dessa forma, a partir da Lei 8.898/1994, que estadualizou a Faculdade de Medicina de Marília, que era mantida pela FUMES, criando a autarquia de regime especial – FAMEMA, dita autarquia assumiu toda a atividade de docência . A mesma lei ainda destaca que a FAMEMA, mediante convênio firmado, passou a exercer as atividades de assistência à saúde (médico hospitalar) no Hospital das Clínicas, até então exercida pela FUMES, visto que o hospital foi integrado à autarquia. Da análise preliminar, poderseia inferir que a FUMES continuou a exercer a administração do pessoal que prestava serviços a FAMEMA, visto a contabilização realizada, porém, de uma análise mais própria, e considerando o convênio celebrado entre a Autarquia e a Fundação em 17/12/1998 restou estabelecido: A FAMEMA se responsabiliza pelo pagamento do pessoal da FUMES colocado à sua disposição, ou seja sob sua responsabilidade, depositando em conta pessoal os vencimentos e vantagens e repassando à FUNDAÇÂO os valores correspondentes aos encargos sociais, que recolherá aos respectivos órgãos arrecadadores; A FUMES recolherá os encargos sociais correspondentes à FOPAG de acordo com as normas trabalhistas e previdenciárias; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A FUMES poderá contratar funcionários mediante realização de concurso público, e colocálos à disposição da FAMEMA, que arcará com a responsabilidade pelos salários e encargos sociais procedendo a inclusão dos mesmos em sua folha de pagamento. Também nesse ponto, merece um comentário o argumento do recorrente de que transfere os recursos apenas e exclusivamente aos funcionários da fundação que fizeram essa opção, sendo a outra parte remunerada por esta. “assim, ainda que razão houvesse, jamais a obrigação alcançaria o montante objeto da notificação, impondo, também por essa razão provimento ao recurso. Ora, o recorrente reconhece que assume os encargos das pessoas que assim optaram, contudo, demonstra mais uma vez o deseja de valerse de suposta isenção da entidade FUMES, para diminuir os encargos que lhe competem, já que não apenas dirige a prestação pessoal de serviços, como arca com os encargos a ela pertinentes, repassando as verbas a FUMES, razão pela qual deveria declarar em sua própria GFIP os segurados a lhe prestar serviços. Ademais, também não demonstrou o recorrente quais dos segurados elencados nas folhas de pagamento, não estariam a ela subordinados, limitandose a argumentar não ser sujeito passivo da obrigação tributária ora imposta. Os recursos do SUS, provenientes da prestação de serviços e repassados pelo Ministério da Saúde, constituem em recursos da autarquia; Ou seja, a autarquia era efetivamente responsável pelo recolhimento dos encargos sociais. Ademais, quando apreciamos os recursos tato da FUMES como da FANEMA, as mesmas atacam de forma genérica a sujeição passiva e a FUMES, sem comprovar que os fatos descritos pela autoridade fiscal, quanto à direção do empreendimento por parte da FANEMA, encontravamse equivocados, alegar, que a FUMES era a verdade empregadora, inclusive porque descrevia em sua GFIP os segurados ora lançados, não afasta o lançamento, uma vez que demonstrado por meio da análise da legislação que criou a FANEMA, quem detinha o poder diretivo em relação aos trabalhadores relacionados n auto de nfração. Com base em tudo que foi relatado pela autoridade fiscal em seu relatório e de tudo mais contido nos autos restou, demonstrado que a FAMEMA, autarquia regularmente criada e com autonomia de gestão administrativa e financeira passou desde a sua criação a gerir todo o pessoa colocado a sua disposição, inclusive os antigos empregados da FUMES. Neste raciocínio, os funcionários submetidos a atividades prejudiciais não estavam subordinados a FUMES, mas sim a FAMEMA responsável pela gestão e prestação de serviços médico hospitalares. Entendo que o fato de a FUMES possuir certificado de entidade filantrópica não merece ser apreciado no caso em questão visto que a NFLD não ter sido lavrada em seu nome, mas sim, em nome da FAMEMA, autarquia de regime especial com personalidade jurídica própria para assumir obrigações. Mesmo se considerarmos que parte dos contratados da FAMEMA, anteriormente prestavam serviços a FUMES, o princípio da primazia da realizada determina que a partir do momento que passaram a prestar serviços a autarquia, passou a este órgão a responsabilidade sob os mesmos. Novamente, destaco, não ter o recorrente demonstrado que os segurados aqui arrolados não estavam a lhe prestar serviços, mas atacou o lançamento de forma genérica, dizendo estarem vinculados a FUMES. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 7 11 Ademais, mesmo sem analisar o mérito da filantropia, não há que se falar em transferência de isenção da FUMES para FAMEMA, sendo que esta deve arcar com todas as obrigações previdenciárias e trabalhistas. Da mesma forma, incabível seria chancelar a vínculo dos empregados e prestadores de serviços a FUMES, quando, pelo fatos narrados o responsável pela direção das atividades é a entidade FAMEMA (independente da discussão acerca da condição de isenta da FUMES). Portanto, com relação ao mérito, quanto ao argumento de ser imprópria a autuação, eis que a sua lavratura se deu em nítida afronta a disposição legal, frisese que pela análise dos documentos presentes no presente processo, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, para constituição do crédito tributário. A fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1º da Lei 11.098/2005: Art. 1o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares suscitadas, passo a análise do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, convém ressaltar que para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, a autarquia especial – FAMEMA é considerado empresa perante a previdência social, devendo, portanto, contribuir para o RGPS, sempre que presentes fatos geradores de contribuições previdenciárias. Apesar de descritos diversos argumentos, o recorrente resumiuse a contestar a isenção/imunidade da FUMES e o fato de a FAMEMA, não ser a responsável pelos crédito objeto desta AUTUAÇÃO, sem trazer argumentos com relação as contribuições lançadas no presente lançamento. Assim, como no recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal conforme mencionado acima, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos valores lançados como fatos geradores objeto do presente AI, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de Primeira Instância presumese a concordância da recorrente com a decisão proferida. Dessa forma, como a única matéria devolvida a este colegiado foi a referente a discussão da sujeição passiva da FAMEMA, atenhome apenas ao argumentos suscitados e já apreciados em sede de preliminar. DO DIREITO A ISENÇÃO/IMUNIDADE por parte da FUMES. Embora, conforme apreciado em sede de preliminar, entendo que a vinculação estabelecida pela autoridade fiscal, figurando a FAMEMA, como sujeito passivo da obrigação encontrase correta, acho pertinente apreciar a condição de isenta da FUMES, já que não é a primeira vez, que a entidade traz esse argumento, bem como encontrase indicada no polo passivo da obrigação na condição de solidária. Nesse sentido, primeiramente convém trazer a base dos argumentos do recorrente, pelos quais entende ser detentora do direito adquirido a isenção. · No que concerne à isenção da Fundação destaca: o A FUMES foi criada pela Lei Municipal nº 1371/66, vindo a ser declarada de utilidade Pública em 1968, sendo que neste mesmo ano requereu seu competente registro no Conselho Nacional de Serviços Social, na forma do Decreto nº 1117/62. o Em 1977, o Decreto 1572, revogou a Lei 3577/59, estabelecendo determinadas condições para que as instituições continuassem a gozar da isenção fiscal. A FUMES cumprindo os requisitos , obteve o Certificado de Filantropia e a declaração de Utilidade Pública. o Pretendeu o Instituto que a FUMES não faria jus a isenção, sob a alegação de que o Certificado de Filantropia só foi emitido em 1983, enquanto a Declaração era de 1981. O requerimento foi formulado antecipadamente, obtendo então a Declaração, portanto se ocorreu atraso na expedição, tal fato nada altera, pois o dispositivo é claro: tenha requerido ou venha a requerer o reconhecimento de Utilidade Pública Federal; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 8 13 o Ainda que assim não fosse, ainda que não houvesse a FUMES tomado a providência, ainda que não houvesse requerido seu reconhecimento, fato é desde 1968, a fundação possui Declaração Municipal de Utilidade Pública; o Destacase que, muito antes da exigência prevista no Decreto Lei 1577/77, já se encontrava a FUMES devidamente registrada no Conselho Nacional de Serviço Social. Contudo, com a edição desse diploma, de sorte a manterse isenta, também cumpriu a exigência no tocante ao Certificado; o Ocorreu que por questões internas daquele conselho, O certificado somente foi expedido em 21/06/1983, porém como nele expresso, com validade a partir de 07/06/1977. Ou seja, nada mais fez o Conselho do que ratificar o reconhecimento; o E não se perca que o Instituto, inclusive na NFLD em questão, reconheceu, enfim não questionou estar a FUMES isenta dos recolhimentos, desde a sua criação; o Ora se compete ao Conselho tal certificado para fins de isenção, por força de expressa disposição legal, é evidente que não pode o INSS emiscuirse na competência alheia e negar validade a ato de outra pasta, negar vigência à lei; o A FUMES é a única instituição médico hospitalar a prestar serviços gratuitos em toda a região; o Ademais, com o advento da Lei 8212/91, em seu art. 55 que abrigou expressamente a hipótese vertente, todos os requisitos por ele exigidos estão fielmente presentes como se comprova com a própria documentação atrelada a NFLD; o Por força do disposto no art. 206 do Decreto 3048/99, encontra se, também isenta do recolhimento pretendido; Já a autoridade fiscal, assim, descreveu acerca da isenção da FUMES: DA FUNDAÇÃO MUNICIPAL DO ENSINO SUPERIOR DE MARÍLIA 28. A FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE ENSINO SUPERIOR DE MARÍLIA FUMES, • estabelecida nesta cidade de Marília/SP, à Rua Aziz Atallah, s/n.