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Numero do processo: 13808.001246/2002-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61) Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 364.799,09. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 541          2 OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE  DE R$80.000,00.  Os depósitos bancários  iguais ou  inferiores a R$12.000,00  (doze mil  reais),  cujo  somatório  não  ultrapasse  R$80.000,00  (oitenta  mil  reais)  no  ano­ calendário,  não  podem  ser  considerados  na  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61)  Preliminar Rejeitada.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  rejeitar  a  preliminar  de  prova  ilícita  por  quebra  de  sigilo  bancário.  Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  César  Quadros  Pierre  e  Ewan  Teles  Aguiar  que  acolhiam  a  preliminar.  No  mérito,  por  unanimidade de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da base  de  cálculo  da  infração  o  valor  de  R$  364.799,09.  Votaram  pelas  conclusões  os  Conselheiros  Marcio  Henrique Sales Parada e Marcelo Vasconcelos de Almeida.     Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente e Relatora.    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Ewan  Teles  Aguiar,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  7ª  Turma da DRJ/SPOII/SP.  Por  bem  descrever  os  fatos,  reproduz­se  abaixo  o  relatório  da  decisão  recorrida:  “Contra  a  contribuinte  acima  qualificada  foi  lavrado,  em  24/06/2002,  o  Auto  de  Infração  de  fls.  331/333,  acompanhado  dos  demonstrativos  de  apuração  de  fls.  329/330,  que  lhe  exige  crédito tributário no montante de R$609.545,75, correspondente  ao  imposto (R$268.415,94), multa proporcional  (R$201.311,95)  e  juros  de  mora  (R$139.817,86,  calculados  até  31/05/2002),  relativo  ao  Imposto  sobre  a Renda  de Pessoa Física,  exercício  1999, ano­calendário 1998.  Fl. 541DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 542          3 Conforme  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento(s)  Legal(is)  (fls.  332/333),  o  procedimento  teve  origem  na  apuração  de  omissão  de  rendimentos  provenientes  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  junto  ao  Unibanco  —  União  de  Bancos  Brasileiros  SA  e  Banco  Bradesco  SA  cuja  origem  dos  recursos  utilizados  nestas  operações,  não  foram  comprovados mediante documentação hábil  e  idônea, conforme  Termo de Verificação anexo.  (...)  Todos  os  procedimentos  fiscais  adotados,  bem  como  as  verificações/análises/conclusões  encontram­se  detalhadamente  relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 324/328).  Cientificado  do  lançamento  em  foco,  por  via  postal  (AR  com  carimbo  da  unidade  de  destino  em  24/06/2002  ­  fl.  338),  a  interessada  apresentou,  em  24/07/2002,  por  intermédio  de  sua  representante  legal  (fl.  344),  a  impugnação  de  fls.  339/343,  instruída com os documentos de fls. 344/354, aduzindo o que se  segue.  Por um  lapso, não entregou a declaração de  imposto de  renda  referente  ao  ano­base  1998,  exercício  1999.  Mas  a  falta  de  entrega de tal declaração não gera qualquer prejuízo ao fisco ou  suscita  indício  de  omissão  de  rendimentos,  visto  que  são  rendimentos  isentos  e  não  tributáveis  no  Brasil,  já  que  a  impugnante  é  viúva  e  o  único  rendimento  que  recebe  é  proveniente da indenização pela morte de seu marido, paga pela  empresa  para  qual  laborava  quando  residente  na  Argentina,  chamado Plano de Seguro por morte.  O  único  rendimento  recebido  pela  impugnante  é  a  aludida  indenização  paga  pela  empresa  na  Argentina  e,  também,  os  rendimentos  decorrentes  da  aplicação  no  mercado  financeiro  desses  recursos  recebidos  regularmente  do  exterior,  que  se  operacionalizararn  por  meio  de  operação  de  câmbio  com  expressa aprovação do Banco Central do Brasil.  Além do mais, a legislação fiscal brasileira trata como isentos os  rendimentos  provenientes  de  seguros  ou  pecúlios  pagos  por  morte do segurado, conforme disciplina o inciso XLIII do art. 39  do RIR11999.  Além  da  aludida  disposição  legal  interna,  há  que  se  observar,  ainda,  a  existência  entre  Brasil  e  Argentina  do  Tratado  Internacional  visando  evitar  a  bitributação  da  renda  e  a  manutenção  da  natureza  jurídica  da  renda  percebida  nos  dois  países.  O citado tratado foi aprovado pelo Decreto Legislativo 74/81 e  regulamentado  pelo  Decreto  87.976/82,  Portaria  22/83  e  ADN  6/90.  Assim,  os  rendimentos  auferidos  em  um  país  contratante  do  Tratado  Internacional  é  isenta  de  tributação  no  outro  país  Fl. 542DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 543          4 contratante  do  mesmo  tratado,  respeitando­se  a  natureza  jurídica  dada  ao  rendimento  pelo  país  onde  o  mesmo  foi  auferido.  Resta induvidoso que a integralidade dos rendimentos recebidos  pela  impugnante  de  fontes  estrangeiras  tem natureza  tributária  de  rendimento  isento,  pelo  que,  indevido  o  lançamento  de  imposto de renda sobre referido montante.  Quanto  à  existência  de  alienação de  imóvel  no  ano­calendário  de  1998  pela  impugnante,  decorrente  de  informação  constante  da  DOI,  esclarece  que  houve  uma  permuta  entre  imóveis.  O  imóvel de propriedade da impugnante localizado na Al. Ministro  Rocha  Azevedo,  932  —  São  Paulo,  foi  dado  como  parte  de  pagamento  na  aquisição  do  imóvel  na  R.Bela  Cintra,  2349 —  apt° 61 — São Paulo. Dita alienação não gerou qualquer tipo de  lucro  imobiliário  para  a  impugnante,  ensejador  do  pagamento  de imposto sobre ganho de capital.  Apresenta  a  declaração  de  ajuste  anual,  incluindo  como  rendimentos  isentos  e não  tributáveis o  valor de R$991.767,07,  por  terem  sido  determinados  pela  autoridade  fiscal,  no  que  se  aplica  o  art.  149,  inciso  II,  do  CTN  e  junta  a  guia  DARF  do  recolhimento da multa por atraso na entrega da declaração, de  R$165,74.  Por  fim,  protesta  pelo  prazo  de  30  dias  para  a  juntada  dos  documentos  provenientes  da  empresa  do  exterior  'com  a  finalidade  de  comprovar  a  origem  e  natureza  jurídica  dos  rendimentos recebidos e do Instrumento Particular de Promessa  de  Compra  e  Venda  para  a  comprovação  da  permuta  entre  imóveis ocorrida, sem que houvesse lucro imobiliário.  Requer, após a juntada dos elementos de prova pertinentes, que  a presente impugnação seja julgada procedente, cancelando­se o  lançamento decorrente do auto de infração.  Em 23/08/2002, a  representante  legal da impugnante, mediante  petição de  fls. 358/360, protocolou documentos comprobatórios  da  inexistência  de  lucro  imobiliário  na  alienação  do  imóvel  localizado na Al. Ministro Rocha Azevedo, 932— apt° 151  (fls.  361/384).  Em  22/08/2003,  a  impugnante,  por  intermédio  de  sua  procuradora,  apresentou  os  esclarecimentos  (fls.  395/399)  e  documentos relativos à movimentação de quantias em sua conta  corrente, aduzindo que:  I — Do rendimento recebido da Argentina   A  contribuinte  recebe  mensalmente  valores  provenientes  da  empresa Du Pont localizada na Argentina por ocasião da morte  de  seu marido,  o  qual  trabalhava  para  a mencionada  empresa  até seu falecimento.  Fl. 543DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 544          5 Tais rendimentos são decorrentes de pagamentos efetuados pela  empresa  estrangeira  para  a  contribuinte,  em  razão  de  sua  condição de cônjuge supérstite de um de seus funcionários, por  força  da  existência  de  plano  de  pensão  (seguro  por  morte)  mantido  pela  empresa  no  qual  consta  como  beneficiária  a  contribuinte em questão.  Os  valores  referentes  ao  plano  de  pensão  são  remetidos  mensalmente da Argentina para o Brasil através de operação de  câmbio  autorizada  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  consoante  comprovantes  de  fechamento  de  câmbio  realizados  em  1998  (doc. 01).  Junta  também  declaração  da  empresa  Du  Pont  Argentina  SA  (doc.  02),  devidamente  consularizada  e  traduzida  por  tradutor  juramentado, que demonstra o rendimento bruto percebido pela  contribuinte  por  conta  do  plano  de  pensão,  bem  como  o  valor  retido  a  título  de  imposto  de  renda  e  o  valor  líquido  remetido  para o Brasil (expresso em dólares americanos), o qual é igual  ao valor declarado nos contratos de câmbio.  Por força do acordo, os rendimentos provenientes da Argentina  que  já  sofreram  tributação  nesse  país  (país  de  origem),  são  considerados  isentos  pelo  seu  valor  líquido  no  Brasil  (país  de  residência  do  beneficiário),  devendo  ser  informados  na  declaração de rendimentos apresentada nesse último país.  Consoante documentos apresentados, a contribuinte recebeu da  empresa da Argentina, durante o ano­calendário 1998, Ô valor  de R$506.474,99, os quais constituem rendimentos isentos e não  tributáveis  no  Brasil,  por  força  da  aplicação  do  Tratado  Internacional  e,  também,  por  já  haverem  sido  tributados  pelo  imposto de renda argentino.  Portanto,  resta  claro  que  tais  valores  não  são  passíveis  de  tributação  no  Brasil;  conseqüentemente,  imperiosa  se  faz  a  exclusão dos valores citados.  II— Da transação imobiliária   No  ano­calendário  de  1998  ocorreram  duas  operações  imobiliárias efetuadas pela contribuinte.  A  primeira  consistiu  na  alienação  do  apartamento  n°  151  do  Edifico  Mediterrannée,  localizado  na  Al.  Ministro  Rocha  Azevedo,  932 —  São  Paulo,  para  o  Sr.  Luiz  Fernando  Ferrari  Neto, CPF 236.013.028­53 e Sr' Maria Jandira Loconte Ferrari,  CPF  051.204.018­48,  pelo  valor  de  R$500.000,00,  a  serem  pagos (i) R$200.000,00 no ato de assinatura do Compromisso de  Compra e Venda — 13/01/1998, e  (ii) R$300.000,00 através de  quitação de nota promissória.  Referido  apartamento  estava  devidamente  informado  na  declaração de bens da contribuinte, por seu valor de aquisição  de R$575.000,00. Valor este que pode ser comprovado por meio  Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 545          6 da  Certidão  de  Registro  do  imóvel  de  matrícula  n°  43370,  demonstrando que não houve ganho de capital nessa operação.  A  outra  operação  imobiliária  diz  respeito  à  aquisição  pela  contribuinte  do  apartamento  n°  61  no Edifício Mansão  Jardim  Europa,  R.  Bela  Cintra,  2349  —  São  Paulo;  pelo  valor  de  R$850.000,00,  conforme  Certidão  de  Registro  do  imóvel  de  matrícula 71170 (doc. 04).  A  contribuinte  utilizou  os  créditos  a  serem  recebidos  pela  alienação do apartamento da Al. Ministro Rocha Azevedo para  compor  o  valor  pago  ao  apartamento  adquirido  na  R.  Bela  Cintra, procedimento este registrado em Instrumento Particular  de Cessão de Créditos.  Tal  procedimento  comprova  a  origem  dos  R$300.000,00  depositados  e  sacados  da  conta  corrente  que  a  contribuinte  possuía  no  Banco  Bradesco,  posto  que  tanto  o  Instrumento  Particular de Compra e Venda do imóvel da Al. Ministro Rocha  Azevedo  como o  Instrumento Particular  de Cessão de Créditos  dispõem  que  esse  valor  referente  à  alienação  do  imóvel  pela  contribuinte  seria  quitado  através  de  resgate  de  nota  promissória.  Assim,  o  valor  apontado  pela  Receita  Federal  constitui  tão  somente  parcela  do  pagamento  efetuado  pela  aquisição  de  imóvel de propriedade da contribuinte  (Al. Mi. Rocha Azevedo)  e,  automaticamente  convertido  em  pagamento  do  imóvel  adquirido  pela  contribuinte  (Rua  Bela  Cintra),  restando  comprovada a origem e o destino desse valor.  III — Conclusão   Diante do exposto, necessária se faz a exclusão dos valores de (i)  R$506.474,99,  referentes  ao  plano  de  pensão  recebido  pela  contribuinte  da  empresa  Du  Pont  Argentina  SA,  os  quais  são  rendimentos isentos e não tributáveis pelas razões já apontadas;  (ii)  R$300.000,00,  referentes  a  parcela  de  pagamento  efetuado  pelo adquirente de imóvel de propriedade da contribuinte, o qual  não gerou ganho de capital, e utilizados para aquisição de novo  imóvel pela contribuinte.”  A  impugnação  foi  julgada  procedente  em  parte,  conforme Acórdão  de  fls.  449/461, que restou assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF   Ano­calendário: 1998   OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  Caracterizam  omissão  de  rendimentos,  sujeitos  ao  lançamento  de oficio, os valores creditados em contas 'de depósito mantidas  junto  às  instituições  financeiras,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 546          7 documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações.  Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica  a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a  sua ocorrência, transferindo à contribuinte o ônus da prova.  Somente a apresentação de provas inequívocas e hábeis é capaz  de  elidir  uma  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  invocada pela autoridade lançadora.  Os  créditos  decorrentes  de  recebimentos  de  rendimentos  do  exterior  devem  ser  excluídos  da  base  de  cálculo presumida,  de  que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, pois que submetidos  às normas de  tributação específicas,  previstas na  legislação de  regência.  Lançamento Procedente em Parte  Regularmente cientificada daquele Acórdão,  a  interessada,  representada por  sua advogada (fl. 32), interpôs o recurso de fls. 470/480, no qual, em síntese, requer a exclusão  dos  valores  a  seguir  apontados  e  amplamente  comprovados  através  dos  documentos  ora  anexados, do crédito de R$ 478.230,54 (R$ 129.274,74 de principal, R$ 67.869,23 de multa e  R$ 281.086,57 de juros.) mantido pela decisão recorrida, considerando como rendimento isento  a  quantia  de  R$  300.000,00  referente  a  venda  de  apartamento  e  R$  185.799,09  referente  a  diferença no cálculo dos rendimentos no exterior e valores de rendimentos.  Conforme Resolução de fls. 531/539, foi sobrestado o julgamento do recurso,  nos  termos do art. 62­A, §§1º e 2º do Regimento do CARF,  tendo em vista que a quebra de  sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE  601314).  Com  a  revogação  dos  §§1º  e  2º  do  art.  62­A  do  Regimento  do  CARF,  conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro  de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento.  A numeração de folhas citada nesta decisão refere­se à serie de números do  arquivo PDF.  É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Cuida  o  presente  lançamento  da  apuração  de  omissão  de  rendimentos,  no  montante de R$ 991.767,07, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada  em  que  a  fiscalização  se  valeu  de  RMF  para  obtenção  de  informações  bancárias  do  contribuinte.   Fl. 546DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 547          8 Ratificando  decisões  reiteradas  desta  Turma  Julgadora,  rejeito  a  preliminar  suscitada,  em  sessão  de  julgamento,  pelo  Conselheiro  Carlos  César  Quadros  Pierre,  que  foi  vencido  quanto  à  nulidade  do  lançamento  por  falta  de  autorização  judicial  para  obtenção  de  dados bancários do contribuinte.  De acordo com o entendimento do STJ no  julgamento de recurso especial  ­  Resp n° 1.134.665SP,  tramitado sob o procedimento dos  recursos  repetitivos, a utilização de  informações  financeiras  pelas  autoridades  fazendárias  não  viola  o  sigilo  de  dados  bancários,  em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei  9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar  105/2001  (arts.  5º  e  6º),  inclusive  podendo  ser  efetuada  em  relação  a  períodos  anteriores  à  vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações  bancárias  do  contribuinte  anteriores  a  10.01.2001,  como  preconiza  a  Lei  Complementar  nº  105/01,  sem  o  crivo  do  Judiciário,  não  havendo  que  se  falar  em  ofensa  ao  princípio  da  irretroatividade  da  lei  tributária,  porquanto  a  Lei  Complementar  nº  105/01,  como  a  Lei  nº  10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária  de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos  fiscais.  Assim, até que o STF decida a questão de forma definitiva, o entendimento  do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62­ A do Regimento Interno do Conselho, verbis:  Artigo  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  No  que  tange  à  exigência  do  IRPF  sobre  omissão  de  rendimentos  caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o art. 42  da Lei nº 9.430/1996 prevê ­ expressamente ­ que os valores creditados em conta de depósito  que  não  tenham  sua  origem  comprovada  caracterizam­se  como  omissão  de  rendimento  para  efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos:  “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.”  Essa presunção em favor do Fisco transfere ao Contribuinte o ônus de elidir a  imputação,  mediante  a  comprovação,  da  origem  dos  recursos.  Assim,  após  devidamente  intimado  a  esclarecer  a  origem  dos  depósitos,  passou  a  ser  do  Recorrente  o  ônus  dessa  comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os  depósitos  bancários.  Não  servem  como  prova  argumentos  genéricos,  que  não  façam  a  correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 548          9 A  decisão  recorrida  cancelou  a  parcela  de  R$  505.967,98  referente  aos  créditos cujos recursos teve a origem em pagamentos efetuados pela Du Pont Argentina SA no  ano­calendário de 1998 e transferidos para o Brasil.   Entretanto, rejeitou, a  justificativa da Impugnante no sentido de que o valor  de R$300.000,00, creditado com histórico de "Estorno Lançamento POUP", em 16/04/1998, na  conta  corrente  8308216­P,  Agência  0134­1,  do  Banco  Bradesco  SA,  refere­se  à  parcela  de  pagamento efetuado pelo adquirente de imóvel de propriedade da contribuinte, pois, consoante  exame  dos  documentos  juntados  aos  autos,  concluiu  que  tanto  o  pagamento  do  sinal  de  R$200.000,00,  quanto  da  parcela  única  de  R$300.000,00  pelo  Anuente  Devedor,  Sr.  Luiz  Fernando Ferrari Neto e sua mulher Maria Jandira Loconte Ferrari, devido em razão da compra  do  apartamento 151,  sito  à Al Ministro Rocha Azevedo, 932 — São Paulo/SP,  foi  realizado  diretamente  à  Cessionária  (INPAR­Incorporações  e  Participações  Ltda),  não  transitou  pela  conta corrente da alienante do imóvel, Sra Nancy Beatriz Alonso de Rosas, conforme cessão de  créditos realizada por Instrumento Particular (fls. 378/381).   Em  sede  de  recurso,  foi  apresentado,  à  fl.  525,  o  comprovante  de  depósito  (Débito por Teleprocessamento) no qual foi identificado Sr. Luiz Fernando Ferrari Neto como  o depositante da quantia de R$ 300.000,00 em 16/04/1998.  Com a identificação do depositante, entendo que foi comprovada a origem do  referido depósito, razão pela qual não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o  caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de  1996,  dispõe  que  os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em  que auferidos ou recebidos.  Portanto,  cabe  à  autoridade  lançadora  implementar  o  disposto  no  §2º  do  artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de  fazer um novo  lançamento.  Nessa  linha  de  raciocínio,  também  decidiu,  por  unanimidade,  a  1ª  Turma  Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, conforme Acórdão 2201­0001.801, julgado na  sessão de 16 de agosto de 2012, que foi assim ementado:  Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF   Exercício: 1999, 2000, 2001   Ementa: CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA DEFESA  NULIDADE  Não  há  que  se  falar  em  preterição  do  direito  de  defesa se o contribuinte não faz prova dos fatos que o impediram  de contestar as acusações que lhe foram imputadas.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada” (Súmula CARF n. 26)  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO– Não  cabe o  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 549          10 lançamento  com  base  no  art.  42  da  Lei  n.  9.430,  de  1996,  quando  claramente  identificado  o  depositante,  devendo  ser  aplicada a tributação específica aplicável ao tipo de rendimento,  se for o caso.  Por fim, é de se observar o comando existente no parágrafo 3º, inciso II, da  Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito:  §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  (...)  II ­no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no  inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  (doze  mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil  reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997)  Dos  citados  dispositivos  infere­se  que,  no  caso  de  pessoas  físicas,  não  se  admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual  inferiores a R$12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$80.000,00, no ano­calendário,  sendo, inclusive, este o teor da Súmula CARF nº 61, abaixo transcrita:  Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores  a R$ 12.000,00  (doze mil reais),  cujo  somatório não ultrapasse  R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano­calendário, não podem  ser  considerados  na  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de  21 de dezembro de 2010).  Assim, também deve ser cancelada a omissão de rendimentos correspondente  aos créditos bancários de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 e cujo somatório é de  R$ 64.799,09.  Por  falta  de  comprovação,  deve  ser  mantida  a  tributação  dos  depósitos  bancários abaixo relacionados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996:  DEPÓSITO DE R$ 15.000,00 realizado em 26/02/1998  DEPÓSITO DE R$ 15.000,00 realizado em 26/02/1998  DEPÓSITO DE R$ 61.000,00 realizado em 22/09/1998  DEPÓSITO DE R$ 30.000,00 realizado em 09/12/1998  Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra  de  sigilo  bancário  e,  no  mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da  base  de  cálculo da infração o valor de R$ 364.799,09.    Fl. 549DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13808.001246/2002­25  Acórdão n.º 2801­003.672  S2­TE01  Fl. 550          11 Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                                Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN

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Numero do processo: 14485.000410/2007-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 19/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 1.572          1 1.571  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  14485.000410/2007­44  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.370  –  2ª Turma   Sessão de  17 de setembro de 2014  Matéria  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AJINOMOTO INTERAMERICANA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA ­ PLR.  IMUNIDADE.  OBSERVÂNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE.  A Participação nos Lucros e Resultados  ­ PLR concedida pela empresa  aos  seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho  de  produtividade,  não  integra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  por  força  do  disposto  no  artigo  7º,  inciso  XI,  da  CF,  sobretudo  por  não  se  revestir  da  natureza  salarial,  estando  ausentes  os  requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.  Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não  observar  os  requisitos  legais  insculpidos  na  legislação  específica,  notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº  794/1994 e  reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições  previdenciárias  sobre  tais  importâncias,  em  face  de  sua  descaracterização  como Participação nos Lucros e Resultados.  A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente  na  legislação  de  regência,  como  a  necessidade  de  formalização  de  acordo  prévio  ao  ano  base,  é  de  cunho  subjetivo  do  aplicador/intérprete  da  lei,  extrapolando  os  limites  das  normas  específicas  em  total  afronta  à  própria  essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser  interpretado de maneira ampla e não restritiva.  Recurso especial negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 04 10 /2 00 7- 44 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  e  Elias  Sampaio Freire.    (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator  EDITADO EM: 19/09/2014  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo  (Presidente),  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka, Marcelo  Oliveira, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Pedro  Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias  Sampaio Freire.  Relatório  AJINOMOTO  INTERAMERICANA  INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.,  contribuinte,  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  já  devidamente  qualificada  nos  autos  do  processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento  de Débito – NFLD nº 37.095.568­4, em 15/08/2007, exigindo­lhe crédito tributário referente às  contribuições  previdenciárias  devidas  e  não  recolhidas  pela  notificada,  concernentes  à  parte  destinada  a  Terceiros  (Salário­Educação),  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados,  assim  considerada  a  importância  concedida  a  título  de  Participação  nos  Resultados  em  desconformidade  com  a  legislação  de  regência,  em  relação  ao  período  de  12/2000  a  07/2006  (intermitente),  conforme Relatório  Fiscal  da Notificação,  às  fls.  44/50,  e  demais documentos que instruem o processo.  Após regular processamento,  interposto recurso voluntário à Segunda Seção  de Julgamento do CARF contra Decisão da 12a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº  16­15.738/2007, às fls. 1.157/1.173, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência,  a Egrégia 1a Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 19/08/2009, por maioria de votos, achou por  bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo  sob  a  égide dos  fundamentos  inseridos  no Acórdão  nº  2301­00.548,  sintetizados  na  seguinte  ementa:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2006   DECADÊNCIA  De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45  e  46  da  Lei  n°  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/2007­44  Acórdão n.º 9202­003.370  CSRF­T2  Fl. 1.573          3 disposições do Código Tributário Nacional. Nos  termos do art.  103­A  da  Constituição  Federal,  as  Súmulas  Vinculantes  aprovadas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terão  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual e municipal.  SALÁRIO INDIRETO ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS  No que se refere à participação nos lucros, o que se exige é que  o  termo  acordado  traga  previsão  de  regas  e  critérios,  e  até  mesmo  metas  de  conhecimento  dos  trabalhadores.  É  bem  verdade  que  essas  regras  e  esses  critérios  podem,  numa  avaliação  pessoal,  serem  considerados  como  não  sendo  ideais  para implementação de um programa de distribuição de lucros.  Contudo, o que não se pode aceitar é que essa avaliação pessoal  por  parte  do  fisco  se  contraponha  à  vontade  das  partes  externada no instrumento de negociação ferindo sua autonomia,  contrariando assim o que a regulamentação da participação nos  lucros mais valoriza, venha a ser pretexto para a desqualificação  da natureza de um beneficio.  Recurso Voluntário Provido  Crédito Tributário Exonerado.”  Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional  interpôs Recurso Especial,  às  fls.  1.403/1.412,  com  arrimo  nos  artigos  64,  inciso  II,  e  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, procurando demonstrar a insubsistência  do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo  fiscal,  insurge­se  contra  o Acórdão  atacado,  alegando  ter  contrariado  entendimento  levado  a  efeito  por  outras  Câmaras/Turmas  dos  Conselhos/CARF  a  respeito  da  mesma  matéria,  conforme  se  extrai  dos Acórdãos  paradigmas  trazidos  à  colação,  impondo  seja  conhecido  o  recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida.  