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Numero do processo: 11065.001814/00-15
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000
PIS. DCTF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. MEDIDA LIMINAR NEGADA. FRAUDE. MULTA. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO.
E cabível a qualificação da multa de ofício no caso de informação falsa em DCTF relativamente à suspensão da exigibilidade do crédito tributário declarado, com o evidente intuito de impedir a sua cobrança, quando era de conhecimento do sujeito passivo o indeferimento da medida liminar pleiteada.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: CSRF/02-03.422
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antônio ^Carlos Guidoni Filho que negou provimento ao recurso.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000 PIS. DCTF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. MEDIDA LIMINAR NEGADA. FRAUDE. MULTA. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa de oficio no caso de informação falsa em DCTF relativamente à suspensão da exigibilidade do crédito tributário declarado, com o evidente intuito de impedir a sua cobrança, quando era de conhecimento do sujeito passivo o indeferimento da medida liminar pleiteada. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho que negou provimento ao recurso. I Antonio José raga de Souza - Presidente Qft',.(5l,-()CCL Â0Grjetc {yee .. Josefa Maria Coelho Marques - Relatora Editado em: 17/06/2010 (// 1 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de recurso de divergência da Fazenda Nacional (fls. 433 a 441) apresentado em 23 de dezembro de 2004 contra o Acórdão n°202-15.468 (fls. 414 a 431), da 2' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da interessada no processo, para afastar o agravamento da multa de oficio aplicada, segundo a ementa abaixo reproduzida: NORMAS PROCESSUAIS - MEDIDA JUDICIAL - A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da matéria tributária em litígio naquela instância, devendo prosseguir o processo no que diz respeito à matéria impugnada na via administrativa que se diferencia da posta perante a esfera judicial. Recurso não conhecido nesta parte. MULTA AGRAVADA - A apreciação na esfera administrativa de infrações tributárias dolosas, para efeito da atribuição da responsabilidade pessoal pelo seu cometimento ou para incidência de agravamento da multa básica, como na hipótese, exige não só a prova da materialidade do descumprimento da obrigação principal, mas também a tipicidade dos vícios de conduta imputados, assim como a consideração do elemento subjetivo. TAXA SELIC - Sua natureza é exclusivamente de juros, nada empecendo sua conformidade com os fundamentos jurídicos dos "juros de mora" em matéria tributária. Recurso provido em parte. Segundo o auto de infração (fls. 9 a 20), no período de maio de 1999 a junho de 2000, a interessada vinculou os débitos declarados em DCTF à suspensão de exigibilidade por medida liminar em mandado de segurança no processo 1999.71.08002416-6. Entretanto, a medida liminar fora indeferida em 8 de abril de 1999, com ciência à interessada em 9 de abril. Assim, a contribuinte teria informado a suspensão de exigibilidade quando já sabia do indeferimento da medida liminar, razão pela qual a multa foi agravada. Segundo o acórdão recorrido, o agravamento da multa pressuporia a prática das condutas específicas previstas no art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, bem assim "o descumprimento da obrigação principal" e o dolo. Dessa forma, a conduta descrita de "declaração falsa na DCTF de obtenção de medida liminar" não se subsumiria à tipificação contida no dispositivo legal citado, que diria respeito apenas à ação ou omissão tendente -impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou a excluir ou modificar suas características essenciais. to, 2 Processo n° 11065.001814/00-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.422 Fl. 460 No recurso, a Fazenda Nacional alegou que a interessada teria praticado ato de fraude ao inserir informação falsa na declaração. Acrescentou que a culpabilidade não seria fator impeditivo à apenação, em face das disposições do art. 136 do CTN. Admitido o recurso (fls. 447 a 449) e intimada a interessada, não foram apresentadas contra-razões. É o relatório. Voto Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, Relatora O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. No relatório fiscal (fl. 19), foi imputada à interessada a conduta do art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, como ensej adora da caracterização do evidente intuito de fraude, para efeito de aplicação da penalidade qualificada. Ademais, a conduta representaria crimes contra a ordem tributária, conforme previsto na Lei n. 8.137, de 1990, art. 1°, II. Portanto, a fiscalização, descrevendo o fato como declaração de informação falsa, com o dolo específico de impedir a cobrança, pela suspensão da exigibilidade, o subsumiu ao art.72 da Lei n. 4.502, de 1964, que dispõe o seguinte: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Nesse diapasão, o fato subsome-se perfeitamente à norma, uma vez que houve efeito de evitar o pagamento, pela modificação de característica da obrigação tributária principal. No caso dos autos, não só houve dolo, em razão de a interessada ter conhecimento da denegação da medida liminar, como houve dolo específico, em face da intenção de evitar a cobrança do tributo devido. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso. - .Posefa Maria Coelho Marques ‘,42( . _ 3
score : 1.0
Numero do processo: 10580.100073/2005-93
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas e lançadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas e lançadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado
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DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas e lançadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 10 00 73 /2 00 5- 93 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1515.047 (fl. 104), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 32/39, em razão da glosa integral das deduções com pensão alimentícia, livro caixa e incentivos, em virtude de não terem sido comprovadas no curso do procedimento de fiscalização, assim como foi reduzido o imposto de renda na fonte, resultando na apuração de imposto suplementar de R$9.517,85. Ao apreciar o conjunto probatório apresentado pelo contribuinte em sua impugnação de fl. 01 e complementado em diligência, o Órgão julgador de primeiro grau restabeleceu a dedução com pensão alimentícia e o imposto retido na fonte indicado na DIRPF do exercício de 2001, mantendo o imposto suplementar de R$1.307,87. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2000 LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas e lançadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. É cabível a glosa de despesas não comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF (fls. 112/114) o recorrente faz as seguintes considerações sobre a decisão a quo: 1) Contribuição Sindical: anexa parecer jurídico do advogado Renato Salge Prata, fornecido pelo sindicato dos médicos fls. 11 a 18, no qual o mesmo discorre sobre a obrigatoriedade de pagamento da Contribuição Sindical, também por profissionais liberais, sendo portanto tal contribuição fundamental para exercício profissional e salvo melhor juízo cabível de dedução no livro caixa. 2) Despesas com Telefone Fixo, Celular e Energia Elétrica: anexa a documentação comprobatória de gastos relacionados a descontos efetuados no Livro Caixa, encontrase o boleto de recolhimento do Imposto Sobre Serviços pagos a Prefeitura da Cidade de Salvador, no qual consta o endereço de desenvolvimento das atividades profissionais como sendo o mesmo o do domicílio residencial. Em virtude do tipo de trabalho efetuado, que é o de minha especialidade de Anestesiologista e de Atendimento Domiciliar PréHospitalar, sendo na ocasião acionado em minha residência ou através do celular a prestar o atendimento no endereço do paciente. Ainda sobre este tópico, cabe salientar que as despesas lançadas no Livro Caixa a título de abatimentos com telefone, energia, celular etc, perfazem a terça parte dos gastos comprovados e Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.100073/200593 Acórdão n.º 2101001.923 S2C1T1 Fl. 138 3 lançados no item 6 da Declaração de Ajuste Anual, sob o título de RELAÇÃO DE PAGAMENTOS E DOAÇÕES EFETUADAS. 3) Multa datada de 16/11/2005: após a apresentação de todos os questionamentos e diligências tenho me esforçado e cumprido de forma irrepreensível todos os prazos legais que me são dados. Desta forma creio eu, salvo melhor juízo, que a aplicação de multa me penalizando, como se a responsabilidade pela morosidade da apuração de fatos e pagamento de imposto complementar até 2005 fosse minha, o que obviamente não procede. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, verificase que o pagamento ao Sindicato Médico da Bahia, no valor de R$43,00, despesa incorrida no mês de setembro/2000, conforme demonstrativo de escrituração do livro caixa à fl. 23, não pode deduzir o rendimento bruto tributado na DIRPF do anocalendário de 2000, pois o contribuinte não auferiu rendimento relacionado à atividade de profissional autônomo nos meses de julho a dezembro de 2000, sendo certo que a despesa que exceder à receita mensal da respectiva atividade somente ser deduzida nos meses seguintes até dezembro, consoante dispõe o artigo 76 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, a seguir transcrito: Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1ºO excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3ºO Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. As despesas com telefone fixo e energia do apartamento funcional localizado na Av. Sete de Setembro, nº 1754, Ed. Duque de Caxias, ap. 201, Vitória – Salvador/BA, não podem ser aceitas como deduções do livro caixa, pois se referem a despesas relacionadas à residência do contribuinte, conforme oficio do Chefe do Estado da 6ª Região Militar, à fl. 74, cujo teor transcrevo: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 1. Versa o presente expediente sobre pagamentos de contas (água, luz, telefone, etc.) de apartamento funcional. 2. Incumbiume o Exmo Sr Comandante da 6ª RM de informar a V Sra que no ano 2000 as contas supracitadas do próprio nacional localizado à Av Sete de Setembro, n° 1754, ed. Duque de Caxias, ap. 201, bairro: Vitória, Salvador/BA ficaram sob o encargo de seu ocupante o Coronel Médico SÉRGIO LUIS RODRIGUES DOMINGUES. Por óbvio, referido imóvel, localizado em prédio residencial e ocupado pelo contribuinte em razão deste ser oficial militar da ativa (Coronel Médico), não pode ter destinação mista (residencial/comercial), a possibilitar o cômputo de 20% das despesas pleiteadas como dedução do livro caixa. Ademais, conforme ressaltou a decisão recorrida, inexiste comprovação de que os serviços médicos são prestados na própria residência do contribuinte, a exemplo de alvará municipal ou licença da vigilância sanitária. Quanto às contas dos telefones celulares nºs 99878946 e 99654086, colacionadas aos autos, não há elemento de prova nos autos a relacionar estas com receitas decorrentes das atividades médicas de profissional autônomo do contribuinte, conforme determina o artigo 75, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): (...) III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (artigo 136 do CTN). A redução indevida do recolhimento e a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dão suporte à aplicação da multa de ofício, como no caso em exame, em seu percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento). Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Enfim, por se tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar os acréscimos legais nela previstos. As impugnações e recursos suspendem a exigibilidade do Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.100073/200593 Acórdão n.º 2101001.923 S2C1T1 Fl. 139 5 crédito, sendo devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existe depósito no montante integral. É o que dispõe a Súmula CARF nº 5. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 18471.000261/2006-42
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SUPRIMENTOS DE CAIXA FEITOS POR PESSOA JURÍDICA. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A presunção legal estabelecida no art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) - de omissão de receitas por suprimentos de caixa - é inaplicável aos casos em que esse suprimento tenha sido efetuado por pessoas jurídicas, especialmente quando a operação está devidamente contabilizada na empresa supridora.
Numero da decisão: 1803-001.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora.
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SUPRIMENTOS DE CAIXA FEITOS POR PESSOA JURÍDICA. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção legal estabelecida no art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) de omissão de receitas por suprimentos de caixa é inaplicável aos casos em que esse suprimento tenha sido efetuado por pessoas jurídicas, especialmente quando a operação está devidamente contabilizada na empresa supridora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 61 /2 00 6- 42 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Versa o presente processo sobre os autos de infração de IRPJ (fls. 80/83), no valor de R$ 4.350,14; de CSLL (fls. 84/87), no valor de R$ 4.146,17; de PIS (fls. 88/91) no valor de R$ 299,44 e de COFINS (fls. 92/95) no valor de R$ 1.382,06, incidindo sobre os espectivos tributos e contribuições as multas de oficio no percentual de 75% e juros de mora. As razões do Fisco encontramse descritas no Termo de Verificação (fls. 79), cujo teor abaixo se segue: Anocalendário de 2002: Conta Contábil — 1.111.01101.00001 — Caixa — Suprimento de Caixa O contribuinte foi intimado a apresentar a comprovação da origem e do efetivo ingresso de aportes financeiros destinados a aumento do capital social no valor de R$ 1.000.000,00, ocorrido no anocalendário fiscalizado. Em atendimento às intimações, apresentou a documentação pertinente e prestou os seguintes esclarecimentos: A sócia do contribuinte, Participações Industriais TEC S/A, era credora da empresa ligada H. STERN COMÉRCIO E INDÚSTRIA S/A; A empresa H. STERN quitou seu débito com a TEC através do Cheque BCN n° 008912, no valor de R$ 953.931,26, sendo que este mesmo cheque foi depositado na conta corrente do contribuinte (UNIBANCO) para a integralização do aumento do capital social (parte) em 05/12/2002; Ocorre que parte da integralização do referido aumento do capital foi em espécie, com recursos da conta Caixa, no valor de R$ 46.068,74, cujo ingresso e origem não ficou devidamente comprovado; A falta dessa comprovação no caixa do contribuinte, através de documentação hábil e idônea, caracterizou omissão de receita, conforme artigo 282 do RIR/ 1999. Assim, procedese ao lançamento dessa parcela de R$ 46.068,74, subscrita integralizada, segundo alteração contratual, cuja origem do numerário e efetivo ingresso contribuinte não logrou comprovar. Devidamente cientificado (fls. 79; 80; 84; 88 e 92), em 22/03/2006, apresentou interessado em 20/04/2006, impugnação (fls. 103/113), instruída com a documentação de fl 114/150, cujas razões de defesa são as seguintes: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/200642 Acórdão n.º 1803001.489 S1TE03 Fl. 3 3 1. Tem como sócias a Sra. Ruth Stern e a empresa Participações Industriais TEC S/A, sendo que esta última, no ano de 2002, decidiu aumentar o capital social da sociedade na quantia equivalente a R$ 1.000.000,00, totalizando a importância de R$ 1.369.720,00 a título de patrimônio líquido; 2. Desse total de R$ 1.000.000,00 apenas R$ 46.068,74 foram pagos em espécie, enquanto que o restante foi quitado através de cheque; 3. Tal receita, por sua vez, teve sua origem na empresa TEC S/A, sócia majoritária da interessada, a qual pode ser constatada através da análise do Livro Razão Analítico da interessada, o qual demonstra o caixa em reais desta empresa, onde estão listados créditos e débitos, dentre os quais destacamse aqueles grifados e que representam receitas oriundas de aluguéis; 4. No ano de 2002, a empresa TEC S/A auferiu exatamente R$ 160.274,16 a título de aluguel, sendo, portanto, totalmente crível o investimento na ordem de R$ 46.068,74 na interessada; 5. Também resta comprovado em outro relatório extraído do Livro Razão que a empresa TEC adquiriu um milhão de cotas, a um real cada, da empresa Patuá, ora interessada; 6. A empresa TEC escriturou devidamente na contacorrente entre empresas ligadas a exata importância em espécie de R$ 46.068,74, objeto do presente auto e utilizada para o aumento de capital, operação esta também registrada no Livro Diário Geral; 7. Em contrapartida, no que se refere à comprovação do efetivo ingresso da receita, a interessada possui recibo, atestando o recebimento da importância em voga para o fim de aumento de capital, bem como foi realizada a devida escrituração no seu Livro Razão Analítico na conta caixa em reais, fazendose mais uma vez referência ao aumento de capital; 8. A quantia de R$ 46.048,74 foi registrada no Livro Diário Geral, bem assim a importância total de um milhão de reais, com o fundamento de se tratar de aumento de capital, realizado pela empresa TEC; 9. Tal aumento de capital foi deliberado em assembléia, aprovado e ratificado, através de alteração no contrato social; 10.Por fim, o balanço patrimonial da empresa interessada também aponta pelo aumento do patrimônio líquido, mediante o capital social, passando no ano de 2002 para o total de R$ 1.369.720,00; 11.Além do mais, os livros fiscais são documentos hábeis e idôneos para provar as operações da empresa;” Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 4 A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. AUMENTO DE CAPITAL PREVISTO EM ALTERAÇÃO CONTRATUAL.FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E EFETIVIDADE DA ENTREGA. Caracterizase como base tributável para a omissão de receita, o valor do aumento de capital disposto em cláusula de alteração contratual efetuado pela pessoa jurídica e devidamente registrado no órgão competente, cuja comprovação da origem e da efetiva entrega deixou de ser demonstrada pelo sujeito passivo através de documentação hábil e idônea. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS.COFINS. CSLL. Ao subsistir o lançamento principal igual sorte colherão os lançamentos reflexos.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A parcela aumentada em dinheiro é oriunda de receitas de aluguéis, conforme se comprova pela análise do Livro Razão Analítico, o qual demonstra o caixa em reais da empresa, onde estão listados os créditos e débitos, bem como no Livro Diário Geral. b) Resta comprovado em outro relatório extraído do livro razão que a empresa TEC adquiriu 1 milhão de cotas da empresa Patuá. c) A empresa TEC escriturou na contacorrente entre empresas ligadas a exata importância em espécie de R$ 46.068,74, objeto do presente auto e utilizada para o aumento de capital. d) Quanto ao efetivo ingresso a impugnante possui recibo atestando o recebimento. e) A autoridade julgadora não pode exigir a deliberação de aumento de capital social em outra sociedade. f) Se a autoridade fiscal aventou que a empresa TEC não dispunha de recursos para realizar o aporte de capital e, portanto, teria havido uma omissão de receita, deveria ter lavrado o auto de infração contra ela e não em face da recorrente. g) Não há qualquer vedação para o aporte de capital em dinheiro. h) O arbitramento não constitui uma modalidade de lançamento, mas uma técnica, um critério substitutivo que a legislação permite, excepcionalmente, quando o contribuinte não cumpre os seus deveres de manter contabilidade em ordem e em dia, e de apresentar as declarações obrigatórias por lei. i) Ante a vasta documentação fiscal idônea e hábil apresentada se afigura totalmente improcedente o lançamento constante no auto de infração lavrado, uma vez que não há omissão de receita e, conseqüentemente, não pode substituir a respectiva tributação incidente. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/200642 Acórdão n.º 1803001.489 S1TE03 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 16/09/2008 (AR de fls. 161). O recurso foi protocolado em 09/10/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente afirma que os recursos em dinheiro, no valor de R$ 46.068,74, têm origem em aluguéis recebidos pela sócia Participações Industriais TEC S/A, conforme demonstrado nos livros Razão e Diário: Fls. 148 – Conta contábil 08.1.1110101.00001.10 – Caixa em reais Fls. 153 – Livro Diário Ocorre porém, que a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que devem ser comprovados, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, não só a origem, mas também a entrega de numerário à pessoa jurídica, considerandose insuficiente para elidir a presunção de omissão de receita a simples prova da capacidade financeira do supridor. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 6 Por outro lado, é de se estranhar que quantias expressivas circulem em espécie. Não se trata de fundos de pequena monta para suportar despesas miúdas. O cuidado deveria ser ainda maior quando estamos tratando de transferência de fundos entre pessoas ligadas. Nestas hipóteses, para afastar qualquer possibilidade de questionamento por parte da autoridade fiscal, a praxe é fazer o repasse do dinheiro por cheque ou transferência eletrônica de fundos. Foi o que ocorreu em relação à outra parcela da integralização. O interessante é que nas duas operações – integralização com cheque e com recursos do caixa o histórico foi o mesmo; “CLT cx bcos”, apenas havendo diferença em relação às datas, respectivamente 31 e 4. (fls 148) O recibo apresentado como prova de entrega não é suficiente para afastar a dúvida em relação à origem e efetividade da entrega do numerário, mormente por se tratar de documento interno, que não envolve a participação de terceiros estranhos ao grupo. A análise do contexto espelhado nos autos nos leva à mesma conclusão da fiscalização e da decisão recorrida, qual seja , a da insuficiência dos documentos apresentados (escrituração e recibo) para demonstrar a origem e o efetivo ingresso dos recursos. Por oportuno, transcrevemos trecho da decisão de primeira instância: “A finalidade da lei, no caso em espécie, certamente, é impedir que as pessoas jurídicas (recebedoras dos recursos e/ou supridores) que tenham omitido receitas venham delas se utilizar sem oferecêlas à tributação, mediante a simulação de ajuste feito pelos interessados ao caixa. Por isso, fixou que tais operações devam ser feitas de forma que permitam a verificação de que os recursos realmente foram provenientes da atividade dos que aportarem os recursos e não de receitas omitidas à tributação. Assim, se de um lado a lei não exigiu a obrigação de que tais operações sejam realizadas através de bancos, de outro lado exigiu que nesse tipo de operações a contribuinte se acautele realizandoa de forma tal que propicie elementos convincentes da origem externa do numerário suprido.” Quanto ao argumento de que a autoridade julgadora não pode exigir a deliberação de aumento de capital social em outra sociedade, deve ser observado que tal documento foi enumerado como uma das possibilidades de documentação a ser apresentada. Não foi a ausência de tal documento que conduziu às conclusões da decisão recorrida, mas o conjunto probatório constante dos autos, que também consideramos insuficientes. Por fim, trazemos à colação alguns julgados que corroboram o entendimento expresso neste voto: “OMISSÃO DE RECEITA. AUMENTO DE CAPITAL EM DINHEIRO. MONTANTE VULTOSO. FALTA DE PROVA DA ORIGEM E EFETIVIDADE DA ENTREGA DO NUMERÁRIO PELOS SÓCIOS À SOCIEDADE O aumento de capital em espécie, em montante vultoso, sem a prova plena, objetiva e Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/200642 Acórdão n.º 1803001.489 S1TE03 Fl. 5 7 inquestionável, mediante documentação idônea e coincidente, da origem e efetividade da entrega do numerário pelos sócios à sociedade, presumese omissão de receita. Recurso negado.(Acórdão n° 105.14739, sessão em 20/10/2004). IRPJ.OMISSÃO DE RECEITAS.SUPRIMENTO DE CAIXA. AUMENTO DE CAPITAL EM DINHEIRO. Devem ser comprovados, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, os suprimentos e aportes de capital feitos à pessoa jurídica, considerandose insuficiente para elidir a presunção de omissão de receitas a simples prova da capacidade financeira do supridor e do investidor.(Acórdão n° 105.14088, sessão em 16/04/2003). "OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA PARA AUMENTO DE CAPITAL. Deve a pessoa jurídica provar com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos supridos, assim como a efetividade da entrega destes recursos para integralização de capital, presumindose, quando essas provas não forem produzidas, que os recursos supridos, tiveram origem em receitas auferidas à margem da contabilidade.(Acórdão n° 103.19380) IRPJ. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E EFETIVA ENTREGA DO CAPITAL INTEGRALIZADO. Nos termos do artigo 181 do RIR/80, serão caracterizadas como receitas omitidas o aumento de capital ou suprimento de caixa sem a devida comprovação da origem e efetiva entrega do numerário, coincidentes em datas e valores.Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (Acórdão n° 107,05547). Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 8 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Dispõe o art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), fundamento legal da presente autuação (conf. fls. 79 e 81) (grifouse): Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Entendo que a presunção legal de omissão de receita por suprimentos de caixa, de que trata o dispositivo legal acima transcrito, somente é aplicável quando se tratar de “administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual ou acionista controlador da companhia” pessoas físicas, não sendo admissível dita presunção na hipótese de pessoas jurídicas. Esse entendimento, se baseia no histórico da tributação a esse título, no qual sempre figurou, no polo passivo da relação jurídicotributária, a pessoa física, como administrador da empresa da qual é sócio ou titular, como se observa do teor do Parecer Normativo CST nº 242, de 1971 (DOU de 22/04/1971), anterior à vigência daquele dispositivo legal (grifei): EMENTA A simples prova da capacidade financeira do supridor não basta para comprovação dos suprimentos efetuados a pessoa jurídica. É necessário, para tal, a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas. 1. A norma acima decorre de jurisprudência pacífica oriunda dos tribunais administrativos e judiciais. A simples alegação de que o supridor, na sua declaração de bens, anexa à declaração de renda, informou possuir em cofre importância em dinheiro superior ao valor do suprimento, não é de ser aceita. 2. A comprovação da veracidade do suprimento se faz, provando, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas, a proveniência do numerário respectivo e não com a simples alegação de que o supridor dispunha da referida importância. 3. Da mesma forma o supridor terá que comprovar a origem dos seus saldos bancários ou do dinheiro em cofre. Ainda nesse sentido, Bulhões Pedreira reconhecido participante na elaboração daquele dispositivo legal (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º) explica que essa norma, nascida por orientação jurisprudencial, “foi construída com base na experiência da Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/200642 Acórdão n.º 1803001.489 S1TE03 Fl. 6 9 fiscalização de firmas individuais, ou de empresas de pequeno porte, que constituem (em número) a grande maioria dos contribuintes na categoria de pessoas jurídicas”. Segundo o autor, “nessas empresas, dirigidas pessoalmente pelo titular ou sócio principal, que vendem bens ou serviços com preço recebido em dinheiro, é fácil ao sócio ou titular contabilizar apenas parte da receita efetivamente recebida, sonegando desse modo o imposto. Mas como a receita omitida é necessária aos negócios da empresa, em geral é mantida em caixa e registrada contabilmente como suprimentos do sócio ou dirigente” (PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de Renda Pessoas Jurídicas. v. 1. Rio de Janeiro: Adcoas Justec, 1979. p. 356) Neicyr de Almeida é do mesmo parecer, ao afirmar (ALMEIDA, Neicyr de. Imposto de renda das empresas: questões controvertidas. São Paulo: MP, 2007, p. 34) (destaque do original): Entretanto, na ótica tributária, o suprimento de caixa pode revelar uma presunção legal de omissão de receitas, que se fixa pela entrega de numerário ao disponível da empresa pelas pessoas físicas (e não jurídicas), cabendo ao contribuinte – diante de provas indiciárias robustas ou qualquer outro elemento de prova havido na escrituração – demonstrar a inexistência do fato presuntivo (hipótese em que quem acusa não prova). Cito, nesse sentido, os seguintes precedentes administrativos, de longa data: Acórdão nº 10310.077 Sessão de 12 de fevereiro de 1990 Suprimento de Caixa feito por sócio pessoa jurídica – inaplicabilidade do art. 181 do RIR/80 – Precedente da CSRF. [...]. Acórdão nº 10181.833 Sessão de 12 de agosto de 1991 OMISSÃO DE RECEITA Não configura hipótese de incidência tributária prevista no artigo 181 do RIR/80 importância creditada a outra pessoa jurídica ou a terceiros estranhos ao quadro da empresa, tomada como empréstimo. Falta de adequação do fato ao tipo legal. [...]. Acórdão nº 10506.349 Sessão de 24 de fevereiro de 1992 IRPJ OMISSÃO NO REGISTRO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA PESSOA JURÍDICA As integralizações de cotas de capital subscritas por pessoas jurídicas não se sujeitam à hipótese de omissão de Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 10 receitas de que cuida o artigo 181 do R.I.R., aprovado com o Decreto número 85.450, de 1980. [...]. Acórdão nº 10191.555 Sessão de 18 de novembro de 1997 [...]. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL POR PESSOA JURÍDICA A integralização de capital feita por pessoa jurídica não se sujeita à hipótese de omissão de receita de que cuida o art. 181 do RIR/80. Do Acórdão nº 10506.349, de 1992, acima referido, transcrevo o seguinte trecho: Demais, quando se trata de suprimentos de numerários efetuados por pessoa jurídica, a presunção de omissão no registro de receitas não há que resultar simplesmente do fato de a Fiscalização deixar de aceitar ou considerar que as provas apresentadas não comprovam tanto a origem quanto o efetivo ingresso dos recursos supridos. Ocorre que a pessoa jurídica credora deve registrar, contabilmente, seu crédito junto à pessoa jurídica que figura, na relação contratual, como devedora. Esta última, como sói acontecer sempre, também efetua os registros contábeis que refletem a operação realizada, ou seja, registra o crédito da mutuante e sua obrigação como mutuária. Ao integralizar o capital social com recursos remetidos a título de suprimentos de caixa ou diretamente com numerário enviado para tal finalidade, a supridora está obrigada a registrar a variação ocorrida em seu patrimônio, o que também se verifica com a pessoa jurídica cujo capital social foi alterado. Nessa hipótese, cabe à Fiscalização aprofundar suas investigações, inclusive verificando se os registros contábeis efetuados pela pessoa jurídica supridora são consistentes e resultam de operações realizadas em obediência às normas contidas na legislação comercial e fiscal. Em princípio, os registros contábeis realizados por ambas as empresas traduzem negócio jurídico efetivamente realizado, não podendo ser questionada, de forma simplista, a origem do numerário entregue pela supridora, nem o efetivo ingresso dos recursos no giro normal da pessoa jurídica suprida. Somente com elementos convincentes é que a Fiscalização poderá considerar que o negócio jurídico não teria sido realizado. Se não restou questionada a efetiva saída dos recursos do patrimônio da pessoa jurídica supridora, como considerar que tais recursos tenham deixado de ingressar no “caixa” da beneficiária da remessa? Releva notar que, no caso de suprimentos realizados por pessoa jurídica, ao contrário do que ocorre com a pessoa física dos sócios, tem aquela a obrigação de registrar contabilmente a Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/200642 Acórdão n.º 1803001.489 S1TE03 Fl. 7 11 saída dos correspondentes recursos. Ora, qualquer registro que seja feito sem correspondência a uma efetiva saída dos recursos será facilmente detectado pela Fiscalização, bastando que as investigações sejam elaboradas com observância dos princípios que regem a espécie. Por conseguinte, no caso de se tratar a supridora de pessoa jurídica, dispõe a fiscalização da possibilidade de auditarlhe os registros contábeis, de modo a apurar se a indigitada supridora dispunha de recursos suficientes e se estes realmente se transferiram do patrimônio de uma para o de outra pessoa jurídica. Nessa hipótese, não basta apenas intimar a pessoa jurídica suprida; é necessário, também, diligenciar junto à pessoa jurídica supridora. Observo, ainda, que, mesmo no caso dos julgados administrativos que admitem, em princípio, ser aplicável a presunção legal do art. 282 do RIR/1999, também, entre pessoas jurídicas, essa aplicabilidade deixa de existir se a operação estiver devidamente contabilizada na empresa supridora o que, aliás, é o caso do presente processo (conf. fls. 148 – Razão e 153 – Diário – vide telas respectivas no voto vencido) , cabendo, nesse caso, o ônus da prova da existência de omissão de receitas ao Fisco: Acórdão nº 10178.078 Sessão de 25 de outubro de 1988 IRPJ – OMISSÃO DE RECEITA – SUPRIMENTOS PELOS SÓCIOS AO CAIXA DA EMPRESA DEMONSTRAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVA ENTREGA DOS RECURSOS. [...]. Cuidandose, porém, de sócio pessoa jurídica que contabilizou devidamente o aporte, não procede a imputação. [...]. Acórdão nº 10184.763 Sessão de 15 de fevereiro de 1993 OMISSÃO DE RECEITAS — SUPRIMENTOS FEITOS POR PESSOA JURÍDICA Não pode prevalecer a tributação a título de suprimentos de origem e ingresso incomprovados, feitos por outra pessoa jurídica, se a supridora procedeu ao regular lançamento dos valores supridos, sem que os mesmos tenham sido objeto de questionamento e investigações por parte do fisco. [...]. Acórdão nº 10193.133 Sessão de : 15 de agosto de 2000 [...]. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — OPERAÇÃO CONTABILIZADA Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 12 A presunção estabelecida no artigo 181 do RIR/80 é inaplicável à hipótese de suprimento de numerário para integralização de Capital Social subscrito feita de uma pessoa jurídica para outra pessoa jurídica, quando a operação está contabilizada nas duas empresas. [...]. Acórdão nº 10517.348 Sessão de 16 de dezembro de 2008 [...]. OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS A presunção de omissão de receitas não se aplica à hipótese de suprimento de numerários para integralização de capital social subscrito feito de pessoa jurídica para pessoa jurídica, quando a operação está contabilizada em ambas as empresas. Dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 16004.000561/2008-74
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005, 2004 ATIVIDADE RURAL. APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PERÍODO DE APURAÇÃO. LIMITAÇÃO EM 20% DA RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE RURAL. Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no ano-calendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limitar-se-á a vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. Assim sendo, na apuração anual de omissão de rendimentos da atividade rural, deve ser respeitada a limitação de vinte por cento da receita bruta, já que este tipo de apuração se adapta à própria natureza do fato gerador do imposto de renda da atividade rural, que é complexivo e tem seu termo final em 31 de dezembro do ano-base. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA Demonstrada a habitualidade e profissionalidade na compra e venda de bens que não se enquadram na atividade rural, bem como o fim especulativo de lucro, inerente à própria atividade empresarial do autuado, correta a equiparação da pessoa física fiscalizada à empresa individual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS - TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.416
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para limitar a base de cálculo da exigência da atividade rural ao percentual de 20% da receita bruta apurada, bem como desqualificar a multa de lançamento de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator), Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso em menor extensão, tão somente, para desqualificar a multa de lançamento de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Nelson Mallmann para redigir o voto vencedor no que diz respeito a limitação da base de cálculo da exigência da atividade rural ao percentual de 20% da receita bruta apurada.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PERÍODO DE APURAÇÃO. LIMITAÇÃO EM 20% DA RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE RURAL. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limitarseá a vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Assim sendo, na apuração anual de omissão de rendimentos da atividade rural, deve ser respeitada a limitação de vinte por cento da receita bruta, já que este tipo de apuração se adapta à própria natureza do fato gerador do imposto de renda da atividade rural, que é complexivo e tem seu termo final em 31 de dezembro do anobase. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA Demonstrada a habitualidade e profissionalidade na compra e venda de bens que não se enquadram na atividade rural, bem como o fim especulativo de lucro, inerente à própria atividade empresarial do autuado, correta a equiparação da pessoa física fiscalizada à empresa individual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para limitar a base de cálculo da exigência da atividade rural ao percentual de 20% da receita bruta apurada, bem como desqualificar a multa de lançamento de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator), Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso em menor extensão, tão somente, para desqualificar a multa de lançamento de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Nelson Mallmann para redigir o voto vencedor no que diz respeito a limitação da base de cálculo da exigência da atividade rural ao percentual de 20% da receita bruta apurada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/200874 Acórdão n.º 220201.416 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, ETIVALDO VADÃO GOMES, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 903/906, acompanhado dos demonstrativos de fls. 01, 900/902, do Termo N° 21 — Constatação de Irregularidade Fiscal de fls. 896/899 e do Termo de Encerramento de fls. 907, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2003 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 1.331.726,48 (um milhão, trezentos e trinta e um mil, setecentos e vinte e seis reais e quarenta e oito centavos), sendo R$ 544.460,93 referentes ao imposto, R$ 536.080,67, à multa proporcional, e R$ 251.184,88, aos juros de mora (calculados até 30/06/2008). Conforme a descrição dos fatos, a autuação foi resultado das seguintes infrações: 001 Atividade Rural, Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, anos calendários de 2003 e 2004 2003 Omissão de Receita da Atividade Rural R$ 36.995,40 (multa 150%) Diferença de Apuração R$ 386.609,99 (multa 75%) = Total da Omissão de Rendimentos R$ 423,603,39 2004 Omissão de Receita da Atividade Rural R$ 582,325,80 (multa 150%) Diferença de Apuração R$ 967.586,99 (multa 75%) = Total da Omissão de Rendimentos R$1.549.912,79 002 Acréscimo Patrimonial a Descoberto, ano calendário de 2003. 31/12/2003 R$6.339,76 (multa 75%) O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Termo N° 21 — Constatação de Irregularidade Fiscal (fls. 896/899). Cientificado da autuação em 11/07/2008 (fls. 909), o contribuinte, por meio de seu representante legal, protocolizou, em 12/08/2008, a impugnação de fls. 910/948, alegando, em resumo, o que segue: A fiscalização supostamente constatou que parte das receitas auferidas pelo impugnante na Fazenda Vitória e por ele consideradas como decorrentes de atividade rural, configuraria intermediação de animais, não podendo ser tributada com os Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 privilégios da legislação que trata da exploração das atividades rurais; Por essa razão, a pessoa física do contribuinte foi equiparada à pessoa jurídica, que foi cadastrada no CNPJ sob o n° 09.087.408/000117, tendo sido consideradas como irregulares as operações efetuadas pela pessoa física; Conforme o inciso II, do art. 150 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199), para que a pessoa física seja equiparada à jurídica é necessário que, em nome individual explore, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante a venda a terceiro de bens ou serviços; A pessoa física ora impugnante não realizou as operações que supostamente configurariam infração, já que foi o Frigorífico, do qual é sócio, que praticou a atividade comercial e obteve resultado sobre as operações, tendo sido devidamente tributado nessa atividade; Por questão de qualidade do gado, este permanecia na Fazenda para . aplicação de vacinas e atendimento à exigência da vigilância sanitária, para depois seguir para o Frigorífico, que efetuava a comercialização do referido gado. Essa era a razão pela qual inicialmente as notas fiscais eram emitidas dos produtores para o contribuinte, emitindose depois a nota fiscal para o frigorífico em sua saída; Além disso, não houve lucro por parte da pessoa física, o que impossibilitara a aplicação do mencionado inciso II do art. 150 do Regulamento. Do Imposto de Renda; Os pagamentos aos produtores foram realizados pelo próprio frigorífico, mediante Nota de Produtor Rural emitida em favor da pessoa física do interessado, que as endossava aos produtores rurais, que recebiam o valor real das operações que constavam nas notas fiscais de entrada do frigorífico; A atividade praticada:pela pessoa física, que supostamente caracterizaria natureza comercial, não constituiu em lucro e a venda do gado ao frigorífico não foi feita de sua parte, mas pelo próprio produtor rural; A manutenção da presente autuação caracterizará duplicidade de exigência tributária, visto que o frigorífico já recolheu toda a tributação estadual e federal decorrente dessas comercializações; De acordo com a própria planilha de detalhamento das compras e vendas de gado de 2003 e 2044, constante do auto de infração, verificase que os valores das notas fiscais de entrada são superiores aos relativos à venda, não se podendo cogitar em lucro, o que afastaria totalmente a exigência de imposto de renda destas bases, tornando este auto de infração nulo de pleno direito; Quando da Fiscalização, o impugnante apresentou o demonstrativo das receitas onde estão registrados os Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/200874 Acórdão n.