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Numero do processo: 10711.731993/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
O agente marítimo, assim considerado qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, representante do transportador estrangeiro no País, responde solidariamente com este, quanto à exigência de tributos, inclusive penalidade, decorrentes de infração à legislação aduaneira e tributária, sendo, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do lançamento de multa regulamentar.
MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo regulamentar.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EMBARAÇO/IMPEDIMENTO. FISCALIZAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIAS NÃO SUSCITADAS. . PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnadas as matérias (i) denúncia espontânea e (ii) embaraço e impedimento à fiscalização por não terem sido expressamente opostas pelo sujeito passivo à autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de a recorrente suscitá-las nesta fase recursal.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INOBSERVÂNCIA PREJUÍZO AO ERÁRIO. INTENÇÃO DO AGENTE.
A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo estabelecidos é obrigação acessória autônoma, de natureza formal, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a infração, não cabendo alegações de falta de intenção do agente e/ ou de ausência de dano ao Erário.
OFENSA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
Súmula CARF nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3301-010.575
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Divergiu a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa que dava provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.566, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10909.723001/2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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LEGITIMIDADE PASSIVA. O agente marítimo, assim considerado qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, representante do transportador estrangeiro no País, responde solidariamente com este, quanto à exigência de tributos, inclusive penalidade, decorrentes de infração à legislação aduaneira e tributária, sendo, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do lançamento de multa regulamentar. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo regulamentar. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EMBARAÇO/IMPEDIMENTO. FISCALIZAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIAS NÃO SUSCITADAS. . PRECLUSÃO. Considera-se não impugnadas as matérias (i) denúncia espontânea e (ii) embaraço e impedimento à fiscalização por não terem sido expressamente opostas pelo sujeito passivo à autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de a recorrente suscitá-las nesta fase recursal. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INOBSERVÂNCIA PREJUÍZO AO ERÁRIO. INTENÇÃO DO AGENTE. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo estabelecidos é obrigação acessória autônoma, de natureza formal, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a infração, não cabendo alegações de falta de intenção do agente e/ ou de ausência de dano ao Erário. OFENSA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. Súmula CARF nº 2 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 73 19 93 /2 01 3- 25 Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.575 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731993/2013-25 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Divergiu a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa que dava provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.566, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10909.723001/2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento do crédito tributário referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, com fundamento legal no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei nº 37/66, c/ a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Intimado do lançamento, o contribuinte impugnou-o, alegando em síntese: 1) em preliminar, a sua nulidade, sob os argumentos da inexistência de motivo para a imposição da multa; falta de indicação no auto de infração do requisito legal infringido; e, a impossibilidade de imposição de sanção pecuniária por meio de instrução normativa; e, 2) no mérito, que as informações de desconsolidação de cargas não são de sua responsabilidade; apenas foi intermediadora, captando clientes e firmando parcerias com transportadoras e agentes de carga. Analisada a impugnação, a DRJ julgou-a improcedente, sob o fundamento de que o agente de carga é responsável pela execução de tarefas específicas no âmbito do transporte internacional de mercadorias e, nessa condição, pode ser responsabilizado por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigado a fornecer à Receita Federal. Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.575 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731993/2013-25 Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário requerendo o cancelamento do auto de infração, alegando em síntese: a) inexistência de tipificação na norma para a conduta da recorrente; b) necessidade de reforma da decisão em razão da denúncia espontânea; c) inexistência de qualquer embaraço ou impedimento à fiscalização; e, d) boa-fé e ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade; concluindo que: a) não deixou de prestar informações, mas apenas concluiu a desconsolidação das cargas com atraso e antes da chegada do navio ao porto e que não pode ser responsabilizada por ato praticado pelo transportador; b) ocorreu a denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, uma vez que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração; c) não causou qualquer embaraço ou impedimento à fiscalização; e, d) agiu de boa-fé e não houve prejuízo algum ao Erário. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; assim, dele conheço. O lançamento em discussão decorreu da não prestação de informações, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, sobre a desconsolidação das cargas sob responsabilidade da recorrente. A exigência da multa regulamentar teve com fundamento legal o artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: - Decreto-lei nº 37/66: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...); IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...). e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga; (...). Já o artigo 94 desse mesmo decreto-lei assim define infração aduaneira: Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.575 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731993/2013-25 Art. 94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. (...). § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no exercício da competência que lhe foi delegada pelo retrocitado dispositivo legal, editou a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, assim dispondo sobre operações aduaneiras: Art. 1º O controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa (...) Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: (...); V - transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; (...) § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (...) IV - o transportador classifica-se em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratando-se de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (...) Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.575 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731993/2013-25 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. Parágrafo único. O consolidador estrangeiro é também chamado de Non-Vessel Operating Common Carrier (NVOCC). Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. Art. 6º O transportador deverá prestar no Sistema Mercante as informações sobre o veículo assim como as cargas nele transportadas, inclusive contêineres vazios e demais unidades de cargas vazias, para cada escala da embarcação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) (...). Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. (...) § 3º A alteração ou exclusão de CE agregado será efetuada pelo transportador que o informou no sistema. (Destaques na reprodução) Art. 30. A prestação da informação no sistema, por meio de certificação digital, dos manifestos, conhecimentos de carga e relações de unidades de carga vazias carregadas ou descarregadas dispensa o transportador de entregar à RFB a respectiva documentação emitida. No presente caso, conforme demonstrado no auto de infração, mais especificamente na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o contribuinte deixou de informar tempestivamente a desconsolidação das cargas sob sua responsabilidade. Ressaltamos que a própria recorrente reconheceu, em seu recurso voluntário, que a desconsolidação das cargas e a inclusão do conhecimento eletrônico foram prestadas com “pouco atraso”. Assim, correta a exigência da multa regulamentar prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Já a responsabilidade tributária do agente marítimo/carga e a definição destes estão previstas nos artigos 32 e 37, respectivamente, desse mesmo Decreto-lei, que assim dispõe: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) I - o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno;(Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) II - o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro.(Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-010.575 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731993/2013-25 I- o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) II- representante, no País, do transportador estrangeiro;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) III- adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora;(Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora.(Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Na esfera judicial, a legitimidade da solidariedade tributária de agente marítimo/carga, em relação ao transportador estrangeiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.129.430/SP, sob o rito de recurso repetitivo, decidiu que aquele agente, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do Decreto-lei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do Decreto-Lei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Contudo, a partir da vigência daquele decreto-lei, não há mais óbice para que o agente marítimo figure como responsável tributário. Quanto à alegação de que a exigência da multa regulamentar em questão ofenderia os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, cabe ressaltar que este Colegiado não possui competência para adentrar nessa análise, em razão do disposto na súmula CARF nº 02, literalmente: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, por força do disposto no artigo 72 do RICARF, adoto, para o presente caso, esta súmula. Especificamente, quanto à alegação de que não houve dano ao Erário, a entrega intempestiva das informações, por si só, já o provoca. Já em relação às matérias (i) embaraço e impedimento à fiscalização e (ii) denúncia espontânea, ocorreu a preclusão temporal do direito de a recorrente impugná-las nesta fase recursal. Conforme se verifica da impugnação oposta à autoridade julgadora de primeira instância, a recorrente não impugnou aquelas matérias. Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-010.575 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731993/2013-25 A fase litigiosa do procedimento se instaurou com a interposição da impugnação, quando aquelas matérias deveriam ter sido questionadas, conforme estabelece o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, literalmente: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, tem-se que: ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade. A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: temporal, lógica e consumativa. No presente caso, ocorreu a preclusão temporal consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para tratar daquelas matérias, quando da interposição da impugnação oposta à autoridade julgadora de primeira instância. Ultrapassada aquela etapa, extingue-se o direito de suscitá-las somente nesta fase recursal. Assim, no mérito, não conheço dessas duas matérias por ter ocorrido a preclusão do direito de a recorrente impugná-las nesta fase recursal. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-010.575 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731993/2013-25 Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10740.720004/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, editou-se Resolução determinando a conexão com outro processo, nos termos do voto da Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrente EXPORTADORA DE CAFE ASTOLPHO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, editouse Resolução determinando a conexão com outro processo, nos termos do voto da Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 40 .7 20 00 4/ 20 14 -1 0 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 616 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em face da empresa Exportadora de Café Astolpho S.A., por meio do qual foi imposta a cobrança de multas isoladas em razão do cometimento das seguintes infrações: (i) compensação indevida de valores em declaração prestada em face da inexistência de saldo de crédito (fatos geradores ocorridos entre 16/05/2011 e 08/05/2012), hipótese enquadrada no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 (multa de 150% calculada sobre as compensações não homologadas, totalizando o valor de R$ 2.530.155,12); (ii) pedido de ressarcimento indeferido ou indevido (fatos geradores ocorridos entre 08/05/2011 e 12/06/2011), hipótese enquadrada nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10 (multa de 100% calculada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, totalizando R$ 1.688.202,64). Destaquese que o presente auto de infração versa tão somente sobre as referidas multas isoladas, enquanto a cobrança do PIS e da COFINS decorrente da glosa dos créditos integrais e da respectiva recomposição das bases de cálculo com base no crédito presumido (aquisições de pessoas jurídicas foram consideradas fraudulentas) encontrase consubstanciada nos autos do processo nº 10740.720002/201412. Os fundamentos da autuação, consoante minucioso Termo de Encerramento da Ação Fiscal constante destes autos, bem como da defesa apresentada pelo sujeito passivo, foram muito bem resumidos no relatório constante da r. decisão recorrida, cujo teor transcreve se a seguir: (...). No Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 341/431), parte integrante e comum dos autos de infração, constituído de 91 folhas, a Fiscalização buscou fundamentar o alegado, acima resumido, mediante um conjunto de depoimentos reduzidos a termo, prova documental, e documentos encaminhados pela Polícia Federal e Ministério Público. No referido Termo de Encerramento da Ação Fiscal, cujo conteúdo foi decisivo para lavratura dos Autos de Infração, ora sob análise, os AFRFB autuantes aduzem que: a) A fiscalização teve como escopo a verificação de pretensos créditos deduzidos dos valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados nos pedidos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP; b) As provas arregimentadas na presente ação fiscal, provenientes das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, e da operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, comprovaram que os sócios da EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A, principalmente MARCOS ALEXANDRINO MARTINS ASTOLPHO, detinham sólido conhecimento a respeito do esquema da interposição fraudulenta de pseudoatacadistas na cadeia de comercialização de café, quer indicandoas para documentar falsamente as compras de café de produtores Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 617 3 rurais/maquinistas, quer valendose das notas fiscais das mesmas em operações intermediadas por corretores; c) Nesta ação fiscal, verificouse que a EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A lançou mão de outras pseudoatacadistas, além daquelas já identificadas em ação fiscal anterior, anoscalendário de 2006 a 2009, visando dissimular compras de café de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar fraudulentamente dos créditos PIS/COFINS; d) Os fatos apurados no decorrer da ação fiscal evidenciaram, em tese, crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º, inciso I, II e IV da Lei nº 8.137, de 27/12/1990, pela supressão dolosa de tributos devidos, bem como no art 2º, inciso I, da precitada lei, por eximirse mediante fraude de pagamentos de tributos; e) A ação fiscal anterior, realizada em face da EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A, relativamente aos anoscalendário de 2006 a 2009, encontrase consubstanciada no processo administrativo nº 10783.725179201166. O citado processo foi objeto de análise por parte da 17ª Turma da DRJ/RJ1 em face da apresentação de impugnação e, nos termos do Acórdão nº 1248.363, de 19/07/2012, por unanimidade de votos, julgouse improcedente a impugnação. O CARF, também por unanimidade de votos, negoulhe provimento; f) A existência de empresas pseudoatacadistas e o modo delas operarem é de pleno conhecimento por parte da EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A, quer se omitindo em relação a umas, quer operando com outras. Conforme demonstram os documentos e esclarecimentos coletados no curso das investigações patrocinadas pela DRF VIT/ES, bem como os apreendidos na OPERAÇÃO BROCA, a EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A utilizouse de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário, o que afasta os limites impostos pela boafé; g) A fraude visou diminuir a carga tributária da empresa na comercialização no mercado interno. Pior: nas vendas ao mercado externo, cujas operações estão isentas da incidência do PIS/COFINS, o esquema gerou créditos ilícitos de 9,25% sobre o valor das compras, o que representa um ganho financeiro extraordinário; h) Na primeira ação fiscal, período de 2006 a 2009, o volume de notas fiscais de empresas de fachada apropriadas ilicitamente pela EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A alcançou a cifra de aproximadamente R$132.000.000,00. Somente em relação às pseudoatacadistas COLÚMBIA, L&L, DO GRÃO e V. MUNALDI foram quase R$18 milhões em notas fiscais apropriadas ilicitamente; i) A DRF/VTA/ES recebeu, por meio do Ofício OF/GETPOT/Nº 91/2008, de 1º/04/2008, do MPES CD’s contendo documentos digitalizados decorrentes da busca e apreensão. Planilhas de controle de compras e outros documentos apreendidos fazem clara distinção entre o vendedor do café e o emissor da nota fiscal; j) Repetemse no período analisado algumas empresas laranjas envolvidas nas operações do período analisado anteriormente, a saber: YPIRANGA, CONILON NORTE. P.A. DE CRISTO e WR DA SILVA; k) A essas se juntaram outras novas empresas laranjas, por exemplo, NORTE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, RODRIGO SIQUEIRA, R. ARAÚJO CAFECOL MERCANTIL, , W.R. DA SILVA, CAPARAÓ COMÉRCIO DE CEREAIS, NOVA BRASÍLIA, PRINCESA DO NORTE, CAFEEIRA ARRUDA e outras; Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 618 4 l) Com base no valor dos BENS PARA REVENDA constantes dos DACON´S e nas Planilhas de Memoria de Cálculo encaminhadas à fiscalização, foi possível identificar os supostos fornecedores utilizados pela EXPORTADORA ASTOLPHO como forma de dissimular compras de café de produtor e assim creditarse ilicitamente dos créditos do PIS/COFINS, relacionados em fl. 413; m) Com relação ao mês 08/2010, o contribuinte informou de forma equivocada, e em duplicidade, o valor de R$ 2.224.415,00 referente às aquisições de café provenientes de PESSOAS FÍSICAS como sendo de PESSOA JURÍDICA. Tal quantia foi expurgada do cálculo do rateio do crédito integral. Esta aquisições já estavam rateadas para fins de apuração do crédito presumido – atividade agroindustrial; n) Sendo as aquisições de café realizadas de pessoas físicas, efetuouse a glosa dos créditos integrais indevidos e compensados pela fiscalizada. Nos termos da legislação pertinente, a EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A tem direito ao respectivo crédito presumido; o) Efetuouse a RECOMPOSIÇÃO dos saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno. Ao final, lançouse de ofício as contribuições do PIS e da COFINS devidas em razão da dedução indevida de supostos créditos pautados em notas fiscais de empresas laranjas; p) A fiscalização elaborou o DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS, anexo ao Termo; q) Conforme mostrado no DEMONSTRATIVO citado, a recomposição dos créditos a descontar do PIS/COFINS nãocumulativos resultou em saldo a pagar dessas contribuições, objeto de lançamento de ofício e principalmente no NÃO RECONHECIMENTO INTEGRAL dos créditos pleiteados nos PEDIDOS DE RESSARCIMENTO; r) Procedeuse o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo às seguintes multas isoladas: (a) sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003; (b) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido/indevido, de acordo com o parágrafo 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, c/c art. 139; s) Dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido das contribuições sociais, foi aplicada a multa de ofício de 150% sobre os valores das contribuições PIS/Cofins lançados em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento do PIS e Cofins. O “Termo de Encerramento da Ação Fiscal” contém cópias de provas documentais, relatos detalhados e demonstrativos dos cálculos efetuados. A base legal do lançamento encontrase descrita no corpo dos autos de infração, às fls. 436. Devidamente cientificada, a autuada apresentou a Impugnação anexada às fls. 446/483, na qual alegou, em síntese, que: a) o Decreto nº 70.235/72 possibilita ao impugnante, instaurada a litigiosa do processo administrativo, pugnar pela produção de provas, requerendo assim, diligência e perícias; b) os Auditores fizeram uso de prova emprestada das Operações Tempo de Colheita e Broca, sendo que a impugnante não foi alvo de nenhuma destas duas ações fiscais; Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 619 5 c) não teve acesso ao processo físico, tendo recebido um CD com toda a documentação que os Auditores ‘acharam’ necessária para a confecção da defesa; d) transcorrera mais de 60 dias entre a primeira intimação, expedida em 12/07/2013 e a segunda solicitação de esclarecimentos, em 12/11/2013, sem que fosse feita nova prorrogação, assim, é nula autuação; e) não está comprovada a máfé da impugnante, mas a de outros, em especial, a de comerciantes de café do norte do ES; f) a impugnante foi vítima de armação criada no norte do estado, razão pela qual os documentos que comprovam a fraude praticada por outras empresas, em conluio com corretores, produtores rurais e maquinistas não pode ser lhe imputada; g) estamos diante do uso de prova emprestada onde na maioria delas sequer é citado o nome da empresa impugnante, seus dirigentes ou funcionários; h) o fato de veículos da família e empregados da impugnante estarem vinculados ao transporte de mercadorias que eram destinadas ao Armazém Geral Astolpho nada denuncia senão a prestação de um serviço agregado a outro; i) não há que se falar de glosa de créditos de PIS/Cofins, quando não existe a declaração de inidoneidade formalizada; e, ainda que exista, deve ser observado a delimitação de espaço, tempo e as excludentes do art. 82 da Lei nº 9.430/96; j) buscou, periodicamente, junto à RFB e a SEFAZ a certeza de que os CNPJ e as Inscrições Estaduais estavam ativas e regulares, como também verificou saber se havia certidões negativas, além disso, comprou, recebeu e pagou pelas mercadorias, assim, não há que se falar em máfé da impugnante; k) inegável a necessidade de ser decretada a nulidade integral dos autos de infração, ante os erros e omissões de apuração, gerando assim valores imprecisos do PIS e Cofins, multa e juros de mora; l) também se evidencia um erro prejudicial à impugnante o indeferimento de todos os pedidos de compensação e/ou ressarcimento, uma vez demonstrado que várias empresas fornecedoras da impugnante não tiveram sua inaptidão declarada; m) o Fisco não aponta a efetiva participação da impugnante no suposto esquema de fraude à Fazenda; n) a Impugnante não pode ser responsabilizada por atos de terceiros, descabendo a imputação de máfé; o) comprovado que inexistiu máfé não há que se falar em multas de ofício, juros de mora, negativa de pedidos de ressarcimento ou compensação, devendo ser decretada a nulidade dos autos, com o cancelamento das multas e o deferimento dos pedidos de compensação e ressarcimento; p) não há que se falar em imputação penal, posto que não inclusa a impugnante e seus dirigentes nas práticas delituosas tipificadas na lei. A impugnante junta documentos e, com base na argumentação expendida, requer que: a) sejam apreciadas e deferidas as preliminares, como também deferidas as diligências; Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 620 6 b) seja deferida a reprodução integral do feito, com prazo de 30 dias para emenda da impugnação e juntada de novos documentos; c) prazo para os auditores apresentarem sua contraposição; d) sejam apreciados e analisados todos os pedidos e pontos da impugnação; e) seja julgada procedente a impugnação, anulando o auto de infração, isentando a impugnante de toda a imputação atribuída; f) seja admitida a produção de novas provas especialmente por diligências e perícias; g) sejam juntados os documentos anexos e sejam anotados os dados dos advogados na capa do processo. Ato contínuo, em sessão realizada em 24 de julho de 2014, os membros da 17ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro entenderam por julgar a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/05/2011, 28/05/2011, 07/06/2011, 13/06/2011, 01/05/2012, 08/05/2012, 08/05/2011, 14/05/2011, 04/06/2011, 12/06/2011 USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO. FALSIDADE. Cabível a aplicação da multa isolada de 100% na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/05/2011, 28/05/2011, 07/06/2011, 13/06/2011, 01/05/2012, 08/05/2012, 08/05/2011, 14/05/2011, 04/06/2011, 12/06/2011 NULIDADE. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 621 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Intimado quanto ao teor da referida decisão em 14/08/2014, o sujeito passivo apresentou em 08/09/2014, tempestivamente, recurso voluntário, através do qual repisou os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação administrativa. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise do recurso voluntário em questão. É o relatório. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 622 8 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante narrado no relatório acima, o presente auto de infração versa sobre a imposição de duas multas isoladas distintas, consubstanciadas nas seguintes infrações: (i) compensação indevida de valores em declaração prestada em face da inexistência de saldo de crédito (fatos geradores ocorridos entre 16/05/2011 e 08/05/2012), hipótese enquadrada no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 (multa de 150% calculada sobre as compensações não homologadas, totalizando o valor de R$ 2.530.155,12); (ii) pedido de ressarcimento indeferido ou indevido (fatos geradores ocorridos entre 08/05/2011 e 12/06/2011), hipótese enquadrada nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10 (multa de 100% calculada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, totalizando R$ 1.688.202,64). Logo, as referidas multas serão tratadas separadamente, por meio dos tópicos I e II, a seguir indicados. I. DA MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. A primeira multa objeto do auto de infração foi aplicada em razão da compensação indevida de valores em declaração prestada em face da inexistência de saldo de crédito (fatos geradores ocorridos entre 16/05/2011 e 08/05/2012). O fiscal enquadrou a hipótese no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifos apostos). Os artigos 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e 44 da Lei nº 9.4340/1997, assim dispõem: Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 623 9 não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.(Grifos apostos). *** Lei nº 9.4340/1997 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Ou seja, com base nos dispositivos legais supra transcritos, foi aplicada in casu multa de 150% calculada sobre as compensações não homologadas, totalizando o valor de R$ 2.530.155,12. Quanto à qualificação da multa de ofício, o fiscal autuante informou ter firmado convicção de que houve atitude dolosa da fiscalizada com o intuito de reduzir o montante devido das suas contribuições sociais, conforme se extrai da passagem do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, abaixo transcrito: (...). 6. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Em virtude dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido das contribuições sociais, foi aplicada a multa de ofício de 150% sobre os valores das contribuições PIS/Cofins lançados em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento do PIS e Cofins em conseqüência do aproveitamento de créditos integrais fictícios originados de notas fiscais de empresas de fachada. Quanto à qualificação da multa de ofício, a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, que dispõe sobre a Legislação Tributária Federal, estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 624 10 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) (grifo nosso) Os arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem sonegação e fraude fiscais: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Quis o legislador estabelecer a atitude dolosa como pressuposto dos tipos penais definidos nos arts. 71 e 72 transcritos, os quais, uma vez caracterizados, implicam a majoração da multa de ofício prevista na legislação tributária. O conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, encontrase no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Na seara penal, os incisos I, II e IV, do artigo 1º, e o inciso I, do art. 2º, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária, assim expressam: Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributos, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal. (...) IV – elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato. Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...) Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 625 11 EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A lançou mão de créditos fictícios no período ora analisado. Com o uso desse expediente, a fiscalizada lograria êxito em se abster do pagamento do PIS e da COFINS e, em especial o ressarcimento de créditos indevidos e a homologação das compensações indevidas de débitos, caso não fosse a atuação da administração tributária que, oportuna e tempestivamente, apurou a fraude e constituiu, de ofício, o crédito tributário suprimido/reduzido, e não reconheceu o crédito pleiteado e tampouco homologou as compensações indevidas. Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em reduzir contribuições devidas e se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, a Lei n° 8.137/90, de fo rma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa, a inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal, a utilização de documento que saiba ou deva saber falso ou inexato por si só, bem como empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. A apropriação dos créditos sabidamente indevidos, não são meros erros, mas sim uma fraude de efeitos relevantes para a fiscalizada e para a Fazenda Nacional, com participação dos sócios, em especial, Marcos Alerxandrino Martins Astolpho, que não só indicou as empresas de fachada como fez uso das notas fiscais das mesmas. Isso está devidamente registrado nas declarações prestadas pelos produtores rurais/maquinistas e corretores, assim como nos documentos amealhados. EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A apropriouse de créditos da não cumulatividade sabidamente inexistentes, fictícios, que resultaram em significativa redução das contribuições de PIS e Cofins devidas. EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A utilizou pseudo empresas, figuras apenas formais, para dissimular suas aquisições de café dos produtores rurais, com o único propósito de “fabricar” créditos integrais da nãocumulatividade para as contribuições PIS e Cofins. Em resumo, na EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A apuraramse as seguintes condutas por parte dos seus responsáveis: a) prestar declaração falsa às autoridades fazendárias e fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos em documento ou livro exigido pela lei fiscal: informou nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais créditos integrais fictícios decorrentes da aquisição de bens para revenda; b) Utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato: as notas fiscais emitidas pelas pseudoempresas atacadistas são ideologicamente falsas e foram utilizadas pela EXPORTADORA DE CAFÉ ASTOLPHO S/A nas operações de compra de café; c) Empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo: Esses créditos ilícitos geraram pedidos de ressarcimento e compensação com outros tributos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda a figura da sonegação, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em reduzir o montante devido das contribuições sociais e eximirse do pagamento de tributos, o que enseja a exasperação da multa. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 626 12 Sobre a imposição de tal multa, a decisão de primeira instância administrativa assim se manifestou: MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Ao analisar o caso e a legislação aplicável, contudo, constatase de pronto que a imposição de tal multa neste caso concreto requer um pressuposto indispensável: a existência de débitos indevidamente compensados. Acontece que a matéria principal desta demanda encontrase em discussão nos autos do Processo nº 10740.720002/201412, por meio do qual será analisado se tal pressuposto de fato ocorreu (se a compensação realizada pelo contribuinte foi indevida ou não), não tendo este Conselho Administrativo Fiscal se manifestado ainda sobre o caso (o processo foi distribuído, mas encontrase no aguardo de inclusão em pauta de julgamento). Nesse contexto, entendo que não há como se julgar a presente demanda sem que tenha havido um desfecho nos autos do Processo nº 10740.720002/201412, sob pena de se antecipar à conclusão que será tomada naqueles autos, em detrimento dos direitos constitucionais do contribuinte ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Sem que tenha havido um desfecho quanto ao pressuposto necessário à imposição da multa, não há como a imposição desta ser validada por este Conselho nesta oportunidade. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive, prevê expressamente hipóteses em que os processos poderão ser vinculados: Art. 6º Verificada a existência de processos vinculados pendentes de julgamento, no âmbito de uma mesma Seção, eles poderão ser distribuídos para relatoria do Conselheiro para o qual houver sido distribuído o primeiro processo. §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de crédito tributário, direito creditório ou benefício fiscal referentes a um mesmo tributo e mesmo período de apuração, ainda que decorrentes de procedimentos fiscais diversos, ou formalizados contra diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Por tais razões, por uma questão de ordem e no intuito de evitar decisões conflitantes, visto que um caso depende necessariamente do julgamento do outro como pressuposto fundamental, entendo que os presentes autos deverão ser vinculados aos autos do Processo nº 10740.720002/201412, sendo distribuído ao Relator deste, para que sejam analisados em conjunto. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10740.720004/201410 Resolução nº 3301000.221 S3C3T1 Fl. 627 13 II. DA MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DO RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. A segunda multa objeto do auto de infração foi aplicada em razão de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido (fatos geradores ocorridos entre 08/05/2011 e 12/06/2011). Em tal caso, o fiscal enquadrou a infração nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10, cujo teor abaixo se transcreve: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010); § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Ou seja, foi aplicada multa de 100% calculada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, totalizando o valor de R$ 1.688.202,64. Apesar de ciente que o referido parágrafo fora revogado pela Medida Provisória nº 656 de 07 de outubro de 2014, e que tal revogação também foi tratada pela Medida Provisória nº 668/2015, posteriormente convertida na Lei nº 13.137/2015, tendo em vista a necessária vinculação mencionada no tópico anterior, deixo de me pronunciar especificamente sobre o presente ponto. Caso contrário, ainda que sobre tópicos distintos, terseiam duas decisões proferidas pela mesma esfera administrativa de julgamento, sem que haja previsão legal para tal. Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de que seja reconhecida a vinculação do presente processo ao Processo nº 10740.720002/201412, determinandose a redistribuição dos presentes autos ao Relator deste último processo, para que sejam julgados em conjunto, visto que a matéria em discussão no Processo nº 10740.720002/201412 é pressuposto indispensável à validade da cobrança da multa isolada realizada nos presentes autos. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 644DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.723802/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.891
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Por unanimidade de votos a turma deliberou pelo não impedimento da Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, MARCELO GIOVANI VIEIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Por unanimidade de votos a turma deliberou pelo não impedimento da Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, MARCELO GIOVANI VIEIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 23 80 2/ 20 10 -7 0 Fl. 2656DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.657 ___________ Relatório. Tratase de Recurso de Ofício do valor exonerado e de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte em fls. 2.236 em face da decisão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 2.193 que manteve parcialmente o lançamento de II e infrações aduaneiras com multas e juros, em resumo, diante de indícios de importação de outro produto que não o Arroz descrito pelo contribuinte. A autoridade lavrou o Auto de Infração às fls. 03 e Relatório de Ação Fiscal em fls. 1.422. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 2.193 apontadas acima: “Contra JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S/A PARTICIPAÇÕES foi expedido auto de infração onde é formalizada exigência de imposto de importação, multa de ofício, multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de licenciamento, e multa de 1% do valor aduaneiro, por imprecisão na descrição da mercadoria. Somadas, tais parcelas totalizam exigência fiscal no valor de R$ 12.744.579,03. I. Da Autuação Segundo consta do relatório fiscal, apurouse que a contribuinte, no período de janeiro de 2005 a fevereiro de 2006, promovera a importação de arroz e, quando da formulação dos despachos de importação, descrevera incorretamente o produto importado e o classificara erroneamente nos código 1006.30.19 e 1006.30.29, quando deveria classificálo nos códigos 1006.30.11 e 1006.30.21. Segundo aduz, ora os produtos eram descritos como “arroz semibranqueado, não parboilizado, glaceado, máximo de 10% de grãos quebrados”, ora eram descritos como “arroz semibranqueado, não parboilizado, não glaceado, máximo de 10% de grãos quebrados”. Acrescenta que o termo “glaceado” equivaleria a “brunido” e determinaria, em cumprimento às notas explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a classificação dos produtos no código NCM aplicado de ofício (1006.30.21). Ademais, tanto no que se refere aos produtos descritos como “glaceados”, quanto no que diz respeito aos descritos como “não glaceados”, aponta a autoridade fiscal que teria sido omitida a informação de que se tratava de arroz polido, essencial para a definição da classificação e que, igualmente, atrai a aplicação dos códigos 1006.30.11 e 1006.30.21 da NCM. Observa, nesse particular, que as operações estavam sujeitas a emissão de Laudo de Classificação do Arroz, exigido pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, de acordo com Portaria MAPA 269/88 (Lei no 9.952/2000, Decreto no 3.664/2000 e Decreto no 6.268/2007). Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.658 3 No que tange à classificação fiscal do produto, aduz a autoridade fiscal que, nos termos das regras de classificação que integram o Sistema Harmonizado de Codificação de Mercadorias, e das respectivas notas de seção e de capítulo e de suas notas explicativas (NESH), a classificação das mercadorias nos códigos adotados pelo contribuinte exigiria que o produto em questão fosse não polido e não brunido. Destaca que, caso o arroz houvesse sido polido ou brunido, a classificação recairia sobre os códigos 1006.30.11 e 1006.30.21 (parboilizado e não parboilizado, respectivamente). Nesse ponto, destaca o autuante que todos os laudos emitidos pelo MAPA quando do ingresso das mercadorias no país certificam tratarse de arroz polido, inviabilizando a adoção da classificação proposta pela impugnante. Conclui, portanto, a autoridade fiscal que os produtos deveriam ter sido classificados nas posições 1006.30.11 e 1006.30.21 (parboilizado e não parboilizado, respectivamente). Nesse particular, a autoridade lançadora assenta suas conclusões nas definições técnicas expressas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e na Norma de Identidade, Qualidade, Embalagem e Apresentação do Arroz, do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, que estabelece as diretrizes a serem observada pela autoridade sanitária para fins de emissão dos laudos de classificação do arroz. A convergência dos conceitos empregados nas duas esferas (no âmbito internacional, pelo SH, e em âmbito nacional, pelo MAPA), particularmente no que tange ao processo de polimento do arroz, levaria à convicção de que o produto importado e periciado pelo MAPA tratar seia de arroz polido (parboilizado ou não, conforme o caso), inclusive para fins de classificação fiscal, ensejando a adoção das posições 1006.30.11 e 1006.30.21. Anota a autoridade fiscal que o caso em tela não trata de mero erro de classificação fiscal, vez que a mercadoria estaria indevidamente descrita como “arroz semibranqueado”, ou seja, não polido, nas declarações e nos demais documentos que instruíram os despachos de Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.659 4 importação, inclusive no que se refere às faturas e aos certificados de origem apresentados. Quanto às conseqüências dos erros e imprecisões apurados, anota inicialmente a autoridade fiscal que a adoção de classificação fiscal incorreta de arroz descrito como glaceado (brunido), que deveria recair sobre os códigos 1006.30.11 e 1006.30.21, independentemente de eventuais infrações tributárias e administrativas, implicaria a imposição de multa correspondente a 1% do valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 636 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02 e alterações posteriores). Da mesma forma, estariam igualmente sujeitas à multa de 1% sobre o valor da mercadoria, as declarações nas quais a descrição da mercadoria omitira o termo “polido”, essencial para determinação da classificação correta dos produtos. Reafirma neste ponto a autoridade fiscal que, em todas elas, os laudos de classificação de qualidade do MAPA atesta tratarse de arroz polido, tendo a contribuinte indicado indevidamente os códigos 1006.30.19 e 1006.30.29. Aduz, outrossim, que as mercadorias efetivamente importadas, sendo diversas das declaradas (inclusive para fins de licenciamento), estariam desamparadas das necessárias licenças de importação, o que configuraria infração ao controle administrativo das importações, ensejando a aplicação de multa de 30% sobre o valor aduaneiro, nos termos do art. 633 do Decreto 4.534/02 (Regulamento Aduaneiro), e alterações posteriores. Na mesma linha, argumenta finalmente a autoridade fiscal que os certificados de origem apresentados não acobertariam o produto efetivamente importado, fato que ensejaria a perda da preferência tarifária pretendida e, por conseguinte, a cobrança do imposto de importação com base na Tarifa Externa Comum (TEC), acrescido de multa de ofício e juros de mora. II. Da Impugnação Devidamente cientificada em 13 de dezembro de 2010, comparece a Contribuinte ao processo para pleitear a reforma do lançamento, essencialmente, em razão dos argumentos a seguir expostos: 1Decadência da fração do lançamento relativa a operações registradas em data anterior a 13/12/2005. As declarações de importação para as quais alegase haver decaído o direito à constituição do crédito tributário teriam sido registrados em prazo superior a cinco anos, contados da ciência do lançamento. Cita, nessa linha, o art. 570, § 2º, I do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02). Cita o § 4º do art. 150 e o art. 156, VII, do CTN e transcreve jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2Exatidão da classificação fiscal empregada. A totalidade do arroz importado representaria insumos destinados à industrialização, por meio da execução de diversas etapas, inclusive a de polimento. Ressalta que, no ano de 2009, realizou importações idênticas às que são alvo da exigência litigiosa e que tais importações foram encaminhadas para o canal vermelho de conferência e, para a realização das Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.660 5 verificações inerentes, solicitouse a assistência da engenheira química Vera lúcia Timóteo de Oliveira, para quem teriam sido formuladas as seguintes quesitos: 1. Detalhe cada processo pelo qual passa o arroz, da colheita até a chegada ao supermercado. 2. Em quais destes processos podese dizer que há algum tipo "polimento"? 3. O arroz, objeto desta importação, passou por quais processos? 4. Quais processos ele ainda poderia ser submetido até a chegada ao consumidor final? 5. Podese dizer que o arroz, objeto deste laudo, é um arroz polido? 6. O que diferencia o arroz branqueado do semibranqueado? Quais processos cada um destes tipos se submete? 7. O arroz, objeto da análise, é branqueado ou semibranqueado?" Mereceriam destaque, as seguintes respostas: a) o arroz se submeteria a mais de duas etapas de polimento; b) o polimento ocorreria após a etapa de branqueamento; c) o arroz importado passara pelas etapas de colheita/secagem, peneira, descascador, separador e branqueamento. Ou seja, não passara por polimento; d) até a venda a consumidor final, o arroz poderia passar pela etapa de brunição, polimento, peneiras, separação e polimento final; e) o arroz objeto do laudo não teria sido polido, mas apenas branqueado, apresentando aspecto baço e sem brilho, apresentando, ademais resíduo de farelo e estrias longitudinais; f) a diferença entre arroz branqueado e semibranqueado estaria no processo pelo qual os mesmos se submetem: no arroz branqueado seria retirado todo o pericarpo e no semi branqueado, apenas parte deste; g) o arroz identificado seria branqueado. Acrescenta que foram juntadas fotos do processo produtivo da impugnante e laudo da pessoa jurídica Clacereais Classificação de Produtos Vegetais, em que se atesta que a amostra referente à Declaração de Importação 09/16996489, não recebera tratamento de polimento ou brunimento. Cita excerto que encerra tal afirmação. Aponta para a elaboração de seis outros laudos técnicos (todos baseados em análise d um mesmo perito da Clacereais) que convergem para as mesmas conclusões. Junta cópia dos laudos e das declarações de importação. Finalmente, sustenta que, apesar do decurso de prazo entre as importações objeto de laudo e as que foram objeto da presente exigência, seu processo produtivo sempre foi o mesmo. 3Correção da Descrição. Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.661 6 Não procederia a informação de que o arroz importado por meio das declarações de importação 05/06006861, 05/06067240, 05/06683340, 05/06848307, 05/06848315: 05/07649545: 05/07704333: 06/01377480 e 06/01870020, seria glaceado. Argumenta que quando do preenchimento de tais declarações de importação indicara corretamente o código 1006.30.21, mas que, quando do preenchimento da segunda ficha, copiara a descrição da nota fiscal, cuja interjeição “não” faria referência aos termos “glaceado” e “polido”. Assim, a expressão “não parboilizado glaceado” deveria ser lida como “não parboilizado e não glaceado”. Afirma que o arroz é semibranqueado e relembra a descrição do processo produtivo levada a efeito por meio de laudo técnico. Com base em tais premissas, conclui que só se procede ao glaceamento após a execução do branqueamento, polimento, peneiração, classificação ótica dos grãos e polimento final e argumenta que a etapa de glaceamento só ocorre após a execução. Reitera que o arroz importado apresentaria aspecto baço, sem brilho, com resíduo de farelo e estrias longitudinais. 4Completude da Descrição Rejeita a acusação de que omitira a informação acerca do grau de polimento do arroz, reafirmando suas alegações acerca do seu processo produtivo e das conclusões dos laudos técnicos, acrescentando que, com raras exceções, sempre importou o mesmo produto e, finalmente, procurando demonstrar que se dedica inclusive à comercialização de farelo produzido nas etapas de beneficiamento executadas em seu estabelecimento. Segundo aponta, tratandose de arroz semibranqueado e não polido, a classificação dos produtos deveria ser levada a afeito por meio a aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 4. Consequentemente, o arroz deveria ser classificado 1006.30.19 ou 1006.30.29, conforme fosse parboilizado ou não. Destaca, outrossim, que o arroz importado foi devidamente fiscalizado pelo MAPA, que concedeu as correspondentes autorizações para despacho, e pela própria Receita Federal do Brasil. 5Multa por Falta de Licenciamento Descaberia aplicar a multa por falta de licença, eis que o produto em questão era não polido, o que afastaria a premissa sobre a qual se assentara a acusação: imprecisão da descrição. Reitera as conclusões dos laudos técnicos acostados, inclusive no que se refere ao seu valor probante, e as alegações acerca da fiscalização pelo MAPA e pela RFB. 6Cumprimento das Regras de Origem Após descrever sua convicção no sentido de que o fundamento para o afastamento da preferência tarifária seria o acusado erro de classificação e reiterar suas alegações acerca da precisão da informação de que o arroz importado não seria polido, argui que o erro de classificação não é suficiente para que se deixe de aplicar o benefício. Cita jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes. Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.662 7 Reforça que as importações encontramse amparadas pelos devidos Certificados de Origem, que se encontram anexados aos extratos de declaração de importação colacionados aos autos. Distribuídos os autos a esta relatora, foi solicitada, em 27 de dezembro de 2011, diligência no sentido de detalhar o tratamento administrativo atinente às posições tarifárias litigiosas. Concluída a diligência requerida, colacionou a autoridade fiscal a legislação pertinente, enfatizando que toda a posição 1006 estaria sujeita a anuência por parte do Ministério da Agricultura e destacando que, especificamente no que tange à posição 1006.30.21 (arroz polido), seria necessária licença por parte do Decex. Anexou telas do Siscomex no intuito de sustentar tais afirmações. Devidamente intimada a se manifestar acerca do resultado da diligência fiscal, após fazer uma descrição dos fatos que considera relevantes, acrescentou a impugnante: a) que, nos autos do processo 11968.000043/201062, logrou êxito em obter restituição das multas decorrente de erro de classificação e que tal sucesso decorreria da comprovação da higidez, tanto da classificação fiscal empregada, quanto da descrição do produto. Segundo o laudo técnico produzido, o arroz foi identificado como não polido. b) que a autoridade autuante, de maneira irregular, emendara o relatório fiscal, acrescentando a informação de que a embalagem do produto consignaria a sua condição de “polido”, informação que não constaria da acusação original. c) que a ausência de identificação da declaração alegadamente maculada de erro violaria o exercício do seu direito de defesa e que tal informação não seria suficiente para infirmar as declarações elaboradas em 2005 e 2006. d) que as informações de classificação do MAPA somente se prestariam para aplicação do regulamento do arroz, não se prestando a serem empregadas como laudo técnico; e) que foram colacionados dispositivos legais acerca do tratamento administrativo das importações que não foram mencionados no auto de infração original; Reiterou os termos da sua impugnação e pleiteou o cancelamento integral da autuação ou, caso não seja acatado esse pedido, o afastamento das multas. É o Relatório." A Ementa deste Acórdão de primeira instância da Delegacia Regional de Julgamento/PE, foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se fala em violação aos direitos à ampla defesa quando os fundamentos da autuação foram devidamente citados, não tendo sido Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.663 8 imposta limitação ao direito do sujeito passivo rebater ou contestar fatos, argumentos e interpretações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE TRIBUTO. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE ADMINISTRATIVA. CONTAGEM DO PRAZO. O direito de impor penalidade administrativa relativamente a operações de importação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da infração. Por outro lado, a contagem do prazo decadencial para fins de constituição de crédito tributário relativo a imposto de importação, que não tenha sido objeto de antecipação na Declaração de Importação, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2005, 2006 ARROZ POLIDO. O produto identificado como “arroz polido”, com grau de polimento “polido”, em laudos e certificados de classificação de qualidade subordinados à regulamentação do Ministério da Agricultura, classificase nas NCM 1006.30.11 (caso parboilizado) e 1006.30.21 (caso não parboilizado). DIVERGÊNCIA NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. CONSEQUÊNCIAS. Constatado erro na classificação fiscal, estando a descrição da mercadoria em divergência com aquela efetivamente importada e sujeita a licenciamento não automático, cabe imposição de penalidade por falta de Licença de Importação (LI). ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA ADMINISTRATIVA DE 1%. CABIMENTO. Constatada imprecisão na descrição da mercadoria e erro na classificação fiscal do produto importado, cabível a imposição de multa correspondente a 1% do valor aduaneiro do produto. DIVERGÊNCIA NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. CONSEQUÊNCIAS. Constatada diferença entre a descrição apresentada e a mercadoria importada, inclusive no que diz respeito à classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, resta afastada a preferência tarifária própria do regime do Mercosul. Cabível o lançamento do imposto de importação acompanhado da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.664 9 Crédito Tributário Mantido em Parte" Em razão da exclusão parcial das penalidades dos lançamentos que ultrapassaram os cinco anos da data da infração, a DRJ/PE recorreu de ofício. Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou as argumentações da impugnação. Os autos forma distribuídos e pautados em acordo com as regras do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Em razão do presente processo tratar de matéria preventa à esta 3.º Seção e por ser tempestivo o Recurso Voluntário, este deve ser conhecido. Em análise da lide e busca de sua solução, verificase que necessariamente este Relator e o colegiado deverão considerar também as normas gerais de Direito Tributário. Isto porque não se trata de um simples processo de classificação fiscal. Existem peculiaridades nos autos, ligadas ao prazo da revisão aduaneira e à re classificação da mercadoria, que precisam ser analisadas sob as garantias presentes no Direito Tributário. Além disto, a legislação, as provas e a jurisprudência deste Conselho levam à uma mesma conclusão, na visão deste Relator. DA REVISÃO ADUANEIRA, DA DECADÊNCIA E DO RECURSO DE OFÍCIO. A revisão aduaneira tem prazo para ser realizada, de forma que, expirado este prazo, esta já não poderá mais ser realizada. Da mesma forma, os lançamentos realizados por autoridade fiscal que dependam de prévia revisão aduaneira devem respeitar o prazo, prévio e antecedente, estabelecido para a revisão aduaneira. Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.665 10 Logicamente, se expirado o prazo da revisão aduaneira, os lançamentos realizados pelas autoridades fiscais que dependam de revisar uma situação aduaneira, não poderão ser realizados, justamente porque dependem da revisão aduaneira e são posteriores à esta. Logo, qualquer lançamento que dependa de revisão aduaneira, não poderá prosperar se realizado apos o prazo de 5 anos da Declaração de Importação. Esta garantia não tem divergência significante neste Conselho, posto que diversos Acórdãos precedentes e de Conselheiros que têm seus trabalhos conhecidos e respeitados, externaram esse mesmo entendimento. A exemplo citase o Acórdão 3402002.948, proferido pelo presidente da 2.ª Turma/4.ª Câmara, senhor Antonio Atulim e, citase também Acórdão desta própria Turma (1.ª Turma/2.ª Câmara), de n.º 3201002.191. Na mesma linha, citase o Acórdão 3401003.252 do colega Augusto Fiel, da 1.ª Turma/4.ª Câmara/3.ª Seção, que tratou do tema de forma completa e demonstrou largo conhecimento e equilíbrio em sua análise minuciosa que tratou da evolução legislativa do tema e da necessária interpretação sistemática que a problemática exige. Inclusive, aproveitase para transcrever trecho do seu voto, que ganhou destaque entre os recentes votos proferidos neste Conselho, conforme segue: "(...) Por sua vez, a Recorrente defende a ocorrência da decadência, alegando ser aplicável, para fins de lançamento no caso ora em discussão, o artigo 54 do Decreto Lei nº 37/1966, que prevê um prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de importação, e, caso assim não se entenda, requer a aplicação do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, que prevê um prazo de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador, sob o entendimento que a homologação é do lançamento e não do pagamento. Segundo o conceito de Câmara Leal7, a decadência é “a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício se tivesse verificado”. No direito tributário, a decadência se caracteriza pela extinção do direito de crédito da Fazenda Pública face ao contribuinte, motivado pela inércia e inatividade durante certo decurso de tempo. Caso o contribuinte não efetue o recolhimento de determinado tributo ou o efetue a menor, o fisco terá certo lapso de tempo para realizar o lançamento tributário, a fim de constituir definitivamente o crédito tributário e promover todos os procedimentos competentes para a sua cobrança. E, na hipótese de se manter inerte e não tomar nenhuma providência, deixando de fazer o lançamento no prazo previsto na Lei, dizse que se operou a decadência, com a conseqüente extinção do crédito tributário (artigo 156, inciso V, do CTN), pois não poderá o contribuinte ficar ad eternum sujeito às ações do fisco, sob pena de séria afronta ao princípio da segurança jurídica. Nos termos do artigo 146, inciso III, “b”, da Carta da República, cabe à lei complementar dispor a respeito de normas gerais de direito tributário, “especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários”. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.666 11 Com isso, o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966), editado em 25/10/1966 e com vigência a partir de 01/01/1967, recepcionado com status de lei complementar, estabelece como regra geral que o início da contagem do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, segundo dispõe o artigo 173, inciso I8. Porém, no que se refere aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, prevalece a regra especial esculpida no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN9, nos quais o prazo para a contagem da decadência tem início com a ocorrência do fato gerador. No caso de lançamentos referentes ao Imposto de Importação, importante ainda destacar o DecretoLei nº 37/1966, editado em data posterior à do CTN, em 18/11/1967, porém, com vigência a partir da mesma data, 01/01/1967, que traz as seguintes regras: “Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” ***** “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração”. Quanto ao instituto da revisão aduaneira, observase que o dispositivo legal que dele tratava, em sua redação original, anterior ao DecretoLei nº 2.472/1988, não previa, de forma expressa, qualquer prazo para a sua realização. Veja a seguir a redação anterior do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966: “Art 54. A revisão para apuração da regularidade dorecolhimento de tributos e outros gravames devidos à Fazenda Nacional será realizada na forma que estabelecer o regulamento, cabendo ao funcionário revisor 5% (cinco por cento), das diferenças apuradas, revogado o art. 4º do Decretoleinº 8.663, de 14 de janeiro de 1946”. Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985 (RA/1985), ao regulamentar esse dispositivo, assim dispôs: “Art. 455 Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.667 12 quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de beneficio fiscal aplicado (DecretoLei n°37/66, art. 54). Art. 456 A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (Lei n° 1172/66, art. 149, parágrafo único)”. (grifos nossos) Como se percebe, como a revisão aduaneira é o ato pelo qual se verifica a regularidade fiscal da importação ou exportação quanto aos seus aspectos fiscais, deveria ser realizada no mesmo prazo de que dispõe o Fisco para realizar o lançamento de tributos porventura não pagos. Daí, a regulamentação ter deixado expresso a coincidência de prazos para a realização do procedimento e do respectivo lançamento. Posteriormente, com a edição do DecretoLei nº 2.472/1988, a redação do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966 foi alterada, para estabelecer expressamente uma limitação temporal à realização da revisão aduaneira, que deveria ser “processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei”. Como o fato gerador do Imposto de Importação “considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44” (artigo 23 do DecretoLei nº 37/1966), o legislador pretendeu desde logo, entre a regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN, e a regra especial do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, adotar um prazo para realização da revisão aduaneira e do lançamento dela decorrente alinhado com essa última, do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. A regulamentação desse dispositivo permaneceu sem modificação até a edição do Regulamento Aduaneiro de 2002, que é seguida pelo Regulamento Aduaneiro de 2009, este último com a seguinte redação: “Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e (...)§ 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado”. (grifos nossos) Pela análise da evolução legislativa e regulamentar do instituto da revisão aduaneira, verificase que a regulamentação mais recente parece querer dissociar prazos que até então andavam juntos e eram coincidentes, quais sejam, o prazo para a realização do procedimento e o prazo para lançamento dos tributos dele decorrente. Se antes a Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.668 13 regulamentação indicava expressamente que o prazo de realização do procedimento deveria ser o mesmo do lançamento e que esse era de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração, como prevê o artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966, a atual regulamentação prevê no artigo 638, §1º, do RA de 2009, um prazo decadencial, e no artigo 638, §2º, do RA de 2009, um prazo para a conclusão do procedimento. Apesar disso, é o próprio Regulamento, no parágrafo seguinte (§ 3º, do artigo 638), que prevê, uma vez lançado o crédito tributário e cientificado o sujeito passivo, o procedimento de revisão aduaneira é encerrado, a indicar que a revisão aduaneira e o lançamento andam lado a lado. É ler: "considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado". A meu ver, o prazo estipulado para a realização do procedimento serve como limite de prazo para a própria constituição do crédito tributário. Isso porque, se o Fisco só poderá realizar a revisão de importações realizadas nos últimos cinco anos, contados do registro das declarações de importação, e a revisão aduaneira é condição, um ato antecedente ao próprio lançamento, a interpretação do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966 mais adequada, no meu sentir, é que tal prazo de realização do procedimento se traduz em um próprio prazo decadencial. Se o Fisco só pode examinar operações de importação realizadas dentro de um limite de tempo, como poderá lançar para além daquele limite? Os prazos poderiam até não ser coincidentes, mas, para tanto, o prazo decadencial haveria de ser mais curto que o prazo de revisão, o que não ocorre. Diante desse quadro normativo, para o caso ora analisado, lançamento decorrente de revisão aduaneira, entendo que deve ser aplicado o prazo de 5 (anos) contados do registro da declaração de importação do artigo 54 do Decreto Lei nº 37/1966, por ser norma especial para o imposto de importação e para o instituto da revisão aduaneira, que prevalece frente às normas gerais de decadência previstas no CTN, repetidas no artigo 138, caput e parágrafo único, do Decreto Lei nº 37/1966. Em decorrência, como a Recorrente teve ciência do lançamento em 13/07/2012, em relação a todas as declarações de importações registradas antes de 13/07/2007, a revisão aduaneira não foi concluída no prazo previsto no artigo 54 do Decreto Lei n° 37/66, motivo pelo qual o crédito tributário relativo a esse período deve ser afastado." Revogado o entendimento do Art. 456 (RA/1985), de que "A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário" e, superado tal conceito por outros que determinam exatamente o contrário, não há fundamento legal para reconhecer que a revisão aduaneira poderá ser realizada enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional constituir o credito tributário. O Art. 54 do DL 37/66 determina expressamente que somente poderá ser realizada em 5 anos da DI a apuração da regularidade do pagamento do imposto. Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.669 14 É evidente que os Art. 23, 44 e 541 do DL 37/66, assim como os Art. 669 (RA/2002) e 7532 (RA/2009), tratam de garantia vigente aos contribuintes e uma regra que deve ser respeitada pelo poder público: fato gerador e prazo da revisão aduaneira. Sua ineficiência e mora nos trabalhos não pode sobrepor aos direitos coletivos e/ou individuais da sociedade e do contribuinte, é o que determina a própria concepção do Direito Tributário, instituição social criada para limitar o poder de tributação e imposição de penalidades. Considerando os ensinamentos da Sociologia Jurídica e das escolas positivas do Direito, foi muito difundido que o Direito é a forma específica de controle social nas sociedades complexas. Tratase de um controle formal, determinado por normas de conduta, que regulam o comportamento social, seja do próprio Estado, do cidadão ou das instituições. 3 Os Brasileiros vivem formalmente sob um Estado Democrático de Direito, o que permite aos cidadãos sua participação no controle social, exercido indiretamente pela instituições sociais, legítimas e formais, como o Direito Tributário, por exemplo4. Ou seja, aos cidadãos foi atribuído legalmente o poder de controle social. De forma que, dentro do Estado Democrático de Direito, é permitido o exercício de suas garantias e princípios constitucionais como liberdade, livre comércio, dignidade humana e igualdade, por exemplo para limitar o poder do Estado por meio das instituições sociais, materializando o controle social sobre o principal agente de controle social, o próprio Estado. Por meios adequados para garantir o funcionamento do sistema, o direito privado tem o poder de fazer que o Estado constranja a si próprio, sendo que nesta lide o meio adequado para "constranger" o lançamento proferido pelo Estado (como poder público), é o presente procedimento administrativo de recursos fiscais. 5 As necessidades e interesses dentro de uma sociedade são em grande quantidade conflitivos e sempre haverá resistência de indivíduos ou grupos e, diante desta premissa sociologicamente aceita, dentro de um Estado Democrático de Direito não há um poder absoluto do Estado em impor sua vontade e fazer cumprir suas ordens em situações que conflitam com direitos e garantias individuais ou coletivas. Em resumo, existem limites para a convivência social, de forma que a Lei deveria representar uma declaração pública e solene da vontade geral, o que certamente inclui a vontade do cidadão e do povo (vide Rousseau, Jean Jacques. "Do Contrato Social). Esta linha de raciocínio reforça o próprio papel do Direito no processo de legitimação do Poder do Estado, formal e material. O Direito dá ao poder o que o filósofo Carl Shimitt chamou de "mais valia política"6. Este termo representa o seguinte: por meio do Direito é possível criar legitimidade para um governo, que passa a usufruir vantagens que são 1 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 2 Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139). 3 fls. 28, Sabadell, Ana Lucia. "Manual de Sociologia Jurídica Introdução a uma leitura externa do Direito." 4 fls 115, Sabadell, Ana Lucia. "Manual de Sociologia Jurídica Introdução a uma leitura externa do Direito". 5 fls. 24. Sundfeld, Carlos Ari. "Fundamentos de Direito Público". 6 fls. 98, Sabadell, Ana Lucia. "Manual de Sociologia Jurídica Introdução a uma leitura externa do Direito". Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.670 15 originadas com a aceitação popular, como a estabilidade social, a diminuição de conflitos e a obediência espontânea. Para então reforçar a segura conclusão deste posicionamento, é necessária uma observação a respeito do determinado no Resp 973.733/SC do STJ, porque em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno deste Conselho, por se tratar de julgamento em sede de recurso repetitivo, é obrigatória sua aplicação aos conselheiros. É claro que a obrigatoriedade da aplicação do entendimento externado pelo STJ deve guardar similitude fática e temática com cada processo em concreto, razão pela qual sua aplicação não é necessária neste, porque não guarda similitude fática idêntica. Além do caso de que tratou o Resp 973.733/SC não ser proveniente de uma revisão aduaneira e não tratar desta situação de nenhuma forma, já foi deixado claro neste voto que a avaliação da revisão aduaneira antecede a avaliação dos dispositivos que tratam da decadência dos tributos (art. 150, §4.º e 173 do CTN) e, ao mesmo tempo, podem extinguir o direito da autoridade fiscal realizar o lançamento após o prazo de 5 anos da DI, por disposição vigente e expressa. Em conclusão, verificase que o contribuinte tomou Ciência do AI em 13/12/2010 conforme fls 2 a 2236, logo, não há como manter o lançamento realizado sobre as DIs anteriores a 13/12/2005, visto que extinto o direito do poder público apurar a regularidade dos impostos (Art. 54 do DL 37/66). Razão pela qual se reconhece a decadência parcial nos autos para cancelar não somente as penalidades como entendeu a primeira instância, mas também para cancelar a cobrança dos tributos. DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DO ARROZ IMPORTADO, DA AUSÊNCIA DE CREDENCIAMENTO DA EMPRESA CLASSNOR, DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO NO SISTEMA HARMONIZADO, DA INOBSERVÂNCIA DO REGULAMENTO ADUANEIRO E DO ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. De acordo com o voto proferido acima sobre o período da revisão aduaneira e extinção do direito do fisco de apurar a regularidade dos impostos, parte do lançamento e da revisão aduaneira ocorreu em tempo, o lançamento que se refere às DIs posteriores a 13/12/2005. Presentes algumas dessas DIs nos autos, necessariamente a conclusão deste julgamento deverá considerar e analisar o mérito do lançamento. De acordo com a fiscalização, no Auto de Infração e Relatório de Ação Fiscal fls 2 e 1422, em resumo, o contribuinte importou arroz polido e não o arroz classificado na NCM 1006.3019 "Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/parboilizado/outros" e NCM 1006.30.29 "Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/não parboilizado/outros" e fundamentou o lançamento nos documentos apresentados pela empresa Classnor (vide os ilegíveis "Laudos" às fls. 334, 733, 1074, 1092 a exemplo), que "classificaram" o arroz como polido, empresa credenciada somente no Ministério da Agricultura para avaliar as mercadorias para fins de inspeção específica do Ministério da Agricultura. Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.671 16 O lançamento não utilizou de nenhuma Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado, à míngua do que dispõe o Art. 142 do CTN, o Art. 10 do Decreto 70.235/72 e Art. 94 do Regulamento Aduaneiro de 2002, o que pode ser verificado nas fls. 2 e 1422. A fiscalização, pretendeu fundamentar o lançamento somente com base na Portaria n.º 269/88 do Ministério da Agricultura, no sentido de que a classificação deveria ter sido realizada nas NCM's 1006.30.11 e 30.21, porque representariam somente os arrozes polidos. Mas vejamos as posições oficiais e as notas técnicas do Sistema Harmonizado, na sua íntegra: Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.672 17 De início verificase que o Sistema Harmonizado não titula nenhuma das posições com o Termo Polido, o que, de certo, já demonstra a diferença das descrições da Portaria 269/88 do Ministério da Agricultura com o as descrições oficiais do Sistema Harmonizado, justamente porque a característica do polimento é secundária. Veja que, conforme as notas técnicas acima, o termo corretamente utilizado, que mais se aproximaria do polimento, é o termo "arroz branqueado". Também de início, é possível verificar que o lançamento não cumpre os requisitos de reclassificação de mercadoria, porque nas classificações adotadas pelo contribuinte claramente constam a palavra "polido", conforme demonstrado acima (NCM 1006.3019 "Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/parboilizado/outros" e NCM 1006.30.29 "Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/não parboilizado/outros"). Logo, é de se ressaltar que, por constar no texto a palavra "polido", de acordo com a Regra Geral n.º 01 do Sistema Harmonizado, a classificação utilizada pelo contribuinte continua correta, havendo arroz "polido" dentre os importados ou não. Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.673 18 Nas posições entendidas como corretas pela fiscalização, NCM's de n.º 1006.30.11 e 30.21, somente poderiam subsumir os arrozes polidos ou brunidos, parboilizados ou não. No entanto, como fez crer a fiscalização, é possível concluir que as mercadorias importadas são todas arrozes polidos ou brunidos, parboilizados ou não? De acordo com as fls 954 a 1032, não é possível concluir. Algumas das mercadorias são identificadas como arroz "polido" e algumas não. Portanto, de acordo com a Regra Geral n.º 01 do Sistema Harmonizado, correta é a classificação adotada pelo contribuinte, que atribui a possibilidade de, dentre as mercadorias importadas, haverem arrozes polidos ou não, nas seguintes posições: "NCM 1006.3019 Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/parboilizado/outros; NCM 1006.30.29 Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/não parboilizado/outros" De acordo com o contribuinte em Impugnação e Recurso Voluntário de fls 1442 e 2236, em resumo, este importa o arroz nas classificações adotadas corretamente, porque realiza o polimento final somente após a importação (doc. 15 da impugnação). Possui todas as licenças e Certificados de Origem, que desembaraçou as mercadorias sem quaisquer questionamentos, que o fato gerador do II é a DI e que o desembaraço implica na concordância do lançamento, solicitou a decadência em observação ao prazo da revisão aduaneira e ao Art. 150, §4.º do CTN e juntou laudos técnicos de outras DIs favoráveis à sua classificação, assim como demonstrou que o polimento se dá no mínimo em 2 etapas e por fim, no mérito, solicitou a aplicação da RG 4 da NESH, solicitou que sejam desqualificados os laudos da empresa Classnor para fins de reclassificação fiscal pela NESH não ter sido cumprida em tais análises, arguiu que em ambas as classificações (fisco e contribuinte) a importação era isenta do II e solicitou o cancelamento das multas." Após análise dos autos, de acordo com os princípios e garantias constitucionais, é importante considerar que o Poder Público, em cumprimento do compromisso com a melhoria das condições sociais e da população no Brasil, compôs um planejamento econômico de incentivo ao comércio, dentro do âmbito do MERCOSUL, como país signatário, situação em que sequer a autoridade de origem poderia alegar qualquer Dano ao Erário, porque isento o contribuinte do II em qualquer das classificações adotadas (fisco e contribuinte). A Livre Iniciativa é fundamento da República Brasileira (Art. 1.º, IV, CF) e especificamente da ordem econômica (Art. 170, CF), que tem por fim assegurar a todos a existência digna, conforme os ditames de justiça social. 7 O princípio da legalidade foi violado neste lançamento porque não há nos autos prova de credenciamento na RFB e não há na legislação qualquer previsão legal para adotar o documento da empresa Classnor como "laudo" suficiente para reclassificação fiscal de produto. 7 fls. 766, Melo, Celso Antonio Bandeira de. "Curso de Direito Administrativo". Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.674 19 De modo que outro princípio se encontra violado, o da igualdade 8, porque o procedimento correto e utilizado em casos semelhantes é a análise técnica, consubstanciada em laudo realizado por órgão legitimado à colher amostra e apresentar a posição técnica oficial, em nome da RFB, para a reclassificação do produto. Situação que, em efeito sequencial, leva à violação do princípio da segurança jurídica9. Sendo este processo uma situação entre contribuinte e fisco que pode ser solucionada com a aplicação das garantias previstas nos Art. 113 e 142 do CTN, somase em favor do contribuinte a grave violação de princípios10. Não há como considerar que a mercadoria é outra que não Arroz Semi Branqueado ou Branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado ou não. Sobre a valoração da principal prova do lançamento (documentos da Classnor, empresa credenciada somente pelo Ministério da Agricultura de fls 954 a 1032), ainda que o livre convencimento permita "valorar" esta prova, é importante ressaltar que o convencimento do julgador administrativo é vinculado à legislação. A partir desta premissa, verificase conforme precedentes deste Conselho (Acordão 320200.080) que o próprio Ministério da Agricultura admite não possuir o mesmo rigor que outros laudos ou entidades legitimas para avaliar e fundamentar a reclassificação fiscal de mercadorias importadas. Assim, como já mencionado, materializada nos autos a falta de técnica e preparo para tanto, verificase nas fls 954 a 1032 que alguns destes documentos admitem a característica "polido" e outros não. Situação diretamente contraditória ao lançamento (AI e Relatório Fiscal), que afirmou claramente que o lançamento é decorrente da suspeita do contribuinte ter importado arroz polido, ao invés do não polido, com a clara conclusão de que o contribuinte teria importado outra mercadoria que não o Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado ou não. E diretamente vinculado à classificação da mercadoria estão os lançamentos do certificado de origem e da licença de importação e, claramente não merecem prosperar, porque o lançamento não comprovou tratarse de mercadoria diversa que a importada e a descrita pelo contribuinte, razão pela qual a classificação fiscal do contribuinte deve ser mantida. Inclusive porque presentes nos autos os Certificados de Origem e Licenças das importações. Situação que tem precedentes favoráveis ao contribuinte neste Conselho, no sentido de não desqualificar o Certificado de Origem ou a licença da importação em situações que não houve dano ao Erário e que a origem em si, foi comprovada, sendo esta, no caso dos autos, Uruguai e Argentina (vide Acórdãos 30127667, 03.04.321, 30234163 e 302 34226). 8 fls. 55, Grinover, Ada Pelegrini. "Teoria Geral do Processo" 9 fls. 118, Melo, Celso Antonio Bandeira de. "Curso de Direito Administrativo". 10 fls. 923, Melo, Celso Antonio Bandeira de. "Curso de Direito Administrativo". Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.675 20 Tais precedentes têm uma razão muito clara para existir: o propósito de proteger a participação de empresas no Acordo Tarifário do MERCOSUL em situações que não levam ao extremo da exclusão do contribuinte aos benefícios do Acordo. Verdadeira segurança jurídica sendo materializada nas decisões deste Conselho, de forma que não se pode banalizar tais situações de exclusão. Tratando da classificação em si, se polido ou não polido, justamente, não há como concluir tratarse de um arroz polido, pelos motivos já expostos, de forma que o contribuinte realmente possa ter importado arroz não polido e, desta forma, correta a classificação fiscal que diz Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado ou não. Alegou o contribuinte que o Ministério da Agricultura não possui a classificação vegetal "não polido" e diante disto, não haveria uma única situação em que o arroz não polido importado pelo contribuinte não fosse questionado perante as classificações deste Ministério. Esta alegação pode ser confirmada em observar os documentos, supostos "laudos" da empresa Classnor. Possuem somente 3 opções de classificação e nenhuma é arroz "não polido". Tal premissa legal e principiológica, que norteia o presente voto, também pode ser confirmada no próprio regimento interno do Ministério da Agricultura, conforme segue: "DECRETO Nº 7.127, DE 4 DE MARÇO DE 2010 Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e dá outras providências. ANEXO I ESTRUTURA REGIMENTAL DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO CAPÍTULO I DA NATUREZA E COMPETÊNCIA Art. 1º O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, órgão da administração direta, tem como área de competência os seguintes assuntos: (...) VII classificação e inspeção de produtos e derivados animais e vegetais, inclusive em ações de apoio às atividades exercidas pelo Ministério da Fazenda, relativamente ao comércio exterior;" Verificase que o próprio regimento interno do Ministério da Agricultura reconhece que sua atuação serve unicamente de apoio às atividades do Ministério da FAzenda, nada mais. Em oposição, confirase a expressa competência da RFB para realizar a classificação de mercadorias: "Portaria MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA MF nº 30 de 25.02.2005 . D.O.U.: 04.03.2005 REGIMENTO INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL CAPÍTULO CATEGORIA E FINALIDADE Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.676 21 Art. 1º A Secretaria da Receita Federal, órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, tem por finalidade: XVIII dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria; (...) Estrutura Regimental (Decreto nº. 7.482/11) ESTRUTURA REGIMENTAL DO MINISTÉRIO DA FAZENDA CAPÍTULO I DA NATUREZA E COMPETÊNCIA Art. 15. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria;" O lançamento exigiu prova técnica adicional não produzida pela autoridade fiscal. Toda e qualquer mudança de entendimento em relação à classificação fiscal de mercadorias deve ser devidamente fundamentada pelas autoridades fiscais e respeitar os direitos e garantias dos contribuintes constantes da Constituição Federal e do CTN. O método incerto da autoridade no presente lançamento, ao se utilizar de prova emprestada de mera análise passageira de empresa não credenciada pela RFB, terá de ser posto de lado para fins de incidência de cobranças e multas tributárias, porque produzirá, se mantido, apenas uma obediência hipócrita e passageira (vide Beccaria, Cesare. "Dos Delitos e das Penas", fls. 107). Devese evitar aumento do número de autuações lavradas pelas autoridades fiscais sem o respectivo supedâneo técnico e sem o devido respeito aos direitos assegurados aos contribuintes. A elaboração de laudos periciais, por parte das autoridades aduaneiras, em caso de dúvida sobre a natureza de um produto, em operação de comércio exterior, deve pautarse pelo disposto na legislação que trata do credenciamento de órgãos, entidades e peritos, positivados nas Instruções Normativas RFB n.º 157/98 e n.º 152/2002, procedimento que não foi sequer comentado pela autoridade no lançamento. Seguem trechos dos dispositivos legais previstos nas Instruções Normativas RFB n.º 157/98 e n.º 152/2002, vigentes e aplicáveis à época do lançamento: "Instrução Normativa SRF nº157,de22 de dezembro de 1998: Dispõe sobre a prestação de assistência técnica para identificação e quantificação de mercadoria, importada e a exportar, e regula o processo de credenciamento de entidades, órgãos e técnicos. Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.677 22 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 567 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto No 91.030, de 5 de março de 1985, resolve: CAPÍTULO IDisposições Preliminares Art. 1o A assistência técnica para identificação ou quantificação de mercadoria importada ou a exportar, quando necessária no curso de procedimento fiscal, será efetivada de acordo com os procedimentos estabelecidos nesta Instrução Normativa. Art. 2o A assistência técnica será prestada por: I instituição pública; ou II perito, autônomo ou vinculado a empresa privada. Parágrafo único. A assistência técnica prestada por instituição pública poderá ser realizada nos laboratórios instalados na própria unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF. Art. 3o Os procedimentos destinados ao credenciamento de instituições ou peritos serão adotados sempre que se fizerem necessários, a juízo do titular da Delegacia da Receita Federal DRF ou da Inspetoria da Receita Federal IRF. CAPÍTULO IICredenciamento de Instituições Públicas Art. 4o O credenciamento de instituição pública darseá mediante convênio, por prazo indeterminado, celebrado entre a unidade local da SRF e órgãos da Administração Direta, autarquias ou fundações públicas. § 1o O credenciamento a que se refere este artigo será requerido ao titular da unidade local da SRF, devendo o pedido ser instruído com os seguintes documentos: a) ato de criação da instituição; b) relação e qualificação profissional dos peritos que prestarão os serviços em nome da instituição, por área de especialização. § 2o O credenciamento fica condicionado à regularidade da instituição perante a SRF. § 3o O documento mencionado na alínea "a" do parágrafo anterior poderá ser apresentado em fotocópia. § 4o A relação referida na alínea "b" do parágrafo anterior será atualizada, pela instituição conveniada, sempre que ocorrer qualquer alteração. § 5o O convênio estabelecerá, ainda, a forma de recolhimento da remuneração devida pela assistência técnica prestada, que poderá ser efetivado diretamente à instituição conveniada ou à instituição a ela vinculada, observado o disposto no Capítulo V. Art. 5o O convênio poderá ser denunciado por qualquer das partes conveniadas, mediante simples correspondência dirigida à outra, com antecedência mínima de trinta dias. Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.678 23 Art. 6o Os credenciamentos de instituições públicas, em vigor na data de publicação desta Instrução Normativa, deverão ser adaptados às normas dos arts. 4o e 5o, até 31 de março de 1999. (...) Instrução Normativa SRF nº152,de08 de abril de 2002: Altera a Instrução Normativa SRF nº 157/98, de 22 de dezembro de 1998. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 567 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, resolve: Art. 1o Os arts. 36 e 37 da Instrução Normativa SRF nº 157/98, de 22 de dezembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação, renumerandose os atuais art. 36 e art. 37 para, respectivamente, art. 38 e art. 39: "Art. 36. Os laudos técnicos emitidos por instituições e peritos credenciados, destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar, deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: I explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; II exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente à mensuração de mercadoria a granel; III indicação das fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial. Parágrafo único. Os laudos não poderão conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)." " Art. 37. Os laudos técnicos que se apresentem sem os requisitos previstos no artigo anterior não serão aceitos podendo, entretanto, ser sanadas as falhas ou omissões, no prazo de cinco dias úteis da ciência da intimação da autoridade fiscal, da Divisão de Administração Aduaneira (Diana) ou da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), conforme o caso." Art. 2o Os laudos técnicos emitidos antes da publicação desta Instrução Normativa poderão ser objeto de solicitação de revisão ou complementação, a prudente critério da autoridade competente para decidir ou emitir parecer sobre a classificação fiscal da mercadoria, com vistas ao fornecimento das informações técnicas exigidas nos termos do artigo anterior. Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.679 24 Parágrafo único. A aplicação do disposto neste artigo não exclui a possibilidade de solicitação de novo laudo, quando as informações prestadas não forem suficientes para dirimir as dúvidas sobre a identificação da mercadoria a ser classificada. Art. 3o Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. EVERARDO MACIEL." O lançamento não merece prosperar em todos os tópicos relacionados ao suposto erro na classificação fiscal, de modo que merece provimento o Recurso Voluntário do contribuinte com relação a sua classificação ser correta e, portanto, diretamente ligado à classificação, não merecem prosperar os seguintes tópicos de lançamento de fls. 3 e seguintes do AI: "Inexatidão do Certificado de Origem", "Importação Desamparada de Guia de Importação ou Documento Equivalente" e "Mercadoria Classificada Incorretamente". Importante mencionar que este Conselho, em recente precedente, o Acórdão 3302002.930, assim decidiu quanto à multa isolada por erro de classificação fiscal: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS (…) MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO PARA A PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA NA AUTUAÇÃO. INTERPRETAÇÃO BENIGNA AUTORIZADA PELO ARTIGO 112 DO CTN. Restando demonstrado nos autos que a fiscalização não se utilizou de assistência técnica para identificar a mercadoria importada na autuação, requisito indispensável no caso da espécie dos autos pela especificidade técnica, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo artigo 112 do CTN. Recurso Voluntário Provido.” Por fim, a seu favor, o contribuinte juntou provas do beneficiamento do arroz após a importação, conforme fls. 1953 a 1960. Foram juntadas NFs de venda de farelo e arroz gessado, o que normalmente ocorre após o beneficiamento e, este, sempre ocorre antes do polimento final. Logo, o contribuinte não poderia ter importado arroz polido. É possível crer que, conforme declarou, importou arroz semibranqueado e descreveu e classificou corretamente. Inclusive, segundo o contribuinte e documentos comprobatórios juntados, o arroz polido é produto final (vide documentos anexos à impugnação e RV em fls. 1442 e 2236). Portanto, deve ser cancelado o lançamento no que diz respeito ao susposto "erro" na classificação do arroz. DA DESCRIÇÃO INCORRETA OU INCOMPLETA. Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.680 25 De forma paralela à questão central do lançamento (arroz polido ou não polido), uma questão que não altera a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, verificase nos autos que o contribuinte realmente apresentou uma descrição incorreta ou incompleta das DIs 06/01377480 e 06/01870020, conforme lançamento de fls 82 do AI e 1424 do TVF. O Auto de Infração e o Relatório fiscal fundamentaram corretamente o lançamentos nos seguintes dispositivos legais, que expressamente vinculam a multa de 1% à descrição incorreta: Basta conferir que em tais DIs, não decaídas, consta o termo "glaceado", principalmente em fls.200 a 284 e 523 a 610, quadro 1 do lançamento. O erro em utilizar o termo "glaceado", o próprio contribuinte confessa em sua peça recursal em fls 1463 ao afirmar que tratase de arroz "não glaceado", conforme reproduzido a seguir: Dessa forma, deve ser mantida a multa regulamentar de 1% e o juros somente sobre as DI 06/01377480 e 06/01870020, que de acordo com os documentos juntados aos autos, tiveram declaração que constasse o termo "glaceado" em vez de "não glaceado". CONCLUSÃO Diante do exposto, com fundamento no regimento interno deste Conselho, no regimento interno da RFB, nos princípios e garantias Constitucionais, na jurisprudência deste Conselho e com fundamento nos Art. 112, 113 e 142 do CTN, Art. 10 do Decreto 70.235/72 e Art. 94 do RA/02, merece PROVIMENTO PARCIAL o Recurso Voluntário do contribuinte. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.681 26 Voto Vencedor Paulo Roberto Duarte Moreira, Conselheiro. Cumpre consignar que as matérias preliminares suscitadas no recurso voluntário, enfrentadas ou não no julgamento desta Turma, serão (re)apreciadas no retorno da diligência, por ocasião de novo julgamento. O entendimento encontra respaldo no § 5º do art. 63 do Anexo II do RICARF: § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Exponho os motivos e fundamentos para solicitação de diligência. As diligências devem ser determinadas exclusivamente para esclarecer pontos ou complementar informações processuais com vistas a dirimir dúvidas decorrentes dos fatos relatados pela autoridade administrativa ou em face das alegações e elementos trazidos pela parte interessada em sua impugnação e recurso. No caso desses autos, a fiscalização procedeu à revisão aduaneira de declarações de importações DI´s, formalizadas para instruir os despachos aduaneiros de importações de arroz. No procedimento de revisão das DI's informou a autoridade fiscal que ao confrontar os documentos do despacho (DI, invoice/fatura comercial, conhecimento de carga e Certificado de Origem) com o Laudos de certificação de arroz elaborado segundo as normativas do Ministério da Agricultura e Pecuária MAPA, constatou divergência quanto à descrição do arroz importado. Ato contínuo, realizou a reclassificação da mercadoria firmada em laudos de identificação executados pela CLASSNOR pois este identificou o arroz como "polido" em oposição à descrição e classificação adotada pelo importador, que caracteriza o produto como "não polido". Segundo a TEC, as características díspares reveladas nos documentos que se contrapuseram, possibilitaria mais de uma classificação tarifária, o que é impedido pelas regras de interpretação do Sistema Harmonizado que prediz um único código possível a qualquer produto, de tal modo que a posição adotada pelo importador conduz a mercadoria à classificação nos código 1006.30.19 ou 1006.30.29; ao passo que nos termos da identificação do laudo, a classificação darseá nos códigos 1006.30.11 ou 1006.30.21. Questão preliminar para a decisão da turma, ainda que passível de alteração por aplicação do disposto no § 5º do art. 63 do Anexo II do RICARF, é a aceitação do laudo como documento hábil para identificação da mercadoria. Esta Turma em recente decisão, no julgamento do processo 10480.723715/201012, adotou posição vencedora (por maioria de votos) que os laudos e certificados emitidos no âmbito do MAPA, diretamente ou por intermédio de entidade credenciada, elaborados segundo os termos da Portaria MAPA Nº 269, de 27/11/1988, são aptos para identificar mercadorias de origem vegetal, no caso o arroz importado. Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.682 27 Tal posicionamento tem fundamento no art. 30 do PAF: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Dessa forma, prevalece o entendimento que Laudos de órgãos federais serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, ou seja na identificação e qualificação da mercadoria, especialmente as que tiverem sob controle do órgão, como o caso do arroz, ora submentido a este julgamento quanto á revisão de classificação tarifária, que engloba a identificação e qualificação do MAPA ou entidade credenciada por este, por força da Portaria MA 269/88. Entendo que os laudos ou certificados colacionados nos autos serão aptos na identificação do arroz se cumulativamente atenderem aos requisitos de identificação da mercadoria, assim sintetizados nos questionamentos a seguir: 1. O laudo/certificado é emitido pelo MAPA ou por empresa credenciada? 2. O laudo/certificado foi efetuado a partir de amostras do arroz importado conforme identificado no próprio certificado? 3. Há correlação com documentos instrutivos do despacho aduaneiro? 4. O laudo/certificado informa o método e/ou equipamento utilizado para se obter a identificação da mercadoria? 5. O laudo/certificado é taxativo em identificar o arroz importado como "polido" ou não polido"? Respostas positivas para os cinco quesitos permitem constatar, com grande margem de certeza, que a identificação é suficiente e segura para atestar o acerto ou não da fiscalização ao reclassificar o arroz importado. Pois bem, compulsando os autos, utilizandose de amostragem, verificouse que exemplares dos laudos/certificado encontramse ilegíveis, impedindo sua leitura e compreensão. Ademais, verificouse também que os documentos foram colacionados em determinada disposição que, a princípio, não se permite concluir que todas as DIs possuem um laudo/certificado correspondente. Essa constatação preliminar fezme impelir à proposta de conversão do julgamento em diligência para que os autos retorne à Unidade de Origem com fins ao saneamento, exclusivamente, para que: 1. Os laudos/certificados ilegíveis sejam substituídos por cópias idênticas e legíveis, vedada a inclusão de documento novos não juntados por ocasião da autuação fiscal; Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Resolução nº 3201000.891 S3C2T1 Fl. 2.683 28 2. Seja elaborado(s) quadro(s) demonstrativo(s) que realize(m) a correspondência entre número e data de registro da DI, a denominação e numeração do documento instrutivo do despacho consignado no laudo/certificado, o número do laudo/certificado correspondente, e as folhas nos processos de cada um dos documentos indicados no(s) demonstrativo(s). Como sugestão, poderá(ão) o(s) demonstrativo(s) ter os formatos utilizados nas folhas 107/140 do processo nº 10480.723715/201012 (formalizado na mesma unidade de origem) 3. Elabore relatório final da diligência, acompanhado dos documentos substituídos; 4. Seja dada ciência ao contribuinte, com a entrega de uma via do Relatório, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma única vez, exclusivamente em relação ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. 5. Seja dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional; 6. Retorne os autos com as providências solicitadas. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 2683DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.908326/2009-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-005.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido. Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 83 26 /2 00 9- 38 Fl. 498DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 Trata-se de recurso especial do sujeito passivo em face do acórdão de Turma Ordinária do CARF, que negou provimento ao recurso voluntário. O sujeito passivo apresentou recurso pretendendo questionar as seguintes matérias: (1) “possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ”; e (2) “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”. Em um primeiro momento o recurso especial teve o seguimento negado pelo Presidente de Câmara por meio do despacho. Após agravo do sujeito passivo, interposto exclusivamente quanto à não admissibilidade da primeira matéria acima referida, a Presidente da CSRF deu seguimento ao recurso especial quanto ao tema ali exposto, em despacho assim fundamentado: [...] O Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento decidiu que não restou caracterizada divergência relativamente às seguintes matérias: i) "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ"; e ii) "necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material". A contribuinte interpôs Agravo tão somente em relação à matéria descrita no item "i" acima, ou seja, quanto à POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO DE IRPJ RECOLHIDO A MAIOR APÓS A RETIFICAÇÃO DA DIPJ. Extrai-se, primeiramente, os seguintes fragmentos do exame agravado: [...] Com relação a essa matéria, não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”, e que, portanto, teria havido equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32%, e não 8%), no acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1101-000.848, de 2013), ao contrário, tratou-se de existência de débito de estimativa de IRPJ, ao passo que o recolhimento montara [...]. Ou seja, na decisão recorrida tratou-se de alegado erro de direito [erro na aplicação da norma jurídica]; já no acórdão paradigma apontado, de alegado erro de fato [erro na análise dos fatos ocorridos]. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Evidentemente, o primeiro pressuposto para a configuração de dissídio interpretativo, é, inquestionavelmente, a similitude fática entre a matéria discutida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Ou seja, é essencial que reste demonstrado que, decidindo matéria semelhante, órgãos julgadores distintos chegaram a conclusões diversas, em razão de divergências na interpretação da legislação tributária. Em outras palavras, se é certo que a divergência deve dizer respeito a questão de direito, e nunca a questão de fato, é evidente que, se os fatos são diversos, a interpretação da norma jurídica não pode ser considerada divergente. Fl. 499DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 Sendo assim, para configurar o dissídio jurisprudencial, nessa matéria, caberia à Recorrente apresentar acórdão paradigma apreciando situação semelhante à abordada na decisão recorrida (mesmo em se tratando de alegado erro de direito, e não de fato...) e decidindo em sentido contrário a ela (...não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP). Argumenta a Agravante que, ao contrário do assinalado no despacho contestado, a divergência jurisprudencial é evidente, relativamente à interpretação da Lei nº 9.784, de 1999, e da Lei nº 9.430, de 1996. Afirma que na situação enfrentada pelo acórdão paradigma nº 1101-00.848 a Autoridade Administrativa não desconstituiu as informações prestadas em DIPJ retificadoras, bem como não desenvolveu qualquer procedimento para tanto, de modo que o crédito com base na DIPJ deve ser aceito e a compensação homologada, em respeito ao Princípio da Verdade Material. Alega que a similaridade do acórdão paradigma é evidente, visto que no caso em exame o acórdão recorrido reconhece expressamente que houve a retificação da DIPJ, sendo este um dos procedimentos exigidos para reconhecimento do indébito, mas alega ausência de outros procedimentos, como retificação da DCTF e a juntada integral da documentação contábil, enquanto o paradigma entendeu que "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF)", e ainda, que diante do indébito apurado com base nas informações em DIPJ, deveria a autoridade preparadora desenvolver procedimento para desconstituir tal realidade, caso contrário deve ser reconhecido o pagamento a maior e, por consequência, deve ser admitida a sua compensação. Nos presentes autos, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação, por meio da qual indicou crédito decorrente de alegado pagamento a maior ou indevido. Tal indébito teria decorrido do fato de ter utilizado o coeficiente de presunção de 32% (prestação de serviços) ao invés de 8% (industrialização por encomenda). Embora não tenha promovido a retificação da DCTF, a contribuinte transmitiu DIPJ retificadora em data anterior à apresentação da Declaração de Compensação, na qual consignou o valor do tributo que considerava devido. A compensação não foi homologada, haja vista que o valor indicado como crédito já havia sido alocado a um determinado débito. Considerados os termos do seu voto condutor, o acórdão recorrido fincou a negativa de provimento ao recurso voluntário impetrado pela ora Agravante nos seguintes fundamentos: i) tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a apresentação de DIPJ retificadoras não é suficiente para o acolhimento do pedido, sendo necessário que o contribuinte ofereça informações com substância, consistência e devidamente comprovadas; ii) na defesa inaugural (Manifestação de Inconformidade), não foram apresentadas provas capazes de demonstrar que, por realizar industrialização por encomenda, a contribuinte estava sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (e não 32%, como alegou que aplicou), e as que foram carreadas ao processo por meio do recurso voluntário são constituídas por "cópias esparsas de notas fiscais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura"; iii) superadas as dificuldades para identificação dos valores, os montantes retratados nas cópias de notas fiscais trazidas ao processo correspondem a percentuais ínfimos quando comparados com a receita total informada na DIPJ; iv) tratando-se de certeza e liquidez de direito creditório, a comprovação é ônus do contribuinte; e Fl. 500DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 v) se a contribuinte alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se à “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento, bem como os livros contábeis ou fiscais que demonstrassem tal fato. No caso analisado pelo acórdão paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação indicando crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, e, a exemplo do que ocorreu nos presentes autos, a compensação não foi homologada sob a alegação de inexistência de disponibilidade do referido crédito, vez que ele já havia sido alocado a determinado débito da contribuinte. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou que a DIPJ indicava o efetivo valor devido e noticiou a retificação da DCTF. O voto condutor do paradigma em referência assinala inicialmente que, "ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito". Em que pese tal consideração, adiante, o referido voto condutor assinala, verbis: [...] Constatando que o recolhimento tido por parcialmente indevido permanecia vinculado ao débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa detinha evidências suficientes para negar a existência do crédito e não homologar a compensação. A partir daí, a conduta da contribuinte, no sentido de apresentar nova DCTF e entregar DIPJ compatível com a apuração que legitimaria o crédito, assume contornos que não são suficientes para convencimento do julgador administrativo, ante a possibilidade de estar ela orientada por uma objeção já manifestada pela Receita Federal. Imperioso, assim, a demonstração de fatos anteriores à ciência do despacho de não-homologação que motivaram a declaração de compensação. E, neste sentido, a contribuinte junta aos autos cópia da DIPJ referente ao ano-calendário [...]. Veja-se que a Relatora do acórdão recorrido não fez reparos à informação desta declaração, inclusive valendo-se de seus dados para afirmar o reconhecimento parcial do indébito, mas nesta parte restando vencida. Assim, está-se diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: [...] Esta é a interpretação que se extrai deste dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: [...] Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do ano-calendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominar-se Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Fl. 501DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: [...] Dessa forma, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareça-se, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: [...] Todavia, o descumprimento daquela obrigação não pode ensejar, como penalidade, o perecimento do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: [...] Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizá-lo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não-homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendo-a ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescente-se, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: [...] Observe-se, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Fl. 502DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Assim, o presente voto é no sentido de REJEITAR as arguições de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a "erro de direito" ou a "erro de fato" como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Em apertada síntese, temos o seguinte: a) nos presentes autos, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na aplicação de percentuais de presunção, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que não foi homologada por se entender que, no caso, não houve comprovação do erro alegado; e b) no caso do paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na apuração de estimativa, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que foi homologada por se entender que, "diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada .... não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado" (nos exatos termos do voto condutor correspondente, "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada". Identifica-se, portanto, similitude entre os fatos apreciados pelos acórdãos comparados, eis que, em ambos, analisou-se a situação em que o contribuinte, constatando erro na apuração do tributo devido, mesmo sem retificar a DCTF, altera primeiramente a DIPJ e, em momento posterior, apresenta Declaração de Compensação. No que diz respeito às decisões veiculadas pelos referidos acórdãos, entretanto, extrai-se sem maiores esforços um conflito interpretativo, visto que, enquanto o acórdão recorrido entende que, tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a retificação da DIPJ deveria vir acompanhada de documentação comprobatória, para o acórdão paradigma nº 1101- 000.848, presente a divergência entre a DIPJ e a DCTF, instrumentos declaratórios que Fl. 503DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 se encontravam na base de dados da Receita Federal, cabia à autoridade administrativa que primeiro analisou a Declaração de Compensação questionar tal fato para fins de definição acerca da informação que deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Constata-se, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõe-se que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ". A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões em que questiona a admissibilidade do recurso especial, transcrevendo trechos do despacho do Presidente de Câmara que não reconheceu como caracterizada a divergência jurisprudencial entendendo trata-se de situações fáticas distintas. Aduz, ainda, que o recurso não merece seguimento haja vista que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base em fundamentos autônomos que não foram, em sua totalidade, abordados em sede de recurso especial. Questiona também o mérito do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Em que pese os judiciosos argumentos da ilustre relatora, Conselheira Livia De Carli Germano, ouso discordar de seu voto quanto ao conhecimento do Recurso Especial. Em seu Apelo, o Contribuinte pretendeu trazer à discussão deste colegiado a possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ, tendo o Despacho de Admissibilidade não admitido o recurso, tendo sido posteriormente reformado em sede de Agravo. Relativamente à matéria “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”, o recurso não foi admitido no Despacho de Admissibilidade, não tendo o Contribuinte se insurgido contra tal decisão. No aresto recorrido (Acórdão nº 1402-002.537), assim consta em seu voto condutor: No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”. [...]. 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 504DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. [...]. Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Já no paradigma colacionado pela Recorrente, o voto condutor consigna o contexto da discussão travada naqueles autos: Assim, cabe aqui confirmar se, de fato, houve erro na apuração do débito de estimativa de IRPJ em janeiro/2007 e, por consequência, o recolhimento a maior arguido pela contribuinte na DCOMP. Antes, porém, cabe observar que, ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito. [...]. [...]. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Analisando ambos os julgados, inicialmente conclui-se, de fato, que ambos discutem matéria idêntica: a possibilidade, ou não, de caracterização de indébito decorrente de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ com a consignação do valor que, a seu ver, seria o real débito do tributo. Se analisado sob essa circunstância, poder-se-ia identificar divergência entre os referidos acórdãos, contudo, as conclusões distintas devem-se ao fato de estarem sendo analisadas circunstâncias fáticas com contextos fáticos significativamente distintos: enquanto no acórdão recorrido a recorrente alega que sua atividade, seu objeto social, e sua real operação empresarial seria de “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento” (sujeita à determinação da base de cálculo do lucro presumido mediante utilização de coeficiente de presunção de 8%), e não “prestação de serviços” (cujo coeficiente para apuração do lucro presumido seria de 32%), o acórdão paradigma analisou contexto em que, pela simples analise da DIPJ Retificadora, chegar-se-ia à conclusão de que restaria confirmado o recolhimento a maior. Veja-se que, no acórdão paradigma, consta em seu voto condutor que “as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em Fl. 505DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, tratava-se de simples erro de fato cometido no preenchimento da DIPJ, não envolvendo questões probatórias, no entender daquele colegiado demandasse qualquer esforço adicional. Já no acórdão recorrido o relator entendeu que haveria de ter comprovação das atividades desenvolvidas pelo contribuinte para se demonstrar que, efetivamente, sua atividade era a de industrialização de encomenda, apta, portanto, a atrair a aplicação do coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Confira-se: Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e ue, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, [...] Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõem-se de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegar-se à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 - Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. [destaques da decisão recorrida] Em relação à confrontação dessas duas decisões, assim consta no Despacho em Agravo: Fl. 506DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há, no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a “erro de direito” ou a “erro de fato” como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Com a devida vênia, entendo que razão assistia ao decidido no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial: a comprovação de erro de fato de que trata o acórdão paradigma é significativamente diferente de comprovação de erro de direito. Observa-se, de início, que o acórdão paradigma — nesse ponto concordando com o acórdão recorrido — afirma que, “ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito”. Contudo, naquele caso específico, com suas peculiaridades fáticas, o acórdão paradigma decidiu diferentemente do que afirmara, como segue: “Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada.” Ou seja, no caso específico do acórdão paradigma, como se tratou de um alegado “erro de fato” facilmente comprovável com a só apresentação de DIPJ, demonstrando a apuração das bases de cálculo mensais, o entendimento foi pelo provimento do recurso voluntário interposto para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Já na situação do acórdão recorrido, tratando-se de um suposto “erro de direito”, que dependeria da comprovação da atividade exercida pela empresa - se “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, ou “prestação de serviços” - não seria possível prever como decidiria aquele acórdão paradigma, ou seja, se este se contentaria, tão somente, com a mera mudança do preenchimento de linha relativa ao percentual de presunção na DIPJ para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, não é possível afirmar que o paradigma reformaria o acórdão recorrido. Nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o Recurso Especial somente é cabível se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste E. Conselho. No caso concreto, contudo, não há como se afirmar que haja uma divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma colacionado pelo Contribuinte, uma vez que os fatos tratados em cada um dos julgados possuem distinções significativas. Desse modo, tratando-se de situações fáticas distintas, envolvendo, inclusive, nuances jurídicas próprias, as decisões em sentido contrário nos acórdãos recorrido e paradigma não decorrem de divergência de interpretação de lei, condição prévia a ensejar a uniformização de entendimento por meio do Recurso Especial de divergência. Isso posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial. Fl. 507DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.633 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908326/2009-38 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10882.002103/2001-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA. LUCRO INFLACIONÁRIO. SÚMULA CARF Nº 10.
Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, deve-se levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.
Numero da decisão: 1201-005.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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LUCRO INFLACIONÁRIO. SÚMULA CARF Nº 10. Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, deve-se levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório CARTÃO UNIBANCO LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 9.008 (fls. 276), pela DRJ Campinas, interpôs recurso voluntário (fls. 182) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O presente processo trata de lançamento tributário para reduzir o saldo negativo de IRPJ (fls. 26) apurado no ano 1996, pelo valor de R$ 288.005,26. A fiscalização realizou a revisão da DIPJ/1997 e verificou que a CARTÃO UNIBANCO realizou o correspondente lucro inflacionário abaixo do limite mínimo obrigatório. A acusação fiscal está detalhada na folha de continuação do auto de infração (fls. 27), conforme o seguinte excerto: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 21 03 /2 00 1- 79 Fl. 382DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.172 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002103/2001-79 Lucro inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório, conforme demonstrativos anexos. O saldo do lucro inflacionário (II) que consta do sistema de acompanhamento da SRF em 31/12/1996 é de R$ 11.520.210,70. Em atendimento ao termo de intimação, declara o contribuinte que tal valor é incorreto e que a diferença apontada é originária de erro de preenchimento da declaração do IRPJ do exercício de 1992, ano-calendário 1991, onde, no anexo A quadro 04, linha 56 - saldo da conta de correção monetária diferença IPC/BTNF constou 13.818.909.668, enquanto o valor correto seria 7.081.654.951, constituindo a diferença de 6.737.254.717. A correção monetária dos investimentos em coligadas/controladas avaliados pelo patrimônio liquido das investidas que deveria estar alocado na linha 58 - reserva especial de correção monetária. Não houve a comprovação da alegação acima através de documentação hábil, tal como cópias do Lalur para demonstrar o saldo da correção monetária da diferença IPC/BTNF. Tampouco foi possível confirmar as alegações através da declaração IRPJ/92, ano- calendário 1991. A CARTÃO UNIBANCO apresentou impugnação ao lançamento tributário (fls. 47). A decisão de primeira instância afastou a preliminar de decadência e julgou a impugnação improcedente (fls. 276). A CARTÃO UNIBANCO apresentou recurso voluntário (fls. 339), em que apresenta os mesmos argumentos já trazidos desde a auditoria fiscal, assim sintetizados: i) o lucro inflacionário acumulado verdadeiro é aquele controlado no seu LALUR e não naquele controlado no sistema da RFB; ii) a divergência entre esses dois controles tem origem no fato de a fiscalização ter desconsiderado o lucro inflacionário baixado no ano 1990; iii) houve um erro no preenchimento da sua DIPJ/1992, conforme comprovado para a fiscalização, fazendo o saldo do lucro inflacionário ser maior do que o real; iv) realizou o pagamento de todo o saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/01/1993; v) ainda que não se considere o pagamento integral, já ocorreu a decadência sobre esse saldo. Esses argumentos serão detalhados e analisados no voto que se segue. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. A CARTÃO UNIBANCO foi cientificado da decisão de primeira instância em 09/05/2014 (fls. 327). O presente recurso voluntário foi apresentado em 10/06/2014 (fls. 339). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O recorrente opõe-se à decisão de primeira instância, inicialmente, afirmando que realizou a tributação integral do saldo do lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da Fl. 383DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.172 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002103/2001-79 diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF, até 31/01/1993, em cota única, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.541/1992 1 . A fiscalização entendeu que esse valor não foi integralmente tributado, de forma que, após a redução do valor quitado, ainda restaria saldo remanescente que foi levado até a data do fato gerador do lançamento tributário (31/12/96). Na sua impugnação, a CARTÃO UNIBANCO reafirma a quitação integral, mas defende que a tributação de eventual saldo remanescente em 1993 não poderia ser mais realizada em razão da sua decadência, uma vez que o lançamento tributário ocorreu em 27/11/2001. A DRJ, nos termos do voto vencedor, afastou a alegada decadência, afirmando que a tributação do lucro inflacionário não pode ser exigida de ofício antes de a CARTÃO UNIBANCO realizar o correspondente valor, o que afastaria a decadência da parcela não apurada na DIPJ, conforme o seguinte excerto (fls. 284): 26. Reconhece-se, pois, o benefício em relação à parcela assim levada à tributação, o que tem como implicação direta a amortização da base de cálculo correspondente. No entanto, a parcela do lucro inflacionário remanescente, não realizada, permanece integrando o saldo acumulado, de acordo com a sistemática peculiar de tributação desse lucro. 27. Isso porque, o prazo decadencial se inicia a partir do momento que a contribuinte está obrigada a efetuar a realização do lucro inflacionário acumulado. Assim se posiciona a instância administrativa superior, nos seguintes acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes: [...] 29. Assim, o lucro inflacionário, enquanto diferido, representa um ganho não financeiro que somente é tributado por ocasião de um fato superveniente, ou seja, sua realização. Em outras palavras, a simples apuração de lucro inflacionário não representa, por si só, obrigação de recolher imposto de renda, porque pode ter sua tributação diferida para o momento de sua realização. 30. Se a Fazenda Nacional não pode exigir o recolhimento do tributo antes da realização do valor diferido, não pode também efetuar nenhum lançamento cujo objetivo seja imputar à contribuinte qualquer ônus pelo descumprimento da obrigação de recolher. E, não podendo a Fazenda Pública proceder ao lançamento, não há sentido em fluir em seu desfavor o prazo decadencial. 1 Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I - 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II - 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III - 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV - 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V - em cota única à alíquota de cinco por cento. § 1° O lucro inflacionário acumulado realizado na forma deste artigo será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do período-base. § 2° O imposto calculado nos termos deste artigo será pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da realização, reconvertido para cruzeiro, com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 384DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.172 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002103/2001-79 No recurso voluntário, a CARTÃO UNIBANCO rebate esse entendimento, trazendo jurisprudência do CARF em sentido contrário, inclusive a Súmula CARF nº 10, que tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 10 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, deve-se levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. A decisão recorrida entendeu que a decadência somente ocorre depois de transcorrido o prazo legal, contado a partir da “realização” do lucro inflacionário. Contudo, essa decisão não deixa claro o que entende por realização. É possível afirmar que, dentro da concepção da decisão recorrida, a realização do lucro inflacionário não se dá com a sua escrituração contábil, pois afirma expressamente que “a simples apuração de lucro inflacionário não representa, por si só, obrigação de recolher imposto de renda, porque pode ter sua tributação diferida para o momento de sua realização”. Também é possível afirmar que, dentro da concepção da decisão recorrida, a realização do lucro inflacionário não se dá com o pagamento do tributo correspondente, uma vez que afirma expressamente que “se a Fazenda Nacional não pode exigir o recolhimento do tributo antes da realização do valor diferido, não pode também efetuar nenhum lançamento cujo objetivo seja imputar à contribuinte qualquer ônus pelo descumprimento da obrigação de recolher”. Com isso, só nos resta entender que a dita “realização” ocorre quando o contribuinte inclui o lucro inflacionário na base de cálculo do tributo. Nesse caso, se o tributo correspondente não é pago, seria possível a sua exigência tributária, pelo que começaria a correr o prazo de decadência. Tal construção é, no meu entender, incoerente, pois se o contribuinte já ofereceu à tributação o lucro inflacionário e não pagou o tributo, não há que se falar em decadência, mas sim em prescrição. Por outro lado, se o tributo foi pago, não há que se falar em exigência, em decadência ou prescrição. Por fim, se o lucro inflacionário não for incluído na base de cálculo, nunca haverá decadência. Em outras palavras, a construção da decisão recorrida torna letra morta a norma que prevê a decadência da obrigação tributária. A melhor construção é aquela contida no voto vencido, constante do acórdão recorrido, pela qual a obrigação tributária surge com a apuração do lucro inflacionário no final do período legal de apuração e pela qual o pagamento espontâneo do tributo correspondente configura um lançamento por homologação, dando início à contagem da homologação tácita desse lançamento, a qual tem efeito equivalente a uma decadência da parte da obrigação tributária que não foi oferecida à tributação. Essa construção se coaduna com a referida Súmula CARF nº 10 e com os seus precedentes, por exemplo, o acórdão nº 101-94.846, que tem a seguinte ementa: IRPJ - LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO - Tendo a pessoa jurídica optado pela tributação integral do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da correção complementar monetária IPC/BTNF existente em 31 de dezembro de 1992, em cota única à alíquota de cinco por cento, o fato imponível da obrigação tributária é todo o estoque existente naquela data, e a partir daí, nasce o direito do Fisco constituir o crédito tributário sobre eventuais diferenças não oferecidas a tributação. Fl. 385DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.172 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.002103/2001-79 DECADÊNCIA - LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - A contagem do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário, inicia-se da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a teor do disposto no §4o do art. 150 do CTN. Na mesma linha estão os acórdãos recentes desse CARF, por exemplo, o Acórdão nº 9101-004.100, de 09/04/2019, que tem a seguinte ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART. 31, V, DA LEI N° 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei n° 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, a partir daquela data, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada. Com essas considerações, entendo que, na data da realização do lançamento tributário em julgamento, não era mais possível exigir o IRPJ incidente sobre o lucro inflacionário acumulado até o dia 31/12/1992, o que leva à exoneração do crédito tributário aqui constituído. Esse entendimento torna desnecessária a apreciação dos demais argumentos do recorrente. Diante das razões acima expostas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 386DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.004556/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006, 2007
PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA.
O pedido de diligência e perícia não se presta a suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas aos fatos que, por sua natureza, são provados por meio documental.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. DECLARAÇÃO DOS ÓRGÃOS COMPETENTES.
