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Numero do processo: 35061.000199/2007-11
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PARCELAMENTO. NORMAS DO PROCESSO • ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
Nos termos do artigo 305, § 1º, do RPS, aprovado pelo Decreto n°
1048/99, c/c artigo 23, § 1°, da Portaria MPS 520/2004, o prazo
para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintidio legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 206-01.315
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PARCELAMENTO. NORMAS DO PROCESSO • ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Nos termos do artigo 305, § 1º, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 1048/99, c/c artigo 23, § 1°, da Portaria MPS 520/2004, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintidio legal. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Siara 751683 MINISTÉRIO DA FAZENDA t4.4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 35061.000199/2007-11 Recurso n° 146.356- Voluntário Matéria PEDIDO PARCELAMENTO Acórdão n° 206-01.315 • Sessão de 04 de setembro de 2008 Recorrente EXATA MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA. - EPP Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - VITORIA/ES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PARCELAMENTO. NORMAS DO PROCESSO • ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Nos termos do artigo 305, § 1 0, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 1048/99, c/c artigo 23, § 1°, da Portaria MPS 520/2004, o prazo para recorrer da decisão adminiStrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o • • recurso interposto fora do trintidio legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . _si cnNsu HO DE CONEW l b • F (-01k t t..) (.110G1NAL • Processo n°35061.000199/2007-11 ha:, liaCCO21026 Acórdão n.°206-01315 1100— Fls. 172 .1-* l'atun.• t • Mai Siwe 75i ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presiden • • 411* RYCAR"."1"-Q- UE MAGALHÃES DE OLIVEIRA 1. • Rel. tor - . . d • • • • • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Ana Maria Bandeira, e Cleusa Vieira de Souza 2 Processo n°35061000199/2007-11 M - .1;:• 'fla CONFELHo DE erroTe...• 1 CCO21C06 Acórdão n.°206-01.315 ci ; N PERE COM O ' • ns. 173 Bradlia. 2.1( / cr • • 03 agi Metia de Fátima Ir de Can, • Ma Siope 751613 Relatório - — EXATA MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA. - EPP, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Vitória/ES, Oficio UARP n° 330/07.001.030, às fls. 62, que indeferiu o Pedido de Parcelamento - PAES da empresa, formulado com arrimo na Lei n° 10.684/2003. A autoridade julgadora de primeira instância achou por bem não acolher o pedido de parcelamento da contribuinte, sob o argumento de que pretendia parcelar débitos de outra empresa (PRESINTEL ELETROMECÂNICA INDÚSTRIA E SERVIÇOS LTDA.) supostamente incorporada pela recorrente, sem o devido processo de incorporação/cisão à época do requerimento, além de outras razões devidamente inscritas na Informação Fiscal, às fls. 57/60. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário/Pedido de Reconsideração, às fls. 65/75, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após dissertar a propósito do histórico societário da contribuinte, lembrando da importante função social promovida pelas empresas arroladas nos autos, infere que o não acolhimento do pleito da recorrente importará em sérios prejuízos à Presintel, ensejando o seu fechamento, com a demissão de inúmeros trabalhadores. Suscita que referidas empresas sempre agiram com boa-fé, tendo a autoridade recorrida fundamentado sua decisão em meras suposições, ilações, a partir da presunção de tratar-se de incorporação/cisão inválida, malferindo os princípios da presunção da inocência, da razoabilidade, da proporcionalidade e da boa-fé. . Insurge-se contra a decisão de primeira instância, aduzindo para tanto que a autoridade julgadora recorrida não se apoiou em nenhum fundamento legal para rechaçar a pretensão da contribuinte, ao contrário desta que, ao formular seu pedido de parcelamento, observou os pressupostos legais inscritos nos artigos 8° e 9° da Instrução Normativa n° 91/2003. Infere que o prazo de 4 meses entre a emissão dos documentos de cisão/incorporação, datados de 27 e 28/08/2003, e o efetivo registro ocorrido em 15/12/2003, é plenamente razoável, não se cogitando em intempestividade da regularização da Cisão ou do pedido de adesão ao PAES. Sustenta não ter nenhuma relevância o fato de o requerimento de parcelamento deixar de possuir data, eis que a data a ser considerada como válida é o dia da protocolização do pedido. Contrapõe-se à decisão recorrida, por entender que o contrato firmado entre as empresas faz lei entre as partes, passando a incorporação a produzir seus efeitos legais desde o dia da assinatura do contrato, ao contrário do entendimento do julgador de primeira instância, que considera como válida somente a data do registro de referidos documentos, impondo seja 3 W • >1 KINDO •CrIN SPI 1ln DE CONTRIbt coNcerr,. —,1NAL a • Processo n° 35061.000199/2007-11 19, CCO2n206 Acórdão n.°206-01.315 Fls. 174 Marin de Fine tr ira ando Mat. Stape 751683 acolhido o pleito da contribuinte, sobretudo quando a Resolução INSS/DC n° 149/2004 prorrogou o prazo para adesão ao parcelamento a te 30/05/2004. Quanto ao entendimento da responsabilidade solidária da recorrente, levado a efeito pelo julgador de primeira instância, igualmente, argumenta não trazer qualquer relevância ao pedido da contribuinte, tendo em vista que esta continuaria responder pelo débito após a incorporação, na forma, inclusive, que concluiu a autoridade fiscal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso voluntário, para homologar o pedido de parcelamento da contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 161/168, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator O recurso é intempestivo. O prazo para recorrer da decisão de primeira instância, com fulcro no artigo 305, § 1°, do RPS c/c artigo 23, § 1°, da Portaria MPS 520/2004, aplicáveis ao caso à época, é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, senão vejamos: "DECRETO 3.048/99 — RPS. Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme disposto neste regulamento e no Regimento Interno daquele Conselho. § 1° É de trinta dias o prazo para interposição de recurso e para o oferecimento de contra-razões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente." (grifamos). "PORTARIA MPS 520 Art. 23 Das decisões do Instituto do Seguro Social caberá recurso voluntário, com efeito suspensivo, dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social. § 1° É de trinta dias o prazo para interposição do recurso ou oferecimento de contra-razões, contados, respectivamente, da ciência da decisão ou da entrada do processo no órgão responsável pelo julgamento." (grifamos). Como se observa, a contagem do prazo para recurso voluntário inicia-se no primeiro dia útil após o recebimento da intimação da decisão, com seu encerramento 30 (trinta) dias após. 4 . . w .sEarr:Dnrnr:ISEL!1.1? 1 „, , ( • • . CONV--.1 ( ut , lt . • dr, Processo n° 35061.000199/2007-11 CCO2/036 Acórdão n.°206-01315 I 1 Fls. 175 1 I Na hipótese dos aur: i ceit-au....iit--,.., et,,ériri,;ytcae—Ts'rdfto°:::E:di/t'afd—e-I—ntilmação, às fls. 158, a recorrente foi intimada/cientificada da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Vitória/ES, em 05/01/2007 (sexta-feira), passando o prazo a fluir no dia 08/01/2007 (segunda-feira), encerrando-se o prazo para interposição de recurso voluntário no dia 06/02/2007 (terça-feira). Dessa forma, tendo a contribuinte interposto recurso voluntário, às fls. 65/75, em 08/03/2007, consoante se infere da informação constante do documento de fls. 64, apresenta-se intempestivo, não devendo ser conhecido. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em vista das razões encimadas, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Sala das -ssões, em 04 de setembro de 2008 glailth g r.Sn2• f:—:--"Wdbr is.-- — RYCARD 74 NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA , / 5
score : 1.0
Numero do processo: 36624.015828/2006-76
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES. PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN.
Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela
empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a
titulo de incentivo pelas vendas.
Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras
relativas a homologação e decadência das contribuições sociais,
diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas
fixadas pelo Código Tributário Nacional.
Para quem considera necessário o prévio recolhimento para fins
de incidência da regra contida no art 150, § 4° do CTN, tratando-se de tributação de salário indireto, há apenas o alargamento da base tributada, portanto, um recolhimento a menor.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 206-01.337
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência; II) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos
geradores ocorridos até a competência 11/2001. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros (Relatora) e Ana Maria Bandeira, que
votaram por reconhecer a decadência nos termos do art. 173 do CTN. III) por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares suscitadas; e b) por unanimidade de votos, no
mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente a decadência o(a) Conselheiro(a) Rogério de Lellis Pinto.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES. PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a titulo de incentivo pelas vendas. Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Para quem considera necessário o prévio recolhimento para fins de incidência da regra contida no art 150, § 4° do CTN, tratando-se de tributação de salário indireto, há apenas o alargamento da base tributada, portanto, um recolhimento a menor. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T22:24:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T22:24:20Z; Last-Modified: 2009-08-06T22:24:20Z; dcterms:modified: 2009-08-06T22:24:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T22:24:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T22:24:20Z; meta:save-date: 2009-08-06T22:24:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T22:24:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T22:24:20Z; created: 2009-08-06T22:24:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-08-06T22:24:20Z; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T22:24:20Z | Conteúdo => MF SECrUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM e `nsiINAL q ~lia, 2c7 Ate C99 CCO2/C06 I Wee^•— Fls. 530 •—• Meia de ES iaut re..4(ra de Carvalho st-iirÁS:085, Mat. Sispe 731683 MINISTÉRIO DA FnENDA 41e2grt - W'Mr- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ak<sii; SEXTA CÂMARA Processo n° 36624.015828/2006-76 Recurso n° 147.364 Voluntário Matéria SALÁRIO INDIRETO - PREMIOS Acórdão u° 206-01.337 Sessão de 05 de setembro de 2008 Recorrente JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES. PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a titulo de incentivo pelas vendas. Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Para quem considera necessário o prévio recolhimento para fins de incidência da regra contida no art 150, § 4° do CTN, tratando- se de tributação de salário indireto, há apenas o alargamento da base tributada, portanto, um recolhimento a menor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUNIES CONFERE COM O "flNAL Processo n°36624.015828/2006-76 Brunis. 1— C× CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.337 mrdir" Fls. 531 Maria de Fátima r careira de Carvalho Mal. Siam 751683 — --- ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência; II) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros (Relatora) e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência nos termos do art. 173 do CTN. III) por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares suscitadas; e b) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente a decadênci o(a) Conselheiro(a) Rogério de Lellis Pinto. ELI SSAMPAIO FREIRE Presidente t1P RØG' 1 PE LELLIS PINTO or-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Ana Maria Bandeira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 MF • SE0coUNDONFERCONE comSELOHOoeDUCOALNTRIBUINTESProcesso n° 36624.015828/2006-76 CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.337 Fls 532 / Maria de FErna F 0.44 litt &age 731683Clivilibc. Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à dos contribuintes individuais. Consta do Relatório Fiscal (fl. 191 a 193), que as contribuições lançadas por intermédio da NFLD referem-se a pagamentos feitos, pela notificada, a contribuintes individuais por meio de Cartões de Premiação fornecidos pela Incentive House S/A. A autoridade notificante informa que os valores repassados aos contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa são nominais e têm natureza remuneratória, e foram utilizados como estímulo ao incremento da produtividade. Esclarece, ainda, que as contribuições devidas pelos segurados foram aferidas com base nos prêmios recebidos, visto que o sujeito passivo, apesar de intimado por intermédio de TIAD, não informou os valores já recolhidos em folha de pagamento. A notificada impugnou o débito (fls. 276 a 348) e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN n° 21.003.0/0278/2006, fls. 351 a 364, julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo ao CRPS (fls. 121 a 150), reiterando, em preliminar, o entendimento de que parte do débito foi alcançada pela decadência e que houve descumprimento de requisito legal pela ausência de fimdamentação que explicita os motivos que levaram o Auditor Fiscal e a julgadora a entender que os valores pagos a titulo de prêmios para incentivo à produtividade fariam parte da remuneração dos empregados. Alega que a infração imputada à recorrente não foi devidamente provada, o que toma a exigência fiscal ilegítima e desmotivada e defende que os fatos alegados devem ser claramente demonstrados, sob pena de nulidade do ato administrativo. Repete que a fiscalização não demonstrou os requisitos necessários para considerar tais pagamentos como se remuneração fossem, razão pela qual requer que a NFLD seja considerada nula. No mérito, insiste em afirmar que os pagamentos de prêmios e gratificações pelos cartões da Incentive House S/A não se enquadram como remuneração, pois foram feitos a título de "ganhos eventuais", devendo ser enquadrados no § 9°, do art. 28, da Lei 8.212/91. Discorre sobre os conceitos de remuneração da legislação trabalhista e definições de gratificações, prêmios e de gratificações ajustadas e infere que, para se apurar se um determinado beneficio integra ou não a remuneração do segurado, é preciso observar se sua concessão foi conferida gratuita e espontaneamente, por liberalidade do empregador ou se por ajuste, acordo ou obrigação, bem como se o pagamento é habitual ou eventual." 3 çrinn CONFELHO DE CONTRIBUI etméLkE. c2 . 1 o r^InINAL Processo n°36624.015828/20%-76 Bauellit, 2(1 C2 CCO7JC06 Acórdão n.°206-01331 9? As. 533 MadsdeFMinia". eira' de Cango 9 Met Siape 731683 Assevera que em nenhum momento, seja na lavratura da NFLD ou na decisão recorrida, realizou-se qualquer análise quanto ao tipo de pagamento efetuado por meio dos mencionados cartões, tendo sido considerado como remuneração em decorrência de incentivo à produtividade. Argumenta que o STJ já fixou entendimento de que as contribuições previdenciárias somente podem incidir sobre beneficios habitualmente concedidos aos empregados para tentar demonstrar que somente podem incidir contribuições previdenciárias sobre beneficios habitualmente concedidos aos empregados. Esclarece que os beneficios mencionados são concedidos incondicionalmente e por mera liberalidade da recorrente, tendo por objetivo incentivar e recompensar financeiramente contribuintes individuais que lhe prestaram algum serviço por idéias, ações ou tempo de serviço, inexistindo qualquer espécie de habitualidade ou periodicidade em tal concessão. Sustenta que somente poderão ser responsabilizados os diretores, gerentes e outros representantes da recorrente quando a obrigação tributária advir de um ato por eles praticado com excesso de poderes ou infração à lei ou ao contrato social. Argumenta que não restou comprovado que os diretores, sócios-gerentes e representantes da recorrente agiram desta forma e que é praxe do INSS orientar seus fiscais no sentido de atribuir tal responsabilidade de qualquer forma, mesmo que não se configure qualquer hipótese na qual a responsabilidade poderia de fato existir. Destaca que a mera inadimplência não configura a prática de um ato com excesso de poderes ou com infração à lei ou contrato social e transcreve julgado do STJ para concluir que a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso II, do CTN só pode ser aplicada quando presentes os requisitos do art. 135, II, do mesmo diploma legal. Requer, por fim, que seja determinada a desconstituição da NFLD em tela e, não sendo esse o entendimento, que sejam excluídos os nomes constantes da lista de co- responsáveis e pessoas com vínculo com a empresa. A Receita Federal do Brasil, argumentando que a recorrente não trouxe aos autos nenhum fato novo que tenha o condão de modificar a decisão ora recorrida, deixou de apresentar contra-razões e manteve os termos da decisão-notificação, requerendo a este Conselho que negue provimento ao recurso. É o relatório Voto Vencido Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. 4 • JoU l L1I‘IILMJ LONBELD0 DE cownua CONFERE COM O OMINAI, "Ma ics Processo n° 36624.015828/2006-76 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01337 e /1 Fls. 534 Maria de Fátima ' mira de Carvalho Md. Sispe 751633 A notificada alega, em seu recurso, decadência de parte do débito sob o entendimento de que as contribuições subordinam-se aos prazos de prescrição e decadência previstos no CTN, nos termos do art. 146, III, da Constituição Federal. A fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue- se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, 'tf da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50(10 Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso 1 do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fardamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g. n.)" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculante, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração 5 rmr- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB—DiNTES- rONTER E (CM ^^ 'rim% kintsnu. 