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4579693 #
Numero do processo: 35368.002248/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/04/2007 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO DEVIDO OU RECOLHIMENTO PARCIAL. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.561
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35368.002248/2007­13  Acórdão n.º 2803­001.561   S2­TE03  Fl. 182          2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e  Osmar Pereira Costa.  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35368.002248/2007­13  Acórdão n.º 2803­001.561   S2­TE03  Fl. 183          3   Relatório    Trata­se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em  desfavor  do  contribuinte  acima  identificado,  relativo  às  contribuições  devidas  à  Previdência  Social,  correspondente  à  contribuição  da  empresa  (parte  patronal),  o  financiamento  dos  benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes  dos riscos ambientais do trabalho, e as contribuições de outras entidades ­ terceiros (SALÁRIO  EDUCAÇÃO, INCRA, SESC, SEBRAE).      O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.      A impugnação foi julgada em 18  de junho de 2009 e ementada nos seguintes  termos:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIARIAS    Período de apuração: 01/05/1998 a 30/04/2007    NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO  ­ NFLD.    Uma  vez  constatado  o  atraso  total  ou  parcial  no  recolhimento de contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores,  das  contribuições devidas e dos períodos a que se referem.    DECADÊNCIA.  PRAZO.  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL. RETIFICAÇÃO.    As  contribuições  previdenciárias  sujeitam­se  ao  prazo  decadencial  de  05  (cinco)  anos  previsto  no  Código  Tributário  Nacional,  cabendo  a  retificação  do  débito  quando constatado lançamento em período decadente.    APRESENTAÇÃO  DE  PROVA  DOCUMENTAL.  PRECLUSÃO TEMPORAL.    A prova documental deve ser apresentada na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual.    Lançamento Procedente em Parte      Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35368.002248/2007­13  Acórdão n.º 2803­001.561   S2­TE03  Fl. 184          4 Inconformado  com  resultado  do  julgamento  da  primeira  instância  administrativa,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  tempestivo,  onde  alega,  em  síntese,  o  seguinte:      ­  Na  data  de  17  de  agosto  de  2007,  a  Recorrente  foi  surpreendida  pelo  recebimento  da  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de Débito — NFLD  nº  37.089.865­6,  no  valor de R$ 438.847,37 (quatrocentos  e  trinta e oito mil, oitocentos  e quarenta e  sete  reais e  trinta  e  sete  centavos),  cujo  conteúdo  trata  das  contribuições  sociais  devidas  à  Seguridade  Social correspondentes a parte da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho ­ RAT e a outras entidades (terceiros).      ­  Inconformada  com  o  lançamento  do  crédito,  a  Recorrente  apresentou,  tempestivamente,  impugnação  administrativa,  demonstrando  claramente  as  inconsistências  constantes do Auto de Infração lavrado.      ­ A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto  decidiu  pela  procedência  parcial  do  lançamento,  conforme  intimação  nº  13886/AME/0664/2009,  determinando  a  exclusão  dos  valores  lançados  relativos  as  competências de 05/1998 a 03/2002 em face do reconhecimento da decadência.      ­  Intimada  da  decisão  e  do  Discriminativo  Analítico  do  Débito  Retificado  (D.A.D.R.) a Recorrente interpõe tempestivamente o presente Recurso Voluntário ao Conselho  de Contribuintes.      ­ O imposto é indevido ou passível de isenção.      ­ O estabelecimento é mantido com muito sacrifício por um grupo de pessoas  de  poucos  recursos,  mas  com  muita  vontade  de  ajudar  os  mais  carentes.  Assim,  incontestavelmente, é entidade beneficente de assistência social. Neste diapasão são imune as  contribuições ora cobradas.      ­  Por  fim,  incorreções  também  podem  ser  verificadas  no  que  concerne  ao  relatório  da  legislação  utilizada  pelo  Sr,  Fiscal  para  definir  as  bases  de  cálculo,  alíquotas  e  multas, o que, a nosso ver, não pode sustentar legalmente a atuação do Agente Fiscal, nem tão  pouco da autuação por parte do INSS no caso em tela.      ­ Resta, portanto, que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  esta sustentada no fato de que os valores apurados pelo INSS quanto às contribuições devidas à  Seguridade Social não estariam de acordo com aqueles recolhidos pela Recorrente, no entanto  os valores apurados pelo INSS não estão de acordo com a legislação vigente.      ­ À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da  ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim  ser decidido, cancelando­se o débito fiscal reclamado.    Não apresentadas as contrarrazões.    É o relatório.  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35368.002248/2007­13  Acórdão n.º 2803­001.561   S2­TE03  Fl. 185          5 Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator.    Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame.    O  crédito  tributário  em  debate  foi  constituído  de  forma  correta,  porquanto  observadas as regras do art. 142 do CTN.    No julgamento da impugnação apresentada pelo contribuinte, a autoridade de  primeira  instância  reconheceu  a  decadência  de  parte  do  lançamento,  excluindo  dos  valores  lançados as competências de 05/1998 a 02/2002, como se pode observar do acórdão recorrido,  bem como do relatório denominado DADR – Discriminativo Analítico de Débito Retificado.    Do resultado do julgamento na primeira instância administrativa, reconhecida  a  questão  de  ordem  pública,  ou  seja,  a  decadência,  nada  mais  restou  de  subsistente  para  sustentar o inconformismo do contribuinte.    Nesse  rumo,  o  recorrente  continua  alegando  que  o  imposto  é  indevido  ou  passível de isenção e que o estabelecimento é mantido com muito sacrifício por um grupo de  pessoas de poucos recursos, mas com muita vontade de ajudar os mais carentes.    Como  se  pode  observar,  os  argumentos  são  frágeis  e  sem  qualquer  fundamentação jurídica que possam embasá­los.    Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas  na  Lei  n°  8.212/91,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.    Assim  sendo  e  tendo  em  vista  a  correção  do  procedimento  levado  a  efeito  pela  autoridade  administrativa,  o  lançamento  deve  ser  mantido  relativamente  à  parte  não  alcançada pela decadência.        CONCLUSÃO.      Pelo  exposto,  voto  por CONHECER  do  recurso  para,  no mérito, NEGAR­ LHE PROVIMENTO.         É como voto.          (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator.              Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35368.002248/2007­13  Acórdão n.º 2803­001.561   S2­TE03  Fl. 186          6                 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR

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9843439 #
Numero do processo: 15586.720085/2016-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2402-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil instrua os autos com as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução. (documento assinado digitalmente) Francisco da Silva Ibiapino – Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil instrua os autos com as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução. (documento assinado digitalmente) Francisco da Silva Ibiapino – Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto do Acórdão nº 01-33.628 (fls. 342 a 350) que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito lançado por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 51.084.383-2 (fls. 3 a 11), relativo às contribuições devidas à seguridade social incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais sócios e sócios administradores da empresa CLINIC CENTER S/S LTDA. Este Processo Administrativo Fiscal compreende as contribuições sobre as remunerações da Sócia Maria Emília Ferreira Barbosa, no período de 01/2013 a 01/2014, que foi arrolada como responsável solidária (fl. 4), conforme menção reproduzida do Relatório Fiscal (fls. 12 a 22): O art. 124, inciso II, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional-CTN), transcrito abaixo, prescreve que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por Lei e o inciso I do citado artigo normatiza que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, que no caso aqui apresentado é o Sr Valdecir RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 08 5/ 20 16 -5 5 Fl. 402DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2402-001.209 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720085/2016-55 Arrivabeni, sócio - Administrador da empresa CLINIC CENTER a partir de 09/02/2011 e a Sra Maria Emilia Ferreira Barbosa, Sócia da empresa a partir de 10/07/2013. (...) Considerando que o registro do distrato acarreta a extinção da personalidade jurídica da sociedade, temos que a responsabilidade tributária caberá aos sócios e sócios - administradores da empresa. Neste Auto de Infração a responsabilidade caberá ao Sr Valdecir Arrivabeni e a Sra Maria Emilia Ferreira Barbosa. (...) Constitui Fato Gerador do crédito lançado as remunerações pagas mensalmente à Sócio Maria Emilia Ferreira Barbosa a título de Distribuição de Lucro, enquadradas no conceito de Salário de Contribuição contido no art.28 , inciso III , da Lei 8.212/91 e no art. 214 , inciso III , do Regulamento da Previdência Social - RPS , aprovado pelo Decreto n° 3048/99 e não declaradas em GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. As contribuições estão descritas no relatório DD- Discriminativo do Débito e integram o Levantamento C2 - Distribuição Lucro Maria E F Barbosa . 7. Sobre as remunerações dos Contribuintes Individuais Sócios e Sócios - Administradores 7.1. A remunerações pagas pela empresa ao Sócio - Administrador e demais sócios a título de Distribuição de Lucros, tiveram por base as remunerações pagas aos mesmos por escala cumprida de plantões. No Anexo denominado Relação de Pagamentos 2013 e 2014 está demonstrado mensalmente a relação direta entre as escala de plantões e as Distribuições de Lucros. Em alguns casos excepcionais as remunerações de plantões são pagas no mês seguinte, mas sempre têm por base o cumprimento de plantões no Pronto Socorro. A relação de pagamentos constante do Anexo Relação de Pagamentos 2013 e 2014 demonstra inclusive que estas remunerações têm por base o Valor/Hora para remuneração dos plantões. Fica demonstrado claramente que a Distribuição de Lucro, no caso, não se trata de uma Remuneração de Capital, mas sim de Trabalho. 7.1.1. Os profissionais médicos recebem os adiantamentos de lucros única e exclusivamente por sua atividade laborai nos plantões. Na maioria dos casos a Distribuição de Lucros se dá antes da admissão dos médicos no sociedade, conforme será demonstrado em muitos dos demais Autos de Infração constituídos, o que comprovaria tratar-se de remuneração de trabalho. A Sra Maria Emilia Ferreira Barbosa foi admitida na sociedade em 10/07/2013. Seus rendimentos de Distribuição de Lucros tiveram início na competência 01/2013. A impugnação foi julgada improcedente em decisão assim ementada (fl. 342): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/01/2014 PESSOA JURÍDICA. EXTINÇÃO E BAIXA. RESPONSABILIDADE. Deve ser atribuída responsabilidade solidária aos empresários, aos titulares, aos sócios e aos administradores quando apuradas novas obrigações após a baixa da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que deu origem ao fato gerador da obrigação. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓ-LABORE. As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de pró-labore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal. Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício. Fl. 403DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2402-001.209 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720085/2016-55 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VINCULAÇÃO. As decisões judiciais e administrativas não vinculam automaticamente a Administração Tributária Federal, exceto nas hipóteses previstas em lei. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA. O contencioso administrativo fiscal não é o foro competente para julgar a ocorrência de infração penal. INTIMAÇÃO. PROCURADOR. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, deve ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente Maria Emília foi intimada em 15/03/2017 (fl. 397) e apresentou recurso voluntário em 07/04/2017 (fls. 362 a 391) sustentando, em síntese: a) nunca exerceu qualquer de administração ou gestão; b) ilegitimidade passiva; c) o recebimento de valores a título de distribuição de lucros não se confunde com remuneração por prestação de serviços; d) caráter confiscatório da multa de ofício; e) inexistência de crime de sonegação previdenciária; Não há nos autos informação quanto à intimação do Sr. VALDECIR ARRIVABENI. Sem contrarrazões. Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais 1. Da Responsabilidade Solidária A recorrente alega ausência de responsabilidade pelo débito discutido e ilegitimidade passiva. O Fiscal Autuante concluiu pela responsabilidade solidária de VALDECIR ARRIVABENI e do RECORRENTE com fundamento nos arts. 124, I, do CTN; 9º, §§ 4º e 5º, da Lei Complementar nº 123/2006 e 25 da Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014, conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 12 a 22): O art. 124, inciso II, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional-CTN), transcrito abaixo, prescreve que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por Lei e o inciso I do citado artigo normatiza que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, que no caso aqui apresentado é o Sr Valdecir Arrivabeni, sócio-Administrador da empresa CLINIC CENTER a partir de 09/02/2011 e a Sra Maria Emilia Ferreira Barbosa, Sócia da empresa a partir de 10/07/2013. Fl. 404DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2402-001.209 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720085/2016-55 (...) Considerando que o registro do distrato acarreta a extinção da personalidade jurídica da sociedade, temos que a responsabilidade tributária caberá aos sócios e sócios - administradores da empresa. Neste Auto de Infração a responsabilidade caberá ao Sr Valdecir Arrivabeni e a Sra Maria Emilia Ferreira Barbosa. (...) Constitui Fato Gerador do crédito lançado as remunerações pagas mensalmente à Sócio Maria Emilia Ferreira Barbosa a título de Distribuição de Lucro, enquadradas no conceito de Salário de Contribuição contido no art.28 , inciso III , da Lei 8.212/91 e no art. 214 , inciso III , do Regulamento da Previdência Social - RPS , aprovado pelo Decreto n° 3048/99 e não declaradas em GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. As contribuições estão descritas no relatório DD- Discriminativo do Débito e integram o Levantamento C2 — Distribuição Lucro Maria E F Barbosa . 