°, no Bairro Fragata, CEP 17519101, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ sob o n.° 52.052.420/000115, foi instituída pela Lei Municipal n.° 1.371, de 22 de dezembro de 1966. Foi declarada de Utilidade Pública Municipal, Estadual e Federal, através dos seguintes dispositivos legais, respectivamente: a) Lei Municipal n.° 1.576, de 09 de outubro de 1968; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 b) Lei Estadual n.° 4.321, de 23 de outubro de 1984; e c) pelo Decreto do Poder Executivo Federal n.° 86.238, de 30 de julho de 1981, em decorrência do Processo MJ n.° 71.503/77, cujo pedido foi protocolado em 06 de outubro de 1977. 29. A Fundação Municipal foi registrada junto ao então Conselho Nacional do Serviço Social — CNSS, órgão que era integrante da estrutura do Ministério da Educação e Cultura— MEC em 08 de dezembro de 1969, em decorrência do Pedido de Registro protocolado sob o n.° 267.599 em 06 de novembro de 1968. 30. Em 25 de julho de 1983, a Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília FUMES formulou o pedido protocolado sob n.° 121035 — 05011, endereçado ao Sr. Superintendente do Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social — IAPAS no Estado de São Paulo, requerendo a isenção das contribuições. O pedido foi instruído inicialmente com declaração de seu Diretor Presidente quanto às entidades mantidas; com cópias do Estatuto da FUMES e da Ata da Eleição da última Diretoria; com cópia do Cartão do CGCMF; com cópia do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo CNAS em 21 de junho de 1983; e com cópia do Decreto de Utilidade Pública Federal. 31. Referido pedido, que constituiu o processo administrativo Pt. 121035 —05011183, foi submetido à apreciação do Senhor Secretário Regional de Arrecadação e Fiscalização do LAPAS em São Paulo, que, ao final, decidiu desfavoravelmente à entidade, em síntese, • pelas seguintes razões: a) a entidade requerente não se enquadra no preceito considerado fundamental à aquisição do direito perseguido, qual seja, o de não possuir o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos quando da edição do Decreto Lei n.° 1.572, de 01/09/77; b) os Estatutos da entidade vigentes à época da Lei n.° 3.577/59 não autorizavam a concessão de bolsas de estudos, e nem previam a não remuneração aos diretores, sendo que referidas cláusulas somente foram introduzidas na reforma estatutária de 04109/78, pelo Decreto Municipal n.° 3.946, portanto, após o Decreto Lei n.° 1.572177, o que induz à conclusão lógica de inexistência de atividades filantrópicas em período anterior; e c) as atividades assistenciais da fundação ligadas à Faculdade de Medicina de Marília sempre tiveram objetivos meramente administrativos, sob fiscalização e manutenção financeira da Coordenadoria de Assistência Hospitalar da Secretaria do Estado vinculadas ao convênio, não havendo, obviamente, nessas atividades afetação filantrópica. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 9 15 32. Assim, transitado em julgado a aludida decisão exarada nos autos do Pt 121 • 035/05011, de 25 de julho de 1983 e considerando que da referida decisão não cabia recurso à instância superior, a pretensão da entidade foi indeferida visto que ela não era detentora do direito à isenção prevista na Lei n.° 3.577/59, cujo direito foi mantido pelo Decretolei n.° 1.572/77 àquelas entidades que em 1° de setembro de 1977 atendiam os requisitos até então vigentes. 33. A interessada foi comunicada da Decisão proferida no referido processo através do Ofício RFMA — 421 035.10/61, de 02 de setembro de 1986, o qual foi acompanhado de cópias das Resoluções mencionadas e dos Relatórios e Votos dos Senhores Relatores. 