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4611547 #
Numero do processo: 11065.001814/00-15
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000 PIS. DCTF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. MEDIDA LIMINAR NEGADA. FRAUDE. MULTA. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO. E cabível a qualificação da multa de ofício no caso de informação falsa em DCTF relativamente à suspensão da exigibilidade do crédito tributário declarado, com o evidente intuito de impedir a sua cobrança, quando era de conhecimento do sujeito passivo o indeferimento da medida liminar pleiteada. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: CSRF/02-03.422
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antônio ^Carlos Guidoni Filho que negou provimento ao recurso.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques

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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000 PIS. DCTF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. MEDIDA LIMINAR NEGADA. FRAUDE. MULTA. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa de oficio no caso de informação falsa em DCTF relativamente à suspensão da exigibilidade do crédito tributário declarado, com o evidente intuito de impedir a sua cobrança, quando era de conhecimento do sujeito passivo o indeferimento da medida liminar pleiteada. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho que negou provimento ao recurso. I Antonio José raga de Souza - Presidente Qft',.(5l,-()CCL Â0Grjetc {yee .. Josefa Maria Coelho Marques - Relatora Editado em: 17/06/2010 (// 1 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de recurso de divergência da Fazenda Nacional (fls. 433 a 441) apresentado em 23 de dezembro de 2004 contra o Acórdão n°202-15.468 (fls. 414 a 431), da 2' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da interessada no processo, para afastar o agravamento da multa de oficio aplicada, segundo a ementa abaixo reproduzida: NORMAS PROCESSUAIS - MEDIDA JUDICIAL - A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da matéria tributária em litígio naquela instância, devendo prosseguir o processo no que diz respeito à matéria impugnada na via administrativa que se diferencia da posta perante a esfera judicial. Recurso não conhecido nesta parte. MULTA AGRAVADA - A apreciação na esfera administrativa de infrações tributárias dolosas, para efeito da atribuição da responsabilidade pessoal pelo seu cometimento ou para incidência de agravamento da multa básica, como na hipótese, exige não só a prova da materialidade do descumprimento da obrigação principal, mas também a tipicidade dos vícios de conduta imputados, assim como a consideração do elemento subjetivo. TAXA SELIC - Sua natureza é exclusivamente de juros, nada empecendo sua conformidade com os fundamentos jurídicos dos "juros de mora" em matéria tributária. Recurso provido em parte. Segundo o auto de infração (fls. 9 a 20), no período de maio de 1999 a junho de 2000, a interessada vinculou os débitos declarados em DCTF à suspensão de exigibilidade por medida liminar em mandado de segurança no processo 1999.71.08002416-6. Entretanto, a medida liminar fora indeferida em 8 de abril de 1999, com ciência à interessada em 9 de abril. Assim, a contribuinte teria informado a suspensão de exigibilidade quando já sabia do indeferimento da medida liminar, razão pela qual a multa foi agravada. Segundo o acórdão recorrido, o agravamento da multa pressuporia a prática das condutas específicas previstas no art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, bem assim "o descumprimento da obrigação principal" e o dolo. Dessa forma, a conduta descrita de "declaração falsa na DCTF de obtenção de medida liminar" não se subsumiria à tipificação contida no dispositivo legal citado, que diria respeito apenas à ação ou omissão tendente -impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou a excluir ou modificar suas características essenciais. to, 2 Processo n° 11065.001814/00-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.422 Fl. 460 No recurso, a Fazenda Nacional alegou que a interessada teria praticado ato de fraude ao inserir informação falsa na declaração. Acrescentou que a culpabilidade não seria fator impeditivo à apenação, em face das disposições do art. 136 do CTN. Admitido o recurso (fls. 447 a 449) e intimada a interessada, não foram apresentadas contra-razões. É o relatório. Voto Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, Relatora O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. No relatório fiscal (fl. 19), foi imputada à interessada a conduta do art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, como ensej adora da caracterização do evidente intuito de fraude, para efeito de aplicação da penalidade qualificada. Ademais, a conduta representaria crimes contra a ordem tributária, conforme previsto na Lei n. 8.137, de 1990, art. 1°, II. Portanto, a fiscalização, descrevendo o fato como declaração de informação falsa, com o dolo específico de impedir a cobrança, pela suspensão da exigibilidade, o subsumiu ao art.72 da Lei n. 4.502, de 1964, que dispõe o seguinte: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Nesse diapasão, o fato subsome-se perfeitamente à norma, uma vez que houve efeito de evitar o pagamento, pela modificação de característica da obrigação tributária principal. No caso dos autos, não só houve dolo, em razão de a interessada ter conhecimento da denegação da medida liminar, como houve dolo específico, em face da intenção de evitar a cobrança do tributo devido. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso. - .Posefa Maria Coelho Marques ‘,42( . _ 3

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4486766 #
Numero do processo: 10580.100073/2005-93
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas e lançadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas e lançadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 137          1 136  S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.100073/2005­93  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­001.923  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de outubro de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  SÉRGIO LUÍS RODRIGUES DOMINGUES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2001  LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base  de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas  realizadas e lançadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da  fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.   (assinado digitalmente)  ___________________________________  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente    (assinado digitalmente)  ___________________________________  José Raimundo Tosta Santos ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos  (Presidente),  José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia  Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 10 00 73 /2 00 5- 93 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS   2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 15­15.047  (fl.  104),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento  de  fls.  32/39,  em  razão  da  glosa  integral  das  deduções  com  pensão  alimentícia,  livro  caixa  e  incentivos,  em  virtude  de  não  terem  sido  comprovadas  no  curso  do  procedimento  de  fiscalização, assim como foi reduzido o imposto de renda na fonte, resultando na apuração de  imposto suplementar de R$9.517,85.  Ao  apreciar  o  conjunto  probatório  apresentado  pelo  contribuinte  em  sua  impugnação  de  fl.  01  e  complementado  em  diligência,  o  Órgão  julgador  de  primeiro  grau  restabeleceu a dedução com pensão alimentícia e o imposto retido na fonte indicado na DIRPF  do exercício de 2001, mantendo o imposto suplementar de R$1.307,87.  A decisão recorrida possui a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  Ano­calendário: 2000   LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS Para fins de apuração  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  mensal,  somente  são  dedutíveis  as  despesas  realizadas  e  lançadas,  necessárias  à  percepção  da  receita  e  à  manutenção  da  fonte  produtora  devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea.  DESPESAS NÃO COMPROVADAS.  É  cabível  a  glosa  de  despesas  não  comprovadas  mediante  documentação hábil e idônea.   Lançamento Procedente em Parte  Em  seu  apelo  ao  CARF  (fls.  112/114)  o  recorrente  faz  as  seguintes  considerações sobre a decisão a quo:  1)  Contribuição  Sindical:  anexa  parecer  jurídico  do  advogado  Renato Salge Prata, fornecido pelo sindicato dos médicos fls. 11  a  18,  no  qual  o  mesmo  discorre  sobre  a  obrigatoriedade  de  pagamento  da Contribuição  Sindical,  também por  profissionais  liberais,  sendo  portanto  tal  contribuição  fundamental  para  exercício profissional e salvo melhor juízo cabível de dedução no  livro caixa.  2)  Despesas  com  Telefone  Fixo,  Celular  e  Energia  Elétrica:  anexa a documentação comprobatória de gastos relacionados a  descontos  efetuados  no  Livro  Caixa,  encontra­se  o  boleto  de  recolhimento  do  Imposto  Sobre  Serviços  pagos  a Prefeitura  da  Cidade  de  Salvador,  no  qual  consta  o  endereço  de  desenvolvimento  das  atividades  profissionais  como  sendo  o  mesmo  o  do  domicílio  residencial.  Em  virtude  do  tipo  de  trabalho  efetuado,  que  é  o  de  minha  especialidade  de  Anestesiologista  e  de  Atendimento  Domiciliar  Pré­Hospitalar,  sendo na ocasião acionado em minha  residência ou através do  celular a prestar o atendimento no endereço do paciente. Ainda  sobre  este  tópico,  cabe  salientar  que  as  despesas  lançadas  no  Livro  Caixa  a  título  de  abatimentos  com  telefone,  energia,  celular  etc,  perfazem  a  terça  parte  dos  gastos  comprovados  e  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.100073/2005­93  Acórdão n.º 2101­001.923  S2­C1T1  Fl. 138          3 lançados no item 6 da Declaração de Ajuste Anual, sob o título  de RELAÇÃO DE PAGAMENTOS E DOAÇÕES EFETUADAS.  3) Multa datada de 16/11/2005: após a apresentação de todos os  questionamentos e diligências tenho me esforçado e cumprido de  forma  irrepreensível  todos  os  prazos  legais  que me  são  dados.  Desta  forma  creio  eu,  salvo  melhor  juízo,  que  a  aplicação  de  multa  me  penalizando,  como  se  a  responsabilidade  pela  morosidade  da  apuração  de  fatos  e  pagamento  de  imposto  complementar  até  2005  fosse  minha,  o  que  obviamente  não  procede.  É o relatório.  Voto             Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator  O recurso atende os requisitos de admissibilidade.  Inicialmente, verifica­se que o pagamento ao Sindicato Médico da Bahia, no  valor  de  R$43,00,  despesa  incorrida  no  mês  de  setembro/2000,  conforme  demonstrativo  de  escrituração do livro caixa à fl. 23, não pode deduzir o rendimento bruto tributado na DIRPF  do ano­calendário de 2000, pois o contribuinte não auferiu rendimento relacionado à atividade  de profissional autônomo nos meses de julho a dezembro de 2000, sendo certo que a despesa  que exceder à receita mensal da respectiva atividade somente ser deduzida nos meses seguintes  até dezembro, consoante dispõe o artigo 76 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999, a seguir transcrito:  Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão  exceder  à  receita  mensal  da  respectiva  atividade,  sendo  permitido  o  cômputo  do  excesso  de  deduções  nos  meses  seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º).  §1ºO excesso de deduções, porventura existente no final do ano­ calendário,  não  será  transposto  para  o  ano  seguinte  (Lei  nº  8.134, de 1990, art. 6º, §3º).  §2ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e  das  despesas,  mediante  documentação  idônea,  escrituradas  em  Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da  fiscalização,  enquanto não  ocorrer  a  prescrição  ou decadência  (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º).  §3ºO Livro Caixa  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  independe  de registro.  As despesas com telefone fixo e energia do apartamento funcional localizado  na Av. Sete de Setembro, nº 1754, Ed. Duque de Caxias, ap. 201, Vitória – Salvador/BA, não  podem  ser  aceitas  como  deduções  do  livro  caixa,  pois  se  referem  a  despesas  relacionadas  à  residência do contribuinte, conforme oficio do Chefe do Estado da 6ª Região Militar, à fl. 74,  cujo teor transcrevo:  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS   4 1.  Versa  o  presente  expediente  sobre  pagamentos  de  contas  (água, luz, telefone, etc.) de apartamento funcional.  2. Incumbiu­me o Exmo Sr Comandante da 6ª RM de informar a  V  Sra  que  no  ano  2000  as  contas  supracitadas  do  próprio  nacional  localizado à Av Sete de Setembro, n° 1754, ed. Duque  de Caxias, ap. 201, bairro: Vitória, Salvador/BA ficaram sob o  encargo  de  seu  ocupante  o  Coronel  Médico  SÉRGIO  LUIS  RODRIGUES DOMINGUES.  Por óbvio, referido imóvel, localizado em prédio residencial e ocupado pelo  contribuinte  em  razão  deste  ser  oficial  militar  da  ativa  (Coronel  Médico),  não  pode  ter  destinação  mista  (residencial/comercial),  a  possibilitar  o  cômputo  de  20%  das  despesas  pleiteadas  como  dedução  do  livro  caixa.  Ademais,  conforme  ressaltou  a  decisão  recorrida,  inexiste  comprovação  de  que  os  serviços  médicos  são  prestados  na  própria  residência  do  contribuinte,  a  exemplo  de  alvará  municipal  ou  licença  da  vigilância  sanitária.  Quanto  às  contas  dos  telefones  celulares  nºs  99878946  e  99654086,  colacionadas  aos  autos,  não  há  elemento de prova nos autos a relacionar estas com receitas decorrentes das atividades médicas  de  profissional  autônomo  do  contribuinte,  conforme  determina  o  artigo  75,  inciso  III,  do  Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999:  Art.75.  O  contribuinte  que  perceber  rendimentos  do  trabalho  não­assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de  registro,  a  que  se  refere  o  art.  236  da  Constituição,  e  os  leiloeiros,  poderão  deduzir,  da  receita  decorrente  do  exercício  da respectiva atividade  (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º,  e Lei nº  9.250, de 1995, art. 4º, inciso I):  (...)  III­  as  despesas  de  custeio  pagas,  necessárias  à  percepção  da  receita e à manutenção da fonte produtora.  A  responsabilidade  por  infrações  à  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato  (artigo 136 do CTN). A redução indevida do recolhimento e a declaração inexata, nos termos  do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dão suporte à aplicação da multa de ofício,  como  no  caso  em  exame,  em  seu  percentual  mínimo  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento).  Confira­se:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;   II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.   Enfim, por se tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar os  acréscimos  legais  nela  previstos.  As  impugnações  e  recursos  suspendem  a  exigibilidade  do  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.100073/2005­93  Acórdão n.º 2101­001.923  S2­C1T1  Fl. 139          5 crédito,  sendo  devidos  juros  de mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existe depósito no montante  integral. É o que dispõe a Súmula CARF nº 5.  Em face ao exposto, nego provimento ao recurso.   (assinado digitalmente)  José Raimundo Tosta Santos                                Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS

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Numero do processo: 18471.000261/2006-42
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SUPRIMENTOS DE CAIXA FEITOS POR PESSOA JURÍDICA. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção legal estabelecida no art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) - de omissão de receitas por suprimentos de caixa - é inaplicável aos casos em que esse suprimento tenha sido efetuado por pessoas jurídicas, especialmente quando a operação está devidamente contabilizada na empresa supridora.
Numero da decisão: 1803-001.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SUPRIMENTOS DE CAIXA FEITOS POR PESSOA JURÍDICA. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção legal estabelecida no art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) - de omissão de receitas por suprimentos de caixa - é inaplicável aos casos em que esse suprimento tenha sido efetuado por pessoas jurídicas, especialmente quando a operação está devidamente contabilizada na empresa supridora.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 2          1 1  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.000261/2006­42  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­001.489  –  3ª Turma Especial   Sessão de  12 de setembro de 2012  Matéria  IRPJ  Recorrente  PATUA BOUTIQUE LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001  SUPRIMENTOS  DE  CAIXA  FEITOS  POR  PESSOA  JURÍDICA.  INAPLICABILIDADE  DA  PRESUNÇÃO  LEGAL  DE  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  A presunção  legal  estabelecida  no  art.  282  do Regulamento  do  Imposto  de  Renda ­ RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) ­ de omissão  de  receitas  por  suprimentos  de  caixa  ­  é  inaplicável  aos  casos  em que  esse  suprimento tenha sido efetuado por pessoas jurídicas, especialmente quando a  operação está devidamente contabilizada na empresa supridora.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencida  a  Conselheira  Selene  Ferreira  de  Moraes.  Designado  para  redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.    (assinado digitalmente)  Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora.      (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado    Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Victor Humberto  da  Silva  Maizman,  Viviani  Aparecida  Bacchmi,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Meigan  Sack  Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo  Maresch.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 61 /2 00 6- 42 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES     2   Relatório  Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão  julgador de primeira instância até aquela fase:  “Versa o presente processo sobre os autos de infração de IRPJ  (fls.  80/83),  no  valor  de R$  4.350,14;  de CSLL  (fls.  84/87),  no  valor de R$ 4.146,17; de PIS (fls. 88/91) no valor de R$ 299,44 e  de COFINS (fls. 92/95) no valor de R$ 1.382,06, incidindo sobre  os  espectivos  tributos  e  contribuições  as  multas  de  oficio  no  percentual de 75% e juros de mora.  As  razões  do  Fisco  encontram­se  descritas  no  Termo  de  Verificação (fls. 79), cujo teor abaixo se segue:  Ano­calendário de 2002:  Conta  Contábil —  1.111.01101.00001 —  Caixa —  Suprimento  de Caixa  ­  O  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  a  comprovação  da  origem e do efetivo ingresso de aportes financeiros destinados a  aumento do capital social no valor de R$ 1.000.000,00, ocorrido  no  ano­calendário  fiscalizado.  Em  atendimento  às  intimações,  apresentou  a  documentação  pertinente  e  prestou  os  seguintes  esclarecimentos:  ­ A sócia do contribuinte, Participações Industriais TEC S/A, era  credora  da  empresa  ligada  H.  STERN  COMÉRCIO  E  INDÚSTRIA S/A;  ­ A empresa H. STERN quitou seu débito com a TEC através do  Cheque BCN n° 008912, no valor de R$ 953.931,26, sendo que  este  mesmo  cheque  foi  depositado  na  conta  corrente  do  contribuinte (UNIBANCO) para a integralização do aumento do  capital social (parte) em 05/12/2002;  Ocorre  que  parte  da  integralização  do  referido  aumento  do  capital foi em espécie, com recursos da conta Caixa, no valor de  R$  46.068,74,  cujo  ingresso  e  origem  não  ficou  devidamente  comprovado;  A falta dessa comprovação no caixa do contribuinte, através de  documentação hábil  e  idônea,  caracterizou  omissão  de  receita,  conforme artigo 282 do RIR/ 1999.  Assim, procede­se ao lançamento dessa parcela de R$ 46.068,74,  subscrita  integralizada,  segundo  alteração  contratual,  cuja  origem do numerário e efetivo ingresso contribuinte não logrou  comprovar.  Devidamente  cientificado  (fls.  79;  80;  84;  88  e  92),  em  22/03/2006, apresentou interessado em 20/04/2006, impugnação  (fls.  103/113),  instruída  com  a  documentação  de  fl  114/150,  cujas razões de defesa são as seguintes:  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/2006­42  Acórdão n.º 1803­001.489  S1­TE03  Fl. 3          3 1. Tem como sócias a Sra. Ruth Stern e a empresa Participações  Industriais  TEC  S/A,  sendo  que  esta  última,  no  ano  de  2002,  decidiu  aumentar  o  capital  social  da  sociedade  na  quantia  equivalente a R$ 1.000.000,00, totalizando a importância de R$  1.369.720,00 a título de patrimônio líquido;  2.  Desse  total  de  R$  1.000.000,00  apenas  R$  46.068,74  foram  pagos em espécie, enquanto que o restante foi quitado através de  cheque;  3. Tal receita, por sua vez, teve sua origem na empresa TEC S/A,  sócia  majoritária  da  interessada,  a  qual  pode  ser  constatada  através  da  análise  do  Livro  Razão  Analítico  da  interessada,  o  qual  demonstra  o  caixa  em  reais  desta  empresa,  onde  estão  listados créditos e débitos, dentre os quais destacam­se aqueles  grifados e que representam receitas oriundas de aluguéis;  4. No ano de 2002, a empresa TEC S/A auferiu exatamente R$  160.274,16 a título de aluguel, sendo, portanto, totalmente crível  o investimento na ordem de R$ 46.068,74 na interessada;  5.  Também  resta  comprovado  em  outro  relatório  extraído  do  Livro Razão que a empresa TEC adquiriu um milhão de cotas, a  um real cada, da empresa Patuá, ora interessada;  6.  A  empresa  TEC  escriturou  devidamente  na  conta­corrente  entre  empresas  ligadas  a  exata  importância  em  espécie  de  R$  46.068,74, objeto do presente auto e utilizada para o aumento de  capital, operação esta também registrada no Livro Diário Geral;  7. Em contrapartida, no que se refere à comprovação do efetivo  ingresso  da  receita,  a  interessada  possui  recibo,  atestando  o  recebimento da importância em voga para o fim de aumento de  capital,  bem  como  foi  realizada  a  devida  escrituração  no  seu  Livro Razão Analítico na conta caixa em reais, fazendo­se mais  uma vez referência ao aumento de capital;  8.  A  quantia  de  R$  46.048,74  foi  registrada  no  Livro  Diário  Geral,  bem  assim  a  importância  total  de  um  milhão  de  reais,  com o fundamento de se tratar de aumento de capital, realizado  pela empresa TEC;  9.  Tal  aumento  de  capital  foi  deliberado  em  assembléia,  aprovado e ratificado, através de alteração no contrato social;  10.Por  fim,  o  balanço  patrimonial  da  empresa  interessada  também aponta pelo aumento do patrimônio líquido, mediante o  capital  social,  passando  no  ano  de  2002  para  o  total  de  R$  1.369.720,00;  11.Além  do  mais,  os  livros  fiscais  são  documentos  hábeis  e  idôneos para provar as operações da empresa;”    Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES     4 A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão  assim ementada:   “OMISSÃO  DE  RECEITA.  SUPRIMENTO  DE  NUMERÁRIO.  AUMENTO  DE  CAPITAL  PREVISTO  EM  ALTERAÇÃO  CONTRATUAL.FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  E  EFETIVIDADE DA ENTREGA.  Caracteriza­se como base tributável para a omissão de receita, o  valor do aumento de  capital  disposto  em cláusula de alteração  contratual  efetuado  pela  pessoa  jurídica  e  devidamente  registrado no órgão competente, cuja comprovação da origem e  da  efetiva  entrega  deixou  de  ser  demonstrada  pelo  sujeito  passivo através de documentação hábil e idônea.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS.COFINS. CSLL.  Ao  subsistir  o  lançamento  principal  igual  sorte  colherão  os  lançamentos reflexos.”    Contra a decisão,  interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em  que tece as seguintes considerações:  a)  A  parcela  aumentada  em  dinheiro  é  oriunda  de  receitas  de  aluguéis,  conforme  se  comprova pela análise do Livro Razão Analítico, o qual demonstra o caixa em reais da  empresa, onde estão listados os créditos e débitos, bem como no Livro Diário Geral.  b)  Resta  comprovado  em  outro  relatório  extraído  do  livro  razão  que  a  empresa  TEC  adquiriu 1 milhão de cotas da empresa Patuá.  c)  A  empresa  TEC  escriturou  na  conta­corrente  entre  empresas  ligadas  a  exata  importância  em  espécie  de  R$  46.068,74,  objeto  do  presente  auto  e  utilizada  para  o  aumento de capital.  d)  Quanto ao efetivo ingresso a impugnante possui recibo atestando o recebimento.  e)  A autoridade julgadora não pode exigir a deliberação de aumento de capital social em  outra sociedade.  f)  Se  a  autoridade  fiscal  aventou  que  a  empresa  TEC  não  dispunha  de  recursos  para  realizar o aporte de capital e, portanto, teria havido uma omissão de receita, deveria ter  lavrado o auto de infração contra ela e não em face da recorrente.  g)  Não há qualquer vedação para o aporte de capital em dinheiro.  h)  O  arbitramento  não  constitui  uma  modalidade  de  lançamento,  mas  uma  técnica,  um  critério substitutivo que a legislação permite, excepcionalmente, quando o contribuinte  não  cumpre  os  seus  deveres  de  manter  contabilidade  em  ordem  e  em  dia,  e  de  apresentar as declarações obrigatórias por lei.  i)  Ante  a  vasta  documentação  fiscal  idônea  e  hábil  apresentada  se  afigura  totalmente  improcedente o lançamento constante no auto de infração lavrado, uma vez que não há  omissão  de  receita  e,  conseqüentemente,  não  pode  substituir  a  respectiva  tributação  incidente.  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/2006­42  Acórdão n.º 1803­001.489  S1­TE03  Fl. 4          5 É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Selene Ferreira de Moraes  A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em  16/09/2008 (AR de fls. 161). O recurso foi protocolado em 09/10/2008,  logo, é  tempestivo e  deve ser conhecido.  A recorrente afirma que os recursos em dinheiro, no valor de R$ 46.068,74,  têm  origem  em  aluguéis  recebidos  pela  sócia  Participações  Industriais  TEC  S/A,  conforme  demonstrado nos livros Razão e Diário:     Fls. 148 – Conta contábil 08.1.1110101.00001.10 – Caixa em reais          Fls. 153 – Livro Diário    Ocorre  porém,  que  a  jurisprudência  é  mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  devem ser  comprovados,  com documentação hábil  e  idônea,  coincidente  em datas  e valores,  não  só  a  origem,  mas  também  a  entrega  de  numerário  à  pessoa  jurídica,  considerando­se  insuficiente  para  elidir  a  presunção  de  omissão  de  receita  a  simples  prova  da  capacidade  financeira do supridor.  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES     6 Por  outro  lado,  é  de  se  estranhar  que  quantias  expressivas  circulem  em  espécie. Não se trata de fundos de pequena monta para suportar despesas miúdas.   O cuidado deveria ser ainda maior quando estamos tratando de transferência  de  fundos  entre  pessoas  ligadas.  Nestas  hipóteses,  para  afastar  qualquer  possibilidade  de  questionamento por parte da autoridade fiscal, a praxe é fazer o repasse do dinheiro por cheque  ou transferência eletrônica de fundos.  Foi o que ocorreu em relação à outra parcela da integralização.  O interessante é que nas duas operações – integralização com cheque e com  recursos  do  caixa  ­  o  histórico  foi  o mesmo;  “CLT  cx  bcos”,  apenas  havendo  diferença  em  relação às datas, respectivamente 31 e 4. (fls 148)   O recibo apresentado como prova de entrega não é suficiente para afastar a  dúvida em relação à origem e efetividade da entrega do numerário, mormente por se tratar de  documento interno, que não envolve a participação de terceiros estranhos ao grupo.   