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Numero do processo: 11684.001292/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 12/08/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/08/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 12 92 /2 00 9- 19 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 214 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.823. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 215 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 216 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 217 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 218 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 219 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 220 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 221 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 222 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 223 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001292/200919 Acórdão n.º 9303003.684 CSRF‐T3 Fl. 224 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000701/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.
O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Kleber Ferreira de Araújo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 07 01 /2 01 0- 56 Fl. 973DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificada da decisão em 13/04/2011 (fl. 616), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 618 a 657) em 13/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência em duas ocasiões, conforme Resolução nº 2803000.199, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 703 a 709), e Resolução CARF nº 2803000.285, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls. 942 a 944), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias". Às fls. 956/959 veio aos autos informação fiscal, reconhecendo o direito à restituição integral do montante pleiteado. Eis os termos do pronunciamento da autoridade fiscal: "8. A empresa declarou em campo próprio da GFIP, as retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, e conforme consta nas telas do sistema CCORGFIP (fls.947 a 954), nas matrículas CEI nº 50.047.09467/77 e 50.075.02434/73, bem como nos dados da Base Central do sistema RestWeb (fl.946). 9. Deduzindo os valores devidos pela empresa a título de contribuição previdenciária cota parte patronal, empregado e SAT/RAT também declarados em GFIP, dos valores retidos a Fl. 974DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000701/201056 Acórdão n.º 2402005.408 S2C4T2 Fl. 973 3 título de retenção da Lei 9.711/1998, restou saldo a ser restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº 09031.39377.181209.1.2.157500, referente à competência 05/2007, conforme quadro abaixo e planilha de restituição, anexa ao processo (fl. 955): (...) 10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o direito creditório reconhecido no PER nº 09031.39377.181209.1.2.157500, referente à competência 05/2007, no valor originário de R$ 128.410,39 (cento e vinte e oito mil quatrocentos e dez reais e trinta e nove centavos)." É o relatório. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Direito à restituição O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de restituição, expresso na informação fiscal supra, põe fim a lide tributária, conduzindome obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10865.900449/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/11/2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Somente são passíveis de compensação tributária os créditos líquidos e certos, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DCOMP. CRÉDITO. INSUFICIÊNCIA.
Demonstrada nos autos a insuficiência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se a manutenção da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-001.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Somente são passíveis de compensação tributária os créditos líquidos e certos, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DCOMP. CRÉDITO. INSUFICIÊNCIA. Demonstrada nos autos a insuficiência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se a manutenção da decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Somente são passíveis de compensação tributária os créditos líquidos e certos, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DCOMP. CRÉDITO. INSUFICIÊNCIA. Demonstrada nos autos a insuficiência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese a manutenção da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 04 49 /2 00 9- 08 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.900449/200908 Acórdão n.º 1401001.426 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 5051: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) 30397.16572.240505.1.3.04 4064, por intermédio da qual o contribuinte, que apura os tributos devidos com base no lucro real – estimativa mensal, pretende compensar débito de IRPJ (cód. 2362) referente a novembro de 2002, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (cód. 2362), recolhido em 29/11/2002. Em decisão proferida pela DRF Limeira em 18/02/2009 (ciência em 03/03/2009), a compensação foi homologada parcialmente, pois foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em 30/03/2009, irresignado, interpôs a requerente Manifestação de Inconformidade na qual alega, em síntese, que: Conforme se depreende do Despacho Decisório emanado do Processo de Crédito no 10865.900449/200908, a Manifestante indicou no PerDcomp nº 30397.16572.240505.1.3.044064 um crédito no valor de R$ 1.401.767,13, gerado pelo pagamento indevido de IRPJ referente ao período de apuração de outubro de 2002, no valor total de R$ 3.892.861,91. No entanto, o r. Despacho Decisório apenas reconheceu um crédito remanescente do valor de R$ 48.922,32, glosando o valor de R$ 1.352.844,81, por entender já ter sido este valor utilizado em outra “compensação”. Conforme se observa do quadro denominado "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP, o valor do pagamento indevido teria sido assim utilizado: R$ 2.491.094,78 para quitar parte do IRPJ devido referente ao PA de outubro de 2002; R$ 1.352.844,81 para quitar parte do IRPJ devido referente ao PA de novembro de 2002. Restaria, portanto, somente um saldo de R$ 48.922,32 a reconhecer naquele PERDomp. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.900449/200908 Acórdão n.º 1401001.426 S1C4T1 Fl. 4 3 Ocorre, no entanto, que o valor de R$ 1.325.844,81 referente ao PA de novembro de 2002 não foi quitado/compensado com o crédito decorrente do pagamento indevido acima mencionado, e sim pago por meio de outro DARF, exatamente como informado na DCTF referente ao PA em questão, e conforme faz prova o COMPROVANTE DE ARRECADAÇÃO em anexo (DOC. 01). De fato, a DCTF referente ao PA de Nov/02 informa corretamente a forma como o IRPJ para aquele PA foi quitada, ou seja: Total do imposto devido: R$ 2.651.929,75 R$ 1.132.033,27 pagamento por DARF em 27/12/2002 n° 37274874880 R$ 93.012,58 Compensação Dcomp 02186.05109.240505. 1.3.040818 R$ 103.355,06 Compensação Dcomp 15764.62413.240505. 1.3.048994 R$ 1.244.580,42 Compensação Dcomp30397.16572.240505. 1.3.044064 R$ 20.156,13 Compensação Dcomp 16499.14884.240505. 1.3.040045 Verificase, portanto, que, ao contrário do que restou decidido, não houve, no PA de novembro de 2002, utilização do crédito decorrente do pagamento indevido referente a outubro de 2002 de outra forma que não na compensação informada no PerDcomp no 30397.16572.240505.1.3.044064, de forma que o crédito informado neste PerDcomp deve ser reconhecido em sua integralidade. Por todo exposto, requer a reforma do Despacho Decisório a fim de reconhecerse integralmente o crédito indicado no PerDcomp no 30397.16572.240505.1.3.044064, homologandose, portanto, integralmente a compensação nele levada a efeito, de forma que não reste qualquer saldo devedor. A 6ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 49: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DCOMP. CRÉDITO. INSUFICIÊNCIA. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.900449/200908 Acórdão n.º 1401001.426 S1C4T1 Fl. 5 4 Demonstrada nos autos a insuficiência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese a manutenção do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da aludida decisão em 25/11/2014, fl. 56, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/12/2014, fls. 58 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça de manifestação de inconformidade e contesta as conclusões do acórdão recorrido. Sustentou a recorrente, com base em precedente oriundo da 2ª Turma, da 3ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, que o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Afirmou, outrossim, que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada. Nestes termos, requereu o acolhimento do recurso com o consequente cancelamento do processo de cobrança. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.900449/200908 Acórdão n.º 1401001.426 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. A decisão de piso confirmou o despacho decisório, o qual reconheceu apenas um crédito de R$ 48.922,32 referente ao período de apuração outubro de 2002. No tocante aos demais valores, o voto condutor da decisão de piso, reafirmando o que constou do despacho decisório, informou, registrando que os mesmos estão vinculados a outros débitos, abaixo indicados: Db: cód. 2362 PA 31/10/2002 – R$ 2.491.094,78 Db: cód. 2362 PA 30/11/2002 – R$ 1.352.844,81 A recorrente, reafirmando o que alegou em sua manifestação de inconformidade, alegou que o débito referente ao PA 30/11/2002 teria sido quitado, segundo DCTF apresentada, mediante: a) DARF no valor de R$ 1.132.033,27 (de 27/12/2002); b) um conjunto de compensações, listadas a seguir: R$ 93.012,58 Compensação Dcomp 02186.05109.240505.1.3.040818 R$ 103.355,06 Compensação Dcomp 15764.62413.240505.1.3.048994 R$ 1.244.580,42 Compensação Dcomp 30397.16572.240505.1.3.044064 R$ 20.156,13 Compensação Dcomp 16499.14884.240505.1.3.040045 R$ 56.845,28 Compensação Dcomp 03157.21890.240505.1.3.017936 Ao analisar tal alegação, assim se pronunciou a decisão de piso, fls. 52: Consultando o Sistema FISCEL, da Receita Federal (fl. 47), verificamos que antes da DCTF referida pelo contribuinte, que foi apresentada na mesma data da PER/DCOMP sob exame (24/05/2005), outra DCTF havia sido entregue pelo contribuinte (em 2004), na qual constava para o PA 30/11/2002 um débito de R$ 2.641.791,09 e, vinculado a este débito, unicamente o pagamento de R$ 1.132.033,27, realizado mediante DARF. Diante do débito em aberto referente ao PA 30/11/2002 e do valor pago a maior no PA 31/10/2002, em 06/07/2004 foi feita a alocação pela Fiscalização do valor de R$ 1.352.844,81 ao PA 30/11/2002, conforme tela juntada à fl. 48. Dessa forma, quando da retificação da DCTF do 4º trimestre de 2002 pelo contribuinte, efetuada juntamente com a entrega da DCOMP sob análise, só restava disponível referente ao PA 31/10/2002 o valor de R$ 48.922,32, como informado no Despacho Decisório. Em sua peça recursal, a contribuinte alegou que o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Neste Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.900449/200908 Acórdão n.º 1401001.426 S1C4T1 Fl. 7 6 sentido, fez referência a um precedente oriundo da 2ª Turma, da 3ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, verbis: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, fazse necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 3302 00.811 da 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, em sessão de 03/02/2011) Afirmou, outrossim, que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada. Não assiste razão à recorrente. Na verdade, a recorrente não levou em conta o fato de que a simples retificação de DCTF, desacompanhada de documentação hábil e idônea, é insuficiente para comprovar a existência de crédito passível de compensação. Neste sentido, é farta e pacífica a jurisprudência deste CARF, conforme demonstram os seguintes julgados: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802¬002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.900449/200908 Acórdão n.º 1401001.426 S1C4T1 Fl. 8 7 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302¬002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Como facilmente se percebe, o sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. Em outras palavras, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. No caso em apreço, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora, sem juntar aos autos qualquer elementos de prova capaz de demonstrar o erro eventualmente contido na DCTF original. Assim sendo, revelase inteiramente correto o entendimento adotado pela autoridade competente da unidade de origem, e que foi corroborado pelo colegiado julgador a quo. Conclusão Diante do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.001865/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007
DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELA AUTORIDADE LANÇADORA.
Confirma-se a decisão de piso que reduz o valor do crédito tributário no auto de infração, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração.
Recurso de Ofício Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer o valor do crédito lançado no Auto de Infração nos termos do Relatório de Diligência de folhas 3.827 e 3.828.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 05/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Confirma-se a decisão de piso que reduz o valor do crédito tributário no auto de infração, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. Recurso de Ofício Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer o valor do crédito lançado no Auto de Infração nos termos do Relatório de Diligência de folhas 3.827 e 3.828. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 05/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Confirmase a decisão de piso que reduz o valor do crédito tributário no auto de infração, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifestase fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. Recurso de Ofício Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer o valor do crédito lançado no Auto de Infração nos termos do Relatório de Diligência de folhas 3.827 e 3.828. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 05/07/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 65 /2 00 9- 68 Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3302000.365 (fls. 3.1503.156): Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls. 79/104, o qual exige da interessada supra identificada o recolhimento da importância de R$ 8.795.849,90 a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora, correspondente a fatos geradores ocorridos entre 01/10/2003 e 31/12/2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do lançamento (fl. 98) e Termo de Verificação de fls. 75/78, que durante procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, apurados conforme discriminado na planilha Cotejo das Informações Contábil Fiscais de fls. 41/71. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 107/124, instruída com os documentos de fls. 125/635, alegando, em resumo, o seguinte: Houve, preliminarmente, violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, albergados sob o pátio constitucional. Também, mingua de provas, o procedimento eivouse de nulidade absoluta; De acordo com o art. 114 do CTN, apenas os fatos geradores, prévia e minuciosamente regulados em lei, poderão servir ao despontar de uma eventual obrigação a beneficio do Fisco. Bem como, houve desrespeito aos artigos 142 e seguintes do CTN; Na autuação guerreada, o Fisco desconsiderou dois mecanismos, precípuos à própria sobrevivência dos contribuintes: a compensação e a nãocumulatividade; Finalmente, para que dúvidas não remanesçam, em anexo apresentou um demonstrativo detalhado no qual comprovaria que a empresa nada devia ao Fisco, bem como cópia de todos os documentos a corroborarem o alegado; 5. Ao final, requereu a nulidade da atuação ou, no mérito, se julgasse improcedente a autuação, e protestou demonstrar o alegado por meio de todos os meios de prova, sobretudo juntada de documentos, oitiva de testemunhas, depoimento pessoal e perícia contábil. Para a boa formação de convicção da Turma de Julgamento, o presente processo foi baixado em diligência (fls. 642/643), para que fossem realizadas as seguintes diligências: apresentar cópia do Livro de Apuração do IPI no período da autuação; b) justificar as alterações efetuadas na planilha Cotejo das Informações Fl. 3879DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.001865/200968 Acórdão n.º 3302003.230 S3C3T2 Fl. 3 3 ContábilFiscais em relação aos dados apresentados na listagem do Razão de fls. 217/635, inclusive com justificativas para não utilização dos valores escriturados na coluna DEBITO da referida listagem; c) origem dos valores considerados nas colunas Relif.Coniab. e Sinal da planilha Cotejo da Informações ContábilFiscais. A autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo elaborou a Informação Fiscal de fls. 867, relatando que cópia do Livro de Apuração do IPI foi apresentada e anexada As fls. 653/863, bem como, que a contribuinte não atendeu a intimação de fls. 364. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a contribuinte protocolou a manifestação de fls. 870/876, requerendo a nulidade do procedimento, tendo em vista os vícios apresentados. Considerando as alegações apresentadas, para que não vislumbrasse posteriormente cerceamento de defesa, prejudicando o bom andamento do processo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (fl. 884), encaminhou o processo à SAPAF/DIPAC/DEFIS/SPO para concessão de prazo suficiente à contribuinte para efetivo atendimento aos questionamentos elaborados. Notificada do procedimento, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 893/2.573. Tendo em vista os documentos apresentados, a autoridade administrativa elaborou a Informação Fiscal de fls. 2.576/2.578, exemplificando a sistemática adotada pela contribuinte, na qual, ao fim, manifestase pela manutenção dos lançamentos efetuados. Nos termos do despacho de fls. 2.579, cientificada da Informação fiscal, a contribuinte não se manifestou. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 8a Turma de Julgamento, considerar improcedente o lançamento, cancelando o crédito tributário exigido, na forma da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 IPI. APURAÇÃO O instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores escriturados nos livros contábeis (Razão e/ou Diário) ou em dados destes livros consolidados em meio magnético. O IPI é apurado por período, e o montante devido resulta da diferença a maior, entre os débitos referentes aos produtos saídos do estabelecimento e os créditos relativos As aquisições de insumos. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe a alegação de nulidade do auto de infração quando se verifica que os motivos que levaram a autuação estão descritos na autuação e não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do Decreto 70.235/72. Afirmou o voto condutor da DRJ no sentido de que: "Como se pode notar, por expressa determinação legal, o IPI deve ser apurado por período, compensandose os débitos decorrentes das saídas, com os créditos oriundos das aquisições de insumos. Sendo assim, devese reconstituir a escrita fiscal da contribuinte, aproveitando os saldos credores existentes na compensação dos débitos apurados, para se chegar ao valor devido de IPI. Pelos motivos acima, os lançamentos nos livros contábeis (Diário, Razão) não permitem a identificação do valor de IPI devido em um determinado período de apuração. Fl. 3880DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 4 Apenas o Livro Registro de Apuração de IPI traz os subsídios necessários para a definição do IPI devido (saldo credor de períodos anteriores, débitos, créditos, crédito presumido, etc). E a fiscalização nem citou o Livro Registro de Apuração do IPI em sua autuação. Somente através da diligência de fls. 642/643, o Livro Registro de Apuração do IPI da contribuinte foi anexado aos autos (fls. 653/863). Ademais, devese destacar que nenhum crédito de IPI escriturado pela contribuinte em seu Livro Registro de Apuração do IPI foi levado em consideração pelo Fisco na apuração do valor devido e que não há no processo qualquer informação sobre o estabelecimento industrial, os produtos efetivamente industrializados por este e os insumos utilizados nessa industrialização. Desta forma, impossível se identificar a origem do valor lançado como obrigação do sujeito passivo." Excedido o limite de alçada, recorrese de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da legislação vigente. Subiram os autos para o julgamento do Recurso de Ofício e, na sessão realizada em 25.09.2013, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, RedatorDesignado. Verificase, inicialmente, que, após a elaboração das planilhas que embasaram o lançamento, a autoridade fiscal intimou a recorrente a esclarecer as divergências entre o apurado e o declarado/recolhido, conforme Termo de Intimação Fiscal, datado de 25/03/2009, fls. 40 a 71, quedandose a recorrente inerte ante a referida intimação, conforme Termo de Verificação Fiscal datado de 27/05/2009. Outrossim, própria recorrente propugnou por perícia contábil em sua impugnação de fl. 117, no item 33, o qual transcrevese parcialmente: "E o que nos aponta, por sinal, a lição do acatado Mareio Pestana: "Trabalhando reverencialmente em favor dos princípios constitucionais já antes examinados e mencionados, observase que o principio da ampla instrução nos domínios do processo administrativotributário atrai para si um corpo de enunciados jurídicos dotados de vocação prescritiva, voltados para assegurar a produção de mensagens probatórias, quer por parte da Administração Pública, quer por parte do Administrado. Assegurase aos protagonistas da controvérsia processual administrativotributária a garantia de que estes poderão produzir e trazer ao debate todas mensagens que se refiram As provas que julgarem relevantes para influenciar a decisão que todos almejam obter por ocasião do término do respectivo processo administrativo. Em outras palavras, a regra, no tocante A produção de mensagens de natureza probatória é a de que tudo o que não estiver expressamente proibido estará permitido As partes produzir. Assim, toda prova poderá ser produzida para elucidar os fatos jurídicos e sensibilizar o julgador para a tomada da decisão que se encontra prestes a ser emitida". ("In" "A Prova no Processo Administrativo Tributário", pg. 50 e 51, "Campus", Rio de Janeiro, 2007." O colegiado a quo baixou em diligência, sob o fundamento: "Nos documentos acostados aos autos, não consta cópia do Livro de Apuração do IPI, ou qualquer outro documento, que auxilie na análise das divergências entre os números da fiscalização contra os apresentados pela contribuinte. Diante do exposto, tanto para a boa formação de convicção da Turma de Julgamento, como em homenagem ao principio da ampla defesa, entendo que o presente deve ser baixado em diligência para que sejam realizadas as seguintes diligências: a) apresentar cópia do Livro de Apuração do IPI no período da autuação; b) justificar as alterações efetuadas na planilha Cotejo da Informações ContábilFiscais em relação aos dados apresentados na listagem do fls. 217/635, inclusive com justificativas para não utilização dos valores Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.001865/200968 Acórdão n.º 3302003.230 S3C3T2 Fl. 4 5 escriturados na coluna DEBITO da referida listagem; c) origem dos valores considerados nas colunas Retif. Contab. e Sinal da planilha Cotejo da Informações ContábilFiscais." Em diligência iniciada em 05/02/2010, foram intimados e apresentados os Livros de Apuração de IPI pelo contribuinte em 12/02/2010, 4° volume. Em 16/03/2010, foi lavrada intimação 5° volume (fl. 864) para justificar as alterações da planilha "COTEJO DAS INFORMAÇÕES CONTÁBEISFISCAIS", não tendo havido resposta da recorrente. Em relação ao questionamento da DRJ, a resposta da AFRFB responsável pela execução veio lacônica, apenas informando que os dados da coluna "Retif. Contab." tiveram origem na contabilidade e que os dados da coluna "Sinal" tiveram origem nos sistemas da RFB. Após a manifestação da interessada sobre o resultado da diligência, houve novo MPF para reintimar a justificativa do cotejo das informações (fl. 887). A recorrente apresentou resposta, que foi devolvida pela auditora por considerála não atendida. Posteriormente, a recorrente protocolou nova resposta, esta sim recepcionada, com uma composição detalhada para cada período. Ressaltase que após a realização de diligência