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Numero do processo: 13808.001246/2002-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61)
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 364.799,09. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 12 46 /2 00 2- 25 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 541 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61) Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 364.799,09. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/SPOII/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 24/06/2002, o Auto de Infração de fls. 331/333, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 329/330, que lhe exige crédito tributário no montante de R$609.545,75, correspondente ao imposto (R$268.415,94), multa proporcional (R$201.311,95) e juros de mora (R$139.817,86, calculados até 31/05/2002), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 1999, anocalendário 1998. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 542 3 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 332/333), o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, junto ao Unibanco — União de Bancos Brasileiros SA e Banco Bradesco SA cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme Termo de Verificação anexo. (...) Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 324/328). Cientificado do lançamento em foco, por via postal (AR com carimbo da unidade de destino em 24/06/2002 fl. 338), a interessada apresentou, em 24/07/2002, por intermédio de sua representante legal (fl. 344), a impugnação de fls. 339/343, instruída com os documentos de fls. 344/354, aduzindo o que se segue. Por um lapso, não entregou a declaração de imposto de renda referente ao anobase 1998, exercício 1999. Mas a falta de entrega de tal declaração não gera qualquer prejuízo ao fisco ou suscita indício de omissão de rendimentos, visto que são rendimentos isentos e não tributáveis no Brasil, já que a impugnante é viúva e o único rendimento que recebe é proveniente da indenização pela morte de seu marido, paga pela empresa para qual laborava quando residente na Argentina, chamado Plano de Seguro por morte. O único rendimento recebido pela impugnante é a aludida indenização paga pela empresa na Argentina e, também, os rendimentos decorrentes da aplicação no mercado financeiro desses recursos recebidos regularmente do exterior, que se operacionalizararn por meio de operação de câmbio com expressa aprovação do Banco Central do Brasil. Além do mais, a legislação fiscal brasileira trata como isentos os rendimentos provenientes de seguros ou pecúlios pagos por morte do segurado, conforme disciplina o inciso XLIII do art. 39 do RIR11999. Além da aludida disposição legal interna, há que se observar, ainda, a existência entre Brasil e Argentina do Tratado Internacional visando evitar a bitributação da renda e a manutenção da natureza jurídica da renda percebida nos dois países. O citado tratado foi aprovado pelo Decreto Legislativo 74/81 e regulamentado pelo Decreto 87.976/82, Portaria 22/83 e ADN 6/90. Assim, os rendimentos auferidos em um país contratante do Tratado Internacional é isenta de tributação no outro país Fl. 542DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 543 4 contratante do mesmo tratado, respeitandose a natureza jurídica dada ao rendimento pelo país onde o mesmo foi auferido. Resta induvidoso que a integralidade dos rendimentos recebidos pela impugnante de fontes estrangeiras tem natureza tributária de rendimento isento, pelo que, indevido o lançamento de imposto de renda sobre referido montante. Quanto à existência de alienação de imóvel no anocalendário de 1998 pela impugnante, decorrente de informação constante da DOI, esclarece que houve uma permuta entre imóveis. O imóvel de propriedade da impugnante localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo, foi dado como parte de pagamento na aquisição do imóvel na R.Bela Cintra, 2349 — apt° 61 — São Paulo. Dita alienação não gerou qualquer tipo de lucro imobiliário para a impugnante, ensejador do pagamento de imposto sobre ganho de capital. Apresenta a declaração de ajuste anual, incluindo como rendimentos isentos e não tributáveis o valor de R$991.767,07, por terem sido determinados pela autoridade fiscal, no que se aplica o art. 149, inciso II, do CTN e junta a guia DARF do recolhimento da multa por atraso na entrega da declaração, de R$165,74. Por fim, protesta pelo prazo de 30 dias para a juntada dos documentos provenientes da empresa do exterior 'com a finalidade de comprovar a origem e natureza jurídica dos rendimentos recebidos e do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda para a comprovação da permuta entre imóveis ocorrida, sem que houvesse lucro imobiliário. Requer, após a juntada dos elementos de prova pertinentes, que a presente impugnação seja julgada procedente, cancelandose o lançamento decorrente do auto de infração. Em 23/08/2002, a representante legal da impugnante, mediante petição de fls. 358/360, protocolou documentos comprobatórios da inexistência de lucro imobiliário na alienação do imóvel localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932— apt° 151 (fls. 361/384). Em 22/08/2003, a impugnante, por intermédio de sua procuradora, apresentou os esclarecimentos (fls. 395/399) e documentos relativos à movimentação de quantias em sua conta corrente, aduzindo que: I — Do rendimento recebido da Argentina A contribuinte recebe mensalmente valores provenientes da empresa Du Pont localizada na Argentina por ocasião da morte de seu marido, o qual trabalhava para a mencionada empresa até seu falecimento. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 544 5 Tais rendimentos são decorrentes de pagamentos efetuados pela empresa estrangeira para a contribuinte, em razão de sua condição de cônjuge supérstite de um de seus funcionários, por força da existência de plano de pensão (seguro por morte) mantido pela empresa no qual consta como beneficiária a contribuinte em questão. Os valores referentes ao plano de pensão são remetidos mensalmente da Argentina para o Brasil através de operação de câmbio autorizada pelo Banco Central do Brasil, consoante comprovantes de fechamento de câmbio realizados em 1998 (doc. 01). Junta também declaração da empresa Du Pont Argentina SA (doc. 02), devidamente consularizada e traduzida por tradutor juramentado, que demonstra o rendimento bruto percebido pela contribuinte por conta do plano de pensão, bem como o valor retido a título de imposto de renda e o valor líquido remetido para o Brasil (expresso em dólares americanos), o qual é igual ao valor declarado nos contratos de câmbio. Por força do acordo, os rendimentos provenientes da Argentina que já sofreram tributação nesse país (país de origem), são considerados isentos pelo seu valor líquido no Brasil (país de residência do beneficiário), devendo ser informados na declaração de rendimentos apresentada nesse último país. Consoante documentos apresentados, a contribuinte recebeu da empresa da Argentina, durante o anocalendário 1998, Ô valor de R$506.474,99, os quais constituem rendimentos isentos e não tributáveis no Brasil, por força da aplicação do Tratado Internacional e, também, por já haverem sido tributados pelo imposto de renda argentino. Portanto, resta claro que tais valores não são passíveis de tributação no Brasil; conseqüentemente, imperiosa se faz a exclusão dos valores citados. II— Da transação imobiliária No anocalendário de 1998 ocorreram duas operações imobiliárias efetuadas pela contribuinte. A primeira consistiu na alienação do apartamento n° 151 do Edifico Mediterrannée, localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo, para o Sr. Luiz Fernando Ferrari Neto, CPF 236.013.02853 e Sr' Maria Jandira Loconte Ferrari, CPF 051.204.01848, pelo valor de R$500.000,00, a serem pagos (i) R$200.000,00 no ato de assinatura do Compromisso de Compra e Venda — 13/01/1998, e (ii) R$300.000,00 através de quitação de nota promissória. Referido apartamento estava devidamente informado na declaração de bens da contribuinte, por seu valor de aquisição de R$575.000,00. Valor este que pode ser comprovado por meio Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 545 6 da Certidão de Registro do imóvel de matrícula n° 43370, demonstrando que não houve ganho de capital nessa operação. A outra operação imobiliária diz respeito à aquisição pela contribuinte do apartamento n° 61 no Edifício Mansão Jardim Europa, R. Bela Cintra, 2349 — São Paulo; pelo valor de R$850.000,00, conforme Certidão de Registro do imóvel de matrícula 71170 (doc. 04). A contribuinte utilizou os créditos a serem recebidos pela alienação do apartamento da Al. Ministro Rocha Azevedo para compor o valor pago ao apartamento adquirido na R. Bela Cintra, procedimento este registrado em Instrumento Particular de Cessão de Créditos. Tal procedimento comprova a origem dos R$300.000,00 depositados e sacados da conta corrente que a contribuinte possuía no Banco Bradesco, posto que tanto o Instrumento Particular de Compra e Venda do imóvel da Al. Ministro Rocha Azevedo como o Instrumento Particular de Cessão de Créditos dispõem que esse valor referente à alienação do imóvel pela contribuinte seria quitado através de resgate de nota promissória. Assim, o valor apontado pela Receita Federal constitui tão somente parcela do pagamento efetuado pela aquisição de imóvel de propriedade da contribuinte (Al. Mi. Rocha Azevedo) e, automaticamente convertido em pagamento do imóvel adquirido pela contribuinte (Rua Bela Cintra), restando comprovada a origem e o destino desse valor. III — Conclusão Diante do exposto, necessária se faz a exclusão dos valores de (i) R$506.474,99, referentes ao plano de pensão recebido pela contribuinte da empresa Du Pont Argentina SA, os quais são rendimentos isentos e não tributáveis pelas razões já apontadas; (ii) R$300.000,00, referentes a parcela de pagamento efetuado pelo adquirente de imóvel de propriedade da contribuinte, o qual não gerou ganho de capital, e utilizados para aquisição de novo imóvel pela contribuinte.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 449/461, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas 'de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante Fl. 545DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 546 7 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo à contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas e hábeis é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Os créditos decorrentes de recebimentos de rendimentos do exterior devem ser excluídos da base de cálculo presumida, de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, pois que submetidos às normas de tributação específicas, previstas na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificada daquele Acórdão, a interessada, representada por sua advogada (fl. 32), interpôs o recurso de fls. 470/480, no qual, em síntese, requer a exclusão dos valores a seguir apontados e amplamente comprovados através dos documentos ora anexados, do crédito de R$ 478.230,54 (R$ 129.274,74 de principal, R$ 67.869,23 de multa e R$ 281.086,57 de juros.) mantido pela decisão recorrida, considerando como rendimento isento a quantia de R$ 300.000,00 referente a venda de apartamento e R$ 185.799,09 referente a diferença no cálculo dos rendimentos no exterior e valores de rendimentos. Conforme Resolução de fls. 531/539, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento da apuração de omissão de rendimentos, no montante de R$ 991.767,07, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada em que a fiscalização se valeu de RMF para obtenção de informações bancárias do contribuinte. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 547 8 Ratificando decisões reiteradas desta Turma Julgadora, rejeito a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, que foi vencido quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. De acordo com o entendimento do STJ no julgamento de recurso especial Resp n° 1.134.665SP, tramitado sob o procedimento dos recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.2001, como preconiza a Lei Complementar nº 105/01, sem o crivo do Judiciário, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, como a Lei nº 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Assim, até que o STF decida a questão de forma definitiva, o entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62 A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No que tange à exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Essa presunção em favor do Fisco transfere ao Contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, da origem dos recursos. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do Recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 548 9 A decisão recorrida cancelou a parcela de R$ 505.967,98 referente aos créditos cujos recursos teve a origem em pagamentos efetuados pela Du Pont Argentina SA no anocalendário de 1998 e transferidos para o Brasil. Entretanto, rejeitou, a justificativa da Impugnante no sentido de que o valor de R$300.000,00, creditado com histórico de "Estorno Lançamento POUP", em 16/04/1998, na conta corrente 8308216P, Agência 01341, do Banco Bradesco SA, referese à parcela de pagamento efetuado pelo adquirente de imóvel de propriedade da contribuinte, pois, consoante exame dos documentos juntados aos autos, concluiu que tanto o pagamento do sinal de R$200.000,00, quanto da parcela única de R$300.000,00 pelo Anuente Devedor, Sr. Luiz Fernando Ferrari Neto e sua mulher Maria Jandira Loconte Ferrari, devido em razão da compra do apartamento 151, sito à Al Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo/SP, foi realizado diretamente à Cessionária (INPARIncorporações e Participações Ltda), não transitou pela conta corrente da alienante do imóvel, Sra Nancy Beatriz Alonso de Rosas, conforme cessão de créditos realizada por Instrumento Particular (fls. 378/381). Em sede de recurso, foi apresentado, à fl. 525, o comprovante de depósito (Débito por Teleprocessamento) no qual foi identificado Sr. Luiz Fernando Ferrari Neto como o depositante da quantia de R$ 300.000,00 em 16/04/1998. Com a identificação do depositante, entendo que foi comprovada a origem do referido depósito, razão pela qual não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, cabe à autoridade lançadora implementar o disposto no §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de fazer um novo lançamento. Nessa linha de raciocínio, também decidiu, por unanimidade, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, conforme Acórdão 22010001.801, julgado na sessão de 16 de agosto de 2012, que foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999, 2000, 2001 Ementa: CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA DEFESA NULIDADE Não há que se falar em preterição do direito de defesa se o contribuinte não faz prova dos fatos que o impediram de contestar as acusações que lhe foram imputadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” (Súmula CARF n. 26) OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO– Não cabe o Fl. 548DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 549 10 lançamento com base no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, quando claramente identificado o depositante, devendo ser aplicada a tributação específica aplicável ao tipo de rendimento, se for o caso. Por fim, é de se observar o comando existente no parágrafo 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Dos citados dispositivos inferese que, no caso de pessoas físicas, não se admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual inferiores a R$12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$80.000,00, no anocalendário, sendo, inclusive, este o teor da Súmula CARF nº 61, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). Assim, também deve ser cancelada a omissão de rendimentos correspondente aos créditos bancários de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 e cujo somatório é de R$ 64.799,09. Por falta de comprovação, deve ser mantida a tributação dos depósitos bancários abaixo relacionados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996: DEPÓSITO DE R$ 15.000,00 realizado em 26/02/1998 DEPÓSITO DE R$ 15.000,00 realizado em 26/02/1998 DEPÓSITO DE R$ 61.000,00 realizado em 22/09/1998 DEPÓSITO DE R$ 30.000,00 realizado em 09/12/1998 Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 364.799,09. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/200225 Acórdão n.º 2801003.672 S2TE01 Fl. 550 11 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 14485.000410/2007-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 19/09/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 04 10 /2 00 7- 44 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 19/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório AJINOMOTO INTERAMERICANA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.095.5684, em 15/08/2007, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte destinada a Terceiros (SalárioEducação), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim considerada a importância concedida a título de Participação nos Resultados em desconformidade com a legislação de regência, em relação ao período de 12/2000 a 07/2006 (intermitente), conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 44/50, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 12a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1615.738/2007, às fls. 1.157/1.173, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 19/08/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 230100.548, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2006 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.573 3 disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS No que se refere à participação nos lucros, o que se exige é que o termo acordado traga previsão de regas e critérios, e até mesmo metas de conhecimento dos trabalhadores. É bem verdade que essas regras e esses critérios podem, numa avaliação pessoal, serem considerados como não sendo ideais para implementação de um programa de distribuição de lucros. Contudo, o que não se pode aceitar é que essa avaliação pessoal por parte do fisco se contraponha à vontade das partes externada no instrumento de negociação ferindo sua autonomia, contrariando assim o que a regulamentação da participação nos lucros mais valoriza, venha a ser pretexto para a desqualificação da natureza de um beneficio. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 1.403/1.412, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Suscita, que o decisório combatido afronta, ainda, a legislação de regência, notadamente as regras inscritas nos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91. Em defesa de sua pretensão, sustenta que o Acórdão n° 240100.276, ora adotado como paradigma, firmou entendimento no sentido de que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, enquanto no decisório recorrido entendeuse que a legislação regulamentadora da Participação nos Lucros e Resultados não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro seja concretizada após a sua efetivação, devendo apenas proceder ao pagamento, mas não necessariamente ao avento do lucro obtido. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto não ter havido negociação entre as partes, deixando a empresa de comprovar a escolha através de eleições, dos representantes dos empregados para participar Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 da comissão, não cumprindo desta forma, o disposto no inciso I do artigo 2o do mencionado diploma legal. Sustenta que a ausência de atas de eleição da comissão de empregados e das reuniões para elaboração do acordo do PPR demonstra não ter existido qualquer modalidade de negociação de aludido programa, não havendo nenhum ajuste prévio entre empresa e empregados, conforme determina a legislação pertinente. Defende que a conduta utilizada pela contribuinte distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizarse o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. Assevera que a interpretação teleológica das normas que regulamentam a matéria nos conduz à conclusão de que o trabalhador deve ter conhecimento dos critérios e condições para recebimento da PLR anteriormente ao período aquisitivo, sobretudo em face da exigência de fixação prévia das regras, metas ou mecanismos de aferição, sob pena, inclusive, de malferir os preceitos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91. Traz à colação os dispositivos legais que regulamentam a matéria, concluindo que a contribuinte não observou cumulativamente os pressupostos para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados aos seus funcionários, de maneira a excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, consoante restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação, especialmente quanto à necessidade de acordo prévio ao exercício e inexistência de regras previamente ajustas. Dessa forma, tendo sido fornecida participação nos lucros e resultados da empresa aos seus funcionários em desconformidade com as normas legais que disciplinam a matéria, não há se falar na imunidade contemplada pela Constituição Federal, bem como no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, devendo ser restabelecida a exigência fiscal na forma lançada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, qual seja, a necessidade de acordo prévio para fins de não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, conforme Despacho n° 2300077/2011, às fls. 1.424/1.425. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.429/1.445, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, mormente quando inobservados os pressupostos para conhecimento da peça recursal. É o Relatório. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.574 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese contribuições previdenciárias concernentes à parte destinada a Terceiros (SalárioEducação), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim consideradas as importâncias concedidas a título de Participação nos Lucros e Resultados pretensamente em contrariedade à legislação de regência, em relação ao período de 12/2000 a 07/2006 (intermitente). Com mais especificidade, em suma, entendeu a autoridade lançadora que tais verbas foram pagas em desconformidade à legislação de regência, especialmente a Lei nº 10.101/2000, diante das seguintes considerações: 1) Ausência de comprovação de negociação entre as partes, ou seja, ajuste prévio entre a empresa e empregados, malferindo o disposto no caput do artigo 2o, da Lei n° 10.101/2000; 2) Parte dos Acordos assinados posteriormente ao início do período de aferição dos resultados, ficando evidente que os empregados da matriz desconheciam as regras para concessão da PLR durante os primeiros meses de vigência do acordo; 3) Inexistência de regras claras e objetivas, passíveis de mensuração e acompanhamento; 4) Ausência de acordo para os empregados ocupantes de cargos de gerentes no estabelecimento MATRIZ; Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência total do feito, acolhendo a tese da não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas pela empresa aos segurados empregados a título de Participação nos Resultados, nos termos da legislação de regência, razão do insurgimento da Procuradoria nesta oportunidade. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu a jurisprudência consolidada neste Colegiado, bem como o regramento específico de tal verba, mais precisamente os artigos 2o e 3o da Lei n° 10.101/2000, impondo seja conhecida a peça recursal, uma vez comprovada à divergência arguida. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 A fazer prevalecer sua tese, sustenta que Acórdão n° 240100.276, ora adotado como paradigma, firmou entendimento no sentido de que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, enquanto no decisório recorrido entendeuse que a legislação regulamentadora da Participação nos Lucros e Resultados não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro seja concretizada após a sua efetivação, devendo apenas proceder ao pagamento, mas não necessariamente ao avento do lucro obtido. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto não ter havido negociação entre as partes, deixando a empresa de comprovar a escolha através de eleições, dos representantes dos empregados para participar da comissão, não cumprindo desta forma, o disposto no inciso I do artigo 2o do mencionado diploma legal. Assevera que a ausência de atas de eleição da comissão de empregados e das reuniões para elaboração do acordo do PPR demonstra não ter existido qualquer modalidade de negociação de aludido programa, não havendo nenhum ajuste prévio entre empresa e empregados, conforme determina a legislação pertinente. Defende que a conduta utilizada pela contribuinte distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizarse o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. Dessa forma, tendo sido fornecida participação nos lucros e resultados da empresa aos seus funcionários em desconformidade com as normas legais que disciplinam a matéria, não há se falar na imunidade contemplada pela Constituição Federal, bem como no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, devendo ser restabelecida a exigência fiscal na forma lançada. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. De início, convém registrar que o insurgimento da Fazenda Nacional repousa, em síntese, no fato de os acordos terem sido formalizados após o início do anobase, trazendo a colação Acórdão paradigma que afasta a imunidade de aludida verba em situação idêntica, razão do conhecimento da peça recursal. Relativamente às demais alegação da recorrente, no sentido da ausência de tratativas do acordo ou mesmo da comprovação da escolha através de eleições, dos representantes dos empregados para participar da comissão, não contemplaremos em nosso voto, tendo em vista não haver sido indicado paradigma para amparar a pretensão da Fazenda Nacional, razão pela qual, inclusive, sequer fora objeto de análise por ocasião do conhecimento preliminar da peça recursal por parte do Presidente da Turma recorrida, que tratou o insurgimento da Procuradoria exclusivamente no que pertine a necessidade de acordo prévio. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.575 7 A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.576 9 a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. Atualmente, a Lei n° 10.101/2000 se apresenta com algumas alterações introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de contemplar em razão de não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido Diploma Legal. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Na hipótese vertente, passando à análise das razões do lançamento, rechaçados todos os fundamentos da pretensão fiscal pelo Acórdão recorrido, a nobre Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Procuradoria entendeu por bem insurgirse exclusivamente quanto à necessidade de acordo prévio no Programa de Participação nos Lucros e Resultados, matéria que passamos a contemplar com mais especificidade, começando pela delimitação das datas dos acordos: 1) PLR 2000: assinado em 09/08/2000; 2) PLR 2001: assinado em 30/07/2001; 3) PLR 2002: assinado em 06/08/2002; 4) PLR 2003: assinado em 14/08/2003 Como se depreende dos autos, afora as demais razões do lançamento fiscal, afastadas pelo decisório combatido e que não fora objeto do Recurso da Procuradoria, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos empregados a título de PLR, pelo simples fato de inexistir acordo prévio ao ano base, o que implicaria dizer não estarem presentes as exigências de metas e resultados para obtenção dos lucros. Inobstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelo fiscal autuante em defesa da manutenção do crédito previdenciário, corroboradas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do entendimento deste Conselheiro, a conclusão da exigência de acordo prévio para concessão da PLR encontra sustentáculo nos incisos I e II, § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000 e/ou MP nº 794/1994 e reedições. De conformidade com esses dispositivos legais, visando a observância dos requisitos inseridos no § 1º, o legislador SUGERIU a utilização de “I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente”. Observese, que em momento algum a lei impôs a observância de tais incisos. Muito pelo contrário. Extraise do bojo do § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, a expressão “podendo”, o que não representa uma obrigatoriedade, mas, sim, uma faculdade. O que a lei determina é a utilização de “[...] regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo [...]”. Assim, a exigência de acordo prévio é de cunho subjetivo do agente lançador ou do julgador, mormente quando visa dar efetividade aos incisos I e II, § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, os quais não são de observância obrigatória. E, como já sedimentado acima, a isenção/imunidade não comporta subjetivismo. Mais a mais, tratandose de Participação nos Lucros e Resultados, não se pode cogitar em anormalidade no caso de acordo firmado entre as partes e o consequente pagamento ocorrer posteriormente a apuração dos lucros e resultados no final do ano calendário, após as deduções dos custos e despesas anuais, conquanto que observados os demais requisitos para tanto. Melhor elucidando a empresa apura o lucro/resultado, se dispõe a conceder participação aos funcionários, oportunidade em que procedem as tratativas entre as partes, acordando a forma e valores dos pagamentos. Não se pode vislumbrar qualquer irregularidade Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.577 11 em tal conduta, notadamente quando a verba atingiu seu fim precípuo, insculpido na Constituição Federal. Não bastasse isso, como a própria autoridade lançadora asseverou em seu Relatório Fiscal, a contribuinte vem pagando Participação nos Lucros e Resultados desde 2000, nos levando a concluir que já existia um costume da empresa em conceder PLR aos funcionários, criando no decorrer dos anos uma expectativa de direito por parte destes, fazendo com que se empenhassem no bom desempenho de suas funções, uma vez já terem conhecimento de que havendo lucro a contribuinte, como de praxe, iria participálo aos empregados. Ademais, é preciso reconhecer que o mundo real, distante daquele que seria o ideal para o bom andamento das relações interpessoais e, por conseguinte, entre empresa e funcionários, nos impõe barreiras, de certa forma até naturais, que convergem pela assinatura/formalização do acordo de PLR após iniciado o anobase. Isto porque, tratandose de discussão a propósito de direitos dos trabalhadores, escorados em lucros ou resultados de empresas, dificilmente um acordo contemplando os valores, regras, condições básicas, etc para a concessão da Participação nos Lucros e Resultados será de fácil resolução, exigindo, por certo, longo período de tratativas, mormente com a participação da empresa, empregados, seus representantes em comissões e/ou respectivos Sindicatos. Aliás, o eminente Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, à época integrante da 2ª Caj do CRPS, atualmente Presidente da 2ª TO desta 4a Câmara, dissertou com muita propriedade a respeito do tema, espancando de uma vez por todas a pretensão fiscal, conforme se extrai do excerto do voto condutor do Acórdão nº 213/2007 abaixo transcrito: “[...] O programa de participação nos lucros da recorrente foi instituído em 1995 e é revisto anualmente de acordo com o resultado apurado em cada exercício financeiro. Essa sistemática autorizada pelo artigo 2º, §1º da Lei nº 10.101/2000 permite ajustes anuais para melhor aproximação aos valores reais apurados. As regras foram pactuadas quando da sua criação, logo após a primeira regulamentação através da Medida Provisória nº 794, de 29/12/1994. Desde essa época o programa de participação nos lucros ou resultados é formado por uma comissão permanente de empregados assistidos pelos sindicatos das categorias profissionais (fls. 162). Equivocadamente, a autoridade fiscal tomou cada acordo de revisão anual das regras isoladamente, ignorando que antes de cada um há outro que o precede e que a cada ano é revisto. Até que determinado acordo, estabelecendo critérios e condições, seja revogado por um outro, não se pode negar sua existência, vigência e aplicação. Como exemplo, o acordo de revisão assinado em 11/11/96 (fls. 168) permanece vigente até que outro o modifique; no caso, o acordo assinado em 12/11/97 (fls. 171) que aumentou a parcela fixa de R$ 350,00 para R$ 450,00 (fls. 166 e 170), mantendose, no entanto, o percentual de 75% do salário vigente. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 [...]” (2ª Caj do CRPS – NFLD nº 35.132.8335, Sessão de 27/03/2007 – Unânime) A fazer prevalecer esse entendimento, a 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentíssima decisão (06/05/2014), afastou qualquer dúvida em relação à matéria, reafirmando que a simples ausência de acordo prévio não desnatura a Participação nos Lucros e Resultados, na linha do sustentado acima, consoante se positiva do Acórdão n° 9202003.192, da lavra do ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Períodos de apuração: 01/01/2000 a 30/10/2004 [...] CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS. A Lei 10.101/2000 exige que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Referida lei não estabelece, contudo, prazo mínimo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao interprete fazêlo. [...]” (Processo n° 35366.001448/200507) Outro não foi o posicionamento manifestado, igualmente, pela 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos dos processos n°s 14485.000326/200721, 14485.000329/200764 e 14485.000327/200775, senão vejamos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.485 – Sessão de 29/01/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/200744 Acórdão n.º 9202003.370 CSRFT2 Fl. 1.578 13 Data do fato gerador: 11/09/2007 [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.484 – Sessão de 29/01/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/09/2007 [...] VI – A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” (Acórdão n° 9202002.486 – Sessão de 29/01/2013) Partindo dessas premissas, é de se manter a ordem legal no sentido de considerar o Plano de Participação nos Lucros de Resultados da empresa em conformidade com a legislação de regência, decretando, portanto, a improcedência do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000313/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da ciência pelo contribuinte da Decisão da DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da ciência pelo contribuinte da Decisão da DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .0 00 31 3/ 20 09 -5 1 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/200951 Resolução nº 2803000.223 S2TE03 Fl. 311 2 Relatório DO LANÇAMENTO Trata de Auto de Infração (AI) de crédito previdenciário, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, por recibos, a segurados contratados pelo CENTRO DE EDUCAÇÃO TÉCNICA DE JEQUIÉ LTDA como estagiários, sem observação à legislação específica, que trata da realização de estágio curricular. Importa também em contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações pagas, por recibos, a empregados sem contrato e sem registro. Receberam décimo terceiro salário, prestaram serviços relacionados à atividade fim da empresa e foram contratados em seguida para exercer as mesmas atividades. Essas remunerações foram omitidas de Folhas de Pagamento, não foram declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nem as contribuições recolhidas no prazo legal. O crédito diz respeito às seguintes contribuições sociais lançadas no levantamento CSE — Caracterização Seg. Empregado, conforme segue: a) Contribuição a cargo da empresa destinada à Seguridade Social, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviço, prevista no art. 22, inciso I e III, da Lei 8.212, de 24/07/1991. b) Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, prevista no art. 22, inciso II, da Lei 8.212, de 24/07/1991. As remunerações não constam das Folhas de Pagamento e não foram declaradas em GFIP, sendo contabilizadas no livro Razão, conta: Prestação de Serviços, Despesas Operacionais, cód. 184 3.4.1.01.001. As bases de cálculo (remunerações pagas através de recibos), lançadas no levantamento CSE — Caracterização Seg. Empregado, constam de planilhas integrantes deste relatório fiscal, Anexos IV e VIII. O período dos lançamentos é de janeiro a dezembro de 2004, conforme determinado no Mandado de Procedimento Fiscal n° 05.1.03.0020080000905, de 13/06/2008. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. O órgão de primeira instância administrativa julgou procedente em parte o crédito fiscal, excluindo o período de 01 a 03/2004 em razão da decadência pela regra do art. 150, § 4º do CTN. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/200951 Resolução nº 2803000.223 S2TE03 Fl. 312 3 O contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/07/2010, entretanto não foi possível identificar a data da ciência do Acórdão da DRJ pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/200951 Resolução nº 2803000.223 S2TE03 Fl. 313 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Compulsando os autos não foi possível identificar a data da ciência do Acórdão da DRJ em Salvador (BA) pelo contribuinte. No aviso de recebimento – AR dos Correios às fl. 299 não consta a data legível. A informação é importante para se analisar a admissibilidade do recurso voluntário. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em converte o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da ciência pelo contribuinte da Decisão da DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000031/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO
Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologou-se as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado.