34. A par da negativa do pedido de isenção, tal qual exposto acima, a pretensão da entidade foi rechaçada em última instância pelo Ministro de Estado da Previdência Social através do Parecer 0 n° 094/88, para afirmar a não isenção. O Parecer teve como arrimo o fato de, para manter o gozo da isenção nos moldes do Decretolei n° 1.572.77, a entidade deveria dela estar gozando_, como resulta óbvio do próprio conceito de manter, é dizer, seguir com a posse de algo que já se tem. Segue o diploma legal: "Art. 1° Fica revogada a Lei n° 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta a contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social — INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. A revogação a que se refere esse artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade, pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decreto Lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade do prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. § 20 A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja em gozo de isenção referida no caput deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dia a contar do início de vigência deste decretolei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3° O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 § 4° A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento." 35. Logo, visavase a resguardar as entidades que se erigiram segundo o benefício, consoante atestam as expressões "não prejudicará" e "continuará gozando". O prazo para o requerimento do título de utilidade pública federal reforça a assertiva, pois que não havia especificação, à época, sobre o título de utilidade de que a entidade deveria ser titular, podendo esse ser municipal, estadual ou federal. Por isso o prazo, de maneira a não prejudicar as entidades que gozavam da isenção portando título não federal. 36. Esse não é o caso da FUMES que, embora tenha requerido o título de utilidade pública federal no prazo concedido pelo Decretolei, não gozava da isenção, mesmo porque não portava o CEBAS, obtido somente em 06177. Logo, não se pode conferir • manutenção de benefício fiscal a entidade que em tempo algum dele foi titular, de modo que não se estaria protegendo de eventual lesão o patrimônio da aludida entidade. 37. Diante da negativa e da edição da Lei n° 8.212/91, a entidade formulou novo pedido, também indeferido, agora sob o amparo da existência de débitos, ao que se seguiu novo pedido com mesmo destino e fundamento, somandose aí a argüição de que a entidade não atendia ao conceito de entidade beneficente de assistência social. Tais decisões foram colhidas pelo manto da coisa julgada administrativa. Muito embora não erigida pela Lei n° 8.212191 como requisito para o gozo da isenção a inexistência de débito com a Seguridade Social, o que só ocorreu em 2001 com a edição da MP n° 2.18713, tal exigência vigora desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a teor do art. 195, §3 "A pessoa jurídica em débito com o sistema de seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público, nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais e creditícios." 38. Nessa esteira, dado que o INSS, ao apreciar os pedidos formulados pela entidade sob o pálio da Lei n°. 8.212/91, indeferiu o pleito ao fundamento da existência de débito; a decisão só poderia ser modificada caso se comprovasse não ser a entidade devedora, assim mesmo no prazo fixado para tal, sob pena de preclusão administrativa. Logo, a FUMES, revogação a que se refere esse artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade, pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decreto Lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade do prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 10 17 § 20 A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja em gozo de isenção referida no caput deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dia a contar do início de vigência deste decretolei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3° O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4° A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento." 35. Logo, visavase a resguardar as entidades que se erigiram segundo o benefício, consoante atestam as expressões "não prejudicará" e "continuará gozando". O prazo para o requerimento do título de utilidade pública federal reforça a assertiva, pois que não havia especificação, à época, sobre o título de utilidade de que a entidade deveria ser titular, podendo esse ser municipal, estadual ou federal. Por isso o prazo, de maneira a não prejudicar as entidades que gozavam da isenção portando título não federal. 36. Esse não é o caso da FUMES que, embora tenha requerido o título de utilidade pública federal no prazo concedido pelo Decretolei, não gozava da isenção, mesmo porque não portava o CEBAS, obtido somente em 06177. Logo, não se pode conferir • manutenção de benefício fiscal a entidade que em tempo algum dele foi titular, de modo que não se estaria protegendo de eventual lesão o patrimônio da aludida entidade. 37. Diante da negativa e da edição da Lei n° 8.212/91, a entidade formulou novo pedido, também indeferido, agora sob o amparo da existência de débitos, ao que se seguiu novo pedido com mesmo destino e fundamento, somandose aí a argüição de que a entidade não atendia ao conceito de entidade beneficente de assistência social. Tais decisões foram colhidas pelo manto da coisa julgada administrativa. Muito embora não erigida pela Lei n° 8.212191 como requisito para o gozo da isenção a inexistência de débito com a Seguridade Social, o que só ocorreu em 2001 com a edição da MP n° 2.18713, tal exigência vigora desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a teor do art. 195, §3 "A pessoa jurídica em débito com o sistema de seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Público, nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais e creditícios." 