determinada pelo colegiado a quo, o processo restou instruído com o Livro Razão e o Livro de Apuração de Registro de IPI doravante denominado RAIPI documentos que embasaram ambos demonstrativos apresentados, o que permite uma análise detalhada de cada demonstrativo, a identificação dos pontos divergentes e a busca da verdade dos fatos. Embora o colegiado de primeira instância tenha entendido que os lançamentos no Diário não permitem a identificação do IPI devido em cada período, a própria recorrente demonstra a apuração a partir do Livro Razão, identificando, ainda para cada período, o montante de créditos e débitos de IPI escriturados no RAIPI, mas não contabilizados, exemplificando fls. 2.341, 2.352, 2.358 contidas nos demonstrativos das fls. 2.341 a 2.573 (12° e 13° volumes digitais). Por sua vez, a autoridade fiscal informou valores significantes descritos como Retif. Contab. deduzindoos da apuração do valor devido de IPI no terceiro decêndio de outubro de 2003, terceiro decêndio de novembro de 2003, terceiro decêndio de dezembro de segundas quinzenas de janeiro a setembro de 2004, nos meses de outubro a dezembro de setembro e outubro de 2005, maio de 2007, salientando que na maioria dos demais períodos houve a dedução de valores a este título. Assim, não me parece plausível que a autoridade fiscal não tenha considerado nenhum crédito de IPI escriturado no RAIPI, pois em alguns dos períodos acima mencionados, como terceiros decêndios de outubro e novembro de 2003 e segunda quinzena de fevereiro de 2004, estes valores a título de Retif. Contab foram superiores aos créditos de IPI escriturados no RAIPI. Entretanto, não se pode olvidar que o RAIPI é o livro destinado à apuração dos créditos, conforme art. 190 do Regulamento do IPI Decreto n° 4.544, de 2002 , o que revela ser imperioso a confrontação de ambos, visando à identificação dos corretos valores de créditos a serem considerados na apuração do valor devido de IPI. Da análise de todos os documentos acostados aos autos, concluise que, de modo geral, a apuração detalhada do Livro Razão corresponde à apuração do Livro de Registro de Apuração de IPI, a despeito de divergências detectadas e confirmadas pela própria recorrente, quanto à falta de contabilização no Razão de parte dos créditos e débitos registrados no RAIPI. Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 6 Tendo em vista o lançamento de ofício ter sido fundamentado na diferença entre os valores escriturados e os declarados/pagos (fls. 40 a 71), entendo não ser cabível sua exoneração pura e simples pela falta de consideração de créditos de IPI escriturados no livro RAIPI, mas sim, em homenagem ao princípio da verdade material, deduzir dos valores lançados tais créditos escriturados e não considerados pela autoridade fiscal. O princípio da verdade material impõe à autoridade julgadora o dever de buscar a verdade dos fatos apresentados. Na lição de Marcus Vinícius Néder e Maria Teresa Martinez López1: "Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos." Isto posto, voto no sentido de converter este julgamento em diligência para que a autoridade fiscal deduza dos lançamentos efetuados os créditos escriturados no livro Registro de Apuração de IPI, ainda não considerados na rubrica "Retif. Contab.", devendo ao final elaborar relatório conclusivo dos corretos valores devidos, facultando à interessada a oportunidade de se manifestar sobre o resultado no prazo de 30 dias, conforme art. 35, parágrafo único do Decreto n° 7.574, de 2011, com posterior retorno dos autos a esta Câmara. A diligência foi realizada e concluída nos termos do "Termo de Encerramento" de fls. 3.8273.828, onde restou consignado pela fiscalização o seguinte: (i) Para o período de 16.03.2004 a 30.03.2004 apresentou, como parte do crédito não contabilizado uma parcela intitulada TRABALHO DE RECUPERAÇÃO FISCAL DE IPI, alegando que o mesmo resultou de trabalho de consultoria tributária. Este trabalho está apoiado em decisão do Supremo Tribunal Federal relativo a processo em que são partes a União e a Nutriara Alimentos Ltda. (ii) O valor do crédito pleiteado chega ao montante de R$ 99.193,00 que será validado; (iii) Ainda baseado nesta mesma sentença, a empresa usou créditos no valor de R$ 91.986,40, que não serão validados, para o período de 01.11.2004 a 30.11.2004; e (iv) Os demais créditos apontados foram validados, após análise da documentos apresentada, cruzamento de dados com os sistemas da SRFB e cotejamento dos créditos apontados pelo contribuinte como não contabilizados. Após encerramento da diligência, no dia 19/09/2014, a empresa Recorrida informou que "efetuou o pagamento do débito apontado no Termo de Encerramento, com os benefícios concedidos pela Lei nº 12.966/2014", razão pela qual requereu a extinção do presente processo. No dia 09/12/14 a empresa Recorrida apresentou outro requerimento para dizer que o pleito anterior não se trata de "requerimento de desistência", mas sim de informação de pagamentos 1 NEDER, Marcos Vinícius e MARTÍNEZ LÓPEZ, Maria Tereza. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 2° ed. São Paulo: Dialética. 2004. p.74. Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 19515.001865/200968 Acórdão n.º 3302003.230 S3C3T2 Fl. 5 7 dos valores não validados no Termo de Encerramento de diligência e, também, que requereu a extinção do presente feito em razão do pagamento efetuado e do disposto no Termo de Encerramento da diligência. Em análise aos requerimentos apresentados pela Recorrida, houve por bem o antigo Presidente da Turma, Walber José da Silva, indeferílos com base nos seguintes fundamentos: O pleito da empresa Recorrida não pode ser acatado, a uma porque o valor do débito principal de IPI, que está com a exigibilidade suspensa em razão do recurso de ofício, não é R$ 99.193,00, como consta no DARF de pagamento, mas sim R$ 4.080.417,38; a duas porque não existe previsão legal ou regimental para extinção de feito pendente de julgamento de recurso de ofício, sem que a integralidade do débito objeto do recurso tenha sido pago pela empresa autuada; a três porque também não há previsão legal ou regimental para a desistência de recurso de ofício, quer pela Fazenda Nacional, quer