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 1402-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no ano-calendário de 2003.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologou-se as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no ano-calendário de 2003. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologouse as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 00 31 /2 00 9- 06 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 10 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 11 3 Relatório A recorrente apresentou os pedidos de compensação de fls. 02 e seguintes objetivando compensar os valores neles indicados com saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2003. A DIPJ que consta à fl. 51 dos autos indica saldo negativo no valor de R$ 6.751.945,73. O despacho de fls. 148/153, reconheceu a existência de saldo negativo no valor de R$ 4.698.511,33, homologando as compensações de nº 25131.75152.180806.1.7.02 5012, 34749.16381.300404.1.3.021401 e 29005.03057.210806.1.7.024401 e, de forma parcial, a compensação de nº 40827.46790.210806.1.7.023906, restando um saldo devedor em relação a esta de R$ 1.278.490,84 (fl. 154). Pelo que se extrai do despacho decisório, em relação aos valores que formaram o saldo negativo, não foram reconhecidos os seguintes montantes: a) R$ 15.236,19 referente à estimativa devida em 10/2003; b) R$ 5.932,82 comprovado em DIRF referente a IRRF por órgãos públicos, frente a R$ 9.764,75 considerado pela recorrente; c) R$ 1.923.677,69 correspondente a IRRF da empresa SPLICE; d) R$ 108.999,90 correspondente a IRRF pelo Santander. Intimada da decisão de fls. 148/153, a parte interessada apresentou manifestação de inconformidade, sendo que a DRJ deu parcial provimento ao recurso para acolher o IRRF nos valores de R$ 5.932,82 e R$ 1.923.677,69 apontando, em relação a este último, que houve mero erro do contribuinte na designação da fonte retentora. No que se refere à glosa da estimativa devida em 10/2003, no valor de R$ 15.236,19, o acórdão referido está assim fundamentado: "O despacho decisório guerreado foi perfeito, no que se refere ao ponto agora sob análise, à luz dos fatos acontecidos até então, e não pode ser alterado pela DRJ em razão da superveniência do pagamento, em 15 de maio de 2009, após a ciência do despacho decisório, que aconteceu em 20 de abril de 2009, do IRPJ devido por estimativa no mês de outubro de 2003. Por fim, em no que tange à retenção feita pelo BANCO SANTANDER, o acórdão recorrido destacou: " No que tange à retenção feita pelo BANCO SANTANDER o contribuinte apresenta como documento comprobatório da sua ocorrência um Informe de Rendimentos Financeiros em que consta como tendo havido retenção do valor de R$ 607.600,57, no código 3426, exatamente o valor que foi aceito e considerado pela autoridade recorrida. Em sua impugnação, o contribuinte assevera que a diferença “na ordem de R$ 103.067,08 será oportunamente anexada aos autos, por tratarse de operações financeiras existentes em outra Fl. 423DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 12 4 instituição financeira”. Como não houve a juntada de qualquer elemento comprobatório da existência dessa retenção, referente à outra instituição financeira, e não tendo a autoridade recorrida encontrado elementos confirmatórios nos sistemas da RFB, não é possível acatarse a alegação do contribuinte, no ponto. Intimada em 31/01/2012 (fl. 248), de forma tempestiva a parte interessada apresentou o recurso de fls. 249 e seguintes, alegando, em síntese: a) que em 15/04/2009, quando proferido o despacho decisório, cuja intimação se deu em 20/04/2009, a análise do saldo negativo de IRPJ relativa ao anocalendário de 2003 não podia ser feita, uma vez que passados mais de 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores que formaram o saldo negativo. b) que no caso dos autos não se está a deduzir que ocorreu a decadência do Fisco de analisar a compensação pleiteada e sim a decadência do direito do Fisco de proceder com a recomposição do crédito tributário utilizado. b) que é nítido que o pagamento do DARF no valor de R$ 15.236,19 compõe o saldo negativo do IRPJ referente ao anocalendário de 2003. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela parte encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. I Da questão relacionada ao pagamento, em 20 de abril de 2009, de R$ 15.236,19 referente à estimativa devida em 10/2003. Ciente de que a estimativa de outubro de 2003, devidamente declarada, no valor de R$ 15.236,19, não tinha sido quitada, em 31/10/2009, após intimação do despacho decisório, a fiscalizada realizou o pagamento desta, com multa moratória e encargos legais, recolhendo o montante de R$ 29.861,40 (fl. 230). Aqui, a situação dividese em dois pontos: a) O primeiro diz respeito a consequência do recolhimento de estimativa em atraso, quando o valor desta é necessário para formar o saldo negativo e este, por sua vez, é integralmente absorvido pelas compensações realizadas; b) O segundo, é a consequência do recolhimento de estimativa em atraso nas hipóteses em que tal valor não impede a homologação das compensações em face destas abrangerem montante inferior ao saldo negativo. Na primeira hipótese, isto é, quando o saldo negativo, sem a estimativa recolhida em atraso não é suficiente para homologar as compensações, em relação ao valor não homologado, há incidência de multa moratória de 20% e juros legais1. Nestas situações, do valor devido, com multa de 20% e juros, subtraise o valor recolhido em atraso. Considerando que a correção e a multa são idênticas em ambos os casos, resultado era zero. Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas, como ocorreu na situação dos autos, e mesmo glosando os valores apontados homologouse as compensações apresentadas por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, não há o que se cobrar. O valor da estimativa recolhida em atraso, com multa moratória e juros, tem por eficácia a regularização do saldo negativo, na proporção paga. Assim, no caso concreto, do recolhimento da estimativa referente ao mês de outubro de 2003, recolhida em 20/04/2009, resultou a regularização da pendência referente a outubro de 2003. Não fosse este raciocínio, chegarseia ao equívoco de se afirmar que o recolhimento em 20/04/2009 caracterizaria pagamento indevido, o que não é. Com tais considerações, reconheço que o valor de R$ 15.236,19, deve integrar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003. II Da alegação de que passados cinco anos, da data dos fatos geradores, a Fiscalização não pode glosar saldo negativo apurado em DIPJ. 1 Atualmente, quando a estimativa não é homologada, aplicase multa de 50%, sendo que tal exigência encontrase em análise no STF, com repercussão geral. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 14 6 Em decisões anteriores já me manifestei em questões semelhantes, sendo que os acórdãos de minha relatoria podem ser sintetizados por meio das duas ementas que seguem a título exemplificativo: Ementa: DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado, sob pena de, por vias transversas, levar a efeito procedimento fiscal em relação a período já atingido pela decadência. (Processo 10768.905686/200611. Acordão 140200.768. Jul. 20/10/2011). Ementa: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. (Processo nº 10923.000117/200809. Acórdão 140200.736. Jul. 29/09/2011). Recentemente, em declaração de voto que apresentei no processo nº 10640.720967/200976, julgado na sessão de 06/05/2014, resultando no acórdão nº 1402 001.662, em acórdão de relatoria do ilustre Conselheiro Fernando Brasil, tendoo acompanhado pelas conclusões, enfrentei a questão da regramatriz de incidência tributária, e a regramatriz de direito ao crédito por parte do contribuinte. Igualmente, quando da análise do processo nº 10880.950151/200861, também pautado nesta sessão, enfrentei a questão nos seguintes termos: "I Da Natureza jurídica, o momento da constituição do saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas e a questão relacionada à prescrição Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 15 7 Nos termos da Súmula 436 do STJ e do Resp 962.279/RS, submetido ao rito do artigo 543C, do CPC, “a entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." Neste cenário, no momento da entrega da DCTF, à semelhança do que ocorre com o lançamento de ofício, temse uma norma individual e concreta constituindo o crédito tributário. Todavia, além da regramatriz de incidência tributária, da qual resulta o débito tributário, há a regramatriz de direito ao crédito. Da primeira surge a obrigação do particular em face da Administração e da segunda advém a obrigação da Administração frente ao particular. É da segunda que nasce a constituição do crédito em favor do contribuinte2. Assim, em se tratando de IRPJ, o saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas, decorrente de retenção de imposto de renda na fonte e ou recolhimento de estimativas, resulta constituído no momento em que o contribuinte, mediante procedimento adequado3, (i) informa as receitas e os rendimentos sujeitos à tributação; (ii) apura o montante dos tributos devidos e (iii) dele subtrai o que foi pago de forma antecipada, declarando tal procedimento à Administração. Neste momento temse a constituição do saldo negativo em favor do contribuinte, com prazo de cinco anos para ser utilizado em processo de compensação ou pedido de restituição. Em igual prazo, identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009. "Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em auto de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributos ou penalidades (...). § 4º. O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada a infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Partindo do entendimento de que o direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, tem razão o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda 2 A questão da existência da regramatriz de incidência tributária, da qual decorre o débito do particular frente à Administração e a regramatriz de direito ao crédito tributário, da qual decorre a obrigação da Administro frente ao particular, foi apontada pelo Ministro Fux quando do julgamento dos Resp 773.675 e 1.065.234/RS. O fato dos referidos julgamentos versarem sobre ICMS em nada altera os pressupostos e a natureza jurídica do direito ao crédito. A propósito, do REsp 77.675, (DJ de 2.4.2007, p. 239), colho a seguinte passagem: "(...) O direito de crédito do contribuinte não decorre da regramatriz de incidência tributária do ICMS, mas da eficácia legal da norma constitucional que prevê o próprio direito ao abatimento (regramatriz de direito ao crédito) (...) porquanto a compensação se dá entre operações de débito (obrigação tributária) e crédito (direito ao crédito)." 3 A expressão "procedimento adequado" deve ser entendida como situação onde inexistam omissões a serem tributadas. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 16 8 Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos subsequentes à constituição, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo, informadas em DIPJ. Passados 5 (cinco) anos, e diante do que dispõe o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009, não há como alterar o valor do saldo negativo. Em outras palavras, o sujeito passivo tanto pode entregar DCTF reconhecendo imposto a pagar, situação em que resta constituído o débito tributário em favor do Fisco, como pode realizar procedimento, previsto em lei, apontando crédito em seu favor. Neste sentido, conforme reiteradamente destacado pelo Conselheiro Carlos Pelá, temse que a relação entre Contribuinte e Fisco é de crédito e débito, que ora pode ser a favor de um e ora a favor de outro. Nesta mesma linha encontramse ensinamentos em artigos de doutrina de Jefferson Medina nas Revistas Dialética de Direito Tributário de nºs 225 e 226, editadas, respectivamente, nos meses de junho e julho de 20144. Pois bem, partindo do entendimento de que direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, concordo com o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos subsequentes, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo e informadas em DIPJ. Isto tornase mais evidente nas situações em que o sujeito passivo, por equívoco, apura imposto a pagar ou saldo negativo diferente do efetivamente devido. Passados 5 (cinco) anos não poderá retificar a DIPJ para alterar os valores nela informados. Em que pese os fundamentos acima mencionados e a minha mudança de entendimento acerca da matéria, estou ressalvando meu ponto de vista e seguindo o entendimento da douta maioria de que a Fazenda, a qualquer tempo, pode verificar se houve o recolhimento dos valores que formaram o saldo negativo, não podendo, todavia, após o prazo de 5 (cinco) anos pretender glosar despesas ou apontar omissões, sob pena de, por vias 4 Jefferson Marcos Biagini Medina Natureza Jurídica do Crédito e Débito no ICMS e suas Implicações no Ordenamento Jurídico. In. Revista Dialética de Direito Tributário, 225, p. 113124. Junho 2014. Jefferson Marcos Biagini Medina Inconstitucional ide do Protocolo ICMS 21/2011 do Confaz. Efeitos Jurídicos para os Signatários e Consumidor Final não Contribuintes do ICMS. In . In. Revista Dialética de Direito Tributário, 226, p. 91105, julho 2014. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 17 9 transversas, exigir tributo em relação a período já atingido pela decadência, isto sem falar em violação do disposto no § 4º, do art. 9º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900588/2006-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2003
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 05 88 /2 00 6- 54 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 92 2 (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 93 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade (fis. 10/17) de INDUSVAL FINANCEIRA, CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A., supra qualificada, apresentada em face do Despacho Decisório de fis. 01. Em 13.06.2003, o contribuinte entregou a Declaração de Compensação de fls. 05/09 (PER/DCOMP n° 30130.97051.130603.1.3.049134), na qual declara a compensação de pretenso crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior contido no recolhimento efetuado em 15.05.2003 (PA 04/2003), com débitos do próprio PIS com vencimento em 13.06.2003 (PA 05/2003). Pelo Despacho Decisório de fls. 01 o contribuinte foi cientificado, em 27.02.2008 (fls. 04), que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o valor indevidamente compensado (principal: R$ 4.341,29). Irresignado, o contribuinte apresentou em 28.03.2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/17, alegando, em apertada síntese, a nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que existiria um outro DARF, no valor de R$ 26.481,99, referente ao mesmo período de apuração do DARF discriminado no PER/DCOMP, mas que, por um lapso, não foi informado pelo contribuinte mediante retificação do PER/DCOMP. Pleiteia, assim, a homologação integral da compensação e cancelamento da cobrança, bem como, ante a existência de fato novo informado, seja o processo encaminhado à DEINF/SPO para nova análise do PER/DCOMP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 94 4 Descabe reparo ao despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte, por revelarse inexistente o crédito pleiteado. In casu, os alegados créditos seriam oriundos de recolhimentos que, não obstante, estavam integralmente alocados para a quitação de débitos confessados pelo contribuinte. Solicitação Indeferida Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega a preliminar de nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que a origem ao crédito objeto da • PER/DCOMP em questão (R$ 4.341,29), resulta da diferença entre o valor do DARF (R$ 49.830,59) e o valor efetivamente devido (R$ 45.489,30). É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 95 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de PIS, Código de Receita 4574, PA 30/04/2003. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos de PIS, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PIS Código de Receita 4574, PA 30/04/2003, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 96 6 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente a recorrente indicou no PER/DCOMP um DARF, no valor total de R$ 49.830,59, referente a PIS Código de Receita 4574, PA 30/04/2003, pleiteando a compensação de um pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 4.341,29. Na manifestação de inconformidade alegou que havia um outro DARF relativo ao mesmo período de apuração, o qual, se fosse considerado pela autoridade fiscal, evidenciaria a existência do crédito compensado. No entanto, conforme consta na decisão recorrida, o contribuinte, em sua DCTF retificadora entregue em 23.08.2004, declarou um débito de PIS referente ao período em questão no valor de R$ 73.608,98, vinculando os dois DARF mencionados, evidenciando a inexistência do crédito alegado pelo interessado. No recurso voluntário apresentado, por sua vez, a recorrente alega que o valor apurado a título de PIS, referente ao mês de abril/2003, na verdade seria de R$ 45.489,30, o que daria origem ao crédito objeto da PER/DCOMP em questão (R$ 4.341,29), resultado da diferença entre o valor do DARF (R$ 49.830,59) e o valor efetivamente devido (R$ 45.489,30). Alega ainda que o valor efetivamente apurado estaria consignado na DIPJ do anocalendário 2003 (DOC. 06), exercício 2004 e que procedeu à retificação da DCTF, referente ao 2° trimestre de 2003 (DOC. 07). Conforme já ressalvado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. Dos elementos de prova presentes nos autos verificase que consta copia de uma DIPJ 2004, ano calendário 2003, entregue em 26/06/2004, na qual foi calculado um valor de R$ 45.489,30, referente a contribuição para PIS/PASEP para o período de apuração de abril/2003. Já a DCTF retificadora, entregue em 23/08/2004, aponta um débito de PIS referente ao período em questão no valor de R$ 73.608,98. Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 02/12/2008, os documentos apresentados são insuficientes para Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 97 7 se apurar o valor correto do PIS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações em litígio. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000704/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO.
Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
Considera-se válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo.
INTIMAÇÃO POR EDITAL.
Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado
no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 1401-001.331
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: Relator Maurício Pereira Faro