Uma vez reconhecido pelos órgãos ambientais competentes que a área declarada pela Recorrente corresponde à área de interesse ecológico estão atendidas as condições previstas no art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 9.393/96, devendo, portanto, ser admitida sua exclusão da base de cálculo do ITR.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e que esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Conforme Súmula CARF nº 108, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2202-008.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer 1210,00 ha a título de área de interesse ecológico.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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O pedido de diligência e perícia não se presta a suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas aos fatos que, por sua natureza, são provados por meio documental. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. DECLARAÇÃO DOS ÓRGÃOS COMPETENTES. Uma vez reconhecido pelos órgãos ambientais competentes que a área declarada pela Recorrente corresponde à área de interesse ecológico estão atendidas as condições previstas no art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 9.393/96, devendo, portanto, ser admitida sua exclusão da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e que esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Conforme Súmula CARF nº 108, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer 1210,00 ha a título de área de interesse ecológico. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 45 56 /2 01 0- 12 Fl. 310DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.461 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004556/2010-12 Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.004556/2010-12, em face do acórdão nº 04-27.099, julgado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), em sessão realizada em 23 de janeiro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Contra a interessada supra foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 117 a 131, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2006 e 2007, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 338.827,96, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Estrela 2”, com área de 2.523,6 ha, NIRF 1.872.089-7, localizado no município de Guaratuba/PR. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não logrou comprovar a área isenta declarada a título de interesse ecológico, posto que não foi apresentado o ato específico do órgão competente, federal ou estadual que tenha declarado o imóvel como de interesse ecológico, sendo que a área objeto da averbação n° 2/52.085 trata de manejo sustentado de palmito, além disso o fato de imóvel estar localizado em área abrangida pelo perímetro da Área de Proteção Ambiental de Guaratuba não exclui a propriedade de tributação pelo ITR, conforme inciso II, § 1°, art. 10 da Lei n° 9.393/96, portanto, foi efetuada a glosa da área de interesse ecológico nos dois exercícios analisados; que as áreas de preservação permanente e reserva legal declaradas foram consideradas, em virtude da existência de ADA protocolizado no prazo legal, indicando estas áreas, bem como a área de reserva legal possuir averbação na matrícula do imóvel; e que, quanto ao valor da terra nua declarado foram acatadas as estimativas de valor da terra nua apuradas conforme itens 6.2.1 e 6.2.2 do Parecer, sendo procedida a retificação das áreas e valores declarados alterando o VTN tributável, de R$ 84.937,50 para R$ 1.791.488,00 no Exercício 2006 e de R$ 84.937,50 para R$ 577.750,20 no Exercício 2007. Cientificada do lançamento, por via postal, em 06/12/2010, conforme AR à fl. 133, a interessada apresentou a impugnação de fls. 134 a 143, em 22/12/2010, aduzindo, em síntese, que: Foi efetuado o pagamento do débito referente ao período de 2007, no total de R$ 2.523,41, já com a redução de 50% da multa, pois foi pago no prazo da impugnação, entretanto com relação ao débito do período de 2006, tal entendimento Fl. 311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.461 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004556/2010-12 não deve prosperar, tendo em vista a adoção dos corretos procedimentos em questão; A ausência de certidão de órgão público competente para a área de interesse ecológico se deu em virtude da omissão do IAP, desde o início do procedimento de fiscalização; Por seu o ITR um imposto de competência da União, com o propósito de servir como instrumento para fins extra-fiscais, na promoção de certos comportamentos sociais ou econômicos, foram estabelecidas em sua legislação alíquotas progressivas, desestimulando a propriedade improdutiva; ainda que o Fisco tenha enquadrado o imóvel nessa qualidade, não é essa sua realidade, pois o mesmo possui área de preservação ambiental, conforme se comprova pelo Termo de Responsabilidade de Conservação de Floresta junto ao Ibama, averbado na matrícula, que limita o uso da propriedade; A propriedade encontra se localizada integralmente na Área de Proteção ambiental de Guaratuba, protegida pelo Decreto n° 1.234/92, evidenciando a função preservatória desses 1.210,0 ha que foram glosados, de modo que caracterizar tal área como tributável é onerar demasiadamente o contribuinte, que sempre priorizou pela preservação do meio ambiente; a autuação se mostra desprovida de razoabilidade, pois utilizou uma alíquota de 10%, configurando confisco, pratica inconstitucional, consoante disposição do art. 150 da CF; Como o laudo técnico foi acatado no item 6.2.1. deve-se retificar o valor total do imóvel que consta no Demonstrativo de Apuração do Exercício de 2006 para que conste o valor correto de R$ 2.560.000,00, modificando, conseqüentemente o VTN e o valor do imposto devido; A multa de ofício e a taxa de juros Selic, embora previstas em lei, não são autorizadas a incidirem uma sobre a outra, corroborando esse entendimento o parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96; Requer o recebimento da impugnação, julgado-a procedente e cancelando o auto de infração em sua totalidade; caso não seja esse o entendimento adotado, que seja determinada a imprescindível baixa dos autos em diligência fiscal e local, verificando na prática as questões até então defendidas. Instruíram a impugnação os documentos de fls. 144 a 185. É o relatório.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 235/244 dos autos: “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006, 2007 Prova Pericial. A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando- se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Área de Interesse Ecológico. Reconhecimento Específico. ADA. Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.461 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004556/2010-12 Para que possam ser excluídas da incidência do ITR, a área de interesse ecológico deve ser assim declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual e ser obrigatoriamente informada em Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado no Ibama, nos prazos e condições fixados em atos normativos. Valor da Terra Nua - VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. " Juros de mora. Multa de Ofício. Confisco. É cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de ofício por expressa previsão legal. O princípio do não-confisco tributário; nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: “Isto posto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração, devendo retornar os autos à unidade de origem para prosseguimento da cobrança, inclusive com as atualizações legais, e demais providências cabíveis.” Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 221/264, reiterando as alegações expostas em impugnação. Ainda, por esta foram apresentados esclarecimentos ao recurso voluntário em fls. 273/277, bem como juntou documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pedido de diligência e perícia. Indeferimento. Inocorrência de cerceamento de defesa. As diligências e perícias prestam-se a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não a suprir a omissão do sujeito passivo relativamente à produção de provas que lhe compete e que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação.. Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.461 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004556/2010-12 Assim, produção de provas, diligências, perícia e afins são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratar de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova pretendida pela recorrente, sendo tal requerimento inferido. Ademais, também por tais razões, compreende-se que o indeferimento de tal pedido pela DRJ de origem não ocasiona cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Área de interesse ecológico. Alega a recorrente que a área do imóvel é de interesse ecológico. Ocorre que para a exclusão das áreas de interesse ecológico da incidência do ITR faz-se necessário que essas áreas sejam assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que atendam ao disposto na legislação pertinente (Lei n° 6.938, de 1981, art. 17-O, § 1°, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000, art. 1°; RITR/2002, arts. 10, § 3°, e 15; IN SRF n° 256, de 2002, arts. 9°, § 3°, e 14). Verifico que esta Colenda Turma, em sessão de 05.04.2018, da qual participei, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso da contribuinte (acórdão nº 2202-004.359, de relatoria da Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio), referente ao mesmo imóvel (NIRF 1.872.089-7), para reconhecer a existência de área de interesse ecológico no tamanho de 1.210,0 ha. Por oportuno, transcrevo o voto quanto a área de interesse ecológico, da ilustre Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio proferido naquele julgamento: “1) DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL Conforme mencionado no relatório, a matéria objeto do presente recurso é de natureza eminentemente fática. Trata-se da comprovação da área de interesse ecológico de 1.210,00 he declarada pelo contribuinte em sua Declaração de ITR. O art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 9.393/96 determina a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de interesse ecológico, desde que assim declaradas pelos órgãos ambientais competentes: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I – VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 314DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.461 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004556/2010-12 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II – área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. A decisão recorrida entendeu desnecessária a realização de perícia junto aos órgãos ambientais e negou provimento à impugnação por entender que: Analisando os autos, observa-se que não foi parâmetro de fiscalização as áreas de preservação permanente e reserva legal, pois elas foram mantidas no lançamento no valor informado pela contribuinte. O parâmetro de malha foi a área de interesse ecológico e valor da terra nua declarado. Dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, ficou constatado que a área de interesse ecológico, além da ausência de Certidão do órgão competente, declarando essa área como tal, ela também não foi indicada no ADA apresentado. Dessa forma, esse item foi glosado e o valor da terra nua foi modificado, considerando-se as informações constantes do Sistema de Preços de Terras SIPT, em razão do laudo de avaliação dos dados amostrais. Em relação à ausência de informação da área de interesse ecológico no ADA apresentado, a Recorrente alega que ela foi informada pelo antigo proprietário. Todavia, ao invés de ser informada como área de interesse ecológico foi informada como área de preservação permanente. Quanto a ausência de certidão do órgão competente, a Recorrente demonstrou, desde a Impugnação, que embora tenha diligenciado junto aos órgãos competentes, não obteve respostas destes e, exatamente por esse motivo, requereu a diligência negada pelo órgão julgador de origem. O CARF, todavia, acatou o pedido de diligência. As respostas do IBAMA e do IAP deixam claro que a área declarada pela Recorrente é de interesse ecológico, conforme se verifica pelos trechos abaixo transcritos: Resposta do IBAMA (fls. 291) Realizou-se análise da localização da propriedade, através de ferramentas de geoprocessamento, partindo da sobreposição do polígono da Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, criada pelo Decreto Estadual 1.234 de 27/03/1992 cujo objetivo da criação, conforme consta no referido decreto, é "compatibilizar o uso racional dos recursos ambientais da região e a ocupação ordenada do solo, proteger a rede hídrica, os remanescentes da Floresta Atlântica e de manguezais, os sítios arqueológicos e a diversidade faunística, bem como disciplinar o uso turístico e garantir a qualidade de vida das comunidades caiçaras e da população local." Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.461 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004556/2010-12 Especificamente sobre o questionamento referente à existência da área de interesse ecológico no imóvel, entendemos que conforme consta na Lei 9.393/96, em seus artigo 10, o fato da propriedade estar totalmente sobreposta a uma Unidade de Conservação se enquadra no previsto naquela norma, visto que o estabelecimento de uma Unidade de conservação, gera para a propriedade restrições além das que regram as demais propriedades, cujas restrições referem-se basicamente a manutenção de APP e Reserva Legal. (...) Realizou-se ainda a análise da situação da vegetação existente na propriedade, através da sobreposição com imagem RapidEye 2227224 de 08/06/2011, e verificou-se que a propriedade possui área com cobertura florestal com dimensão compatível com a averbação de área de manejo florestal com 1.210,00 hectares, averbada na matrícula do imóvel. (grifamos) Resposta Instituto Ambiental do Paraná IAP (fls. 299) Em atenção ao ofício nº 004/14/DRF/CTA/SEFIS, protocolado sob o nº 13.052.8082, informamos que a Fazenda Estrela 2 encontra-se totalmente inserida dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, instituída pelo Decreto Estadual 1.234 de 27 de março de 1992 (grifamos) Uma vez reconhecido pelos órgãos ambientais competentes que a área declarada pela Recorrente corresponde à área de interesse ecológico estão atendidas as condições previstas no art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 9.393/96, devendo, portanto, ser admitida sua exclusão da base de cálculo do ITR.” Naquela ocasião acompanhei o voto da ilustre Conselheira Relatora e nesta oportunidade, adoto o trecho do voto acima como minhas razões de decidir, entendendo que cabível a dedução da base de cálculo da área tributável do imóvel a área de interesse ecológico no tamanho de 1210,00 ha. Portanto, merece provimento o recurso da recorrente para reconhecer 1210,00 ha a título de área de interesse ecológico. Do Valor da Terra Nua (VTN). Com referência ao Valor da Terra Nua - VTN, cabe salientar que conforme consta na descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 125 a 129, a fiscalização alterou o valor da terra nua declarado nos exercícios 2006 e 2007, com base nos itens 6.2.1 e 6.2.2 do Parecer Técnico emitido pelo engenheiro florestal em 01 de novembro de 2010, que a contribuinte apresentou em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal. O VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. A título de referência, para justificar as avaliações, poderão ser apresentados anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores e que levem à convicção do valor da terra nua na data do fato gerador. Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.461 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004556/2010-12 Constou no auto de infração, à fl. 145 dos autos, que “no que se refere à comprovação do valor da terra originalmente declarado, foram acatadas as estimativas de valor da terra nua apuradas conforme itens 6.2.1 e 6.2.2 do Parecer”. Verifica-se, portanto, que os valores indicados no laudo apresentado pela contribuinte já foram acolhidos pela autoridade lançadora, não tendo a contribuinte apresentado outro laudo, não havendo como acolher o pleito da recorrente de revisão do VTN. No voto do acórdão recorrido constou que “a contribuinte teceu várias alegações, porém não apresentou laudo técnico ou qualquer comprovação suficiente que justifique a revisão do VTN considerado no lançamento relativos aos exercícios 2006 e 2007 e nem sequer discriminou o valor que entende ser o correto”. Por tais razões, considerando-se a documentação constante nos autos, entendo que deve ser mantido o VTN apurado pela Autoridade Fiscal. Juros de mora sobre a multa de ofício. Conforme Súmula CARF nº 108, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Portanto, improcede o pedido da recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reconhecer 1210,00 ha a título de área de interesse ecológico. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010744/2007-40
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RRA. DESPESAS QUE PODERÃO SER EXCLUÍDAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE.
Sobre o total dos rendimentos recebidos em ação judicial, poderá ser deduzida a despesa relativa aos honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, sem indenização, na exata dicção do art. 12-A, § 2º, da Lei nº 7.713/88.
Afasta-se a autuação quando o contribuinte comprova haver ocorrido o pagamento dos honorários advocatícios associados aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) com documentação hábil e idônea
PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL.
Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material.
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 2003-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Ricardo Chiavegatto de Lima, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RRA. DESPESAS QUE PODERÃO SER EXCLUÍDAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. Sobre o total dos rendimentos recebidos em ação judicial, poderá ser deduzida a despesa relativa aos honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, sem indenização, na exata dicção do art. 12-A, § 2º, da Lei nº 7.713/88. Afasta-se a autuação quando o contribuinte comprova haver ocorrido o pagamento dos honorários advocatícios associados aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) com documentação hábil e idônea PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RRA. DESPESAS QUE PODERÃO SER EXCLUÍDAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. Sobre o total dos rendimentos recebidos em ação judicial, poderá ser deduzida a despesa relativa aos honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, sem indenização, na exata dicção do art. 12-A, § 2º, da Lei nº 7.713/88. Afasta-se a autuação quando o contribuinte comprova haver ocorrido o pagamento dos honorários advocatícios associados aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) com documentação hábil e idônea PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar- se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Ricardo Chiavegatto de Lima, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega e Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 44 /2 00 7- 40 Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-003.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.010744/2007-40 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo exigência de IRPF referente ao ano-calendário de 2004, exercício de 2005, em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de ação trabalhista, no valor de R$ 63.206,00, conforme se depreende da notificação de lançamento constante dos autos, importando na alteração do imposto a restituir apurado de R$ 21.128,41, para o imposto a restituir ajustado de R$ 3.746,76 (fls. 25/29). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 11-32.981, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Recife - DRJ/REC (fls. 32/35): Em desfavor da contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, de fls. 24 a 26, na qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 63.206,00. 2. Com base no enquadramento legal, de fl. 25, foi alterada a Declaração de Ajuste Anual para inclusão dos citados rendimentos. Resulta disso uma redução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) a restituir de R$ 21.128,41 para R$ 3.746,76. 3. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresenta impugnação, de fls. 1 e 2, esclarecendo que o valor considerado como rendimentos omitidos foi o exclusivamente informado pela fonte pagadora, Banco Banerj S/A, sem, no entanto, sofrer qualquer dedução a título de honorários advocatícios pagos em decorrência do processo de Reclamação Trabalhista n 2 425/96, que tramitou na 9º Vara da Capital. 3.1 Dessa forma, solicita que sejam deduzidos os referidos honorários, conforme os recibos de fls. 10 a 12, com o objetivo de que o saldo do imposto a restituir seja majorado para R$ 8.466,51. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se incólume o imposto a restituir ajustado apurado. Recurso Voluntário Cientificada da decisão, em 29/03/2012 (fls. 40), a contribuinte, em 23/04/2012, interpôs recurso voluntário (fls. 41/43), repisando alegações da peça impugnatória e trazendo aos autos os recibos retificados pelos patronos da demanda judicial, contendo o número de registro na OAB/PE e endereço profissional, além de firmas reconhecidas em cartório, suprindo assim os vícios apontados pela Turma julgadora, requerendo, ao final a reforma da decisão recorrida, promovendo-lhe a restituição do imposto a que faz jus, no valor de R$ 8.466,51. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-003.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.010744/2007-40 Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação judicial – dos honorários advocatícios pagos: Insurge-se, a Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/REC, que manteve o lançamento em face da omissão de rendimentos apurada decorrente do processamento da DAA/2005, importando na alteração dos rendimentos tributáveis declarados de R$ 218.167,59 para R$ 281.373,59, e ajustando o imposto a restituir para R$ 3.746,76, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise acerca do todo processado, no sentido do acatamento da exclusão das despesas havidas com honorários advocatícios relativas à condução da ação trabalhista, necessárias ao recebimento dos aludidos rendimentos. Visando suprir o ônus que lhe competia, traz aos autos, dentre outros e em especial, cópia dos recibos de pagamento retificados emitidos pelos advogados José Gomes de Melo Filho, Ana Elisa de Souza Tavares e Ana Cristina Gomes de Melo (fls. 44/46). Da análise dos autos pode-se constatar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre as despesas pagas, não tendo sido demonstrado por meio de documentação hábil e devidamente formalizada o cumprimento dos requisitos legais a motivar as respectivas deduções, consubstanciado nos arts. 56 e 73 do RIR/99. Vale salientar, que o art. 73, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar documentos subsidiários aos recibos, para efeito de confirmá-los, sobretudo quando não contiverem os requisitos necessários exigidos pela legislação de regência. Não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade suscitada. Conclui-se, portanto, que a comprovação da efetiva prestação dos serviços ou dos pagamentos realizados, quando exigidos e não apresentados, autoriza a consequente tributação dos valores correspondentes e omitidos pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades em relação aos valores apurados, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Nesse ponto o art. 149 do CTN, determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF), cujo objetivo é efetuar o controle de legalidade do lançamento fiscal, harmonizando- o com os dispositivos legais, de cunho material e processual, aplicáveis ao caso, calhando aqui, nessa ótica, por pertinente e indispensável, a análise dos documentos trazidos à colação pela Recorrente. Assim, passo ao cotejo dos documentos ora apresentados e os já constantes dos autos, em relação aos fundamentos motivadores da omissão de rendimentos apurada e mantida pela decisão recorrida (fls. 34/35): Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-003.449 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 19647.010744/2007-40 7. Uma vez não contestada especificamente a omissão de rendimentos, passa-se a análise da dedução de honorários advocatícios solicitada. Tal dedução está prevista no parágrafo único do art. 56 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda - RIR/99), cuja base legal é o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Assim dispõe tal norma: (...) 7.1 Pela leitura do comando legal acima, percebe-se que, para fins de dedução, as despesas com ação judicial devem ser pagas pelo contribuinte, sem indenização. 7.2 No caso em tela, a impugnante apresenta cópias de três recibos (fls. 10 a 12) referentes aos pagamentos de honorários aos seguintes advogados: a) José Gomes de Melo Filho, CIC/MF 018.986.204-15, no valor de R$ 31.602,50; b) Ana Elisa de Souza Tavares, CIC/MF 193.404.354-00, no valor de R$ 15.801,25; e c) Ana Cristina Leão Gomes de Melo, CIC/MF 233.188.304-10, no valor de R$ 15.801,25. 7.3 Todavia, a interessada apresenta apenas cópias simples dos recibos, que não se revestem dos mínimos requisitos formais para que sejam admitidos como prova, tais como autenticação, reconhecimento de firma, nº de registro na Ordem dos Advogados do Brasil e endereço dos advogados contratados. De se considerar que, alternativamente, outros documentos poderiam ser juntados aos autos com o objetivo de comprovar os pagamentos expressos nas cópias dos recibos, a exemplo do contrato de prestação de serviços entre as partes ou, eventualmente, nota fiscal de prestação de serviços. Como nada consta anexado, além das citadas cópias dos recibos, não há como acatar a dedução pleiteada. Pois bem. Entendo que a pretensão recursal merece prosperar, porquanto a Recorrente se desincumbiu do ônus que lhe competia. Cabe ressaltar, que por força do art. 12 da Lei nº 7.713/88, norma aplicável aos rendimentos recebidos no ano-calendário de 2004 e objeto do lançamento, as despesas com advogados, de fato, poderão ser excluídas dos rendimentos recebidos. Ademais a prova produzida está a demonstrar a ocorrência do pagamento da verba honorária aos patronos da Recorrente, cujo labor desempenhado resultou no recebimento dos rendimentos provenientes da demanda judicial trabalhista nº 425/96 mova contra o Banco BANERJ S/A, que tramitou na 9ª Vara do Trabalho de Recife/PE, e constantes da DIRF apresentada pela fonte pagadora. Portanto, ao ancorado nos recibos retificados e registados no Tabelionato de Notas do 3º e 5º Ofício de Recife (fls. 44/46) – diga-se de passagem, contendo os referidos recibos todos requisitos exigidos pela decisão recorrida para validar a despesa realizada – tem-se por comprovado que o valor tido por omitido de R$ 66.205,00 representou a verba honorária paga pela condução do processo judicial trabalhista, restando assim, ao meu sentir, supridos os vícios apontados pela decisão recorrida, devendo ser excluído o respectivo valor da conta para incidência tributária, na exata dicção da legislação de regência (art. 12 da Lei nº 7.713/88), razão pela qual afasto a omissão de rendimentos e torno insubsistente o crédito tributário lançado. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para afastar o lançamento e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto renda. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11040.902809/2018-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.146
