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Numero do processo: 13888.911725/2011-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13888.900876/2012-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13888.900876/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório O presente processo administrativo tratase de pedido de compensação transmitido pelo contribuinte CPA Prestação de Serviços Radiológicos Ltda., ora Recorrente, no qual pretende pagar débitos próprios com créditos de IRPJ, que foram objeto de anterior pedido de restituição formulado através de PER/DCOMP. Em despacho decisório proferido pela DRF de origem, a compensação pretendida não foi homologada, sob o fundamento de que " foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 11 72 5/ 20 11 -0 8 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 3 2 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Não concordando com a decisão proferida, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual demonstrou que o seu direito creditório decorreria do fato de ter considerado, na apuração da base de cálculo do lucro presumido, o equivocado percentual de 32% (trinta e dois por cento), "quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do benefício fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a consequente utilização de alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo". Para comprovar que o seu objeto social se enquadra no conceito de "serviços hospitalares", o Recorrente acostou aos autos farta documentação. Por outro lado, também demonstrou que, à época em que o pedido de restituição do indébito, promoveu a retificação de sua DIPJ, considerando aquele percentual de 8%, nos termos que determina a legislação. Contudo, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem negar provimento ao apelo do contribuinte. Em seu longo arrazoado, em um primeiro momento, aquela DRJ invocou uma suposta decadência do direito creditório do Recorrente. Ademais, mesmo tendo levantado a referida preliminar de ofício, os julgadores a quo, com base, em especial, em normativos internos da Receita Federal, consideraram que os serviços prestados pelo Recorrente não estariam englobados no conceito de "serviços hospitalares" definidos pela legislação, o que imporia no indeferimento do pleito do contribuinte. Vejase, neste sentido, a ementa do acórdão proferido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2000 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar nº 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender aos requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 4 3 2005 e sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o Recorrente apresentou Recuso Voluntário, no qual, em síntese, rebate todos os argumentos apresentados no acórdão recorrido, junta documentos para combater alegações daquela DRJ e, ao final, pede o reconhecimento do seu direito creditório, com a consequente homologação da compensação apresentada. Posteriormente, os autos foram distribuídos a este Conselheiro para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.735, de 17/04/2019, proferida no julgamento do Processo nº 13888.900876/201211, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.735): DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 18/10/2013, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 19/11/2013, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA LEVANTADA PELA DRJ. Antes de se enfrentar o mérito da discussão, importante demonstrar que não subsiste a preliminar de decadência levantada de ofício no acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto (SP). Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 5 4 Em seu longo arrazoado, após discorrer sobre o processo de compensação e os dispositivos legais que regulam o instituto, em especial os que determinam o ônus da prova para comprovar o direito creditório, aquela DRJ alega que " se esvai com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de recolhimento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido". Aliado a este entendimento, a DRJ, mesmo citando o precedente do STF (RE 566.621/RS) que afasta o caráter interpretativo da Lei Complementar 118/05 e aplica o prazo de 10 anos para os pedidos de restituição formulados antes da entrada em vigor da nova imposição legislativa, afirma que o precedente da mais alta Corte de Justiça no Brasil não se aplica aos pedidos administrativos de restituição do indébito tributário. Com base nestas premissas, a DRJ alega que o pedido de restituição do contribuinte foi formulado fora do prazo de 05 anos e, por isso, o direito creditório estaria fulminado pela decadência. Neste sentido, vejase a conclusão contida no acórdão recorrido: Portanto, tendo alegado direito creditório surgido em 31/7/2000 (data da extinção do crédito tributário do IRPJ), excluindose tal dia da contagem do prazo (dia de início da contagem), o prazo para se pedir restituição se extinguiu cinco anos após a data, ou seja, cinco anos após o pagamento dito indevido. Conseqüentemente, tendo a contribuinte apresentado o Pedido de Restituição em 23/10/2009, inferese que o seu direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório para fins de restituição ou de compensação estava extinto pelo decurso do prazo decadencial. Contudo, com toda vênia, é patente o equívoco da DRJ. Explicase. Como se observa da documentação acostada aos autos, no pedido de compensação apresentando pelo contribuinte (PER/Dcomp de nº 29018.44299.231009.1.3.040150 transmitida em 23/10/2009), este indica como direito creditório aquele objeto do pedido de restituição consubstanciado na PER/DComp de nº 07198.52146.130404.1.2.049632, que foi transmitido no dia 14/04/2004. Ora, se o direito creditório surgiu em 31/07/2000 (data de pagamento do indébito), como a própria DRJ afirma e pelo o (SIC) que se depreende da documentação em análise, e sendo o pedido de restituição formulado em 13/04/2004, não se tem dúvidas de que não se aplica, no presente caso, a decadência alegada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), uma vez que o pedido de restituição foi feito dentro do prazo de 05 anos. Não se rebaterá, neste voto, a afirmação do julgador a quo de que o entendimento do STF, consubstanciado no RE 566.621/RS, não se aplica aos pedidos administrativos de repetição do indébito feitos administrativamente pelos contribuintes, até mesmo porque o CARF já pacificou essa discussão, quando da edição da Súmula nº 91 que tem a seguinte redação: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 6 5 Como o pedido de restituição formulado pelo Recorrente (transmissão da PER/Dcomp em 14/04/2004, reiterese) foi realizado dentro do prazo de 05 anos, contados do pagamento indevido ao a maior (31/07/2000), o afastamento da decadência levantada pela DRJ é medida que se impõe ao presente caso. DO DIREITO CREDITÓRIO DO RECORRENTE. DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA O JULGAMENTO. Ao proferir o acórdão recorrido, a DRJ de Ribeirão Preto, em caráter subsidiário, uma vez que entendia pela decadência do direito creditório, alegou que o Recorrente não faria jus à aplicação do percentual de 8% na apuração da base de cálculo do lucro presumido, como determina a Lei nº 9.249/95. Para fundamentar a negativa, aquela Turma Julgadora argumenta que os normativos internos da Receita Federal do Brasil, que interpretaram o alcance do disposto no artigo 15, § 1º, III, a), da Lei nº 9.249/95, são todos no sentido de que "não são considerados serviços hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido, os serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica dos profissionais envolvidos". Prosseguindo, após citar diversos normativos internos da RFB e alegando que a "discussão sobre incompatibilidade de atos normativos expedidos no âmbito da RFB com demais dispositivos legais e/ou regulamentares, é matéria que extrapola a esfera de competência do julgador administrativo de 1ª instância", o julgador a quo elenca os requisitos que, ao seu sentir, devem ser cumpridos pelos contribuintes, para que possa aplicar o percentual de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Vejase quais seriam esses requisitos: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005, ou, no caso da atribuição “Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia”, exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa; b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil. d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto. Ocorre que, a par de toda a discussão acerca da legalidade dos normativos internos da Receita Federal e sua aplicação em detrimento do que determina a legislação, a discussão em comento ganhou novos contornos, quando chegou ao Poder Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 7 6 Judiciário, culminado em julgamento proferido pelo STJ, afetado pela sistemática dos Recursos Repetitivos. O denominado Tribunal da Cidadania entendeu, em síntese, que os serviços hospitalares "se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar". Vejase a ementa que recebeu o julgado proferido nos autos do RE nº 1.116.399/BA: anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 8 7 genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) (destacouse) E as decisões preferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive desta Turma de Julgamento, vão ao encontro, como não poderia deixar de ser, tendo em vista o caráter vinculante do precedente, do que decidiu o STJ. Confirase a ementa de dois julgados, sendo que um deles, proferido pela CSRF, tem como parte o próprio Recorrente: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399 BA. (Acórdão nº 9101003.329 CSRF Contribuinte CPA Prestação de Serviços Radiológicos Ltda. Julgamento em 17/01/2018). ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO. A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF. DELIMITAÇÃO DA LIDE Restringindose os fundamentos do não reconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES.Enquadrandose a Recorrente no conceito legal de Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 9 8 "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%. (Acórdão nº 1302002.979 2ª Turma, da 3ª Câmara, da 1ª Seção Julgamento em 26/07/2018) No que tange ao Recorrente em específico, não restam dúvidas, pelo conjunto probatório acostados aos autos, que ele cumpre os requisitos elencados pelo STJ para que possa se valer do percentual de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ no lucro presumido. Como relatado alhures, a sociedade é constituída na forma de "sociedade limitada", tendo como sócios médicos, devidamente inscritos no CRM. O objeto social, por sua vez, é o de "Prestação de serviços radiológicos em geral", sendo para a prestação dos serviços depende de qualificação, pessoal e maquinário especializado e de alto custo. Consta dos autos a comprovação dos CNAE's da Matriz e da Filial do Recorrente, em que se pode observar que ele presta serviços "de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante – exceto tomografia" (CNAE Principal 86.402 05) e “de tomografia” (CNAE Secundário nº 86.40204) e "radioterapia” (CNAE Secundário nº 86.40211). Ainda, o Recorrente apresentou alvará de autorização de funcionamento emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP), em que se depreende sua atividade econômica como sendo de "Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares". Como se não bastasse, o Recorrente também apresentou cópia do livro razão, que comprova a prestação de serviços, nos termos do seu objeto social. Ressaltase, neste ponto, que o STJ, no precedente acima citado, classifica como "serviços hospitalares" aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Quanto ao local de prestação, a Corte afirma que são prestados dentro dos hospitais, em regra, mas não necessariamente. Por fim, não se pode deixar de mencionar que o Recorrente retificou sua DIPJ (acostada aos autos) antes de ser proferido o despacho decisório combatido. E naquela retificação, o Recorrente apurou o IRPJ devido com base no percentual de 8%, como determina a legislação. Assim, é patente que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas e, por isso, deve apurar a base de cálculo do IRPJ no lucro presumido com base no percentual de 8%, nos termos autorizados pela Lei nº 9.249/95. Tendo em vista, contudo, a impossibilidade de confrontar a documentação acostada aos autos, em especial a DIPJ original e a retificadora, para se ter certeza de que os cálculos (redução do percentual de 32% para 8% para fins de mensuração da base de cálculo do lucro presumido) estão corretos, entendese pela conversão do julgamento em diligência. Há de se ressaltar que, ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, o contribuinte acabou por concorrer com para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa ausência de retificação, aliada ao fato de o Recorrente ter retificado sua DIPJ e, principalmente, pelo o que restou decidido pelo STJ, não pode lhe retirar o direito de ver restituídos os tributos pagos a maior ou indevidamente. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 10 9 Assim, a conversão do julgamento seria apenas e tão somente para confirmar (i) se os cálculos elaborados pelo contribuinte, quando da retificação da sua DIPJ, estão corretos e (ii) para se ter certeza que o direito creditório pleiteado não foi utilizado e consumido em outros pedidos de compensação eventualmente elaborados pelo próprio contribuinte. Para que se tenha certeza sobre esses pontos, entendese pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a juntar aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário objeto do pedido de restituição. Com base nestes elementos e com demais informações que entenda ser necessária verifique e informe: 1) a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ devido no pedido de restituição do indébito tributário, considerando o valor do saldo a pagar, após as deduções legais; 2) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, informando se os cálculos do lucro presumido, com base no percentual de 8%, estão corretos; 3) informe se o direito creditório invocado no presente processo administrativo já foi utilizado e consumido em outros pedido de compensação apresentados pelo contribuinte; 4) Sendo a resposta ao item anterior positiva, informe qual o saldo remanescente do direito creditório e se esse saldo é suficiente para quitar os débitos indicados na Per/Dcomp de compensação apresentada. 5) apresente relatório conclusivo sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo, em especial, o crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ e qual o seu valor; 6) cientifique o contribuinte do relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos a este colegiado, para prosseguimento do julgamento. É como encaminho o julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, entendese pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a juntar aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário objeto do pedido de restituição. Com base nestes elementos e com demais informações que entenda ser necessária verifique e informe: 1) a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ devido no pedido de restituição do indébito tributário, considerando o valor do saldo a pagar, após as deduções legais; 2) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, informando se os cálculos do lucro presumido, com base no percentual de 8%, estão corretos; 3) informe se o direito creditório invocado no presente processo administrativo já foi utilizado e consumido em outros pedido de compensação apresentados pelo contribuinte; Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13888.911725/201108 Resolução nº 1302000.750 S1C3T2 Fl. 11 10 4) Sendo a resposta ao item anterior positiva, informe qual o saldo remanescente do direito creditório e se esse saldo é suficiente para quitar os débitos indicados na Per/Dcomp de compensação apresentada.; 5) apresente relatório conclusivo sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo, em especial, o crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ e qual o seu valor; 6) cientifique o contribuinte do relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos a este colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904439/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 27/08/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 27/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 39 /2 00 8- 26 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.904439/200826 Acórdão n.º 2201004.860 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro de fato, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.904439/200826 Acórdão n.º 2201004.860 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904439/200826 Acórdão n.º 2201004.860 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907605/2009-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.687
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 76 05 /2 00 9- 02 Fl. 152DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 122 à 128) interposto contra o Acórdão n° 0121.931, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (efls. 115 à 119), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Tratase de declaração de compensação transmitida em 30/09/2008 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 12.652,74, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 06/2008, no valor originário de R$ 37.398,68. A Delegacia de origem, em análise datada de 07/10/2009 (fl. 6), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 19/11/2009 manifestação de inconformidade (fls. 10/11) na qual alega, em síntese, que: a) Conforme DIPJ/2009 referente ano calendário de 2008, página 02, ficha 11, mês junho/2008, pagou a maior o valor de R$ 12.652,74 (...), ficando este débito a recuperar para meses posteriores. b) Conforme DCTF do período de junho de 2008, consta declarado o valor de IRPJ do período de apuração 30.06.2008 e seu respectivo pagamento (pagina 03 da DCTF), conforme DARF citado acima, porém, este débito seria no valor de R$ 24.745,93 e não R$ 37.398,68, pois conforme item anterior, a empresa pagou a maior este tributo no período. Ao final, requer o deferimento da PERD/COMP citada no processo, para que seja efetivada a compensação dos tributos nela declarados. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10283.907605/200902 Acórdão n.º 1002000.687 S1C0T2 Fl. 153 3 A DRJ, por sua vez, entendeu por não comprovada a existência do crédito apontado como compensável, o que tornou inviável o pleito do Contribuinte, nos termos da legislação específica atinente ao tema. Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões de mérito: 2 Mérito: 2.1 Da Declaração de Compensação: Nobres julgadores verificase claramente no voto do r. Relator algumas obscuridades, bem como inúmeras divergências, conforme abaixo será demonstrado sistematicamente: É mencionado que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pela própria Recorrente, não existindo crédito a compensar. Todavia, não foi demonstrado cabalmente, a qual débito teria sido efetuada a alocação, não sendo mencionando, por exemplo, o número da PERD/COMP, o valor já compensado, a data ou qualquer outra informação que demonstrasse que a compensação relativamente ao presente processo estaria a maior. Já com relação à confissão de dívida declarada pela Recorrente, da forma equivocadamente aludida pelo Relator, cabe consignar que parece sem sentido admitir que a própria contribuinte tome a iniciativa de confessar a existência de uma obrigação que primordialmente é decorrente da lei, bastando para que ela nasça a simples ocorrência do fato gerador. Repisese que o quantum declarado em DCTF não é confissão de dívida, mas apenas um instrumento para formalizar o recolhimento do tributo. A Administração Pública, em qualquer dos seus âmbitos, deve observar em seus atos, a aplicabilidade dos princípios básicos constantes no artigo 37, da Constituição Federal, destacando especialmente o da legalidade, motivação e segurança jurídica, bem como a atuação de acordo com a lei e o direito, devendo ser observadas as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. Desta feita, o ato administrativo deve ser vinculado, principalmente quando se trata de ato administrativo tributário e não pautada em uma suposta faculdade totalmente deturpada. O equívoco na informação de que o valor do crédito devido à União era de R$ 37.398,68 e não de R$ 24.745,93, lançado em DCTF, demonstrase apenas o cometimento de um erro de fato, o que sobremaneira não poderia afetar o direito líquido e certo da Recorrente em repetir o indébito. Já que for devidamente comprovado no bojo do presente PTA, através do DARF, bem como as informações lançadas na DIPJ/2009 o recolhimento efetuado a maior. Fl. 154DF CARF MF 4 Na sequência é mencionado pelo nobre Relator que "(...) deve restar provada a existência do direito creditório invocado. (...) Assinalese que a DCTF, por si só, não exprime nem materialize o indébito fiscal." Apontase, neste trecho da decisão a maior divergência encontrada, já que inicialmente fora narrado pelo próprio Relator que foi constatado nos próprios sistemas da SRFB a alocação do DARF, no importe de R$ 37.398,68 (trinta e sete mil, trezentos e noventa e oito reais e sessenta e oito centavos). Assim, a menção de que apenas a DCTF não constitui o direito ao indébito é inquestionavelmente incongruente, pois num primeiro plano é afirmado que existe um DARF e posteriormente alegado que apenas a DCTF não é prova do direito constitutivo do indébito fiscal. Deste modo, ficou claramente comprovada pela Recorrente a existência de um crédito tributário a seu favor, no importe de R$ 37.398.68, verificando se posteriormente que o crédito devido à União era de R$ 24.745,93, resultando, portanto, na monta de R$ 12.652,74 para ser compensada com outros débitos que por ventura viessem a existir. De fato, o que ocorreu foi uma compensação efetuada com base no recolhimento a maior, sendo apurado, posteriormente, que o valor devido à União não era aquele que havia sido recolhido, ensejando a repetição, devidamente comprovada pelo DARF, DCTF e DIPJ. Os documentos compensatórios foram juntados às fls. do PTA, em especial o DARF e DIPJ, sendo produzidas pela Recorrente todas as provas necessárias para o reconhecimento de seu direito ora debatido. O próprio Relator em sua decisão reconhece a própria sistemática para os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, sendo aquele em que a contribuinte fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, então deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa, sendo que no caso concreto verificou se, posteriormente, que houve um pagamento em monta superior ao realmente devido à União, efetuando a sua compensação com outro tributo devido à época. Concluise que a não homologação da PER/DCOMP, objeto desta discussão, consequentemente, com o não reconhecimento de seu direito creditório é um verdadeiro atentado ao direito cristalino da Recorrente em ter efetuada a referida compensação, já que, repisese, demonstrado o seu direito constitutivo por meio do DARF, juntado às fls. do PTA, comprovado e informado o recolhimento a maior de IRPJ, através da DIPJ/2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10283.907605/200902 Acórdão n.