º 220201.416 S2C2T2 Fl. 3 5 recebimentos das receitas com a venda do gado, o demonstrativo dos registros de todos os pagamentos de compra de gado, ou seja, as notas fiscais emitidas pelos produtores rurais que venderam o gado com os demais custos e os comprovantes de receitas/despesas e custos. Assim, ainda que se entendesse correta a equiparação de pessoa física à jurídica, não poderia o Agente Fiscal ter se utilizado do lucro arbitrado, posto que todos os documentos apresentados eram suficientes para a apuração da base de cálculo dos tributos ora exigidos; Foram apresentadas todas as provas para demonstrar que a origem dos rendimentos é da empresa Frigoestrela, da qual é sócio, comprovando que sua atividade é rural. Entretanto, o Agente Fiscal pautouse exclusivamente nas receitas constantes das notas fiscais em nome da empresa Frigoestrela, sob o fundamento de que o regime tributário a ser aplicado ao caso é o arbitramento do lucro com base nas receitas conhecidas; A alegação de que não é possível conhecer o lucro real do contribuinte, apurado de acordo com as leis comerciais e fiscais, não possui respaldo; Traz à colação jurisprudência administrativa que afasta o arbitramento quando os comprovantes de receitas e despesas possibilitam conhecer o resultado da atividade; Da apreciação do relatório constante no auto de infração, notase que o fundamento utilizado para qualificar a penalidade foi a própria omissão de rendimentos da atividade rural. A omissão de receitas já é infração tipificada e sujeita o contribuinte ao lançamento de ofício com aplicação da multa de 75%; Assim, mesmo restando caracterizada a suposta conduta infracional de omitir receitas, não restou caracterizada pelo agente fiscal a circunstância qualificadora a dar causa a aplicação da multa qualificada de 150%, cujo ônus é somente do fisco; O levantamento fiscal deve colher provas objetivas suficientes para embasar a multa qualificada, demonstrando exatamente a intenção de fraude pelo contribuinte, tal como previsto expressamente na lei, não podendo simplesmente atuar no campo subjetivo e de forma deficiente na comprovação e demonstração; A corroborar o exposto há a Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, sendo entendimento do E. Conselho de Contribuintes de que o conceito de evidente intuito de fraude não se presume e escapa à simples omissão de rendimentos quando ausente conduta material suficiente para sua caracterização; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 O próprio Código Tributário Nacional prevê, no art. 112, inciso IV, que a lei tributária que define infrações interpretase modo mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável ou à sua gradação; A infração e a penalidade têm necessariamente uma correlação, devendo haver um equilíbrio entre a falta cometida e a sanção a ser imposta, traduzindose como proporcionalidade entre a falta e a penalidade. A exigência da multa sem proporcionalidade representa um verdadeiro excesso de exação porque pune exageradamente o contribuinte que age com evidente boa fé; De tudo quanto o exposto, restou clara a impossibilidade de aplicação da multa qualificada de 150%, razão pela qual, caso se decida pela manutenção do lançamento, a multa deve ser reduzida ao seu percentual normal de75%; O artigo 84 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 13 da Lei n° 9.065, de 20/06/1996, determina o cômputo de juros SELIC nos débitos fiscais em atraso, em flagrante desrespeito ao artigo 146, da Constituição Federal e ao artigo 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — ADCT; A utilização da taxa SELIC afronta o princípio da legalidade (art. 150, I, da CF), já que não teve seus contornos definidos por lei, sendo o Banco ,Central quem estipula o seu valor, que é calculado como juros remuneratórios de capital; Desse modo, verificase, que, no tocante à aplicação da taxa de juros SELIC, não há dúvidas sobra a incompatibilidade do instituo com os princípios constitucionais tributários. A DRJSPOII ao apreciar as razões do contribuinte julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL (PARTE). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. , Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante, consolidando se administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. Demonstrada a habitualidade e profissionalidade na Compra e venda de bens que não se enquadram na atividade rural, bem como o fim especulativo de lucro, inerente à própria atividade empresarial do autuado, correta a equiparação da pessoa física fiscalizada à empresa individual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL (PARTE). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/200874 Acórdão n.º 220201.416 S2C2T2 Fl. 4 7 Mantida a omissão de rendimentos decorrente da exclusão de despesas da apuração da atividade rural em razão da equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada só é cabível caso reste caracterizado o intento doloso do contribuinte de se eximir do imposto devido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos decorrentes de tributos não pagos nos prazos previstos pela legislação específica são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida entendeu que não estava bem fundamentado na autuação a qualificação da multa, neste sentido afastou do lançamento o percentual de 150%. Insatisfeito a contribuinte interpõe recurso voluntário reiterando as mesmas razões da impugnação. Reiterando em síntese: i) da indevida equiparação à pessoa jurídica, ii) da ausência de lucro, iii) da impossibilidade de autuação com base no arbitramento do lucro. Iv) da inaplicabilidade da multa no patamar fixado e v) Da impossibilidade da aplicação da taxa selic. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Vencido O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. De acordo com o termo de verificação fiscal de fls.896 a 899, foi apurado que o contribuinte deixou de oferecer à tributação receita da atividade rural auferida nos meses de fevereiro, maio e julho de 2003, bem como nos meses de janeiro, fevereiro e julho de 2004, totalizando anualmente os respectivos montantes de R$36.995,40 e R$ 582.325,80. Tal verificação se deu a partir de diligência levada a efeito junto à empresa Frigoestrela Ltda, do qual o impugnante é sócio, mediante o confronto da escrituração do Livro Razão e da receita declarada. No procedimento a pessoa física fiscalizada foi equiparada à empresa individual relativamente a 90% das operações de comercialização de gado bovino da Fazenda Vitória, as receitas e despesas correspondentes a essas operações foram excluídas do resultado da atividade rural do contribuinte pessoa física. Esse fato, ocasionou a alteração do resultado tributável da atividade rural dos anoscalendário de 2003 e 2004 e a conseqüente omissão de rendimentos, nos respectivos valores de R$ 386.609,99 e R$ 967.586,99. Da Equiparação a Pessoa Jurídica Tendo em vista que a equiparação à pessoa jurídica trouxe como conseqüência a exclusão de receitas e despesas da atividade rural do contribuinte, ocasionando parte da diferença de apuração da atividade rural, mister se faz analisar a matéria. Sobre esse ponto assim se pronunciou a autoridade recorrida: Inicialmente, cabe ressaltar que o simples fato de alguém ser proprietário de imóvel rural não lhe confere a condição de produtor ou de explorador de atividade rural, mesmo porque o tratamento tributário favorecido de que gozam estas pessoas indica que tais atividades devem ser plenamente comprovadas, não atingindo aquelas de natureza meramente comercial. O art. 150, § 1 0, `.`b", do RIR/99, é claro ao considerar como empresas individuais, para fins de equiparação às pessoas jurídicas, "as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços". De acordo com os Termos n° 12 — Constatação Fiscal e Intimação e 21 — Constatação de Irregularidade Fiscal (fls. 304/305 e 896/899), foi constatado, mediante diligência, que o interessado realizava operações de compra e venda de animais que não permaneciam sob sua custódia pelo prazo mínimo necessário de 52 dias, para gado confinado, e 138 dias, para os demais casos, configurando mera intermediação de animais, atividade esta que não se enquadra entre aquelas definidas como atividade rural, nos termos do parágrafo único do art. 58 do RIR199 e art. 4°, inciso II, da IN SRF n° 83, de 11/10/2001. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/200874 Acórdão n.º 220201.416 S2C2T2 Fl. 5 9 Vejase, desta maneira, que o termo "intermediação" prescrito na lei implica em um significado muito além daquele simplesmente gramatical, vindo justamente alcançar aquelas atividades em que, sob o manto protetor da propriedade rural, há a conotação de comércio de mercadorias ou de bens. No presente caso, apurouse que a intermediação ocorria da seguinte forma: o autuado comprava nado de um produtor rural no Estado de Goiás, emitia nota fiscal de venda deste gado para o Frigorífico Estrela, do qual era sócio. Esta empresa, por seu turno, emitia uma Nota Promissória Rural em nome do autuado, que, mediante endosso, transferia o crédito para o primeiro produtor rural, que havia promovido a venda. Em razão do exposto, a pessoa física fiscalizada foi equiparada à empresa individual, relativamente a 90% das operações de comercialização de gado bovino da Fazenda Vitória, nos termos do art. 150, § 1°, "b", do RIR/99, sujeitandose à tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para atribuição do valor omitido, por meio do auto de infração integrante do processo n 16004.000338/200427 (cópias às fls. 861/888). Como conseqüência, as receitas e despesas correspondentes a essas operações foram excluídas do resultado da atividade rural do contribuinte pessoa física nos anos de 2003 e 2004, ocasionando uma omissão de receita da atividade rural no importe de R$ 386.609,99 e R$ 967.586,99, respectivamente. Vale ressaltar que a referida equiparação é uma ficção do direito tributário, criada com o fito de submeter a empresa individual ao regime de tributação estabelecido para aquela na legislação do imposto de renda, conforme entendimento expresso no item 4 do PN n° 39/77. Em sede de impugnação, o contribuinte se limita a alegar que não realizou nem realiza comércio e que o gado passava pela Fazenda de sua propriedade apenas para uma pré avaliação sanitária, seguindo posteriormente para o Frigorífico Estrela, que era o efetivo responsável pela comercialização do referido gado. No entanto, tais alegações revelamse vazias e meramente protelatórias, na medida em que não se fizeram acompanhar das necessárias provas. Desse modo, presentes a habitualidade e profissionalidade na compra e venda de bens que não se enquadravam na:;atividade rural, bem como o fim especulativo de lucro, inerente à própria atividade empresarial do autuado, correta a equiparação da pessoa física fiscalizada à empresa individual, devendo ser mantida incólume a omissão de receita da atividade rural dela decorrente. Não há o que reparar no arrazoado da autoridade recorrida, desse modo mantémse o lançamento. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Da omissão de rendimentos da atividade rural e o acréscimo patrimonial a descoberto. No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto e à omissão de receita da atividade rural apurada nos meses de fevereiro, maio e julho de 2003, e nos meses de janeiro, fevereiro e julho de 2004, que totalizaram, nos anos de 2003 e 2004, o recorrente não contestou expressamente nenhuma das duas infrações. Uma vez que não se identificou qualquer falha no procedimento é de se manter o mesmo. Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória Primeiramente devese observar que por força da decisão de primeira instância a multa de 150% foi afastada, restando apenas a aplicação da multa de 75%. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Portanto em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/200874 Acórdão n.º 220201.416 S2C2T2 Fl. 6 11 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Antonio Lopo Martinez, permitome divergir de seu voto no que diz respeito a forma de apuração da base de cálculo tributável nos casos em que a autoridade lançadora apura omissão de receita da atividade rural. Entende o nobre relator, que ao se apurar uma omissão de rendimentos da atividade rural há que se respeitar a opção feita pela contribuinte em sua declaração. Ou seja, entende que se o contribuinte houver optado por apurar o resultado da atividade rural como a diferença entre receitas e despesas, a omissão deve ser integralmente somada a este resultado. Apenas se a opção for pelo arbitramento (20% da receita da atividade rural) é que o sobre montante omitido será aplicada a alíquota de 20% para fins de apuração da matéria tributável. Enfim, entende, não pode agora, quando se apura de ofício uma omissão de rendimentos da atividade alterar a opção feita anteriormente para aplicar 20% sobre a receita bruta, por lhe ser mais conveniente. Com a devida vênia, discordo da posição do nobre conselheiro, conforme as considerações a seguir elaboradas. Resta claro, nos autos, que a primeira irregularidade apurada pela autoridade fiscal lançadora foi a de omissão de rendimentos da atividade rural. Verificase, que o lançamento tomou como omissão de rendimentos a diferença entre a receita bruta apurada de ofício e a soma das as despesas de custeio e investimento apuradas de ofício, apurando uma omissão de rendimentos no valor de R$ 423.605,39 e R$ 1.549.912,79, correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, respectivamente. Ora, o nosso ordenamento jurídico prevê para o produtor rural que não possuir escrituração regular, a tributação via arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%. Não há dúvidas de que muitos entendem, que somente é passível de tributação pelo regime especial (atividade rural) os valores omitidos que, comprovadamente, através da apresentação de documentação hábil e idônea, decorressem da atividade rural. Entretanto, não é o caso do presente lançamento, onde a autoridade lançadora, simplesmente, recompôs as receitas e as despesas da atividade rural, não levando em conta a limitação dos 20%, sob o entendimento é que se deve obedecer o critério de opção realizado pelo contribuinte no momento da entrega de suas Declarações de Ajuste Anual, mesmo que este critério seja prejudicial ao contribuinte. No âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Não se pode esquecer, que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como a iterativa jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão se vê que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Entendeu a autoridade fiscal, que ao se apurar uma omissão de receitas da atividade rural há que se respeitar a opção feita pela contribuinte em sua declaração. Ou seja, entende que se o contribuinte houver optado por apurar o resultado da atividade rural como a diferença entre receitas e despesas, a omissão deve ser integralmente somada a este resultado. Apenas se a opção for pelo arbitramento (20% da receita da atividade rural) é que o sobre montante omitido será aplicada a alíquota de 20% para fins de apuração da matéria tributável. Com a devida vênia, discordo frontalmente da posição da autoridade lançadora, conforme as considerações a seguir elaboradas. Com visto, indiscutivelmente, a matéria sob análise é exclusivamente de direito, já que não há discussão relativo ao fato gerador do imposto e sim sobre qual é a base de cálculo que deve ser utilizada nos casos de apuração de omissão de receita da atividade rural, bem como nos casos de recomposição de receitas e despesas. A limitação da base de cálculo aos 20% estabelecidos pela lei (receita bruta total = receita declarada + receita apurada de ofício) ou os valores utilizados pela autoridade fiscal lançadora na recomposição de receitas e despesas, sob a alegação de que a opção é irrevogável, e superam o limite de 20% estabelecidos na legislação de regência. É necessário esclarecer, que o processo administrativo fiscal busca, entre outros, a verdade dos fatos. Assim sendo, é dever das autoridades tributárias utilizar de todas as circunstâncias de que tenham conhecimento na busca dessa verdade. O interesse substancial do Estado é o interesse de justiça, e não o interesse formal ou financeiro. Tendo por fim a justiça, no procedimento há que se desenrolar uma atividade de colaboração na descoberta da verdade. Diz, entre outras, a Lei nº 8.023, de 1990: Art. 1º Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao imposto de renda de conformidade com o disposto nesta Lei. (...). Art.3º O resultado da exploração da atividade rural será obtido por uma das formas seguintes: I simplificada, mediante prova documental, dispensada escrituração, quando a receita bruta total auferida no anobase não ultrapassar setenta mil BTN; II escritural, mediante escrituração rudimentar, quando a receita bruta total do anobase for superior a setenta mil BTN e igual ou inferior a setecentos mil BTN; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/200874 Acórdão n.º 220201.416 S2C2T2 Fl. 7 13 III contábil, mediante escrituração regular, em livros devidamente registrados até o encerramento do anobase, em órgãos da Secretaria da Receita Federal, quando a receita bruta total no anobase for superior a setecentos mil BTN. Art. 4º Considerase resultado de atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesa no mês do efetivo pagamento. Art. 5º À opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no ano base. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. Art. 22 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 23 Revogamse os Decretoslei n.º 902, de 30 de setembro de 1969, 1.074, de 20 de janeiro de 1970, os arts. 1º, 4º e 5º do Decretolei n.º 1.382, de 26 de dezembro de 1974, e demais disposições em contrário.” Diz, também, a Instrução Normativa SRF n.º 125, de 26 de novembro de 1992, que dispõe sobre a tributação dos resultados da atividade rural, o seguinte: Art. 14 A escrituração rudimentar, prevista na forma de apuração escritural, consiste em assentamentos das receitas, despesas de custeio, investimentos e demais valores que integram o resultado da atividade rural no livro caixa, feita pelo próprio contribuinte, não contendo intervalo em branco, nem entrelinhas, borraduras, raspadura ou emendas. § 1º É permitida a escrituração do livro caixa pelo sistema de processamento eletrônico, em formulários contínuos, com suas subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. § 2º O livro caixa independe de registro. Art. 15. A escrituração regular, prevista na forma de apuração contábil, consiste em lançamentos contábeis em partidas dobradas, feitos em livros próprios de contabilidade, por contabilista habilitado ou, quando inexistir contabilista habilitado na localidade, pelo próprio contribuinte. § 1º É facultada a escrituração contábil regular feita por processamento eletrônico. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 § 2º A escrituração deve ser efetuada abrangendo todas as unidades rurais exploradas pelo contribuinte, de modo a permitir a apuração dos valores da receita bruta e das despesas de custeio e de investimentos que integram o resultado da atividade rural. § 3º Nos casos de exploração de uma unidade rural por mais de uma pessoa física (art. 19), a escrituração deve ser efetuada, em destaque, na contabilidade de cada contribuinte, abrangendo a sua participação no resultado da atividade rural. § 4º Os livros utilizados na escrituração devem ser numerados seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de “Termos”, que identifiquem o contribuinte e a finalidade de cada livro. § 5º Os livros ou fichas de escrituração e os documentos que servirem de base à declaração deverão ser conservados pelo contribuinte à disposição da autoridade fiscal, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 6º A falta de escrituração, prevista nas formas de apuração escritural e contábil, implicará o arbitramento, à razão de vinte por cento da receita bruta no anocalendário. Art. 16 – Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa física.” A controvérsia surge sempre nos casos em que os contribuintes descumprem a obrigação "ex lege" de apurar os rendimentos segundo uma das formas estabelecidas na Lei n.º 8.023, de 1990. Vale dizer: quando o contribuinte lhe dá causa por descumprir a lei. Nesta linha de raciocínio, entendo que para se fruir das deduções e reduções consiste na respectiva comprovação e essa comprovação não é somente documental, mas também escritural, nas hipóteses das formas dos incisos II e III do art. 3º da Lei n.º 8.023, de 1990, de tal maneira que os documentos sem a escrituração, ou o inverso, não atendem às exigências legais. Assim, se a inexistência de tal comprovação decorre de descumprimento de obrigação legal somente imputável ao contribuinte que, de modo algum, pode ser erigido em fator excludente de tributação prevista em lei; então a conseqüência lógica só poderia ser de se tributar a receita bruta declarada ou apurada. Entretanto, não é disso que trata o recurso voluntário, restou claro na discussão que se trata de omissão de rendimentos provenientes da atividade rural e que o suplicante não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea que pudesse elidir a acusação imputada. Ou seja, a discussão versa sobre a possibilidade da utilização do parâmetro de limitação dos vinte por cento da receita bruta apurada no anobase (receitas declaradas + as apuradas de ofício). Só posso discordar com a autoridade fiscal no sentido de que a apuração da base de cálculo para incidência do imposto na atividade rural pode superar o patamar de 20% da receita bruta apurada, sendo irrelevante o fato de ser apurada pelo contribuinte ou pela autoridade fiscal de ofício. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/200874 Acórdão n.