A análise do contexto espelhado nos autos nos  leva à mesma conclusão da  fiscalização e da decisão recorrida, qual seja , a da insuficiência dos documentos apresentados  (escrituração e recibo) para demonstrar a origem e o efetivo ingresso dos recursos.  Por oportuno, transcrevemos trecho da decisão de primeira instância:  “A finalidade da lei, no caso em espécie, certamente, é  impedir  que  as  pessoas  jurídicas  (recebedoras  dos  recursos  e/ou  supridores) que tenham omitido receitas venham delas se utilizar  sem  oferecê­las  à  tributação,  mediante  a  simulação  de  ajuste  feito  pelos  interessados  ao  caixa.  Por  isso,  fixou  que  tais  operações devam ser feitas de forma que permitam a verificação  de  que  os  recursos  realmente  foram  provenientes  da  atividade  dos  que  aportarem  os  recursos  e  não  de  receitas  omitidas  à  tributação.  Assim,  se  de  um  lado  a  lei  não  exigiu  a  obrigação de  que  tais  operações  sejam  realizadas  através  de  bancos,  de  outro  lado  exigiu  que  nesse  tipo  de  operações  a  contribuinte  se  acautele  realizando­a  de  forma  tal  que  propicie  elementos  convincentes  da origem externa do numerário suprido.”  Quanto  ao  argumento  de  que  a  autoridade  julgadora  não  pode  exigir  a  deliberação  de  aumento  de  capital  social  em  outra  sociedade,  deve  ser  observado  que  tal  documento foi enumerado como uma das possibilidades de documentação a ser apresentada.  Não foi a ausência de tal documento que conduziu às conclusões da decisão  recorrida,  mas  o  conjunto  probatório  constante  dos  autos,  que  também  consideramos  insuficientes.  Por fim, trazemos à colação alguns julgados que corroboram o entendimento  expresso neste voto:  “OMISSÃO  DE  RECEITA.  AUMENTO  DE  CAPITAL  EM  DINHEIRO.  MONTANTE  VULTOSO.  FALTA  DE  PROVA  DA  ORIGEM  E  EFETIVIDADE  DA  ENTREGA  DO  NUMERÁRIO  PELOS  SÓCIOS  À  SOCIEDADE  ­  O  aumento  de  capital  em  espécie,  em  montante  vultoso,  sem  a  prova  plena,  objetiva  e  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/2006­42  Acórdão n.º 1803­001.489  S1­TE03  Fl. 5          7 inquestionável, mediante documentação idônea e coincidente, da  origem  e  efetividade  da  entrega  do  numerário  pelos  sócios  à  sociedade,  presume­se  omissão  de  receita.  Recurso  negado.(Acórdão n° 105.14739, sessão em 20/10/2004).  IRPJ.OMISSÃO  DE  RECEITAS.SUPRIMENTO  DE  CAIXA.  AUMENTO  DE  CAPITAL  EM  DINHEIRO.  Devem  ser  comprovados,  com  documentação  hábil  e  idônea,  coincidentes  em datas e valores, os suprimentos e aportes de capital feitos à  pessoa  jurídica,  considerando­se  insuficiente  para  elidir  a  presunção de omissão de receitas a simples prova da capacidade  financeira  do  supridor  e  do  investidor.(Acórdão  n°  105.14088,  sessão em 16/04/2003).  "OMISSÃO  DE  RECEITA.  SUPRIMENTO  DE  CAIXA  PARA  AUMENTO DE CAPITAL.  Deve  a  pessoa  jurídica  provar  com  documentos  hábeis  e  idôneos  a  origem  dos  recursos  supridos,  assim  como  a  efetividade  da  entrega  destes  recursos  para  integralização  de  capital,  presumindo­se,  quando  essas  provas  não forem produzidas, que os recursos supridos, tiveram origem  em  receitas  auferidas  à  margem  da  contabilidade.(Acórdão  n°  103.19380)  IRPJ.  COMPROVAÇÃO DA  ORIGEM  E  EFETIVA  ENTREGA  DO CAPITAL INTEGRALIZADO. Nos  termos do artigo 181 do  RIR/80, serão caracterizadas como receitas omitidas o aumento  de capital ou suprimento de caixa sem a devida comprovação da  origem e efetiva entrega do numerário, coincidentes em datas e  valores.Por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  provimento  ao  recurso. (Acórdão n° 107,05547).    Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Selene Ferreira de Moraes   Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES     8 Voto Vencedor  Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado  Dispõe o art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/1999 (Decreto  nº 3.000, de 26 de março de 1999), fundamento legal da presente autuação (conf. fls. 79 e 81)  (grifou­se):  Art.  282.  Provada  a  omissão  de  receita,  por  indícios  na  escrituração  do  contribuinte  ou  qualquer  outro  elemento  de  prova,  a  autoridade  tributária  poderá  arbitrá­la  com  base  no  valor  dos  recursos  de  caixa  fornecidos  à  empresa  por  administradores,  sócios  da  sociedade  não  anônima,  titular  da  empresa  individual,  ou  pelo  acionista  controlador  da  companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos  não  forem  comprovadamente  demonstradas  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977, art.  12,  § 3º,  e Decreto­Lei  nº  1.648,  de 18  de  dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).  Entendo  que  a  presunção  legal  de  omissão  de  receita  por  suprimentos  de  caixa, de que trata o dispositivo legal acima transcrito, somente é aplicável quando se tratar de  “administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual ou acionista  controlador da companhia” pessoas físicas, não sendo admissível dita presunção na hipótese de  pessoas jurídicas.  Esse entendimento, se baseia no histórico da tributação a esse título, no qual  sempre  figurou,  no  polo  passivo  da  relação  jurídico­tributária,  a  pessoa  física,  como  administrador  da  empresa  da  qual  é  sócio  ou  titular,  como  se  observa  do  teor  do  Parecer  Normativo CST nº 242, de 1971 (DOU de 22/04/1971), anterior à vigência daquele dispositivo  legal (grifei):  EMENTA  ­  A  simples  prova  da  capacidade  financeira  do  supridor  não  basta  para  comprovação  dos  suprimentos  efetuados  a  pessoa  jurídica.  É  necessário,  para  tal,  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  datas e valores com as importâncias supridas.   1.  A  norma  acima  decorre  de  jurisprudência  pacífica  oriunda  dos tribunais administrativos e  judiciais. A simples alegação de  que o supridor, na sua declaração de bens, anexa à declaração  de  renda,  informou  possuir  em  cofre  importância  em  dinheiro  superior ao valor do suprimento, não é de ser aceita.   2.  A  comprovação  da  veracidade  do  suprimento  se  faz,  provando,  com  documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  datas e valores com as importâncias supridas, a proveniência do  numerário  respectivo  e  não  com  a  simples  alegação  de  que  o  supridor dispunha da referida importância.   3. Da mesma forma o supridor terá que comprovar a origem dos  seus saldos bancários ou do dinheiro em cofre.   Ainda  nesse  sentido,  Bulhões  Pedreira  ­  reconhecido  participante  na  elaboração daquele dispositivo legal (Decreto­lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º) ­ explica que  essa norma, nascida por orientação jurisprudencial, “foi construída com base na experiência da  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/2006­42  Acórdão n.º 1803­001.489  S1­TE03  Fl. 6          9 fiscalização  de  firmas  individuais,  ou  de  empresas  de  pequeno  porte,  que  constituem  (em  número)  a  grande  maioria  dos  contribuintes  na  categoria  de  pessoas  jurídicas”.  Segundo  o  autor,  “nessas  empresas,  dirigidas  pessoalmente  pelo  titular  ou  sócio  principal,  que  vendem  bens ou serviços com preço recebido em dinheiro, é fácil ao sócio ou titular contabilizar apenas  parte da receita efetivamente recebida, sonegando desse modo o imposto. Mas como a receita  omitida  é  necessária  aos  negócios  da  empresa,  em  geral  é  mantida  em  caixa  e  registrada  contabilmente  como  suprimentos  do  sócio  ou  dirigente”  (PEDREIRA,  José  Luiz  Bulhões.  Imposto de Renda Pessoas Jurídicas. v. 1. Rio de Janeiro: Adcoas Justec, 1979. p. 356)  Neicyr de Almeida é do mesmo parecer, ao afirmar (ALMEIDA, Neicyr de.  Imposto  de  renda  das  empresas:  questões  controvertidas.  São  Paulo:  MP,  2007,  p.  34)  (destaque do original):  Entretanto,  na  ótica  tributária,  o  suprimento  de  caixa  pode  revelar uma presunção legal de omissão de receitas, que se fixa  pela  entrega  de  numerário  ao  disponível  da  empresa  pelas  pessoas  físicas  (e  não  jurídicas),  cabendo  ao  contribuinte  –  diante  de  provas  indiciárias  robustas  ou  qualquer  outro  elemento  de  prova  havido  na  escrituração  –  demonstrar  a  inexistência do fato presuntivo (hipótese em que quem acusa não  prova).  Cito, nesse sentido, os seguintes precedentes administrativos, de longa data:  Acórdão nº 103­10.077  Sessão de 12 de fevereiro de 1990  Suprimento  de  Caixa  feito  por  sócio  pessoa  jurídica  –  inaplicabilidade do art. 181 do RIR/80 – Precedente da CSRF.  [...].  Acórdão nº 101­81.833  Sessão de 12 de agosto de 1991  OMISSÃO DE RECEITA  Não  configura  hipótese  de  incidência  tributária  prevista  no  artigo  181  do  RIR/80  importância  creditada  a  outra  pessoa  jurídica ou a terceiros estranhos ao quadro da empresa, tomada  como empréstimo. Falta de adequação do fato ao tipo legal.  [...].  Acórdão nº 105­06.349  Sessão de 24 de fevereiro de 1992  IRPJ  ­  OMISSÃO  NO  REGISTRO  DE  RECEITAS  ­  SUPRIMENTOS DE CAIXA ­ PESSOA JURÍDICA  As  integralizações  de  cotas  de  capital  subscritas  por  pessoas jurídicas não se sujeitam à hipótese de omissão de  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES     10 receitas de que cuida o artigo 181 do R.I.R., aprovado com  o Decreto número 85.450, de 1980.  [...].  Acórdão nº 101­91.555   Sessão de 18 de novembro de 1997   [...].  INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL POR PESSOA JURÍDICA  A  integralização  de  capital  feita  por  pessoa  jurídica  não  se  sujeita à hipótese de omissão de receita de que cuida o art. 181  do RIR/80.  Do Acórdão  nº  105­06.349,  de  1992,  acima  referido,  transcrevo  o  seguinte  trecho:  Demais,  quando  se  trata  de  suprimentos  de  numerários  efetuados  por  pessoa  jurídica,  a  presunção  de  omissão  no  registro de receitas não há que resultar simplesmente do fato de  a  Fiscalização  deixar  de  aceitar  ou  considerar  que  as  provas  apresentadas  não  comprovam  tanto  a  origem  quanto  o  efetivo  ingresso  dos  recursos  supridos.  Ocorre  que  a  pessoa  jurídica  credora deve registrar, contabilmente, seu crédito junto à pessoa  jurídica que figura, na relação contratual, como devedora.  Esta  última,  como  sói  acontecer  sempre,  também  efetua  os  registros  contábeis  que  refletem a  operação  realizada,  ou  seja,  registra o crédito da mutuante e sua obrigação como mutuária.  Ao  integralizar o capital social com recursos remetidos a título  de suprimentos de caixa ou diretamente com numerário enviado  para  tal  finalidade,  a  supridora  está  obrigada  a  registrar  a  variação ocorrida em seu patrimônio, o que também se verifica  com a pessoa jurídica cujo capital social foi alterado.  Nessa  hipótese,  cabe  à  Fiscalização  aprofundar  suas  investigações,  inclusive  verificando  se  os  registros  contábeis  efetuados  pela  pessoa  jurídica  supridora  são  consistentes  e  resultam  de  operações  realizadas  em  obediência  às  normas  contidas  na  legislação  comercial  e  fiscal.  Em  princípio,  os  registros contábeis realizados por ambas as empresas traduzem  negócio  jurídico  efetivamente  realizado,  não  podendo  ser  questionada,  de  forma  simplista,  a  origem  do  numerário  entregue pela supridora, nem o efetivo ingresso dos recursos no  giro normal da pessoa jurídica suprida. Somente com elementos  convincentes  é  que  a  Fiscalização  poderá  considerar  que  o  negócio  jurídico  não  teria  sido  realizado.  Se  não  restou  questionada  a  efetiva  saída  dos  recursos  do  patrimônio  da  pessoa  jurídica  supridora,  como  considerar  que  tais  recursos  tenham  deixado  de  ingressar  no  “caixa”  da  beneficiária  da  remessa?  Releva notar que, no caso de suprimentos realizados por pessoa  jurídica,  ao  contrário  do  que  ocorre  com  a  pessoa  física  dos  sócios,  tem  aquela  a  obrigação  de  registrar  contabilmente  a  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18471.000261/2006­42  Acórdão n.º 1803­001.489  S1­TE03  Fl. 7          11 saída dos correspondentes recursos. Ora, qualquer registro que  seja feito sem correspondência a uma efetiva saída dos recursos  será  facilmente  detectado  pela  Fiscalização,  bastando  que  as  investigações sejam elaboradas com observância dos princípios  que regem a espécie.  Por conseguinte, no caso de se tratar a supridora de pessoa jurídica, dispõe a  fiscalização  da  possibilidade  de  auditar­lhe  os  registros  contábeis,  de  modo  a  apurar  se  a  indigitada  supridora dispunha de  recursos  suficientes  e  se  estes  realmente  se  transferiram do  patrimônio de uma para o de outra pessoa jurídica. Nessa hipótese, não basta apenas intimar a  pessoa jurídica suprida; é necessário, também, diligenciar junto à pessoa jurídica supridora.   Observo,  ainda,  que,  mesmo  no  caso  dos  julgados  administrativos  que  admitem, em princípio, ser aplicável a presunção legal do art. 282 do RIR/1999, também, entre  pessoas  jurídicas,  essa  aplicabilidade  deixa  de  existir  se  a  operação  estiver  devidamente  contabilizada na empresa supridora ­ o que, aliás, é o caso do presente processo (conf. fls.  148 – Razão e 153 – Diário – vide telas respectivas no voto vencido) ­, cabendo, nesse caso, o  ônus da prova da existência de omissão de receitas ao Fisco:  Acórdão nº 101­78.078  Sessão de 25 de outubro de 1988  IRPJ  –  OMISSÃO  DE  RECEITA  –  SUPRIMENTOS  PELOS  SÓCIOS  AO  CAIXA  DA  EMPRESA  ­  DEMONSTRAÇÃO  DE  ORIGEM E EFETIVA ENTREGA DOS RECURSOS.  [...].  Cuidando­se,  porém,  de  sócio  pessoa  jurídica  que  contabilizou devidamente o aporte, não procede a imputação.  [...].  Acórdão nº 101­84.763  Sessão de 15 de fevereiro de 1993  OMISSÃO  DE  RECEITAS  —  SUPRIMENTOS  FEITOS  POR  PESSOA JURÍDICA  Não  pode  prevalecer  a  tributação  a  título  de  suprimentos  de  origem  e  ingresso  incomprovados,  feitos  por  outra  pessoa  jurídica,  se  a  supridora  procedeu  ao  regular  lançamento  dos  valores  supridos,  sem  que  os  mesmos  tenham  sido  objeto  de  questionamento e investigações por parte do fisco.  [...].  Acórdão nº 101­93.133  Sessão de : 15 de agosto de 2000   [...].  IRPJ  ­  OMISSÃO  DE  RECEITAS  —  SUPRIMENTO  DE  NUMERÁRIO — OPERAÇÃO CONTABILIZADA  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES     12 A presunção estabelecida no artigo 181 do RIR/80 é inaplicável  à  hipótese  de  suprimento  de  numerário  para  integralização  de  Capital Social subscrito feita de uma pessoa jurídica para outra  pessoa jurídica, quando a operação está contabilizada nas duas  empresas.  [...].  Acórdão nº 105­17.348  Sessão de 16 de dezembro de 2008  [...].  OMISSÃO  DE  RECEITA —  SUPRIMENTO  DE  NUMERÁRIO  ENTRE PESSOAS JURÍDICAS  A presunção de omissão de receitas não se aplica à hipótese de  suprimento de numerários para integralização de capital social  subscrito feito de pessoa jurídica para pessoa jurídica, quando a  operação está contabilizada em ambas as empresas.  Dou provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES

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Numero do processo: 16004.000561/2008-74
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005, 2004 ATIVIDADE RURAL. APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PERÍODO DE APURAÇÃO. LIMITAÇÃO EM 20% DA RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE RURAL. Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no ano-calendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limitar-se-á a vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. Assim sendo, na apuração anual de omissão de rendimentos da atividade rural, deve ser respeitada a limitação de vinte por cento da receita bruta, já que este tipo de apuração se adapta à própria natureza do fato gerador do imposto de renda da atividade rural, que é complexivo e tem seu termo final em 31 de dezembro do ano-base. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA Demonstrada a habitualidade e profissionalidade na compra e venda de bens que não se enquadram na atividade rural, bem como o fim especulativo de lucro, inerente à própria atividade empresarial do autuado, correta a equiparação da pessoa física fiscalizada à empresa individual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS - TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.416
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para limitar a base de cálculo da exigência da atividade rural ao percentual de 20% da receita bruta apurada, bem como desqualificar a multa de lançamento de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator), Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso em menor extensão, tão somente, para desqualificar a multa de lançamento de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Designado o Conselheiro Nelson Mallmann para redigir o voto vencedor no que diz respeito a limitação da base de cálculo da exigência da atividade rural ao percentual de 20% da receita bruta apurada.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

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Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/2008­74  Acórdão n.º 2202­01.416  S2­C2T2  Fl. 2          3 Relatório  Em desfavor do contribuinte, ETIVALDO VADÃO GOMES,  foi  lavrado o  Auto  de  Infração  de  fls.  903/906,  acompanhado  dos  demonstrativos  de  fls.  01,  900/902,  do  Termo  N°  21  —  Constatação  de  Irregularidade  Fiscal  de  fls.  896/899  e  do  Termo  de  Encerramento de fls. 907, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos­calendário 2003 e  2004,  por meio  do  qual  foi  apurado  crédito  tributário  no montante  de R$  1.331.726,48  (um  milhão, trezentos e trinta e um mil, setecentos e vinte e seis reais e quarenta e oito centavos),  sendo  R$  544.460,93  referentes  ao  imposto,  R$  536.080,67,  à  multa  proporcional,  e  R$  251.184,88, aos juros de mora (calculados até 30/06/2008).  Conforme  a  descrição  dos  fatos,  a  autuação  foi  resultado  das  seguintes  infrações:  001  Atividade  Rural,  Omissão  de Rendimentos  da  Atividade  Rural,  anos  calendários de 2003 e 2004  2003  ­ Omissão de Receita da Atividade Rural   R$ 36.995,40  (multa 150%)  ­ Diferença de Apuração        R$ 386.609,99 (multa 75%)   = Total da Omissão de Rendimentos    R$ 423,603,39  2004  ­ Omissão de Receita da Atividade Rural   R$ 582,325,80 (multa 150%)  ­ Diferença de Apuração        R$ 967.586,99 (multa 75%)  = Total da Omissão de Rendimentos    R$1.549.912,79  002 Acréscimo Patrimonial a Descoberto, ano calendário de 2003.  31/12/2003           R$6.339,76 (multa 75%)  O  procedimento  fiscal  que  resultou  na  constituição  do  crédito  tributário  acima referido encontra­se  relatado no Termo N° 21 — Constatação de  Irregularidade Fiscal  (fls. 896/899).  Cientificado da autuação em 11/07/2008 (fls. 909), o contribuinte, por meio  de  seu  representante  legal,  protocolizou,  em  12/08/2008,  a  impugnação  de  fls.  910/948,  alegando, em resumo, o que segue:  ­  A  fiscalização  supostamente  constatou  que  parte  das  receitas  auferidas  pelo  impugnante  na  Fazenda  Vitória  e  por  ele  consideradas como decorrentes de atividade rural, configuraria  intermediação  de  animais,  não  podendo  ser  tributada  com  os  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ   4 privilégios da legislação que trata da exploração das atividades  rurais;  ­ Por essa razão, a pessoa física do contribuinte foi equiparada à  pessoa  jurídica,  que  foi  cadastrada  no  CNPJ  sob  o  n°  09.087.408/0001­17,  tendo  sido  consideradas  como  irregulares  as operações efetuadas pela pessoa física;  ­ Conforme o inciso II, do art. 150 do Regulamento do Imposto  de Renda (RIR199), para que a pessoa física seja equiparada à  jurídica é necessário que, em nome individual explore, habitual e  profissionalmente,  qualquer  atividade  econômica  de  natureza  civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante a  venda a terceiro de bens ou serviços;  ­ A pessoa física ora impugnante não realizou as operações que  supostamente  configurariam  infração,  já  que  foi  o  Frigorífico,  do  qual  é  sócio,  que  praticou  a  atividade  comercial  e  obteve  resultado sobre as operações,  tendo sido devidamente tributado  nessa atividade;  ­  Por  questão  de  qualidade  do  gado,  este  permanecia  na  Fazenda para . aplicação de vacinas e atendimento à exigência  da  vigilância  sanitária,  para  depois  seguir  para  o  Frigorífico,  que  efetuava  a  comercialização  do  referido  gado.  Essa  era  a  razão pela qual  inicialmente as notas fiscais eram emitidas dos  produtores para o contribuinte, emitindo­se depois a nota fiscal  para o frigorífico em sua saída;  ­ Além disso, não houve lucro por parte da pessoa física, o que  impossibilitara a aplicação do mencionado inciso II do art. 150  do Regulamento. Do Imposto de Renda;  ­ Os pagamentos aos produtores  foram realizados pelo próprio  frigorífico, mediante Nota  de Produtor  Rural  emitida  em  favor  da pessoa física do interessado, que as endossava aos produtores  rurais, que recebiam o valor real das operações que constavam  nas notas fiscais de entrada do frigorífico;  ­  A  atividade  praticada:pela  pessoa  física,  que  supostamente  caracterizaria  natureza  comercial,  não  constituiu  em  lucro  e  a  venda do gado ao frigorífico não foi feita de sua parte, mas pelo  próprio produtor rural;  ­ A manutenção da presente autuação caracterizará duplicidade  de exigência tributária, visto que o frigorífico já recolheu toda a  tributação  estadual  e  federal  decorrente  dessas  comercializações;  ­  De  acordo  com  a  própria  planilha  de  detalhamento  das  compras e vendas de gado de 2003 e 2044, constante do auto de  infração, verifica­se que os valores das notas fiscais de entrada  são superiores aos relativos à venda, não se podendo cogitar em  lucro,  o  que  afastaria  totalmente  a  exigência  de  imposto  de  renda destas bases, tornando este auto de infração nulo de pleno  direito;  ­  Quando  da  Fiscalização,  o  impugnante  apresentou  o  demonstrativo  das  receitas  onde  estão  registrados  os  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/2008­74  Acórdão n.º 2202­01.416  S2­C2T2  Fl. 3          5 recebimentos das receitas com a venda do gado, o demonstrativo  dos  registros  de  todos  os  pagamentos  de  compra  de  gado,  ou  seja,  as  notas  fiscais  emitidas  pelos  produtores  rurais  que  venderam  o  gado  com  os  demais  custos  e  os  comprovantes  de  receitas/despesas e custos.  ­  Assim,  ainda  que  se  entendesse  correta  a  equiparação  de  pessoa  física  à  jurídica,  não  poderia  o  Agente  Fiscal  ter  se  utilizado  do  lucro  arbitrado,  posto  que  todos  os  documentos  apresentados  eram  suficientes  para  a  apuração  da  base  de  cálculo dos tributos ora exigidos;  ­  Foram  apresentadas  todas  as  provas  para  demonstrar  que  a  origem  dos  rendimentos  é  da  empresa  Frigoestrela,  da  qual  é  sócio,  comprovando  que  sua  atividade  é  rural.  Entretanto,  o  Agente Fiscal pautou­se exclusivamente nas receitas constantes  das  notas  fiscais  em  nome  da  empresa  Frigoestrela,  sob  o  fundamento de que o regime tributário a ser aplicado ao caso é o  arbitramento do lucro com base nas receitas conhecidas;  ­  A  alegação  de  que  não  é  possível  conhecer  o  lucro  real  do  contribuinte, apurado de acordo com as leis comerciais e fiscais,  não possui respaldo;  ­  Traz  à  colação  jurisprudência  administrativa  que  afasta  o  arbitramento  quando  os  comprovantes  de  receitas  e  despesas  possibilitam conhecer o resultado da atividade;  ­  Da  apreciação  do  relatório  constante  no  auto  de  infração,  nota­se que o fundamento utilizado para qualificar a penalidade  foi  a  própria  omissão  de  rendimentos  da  atividade  rural.  A  omissão  de  receitas  já  é  infração  tipificada  e  sujeita  o  contribuinte ao lançamento de ofício com aplicação da multa de  75%;  ­  Assim,  mesmo  restando  caracterizada  a  suposta  conduta  infracional  de  omitir  receitas,  não  restou  caracterizada  pelo  agente  fiscal  a  circunstância  qualificadora  a  dar  causa  a  aplicação da multa qualificada de 150%, cujo ônus é somente do  fisco;  ­ O levantamento fiscal deve colher provas objetivas suficientes  para  embasar a multa qualificada, demonstrando exatamente a  intenção  de  fraude  pelo  contribuinte,  tal  como  previsto  expressamente  na  lei,  não  podendo  simplesmente  atuar  no  campo  subjetivo  e  de  forma  deficiente  na  comprovação  e  demonstração;  ­  A  corroborar  o  exposto  há  a  Súmula  n°  14  do  Primeiro  Conselho de Contribuintes, sendo entendimento do E. Conselho  de Contribuintes de que o conceito de evidente intuito de fraude  não  se  presume  e  escapa  à  simples  omissão  de  rendimentos  quando  ausente  conduta  material  suficiente  para  sua  caracterização;  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ   6 ­  O  próprio  Código  Tributário  Nacional  prevê,  no  art.  112,  inciso IV, que a lei  tributária que define infrações interpreta­se  modo mais  favorável  ao  acusado  em  caso  de  dúvida  quanto  à  natureza da penalidade aplicável ou à sua gradação;  ­  A  infração  e  a  penalidade  têm  necessariamente  uma  correlação, devendo haver um equilíbrio entre a falta cometida e  a  sanção a  ser  imposta,  traduzindo­se como proporcionalidade  entre  a  falta  e  a  penalidade.  A  exigência  da  multa  sem  proporcionalidade representa um verdadeiro excesso de exação  porque  pune  exageradamente  o  contribuinte  que  age  com  evidente boa fé;  ­ De  tudo  quanto  o  exposto,  restou  clara  a  impossibilidade  de  aplicação da multa qualificada de 150%, razão pela qual, caso  se  decida  pela  manutenção  do  lançamento,  a  multa  deve  ser  reduzida ao seu percentual normal de75%;  ­ O artigo 84 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, com a redação que  lhe  foi  dada  pelo  artigo  13  da  Lei  n°  9.065,  de  20/06/1996,  determina  o  cômputo  de  juros  SELIC  nos  débitos  fiscais  em  atraso, em flagrante desrespeito ao artigo 146, da Constituição  Federal  e ao artigo 34 do Ato das Disposições Constitucionais  Transitórias — ADCT;  ­ A utilização da  taxa SELIC afronta o princípio da  legalidade  (art. 150, I, da CF), já que não teve seus contornos definidos por  lei,  sendo  o  Banco  ,Central  quem  estipula  o  seu  valor,  que  é  calculado como juros remuneratórios de capital;  ­ Desse modo, verifica­se, que, no tocante à aplicação da taxa de  juros  SELIC,  não  há  dúvidas  sobra  a  incompatibilidade  do  instituo com os princípios constitucionais tributários.  A  DRJ­SPOII  ao  apreciar  as  razões  do  contribuinte  julgou  o  lançamento  procedente em parte nos termos da ementa a seguir:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Ano­calendário: 2003, 2004  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL (PARTE).  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO. MATÉRIAS NÃO  IMPUGNADAS. ,  Consideram­se  não  impugnadas  as  matérias  que  não  tenham  sido expressamente contestadas pelo impugnante, consolidando­ se administrativamente o respectivo crédito tributário apurado.  EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA.  Demonstrada a habitualidade  e profissionalidade na Compra e  venda  de  bens  que  não  se  enquadram  na  atividade  rural,  bem  como  o  fim  especulativo  de  lucro,  inerente  à  própria  atividade  empresarial do autuado, correta a equiparação da pessoa física  fiscalizada à empresa individual.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL (PARTE).  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/2008­74  Acórdão n.º 2202­01.416  S2­C2T2  Fl. 4          7 Mantida  a  omissão  de  rendimentos  decorrente  da  exclusão  de  despesas  da  apuração  da  atividade  rural  em  razão  da  equiparação da pessoa física à pessoa jurídica.  MULTA QUALIFICADA.  