38. Nessa esteira, dado que o INSS, ao apreciar os pedidos formulados pela entidade sob o pálio da Lei n°. 8.212/91, indeferiu o pleito ao fundamento da existência de débito; a decisão só poderia ser modificada caso se comprovasse não ser a entidade devedora, assim mesmo no prazo fixado para tal, sob pena de preclusão administrativa. Logo, a FUMES, embora portando CEBAS válido até 31112/1994, não fez jus nesse período à isenção, tanto que o INSS a indeferiu. Com base em todas as decisões transitadas em julgado em âmbito administrativo, fixouse entendimento de que a entidade jamais foi detentora do direito à isenção. 39. Em conformidade com as disposições da Lei n.° 8.909, de 06 de junho de 1994, que dispôs sobre a prorrogação de prazo para renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos e de recadastramento, a entidade requereu ao CNAS, através do Pt. 28996.021934/9483, de 03 de agosto de 1994, o seu recadastramento e a renovação de seu • certificado. O CNAS julgou o referido pedido através da Resolução n°. 144, de 05/09/97, indeferindo simultaneamente o pedido de Renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos e o pedido de recadastramento. 40. Contra a decisão a entidade ingressou em 14 de novembro de 1997 com pedido de reconsideração junto ao CNAS, que através da Resolução n° 87, de 19 de junho de 1998, manteve a decisão originária de indeferimento. 41. Não se conformando com a decisão proferida pelo CNAS através da Resolução n° 87/98, a entidade ingressou com recurso endereçado ao Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social, que o submeteu à Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência e Assistência Social, que, através do PARECER/0 N° 1.646 de 23102/1999, deu provimento parcial ao recurso. O Parecer acima foi submetido ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Previdência Social que, em despacho de 09 de março de 1999, que aprovou o Parecer emitido pela Consultoria Jurídica, decidindo pelo provimento parcial do recurso impetrado, deferindo o recadastramento do registro no CNAS e mantendo o indeferimento da • renovação do Certificado de Filantropia da Fundação Municipal do Ensino Superior de Marília. Da análise de toda a narrativa, discordo dos argumentos da recorrente, de que desde 1977 satisfazia todos os requisitos para o gozo da condição de entidade filantrópica. QUANTO AO RECONHECIMENTO PERANTE O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 11 19 Quanto ao argumento que perante o MJ a entidade apresentase regular, entendo que dito fato também não serviria como fato capaz de alterar o julgamento., tendo em vista a competência distinta de cada órgãos no que pertine aos requisitos legais para dita isenção (imunidade argumentada pela recorrente). É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Dessa forma, a decisão proferida encontramse em perfeita consonância com com a exigência legal, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente quanto ao encontrar se previsto na constituição, tratarseia de imunidade, fato é que não cumpriu os limites legais para que se usufrua do benefício, o que não conseguiu o recorrente demonstrar ao descumprir preceitos do art. 55 da lei 8212/91. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do não recolhimento da parcela patronal de Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 contribuições previdenciárias. Passemos por um breve relato acerca da legislação que abarca a questão. Pelo menos desde 1973, quando entrou em vigor o Decreto 72.771, de 06.09.73, • que regulamentou a Lei 3.577/59, uma entidade que não possuísse o Titulo de Utilidade Pública Federal e o antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos não poderia gozar de isenção no INSS. É o que diz seu art. 275: `Art. 275. A entidade de fins filantrópicos, para gozar da isenção prevista na Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, deverá apresentar ao INPS o certificado em que sela como tal declarada pelo Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura. § /° A isenção será efetivada a contar do mês em que a interessada formalizar ao INPS sua pretensão acompanhada dos elementos pelos quais faça prova de que preenche os requisitos indicados no parágrafo seguinte, e será suspensa a qualquer tempo, quando for apurado que deixou de satisfazer a qualquer daqueles requisitos, notificado o Conselho Nacional de Serviço Social. § 2° O INPS verificará, periodicamente, para efeito de continuidade da