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Numero do processo: 10384.720033/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 01/03/2006
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO.
O cerceamento ao direito de defesa acarreta a nulidade da decisão administrativa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 3201-005.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar nula a decisão proferida pela DRJ, devendo outra ser proferida, com o enfrentamento das matérias omitidas.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 01/03/2006 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. O cerceamento ao direito de defesa acarreta a nulidade da decisão administrativa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972.
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NULIDADE DA DECISÃO. O cerceamento ao direito de defesa acarreta a nulidade da decisão administrativa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar nula a decisão proferida pela DRJ, devendo outra ser proferida, com o enfrentamento das matérias omitidas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, cumulado com compensação de débitos próprios, com origem nos períodos compreendidos entre o 3º trimestre de 2003 ao 1º trimestre de 2006. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 00 33 /2 00 6- 60 Fl. 632DF CARF MF 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI e respectivas Declarações de Compensação, referente ao período de: 3° trimestre de 2003 ao 1° trimestre de 2006, no valor total de R$1.719.223,48. A Delegacia de origem emitiu o despacho decisório de fls. 154/156, no qual deferiu parcialmente o crédito, na quantia de R$ 1.125.525,58 e homologou as compensações declaradas conforme fls. 155/156, em razão de: a) A contribuinte classificou incorretamente vários produtos (detergentes) nas posições 3401.20.90 e 3401.19.00, cuja alíquota de IPI é 5%, quando correto seria na posição 3402.20.00, cuja alíquota é 10%; b) Considerandose que no período de julho a outubro de 2003, a contribuinte já havia sido autuada em relação à infração acima, emitiuse auto de infração para os períodos posteriores; c) Reconstituiuse a escrita fiscal da contribuinte. Inconformada com decisão, da qual tomou ciência em 01/12/2008, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 208/232), em 29/12/2008, aduzindo, dentre outras, as seguintes alegações: a) A classificação fiscal do produto sob análise (detergente) feita pela contribuinte está correta, de acordo com os critérios gizados pelo Decreto n° 4.542/2002; b) Sucessivamente, quando pouco, o saldo credor utilizado como “ponto de partida” da ação fiscal, relativo ao 3°. Trimestre de 2003 (R$ 163.351,53) no lugar daquele registrado na escrita fiscal da Impugnante (R$170.161,15) deverá ser alterado, em razão da insubsistência da razão motivadora deste descompasso, bem como deverão ser suprimidos do cálculo os débitos mensalmente acrescidos em conseqüência da aplicação de alíquota superior (10,0%) àquela efetivamente adotada (5,0%), com os reflexos daí resultantes sobre os subseqüentes períodos de apuração, sendo de rigor, portanto, o refazimento dos cálculos, que, por implicar a alteração da própria estrutura da planilha confeccionada pela autoridade fiscal, reclamará providências que, seguramente não poderão ser levadas a efeito por autoridade investida de função meramente julgadora, por falecerlhe competência para tal; c) Sem prejuízo da inconsistência do despacho impugnado evidenciada no item anterior, os cálculos efetuados pela autoridade fiscal, e consolidados no “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal ressentemse de erros grosseiros; d) Com efeito, analisandose a evolução do saldo credor passível de ressarcimento/compensação apurado pela autoridade fiscal, verificase que no 4°. Trimestre de 2003 deduziuse o valor de R$128.070,76, correspondente in totum ao saldo constatado Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10384.720033/200660 Acórdão n.º 3201005.364 S3C2T1 Fl. 633 3 naquele período pelo próprio agente fiscalizador, como se ele tivesse sido inteiramente aproveitado pela empresa; e) Sucede que das declarações de compensação abrangidas pelo despacho impugnado inferese que a única que se referiu especificamente àquele trimestrebase foi a DCOMP n. 16521.49815.260l04.1.3.0l3695 depreendendose dos dados nela consolidados que o débito liquidado, via compensação, através dos créditos apurados naquele período perfez a quantia de R$65.998,86; Í) É palmar, portanto, a repercussão do nãoaproveitamento integral do crédito compensável sobre o saldo dos demais períodos colhidos pelo procedimento fiscal subjacente, eis que, elevandose o saldo inicial do trimestre subseqüente àquele ora sob crivo (l°. Trimestre de 2004), mercê do cômputo dos créditos “herdados” do período anterior (4°. Trimestre de 2003), restará igualmente incrementado o respectivo saldo final passível de ressarcimento/compensação, e assim sucessivamente; g) As modificações mostramse ainda mais substanciais quando se superam as diferenças encontradas pela autoridade fiscal em razão da sua tentativa de classificar o detergente fabricado pela empresa na posição 3402.20.00 mercê da qual as saídas relativas àqueles produtos foram submetidos à incidência da alíquota mais gravosa de 10,0% , cuja inconsistência foi exaustivamente demonstrada no item anterior deste arrazoado; h) Com efeito, alterandose o saldo inicial do 3°. Trimestre de 2003 de R$163.351,53 para R$170.161,15, e, ainda, suprimindo se as deduções resultante da elevação dos débitos decorrente das saídas relativas a detergente, temse que o saldo credor relativo ao 4° Trimestre de 2003 passará a ser de R$138.339,23 e o pertinente ao 1°. Trimestre de 2004 será de RS174.586,09; transferindose os valores não~aproveitados para os períodos seguintes, o saldo credor passível de ressarcimento/compensação ao final do 2°. Trimestre de 2004 será de RS142.579,13. Isto posto, requer a contribuinte a reforma do despacho decisório impugnado, em razão das divergências mencionadas, e, sucessivamente, a reforma parcial para que os créditos reconhecidos sejam utilizados, primeiramente, para liquidar os débitos mais antigos na forma do art. 163 do CTN, assim como para excluir da compensação os débitos da COFINS gerados em maio e outubro/2001, por já terem sido compensados com outros créditos da empresa. Em face de não está suficientemente esclarecida a redução a zero do saldo credor do IPI do 4° trimestre de 2003, conforme alegação constante nos itens 3d/e/f, nem na planilha de fls. 147/148, tampouco no Termo de Verificação Fiscal de fls. 151/152, bem como a argumentação de que não procede a elevação dos débitos decorrentes das saídas relativas ao detergente, em decorrência de correção na sua classificação Fl. 634DF CARF MF 4 pelo agente fiscal, determinouse a realização de diligência para a Delegacia de Teresina/PI: a.1) Esclarecer as divergências apontadas pela interessada quanto à Reconstituição da Escrita Fiscal que resultou na redução do saldo credor do IPI passível de ressarcimento e, se for o caso, elaborar novo Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal; a.2) Verificar a situação dos processos em que constam os autos de infração de fls. 117/142, assim como o lançamento apontado no Termo de Verificação Fiscal referente ao período de julho a outubro de 2003, anexando aos autos os respectivos extratos. a.3) Consolidar, em relatório circunstanciado, as informações prestadas em atendimento à presente diligência; a. 4) Apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo. Realizada a diligência, conforme relatório às fls. 522/524, a contribuinte apresentou manifestação sobre o referido relatório às fls. 525/531, com os mesmos argumentos já explanados na petição de fls. 208/232. Os autos retornaram a essa delegacia para julgamento. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01467, de 06/10/2010 (fls. 591 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 01/03/2006 DIREITO CREDITÓRIO. PROFUNDIDADE DO EXAME. No pedido de ressarcimento, o direito respectivo deve ser analisado em toda sua completude, inexistindo legislação que vede a ampla apuração do direito creditório do contribuinte por parte do fisco, que poderá investigar de forma abrangente a existência ou não do crédito pleiteado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. QUANTUM RECONHECIDO DE CREDITO. A declaração de compensação depende da existência de um crédito, razão pela qual deve ser homologada na exata medida do direito creditório reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10384.720033/200660 Acórdão n.º 3201005.364 S3C2T1 Fl. 634 5 Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 599 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, sustenta a nulidade do acórdão recorrido, por falta de apreciação de inúmeras alegações de defesa, e, no mérito, reclama a sua reforma em parte "para o fim de determinar que, por ocasião do ajuste do despacho decisório às constatações da diligência fiscal e da DRJ de que do saldo credor relativo ao 4°. Trimestre/2003 o valor de R$ 62.071,90 não havia sido, de fato, aproveitado, seja efetuada a vinculação/compensação a um débito não liquidado originalmente, notadamente através da alteração da planilha 'Utilização do Direito Creditório' à qual se reporta aquele despacho, homologandose, nesta mesma medida, as compensações que deixaram de ser homologadas em razão da insuficiência do crédito utilizado". O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de IPI, no valor de R$ 1.719.223,48, cumulado com compensação de débitos próprios, com origem nos períodos compreendidos entre o 3º trimestre de 2003 ao 1º trimestre de 2006. Consta que a unidade preparadora deferiu em parte o crédito, na quantia de R$ 1.125.525,58, homologando, no limite do valor reconhecido, as compensações apresentadas. A razão do deferimento parcial foi a classificação incorreta de vários produtos (detergentes) nas posições 3401.20.90 e 3401.19.00 da TIPI, com alíquota de IPI de 5%, quando o correto seria, no entender da fiscalização, na posição 3402.20.00, com alíquota de 10%, daí a reconstituição da escrita e a cobrança, em autos apartados, do valor do crédito tributário lançado. Interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua improcedente. No Recurso Voluntário, antes do enfrentamento das razões de mérito, dizse nula a decisão recorrida, visto que, é o que se alega, não foram apreciados inúmeros fundamentos deduzidos na primeira peça de defesa, quais sejam, a) ilegitimidade da tributação das operações com detergente à alíquota de 10% e conseqüente insubsistência redução do saldo credor de IPI envolvido nas compensações; b) inobservância da ordem do art. 163 do CTN na identificação dos débitos liquidados; c) extinção de parte dos débitos com outros créditos da própria Recorrente e, por fim, d) inexigibilidade de multa moratória por ter a elevação do saldo credor resultado, em certa medida, de falta do programa PER/DCOMP. A primeira das apontadas omissões não se verificou. É clara a afirmação do relator da decisão recorrida de que a matéria atinente à reclassificação não seria reapreciada nos presentes autos, pelo motivo assim declinado: Fl. 636DF CARF MF 6 Os demais argumentos não foram, contudo, com efeito, apreciados. São eles: a inobservância da ordem do art. 163 do CTN na identificação dos débitos liquidados; a extinção de parte dos débitos com outros créditos da própria Recorrente e, por fim, a inexigibilidade de multa moratória por ter a elevação do saldo credor resultado, em certa medida, de falta do programa PER/DCOMP, matérias que, em tese, não se relacionam com as autuações não contestadas, o que, a nosso juízo, configura cerceamento ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972, a reclamar a nulidade da decisão recorrida. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para declarar nula a decisão da DRJ, devendo outra ser proferida, com o enfrentamento das matérias omitidas. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10384.720033/200660 Acórdão n.