º 1002000.687 S1C0T2 Fl. 154 5 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da impugnação ao crédito Quanto à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. Alega o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico compensatório tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o aludido instituto foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação, é necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) seja líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, o Recorrente não adimpliu tal mister documental. Deveria o Contribuinte ter apresentado coletânea probatória apta a confirmar seu pleito ou rechaçar os aspectos abordados na decisão de piso; contudo, não o fez. Nessa senda, tornase imperativo ressaltar que a autoridade preparadora identificou o aproveitamento do crédito já em outra circunstância, o que acaba por esvaziar a correção da DCOMP ora sob exame. Portanto, assiste razão o Acórdão a quo, o qual analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, pelo que transcrevo suas passagens relevantes, utilizando destas como fundamento para a presente decisão, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: No caso presente, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 06/2008. Ocorre que, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontravase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo, não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Fl. 156DF CARF MF 6 Neste ponto, vale referir que o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Assim, é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. Esclareça se, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito tributário formalizado pelo pagamento e confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação1), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF, fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Repisese que em hipótese tal qual a dos autos, deve restar provada a existência do direito creditório invocado, mediante demonstração inequívoca da base de cálculo e do tributo apurado no período. Logo, a certeza e liquidez do crédito reclamado, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do tributo declarado à Receita Federal do Brasil, mas sim em relação ao quantum demonstrado, analiticamente, pela documentação contábil e fiscal. Assinalese que a DCTF, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. Neste passo, observese que em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Acrescendo a tudo o que se afirmou até aqui, o Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10283.907605/200902 Acórdão n.º 1002000.687 S1C0T2 Fl. 155 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou se) Constatase, pois, que figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua manifestação de inconformidade, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Quanto ao mais, a alegação do Recorrente no sentido da DCTF não representar natureza de confissão de dívida, ressalto que a jurisprudência do CARF é pacífica em sentido oposto. Para ilustrar tal fato, transcrevo ementa do Acórdão nº 3301004.663, de 22 de maio de 2018, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF TEM NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Apurada a falta de recolhimento do IPI não declarado em DCTF, ou cuja declaração foi entregue após o início da ação fiscal, devese constituir o crédito tributário como encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CABIMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular de ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Recurso Voluntário Negado. Por fim, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Fl. 158DF CARF MF 8 Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10283.907605/200902 Acórdão n.º 1002000.687 S1C0T2 Fl. 156 9 suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.913810/2008-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário com vistas a verificar se a apuração da COFINS apresentada reflete os registros contábeis e fiscais juntados. Vencido o Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário com vistas a verificar se a apuração da COFINS apresentada reflete os registros contábeis e fiscais juntados. Vencido o Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 07088.35347.200804.1.3.041150, em 20/08/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/01/2001, a título de Cofins, atinente ao período de apuração 12/2000 no valor original de R$ 736,18, com débito(s) de IRRF (cód.05611) e IRRF (cód.05881), referente(s) ao período de apuração 2” Sem./Agosto/2004, no valor original de R$ 1.194,23 (R$ 864,29 e R$ 329,94). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 81 0/ 20 08 -1 2 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15374.913810/200812 Resolução nº 3001000.217 S3C0T1 Fl. 480 2 2. Por meio do Despacho Decisório n° 781168365, emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não reconheceu o crédito informado no PER/DCOMP apreciado, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3. Cientificada, em 22/08/2008 (fl.08), a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fis. 11 a 19, na qual alega, em síntese, que: 3.1 A Interessada representa no Brasil empresas estrangeiras que comercializam simuladores de vôo, motores aeronáuticos, helicópteros, turbinas, entre outros equipamentos, recebendo comissões por essa representação comercial; 3.2. As comissões são percebidas em moeda estrangeira (dólares norte americanos), sendo o contrato de câmbio fechado regularmente; 3.3. Conforme dispõe a MP n° 1.8586, de 29/06/1999 (atual MP n° 2.15835, de 24/08/2001), em seu art. 14, III, § 1°, com efeitos retroativos a 01/02/1999, e a Lei n° 10.637, de 30/12/2002, em seu art. 5°, II (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004), tais receitas são isentas da Cofins e da Contribuição para o PIS, já que decorrem de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior (no caso, serviço de representação comercial) e há ingresso de divisas no País; 3.4. Não obstante tal isenção, por equívoco, a Interessada continuou a realizar os pagamentos da Cofins (código 2172) e da Contribuição para o PIS (código 8109 e 6912), até o período de apuração de 31/12/2003; 3.5. Verificados tais pagamentos indevidos, a Interessada protocolizou “Declarações de Compensação” nas quais utilizou os referidos créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS para quitar, por compensação, seus débitos junto à RFB; 3.6 O Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte; 3.7. Os valores da Cofins e da Contribuição para o PIS informados nas DCTF estão incorretos; 3.8. Ainda que a entrega da DCTF assuma caráter de confissão de dívida, a obrigação tributária decorre exclusivamente da lei, conforme dispõem os artigos 113 e 114 do CTN; 3.9. Havendo erro quanto ao fato confessado, e comprovado inequivocamente que o fato confessado não corresponde ao efetivamente ocorrido, temse de admitir a prevalência do verdadeiro sobre o confessado; 3.10. Desde que comprovado a nãoocorrência do fato gerador, o contribuinte tem direito à restituição do tributo que pagou indevidamente; e 3.11. Pelas razões acima expostas, deve ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada e reformado o despacho decisório recorrido. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15374.913810/200812 Resolução nº 3001000.217 S3C0T1 Fl. 481 3 4. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 5. Foram por mim anexados às fls. 37 a 41, os extratos de pesquisas efetuadas no sistema de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF (fls. 37 a 40), e cópia da DIPJ (fl. 41). A DRJ do Rio de Janeiro II/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 1325.840 a seguir transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRJBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NAO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/ 12/2000 a 31/12/2000 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância argumentando, em síntese, que: 1) toda confissão de dívida é retratável, desde que comprovada a inocorrência do fato gerador; e 2) com vistas a comprovação do crédito pleiteado, apresenta documentos contábeis e fiscais. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15374.913810/200812 Resolução nº 3001000.217 S3C0T1 Fl. 482 4 Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Das razões da decisão recorrida Na decisão de primeira instância o voto condutor apresenta os seguintes fundamentos para julgar improcedente a manifestação de inconformidade: 13. Ocorre que, não obstante a existência da previsão legal da referida isenção, a Interessada não trouxe aos autos os documentos necessários à comprovação das alegações por ela efetuadas na peça impugnatória. 14. Para que essas fossem comprovadas, a Contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo da base de cálculo da Cofins referente ao mês 12/2000, onde constassem discriminados os seguintes valores: total das receitas auferidas no mês, receitas diferidas em períodos anteriores, receitas isentas e as exclusões e deduções legalmente permitidas. Esse demonstrativo deveria vir acompanhado da documentação contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. No que se refere às receitas isentas, deveria ser comprovado que seriam decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, e que houve ingresso de divisas. 15. Sem isso, não se pode apurar qual seria o valor da contribuição efetivamente devida, nem tampouco se afirmar ser o valor recolhido maior que o efetivamente devido. Da proposta de conversão do julgamento em diligência Percebese que o fundamento da decisão recorrida para negar o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional está na ausência de demonstração, por meio de documentação hábil e idônea. Diante desta decisão a recorrente apresenta as seguintes afirmações: (i) Que apesar de a decisão de piso reconhecer que as comissões recebidas de empresas estrangeiras foram isentas da contribuição para o PIS e da COFINS, não teria comprovado a existência do pleito; (ii) Reitera que a entrega de DCTF, ainda que assuma caráter de confissão de dívida, não é fato gerador de obrigação tributária, podendo, portanto, ser retratável, desde que comprovada a não ocorrência do fato gerador. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15374.913810/200812 Resolução nº 3001000.217 S3C0T1 Fl. 483 5 Nestes termos, faz juntar aos autos como prova do seu alegado os seguintes documentos: 1) Demonstrativo da base de cálculo do PIS e da COFINS, referente ao período de apuração de 31/07/2001, contendo a discriminação das receitas auferidas (receitas isentas e receitas tributáveis) e as diferenças apuradas; 2) Relatório de receita mensal mercado externo; 3) Contratos de Câmbio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior, que demonstram a pessoa jurídica pagadora domiciliada no exterior, o ingresso de divisas no País e o tipo de serviço prestado pela RECORRENTE natureza da operação (“Serv. Div. Out. Comiss.”); 4) Controle de Compensações por DARF Pagamento Indevido ou Maior; O presente caso se enquadra às situações em que o sujeito passivo busca provar o direito que alega lhe assistir, agindo proativamente conforme estabelecido no princípio da cooperação, disposto no artigo 6º do Novo Código de Processo Civil – Lei no 13.105/2015, cuja redação assim estabelece: "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Assim sendo, lanço mão do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que assim dispõe: "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Corroborado pelas disposições do Decreto nº 7.574/2001, cujas regras são também aplicáveis aos Colegiados de Segunda Instância. Portanto, considerando a relevância dos documentos apresentados pela recorrente com vistas a demonstrar os valores que deram origem ao direito creditório pleiteado, voto por baixar o presente processo em diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem proceda da seguinte forma: 1) Analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário com vistas a verificar se a apuração da COFINS constante da efl. 67 reflete os registros contábeis e fiscais juntados, bem como confirmar a alegação de que as receitas indicadas (comissões recebidas de empresas estrangeiras) estão de acordo com a isenção estabelecida no art. 5º, II da Lei no 10.637/2002 e no art. 6º, II da Lei no 10.833/2003. Se entender necessário, intime o contribuinte a apresentar outros documentos que julgar pertinentes. 2) A partir da análise do item 1, confirmar a procedência dos alegados créditos referentes às COFINS informados na PER/DCOMP. 3) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 4) Dêse ciência do relatório à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15374.913810/200812 Resolução nº 3001000.217 S3C0T1 Fl. 484 6 Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, para atendimento da diligência. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903986/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 2201-004.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 39 86 /2 00 9- 11 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.903986/200911 Acórdão n.º 2201004.970 S2C2T1 Fl. 3 2 "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista o preenchimento indevido da DCTF. Diante do equívoco a Recorrente efetuou a retificação da DCTF, informando os valores corretos e a existência do crédito tributário a que teria direito. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que a Recorrente deveria ter apresentado cálculos a fim de demonstrar a composição do erro com as respectivas explicações, se o valor errado foi descontado na folha de salários e constou no Informe de Rendimentos. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.962 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.903986/200911 Acórdão n.º 2201004.970 S2C2T1 Fl. 4 3 contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201 004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.903986/200911 Acórdão n.º 2201004.970 S2C2T1 Fl. 5 4 A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portanto, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prová lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Sendo assim, ante a falta de comprovação dos créditos a que alega ter direito, não há como concluir pela legitimidade do crédito. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento." Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.903986/200911 Acórdão n.º 2201004.970 S2C2T1 Fl. 6 5 Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.911073/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO.
Ao se apresentar declaração de compensação pretendendo a utilização de crédito cabe ao contribuinte o dever de demonstrar a existência do crédito alegado. Não sendo trazido ao processo documentos comprobatórios do crédito que se alega possuir, incabível é o reconhecimento do direito.
Numero da decisão: 1401-003.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Ao se apresentar declaração de compensação pretendendo a utilização de crédito cabe ao contribuinte o dever de demonstrar a existência do crédito alegado. Não sendo trazido ao processo documentos comprobatórios do crédito que se alega possuir, incabível é o reconhecimento do direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Ao se apresentar declaração de compensação pretendendo a utilização de crédito cabe ao contribuinte o dever de demonstrar a existência do crédito alegado. Não sendo trazido ao processo documentos comprobatórios do crédito que se alega possuir, incabível é o reconhecimento do direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 10 73 /2 00 9- 84 Fl. 160DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a crédito de pagamento a maior de IRPJ do 2º trimestre/2008 o qual teve a compensação considerada nãohomologada em razão de o DARF que a empresa considerava conter o crédito pretendido encontravase integralmente utilizado não havendo saldo de pagamento passível de utilização. Cientificado do despacho o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que o crédito existia em razão de ter realizado pagamento a maior com base na informação apresentada em DCTF e, quando da elaboração da DIPJ, verificou que o valor devido era muito menor e que, assim, fazia jus à restituição do que foi recolhido a maior. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento considerou improcedente em razão de a empresa ter baseado duas alegações apenas nas informações constantes da DIPJ não trazendo documentos de sua escrituração a fim de infirmar os valores confessados em DCTF. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega que apresentou processo de consulta à Receita Federal a fim de ver reconhecido o direito de isenção das receitas relativas a valores recebidos em razão de indenização por desapropriação. Alega que esta consulta é que comprova o recolhimento de valores a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Devo destacar, já no início deste voto, o fato de o recorrente, em sede de recurso voluntário, não ter feito nenhum contraponto ao que fora decidido pela decisão de Piso. Ora a decisão da Delegacia de Julgamento, a meu ver acertadamente, considerou improcedente a manifestação de inconformidade porque a empresa alegou o erro no preenchimento da DCTF alegando, em seu benefício, que teria apresentado a DIPJ com a correta apuração do valor devido. A Delegacia de Julgamento não aceitou a argumentação da empresa porque esta não demonstrou a existência de erro de fato com nenhum outro documento. No entender Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10730.911073/200984 Acórdão n.º 1401003.448 S1C4T1 Fl. 161 3 da DRJ a DIPJ ´declaração meramente informativa e a DCTF constitui confissão de dívida, assim, as informações da DIPJ não poderiam servir de prova a confirma o erro na DCTF sem a apresentação de outros documentos. Assim, deveria o contribuinte, apresentar documentos de sua escrituração contábil de forma a contrapor as alegações da DRJ e demonstrar que a contabilidade da empresa apresentava valor de CSLL devida diverso do informado em DCTF. Infelizmente disso não cuidou o recorrente. Limitouse a recproduzir, em sede de recurso voluntário, os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade e sequer produziu um único documento que pudesse confirmar os valores de apuração constantes em sua DIPJ. Já me posicionei, em diversos outros julgados, que o simples erro na apresentação da confissão de dívida na DCTF pode ser informado pelas informações da DIPJ quando apresentam valores diferentes, desde que demonstrado o mesmo valor na contabilidade da empresa. Ou seja, a existência de DIPJ com valor diferente constitui indício que milita em favor do contribuinte, no entanto, há de apresentar escrituração contábil ou fiscal, balancete, demonstrativo, ou seja, outros elementos que confirmem o valor informado na DIPJ para que se possa infirmar a confissão realizada por meio da DCTF. Verifico que, no presente processo, o recorrente não apresentou sequer a DIPJ e sua íntegra. Limitouse a apresentar a ficha de apuração da CSLL trimestral e só. Ou seja, nem mesmo após tomar ciência da decisão da DRJ que especificava a necessidade de apresentação de documentação a suportar a DIPJ nada operou no sentido de confirmar estas informações. Em seu recurso a empresa alega que o erro no recolhimento a maior deveuse ao fato de ter apresentado processo de consulta de modo a ver o reconhecimento da isenção dos valores recebidos em processo de desapropriação. Para este fito apresentou cópia do processo de consulta, entretanto consta do processo apenas o requerimento do contribuinte. Não consta sequer a decisão da consulta. Além disso, consultando a DIPJ da empresa verifiquei que as informações das fichas de apuração da DIPJ onde constam os valores de faturamento (fls. 21/24) são os únicos valores de receitas obtidas pela empresa no exercício, conforme demonstram as fls. 32 e 34 da mesma declaração. Ora, vejase que a própria DIPJ que o recorrrente alega em seu favor não apresenta outras receitas que não as do faturamento da empresa. Sequer constam as receitas que seriam isentas. Pior ainda, não consta sequer a decisão do processo de consulta que garantiu a isenção dos supostos rendimentos de desapropriação nem ao menos foi apresentado nenhum demonstrativo das receitas e da apuração do IRPJ confirmar a tese do contribuinte. Desta forma, ante a inexistência de prova de que houve efetivamente erro na apresentação da DCTF original que deu causa à não homologação dos créditos requeridos pelo contribuinte, não há como se lhe reconhecer o direito pretendido. Fl. 162DF CARF MF 4 Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário ante a falta de apresentação de provas a demonstrar a existência de seu crédito. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002892/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 07/07/2004
PRELIMINARES. VÍCIO NO MPF.
O MPF é instrumento de controle interno da administração, qualquer irregularidade formal apurada não é causa de nulidade.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 07/07/2004
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. PENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL.
Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A utilização, mediante compensação dos débitos fiscais cujos créditos a cedente ainda discute na Justiça o direito ao seu usufruto, não preenchem os requisitos certeza e liquidez, não sendo hábeis, portanto, para extinguir o crédito tributário apurado pelo sujeito passivo.