º 220201.416 S2C2T2 Fl. 8 15 Ora, nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Tratase, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao princípio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts. 37, caput e 150, I, da Constituição Federal. Não tenho dúvidas de que na estrita redação do art. 63 do Decreto n° 3.000, de 1999, a regra geral da tributação dos rendimentos da atividade rural é pelo confronto das receitas brutas com as despesas incorridas no curso do anocalendário. Contudo, o contribuinte pode optar pela tributação de 20% da receita bruta do ano calendário. Porém, discordo, que esta opção seja de caráter irrevogável, por falta de amparo legal. Assim, nos casos de lançamento de ofício de receita da atividade rural se faz necessário que a autoridade fiscal lançadora observe a limitação dos 20% da receita bruta da atividade rural, imposta pela própria legislação de regência (Lei nº 8.023, de 1990). Se assim não fosse, qual seria a forma adotada para a apuração da base de cálculo da pessoa física omissa na entrega da Declaração de Ajuste Anual? Com certeza a autoridade fiscal lançadora iria se utilizar da limitação dos 20%. Poderíamos ainda indagar qual seria o procedimento da autoridade fiscal lançadora nas situações em que o contribuinte é obrigado a ter escrituração contábil da apuração das receitas e despesas. Pela legislação a autoridade fiscal teria que arbitrar em 20% da receita bruta total da atividade rural como sendo a base de cálculo do imposto a ser cobrado. São infinitas as situações que nos levam a utilizar a limitação imposto pela legislação de regência. Não é por outra razão que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não discrepa desse entendimento, como se constata dos Acórdãos proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme as ementas abaixo transcritas: Acórdão nº CSRF/0400.468, Sessão de 13/12/2006 ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade Fl. 15DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei nº. 8.023, de 1990, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Recurso especial parcialmente provido Acórdão nº CSRF/0400.801, Sessão de 03/03/2008 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPFExercício: 1998, 1999, 2000DEPÓSITOS BANCÁRIOS RECURSOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL OMITIDA FORMA DE TRIBUTAÇÃO.Demonstrado, pelos meios de provas existentes nos autos, que a movimentação financeira do sujeito passivo decorre do exercício de atividade rural cuja tributação foi omitida, ainda que parcialmente, a exigência do crédito tributário, por força do disposto no artigo 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, deve se dar em conformidade com o artigo 5° da Lei n° 8.023, de 1990.Recurso especial negado.” Acórdão nº CSRF/ 920200.762 – 2ª Turma – Sessão de 13/04/2010 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRODUTOR RURAL. EXCLUSIVA ATIVIDADE RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECÍFICO. Os contribuintes que, comprovadamente, exercem exclusivamente atividades rurais, estão submetidos à regime de tributação especial/específico, contemplado pela Lei nº 8.023/1990, impondo a compatibilização desta norma com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, a propósito da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, limitandose, assim, a base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apurada, nos precisos termos do artigo 5o da lei especifica retromencionada. Recurso especial negado. Finalmente é de se ressaltar, que considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limitarseá a vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Assim sendo, na apuração anual da base de cálculo da omissão de rendimentos da atividade rural, deve ser respeitada a limitação de vinte por cento da receita bruta total (declarada + a apurada de ofício), já que este tipo de apuração se adapta à própria natureza do fato gerador do imposto de renda da atividade rural, que é complexivo e tem seu termo final em 31 de dezembro do anobase. Assim sendo, o meu entendimento é que a base de cálculo da omissão de rendimentos da atividade rural deve ser limitado a 20% da receita bruta apurada/declarada. Ou seja, de acordo com os levantamentos efetuados pela autoridade fiscal (fls. 953/954) ano calendário de 2003 – receita bruta total da atividade rural = R$ 1.705.216,04 = 20% = R$ 341.043,20; anocalendário de 2004 – receita bruta total da atividade rural = R$ 2.468.233,91 = 20% = R$ 493.646,78. Como a autoridade fiscal apurou um resultado tributável de R$ 423.605,39 e R$ 1.549.912,79. Estes resultados tributáveis devem ficar limitado, nos anos calendário de 2003 e 2004, a R$ 341.043,20 e R$ 493.646,78, respectivamente (equivalente a 20% da receita bruta total apurado na atividade rural = declarada + a apurada de ofício). Fl. 16DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/200874 Acórdão n.º 220201.416 S2C2T2 Fl. 9 17 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, neste item, para que a base de cálculo das exigências sejam limitado a 20% da receita bruta total da atividade rural, acompanhando o relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 17DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15889.000196/2007-46
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
LANÇAMENTO FISCAL. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
NOVO LANÇAMENTO FISCAL.
A auditoria fiscal poderá, a critério da autoridade competente, abranger períodos e fatos já objeto de auditorias fiscais anteriores, podendo dai resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
A inconstitucionalidade de lei e de violação a princípios constitucionais são demandas cuja competência de julgamento é do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS.
Compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização, a arrecadação e a cobrança das contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, na forma da legislação em vigor.
São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços.
SAT / RAT.
São devidas as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, em conformidade com dispositivos legais vigentes.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator para reconhecer a decadência do lançamento para as competências 04/2002 e 05/2002 e aplicar a multa prevista no art. 35-A da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, que deve ser comparada à multa do lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 LANÇAMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NOVO LANÇAMENTO FISCAL. A auditoria fiscal poderá, a critério da autoridade competente, abranger períodos e fatos já objeto de auditorias fiscais anteriores, podendo dai resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A inconstitucionalidade de lei e de violação a princípios constitucionais são demandas cuja competência de julgamento é do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. Compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização, a arrecadação e a cobrança das contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, na forma da legislação em vigor. São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços. SAT / RAT. São devidas as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, em conformidade com dispositivos legais vigentes. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 LANÇAMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NOVO LANÇAMENTO FISCAL. A auditoria fiscal poderá, a critério da autoridade competente, abranger períodos e fatos já objeto de auditorias fiscais anteriores, podendo dai resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A inconstitucionalidade de lei e de violação a princípios constitucionais são demandas cuja competência de julgamento é do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. Compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização, a arrecadação e a cobrança das contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, na forma da legislação em vigor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 96 /2 00 7- 46 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 664 2 São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços. SAT / RAT. São devidas as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, em conformidade com dispositivos legais vigentes. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator para reconhecer a decadência do lançamento para as competências 04/2002 e 05/2002 e aplicar a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, que deve ser comparada à multa do lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 665 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD 37.075.3399, de 22/06/2007), que de acordo com o relatório fiscal, referese às contribuições sociais à Seguridade Social, correspondentes àquelas devidas pelos segurados não retidas, parte da empresa, inclusive aquelas relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, e contribuições destinadas a outras entidades e fundos Terceiros (INCRA, SESC, SEBRAE e SalárioEducação). A notificação fiscal trata das contribuições incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, sendo os valores extraídos das Relações Anuais de Informações Sociais — RAIS, folhas de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP, com análise da contabilidade. Foram deduzidos os valores anteriormente exigidos por meio do LDC 35.565.0835 e NFLD 35.797.4875. No entanto, não foram deduzidos o saláriomaternidade pago a Andréa Cristiane Ferreira Assad e o saláriofamília pago a Luiz Eduardo Conchineli e Carlos Augusto Vicente Quagliato, em razão da não apresentação dos documentos. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. Os autos foram encaminhados para revisão fiscal em virtude da existência de outros lançamentos fiscais com mesmo período do lançamento ora analisado. Foi emitida a Informação Fiscal de fls. 236/238, na qual a autoridade lançadora esclarece que o procedimento fiscal anterior do qual resultou a NFLD 35.797.4875 decorreu de Auditoria Fiscal Previdenciária Seletiva, com objetivo de analisar e regularizar divergências apontadas pelo sistema informatizado entre valores declarados em GFIP e os recolhidos em GPS (cruzamento de valores informados em GFIP e GPS). Não houve na ocasião fiscalização, eis que não foi dada cobertura fiscal ao período em questão. A informação fiscal reitera que os valores relativos ao LDC 35.565.0835 e à NFLD 35.797.4875 foram considerados e devidamente deduzidos. Quanto ao LDC 35.565.0835, aduz ainda que o mesmo resultou do comparecimento espontâneo do sujeito passivo à agência, com a declaração dos débitos que julgava existente, sendo óbvio a necessária homologação. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 666 4 Cientificada para manifestarse no prazo legal, a empresa retornou aos autos para discordar do entendimento exarado na informação fiscal, ratificando as considerações anteriormente formuladas na defesa. A decisão de primeira instância administrativa fiscal decidiu pela procedência parcial do lançamento fiscal, reconhecendo a decadência das competências 01/2002 a 03/2002 e mantendo os demais valores lançados, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 27/10/2008, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a impossibilidade de exigência de débitos nos períodos compreendidos entre 04/2003 à 06/2005 em face da já lavrada NFLD 35.797.4875 de 28/09/2005; O lançamento não pode ser revisto. Tratase de dupla cobrança dos mesmos fatos geradores; levando em consideração que o lançamento da NFLD deuse em junho de 2007, considerando o período com pagamento realizado, o prazo decadencial teria como limite para o lançamento os fatos geradores ocorridos após 06/2002; existem divergências entre o relatório levantado na NLFD e o apresentado na decisão de primeiro grau, por exemplo, no DAD da NFLD de pagina 24, FP5 — DIF. REMUN. GFIP X CONTABIL, na competência de 04/2002, existia imputação de um pagamento de R$ 10,00 (dez reais) realizado; no relatório apresentado na decisão de primeira instância, na pagina 20, DAD FP5 — DIF. REMUN. GFIP X CONTABIL, já não aparece o pagamento realizado. O mesmo acontece nos períodos de 03/2002, 04/2002, 05/2002, 06/2002, 08/2002, 09/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003, 04/2003, 08/2003 e 13/2003; a esfera administrativa deve apreciar a inconstitucionalidade da mataria posta nos autos; a presunção do lançamento fiscal é inconstitucional; as contribuições ao SESC/SENAC são ilegais; as contribuições para o SEBRAE são inconstitucionais; as contribuições para o SAT são inconstitucionais. A necessidade de lei para definir graus de riscos das atividades comerciais e industriais. É vedado regulamento autônomo art. 89 da Constituição Federal; as contribuições para o INCRA/FUNRURAL são ilegais e não são exigíveis das empresas de atividade urbana; a inconstitucionalidade da taxa selic; Fl. 666DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 667 5 a inconstitucionalidade da multa confiscatória; por fim, requer a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 657, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. Os argumentos trazidos no recurso voluntário, na sua quase totalidade, já foram apreciados na decisão recorrida que os indeferiu, apresentando os fundamentos. DA DECADÊNCIA As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão exarado em Recurso Especial REsp 761908 / SC, 2005/01010128, T1 PRIMEIRA TURMA, relator Ministro LUIZ FUX (1122), publicação DJ 18/12/2006 p. 322, prevê a aplicação de regras distintas de contagem da decadência em um mesmo lançamento de contribuições previdenciárias, podendo ser aplicado as regras do art. 150, § 4º, e art. 173, I, do CTN. São os transcritos da decisão: Processo RESP 200501010128RESP RECURSO ESPECIAL 761908 Relator(a) LUIZ FUX Sigla do órgão STJ Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte DJ DATA:18/12/2006 PG:00322 RET VOL.:00054 PG:00055. Ementa TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS.DECADÊNCIA.LEI 8.212/91 (ARTIGO 45). ARTIGOS 150, § 4º, E 173, I, DA CF/88. ACÓRDÃO ASSENTADO EM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. 1. (...). 11. In casu, a notificação de lançamento, lavrada em 31.10.2001 e com ciente em 05.11.2001, abrange duas situações: (1) diferenças decorrentes de créditos previdenciários recolhidos a menor (abril e novembro/1991, março a julho/1992; novembro e dezembro/1992; setembro a novembro/1993, janeiro/1994, Fl. 667DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 668 6 março/1994 a janeiro/1998; e março e junho/1998); e (2) débitos decorrentes de integral inadimplemento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos (maio a novembro/1996; janeiro a julho/1997; setembro e dezembro/1997; e janeiro, março e dezembro/1998) e das contribuições destinadas ao SAT incidente sobre pagamentos de reclamações trabalhistas (maio/1993; abril/1994; e setembro a novembro/1995). 12. No primeiro caso, considerandose a fluência do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, encontramse fulminados pela decadência os créditos anteriores a novembro/1996. 13. No que pertine à segunda situação elencada, em que não houve entrega de GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), nem confissão ou qualquer pagamento parcial, incide a regra do artigo 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial qüinqüenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta sorte, encontram se hígidos os créditos decorrentes de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos e caducos os decorrentes das contribuições para o SAT. (nosso grifo) Da análise da decisão citada depreendese que no pagamento parcial por parte do contribuinte o prazo decadencial para o lançamento pelo fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador (§4º do art. 150 do CTN). Se não houver pagamento antecipado, ou pagamento parcial, aplicase o art. 173, I, do CTN, cujo prazo decadencial para a constituição do crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. REGRA DO §4º DO ART. 150 DO CTN. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 22/06/2007 (fl. 3). Consta registro de recolhimento parcial para as competências 04/2002 e 05/2002, conforme folha 187 dos autos digitalizados. Assim, deve ser aplicada a regra do §4º do art. 150 do CTN (cinco anos a contar do fato gerador). Desse modo, todas as competências com recolhimento parcial anteriores a competência 06/2002 estão decadentes no lançamento fiscal, inclusive as competências 04/2002 e 05/2002. REVISÃO FISCAL A notificação fiscal anterior NFLD 35.797.4875 limitase ao lançamento de divergências entre GFIP e GPS, como informado pela autoridade lançadora e decisão recorrida (fl. 549). O procedimento se restringiu a lançar as contribuições declaradas pelo sujeito passivo em GFIP e sem o consequente recolhimento em GPS. Estes valores apurados do cruzamento das informações contidas nas GFIP e GPS não têm o condão de dar cobertura para período como se tivesse sido fiscalizado, tampouco, vedam novo procedimento fiscal para verificar o valor correto das contribuições sociais a recolher, com exame das folhas de pagamento, RAIS, documentos contábeis da empresa e outros. São procedimentos distintos com apurações distintas, apesar de possuírem períodos coincidentes. Ressaltase que houve a exclusão dos valores recolhidos e parcelados Fl. 668DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 669 7 anteriormente (NFLD 35.797.4875 e do LDC 35.565.0835), quando do último lançamento fiscal. O lançamento anterior se refere a valores declarados em GFIP e não recolhidos em GPS. O lançamento posterior se refere a outros valores encontrados quando da análise dos documentos de folhas de pagamento, RAIS e contabilidade e não recolhidos, deduzidos os valores apurados no lançamento anterior. Períodos e fatos já submetidos a procedimentos fiscais anteriores poderão ser objeto de novas auditorias, resultando em novo lançamento, nos termos dos parágrafos 1o e 2° do artigo 570 da Instrução Normativa SRP 03, de 14 de julho de 2005. Quanto ao parcelamento realizado LDC 35.565.0835 são valores espontâneos declarados pelo contribuinte e foram deduzidos do lançamento fiscal em comento. Desse modo, não houve revisão fiscal, mas sim, novo procedimento fiscal para apurar o valor que a fiscalização entende ser correto das contribuições sociais, com base nas folhas de pagamento, RAIS e documentos contábeis. Destarte, não há que se falar em impossibilidade de novo lançamento em razão da existência da notificação NFLD 35.797.4875 de 28/09/2005 e parcelamento efetuado pela empresa LDC 35.565.0835 para o mesmo período. Como já demonstrado, são valores e procedimentos diferentes. Considerando que a competência 04/2002 foi considerada decadente e excluída do lançamento fiscal fica sem efeito, sem propósito, a análise dos argumentos de divergências trazidos pelo recorrente para tal competência. O contribuinte menciona que há divergência no relatório apresentado na decisão de primeira instância para as competências 06/2002, 08/2002, 09/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003, 04/2003, 08/2003 e 13/2003, entretanto, não especifica, não demonstra, nem anexa memória de cálculo aos autos. A argumentação genérica sem comprovação fática, por si só, não tem o condão de desconstituir o lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF n º 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SESC, SEBRAE, INCRA e SAT. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 670 8 Correta a decisão de primeira instância quanto aos Terceiros (Outras Entidades SESC, SEBRAE, INCRA), fls. 555/559. O Supremo Tribunal Federal – STF já pacificou o entendimento pela constitucionalidade e legalidade da cobrança do SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA, no mesmo sentido para o seguro acidente do trabalho – SAT, como demonstrado em decisões a seguir: Processo REED 576659REED EMB.DECL.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a) ELLEN GRACIE, Sigla do órgão STF Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC E SENAC. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA OU REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. ENTIDADES NÃO INTEGRANTES. OBRIGATORIEDADE. 1. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, consoante iterativa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 2. A controvérsia sobre as contribuições vertidas para o SESC e para o SENAC tem fundamento infraconstitucional. Precedentes. 3. Autonomia da contribuição para o SEBRAE alcançando mesmo entidades que estão fora do seu âmbito de atuação, ainda que vinculadas a outro serviço social, dado o caráter de intervenção no domínio econômico de que goza. Precedentes. 4. Agravo regimental improvido. Processo AIAgR 700833AIAgR AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, Relator(a) CELSO DE MELLO, Sigla do órgão STF Ementa: EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA EMPRESA URBANA INCIDÊNCIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS EXIGIBILIDADE DESSA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. Processo AIAgR 742458AIAgR AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, Relator(a) EROS GRAU, Sigla do órgão STF Ementa: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3º, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos Fl. 670DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 671 9 empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. Agravo regimental a que se nega provimento. O contribuinte não traz fato novo além do que já debatido na decisão de primeira instância. As contribuições sociais para Terceiros (Outras entidades), para o seguro acidente do trabalho SAT são legais e sua fundamentação se encontra no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 253/259. TAXA SELIC É devida e legal a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA. CONFISCO. A multa aplicada no lançamento fiscal encontra respaldo na lei 8.212/91, conforme demonstrado no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. Aplicada a multa na forma da lei não pode ser considerada confiscatória, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação nos termos do art. 150 do CTN. Corrobora com o entendimento o Superior Tribunal de Justiça STJ, REsp 289181/MG. A multa aplicada pela Lei 8.212/91, na redação introduzida pela Lei 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. A multa de mora, art. 35 da Lei 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 672 10 A multa de ofício, art. 35A da Lei 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatada diferença a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei 8.212/91 quanto à aplicação da multa devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. Ante ao exposto, por se tratar de diferenças não recolhidas na época própria (recolhimento intempestivo da contribuição), referese a lançamento de ofício. Assim, a multa a ser aplicada será a do art. 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal REFISC; com Discriminativo Analítico do Débito DAD; as Instruções para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante; e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento para as competências 04/2002 e 05/2002 e aplicar a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, que deve ser comparada à multa do lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 672DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 2803002.260 S2TE03 Fl. 673 11 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11610.014302/2002-73
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício. 1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - DÉBITOS EXTINTOS EM OUTROS PROCESSOS.