Suscita,  que o decisório  combatido  afronta,  ainda,  a  legislação de  regência,  notadamente as regras inscritas nos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o,  da Lei n° 8.212/91.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  sustenta  que  o  Acórdão  n°  2401­00.276,  ora  adotado como paradigma, firmou entendimento no sentido de que o pagamento de participação  nos  lucros  e  resultados  em  desacordo  com  os  dispositivos  legais  da  lei  10.101/00,  enseja  a  incidência de contribuições previdenciárias, enquanto no decisório recorrido entendeu­se que a  legislação  regulamentadora  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  não  veda  que  a  negociação  quanto  à  distribuição  do  lucro  seja  concretizada  após  a  sua  efetivação,  devendo  apenas proceder ao pagamento, mas não necessariamente ao avento do lucro obtido.  Contrapõe­se  ao  entendimento  consubstanciado  no  Acórdão  recorrido,  aduzindo  para  tanto  não  ter  havido  negociação  entre  as  partes,  deixando  a  empresa  de  comprovar a escolha através de eleições, dos representantes dos empregados para participar  Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   4 da comissão, não cumprindo desta forma, o disposto no inciso I do artigo 2o do mencionado  diploma legal.  Sustenta que a ausência de atas de eleição da comissão de empregados e das  reuniões para elaboração do acordo do PPR demonstra não ter existido qualquer modalidade de  negociação  de  aludido  programa,  não  havendo  nenhum  ajuste  prévio  entre  empresa  e  empregados, conforme determina a legislação pertinente.  Defende  que  a  conduta  utilizada  pela  contribuinte  distorce  a  mens  legis  presente na  legislação da Participação dos Lucros  e Resultados,  já que  se  infere da norma  a  anterioridade  das  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação e das regras adjetivas, previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado,  para,  ulteriormente,  imunizar­se  o  pagamento  do  benefício  surgido  pelo  cumprimento  dos  dispositivos legais.  Assevera  que  a  interpretação  teleológica  das  normas  que  regulamentam  a  matéria  nos  conduz  à  conclusão  de  que  o  trabalhador  deve  ter  conhecimento  dos  critérios  e  condições para recebimento da PLR anteriormente ao período aquisitivo, sobretudo em face da  exigência de fixação prévia das regras, metas ou mecanismos de aferição, sob pena, inclusive,  de malferir os preceitos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, c/c artigo 28, § 9o, da Lei n°  8.212/91.  Traz à colação os dispositivos legais que regulamentam a matéria, concluindo  que  a  contribuinte  não  observou  cumulativamente  os  pressupostos  para  o  pagamento  da  Participação nos Lucros  e Resultados aos  seus  funcionários, de maneira a excluir da base de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  consoante  restou  devidamente  demonstrado  no  Relatório  Fiscal  da  Notificação,  especialmente  quanto  à  necessidade  de  acordo  prévio  ao  exercício e inexistência de regras previamente ajustas.  Dessa  forma,  tendo  sido  fornecida  participação  nos  lucros  e  resultados  da  empresa  aos  seus  funcionários  em desconformidade  com as normas  legais que disciplinam a  matéria,  não há  se  falar  na  imunidade  contemplada pela Constituição Federal,  bem como no  artigo  28,  §  9°,  da  Lei  n°  8.212/91,  devendo  ser  restabelecida  a  exigência  fiscal  na  forma  lançada.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo  a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados.  Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da  2a  SJ  do CARF,  entendeu  por  bem  admitir  o  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  sob  o  argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras  decisões  exaradas  pelas  demais  Câmaras/Turmas  dos  Conselhos  de  Contribuintes/CARF  a  propósito  da  mesma  matéria,  qual  seja,  a  necessidade  de  acordo  prévio  para  fins  de  não  incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a  título de PLR, conforme  Despacho n° 2300­077/2011, às fls. 1.424/1.425.  Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional,  a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.429/1.445, corroborando os fundamentos  de  fato  e de  direito  do Acórdão  recorrido,  em defesa  de  sua manutenção, mormente  quando  inobservados os pressupostos para conhecimento da peça recursal.  É o Relatório.  Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/2007­44  Acórdão n.º 9202­003.370  CSRF­T2  Fl. 1.574          5   Voto             Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  sendo  tempestivo  e  acatada  pelo  ilustre  Presidente  da  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à  análise das razões recursais.  Consoante  se positiva dos elementos que  instruem o processo, notadamente  Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exige­se contribuições previdenciárias  concernentes à parte destinada a Terceiros (Salário­Educação), incidentes sobre a remuneração  dos  segurados  empregados,  assim  consideradas  as  importâncias  concedidas  a  título  de  Participação nos Lucros e Resultados pretensamente em contrariedade à legislação de regência,  em relação ao período de 12/2000 a 07/2006 (intermitente).  Com mais especificidade, em suma, entendeu a autoridade lançadora que tais  verbas  foram  pagas  em  desconformidade  à  legislação  de  regência,  especialmente  a  Lei  nº  10.101/2000, diante das seguintes considerações:  1) Ausência  de  comprovação  de  negociação  entre  as  partes,  ou  seja, ajuste  prévio entre a empresa e empregados, malferindo o disposto no caput do artigo 2o, da Lei n°  10.101/2000;  2)  Parte  dos  Acordos  assinados  posteriormente  ao  início  do  período  de  aferição dos resultados, ficando evidente que os empregados da matriz desconheciam as regras  para concessão da PLR durante os primeiros meses de vigência do acordo;  3)  Inexistência  de  regras  claras  e  objetivas,  passíveis  de  mensuração  e  acompanhamento;  4) Ausência de acordo para os empregados ocupantes de cargos de gerentes  no estabelecimento MATRIZ;  Por  sua  vez,  ao  analisar  a  demanda,  a  Turma  recorrida  entendeu  por  bem  decretar  a  improcedência  total  do  feito,  acolhendo  a  tese  da  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias sobre as verbas concedidas pela empresa aos segurados empregados a título de  Participação nos Resultados, nos  termos da  legislação de  regência,  razão do  insurgimento da  Procuradoria nesta oportunidade.  Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso  Especial,  suscitando  que  o  Acórdão  guerreado  malferiu  a  jurisprudência  consolidada  neste  Colegiado, bem como o regramento específico de tal verba, mais precisamente os artigos 2o e  3o  da  Lei  n°  10.101/2000,  impondo  seja  conhecida  a  peça  recursal,  uma  vez  comprovada  à  divergência arguida.  Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   6 A  fazer  prevalecer  sua  tese,  sustenta  que  Acórdão  n°  2401­00.276,  ora  adotado como paradigma, firmou entendimento no sentido de que o pagamento de participação  nos  lucros  e  resultados  em  desacordo  com  os  dispositivos  legais  da  lei  10.101/00,  enseja  a  incidência de contribuições previdenciárias, enquanto no decisório recorrido entendeu­se que a  legislação  regulamentadora  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  não  veda  que  a  negociação  quanto  à  distribuição  do  lucro  seja  concretizada  após  a  sua  efetivação,  devendo  apenas proceder ao pagamento, mas não necessariamente ao avento do lucro obtido.  Contrapõe­se  ao  entendimento  consubstanciado  no  Acórdão  recorrido,  aduzindo  para  tanto  não  ter  havido  negociação  entre  as  partes,  deixando  a  empresa  de  comprovar a escolha através de eleições, dos representantes dos empregados para participar  da comissão, não cumprindo desta forma, o disposto no inciso I do artigo 2o do mencionado  diploma legal.  Assevera que a ausência de atas de eleição da comissão de empregados e das  reuniões para elaboração do acordo do PPR demonstra não ter existido qualquer modalidade de  negociação  de  aludido  programa,  não  havendo  nenhum  ajuste  prévio  entre  empresa  e  empregados, conforme determina a legislação pertinente.  Defende  que  a  conduta  utilizada  pela  contribuinte  distorce  a  mens  legis  presente na  legislação da Participação dos Lucros  e Resultados,  já que  se  infere da norma  a  anterioridade  das  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação e das regras adjetivas, previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado,  para,  ulteriormente,  imunizar­se  o  pagamento  do  benefício  surgido  pelo  cumprimento  dos  dispositivos legais.  Dessa  forma,  tendo  sido  fornecida  participação  nos  lucros  e  resultados  da  empresa  aos  seus  funcionários  em desconformidade  com as normas  legais que disciplinam a  matéria,  não há  se  falar  na  imunidade  contemplada pela Constituição Federal,  bem como no  artigo  28,  §  9°,  da  Lei  n°  8.212/91,  devendo  ser  restabelecida  a  exigência  fiscal  na  forma  lançada.  Em  que  pesem  os  argumentos  da  recorrente,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar.  Da  simples  análise  dos  autos,  conclui­se  que  o  Acórdão  recorrido apresenta­se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos  a demonstrar.  De início, convém registrar que o insurgimento da Fazenda Nacional repousa,  em síntese, no fato de os acordos terem sido formalizados após o início do ano­base, trazendo a  colação  Acórdão  paradigma  que  afasta  a  imunidade  de  aludida  verba  em  situação  idêntica,  razão do conhecimento da peça recursal.  Relativamente  às  demais  alegação  da  recorrente,  no  sentido  da  ausência  de  tratativas  do  acordo  ou  mesmo  da  comprovação  da  escolha  através  de  eleições,  dos  representantes dos empregados para participar da comissão, não contemplaremos em nosso  voto, tendo em vista não haver sido indicado paradigma para amparar a pretensão da Fazenda  Nacional, razão pela qual, inclusive, sequer fora objeto de análise por ocasião do conhecimento  preliminar  da  peça  recursal  por  parte  do  Presidente  da  Turma  recorrida,  que  tratou  o  insurgimento da Procuradoria exclusivamente no que pertine a necessidade de acordo prévio.  Antes mesmo  de  se  adentrar  as  questões  de mérito  propriamente  ditas,  em  relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a  verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos:  Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/2007­44  Acórdão n.º 9202­003.370  CSRF­T2  Fl. 1.575          7 A  Constituição  Federal,  por  meio  de  seu  artigo  7º,  inciso  XI,  instituiu  a  Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração  entre capital e  trabalho e ganho de produtividade, desvinculando­a expressamente da base de  cálculo das contribuições previdenciárias, como segue:  “Art.  7º  São  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de outros que visem à melhoria de sua condição social:  [...]  XI  –  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;”  Por  seu  turno,  a  legislação  tributária  ao  regulamentar  a  matéria,  impôs  algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de  participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo  artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua:  “Art. 28. [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  lei:  [...]  j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  a  lei  específica.”  (grifos  nossos)  Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº  794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte:  “Art.  2º  Toda  empresa  deverá  convencionar  com  seus  empregados,  mediante  negociação  coletiva,  a  forma  de  participação destes em seus lucros ou resultados.  Parágrafo  único.  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão constar  regras  claras e objetivas quanto à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  a)  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa; e  b)  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Art.  3º A participação de que  trata o artigo 2º não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou  previdenciário.  Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   8 [...]  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre.  [...]”  Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000,  trazendo  em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de  tais verbas, senão vejamos:  “Art.  2º A participação nos  lucros ou  resultados  será objeto de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:   I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;   II ­ convenção ou acordo coletivo.   §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;   II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.   §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade funcional dos trabalhadores.  [...]  Art.3º  A  participação  de  que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.   [...]  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  de  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.   [...]”  Em  suma,  extrai­se  da  evolução  da  legislação  específica  relativa  à  participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos  requisitos  para  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Para  o  período  até  29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente  Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/2007­44  Acórdão n.º 9202­003.370  CSRF­T2  Fl. 1.576          9 a 30/06/1998, além da  exigência acima, passou a  ser proibido o pagamento de mais de duas  parcelas no mesmo ano civil.  No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo  2º,  as  disposições  legais  continuaram  praticamente  as  mesmas,  exigindo  regras  claras  e  objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento.  Atualmente,  a  Lei  n°  10.101/2000  se  apresenta  com  algumas  alterações  introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de  contemplar  em  razão de  não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido  Diploma Legal.  A  teor  dos  preceitos  inscritos  na  legislação  encimada,  constata­se  que  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  de  fato,  constitui  uma  verdadeira  imunidade,  eis  que  desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal,  em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta.  Entrementes,  não  é  a  simples  denominação  atribuída  pela  empresa  à  verba  concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora  exigidos.  Em  verdade,  o  que  importa  é  a  natureza  dos  pagamentos  efetuados,  independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua  efetivamente  a  natureza  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  indispensável  se  faz  a  conjugação  dos  pressupostos  legais  inscritos  na  MP  nº  794/1994  e  reedições,  c/c  Lei  nº  10.101/2000, dependendo do período fiscalizado.  Nessa  esteira  de  entendimento,  é  de  fácil  conclusão  que  as  importâncias  pagas  aos  segurados  empregados  intituladas  de  PLR  somente  sofrerão  incidência  das  contribuições  previdenciárias  se  não  estiverem  revestidas  dos  requisitos  legais  de  aludida  verba. Melhor  elucidando,  a  tributação  não  se  dá  sobre  o  valor  da  PLR, mas,  tão  somente,  quando assim não restar caracterizada.  Por  sua  vez,  a  interpretação  do  caso  concreto  deve  ser  levada  a  efeito  de  forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e,  bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização  de  tal  verba,  sendo defeso,  igualmente,  a  atribuição de  requisitos/condições que não  estejam  contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades,  sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de  afronta ao Princípio da Legalidade.  Por outro lado, convém frisar que tratando­se de imunidade, os pagamentos a  título de PLR não devem observância aos  rigores  interpretativos  insculpidos nos artigos 111,  inciso  II  e  176,  do  CTN,  os  quais  contemplam  as  hipóteses  de  isenção,  com  necessária  interpretação  restritiva  da  norma.  Ao  contrário,  no  caso  de  imunidade,  a  doutrina  e  jurisprudência  consolidaram  entendimento  de  que  a  interpretação  da  norma  constitucional  poderá  ser  mais  abrangente,  de  maneira  a  fazer  prevalecer  a  própria  vontade  do  legislador  constitucional  ao  afastar  a  tributação de  tais verbas,  o que não  implica dizer que  a PLR não  deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de  eficácia plena.  Na  hipótese  vertente,  passando  à  análise  das  razões  do  lançamento,  rechaçados  todos  os  fundamentos  da  pretensão  fiscal  pelo  Acórdão  recorrido,  a  nobre  Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   10 Procuradoria  entendeu  por  bem  insurgir­se  exclusivamente  quanto  à  necessidade  de  acordo  prévio  no  Programa  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  matéria  que  passamos  a  contemplar com mais especificidade, começando pela delimitação das datas dos acordos:  1) PLR 2000:  assinado em 09/08/2000;  2) PLR 2001:  assinado em 30/07/2001;  3) PLR 2002:  assinado em 06/08/2002;  4) PLR 2003:  assinado em 14/08/2003  Como se depreende dos autos, afora as demais razões do lançamento fiscal,  afastadas pelo decisório combatido e que não fora objeto do Recurso da Procuradoria, a ilustre  autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte  aos empregados a título de PLR, pelo simples fato de inexistir acordo prévio ao ano base, o que  implicaria dizer não estarem presentes as exigências de metas e resultados para obtenção dos  lucros.  Inobstante  as  substanciosas  razões  de  fato  e  de  direito  ofertadas  pelo  fiscal  autuante em defesa da manutenção do crédito previdenciário, corroboradas pela Procuradoria  da Fazenda Nacional, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar.  Data  vênia  àqueles  que  divergem  do  entendimento  deste  Conselheiro,  a  conclusão  da  exigência  de  acordo  prévio  para  concessão  da  PLR  encontra  sustentáculo  nos  incisos  I  e  II,  §  1º,  artigo  2º,  da  Lei  nº  10.101/2000  e/ou MP  nº  794/1994  e  reedições.  De  conformidade com esses dispositivos legais, visando a observância dos requisitos inseridos no  §  1º,  o  legislador  SUGERIU  a  utilização  de  “I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  e  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente”.  Observe­se, que em momento algum a lei impôs a observância de tais incisos.  Muito pelo contrário. Extrai­se do bojo do § 1º, artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, a expressão  “podendo”, o que não representa uma obrigatoriedade, mas, sim, uma faculdade.  O que a lei determina é a utilização de “[...] regras claras e objetivas quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo [...]”.  Assim, a exigência de acordo prévio é de cunho subjetivo do agente lançador  ou do julgador, mormente quando visa dar efetividade aos incisos I e II, § 1º, artigo 2º, da Lei  nº 10.101/2000, os quais não são de observância obrigatória. E, como já sedimentado acima, a  isenção/imunidade não comporta subjetivismo.  Mais  a  mais,  tratando­se  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  não  se  pode  cogitar  em  anormalidade  no  caso  de  acordo  firmado  entre  as  partes  e  o  consequente  pagamento  ocorrer  posteriormente  a  apuração  dos  lucros  e  resultados  no  final  do  ano  calendário,  após  as  deduções  dos  custos  e  despesas  anuais,  conquanto  que  observados  os  demais requisitos para tanto.  Melhor elucidando a empresa  apura o  lucro/resultado,  se dispõe a conceder  participação  aos  funcionários,  oportunidade  em  que  procedem  as  tratativas  entre  as  partes,  acordando a forma e valores dos pagamentos. Não se pode vislumbrar qualquer irregularidade  Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/2007­44  Acórdão n.º 9202­003.370  CSRF­T2  Fl. 1.577          11 em  tal  conduta,  notadamente  quando  a  verba  atingiu  seu  fim  precípuo,  insculpido  na  Constituição Federal.  Não  bastasse  isso,  como  a  própria  autoridade  lançadora  asseverou  em  seu  Relatório Fiscal, a contribuinte vem pagando Participação nos Lucros e Resultados desde 2000,  nos  levando  a  concluir  que  já  existia  um  costume  da  empresa  em  conceder  PLR  aos  funcionários, criando no decorrer dos anos uma expectativa de direito por parte destes, fazendo  com  que  se  empenhassem  no  bom  desempenho  de  suas  funções,  uma  vez  já  terem  conhecimento  de  que  havendo  lucro  a  contribuinte,  como  de  praxe,  iria  participá­lo  aos  empregados.  Ademais, é preciso reconhecer que o mundo real, distante daquele que seria o  ideal  para  o  bom  andamento  das  relações  interpessoais  e,  por  conseguinte,  entre  empresa  e  funcionários,  nos  impõe  barreiras,  de  certa  forma  até  naturais,  que  convergem  pela  assinatura/formalização do acordo de PLR após iniciado o ano­base. Isto porque, tratando­se de  discussão  a  propósito  de  direitos  dos  trabalhadores,  escorados  em  lucros  ou  resultados  de  empresas, dificilmente um acordo contemplando os valores, regras, condições básicas, etc para  a  concessão  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  será  de  fácil  resolução,  exigindo,  por  certo, longo período de tratativas, mormente com a participação da empresa, empregados, seus  representantes em comissões e/ou respectivos Sindicatos.  Aliás, o eminente Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, à época integrante  da  2ª  Caj  do CRPS,  atualmente  Presidente  da  2ª  TO  desta  4a  Câmara,  dissertou  com muita  propriedade a respeito do tema, espancando de uma vez por todas a pretensão fiscal, conforme  se extrai do excerto do voto condutor do Acórdão nº 213/2007 abaixo transcrito:  “[...]   O programa de participação nos lucros da recorrente foi  instituído  em  1995  e  é  revisto  anualmente  de  acordo  com  o  resultado  apurado  em  cada  exercício  financeiro.  Essa  sistemática autorizada pelo artigo 2º, §1º da Lei nº 10.101/2000  permite  ajustes  anuais  para  melhor  aproximação  aos  valores  reais  apurados.  As  regras  foram  pactuadas  quando  da  sua  criação,  logo  após  a  primeira  regulamentação  através  da  Medida Provisória  nº  794,  de  29/12/1994. Desde  essa  época  o  programa  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  é  formado  por  uma  comissão  permanente  de  empregados  assistidos  pelos  sindicatos das categorias profissionais (fls. 162).  Equivocadamente,  a  autoridade  fiscal  tomou  cada  acordo de revisão anual das regras isoladamente, ignorando que  antes  de  cada um  há  outro  que  o  precede  e  que  a  cada  ano  é  revisto.  Até  que  determinado  acordo,  estabelecendo  critérios  e  condições,  seja  revogado por um outro, não se pode negar  sua  existência,  vigência  e  aplicação.  Como  exemplo,  o  acordo  de  revisão  assinado  em  11/11/96  (fls.  168)  permanece  vigente  até  que outro o modifique; no caso, o acordo assinado em 12/11/97  (fls.  171)  que  aumentou  a  parcela  fixa  de  R$  350,00  para  R$  450,00 (fls. 166 e 170), mantendo­se, no entanto, o percentual de  75% do salário vigente.  Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   12 [...]”  (2ª  Caj  do  CRPS  –  NFLD  nº  35.132.833­5,  Sessão  de  27/03/2007 – Unânime)  A  fazer  prevalecer  esse  entendimento,  a  2a  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, em recentíssima decisão (06/05/2014), afastou qualquer dúvida em relação  à matéria,  reafirmando que a simples ausência de acordo prévio não desnatura a Participação  nos Lucros e Resultados, na  linha do sustentado acima, consoante se positiva do Acórdão n°  9202­003.192, da lavra do ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, com a seguinte ementa:  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Períodos de apuração: 01/01/2000 a 30/10/2004  [...]  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  (PLR).  ANTERIORIDADE  DE  CONVENÇÃO  COLETIVA,  ACORDO  COLETIVO  OU  NEGOCIAÇÃO  COLETIVA.  NECESSIDADE.  INEXISTENCIA  DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE  O  PERÍODO  DE  AFERIÇÃO  DAS  METAS  ATENDE  AOS  REQUISITOS LEGAIS.  A  Lei  10.101/2000  exige  que  o  fechamento  do  acordo  para  o  pagamento  da  PLR  ocorra  antes  do  pagamento  e  ao  menos  durante  o  período  de  aferição  dos  critérios  adotados  para  fixação do direito subjetivo dos  trabalhadores. Referida  lei não  estabelece,  contudo,  prazo  mínimo  necessário  entre  o  fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao  interprete fazê­lo.  [...]” (Processo n° 35366.001448/2005­07)  Outro não  foi o posicionamento manifestado,  igualmente, pela 2a Turma da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  nos  autos  dos  processos  n°s  14485.000326/2007­21,  14485.000329/2007­64 e 14485.000327/2007­75, senão vejamos:   “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006  CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTO  DE  INFRAÇÃO.  SALÁRIO  INDIRETO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  OBSERVÂNCIA  DA  LEGISLAÇÃO  REGULAMENTADORA.  METAS.  PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR  AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL.  [...]  VI  –  A  legislação  regulamentadora  da  PLR  não  veda  que  a  negociação  quanto  a  distribuição  do  lucro,  seja  concretizada  após  sua  realização,  é  dizer,  a  negociação  deve  preceder  ao  pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido.  Recurso especial negado.”  (Acórdão n° 9202­002.485 – Sessão  de 29/01/2013)  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 14485.000410/2007­44  Acórdão n.º 9202­003.370  CSRF­T2  Fl. 1.578          13 Data do fato gerador: 11/09/2007  [...]    VI  –  A  legislação  regulamentadora  da  PLR  não  veda  que  a  negociação  quanto  a  distribuição  do  lucro,  seja  concretizada  após  sua  realização,  é  dizer,  a  negociação  deve  preceder  ao  pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido.  Recurso especial negado.”  (Acórdão n° 9202­002.484 – Sessão  de 29/01/2013)  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 11/09/2007  [...]    VI  –  A  legislação  regulamentadora  da  PLR  não  veda  que  a  negociação  quanto  a  distribuição  do  lucro,  seja  concretizada  após  sua  realização,  é  dizer,  a  negociação  deve  preceder  ao  pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido.  Recurso especial negado.”  (Acórdão n° 9202­002.486 – Sessão  de 29/01/2013)  Partindo  dessas  premissas,  é  de  se  manter  a  ordem  legal  no  sentido  de  considerar  o  Plano  de  Participação  nos  Lucros  de  Resultados  da  empresa  em  conformidade  com a legislação de regência, decretando, portanto, a improcedência do feito.  Dessa  forma,  escorreito  o  Acórdão  recorrido  devendo,  nesse  sentido,  ser  mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a Turma  Ordinária da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os  elementos que serviram de base ao decisório atacado.  Por  todo  o  exposto,  estando  o  Acórdão  recorrido  em  consonância  com  as  normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO  ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR ­LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e  de direito acima esposadas.    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira                  Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   14                 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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Numero do processo: 10540.000313/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da ciência pelo contribuinte da Decisão da DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da ciência pelo contribuinte da Decisão da DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 310          1 309  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10540.000313/2009­51  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2803­000.223  –  3ª Turma Especial  Data  19 de fevereiro de 2014  Assunto  Diligência  Recorrente  CENTRO DE EDUCAÇÃO TÉCNICA DE JEQUIÉ LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência  para  que  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em Vitória  da  Conquista  (BA) ou o  responsável  informe a data da  ciência pelo  contribuinte da Decisão da  DRJ em Salvador (BA), anexando a comprovação. Após, encaminhar os autos para julgamento.   (Assinado digitalmente)  Helton Carlos  Praia  de  Lima  –  Presidente  e Relator  Participaram  do  presente  julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de  Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .0 00 31 3/ 20 09 -5 1 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/2009­51  Resolução nº  2803­000.223  S2­TE03  Fl. 311          2 Relatório  DO LANÇAMENTO  Trata  de  Auto  de  Infração  (AI)  de  crédito  previdenciário,  relativo  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  por  recibos,  a  segurados  contratados  pelo  CENTRO  DE  EDUCAÇÃO  TÉCNICA  DE  JEQUIÉ  LTDA  como  estagiários,  sem  observação  à  legislação  específica,  que  trata  da  realização  de  estágio curricular.  Importa também em contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações  pagas,  por  recibos,  a  empregados  sem  contrato  e  sem  registro.  Receberam  décimo  terceiro  salário,  prestaram  serviços  relacionados  à  atividade  fim  da  empresa  e  foram  contratados  em  seguida para exercer as mesmas atividades. Essas remunerações foram omitidas de Folhas de  Pagamento,  não  foram  declaradas  em  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência Social (GFIP), nem as contribuições recolhidas no prazo legal.  O  crédito  diz  respeito  às  seguintes  contribuições  sociais  lançadas  no  levantamento CSE — Caracterização Seg. Empregado, conforme segue:  a)  Contribuição  a  cargo  da  empresa  destinada  à  Seguridade  Social,  incidente  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  que  lhe  prestaram serviço, prevista no art. 22, inciso I e III, da Lei 8.212, de 24/07/1991.  b)  Contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade  Social,  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, prevista no art. 22,  inciso II, da Lei  8.212, de 24/07/1991.  As remunerações não constam das Folhas de Pagamento e não foram declaradas  em  GFIP,  sendo  contabilizadas  no  livro  Razão,  conta:  Prestação  de  Serviços,  Despesas  Operacionais, cód. 184 3.4.1.01.001.  As  bases  de  cálculo  (remunerações  pagas  através  de  recibos),  lançadas  no  levantamento CSE — Caracterização Seg. Empregado, constam de planilhas integrantes deste  relatório fiscal, Anexos IV e VIII.  O  período  dos  lançamentos  é  de  janeiro  a  dezembro  de  2004,  conforme  determinado  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  n°  05.1.03.00­2008­000090­5,  de  13/06/2008.  O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação.   O  órgão  de  primeira  instância  administrativa  julgou  procedente  em  parte  o  crédito fiscal, excluindo o período de 01 a 03/2004 em razão da decadência pela regra do art.  150, § 4º do CTN.  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/2009­51  Resolução nº  2803­000.223  S2­TE03  Fl. 312          3 O contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/07/2010, entretanto não foi  possível identificar a data da ciência do Acórdão da DRJ pelo contribuinte.  É o relatório.  Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.000313/2009­51  Resolução nº  2803­000.223  S2­TE03  Fl. 313          4 Voto  Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator  Compulsando os autos não foi possível identificar a data da ciência do Acórdão  da DRJ em Salvador (BA) pelo contribuinte. No aviso de recebimento – AR dos Correios às fl.  299 não consta a data legível. A informação é importante para se analisar a admissibilidade do  recurso voluntário.   CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto em converte o julgamento em diligência para que a Delegacia  da Receita Federal do Brasil em Vitória da Conquista (BA) ou o responsável informe a data da  ciência  pelo  contribuinte  da  Decisão  da  DRJ  em  Salvador  (BA),  anexando  a  comprovação.  Após, encaminhar os autos para julgamento.  (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima    Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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5642564 #