LANÇAMENTO PARA AFASTAR A DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO
Nos termos dos incisos IV e V do Decreto Lei nº6.172/66 (Código Tributário Nacional) é cabível o lançamento para prevenir a decadência.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-006.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2004 a 07/07/2004 PRELIMINARES. VÍCIO NO MPF. O MPF é instrumento de controle interno da administração, qualquer irregularidade formal apurada não é causa de nulidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 07/07/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. PENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A utilização, mediante compensação dos débitos fiscais cujos créditos a cedente ainda discute na Justiça o direito ao seu usufruto, não preenchem os requisitos certeza e liquidez, não sendo hábeis, portanto, para extinguir o crédito tributário apurado pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO PARA AFASTAR A DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO Nos termos dos incisos IV e V do Decreto Lei nº6.172/66 (Código Tributário Nacional) é cabível o lançamento para prevenir a decadência. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
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VÍCIO NO MPF. O MPF é instrumento de controle interno da administração, qualquer irregularidade formal apurada não é causa de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 07/07/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. PENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A utilização, mediante compensação dos débitos fiscais cujos créditos a cedente ainda discute na Justiça o direito ao seu usufruto, não preenchem os requisitos certeza e liquidez, não sendo hábeis, portanto, para extinguir o crédito tributário apurado pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO PARA AFASTAR A DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO Nos termos dos incisos IV e V do Decreto Lei nº6.172/66 (Código Tributário Nacional) é cabível o lançamento para prevenir a decadência. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 92 /2 00 8- 51 Fl. 1549DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Tratase de exigência fiscal relativa ao Imposto de Importação (II) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação (IPI), cobrado com alíquota “ad valorem” e específica (Lei nº 7.798/89). Ambos tributos foram acrescidos de juros de mora calculados até 31/07/2008. Os respectivos lançamentos foram constituídos pelos Autos de Infração de fls. 01 a 203 e 204 a 376 (frente e verso) e Termo de Encerramento de fls. 377/378, cuja cientificação ocorreu em 26.08.2008, totalizando um crédito tributário de R$ 38.231.472,36 (fls. 01v e 377). Segundo esclarece a autoridade lançadora, a constituição do crédito tributário deveuse ao fato da autuada não ter pagado os tributos que incidiram nas operações de importação referente às Declarações de Importação que fez registrar nos meses de abril a julho de 2004, haja vista que fez uso, na condição de cessionária, dos créditosprêmio de IPI que a empresa Sab Trading Comercial Exportadora S/A (CNPJ nº 42.354.274/000129) era detentora, conforme se evidencia dos formulários “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS”, aprovado pelo Anexo IV da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, juntados às fls. 549 a 906. A fiscalização esclarece que a autuada somente obteve o direito de compensar seus débitos fiscais com os citados CréditosPrêmio de IPI, pelo fato de haver obtido provimento judicial favorável nesse sentido; iniciado com a petição apresentada perante o juízo da 21ª Vara Federal do Rio de Janeiro, redundando na decisão despachada no mandado de segurança preventivo nº 99.00166582, constante dos autos do processo nº 2001.02.01.0470300/RJ, conforme devidamente explicitado na Informação Fiscal nº 77/2004 da SAORT da Alfândega do Porto de Vitória. Explicita ainda a autoridade lançadora que as compensações em comento tiveram início no ano de 2000. No entanto, o senhor Inspetor da Alfândega do Porto de Vitória, acatando o parecer do SECAT da Alfândega do Porto de Vitória, constantes nos autos do processo nº 12466.002362/0020, determinou a lavratura dos citados autos de infração com vista a prevenir a decadência dos referidos créditos tributários. Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 12466.002892/200851 Acórdão n.º 3402006.395 S3C4T2 Fl. 1.550 3 Por fim, a fiscalização informa que até a data da constituição dos respectivos lançamentos, as diversas ações judiciais citadas no corpo dos referidos autos de infração encontramse aguardando decisão final. Cientificada da exação, a autuada apresentou as impugnações de fls. 917 a 937 e 938 a 958, acompanhada dos documentos de fls. 959 a 1065, por meio das quais expõe longamente as razões de seu inconformismo, que serão tratadas especificamente no presente voto. Por fim, em síntese, a impugnante requer (sic): a) o regular processamento da presente impugnação, nos termos do art. 151, III, do CTN, uma vez que inexiste concomitância de matérias nas vias administrativa e judicial; e b) seja, em preliminar, reconhecida a nulidade do auto de infração impugnado em razão da incompetência da autoridade autuante e/ou da ausência de MPF; ou, quando não, que no mérito seja julgado totalmente improcedente o auto de infração em razão da não ocorrência da infração apontada e do descompasso entre o fato descrito na peça vestibular com a realidade jurídicoprocessual da Impugnante e da empresa SAB Trading; ou c) quando menos, na remota hipótese de manutenção da autuação, o que se aceita apenas para argumentar, que a exigência fiscal seja vinculada ao desfecho do processo judicial nº 2006.02.01.0004164, em substituição ao processo administrativo nº 12466.002362/200020 que constou no auto de infração. A autuada, juntamente com a impugnação apresentada, fez transladar aos autos os seguintes documentos: Anexo 1 Procuração, documento de identidade do procurador, documentos societários e cartão CNPJ; Anexo 2 Decisões favoráveis à SAB Trading proferidas no Mandado de Segurança nº 99.00166582/RJ (AMS nº 2001.02.01.0470300); Anexo 3 Auditorias que confirmaram a existência dos créditos compensados; Anexo 4 Decisões proferidas nos autos da Medida Cautelar Preparatória nº 2005.02.01.0144723; Anexo 5 Extrato de andamento processual da Ação Rescisória Conforme expediente de fl. 1067, o processo foi encaminhado em 29.09.2008 para julgamento. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2004 a 07/07/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento exofficio, ao formalizar o crédito tributário, materializa a pretensão da Administração Pública, permitindo à contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa, mediante a apresentação de impugnação, sendo completamente Fl. 1551DF CARF MF 4 infundadas as argüições relativas à ofensa dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. É defeso em sede de impugnação administrativa a apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis, normas ou atos, bem como a afronta a princípios constitucionais, na medida que estas matérias estão no escopo e somente podem ser deferidas pelo Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 07/07/2004 II/IPI. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. PENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A utilização, mediante compensação dos débitos fiscais cujos créditos a cedente ainda discute na Justiça o direito ao seu usufruto, não preenchem os requisitos certeza e liquidez, não sendo hábeis, portanto, para extinguir o crédito tributário apurado pelo sujeito passivo. AÇÕES JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA ESFERA ADMINISTRATIVA NA PARTE QUE NÃO HÁ IDENTIDADE DE OBJETO. As matérias em que não há identidade de objeto, não submetidas, portanto, ao Poder Judiciário, devem ser apreciadas na esfera administrativa, não ocorrendo, na espécie, desrespeito ao princípio da unicidade jurisdicional adotado pelo sistema jurídicobrasileiro. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. Não consta nos autos decisão judicial em favor do contribuinte autuado que o condão de obstaculizar o ato do lançamento realizado pelo Fisco Federal no sentido de prevenir a decadência dos respectivos créditos tributários. Lançamento Procedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente Recurso Voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No recurso, a empresa suscitou questões preliminares e de mérito semelhantes às apresentadas na Impugnação, repetindo as mesmas argumentações. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 12466.002892/200851 Acórdão n.º 3402006.395 S3C4T2 Fl. 1.551 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Trata o presente processo de auto de infração que formalizou o lançamento fiscal de Falta de Recolhimento II e IPI, lavrado visando prevenir a decadência, decorrentes da apuração de diferenças apuradas pela Fiscalização nas importações da empresa realizadas no período de abril a julho de 2004. A Autuada, na condição de cessionária, fez uso para quitar os referidos tributos de pedido de compensação com créditosprêmio de IPI de um terceiro concedente (Sab Trading Comercial Exportadora S/A, CNPJ nº 42.354.274/000129), por força de provimento judicial, transitado em julgado, obtido no Mandado de Segurança Preventivo nº 99.00166582, constante dos autos do processo nº 2001.02.01.0470300/RJ. Noticiase, ainda, nos autos que o referido lançamento foi efetuado com o objetivo de prevenir a decadência dos débitos referentes ao II e IPI, haja vista que a origem dos referidos créditosprêmio de IPI se encontravam sob discussão judicial nos autos da ação rescisória nº 2006.02.01.0004164/TRF2. Os créditos tributários lançados encontramse suspensos por força da medida cautelar (processo n°. 2005.02.01.0144723/TRF2). Em sua defesa, em sede preliminar, a Recorrente afirma inexistir concomitância entre o processo administrativo em comento e as ações judiciais envolvidas no caso. Confirmase essa afirmação haja vista que, de fato, os processos administrativo e os judiciais possuem objetos distintos e partes diferentes. Enquanto no primeiro se discute a procedência do auto de infração lavrado contra a empresa Server Company pela falta de recolhimento de II e IPI, nos processos judiciais se discute o direito creditório de terceiro (Sab Trading) utilizado em compensação da Server Company. Em seguida, a Recorrente argui a incompetência da Autoridade Autuante para realizar o lançamento. Afirma que a norma administrativa aplicável às compensações de que se cuida (INSRF Nº21/97) determina, de modo inquestionável, que a autoridade competente para apreciar as compensações realizadas por empresas localizadas em diferentes unidades da federação é aquela responsável pela jurisdição da empresa cedente, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, onde se localiza a sede da SAB Trading, e não a Inspetoria da Receita Federal de VitóriaES onde se deu a importação, como ocorreu no presente caso, in verbis: IN SRF n° 21 de 10.03.2007 Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. ... § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRF A diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. Fl. 1553DF CARF MF 6 § 3° Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue a DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4° Na hipótese do § 2°, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2° do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. (negrito nosso) Desse modo, afirma que são nulos os autos de infração em tela, uma vez que foram lavrados por autoridade incompetente (art. 59 do Decreto n ° 70.235/1972). Observase que na época de ocorrência dos fatos que ensejaram a autuação o dispositivo legal suscitado pela Recorrente já se encontrava revogado pela IN SRF n°41, de 07 de abril de 2000 que vedou a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, revogou todo o art. 15 da IN nº21/97, in verbis: Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF N° 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Ademais, tratandose o processo de auto de infração, oportuno lembrar que o art. 10 do Decreto 70.235/72 prescreve que o Auto de Infração será lavrado por servidor competente (Auditor Fiscal da Receita Federal) no local da verificação da falta, que no caso foi a Inspetoria do Porto de Vitória. Eis o dispositivo que estabelece os requisitos para a lavratura do auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (negrito nosso) Dessa forma, não prospera a nulidade arguída pela Recorrente de incompetência da Autoridade Autuante. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 12466.002892/200851 Acórdão n.º 3402006.395 S3C4T2 Fl. 1.552 7 Ainda, em sede preliminar, aduz a falta de MPF como causa de nulidade da autuação. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Percebese que a falta de MPF não se enquadra dentre aquelas hipóteses de nulidade do auto de infração, pois a sua falta não representa qualquer prejuízo ao direito de defesa do Contribuinte. Neste Colegiado, é mansa e pacífica a jurisprudência que considera o MPF um mero instrumento interno da Administração Tributária, destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias. Irregularidades em sua emissão, ou mesmo a sua falta, não têm potencial suficiente para anular o lançamento fiscal. Nesse sentido, reproduzse parcialmente a ementa de julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais representativa desse entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). EVENTUAIS VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento interno da Administração Tributária, destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias, irregularidades em sua emissão não são suficientes para se anular o lançamento. Precedentes CARF. (Acórdão nº 9303005.795, Rel. Conselheiro Demes Brito, julgado em 21 de setembro de 2017). Portanto, afastase também essa preliminar de nulidade. Por fim, em questão preliminar, a empresa sustenta que os efeitos da liminar, proferida na ação cautelar ajuizada pela Fazenda Nacional (em face da empresa Sab Trading), não lhe alcançam porque não foi incluída no pólo passivo da demanda, embora fosse o caso de litisconsórcio passivo necessário unitário. Observase pela leitura dos autos que tal temática não foi suscitada em sede de impugnação, não podendo, portanto, mais ser analisada nesta instância administrativa. Assim, os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de Recurso Voluntário, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual, de acordo com o art.17 do Decreto nº70.235/72. Fl. 1555DF CARF MF 8 No mérito, argumenta a Recorrente que não teria ocorrido o fato descrito como infração pela Autoridade Fiscal. Segundo seu entendimento, no caso sob exame, foi descrito como infração praticada pela recorrente a suposta "FALTA DE RECOLHIMENTO" de tributo. Na descrição da autuação, após o Auditor discorrer longamente sobre as compensações realizadas pela empresa e a Sab Trading, bem como as ações judiciais que as fundamentaram, não restou claro o verdadeiro motivo da lavratura dos autos. Insurgese afirmando que a empresa não deixou de quitar os tributos em questão, como se tivesse praticado a infração de "falta de recolhimento". Os tributos lançados foram todos quitados; as obrigações tributárias, à época de seus vencimentos, foram perfeitamente cumpridas pela Recorrente, que promoveu a extinção do respectivo crédito tributário por meio de compensações (art. 156, II, CTN) autorizadas judicialmente. Tais afirmações da Recorrente não têm sustentação nos fatos apurados nos autos, isto porque a empresa não recolheu os tributos para extinguir o crédito tributário, apenas pleiteou a sua extinção utilizandose de compensação, por meio das declarações de compensações entregues nas fls.925 a 1.286, fundada em medida judicial. Por oportuno, fazse um breve relato dos eventos jurídicos que envolvem o caso. Conforme anteriormente consignado, nos autos do MS n° 99.00166582, foi reconhecido a SAB Trading o direito ao créditoprêmio de IPI, mediante ressarcimento ou compensação com débitos próprios e de terceiros, na sistemática do lançamento por homologação e da INSRF Nº21/97. O processo transitou em julgado em 03/10/2005. Em 15/12/2005, a Fazenda Nacional obteve medida liminar na ação cautelar n° 2005.02.01.0144723, que suspendeu os efeitos da coisa julgada para o fim de autorizar o Fisco a efetuar lançamentos com a exigibilidade suspensa para prevenir a decadência. Abaixo reproduzse o trecho da decisão que denota o conteúdo do provimento: Finalmente, cumpre ressaltar que, embora esta decisão confirme a liminar proferida nestes autos, não se pode olvidar que esta medida cautelar tem por objetivo assegurar o resultado final da ação rescisória. Com efeito, não tem a referida decisão o condão de desconstituir, desde logo, os efeitos da coisa julgada, ou seja, até o trânsito em julgado da decisão que resolver a ação principal, a união Federal deverá continuar, no que se refere ao pedido de aproveitamento de créditos apresentados pela requerida, a observar o que já foi, por diversas vezes, esclarecido neste processo. Vejamos: (...) 2. Com respeito aos pedidos de ressarcimento e compensação em andamento até a decisão liminar proferida nesta ação cautelar, com vistas a assegurar o resultado final da ação principal (rescisória), da qual esta ação cautelar instrumento; impõe a decisão proferida nestes autos a suspensão dos procedimentos administrativos, permitindo o lançamento dos créditos tributários objeto dos pedidos, porém, com a exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da ação principal; (...) Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 12466.002892/200851 Acórdão n.º 3402006.395 S3C4T2 Fl. 1.553 9 Desse modo, a União deverá continuar adotando o mesmo procedimento que vem adotando (acima reprisado), no que se refere ao lançamento dos créditos tributários, assim como a suspensão da exigibilidade dos respectivos créditos, até o julgamento da ação rescisória em definitivo, ressalvada ulterior deliberação dos Órgãos a que competir eventuais recursos impugnando este julgado. Em julgamento de agravo interno interposto por Sab Trading, em face da decisão proferida, o TRF2 esclareceu questões quanto ao alcance da decisão cautelar para desconstituir os pedidos de ressarcimento e compensações tributárias realizadas pela agravante no regime de lançamento por homologação em razão do acórdão transitado em julgado, tal como vinha procedendo a administração tributária. Eis a reprodução de trecho da decisão que mostra o seu conteúdo: Com efeito, a ação rescisória, em regra, não suspende a execução da sentença rescindenda. Entretanto, como no caso destes autos, em que consideradas presentes o "fumus boni iuris" e o "periculum in mora", a suspensão impõese como garantia de eficácia da decisão a ser proferida na rescisória. (...) Desse modo, não há que se falar em desconstituição dos pedidos de ressarcimento e compensações tributárias realizadas pela agravante, em razão da decisão liminar deferida nestes autos, uma vez que essa desconstituição somente é possível com a decisão final da ação rescisória. Ademais, apenas a execução do v. acórdão foi suspensa em sede de liminar. Portanto: concluise que a decisão As fls. 2055/2058, ao indeferir o pedido da agravante, extrapolou o contido na decisão que deferiu a liminar, uma vez que esta apenas determinou a suspensão dos efeitos e a conseqüente execução do v. Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança no 2001.02.01.0470300, até a decisão definitiva da lide na ação rescisória. Não se pode negar a enorme distância entre o deferimento do pedido e a plausibilidade desse deferimento. A cautelar visa a prevenir a perda de eventuais direitos, o que tornaria ineficaz o provimento principal. É esse escopo da medida e o pedido feito no processo cautelar, de que decorreu a liminar. Ora, não se pode implementar o sentido e a extensão do dispositivo expresso na decisão liminar fora desse contexto, sob pena de se conferir ao provimento liminar eficácia que não o integra no seu todo. Posto isso, na forma do artigo 242 do Regimento Interno deste Tribunal, reconsidero a decisão As fls. 2055/2058, determinando que seja oficiado A Procuradoria da Fazenda Nacional e A Delegacia da Receita federal no Rio de Janeiro, para que cumpram a decisão liminar nos termos em que deferida, isto é, sem que seja levado a efeito a desconstituição dos pedidos de ressarcimento e compensações tributárias Fl. 1557DF CARF MF 10 realizadas pela agravante, uma vez que apenas a execução do v. acórdão foi suspensa em sede de liminar, donde se conclui a possibilidade da realização dos atos tendentes a prevenir a eventualidade do direito e ao aperfeiçoamento dos créditos tributários respectivos ou à sua subsistência, como no caso dos lançamentos. Ato contínuo, a Fazenda Nacional ajuizou a ação rescisória n° 2006.02.01.0004164, com provimento judicial favorável para considerar improcedente a ação mandamental, conforme se pode conferir no site do TRF2:http://portal.trf2.jus.br/portal/consulta/resconsproc.asp. O processo ainda se encontra em andamento para julgamento de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e Agravo em Recurso Especial da Sab Trading. Nas citadas decisões judiciais restou evidenciado que o acórdão transitado em julgado na ação mandamental de interesse da autuada, na condição de cessionária dos créditos prêmio de IPI, não é definitiva em razão do provimento judicial obtido pela Fazenda Nacional em 15.12.2005, com a propositura de Ação Cautelar Inominada, preparatória de ação rescisória, com a finalidade de suspender a execução do acórdão proferido na AMS nº 2001.02.01.0470300. Observase, ainda, que não há qualquer impedimento judicial para a realização do lançamento fiscal efetuado. Ao contrário, na medida cautelar obtida pela Fazenda Nacional de nº2005.02.01.0144723 há autorização expressa para se efetuar o lançamento dos tributos envolvidos com o fim de prevenir a sua decadência e exigibilidade suspensa dos créditos constituídos até o deslinde final da ação rescisória. Nesse cenário, visando prevenir a decadência e não havendo qualquer óbice, o lançamento fiscal foi corretamente operado pelo Auditor Fiscal, uma vez que foi verificada a efetiva ocorrência do fato gerador tributário do II e do IPI, a matéria sujeita a esses tributos, bem como os montantes individualizados dos impostos devidos, nos termos do art.142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao Auditor Fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Dessa forma, em constatando a falta de recolhimento, como se deu no presente caso, já que a compensação realizada pela empresa se encontra sub judice, e identificada a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato o lançamento fiscal de ofício de forma vinculada, constituindo o crédito tributário. O auto de infração lavrado, portanto, deve seguir o seu curso normal na esfera administrativa, exceto quanto aos procedimentos para sua cobrança, pois, conforme consta no conteúdo das decisões judiciais transcritas, encontrase com a sua exigibilidade suspensa. Isso é o que determina o art.62 do Decreto nº70.235/72, aplicável ao caso, in verbis: Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 12466.002892/200851 Acórdão n.º 3402006.395 S3C4T2 Fl. 1.554 11 Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso exceto quanto aos atos executórios. Como bem colocado pela Julgador a quo, o procedimento de lançamento não se confunde com a sua cobrança, a qual só se realiza após a constituição definitiva do crédito na via administrativa. Logo, a suspensão da exigibilidade não tem efeito sobre a constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal, havendo influência somente sobre a cobrança deste crédito após constituído, posto que esta última somente pode ser realizada se ocorrer o deslinde da discussão judicial de forma desvaforável à empresa. Também correta está a denominação da infração (FALTA DE RECOLHIMENTO) adotada pela Autoridade Tributária e contestada pela Recorrente, haja vista que se encontra em consonância com a descrição dos fatos constante do auto de infração, no qual restou claro que a necessidade do lançamento por falta de recolhimento dos impostos sobre as importações realizadas no período. A empresa pleiteou a extinção dos tributos por meio de compensação com créditos de terceiros que, conforme já indicado, não gozam de certeza e liquidez, posto que estão sob discussão judicial sobre a sua procedência. Diante disso, o Fisco necessitou realizar o lançamento do tributo de ofício como medida assecuratória de garantia da Fazenda Pública contra a decadência e visando futura cobrança do crédito constituído, no caso de não confirmação de existência do crédito utilizado na compensação. Assim, identificada a ocorrência do fato gerador e a inexistência de recolhimento do tributo ou existência de compensação em caráter definitivo para a extinção dos tributos correspondentes, correto está o lançamento fiscal, com a exigibilidade suspensa, por falta de recolhimento dos tributos (II e IPI) incidentes sobre as importações listadas nas fls. 3 a 38, 206 a 235 e 237 a 238. Por fim, aduz a Recorrente que, na hipótese de manutenção da autuação, a exigência fiscal deverá ser vinculada ao desfecho do processo judicial nº2006.02.01.0004164, em substituição ao processo administrativo nº12466.002362/200020 que constou nos autos de infração. Abaixo, o pedido da Recorrente em seus exatos termos: 78. Assim, na remota hipótese de manutenção das autuações, o que se aceita apenas para argumentar, a exigência fiscal deverá ser vinculada ao desfecho do processo judicial n° 2006.02.01.0004164, em substituição ao processo administrativo n° 12466.002362/200020 que constou nos autos de infração. Embora este pedido da impugnação da recorrente tenha sido acolhido pela DRJ/FNS, como se deduz das afirmações constantes do v. acórdão recorrido, notadamente daquelas A. fl. 926verso, a recorrente necessita, por questões de segurança jurídica, que tal vinculação seja determinada expressamente. Fl. 1559DF CARF MF 12 Compulsando os autos, observase que constam nas capas dos autos de infração, do processo administrativo nº12466.002362/200020, a seguinte informação: O credito tributário lançado através do presente Auto de Infração esta com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n°12466002362/2000 20 (Art, 151, II e IV do CTN). Compulsando os autos, observase que o referido processo administrativo tem por objeto, de acordo com informação contida nas fls.813, a especificação do rito burocrático a ser seguido pela empresa nas importações controladas peça ARF Vitória enquanto às importações que estiverem amparadas por Liminar concedida no MS n° 99.00166582 para compensação com créditos de terceiros. Informase também que nele estão arrolados alguns documentos relativos a ação judicial. Depreendese que o processo administrativo visa justamente controlar os eventos do processo judicial MS n° 99.00166582 que se relacionam com as compensação realizadas pela empresa SERVER utilizandose de créditoprêmio de IPI de terceiros. Assim, embora o Auditor pudesse citar diretamente o número da ação judicial como fundamento da suspensão da exigibilidade do crédito, nenhuma impropriedade há em citar o processo administrativo que visa justamente controlar os eventos do mesmo processo judicial. Ademais, noticiase que nos próprios autos do MS nº99.00166582, em 15/12/2005, a Fazenda Nacional obteve medida liminar cautelar inominada n° 2005.02.01.0144723, que suspendeu os efeitos da coisa julgada para o fim de autorizar o Fisco a efetuar lançamentos com a exigibilidade suspensa para prevenir a decadência. A referida decisão é expressa no sentido de determinar que a exigibilidade dos créditos tributários constituídos deverão ser suspensos até o deslinde da ação rescisória, conforme o seguinte trecho da decisão: (...) Desse modo, a União deverá continuar adotando o mesmo procedimento que vem adotando (acima reprisado), no que se refere ao lançamento dos créditos tributários, assim como a suspensão da exigibilidade dos respectivos créditos, até o julgamento da ação rescisória em definitivo, ressalvada ulterior deliberação dos Órgãos a que competir eventuais recursos impugnando este julgado. (negrito nosso) Assim, na lavratura do auto de infração, o Auditor aplicou corretamente as determinações contidas nas decisões judiciais relativas ao MS nº99.00166582, devendo, por isso, a exigibilidade do crédito constituído ser suspensa até a decisão definitiva da Ação Rescisória, salvo se houver uma outra decisão judicial que antecipe a sua cobrança. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 12466.002892/200851 Acórdão n.º 3402006.395 S3C4T2 Fl. 1.555 13 Fl. 1561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900240/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE.