º 3201005.364 S3C2T1 Fl. 635 7 Fl. 638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720054/2010-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CUSTOS. BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO. PRODUTO ACABADO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF, c/c a decisão do STJ, no REsp nº 1.221.170/PR, sob o regime dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil - os custos/despesas incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, relativos à movimentação do produto acabado, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 9303-008.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CUSTOS. BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO. PRODUTO ACABADO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF, c/c a decisão do STJ, no REsp nº 1.221.170/PR, sob o regime dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil - os custos/despesas incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, relativos à movimentação do produto acabado, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO. PRODUTO ACABADO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF, c/c a decisão do STJ, no REsp nº 1.221.170/PR, sob o regime dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil os custos/despesas incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, relativos à movimentação do produto acabado, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 54 /2 01 0- 83 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10218.720054/201083 Acórdão n.º 9303008.588 CSRFT3 Fl. 343 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pala Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.349, de 24/01/2012, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de Apuração: 3º trimestre de 2005. Ementa: COFINS. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES. REGIME NÃO CUMULATIVO. O direito ao credito de PIS e COFINS sobre aquisições não se limita tão só aos insumos e partes que se desgastam em contato com o produto final, mas também dos componentes desgastados ou destruídos pela ação direta no processo produtivo sem a qual inviabilizaria o produto final." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas com: 1) aquisições de barro; e, 2) prestação de serviços relativas às notas fiscais de movimentação de gusa. Segundo seu entendimento, tais custos/despesas não constituem insumos do processo de produção/fabricação dos produtos vendidos pelo contribuinte, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e, consequentemente, não geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Assim, a glosa dos créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte, efetuada pela Fiscalização e revertida no acórdão recorrido, deve ser mantidas. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 317e/318e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. Em síntese é o relatório. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10218.720054/201083 Acórdão n.º 9303008.588 CSRFT3 Fl. 344 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal, abrange o direito de o contribuinte aproveitar créditos da Cofins não cumulativa sobre os custos/despesas incorridos com: 1) aquisições de barro; e, 2) prestações de serviços relativas à movimentação de ferro gusa (produto acabado). A Lei nº 10.833/2003 que instituiu o regime não cumulativo para o a Cofins, assim dispunha, quanto aos insumos e ao aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)". O contribuinte é uma empresa siderúrgica que tem como objeto econômico, dentre outros, a produção, comercialização e transporte de ferro gusa, de aço, ligas metálicas e peças fundidas de ferro, de aço e ligas metálicas, produção, comercialização, transporte e mineração de calcário; produção, comercialização, transporte de sinter de minérios em geral. Os custos com aquisições de barro constituem insumos do processo de produção de ferro gusa e aço. Tratase de insumo imprescindível à produção destes produtos e, portanto, geram créditos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos. Já os custos/despesas incorridos com prestações de serviços relativas à movimentação de ferro gusa (produto acabado), embora não constituam insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente, são necessários e relevantes para a atividade econômica do contribuinte. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10218.720054/201083 Acórdão n.º 9303008.588 CSRFT3 Fl. 345 4 No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta e indiretamente no processo de produção/fabricação dos bens destinados a venda pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer, com fulcro no art. 19, inc. IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, inc. V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais despesas, nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. Dessa forma, a reversão das glosas dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com: 1) aquisições de barro; e, 2) prestações de serviços relativos à movimentação de ferro gusa (produto acabado), deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais despesas, tendo em vista sua relevância e importância para o desenvolvimento das suas atividades econômicas. Além disto, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 1.221.170/PR, sob o regime repetitivo, art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil e com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, adotase, para o presente caso, essa mesma decisão, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 345DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.720640/2017-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Mantém-se a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, visto que a simples alegação de ter sido vítima de estelionato, desacompanhada de provas, não elide a responsabilidade do contribuinte pelas informações falsas prestadas à Receita Federal.
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto (relatora) e os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por lhe dar provimento parcial para reduzir a multa para 75%. Designada a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Mantém-se a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, visto que a simples alegação de ter sido vítima de estelionato, desacompanhada de provas, não elide a responsabilidade do contribuinte pelas informações falsas prestadas à Receita Federal. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
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CABIMENTO. Mantémse a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, visto que a simples alegação de ter sido vítima de estelionato, desacompanhada de provas, não elide a responsabilidade do contribuinte pelas informações falsas prestadas à Receita Federal. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto (relatora) e os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por lhe dar provimento parcial para reduzir a multa para 75%. Designada a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 06 40 /2 01 7- 98 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13005.720640/201798 Acórdão n.º 1301003.878 S1C3T1 Fl. 492 2 (assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Relatório MACÂNICA HENN EIRELI, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO (fls. 429 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte e manteve o lançamento de SIMPLES, referente ao período de 2013 a 2014, com imputação de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) —Simples no valor de R$73.928,80, de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) — Simples no valor de R$52.836,90, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) — Simples no valor de R$73.575,40, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — Simples no valor de R$221.740,71, de Contribuição para a Seguridade Social — (INSS Contribuição Patronal) — Simples no valor de R$635.572,26, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Simples no valor de R$11.155,93 e Imposto sobre Serviços (ISS) Simples no valor de R$197.388,01, totalizando R$1.266.198,01, decorrente de Insuficiência de Recolhimento – Segregação Incorreta de Receita (código 33332002) – em razão de declaração indevida de imunidade tributária, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, §§ 1º ao 4º, e 25, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e alterações; 1º, 2º, 3º, 4º, 16, 20, parágrafo único, inciso I, 21, 25, 37, § 2º, incisos I e II, 84, e 85, inciso III, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011 e alterações. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foi: 2.1. Insuficiência de Recolhimento – Segregação Incorreta de Receita (código 33332002) – em razão de declaração indevida de imunidade tributária, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, §§ 1º ao 4º, e 25, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e alterações; 1º, 2º, 3º, 4º, 16, 20, parágrafo único, inciso I, 21, 25, 37, § 2º, incisos I e II, 84, e 85, inciso III, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011 e alterações. 3. O AI foi subdividido em Auto de Infração e Notificação Fiscal (fls. 121 e 122), Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fls. 123 a 127), Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre as Receitas do Simples Nacional (fls. 128 a 176), Demonstrativo de Valores Apurados por Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13005.720640/201798 Acórdão n.º 1301003.878 S1C3T1 Fl. 493 3 Insuficiência de Recolhimento (fls. 177 a 246), Demonstrativo de Multas e Juros e Enquadramento Legal (fls. 247 a 292), Demonstrativo de Valores Devidos (fls. 293 a 317) e Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento (fls. 318 e 319). 4. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, Contribuição Previdenciária Patronal (CPP), ICMS e ISS, formalizando crédito tributário, calculado até 05/2017, no montante de R$ 1.266.198,01 (fundamento legal às fls. 175 e 176). 5. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada (150,00%) é o artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006), e os artigos 86 e 87, inciso II, da Resolução CGSN nº 94/2011 (fl. 292); o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações (fl. 292). Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 332/335, que aduziu os seguintes argumentos: DOS FATOS E FUNDAMENTOS Em 08/05/2017 o Recorrente recebeu o Auto de Infração e Notificação Fiscal nº 04.7.1011100.00000.00009551.201728, no qual foi lançada a receita bruta informada nas declarações PGDASD entre janeiro de 2013 e dezembro de 2014. Juntamente com os referidos tributos, foi aplicada multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), com fundamentação no art. 44 da Lei nº 9.430/96, inciso I do art. 1º da Lei nº 4.729/65, art. 72 da Lei nº 4.502/64 e art. 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Além disso, foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, encaminhada para o MPF, e aplicados acréscimos moratórios nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Isso tudo foi lançado mesmo após reunião realizada junta a sede da Receita Federal em Santa Cruz do Sul, onde restou esclarecido pelos Srs. Leomar Padilha e Gerson Brackmann que a empresa Recorrente estava sendo vítima de um golpe arquitetado por empresas de consultoria tributária com atuação em todo o Brasil, razão pela qual indicaram a Autorregularização da empresa. Importante salientar que a empresa Recorrente efetuou a imediata correção dos lançamentos do ano base 2012, sendo que faria dos anos subsequentes até o prazo limite de junho de 2017, conforme o convencionado entre a empresa e os representantes da Receita Federal naquela oportunidade. Tal prazo serviria para a Recorrente tentar fazer alguma reserva monetária para viabilizar o pagamento do parcelamento total dos débitos, o que não foi possível. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13005.720640/201798 Acórdão n.