7. Sobre as remunerações dos Contribuintes Individuais Sócios e Sócios - Administradores 7.1. A remunerações pagas pela empresa ao Sócio-Administrador e demais sócios a título de Distribuição de Lucros, tiveram por base as remunerações pagas aos mesmos por escala cumprida de plantões. No Anexo denominado Relação de Pagamentos 2013 e 2014 está demonstrado mensalmente a relação direta entre as escala de plantões e as Distribuições de Lucros. Em alguns casos excepcionais as remunerações de plantões são pagas no mês seguinte, mas sempre têm por base o cumprimento de plantões no Pronto Socorro. A relação de pagamentos constante do Anexo Relação de Pagamentos 2013 e 2014 demonstra inclusive que estas remunerações têm por base o Valor/Hora para remuneração dos plantões. Fica demonstrado claramente que a Distribuição de Lucro, no caso, não se trata de uma Remuneração de Capital, mas sim de Trabalho. 7.1.1. Os profissionais médicos recebem os adiantamentos de lucros única e exclusivamente por sua atividade laborai nos plantões. Na maioria dos casos a Distribuição de Lucros se dá antes da admissão dos médicos no sociedade, conforme será demonstrado em muitos dos demais Autos de Infração constituídos, o que comprovaria tratar-se de remuneração de trabalho. A Sra Maria Emilia Ferreira Barbosa foi admitida na sociedade em 10/07/2013. Seus rendimentos de Distribuição de Lucros tiveram início na competência 01/2013. de Distribuição de Lucros tiveram início na competência 08/2011. O art. 142 do CTN estabelece como um dos requisitos do lançamento, a perfeita identificação do sujeito passivo, inadmitindo a exigência de tributo de quem não tem relação qualquer relação com o fato gerador. O art. 121 do mesmo Código define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou da penalidade tributária, que pode ser: i) o contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitui o fato gerador ou; ii) responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, tem a obrigação por decorrência de disposição expressa de lei. Essa é a teoria dualista da obrigação tributária, que separa o dever pelo pagamento do débito (schuld), da responsabilidade pelo pagamento do débito (haftung) 1 . Assim, a sujeição passiva da obrigação tributária pode recair sobre o contribuinte ou sobre o responsável. O contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, enquanto o responsável, é um terceiro que, de alguma forma, possui algum vínculo com o fato gerador. 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 9. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2022, p. 622. Fl. 405DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 2402-001.209 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720085/2016-55 Conforme definição do art. 128 do CTN, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No presente caso, o lançamento refere-se às contribuições devidas à seguridade social incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais sócios e sócios administradores da empresa CLINIC CENTER S/S LTDA e previstas no art. 22, III, da Lei nº 8.212/91. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (grifei) Por expressa menção legal desse artigo, trata-se de contribuição a cargo da empresa, ou seja, tem como CONTRIBUINTE a EMPRESA (no caso, a CLINIC CENTER S/S LTDA.). Tratando-se de RESPONSÁVEIS pelo débito, destaca-se a lição relacionada ao g 124 d CTN, n s n d d qu “a lei não é totalmente livre para estabelecer hipóteses de solidariedade, que não pode ser atribuída para pessoas que o próprio CTN considera responsáveis pessoais ou subsidiários, ou para quem não guarde qualquer relação com o fato gerador” 2 . Nesse mesmo sentido: (...) HONORÁRIOS MÉDICOS. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. EMPRESA CONTRATANTE. LEGITIMIDADE PASSIVA. A empresa que remunera profissionais a seu serviço é sujeito passivo na condição de contribuinte dos créditos tributários incidentes a cargo da pessoa jurídica. (...) (Acórdão nº 2301-006.321, Relator Conselheiro Wesley Rocha, publicado 21/10/2019). O art. 9º, §§ 4º e 5º, da LC nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Simples Nacional), esclarece que a baixa do ato constitutivo da sociedade não implica na extinção das obrigações tributárias, não impede o posterior lançamento dos tributos devidos e importa na responsabilidade solidária dos empresários, dos titulares, dos sócios e dos administradores no período da ocorrência dos respectivos fatos geradores 3 . 2 PONTALTI, Mateus. Manual de Direito Tributário. 3. ed., rev, atual. e ampl. São Paulo: JusPodvm, 2022, p. 413. 3 Art. 9º O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em qualquer órgão envolvido no registro empresarial e na abertura da empresa, dos 3 (três) âmbitos de governo, ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do empresário, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. Art. 9º O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em qualquer órgão dos 3 (três) âmbitos de governo ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do empresário, dos titulares, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) (...) Fl. 406DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 2402-001.209 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720085/2016-55 Ao tratar dessa matéria, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que tanto a redação do art. 9º da LC 123/2006 como da LC 147/2014, apresentam interpretação de que no caso de micro e pequenas empresas é possível a responsabilização dos sócios pelo inadimplemento do tributo, com base no art. 134, VII, do CTN, cabendo-lhe demonstrar a insuficiência do patrimônio quando da liquidação para exonerar-se da responsabilidade pelos débitos. (REsp 1876549/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3/5/2022, DJe de 6/5/2022.) De fato, estando a Microempresa ou a Empresa de Pequeno Porte enquadrada no regime do Simples Nacional instituído pela LC nº 123/2006, à ela devem ser aplicados os dispositivos desta lei. Nos autos, todavia, inexiste documento que comprove que a CLINIC CENTER era Microempresa ou Empresa de Pequeno Porte enquadrada no regime do Simples Nacional e não consta no sistema de gerenciamento do Simples Nacional registro de solicitação de opção por este regime. O contrato social da empresa não faz qualquer menção e a Fiscalização tão somente c c u “ME” n R F sc , sem que tenha informado, anexado documento ou comprovado que a CLINIC CENTER era pequena ou microempresa enquadrada no regime do Simples Nacional. Confira-se: §4º Abaixa referida no § 3º não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados impostos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da simples falta de recolhimento ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários, pelas microempresas, pelas empresas de pequeno porte ou por seus titulares, sócios ou administradores. §4o A baixa do empresário ou da pessoa jurídica não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados tributos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da falta do cumprimento de obrigações ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários, pelas pessoas jurídicas ou por seus titulares, sócios ou administradores. (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) §5º A solicitação de baixa na hipótese prevista no § 3ºdeste artigo importa responsabilidade solidária dos titulares, dos sócios e dos administradores do período de ocorrência dos respectivos fatos geradores. §5o A solicitação de baixa do empresário ou da pessoa jurídica importa responsabilidade solidária dos empresários, dos titulares, dos sócios e dos administradores no período da ocorrência dos respectivos fatos geradores. (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) Fl. 407DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 2402-001.209 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720085/2016-55 N c n s c d mp s nã x s “ME” Veja-se: (...) Vale lembrar que o Código Civil disciplina a responsabilidade dos sócios, nos diversos tipos de sociedades, indicando em que situação o sócio responde solidariamente, ou não Fl. 408DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 2402-001.209 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720085/2016-55 e o art. 1.052 prevê a limitação da responsabilidade dos sócios ao valor de suas quotas, no caso de sociedade limitada. Assim sendo, esta Turma julgadora, por unanimidade, concluiu pela necessidade de conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora informe se, à época dos fatos geradores, a CLINIC CENTER S/S LTDA estava realmente enquadrada como pequena empresa ou microempresa (ME). Além disto, compulsando os autos verifica-se que somente o responsável solidário foi cientificado da decisão de 1ª instância (fl. 397), motivo pelo qual proponho a devolução do processo à Unidade de Origem, para que seja dada ciência do Acórdão nº 01-33.628 (fls. 342 a 350, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém - DRJ/BE ao contribuinte Valdecir Arrivabeni, com abertura de prazo para que, querendo, apresente recurso voluntário. Após retornem os autos para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário interposto. Conclusão Diante do exposto, o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil instrua os autos com as informações solicitadas. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 409DF CARF MF Original

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9846429 #
Numero do processo: 13501.720215/2019-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2016 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Deve ser mantida glosa de compensação indevida de IRRF quando não houver prova em contrário. Não se reconhecido o direito creditório em favor do contribuinte, impõe-se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 2201-010.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO GOMES FAVACHO

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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Deve ser mantida glosa de compensação indevida de IRRF quando não houver prova em contrário. Não se reconhecido o direito creditório em favor do contribuinte, impõe-se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório A fiscalização foi motivada pela compensação indevida do IRRF sobre rendimentos declarados como recebidos acumuladamente, no valor de R$ 103.867,21, referente a fonte Caixa Econômica Federal. Consta na complementação da descrição dos fatos que “o valor do imposto retido na fonte retido no pagamento do valor incontroverso foi devolvido ao saldo do processo quando feito o recálculo do imposto pela justiça”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 1. 72 02 15 /2 01 9- 60 Fl. 118DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.429 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13501.720215/2019-60 Contra o sujeito passivo foi expedida notificação de lançamento referente a Imposto de Renda Pessoa Física, Exercício 2017 Ano-calendário 2016, para formalização da redução do saldo do imposto a restituir apurado pelo contribuinte na declaração, que passou de R$ 96.865,95 para R$ 0,00. Cientificado do lançamento em 12/11/2019, o sujeito passivo apresentou Impugnação (fl. 02) em 11/12/2019. Afirmou que o valor contestado refere-se ao imposto de renda retido na fonte incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente que sofreram tributação exclusiva na fonte. Também afirma que o processo data do ano de 2003 retroativo a junho de 1996, sendo utilizado erroneamente o código da Receita 5936 quando deveria ter sido o código 1889 – Rendimentos Acumulados (art. 12-A da Lei 7.713/1998). A Resolução 3.391 – 1ª Turma da DRJ/BSB, em Sessão de 17/04/2020, resolveu converter o do julgamento em diligência. Afirmou que não há nos autos notícia da devolução do IRRF ao saldo do processo, como afirma a autoridade fiscal, e assim houve conversão para que (a) a autoridade fiscal anexasse aos autos comprovação da devolução do IRRF ao saldo do Processo Judicial quando feito o recálculo do imposto pela justiça; (b) informasse a razão da retenção sob o código 5936 e (c) que fosse analisada a disponibilidade do pagamento efetuado em 19/10/2015, código da receita 5936, no valor de R$ 103.867,21. A Delegacia da Receita Federal em Salvador se reportou (fl. 80) sobre o assunto dizendo que: (a) não houve retenção de imposto de renda e “no momento em que é deduzido do Total do Processo apenas o valor líquido pago ao Reclamante nesse momento o IRRF retido indevidamente no pagamento do valor incontroverso é devolvido ao saldo remanescente do Processo”. (fl. 80) Isso ocorre sempre que a Fonte Pagadora reconhece que deve parte do valor e paga ao Reclamante, mas tributa com alíquota de 27,5% na tabela progressiva e não conforme o art. 12-A da Lei 7.713-88. Numa ação em que a quantidade de meses é muito alta, como nesse caso, ao tributar como Rendimento Recebido acumuladamente o rendimento muitas vezes fica isento. (b) quanto a razão da retenção sob o código 5936, a resposta consta: “acredito que por erro” e (c) o valor retido indevidamente e recolhido pela CEF deve ser objeto de pedido de restituição por parte da fonte pagadora. O Acórdão n. 103-004.283 – 1ª Turma da DRJ03 (fl. 84 a 89) julgou pela improcedência da impugnação, com o direito creditório não reconhecido. Ao observar a diligência, concluiu-se que o valor do imposto retido na fonte retido no pagamento do valor incontroverso foi devolvido ao saldo do processo quando feito o recálculo do imposto pela justiça, e que o valor retido indevidamente e recolhido pela CEF deve ser objeto de Pedido de Restituição (PER/DComp) por parte da fonte pagadora CEF. O contribuinte foi cientificado em 30/05/2021 (fl. 96). No Recurso Voluntário (fl. 99 a 101), interposto em 29/06/2021, encaminhou os documentos para fazerem parte do processo: (1) Comprovação de depósitos em conta judicial em que são partes Caixa