Numero do processo: 16366.000031/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologou-se as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 1402-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no ano-calendário de 2003. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/2009­06  Acórdão n.º 1402­001.776  S1­C4T2  Fl. 10          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  Por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19  na composição do saldo negativo no ano­calendário de 2003.    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente      (assinado digitalmente)  Moisés Giacomelli Nunes da Silva ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Frederico  Augusto  Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes  da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/2009­06  Acórdão n.º 1402­001.776  S1­C4T2  Fl. 11          3   Relatório  A  recorrente  apresentou  os  pedidos  de  compensação  de  fls.  02  e  seguintes  objetivando  compensar  os  valores  neles  indicados  com  saldo  negativo  de  IRPJ  referente  ao  ano­calendário de 2003. A DIPJ que consta à fl. 51 dos autos indica saldo negativo no valor de  ­R$ 6.751.945,73.  O  despacho  de  fls.  148/153,  reconheceu  a  existência  de  saldo  negativo  no  valor de R$ 4.698.511,33, homologando as compensações de nº 25131.75152.180806.1.7.02­ 5012,  34749.16381.300404.1.3.02­1401  e  29005.03057.210806.1.7.02­4401  e,  de  forma  parcial, a compensação de nº 40827.46790.210806.1.7.02­3906, restando um saldo devedor em  relação a esta de R$ 1.278.490,84 (fl. 154).   Pelo  que  se  extrai  do  despacho  decisório,  em  relação  aos  valores  que  formaram o saldo negativo, não foram reconhecidos os seguintes montantes:  a) R$ 15.236,19 referente à estimativa devida em 10/2003;  b) R$ 5.932,82 comprovado em DIRF referente a IRRF por órgãos públicos,  frente a R$ 9.764,75 considerado pela recorrente;  c) R$ 1.923.677,69 correspondente a IRRF da empresa SPLICE;  d) R$ 108.999,90 correspondente a IRRF pelo Santander.  Intimada  da  decisão  de  fls.  148/153,  a  parte  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  sendo  que  a  DRJ  deu  parcial  provimento  ao  recurso  para  acolher o  IRRF nos valores de R$ 5.932,82 e R$ 1.923.677,69 apontando, em relação a este  último, que houve mero erro do contribuinte na designação da fonte retentora.  No que se  refere  à  glosa da  estimativa devida  em 10/2003, no valor de R$  15.236,19, o acórdão referido está assim fundamentado:  "O despacho decisório guerreado foi perfeito, no que se refere ao ponto agora  sob análise, à luz dos fatos acontecidos até então, e não pode ser alterado pela  DRJ em razão da superveniência do pagamento, em 15 de maio de 2009, após  a ciência do despacho decisório, que aconteceu em 20 de abril de 2009, do  IRPJ devido por estimativa no mês de outubro de 2003.  Por  fim,  em  no  que  tange  à  retenção  feita  pelo BANCO SANTANDER,  o  acórdão recorrido destacou:  " No que tange à retenção feita pelo BANCO SANTANDER o contribuinte  apresenta como documento comprobatório da sua ocorrência um Informe de  Rendimentos  Financeiros  em  que  consta  como  tendo  havido  retenção  do  valor de R$ 607.600,57, no código 3426, exatamente o valor que foi aceito e  considerado  pela  autoridade  recorrida.  Em  sua  impugnação,  o  contribuinte  assevera  que  a  diferença  “na  ordem  de R$  103.067,08  será  oportunamente  anexada aos autos, por tratar­se de operações financeiras existentes em outra  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/2009­06  Acórdão n.º 1402­001.776  S1­C4T2  Fl. 12          4 instituição  financeira”.  Como  não  houve  a  juntada  de  qualquer  elemento  comprobatório  da  existência  dessa  retenção,  referente  à  outra  instituição  financeira,  e  não  tendo  a  autoridade  recorrida  encontrado  elementos  confirmatórios nos sistemas da RFB, não é possível acatar­se a alegação do  contribuinte, no ponto.  Intimada  em  31/01/2012  (fl.  248),  de  forma  tempestiva  a  parte  interessada  apresentou o recurso de fls. 249 e seguintes, alegando, em síntese:  a) que em 15/04/2009, quando proferido o despacho decisório, cuja intimação  se deu em 20/04/2009, a análise do saldo negativo de IRPJ relativa ao ano­calendário de 2003  não  podia  ser  feita,  uma  vez  que  passados  mais  de  5  (cinco)  anos  da  ocorrência  dos  fatos  geradores que formaram o saldo negativo.  b) que no caso dos autos não se está a deduzir que ocorreu a decadência do  Fisco de analisar a compensação pleiteada e sim a decadência do direito do Fisco de proceder  com a recomposição do crédito tributário utilizado.  b) que é nítido que o pagamento do DARF no valor de R$ 15.236,19 compõe  o saldo negativo do IRPJ referente ao ano­calendário de 2003.  É o relatório.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/2009­06  Acórdão n.º 1402­001.776  S1­C4T2  Fl. 13          5 Voto             Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator  O recurso manuseado pela parte encontra­se previsto no artigo 33 do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  é  tempestivo,  está  devidamente  fundamentado  e  foi  interposto  por parte  legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheço­o e passo ao exame do  mérito.  I ­ Da questão relacionada ao pagamento, em 20 de abril de 2009, de R$  15.236,19 referente à estimativa devida em 10/2003.  Ciente de  que  a  estimativa de  outubro  de  2003,  devidamente  declarada,  no  valor  de R$  15.236,19,  não  tinha  sido  quitada,  em  31/10/2009,  após  intimação  do  despacho  decisório,  a  fiscalizada  realizou  o  pagamento  desta,  com multa moratória  e  encargos  legais,  recolhendo o montante de R$ 29.861,40 (fl. 230).  Aqui,  a  situação  divide­se  em  dois  pontos:  a)  O  primeiro  diz  respeito  a  consequência do recolhimento de estimativa em atraso, quando o valor desta é necessário para  formar  o  saldo  negativo  e  este,  por  sua  vez,  é  integralmente  absorvido  pelas  compensações  realizadas;  b)  O  segundo,  é  a  consequência  do  recolhimento  de  estimativa  em  atraso  nas  hipóteses  em  que  tal  valor  não  impede  a  homologação  das  compensações  em  face  destas  abrangerem montante inferior ao saldo negativo.  Na  primeira  hipótese,  isto  é,  quando  o  saldo  negativo,  sem  a  estimativa  recolhida em atraso não é suficiente para homologar as compensações, em relação ao valor não  homologado,  há  incidência  de multa moratória  de  20%  e  juros  legais1. Nestas  situações,  do  valor devido, com multa de 20% e juros, subtrai­se o valor recolhido em atraso. Considerando  que a correção e a multa são idênticas em ambos os casos, resultado era zero.   Nos  casos  em  que  o  valor  do  saldo  negativo  é  superior  às  compensações  realizadas,  como  ocorreu  na  situação  dos  autos,  e  mesmo  glosando  os  valores  apontados  homologou­se  as  compensações  apresentadas  por  serem  de  valor  inferior  ao  saldo  negativo  apurado,  não  há  o  que  se  cobrar.  O  valor  da  estimativa  recolhida  em  atraso,  com  multa  moratória  e  juros,  tem  por  eficácia  a  regularização  do  saldo  negativo,  na  proporção  paga.  Assim, no caso concreto, do recolhimento da estimativa referente ao mês de outubro de 2003,  recolhida em 20/04/2009,  resultou a regularização da pendência  referente a outubro de 2003.  Não  fosse  este  raciocínio,  chegar­se­ia  ao  equívoco  de  se  afirmar  que  o  recolhimento  em  20/04/2009 caracterizaria pagamento indevido, o que não é.  Com  tais  considerações,  reconheço  que  o  valor  de  R$  15.236,19,  deve  integrar o saldo negativo do IRPJ do ano­calendário de 2003.  II ­ Da alegação de que passados cinco anos, da data dos fatos geradores,  a Fiscalização não pode glosar saldo negativo apurado em DIPJ.                                                              1 Atualmente, quando a estimativa não é homologada, aplica­se multa de 50%, sendo que tal exigência encontra­se  em análise no STF, com repercussão geral.  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/2009­06  Acórdão n.º 1402­001.776  S1­C4T2  Fl. 14          6 Em decisões anteriores já me manifestei em questões semelhantes, sendo que  os acórdãos de minha relatoria podem ser sintetizados por meio das duas ementas que seguem  a título exemplificativo:  Ementa:  DECADÊNCIA.  HOMOLOGAÇÃO  DO  LANÇAMENTO.  Havendo  antecipação do  tributo,  a homologação do  lançamento ocorrerá no prazo de  cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°,  do CTN. Esse prazo decadencial  também é aplicável nas  revisões do Lucro  Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito  creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL.   RECONHECIMENTO  DE  DIREITO  CREDITÓRIO.  REVISÃO  DO  SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO  IRPJ/CSLL. A Fazenda  Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de  IRPJ  e  CSLL  no  prazo  de  5  anos  contados  do  aproveitamento  pelo  contribuinte.  Essa  revisão  deve  partir  do  lucro  real  declarado/apurado  pelo  contribuinte  e  pode  contemplar  a  verificação  da  efetividade  dos  recolhimentos,  das  retenções  do  IR­Fonte,  transposição  de  saldos  de  um  período  para  outro,  compensações,  enfim  a  própria  formação  do  saldo.  Todavia,  após  o  prazo  decadencial  de  5  anos,  contados  do  lançamento  original,  ou  retificado  pelo  contribuinte,  não  é  possível  alterar  o  lucro  real  regularmente apurado e declarado, sob pena de, por vias transversas, levar a  efeito procedimento fiscal em relação a período já atingido pela decadência.  (Processo 10768.905686/2006­11. Acordão 1402­00.768. Jul. 20/10/2011).  Ementa:  RECONHECIMENTO  DE  DIREITO  CREDITÓRIO.  REVISÃO  DO  SALDO  NEGATIVO  DE  RECOLHIMENTOS  DO  IRPJ/CSLL.  A  Fazenda  Pública  pode  fiscalizar  a  formação  dos  saldos  negativos  de  recolhimentos  de  IRPJ  e  CSLL  no  prazo  de  5  anos  contados  do  aproveitamento  pelo  contribuinte.  Essa  revisão  deve  partir  do  lucro  real  declarado/apurado  pelo  contribuinte  e  pode  contemplar  a  verificação  da  efetividade  dos  recolhimentos,  das  retenções  do  IR­Fonte,  transposição  de  saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do  saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento  original,  ou  retificado  pelo  contribuinte,  não  é  possível  alterar  o  lucro  real  regularmente  apurado  e  declarado.  (Processo  nº  10923.000117/2008­09.  Acórdão 1402­00.736. Jul. 29/09/2011).  Recentemente,  em  declaração  de  voto  que  apresentei  no  processo  nº  10640.720967/2009­76,  julgado  na  sessão  de  06/05/2014,  resultando  no  acórdão  nº  1402­ 001.662, em acórdão de relatoria do ilustre Conselheiro Fernando Brasil, tendo­o acompanhado  pelas conclusões, enfrentei a questão da regra­matriz de incidência tributária, e a regra­matriz  de direito ao crédito por parte do contribuinte.  Igualmente, quando da análise do processo nº  10880.950151/2008­61,  também  pautado  nesta  sessão,  enfrentei  a  questão  nos  seguintes  termos:  "I ­ Da Natureza jurídica, o momento da constituição do saldo negativo  do imposto de renda das pessoas jurídicas e a questão relacionada à prescrição  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/2009­06  Acórdão n.º 1402­001.776  S1­C4T2  Fl. 15          7 Nos termos da Súmula 436 do STJ e do Resp 962.279/RS, submetido ao rito  do artigo 543­C, do CPC, “a entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo  o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência  por parte do Fisco."  Neste cenário, no momento da entrega da DCTF, à semelhança do que ocorre  com o lançamento de ofício, tem­se uma norma individual e concreta constituindo  o crédito  tributário. Todavia, além da regra­matriz de  incidência  tributária, da  qual  resulta  o  débito  tributário,  há  a  regra­matriz  de  direito  ao  crédito.  Da  primeira  surge  a obrigação do particular  em  face da Administração e da  segunda  advém a obrigação da Administração frente ao particular. É da segunda que nasce a  constituição do crédito em favor do contribuinte2.   Assim,  em  se  tratando  de  IRPJ,  o  saldo  negativo  do  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  decorrente  de  retenção  de  imposto  de  renda  na  fonte  e  ou  recolhimento  de  estimativas,  resulta  constituído  no  momento  em  que  o  contribuinte,  mediante  procedimento  adequado3,  (i)  informa  as  receitas  e  os  rendimentos sujeitos à tributação; (ii) apura o montante dos tributos devidos e (iii)  dele  subtrai  o  que  foi  pago  de  forma  antecipada,  declarando  tal  procedimento  à  Administração. Neste momento  tem­se a constituição do saldo negativo em favor  do  contribuinte,  com  prazo  de  cinco  anos  para  ser  utilizado  em  processo  de  compensação  ou  pedido  de  restituição.  Em  igual  prazo,  identificando  irregularidades  na  constituição  do  saldo  negativo,  o  Fisco  pode  efetuar  as  glosas  que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto  a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do  Decreto 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009.  "Art.  9º  A  exigência  do  crédito  tributário  e  a  aplicação  de  penalidade  isolada  serão  formalizados  em  auto  de  infração  ou  notificações  de  lançamento, distintos para cada tributos ou penalidades (...).  § 4º. O disposto no caput deste artigo aplica­se também nas hipóteses em  que,  constatada  a  infração  à  legislação  tributária,  dela  não  resulte  exigência de crédito tributário.  Partindo do entendimento de que o direito ao crédito tributário do  contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime  jurídico,  tem  razão  o  Conselheiro  Carlos  Pelá  quando  menciona  que  decorridos  cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e  tendo  este  aproveitado  tais  valores  mediante  compensação,  sem  que  a  Fazenda                                                              2 A questão da existência da regra­matriz de incidência tributária, da qual decorre o débito do particular frente à  Administração e a regra­matriz de direito ao crédito tributário, da qual decorre a obrigação  da Administro frente  ao particular, foi apontada pelo Ministro Fux quando do julgamento dos Resp 773.675 e 1.065.234/RS.     O fato dos referidos julgamentos versarem sobre  ICMS em nada altera os pressupostos e a natureza jurídica do  direito ao crédito. A propósito, do REsp 77.675, (DJ de 2.4.2007, p. 239), colho a seguinte passagem:    "(...) O direito de crédito do contribuinte não decorre da regra­matriz de  incidência  tributária do ICMS, mas da  eficácia  legal  da  norma  constitucional  que  prevê  o  próprio  direito  ao  abatimento  (regra­matriz  de  direito  ao  crédito) (...) porquanto a compensação se dá entre operações de débito (obrigação tributária) e crédito (direito ao  crédito)."  3  A  expressão  "procedimento  adequado"  deve  ser  entendida  como  situação  onde  inexistam  omissões  a  serem  tributadas.   Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/2009­06  Acórdão n.º 1402­001.776  S1­C4T2  Fl. 16          8 Nacional  tivesse  glosado  nos  5  (cinco)  anos  subsequentes  à  constituição,  não  é  possível  fazê­lo após  tal prazo. Assim como o sujeito passivo  tem 5 (cinco) anos  para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído  tal  saldo  a  Fazenda  também dispõe  de  5  (cinco)  anos  para  conferir  as  apurações  feitas pelo sujeito passivo, informadas em DIPJ. Passados 5 (cinco) anos, e diante  do que dispõe o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela  Lei nº 11.941, de 2009, não há como alterar o valor do saldo negativo.  Em  outras  palavras,  o  sujeito  passivo  tanto  pode  entregar  DCTF  reconhecendo imposto a pagar, situação em que resta constituído o débito tributário  em  favor do Fisco,  como pode  realizar procedimento,  previsto  em  lei,  apontando  crédito  em  seu  favor.  Neste  sentido,  conforme  reiteradamente  destacado  pelo  Conselheiro  Carlos  Pelá,  tem­se  que  a  relação  entre  Contribuinte  e  Fisco  é  de  crédito  e  débito,  que  ora  pode  ser  a  favor  de  um  e  ora  a  favor  de  outro.  Nesta  mesma  linha  encontram­se  ensinamentos  em  artigos  de  doutrina  de  Jefferson  Medina  nas  Revistas  Dialética  de  Direito  Tributário  de  nºs  225  e  226,  editadas,  respectivamente, nos meses de junho e julho de 20144.  Pois  bem,  partindo  do  entendimento  de  que  direito  ao  crédito  tributário  do  contribuinte  frente  à  Fazenda  advém  de  regra  de  incidência  pertencente  ao  regime  jurídico,  concordo  com  o  Conselheiro  Carlos  Pelá  quando  menciona  que  decorridos  cinco  anos  da  constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais  valores mediante compensação, sem que a Fazenda Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos  subsequentes,  não  é  possível  fazê­lo  após  tal  prazo.  Assim  como  o  sujeito  passivo  tem  5  (cinco)  anos  para  requerer  a  restituição  ou  compensação  do  saldo  negativo,  uma  vez  constituído  tal  saldo  a Fazenda  também dispõe de  5  (cinco)  anos  para  conferir  as  apurações  feitas pelo sujeito passivo e informadas em DIPJ.  Isto  torna­se  mais  evidente  nas  situações  em  que  o  sujeito  passivo,  por  equívoco, apura imposto a pagar ou saldo negativo diferente do efetivamente devido. Passados  5 (cinco) anos não poderá retificar a DIPJ para alterar os valores nela informados.   Em  que  pese  os  fundamentos  acima  mencionados  e  a  minha  mudança  de  entendimento  acerca  da  matéria,  estou  ressalvando  meu  ponto  de  vista  e  seguindo  o  entendimento da douta maioria de que a Fazenda, a qualquer tempo, pode verificar se houve o  recolhimento dos valores que formaram o saldo negativo, não podendo, todavia, após o prazo  de  5  (cinco)  anos  pretender  glosar  despesas  ou  apontar  omissões,  sob  pena  de,  por  vias                                                              4  Jefferson Marcos Biagini Medina  ­    Natureza  Jurídica  do Crédito  e  Débito  no  ICMS  e  suas  Implicações  no  Ordenamento Jurídico. In. Revista Dialética de Direito Tributário, 225, p. 113­124. Junho 2014.     Jefferson Marcos Biagini Medina ­ Inconstitucional ide do Protocolo ICMS 21/2011 do Confaz. Efeitos Jurídicos  para  os  Signatários  e  Consumidor  Final  não  Contribuintes  do  ICMS.  In  .  In.  Revista  Dialética  de  Direito  Tributário, 226, p. 91­105, julho 2014.    Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/2009­06  Acórdão n.º 1402­001.776  S1­C4T2  Fl. 17          9 transversas, exigir tributo em relação a período já atingido pela decadência, isto sem falar em  violação do disposto no § 4º, do art. 9º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei  nº 11.941, de 2009.  ISSO POSTO,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no  ano­calendário de 2003.     (assinado digitalmente)  Moisés Giacomelli Nunes da Silva                            Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 16327.900588/2006-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/2006­54  Acórdão n.º 3801­004.367  S3­TE01  Fl. 92          2 (assinado digitalmente)  Flávio De Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos  Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/2006­54  Acórdão n.º 3801­004.367  S3­TE01  Fl. 93          3   Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  que  transcrevo a seguir:  Trata­se  de  manifestação  de  inconformidade  (fis.  10/17)  de  INDUSVAL  FINANCEIRA,  CRÉDITO,  FINANCIAMENTO  E  INVESTIMENTO  S.A.,  supra  qualificada,  apresentada  em  face  do Despacho Decisório de fis. 01.  Em  13.06.2003,  o  contribuinte  entregou  a  Declaração  de  Compensação  de  fls.  05/09  (PER/DCOMP  n°  30130.97051.130603.1.3.04­9134),  na  qual  declara  a  compensação de pretenso crédito de PIS, oriundo de pagamento  indevido  ou  a  maior  contido  no  recolhimento  efetuado  em  15.05.2003  (PA  04/2003),  com  débitos  do  próprio  PIS  com  vencimento em 13.06.2003 (PA 05/2003).  Pelo  Despacho  Decisório  de  fls.  01  o  contribuinte  foi  cientificado,  em  27.02.2008  (fls.  04),  que  "a  partir  das  características  do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP".  Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação  declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o valor  indevidamente compensado (principal: R$ 4.341,29).  Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  em  28.03.2008  a  Manifestação  de  Inconformidade  de  fls.  10/17,  alegando,  em  apertada síntese, a nulidade do despacho decisório, por falta de  motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que existiria  um outro DARF, no valor de R$ 26.481,99, referente ao mesmo  período  de  apuração do DARF discriminado no PER/DCOMP,  mas  que,  por  um  lapso,  não  foi  informado  pelo  contribuinte  mediante  retificação  do  PER/DCOMP.  Pleiteia,  assim,  a  homologação  integral  da  compensação  e  cancelamento  da  cobrança, bem como, ante a existência de fato novo  informado,  seja o processo  encaminhado à DEINF/SPO para nova análise  do PER/DCOMP.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP)  proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 30/04/2003   COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/2006­54  Acórdão n.º 3801­004.367  S3­TE01  Fl. 94          4 Descabe  reparo  ao  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  pelo  contribuinte,  por  revelar­se  inexistente  o  crédito  pleiteado.  In  casu,  os  alegados  créditos  seriam  oriundos  de  recolhimentos  que,  não  obstante,  estavam  integralmente alocados para a quitação de débitos confessados  pelo contribuinte.  Solicitação Indeferida  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  através  de  Recurso  Voluntário apresentado, no qual alega a preliminar de nulidade do despacho decisório, por falta  de motivação  e  de  fundamentação  do  ato,  e,  no mérito,  que  a  origem ao  crédito  objeto  da  •  PER/DCOMP  em  questão  (R$  4.341,29),  resulta  da  diferença  entre  o  valor  do  DARF  (R$  49.830,59) e o valor efetivamente devido (R$ 45.489,30).  É o Relatório.  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/2006­54  Acórdão n.º 3801­004.367  S3­TE01  Fl. 95          5    Voto             Conselheiro Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a  maior de PIS, Código de Receita 4574, PA 30/04/2003.  Preliminarmente,  quanto  à  alegação  de  nulidade  no  despacho  decisório  por  ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não  assiste razão à recorrente.  O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27  de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.  § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.  In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos de  PIS, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PIS Código de Receita 4574,  PA  30/04/2003,  como  origem  do  crédito,  alegando  “pagamento  indevido  ou  a  maior”,  conforme disposto nas normas regulamentadoras.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente  vinculados  a  débitos  já  declarados.  A  fundamentação da não homologação da compensação pleiteada  reside no  cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados  como  origem  do  direito  creditório.  Apesar  do  contribuinte  informar  ter  retificado  a  DCTF  posteriormente,  a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas  quando da apresentação do mesmo.  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/2006­54  Acórdão n.º 3801­004.367  S3­TE01  Fl. 96          6 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo  de certeza da inexistência ou  insuficiência do crédito do contribuinte, esse  fato por si só não  ensejaria  a  decretação  da  nulidade  do  despacho  por  cerceamento  de  defesa,  qual  seja,  a  impossibilidade de o impugnante defender­se da não homologação, por falta de compreensão  do motivo da não homologação.  Não  resta  caracterizada  a  nulidade  se  o  impugnante,  a  partir  do  despacho  decisório, assimila as conseqüências do  fato que deu origem à rejeição da compensação, que  lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação  de seu direito creditório.  Em  sede  de  restituição/compensação  compete  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  do  fato  constitutivo  do  seu  direito,  consoante  a  regra  basilar  extraída  do  Código  de  Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar  seu  direito  à  compensação, mediante  a  apresentação  da  PERDCOMP,  de  tal  sorte  que,  se  a  RFB  resiste  à pretensão  do  interessado,  não  homologando  a  compensação,  incumbe  a  ele,  o  contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito.  No caso vertente a recorrente indicou no PER/DCOMP um DARF, no valor  total de R$ 49.830,59,  referente a PIS Código de Receita 4574, PA 30/04/2003, pleiteando a  compensação de um pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 4.341,29.  Na  manifestação  de  inconformidade  alegou  que  havia  um  outro  DARF  relativo  ao mesmo  período  de  apuração,  o  qual,  se  fosse  considerado  pela  autoridade  fiscal,  evidenciaria a existência do crédito compensado.   No  entanto,  conforme  consta  na  decisão  recorrida,  o  contribuinte,  em  sua  DCTF retificadora entregue em 23.08.2004, declarou um débito de PIS referente ao período em  questão  no  valor  de R$  73.608,98,  vinculando  os  dois DARF mencionados,  evidenciando  a  inexistência do crédito alegado pelo interessado.  No  recurso  voluntário  apresentado,  por  sua  vez,  a  recorrente  alega  que  o  valor apurado a título de PIS, referente ao mês de abril/2003, na verdade seria de R$ 45.489,30,  o que daria origem ao crédito objeto da PER/DCOMP em questão (R$ 4.341,29), resultado da  diferença entre o valor do DARF (R$ 49.830,59) e o valor efetivamente devido (R$ 45.489,30).  Alega ainda que o valor efetivamente apurado estaria consignado na DIPJ do  ano­calendário  2003  (DOC.  06),  exercício  2004  e  que  procedeu  à  retificação  da  DCTF,  referente ao 2° trimestre de 2003 (DOC. 07).  Conforme  já  ressalvado,  em  sede  de  restituição/compensação  compete  ao  contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito.  Dos elementos de prova presentes nos autos verifica­se que consta copia de  uma DIPJ 2004, ano calendário 2003, entregue em 26/06/2004, na qual foi calculado um valor  de  R$  45.489,30,  referente  a  contribuição  para  PIS/PASEP  para  o  período  de  apuração  de  abril/2003. Já a DCTF retificadora, entregue em 23/08/2004, aponta um débito de PIS referente  ao período em questão no valor de R$ 73.608,98.  Apesar  da  recorrente  ter  providenciado  a  retificação  extemporânea  da  respectiva DCTF, recebida em 02/12/2008, os documentos apresentados são insuficientes para  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/2006­54  Acórdão n.º 3801­004.367  S3­TE01  Fl. 97          7 se apurar o valor correto do PIS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente  direito creditório advindo do pagamento a maior  O Recorrente não  trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações  sob  sua  responsabilidade  que  pudesse  comprovar  a  origem  do  seu  crédito,  tais  como  a  escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tão­somente, a argumentar que houve um erro de fato  no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento  do crédito.  Para  que  se  possa  superar  a  questão  de  eventual  erro  de  fato  e  analisar  efetivamente  o  mérito  da  questão,  deveriam  estar  presentes  nos  autos  os  elementos  comprobatórios  que  pudéssemos  considerar  no mínimo  como  indícios  de  prova  dos  créditos  alegados, o que não se verifica no caso em tela.  Assim,  nos  termos  do  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional,  falta  ao  crédito  indicado  pelo  contribuinte  certeza  e  liquidez,  que  são  indispensáveis  para  a  compensação pleiteada.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações em litígio.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges                               Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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5739421 #