º 1301003.878 S1C3T1 Fl. 494 4 Da Multa Confiscatória A Receita Federal vem, de forma abusiva, aplicar multa de 150% (cento e cinquenta por cento) em cima da carga tributária devida pela empresa Recorrente, reputando como criminosa a conduta da mesma. Contudo, como vem sendo demonstrado paulatinamente pela empresa Recorrente e sabido pela própria Receita Federal, esta foi vítima de um golpe, razão pela qual não deve ser aplicada multa nesta monta. A empresa Recorrente já foi extremamente lesada por supostas consultorias tributárias que ficaram com todo o valor dos impostos pagos para Recorrente, agora será penalizada mais uma vez em multa superior ao próprio valor do tributo?? Em que pese a Recorrente tenha ciência de suas obrigações perante o fisco, não pode ser lesada mais uma vez com a aplicação de multa neste patamar, o que inviabiliza qualquer possibilidade de parcelamento do débito. Ademais, como já amplamente demonstrado, a empresa Recorrente não agiu em dolo, conluio ou qualquer combinação com as empresas fraudadoras, ficando apenas com o prejuízo que passará o resto da vida pagando para não fechar a empresa irregularmente. Desta forma, não havendo dolo da empresa Requerente, a multa deve ser limitada no valor do próprio tributo devido, ou seja, no máximo em 100% (cem por cento) do valor da dívida. Caso seja fixada em valor superior a este pelo fisco, embora amparada em legislações federal, caracteriza o CONFISCO, ato totalmente vedado pela Constituição Federal Brasileira, nos termos do artigo 150, IV: (...) Neste sentido, assentou entendimento o Supremo Tribunal Federal, estabelecendo o limite de 100% (cem por cento) em multas administrativas de caráter punitivo, sob pena de serem reconhecidas como inconstitucionais: (...) Destarte, imperativo o reconhecimento pelo fisco da abusividade da multa aplicada no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), tendo em vista que não há qualquer evidência de dolo da empresa Recorrente. DOS PEDIDOS: Ante o exposto requer: a) O recebimento da presente Impugnação, com o competente processamento administrativo; b) Seja imediatamente suspensa a cobrança da multa no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), até ulterior decisão; c) Com a devida suspensão da multa ora controvertida, seja possibilitado o parcelamento apenas do valor dos impostos em atraso; d) Por fim, seja limitada a multa no percentual máximo de 100% (cem por cento) sobre o valor do débito, sob pena de ser considerada Confiscatória e Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13005.720640/201798 Acórdão n.º 1301003.878 S1C3T1 Fl. 495 5 Inconstitucional, de acordo com o posicionamento já assentado pelo Supremo Tribunal Federal. DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO 12. Os autos foram encaminhados para julgamento em 19/06/2017, conforme despacho à fl. 426, nos seguintes e exatos termos: (...) Trata o presente processo de Auto de Infração do SIMPLES NACIONAL (fls. 121 a 317). O contribuinte teve ciência do Auto de Infração supra em 06/05/2017 (conforme AR de folha 320), e apresentou, em 05/06/2017 (conforme Termo de Solicitação de Juntada de folha 330), tempestivamente, a Impugnação Parcial de folhas 332 a 336, juntando os documentos de folhas 324 a 329. O Crédito Tributário não impugnado, correspondente ao valor do principal lançado de R$ 437.125,30, acrescido de Juros de Mora, conforme impugnação e Representação para Abertura de Processo (fl. 425), foi transferido para o processo 13005.720867/201733 (Termo de Transferência de Crédito Tributário de folhas 345 a 362), para prosseguimento da cobrança. A parte do Crédito Tributário impugnado, correspondente ao valor da Multa de Ofício agravada lançada de R$ 655.689,27 acrescida de Juros de Mora, permanece neste processo. Foi juntado Extrato Atualizado do processo conforme folhas 364 a 424. Segue, juntado por apensação, o processo de Representação Fiscal para Fins Penais n° 13005720639/201763. Assim, proponho o envio do presente processo à DRJ/POA/RS para julgamento da parte contestada. Em julgamento realizado em 29 de janeiro de 2018, a 4ª Turma da DRJ/SPO, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1681.227 assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de fraude nas ações do contribuinte. MULTA. PERCENTUAL. CONFISCO. O percentual da multa aplicada está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível à instância administrativa manifestarse a respeito de eventual alegação de afronta ao princípio da vedação ao confisco. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13005.720640/201798 Acórdão n.º 1301003.878 S1C3T1 Fl. 496 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Apenas o responsável solidário apresentou recurso voluntário às fls. 364 e ss, onde reforça os argumentos apresentados em sede de impugnação: Da multa qualificada; e confiscatória; Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 22/01/2019. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo ao anocalendário de 2005, totalizando o crédito tributário de R$1.266.198,01, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SPO, foi intimada em 08/02/2018 (AR de fl. 460), e apresentou em 22/02/2018, recurso voluntário, juntado às fls. 463 e ss. E às fls. 481 a versão devidamente assinada. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. No presente Recurso Voluntário o recorrente apenas discute a multa qualificada e com efeito confiscatório. A ação fiscal identificou declaração indevida de imunidade tributária, e consequente insuficiência de recolhimento de tributos. Segundo o Relatório de Ação Fiscal, fls. 116 e ss, o contribuinte foi diversas vezes intimado para apresentar a documentação referente à condição de Imune Tributário conforme as suas declarações no PGDASD, do período de janeiro de 2013 a dezembro de 2014. Ressalta a fiscalização que no período mencionado o contribuinte apresentou declarações originais com apurações coerentes dos tributos devidos na sistemática do SIMPLES NACIONAL, com Revenda de Mercadorias, exceto para o exterior, sem substituição tributária; Revenda de Mercadorias, exceto para o exterior, com substituição tributária; e Prestação de Serviços sujeitos ao Anexo III. Entretanto, não houve pagamento do DAS gerado, permanecendo, o contribuinte, em situação devedora. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13005.720640/201798 Acórdão n.º 1301003.878 S1C3T1 Fl. 497 7 Depois, para o mesmo período, foram apresentadas Declarações Retificadoras, com as mesmas declarações, porém com o assinalamento de Imunidade Tributária para todos os tributos e cotribuiçõies do SIMPLES NACIONAL apurados. A atividade comercial do recorrente é de “4520001 Serviços de reparação mecânica em veículos automotores” e secundárias “4530701 – Comércio por atacado de peças e assessórios novos para veículos automotores” e “4530704 Comercio a varejo de peças e assessórios usados para veículos automotores”. E diante de tais atividades não há qualquer situação que o coloque como Imune Tributário nos termos do art. 150 da Constituição Federal. Além do que nos termos do art. 21 da LC 123/2006 há vedação de qualquer hipótese de compensação. O recorrente sempre alegou que foi vítima de golpe de aquisição de títulos para compensação dos seus valores devidos no SIMPLES NACIONAL, conforme resposta à intimação de fls. 5/6 1.4 Ocorre que, por má orientação do escritório contábil responsável na época, foram transmitidas as declarações PGDASD de forma equivocada, informando nos campos de tributação com a opção IMUNIDADE. 1.5 Esclarece que a empresa foi vitima de um provável golpe, conforme já conversado em outro atendimento realizada na sede da Delegacia da Receita Federal de Santa Cruz do Sul – RS, com a presença dos auditores Sr. Leomar Padilha e Sr. Gerson Brackmann, sobre a participação das empresas Consultec, Appex e Alpha One, que ofereciam títulos com créditos em seu nomes, e oferecem as empresas quem tem débitos com a RFB, e fazerem a compensação. 1.6 A empresa realizou a operação, por indicação do seu contador responsável na época o Sr. Deoclécio J.Ribeiro CRC RS 44663, e por confiar em sua informação, realizou o procedimento. 1.7 Esclarece que procedeu a retificação aos PGDASD dos períodos mencionados 2013 e 2014, cujos recibos e declarações encontramse anexos a este documento, assim como já havia feito as devidas retificações dos períodos de janeiro a dezembro de 2012, e parcelando os débitos gerados nas retificações anteriores pelo programa de Parcelamento Especial do Simples Nacional. 1.8 A empresa demonstra interesse em regularizar os débitos gerados nas novas retificações feitas dos períodos de 2013 e 2014, e manifesta que transmitiu as declarações de tal forma, pois foi assim o orientado pelo escritório contábil responsável na época. Motivo pelo qual a empresa no mês de novembro de 2016 optou pela troca de escritório contábil a fim de regularizar suas pendências fiscais. Verificase que para o Fiscal autuante, o fato do contribuinte ter apresentado declaração retificadora informando falsamente a condição de imune bastaria para caracterizar o dolo e a qualificação da multa. Esta situação no meu entendimento também seria o suficiente se não fosse a situação de aparente estelionato sofrido pelo recorrente. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13005.720640/201798 Acórdão n.º 1301003.878 S1C3T1 Fl. 498 8 Não é a primeira nem a segunda vez que me deparo com situações semelhantes a esta, envolvendo créditos não tributários, oferecidos por empresas, na região Sul do país. Ressalta que há Inquérito Policial em andamento para apurar o suposto estelionato sofrido, fls. 468 e ss. Dessa forma, entendo que a multa deve ser reduzida para o patamar de 75%. Com relação a questões constitucionais de multas com caráter confiscatório, este CARF não é competente para analisálas, nos termos da Súmula CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DARLHE PROVIMENTO para reduzir multa qualificada para o patamar de 75%. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Voto Vencedor Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite Redatora designada. Em que pese o entendimento da ilustre Relatora quanto à multa qualificada, no caso em apreço, durante as discussões em sessão surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões do colegiado acerca dessa matéria. Da Multa Qualificada Entendeu a Relatora que havendo indícios de que o Recorrente foi vítima de estelionato, praticado por empresa de consultoria tributária que oferecia créditos de terceiros para serem compensados com créditos do contribuinte, não poderia este ser penalizado duas vezes, e entendeu que a multa deveria ser reduzida para o patamar de 75%. Por sua vez, o Colegiado, por voto de qualidade, entendeu que não havia provas suficientes da ocorrência do estelionato e de que restaria afastada qualquer responsabilidade do contribuinte. A simples declaração do Recorrente, acompanhado de boletim de ocorrência, não são suficientes para concluir que a responsabilidade pela infração seria integralmente da empresa de consultoria, excluindo do contribuinte qualquer responsabilidade pela infração. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13005.720640/201798 Acórdão n.º 1301003.878 S1C3T1 Fl. 499 9 Entendeu o Colegiado que a responsabilidade pela prestação de informações falsas nas declarações, competiu ao contribuinte, cabendo a este ação regressiva contra a empresa de consultoria, se for o caso. Nos termos do art. 122 do CTN, o sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto, por conseguinte, o responsável por apresentar declarações à Receita Federal é o contribuinte e não a empresa de consultoria. Não pode tal responsabilidade ser transferida do contribuinte para uma empresa de consultoria sob a simples alegação de aquele ter sido vítima de estelionato, sem que o crime tenha sido confirmado e sem que a responsabilidade do contribuinte pelas informações prestadas falsamente à Receita Federal tenha sido expressamente afastada. Da mesma forma que para atribuição de responsabilidade tributária fazse mister previsão legal, para que haja a transferência dessa mesma responsabilidade, também é necessário dispositivo de lei que a autorize. Neste sentido, há de se manter a multa qualificada nos termos do art. 44, §1º da Lei n.9.430/96. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO para mante a multa qualificada em 150%. (assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16007.000312/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO.