211 , 03 o.Processo n°36624.015828/2006-76 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.337 eig, 4, Fls. 535 Maria de Fátima • eira de C I:*; Mat Siape 7516S3 — pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 104 súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2 0 Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovaçlio, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal." Verifica-se, da análise dos autos, que o fato gerador que ensejou a lavratura da NFLD é o pagamento de verba que a recorrente não considerou como remuneratória. Portanto, não houve pagamento antecipado de contribuição previdenciária sobre os prêmios concedidos pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Assim, aplica-se, ao caso em comento, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: "Art173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 6 • - coNtéiso DE 0010118U corno? E com o mormu. anniu,_a , a • wProcesso n° 36624.015828/2006-76CCO2JC06 Acórdão n.° 206-01.337 e Fls. 536 Maria de Fátima • rreira de Mat CIIIVaLhO Siape 751683 Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notcação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Dessa forma, considerando que a primeira medida preparatória indispensável ao lançamento a que se refere o parágrafo único transcrito acima é o MPF, cuja ciência do sujeito passivo, no presente caso, se deu em 12/08/2005 (fl. 46), constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição do crédito lançado correspondente à competência de 05/1999, nos termos do art. 173, do CTN. Ainda em preliminar, a recorrente alega nulidade da NFLD sob o argumento de que o Auditor Fiscal e a julgadora não fundamentaram ou explicitaram os motivos pelos quais entenderam que os valores pagos a título de prêmios para incentivo à produtividade fariam parte da remuneração dos empregados. Alega que a infração a ela imputada não foi devidamente provada e nem os fatos alegados foram claramente demonstrados, não tendo a fiscalização demonstrado os requisitos necessários para considerar tais pagamentos como se remuneração. Porém, o processo administrativo em discussão não se refere à infração e nem o relatório fiscal faz alusão à remuneração de empregados. A autoridade lançadora deixa claro que o falto gerador do tributo lançado por meio da NFLD é o pagamento de valores, por meio de cartões de premiação, aos contribuintes individuais que prestaram serviços à recorrente. Portanto, ao contrário do que afirma a notificada, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação (FLD e REFISC), os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e, junto com o relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Assim, não há que se falar em falta de motivação da NFLD em apreço. No mérito, a recorrente não nega que concedeu aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços parcelas a titulo de programa de incentivo. Ela apenas entende que tais valores não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária por não possuírem natureza remuneratória. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso III da Lei 8.212/91 é para o contribuinte individual: " a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5"". 7 SerNDOONFERCOr clYSomEl.H0 Uh CO o OP RIBLI-NTES AI Ensaia, 2_4_, • Processo n°36624 015828/2006-76 / CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01337 Fls. 537 Maisde Union, ride' Csovafisç---Mar. Siape 751683 — As verbas pagas pela empresa a esse título possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falar-se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracteriza-se, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In "Teoria Jurídica do Salário", Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração Esse também é o entendimento do TST: "Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada apressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste apresso TST pleno E- R1? 1943/82 - DJU 06/12/85 - pág. 22644". Dessa forma, os valores referentes aos prêmios concedidos pela recorrente aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços integram o salário de contribuição, conforme inciso III, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99. Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, "a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...". No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa INCENTIVE HOUSE não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9°, art. 28, da Lei 8.212/91. Nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza "salário-utilidade" e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salário-utilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das funções do trabalhador. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. A notificada insurge-se, ainda, contra a manutenção dos diretores, gerentes ou representantes legais como co-responsáveis, argumentando que não cabe a aplicação do art. 124, inciso II, do CTN, cumulativamente com o art. 13, § único da Lei 8.620/93. Contudo, não se pretende, no processo administrativo, aplicar os dispositivos legais citados acima, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente. Cumpre esclarecer que os diretores e/ou sócios não estão sendo penalizados com a lavratura da NFLD em tela, já que o crédito foi lançado contra a Johnson & Johnson Produtos Profissionais Ltda, que é o sujeito passivo da obrigação tributária. Conforme restou demonstrado na folha de rosto da NFLD e no Relatório Fiscal, o contribuinte sob ação fiscal é a Johnson & Johnson, e não os seus sócios. E, ao constatar o inadimplemento das obrigações previdenciárias, o agente notificante lançou corretamente o débito em nome do contribuinte inadimplente, fazendo _ . 1.11 Ci LI CONTRIBUNIES COM". R E COM O ~NAL Processo n° 36624.015828/2006-76 Baila # 102f CCOVC06 Acórdão n.° 206-01.337 Fls. 538 Mais de Fátima ledho Siape 751683 constar os co-responsáveis nos relatórios da NFLD, consoante determinações contidas nos normativos legais que regem a matéria. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto por CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL. É como voto Sala das Sessões, em 05 de setembro de 2008 )9') L)C., - BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 9 • _114F SEU NIX1 10 DE CONTRIBUINTESProcesso n° 36624.015828/2006 -76 CCO2JC06CONFERE nRIGINAL.Acórdão n.°206-01337 N 539 Brunia, 0214.7nro Maria de e ioga Ms*. Siape 751683 _ Voto Vencedor Conselheiro ROGÉRIO DE LELLIS PINTO, Relator-Designado Peço vênia a ilustre Relatora, para discordar quanto a consideração do prazo decadencial das contribuições ora lançadas. Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. STJ, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unãnime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo STJ, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes insertas no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. Eliminando as divergências interpretativas que impediam a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N°1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTAI RIO". Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e46 da Lei n°8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a do § 4° do art 150, cuja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, I, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no caput do art 150 do CTNiti I O , MF.• SÉGUNDOCO'nELHO DE CONMUBUNTES COt4FERF 1 O ORIONAL • Processo n° 36624.015828/2006-76 brafija. g q ti CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.337 Fls. 540 Maria de Fátima feira Catvalbo Mat. Sia 7316¥3 Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no § 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex. Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 4° do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, in Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3' Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 § 4° do 173 do CTN está, pois, no regime jurídico do tributo (...)". De qualquer forma, e embora este Conselheiro entenda não ser necessário qualquer recolhimento por parte do Contribuinte para fins de incidência da regra do art. 150, § 4° do CTN, no caso em tela, por tratar-se de tributação de verbas pagas a titulo de salário indireto, parece-nos que houve o dito recolhimento. Em verdade, aqui o lançamento nada mais pretende do que incluir na base imponível do tributo previdenciário, parcelas as quais o contribuinte entendia não fenomenologia da incidência, ou seja, o recolhimento houve, apenas a base calculada pela empresa não era a correta. Sendo assim, pela regra do art 150, § 4° do C'TN, encontram-se decadentes as contribuições até a competência de 11/01. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de setembro de 2008 R • • a ISE LELLIS PINTO II
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Numero do processo: 11128.734021/2013-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE OCORRÊNCIA APÓS ATO DE OFÍCIO DA AUTORIDADE ADUANEIRA.
Não cabe a alegação de denúncia espontânea após ciência da Autoridade Aduaneira de atraso na prestação de informações de desconsolidação de carga. A ciência da ocorrência da infração é reconhecida automaticamente pelo sistema e obriga a Autoridade Aduaneira a realizar o desbloqueio para inserção de informações intempestivas, configurando ato de ofício.
DESPROPORCIONALIDADE E EFEITO DE CONFISCO DAS MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Multas pelo descumprimento de obrigações acessórias não se configuram como estabelecimento de tributos com efeito confiscatório, tendo em vista o seu valor e a proporcionalidade com o direito tutelado, especialmente em relação às operações de comércio exterior. Os impactos econômicos e de segurança decorrentes de descontrole das operações de cargas movimentadas na Zona Primária, que podem dar ensejo ao contrabando de bens altamente danosos à sociedade, afastam qualquer alegação de desproporcionalidade e irrazoabilidade da aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).
Numero da decisão: 3402-010.237
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.229, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 11128.729173/2013-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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IMPOSSIBILIDADE DE OCORRÊNCIA APÓS ATO DE OFÍCIO DA AUTORIDADE ADUANEIRA. Não cabe a alegação de denúncia espontânea após ciência da Autoridade Aduaneira de atraso na prestação de informações de desconsolidação de carga. A ciência da ocorrência da infração é reconhecida automaticamente pelo sistema e obriga a Autoridade Aduaneira a realizar o desbloqueio para inserção de informações intempestivas, configurando ato de ofício. DESPROPORCIONALIDADE E EFEITO DE CONFISCO DAS MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Multas pelo descumprimento de obrigações acessórias não se configuram como estabelecimento de tributos com efeito confiscatório, tendo em vista o seu valor e a proporcionalidade com o direito tutelado, especialmente em relação às operações de comércio exterior. Os impactos econômicos e de segurança decorrentes de descontrole das operações de cargas movimentadas na Zona Primária, que podem dar ensejo ao contrabando de bens altamente danosos à sociedade, afastam qualquer alegação de desproporcionalidade e irrazoabilidade da aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.229, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 11128.729173/2013-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Cynthia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 40 21 /2 01 3- 35 Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734021/2013-35 Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de Julgamento de Primeira Instância, que por unanimidade julgou improcedente a Impugnação do Auto de Infração e considerou devida a exação. A Recorrente atua como agente desconsolidadora de carga, e foi autuada por atraso na prestação de informações de desconsolidação de carga marítima chegada no Porto do Santos/SP. Os atrasos referem-se aos conhecimentos de embarque marítimo e que tiveram a informação de desconsolidação de carga, de responsabilidade da Recorrente registrada a destempo. A autuação foi feita com base na alínea e, do inciso IV, do artigo 107, do Decreto Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, referenciando os prazos para a prestação de informações de acordo com o inciso II, parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800, de 27 de dezembro de 1997. Inconformada com a autuação a Recorrente apresentou impugnação ao auto de infração, onde alega ilegitimidade passiva, e que dever-se-ia ter aplicado a penalidade de advertência, prevista no artigo 76, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Também argumenta que a pena prevista é destinada aos casos onde não houve a prestação de informações, e no caso, alega que o fez de forma extemporânea. Os fundamentos do Auto de Infração e os argumentos da Impugnação estão resumidos no relatório do Acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão. Cientificado do acórdão recorrido, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente argumenta denúncia espontânea, por ter apresentado as informações ao sistema de controle de cargas, antes de qualquer ato de ofício da Autoridade Aduaneira. Também alega que os dados referentes ao Conhecimento Master foram apresentados no dia 10 de outubro de 2008, às 11:49, dois dias antes da data da atracação da embarcação de transporte. Alega boa fé, e que suas ações não resultaram em qualquer prejuízo à fiscalização. Alega também efeito confiscatório da multa administrativa, e de que esta penalidade é desproporcional e atenta contra o Princípio da Razoabilidade. Por fim, pede que caso a Autoridade Julgadora não reconheça seus argumentos, seja aplicado o artigo 736, caput, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734021/2013-35 Este é o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Denúncia Espontânea A denúncia espontânea é a exclusão da responsabilidade do agente pela comunicação de infração à Autoridade Tributária, antes do início de qualquer procedimento administrativo, acompanhada do pagamento dos tributos devidos e não recolhidos anteriormente e juros de mora, conforme previsto no artigo 138, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Conforme fica claro, no texto transcrito acima, o CTN não exige que para a exclusão da responsabilidade haja o recolhimento de qualquer penalidade, na medida em que seria contraditório excluir a responsabilidade por uma infração e ainda assim proceder a exigência da penalidade cabível. Já o Decreto-Lei nº 37/1966, no § 2º, do seu artigo 102, é bem claro em afastar a aplicação de qualquer penalidade em relação à denúncia espontânea, exceto no que disser respeito às penas de perdimento.. “ Art.102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º - Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.” No entanto, em ambos os dispositivos legais, há a restrição de que qualquer ato de denúncia espontânea seja praticado após o início de Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734021/2013-35 qualquer procedimento fiscal de ofício praticado por servidor competente. O controle das informações de carga é feito de forma informatizada pelo sistema SISCARGA que, dentro de suas funcionalidades, conta com o controle dos prazos de chegada e saída de veículos e dos atos demandados pelos diversos agentes envolvidos, bloqueando automaticamente operações que não atendam as determinações legais que sejam detectadas, entre elas a informação intempestiva de carga o que gera o bloqueio automático da operação. O desbloqueio da operação para prosseguimento da informação é ato de ofício da Autoridade Aduaneira e constitui-se em limite impeditivo da denúncia espontânea. Ademais, as ações dos contribuintes de antecipação dos atos necessários ao lançamento, inclusive o pagamento antecipado do tributo devido, condicionando o direito de lançamento à condição resolutória de posterior homologação, num prazo de até cinco anos, e a possibilidade do contribuinte em corrigir eventuais equívocos cometidos, tanto no lançamento por homologação, como antecipando-se ao despacho aduaneiro, afasta o conhecimento futuro pela Autoridade Tributária de infração relacionada ao pagamento de impostos, em razão desta ter sido diligentemente corrigida pelo próprio contribuinte, antes que a Autoridade aja de ofício. Entretanto, o próprio transcurso do prazo para prestar informações configura uma infração prevista na legislação e de caráter irreparável, pois a prestação de informações de forma intempestiva não repara o atraso e suas consequências, e ainda é de conhecimento da Autoridade Aduaneira anterior a qualquer ato do contribuinte, sendo conhecida de forma automática pelo próprio sistema SISCARGA. Não se pode admitir denúncia espontânea em infração relacionada à prestação intempestiva de informações obrigatórias, nem tão pouco que seja isenta da produção de danos à fiscalização. Sem razão à Recorrente. Da Alegação de Confisco, Desproporcionalidade e Razoabilidade A vedação da Constituição Federal, contida no seu Artigo 150, inciso IV, da União utilizar tributo com efeito de confisco, refere-se a instituição de obrigação de pagar que prive o contribuinte da totalidade ou de parcela significativa de seus bens. Tributos que incidam sobre a propriedade de bens móveis, cuja a alíquota seja tão elevada que para pagar o tributo seria necessário se desfazer do próprio bem, ou de entrega-lo à União estaria nesta categoria. A exigência de uma multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por uma infração de falta de informação da chegada de um navio, com o potencial prejuízo ao controle aduaneiro sobre a totalidade da carga de elevadíssimo valor por ele transportada, não pode ser considerada com Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.734021/2013-35 efeito confiscatório, nem tão pouco o Capital Social, que registra o aporte inicial dos sócios, pode representar a capacidade contributiva de uma empresa, melhor expressada por seu Patrimônio Líquido, Fluxo de Caixa, Saldo em contas do Ativo, etc. Ocorre que o valor elevado da autuação decorreu do cometimento de inúmeras infrações por ação da própria Recorrente, e não por ato confiscatório, desproporcional ou carente de razoabilidade do Poder Público. Com relação à aplicação do artigo 735, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, o Regulamento Aduaneiro, este artigo trata de sanções administrativas a intervenientes do comércio exterior, e apresenta uma relação de sanções progressivas a respeito da manutenção de registro, licença, autorização, credenciamento ou habilitação que confiram ao interessado a capacidade de atuar como interveniente de comércio exterior, não tendo qualquer relação com as penalidades instituídas pelo descumprimento de mecanismos de controle aduaneiro, mesmo que a infração implique na aplicação tanto do artigo 107, do Decreto-Lei nº 37/1966, como das referidas sanções administrativas. Sem razão à Recorrente. Tendo em vista tudo o acima disposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 151DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11080.008889/2007-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa: CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA
DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE
CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
IMPOSSIBILIDADE.
Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem.
DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA.
NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO
CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
IMPOSSIBILIDADE.
Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS
UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO
DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE.
Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa.
Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte.
DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO.
LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE
DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO
APURADO. POSSIBILIDADE.
Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa: LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE
ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração.
CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA
ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA.
Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-000.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as
preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de
veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO APURADO. POSSIBILIDADE. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados.
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RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. Fl. 643DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO APURADO. POSSIBILIDADE. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Fl. 644DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 2 3 EDITADO EM: 10/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1024.678, de 15 de abril de 2010 (fls. 357/363), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em que, por unidade de votos, indeferiram a preliminar de litispendência administrativa, por ausência de previsão normativa, não conhecer da manifestação de inconformidade, quanto à discussão do percentual incidente sobre compras de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido, tendo em vista a identidade de objeto com questão levada ao crivo do Poder Judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa quanto a este aspecto. No mérito, quanto às questões não abrangidas pela ação judicial, julgaram procedente em parte a manifestação de inconformidade, cancelando a glosa dos valores relativos às Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade, e não homologaram as compensações declaradas, tendo em vista a inexistência de direito creditório passível de compensação, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 FUNDOPEM BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL. INCLUSÃO. Resta irrelevante se os valores ora discutidos classificamse como subvenções para investimento ou para custeio, dado coadunaremse, de um ou de outro modo, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio, sendo que, independentemente da natureza jurídica apurada, tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão da base de cálculo da contribuição que é a universalidade das receitas. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 geram créditos de PIS pela sistemática da não cumulatividade. BONIFICAÇÃO DE RASTREABILIDADE E BONIFICAÇÃO DE FIDELIDADE CRÉDITO POSSIBILIDADE Não há como dissociar do valor do insumo o montante pago ao produtor a título de Bonificação por Fidelidade e por Rastreabilidade, uma Fl. 645DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 vez que esses valores dependem diretamente das características do insumo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Outros Valores Controlados Por bem descrever os fatos registrados nos autos até prolação do Acórdão recorrido, adoto o Relatório nele encartado, que segue transcrito: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela DRF Porto Alegre (fls.225) que não reconheceu o direito creditório de valores referentes ao PIS nãocumulativo dos períodos de apuração outubro a dezembro de 2005 e não homologou as declarações de compensações apresentadas. O Fiscal encarregado de verificar os créditos pleiteados constatou as seguintes irregularidades (fls.201/223): a) Não inclusão na base de cálculo das contribuições em comento de receitas recebidas a título de crédito fiscal denominado Fundopem; b) Inclusão indevida de créditos calculados sobre despesas relativas a transporte realizado com frota própria; c) Inclusão indevida de créditos calculados sobre Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade pagas a fornecedores de gado; d) Utilização de alíquota incorreta no cálculo do crédito presumido de insumo adquiridos de pessoas físicas; e) Inclusão indevida de créditos calculados sobre encargos de depreciação de veículos pesados e de bens de informática ; f) Inclusão indevida de créditos referentes à locação de veículos de transporte; g) Inclusão da valores a título de outros créditos sem apresentar qualquer tipo de comprovação. Na manifestação de inconformidade, tempestivamente apresentada (fls. 239/287), alega, preliminarmente, a litispendência administrativa do presente processo com o de nº 11080.011387/200869, cujo objeto são autos de infração relativos ao PIS e à Cofins nãocumulativos dos períodos de apuração abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005, onde estariam sendo discutidas as mesmas glosas objeto do presente manifestação. Pleiteia o cancelamento da cobrança dos valores compensados, uma vez que não haveria decisão definitiva proferida no processo principal (11080.011387/2008 69). Passa a discorrer a respeito do crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas, considerando não existir divergência a respeito do fato da empresa na condição de adquirente de animais vivos para abate possuir o direito de calcular crédito presumido sobre essas aquisições, residindo a Fl. 646DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 3 5 divergência no percentual a ser aplicado para o cálculo do referido crédito. Transcreve a legislação que trata do assunto. Defende a aplicação do percentual de 60% (inciso I, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004) alegando que produz mercadorias classificadas no capítulo 2 e assim faria juz a aplicação deste percentual sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física, independente da classificação do insumo em si. Por fim, argumenta que à época dos fatos geradores não existiria o inciso III, do § 3º da Lei 10.295/2004, onde consta o percentual de 35% aplicado pela Fiscalização, entendendo que tal dispositivo só teria sido trazido ao mundo jurídico com o advento da Lei nº 11.488/2007, e portanto, não poderia ser aplicado aos períodos de apuração objeto do presente processo. No que diz respeito ao crédito calculado sobre Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade pagas a fornecedores de bois vivos, afirma que o preço deste insumo é composto por três elementos: a) o preço de tabela por quilo, a rendimento; b) um adicional pelo fato dos animais atenderem ao requisito da rastreabilidade (denominado bonificação por rastreabilidade); e c) um adicional pela qualidade da carne do exemplar (boi), definido pelo percentual de gordura em relação ao volume total da carcaça e pela regularidade das entregas de animais pelo produtor rural (denominado bonificação por fidelidade); Dessa forma, acredita que tanto o crédito presumido calculado sobre aquisições pessoas físicas como o crédito calculado sobre aquisições de pessoa jurídica deveriam incidir sobre essas parcelas que compõem o preço total dos insumos. Essas parcelas constariam das notas fiscais e dos contratos de fornecimento celebrado entre as partes, não se dissociando do preço das mercadorias. Pondera ser o produto final dependente da qualidade dos insumos, informando que seus clientes impõem condições para aquisição da carne. Exemplifica afirmando que a rastreabilidade do animal é obrigatória na venda para países europeus. Passa a descrever o circuito de produção da carne, a qual se inicia com a aquisição do animal vivo com o transporte em veículo adequado, passando pelo abate e condições de higiene e refrigeração. Alega ser do produtor da carne toda a responsabilidade com o seu transporte e conservação, sendo justamente a conservação, o correto manuseio e abastecimento do mercado, o que o produtor da carne agregaria ao seu produto. Sendo assim, os caminhões boiadeiros e demais veículos pesados, com câmaras frias móveis seriam partes integrantes e indissociáveis da produção e fornecimento da carne. Alega que a redação inicial dada pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 albergaria a depreciação de todos os bens Fl. 647DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 incorporados ao ativo imobilizado utilizados no processo de produção dos bens a serem vendidos, gerando créditos passíveis de dedução das contribuições para o PIS e a Cofins. Acredita que os veículos que transportam gado até a planta frigorífica, bem como aqueles que fazem o transporte de produtos em produção entre as plantas e ainda os veículos que transportam o produto pronto até o consumidor cumpririam papel imprescindível no processo de produção do alimento, estando a qualidade de seu produto intrinsecamente relacionado ao adequado transporte. Aplica o mesmo raciocínio para os valores referentes à locação de veículos que completariam a capacidade de movimentação dos animais vivos. Defende que o transporte efetuado é insumo utilizado na produção e por isso compõem a base de cálculo dos créditos. Alega afronta ao princípio da isonomia por entender que se contratasse o transporte de terceiros teria direito a tal crédito. Com relação à depreciação de bens de informática alega que esses equipamentos participam dos processo de produção, classificando os produtos desde a sua origem (rastreabilidade) até a entrega ao cliente, como condição de fornecimento. Afirma que se assim não fosse, o rígido controle de qualidade necessário ao seu enquadramento como empresa exportadora de carne estaria prejudicado. Discorda da tributação dos valores recebidos do Fundopem, afirmando que se trata de um financiamento de parcela de até 75% do ICMS devido mensalmente pelo estabelecimento incentivado, observados alguns limites. Afirma que as isenções ou reduções de tributos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos se caracterizam, no âmbito da legislação tributária, como subvenções para investimentos. A legislação do imposto de renda exclui expressamente da sua base tributável o valor recebido a título de subvenção. A Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 ao instituir o “regime tributário de transição”referendou a neutralidade dos incentivos fiscais para fins de incidência dos tributos sobre a renda e a receita. Os valores colocados à disposição do subvencionado para que este os aplique exclusivamente na instalação ou ampliação do empreendimento objeto do incentivo fiscal. Devem ser registrados como reserva de capital, fazendo parte dos resultados nãooperacionais, não sendo computados na determinação do lucro real. Não há renda nem provento se não houver acréscimo patrimonial. Subvenções para investimento não compõem a receita bruta da pessoa jurídica e portanto não deveriam compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. Junta demonstrações financeiras da empresa onde estaria comprovado que os valores recebidos foram registrados como reserva de capital e utilizados para compensação de prejuízos no exercício de 2006, tudo conforme determinado pela legislação para enquadramento como subvenção de investimento. Ataca a determinação contida no § 1º do art. 45 do decreto nº 4.524/2002 que considera adquiridos com o fim específico de Fl. 648DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 4 7 exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Entende que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não teriam estabelecido tal requisito, excedendose o Poder Executivo na regulamentação, e o Fisco na exigência de comprovação de remessa para recinto alfandegado. Anexei às fls. 320/355 cópia da petição inicial do Mandado se Segurança nº 2008.71.00.0301210, onde a interessada discutiu a alíquota a ser aplicada sobre as aquisições de pessoas físicas para fins de cálculo do crédito presumido. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 365), em 07/07/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 371/421, protocolado em 02/08/2010 (fl. 371), em que reapresentou as razões de defesa aduzidas na Manifestação de Inconformidade de fls. 239/287. Em aditamento, pleiteou a nulidade parcial do Acórdão recorrido, para que fosse apreciada o mérito da questão não conhecida no referido julgado, atinente ao percentual do crédito presumido incidente sobre as compras dos insumos adquiridos de pessoas físicas, sob o argumento de que não se configurou a alegada concomitância de julgamento da dita matéria, por duas razões: (i) o processo judicial não havia se aperfeiçoado, considerando a inexistência de intimação/citação válida da parte impetrada e do litisconsorte passivo necessário, e, (ii) o feito foi extinto sem julgamento de mérito por desistência da parte impetrante, ora recorrente, não tendo sido resolvido o direito material abordado e inexistindo a coisa julgada, formal ou material. No final, requereu o seguinte: a) em preliminar: a.1) fosse reconhecida a litispendência administrativa e anulados os atos processuais a partir do Despacho Decisório, inclusive, retornando os autos à Unidade da Receita Federal de origem, para aguardar a decisão definitiva a ser proferida no processo administrativo nº 11080.011387/200869; e a.2) caso não provida a primeira preliminar suscitada, que fosse reconhecida a nulidade da parte da decisão recorrida que não conheceu do mérito, sob o argumento de que houve concomitância com a esfera judicial, com a devolução dos autos à instância a quo, para realização de novo julgamento, com apreciação do mérito da matéria que não fora conhecida; e b) no mérito: caso rejeitadas as preliminares, fato que admitia apenas a título argumentativo, fosse conhecido e apreciado integralmente o mérito do presente Recurso, inclusive no que toca ao percentual do crédito presumido, para que fossem reformada a decisão recorrida, na parte que lhe foi desfavorável, reconhecidos os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, apurados sob o regime não cumulativo, e canceladas as cobranças dos débitos, com a consequente homologação das compensações declaradas. Em cumprimento ao despacho de fl. 569, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de fevereiro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Fl. 649DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, com exceção da matéria que trata do percentual do crédito presumido, por concomitância de ação judicial. I DAS PRELIMINARES Em preliminar, a Recorrente alegou: a) nulidade do Despacho Decisório e dos atos processuais subsequentes, sob alegação de que houve litispendência administrativa, uma vez que a matéria discutidas nos presente autos seria a mesma objeto do processo nº 11080.011387/200869; e b) nulidade parcial do Acórdão recorrido, na parte concernente à questão que abordava a legalidade do percentual do crédito presumido da atividade agropastoril, matéria não conhecida pela instância a quo, sob o argumento de que havia concomitância de discussão sobre tal matéria na esfera judicial e administrativa. Da nulidade por litispendência administrativa. No presente Recurso, pleiteou a Interessada a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse reconhecida a preliminar de litispendência e anulados os demais atos processuais a partir do Despacho Decisório, inclusive, determinadose o retomo dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que o julgamento dos presentes autos fosse procedido somente após o julgamento e à luz da decisão definitiva proferida nos autos do processo administrativo de nº 11080.011387/200869, que trata da cobrança dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa (períodos de apuração abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005) e Cofins nãocumulativa (períodos de apuração agosto de 2004 a dezembro de 2005). Alegou a Recorrente que o processo nº 11080.011387/200869 seria o principal, pois continha a discussão de toda a matéria de mérito objeto deste processo, logo, com a impugnação daquele, estaria suspensa a exigibilidade dos valores nele lançados de ofício, bem como, via de consequência, todos os demais valores exigíveis com base no desdobramento da mencionada ação fiscal, incluindo os débitos cobrados nos presentes autos, em decorrência da nãohomologação das compensações declaradas. Não procede a alegação da Recorrente, com a devida vênia. No caso, embora algumas questões de méritos estejam sendo abordadas em ambos os processos, na verdade, o objeto deste processo é distinto daquel’outro. Fl. 650DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 5 9 Com efeito, enquanto nos presentes autos discutese o direito ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa do 4º trimestre de 2005, no citado processo a discussão gira em torno da exigência das diferenças dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005, formalizada por meio de auto de infração. No âmbito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF) federal, inexiste dispositivo disciplinando a alegada litispendência administrativa. O assunto encontrase abordado no Código de Processo Civil (CPC), especificamente no inciso V e §§ 1º a 3º do art. 301, que têm a seguinte redação, in verbis: Art. 301 Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (...) V litispendência; (...) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (...) Assim, no âmbito do processo civil, ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir. Em outras palavras, quando a nova ação que repete outra que já fora ajuizada, sendo idênticas as partes, o conteúdo e o pedido formulado. Dessa forma, ainda que aplicável ao PAF o referido instituto, por força do princípio da subsidiariedade, no presente caso não restou configurada a alegada litispendência administrativa, haja vista não haver identidade do objeto deste processo com o do processo nº 11080.011387/200869, pois, conforme anteriormente demonstrado, o pedido e à causa de pedir são distintas. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar. Da nulidade parcial do Acórdão recorrido. No presente Recurso, pleiteou a Interessada que, caso não acatada a primeira preliminar, fosse decretada a nulidade da parte do Acórdão recorrido que não conhecera da questão de mérito, atinente ao percentual do crédito presumido incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, sob o argumento de que a matéria fora submetida ao crivo do Poder Judiciário, por meio do Mandado se Segurança nº 2008.71.00.0301210, configurando concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. Fl. 651DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 Alegou a Recorrente que não existiu a mencionada concomitância, por duas razões: (i) o processo judicial não havia se aperfeiçoado, considerando a inexistência de intimação/citação válida da parte impetrada e do litisconsorte passivo necessário, e, (ii) o feito foi extinto sem julgamento de mérito, por desistência da parte impetrante, ora recorrente, não tendo sido resolvido o direito material, inexistindo a coisa julgada, formal ou material. Com devido respeito, não procedem as alegações da Recorrente, haja vista que, a simples propositura, pelo contribuinte, da ação judicial “importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”, conforme expressamente determina o § 2o do art. 1o1 do Decretolei nº 1.737, de 1979, e o parágrafo único do art. 382 da Lei nº 6.830, de 1980, a seguir transcritos: Art. 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (...) Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Nos termos do art. 263 do CPC, a ação judicial considerase proposta na data em que a petição inicial é despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. Todavia, em relação a réu, só produz os efeitos mencionados no art. 219 do CPC depois da citação válida. Logo, em conformidade com o referido comando legal, não é necessário que haja citação válida da Fazenda Nacional ou da autoridade coatora (no caso de mandado de segurança), nem tampouco que haja decisão de mérito, como suscitado pela Recorrente, para 1 “Art. 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto”. 2 "Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Fl. 652DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 6 11 que se materialize a renúncia tácita ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. De qualquer forma, para que se configure tal impedimento, resulta de todo irrelevante que o processo tenha sido extinto, no judiciário, com ou sem julgamento do mérito, nos termos do art. 267 do CPC. É de sabença que não se aplica ao processo de mandado de segurança o disposto no art. 214 do CPC, conforme alegação da Recorrente. Neste sentido, dispõem os arts. 19 e 20 nº Lei nº 1.533, de 31 de dezembro de 1951 (revogada), bem como o art. 26 da Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009 (revogadora). Por oportuno, cabe esclarecer que, no âmbito do citado Mandado Segurança, foi proferida decisão liminar3, com seguinte teor, in verbis: DECISÃO (liminar/antecipação da tutela) Em um juízo preliminar, pareceme correta a interpretação da autoridade impetrada. Em síntese, o artigo 8º, § 1º, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, estabelece que a pessoa jurídica que produza mercadoria de origem animal, classificada no capítulo 2 da NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS e COFINS, 60% da alíquota incidente sobre o valor das aquisições de produtos de origem animal classificados no capítulo 2 da NCM. De sua vez, a pessoa jurídica que produz mercadoria de origem animal, igualmente classificada nos capítulos 2 e 3 da NCM, porém, tenha adquirido produtos que não se enquadrem no capítulo 2 (entre outros), poderão deduzir das contribuições (PIS e COFINS) 35% da alíquota incidente sobre as mencionadas aquisições. Vejase que a regra diferencia dois momentos: [i] a produção; [ii] a aquisição da mercadoria de origem animal. No caso dos autos, a impetrante produz mercadoria de origem animal, classificada nos capítulos a que faz referência o caput do artigo 8º; contudo, as aquisições não se enquadram no inciso I, porém, na hipótese residual do inciso III (35% da alíquota sobre o valor da aquisição de "demais produtos"). No mais, não vejo nulidade no auto de infração, capaz de ser corrigida ab initio. Ante o exposto, indefiro a liminar. (1) Intimese. (2) Notifique se para prestar informações. (3) Abrase vista ao Ministério Público Federal. Porto Alegre, 25 de novembro de 2008. (grifos do original) 3 Disponível em: <http://www.jfrs.jus.br/processos/acompanhamento/>. Acesso em: 27 abr 2011. Fl. 653DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 A referida decisão foi agravada perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), dando origem ao Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0424420/RS, em que a Relatora Designada proferiu a seguinte decisão4, in verbis: É o relatório. Decido. O presente recurso deve observar o disposto na Lei nº 11.187/2005 que alterou os artigos do CPC que normatizam o processamento do agravo de instrumento. Nos termos da referida alteração legislativa, os artigos 522 e 527 passaram a estabelecer, como regra, o agravo retido, reservando o agravo de instrumento, propriamente dito, para atacar as decisões que: inadmitirem a apelação; abordarem os efeitos de recebimento do apelo e para aquelas decisões que possam causar às partes lesão grave e de difícil reparação. Sendo que para a última o ônus de comprovar tal lesão é do recorrente. Na espécie, não logrou a parte agravante demonstrar onde residiria o risco de lesão e de difícil reparação a justificar a concessão do provimento negado no primeiro grau. Como bem apontou o juízo a quo, verbis " não vejo nulidade no auto de infração, capaz de ser corrigida ab initio". Assim, não havendo demonstração de situação excepcional a justificar a admissão do agravo de instrumento, inviável o processamento do recurso. Por fim, sinalo que não se pode confundir os prejuízos financeiros que a parte possa vir a sofrer com o dano irreparável ou de difícil reparação previsto no instituto processual civil. Assim sendo, converto o agravo de instrumento em agravo retido e determino sua remessa à Vara de origem, por se tratar de decisão irrecorrível (art. 527, § único, CPC). Intimemse. Porto Alegre, 27 de novembro de 2008. Tais decisões representam a prova inequívoca de que, antes da extinção da referida ação judicial, a respectiva relação jurídicoprocessual já se encontrava devidamente consolidada. Ademais, o citado pedido de desistência somente foi apresentado depois proferidas as referidas decisões judiciais. De qualquer forma, a simples propositura da referida ação judicial, para discutir o percentual do crédito presumido incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, questão também objeto deste processo, implica renúncia tácita à instância administrativa, por coincidência de matéria litigiosa levada à apreciação desta instância e da instância judicial. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste e. Conselho, conforme entendimento consignado na Súmula Carf nº 1, divulgada por intermédio da Portaria Carf nº 106, de dezembro de 2009, o cujo enunciado segue transcrito: 4 Disponível em: <http://www.trf4.jus.br/trf4/processos>: Acesso em: 27 abr 2011. Fl. 654DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 7 13 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar e, em conformidade com a decisão de primeiro grau, também não conheço da referida matéria, em razão da concomitância de ação judicial proposta com o mesmo objeto. Superadas todas as questões preliminares, passo a análise do mérito da presente lide. II DO MÉRITO Em relação ao mérito, pelas razões expostas no tópico precedente, deixo de conhecer da matéria referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas. Dessa forma, resta analisar apenas as seguintes questões: a) não inclusão na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal (crédito presumido), concedido pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul, no âmbito do Programa Fundopem; e b) inclusão indevida, na base de cálculo dos créditos da dita Contribuição, do valor b.1) das despesas com transporte realizado em frota própria; b.2) das despesas com locação de veículos de transporte; b.3) dos encargos de depreciação de veículos pesados. II.1 Das Receitas não Incluídas na Base de Cálculo da Contribuição Na apuração do valor dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep do período em destaque, a Interessada excluiu da base de calculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem. Das receitas recebidas a título de incentivo fiscal do Fundopem. Segundo o item 1 da Informação Fiscal que serviu de fundamento para o prolação da decisão consignada no contestado Despacho Decisório, os valores recebidos a título de crédito presumido do Programa Fundopem integravam a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, definida no caput e § 1º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, pois, de acordo com disposto no § 3º do referenciado artigo 1º, não havia previsão para exclusão desse tipo receita do cômputo da referida base de cálculo. No mesmo sentido, o Órgão julgador a quo manteve incólume a decisão consignada no citado Despacho Decisório, com respaldo no argumento de que, dada a universalidade do conceito legal da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, independentemente do tipo de subvenção (corrente ou para investimento), este tipo de receita não se encontrava dentre as possíveis hipóteses de exclusão da dita base de cálculo. Fl. 655DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 Por outro lado, no presente Recurso, a Interessada reafirmou o direito de excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor recebido, a título de crédito fiscal, do Programa Fundopem, sob a alegação de que tal receita consistia num tipo de subvenção para investimento, expressamente excluída da base de calculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRRJ). Assim, fica evidenciado que o cerne da presente controvérsia envolve a definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, assunto que se encontra expressamente disciplinado no caput e nos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcritos: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) (grifos não originais). Tratase, evidentemente, de conceito abrangente que inclui todas as modalidades de receita auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil, ou seja, alcança as receias operacionais e as nãooperacionais, compreendendo tanto as receitas decorrentes de venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia quanto todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. As únicas modalidades de receita, excluídas da mencionada base de cálculo, são aquelas taxativamente discriminadas no § 3º5 do citado art. 1º, dentre as quais não se inclui a receita de subvenção para investimento, recebida a título de incentivo fiscal. É oportuno esclarecer ainda que, por falta de previsão legal, o disposto no art. 4436 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 5 "§ 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)". Fl. 656DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 8 15 1999), que autorizava a exclusão da referida receita da composição do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não se aplica ao caso em tela, conforme alegado pela Recorrente, haja vista que há regramento próprio dispondo sobre assunto, conforme exposto precedentemente. Com efeito, em consonância com disposto no § 12° do art. 195 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 42, de 19 de dezembro de 2003, o regime da nãocumulatividade, previsto para a cobrança das contribuições sociais incidentes sobre a receita ou faturamento, onde se enquadra a Contribuição para o PIS/Pasep, deve ser instituído nos termos de lei específica. Nesse sentido, no que tange ao regime nãocumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, com respaldo nos incisos III, IV e VI do art. 97 do CTN, coube à Lei nº 10.637, de 2002, definir o fato gerador, fixar a alíquota e base de cálculo da dita Contribuição, bem a forma de desconto do valor incidente nas operações anteriores, as condições e requisitos relativos ao aproveitamento de créditos e as despesas e custos para os quais são permitidos o creditamento. Dessa forma, resta esclarecido que não se pode aplicar os casos autorizados de dedutibilidade previstos na legislação do imposto de renda, para fim de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma do regime nãocumulativo, posto que há regramento específico que disciplina a matéria que, necessariamente, deve ser observado. Com essas considerações, fica esclarecido que os valores recebidos do Fundopem pela Interessada, a título de crédito fiscal presumido, embora qualificados como receita de subvenção para investimento, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, conforme entendimento esposado no Acórdão recorrido. II.2 – Da Glosa dos Valores Incluídos na Base de Cálculo dos Créditos da Contribuição Na apuração do valor dos créditos da referida Contribuição do período em apreço, a Interessada incluiu na base de cálculo o valor (i) das despesas com transporte realizado em frota própria; (ii) dos encargos de depreciação de veículos pesados; e (iii) das despesas de locação de veículos de transporte de carga. Antes de analisar a controvérsia em torno de cada uma das questões suscitadas, entendo pertinente apresentar uma breve digressão acerca do disciplinamento legal do regime de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Do regime de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Conforme anteriormente exposto, a definição e o disciplinamento do regime jurídico da nãocumulatividade das contribuições incidentes sobre a receita ou faturamento 6 "Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas". Fl. 657DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 foram atribuídos ao legislador ordinário, nos termos do § 12 do art. 195 da Constituição Federal de 1988, acrescentado pela Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, a seguir transcrito: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC000.020 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...) (grifos não originais). Em conformidade com o disposto no referido preceito constitucional, foi editada a Lei nº 10.637, de 2002, que, de forma exaustiva, define e disciplina o regime jurídico da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep. O regime de apuração dos créditos encontrase exaustivamente disciplinado no art. 3º do mencionado diploma legal, que dispõe acerca dos créditos permitidos, a forma e o período de apuração, as vedações etc. Dessa forma, na presente analise, será levada em conta apenas o disposto no referido preceito legal, complementado pela legislação esparsa que regulamenta a matéria. Assim, neste tópico não será levado em consideração, por serem estranhas ao objeto da presente controvérsia, o regime de deduções permitidas na legislação do IRPJ nem o regime de crédito estabelecida na legislação do IPI. Da glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, dentre as operações geradoras de créditos, passíveis dedução do valor do débito do respectivo período, destacamse as previstas no inciso II do art. 3° da da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, a seguir transcrito:: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 658DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 9 17 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) De acordo com a citada Informação Fiscal, as despesas de transporte com frota própria não se enquadravam no conceito de insumo estabelecido no transcrito inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o estabelecido nas alíneas “a” e “b” do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, que seguem transcritos: Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) 4° Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput , entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (...) Segundo a Fiscalização, a Interessada atua no setor de frigorífico, atuando na atividade de industrialização de carnes, especificamente na modalidade de abate de bovinos, cujo produto final são cortes de carcaça e couro bovinos, conforme exposto no itens a seguir transcritos: Fl. 659DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 18 2. A empresa atua no setor frigorífico procedendo a industrialização de carnes, na modalidade abate de bovinos, transformandoos em cortes específicos e meias carcaças, isto é, compra animais vivos para abate, realiza o abate e separa os cortes em peças, desossadas ou não, embalandoas para comercialização tanto no mercado interno, quanto no mercado externo. A empresa também comercializa o couro proveniente dos animais que abate. 3. O produto acabado da empresa resumese a cortes de carcaça de bovinos (picanha, costela, patinho, acém, etc.) embalados "in natura" e prontos para comercialização, além do couro. Diante do exposto, fica esclarecido que, para a Fiscalização, o processo de produção ou industrialização da Recorrente iniciase com abate dos bovinos e termina com a embalagem dos produtos finais (carcaça, carne e couro). Logo, segundo esse entendimento, não seria insumo os demais dispêndios não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos produtos finais. De outra banda, alegou a Recorrente que tinha direito aos referidos créditos, pelas seguintes razões, ipsis litteris: O processo de produção do produto compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega da carne com qualidade para o consumo humano, de modo que, tanto as despesas com a manutenção desses veículos, o combustível do transporte e da operação das câmaras frias, geram direito a crédito tanto de PIS quanto de COFINS. Não se pode deixar de enfatizar que as glosas em comento acalentam também uma ilógica e odiosa afronta ao princípio da isonomia, que dispensa digressões por se tratar de um dos pilares constitucionais do Sistema Tributário Nacional, haja vista que, não fosse verticalizado o Frigorífico Mercosul, ou seja, se este contratasse o transporte dos bois e da carne de terceiros, teria o crédito sobre o valor do serviço de transporte. É simplesmente um absurdo glosar os créditos sobre os custos incorridos no transporte com meios próprios, que é a opção do contribuinte em função da viabilidade (haja vista os volumes de bois, de carcaças e de carne que movimenta) e o cuidado com a qualidade do produto. Da leitura do excerto transcrito, fica claro que, para a Recorrente, o seu processo de produção compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos finais industrializados (carcaça, carne e couro) no estabelecimento do cliente. Assim, segundo esse entendimento, seria insumo tanto as despesas com realizadas com o transporte dos animais vivos como dos produtos finais entregues nos estabelecimentos dos clientes. Assim, fica demonstrado que o ponto fulcral da presente controvérsia está relacionado com a definição do processo de produção da Interessada. Para a Autoridade Fiscal e o Colegiado julgador a quo, seriam considerados insumos apenas os bens e serviços consumidos ou aplicados na fabricação dos produtos finais, no âmbito do estabelecimento industrial. Em consequência, estariam excluídos da definição de insumo de produção todas as demais despesas realizadas antes e depois do processo de industrialização. Fl. 660DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 10 19 De outra parte, sob o argumento de que o seu processo produtivo compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos acabados ao cliente, alegou a Recorrente que as despesas realizadas com o transporte dos animais vivos (da fazenda de criação até o abatedouro) e dos produtos finais vendidos (do abatedouro até o estabelecimento dos clientes) enquadravamse no conceito de insumo, logo tinha direito aos respectivos créditos. No entendimento da Recorrente, os denominados veículos boiadeiros e frigoríficos da sua frota de transporte seriam considerados bens de produção, por conseguinte as despesas de combustíveis e manutenção realizadas com tais veículos estariam compreendidas no conceito de insumo. Não procedem as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.637, de 2002, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” ou seja, aplicados no processo produtivo. No presente caso, obviamente, as despesas realizadas com os referidos veículos estavam relacionadas com os serviços de transporte prestados nas fases anterior e posterior ao processo industrialização dos produtos vendidos. Segundo a Recorrente, resultaria ilógica e odiosa afronta ao princípio da isonomia, o fato de a despesa com frete contratado e pago a terceiros dar direito a crédito, enquanto que a despesa com o mesmo serviço de transporte, realizado em veículos da própria Interessada, não propiciar tal direito. Essa alegação se refere ao disposto no inciso IX7 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, aplicável também à Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do inciso II do art. 15 da mesma Lei, que assegura o direito de crédito aos pagamentos das despesas de frete na operação de venda, em que o ônus seja suportado pelo vendedor. Não existe a alegada isonomia. No meu entendimento, as despesas com frete são distintas das despesas com combustível, peças de reposição, manutenção, pedágio e serviços de honorários realizados com os veículos de transporte de carga da frota da Interessada, conforme discriminado nas tabelas de fls. 208/209. De qualquer forma, no caso em tela, por falta de previsão legal, as despesas realizadas com os referidos veículos de transporte não dão direito a crédito da Cofins não cumulativa, pois não se enquadram na definição de insumo aplicado ou consumido na fabricação dos produtos vendidos, conforme entendimento da Autoridade Fiscal, ratificado no Acórdão recorrido. Nesse sentido, o entendimento do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5a Região, conforme consignado no julgado a seguir transcrito8: TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DE INSUMOS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. ARTIGO 3º, II, DAS LEIS N.