isenção, se a entidade conserva a qualidade referida neste artigo, cujos requisitos são: 1 possuir titulo alusivo ao reconhecimento pelo Governo Feder como de utilidade pública. II destinar a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito, de suas finalidades; III demonstrar que não percebem remuneração, vantagens ou benefícios seus diretores, sócios ou irmãos no desempenho das funções que lhes são estatutariamente atribuídas". (grifamos). "DECRETOLEI AP 1.572 DE 1 DE SETEMBRO DE 1977 DOU DE 1/09117 Revoga a Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, e dá outras providências. • O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, decreta: Art. 1° Fica revogada a Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a Instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decreto Lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteia isenta daquela contribuição. § 2° A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 12 21 referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer dentro de 90 (noventa)dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei o seu reconhecimento como • de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3° O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado. desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4° A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade, pública federal indeferido, ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciarias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento. Art. 2° O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição providenciaria a partir do mês seguinte ao dessa revogação. Art. 3° Este Decretolei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 4° Revogamse as disposições em contrario".(grifamos). Face o exposto, neste ponto, também não encontro argumentos capazes de garantir o direito a isenção a FUMES. Ao contrario do que entendeu o recorrente entendo que o mesmo não preenchia quando da edição do DECRETOLEI 1.572/77, direito adquirido a isenção, conforme muito bem detalhado pela autoridade fiscal. A revogação da Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração, não prejudicará a Instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação do novo DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteia isenta daquela contribuição. § 2° A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer dentro de 90 (noventa)dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei o seu reconhecimento como • de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. Contudo a FUMES não gozava da referida isenção, como bem demonstrou o auditor fiscal, razão pela qual entendo acertada a decisão proferida. Ainda, quanto a alegação de que cumprira os requisitos da lei 8212/91, conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 necessário “pedido”( e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício( pedido esses não acatados). Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, embora a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, tenha efetivado o lançamento indicando como sujeito passivo a FANEMA, procedeu no relatório fiscal, a descrição, que nem mesmo a FUMES encontrarseia na condição de isenta, tendo em vista restar claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Aliás, esse também foi o posicionamento adotado pelo ilustre Conselheiro Rycardo Henrique de Oliveira, n Acordão n. 20601.550 da Sexta Câmara do 2 CC quando apreciou a mesma matéria, tendo naquela oportunidade o recorrente apresentado idênticos argumentos, senão vejamos: MÉRITO Contrapõese, ainda, ao lançamento, aduzindo para tanto que, na condição de Entidade Beneficente de Assistência Social, a contribuinte é isenta da contribuição destinada à previdência social, na forma do artigo 195, da Constituição Federal. • Em que pesem as substanciosas razões da contribuinte ao longo de seu arrazoado, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Consoante se positiva do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: 'Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal , estadual, Distrito Federal ou municipal; II seja portadora dó Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.001187/200911 Acórdão n.º 2401003.152 S2C4T1 Fl. 13 23 II1 promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1' Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. " Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão Notificação, a contribuinte em momento algum logrou comprovar ser efetivamente entidade isenta, cumpridora de todos os requisitos para tanto, inobstante as inúmeras alegações nesse sentido. Ao contrário, como se extrai do bojo da decisão de primeira instância contribuinte ingressou em diversos momentos com pedidos de isenção da cota patronal 'r tendo obtido êxito em sua empreitada em nenhuma oportunidade, não havendo que se 7áã pretensa isenção argüida pela notificada. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas pelo julgador de primeira instânciá. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de ilegitimidade passiva e de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos.2 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003913/2001-71