A  aplicação  da  multa  qualificada  só  é  cabível  caso  reste  caracterizado  o  intento  doloso  do  contribuinte  de  se  eximir  do  imposto devido.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.  Os  débitos  decorrentes  de  tributos  não  pagos  nos  prazos  previstos  pela  legislação  específica  são  acrescidos  de  juros  equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente,  até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por  cento no mês do pagamento.  Lançamento Procedente em Parte  A  autoridade  recorrida  entendeu  que  não  estava  bem  fundamentado  na  autuação a qualificação da multa, neste sentido afastou do lançamento o percentual de 150%.   Insatisfeito  a  contribuinte  interpõe  recurso  voluntário  reiterando  as mesmas  razões da impugnação. Reiterando em síntese: i) da indevida equiparação à pessoa jurídica, ii)  da ausência de lucro,  iii) da impossibilidade de autuação com base no arbitramento do lucro.  Iv)  da  inaplicabilidade  da multa  no  patamar  fixado  e  v) Da  impossibilidade  da  aplicação  da  taxa selic.  É o relatório.    Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ   8   Voto Vencido  O  recurso  está  dotado  dos  pressupostos  legais  de  admissibilidade  devendo,  portanto, ser conhecido.  De acordo com o termo de verificação fiscal de fls.896 a 899, foi apurado que  o contribuinte deixou de oferecer à tributação receita da atividade rural auferida nos meses de  fevereiro, maio e  julho de 2003, bem como nos meses de janeiro,  fevereiro e  julho de 2004,  totalizando  anualmente  os  respectivos  montantes  de  R$36.995,40  e  R$  582.325,80.  Tal  verificação se deu a partir de diligência levada a efeito junto à empresa Frigoestrela Ltda, do  qual o impugnante é sócio, mediante o confronto da escrituração do Livro Razão e da receita  declarada.  No  procedimento  a  pessoa  física  fiscalizada  foi  equiparada  à  empresa  individual relativamente a 90% das operações de comercialização de gado bovino da Fazenda  Vitória, as receitas e despesas correspondentes a essas operações foram excluídas do resultado  da atividade rural do contribuinte pessoa física. Esse fato, ocasionou a alteração do resultado  tributável da atividade rural dos anos­calendário de 2003 e 2004 e a conseqüente omissão de  rendimentos, nos respectivos valores de R$ 386.609,99 e R$ 967.586,99.  Da Equiparação a Pessoa Jurídica  Tendo  em  vista  que  a  equiparação  à  pessoa  jurídica  trouxe  como  conseqüência a exclusão de receitas e despesas da atividade rural do contribuinte, ocasionando  parte da diferença de apuração da atividade rural, mister se faz analisar a matéria.  Sobre esse ponto assim se pronunciou a autoridade recorrida:   Inicialmente,  cabe  ressaltar  que  o  simples  fato  de  alguém  ser  proprietário  de  imóvel  rural  não  lhe  confere  a  condição  de  produtor ou de explorador de atividade rural, mesmo porque o  tratamento  tributário  favorecido  de  que  gozam  estas  pessoas  indica  que  tais  atividades  devem  ser  plenamente  comprovadas,  não atingindo aquelas de natureza meramente comercial.  O art. 150, § 1 0, `.`b", do RIR/99, é claro ao considerar como  empresas  individuais,  para  fins  de  equiparação  às  pessoas  jurídicas, "as pessoas físicas que, em nome individual, explorem,  habitual  e  profissionalmente,  qualquer  atividade  econômica  de  natureza  civil  ou  comercial,  com  o  fim  especulativo  de  lucro,  mediante venda a terceiros de bens ou serviços".  De  acordo  com  os  Termos  n°  12  —  Constatação  Fiscal  e  Intimação  e  21  —  Constatação  de  Irregularidade  Fiscal  (fls.  304/305  e  896/899),  foi  constatado, mediante  diligência,  que  o  interessado realizava operações de compra e venda de animais  que  não  permaneciam  sob  sua  custódia  pelo  prazo  mínimo  necessário de 52 dias, para gado confinado, e 138 dias, para os  demais  casos,  configurando  mera  intermediação  de  animais,  atividade esta que não se enquadra entre aquelas definidas como  atividade  rural,  nos  termos  do  parágrafo  único  do  art.  58  do  RIR199 e art. 4°, inciso II, da IN SRF n° 83, de 11/10/2001.  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/2008­74  Acórdão n.º 2202­01.416  S2­C2T2  Fl. 5          9 Veja­se,  desta maneira,  que  o  termo  "intermediação"  prescrito  na  lei  implica  em  um  significado  muito  além  daquele  simplesmente  gramatical,  vindo  justamente  alcançar  aquelas  atividades  em que,  sob  o manto  protetor  da  propriedade  rural,  há a conotação de comércio de mercadorias ou de bens.  No  presente  caso,  apurou­se  que  a  intermediação  ocorria  da  seguinte forma: o autuado comprava nado de um produtor rural  no Estado de Goiás, emitia nota fiscal de venda deste gado para  o Frigorífico Estrela, do qual era sócio. Esta empresa, por  seu  turno, emitia uma Nota Promissória Rural em nome do autuado,  que,  mediante  endosso,  transferia  o  crédito  para  o  primeiro  produtor rural, que havia promovido a venda.  Em razão do exposto, a pessoa física fiscalizada foi equiparada  à  empresa  individual,  relativamente  a  90%  das  operações  de  comercialização de gado bovino da Fazenda Vitória, nos termos  do art. 150, § 1°, "b", do RIR/99, sujeitando­se à tributação do  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para atribuição do valor  omitido, por meio do auto de infração integrante do processo n  16004.000338/2004­27  (cópias  às  fls.  861/888).  Como  conseqüência,  as  receitas  e  despesas  correspondentes  a  essas  operações  foram  excluídas  do  resultado  da  atividade  rural  do  contribuinte pessoa física nos anos de 2003 e 2004, ocasionando  uma  omissão  de  receita  da  atividade  rural  no  importe  de  R$  386.609,99 e R$ 967.586,99, respectivamente.  Vale  ressaltar  que  a  referida  equiparação  é  uma  ficção  do  direito  tributário,  criada  com  o  fito  de  submeter  a  empresa  individual ao regime de tributação estabelecido para aquela na  legislação do imposto de renda, conforme entendimento expresso  no item 4 do PN n° 39/77.  Em  sede  de  impugnação,  o  contribuinte  se  limita  a  alegar  que  não  realizou  nem  realiza  comércio  e  que  o  gado  passava  pela  Fazenda  de  sua  propriedade  apenas  para  uma  pré  avaliação  sanitária,  seguindo  posteriormente  para  o  Frigorífico  Estrela,  que  era  o  efetivo  responsável  pela  comercialização do  referido  gado. No entanto, tais alegações revelam­se vazias e meramente  protelatórias, na medida em que não se fizeram acompanhar das  necessárias provas.   Desse  modo,  presentes  a  habitualidade  e  profissionalidade  na  compra e venda de bens que não se enquadravam na:;atividade  rural, bem como o fim especulativo de lucro, inerente à própria  atividade  empresarial  do  autuado,  correta  a  equiparação  da  pessoa  física  fiscalizada  à  empresa  individual,  devendo  ser  mantida  incólume a omissão de  receita da atividade rural dela  decorrente.  Não  há  o  que  reparar  no  arrazoado  da  autoridade  recorrida,  desse  modo  mantém­se o lançamento.    Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ   10 Da omissão de rendimentos da atividade rural e o acréscimo patrimonial  a descoberto.  No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto e à omissão de receita da  atividade rural apurada nos meses de fevereiro, maio e julho de 2003, e nos meses de janeiro,  fevereiro e julho de 2004, que totalizaram, nos anos de 2003 e 2004, o recorrente não contestou  expressamente nenhuma das duas infrações. Uma vez que não se identificou qualquer falha no  procedimento é de se manter o mesmo.  Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória  Primeiramente  deve­se  observar  que  por  força  da  decisão  de  primeira  instância a multa de 150% foi afastada, restando apenas a aplicação da multa de 75%.  No  referente  a  suposta  inconstitucionalidade  das  Normas  aplicadas,  que  determinariam a  aplicação de multas e  juros de natureza confiscatória,  acompanho a posição  sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o  exame  da  legalidade/constitucionalidade  da  legislação  tributária,  tarefa  exclusiva  do  poder  judiciário.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).  Cabe  esclarecer  o  contribuinte  que  a  falta  de  recolhimento  do  tributo  ou  declaração  inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o  lançamento da multa de 75%,  prevista no  art.  44,  da Lei no  9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a  autoridade  lançadora deixar de aplicá­la ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.  Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de  lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode  aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%.  Portanto  em  se  tratando  de  lançamento  de  ofício,  é  legítima  a  cobrança  da  multa  correspondente,  por  falta  de  pagamento  do  imposto,  sendo  inaplicável  o  conceito  de  confisco que é dirigido a tributos.   Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros   Por  fim, quanto  à  improcedência da aplicação da  taxa Selic,  como  juros de  mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4:    A partir de 1º de abril de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).   Assim, é de se negar provimento também nessa parte.   Ante  ao  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a a 75%.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez   Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/2008­74  Acórdão n.º 2202­01.416  S2­C2T2  Fl. 6          11   Voto Vencedor  Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado   Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Antonio Lopo  Martinez, permito­me divergir de seu voto no que diz respeito a forma de apuração da base de  cálculo  tributável  nos  casos  em  que  a  autoridade  lançadora  apura  omissão  de  receita  da  atividade rural.   Entende o nobre  relator,  que  ao  se  apurar uma omissão de  rendimentos da  atividade rural há que se respeitar a opção feita pela contribuinte em sua declaração. Ou seja,  entende que se o contribuinte houver optado por apurar o resultado da atividade rural como a  diferença entre receitas e despesas, a omissão deve ser integralmente somada a este resultado.  Apenas  se  a  opção  for  pelo  arbitramento  (20%  da  receita  da  atividade  rural)  é  que  o  sobre  montante omitido será aplicada a alíquota de 20% para fins de apuração da matéria tributável.  Enfim, entende, não pode agora, quando se apura de ofício uma omissão de  rendimentos da atividade alterar a opção feita anteriormente para aplicar 20% sobre a receita  bruta, por lhe ser mais conveniente.  Com a devida vênia, discordo da posição do nobre conselheiro, conforme as  considerações a seguir elaboradas.  Resta claro, nos autos, que a primeira irregularidade apurada pela autoridade  fiscal  lançadora  foi  a  de  omissão  de  rendimentos  da  atividade  rural.  Verifica­se,  que  o  lançamento tomou como omissão de rendimentos a diferença entre a receita bruta apurada de  ofício e a  soma das as despesas de custeio e  investimento apuradas de ofício, apurando uma  omissão  de  rendimentos  no  valor  de R$ 423.605,39  e R$ 1.549.912,79,  correspondentes  aos  anos­calendário de 2003 e 2004, respectivamente.  Ora,  o  nosso  ordenamento  jurídico  prevê  para  o  produtor  rural  que  não  possuir  escrituração  regular,  a  tributação  via  arbitramento  de  sua  receita  bruta,  declarada  ou  não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%.   Não  há  dúvidas  de  que  muitos  entendem,  que  somente  é  passível  de  tributação pelo  regime especial  (atividade  rural)  os valores omitidos que,  comprovadamente,  através  da  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  decorressem  da  atividade  rural.  Entretanto, não é o caso do presente lançamento, onde a autoridade lançadora, simplesmente,  recompôs as  receitas e as despesas da atividade  rural, não  levando em conta a  limitação dos  20%,  sob  o  entendimento  é  que  se  deve  obedecer  o  critério  de  opção  realizado  pelo  contribuinte  no momento  da  entrega  de  suas Declarações  de Ajuste Anual, mesmo  que  este  critério seja prejudicial ao contribuinte.   No  âmbito  da  teoria  geral  da  prova,  nenhuma  dúvida  há  de  que  o  ônus  probante,  em  princípio,  cabe  a  quem  alega  determinado  fato.  Mas  algumas  aferições  complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a  correta atribuição do ônus da prova.  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ   12 Não  se  pode  esquecer,  que  o  direito  tributário  é  dos  ramos  jurídicos  mais  afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo  disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis).   Assim,  tendo  em  vista  a  mais  renomada  doutrina,  assim  como  a  iterativa  jurisprudência administrativa e  judicial a  respeito da questão se vê que o processo fiscal  tem  por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição  do  crédito  tributário,  devendo  o  julgador  pesquisar  exaustivamente  se,  de  fato,  ocorreu  à  hipótese  abstratamente  prevista  na  norma  e,  em  caso  de  recurso  do  contribuinte,  verificar  aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado.  Entendeu  a  autoridade  fiscal,  que  ao  se  apurar  uma omissão  de  receitas  da  atividade rural há que se respeitar a opção feita pela contribuinte em sua declaração. Ou seja,  entende que se o contribuinte houver optado por apurar o resultado da atividade rural como a  diferença entre receitas e despesas, a omissão deve ser integralmente somada a este resultado.  Apenas  se  a  opção  for  pelo  arbitramento  (20%  da  receita  da  atividade  rural)  é  que  o  sobre  montante omitido será aplicada a alíquota de 20% para fins de apuração da matéria tributável.  Com  a  devida  vênia,  discordo  frontalmente  da  posição  da  autoridade  lançadora, conforme as considerações a seguir elaboradas.  Com  visto,  indiscutivelmente,  a  matéria  sob  análise  é  exclusivamente  de  direito, já que não há discussão relativo ao fato gerador do imposto e sim sobre qual é a base de  cálculo que deve ser utilizada nos casos de apuração de omissão de receita da atividade rural,  bem como nos casos de recomposição de receitas e despesas. A limitação da base de cálculo  aos  20%  estabelecidos  pela  lei  (receita  bruta  total  =  receita  declarada  +  receita  apurada  de  ofício) ou os valores utilizados pela autoridade fiscal lançadora na recomposição de receitas e  despesas,  sob  a  alegação  de  que  a  opção  é  irrevogável,  e  superam  o  limite  de  20%  estabelecidos na legislação de regência.   É  necessário  esclarecer,  que  o  processo  administrativo  fiscal  busca,  entre  outros, a verdade dos fatos. Assim sendo, é dever das autoridades tributárias utilizar de todas as  circunstâncias de que tenham conhecimento na busca dessa verdade. O interesse substancial do  Estado é o interesse de justiça, e não o interesse formal ou financeiro. Tendo por fim a justiça,  no procedimento há que se desenrolar uma atividade de colaboração na descoberta da verdade.   Diz, entre outras, a Lei nº 8.023, de 1990:  Art.  1º  ­ Os  resultados  provenientes  da  atividade  rural  estarão  sujeitos  ao  imposto  de  renda  de  conformidade  com  o  disposto  nesta Lei.  (...).  Art.3º ­ O resultado da exploração da atividade rural será obtido  por uma das formas seguintes:  I  ­  simplificada,  mediante  prova  documental,  dispensada  escrituração, quando a receita bruta total auferida no ano­base  não ultrapassar setenta mil BTN;  II  ­  escritural,  mediante  escrituração  rudimentar,  quando  a  receita bruta total do ano­base for superior a setenta mil BTN e  igual ou inferior a setecentos mil BTN;  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/2008­74  Acórdão n.º 2202­01.416  S2­C2T2  Fl. 7          13 III  ­  contábil,  mediante  escrituração  regular,  em  livros  devidamente  registrados  até  o  encerramento  do  ano­base,  em  órgãos da Secretaria da Receita Federal, quando a receita bruta  total no ano­base for superior a setecentos mil BTN.  Art.  4º  ­ Considera­se  resultado  de  atividade  rural  a  diferença  entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no  ano­base.  §  1º  É  indedutível  o  valor  da  correção  monetária  dos  empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural.  §  2º  Os  investimentos  são  considerados  despesa  no  mês  do  efetivo pagamento.  Art. 5º ­ À opção do contribuinte, pessoa  física, na composição  da  base  de  cálculo,  o  resultado  da  atividade  rural,  quando  positivo,  limitar­se­á a vinte por cento da receita bruta no ano­ base.  Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e  III do art. 3º  implicará o arbitramento do resultado à razão de  vinte por cento da receita bruta no ano­base.  Art. 22 ­ Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.  Art. 23 ­ Revogam­se os Decretos­lei n.º 902, de 30 de setembro  de 1969, 1.074, de 20 de janeiro de 1970, os arts. 1º, 4º e 5º do  Decreto­lei  n.º  1.382,  de  26  de  dezembro  de  1974,  e  demais  disposições em contrário.”  Diz,  também,  a  Instrução  Normativa  SRF  n.º  125,  de  26  de  novembro  de  1992, que dispõe sobre a tributação dos resultados da atividade rural, o seguinte:   Art.  14  ­  A  escrituração  rudimentar,  prevista  na  forma  de  apuração  escritural,  consiste  em  assentamentos  das  receitas,  despesas  de  custeio,  investimentos  e  demais  valores  que  integram o resultado da atividade rural no livro caixa, feita pelo  próprio  contribuinte,  não  contendo  intervalo  em  branco,  nem  entrelinhas, borraduras, raspadura ou emendas.  § 1º ­ É permitida a escrituração do livro caixa pelo sistema de  processamento  eletrônico,  em  formulários  contínuos,  com  suas  subdivisões  numeradas,  em  ordem  seqüencial  ou  tipograficamente.  § 2º ­ O livro caixa independe de registro.  Art. 15. A escrituração regular, prevista na  forma de apuração  contábil,  consiste  em  lançamentos  contábeis  em  partidas  dobradas,  feitos  em  livros  próprios  de  contabilidade,  por  contabilista  habilitado  ou,  quando  inexistir  contabilista  habilitado na localidade, pelo próprio contribuinte.  §  1º  É  facultada  a  escrituração  contábil  regular  feita  por  processamento eletrônico.  Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ   14 §  2º  A  escrituração  deve  ser  efetuada  abrangendo  todas  as  unidades  rurais  exploradas  pelo  contribuinte,  de  modo  a  permitir a apuração dos valores da receita bruta e das despesas  de  custeio  e  de  investimentos  que  integram  o  resultado  da  atividade rural.  § 3º Nos casos de exploração de uma unidade rural por mais de  uma pessoa física (art. 19), a escrituração deve ser efetuada, em  destaque, na  contabilidade de  cada contribuinte,  abrangendo a  sua participação no resultado da atividade rural.  §  4º Os  livros  utilizados  na  escrituração devem  ser numerados  seqüencialmente  e  conter,  no  início  e  no  encerramento,  anotações  em  forma  de  “Termos”,  que  identifiquem  o  contribuinte e a finalidade de cada livro.  §  5º  Os  livros  ou  fichas  de  escrituração  e  os  documentos  que  servirem  de  base  à  declaração  deverão  ser  conservados  pelo  contribuinte  à  disposição  da  autoridade  fiscal,  enquanto  não  ocorrer a decadência ou prescrição.  §  6º  A  falta  de  escrituração,  prevista  nas  formas  de  apuração  escritural e contábil, implicará o arbitramento, à razão de vinte  por cento da receita bruta no ano­calendário.  Art. 16 – Considera­se resultado da atividade rural a diferença  entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas  no  ano­calendário,  correspondentes  a  todas  as  unidades  rurais  exploradas pela pessoa física.”  A controvérsia surge sempre nos casos em que os contribuintes descumprem  a obrigação "ex lege" de apurar os rendimentos segundo uma das formas estabelecidas na Lei  n.º 8.023, de 1990. Vale dizer: quando o contribuinte lhe dá causa por descumprir a lei.  Nesta linha de raciocínio, entendo que para se fruir das deduções e reduções  consiste  na  respectiva  comprovação  e  essa  comprovação  não  é  somente  documental,  mas  também escritural, nas hipóteses das formas dos incisos II e III do art. 3º da Lei n.º 8.023, de  1990,  de  tal  maneira  que  os  documentos  sem  a  escrituração,  ou  o  inverso,  não  atendem  às  exigências legais. Assim, se a inexistência de tal comprovação decorre de descumprimento de  obrigação legal somente imputável ao contribuinte que, de modo algum, pode ser erigido em  fator excludente de tributação prevista em lei; então a conseqüência lógica só poderia ser de se  tributar a receita bruta declarada ou apurada.  Entretanto,  não  é  disso  que  trata  o  recurso  voluntário,  restou  claro  na  discussão  que  se  trata  de  omissão  de  rendimentos  provenientes  da  atividade  rural  e  que  o  suplicante não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea que pudesse elidir a acusação  imputada.  Ou  seja,  a  discussão  versa  sobre  a  possibilidade  da  utilização  do  parâmetro  de  limitação  dos  vinte  por cento  da  receita  bruta  apurada  no  ano­base  (receitas  declaradas +  as  apuradas de ofício).  Só posso discordar com a autoridade fiscal no sentido de que a apuração da  base de cálculo para incidência do imposto na atividade rural pode superar o patamar de 20%  da  receita  bruta  apurada,  sendo  irrelevante  o  fato  de  ser  apurada  pelo  contribuinte  ou  pela  autoridade fiscal de ofício.  Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/2008­74  Acórdão n.º 2202­01.416  S2­C2T2  Fl. 8          15 Ora,  nunca  é  demais  ressaltar,  que  quando  se  tratar  de  rendimentos  cuja  origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma  anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a  metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido  amparo  legal  na  legislação  em  vigor.  É,  sem  sobra  de  dúvidas,  aquela  mais  próxima  da  realidade  dos  fatos  porquanto  se  apura,  quando  for  o  caso,  a  evasão  do  tributo  na  própria  atividade exercida pelo contribuinte. Trata­se, pois, de procedimento admitido pela legislação  tributária.  Outrossim,  a  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  pressupõe  a  observância  da  legislação  de  regência  do  tributo.  Dessa  forma,  a  vinculação  é  uma  das  características  essenciais  do  lançamento  tributário,  que  só  é  eficaz  se  realizado  nos  estritos  termos  que  a  lei  o  admite,  presidido  pelo  princípio  da  legalidade  e  pela  situação  de  fato  preexistente.  Na  esteira  destas  considerações  a  exigência  de  crédito  tributário, mediante  lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve  estar subordinada ao princípio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts.  37, caput e 150, I, da Constituição Federal.  Não tenho dúvidas de que na estrita redação do art. 63 do Decreto n° 3.000,  de 1999, a  regra geral da  tributação dos  rendimentos da atividade  rural  é pelo confronto das  receitas brutas com as despesas incorridas no curso do ano­calendário. Contudo, o contribuinte  pode optar pela tributação de 20% da receita bruta do ano calendário. Porém, discordo, que esta  opção seja de caráter irrevogável, por falta de amparo legal.   Assim, nos casos de lançamento de ofício de receita da atividade rural se faz  necessário que a autoridade fiscal  lançadora observe a  limitação dos 20% da receita bruta da  atividade rural, imposta pela própria legislação de regência (Lei nº 8.023, de 1990).   Se  assim não  fosse,  qual  seria  a  forma adotada para a  apuração da base de  cálculo  da  pessoa  física  omissa  na  entrega  da  Declaração  de  Ajuste  Anual?  Com  certeza  a  autoridade fiscal lançadora iria se utilizar da limitação dos 20%. Poderíamos ainda indagar qual  seria  o  procedimento  da  autoridade  fiscal  lançadora  nas  situações  em  que  o  contribuinte  é  obrigado  a  ter  escrituração  contábil  da  apuração  das  receitas  e  despesas.  Pela  legislação  a  autoridade fiscal teria que arbitrar em 20% da receita bruta total da atividade rural como sendo  a base de cálculo do imposto a ser cobrado. São infinitas as situações que nos levam a utilizar a  limitação imposto pela legislação de regência.  Não  é  por  outra  razão  que  a  jurisprudência  deste  Egrégio  Conselho  Administrativo  de Recursos  Fiscais  não  discrepa  desse  entendimento,  como  se  constata  dos  Acórdãos proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme as ementas abaixo  transcritas:  Acórdão nº CSRF/04­00.468, Sessão de 13/12/2006   ATIVIDADE  RURAL  ­  DEDICAÇÃO  EXCLUSIVA  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  PRESUNÇÃO  ­  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  TRIBUTAÇÃO  ­  Identificada  a  omissão  de  rendimentos  com  base  em  depósitos  bancários,  via  presunção  legal,  o  contribuinte  que  se  dedica  exclusivamente  à  atividade  Fl. 15DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ   16 rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei nº.  8.023,  de  1990,  que  limita  a  base  de  cálculo  da  incidência  em  20% (vinte por cento) da omissão apurada.  Recurso especial parcialmente provido  Acórdão nº CSRF/04­00.801, Sessão de 03/03/2008  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPFExercício:  1998,  1999,  2000DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  RECURSOS  PROVENIENTES  DA  ATIVIDADE  RURAL  OMITIDA  ­  FORMA  DE  TRIBUTAÇÃO.Demonstrado,  pelos  meios  de  provas  existentes  nos  autos,  que  a  movimentação  financeira  do  sujeito  passivo  decorre  do  exercício  de  atividade  rural  cuja  tributação  foi  omitida,  ainda  que  parcialmente,  a  exigência do crédito tributário, por  força do disposto no artigo  42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, deve se dar em conformidade  com  o  artigo  5°  da  Lei  n°  8.023,  de  1990.Recurso  especial  negado.”   Acórdão  nº  CSRF/  9202­00.762  –  2ª  Turma  –  Sessão  de  13/04/2010  IRPF.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRODUTOR  RURAL.  EXCLUSIVA  ATIVIDADE  RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECÍFICO.  Os  contribuintes  que,  comprovadamente,  exercem  exclusivamente atividades rurais,  estão submetidos à  regime de  tributação  especial/específico,  contemplado  pela  Lei  nº  8.023/1990,  impondo  a  compatibilização  desta  norma  com  o  disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, a propósito da apuração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  limitando­se,  assim,  a  base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apurada, nos  precisos termos do artigo 5o da lei especifica retromencionada.  Recurso especial negado.  Finalmente é de se  ressaltar, que considera­se  resultado da atividade rural a  diferença  entre  o  valor  da  receita  bruta  recebida  e  o  das  despesas  pagas  no  ano­calendário,  correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física, sendo que este resultado limitar­se­á  a vinte por cento da receita bruta do ano­calendário. Assim sendo, na apuração anual da base  de  cálculo  da  omissão  de  rendimentos  da  atividade  rural,  deve  ser  respeitada  a  limitação  de  vinte  por  cento  da  receita  bruta  total  (declarada  +  a  apurada  de  ofício),  já  que  este  tipo  de  apuração se adapta à própria natureza do fato gerador do imposto de renda da atividade rural,  que é complexivo e tem seu termo final em 31 de dezembro do ano­base.  Assim  sendo,  o meu  entendimento  é  que  a  base  de  cálculo  da  omissão  de  rendimentos da atividade rural deve ser limitado a 20% da receita bruta apurada/declarada. Ou  seja,  de  acordo  com  os  levantamentos  efetuados  pela  autoridade  fiscal  (fls.  953/954)  ano­ calendário  de  2003  –  receita  bruta  total  da  atividade  rural  =  R$  1.705.216,04  =  20%  = R$  341.043,20; ano­calendário de 2004 – receita bruta total da atividade rural = R$ 2.468.233,91 =  20%  =  R$  493.646,78.  Como  a  autoridade  fiscal  apurou  um  resultado  tributável  de  R$  423.605,39  e  R$  1.549.912,79.  Estes  resultados  tributáveis  devem  ficar  limitado,  nos  anos­ calendário de 2003 e 2004, a R$ 341.043,20 e R$ 493.646,78, respectivamente (equivalente a  20% da receita bruta total apurado na atividade rural = declarada + a apurada de ofício).  Fl. 16DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16004.000561/2008­74  Acórdão n.º 2202­01.416  S2­C2T2  Fl. 9          17 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as  considerações  expostas  no  exame  da matéria  e  por  ser  de  justiça,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  neste  item,  para  que  a  base  de  cálculo  das  exigências  sejam  limitado a 20% da  receita bruta  total  da atividade  rural,  acompanhando o  relator nas demais  questões.  (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann                    Fl. 17DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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Numero do processo: 15889.000196/2007-46