º 10.637/02 E 10.833/03. ABRANGÊNCIA DOS BENS E SEVIÇOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO 7 "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)". 8 TRF da 5a Região. Quarta Turma. Apelação Civel no 508.684. Relatora: Desembargadora Federal Margarida Cantarelli. Data da decisão: 09/11/2010. Publicada no DJU de 11/11/2010. Fl. 661DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 20 DO SERVIÇO E FABRICAÇÃO DE MERCADORIAS. I. As restrições ao abatimento de créditos da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS pelo regime nãocumulativo, previstas no art. 3º, II, das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03, bem como na IN n.º 247/2002 e IN 404/2004 Receita Federal, não ofendem o disposto no art. 195, parágrafo 12, da Constituição Federal. II. O conceito de insumo, para fins de creditamento no regime não cumulativo das contribuições PIS e COFINS, abrange os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, ou seja, aqueles vinculados à atividade fim do contribuinte. III. No caso, os combustíveis e lubrificantes utilizados pela empresa não estão inseridos na cadeia de fabricação, mas apenas são usados na frota de caminhões que atende a fabrica, não podendo as despesas deles decorrentes serem tidas como insumos. IV. Apelação improvida. (grifos não originais) Com base nessas considerações, sou pela manutenção da glosa dos referidos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre o valor do encargo de depreciação dos veículos. A glosa dos referidos créditos foi realizada com base no argumento de que os veículos pesados integrantes da frota de propriedade da Interessada não se enquadravam no conceito de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda. Em consequência, os encargos de depreciação dos referidos veículos não asseguravam direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, previsto na redação originária do inciso VI do art. 3° da Lei 10.637, de 2002, combinado com o disposto no inciso III do a § 3º do mesmo artigo, a seguir transcritos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) (grifos não originais) Por outro lado, com base no entendimento de que tais veículos seriam bens de produção, alegou a Recorrente que os encargos de depreciação em questão enquadravamse no conceito de insumo, logo ela tinha direito aos créditos calculados sobre o valor dos tais encargos. Não assiste a razão a alegação da Recorrente. De acordo com disposto no inciso VI do art. 3° da Lei 10.637, de 2002, somente os valores dos encargos de depreciação Fl. 662DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 11 21 das máquinas e dos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda possibilitam o direito ao crédito questionado. No caso presente, os citados veículos foram utilizados no transporte (i) do gado vivo da propriedade do produtor rural até a planta industrial e (ii) do produto industrializado da planta industrial até o estabelecimento dos clientes, logo, não tiveram qualquer participação no processo de fabricação dos produtos finais vendidos pela Recorrente. O fato de tais veículos serem imprescindíveis para atividade da Recorrente, conforme alegado no presente Recurso, ao meu ver, não tem qualquer relevância para fim da definição do bem de produção em comento. Com base nessas considerações, entendo que deve ser mantida a glosa dos referidos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre valor das despesas de locação de veículos de transporte. De acordo com item 4 da Informação Fiscal que serviu de base para a decisão consignada no citado Despacho Decisório, a glosa dos referidos créditos foi realizada com base no entendimento de que somente as despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, enquadravase na hipótese prevista no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Segundo a Autoridade Fiscal, ainda que utilizados nas atividades da Recorrente, as despesas com a locação de veículos de carga não poderiam ser utilizadas como base de cálculo do crédito em questão, porque os referidos veículos não seriam prédios, nem tampouco máquinas e equipamentos. Discordo. No meu entendimento, a expressão genérica “máquinas e equipamentos” compreende também os veículos de transporte de carga que, no caso em tela, foram utilizados no transporte de animais e de carne fresca, complementando os serviços de transporte realizados em frota da própria Recorrente. Segundo o Dicionário Houaiss9, máquina “é qualquer equipamento que empregue força mecânica, composto de peças interligadas, cada qual com uma função específica, e em que o trabalho humano é substituído pela ação do mecanismo”. Logo, é indubitável que os veículos de transporte de carga são uma espécie de máquina, aliás, uma das máquinas mais complexas. 9 Versão eletrônica disponível em: <http://educacao.uol.com.br/dicionarios/>. Acesso em 27 abr 2011. Fl. 663DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 22 Cabe enfatizar que a dedutibilidade do referido crédito não está condicionada a que as máquinas e os equipamentos locados sejam utilizados na “fabricação de produtos destinados à venda”, conforme exigido para os encargos de depreciação. Deveras, no caso em tela, a exigência é que as máquinas e os equipamentos sejam utilizados “nas atividades da empresa”. Aliás, sobre tal requisito inexiste controvérsia, pois a própria Autoridade Fiscal asseverou que os mencionados veículos foram utilizados na atividade de transporte de animais e bois realizada pela Recorrente. Com base nessas considerações, entendo que deve ser restabelecida a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação com os referidos veículos de transporte de carga. III DA CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de: a) REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação dos veículos de carga. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro Solon Sehn No mérito, pedese vênia para divergir do eminente Conselheiro Relator no tocante à incidência da contribuição sobre subvenções para investimentos contabilizadas como reserva de capital (crédito fiscal do programa Fundopem/RS), bem como em relação à glosa do crédito decorrente de despesas de frota própria e dos encargos de depreciação de veículos pesados utilizados pelo Recorrente no transporte de cargas. 1 Da incidência da contribuição sobre as subvenções para investimento A decisão recorrida entendeu que as exclusões da base de cálculo somente seriam admitidas quando expressamente previstas no art. 1º, § 3º, da Lei nº 10.833/2003. Assim, considerando que o dispositivo nada dispõe acerca das subvenções para investimento, foi mantida a exigência da contribuição. Fl. 664DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 12 23 Entretanto, devese ter cautela com essa interpretação. Embora assentada em premissa correta, referida exegese nem sempre conduz a um resultado válido. O fato de determinando ingresso não estar relacionado de forma expressa no art. 1º, § 3º, não implica necessariamente a sua inclusão na base de cálculo do tributo. O inciso I do dipositivo também autoriza a exclusão das receitas não alcançadas pela incidência da contribuição. Antes de tudo, portanto, cumpre verificar se o evento efetivamente constitui uma receita tributável: Art. 1º [...]§ 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); É o exatamente o que com a subvenção para investimento contabilizada como reserva de capital. Esta, em uma primeira análise, parece não se enquadrar em nenhum dos incisos no § 3º. Um exame mais detido, no entanto, conduz à aplicação do inciso I, em razão da não subsunção do ingresso no conceito de receita bruta. Por outro lado, cumpre destacar que a amplitude desse conceito não pode ser buscado unicamente no art. 1º da Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O caput e o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.833/2003 apresenta uma redação tautológica e circular, que, em última análise, acaba definindo o total das receitas como todas as receitas da pessoa jurídica, o que, obviamente, não representa um parâmetro seguro, sobretudo quando associada à exegese equivocada das exclusões da base de cálculo previstas no § 3º, destacada inicialmente. O conceito de receita não é amplo nem tampouco indetermiando. A doutrina tem delineado o seu conteúdo e, nos últimos anos, notadamente após edição da Lei nº 9.718/1998. Os estudos existentes, consoante destacado em pesquisa sobre o tema, tem partido do art. 212, § 1º, da Constituição e de dispositivos da Lei nº 6.404/1976 (art. 187, I, II, IV e § 1º, “a”), definindo o sentido jurídico de receita bruta como um “ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo”10. 10 SEHN, Solon. “O conceito de receita no direito privado e suas implicações no direito tributário (PISCofins, IRPJ, Simples).” Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2006, n.º 127. No mesmo sentido, cf.: SEHN, S. Cofins incidente sobre a receita bruta. São Paulo: Quartier Latin, 2006; SEHN, S. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. Fl. 665DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 24 A noção de receita bruta pressupõe, assim, a ocorrência de acréscimento ao patrimônio líquido da pessoa jurídica, o que a distingue os mero ingressos de caixa e de outros eventos sem repercussão patrimonial positiva: A necessidade de repercussão patrimonial também é ressaltada por Geraldo Ataliba e Clèber Giardino, quando ensinam que receita constitui “acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio do alienante. A ele, portanto, não se podem considerar integradas importâncias que apenas ‘transitam’ em mãos do alienante, sem que, em verdade, lhes pertençam em caráter definitivo”. Nesse mesmo raciocínio, aliás, temse colocado praticamente toda a doutrina dedicada ao estudo do tema, considerando receita apenas “[...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo” (AIRES F. BARRETO); “um ‘plus jurídico’ (acréscimo de direito), de qualquer natureza e de qualquer origem, que se agrega ao patrimônio como um elemento positivo, e que não acarreta para o seu adquirente qualquer nova obrigação” (RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA); o “incremento do patrimônio” (ALIOMAR BALLEIRO); o “elemento positivo do acréscimo patrimonial” (GISELE LEMKE); “a entrada de riqueza nova no patrimônio da pessoa jurídica” (HUGO DE BRITO MACHADO e HUGO DE BRITO MACHADO SEGUNDO); as “quantias que a empresa recebe não para si” (HAMILTON DIAS DE SOUZA, LUIZ MÉLEGA e RUY BARBOSA NOGUEIRA), que “possam alterar o patrimônio líquido” (JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELO); a entrada “de cunho patrimonial” (MARCO AURÉLIO GRECO), que “tem o condão de incrementar o patrimônio” (ALEXANDRE BARROS CASTRO)11. Isso ocorre porque a receita corresponde ao elemento positivo que compõe a renda da pessoa jurídica, considerado de forma isolada, independente da dedução de custos, despesas, participações ou provisões. É o que ressaltam Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo, quando destacam que a receita “[...] se caracteriza por representar a entrada de riqueza nova no patrimônio da pessoa jurídica. Receita é um elemento novo que, depois de considerados os custos e as despesas, comporá a renda”12. Por conseguinte, somente podem ser consideradas receita as entradas relevantes para efeitos de composição da renda, o que afasta de seu âmbito de significação as transferências de capital, gênero que abrange as subvenções de investimentos. As transferências de capital, com efeito, são negócios jurídicos unilaterais que visam a transmissão de direitos patrimoniais de uma pessoa física ou jurídica para outra, independe de qualquer contraprestação. Pressupõem, para sua caracterização, a intenção objetiva de realizar o incremento do patrimônio do beneficiário, que, por sua vez, deve mantê las em conta de reserva de capital. Do contrário, perdem sua natureza jurídica, convertendose em renda da beneficiada. 11 SEHN, PISCofins..., op. cit., p. 152153. 12 MACHADO, Hugo de Brito; MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Parecer Contribuições incidentes sobre faturamento. PIS e Cofins. Descontos obtidos de fornecedores. Fato gerador. Inocorrência. Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, n. 113, p. 136137. Fl. 666DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 13 25 Algumas modalidades de transferência de capital estão relacionadas no art. 38 do DecretoLei nº 1.598/1977 e no § 1º, art. 182, da Lei nº 6.404/1976, dentre as quais, para efeitos do caso em exame, cumpre destacar as subvenções para investimentos, que estava prevista no texto do dispositivo legal vigente ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis. As subvenções, de acordo com a Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59/1986, têm a seguinte caracterização: [...] Em relação às subvenções recebidas pela companhia, elas podem ser classificadas em dois tipos diferentes: subvenções para investimento e subvenções para custeio. As subvenções para investimento são registradas contabilmente como reserva de capital. Normalmente, referemse a valores de que a companhia se beneficia a título de devolução, isenção ou redução de impostos devidos, ou de valores recebidos destinados à expansão de suas atividades, sob a forma de investimentos para capital fixo ou capital de giro. É o caso, por exemplo, de devolução de IPI ou ICM e de isenção temporária de imposto de renda como incentivo regional ou setorial. As subvenções para custeio são constituídas por auxílio financeiro comumente recebido de forma periódica pela companhia para fazer face às suas despesas, insuficientemente cobertas pelas receitas de suas operações (tarifas). São, contabilmente, classificadas como receita extraordinária. É exemplo típico o caso das ferrovias brasileiras13. Portanto, as subvenções para investimento são transferências de capital vinculadas à expansão das atividades empresariais, concedidas pelo Poder Público mediante devolução, isenção ou redução de tributos. Diferenciamse das subvenções para custeio, que visam o auxílio financeiro de atividades operacionais deficitárias, destinadose à despesas correntes da pessoa jurídica. As subvenções para investimentos, quando contabilizadas como reserva de capital, não transitam em conta de resultado, como ensina José Bulhões Pedreira: Dois requisitos são necessários para que se caracterize a transferência de capital: (a) que o doador tenha a intenção de fazer contribuição para o estoque de capital da pessoa jurídica, e (b) que esta não modifique a natureza da transferência, transformando o capital em renda. [...] A transferência de capital pressupõe a intenção do doador de contribuir para o estoque de capital da pessoa jurídica, e não para o custeio das suas atividades ou operações. Mas a pessoa jurídica que a recebe pode mudar essa destinação, transformando o capital em renda. Por isso, a caracterização de 13 “Esta Nota Explicativa faz parte integrante da INSTRUÇÃO CVM Nº 59, de 22.12.86, sendo, portanto, obrigatória a adoção de todos os conceitos aqui emitidos por parte das companhias abertas.” Fl. 667DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 26 transferência de capital, para efeitos fiscais, pressupõe tanto a intenção de quem transfere quanto o tratamento que a pessoa jurídica dá, na sua contabilidade, à transferência recebida: somente há transferência de capital se a pessoa jurídica credita os valores recebidos a conta de reserva de capital. Se o crédito é feito a conta de resultados, a lei tributária considera que a pessoa jurídica transformou a transferência de capital em transferência de renda e a submete ao imposto. A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimento ou doações para aumentar o capital de giro14. Assim, enquanto mantidas em conta de reserva de capital, as subvenções não transitam em conta de resultado e, dessa maneira, não configuram receita tributável porque são destituídas de aptidão para gerar renda. Pelo mesmo motivo, não estão sujeitas à incidência da contribuição, ao menos enquanto não creditadas a conta de resultados. Cumpre destacar que esse regime – vigente ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis – foi alterado com introdução dos novos critérios e métodos contábeis previstos na Lei nº 11.638/2007. Esta revogou o art. 182, § 1º, “d”, da Lei nº 6.404/1976, de modo que as subvenções para investimentos deixaram de ser contabilizadas como reserva de capital, para integrar a conta de resultados. Essa sucessão legislativa reforça que, ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis, antes da promulgação da Lei nº 11.638/2007, as subvenções para investimentos não integravam a conta de resultados, consoante sustentado pelo ilustre Professor José Bulhões Pedreira, nas lições citadas acima. Os efeitos fiscais dos critérios e métodos contábeis da Lei nº 11.638/2007, porém, foram neutralizados pelo Regime Tributário de Transição RTT, instituído pela Lei nº 11.941/2009. Esta, no que se refere especificamente ao tema em exame, estabeleceu que: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e Feitas essas observações, ingressando nas particularidades do caso concreto, notase que, de acordo com o livro razão (fls. 6062), com os balancetes de verificação (fls. 89, 134135) e demonstrações contábeis (balanço patrimonial fls. 212, demonstração das origens e aplicações de recursos fls. 215, demonstração das mutações do patrimônio líquido fls. 216), a subvenção para investimentos foi efetivamente contabilizada como reserva de capital. 14 PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de renda: pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: AdcoasJustec, 1979, v. II, p. 403. Fl. 668DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 14 27 O crédito presumido de Icms concedido pelo Estado do Rio Grande do Sul no âmbito do Fundopem, por sua vez, está claramente vinculado à execução de projeto de implantação de atividade industrial por parte do contribuinte. Não se trata, assim, de subvenção destinada ao custeio de despesas correntes, de auxílio para atividade deficitária, mas de verdadeira subvenção para investimentos, consoante previsto no ato concessionário (fls. 56): CLÁUSULA PRIMEIRA Considerase implementado o incentivo previsto no Decreto nº 37.373 de 23 de abril de 1997, concedido à EMPRESA pelo Decreto nº 38.793/98, fixado em até 75% (setenta e cinco por cento) do incremento real do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações ICMS, devido mensalmente pelo estabelecimento inscrito no CGC/TE sob o nº 008/0137695. Parágrafo Único Para efeito do disposto nesta cláusula, considerase: a) increment real, o valor total do ICMS devido mensalmente pela EMPRESA, por se tratar de projeto de implantação; b) ICMS devido, o definido na Nota 1, do inciso XIII, do artigo 32, do Livro 01, do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 37.699/97. A vinculação entre a subvenção e a implantação industrial é tal ordem que a inexecução do projeto apresentado ao Estado implica a revogação do benefício (fls. 5758): CLÁUSULA QUINTA Sob pena de cessação do benefício previsto na Cláusula Primeira a EMPRESA obrigase a: I cumprir o seu projeto descrito no Processo nº 002752 16.00 SEDAI 97.0, que integra este Protocolo para todos os efeitos legais e/ou convencionais; Desse modo, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, encontramse presentes os requisitos de caracterização da subvenção para investimentos previstos no Parecer Normativo CST nº 112/1978, da Coordenação do Sistema da Tributação: 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o ‘animus’ de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado.[...] 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do D.L. 1.598/77, é a que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras: quem está suportando o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido Fl. 669DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 28 como beneficiário da subvenção e por decorrência dos favores legais. […]15 Por fim, registrese que, mesmo que inexistisse a vinculação a um projeto de implantação industrial, ainda assim o contribuinte teria direito à excluir a subvenção do Fundopem da base de cálculo da contribuição, enquanto mantida a contabilização como reserva de capital ou reserva de incentivos, no regime do RTT. Isso porque, consoante destaca José Bulhões Pedreira, nada impede o emprego da subvenção para investimentos em capital de giro da pessoa jurídica: O PNCST n.º 112/78 interpreta restritivamente a expressão “subvenção para investimento”, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias – correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira16. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já apresenta julgados nessa mesma linha, com destaque para o Acórdão nº 10708.739: A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratarse, juridicamente, de uma doação), caracterizase em função de sua natureza de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, ‘a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira’ (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado à (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização17. O julgado faz referência à precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que também se afasta das conclusões do PN CST n.º 112/1978: O PN CST n° 112/78, no subitem 2.12, acima transcrito, quando falou em efetiva e específica aplicação de subvenção em investimentos previstos ou projetados, foi mais longe. Bulhões Pedreira apontalhe a falta de base legal, nesse ponto. Realmente, se estudada a questão em tese, o PN CST n° 112/78 teria excedido a lei, no particular18. A possibilidade de aplicação da subvenção de investimentos em capital de giro também é prevista na Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59/1986, reproduzida acima. Portanto, em qualquer dos ângulos analisados, o crédito presumido do Fundopem/RS constitui 15 Parecer Normativo CST n.º 112/1978, de autoria de Carlos Augusto de Vilhena. DOU de 11/01/1979, Seção I, Parte I, p. 467 e ss. 16 PEDREIRA, op. cit., p. 402403. 17 Decisão de 20 de setembro de 2006. Rel. Conselheiro Luiz Martins Valero. 18 Voto do relator no Acórdão nº CSRF/01885. Fl. 670DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 15 29 subvenção para investimento. Assim, enquanto contabilizado como reserva de capital, não transitam em conta de resultado e, por conseguinte, não constituem receita tributável. 2 Dos créditos sobre despesas de transporte com frota própria O conceito de insumo, para fins de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins, tem sido objeto de grande controvérsia doutrinária e jurisprudencial19. Esta, por sua vez, se reflete em algumas decisões desse Conselho, como o acórdao proferido no Recurso Voluntário n. 146.77820 e, nessa mesma linha, a recente decisão da 2ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, no Recurso Voluntário nº 369.519: [...] O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração pela não comutatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Contudo, no presente feito, o desate da questão independe do ingresso nesse debate, uma vez que o direito ao crédito sobre valor das despesas de transporte com frota própria encontra amparo na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que assim estabelece: Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; [...] 4° Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput , entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: 19 Sobre o tema, cf: MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octávio Campos (coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 2003; OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionas à "não cumulatividade" da Cofins e da contribuição ao PIS. IN: PEIXOTO et. al., op. cit., p. 47 e ss.; SEHN, Solon. PIS Cofins..., op. cit., p. 313 e ss. 20 Carf. 2º C. 4ª T. Processo Administrativo n. 11065.101039/200617. Relator Rodrigo Bernardes de Carvalho. Sessão de 05/09/2008. Fl. 671DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 30 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; 21 O valor do crédito, por sua vez, é calculado considerando o valor do custo de aquisição do bem, conforme decorre do § 3º do art. 8º desse mesmo ato normativo: Art. 8º [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços22. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de fronta própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; 23 O crédito de insumos, portanto, é calculado sobre o custo de aquisição, que compreende, observado o disposto no art. 13 do DecretoLei nº 1.598/1977, o valor do custo de de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte. Nesse sentido, cabe destacar as seguintes soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto 21 Grifamos. 22 Grifamos. 23 Grifamos. Fl. 672DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 16 31 acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo24. FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática nãocumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática25. CRÉDITO. FRETE. O valor do frete pago na aquisição de insumo pode integrar a base de cálculo do crédito previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, desde que a aquisição do insumo dê direito à apuração de crédito e desde que a aquisição do frete esteja sujeita à incidência da Cofins26. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago a pessoa jurídica na aquisição de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálcu lo do crédito a ser descontado da Cofins nãocumulativa apurada. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. O frete pago na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, também gera direito a crédito a ser descontado da Cofins não cumulativa a purada27. No caso em exame, não há dúvidas de que o bem transportado (animais vivos para abate) é insumo (matériaprima essencial) da atividade industrial exercida pelo contribuinte (industrialização de carnes). Assim, com a devida vênia, não cabe a glosa mantida pela decisão recorrida, porque o valor dispendido com o transporte do insumo até o estabelecimento do fabricante integra o custo de aquisição da matériaprima, servindo, por conseguinte, de base para o cálculo do crédito. Incluemse no custo de transporte as despesas com combustível, pedágio e todas as demais discriminadas na tabela de fls. 526527, com exceção: (a) das peças de reposição e de manutenção, que são bens do ativo imobilizado, salvo quando apresentar vida útil inferior a um ano, o que não foi provado; e (b) aos honorários, não há especificação do que se tratam, porquanto, consoante discriminado nas tabelas de fls. 526/527, estão discriminadas apenas como “ serviços e honorários – PJ”. 3 Dos créditos sobre o valor do encargo de depreciação dos veículos pesados Entendese que, se os veículos pesados são empregadas no transporte do gado para abate do estabelecimento produtor até o fabricante integram o processo produtivo, que não se limita ao espeço físico da unidade industrial. Tanto é assim que, consoante destacado no item anterior, a legislação tributária prevê a inclusão dos valores dispendidos com o transporte da matériaprima no custo do insumo industrial. 24 Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006. Grifamos. 25 Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. 26 Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010. 27 Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006. No mesmo sentido: Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007. Fl. 673DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 32 Tal circunstância torna aplicável, com a devida vênia, a hipótese de creditamento prevista no inciso VI do art. 3° da Lei nº 10.833/2003: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005); Redação original: VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; O direito ao crédito, por sua vez, prevalece mesmo considerando que os veículos também são utilizados para o transporte do produto industrializado da planta industrial até o estabelecimento dos clientes, porque, consoante estabelece a Instrução Normativa SRF nº 457/2004, o crédito é calculado tendo por base os encargos de depreciação definidos pela Secretaria da Receita Federal: Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e [...] § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. Tais encargos são definidos de forma presumida, considerando condições médias de uso. Portanto, eventual desgaste adicional, decorrente do emprego do veículo na entrega dos produtos ao cliente, não afeta o cálculo do crédito. Por outro lado, o deferimento de taxa de depreciação superior à presumida deve se basear em laudo do Instituto Nacional de Tecnologia ou de outra entidade oficial de pesquisa (Lei nº 3.470/1958; Lei nº 4.506/1964), que estará sujeito a novo controle por parte da Administração Pública. Votase, assim, pelo provimento parcial do recurso voluntário, para fins de exclusão dos créditos presumidos do Fundopem/RS da base de cálculo da contribuição e de Fl. 674DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 3802000.475 S3TE02 Fl. 17 33 manutenção do direito ao crédito sobre despesas de transporte de insumo com frota própria e sobre o encargo de depreciação dos veículos pesados. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 675DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000311/2007-16
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CONSTRUÇÃO CIVIL
O contratante de serviços de construção civil responde
solidariamente com o contratado pelas contribuições destinadas à
Seguridade Social, nos termos do art 30, inciso VI da Lei n°
8.212/1991.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-01.367
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em nega provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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CCO2. CO6 (dri: 5 Eis. 165Magia de flama Ferreira r Metr. Slave 751883 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 12045.000311/2007-16 Recurso n° 147.030 Voluntário Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CONSTRUÇÃO CIVIL Acórdão n° 206-01.367 Sessão de 07 de outubro de 2008 Recorrente MAIA E BORBA LTDA E OUTROS Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA (RECEITA FEDERAL DO BRASIL) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CONSTRUÇÃO CIVIL O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o contratado pelas contribuições destinadas à Seguridade Social, nos termos do art 30, inciso VI da Lei n° 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado. 1(1. W° CC/MF - E cata Camaro i CONFERE COM OORIGINAL i Processo n° 12045.0003 11/2007-16 CCO2 CO6 Acórdão ri.° 206-01.367 13faullia, sy ri) .4ajtiI50 Á Els 166 41 o -- ..5, 15,1 Maria Is Fatima Gentis • • a al • Mau. Sina. 75niej ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em nega. •rovimento ao recurso. ill ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente illite‘í? ARIA BAN IRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 12045.000311/2007-16a rrie,* CCO206ff ' "atátNI O ORIGINIAL 167CO EisAcórdão n.° 206-01367 cC/. N FERE c° na. /934_ ja. Bras I ba, gni•Fne Maria ela mFaattirm. saiaFpe orreAlet arvalta Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O Relatório Fiscal informa que o presente lançamento é substitutivo de anterior anulado por decisão de primeira instância em 2002. O lançamento foi efetuado por solidariedade em razão da tomadora haver contratado empresa PISOTECH CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA para prestação de serviços de construção civil e não haver apresentado a documentação necessária para elidir a responsabilidade solidária. O salário de contribuição foi apurado mediante a aplicação de percentual sobre o montante do serviço contido na nota fiscal. A empresa prestadora foi cientificada quanto ao crédito lançado. A notificada apresentou defesa, após a qual foi emitido Relatório Fiscal Complementar para informar que pelo contrato firmado entre a tomadora e a prestadora o serviço seria de construção civil e por empreitada. O RFC ainda altera redação de subitens do Refisc original. Foi emitida informação fiscal, na qual é informado que as notas fiscais 129 e 133 englobavam material e mão-de-obra, portanto, o lançamento deveria ser retificado. A notificada efetuou aditamento à defesa alegando que nos serviços em que a auditoria fiscal verificou o fornecimento de material, na verdade, se trataria de fornecimento de concreto preparado que reduziria a base de cálculo para 3% do valor da nota. A prestadora apresentou declaração nesse sentido. Pela Decisão-Notificação n° 08.401.4/0200/2006, o lançamento foi considerado procedente em parte. A notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 147/158) onde alega nulidade absoluta da decisão recorrida que teria afirmado falsamente que o débito não foi lavrado exclusivamente contra o responsável solidário. Considera que faltou motivação, clareza e transparência no lançamento, uma vez que o auditor fiscal não esclareceu qual a natureza dos serviços prestados. Em contra-razões, a SRP manteve a decisão recorrida. É o relatório. 3 Processo n°12045.000311/2007-16-------2 tartaara CCOVC06• CIWIFAcórdão n.°206-01367 CONFERe "4" O ORIGINAL Eis 168 (G3 tzu, Marna Is Fátima Fet rara • 138 • 3 a' • Matv Siape 75/ Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta como preliminar a alegação de que a única responsável pelo presente lançamento seria a mesma. Não lhe assiste razão. O fato da ação fiscal ter se desenvolvido na recorrente, não significa que a prestadora de serviços não possa ser chamada à lide. Na folha de rosto da notificação, consta a recorrente como sujeito passivo e, em seguida, a expressão "e outro". Ademais, a prestadora foi intimada do lançamento e lhe foi concedido prazo para defesa que, se tivesse sido apresentada e com elementos suficientes a demonstrar a improcedência da notificação, o lançamento poderia ser desconstituido contra todos os responsáveis. A recorrente alega cerceamento de defesa pelo fato da autoridade fiscal ter preferido fiscalizar e constituir o crédito de forma indireta, com base em notas fiscais, exclusivamente no responsável solidário quando deveria fazê-lo no estabelecimento do contribuinte. Alega que não tem obrigação da manter documentação da contratada. Mais uma vez não assiste razão à recorrente. O lançamento foi efetuado pelo fato da recorrente haver contratado a prestadora de serviços e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais sejam, cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante. Os serviços prestados na área de construção civil quer seja por cessão de mão- de-obra, quer seja por empreitada, ensejam a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra aplicada, portanto, corretamente se aplica o instituto da solidariedade que no presente caso está definida no inciso VI do art. 30, da Lei n°8.212/91. "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: 4 F :aau Cornaram CONFERE C.C./10 0 ORIGINAL Processo n° 12045.000311/2007-16 CCO2,C06 Acórdão n.°206-01.367 araSIlia, 0 Fls. 169 Maeia de Fátima Ferreira e ara Matr. Siapo 751653 VI - o proprietário, o incorporador definido na Lei n°4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem." A não elaboração de folhas de pagamento específicas para cada tomador é obrigação tributária acessória definida no § 50 da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela MP n° 1.663-15/98, convertida na Lei n° 9.711/98, cujo descumprimento sujeita o prestador de serviços à lavratura de Auto de Infração. A apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é a forma que a tomadora tem de elidir-se de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do prestador de serviços porventura não recolhidas, cabendo salientar que em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos pela Autarquia, a tomadora deverá exigir também a comprovação de que a prestadora possui contabilidade formalizada. A intimação da prestadora de serviços efetuada no presente caso teve por objetivo oportunizar à mesma a manifestação e juntada de documentos que comprovassem a inexistência de contribuições previdenciárias pendentes de recolhimento, desonerando, conseqüentemente, a tomadora de serviços. Nada obsta que o fisco efetue o lançamento na tomadora de serviços que não demonstrou ter se elidido de tal responsabilidade, independente de prévio procedimento na prestadora. Se a tomadora não apresentou documentação suficiente a elidir a responsabilidade solidária para com a prestadora e esta não apresentou qualquer documento capaz de demonstrar que as contribuições foram devidamente recolhidas, o lançamento deve prevalecer. Ainda em sede de preliminar, a recorrente alega falta de motivação, clareza e transparência do lançamento por suposta ausência de elementos imprescindíveis ao lançamento por arbitramento. A alegação não merece acolhida. A utilização do procedimento de arbitramento está devidamente fundamentada e quanto aos percentuais aplicados, a SRP já reconheceu que deveria adequá-los aos tipos de serviços esclarecidos em sede de defesa. Não há qualquer ilegalidade no procedimento de solicitar diligência para esclarecimentos de questões suscitadas após a apresentação de defesa. 20 CC/me - Sexta CamaroCONIEERE com 0 ORIGINAL • Processo n° 12045.000311/2007-16 CCO2JC06 Acórdão n.°206-01.367 amaina. 2.1// dea, étron? Fls. 170 Maria de Fãtirnal Ferreira-- arv • mau. Siai* 7510e3 Por fim, cumpre dizer que o julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: "RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECL4L I 999/0023596-7 — Relator: Ministro Edson Vidigal — Quinta Turma — Julgamento em 01/06/1999 — Publicação em 28/06/1999 — DJ pág 150. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. I. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiu-se, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido." "REsp 767021 / 1V ; RECURSO ESPECIAL 2005/0117118-7 — Relator: Ministro JOSÉ DELGADO - PRIMEIRA TURMA — Julgamento em 16/08/2005 - DJ 12.09.2005 p. 258. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. I. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O não-acatamento das teses comidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declarató rios. não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instáncia especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no arestp a quo. (g.n)." 6 CC/Mr - ata Camara • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 12045.000311'2007-16 ot, CCOZ CO6 Acórdão n.° 206-01367 Erasilia gr/ r• s.!? Fls. 171 Maria dá Fátima Ferreira • • • • 0 Man. Slaut 7510e3 Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso da tomadora, REJEITAR PRELIMINARES e NEGAR-LHE PROVIMENTO. É COMO v010. Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2008 ARIA BAN IRA 7 r : — _
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006530/2002-12
Turma: Oitava Turma Especial
Câmara: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -IRPJ
Exercício: 1998
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA - Aplica-se a lei a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando esta lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, houve a supressão do dispositivo legal que previa a aplicação da multa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 198-00.018
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
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Numero do processo: 36906.000411/2003-08
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 29/05/1998
PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO DEVIDO. IMPOSSIBILIDADE.