O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS.
Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS.
Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação.
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003.
Numero da decisão: 3402-006.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 333 1 332 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.900240/201415 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.473 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da nãocumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 02 40 /2 01 4- 15 Fl. 307DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sobre crédito relativo à Contribuição ao PIS e a COFINS. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de JiparanáRO (fls. 32), que deferiu parcialmente/indeferiu o crédito pleiteado pelo contribuinte através do PER n° 03019.62231.171210.1.1. 104598. Através do referido PER, o contribuinte solicitou o ressarcimento de R$ 29.610,09, a título de Pis Não Cumulativo Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 334 3 Mercado Interno do período de apuração 3º Trimestre 2010, com a subsequente compensação de débitos, através de DCOMP, tendo a RFB reconhecido o crédito de R$ 2.450,64. A diferença se de deu em razão das glosas dos seguintes créditos: 1. créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda; 2. créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias; 3. créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias; 4. créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica; 5. créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica; As glosas se deram no âmbito de procerdimento auditoria levada a efeito para apurar os créditos de PIS e Cofins declarados pelo contribuinte em DACON no ano calendário 2010. As glosas foram objeto de Manifestação de Inconformidade nos processos abaixo discriminados. Esses processos, por tratarem de matérias conexas, decorrentes dos mesmos fatos, estão sendo julgados conjuntamente na presente sessão. O detalhamento e a fundamentação das glosas, bem como a apuração dos saldos credores/devedores de PIS e Cofins, mês a mês, constam do Relatório Fiscal de fls. 35/216. A relação das notas fiscais objeto de glosa consta dos Anexos I a IV. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou tempestivamente, conforme Despacho de fl. 245, a Manifestação de Inconformidade de fls. 3/31, alegando em síntese que: Fl. 309DF CARF MF 4 Do direito de crédito: a Recorrente realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis, sendo seus produtos destinadas ao mercado interno e tributados à alíquota zero para PIS e Cofins, conforme determina a legislação vigente; a Recorrente, com base no artigo 3º das Leis 10.637/2002 para PIS e artigo 3º da Lei 10.833/2003 para COFINS, realizou créditos sobre insumos e serviços necessários a atividade que exerce. No entanto, cabe ressaltar, que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que estes são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos; considerando que seu produto final é tributado à alíquota zero, com base no artigo 17 da Lei 11.033/2004 e artigo 16 da Lei 11.116/2005 a empresa protocolou através do programa Perdcomp os pedidos de ressarcimento dos créditos vinculados a saídas para o mercado interno, bem como apresentou para o período a Dacon a fim de demonstrar a apuração das contribuições para o PIS e a Cofins; Créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda: o agente fiscal transcreveu toda esta legislação para dizer que há vedação expressa para desconto de créditos sobre aquisições de combustíveis e, por extensão, também “não há como permitir o desconto de créditos em relação ao frete, o qual compõe o custo de aquisição de tais bens (combustíveis)” (cfe Relatório Fiscal – pg 21); a redação da norma que exclui os combustíveis da base de crédito é clara. E com base nesta norma que a Recorrente não tomou créditos de PIS e Cofins sobre as aquisições de combustíveis. No entanto, em momento alguma qualquer norma relativa ao PIS e Cofins disciplinou qualquer regra acerca de custo ou insumos/serviços vinculados; o artigo 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza expressamente que as empresas submetidas ao regime não cumulativo poderão creditarse de “bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, na produção, na fabricação de bens ou produtos destinados à venda”; o frete é um insumo necessário e imprescindível para a realização da atividade comercial a que se propõem a Recorrente. o frete é uma operação comercial totalmente independente da compra do combustível, tem fornecedores distintos e documentos fiscais (NFs) distintos, de forma que o pagamento deste serviço independe da operação “compra de combustível”; Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 335 5 a Receita Federal, através da IN 404/2004, conceituou insumo para fins de créditos de Cofins e atribuiu o conceito que se aplica ao IPI, pois conceituou insumos apenas para empresas que realizam a fabricação de algum produto. Ao editar tal norma, a RFB foi além do seu dever de normatizar, ao tentar impor um conceito restritivo e oriundo das regras de IPI, já que o conceito estabelecido pela IN remete à fabricação ou produção, desgaste e alteração; a questão já foi tema de decisões do CARF e de tribunais judiciais que em suas decisões entenderam que os créditos de PIS/Cofins devem abranger todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa; da mesma forma que vem decidindo o CARF e os Tribunais, as Soluções de Consulta da Receita Federal também dispõem neste sentindo, reconhecendo inclusive o frete sobre compras como insumo. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias: a empresa trata como benfeitorias as definidas nos §§ 2º e 3º do artigo 96 do Novo Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a saber: “São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore” ou ainda, “podem facilitar seu uso”; todas as manutenções e reparos necessários à conservação das instalações, prédio e reformas da estrutura física da empresa, necessárias e utilizadas para realização da atividade fim da empresa, são lançados a título de benfeitorias; o regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 em seu artigo 301, define o tratamento dado as pequenas despesas e dita que os custos de aquisição cujo valor sejam de até R$ 326,61 ou se de valor maior e que sua vida útil seja de até um ano podem ser lançadas diretamente como custos, sem serem imobilizadas; as benfeitorias são de valores inferiores ao limite ou de vida útil menos que um ano, foram lançadas direto como custos no mês incorrido, portanto não sofrem depreciação; para que funcione adequadamente e o cliente se sinta bem, constantemente são realizados benfeitorias em todo o empreendimento; como há grande movimentação de veículos pesados no pátio, como o calçamento é a base de lajota, constantemente são realizados reparos no pátio e nos muros que cercam o estabelecimento, com a utilização de pó de pedra, areias, cimentos, brita, etc. e com geração de entulhos; Fl. 311DF CARF MF 6 na área de abastecimento, como já afirmado, caminhões de grande porte circulam nas rampas, constantemente há reparos, com a utilização de ferragens, cimento, brita, pinturas em geral, sinalizações, troca de telhas da cobertura, manutenção em forros de PVC, gerando entulhos, etc; no que se refere aos banheiros destinados aos motoristas, sempre ocorre quebra de pias e vasos sanitários, culminado com sua troca, manutenção de chuveiros, hidráulica, lâmpadas, instalações elétricas, pisos, revestimentos, telhados, peças de reposição do aquecimento solar, pinturas em geral, etc. com geração de entulhos; esta é a destinação dos materiais adquiridos pela empresa, a título de benfeitorias, em que são utilizadas na manutenção de todas as instalações e que são úteis e necessárias para a conservação do patrimônio e realização da venda; estas pequenas manutenções/reparos denominados benfeitorias no caso em análise são efetuados sem projeto de execução, de forma que os documentos que comprovam sua realização são as notas fiscais e cupons fiscais de pagamentos de materiais e serviços, todas já apresentados ao Auditor e integrantes a este processo; na verdade, benfeitorias são obras ou gastos realizados na coisa imóvel, com a finalidade de conservála, melhorála ou embelezála, com o intuito na atividade comercial, em dar boa aparência ao ambiente e atrair o cliente. Se essas obras ou gastos mudassem a natureza da coisa imóvel, aí sim deveria haver um projeto, não podendo então ser consideradas como benfeitorias e sim como imobilizações e sofreriam a depreciação ou a amortização em caso de bens de terceiros; Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias. o Auto de Infração glosou integralmente os valores dos aluguéis de máquinas e equipamentos pagos à Pessoas Jurídicas; o art. 3° inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) é expresso em admitir o desconto de crédito de de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”; no entanto, o agente fiscal fundamentou sua glosa no fato de tais máquinas e equipamentos terem sido alugados para realização das benfeitorias em prédios próprios e de terceiros e nesta condição deveriam estas despesas ter sido imobilizadas e os créditos tomados através dos encargos e depreciação e amortização; a legislação é clara quando autoriza a realização de créditos sobre aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que pagos à pessoa jurídica. Somente isso; a legislação que autoriza o lançamento de créditos sobre aluguéis de máquinas e equipamentos pagos a pessoas jurídicas Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 336 7 não estabelece qual deverá ser a contabilização de tal serviço, tampouco determina o que deve ser imobilizado ou não; Créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica: a Recorrente equivocadamente considerou como tributadas alguns tipos de mercadorias que tem incidência monofásica para PIS e Cofins, conforme apontou o agente fiscal em seu relatório, no qual relacionou os itens excluídos; é correta a referida exclusão, se confirmada a tomada de créditos de produtos monofásicos. Mas também será correta a análise da base de débitos, já que a Recorrente oferecia a tributação todos os produtos sobre os quais tomava crédito; em momento algum, o Auditor Fiscal manifestouse no Relatório Fiscal acerca dos pagamentos indevidos efetuados pela Recorrente. Também não apresentou qualquer demonstrativo de cálculo que pudessem contemplar tais ajustes; assim, para que a glosa de tais itens esteja correta é preciso que se analisem os tipos de produtos, se monofásicos ou não e, também a base de débitos, para que o ajuste seja correto; desta forma, é justo e correto que tais valores sejam revistos, tanto em relação ao débito quanto em relação ao crédito; desde já requerse tal ajuste, para que a empresa não seja duplamente prejudicada, tendo em vista que o Despacho Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito. Créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica: indevidamente a recorrente tomou créditos sobre devolução de mercadorias que tem incidência monofásica para PIS e Cofins conforme apontou o agente fiscal em seu relatório, no qual relacionou os itens excluídos; a contabilização dos créditos na devolução de vendas de mercadorias sujeitas à incidência monofásica é prova de que a empresa tributou indevidamente esses produtos na saída; desta forma, é justo e correto que tais valores sejam revistos, tanto em relação ao débito quanto em relação ao crédito; desde já requerse tal ajuste, para que a empresa não seja triplamente prejudicada, tendo em vista que o Despacho Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito. Das compensações. Fl. 313DF CARF MF 8 como a Requerente faz jus ao crédito na integralidade solicitada, requer igualmente na integralidade a homologação das compensações realizadas e não homologadas ou homologadas parcialmente por insuficiência ou inexistência de crédito no Despacho Decisório; Suspensão da exigibilidade dos débitos: de acordo com o art. 151, inciso II do CTN, o débito deve ter sua exigibilidade suspensa; Ao final, requer a Recorrente. 1. Seja acolhido a presente Manifestação de Inconformidade; 2. Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente de PIS NÃO CUMULATIVO no montante de 29.310,09 referente ao 3º Trimestre 2010, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; 3. Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, foram por ela suportados e atendem a condição de Insumo conforme determina a legislação de regência da matéria. 4. Que seja determinada a inclusão na base de créditos dos valores lançados a título de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros, eis que atendem o conceito de benfeitoria e a legislação de regência. 5. Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores pagos a título de locação de máquinas e equipamentos pagos a Pessoas Jurídicas, eis que legítimos, conforme comprovam os documentos anexados pela Recorrente, e que atendem a legislação de regência da matéria; 6. Que, seja determinada também a revisão da base de cálculo dos débitos, para o fim de ajustar os valores efetivamente devidos, já que a Recorrente tributou todos os produtos sobre os quais tomou crédito, inclusive os supostamente sujeitos a regime monofásico e da devolução de vendas de tais produtos; 7. Que em relação a todos os itens acima sejam afastadas interpretações equivocadas e diversas das constantes nas Leis Fl. 30 29 10.633/2002 e 10.833/2003, eis que tais normas são claras e não cabe a agente fiscal criar novas regras; 8. Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; Sobreveio então o Acórdão da 5ª Turma da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 337 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PIS/COFINS. EMPRESA DISTRIBUIDORA OU REVENDEDORA. FRETE NA AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero de PIS e Cofins nas vendas, em razão do regime monofásico, não podem creditarse dos custos de frete incidentes na compra dos combustíveis. BENFEITORIAS. Os dispêndios com benfeitorias, sejam elas necessárias, úteis ou voluptuárias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. BENFEITORIAS. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC). ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos em que se discute direito creditório, sua comprovação incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência ou perícia a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Contudo, não foram objeto de recurso: i) a exclusão dos créditos sobre bens para revenda sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da COFINS; ii) a exclusão dos créditos sobre devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da COFINS. Ademais, foi apresentado novo tópico acerca do direito à atualização dos créditos pleiteados pela taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Fl. 315DF CARF MF 10 Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário encontramse devidamente preenchidos, de modo que passo a apreciação do mérito. Mas antes, saliento que este processo está sendo julgado conjuntamente com os demais processos de ressarcimento, bem como com o auto de infração lavrado contra a Recorrente, sendo que as razões adotadas neste último são aqui aplicadas. 1. Créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda A Recorrente é empresa dedicada preponderantemente ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes, conforme se depreende do seu Contrato Social e é salientado pela autoridade lançadora no Relatório fiscal, nos seguintes termos: "a atividade comercial da contribuinte, consiste, resumidamente, na revenda de combustíveis e lubrificantes (Matriz – Vilhena/RO e Filial 1 – Porto Velho/RO), com exceção da Filial 2 – Vilhena/RO, denominada “Fazenda Batista”, que tem como atividade principal o reflorestamento." É então dentro desse específico setor da economia que deve ser analisada a tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS no presente caso. Pois bem. Os combustíveis (gasolina, óleo diesel, querosene de aviação e outros) a partir de 1º de julho de 2000 são tributados pelas referidas Contribuições pela modalidade monofásica, incidindo uma única vez no fabricante ou importador, desonerando a receita da venda desses produtos nos distribuidores e varejistas. Como é consabido, a incidência monofásica tem por objetivo concentrar a incidência tributária, de modo que são aplicadas aos produtores ou importadores alíquotas diferenciadas, superiores às básicas, enquanto os demais (atacadistas e verejistas) são tributados à alíquota zero. Cumpre destacar que a incidência monofásica não se confunde com o instituto da substituição tributária, uma vez que nesta última as receitas estão obrigatoriamente sujeitas ao regime cumulativo, o que não acontece na primeira. Dessa forma, mesmo dentro da sistemática monofásica, os produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas poderão estar sujeitos ao regime cumulativo ou não cumulativo, de acordo com o regime de tributação da pessoa jurídica (presumido ou real, respectivamente). Ou seja, a incidência monofásica não é exceção à aplicação do regime não cumulativo e, consequentemente, no desconto de créditos inerente à essa modalidade de tributação. 1 Contudo, há regras na legislação que precisam ser observadas. Quando ocorre a tributação concentrada no início da cadeia produtiva, não haverá a apuração de créditos e débitos nas etapas posteriores. Por isso é que, com relação aos varejistas, acertadamente o artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua o direito ao crédito da aquisição de combustíveis (dentre outros produtos), os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Vejamos: 1 BERGAMINI, Adolpho. et alii. Manual do PIS e da COFINS. São Paulo: Fiscosoft Editora Ltda, 2013, pp. 367 a 369. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 338 11 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; Assim, não há dúvida de que não poderia a Recorrente tomar crédito dos combustíveis que adquire para revenda. E corretamente não o fez. Tal exceção ao creditamento dos produtos atingidos pela monofasia, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. Explico. Mas antes de tudo, ressalto que não se discute aqui o direito ao crédito segundo a regra do artigo 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), na condição de insumo necessário. Com efeito, a discussão em torno do que seriam insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade das Contribuições não guarda relação com o caso dos autos, vez que o inciso II do artigo 3º cuida de hipótese de bens e serviços, utilizados como insumo, na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Essa, contudo, não é a situação da Recorrente, que pagava o frete na aquisição de bem destinado para a revenda. A revenda, enquanto operação comercial (como o atacado e o varejo), não se confunde com a prestação de serviços ou com a produção de bens, como de longa data vaticinam a Receita Federal, este Conselho e o Poder Judiciário. O direito ao crédito do frete referente à compra de mercadorias para revenda, aplicável ao presente caso decorre, isto sim, do próprio inciso I do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS) Tratando especificamente do frete de empresas varejistas, a doutrina já se manifestou em diversas ocasiões, exatamente no sentido do seu resguardo pelo supracitado dispositivo legal (inciso I do artigo 3º da Lei n. 10/.833/2003 e 10.837/2002). As palavras de Marco Aurélio Greco2 sobre o tema são as seguintes: Assim, quando uma empresa adquire para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se refere o inciso "I", ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico. Realmente, só tem sentido adquirir para revender se o comprador receber o que comprou, pois, sem isto, não poderá garantir a entrega ao cliente. 2 PIS e COFINS Fretes pagos para o transporte de Mercadorias. in PEIXOTO, Marcelo Magalhães e MOREIRA JUNIOR, Gilberto de Castro (coords). PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Volume 2. São Paulo: MP Editora, 2013, p 356. Fl. 317DF CARF MF 12 Portanto, para quem compra para revenda, o direito ao crédito de PIS/COFINS sobre o frete pago para que o bem chegue em seu estabelecimento está abrangido pelo inc. I do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. A conclusão, de fato, não poderia ser outra. Afinal, o frete compõe o custo de aquisição do produto, conforme dispõe o artigo 289, §1º do RIR/99, vigente à época dos fatos: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação Nesse sentido, a própria Receita Federal já se manifestou em algumas oportunidades sobre o direito ao crédito decorrente do frete contratado na aquisição de produtos para revenda: Solução de Consulta Nº 234, de 13 de Agosto de 2007 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos da COFINS. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.833, de 2003, art. 3º; RIR/99, art. 289,§ 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66. Assunto: Contribuição para o PIS O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos do PIS. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.637, de 2002; Lei Nº 10.833, de 2003,arts. 15 e 16; RIR/99, art. 289, § 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66. (grifamos). SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 15 de 27 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: FRETES NA AQUISIÇÃO Os custos de transporte até o estabelecimento do contribuinte, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, integram custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda, constituindo base de cálculo dos créditos a serem descontados das contribuições devidas. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 339 13 ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Para fins de determinação da base de cálculo da contribuição, independentemente de qual seja o regime de cobrança desta, o contribuinte substituto do ICMS pode excluir da receita bruta o respetivo valor cobrado a título de substituição tributária destacado em nota fiscal, visto não ter a natureza de receita própria. (grifamos) Daí é que a própria autoridade fiscal, ao lavrar o presente auto de infração, justificou a glosa no fato de que, por estar o combustível sujeito ao regime monofásico e não gerar direito a crédito de PIS e Cofins na aquisição pelo revendedor, do mesmo modo, não geraria direito a crédito o frete respectivo, já que compõe o custo de aquisição do combustível. Ou seja, admite que, caso inexistente a questão da monofasia com a vedação ao crédito do produto, seria o caso de se reconhecer o crédito relativo ao frete contratado pela varejista. Assim, o raciocínio da autoridade é claro: o frete segue a mesma sorte do produto transportado, no que diz respeito ao direito ao creditamento. Entretanto, há um erro na premissa adotada e, consequentemente, na conclusão que se chegou no lançamento tributário. Vejamos. A Recorrente adquire mercadorias para revenda (combustíveis), porém a empresa vendedora não entrega os produtos no seu pátio mais especificamente, em seus tanques. Dessa forma, ela precisa contratar serviços de fretes de outra pessoa jurídica (transportadora) para que o produto chegue até seus estabelecimentos e que possa ser destinado à venda. Este frete, enquanto receita da transportadora, é tributado pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Em outras palavras, no caso do frete pago pelo comprador, há duas notas fiscais distintas. Uma para a distribuidora e outra para o transportador. A Distribuidora é sujeita ao regime monofásico, mas o transportador é tributado pelo regime não cumulativo. Nesses termos, fica evidente que o frete é uma operação autônoma em relação a aquisição do combustível. Tratase, em verdade, de operação comercial com a transportadora, na sistemática de incidência da nãocumulatividade, sendo que, repitase, a sua receita pela transportadora é tributada pela Contribuições. Vejase que, efetivamente, a Recorrente contrata empresa transportadora para proceder o frete, emitindo nota fiscal específica para essa operação (distinta daquela emitida pela distribuidora de combustível), conforme informações constantes do Anexo I do auto de infração. Tais dispêndios, portanto, são custo de aquisição de serviços de fretes e não custo de aquisição de combustível. Ou seja, muito embora estejam relacionadas como acima mencionado, já que o custo do frete integra o custo de aquisição do bem para revenda, nos termos do artigo 289, §1º do RIR/99 são operações distintas, com fornecedores distintos, e o mais importante, regimes de incidência distintos. Dessarte, devem ser analisadas de forma separada no que tange ao direito crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. 3 3 Não é demais reavivar a passagem da doutrina de Marco Aurélio Greco alhures transcrita, que confirma que tecnicamente os dispêndios com o produto e com o frete não se confundem: "assim, quando uma empresa adquire para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se refere o inciso "I", ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico." Fl. 319DF CARF MF 14 Traçada tal premissa, fica clara a conclusão no sentido de que, sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível, no modelo monofásico, pago ao distribuidor) e do frete (transporte, na nãocumulatividade, pago à empresa transportadora), não há que se falar que o destino do crédito do frete segue o mesmo daquele da mercadoria, como fez a autoridade fiscal ao fundamentar o lançamento tributário. Pelo contrário. Justamente em razão da distinção de regimes, permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, nos termos do artigo 3º, inciso I das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, assim como existe para qualquer outro atacadista ou varejista que trabalhe com produtos tributados na sistemática da não cumulatividade. Não há na legislação nada que impeça tal creditamento para empresas como a Recorrente, já que inexiste critério de discrímem, em relação ao frete, do presente caso em comparação com qualquer outra empresa atacadista ou varejista. Inclusive, o raciocínio aqui empregado é o mesmo daquele adotado em outros julgamentos deste Conselho a respeito da possibilidade de tomada de crédito das Contribuições relativamente ao frete de produtos não tributados. Destaco a seguir passagem do voto da Conselheira Maysa De Sá Pittondo Deligne, no Acórdão 3402003.520, a respeito do tema: "Entretanto, ao contrário do que afirmou a fiscalização, o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) não se condiciona à tributação do bem transportado, inexistindo qualquer exigência nesse sentido na legislação. A restrição ao crédito se refere, APENAS, ao bem/serviço não tributado ou sujeito à alíquota zero (art. 3º, §2º, II, Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003), e não aos serviços tributados que possam ser a eles relacionados, como o caso: "Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei) Como evidenciado pela fiscalização, não se discute aqui a natureza da operação sujeita ao crédito (frete na aquisição de bens para revenda, tributado e assumido pelo adquirente). O que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de tomada do crédito em razão do bem transportado ser sujeito à alíquota zero, restrição esta não trazida na Lei. Nesse sentido, vejamse outros acórdãos deste E. Conselho: "(...) CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" (Processo n.º 13971.005212/200994 Sessão de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 340 15 20/08/2014. Relator Alexandre Kern. Acórdão n.º 3403003.164. Voto Vencedor do Conselheiro Ivan Allegretti. Maioria grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição." (Processo n.º 10950.003052/200656. Sessão de 19/03/2013. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3403001.938. Maioria grifei) A mesma premissa adotada pela fiscalização no presente caso, mantida pela decisão de primeira instância, foi afastada com veemência e clareza pelo I. Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan em seu voto no julgamento do último acórdão acima ementado: "A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): (...) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto" (grifei). Cito ainda no mesmo sentido, os Acórdãos nº 3403 001.944, de 09 de março de 2013 e 3302004.886, de 25 de outubro de 2017. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de reverter as glosas referentes aos fretes de combustíveis. 2. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias A glosa aqui tratada se deu porque, segundo a fiscalização, a Contribuinte se creditou da Contribuição ao PIS e da Cofins na aquisição de bens do ativo imobilizado diretamente sob forma de custo no mês em que incorrido, quando na realidade, deveria creditarse na forma de dapreciação futura. De outra parte, Recorrente afirma que as compras Fl. 321DF CARF MF 16 eram destinadas à benfeitorias necessárias à suas atividades e que, como tais, geram direito de crédito na forma de custos. Ou seja, a divergência repousa não no direito ao crédito em si, mas na forma de sua apropriação. A matéria em discussão é disciplinada pelo artigo 3° das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo transcritos na parte que interessa à solução da presente lide: Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão deobra, tenha sido suportado pela locatária; (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; _________________________ Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 341 17 importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) §1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Pela leitura dos dispositivos, vemos que existem duas formas de geração de crédito excludentes entre si. Os bens adquiridos como insumos (inciso II) geram direito de crédito diretamente sobre o custo incorrido no mês (§ 1º, inciso I). Enquanto isso, no caso dos bens do ativo imobilizado, o direito de crédito se dá na forma de futura depreciação (§ 1º, inciso III). É certo que o ativo imobilizado (artigo 179, inciso IV da Lei n. 6.404/76) 4 compreende os bens de natureza duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade. 5 Em outras palavras, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao exercício contínuo das atividades da pessoa jurídica (vide artigo 301 do RIR/99 e CPC n. 27), aí incluídos aqueles que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na produção ou na comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação, integram o ativo permanente. Também não há dúvidas de que as instalações prediais da empresa e, por conseguinte, as benfeitorias nelas realizadas, se inserem no conceito de ativos imobilizados. Logo, seus créditos de PIS e Cofins devem, em regra, ser calculados sobre a depreciação, conforme preconiza o citado artigo 3º, §1º, inciso III das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Somente seria possível a contabilização de bens ativáveis como custos se o valor unitário do bem fosse inferior a R$ 326,61 ou se sua vida útil inferior a um ano. No caso de bens valor unitário inferior a R$ 326,61, a contabilização como custo depende ainda de que atividade exercida não exija utilização de um conjunto desses bens. Tudo isso nos termos do artigo 301 do RIR/99, vigente à época dos fatos aqui tratados. In verbis: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e 4 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; 5 In: FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo. Atlas, p. 198. Fl. 323DF CARF MF 18 seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado. Portanto, e como bem posto pela decisão Recorrida, em se tratando de bens corpóreos adquiridos para a manutenção das atividades da empresa, sua contabilização deverá ocorrer obrigatoriamente em conta do imobilizado, pouco importando se a aquisição se destina a manutenção, reparo, ampliação de instalações, com ou sem projetos, seja benfeitoria necessária, útil ou voluptuária. Ainda sobre o artigo 301 do RIR/99, friso que, conforme se verifica dos autos e se confirma nas palavras da própria Recorrente, os bens objeto de glosa são em sua grande maioria materiais de construção (areia, cimento, brita, ferragens, tintas, telhas, forros de PVC, vasos sanitários, instalações elétricas e hidráulicas, pisos, revestimentos, etc), aos quais não se aplica a regra do valor unitário prevista no art. 301 do RIR/99, tendo em vista sua utilização conjunta e/ou incorporação ao imóvel. É o que concluímos pela jurisprudência administrativa a respeito da matéria: ACÓRDÃO 1º Conselho de Contribuintes n°: 10193.676 de 07/11/2001 IRPJ. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. BENS DO ATIVO DEDUZIDOS COMO DESPESAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados na construção de muros de arrimo, benfeitorias e reformas, devem ser ativados, independentemente do custo unitário tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC). Tal conclusão se alinha com os artigos 79 e 81, inciso II do Código Civil de 2002, os quais esclarecem que não perdem o caráter de imóveis os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se reempregarem. Corroborando tudo quanto exposto, temos que permitir que os contribuintes tomem crédito dos gastos com os materiais para obras de benfeitorias no momento em que incorrem nessas despesas, significaria conceder o crédito em duplicidade, pois o mesmo será apropriado também no futuro, via depreciação da benfeitoria que estará contabilizada no ativo imobilizado, uma vez concluída a obra. Finalmente, destaco que a jurisprudência desse Conselho vai no mesmo sentido das razões aqui adotadas, conforme se infere da ementa a seguir colacionada: Ementa(s) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 342 19 PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as peças de reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. BENFEITORIAS. DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, e aos serviços de mão de obra e materiais da construção civil, comprovadamente prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação/amortização incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Fl. 325DF CARF MF 20 Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. (Acórdão 380303.205, Sessão de 17 de julho de 2012) Assim, encaminho o meu voto no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos sobre gastos com a realização de benfeitorias. 3. Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias A glosa aqui tratada diz respeito à locação de caçambas, máquinas e outros equipamentos utilizados em construção civil. Com efeito, em resposta à intimação da Fiscalização, a Contribuinte informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação de realização de benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulho de tais obras. Diante desses elementos, entendeu a autoridade fiscal que os dispêndios integram os custos de benfeitorias em imóvel próprio e de terceiro, portanto, deveriam ser contabilizadas no ativo imobilizado, para posterior depreciação, e somente nesta condição seriam válidos os créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, com fulcro no artigo 3º, inciso IV das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2002. É a literalidade do TVF, o qual reproduzo abaixo: 3.4.3 Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias. Analisando a documentação apresentada, verificouse a existência de valores referentes a locação de caçambas, máquinas e outros equipamentos utilizados em construções civis, valores estes que foram informados no DACON na Linha 6 “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica”. Em função disso, intimouse a contribuinte, por meio do TIF nº 3, de 08/12/14, para justificar em qual atividade da empresa é utilizado o bem locado. Em resposta, a contribuinte informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação da realização de benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulhos decorrentes de tais obras. O Art. 3º, IV, da Lei 10.637/2002 e o Art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003 permitem o desconto de créditos apurados em relação à locação de prédios, máquinas e equipamentos, desde que pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa. Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 343 21 (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; _______________________________ Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Entretanto, em que pese o permissivo legal acima transcrito, entendemos que tais gastos integram o custo das benfeitorias realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a elas atribuído, qual seja, a contabilização no imobilizado para posterior depreciação ou amortização. Com relação a benfeitorias, a estas cotas de depreciação e/ou amortização é que a lei permite a apuração de créditos de PIS e COFINS. Desse modo, pelas mesmas razões expostas no tópico 3.4.2 Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias, foram glosadas as despesas efetuadas com a locação de bens utilizados na preparação, limpeza e remoção de entulhos decorrentes das obras de benfeitorias realizadas pela contribuinte, cuja relação completa encontrase no Anexo III desse relatório, que resultou nos valores mensais constantes da tabela abaixo. (...) (grifei) Pois bem. É verdade que os valores gastos pela Recorrente com aluguel de máquinas e equipamento para a construção de benfeitorias deve seguir a mesma sorte das obras, ou seja, ser contabilizado no ativo imobilizado. Isto porque nas normas contábeis a esse respeito (NBC TG 27), segundo o princípio do reconhecimento dos custos de um item do ativo imobilizado, "esses custos incluem custos incorridos inicialmente para adquirir ou construir item do ativo imobilizado e os custos incorridos posteriormente para renoválo, substituir suas partes, ou dar manutenção a ele" (item 10). Ademais, na parte de mensuração no reconhecimento segundo a qual o reconhecimento como ativo deve ser mensurado pelo seu custo está claro que integram os elementos do custo "quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração" (item 16, b). Dentre os exemplos de custos diretamente atribuíveis, estão os "custos de preparação do local" (item 17, b). Fl. 327DF CARF MF 22 Por essas razões, assim como ocorre com os materiais de construção tratados no item anterior, os alugueis de máquinas e equipamentos para a edificação de benfeitorias deve ser contabilizado no ativo imobilizado tão logo a obra seja finalizada, iniciandose o período de depreciação fiscal e, consequentemente, o direito a tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS segundo a legislação sobre o tema, qual seja o inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, conjuntamente com o seu §1º, inciso III. Com efeito, a legislação de regência da Contribuição ao PIS e da COFINS permite a apuração de créditos em relação a "máquinas e equipamentos" em duas situações distintas. A primeira é aquela tratada no inciso IV do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, a qual versa sobre o aluguel das referidas máquinas e equipamentos, condicionando que os valores pagos a título da locação sejam destinados à pessoa jurídica, para a consecução de atividades da empresa. Aqui, a lei diz somente que os gastos com aluguel devem estar direcionados à atividade da empresa, de modo que o crédito não está necessariamente ligado ao setor fabril ou a prestação de serviços. Portanto, mesmo a despesa com aluguel relativa à área administrativa das empresas ou aquelas tidas por empresas comerciais pode gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS (vide Solução de Consulta DISIT/SRRF 08 n. 492, de 31 de dezembro de 2009 6 e Acórdão 3301005.016, de 28 de agosto de 20187). Na apropriação de créditos nos termos do inciso IV, estes serão calculados no momento do dispêndio sobre o valor da locação, sendo que esse montante estará contabilizado como custo da sociedade. Já a segunda situação vem disciplinada pelo inciso VI do mesmo artigo, o qual autoriza a apuração de créditos de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Aqui, portanto, falase em máquinas e equipamentos que serão contabilizados no ativo imobilizado da sociedade. Nesse caso, o legislador restringiu o direito a tomada de crédito, ao estabelecer que as situações que permitem a sua apuração estão adstritas aos bens adquiridos ou fabricados para: a) locação a terceiros; b) utilização da produção de bens destinados à venda; ou c) utilização na prestação de serviços. Ou seja, não é todo e qualquer bem destinado ao ativo imobilizado que dará direito ao crédito das Contribuições, mas tão somente aqueles destinados a uma das três citadas finalidades estabelecidas pela lei (vide Acórdãos 3301002.806 e 3102002.166 deste 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. No cálculo da contribuição para o PIS/Pasep apurada pelo regime nãocumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, aí compreendidas tanto suas atividades industriais, comerciais e de prestação de serviço, quanto suas atividades administrativas, desde que esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV e § 3º. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. No cálculo da Cofins apurada pelo regime nãocumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, aí compreendidas tanto suas atividades industriais, comerciais e de prestação de serviço, quanto suas atividades administrativas, desde que esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IV e § 3º. 7 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.(...) Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 344 23 Conselho). 8 Apurarseá os créditos nos moldes do inciso VI de acordo com a depreciação dos bens corpóreos adquiridos, contabilizados no ativo imobilizado. A decisão recorrida estabelece a distinção dos regimes, dando exemplos didáticos sobre sua aplicação. São seus dizeres: A interpretação integrada do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) deve levar à seguinte conclusão: os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, são sim, em regra, passiveis de créditos calculados a partir dos valores pagos nessas operações, desde que não ativáveis, hipótese em que o crédito será calculado sobre a depreciação. À evidência, as máquinas e equipamentos a que se refere o inciso IV, passiveis de crédito, são aquelas utilizadas nas atividades operacionais da empresa. Assim, por exemplo, se um posto de gasolina utiliza bombas de combustíveis locadas de terceiro, essa locação será contabilizada como custo e, por óbvio, poderá ser objeto de crédito de PIS e Cofins, calculado sobre o valor da locação, na forma do inciso IV. Por outro lado, se esse mesmo posto de gasolina aluga andaimes de terceiros para a execução de uma obra de ampliação de suas instalações, o valor dessa locação deverá ser contabilizado no ativo imobilizado e, por conseguinte, não gerará direito de crédito de PIS e Cofins sobre o custo de locação, mas sobre a depreciação do imóvel. Traçada tal conceituação, fica realmente claro que a fiscalização motivou o lançamento pelo fato de que as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos "integram o 8 A jurisprudência deste Conselho é tranquila a respeito do tema, conforme é possível depreender das ementas abaixo colacionadas: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. (...) (Processo 13603.724612/201113, Acórdão 3301002.806) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 (...) ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado se não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso de edificações e benfeitorias, e que foram adquiridos a partir de 1/4/2004. (Processo n. 11080.931975/201116. Acórdão 3102002.166). Fl. 329DF CARF MF 24 custo das benfeitorias realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a elas atribuído, qual seja, a contabilização no imobilizado para posterior depreciação ou amortização". Ou seja, atribuiu como fundamento jurídico da autuação o comando do inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Desse modo, assim como concluído no item anterior, encaminho o meu voto no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos sobre gastos com o aluguel de máquinas para a realização de benfeitorias. 4. Da suspensão da exigibilidade. Com relação ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído nos presentes autos, com fundamento no art. 151 do CTN, o mesmo carece de objeto, pois atendido está. 5. Correção do valor do crédito pela Taxa Selic No que se refere ao pedido de correção do valor do crédito pela Taxa Selic, tratase de matéria preclusa, já que não foi apresentada em manifestação de inconformidade. (artigo 17 do Decreto nº 70.235/72). De toda sorte, os artigos 13 e 15, inciso VI da Lei nº 10.833/2003 colocam expressa vedação legal a tal pretensão, em relação tanto à COFINS como à Contribuição ao PIS. Destaco seu conteúdo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei. Inclusive, tal matéria é objeto da Súmula CARF n. 125, cujo teor transcrevo abaixo: No ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, afasto a pretensão da Recorrente sobre a correção dos créditos pleiteados pela Taxa Selic. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13227.900240/201415 Acórdão n.º 3402006.473 S3C4T2 Fl. 345 25 Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732638/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
EMPRÉSTIMO. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO OBSERVÂNCIA. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os juros devidos mensalmente a pessoa jurídica optante pelo lucro real, em virtude de estipulação efetuada em contrato de empréstimo, devem ser reconhecidos pela credora de acordo com o regime de competência. A previsão de pagamento de juros para data futura e certa caracteriza termo convencional, não se confundindo com condição suspensiva de eficácia de negócio jurídico, que subordina a ocorrência do fato gerador de tributo a observação de evento futuro, porém incerto.