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 LANÇAMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NOVO LANÇAMENTO FISCAL. A auditoria fiscal poderá, a critério da autoridade competente, abranger períodos e fatos já objeto de auditorias fiscais anteriores, podendo dai resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A inconstitucionalidade de lei e de violação a princípios constitucionais são demandas cuja competência de julgamento é do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. Compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização, a arrecadação e a cobrança das contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, na forma da legislação em vigor. São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços. SAT / RAT. São devidas as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, em conformidade com dispositivos legais vigentes. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator para reconhecer a decadência do lançamento para as competências 04/2002 e 05/2002 e aplicar a multa prevista no art. 35-A da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, que deve ser comparada à multa do lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 664          2 São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa  sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços.  SAT / RAT.  São  devidas  as  contribuições  previdenciárias  correspondentes  ao  financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  em  conformidade  com dispositivos legais vigentes.  MULTA.  RETROATIVIDADE.  ATO  NÃO  DEFINITIVAMENTE  JULGADO.  Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na  legislação atual.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator para reconhecer a decadência do  lançamento para as competências 04/2002 e 05/2002 e aplicar a multa prevista no art. 35­A da  Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, que deve ser comparada à multa do  lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.  (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator  Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca  Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira.  Fl. 664DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 665          3   Relatório  DO LANÇAMENTO  Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  (DEBCAD  37.075.339­9,  de  22/06/2007),  que  de  acordo  com  o  relatório  fiscal,  refere­se  às  contribuições  sociais  à  Seguridade  Social,  correspondentes  àquelas  devidas  pelos  segurados  não  retidas,  parte  da  empresa, inclusive aquelas relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do  grau  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  —  RAT,  e  contribuições destinadas a outras entidades e  fundos ­ Terceiros  (INCRA, SESC, SEBRAE e  Salário­Educação).  A  notificação  fiscal  trata  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  sendo  os  valores  extraídos  das  Relações  Anuais  de  Informações  Sociais  —  RAIS,  folhas  de  pagamento  e  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP, com análise  da contabilidade.  Foram  deduzidos  os  valores  anteriormente  exigidos  por  meio  do  LDC  35.565.083­5 e NFLD 35.797.487­5. No entanto, não  foram deduzidos o salário­maternidade  pago a Andréa Cristiane Ferreira Assad e o salário­família pago a Luiz Eduardo Conchineli e  Carlos Augusto Vicente Quagliato, em razão da não apresentação dos documentos.  DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO  O  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  fiscal,  apresentando  impugnação.  Os autos foram encaminhados para revisão fiscal em virtude da existência de  outros lançamentos fiscais com mesmo período do lançamento ora analisado.  Foi  emitida  a  Informação  Fiscal  de  fls.  236/238,  na  qual  a  autoridade  lançadora esclarece que o procedimento fiscal anterior do qual resultou a NFLD 35.797.487­5  decorreu  de  Auditoria  Fiscal  Previdenciária  Seletiva,  com  objetivo  de  analisar  e  regularizar  divergências  apontadas  pelo  sistema  informatizado  entre  valores  declarados  em  GFIP  e  os  recolhidos  em  GPS  (cruzamento  de  valores  informados  em  GFIP  e  GPS).  Não  houve  na  ocasião fiscalização, eis que não foi dada cobertura fiscal ao período em questão.  A informação fiscal reitera que os valores relativos ao LDC 35.565.083­5 e à  NFLD 35.797.487­5 foram considerados e devidamente deduzidos.  Quanto  ao  LDC  35.565.083­5,  aduz  ainda  que  o  mesmo  resultou  do  comparecimento  espontâneo  do  sujeito  passivo  à  agência,  com a  declaração  dos  débitos  que  julgava existente, sendo óbvio a necessária homologação.  Fl. 665DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 666          4 Cientificada para manifestar­se no prazo legal, a empresa retornou aos autos  para  discordar  do  entendimento  exarado  na  informação  fiscal,  ratificando  as  considerações  anteriormente formuladas na defesa.  A decisão de primeira instância administrativa fiscal decidiu pela procedência  parcial do lançamento fiscal, reconhecendo a decadência das competências 01/2002 a 03/2002  e  mantendo  os  demais  valores  lançados,  conforme  Discriminativo  Analítico  do  Débito  Retificado ­ DADR.  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  em  27/10/2008,  inconformado  interpôs recurso voluntário, alegando em síntese:  ­ a impossibilidade de exigência de débitos nos períodos compreendidos entre  04/2003 à 06/2005 em face da já lavrada NFLD 35.797.487­5 de 28/09/2005;  ­ O lançamento não pode ser revisto. Trata­se de dupla cobrança dos mesmos  fatos geradores;  ­  levando em consideração que o lançamento da NFLD deu­se em junho de  2007, considerando o período com pagamento realizado, o prazo decadencial teria como limite  para o lançamento os fatos geradores ocorridos após 06/2002;  ­ existem divergências entre o relatório levantado na NLFD e o apresentado  na  decisão  de  primeiro  grau,  por  exemplo,  no  DAD  da  NFLD  de  pagina  24,  FP5 —  DIF.  REMUN.  GFIP  X  CONTABIL,  na  competência  de  04/2002,  existia  imputação  de  um  pagamento de R$ 10,00 (dez reais) realizado;  ­  no  relatório  apresentado  na  decisão  de  primeira  instância,  na  pagina  20,  DAD ­ FP5 — DIF. REMUN. GFIP X CONTABIL, já não aparece o pagamento realizado. O  mesmo  acontece  nos  períodos  de  03/2002,  04/2002,  05/2002,  06/2002,  08/2002,  09/2002,  12/2002, 01/2003, 02/2003, 04/2003, 08/2003 e 13/2003;  ­  a  esfera  administrativa  deve  apreciar  a  inconstitucionalidade  da  mataria  posta nos autos;  ­ a presunção do lançamento fiscal é inconstitucional;  ­ as contribuições ao SESC/SENAC são ilegais;  ­ as contribuições para o SEBRAE são inconstitucionais;  ­ as contribuições para o SAT são inconstitucionais. A necessidade de lei para  definir graus de riscos das atividades comerciais e industriais. É vedado regulamento autônomo  ­ art. 89 da Constituição Federal;  ­ as contribuições para o INCRA/FUNRURAL são ilegais e não são exigíveis  das empresas de atividade urbana;  ­ a inconstitucionalidade da taxa selic;  Fl. 666DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 667          5 ­ a inconstitucionalidade da multa confiscatória;  ­ por fim, requer a improcedência do lançamento fiscal.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator  O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 657, e preenche todos os requisitos de  admissibilidade, razão pela qual passo a analisá­lo.  Os  argumentos  trazidos  no  recurso  voluntário,  na  sua  quase  totalidade,  já  foram apreciados na decisão recorrida que os indeferiu, apresentando os fundamentos.  DA DECADÊNCIA  As  contribuições  previdenciárias  são  tributos  lançados  por  homologação,  assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então  o pagamento antecipado, observar­se­á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do  CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no  art.  173,  inciso  I  do  CTN.  Nessa  hipótese,  o  crédito  tributário  será  extinto  em  função  do  previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será  observado  o  disposto  no  art.  150,  parágrafo  4o  do  CTN,  sendo  aplicado  necessariamente  o  disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ,  em  acórdão  exarado  em  Recurso  Especial  ­ REsp  761908  /  SC,  2005/0101012­8, T1  ­  PRIMEIRA TURMA,  relator Ministro  LUIZ FUX (1122), publicação DJ 18/12/2006 p. 322, prevê a aplicação de regras distintas de  contagem da decadência em um mesmo lançamento de contribuições previdenciárias, podendo  ser aplicado as regras do art. 150, § 4º, e art. 173, I, do CTN. São os transcritos da decisão:  Processo RESP  200501010128RESP  ­  RECURSO ESPECIAL  ­  761908  Relator(a)  LUIZ  FUX  Sigla  do  órgão  STJ  Órgão  julgador  PRIMEIRA  TURMA  Fonte  DJ  DATA:18/12/2006  PG:00322 RET VOL.:00054 PG:00055.  Ementa  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  SEGURIDADE  SOCIAL.  PRAZO  PARA  CONSTITUIÇÃO  DE  SEUS  CRÉDITOS.DECADÊNCIA.LEI  8.212/91  (ARTIGO  45).  ARTIGOS  150,  §  4º,  E  173,  I,  DA  CF/88.  ACÓRDÃO  ASSENTADO EM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. 1. (...).  11. In casu, a notificação de lançamento, lavrada em 31.10.2001  e  com  ciente  em  05.11.2001,  abrange  duas  situações:  (1)  diferenças decorrentes de créditos previdenciários  recolhidos a  menor (abril e novembro/1991, março a julho/1992; novembro e  dezembro/1992;  setembro  a  novembro/1993,  janeiro/1994,  Fl. 667DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 668          6 março/1994 a janeiro/1998; e março e junho/1998); e (2) débitos  decorrentes  de  integral  inadimplemento  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  autônomos  (maio  a  novembro/1996;  janeiro  a  julho/1997;  setembro e dezembro/1997; e janeiro, março e dezembro/1998) e  das contribuições destinadas ao SAT incidente sobre pagamentos  de reclamações trabalhistas (maio/1993; abril/1994; e setembro  a  novembro/1995).  12.  No  primeiro  caso,  considerando­se  a  fluência  do  prazo  decadencial  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  encontram­se  fulminados  pela  decadência  os  créditos  anteriores  a  novembro/1996.  13.  No  que  pertine  à  segunda  situação elencada, em que não houve entrega de GFIP (Guia de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social),  nem confissão ou qualquer pagamento parcial, incide a regra do  artigo  173,  I,  do  CTN,  contando­se  o  prazo  decadencial  qüinqüenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta sorte, encontram­ se  hígidos  os  créditos  decorrentes  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  autônomos  e  caducos  os  decorrentes  das  contribuições  para  o  SAT. (nosso grifo)  Da análise da decisão citada depreende­se que no pagamento parcial por parte  do contribuinte o prazo decadencial para o  lançamento pelo  fisco de eventuais diferenças de  tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador (§4º  do art. 150 do CTN). Se não houver pagamento antecipado, ou pagamento parcial, aplica­se o  art.  173,  I,  do  CTN,  cujo  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  REGRA DO §4º DO ART. 150 DO CTN.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  fiscal  em  22/06/2007  (fl.  3).  Consta  registro  de  recolhimento  parcial  para  as  competências  04/2002  e  05/2002,  conforme  folha 187 dos autos digitalizados. Assim, deve ser aplicada a regra do §4º do art. 150 do CTN  (cinco anos a contar do fato gerador). Desse modo,  todas as competências com recolhimento  parcial anteriores a competência 06/2002 estão decadentes no  lançamento  fiscal,  inclusive as  competências 04/2002 e 05/2002.  REVISÃO FISCAL  A notificação fiscal anterior NFLD 35.797.487­5 limita­se ao lançamento de  divergências entre GFIP e GPS, como informado pela autoridade lançadora e decisão recorrida  (fl. 549). O procedimento se restringiu a lançar as contribuições declaradas pelo sujeito passivo  em GFIP e sem o consequente  recolhimento em GPS. Estes valores apurados do cruzamento  das  informações  contidas  nas GFIP  e GPS  não  têm  o  condão  de  dar  cobertura  para  período  como se tivesse sido fiscalizado,  tampouco, vedam novo procedimento fiscal para verificar o  valor correto das contribuições sociais a recolher, com exame das folhas de pagamento, RAIS,  documentos contábeis da empresa e outros.  São  procedimentos  distintos  com  apurações  distintas,  apesar  de  possuírem  períodos  coincidentes. Ressalta­se que houve a  exclusão dos valores  recolhidos  e parcelados  Fl. 668DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 669          7 anteriormente  (NFLD 35.797.487­5  e  do  LDC  35.565.083­5),  quando  do  último  lançamento  fiscal. O lançamento anterior se refere a valores declarados em GFIP e não recolhidos em GPS.  O  lançamento  posterior  se  refere  a  outros  valores  encontrados  quando  da  análise  dos  documentos  de  folhas  de  pagamento,  RAIS  e  contabilidade  e  não  recolhidos,  deduzidos  os  valores apurados no lançamento anterior.  Períodos e fatos já submetidos a procedimentos fiscais anteriores poderão ser  objeto de novas auditorias, resultando em novo lançamento, nos termos dos parágrafos 1o e 2°  do artigo 570 da Instrução Normativa SRP 03, de 14 de julho de 2005.  Quanto  ao  parcelamento  realizado  LDC  35.565.083­5  são  valores  espontâneos declarados pelo contribuinte e foram deduzidos do lançamento fiscal em comento.  Desse modo,  não  houve  revisão  fiscal,  mas  sim,  novo  procedimento  fiscal  para apurar o valor que a fiscalização entende ser correto das contribuições sociais, com base  nas folhas de pagamento, RAIS e documentos contábeis.  Destarte,  não  há  que  se  falar  em  impossibilidade  de  novo  lançamento  em  razão da existência da notificação NFLD 35.797.487­5 de 28/09/2005 e parcelamento efetuado  pela empresa LDC 35.565.083­5 para o mesmo período. Como já demonstrado, são valores e  procedimentos diferentes.  Considerando  que  a  competência  04/2002  foi  considerada  decadente  e  excluída  do  lançamento  fiscal  fica  sem  efeito,  sem  propósito,  a  análise  dos  argumentos  de  divergências trazidos pelo recorrente para tal competência.  O  contribuinte  menciona  que  há  divergência  no  relatório  apresentado  na  decisão  de  primeira  instância  para  as  competências  06/2002,  08/2002,  09/2002,  12/2002,  01/2003, 02/2003, 04/2003, 08/2003 e 13/2003, entretanto, não especifica, não demonstra, nem  anexa memória de cálculo aos autos.  A  argumentação  genérica  sem  comprovação  fática,  por  si  só,  não  tem  o  condão de desconstituir o lançamento fiscal.  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA  A  declaração  de  inconstitucionalidade  de  lei  é  prerrogativa  outorgada  pela  Constituição  Federal  ao  Poder  Judiciário. A  alegação  de  inconstitucionalidade  formal  de  lei  não  pode  ser  objeto  de  conhecimento  por  parte  do  administrador  público.  Enquanto  não  for  declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre  as  partes)  ou  revogada  por  outra  lei  federal,  a  referida  lei  estará  em  vigor  e  cabe  à  Administração Pública acatar  suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo  fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado,  acordo  internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de  inconstitucionalidade, nos  termos do  art. 26­A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno  do Conselho Administrativo de recursos Fiscais ­ CARF, aprovado pela Portaria GMF n º 256,  de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF:   Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  SESC, SEBRAE, INCRA e SAT.  Fl. 669DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 670          8 Correta  a  decisão  de  primeira  instância  quanto  aos  Terceiros  (Outras  Entidades ­ SESC, SEBRAE, INCRA), fls. 555/559.  O  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF  já  pacificou  o  entendimento  pela  constitucionalidade  e  legalidade  da  cobrança  do  SESC,  SENAC,  SEBRAE  e  INCRA,  no  mesmo sentido para o seguro acidente do  trabalho – SAT, como demonstrado em decisões a  seguir:  Processo  RE­ED  576659RE­ED  ­  EMB.DECL.NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO,  Relator(a)  ELLEN  GRACIE,  Sigla  do  órgão STF   Ementa:  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  EM  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONVERSÃO  EM AGRAVO  REGIMENTAL.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  SESC  E  SENAC.  OFENSA  CONSTITUCIONAL  INDIRETA OU REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE.  ENTIDADES  NÃO  INTEGRANTES.  OBRIGATORIEDADE.  1.  Embargos  de  declaração  recebidos  como  agravo  regimental,  consoante  iterativa  jurisprudência  do  Supremo  Tribunal  Federal. 2. A controvérsia sobre as contribuições vertidas para o  SESC  e  para  o  SENAC  tem  fundamento  infraconstitucional.  Precedentes.  3.  Autonomia  da  contribuição  para  o  SEBRAE  alcançando mesmo  entidades  que  estão  fora  do  seu  âmbito  de  atuação,  ainda  que  vinculadas  a  outro  serviço  social,  dado  o  caráter  de  intervenção  no  domínio  econômico  de  que  goza.  Precedentes. 4. Agravo regimental improvido.    Processo AI­AgR 700833AI­AgR ­ AG.REG.NO AGRAVO DE  INSTRUMENTO, Relator(a) CELSO DE MELLO, Sigla do  órgão STF  Ementa:  EMENTA:  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  ­  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  DESTINADA  AO  INCRA  ­  EMPRESA  URBANA  ­  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  FOLHA  DE  SALÁRIOS ­ EXIGIBILIDADE DESSA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA ­  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMAS  DO  SUPREMO  TRIBUNAL FEDERAL ­ RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO.    Processo AI­AgR 742458AI­AgR ­ AG.REG.NO AGRAVO DE  INSTRUMENTO, Relator(a) EROS GRAU, Sigla do órgão  STF  Ementa:  EMENTA:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL.  SAT.  TRABALHADORES  AVULSOS.  CONSTITUCIONALIDADE.  1.  Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho­ SAT. Lei  n.  7.787/89,  artigo  3º,  II.  Lei  n.  8.212/91,  artigo  22,  II.  Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição  ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos  Fl. 670DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 671          9 empregados  quanto  aos  trabalhadores  avulsos  é  legítima.  Precedente. Agravo regimental a que se nega provimento.  O  contribuinte  não  traz  fato  novo  além  do  que  já  debatido  na  decisão  de  primeira instância.  As  contribuições  sociais  para  Terceiros  (Outras  entidades),  para  o  seguro  acidente  do  trabalho  ­  SAT  são  legais  e  sua  fundamentação  se  encontra  no  relatório  Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 253/259.  TAXA SELIC  É  devida  e  legal  a  aplicação  dos  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação  da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Súmula CARF nº 5: São devidos  juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.  MULTA. CONFISCO.  A  multa  aplicada  no  lançamento  fiscal  encontra  respaldo  na  lei  8.212/91,  conforme demonstrado no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. Aplicada a multa  na forma da lei não pode ser considerada confiscatória, pois este juízo de admissibilidade já foi  feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar  as  determinações  legais  e  zelar  pelo  cumprimento  da  obrigação  tributária,  respeitando  o  princípio  da  legalidade.  A  lei  em  vigor,  cuja  invalidade  ou  inconstitucionalidade  não  foi  declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado.   MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.  As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação nos  termos do art. 150 do CTN. Corrobora com o entendimento o Superior Tribunal de Justiça  ­  STJ, REsp 289181/MG.  A  multa  aplicada  pela  Lei  8.212/91,  na  redação  introduzida  pela  Lei  11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35­ A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicando­se para a multa de mora o art. 61  da Lei 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei 9.430/96. Este entendimento, também,  é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo ­ AGRESP 200601560547.  A multa de mora, art. 35 da Lei 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento  fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento  por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96.   Fl. 671DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 672          10 A multa de ofício, art. 35­A da Lei 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do  art. 44 da Lei 9.430/96 (I ­ 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata; II ­ 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de  ofício está previsto no art. 149 do CTN:  Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido  de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão  na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo ­RE­AgR  241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais ­ TRF­3ª  Região,  AC  94.03.010836­3/SP,  e  TRF­1ª  Região,  AC  1997.01.00.047531­2/DF;  que  compreendem  que  deve  ser  efetuado  o  lançamento  de  ofício  quando  constatada  diferença  a  menor,  ou  inexistência de pagamento,  ou  irregularidades na declaração de  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação (omissão ou inexatidão).   As alterações trazidas pela Lei 8.212/91 quanto à aplicação da multa devem  ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112,  ambos  do  CTN,  no  sentido  de  se  analisar  e  aplicar  a  norma  que  for  mais  benéfica  ao  contribuinte.  Ante ao exposto, por se tratar de diferenças não recolhidas na época própria  (recolhimento intempestivo da contribuição), refere­se a lançamento de ofício. Assim, a multa  a ser aplicada será a do art. 35­A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941,  de 2009, que deve ser  comparada  à multa do  lançamento,  prevalecendo  a mais  favorável  ao  contribuinte.  O crédito tributário encontra­se revestido das formalidades legais do art. 142  e  §  único,  e  arts.  97  e  114,  todos  do  CTN,  com  período  apurado,  discriminação  dos  fatos  geradores  por  intermédio  do  Relatório  Fiscal  ­  REFISC;  com  Discriminativo  Analítico  do  Débito ­ DAD; as  Instruções para o Contribuinte –  IPC; os Fundamentos Legais do Débito –  FLD;  a  identificação  do  contribuinte,  identificação  do  Auditor  Fiscal  notificante;  e  demais  informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao  recurso para  reconhecer a  decadência do lançamento para as competências 04/2002 e 05/2002 e aplicar a multa prevista  no  art.  35­A  da  Lei  8.212/1991,  com  a  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  que  deve  ser  comparada à multa do lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.  (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima                            Fl. 672DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000196/2007­46  Acórdão n.º 2803­002.260  S2­TE03  Fl. 673          11   Fl. 673DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 11610.014302/2002-73