I - A teor do disposto no art. 89 da Lei n° 8.212/91, somente
haverá a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas
indevidamente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 206-01.379
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO DEVIDO. IMPOSSIBILIDADE. I - A teor do disposto no art. 89 da Lei n° 8.212/91, somente haverá a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente. Recurso Voluntário Negado.de Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF.$EGIJNP')' Processo n°36906.000411/2003-OS Braatlia._1_,1 O 92_ CCO2C06 Acórdão n.°206-01379 4111 Ca(4—dà Fls. 27 Maria de FM . /tiaC.11i de Carvalho Mat. Siar 751683 ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente R* ' O' ELLIS PINTO R- a •r Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 36906.000411/2003-08 CCO2/C06 MF -SEGUNDO C"' c'./1r.l COMI-018f UNITS Acerd'Ao n.° 206-01.379 coNrEI1 t_ tn.,, O e""9” ..' Fls. 28 n Ii0. • • C Macia * Fási Felina cie Carvalho Relatório Mat. Siape 751683 Trata-se de recurso voluntário interposto pelo St ANTÔNIO LUIZ NEVES, contra Decisão exarada pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a qual negou seu pedido de restituição de contribuição previdenciárias, sob fundamento de que estas seriam devidas. Aduz o Recorrente que conforme reconhecido pela 7' Junta de Recurso do CRPS, o seu tempo de contribuinte em 19/12/1997 já era suficiente para sua aposentadoria, sendo que as contribuições recolhidas posteriormente a essa data seriam desnecessárias, requerendo, portanto, a sua restituição. A extinta SRP apresenta resposta ao recurso, onde requer a manutenção do seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO DE LELLIS PINTO, Relator Presentes todos os requisitos de admissibilidade do recurso interposto, passo a sua análise. Em que pese todos o esforço argtnnentativo demonstrado pelo ilustre subscritor da peça inconformista, não vejo que a decisão de 1° grau tenha sido proferida em desacordo com a legislação que o rege. Sem embargos, para se falar em restituição de qualquer tributo vertido ao Erário, deve restar inequívoco se tratar de recolhimentos indevidos, em qualquer de suas modalidades, é dizer, somente haverá obrigação do Fisco em restituir tributos pagos, se restar demonstrado que estes não seriam devidos por quem os suportou. Nesse sentido é a previsão do art. 89 da Lei n°8.212/91, que assim dispõe: "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social-INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido." (Redação dada pela Lei e 9.129, de 20/11/95). No caso dos autos, o recorrente alega que teria recolhido indevidamente contribuições sociais quando já possuía suficiente para aposentadoria, o que a seu ver as tomavam indevidas. Não obstante sua insurreição, não vejo como esta pode prosperai* 3 MF - SEGUNDO rú n DE mtmug, inseEs CONFER • fnr;TNAL Processo n°36906.000411/2003-OS Bruma. ._2„) CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01379 Fls. 29 Maus de Fid ateira de Carvalho Mat. Siape 7514113 Sem dúvida que tem razão o Recorrente no que tange os recolhimentos que pretende restituído serem em períodos onde já dispunha de tempo suficiente para aposentadoria. Contudo, tal fato em nada repercute no direito a restituição em questão, uma vez que a contagem do tempo de contribuição não se sobrepõe à vinculação do contribuinte ao Regime Geral da Previdência Social, é dizer, mesmo que tenha se aposentado, ou possua tempo para tanto, se exerce atividade remunerada ou que de alguma maneira o vincule ao RGPS, deve haver a respectiva contribuição. O fato de possuir tempo de serviço suficiente para aposentar-se irá apenas garantir-lhe acesso aos beneficios previdenciários com o qual contribuiu, mas não lhe assegurará direito à devolução de contribuições recolhidas posteriormente há este tempo, se não demonstrar que não exerceu qualquer atividade que o tenha vinculado ao RGPS. Para que não paire dúvidas sobre tal entendimento, vale trazer a baila o que nos diz o art. 12, § 4° da Lei n°8.212/91, que assim giza: "Art. 12: omissis 4° O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social - RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social." (Restabelecido com redação alterada pela Lei n° 9.032, de 28/04/95). É fato que o contribuinte ainda não estava aposentado, o que só veio a ocorrer posteriormente, mas de qualquer forma, tendo continuado a exercer atividade remunerada nos períodos referentes à restituição pretendida, as contribuições ora pleiteadas, são, de fato, devidas, não podendo ser deferida a sua restituição. Ante o exposto, voto de sentido de conhecer do Recurso, para NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação supra. Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2008 giS RO : r 15 LELLIS PNTO 4
score : 1.0
Numero do processo: 13896.901493/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2004
ERRO DE FATO. NÃO CONHECIMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
O erro de fato no preenchimento de declarações não possui o condão de gerar um impasse insuperável, entretanto, tratando-se de pedido de retificação de DCOMPs completamente alheias ao presente processo, que além de tudo reduzem o direito creditório do contribuinte já integralmente reconhecido pelo Despacho Decisório, não merece reforma o Acórdão Recorrido.
Numero da decisão: 1401-006.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negar provimento à preliminar de nulidade da decisão recorrida, mantendo suas razões pelos próprios fundamentos.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lucas Issa Halah - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: LUCAS ISSA HALAH
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 ERRO DE FATO. NÃO CONHECIMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. O erro de fato no preenchimento de declarações não possui o condão de gerar um impasse insuperável, entretanto, tratando-se de pedido de retificação de DCOMPs completamente alheias ao presente processo, que além de tudo reduzem o direito creditório do contribuinte já integralmente reconhecido pelo Despacho Decisório, não merece reforma o Acórdão Recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negar provimento à preliminar de nulidade da decisão recorrida, mantendo suas razões pelos próprios fundamentos. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah.
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NÃO CONHECIMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. O erro de fato no preenchimento de declarações não possui o condão de gerar um impasse insuperável, entretanto, tratando-se de pedido de retificação de DCOMPs completamente alheias ao presente processo, que além de tudo reduzem o direito creditório do contribuinte já integralmente reconhecido pelo Despacho Decisório, não merece reforma o Acórdão Recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negar provimento à preliminar de nulidade da decisão recorrida, mantendo suas razões pelos próprios fundamentos. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 14 93 /2 00 8- 77 Fl. 346DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.477 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901493/2008-77 Relatório Na origem, tratam-se de Declarações de Compensação (PER/Dcomp) por meio das quais o contribuinte pretendeu compensar os débitos informados utilizando-se de crédito de saldo negativo de IRPJ supostamente referente ao ano-calendário de 2003, no valor original de R$ 890.274,81. O PER/DCOMP com o demonstrativo do crédito é o de nº 30740.76823.220906.1.7.02-4748. O Despacho Decisório de fl.07 homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 41622.72732.010705.1.7.02-0723 e deixou de homologar as subsequentes, pois, muito embora tenha reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado, considerou-o insuficiente para quitar os débitos pretendidos pelo Contribuinte. Eis a lista das DCOMPs transmitidas e do resultado de sua análise: E, a seguir, a imagem do Despacho Decisório: Fl. 347DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.477 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901493/2008-77 Cientificado do Despacho Decisório pela via postal em 31/08/2009, o Contribuinte arguiu, em Manifestação de Inconformidade, ter cometido erro de fato, pois pretendia, nas DCOMPs em questão, ter se valido de Saldo Negativo de IRPJ do ano-calendário de 2004 (e não do ano-calendário de 2003), no montante de R$ 497.929,08, por ter sofrido retenções na fonte ao resgatar aplicações financeiras. Alega, portanto, ter incorrido em erro no preenchimento das DCOMPs, informando nelas estar utilizando Saldo Negativo do ano- calendário de 2003. O Acórdão Recorrido afirmou que o contribuinte teria de fato informado em suas declarações transmitidas à RFB ter apurando, no ano-calendário de 2004, Saldo Negativo de R$ 497.929,01, bem como que a DCOMP com demonstrativo de crédito nº 39072.09667.010705.1.7.02-4882 foi retificada pela de nº 42628.49989.220906.1.7.02-1356 justamente para corrigir o ano de origem do direito creditório e o valor do Saldo Negativo correspondente ao ano-calendário de 2004, qual seja, R$ 497.929,01. Entretanto, a DRJ entendeu que, não tendo havido retificação das demais DCOMPs, não seria possível neste momento fazê-lo, faltando-lhe competência para tanto, pois a retificação seria matéria de competência exclusiva do Delegado da Delegacia da Receita Federal, que, ainda assim, somente poderia exercê-la na hipótese de inexatidão material de declarações pendentes de decisão administrativa. Fl. 348DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.477 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901493/2008-77 Por isso, entendeu a DRJ, por bem, não conhecer da Manifestação de Inconformidade. Cientificado em 07/07/2016 (fls. 138), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 08/08/2016, tendo em vista que o 30º dia a partir da ciência seria computado a partir do dia 06/08/2016, um sábado, prorrogando-se termo final do prazo para o primeiro dia útil subsequente. Em suas razões recursais, defendeu que deveria ter sido conhecida a Manifestação de Inconformidade diante da possibilidade do reconhecimento do erro formal. Defendeu também a higidez do direito creditório. Afirma que o Acórdão Recorrido tratou a manifestação de inconformidade do Contribuinte como pedido de retificação das PER/DCOMPS não homologadas, enquanto o pleito não seria de retificação, mas de homologação das DCOMPs, sendo esta a sede processual adequada para tanto, especialmente tendo em conta que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, corporificado no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Sob esses fundamentos, requereu a anulação da decisão recorrida, determinando- se que outra fosse proferida, subsidiariamente, a conversão do julgamento em diligência e, ainda subsidiariamente, o provimento do presente Recurso a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas. Por fim, peticionou nestes autos informando e comprovando que tentou pleitear a revisão de ofício do Despacho Decisório, pedido este que foi indeferido por não observar as disposições do art. 2º da IN 1.608/2016. É o Relatório. Voto Conselheiro Lucas Issa Halah, Relator. 1. - Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF). No mais, o Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço parcialmente. Fl. 349DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.477 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901493/2008-77 2. – Direito O Acórdão Recorrido não conheceu da Manifestação de Inconformidade, deixando assim de analisar o erro de fato e o direito creditório pleiteado, por entender que o pedido do contribuinte era para retificação de DCOMP, o que fugiria à sua competência. No caso presente, não há qualquer indício de efetivo erro, dado que a defesa se calca em uma retificação de DCOMP alheia a estes autos que na realidade reduziria quase à metade o Saldo Negativo pleiteado e integralmente reconhecido, mas que foi insuficiente à compensação dos débitos em questão. Assim, de fato era o caso de não conhecimento do pleito, já que completamente impertinente ao presente processo e às DCOMPs a ele subjacentes. 3. – Dispositivo Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário para negar-lhe provimento quanto à preliminar de nulidade, mantendo o Acórdão Recorrido. (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah Fl. 350DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10730.723929/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 22/05/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3302-012.951
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios de omissão e contradição, sem efeitos infringentes, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.940, de 24 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10730.723564/2011-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Flávio José Passos Coelho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Walker Araujo, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Fabio Martins de Oliveira, Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Larissa Nunes Girard (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 22/05/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios de omissão e contradição, sem efeitos infringentes, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.940, de 24 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10730.723564/2011-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Walker Araujo, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Fabio Martins de Oliveira, Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Larissa Nunes Girard (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Larissa Nunes Girard.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 22/05/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada, impõe- se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios de omissão e contradição, sem efeitos infringentes, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.940, de 24 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10730.723564/2011-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Walker Araujo, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Fabio Martins de Oliveira, Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Larissa Nunes Girard (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Larissa Nunes Girard. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 39 29 /2 01 1- 81 Fl. 188DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.951 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.723929/2011-81 Trata o presente processo de impugnação aos Autos de Infração que exigem tributos, com multa de ofício e juros de mora, quais sejam Imposto de Importação-II; IPI; PIS Importação e Cofins Importação em razão do descumprimento das condições estabelecidas no regime aduaneiro especial de admissão temporária de bens acessórios, e objeto de Termo de Responsabilidade destinados a embarcação já admitida sob o regime especial Repetro. Vencido o prazo, foi concedida prorrogação e lavrado o TR. Consta da autuação que a empresa Maré Alta teria dado baixa somente no Termo de Responsabilidade referente à embarcação, uma vez que houve solicitação de alteração do beneficiário do regime para outra empresa, que registrou a DI e formalizou o TR, ambos com o valor igual da DI original do navio, portanto, sem consolidação do inventário, fazendo constar os bens acessórios somente do campo de dados complementares da DI. Como resultado da análise do processo pela DRJ foi negado provimento à Impugnação ao Auto de Infração. Irresignada com a decisão prolatada pela DRJ a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário por meio do qual reitera os argumentos já trazidos e submete a questão ao CARF, que manteve a decisão atacada. Foram opostos embargos declaratórios. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade. Os Embargos Declaratórios são tempestivos, foram recebidos por despacho decisório e a matéria é de competência deste Colegiado razão pela qual dele conheço. Mérito. O mérito dos Embargos Declaratórios consiste na análise dos seguintes capítulos adiante explorados: Omissão sobre a ausência de manifestação sobre a inclusão das DI dos bens acessórios na própria DI da embarcação Oil Vibrant (bem principal), sendo que a afirmação que a embargante não tomara providências em relação aos bens acessórios não corresponde à realidade dos fatos. A Recorrente insurge-se contra o fato de que o Acórdão afirmou que “Todavia, nada foi feito em relação aos bens acessórios e a fiscalização entendeu que em relação a eles o regime aduaneiro foi extinto.”, pois entende que no Recurso Voluntário restou alegado que os bens acessórios Fl. 189DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.951 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.723929/2011-81 foram devidamente informados nos dados complementares da DI do bem principal e que tal procedimento seria suficiente à transferência do regime. Aponta, portanto, uma omissão em relação a qual teria sido a providência adotada pela Embargante. Efetivamente há omissão em relação ao que efetivamente foi realizado pela Recorrente no sentido de suspender a exigibilidade dos tributos devidos pela internalização dos bens acessórios à embarcação. Quando o Acórdão recorrido mencionou que “... nada foi feito em relação aos bens acessórios...” admite-se que nada foi feito no sentido técnico de que trata a norma jurídica, ou seja, não foram praticados os atos que a norma jurídica determina como necessários. A Recorrente limitou-se a relacionar a DI nº 07/0136782-7 no campo de Dados Complementares da nova DI (nº 08/2023446-4 fls. 39 a 41). Não se olvida que a Recorrente praticou os referidos atos retratados nos autos, contudo o Colegiado entendeu que nenhum deles (nada do que foi feito) é suficiente para atender o comando legal. Contradição interna do acórdão que ora menciona que houve pedido de prorrogação do regime, ora menciona que houve nova admissão. A Recorrente aponta que houve contradição interna no Acórdão, uma vez que afirmou a existência de um novo regime de admissão temporária e uma prorrogação, o que são afirmações auto excludentes. Efetivamente o Acórdão mencionou que houve uma prorrogação e um novo regime. A “prorrogação do regime” que gerou a alegada contradição interna foi a de que trata o TR 3.028/07, até 29.10.2008, prorrogada em relação ao TR 2.738/06. Já o “novo regime” foi concedido pelo TR n. 17/09, no qual houve a alteração do beneficiário, gerando a controvérsia acerca do procedimento que deveria ser realizado em relação aos bens acessórios. Por estes motivos voto no sentido de que os presentes Embargos sejam conhecidos e os vícios sanados, sem efeitos infringentes. Fl. 190DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.951 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.723929/2011-81 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os embargos para sanar os vícios de omissão e contradição, sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Fl. 191DF CARF MF Original