pelo contribuinte. Isto posto, indefiro o pedido de extinção do presente processo, formulado pela ASSA ABLOY BRASIL SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA, e determino o prosseguimento do julgamento do recurso de ofício. Antes, porém, restituase o processo à DELEXSP para dar ciência à ASSA ABLOY BRASIL SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA deste despacho decisório e posterior devolução ao CARF para prosseguimento do julgamento do recurso de ofício. Cientificada do despacho decisório em 24.02.2015, a Recorrida permaneceu silente, retornando o processo à este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o devido julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade eis que o débito cancelado pela decisão combatida excede ao limite de alçada previsto pela Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. Conforme anteriormente mencionado, este processo foi alvo de duas diligências para que a autoridade lançadora se pronunciasse acerca da matéria fática e dos documentos apresentados aos autos, tendo em vista a alegação de equívocos no lançamento fiscal. Na segunda diligência, a autoridade fiscal apresentou o seguinte resultado: (i) Para o período de 16.03.2004 a 30.03.2004 apresentou, como parte do crédito não contabilizado uma parcela intitulada TRABALHO DE RECUPERAÇÃO FISCAL DE IPI, alegando que o mesmo resultou de trabalho de consultoria tributária. Este trabalho está apoiado em decisão do Supremo Tribunal Federal relativo a processo em que são partes a União e a Nutriara Alimentos Ltda. Fl. 3884DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 8 (ii) O valor do crédito pleiteado chega ao montante de R$ 99.193,00 que não será validado; (iii) Ainda baseado nesta mesma sentença, a empresa usou créditos no valor de R$ 91.986,40, que não serão validados, para o período de 01.11.2004 a 30.11.2004; e (iv) Os demais créditos apontados foram validados, após análise da documentos apresentados, cruzamento de dados com os sistemas da SRFB e cotejamento dos créditos apontados pelo contribuinte como não contabilizados. Como se vê, após análise da documentos apresentados, cruzamento de dados com os sistemas da SRFB e cotejamento dos créditos apontados pela contribuinte como não contabilizados, a autoridade fiscal admitiu parcialmente o crédito da Recorrida e apurou débitos, um de R$ 99.193,00 e outro de R$ 91.986,40. Por sua vez, a Recorrida efetuou os pagamentos do débitos apurados pela fiscalização com os benefícios previstos na Lei nº 12.966/2014, conforme comprovam as guias DARF´s e documentos carreadas às fls. 3.8503856, admitindose, em tese, ser devedora dos valores apontados pela fiscalização. Desta forma, considerando que a fiscalização admitiu parte do crédito da Recorrida e, que na parte controvérsia a contribuinte realizou o pagamento integral do saldo remanescente, adoto como fundamento para prover em parte o recurso de ofício, o resultado da diligência de fls. 3.8273.828. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório fiscal de 3.8273.828 (Termo de Encerramento), devendo a autoridade fiscal, na fase de execução do julgado, observar os pagamentos realizados pela contribuinte nestes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Fl. 3885DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 17546.000485/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/10/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. RECONHECIMENTO. Considerando que o art. 33 do Decreto 70.235/2, determina que o prazo legal para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, a sua inobservância enseja o não conhecimento do voluntário.
AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DAQUILO O QUE DETERMINADO PELO PODER JUDICIÁRIO. No caso dos autos, tendo em vista que as ações judiciais que nortearam o presente lançamento já transitaram em julgado, é medida impositiva a observância do seu comando pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários, por intempestividade, das seguintes empresas: COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV; LIZAR ADMINISTRADORA DE VALORES MOBILIÁRIOS LTDA; MORENA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA.; ITB - ICE TEA DO BRASIL LTDA.; FRATELLI VITA BEBIDAS S/A; EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S/A; DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ANTARCTICA DE MANAUS LTDA; CRBS S/A; CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S/A; CERVEJARIA MIRANDA CORREA S/A; BSA BEBIDAS LTDA, AROSUCO - AROMAS E SUCOS LTDA; ANEP - ANTARCTICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; AGREGA INTELIGENCIA EM COMPRAS LTDA; AMBEV BRASIL BEBIDAS LTDA. II) por maioria de votos, conhecer do recurso voluntário apenas da empresa FAZENDA DO POÇO AGRÍCOLA E FLORESTAMENTO SA e dar provimento ao recurso voluntário para exclusão dos valores apurados. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira, que davam provimento parcial para exclusão dos juros de mora e da multa dos lançamentos oriundos dos depósitos judiciais.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. RECONHECIMENTO. Considerando que o art. 33 do Decreto 70.235/2, determina que o prazo legal para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, a sua inobservância enseja o não conhecimento do voluntário. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DAQUILO O QUE DETERMINADO PELO PODER JUDICIÁRIO. No caso dos autos, tendo em vista que as ações judiciais que nortearam o presente lançamento já transitaram em julgado, é medida impositiva a observância do seu comando pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 04 85 /2 00 7- 51 Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários, por intempestividade, das seguintes empresas: COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV; LIZAR ADMINISTRADORA DE VALORES MOBILIÁRIOS LTDA; MORENA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA.; ITB ICE TEA DO BRASIL LTDA.; FRATELLI VITA BEBIDAS S/A; EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S/A; DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ANTARCTICA DE MANAUS LTDA; CRBS S/A; CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S/A; CERVEJARIA MIRANDA CORREA S/A; BSA BEBIDAS LTDA, AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA; ANEP ANTARCTICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; AGREGA INTELIGENCIA EM COMPRAS LTDA; AMBEV BRASIL BEBIDAS LTDA. II) por maioria de votos, conhecer do recurso voluntário apenas da empresa FAZENDA DO POÇO AGRÍCOLA E FLORESTAMENTO SA e dar provimento ao recurso voluntário para exclusão dos valores apurados. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira, que davam provimento parcial para exclusão dos juros de mora e da multa dos lançamentos oriundos dos depósitos judiciais. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17546.000485/200751 Acórdão n.º 2402005.002 S2C4T2 Fl. 104 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos em face de acórdão que manteve o Auto de Infração n. 35.847.7263, lavrado para a cobrança de contribuições parte da empresa e destinadas ao GILRAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados. De acordo com o relatório fiscal, o valor da remuneração fora obtido das folhas de pagamento e guias de depósitos judiciais nos autos dos processos n. 2003.61.05.0116310, em trâmite na 7a. Vara Federal em Campinas e n° 2002.61.00.0110174 da 24ª Vara Federal em São Paulo. A recorrente fora autuada na condição de empresa incorporadora da COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS — CBB, que por sua vez incorporou a COMPANHIA CERVEJARIA BRAHMA. O fiscal também informou que a recorrente depositou em juízo parte das contribuições referentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, uma vez que entende que as mesmas deveriam ter como alíquota para seu cálculo 1% (um por cento), descartando as hipóteses de 2% (dois por cento) e 3% (tres por cento), razão pela qual ajuizou as ações judiciais já citadas no presente relatório. Várias empresas que a fiscalização entendeu por comporem o grupo econômico da recorrente vieram a ser intimadas do lançamento. Após a apresentação da defesa, sobreveio despacho às fls. 1346, determinado a necessidade de que o relatório fiscal discorresse acerca dos motivos ensejadores da configuração do grupo econômico das empresas. Sobreveio, então, relatório complementar às fls. 1370, discorrendo sobre a caracterização do grupo econômico e informando serem as seguintes empresas, componentes do mesmo: CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S/A, FAZENDA DO POCO AGRICOLA E FLORESTAMENTO S/A, AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA, CERVEJARIA MIRANDA CORREIA S/A, DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ANTARCTICA DE MANAUS LTDA, MORENA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, CRBS S/A, AGREGA INTELIGENCIA EM COMPRAS LTDA, ANEP ANTARCTICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS – AMBEV, BSA BEBIDAS LTDA, PEPSI COLA ENGARRAFADORA LTDA, ITB ICE TEA DO BRASIL LTDA, FRATELLI VITA BEBIDAS LTDA, TRANSPORTADORA LIZAR LTDA, EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S/A, e INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S/A O lançamento compreende as competências de 07/2002 a 10/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 21/01/2011 (fls. 01) Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 O contribuinte COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o processo n. 2002.61.00.0110174 transitou em julgado de forma desfavorável à contribuinte, de modo que os depósitos judiciais efetuados naquele processo, devem ser convertidos em renda, de modo a ser reconhecido a desnecessidade de cobrança dos mesmos no presente AI. 2. que o processo n. 2003.61.05.0116310 transitou em julgado de forma favorável a recorrente, de modo que os valores objeto de lançamento no presente AI não podem ser objeto de cobrança em face da recorrente; 3. que o crédito tributário não recolhido por força dos mencionados depósito integral realizados pela Recorrente podem até ser objeto de lançamento, que tem como objetivo prevenir a sua decadência, mas sem que exista a aplicação de qualquer espécie de penalidade e a inclusão de juros moratórios, uma vez que não se encontra caracterizada a mora do contribuinte o caráter confiscatório da multa lançada; 4. que os sócios da recorrente foram indevidamente considerados como coresponsáveis pelo débito lançado, juntamente com outras empresas, o que merece o devido reparo por este conselho, pois não verificada a ocorrência das situações descritas nos arts. 134 e 135 do CTN. Também recorreu a empresa LIZAR ADMINISTRADORA DE VALORES MOBILIÁRIOS LTDA, que alega, em síntese: 1. Que é parte ilegítima a figurar no presente processo, pois não deve ser considerada como empresa componente do grupo econômico caracterizado pela fiscalização; 2. Que "o fato de todas as empresas se encontrarem representadas, nos autos, pelo mesmo escritório de advocacia — Emsenhuber, ABE e Advogados Associados, o que reforça a tese de forte interligação entre elas" figurase como raciocínio completamente falacioso; 3. absurda a aplicação do § 2°, do artigo 20, da CLT com a finalidade de caracterizar um grupo econômico no caso em tela e assim obrigar todas as empresas relacionadas na presente demanda a arcarem solidariamente com as obrigações tributárias da coobrigada Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV; 4. a recorrente não possui nenhum poder gerencial sobre a coobrigada Companhia de Bebidas das Américas — Ambev, de controle ou administração , ou seja, de maneira nenhuma concorreu para a constituição do fato gerador da obrigação tributária, restando ausente o fundamento de validade para a imputação de solidariedade; Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17546.000485/200751 Acórdão n.