O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei.
Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
Numero da decisão: 2401-006.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000313/2010-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000313/2010-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 03 12 /2 01 0- 73 Fl. 183DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.452 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000312/2010-73 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.440, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000313/2010-18, paradigma deste julgamento. “Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo - SP (DRJ/SPO) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por não restar comprovada a liquidez e certeza do crédito informado em declaração de compensação, não homologando as compensações vinculadas. O presente processo trata do pedido de compensação declarado em PER/DCOMP e devidamente transmitida, que utilizou os créditos de IRRF código 3280 - IRRF - Serviços pessoais prestados por associados de cooperativas de trabalho, para a compensação de débito de IRRF 0588 - Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. Foi emitido o Despacho Decisório DRF/SJR/SP reconhecendo parcialmente o direito creditório referente ao IRRF, apenas referente ao IRRF código 3280 - IRRF - Serviços pessoais prestados por associados de cooperativas de trabalho, e homologada a compensação declarada na DCOMP apresentada originalmente, até o limite do direito creditório reconhecido. O Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e, inconformado com a decisão proferida, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade instruída com os documentos constantes dos autos. O Processo foi encaminhado para 4ª Turma da DRJ/SPO que decidiu por unanimidade pelo INDEFERIMENTO da Manifestação de Inconformidade. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/SPO, e inconformado com a decisão prolatada, tempestivamente, interpôs seu Recurso Voluntário onde, em síntese, aduz que: 1. O Fisco não reconheceu parte dos créditos pleiteados pelo simples fato das fontes pagadoras não terem declarado as retenções corretamente; 2. Na documentação fornecida constam as retenções glosadas, identificando as fontes pagadoras e individualizando as faturas que amparam a declaração de compensação apresentada; 3. Os comprovantes de rendimentos obtidos de algumas fontes pagadoras provam que elas se equivocaram na identificação correta dos códigos das retenções ou na identificação do Contribuinte como beneficiário, ou ainda, declararam parcialmente os valores; Fl. 184DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.452 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000312/2010-73 4. Efetivamente houve retenção do imposto e que, a rigor, o simples destaque do imposto nas notas fiscais já demonstra a certeza das retenções; 5. O Contribuinte não tem como exigir os documentos das fontes pagadoras, pois lhe falta poder de polícia, portanto cabe ao Fisco o ônus de provar a ausência dos créditos glosados, quer em homenagem ao Princípio Constitucional da Ampla Defesa ou para evitar enriquecimento sem causa da União. Finaliza seu Recurso requerendo seu provimento para que seja reconhecido o direito creditório referente à parcela de crédito glosada. É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.440, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000313/2010-18, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.440, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.440 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A Recorrente se insurge contra a homologação parcial da compensação por ela efetuada, aduzindo que algumas tomadoras de serviços apresentaram código equivocado do IRRF, quando deveriam ter apresentado o código 3280 (Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho), ou mesmo deixando de identificar a contribuinte como beneficiária, ou ainda declarando valores parcialmente. Afirma que é isento do IRPJ quando da prática de atos cooperados e que a compensação das retenções com o Código Receita 1708 são aplicáveis apenas às demais pessoas jurídicas tendo em vista a isenção a que tem direito. Segundo a autoridade fiscal, verificou-se que os demais créditos informados na PER/DCOMP não relacionados ao código 3280, não foram reconhecidos pelo fato das referidas fontes pagadoras não terem declarado o interessado como beneficiário total ou parcialmente, ou ainda, não terem declarado os rendimentos e a retenção no código 3280, mas, em códigos diversos conforme pesquisas ao sistema DIRF. Fl. 185DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.452 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000312/2010-73 O Código Tributário Nacional estabelece a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, II), cujo procedimento ocorre entre créditos líquidos e certos, com débitos vencidos e vincendos do sujeito passivo (art. 170), através de estipulação legal e que se encontra disciplinado através da Lei nº 9.430/96. No tocante à possibilidade de compensação de IRRF por cooperativas de trabalho, cabe destacar que o art. 64 da Lei nº 8.981/95 deu nova redação ao art. 45 da Lei nº 8.541/92, nos seguintes termos: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) A IN RFB nº 900/2008 estabelecia a forma como o IRRF incidente sobre pagamento de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada, poderia ser utilizado, durante o ano-calendário da retenção, na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados, conforme destaque a seguir transcrito: Art. 41. O crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada poderá ser por ela utilizado, durante o ano-calendário da retenção, na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados. § 1º O crédito mencionado no caput que, ao longo do ano-calendário da retenção, não tiver sido utilizado na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos cooperados ou associados poderá ser objeto de pedido de restituição após o encerramento do referido ano-calendário, bem como ser utilizado na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB. § 2º A compensação de que trata o caput e o § 1º será efetuada pela cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada na forma prevista no § 1º do art. 34. Notoriamente, é indubitável a possibilidade de compensação direta entre o IRRF pelos tomadores de serviços e o IRRF quando dos pagamentos (repasses) aos associados das cooperativas de trabalho, como a Recorrente. Destaque-se que a Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, dispõe o seguinte: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 186DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.452 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000312/2010-73 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. No entanto, dentro das atividades da contribuinte, há a prática de outros atos que não os eminentemente os cooperativos, tais como pagamentos efetuados por contratos com preço pré-determinado ou por outros serviços. Vejamos o que preceitua a Lei nº 9.656/98: Art. 1º Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) I - Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177- 44, de 2001) O Superior Tribunal de Justiça já definiu que as operações realizadas diretamente (e não através de seus cooperados) com terceiros não associados, embora indiretamente se busque a consecução do objeto social da cooperativa, consubstanciam atos não-cooperativos. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO TÍPICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ART. 543-C, DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. 1. A jurisprudência deste STJ já se firmou no sentido de que é legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, sendo que por faturamento deve ser compreendido o conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF. Precedentes: REsp 635.986/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 25.9.2008; REsp 1081747 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, 15.10.2009. 2. O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente. Precedentes: REsp 635.986/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006; REsp 1096776/PB, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2010; AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009; AgRg no AgRg no REsp 1033732/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 1.12.2008; EDcl nos EDcl no REsp 875.388/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29.10.2008. 3. O tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados pela cooperativa com terceiros não associados já foi objeto de julgamento em sede de recurso especial representativo da controvérsia REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009. Fl. 187DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.452 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000312/2010-73 4. No referido julgamento, embora se estivesse apreciando a hipótese específica voltada ao Imposto de Renda e não às contribuições ao PIS e COFINS, nas razões de decidir restou firmado o pressuposto de que "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos não-cooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. Desse modo, definido que se tratam de atos não-cooperativos, não há que se falar em isenção do IRPJ, da CSLL e das contribuições ao PIS e COFINS por aplicação do art. 79, da Lei n. 5.764/71. 6. Observar que nos recursos representativos da controvérsia REsp. n. 1.141.667/RS e REsp. n. 1.164.716/MG, pendentes de julgamento, e RE 598.085-RJ o que se discute não é o conceito de ato cooperativo típico (tema já abordado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009), mas sim o confronto da isenção para o ato cooperativo típico previsto no art. 79, da Lei n. 5.764/71 com o estabelecido pelo art. 15, da Medida Provisória n. 2.158-35, que restringiu as exclusões da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS somente a determinados valores ali especificados. 7. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 786.612/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2013, DJe 24/10/2013) Conforme bem ressaltado pela decisão de piso e verificado no bojo do processo administrativo, “não foi, outrossim, confirmado qualquer tipo de erro por parte da fonte pagadora, o que poderia ter sido provado pela empresa com a juntada de documentos de sua escrituração, como notas fiscais, livro Razão e Diário, e, ainda, elementos caracterizadores de ato cooperado, lembrando que o ônus da prova no processo que trata de compensação é do contribuinte (art. 170 do CTN, art. 333 do CPC e art. 16 do PAF).” Assim, a compensação realizada pela contribuinte não está abrangida pelo art. 64 da Lei nº 8.981/1995, modificado pelo art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, tendo em vista que não restou comprovado que se trata de importâncias creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. Com efeito, in casu, não há subsunção do fato à norma do art. 45 da Lei 8.541/92, posto que não se enquadra exclusivamente como atividade cooperada dado o exercício de atividades diversas que não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos. Destaque-se ainda que as retenções foram realizadas com código da receita 1708 - Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica e 0916 – Prêmios e Sorteios em Geral, Títulos de Capitalização, Prêmios de Proprietários e Criadores de Cavalos de Corrida e Prêmios em Bens e Serviços, sendo que a Recorrente não comprovou se tratar de retenção com o código 3280 - Remuneração sobe Serviços Prestados por Associação de Cooperativa de Trabalho. Dessa forma, a compensação pleiteada pelo contribuinte no presente caso só é aplicável para os casos em que a retenção do Imposto de Renda ocorrer sobre serviços pessoais prestados pelos cooperados. Como não há relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que Fl. 188DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.452 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16007.000312/2010-73 ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992. Destarte, não há previsão legal que ampare as compensações declaradas. Assim, as retenções sofridas somente poderiam ser utilizadas na dedução do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ao final do período de apuração, cabendo ainda ao contribuinte a restituição do indébito, respeitadas as regras pertinentes a ela pertinentes. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO..” Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.000267/2002-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não há ocorrência de prescrição intercorrente em PAF, conforme atesta o teor da Súmula Vinculante CARF n° 11.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Não há ocorrência de prescrição intercorrente em PAF, conforme atesta o teor da Súmula Vinculante CARF n° 11. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 02 67 /2 00 2- 59 Fl. 256DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 214 à 217) interposto contra o Acórdão n° 1246.759, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (efls. 196 à 205), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação, para manter a exigência de R$ 387,13 a título de juros de mora. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Trata o presente processo do auto de infração nº 0001592, de fls. 63/4, lavrado pela DEFIS/RJ, no qual consta exigência de: 1.1. imposto de renda retido na fonte – IRRF, cod. 2932, no valor de R$ 99,23, multa de oficio de 75% e juros de mora; 1.2. acréscimos legais, por falta ou insuficiência no pagamento, sendo: 1.2.1. juros pagos a menor (cod. 6583) no valor de R$ 387,13, e 1.2.2. multa isolada – multa de ofício (cód. 6380), de R$ 743.191,21. 2. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 154, o lançamento de IRRF se deve à falta de recolhimento ou pagamento do principal (código 0561 e 1708), alem de lançamento por falta ou insuficiência de pagamento de acréscimos legais sobre o imposto de renda na fonte. 3. Cientificada em 24/01/2002 (fls. 151), a interessada apresentou, em 04/01/2002, na pessoa de seu representante legal (fls. 5 e 129), impugnação de fls. 3/5, na qual alega, em síntese, que: 3.1. Os pagamentos dos tributos, objeto do presente auto de infração, foram efetuados na data de seus respectivos vencimentos, na forma estabelecida no Ato Declaratório n° 13 COSARCOTEC, publicado no D.O.U. de 05/05/95; 3.2. a apuração/fato gerador de cada um dos tributos está indicada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (doc. 1), apresentada pela impugnante na época própria, nessa Secretaria; 3.3. em obediência ao Ato Declaratório anteriormente citado foi elaborada planilha analítica (doc. 2) onde são identificadas as respectivas datas de vencimento de cada tributo; 3.4. a impugnante observando religiosamente o vencimento de cada débito para com o fisco efetuou pontualmente os correspondentes recolhimentos, conforme comprovam os DARF's em anexo (doc. 3). 3.4. A vista desses fatos é evidente a improcedência do mencionado Auto de Infração, razão pela qual requer o seu Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10768.000267/200259 Acórdão n.º 1002000.724 S1C0T2 Fl. 257 3 cancelamento para o fim de fazer cessar quaisquer de seus efeitos. 4. Em procedimento de revisão de oficio levado a efeito pela DICAT/DERAT/RJ, em 07/02/2012 (fl. 195), assim se pronunciou o referido órgão: 4.1. ” Da análise dos autos, conforme Extrato de fls. 174 a 175, verificase a improcedência do crédito tributário lançado no referido Auto de Infração em virtude da confirmação manual do crédito vinculado pelo contribuinte, realizada por este setor”. E, ainda, 4.2. “confirmamos o Recálculo no Sistema SIEF Fiscalização Eletrônica, cancelando o crédito tributário improcedente, constante do Demonstrativo de fls. 167. Assim, encaminhamos o presente processo à DRJ/RJ I para julgamento dos acréscimos legais constantes no Anexo IV do referido Auto de infração, em fls. 162 a 163.” O Acórdão a quo, por seu turno, afastou a parte mais expressiva do Auto de Infração, exonerando a multa de ofício, por retroatividade benigna; noutro giro, manteve a exigência de R$ 387,13 alusivos aos juros de mora. Assim consta a ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997 DCTF. VALOR DECLARADO. PAGAMENTO EM ATRASO. JUROS DE MORA Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidirão os juros de mora, isolados ou conjuntamente. DCTF. VALOR DECLARADO. PAGAMENTO EM ATRASO. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA PARA MULTA DE MORA Aplicase a lei nova ao ato pretérito, ainda não definitivamente julgado, quando esta lhe comine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRRF. ERRO DA PESSOA JURÍDICA NA INDICAÇÃO DA DATA DE VENCIMENTO DO TRIBUTO NA DCTF E NO DARF. A comprovação de erro da pessoa jurídica na indicação da semana correspondente ao Período de apuração do IRRF autoriza o lançamento de ofício referente aos juros isolados. O mês terá tantas semanas quantos forem os sábados do mesmo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 258DF CARF MF 4 Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões de mérito: Ocorre que o a recorrente foi cientificada deste Auto de Infração em 24/01/2002, sendo oferecida impugnação em 04/02/2002, e somente agora, em Maio de 2013, foi cientificada da decisão administrativa de 1a instância, ou seja, após o transcurso do prazo de mais de 10 (dez) anos desta decisão, ocasionando o surgimento do fenômeno da prescrição, causa de extinção do crédito tributário, de acordo com os arts. 173 inc. I e 174 do CTN, in verbis: (...) Da mesma forma, a questão de aqui se tratar de uma prescrição intercorrente dentro de um procedimento administrativo, o que não seria o mesmo de uma prescrição dentro de um processo judicial, isso não deve prosperar, porque já existe amplo entendimento doutrinário e jurisprudencial de que a Fazenda Pública não pode se quedar inerte por excessivo período de tempo, quanto mais em âmbito administrativo, onde ela possui amplo poder discricionário, mas que jamais pode utilizálo para justificar inércias e nem para prejudicar a segurança jurídica das relações fiscais e administrativas, deixando o contribuinte em eterna expectativa para o desfecho de litígios que lhes dizem respeito. Na própria doutrina, existe a definição de prescrição intercorrente, que "é admitida pela doutrina e jurisprudência, surgindo após a propositura da ação. dáse quando, suspensa ou interrompida a exigibilidade, o processo administrativo ou judicial fica paralisado por incúria da fazenda pública, (diniz, maria helena; dicionário jurídico: vol. 3; saraiva; 1998; página 699) ", bem como nos tribunais, a tendência é de se reconhecer o prazo prescricional intercorrente de 05 (cinco) anos no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais: (...) Por conseguinte, está demonstrado aqui que se verificou o fenômeno da prescrição intercorrente no bojo deste procedimento fiscal, fulminando a pretensão para a cobrança do crédito tributário, tornando indevido o seu lançamento. No mais, nas questões meritórias, mantemos as alegações da contestação de que os pagamentos foram efetuados dentro do prazo legal. III A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10768.000267/200259 Acórdão n.º 1002000.724 S1C0T2 Fl. 258 5 Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da prescrição intercorrente Em que pese a recalcitrância do Contribuinte alusiva à demora na análise de seu pleito, não há que se reconhecer a "prescrição intercorrente", pois esta não é admissível no PAF, conforme já claro o teor da Súmula Vinculante CARF n° 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10321113, de 05/12/2002 Acórdão nº 10419410, de 12/06/2003 Acórdão nº 10419980, de 13/05/2004 Acórdão nº 10515025, de 13/04/2005 Acórdão nº 10707733, de 11/08/2004 Acórdão nº 20207929, de 22/08/1995 Acórdão nº 20302815, de 23/10/1996 Acórdão nº 20304404, de 11/05/1998 Acórdão nº 20173615, de 24/02/2000 Acórdão nº 20176985, de 11/06/2003 O teor da indigitada Súmula pode ser igualmente encontrado nos precedentes abaixo: a. Acórdão 1201002.727, Rel. Cons. Neudson Cavalcante Albuquerque, sessão de 21/02/2019 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOGAÇÃO. A decadência dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é contada, em regra, a partir da data do fato gerador e pelo prazo de cinco anos, sendo afastada pela notificação tempestiva do lançamento tributário. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. Fl. 260DF CARF MF 6 b. Acórdão 1002000.492, Rel. Cons. Breno do Carmo Moreira Vieira, sessão de 07/11/18 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, tornase mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não há ocorrência de prescrição intercorrente em PAF, conforme atesta o teor da Súmula Vinculante CARF n° 11. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar lhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720658/2012-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/05/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Para conhecimento do recurso especial, é necessária a demonstração de que outro colegiado, enfrentando situação equivalente àquela do recorrido, tenha aplicado a legislação de regência de forma divergente. No caso, as discussões eram diversas, enquanto no recorrido, discutia-se a multa por falta de apresentação de arquivos magnéticos, no paradigma, a discussão cingiu-se à questão da apresentação de arquivos em formato diverso daquele determinado pela legislação.