Econômica Federal e Roberto Wanderlan Pereira dos Santos (fl. 102); (2) Documento do Sistema do BACEN JUD (fl. 103); (3) Documentação que comprova a solicitação Fl. 119DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.429 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13501.720215/2019-60 de recolhimentos do Imposto de Renda, com código 5936 (fl. 104); (4) Comprovação de recolhimento pela Caixa – fiel depositário dos valores (fl. 105); (5) Comprovante de arrecadação da RFB (fl. 106); (6) Recibo do advogado (fl. 107); (7) Planilha do Ministério do Trabalho com os cálculos para pagamento (fl. 108); (8) Recibo da declaração de ajustes período 2020/2021 e RRA e o imposto cobrado (fl. 109 e 110). O processo foi encaminhado ao CARF (fl. 116). É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Gomes Favacho, Relator. Admissibilidade Inicialmente, admito o Recurso Voluntário. Registro que o contribuinte foi cientificado em 30/05/2021 (fl. 96) e a peça recursal foi interposta em 29/06/2021 (fl. 99). Rendimentos recebidos acumuladamente O tema reza sobre o contribuinte entender que os rendimentos oriundos de processo judicial trabalhista são recebidos acumuladamente, que sofreram retenção na fonte e que por isso podem ser compensados. Afirma o preenchimento errôneo com o código 5936 quando deveria ter sido o código 1889 (Rendimentos Acumulados). E o que foi afirmado pela 1ª instância, após diligência, é que o valor do imposto retido na fonte retido no pagamento do valor incontroverso foi devolvido ao saldo do processo quando feito o recálculo do imposto pela justiça. Observo que o Recurso não foi composto por argumentos, mas pela juntada de documentação que busca corroborar o já dito e confrontado em 1ª instância. A comprovação de depósitos em conta judicial em que são partes Caixa Econômica Federal e Roberto Wanderlan Pereira dos Santos para a 23ª Vara do Trabalho de Salvador (fl. 102) é garantia de juízo e nada tem que ver com a questão tributária. Igualmente o documento do Sistema do BACEN JUD (fl. 103). O recibo do advogado (fl. 107) em nada prova para a questão aqui tratada, bem como a Planilha do Ministério do Trabalho com os cálculos para pagamento (fl. 108). Já são de posse da RFB o Recibo da declaração de ajustes período 2020/2021 e RRA e o imposto cobrado (fl. 109 e 110) e também não interferem para o deslinde da questão. Quanto a documentação que comprova a solicitação de recolhimentos do Imposto de Renda, com código 5936 (fl. 104); trata-se de registro no processo 0125600- 94.2003.5.05.0023 de emissão de ordem à Caixa para que efetue o recolhimento/pagamento do Imposto de Renda no valor de R$ 103.867,21, com data de vencimento em 31/12/2016, tendo como contribuinte Roberto Wanderlan Pereira dos Santos. Também corrobora a informação a (4) Fl. 120DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.429 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13501.720215/2019-60 Comprovação de recolhimento pela Caixa (fl. 105) e o Comprovante de arrecadação da RFB (fl. 106). Volto neste instante na Resolução 3.391 – 1ª Turma da DRJ/BSB, em Sessão de 17/04/2020, que resolveu converter o do julgamento em diligência justamente porque não há nos autos notícia da devolução do IRRF ao saldo do processo, como afirma a autoridade fiscal. Ao solicitar que se anexe aos autos comprovação da devolução do IRRF ao saldo do Processo Judicial quando feito o recálculo do imposto pela justiça, a diligência traz (fl. 71 e seguintes) o valor a maior para compensação de R$ 103.892,23 (fl. 73 e 74). De fato o valor retido indevidamente e recolhido pela CEF deve ser objeto de Pedido de Restituição (PER/DComp) por parte da fonte pagadora CEF. Quanto ao código da retenção, retomo a observação da conversão em diligência: o código utilizado – 5936 é para rendimento decorrente de decisão da justiça do trabalho – exceto o disposto no art. 12-A da Lei 7.713/1988, é dizer, para pagamentos não pagos acumuladamente ou pagos acumuladamente e relativos ao ano-calendário 2016. Finalmente, concluo que o contribuinte não arcou com o ônus dos valores (a compensação indevida do IRRF sobre rendimentos declarados como recebidos acumuladamente), mas sim a fonte Caixa Econômica Federal. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho Fl. 121DF CARF MF Original

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9844841 #
Numero do processo: 19515.001567/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Constatada a omissão apontada, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para saneamento do vício apontando, com ou sem efeitos infringentes, conforme o caso concreto.
Numero da decisão: 2402-011.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes, integrando-os à decisão recorrida, para sanear a omissão neles apontada. (assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR

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OMISSÃO. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Constatada a omissão apontada, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para saneamento do vício apontando, com ou sem efeitos infringentes, conforme o caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes, integrando-os à decisão recorrida, para sanear a omissão neles apontada. (assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Tratam-se de embargos de declaração da Fazenda Nacional em face do Acórdão n. 2402-010.386, p.p. 103 a 111, deste Colegiado, proferido na sessão plenária de 02 de setembro de 2021, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 67 /2 00 9- 78 Fl. 129DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.109 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001567/2009-78 PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. Havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial inicia-se a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; caso contrário, o termo inicial do prazo decadencial se dá no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso representativo de controvérsia, decisão esta de reprodução obrigatória pelo CARF. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAGAMENTO POR MEIO DE TICKET. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011 DA PGFN. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Ato Declaratório n° 03/2011, DOU de 22/12/2011, com fundamento no Parecer PGFN/CRJ nº 2117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária, independentemente de inscrição no PAT. Nos termos do Despacho de Admissibilidade de p. 124, referidos Embargos foram admitidos para saneamento do vício apontado (omissão). É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior - Relator. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. De acordo com o susodito Despacho de Admissibilidade (p. 124), os Embargos em análise restaram admitidos nos seguintes termos: - Dos vícios alegados A PGFN expõe as razões recursais nos seguintes termos: No que nos importa para o presente recurso, a Turma, para fins de verificação da decadência, entendeu que não restou demonstrado o dolo, e diante da existência de pagamento parcial, aplicou o §4º do art. 150 do CTN, conforme excerto do voto condutor a seguir: [...] Veja-se que um dos fundamentos, e o que por ora nos interessa, para afastar o dolo do contribuinte é o fato de que o fornecimento de alimentos estar previsto em CCT com expressa previsão de que não possuía natureza salarial. Reprise-se os argumentos: [...] O fornecimento de alimentos pelo recorrente aos seus empregados está, de fato, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, cujo parágrafo segundo da Cláusula Segunda, por sua vez, contém previsão expressa no sentido de que o “fornecimento em qualquer das modalidades anteriores não terá natureza salarial, nem se integrará na remuneração do empregado, nos termos da Lei no 6.321/76, de 14 de abril de 1976 e de seu Regulamento no 78.676, de 8 de novembro de 1976” (Parágrafo Segundo da Cláusula Segunda, fls. 119). Fl. 130DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.109 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001567/2009-78 É dizer, nesse contexto fático, o fornecimento de alimentos aos seus empregados por força de determinação contida em Convenção Coletiva de Trabalho não é compatível com o elemento subjetivo exigido para a caracterização do crime de sonegação fiscal previdenciária descrito no tipo penal do art. 337-A do CP, qual seja dolo consistente na vontade livre e consciente dirigida à finalidade de suprimir ou reduzir a contribuição previdenciária devida. Acontece que, não obstante a construção acima utilizada, a autuação, e consequente qualificação da multa, não se deu somente em razão do fornecimento dos alimentos aos empregados, tal como sugerido pelo fundamento para afastar o dolo. Ao contrário do que se poderia presumir, além das contribuições incidentes sobre a alimentação e as cestas básicas fornecidas, a autuação fiscal teve como base também as contribuições incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de horas extras, bem como pagos aos sócios contribuintes individuais, a título de Pró-labore, e não recolhidas, ou melhor sequer declaradas. O fato de ter se tornado incontroversa a cobrança de contribuições sobre valores pagos a empregados a título de horas-extras (inclusive não retidas), e aos sócios contribuintes individuais, a título de pró-labore, uma vez que não impugnados, não retira a clara intenção do contribuinte em sonegar as contribuições incidentes sobre tais verbas. Veja-se que a autuação foi objeto dos levantamentos NGR – SEGURADOS SEM RETENÇÃO: 01/2004 a 03/2004; e SEG – AFERIÇÃO DE SEGURADOS: 01/2004 a 03/2004. Sobre tais levantamentos a autuação consignou: Os cálculos dos valores que deveriam ser retidos, com a apuração das diferenças entre este valor e o valor efetivamente retido, e que foram lançados no papel de trabalho NGR- Segurados sem retenção, acham-se detalhados na Planilha I - Folha de Pagamento, anexa ao Auto de Infração 37.225.495-0 [autos do PAF nº 19515001570200991]. Os cálculos dos valores aferidos, nos termos do artigo 599 da IN MPS/SRP 03, de 14/07/2005, e lançados no papel de trabalho SEG- Aferição de Segurados, acham- se detalhados na Planilha VI- Calculo 8% SEG, anexa ao Auto de Infração 37.225.495-0. O referido auto de infração nº 37.225.495-0, cujos valores compõem o levantamento SEG, contêm os levantamentos a seguir, em cobrança nos autos principais: ALI – ALIMENTAÇÃO: 01/2004 a 12/2004; CEB – CESTAS BÁSICAS: 01/2004 a 12/2004; HEX – HORAS EXTRAS: 01/2004 a 04/2004, 07/2004 e 12/2004; NFG – NORMAL FORA DA GFIP: 01/2004 a 12/2004 e 13/2004; e PRO – PRO LABORE: 01/2004 a 12/2004. Assim, ainda que se entenda que não restou demonstrado o dolo da contribuinte, uma vez que o acórdão adotou como um de seus fundamentos o fato da alimentação fornecida está prevista em CCT, necessário seja esse integrado para que conste expressamente o entendimento da Turma também sobre o impacto das outras infrações, que restaram incontroversas, mas que embasaram a qualificação a multa de ofício. Dessa forma, com a devida vênia, o colegiado deixou de analisar questões relevantes, que demonstram a intenção da empresa em sonegar as contribuições previdenciárias objeto da autuação fiscal, e que não foram ventiladas no voto condutor. Nesses termos, revela-se a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado se mostre consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo. Fl. 131DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.109 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001567/2009-78 Outrossim, prequestionam-se as matérias aqui tratadas, uma vez que não foram objeto de análise expressa pelo Colegiado, a fim de que a Fazenda Nacional possa interpor recurso, se cabível. Vejamos, então, o que restou consignado no acórdão embargado em relação à decadência e ao crime de “Sonegação de contribuição previdenciária”, tipificado no art. 337-A do Código Penal (fls. 110 e 111): Ensina a doutrina que o elemento subjetivo desse delito “é o dolo, consistente na vontade livre e consciente de suprimir ou reduzir contribuição social por intermédio das condutas descritas”. Nessa linha, nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 do CTN, “se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. O dispositivo legal em questão é claro ao dispor expressamente que sua aplicação na contagem do prazo decadencial do direito do Fisco para constituir créditos tributários será afastada caso, tendo havido pagamento antecipado do tributo, ficar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ou seja, a mera configuração em tese de determinado delito, seja ele qual for, não basta para afastar a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN da contagem do prazo decadencial, sendo necessária a comprovação de dolo, fraude ou de simulação, o que não ocorreu no caso. Observe-se que no Relatório Fiscal do auto de infração não há a descrição de nenhum fato ou comportamento praticado pelo contribuinte que tenha sido relacionado à caracterização de algum desses elementos – dolo, fraude ou simulação - pela autoridade fiscal autuante, que tão somente afirma, no item 5 daquele documento, acima reproduzido, que “a situação encontrada no contribuinte ensejou a emissão de representação fiscal para fins penais, pela prática, em tese”, do crime de sonegação fiscal previdenciária, tipificado no art. 337-A do Código Penal. Anote-se que, como já acima mencionado, o elemento subjetivo desse delito, por seu turno, é o dolo, consistente na vontade livre e consciente dirigida à finalidade de suprimir ou reduzir tributo, mediante a prática de uma das condutas descritas naquele dispositivo legal. Em outros termos, para que possa ser responsabilizado criminalmente, o agente deve dirigir finalisticamente sua conduta nas práticas descritas nos incisos I, II ou III do art. 337-A do CP com o objetivo de suprimir ou reduzir a devida contribuição social previdenciária. O fornecimento de alimentos pelo recorrente aos seus empregados está, de fato, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, cujo parágrafo segundo da Cláusula Segunda, por sua vez, contém previsão expressa no sentido de que o “fornecimento em qualquer das modalidades anteriores não terá natureza salarial, nem se integrará na remuneração do empregado, nos termos da Lei no 6.321/76, de 14 de abril de 1976 e de seu Regulamento no 78.676, de 8 de novembro de 1976” (Parágrafo Segundo da Cláusula Segunda, fls. 119). É dizer, nesse contexto fático, o fornecimento de alimentos aos seus empregados por força de determinação contida em Convenção Coletiva de