Devem ser exoneradas as exigências quando resta comprovado que se trata de débitos que foram extintos por pagamento ou por compensação em outros processos.
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - DÉBITOS CONTROLADOS EM
OUTRO PROCESSO.
Não se conhece dos argumentos acerca de débitos que foram transferidos para outro processo e lá são exigidos e controlados.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 1301-000.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado Recurso de oficio: negar provimento por unanimidade. Recurso voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância não conhecer dos argumentos acerca da parcela de RS
17.146,25, por não mais integrar a lide e, no mérito, dar provimento para afastar as exigências dos saldos de R$ 158.473,77 e R$ 39.295,52, nos termos do relatório e voto que integram o
presente julgado.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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TURMA / DRJ SÃO PAULO-I / SP COPEBRÁS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - DÉBITOS EXTINTOS EM OUTROS PROCESSOS. Devem ser exoneradas as exigências quando resta comprovado que se trata de débitos que foram extintos por pagamento ou por compensação em outros processos. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - DÉBITOS CONTROLADOS EM OUTRO PROCESSO. Não se conhece dos argumentos acerca de débitos que foram transferidos para outro processo e lá são exigidos e controlados. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Recurso de oficio: negar provimento por unanimidade. Recurso voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância não conhecer dos argumentos acerca da parcela de RS 17.146,25, por não mais integrar a lide e, no mérito, dar provimento para afastar as exigências dos saldos de R$ 158.473,77 e R$ 39.295,52, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. C---- WALDIR VEIGA Riki gHA — Presidente e Relator EDITADO EM: D nnAn 3.5 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Vinícius Barros Ottoni, Nelson Kichel, Valmir Sandri e Waldir Veiga Rocha. • • • 2 Processo n° 11610.014302/2002-73 SI-C311 Acórdão n.° 1301-00.177 Fl. 2 • Relatório COPEBRÁS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 2697.833,51, discriminado no demonstrativo à fl. 18. Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — lliPJ — realizado em decorrência de erros ou inconsistências verificados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF — do 4° trimestre de 1997, segundo o disposto nas Instruções Normativas 11045/1998 e n°77/1998 (fls. 18 a 23). No Auto de Infração do IRPJ (fl. 19), a infração capitulada foi a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, nos seguintes períodos e valores (fl. 20): Código Período de Data de Valor Originário Processo de Ocorrência Apuração Vencimento Restituição/Compensação 2362 30111/1997 30/12/1997 R$ 464.188,98 10880.032515/97-98 Proc inexist no Profisc 2362 30/11/1997 30112/1997 R$ 367.799,43 10880.032514/97-25 Proc inexist no Profisc • 2362 31/12/1997 30/01/1998 R3 158.473,77 10880.032516/97-51 Proc inexist no Profisc 2362 31/12/1997 30/01/1998 R$ 39.295,52 10880.032515197-98 Proc inexist no Profisc A Interessada, tendo tomado ciência da autuação em 11106/2002 (fl. 45) apresentou sua impugnação em 10/07/2002 (fls. 01 a 04), por intermédio de sua procuradora (fls. 5 a 15), alegando, em síntese, que os débitos constantes do Auto de Infração teriam sido objeto de pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, constantes dos Processos Administrativos n° 10880.032514/97-25, 10880.0032515/97-98 e 10880.032516/97-51, conforme comprovariam os documentos de fls. 25 a 42. A 4' Turma da DRJ em São Paulo-I/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-10247, de 30/08/2006 (fls. 72/76), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: DCTF. COMPENSAÇÃO. CREDIT'OS DE TERCEIROS Exonera-se somente os valores efetivamente compensados, que haviam sido regularmente informados em DCTF. MULTA DE OFICIO. Tendo em vista o principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 — CTN — há que se proceder à exoneração da multa de oficio aplicada. 3 Por relevante, transcrevo abaixo excerto do voto condutor do acórdão recorrido: Tendo sido autuada em procedimento de Auditoria Interna de DCTF, a Impugnante alega que os débitos dela constantes teriam sido objeto de pedido de compensação com créditos de terceiros. • De fato as compensações foram pleiteadas, mas só foram parcialmente concedidas pela DER.AT/SPO/DIORT/EQPIR/PJ, por meio dos despachos decisórios de fls. 56 a 61 e 66 a 70. Considerando-se as compensações efetivamente implementadas por intermédio do SIEF e do PROFISC (fls. 62 a 64), resulta no demonstrativo abaixo: Código Período de Data de Valor Originário Compensação Valor Manada Processo de Apuração Vencimento Implementado. Restituição/Compensação 2362 30111/1997 30/12/1997 RS 464.188,98 R$ 464.188,98 R$ 0,00 10880.032515/97-98 2362 30/11/1997 30/12/1997 RS 367.799,43 R$ 350652,91 R$17146,52 10880.032514/97-25 2362 31/12/1997 30/01/1998 R$ 158.473,77 R3 0,00 R5 158.473,77 10880.032515/97-98 2362 31/12/1997 30/01/1998 R$ 39.295,52 23 18307,66 R$ 20.587,86 10880.032515/97-98 TOTAL R$ 1.029.757,70 R$ 833.549,55 R$ 196.208,15 Observe-se que a manifestação de inconformidade con ra despacho decisório, no caso de débitos de terceiros, não suspende a exigibilidade dos valores, pois os pedidos de compensação créditos com débitos de terceiros não são considerados DCOMP, para os fms do art. 74 da Lei if 9.430/1996. Por fim, com relação à multa de oficio aplicada, convem reproduzir as disposições da Instrução Normativa SRF 77/98, que regulamentam a auditoria interna das DCTF: [...] Ocorre que, em que pese o autuante ter observado corretamente os percentuais determinados por lei, eis que fundamentou a multa de oficio no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a referida exigência deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n°11.051, de 29 de dezembro de 2004, que assim estabeleceu: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homolagacão de compensação declarada pelo sul eito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infracões previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. § 4°Á multa prevista no copia deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. "(Grifou-se) gç- 4 Processo n° 11610.014302/2002-73 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00377 Fl. 3 Assim, em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II "c", da Lei n°5.172, de 25/10/1966 — CTN — há que se proceder à exoneração da multa de oficio aplicada. Ciente da decisão de primeira instância em 25/09/2006, conforme Aviso de Recebimento à fl. 86, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/10/2006 conforme carimbo de recepção à folha 87. No recurso interposto (fis. 88/95), alega preliminarmente que a fundamentação da decisão recorrida seria insuficiente, urna vez que se limitou a reportar-se aos despachos proferidos em outros processos, sem sequer mencionar os conteúdos, além da falta de fundamentação legal. Isto teria prejudicado o entendimento da recorrente quanto aos valores mantidos no presente processo, o que acarretaria a nulidade do julgado. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: Débito remanescente no valor de R$ 17.146,52: esclarece que se trata de remanescente de compensação parcialmente homologada no processo n° 10880.032514/97-25, no qual houve manifestação de inconformidade em 09/06/2006. Alega que, mesmo em se tratando de compensação de créditos com débitos de terceiros', a exigibilidade dos débitos deste processo restaria suspensa, conforme art. 151, III do CTN e jurisprudência que colaciona. Pede, assim, a suspensão da exigibilidade desta parcela, até decisão final a ser proferida nos autos do processo n° 10880.032514/97-25. Débito remanescente no valor de R$ 158.473,77: sustenta que a compensação deste débito foi feita nos autos do processo n° 10880.032516/97-51, de Minore° Brasil Participações Ltda., e não no processo n° 10880.032515/97-98, como referido na decisão recorrida. Além do mais, o débito já teria sido extinto por pagamento, para cuja comprovação faz anexar DARF da PGNF (fl. 102). Débito remanescente no valor de R$ 20.587,86: esclarece que se trata de débito remanescente , objeto de compensação nos autos do processo n° 10880.032515/97-98, de Minorco Brasil Participações Ltda. Afirma que, em 12/06/2006, a SRF teria homologado totalmente o crédito fiscal (documento à fl. 103). Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (123 500.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de oficio a este Colegiada. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria ME n°375/2001. É o Relatório. • Titular dos créditos: Anglo American Brasil, nova denominação social de Minorco. Titular dos débitos: a recorrente Copebrás Ltda. 5 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de oficio, deve-se ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1° da Portaria ME n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: "Art. 100 Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância, verifico que totalizam R$ 1.605.867,83, conforme quadro à fl. 76, superando o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de oficio permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, verifico que foram exoneradas as parcelas de R$ 464A88,98, R$ 350.652,91 e R$ 18.707,66 (vide quadro à fl. 79), por compensações efetuadas nos autos dos processos 10880.032515/97-98 e 10880.032514/97-25. A diligente autoridade julgadora em primeira instância fez acostar a estes autos cópias dos despachos decisórios proferidos naqueles processos em que restaram homologadas as referidas compensações (fls. 56/61 e 66/70), alóni de extratos dos sistemas da receita federal que registraram essas mesmas compensações (fls. 62/64). Não faço reparos, pois, à decisão recorrida e nego provimento ao recurso de oficio, quanto a este ponto. O mesmo ocorre com respeito à exoneração da multa de oficio aplicada ao lançamento. Sua base legal foi o art. 44, inciso I e § 1°, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, cuja redação vigente à época do lançamento era a que segue: "Art.44.Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1-de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § I° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; )192— Processo n © 11610.014302/2002-73 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.177 Fl. 4 Entretanto, como bem observado pela autoridade julgadora em primeira instância, não se trata aqui de autuação por falta de pagamento, mas sim por não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, ao qual se aplicava, originalmente, o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35/2001: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, O alcance desse dispositivo foi posteriormente limitado pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2003, cuja redação foi alterada ainda pelo art. 15 da Lei n° 11.051/2004, passando a vigorar como segue: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. Entendeu a Turma Julgadora a quo pela aplicação do instituto da retroatividade benigna em matéria de penalidades, pelo que exonerou as multas aplicadas ao lançamento. Também aqui considero correta a decisão recorrida e nego provimento ao recurso de oficio interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Em preliminares, a recorrente alega que a fundamentação da decisão recorrida seria insuficiente, uma vez que se limitou a reportar-se aos despachos proferidos em outros processos, sem sequer mencionar os conteúdos, além da falta de fundamentação legal. Isto teria prejudicado o entendimento da recorrente quanto aos valores mantidos no presente processo, o que acarretaria a nulidade do julgado. • Não entendo desta forma. A matéria discutida em outros processos (as compensações tributárias) não deve ser rediscutida neste. Tão somente se fez menção aos despachos decisórios lá proferidos para fins de esclarecer quais parcelas dos débitos do presente processo já haviam sido extintas por compensação. De seu contendo a interessada tomou ciência nos processos em cujos autos foram proferidos, e também lá teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa respeitado. A fundamentação legal do presente lançamento se encontra claramente especificada à fl. 19, e os créditos aqui mantidos somente podem ter por base esses mesmos dispositivos legais. 7 Finalmente, verifico que a interessada compreendeu perfeitamente as parcelas mantidas no presente auto de infração, e contestou cada uma delas, trazendo argumentos e documentos que entendeu pertinentes. Não vislumbro, pois, qualquer cerceamento ao direito da recorrente à ampla defesa e ao contraditório que pudesse causar a nulidade do acórdão recorrido. Assim, rejeito essa preliminar. No mérito, a recorrente contesta cada uma das três parcelas mantidas no presente lançamento. Considero relevante a análise empreendida pela Derat/SP, à fl. 158, em despacho do qual transcrevo o seguinte excerto: • O presente processo foi solicitado ao Conselho de Contribuintes para elaboração do despacho de fls. 154, no qual solicita-se a transferência do débito de IRPJ de 11/1997 (R$ 17.146,52) para o processo de fls 153 para evitar duplicidade no cadastramento. O referido débito, assim como todos os demais lançados no auto de infração eletrônico contestado no presente processo, são decorrentes de processos de compensação. O auto de infração foi gerado apenas porque os processos de compensação não foram devidamente cadastrados no PROFISC (fls. 20). Ou seja, o auto de infração não deveria ter sido gerado, é improcedente e deve ser revisto de oficio. Aliás, com exceção do débito citado acima os outros dois mantidos na decisão da DAT estão pagos ou liquidados no processo de compensação de origem. Vejamos: 112P.1 12/1997 (R$ 158473,77): pago no processo 13807.005382/2005-47 — inscrição em divida ativa encenada por pagamento (fls. 155 e 156). 1R_PJ 12/1997 (R$ 39.295,52): compensado no processo 10845.720001/2006- 90 — processo encerrado por compensação no SIEF (fls 157) Resta no presente processo, portanto, apenas o débito de fRPJ de 11/1997, no valor de R$ 17.146,52. No entanto, este débito não teve origem no presente auto de infração e não deveria estar neste processo, pois sua origem è o processo de compensação 10880.032514/97-25. Conforme já exposto, o débito veio para o auto de infração porque o processo de compensação não estava cadastrado no PROFISC. Ressalte-se ainda que o débito de 1RPJ de R$ 17.146,52 deve ter sua cobrança controlada por meio do processo 10845.720002/2006-34, conforme despacho de fls. 154 e extrato as fls. 153. Aliás, o próprio contribuinte não questiona este débito no recurso voluntário, apenas informa que o mesmo foi objeto de manifestação de inconformidade no processo de compensação (fls. 91). E-1 Com relação aos débitos de RS 158.473,77 e RS 39.295,52, restando comprovado pelos extratos de fls. 155/157 que foram extintos por pagamento (o primeiro) ou por compensação (o segundo), não se pode cogitar a manutenção do lançamento feito no presente processo, sob pena de exigência do tributo em dobro. Quanto à parcela no valor de RS 17.146,52, de acordo com a análise da Derat/SP, acima transcrita, a exigência foi transferida para os autos do processo n° 10845.7200002/2006-34. Esse fato é confirmado pelo extrato de processo à fl. 153. Assim, X- 8 • Processo n° 11610.0 / 4302/2002-73 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.177 EL 5 entendo que esse débito não mais integra o presente litígio, pelo que descabe a análise dos argumentos sobre essa matéria. Ademais, ressalto que a discussão sobre a extinção ou não do débito deve se dar no processo em que pleiteada a compensação, a saber o de n° 10880.032514/97-25. Naquele processo também a autoridade julgadora já se manifestou sobre a não suspensão da exigibilidade da parcela do débito não extinta por compensação, pelo que foi aberto outro processo (ri° 10845.720000212006-34) para permitir o seguimento da cobrança. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, não conheço dos argumentos acerca da parcela de R$ 17.146,52, por não mais integrar a lide e, no mérito, dou-lhe provimento para afastar as exigências dos saldos de R$ 158.473,77 e R$ 39295,52. WALDIR vÉgrrA ROCHA —Relator • 9
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Numero do processo: 35415.000344/2004-63
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A partir de 03/2000, as empresas estão obrigadas a pagar a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, por força do art. 22, inciso III da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.844
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido os Conselheiros Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrente SPPR INFORMÁTICA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A partir de 03/2000, as empresas estão obrigadas a pagar a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, por força do art. 22, inciso III da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido os Conselheiros Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 268DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/200463 Acórdão n.º 230102.844 S2C3T1 Fl. 247 3 Adriano Gonzáles Silvério. – Redator Designado Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.618.542 7, lavrada em 28/06/2004, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a pessoas físicas sem vínculo empregatício, no período de 01/2002 a 04/2003, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 234.859,78, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 06/07/2004, fls. 83, a recorrente apresentou impugnação, fls. 91/104, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 146/158, ficou mantido o lançamento, afastando os argumentos da recorrente, sendo que esta foi cientificada do decisório em 22/09/2004, fls. 166. O recurso voluntário, apresentado em 20/10/2004, fls. 166/176, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores, portanto por não ter sido obedecido o art. 142 do CTN. Apresenta diversos argumentos fundados em inconstitucionalidade de leis e/ou decretos. Entende que as remunerações dos trabalhadores sem vínculo não podem ser incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária em virtude de inconstitucionalidade declarada pelo STF. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/200463 Acórdão n.º 230102.844 S2C3T1 Fl. 248 5 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade dos recursos apresentados e deles tomamos conhecimento. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 271DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. No entanto, quanto à inconstitucionalidade do art. 22, inciso I da Lei 8.212/91, na redação dada pelo art. 3º inciso I da Lei 7.787/89, declarada pelo STF na ADIN 1102, é de ser esclarecido que tal dispositivo não serviu como fundamento para o lançamento. Em fls. 31/32, podemos observar que o fundamento legal do lançamento foi a Lei Complementar (LC) 84/96 para fatos geradores até 02/2000; e o art. 22, inciso III da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 9.876/99, para fatos geradores a partir de 03/2000. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento Fl. 272DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/200463 Acórdão n.º 230102.844 S2C3T1 Fl. 249 7 de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; • Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 273DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/200463 Acórdão n.º 230102.844 S2C3T1 Fl. 250 9 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: • A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada; • A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de Fl. 275DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; • A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/200463 Acórdão n.º 230102.844 S2C3T1 Fl. 251 11 A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008: • A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada; • As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Tal posição é aplicável inclusive para situações nas quais a fiscalização tenha feito sua análise de retroatividade benéfica, com a qual não concordamos, e aplicado a multa de 75% do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/200463 Acórdão n.º 230102.844 S2C3T1 Fl. 252 13 Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado: Conforme decidido pela 1ª Turma, a divergência aqui tratada será limitada apenas em relação à aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, do CTN. Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, CONHEÇO o recurso voluntário para, NO MÉRITO, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO a fim de se, mais benéfica ao contribuinte, aplicar a multa prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09. Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10768.001659/2002-35
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998
DCTF. AUDITORIA INTERNA. ERRO DE FATO.
Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, deve ser cancelado integralmente o lançamento de IRPJ realizado pela fiscalização eletrônica (auditoria interna de DCTF), adequando-se os sistemas da RFB aos valores efetivamente devidos.
Numero da decisão: 1803-000.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T12:30:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T12:30:40Z; Last-Modified: 2009-09-03T12:30:40Z; dcterms:modified: 2009-09-03T12:30:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T12:30:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T12:30:40Z; meta:save-date: 2009-09-03T12:30:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T12:30:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T12:30:40Z; created: 2009-09-03T12:30:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-09-03T12:30:40Z; pdf:charsPerPage: 1303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T12:30:40Z | Conteúdo => SI-TE03 Fl. $1 taLl'iHt MINISTÉRIO DA FAZENDA • )5:32,0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO • Processo u° 10768.001659/2002-35 Recurso n° 161.821 Voluntário Acórdão n° 1803-00.097 — 3' Turma Especial Sessão de 28 de julho de 2009 Matéria aF'J Recorrente BANCO VEGA S/A - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL Recorrida 7 TURMA DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1998 DCTF. AUDITORIA INTERNA. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, deve ser cancelado integralmente o lançamento de IRPJ realizado pela fiscalização eletrônica (auditoria interna de DCTF), adequando-se os sistemas da RFB aos valores efetivamente devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. r ir 71 DE MORAES - Presidente (jade" #20.-er.-+A WALTER ADOLFO M RESCH - Relator EDITADO EM: 2 7 AGO 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente da turma), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice- presidente), Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Benedicto Celso Benicio Júnior, Márcia Miranda Gomes Clementino. Relatório Processo n° 10768.001659/2002-35 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.097 Fl. 52 BANCO VEJA S/A (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL), pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela 7' Turma da DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho de Contribuintes, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Trata-se do lançamento de oficio de fls. 02,06/09, que teve origem em auditoria interna da DCTF relativa ao primeiro trimestre de 1997, através do qual é exigido da interessada o imposto sobre a renda de pessoa jurídica - IRPJ, no valor de R$ 87.993,15, acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. Conforme planilhas de fls. 06/07, a interessada informou na DCTF que teria efetuado pagamentos relativos aos débitos de IRPJ dos meses de janeiro e fevereiro/1997, nos valores de R$ 38.892,15,vencimento em 28/02/1997, e R$ 87.993,15, vencimento em 31/03/1997, respectivamente. Todavia, o apenas o pagamento parcial, relativo ao mês de fevereiro foi confirmado, no valor de R$ 38.892,15. Logo, foi lavrado auto de infração para cobrança do saldo devedor relativo aos meses de janeiro e fevereiro/1997, totalizando R$ 87.993.15, conforme quadro abaixo: PA Valor DCTF R$ PGTO R$ Saldo R$ jan/97 38.892,51 0,00 38.892,51 fev/97 87.993,15 38.892,51 49.100,64 TOTAL 87.993,15 Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 22/01/2002, fls. 1, informando que teria pago, apresentando cópia do pagamento de R$ 87.993,15, recolhido em 31/04/1997, fl. 03. Em despacho exarado pela DEINF/RJO, fl. 18, foi informado que o pagamento apresentado encontra-se alocado ao débito originário da D1PJ/98, fl. 11, e que a impugnação foi apresentada tempestivamente, dentro do prazo estabelecido pela Nota Corat n° 13/2001, para autos emitidos até 13/12/2001, com data de ciência padrão em 28/12/2001 e vencimento em 31/01/2002. A r Turma da DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I através do acórdão 8.860 de 10 de novembro de 2005 (fls. 58/62), julgou parcialmente procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. Comprovado o recolhimento parcial, cuja ausência teria ensejado a autuação, deve-se exonerar o valor já pago. Inconformada a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 41, afirmando que a DCTF contendo o imposto de renda devido nos meses Janeiro/97 e Fevereiro/97 estava incorreta, estando o IRPJ devido dos meses Jan/97 a Março/97 integralmente pago, conforme DARF's anexos. 2ea Processo no 10768.001659/2002-35 81-TE03 Acórdão o.° 1803-00.097 Fl. 53 É o relatório. Voto Conselheiro WALTER ADOLFO MARESCH, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata-se de auto de infração IRPJ decorrente de fiscalização eletrônica (auditoria de DCTF), onde teriam sido detectadas ausências de recolhimentos do imposto devido relativo aos meses de Janeiro/97 e Fevereiro/97, regularmente declarado e confessado em DCTF. A decisão de primeira instância exonerou parcialmente o lançamento relativo ao mês de Janeiro/97 (veto. 28/02/1997), mantendo integralmente o lançamento relativo ao mês de Fevereiro/97. Alega a recorrente em seu arrazoado de que haveria erro na DCTF relativa aos meses de Janeiro e Fevereiro/97, e que o imposto efetivamente devido conforme a DIRPJ estaria integralmente pago. Para corroborar suas afirmações, junta planilhas contendo a apuração do imposto devido nos meses de Janeiro a Março/97 (fls. 42/45), bem como DARF's recolhidos correspondentes a estes períodos (fls. 46/48). Assiste razão à recorrente. Conforme se depreende do extrato da DCTF (fls. 14), telas da DIPJ extraídas pela própria autoridade preparadora (fls. 15/17) e cópia do recibo de entrega da DIPJ (fls. 49) anexada pela recorrente, houve na verdade erro de fato no preenchimento da DCTF. Com efeito, o imposto efetivamente devido nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março/97 é respectivamente R$ 52.330,92, R$ 39.657,16 e R$ 87.993,14, constatando-se que a contribuinte declarou na DCTF valor inferior ao imposto devido referente ao mês de janeiro (vcto. 28/02/1997) e valor superior ao imposto devido referente fevereiro (veto. 31/03/1997), declarando corretamente o imposto devido referente ao mês de março/1997. Do imposto devido nos meses de Janeiro e Fevereiro/97, devem ser deduzidos os valores aplicados em Certificados Audiovisual, no valor de R$ 1.000,00 e R$ 764,66, conduzindo a um imposto efetivamente devido de R$ 51.330,92 ref. jan/97 e R$ 38.892,51 ref. fev/97, exatamente o valor recolhido por meio de DARF (fls. 46/47). Como estes valores já foram devidamente confirmados pela Secretaria da Receita Federal (fls. 07 e 12) mas erradamente alocados em virtude das informações equivocadas da DCTF (fls. 14), nada resta a ser recolhido pela recorrente Processo n°10768.001659/2002-35 SI-TE03 Acórdão n.° 1803-00.097 Fl. 54 Destarte, impõem-se o cancelamento integral do lançamento remanescente, tendo em vista o erro de fato na DCTF, devendo o DARF recolhido em 28/02/1997 no valor R$ 51.330,92 ser integralmente alocado ao imposto (estimativa) devido referente ao mês de Janeiro/97 e o DARF recolhido em 31/03/1997 no valor de R$ 38.892,51, ser alocado ao débito correspondente ao mês de Fevereiro/97, adequando-se os valores efetivamente devidos no conta corrente da SRF (atual RFB). Ante o exposto, voto por dar integral provimento ao recurso. h /te X. /2? ane e freA Walter Adolfo Maresc - Relator • 4/74( _ _ _ Processo n° 10768.001659/2002-35 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.097 Fl. 55 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, JOSÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [ Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10945.003835/2002-85
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DISTINTA À DISCUSSÃO DOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO.
Se a recorrente funda seu recurso em matéria que não é objeto dos autos, ou deixa de provocá-la mediante recurso e em momento processual próprio, não há como prosperar o apelo especial manejado.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.775
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidadw le votos, NÃO CONHECER o recurso especial.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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NORMAS PROCESSUAIS. CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DISTINTA À DISCUSSÃO DOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO. Se a recorrente funda seu recurso em matéria que não é objeto dos autos, ou deixa de provocá-la mediante recurso e em momento processual próprio, não há como prosperar o apelo especial manejado. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidadw le votos, NÃO CONHECER • o recurso especial. ANTONI. " 4 A Presidente DAL e bk 11%0'4; - MI ' NDA • Relator FORMALIZADO EM: 08 SET 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente substituto convocado), Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocado), Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto Convocado), Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhã - — de Oliveira. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Ant. 10 Praga. Processo n° 10945.003835/2002-85 CSRF/f02 Acórdão n.° 02-03_775 Fls. 2 Relatório Trata-se de recurso especial, pela Fazenda Nacional, interposto com fundamento de que nos casos de restituição do indébito tributário fundado nos Decretos-Lei ifs 2445 e 2449, ambos de 1988, aplicável é a contagem do prazo decadencial a partir do pagamento do tributo indevido e não da Resolução do Senado Federal n° 49. É o Relatório. Voto Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator O recurso não há de ser conhecido. Passo a explicar. Como relatado, o recurso especial foi interposto com fundamento de que nos casos de restituição do indébito tributário fundado nos Decretos-Lei n's 2445 e 2449, ambos de 1988, aplicável é a contagem do prazo decadencial a partir do pagamento do tributo indevido e não da Resolução do Senado Federal n° 49. Ocorre, meus pares, que tal matéria sequer foi debatida nestes. Foi, sim, na DRJ, apreciada a questão prazo decadencial para ao lançamento do PIS, nos moldes em que realizado nestes autos. A menção que se faz a prazo decadencial para se restituir tributo indevidamente pago situa-se de modo equivocado na ementa do acórdão recorrido, fato este, friso, que não objeto da oposição de embargos de declaração pela recorrente. Para fins de esclarecimento, consigno que o contribuinte teve em seu favor decisão judicial que reconheceu seu direito a compensar os valores indevidamente recolhidos a titulo do PIS (Decretos-lei n's 2445/88 e 2449/88) com outros tributos. E assim fez a interessada, tendo sido em seguida autuada pela promoção de tal compensação, judicialmente autorizada, adotando para o PIS o critério da semestralidade. Veio, então, sua autuação. Nestes autos, portanto, não se discutiu o prazo decadencial que porventura tenha utilizado o contribuinte — e utilizou a partir de sua decisão transitada em julgado — para pleitear a restituição de fato promovida. Impugnada equivocadamente matéria que não foi objeto de debate, não há que se conhecer do apelo interposto, mesmo porque, nos autos, não houve a oposição de embargos de declaração para esclarecer equivoco que de fato há na ementa do acórdão recorrido. C-10 2 Processo n° 10945.003835/2002-85 CS RF/T02 Acórdão n.° 02-03.775 Fls. 3 Assim, voto pelo não conhecimento do recurso interposto. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2009. 11~1., DAL • - _ _ eirer ' • 0 IRANDA 3
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Numero do processo: 13811.001194/99-81
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considera-se válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastando-se a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PENDENTES QUANDO DA EDIÇÃO DA LEI Nº 10.637/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES E REQUISITOS.
Para que não ocorresse a conversão dos pedidos de compensação pendentes quando da edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, em Declaração de Compensação, deve estar presente alguma das hipóteses previstas no §3º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. As restrições a compensação de débitos próprios passou a vigorar com a edição da MP nº 66/2002, não se aplicando a pedidos de compensação protocolizados anteriormente a esta data.
REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO.
Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário, deve o processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição quanto aos períodos não decaídos, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Do mesmo modo, reconhecido que os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação devem, como tal, serem julgados, devendo o processo ser remetido à Instância a quo para que verifique a existência de crédito líquido, certo e exigível, passível de compensação, homologando ou não as Declarações de Compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência referente aos pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 20/05/1989. E, por maioria de votos, converteram-se em declaração de compensação os pedidos de compensação protocolados antes da IN SRF nº 41/2000. Vencidos conselheira Silvia de Brito Oliveira e conselheiro Luiz Carlos Shimoyama quanto à conversão dos pedidos em declaração de compensação.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator.