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 02/1996, para que se reconheça a postergação, não basta o mero registro da receita em período posterior, mas também é necessária a comprovação de que o referido ajuste importou em pagamento majorado do tributo na mesma proporção que deixou de ser pago anteriormente, uma vez que o lançamento deve ser efetuado pelo valor líquido, depois de compensado o valor do imposto ou da contribuição correspondente. Não comprovado o oferecimento das receitas omitidas à tributação e respectivo pagamento dos tributos, não pode ser reconhecida.
SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO X SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LC 160. REQUISITOS. PREENCHIMENTO.
Comprovado os requisitos estabelecidos no art. 3º da LC 160, que introduziu os §§ 4º e 5º da Lei 12.973/14, impõe-se reconhecer o caráter de investimento das subvenções examinadas no processo, independente de qualquer outra condição ou situação de fato discutidas nos autos.
PIS/COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores decorrentes de subvenção para investimentos, que passaram a ser registrados como receitas com o advento da Lei nº 11.638/2007, devem ser excluídos da tributação do PIS e da Cofins pelos contribuintes que adotaram o RTT, em face da neutralidade tributária estabelecida pela MP. 449, convertida na Lei nº 11.941/2009.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL,
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se ao lançamento da CSLL as conclusões relativas ao IRPJ.
Numero da decisão: 1302-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Glosa. Recorrente DASS NORDESTE CALÇADOS E ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 EMPRÉSTIMO. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO OBSERVÂNCIA. OMISSÃO DE RECEITAS. Os juros devidos mensalmente a pessoa jurídica optante pelo lucro real, em virtude de estipulação efetuada em contrato de empréstimo, devem ser reconhecidos pela credora de acordo com o regime de competência. A previsão de pagamento de juros para data futura e certa caracteriza termo convencional, não se confundindo com condição suspensiva de eficácia de negócio jurídico, que subordina a ocorrência do fato gerador de tributo a observação de evento futuro, porém incerto. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 02/1996, para que se reconheça a postergação, não basta o mero registro da receita em período posterior, mas também é necessária a comprovação de que o referido ajuste importou em pagamento majorado do tributo na mesma proporção que deixou de ser pago anteriormente, uma vez que o lançamento deve ser efetuado pelo valor líquido, depois de compensado o valor do imposto ou da contribuição correspondente. Não comprovado o oferecimento das receitas omitidas à tributação e respectivo pagamento dos tributos, não pode ser reconhecida. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO X SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LC 160. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. Comprovado os requisitos estabelecidos no art. 3º da LC 160, que introduziu os §§ 4º e 5º da Lei 12.973/14, impõese reconhecer o caráter de investimento das subvenções examinadas no processo, independente de qualquer outra condição ou situação de fato discutidas nos autos. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 26 38 /2 01 2- 81 Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.933 2 Os valores decorrentes de subvenção para investimentos, que passaram a ser registrados como receitas com o advento da Lei nº 11.638/2007, devem ser excluídos da tributação do PIS e da Cofins pelos contribuintes que adotaram o RTT, em face da neutralidade tributária estabelecida pela MP. 449, convertida na Lei nº 11.941/2009. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase ao lançamento da CSLL as conclusões relativas ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.934 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1652.028, da 1ª Turma da DRJ/São PauloI, proferido em 24 de outubro de 2013, que julgou improcedente a impugnação e manteve os lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, conforme sintetizado na seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 FATO GERADOR. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. EVENTO FUTURO E INCERTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. TERMO. A previsão de pagamento de juros para data futura e certa caracteriza termo convencional, não se confundindo com condição suspensiva de eficácia de negócio jurídico, que subordina a ocorrência do fato gerador de tributo a observação de evento futuro, porém incerto. EMPRÉSTIMO. JUROS. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. PESSOA JURÍDICA CREDORA. NÃO OBSERVÂNCIA. OMISSÃO DE RECEITAS. Os juros devidos mensalmente a pessoa jurídica optante pelo lucro real, em virtude de estipulação efetuada em contrato de empréstimo, devem ser reconhecidos pela credora de acordo com o regime de competência, ao longo de todo o período em que o valor emprestado fica a disposição do devedor, configurando omissão de receitas a falta de observância desse procedimento. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. TRIBUTAÇÃO EM EXERCÍCIO POSTERIOR. FALTA DE PROVAS. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de provar o oferecimento à tributação e do correspondente pagamento, em exercício posterior, de valor excluído indevidamente das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado exercício, torna se inaplicável, à hipótese, o tratamento fiscal de postergação de pagamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 RECURSOS PÚBLICOS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EMPREENDIMENTO ECONÔMICO. VINCULAÇÃO E SINCRONIA. Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.935 4 Os recursos fornecidos pela Administração Pública às pessoas jurídicas somente são classificados como subvenção para investimento e podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica, quando houver vinculação e sincronia com a aquisição de bens e direitos referentes a implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado. MÚTUO. INCENTIVO FINANCEIRO. DESTINAÇÃO. CAPITAL DE GIRO. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. Incentivo financeiro consistente na desobrigação de adimplir parte de valor mutuado por ente governamental e aproveitado como capital de giro da mutuária é considerado subvenção para custeio, integrando o resultado operacional da pessoa jurídica. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. Parcela de receita tributária dispensada de recolhimento ou devolvida pelos governos estaduais a contribuintes de ICMS, a título de crédito presumido, quando desvinculada de concomitante aquisição de bens e direitos referentes a implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado, configura receita de subvenção para custeio e integra o resultado operacional da pessoa jurídica. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VEDAÇÃO. É vedado, no caso de lançamento de ofício, a recomposição do lucro da exploração referente a período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo do benefício fiscal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ constitui prejulgado na da CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.936 5 ressalvada a hipótese de se tratar de subvenção para investimento de acordo com a legislação do IRPJ. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o Pis/Pasep, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese de se tratar de subvenção para investimento de acordo com a legislação do IRPJ. Conforme descrito no acórdão recorrido, o "Termo de Verificação Fiscal (fls. 31/50), parte integrante dos autos de infração, o AuditorFiscal da RFB relata, em síntese, que a contribuinte (a) deixou de tributar receitas financeiras de R$ 809.693,87, decorrentes de contratos de mútuo mantidos com pessoas jurídicas a ela ligadas (Clássico Nordeste Indústria de Artigos Esportivos Ltda, Fonthe S/A Indústria e Comércio de Confecções, Clássico Indústria de Artigos Esportivos S/A e Style Participações Societárias Ltda) e que (b) deduziu indevidamente R$ 24.693.900,26 das bases de cálculo tributáveis, registrados como receitas correspondentes a incentivos fiscais recebidos dos Estados da Bahia e do Ceará, pois lhes deu o tratamento de “subvenções para investimento”, verbas que podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para fins de determinação do lucro real." A recorrente, uma vez cientificada do lançamento apresentou impugnação tempestiva, cujos argumentos foram sintetizados no acórdão recorrido, verbis: Notificada dos lançamentos por via postal em 20/12/2012 (fls. 340), a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal em 19/01/2013 (fls. 351/386), alegando, em resumo, o seguinte: (i) Relativamente à suposta omissão de receitas financeiras decorrentes de mútuos com empresas ligadas, os juros neles previstos estão amparados por cláusula suspensiva e serão oferecidos à tributação nos anoscalendário correspondentes às datas finais dos respectivos contratos, conforme determinam os artigos 116 e 117 do CTN; (ii) Por outro lado, ainda que não se reconheça a condição suspensiva prevista nos negócios jurídicos, hipótese colocada apenas como argumentação, o fato é que também não restaria caracterizada omissão de receitas, mas postergação da tributação, o que ocorreu em relação ao contrato celebrado junto à Clássico Indústria de Artigos Esportivos S/A, atualmente, DASS SUL S/A, cujos juros foram tributados em 01/2012, conforme indica a conta 5546, do balancete em anexo, em que se reconheceu a receita de R$ 2.103.383,68, bem como cópias das DCTF da DASS SUL, em que há informação de retenção de IRRF (código 342602) sobre os juros pagos; (iii) O mesmo ocorreu com a empresa Fonthe S/A, conforme documentos anexos; Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.937 6 (iv) Em relação à tributação dos incentivos fiscais recebidos pela Impugnante dos Estados da BA e CE, já houve lavratura de auto de infração contra a contribuinte, objeto do processo administrativo fiscal nº 10380.012049/200988, abrangendo os anoscalendário 2004 a 2007; (v) O CARF reconheceu a natureza de subvenção para investimento para os incentivos fiscais concedidos através dos mútuos subsidiados, confirmando a decisão da DRJ/Fortaleza e, por outro lado, reformoua na parte em que o órgão de primeira instância não reconheceu essa natureza para os incentivos de créditos presumidos do ICMS da Bahia; o mencionado processo ainda se encontra em tramitação junto ao CARF; (vi) Em relação aos incentivos fiscais do Estado da Bahia, a Impugnante comprometeuse, nos termos do Protocolo de Intenções de 27 de março de 1998, a implantar unidades fabris nos Municípios de Conceição do Jacuípe, Conceição de Maria e Irará, bem como a investir no mínimo R$ 20.000.000,00, produzir 4.000 pares de calçados por dia, proporcionando ocupação de 2.000 empregos diretos e/ou indiretos; efetuouse termos de reratificações para implantar novas unidades industriais nos Municípios de Santo Estevão, Vitória da Conquista e Itaberaba; (vii) Em troca, a Impugnante passou a fazer jus aos incentivos concedidos pelo Estado da BA, consistentes nos seguintes programas: PROBAHIA, que concedia crédito presumido de ICMS equivalente a 90% do ICMS mensalmente originado nas vendas internas, em substituição aos créditos ordinários derivados da sistemática de não cumulatividade do tributo e, o PROCOMEX, que, por meio de contrato de mútuo com instituição financeira estadual, a contribuinte obtinha financiamento de 11% do valor FOB das mercadorias exportadas, para ser pago em 36 meses, acrescidos por juros médios de 3% a.a, podendo, na liquidação do mútuo, no prazo avençado, obter um desconto de 90% do montante do financiamento tomado; (viii) Em relação aos incentivos fiscais do Estado do Ceará, a Impugnante comprometeuse, nos termos do Protocolo de Intenções de 1996, a implantar uma unidade industrial para fabricação de calçados no Município de Itapipoca, bem como a investir no mínimo R$ 12.000.000,00, produzir 10.000 pares de calçados por dia, proporcionando ocupação de 1.000 pessoas; (ix) Diante disso, a contribuinte passou a fazer jus aos incentivos concedidos pelo Estado do CE, consistentes nos seguintes mecanismos financeiros: FDI/PROVIN, que, por meio de contrato de mútuo com instituição financeira estadual, a totalidade do ICMS mensalmente gerado nas operações internas era financiada para ser paga em sessenta meses, com correção pela TJLP, podendo obter um desconto equivalente a 99% do montante tomado, se o mútuo fosse liquidado no prazo avençado e, o PROCOMEX, que, também por meio de contrato de mútuo com instituição financeira, a contribuinte obtinha financiamento de 11% do valor FOB das mercadorias exportadas, para ser pago em 60 meses, com correção pela TJLP, podendo, na liquidação do mútuo, no prazo avençado, obter um desconto de 90% do montante do financiamento tomado; (x) Os incentivos fiscais recebidos têm natureza de subvenção para investimento, seja pela ótica da Lei Fiscal (art. 38, parágrafo 2º do DecretoLei nº 1.598/1977), como pelo entendimento mais restrito da Receita Federal que, com suporte no Parecer Normativo nº 112/78, exige a efetiva aplicação do valor subvencionado em ativo permanente; Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.938 7 (xi) A Lei Fiscal considera que um recurso tem natureza de subvenção para investimento quando observado dois requisitos: o “animus” do Poder Público de estimular a implantação ou expansão de empreendimento econômico ao conceder a redução de tributo e a contabilização do benefício fiscal como “reserva de incentivo fiscal”, a ser utilizada somente para absorver prejuízos ou aumento do capital social, sendo vedada sua distribuição aos acionistas a qualquer título; (xii) Os Protocolos de Intenções assinados com os Estados do CE e BA, bem como as Leis Estaduais que os amparam, demonstram que os incentivos fiscais são deferidos conforme características do empreendimento subvencionado, sendo nítida a intenção dos entes federativos em fomentar atividades industriais em regiões de seus territórios de baixo desenvolvimento econômico; (xiii) As provas anexadas em Impugnação (Livro Razão e Demonstrações Financeiras) provam que a contribuinte registrou os incentivos fiscais na conta “Reservas de Incentivo Fiscal” – fato incontroverso, eis que já havia sido reconhecido pela própria Fiscalização – observando o tratamento contábil exigido pelo artigo 443 do RIR/99 e utilização restrita a absorver prejuízos e aumentar o capital social, o que foi feito em 30/04/2003 (R$ 2.500.000,00) e em 30/04/2008 (R$ 52.570.435,05); (xiv) Neste ponto, o PN nº112/78, se pretendesse impor como requisito a efetiva e específica aplicação do valor subvencionado em bens e direitos do ativo permanente, não estaria compatível com a Lei, que exige apenas que o valor subvencionado pelo Poder Público, como estímulo à implantação e expansão de empreendimento econômico, seja contabilizado em conta de reserva de capital; (xv) Ocorre que, mesmo sob tal ótica restritiva da RFB, ainda assim houve o cumprimento do requisito de seu PN, uma vez que, levandose em consideração todos os valores da série histórica da implantação do empreendimento, e não somente o anocalendário 2008, como fez o AuditorFiscal, a Impugnante manteve nível de investimento em ativo permanente compatível com os valores recebidos a título de subvenção dos governos da BA e CE; (xvi) Com efeito, ao longo de 9 anos, foram recebidos incentivos fiscais de ICMS de R$ 90.799.242,30, e, embora os Protocolos tenham sido assinados entre 1996 a 1998, esses benefícios somente surgiram com o início da atividade industrial, ocorrido a partir de 2000; destaquese que todos esses documentos e fatos já foram objeto de análise no mencionado PAF nº 10380.012049/200988, do qual se extrai a conclusão de que, até 2007, o investimento em Ativo Permanente da empresa já atingira o montante de R$ 170.071.000,00, ou seja, muito superior à soma de todo o incentivo fiscal recebido, até 2008, de R$ 90.799.242,30; (xvii) Ainda que não se entendesse se tratar de subvenções para investimentos, os valores lançados a título de IRPJ deveriam ser ajustados para aplicação do benefício do Lucro da Exploração, pois se considerados subvenção para custeio, os valores recebidos a título de incentivos fiscais estaduais passam a integrar o Resultado Operacional da empresa; (xviii) Com efeito, a SUDENE aprovou os projetos da contribuinte, sendolhe concedido, tanto no estabelecimento do CE como no da BA, o benefício da redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, em um percentual de 75% calculado no Lucro de Exploração que, se deve corresponder à parcela do Lucro Operacional havido no exercício da atividade incentivada e exercida na região beneficiada, tratandose os incentivos fiscais estaduais de subvenção para custeio, imprescindível seu cômputo no cálculo do Lucro da Exploração; Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.939 8 (xix) Especificamente em relação à contribuição para o PIS e à Cofins, sendo os incentivos fiscais de ICMS uma subvenção para investimento, sua natureza jurídica é exatamente a de uma transferência de capital, motivo pelo qual deveriam, à época, ser contabilizados como reserva de capital, acrescendo diretamente o patrimônio líquido da empresa beneficiária, sem transitar por conta de resultado, conforme determinava a legislação societária e fiscal, não sendo, portanto, uma receita da empresa; (xx) Todavia, mesmo que se tratasse de uma subvenção de custeio, o incentivo fiscal não seria receita para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins, na medida em que seu recebimento não é remuneração de sua atividade empresarial, possuindo inequívoca natureza de ressarcimento de encargos, devendo ser registrada apropriadamente em “Conta Redutora dos Correspondentes Custos”, mas jamais ao lado de contas de receita; (xxi) Notese que a redução do ICMS a recolher não altera a Receita Bruta da empresa, cumprindo os benefícios fiscais o papel de reduzir a despesa com o pagamento do ICMS, não representando o ingresso de receita para a empresa; Pede a Impugnante, ao final, o processamento da Impugnação, com a realização das diligências e provas periciais solicitadas, e, o cancelamento dos autos de infrações. Cientificada do acórdão recorrido em 13/02/2014 (AR fls. 1756), a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1763/1797), em 11/03/2014, no qual reitera integralmente as razões trazidas na impugnação e refuta as conclusões do acórdão recorrido, que manteve o lançamento, em especial, que o suas conclusões colidem com o posicionamento da CSRF do CARF, conforme acórdãos proferidos processos nº 10283.005506/200391 e 13558.000107/200788, respectivamente em 17/05/2010 e 29/06/2011. Ao final requer que o recurso voluntário seja julgado procedente, para: I. Em relação à infração 1: a. IRPJ/CSLL: que seja reformada a decisão ora recorrida para cancelar as exigências de IRPJ e CSLL sobre suposta omissão de receita financeira, dado a cláusula suspensiva no contrato de mútuo; b. Subsidiariamente, caso não eja acatado o argumento anterior, que seja reconhecido a postergação do imposto ou, caso entenda necessário, que seja determinado diligência para confirmação da postergação através de análises contábeis/fiscais da recorrente, direito este já pleiteado em sua impugnação administrativa; II. Em relação à infração 2: a. IRPJ/CSLL: seja reformada a decisão ora recorrida para cancelar as exigências de IRPJ e CSLL contidas nos autos de infração sobre os Incentivos Fiscais concedidos pelos Estados da Bahia e do Ceará, dada a natureza de subvenção para investimento, conforme exposto; i. Subsidiariamente, caso não seja adotado o item anterior, seja reformada a decisão recorrida para cancelar a parcela do IRPJ e da CSLL, indevidamente exigidas em decorrência da desconsideração do benefício da redução do IRPJ decorrente do Lucro da Exploração; Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.940 9 b. PIS/COFINS: seja reformada a decisão ora recorrida para cancelar as exigências de PIS e COFINS contidas nos autos de infração sobre os Incentivos Fiscais do CE e do incentivo fiscal da BA, dado que tais incentivos não possuem a natureza de receita. Na reunião de julgamento realizada em 13/03/2018, este colegiado, por meio da Resolução nº 1302000.537, em face do disposto na Lei Complementar n° 160/2017, que alterou a Lei n° 12.973/2014, inserindo os § 4° e §5° ao artigo 30 da Lei nº 12.973/2014, determinou o sobrestamento do julgamento determinando, verbis: [...] Ante ao exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso voluntário interposto, determinandose, ainda, a remessa dos autos à unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para que a autoridade preparadora proceda à intimação do contribuinte, em 29/12/2018, para que este comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2a, 3a e 4a do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017 em face dos protocolos firmados no âmbito dos programas de incentivos fiscais concedidos pelos estados da Bahia (PROCOMEX e PROBAHIA) e do Ceará (FDI/PROVIN e FDI/PROAPI). Cumpridas tais determinações, este processo deve ser devolvido a este órgão julgador para prosseguimento do julgamento. Em 15/02/2019, por meio da petição juntada às fls. 1859/1872, a recorrente juntou aos autos documentação que, segundo afirma, comprova o atendimento aos requisitos tratados pelas Cláusulas 2a, 3a e 4a do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017 em face dos protocolos firmados no âmbito dos programas de incentivos fiscais concedidos pelos estados da Bahia (PROCOMEX e PROBAHIA) e do Ceará (FDI/PROVIN e FDI/PROAPI). Na sequência os autos foram devolvidos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.941 10 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A recorrente se insurge contra as duas infrações apontadas pela fiscalização. 