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Numero do processo: 10830.917720/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.873
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 08031.704, prolatado pela DRJ Fortaleza/CE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade em que se pleiteou a reforma do despacho decisório da repartição de origem que não homologara a Declaração de Compensação de crédito da Cofins com débito da titularidade do mesmo sujeito passivo. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, alegando que (i) o débito de fato era menor que o informado na DCTF, conforme planilha anexada aos autos, (ii) a vinculação do DARF na DCTF não era causa suficiente para a negativa do pedido de restituição e que (iii) seu direito creditório se originara RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 72 0/ 20 11 -5 8 Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 10830.917720/201158 Resolução nº 3201000.873 S3C2T1 Fl. 3.412 2 do alargamento indevido da base de cálculo promovido pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A decisão da DRJ Fortaleza/CE, denegatória do direito pleiteado, fundamentou se na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse comprovar o alegado erro cometido no preenchimento da DCTF, dada a ausência de retificação tempestiva dessa declaração. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.848, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 10830.917695/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.848): O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. (...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS pelo regime não cumulativo (alargamento da base de cálculo declarada inconstitucional pelo STF). De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento a maior de COFINS realizado por meio do recolhimento de DARF. Consoante Despacho Decisório proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, justificando exatamente que o recolhimento a maior decorre da revisão da base de cálculo da COFINS diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e apresentando respectivo demonstrativo da base de cálculo apurada. Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 10830.917720/201158 Resolução nº 3201000.873 S3C2T1 Fl. 3.413 3 Embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado, entendendo ter precluído o direito de fazêlo posteriormente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, apresenta (i) nova cópia do demonstrativo de apuração da COFINS; e (ii) Balancete mensal da COFINS, extraído do seu Livro Diário devidamente registrado. Com base nisso, postula pela aplicação do Princípio da Verdade Material e requer a realização de diligência para que demais documentos julgados necessários pela Fiscalização possam ser apresentados pelo contribuinte. Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, em prol do princípio da verdade material, e considerando que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos comprobatórios do seu direito, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 10830.917720/201158 Resolução nº 3201000.873 S3C2T1 Fl. 3.414 4 Da mesma forma que no processo do paradigma, nestes autos, o contribuinte apresentou, em sede de recurso voluntário, novos documentos comprobatórios com vistas a demonstrar o alegado direito creditório (balancete e demonstrativo). Desta forma, os elementos que justificaram a conversão em diligência do paradigma, também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandoo, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.000396/2003-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa, que acompanharam o voto do relator, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa, que acompanharam o voto do relator, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa.
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa, que acompanharam o voto do relator, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 08 .0 00 39 6/ 20 03 -2 1 Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.296 2 Por bem resumir a controvérsia, reproduzo o relatório da decisão recorrida (fls. 983/991): O presente processo e seus apensos tratam de compensações materializadas pela declaração (DComp) de fls. 54/55, retificadora daquela aposta às fls. 01/02, e outras, relacionadas no quadro de fls. 103, nas quais a interessada acima qualificada empregou alegados créditos de saldos negativos de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), em valores respectivamente iguais a R$ 23.441.045,99 e R$ 19.237.056,16. Inaugurando a análise do caso, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Diort/Derat/RJ), conforme despacho de fls. 89, entendeu por bem solicitar à Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro (Defic/RJ), em 12/08/2005, que fosse realizada diligência para apurar o efetivo valor dos saldos negativos declarados pela interessada. Em atenção ao pleito acima referido, a Defic/RJ operou diligência em 06/10/2006, que restou frustrada ante a falta de resposta da interessada, na forma relatada no despacho de fls. 92. Em seguida, nova diligência foi comandada (fls. 93v), mas não chegou a ser realizada, pelas razões aduzidas no documento de fls. 94/96. Considerando (i) as disposições normativas que mencionou no parecer conclusivo n.° 58/08 (fls. 103/106), quais sejam, o art. 74 da Lei n.° 9.430/96, os art. 2o, 4o, 5o e 26 da IN SRF n.° 600/05, o art. 170 da Lei n.° 5.172/66 (CTN) e o art. 36 da Lei n.° 9.784/99, e (ii) o não atendimento, pela interessada, à intimação da qual fora cientificada em 06/10/2006, a Diort/Derat/RJ posicionouse pelo não reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, pela não homologação das compensações analisadas. O despacho decisório do titular da Derat/RJ (fls. 107) aprovou o parecer referido acima e, dentre outros comandos, determinou o apensamento ao presente do processo n.° 15374.720026/200862, cuja compensação operada em seus autos, por valerse do mesmo direito creditório não reconhecido, também não foi homologada, conforme documentos de fls. 135/136. A contribuinte interpôs manifestações de inconformidade (fls. 236/254 e 504/688), alegando, em síntese: que não tendo a fiscalização empreendido diligência capaz de desconstituir os valores declarados e nem havendo indícios de irregularidade, a DIPJ não poderia ter sido desconsiderada; que, para deixar de reconhecer o crédito empregado nas compensações revisadas, caberia à autoridade fiscal demonstrar a "insuficiência da documentação apresentada" e apontar "inconsistências e irregularidades" nas informações declaradas, o que nunca foi feito; Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.297 3 que o próprio órgão fiscalizador reconheceu não haver indícios de irregularidades em sua documentação fiscal, tanto que o auditor encarregado da segunda diligência afirmou que "a empresa 'não foi selecionada para ser fiscalizada no ano calendário de 2002, o que indica não terem sido detectados, em análise parametrizada, indícios de irregularidades na apuração do IRPJ e CSLL devidos"'; que "o prazo de que a Receita dispõe para analisar a compensação requerida é o mesmo de que dispõe para homologar o pagamento antecipado feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qual seja, cinco anos (art. 150, § 4o) a contar da apresentação do pedido de compensação, que no caso dos autos, ocorreu em 13.03.2003" e que, portanto, o despacho decisório que denegou a compensação, do qual fora cientificada em 14.04.2008 "não tem o condão de produzir qualquer efeito jurídico válido"; que o direito de a Fazenda refazer a apuração do IRPJ do anocalendário 2002 já havia decaído por ocasião da pretendida diligência, pois, se decorridos cinco anos do fato gerador "já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte"; e que, como forma de fornecer subsídios contábeis para determinação do prejuízo fiscal utilizado, trouxe aos autos cópia de seu balancete em 31.12.2002, que apura o mesmo resultado (doe. n° 10), bem como razão analítico da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados (doc. n. 11) As Manifestações de Inconformidade foram julgadas improcedentes pela DRJ em acórdão que recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. DECADÊNCIA. Para a verificação da certeza e da liquidez de existência de crédito alegado por contribuintes, não há restrição temporal ao poder de investigação da Fazenda Pública. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da última declaração retificadora que tenha tratado da mesma compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. PRECLUSÃO. Operase a preclusão e o conseqüente não reconhecimento do direito creditório do contribuinte quando este, intimado a apresentar documentos comprobatórios do seu direito, deixa de apresentálos ou de indicar motivos para a não apresentação. A contribuinte, cientificada em 25/01/2010 (fls. 851), interpôs recurso voluntário em 24/02/2010 (fls.858 e seguintes). Pede o reconhecimento de plano do crédito de CSLL inalterado em todas as DIPJ's retificadoras transmitidas pela empresa , assim como ao menos o reconhecimento da parcela do saldo negativo de IRPJ que não foi alterada nas retificações. Alega, também, a insuficiência de fundamentação do despacho decisório e novamente questiona o fato de inexistir fiscalização efetiva. Aduz, nesse ponto, que a Divisão de Fiscalização, destacando a iminência do vencimento do prazo para homologação tácita da Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.298 4 compensação e, ainda, a impossibilidade fática e jurídica de uma reapuração, na verdade não realizou a diligência solicitada pela autoridade fiscal e, inclusive, expressamente registrou que não havia nenhum indício de irregularidade nas declarações fiscais da empresa. Quanto ao lapso temporal, argumenta a ocorrência de decadência (tanto da cobrança quanto do exame da DIPJ), nos seguintes termos: "como não houve nenhum auto de infração para alterar a apuração informada pela empresa em sua DIPJ do anocalendário de 2002, temse que o saldo negativo de CSLL e IRPJ registrado na declaração fiscal da empresa não pode mais ser alterado". Nesse sentido conclui pela homologação tácita das compensações. Por fim, busca demonstrar a existência do crédito pleiteado, conforme o seguinte resumo constante da peça recursal: Inicialmente, cumpre esclarecer que o único documento fiscal hábil a demonstrar a ocorrência de prejuízo fiscal é a DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica). No presente caso, foi apresentada pela Requerente DIPJ retificadora, recepcionada pela RFB em 17.12.2004. Na Ficha 06A, atinente à demonstração do resultado (p. 5) (doc.n° 09 da Manifestação de Inconformidade), foi apurado lucro líquido contábil no valor de R$ 687.259.665,80. O valor consignado nesta linha corresponderá ao efetivo lucro ou prejuízo líquido apurado contabilmente. [...]Ainda como forma de fornecer subsídios contábeis para determinação do saldo negativo utilizado, a Recorrente traz aos autos cópia de seu balancete em 31.12.2002, que apura o mesmo resultado (Doc. n° 10 da Manifestação de Inconformidade), bem como razão analítico da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados (Doc. n° 11 da Manifestação de Inconformidade). Partindose do lucro líquido contábil, constante das apurações contábeis e da DIPJ (documento fiscal), e considerando as adições e exclusões, chegase a um lucro real de R$198.105.206,47, informado na linha 46, da ficha 09A da DIPJ de 2002 (p.7). O valor indicado nesta linha constitui, quando positivo, a base de cálculo do imposto. Se negativo (prejuízo), seu valor será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de compensação nos períodos de apuração subseqüentes. Idêntico resultado, e não poderia ser diferente, está consignado na parte A do LALUR, documento contábil, que a Recorrente também trouxe aos autos (Doc. n° 12 da Manifestação de Inconformidade). A PGFN apresentou ContraRazões às fls. 1.067/1.088. Alega, em resumo (cf. fls. 1.111): a impossibilidade de reconhecimento de plano os créditos de CSLL constantes da DIPJ, bem como a parcela do saldo credor de IRPJ, no montante que não foi alterado nas DIPJ's retificadoras; Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.299 5 que o ônus da prova de fato constitutivo do direito incumbe a quem o alega e a declaração de compensação não havia sido suficientemente instruída com documentos que possibilitassem ao Fisco esclarecer a correção das parcelas que compunham o saldo credor do IRPJ e da CSLL; que não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas DCOMP apresentadas, já que o prazo para homologação (5 anos) deve ser aplicado tão somente aos pleitos formulados após o marco de 30 de outubro de 2003, data da edição da Medida Provisória n° 135/2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003; a tese da homologação tácita encontrase, ademais, óbice no fato de que a declaração sob análise foi retificada em 05.02.04 (fls. 5455), data que passou a ser o termo inicial para a análise da compensação pelo Fisco, nos termos de que dispunha a Instrução Normativa SRF n° 460/04. Intimada a recorrente em 14.04.08 do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório da contribuinte e não homologou sua declaração de compensação, restou plenamente atendido o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96; Quanto à alegação dos documentos apresentados pelo contribuinte acerca da existência do crédito, as ContraRazões da PGFN apenas transcreve o trecho da decisão da DRJ que a considerou insuficiente, sem qualquer comentário adicional. Após encaminhamento dos autos ao CARF, os membros da 2a Câmara, da 2a Turma Ordinária da 1a Seção, por intermédio do Acórdão n. 1202001.014 (fls. 1.111/1.130), deram parcial provimento, para reconhecer a decadência do direito do Fisco questionar a apuração do saldo negativo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2002, nos termos do voto vencedor. Essa decisão foi objeto de Recurso Especial pela Fazenda (fls. 1.135/1.140), recurso este que foi admitido (despacho de exame de admissibilidade de fls. 1.135/1.140). O contribuinte apresentou ContraRazões às fls. 1.161/1.185. A CSRF, por voto de qualidade, julgou procedente o recurso especial (cf. Acórdão n. 9101003.032 de fls. 1.279/1.290), cuja ementa restou assim redigida: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anoscalendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Tratase de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Tratase de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.300 6 como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de oficio só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. Os autos, então, foram redistribuídos ao presente Relator para apreciação das demais questões de mérito constantes do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O crédito requerido diz respeito a Saldos Negativos de IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2002, pleiteados inicialmente no montante total de R$38.627.526,70, por meio de DCOMP entregue em 13/03/2003. Em 05/04/2004, a Recorrente apresentou DCOMP Retificadora, informando crédito de R$ 42.678.102,18. Também houve ajustes nos valores dos saldos negativos nas DIPJ, tendo sido a última retificadora (3) entregue em 17/12/2004 com indicação dos saldos ajustados. As compensações formalizadas com os referidos Saldos Negativos foram reunidas e objeto de encaminhamento à DIPAC/DEFIC/RJO, uma vez que houve proposta de diligência (fls. 144/146) específica para exame da escrituração fiscal e contábil da interessada a fim que se verificasse a regularidade do direito creditório em questão. Em 06/10/2006, a empresa recebeu Termo de Diligência Fiscal (fls. 148), solicitando: 1 Livro Razão(IN 86/2001,regulamentada pelo ato declaratório executivo Cofis 15/2001). 2 Livro de Apuração do Lucro Real(LALUR). 3 Documentação comprobatória, referente as deduções relacionadas na DIPJ/2003(pag.13). Referido termo deixa registrado, ainda, que "outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal". Às fls. 147 há um despacho sem rigor formal nos seguintes termos: "informo não ter recebido documentação comprobatória suficiente para instrução do referido processo, conforme determinado as fls. 89 e 90, apesar de ter solicitado a empresa (Termo anexado ao processo)." Notase, aqui, que o despacho não indica nenhuma ausência de atendimento propriamente dita, mas revela, isto sim, apenas que não teria havido entrega suficiente de documentação, o que a meu ver são coisas bem diferentes. Pois bem. Cerca de 1 (um) mês depois, em 09/11/2007, há registro de que os autos foram encaminhados (fls. 149) a outro auditor fiscal designado para que fosse realizada, ou melhor, para que fosse dada continuidade à diligência. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.301 7 Não custa lembrar, nesse ponto, que houvera até então apenas a emissão de um único termo de intimação, que indica apenas o início do trabalho fiscal e, principalmente, do qual há dúvidas sobre o teor do atendimento. Em seguida, por meio de despacho datado de 30/01/2008 (fls. 150/152) e transcrito abaixo na íntegra , o auditor fiscal responsável se certificou acerca da impossibilidade de realizar a diligência em tempo hábil, propondo o encaminhamento do presente processo em face da não localização de indícios que ensejassem uma fiscalização na empresa. Veja: (1)Foi solicitado, nas fls. 93v, que fosse efetuada diligência nos moldes, da OS SRRF07 n° 01/2004, a fim de atender o despacho de fls. 89 e 90, que determinou: "que se apure mediante exame da escrituração contábil e fiscal da interessada, o efetivo valor do saldo negativo de IRPJ e de CSLL referente ao ano calendário de 2002, verificando se a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e o IRPJ e CSLL devidos foram corretamente apurados; se os rendimentos advindos das aplicações financeiras realizadas naquele ano foram efetivamente oferecidos à tributação, nos termos do art. 231, III, do RIR/99; se as deduções efetuadas na apuração daqueles saldos credores encontramse lastreadas em documentaçãohábil e idônea comprobatória de sua existência e efetividade; se os eventuais saldos negativos foram utilizados para compensações em anos subseqüentes e demais verificações que entender cabíveis., Por oportuno, ressaltamos que o presente processo devera ser devolvido a esta EQPEJ/DIORT, após diligência, no prazo previsto no segundo passo da aludida Ordem de Serviço, para finalização da análise quanto à compensação pleiteada " (grifei) (2)Como se pode depreender da capa do p.p., a data de protocolização foi no dia 13/03/2003; (3) Conseqüentemente, o prazo fatal para homologação tácita da compensação se dará em 13/03/2008 e o prazo aludido na OS (60 dias antes da data de homologação) se deu em 14/01/2008; (4) Por outro lado, o presente pedido de diligência chegou ao Grupo 33, oriundo da DIFIS II desta Delegacia de Fiscalização, apenas no dia 12/11/2007 (fls. 93v), a dois meses do prazo para devolução; (5) O pedido de diligência da EQPEJ/DIORT à DEFIC se deu em 12/08/J2005 (fls. 90) e após trânsito na DIPAC/DEFIS e DIFIS II/DEFIC, foi encaminhado para este Grupo, sem que qualquer verificação tenha sido feita;i (6) Na diligência efetuada pela DIFIS II, foi lavrado um Termo de Intimação (fls. 93) em 06/10/2006, sem que tenha havido resposta por parte do contribuinte,» fato este informado no despacho de fls. 92; (7) Da análise do pedido de diligência, transcrito no item (1) deste despacho, podese constatar facilmente que se trata de procedimentos típicos de fiscalização, pela abrangência.enorme que alcançam; Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.302 8 (8) A simples parcela "verificando se a base de .cálculo do IRPJ e da CSLL e o IRPJ e CSLL devidos foram corretamente apurados" do pedido em questão se traduz em análise de todas as receitas e todas as despesas escrituradas, fora todas, as exclusões e adições ao lucro líquido para fins de apuração do Lucro Real, tarefa essa de grandeza ímpar; (9) As próprias fiscalizações, ao serem programadas, selecionam determinados aspectos a serem auditados, revelando indícios de irregularidades; (10) Ressaltese que a empresa, observados os pressupostos de conveniência e oportunidade pela DIPAC/DEFIS, não foi selecionada para ser fiscalizada no ano calendário de 2002, o que indica não terem sido detectados, em análise parametrizada, indícios de irregularidades na apuração do IRPJ e CSLL devidos; (11) Tendo em vista o porte da empresa em questão, com receita bruta de mais de R$ 15.000.000.000,00 (quinze bilhões de reais), com 16 filiais espalhadas por todo o território nacional, tal tarefa tem duração prolongadíssima; (12) Se um MPF de Fiscalização normal, com aspectos pontuais a serem analisados, tem prazo de execução 120 dias, que quase sempre são prorrogados, qual tempo seria necessário para verificação tão ampla? De certo, não menos que um. ano; (13) Desta forma, reputo o atendimento do pedido de fls. 89 e 90 impraticável, pela exigüidade de tempo (exatos 122 dias, compreendidos entre o dia 13/J1/2007 e 14/01/2008); (14) Ainda que fosse tal prazo estendido até o dia 13/03/2008, não seria possível o atendimento solicitado; (15) Desta forma, proponho o encaminhamento do presente processo à DIORT/EQPAJ/DERAT/RJO, para prosseguimento, informando da impossibilidade de atendimento por parte deste Grupo 33 e, por conseqüência, desta DIFIS I. Convém notar que não houve intimação regular desse despacho à Recorrente, em contrariedade ao que dispõem os artigos 27, 29, 39 e 44, todos da Lei n. 9.784/1999, verbis: "Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado. Art. 29. [...]§ 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. "Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento." Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.303 9 "Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado." O que ocorreu, após a negativa da autoridade competente, foi a emissão de Parecer Conclusivo de fls. 159/162 por outra equipe da Receita Federal (Diort), manifestando se favoravelmente à cobrança dos montantes compensados, sob a falsa premissa de que a Recorrente, mesmo regularmente intimada, não teria comprovado o alegado direito creditório. Há, a toda evidência, uma repentina "mudança de rumo" pela Administração Pública, que , ao invés de caminhar no sentido de homologar o feito do contribuinte, afinal este não teria sido incluído na lista de empresas alvo de fiscalização, optou por simplesmente negar as compensações. Já nas manifestações de inconformidade a contribuinte, dentre outros argumentos, questiona o critério de procedimento adotado, notadamente a recusa da diligência. Ademais, apresenta "documentação básica" do Saldo Negativo, composta de DIPJ, Balancetes Contábeis, LALUR, Resumo do Livro Razão e Demonstrativos; e ainda tece comentários gerais sobre a apuração dos seus Saldos Negativos. A decisão de piso, por sua vez, não se atentou aos detalhes dos antecedentes, notadamente a cronologia dos fatos prévios ao despacho decisório, e foi, com a devida vênia, singela na argumentação sobre a documentação apresentada pela empresa. Em suas palavras: No caso presente, a interessada, embora regularmente intimada para tal, deixou passar em branco a oportunidade de demonstrar seu direito, ônus que lhe é imposto pela lei. Agora, em sede de impugnação, a defesa afirma (i) que seu crédito já fora declarado em DIPJ entregue tempestivamente e (ii) que o auditor responsável por empreender nova diligência afirmara que o fato desta Secretaria não ter préquestionado os valores declarados depõe pela ausência de indícios de irregularidades. Sobre tais argumentos, cumpre observar, primeiramente, que, por óbvio, dados declarados não suprem a apresentação de documentos que permitam efetivamente concluir pela apuração do saldo negativo; depois, a inexistência de indício contrário ao interesse do contribuinte é bem diferente da existência de prova a favor, que, in casu, é requisito legal para a homologação expressa da compensação. 0 art. 4o da Lei n.° 9.784/99 estabelece como dever do contribuinte a prestação de informações que lhe forem solicitadas para o esclarecimento dos fatos. Vejamos: [...]A lacuna probatória que impediu a anuência do fisco com a compensação efetivada poderia ter sido suprida nesta instância de julgamento, desde que a interessada carreasse aos autos extrato da escrituração fiscal que demonstrasse o seu direito creditório, o que fez apenas na aparência, ao mencionar na impugnação a juntada dos documentos de fls. 626/713, que, digase, em nada lhe socorrem, até mesmo pela ausência na peça de bloqueio de argumentação que permita inferir, a partir das informações estampadas naqueles documentos, a existência do direito creditório pretendido. Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.304 10 A decisão de piso definitivamente não se atentou à inobservância das normas acima apontadas e que regulamentam o processo administrativo federal, bem como ignorou os vícios e falácias cometidos em tornos dos fatos. Não há dúvidas de que, em relação aos processos de compensação, o ônus da prova do direito creditório compete aquele que o alega, a quem tem o dever de responder, atender as intimações e comprovar o direito creditório que postula, mas isso deve ser feito dentro de um regular procedimento ou processo administrativo. O despacho decisório, nesse caso concreto, simplesmente presumiu que a contribuinte não teria atendido à fiscalização e, conseqüentemente, não teria comprovado o crédito, em total contrariedade aos fatos narrados e todo histórico ora relatado. Entendo, porém, que jamais poderia a autoridade fiscal responsável ter prescindindo da diligência prévia que lhe foi determinada. Quando a autoridade fiscal se certificou que a Recorrente estava regular, não havendo contra ela sinais ou ordem para uma fiscalização, a conseqüência natural seria o deferimento dos valores declarados e requeridos como Saldos Negativos, e não o contrário, ou seja, o indeferimento do pleito. O dever de investigação, nesse caso concreto, partiu da própria autoridade. Tratase de ato vinculado que não poderia ter sido desprezado. De acordo com precedente do antigo 1oConselho de Contribuintes: PAF PRINCIPIO INQUISITÓRIO. O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. (CARF 1a. Seção / 2 a . Turma da 1 a . Câmara / ACÓRDÃO 110200.499 em 03/08/2011) Em outra oportunidade o CARF foi ainda mais elucidativo: LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. PROVAS. INSTRUÇÃO INSUFICIENTE. A acusação fiscal consubstanciada no auto de infração é procedimento inquisitório que deve vir completo. Deve ser cancelada a autuação que não venha acompanhada das provas da infração imputada ao contribuinte. É defeso à autoridade julgadora aperfeiçoar o lançamento pela juntada aos autos de documentos que deveriam basear a autuação fiscal. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. (ACÓRDÃO: 1401001.840) Nesse contexto, entendo que a DRJ jamais poderia ter perdido de vista que houve pedido específico de diligência tendente a verificar o saldo negativo que se buscou compensar (e que, digase, sempre esteve declarado em DCOMP e DIPJ), mas esta diligência simplesmente foi recusada pela própria Receita Federal. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.305 11 Salta aos olhos, nessa situação particular, que o auditor fiscal, embora tenha registrado que não teria tempo hábil para concluir uma diligência de tal magnitude, atestou expressamente que a Recorrente é empresa de grande porte, não incluída no rol de política de fiscalização do ano calendário autuado, possuidora de indícios de regularidade e que sua apuração constitui tarefa complexa, razão pela qual demandaria tempo considerável, mas não disponível para assim proceder. Ao assim proceder, entendo que o r. despacho indica, ainda que de forma implícita, uma manifestação fiscal em prol da homologação das compensações, razão pela qual não poderia ter sido ignorado. Ao contrário do que quer fazer crer o despacho decisório, assim como a decisão de piso, não houve "não atendimento" ou "recusa de resposta" a uma efetiva fiscalização, pois esta fiscalização inerente à diligência nunca existiu. Superada essa questão, e a título meramente argumentativo, necessária uma indagação, notadamente no que diz respeito à forma de comprovação documental do crédito pleiteado pelo contribuinte diretamente na via contenciosa: como se faria esta comprovação espontânea, considerando tratarse de empresa que faturou cerca de R$15 bilhões, opera em 16 (dezesseis) estados, possui diversos incentivos fiscais e registra receitas e despesas das mais variadas espécies? A DRJ recusou a tentativa inicial de prova apresentada pela Recorrente (Dipj e escrituração), mas não indicou nenhuma razão material para essa negativa. Não há motivação explícita e congruente no Acórdão acerca de que documentos seriam aptos, qual seriam os pontos de investigações, enfim, o que de fato não foi entregue e o que não foi respondido, o que a meu ver apenas corrobora que o procedimento fiscal é nulo desde sua origem. Feitas essas considerações, entendo que já ocorreu a homologação tácita das compensações, razão pela DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Redator designado. Ouso divergir do sempre bem fundamentado voto do Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli apenas para discordar que o processo estava pronto para julgamento. Nesse sentido, propus baixálo em diligência para que a fiscalização aprofundasse melhor as investigações a respeito dos créditos de saldos negativos de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) do anocalendário de 2002. O Relator foi preciso no relato dos fatos relevantes que me aproveito aqui para esclarecer a controvérsia: (...) Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.306 12 Já nas manifestações de inconformidade a contribuinte, dentre outros argumentos, questiona o critério de procedimento adotado, notadamente a recusa da diligência. Ademais, apresenta "documentação básica" do Saldo Negativo, composta de DIPJ, Balancetes Contábeis, LALUR, Resumo do Livro Razão e Demonstrativos; e ainda tece comentários gerais sobre a apuração dos seus Saldos Negativos. (...) Não há dúvidas de que, em relação aos processos de compensação, o ônus da prova do direito creditório compete aquele que o alega, a quem tem o dever de responder, atender as intimações e comprovar o direito creditório que postula, mas isso deve ser feito dentro de um regular procedimento ou processo administrativo. O despacho decisório, nesse caso concreto, simplesmente presumiu que a contribuinte não teria atendido à fiscalização e, conseqüentemente, não teria comprovado o crédito, em total contrariedade aos fatos narrados e todo histórico ora relatado. Entendo, porém, que jamais poderia a autoridade fiscal responsável ter prescindindo da diligência prévia que lhe foi determinada. Quando a autoridade fiscal se certificou que a Recorrente estava regular, não havendo contra ela sinais ou ordem para uma fiscalização, a conseqüência natural seria o deferimento dos valores declarados e requeridos como Saldos Negativos, e não o contrário, ou seja, o indeferimento do pleito. O dever de investigação, nesse caso concreto, partiu da própria autoridade. Tratase de ato vinculado que não poderia ter sido desprezado. (GRIFAMOS) Muito embora concorde em linhas gerais com tudo quanto o relator colocou em seu voto, discordo da conclusão dada ao litígio, verbis: A DRJ recusou a tentativa inicial de prova apresentada pela Recorrente (Dipj e escrituração), mas não indicou nenhuma razão material para essa negativa. Não há motivação explícita e congruente no Acórdão acerca de que documentos seriam aptos, qual seriam os pontos de investigações, enfim, o que de fato não foi entregue e o que não foi respondido, o que a meu ver apenas corrobora que o procedimento fiscal é nulo desde sua origem. Feitas essas considerações, entendo que já ocorreu a homologação tácita das compensações, razão pela DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. O voto condutor da decisão de primeira instância, com o qual eu me alinho, rechaçou a tese da interessada quanto à ocorrência de homologação tácita, sob os seguintes fundamentos, verbis: Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.307 13 Não há que se falar, também, em nulidade do procedimento fiscal, uma vez que tratase de análise de direito creditório pleiteado pela própria contribuinte e de declarações de compensações efetuadas com base nesse crédito. Sendo assim, e apenas por dever de cautela, baixo o feito em diligência1 para que a fiscalização aprofunde a investigação com relação ao saldo negativo de IRPJ e da CSLL apurados pela recorrente na DIPJ/2003, intimando o contribuinte, se for o caso, no sentido de que: a) Verifique se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados, mediante: 1) identificação dos prejuízos fiscais e bases negativas integrantes do saldo que a contribuinte entende dispor para compensação, de modo a determinar o período de apuração inicial das análises; 2) confronto entre os registros do SAPLI e as DIPJ apresentadas pelo sujeito passivo, com avaliação dos efeitos de eventuais declarações retificadoras; 3) identificação de eventuais alterações dos prejuízos fiscais ou bases negativas em razão de lançamentos tributários, informando a data de formalização destes e o seu estágio atual, caso contestado; e 4) demonstração da evolução, a cada período de apuração, dos prejuízos e bases negativas, comparando as informações do sujeito passivo e aquelas extraídas dos sistemas de controle da RFB; b) comprove se as receitas financeiras correspondentes ao IRRF deduzido na DIPJ/2003 foram efetivamente oferecidas à tributação; c) seja apurado o saldo negativo de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2002 a partir do lucro real (linha 45 da ficha 09A) e da CSLL total (linha 36 da ficha 17) registrados na DIPJ/2003. 1 1 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3º Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Resolução nº 1201000.521 S1C2T1 Fl. 1.308 14 Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 1308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017600/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2013
TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. ENQUADRAMENTO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS.
São segurados obrigatórios da Previdência Social os contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, que prestem serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, devendo a empresa recolher as contribuições incidentes sobre sua remuneração. Quando utilizadas para afastar fatos apresentados pela autoridade fiscal e baseados em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes.
LANÇAMENTO. MEIOS DE PROVA.
Impõe-se a manutenção do lançamento tributário efetivado com amparo em controles e planilhas que, apreendidos pela fiscalização, detalham pagamentos à margem da contabilidade. Cabe à empresa apresentar meios de prova que se mostrem suficientes para comprovar os fatos alegados, principalmente quando não prestados os esclarecimentos durante a ação fiscal.