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1996
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO AFASTADA. PDV
DECADÊNCIA
O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-000.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, retornando os autos à Unidade Local da RFB para analisar as demais questões relacionadas ao mérito. Vencidos os Conselheiros Júlio César Vieira Gomes, Francisco de Assis Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto apresentará declaração de voto.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1996 DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO AFASTADA. PDV DECADÊNCIA O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado
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Numero do processo: 10680.723245/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Deve ser suprida a contradição verificada no acórdão através de lapso manifesto de escrita.
Numero da decisão: 2201-009.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos formalizados em face do Acórdão 2201-007.971, de 01 de dezembro de 2020, para, com efeitos infringentes, sanar o vício apontado, reeditando o seu dispositivo analítico, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com o restabelecimento das Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal originalmente declarados. Vencido o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que deu provimento parcial em menor extensão.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra
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CONTRADIÇÃO. Deve ser suprida a contradição verificada no acórdão através de lapso manifesto de escrita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos formalizados em face do Acórdão 2201-007.971, de 01 de dezembro de 2020, para, com efeitos infringentes, sanar o vício apontado, reeditando o seu dispositivo analítico, nos seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com o restabelecimento das Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal originalmente declarados. Vencido o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que deu provimento parcial em menor extensão. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório A 1 a Turma Ordinária da 2 a Câmara da 2 a Seção exarou o Acórdão n° 2201-007.971, em 01/12/2020. A decisão foi assim registrada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 32 45 /2 00 9- 05 Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.083 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator, que deu provimento apenas parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Entretanto, verificou-se inexatidão material devida a lapso manifesto na parte do acórdão, qual seja, o fato de que foi dado provimento ao recurso voluntário. Não obstante, o voto condutor deu provimento parcial em maior extensão, mantendo o entendimento exarado pelo relator do voto vencido quanto às áreas de pastagens. Por tratar-se de inexatidão material devida a lapso manifesto, este Julgador opôs os presentes Embargos Inominados, com fundamento no art. 66, do Anexo II, do RICARF para saneamento da contradição, com a reinclusão em pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Os Embargos de Declaração preenchem os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecidos. Da Contradição É manifesta a contradição entre a parte dispositiva e o resultado do julgamento (acórdão). O dispositivo do voto vencedor foi exarado nos seguintes termos: Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário em maior extensão, para reconhecer a improcedência da glosa da ARL. Nesse sentido, a parte do acórdão recorrido, a meu ver, deveria ter registrado o provimento parcial. Assim sendo, entendo que o resultado do julgamento colegiado dever ser alterado e integrado ao julgado nos termos abaixo: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com o restabelecimento das Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal originalmente declarados. Vencido o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que deu provimento parcial em menor extensão. Destarte, o presente recurso dever ser acolhido. Conclusão Diante do Exposto, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração opostos para, sem efeitos infringentes, suprir a contradição assinalada. Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.083 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13971.000281/2010-45
Data da sessão: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado de acordo com a Súmula/Carf N. 119.