Numero do processo: 19515.000704/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Considera-se válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 1401-001.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: Relator Maurício Pereira Faro

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Considera-se válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso de ofício negado

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.000704/2010­91  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1401­001.331  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de outubro de 2014  Matéria  IRPJ  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Recorrida  TITAMARI FACTORING LTDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  REGULAR  INTIMAÇÃO.  Incabível  o  lançamento  fundado  na  presunção  de  omissão  de  receitas  por  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada,  se  ausente  a  regular  intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  conforme  determina  o  artigo 42 da Lei n° 9.430/96.   INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.  Considera­se  válida  a  intimação  por  via  postal  desde  que  haja  prova  de  recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito  pelo sujeito passivo.  INTIMAÇÃO POR EDITAL.  Restando  improfícua  a  intimação  pela  via  postal  ou  quando  a  inscrição  do  sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar  a  intimação  a  local  diverso,  a  ciência  dos  atos  administrativos  deve  ser  realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72).  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.  Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado  no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.   Recurso de ofício negado               AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 04 /2 01 0- 91 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 3          2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso  ofício, nos termos do voto do relator.    Assinado digitalmente  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente    Assinado digitalmente  Maurício Pereira Faro – Relator     Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Jorge  Celso  Freire  da  Silva,  Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem  Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.    Relatório  Trata­se de recurso de oficio contra acórdão que julgou, por unanimidade de  votos,  a  impugnação procedente,  cancelando o  crédito  tributário. Por bem  resumir  a questão  ora examinada, adoto e  transcrevo o relatório anterior elaborado pela 5º Turma da DRJ/SP1­  São Paulo­ SP:  Em  ação  fiscal  levada  a  efeito  sobre  o  contribuinte  acima  identificado,  instaurada  por  força  do  MPF  nº  0819000  2009  03904­9,  foram  lavrados Autos  de  Infração  relativos  aos  anos­ calendário  de  2006  e  2007,  de  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (fls.  922/926);  de  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (fls.  933/937);  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (fls.  944/948)  e  de  Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 952/956).  Conforme  relatado  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  914/916:  • não foi dada ciência pela via pessoal ou postal em virtude de a  contribuinte não  ter sido  localizada em seu endereço cadastral,  tendo a mesma sido declarada INAPTA a partir de 01.01.2006,  conforme  ADE  n°  234  de  09.09.2009,  publicado  no  DOU  de  11.09.2009;  • com base em extratos bancários referentes aos anos­calendário  de  2006  e  2007  fornecidos  pelo  Banco  do  Brasil  e  Caixa  Econômica Federal mediante autorização para quebra de sigilo  bancário, a contribuinte foi intimada a esclarecer e comprovar a  origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias;  Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 4          3 • como a contribuinte não se manifestou, à falta de comprovação  da origem dos valores mencionados nas planilhas, nos termos do  artigo 926 do RIR199, e após desconsideradas as transferências  entre  bancos,  restou  configurada  presunção  de  omissão  de  receita no ano­calendário de 2006 no valor de R$ 54.518.060,52  (cinquenta e quatro milhões, quinhentos e dezoito mil e sessenta  reais e cinquenta e dois centavos) e no ano­calendário de 2007  no  valor  de  R$  68.979.667,08  (sessenta  e  oito  milhões,  novecentos  e  setenta  e  nove  mil  e  seiscentos  e  sessenta  e  sete  reais e oito centavos), de conformidade com os artigos 287 e 849  do RIR199.  3  Fundamentação  fática  e  legal  e  valores  totais  dos  créditos  tributários  constituídos,  incluída  a  multa  proporcional  e  juros  calculados até 31/03/2010, discriminados a seguir:      4.  Irresignada  com  a  autuação,  da  qual  tomou  ciência  em  22/04/2010  (AR  a  fl.  958),  a  interessada  apresentou,  em  20/05/2010,  a  impugnação  de  fls.  962/968,  acompanhada  dos  documentos  de  fls.  969/986,  na  qual  apresentou  as  alegações  abaixo sintetizadas:  Preliminarmente,  Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 5          4 4.1.  a  garantia  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa  foi  completamente descurada, porquanto a  tentativa de localização  da  pessoa  jurídica  foi  promovida  "Avenida  Santa Maria  948  ­  Jardim Colonial  ­  São Paulo",  ao  passo  que  o  domicilio  fiscal  declarado  e  que  forçosamente  deveria  constar  dos  registros  e  assentamentos da RFB era "Avenida Francisco Santa Maria n°  948 ­ Jardim Colonial ­ São Paulo";  4.2. sem tentativa efetiva de localização da contribuinte no real  endereço  constante  dos  registros  e  assentamentos  do  órgão  fiscalizador, não se considera cientificada a contribuinte, que é  pressuposto essencial para o regular exercício do procedimento  fiscal  promovido,  restando  contaminados  todos  os  atos  praticados posteriormente;  4.3. em 11/12/2009, a contribuinte ingressou com de reativação  do CNPJ,  processo  n°  13807.010088/2009­81, mediante o  qual  ao conhecimento da RFB a designação da ora subscritora como  administradora a a impugnante e o novo endereço de sua sede,  qual seja, Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo,  CEP no 02028­000;  4.4.  se  porventura  a  contribuinte  tivesse  sido  oportuna  e  efetivamente  notificada  no  endereço  correto,  o  que  poderia  ocorrer,  já  que  o  feito  fiscal  foi  concluído  somente  em  15/04/2010,  a  contribuinte  poderia  ter  ingressado  no  curso  da  ação  fiscal  aparelhada  e  ter  produzido  documentos  que  certamente  influiriam  no  resultado  final  encontrado  pela  auditora;  4.5.  é  inegável  o  prejuízo  ou  gravame  experimentado  pela  impugnante,  que  constitui  causa  hábil  e  suficiente  para  a  anulação  da  ação  fiscal  desde  o  inicio,  tornando  imperiosa  a  renovação dos atos, que desde logo se requer;  No mérito,  4.6. A autuação desconsiderou que a contribuinte atua no ramo  de "factoring", em que é comum e rotineiro o remanejamento de  recursos  próprios  que  constituem  seu  capital  de  giro,  sem  que  isso signifique as propaladas receitas omitidas.   As  atividades  realizadas  constituem  prestação  de  serviços  de  gestão  empresarial  e  comercial  executados  em  caráter  cumulativo  e  continuo  e,  ainda,  cobranças  de  títulos  extrajudiciais por conta própria e de terceiros, que resultam na  movimentação  de  valores  a  principio  até  expressivos, mas  que  não se constituem, integralmente, em receitas que tivessem sido  omitidas para evitar o recolhimento de tributos legais;  4.7.  Não  houve  análise  individualizada  para  determinação  da  receita  omitida,  tal  como  previsto  pelo  artigo  4°  da  Lei  n  °  9.481/97,  e  de  onde  se  pudesse  extrair  a  conclusão  de  que  as  movimentações constituíram receitas omitidas;  Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 6          5 4.8. Durante o interregno de tempo que mediou a declaração de  inaptidão  da  empresa,  publicada  no D.O.  em  11/09/2009,  e  as  autuações  ora  contestadas,  verificadas  em  15/04/2010,  a  contribuinte  estava  simplesmente  impossibilitada  de  prestar  as  informações  que  lhe  competiam  visando  demonstrar  a  real  e  verídica  situação  para  efeitos  fiscais  e  tributários.  Embora  aparentemente  a  tentativa  de  reativação  do  CNPJ  não  tenha  chegado ao conhecimento da divisão de fiscalização, a conduta  fiscal  configura  ofensa  ao  artigo  112  do  Código  Tributário  Nacional, "segundo o qual a interpretação da lei  tributária que  define  infrações  ou  comina  penalidades  sempre  será  feita  de  maneira mais favorável ao acusado, em existindo dúvidas quanto  a  natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  11  natureza ou extensão dos seus efeitos" (fl. 967);  4.9. é inquestionável a boa fé da contribuinte, que protocolou em  11/12/2009  o  pedido  de  reativação  do  CNPJ  para  buscar  a  regularização  de  sua  situação  fiscal,  mormente  com  a  apresentação das declarações apontadas como omitidas entre os  exercícios de 2005 até 2008;  4.10. A autuação deve  ser anulada, ainda, por  cerceamento ao  direito  de  ampla  defesa  da  contribuinte,  eis  que  os  Autos  Infracionais  apresentam­se  em  desacordo  com  o  previsto  no  artigo  10,  III,  do  Decreto  n°  70.235/72,  pois  não  foram  elaborados  com  a  descrição  pormenorizada  do  fato  tido  por  irregular e penalidade imposta;  4.11. Requer, por fim, a anulação da ação fiscal ou, no mérito, o  integral  refazimento  da  apuração  dos  tributos  lançados  e  também das sanções sobre eles incidentes.    Em  face  destes  argumentos,  a  5º  Turma  da  DRJ/SP1,  proferiu  acórdão  julgando improcedente o lançamento.   Tendo  em  vista  que  dentre  as  questões  em  discussão  no  presente  feito,  encontra­se  a  utilização  da  Requisição  de  Movimentação  Financeiras  –  RMF,  por  parte  da  Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente, e, sendo certo  que  a matéria  encontra­se  no Supremo Tribunal  Federal,  sob  o  regime de  repercussão  geral,  este i. Relator, em 03.07.2012, proferiu voto sobrestando o feito, até o pronunciamento final do  Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos termos da Portaria nº 138/2009 do STF.  Ocorre  que  com  o  advento  da  Portaria MF  nº  545,  de  28  de  novembro  de  2013, revogou os § 1º e § 2º do art. 62­A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de  2009,  foi  determinado  a  reinclusão  em  pauta  para  julgamento  os  processos  referentes  às  matérias que estão em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em  julgado, de acordo com o rito do art. 543­B do Código de Processo Civil (CPC).  Assim,  tendo  em  conta  o  cancelamento  do  crédito  tributário,  a  legislação  vigente determina a reanálise da demanda por este Egrégio Conselho.  É o relatório.  Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 7          6 Voto             Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro  Como  exposto  no  relatório,  trata­se,  na  origem,  de  Auto  de  Infração  instaurado  por  força  do MPF  nº  0819000  2009  03904­9,  onde  se  lavrou  Autos  de  Infração  relativos  aos  anos­calendário  de  2006  e  2007,  de  Imposto  de Renda  da  Pessoa  Jurídica  (fls.  922/926);  de  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (fls.  933/937);  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (fls.  944/948)  e  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido  (fls.  952/956),  com  base  em  extratos  bancários  referentes  aos  anos­calendário de 2006 e 2007 fornecidos pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal  mediante  autorização  para  quebra  de  sigilo  bancário,  não  sendo  a  contribuinte  regulamente  intimada  a  esclarecer  e  comprovar  a  origem  dos  depósitos  e  créditos  efetuados  nas  contas  bancárias  conforme  descrito  do  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  da  Ação  Fiscal  (fls.  914/946) que é parte integrante do presente Auto de Infração.  Imperioso destacar, que o cerne da presente discussão se foca ao fato da não  realização da intimação da contribuinte, uma vez que pela leitura dos autos, se constata que o  contribuinte não foi oportunamente notificado no endereço correto, impossibilitando assim, seu  ingresso  no  curso  da  ação  fiscal  e  a  produção  de  documentos  que  certamente  influiriam  no  resultado final encontrado pela fiscalização.   Como  bem  examinado  pela  DRJ,  constata­se  que  as  correspondências  enviadas à empresa e aos sócios desde o inicio do feito fiscal retomaram à RFB sem a ciência  dos destinatários a despeito de essas correspondências terem sido enviadas ao correto endereço  cadastral.   Salienta­se  que  o  erro material  derivou­se  exclusivamente  da RFB,  que  no  momento  da  fiscalização,  enviou  as  correspondências  a  endereço  com  nome  de  logradouro  (Avenida  Santa  Maria)  diferente  do  informado  pela  contribuinte  e  à  época  constante  dos  registros e assentamentos da RFB, qual seja "Avenida Francisco de Santa Maria”.  Cabe  observar  que  os  termos  de  inicio  de  fiscalização  foram  enviados  à  empresa  e  a  três  sócios  em  seus  distintos  endereços  cadastrais  e,  mesmo  assim,  todos  eles  também  retornaram  à  fiscalização  sem  ateste  de  recebimento  pelos  destinatários,  com  informação  dos  correios  de  que  os  mesmos  seriam  desconhecidos  naqueles  endereços  (fls.  9/17).  A fim de elucidar a questão  temporal do assunto, mister se  faz  transcreve a  cronologia dos fatos expostas pela DRJ:  1. em 31/03/2008, os Termos de Inicio de Fiscalização enviados com AR à  empresa  e  seus  sócios  nos  endereços  constantes  no  cadastro  da  RFB  retornaram  com  a  informação  dos  correios  de  que  os  destinatários  eram  desconhecidos  nos  referidos  locais,  ou  seja,  os  destinatários  (empresa  e  sócios) não foram encontrados nos endereços cadastrados (fls. 07, 12, 13 e  14).    Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 8          7 2. em 11.09.2009 foi publicado o ADE n° 234/2009, que declarou a inaptidão  da contribuinte com efeitos retroativos a 01.01.2006 (fl. 21);  3.  em  11.12.2009,  a  contribuinte  ingressou  na  RFB  com  Pedido  de  Reativação de CNPJ (fl. 984), no qual informou novo endereço, a Rua Dom  José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo. O processo  foi autuado sob n°  13807.010088/2009­81;  4. em 02.02.2010, foi enviada à empresa por via postal, no mesmo endereço  constante no cadastro da RFB, intimação para comprovação da origem dos  valores  debitados  e  creditados  constantes  de  extratos  bancários  fornecidos  por instituições financeiras (fl. 30 ou 572), tendo essa correspondência sido  devolvida pelos correios (AR a fl. 573) porque, novamente, a empresa não foi  encontrada naquele endereço.  5.  em 22.04.2010,  a  contribuinte  foi  cientificada  dos Auto  de  Infração  por  correspondência enviada pela fiscalização ao endereço informado no pedido  de  Reativação  de  CNPJ,  Rua  Dom  José  Mauricio,  n°  133,  Santana,  São  Paulo.  Desta forma, fundamental se faz a exposição do art. 23 do Decreto 70.325/72,  que elucida algumas questões:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I  ­ pessoal,  pelo autor  do procedimento ou por  agente do  órgão preparador, na  repartição  ou  fora  dela,  provada  con:  a  assinatura  do  sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de  recusa,  com  declaração  escrita  de  quem  O  intimar;  (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997)  II ­por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio  ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo;  (Redação  dada  pela  Lei  n°  9.532, de 1997)  III  ­  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  mediante: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005)  a)  envio  ao  domicilio  tributário  do  sujeito  passivo;  ou  (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005)  b)  registro  em  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n°11.196, de 2005)  § 1º Quando  resultar  improfícuo um dos meios previstos  no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua  inscrição  declarada  inapta  perante  o  cadastro  fiscal,  a  intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação  dada pela Lei n°11.941, de 2009)  I  ­  no  endereço  da  administração  tributária  na  internet;  (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005)  Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 9          8 II  ­  em  dependência,  franqueada  ao  público,  do  órgão  encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n°11.196,  de 2005.)  III  ­  uma  única  vez,  em  órgão  da  imprensa  oficial  local.  (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005.)  (...)  § 3 Os meios de intimação previstos nos incisos do caput  deste  artigo  não  estão  sujeitos  a  ordem  de  preferência.  (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005.)  §  4º  Para  fins  de  intimação,  considera­se  domicilio  tributário  do  sujeito  passivo:  (Redação  dada  pela  Lei  n°11.196, de 2005.)  I  ­  o  endereço  postal  por  ele  fornecido,  para  fins  cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei  n°11.196, de 2005.)  II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito  passivo. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) (grifou­se).  (...)  Assim,  importante  destacar  que  segundo  o  ordenamento  jurídico  pátrio,  observa­se que a  intimação do sujeito passivo se  fará, em regra, pela via pessoal ou pela via  postal,  em  seu  domicilio  tributário,  nos  termos  do  §4º  do  art.  23  do Decreto  70.235/72,  não  estando tais meios sujeitos à ordem de preferência.  Deste  modo,  constata­se  que  não  havendo  prova  do  recebimento  da  correspondência no domicilio  tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme estabelecido no  inciso  II  do  artigo  23  do  Decreto  n°  70.235/72,  a  intimação  de  fl.  30,  encaminhada  à  contribuinte  por  via  postal  não  pode  ser  considerada  válida,  ainda  que  tenha  sido  enviada  a  endereço informado pela própria contribuinte aos cadastros da RFB.  Nesse caso, mostrando­se efetivamente improfícua a intimação por via postal,  conforme atesta o AR de fl. 573, que foi devolvido pela agência dos correios com a informação  de destinatário "desconhecido",  a  fiscalização  teria que proceder  à publicação de edital, nos  termos  do  §1°  do  artigo  23  do  Decreto  70.235/72,  para  concretizar  a  regular  intimação  da  contribuinte.  Frise­se que, a atual redação do §1º do artigo 23 foi dada pela Lei n°11.941,  publicada no DOU de 28.05.2009, sendo sua observância obrigatória, portanto, à época em que  providenciada  a  cientificação  da  intimação  para  comprovar  a  origem  dos  recursos  ao  final  admitidos como receitas omitidas, com base no artigo 42 da Lei 9.430/96.  Diante  do  acima  exposto  e  do  que  consta  dos  autos,  conclui­se  que,  efetivamente  não  houve  intimação  válida,  para  o  documento  de  fl.  30,  não  se  observando  assim,os art.23, inciso II e §1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 10          9 Por fim, fundamental se configura a exposição do que se encontra previsto no  art. 42 da Lei nº 9430/96, reproduzido no art. 849 do RIR 99:  Art.  849. Caracterizam­se  também como omissão  de  receita  ou  de  rendimento,  sujeitos  a  lançamento  de  ofício,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos  utilizados nessas operações (Lei n º 9.430, de 1996, art. 42).  Como de observar pela  simples  leitura a cima, a hipótese  tributária prevista  no  dispositivo  configura­se  com  a  não  comprovação  da  origem  dos  recursos  utilizados  em  operações  bancárias,  após  ser  a  contribuinte  "regularmente  intimada",  repita­se,  “regularmente intimada” a essa comprovação.    Nesse sentido, este i. Conselho já se manifestou sobre a matéria:    EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  ACOLHIMENTO.  RPJ/CSLUPIS/COFINS — MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA —  NECESSIDADE  DE  INDIVIDUALIZAÇAO  E  INTIMAÇÃO  ESPECIFICA  ­  A  utilização  da  presunção  legal  do  art.  42  da  Lei n° 9.430/92 tem como um dos pressupostos indispensáveis a  intimação  especifica  ao  contribuinte  para  que  justifique  os  créditos bancários individualizados pela fiscalização. Não pode  prevalecer exigência tributária calçada somente nos valores da  movimentação  global  apontada  nos  sistemas  eletrônicos  de  preparo  da  ação  fiscal,  ponto  de  partida  para  os  trabalhos  fiscais.  (Acórdão  nº  107­09.098  –Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  7ª  Câmara­ Rel.  Luiz Martins  Valero­  Sessão  de  04.07.2007­ DOU 31.01.2008­ Grifou­se).    Com  efeito,  a  contribuinte  necessariamente  precisa  ser  regularmente  intimada, na forma do Decreto n° 70.235/72, para que assim, possa prestar esclarecimentos a  RFB, comprovando a origem dos créditos, garantindo a oportunidade de se manifestar sobre as  movimentações bancárias, não se configura o fato indiciário (não comprovação da origem dos  recursos) com que a lei permite presumir­se omitidas as receitas.  Pelo  exposto,  entendo que  a  falta de  intimação  válida da  contribuinte  para,  querendo, se manifestar quanto à origem das movimentações bancárias afronta diretamente o  disposto no art. 849 do RIR 99.   Assim,  configura­se  forçoso  concluir  que  não  houve  a  regular  intimação  exigida no dispositivo legal em que se fundou a autuação, de modo que a não comprovação da  origem  dos  recursos  utilizados  nas  movimentações  financeiras  não  é  suficiente  para  caracterizar a omissão de receitas presumida.    Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/2010­91  Acórdão n.º 1401­001.331  S1­C4T1  Fl. 11          10 Deste modo, não se constatando a regular intimação da contribuinte a prestar  informações sobre as movimentações bancárias que foram utilizadas para a presente autuação  voto pela improcedência do Recurso de Ofício, motivo pelo qual, mantenho a decisão da DRJ­ SP1­ São Paulo, exonerando o Crédito Tributário.  É como voto.     Assinado digitalmente  Maurício Pereira Faro ­ Relator                            Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO

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Numero do processo: 11516.722635/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GFIP. DADOS INCORRETOS. CONDUTA QUE SEGUE A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AUSÊNCIA DE COISA JULGADA. INFRAÇÃO CONFIGURADA. A jurisprudência do STJ que não tem efeito de coisa julgada não exime o SENAI de observar a legislação que o obriga a informar, na GFIP, o código de recolhimento relativo à contribuição do salário-educação e a devida ao INCRA. A conduta contrária à legislação que determina a forma de preenchimento da GFIP configura infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Aplicação da Súmula CARF nº 28. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, multa de ofício do art. 35-A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e multa isolada do art. 32-A da mesma lei, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de inconstitucionalidade, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GFIP. DADOS INCORRETOS. CONDUTA QUE SEGUE A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AUSÊNCIA DE COISA JULGADA. INFRAÇÃO CONFIGURADA. A jurisprudência do STJ que não tem efeito de coisa julgada não exime o SENAI de observar a legislação que o obriga a informar, na GFIP, o código de recolhimento relativo à contribuição do salário-educação e a devida ao INCRA. A conduta contrária à legislação que determina a forma de preenchimento da GFIP configura infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Aplicação da Súmula CARF nº 28. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, multa de ofício do art. 35-A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e multa isolada do art. 32-A da mesma lei, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de inconstitucionalidade, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 A  jurisprudência  do  STJ  que  não  tem  efeito  de  coisa  julgada  não  exime  o  SENAI de observar a legislação que o obriga a informar, na GFIP, o código  de  recolhimento  relativo  à  contribuição  do  salário­educação  e  a  devida  ao  INCRA.  A conduta contrária à legislação que determina a forma de preenchimento da  GFIP configura infração.  PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA  FINS PENAIS.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes  a  Processo  Administrativo  de  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais.  Aplicação da Súmula CARF nº 28.  MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO.  As  multas  foram  aplicadas  com  base  na  legislação  de  regência,  multa  de  ofício  do  art.  35­A  da  Lei  8.212/91,  com  a  redação  da  MP  449/2008,  convertida na Lei  11.941/2009,  e multa  isolada  do  art.  32­A da mesma  lei,  sendo  que  a  vigência  desses  dispositivos  legais  não  pode  ser  negada  pelo  CARF  com  base  em  alegação  de  inconstitucionalidade,  por  força  do  enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso voluntário.       Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente      Luciana de Souza Espíndola Reis ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  Luciana  de  Souza  Espíndola  Reis,  Lourenço  Ferreira  do  Prado,  Ronaldo  de  Lima  Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 484DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/2011­39  Acórdão n.º 2402­004.311  S2­C4T2  Fl. 484          3   Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 04­33.584  da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campo Grande  (MS),  fl.  433­444,  com  ciência  ao  sujeito  passivo  em  01/10/2013,  fl.450,  que  julgou  improcedente  impugnação  apresentada  pela  autuada  e  manteve  integralmente  o  lançamento  tributário aperfeiçoado com a ciência do sujeito passivo em 21/12/2011, fl. 03.  De acordo com o relatório fiscal de f. 118­128, o lançamento tem por objeto  os seguintes autos de infração:  a) Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), lavrado sob o debcad n°  51.011.586­1,  referente  à  exigência  de  contribuições  devidas  pela  empresa  e  destinadas  ao  FNDE  (salário­educação)  e  ao  INCRA,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados, no período de 01/2009 a 13/2010.  b) Auto de Infração de Obrigação Acessória  (AIOA),  lavrado sob o debcad  n°  51.011.585­3,  referente  à  exigência  de multa  por  infração  ao  art.  32­A  da  Lei  8.212/91,  “caput”,  inciso  I  e  parágrafos  2º  e  3º,  incluídos  pela MP  nº  449/2008  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009, com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e  Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 01/2009 a 12/2010, com informações  incorretas  nos  campos  “Fundo  de  Previdência  e  Assistência  Social  (FPAS)”  e  “Códigos  de  outras entidades e  fundos”, deixando de  informar nesses campos os códigos “523” e “0003”,  respectivamente.   Segundo  a  autoridade  lançadora,  a  autuada  auto  enquadrou­se  no  código  FPAS 507 e código de outras entidades e  fundos 0000, ao passo que, em razão da forma de  constituição e da atividade econômica da autuada, conforme seu regimento interno, o correto é  o  código  FPAS  523  (atividades  de  organizações  associativas  patronais  e  empresariais  não  vinculadas ao ex IAPC) e código de terceiros 0003 [contribuições ao Salário Educação (0001)  e  ao  Instituto  Nacional  de  Colonização  e  Reforma  Agrária  –  INCRA(0002)],  conforme  disposto no inciso VII do art. 109­A e Anexo I da Instrução Normativa n° 971, de 13/11/2009 e  alterações posteriores.  Inconformada, a autuada impugnou o lançamento contestando as matérias do  auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito  tributário lançado. O julgado restou assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2009 a 29/02/2012  DECISÃO JUDICIAL  A  sentença  tem  força  de  lei  nos  limites  da  lide  e  das  questões  decididas.  IMUNIDADE OU ISENÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 A  imunidade  estampada  no  §  7º  do  artigo  195  da  CF  está  condicionada  ao  cumprimento  das  exigências  estabelecidas  em  lei.  O  certificado  de  entidade  beneficente  de  assistência  social,  expedido nos moldes do artigo 3º, da Lei nº 12.101/2009, é prova  indispensável do direito à isenção prevista em seu bojo.  EMPRESA. EQUIPARADA  o Senai equipara­se a empresa para os efeitos da Lei 8.212/91.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS  Representação Fiscal para Fins Penais correspondente a prática  de  possível  crime  vinculado  a  crédito  tributário  apurado  é  tramitada somente após sua constituição definitiva. Não compete  à  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  apreciar  a  regularidade  e  o  cabimento  de  representação  para  fins  penais  formalizada ao final do procedimento de fiscalização.  FATO GERADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA  O  fato  gerador  da  obrigação  acessória:  “Apresentar  de  GFIP  com  informações  incorretas”,  decorre  da  Lei  n.  8.212,  de  24.07.1991,  art.  32­A,  "caput",  inciso  I  e  parágrafos  2º  e  3º,  incluídos  pela MP  n.  449,  de  03.12.2008,  convertida  na  Lei  n.  11.941, de 27.05.2009. A Instrução Normativa estabelece formas  de preenchimento da Gfip.  Em  10/10/2013,  a  autuada,  por  meio  do  advogado  qualificado  nos  autos,  interpôs  recurso  apresentando  suas  alegações,  fl.  451­468,  cujos  pontos  relevantes  para  a  solução do litígio são:  Em  preliminar,  alega  precedente  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  reconhecendo  a  isenção/imunidade  do  SESI  com  relação  ao  pagamento  das  contribuições para o salário educação e INCRA, conforme decidido no acórdão 2401­002.594  – 4a Câmara/1a Turma Ordinária – 2a Seção.  Alega  também  a  existência  de  sentença  judicial  transitada  em  julgado,  proferida em execução fiscal manejada em face da recorrente (processo no 2004.72.00.010149­ 7),  na  qual  se  reconheceu  a  isenção/imunidade  da  entidade  em  relação  aos  tributos  aqui  lançados.  Deste modo, assevera que o lançamento tributário atenta contra a segurança  jurídica e fere o princípio da eficiência, além de se tratar de conduta passível de se configurar  crime de excesso de exação, tipificado no art. 316 §§ 1o e 2o do Código Penal.  No  mérito,  a  recorrente  sustenta  que  goza  da  imunidade  tributária  de  impostos, prevista no art. 150, VI, “c” da CF, e de contribuições sociais, nos termos do art. 195  §  7o  da  CF,  por  enquadrar­se  no  conceito  de  entidade  de  assistência  social,  atuando  na  formação e orientação profissional, sem finalidade de lucro e cumprindo os requisitos do § 1o  do  art.  14  do CTN,  citando,  neste  sentido,  jurisprudência  do  TRF  da  5a  Região,  acórdão  nº  471398/CE, DJE 28/07/2011.  Ademais,  ressalta  que  é  isenta  do  recolhimento  das  contribuições  ao  INCRA/FUNRURAL  por  expressa  disposição  dos  arts.  12  e  13  da  Lei  2.613/55,  situação  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/2011­39  Acórdão n.º 2402­004.311  S2­C4T2  Fl. 485          5 jurídica  reconhecida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  em  decisões  reiteradas,  cujas  ementas foram transcritas em sua peça recursal.  É ampla a isenção concedida à recorrente pela lei 2.613/55, e , segundo ela,  atinge também a contribuição do salário­educação. Além disso, afirma que, conforme doutrina  e jurisprudência, sua natureza jurídica peculiar não se enquadra no conceito de empresa, sendo  que somente essa é sujeito passivo do salário­educação, conforme art. 212 § 5o da CF.  Argumenta  também  que  a  contribuição  ao  Serviço  Social  Rural  somente  é  devida pela empresa rural, conforme já se manifestou o Supremo Tribunal Federal.  Com relação ao preenchimento das GFIPs, explica que agiu de boa fé, tendo  realizado o auto­enquadramento do código de  terceiros seguindo a  jurisprudência do STJ, no  sentido da imunidade/isenção em relação às contribuições aqui questionadas.  Discorda  do  valor  das  multas  por  considerá­las  irrazoáveis,  com  caráter  confiscatório.  Com  relação  ao  processo  de  representação  fiscal  para  fins  penais,  sustenta  que não existe o dolo necessário para configuração do crime e ressalta que o esgotamento da  via administrativa é condição de procedibilidade para que se inicie a persecução penal.  Requer  o  acolhimento  das  preliminares  ou  que  seja  dado  provimento  ao  recurso, reconhecendo­se a imunidade e a isenção da recorrente.   Sem contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6   Voto             Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora  Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade.  Preliminar de Coisa Julgada  Noticia,  a  recorrente,  que  a  relação  tributária  objeto  do  lançamento  está  disciplinada por decisão  judicial protegida pela coisa julgada material, proferida em processo  judicial  que  teve  as  mesmas  partes  e  o  mesmo  tributo  aqui  tratado,  e  que  culminou  por  interpretar a mesma legislação.  Os  documentos  juntados  demonstram  que  a  recorrente  é  beneficiária  de  decisão  judicial,  proferida em sede de  embargos  da  execução  fiscal  nº 2004.72.00.010149­7,  que tramitou perante a Justiça Federal da 4a Região, na qual  foi reconhecido o seu direito ao  não  pagamento  do  salário­educação  e  do  INCRA,  no  período  de  01/1993  a 05/2003  (NFLD  35.516.024­2 e 35.516.025­0).  A  sentença  judicial,  ao  julgar  o  mérito  dos  embargos  à  execução  fiscal,  reconheceu a isenção da recorrente ao pagamento do salário­educação e ao INCRA com base  no fundamento de que a  recorrente não se enquadra no conceito de empresa, por se  tratar de  entidade de assistência social sem fins lucrativos, citando precedentes do STJ neste sentido.  A  sentença  de  primeiro  grau  foi  confirmada,  nessa  parte,  pelo  Tribunal  Regional Federal da 4a Região em sede de reexame necessário.  Entretanto,  a  coisa  julgada material  proferida  em embargos  à  execução não  tem efeito para o período deste lançamento, nos termos do enunciado da Súmula STF nº 239,  segundo a qual, decisão que declara indevida a cobrança do Imposto em determinado exercício não  faz coisa julgada em relação aos posteriores.  Os  embargos  à  execução  fiscal  têm  natureza  de  ação  formal  e  a  decisão  proferida não faz coisa julgada continuativa, conforme já decidiu o STJ1:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  DO  ENTE  PÚBLICO.  OFENSA  AO  ART.  535  DO  CPC  NÃO  CONFIGURADA.  EXECUÇÃO  FISCAL.  EXTINÇÃO  POR  APROVEITAMENTO  DE  DECISÃO  PROFERIDA  EM  EMBARGOS  DO  DEVEDOR,  COM  DECISÃO  TRANSITADA  EM  JULGADO.  "COISA  JULGADA"  CONTINUATIVA.  INEXISTÊNCIA.  ANULAÇÃO  DO  ACÓRDÃO  RECORRIDO.  RECURSO  ESPECIAL  DA  EMPRESA.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  VALORES  ÍNFIMOS.  REVISÃO.  PREJUDICIALIDADE.  1.  A  solução  integral  da  controvérsia,  com  fundamento  suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC.                                                               1 Resp nº 1.378.778­MG, Rel Min. Herman Benjamin, DJe 20/06/2014.  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/2011­39  Acórdão n.º 2402­004.311  S2­C4T2  Fl. 486          7 2. Hipótese em que o Tribunal de origem, ao  julgar Agravo de  Instrumento  contra  a  decisão  que  determinou  a  intimação  de  instituição  financeira,  para  fins  de  efetivação  de  garantia  representada  por  fiança  bancária,  acolheu­o  para  extinguir  a  Execução Fiscal, ao argumento de que a matéria nela veiculada  é  idêntica  à  constante  de  outro  processo  executivo,  cujos  Embargos  do  Devedor  foram  providos  por  meio  de  decisão  transitada em julgado.  3. Inexiste a figura da "coisa julgada continuativa", ao menos na  concepção adotada pelo acórdão hostilizado.   4. A coisa  julgada pressupõe a existência de decisão que  tenha  apreciado  a  relação  jurídica  processual  constante  da  demanda  proposta no Poder Judiciário.  5.  A  existência  de  duas  Execuções  Fiscais  que  abrangem  as  mesmas  partes  e  versam  sobre  o  mesmo  tributo  (naturalmente  com  fatos  geradores  relativos  a  períodos  diversos)  requer  provimento jurisdicional que componha as respectivas lides.  ...  12. Recurso Especial do Estado de Minas Gerais provido para  anular  o  acórdão  hostilizado.  Prejudicado  o  Recurso  Especial  da empresa.  Preliminar rejeitada.  Mérito  Sujeição Passiva. Imunidade. Isenção  Impõe­se  analisar  se  a  recorrente  faz  jus  à  imunidade  ou  à  isenção  do  pagamento das contribuições do salário­educação e do INCRA.  O STJ já se manifestou diversas vezes sobre o assunto em processos fiscais  contra a recorrente e o SESI, concluindo ora pela imunidade, ora pela isenção2.  Os fundamentos são, em síntese, os mesmos apresentados neste recurso e que  sustentou o acórdão proferido por este Conselho Administrativo.  Assim, a recorrente seria imune ao pagamento das referidas contribuições por  se tratar de entidade de educação e assistência social sem fins lucrativos, que, em razão de sua  peculiar natureza jurídica, não se enquadra no conceito de empresa para fins fiscais, de modo  que estaria dispensada do atendimento dos requisitos  infraconstitucionais ao gozo da  isenção  de que trata o art. 195 § 7o da Constituição Federal.  Art. 195...                                                              2  Resp  nº  766.796,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  DJ  de  06/03/2006,  REsp  n.º  220.625/SC,  Rel.  Min.  João  Otávio  de  Noronha,  DJ  de  20/06/2005;  REsp  n.º  363.175/PR,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  21/06/2004;  REsp  n.º  361.472/SC, Rel. Min.  Franciulli Netto, DJ  de 26/05/2003; AgRg no AG n.º  355.012/PR, Rel. Min. Humberto  Gomes de Barros, DJ de 12/08/2002; e AgRg no AG n.º 342.735/PR, Rel. Min. José Delgado, DJ de 11/06/2001.  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 § 7º  ­  São  isentas  de  contribuição  para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  às  exigências estabelecidas em lei.  Outro  fundamento  é  que  os Serviços Sociais Autônomos,  gênero  do  qual  a  recorrente  é  espécie,  foram  equiparados  à  União  e  gozam  de  ampla  isenção  por  expressa  previsão legal contida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, que criou o  Serviço Social Rural (SSR).  Devem ser respeitadas as decisões do STJ, bem como as deste CARF que as  adotaram, todavia, delas ouso dissentir por entender que lhes faltam amparo legal.  Primeiramente, por expressa previsão constitucional, é condição para o gozo  da  imunidade das contribuições sociais de que trata o art. 195 § 7o da CF o atendimento dos  requisitos previstos em lei, art. 55 da Lei nº 8.212/9, e, agora, arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n.  12.101/2009.  A  peculiar  natureza  jurídica  das  entidades  que  compõem  a  categoria  dos  Serviços Sociais Autônomos, por si só, não lhe retira essa condição.  A princípio, essas entidades, por disposição legal, não visam lucro e revertem  toda  a  receita para  seus  fins  sociais,  submetendo­se  à  fiscalização  do Tribunal  de Contas  da  União  (TCU).  Entretanto,  a  legislação  não  veda  a  remuneração  dos  seus  diretores,  um  dos  requisitos para o gozo da imunidade aqui tratada. No Regimento Interno do SENAI, acostado  aos autos, há previsão expressa neste sentido nos arts. 19 e 24:  Art. 19 compete ao conselho nacional:  l) fixar a remuneração do diretor do Departamento Nacional;  Art. 24. Compete ao Presidente do Conselho Nacional:  ...  b)  fixar  os  níveis  máximos  de  vencimentos  dos  Diretores  e  Delegados Regionais;  Conforme  constou  do  relatório  fiscal,  a  recorrente  deixou  de  apresentar  no  decorrer do procedimento de fiscalização, os documentos comprobatórios do atendimento dos  requisitos para gozo da imunidade de que trata o art. 195 § 7o da CF.  Quanto à isenção, essa só pode ser concedida por lei específica (art. 150, § 6o  da CF3), a qual deve ser interpretada literalmente (art. 111, II, do CTN4).  Ocorre que os artigos 11 e 12 da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955,  que criou o extinto Serviço Social Rural (SSR), trata de outorgar isenção somente aos serviços  e bens das entidades que especifica, incluindo o SENAI:                                                              3 Art. 150 ...  §  6.º  Qualquer  subsídio  ou  isenção,  redução  de  base  de  cálculo,  concessão  de  crédito  presumido,  anistia  ou  remissão,  relativos a  impostos,  taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante  lei específica,  federal,  estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou  contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3,  de 1993)  4 Art. 111. Interpreta­se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:  II ­ outorga de isenção;  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/2011­39  Acórdão n.º 2402­004.311  S2­C4T2  Fl. 487          9 Art  11.  O  S.  S.  R.  é  obrigado  a  elaborar  anualmente  um  orçamento  geral,  cuja  aprovação  cabe  ao  Presidente  da  República, que englobe as previsões de receitas e as aplicações  dos seus recursos e de remeter ao Tribunal de Contas no máximo  até  31  de  março  do  ano  seguinte,  as  contas  da  gestão  anual,  acompanhadas de  sucinto relatório do presidente,  indicando os  benefícios realizados.    Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção  fiscal como se fôssem da própria União.   Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço  Social  da  Indústria  (SESI),  ao  Serviço  Social  do  Comércio  (SESC),  ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Industrial  (SENAI)  e  ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Comercial  (SENAC). (Vide Lei nº 8.706, de 1993)  A isenção não contempla as contribuições exigidas no lançamento tributário,  relativas  ao  salário­educação  e  ao  INCRA,  incidentes  sobre  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer  título, à pessoa física que lhe preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício5.  Outro aspecto a ser abordado é se os SSA podem ser considerados empresa,  para fins fiscais.  A resposta é positiva, pois, para os efeitos da legislação que rege a matéria,  equipara­se à empresa a entidade de qualquer natureza ou finalidade. É o que consta da norma  prevista no art. 15 da Lei 8.212/91, abaixo transcrito, que, por determinação do art. 94 da Lei  8.212/91 e art. 3o da Lei 11.457/20076 estende­se às exigências das contribuições aqui tratadas,  que são equiparadas às devidas aos terceiros pelo § 3o do art. 3o da Lei 11.457/2007.                                                              5 A contribuição do salário educação está prevista no art. 15 da Lei 9.424, de 24/12/1996, art. 1° da Lei n° 9.766,  de 18/12/1998 e a contribuição destinada ao INCRA surgiu na Lei 2.613/55, art. 6º, parágrafo 4º, e com o advento  da  Lei  nº  4.863,  de  29/11/1965,  transferiu  o  recolhimento  do  SSR  para  o  extinto  Instituto  Nacional  do  Desenvolvimento  Agrário­INDA  que,  com  a  edição  do  Decreto­lei  nº  582,  de  15/05/1969,  art.  6º,  dividiu  o  percentual para o IBRA­Funrural e INDA. Com o surgimento do INCRA, através do Decreto­Lei nº 1.110/70, a  quota do IBRA e INDA passou para o INCRA.  6 Lei 8.212/91  Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro Social­INSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5%  do  montante  arrecadado,  contribuição  por  lei  devida  a  terceiros,  desde  que  provenha  de  empresa,  segurado,  aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicando­se a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei.  (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 11.501, de 2007).    Lei 11.457/2007  Art.  3   As  atribuições  de  que  trata  o  art.  2o  desta Lei  se  estendem às  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  na  forma  da  legislação  em  vigor,  aplicando­se  em  relação  a  essas  contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007).  ...  § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma  das  que  incidem  sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  segurados  do Regime Geral  de  Previdência  Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição.  §  3º  As  contribuições  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  sujeitam­se  aos  mesmos  prazos,  condições,  sanções  e  privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial.  ...  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 Art. 15. Considera­se:   I ­ empresa ­ a firma individual ou sociedade que assume o risco  de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou  não, bem como os órgãos e entidades da administração pública  direta, indireta e fundacional;   ...  Parágrafo  único. Equipara­se  a  empresa,  para  os  efeitos  desta  Lei,  o  contribuinte  individual  em  relação  a  segurado  que  lhe  presta  serviço,  bem  como  a  cooperativa,  a  associação  ou  entidade  de  qualquer  natureza  ou  finalidade,  a  missão  diplomática  e  a  repartição  consular  de  carreira  estrangeiras.  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  No mesmo sentido é o § 3o do art. 1o da Lei 9.766/98, que trata do salário­ educação:  § 3o  Entende­se  por  empresa,  para  fins  de  incidência  da  contribuição  social  do  Salário­Educação,  qualquer  firma  individual  ou  sociedade  que  assume  o  risco  de  atividade  econômica,  urbana  ou  rural,  com  fins  lucrativos  ou  não,  bem  como  as  empresas  e  demais  entidades  públicas  ou  privadas,  vinculadas à Seguridade Social.  Outro  ponto  do  recurso  que  deve  ser  analisado  diz  respeito  à  referibilidade  direta da contribuição ao INCRA, considerando a natureza urbana das atividades desenvolvidas  pela recorrente.  A  contribuição  devida  ao  INCRA  tem  natureza  de  Contribuição  de  Intervenção Estatal no Domínio Econômico (CIDE) e visa a beneficiar toda a sociedade, e não  apenas  o  meio  rural,  ao  custear  a  atuação  do  Estado  na  estrutura  fundiária,  notadamente  o  programa nacional de reforma agrária, sendo prescindível a referibilidade direta em relação ao  sujeito passivo da exação, nos termos da jurisprudência do STJ:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FUNRURAL  E  PARA  O  INCRA.  EMPRESA  URBANA.  EXIGIBILIDADE.  ORIENTAÇÃO  FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ.  1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou  entendimento  no  sentido  de  que  não  existe  óbice  a  que  seja  cobrada,  de  empresa  urbana,  a  contribuição  destinada  ao  FUNRURAL e ao  INCRA.”  (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min.  TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06).  Em  suma,  não  vislumbro  na  legislação  de  regência  a  possibilidade  de  reconhecer a imunidade ou a isenção da recorrente em relação ao pagamento da exigência aqui  tratada,  e,  por  conseguinte,  da  multa  imposta  pelo  descumprimento  da  obrigação  acessória  inerente à obrigação principal.                                                                                                                                                                                           § 6º Equiparam­se  a  contribuições de  terceiros,  para  fins  desta Lei,  as destinadas  ao Fundo Aeroviário  ­ FA,  à  Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha ­ DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma  Agrária ­ INCRA e a do salário­educação.  Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/2011­39  Acórdão n.º 2402­004.311  S2­C4T2  Fl. 488          11 Multa  As  multas  foram  aplicadas  com  base  na  legislação  de  regência,  multa  de  ofício  do  art.  35­A  da  Lei  8.212/91,  com  a  redação  da  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009,  e  multa  isolada  do  art.  32­A  da  mesma  lei,  sendo  que  a  vigência  desses  dispositivos  legais  não  pode  ser  negada  pelo  CARF  com  base  em  alegação  de  afronta  a  princípio constitucional da vedação ao confisco, por força do enunciado da Súmula CARF nº  02, de observância obrigatória:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária  Conclusão  Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    Luciana de Souza Espíndola Reis.                              Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 13864.000282/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA APENAS PARA FATOS POSTERIORES À LEI Nº 10.165, DE 2000. SÚMULA CARF Nº 41. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17-O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. Entretanto, conforme Súmula CARF nº 41, a não apresentação do ADA emitido pelo Ibama ou órgão conveniado, não pode motivar lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2801-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1929; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 246          1 245  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13864.000282/2009­73  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.741  –  1ª Turma Especial   Sessão de  07 de outubro de 2014  Matéria  ITR  Recorrente  AGROPASTORIL E MINERAÇÃO PIRAMBEIRAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 1998  ÁREA DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE  APRESENTAÇÃO DO ADA APENAS PARA FATOS POSTERIORES À  LEI Nº 10.165, DE 2000. SÚMULA CARF Nº 41.  A  partir  do  exercício  de  2001,  é  indispensável  apresentação  do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  como  condição  para  o  gozo  da  isenção  relativa  às  áreas  de  preservação  permanente  e  de  utilização  limitada,  considerando a existência de lei estabelecendo expressamente  tal obrigação.  Introdução  do  artigo  17­O  na  Lei  nº  6.938,  de  1981,  por  força  da  Lei  nº  10.165, de 2000.  Entretanto,  conforme  Súmula  CARF  nº  41,  a  não  apresentação  do  ADA  emitido pelo  Ibama ou  órgão conveniado, não pode motivar  lançamento de  ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.   Recurso Voluntário Provido.  Crédito Tributário Exonerado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.   Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin – Presidente.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 82 /2 00 9- 73 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN       2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique  Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar.  Relatório  Contra  o  contribuinte  identificado  foi  lavrado  Auto  de  Infração,  em  07/07/2009, conforme folhas 71 e seguintes, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade  Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 1998, no valor de R$ 139.774,40, acrescido  de multa  proporcional  de  75%,  no  valor  de R$ 104.830,80 e mais  juros  de mora  calculados  com base na  taxa Selic,  tendo por objeto o  imóvel  rural denominado “Fazenda Pirambeiras”,  cadastrado  na RFB  sob  o  nº  3.840.514­8,  com  área declarada de  1.625,4  há  e  localizado  no  Município de Biritiba­Mirim/SP.   Na “descrição dos fatos”, constante de  fls. 73/74, narra a Autoridade Fiscal  que  efetuou  o  lançamento  que,  após  regularmente  intimado,  o  contribuinte  não  comprovou,  com documentação hábil e idônea, tratar­se toda a área declarada como sendo de preservação  permanente e portanto isenta do imposto. Diz que "analisando a documentação", verificou que  consta  declaração  da  Secretaria  Estadual  do  Meio  Ambiente,  datada  de  01/09/1988,  informando  que  80% do  imóvel  encontra­se  no  Parque Estadual  da  Serra  do Mar  e  os  20%  restantes estão "sob o regime de preservação permanente", por força de lei.   Assim, como a área total do imóvel era de 8.127,30, calculou que 20% seriam  1.625,4 ha, correspondente à área de preservação permanente informada na DITR.  Motivou a glosa da área com a não apresentação do ADA (Ato Declaratório  Ambiental),  protocolizado  tempestivamente  no  Ibama,  baseando  tal  exigência  nas  Instruções  Normativas da RFB nº 43, de 1997 e 67, de 1997 (fls. 74/5).   Observo  que,  anteriormente  a  essa  autuação,  a  Receita  Federal  formalizara  outra, conforme Auto de Infração que consta da folha 25, que foi anulado pela DRJ CAMPO  GRANDE,  sob  a  motivação  de  que  "impõe­se  a  declaração  de  nulidade,  por  vício  formal,  de  lançamento  constituído  mediante  auto  de  infração  que  não  apresenta  a  descrição  dos  fatos  e  os  conseqüentes enquadramentos legais relativos à matéria tributada", como consta da ementa de sua  decisão (fl. 61).  O Formulário de Alteração da DITR objeto da revisão fiscal está copiado na  folha 20.   