Numero da decisão: 2401-009.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lopes Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Wilderson Botto (suplente convocado)
Nome do relator: RODRIGO LOPES ARAUJO
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ENQUADRAMENTO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. São segurados obrigatórios da Previdência Social os contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, que prestem serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, devendo a empresa recolher as contribuições incidentes sobre sua remuneração. Quando utilizadas para afastar fatos apresentados pela autoridade fiscal e baseados em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. LANÇAMENTO. MEIOS DE PROVA. Impõe-se a manutenção do lançamento tributário efetivado com amparo em controles e planilhas que, apreendidos pela fiscalização, detalham pagamentos à margem da contabilidade. Cabe à empresa apresentar meios de prova que se mostrem suficientes para comprovar os fatos alegados, principalmente quando não prestados os esclarecimentos durante a ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Wilderson Botto (suplente convocado) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 76 00 /2 00 8- 79 Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.851 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.017600/2008-79 Relatório Trata-se, na origem, de auto de infração para exigência das contribuições devidas a outras entidades ou fundos, denominados “terceiros”. De acordo com o relatório fiscal: Os fatos geradores das contribuições lançadas no presente Auto-de-Infração - AI são os seguintes: 2.1- Remunerações pagas a contribuintes individuais transportadores autônomos, no período de 01/2003 a 12/2003, não considerados como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social;; 2.2- Remunerações pagas a segurados empregados, no período de 02/2003 a 06/2003, 092003 a 10/2003 e 12/2003, não considerados como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social; 3- Os fatos geradores foram verificados e apurados da seguinte forma: 3.1. Valores pagos a transportadores autônomos que prestaram serviços à empresa, não lançados em Folha de Pagamento, contabilizados, no período de O1/2003 a 12/2003, não considerados como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, conforme discriminado no Anexo: RL - Relatório de Lançamentos, que integra o presente Auto-de- Infração - AI, cujos valores correspondentes ao presente levantamento, encontram-se lançados neste AI sob o seguinte código e título: - PF2 - PAGAMENTO FRETE APÓS 04/07/01 Os valores de remunerações relativos ao presente levantamento foram levantados de acordo com recibos de serviços prestados por transportadores autônomos, contabilizados, mês a mês, nas contas 21101 - Fornecedores Diversos, 33104 - Serviços Prestados Pessoa Física e 33109 - Despesas Gerais e encontram-se relacionados no Anexo I. BC – REMUNERAÇÃO Os valores relativos ao presente levantamento foram levantados a partir de documentos caixa, apreendidos por esta fiscalização com cópia anexada a este relatório. Estes documentos apresentam um Mapa de Salários discriminando parcela paga em Folha de Pagamento e paga “Por Fora”. Ciência da autuação em 07/10/2008. Impugnação na qual a autuada alega que: A autuação foi fundamentada em mera planilha interna da empresa; O mapa de pagamento de salários apreendido retrata devolução de empréstimo feito pelos sócios à empresa A planilha detalha de qual setor da empresa provinham os recursos para devolução do empréstimo; A planilha demonstra os valores gastos pelo setor, além dos pagamentos de salários; Com relação aos contribuintes individuais, somente não efetuou o recolhimento pelo não enquadramento como trabalhadores autônomos; Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.851 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.017600/2008-79 Lançamento julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CALCULO. São segurados obrigatórios da Previdência Social os contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, que prestem serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, devendo a empresa recolher as contribuições incidentes sobre sua remuneração. Os procedimentos de fiscalização impõem sejam verificados os valores contabilizados, bem como, os documentos que dão suporte à contabilização, dentre eles, os documentos de caixa. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Ciência do acórdão em 02/02/2010. Recurso Voluntário apresentado em 04/03/2010, no qual a recorrente reitera as razões da impugnação. O processo foi instruído com os seguintes documentos: Documentos E-fl. Relatório Fiscal 19 Aviso de recebimento (AR) do auto de infração 80 Impugnação 83 Acórdão de 1ª instância (DRJ) 143 Aviso de recebimento (AR) do acórdão 156 Recurso Voluntário (RV) 157 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Lopes Araújo, Relator. Análise de admissibilidade O recurso é tempestivo e atendidos aos demais requisitos de admissibilidade, de forma que deve ser conhecido. Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.851 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.017600/2008-79 Mérito – Levantamentos O lançamento engloba, em síntese, os seguintes levantamentos, cujos valores foram apurados a partir da documentação mencionada: PFR: valores pagos a contribuintes individuais transportadores autônomos, levantados de acordo com recibos de serviços prestados por pessoas físicas e contabilizados; SAL: valores pagos a segurados empregados, levantados documentos caixa, entre os quais mapa de salários discriminando parcela paga em folha de pagamento e parcela paga “por fora”; Levantamentos “PFR” – Transportadores autônomos Quanto aos fatos geradores relacionados a transportadores autônomos, encontra-se uma única alegação genérica no recurso voluntário: Com relação aos contribuintes individuais também não pode ser imputado o impugnante qualquer infração, uma vez que o mesmo somente não efetuou tal recolhimento em decorrência do não enquadramento destes contribuintes como trabalhadores autônomos. Sem contestar os pagamentos efetuados a pessoas físicas – contabilizados nas contas “Fornecedores diversos”, “Serviços prestados pessoa física” e “Despesas Gerais” - a autuada porém não esclarece as razões pelas quais as pessoas elencadas no anexo I ao relatório fiscal não seriam enquadradas como transportadores autônomos, com a correspondente incidência das contribuições para terceiros sobre as remunerações pagas. Portanto, deve ser mantida a decisão de piso. Levantamento “SAL” – Documentos de caixa – Contratos de mútuo Em relação aos valores pagos a título de salários aos empregados, cabe ressaltar que a fiscalização embasou a autuação com lastro em documentos apreendidos que refletiam o movimento de caixa, entre os quais mapa de salários dando conta que havia pagamentos não contabilizados. Verifica-se que o “mapa de pagamento de salários por fora” apresenta registros tanto de valores transferidos aos sócios quanto de valores transferidos a setores da empresa, sendo que estes a fiscalização considerou como remuneração a empregados (levantamento “SAL”), da seguinte forma: Competência Sócios Empregados Total 02 3.600,00 17.897,00 21.497,00 03 2.400,00 14.544,00 16.944,00 04 4.000,00 23.305,00 27.305,00 05 22.400,00 12.130,00 34.530,00 06 14.400,00 10.127,00 24.527,00 Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.851 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.017600/2008-79 09 14.400,00 13.695,00 28.095,00 10 14.400,00 11.677,00 26.077,00 12 9.600,00 8.312,00 17.912,00 13 15.000,00 8.229,00 23.229,00 Total 220.116,00 A recorrente argumenta que se trata de planilha interna da empresa; que se trata de rascunho de relatório particular dos sócios; que diz respeito a prestação de contas para os sócios; que não pode ser considerado livro-caixa; que a nomenclatura “por fora” foi infeliz, mas que significa que o valor foi gasto pelo setor. Sustenta ainda que o total dos valores das competências 02,03, 05, 06, 09, 10 e 12 são relativos a devolução de empréstimos feitos pelos sócios, como indicado em cheques e no livro diário da empresa, bem como nas Declarações de Bens dos sócios. É esperado que dentro das empresas circulem papeis meramente gerenciais, que contenham projeções e estimativas diversas e não reflitam a ocorrência de fatos jurídico- tributários. Todavia, no caso em questão há que se observar que a fiscalização, por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos e Esclarecimentos, intimou a contribuinte a prestar esclarecimentos acerca dos documentos apreendidos. Entretanto, a então fiscalizada nada comunicou, o que inclusive levou à autuação (processo 15504.017596/2008-49) por descumprimento de obrigação acessória, por infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/1991. Dessa forma, a documentação ganha relevância como comprovação de pagamentos à margem da contabilidade, ficando a contribuinte sujeita a apresentar provas ainda mais robustas para afastar a acusação fiscal. Não obstante, as inconsistências nos documentos juntados pela recorrente frente às alegações trazidas não se prestam a tanto. Primeiramente, embora a autuada diga ter havido recursos transferidos dos sócios para as pessoas jurídica a título de mútuo, a contabilização dos valores se deu na conta relativa a adiantamentos para futuro aumento de capital (AFAC), conforme extrato do livro razão. Nesse extrato, verifica-se que foram contabilizados pela pessoa jurídica, mensalmente ao longo do segundo semestre de 2002, diversos valores com o histórico de pagamento por empréstimos feitos pelos sócios. Entretanto, ao final do mesmo ano, foram lançados valores de novos empréstimos obtidos com os sócios. Não é esclarecido o porquê a empresa quitaria suas obrigações mensalmente para, ao final do mesmo ano, assumir novas obrigações com as mesmas pessoas. Pendentes as explicações das razões pelas quais são feitos aportes de caixa de curto prazo, via AFAC retratável e/ou mútuo, para devoluções mensais no ano imediatamente seguinte. Causa estranheza que da Declaração de Bens do sócio Caio Márcio conste, no ano de 2003, tanto a baixa do mútuo feito para a empresa (R$ 389.911,51) como a assunção de um empréstimo obtido com a empresa (R$ 270.000,00). Estivesse a pessoa jurídica com problemas de fluxo de caixa, necessitando de aporte de capital ou obtenção de recursos com mútuos, não Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.851 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.017600/2008-79 efetuaria empréstimo aos mesmos sócios. Até mesmo porque, de acordo com os contratos de mútuos apresentados, a empresa estava sujeita a pagamento de juros para os sócios. Portanto, não é possível descartar a manutenção de obrigações inexistentes no passivo, em contrapartida de ganhos à margem da escrituração, transferidos posteriormente aos sócios e funcionários. Consta ainda que das declarações de bens dos sócios que estes teriam realizados empréstimos para a empresa em valores distintos: Decl. de Bens Situação do empréstimo para Tabocas Sócio Em 31/12/2002 Em 31/12/2003 Caio Márcio 389.911,51 0,00 Flávio Barbosa 758.551,62 0,00 No entanto, como já observado pelo julgador a quo, da leitura das cópias dos recibos que fariam prova da devolução de valores de empréstimos tomados, o valor pago a cada sócios em cada mês foi idêntico. E mais, o valor supostamente pago a ambos teria sido feito, de modo pouco razoável, por meio de um único cheque, indicando que a situação fática quanto a utilização dos recursos financeiros não corresponde à situação formal suscitada pela recorrente. Como se não bastasse, a recorrente nada assevera quanto à documentação apreendida, sem elucidar de que forma o mapa de pagamento de salários possibilitava controle gerencial ao registrar inclusive remunerações de 13ª salário. Nesse quadro, considerando ainda que não houve prestação dos esclarecimentos solicitados pela fiscalização em época própria, deveria ter a recorrente trazido mais elementos que permitissem demonstrar o alegado, como a prova da efetiva transferência de recursos dos sócios para a empresa a título de mútuo, detalhamento do fluxo financeiro até a devolução dos valores e justificativa para tais transações. A inconsistência dos argumentos da recorrente aliada às informações constantes da documentação apreendida pela fiscalização reforçam a tese fiscal de que havia pagamento de verbas por fora da contabilidade, razão pela qual deve ser mantido o lançamento. Conclusão Pelo exposto, voto por: CONHECER do Recurso Voluntário; e No mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.851 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.017600/2008-79 Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10735.722437/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PROCEDIMENTO FISCAL.
Quando, antes de qualquer procedimento fiscal, há pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é aplicável o critério de contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2402-010.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelando-se integralmente o crédito lançado, uma vez que atingido pela decadência.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Marcelo Rocha Paura (Suplente Convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PROCEDIMENTO FISCAL. Quando, antes de qualquer procedimento fiscal, há pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é aplicável o critério de contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da data da ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelando-se integralmente o crédito lançado, uma vez que atingido pela decadência. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Marcelo Rocha Paura (Suplente Convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PROCEDIMENTO FISCAL. Quando, antes de qualquer procedimento fiscal, há pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é aplicável o critério de contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelando-se integralmente o crédito lançado, uma vez que atingido pela decadência. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Marcelo Rocha Paura (Suplente Convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 04-33.593, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande/MS, fls. 84 a 92: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 24 37 /2 01 1- 28 Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.263 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.722437/2011-28 Lançamento Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante notificação de lançamento, f. 6-9, através do qual se exige o crédito tributário R$ 62.258,96, assim discriminado: A exigência se refere ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR do exercício 2006, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda da Figueira, com área total de 526,8 ha, Número de Inscrição – NIRF 5.605.055-0, localizado no município de Mangaratiba-RJ. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR em relação aos seguintes fatos tributários: Área de Preservação Permanente – APP: foi glosada a isenção sobre a área de 67,9 hectares, declarada como Área de Preservação Permanente, por falta de comprovação dos requisitos de isenção. Área de Reserva Legal - ARL: foi glosada a isenção sobre a área de 305,0 hectares, declarada como área de reserva legal, por falta de comprovação dos requisitos de isenção. Valor da Terra Nua - VTN: o contribuinte não apresentou os documentos solicitados para comprovação do VTN do imóvel, motivo pelo qual o valor declarado pelo sujeito passivo foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT. Em razão do constatado, foi efetuado lançamento do imposto, acrescido de juros moratórios e multa de ofício. Impugnação [Cientificada do lançamento em 27/10/11, fl. 59, [a] interessada apresentou impugnação, f. 10-12, e após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Alega que o imóvel está inserido na Área de Proteção Ambiental - APA de Mangaratiba e no Parque Estadual de Cunhambebe. Sustenta que o acesso ao imóvel é difícil porque não tem estrada, que o acesso ocorre por um caminho precário aberto pela FURNAS, que no imóvel existe áreas de pasto (seguindo as linhas de eletricidade e local das torres) e um imenso bananal e que o restante do imóvel é coberto por floresta do bioma Mata Atlântica em cima de morros. Alega que foi orientada pelo IBAMA a averbar a área de reserva legal e a fazer plano de manejo sustentado de palmito juçara, mas teve dificuldade para obter informações sobre procedimento de averbação, motivo pelo qual a averbação da área de reserva legal não foi feita. Alega que não tem empregado rural, o que existe é um contrato verbal com assentados autorizando-os a utilizar as áreas de pasto e a fazer o corte de bananas em troca de eles tomarem conta da área e inibirem caçadores e palmiteiros. Argumenta que não tem condições financeiras para contratar profissional para elaborar laudo técnico devido ao custo elevado do serviço. Entende que as imagens de satélite do google earth são suficientes para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental. Informa que declarou o valor total do imóvel de R$ 298.400,00 com base nos gastos que teve com o imóvel e acredita que não consegue vendê-lo por este valor. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.263 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.722437/2011-28 Informa que anexa os seguintes documentos e informações: informações sobre o Parque de Cunhambebe; Plano de Manejo Sustentado de Palmito Juçara; imagens da fazenda. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado. Às f. 64 consta petição da interessada, protocolada em 05/04/2012, solicitando a juntada de Laudo Técnico emitido por engenheiro florestal e e-mail do engenheiro florestal. Informa que por questões burocráticas alheias a sua vontade ainda não havia feito a averbação da área de Reserva Legal. Acrescenta que somente agora possui a dimensão correta das áreas de sua propriedade, que deveria refazer as DITR dos Exercícios 2006 em diante e os ADAs, mas entende que o erro cometido incorreu em ITR superior ao devido. Às f. 76-77 consta petição da interessada, protocolada em 24/05/2012, solicitando a juntada de pedido da interessada dirigido ao INEA – Instituto Estadual do Ambiente para emissão de certidão ambiental de aprovação de reserva legal, para fins de averbação da ARL à margem da matrícula do imóvel. (Destaques no original) Ao julgar a impugnação, em 23/9/13, a 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS concluiu, por unanimidade de votos, pela sua procedência em parte, restabelecendo parte da Área de Preservação Permanente (APP) declarada e consignando a seguinte ementa no decisum: IMÓVEL LOCALIZADO EM PARQUE ESTADUAL. TRIBUTAÇÃO. O Parque Estadual integra o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza - SNUC e é de domínio público, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. O proprietário de área particular localizada em Parque Estadual é contribuinte do ITR até a data da perda da posse pela imissão prévia ou provisória do Poder Público na posse ou até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. INCIDÊNCIA. O fato, por si só, de o imóvel estar localizado em Área de Proteção Ambiental - APA, não o exclui da incidência do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. EXISTÊNCIA. RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. A não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente depende da prova da existência dessas áreas, nos termos da legislação ambiental, e da prova da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental - ADA perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. AUSÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. A não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal depende de averbação à margem da matrícula do imóvel na data do fato gerador do ITR e da prova da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental - ADA perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PERÍODO DE ISENÇÃO. A isenção do ITR sobre as áreas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração passou a vigorar somente a partir do exercício 2007, com o advento da Lei 11.428 de 22/12/2006. VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA. O valor da terra nua apurado pela fiscalização em procedimento de ofício, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.263 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.722437/2011-28 Cientificada da decisão de primeira instância, em 14/7/14, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 95, a Contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 96 a 102, em 13/8/14, alegando, em síntese, que: - Em que pese a criação da APA não impedir o exercício de atividades econômicas nas propriedades rurais, segundo apontado pela decisão recorrida, a legislação que trata de crimes ambientais tem rigor maior e nos leva a ter muito cuidado com a área em questão; - Segundo o laudo de avaliação apresentado, 96% da área é coberta por vegetação nativa e densa, remanescendo somente 20,76 há de área útil e passível de aproveitamento; - “Considerando a definição correta de reserva legal ‘reserva legal é a área coberta de vegetação nativa’ e na DITR/2006 não havia campo para informação da mata existente, ainda que houvesse a questão da averbação a margem da matrícula, o próprio programa a induziu ao erro em informar no item 03 a quantidade de hectares de mata”; - Não houve tentativa de burlar o fisco, mas apenas a tentativa de fazer as informações de acordo com a realidade da propriedade; - Quanto ao Valor da Terra Nua (VTN), “não houve tempo suficiente, naquela época, para elaboração de laudo com as características e requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653-3 da ABNT que a citada norma exige. No entanto, acompanha este recurso o Laudo Técnico de Avaliação, devidamente fundamentado com os critérios e métodos de acordo com a referida norma”; - Chegou-se “ao VTN de R$ 381,52 por hectare, totalizando o valor de R$ 200.992,37 [...] o valor da propriedade a preços de janeiro de 2006. Ao apreciar o recurso voluntário, em 10/3/21, esta Turma Ordinária do CARF converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2402-000.995, fls. 152 a 156, para que a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) confirmasse se o imposto apurado pela Recorrente, em sua Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), foi recolhido antes do início da ação fiscal, haja vista a possível ocorrência da decadência. Em resposta à diligência, a RFB instruiu os autos com as telas de fls. 160 e 161, nas quais consta o recolhimento do imposto em duas parcelas, sendo uma em 3/8/07 e outra em 11/12/07. É o Relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Da ocorrência da decadência Em que pese não ter sido arguido no recurso, o instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, se constitui em matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.263 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.722437/2011-28 partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos. Pois bem, assim dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, quanto ao lançamento por homologação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por sua vez, vejamos o que estabelece a Lei nº 9.393, de 19/12/96, quanto ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR): Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Desse modo, tendo em vista que o ITR se constitui em tributo cujo lançamento se dá por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública apurar e lançar eventuais diferenças de imposto tem seu dies a quo no primeiro dia do respectivo exercício, que corresponde a data do seu fato gerador. No caso em tela, o lançado diz respeito ao exercício de 2006, tendo o prazo decadencial, pela regra do art. 150, § 4º, do CTN, se iniciado em 1/1/06. Logo, uma vez que a Recorrente efetuou o recolhimento do imposto em duas parcelas, sendo uma em 3/8/07 e outra em 11/12/07, segundo consta nas telas de fls. 160 e 161, tem-se que o crédito lançado restou atingido pela decadência, haja vista que a ciência do lançamento ocorreu em 27/10/11 (vide AR de fl. 59). Sendo assim, tem-se por prejudicada a análise das alegações recursais. Conclusão Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito lançado, uma vez que atingido pela decadência. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10783.908939/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de (restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUALIDADE DA PROVA.
A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. É relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência.