Trabalho não é compatível com o elemento subjetivo exigido para a caracterização do crime de sonegação fiscal previdenciária descrito no tipo penal do art. 337-A do CP, qual seja dolo consistente na vontade livre e consciente dirigida à finalidade de suprimir ou reduzir a contribuição previdenciária devida. Somado a isso, como demonstrado, a autoridade fiscal autuante sequer mencionou a hipótese de ter havido no presente caso, por parte do recorrente, fraude ou simulação. Fl. 132DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.109 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001567/2009-78 Assim, a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN ao presente caso não pode ser afastada apenas em face desse argumento, caso tenha havido pagamento antecipado do tributo. Por outro lado, do RDA – Relatório de Documentos Apresentados (fls. 11 ss.), bem como do RADA - Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 14 ss.), constata-se que houve recolhimento antecipado de contribuições sociais em todas as competências autuadas. Desse modo, a teor do entendimento firmado pelo STJ no aludido julgamento do REsp nº 973.733-SC, a norma aplicável na contagem do prazo decadencial no presente caso é o art. 150, § 4º do CTN, razão pela qual considerando que o recorrente foi notificado do lançamento aos 13/05/2009 (fls. 03) e que o auto de infração abrange as competências de 01/2004 a 03/2004, todos os valores cobrados foram extintos pela decadência. Da leitura do voto acima transcrito, verifica-se assistir razão à Embargante. O voto condutor do acórdão embargado, por entender que não restou demonstrado o dolo da contribuinte quanto ao fornecimento dos alimentos aos empregados – e diante da existência de pagamento parcial –, aplicou o § 4º do art. 150 do CTN, concluindo pela decadência dos créditos tributários relativos às competências de janeiro/2004 a abril/2004. Contudo, embora não contestado pela contribuinte em seu recurso voluntário, a autuação fiscal, no período tido como decaído, também teve como base as contribuições incidentes sobre valores pagos aos sócios contribuintes individuais, a título de Pró- labore, bem como pagos aos segurados empregados a título de horas extras – cujos pagamentos não restaram comprovados pela contribuinte – e sobre os quais não houve manifestação quanto à decadência no acórdão embargado. Com efeito, mostra-se relevante a manifestação deste colegiado acerca dos argumentos que respaldaram referidas autuações, a fim de possibilitar o devido exercício do direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Como se vê, e em resumo, por meio dos Embargos em análise, sustenta a Embargante a existência de omissão no Acórdão nº 2402-010.386 (p. 103) em face da ausência de manifestação deste Colegiado, quando da aferição do lustro decadencial, sobre determinado fundamento da autuação, referente aos valores pagos aos sócios contribuintes individuais, a título de Pró-labore, bem como pagos aos segurados empregados a título de horas extras – cujos pagamentos não restaram comprovados pela contribuinte. Pois bem! Inicialmente, cumpre destacar que, no entendimento deste Conselheiro, não há, no acórdão embargado, a omissão tal como apontada pela Embargante. Conforme exposto linhas acima, aduz a Embargante que: a Turma, para fins de verificação da decadência, entendeu que não restou demonstrado o dolo, e diante da existência de pagamento parcial, aplicou o §4º do art. 150 do CTN, conforme excerto do voto condutor a seguir: (...) Veja-se que um dos fundamentos, e o que por ora nos interessa, para afastar o dolo do contribuinte é o fato de que o fornecimento de alimentos estar previsto em CCT com expressa previsão de que não possuía natureza salarial. Reprise-se os argumentos: (...) Fl. 133DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-011.109 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001567/2009-78 Acontece que, não obstante a construção acima utilizada, a autuação, e consequente qualificação da multa, não se deu somente em razão do fornecimento dos alimentos aos empregados, tal como sugerido pelo fundamento para afastar o dolo. Ao contrário do que se poderia presumir, além das contribuições incidentes sobre a alimentação e as cestas básicas fornecidas, a autuação fiscal teve como base também as contribuições incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de horas extras, bem como pagos aos sócios contribuintes individuais, a título de Pró-labore, e não recolhidas, ou melhor sequer declaradas. Destaque-se, desde já, pela sua importância que, ao contrário do quanto sinalizado pela Embargante, não houve, no caso concreto em análise, qualificação da multa. De fato, analisando-se o Auto de Infração (p. 03) e respectiva Instruções para o Contribuinte (p. 04), verifica-se que a multa, no momento da autuação, foi aplicada no percentual de 30%, seguindo a gradação prevista na legislação de regência da matéria vigente à época. Importante registrar que a Embargante, em mais de uma oportunidade, reporta-se à “qualificação de multa”, dando a entender que o dolo restaria, no caso concreto, caracterizado em decorrência da qualificação da multa. É o que se infere, pois, do excerto abaixo reproduzido: Assim, ainda que se entenda que não restou demonstrado o dolo da contribuinte, uma vez que o acórdão adotou como um de seus fundamentos o fato da alimentação fornecida está prevista em CCT, necessário seja esse integrado para que conste expressamente o entendimento da Turma também sobre o impacto das outras infrações, que restaram incontroversas, mas que embasaram a qualificação a multa de ofício. Contudo, conforme demonstrado linhas acima, não houve, in casu, qualificação da multa. Outrossim, ainda em relação ao entendimento deste Conselheiro no sentido de que não há, no acórdão embargado, a omissão tal como apontada pela Embargante, cumpre destacar que, ao contrário da conclusão alcançada pela Embargante e destacada no Despacho de Admissibilidade, no sentido de que o voto condutor do acórdão embargado concluiu que não restou demonstrado o dolo da contribuinte quanto ao fornecimento dos alimentos aos empregados, analisando-se referido decisium, verifica-se que este, em verdade, concluiu que a autoridade administrativa fiscal não demonstrou, no caso concreto, a ocorrência de dolo. Confira-se: Ensina a doutrina que o elemento subjetivo desse delito “é o dolo, consistente na vontade livre e consciente de suprimir ou reduzir contribuição social por intermédio das condutas descritas”. Nessa linha, nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 do CTN, “se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. O dispositivo legal em questão é claro ao dispor expressamente que sua aplicação na contagem do prazo decadencial do direito do Fisco para constituir créditos tributários será afastada caso, tendo havido pagamento antecipado do tributo, ficar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ou seja, a mera configuração em tese de determinado delito, seja ele qual for, não basta para afastar a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN da contagem do prazo decadencial, sendo necessária a comprovação de dolo, fraude ou de simulação, o que não ocorreu no caso. Fl. 134DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-011.109 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001567/2009-78 Observe-se que no Relatório Fiscal do auto de infração não há a descrição de nenhum fato ou comportamento praticado pelo contribuinte que tenha sido relacionado à caracterização de algum desses elementos – dolo, fraude ou simulação - pela autoridade fiscal autuante, que tão somente afirma, no item 5 daquele documento, acima reproduzido, que “a situação encontrada no contribuinte ensejou a emissão de representação fiscal para fins penais, pela prática, em tese”, do crime de sonegação fiscal previdenciária, tipificado no art. 337-A do Código Penal. Anote-se que, como já acima mencionado, o elemento subjetivo desse delito, por seu turno, é o dolo, consistente na vontade livre e consciente dirigida à finalidade de suprimir ou reduzir tributo, mediante a prática de uma das condutas descritas naquele dispositivo legal. Em outros termos, para que possa ser responsabilizado criminalmente, o agente deve dirigir finalisticamente sua conduta nas práticas descritas nos incisos I, II ou III do art. 337-A do CP com o objetivo de suprimir ou reduzir a devida contribuição social previdenciária. No entendimento deste Conselheiro, a fundamentação do acórdão embargado para concluir pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN, para fins de de contagem do lustro decadencial, reside, em síntese, na seguinte conclusão destacada no excerto supra reproduzido: no Relatório Fiscal do auto de infração não há a descrição de nenhum fato ou comportamento praticado pelo contribuinte que tenha sido relacionado à caracterização de algum desses elementos – dolo, fraude ou simulação - pela autoridade fiscal autuante. O fato de o Acórdão embargado tratar, na sequência, da única matéria controvertida (fornecimento de alimentos aos empregados) não significa – mais uma vez no entendimento deste Conselheiro – que aquela decisão tenha se fundamento na falta de comprovação do dolo em relação a tal matéria. Noutras palavras, não foi afirmado, no acórdão embargado, que a Fiscalização não demonstrou / comprovou a ocorrência de dolo, por parte da Contribuinte, em relação à infração relativa ao fornecimento de alimentos para os empregados. Ao contrário, conforme exposto linhas acima, a conclusão daquele julgado foi no sentido que a autoridade administrativa fiscal não descreveu - nem em linhas gerais, nem de forma específica - nenhum fato ou comportamento praticado pela Contribuinte que tenha sido relacionado à caracterização de algum desses elementos: dolo, fraude ou simulação. Para restar caracterizada a omissão tal como apontada pela Embargante, a autoridade administrativa fiscal deveria ter demonstrado e comprovado a ocorrência do dolo em relação a todos os fatos geradores que deram origem à presente autuação, até mesmo porque, como cediço, é possível que determinada autuação fiscal apure a ocorrência de 2, 3 ou mais fatos geradores, mas eventual dolo diga respeito somente a um deles. In casu, conforme fartamente demonstrado, a Fiscalização não fez qualquer observação acerca de eventual conduta dolosa praticada pela Contribuinte, seja em relação a determinado fato gerador, seja em relação a todos eles. Daí o porquê, na opinião, deste Conselheiro, não há, no acórdão embargado, a omissão tal como apontada pela Embargante. Isto não significa, por outro lado, que a omissão apontada não existe. De fato, tratando-se (a matéria em análise) de fundamento da autuação fiscal e não tendo sido a mesma abordada no acórdão de recurso voluntário, resta caracterizada a omissão neste particular, impondo-se o seu saneamento. Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-011.109 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001567/2009-78 Feitos esses breves esclarecimentos, passemos, então, à análise da matéria propriamente dita! Nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, a contagem do lustro decadencial será a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Dessa forma, tendo ocorrido antecipação do pagamento por parte da Contribuinte, a regra prevista no supramencionado art. 150, § 4º, do CTN será afastada somente nas hipóteses em que restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Importante frisar, neste particular, que o dolo, a fraude ou a simulação não se presumem. Ao contrário, devem ser comprovadas!! Dessa forma, a simples ocorrência de crime tributário ou – o que é pior – a simples presunção de sua ocorrência, não tem o condão de atrair a regra do art 173, I, do CTN. De fato, conforme já exposto linhas acima, a regra prevista no supramencionado art. 150, § 4º, do CTN, existindo pagamento antecipado, será afastada somente nas hipóteses em que restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tanto é assim, que essa é a inteligência, mutatis mutandis, do Enunciado de Súmula CARF nº 14, segundo o qual a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Neste contexto, não tendo sido demonstrada, no caso em análise, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (importante observar que, no Relatório Fiscal, o preposto fiscal autuante não fez qualquer observação neste sentido, assim como também não houve qualificação da multa de ofício) e ante a existência de pagamento antecipado, deve ser aplicada, no presente caso, a regra prevista no art 150, § 4º, do CTN para contagem do lustro decadencial. A conclusão acima alcançada resta incólume mesmo em relação aos fatos geradores referentes aos valores pagos aos segurados empregados a título de horas extras, bem como pagos aos sócios contribuintes individuais, a título de Pró-labore. Isto porque, conforme já exposto linhas acima, a Fiscalização, no caso em análise, não fez qualquer observação acerca de eventual conduta dolosa praticada pela Contribuinte, seja em relação a determinado fato gerador, seja em relação a todos eles. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para, saneando a omissão apontada, integrar as razões de decidir objeto do presente Acórdão de Embargos ao Acórdão de Recurso Voluntário embargado. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 136DF CARF MF Original

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Numero do processo: 35043.002970/2006-21
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - DECADÊNCIA. O direito de o fisco apurar e constituir os créditos referentes às contribuições previdenciárias estabelecidas na Lei n° 8.212/1991 extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme dispõe o inciso I do art. 45 da citada lei. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE - ARGÜIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.953
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CAMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por maioria de votos em rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares suscitadas; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA

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CCOVC06 Brasiban ° ° Fls. 170 rval• Mana ele Fátima Ferre Matr. Siape 751643 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 35043.002970/2006-21 Recurso n° 143.595 Voluntário Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL - AFERIÇÃO INDIRETA Acórdão n° 206-00.953 Sessão de 04 de junho de 2008 Recorrente TRANSLOG TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - DECADÊNCIA. O direito de o fisco apurar e constituir os créditos referentes às contribuições previdenciárias estabelecidas na Lei n°8.212/1991 extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme dispõe o inciso I do art. 45 da citada lei. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE - ARGÜIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (47 Processo n° 35043.002970/2006-21CO02, CO6r COMF - Sexta Cite—retra Acórdão n.°206-00.953 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 171 Brasília, 'V 0Egg. Maria de Fatima Ferre alho Matr. Siam" 78'2'3 ACORDAM os Membros da SEXTA CAMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por maioria de votos em rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares suscitadas; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente a l IA BA0DEI Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente convocado), Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 • Processo n°35043.002970/2006-21 CCO2/C06 Acórdão n.°206-00.953 • • anua C. Ibrrifftr. Fls. 172 •• ^de COM 0 OR4GINA • 3sinaa,7:1; 'ria a F?tirra Ferroo. Z rvalho .er si,r, '5,653 Relatório Trata-se do lançamento de contribuições de responsabilidade da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, sócios da notificada. O Relatório Fiscal (fls. 60/64) informa que a notificada não apresentou documentos e livros solicitados, razão pela qual foi lavrado auto de infração. Diante da negativa na apresentação dos documentos necessários à apuração da base de cálculo, a auditoria fiscal efetuou o arbitramento da mesma, com base no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212/1991 e considerou como valores pagos a titulo de pró-labore, a maior remuneração paga a segurado empregado da empresa. A notificada impugnou tempestivamente o lançamento (fls. 112/121) alegando que a auditoria fiscal não observou o prazo legal estabelecido para a constituição do crédito tributário, de tal sorte que parte dos créditos estaria fulminada pela decadência. Entende que a autoridade administrativa tem o dever de não aplicar normas inconstitucionais. Solicita a realização de perícia para o esclarecimento da verdade material. Pela Decisão-Notificação n° 05.401.410501/2006 (fls. 136/140), o lançamento foi considerado procedente. Contra a decisão acima, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 146/152), onde mantém a alegação de que teria ocorrido a decadência de constituição de parte do lançamento. Afirma que o não reconhecimento do fato enseja cerceamento de defesa, uma vez que não restando evidenciado o quantum objeto da notificação, estaria ausente um dos seus elementos essenciais e, conseqüentemente, ensejaria nulidade absoluta da mesma. É o Relatório. Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega que teria ocorrido a decadência do direito de constituição de parte do crédito lançado. As contribuições previdenciárias são uma espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação. De acordo com o 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, nos casos de lançamento por homologação, o sujeito passivo antecipa o pagamento, e a contagem do prazo decadencial tem inicio na data de ocorrência do fato gerador. Tal dispositivo estabelece que o prazo é de cinco anos, se a lei não fixar prazo à homologação. 1 3 Processo n° 35043.002970/2006-2: 2° CC/MF - Selar' CCO2:C06 Acórdão n.° 206-00.953 CONFERE COMO OR Fls. 173 Brasília 24 /O .1 Is Manas. Fatirpa Fest arval o Ma* Siape.7,51tO3 No que tange às contribuições previdencianas em comento, o artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91 é que estabeleceu o prazo mencionado no CTN, onde o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Não obstante a polêmica existente a respeito da constitucionalidade de tal dispositivo legal, o mesmo não foi inquinado de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Não há dúvidas a respeito da natureza tributária das contribuições sociais, entretanto, ainda que o Código Tributário Nacional tenha status de lei complementar, existe legislação específica para tratar a matéria, qual seja, a Lei n° 8.212/91 e tal diploma legal estabelece o prazo decadencial de dez anos. A meu ver, não é possível aplicar o disposto no Código Tributário Nacional em detrimento do art. 45, inciso I da Lei n° 8.212/91, uma vez que tal dispositivo encontra-se em plena vigência no ordenamento jurídico pátrio. Como o controle da constitucionalidade no Brasil é exercido, em regra, pelo Poder Judiciário, não cabe ao julgador no âmbito administrativo, pelo Princípio dá Legalidade, deixar de aplicar lei vigente. Assim, rejeito a preliminar apresentada. Tampouco se poderia acolher a pretensão da recorrente de que a autoridade administrativa deveria exercer sua atividade vinculada não apenas à Lei no sentido formal, mas a toda a legislação tributária, na forma do art. 96 do Código Tributário Nacional. Tal alegação tem por objetivo fazer com que a autoridade julgadora desconsidere dispositivos legais vigentes, no caso, o art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que segundo à mesma, como lei ordinária, não poderia aumentar o prazo decadencial., revelando-se, assim, ilegal e inconstitucional. Entretanto, se agisse conforme entende a recorrente, a autoridade julgadora estaria afastando aplicação de dispositivo em vigência sob o argumento de que o mesmo seria ilegal e inconstitucional, o que não compete à mesma. O controle da constitucionalidade no Brasil é do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negar-se a aplicá-la. Ainda excepcionalmente, admite-se que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo. 4 • -- °COM 0 ArGaiNreAL • Processo n° 35043.00297012006-21 r CCr lersa-rci #‘4 F E int E et T. atatraLe±• CCO2/C06Polir - s:1" Acórdão n.°206-00.953 Els 174 Brasília, mana Serraiima Fon , a "Mandado de segurança - Attíl tlihRilifilrUtlft4; Ia municipal - &criação de cumprimento de lei municipal - Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão - Admissibilidade - Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional - Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes - Desobriga toriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores - Segurança denegada - Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusar-se a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste. (Apelação Cível n. 220.155-1 - Campinas - Relator: Gonzaga Franceschini - Juiz Saraiva 21). 1: (g.n.). Ademais, tal questão já se encontra sumulada no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que pela Súmula n° 02 publicada no DOU em 26/09/2007, decidiu o seguinte: "Súmula n°2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Restando demonstrado que não ocorreu a decadência do direito de constituição da totalidade do crédito lançado, não há que se falar em cerceamento de defesa pela indefinição do quantum lançado. Ademais, ainda que fosse considerado que a decadência teria alcançado parte do lançamento, tal fato não se consubstanciaria em motivo para anulação da notificação, ou mesmo cerceamento de defesa. Vale lembrar que nos termos do art. 145 inciso I do Código Tributário Nacional, o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em virtude de impugnação do mesmo. Assim, comprovada a ocorrência da decadência de parte do lançamento pelo sujeito passivo, a autoridade julgadora reconheceria a improcedência de tal parte, mantendo o restante, não havendo qualquer motivo que ensejasse a nulidade do lançamento, seja parcial ou total. Diante de todo o exposto e considerando tudo que dos autos consta. 5 , • Processo n°35043.002970/2006-21 CCO2:C06 2° CC/MI° - Sota Cihr— 7.— -einoAcórdão n.° 206-00.953 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 175 Brasília, 21/ /0 atillis erdinlr,".; infla as Fatima Flei/s/r .- a a lho a Voto no sentido de CONHElataCtOe 71WIPS o apresentado, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2008 / A ARIA BAN EIRA 6 Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044200.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044400.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.918186/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2010 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1401-006.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2010 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP que indicou como crédito pagamento a maior relativo ao IRRF. O despacho decisório foi fundamentado na utilização integral dos pagamentos localizados para a quitação de débitos da própria contribuinte, informando não terem restado créditos disponíveis para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 81 86 /2 01 2- 49 Fl. 5422DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.442 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.918186/2012-49 Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente defendeu, em apertadíssima síntese, a existência do direito creditório compensado; alega que, ao identificar o erro cometido (do pagamento a maior), retificou a DCTF inicialmente apresentada o que, ao seu ver, seria suficiente para demonstrar a insubsistência do despacho decisório. Recebida a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu o recurso sob a alegação de que não haveriam nos autos elementos probatórios suficientes para albergar as razões expendidas pela Recorrente. A decisão recorrida informa que a declaração retificadora entregue, no caso, a DCTF, não seria suficiente para comprovar o direito, mormente quando apresentada após a edição do despacho decisório. Para efeito de reconhecimento do crédito alegado, segundo o acórdão a quo, haveria a necessidade de que a Contribuinte tivesse juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovassem as alterações efetuadas. Citou explicitamente a necessidade da apresentação da escrituração comercial e fiscal para fazer prova do direito alegado. Inconformada com a decisão retro, a Contribuinte apresentou recurso voluntário através do qual argui o seguinte, em aditamento ao já alegado na manifestação de inconformidade: Esclarece que a origem do crédito remonta a pagamento indevido de IRRF incidente sobre pagamento de juros sobre o capital próprio; entretanto, o pagamento realizado referir-se-ia a período de apuração em que não teria havido qualquer pagamento a título de juros sobre o capital próprio; Junta aos autos a DIPJ, balancetes, livro diário, relatório de auditoria e livro razão das contas contábeis relacionadas aos juros sobre o capital próprio, sendo todos os documentos relativos ao período de apuração em que ocorrido o pagamento indevido; Aponta que, especificamente na conta 2.1.03.01.009 (livro razão) poder-se-ia identificar que, nas competências de 07/2010, 08/2010 e 09/2010, a Recorrente teria creditado juros sobre o capital próprio aos sócios nos mesmos montantes, os quais teriam originado recolhimentos de IRRF no idêntico valor recolhido em duplicidade. Já em 10/2010 não teria havido qualquer desembolso a tal título, porém a Recorrente, não tendo percebido a interrupção na sequência de pagamentos, realizou o indevido recolhimento nos exatos valores recolhidos nos meses anteriores; O efetivo creditamento dos juros sobre o capital próprio aos sócios estariam identificados nas contas 2.2.03.01.001, 2.2.03.01.003 e 2.2.03.01.007 do livro razão, podendo-se identificar que na competência de 10/2010 não houve qualquer pagamento a tal título. Demonstra os pagamentos realizados a cada um dos sócios nas referidas contas contábeis; Em Sessão realizada no dia 19/05/2021, esta Turma resolveu baixar o processo em diligência à Unidade Local para que avaliasse os documentos que acompanharam o recurso voluntário e verificasse sua eficácia para comprovar o direito pretendido e, ao final, elaborasse relatório conclusivo que deveria ser submetido à apreciação da Contribuinte para, querendo, se manifestar dentro do prazo de 30 dias. Foi requerido, também, à Autoridade Diligenciadora que requeresse à Contribuinte cópia da Ata da AGE que estabeleceu o pagamento dos JCP. Fl. 5423DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.442 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.918186/2012-49 A diligência requerida foi realizada, tendo a Autoridade Administrativa elaborado Relatório que, em suma, assim dispôs: 10. O valor de JCP pago às PF corresponde aos valores pagos aos sócios Anderson Lemos Birman e Alexandre Café Birman. Já o valor pago às PJ, não foi possível comprovar pois são divergentes as informações dos valores de JCP pagos à TARPON ALL EQUITIES FUND LCC (R$ 436.597,08 na DIPJ e R$ 1.226.765,92 no Razão) e não foi apresentada a conta da PJ PIRAIBA FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPACOES (R$ 790.168,88 na DIPJ). Assim não dá para certificar o total dos pagamentos de JCP em 2010. 11. Na Ficha 61A, item 002, consta o JCP pago a Anderson Lemos Birman no valor de R$ 2.822.405,68, item 003 o JCP pago à TARPON ALL EQUITIES FUND LCC no valor de R$ 436.597,08 e item 005 o JCP pago a Alexandre Café Birman no valor de R$ 857.892,14, os três sócios que foram destacados nos meses de julho, agosto e setembro/2010, no recurso apresentado, como recebedores de JCP. Dois desses três valores foram confirmados através do Razão apresentado. Entretanto, o valor pago à TARPON ALL EQUITIES FUND LCC é divergente, como relatado no parágrafo 10. 12. Nas três contas do Razão, não foram localizados pagamentos de JCP no mês de 10/2010. Se fossem consideradas somente essas contas do Razão, não existiria um débito no valor de R$ 71.809,34 que corresponderia ao DARF recolhido em 04/11/2010 de IRRF - 5706. 13. Foi apresentado o Balancete de 10/2010, onde não há correspondência de valores de JCP creditados aos respectivos sócios. 14. Não foram localizados no Diário Geral de 10/2010, pagamentos de JCP aos três sócios citados. 15. Destaco trecho das Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras onde é citado o pagamento de JCP, em 2010, no montante de R$ 4.906.000,00, conforme está na DIPJ: (...) 16. Entretanto, não foi apresentada a Ata da AGE, que estabeleceu o pagamento dos JCP, conforme solicitado na Resolução. 17. Não consta na documentação um demonstrativo de todos os valores de JCP pagos em 2010, com seus respectivos lançamentos no Razão, vinculados aos débitos de IRRF – 5706 declarados em DCTF e suas liquidações, fechando exatamente com os dados declarados na DIPJ, que comprovasse o efetivo pagamento indevido do DARF de R$ 71.809,34 em 04/11/2010. 