O contribuinte apresentara, juntamente com a Impugnação ao primeiro Auto  de Infração, que foi anulado, declaração do Diretor de Parques Estaduais do Instituto Florestal  da  Secretaria  de Meio Ambiente  do Estado  de  São  Paulo,  dizendo  que  80% do  imóvel  está  dentro de Parque Estadual e 20% são áreas de preservação permanente. (fl. 30)  Inconformado  com  o  lançamento  do  crédito  tributário,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  (folha  83  seguintes).  Tal  manifestação  foi  conhecida  e  tratada  pela  DRJ/CAMPO  GRANDE,  nos  seguintes  termos,  em  resumo  (fl.  164  e  seguintes).  Disse  o  Julgador de 1ª instância que:  ­ Não há  que  se  falar  em decadência ou  prescrição  do  crédito  tributário. O  lançamento  objeto  do  presente  processo  foi  efetuado  em  consonância  com  o  art.  173,  II,  do  Código Tributário Nacional, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN       3 tributário extingue­se após 5 anos contados "da data em que se tornar definitiva a decisão que  houver anulado, por vício formal, o  lançamento anteriormente efetuado': Não se verificou,  portanto, qualquer espécie extintiva do crédito tributário.  ­ Examinando­se o Auto de Infração questionado, verifica­se que ele contém  todos os requisitos exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, inclusive quanto a ter sido  lavrado  por  servidor  competente  (Auditor­Fiscal  da Receita  Federal),  com  atribuições  legais  para  tal  fim, e que a descrição dos fatos nele contida permitiu ao sujeito passivo  impugnar o  lançamento efetuado. Na realidade, nenhuma incorreção ou omissão foi apontada. Observa­se  que é improcedente a alegação de nulidade do lançamento de oficio.  ­Para  comprovação  das  referidas  áreas,  não  se  pode  prescindir  do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA),  protocolado  junto  ao  IBAMA,  no  prazo  estipulado.  A  contribuinte  estava  ciente  da  necessidade  da  entrega  do  ADA,  haja  vista  que  se  trata  de  orientação constante dos manuais de instruções de preenchimento das DITR. Importante frisar  que a necessidade de ADA e de averbação decorre de Lei (eis 4.771/65 e 10.165/2000), não se  podendo levantar quais questionamentos acerca das legalidades de referidas exigências.  Assim,  decidiu  o Acórdão  recorrido  “por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar argüida e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, ,....".   Regularmente  cientificado  dessa  decisão,  pessoalmente,  conforme  informação na folha 176, em 07/05/2010 (dia de sexta feira), o contribuinte apresentou recurso  voluntário,  em  08/06/2010  (fl.  182).  O  recurso  é  extenso,  mas  creio  poder  resumir  a  inconformidade do contribuinte com a decisão recorrida em dois tópicos:  1  –  O  primeiro  Auto  de  Infração,  onde  se  verificou  não  constar  a  fundamentação  legal  e  motivação  do  ato,  não  padeceria  de  vício  formal,  como  consta  do  Acórdão recorrido, mas sim de vício material. Inaplicável, portanto, o artigo 173, II, do CTN.  Dessa  feita,  o  direito  do  Fisco  de  efetuar  o  lançamento  já  estaria  atingido  pela  decadência,  quando da lavratura do segundo Auto de Infração;  2  ­  Asseverou  o  próprio  Auditor  que  a  área  glosada  se  trata  de  APP  e  a  fiscalização  desconsiderou  essa  situação  tão  somente  porque  não  foi  apresentado  o  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  ao  Ibama,  no  prazo  estipulado.  Citando  atos  do  Governo  Estadual e a realidade material do imóvel, defende que a área esteja enquadrada como APP e  portanto isenta do imposto. Considerando tratar­se do exercício de 1998, a exigência do ADA  como requisito para a isenção, com base em normas infra legais, ofende o princípio da estrita  legalidade.  Desta  feita,  REQUER  que  seja  totalmente  reformada  a  decisão  recorrida  cancelando­se assim o lançamento efetuado.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator  Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições  de admissibilidade.  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN       4 A  numeração  de  folhas  a  que  me  refiro  a  seguir  é  a  identificada  após  a  digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf).  PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA  O  contribuinte  argúi  que  o  segundo  lançamento,  efetuado  em  2009,  não  poderia ter sido efetuado porque já fulminado o direito do Fisco, pela decadência. Questiona a  decisão da DRJ que  atribuiu  à  falta de  fundamentação e motivação do primeiro  lançamento,  que  de  fato  não  estavam expressas  no Auto  de  Infração,  a  qualidade  de  vício  formal,  o  que  permitiria à Administração, com fulcro no artigo 173, II, do CTN, efetuar novo lançamento no  prazo então contado da data em que tal decisão se tornasse definitiva.  Entendo que tem razão. A falta da correta motivação do ato administrativo e  sua  fundamentação  legal  não  se  reveste  do  caráter  de  mera  instrumentalidade,  mas  é  imprescindível para se verificar tanto a correção e legalidade do ato quanto para possibilitar a  defesa  do  contribuinte.  Fere  a  correta  identificação  do  aspecto  material  da  hipótese  de  incidência e por isso em desacordo com o artigo 142 do CTN.  Não obstante, desnecessário alongar­se nessa preliminar, considerando que se  pode decidir o mérito a favor do sujeito passivo.   MÉRITO.  EXIGÊNCIA DO ADA PARA EXERCÍCIO ANTERIOR A 2000.   Já é ponto pacificado na jurisprudência deste CARF, expresso na Súmula nº  41, que a falta de apresentação do ADA não pode motivar lançamento de ofício relativo a fatos  geradores ocorridos até o exercício de 2000, como é aqui o caso (1998). Não é possível criar  uma  obrigação  que  não  encontre  previsão  em  lei  e  os  atos  expedidos  pela  RFB,  no  caso  instruções normativas, não são hábeis para tal.  Súmula CARF  nº  41:  A  não  apresentação  do Ato Declaratório  Ambiental  (ADA)  emitido  pelo  IBAMA,  ou  órgão  conveniado,  não  pode  motivar  o  lançamento  de  ofício  relativo  a  fatos  geradores ocorridos até o exercício de 2000.  A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão  das  áreas de preservação permanente e  reserva  legal,  que outrora era  exigida pela RFB  com  base  em  norma  infra  legal,  surgiu  no  ordenamento  jurídico  com  o  art.  1º,  da  Lei  nº  10.165/2000, que incluiu o art. 17­O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os  exercícios a partir de 2001:   Art. 17­O Os proprietários rurais que se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  –  ITR,  com  base  em  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA,  deverão  recolher  ao  Ibama a  importância prevista no  item 3.11 do Anexo VII  da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa  de Vistoria.  (...)    §1º A  utilização  do ADA para  efeito  de  redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.   Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN       5 Dessa feita, o lançamento que reconhece a existência da área de preservação  permanente declarada, mas motiva  sua exclusão da DITR por  falta de  apresentação do ADA  tempestivo no Ibama, para o exercício de 1998, conforme relatado, não pode prosperar.  CONCLUSÃO  Assim, face ao exposto, VOTO por dar provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada                                Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN

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Numero do processo: 15504.020592/2010-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. DECISÃO STJ RESP 973.733 . RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante decisão do STJ no REsp nº 973.733, proferida em sede de recurso repetitivo, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e ausente a antecipação do pagamento, a decadência do direito do Fisco de realizar o lançamento de ofício rege-se pelo art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CRITÉRIO DE RATEIO PARA CONTA CONJUNTA. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96. O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 prescreve que, na ausência de comprovação da origem dos créditos bancários vinculados a conta conjunta, os rendimentos omitidos devem ser imputados a cada titular mediante sua divisão pelo número de titulares da conta. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO CLARA E CONDIZENTE COM O CASO ANALISADO. SÚMULA CARF Nº 14. A imposição da multa de ofício qualificada requer que a fiscalização esclareça as razões de fato e de direito que levaram à conclusão de que a conduta do contribuinte, no caso sob análise, teve motivação dolosa. Ausentes, a simples omissão de receita não respalda a qualificação, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2172; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 323          1 322  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.020592/2010­62  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­003.112  –  2ª Turma Especial   Sessão de  10 de setembro de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  GLÁUCIA RIBEIRO MARTINS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006, 2007  AUSÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  INOCORRÊNCIA  DE  DECADÊNCIA. DECISÃO STJ RESP 973.733 . RITO DO ART. 543­C DO  CPC.  Consoante decisão do STJ no REsp nº 973.733, proferida em sede de recurso  repetitivo,  no  caso  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  e  ausente  a  antecipação  do  pagamento,  a  decadência  do  direito  do  Fisco  de  realizar o lançamento de ofício rege­se pelo art. 173, I do CTN.   OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  CRITÉRIO  DE  RATEIO  PARA  CONTA  CONJUNTA.  ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96.   O  §  6º  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  prescreve  que,  na  ausência  de  comprovação da origem dos créditos bancários vinculados a conta conjunta,  os  rendimentos  omitidos  devem  ser  imputados  a  cada  titular mediante  sua  divisão pelo número de titulares da conta.   QUALIFICAÇÃO  DA  MULTA  DE  OFÍCIO.  NECESSIDADE  DE  FUNDAMENTAÇÃO  CLARA  E  CONDIZENTE  COM  O  CASO  ANALISADO. SÚMULA CARF Nº 14.  A  imposição  da  multa  de  ofício  qualificada  requer  que  a  fiscalização  esclareça  as  razões  de  fato  e  de  direito  que  levaram  à  conclusão  de  que  a  conduta  do  contribuinte,  no  caso  sob  análise,  teve  motivação  dolosa.  Ausentes, a simples omissão de receita não respalda a qualificação, consoante  entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14.  Recurso Voluntário Provido em Parte.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 92 /2 01 0- 62 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos  rejeitar  a  preliminar  de  decadência  suscitada,  e  de  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário, para excluir a qualificação da multa, nos termos do voto do relator.     (Assinado digitalmente)  Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.   (Assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson, Relator.  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte  Cardoso  (Presidente  da  Turma),  Jaci  de  Assis  Júnior,  German  Alejandro  San  Martín  Fernández,  Ronnie  Soares  Anderson,  Julianna  Bandeira  Toscano  e  Carlos  André  Ribas  de  Mello.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita Federal de  Julgamento em Belo Horizonte  (MG) ­ DRJ/BHE, que  julgou procedente  Auto  de  Infração  de  Imposto  de Renda  Pessoa Física  (IRPF),  exigindo  crédito  tributário  no  valor total de R$ 225.414,03 relativo ao anos­calendário 2005 e 2006.  Passo  a  reproduzir,  com  a  devida  vênia,  o  Relatório  constante  na  decisão  recorrida, o qual bem descreve o conteúdo do litígio posto nos presentes autos:  O  lançamento  decorre  da  tributação  de  rendimentos  apontados  como  omitidos  provenientes  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  no  Banco  Real,  cuja  origem  de  recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme detalhado no  Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 10 a 18.  Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento  Legal, conforme folhas de continuação anexas do referido feito fiscal.  Irresignada, tendo sido cientificada em 14/01/2011 (11. 3), a contribuinte impugnou  o feito fiscal em 14/02/2011, apresentando o arrazoado de fls. 253/264, acompanhado dos documentos  de fls. 265/266. Na oportunidade, a autuada fez­se representada por instrumento de procuração firmado  para  advogados  do  escritório  Oliveira  Fróis  &  Barreto  Advogados  e  Consultores.  Ressalte­se  que  a  competência  para  o  lançamento  de  tributos,  privativa  da  autoridade  administrativa,  é  parte  das  atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB). Assim, o presente auto de infração  foi lavrado pela AFRFB Lúcia Raquel P. T. S. Vilela, servidora pública devidamente legitimada para tal  ato. O teor da peça impugnatória está sintetizado adiante.  Informa  a  impugnante  que  os  valores  depositados  são  decorrentes  de  rendimentos  pagos por pessoas físicas, "devidamente informados nas suas declarações de imposto de renda" e que,  "apesar  da  conta  corrente  fiscalizada  ser  conjunta  com  o  cônjuge  da  impugnante,  com  relação  aos  demais  depósitos,  referidos  valores  pertencem  exclusivamente  ao  cônjuge".  Assim,  pertencem  à  impugnante os valores de R$15.750,00 (ano de 2005) e de R$18.700,00 (ano de 2006).  Fl. 325DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/2010­62  Acórdão n.º 2802­003.112  S2­TE02  Fl. 324          3 "De  fato,  em  se  tratando  de  conta  conjunta,  deve­se  ratear  os  valores,  para  fins  de  tributação,  entre  os  co­titulares.  Todavia,  referido  "rateio"  não  significa  metade  para  cada  um,  pois,  apesar  da  conta  ser  conjunta,  nada  impede  que  um  co­titular  movimente  quantia  diferente  do  outro.  "A  contribuinte  sustenta  que não restou evidenciado pela Fiscalização que a impugnante  teria  procedido  dolosamente  no  sentido  de  querer  se  furtar,  fraudulentamente,  de  sua  obrigação  para  com  o  Fisco,  não  sendo no caso autorizada a imposição de multa de 150%. Atesta  que  seria  entendimento  pacífico  do  Carf  que  a  omissão  de  rendimentos  em  decorrência  de  depósitos  bancários  de  origem  não comprovada enseja aplicação da multa normal de 75%.  A  contribuinte  sustenta  que  não  restou  evidenciado  pela  Fiscalização  que  a  impugnante  teria  procedido  dolosamente  no  sentido  de  querer  se  furtar,  fraudulentamente,  de  sua  obrigação para com o Fisco, não sendo no caso autorizada a imposição de multa de 150%. Atesta que  seria  entendimento  pacífico  do  Carf  que  a  omissão  de  rendimentos  em  decorrência  de  depósitos  bancários de origem não comprovada enseja aplicação da multa normal de 75%.  "Uma  vez  demonstrado  que  a  impugnante  não  agiu  com  dolo,  fraude  ou  simulação,  não  sendo  passível,  portanto,  de  ser  apertada  com  a  aplicação  da  multa  qualificada  (150%),  a  contagem do prazo decadencial deve ocorrer de acordo com o §  4"do artigo 150 do CTN (...)  Tal  entendimento  se  aplica  aos  tributos  lançados  por  homologação, como o IRPF. Nestes casos, o prazo decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  é  de  cinco  anos  contados  a  partir  do  dia  3J  de  dezembro  de  cada  exercido  financeiro."  Tendo  a  ciência  do  feito  ocorrido  somente  em 14/01/2011,  a  autuada  alega  que  o  lançamento referente ao ano de 2005 encontra­se extinto pela decadência.  Para  corroborar  todo  o  entendimento  anteriormente  esposado,  a  defendente  cita  e  transcreve por toda peça impugnatória legislação, doutrina e jurisprudência administrativa a respeito.  A decisão de primeira instância manteve o lançamento, consubstanciando seu  entendimento no acórdão assim ementado:  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  A  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  no  seu  art.  42,  estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que  autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o  titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  creditados em sua conta de depósito ou de investimento.  A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os  elementos  que  caracterizam,  em  tese,  os  crimes  tipificados  nos  arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964.  DECADÊNCIA.  Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4 Nos  casos  de  lançamento  por  homologação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  é  de  cinco  anos  da  ocorrência  do  fato  gerador, salvo ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  ATIVIDADE VINCULADA.  A  atividade  administrativa,  sendo  plenamente  vinculada,  não  comporta  apreciação  discricionária  no  tocante  aos  atos  que  integram a legislação tributária.  A contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/10/2011, demandando seja  reconhecida  a  improcedência  do  lançamento  fiscal,  e  aduzindo,  em  apertada  síntese,  que  a  maior parte dos valores creditados na conta conjunta pertencem ao co­titular, que não há razão  para  imposição  de  multa  qualificada,  estando  decaído,  assim,  o  lançamento  referente  ao  exercício 2006.   Em  29/1/2014  a  recorrente  apresenta  pedido  de  desistência  parcial  (fls.  309/310),  no  tocante  à  inconformidade  referente  ao  ano­calendário  2006  (ao  qual  se  refere  como "exercício 2006"). Explica que resolveu parcelar, com os benefícios da Lei nº 11.941, de  27  de  maio  de  2009,  essa  parte  da  autuação,  continuando  a  discutir  tão  somente  o  crédito  tributário  atinente  ao  ano­calendário  2005  (ao  qual  se  refere  como  "exercício  2005"),  nos  termos do § 8º do art. 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 15 de outubro de 2013.  Em  cumprimento  ao  disposto  no  art.  18,  inciso  XIX,  do  Anexo  II  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela  Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram restituídos os autos à repartição de origem,  para  confirmação  da  regularidade  do  parcelamento,  bem  como  da  efetivação  do  pagamento,  nos termos da Lei nº 11.941/09.  Após  a  transferência  dos  débitos  parcelados  para  o  processo  nº  10680.720639/2014­61,  retornaram os  presentes  autos  ao CARF para  julgamento,  sendo que  em 4/8/2014 a contribuinte reiterou o pedido de desistência dantes formulado.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  Registre­se que a contribuinte exerceu seu direito de desistir parcialmente do  recurso,  persistindo  como  objeto  litigioso  apenas  o  lançamento  relativo  ao  ano­calendário  2005, acerca do qual versam as razões de decidir adiante tecidas.  Da decadência.  A decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é matéria que  foi objeto de apreciação por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp  nº 973.733/SC. Julgado em 12/8/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543­C do Código de  Processo Civil), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita:  Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/2010­62  Acórdão n.º 2802­003.112  S2­TE02  Fl. 325          5 “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  .INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  Resp  766.050/PR,  Rel.Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado em 13.12.2004, DJ  28.02.2005).  (...)   Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux:  Assim  é  que  o  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta­se do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia do débito.(grifos meus e do original)  O STJ,  desse modo,  se posicionou no  sentido  de  que  a  atividade objeto  de  homologação pela autoridade administrativa, nos termos do art. 150 e §§ do Código Tributário  Nacional,  tem por objeto o pagamento  antecipado do  tributo,  ainda que  em montante menor  que o devido, e não outro eventual proceder do contribuinte correlacionado com a apuração do  fato gerador.  A  tese  jurídica  firmada  no  precedente  em  questão  é  de  observância  obrigatória  para  este  Colegiado,  por  força  do  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF  (RICARF ­ Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº  586,  de  21  de  dezembro  de  2010).  Note­se  que  a  jurisprudência  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  também  vem  reiteradamente  se  pronunciando  nesse  sentido,  conforme  evidenciam,  ilustrativamente,  os  acórdãos  do  Pleno  de  nº  9900­000.227  (p.  9/5/2014)  e  nº  9900­000.278 (p. 1/4/2014).  No caso concreto, tem­se que a contribuinte não efetuou qualquer pagamento  do  tributo, conforme respectiva Declaração de Ajuste Anual  (DAA) do exercício 2006 atesta  Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     6 (fls. 245/247), não havendo tampouco notícia de recolhimento de imposto de renda na fonte a  título de antecipação do devido.  Desta sorte, a constituição do crédito tributário passou a observar não mais o  artigo 150, § 4º, mas a regra geral do art. 173, I do CTN, o qual, aplicado na espécie, aponta  como  termo  final  do  prazo  decadencial  a  data  de  31/12/2011,  posterior  à  ciência  da  contribuinte da autuação, dia 14/1/2011 (fl. 248).  Inexiste, portanto, decadência a ser reconhecido na lide remanescente.  Das contas conjuntas e da responsabilidade do co­titular.  Desde o início da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996,  a  existência  de  depósitos  bancários  sem  comprovação  da  origem,  após  a  regular  intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese  legal de omissão de  rendimentos  e  ou/receita.  Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de  origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte,  a ocorrência de omissão de rendimentos. Trata­se de presunção legal relativa, bastando assim  que a autoridade  lançadora comprove o  fato definido em  lei como necessário e  suficiente ao  estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão.  Nesse contexto,  intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos  depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo  desse  ônus  probatório  que  lhe  foi  legalmente  transferido,  fica  caracterizada  a  omissão  de  rendimentos.  A análise da movimentação financeira deve ser individualizada por operação,  oportunizando­se  ao  contribuinte  a  identificação,  caso  a  caso,  da  natureza  e  origem  dos  respectivos  valores,  por  meio  de  documentação  hábil  e  idônea,  procedimento  que  foi  escorreitamente realizado pela fiscalização no caso em tela.  A  autuada  defende  já  ter  esclarecido  que  os  valores  depositados  em  sua  conta­corrente,  mantida  conjuntamente  com  seu  cônjuge  José  Raimundo  Martins  no  Banco  Real S/A.,  foram decorrentes de rendimentos pagos por pessoas  físicas,  no valor  total de R$  15.750,00, conforme informado na DAA do exercício 2006.  Ora, o ônus da contribuinte era apresentar documentação apta a justificar de  maneira  individualizada  os  depósitos,  não  simplesmente  alegar  que  todos  os  valores  que  entende lhe serem pertinentes correspondem aos declarados em sua DAA.  Por  sua vez,  a mera  informação da percepção de  rendimentos na DAA não  comprova que tal feito tenha efetivamente ocorrido, nem que tenha sua origem em pagamentos  provenientes de pessoa física, consoante já ressalvado pela autoridade lançadora (fl. 14):  "Em  momento  algum  foram  apresentados  documentos  que  comprovassem o recebimento destas quantias pela contribuinte,  e,  também,  nas  respostas  fornecidas  pelo  cônjuge  em  sua  fiscalização, hora nenhuma foi informado a que se referiam estes  depósitos. "  Cabe observar não ser possível, na situação examinada, excluir do montante  dos  depósitos  bancários  sujeitos  à  comprovação  os  valores  declarados  na DAA,  pois  não  há  Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/2010­62  Acórdão n.º 2802­003.112  S2­TE02  Fl. 326          7 evidência  alguma  de  que  tais  rendimentos  fossem  de  caráter  tal  a  justificar  seu  trânsito  por  contas­corrente bancárias, e mais, como referido, sequer há sinal de sua efetiva existência.   No  tocante  aos  demais  valores  depositados,  a  contribuinte  assevera  pertencerem exclusivamente ao seu cônjuge, aduzindo que, "em se tratando de conta conjunta,  deve­se ratear os valores, para fins de tributação entre os co­titulares. Todavia, tal  'rateio' não  significa metade para  cada um, pois,  apesar da  conta  ser  conjunta,  nada  impede que um co­ titular movimente quantia diferente do outro".  O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é expresso ao preceituar que, não sendo  comprovada  a  origem  dos  recursos,  o  valor  dos  rendimentos  será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  do  total  desses  rendimentos  pela  quantidade  de  titulares,  procedimento  realizado pela autuante. Veja­se o dispositivo legal:  Art.42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  § 1º a 5º Omissis  §  6o  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  Portanto, sem razão a contribuinte, no particular.  Da qualificação da multa de ofício.  O art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de  junho de 2007, estabelece que a ulta de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72  e 73 da Lei nº 4.502,de 30 de novembro de 1964, é de 150%.   As  condutas  previstas  nos  artigos  em  questão  têm  como  pressuposto  uma  atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é  necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte  tenha  pautado  sua  conduta  imbuído  de  dolo,  ou  seja,  com  a  consciência  da  conduta,  a  consciência  do  resultado,  a  consciência  do  nexo  causal  entre  a  conduta  e  o  resultado,  e  a  vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridico­tributárias.  Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em  eventuais  justificativas  que,  alternativamente,  poderiam  dar  amparo  ao  proceder  do  contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso.  Compulsando nos autos o item III do Termo de Verificação Fiscal, "MULTA  DE OFÍCIO QUALIFICADA", pode ser  lida a  razão ventilada para a  imposição do gravame  examinado (fls. 16/17):  Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     8 Em razão da constatação da ocorrência de sonegação e  fraude  fiscal,  o  evidente  intuito  de  sonegação  e  fraude  está  presente,  assim a conduta da fiscalizada enquadra­se na definição contida  nos  artigos  71  e  72  da  Lei  n°  4.502/64,  conseqüentemente,  ao  lançamento  de  ofício  foi  imputada  a  multa  qualificada,  em  conformidade com o art. 44 da Lei nº 9.430/96....(omissis)  Após tal assertiva, a autoridade fiscal singelamente restringe­se a transcrever  os  dispositivos  legais  que  regram  a  matéria,  sem  qualquer  fundamentação  adicional,  que  permita  elucidar  como  e  em  que  medida  os  fatos  constatados  correspondem  às  hipóteses  normativas aludidas.   A leitura dos itens precedentes do Termo de Verificação também não traz ao  lume os elementos de convicção em que se baseou a conclusão da fiscalização. Tampouco a  DRJ/BHE,  ao  manter  a  multa  majorada,  mostra­se  minimamente  clara  nesse  sentido  (fls.  272/273).   Ora, referências genéricas a uma possível conduta em desconformidade com  a  legislação  de  regência,  sem  a  devida  especificação  das  evidências  que  acarretaram  a  qualificação, são insuficientes para ampará­la. A simples colocação, no Termo de Verificação  Fiscal,  de  um  item  apartado  para  o  tratamento  da  matéria,  não  supre  a  necessidade  de  a  fiscalização demonstrar, por meio das devidas razões de fato e de direito, a motivação do seu  convencimento.  Inegável  é  o  fato  de  que  a  contribuinte  movimentou  na  conta­corrente  analisada valores não comprovados e em descompasso com os rendimentos informados na sua  DAA ­ por isso, foi lavrado o lançamento de ofício contestado. Porém, tais elementos não são  suficientes, por si sós, para respaldar a qualificação imposta pela autoridade lançadora, a qual,  por  conseguinte,  não  deve  prosperar.  Oportuna,  nesse  sentido,  a  referência  aos  termos  da  Súmula CARF nº 14:  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  preliminar  de  decadência  suscitada, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir a  qualificação da multa.  (Assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson                              Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 15504.726141/2011-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1715; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 1.585          1 1.584  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.726141/2011­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.365  –  3ª Turma Especial   Sessão de  24 de setembro de 2014  Matéria  IRPJ E OUTROS ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  BELLOX LTDA. ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2007, 2008  LUCRO ARBITRADO. LIVRO RAZÃO.  O  imposto,  devido  trimestralmente,  no  decorrer  do  ano­calendário,  será  determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando, entre outros  fundamentos,  o  contribuinte  não  mantiver,  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas,  Livro  Razão  ou  fichas  utilizados  para  resumir  e  totalizar,  por  conta  ou  subconta,  os  lançamentos  efetuados  no  Diário.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2007, 2008  IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO.  O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em  julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.  CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.  Ressalvados  os  casos  especiais,  igual  sorte  colhem  os  lançamentos  que  tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem  fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 41 /2 01 1- 13 Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.586          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Cármen Ferreira Saraiva – Presidente    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Cármen  Ferreira  Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio  Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.    Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.587          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido (fls. 1.545 a 1.553):  Os autos de  infração, a  folhas 8 a 50, exigem da autuada o recolhimento de  crédito tributário no montante de R$ 560.784,77, assim discriminado:    TRIBUTO  JUROS DE  MORA  MULTA  TOTAL  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)  45.052,15  21.622,10  67.578,21  134.252,46  Contribuição p/ o Programa de Integração Social (PIS)  19.604,05  9.644,33  29.406,01  58.654,39  Contribuição p/ Financiamento da Seg. Social (Cofins)  90.480,49  44.512,92  135.720,67  270.714,08  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)  32.572,97  15.731,43  48.859,44  97.163,84  Descrição das infrações imputadas  Auto de infração de IRPJ  O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal, a folhas 56 a 93,  atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese.   RECEITAS  OPERACIONAIS  –  VENDA  DE  PRODUTOS  DE  FABRICAÇÃO PRÓPRIA – Arbitramento do lucro dos anos­calendários de 2006 e  2007,  com  base  nas  receitas  omitidas  constantes  das  notas  fiscais  emitidas  no  período. Enquadramento legal: artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 27, inciso  I,  e  artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 532 do Decreto nº 3.000, de 26 de  março  de  1999  –  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  1999  –  RIR  1999.  A  justificativa  dada  para  o  arbitramento  é  verificação  de  que  a  escrituração mantida  pelo  contribuinte  é  imprestável  para  a  determinação  do  lucro  real,  em  virtude  de  erros  e diversas  irregularidades. Enquadramento  legal do  arbitramento:  artigo 530,  inciso II, do RIR 1999.  Auto de infração de CSLL  O autuante, afirmando que se trata lançamento decorrente de fiscalização do  IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese.  CSLL  SOBRE  LUCRO  ARBITRADO  –  Arbitramento  do  lucro  dos  anos­ calendários  de  2006  e  2007,  com  base  nas  receitas  omitidas  constantes  das  notas  fiscais  emitidas  no  período. Enquadramento  legal:  artigo  2º,  e  seus  parágrafos,  da  Lei nº 7.689, de 1988; artigo 20 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 29 da Lei nº 9.430,  de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002.  Auto de infração de contribuição para o PIS  O autuante, afirmando que se trata lançamento decorrente de fiscalização do  IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese.  PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA – FALTA OU INSUFICIÊNCIA DO  PIS  – Arbitramento  do  lucro  dos  anos­calendários  de  2006  e  2007,  com  base  nas  receitas omitidas constantes das notas  fiscais emitidas no período. Enquadramento  legal: artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 70, de 1991; artigo 24, § 2º, da Lei nº  Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.588          4 9.249, de 1995; artigo 2º, inciso I, alínea “a”, parágrafo único, e artigos 3º, 10, 22,  51 e 91, todos do Decreto nº 4.524, de 2002.  Auto de infração de Cofins  O autuante, afirmando que se  trata de lançamento decorrente de fiscalização  do IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese.  COFINS  ­  OMISSÃO  DE  RECEITA  –  Arbitramento  do  lucro  dos  anos­ calendários  de  2006  e  2007,  com  base  nas  receitas  omitidas  constantes  das  notas  fiscais  emitidas  no  período.  Enquadramento  legal:  artigo  2º,  inciso  II,  parágrafo  único, e artigos 3º, 10, 22, 51 e 91, todos do Decreto nº 4.524, de 2002.  Termo de verificação fiscal  No  relatório  de  auditoria  fiscal,  a  folhas  56  a  93,  o  autuante  apresenta  a  motivação  dos  lançamentos.  Dele  extraem­se  as  observações  e  argumentos  resumidos adiante.   ∙  Foram  avaliadas  pela  fiscalização  as  declarações  encaminhadas  pelo  sujeito passivo  relativas  aos  anos­calendário de 2006 e 2007. As versões originais  das DIPJ são apresentadas com todos os seus campos com valores zerados. Nessas  versões originais,  para ano­calendário de 2006,  é  informada a  forma de  tributação  pelo lucro presumido e, em 2007, pelo lucro real e apuração trimestral. As versões  retificadoras informam, como forma de tributação, o lucro real com apuração anual,  sem informar os valores mensais relativos ao cálculo do IRPJ e CSLL devidos por  estimativa. Registre­se que não foram apurados pagamentos no período relativos aos  códigos  de  receita  da  estimativa  do  IRPJ  e  da  CSLL,  e  as  DCTF  foram  também  encaminhadas sem declarações de débitos.  ∙  Houve  reincidência  na  entrega  de  DIPJ  com  todos  os  campos  com  valores  zerados. A opção pelo  lucro  presumido no  ano­calendário  de  2006 não  se  manifestou  pelo  pagamento  do  IRPJ  no  código  correspondente.  Constatou­se  igualmente, que a forma de tributação pelo lucro real com apuração anual do IRPJ e  CSLL, nas versões das DIPJ retificadoras, também não se confirmou, tendo em vista  a  existência  de  valores  zerados  em  relação  ao  cálculo  do  imposto  e  contribuição  mensais estimados.  ∙  Foram  inicialmente  apresentadas  pelo  sujeito  passivo  diversas  folhas  soltas  do  livro  razão,  relativas  aos  anos­calendários  de  2006  e  2007.  Logo  em  seguida, foi apresentado um único livro do razão para cada ano, em capa preta, com  registros de lançamentos contábeis no período de janeiro a dezembro. Finalmente, o  sujeito passivo apresentou 5 volumes de capas verdes para o ano­calendário de 2006  e 4 volumes de capas verdes para o ano­calendário de 2007, conforme cópias anexas  dos seus respectivos termos de abertura e encerramento. Esse procedimento adotado  pelo  sujeito  passivo,  retratando  a  existência  de  uma  pluralidade  de  registros  contábeis,  impossibilitou  uma  efetiva  análise  das  movimentações  de  interesse  da  fiscalização.  ∙  Foram encaminhadas, em resposta à intimação, notas fiscais de entrada  e saída, recibos de pagamentos e cópias de cheques referentes aos meses de abril e  julho  de  2006  e  de  fevereiro,  agosto  e  setembro  de  2007.  Constatou­se  que  os  documentos  apresentados  não  espelhavam  os  registros  contábeis,  a  saber:  não  se  respeitava  o  regime  de  competência,  havia  documentos  sem  valor  como  comprovação de despesas, falta de comprovação dos pagamentos, etc. Constatou­se,  ainda, que os valores das despesas divergiam daqueles informados na DIPJ.  Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.589          5 ∙  Em  virtude  desses  fatos,  foi  devolvida  ao  sujeito  passivo  a  documentação contábil e fiscal apresentada. Concluiu­se sobre a impossibilidade de  se  comprovar  a  veracidade  dos  lançamentos  contábeis,  tendo  como  parâmetro  os  documentos  apresentados,  o  que motivou  nova  intimação,  solicitando  informar  as  contas  contábeis  analíticas  componentes  dos  demonstrativos  de  resultado  relativos  aos anos­calendário de 2006 e 2007 em relação aos itens: custo de produção, custo  de  beneficiamento  e  produção,  despesas  administrativas,  despesas  de  beneficiamento.  Requereu­se  ainda  a  apresentação  de  planilha  detalhando,  mês  a  mês, os saldos destas contas e a documentação base dos lançamentos, bem como de  planilha detalhando, mês a mês, as despesas financeiras.  ∙  Foi  confrontada  a  documentação  encaminhada  com  os  lançamentos  contábeis  integrantes do  livro  razão volumes 1 a 5  (AC 2006) e 1 a 4  (AC 2007).  Destacamos os meses de janeiro a julho de 2006 e fevereiro, agosto e setembro de  2007,  buscando  a  inclusão  das  amostras  já  analisadas  anteriormente  pela  fiscalização,  entendendo  que  a  partir  da  ciência  pelo  sujeito  passivo  das  irregularidades  constatadas  na  aludida  amostra,  por meio  de  termo  de  constatação  fiscal,  particularmente  em  relação  à  falta  de  comprovação  documental,  lhe  fosse  concedida  a  oportunidade  de  sanear  as  ocorrências. Não  foram  efetuados,  porém,  ajustes  por  parte  do  sujeito  passivo.  Houve,  ainda,  novas  constatações,  que  comprometem a escrituração, discriminadas em seguida.  ∙  Não  há  critério  na  classificação  das  contas  contábeis.  Os  discriminativos  correspondentes  aos  documentos  solicitados  pela  fiscalização,  encaminhados  pelo  sujeito  passivo,  informam,  para  CUSTO  DE  BENEFICIAMENTO  /  PRODUÇÃO,  a  conta  contábil  3.1.1.02,  DESPESAS  ADMINISTRATIVAS,  a  conta  3.2.1.02,  DESPESAS  FINANCEIRAS,  a  conta  3.2.1.03,  DESPESAS  DE  BENEFICIAMENTO,  a  conta  3.2.1.06.  As  contas  contábeis  informadas  no  volume  1/5  do  livro  razão  (AC  2006)  e  1/4  (AC  2007)  foram  as  seguintes:  conta 3004  como  sendo CUSTOS DE BENEFICIAMENTO  /  PRODUÇÃO,  conta  3021  para  DESPESAS  ADMINISTRATIVAS,  3022  para  DESPESAS  FINANCEIRAS,  3032  para  DESPESAS  DE  BENEFICIAMENTO.  Nos  volumes  ‘únicos’  dos  livros  razão  encaminhados  pelo  sujeito  passivo,  não  se  emprega a aludida nomenclatura, que é a mesma das Demonstrações de Resultado.  Por exemplo, ele nomeia Salários e Ordenados, Pró­labore, ao invés de DESPESAS  ADMINISTRATIVAS. Nas  folhas soltas,  informa a conta n° 0208 para Salários e  Ordenados,  0212  para  Energia  Elétrica,  0363  para  Telecomunicações,  0368  para  Assistência Contábil, 0381 para Outras Despesas Operacionais.  ∙  Foram  apresentados  documentos  sem  valor  como  comprovação  de  despesas,  conforme  cópias  anexas,  autenticadas  pela  fiscalização,  dos  recibos  sem  assinatura de retiradas pró­labore de Cristiano Ferreira de Souza e Jaci Ferreira de  Souza,  e  de  prestação  de  serviços  contábeis  por  Antônio  Alves  Faria.  Há  ainda  comprovante de um fax destinado à UNIMED, na data 28/03/2007, cujo objeto seria  um  depósito  feito  na  data  28/02/2007,  no  valor  de  R$  871,32,  conforme  anexo;  contudo  as  informações  no  documento  bancário  foram  apagadas,  impossibilitando  validar a despesa realizada em 02/2007.  ∙  Diversas despesas  foram  incluídas na apuração do  resultado nas datas  de  pagamento,  conforme  demonstrado  no  “Discriminativo  dos  Lançamentos  Contábeis Efetuados  em  Inobservância ao Regime de Competência”  ­ ANEXO  II.  Quanto  às notas  fiscais n° 007, 1075 e 1076,  além de  seus  lançamentos  contábeis  não observarem o regime de competência, referem­se a despesas estranhas ao objeto  social  da empresa, pois  se  trata de pagamentos  feitos  à Organização  Irmãos Costa  Ltda. ME / Funerária Bom Jesus na aquisição de coroa, como também pagamentos  Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.590          6 feitos à Farmácia Padre Pedro Pinto Ltda., na  aquisição de  acessórios,  remédios  c  produtos de beleza.  ∙  Os  documentos  comprobatórios  dos  custos  de  beneficiamento,  produção,  despesas  administrativas,  despesas  de  beneficiamento  e  financeiras,  realizadas em 02/2006, não integraram os lançamentos contábeis do Livro Razão n°  01, volume 1/5.   ∙  A inexistência de lançamentos contábeis Em 02/2006 não se restringiu  apenas  às  contas  contábeis  de  custos  e  despesas.  No  Livro  Razão  (volume  1/5),  conforme cópias anexas das páginas 148 e 149, inexistem, em 02/2006, lançamentos  de receitas. Por outro lado, no livro razão (volume único), conforme cópia anexa da  página 457, existem receitas lançadas relativas às notas fiscais n° 225, 227 e 229, em  02/2006, totalizando R$ 6.306,00.  ∙  Em  relação  ao  mês  de  01/2007,  no  Livro  Razão  (volume  único),  a  contabilização  da  receita  corresponde  ao  montante  de  R$  128.220,96  e  no  Livro  Razão  (volume  1/4),  o  total  lançado  importa  em  R$  96.165,72.  No  Livro  Razão  (volume 3/4), encontra­se lançado, como Vendas a Prazo, em 08/2007, o valor de R$  77.525,77, enquanto no Livro Razão (volume único), o valor lançado importa em R$  112.281,57. No Livro Razão (volume 4/4), o valor lançado para Vendas à Vista e a  Prazo  em  10/07  corresponde  a R$  104.582,17,  enquanto  no Livro Razão  (volume  único),  está  lançado,  a  título  de  Vendas  a  Prazo,  em  10/07/2007,  o  valor  correspondente a R$ 119.439,80.  ∙  Foram confrontados os discriminativos dos Custos de Beneficiamento e  Produção, das Despesas Administrativas, Despesas de Beneficiamento e Financeiras  encaminhados pelo sujeito passivo, relativos aos meses de janeiro a julho de 2006,  fevereiro de 2007, agosto de 2007 e setembro de 2007, com os documentos a eles  anexados e com os registros contábeis escriturados no livro razão. Foi constatada a  não comprovação de diversas despesas, ou seja, não foi encaminhada, pelo sujeito  passivo,  grande  parte  da  documentação.  Usaram­se  cópias  autenticadas  pela  fiscalização  dos  aludidos  discriminativos  e  seus  respectivos  lançamentos  no  livro  razão,  para  comprovar  a  relação  dos  documentos  não  apresentados  pelo  sujeito  passivo. Os valores das despesas pagas, lançadas contabilmente e não comprovadas,  encontram­se destacadas em seus respectivos discriminativos.  ∙  Foram  confrontados  o  LALUR  e  as  DRE  encaminhadas  pelo  sujeito  passivo. Foram apuradas divergências nos valores relativos ao resultado contábil. O  quadro  abaixo  apresenta  o  confronto  do  resultado  contábil  apurado  nos  trimestres  dos anos­calendário de 2006 e 2007.  ANO CÀLENDÁRIO DE 2006   Período Apuração  DRE  LALUR  1º trimestre  (222 635,84)  (923.066,52)  2º trimestre  (64.602,36)  (389.202,23)  3º trimestre  91.352,24  (588.268,35)  4º trimestre  87.893,30  (762.994,08)  ANO CALENDÁRIO DE 2007   1º trimestre  (49.065,90)  (991.954,97)  2º trimestre  (10.236,61)  (965.246,73)  3° trimestre  (425.709,11)  (1.199.464,98)  4º trimestre  111.678,25  (713.319,93)  ∙  O fato apurado foi motivo da lavratura de termo de constatação fiscal,  encaminhado ao sujeito passivo, visando o esclarecimento das aludidas divergências.  Em  11/10/2011,  foram  apresentadas  novas  versões  do  LALUR,  corrigindo  as  irregularidades apontadas pela fiscalização.  Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.591          7 ∙  O art. 259 do RIR 1999 dispõe sobre o dever de escriturar e sobre os  requisitos  da  escrituração.  As  irregularidades  constatadas  pela  fiscalização  em  relação  à  escrita  contábil  praticada  pelo  sujeito  passivo,  que  não mantém  em  boa  ordem e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas,  o  livro  razão,  utilizado  para  resumir e totalizar, por conta e subconta, os lançamentos efetuados no Livro Diário,  revelando  vícios,  erros  ou  deficiências,  tornaram  a  escrita  imprestável  para  determinar o lucro real, o que motivou o arbitramento do lucro nos anos­calendários  de 2006 e 2007.  ∙  O termo de intimação fiscal, lavrado em 14/07/2011, havia solicitado a  apresentação do Livro Diário nos anos­calendário de 2006 e 2007. O sujeito passivo  requereu  a  dilação  do  prazo.  Com  o  decurso  do  prazo  concedido,  foi  feita  uma  reintimação  fiscal.  Pode­se  apreender,  a  partir  daí,  a  inexistência  do  LIVRO  DIÁRIO.   ∙  Em decorrência da reintimação, foram apresentados os diários sem seus  respectivos registros na Jucemg, o que motivou a lavratura, em 19/08/2011, de termo  de  devolução  de  documentos  visando  à  regularização  da  ocorrência  e  posterior  reencaminhamento  à  fiscalização.  Ainda  nessa  data,  foi  lavrado  o  Termo  de  Intimação Fiscal n° 0002,  solicitando as Notas Fiscais/Faturas  relativas às  receitas  auferidas  nos  anos­calendário  de  2006  e  2007,  bem  como  os  demonstrativos  contábeis (Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado trimestral).  ∙  Desde  a  devolução  do  diário  para  regularização  do  registro  em  19/08/2011  até  meados  de  novembro/2011,  encontravam­se  pendentes  o  seu  reencaminhamento  à  fiscalização.  O  contribuinte  encaminhou  informações  da  Jucemg,  onde  são  apontados  erros  na  formalização  dos  livros  e  a  necessidade  do  processamento de ajustes para a efetivação dos seus registros. Esse fato motivou a  lavratura,  em  19/09/2011,  de  reintimação  fiscal,  requisitando  sua  apresentação  no  prazo de 5 dias.  ∙  Somente  em 08/11/2011,  transcorridos mais de 2 meses da devolução  do  diário  para  regularização,  o  sujeito  passivo  informou  estarem  os  livros  disponíveis para reapresentação. Considerando o encerramento do procedimento e a  constatação de vícios na escrita contábil do sujeito passivo, obrigando à utilização  do  arbitramento  do  lucro  nos  anos­calendário  de  2006  e  2007,  tornou­se  desnecessária  a  análise  do  livro  diário  e  consequentemente  os  seus  reencaminhamentos.  ∙  A 3ª alteração contratual informa, como objeto social, a industrialização  e  comércio  de  produtos  extrativos  de  origem  mineral  e  prestação  de  serviços  de  beneficiamento de minerais. No sistema CNPJ, seu CNAE fiscal é de nº 0710­3/02,  correspondente a “pelotizaçâo, sinterização e outros beneficiamentos de minério de  ferro”.  ∙  Grande  parte  das  Notas  Fiscais  foi  apresentada  em  sua  5ª  via  (contabilidade). Desse modo, nem sempre as informações são apresentadas de forma  legível, dificultando a leitura dos códigos fiscais de operação (CFOP).  ∙  Intimado  a  apresentar  notas  fiscais  de  serviços,  o  sujeito  passivo  informou que “a Bellox Ltda., apesar de constar em seu objeto social prestação de  serviços,  nunca  exerceu  atividades  de  prestação  de  serviços,  portanto,  não  há,  em  seus registros fiscais/contábeis, quaisquer Notas Fiscais de Serviço.”  ∙  Consta  no  livro  razão  (volume  único),  página  n°  315,  lançamento  de  RECEITA DE VENDA DE SERVIÇOS, auferida em 16/10/2007, pela prestação de  Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.592          8 serviços a Fermag Ferritas Magnética Ltda., no montante de R$ 40.441,13. Por outro  lado,  o  mesmo  valor  encontra­se  lançado  na  data  16/10/2007  no  Livro  Razão  (volume 4/4), página 2038, a título de OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS, como  recebimentos diversos na prestação de serviços a Fermag Ferritas Magnética Ltda.  ∙  A receita auferida pela empresa em 10/2007 e lançada na contabilidade  importa  em  R$  104.582,17,  conforme  o  Discriminativo  das  Receitas  Apuradas  ­  Anos Calendário  2006/2007  ­ ANEXO­III  e  as  cópias  anexas  das  páginas  2035  e  2036, que  informam a  emissão de Nota Fiscal n° 564,  em 05/10/2007,  a  título de  mão  de  obra  (margem  ferrita  calcinada),  de  valor  R$  27.056.00,  CFOP  5124  (industrialização  efetuada  para  outra  empresa),  e  a  NF  n°  566,  emitida  na  data  12/10/2007,  a  título  de  industrialização  por  encomenda,  de  valor  R$  77.525,77,  CFOP 5949 (outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), ou  seja,  não  foi  emitida  a Nota Fiscal  relativa  à  aludida  receita de  venda  de  serviços  faturada com a FERMAG, a despeito da existência do lançamento contábil.  ∙  Ainda em 10/2007, foram emitidas, em nome da Fermag, as NF nº 74 a  577, 579, 582 a 584, utilizando­se de 2 (dois) códigos CFOP: 5124 (industrialização  efetuada  para  outra  empresa)  e  5902  (retorno  de  mercadoria  utilizada  na  industrialização por encomenda). Essas notas fiscais não foram contabilizadas (vide  ANEXO­III).  ∙  O  sujeito  passivo  emitiu,  desde  o  3º  trimestre  de  2007,  notas  fiscais  com a utilização de dois códigos na mesma operação, conforme o ANEXO­III, ou  seja,  5124/5924  (industrialização  efetuada  para  outra  empresa  e  remessa  para  industrialização  por  conta  e  ordem  do  adquirente  da mercadoria,  quando  esta  não  transitar  pelo  estabelecimento  do  adquirente,  respectivamente)  e  5124/5902  (industrialização efetuada para outra  empresa  e  retorno de mercadoria utilizada na  industrialização  por  encomenda,  respectivamente).  As  receitas  auferidas  nessas  operações não foram oferecidas à tributação, pois inexiste lançamento nos diversos  razões apresentados. Confrontadas as notas fiscais apresentadas com os lançamentos  contábeis  escriturados  no  razão,  foi  constatado  que,  além  das  notas  fiscais  componentes  das  citadas  operações,  outras  tantas  notas  fiscais  também não  foram  contabilizadas. O percentual da receita contabilizada, no ano­calendário de 2007, em  relação ao ano­calendário de 2006, representou um decréscimo da ordem de 56,27%.   ∙  Grande parte das Notas Fiscais  emitidas pelo  sujeito passivo, no  ano­ calendário  de  2007,  teve  como  destinatário  a  empresa  FERMAG  FERRITAS  MAGNÉTICAS  LTDA.  Intimada,  essa  empresa  informou  que  as  operações  realizadas com a Bellox consistiram na contratação, durante o período 05/06/2007 a  28/12/2007, de serviços de industrialização (calcinação) de matérias primas, para a  obtenção do clínquer de ferrita. A Fermag enviava para o sujeito passivo as matérias  primas, o produto intermediário e os materiais de embalagem. O clínquer de ferrita  era então devolvido pela Bellox por meio da emissão de Nota Fiscal de retorno da  remessa  para  industrialização  por  encomenda  (CFOP  5902,  combinada  com  a  industrialização  efetuada  para  outra  empresa  (CFOP  5124).  Este  último  código  utilizado  para  cobrança  do  preço  contratado  pela  prestação  dos  serviços  de  industrialização.  ∙  Foi  encaminhado  ao  sujeito  passivo  termo  de  intimação  fiscal,  requisitando o envio de informações sobre o processo produtivo, incluindo todas as  fases  requeridas, desde o  início até o produto final, nos anos­calendário de 2006 e  2007, e que informasse todos os fornecedores dos insumos utilizados, bem como que  esclarecesse  as  operações  realizadas  que  fundamentem  as  Notas  Fiscais  emitidas  com os códigos CFOP 5124/5924 ou 5124/5902.  Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.593          9 ∙  O sujeito passivo descreveu o processo produtivo não o reconhecendo  como uma  industrialização. Informou que o uso do código CFOP 5124 se deveu à  não  existência  de  códigos  para  beneficiamento.  Em  relação  ao  CFOP  5902,  informou  que  era  utilizado  para  registrar  a  saída  dos  insumos  empregados  no  beneficiamento,  pois  havia  entre  as  empresas  uma  parceria,  pela  qual  os  insumos  eram comprados em nome da FERMAG para serem beneficiados; assim, eles eram  devolvidos para baixa de estoque da contratante. Funcionários da FERMAG teriam  se  instalado  na  Bellox,  para  a  realização  de  uma  parceria,  onde  realizavam  o  beneficiamento.  ∙  O  representante da FERMAG compareceu à RFB em Belo Horizonte.  Ficou  registrado  que  não  houve  nenhuma  parceria  ente  as  duas  empresas  na  realização  das  operações  em  que  funcionários  da  FERMAG  tivessem  se  instalado  nas dependências da Bellox para o cumprimento do contrato.  ∙  Constatou­se, ainda, a emissão de diversas Notas Fiscais utilizando­se  indevidamente do código CFOP n° 5924, ao invés do CFOP n° 5902, uma vez que a  operação teve como objeto o retorno do produto industrializado para a FERMAG e  não a remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente da mercadoria,  quando esta não transitar pelo estabelecimento do adquirente. O sujeito passivo não  contabilizou as operações realizadas com a FERMAG.   ∙  Visando  levantar  qual  valor  seria  tributável,  foram  analisadas  as  informações  complementares,  bem  como  a  descrição  dos  produtos  constantes  nas  notas fiscais emitidas pela Bellox que tiveram como destinatário a Fermag. Diversas  notas  fiscais  apresentam  informações  complementares  relativas  ao  carbonato  de  bário,  que  teria  sido  componente  do  processamento,  contudo,  grande  parte  dessas  notas  fiscais  não  integrou  o  discriminativo  apresentado  pela  FERMAG  contemplando as notas fiscais de saídas emitidas para a Bellox Ltda., a exemplo das  de nº 512, 513, 516, 519, 521, 523, 528, 529, 533, 535, 538, 542, 545, 547, 550, 552,  554, 575, 576, 577, 579, 582, 583, 584, 585, 586, 589, 590, 592 a 598, 600 a 606,  608 a 609, 612 a 613, 616, 618, 622 a 623, 628 a 629.  ∙  A descrição dos produtos nas notas fiscais informa, como composição  dos  dados,  o  consumo  de  energia  elétrica  e  mão  de  obra,  além  dos  insumos  recebidos  da  FERMAG.  Constatou­se  que  o  sujeito  passivo  ainda  apresenta,  em  informações complementares, o número da nota fiscal relativa à mão de obra que já  teria integrado os seus registros contábeis. A partir daí, foi confrontado o somatório  da  energia  elétrica  e mão  de  obra  com  o  valor  escriturado  da  aludida  nota  fiscal,  conforme  o  discriminativo  “Receitas  Apuradas  na  Prestação  de  Serviços  de  Industrialização  à  Fermag  Ferritas  Magnéticas  Ltda.”  ­  ANEXO­IV,  sendo  constatadas disparidades entre os valores apresentados. Esses fatos impossibilitaram  conhecer  o  valor  tributável  das  operações.  Assim,  foram  considerados  os  valores  totais  das  notas  fiscais  emitidas  para  a  FERMAG  no  período  06/2007  a  12/2007  (vide ANEXO­III).  ∙  Em  se  tratando  de  omissão  de  receita,  foram  lançadas  a  Cofins  bem  como  a  contribuição  para  o  PIS,  tendo  como  base  as  receitas  brutas  mensais  apuradas.  ∙  Os  fatos apurados  ensejam a qualificação da multa. O  sujeito passivo  encaminhou à Receita Federal do Brasil a sua Declaração Econômico Fiscal (DIPJ)  do ano­calendário de 2006, com todos os seus campos com valores zerados. No ano­ calendário  seguinte  (2007),  reincidiu  nesta  mesma  prática,  não  apurando,  como  consequência,  impostos e contribuições devidos à União. O sujeito passivo deixou  Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.594          10 de  contabilizar  diversas  Notas  Fiscais  nos  anos­calendários  de  2006  e  2007,  conforme ANEXO­III.  ∙  Essas  condutas  denotam,  em  tese,  o  elemento  subjetivo  da  prática  dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada, conforme o disposto no art. 957 do  RIR/99, art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, e também na Lei n° 4.502/64, art. 71, I,  combinado com o art. 72.  Impugnação do lançamento   O  sujeito  passivo  foi  cientificado  dos  lançamentos  pessoalmente  (conforme  atesta a assinatura aposta por seu representante legal no corpo dos autos de infração)  em 05.12.2011. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo.   ∙  A  impugnação  é  tempestiva,  pois  protocolada  dentro  dos  30  dias  contados do  recebimento do  auto de  infração. Encontra­se,  ainda,  em consonância  com os artigos 5º, 15 a 17, todos do Decreto nº 70.235, de 1972.  ∙  O feito  fiscal não valorou os  livros contábeis apresentados e entendeu  por arbitrar o lucro da empresa, contrariando dispositivo legal, doutrina dominante e  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Absurda tal pretensão, uma vez que a  realidade fática e contábil nem sequer foi valorada, desprezando o agente os livros  apresentados pela empresa e fundamentando todo o Auto de Infração em suposições  e arbitramento.  ∙  Esse  posicionamento  afronta  o  artigo  148  do  Código  Tributário  Nacional,  bem  como  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  que  reiteradamente  firmou  o  princípio  da  verdade  real  em  matéria  tributária.  Logo,  impossível a manutenção da autuação, requerendo a impugnante seu cancelamento,  nos termos legais.  ∙  A  tese  central  a  ser  debatida  é  o  arbitramento  do  lucro  por  desclassificação da escrita contábil, sob a alegação de que esta é imprestável para a  determinação do  lucro  real. Porém, o agente da  fiscalização decide sem valorar os  livros entregues, julgando ser desnecessária sua análise.  ∙  A  decisão  de  desclassificar  a  escrita  do  contribuinte  é  pessoal  e  subjetiva.  Para  um  auditor,  a  escrita  pode  ser  passível  de  desclassificação  e,  para  outro,  a  escrita  pode  ser  considerada  válida  para  apurar  o  lucro  real.  Contudo,  impossível admitir que esta decisão seja tomada sem que seja feito estudo e análise  dos livros apresentados, como é o caso em tela.  ∙  Sem  que  se  proceda  ao  levantamento  (perícia  contábil  nos  livros  e  documentos do contribuinte), quando este os  tem e mantém em dia,  e os exibe ao  fisco,  não  se  admite  a  desclassificação  da  escrita  por  a  julgar  absolutamente  imprestável.  ∙  O  caso  em  tela  viola  o  princípio  constitucional  do  contraditório  e  da  força  probante  dos  livros  comerciais  e  fiscais,  tornando  nulo  e  ineficaz  o  arbitramento  fiscal.  A  doutrina  brasileira  não  admite  tributação  por  presunção,  conforme se extrai dos ensinamentos transcritos na impugnação.  ∙  Igualmente  não  se  pode  tributar  por  indício.  Veja­se  a  posição  da  doutrina sobre o tema, retratada nas passagens transcritas na impugnação.  ∙  Não  se  consideraram  os  livros  apresentados  pela  empresa,  e  os  fatos  narrados  pelo  agente  fiscal  foram  fundamentados  em  informações  antigas  e  Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.595          11 ratificadas.  Conclui­se,  assim,  que  se  decidiu  pelo  arbitramento  com  base  em  indícios, sem prova de dolo ou omissão de receita. Portanto, deve o auto de infração  ser cancelado, o que desde já se requer.  ∙  O  Conselho  de  Contribuintes,  por  meio  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  tem  decidido  sobre  o  lucro  arbitrado  conforme  as  ementas  transcritas  na  impugnação.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  corrobora  este  entendimento, conforme decisão transcrita na impugnação.  ∙  O cancelamento do  auto de  infração é medida que se  impõe,  até  com  intuito de evitar futura condenação em sucumbência da Fazenda Pública, visto que  eivado de vício de nulidade, pois não considera a escrita apresentada.  ∙  As  provas  da  impugnante  são,  essencialmente,  os  documentos  que  se  acostam à inicial. Todavia, qualquer documento que a impugnante trouxer antes do  julgamento final no Conselho de Contribuintes deve ser valorada e valorizada. Desse  modo, requer o deferimento de todos os meios de prova admitidos em direito.  ∙  Requer­se o recebimento, processamento e julgamento da impugnação,  pois tempestiva e cabível em espécie.  ∙  Requer­se  o  cancelamento  do  auto  de  infração,  pois  embora  tenham  sido  apresentados  os  livros  para  a  fiscalização,  estes  foram  reencaminhados  ao  contribuinte  sem  sua  análise,  tornando  infundado  o  arbitramento  do  lucro  e  suas  consequências.  2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 1.544):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007  ARBITRAMENTO DE LUCROS  Será arbitrado o lucro do contribuinte cuja escrituração contiver vícios, erros  ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real.   LANÇAMENTOS DECORRENTES ­ CSLL ­ PIS ­ COFINS   O decidido para o  lançamento de  IRPJ estende­se aos  lançamentos que com  ele  compartilham  o  mesmo  fundamento  factual,  salvo  se  houver  razão  de  ordem  jurídica que lhes recomende tratamento diverso.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  3.  Cientificada  da  referida  decisão  em  12/11/2012  (fls.  1.583),  a  tempo,  em  06/12/2012, por via postal (fls. 1.579), apresenta a  interessada Recurso de fls. 1.569 a 1.576,  instruído com os documentos de fls. 1.577 a 1.582, nele argumentando, em síntese:  a)  que  a  fiscalização  arbitrou  o  lucro  da  recorrente,  principalmente  em  virtude de a mesma não ter apresentado o Diário devidamente registrado  dentro do prazo fixado;  b)  que a própria fiscalização admitiu que o Livro Diário é o componente da  escrituração a que a legislação atribui o papel proeminente;  Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.596          12 c)  que, portanto, ao não examinar seu Livro Diário, a fiscalização privou a  Recorrente  de  demonstrar  o  lucro  efetivamente  auferido  por  ela,  lucro  esse que deveria servir de base de cálculo para o tributo a ser pago;  d)  que  a  fiscalização  considerou  intempestiva  sua  apresentação  pela  Recorrente,  e  isso  foi  suficiente  para  deixar  de  lado  elemento  tão  importante na apuração do lucro real da empresa;  e)  que  a  eventual  intempestividade  de  sua  apresentação,  intempestividade  essa  devidamente  justificada  documentalmente,  deveria  ser  menos  preponderante  do  que  a  consistência  das  informações  trazidas  no  Livro  Diário;  f)  que  a  autoridade  fazendária  responsável  tinha  toda  a  possibilidade  de  aferir  o  lucro  real  da  empresa  e,  portanto,  aplicar  o  tributo  de  forma  correta e mais justa;  g)  que a Recorrente enfatiza a  idoneidade de sua escrituração contábil, que  não  pode  ser  desconsiderada  apenas  por  apresentar  erros  materiais  perfeitamente sanáveis, como o foram;  h)  que a verdade real,  se examinado o Livro Diário da Recorrente, haveria  de ter prevalecido sobre o arbitramento da fiscalização; e  i)  que  se  insurge  contra  a  multa  de  150%  (cento  e  cinquenta  por  cento),  aplicada sobre o montante do imposto a ser pago.  Em mesa para julgamento.  Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.597          13 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  4.  A  decisão  recorrida  bem  analisou  a  questão,  motivo  pelo  qual  transcrevo  alguns trechos elucidativos (fls. 1.553 a 1.557):  Quanto  ao mérito,  a  contestação  da  impugnante,  em  essência,  resume­se  no  argumento de que o arbitramento do lucro é incabível em virtude de a fiscalização  ter  devolvido  os  livros  da  escrituração  do  sujeito  passivo  sem  que  os  tivesse  examinado.  A  argumentação  da  impugnante,  contudo,  é  infundada,  porque  não  leva  em  conta  todos  os  fatos  ocorridos  no  curso  da  ação  fiscal,  nem  o  conjunto  das  irregularidades e informações apuradas pela autoridade lançadora.   Em verdade, conforme comprova o relato constante do  termo de verificação  fiscal  (não  contestado  na  impugnação)  e  a  documentação  juntada  aos  autos,  a  fiscalização examinou minuciosamente os elementos da escrituração que lhe foram  tempestivamente  apresentados,  sobretudo  as  diferentes  versões  do  livro  razão  e  a  documentação que o acompanhava.   O  único  livro  que,  de  fato,  a  fiscalização  deixou  de  apreciar  foi  o  diário.  Embora  esse  seja o  componente da  escrituração a que  a  legislação atribui o papel  proeminente,  a  medida  tomada  pela  fiscalização  encontra­se  bem  justificada.  A  autuada primeiramente não apresentou o diário dentro do prazo que lhe foi fixado.  Quando  o  finalmente  fez,  o  diário  não  trazia  a  autenticação  do  Registro  do  Comércio,  formalidade  indispensável  exigida  pela  legislação.  A  fiscalização  retornou o livro à autuada, para que fosse sanada a irregularidade. Somente mais de  dois meses depois é que o diário  foi  reapresentado com o  registro. Todavia, nesse  ponto,  já  não  era  possível  evitar  o  arbitramento,  seja  em  virtude  da  apresentação  tardia do próprio diário, seja em virtude de falhas encontradas em outros elementos  da  escrituração,  sobretudo  no  livro  razão,  suficientemente  graves  para  tornar  imperativo o arbitramento do lucro.   Diversas normas  legais  estabelecem categórica  e  expressamente  a obrigação  de  registrar  ou  autenticar  o  livro  diário  no  órgão  competente  (para  as  empresas  sediadas  em  Minas  Gerais,  esse  órgão  é  a  Junta  Comercial  do  Estado  de Minas  Gerais – Jucemg). Sem tal formalidade, o livro perde a sua validade. A respeito do  assunto o Decreto­lei nº 486, de 3 de março de 1969, textualmente dispõe:  Art.  5º  Sem  prejuízo  de  exigências  especiais  da  lei,  é  obrigatório  o  uso  de  livro  Diário,  encadernado  com  folhas  numeradas  seguidamente,  em  que  serão  lançados,  dia  a  dia,  diretamente  ou  por  reprodução,  os  atos  ou  operações  da  atividade  mercantil,  ou  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  a  situação  patrimonial do comerciante.   (...)   Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.598          14  § 2º Os Livros ou fichas do Diário deverão conter  termos de abertura e de  encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do  Comércio.  (...)   Art. 8º Os livros e  fichas de escrituração mercantil somente provam a favor  do comerciante quando mantidos com observância das formalidades legais.  O  atual  Código  Civil  (Lei  nº  10.406,  de  2002),  possui  norma  de  teor  equivalente em sua seção destinada à regulação das sociedades. Confira­se:  Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário,  que  pode  ser  substituído  por  fichas  no  caso  de  escrituração  mecanizada  ou  eletrônica.  (...)  Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o  caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público  de Empresas Mercantis.  O RIR 1999, como não podia deixar de ser, também contém norma que torna  obrigatória a autenticação do diário, a saber:  Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de  Livro  Diário,  encadernado  com  folhas  numeradas  seguidamente,  em  que  serão  lançados,  dia  a  dia,  diretamente  ou  por  reprodução,  os  atos  ou  operações  da  atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da  pessoa jurídica (Decreto­Lei nº 486, de 1969, art. 5º).  (...)  § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no  §  1º,  deverão  conter  termos  de  abertura  e  de  encerramento,  e  ser  submetidos  à  autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de  sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro  de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e Decreto­Lei nº 486, de  1969, art. 5º, § 2º).  Não  restando  dúvida  sobre  a  obrigatoriedade  da  autenticação  do  diário,  em  virtude de expressa determinação legal, cabe agora indagar se e até quando pode ser  sanada eventual omissão no cumprimento desse dever. A solução da questão requer  que  se  considere  o  disposto  no  artigo  71  da Lei  nº  3.470,  de  28  de  novembro  de  1958, abaixo reproduzido.  Art. 71. Acrescenta­se ao artigo 38 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº  40.702, de 31 de dezembro de 1956, os seguintes parágrafos:    §  ­  As  pessoas  jurídicas  ficam  obrigadas  a  indicar,  nos  documentos  que  instruírem  as  suas  declarações  e  rendimentos,  o  número  e  a  data  ou  registro  do  livro  “Diário”  no  Registro  de  Comércio  competente,  assim  como  o  número  da  página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço e a demonstração da  conta de lucros e perdas.    §  ­ O  número  e  a  data  do  registro  do  livro  “Diário”  serão  fornecidos  às  sociedades civis pelo competente Cartório de Registro de Títulos e Documentos.   Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.599          15 A norma  supra  ainda  vigora,  pois  se  acha  incorporada  ao RIR  1999,  nestes  termos:  Art. 814. As pessoas jurídicas indicarão, nos documentos que instruírem suas  declarações  de  rendimentos,  o  número  e  a data do  registro do  livro  ou  fichas do  Diário no Registro do Comércio competente,  assim como o número da página do  mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço patrimonial e a demonstração  do resultado do período de apuração (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e Decreto­Lei  nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º).  Parágrafo único. As sociedades civis estão, igualmente, obrigadas a indicar,  nos documentos que instruírem as suas declarações de rendimentos, o número e a  data  de  registro  do  Livro Diário  no  Registro  Civil  das  Pessoas  Jurídicas,  ou  no  Cartório de Registro de Títulos e Documentos, assim como o número da página do  mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço patrimonial e a demonstração  do resultado do período de apuração (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71).  Observe­se que a norma transcrita determina que a pessoa jurídica indique em  suas declarações de rendimento o número e a data da autenticação do livro diário no  Registro  do  Comércio.  Isso  significa  que,  até  a  data  fixada  para  a  entrega  da  declaração de rendimentos, o contribuinte deve já  ter providenciado a autenticação  do  diário.  Tanto  é  assim  que  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  16,  de  01.03.1984,  estabelece expressamente semelhante regra. Confira­se:   Para  fins  de  apuração  do  lucro  real,  poderá  ser  aceita,  pelos  Órgãos  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  a  escrituração  do  livro  “Diário”  autenticado  em  data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a  autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva  da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro.  Portanto,  a  legislação  tributária  até  admite  que  o  diário  seja  autenticado  tardiamente, mas,  para  fins de  apuração do  lucro  real,  a  autenticação  tem de  estar  providenciada  até  que  se  expire  a  data  prevista  para  a  entrega  da  declaração  de  rendimentos  do  correspondente  exercício.  Passado  esse  marco  temporal,  a  fiscalização  está  autorizada  a  rejeitar  o  diário  que  não  tenha  sido  autenticado. No  caso da autuada, os períodos de apuração fiscalizados foram os anos­calendários de  2006  e  2007.  As  datas  previstas  para  a  entrega  das  declarações  de  rendimentos  correspondentes  a  esses  anos  situam­se,  respectivamente,  em  meados  de  2007  e  2008.  No  entanto,  conforme  relato  constante  do  termo  de  verificação  fiscal,  não  contestado  pela  impugnante,  respectivamente  cerca  de  quatro  e  três  anos  depois  daquele marco  temporal,  os diários  relativos  aos  anos­calendários de 2007 e 2008  ainda  não  estavam  autenticados,  tanto  que  a  fiscalização,  a  quem  eles  foram  apresentados sem autenticação, os devolveu à autuada para que fizessem o registro  na  Jucemg.  Somente  em  08.11.2011  é  que  os  diários  com  a  autenticação  foram  finalmente postos à disposição à fiscalização. Nessa ocasião, porém, em virtude do  atraso  na  autenticação,  a  fiscalização  já  não  podia  aceitar  os  diários  para  fins  de  apuração do lucro real.   Mais  importante ainda é que, mesmo que o descumprimento da formalidade  em  causa,  ou  o  seu  cumprimento  extemporâneo,  fosse  relevado  e  a  fiscalização  aceitasse como válido o diário cuja autenticação  fora providenciada apenas depois  de intimação fiscal e mais de quatro anos depois de expirado o prazo fixado para tal  medida, nem assim a autuada se livraria de ver o seu lucro arbitrado. Ocorre que, a  essa altura do procedimento fiscal, a autoridade administrativa já havia encontrado  no  outro  pilar  da  escrituração  contábil,  o  livro  razão,  falhas  tão  gritantes  que,  de  acordo com a legislação, tornaram o arbitramento medida imperativa.  Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.600          16 A escrituração do livro razão com a observância das normas contábeis tornou­ se requisito indispensável para que a pessoa jurídica possa adotar o lucro real como  a base de cálculo do IRPJ, desde a vigência do artigo 14 da Lei nº 8.218, de 1991,  com a redação que lhe deu a Lei nº 8.383, de 1991. Confira­se:  Art. 14 ­ A tributação com base no lucro real somente será admitida para as  pessoas  jurídicas  que mantiverem,  em boa  ordem  e  segundo as  normas  contábeis  recomendadas,  livro  ou  fichas  utilizados  para  resumir  e  totalizar,  por  conta  ou  subconta,  os  lançamentos efetuados no Diário  (Livro Razão), mantidas as demais  exigências e condições previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de  1991)    Parágrafo  único.  A  não­manutenção  do  livro  de  que  trata  este  artigo,  nas  condições  determinadas,  implicará  o  arbitramento  do  lucro  da  pessoa  jurídica.  (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991)   A  norma  legal  supra  acha­se  incorporada  ao  RIR  1999  com  a  seguinte  redação:  Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter,  em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas  utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados  no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei  nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62).  §  1º  A  escrituração  deverá  ser  individualizada,  obedecendo  à  ordem  cronológica das operações.  §  2º  A  não  manutenção  do  livro  de  que  trata  este  artigo,  nas  condições  determinadas,  implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218,  de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62).  § 3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas  de que trata este artigo.   Note­se  que  tanto  a  norma  legal  quanto  a  regulamentar  prescrevem  taxativamente o arbitramento para a hipótese de o contribuinte não mantiver o livro  razão em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas.  No presente caso, o autuante enumera uma sucessão de falhas e omissões que  demonstram cabalmente que o livro razão apresentado pela autuada não satisfazia os  requisitos  legais  indispensáveis  para  que  ela  pudesse  adotar  o  lucro  real.  Essa  enumeração acha­se resumida no relatório deste voto, na parte que trata do termo de  verificação  fiscal.  É  suficiente  recordar,  nos  parágrafos  que  se  seguem,  apenas  as  mais significativas.  Havia  diferentes  versões  ou  exemplares  do  livro  razão,  visto  que  foram  inicialmente  apresentadas  à  fiscalização  diversas  folhas  soltas  do  livro  razão,  relativas aos anos­calendário de 2006 e 2007. Logo em seguida foi apresentado um  único  livro  do  razão  para  cada  ano,  em  capa  preta,  com  registros  de  lançamentos  contábeis  no  período  de  janeiro  a  dezembro.  Finalmente,  o  sujeito  passivo  apresentou 5 volumes de capas verdes para o ano calendário de 2006 e 4 volumes de  capas  verdes  para  o  ano  calendário  de  2007,  conforme  cópias  anexas  dos  seus  respectivos  termos  de  abertura  e  encerramento.  A  fiscalização  aponta  diversos  exemplos de que, para um mesmo fato contábil ou para um mesmo procedimento de  encerramento de contas,  foram encontrados diferentes valores em cada uma dessas  Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.601          17 versões do livro razão. Isso demonstra, no mínimo, desorganização na escrituração,  o contrário da boa ordem exigida pela norma legal.  Confrontado, por amostragem, as notas fiscais de entrada e saída, recibos de  pagamentos e cópias de cheques referentes aos meses de abril e julho de 2006 e de  fevereiro,  agosto  e  setembro  de  2007,  a  fiscalização  verificou  que  os  registros  contábeis não respeitavam o regime de competência, segundo o qual, as receitas e as  despesas  devem  ser  incluídas  na  apuração  do  resultado  do  período  em  que  ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente  de recebimento ou pagamento. O artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976, dispõe que na  escrituração  das  sociedades  anônimas  as mutações  patrimoniais  devem observar  o  regime  de  competência.  Embora  essa  lei  se  aplique  compulsoriamente  apenas  às  sociedades por ações, as normas contábeis estabelecidas pelo Conselho Federal de  Contabilidade tornam obrigatória a observância do regime de competência para toda  e  qualquer  escrituração  comercial,  independentemente  do  tipo  societário  adotado  pela pessoa jurídica ou do porte e natureza da empresa individual. Por conseguinte, a  violação do regime de competência constitui vício insuperável da escrituração.  De  acordo  com  o  artigo  264  do  RIR  1999,  a  pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação  patrimonial. Essa norma regulamentar deriva­se do disposto no artigo 4º do Decreto­ Lei nº 486, de 1969, art. 4º. Daí decorre que não se consideram válidos os registros  da  contabilidade  que  não  sejam  amparados  por  documentação  hábil  e  idônea.  Contudo,  a  fiscalização  relata  que  lhe  foram  apresentados  papéis  sem  valor  como  comprovação  de  despesas,  e  também  que  faltou  a  comprovação  de  pagamentos  registrados na contabilidade.  A fiscalização verificou que não havia critério uniforme para a classificação  das  contas  contábeis.  Como  exemplo  assinala  que  os  discriminativos  correspondentes  aos  documentos  solicitados  pela  fiscalização,  encaminhados  pelo  sujeito passivo, informam para custo de beneficiamento e produção a conta contábil  3.1.1.02; para despesas administrativas, a conta 3.2.1.02: para despesas financeiras,  a  conta  3.2.1.03;  para  despesas  de  beneficiamento,  a  conta  3.2.1.06.  Já  as  contas  contábeis  equivalentes  informadas  no  volume 1/5  do  livro  razão  (AC 2006)  e  1/4  (AC  2007)  foram  as  seguintes:  conta  3004,  para  custos  de  beneficiamento  e  produção,  a  conta  3021  para  despesas  administrativas,  3022  para  despesas  financeiras,  e  3032  para  despesas  de  beneficiamento.  Nos  volumes  “únicos”  dos  livros  razão,  porém,  não  se  emprega  a  aludida  nomenclatura.  Por  exemplo,  discrimina­se Salários e Ordenados, pró­labore, em vez de despesas administrativas.  Por fim, nas folhas soltas informa­se a conta nº 0208 para salários e ordenados, 0212  para  energia  elétrica,  0363  para  telecomunicações,  0368  para  assistência  contábil,  0381 para outras despesas operacionais.  Portanto,  acha­se  sobejamente  demonstrado  que  a  escrituração  da  autuada  continha  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  determinar  o  lucro real. Em consequência, a  fiscalização, ao decidir arbitrar­lhe o  lucro, aplicou  corretamente o artigo 530, inciso II, alínea “b”, do RIR 1999.   5.  Em complemento ao bem lançado Voto acima transcrito, acrescento, apenas,  que,  tanto  em  sua  impugnação,  quanto  em  seu  Recurso,  não  se  insurgiu  a  Recorrente  diretamente contra o disposto no art. 530,  inciso VI, do Regulamento do Imposto de Renda ­  RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), de seguinte dicção:  Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.602          18 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­ calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430,  de 1996, art. 1º):  [...];  VI  ­  o  contribuinte  não mantiver,  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas,  Livro  Razão  ou  fichas  utilizados  para  resumir  e  totalizar,  por  conta  ou  subconta,  os  lançamentos efetuados no Diário.  6.  Ou seja, de nada adianta estar o livro Diário adequadamente escriturado, se o  livro Razão  ­  que o  resume  e  totaliza,  por  conta  ou  subconta  ­  não  estiver  em boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas,  como  exaustivamente  comprovado  pela  fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 56 a 70, cuja síntese constou do Relatório  deste Acórdão.  7.  A legislação assim dispõe porque desde a alteração da Lei nº 8.218, de 29 de  agosto de 1991, pela Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a escrituração do Livro Razão  passou a ser condição para apuração do lucro real. Veja­se:  Art.  14.  A  tributação  com  base  no  lucro  real  somente  será  admitida  para  as  pessoas  jurídicas  que  mantiverem,  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas,  livro  ou  fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta,  os  lançamentos efetuados no Diário (Livro Razão), mantidas as  demais exigências e condições previstas na legislação. (Redação  dada pela Lei nº 8.383, de 1991)  Parágrafo  único.  A  não­manutenção  do  livro  de  que  trata  este  artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do  lucro  da  pessoa  jurídica.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  8.383,  de  1991)  8.  Veja­se, por oportuno, a descrição legal constante do auto de infração para o  procedimento de arbitramento efetuado (fls. 10):    Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.603          19 9.  Acerca  da  importância  do  livro  Razão,  mencionam­se  os  seguintes  precedentes administrativos:  Acórdão nº 108­08.404, de 7 de julho de 2005:  ARBITRAMENTO  DE  LUCRO  ­  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA JURÍDICA ­ LUCRO ARBITRADO – Constitui hipótese  de  arbitramento  de  lucro  da  pessoa  jurídica,  o  fato  desta  não  manter  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas, o livro Razão, utilizado para resumir e totalizar,  por conta e subconta, os lançamentos efetuados no Diário.  Acórdão nº 105­12.856, de 9 de junho de 1999:  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA  –  LUCRO  ARBITRADO  – Constituem  hipóteses  de  arbitramento  de  lucro  da  pessoa  jurídica,  o  fato  desta  não  manter  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas,  o  livro  Razão  utilizado  para  resumir  e  totalizar,  por  conta  e  subconta,  os  lançamentos  efetuados  no  Diário,  e  a  manutenção  de  conta  bancária  não  contabilizada,  não  restando  comprovado  que  o  movimento nela constante se acha abrangido pelos registros da  conta Caixa.  10.  Do  Acórdão  nº  1101­000.949,  da  Primeira  Turma  Ordinária  da  Primeira  Câmara  do  CARF  (sessão  de  12  de  setembro  de  2013),  extrai­se  o  seguinte  trecho  assaz  elucidativo (destaques do original):  Opõe­se  à  interpretação  literal  da  lei  que  determina  o  arbitramento na ausência do Livro Razão, especialmente porque  o  Código  Civil  de  2002  apenas  elege  o  Livro  Diário  como  indispensável  à  escrituração  da  sociedade  empresária,  consoante doutrina que cita.  Arremata que o Livro Razão nada mais é do que o detalhamento  por conta do livro Diário, e como o Livro Diário foi apresentado,  o  Fisco  teria  meios  de  apurar  o  lucro  real.  Até  porque  as  irregularidades  de  encadernação  e  registro  apontadas  pelo  Fisco  não  tornam  o  livro  imprestável,  não  lhes  retira  o  valor  probante, mormente se era possível confirmar suas informações  a partir dos  livros de registro de entrada,  saída e apuração de  IPI.   [...].  Irrelevante o fato de o Código Civil eleger apenas o Livro Diário  como  indispensável  à  escrituração  da  sociedade  empresária,  frente à determinação específica no âmbito tributário acerca da  indispensabilidade  do  Livro  Razão.  Por  certo,  o  Livro  Razão  nada mais  é  do  que  o  detalhamento  por  conta  do  livro  Diário,  mas  é  este  detalhamento  que  permite  conferir  os  itens  da  apuração  do  resultado,  bem  como  visualizar  quais  os  ajustes  necessários ao lucro líquido para apuração do lucro real, como  antes  já mencionado.  Irrelevantes,  portanto,  os  efeitos  da  falta  de  encadernação  do  livro  Diário,  bem  como  os  fatos  Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/2011­13  Acórdão n.º 1803­002.365  S1­TE03  Fl. 1.604          20 escriturados nos Livros de registro de entrada, saída e apuração  de  IPI,  mormente  tendo  em  conta  que  estes  não  incorporam  diversas  outras  mutações  patrimoniais  que  não  envolvem  movimentação de mercadorias.  Multa de ofício qualificada  11.  O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em  julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.  Demais exigências  12.  Ressalvados  os  casos  especiais,  igual  sorte  colhem  os  lançamentos  que  tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou  argumentos novos a ensejar conclusões diversas.  Conclusão  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                            Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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