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - DÉBITOS EXTINTOS EM OUTROS PROCESSOS. Devem ser exoneradas as exigências quando resta comprovado que se trata de débitos que foram extintos por pagamento ou por compensação em outros processos. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - DÉBITOS CONTROLADOS EM OUTRO PROCESSO. Não se conhece dos argumentos acerca de débitos que foram transferidos para outro processo e lá são exigidos e controlados. Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 1301-000.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado Recurso de oficio: negar provimento por unanimidade. Recurso voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância não conhecer dos argumentos acerca da parcela de RS 17.146,25, por não mais integrar a lide e, no mérito, dar provimento para afastar as exigências dos saldos de R$ 158.473,77 e R$ 39.295,52, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T11:58:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T11:58:01Z; Last-Modified: 2010-06-16T11:58:01Z; dcterms:modified: 2010-06-16T11:58:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T11:58:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T11:58:01Z; meta:save-date: 2010-06-16T11:58:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T11:58:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T11:58:01Z; created: 2010-06-16T11:58:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-06-16T11:58:01Z; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T11:58:01Z | Conteúdo => SI-C3T1 rt 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA - •̀ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO - -----1:13.ror ° Processo n° 11610.014302/2002-73 Recurso n° 156.307 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1301-00.177 — r Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPJ - Ex(s): 1998 Recorrentes 4? TURMA / DRJ SÃO PAULO-I / SP COPEBRÁS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - DÉBITOS EXTINTOS EM OUTROS PROCESSOS. Devem ser exoneradas as exigências quando resta comprovado que se trata de débitos que foram extintos por pagamento ou por compensação em outros processos. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - DÉBITOS CONTROLADOS EM OUTRO PROCESSO. Não se conhece dos argumentos acerca de débitos que foram transferidos para outro processo e lá são exigidos e controlados. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Recurso de oficio: negar provimento por unanimidade. Recurso voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância não conhecer dos argumentos acerca da parcela de RS 17.146,25, por não mais integrar a lide e, no mérito, dar provimento para afastar as exigências dos saldos de R$ 158.473,77 e R$ 39.295,52, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. C---- WALDIR VEIGA Riki gHA — Presidente e Relator EDITADO EM: D nnAn 3.5 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Vinícius Barros Ottoni, Nelson Kichel, Valmir Sandri e Waldir Veiga Rocha. • • • 2 Processo n° 11610.014302/2002-73 SI-C311 Acórdão n.° 1301-00.177 Fl. 2 • Relatório COPEBRÁS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 2697.833,51, discriminado no demonstrativo à fl. 18. Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — lliPJ — realizado em decorrência de erros ou inconsistências verificados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF — do 4° trimestre de 1997, segundo o disposto nas Instruções Normativas 11045/1998 e n°77/1998 (fls. 18 a 23). No Auto de Infração do IRPJ (fl. 19), a infração capitulada foi a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, nos seguintes períodos e valores (fl. 20): Código Período de Data de Valor Originário Processo de Ocorrência Apuração Vencimento Restituição/Compensação 2362 30111/1997 30/12/1997 R$ 464.188,98 10880.032515/97-98 Proc inexist no Profisc 2362 30/11/1997 30112/1997 R$ 367.799,43 10880.032514/97-25 Proc inexist no Profisc • 2362 31/12/1997 30/01/1998 R3 158.473,77 10880.032516/97-51 Proc inexist no Profisc 2362 31/12/1997 30/01/1998 R$ 39.295,52 10880.032515197-98 Proc inexist no Profisc A Interessada, tendo tomado ciência da autuação em 11106/2002 (fl. 45) apresentou sua impugnação em 10/07/2002 (fls. 01 a 04), por intermédio de sua procuradora (fls. 5 a 15), alegando, em síntese, que os débitos constantes do Auto de Infração teriam sido objeto de pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, constantes dos Processos Administrativos n° 10880.032514/97-25, 10880.0032515/97-98 e 10880.032516/97-51, conforme comprovariam os documentos de fls. 25 a 42. A 4' Turma da DRJ em São Paulo-I/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-10247, de 30/08/2006 (fls. 72/76), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: DCTF. COMPENSAÇÃO. CREDIT'OS DE TERCEIROS Exonera-se somente os valores efetivamente compensados, que haviam sido regularmente informados em DCTF. MULTA DE OFICIO. Tendo em vista o principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 — CTN — há que se proceder à exoneração da multa de oficio aplicada. 3 Por relevante, transcrevo abaixo excerto do voto condutor do acórdão recorrido: Tendo sido autuada em procedimento de Auditoria Interna de DCTF, a Impugnante alega que os débitos dela constantes teriam sido objeto de pedido de compensação com créditos de terceiros. • De fato as compensações foram pleiteadas, mas só foram parcialmente concedidas pela DER.AT/SPO/DIORT/EQPIR/PJ, por meio dos despachos decisórios de fls. 56 a 61 e 66 a 70. Considerando-se as compensações efetivamente implementadas por intermédio do SIEF e do PROFISC (fls. 62 a 64), resulta no demonstrativo abaixo: Código Período de Data de Valor Originário Compensação Valor Manada Processo de Apuração Vencimento Implementado. Restituição/Compensação 2362 30111/1997 30/12/1997 RS 464.188,98 R$ 464.188,98 R$ 0,00 10880.032515/97-98 2362 30/11/1997 30/12/1997 RS 367.799,43 R$ 350652,91 R$17146,52 10880.032514/97-25 2362 31/12/1997 30/01/1998 R$ 158.473,77 R3 0,00 R5 158.473,77 10880.032515/97-98 2362 31/12/1997 30/01/1998 R$ 39.295,52 23 18307,66 R$ 20.587,86 10880.032515/97-98 TOTAL R$ 1.029.757,70 R$ 833.549,55 R$ 196.208,15 Observe-se que a manifestação de inconformidade con ra despacho decisório, no caso de débitos de terceiros, não suspende a exigibilidade dos valores, pois os pedidos de compensação créditos com débitos de terceiros não são considerados DCOMP, para os fms do art. 74 da Lei if 9.430/1996. Por fim, com relação à multa de oficio aplicada, convem reproduzir as disposições da Instrução Normativa SRF 77/98, que regulamentam a auditoria interna das DCTF: [...] Ocorre que, em que pese o autuante ter observado corretamente os percentuais determinados por lei, eis que fundamentou a multa de oficio no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a referida exigência deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n°11.051, de 29 de dezembro de 2004, que assim estabeleceu: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homolagacão de compensação declarada pelo sul eito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infracões previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. § 4°Á multa prevista no copia deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. "(Grifou-se) gç- 4 Processo n° 11610.014302/2002-73 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00377 Fl. 3 Assim, em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II "c", da Lei n°5.172, de 25/10/1966 — CTN — há que se proceder à exoneração da multa de oficio aplicada. Ciente da decisão de primeira instância em 25/09/2006, conforme Aviso de Recebimento à fl. 86, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/10/2006 conforme carimbo de recepção à folha 87. No recurso interposto (fis. 88/95), alega preliminarmente que a fundamentação da decisão recorrida seria insuficiente, urna vez que se limitou a reportar-se aos despachos proferidos em outros processos, sem sequer mencionar os conteúdos, além da falta de fundamentação legal. Isto teria prejudicado o entendimento da recorrente quanto aos valores mantidos no presente processo, o que acarretaria a nulidade do julgado. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: Débito remanescente no valor de R$ 17.146,52: esclarece que se trata de remanescente de compensação parcialmente homologada no processo n° 10880.032514/97-25, no qual houve manifestação de inconformidade em 09/06/2006. Alega que, mesmo em se tratando de compensação de créditos com débitos de terceiros', a exigibilidade dos débitos deste processo restaria suspensa, conforme art. 151, III do CTN e jurisprudência que colaciona. Pede, assim, a suspensão da exigibilidade desta parcela, até decisão final a ser proferida nos autos do processo n° 10880.032514/97-25. Débito remanescente no valor de R$ 158.473,77: sustenta que a compensação deste débito foi feita nos autos do processo n° 10880.032516/97-51, de Minore° Brasil Participações Ltda., e não no processo n° 10880.032515/97-98, como referido na decisão recorrida. Além do mais, o débito já teria sido extinto por pagamento, para cuja comprovação faz anexar DARF da PGNF (fl. 102). Débito remanescente no valor de R$ 20.587,86: esclarece que se trata de débito remanescente , objeto de compensação nos autos do processo n° 10880.032515/97-98, de Minorco Brasil Participações Ltda. Afirma que, em 12/06/2006, a SRF teria homologado totalmente o crédito fiscal (documento à fl. 103). Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (123 500.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de oficio a este Colegiada. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria ME n°375/2001. É o Relatório. • Titular dos créditos: Anglo American Brasil, nova denominação social de Minorco. Titular dos débitos: a recorrente Copebrás Ltda. 5 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de oficio, deve-se ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1° da Portaria ME n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: "Art. 100 Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância, verifico que totalizam R$ 1.605.867,83, conforme quadro à fl. 76, superando o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de oficio permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, verifico que foram exoneradas as parcelas de R$ 464A88,98, R$ 350.652,91 e R$ 18.707,66 (vide quadro à fl. 79), por compensações efetuadas nos autos dos processos 10880.032515/97-98 e 10880.032514/97-25. A diligente autoridade julgadora em primeira instância fez acostar a estes autos cópias dos despachos decisórios proferidos naqueles processos em que restaram homologadas as referidas compensações (fls. 56/61 e 66/70), alóni de extratos dos sistemas da receita federal que registraram essas mesmas compensações (fls. 62/64). Não faço reparos, pois, à decisão recorrida e nego provimento ao recurso de oficio, quanto a este ponto. O mesmo ocorre com respeito à exoneração da multa de oficio aplicada ao lançamento. Sua base legal foi o art. 44, inciso I e § 1°, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, cuja redação vigente à época do lançamento era a que segue: "Art.44.Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1-de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § I° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; )192— Processo n © 11610.014302/2002-73 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.177 Fl. 4 Entretanto, como bem observado pela autoridade julgadora em primeira instância, não se trata aqui de autuação por falta de pagamento, mas sim por não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, ao qual se aplicava, originalmente, o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35/2001: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, O alcance desse dispositivo foi posteriormente limitado pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2003, cuja redação foi alterada ainda pelo art. 15 da Lei n° 11.051/2004, passando a vigorar como segue: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. Entendeu a Turma Julgadora a quo pela aplicação do instituto da retroatividade benigna em matéria de penalidades, pelo que exonerou as multas aplicadas ao lançamento. Também aqui considero correta a decisão recorrida e nego provimento ao recurso de oficio interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Em preliminares, a recorrente alega que a fundamentação da decisão recorrida seria insuficiente, uma vez que se limitou a reportar-se aos despachos proferidos em outros processos, sem sequer mencionar os conteúdos, além da falta de fundamentação legal. Isto teria prejudicado o entendimento da recorrente quanto aos valores mantidos no presente processo, o que acarretaria a nulidade do julgado. • Não entendo desta forma. A matéria discutida em outros processos (as compensações tributárias) não deve ser rediscutida neste. Tão somente se fez menção aos despachos decisórios lá proferidos para fins de esclarecer quais parcelas dos débitos do presente processo já haviam sido extintas por compensação. De seu contendo a interessada tomou ciência nos processos em cujos autos foram proferidos, e também lá teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa respeitado. A fundamentação legal do presente lançamento se encontra claramente especificada à fl. 19, e os créditos aqui mantidos somente podem ter por base esses mesmos dispositivos legais. 7 Finalmente, verifico que a interessada compreendeu perfeitamente as parcelas mantidas no presente auto de infração, e contestou cada uma delas, trazendo argumentos e documentos que entendeu pertinentes. Não vislumbro, pois, qualquer cerceamento ao direito da recorrente à ampla defesa e ao contraditório que pudesse causar a nulidade do acórdão recorrido. Assim, rejeito essa preliminar. No mérito, a recorrente contesta cada uma das três parcelas mantidas no presente lançamento. Considero relevante a análise empreendida pela Derat/SP, à fl. 158, em despacho do qual transcrevo o seguinte excerto: • O presente processo foi solicitado ao Conselho de Contribuintes para elaboração do despacho de fls. 154, no qual solicita-se a transferência do débito de IRPJ de 11/1997 (R$ 17.146,52) para o processo de fls 153 para evitar duplicidade no cadastramento. O referido débito, assim como todos os demais lançados no auto de infração eletrônico contestado no presente processo, são decorrentes de processos de compensação. O auto de infração foi gerado apenas porque os processos de compensação não foram devidamente cadastrados no PROFISC (fls. 20). Ou seja, o auto de infração não deveria ter sido gerado, é improcedente e deve ser revisto de oficio. Aliás, com exceção do débito citado acima os outros dois mantidos na decisão da DAT estão pagos ou liquidados no processo de compensação de origem. Vejamos: 112P.1 12/1997 (R$ 158473,77): pago no processo 13807.005382/2005-47 — inscrição em divida ativa encenada por pagamento (fls. 155 e 156). 1R_PJ 12/1997 (R$ 39.295,52): compensado no processo 10845.720001/2006- 90 — processo encerrado por compensação no SIEF (fls 157) Resta no presente processo, portanto, apenas o débito de fRPJ de 11/1997, no valor de R$ 17.146,52. No entanto, este débito não teve origem no presente auto de infração e não deveria estar neste processo, pois sua origem è o processo de compensação 10880.032514/97-25. Conforme já exposto, o débito veio para o auto de infração porque o processo de compensação não estava cadastrado no PROFISC. Ressalte-se ainda que o débito de 1RPJ de R$ 17.146,52 deve ter sua cobrança controlada por meio do processo 10845.720002/2006-34, conforme despacho de fls. 154 e extrato as fls. 153. Aliás, o próprio contribuinte não questiona este débito no recurso voluntário, apenas informa que o mesmo foi objeto de manifestação de inconformidade no processo de compensação (fls. 91). E-1 Com relação aos débitos de RS 158.473,77 e RS 39.295,52, restando comprovado pelos extratos de fls. 155/157 que foram extintos por pagamento (o primeiro) ou por compensação (o segundo), não se pode cogitar a manutenção do lançamento feito no presente processo, sob pena de exigência do tributo em dobro. Quanto à parcela no valor de RS 17.146,52, de acordo com a análise da Derat/SP, acima transcrita, a exigência foi transferida para os autos do processo n° 10845.7200002/2006-34. Esse fato é confirmado pelo extrato de processo à fl. 153. Assim, X- 8 • Processo n° 11610.0 / 4302/2002-73 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.177 EL 5 entendo que esse débito não mais integra o presente litígio, pelo que descabe a análise dos argumentos sobre essa matéria. Ademais, ressalto que a discussão sobre a extinção ou não do débito deve se dar no processo em que pleiteada a compensação, a saber o de n° 10880.032514/97-25. Naquele processo também a autoridade julgadora já se manifestou sobre a não suspensão da exigibilidade da parcela do débito não extinta por compensação, pelo que foi aberto outro processo (ri° 10845.720000212006-34) para permitir o seguimento da cobrança. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, não conheço dos argumentos acerca da parcela de R$ 17.146,52, por não mais integrar a lide e, no mérito, dou-lhe provimento para afastar as exigências dos saldos de R$ 158.473,77 e R$ 39295,52. WALDIR vÉgrrA ROCHA —Relator • 9

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Numero do processo: 35415.000344/2004-63
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A partir de 03/2000, as empresas estão obrigadas a pagar a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, por força do art. 22, inciso III da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.844
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido os Conselheiros Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A partir de 03/2000, as empresas estão obrigadas a pagar a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, por força do art. 22, inciso III da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido os Conselheiros Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA     2 Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide  na  espécie  a  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo  106,  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  Código  Tributário  Nacional,  devendo  ser  a multa  lançada  na  presente  autuação  calculada  nos  termos  do  artigo  35  caput  da Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de 1991,  com a  redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.  DA  VEDAÇÃO  AO  CONFISCO  COMO  NORMA  DIRIGIDA  AO  LEGISLADOR  E  NÃO  APLICÁVEL  AO  CASO  DE  PENALIDADE  PECUNIÁRIA  O    Princípio  de  Vedação  ao  Confisco  está  previsto  no  art.  150,  IV,  e  é   dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve  observar a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de   confisco.  Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá­la .  Além  disso,  é    de  se  ressaltar  que  a multa  de  ofício  é  devida  em  face  da  infração à  legislação tributária e por não constituir  tributo, mas penalidade   pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco  previsto  no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.  TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA  LEI 8.212/91.  Em  conformidade  com  a  Súmula    do CARF,  é  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic  para  títulos  federais.  Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em manter a  aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido os Conselheiros Mauro  José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no  mérito,  para  que  seja  aplicada  a  multa  prevista  no  Art.  61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Redator  designado(a).  Vencidos  os  Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa  aplicada;  II)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  negar  provimento  ao  Recurso  nas  demais  alegações  da  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Redator  designado:  Adriano  Gonzáles Silvério.     (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/2004­63  Acórdão n.º 2301­02.844  S2­C3T1  Fl. 247          3 Adriano Gonzáles Silvério. – Redator Designado    Participaram,  do  presente  julgamento,  a  Conselheira  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  bem  como  os  Conselheiros  Leonardo  Henrique  Pires  Lopes,  Damião  Cordeiro  de  Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA     4   Relatório  Trata­se da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.618.542­ 7, lavrada em 28/06/2004, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias  incidentes  sobre  pagamentos  a  pessoas  físicas  sem  vínculo  empregatício,  no  período  de  01/2002  a  04/2003, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 234.859,78, fls. 01.  Após  tomar  ciência  postal  da  autuação  em  06/07/2004,  fls.  83,  a  recorrente  apresentou impugnação, fls. 91/104, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do  recurso voluntário.  Na Decisão­Notificação de fls. 146/158, ficou mantido o lançamento, afastando  os argumentos da recorrente, sendo que esta foi cientificada do decisório em 22/09/2004, fls.  166.  O  recurso  voluntário,  apresentado  em  20/10/2004,  fls.  166/176,  apresentou  argumentos conforme a seguir resumimos.  Sustenta  a  nulidade  do  lançamento,  tendo  em  vista  que  não  houve  uma  adequada motivação e descrição dos fatos geradores, portanto por não ter sido obedecido o art.  142 do CTN.  Apresenta  diversos  argumentos  fundados  em  inconstitucionalidade  de  leis  e/ou decretos.  Entende que as remunerações dos trabalhadores sem vínculo não podem ser  incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária em virtude de inconstitucionalidade  declarada pelo STF.  Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer  pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal.  Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e  cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN.  É o relatório.  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/2004­63  Acórdão n.º 2301­02.844  S2­C3T1  Fl. 248          5   Voto Vencido  Conselheiro Mauro José Silva, Relator    Reconhecemos a tempestividade dos recursos apresentados e deles tomamos  conhecimento.  Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto.     Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade  de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas.  A  competência  para  decidir  sobre  a  constitucionalidade  de  normas  foi  atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV.  Em  tais  dispositivos,  o  constituinte  teve  especial  cuidado  ao  definir  quem poderia  exercer  o  controle  constitucional  das  normas  jurídicas.  Decidiu  que  caberia  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário exercê­la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal.  Por  seu  turno,  a Lei 11.941/2009  incluiu o  art.  26­A no Decreto 70.235/72  prescrevendo  explicitamente  a  proibição  dos  órgãos  de  julgamento  no  âmbito  do  processo  administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis:  “Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.”  Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  insiste  na  referida  vedação,  bem  como  já  foi  editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir:   “Portaria  MF  nº  256,  de  23  de  junho  de  2009  (que  aprovou  o  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF):  Art.  62.  Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.    Súmula CARF Nº 2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária”  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA     6 Portanto, deixamos de apreciar  todos os argumentos da recorrente fundados  em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto.  No  entanto,  quanto  à  inconstitucionalidade  do  art.  22,  inciso  I  da  Lei  8.212/91, na redação dada pelo art. 3º inciso I da Lei 7.787/89, declarada pelo STF na ADIN  1102, é de ser esclarecido que tal dispositivo não serviu como fundamento para o lançamento.  Em  fls.  31/32,  podemos  observar  que  o  fundamento  legal  do  lançamento  foi  a  Lei  Complementar  (LC)  84/96  para  fatos  geradores  até  02/2000;  e  o  art.  22,  inciso  III  da  Lei  8.212/91, incluído pela Lei 9.876/99, para fatos geradores a partir de 03/2000.    Nulidade por inconsistências no lançamento    Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo  com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  e  das  obrigações  acessórias,  fazendo  constar,  nos  relatórios  que  compõem  a  autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas,  cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN.  O  Relatório  Fiscal,  juntamente  com  todos  os  anexos  do AI  constantes  dos  autos,  traz  todos  os  elementos  que  motivaram  a  lavratura  do  lançamento  e  o  relatório  Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao  procedimento  do  lançamento,  separados  por  assunto  e  período  correspondente,  garantindo,  dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada.   Incabível  a  declaração  de  nulidade  de  lançamento  que  traz  um  enquadramento  legal  das  infrações  que  permite  ao  sujeito  passivo  identificar  os  dispositivos  legais  aplicáveis  de  modo  a  construir  adequadamente  sua  defesa.  O  enquadramento  legal  contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo  sentido há vários julgados deste Colegiado:   CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ­ INEXISTÊNCIA  Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu  enquadramento  legal,  permitindo  amplo  conhecimento  da  alegada infração. ( Ac. 1º CC ­ 108­05.383)    PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  NULIDADE  ­  Contendo  o  auto  de  infração  completa  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal,  mesmo  que  sucintos,  atendendo  integralmente  ao  que  determina  o  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/72,  não  há  que  se  falar  em  cerceamento  do  direito  de  defesa,  especialmente  quando  a  infração  detectada  foi  simples  falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC ­ 202­11700)  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  ­  CERCEAMENTO  DE  DEFESA  ­  Incabível  a  argüição  de  nulidade  do  procedimento  fiscal  quando  este  atender  as  formalidades  legais  e  for  efetuado  por  servidor  competente.  Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a  permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo,  não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/2004­63  Acórdão n.º 2301­02.844  S2­C3T1  Fl. 249          7 de  defesa.  O  cerceamento  do  direito  de  defesa  não  prevalece  quando  todos os valores utilizados na autuação se originam de  documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo.  (Acórdão 1º CC, 106­13409)  Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o  que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento.    Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009.    Antes  da  MP  449,  se  a  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias  constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas  da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que  esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o  inciso  II do art. 35 da Lei 8.212/91.  Além disso, a  fiscalização  lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32   por  incorreções ou  omissões  na  GFIP.  O  §4º  tratava    da  não  apresentação  da  GFIP,  o  §5º  da  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  e  o  §6º  referia­se  a  apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos  geradores.   Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32­A da Lei 8.212/91 que  trata  da  falta  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  trata  da  apresentação  com  omissões  ou  incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35­A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96  para os casos de lançamento de ofício. Interessa­nos o inciso I do referido dispositivo no qual   temos  a multa  de  75%  sobre  a  totalidade  do  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.   Tais  inovações  legislativas  associadas  ao  fato  de  a  fiscalização  realizar  lançamento  que  abrangem  os  últimos  cinco  anos  e  de  existirem  lançamentos  pendentes  de  definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocam­nos  diante de duas situações:  •  Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores posteriores a esta;  •  Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém  ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Vamos analisar individualmente cada uma das situações.    Lançamentos  realizados  após  a  edição  da  MP  449  e  referentes  a  fatos  geradores posteriores a esta    Fl. 273DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA     8 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores  posteriores  a  esta,  o  procedimento  de  ofício  está  previsto  no  art.  35­A  da  Lei  8.212/91,  o  que  resulta  na  aplicação  do  art.  44  da  Lei  9.430/96  e  na  impossibilidade  de  aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91.  Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio  tributo,  lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225%   nas hipóteses de  falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma  hipótese nova de  infração que, portanto,  só pode atingir os  fatos geradores posteriores  a MP  449.  Por  outro  lado,  com  relação  às  contribuições  previdenciárias,  a  falta  de  declaração  e  a  declaração inexata referem­se a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A  falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era  punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não  (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões.  É  certo que,  a princípio,  podemos vislumbrar duas normas punitivas para a  não  apresentação  e  a  apresentação  inexata  da  GFIP  relacionada  a  fatos  geradores  de  contribuições: o  art. 32­A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96.  Tendo em  conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada  com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar.   Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96  seria  aplicável para os  casos  relacionados  à existência de diferença de contribuição ao passo  que o art. 32­A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de  contribuição. No  entanto,  tal  conclusão  não    se  sustenta  se  analisarmos mais  detidamente  o  conteúdo do  art.  32­A da Lei  8.212/91. No  inciso  II,  temos  a previsão  da multa  de “de 2%  (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável  quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for  apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplica­se  também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal  conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos  casos  de  omissão  de  declaração  com  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária.  Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos,  tanto o art. 44,  inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32­A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de  declaração  ou  declaração  inexata de GFIP quando  for  apurada  diferença  de  contribuição  em  procedimento  de  ofício.  Temos,  então,  configurado  um  aparente  conflito  de  normas  que  demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são  normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério  da especialidade e critério hierárquico.  O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não  nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei  9.430/96  e  a  inclusão  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91  foram  veiculados  pela  mesma  Lei  11.941/2009.  