Numero da decisão: 3302-011.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.505, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10783.908920/2013-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de (restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUALIDADE DA PROVA. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. É relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.505, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10783.908920/2013-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
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DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de (restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUALIDADE DA PROVA. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. É relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.505, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10783.908920/2013-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 89 39 /2 01 3- 31 Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente do Per n° 08665.34237.241109.1.1.10-0633 por meio do qual requer a Interessada créditos de PIS - mercado interno no valor de R$ 1.878,66, acumulados ao longo do 1º trimestre de 2006. Consta no despacho decisório que a unidade de origem denegou integralmente o pleito por ter constatado a ausência de crédito disponível para ressarcimento. Acompanha e ampara essa decisão o Parecer SEFIS/DRF/VIT/ES n° 70/2017, que contem as seguintes considerações: A Coopeavi é uma cooperativa de produção agropecuária que no período fiscalizado realizou as seguintes atividades: a) fabricação de ração: comprou mercadorias para produção de ração destinadas a: aves, suínos, bovinos, caprinos, ovinos e equinos. A ração produzida foi vendida para os associados e terceiros; b) recria: comprou pintainhos de um dia e posteriormente comercializou frangos para a produção de ovos; c) beneficiamento de ovos: realizou a seleção, classificação, limpeza e embalagens dos ovos adquiridos dos associados e efetuou a sua comercialização; d) beneficiamento do café: comprou café em grãos cru e realizou de forma cumulativa as atividades de padronizar, beneficiar e separar os grãos por densidade, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial e efetuou a sua comercialização; e) lojas agrícolas: comprou bens/mercadorias e posteriormente revendeu para os associados e terceiros. Com o objetivo de confirmarmos as informações apresentadas nos arquivos, a fiscalizada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 02, a nos informar se possuía todos os documentos comprobatórios dos créditos do PIS/Cofins pleiteados, referente ao período de apuração 04/2005 a 12/2007, a saber: notas fiscais de aquisição, de vendas, conhecimento de transporte ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos), coincidentes em datas e valores. A Cooperativa também foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 03, a apresentar cópias dos documentos fiscais comprobatórios das despesas com armazenamento e frete na operação de venda, referente ao ano de 2007. Em resposta as intimações, a Cooperativa não apresentou nenhum documento comprobatório, apenas informou que “ A Cooperativa Agropecuária Centro Serrana - COOPEAVI, informa que não possui as notas fiscais de aquisição, de vendas, conhecimento de transporte ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos) coincidentes em datas e valores, tendo em vista já ter expirado o prazo de guarda e manutenção dos documentos fiscais, bem como não ter recebido retorno referente o requerimento em anexo, protocolado em 10 de julho de 2012. Os documentos do período abrangido foram descartados em janeiro de 2015, antes do recebimento da intimação citada”. Verifica-se que a Cooperativa não possui nenhum documento comprobatório dos créditos pleiteados do período 04/2005 a 12/2007, em virtude do descarte realizado em 01/2015. Diante desse fato não foi possível efetuarmos a validação das informações apresentadas nos arquivos. Diante do exposto e considerando que a Coopeavi não possui as notas fiscais de aquisição, de vendas ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos) comprobatórios do direito Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 creditório pleiteado, restou à Fiscalização proceder à glosa integral dos créditos solicitados no pedido de ressarcimento. Ciente dessa decisão, apresentou a sua defesa nos seguintes termos: As disposições contidas no art. 65 da IN 900/2008 e no art. 161 da IN 1717/2017 não são absolutamente restritivas e condicionadas a apresentação de notas fiscais. Assim, o Fiscal determinou que a cooperativa não possui documentos que comprovem os créditos, ligando a essa documentação apenas a notas fiscais emitidas para a cooperativa, sem levar em consideração todas as demais obrigações acessórias declaratórias onde os mesmos foram regularmente escriturados. Obrigações estas apresentadas durante os procedimentos de fiscalização. Durante os procedimentos de fiscalização, a cooperativa apresentou declarações acessórias declaratórias, planilhas de controle, Livros Contábeis e Fiscais e arquivos digitais que comprovam a existência ou ocorrência das operações de aquisição, geração de despesas, custo e encargos sobre os quais apurou crédito de PIS e COFINS. De forma especial, destaca-se a apresentação, em meio digital e físico, do Livro de Entrada, instituído pelo Estado, o qual está regularmente autenticado pelo referido órgão, atestando a existência dos documentos fiscais nele escriturados. Desta feita, há que consignar que o indeferimento integral dos créditos, com a desconsideração de outros meios legítimos probatórios que não apenas as notas fiscais, é medida excessivamente extrema e não se coaduna com o princípio da legalidade, pois radicaliza a interpretação da disposição das Instruções Normativas transcritas. O princípio da boa-fé em matéria tributária, aqui muito importante, constitui derivação geral do princípio da confiança que deve reger as relações entre o fisco e contribuinte. Assim, demonstra-se que o fisco deve possuir uma relação de continuidade ética e legítima no seu comportamento perante o contribuinte. Nesse sentido, resta ferido também o princípio da proporcionalidade, entendido este como um delimitador do arbítrio estatal, conforme sábia lição da doutrina. Assim, é imperioso o provimento da presente Manifestação para ou voltar para uma nova análise do direito creditório ou, com base nas provas acostadas, caso os julgadores se sintam aptos (mesmo que com a realização de diligência), julguem a existência dos créditos pretendidos. A Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal do Brasil julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. O contribuinte foi intimado do Acórdão e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: A possível comprovação do direito do contribuinte por meio dos documentos apresentados; A fiscalização possuía outros meios para verificar o cabimento dos pedidos de ressarcimento dos créditos; O princípio da boa fé. PEDIDOS E REQUERIMENTOS Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 1. Recebimento tempestivo da Presente Defesa Fiscal, sob a denominação de Recurso Voluntário; 2. Julgamento de procedência do presente recurso, com o reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: - Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. O contribuinte foi intimado do Acórdão, por via eletrônica, em 17 de agosto de 2020, às e-folhas 143. O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 16 de setembro de 2020, e-folhas 144. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. A possível comprovação do direito do contribuinte por meio dos documentos apresentados; A fiscalização possuía outros meios para verificar o cabimento dos pedidos de ressarcimento dos créditos; O princípio da boa fé. Passa-se à análise. Trata o presente do Per n° 16809.49701.241109.1.1.10-6407 por meio do qual requer a Interessada créditos de Pis - mercado interno no valor de R$ 2.421,25, acumulados ao longo do 2° trimestre de 2005. Consta no despacho decisório que a unidade de origem denegou integralmente o pleito por ter constatado a ausência de crédito disponível para ressarcimento. Acompanha e ampara essa decisão o Parecer SEFIS/DRF/VIT/ES n° 51/2017. Com o objetivo de confirmar as informações apresentadas nos arquivos, a fiscalizada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 02, a informar se possuía todos os documentos comprobatórios dos créditos do PIS/Cofins pleiteados, referente ao período de apuração 04/2005 a 12/2007, a saber: notas fiscais de aquisição, de vendas, conhecimento de transporte ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos), coincidentes em datas e valores. A Cooperativa também foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 03, a apresentar cópias dos documentos fiscais comprobatórios das despesas com armazenamento e frete na operação de venda, referente ao ano de 2007. Em resposta as intimações, a Cooperativa não apresentou nenhum documento comprobatório, apenas informou que “ A Cooperativa Agropecuária Centro Serrana - COOPEAVI, informa que não possui as notas fiscais de aquisição, de vendas, Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 conhecimento de transporte ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos) coincidentes em datas e valores, tendo em vista já ter expirado o prazo de guarda e manutenção dos documentos fiscais, bem como não ter recebido retorno referente o requerimento em anexo, protocolado em 10 de julho de 2012. Os documentos do período abrangido foram descartados em janeiro de 2015, antes do recebimento da intimação citada”. Verifica-se que a Cooperativa não possui nenhum documento comprobatório dos créditos pleiteados do período 04/2005 a 12/2007, em virtude do descarte realizado em 01/2015. Diante desse fato não foi possível a fiscalização efetuar a validação das informações apresentadas nos arquivos. O Acórdão de Manifestação de Inconformidade assim se pronuncia às folhas 04 daquele documento: A Recorrente, por seu turno, reconhece não ter apresentado as notas fiscais e conhecimentos de transporte, em razão de descarte, mas alega que as disposições contidas no art. 65 da IN RFB n° 900/2008 e no art. 161 da IN RFB n° 1717/2017 não são absolutamente restritivas e condicionadas a apresentação de notas fiscais, de modo que o crédito pode ser comprovado por outras formas, tais como as declarações, planilhas e livros apresentados. Inicialmente, é importante mencionar que o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos; e à verificação da exatidão das informações prestadas, mediante exame da escrituração contábil e fiscal do interessado, nos termos do art. 161 e incisos da IN RFB n° 1.717/2017. Por conseguinte, desde que atenda a critérios de razoabilidade, fica circunscrita à esfera de discricionariedade da autoridade tributária a decisão a respeito da profundidade do exame efetuado com o fim de verificar a procedência do direito creditório pleiteado, e, em consequência, dos documentos e esclarecimentos que julgar pertinentes para a comprovação do crédito sob exame. Em outras palavras, ainda que a Recorrente entenda ser possível ter seu crédito ratificado por outras formas, é a autoridade fiscal que determinará a natureza dos documentos que servirão para formar sua convicção a respeito do crédito pleiteado. Com efeito, a autoridade fiscal intimou a Recorrente a apresentar, entre outros documentos, esclarecimentos, planilhas e documentos fiscais referentes aos créditos pleiteados, o que, a meu ver, atende perfeitamente a um critério de razoabilidade. Os aludidos documentos compõem o núcleo essencial do conjunto probatório dos créditos da não cumulatividade, visto que os valores pleiteados serão cotejados com aqueles dispostos nas planilhas, os quais, por sua vez, serão comprovados a partir dos documentos fiscais apresentados. Vale lembrar também que o contribuinte deve manter em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal, nos termos do que dispõem o art. 195 do CTN, o art. 37 da Lei n° 9.430/19096 e o art. 4° do Decreto-Lei n° 486/1969. Por fim, apesar de ter razão a Recorrente quando afirma que - em tese - podem os créditos ser comprovados de outras maneiras, verificando os documentos contidos nos autos do e-dossiê de atendimento n° 10010.004891/0716-15, é possível constatar que foram apresentados tão somente esclarecimentos diversos, planilhas descritivas, além de algumas notas fiscais de energia elétrica referentes ao ano de 2009, os quais, isoladamente, não comprovam o direito alegado. - A demonstração da certeza e liquidez do crédito tributário Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 A comprovação da existência de direito creditório líquido e certo é inerente à certificação da legítima e correta compensação, conforme se depreende do art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O CTN remete à lei ordinária e, nos casos em que ela atribuir à autoridade administrativa, a função de estabelecer condições para que as compensações possam vir a ser realizadas. Neste sentido, a regra replicada no inciso VII, §3° do art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (...) VII - o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; (Grifo e negrito nossos) De clareza cristalina a regra para compensação de créditos tributários por apresentação de Decaração de Compensação (DCOMP): demonstração da certeza e liquidez. Nesta toada, a demonstração da certeza e liquidez do crédito tributário que se almeja compensar é condição sine qua non para que a Autoridade Fiscal possa apurar a existência do crédito, sua extensão e, por óbvio, a certeza e liquidez que o torna exigível. Ausentes os elementos probatórios que evidenciem o direito pleiteado pela Recorrente, não há outro caminho que não seja seu não reconhecimento. - Do Ônus da Prova. Coloque-se, inicialmente, que no que se refere à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo-tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. A regra maior que rege a distribuição do ônus da prova encontra amparo no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1° Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão Fl. 268DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2° A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3° A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I. - recair sobre direito indisponível da parte; II. - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4° A convenção de que trata o § 3° pode ser celebrada antes ou durante o processo. O dispositivo transcrito é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, vez que a obrigação de provar está expressamente atribuída à Autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) 1 Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de n° 9303-005.226, a qual me curvo para adotá-la neste voto: ...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. - Do reconhecimento do direito creditório pleiteado condicionado à apresentação de documentos comprobatórios. A intimação fiscal para esclarecimentos, nas hipóteses de restituição/compensação, trata, em verdade, de faculdade atribuída à autoridade administrativa competente para decidir sobre o crédito utilizado, dado que, conforme já fartamente esclarecido, a prova 1 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 do indébito tributário resta a cargo do sujeito passivo. Nesse sentido dispõe, expressamente, a legislação de regência vigente a partir da implementação da restituição/compensação por meio de declaração: Instrução Normativa SRF n°210, de 30 de setembro de 2002: “Art. 4o A autoridade competente para decidir sobre a restituição poderá determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e.fiscal, a exatidão das informações prestadas. ” Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004: “Art. 4° A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. ” Instrução Normativa SRF N° 600, de 28 de dezembro de 2005: “Art. 4° A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.” Instrução Normativa RFB n°900, de 30 de dezembro de 2008: “Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e.fiscal, a exatidão das informações prestadas. ” Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de novembro de 2012: “Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.” Instrução Normativa RFB n° 1.717, de 17 de julho de 2017: Art. 161. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório: - à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos; e - à verificação da exatidão das informações prestadas, mediante exame da escrituração contábil e fiscal do interessado. A prova requerida em favor da pessoa jurídica consiste nos fatos registrados na escrituração e comprovados por documentos hábeis, conforme art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz, prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°). ” (destaques acrescidos) Como visto da legislação transcrita, a escrituração, por si só, ou seja, quando desacompanhada dos documentos a ela pertinentes, não é suficiente para comprovar os registros ali efetuados. Veja-se a jurisprudência: “REGISTROS CONTÁBEIS - Devem ser amparados por documentos hábeis, quais sejam, aqueles que tem os requisitos e qualidades indispensáveis para comprovar os lançamentos contábeis e produzir os efeitos jurídicos, sendo insuficiente para comprová-los simples declarações de técnico de contabilidade. ” [1° CC Ac. 103-20.008, DOU de 17/08/99] Ressalte-se que o Código Tributário Nacional - CTN, aprovado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, prescreve a observância da guarda dos documentos que devem acobertar a escrituração, nos seguintes termos: “Art. 195 - (omissis) Parágrafo único - os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” Nesse mesmo diapasão são as disposições constantes do art. 4° do Decreto- lei n.° 486, de 3 de março de 1969, tomado como base legal do artigo 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): “Art. 4°. O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.” E também as disposições do art. 37 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. ” E não basta apenas juntar um documento ou um conjunto de documentos, ainda que volumoso. É preciso estabelecer uma relação entre os documentos e o fato que se pretende provar. Nesse sentido, vale-se das lições de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário, 2008, p. 179): Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o, fato probando. (destaques acrescidos) Assim, provar por meio de documentos não se encerra na apresentação desses, mas exige que sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar. Portanto, no caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, à contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. - Momento da apresentação das provas. Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual. No do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Neste sentido, a inteligência do art. 17 do Decreto 70.235/1972 toda a matéria de defesa deve ser alegada na impugnação/manifestação de inconformidade, de modo que há preclusão para elencar novos elementos fáticos em sede recursal. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sidoexpressamente contestada pelo impugnante. Da lição do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho: Sabemos que as provas devem estar em conjunto com as alegações, formando uma união harmônica e indissociável. Uma sem a outra não cumpre a função de clarear a verdade dos fatos. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebra-cabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Mais para que a prova seja bem valorada, se faz necessária uma dialética eficaz. Ainda mais quando a valoração é feita em sede de recurso. Por isso que se diz que o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. As razões do recurso são elemento indispensável ao órgão julgador, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderando-as em confronto com os motivos da decisão recorrida. O simples ato de acostar documentos desprovidos de argumentação não permite ao julgador chegar a qualquer conclusão acerca dos motivos determinantes do alegado direito requerido. Não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Dinamarco afirma que o direito à prova não é irrestrito ou infinito: A constituição e a lei estabelecem certas balizas que também concorrem a traçar- lhes o perfil dogmático, a principiar pelo veto às provas obtidas por meio ilícitos. Em nível infraconstitucional o próprio sistema dos meios de prova, regido por formas preestabelecidas, momentos, fases e principalmente preclusões, constitui legítima delimitação ao direito à prova e ao seu exercício. Falar em direito à Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-011.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908939/2013-31 prova, portanto, é falar em direito à prova legítima, a ser exercido segundo os procedimentos regidos pela lei. Portanto, já em sua Manifestação de Inconformidade / Impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deve reunir todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Atentando-se para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. O presente pleito carece de provas relacionadas à apresentação de documentos da ESCRITA FISCAL no momento propício – junto à Manifestação de Inconformidade - que demonstrem o alegado. Diante do exposto e considerando que a Coopeavi não possui as notas fiscais de aquisição, de vendas ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos) comprobatórios do direito creditório pleiteado, adequada a glosa integral dos créditos solicitados no pedido de ressarcimento. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.940117/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.467