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Considera-se válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso de ofício negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000704/201091 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1401001.331 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida TITAMARI FACTORING LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Considerase válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso de ofício negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 04 /2 01 0- 91 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de recurso de oficio contra acórdão que julgou, por unanimidade de votos, a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório anterior elaborado pela 5º Turma da DRJ/SP1 São Paulo SP: Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte acima identificado, instaurada por força do MPF nº 0819000 2009 039049, foram lavrados Autos de Infração relativos aos anos calendário de 2006 e 2007, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 922/926); de Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 933/937); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 944/948) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 952/956). Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 914/916: • não foi dada ciência pela via pessoal ou postal em virtude de a contribuinte não ter sido localizada em seu endereço cadastral, tendo a mesma sido declarada INAPTA a partir de 01.01.2006, conforme ADE n° 234 de 09.09.2009, publicado no DOU de 11.09.2009; • com base em extratos bancários referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 fornecidos pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal mediante autorização para quebra de sigilo bancário, a contribuinte foi intimada a esclarecer e comprovar a origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias; Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 4 3 • como a contribuinte não se manifestou, à falta de comprovação da origem dos valores mencionados nas planilhas, nos termos do artigo 926 do RIR199, e após desconsideradas as transferências entre bancos, restou configurada presunção de omissão de receita no anocalendário de 2006 no valor de R$ 54.518.060,52 (cinquenta e quatro milhões, quinhentos e dezoito mil e sessenta reais e cinquenta e dois centavos) e no anocalendário de 2007 no valor de R$ 68.979.667,08 (sessenta e oito milhões, novecentos e setenta e nove mil e seiscentos e sessenta e sete reais e oito centavos), de conformidade com os artigos 287 e 849 do RIR199. 3 Fundamentação fática e legal e valores totais dos créditos tributários constituídos, incluída a multa proporcional e juros calculados até 31/03/2010, discriminados a seguir: 4. Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 22/04/2010 (AR a fl. 958), a interessada apresentou, em 20/05/2010, a impugnação de fls. 962/968, acompanhada dos documentos de fls. 969/986, na qual apresentou as alegações abaixo sintetizadas: Preliminarmente, Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 5 4 4.1. a garantia ao contraditório e à ampla defesa foi completamente descurada, porquanto a tentativa de localização da pessoa jurídica foi promovida "Avenida Santa Maria 948 Jardim Colonial São Paulo", ao passo que o domicilio fiscal declarado e que forçosamente deveria constar dos registros e assentamentos da RFB era "Avenida Francisco Santa Maria n° 948 Jardim Colonial São Paulo"; 4.2. sem tentativa efetiva de localização da contribuinte no real endereço constante dos registros e assentamentos do órgão fiscalizador, não se considera cientificada a contribuinte, que é pressuposto essencial para o regular exercício do procedimento fiscal promovido, restando contaminados todos os atos praticados posteriormente; 4.3. em 11/12/2009, a contribuinte ingressou com de reativação do CNPJ, processo n° 13807.010088/200981, mediante o qual ao conhecimento da RFB a designação da ora subscritora como administradora a a impugnante e o novo endereço de sua sede, qual seja, Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo, CEP no 02028000; 4.4. se porventura a contribuinte tivesse sido oportuna e efetivamente notificada no endereço correto, o que poderia ocorrer, já que o feito fiscal foi concluído somente em 15/04/2010, a contribuinte poderia ter ingressado no curso da ação fiscal aparelhada e ter produzido documentos que certamente influiriam no resultado final encontrado pela auditora; 4.5. é inegável o prejuízo ou gravame experimentado pela impugnante, que constitui causa hábil e suficiente para a anulação da ação fiscal desde o inicio, tornando imperiosa a renovação dos atos, que desde logo se requer; No mérito, 4.6. A autuação desconsiderou que a contribuinte atua no ramo de "factoring", em que é comum e rotineiro o remanejamento de recursos próprios que constituem seu capital de giro, sem que isso signifique as propaladas receitas omitidas. As atividades realizadas constituem prestação de serviços de gestão empresarial e comercial executados em caráter cumulativo e continuo e, ainda, cobranças de títulos extrajudiciais por conta própria e de terceiros, que resultam na movimentação de valores a principio até expressivos, mas que não se constituem, integralmente, em receitas que tivessem sido omitidas para evitar o recolhimento de tributos legais; 4.7. Não houve análise individualizada para determinação da receita omitida, tal como previsto pelo artigo 4° da Lei n ° 9.481/97, e de onde se pudesse extrair a conclusão de que as movimentações constituíram receitas omitidas; Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 6 5 4.8. Durante o interregno de tempo que mediou a declaração de inaptidão da empresa, publicada no D.O. em 11/09/2009, e as autuações ora contestadas, verificadas em 15/04/2010, a contribuinte estava simplesmente impossibilitada de prestar as informações que lhe competiam visando demonstrar a real e verídica situação para efeitos fiscais e tributários. Embora aparentemente a tentativa de reativação do CNPJ não tenha chegado ao conhecimento da divisão de fiscalização, a conduta fiscal configura ofensa ao artigo 112 do Código Tributário Nacional, "segundo o qual a interpretação da lei tributária que define infrações ou comina penalidades sempre será feita de maneira mais favorável ao acusado, em existindo dúvidas quanto a natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou 11 natureza ou extensão dos seus efeitos" (fl. 967); 4.9. é inquestionável a boa fé da contribuinte, que protocolou em 11/12/2009 o pedido de reativação do CNPJ para buscar a regularização de sua situação fiscal, mormente com a apresentação das declarações apontadas como omitidas entre os exercícios de 2005 até 2008; 4.10. A autuação deve ser anulada, ainda, por cerceamento ao direito de ampla defesa da contribuinte, eis que os Autos Infracionais apresentamse em desacordo com o previsto no artigo 10, III, do Decreto n° 70.235/72, pois não foram elaborados com a descrição pormenorizada do fato tido por irregular e penalidade imposta; 4.11. Requer, por fim, a anulação da ação fiscal ou, no mérito, o integral refazimento da apuração dos tributos lançados e também das sanções sobre eles incidentes. Em face destes argumentos, a 5º Turma da DRJ/SP1, proferiu acórdão julgando improcedente o lançamento. Tendo em vista que dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente, e, sendo certo que a matéria encontrase no Supremo Tribunal Federal, sob o regime de repercussão geral, este i. Relator, em 03.07.2012, proferiu voto sobrestando o feito, até o pronunciamento final do Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos termos da Portaria nº 138/2009 do STF. Ocorre que com o advento da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os § 1º e § 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foi determinado a reinclusão em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado, de acordo com o rito do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Assim, tendo em conta o cancelamento do crédito tributário, a legislação vigente determina a reanálise da demanda por este Egrégio Conselho. É o relatório. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Como exposto no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração instaurado por força do MPF nº 0819000 2009 039049, onde se lavrou Autos de Infração relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 922/926); de Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 933/937); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 944/948) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 952/956), com base em extratos bancários referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 fornecidos pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal mediante autorização para quebra de sigilo bancário, não sendo a contribuinte regulamente intimada a esclarecer e comprovar a origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias conforme descrito do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 914/946) que é parte integrante do presente Auto de Infração. Imperioso destacar, que o cerne da presente discussão se foca ao fato da não realização da intimação da contribuinte, uma vez que pela leitura dos autos, se constata que o contribuinte não foi oportunamente notificado no endereço correto, impossibilitando assim, seu ingresso no curso da ação fiscal e a produção de documentos que certamente influiriam no resultado final encontrado pela fiscalização. Como bem examinado pela DRJ, constatase que as correspondências enviadas à empresa e aos sócios desde o inicio do feito fiscal retomaram à RFB sem a ciência dos destinatários a despeito de essas correspondências terem sido enviadas ao correto endereço cadastral. Salientase que o erro material derivouse exclusivamente da RFB, que no momento da fiscalização, enviou as correspondências a endereço com nome de logradouro (Avenida Santa Maria) diferente do informado pela contribuinte e à época constante dos registros e assentamentos da RFB, qual seja "Avenida Francisco de Santa Maria”. Cabe observar que os termos de inicio de fiscalização foram enviados à empresa e a três sócios em seus distintos endereços cadastrais e, mesmo assim, todos eles também retornaram à fiscalização sem ateste de recebimento pelos destinatários, com informação dos correios de que os mesmos seriam desconhecidos naqueles endereços (fls. 9/17). A fim de elucidar a questão temporal do assunto, mister se faz transcreve a cronologia dos fatos expostas pela DRJ: 1. em 31/03/2008, os Termos de Inicio de Fiscalização enviados com AR à empresa e seus sócios nos endereços constantes no cadastro da RFB retornaram com a informação dos correios de que os destinatários eram desconhecidos nos referidos locais, ou seja, os destinatários (empresa e sócios) não foram encontrados nos endereços cadastrados (fls. 07, 12, 13 e 14). Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 8 7 2. em 11.09.2009 foi publicado o ADE n° 234/2009, que declarou a inaptidão da contribuinte com efeitos retroativos a 01.01.2006 (fl. 21); 3. em 11.12.2009, a contribuinte ingressou na RFB com Pedido de Reativação de CNPJ (fl. 984), no qual informou novo endereço, a Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo. O processo foi autuado sob n° 13807.010088/200981; 4. em 02.02.2010, foi enviada à empresa por via postal, no mesmo endereço constante no cadastro da RFB, intimação para comprovação da origem dos valores debitados e creditados constantes de extratos bancários fornecidos por instituições financeiras (fl. 30 ou 572), tendo essa correspondência sido devolvida pelos correios (AR a fl. 573) porque, novamente, a empresa não foi encontrada naquele endereço. 5. em 22.04.2010, a contribuinte foi cientificada dos Auto de Infração por correspondência enviada pela fiscalização ao endereço informado no pedido de Reativação de CNPJ, Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo. Desta forma, fundamental se faz a exposição do art. 23 do Decreto 70.325/72, que elucida algumas questões: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada con: a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem O intimar; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) a) envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n°11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 9 8 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005.) (...) § 3 Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005.) § 4º Para fins de intimação, considerase domicilio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005.) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) (grifouse). (...) Assim, importante destacar que segundo o ordenamento jurídico pátrio, observase que a intimação do sujeito passivo se fará, em regra, pela via pessoal ou pela via postal, em seu domicilio tributário, nos termos do §4º do art. 23 do Decreto 70.235/72, não estando tais meios sujeitos à ordem de preferência. Deste modo, constatase que não havendo prova do recebimento da correspondência no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme estabelecido no inciso II do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação de fl. 30, encaminhada à contribuinte por via postal não pode ser considerada válida, ainda que tenha sido enviada a endereço informado pela própria contribuinte aos cadastros da RFB. Nesse caso, mostrandose efetivamente improfícua a intimação por via postal, conforme atesta o AR de fl. 573, que foi devolvido pela agência dos correios com a informação de destinatário "desconhecido", a fiscalização teria que proceder à publicação de edital, nos termos do §1° do artigo 23 do Decreto 70.235/72, para concretizar a regular intimação da contribuinte. Frisese que, a atual redação do §1º do artigo 23 foi dada pela Lei n°11.941, publicada no DOU de 28.05.2009, sendo sua observância obrigatória, portanto, à época em que providenciada a cientificação da intimação para comprovar a origem dos recursos ao final admitidos como receitas omitidas, com base no artigo 42 da Lei 9.430/96. Diante do acima exposto e do que consta dos autos, concluise que, efetivamente não houve intimação válida, para o documento de fl. 30, não se observando assim,os art.23, inciso II e §1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 10 9 Por fim, fundamental se configura a exposição do que se encontra previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, reproduzido no art. 849 do RIR 99: Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n º 9.430, de 1996, art. 42). Como de observar pela simples leitura a cima, a hipótese tributária prevista no dispositivo configurase com a não comprovação da origem dos recursos utilizados em operações bancárias, após ser a contribuinte "regularmente intimada", repitase, “regularmente intimada” a essa comprovação. Nesse sentido, este i. Conselho já se manifestou sobre a matéria: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. RPJ/CSLUPIS/COFINS — MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA — NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇAO E INTIMAÇÃO ESPECIFICA A utilização da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/92 tem como um dos pressupostos indispensáveis a intimação especifica ao contribuinte para que justifique os créditos bancários individualizados pela fiscalização. Não pode prevalecer exigência tributária calçada somente nos valores da movimentação global apontada nos sistemas eletrônicos de preparo da ação fiscal, ponto de partida para os trabalhos fiscais. (Acórdão nº 10709.098 –Primeiro Conselho de Contribuintes 7ª Câmara Rel. Luiz Martins Valero Sessão de 04.07.2007 DOU 31.01.2008 Grifouse). Com efeito, a contribuinte necessariamente precisa ser regularmente intimada, na forma do Decreto n° 70.235/72, para que assim, possa prestar esclarecimentos a RFB, comprovando a origem dos créditos, garantindo a oportunidade de se manifestar sobre as movimentações bancárias, não se configura o fato indiciário (não comprovação da origem dos recursos) com que a lei permite presumirse omitidas as receitas. Pelo exposto, entendo que a falta de intimação válida da contribuinte para, querendo, se manifestar quanto à origem das movimentações bancárias afronta diretamente o disposto no art. 849 do RIR 99. Assim, configurase forçoso concluir que não houve a regular intimação exigida no dispositivo legal em que se fundou a autuação, de modo que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras não é suficiente para caracterizar a omissão de receitas presumida. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 11 10 Deste modo, não se constatando a regular intimação da contribuinte a prestar informações sobre as movimentações bancárias que foram utilizadas para a presente autuação voto pela improcedência do Recurso de Ofício, motivo pelo qual, mantenho a decisão da DRJ SP1 São Paulo, exonerando o Crédito Tributário. É como voto. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 11516.722635/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
GFIP. DADOS INCORRETOS. CONDUTA QUE SEGUE A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AUSÊNCIA DE COISA JULGADA. INFRAÇÃO CONFIGURADA.
A jurisprudência do STJ que não tem efeito de coisa julgada não exime o SENAI de observar a legislação que o obriga a informar, na GFIP, o código de recolhimento relativo à contribuição do salário-educação e a devida ao INCRA.
A conduta contrária à legislação que determina a forma de preenchimento da GFIP configura infração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Aplicação da Súmula CARF nº 28.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, multa de ofício do art. 35-A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e multa isolada do art. 32-A da mesma lei, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de inconstitucionalidade, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. OUTROS DADOS Recorrente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS À EXECUÇÃO. COISA JULGADA CONTINUATIVA. INOCORRÊNCIA. Os efeitos da sentença que julga os embargos são restritos à execução. A decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. Súmula STF nº 239. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. IMUNIDADE E ISENÇÃO NÃO RECONHECIDAS. O SENAI, apesar de ter natureza de entidade de assistência social, não atende os requisitos para gozo da imunidade de contribuições sociais previstos na legislação a que se refere o § 7o do artigo 195 da Constituição Federal. A isenção outorgada pelos artigos 11 e 12 da Lei nº 2.613/55 restringese aos bens e serviços do SENAI e deve ser interpretada literalmente, conforme determina o art. 111, II, do CTN. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESA URBANA. REFERIBILIDADE DIRETA. INEXISTÊNCIA. O objeto da Contribuição destinada ao INCRA é custear a política de reforma agrária, beneficiando toda a sociedade e não somente o meio rural, de modo que é devida também pelas empresas urbanas. Precedentes do STJ. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GFIP. DADOS INCORRETOS. CONDUTA QUE SEGUE A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AUSÊNCIA DE COISA JULGADA. INFRAÇÃO CONFIGURADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 26 35 /2 01 1- 39 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 A jurisprudência do STJ que não tem efeito de coisa julgada não exime o SENAI de observar a legislação que o obriga a informar, na GFIP, o código de recolhimento relativo à contribuição do salárioeducação e a devida ao INCRA. A conduta contrária à legislação que determina a forma de preenchimento da GFIP configura infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Aplicação da Súmula CARF nº 28. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, multa de ofício do art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e multa isolada do art. 32A da mesma lei, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de inconstitucionalidade, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 484 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0433.584 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campo Grande (MS), fl. 433444, com ciência ao sujeito passivo em 01/10/2013, fl.450, que julgou improcedente impugnação apresentada pela autuada e manteve integralmente o lançamento tributário aperfeiçoado com a ciência do sujeito passivo em 21/12/2011, fl. 03. De acordo com o relatório fiscal de f. 118128, o lançamento tem por objeto os seguintes autos de infração: a) Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), lavrado sob o debcad n° 51.011.5861, referente à exigência de contribuições devidas pela empresa e destinadas ao FNDE (salárioeducação) e ao INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 01/2009 a 13/2010. b) Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA), lavrado sob o debcad n° 51.011.5853, referente à exigência de multa por infração ao art. 32A da Lei 8.212/91, “caput”, inciso I e parágrafos 2º e 3º, incluídos pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 01/2009 a 12/2010, com informações incorretas nos campos “Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS)” e “Códigos de outras entidades e fundos”, deixando de informar nesses campos os códigos “523” e “0003”, respectivamente. Segundo a autoridade lançadora, a autuada auto enquadrouse no código FPAS 507 e código de outras entidades e fundos 0000, ao passo que, em razão da forma de constituição e da atividade econômica da autuada, conforme seu regimento interno, o correto é o código FPAS 523 (atividades de organizações associativas patronais e empresariais não vinculadas ao ex IAPC) e código de terceiros 0003 [contribuições ao Salário Educação (0001) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA(0002)], conforme disposto no inciso VII do art. 109A e Anexo I da Instrução Normativa n° 971, de 13/11/2009 e alterações posteriores. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento contestando as matérias do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 29/02/2012 DECISÃO JUDICIAL A sentença tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. IMUNIDADE OU ISENÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA Fl. 485DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A imunidade estampada no § 7º do artigo 195 da CF está condicionada ao cumprimento das exigências estabelecidas em lei. O certificado de entidade beneficente de assistência social, expedido nos moldes do artigo 3º, da Lei nº 12.101/2009, é prova indispensável do direito à isenção prevista em seu bojo. EMPRESA. EQUIPARADA o Senai equiparase a empresa para os efeitos da Lei 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Representação Fiscal para Fins Penais correspondente a prática de possível crime vinculado a crédito tributário apurado é tramitada somente após sua constituição definitiva. Não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciar a regularidade e o cabimento de representação para fins penais formalizada ao final do procedimento de fiscalização. FATO GERADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O fato gerador da obrigação acessória: “Apresentar de GFIP com informações incorretas”, decorre da Lei n. 8.212, de 24.07.1991, art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2º e 3º, incluídos pela MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. A Instrução Normativa estabelece formas de preenchimento da Gfip. Em 10/10/2013, a autuada, por meio do advogado qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, fl. 451468, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega precedente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) reconhecendo a isenção/imunidade do SESI com relação ao pagamento das contribuições para o salário educação e INCRA, conforme decidido no acórdão 2401002.594 – 4a Câmara/1a Turma Ordinária – 2a Seção. Alega também a existência de sentença judicial transitada em julgado, proferida em execução fiscal manejada em face da recorrente (processo no 2004.72.00.010149 7), na qual se reconheceu a isenção/imunidade da entidade em relação aos tributos aqui lançados. Deste modo, assevera que o lançamento tributário atenta contra a segurança jurídica e fere o princípio da eficiência, além de se tratar de conduta passível de se configurar crime de excesso de exação, tipificado no art. 316 §§ 1o e 2o do Código Penal. No mérito, a recorrente sustenta que goza da imunidade tributária de impostos, prevista no art. 150, VI, “c” da CF, e de contribuições sociais, nos termos do art. 195 § 7o da CF, por enquadrarse no conceito de entidade de assistência social, atuando na formação e orientação profissional, sem finalidade de lucro e cumprindo os requisitos do § 1o do art. 14 do CTN, citando, neste sentido, jurisprudência do TRF da 5a Região, acórdão nº 471398/CE, DJE 28/07/2011. Ademais, ressalta que é isenta do recolhimento das contribuições ao INCRA/FUNRURAL por expressa disposição dos arts. 12 e 13 da Lei 2.613/55, situação Fl. 486DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 485 5 jurídica reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em decisões reiteradas, cujas ementas foram transcritas em sua peça recursal. É ampla a isenção concedida à recorrente pela lei 2.613/55, e , segundo ela, atinge também a contribuição do salárioeducação. Além disso, afirma que, conforme doutrina e jurisprudência, sua natureza jurídica peculiar não se enquadra no conceito de empresa, sendo que somente essa é sujeito passivo do salárioeducação, conforme art. 212 § 5o da CF. Argumenta também que a contribuição ao Serviço Social Rural somente é devida pela empresa rural, conforme já se manifestou o Supremo Tribunal Federal. Com relação ao preenchimento das GFIPs, explica que agiu de boa fé, tendo realizado o autoenquadramento do código de terceiros seguindo a jurisprudência do STJ, no sentido da imunidade/isenção em relação às contribuições aqui questionadas. Discorda do valor das multas por considerálas irrazoáveis, com caráter confiscatório. Com relação ao processo de representação fiscal para fins penais, sustenta que não existe o dolo necessário para configuração do crime e ressalta que o esgotamento da via administrativa é condição de procedibilidade para que se inicie a persecução penal. Requer o acolhimento das preliminares ou que seja dado provimento ao recurso, reconhecendose a imunidade e a isenção da recorrente. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Coisa Julgada Noticia, a recorrente, que a relação tributária objeto do lançamento está disciplinada por decisão judicial protegida pela coisa julgada material, proferida em processo judicial que teve as mesmas partes e o mesmo tributo aqui tratado, e que culminou por interpretar a mesma legislação. Os documentos juntados demonstram que a recorrente é beneficiária de decisão judicial, proferida em sede de embargos da execução fiscal nº 2004.72.00.0101497, que tramitou perante a Justiça Federal da 4a Região, na qual foi reconhecido o seu direito ao não pagamento do salárioeducação e do INCRA, no período de 01/1993 a 05/2003 (NFLD 35.516.0242 e 35.516.0250). A sentença judicial, ao julgar o mérito dos embargos à execução fiscal, reconheceu a isenção da recorrente ao pagamento do salárioeducação e ao INCRA com base no fundamento de que a recorrente não se enquadra no conceito de empresa, por se tratar de entidade de assistência social sem fins lucrativos, citando precedentes do STJ neste sentido. A sentença de primeiro grau foi confirmada, nessa parte, pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região em sede de reexame necessário. Entretanto, a coisa julgada material proferida em embargos à execução não tem efeito para o período deste lançamento, nos termos do enunciado da Súmula STF nº 239, segundo a qual, decisão que declara indevida a cobrança do Imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. Os embargos à execução fiscal têm natureza de ação formal e a decisão proferida não faz coisa julgada continuativa, conforme já decidiu o STJ1: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL DO ENTE PÚBLICO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO POR APROVEITAMENTO DE DECISÃO PROFERIDA EM EMBARGOS DO DEVEDOR, COM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. "COISA JULGADA" CONTINUATIVA. INEXISTÊNCIA. ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VALORES ÍNFIMOS. REVISÃO. PREJUDICIALIDADE. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 1 Resp nº 1.378.778MG, Rel Min. Herman Benjamin, DJe 20/06/2014. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 486 7 2. Hipótese em que o Tribunal de origem, ao julgar Agravo de Instrumento contra a decisão que determinou a intimação de instituição financeira, para fins de efetivação de garantia representada por fiança bancária, acolheuo para extinguir a Execução Fiscal, ao argumento de que a matéria nela veiculada é idêntica à constante de outro processo executivo, cujos Embargos do Devedor foram providos por meio de decisão transitada em julgado. 3. Inexiste a figura da "coisa julgada continuativa", ao menos na concepção adotada pelo acórdão hostilizado. 4. A coisa julgada pressupõe a existência de decisão que tenha apreciado a relação jurídica processual constante da demanda proposta no Poder Judiciário. 5. A existência de duas Execuções Fiscais que abrangem as mesmas partes e versam sobre o mesmo tributo (naturalmente com fatos geradores relativos a períodos diversos) requer provimento jurisdicional que componha as respectivas lides. ... 12. Recurso Especial do Estado de Minas Gerais provido para anular o acórdão hostilizado. Prejudicado o Recurso Especial da empresa. Preliminar rejeitada. Mérito Sujeição Passiva. Imunidade. Isenção Impõese analisar se a recorrente faz jus à imunidade ou à isenção do pagamento das contribuições do salárioeducação e do INCRA. O STJ já se manifestou diversas vezes sobre o assunto em processos fiscais contra a recorrente e o SESI, concluindo ora pela imunidade, ora pela isenção2. Os fundamentos são, em síntese, os mesmos apresentados neste recurso e que sustentou o acórdão proferido por este Conselho Administrativo. Assim, a recorrente seria imune ao pagamento das referidas contribuições por se tratar de entidade de educação e assistência social sem fins lucrativos, que, em razão de sua peculiar natureza jurídica, não se enquadra no conceito de empresa para fins fiscais, de modo que estaria dispensada do atendimento dos requisitos infraconstitucionais ao gozo da isenção de que trata o art. 195 § 7o da Constituição Federal. Art. 195... 2 Resp nº 766.796, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 06/03/2006, REsp n.º 220.625/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 20/06/2005; REsp n.º 363.175/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 21/06/2004; REsp n.º 361.472/SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 26/05/2003; AgRg no AG n.º 355.012/PR, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 12/08/2002; e AgRg no AG n.º 342.735/PR, Rel. Min. José Delgado, DJ de 11/06/2001. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Outro fundamento é que os Serviços Sociais Autônomos, gênero do qual a recorrente é espécie, foram equiparados à União e gozam de ampla isenção por expressa previsão legal contida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, que criou o Serviço Social Rural (SSR). Devem ser respeitadas as decisões do STJ, bem como as deste CARF que as adotaram, todavia, delas ouso dissentir por entender que lhes faltam amparo legal. Primeiramente, por expressa previsão constitucional, é condição para o gozo da imunidade das contribuições sociais de que trata o art. 195 § 7o da CF o atendimento dos requisitos previstos em lei, art. 55 da Lei nº 8.212/9, e, agora, arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009. A peculiar natureza jurídica das entidades que compõem a categoria dos Serviços Sociais Autônomos, por si só, não lhe retira essa condição. A princípio, essas entidades, por disposição legal, não visam lucro e revertem toda a receita para seus fins sociais, submetendose à fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU). Entretanto, a legislação não veda a remuneração dos seus diretores, um dos requisitos para o gozo da imunidade aqui tratada. No Regimento Interno do SENAI, acostado aos autos, há previsão expressa neste sentido nos arts. 19 e 24: Art. 19 compete ao conselho nacional: l) fixar a remuneração do diretor do Departamento Nacional; Art. 24. Compete ao Presidente do Conselho Nacional: ... b) fixar os níveis máximos de vencimentos dos Diretores e Delegados Regionais; Conforme constou do relatório fiscal, a recorrente deixou de apresentar no decorrer do procedimento de fiscalização, os documentos comprobatórios do atendimento dos requisitos para gozo da imunidade de que trata o art. 195 § 7o da CF. Quanto à isenção, essa só pode ser concedida por lei específica (art. 150, § 6o da CF3), a qual deve ser interpretada literalmente (art. 111, II, do CTN4). Ocorre que os artigos 11 e 12 da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, que criou o extinto Serviço Social Rural (SSR), trata de outorgar isenção somente aos serviços e bens das entidades que especifica, incluindo o SENAI: 3 Art. 150 ... § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 4 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: II outorga de isenção; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 487 9 Art 11. O S. S. R. é obrigado a elaborar anualmente um orçamento geral, cuja aprovação cabe ao Presidente da República, que englobe as previsões de receitas e as aplicações dos seus recursos e de remeter ao Tribunal de Contas no máximo até 31 de março do ano seguinte, as contas da gestão anual, acompanhadas de sucinto relatório do presidente, indicando os benefícios realizados. Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). (Vide Lei nº 8.706, de 1993) A isenção não contempla as contribuições exigidas no lançamento tributário, relativas ao salárioeducação e ao INCRA, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício5. Outro aspecto a ser abordado é se os SSA podem ser considerados empresa, para fins fiscais. A resposta é positiva, pois, para os efeitos da legislação que rege a matéria, equiparase à empresa a entidade de qualquer natureza ou finalidade. É o que consta da norma prevista no art. 15 da Lei 8.212/91, abaixo transcrito, que, por determinação do art. 94 da Lei 8.212/91 e art. 3o da Lei 11.457/20076 estendese às exigências das contribuições aqui tratadas, que são equiparadas às devidas aos terceiros pelo § 3o do art. 3o da Lei 11.457/2007. 5 A contribuição do salário educação está prevista no art. 15 da Lei 9.424, de 24/12/1996, art. 1° da Lei n° 9.766, de 18/12/1998 e a contribuição destinada ao INCRA surgiu na Lei 2.613/55, art. 6º, parágrafo 4º, e com o advento da Lei nº 4.863, de 29/11/1965, transferiu o recolhimento do SSR para o extinto Instituto Nacional do Desenvolvimento AgrárioINDA que, com a edição do Decretolei nº 582, de 15/05/1969, art. 6º, dividiu o percentual para o IBRAFunrural e INDA. Com o surgimento do INCRA, através do DecretoLei nº 1.110/70, a quota do IBRA e INDA passou para o INCRA. 6 Lei 8.212/91 Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 11.501, de 2007). Lei 11.457/2007 Art. 3 As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). ... § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. ... Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; ... Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No mesmo sentido é o § 3o do art. 1o da Lei 9.766/98, que trata do salário educação: § 3o Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do SalárioEducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. Outro ponto do recurso que deve ser analisado diz respeito à referibilidade direta da contribuição ao INCRA, considerando a natureza urbana das atividades desenvolvidas pela recorrente. A contribuição devida ao INCRA tem natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico (CIDE) e visa a beneficiar toda a sociedade, e não apenas o meio rural, ao custear a atuação do Estado na estrutura fundiária, notadamente o programa nacional de reforma agrária, sendo prescindível a referibilidade direta em relação ao sujeito passivo da exação, nos termos da jurisprudência do STJ: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ. 1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA.” (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06). Em suma, não vislumbro na legislação de regência a possibilidade de reconhecer a imunidade ou a isenção da recorrente em relação ao pagamento da exigência aqui tratada, e, por conseguinte, da multa imposta pelo descumprimento da obrigação acessória inerente à obrigação principal. § 6º Equiparamse a contribuições de terceiros, para fins desta Lei, as destinadas ao Fundo Aeroviário FA, à Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e a do salárioeducação. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 488 11 Multa As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, multa de ofício do art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e multa isolada do art. 32A da mesma lei, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de afronta a princípio constitucional da vedação ao confisco, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Conclusão Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13864.000282/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA APENAS PARA FATOS POSTERIORES À LEI Nº 10.165, DE 2000. SÚMULA CARF Nº 41.
A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17-O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000.
Entretanto, conforme Súmula CARF nº 41, a não apresentação do ADA emitido pelo Ibama ou órgão conveniado, não pode motivar lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2801-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA APENAS PARA FATOS POSTERIORES À LEI Nº 10.165, DE 2000. SÚMULA CARF Nº 41. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. Entretanto, conforme Súmula CARF nº 41, a não apresentação do ADA emitido pelo Ibama ou órgão conveniado, não pode motivar lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 82 /2 00 9- 73 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado Auto de Infração, em 07/07/2009, conforme folhas 71 e seguintes, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 1998, no valor de R$ 139.774,40, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 104.830,80 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Pirambeiras”, cadastrado na RFB sob o nº 3.840.5148, com área declarada de 1.625,4 há e localizado no Município de BiritibaMirim/SP. Na “descrição dos fatos”, constante de fls. 73/74, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, com documentação hábil e idônea, tratarse toda a área declarada como sendo de preservação permanente e portanto isenta do imposto. Diz que "analisando a documentação", verificou que consta declaração da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, datada de 01/09/1988, informando que 80% do imóvel encontrase no Parque Estadual da Serra do Mar e os 20% restantes estão "sob o regime de preservação permanente", por força de lei. Assim, como a área total do imóvel era de 8.127,30, calculou que 20% seriam 1.625,4 ha, correspondente à área de preservação permanente informada na DITR. Motivou a glosa da área com a não apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental), protocolizado tempestivamente no Ibama, baseando tal exigência nas Instruções Normativas da RFB nº 43, de 1997 e 67, de 1997 (fls. 74/5). Observo que, anteriormente a essa autuação, a Receita Federal formalizara outra, conforme Auto de Infração que consta da folha 25, que foi anulado pela DRJ CAMPO GRANDE, sob a motivação de que "impõese a declaração de nulidade, por vício formal, de lançamento constituído mediante auto de infração que não apresenta a descrição dos fatos e os conseqüentes enquadramentos legais relativos à matéria tributada", como consta da ementa de sua decisão (fl. 61). O Formulário de Alteração da DITR objeto da revisão fiscal está copiado na folha 20. O contribuinte apresentara, juntamente com a Impugnação ao primeiro Auto de Infração, que foi anulado, declaração do Diretor de Parques Estaduais do Instituto Florestal da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, dizendo que 80% do imóvel está dentro de Parque Estadual e 20% são áreas de preservação permanente. (fl. 30) Inconformado com o lançamento do crédito tributário, o contribuinte apresentou impugnação (folha 83 seguintes). Tal manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ/CAMPO GRANDE, nos seguintes termos, em resumo (fl. 164 e seguintes). Disse o Julgador de 1ª instância que: Não há que se falar em decadência ou prescrição do crédito tributário. O lançamento objeto do presente processo foi efetuado em consonância com o art. 173, II, do Código Tributário Nacional, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 3 tributário extinguese após 5 anos contados "da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado': Não se verificou, portanto, qualquer espécie extintiva do crédito tributário. Examinandose o Auto de Infração questionado, verificase que ele contém todos os requisitos exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, inclusive quanto a ter sido lavrado por servidor competente (AuditorFiscal da Receita Federal), com atribuições legais para tal fim, e que a descrição dos fatos nele contida permitiu ao sujeito passivo impugnar o lançamento efetuado. Na realidade, nenhuma incorreção ou omissão foi apontada. Observase que é improcedente a alegação de nulidade do lançamento de oficio. Para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado. A contribuinte estava ciente da necessidade da entrega do ADA, haja vista que se trata de orientação constante dos manuais de instruções de preenchimento das DITR. Importante frisar que a necessidade de ADA e de averbação decorre de Lei (eis 4.771/65 e 10.165/2000), não se podendo levantar quais questionamentos acerca das legalidades de referidas exigências. Assim, decidiu o Acórdão recorrido “por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, ,....". Regularmente cientificado dessa decisão, pessoalmente, conforme informação na folha 176, em 07/05/2010 (dia de sexta feira), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 08/06/2010 (fl. 182). O recurso é extenso, mas creio poder resumir a inconformidade do contribuinte com a decisão recorrida em dois tópicos: 1 – O primeiro Auto de Infração, onde se verificou não constar a fundamentação legal e motivação do ato, não padeceria de vício formal, como consta do Acórdão recorrido, mas sim de vício material. Inaplicável, portanto, o artigo 173, II, do CTN. Dessa feita, o direito do Fisco de efetuar o lançamento já estaria atingido pela decadência, quando da lavratura do segundo Auto de Infração; 2 Asseverou o próprio Auditor que a área glosada se trata de APP e a fiscalização desconsiderou essa situação tão somente porque não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo estipulado. Citando atos do Governo Estadual e a realidade material do imóvel, defende que a área esteja enquadrada como APP e portanto isenta do imposto. Considerando tratarse do exercício de 1998, a exigência do ADA como requisito para a isenção, com base em normas infra legais, ofende o princípio da estrita legalidade. Desta feita, REQUER que seja totalmente reformada a decisão recorrida cancelandose assim o lançamento efetuado. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 4 A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA O contribuinte argúi que o segundo lançamento, efetuado em 2009, não poderia ter sido efetuado porque já fulminado o direito do Fisco, pela decadência. Questiona a decisão da DRJ que atribuiu à falta de fundamentação e motivação do primeiro lançamento, que de fato não estavam expressas no Auto de Infração, a qualidade de vício formal, o que permitiria à Administração, com fulcro no artigo 173, II, do CTN, efetuar novo lançamento no prazo então contado da data em que tal decisão se tornasse definitiva. Entendo que tem razão. A falta da correta motivação do ato administrativo e sua fundamentação legal não se reveste do caráter de mera instrumentalidade, mas é imprescindível para se verificar tanto a correção e legalidade do ato quanto para possibilitar a defesa do contribuinte. Fere a correta identificação do aspecto material da hipótese de incidência e por isso em desacordo com o artigo 142 do CTN. Não obstante, desnecessário alongarse nessa preliminar, considerando que se pode decidir o mérito a favor do sujeito passivo. MÉRITO. EXIGÊNCIA DO ADA PARA EXERCÍCIO ANTERIOR A 2000. Já é ponto pacificado na jurisprudência deste CARF, expresso na Súmula nº 41, que a falta de apresentação do ADA não pode motivar lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, como é aqui o caso (1998). Não é possível criar uma obrigação que não encontre previsão em lei e os atos expedidos pela RFB, no caso instruções normativas, não são hábeis para tal. Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 5 Dessa feita, o lançamento que reconhece a existência da área de preservação permanente declarada, mas motiva sua exclusão da DITR por falta de apresentação do ADA tempestivo no Ibama, para o exercício de 1998, conforme relatado, não pode prosperar. CONCLUSÃO Assim, face ao exposto, VOTO por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 15504.020592/2010-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. DECISÃO STJ RESP 973.733 . RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante decisão do STJ no REsp nº 973.733, proferida em sede de recurso repetitivo, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e ausente a antecipação do pagamento, a decadência do direito do Fisco de realizar o lançamento de ofício rege-se pelo art. 173, I do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CRITÉRIO DE RATEIO PARA CONTA CONJUNTA. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96.
O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 prescreve que, na ausência de comprovação da origem dos créditos bancários vinculados a conta conjunta, os rendimentos omitidos devem ser imputados a cada titular mediante sua divisão pelo número de titulares da conta.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO CLARA E CONDIZENTE COM O CASO ANALISADO. SÚMULA CARF Nº 14.