O  critério  hierárquico  também  não  soluciona  a  antinomia,  posto  que  são  normas de igual hierarquia.  Resta­nos o critério da especialidade.   Fl. 274DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/2004­63  Acórdão n.º 2301­02.844  S2­C3T1  Fl. 250          9 Observamos  que  o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430/86  refere­se,  de  maneira  genérica,  a  uma  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  sem  especificar  qual  seria  a  declaração. Diversamente, o art. 32­A faz menção específica em seu caput à GFIP no  trecho  em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do  caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da  Lei 9.430/96 e o art. 32­A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e,  seguindo  o  critério  da  especialidade,  deve  ter  reconhecida  a  prevalência  de  sua  força  vinculante.  Em adição, a aplicação do art. 32­A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo  nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32­A assume, facilitando , no futuro, o cálculo  do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32­A estimular a apresentação da GFIP  na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de  qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da  declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido  em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a  favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art.  29  da  Lei  8.213/91,  “serão  considerados  para  cálculo  do  salário­de­benefício  os  ganhos  habituais  do  segurado  empregado,  a  qualquer  título,  sob  forma  de  moeda  corrente  ou  de  utilidades,  sobre  os  quais  tenha  incidido  contribuições  previdenciárias,  exceto  o  décimo­ terceiro  salário  (gratificação  natalina).”  Se  o  cálculo  do  salário­de­benefício  considerará  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  certamente  a  GFIP  é  um  importante  meio  de  prova  dos  valores  sobre os quais  incidiram as  contribuições. Se  aplicássemos o  art.  44,  inciso  I  da Lei  9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP.  Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença  das  contribuições  sem  que  a  apresentação  da  GFIP  pudesse  alterar  tal  valor. O  empregador  poderia  simplesmente  pagar  a  multa  e  continuar  omisso  em  relação  à  GFIP,  deixando  o  empregado sem este  importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria.  Assim,  a  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário  reforça  a  necessidade de prevalência do art. 32­A.  Portanto,  seja  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade  ou  pela  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário,  temos  justificada  a  aplicação do art. 32­A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com  informações inexatas.  Acrescentamos  que  não  há  no  regime  jurídico  do  procedimento  de  ofício  previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de  ter  ocorrido  atraso  no  recolhimento.  Trata­se  de  infração  –  o  atraso  no  recolhimento  ­  que  deixou  de  ser  punida  por meio  de  procedimento  de  ofício.  Outra  infração  similar,  mas  não  idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Podemos assim resumir o regime jurídico  das multas a partir de 12/2008:  •  A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada;  •  A multa de ofício de 75% é aplicada pela  falta de recolhimento  da  contribuição,  podendo  ser  majorada  para  150%  em  conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos  casos  em  que  existam  provas  de  atuação  dolosa  de  sonegação,  fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de  Fl. 275DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA     10 não  atendimento  de  intimação  no  prazo marcado,  conforme §2º  do art. 44 da Lei 9.430/96;  •  A  multa  pela  falta  de  apresentação  da  GFIP  ou  apresentação  deficiente desta é aquela prevista no art. 32­A da Lei 8.212/91.  Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em   lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  previsto  pela MP  449,  convertida  na  Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP.  Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda  não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Com  base  nesse  novo  regime  jurídico  vamos  determinar  a  penalidade  aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores  anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.  Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com  o art. :      Art.  144.  O  lançamento  reporta­se  à  data  da  ocorrência  do  fato gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda  que posteriormente modificada ou revogada.      § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente  à  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação,  tenha  instituído  novos  critérios  de  apuração  ou  processos  de  fiscalização,  ampliado  os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade tributária a terceiros.      §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  impostos  lançados por períodos  certos de  tempo, desde que a  respectiva  lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera  ocorrido.      Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:       I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos  dispositivos interpretados;       II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:      a) quando deixe de defini­lo como infração;      b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;      c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.    Fl. 276DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/2004­63  Acórdão n.º 2301­02.844  S2­C3T1  Fl. 251          11 A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que  devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência  dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver  deixado de definir um fato como infração.  Para  os  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  de  plano  devemos  afastar  a  incidência  da  multa  de  mora,  pois  a  novo  regime  jurídico  do  lançamento de ofício deixou de punir  a  infração por  atraso no  recolhimento. O novo  regime  pune  a  falta  de  recolhimento  que,  apesar  de  similar,  não  pode  ser  tomada  como  idêntica  ao  atraso.  O  atraso  é  graduado  no  tempo,  ao  passo  que  a  falta  de  recolhimento  é  infração  instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de  12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e  pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício.  Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no  princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo,  tem a mesma estrutura de pessoal e de  remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório  contábil para tratar de sua vida fiscal.   A  empresa  A  foi  fiscalizada  em  2007  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006  e  teve  contra  si  lançada  a  contribuição,  a multa  de mora  e  a multa por  incorreções  na  GFIP  prevista  no  art.  32,  §5º  da  Lei  8.212/91.  Quando  do  julgamento  de  seu  processo,  considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve  o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa  do 32­A da Lei 8.212/91.  A  empresa  B  foi  fiscalizada  em  2009  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006 e teve contra si  lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela  declaração inexata da GFIP com base no art. 32­A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º  da Lei 8.212/91, o que  lhe for mais  favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B  responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora.  Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora  no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e  B.  No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com  a  GFIP,  deve  ser  feito  o  cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32­A para as infrações relacionadas com a  GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei  8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106,  inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplica­se, inclusive, para a multa de ofício aplicada com  fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração  inexata.  Passamos a  resumir nossa posição sobre o  regime  jurídico de aplicação das  multas para fatos geradores até 11/2008:  •  A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada;  •  As  multas  por  infrações  relacionadas  a  GFIP  (falta  de  apresentação  ou  apresentação  deficiente),  previstas  nos  parágrafos  do  art.  32  da  Lei  8.212/91,  devem  ser  comparadas  Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA     12 com  a multa  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91,  devendo  prevalecer  aquela  que  for  mais  benéfica  ao  contribuinte.  Tal  posição  é  aplicável  inclusive  para  situações  nas  quais  a  fiscalização  tenha  feito  sua  análise  de  retroatividade  benéfica,  com  a  qual  não  concordamos,  e  aplicado  a  multa  de  75%  do  art.  44  da  Lei  9.430/96.     Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a  afastar a multa de mora.    (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator      Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35415.000344/2004­63  Acórdão n.º 2301­02.844  S2­C3T1  Fl. 252          13 Voto Vencedor  Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado:  Conforme  decidido  pela  1ª  Turma,  a  divergência  aqui  tratada  será  limitada  apenas em relação à aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, do CTN.  Em  relação  à  multa  há  de  se  registrar  que  o  dispositivo  legal  da  multa  aplicada  foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão  relativa à  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo 106, da Lei nº  5.172, de 25 de outubro de 1966.  Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a  gradação prevista na  redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991,  passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento),  uma vez  que  submetida  às  disposições  do  artigo  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de  1996.  Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35­A da Lei nº 8.212/91,  já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à  época do  lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser  verificado o fato punido.   Ora  se  o  fato  “atraso”  aqui  apurado  era  punido  com  multa  moratória,  consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a  novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado.   Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo  qual  incide na espécie a  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo  106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional,  devendo  ser  a  multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de  24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais  benéfica ao contribuinte.  Ante o exposto, CONHEÇO o recurso voluntário para, NO MÉRITO, DAR­ LHE PARCIAL PROVIMENTO a  fim de  se, mais  benéfica  ao  contribuinte,  aplicar  a multa  prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09.    Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado                    Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA     14   Fl. 280DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA

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Numero do processo: 10768.001659/2002-35
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1998 DCTF. AUDITORIA INTERNA. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, deve ser cancelado integralmente o lançamento de IRPJ realizado pela fiscalização eletrônica (auditoria interna de DCTF), adequando-se os sistemas da RFB aos valores efetivamente devidos.
Numero da decisão: 1803-000.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch

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AUDITORIA INTERNA. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, deve ser cancelado integralmente o lançamento de IRPJ realizado pela fiscalização eletrônica (auditoria interna de DCTF), adequando-se os sistemas da RFB aos valores efetivamente devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. r ir 71 DE MORAES - Presidente (jade" #20.-er.-+A WALTER ADOLFO M RESCH - Relator EDITADO EM: 2 7 AGO 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente da turma), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice- presidente), Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Benedicto Celso Benicio Júnior, Márcia Miranda Gomes Clementino. Relatório Processo n° 10768.001659/2002-35 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.097 Fl. 52 BANCO VEJA S/A (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL), pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela 7' Turma da DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho de Contribuintes, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Trata-se do lançamento de oficio de fls. 02,06/09, que teve origem em auditoria interna da DCTF relativa ao primeiro trimestre de 1997, através do qual é exigido da interessada o imposto sobre a renda de pessoa jurídica - IRPJ, no valor de R$ 87.993,15, acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. Conforme planilhas de fls. 06/07, a interessada informou na DCTF que teria efetuado pagamentos relativos aos débitos de IRPJ dos meses de janeiro e fevereiro/1997, nos valores de R$ 38.892,15,vencimento em 28/02/1997, e R$ 87.993,15, vencimento em 31/03/1997, respectivamente. Todavia, o apenas o pagamento parcial, relativo ao mês de fevereiro foi confirmado, no valor de R$ 38.892,15. Logo, foi lavrado auto de infração para cobrança do saldo devedor relativo aos meses de janeiro e fevereiro/1997, totalizando R$ 87.993.15, conforme quadro abaixo: PA Valor DCTF R$ PGTO R$ Saldo R$ jan/97 38.892,51 0,00 38.892,51 fev/97 87.993,15 38.892,51 49.100,64 TOTAL 87.993,15 Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 22/01/2002, fls. 1, informando que teria pago, apresentando cópia do pagamento de R$ 87.993,15, recolhido em 31/04/1997, fl. 03. Em despacho exarado pela DEINF/RJO, fl. 18, foi informado que o pagamento apresentado encontra-se alocado ao débito originário da D1PJ/98, fl. 11, e que a impugnação foi apresentada tempestivamente, dentro do prazo estabelecido pela Nota Corat n° 13/2001, para autos emitidos até 13/12/2001, com data de ciência padrão em 28/12/2001 e vencimento em 31/01/2002. A r Turma da DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I através do acórdão 8.860 de 10 de novembro de 2005 (fls. 58/62), julgou parcialmente procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. Comprovado o recolhimento parcial, cuja ausência teria ensejado a autuação, deve-se exonerar o valor já pago. Inconformada a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 41, afirmando que a DCTF contendo o imposto de renda devido nos meses Janeiro/97 e Fevereiro/97 estava incorreta, estando o IRPJ devido dos meses Jan/97 a Março/97 integralmente pago, conforme DARF's anexos. 2ea Processo no 10768.001659/2002-35 81-TE03 Acórdão o.° 1803-00.097 Fl. 53 É o relatório. Voto Conselheiro WALTER ADOLFO MARESCH, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata-se de auto de infração IRPJ decorrente de fiscalização eletrônica (auditoria de DCTF), onde teriam sido detectadas ausências de recolhimentos do imposto devido relativo aos meses de Janeiro/97 e Fevereiro/97, regularmente declarado e confessado em DCTF. A decisão de primeira instância exonerou parcialmente o lançamento relativo ao mês de Janeiro/97 (veto. 28/02/1997), mantendo integralmente o lançamento relativo ao mês de Fevereiro/97. Alega a recorrente em seu arrazoado de que haveria erro na DCTF relativa aos meses de Janeiro e Fevereiro/97, e que o imposto efetivamente devido conforme a DIRPJ estaria integralmente pago. Para corroborar suas afirmações, junta planilhas contendo a apuração do imposto devido nos meses de Janeiro a Março/97 (fls. 42/45), bem como DARF's recolhidos correspondentes a estes períodos (fls. 46/48). Assiste razão à recorrente. Conforme se depreende do extrato da DCTF (fls. 14), telas da DIPJ extraídas pela própria autoridade preparadora (fls. 15/17) e cópia do recibo de entrega da DIPJ (fls. 49) anexada pela recorrente, houve na verdade erro de fato no preenchimento da DCTF. Com efeito, o imposto efetivamente devido nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março/97 é respectivamente R$ 52.330,92, R$ 39.657,16 e R$ 87.993,14, constatando-se que a contribuinte declarou na DCTF valor inferior ao imposto devido referente ao mês de janeiro (vcto. 28/02/1997) e valor superior ao imposto devido referente fevereiro (veto. 31/03/1997), declarando corretamente o imposto devido referente ao mês de março/1997. Do imposto devido nos meses de Janeiro e Fevereiro/97, devem ser deduzidos os valores aplicados em Certificados Audiovisual, no valor de R$ 1.000,00 e R$ 764,66, conduzindo a um imposto efetivamente devido de R$ 51.330,92 ref. jan/97 e R$ 38.892,51 ref. fev/97, exatamente o valor recolhido por meio de DARF (fls. 46/47). Como estes valores já foram devidamente confirmados pela Secretaria da Receita Federal (fls. 07 e 12) mas erradamente alocados em virtude das informações equivocadas da DCTF (fls. 14), nada resta a ser recolhido pela recorrente Processo n°10768.001659/2002-35 SI-TE03 Acórdão n.° 1803-00.097 Fl. 54 Destarte, impõem-se o cancelamento integral do lançamento remanescente, tendo em vista o erro de fato na DCTF, devendo o DARF recolhido em 28/02/1997 no valor R$ 51.330,92 ser integralmente alocado ao imposto (estimativa) devido referente ao mês de Janeiro/97 e o DARF recolhido em 31/03/1997 no valor de R$ 38.892,51, ser alocado ao débito correspondente ao mês de Fevereiro/97, adequando-se os valores efetivamente devidos no conta corrente da SRF (atual RFB). Ante o exposto, voto por dar integral provimento ao recurso. h /te X. /2? ane e freA Walter Adolfo Maresc - Relator • 4/74( _ _ _ Processo n° 10768.001659/2002-35 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.097 Fl. 55 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, JOSÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [ Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10945.003835/2002-85
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DISTINTA À DISCUSSÃO DOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO. Se a recorrente funda seu recurso em matéria que não é objeto dos autos, ou deixa de provocá-la mediante recurso e em momento processual próprio, não há como prosperar o apelo especial manejado. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.775
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidadw le votos, NÃO CONHECER o recurso especial.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda

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NORMAS PROCESSUAIS. CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DISTINTA À DISCUSSÃO DOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO. Se a recorrente funda seu recurso em matéria que não é objeto dos autos, ou deixa de provocá-la mediante recurso e em momento processual próprio, não há como prosperar o apelo especial manejado. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidadw le votos, NÃO CONHECER • o recurso especial. ANTONI. " 4 A Presidente DAL e bk 11%0'4; - MI ' NDA • Relator FORMALIZADO EM: 08 SET 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente substituto convocado), Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocado), Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto Convocado), Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhã - — de Oliveira. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Ant. 10 Praga. Processo n° 10945.003835/2002-85 CSRF/f02 Acórdão n.° 02-03_775 Fls. 2 Relatório Trata-se de recurso especial, pela Fazenda Nacional, interposto com fundamento de que nos casos de restituição do indébito tributário fundado nos Decretos-Lei ifs 2445 e 2449, ambos de 1988, aplicável é a contagem do prazo decadencial a partir do pagamento do tributo indevido e não da Resolução do Senado Federal n° 49. É o Relatório. Voto Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator O recurso não há de ser conhecido. Passo a explicar. Como relatado, o recurso especial foi interposto com fundamento de que nos casos de restituição do indébito tributário fundado nos Decretos-Lei n's 2445 e 2449, ambos de 1988, aplicável é a contagem do prazo decadencial a partir do pagamento do tributo indevido e não da Resolução do Senado Federal n° 49. Ocorre, meus pares, que tal matéria sequer foi debatida nestes. Foi, sim, na DRJ, apreciada a questão prazo decadencial para ao lançamento do PIS, nos moldes em que realizado nestes autos. A menção que se faz a prazo decadencial para se restituir tributo indevidamente pago situa-se de modo equivocado na ementa do acórdão recorrido, fato este, friso, que não objeto da oposição de embargos de declaração pela recorrente. Para fins de esclarecimento, consigno que o contribuinte teve em seu favor decisão judicial que reconheceu seu direito a compensar os valores indevidamente recolhidos a titulo do PIS (Decretos-lei n's 2445/88 e 2449/88) com outros tributos. E assim fez a interessada, tendo sido em seguida autuada pela promoção de tal compensação, judicialmente autorizada, adotando para o PIS o critério da semestralidade. Veio, então, sua autuação. Nestes autos, portanto, não se discutiu o prazo decadencial que porventura tenha utilizado o contribuinte — e utilizou a partir de sua decisão transitada em julgado — para pleitear a restituição de fato promovida. Impugnada equivocadamente matéria que não foi objeto de debate, não há que se conhecer do apelo interposto, mesmo porque, nos autos, não houve a oposição de embargos de declaração para esclarecer equivoco que de fato há na ementa do acórdão recorrido. C-10 2 Processo n° 10945.003835/2002-85 CS RF/T02 Acórdão n.° 02-03.775 Fls. 3 Assim, voto pelo não conhecimento do recurso interposto. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2009. 11~1., DAL • - _ _ eirer ' • 0 IRANDA 3

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Numero do processo: 13811.001194/99-81
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62-A, DO RI-CARF. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considera-se válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastando-se a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PENDENTES QUANDO DA EDIÇÃO DA LEI Nº 10.637/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES E REQUISITOS. Para que não ocorresse a conversão dos pedidos de compensação pendentes quando da edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, em Declaração de Compensação, deve estar presente alguma das hipóteses previstas no §3º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. As restrições a compensação de débitos próprios passou a vigorar com a edição da MP nº 66/2002, não se aplicando a pedidos de compensação protocolizados anteriormente a esta data. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA “A QUO”. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário, deve o processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição quanto aos períodos não decaídos, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Do mesmo modo, reconhecido que os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação devem, como tal, serem julgados, devendo o processo ser remetido à Instância “a quo” para que verifique a existência de crédito líquido, certo e exigível, passível de compensação, homologando ou não as Declarações de Compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência referente aos pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 20/05/1989. E, por maioria de votos, converteram-se em declaração de compensação os pedidos de compensação protocolados antes da IN SRF nº 41/2000. Vencidos conselheira Silvia de Brito Oliveira e conselheiro Luiz Carlos Shimoyama quanto à conversão dos pedidos em declaração de compensação. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator. EDITADO EM: 25/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62-A, DO RI-CARF. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considera-se válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastando-se a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PENDENTES QUANDO DA EDIÇÃO DA LEI Nº 10.637/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES E REQUISITOS. Para que não ocorresse a conversão dos pedidos de compensação pendentes quando da edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, em Declaração de Compensação, deve estar presente alguma das hipóteses previstas no §3º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. As restrições a compensação de débitos próprios passou a vigorar com a edição da MP nº 66/2002, não se aplicando a pedidos de compensação protocolizados anteriormente a esta data. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA “A QUO”. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário, deve o processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição quanto aos períodos não decaídos, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Do mesmo modo, reconhecido que os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação devem, como tal, serem julgados, devendo o processo ser remetido à Instância “a quo” para que verifique a existência de crédito líquido, certo e exigível, passível de compensação, homologando ou não as Declarações de Compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência referente aos pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 20/05/1989. E, por maioria de votos, converteram-se em declaração de compensação os pedidos de compensação protocolados antes da IN SRF nº 41/2000. Vencidos conselheira Silvia de Brito Oliveira e conselheiro Luiz Carlos Shimoyama quanto à conversão dos pedidos em declaração de compensação. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator. EDITADO EM: 25/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2.017          1 2.016  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13811.001194/99­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­001.921  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de outubro de 2012  Matéria  PIS/PASEP  Recorrente  WHIRLPOOL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995  Ementa:  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005.  PEDIDO  PROTOCOLIZADO  ANTES  DE  SUA  VIGÊNCIA  OU  DURANTE  A  VACATIO  LEGIS.  DECADÊNCIA.  INEXISTÊNCIA.  OBSERVÂNCIA DO ART. 62­A, DO RI­CARF.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da  Lei  Complementar nº. 118/05, considera­se válida a aplicação do prazo reduzido  para  repetição,  ressarcimento  ou  compensação  de  indébitos  tributários,  quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis  de  120  (cento  e  vinte)  dias  da  publicação  da  referida  Lei  Complementar,  ocorrido  em  09  de  junho  de  2005,  afastando­se  a  prescrição  quanto  aos  pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o  direito  de  restituir  indébitos  dos  10  (dez)  anos  anteriores.  Aplicação  do  entendimento  proferido  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  no  RE  nº  566.621,  Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62­A, do RI­CARF.  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO  PENDENTES  QUANDO  DA  EDIÇÃO  DA  LEI  Nº  10.637/2002.  CONVERSÃO  EM  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO. LIMITES E REQUISITOS.  Para que não ocorresse a conversão dos pedidos de compensação pendentes  quando  da  edição  da  Medida  Provisória  nº  66/2002,  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002,  em Declaração  de  Compensação,  deve  estar  presente  alguma  das hipóteses previstas no §3º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. As restrições a  compensação  de  débitos  próprios  passou  a  vigorar  com a  edição  da MP nº  66/2002,  não  se  aplicando  a  pedidos  de  compensação  protocolizados  anteriormente a esta data.