EDITADO EM: 25/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62-A, DO RI-CARF. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considera-se válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastando-se a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PENDENTES QUANDO DA EDIÇÃO DA LEI Nº 10.637/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES E REQUISITOS. Para que não ocorresse a conversão dos pedidos de compensação pendentes quando da edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, em Declaração de Compensação, deve estar presente alguma das hipóteses previstas no §3º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. As restrições a compensação de débitos próprios passou a vigorar com a edição da MP nº 66/2002, não se aplicando a pedidos de compensação protocolizados anteriormente a esta data. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário, deve o processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição quanto aos períodos não decaídos, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Do mesmo modo, reconhecido que os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação devem, como tal, serem julgados, devendo o processo ser remetido à Instância a quo para que verifique a existência de crédito líquido, certo e exigível, passível de compensação, homologando ou não as Declarações de Compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência referente aos pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 20/05/1989. E, por maioria de votos, converteram-se em declaração de compensação os pedidos de compensação protocolados antes da IN SRF nº 41/2000. Vencidos conselheira Silvia de Brito Oliveira e conselheiro Luiz Carlos Shimoyama quanto à conversão dos pedidos em declaração de compensação. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator. EDITADO EM: 25/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
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LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62A, DO RICARF. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considerase válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastandose a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62A, do RICARF. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PENDENTES QUANDO DA EDIÇÃO DA LEI Nº 10.637/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES E REQUISITOS. Para que não ocorresse a conversão dos pedidos de compensação pendentes quando da edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, em Declaração de Compensação, deve estar presente alguma das hipóteses previstas no §3º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. As restrições a compensação de débitos próprios passou a vigorar com a edição da MP nº 66/2002, não se aplicando a pedidos de compensação protocolizados anteriormente a esta data. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 11 94 /9 9- 81 Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA “A QUO”. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário, deve o processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição quanto aos períodos não decaídos, evitandose a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Do mesmo modo, reconhecido que os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação devem, como tal, serem julgados, devendo o processo ser remetido à Instância “a quo” para que verifique a existência de crédito líquido, certo e exigível, passível de compensação, homologando ou não as Declarações de Compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência referente aos pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 20/05/1989. E, por maioria de votos, converteramse em declaração de compensação os pedidos de compensação protocolados antes da IN SRF nº 41/2000. Vencidos conselheira Silvia de Brito Oliveira e conselheiro Luiz Carlos Shimoyama quanto à conversão dos pedidos em declaração de compensação. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. EDITADO EM: 25/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.018 3 Relatório Por bem tratar os fatos, transcrevo parte do relatório do Acórdão nº 13 36.434, redigido pela DRJ/SP1, até aquela fase, quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade: Tratase de pedido de restituição protocolizado pela empresa acima em 20/05/99, relativo a valores de PIS dos períodos de apuração 07/88 a 09/95, recolhidos pela própria e por suas incorporadas Brastemp S/A, CNPJ 59.105.999/000186, Cônsul S/A, CNPJ 84.684.349/000180, e S/A, CNPJ 61.364.725/0001 53, conforme cópias de DARE ás fls.26212. No pedido de restituição a empresa informou como motivo da solicitação a inexigibilidacle do PIS na forma prevista nos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449/88. Cumulativamente, apresentou pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros protocolizados entre 29/07/99 e 21/01/2000, constantes dos processos 10920.001236/9967, 10920.001611/9914, 10920.0016124987, 10920.001863/9915, 10920.000031/0024, 13819.00089/0041, 13819.000090/0021, 10880.012080/0041, 10880.012081/00 12, 10880.012082/0077, 10880.012083/0030 e 10805.001440/0091, apensos ao processo de restituição. Em requerimento de fls.219, a interessada, após revisão dos cálculos de atualização monetária, solicitou alteração do valor a ser restituído constante de seu pedido. 2. Mediante Despacho Decisório de 06/12/2005 (fls.14981508, a Diort da Derat/SP constatou que: 2.1. A interessada ajuizou ação declaratória nº 98.00052518, cumulada com repetição de indébito, na qual submete o mesmo crédito objeto do pedido de restituição a apreciação do judiciário, sendo, a teor do art.1º,§ 2º do Decretolei 1.737/79 e parágrafo único da Lei n° 6.830/80, impossível a discussão do mesmo crédito na esfera administrativa; 2.2. Como não houve decisão transitada em julgado reconhecendo o direito da interessada, não se pode falar em compensação com tais créditos, vez que o art.170 CTN exige, para fins de compensação, que o crédito do sujeito passivo seja líquido e certo. Também o art. 17 da IN SRF n° 21/97 (mantendose essa regra nos normativos posteriores) exigia a comprovação de desistência perante o Poder Judiciário da execução do titulo judicial para efetivação da restituição. 2.3. Nos termos da IN SRF nº 21/97, somente a parcela do crédito que exceder o total dos débitos da empresa é que poderá ser usada para compensação com débitos de outra empresa. 2.4. Os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros não foram transformados em declarações de Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 compensação, pois o art. 74 da Lei n.º 9.430/96, com redação dada pela Lei n.° 10.637/2002, fala em compensação de débitos próprios. 2.5. A base de cálculo para o PIS é o faturamento do mês do fato gerador, tendo em vista alteração introduzida pela Lei n.º 7.691/88, o que ficou esclarecido na decisão de consulta formulada pela própria manifestante. Além disso, a empresa utilizou incorretamente em seus demonstrativos a alíquota de 0,35% para apuração do PIS do ano de 1989, vez que essa alteração de alíquota, introduzida no âmbito dos Decretosleis n.º 2.445 e 2.449/88, perdeu seu efeito em razão da declaração de inconstitucionalidade desses atos, voltando a ser aplicável naquele período a alíquota de 0,75%. 2.6. Pelo acima exposto, foi indeferido o pedido de restituição, ficando prejudicados os pedidos de compensação de crédito com débitos terceiro. 3. Inconformado com o referido despacho decisório,do qual foi cientificada em 19/05/2006 (fls.1538, verso), a contribuinte protocolizou, em 16/06/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 15521583, acompanhada dos documentos de f1s.1584 1607, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. Esclarece que o objeto da Ação Declaratória n.º 98.00052518 é a compensação do PIS recolhido indevidamente conforme os Decretosleis n.º 2.445/88 e 2.449/88 com débitos do PIS apurados entre 10/95 e 04/99, ou seja, objeto da ação judicial é a restituição/compensação tão somente dos valores que foram utilizados para a compensação com os débitos do próprio PIS, e não a restituição do valor integral do PIS indevidamente recolhido entre 07/88 e 09/95. Como o crédito não foi inteiramente consumido na compensação com o PIS, diz que ingressou com o presente pedido de restituição do saldo remanescente, para compensálo com débitos de IPI de suas filiais, concluindo não se aplicar ao caso presente a vedação do art.17 da IN SRF n.º 21/97, já que não se trata de crédito objeto de ação judicial. 3.1.1. Menciona despacho Eqamj o qual conclui que as ações perpetradas pela contribuinte, cujas cópias foram juntadas neste processo, não tem como objeto principal o pedido de restituição de PIS formulado nestes autos, devendo o processo ser encaminhado a Eqidt/Diort/Derat/SP para análise do pedido, que não foi apreciado na integralidade pelo Judiciário. Ressalta que a conclusão da Eqamj foi obtida pelas provas juntadas pela empresa aos autos, inclusive declaração da própria empresa informando que o objeto da ação judicial era a compensação do PIS com PIS e o deste pedido é a restituição do saldo remanescente do PIS para compensação com IPI, bem como pela análise das certidões de objeto e pé anexadas ao processo. Indaga como pode seu pedido ser indeferido se o próprio órgão competente da SRF responsável pela análise e acompanhamento de medidas judiciais informa que o objeto da ação judicial não é o mesmo do pedido de restituição. Aduz que tal divergência Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.019 5 torna nulo o despacho decisório por vício de motivação, violando arts. 36 e 38 da Lei nº 9.784/99, que transcreve. 3.1.2. Afirma que os DARF dos recolhimentos indevidos do PIS foram juntados à ação judicial apenas para comprovação de existência do crédito, ainda que o pedido da ação tenha se limitado ao valor dos débitos do PIS. 3.2. Relata que adotou todos os procedimentos administrativos conforme a IN SRF n.º 21/97 e art. 74 da Lei n.° 9.430/96. Alerta que a vedação contida na IN SRF n.º 41/2000 somente produziu efeitos em relação aos pedidos formulados a partir de 10/04/00, não se aplicando aos pedidos de compensação com débitos de terceiros objeto desta análise porquanto formalizados antes da vigência dessa IN. Afirma que o STJ se manifestou no sentido de não ser aplicável o art. 170 do CTN para pagamentos efetivados antes de sua vigência, transcrevendo decisão daquele Tribunal no sentido que o art. 170A do CTN não atinge os pagamentos indevidos feitos antes de sua vigência, o que confirmaria sua tese de que a legislação que vedou a compensação de crédito com débitos de terceiros somente pode ser aplicável a fatos futuros à vigência do IN SRF n.º 41/2000. 3.2.1. Explica a manifestante que, conforme § 4° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96, redação dada pela MP n.º 66/2002, seus pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela DRE passaram a ser considerados declarações de compensação. E, continua a manifestante, de acordo com o § 2° desse mesmo artigo, as declarações seriam suficientes para a extinção do crédito tributário, situação que se estendeu aos pedidos transformados em declaração de compensação. Assim, conclui que tanto o pedido de restituição quanto os de compensação aqui tratados passaram a ser considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, já que pela sistemática anterior não havia pedido de compensação isolado, sem que fosse atrelado a um pedido de compensação. 3.2.2. Cita a IN SRF n.º 226/2002 aduzindo que, conforme art. lº dessa instrução, o indeferimento liminar do pedido de compensação com débitos de terceiro somente se aplicaria no caso em questão se os pedidos tivessem, sido protocolados posteriormente cm 10/04/2000, o que não ocorreu. 3.2.3. Afirma que a interpretação do órgão que apreciou o pedido de restituição, de que o caput do art. 74 da Lei n.º 9.430/96 não se referiu à compensação de débitos de terceiros, consequentemente não se transformando em declarações de compensação os pedidos compensação em análise é, no mínimo desprovida de qualquer cunho hermenêutico já que é evidente que esse caput, sendo alterado por uma medida provisória editada após a publicação de instrução normativa que vedou futuras compensações com créditos c/c terceiros (IN SRF n.° 41/2000), jamais poderia ter feito qualquer menção a débitos de terceiros, pois não estava mais em vigor essa possibilidade. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 3.2.4. Cita art. 53 da Lei nº 9.784/99 para afirmar que ainda que a IN SRF n.° 21/97, utilizada para embasar este pedido restituição/compensação, tenha sido revogada, não pode o Administração violar os direitos do contribuinte exercidos quando da sua vigência sob pena de violação ao mencionado art. 53, cujo fundamento de validade é o texto Constitucional. Argumenta que deve ser respeitado o direito adquirido, tendo a Administração que considerar que uma norma que produziu efeitos em relação a uma situação de fato (transformação dos pedidos de compensação em declaração de compensação) não pode ser posteriormente modificado e retroagir para alcançar a mesma situação, violando direitos e garantias individuais. 3.2.5. Repete que seus pedidos de restituição/compensação foram transformados em declaração de compensação, nos exatos termos do art. 4.° do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, redação dada pela Lei n.º 10.637/2002, cuja consequência foi a extinção do crédito sob condição resolutória de ulterior homologação. Argumenta que, de acordo com o § 5.° do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, resultado da conversão da MP n.° 135/2003, como a Administração não homologou a compensação dentro do prazo de cinco anos, devem ser considerados extintos, nos termos do art. 156, II, do CTN, os créditos de IPI informados nos pedidos de compensação transformados em declaração de compensação cuja homologação tácita ocorreu em 20/05/2004 e 10/08/2004. 3.3 Explica que o entendimento da Autoridade que apreciou os pedidos, no sentido de que não cabe a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, viola dispositivos constitucionais e os arts. 183, 209 e 211 da Port. MF n.º 227/98 (atual art. 227 da Port. MF n.º 9.784/99). Conclui que a manifestação de inconformidade sempre é cabível contra apreciações do Delegado da RF, conforme expressamente previsto em seu regimento interno, ressaltando ainda que a premissa utilizada no despacho decisório está equivocada, pois todos os pedidos pendentes quando da edição da MP n.º 66/2002 foram convertidos em declarações de compensação. 3.3.1. Entende que não é crível imaginar que, agindo de acordo com a legislação válida e eficaz à época da ocorrência dos fatos, o contribuinte tenha seu direito de recurso extirpado sem qualquer justificativa, contrariando os arts. 5.º, XXXVI e LV e 37 da CF. Comenta que também a Lei n.º 9.784/99 previu expressamente as garantias já contidas na CF bem como o direito do contribuinte recorrer contra manifestações do órgão público. Cita arts. 2.º, parágrafo único, incisos X e XIII, e 56 dessa lei. Conclui ser evidente que a ora peticionária tem o direito de interpor manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da Diort/Derat/SP, não só porque há previsão no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, que se aplica integralmente ao caso em exame, mas também porque já havia, e continua havendo, disposição expressa no Regimento interno da SRF, além de precisão no art. 48 da IN SRF n.º 600/2005, sem esquecer da da referida Lei n. 9.784/99. Transcreve diversas decisões do Conselho a embasar sua tese de que é cabível a manifestação de inconformidade no caso presente, devendo permanecer suspensa a exigibilidade do crédito, conforme art. Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.020 7 74, § 11, da Lei n.º 11.051/2004, no sentido de que será considerada não declarada a compensação cujo crédito seja de terceiros, não se aplica ao presente caso pois tal previsão foi inserida após o protocolo dos pedidos de restituição/compensação e também após os pedidos de compensação já terem sido transformados em declarações de compensação. Cita decisões do Conselho de Contribuintes a embasar sua tese, uma delas afirmando que as IN SRF n.º 14, 15 e 16, todas publicadas no DOU de 16/02/2000, levariam ao entendimento de que os débitos decorrente da compensação estariam com sua exigibilidade suspensa até o trânsito em julgado da decisão administrativa. Requer seja admitida a presente manifestação de inconformidade com os efeitos do art. 151, III do CTN, inclusive contra a parte do despacho decisório que julgou prejudicadas as compensações em análise. 3.4. Transcreve decisão do STJ para afirmar que esse Tribunal pacificou entendimento no sentido de que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, não se tratando a regra do art. 6.º, parágrafo único, da LC n.º 07/70 de prazo de vencimento, e sim de base de cálculo. Por isso, segue a manifestante, não são aplicáveis a Lei n.º 7.691/88, que cuida de prazo de vencimento da contribuição, nem o Parecer PGFN CAT n.º 437/98, que foi expedido anteriormente à decisão do STJ, não podendo prevalecer seus argumentos. Cita decisão do Conselho de Contribuintes a embasar sua tese. 3.4.1. Afirma que a Administração tem o dever de seguir a orientação dos Tribunais Superiores, conforme arts. 2.º, 4.º e 5.° do Decreto 2.346/97, e em prol dos princípios da moralidade e da eficiência da Administração Pública (art. 37 da CF). Cita trecho do Parecer PGFN/CRJ n.° 2.195/2004 a confirmar sua tese que a Administração Pública deve acatar as decisões pacíficas do Judiciário. Conclui que a base de cálculo a ser utilizada na composição credito do PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador. 3.5. Em relação a observação feita pelo Despacho Decisório que um equívoco na alíquota utilizada para o ano de 1989, esclarece que os valores apontados dão conta do recolhimento do PIS efetuado conforme a legislação vigente à época, cuja alíquota era de 0,35% sobre a receita bruta operacional, nos termos da Lei n.º 7.689/88. No cálculo do crédito, continua a empresa, tomouse referida lei como suporte para apuração da diferença devida com base na Lei Complementar, pois a legislação que tratou da alíquota não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade como apontou a Autoridade Administrativa. Cita decisão Conselho de Contribuintes a embasar sua tese. 3.6. Pelo exposto, requer seja recebida esta manifestação de inconformidade não só em relação ao indeferimento do pedido de restituição, mas também em relação parte do despacho que julgou prejudicadas as compensações realizadas pelos processos Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 de pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros referidos anteriormente, devendo a manifestação ser recebida com os efeitos do art. 151, III, do CTN a fim de que não prossiga a cobrança dos valores objeto das compensações até a apreciação pela DRJ. Requer ainda a acolhimento desta manifestação inconformidade, devendo ser anulado o despacho decisório respectivo e reconhecida a extinção do crédito tributário em virtude da homologação tácita da compensação, conforme art. 156, do CTN, ou, caso contrário, seja reformado o despacho decisório e deferido o pedido de restituição bem como homologados os pedidos de compensação com IPI, pois que todos os procedimentos foram adotados em conformidade com a legislação vigente a época de seus protocolos." 5. Em 07.11.2006 esta 9ª Turma da DRJ/SPOI não acolheu manifestação de inconformidade e proferiu Acórdão n° 16 11.456 (f1s. 16261650), assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A matéria suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIAIS. O art. 170 do CTN só autoriza compensação com créditos líquidos e certos. Também a IN SRF n.º 21/97 só autorizava a utilização, para fins de compensação, de crédito judicial decorrente de sentença judicial transitada em julgado. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. O art. 74 da Lei n.º 9.430/96, alterado pela MP n.º 66/2002, que introduziu a sistemática declaração de compensação, fala em compensação de débitos próprios, não se referindo a débito de terceiro. SEMESTRALIDADE. O art. 6º da LC n° 07/70 100 determina que o PIS seja apurado com base no faturamento verificado no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Tratase de simples fixação de prazo de vencimento, que posteriormente foi alterado, sem que tais alterações tivessem sua validade questionada. Solicitação Indeferida.´ Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.021 9 6. Cientificada do Acórdão da DRJ/SPOI em 28.12.2006 (fl. 1651verso), a interessada apresentou, em 26.01.2007, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. 7. Em 20.11.2007 a Quarta Turma do então Segundo Conselho de Contribuintes analisou o processo, e por meio do Acórdão nº 20402.882 (fls. 17811788) foi dado parcial provimento ao recurso da interessada, conforme transcrevese a seguir: ´PIS. RECOLHIMENTOS COM BASE NOS DECRETOSLEI NºS 2.445/88 E 2.449/88. AÇÃO JUDICIAL. AUSENCIA DE CONCOMITÂNCIA. Quando o pedido ação judicial referese do reconhecimento da regularidade da compensação realizada com crédito de tributo declarado inconstitucional pelo STF, configurandose a questão da existência do crédito como questão incidental ao pedido principal, não se configura a concomitância deste processo com o pedido administrativo de restituição do crédito decorrente do mesmo tributo de valores não utilizados nas compensações que se quer homologar na via judicial. A eventual procedência da ação judicial não dará ao contribuinte o direito de crédito, mas tão somente reconhecerá a regularidade de compensações realizadas com o crédito. Havendo crédito excedente não utilizado na compensação objeto da ação judicial, cabe pedido de restituição para o seu reconhecimento e utilização posterior. REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA. REMESSA DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO. Tendo a decisão recorrida utilizado como premissa principal a existência de concomitância, deve a mesma ser superada quando se reconhece a sua inexistência. Os autos devem ser remetidos para prolação de nova decisão, que aprecie o mérito do pedido de restituição e dos pedidos de compensação dele dependentes. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WHIRLPOOL S/A (ATUAL DENOMINAÇÃO DE MULTIBRÁS S/A ELETRODOMÉSTICOS). ACORDAM os Membros da Quarta, Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a concomitância e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, para análise do mérito. Esteve presente o Dr. Pedro Lunardelli.´ (negrito do original) 8. A PGFN interpôs Embargos de Declaração (fls. 17921794) que foram rejeitados por meio do Acórdão n° 340200.177 da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF (fls. 18031804). Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 A nova Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente foi julgada pela DRJ/SP1 e obteve sua procedência em parte, nos termos do Acórdão nº 1636.434, que passo a transcrever a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do Decreto n.° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do recolhimento indevido (Ato Declaratório SRF n° 96/99). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. NÃO CONVERSÃO EM DCOMP. O pedido de restituição e os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros, pendentes de análise pela RFB, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. PIS. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão supracitado em 04/04/2012, conforme documento postal de fls. 1866, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1867/1895) em 04/05/2012, aduzindo os fundamentos que a seguir sintetizo: Não ter ocorrido a decadência do direito à restituição do crédito de PIS recolhido indevidamente, pelo fato de que, até a declaração de inconstitucionalidade da legislação, não havia direito à repetição do indébito tributário, devendo o prazo de ser contado à partir da Resolução do Senado Federal e não da extinção do crédito tributário; Os pedidos de compensação foram convertidos em declarações de compensação e tacitamente homologados, pelo fato de que à época dos protocolos dos pedidos, a Recorrente estava submetida às regras da IN SRF nº 21/97, sendo a IN SRF nº 41/00 norma posterior aos fatos, sendo, portanto, inaplicável ao caso; Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.022 11 Que deve ser utilizada a alíquota de 0,35% para o cálculo do crédito de PIS referente ao ano de 1989; Que os créditos utilizados são suficientes para compensar os débitos analisados; Ao final, o recorrente requer o seguinte, que transcrevo de sua petição: (i) Afastar a suposta decadência dos pagamentos de PIS indevidamente efetuados com fundamento nos Decretos leis no 2.445 e 2.449/88 pela Recorrente e empresas a ela incorporadas antes de 20/05/1994 tendo em vista que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial no caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com suspensão da execução da norma por Resolução do Senado Federal se inicia da data da publicação desta; (ii) Reconhecer a conversão dos Pedidos de Compensação em Declarações de Compensação nos termos da Lei nº 9.430/1996; (iii) Bem como admitir a realização da compensação com créditos de terceiros, decorrentes da operação de incorporação efetuada pela ora Recorrente legítima à época do protocolo dos pedidos visto que anteriores à vedação instituída pela IN SRF 41/00, a qual expressamente previu que tal vedação não se aplicaria aos pedidos de compensação formalizados até o dia 09/04/00; (iv) Reconhecer a extinção dos créditos tributários de IPI, objeto dos pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, cuja homologação tácita ocorreu em 20/04/04 e 10/08/04. (v) Reconhecer como correto o procedimento da Recorrente ao aplicar a alíquota de 0,35% sobre a receita bruta operacional para o ano calendário 1989 nos termos do previsto pela Lei 7.689/88; (vi) Requer a ora Recorrente que os Ilmos. Julgadores deste Tribunal Administrativo reconheçam a existência do direito creditório decorrente de saldo credor de PIS Decreto, após a realização das compensações discutidas nos processos administrativos nº 11610.008090/200112, 13811.003295/2002 43, 19679.005959/200348, e nas execuções fiscais no 97.05700338, 2005.61.82.0446244, e 2004.61.82.0464620, sendo o referido crédito suficiente para homologar as compensações com débitos de IPI em análise no presente processo; (vii) Desse modo, requer sejam homologadas todas as compensações com débitos de IPI efetuadas pela Recorrente, inclusive suas filiais; (viii) Determinar a suspensão da exigibilidade dos Pedidos de Compensação de débitos de IPI analisados nos processos administrativos nº 10920.000058/0081, nº 10920.001864/9970, Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 nº 10920.00003110024, nº 10880.0128210077, nº 10880.01280/0041, nº 10920.001612/9987, nº 13819.00009010021, nº 10880.012083/0030, nº 10880.012081/0012, nº 13819.000089/0041, nº 10920.001611/9914, nº 10920.001236/9967, nº 10920.001863/9915, e nº 10805.001440/0091, atrelados ao crédito tributário de PIS Decreto discutido no presente processo, em razão do protocolo do presente Recurso Voluntário, nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional (CTN). (ix) Por fim, a ora Recorrente se coloca à disposição para a apresentação de outros documentos que se reputem necessários, bem como à elaboração de laudo técnico contábil que demonstre o direito creditório em questão e o correto procedimento adotado para a realização das compensações. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 08 (oito) Volumes, numerados até a folha 2016 (dois mil e dezesseis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.023 13 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Analisando todo o processado, em apertada síntese, verificase que as matérias a seguir relacionadas continuam controvertidas e pendentes de julgamento: a) decadência do direito de restituição do indébito para valores anteriores a 05 (cinco) anos do ingresso com o Pedido de Restituição; b) conversão dos pedidos de compensação atrelados ao Pedido de Restituição, todos objetos deste PAF, em Declaração de Compensação; c) consequentemente, se ocorrera ou não a homologação tácita das compensações, pelo decurso do prazo de 05 anos do protocolo dos pedidos de compensação; d) alíquota de recolhimento da contribuição ao PIS no anocalendário de 1989, no percentual de 0,35%, nos termos da Lei nº 7.689/88; e) existência de saldo remanescente de créditos em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. Assim sendo, por objetividade e para melhor compreensão dos entendimentos que perfilham o julgado, passo a abordagem de cada matéria, separadamente: 1. Decadência da Restituição Tributária quanto a pagamentos realizados há mais de 05 anos anteriores ao Pedido: Tratando especificamente da questão debatida nos autos, por força do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, a solução dada ao caso deverá refletir àquela já decidida pelo Supremo Tribunal Federal em caso de repercussão geral ou pelo Superior Tribunal de Justiça, quando em matéria infraconstitucional, reproduzindo o entendimento pacificado pelos Egrégios Tribunais. No caso em tela, a análise quanto o prazo decadencial para pedir a restituição de valores perante a Administração Pública, ou a repetição de indébito junto ao Poder Judiciário foi efetuada em sede de repercussão geral, no nº. RE 566.621, de relatoria da Ministra Ellen Gracie. Lembremos que havia uma posição pacificada na jurisprudência do STJ quanto ao prazo de 10 anos para a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevidos a título de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando então, veio a lume a Lei Complementar nº 118, de 2005, que expressamente passou a prever que esse prazo seria de 05 anos do pagamento indevido (art. 3º), pretendendo, inclusive, aplicar referidos ditames a pagamentos feitos anterioremente à edição da referida legislação, ao inserir redação no art. 4o, em que afirmara que essa norma teria caráter meramente interpretativo. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 Essa atribuição de caráter interpretativo do artigo 3º da Lei Complementar nº. 118/2005, trazida pela redação do inconstitucional artigo 4º (segunda parte) da mesma Lei, trouxe ao meio jurídico a discussão acerca da aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário, confrontando contribuintes e Fisco na busca por seus direitos em face da consideração do princípio da segurança jurídica. Ao passo em que os Tribunais de todo o país deram à Lei Complementar nº 118/2005 a interpretação de que a redução do prazo ali estipulada era válida e aplicavase desde a edição da lei, considerando ainda o caráter retroativo trazido pela interpretatividade de seu artigo 3º, os contribuintes consideraram ofendido o princípio da irretroatividade da norma, sendo inconstitucional o dispositivo que determinava o caráter interpretativo do artigo 3º, considerandose o prazo prescricional aquele vigente na data da ocorrência do fato gerador. Foi para apaziguar esse conflito que o v. Acórdão proferido pelo Pretório Excelso, em apertada síntese, considerou descaracterizado o caráter interpretativo da norma sob debate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, segunda parte, e atribuindo ao artigo 3º da mesma Lei Complementar o status de nova norma, ressalvando a aplicação da mesma à relevância das situações jurídicas já existentes. A ementa do julgado considerado como norte na solução de discussões que versem sobre a mesma matéria restou assim consignada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA – NECESSIDADE DE OBSERVANCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DE PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada do art. 150, §4º, 156, VII e 168, I do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implica inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata as pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.024 15 jurídica em seus conteúdos de proteção e confiança e de garantia de acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08 (sic.), que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco, impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/058, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (STF RE. 566.621. Rel. Ministra Ellen Gracie. Dt. Jul. 04/08/2011. Dta. Publ. 11/10/2011). Para direcionar a conclusão que o caso concreto irá receber a partir da aplicação do julgado do STF, é necessário avaliar se o direito pleiteado pelo contribuinte se subsume ao entendimento exarado no Acórdão quanto aos seguintes aspectos abordados pela decisão: 1. Pretensões deduzidas tempestivamente, à luz do prazo aplicável na data da publicação da Lei (tese dos 5 + 5 anos, como comumente convencionouse chamar); ou 2. Pretensões deduzidas em até 120 (cento e vinte) dias após a publicação da Lei, ou seja, até 09.06.2005. Da análise dos autos, verificase que a situação do contribuinte interessado repousa na hipótese de nº “1” acima exposta, pois que o protocolo do Pedido de Restituição ora analisado foi efetuado muitos anos antes da edição da Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente em 20 de maio de 1999, sendo os correlatos pedidos de compensação a ele atrelados, igualmente foram declinados nos anos de 1999 e 2000. Verificado que a Lei Complementar nº 118/2005 foi publicada em 09/02/2005, bem como, à constatação do fato de que a recorrente apresentou seu pedido de restituição muito antes de sua edição, ou mesmo do transcurso de sua vacatio legis (até Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 09/06/2005), emerge clara a conclusão de que a decisão proferida pelo Pretório Excelso abarca com a contagem do prazo de 10 anos para o pedido de restituição apresentado em período “tempestivo”, qual seja, até a publicação da Lei Complementar já mencionada, ou ainda, se pretendida em tempo de seu prazo de vacância. Outro trecho do referido julgado é expresso em esclarecer a situação posta à baila nestes autos: “Estando um direito sujeito a exercício em determinado prazo, seja mediante requerimento administrativo ou, se necessário, ajuizamento de ação judicial, temse de reconhecer eficácia à iniciativa tempestiva tomada pelo seu titular nesse sentido, pois tal resta resguardado pela proteção à confiança.” Assim, em sendo o pedido de restituição ora analisado, datado de 20/05/1995, têmse tempestivo o exercício do direito do contribuinte interessado em pedir a restituição de valores supostamente pagos indevidamente ou a maior, quanto a recolhimentos efetivamente realizados em até 10 (dez) anos anteriores ao ingresso do pedido, de modo que podem ser objeto de análise os pagamentos indevidos feitos a partir de 20/05/1989, já que não se encontram fulminados pela decadência. Em face do afastamento da decadência do pedido de restituição ora reconhecido, tenho que o feito deva retornar à instância “a quo” a fim de que seja analisado o mérito do pedido quanto aos períodos não atingidos pela decadência, especificamente quanto a existência, legitimidade, montante e disponibilidade dos créditos, para então se poder afirmar se existem saldos de créditos passíveis de serem utilizados nas compensações pleiteadas ou ainda, passíveis de serem os eventuais excedentes objeto de restituições ou novas compensações. E isto porque, ao ser acolhida a decadência para pagamentos feitos anteriormente a 20/05/1994, pela decisão recorrida, deixouse de analisar se para os períodos anteriores, há prova dos pagamentos indevidos, seus montantes e demais efeitos que dos créditos decorrem. Assim, para se evitar a supressão de instância e, consequentemente, o cerceamento do direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo – que possui o direito subjetivo de ter todos os fatos analisados em duas instâncias de julgamento administrativo , tenho que o afastamento da decadência quanto aos pagamentos dos fatos geradores ocorridos no período de 20 de maio de 1989 a 25 de maio de 1994 (anteriormente não reconhecidos), deve conduzir ao retorno do julgamento à instância “a quo”, que pode determinar a realização dos cálculos pertinentes, se o caso, a fim de aquilatar a liquidez, certeza, exigibilidade, assim como a existência, legitimidade e montante dos créditos restituiendos. Assim sendo, quanto a essa matéria afasto a decadência declarada na decisão recorrida, para considerar tempestivo o pleito do contribuinte à restituição de valores correspondentes aos pagamentos relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de 20 de maio de 1989, determinando o retorno dos autos à instância “a quo” a fim de adentrar no julgamento do mérito do pedido de restituição quanto a esses períodos não decaídos. 2. Conversão dos pedidos de compensação atrelados ao Pedido de Restituição em Declaração de Compensação: Tratando especificamente desta questão, que, essencialmente, tratase de matéria de direito, tenho que deva ser reconhecido que no caso dos autos, que houve a Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.025 17 conversão dos pedidos de compensação em Declaração de Compensação, com base nos fundamentos a seguir. Inicialmente, esse entendimento, para o caso em concreto, decorre da realidade de que não se tratam de pedidos de compensações que decorreriam de processo judicial sem trânsito em julgado – como reconhecera a Quarta Turma do então Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 20402.882, ao reconhecer que não haveria concomitância entre o processo judicial que visava o reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretos nºs. 2.445 e 2449, de 1988. É dizer: é coisa julgada administrativa a inexistência de concomitância, e disto decorre que o pedido de restituição e correspondentes compensações correlatas, não decorrem de ação judicial que, à época, estava pendente de trânsito em julgado. Essas considerações iniciais são relevantes para que com elas se faça o cotejo com a legislação que criara a declaração de compensação, através do art. 49, da Lei nº 10.637/2002, que deu nova redação ao art. 74, da Lei nº 9.430/96. Citado dispositivo passou a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo." Veja que no momento em que se criou a Declaração de Compensação, a legislação foi expressa e clara, ao determinar que “Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo”. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 18 Verificase, além disso, que ao criar essa regra de conversão dos pedidos de compensação em papel, pendentes na data da publicação da Lei, a legislação não criou óbices para que os pedidos de compensação fossem convertidos em declarações de compensação, a não ser para as hipóteses elencadas no seu parágrafo 3º, ou seja, passaram a não poder ser objeto de Declaração de Compensação créditos provenientes de IRPF e de tributos e contribuições constantes de Declaração de Importação – DI. Posteriormente, com nova alteração promovida na redação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, pelo art. 4º, da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, foram criadas novas hipóteses em que não poderiam ser objeto de Declaração de Compensação. Vejase o que dispôs o art. 4º da Lei 11.051/2004: Art. 4º. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ............................................................................ ............................................................................ § 3º ............................................................................ ............................................................................ IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. ............................................................................ § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a ´créditoprêmio ´instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12º deste artigo. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.026 19 § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação." (NR) Constatase que a Lei nº 11.051/2004 passou a vedar a Declaração de Compensação, além das hipóteses de créditos provenientes de IRPF (01) e de tributos objeto de DI (02), também créditos constantes de qualquer modalidade de parcelamento (03), que já tenham sido objeto de pedido de compensação não homologada (04) ou de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido (05). Houve ainda, é verdade, a adição do §12, ao art. 74, pelo qual passou a se considerar como não declaradas as compensações que tivessem como créditos aqueles listados no seu §3º, assim como, aquelas cujo crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refira se a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou, e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Quanto à conversão em Declaração de Compensação dos pedidos de compensação pendentes, no entanto, nada mencionou a legislação, além do que já estava disciplinado no parágrafo 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe fora atribuída pelo art. 49, da Lei nº 10.637/2002, já citado. Assim, muito embora se pudesse questionar o direito adquirido, a irretroatividade da lei, dentre outros robustos argumentos jurídicos, a verdade é que, para o caso sob análise, para que pudesse ser cogitada a não conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação, deverseia, no mínimo, que estivéssemos diante de uma das hipóteses previstas ou no §12, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, ou seja, que os créditos pleiteados não estivessem contemplados nas vedações contidas tanto no citado §3º quanto no §12. Analisando cada uma das vedações elencadas nos citados §§3º e 12, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, verificase que nenhuma delas se aplica ao caso, pois que: (01) Não se trata de crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica; (02) Não se trata de crédito de tributos constantes de DI; (03) Não se trata de créditos constantes de alguma modalidade de parcelamento de tributos administrados pela RFB; (04) Não se trata de créditos provenientes compensação que já tenha sido não homologada; (05) Não se trata de créditos provenientes de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido; (06) Não decorre de créditos de terceiros; (07) Não decorre de crédito prêmio de exportação, previsto no art. 1º, do Decreto nº 491/69; Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 20 (08) Não decorre de crédito decorrente de título público; (09) Não decorre de crédito que é objeto de ação judicial cuja decisão não tenha ainda transitado em julgado: e aqui, reportandose ao que foi afirmado no inicio deste tópico, ao ser afastada a concomitância, foi automaticamente reconhecido que não se trata de crédito em discussão em ação judicial com sentença sem trânsito em julgado. Logo, os créditos são provenientes de pagamentos indevidos ou a maior, calcados nos próprios recolhimentos, sem que decorram de ação judicial. (10) Não decorra de crédito de pagamento indevido ou a maior de tributo que não seja administrado pela SRFB. Especificamente no que diz respeito a pretender a Recorrente compensar créditos próprios com débito de terceiros, nos termos da permissão que vigorou na redação original do art. 74, da Lei nº 9.430/96, regulamentada pela IN 21/97, que expressamente reconhecia esta possibilidade, não vislumbro nenhuma norma legal posterior que viesse a excepcionar esta possibilidade de conversão dos pedidos de compensação em Declaração de Compensação. Se poderia, sim, cogitar que a partir da redação do art. 74, que foi dada pela MP nº 66, de agosto de 2002, posteriormente convertida no art. 49, da Lei nº 10.637/2002, que passou a permitir a compensação dos créditos apurados pelo contribuinte, com “débitos próprios”. Ou seja, a partir de 30 de agosto de 2002, apenas seria possível a compensação de créditos (ainda que de terceiros), com débitos próprios. Porém, essa novel legislação não afeta os pedidos de compensação protocolizados anteriormente à sua vigência, e, igualmente, não foi excetuado quando da criação das restrições a Declaração de Compensação, especial e especificamente no que diz respeito à não conversão dos pedidos de compensação pendentes na data da edição da novel disciplina legal. Consequentemente, tenho que houvera a conversão dos pedidos de compensação atrelados ao Pedido de Restituição objeto de análise nestes autos, em Declaração de Compensação, e como tal deverá ser analisado pela Administração Tributária. No entanto, novamente para não incorrer em supressão de instância e consequentemente em cerceamento de direito de ampla defesa e contraditório do contribuinte, tenho que a análise quanto as Declarações de Compensação deva ser feita, antes de mais nada, pela instância “a quo”, até porque irá manifestarse sobre o próprio mérito do pedido de restituição quando aos períodos cuja decadência do pleito esta sendo afastada. Assim, tenho por convertidos os pedidos de compensação atrelados ao Pedido de Restituição sob exame, em Declaração de Compensação, e como tal deverão ser analisados, determinando que a Delegacia Regional de Julgamento competente, ao apreciar o pedido de restituição, considere as compensações como convertidas em Declaração de Compensação, manifestandose sobre sua homologação ou não. 3. Homologação tácita das compensações, pelo decurso do prazo de 05 anos do protocolo dos pedidos de compensação: Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/9981 Acórdão n.º 3402001.921 S3C4T2 Fl. 2.027 21 Tratase de enfrentamento totalmente prejudicado no contexto dos presentes autos, pois que a DRJ deverá ainda manifestarse sobre o próprio pedido de Restituição, assim como quando às Declarações de Compensação a ele atrelados, não comportando julgamento quanto a esta matéria neste momento, pena de supressão de inexistência administrativa de julgamento, a ser realizado previamente pela DRJ de origem. Assim sendo, voto no sentido de estar prejudicado este aspecto do Recurso Voluntário. 4. Alíquota de recolhimento da contribuição ao PIS no anocalendário de 1989, no percentual de 0,35%, nos termos da Lei nº 7.689/88: Quanto a esse tópico, tenho igualmente que deverá ser objeto de apreciação pela DRJ de origem, pois que inicialmente os períodos em que se cogitava da existência de recolhimentos indevidos foram fulminados pela decadência, que ora é afastada. Ou seja, a discussão acerca de qual alíquota deve ser aplicada para o recolhimento do PIS no ano calendário de 1989, somente tem sentido a partir deste julgado, que afasta a decadência do direito de pleitear o indébito quanto aos recolhimentos no período de 20 de maio de 1989 a 20 de maio de 1994, pois que estes haviam sido inicialmente tidos por decaídos. Assim sendo, deverá a instância “a quo”, ao apreciar os pedidos de restituição e compensação a ele atrelados, compondo os cálculos de eventuais indébitos, aplicar a alíquota que entender cabível para o período em questão, sendo garantido ao sujeito passivo, se descordar do critério a ser adotado pela Autoridade Administrativa, exercer seu direito de ampla defesa, nos termos das leis que regem o PAF. Assim sendo, voto no sentido de estar prejudicado este aspecto do Recurso Voluntário. 5. Existência de saldo remanescente de créditos em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação: Por evidente, a abordagem deste aspecto constante do Recurso Voluntário dependerá do resultado do julgamento a ser proferido pela Delegacia Regional de Julgamento competente. Conforme o encaminhamento do referido julgamento, pode ocorrer que sequer o processo ascenda novamente a este Tribunal, de modo que, anteciparse para manifestarse sobre a existência de saldos remanescentes de créditos, foge totalmente a competência que esta Corte detém, máxime diante do estágio de tramitação processual em que se encontra o feito. Consequentemente, essa verificação dependerá do julgamento que for encaminhado inicialmente pela Instância “a quo”, a qual manifestarseá sobre a existência de créditos líquidos (existência, suficiência e montante), certos (existência de causa impeditiva, modificativa ou extintiva do direito em si) e exigíveis (contraposição às Declarações de Compensações pendentes, a débitos pendentes, penhora on line etc.), para então, somente após essa verificação e correspondente julgamento, se for objeto de recurso que reúna todas as condições de admissibilidade, poderá vir a ser objeto de julgamento por parte desta Corte Administrativa. Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 22 Assim sendo, também quanto a esse aspecto, voto no sentido de julgar prejudicada este aspecto constante do Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte. 6. Dispositivo: Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à Instância “a quo”, a fim de que profira novo julgamento, contemplando a análise do mérito do pedido quando aos períodos de apuração cuja decadência fora afastada, e considerando convertidos os pedidos de compensação em Declaração de Compensação, que como tal deverão ser analisados. Prejudicada a análise das demais matérias alinhadas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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