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.136, de 27 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11040.901723/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.136, de 27 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11040.901723/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .9 02 80 9/ 20 18 -5 5 Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.146 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902809/2018-55 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento cumulado com Compensação, pelo qual a contribuinte pretende aproveitar crédito Contribuição Social não cumulativa (PIS/Pasep ou Cofins), o qual foi indeferido pela autoridade administrativa. Consta que a contribuinte foi intimada antes da prolação de decisão da autoridade da DRF para que providenciasse a retificação dos arquivos da EFD-Contribuições relativos aos meses em que se pleiteava os créditos ou apresentasse novo PER/DCOMP com a indicação correta dos valores apurados, em razão das inconsistências entre os valores informados nesses documentos. Conforme documentos dos autos, a contribuinte não atendeu à intimação, do que resultou na prolação do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, que indeferiu o pleito e não homologou a compensação declarada sob o fundamento de não restar créditos após as deduções mensais permitidas. Após ciência, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou que os valores de créditos apurados estavam corretos e que se tratava apenas de divergência de informação, uma vez que constou corretamente na EFD o código 201 (crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno) enquanto que na PER/DCOMP informou equivocadamente o código 101 (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno). Afirmou ainda que efetuou “consulta” presencial na Unidade da RFB e aguarda notificação para apresentação de documentos comprobatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, estando dispensada de elaboração de ementa nos termos da Portaria RFB nº 2.724/2017. A decisão de Primeira Instância teve por fundamento para manter a não homologação da compensação pela autoridade fiscal: 1. As divergências entre EFD e PER/DCOMP foram detectadas na análise eletrônica do pedido, sendo objeto de Termo de Intimação o qual não foi atendido pela contribuinte; 2. A interessada não apresentou documentos que tenham subsidiado sua escrituração contábil e fiscal de forma a demonstrar o alegado equívoco; 3. Na qualidade de autora do pedido cabe à contribuinte demonstrar seu direito comprovando os fatos que alega conforme dispõe o art. 36 da Lei nº 9.784/1999 e art. 373, I do CPC, além da exigência de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do art. 170 do CTN; 4. A contribuinte apresentou apenas recibos de transmissão de declaração e escrituração, o que não supre o dever de comprovação do direito creditório; e 5. Aplica-se ao caso a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, pois não configurada nenhuma das hipóteses para a dilação probatória previstas nas alíneas do § 4º. Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.146 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902809/2018-55 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual repisa em sua defesa os argumentos suscitados em manifestação de inconformidade acerca da divergência entre EFD e PER/DCOMP decorrente do equívoco na informação dos códigos em que se encontram consolidados os créditos na da não cumulatividade das Contribuições Sociais. Aduz que os produtos vendidos devem ser classificados no código 200 (relacionados à agroindústria: cereais), como efetuou corretamente na EFD, e não no código 101 que se relacionam a segmentos da indústria metalúrgica, têxtil e outras. Afirma que após receber Intimação da RFB buscou orientação em Unidade de sua jurisdição (RFB em Chuí/RS) e por não sanar sua dúvida, apresentou “impugnação à intimação”, sem que tenha obtido resposta; e mais, ao receber o despacho decisório, deparou-se com situação em que não lhe mais possível retificar o Pedido para sua correção. Contradiz o voto da DRJ na parte em que assevera o contribuinte manter-se inerte ao receber a intimação. Alega que, embora não tenha “apresentado a solução correta, foi atendida e respondida a intimação ... dentro do prazo oferecido”. Por fim, sustenta que não juntou as notas fiscais em razão de seu grande volume, porém, nos arquivos TXT enviados mensalmente é possível verificar a veracidade dos fatos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Infere-se do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito no momento do encontro de contas. Constam dos autos que a decisão foi proferida após decorrido o prazo para a contribuinte atender intimação e providências de retificação da EFD-Contribuição ou do PER/DCOMP, sem sua manifestação. O sujeito passivo explicou na manifestação de inconformidade que incorreu em equívoco na prestação de informações atinentes ao código dos créditos a que tem direito, corretamente apontado como 200 na EFD, pois vinculado à receita não tributada no mercado interno, enquanto que na PER/DCOMP informou equivocadamente o código 101 (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno). Aduz ainda que sua atividade produtiva relaciona-se ao cultivo de arroz, produto este com alíquota zero de PIS e Cofins (ou mesmo com saída Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.146 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902809/2018-55 suspensa) e conforme o Manual EFD os insumos com direito ao crédito devem ser alocados no Grupo 200, código CST 51 (Operação com direito a Crédito – Vinculada Exclusivamente a Receita Não Tributada no Mercado Interno). Dessa forma, a informação dos créditos permitidos no Grupo 100, que trata de produtos tributados e comuns a outros segmentos (metalurgia, têxtil, etc), evidenciou o equívoco. Em relação ao não atendimento ao Termo de Intimação, anterior ao despacho decisório, a contribuinte contesta com veemência a acusação da decisão recorrida, porquanto compareceu ao plantão fiscal e formulou, como resposta, pedido de orientação e anexação de documentos comprobatórios. Nos autos não se encontra anexados o pedido a que se refere a contribuinte e sequer os documentos anexados. Nada obstante, juntamente com o Recurso Voluntário constata-se cópias de notas fiscais que possivelmente corroboram as alegações da contribuinte, além do “Despacho de Encaminhamento” acostados aos autos cujo teor é “Encaminhado para análise conforme orientação que o contribuinte recebeu em consulta realizada ao Plantão Fiscal desta unidade”, bem como a resposta ao Termo de Intimação com os seguintes dizeres: TERMO DE INTIMAÇÃO: 128024265 Vimos através desta, apresentar impugnação com relação ao Termo de Intimação acima referido, pois conforme contato já mantido pessoalmente com esse órgão foi verificada a inconsitência do mesmo, já que não demonstra a realidade dos números apresentados na EFD enviada mensalmente. Anexamos documentação comprobatória e solicitamos deferimento. Santa Viória do Palmar, 21 de dezembro de 2017. A apresentação de tais documentos é confirmada com carimbo aposto pela IRF/Chuí/RS, na data de 22 de dezembro de 2017. Do que se constatou acima, é de se dar razão à contribuinte no sentido de que houve sim sua manifestação ao indigitado Termo de Intimação com a apresentação de documentos e esclarecimentos acerca das inconsistências preliminarmente constatadas na análise e confronto entre EFD e PERD/COMP. Desta forma, não pode prevalecer a decisão recorrida no tocante à negativa do direito com fundamento na inércia da contribuinte, pois que esta, a toda evidência, não ocorreu. De ressaltar que não se corrobora as afirmações e explicações apresentadas, tampouco se dá validade aos créditos pretendidos com os exemplares de cópias de notas fiscais apresentadas. Contudo, o fato de haver o provável equívoco que implicou o indeferimento do pedido Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3201-003.146 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902809/2018-55 creditório e indícios de confirmação das alegação de defesa é, no mínimo, situação que requer a reanálise do pedido. O ponto que importa à solução da lide, com arrimo no princípio da verdade material, é se os valores consignados nos documentos apresentados correspondem com a apuração da Contribuição Social, com respaldo em documentos fiscais e na contabilidade do contribuinte. Dessa forma, entendo que a solução da lide requer o retorno à Unidade Preparadora para que a autoridade fiscal proceda à reanálise do pedido creditório, com base nos documentos que constam dos autos e demais que entender necessários, solicitando-os do contribuinte, mediante intimação regular, e, ao final, elabore parecer conclusivo acerca do PER/DCOMP. Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3201-003.146 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902809/2018-55 Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16682.720303/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.195
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a autoridade fiscal providencie a intimação da contribuinte para a apresentação de documentos/esclarecimentos e demais solicitações: (1) quanto aos fretes relacionados na planilha, que sejam apresentadas as notas fiscais das mercadorias transportadas, identificando para cada frete prestado a que tipo de mercadoria se refere, e local de origem e destino. (este esclarecimento é importante já que as notas fiscais dos fretes, apresentadas por amostragem, trazem como origem e destino o mesmo local, ou seja, o estabelecimento da recorrente, e cita nas observações que foram efetuadas entregas em diversos locais. Também é importante confirmar se tratam de fretes para operações de venda como alega a recorrente, para isso é importante saber se o transporte foi da empresa para o cliente, ou se houve paradas e transbordos intermediários); (2) Deverá ser verificado a possibilidade de tomada dos créditos, considerando que a recorrente declara que trata-se de Cofins no regime cumulativo; (3) A fiscalização deverá verificar a pertinência da aplicação do REsp nº 1.221.170/PR, e Parecer Normativo Cosit nº 5/2018; (4) Deverá ser prestado esclarecimento sobre o Mandado de Segurança e os depósitos judiciais, e documentos que o ampararam; (5) Elabore demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo; (6) Do resultado da diligência deverá ser dado ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias. Após a conclusão retornem os autos para prosseguir o julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.188, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 16682.720281/2014-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
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(este esclarecimento é importante já que as notas fiscais dos fretes, apresentadas por amostragem, trazem como origem e destino o mesmo local, ou seja, o estabelecimento da recorrente, e cita nas observações que foram efetuadas entregas em diversos locais. Também é importante confirmar se tratam de fretes para operações de venda como alega a recorrente, para isso é importante saber se o transporte foi da empresa para o cliente, ou se houve paradas e transbordos intermediários); (2) Deverá ser verificado a possibilidade de tomada dos créditos, considerando que a recorrente declara que trata-se de Cofins no regime cumulativo; (3) A fiscalização deverá verificar a pertinência da aplicação do REsp nº 1.221.170/PR, e Parecer Normativo Cosit nº 5/2018; (4) Deverá ser prestado esclarecimento sobre o Mandado de Segurança e os depósitos judiciais, e documentos que o ampararam; (5) Elabore demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo; (6) Do resultado da diligência deverá ser dado ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias. Após a conclusão retornem os autos para prosseguir o julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.188, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 16682.720281/2014-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 30 3/ 20 14 -6 4 Fl. 638DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.195 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720303/2014-64 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Segundo consta nos autos a empresa transmitiu PER/Dcomp, com pedido de ressarcimento no valor de R$1.207.074,94, decorrente de Pagamento Indevido ou a maior referente a parte do DARF no valor de R$8.311.390,09, da COFINS, Período de Apuração: 30/09/2009. A empresa foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal para justificar retificação no DACON e apresentação de documentos. Por meio do Despacho Decisório, não se reconheceu o Direito Creditório e não homologando a compensação declarada. A compensação é forma de extinção do crédito tributário prevista no inciso II do art. 156 da Lei 5.172/1966 (CTN). Faz-se necessária, entretanto, para a efetivação da compensação, a existência de lei específica autorizadora de sua realização, prevendo os casos, as condições e as garantias em que a compensação deva ocorrer e, por óbvio, a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo para com a Fazenda Pública. Além de tais requisitos, devem ser atendidas ainda as demais normas que disponham sobre o encontro de contas estipuladas pela autoridade administrativa no uso da competência que a lei lhe atribuir. É o que determina o caput do art. 170 do CTN, adiante transcrito: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." No caso em comento, por falta de atendimento à intimação fiscal, não foi possível concluir pela certeza e liquidez do alegado crédito tributário, uma vez que não restou esclarecida a motivação da retificação da Dacon em valores tão significativos, origem do suposto indébito. Em face do exposto e considerando tudo mais que do processo consta, conclui-se pelo NÃO RECONHECIMENTO o direito creditório pleiteado pela interessada, referente ao pagamento a maior de Cofins de setembro de 2009, no valor de R$ 1.207.074,94 e, portanto, pela NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação indicada na Dcomp 06500.97883.191211.1.3.04-5813. Fl. 639DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.195 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720303/2014-64 Irresignada, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, julgada pela DRJ Recife improcedente. Cientificada a empresa apresentou Recurso Voluntário, onde alega, em síntese: - equivoco da turma julgadora quanto a composição do crédito pleiteado; - inequívoco direito ao crédito da recorrente originado pelo cálculo da Cofins no período sem o desconto das despesas com frete; - princípio da verdade material. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A contribuinte após intimada para justificar a retificação do DACON, não se manifestou, tendo a fiscalização emitido o despacho decisório não homologando a compensação, por não ter sido possível comprovar a certeza e liquidez do crédito. Preliminar – erro no cálculo da DRJ Inicialmente a recorrente informa haver equívoco da turma julgadora na composição do crédito pleiteado, quando esclareceu que a empresa não poderia utilizar da parcela referente à suspensão da liminar em Mandado de Segurança, devido a vedação do art. 170-A do CTN, e que a parcela referente ao DARF não seria suficiente para cobrir o débito. A turma julgadora entendeu o seguinte: (i) A Recorrente apurou débito no valor de R$ 6.980.242,91; (ii) A Recorrente pretende utilizar crédito de COFINS referente ao pagamento de DARF a maior, por ter inicialmente desconsiderado o desconto das despesas incorridas com frete, no valor de R$ 4.843.219,65; (iii) A Recorrente pretende utilizar crédito de COFINS referente à medida liminar concedida no Mandado de Segurança nº 2000.51.01.004617- 1, em que houve depósitos judiciais no valor de R$ 2.137.023,26; (iv) A parcela referente aos supostos créditos decorrentes da medida liminar concedida em Mandado de Segurança não poderia ser utilizada pela Recorrente, devido à vedação do artigo 170-A do CTN, tendo em vista que não houve o trânsito em julgado do processo; e (v) Considerando somente a parcela do crédito referente ao pagamento do DARF (R$ 4.843.219,65), não se verifica a suficiência para compensação com o débito de R$ 6.980.242,91, razão pela qual a DCOMP não deve ser homologada. Argumenta que a apuração correta seria: Fl. 640DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.195 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720303/2014-64 A Recorrente apurou débito no valor total de R$ 6.980.242,91; (ii) Desse débito de R$ 6.980.242,91, o valor de R$ 2.137.023,26 encontrava-se com exigibilidade suspensa, devido à concessão da liminar/ realização de depósitos judiciais no Mandado de Segurança nº 2000.51.01.004617-1, razão pela qual esses valores não foram considerados para a composição do débito, conforme demonstrativo de fls. 501 dos presentes autos. (iii) A Recorrente apurou os valores devidos a título de COFINS cumulativo (descontando-se a parcela com exigibilidade suspensa de R$ 2.137.023,26), declarou na respectiva DACON, e efetuou o recolhimento necessário à sua quitação, no total de R$ 4.843.219,65, através de dois DARFs nos respectivos valores de R$ 132.063,26 e R$ 4.711.156,39, conforme demonstrativo de fls. 500 dos presentes autos; (iv) Posteriormente, após revisão interna da apuração de COFINS realizada pela Recorrente, foi identificado que várias despesas de frete não haviam sido consideradas para apuração da COFINS no período, o que deu origem ao crédito ora pleiteado, objeto da diferença entre os DARFs pagos e o valor efetivamente devido. Por isso os valores referentes à suspensão da exigibilidade da Cofins por força da medida liminar/Depósito judicial em Mandado de segurança não compõe o crédito pleiteado pela recorrente. Ou seja, tais valores não compuseram o débito de Cofins por causa suspensiva da exigibilidade, o que é diferente de ter se creditado dessa parcela. Na DCTF, efl. 492, consta entre os créditos vinculados, R$2.137.023,26 com suspensão. Na efl. 494 consta que o motivo da suspensão “liminar em Mandado de Segurança”, com depósito vinculado no mesmo valor. Analisando os documentos nos autos, em especial a DCTF, conclui-se que na Dacon retificadora a empresa declarou que possui um débito de R$ 6.980.242,91. Na DCTF retificadora ela demonstra que irá quitar esse débito com dois DARFs de R$ 132.063,26 e R$4.711.156,39, e um crédito com suspensão por medida liminar em Mandado de Segurança no valor de R$2.137.023,26. Um dos DARF tem valor original de R$5.594.915,40, mas devido a reapuração de valores, desse valor somente foi utilizado R$4.711.156,39. A recorrente cita que possui liminar em Mandado de Segurança, Processo nº 20005.101004/61-71, que suspendeu o crédito tributário de R$ 2.137.023,26, no entanto não juntou aos autos os documentos que trouxesse mais clareza sobre o teor do Mandado de Segurança, suas peças processuais, que pudessem facilitar nossa compreensão. Ou seja, a recorrente apresenta um crédito de R$4.843.219,65, e um débito de R$ 6.980.242,91. Mérito. Direito ao crédito. A recorrente argumenta que após revisão interna da apuração da Cofins cumulativo, identificou várias despesas de frete que não foram originalmente consideradas. E que tais despesas constituem insumos indispensáveis para a sua atividade comercial, e que o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03, autoriza expressamente a dedução de tais despesas. Juntou à manifestação de inconformidade planilha relacionando cada um dos serviços prestados, e algumas notas fiscais, a título exemplificativo. A empresa trabalha com operação de venda de gases industriais e medicinais, e a operação é subdividida em etapas, sendo a primeira a aquisição dos produtos, a segunda a remessa desses produtos às unidades locais de representação comercial, e a terceira a Fl. 641DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3201-003.195 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720303/2014-64 remessa dos centros de distribuição aos seus clientes, por isso se enquadram como frete na venda. Apresenta jurisprudência sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos industriais. Junto com a manifestação de inconformidade a empresa apresentou planilha relacionando os fretes apurados que julga darem direito ao crédito, contratos de prestação de serviços com as terceirizadas que realizaram os fretes, e amostra de notas fiscais. Frise-se que esses documentos somente foram apresentados após a emissão do despacho decisório. É importante nessa fase processual que dúvidas sejam esclarecidas com o intuito de propiciar maior certeza ao julgamento da lide. Por isso, é necessária a conversão do julgamento em diligência para que seja esclarecido e/ou apresentado documentos: - Para os fretes relacionados na planilha, que sejam apresentadas as notas fiscais das mercadorias transportadas, identificando para cada frete prestado a que tipo de mercadoria se refere, e local de origem e destino. (este esclarecimento é importante já que as notas fiscais dos fretes, apresentadas por amostragem, trazem como origem e destino o mesmo local, ou seja, o estabelecimento da recorrente, e cita nas observações que foram efetuadas entregas em diversos locais. Também é importante confirmar se se tratam de fretes para operações de venda como alega a recorrente, para isso é importante saber se o transporte foi da empresa para o cliente, ou se houve paradas e transbordos intermediários); - Deverá ser verificado a possibilidade de tomada dos créditos, considerando que a recorrente declara que trata-se de Cofins no regime cumulativo; - Caso possível a fiscalização deverá verificar a pertinência da aplicação do REsp nº 1.221.170/PR, e Parecer Normativo Cosit nº 5/2018. - Deverá ser prestado esclarecimentos sobre o Mandado de Segurança e os depósitos judiciais, juntando os documentos que o ampararam. - deve ser elaborado demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo. - do resultado da diligência deverá ser dado ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias. - após a conclusão retornem os autos para prosseguir o julgamento. Fl. 642DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3201-003.195 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720303/2014-64 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência para que a autoridade fiscal providencie a intimação da contribuinte para a apresentação de documentos/esclarecimentos e demais solicitações: (1) quanto aos fretes relacionados na planilha, que sejam apresentadas as notas fiscais das mercadorias transportadas, identificando para cada frete prestado a que tipo de mercadoria se refere, e local de origem e destino. (este esclarecimento é importante já que as notas fiscais dos fretes, apresentadas por amostragem, trazem como origem e destino o mesmo local, ou seja, o estabelecimento da recorrente, e cita nas observações que foram efetuadas entregas em diversos locais. Também é importante confirmar se tratam de fretes para operações de venda como alega a recorrente, para isso é importante saber se o transporte foi da empresa para o cliente, ou se houve paradas e transbordos intermediários); (2) Deverá ser verificado a possibilidade de tomada dos créditos, considerando que a recorrente declara que trata-se de Cofins no regime cumulativo; (3) A fiscalização deverá verificar a pertinência da aplicação do REsp nº 1.221.170/PR, e Parecer Normativo Cosit nº 5/2018; (4) Deverá ser prestado esclarecimento sobre o Mandado de Segurança e os depósitos judiciais, e documentos que o ampararam; (5) Elabore demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo; (6) Do resultado da diligência deverá ser dado ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias. Após a conclusão retornem os autos para prosseguir o julgamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 643DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10840.720024/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que, embora de forma sintética, apresenta descrição dos fatos que remete a planilha constante em Termo de Constatação Fiscal devidamente cientificado ao sujeito passivo e regularmente inserida nos autos.
LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. GLOSA
Apenas são dedutíveis a título de livro caixa os gastos com a remuneração de terceiros com vínculo empregatício e os dispêndios de custeio realizados, comprovadamente pagos por documentação hábil e idônea, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ai contribuinte comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro-caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização.
CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF 147.
Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê-leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SUMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE
É devida a exigência fiscal com aplicação da penalidade de ofício no percentual de 75% sobre a diferença de tributo apurada em lançamento de ofício.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-009.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega (Suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Não padece de nulidade o Auto de Infração que, embora de forma sintética, apresenta descrição dos fatos que remete a planilha constante em Termo de Constatação Fiscal devidamente cientificado ao sujeito passivo e regularmente inserida nos autos. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. GLOSA Apenas são dedutíveis a título de livro caixa os gastos com a remuneração de terceiros com vínculo empregatício e os dispêndios de custeio realizados, comprovadamente pagos por documentação hábil e idônea, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. ÔNUS DA PROVA. Cabe ai contribuinte comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro-caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização. CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF 147. Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê-leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SUMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE É devida a exigência fiscal com aplicação da penalidade de ofício no percentual de 75% sobre a diferença de tributo apurada em lançamento de ofício. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 00 24 /2 01 0- 21 Fl. 1732DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega (Suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão 17-58.334, exarado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP, fl. 1668 a 1685, que analisou a impugnação apresentada contra Auto de Infração referente a Imposto sobre a Renda da Pessoa Física referente ao ano-calendário de 2006. Por sua precisão e clareza, valho-me do relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância: Trata-se de Auto de Infração (As. 2/14), referente ao ano-calendário de 2006, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de RS 94.417,30. sendo RS 36.342,95 de imposto, RS 10.404,98 de juros de mora, RS 27.257,21 de multa de ofício, além de RS 20.412.16 a titulo de multa isolada. No Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal de fls. 888/892, consta que no decorrer do procedimento fiscal realizado junto ao contribuinte, fora apuradas: - Dedução indevida com dependente Giovanni Arthur Madurro Ribeiro, por falta de comprovação da dependência; - Dedução indevida com instrução do dependente glosado, também por falta de comprovação; - Dedução indevida de pensão alimentícia judicial supostamente paga a Jane Mazer (RS 30.000,00), por decorrer de instrumento particular de fixação de alimentos e por não terem sido apresentados comprovantes de pagamentos; - Dedução indevida com livro caixa, sendo que do valor total pleiteado (RS 119.182,05), restou comprovado RS 22.916,03, sendo glosada a diferença no montante de RS 96.266,02. Conforme Demonstrativo de Apuração das Despesas do Livro Caixa (fls. 74/116), o contribuinte cometeu as mais variadas irregularidades ao incluir despesas em livro caixa, tais como: a) apresentação de guias sem autenticação bancária de recolhimento: b) dedução de despesa com empregada doméstica; c) inclusão de dedução não respaldada por documento de comprovação; d) inclusão de despesa de terceiros; e) dedução de despesa sem identificação do cliente: Fl. 1733DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 f) dedução de despesa sem identificação dos produtos adquiridos; g) dedução de despesa com consórcio; h) dedução de despesa residencial; I) dedução de despesa com clube social (Sociedade Recreat. de Esportes); j) dedução de despesa com TV a cabo (NET); k) dedução de condomínio residencial; 1) dedução com instrução de terceiros; m) dedução de despesas com refeições: etc. - multa isolada por falta de recolhimento mensal do camé-leâo. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 898/921, na qual alega: - Cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma que o auto de infração glosou diversas despesas da impugnante de seu livro caixa sem descrever no termo de verificação fiscal quais foram as despesas glosadas - uma a uma -, bem como a razão desta conduta. Também não teria havido a apresentação no termo de conclusão de uma planilha com as despesas glosadas do livro caixa - uma a uma -, bem como a razão desta glosa. O relatório fiscal que a fiscalização somente informaria o valor genérico glosado do livro caixa, não externando exatamente o porquê deste procedimento, bem como quais foram as despesas não acolhidas; - As glosas efetuadas, com base no Decreto 3.000/1999, estariam em desacordo com o disposto no artigo 153, III. da Constituição Federal, bem como com o disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional. - Quanto à glosa de deduções de dependente, alimentos e instrução, afirma que há respaldo legal e documentação comprobatória. Quanto à dedução de dependentes, afirma ter direito de deduzir o valor relativo ao dependente Giovani Arthur Madurro Ribeiro. Conforme certidão de nascimento, é pai do dependente. - Quanto aos alimentos, afirma que houve pagamento à Jane Mazer, sendo que a comprovação se com os documentos anexos à defesa. - Quanto á instrução de Giovani Arthur Madurro Ribeiro, afirma estar anexando comprovante do Colégio Marista de Ribeirão Preto/SP. em que há confirmação dos valores pagos no tocante ã instrução do dependente. - Quanto aos juros, assevera a ilegalidade e a inconstitucionalidade da Taxa SELIC como índice de juros de mora; - Relativamente ã multa isolada, afirma a sua inexigibilidade, em virtude de duas razões: (i) - ser impossível a concomitância da multa isolada com a de ofício; (ii) - a multa isolada do carnê-leão somente poderia ser aplicada dentro do ano-calendário, nunca após o encerramento deste. - Quanto à multa de oficio, afirma que o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5 a , LIV) e da proibição do confisco (art. 150, TV), previstos na Constituição Federal. Ê o relatório. No julgamento da impugnação, acordaram os membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, por unanimidade de votos, julgar Fl. 1734DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 parcialmente procedente a impugnação, em razão das conclusões sintetizadas na Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 DEPENDENTE. Somente poderão figurar como dependentes as pessoas expressamente arroladas no § lº do artigo 77 do RIR99, desde que seja comprovada não somente a relação de parentesco como o atendimento de todos os requisitos ali constantes. GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE. Nos termos do artigo 8º, inciso II, 'b', da Lei nº 9.250/95, somente são dedutíveis pagamentos de despesas de instrução da contribuinte e de seus dependentes. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. Nos termos do inciso II do artigo 10 da Lei n 9 8.383/91, inciso II do artigo 4 a da Lei n º 9.25095, e do artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, somente é dedutível da base de calculo do Imposto de Renda da Pessoa Física a pensão paga em decorrência de acordo ou decisão judicial. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n 9 9.784 99. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Conforme art. 6 9 . § 2 9 , da Lei n 9 8.134, art. 76, § 2°, do RIR99 e art. 51, § 2 9 , da IN n 9 15 2001, o contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação idônea. GLOSA DE DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. Somente poderão sei deduzidas da base de cálculo do imposto os dispêndios realizados por contribuinte não assalariado comprovadamente pagos, indispensáveis à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Sobre o imposto apurado pelo ajuste anual incide a multa de oficio pelo seu não recolhimento. Art. 44.1. da Lei nº 9.430'1996. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO. Cabível a aplicação da multa isolada nos casos em que há a obrigatoriedade do recolhimento mensal do imposto, conforme dispõe o artigo 44 e § 1º, III, da Lei nº 9.430/1996. em sua redação original e artigo 44, II, a. da mesma Lei. na redação dada pela Lei n° 11.488/2007. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa plenamente ajustada à infração cometida pelo contribuinte atende aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não havendo que se falar em confisco. Art. 150, IV. da CF. JUROS. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN. artigo 13 da Lei nº 9.065 95 e artigo 61 da Lei nº 9.430 96 e Súmula nº 4 do 1° Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1735DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 Em apertada síntese, o julgador de 1ª Instância considerou devidamente comprovada a dedução com o dependente Giovanni Arthur Madurro Ribeiro, do que resultou não apenas o restabelecimento de tal dedução, mas também da dedução da despesa com instrução relativa ao mesmo dependente. Ciente do Acórdão da DRJ em 27 de março de 2012, conforme AR de fl. 1688, ainda inconformado, a contribuinte postou, em 11 de abril de 2012, o Recurso Voluntário de fl. 1689 a 1727, no qual apresentou as razões que entende justificar a reforma das conclusões do julgador de 1ª Instância, as quais serão detalhadas no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. NULIDADE DA AUTUAÇÃO Após breve síntese dos fatos, a defesa inicia sua argumentação tratando de aspectos supostamente ensejadores de nulidade da autuação por este não ter observado o devido processo legal e resultado em cerceamento do seu direito de defesa, basicamente sustentando que a Autoridade lançadora glosou despesas deduzidas a título de livro caixa sem descrever, em planilha, no Termo de Verificação Fiscal, uma a uma, quais foram as despesas glosadas e a razão para a glosa. Sintetizadas as razões da defesa neste tema, de plano, nota-se que estas são absolutamente improcedentes. A insurgência se dá exclusivamente por não ter sido incluída no Termo de Verificação Fiscal de fl. 888 uma planilha listando as despesas glosadas e os motivos para tanto, tudo sob o argumento de que tal suposta mácula resultaria em cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Ora, a análise superficial de tal Termo é possível constatar a seguinte afirmação da Autoridade lançadora: 16 . Em 22/12/2009, o Termo de Devolução de Documentos e o Termo de Constatação e intimação Fiscal n. 285/2009 foram enviados ao contribuinte. No referido Termo de Constatação foi solicitada a manifestação do contribuinte em relação às alterações que serão realizadas na Declaração de Ajuste do 1RPF do exercício de 2007 - ano- calendário de 2006. Em anexo ao citado Termo de Constatação foram juntados o Demonstrativo de Apuração das Despesas do Livro-Caixa e as planilhas de Glosas no Livro-Caíxa, nas quais demonstrou-se quais itens foram glosados pela fiscalização e os motivos das glosas. A ciência ocorreu cm 24/12/2009 conforme AR - Aviso de Recebimento e conforme o Histórico do Objeto dos Correios. O citado Termo de Constatação consta de fl. 72/73, e foi acompanhado por planilha detalhada, minuciosa e caprichosamente elaborada como o fim de apontar para o contribuinte as despesas glosadas e o motivo para tanto, fl. 74 a 116. Assim, sendo certo que o contribuinte foi devidamente cientificado das conclusões expressas pela Autoridade lançadora na referida planilha, conforme AR de fl. 117, Fl. 1736DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 não tendo se manifestado, não há de se falar em nulidade. Afinal, o devido processo legal e o pleno exercício do direito de defesa foi plenamente observado. Rejeito a preliminar de nulidade. PREMISSA. CONCEITO CONSTITUCIONAL E LEGAL DE RENDA. POSSIBLIDADE DE DEDUÇÃO DE DESPESAS DO LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Sustenta o recorrente que, ao contrário do que afirmou a decisão recorrida, estão presentes os requisitos para que sejam consideradas despesas de custeio da atividade, evidenciando que o Auto guerreado padece de flagrante inconstitucionalidade por ofensa ao art. 153, inciso III, da Constituição Federal. Após tratar de conceitos correlatos, citar entendimentos doutrinários e precedentes judiciais, afirma que não se tributa qualquer aquisição de renda, mas tão só aquela que acrescer algo ao patrimônio do contribuinte. Afirma que a glosa das despesas levou em considerações preceitos contidos no Regulamento do Imposto sobre a Renda, mas em desacordo com a Constituição Federal. Afirma, ainda, que o interprete deve buscar na Carta Magna fundamento para o que se exige nas normas infra legais. Resumidas as alegações recursais neste tema, como a própria peça recursal pontuou, a possibilidade de dedução de despesas a título de livro caixa tem previsão no art. 75 do Decreto 3000/99: Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I - a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II - os emolumentos pagos a terceiros; III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Como não poderia deixar de ser, tendo em vista a natureza eminentemente regulamentar dos decretos, o preceito acima tem lastro em norma legal, a saber: Lei nº 8.134/90 Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I - a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II - os emolumentos pagos a terceiros; III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (...) § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro-caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. Fl. 1737DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art236 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art236 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art9 Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 A possibilidade de dedução de despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora confere alguma medida de justiça fiscal para evitar que se tribute valores que não estão efetivamente inseridos no conceito de renda. Por outro lado, não se pode confundir disponibilidade de recursos para fins de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda com acumulação de riqueza. Afinal, o tributo em discussão incide sobre a renda e os proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTN), e não sobre o patrimônio. No caso de pessoa física, como regra, o simples auferimento de renda é suficiente para configurar a ocorrência da hipótese de incidência tributária, sendo irrelevante se o valor recebido é ou não suficiente para fazer face às despesas e aos compromissos pessoais de seu beneficiário, tampouco se será suficiente para acumulação de patrimônio. Tanto é assim que não é necessário que o Fisco comprove o consumo dos valores representados pelos créditos bancários identificados. É o que prevê a Súmula CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Por fim, nota-se que o argumento da defesa tangencia a inconstitucionalidade da previsão contida no Regulamento do Imposto sobre a Renda, a qual, como visto, está integralmente inserida na Lei 8.134/90. Nesta esteira, a possibilidade deste Conselho avaliar a conformidade de preceitos legais em vigor aos termos da Constituição Federal, bem assim sobre incidência de juros sobre a multa de ofício, é tema sobre o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmulas de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, devidamente previsto em lei, é correto o lançamento fiscal que glosa valores deduzidos a título de livro caixa sem que tais dispêndios se refiram a despesas de custeio pagas e necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora Assim, nada a prover. GLOSA DE DESPESAS QUE SUPOSTAMENTE NÃO APRESENTAM REQUISITOS LEGAIS Neste tema, o recorrente afirma que a legislação não impõe requisito especial para a comprovação da despesa, apenas determina que a documentação seja hábil e idônea. Ademais, caso a Fiscalização não acolha os documentos apresentados deve buscar a verdade material pesquisando exaustivamente se, de fato, ocorreram as despesas. Sustenta que a realidade dos fatos jamais pode ceder ao rigor das formas, em particular no caso presente em que a Fiscalização apenas alegou que os documentos apresentados não cumprem a legislação, mas sem qualquer prova. A seguir, a peça recursal traz considerações doutrinárias que entende socorrer a defesa. Fl. 1738DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 Embora o tema em questão não tenha sido diretamente tratado na impugnação, o que o afastaria do litígio administrativo, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto 70.235/72, por estar relacionado às glosas levadas a termo pela fiscalização, passo a sua análise. Sintetizadas as razões da defesa, nota-se que são dispensáveis maiores considerações por parte deste Relator neste item. Afinal, como visto no tópico anterior, a legislação é clara ao prever que os contribuintes que enumera, que perceberem rendimentos do trabalho não-assalariado, podem deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Assim, ao contrário do que afirma a defesa, há um requisito fundamental que é a demonstração da essencialidade da despesas efetuada com a percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. A análise dos autos evidencia que o contribuinte fiscalizado é odontólogo e, como tal, somente poderia deduzir a título de livro caixa despesas relacionadas à manutenção de de tal atividade profissional, mas não foi exatamente isso que foi apurado pela Fiscalização, que, conforme já citado alhures, encontrou, dentre as despesas deduzidas, documentos que não comprovam a efetividade do pagamento (ex: falta de autenticação bancária) ou que não se pode vincular a atividade (documento sem identificação do destinatário) ou, ainda, despesas que em nada se relacionam com um consultório odontológico (despesas com clube, condomínio residencial, consórcio, empregada doméstica, etc). Ademais como se viu no excerto legal acima reproduzido e destacado, o contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro-caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, assim, não compete à fiscalização efetuar maiores investigações sobre as despesas declaradas a título de livro caixa, já que é ônus do contribuinte, exatamente por conta do que prevê o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, não tendo o contribuinte apresentado elementos inequívocos que pudessem apontar para a procedência de seus argumentos, está correta a decisão recorrida. Assim, neste tema, não há nada que justifique a alteração da autuação ou da Decisão recorrida. GLOSAS DE DESPESAS COM TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO Sustenta o recorrente que as despesas com terceiros para realização de serviços são custos necessários à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora e que, restando comprovados os pagamentos por tais serviços prestados (advogados) a dedução deve ser mantida. Tal como ocorreu o tem anterior, embora o tema em questão não tenha sido diretamente tratado na impugnação, o que o afastaria do litígio administrativo, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto 70.235/72, por estar relacionado às glosas levadas a termo pela fiscalização, passo a sua análise. Fl. 1739DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 A questão relacionada à possiblidade de dedução, a título de livro caixa, dos dispêndios efetuados com terceiros sem vinculo empregatício é tema que o legislador, tacitamente, excluiu do permissivo legal, ao prever a possibilidade de deduzir a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício (inciso I do art. 6º da Lei 8.134/90. Assim, por falta de previsão legal, não há nada a prover no presente tema. GLOSA DE DESPESAS DE AQUISIÇÃO DE BENS COM VIDA UTIL SUPERIOR A UM ANO – (1) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO – (2) INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Tal como ocorreu nos dois itens anteriores, embora o tema em questão não tenha sido diretamente tratado na impugnação, o que o afastaria do litígio administrativo, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto 70.235/72, por estar relacionado às glosas levadas a termo pela fiscalização, passo a sua análise. A matéria tratada no presente tópico está relacionada a dois temas distintos contidos na peça recursal e estão limitadas ao descontentamento da defesa em relação à glosa de valores inseridos no livro caixa sob o argumento de que seriam dispêndios com aquisição de bens com vida útil superior a um ano, basicamente por ausência de motivação ou por inexistência de previsão legal. A decisão recorrida, após tratar da legislação que rege a matéria, pontuou: Assim, para que uma despesa possa ser considerada como de custeio e, portanto, dedutível, devem ser respeitados os quatro requisitos cumulativos indispensáveis para isto: a) deve estar relacionada com a atividade exercida; b) deve ser efetivamente realizada no decurso do ano-calendário correspondente ao exercício da declaração; c) deve ser necessária à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; d) deve estar escriturada em Livro Caixa e comprovada com documentação idônea. Resta claro que a lei vigente, ao especificar expressamente que as despesas dedutíveis devem ter estrita conexão com a manutenção da respectiva fonte produtora dos rendimentos sujeitos à incidência de imposto e, ao condicionar essas deduções à escrituração no Livro Caixa e à comprovação mediante documentação idônea, objetiva vedar a utilização de critérios subjetivos para o cálculo do tributo devido e, em consequência, afastar qualquer possibilidade de liberalidade ou poder discricionário na dedução. Absolutamente correta a avaliação do tema pela Decisão recorrida. A legislação acima citada prevê apenas a possiblidade de dedução, a título de livro caixa, das despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Assim, os dispêndios com aquisição de bens que superam o exercício não estão inseridos no conceito de despesas de custeio, mas correspondente a investimentos, cuja dedução a este título não tem previsão legal. Assim, nada a prover. IMPROCEDÊNCIA DOS JUROS Neste item, a defesa insurge-se contra a incidência da taxa Selic sobre o débito lançado. Fl. 1740DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 Não obstante, trata-se de matéria sobre a qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, nada a prover. DAS MULTAS ISOLADAS E DE OFÍCIO No presente tópico a insurgência da defesa é contra a concomitância das multas isolada, por falta do recolhimento do carnê-leão, e de ofício. É certo que, nos termos do art. 08 da lei 7.713/88, fica obrigado ao recolhimento mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física o contribuinte que receber rendimentos tributáveis de outra pessoa física. Tal recolhimento se dá a título de antecipação do devido no exercício. Assim dispõe a Lei 9.430/96 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei n o 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Portanto, resta evidente que a falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado mediante lançamento de ofício está sujeita ao percentual de multa vinculada de 75%. Já a falta de recolhimento do valor mensal da antecipação a que está sujeita a pessoa física nos termos do art. 8º da Lei7.713/88, sujeita-se à multa exigida isoladamente no percentual de 50%. Frise-se, ainda que não tenha sido apurada imposto a pagar na declaração de ajuste. Embora seja incomum, é possível que o valor a pagar no ajuste anual seja exatamente o mesmo que deixou de ser recolhido a título de carnê-leão, mas tal identidade estaria limitada aos números e não à base de incidência, pois a multa de 75% incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos a falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado mediante lançamento de ofício. Já a multa isolada de 50% incide sobre a falta de recolhimento da antecipação devida quando se recebe rendimentos de pessoas físicas ou de fontes do exterior. Fl. 1741DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 Portanto, identifica-se são suas penalidades distintas. O que se tem, no caso do carnê-leão, é uma obrigação de antecipar o tributo de modo a prover recursos para manter o funcionamento da máquina estatal. Naturalmente, no ajuste anual, pode-se chegar à conclusão de que tais recolhimentos nem seriam necessários, importando em restituição total ou parcial do que foi recolhido durante o período, mas resta explícito que o legislador não se preocupou com o que ocorrerá no ajuste, ao afirmar que a penalidade isolada é devida ainda que não seja apurado imposto a pagar no final do exercício. Há quem defenda a inaplicabilidade da multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão de forma cumulativa com a multa de ofício, seja por acarretar bis in idem, seja por considerar a lógica da consumação penal, pela qual a infração mais grave abrange a menos grave que lhe seja preparatória ou subjacente. Para estes, tal multa isolada somente seria possível se aplicada no curso do ano calendário, antes de findo o exercício. Não obstante, este Relator não se filia a tal entendimento, em particular por entender o texto legal que prevê a multa isolada, ao estabelecer que esta seria devida mesmo se não fosse apurado imposto a pagar na declaração, já denota que o momento de seu lançamento pode sim ocorrer após o término do período de apuração. Acatar a compreensão de que tal exigência somente seria possível no curso do ano calendário seria, na prática, extirpar todo a força normativa do texto legal, já que, como regra, não há procedimento fiscal instaurado no curso do ano-calendário a que se refere. Ademais, se assim entendêssemos, estaríamos colocando em risco o interesse público que motivou a elaboração da norma, pois poderíamos chegar ao extremo de não fiscalizar dentro do ano e todos pararem de efetuar os recolhimentos mensais a título de antecipação, já que os resultados seriam exatamente os mesmos. Contudo, a despeito dos argumentos acima expostos, que guardam relação com a legislação atualmente em vigor, o fato é que o caso sobre o qual estamos debruçados remonta ao ano de 2006, sendo, portanto, necessário rememorar os preceitos então vigentes da mesma lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Como se vê, a matéria sofreu profunda alteração em 2007, em particular com a edição da MP 351/2007 e da Lei 11.488/2007. No texto anterior, não havia duas penalidades, mas apenas uma. Fl. 1742DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 Portanto, à época da ocorrência dos fatos geradores em discussão, a concomitância das penalidades isoladas e de ofício não encontrava lastro no texto então vigente do art. 44 da lei 9430/96, em razão de sua clara previsão de que as multas previstas no artigo seriam exigidas, no caso de não recolhimento do carnê-leão, isoladamente. Assim, temos as seguintes situações: 1) no caso de lançamento exclusivamente de multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão, independentemente do período a que se refere, deve-se aplicar a penalidade nova (50%), em homenagem à retroatividade benigna de que trata alínea "c", inciso II do art. 106 da lei 5172/66 (CTN); 2) no caso de lançamento de multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão concomitantemente com a exigência de ofício incidente sobre a diferença apurada de IRPF, deve-se excluir a penalidade isolada se o lançamento se refere a períodos de apuração até 2006, mantendo-se a exigência de ofício. Caso se refiram a períodos de apuração de 2007 e posteriores, é devida a manutenção concomitante das penalidades isoladas e de ofício. No mesmo sentido caminha a Súmula Carf abaixo transcrita: Súmula CARF nº 147 Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). Assim, neste tema, dou provimento ao Recurso Voluntário para afastar e penalidade isolada pelo não recolhimento do carnê-leão. DA MULTA DE OFÍCIO Após pontuar respeitáveis conclusões teóricas e indicar precedentes judiciais, a defesa afirma que viola os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade a imposição de multa em percentual de 75% e, ainda, questiona qual foi a conduta dolosa da recorrente que pudesse ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%. Ao final, requer, a título de argumentação, caso mantida a imposição da multa de ofício, que esta seja reduzida ao percentual de 20% de que trata o ar. 61, § 2º da lei 9.430/96. Ora, a multa de ofício aplicada no presente caso foi de 75%, não havendo de se falar em qualificação da penalidade. Por outro lado, os Princípios da Razoabilidade ou da Proporcionalidade e, ainda, a avaliação quanto ao efeito confiscatório de uma imposição é uma diretriz que se dirige ao legislador. Uma vez positivada a norma, não cabe ao Agente Fiscal avaliar eventual desproporcionalidade de seus reflexos sobre o patrimônio dos contribuinte, tudo por conta da atividade vinculada e obrigatória de constituição do crédito tributário. A multa de ofício está devidamente prevista em lei, não havendo decisão exarada pelo STF ou STJ na sistemática de recursos repetitivos que imponha a este Conselho o reconhecimento de que o percentual de 75% representa efeito confiscatório. A multa de ofício imposta no presente caso não se confunde com a multa tratada no 2º do art. 61 da lei 9430/96, que se aplica aos casos de mero atraso no pagamento, mas não Fl. 1743DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-009.102 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720024/2010-21 nos de lançamento de ofício em que se exige diferença de tributo apurado, que tem pelalidade prevista no art. 44 do mesmo diploma legal. Portanto, considerando, como já dito alhures, que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; considerando o caráter vinculado da atividade administrativa ao promover o lançamento, conforme preceitua o art. 142 da Lei 5.172/66, e, ainda, considerando a previsão expressa da penalidade de ofício no percentual imputado no auto de infração (art. 44 da Lei 9.430/96), nego provimento ao recurso voluntário neste tema. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram do presente, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar e penalidade isolada pelo não recolhimento do carnê-leão. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 1744DF CARF MF Documento nato-digital
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