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 11 94 /9 9- 81 Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     2 REFORMA  PARCIAL  DA  DECISÃO  DA  INSTÂNCIA  “A  QUO”.  SUPRESSÃO  DE  INSTÂNCIA.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO.  Afastada  a  decadência  do  direito  de  pleitear  a  indébito  tributário,  deve  o  processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento ­ DRJ, a fim de  que  analise  o  mérito  do  pedido  de  restituição  quanto  aos  períodos  não  decaídos, evitando­se a supressão de instância e consequente cerceamento do  direito  de  defesa.  Do  mesmo  modo,  reconhecido  que  os  pedidos  de  compensação  foram  convertidos  em  Declaração  de  Compensação  devem,  como  tal,  serem  julgados,  devendo  o  processo  ser  remetido  à  Instância  “a  quo”  para  que  verifique  a  existência  de  crédito  líquido,  certo  e  exigível,  passível  de  compensação,  homologando  ou  não  as  Declarações  de  Compensação.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, unanimidade de votos,  dar provimento  parcial  ao  recurso  para  afastar  a  decadência  referente  aos  pagamentos  correspondentes  aos  fatos geradores ocorridos a partir de 20/05/1989. E, por maioria de votos, converteram­se em  declaração  de  compensação  os  pedidos  de  compensação  protocolados  antes  da  IN  SRF  nº  41/2000. Vencidos conselheira Silvia de Brito Oliveira e conselheiro Luiz Carlos Shimoyama  quanto à conversão dos pedidos em declaração de compensação.    (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho  ­ Presidente Substituto.   (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior ­ Relator.    EDITADO EM: 25/11/2012  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Fernando Luiz  da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco  Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos  Manatta.  Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.018          3 Relatório  Por  bem  tratar  os  fatos,  transcrevo  parte  do  relatório  do  Acórdão  nº  13­ 36.434,  redigido  pela  DRJ/SP1,  até  aquela  fase,  quando  do  julgamento  da Manifestação  de  Inconformidade:  Trata­se  de  pedido  de  restituição  protocolizado  pela  empresa  acima  em  20/05/99,  relativo  a  valores  de  PIS  dos  períodos  de  apuração  07/88  a  09/95,  recolhidos  pela  própria  e  por  suas  incorporadas Brastemp S/A, CNPJ 59.105.999/0001­86, Cônsul  S/A, CNPJ 84.684.349/0001­80,  e  S/A, CNPJ 61.364.725/0001­ 53,  conforme  cópias  de  DARE  ás  fls.26­212.  No  pedido  de  restituição  a  empresa  informou  como  motivo  da  solicitação  a  inexigibilidacle  do PIS  na  forma prevista  nos Decretos­leis  nºs  2.445  e  2.449/88.  Cumulativamente,  apresentou  pedidos  de  compensação de crédito com débitos de terceiros protocolizados  entre  29/07/99  e  21/01/2000,  constantes  dos  processos  10920.001236/99­67, 10920.001611/99­14, 10920.00161249­87,  10920.001863/99­15,  10920.000031/00­24,  13819.00089/00­41,  13819.000090/00­21,  10880.012080/00­41,  10880.012081/00­ 12,  10880.012082/00­77,  10880.012083/00­30  e  10805.001440/00­91,  apensos  ao  processo  de  restituição.  Em  requerimento de fls.219, a interessada, após revisão dos cálculos  de  atualização  monetária,  solicitou  alteração  do  valor  a  ser  restituído constante de seu pedido.  2. Mediante Despacho Decisório de 06/12/2005  (fls.1498­1508,  a Diort da Derat/SP constatou que:  2.1.  A  interessada  ajuizou  ação  declaratória  nº  98.0005251­8,  cumulada com repetição de  indébito, na qual submete o mesmo  crédito  objeto  do  pedido  de  restituição  a  apreciação  do  judiciário, sendo, a teor do art.1º,§ 2º do Decreto­lei 1.737/79 e  parágrafo  único  da Lei  n°  6.830/80,  impossível  a discussão  do  mesmo crédito na esfera administrativa;  2.2.  Como  não  houve  decisão  transitada  em  julgado  reconhecendo  o  direito  da  interessada,  não  se  pode  falar  em  compensação  com  tais  créditos,  vez  que  o  art.170  CTN  exige,  para fins de compensação, que o crédito do sujeito passivo seja  líquido  e  certo.  Também  o  art.  17  da  IN  SRF  n°  21/97  (mantendo­se  essa  regra  nos  normativos  posteriores)  exigia  a  comprovação  de  desistência  perante  o  Poder  Judiciário  da  execução do titulo judicial para efetivação da restituição.  2.3.  Nos  termos  da  IN  SRF  nº  21/97,  somente  a  parcela  do  crédito que exceder o total dos débitos da empresa é que poderá  ser usada para compensação com débitos de outra empresa.   2.4.  Os  pedidos  de  compensação  de  crédito  com  débitos  de  terceiros  não  foram  transformados  em  declarações  de  Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     4 compensação,  pois  o  art.  74  da  Lei  n.º  9.430/96,  com  redação  dada pela Lei n.° 10.637/2002, fala em compensação de débitos  próprios.  2.5. A base de cálculo para o PIS é o faturamento do mês do fato  gerador,  tendo  em  vista  alteração  introduzida  pela  Lei  n.º  7.691/88,  o  que  ficou  esclarecido  na  decisão  de  consulta  formulada  pela  própria  manifestante.  Além  disso,  a  empresa  utilizou  incorretamente  em  seus  demonstrativos  a  alíquota  de  0,35%  para  apuração  do  PIS  do  ano  de  1989,  vez  que  essa  alteração  de  alíquota,  introduzida  no  âmbito  dos Decretos­leis  n.º 2.445 e 2.449/88, perdeu seu efeito em razão da declaração  de  inconstitucionalidade  desses  atos,  voltando  a  ser  aplicável  naquele período a alíquota de 0,75%.  2.6. Pelo acima exposto,  foi  indeferido o pedido de  restituição,  ficando prejudicados os pedidos de compensação de crédito com  débitos terceiro.   3.  Inconformado com o referido despacho decisório,do qual  foi  cientificada  em  19/05/2006  (fls.1538,  verso),  a  contribuinte  protocolizou, em 16/06/2006, a manifestação de inconformidade  de  fls.  1552­1583,  acompanhada  dos  documentos  de  f1s.1584­ 1607,  na  qual  deduz  as  alegações  a  seguir  resumidamente  discriminadas:  3.1.  Esclarece  que  o  objeto  da  Ação  Declaratória  n.º  98.0005251­8 é a compensação do PIS recolhido indevidamente  conforme  os Decretos­leis  n.º  2.445/88  e  2.449/88  com  débitos  do  PIS  apurados  entre  10/95  e  04/99,  ou  seja,  objeto  da  ação  judicial  é  a  restituição/compensação  tão  somente  dos  valores  que  foram  utilizados  para  a  compensação  com  os  débitos  do  próprio  PIS,  e  não  a  restituição  do  valor  integral  do  PIS  indevidamente  recolhido  entre  07/88  e  09/95.  Como  o  crédito  não foi inteiramente consumido na compensação com o PIS, diz  que  ingressou  com  o  presente  pedido  de  restituição  do  saldo  remanescente,  para  compensá­lo  com  débitos  de  IPI  de  suas  filiais, concluindo não se aplicar ao caso presente a vedação do  art.17 da IN SRF n.º 21/97, já que não se trata de crédito objeto  de ação judicial.  3.1.1.  Menciona  despacho  Eqamj  o  qual  conclui  que  as  ações  perpetradas pela contribuinte, cujas cópias foram juntadas neste  processo, não tem como objeto principal o pedido de restituição  de  PIS  formulado  nestes  autos,  devendo  o  processo  ser  encaminhado  a  Eqidt/Diort/Derat/SP  para  análise  do  pedido,  que não foi apreciado na integralidade pelo Judiciário. Ressalta  que a conclusão da Eqamj foi obtida pelas provas juntadas pela  empresa  aos  autos,  inclusive  declaração  da  própria  empresa  informando que o objeto da ação judicial era a compensação do  PIS  com  PIS  e  o  deste  pedido  é  a  restituição  do  saldo  remanescente do PIS para compensação com IPI, bem como pela  análise  das  certidões  de  objeto  e  pé  anexadas  ao  processo.  Indaga como pode seu pedido ser indeferido se o próprio órgão  competente da SRF responsável pela análise e acompanhamento  de medidas judiciais informa que o objeto da ação judicial não é  o  mesmo  do  pedido  de  restituição.  Aduz  que  tal  divergência  Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.019          5 torna  nulo  o  despacho  decisório  por  vício  de  motivação,  violando arts. 36 e 38 da Lei nº 9.784/99, que transcreve.  3.1.2. Afirma que os DARF dos recolhimentos indevidos do PIS  foram  juntados  à  ação  judicial  apenas  para  comprovação  de  existência  do  crédito,  ainda  que  o  pedido  da  ação  tenha  se  limitado ao valor dos débitos do PIS.  3.2.  Relata  que  adotou  todos  os  procedimentos  administrativos  conforme a IN SRF n.º 21/97 e art. 74 da Lei n.° 9.430/96. Alerta  que a vedação contida na IN SRF n.º 41/2000 somente produziu  efeitos em relação aos pedidos formulados a partir de 10/04/00,  não  se  aplicando  aos  pedidos  de  compensação  com débitos  de  terceiros  objeto  desta  análise  porquanto  formalizados  antes  da  vigência dessa IN. Afirma que o STJ se manifestou no sentido de  não ser aplicável o art. 170 do CTN para pagamentos efetivados  antes  de  sua  vigência,  transcrevendo  decisão  daquele  Tribunal  no sentido que o art. 170­A do CTN não atinge os pagamentos  indevidos feitos antes de sua vigência, o que confirmaria sua tese  de  que  a  legislação  que  vedou  a  compensação  de  crédito  com  débitos de terceiros somente pode ser aplicável a fatos futuros à  vigência do IN SRF n.º 41/2000.  3.2.1. Explica a manifestante que,  conforme § 4° do art.  74 da  Lei  n.°  9.430/96,  redação  dada  pela  MP  n.º  66/2002,  seus  pedidos  de  compensação  que  se  encontravam  pendentes  de  apreciação pela DRE passaram a ser considerados declarações  de compensação. E, continua a manifestante, de acordo com o §  2° desse mesmo artigo, as declarações seriam suficientes para a  extinção  do  crédito  tributário,  situação  que  se  estendeu  aos  pedidos  transformados  em  declaração  de  compensação.  Assim,  conclui  que  tanto  o  pedido  de  restituição  quanto  os  de  compensação  aqui  tratados  passaram  a  ser  considerados  declaração de compensação desde o seu protocolo,  já que pela  sistemática anterior não havia pedido de compensação  isolado,  sem que fosse atrelado a um pedido de compensação.  3.2.2. Cita a IN SRF n.º 226/2002 aduzindo que, conforme art. lº  dessa  instrução,  o  indeferimento  liminar  do  pedido  de  compensação  com  débitos  de  terceiro  somente  se  aplicaria  no  caso  em  questão  se  os  pedidos  tivessem,  sido  protocolados  posteriormente cm 10/04/2000, o que não ocorreu.  3.2.3.  Afirma  que  a  interpretação  do  órgão  que  apreciou  o  pedido  de  restituição,  de  que  o  caput  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430/96 não se referiu à compensação de débitos de  terceiros,  consequentemente  não  se  transformando  em  declarações  de  compensação os pedidos compensação em análise é, no mínimo  desprovida  de  qualquer  cunho  hermenêutico  já  que  é  evidente  que  esse  caput,  sendo  alterado  por  uma  medida  provisória  editada  após  a  publicação  de  instrução  normativa  que  vedou  futuras  compensações  com  créditos  c/c  terceiros  (IN  SRF  n.°  41/2000), jamais poderia ter feito qualquer menção a débitos de  terceiros, pois não estava mais em vigor essa possibilidade.  Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     6 3.2.4. Cita art. 53 da Lei nº 9.784/99 para afirmar que ainda que  a  IN  SRF  n.°  21/97,  utilizada  para  embasar  este  pedido  restituição/compensação,  tenha  sido  revogada,  não  pode  o  Administração  violar  os  direitos  do  contribuinte  exercidos  quando  da  sua  vigência  sob  pena  de  violação  ao  mencionado  art.  53,  cujo  fundamento  de  validade  é  o  texto  Constitucional.  Argumenta que deve ser respeitado o direito adquirido, tendo a  Administração  que  considerar  que  uma  norma  que  produziu  efeitos  em  relação  a  uma  situação  de  fato  (transformação  dos  pedidos  de  compensação  em  declaração  de  compensação)  não  pode ser posteriormente modificado e retroagir para alcançar a  mesma situação, violando direitos e garantias individuais.  3.2.5.  Repete  que  seus  pedidos  de  restituição/compensação  foram transformados em declaração de compensação, nos exatos  termos do art. 4.° do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, redação dada  pela  Lei  n.º  10.637/2002,  cuja  consequência  foi  a  extinção  do  crédito  sob  condição  resolutória  de  ulterior  homologação.  Argumenta  que,  de  acordo  com  o  §  5.°  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430/96,  redação  dada  pela  Lei  n.º  10.833/2003,  resultado  da  conversão  da  MP  n.°  135/2003,  como  a  Administração  não  homologou  a  compensação  dentro  do  prazo  de  cinco  anos,  devem ser considerados extintos, nos  termos do art. 156,  II, do  CTN, os créditos de IPI informados nos pedidos de compensação  transformados  em  declaração  de  compensação  cuja  homologação tácita ocorreu em 20/05/2004 e 10/08/2004.  3.3 Explica que o entendimento da Autoridade que apreciou os  pedidos,  no  sentido  de  que  não  cabe  a  manifestação  de  inconformidade  contra  o  despacho  decisório,  viola  dispositivos  constitucionais e os arts. 183, 209 e 211 da Port. MF n.º 227/98  (atual  art.  227  da  Port.  MF  n.º  9.784/99).  Conclui  que  a  manifestação  de  inconformidade  sempre  é  cabível  contra  apreciações  do  Delegado  da  RF,  conforme  expressamente  previsto  em  seu  regimento  interno,  ressaltando  ainda  que  a  premissa utilizada no despacho decisório está equivocada, pois  todos os pedidos pendentes quando da edição da MP n.º 66/2002  foram convertidos em declarações de compensação.  3.3.1. Entende que não é crível imaginar que, agindo de acordo  com a legislação válida e eficaz à época da ocorrência dos fatos,  o  contribuinte  tenha  seu  direito  de  recurso  extirpado  sem  qualquer justificativa, contrariando os arts. 5.º, XXXVI e LV e 37  da  CF.  Comenta  que  também  a  Lei  n.º  9.784/99  previu  expressamente  as  garantias  já  contidas  na  CF  bem  como  o  direito  do  contribuinte  recorrer  contra manifestações  do  órgão  público.  Cita  arts.  2.º,  parágrafo  único,  incisos  X  e  XIII,  e  56  dessa  lei.  Conclui  ser  evidente  que  a  ora  peticionária  tem  o  direito  de  interpor  manifestação  de  inconformidade  contra  o  despacho  decisório  da  Diort/Derat/SP,  não  só  porque  há  previsão  no  art.  74  da  Lei  n.º  9.430/96,  que  se  aplica  integralmente ao caso em exame, mas também porque já havia, e  continua havendo, disposição expressa no Regimento interno da  SRF, além de precisão no art. 48 da IN SRF n.º 600/2005, sem  esquecer  da  da  referida  Lei  n.  9.784/99.  Transcreve  diversas  decisões  do  Conselho  a  embasar  sua  tese  de  que  é  cabível  a  manifestação  de  inconformidade  no  caso  presente,  devendo  permanecer  suspensa  a  exigibilidade  do  crédito,  conforme  art.  Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.020          7 74,  §  11,  da  Lei  n.º  11.051/2004,  no  sentido  de  que  será  considerada não declarada a compensação cujo crédito seja de  terceiros,  não  se  aplica  ao  presente  caso  pois  tal  previsão  foi  inserida  após  o  protocolo  dos  pedidos  de  restituição/compensação  e  também  após  os  pedidos  de  compensação  já  terem  sido  transformados  em  declarações  de  compensação.  Cita  decisões  do  Conselho  de  Contribuintes  a  embasar sua tese, uma delas afirmando que as IN SRF n.º 14, 15  e  16,  todas  publicadas  no  DOU  de  16/02/2000,  levariam  ao  entendimento  de  que  os  débitos  decorrente  da  compensação  estariam  com  sua  exigibilidade  suspensa  até  o  trânsito  em  julgado  da  decisão  administrativa.  Requer  seja  admitida  a  presente manifestação de inconformidade com os efeitos do art.  151, III do CTN, inclusive contra a parte do despacho decisório  que julgou prejudicadas as compensações em análise.  3.4. Transcreve decisão do STJ para afirmar que esse Tribunal  pacificou entendimento no  sentido de que a base de cálculo do  PIS é o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato  gerador, não se tratando a regra do art. 6.º, parágrafo único, da  LC n.º 07/70 de prazo de vencimento, e sim de base de cálculo.  Por  isso,  segue  a  manifestante,  não  são  aplicáveis  a  Lei  n.º  7.691/88,  que  cuida  de  prazo  de  vencimento  da  contribuição,  nem  o  Parecer  PGFN  CAT  n.º  437/98,  que  foi  expedido  anteriormente  à  decisão  do  STJ,  não  podendo  prevalecer  seus  argumentos.  Cita  decisão  do  Conselho  de  Contribuintes  a  embasar sua tese.  3.4.1.  Afirma  que  a  Administração  tem  o  dever  de  seguir  a  orientação dos Tribunais Superiores, conforme arts. 2.º, 4.º e 5.°  do Decreto 2.346/97, e em prol dos princípios da moralidade e  da  eficiência  da  Administração  Pública  (art.  37  da  CF).  Cita  trecho  do  Parecer  PGFN/CRJ  n.°  2.195/2004  a  confirmar  sua  tese  que  a  Administração  Pública  deve  acatar  as  decisões  pacíficas  do  Judiciário.  Conclui  que  a  base  de  cálculo  a  ser  utilizada na composição credito do PIS é o faturamento do sexto  mês anterior ao fato gerador.  3.5. Em relação a observação feita pelo Despacho Decisório que  um equívoco na alíquota utilizada para o ano de 1989, esclarece  que  os  valores  apontados  dão  conta  do  recolhimento  do  PIS  efetuado  conforme  a  legislação  vigente  à  época,  cuja  alíquota  era de 0,35% sobre a receita bruta operacional, nos  termos da  Lei  n.º  7.689/88.  No  cálculo  do  crédito,  continua  a  empresa,  tomou­se referida lei como suporte para apuração da diferença  devida  com  base  na  Lei  Complementar,  pois  a  legislação  que  tratou  da  alíquota  não  foi  objeto  de  declaração  de  inconstitucionalidade  como  apontou  a  Autoridade  Administrativa.  Cita  decisão  Conselho  de  Contribuintes  a  embasar sua tese.  3.6.  Pelo  exposto,  requer  seja  recebida  esta  manifestação  de  inconformidade  não  só  em  relação ao  indeferimento do  pedido  de  restituição, mas  também  em  relação  parte  do  despacho  que  julgou prejudicadas as compensações realizadas pelos processos  Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     8 de  pedidos  de  compensação de  crédito  com débito de  terceiros  referidos  anteriormente,  devendo  a  manifestação  ser  recebida  com os efeitos do art. 151, III, do CTN a fim de que não prossiga  a  cobrança  dos  valores  objeto  das  compensações  até  a  apreciação  pela  DRJ.  Requer  ainda  a  acolhimento  desta  manifestação  inconformidade,  devendo  ser  anulado o  despacho  decisório  respectivo  e  reconhecida  a  extinção  do  crédito  tributário  em  virtude  da  homologação  tácita  da  compensação,  conforme art. 156, do CTN, ou, caso contrário, seja reformado o  despacho decisório e deferido o pedido de restituição bem como  homologados  os  pedidos  de  compensação  com  IPI,  pois  que  todos os procedimentos foram adotados em conformidade com a  legislação vigente a época de seus protocolos."  5.  Em  07.11.2006  esta  9ª  Turma  da  DRJ/SPOI  não  acolheu  manifestação  de  inconformidade  e  proferiu  Acórdão  n°  16­ 11.456 (f1s. 1626­1650), assim ementado:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995  CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.  A  matéria  suscitada  perante  o  Poder  Judiciário  não  pode  ser  apreciada na via administrativa.  DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.  Não  tendo  ocorrido  o  disposto  no  art.  59  do  Decreto  n.º  70.235/72,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  despacho  decisório.  COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIAIS.   O  art.  170  do  CTN  só  autoriza  compensação  com  créditos  líquidos  e  certos.  Também  a  IN  SRF n.º  21/97  só  autorizava  a  utilização,  para  fins  de  compensação,  de  crédito  judicial  decorrente de sentença judicial transitada em julgado.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO  DE  CRÉDITO  COM  DÉBITO  DE TERCEIRO.   O art. 74 da Lei n.º 9.430/96, alterado pela MP n.º 66/2002, que  introduziu  a  sistemática  declaração  de  compensação,  fala  em  compensação de débitos próprios,  não  se  referindo a débito de  terceiro.  SEMESTRALIDADE.  O art. 6º da LC n° 07/70 100 determina que o PIS seja apurado  com base no faturamento verificado no sexto mês anterior ao da  ocorrência do fato gerador. Trata­se de simples fixação de prazo  de  vencimento,  que  posteriormente  foi  alterado,  sem  que  tais  alterações tivessem sua validade questionada.  Solicitação Indeferida.´  Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.021          9 6.  Cientificada  do  Acórdão  da  DRJ/SPOI  em  28.12.2006  (fl.  1651­verso),  a  interessada  apresentou,  em  26.01.2007,  recurso  voluntário ao Conselho de Contribuintes.  7. Em 20.11.2007 a Quarta Turma do então Segundo Conselho  de Contribuintes analisou o processo, e por meio do Acórdão nº  204­02.882  (fls.  1781­1788)  foi  dado  parcial  provimento  ao  recurso da interessada, conforme transcreve­se a seguir:  ´PIS.  RECOLHIMENTOS  COM  BASE  NOS  DECRETOS­LEI  NºS  2.445/88  E  2.449/88.  AÇÃO  JUDICIAL.  AUSENCIA  DE  CONCOMITÂNCIA. Quando o pedido ação judicial refere­se do  reconhecimento da regularidade da compensação realizada com  crédito  de  tributo  declarado  inconstitucional  pelo  STF,  configurando­se a questão da existência do crédito como questão  incidental ao pedido principal, não se configura a concomitância  deste  processo  com  o  pedido  administrativo  de  restituição  do  crédito  decorrente  do mesmo  tributo  de  valores  não  utilizados  nas compensações que se quer homologar na via judicial.  A  eventual  procedência  da  ação  judicial  não  dará  ao  contribuinte o direito de crédito, mas tão somente reconhecerá a  regularidade  de  compensações  realizadas  com  o  crédito.  Havendo crédito excedente não utilizado na compensação objeto  da  ação  judicial,  cabe  pedido  de  restituição  para  o  seu  reconhecimento e utilização posterior.  REFORMA  DA  DECISÃO  RECORRIDA.  REMESSA  DOS  AUTOS  PARA  APRECIAÇÃO  DO  MÉRITO.  Tendo  a  decisão  recorrida  utilizado  como  premissa  principal  a  existência  de  concomitância, deve a mesma ser superada quando se reconhece  a sua inexistência. Os autos devem ser remetidos para prolação  de nova decisão, que aprecie o mérito do pedido de restituição e  dos pedidos de compensação dele dependentes.  Recurso provido em parte.  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos  de  recurso  interposto por WHIRLPOOL S/A (ATUAL DENOMINAÇÃO DE  MULTIBRÁS S/A ELETRODOMÉSTICOS).  ACORDAM  os  Membros  da  Quarta,  Câmara  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, para afastar a  concomitância e  determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo,  para  análise  do  mérito.  Esteve  presente o Dr. Pedro Lunardelli.´ (negrito do original)  8. A PGFN  interpôs Embargos  de Declaração  (fls.  1792­1794)  que foram rejeitados por meio do Acórdão n° 3402­00.177 da 4ª  Câmara  da  2ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção  de  Julgamento do CARF (fls. 1803­1804).     Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     10 A  nova  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  Recorrente  foi  julgada pela DRJ/SP1 e obteve sua procedência em parte, nos termos do Acórdão nº 16­36.434,  que passo a transcrever a ementa:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995  DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.  Não  tendo  ocorrido  o  disposto  no  art.  59  do  Decreto  n.°  70.235/72,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  despacho  decisório.   RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.  O direito de pleitear restituição/compensação extingue­se com o  decurso  do  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  do  recolhimento indevido (Ato Declaratório SRF n° 96/99).  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO  DE  CRÉDITO  COM  DÉBITO  DE  TERCEIRO.  NÃO  CONVERSÃO EM DCOMP.  O pedido de restituição e os pedidos de compensação de crédito  com  débito  de  terceiros,  pendentes  de  análise  pela  RFB,  protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria  (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova  sistemática da declaração de compensação.  PIS. SEMESTRALIDADE.  A  base  de  cálculo  do  PIS,  prevista  no  artigo  6°  da  Lei  Complementar  nº  7,  de  1970,  é  o  faturamento  do  sexto  mês  anterior, sem correção monetária.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte      DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Cientificado  do Acórdão  supracitado  em  04/04/2012,  conforme  documento  postal  de  fls.  1866,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls.  1867/1895)  em  04/05/2012, aduzindo os fundamentos que a seguir sintetizo:  ­  Não  ter  ocorrido  a  decadência  do  direito  à  restituição  do  crédito  de  PIS  recolhido  indevidamente,  pelo  fato  de  que,  até  a  declaração  de  inconstitucionalidade  da  legislação, não havia direito à repetição do indébito tributário, devendo o prazo de ser contado  à partir da Resolução do Senado Federal e não da extinção do crédito tributário;  ­  Os  pedidos  de  compensação  foram  convertidos  em  declarações  de  compensação e tacitamente homologados, pelo fato de que à época dos protocolos dos pedidos,  a Recorrente estava submetida às regras da IN SRF nº 21/97, sendo a IN SRF nº 41/00 norma  posterior aos fatos, sendo, portanto, inaplicável ao caso;  Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.022          11 ­ Que deve ser utilizada a alíquota de 0,35% para o cálculo do crédito de PIS  referente ao ano de 1989;  ­  Que  os  créditos  utilizados  são  suficientes  para  compensar  os  débitos  analisados;  Ao final, o recorrente requer o seguinte, que transcrevo de sua petição:  (i)  Afastar  a  suposta  decadência  dos  pagamentos  de  PIS  indevidamente  efetuados  com  fundamento  nos Decretos  leis  no  2.445 e 2.449/88 pela Recorrente e empresas a ela incorporadas  antes  de  20/05/1994  tendo  em  vista que  o  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  no  caso  de  declaração  de  inconstitucionalidade  de  lei  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF) com suspensão da execução da norma por Resolução do  Senado Federal se inicia da data da publicação desta;   (ii)  Reconhecer  a  conversão  dos  Pedidos  de  Compensação  em  Declarações de Compensação nos termos da Lei nº 9.430/1996;  (iii)  Bem  como  admitir  a  realização  da  compensação  com  créditos de terceiros, decorrentes da operação de incorporação  efetuada pela ora Recorrente legítima à época do protocolo dos  pedidos  visto  que  anteriores  à  vedação  instituída  pela  IN  SRF  41/00,  a  qual  expressamente  previu  que  tal  vedação  não  se  aplicaria  aos  pedidos  de  compensação  formalizados  até  o  dia  09/04/00;   (iv) Reconhecer a extinção dos créditos tributários de IPI, objeto  dos  pedidos  de  compensação  convertidos  em  declaração  de  compensação,  cuja  homologação  tácita  ocorreu  em  20/04/04  e  10/08/04.  (v) Reconhecer como correto o procedimento da Recorrente ao  aplicar  a  alíquota  de  0,35%  sobre  a  receita  bruta  operacional  para  o  ano  calendário  1989  nos  termos  do  previsto  pela  Lei  7.689/88;  (vi)  Requer  a  ora  Recorrente  que  os  Ilmos.  