Numero da decisão: 9303-008.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/05/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para conhecimento do recurso especial, é necessária a demonstração de que outro colegiado, enfrentando situação equivalente àquela do recorrido, tenha aplicado a legislação de regência de forma divergente. No caso, as discussões eram diversas, enquanto no recorrido, discutia-se a multa por falta de apresentação de arquivos magnéticos, no paradigma, a discussão cingiu-se à questão da apresentação de arquivos em formato diverso daquele determinado pela legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para conhecimento do recurso especial, é necessária a demonstração de que outro colegiado, enfrentando situação equivalente àquela do recorrido, tenha aplicado a legislação de regência de forma divergente. No caso, as discussões eram diversas, enquanto no recorrido, discutiase a multa por falta de apresentação de arquivos magnéticos, no paradigma, a discussão cingiuse à questão da apresentação de arquivos em formato diverso daquele determinado pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 06 58 /2 01 2- 74 Fl. 1005DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência de Multa Isolada, por falta de apresetnação de arquivos magnéticos. Lançamento A seguir, encontrase apresentada, em apertada síntese, a descrição da infração, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal: de Acordo com o disposto no art. 11, § 1°, da Lei n° 8.211, de 1991, a pessoa jurídica que utilizar sistema eletrônico para registrar negócios e atividades, bem como escriturar livros, fica sujeita à apresentação de arquivos magnéticos e sistemas no formato exigido pela legislação (IN SRF n° 86, de 2001 e ADE Cofis n° 15, de 2001); a falta de atendimento a essa exigência implica a multa prevista no art. 12, III, da referida Lei n° 8.211, de 1991; o contribuinte afirmou ter perdido o acesso aos sistemas eletrônicos da pessoa juridica incorporada (Ipiranga Petroquímica) e se comprometeu a entregar informações suficientes à avaliação dos créditos objeto de ressarcimento/compensação; entretanto, no caso, deixou de entregar os arquivos especificados nos itens 4.6 Relação Insumo/Produto e 4.7 Controle Patrimonial, previstos no Anexo Único do ADE Cofis n° 15, de 2001. Impugnação Cientificado do lançamento, o Sujeito Passivo apresentou Impugnação, requerendo seu cancelamento, nos seguintes termos: preliminarmente, pede o reconhecimento da decadência, por aplicação do disposto no art. 150, § 4° da Lei n° 5.172, de 1968 (Código Tributário Naciona CTN), que prevê o transcurso do prazo decadencial em 5 anos contados da data do fato gerador; em seguida, alega que o lançamento implicaria ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, não confisco e moralidade; subsidiarimente alega erro na capitulação da infração, entendendo que seria aplicável ao caso a situação descrita no inciso I do art. 12 da Lei n° 8.211, de 1991 (que trata de mera apresentação dos arquivos com problemas de formato), em detrimento do inciso III do mesmo artigo (que trata da falta de apresentação); por fim, alega erro na quantificação da multa, por utilização de valor equivocado da Receita Bruta, argumentando que teria sido considerada a receita total do ano calendário de 2008, quando o período objeto da solicitação de arquivos teria sido apenas referente ao primeiro semestre do ano. Decisão de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA apreciou a impugnação e a ela negou provimento, para manter a integralidade do lançamento: Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 9303008.660 CSRFT3 Fl. 207 3 afastou a decadência alegada, entendendo ser aplicável ao caso a regra do art. 173, I, do CTN que prevê decadência em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado; não conheceu, por incompetência, as alegações de inconstitucionalidade e no mérito, mangeve a exigência da multa prevista no art. 12, III, da Lei n° 8.218, de 1991. Recurso Voluntário Intimado da decisão de primeira instância, o Sujeito Passivo apresentou Recurso Voluntário, basicamente repisando os argumentos, as alegações e o pedido da impugnação. Decisão Recorrida Na apreciação do Recurso Voluntário, inicialmente, nos termos da Resolução n° 1202000.284, esta Terceira Seção declinou competência para a Primeira Seção do CARF, porém recebeu os autos de volta. Em seguida, a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF apreciou o Recurso Voluntário e, em decisão consubstanciada no acõrdão n° 3302004.758, deu provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa em função da redução do valor da receita bruta do período. No voto vencido da referida decisão, foi considerada, como base de cálculo da multa, a receita bruta de todo o anocalendário. Todavia, no voto vencedor, foi considerada, como base de cálculo, somente a receita bruta do período relativo aos documentos solicitados, dentro do anocalendário. Assim, como, no caso, foram solicitados arquivos relativos ao período de janeiro de 2007 a junho de 2008, a multa referente ao anocalendário de 2008 teve sua base de cálculo reduzida à receita bruta do primeiro semestre do ano. Cientificada da Decisão, a Fazenda Nacional informou que não apresentaria Recurso Especial. Recurso Especial do Sujeito Passivo Cientificado da Decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Especial, para rediscussão da aplicabilidade da multa lançada. A título de paradigma, foi apresentado o acórdão de n° 9101002.931. Para comprovação da divergência, a recorrente alega que, enquanto o acórdão recorrido entendeu que a multa seria exigida, no paradigma, entendeuse que seria possível a apresentação de arquivos em formato distinto. No mérito, defende que a apresentação de informações em formato distinto não equivaleria à falta de apresentação dos arquivos. Portanto, entende que, no caso, a multa seria aquela prevista no inciso I do art. 12 da Lei n° 8.211, de 1991, em detrimento daquela do Fl. 1007DF CARF MF 4 inciso III. Conclui, assim, pela improcedência do lançamento, em face da impossibilidade de alteração de critério jurídico. O Presidente da Câmara deu seguimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo. Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do Recurso Especial do Sujeito Passivo e do respectivo despacho de admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso e, no mérito, requerendo negatica de provimento. Quanto ao conhecimento, a Fazenda Nacional afirma haver diferenças fáticas entre o recorrido e o paradigma que impediriam a identificação de divergência jurisprudencial, no caso. Argumenta que, enquanto no recorrido, o contribuinte afirma que não entregará alguns arquivos digitais, da Pessoa Jurídica incorporada, solicitados, no paradigma, o contribuinte possuía os arquivos, porém os teria entregado em formato diferente. No mérito, pede a manutenção da decisão recorrida quanto à matéria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Conhecimento O recurso especial de divergência do sujeito passivo é tempestivo, porém entendo que não cumpre todos requisitos regimentais, por isso dele não conheço. No acórdão recorrido, entendeuse pela falta de apresentação dos arquivos digitais específicos dos itesn 4.6 Relação Insumo/Produto e 4.7 Controle Patrimonial, do Anexo único da ADE Cofis 15/2001. Nessa decisão, afastouse a possibilidade de aceitação das informações prestadas no caso, como passíveis de suprir a ausência da apresentação dos arquivos. Concluiuse portanto, pela aplicabilidade da multa prevista no inciso I do art. 12 da Lei n. 8.211, de 1991. Já, no paradigma, frente a um conjunto probatório diverso, entendeuse pela ocorrência de apresentação de arquivos digitais em formato diverso daquele exigido pela legislação. Nessa situação em específico, o colegiado concluiu que teria havido erro na capitulação legal da infração, com lançamento da multa equivocada. Ora, as discussões são diferentes e partiram, em cada caso da análise de instrução probatória própria. Por isso, entendo ter restado impossível afirmar que o colegiado que proferiu o acórdão paradigma, frente à instrução probatória do presente processo, decidiria de maneira diferente daquela do acórdão recorrido. Aliás, para análise da possibilidade de consideração da informação prestada como equivalente material da apresentação dos arquivos magnéticos solicitados demandaria revolvimento da instrução probatória, o que não se admitite em sede de Recurso Especial. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 9303008.660 CSRFT3 Fl. 208 5 Em vista do exposto, não conheço do recurso. Conclusão Em vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial do Sujeito Passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1009DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009019/2004-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1998
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. INATIVIDADE NÃO COMPROVADA.
Comprovado que a empresa recebeu rendimentos financeiros no período, devida é a entrega de Declaração de Informações -DIPJ/1999, sendo exigível multa correspondente pelo atraso na sua entrega. Situação de inatividade não comprovada.
Numero da decisão: 1002-000.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1998 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. INATIVIDADE NÃO COMPROVADA. Comprovado que a empresa recebeu rendimentos financeiros no período, devida é a entrega de Declaração de Informações -DIPJ/1999, sendo exigível multa correspondente pelo atraso na sua entrega. Situação de inatividade não comprovada.
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score : 1.0
Numero do processo: 13971.720191/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL).
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. No entanto, é exigida a averbação da reserva no registro de imóveis. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para analisar questionamentos acerca da inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula nº 2.
Numero da decisão: 2301-006.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente.