18. Assim, sendo, não foi possível confirmar a existência do crédito pleiteado de pagamento indevido ou a maior de IRRF – 5706, efetuado em 04/11/2010, no valor de R$ 71.809,34. A Informação Fiscal foi submetida às considerações da Recorrente, que apresentou petição informando o seguinte, em apertadíssima síntese: Fl. 5424DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.442 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.918186/2012-49 4. Na Informação nº 83/2021-RFB/DEVAT/EQAUD/RENDA, menciona-se, expressamente, que (i) “nas três contas do Razão, não foram localizados pagamentos de JCP no mês de 10/2010” (item 12); (ii) “se fossem consideradas somente essas contas do Razão, não existiria um débito no valor de R$ 71.809,34 que corresponderia ao DARF recolhido em 04/11/2010 de IRRF – 5706” (item 12); e (iii) que “não foram localizados no Diário Geral de 10/2010, pagamentos de JCP aos três sócios citados” (item 14). 5. Sendo assim, encontra-se devidamente comprovado que não houve fato gerador que justificasse o pagamento de JCP no período de apuração de 10/2010, motivo pelo qual se deve concluir que (i) o pagamento realizado de IRRF – 5706, efetuado em 04/11/2010, no valor de R$ 71.809,34, é indevido; e que, por consequência, (ii) o crédito da DCOMP 07840.46141.010611.1.3.04-9809 é legítimo para o fim de ser objeto de compensação com débito de IRRF sob o código 8053 (IRRF – aplicações financeiras renda fixa – pessoa física), do período de apuração 3ª Dec./dezembro/2010, com vencimento em 05/01/2011. 6. Para reforçar a comprovação da legitimidade do crédito em questão, seguem, em anexo, as atas das reuniões do Conselho de Administração de 29/04/2010 e 21/07/2010, mencionadas nas Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras da recorrente, citadas pela Informação nº 83/2021-RFB/DEVAT/EQAUD/RENDA, e da reunião de 30/07/2010, que determinou o pagamento da integralidade dos JCPs pagos no 2º semestre de 2010, que abrangem o período do pagamento indevido. Após, os autos retornaram ao CARF para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como vimos no Relatório, o crédito que foi submetido pelo contribuinte à análise de liquidez e certeza por parte da Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, derivava de pagamento indevido de IRRF incidente sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio. A Autoridade Administrativa indeferiu o pedido da Recorrente em função das informações constantes da DCTF entregue para o período respectivo em contraposição aos pagamentos/recolhimentos efetuados. Já a decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade, pois concluiu que não haveriam nos autos elementos probatórios suficientes para albergar as razões expendidas pela Recorrente, citando explicitamente a necessidade da apresentação da escrituração comercial e fiscal (v. e-fls. 66/67). Fl. 5425DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.442 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.918186/2012-49 Diante disto, as oposições integrantes das exposições reportadas no contexto da postulação devem estar apoiadas em suportes fáticos que revelem, de forma pormenorizada e cristalina, a pretensa ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF ativa na ocasião do cruzamento de dados fiscais do contribuinte; em outras palavras, as provas oferecidas à exame perante o órgão julgador devem corroborar no escopo de viabilizar a formação da convicção acerca da certeza e liquidez do crédito reclamado. Nestes termos, a comprovação das alegações aduzidas na fase litigiosa do procedimento deve ser conduzida mediante juntada de prova inequívoca hábil e idônea devidamente conjugada com a escrituração contábil e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levados a registro no órgão competente, à época dos fatos, as quais devem ser mantidas em boa ordem e conservados, sob a responsabilidade do sujeito passivo, a fim de serem colocadas à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, enquanto não ocorrida a prescrição do créditos tributários conexos aos fatos atrelados à declaração de compensação e outras conexas ao pretenso direito creditório, conforme disciplina o art. 195, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Em síntese, compete ao requerente trazer aos autos o acervo documental competente e associado à tributação específica concernente ao período de apuração, acompanhados das respectivas Demonstrações Financeiras, do Livro Razão e do Livro Diário, devidamente escriturados e registrados na forma da legislação de regência, evidenciando, assim, os fatos contábeis e fiscais atrelados ao montante da base imponível que entende pertinente, sua apuração e recolhimentos correspondentes, compulsando-se com a evolução do saldo da conta patrimonial de controle do indébito tributário. A decisão recorrida é bem clara ao dispor sobre a necessidade da juntada aos autos da escrituração comercial e/ou fiscal (pelo menos na parte em que interessaria à demanda) para comprovar os alegados créditos de titularidade da Contribuinte. Ou seja, a decisão recorrida foi de clareza solar ao estabelecer o caminho que deveria ter sido seguido pela Contribuinte para comprovar o seu direito. No caso, segundo a decisão recorrida, haveria a necessidade de comprovar o erro cometido no preenchimento da DCTF e a existência dos alegados créditos mediante a juntada da escrituração comercial/fiscal, o que não teria sido feito pela Recorrente quando da manifestação de inconformidade. Com o recurso voluntário a Recorrente trouxe uma quantidade muito grande de documentos, justamente aqueles apontados pela decisão recorrida que deveriam dar suporte às alegações constantes da manifestação de inconformidade. Foram juntados a DIPJ, balancetes, livro diário, relatório de auditoria e livro razão das contas contábeis relacionadas aos juros sobre o capital próprio, sendo todos os documentos relativos ao período de apuração em que ocorrido o pagamento indevido. Diante de quantidade expressiva de documentos juntados aos autos com o recurso voluntário, esta Turma resolveu baixar o processo em diligência à Unidade Local para sua avaliação. Assim foi feito, com a juntada aos autos de Informação Fiscal que concluiu não ter sido possível confirmar a existência do crédito pleiteado de pagamento indevido ou a maior de IRRF – 5706, efetuado em 04/11/2010, no valor de R$ 71.809,34. Fl. 5426DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.442 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.918186/2012-49 Entretanto, conforme bem apontado pela Contribuinte em sua resposta à Informação Fiscal, a Autoridade Administrativa ressaltou que (i) “nas três contas do Razão, não foram localizados pagamentos de JCP no mês de 10/2010” (item 12); (ii) “se fossem consideradas somente essas contas do Razão, não existiria um débito no valor de R$ 71.809,34 que corresponderia ao DARF recolhido em 04/11/2010 de IRRF – 5706” (item 12); e (iii) que “não foram localizados no Diário Geral de 10/2010, pagamentos de JCP aos três sócios citados” (item 14). Também salienta a Recorrente que “Para reforçar a comprovação da legitimidade do crédito em questão, seguem, em anexo, as atas das reuniões do Conselho de Administração de 29/04/2010 e 21/07/2010, mencionadas nas Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras da recorrente, citadas pela Informação nº 83/2021-RFB/DEVAT/EQAUD/RENDA, e da reunião de 30/07/2010, que determinou o pagamento da integralidade dos JCPs pagos no 2º semestre de 2010, que abrangem o período do pagamento indevido”. Referido documento, requerido quando da edição da Resolução por parte desta Turma, não havia sido apresentado à Autoridade Administrativa pela Recorrente. Creio que estamos diante de um daqueles casos em que há indícios da existência do direito da parte, entretanto a mesma não foi capaz de caracterizá-lo de forma contundente, com a certeza que se exige para casos tais. Isso porque as incongruências existentes são muitas, haja vista o levantado pela Autoridade Fiscal no relatório de diligência, que reproduzo abaixo: 10. O valor de JCP pago às PF corresponde aos valores pagos aos sócios Anderson Lemos Birman e Alexandre Café Birman. Já o valor pago às PJ, não foi possível comprovar pois são divergentes as informações dos valores de JCP pagos à TARPON ALL EQUITIES FUND LCC (R$ 436.597,08 na DIPJ e R$ 1.226.765,92 no Razão) e não foi apresentada a conta da PJ PIRAIBA FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPACOES (R$ 790.168,88 na DIPJ). Assim não dá para certificar o total dos pagamentos de JCP em 2010. 11. Na Ficha 61A, item 002, consta o JCP pago a Anderson Lemos Birman no valor de R$ 2.822.405,68, item 003 o JCP pago à TARPON ALL EQUITIES FUND LCC no valor de R$ 436.597,08 e item 005 o JCP pago a Alexandre Café Birman no valor de R$ 857.892,14, os três sócios que foram destacados nos meses de julho, agosto e setembro/2010, no recurso apresentado, como recebedores de JCP. Dois desses três valores foram confirmados através do Razão apresentado. Entretanto, o valor pago à TARPON ALL EQUITIES FUND LCC é divergente, como relatado no parágrafo 10. (...) 13. Foi apresentado o Balancete de 10/2010, onde não há correspondência de valores de JCP creditados aos respectivos sócios. 14. Não foram localizados no Diário Geral de 10/2010, pagamentos de JCP aos três sócios citados. Fl. 5427DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.442 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.918186/2012-49 15. Destaco trecho das Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras onde é citado o pagamento de JCP, em 2010, no montante de R$ 4.906.000,00, conforme está na DIPJ: (...) 16. Entretanto, não foi apresentada a Ata da AGE, que estabeleceu o pagamento dos JCP, conforme solicitado na Resolução. 17. Não consta na documentação um demonstrativo de todos os valores de JCP pagos em 2010, com seus respectivos lançamentos no Razão, vinculados aos débitos de IRRF – 5706 declarados em DCTF e suas liquidações, fechando exatamente com os dados declarados na DIPJ, que comprovasse o efetivo pagamento indevido do DARF de R$ 71.809,34 em 04/11/2010. 18. Assim, sendo, não foi possível confirmar a existência do crédito pleiteado de pagamento indevido ou a maior de IRRF – 5706, efetuado em 04/11/2010, no valor de R$ 71.809,34. A Recorrente, em sua manifestação ao Relatório de Diligência, se ateve aos pontos em que a Autoridade Fiscal teria se referido à inexistência de lançamentos no livro razão relativamente a pagamentos de JCP no mês de outubro de 2010. Vejam abaixo a informação constante do Relatório de Diligência: 12. Nas três contas do Razão, não foram localizados pagamentos de JCP no mês de 10/2010. Se fossem consideradas somente essas contas do Razão, não existiria um débito no valor de R$ 71.809,34 que corresponderia ao DARF recolhido em 04/11/2010 de IRRF - 5706. Também se socorreu a Recorrente na apresentação das atas das reuniões do Conselho de Administração em que teriam sido deliberados os pagamentos de JCP relativamente ao 2º semestre de 2010, vejam abaixo: 6. Para reforçar a comprovação da legitimidade do crédito em questão, seguem, em anexo, as atas das reuniões do Conselho de Administração de 29/04/2010 e 21/07/2010, mencionadas nas Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras da recorrente, citadas pela Informação nº 83/2021-RFB/DEVAT/EQAUD/RENDA, e da reunião de 30/07/2010, que determinou o pagamento da integralidade dos JCPs pagos no 2º semestre de 2010, que abrangem o período do pagamento indevido. Tais documentos foram solicitados pela Autoridade Fiscal Diligenciadora, entretanto, não foram entregues pela Recorrente. Somente com a manifestação ao relatório de Diligência, referidas atas apareceram. E, de sua análise, não se consegue chegar a uma conclusão definitiva, haja vista que os valores constantes dos referidos documentos não são compatíveis com os JCP que, em tese, foram objeto de tributação nos meses de julho, agosto e setembro, bem assim com o total que teria sido pago no ano calendário de 2010. Da análise dos referidos documentos, extraímos o valor de R$2.680.959,79 de JCP distribuídos em 2010, quando o informado pela Contribuinte, tanto na DIPJ quanto nos balancetes que juntou aos autos, perfazia o total de R$4.906.000,00. São muitas as incongruências, o que nos faz pender pelo improvimento do recurso, calcado, fundamentalmente, na falta da materialização do direito líquido e certo Fl. 5428DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.442 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.918186/2012-49 pretendido pela Recorrente. A conclusão final do Relatório de Diligência, no sentido de que “Não consta na documentação um demonstrativo de todos os valores de JCP pagos em 2010, com seus respectivos lançamentos no Razão, vinculados aos débitos de IRRF – 5706 declarados em DCTF e suas liquidações, fechando exatamente com os dados declarados na DIPJ, que comprovasse o efetivo pagamento indevido do DARF de R$ 71.809,34 em 04/11/2010”, é perfeita e resume as providências que deveriam ter sido tomadas pela Recorrente para evidenciar o seu direito. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 5429DF CARF MF Original

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5879222 #
Numero do processo: 13899.000511/2005-29
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 09/09/1994 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. O sujeito passivo não pode compensar créditos que já tenham sido objeto de não reconhecimento pela Administração Tributária em decisão definitiva. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.136
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA

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Numero do processo: 10940.001741/2010-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA. Cabível a aplicação do artigo 57, §3º do RICARF - faculdade do relator transcrever a decisão de 1ª instância - quando este registrar que as partes não inovaram em suas razões de defesa. DEPENDENTE. EXCLUSÃO. É indispensável que o contribuinte detenha a guarda judicial, ao declarar o sobrinho como dependente na seara do Imposto de Renda Pessoa Física. DEDUÇÕES DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente, desde que devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2001-005.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO

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REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA. Cabível a aplicação do artigo 57, §3º do RICARF - faculdade do relator transcrever a decisão de 1ª instância - quando este registrar que as partes não inovaram em suas razões de defesa. DEPENDENTE. EXCLUSÃO. É indispensável que o contribuinte detenha a guarda judicial, ao declarar o sobrinho como dependente na seara do Imposto de Renda Pessoa Física. DEDUÇÕES DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente, desde que devidamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 06-38.297 da 5ª Turma da DRJ em Curitiba/PR (fls. 87 e segs.). “Por meio do Notificação de Lançamento de fls. 05/10, exige-se do contribuinte o crédito tributário de R$ 10.629,62, sendo: R$ 5.254,65 de imposto de renda pessoa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 17 41 /2 01 0- 21 Fl. 117DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.614 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001741/2010-21 física suplementar, R$ 3.940,98 de multa de ofício de 75% e R$ 1.433,99 de juros de mora sobre o imposto suplementar, calculados até 30/12/2010. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal refere-se à constatação em sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB) de dedução indevida de dependentes no valor de R$ 3.169,20 e dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 21.600,00, na base de cálculo relativa ao exercício de 2008. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 03/04 acompanhada de cópia dos documentos de fls. 11/49, na qual solicita análise dos documentos apresentados. Do Despacho Decisório. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório nº 092/2012 (fls. 63/66), considerou como comprovado a dedução com dependentes no valor de R$ 1.584,60 e informa que o contribuinte não logrou comprovar a relação de dependência de seu sobrinho Zilmo Edson Santos e a pensão alimentícia de R$ 21.600,00. Foi corrigido o valor do imposto de renda pessoa física-suplementar para R$ 4.818,89, sobre o qual incidem os acréscimos legais. Às fls. 69/71, o contribuinte apresenta manifestação ao Despacho decisório, acompanhada de documentos de fls. 72/84, alegando, em síntese, que: - seu sobrinho vive às suas expensas em função do falecimento de seu irmão, pai do menor; - Com relação a pensão alimentícia em 31/01/2006 foi realizada uma declaração, firmada em cartório, que seria repassado a titulo de pensão alimentícia a sua ex-cônjuge Srª Edina Ferreira Santos o valor de R$ 2.500,00 mensais até que fosse homologado o divórcio. Por fim, solicita análise dos documentos acostados à manifestação. “ Após análise, a DRJ não acatou os argumentos da contribuinte. Do voto do acórdão recorrido: (Quanto ao dependente. Sobre a dedução de dependentes, para efeito de imposto de renda, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, dispõe que: Art.77.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1ºPoderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): ... IV - o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; ... Não obstante todas as despesas com o menor tenham sido custeadas pelo impugnante, inexistindo o termo de guarda judicial, não poderia o seu sobrinho Zilmo Edson Santos ser relacionado como dependente para efeito de dedução da base de cálculo do imposto de renda. Dessa forma, permanece a glosa referente a exclusão de dependente. ( Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial Fl. 118DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.614 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001741/2010-21 A dedução relativa a pagamentos de pensão alimentícia é autorizada por lei, desde que seja proveniente de sentença judicial ou por acordo homologado judicialmente. É isto que prevê o artigo 4, inc. II da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, à época vigente: Art.4 - Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II - as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo ou decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda, cuja matriz legal é o art. 4º, inciso II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõe: “Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais.” (grifo) Com base na legislação, acima citada, os requisitos para a dedutibilidade da pensão alimentícia são: - que o pagamento tenha a natureza de alimentos; - que sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; - que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Cabe destacar que a declaração firmada faz regras entre as partes, não ao fisco. Assim dispõe os artigos 219 e 221 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Extrai-se do código que as declarações constantes dos contratos presumem-se verdadeiras apenas em relação àquelas pessoas que o assinaram. Em relação a terceiros, como no caso o Fisco, a lei, acima citada, determina que a pensão alimentícia poderá ser dedutível quando decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Em análise da documentação apresentada verifica-se que também foi apresentada escritura pública (fls. 77) celebrada tão-somente em 12/06/2012, ou seja, em data posterior ao período fiscalizado, não tendo a declaração nela vinculada o condão de preencher as exigências legais para fins de dedutibilidade. Diante do exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o valor resultante do Despacho Decisório de R$ 4.818,89. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/11/2012, o sujeito passivo interpôs, em 06/12/2012, Recurso Voluntário, sustentando, em apertada síntese, que: a) a dedução de dependentes está comprovada nos autos e que o sobrinho era de fato seu dependente econômico Fl. 119DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.614 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001741/2010-21 b) os pagamentos de pensão alimentícia estão comprovados nos autos É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Da análise do recurso voluntário impetrado tem-se que por meio do mesmo não são apresentadas novas razões de defesa além das já trazidas em sede de impugnação na primeira instância julgadora administrativa, bem como não é trazida qualquer nova documentação que sustente os argumentos discorridos. Assim sendo, todos os argumentos que sobem a este CARF em sede de recurso voluntário já foram objeto de minuciosa apreciação pela turma julgadora da DRJ, cujas análises e conclusões estão discorridas com clareza no voto posto no Acórdão recorrido, acima transcrito na parte “Relatório” do presente acórdão. REGIMENTO INTERNO DO CARF – APLICAÇÃO § 3º, Art. 57 Do Regimento Interno do CARF, art. 57, § 3º: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Desta forma, confirmo e adoto a decisão da primeira instância julgadora administrativa, pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO: Fl. 120DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.614 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.001741/2010-21 Por todo o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 121DF CARF MF Original

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Numero do processo: 15586.002509/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. Compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização, a arrecadação e a cobrança das contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, na forma da legislação em vigor. AUXÍLIO CRECHE. INCIDÊNCIA. O auxilio creche pago em desacordo com o Art. 28, §9º, "s", da Lei 8.212/91 é base de incidência das Contribuições Previdenciárias. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA SE DEVIDA. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança, se devidas. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.526
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a exclusão do levantamento ACF Adicional Constitucional de Férias, mantendo os demais. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Osmar Pereira Costa.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA LIMA

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.002509/2008­96  Acórdão n.º 2803­01.526  S2­TE03  Fl. 241          2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima,  Gustavo  Vettorato,  Oseas  Coimbra  Júnior,  Amilcar  Barca  Teixeira  Junior,  Osmar  Pereira Costa.  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.002509/2008­96  Acórdão n.º 2803­01.526  S2­TE03  Fl. 242          3   Relatório  DO LANÇAMENTO  Trata­se  de  crédito  tributário  lançado  pela  Fiscalização,  apurado  com  base  nos elementos indicados no Relatório Fiscal, pertinente às contribuições sociais remetidas pelo  Art. 94 da Lei 8.212/91. As entidades são: FNDE, INCRA e DPC (Decreto­Lei 828, de 05 de  setembro  de  1.969),  período  01/2004  a  12/2004,  levantamentos:  ACF  —  ADICIONAL  CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; CRE — DESPESA CRECHE NÃO COMPROVADA.  DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO  O  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  fiscal  em  29/12/2008,  fl.  01,  apresentando impugnação.  A  decisão  de  primeira  instância  administrativa  fiscal  julgou  procedente  do  lançamento fiscal.  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  em  04/03/2010,  fl.  206,  inconformado interpôs recurso voluntário, em 01/04/2010, fls. 207 a 235, alegando em síntese:  ­  a  impossibilidade de manutenção dos  administradores da  recorrente  como  responsáveis  pelo  crédito  tributário.  Assim,  requer  sua  exclusão  dos  nomes  do  relatório  –  REPLEG;  ­  a  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  o  pagamento  de  reembolso­creche,  pois  possui  natureza  indenizatória,  é  um  contrato  privado.  Menciona  jurisprudência favorável à sua tese;  ­  a  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  o  pagamento  de  adicional constitucional de férias;  ­ por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  todos  os  requisitos  de  admissibilidade, razão pela qual, passo a analisá­lo.  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.002509/2008­96  Acórdão n.º 2803­01.526  S2­TE03  Fl. 243          4 AUXÍLIO­CRECHE  Consta do relatório fiscal, quanto ao auxílio­creche, os seguintes termos:  3.2.2. CRE — DESPESA CRECHE NÃO COMPROVADA  3.2.2.1.  Na  análise  das  folhas  de  pagamento  da  empresa,  constatamos a  existência de pagamentos a  titulo de  reembolso­ creche, no período 01/2004 a 12/2004.  3.2.2.2.  A  Lei  8.212/91,  no  seu  art.  28,  define  o  salário­de­ contribuição  e  estabelece  expressamente  quais  os  pagamentos  não integram o salário de contribuição, bem como os requisitos  que  devem  ser  cumpridos  para  que  se  caracterize  a  não  incidência  da  contribuição  previdenciária,  destacando­se  a  estabelecida no art. 28, § 9°, "s", relativa ao reembolso­creche.  Lei n.° 8.212/91  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  titulo,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os  ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo 5 disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da  lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho  ou sentença normativa;  (...)  §  9°  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  (...)  s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veiculo  do  empregado  e  o  reembolso­creche  pago  em  conformidade  com  a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite  máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas as despesas realizadas; (grifamos)  3.2.2.3.  Portanto,  para  que  a  referida  parcela  não  integre  o  salário­de­contribuição,  é  necessário  que  o  empregado  comprove  as  despesas  efetuadas  com  creche.  Neste  sentido,  foram solicitados, por meio do Termo de Intimação Fiscal — TIF  n° 04, de 08/10/2008, os comprovantes das despesas com creche.  Os  comprovantes  não  foram  apresentados.  Tal  fato  ensejou  a  lavratura do Auto de Infração, debcad n°. 37.213.830­6.  3.2.2.4.  0  reembolso  creche  estÁ  previsto  no  Acordo  Coletivo  celebrado  pelo  Sindicato,  que  na  cláusula  décima  nova  item  19.4.  dispõe  "...Para  fazer  jus  ao  auxilio  creche  a  empregada  deverá  apresentar,  no  TVV  o  comprovante  de  pagamento  do  serviço prestado pela creche, para que seja reembolsado através  de folha de pagamento..."  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.002509/2008­96  Acórdão n.º 2803­01.526  S2­TE03  Fl. 244          5 3.2.2.5.  Vê­se  assim  que  as  condições  estabelecidas  na  Lei  8.212/91,  para  que  tais  valores  não  integrem  o  salário  de  contribuição  do  segurado  são  o  limite  de  idade  da  criança  de  seis  anos  e  a  devida  comprovação  das  despesas.  Portanto,  o  pagamento  do  auxilio  creche  sem  a  comprovação  da  despesa,  configura­se  um  adicional  à  remuneração  do  trabalhador,  e  assim  sendo,  sobre  tais  rubricas  incidem  contribuições  previdenciárias.  3.2.2.6.  Os  valores  referentes  a  esses  fatos  geradores  foram  apurados  com  base  nas  informações  constantes  das  folhas  de  pagamento, por meio das rubricas 0489 (Reembolso com Creche  —  Proventos  do  Mês)  e  1489  (Reembolso  com  Creche  — Proventos — Diferença Mês).  Como  se  pode  notar  do  relatório  fiscal  o  contribuinte  não  apresentou  à  autoridade fiscal nem juntou aos autos os comprovantes de despesa do reembolso creche (fls.  16/18, Relatório de Lançamentos ­ RL). Destarte, fica mantido o levantamento fiscal “CRE —  DESPESA CRECHE NÃO COMPROVADA”  em  razão  do  descumprimento  do  disposto  no  art.  28,  § 9o,  alínea  “s”  da Lei 8.212/91, que  estabelece que o  ressarcimento de despesas  de  reembolso  creche  de  ser  pago  em  conformidade  com  a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo de seis anos de  idade, e está devidamente comprovada a despesa realizada. O  contribuinte não comprovou preencher os requisitos para fazer uso do benefício legal.  ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS  A  jurisprudência  dos  Tribunais  Superiores  (STF  e  STJ),  em  sua  maioria,  entende que as contribuições previdenciárias não podem  incidir  sobre parcelas  indenizatórias  ou que não incorporem a remuneração do trabalhador, como é o caso do terço constitucional de  férias:  Processo AI­AgR 712880AI­AgR ­ AG. REG. NO AGRAVO DE  INSTRUMENTO, Relator(a) RICARDO LEWANDOWSKI, Sigla  do órgão STF  Decisão: A  Turma  negou  provimento  ao  agravo  regimental  no  agravo de instrumento, nos termos do voto do Relator. Unânime.  Ausente, justificadamente, o Ministro Menezes Direito. 1ª Turma,  26.05.2009.  Descrição: Acórdãos citados: RE 389903 AgR, RE 545317 AgR.  Número  de  páginas:  5.  Análise:  29/06/2009,  RHP.  ..DSC_PROCEDENCIA_GEOGRAFICA: MG ­ MINAS GERAIS  EMENTA:  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  INCIDÊNCIA  SOBRE  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS.  