Numero da decisão: 9202-009.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Ana Paula Fernandes
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado de acordo com a Súmula/Carf N. 119.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado de acordo com a Súmula/Carf N. 119. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 02 81 /2 01 0- 45 Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2803-002.645, proferido pela 3ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. O Auto de Infração, no valor de R$ 564.316,00, lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, decorre por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, no período 03/2005 a 11/2008, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, e § 5º da Lei 8.212/91. O motivo ensejador do lançamento consta do relatório fiscal, fls. 32/33. Em 10/05/2012, a DRJ, no acórdão nº 07-28.698, às fls. 130/137, julgou improcedente a impugnação do Contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Em 15/08/2013, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 179/185, exarou o Acórdão nº 2803-002.645, DANDO PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário interposto pelo Contribuinte. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de trata-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em 20/09/2013, às fls. 187/198, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Cálculo da multa mais benéfica ao Contribuinte. Aduziu a União que os acórdãos paradigmas entenderam que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos, em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, deve-se efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). De modo diverso, o Colegiado a quo sustenta ser desnecessária a soma da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35-A da lei nº 8.212/91. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela União, às fls. 201/206, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, restando admitida a divergência em relação à seguinte matéria: Cálculo da multa mais benéfica ao Contribuinte. Cientificado do Acórdão e da admissibilidade do Recurso Especial da União, às fls. 236 e 238, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 240/246, e apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, às fls. 298/304, expondo seus argumentos quanto ao mérito. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 309/316, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso, por não se verificarem atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF. O Contribuinte foi cientificado, conforme fl. 329, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes - Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. DO MÉRITO O Auto de Infração, no valor de R$ 564.316,00, lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, decorre por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, no período 03/2005 a 11/2008, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, e § 5º da Lei 8.212/91. O Acórdão recorrido deu parcial provimento Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Cálculo da multa mais benéfica ao Contribuinte. Cinge-se a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202-004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcreve-se: AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5 o , ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5 o , ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente - descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal - deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcreve-se excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202-004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavrava-se em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito - NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa - art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 o deste artigo. § 1 o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2 o Observado o disposto no § 3 o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3 o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art32a. Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35-A que dispõe o seguinte, “Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplica-se multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva-nos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, refere-se a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais - NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal - AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32-A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art35a. Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observe-se que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 - que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput dar-se-á por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo dar-se-á: I - mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 II - de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrar-se em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os não- impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35-A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitar-se-á àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recentemente o Conselho Pleno do Carf Sumulou a questão: Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-009.079 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13971.000281/2010-45 A obrigação principal discute contribuições previdenciárias de folha de pagamento dado ao enquadramento equivocado da empresa no regime tributário do simples. A aplicação da retroatividade deve respeitar os limites do que no mérito foram excluídas das ações que discutem os AIOP, a ser apurado em fase de execução, nos termos da súmula-Carf 119. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito dar-lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital
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