Reginaldo Paixão Emos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: REGINALDO PAIXAO EMOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. No entanto, é exigida a averbação da reserva no registro de imóveis. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para analisar questionamentos acerca da inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Presidente. Reginaldo Paixão Emos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
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ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. No entanto, é exigida a averbação da reserva no registro de imóveis. Tal entendimento alinhase com a orientação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para analisar questionamentos acerca da inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente. Reginaldo Paixão Emos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 91 /2 00 8- 50 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13971.720191/200850 Acórdão n.º 2301006.088 S2C3T1 Fl. 149 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício de 2004, constante às efls. 2 a 5. Após intimação, a fiscalização considerou que o contribuinte não se desincumbiu da obrigação de provar a isenção da área de reserva legal declarada em sua DITR, efetuando, assim, novo cálculo do ITR e lançando de ofício o tributo. Contra a notificação foi apresentada impugnação de efls. 53 a 74, que foi julgada improcedente, com manutenção do crédito lançado, por meio do Acórdão nº 0420.965 da 1ª Turma da DRJ/BSA, efls. 90 a 98. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário às efls. 103 a 122, argumentando o seguinte: que para averbar a área de reserva legal no registro de imóveis é necessária a existência de florestas, que levam anos para se formar, ao passo que a averbação é apenas um ato momentâneo, consequente da existência da coisa a averbar; que o art. 10, item II da Lei 9.393/96 determina em sua letra 'a' que: as áreas de preservação permanente e reserva legal não são tributáveis. A letra 'c' do mesmo diploma legal, isenta também as áreas declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Ora, o imóvel comprovadamente está inserido dentro dos limites da Mata Atlântica, de acordo com o Mapa de Vegetação do Brasil, elaborado pelo IBGE/SEPLAN/PR, em convênio com o IBAMA, em 98, parte integrante da Portaria 438189 DIREN/P de 09/08/89 do IBAMA, no seu Artigo 4° e sabendose que as áreas com cobertura vegetal aí situadas, portanto desde 1989, tem seu uso alternativo para agropecuária impedido, onde apenas podese, mediante autorização do órgão competente, praticar o manejo sustentado, que por sua vez também são isentas do ITR; que a exigência de averbação da área de reserva legal é totalmente descabida, uma vez que tal matéria está disciplinada no código florestal, sendo necessária apenas quando de sua exploração; que a recorrente nunca explorou a reserva legal (mata atlântica) e, por isso, não está obrigada à sua averbação; que a área de reserva legal decorre de lei e que a averbação não é condição para gozo da isenção do ITR; Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13971.720191/200850 Acórdão n.º 2301006.088 S2C3T1 Fl. 150 3 que a recorrente está privada da utilização da área em questão desde a emissão das Lei Ambientais de Proteção da Mata Atlântica e que uma simples formalidade (averbação) não pode se sobrepor a uma realidade fática, porque a legislação somente prevê a averbação, não determinando prazo para o ato e nem que o gozo da isenção está condicionado à averbação, ato que tem mero caráter declaratório; que a obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao IBAMA não tem fundamento legal e está prevista apenas em instrução normativa, sem respaldo legal, não tendo a Receita Federal competência para legislar; que a recorrente possui ADA referente ao imóvel, mas a autoridade fiscal alega que este não foi protocolado no prazo estipulado; que o ônus da prova é da fiscalização, pois a desconsideração de uma informação dada pelo contribuinte só pode ocorrer se esta comprovadamente for inverídica, fraudulenta, omissa ou incompleta, nos termo do CTN, art. 149, inciso V, e art. 150; que o STJ já se manifestou no sentido de que cabe a Administração Pública demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte e que há presunção de veracidade das declarações do contribuinte, incumbindo ao fisco o ônus de provar o contrário do declarado; que a glosa efetuada é uma presunção da autoridade fiscal, sem qualquer elemento probatório, afrontando o princípio da legalidade e o princípio da verdade material, estritamente vinculado ao da legalidade, e que o fisco deveria averiguar a veracidade dos dados contidos na declaração da recorrente; que o lançamento deve ser imparcial e que, em caso de dúvida, deve a administração absterse de praticar o lançamento; que a legislação ambiental (que cita) determina que as áreas de formação florestal da mata atlântica são de indiscutível interesse ecológico e, como tal, têm a sua utilização limitada; que a multa aplicada tem caráter confiscatório e é inconstitucional; É o relatório. Voto Conselheiro Reginaldo Paixão Emos. O recurso é tempestivo e nele estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Conheço do recurso, exceto quanto às alegações de inconstitucionalidade da multa. Da Multa inconstitucionalidade Entende a recorrente que a multa de ofício de 75% a ela imposta é excessiva e fere o Princípio Constitucional do não confisco. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13971.720191/200850 Acórdão n.º 2301006.088 S2C3T1 Fl. 151 4 Não obstante o inconformismo da recorrente, a atividade de lançamento é plenamente vinculada, não restando margem alguma de discricionariedade ao agente fiscal, que tem o dever de cobrar o tributo que apurar, sob pena de responsabilidade funcional (Código Tributário Nacional CTN, art. 3º e art. 142, parágrafo único). Nesse sentido, as multas aplicadas foram lançadas em obediência ao comando legal do art. 44, inciso I, §§1º e 3º, da Lei nº 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Os questionamentos apresentados quanto à inconstitucionalidade do comando legal citado não podem ser analisados nesta instância administrativa, por absoluta falta de competência. Nesse sentido, este Conselho editou a Súmula nº 2. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não é possível conhecer de tais alegações. Do Mérito Da Área de Reserva Legal A área de Reserva Legal declarada foi glosada pela fiscalização em razão da não comprovação da isenção, após regular intimação. A área de reserva legal está excluída da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarse á: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) No entanto, para gozo da isenção de ITR, em relação a tal área, em regra, é exigida a informação tempestiva da respectiva área ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por meio do Ato Declaratório Ambiental (ADA), a Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13971.720191/200850 Acórdão n.º 2301006.088 S2C3T1 Fl. 152 5 cada exercício, nos prazos definidos na legislação. É o que reza o inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) Entretanto, o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu, sobre tal assunto, o Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016, por meio do qual adequou sua atuação ao entendimento pacífico do STJ, resultando em nova redação para o item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da PGFN (lista essa relativa a temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016). O Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016 não tem efeito vinculante para este Conselho. Mas, entendo ser pertinente alinhar o entendimento deste Colegiado à atuação da PGFN, uma vez que a disputa poderia ser levada à esfera judicial, resultando num dispêndio desnecessário de recursos públicos. Assim, me filio à tese adotada no Parecer citado para que seja dispensada a apresentação do ADA para reconhecimento da isenção. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13971.720191/200850 Acórdão n.º 2301006.088 S2C3T1 Fl. 153 6 Nos termos do referido Parecer, a exigência de averbação da área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel, para gozo do benefício de isenção do ITR, permanece hígida e tal entendimento consta também da observação do citado item 1.25. Transcrevo abaixo o referido item 1.25: 1.25 ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. (grifei) OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal) A exigência da averbação para a área de reserva legal consta expressamente do art. 16, §8º, da lei 4.771/65 (código florestal), com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667/2001: § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela MP nº 2.16667, de 2001) (GRIFEI) Nos presentes autos, a recorrente não fez prova da averbação à margem da matrícula do imóvel. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13971.720191/200850 Acórdão n.º 2301006.088 S2C3T1 Fl. 154 7 Quanto à alegação de que o ônus da prova é da fiscalização, cabendo a esta provar a inverdade da informação declarada, equivocase a recorrente. A obrigatoriedade de apresentação anual da declaração e apuração do ITR tem sua previsão legal nos artigos 8º a 10º da lei 9.393/96. Reza o artigo 10 que a apuração sujeitase a homologação posterior. A análise para homologação foi efetuada e o contribuinte foi regularmente intimado a esclarecer os fatos declarados. Não poderia ser imputado ao fisco o ônus de acessar documentos que pertencem à seara do declarante, tal como uma certidão de averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Vem da teoria de distribuição do ônus da prova, presente na jurisprudência, a regra de que o ônus de provar deve ser imputado àquele que tem melhores condições de produzir a prova. No caso, a prova hábil a demonstrar a regularidade da área de reserva legal encontravase na esfera de ação do declarante. Além de ter sido oportunizada ao contribuinte, antes do lançamento, a produção das provas necessárias, quando instaurada a fase contenciosa, essa oportunidade foi novamente conferida no momento da impugnação. No entanto, não foi provada a regularidade da área dita de reserva legal. O art. 16, inciso III, do Decreto 70.235/72, recepcionado com status de lei ordinária, e que rege o Processo Administrativo Fiscal, imputa ao impugnante o ônus de apresentar, na sua contestação, as provas que possuir: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Por sua vez, o art. 373 do Código de Processo Civil, lei 13.105/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, reza Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (GRIFEI) (...) Mostrase, assim, infundada a alegação de que o ônus da prova, nesse caso, compete ao fisco. Foi alegado ainda que a legislação ambiental determina que as áreas de mata atlântica são de indiscutível interesse ecológico e que, por isso, têm utilização limitada, configurando a reserva legal. Cabe refutar tal argumento, uma vez que não se interpretam textos normativos isoladamente, mas no seu todo. Vejase que é o próprio Código Florestal (lei 4.771/65 ), em seu art. 16, §8º, com redação dada pela MP nº 2.16667/2001 (antes transcrito), que determina a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Portanto, a legislação ambiental não desonera o responsável da obrigação de averbar tal área, como pretende a recorrente. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.720191/200850 Acórdão n.º 2301006.088 S2C3T1 Fl. 155 8 Finalmente, em pese o afastamento da exigência de apresentação do ADA para gozo da isenção, a falta de averbação da área de reserva legal impede seu reconhecimento para fins de isenção do ITR. Resta, com isso, mantido o lançamento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Reginaldo Paixão Emos Relator Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.723580/2010-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
INSUMOS. CONCEITOS PARA FINS DE CRÉDITOS DO PIS/PASEP E COFINS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
Em razão da ampliação do conceito de insumos, para fins de reconhecimento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente do julgado no REspnº1.221.170/PR, na sistemática de recursos repetitivos, adotam-se as conclusões do Parecer Cosit nº 05 de 17/122018.
No caso, as embalagens de transporte caracterizam insumo por serem itens necessários à produção, por determinação normativa.