IMPOSSIBILIDADE.  AGRAVO  IMPROVIDO.  I  ­  A  orientação  do  Tribunal  é  no  sentido  de  que  as  contribuições  previdenciárias  não  podem  incidir  em  parcelas  indenizatórias  ou  que  não  incorporem  a  remuneração do servidor. II ­ Agravo regimental improvido  ­­­­­­­­­­­­­­  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.002509/2008­96  Acórdão n.º 2803­01.526  S2­TE03  Fl. 245          6 Processo:  AGRESP  201001534400AGRESP  ­  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  –  1210517,  Relator(a): HERMAN BENJAMIN, Sigla do órgão: STJ, Órgão  julgador: SEGUNDA TURMA, Fonte DJE DATA:04/02/2011  Decisão:  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  acordam  os  Ministros  da  Segunda  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça:  "A  Turma,  por  unanimidade,  negou  provimento  a  ambos  os  agravos  regimentais,  nos  termos  do  voto  do(a)  Sr(a).  Ministro(a)­ Relator(a)." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Castro  Meira  e  Humberto  Martins  (Presidente)  votaram  com  o  Sr.  Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Cesar  Asfor Rocha.  Ementa:  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS.  NÃO­INCIDÊNCIA.  HORAS EXTRAS.  INCIDÊNCIA.  1.  Após  o  julgamento  da Pet.  7.296/DF, o STJ realinhou sua jurisprudência para acompanhar  o STF pela não­incidência de contribuição previdenciária sobre  o  terço  constitucional  de  férias.  2.  Incide  a  contribuição  previdenciária no caso das horas extras, porquanto configurado  o  caráter  permanente  ou  a  habitualidade  de  tal  verba.  Precedentes do STJ. 3. Agravos Regimentais não providos.  Data da Decisão 02/12/2010, Data da Publicação 04/02/2011  Diante  do  exposto,  excluo  do  lançamento  fiscal  o  levantamento  ACF  —  ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS.  RELAÇÃO DE CO­RESPONSÁVEIS  Argui o contribuinte a necessidade de exclusão dos dirigentes da relação de  co­responsáveis, diante da não configuração da hipótese prevista no art. 135 do CTN.  Todavia,  cumpre  observar  que  a  relação  de  co­responsáveis  é  meramente  informativa e não enseja, por si só, a responsabilidade pelas obrigações tributárias devidas pela  empresa. Até por que não constam informações no relatório fiscal de que os dirigentes tenham  agido com infração de lei ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Nestes  termos, uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto.  Ademais,  os  relatórios  de  co­responsáveis/REPLEG  e  de  vínculos  fazem  parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição  societária  da  empresa  no  período  do  lançamento  ou  autuação,  relacionando  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas,  representantes  legais  do  sujeito  passivo,  indicando  sua  qualificação  e  período de atuação. Tal obrigatoriedade encontra­se prevista no inciso I, § 5o, do art. 2o da Lei  6.830/80, nos seguintes termos:  Art.  2º  ­  Constitui  Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública  aquela  definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17  de  março  de  1964,  com  as  alterações  posteriores,  que  estatui  normas gerais de direito  financeiro para elaboração e controle  dos  orçamentos  e  balanços  da  União,  dos  Estados,  dos  Municípios e do Distrito Federal.  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.002509/2008­96  Acórdão n.º 2803­01.526  S2­TE03  Fl. 246          7 § 5º ­ O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:   I  ­  o  nome  do  devedor,  dos  co­responsáveis  e,  sempre  que  conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros;  Deste modo,  não  é  possível  cancelar  a  relação  dos  representantes  legais  da  empresa, tampouco excluir seus administradores.  As  contribuições  relativas  a  Terceiros  (Outras  Entidades)  estão  fundamentadas  no  art.  94  da  Lei  8.212/91,  bem  como,  no  relatório  Fundamentos  Legais  do  Débito – FLD (fls. 27/29).  Art.  94.  O  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS  poderá  arrecadar  e  fiscalizar,  mediante  remuneração  de  3,5%  do  montante  arrecadado,  contribuição  por  lei  devida  a  terceiros,  desde  que  provenha  de  empresa,  segurado,  aposentado  ou  pensionista a ele vinculado, aplicando­se a essa contribuição, no  que  couber,  o  disposto  nesta  Lei.(Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  exclusivamente,  às  contribuições  que  tenham  a  mesma  base  utilizada  para  o  cálculo  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  a  segurados,  ficando  sujeitas  aos  mesmos  prazos,  condições,  sanções  e  privilégios,  inclusive  no que se refere à cobrança judicial.  O crédito tributário encontra­se revestido das formalidades legais do art. 142  e  §  único,  e  arts.  97  e  114,  todos  do  CTN,  com  período  apurado,  discriminação  dos  fatos  geradores por  intermédio do Relatório de Lançamentos – RL contendo a competência (mês e  ano), a base de cálculo, a discriminação das observações; e, ainda, o Discriminativo Analítico  de  Débito  –  DAD  que  informa  as  alíquotas  e  os  valores  das  contribuições  previdenciárias  devidas  e  os  valores  dos  créditos  considerados;  a  Instrução  para  o  Contribuinte  –  IPC;  os  Fundamentos  Legais  do  Débito  –  FLD;  a  identificação  do  contribuinte,  identificação  do  Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais  dispositivos mencionados nos autos.  CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  declarar  a  exclusão do levantamento ACF — Adicional Constitucional de Férias, mantendo os demais.  (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima                            Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.002509/2008­96  Acórdão n.º 2803­01.526  S2­TE03  Fl. 247          8   Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 05/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 13677.000406/2002-51
Data da sessão: Fri Feb 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. MATÉRIA PREJUDICIAL AO JULGAMENTO DESTE PROCESSO EM OUTRO PROCESSO. CONEXÃO. DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA. Havendo matéria prejudicial ao julgamento deste processo em outro, que discute crédito tributário de IPI em face da recorrente, ambos deflui ser julgados em conjunto, e nesse sentido deve-se declinar da competência para a Turma onde a prejudicial será julgada. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3101-000.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar a competência de julgamento em favor da Segunda Turma da Segunda Câmara.da Terceira Seção.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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". \'n t.:' 'S MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,..w.ittixt. TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo tf 13677.000406/2002-51 Recurso n° 340.060 Voluntário Acórdão n° 3101-00.349 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2010 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente PINTEPDXI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. MATÉRIA PREJUDICIAL AO JULGAMENTO DESTE PROCESSO EM OUTRO PROCESSO. CONEXÃO. DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA. Havendo matéria prejudicial ao julgamento deste processo em outro, que discute crédito tributário de IPI em face da recorrente, ambos deflui ser julgados em conjunto, e nesse sentido deve-se declinar da competência para a Turma onde a prejudicial será julgada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar a competência de julgamento em favor da Segunda Turma da Segunda Câmara.da Terceira Seção ",./' ,- -., Henrique Pinheiro Torres --Plusiderfib A ( ( u4Ii i »II iÉConntho Oli i ,êti a; Machado - Relator lt 1 EDITADO EM: 18/02/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges. Çorintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. 1 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados formalizado pela empresa em epígrafe, às fls. 02, no qual foi pleiteado o reconhecimento do valor de R$ 1.205,95, correspondente ao saldo credor de 1P1 acumulado no 3° trimestre de 2002, com o objetivo de aproveitá-lo na compensação dos débitos indicados em sua declaração de compensação de fi. 01, com base no artigo II da Lei n° 9.779, de 1999 e Instrução Normativa SRF n°33, de 1999. Durante a análise do pleito pela Delegacia da Receita Federal em Contagem (MG), foi efetuada auditoria na empresa em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n°259, de 2004 para verificação quanto ao correto cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados, no período de janeiro de 1999 a setembro de 2002, que deu origem ao termo de verificação fiscal (cópia de fls. 55/58), cujo teor serviu para fundamentar a lavratura do Auto de Infração objeto do processo 13603.002281/2004-20, bem como reduzir os montantes dos saldos credores de IPI que a contribuinte pleiteou neste processo e nos de es 13677.000405/2002-15, 13677.000407/2002-04 e 13603.000492/2002-66. Com base no resultado obtido pela verificação fiscal (/Zs. 55/58), mais especificamente quanto ao montante apurado de saldo devedor referente ao 3' trimestre de 2002 no valor de RS 642,05 , foram proferidos o termo de verificação fiscal de fis. 36/37 e o Despacho Decisório SAORT n° 004, de 2005 (fls. 38/40), não reconhecendo o direito creditário constante do pedido de ressarcimento de fls. 02 e não homologando, como conseqüência, a Declaração de Compensação de fls. 01. Em relação ao Auto de Infração constante do processo administrativo n° 13603.002281/2004-20 a empresa apresentou impugnação, sendo que o lançamento foi julgado procedente através do Acórdão n° 16566 — 3" Turma da DRJ/JFA datado de 28 de junho de 2007. Notificada do indeferimento do seu pleito e da não homologação da compensação no presente processo (Despacho Decisório SAORL n° 004, de 2005 - fls. 38/40), a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fis. 45/50 argumentando resumidamente as mesmas razões apresentadas em sua impugnação ao Auto de Infração (processo 13603.002281/2004-20), conforme abaixo.' - que os racks são " estruturas metálicas abertas, ... tendo por finalidade principal o acondicionamento de mercadorias ja74/ embaladas para facilitar o transporte interno e externo.., evitando avarias e perdas"; 2 Processo n° 13677.000406/2002-51 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00349 Fl. III - que "apesar de verificar as características essenciais e finalidade do referido produto que obedece a regra de interpretação adotada pela T1PI, o referido órgão fiscalizador equivocadamente classificou este produto no código NCM 7309.00.10", no caso o rack; - que o produto "é aberto cru três de seus seis lados, sendo impossível o armazenamento de grãos ia natura como sugere tal classificação"; - "por ser mais especifica que a classificação 7309.00, deve ser considerada a classificação 7309.00.90 em seu EX 01 — próprios para o acondicionamento de mercadorias para transporte cuja aliquota é de 4%"; - as caçambas são recipientes menores "para transporte interno e externo"; - deixou de ser citado no termo de verificação fiscal parte das instruções da NESH, constantes da posição "7309/10", que diz "entre os recipientes compreendidos na presente posição, podem- se citar : os reservatórios para petróleo, gasolina ou óleos pesados, as cubas para por cevada ...". Isso exclui da posição 7309/10, segundo a impugnante, os "produtos da empresa" ; - as classificações corretas seriam "7309.00.90 ou 7310.29.90 que consta do Decreto 4.070/2001, que comporta a aliquota de A impugnante também traz ao processo decisão do Tribunal Regional Federal da 3" Região com entendimento no sentido da impossibilidade do Fisco "buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta", Alega que o artigo 112 do Código Tributário :Nacional não permite seja buscada a "situação mais onerosa", pois, "eventuais situações de dúvida ou mesmo de omissão da legislação, devem ser solucionadas em favor do contribuinte.". Finaliza sua disconláncia requerendo " seja julgado integralmente procedente o pedido de ressarcimento". A DRJ em JUIZ DE FORA/MG indeferiu a solicitação, lançando a seguinte ementa: , Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IP! Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LEI n° 9.779/99 (ART.I1). INFRAÇÕES APURADAS EM OUTRO PROCESSO. SALDO CREDOR ALTERADO DE OFICIO. Tratando o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de LEI com base no artigo 11 da Lei n°9,779/99, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração lavrado contra a requerente por , . lá- / 3 infrações apuradas em outro processo, a solução do litígio prende-se ao decidido para o lançamento face à estreita vinculação existente entre os processos. . Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 96 e seguintes, onde requer a reforma da decisão a quo e repete os argumentos apresentados na impugnação. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 108. Relatados, passo ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Ao meu sentir, este processo relativo a pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, deve ser julgado em conjunto com o processo n° 13603.002281/2004-20 (Auto de Infração lavrado durante a análise do pleito de ressarcimento, pela Delegacia da Receita Federal em Contagem/MG, por conta de auditoria efetuada na empresa ora recorrente) por aquele conter matéria prejudicial ao julgamento deste (o teor do relatório da auditoria serviu para fundamentar a lavratura do Auto de Infração objeto do indigitado processo, bem como reduzir os montantes dos saldos credores de IPI que a contribuinte pleiteou neste processo). Assim, a existência e o quantum do credito pleiteado neste contencioso depende da solução daquele outro. Após consulta ao sitio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verifiquei que o aludido processo foi objeto de recurso voluntário, e está atualmente na Segunda Turma da Segunda Câmara desta Seção, para relatar, aos cuidados do eminente Conselheiro José Luiz Novo Rossari. Assim, proponho o encaminhamento deste expediente àquela Turma, por existência de conexão das matérias e prejudicialidade de julgamento, o que nos toma incompetentes temporariamente. Posto isso, voto por não conhecer do recurso voluntário nesta oportunidade, e declinar da competência para o julgamento deste para a Segunda Turma da Segunda Câmara desta Seção. A7 id,I , i; Corintho dl ma Machado ././ 1 7 . i / ififr.7 4 •

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