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Numero do processo: 37318.006767/2006-82
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1995
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.347
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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'NAL es n {05 C9' CCOVC06 Fls. 317 Maria GIL Fátima ga Camelo Mat. Siapc 731643 4. A MINISTÉRIO DA FAZENDA a‘t SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 37318.006767/2006-82 Recurso u° 148.980 Voluntário Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CESSÃO DE MÃO DE OBRA Acórdão n° 206-01.347 Sessão de 05 de setembro de 2008 Recorrente JOHNSON & JOHNSON PRODUTOS PROFISSIONAIS LTDA. E OUTRO Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1995 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's rrs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ME- SEGUNDO Cf IN SELHO iu e UNI , t, JOu L11111 :...1 CONFERE COM O V, TONAL Is Processo n° 37318.006767/2006-82 BrasIl11_2 O — - - - .-- CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01347 Fls. 318 Maria de Fiuima F de CaratMo Mal. Siape 751683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadénc'a das contribuições apuradas. ELIAS SAMPAIO FREIRE President - \ it 4 , • k --- RYC • RD • tt.1 .• ' • 11 MAGALHÃES DE OLIVEIRAii Rel. or Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Ana Maria Bandeira, e Cleusa Vieira de Souza. 2 _ Processo n°37318.006767/200642 - SECUNDO CONSELHO OE CONTRIBUINTES CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.347 COP. COM OMINAI. Fls. 319 Braina,ilk ' Lfrw___(1/4) Maris de Fatiam te..ara de Carvidho Relatório Mai Siam 75160 JOHNSON & JOHNSON PRODUTOS PROFISSIONAIS LTDA. E OUTRO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em São José dos Campos/SP, DN n°21.437.4/0270/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31 da Lei n° 8.212/91 (redação original), correspondentes à parte dos empregados, da empresa e as destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho - SAT (antes de 06/1997), incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra cedida pela empresa SISTEMA ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA., para prestação de serviços de construção civil, em relação ao período de 05/1995 a 12/1995 conforme Relatório Fiscal, às fls. 31/34. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 22/12/2005, contra a contribuinte acima' identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 42.649,82 (Quarenta e dois mil, seiscentos e quarenta e nove reais e oitenta e dois centavos). De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização os documentos necessários à elisão de sua responsabilidade solidária, mais precisamente quanto à comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos serviços de construção civil prestados mediante cessão de mão-de-obra pela empresa SISTEMA ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, utilizando-se o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total dos serviços prestados contidos nas Notas Fiscais, Faturas ou Recibos. Cumpre observar que a empresa prestadora de serviços fora devidamente intimada da lavratura da presente notificação fiscal, conforme se depreende do Aviso de Recebimento-AR, às fls. 142. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 184/199, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei n° 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 173, do CTN. Em defesa de sua pretensão, traz à colação jurisprudência a propósito da matéria. 3 Jr • SEUCIJONNDOFERCDE CNOS:,titrorp13€ CONTRISCWITES BmW 5.11 O , Processo n° 37318.006767/2006-82 CCO2/C06 Acórdão n, 206-01347 à Fls. 320 Mitie de FálifIn Feri I„ Mal. S 75,683 — Requer a nulidade do lançamento, alegando que a fiscalização deixou de verificar primeiramente, junto à prestadora dos serviços, a existência dos créditos previdenciários ora lançados, sendo, dessa forma, irregular sua constituição. Aduz que o crédito previdenciário deveria ter sido lançado contra a empresa prestadora de serviços, contribuinte originário e responsável pelo cumprimento da obrigação tributária acessória, respondendo a recorrente tão somente pela dívida tributária já constituída. Após tecer comentários a respeito do responsável solidário e do devedor, entendendo por distintos os dois, conclui que a responsabilidade da recorrente é subsidiária. Assim, somente poderia responsabilizar o contratante dos serviços se e quando o pagamento da contribuição previdenciária não houver sido efetuado pelo prestador, sujeito passivo direto do tributo em comento, impondo seja declarada a nulidade do feito. Contrapõe-se ao lançamento, asseverando que deveria o INSS ao constituir o crédito previdenciário, sobretudo por se tratar de responsabilidade solidária, promover o cruzamento de informações sistematizadas objetivando verificar de forma evidente o não recolhimento das contribuições objeto da notificação, acostando-se tais informes aos autos e dando ciência às partes, no intuito de evitar a duplicidade da cobrança das contribuições ora lançadas. Insurge-se contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a fiscalização, ao promover o presente lançamento, deixou de considerar os documentos ofertados pela contribuinte durante a ação fiscal, os quais seriam capazes de comprovar a sua regularidade fiscal, especialmente as Guias de Recolhimento acostadas aos autos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tomando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A empresa prestadora de serviços, SISTEMA ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA., igualmente, apresentou seu recurso voluntário, às fls. 246/257, lançando praticamente as mesmas assertivas da contratante, além de se insurgir contra o arbitramento levado a efeito na constituição do crédito previdenciário, propugnando pela decretação da insubsistência da notificação fiscal. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 312/315, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e efetuado o depósito recursal, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo à análise das alegações recursais. 4 - .• 1ann ns ti, • • • 1 C, nn 14 , Processo n°37318.006767/2006-82 CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.347 if 0 Ira Fls. 321 ara DE DECADÊNC Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 40, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45, da Lei n° 8.212/91, por considerá-lo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; " Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Com mais especificidade, o artigo 150, § 4 0, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 11-1 § 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. 5 .GEORM • "";..110 C"H CO N %lia C Z:ki. 4, "1 inrNAL Processo n°37318.006767/2006-82 &tugia, ' _ • 11 - CCO2JC06 Acórdão n.°206-01.347 eir RÁA,) 1 Fls. 322 M.flít de i'átntimi 4:ctra de Cionlho Mia - 711:44 Primeiramente destaca-sé-O lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfun, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme se extrai de recentes decisões de nossos Tribunais Superiores, uma das quais com sua ementa abaixo transcrita: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARA TÓRIA. IMPRESCRITIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL PARÁ O LANÇAMENTO. INCONSTITUCIONAL IDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8212. DE 1991. OFENSA AO ART. 146, HL B, DA CONSTITUIÇÃO. 11-1 2. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no artigo 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social." (AgRg no Recurso Especial n° 616.348 - MG - vi Turma do STJ, Acórdão publicado em 14/02/2005 - Unânime). Mais a mais, a Constituição Federal, em seu artigo 146, é por demais enfática, clara e objetiva ao disciplinar a matéria, estabelecendo que obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários são matérias reservadas à Lei Complementar: "Art. 146. Cabe à Lei complementar: III 11-1 - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;" Nesse diapasão, não faz o menor sentido prevalecer o prazo decadencial inscrito no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, por tratar-se de lei ordinária e a matéria necessitar de lei 6 MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUI/MS CONFV4F COM o co7tOrNIAL Pas. ° Processo n°37318006767/2006-82 Bisa Cl .006767/2006-82 , • CCO2/C06 Acórdão ri.° 206-01347 tri # I Fls. 323 Maria de Fátima Fer ira de Cantão Met Spc 731683 complementar para sua regulamentação, sob pena de se ferir flagrantemente a Constituição Federal. Em verdade, o instituto da decadência, bem como da prescrição, devem sei- aplicados obedecendo ao prazo qüinqüenal do Código Tributário Nacional, por se tratar de lei complementar, estando em perfeita consonância com nossa Carta Magna. Dito isso, aplicando-se o prazo decadencial do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, qual seja, 10 (dez) anos, nos quedamos aos ditames de uma norma hierarquicamente inferior (lei ordinária) sobre o que define outra superior (lei complementar), o que é absolutamente repudiado por nosso ordenamento jurídico, sobretudo quando a Constituição Federal estabelece que referida matéria deve ser disciplinada por lei complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a qual para aprovação necessita de quorum qualificado, diferente da lei ordinária. Deve-se frisar, ainda, que o entendimento de que a Lei n° 8.212/91, por ser lei especial, deve sobrepor ao CTN (norma geral) também não tem o condão de prosperar. A norma geral serve justamente como base, para nortear, todas as outras normas especiais, não podendo estas se contraporem ao que delimita àquela, especialmente quando a matéria está reservada a lei complementar por força da Constituição Federal, tendo em vista a hierarquia formal, hipótese que se amolda ao presente caso. Se assim não fosse, de que serviriam as normas gerais, se a qualquer momento pudessem ser revogadas por leis especiais hierarquicamente inferiores. Observe-se que o principio da especialidade poderá ser aplicado quando duas leis hierarquicamente iguais se contraporem, por exemplo, duas leis ordinárias, ou quando a matéria não for reservada constitucionalmente a lei complementar, e estiver prevista concomitantemente nesta última e em lei ordinária, o que não se vislumbra na hipótese vertente. A sujeição das contribuições previdenciárias às normas gerais de direito tributário já foi chancelada em diversas oportunidades por nossos Tribunais Superiores e corroborada pela doutrina, conforme se extrai do excerto da obra DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL, de autoria de Leandro Paulsen e Simone Barbisan Fortes, nos seguintes termos: "As Contribuições especiais, dentre as quais as contribuições de seguridade social, por configurarem tributo, sujeitam-se, ainda, às normas gerais de direito tributário que estão sob a reserva de lei complementar (art. 146, IH, da CF). O STF, em novembro de 2003, mais uma vez reafirmou este entendimento, conforme se vê da explicação de voto do Min. Carlos Velloso: [..] as contribuições estão sujeitas, hoje, à lei complementar de normas gerais (C.F., art. 143, III). Antes da Constituição de 1988, a discussão era extensa...Então, o que fez o constituinte de 1988? Acabou com as discussões, estabelecendo que às contribuições _qplica-se a lei complementar de normas gerais, vale dizer, aplica-se o Códiizo Tributário nacional, especialmente. no que diz respeito à obriPacão. lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (C.F., art. 146 inciso II! N . e quanto aos impostos, a lei complementar definiria 7 hif -SEGUNDO COmRELItO DE CONTRIBUINTES'I CONM'0 (.) ermi v Processo n°37318.006767/2006-82 Bniallis,__ CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.347 F. 324 Maris de a t": u. Cu' nabo 1.13a *Ire 7311.83 os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes (CF, art. 146, 114 a). (S7'F, 1W 396.266-3/SC, nov/2003). 1...1 As contribuições sujeitam-se às normas gerais de direito tributários estabelecidos pelo Livro II do CTN (art. 96 em diante), do que são exemplo o modo de constituição do crédito tributário, as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, os prazos decadencial e prescricional e as normas atinentes à certificação da situação do contribuinte perante o Fisco. H" (Direito da Seguridade Social: prestações e custeio da previdência, assistência e saúde — Simone Barbisan Fortes, Leandro Paulsen — Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2005, págs. 356/358) (grifamos). Ademais, ao admitirmos o prazo decadencial inscrito na Lei n° 8.212/91, estamos fazendo letra morta da nossa Constituição Federal e bem assim do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, foi entendimento da Egrégia Primeira Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça que, ao analisar o Recurso Especial n°616.348, em 15/08/2007, decidiu por unanimidade de votos declarar a inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, senão vejamos: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. I. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146. III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." Como se observa, a decisão encimada espelha a farta e mansa jurisprudência judicial a propósito da matéria, impondo seja aplicado o prazo decadencial inscrito no CTN, igualmente, para as contribuições previdenciárias. Aliás, esse sempre foi o posicionamento deste Conselheiro que, somente não admitia o prazo qüinqüenal para as contribuições previdenciárias em virtude do disposto na Súmula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, a qual determina ser defeso ao julgador administrativo afastar a aplicação de legislação vigente a pretexto de inconstitucionalidade. 8 .. • 1 vitu y. ,., . . rs-1 nu cowntintrairFs L Ofj. • i '. 1).'"14-init4A1 i 1 II 4 • .' L einglia.--j-i Cl asek• ,_ . Processo n" 37318.006767/2006-82 CCO2/036 Acórdão n.° 206-01347 IIIIIIW Fls. 325 I ;14ariei de how,. ll'il- •:fue CarWito ' mies .. 'leis» , Entrementes, após melhor estudo a respeito do tema, levando-se em consideração os recentes julgados da 1* Turma da CSRF, concluímos que o fato de afastar os ditames do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, aplicando-se os artigos 150, § 4 0, ou 173 (no caso de fraude comprovada) do CTN, não implica dizer que estar-se-ia declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal daquela lei ordinária. Com efeito, se assim o fosse, ao admitir o prazo estipulado no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, em detrimento ao disposto nos artigos 150, § 4 0, e 173, do CTN, igualmente, estaríamos declarando a inconstinicionalidade dessas últimas normas legais. No entanto, após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's rt's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. "Súmula n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos dou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacífica e doutrina majoritária. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 22/12/2005, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto do processo, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 04/1995 a 12/1995, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAR-LHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das Sessõe em 05 de setembro de 2008 i 111.4P)1 do AI_ ffi.„,._,... MÁ 44.,k) RYCARDO fpt • GALHÃES DE OLIVEIRA , ! 1 \ 9
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