Julgadores  deste  Tribunal  Administrativo  reconheçam  a  existência  do  direito  creditório  decorrente  de  saldo  credor  de  PIS  Decreto,  após  a  realização  das  compensações  discutidas  nos  processos  administrativos  nº  11610.008090/2001­12,  13811.003295/2002­ 43,  19679.005959/2003­48,  e  nas  execuções  fiscais  no  97.0570033­8,  2005.61.82.044624­4,  e  2004.61.82.046462­0,  sendo  o  referido  crédito  suficiente  para  homologar  as  compensações  com  débitos  de  IPI  em  análise  no  presente  processo;  (vii)  Desse  modo,  requer  sejam  homologadas  todas  as  compensações  com  débitos  de  IPI  efetuadas  pela  Recorrente,  inclusive suas filiais;   (viii)  Determinar  a  suspensão  da  exigibilidade  dos  Pedidos  de  Compensação  de  débitos  de  IPI  analisados  nos  processos  administrativos nº 10920.000058/00­81, nº 10920.001864/99­70,  Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     12 nº  10920.000031100­24,  nº  10880.01282100­77,  nº  10880.01280/00­41,  nº  10920.001612/99­87,  nº  13819.000090100­21,  nº  10880.012083/00­30,  nº  10880.012081/00­12,  nº  13819.000089/00­41,  nº  10920.001611/99­14,  nº  10920.001236/99­67,  nº  10920.001863/99­15,  e  nº  10805.001440/00­91,  atrelados  ao  crédito tributário de PIS Decreto discutido no presente processo,  em  razão  do  protocolo  do  presente  Recurso  Voluntário,  nos  termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional (CTN).  (ix)  Por  fim,  a  ora  Recorrente  se  coloca  à  disposição  para  a  apresentação de outros documentos que se reputem necessários,  bem como à elaboração de laudo técnico contábil que demonstre  o  direito  creditório  em  questão  e  o  correto  procedimento  adotado para a realização das compensações.    DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado,  vieram  os  autos  para  relatoria,  por  meio  de  processo  eletrônico,  em  08  (oito)  Volumes, numerados até a  folha 2016  (dois mil e dezesseis), estando apto para análise desta  Colenda  2ª  Turma  Ordinária,  da  4ª  Câmara,  da  3ª  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ CARF.  É o relatório.      Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.023          13 Voto             Conselheiro João Carlos Cassuli Junior  O  recurso  atende  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestividade,  portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente.  Analisando  todo  o  processado,  em  apertada  síntese,  verifica­se  que  as  matérias  a  seguir  relacionadas  continuam  controvertidas  e  pendentes  de  julgamento:  a)  decadência do direito de  restituição do  indébito para valores  anteriores  a 05  (cinco)  anos do  ingresso com o Pedido de Restituição; b) conversão dos pedidos de compensação atrelados ao  Pedido  de  Restituição,  todos  objetos  deste  PAF,  em  Declaração  de  Compensação;  c)  consequentemente, se ocorrera ou não a homologação  tácita das compensações, pelo decurso  do prazo de 05 anos do protocolo dos pedidos de compensação; d) alíquota de recolhimento da  contribuição ao PIS no ano­calendário de 1989, no percentual de 0,35%, nos termos da Lei nº  7.689/88; e) existência de saldo remanescente de créditos em favor do contribuinte, passível de  restituição e/ou compensação.  Assim sendo, por objetividade e para melhor compreensão dos entendimentos  que perfilham o julgado, passo a abordagem de cada matéria, separadamente:      1. Decadência da Restituição Tributária quanto a pagamentos realizados  há mais de 05 anos anteriores ao Pedido:  Tratando especificamente da questão debatida nos autos, por força do artigo  62­A do Regimento  Interno deste Conselho, a  solução dada  ao caso deverá  refletir  àquela  já  decidida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  caso  de  repercussão  geral  ou  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  quando  em  matéria  infra­constitucional,  reproduzindo  o  entendimento  pacificado pelos Egrégios Tribunais.  No caso em tela, a análise quanto o prazo decadencial para pedir a restituição  de  valores  perante  a  Administração  Pública,  ou  a  repetição  de  indébito  junto  ao  Poder  Judiciário  foi  efetuada  em  sede  de  repercussão  geral,  no  nº.  RE  566.621,  de  relatoria  da  Ministra Ellen Gracie.  Lembremos  que  havia  uma  posição  pacificada  na  jurisprudência  do  STJ  quanto ao prazo de 10 anos para a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevidos  a título de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando então, veio a lume a Lei  Complementar nº 118, de 2005, que expressamente passou a prever que esse prazo seria de 05  anos  do  pagamento  indevido  (art.  3º),  pretendendo,  inclusive,  aplicar  referidos  ditames  a  pagamentos feitos anterioremente à edição da referida legislação, ao inserir redação no art. 4o,  em que afirmara que essa norma teria caráter meramente interpretativo.  Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     14 Essa atribuição de caráter interpretativo do artigo 3º da Lei Complementar nº.  118/2005,  trazida  pela  redação  do  inconstitucional  artigo  4º  (segunda  parte)  da mesma  Lei,  trouxe  ao meio  jurídico  a discussão  acerca da  aplicação  retroativa de novo e  reduzido prazo  para a repetição ou compensação de indébito tributário, confrontando contribuintes e Fisco na  busca por seus direitos em face da consideração do princípio da segurança jurídica.  Ao passo em que os Tribunais de todo o país deram à Lei Complementar nº  118/2005  a  interpretação  de  que  a  redução  do  prazo  ali  estipulada  era  válida  e  aplicava­se  desde a edição da lei, considerando ainda o caráter retroativo trazido pela interpretatividade de  seu artigo 3º, os contribuintes consideraram ofendido o princípio da irretroatividade da norma,  sendo  inconstitucional  o  dispositivo  que  determinava  o  caráter  interpretativo  do  artigo  3º,  considerando­se o prazo prescricional aquele vigente na data da ocorrência do fato gerador.  Foi  para  apaziguar  esse  conflito  que  o  v.  Acórdão  proferido  pelo  Pretório  Excelso,  em  apertada  síntese,  considerou  descaracterizado  o  caráter  interpretativo  da  norma  sob debate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005,  segunda parte, e atribuindo ao artigo 3º da mesma Lei Complementar o status de nova norma,  ressalvando a aplicação da mesma à relevância das situações jurídicas já existentes.  A ementa do  julgado considerado como norte na solução de discussões que  versem sobre a mesma matéria restou assim consignada:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº.  118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA –  NECESSIDADE  DE  OBSERVANCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO DE PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITOS  AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/2005,  estava  consolidada  a  orientação  da  Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que,  para  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador,  tendo em conta a aplicação combinada do  art. 150, §4º, 156, VII e 168, I do CTN.  A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa,  implica inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos  contados  do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à  sua natureza, validade e aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  as  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.024          15 jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  e  confiança  e  de  garantia de acesso à justiça.  Afastando­se as aplicações inconstitucionais e resguardando­se,  no mais,  a  eficácia da norma, permite­se a aplicação do prazo  reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado  445 da Súmula do Tribunal.  O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência do  novo  prazo, mas  também  que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo lacuna na LC 118/08 (sic.), que pretendeu a aplicação  do  novo  prazo  na  maior  extensão  possível,  descabida  sua  aplicação  por  analogia.  Além  disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco, impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/058,  considerando­se  válida  a  aplicação  do  novo  prazo de 5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso  da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de  2005.  Aplicação do art. 543­B, §3º do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso  extraordinário  desprovido.”  (STF  ­  RE.  566.621.  Rel.  Ministra  Ellen  Gracie.  Dt.  Jul.  04/08/2011.  Dta.  Publ.  11/10/2011).    Para  direcionar  a  conclusão  que  o  caso  concreto  irá  receber  a  partir  da  aplicação do  julgado do STF,  é necessário  avaliar  se o direito pleiteado pelo  contribuinte  se  subsume ao entendimento exarado no Acórdão quanto aos seguintes aspectos abordados pela  decisão:   1. Pretensões deduzidas tempestivamente, à luz do prazo aplicável na data da  publicação da Lei  (tese dos 5 + 5 anos,  como comumente convencionou­se  chamar); ou  2. Pretensões deduzidas em até 120 (cento e vinte) dias após a publicação da  Lei, ou seja, até 09.06.2005.  Da análise  dos  autos,  verifica­se  que  a  situação  do  contribuinte  interessado  repousa na hipótese de nº “1” acima exposta, pois que o protocolo do Pedido de Restituição ora  analisado  foi  efetuado muitos  anos  antes da  edição da Lei Complementar nº 118/2005, mais  precisamente  em  20  de  maio  de  1999,  sendo  os  correlatos  pedidos  de  compensação  a  ele  atrelados, igualmente foram declinados nos anos de 1999 e 2000.   Verificado  que  a  Lei  Complementar  nº  118/2005  foi  publicada  em  09/02/2005,  bem  como,  à  constatação  do  fato  de  que  a  recorrente  apresentou  seu  pedido  de  restituição  muito  antes  de  sua  edição,  ou  mesmo  do  transcurso  de  sua  vacatio  legis  (até  Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     16 09/06/2005), emerge clara a conclusão de que a decisão proferida pelo Pretório Excelso abarca  com  a  contagem  do  prazo  de  10  anos  para  o  pedido  de  restituição  apresentado  em  período  “tempestivo”,  qual  seja,  até  a  publicação  da  Lei  Complementar  já mencionada,  ou  ainda,  se  pretendida em tempo de seu prazo de vacância.  Outro trecho do referido julgado é expresso em esclarecer a situação posta à  baila nestes autos:  “Estando um direito  sujeito a  exercício  em determinado prazo,  seja  mediante  requerimento  administrativo  ou,  se  necessário,  ajuizamento  de  ação  judicial,  tem­se  de  reconhecer  eficácia  à  iniciativa tempestiva tomada pelo seu titular nesse sentido, pois  tal resta resguardado pela proteção à confiança.”  Assim, em sendo o pedido de restituição ora analisado, datado de 20/05/1995,  têm­se tempestivo o exercício do direito do contribuinte interessado em pedir a restituição de  valores supostamente pagos indevidamente ou a maior, quanto a recolhimentos efetivamente  realizados em até 10 (dez) anos anteriores ao ingresso do pedido, de modo que podem ser  objeto  de  análise  os  pagamentos  indevidos  feitos  a  partir  de  20/05/1989,  já  que  não  se  encontram fulminados pela decadência.  Em  face  do  afastamento  da  decadência  do  pedido  de  restituição  ora  reconhecido, tenho que o feito deva retornar à instância “a quo” a fim de que seja analisado o  mérito do pedido quanto aos períodos não atingidos pela decadência, especificamente quanto a  existência,  legitimidade, montante e disponibilidade dos créditos, para então se poder afirmar  se  existem  saldos  de  créditos  passíveis  de  serem  utilizados  nas  compensações  pleiteadas  ou  ainda,  passíveis  de  serem  os  eventuais  excedentes  objeto  de  restituições  ou  novas  compensações.  E  isto  porque,  ao  ser  acolhida  a  decadência  para  pagamentos  feitos  anteriormente a 20/05/1994, pela decisão recorrida, deixou­se de analisar se para os períodos  anteriores,  há  prova  dos  pagamentos  indevidos,  seus  montantes  e  demais  efeitos  que  dos  créditos decorrem.   Assim,  para  se  evitar  a  supressão  de  instância  e,  consequentemente,  o  cerceamento do direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo – que possui o direito  subjetivo de  ter  todos os  fatos analisados em duas  instâncias de  julgamento administrativo  ­,  tenho que o afastamento da decadência quanto aos pagamentos dos fatos geradores ocorridos  no período de 20 de maio de 1989 a 25 de maio de 1994  (anteriormente não  reconhecidos),  deve conduzir ao retorno do julgamento à instância “a quo”, que pode determinar a realização  dos cálculos pertinentes, se o caso, a fim de aquilatar a liquidez, certeza, exigibilidade, assim  como a existência, legitimidade e montante dos créditos restituiendos.  Assim  sendo,  quanto  a  essa  matéria  afasto  a  decadência  declarada  na  decisão recorrida, para considerar  tempestivo o pleito do contribuinte à restituição de valores  correspondentes aos pagamentos relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de 20 de maio  de 1989, determinando o retorno dos autos à instância “a quo” a fim de adentrar no julgamento  do mérito do pedido de restituição quanto a esses períodos não decaídos.  2.  Conversão  dos  pedidos  de  compensação  atrelados  ao  Pedido  de  Restituição em Declaração de Compensação:  Tratando  especificamente  desta  questão,  que,  essencialmente,  trata­se  de  matéria  de  direito,  tenho  que  deva  ser  reconhecido  que  no  caso  dos  autos,  que  houve  a  Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.025          17 conversão  dos  pedidos  de  compensação  em  Declaração  de  Compensação,  com  base  nos  fundamentos a seguir.  Inicialmente,  esse  entendimento,  para  o  caso  em  concreto,  decorre  da  realidade  de  que  não  se  tratam  de  pedidos  de  compensações  que  decorreriam  de  processo  judicial  sem  trânsito  em  julgado  –  como  reconhecera  a  Quarta  Turma  do  então  Segundo  Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 204­02.882, ao reconhecer que não haveria  concomitância entre o processo judicial que visava o reconhecimento da inconstitucionalidade  dos Decretos nºs. 2.445 e 2449, de 1988. É dizer: é coisa julgada administrativa a inexistência  de concomitância, e disto decorre que o pedido de restituição e correspondentes compensações  correlatas, não decorrem de ação judicial que, à época, estava pendente de trânsito em julgado.  Essas considerações iniciais são relevantes para que com elas se faça o cotejo  com  a  legislação  que  criara  a  declaração  de  compensação,  através  do  art.  49,  da  Lei  nº  10.637/2002, que deu nova redação ao art. 74, da Lei nº 9.430/96. Citado dispositivo passou a  vigorar com a seguinte redação:  “Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.  § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.  §  3º  Além  das  hipóteses  previstas  nas  leis  específicas  de  cada  tributo  ou  contribuição,  não  poderão  ser  objeto  de  compensação:  I ­ o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do  Imposto de Renda da Pessoa Física;  II  ­  os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  devidos  no  registro da Declaração de Importação.  § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela  autoridade  administrativa  serão  considerados  declaração  de  compensação,  desde  o  seu  protocolo,  para  os  efeitos  previstos  neste artigo.  §  5º  A  Secretaria  da  Receita  Federal  disciplinará  o  disposto  neste artigo."  Veja  que  no  momento  em  que  se  criou  a  Declaração  de  Compensação,  a  legislação foi expressa e clara, ao determinar que “Os pedidos de compensação pendentes de  apreciação  pela  autoridade  administrativa  serão  considerados  declaração  de  compensação,  desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo”.  Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     18 Verifica­se, além disso, que ao criar essa regra de conversão dos pedidos de  compensação em papel, pendentes na data da publicação da Lei, a legislação não criou óbices  para que os pedidos de  compensação  fossem convertidos em declarações de  compensação,  a  não  ser  para  as  hipóteses  elencadas  no  seu  parágrafo  3º,  ou  seja,  passaram  a  não  poder  ser  objeto  de  Declaração  de  Compensação  créditos  provenientes  de  IRPF  e  de  tributos  e  contribuições constantes de Declaração de Importação – DI.  Posteriormente, com nova alteração promovida na redação do art. 74, da Lei  nº 9.430/96, pelo art. 4º, da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004,  foram criadas novas  hipóteses  em  que  não  poderiam  ser  objeto  de  Declaração  de  Compensação.  Veja­se  o  que  dispôs o art. 4º da Lei 11.051/2004:  Art. 4º. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  passa a vigorar com a seguinte redação:  "Art. 74. ............................................................................  ............................................................................  § 3º ............................................................................  ............................................................................  IV  ­  o  débito  consolidado  em  qualquer  modalidade  de  parcelamento  concedido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  ­  SRF;  V  ­  o  débito  que  já  tenha  sido  objeto  de  compensação  não  homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de  decisão definitiva na esfera administrativa; e  VI ­ o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento  já  indeferido  pela  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita Federal ­ SRF, ainda que o pedido se encontre pendente  de decisão definitiva na esfera administrativa.  ............................................................................  §  12.  Será  considerada  não  declarada  a  compensação  nas  hipóteses:  I ­ previstas no § 3º deste artigo;  II ­ em que o crédito:  a) seja de terceiros;  b) refira­se a ´crédito­prêmio ´instituído pelo art. 1º do Decreto­ Lei nº 491, de 5 de março de 1969;   c) refira­se a título público;  d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado;  ou  e)  não  se  refira  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal ­ SRF.  § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às  hipóteses previstas no § 12º deste artigo.  Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.026          19 §  14.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  ­  SRF  disciplinará  o  disposto neste artigo,  inclusive quanto à  fixação de critérios de  prioridade  para  apreciação  de  processos  de  restituição,  de  ressarcimento e de compensação." (NR)  Constata­se  que  a  Lei  nº  11.051/2004  passou  a  vedar  a  Declaração  de  Compensação, além das hipóteses de créditos provenientes de IRPF (01) e de tributos objeto de  DI  (02),  também  créditos  constantes  de  qualquer  modalidade  de  parcelamento  (03),  que  já  tenham  sido  objeto  de  pedido  de  compensação  não  homologada  (04)  ou  de  pedido  de  restituição ou ressarcimento indeferido (05).  Houve ainda,  é verdade,  a  adição do §12,  ao  art.  74,  pelo qual passou a  se  considerar  como  não  declaradas  as  compensações  que  tivessem  como  créditos  aqueles  listados  no  seu  §3º,  assim  como,  aquelas  cujo  crédito:  a)  seja  de  terceiros;  b)  refira­se  a  “crédito­prêmio” instituído pelo art. 1º do Decreto­Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refira­ se a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou, e) não  se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal ­ SRF.  Quanto  à  conversão  em  Declaração  de  Compensação  dos  pedidos  de  compensação  pendentes,  no  entanto,  nada  mencionou  a  legislação,  além  do  que  já  estava  disciplinado no parágrafo 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe fora atribuída  pelo art. 49, da Lei nº 10.637/2002, já citado.  Assim,  muito  embora  se  pudesse  questionar  o  direito  adquirido,  a  irretroatividade  da  lei,  dentre  outros  robustos  argumentos  jurídicos,  a  verdade  é  que,  para  o  caso sob análise, para que pudesse ser cogitada a não conversão dos pedidos de compensação  em declaração de compensação, dever­se­ia, no mínimo, que estivéssemos diante de uma das  hipóteses previstas ou no §12, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, ou seja, que os créditos pleiteados  não estivessem contemplados nas vedações contidas tanto no citado §3º quanto no §12.  Analisando cada uma das vedações elencadas nos citados §§3º e 12, do art.  74, da Lei nº 9.430/96, verifica­se que nenhuma delas se aplica ao caso, pois que:  (01) Não se trata de crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de  Imposto de Renda Pessoa Jurídica;  (02) Não se trata de crédito de tributos constantes de DI;  (03)  Não  se  trata  de  créditos  constantes  de  alguma  modalidade  de  parcelamento de tributos administrados pela RFB;  (04)  Não se trata de créditos provenientes compensação que já tenha sido não  homologada;  (05)  Não  se  trata  de  créditos  provenientes  de  pedido  de  restituição  ou  ressarcimento indeferido;  (06)  Não decorre de créditos de terceiros;  (07)  Não  decorre  de  crédito  prêmio  de  exportação,  previsto  no  art.  1º,  do  Decreto nº 491/69;  Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     20 (08)  Não decorre de crédito decorrente de título público;  (09)  Não decorre  de  crédito  que  é  objeto  de  ação  judicial  cuja  decisão  não  tenha  ainda  transitado  em  julgado:  e  aqui,  reportando­se  ao  que  foi  afirmado  no  inicio  deste  tópico,  ao  ser  afastada  a  concomitância,  foi  automaticamente  reconhecido  que não  se  trata  de  crédito  em discussão  em  ação  judicial  com  sentença  sem  trânsito  em  julgado.  Logo,  os  créditos são provenientes de pagamentos indevidos ou a maior, calcados  nos próprios recolhimentos, sem que decorram de ação judicial.  (10)  Não decorra de crédito de pagamento indevido ou a maior de tributo que  não seja administrado pela SRFB.    Especificamente  no  que  diz  respeito  a  pretender  a  Recorrente  compensar  créditos  próprios  com  débito  de  terceiros,  nos  termos  da  permissão  que  vigorou  na  redação  original  do  art.  74,  da  Lei  nº  9.430/96,  regulamentada  pela  IN  21/97,  que  expressamente  reconhecia  esta  possibilidade,  não  vislumbro  nenhuma  norma  legal  posterior  que  viesse  a  excepcionar  esta possibilidade de  conversão dos pedidos de  compensação em Declaração de  Compensação.  Se poderia, sim, cogitar que a partir da redação do art. 74, que foi dada pela  MP nº 66, de agosto de 2002, posteriormente convertida no art. 49, da Lei nº 10.637/2002, que  passou  a  permitir  a  compensação  dos  créditos  apurados  pelo  contribuinte,  com  “débitos  próprios”. Ou seja, a partir de 30 de agosto de 2002, apenas seria possível a compensação de  créditos (ainda que de terceiros), com débitos próprios.   Porém,  essa  novel  legislação  não  afeta  os  pedidos  de  compensação  protocolizados  anteriormente  à  sua  vigência,  e,  igualmente,  não  foi  excetuado  quando  da  criação  das  restrições  a Declaração  de Compensação,  especial  e  especificamente  no  que  diz  respeito à não conversão dos pedidos de compensação pendentes na data da edição da novel  disciplina legal.  Consequentemente,  tenho  que  houvera  a  conversão  dos  pedidos  de  compensação atrelados ao Pedido de Restituição objeto de análise nestes autos, em Declaração  de Compensação, e como tal deverá ser analisado pela Administração Tributária.  No  entanto,  novamente  para  não  incorrer  em  supressão  de  instância  e  consequentemente em cerceamento de direito de ampla defesa e contraditório do contribuinte,  tenho que a análise quanto as Declarações de Compensação deva ser feita, antes de mais nada,  pela  instância  “a  quo”,  até  porque  irá  manifestar­se  sobre  o  próprio  mérito  do  pedido  de  restituição quando aos períodos cuja decadência do pleito esta sendo afastada.  Assim,  tenho  por  convertidos  os  pedidos  de  compensação  atrelados  ao  Pedido de Restituição sob exame, em Declaração de Compensação, e como tal deverão ser  analisados, determinando que a Delegacia Regional de Julgamento competente, ao apreciar o  pedido  de  restituição,  considere  as  compensações  como  convertidas  em  Declaração  de  Compensação, manifestando­se sobre sua homologação ou não.    3. Homologação  tácita  das  compensações,  pelo  decurso  do  prazo  de  05  anos do protocolo dos pedidos de compensação:  Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13811.001194/99­81  Acórdão n.º 3402­001.921  S3­C4T2  Fl. 2.027          21 Trata­se de enfrentamento totalmente prejudicado no contexto dos presentes  autos, pois que a DRJ deverá ainda manifestar­se sobre o próprio pedido de Restituição, assim  como quando  às Declarações  de Compensação  a  ele  atrelados,  não  comportando  julgamento  quanto  a  esta  matéria  neste  momento,  pena  de  supressão  de  inexistência  administrativa  de  julgamento, a ser realizado previamente pela DRJ de origem.  Assim sendo, voto no sentido de estar prejudicado este  aspecto do Recurso  Voluntário.    4. Alíquota de recolhimento da contribuição ao PIS no ano­calendário de  1989, no percentual de 0,35%, nos termos da Lei nº 7.689/88:  Quanto a esse tópico,  tenho igualmente que deverá ser objeto de apreciação  pela DRJ de origem,  pois  que  inicialmente  os  períodos  em que  se  cogitava  da  existência de  recolhimentos  indevidos  foram  fulminados  pela  decadência,  que  ora  é  afastada.  Ou  seja,  a  discussão  acerca  de  qual  alíquota  deve  ser  aplicada  para  o  recolhimento  do  PIS  no  ano­ calendário  de  1989,  somente  tem  sentido  a  partir  deste  julgado,  que  afasta  a  decadência  do  direito de pleitear o indébito quanto aos recolhimentos no período de 20 de maio de 1989 a 20  de maio de 1994, pois que estes haviam sido inicialmente tidos por decaídos.  Assim sendo, deverá a instância “a quo”, ao apreciar os pedidos de restituição  e compensação a ele atrelados, compondo os cálculos de eventuais indébitos, aplicar a alíquota  que  entender  cabível  para  o  período  em  questão,  sendo  garantido  ao  sujeito  passivo,  se  descordar  do  critério  a  ser  adotado  pela  Autoridade  Administrativa,  exercer  seu  direito  de  ampla defesa, nos termos das leis que regem o PAF.  Assim sendo, voto no sentido de estar prejudicado este  aspecto do Recurso  Voluntário.  5.  Existência  de  saldo  remanescente  de  créditos  em  favor  do  contribuinte, passível de restituição e/ou compensação:  Por  evidente,  a  abordagem  deste  aspecto  constante  do  Recurso  Voluntário  dependerá do resultado do julgamento a ser proferido pela Delegacia Regional de Julgamento  competente. Conforme o encaminhamento do referido julgamento, pode ocorrer que sequer o  processo  ascenda  novamente  a  este  Tribunal,  de  modo  que,  antecipar­se  para  manifestar­se  sobre a existência de saldos remanescentes de créditos, foge totalmente a competência que esta  Corte detém, máxime diante do estágio de tramitação processual em que se encontra o feito.  Consequentemente,  essa  verificação  dependerá  do  julgamento  que  for  encaminhado inicialmente pela Instância “a quo”, a qual manifestar­se­á sobre a existência de  créditos  líquidos  (existência,  suficiência  e montante),  certos  (existência  de  causa  impeditiva,  modificativa  ou  extintiva  do  direito  em  si)  e  exigíveis  (contraposição  às  Declarações  de  Compensações pendentes, a débitos pendentes, penhora on line etc.), para então, somente após  essa  verificação  e  correspondente  julgamento,  se  for  objeto  de  recurso  que  reúna  todas  as  condições  de  admissibilidade,  poderá  vir  a  ser  objeto  de  julgamento  por  parte  desta  Corte  Administrativa.  Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     22 Assim  sendo,  também  quanto  a  esse  aspecto,  voto  no  sentido  de  julgar  prejudicada este aspecto constante do Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte.    6. Dispositivo:  Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário,  determinando o retorno dos autos à  Instância “a quo”, a fim de que profira novo julgamento,  contemplando a análise do mérito do pedido quando aos períodos de apuração cuja decadência  fora  afastada,  e  considerando  convertidos  os  pedidos  de  compensação  em  Declaração  de  Compensação, que como tal deverão ser analisados. Prejudicada a análise das demais matérias  alinhadas no Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)    João Carlos Cassuli Junior ­ Relator                                Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR

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