Decisão: Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
JOSÉ HENRIQUE MAURI - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente SADIVE S/A DISTRIBUIDORA DE VEICULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) JOSÉ HENRIQUE MAURI Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório emitido pela Derat São Paulo, que indeferiu o Pedido de Restituição vinculado a pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de Per/Dcomp, uma vez que o Darf não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando haver cometido equívoco ao confeccionar seu pedido de restituição, uma vez que no campo relativo ao DARF informou a soma de dois e/ou três pagamentos realizados em vez de um único pagamento, por se referirem a um mesmo tributo e um mesmo período de apuração. Ressalta, todavia, que esse erro em nada prejudica seu direito creditório pleiteado. Na seqüência, após citar a legislação atinente à matéria e jurisprudências, salienta o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal de que a base de cálculo das RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 40 11 7/ 20 11 -8 4 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.940117/201184 Resolução nº 3301000.467 S3C3T1 Fl. 3 2 contribuições ao PIS e à Cofins somente devem incluir os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão 06046.825. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, através do qual pleiteou a reforma da decisão recorrida. Alegou, resumidamente, que a lei excetua a impossibilidade de afastamento da aplicação de lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, como é o caso do afastamento da aplicação do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 (RE 390.840). É o relatório. Voto Conselheiro Jose Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.464, de 29 de agosto de 2017, proferida no julgamento do processo 10880.940112/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.464): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Esclarecimentos fáticos De início, é importante que sejam feitos alguns esclarecimentos fáticos relativos ao caso vertente. Consoante se constata do despacho decisório, a motivação para o indeferimento do pedido de restituição decorreu da não localização do pagamento informado como indevido ou a maior que o devido nos sistemas da Receita Federal. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte esclareceu que cometeu equívoco no preenchimento do seu pedido, tendo informado o total do pagamento de COFINS no período ao invés dos pagamentos individualmente efetuados. Nesta oportunidade, anexou aos autos cópias dos DARFs que comprovam a alegada falha, a qual restou confirmada pela DRJ (vide fl. 41). Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.940117/201184 Resolução nº 3301000.467 S3C3T1 Fl. 4 3 Ocorre que, apesar da comprovação atinente à falha no preenchimento do pedido de restituição, entendeu a DRJ que não poderia acolher o pleito do contribuinte. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada, extraída do voto que compõe a decisão recorrida: Entretanto, apesar da comprovação dos recolhimentos assim efetuados, o pedido de restituição não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente a esses recolhimentos. Em sua manifestação, a contribuinte argumenta tão somente a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal em relação à inclusão no faturamento das pessoas jurídicas de outras receitas que não a de vendas de mercadorias e de serviços. Ora, para a análise do direito creditório alegado, devese verificar a base de cálculo da contribuição e o valor que teria sido recolhido a maior. E, para isso, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem que o pagamento foi efetuado considerando receitas não operacionais e/ou receitas financeiras, que não correspondam à atividade operacional da empresa. E essa comprovação deve ser feita, a princípio, com base na escrituração fiscal e contábil da empresa e/ou em documentos fiscais que reflitam tratarse de receitas que escapem à incidência da contribuição, situação não demonstrada. É de se observar, por precaução, que os recolhimentos foram realizados em nome da empresa incorporada Sadive Automóveis Ltda., CNPJ nº 02.992.628/000146, cabendo a apresentação da escrituração fiscal, se porventura houvesse feito, em nome desta. Vejase que a legislação é clara no sentido de que a restituição/compensação de débitos tributários somente pode ser deferida mediante a existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública (art. 170 do CTN). No caso, como dito, nada foi apresentado para comprovar essa liquidez e certeza e, como se sabe, segundo o art. 333 do CPC, o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Seguiu dispondo a decisão recorrida que, nos termos do parágrafo 11 do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, cumulado com o parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, a prova deveria ter sido apresentada pelo contribuinte juntamente com a sua impugnação, razão pela qual teria precluído o seu direito de fazêlo em outro momento processual. Sendo assim, concluiu pela manutenção do indeferimento da restituição pleiteada, face à inexistência de prova hábil que demonstrasse o pagamento indevido do tributo. Face a tal decisão, o contribuinte interpôs Recursos Voluntário, através da qual apresentou os argumentos que serão devidamente enfrentados a seguir. 2. Preliminar de nulidade da decisão recorrida Preliminarmente, alegou o contribuinte em seu recurso a nulidade da decisão recorrida, pois a DRJ teria inovado no feito, tendo adotado argumento diverso do inserto no despacho decisório para indeferir o pleito da recorrente. Ressalta que o despacho decisório indeferiu o pedido de ressarcimento sob a alegação de inexistência do recolhimento declarado como indevido pela Recorrente (não localização do DARF), o que levou à comprovação realizada pelo contribuinte em sua Manifestação de inconformidade (DARFs apresentados). Segue dispondo que "qualquer autuação, para que seja juridicamente válida, deve conter em si todos os elementos de fato e de direito que justificam a respectiva exigência fiscal, não podendo sofrer modificação ao longo do processo, sob pena de se Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.940117/201184 Resolução nº 3301000.467 S3C3T1 Fl. 5 4 desvirtuar a ordem regular do processo e se prejudicar o direito à ampla defesa e ao contraditório". Discordo do contribuinte neste ponto. O despacho decisório concluiu que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado". E esta mesma conclusão foi a que constou da decisão recorrida. Não há que se falar, portanto, em inovação no feito. Até porque, ainda que os fundamentos em um e outro caso tenham sido diversos, tal fato não levaria à nulidade da decisão recorrida, pois embora o equívoco relativo aos DARFs tenha sido esclarecido pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, é inconteste que a DRJ não poderia ter deferido pedido de restituição sem que o caráter de certeza e liquidez do crédito pleiteado tivesse sido confirmado. A análise da certeza e liquidez do crédito pleiteado é simplesmente imprescindível ao deferimento de pleito compensatório. Destaquese, inclusive, que, em razão do ônus probatório que lhe persegue no presente caso, o contribuinte deveria ter trazido aos autos os elementos comprobatórios desta certeza e liquidez na primeira oportunidade em que teve para se manifestar nos autos. Não o tendo feito, não possui razões para discordar da decisão da DRJ que concluiu pela impossibilidade de homologação da compensação realizada, face à ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Há de ser afastada, portanto, a alegação de nulidade da decisão recorrida. 3. Mérito Consoante acima narrado, o crédito objeto do pedido de restituição referese a suposto "pagamento indevido ou a maior" realizado pelo contribuinte, tendo em vista que teriam sido incluídas receitas estranhas ao conceito de faturamento. Destaca a recorrente que esta discussão já se encontra superada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no RE 390.840/MG. Ou seja, a questão de mérito posta em discussão cingese à análise do direito da recorrente à COFINS pago com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, dispositivo este que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por negar provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que "a concessão de restituição vinculada a pagamento indevido ou a maior do que o devido está condicionada à demonstração inequívoca da base de cálculo da contribuição e do pagamento dito indevido, que deve ser realizada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea e da escrituração contábil/fiscal da empresa". No caso concreto, portanto, entendeu que o contribuinte não havia trazido aos autos dita comprovação. Ou seja, restringiuse aquela instância de julgamento a negar o direito à restituição em razão da ausência de comprovação quanto à certeza e liquidez do montante apontado, nada tendo disposto acerca do mérito da contenda. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.940117/201184 Resolução nº 3301000.467 S3C3T1 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, é cediço que tal dispositivo legal (parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998), além de já ter sido declarado inconstitucional em decisões sem efeito erga omnes (RE 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG), também já o foi em processo com repercussão geral reconhecida (RE 585.235, cuja decisão foi publicada no Diário da Justiça nº 227 do dia 28 de novembro de 2008). Como se não bastasse, destaquese que a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, em consonância com o que decidira o STF, revogou expressamente o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. De outro norte, mencionese ainda que, nos termos do art. 62, inciso II, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343 de 2015, os Conselheiros têm que reproduzir tanto as decisões definitivas proferidas pelo Plenário do STF que tenha declarado inconstitucional determinado dispositivo legal, quanto decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. É o que se extrai dos incisos I e II, b, do referido art. 62, a seguir transcritos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quanto ao direito pleiteado, portanto, é pacífico o entendimento favoravelmente aos interesses do contribuinte. 4. Necessidade de diligência Embora a matéria de direito já se encontre pacificada, tendo em vista que a presente demanda versa sobre pedido de restituição, é essencial que se perquira, ainda, se o montante apontado pelo contribuinte se reveste de certeza e liquidez. Ou seja, há de se verificar se os valores indicados a título de crédito correspondem, de fato, ao alargamento da base de cálculo disposta no parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, declarado inconstitucional. Ocorre que tal análise não chegou a ser realizada nos presentes autos, visto que a documentação tendente a comprovar o direito alegado apenas foi anexada aos autos juntamente com o Recurso Voluntário interposto. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.940117/201184 Resolução nº 3301000.467 S3C3T1 Fl. 7 6 Defende o contribuinte em seu recurso que não teria precluído o seu direito à comprovação do valor que pretende ter restituído. Neste particular, entendo que assiste razão ao contribuinte. Embora haja respaldo legal para a não admissão da juntada posterior de documentos, nos moldes enunciados pela decisão recorrida (parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72), é cediço que este Conselho, em atenção ao princípio da verdade material, tem admitido, em determinadas situações, a juntada de documentos a posteriori pelo sujeito passivo, desde que a documentação apresentada seja relevante à solução da lide. No caso específico aqui analisado, entendo que o contribuinte não se manteve inerte no intuito de comprovar o seu direito. Em princípio, ao ter denegado o seu pleito sob o fundamento de não localização do DARF indicado, apresentou manifestação de inconformidade através da qual apontou a falha identificada, tendo juntado naquela oportunidade cópia dos DARFs cuja soma corresponde ao valor apontado em seu pedido de restituição. Em um segundo momento, quando teve indeferido o seu pleito pela DRJ em razão da ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito apontado, anexou aos autos através do seu Recurso Voluntário, no intuito de comprovar o alegado, planilha com a indicação dos valores que teriam sido incluídos indevidamente na base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que correspondiam a receitas financeiras da empresa (fl. 70 dos autos), bem como cópia do seu livro razão. Verificase que tais documentos não foram até o momento analisados pela fiscalização. Entendo, portanto, que a sua análise pela fiscalização se apresenta imprescindível à correta solução desta lide. Nesse contexto, há de se concluir que a presente demanda não se encontra satisfatoriamente instruída para fins de julgamento, fazendose necessária a realização de diligência para que se analise a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. A necessidade de diligência para fins de apuração do crédito do contribuinte, inclusive, já foi reconhecida em outros julgados deste Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2001 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.940117/201184 Resolução nº 3301000.467 S3C3T1 Fl. 8 7 PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 3402004.261 de 27/06/2017). Sendo assim, em observância aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, entendo que a presente demanda deverá ser convertida em diligência, para que a autoridade fiscal competente analise os documentos anexados aos autos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, pronunciandose expressamente sobre a aptidão de tais documentos a comprovar o pagamento a maior objeto do pedido de restituição apresentado, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, bem como indicando os valores a serem admitidos. É importante que se diga que não se está aqui invertendo o ônus da prova. Este ônus, conforme já anteriormente mencionado, é do contribuinte. Pretendese, em verdade, em atenção ao princípio da verdade material, identificar se o recolhimento realizado pelo contribuinte fora de fato indevido, ainda que a documentação correspondente a tal comprovação apenas tenha sido realizada quando da interposição de Recurso Voluntário. Até porque, negarse o direito à restituição quando haja tal comprovação nos autos seria admitir conscientemente verdadeiro enriquecimento indevido por parte da União, o que não se deve admitir. Até porque, como é cediço, a matéria de direito já se encontra pacificada tanto no Judiciário quanto neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante analisado no tópico imediatamente anterior. 5. Conclusão Voto, portanto, no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente em seu pedido de restituição correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do relatório de diligência para, desejando, manifestarse no prazo legal. Após, os autos deverão retornar ao CARF, para fins de julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.940117/201184 Resolução nº 3301000.467 S3C3T1 Fl. 9 8 a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente em seu pedido de restituição correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do relatório de diligência para, desejando, manifestarse no prazo legal. Após, os autos deverão retornar ao CARF, para fins de julgamento. assinado digitalmente Jose Henrique Mauri Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720815/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO.
Não se conhece de matéria sustentada somente no Recurso Voluntário, precluindo sua alegação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, em especial quando necessária a produção probatória.
EXCLUSÃO DO ICMS/IPI DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O VALOR DA RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação vigente não contempla a exclusão da base de cálculo das contribuições substitutivas, que é o valor da receita bruta da comercialização da produção.
Nos termos do Tema 1048, do STF, é constitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB).
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO.
Nos termos do art. 30, IV, da Lei 8.212/91, a empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações desses produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por eles devidas.
Numero da decisão: 2301-009.459
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leticia Lacerda de Castro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: LETICIA LACERDA DE CASTRO
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SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Não se conhece de matéria sustentada somente no Recurso Voluntário, precluindo sua alegação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, em especial quando necessária a produção probatória. EXCLUSÃO DO ICMS/IPI DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O VALOR DA RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. IMPOSSIBILIDADE. A legislação vigente não contempla a exclusão da base de cálculo das contribuições substitutivas, que é o valor da receita bruta da comercialização da produção. Nos termos do Tema 1048, do STF, é constitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB). PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO. Nos termos do art. 30, IV, da Lei 8.212/91, a empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações desses produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por eles devidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida negar-lhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 08 15 /2 01 6- 14 Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Leticia Lacerda de Castro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face do acórdão que manteve o lançamento tributário, relativo ao Auto de Infração de Obrigação Principal - AIOP - DEBCAD nº 51.059.999-0, correspondentes às contribuições patronais do período de 01/2011 a 12/2012, devidas à Seguridade Social e ao custeio dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho - SAT/RAT, devidos pela empresa, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, inclusive as receitas contabilizadas como exportações, uma vez que o contribuinte não comprovou que as mesmas foram realizadas de forma direta, assim como os valores das aquisições de produção rural de pessoas físicas. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 05/09, a Recorrente tem por objetivo, dentre outros, produção e comercialização de açúcar e seus subprodutos, aguardente, álcool combustível, carburante anidro e hidratado e seus subprodutos, bem como a comercialização, importação e exportação, venda para o mercado interno e internacional, armazenamento mistura, aditivação, transporte, controle e a importação e exportação de açúcar, álcool, aguardente e seus subprodutos. Ainda, que os valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural foram apurados com base na análise dos lançamentos contábeis das vendas de álcool anidro e hidratado, açúcar cristal e açúcar VHP, bagaço, óleo fusel, venda de açúcar VHP - mercado externo e venda de mel rico – mercado externo. Os lançamentos contábeis foram acessados através de consultas ao SPED Contábil do contribuinte. Estes valores não foram declarados em GFIP. No item 6 do Relatório Fiscal a fiscalização os pormenoriza em planilhas. A base de cálculo para a aplicação das alíquotas correspondentes foi obtida pelo cálculo da diferença entre os valores da receita bruta lançados na contabilidade e os declarados em GFIP, que foram obtidos através de consultas ao sistema GFIP WEB. As alíquotas aplicadas no Levantamento.: PR - Produção Rural PJ, são as previstas na Lei 8.212/91, art. 22-A, incisos I e II. Segundo, ainda, o Relatório Fiscal, os valores das aquisições de produtos rurais de pessoas físicas foram apurados com base na análise dos lançamentos contábeis da conta 41101024 - Matéria Prima Adquirida-Cana e não foram declarados em GFIP em sua totalidade. Assim a base de cálculo para a aplicação das alíquotas correspondentes foi obtida pelo cálculo da diferença entre os valores das aquisições de produtos rurais de pessoas físicas lançados na contabilidade e os declarados em GFIP e constantes do sistema GFIP WEB. Estas Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 diferenças estão demonstradas, por competência, na planilha constante do item 10 do Relatório Fiscal. Para o Levantamento: PF - Produção Rural PF, nas competências 04, 09, 11 e 12/2011, as alíquotas aplicadas são as previstas na Lei 8.212/91, art. 25, incisos I e II. Foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais considerando a ocorrência, em tese, da prática de crimes tributários, capitulados no art. 337-A do Decreto Lei nº 2.848/40- Código Penal. O acórdão recorrido foi assim ementado: ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. Este órgão de julgamento administrativo não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou atos normativos. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO. A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por eles devidas. EXCLUSÃO DO ICMS/IPI DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O VALOR DA RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. IMPOSSIBILIDADE. A legislação pertinente não contempla a exclusão da base de cálculo das contribuições substitutivas, que é o valor da receita bruta da comercialização da produção. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Apresentado Recurso Voluntário em que se sustenta, em síntese: (i) Possibilidade de o CARF analisar temas constitucionais, na forma do art. 62 do RICARF; (ii) Efetivamente, são improcedentes os lançamentos da contribuição da agroindústria, exigida sobre a receita bruta da comercialização, criada pela Lei n° 10.256/2001, posto que inconstitucionais, uma vez que decorre do fato de a troca de base de cálculo das contribuições securitárias só ter sido permitida, após a vigência da Lei nº 10.256/2001, pelo §13º do art. 195, da CF/88, encetado pela Emenda Constitucional n° 42, de 2003, além do que a criação de nova fonte de custeio depende de lei complementar, à luz do art. 195. § 4º, da CF/88. (iii) A decisão acerca da constitucionalidade ou não da contribuição da agroindústria, introduzida pela Lei nº 10.256/2001, está submetida ao Supremo Tribunal Federal, que já reconheceu a repercussão geral do tema. (iv) Igual mácula sofre a contribuição ao SENAR, uma vez que o art. 62 do ADCT c/c o art. 240 da CF/88 não autorizou sua substituição da folha de salários pela receita bruta da comercialização. Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 (v) Nulos, portanto, os presentes lançamentos, por exigir tributos inconstitucionais, devendo o CARF seguir a jurisprudência dos Tribunais Superiores acerca da matéria, nos termos do art. 19 da Lei n° 10.522/2002. (vi) A seguir, alega que na improvável hipótese de serem mantidos os lançamentos impugnados, ainda assim merece ser julgado improcedente o auto de infração, pois incluiu na base de cálculo das contribuições o valor do ICMS/IPI incidente na operação de compra da cana e no faturamento da produção da empresa, uma vez que segundo a interpretação do Fisco, o conceito de receita bruta abrangeria o valor do ICMS/IPI pagos na venda de mercadorias, razão pela qual tem exigido a inclusão de tais valores na base de cálculo da Contribuição Previdenciária Patronal e RAT, acarretando um aumento indevido do ônus tributário. Que o valor pago a este título não se amolda ao conceito de receita bruta da comercialização, devendo, por isso, ser excluído da base de cálculo da Contribuição Patronal, pois o fato de o ICMS/IPI compor ou não o preço da mercadoria ou estar inserido no preço do serviço não lhes retira a natureza de tributo e, portanto, não pode ser considerado faturamento ou receita; (vii) Defende a inexistência de exportações indiretas e exportação/faturamento de álcool anidro, citando a planilha do Relatório Fiscal; (viii) Somente houve a exportação de açúcar, inexistindo exportação de álcool anidro, bem como documentação contábil ou fiscal que ampare o alegado pela Fiscalização, conforme SPED contábil constante dos autos, reproduzindo-o no recurso, e sustentando que não consta referida exportação; (ix) Que essas telas não são novas, mas se tratam de documentos em poder da fiscalização e que a DRJ indevidamente não as enfrentou; (x) Todo o Auto de Infração que lançou a CPRB sobre receitas decorrentes de exportação indireta, por meio de trading company, é improcedente, na medida em que o art. 149 da CF dispõe sobre a imunidade de tais receitas; (xi) Com o objetivo de estimular as exportações, foi editado o Decreto 1.248/72, concedendo uma série de incentivos fiscais às operações realizadas pelas trading companies; (xii) Tendo em vista que o lançamento, de acordo com o relato fiscal, teve como fundamento a premissa de que somente sobre as receitas decorrentes de exportação direta da produção não incidem contribuições para a Seguridade Social, não houve análise do cumprimento dos requisitos do Decreto, desincumbindo-se, a fiscalização, de seu ônus probatório (não comprovação de que as vendas não se destinaram ao mercado externo); (xiii) De acordo com o art. 149, §2º, I, CF, não há distinção entre o tipo de exportação passível de ser abrangida pela imunidade nela prevista, não diferenciando a exportação direta daquela realizada por intermédio de trading companies; Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 (xiv) Entender que a imunidade aplica-se tão somente às receitas de exportação, sem nelas incluir as receitas advindas da exportação indireta, seria um contrassenso, ao tributar uma receita de exportação; (xv) Cita o art. 9, da Lei nº 10.833/2003, sobre a atividade típica das tradings companies; (xvi) Também cita jurisprudência favorável do CARF quanto à imunidade, e a Repercussão Geral no RE 759.244-SP; (xvii) No que diz respeito à cobrança de contribuições da empresa, na qualidade de suposta sub-rogatária do FUNRURAL, devido por fornecedores pessoas físicas de cana, com base no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, sustenta que embora a decisão do STF no RE 718.874/RS reconheça a validade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 1º da Lei 10.256/2001, isso em nada afeta a inexistência de base legal para a atribuição de sub-rogação às empresas adquirentes pelas obrigações devidas por esse produtor ou empregador rural pessoa física; (xviii) A atribuição da sub-rogação ao adquirente era prevista no art. 30, IV, da Lei 8.212/2001, expurgada do mundo jurídico, e não reintroduzida pela Lei 10.256/2001; (xix) Cita a tese do RE 718.874/RS, de que “é constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção”, aduzindo que é necessário verificar em que medida esse julgamento serve como base à atribuição de responsabilidade das contribuições ao adquirente; (xx) As alterações feitas pela Lei 10.256/01 dizem respeito aos arts. 22A, 22B, 25, 25A e 33, em nada afetando o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, cuja redação, antes de ser expurgada do mundo jurídico, atribuía à empresa adquirente a condição de sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física; (xxi) Registra que o art. 30, IV da Lei 8.212/91 teve sua execução suspensa pela Resolução do Senado nº 15/2017, e que não há qualquer outra nova redação para o dispositivo; (xxii) A decisão do STF que julgou constitucional a Lei 10.256/2001, não trata de adquirente, não discutindo o artigo 30, IV, da Lei 8212/91, inexistindo divergência entre a Resolução do Senado 15/2017 e o julgado no RE 718.874/RS. (xxiii) Que até a presente data inexiste previsão legal para se impor ao adquirente a sub-rogação da contribuição devida pelo produtor rural. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 Voto Conselheiro Leticia Lacerda de Castro, Relatora. Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A alegação de inconstitucionalidade de lei – Não conhecimento Sustenta a Recorrente a inconstitucionalidade da agroindústria, exigida sobre a receita bruta da comercialização, criada pela Lei n° 10.256/2001. Que a questão está submetida ao STF, que já reconheceu a repercussão geral do tema. Também que é inconstitucional a contribuição ao SENAR, uma vez que o art. 62 do ADCT c/c o art. 240 da CF/88 não autorizou sua substituição da folha de salários pela receita bruta da comercialização. Deixo de conhecer dessas matérias suscitadas pela Recorrente, eis que nos termos da Súmula CARF nº 02, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. A exportação indireta O Recurso Voluntário sustenta que foram lançadas contribuições sobre receitas decorrentes de exportação indireta, por meio de trading company, defendendo a aplicação do Decreto 1.248/72, que concedeu incentivos fiscais a essas operações. Aduziu, nesse sentido, que pelo Relatório Fiscal, depreende-se seu fundamento de que somente sobre as receitas decorrentes de exportação direta da produção não incidem contribuições para a Seguridade Social, vindo a desincumbir de seu ônus probatório (não comprovação de que as vendas não se destinaram ao mercado externo). Segundo a Recorrente, de acordo com o art. 149, §2º, I, CF, não há distinção entre o tipo de exportação passível de ser abrangida pela imunidade nela prevista, não diferenciando a exportação direta daquela realizada por intermédio de trading companies. Também cita jurisprudência favorável do CARF quanto à imunidade e a Repercussão Geral no RE 759.244- SP. O Relatório fiscal, quanto a essa infração, indica: O presente débito refere-se aos valores das contribuições sociais para a Previdência Social, devidos pela empresa, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, inclusive as receitas contabilizadas como exportações, uma vez que o contribuinte não comprovou que as mesmas foram realizadas de forma direta, assim como os valores das aquisições de produção rural de pessoas físicas. Os fatos geradores apurados pela fiscalização não foram declarados em GFIP. Pelo leading case do RE 759.244, decorreu a seguinte tese do Tema 674, “A norma imunizante contida no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição da República alcança as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação negocial de sociedade exportadora intermediária”. Ora, sustenta a Recorrente que as operações imputadas no Relatório Fiscal tratam- se de operações indiretas de exportação por trading company. Já o entendimento vinculante do STF refere-se à “operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação negocial de sociedade exportadora intermediária”. Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 Justamente nessa lógica que decorre a necessária demonstração (ônus probatório da Recorrente) dessas operações de exportação terem se realizado por intermédio de sociedade exportadora intermediária, ou da trading company, como defendido especificamente pela Recorrente somente em seu Recurso Voluntário. Seria indispensável a produção de prova pela Recorrente, autorizando a construção da verdade processual, e a cognição, racional, sobre a incidência da imunidade nessas operações, em tese, indiretas, realizadas por trading company. Diante da ausência de qualquer prova realizada pela Recorrente, reitero, seu ônus para sustentar a tese modificativa do direito do Fisco, é que não subsiste a tese do Recurso Voluntário. As exportações Quanto à alegação de que não teria exportado/faturamento álcool anidro nas competências indicadas no Relatório Fiscal, indicando somente neste Recurso Voluntário uma reprodução do SPED contábil, com indicação do Livro Razão (e-fls. 210 e 211), observo que a fiscalização assim se amparou: Os valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural foram apurados com base na análise dos lançamentos contábeis das vendas de ALCCOL ANIDRO (CONTA 31201001), ÁLCOOL HIDRATADO (CONTA 31203001), ÁLCOOL HIDRATADO OUTROS FINS (CONTA 31204001), AÇÚCAR CRISTAL (CONTA 31206001), AÇÚCAR VHP (CONTA 31207001), BAGAÇO (CONTA 31210001), ÓLEO FUSEL (CONTA 31211001), VENDA DE AÇÚCAR VHP – MERCADO EXTERNO (CONTA 32102001) e VENDA DE MEL RICO – MERCADO EXTERNO (CONTA 32103001). Os lançamentos contábeis foram acessados através de consultas ao SPED CONTÁBIL do contribuinte. Estes valores não foram declarados em GFIP na sua totalidade e estão demonstrados nas planilhas abaixo: (...) Nos termos do acórdão recorrido, o qual adiro: “No tocante ao inconformismo da impugnante de que não houve exportação/faturamento de álcool anidro, uma vez que só exportou açúcar no período indicado nos autos, não procede, pois de acordo com o relato fiscal os lançamentos contábeis que comprovam as exportações tanto internas como externas de açúcar, mel e álcool foram acessados, por meio de consultas ao SPED Contábil do contribuinte, valores estes que não foram declarados em GFIP na sua totalidade, conforme planilhas constantes do item 6 do Relatório Fiscal, sendo que as bases de cálculos utilizadas foram obtidas pelo cálculo da diferença entre os valores da receita bruta lançados na contabilidade e os declarados em GFIP, constantes no sistema informatizado GFIP WEB, da RFB”. A inclusão na base de cálculo das contribuições do valor do ICMS/IPI A base de cálculo das contribuições previstas nos artigos 25, I e II e 22-A, I e II da Lei nº 8.212/1991 é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, cuja definição encontra-se na legislação previdenciária. Eis os dispositivos: Lei 8.212/91 Art. 22-A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (...). Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de:(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) I - 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II - 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...). Decreto nº 3.048/1999 Art. 201-A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, 13 de outubro de 2016, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: I – dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e II – zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. § 1º Para fins deste artigo, entende-se por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Instrução Normativa RFB nº 971/2009 Da Base de Cálculo das Contribuições do Produtor Rural Art. 171. A base de cálculo das contribuições sociais devidas pelo produtor rural é: (...). § 1º Considera-se receita bruta o valor recebido ou creditado ao produtor rural pela comercialização da sua produção rural com adquirente ou consumidor, pessoas físicas ou jurídicas, com cooperativa ou por meio de consignatário, podendo, ainda, ser resultante de permuta, compensação, dação em pagamento ou ressarcimento que represente valor, preço ou complemento de preço. Do cotejo dos dispositivos, observa-se que a contribuição incide “sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção”, inexistindo indicativo de qualquer exclusão. Nos termos do acórdão recorrido: Inexiste, portanto, ressalva relativa à dedução de outros tributos, mormente o ICMS/IPI, que, sendo impostos calculado “por dentro”, integra o preço do produto. Assim, é inadmissível que o intérprete nesse caso venha impor redução da matéria tributável. Como se observa, a legislação pertinente não prevê exclusões da base de cálculo das contribuições substitutivas, que é o valor da receita bruta proveniente da Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 comercialização da produção. Portanto, o pedido do sujeito passivo não pode ser acatado. Ademais a Lei 12.546/2011 que prevê a contribuição substitutiva às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 para diversos segmentos de empresas, conforme art. 7o a 9º, dispõe: Art. 7º Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2% (dois por cento): I - as empresas que prestam os serviços referidos nos §§ 4º e 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 17 de setembro de 2008; II - as empresas do setor hoteleiro enquadradas na subclasse 5510-8/01 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE 2.0; III - as empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, municipal, intermunicipal em região metropolitana, intermunicipal, interestadual e internacional enquadradas nas classes 4921-3 e 4922-1 da CNAE 2.0. IV - as empresas do setor de construção civil, enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0; V - as empresas de transporte ferroviário de passageiros, enquadradas nas subclasses 4912-4/01 e 4912-4/02 da CNAE 2.0; VI - as empresas de transporte metroferroviário de passageiros, enquadradas na subclasse 4912-4/03 da CNAE 2.0; VII - as empresas de construção de obras de infraestrutura, enquadradas nos grupos 421, 422, 429 e 431 da CNAE 2.0; Art. 8º Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, à alíquota de 1% (um por cento), em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 , as empresas que fabricam os produtos classificados na Tipi, aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de dezembro de 2011 , nos códigos referidos no Anexo I. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 1º O disposto no caput: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) I - aplica-se apenas em relação aos produtos industrializados pela empresa; (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) II - não se aplica: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) a) a empresas que se dediquem a outras atividades, além das previstas no caput, cuja receita bruta decorrente dessas outras atividades seja igual ou superior a 95% (noventa e cinco por cento) da receita bruta total; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) b) aos fabricantes de automóveis, comerciais leves (camionetas, picapes, utilitários, vans e furgões), caminhões e chassis com motor para caminhões, chassis com motor para ônibus, caminhões-tratores, tratores agrícolas e colheitadeiras agrícolas autopropelidas. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) c) às empresas aéreas internacionais de bandeira estrangeira de países que estabeleçam, em regime de reciprocidade de tratamento, isenção tributária às receitas geradas por empresas aéreas brasileiras. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 2º Para efeito do inciso I do § 1º, devem ser considerados os conceitos de industrialização e de industrialização por encomenda previstos na legislação do Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) § 3º O disposto no caput também se aplica às empresas: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) I - de manutenção e reparação de aeronaves, motores, componentes e equipamentos correlatos; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) II - de transporte aéreo de carga; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) III - de transporte aéreo de passageiros regular; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) IV - de transporte marítimo de carga na navegação de cabotagem; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) V - de transporte marítimo de passageiros na navegação de cabotagem; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) VI - de transporte marítimo de carga na navegação de longo curso; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) VII - de transporte marítimo de passageiros na navegação de longo curso; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) VIII - de transporte por navegação interior de carga; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) IX - de transporte por navegação interior de passageiros em linhas regulares; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) X - de navegação de apoio marítimo e de apoio portuário. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) XI - de manutenção e reparação de embarcações; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) XII - de varejo que exercem as atividades listadas no Anexo II desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) XIII - que realizam operações de carga, descarga e armazenagem de contêineres em portos organizados, enquadradas nas classes 5212-5 e 5231-1 da CNAE 2.0; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) (Vide art. 49, IV, b da Lei nº 12.844/2013) XIV - de transporte rodoviário de cargas, enquadradas na classe 4930-2 da CNAE 2.0; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) (Vide art. 49, IV,a da Lei nº 12.844/2013) (Vide art. 49, IV,a da Lei nº 12.844/2013) XV - de transporte ferroviário de cargas, enquadradas na classe 4911-6 da CNAE 2.0; e (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) (Vide art. 49, IV,a da Lei nº 12.844/2013) XVI - jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens de que trata a Lei nº 10.610, de 20 de dezembro de 2002, enquadradas nas classes 1811-3, 5811-5, 5812-3, 5813-1, 5822-1, 5823-9, 6010-1, 6021-7 e 6319-4 da CNAE 2.0. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 4º A partir de 1º de janeiro de 2013, ficam incluídos no Anexo I referido no caput os produtos classificados nos seguintes códigos da Tipi: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) I - 9503.00.10, 9503.00.21, 9503.00.22, 9503.00.29, 9503.00.31, 9503.00.39, 9503.00.40, 9503.00.50, 9503.00.60, 9503.00.70, 9503.00.80, 9503.00.91, 9503.00.97, 9503.00.98, 9503.00.99; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) II - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 § 5º No caso de contratação de empresas para a execução dos serviços referidos no § 3º, mediante cessão de mão de obra, na forma definida pelo art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante deverá reter 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 6º As empresas relacionadas na alínea c do inciso II do § 1º poderão antecipar para 1º de junho de 2013 sua exclusão da tributação substitutiva prevista no caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 7º A antecipação de que trata o § 6º será exercida de forma irretratável mediante o recolhimento, até o prazo de vencimento, da contribuição previdenciária prevista nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa a junho de 2013. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 8º As empresas relacionadas nos incisos XI e XII do § 3º poderão antecipar para 4 de junho de 2013 sua inclusão na tributação substitutiva prevista neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 9º A antecipação de que trata o § 8º será exercida de forma irretratável mediante o recolhimento, até o prazo de vencimento, da contribuição substitutiva prevista no caput, relativa a junho de 2013. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 10. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) (Vide art. 49, IV,a da Lei nº 12.844/2013) § 11 O disposto no inciso XII do § 3º do caput deste artigo e no Anexo II desta Lei não se aplica: I - às empresas de varejo dedicadas exclusivamente ao comércio fora de lojas físicas, realizado via internet, telefone, catálogo ou outro meio similar; e (Incluído pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) II - às lojas ou rede de lojas com características similares a supermercados, que comercializam brinquedos, vestuário e outros produtos, além de produtos alimentícios cuja participação, no ano calendário anterior, seja superior a 10% (dez por cento) da receita total. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) Art. 9º Para fins do disposto nos arts. 7º e 8º desta Lei: I – a receita bruta deve ser considerada sem o ajuste de que trata o inciso VIII do art. 183 da Lei n o 6.404, de 15 de dezembro de 1976; II - exclui-se da base de cálculo das contribuições a receita bruta: (Redação pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) a) de exportações; e (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) b) decorrente de transporte internacional de carga; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) (...) § 7º Para efeito da determinação da base de cálculo, podem ser excluídos da receita bruta: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) I - as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) II - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) III - o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, se incluído na receita bruta; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) IV - o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 § 8º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012) § 9º As empresas para as quais a substituição da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento pela contribuição sobre a receita bruta estiver vinculada ao seu enquadramento no CNAE deverão considerar apenas o CNAE relativo a sua atividade principal, assim considerada aquela de maior receita auferida ou esperada, não lhes sendo aplicado o disposto no § 1º. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) § 10. Para fins do disposto no § 9º, a base de cálculo da contribuição a que se referem o caput do art. 7º e o caput do art. 8º será a receita bruta da empresa relativa a todas as suas atividades. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Nos artigos citados, embora exista a possibilidade de exclusão da receita bruta de tal rubrica, não está incluída a agroindústria, que não teve sua forma de tributação modificada, motivo pelo qual não se pode reduzir sua base de cálculo. Como se vê acima, não foi modificado o conceito de Receita Bruta, mas a lei optou por excluir da base de cálculo o ICMS/IPI especificamente para as empresas que se enquadrarem na contribuição substitutiva a que se referem os art. 7º a 9º da Lei 12.546/2011, não havendo possibilidade para redução de outras bases de cálculo que não estejam ali previstas. E, não havendo previsão legal para que o ICMS/IPI seja excluído da base de cálculo referente à comercialização da produção rural das agroindústrias, o lançamento deve ser mantido. Soma-se a esses fundamentos, o recente julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE 1.187.264 (Tema 1048), com a fixação da seguinte tese: "É constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB). Cito a ementa do julgado: EMENTA. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. A Emenda Constitucional 42/2003 inaugurando nova ordem previdenciária, ao inserir o parágrafo 13 ao artigo 195 da Constituição da República, permitiu a instituição de contribuição previdenciária substitutiva daquela incidente sobre a folha de salários e pagamentos. 3. Diante da autorização constitucional, foi editada a Lei 12.546/2011 (objeto de conversão da Medida Provisória 540/2011), instituindo contribuição substitutiva (CPRB), com o escopo de desonerar a folha de salários/pagamentos e reduzir a carga tributária. Quando de sua instituição, era obrigatória às empresas listadas nos artigos 7º e 8º da Lei 12.546/2011; todavia, após alterações promovidas pela Lei 13.161/2015, o novo regime passou a ser facultativo. 4. As empresas listadas nos artigos 7º e 8º da Lei 12.546/2011 têm a faculdade de aderir ao novo sistema, caso concluam que a sistemática da CPRB é, no seu contexto, mais benéfica do que a contribuição sobre a folha de pagamentos. 5. Impossibilidade da empresa optar pelo novo regime de contribuição por livre vontade e, ao mesmo tempo, se beneficiar de regras que não lhe sejam aplicáveis. 5. Impossibilidade de a empresa aderir ao novo regime, abatendo do cálculo da CPRB o ICMS sobre ela incidente, pois ampliaria demasiadamente o benefício fiscal, pautado em amplo debate de políticas públicas tributárias, em grave violação ao artigo 155, § 6º, da CF/1988, que determina a edição de lei específica para tratar sobre redução de base de cálculo de tributo. 6. Recurso Extraordinário a que se nega provimento. Tema 1.048, fixada a seguinte tese de repercussão geral: “É constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB". (RE 1187264, Tribunal Pleno, Relator Ministro Marco Aurélio, Relator do acórdão Ministro Alexandre de Moraes, pub. 20/05/2021) Não desconheço a discussão acadêmica sobre a aplicação desse comando decisório no contexto das agroindústrias. É que a ratio decidendi do precedente é a existência de Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 um benefício fiscal específico, e a opção do contribuinte em aderir ou não à contribuição sobre a receita em substituição à contribuição sobre a folha. Todavia, em tese, a agroindústria não tem essa opção, já que pelo teor da legislação, é vinculada à contribuição incidente sobre a receita bruta. Nesse sentido, nos termos do artigo 22-A da Lei nº 8.212/1991, as empresas que atuam no agronegócio, em geral, devem recolher a contribuição previdenciária sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural em substituição à contribuição previdenciária devida sobre a folha de salários (regime jurídico criado pela Lei nº 10.256/2001). Não obstante esse atual debate sobre a aplicação do precedente do Tema 1048 nas agroindústrias, em se considerando: (i) A legalidade tributária que as decisões do CARF se vincula; (ii) A tese fixada no RE 1.187.264 (Tema 1048), pelo STF; (iii) Que o julgamento do RE 574.706 (Tema 69: O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS.), refere-se às contribuições do PIS e da Cofins, e não da CPRB. É que mantenho o entendimento do acórdão recorrido sobre a pretensão da Recorrente em excluir da base de cálculo da CPRB o ICMS/IPI. A cobrança de contribuições da Recorrente, na condição de sub-rogada. O art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91 Não obstante as alegações da Recorrente, entendo que deve ser mantido o entendimento do acórdão recorrido. É que quanto à sub-rogação da Recorrente, previsto no art. 30, IV da Lei nº 8212/91, não houve julgamento definitivo pelo STF, encontrando-se suspenso o julgamento, desde o dia 22 de maio de 2020, com previsão de retomada em 06/10/2021: Decisão: Após os votos dos Ministros Gilmar Mendes (Relator), Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Roberto Barroso, que julgavam improcedente a ação direta de inconstitucionalidade; dos votos dos Ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, que conheciam parcialmente da ação, julgando-a procedente, para declarar a inconstitucionalidade, com redução de texto, dos seguintes dispositivos: (i) Art. 1º da Lei 8.540/1992, em relação à expressão “da pessoa física”, na parte em que altera o art. 25 da Lei 8.212/1991; (ii) Art. 1º da Lei 9.528/1997, relativamente à expressão “empregador rural pessoa física” na parte em que altera o artigo 25 da Lei 8.212/1991; e à expressão “da pessoa física de que trata a alínea ‘a’ do inciso V do art. 12”, nas partes em que alteram o artigo 30, IV e X, da Lei 8.212/1991; (iii) Art. 1º da Lei 10.256/2001, no que se refere à expressão “do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22”, na parte em que altera o art. 25 da Lei 8.121/1991; e (iv) Art. 9º da Lei 11.718/2008, no tocante à expressão “produtor rural pessoa física”, na parte em que altera o art. 30, XII, da Lei 8.212/1991; e do voto do Ministro Marco Aurélio, que assentava a inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação conferida pela Lei nº 10.256/2001; o julgamento foi suspenso para aguardar o voto do Ministro Dias Toffoli (Presidente), que não participou deste julgamento por motivo de licença médica. Plenário, Sessão Virtual de 22.5.2020 a 28.5.2020. Portanto, considerando a ausência de provimento definitivo sobre a matéria jurídica da sub-rogação das agroindústrias em relação às contribuições devidas por produtores pessoas físicas, é que se impõe a resolução da questão sob o comando da legalidade, e da presunção de constitucionalidade do art. 30, IV da Lei nº 8212/91. Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 Como disposto no acórdão recorrido, no caso em questão, a Recorrente é produtora rural adquirente da produção rural de produtores rurais pessoas físicas, sendo, nesta qualidade, a responsável pelo recolhimento das contribuições devidas, na condição de sub- rogada nas obrigações do produtor, conforme dispõe o artigo 30, inciso III e IV da Lei 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93). (...). III - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). (...). IV - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam sub- rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97).(gn) (...) Quanto à tese da Recorrente de que a Resolução do Senado nº 15/2017 teria suspendido a aplicação do dispositivo questionado, entendo que não há fundamento jurídico, posto que inaplicável à Lei 10.256/01. Nesse sentido, o próprio STF, no RE 718.874, já havia assim decidido, consoante ementa dos Embargos de Declaração deste precedente: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS PARA OBTENÇÃO DE CARÁTER INFRINGENTE. INAPLICABILIDADE DA RESOLUÇÃO 15/2017 DO SENADO FEDERAL QUE NÃO TRATA DA LEI 10.256/2001. NÃO CABIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS PELA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Não existentes obscuridades, omissões ou contradições, são incabíveis Embargos de Declaração com a finalidade específica de obtenção de efeitos modificativos do julgamento. 2. A inexistência de qualquer declaração de inconstitucionalidade incidental pelo Supremo Tribunal Federal no presente julgamento não autoriza a aplicação do artigo 52, X da Constituição Federal pelo Senado Federal. 3. A Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. 4. A inexistência de alteração de jurisprudência dominante torna incabível a modulação de efeitos do julgamento. Precedentes. Portanto, tratando-se a sistemática da sub-rogação prevista no art. 30, IV da Lei nº 8212/91 de norma válida e vigente, encontra-se a administração pública a ela vinculada, competindo à autoridade administrativa sua aplicação. Ante ao exposto, conheço parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, voto por negar-lhe provimento. Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-009.459 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720815/2016-14 (documento assinado digitalmente) Leticia Lacerda de Castro Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13951.720090/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3401-002.338
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora junte aos autos cópia integral dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento citados na fundamentação do despacho. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.333, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 13951.720086/2013-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: RAFAELLA DUTRA MARTINS
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora junte aos autos cópia integral dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento citados na fundamentação do despacho. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.333, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 13951.720086/2013-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.333, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 13951.720086/2013-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de COFINS exportação, apurado no montante de R$ 1.836.934,79. O pedido foi indeferido pela DRF Maringá ante a prescrição do direito creditório, uma vez “o parágrafo único do art. 30 da IN RFB nº 1.300, de 2012, dispõe que o ressarcimento poderá ser solicitado somente para créditos apurados até 5 (cinco) anos anteriores, contados da data do pedido” e a Recorrente pleiteia créditos apurados em 2006 através de pedido de ressarcimento protocolado em 15 de março de 2013. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 51 .7 20 09 0/ 20 13 -8 4 Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.338 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13951.720090/2013-84 Em Manifestação de Inconformidade a Recorrente destaca que o dies a quo do prazo prescricional de seu pedido de compensação é 1º de janeiro de 2011, data em que se tornou possível o ressarcimento e a compensação do crédito presumido das contribuições com débitos de outros tributos. Ademais, a Recorrente já havia pleiteado os créditos em liça por meio do programa PER/DCOMP, porém, teve seu pedido indeferido pela impossibilidade de distinguir a origem dos créditos. A DRJ Ribeirão Preto negou provimento à Manifestação de Inconformidade, porquanto “em face de sua natureza complexiva, a data a ser considerada como origem desse direito creditório será o último dia do mês de apuração dos créditos presumidos e, por conseguinte, o marco inicial de contagem do prazo prescricional será o primeiro dia do mês subsequente ao de apuração dos créditos”. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho reiterando o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade somada a citação de Jurisprudência do Regional Gaúcho que lhe é favorável. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de COFINS de aquisição de insumos vinculados à exportação de farelo de soja, ex vi art. 56-A e 56-B da Lei 12.350/2010. O pedido formulado pela Recorrente foi negado pela fiscalização por prescrito nos termos do artigo 1° do Decreto 20.910/32; protocolado mais de cinco anos após o período de apuração dos créditos (final do terceiro trimestre de 2006). Pois bem, narra o relatório fiscal que, antes do presente pedido a Recorrente havia retificado PER eletrônico por diversas vezes, a última em 20 de outubro de 2011: Todavia, a fiscalização não traz aos autos cópia dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento, impedindo a análise da suspensão e interrupção do prazo prescricional, tal como dispõe, respectivamente, os artigos 4°, 8° e 9° do Decreto 20.910/32: Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurá-la. Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.338 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13951.720090/2013-84 Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificar-se-á pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. (...) Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Não saber em que data foi proferida decisão que decretou a prescrição do direito de petição, equivale a desconhecer em que data a prescrição tornou a correr, quer pela metade (se interrompida), quer o prazo residual (se suspensa). Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que para que a Unidade Preparadora junte aos autos cópia integral dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento citados na fundamentação do despacho. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora junte aos autos cópia integral dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento citados na fundamentação do despacho. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954791/2017-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/10/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento: Art. 65 do Ricarf.
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
A não intimação do contribuinte durante a análise da autoridade fiscal de origem para posterior publicação do despacho decisório não configura nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-008.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votou pelas conclusões. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.627, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.954782/2017-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento: Art. 65 do Ricarf. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. A não intimação do contribuinte durante a análise da autoridade fiscal de origem para posterior publicação do despacho decisório não configura nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento: Art. 65 do Ricarf. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. A não intimação do contribuinte durante a análise da autoridade fiscal de origem para posterior publicação do despacho decisório não configura nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votou pelas conclusões. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.627, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.954782/2017-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 47 91 /2 01 7- 31 Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.632 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954791/2017-31 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração, opostos pelo contribuinte em face do Acórdão 3201-006.843, em razão de omissão: Os embargos foram admitidos pelo Presidente desta turma, conforme Despacho de Admissibilidade, transcrito parcialmente a seguir: “Trata o presente processo de exame de admissibilidade de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão de Recurso Voluntário [...], proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, tendo-se aplicado o decidido no julgamento do processo 10880.954781/2017-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A Embargante foi cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário [...], de modo que, tendo apresentado os Embargos [...], são eles tempestivos, uma vez que apresentados no prazo de 5 (cinco) dias da sua ciência, em conformidade com o que dispõe o § 1º do art. 65 do Anexo II do RICARF, combinado com o art. 5º, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 1972. Alega a Embargante que o julgado teria incorrido em omissão/obscuridade/contradição, a saber: Omissão e obscuridade quanto à discussão definida pela decisão de 1ª instância - O acórdão recorrido mostra-se obscuro, na medida em que analisou tema distinto do que foi decidido pela 1ª instância administrativa e atacado por meio do Recurso Voluntário apresentado. Com efeito, como se observa dos autos, a decisão de 1ª instância administrativa indeferiu o pleito da Embargante por considerar que não teria ela direito à exclusão do ISS da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins. Assim, considerando que o mérito da decisão recorrida tratou não de provas, mas sim do tema jurídico pertinente à exclusão do ISS da base de cálculo das citadas contribuições, o recurso manejado abordou também essa discussão, não tendo sido apresentadas quaisquer provas complementares, porque não foi esse o objeto da decisão inaugural. - O acórdão recorrido, ao ultrapassar o objeto da discussão definida pela própria decisão de 1ª instância, além de omitir-se sobre a matéria efetivamente tratada no recurso, acarretou supressão de instância que eiva o procedimento de nulidade absoluta. Contradição e omissão sobre as provas dos autos - O v. aresto recorrido apresenta-se, ainda, contraditório quando declara que a Embargante não demonstrou sua alegação, nem realizou a descrição quantitativa ou qualificativa de seu direito de crédito. Em verdade, como exposto na defesa e no recurso apresentados, o pedido de restituição foi indeferido, inicialmente, por conta de evidente vício procedimental em sua apreciação, visto que descumprida a conduta estipulada pela própria Administração quanto à confirmação do crédito pleiteado pelo contribuinte. Isso porque, em nenhum momento a Embargante foi comunicada a respeito da possível inconsistência em seu PER/DCOMP, nos termos do procedimento padrão da Secretaria da Receita Federal do Brasil. - A Administração Pública não pode interpretar as normas de conduta como mera faculdade, em detrimento ao direito dos contribuintes, constituindo verdadeiro poder- Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.632 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954791/2017-31 dever a busca pela verdade material e a correta verificação do pleito de restituição a ela submetido. Nesse ponto, dada a formalização de pedido de restituição pelo contribuinte, não é facultado à Administração presumir que se mostra ele indevido, cabendo a ela verificar os fundamentos do pleito e, em caso de dúvida, solicitar maiores esclarecimentos. O v. acórdão recorrido omitiu-se sobre esse tema, bem como sobre os inafastáveis reflexos quanto ao Princípio da Verdade Material, segundo o qual cumpre à Administração utilizar todos os meios a seu alcance para estabelecer os fatos com efeitos tributários efetivamente verificados. - Não fosse isso suficiente, tem-se que o v. aresto mostrou-se contraditório quando declarou que o direito de crédito da Embargante não teria sido devidamente descrito, pois encontra-se ele devidamente quantificado no PER/DCOMP apresentado, sendo certo que sua qualificação, que só não foi realizada antes porque impossível qualquer manifestação administrativa até que apontada divergência na declaração pela Administração Tributária ou indeferido o direito creditório, visto que somente nestes momento formaliza-se um procedimento administrativo vinculado ao PERD/DCOMP apresentado, foi devidamente realizada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, primeiro momento em que permitido à Embargante a prestação de informações detalhadas. Os embargos de declaração, como se sabe, estão disciplinados no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF/2015), nos seguintes termos: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.” Os aclaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida ou contraditória no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. Portanto, a eventual existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios deve ser cabalmente demonstrada pela parte, a fim de oportunizar ao próprio órgão julgador suprir eventual deficiência no julgamento da causa. Pois bem. Como se percebe do que antes relatamos, os vícios apontados nos embargos estão, na verdade, inter-relacionados. No fundo, o que está a contestar é o fato de que os temas levados à apreciação da Turma não foram enfrentados no acórdão recorrido, que teria sido decidido com base em fundamento nunca antes suscitado. Deveras, no recurso voluntário, a Embargante suscitou a nulidade do Despacho Decisório (não teria sido informada acerca de uma possível inconsistência do PER/DCOMP) e, no mérito, alegou que o fundamento do pedido foi a inclusão, no seu entender indevida, do ISS municipal na base de cálculo do PIS/Cofins. A decisão, contudo, não enfrentou os temas propostos: Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-006.837, de 25 de junho de 2020, paradigma desta decisão. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.632 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954791/2017-31 O contribuinte alega ter pago valores correspondentes ao ISS na base de cálculo de Pis e Cofins mas em nenhum momento demonstrou sua alegação. O Recurso Voluntário foi apresentado desacompanhado de documentos probatórios e inclusive de descrição, seja quantifica ou qualitativa, de seu direito. Em casos de pedidos administrativos de reconhecimento de créditos fiscais para fins de quaisquer das modalidades de devoluções, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte, conforme é possível concluir da leitura dos art. 36 da Lei nº 9.784/1999, Art. 16 do Decreto 70.235/72 e Art 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal. Não se nega a busca da verdade material e nem mesmo o direito ou não à exclusão do ISS na base de cálculo do Pis e Cofins (matéria vinculada ao decidido no RESP n.º 1.330.737 – SP em sede de recurso repetitivo), o que ocorre neste processo é anterior à estes dois pontos, porque não há como buscar a verdade material se o contribuinte não juntou sequer um início de prova e também não descreveu seu crédito de forma discriminada. Pela falta de substância material no presente processo o crédito pleiteado é incerto e não possui liquidez. Diante do exposto, vota-se para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (g.n.) Portanto, o Relator propôs a negativa de provimento ao recurso voluntário, porque entendeu não comprovado, mediante a apresentação de documentos, o direito vindicado. Nada falou sobre a alegação de nulidade do Despacho Decisão, tampouco sobre a exclusão ou não do ISS na base de cálculo das contribuições, temas que constaram, expressamente, do recurso voluntário e foram os únicos enfrentados na decisão de primeira instância administrativa. Revela-se patente a existência de omissões no julgado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do RICARF, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos.” Relatório proferido. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Inicialmente, é relevante registrar que o presente processo era integrante de um lote de repetitivos, que tinha como processo paradigma o de n.º 10880.954781/2017-04 e, os embargos de declaração, objeto do presente julgamento, foi apresentado em face do Acórdão nº 3201-006.838, formalizado pelo Presidente desta turma, nos moldes do Art. 47 do Anexo II do regimento interno deste Conselho. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.632 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954791/2017-31 Neste modo de triagem e julgamento, a turma julgadora somente analisa as peças e documentos constantes do processo paradigma, razão pela qual, após a admissibilidade dos Embargos de Declaração, o presente processo necessitou ser analisado em sua totalidade. Com relação à alegação de que houve omissão no julgamento sobre o suposto pedido de nulidade do despacho decisório, observa-se que, em sua manifestação de inconformidade de fls. 22, peça que instaura o processo administrativo fiscal e delimita a lide e o objeto de julgamento, nos moldes do Art. 14 do Decreto 70.235/72 1 , nenhuma nulidade foi alegada. Somente em Recurso Voluntario o contribuinte apresentou o mencionado argumento. Nulidade não há, visto que nenhuma das hipóteses que permitem o reconhecimento da nulidade de atos administrativos fiscais previstos no Art. 59 do Decreto 70.235/72 ocorreu. A mera ausência de intimação do contribuinte durante a análise da autoridade de origem não acarreta a nulidade desse ato administrativo, pois o Despacho Decisório Eletrônico de fls. 28 está revestido da legalidade exigida. Portanto, deve ser acolhida a alegação de omissão com relação à nulidade do despacho decisório, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la A respeito da alegação de não apreciação da matéria que trata da impossibilidade de cobrança de valor referente ao ISS na base de cálculo das contribuições, nota-se que o Acórdão embargado apreciou a alegação, conforme trechos selecionados e reproduzidos a seguir: Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-006.837, de 25 de junho de 2020, paradigma desta decisão. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. ... O contribuinte alega ter pago valores correspondentes ao ISS na base de cálculo de Pis e Cofins mas em nenhum momento demonstrou sua alegação. O Recurso Voluntário foi apresentado desacompanhado de documentos probatórios e inclusive de descrição, seja quantifica ou qualitativa, de seu direito. ... Não se nega a busca da verdade material e nem mesmo o direito ou não à exclusão do ISS na base de cálculo do Pis e Cofins (matéria vinculada ao decidido no RESP n.º 1.330.737 – SP em sede de recurso repetitivo), o que ocorre neste processo é anterior à estes dois pontos, porque não há como buscar a verdade material se o contribuinte não juntou sequer um início de prova e também não descreveu seu crédito de forma discriminada. ... Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas.” 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.632 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954791/2017-31 Ou seja, não é porque o mérito não foi julgado de forma favorável ao contribuinte que a matéria da exclusão do ISS na base de cálculo das contribuições não foi apreciada. Com base em alguns dos argumentos apresentados nos Embargos de Declaração, fica evidente que o contribuinte pretende que o mérito seja novamente julgado. De que adianta registrar no voto que o contribuinte possui direito à exclusão ISS na base de cálculo das contribuições se, em nenhum momento do processo, o contribuinte sequer juntou um documento que comprovasse o valor do ISS na base de cálculo das contribuições? De nada. Este órgão administrativo fiscal e esta turma julgadora tem o poder/dever de analisar as provas juntadas aos autos, análise que, conforme registrado no Acórdão embargado, precede a análise conceitual jurídica. Qualquer alegação oposta à tal entendimento, já registrado no Acórdão embargado, deveria ser objeto de Recurso Especial e não de Embargos de Declaração. Diante de todo o exposto, vota-se para que os Embargos Declaratórios sejam parcialmente acolhidos, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la. Voto proferido. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator. Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.908412/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação o qual visa compensar pagamento de IRPJ. A DRF, por meio de Despacho Decisório, ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por entender que não há crédito disponível para compensação dos débitos informados no pedido de compensação, tendo em vista que os pagamentos foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo sejam reconhecidos os créditos originários por pagamento indevido ou a maior, conforme consta na DCTF do período. A turma julgadora de primeira instância, analisando a manifestação de inconformidade apresentada, manteve a negativa em relação a compensação, concluindo que o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 08 41 2/ 20 09 -6 2 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Resolução nº 1301000.515 S1C3T1 Fl. 3 2 recolhimento alegado como origem do crédito estaria alocado para a quitação de débito confessado. Além disso, assim constou na ementa do julgado: Apenas a partir de 01/01/2009, de conformidade com os dispositivos da Lei 11.727, de 23.06.2008, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, com base no lucro presumido, cabe a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta decorrente da prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que atendidos os demais requisitos legais e normativos previstos pela legislação vigente. Cientificado da decisão de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário tempestivamente, reafirmando, em síntese, os termos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1301 000.502, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1301000.502): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação em que se almeja a extinção de débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme DARF e DCTF apresentada. Ocorre que, a Fiscalização, após realizada análise das bases dos sistemas disponíveis da Receita Federal, verificou que os pagamentos tidos como indevidos ou a maior foram utilizados integralmente para a extinção anterior de débito do contribuinte, não havendo direito creditório em favor do contribuinte. Adiante, a decisão da DRJ destacou que os dados extraídos do sistema da Receita Federal indicam apenas uma DCTF e duas DIPJs referentes ao período do crédito pleiteado. Ao analisar tais declarações apresentadas pela contribuinte, a decisão de primeira instância concluiu que o contribuinte houvera transmitido DCTF utilizandose do percentual de 32% como coeficiente de presunção do lucro do IRPJ, exatamente o montante indicado na DIPJ original transmitida, recolhendo o valor confessado em DCTF. Posteriormente o contribuinte retificou a DIPJ utilizandose do coeficiente de presunção de lucro de 8%, o que implicou, no entender da recorrente, que o valor anteriormente recolhido era superior ao IRPJ devido, implicando seu direito a restituição do montante pago a maior. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Resolução nº 1301000.515 S1C3T1 Fl. 4 3 Ao se apreciarem os autos, foi constatado que a Empresa exerce a atividade econômica a seguir identificada no CNPJ Consulta, bem como em seu Contrato Social: Desta feita, o cerne da decisão foi em verificar a fundamentação legal acerca do uso dos percentuais de 32% ou de 8% sobre a receita bruta, quando o Contribuinte opta pela tributação do lucro Presumido, conforme a atividade por ele exercida. A conclusão foi de que, conforme os dispositivos legais abaixo transcritos, a decisão entendeu que a ora Recorrente não fazia jus à utilização do percentual de 8%, mas sim dos 32% no anocalendário de 2003. Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: “Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1º .......................................................... III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; Art. 41. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação: VI – aos arts. 22, 23, 29 e 31, a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei.” Isso porque, conforme a legislação supra somente a partir de 2009 o contribuinte estaria autoridade a utilizar o percentual de 8%, de tal Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Resolução nº 1301000.515 S1C3T1 Fl. 5 4 sorte que no momento do pleito não haveria o pretendido direito creditório como fez crer o contribuinte. Em oposição a este entendimento, a recorrente diverge da interpretação da decisão, entendendo que a previsão da Lei nº. 9.249/95 já abarcava os serviços de imagenologia, diagnóstico, terapêutica no conceito de serviços hospitalares. Nesse ponto citou a jurisprudência abaixa proferida pelo STJ, in verbis: EMENTA PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. RETENÇÃO NA FONTE. LEI Nº 10.833/03. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. ARTIGOS 15, § 1º, III, ALÍNEA "A", E 20, CAPUT , DA LEI 9.249/95. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA EXAÇÃO (APLICAÇÃO DO PERCENTUAIS DE 8% OU DE 12% AO INVÉS DO PERCENTUAL DE 32% SOBRE A RECEITA BRUTA). DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". DESNECESSIDADE DE OFERECIMENTO DE SERVIÇO DE INTERNAÇÃO DE PACIENTES. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA JULGADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO (RESP 1.226.399/BA). MULTA POR AGRAVO REGIMENTAL MANIFESTAMENTE INFUNDADO. ARTIGO 557, § 2º, DO CPC. APLICAÇÃO 1. A redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos dos artigos 15 e 20, da Lei 9.249/95, é benefício fiscal concedido de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. A Primeira Seção, quando do julgamento do Recurso Especial 1.116.399/BA, submetido ao rito do artigo 543C, do CPC, cristalizou o entendimento no sentido de que: "1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares" . 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Resolução nº 1301000.515 S1C3T1 Fl. 6 5 diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais)." (REsp 1.116.399/BA, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, julgado em 28.10.2009). 3. Conseqüentemente, a expressão "serviços hospitalares" abrange os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados, em regra (mas não necessariamente) no interior do estabelecimento hospitalar, "excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos" (REsp 951.251/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 22.04.2009, DJe 03.06.2009). 4. In casu, o juízo singular, com ampla cognição fáticoprobatória, assentou que, in verbis: "(...) a atividadefim da impetrante é a prestação de serviços de ultrasom e diagnósticos, conforme cláusula terceira do contrato social(fl. 48, (...)" (fl. 201) 5. Destarte, excepcionada a receita bruta advinda de meras consultas médicas, a apuração do IRPJ e da CSSL deve observar as bases de cálculo diferenciadas previstas nos artigos 15 e 20, da Lei 9.249/95, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 6. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 7. O agravo regimental manifestamente infundado ou inadmissível reclama a aplicação da multa entre 1% (um por cento) e 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa, prevista no § 2º, do artigo 557, do CPC, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito do respectivo valor. 8. Deveras, "se no agravo regimental a parte insiste apenas na tese de mérito já consolidada no julgamento submetido à sistemática do art. 543C do CPC, é certo que o recurso não lhe trará nenhum proveito do ponto de vista prático, pois, em tal hipótese, já se sabe previamente a Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Resolução nº 1301000.515 S1C3T1 Fl. 7 6 solução que será dada ao caso pelo colegiado" , revelandose manifestamente infundado o agravo, passível da incidência da sanção prevista no artigo 557, § 2º, do CPC (Questão de Ordem no AgRg no REsp 1.025.220/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, julgada em 25.03.2009). 9. Agravo regimental desprovido, condenandose a agravante ao pagamento de 1% (um por cento) a título de multa pela interposição de recurso manifestamente infundado (artigo 557, § 2º, do CPC). (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.138.758 SP (2009/01541124) Dessa forma, segundo a recorrente, inferese da decisão do STJ que o termo serviços hospitalares contido da Lei nº 9.249/95 abrange todas as atividades ligadas diretamente à promoção da saúde. Adiante a recorrente diz que, nos termos legais e jurisprudênciais, lhe é resguardado o direito à compensação desses créditos e que a própria decisão a quo admitu a devida constituição do crédito a partir da DIPJ apresentada. No que se refere à DCTF retificadora, a Recorrente destaca que Auditora Fiscal Relatora do processo não considerou a DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, pois o mesmo teria força de lançamento capaz de invalidar qualquer retificação. No entanto, a recorrente alega que o rol exposto no regulamento infra é taxativo quanto às formas de não produção dos efeitos da DCTF retificadora, limitando a administração tornála sem efeito aos casos enumerados, os quais não estão presentes nos autos, ora em debate. Vejamos: IN nº 1599/15 CAPÍTULO VIIIDA RETIFICAÇÃO DA DCTF Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1ºA DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. Dessa forma, a Recorrente conclui seu raciocínio alegando que não há prescrição de débito declarado na DCTF, tendo em vista que uma vez declarado o débito, ele se torna confissão de dívida. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Resolução nº 1301000.515 S1C3T1 Fl. 8 7 Isso porque o débito confessado e declarado é documento hábil e suficiente para verificação e cobrança executiva, de forma a prescindir o lançamento por parte do Fisco. Assim, uma vez entregue a declaração iniciase o prazo prescricional do crédito tributário para o fisco homologar ou não o crédito tributário. Adicionalmente, ressalta o fato de que não seria necessária a apresentação de documentos probatórios para justificar a retificação ocorrida por se tratar de uma questão de direito e não de fato. Finalizando suas alegações, entende que no presente caso aplicase a retroatividade da lei tributária prevista no conforme o art. 106, I do CTN, conforme julgados colacionados pelos tribunais superiores. Pois bem, o cerne da questão cingese no direito creditório pleiteado pela recorrente gerado por ocasião da retificação da DCTF, quando o coeficiente de presunção de sua atividade para fins de IRPJ seria a de 8%, em vez de 32%, conforme orientação jurisprudencial dos tribunais superiores. Inicialmente, quanto à possibilidade de retificação da DCTF, concordo com os argumentos trazidos pela recorrente, no sentido de que a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. Assim, ao analisar a DCOMP transmitida, a DRJ deveria ter verificado a existência do crédito pleiteado, com base na DCTF retificadora. No tocante ao tema principal, tratase de interpretação levada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual decidiu em sede de Recurso Repetitivo a redução de alíquotas às atividades relacionadas expressão "serviços hospitalares", constante do art. 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, o qual preceitua que deve ser interpretada de forma objetiva, vinculando tais serviços às todas atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente a promoção da saúde, que não necessariamente sejam prestadas no âmbito hospitalar. Confirase o excerto abaixo: Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Resolução nº 1301000.515 S1C3T1 Fl. 9 8 Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/documentos portaria502/listadedispensadecontestarerecorrerart2ovviie a7a73oa8odaportariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Com base nisso, a Recorrente entendeu que, com base na atividade por ela exercida, esta se enquadra no conceito de atividade "serviços hospitalares". Entendo que a decisão do STJ supracitada (julgamento do REsp 1.116.399/BA, sob o rito previsto no art. 543C do CPC recursos repetitivos/recurso representativo de controvérsia) já firmou o entendimento sobre a matéria. Portanto, por força do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015), este colegiado deve reproduzir o entendimento firmado pelo STJ no julgamento de recurso repetitivo, como é o caso dos autos. No entanto, faço uma ressalva no sentido de que a Recorrente não trouxe aos autos nenhuma prova do alegado erro do percentual de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Resolução nº 1301000.515 S1C3T1 Fl. 10 9 presunção, de forma a evidenciar suas receitas individualmente, permitindo o confronto com sua alegação. Nesse ponto, destaco que a atividade probatória é fundamental à convicção daqueles que não participaram do procedimento de ofício, configurandose imperiosa para a inteligibilidade dos motivos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal, bem como para a análise do conteúdo do pedido de restituição/compensação. A exigência do crédito tributário deve ser sempre pautada em elementos probatórios sólidos para fins de comprovação do ilícito. Dessa forma, ao Fisco incumbe apresentar os elementos probatórios que comprovem a ocorrência do fato gerador, bem como o não cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. Por sua vez, o contribuinte poderá apenas negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação, incumbindolhe produzir provas somente para consubstanciar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No caso concreto, incube à recorrente o ônus da prova, isto é, o dever de prova existência do crédito pleiteado, por meio de documentos hábeis e idôneos. Por outro lado, entendo que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. Ante o exposto, converto o julgamento em diligência para determinar que a DRF de origem analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL deve ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Na realização da diligência a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar os documentos complementares e esclarecimentos adicionais, elaborando, ao final, relatório circunstanciado sobre os resultados da diligência. Ao final, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifeste se sobre seu conteúdo, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Após disso, sejam os autos remetidos a este Colegiado para prosseguimento da apreciação da controvérsia. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 88DF CARF MF
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