A imposição da multa de ofício qualificada requer que a fiscalização esclareça as razões de fato e de direito que levaram à conclusão de que a conduta do contribuinte, no caso sob análise, teve motivação dolosa. Ausentes, a simples omissão de receita não respalda a qualificação, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. DECISÃO STJ RESP 973.733 . RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante decisão do STJ no REsp nº 973.733, proferida em sede de recurso repetitivo, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e ausente a antecipação do pagamento, a decadência do direito do Fisco de realizar o lançamento de ofício regese pelo art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CRITÉRIO DE RATEIO PARA CONTA CONJUNTA. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96. O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 prescreve que, na ausência de comprovação da origem dos créditos bancários vinculados a conta conjunta, os rendimentos omitidos devem ser imputados a cada titular mediante sua divisão pelo número de titulares da conta. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO CLARA E CONDIZENTE COM O CASO ANALISADO. SÚMULA CARF Nº 14. A imposição da multa de ofício qualificada requer que a fiscalização esclareça as razões de fato e de direito que levaram à conclusão de que a conduta do contribuinte, no caso sob análise, teve motivação dolosa. Ausentes, a simples omissão de receita não respalda a qualificação, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 92 /2 01 0- 62 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 225.414,03 relativo ao anoscalendário 2005 e 2006. Passo a reproduzir, com a devida vênia, o Relatório constante na decisão recorrida, o qual bem descreve o conteúdo do litígio posto nos presentes autos: O lançamento decorre da tributação de rendimentos apontados como omitidos provenientes de valores creditados em conta de depósito mantida no Banco Real, cuja origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 10 a 18. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, conforme folhas de continuação anexas do referido feito fiscal. Irresignada, tendo sido cientificada em 14/01/2011 (11. 3), a contribuinte impugnou o feito fiscal em 14/02/2011, apresentando o arrazoado de fls. 253/264, acompanhado dos documentos de fls. 265/266. Na oportunidade, a autuada fezse representada por instrumento de procuração firmado para advogados do escritório Oliveira Fróis & Barreto Advogados e Consultores. Ressaltese que a competência para o lançamento de tributos, privativa da autoridade administrativa, é parte das atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB). Assim, o presente auto de infração foi lavrado pela AFRFB Lúcia Raquel P. T. S. Vilela, servidora pública devidamente legitimada para tal ato. O teor da peça impugnatória está sintetizado adiante. Informa a impugnante que os valores depositados são decorrentes de rendimentos pagos por pessoas físicas, "devidamente informados nas suas declarações de imposto de renda" e que, "apesar da conta corrente fiscalizada ser conjunta com o cônjuge da impugnante, com relação aos demais depósitos, referidos valores pertencem exclusivamente ao cônjuge". Assim, pertencem à impugnante os valores de R$15.750,00 (ano de 2005) e de R$18.700,00 (ano de 2006). Fl. 325DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/201062 Acórdão n.º 2802003.112 S2TE02 Fl. 324 3 "De fato, em se tratando de conta conjunta, devese ratear os valores, para fins de tributação, entre os cotitulares. Todavia, referido "rateio" não significa metade para cada um, pois, apesar da conta ser conjunta, nada impede que um cotitular movimente quantia diferente do outro. "A contribuinte sustenta que não restou evidenciado pela Fiscalização que a impugnante teria procedido dolosamente no sentido de querer se furtar, fraudulentamente, de sua obrigação para com o Fisco, não sendo no caso autorizada a imposição de multa de 150%. Atesta que seria entendimento pacífico do Carf que a omissão de rendimentos em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada enseja aplicação da multa normal de 75%. A contribuinte sustenta que não restou evidenciado pela Fiscalização que a impugnante teria procedido dolosamente no sentido de querer se furtar, fraudulentamente, de sua obrigação para com o Fisco, não sendo no caso autorizada a imposição de multa de 150%. Atesta que seria entendimento pacífico do Carf que a omissão de rendimentos em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada enseja aplicação da multa normal de 75%. "Uma vez demonstrado que a impugnante não agiu com dolo, fraude ou simulação, não sendo passível, portanto, de ser apertada com a aplicação da multa qualificada (150%), a contagem do prazo decadencial deve ocorrer de acordo com o § 4"do artigo 150 do CTN (...) Tal entendimento se aplica aos tributos lançados por homologação, como o IRPF. Nestes casos, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados a partir do dia 3J de dezembro de cada exercido financeiro." Tendo a ciência do feito ocorrido somente em 14/01/2011, a autuada alega que o lançamento referente ao ano de 2005 encontrase extinto pela decadência. Para corroborar todo o entendimento anteriormente esposado, a defendente cita e transcreve por toda peça impugnatória legislação, doutrina e jurisprudência administrativa a respeito. A decisão de primeira instância manteve o lançamento, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. DECADÊNCIA. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Nos casos de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial é de cinco anos da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/10/2011, demandando seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal, e aduzindo, em apertada síntese, que a maior parte dos valores creditados na conta conjunta pertencem ao cotitular, que não há razão para imposição de multa qualificada, estando decaído, assim, o lançamento referente ao exercício 2006. Em 29/1/2014 a recorrente apresenta pedido de desistência parcial (fls. 309/310), no tocante à inconformidade referente ao anocalendário 2006 (ao qual se refere como "exercício 2006"). Explica que resolveu parcelar, com os benefícios da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, essa parte da autuação, continuando a discutir tão somente o crédito tributário atinente ao anocalendário 2005 (ao qual se refere como "exercício 2005"), nos termos do § 8º do art. 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 15 de outubro de 2013. Em cumprimento ao disposto no art. 18, inciso XIX, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram restituídos os autos à repartição de origem, para confirmação da regularidade do parcelamento, bem como da efetivação do pagamento, nos termos da Lei nº 11.941/09. Após a transferência dos débitos parcelados para o processo nº 10680.720639/201461, retornaram os presentes autos ao CARF para julgamento, sendo que em 4/8/2014 a contribuinte reiterou o pedido de desistência dantes formulado. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Registrese que a contribuinte exerceu seu direito de desistir parcialmente do recurso, persistindo como objeto litigioso apenas o lançamento relativo ao anocalendário 2005, acerca do qual versam as razões de decidir adiante tecidas. Da decadência. A decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é matéria que foi objeto de apreciação por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 973.733/SC. Julgado em 12/8/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/201062 Acórdão n.º 2802003.112 S2TE02 Fl. 325 5 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. .INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux: Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos meus e do original) O STJ, desse modo, se posicionou no sentido de que a atividade objeto de homologação pela autoridade administrativa, nos termos do art. 150 e §§ do Código Tributário Nacional, tem por objeto o pagamento antecipado do tributo, ainda que em montante menor que o devido, e não outro eventual proceder do contribuinte correlacionado com a apuração do fato gerador. A tese jurídica firmada no precedente em questão é de observância obrigatória para este Colegiado, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Notese que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais também vem reiteradamente se pronunciando nesse sentido, conforme evidenciam, ilustrativamente, os acórdãos do Pleno de nº 9900000.227 (p. 9/5/2014) e nº 9900000.278 (p. 1/4/2014). No caso concreto, temse que a contribuinte não efetuou qualquer pagamento do tributo, conforme respectiva Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2006 atesta Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 (fls. 245/247), não havendo tampouco notícia de recolhimento de imposto de renda na fonte a título de antecipação do devido. Desta sorte, a constituição do crédito tributário passou a observar não mais o artigo 150, § 4º, mas a regra geral do art. 173, I do CTN, o qual, aplicado na espécie, aponta como termo final do prazo decadencial a data de 31/12/2011, posterior à ciência da contribuinte da autuação, dia 14/1/2011 (fl. 248). Inexiste, portanto, decadência a ser reconhecido na lide remanescente. Das contas conjuntas e da responsabilidade do cotitular. Desde o início da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão. Nesse contexto, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, fica caracterizada a omissão de rendimentos. A análise da movimentação financeira deve ser individualizada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento que foi escorreitamente realizado pela fiscalização no caso em tela. A autuada defende já ter esclarecido que os valores depositados em sua contacorrente, mantida conjuntamente com seu cônjuge José Raimundo Martins no Banco Real S/A., foram decorrentes de rendimentos pagos por pessoas físicas, no valor total de R$ 15.750,00, conforme informado na DAA do exercício 2006. Ora, o ônus da contribuinte era apresentar documentação apta a justificar de maneira individualizada os depósitos, não simplesmente alegar que todos os valores que entende lhe serem pertinentes correspondem aos declarados em sua DAA. Por sua vez, a mera informação da percepção de rendimentos na DAA não comprova que tal feito tenha efetivamente ocorrido, nem que tenha sua origem em pagamentos provenientes de pessoa física, consoante já ressalvado pela autoridade lançadora (fl. 14): "Em momento algum foram apresentados documentos que comprovassem o recebimento destas quantias pela contribuinte, e, também, nas respostas fornecidas pelo cônjuge em sua fiscalização, hora nenhuma foi informado a que se referiam estes depósitos. " Cabe observar não ser possível, na situação examinada, excluir do montante dos depósitos bancários sujeitos à comprovação os valores declarados na DAA, pois não há Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/201062 Acórdão n.º 2802003.112 S2TE02 Fl. 326 7 evidência alguma de que tais rendimentos fossem de caráter tal a justificar seu trânsito por contascorrente bancárias, e mais, como referido, sequer há sinal de sua efetiva existência. No tocante aos demais valores depositados, a contribuinte assevera pertencerem exclusivamente ao seu cônjuge, aduzindo que, "em se tratando de conta conjunta, devese ratear os valores, para fins de tributação entre os cotitulares. Todavia, tal 'rateio' não significa metade para cada um, pois, apesar da conta ser conjunta, nada impede que um co titular movimente quantia diferente do outro". O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é expresso ao preceituar que, não sendo comprovada a origem dos recursos, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão do total desses rendimentos pela quantidade de titulares, procedimento realizado pela autuante. Vejase o dispositivo legal: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º a 5º Omissis § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Portanto, sem razão a contribuinte, no particular. Da qualificação da multa de ofício. O art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a ulta de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502,de 30 de novembro de 1964, é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Compulsando nos autos o item III do Termo de Verificação Fiscal, "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA", pode ser lida a razão ventilada para a imposição do gravame examinado (fls. 16/17): Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Em razão da constatação da ocorrência de sonegação e fraude fiscal, o evidente intuito de sonegação e fraude está presente, assim a conduta da fiscalizada enquadrase na definição contida nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, conseqüentemente, ao lançamento de ofício foi imputada a multa qualificada, em conformidade com o art. 44 da Lei nº 9.430/96....(omissis) Após tal assertiva, a autoridade fiscal singelamente restringese a transcrever os dispositivos legais que regram a matéria, sem qualquer fundamentação adicional, que permita elucidar como e em que medida os fatos constatados correspondem às hipóteses normativas aludidas. A leitura dos itens precedentes do Termo de Verificação também não traz ao lume os elementos de convicção em que se baseou a conclusão da fiscalização. Tampouco a DRJ/BHE, ao manter a multa majorada, mostrase minimamente clara nesse sentido (fls. 272/273). Ora, referências genéricas a uma possível conduta em desconformidade com a legislação de regência, sem a devida especificação das evidências que acarretaram a qualificação, são insuficientes para amparála. A simples colocação, no Termo de Verificação Fiscal, de um item apartado para o tratamento da matéria, não supre a necessidade de a fiscalização demonstrar, por meio das devidas razões de fato e de direito, a motivação do seu convencimento. Inegável é o fato de que a contribuinte movimentou na contacorrente analisada valores não comprovados e em descompasso com os rendimentos informados na sua DAA por isso, foi lavrado o lançamento de ofício contestado. Porém, tais elementos não são suficientes, por si sós, para respaldar a qualificação imposta pela autoridade lançadora, a qual, por conseguinte, não deve prosperar. Oportuna, nesse sentido, a referência aos termos da Súmula CARF nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir a qualificação da multa. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15504.726141/2011-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008
IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 LUCRO ARBITRADO. LIVRO RAZÃO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando, entre outros fundamentos, o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 41 /2 01 1- 13 Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.586 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.587 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 1.545 a 1.553): Os autos de infração, a folhas 8 a 50, exigem da autuada o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 560.784,77, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 45.052,15 21.622,10 67.578,21 134.252,46 Contribuição p/ o Programa de Integração Social (PIS) 19.604,05 9.644,33 29.406,01 58.654,39 Contribuição p/ Financiamento da Seg. Social (Cofins) 90.480,49 44.512,92 135.720,67 270.714,08 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 32.572,97 15.731,43 48.859,44 97.163,84 Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal, a folhas 56 a 93, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. RECEITAS OPERACIONAIS – VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA – Arbitramento do lucro dos anoscalendários de 2006 e 2007, com base nas receitas omitidas constantes das notas fiscais emitidas no período. Enquadramento legal: artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 27, inciso I, e artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 532 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. A justificativa dada para o arbitramento é verificação de que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real, em virtude de erros e diversas irregularidades. Enquadramento legal do arbitramento: artigo 530, inciso II, do RIR 1999. Auto de infração de CSLL O autuante, afirmando que se trata lançamento decorrente de fiscalização do IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. CSLL SOBRE LUCRO ARBITRADO – Arbitramento do lucro dos anos calendários de 2006 e 2007, com base nas receitas omitidas constantes das notas fiscais emitidas no período. Enquadramento legal: artigo 2º, e seus parágrafos, da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 20 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 29 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Auto de infração de contribuição para o PIS O autuante, afirmando que se trata lançamento decorrente de fiscalização do IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA – FALTA OU INSUFICIÊNCIA DO PIS – Arbitramento do lucro dos anoscalendários de 2006 e 2007, com base nas receitas omitidas constantes das notas fiscais emitidas no período. Enquadramento legal: artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 70, de 1991; artigo 24, § 2º, da Lei nº Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.588 4 9.249, de 1995; artigo 2º, inciso I, alínea “a”, parágrafo único, e artigos 3º, 10, 22, 51 e 91, todos do Decreto nº 4.524, de 2002. Auto de infração de Cofins O autuante, afirmando que se trata de lançamento decorrente de fiscalização do IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. COFINS OMISSÃO DE RECEITA – Arbitramento do lucro dos anos calendários de 2006 e 2007, com base nas receitas omitidas constantes das notas fiscais emitidas no período. Enquadramento legal: artigo 2º, inciso II, parágrafo único, e artigos 3º, 10, 22, 51 e 91, todos do Decreto nº 4.524, de 2002. Termo de verificação fiscal No relatório de auditoria fiscal, a folhas 56 a 93, o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. ∙ Foram avaliadas pela fiscalização as declarações encaminhadas pelo sujeito passivo relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007. As versões originais das DIPJ são apresentadas com todos os seus campos com valores zerados. Nessas versões originais, para anocalendário de 2006, é informada a forma de tributação pelo lucro presumido e, em 2007, pelo lucro real e apuração trimestral. As versões retificadoras informam, como forma de tributação, o lucro real com apuração anual, sem informar os valores mensais relativos ao cálculo do IRPJ e CSLL devidos por estimativa. Registrese que não foram apurados pagamentos no período relativos aos códigos de receita da estimativa do IRPJ e da CSLL, e as DCTF foram também encaminhadas sem declarações de débitos. ∙ Houve reincidência na entrega de DIPJ com todos os campos com valores zerados. A opção pelo lucro presumido no anocalendário de 2006 não se manifestou pelo pagamento do IRPJ no código correspondente. Constatouse igualmente, que a forma de tributação pelo lucro real com apuração anual do IRPJ e CSLL, nas versões das DIPJ retificadoras, também não se confirmou, tendo em vista a existência de valores zerados em relação ao cálculo do imposto e contribuição mensais estimados. ∙ Foram inicialmente apresentadas pelo sujeito passivo diversas folhas soltas do livro razão, relativas aos anoscalendários de 2006 e 2007. Logo em seguida, foi apresentado um único livro do razão para cada ano, em capa preta, com registros de lançamentos contábeis no período de janeiro a dezembro. Finalmente, o sujeito passivo apresentou 5 volumes de capas verdes para o anocalendário de 2006 e 4 volumes de capas verdes para o anocalendário de 2007, conforme cópias anexas dos seus respectivos termos de abertura e encerramento. Esse procedimento adotado pelo sujeito passivo, retratando a existência de uma pluralidade de registros contábeis, impossibilitou uma efetiva análise das movimentações de interesse da fiscalização. ∙ Foram encaminhadas, em resposta à intimação, notas fiscais de entrada e saída, recibos de pagamentos e cópias de cheques referentes aos meses de abril e julho de 2006 e de fevereiro, agosto e setembro de 2007. Constatouse que os documentos apresentados não espelhavam os registros contábeis, a saber: não se respeitava o regime de competência, havia documentos sem valor como comprovação de despesas, falta de comprovação dos pagamentos, etc. Constatouse, ainda, que os valores das despesas divergiam daqueles informados na DIPJ. Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.589 5 ∙ Em virtude desses fatos, foi devolvida ao sujeito passivo a documentação contábil e fiscal apresentada. Concluiuse sobre a impossibilidade de se comprovar a veracidade dos lançamentos contábeis, tendo como parâmetro os documentos apresentados, o que motivou nova intimação, solicitando informar as contas contábeis analíticas componentes dos demonstrativos de resultado relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007 em relação aos itens: custo de produção, custo de beneficiamento e produção, despesas administrativas, despesas de beneficiamento. Requereuse ainda a apresentação de planilha detalhando, mês a mês, os saldos destas contas e a documentação base dos lançamentos, bem como de planilha detalhando, mês a mês, as despesas financeiras. ∙ Foi confrontada a documentação encaminhada com os lançamentos contábeis integrantes do livro razão volumes 1 a 5 (AC 2006) e 1 a 4 (AC 2007). Destacamos os meses de janeiro a julho de 2006 e fevereiro, agosto e setembro de 2007, buscando a inclusão das amostras já analisadas anteriormente pela fiscalização, entendendo que a partir da ciência pelo sujeito passivo das irregularidades constatadas na aludida amostra, por meio de termo de constatação fiscal, particularmente em relação à falta de comprovação documental, lhe fosse concedida a oportunidade de sanear as ocorrências. Não foram efetuados, porém, ajustes por parte do sujeito passivo. Houve, ainda, novas constatações, que comprometem a escrituração, discriminadas em seguida. ∙ Não há critério na classificação das contas contábeis. Os discriminativos correspondentes aos documentos solicitados pela fiscalização, encaminhados pelo sujeito passivo, informam, para CUSTO DE BENEFICIAMENTO / PRODUÇÃO, a conta contábil 3.1.1.02, DESPESAS ADMINISTRATIVAS, a conta 3.2.1.02, DESPESAS FINANCEIRAS, a conta 3.2.1.03, DESPESAS DE BENEFICIAMENTO, a conta 3.2.1.06. As contas contábeis informadas no volume 1/5 do livro razão (AC 2006) e 1/4 (AC 2007) foram as seguintes: conta 3004 como sendo CUSTOS DE BENEFICIAMENTO / PRODUÇÃO, conta 3021 para DESPESAS ADMINISTRATIVAS, 3022 para DESPESAS FINANCEIRAS, 3032 para DESPESAS DE BENEFICIAMENTO. Nos volumes ‘únicos’ dos livros razão encaminhados pelo sujeito passivo, não se emprega a aludida nomenclatura, que é a mesma das Demonstrações de Resultado. Por exemplo, ele nomeia Salários e Ordenados, Prólabore, ao invés de DESPESAS ADMINISTRATIVAS. Nas folhas soltas, informa a conta n° 0208 para Salários e Ordenados, 0212 para Energia Elétrica, 0363 para Telecomunicações, 0368 para Assistência Contábil, 0381 para Outras Despesas Operacionais. ∙ Foram apresentados documentos sem valor como comprovação de despesas, conforme cópias anexas, autenticadas pela fiscalização, dos recibos sem assinatura de retiradas prólabore de Cristiano Ferreira de Souza e Jaci Ferreira de Souza, e de prestação de serviços contábeis por Antônio Alves Faria. Há ainda comprovante de um fax destinado à UNIMED, na data 28/03/2007, cujo objeto seria um depósito feito na data 28/02/2007, no valor de R$ 871,32, conforme anexo; contudo as informações no documento bancário foram apagadas, impossibilitando validar a despesa realizada em 02/2007. ∙ Diversas despesas foram incluídas na apuração do resultado nas datas de pagamento, conforme demonstrado no “Discriminativo dos Lançamentos Contábeis Efetuados em Inobservância ao Regime de Competência” ANEXO II. Quanto às notas fiscais n° 007, 1075 e 1076, além de seus lançamentos contábeis não observarem o regime de competência, referemse a despesas estranhas ao objeto social da empresa, pois se trata de pagamentos feitos à Organização Irmãos Costa Ltda. ME / Funerária Bom Jesus na aquisição de coroa, como também pagamentos Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.590 6 feitos à Farmácia Padre Pedro Pinto Ltda., na aquisição de acessórios, remédios c produtos de beleza. ∙ Os documentos comprobatórios dos custos de beneficiamento, produção, despesas administrativas, despesas de beneficiamento e financeiras, realizadas em 02/2006, não integraram os lançamentos contábeis do Livro Razão n° 01, volume 1/5. ∙ A inexistência de lançamentos contábeis Em 02/2006 não se restringiu apenas às contas contábeis de custos e despesas. No Livro Razão (volume 1/5), conforme cópias anexas das páginas 148 e 149, inexistem, em 02/2006, lançamentos de receitas. Por outro lado, no livro razão (volume único), conforme cópia anexa da página 457, existem receitas lançadas relativas às notas fiscais n° 225, 227 e 229, em 02/2006, totalizando R$ 6.306,00. ∙ Em relação ao mês de 01/2007, no Livro Razão (volume único), a contabilização da receita corresponde ao montante de R$ 128.220,96 e no Livro Razão (volume 1/4), o total lançado importa em R$ 96.165,72. No Livro Razão (volume 3/4), encontrase lançado, como Vendas a Prazo, em 08/2007, o valor de R$ 77.525,77, enquanto no Livro Razão (volume único), o valor lançado importa em R$ 112.281,57. No Livro Razão (volume 4/4), o valor lançado para Vendas à Vista e a Prazo em 10/07 corresponde a R$ 104.582,17, enquanto no Livro Razão (volume único), está lançado, a título de Vendas a Prazo, em 10/07/2007, o valor correspondente a R$ 119.439,80. ∙ Foram confrontados os discriminativos dos Custos de Beneficiamento e Produção, das Despesas Administrativas, Despesas de Beneficiamento e Financeiras encaminhados pelo sujeito passivo, relativos aos meses de janeiro a julho de 2006, fevereiro de 2007, agosto de 2007 e setembro de 2007, com os documentos a eles anexados e com os registros contábeis escriturados no livro razão. Foi constatada a não comprovação de diversas despesas, ou seja, não foi encaminhada, pelo sujeito passivo, grande parte da documentação. Usaramse cópias autenticadas pela fiscalização dos aludidos discriminativos e seus respectivos lançamentos no livro razão, para comprovar a relação dos documentos não apresentados pelo sujeito passivo. Os valores das despesas pagas, lançadas contabilmente e não comprovadas, encontramse destacadas em seus respectivos discriminativos. ∙ Foram confrontados o LALUR e as DRE encaminhadas pelo sujeito passivo. Foram apuradas divergências nos valores relativos ao resultado contábil. O quadro abaixo apresenta o confronto do resultado contábil apurado nos trimestres dos anoscalendário de 2006 e 2007. ANO CÀLENDÁRIO DE 2006 Período Apuração DRE LALUR 1º trimestre (222 635,84) (923.066,52) 2º trimestre (64.602,36) (389.202,23) 3º trimestre 91.352,24 (588.268,35) 4º trimestre 87.893,30 (762.994,08) ANO CALENDÁRIO DE 2007 1º trimestre (49.065,90) (991.954,97) 2º trimestre (10.236,61) (965.246,73) 3° trimestre (425.709,11) (1.199.464,98) 4º trimestre 111.678,25 (713.319,93) ∙ O fato apurado foi motivo da lavratura de termo de constatação fiscal, encaminhado ao sujeito passivo, visando o esclarecimento das aludidas divergências. Em 11/10/2011, foram apresentadas novas versões do LALUR, corrigindo as irregularidades apontadas pela fiscalização. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.591 7 ∙ O art. 259 do RIR 1999 dispõe sobre o dever de escriturar e sobre os requisitos da escrituração. As irregularidades constatadas pela fiscalização em relação à escrita contábil praticada pelo sujeito passivo, que não mantém em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, o livro razão, utilizado para resumir e totalizar, por conta e subconta, os lançamentos efetuados no Livro Diário, revelando vícios, erros ou deficiências, tornaram a escrita imprestável para determinar o lucro real, o que motivou o arbitramento do lucro nos anoscalendários de 2006 e 2007. ∙ O termo de intimação fiscal, lavrado em 14/07/2011, havia solicitado a apresentação do Livro Diário nos anoscalendário de 2006 e 2007. O sujeito passivo requereu a dilação do prazo. Com o decurso do prazo concedido, foi feita uma reintimação fiscal. Podese apreender, a partir daí, a inexistência do LIVRO DIÁRIO. ∙ Em decorrência da reintimação, foram apresentados os diários sem seus respectivos registros na Jucemg, o que motivou a lavratura, em 19/08/2011, de termo de devolução de documentos visando à regularização da ocorrência e posterior reencaminhamento à fiscalização. Ainda nessa data, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 0002, solicitando as Notas Fiscais/Faturas relativas às receitas auferidas nos anoscalendário de 2006 e 2007, bem como os demonstrativos contábeis (Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado trimestral). ∙ Desde a devolução do diário para regularização do registro em 19/08/2011 até meados de novembro/2011, encontravamse pendentes o seu reencaminhamento à fiscalização. O contribuinte encaminhou informações da Jucemg, onde são apontados erros na formalização dos livros e a necessidade do processamento de ajustes para a efetivação dos seus registros. Esse fato motivou a lavratura, em 19/09/2011, de reintimação fiscal, requisitando sua apresentação no prazo de 5 dias. ∙ Somente em 08/11/2011, transcorridos mais de 2 meses da devolução do diário para regularização, o sujeito passivo informou estarem os livros disponíveis para reapresentação. Considerando o encerramento do procedimento e a constatação de vícios na escrita contábil do sujeito passivo, obrigando à utilização do arbitramento do lucro nos anoscalendário de 2006 e 2007, tornouse desnecessária a análise do livro diário e consequentemente os seus reencaminhamentos. ∙ A 3ª alteração contratual informa, como objeto social, a industrialização e comércio de produtos extrativos de origem mineral e prestação de serviços de beneficiamento de minerais. No sistema CNPJ, seu CNAE fiscal é de nº 07103/02, correspondente a “pelotizaçâo, sinterização e outros beneficiamentos de minério de ferro”. ∙ Grande parte das Notas Fiscais foi apresentada em sua 5ª via (contabilidade). Desse modo, nem sempre as informações são apresentadas de forma legível, dificultando a leitura dos códigos fiscais de operação (CFOP). ∙ Intimado a apresentar notas fiscais de serviços, o sujeito passivo informou que “a Bellox Ltda., apesar de constar em seu objeto social prestação de serviços, nunca exerceu atividades de prestação de serviços, portanto, não há, em seus registros fiscais/contábeis, quaisquer Notas Fiscais de Serviço.” ∙ Consta no livro razão (volume único), página n° 315, lançamento de RECEITA DE VENDA DE SERVIÇOS, auferida em 16/10/2007, pela prestação de Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.592 8 serviços a Fermag Ferritas Magnética Ltda., no montante de R$ 40.441,13. Por outro lado, o mesmo valor encontrase lançado na data 16/10/2007 no Livro Razão (volume 4/4), página 2038, a título de OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS, como recebimentos diversos na prestação de serviços a Fermag Ferritas Magnética Ltda. ∙ A receita auferida pela empresa em 10/2007 e lançada na contabilidade importa em R$ 104.582,17, conforme o Discriminativo das Receitas Apuradas Anos Calendário 2006/2007 ANEXOIII e as cópias anexas das páginas 2035 e 2036, que informam a emissão de Nota Fiscal n° 564, em 05/10/2007, a título de mão de obra (margem ferrita calcinada), de valor R$ 27.056.00, CFOP 5124 (industrialização efetuada para outra empresa), e a NF n° 566, emitida na data 12/10/2007, a título de industrialização por encomenda, de valor R$ 77.525,77, CFOP 5949 (outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), ou seja, não foi emitida a Nota Fiscal relativa à aludida receita de venda de serviços faturada com a FERMAG, a despeito da existência do lançamento contábil. ∙ Ainda em 10/2007, foram emitidas, em nome da Fermag, as NF nº 74 a 577, 579, 582 a 584, utilizandose de 2 (dois) códigos CFOP: 5124 (industrialização efetuada para outra empresa) e 5902 (retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda). Essas notas fiscais não foram contabilizadas (vide ANEXOIII). ∙ O sujeito passivo emitiu, desde o 3º trimestre de 2007, notas fiscais com a utilização de dois códigos na mesma operação, conforme o ANEXOIII, ou seja, 5124/5924 (industrialização efetuada para outra empresa e remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente da mercadoria, quando esta não transitar pelo estabelecimento do adquirente, respectivamente) e 5124/5902 (industrialização efetuada para outra empresa e retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda, respectivamente). As receitas auferidas nessas operações não foram oferecidas à tributação, pois inexiste lançamento nos diversos razões apresentados. Confrontadas as notas fiscais apresentadas com os lançamentos contábeis escriturados no razão, foi constatado que, além das notas fiscais componentes das citadas operações, outras tantas notas fiscais também não foram contabilizadas. O percentual da receita contabilizada, no anocalendário de 2007, em relação ao anocalendário de 2006, representou um decréscimo da ordem de 56,27%. ∙ Grande parte das Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo, no ano calendário de 2007, teve como destinatário a empresa FERMAG FERRITAS MAGNÉTICAS LTDA. Intimada, essa empresa informou que as operações realizadas com a Bellox consistiram na contratação, durante o período 05/06/2007 a 28/12/2007, de serviços de industrialização (calcinação) de matérias primas, para a obtenção do clínquer de ferrita. A Fermag enviava para o sujeito passivo as matérias primas, o produto intermediário e os materiais de embalagem. O clínquer de ferrita era então devolvido pela Bellox por meio da emissão de Nota Fiscal de retorno da remessa para industrialização por encomenda (CFOP 5902, combinada com a industrialização efetuada para outra empresa (CFOP 5124). Este último código utilizado para cobrança do preço contratado pela prestação dos serviços de industrialização. ∙ Foi encaminhado ao sujeito passivo termo de intimação fiscal, requisitando o envio de informações sobre o processo produtivo, incluindo todas as fases requeridas, desde o início até o produto final, nos anoscalendário de 2006 e 2007, e que informasse todos os fornecedores dos insumos utilizados, bem como que esclarecesse as operações realizadas que fundamentem as Notas Fiscais emitidas com os códigos CFOP 5124/5924 ou 5124/5902. Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.593 9 ∙ O sujeito passivo descreveu o processo produtivo não o reconhecendo como uma industrialização. Informou que o uso do código CFOP 5124 se deveu à não existência de códigos para beneficiamento. Em relação ao CFOP 5902, informou que era utilizado para registrar a saída dos insumos empregados no beneficiamento, pois havia entre as empresas uma parceria, pela qual os insumos eram comprados em nome da FERMAG para serem beneficiados; assim, eles eram devolvidos para baixa de estoque da contratante. Funcionários da FERMAG teriam se instalado na Bellox, para a realização de uma parceria, onde realizavam o beneficiamento. ∙ O representante da FERMAG compareceu à RFB em Belo Horizonte. Ficou registrado que não houve nenhuma parceria ente as duas empresas na realização das operações em que funcionários da FERMAG tivessem se instalado nas dependências da Bellox para o cumprimento do contrato. ∙ Constatouse, ainda, a emissão de diversas Notas Fiscais utilizandose indevidamente do código CFOP n° 5924, ao invés do CFOP n° 5902, uma vez que a operação teve como objeto o retorno do produto industrializado para a FERMAG e não a remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente da mercadoria, quando esta não transitar pelo estabelecimento do adquirente. O sujeito passivo não contabilizou as operações realizadas com a FERMAG. ∙ Visando levantar qual valor seria tributável, foram analisadas as informações complementares, bem como a descrição dos produtos constantes nas notas fiscais emitidas pela Bellox que tiveram como destinatário a Fermag. Diversas notas fiscais apresentam informações complementares relativas ao carbonato de bário, que teria sido componente do processamento, contudo, grande parte dessas notas fiscais não integrou o discriminativo apresentado pela FERMAG contemplando as notas fiscais de saídas emitidas para a Bellox Ltda., a exemplo das de nº 512, 513, 516, 519, 521, 523, 528, 529, 533, 535, 538, 542, 545, 547, 550, 552, 554, 575, 576, 577, 579, 582, 583, 584, 585, 586, 589, 590, 592 a 598, 600 a 606, 608 a 609, 612 a 613, 616, 618, 622 a 623, 628 a 629. ∙ A descrição dos produtos nas notas fiscais informa, como composição dos dados, o consumo de energia elétrica e mão de obra, além dos insumos recebidos da FERMAG. Constatouse que o sujeito passivo ainda apresenta, em informações complementares, o número da nota fiscal relativa à mão de obra que já teria integrado os seus registros contábeis. A partir daí, foi confrontado o somatório da energia elétrica e mão de obra com o valor escriturado da aludida nota fiscal, conforme o discriminativo “Receitas Apuradas na Prestação de Serviços de Industrialização à Fermag Ferritas Magnéticas Ltda.” ANEXOIV, sendo constatadas disparidades entre os valores apresentados. Esses fatos impossibilitaram conhecer o valor tributável das operações. Assim, foram considerados os valores totais das notas fiscais emitidas para a FERMAG no período 06/2007 a 12/2007 (vide ANEXOIII). ∙ Em se tratando de omissão de receita, foram lançadas a Cofins bem como a contribuição para o PIS, tendo como base as receitas brutas mensais apuradas. ∙ Os fatos apurados ensejam a qualificação da multa. O sujeito passivo encaminhou à Receita Federal do Brasil a sua Declaração Econômico Fiscal (DIPJ) do anocalendário de 2006, com todos os seus campos com valores zerados. No ano calendário seguinte (2007), reincidiu nesta mesma prática, não apurando, como consequência, impostos e contribuições devidos à União. O sujeito passivo deixou Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.594 10 de contabilizar diversas Notas Fiscais nos anoscalendários de 2006 e 2007, conforme ANEXOIII. ∙ Essas condutas denotam, em tese, o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada, conforme o disposto no art. 957 do RIR/99, art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, e também na Lei n° 4.502/64, art. 71, I, combinado com o art. 72. Impugnação do lançamento O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos pessoalmente (conforme atesta a assinatura aposta por seu representante legal no corpo dos autos de infração) em 05.12.2011. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. ∙ A impugnação é tempestiva, pois protocolada dentro dos 30 dias contados do recebimento do auto de infração. Encontrase, ainda, em consonância com os artigos 5º, 15 a 17, todos do Decreto nº 70.235, de 1972. ∙ O feito fiscal não valorou os livros contábeis apresentados e entendeu por arbitrar o lucro da empresa, contrariando dispositivo legal, doutrina dominante e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Absurda tal pretensão, uma vez que a realidade fática e contábil nem sequer foi valorada, desprezando o agente os livros apresentados pela empresa e fundamentando todo o Auto de Infração em suposições e arbitramento. ∙ Esse posicionamento afronta o artigo 148 do Código Tributário Nacional, bem como jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que reiteradamente firmou o princípio da verdade real em matéria tributária. Logo, impossível a manutenção da autuação, requerendo a impugnante seu cancelamento, nos termos legais. ∙ A tese central a ser debatida é o arbitramento do lucro por desclassificação da escrita contábil, sob a alegação de que esta é imprestável para a determinação do lucro real. Porém, o agente da fiscalização decide sem valorar os livros entregues, julgando ser desnecessária sua análise. ∙ A decisão de desclassificar a escrita do contribuinte é pessoal e subjetiva. Para um auditor, a escrita pode ser passível de desclassificação e, para outro, a escrita pode ser considerada válida para apurar o lucro real. Contudo, impossível admitir que esta decisão seja tomada sem que seja feito estudo e análise dos livros apresentados, como é o caso em tela. ∙ Sem que se proceda ao levantamento (perícia contábil nos livros e documentos do contribuinte), quando este os tem e mantém em dia, e os exibe ao fisco, não se admite a desclassificação da escrita por a julgar absolutamente imprestável. ∙ O caso em tela viola o princípio constitucional do contraditório e da força probante dos livros comerciais e fiscais, tornando nulo e ineficaz o arbitramento fiscal. A doutrina brasileira não admite tributação por presunção, conforme se extrai dos ensinamentos transcritos na impugnação. ∙ Igualmente não se pode tributar por indício. Vejase a posição da doutrina sobre o tema, retratada nas passagens transcritas na impugnação. ∙ Não se consideraram os livros apresentados pela empresa, e os fatos narrados pelo agente fiscal foram fundamentados em informações antigas e Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.595 11 ratificadas. Concluise, assim, que se decidiu pelo arbitramento com base em indícios, sem prova de dolo ou omissão de receita. Portanto, deve o auto de infração ser cancelado, o que desde já se requer. ∙ O Conselho de Contribuintes, por meio da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem decidido sobre o lucro arbitrado conforme as ementas transcritas na impugnação. O Superior Tribunal de Justiça corrobora este entendimento, conforme decisão transcrita na impugnação. ∙ O cancelamento do auto de infração é medida que se impõe, até com intuito de evitar futura condenação em sucumbência da Fazenda Pública, visto que eivado de vício de nulidade, pois não considera a escrita apresentada. ∙ As provas da impugnante são, essencialmente, os documentos que se acostam à inicial. Todavia, qualquer documento que a impugnante trouxer antes do julgamento final no Conselho de Contribuintes deve ser valorada e valorizada. Desse modo, requer o deferimento de todos os meios de prova admitidos em direito. ∙ Requerse o recebimento, processamento e julgamento da impugnação, pois tempestiva e cabível em espécie. ∙ Requerse o cancelamento do auto de infração, pois embora tenham sido apresentados os livros para a fiscalização, estes foram reencaminhados ao contribuinte sem sua análise, tornando infundado o arbitramento do lucro e suas consequências. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 1.544): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DE LUCROS Será arbitrado o lucro do contribuinte cuja escrituração contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 12/11/2012 (fls. 1.583), a tempo, em 06/12/2012, por via postal (fls. 1.579), apresenta a interessada Recurso de fls. 1.569 a 1.576, instruído com os documentos de fls. 1.577 a 1.582, nele argumentando, em síntese: a) que a fiscalização arbitrou o lucro da recorrente, principalmente em virtude de a mesma não ter apresentado o Diário devidamente registrado dentro do prazo fixado; b) que a própria fiscalização admitiu que o Livro Diário é o componente da escrituração a que a legislação atribui o papel proeminente; Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.596 12 c) que, portanto, ao não examinar seu Livro Diário, a fiscalização privou a Recorrente de demonstrar o lucro efetivamente auferido por ela, lucro esse que deveria servir de base de cálculo para o tributo a ser pago; d) que a fiscalização considerou intempestiva sua apresentação pela Recorrente, e isso foi suficiente para deixar de lado elemento tão importante na apuração do lucro real da empresa; e) que a eventual intempestividade de sua apresentação, intempestividade essa devidamente justificada documentalmente, deveria ser menos preponderante do que a consistência das informações trazidas no Livro Diário; f) que a autoridade fazendária responsável tinha toda a possibilidade de aferir o lucro real da empresa e, portanto, aplicar o tributo de forma correta e mais justa; g) que a Recorrente enfatiza a idoneidade de sua escrituração contábil, que não pode ser desconsiderada apenas por apresentar erros materiais perfeitamente sanáveis, como o foram; h) que a verdade real, se examinado o Livro Diário da Recorrente, haveria de ter prevalecido sobre o arbitramento da fiscalização; e i) que se insurge contra a multa de 150% (cento e cinquenta por cento), aplicada sobre o montante do imposto a ser pago. Em mesa para julgamento. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.597 13 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida bem analisou a questão, motivo pelo qual transcrevo alguns trechos elucidativos (fls. 1.553 a 1.557): Quanto ao mérito, a contestação da impugnante, em essência, resumese no argumento de que o arbitramento do lucro é incabível em virtude de a fiscalização ter devolvido os livros da escrituração do sujeito passivo sem que os tivesse examinado. A argumentação da impugnante, contudo, é infundada, porque não leva em conta todos os fatos ocorridos no curso da ação fiscal, nem o conjunto das irregularidades e informações apuradas pela autoridade lançadora. Em verdade, conforme comprova o relato constante do termo de verificação fiscal (não contestado na impugnação) e a documentação juntada aos autos, a fiscalização examinou minuciosamente os elementos da escrituração que lhe foram tempestivamente apresentados, sobretudo as diferentes versões do livro razão e a documentação que o acompanhava. O único livro que, de fato, a fiscalização deixou de apreciar foi o diário. Embora esse seja o componente da escrituração a que a legislação atribui o papel proeminente, a medida tomada pela fiscalização encontrase bem justificada. A autuada primeiramente não apresentou o diário dentro do prazo que lhe foi fixado. Quando o finalmente fez, o diário não trazia a autenticação do Registro do Comércio, formalidade indispensável exigida pela legislação. A fiscalização retornou o livro à autuada, para que fosse sanada a irregularidade. Somente mais de dois meses depois é que o diário foi reapresentado com o registro. Todavia, nesse ponto, já não era possível evitar o arbitramento, seja em virtude da apresentação tardia do próprio diário, seja em virtude de falhas encontradas em outros elementos da escrituração, sobretudo no livro razão, suficientemente graves para tornar imperativo o arbitramento do lucro. Diversas normas legais estabelecem categórica e expressamente a obrigação de registrar ou autenticar o livro diário no órgão competente (para as empresas sediadas em Minas Gerais, esse órgão é a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – Jucemg). Sem tal formalidade, o livro perde a sua validade. A respeito do assunto o Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, textualmente dispõe: Art. 5º Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade mercantil, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do comerciante. (...) Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.598 14 § 2º Os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio. (...) Art. 8º Os livros e fichas de escrituração mercantil somente provam a favor do comerciante quando mantidos com observância das formalidades legais. O atual Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), possui norma de teor equivalente em sua seção destinada à regulação das sociedades. Confirase: Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. (...) Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. O RIR 1999, como não podia deixar de ser, também contém norma que torna obrigatória a autenticação do diário, a saber: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). (...) § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). Não restando dúvida sobre a obrigatoriedade da autenticação do diário, em virtude de expressa determinação legal, cabe agora indagar se e até quando pode ser sanada eventual omissão no cumprimento desse dever. A solução da questão requer que se considere o disposto no artigo 71 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, abaixo reproduzido. Art. 71. Acrescentase ao artigo 38 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 40.702, de 31 de dezembro de 1956, os seguintes parágrafos: § As pessoas jurídicas ficam obrigadas a indicar, nos documentos que instruírem as suas declarações e rendimentos, o número e a data ou registro do livro “Diário” no Registro de Comércio competente, assim como o número da página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço e a demonstração da conta de lucros e perdas. § O número e a data do registro do livro “Diário” serão fornecidos às sociedades civis pelo competente Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.599 15 A norma supra ainda vigora, pois se acha incorporada ao RIR 1999, nestes termos: Art. 814. As pessoas jurídicas indicarão, nos documentos que instruírem suas declarações de rendimentos, o número e a data do registro do livro ou fichas do Diário no Registro do Comércio competente, assim como o número da página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do período de apuração (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). Parágrafo único. As sociedades civis estão, igualmente, obrigadas a indicar, nos documentos que instruírem as suas declarações de rendimentos, o número e a data de registro do Livro Diário no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, assim como o número da página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do período de apuração (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71). Observese que a norma transcrita determina que a pessoa jurídica indique em suas declarações de rendimento o número e a data da autenticação do livro diário no Registro do Comércio. Isso significa que, até a data fixada para a entrega da declaração de rendimentos, o contribuinte deve já ter providenciado a autenticação do diário. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 16, de 01.03.1984, estabelece expressamente semelhante regra. Confirase: Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos Órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro “Diário” autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. Portanto, a legislação tributária até admite que o diário seja autenticado tardiamente, mas, para fins de apuração do lucro real, a autenticação tem de estar providenciada até que se expire a data prevista para a entrega da declaração de rendimentos do correspondente exercício. Passado esse marco temporal, a fiscalização está autorizada a rejeitar o diário que não tenha sido autenticado. No caso da autuada, os períodos de apuração fiscalizados foram os anoscalendários de 2006 e 2007. As datas previstas para a entrega das declarações de rendimentos correspondentes a esses anos situamse, respectivamente, em meados de 2007 e 2008. No entanto, conforme relato constante do termo de verificação fiscal, não contestado pela impugnante, respectivamente cerca de quatro e três anos depois daquele marco temporal, os diários relativos aos anoscalendários de 2007 e 2008 ainda não estavam autenticados, tanto que a fiscalização, a quem eles foram apresentados sem autenticação, os devolveu à autuada para que fizessem o registro na Jucemg. Somente em 08.11.2011 é que os diários com a autenticação foram finalmente postos à disposição à fiscalização. Nessa ocasião, porém, em virtude do atraso na autenticação, a fiscalização já não podia aceitar os diários para fins de apuração do lucro real. Mais importante ainda é que, mesmo que o descumprimento da formalidade em causa, ou o seu cumprimento extemporâneo, fosse relevado e a fiscalização aceitasse como válido o diário cuja autenticação fora providenciada apenas depois de intimação fiscal e mais de quatro anos depois de expirado o prazo fixado para tal medida, nem assim a autuada se livraria de ver o seu lucro arbitrado. Ocorre que, a essa altura do procedimento fiscal, a autoridade administrativa já havia encontrado no outro pilar da escrituração contábil, o livro razão, falhas tão gritantes que, de acordo com a legislação, tornaram o arbitramento medida imperativa. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.600 16 A escrituração do livro razão com a observância das normas contábeis tornou se requisito indispensável para que a pessoa jurídica possa adotar o lucro real como a base de cálculo do IRPJ, desde a vigência do artigo 14 da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação que lhe deu a Lei nº 8.383, de 1991. Confirase: Art. 14 A tributação com base no lucro real somente será admitida para as pessoas jurídicas que mantiverem, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Livro Razão), mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) Parágrafo único. A nãomanutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) A norma legal supra achase incorporada ao RIR 1999 com a seguinte redação: Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. § 2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo. Notese que tanto a norma legal quanto a regulamentar prescrevem taxativamente o arbitramento para a hipótese de o contribuinte não mantiver o livro razão em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas. No presente caso, o autuante enumera uma sucessão de falhas e omissões que demonstram cabalmente que o livro razão apresentado pela autuada não satisfazia os requisitos legais indispensáveis para que ela pudesse adotar o lucro real. Essa enumeração achase resumida no relatório deste voto, na parte que trata do termo de verificação fiscal. É suficiente recordar, nos parágrafos que se seguem, apenas as mais significativas. Havia diferentes versões ou exemplares do livro razão, visto que foram inicialmente apresentadas à fiscalização diversas folhas soltas do livro razão, relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007. Logo em seguida foi apresentado um único livro do razão para cada ano, em capa preta, com registros de lançamentos contábeis no período de janeiro a dezembro. Finalmente, o sujeito passivo apresentou 5 volumes de capas verdes para o ano calendário de 2006 e 4 volumes de capas verdes para o ano calendário de 2007, conforme cópias anexas dos seus respectivos termos de abertura e encerramento. A fiscalização aponta diversos exemplos de que, para um mesmo fato contábil ou para um mesmo procedimento de encerramento de contas, foram encontrados diferentes valores em cada uma dessas Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.601 17 versões do livro razão. Isso demonstra, no mínimo, desorganização na escrituração, o contrário da boa ordem exigida pela norma legal. Confrontado, por amostragem, as notas fiscais de entrada e saída, recibos de pagamentos e cópias de cheques referentes aos meses de abril e julho de 2006 e de fevereiro, agosto e setembro de 2007, a fiscalização verificou que os registros contábeis não respeitavam o regime de competência, segundo o qual, as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. O artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976, dispõe que na escrituração das sociedades anônimas as mutações patrimoniais devem observar o regime de competência. Embora essa lei se aplique compulsoriamente apenas às sociedades por ações, as normas contábeis estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade tornam obrigatória a observância do regime de competência para toda e qualquer escrituração comercial, independentemente do tipo societário adotado pela pessoa jurídica ou do porte e natureza da empresa individual. Por conseguinte, a violação do regime de competência constitui vício insuperável da escrituração. De acordo com o artigo 264 do RIR 1999, a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Essa norma regulamentar derivase do disposto no artigo 4º do Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º. Daí decorre que não se consideram válidos os registros da contabilidade que não sejam amparados por documentação hábil e idônea. Contudo, a fiscalização relata que lhe foram apresentados papéis sem valor como comprovação de despesas, e também que faltou a comprovação de pagamentos registrados na contabilidade. A fiscalização verificou que não havia critério uniforme para a classificação das contas contábeis. Como exemplo assinala que os discriminativos correspondentes aos documentos solicitados pela fiscalização, encaminhados pelo sujeito passivo, informam para custo de beneficiamento e produção a conta contábil 3.1.1.02; para despesas administrativas, a conta 3.2.1.02: para despesas financeiras, a conta 3.2.1.03; para despesas de beneficiamento, a conta 3.2.1.06. Já as contas contábeis equivalentes informadas no volume 1/5 do livro razão (AC 2006) e 1/4 (AC 2007) foram as seguintes: conta 3004, para custos de beneficiamento e produção, a conta 3021 para despesas administrativas, 3022 para despesas financeiras, e 3032 para despesas de beneficiamento. Nos volumes “únicos” dos livros razão, porém, não se emprega a aludida nomenclatura. Por exemplo, discriminase Salários e Ordenados, prólabore, em vez de despesas administrativas. Por fim, nas folhas soltas informase a conta nº 0208 para salários e ordenados, 0212 para energia elétrica, 0363 para telecomunicações, 0368 para assistência contábil, 0381 para outras despesas operacionais. Portanto, achase sobejamente demonstrado que a escrituração da autuada continha vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Em consequência, a fiscalização, ao decidir arbitrarlhe o lucro, aplicou corretamente o artigo 530, inciso II, alínea “b”, do RIR 1999. 5. Em complemento ao bem lançado Voto acima transcrito, acrescento, apenas, que, tanto em sua impugnação, quanto em seu Recurso, não se insurgiu a Recorrente diretamente contra o disposto no art. 530, inciso VI, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), de seguinte dicção: Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.602 18 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...]; VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 6. Ou seja, de nada adianta estar o livro Diário adequadamente escriturado, se o livro Razão que o resume e totaliza, por conta ou subconta não estiver em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, como exaustivamente comprovado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 56 a 70, cuja síntese constou do Relatório deste Acórdão. 7. A legislação assim dispõe porque desde a alteração da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, pela Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a escrituração do Livro Razão passou a ser condição para apuração do lucro real. Vejase: Art. 14. A tributação com base no lucro real somente será admitida para as pessoas jurídicas que mantiverem, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Livro Razão), mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) Parágrafo único. A nãomanutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) 8. Vejase, por oportuno, a descrição legal constante do auto de infração para o procedimento de arbitramento efetuado (fls. 10): Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.603 19 9. Acerca da importância do livro Razão, mencionamse os seguintes precedentes administrativos: Acórdão nº 10808.404, de 7 de julho de 2005: ARBITRAMENTO DE LUCRO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA LUCRO ARBITRADO – Constitui hipótese de arbitramento de lucro da pessoa jurídica, o fato desta não manter em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, o livro Razão, utilizado para resumir e totalizar, por conta e subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Acórdão nº 10512.856, de 9 de junho de 1999: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – LUCRO ARBITRADO – Constituem hipóteses de arbitramento de lucro da pessoa jurídica, o fato desta não manter em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, o livro Razão utilizado para resumir e totalizar, por conta e subconta, os lançamentos efetuados no Diário, e a manutenção de conta bancária não contabilizada, não restando comprovado que o movimento nela constante se acha abrangido pelos registros da conta Caixa. 10. Do Acórdão nº 1101000.949, da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara do CARF (sessão de 12 de setembro de 2013), extraise o seguinte trecho assaz elucidativo (destaques do original): Opõese à interpretação literal da lei que determina o arbitramento na ausência do Livro Razão, especialmente porque o Código Civil de 2002 apenas elege o Livro Diário como indispensável à escrituração da sociedade empresária, consoante doutrina que cita. Arremata que o Livro Razão nada mais é do que o detalhamento por conta do livro Diário, e como o Livro Diário foi apresentado, o Fisco teria meios de apurar o lucro real. Até porque as irregularidades de encadernação e registro apontadas pelo Fisco não tornam o livro imprestável, não lhes retira o valor probante, mormente se era possível confirmar suas informações a partir dos livros de registro de entrada, saída e apuração de IPI. [...]. Irrelevante o fato de o Código Civil eleger apenas o Livro Diário como indispensável à escrituração da sociedade empresária, frente à determinação específica no âmbito tributário acerca da indispensabilidade do Livro Razão. Por certo, o Livro Razão nada mais é do que o detalhamento por conta do livro Diário, mas é este detalhamento que permite conferir os itens da apuração do resultado, bem como visualizar quais os ajustes necessários ao lucro líquido para apuração do lucro real, como antes já mencionado. Irrelevantes, portanto, os efeitos da falta de encadernação do livro Diário, bem como os fatos Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.604 20 escriturados nos Livros de registro de entrada, saída e apuração de IPI, mormente tendo em conta que estes não incorporam diversas outras mutações patrimoniais que não envolvem movimentação de mercadorias. Multa de ofício qualificada 11. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Demais exigências 12. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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