Numero da decisão: 9303-008.777
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INSUMOS. CONCEITOS PARA FINS DE CRÉDITOS DO PIS/PASEP E COFINS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Em razão da ampliação do conceito de insumos, para fins de reconhecimento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente do julgado no REspnº1.221.170/PR, na sistemática de recursos repetitivos, adotam-se as conclusões do Parecer Cosit nº 05 de 17/122018. No caso, as embalagens de transporte caracterizam insumo por serem itens necessários à produção, por determinação normativa.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-12T10:46:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-07-12T10:46:22Z; Last-Modified: 2019-07-12T10:46:22Z; dcterms:modified: 2019-07-12T10:46:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6c6ce855-26d0-4ec2-99e1-6a48ad53a46c; Last-Save-Date: 2019-07-12T10:46:22Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-12T10:46:22Z; meta:save-date: 2019-07-12T10:46:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-12T10:46:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-07-12T10:46:22Z; created: 2019-07-12T10:46:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-12T10:46:22Z; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-12T10:46:22Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.723580/201013 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.777 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Insumos Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DEL MONTE FRESH PRODUCE BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INSUMOS. CONCEITOS PARA FINS DE CRÉDITOS DO PIS/PASEP E COFINS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Em razão da ampliação do conceito de insumos, para fins de reconhecimento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente do julgado no REspnº1.221.170/PR, na sistemática de recursos repetitivos, adotamse as conclusões do Parecer Cosit nº 05 de 17/122018. No caso, as embalagens de transporte caracterizam insumo por serem itens necessários à produção, por determinação normativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 35 80 /2 01 0- 13 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 9303008.777 CSRFT3 Fl. 0 2 Relatório Este processo trata de pedido de ressarcimento de saldo de crédito de PIS, combinado com declaração de compensação de débitos. Em decorrência da análise do pedido, a unidade de origem exarou despacho decisório, no qual não reconheceu integralmente o crédito pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo sua reforma e o consequente reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado. A manifestação de inconformidade foi apreciada pelo colegiado de primeira instância que negou provimento à manifestação, para manter o Despacho Decisório. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, no qual, em resumo: (a) refuta o conceito de insumo objeto da Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002; (b) afirma que os pallets, cantoneiras e demais produtos de embalagem deveriam se enquadrar no conceito de matéria prima ou produto intermediário, discordando da diferenciação entre “embalagem de apresentação” de “embalagem de transporte” utilizada pela decisão recorrida; (c) alega que a legislação do PIS e da COFINS autoriza, no caso, o creditamento das embalagens utilizadas por sua imprescindibilidade para conservação dos produtos exportados; (d) considera que depreciação teria sido objeto de Manifestação de Inconformidade, dada a inconformidade do contribuinte com a totalidade das glosas; e) com relação aos insumos de produtos com alíqutoa zero para vendas no mercado interno, defende a existência do direito creditório mesmo antes da edição da Medida Provisória n° 206, de 2004, entendendo que a MP seria elucidativa, tendo apenas clarificado direito anteriormente vigente. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3802001.426. Nessa decisão, o colegiado reconheceu o direito creditório sobre os gastos com embalagens (pallets, cantoneiras, e demais produtos utilizados para acomodação das caixas de frutas). Recurso especial de Fazenda Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 9303008.777 CSRFT3 Fl. 0 3 Intimada para ciência do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, para rediscutir o creditamento de embalagens utilizadas para transporte. Tomando por base o acórdão paradigma nº 20312.448, o Procurador afirmou que a divergência se estabeleceu quanto ao critério de reconhecimento dos valores passíveis de creditamento, asseverando que, ao contrário do recorrido, o paradigma somente reconhece créditos para valores referentes a elementos que se enquadrem na categoria de insumo, de acordo com a legislação do IPI. O Presidente da Câmara, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional Contrarrazões da contribuinte A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, pleiteando que fosse negado provimento ao recurso, para manutenção da decisão recorrida, quanto à matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.775, de 13 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10380.723552/201004, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.775): "Conhecimento O recurso especial de divergência é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme exame realizado pelo Presidente da Câmara recorrida, com o qual concordo. Portanto, tomo conhecimento do recurso. Mérito Para fins de delimitação da lide, cumpre referir que, no presente recurso, discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep, relativamente a embalagens de transporte. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 9303008.777 CSRFT3 Fl. 0 4 Entendo que, na análise do conceito de insumo para fins de reconhecimento de créditos do PIS/Pasep nãocumulativo, não se alcance todos os gastos da empresa. Contudo, há que se aferir a essencialidade e a relevância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica exercida pela contribuinte visando conceituar o insumo para fins dessas contribuições. Para tanto, me amparo no que foi balizado pelo Parecer Cosit RFB n° 05, de 17/12/2018, que buscou assento no julgado do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, consoante procedimento para recursos repetitivos. Do voto da Ministra Ministra Regina Helena Costa para aquele acórdão, foram extraídos os conceitos: (...) temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão) Ressalvo não comungar de todas as argumentações postas no citado Parecer, entretanto, concordo com suas conclusões. Feita a ressalva, apresento o meu voto sobre o recurso especial de divergência da contribuinte na ordem numérica em que aparecem os bens e serviços no tópico em que anteriormente foi relatado. Observese que no referida Parecer Cosit nº 05/2018, em seu item 56, não se consideram insumos as embalagens para transporte de mercadorias acabadas, conforme abaixo se observa: 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 9303008.777 CSRFT3 Fl. 0 5 distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. Contudo, a contribuinte trabalha com produtos alimentícios, devendo cumprir normas exaradas pela Vigilância Sanitária, especialmente no tocante à estocagem das frutas, de forma a impedir sua contaminação, bem como a ocorrência de alteração ou danificação dos produtos. Por isso, há ainda que se considerar que os itens 57 e 58 do já referido Parecer Cosit nº 05/2018 traria a seguinte exceção: 57. Nada obstante, devese salientar que, por vezes, a legislação específica de alguns setores exige a adoção pelas pessoas jurídicas de medidas posteriores à finalização da produção do bem e anteriores a sua efetiva disponibilização à venda, como ocorre no caso de exigência de testes de qualidade a serem realizados por terceiros (por exemplo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro), aposição de selos, lacres, marcas, etc., pela própria pessoa jurídica ou por terceiro. 58. Nesses casos, considerando o quanto comentado na seção anterior acerca da ampliação do conceito de insumos na legislação das contribuições efetuada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça em relação aos bens e serviços exigidos da pessoa jurídica pela legislação específica de sua área de atuação, concluise que tais itens são considerados insumos desde que sejam exigidos para que o bem ou serviço possa ser disponibilizado à venda ou à prestação. Assim, tendo em vista a determinação da ANVISA, como exceção, há que se admitir os gastos com as embalagens para transporte como insumos para geração de créditos. (Negritei) Dessarte, penso que se deva reconhecer a natureza de insumos para as embalagens para transporte. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para negar lhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10380.723580/201013 Acórdão n.º 9303008.777 CSRFT3 Fl. 0 6 conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 289DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000106/2004-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para que a unidade preparadora anexe comprovação do pagamento da parcela de R$ 70.000,00 relativa à transação imobiliária a que se referiu o recorrente.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para que a unidade preparadora anexe comprovação do pagamento da parcela de R$ 70.000,00 relativa à transação imobiliária a que se referiu o recorrente. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos ano-calendário de 1998 decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O lançamento foi impugnado (e-fls. 135 a 205) e a impugnação foi considerada parcialmente procedente (e-fls. 259 a 281), havendo sido acatada a justificativa relativa ao resgate de aplicação financeira. Foi interposto recurso voluntário (e-fls. 295 a 361) em que se alegou: a)que parte dos depósitos tiveram origem na venda de um imóvel; b)que a simples análise dos extratos bancários não permite identificar a ocorrência de lucro na operação imobiliária; c)que não cabe ao contribuinte apresentar a comprovação da origem dos depósitos bancários; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 00 10 6/ 20 04 -7 2 Fl. 365DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2301-000.834 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.000106/2004-72 d)que os depósitos bancários constituem meros indícios, e não prova da ocorrência de omissão de rendimentos ou fato gerador do Imposto de Renda; e)que a capacidade contributiva se verifica quando da possibilidade de consumo da renda; f)que o lançamento com base na presunção fere a moralidade administrativa e a segurança jurídica; g)que o acesso do Fisco às informações bancárias fere garantia constitucional e é ilegal, pois o processo administrativo não é instrumento hábil para quebrar o sigilo bancário; h)que o acesso às informações bancárias desobedeceu o que consta do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001; i)que o lançamento com base em depósitos bancários fere a Súmula STJ nº 182; j)que o acesso às informações bancárias requer autorização judicial; k)que a multa aplicada fere os princípios constitucionais do não-confisco e da capacidade econômica; l)que os juros calculados à base da taxa Selic são inconstitucionais; m)que os juros incidentes deveriam ser os previstos no Código Civil ou limitados a 1% ao mês, nos termos do Código Tributário Nacional; n)que a multa deve ser excluída; o)a decadência. É o relatório. O recurso é tempestivo. Não conheço, entretanto, nos termos da Súmula Carf nº 2, das alegações de inconstitucionalidades, e ofensa a postulados constitucionais, 1) do acesso a informações bancárias; 2) da multa, e 3) dos juros com base na Selic. Nas matérias conhecidas, não restaram alegações preliminares. No mérito, essencialmente o recorrente alegou: 1) que os depósitos tiveram origem em operação imobiliária, e 2) que depósitos bancários não se constituem fato gerador do Imposto de Renda e o lançamento não poderia estar fundado em presunção. Quanto à alegação de que os depósitos tiveram origem em operação imobiliária, entendo que não resta provado que o depósito de R$ 30.000,00 acontecido em 21/07/1998 tenha relação com a venda do imóvel. O valor da primeira parcela recebida foi de R$ 40.000,00 que, conforme consta da Escritura de Promessa de Compra e Venda (e-fl. 98), foram pagos mediante emissão do cheque nº 010.447, entregue ao vendedor na presença do tabelião, em 14/08/1998. Se o cheque foi entregue ao recorrente em agosto, no valor de R$ 40.000,00, como poderia ter relação com um depósito de R$ 30.000,00 ocorrido em julho? Fl. 366DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2301-000.834 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.000106/2004-72 Entretanto, quanto ao depósito de R$ 70.000,00, entendo que, diante do que consta da Escritura de Promessa de Compra e Venda (e-fl. 98), é possível, ainda que improvável, que o restante do negócio tenha sido pago em 17/08/1998, data do depósito, eis que a escritura registrou que o saldo de R$ 70.000,00 seria pago em 90 dias da data da entrega da documentação para o financiamento. Em todo caso, admito a possibilidade remota de se comprovar, inequivocadamente, a data do pagamento do valor restante do negócio; por isso, entendo ser adequado converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora anexe comprovação do pagamento da parcela, mediante intimação às partes na avença ou da obtenção do registro cartorário. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora anexe comprovação do pagamento da parcela de R$ 70.000,00 relativa à transação imobiliária a que se referiu o recorrente. João Maurício Vital - Relator Fl. 367DF CARF MF
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