1. Da Omissão de Receitas Financeiras A fiscalização identificou a falta de reconhecimento, pelo regime de competência, de receitas financeiras decorrentes de contratos de mútuo com empresas ligadas, e efetuou o lançamento relativo a omissão de receitas. A recorrente alega, os juros previstos nos contratos estão amparados por cláusula suspensiva e serão oferecidos à tributação nos anoscalendário correspondentes às datas finais dos respectivos contratos, conforme determinam os artigos 116 e 117 do CTN; Subsidiariamente sustenta, ainda que não se reconheça a condição suspensiva prevista nos negócios jurídicos, hipótese colocada apenas como argumentação, o fato é que também não restaria caracterizada omissão de receitas, mas postergação da tributação, uma vez que as respectivas receitas já teriam sido oferecidas à tributação em períodos de apuração posteriores. O acórdão recorrido analisou os argumentos e a documentação apresentada pela impugnante, ora recorrente, concluindo, verbis: Infração 1 – Omissão de Receitas Financeiras A primeira infração imputada à contribuinte é de omissão de receitas financeiras no valor de R$ 809.693,87, caracterizada pelo autuante pela falta de contabilização de juros incidentes sobre mútuos concedidos às seguintes pessoas jurídicas vinculadas à Impugnante (quadro de fls. 336): Os contratos de mútuo realizados com as três primeiras empresas (Clássico Nordeste, Fonthe S/A, Clássico S/A) previam a incidência de juros calculados a uma taxa de 0,5% ao mês, conforme a seguinte cláusula: "CLÁUSULA QUINTA Sobre os valores mutuados, incidirão juros calculados pelo percentual 0,5% (zero virgula cinco por cento) ao mês ou a Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.942 11 menor taxa de captação da mutuante; das duas a menor. A exigibilidade dos juros fica sob cláusula suspensiva até a data final do contrato, nos termos da Lei civil." Antes de adentrar no mérito da autuação, fazse necessário identificar, para fins desse julgamento, o ponto de intersecção da Contabilidade, da lei societária e da lei tributária. A contribuinte apurou o imposto de renda em 2008 de acordo com o regime do Lucro Real, cujo conceito encontrase consignado no art. 247 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR): [...]omitido A lei tributária determina que a base imponível do IRPJ tem como ponto de partida o lucro líquido que, por sua vez, será apurado com observância das leis comerciais e, em especial, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações), consoante dispõem os artigos 248 e 274 do RIR/1999: [...]omitido Há aqui, claramente, um ponto de interseção entre a lei tributária e a lei societária, na medida que o lucro real é o resultado final do confronto de adições, exclusões e compensações, autorizadas pela lei tributária, em face do lucro líquido do período, apurado segundo os ditames das leis comerciais, das quais faz parte a Lei nº 6.404/1976, que, por seu turno, prescreve, no caput de seu art. 177, o seguinte: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (...) Portanto, o contribuinte é obrigado, pela lei tributária, a apurar o lucro líquido de acordo com a lei societária que, por sua vez, determina que este lucro seja obtido através da observância da escrituração e dos preceitos da Ciência Contábil, dentre eles, o princípio da competência, cuja definição pode ser extraída da Resolução CFC Nº 750, de 29/12/1993, em seu artigo 9º, na redação vigente no período em discussão: SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. Adentrando no mérito deste ponto do lançamento, assiste razão à autoridade autuante ao afirmar que a cláusula suspensiva prevista no aludido instrumento contratual “diz respeito apenas à condição para a exigibilidade dos encargos (cobrança), não implicando que os mesmos não produzam, durante o período Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.943 12 contratual, receitas (mutuante) e despesas financeiras (mutuária) incorridas ambas sob a égide do regime de competência. De fato, uma vez recebidos os empréstimos, as mutuárias se comprometeram, em contrapartida, a pagar juros à fiscalizada a taxas de 0,5% ou 1,89% ao mês, incidentes sobre o valor mutuado, vencíveis, isto é, devendo ser quitados na data do encerramento do contrato, juntamente com o principal. Desta maneira, uma vez que a contribuinte apurou o imposto de renda em 2008 de acordo com o regime do Lucro Real, estava obrigada a reconhecer, mês a mês, as receitas de juros provenientes dos empréstimos concedidos, independentemente de recebimento, em estrita observância ao princípio da competência contábil. Por sua vez, a cláusula que prevê a exigência dos juros na data final do contrato não corresponde a uma condição suspensiva da eficácia de um ato ou negócio jurídico que pudesse fixar o momento da ocorrência do fato gerador para aquela data. Nos termos do artigo 121 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), “considerase condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto” (grifouse). A condição, juntamente com o termo e o encargo, é usualmente tratada pela doutrina civilista como elementos acidentais do negócio jurídico que interferem no plano de sua eficácia. A cláusula em debate, ao estabelecer que a exigibilidade dos juros está suspensa até a data final do contrato, identifica a certeza da ocorrência do evento futuro, isto é, estabelece que, na data avençada para o encerramento do contrato, os juros incidentes mensalmente, desde a data do recebimento do valor mutuado, serão cobrados do mutuário, juntamente com o principal. Portanto, embora a cláusula apontada pela Impugnante subordine seus efeitos (cobrança) a um evento futuro, por outro lado, sua ocorrência é certa e previamente conhecida por ambas as partes, não se conformando, desta forma, à definição de condição estabelecida pela lei civil, mas de termo. Neste sentido, confirase in Novo curso de direito civil, volume I: parte geral/Pablo Stolze Gagliano, Rodolfo Pamplona Filho, 13ª edição, São Paulo, Saraiva, 2011, pág. 441: Se o fato a que se subordina a declaração de vontade for certo (uma data determinada, por exemplo), estaremos diante de um termo, e não de uma condição. Por isso se diz ser indispensável a incerteza da determinação acessória, para que se possa identificála como condição. Percebese que a referida cláusula apenas estipulou o momento a partir do qual os juros devidos ao longo da duração do contrato seriam efetivamente pagos: na data de seu encerramento, expressamente identificada em cada um dos instrumentos contratuais juntados aos autos, não correspondendo, portanto, a um evento incerto ou desconhecido. Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.944 13 Temse, no caso concreto, uma cláusula que previu, nas lições de Maria Helena Diniz, in Curso de Direito Civil Brasileiro, 1º volume, 20ª edição, São Paulo, Saraiva, 2003, pág. 446, um termo convencional, definido como “cláusula que, por vontade das partes, subordina os efeitos do ato negocial a um acontecimento futuro e certo”. Por conseguinte, não se revestindo das características de uma condição, menos ainda se poderia atribuir à mencionada cláusula o condão de subordinar a ocorrência do fato gerador dos tributos a seu implemento, conforme prescrito nos artigos 116 e 117 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN): Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. O contrato de mútuo foi aperfeiçoado desde o momento em que o valor ficou disponível às mutuárias e, a partir do qual, também passaram a ser devidos, mensalmente, juros remuneratórios à fiscalizada, embora somente fossem exigíveis, na data prevista para o encerramento do contrato, juntamente com o principal. Ao proceder desta maneira, a contribuinte, indevidamente, deixou de reconhecer, pelo regime de competência, os juros devidos mensalmente como receitas financeiras ao longo de todo o período em que o empréstimo ficou à disposição das empresas ligadas, configurando a infração de omissão de receitas. Por outro lado, aduz a Impugnante que teria ocorrido a postergação da tributação em relação ao contrato celebrado junto a Clássico Indústria de Artigos Esportivos S/A, na medida que seus juros teriam sido tributados em 01/2012. Cabe uma correção na informação prestada pela Impugnante que, por equívoco, considerou que a Clássico Indústria de Artigos Esportivos S/A teria alterado seu nome empresarial para “DASS SUL S/A”, quando, o que se sucedeu, em 2008, foi a alteração do nome da empresa Fonthe S/A Indústria e Comércio e Confecções para DASS SUL S/A CALÇADOS E ARTIGOS ESPORTIVOS (CNPJ 81.786.121/000102). Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.945 14 A Impugnante junta balancete do mês de janeiro/2012, apontando a conta 5546 (“Receita com juros sobre empréstimos”), como aquela em que estaria o reconhecimento dos juros recebidos da DASS SUL S/A (fls. 495): (...) O balancete da fiscalizada demonstra objetivamente que, em janeiro de 2012, a conta 5546 foi creditada em R$ 2.103.383,68. Entretanto, este documento, isoladamente, não permite identificar se os juros devidos pela mutuária DASS SUL S/A compõem o valor lançado a crédito na mencionada conta. A DASS SUL S/A, por sua vez, declarou na Dctf correspondente ao período de apuração de janeiro/2012 um débito de Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 315.507,55, correspondente ao código de receita 34262 (Rendimentos de capital – Aplicações financeiras de renda fixa – Pessoa Jurídica). Todavia, tal como sucede com o balancete da fiscalizada, a Dctf da DASS SUL S/A, por si só, não contém elementos para identificar sobre qual base de incidência tributária recaiu o confessado imposto de renda retido na fonte, não sendo possível, desta forma, afirmar que o débito corresponde ao imposto retido sobre os juros pagos à Impugnante. Assim, faltou à autuada juntar o demonstrativo do cálculo dos juros devidos pela DASS SUL S/A que permitissem vinculálos à receita financeira de R$ 2.103.383,68, bem como os lançamentos contábeis que comprovassem sua efetiva composição no resultado da pessoa jurídica e o pagamento do respectivo tributo em 2012. Tendo em vista que a fiscalizada cometeu equívocos em relação aos nomes das mutuárias, adoto a premissa de que, ao alegar que a tributação dos juros recebidos de “Fonthe S/A” ocorrera em 2010, quis, de fato, fazer referência aos juros recebidos de Style Participações, tendo em vista que juntou documentos desta, mas não daquela. A Impugnante juntou cópia do Razão das contas 1334 (Juros a Receber Contrato de Mútuo), 1427 (Style Participações Societárias), 1452 (Style Participações Societárias) e planilha com o cálculo dos juros incidentes sobre o empréstimo de R$ 2.000.000,00 concedido à STYLE PARTICIPAÇÕES em 13/11/2008 (fls. 531/532). De acordo com essa planilha, o montante dos juros devidos pela Style, desde a tomada do empréstimo em 13/11/2008, até seu vencimento 11/05/2009, era de R$ Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.946 15 237.790,21 (1,89 % a.m., conforme contrato), quando seu saldo devedor atingia o valor de R$ 2.237.790,21. A mutuária Style teria amortizado parte do principal em 21/05/2009, em valor idêntico ao montante dos juros devidos até aquele momento de R$ 237.790,21, remanescendo, assim, um saldo devedor de R$ 2.000.000,00, do qual R$ 1.762.209,79 corresponderia ao principal e R$ 237.790,21, aos juros que, a partir de maio/2009, passariam a ser calculados a uma taxa de 1,40% a.m. A planilha indica que, em 06/11/2009, quando o saldo devedor atingira o montante de R$ 2.174.178,20 (R$ 1.762.209,79 de principal e R$ 411.968,41 de juros acumulados), teria sido acordado uma redução dos juros de R$ 123.868,20, provocando a diminuição de seu saldo para R$ 288.100,21 e, do principal, para R$ 2.050.310,00. Em 31/12/2009, a contribuinte indica de que teria ocorrido o recebimento do valor principal de R$ 1.762.209,79 e, em 22/04/2010, o dos juros remanescentes de R$ 288.100,21. Embora a planilha da contribuinte explique de maneira racional como teriam sido calculados os juros devidos pela mutuária STYLE PARTICIPAÇÕES, bem como os momentos em que teriam ocorrido a amortização do empréstimo e o recebimento dos juros, por outro lado, os lançamentos contábeis acostados aos autos não permitem concluir que os juros devidos pela mutuária foram efetivamente reconhecidos como receitas e levados ao resultado da pessoa jurídica no ano calendário 2010. A contribuinte juntou o Razão de contas patrimoniais de seu ativo, relacionadas ao crédito concedido à STYLE, em que é possível apenas constatar sua evolução. Assim, é possível visualizar na conta 1452 (Style Participações Societárias), um lançamento a débito de R$ 2.000.000,00, em 13/11/2008, a indicar a concessão do valor mutuado; um lançamento credor de R$ 237.790,10, em 21/05/2009, na conta 1427 (Style Participações Societárias), referente à amortização parcial do mútuo; diversos lançamentos a débito na conta 1334 (Juros a Receber Contrato de Mútuo), reconhecendo valores devidos a título de juros relativos ao empréstimo concedido à Style. Todavia, conforme consignado, são lançamentos envolvendo apenas contas patrimoniais, ou seja, não foram trazidos os registros contábeis correspondentes ao reconhecimento dos juros no resultado da pessoa jurídica no anocalendário 2010, ou seja, os respectivos lançamentos efetuados nas contas de resultado, evidenciados no Razão e Diário da contribuinte. Desta maneira, não restou demonstrada, pela contribuinte, a ocorrência da postergação do pagamento do imposto incidente sobre os juros decorrenes dos mútuos concedidos, devendo ser, em relação a esta matéria tributável, integralmente mantido o lançamento. Não tenho reparos à análise feita pelo acórdão recorrido que demonstrou cabalmente a ausência de condição suspensiva quanto ao direito aos juros em si, cuja exigibilidade é certa e conhecida nos termos do contrato, estando apenas adiada a data de seu pagamento. Portanto, cabia à interessada reconhecer os juros incorridos pelo regime de competência. Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.947 16 No que tange à alegada postergação de pagamento, a interessada não se desincumbiu de trazer aos autos os elementos comprobatórios de sua efetiva tributação em períodos posteriores. Como bem analisado na decisão recorrida, os documentos contábeis juntados à impugnação apontam a existência de registros apenas nas contas patrimoniais, não tendo sido trazido aos autos a comprovação de que integraram as contas de resultado do exercício e que foram efetivamente oferecidas à tributação. De se observar, ainda, que, conforme dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 02/1996, para que se reconheça a postergação, não basta o mero registro da receita em período posterior, mas também é necessária a comprovação de que o referido ajuste importou em pagamento majorado do tributo na mesma proporção que deixou de ser pago anteriormente, uma vez que o lançamento deve ser efetuado pelo valor líquido, depois de compensado o valor do imposto ou da contribuição correspondente. É o que se extrai, verbis: [...] 6.3 A redução indevida do lucro líquido de um períodobase, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. Qualquer ajuste daí decorrente, que venha ser efetuado posteriormente pelo contribuinte não tem as características dos procedimentos espontâneos e, por conseguinte, não poderá ser pleiteado para produzir efeito no próprio lançamento. 7. O § 6º, transcrito no item 5, determina que o lançamento deve ser feito pelo valor líquido do imposto e da contribuição social, depois de compensados os valores a que o contribuinte tiver direito em decorrência do disposto no § 4º. Por isso, após efetuados os procedimentos referidos no subitem 5.3, somente será passível de inclusão no lançamento a diferença negativa de imposto e contribuição social que resultar após a compensação de todo o valor pago a maior, no períodobase de término da postergação, com base no lucro real mensal ou na forma dos arts. 27 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com o valor pago a menor no períodobase de início da postergação. 8. Nos casos em que, no períodobase de competência no qual deveria ter sido reconhecida a receita, o rendimento ou o lucro ou para o qual houverem sido antecipados o custo e a despesa, as importâncias adicionadas não excedam o valor do prejuízo fiscal ou da base de cálculo negativa da contribuição social, apurado pela pessoa jurídica, os procedimentos mencionados devem prosseguir até o períodobase de término do prazo de postergação, tendo em vista que a redução dos prejuízos e da base de cálculo negativa pode configurar pagamento a menor de imposto ou contribuição social em períodobase subseqüente, cabendo a exigência da diferença de imposto ou contribuição não paga com os correspondentes acréscimos legais. 9. Por outro lado, nos casos em que, nos períodosbase subseqüentes ao de início do prazo da postergação até o de término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.948 17 contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurados no períodobase inicial, com os respectivos encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores. (grifo nosso) No presente caso, a recorrente não demonstrou, nem comprovou o pagamento, em período posterior, do imposto que deixou de ser pago pelo regimento de competência no período lançado. A recorrente ainda se insurge contra a decisão recorrida por ter indeferido pedido de diligência na qual poderia ser comprovado o efetivo oferecimento à tributação nos períodos posteriores indicados. Não lhe assiste razão, pois lhe cabia trazer aos autos a prova que corroborassem a referida alegação. O acórdão recorrido rejeitou o pedido, de forma fundamentada, verbis: Inicialmente, deve ser observado que a Impugnante, embora tenha pedido, ao final da peça impugnatória, a realização de diligência e perícia, não deduziu as providências que pretendia que fossem tomadas, sequer formulou quesitos a serem respondidos, motivo pelo qual tal pedido não deve ser conhecido. A providência é solicitada nos mesmo termos no recurso voluntário, devendo ser indeferido pelo mesmo motivo. Ora, a recorrente poderia ter trazido aos autos, junto com seu recurso voluntário, os elementos comprobatórios reclamados na decisão recorrida. Não tendo feito, descabe a dilação probatória por meio de realização de diligências. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto à primeira infração. II. Da Tributação das Subvenções Recebidas dos Estados do Ceará e Bahia, por meio de Incentivos Fiscais do ICMS. A fiscalização considerou indevido o ajuste negativo do RTT, feito no lucro real e na base de cálculo da CSLL, dos valores recebidos a título de subvenção concedida pelos governos da Bahia e do Ceará para a instalação de empreendimentos industriais naqueles estados da federação, sob o entendimento de que se tratam de subvenções para custeio e não para investimentos. A recorrente defende que se trata de subvenções de investimentos concedidas pelos citados estados como contrapartida pela instalação de empreendimentos industriais visando ao fomento da atividade econômica em regiões pouco desenvolvidas. Não obstante, independentemente das razões de mérito das infrações apontadas pela fiscalização e as trazidas pela recorrente, tal discussão ganhou novos contornos Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.949 18 com à aprovação da Lei Complementar nº 160/2017, que veio alterar a Lei nº 12.973/2014, inserindo os § 4º e § 5º ao seu artigo 30. As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar nº 160, têm efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30, se mantém desde que atendidos os seguintes requisitos: (i)intenção do Estado da em estimular a implantação e expansão de empreendimentos e, (ii) registro em reserva de lucros. A Lei Complementar estabeleceu a aplicação das novas regras contidas nos §§ 4º e 5º inclusive aos benefícios anteriormente concedidos, ainda que em desacordo com o art. 155, II da C, desde que atendidas as exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, conforme o disposto nos arts. 10 e 3º da LC 160/2017. Diante das novas disposições e exigências da lei, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15/12/2017, que estabeleceu procedimentos para a remissão, anistia e a reinstituição regrada pelo convênio e fixa prazos para os Estados e o Distrito Federal para a publicação dos atos normativos no Diário Oficial do Estado e registro das normas perante o Confaz. Assim, com vistas a verificar o cumprimento das exigências, com relação aos incentivos objeto de discussão, este colegiado determinou o sobrestamento do julgamento até que se esgotasse o prazo para que as unidades da federação ratificassem os benefícios porventura concedidos unilateralmente, à revelia do CONFAZ, e efetuassem o registro e depósito junto à secretaria daquele conselho da documentação correspondente aos atos concessivos dos benefícios. Determinou, ainda, que esgotado o prazo para as providências requeridas dos estados membros(29/12/2018), a contribuinte fosse intimada a comprovar o cumprimento dos requisitos legais. Em cumprimento à intimação, a recorrente apresentou a documentação pertinente que se analisa adiante. Embora o contribuinte não tenha suscitado em seu recurso a aplicação das disposições da LC 160 ao caso concreto, impõese o seu conhecimento de ofício por força dos preceitos do art. 30, § 5º da Lei nº 12.973/2014. Para fins de análise da documentação apresentada quanto ao preenchimento dos requisitos formais contidos no art. 3º supra referido, destacase a necessidade de adoção, pelo Estado Federado subvencionante, dos procedimentos ali descritos, especialmente: a) a ratificação dos benefícios porventura concedidos unilateralmente (isto é, sem o crivo do CONFAZ e, portanto, em desrespeito às regras contidas no art. 155, §2º, inciso XII, "g", da CRFB), mediante publicação de decreto, portaria ou quejandos (inciso I); b) "o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados" em "a", acima. Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.950 19 Preenchidos tais requisitos, devem ser, as referidas subvenções,, tratadas independente de quaisquer exigências adicionais (§ 4º do art. 30 da Lei 12.973), com sendo "para investimento". O TVF não questiona o registro das subvenções em reservas de capital e inclusive demonstra a sua forma de contabilização como reservas e posterior transferência para lucros acumulados em face das novas disposições atinentes à contabilidade aprovadas, pela Lei nº 11.638/2007. De outra parte a recorrente alega em seu recurso, verbis: As provas anexadas em Impugnação (Livro Razão e Demonstrações Financeiras) provam que a contribuinte registrou os incentivos fiscais na conta “Reservas de Incentivo Fiscal” – fato incontroverso, eis que já havia sido reconhecido pela própria Fiscalização – observando o tratamento contábil exigido pelo artigo 443 do RIR/99 e utilização restrita a absorver prejuízos e aumentar o capital social, o que foi feito em 30/04/2003 (R$ 2.500.000,00) e em 30/04/2008 (R$ 52.570.435,05); Para comprovar suas afirmações a recorrente juntou aos autos cópias das Demonstrações Financeiras (fls. 600/619) e cópia do Livro Razão (fls. 631/643) visando a demonstrar a contabilização do incentivos como reservas. Além disso, juntou cópia de alteração contratual (fls. 620/630) em que parte das reservas são incorporadas ao capital social. No livro Razão é possível constatar o registro das subvenções em contrapartida à conta de reservas de capital, com transferência para a conta de resultado no final do período de apuração. Também se detecta o registro em Reserva de Incentivo Fiscal de ICMS (conta 2.3.03.01.003), transferido de Lucros Acumulado no montante de R$ 25.069.516,88 em 31/12/2008. Assim, me parece que sob o aspecto do cumprimento desta disposição legal, não existe óbice ao reconhecimento da subvenção para investimentos, se cumpridos os requisitos estabelecidos no disposto nos arts. 10 e 3º da LC 160/2017 e pelo Convênio ICMS 190, de 15/12/2017. Posto isto, passo a analisar o cumprimento dos preceitos do art. 3º, incisos I e II, da Lei Complementar 160. A manifestação da recorrente (fls. 1859/1872), mediante a qual trouxe aos autos os atos que confirmam os incentivos com caráter de investimentos pelos estados da Bahia e Ceará e o respectivo depósito no Confaz, descreve de forma bastante didática o cumprimento dos requisitos, verbis: 3.1 BENEFÍCIOS FISCAIS CONCEDIDOS PELO ESTADO DA BAHIA Conforme se constata nos autos, em relação ao Estado da Bahia, são questionados os seguintes incentivos: i) PROBAHIA (item 1.1 do TVF – fl. 42): Concessão de crédito presumido de ICMS equivalente a 90% do ICMS mensalmente originado nas vendas internas, em substituição aos créditos ordinários derivados da sistemática de não cumulatividade do tributo; e Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.951 20 ii) PROCOMEX (item 1.2 do TVF – fl. 43/44): Por meio de contrato de mútuo com instituição financeira estadual, a Recorrente obtém financiamento de 11% do valor FOB das mercadorias exportadas. Na liquidação do mútuo, a Recorrente obtém, a título de incentivo, desconto equivalente a 90% do montante do financiamento tomado. 3.1.1 DA PUBLICAÇÃO DOS ATOS INSTITUIDORES DOS BENEFÍCIOS (cláusula 2ª, I e cláusula 3ª do Convênio ICMS nº 190/2017) O Estado da Bahia publicou em seu Diário Oficial de 17/03/2018, o Decreto nº 18.270/2018 no qual identifica, em seu Anexo Único, a relação dos atos normativos relativos aos benefícios fiscais concedidos. (http://www.legislabahia.ba.gov.br/index.php/documentos/decretono18270de16 demarcode2018). Posteriormente, em 28/03/2018, foi publicado o Decreto nº 18.288/2018 no qual altera o Anexo Único do Decreto nº 18.270/2018 (http://www.legislabahia.ba.gov.br/sites/default/files/anexos/87491/Dec18288.pdf ) Pois bem, especificamente em relação ao PROBAHIA, conforme se constata no item 1.1 do TVF (fl. 42), o benefício foi instituído pela Lei Estadual nº 7.025/97 (e demais alterações) e regulamentada pelo Decreto Estadual 6.734/97. [...] A identificação destes Atos Normativos no referido Anexo Único está discriminada nos itens 5.0 e 5.1 referente à Lei Estadual nº 7.025/97 e ao Decreto Estadual nº 6.734/97 respectivamente (documento Anexo): Fl. 1952DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.952 21 Por sua vez, em relação ao PROCOMEX, conforme se constata no item 1.2 do TVF (fls. 43/44), o benefício foi instituído pela Lei Estadual nº 9.430/05 e regulamentada pelo Decreto Estadual 10.972/2008. [...] Por sua vez, a identificação destes Atos Normativos no referido Anexo Único, alterado pelo Decreto nº 18.288/2018, sendo está discriminado nos itens 161.0 e 161.1 referente à Lei Estadual nº 9.430/05 e ao Decreto Estadual nº 10.972/2008 Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.953 22 respectivamente (documento Anexo): 3.1.2 DO REGISTRO E DO DEPÓSITO DOS ATOS NORMATIVOS DOS BENEFÍCIOS (cláusula 2ª, II e cláusula 4ª do Convênio ICMS nº 190/2017) Em atendimento à legislação, o Estado da Bahia efetivou o Registro e o Depósito de toda a documentação dos atos concessivos dos benefícios fiscais publicados nos respectivos Diários Oficiais, conforme se comprova: ■ CERTIFICADOS DE REGISTRO E DEPÓSITO SE/CONFAZ nº 20/2018 https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistrodepositocvicms 190171/bahia/2018/sei_mf0887024certificadoderegistroedeposito2018.pdf ■ CERTIFICADOS DE REGISTRO E DEPÓSITO SE/CONFAZ nº 71/2018 https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistrodepositocvicms 190171/bahia/2018/71certificadoderegistroedepositoba.pdf [...] Portanto, em relação ao PROBAHIA e ao PROCOMEX, resta inequivocamente comprovado que a Recorrente/Contribuinte cumpriu com os requisitos tratados nas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS nº 190/2017, conforme os parâmetros e meios de comprovação definidos pela CSRF nos termos do Acórdão 9101003.841 3.2 BENEFÍCIOS FISCAIS CONCEDIDOS PELO ESTADO DO CEARÁ Conforme se constata nos autos, em relação ao Estado do Ceará, são questionados os seguintes incentivos: a) FDI/PROVIN (item 2.1 do TVF – fl. 47): Por meio de contrato de mútuo com instituição financeira estadual, a totalidade do ICMS mensalmente gerado nas operações internas era financiada com correção pela TJLP. Na liquidação do mútuo, a Recorrente obtém, a título de incentivo, desconto equivalente a 99% do montante do financiamento tomado; b) FDI/PROAPI (item 2.2 do TVF – fl. 49): Por meio de contrato de mútuo com instituição financeira, a Recorrente obtém financiamento de 11% do valor FOB das mercadorias exportadas. Na liquidação do mútuo a Recorrente obtém, a título de incentivo, desconto equivalente a 90% do montante do financiamento tomado. 3.2.1 DA PUBLICAÇÃO DOS ATOS INSTITUIDORES DOS BENEFÍCIOS (cláusula 2ª, I e cláusula 3ª do Convênio ICMS nº 190/2017) Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.954 23 O Estado do Ceará publicou em seu Diário Oficial de 27/03/2018, o Decreto nº 32.563/2018 no qual identifica, em seu Anexo Único, a relação dos atos normativos relativos aos benefícios fiscais concedidos. (http://imagens.seplag.ce.gov.br/PDF/20180327/do20180327p01.pdf#page=17) Posteriormente, foram acrescentados ao referido Anexo Único, novas leis e decretos relativos aos atos instituidores de benefícios. Em 12/07/2018 foi publicado o Decreto nº 32.755/2018 (http://imagens.seplag.ce.gov.br/PDF/20180712/do20180712p01.pdf#page=1) e 25/07/2018 foi publicado o Decreto nº 32.766/2018 (http://imagens.seplag.ce.gov.br/PDF/20180725/do20180725p01.pdf#page=24) É importante um esclarecimento sobre a legislação que instituiu ambos os benefícios. Isso porque, tais benefícios estão vinculados ao FDI Fundo de Desenvolvimento Industrial instituído pela Lei Estadual nº 10.367/1979 e regulamentado pelo Decreto nº 26.546/2002 (vigente até 01/2008) e o Decreto nº 29.183/2008 (vigente a partir de 02/2008), conforme atestam os documentos de fls. 114 e seguintes do presente processo administrativo. A identificação destes Atos Normativos no referido Anexo Único está discriminada nos itens 2, 63 e 92 referentes à Lei nº 10.367/79 e aos mencionados Decretos respectivamente: Posteriormente, houve alterações e introdução de normas específicas para cada benefício vinculado ao FDI. Especificamente em relação ao FDI/PROVIN, houve a introdução de novas normas através da Lei nº 13.377/2003 e respectivo Decreto nº 27.206/2003, fato este que foi motivou a adequação do Contrato de Mútuo por meio de Primeiro Aditivo (fl. 118) [...] A identificação destes Atos Normativos no referido Anexo Único está discriminada nos itens 17 e 68 referentes à citada Lei e seu respectivo Decretos Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.955 24 regulamentador: Por fim, especificamente em relação ao FDI/PROAPI, houve a introdução de normas específicas através da Lei nº 12.478/95, conforme se constata no Contrato de Mútuo para execução do benefício. (fl. 122) [...] A identificação deste Ato Normativo no referido Anexo Único está discriminada no item 4 conforme documentação anexa. 3.2.2 DO REGISTRO E DO DEPÓSITO DOS ATOS NORMATIVOS DOS BENEFÍCIOS (cláusula 2ª, II e cláusula 4ª do Convênio ICMS nº 190/2017) Em atendimento à legislação, o Estado do Ceará efetivou o Registro e o Depósito de toda a documentação dos atos concessivos dos benefícios fiscais publicados nos respectivos Diários Oficiais, conforme se comprova: ■ CERTIFICADO DE REGISTRO E DEPÓSITO SE/CONFAZ nº 12/2018 https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistrodeposito cvicms190171/ceara/2018/sei_mf0838062certificadoderegistroe deposito.pdf; ■ CERTIFICADOS DE REGISTRO E DEPÓSITO SE/CONFAZ nº 30/2018 https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistro depositocvicms190171/ceara/2018/certificadoderegistroedeposito30 2018ce ■ CERTIFICADOS DE REGISTRO E DEPÓSITO SE/CONFAZ nº 42/2018 https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistro depositocvicms190171/ceara/2018/sei_mf1058752certificadoderegistro edeposito4218ce.pdf [...] Portanto, concluise também que em relação ao Benefício concedidos pelo Estado do Ceará, especificamente em relação ao FDI/PROVIN e ao FDI/PROAPI, Fl. 1956DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.956 25 resta inequivocamente comprovado que a Recorrente/Contribuinte cumpriu com os requisitos tratados nas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS nº 190/2017, conforme os parâmetros e meios de comprovação definidos pela CSRF nos termos do Acórdão 9101003.841 Com efeito, a documentação apresentada comprova o preenchimento integral dos requisitos estabelecidos nos arts. 10 e 3º da LC 160/2017 e pelo Convênio ICMS 190, de 15/12/2017, impondose o reconhecimento dos incentivos fiscais concedidos pelos estados da Bahia e do Ceará como subvenções para investimento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne ao IRPJ e à CSLL, para excluir do lançamento as exigências relativas ao ajuste do RTT decorrente das subvenções para investimento recebidas do Estado da Bahia e do Ceará, nos termos anteriormente expostos. Da Incidência do Pis e da Cofins sobre receitas auferidas com incentivos fiscais classificados como subvenções para custeio A fiscalização efetuou o lançamento das contribuições ao Pis e Cofins sobre as receitas auferidas com incentivos fiscais, ao entender que as mesmas deviam ser classificadas como subvenções para custeio. A recorrente alega que sendo os incentivos fiscais de ICMS uma subvenção para investimento, sua natureza jurídica é de uma transferência de capital, motivo pelo qual deveriam, à época, ser contabilizados como reserva de capital, acrescendo diretamente o patrimônio líquido da empresa beneficiária, sem transitar por conta de resultado, conforme determinava a legislação societária e fiscal, não sendo, portanto, uma receita da empresa. Defende que, mesmo que se tratasse de uma subvenção de custeio, o incentivo fiscal não seria receita para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins, na medida em que seu recebimento não é remuneração de sua atividade empresarial, possuindo natureza de ressarcimento de encargos, que deve ser registrada em “Conta Redutora dos Correspondentes Custos”, não como receita. Sustenta que a redução do ICMS a recolher não altera a Receita Bruta da empresa, cumprindo os benefícios fiscais o papel de reduzir a despesa com o pagamento do ICMS, não representando o ingresso de receita para a empresa. O acórdão recorrido assim se pronunciou sobre as alegações, verbis: [...] A Impugnante, em 2008, adotou o regime de apuração do IRPJ do Lucro Real, estando sujeita, por conseguinte, à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com o regime não cumulativo, introduzido, respectivamente, pelas Leis n° 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003: [...] As Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, prescrevem como fato gerador das contribuições o faturamento mensal, entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.957 26 nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O valor do faturamento mensal, compreendido conforme os termos do parágrafo anterior, constitui a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Conforme consignado no transcrito item 15 da Solução de Divergência nº 15, de 1º de setembro de 2003, “As subvenções têm natureza de receitas e são, de ordinário, tributáveis, tanto que foram classificadas pela legislação do Imposto de Renda como "Outros Resultados Operacionais”, na modalidade subvenção correntes para custeio ou operação (art. 335 do RIR, de 1994 ou art. 392 do RIR, de 1999), ou como "Resultados não Operacionais", na modalidade subvenção para investimento, de que trata o art. 391 do RIR, de 1994 ou art. 443 do RIR, de 1999”. Caso os valores em discussão fossem classificados como subvenções para investimento, ao adotar o RTT, além de poder excluílas do lucro líquido do exercício, para fins de apuração do lucro real, conforme facultado pelo art. 18 da MP nº 449/2008, a Impugnante também poderia têlas retirado da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por força do art. 21, parágrafo único, inciso I do mesmo diploma normativo: Art.21.As opções de que tratam os arts. 15 e 20, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCOFINS. Parágrafo único.Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, quando registrados em conta de resultado: Io valor das subvenções e doações feitas pelo Poder Público, de que trata o art. 18; e IIo valor do prêmio na emissão de debêntures, de que trata o art. 19. Todavia, as subvenções recebidas pela contribuinte pertencem à modalidade de “custeio”, têm natureza de receita e são consideradas como “outros resultados operacionais” que, por sua vez, não estão dentre aquelas reconhecidas no art. 1º, § 3º, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que relaciona as receitas excluídas das bases de cálculo das respectivas Contribuições. [...] Com efeito, quando se trata de subvenção para investimento, antes da edição da Lei nº 11.638/2007, esta era registrada diretamente como contrapartida em reserva de capital, sem passar pelas contas de resultado. Após tal lei passou a ser exigido o seu registro em conta de resultado, mas sua tributação foi excluída, em face da neutralidade tributária estabelecida pela MP. 449, convertida na Lei nº 11.941/2009. Assim, no presente caso, cabe apenas estender às exigência do PIS e da Cofins as conclusões aplicadas ao IRPJ e a CSLL, para excluir do lançamento os valores Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 10380.732638/201281 Acórdão n.º 1302003.477 S1C3T2 Fl. 1.958 27 reconhecidos como subvenção para investimento relativos aos protocolos firmados com os estados da Bahia e do Ceará. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário em relação ao PIS e a Cofins, nos termos acima. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins as exigências em face do ajuste do RTT, decorrente das subvenções para investimento recebidas dos estados da Bahia e do Ceará. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1959DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.972288/2016-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 22 88 /2 01 6- 87 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.972288/201687 Acórdão n.º 3301005.921 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.980, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.972288/201687 Acórdão n.º 3301005.921 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.972288/201687 Acórdão n.º 3301005.921 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.972288/201687 Acórdão n.º 3301005.921 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