º 2402005.002 S2C4T2 Fl. 105 5 5. Ainda que societariamente coligadas, as empresas entendidas como responsáveis solidárias, por não terem concorrido de forma alguma com o fato gerador, não devem ter seus patrimônios alcançados pela presente exigência, principalmente pelo fato de que o património da Companhia de Bebidas das Américas Ambev mostrase indubitavelmente suficiente para garantir a integralidade do débito; 6. no mais, se reporta aos argumentos constantes no recurso voluntário trazido pela AMBEV; As empresas MORENA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA., ITB — ICE TEA DO BRASIL LTDA., FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, FAZENDA DO POÇO AGRÍCOLA E FLORESTAMENTO SIA, EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S/A, DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ANTARCTICA DE MANAUS LTDA, CRBS S/A, CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S/A, CERVEJARIA MIRANDA CORREA S/A, BSA BEBIDAS LTDA, AROSUCO — AROMAS E SUCOS LTDA, ANEP — ANTARCTICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, AGREGA INTELIGENCIA EM COMPRAS LTDA, AMBEV BRASIL BEBIDAS LTDA, apresentaram seus recursos, aduzindo as mesmas razões de recurso apresentadas pela empresa LIZAR, os quais estão acima elencados. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Conforme já relatado nos autos, foram vários recursos apresentados, sendo que aqueles subscritos pela COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, LIZAR ADMINISTRADORA DE VALORES MOBILIÁRIOS LTDA, MORENA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA., ITB — ICE TEA DO BRASIL LTDA., FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S/A, DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ANTARCTICA DE MANAUS LTDA, CRBS S/A, CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S/A, CERVEJARIA MIRANDA CORREA S/A, BSA BEBIDAS LTDA, AROSUCO — AROMAS E SUCOS LTDA, ANEP — ANTARCTICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, AGREGA INTELIGENCIA EM COMPRAS LTDA, AMBEV BRASIL BEBIDAS LTDA são intempestivos, conforme já certificado nos autos às fls. 1870, tendo em vista que foram intimadas do acórdão da DRJ em 26/05/2009, tendo apresentado o seu recurso em 26/06/2009, quando já extrapolado o prazo descrito no art. 33 do Decreto 70.235/72. Somente o recurso voluntário apresentado por FAZENDA DO POÇO AGRÍCOLA E FLORESTAMENTO SA fora tempestivo, tendo em vista que fora cientificada do acórdão em 27/05/2009 e apresentou seu recurso em 26/06/2009. Assim, somente conheço do recurso apresentado por esta. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, a recorrente se insurge contra a sua inclusão como empresa participante do Grupo Econômico AMBEV, bem como, ao trânsito em julgado das ações interpostas pela contribuinte principal COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, requerendo o cumprimento daquilo o que restou decidido nos processos. Do grupo econômico Quanto a formação do grupo econômico, tenho que os argumentos trazidos a lume pela recorrente, ressaltese, os mesmos constantes em sua impugnação, não são suficientes a afastar as conclusões constantes no relatório fiscal complementar, bem como das próprias conclusões do v. acórdão de primeira instância. O acórdão de primeira instância afastou um a um os argumentos acerca da não caracterização do grupo econômico, conforme se denota do trecho a seguir: De acordo com a informação fiscal (fls. 1230/1238) as razões que levaram a fiscalização a concluir pela existência de grupo econômico decorrem do fato de ter sido constatado, conforme documentação anexada nos autos, quais sejam, árvore societária do grupo AMBEV (fls. 1208/1225) que a Companhia de Bebidas das Américas AMBEV detém não apenas o controle majoritário Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17546.000485/200751 Acórdão n.º 2402005.002 S2C4T2 Fl. 106 7 de quase todas as empresas relacionadas mas, também, a direção e controle do negócio como um todo. Constatouse que a AMBEV, através de seus sistemas informatizados, sendo o principal deles o sistema SAP, é capaz de controlar e obter, em tempo real, informações financeiras e contábeis, além de dados sobre estoque, produção e custos das empresas do grupo, tornando verátil e ágil a tomada de decisões. Verificase, também, conforme detalhado no item 19 da Informação Fiscal, a existência de lançamentos contábeis indevidos, onde são contabilizados despesas incorridas por uma empresa como sendo de outra, confirmando a estreita vinculação entre as empresas do grupo. Não obstante, este Eg. Conselho já julgou a legalidade da formação do grupo econômico da AMBEV, nos autos do processo administrativo n. 17546.000495/200797, no qual o grupo formado era o mesmo objeto de análise no presente processo, cuja ementa segue a trasncrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/06/2005 RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DE SÚMULA CARF 99. Matéria sumulada há obrigação de ser seguida pelos membros da Casa, conforme RICARF artigo 72. A Súmula CARF 99 determina aplicação do artigo 150, § 4º do CTN em caso de haver nos autos a comprovação de recolhimento, ainda que seja em parte da contribuição devida. No caso em tela foi realizada consulta ao Sistema ÁGUIA (de arrecadação), bem como ao informado no Relatório Fiscal, e no DAD — Discriminativo Analítico de Débito, onde constam recolhimentos antecipados pela empresa, incidentes sobre as folhas de pagamento dos segurados a seu serviço, e que o crédito previdenciário foi constituído, com a ciência do contribuinte em 20/01/2006, a competência mais remota para a qual poderia haver lançamento é 01/2001. O que implica, com a edição da Súmula CARF 99. RECURSO VOLUNTÁRIO VALE TRANSPORTE. SÚMULA CARF 89. EXIGÊNCIA DE ACOMPANHAR. ARTIGO 72 DO RICARF. Trata de matéria sumulada com acompanhamento obrigatório dos membros da Corte. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia. CORESPONSÁVEIS. SÚMULA CARF 88. EXIGÊNCIA DE ACOMPANHAR OS MEMBROS DA CORTE. ARTIGO 72 RICARF. A Relação de Co¬Responsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. DEPENDÊNCIA DE VÁRIAS EMPRESAS A UMA. COMPROVAÇÃO DE CONTROLE MAJORITÁRIO. Conclui se pela formação de grupo econômico, quando há nos autos a comprovação de 'árvore societária', onde uma das empresas tem o controle majoritário de todas as empresas relacionadas, bem como a direção e controle do negócio como uno. No caso em tela as provas são inequívocas de que a AMBEV é sócia majoritária com todo o controle das demais, através de sistemas SAP exerce o controle e administração do grupo. DOS TRABALHADORES AUTÔNOMOS. INEXISTÊNCIA. Comprovada que a fiscalização intimou a fiscalizada a juntar documentos que comprovasse a efetiva prestação de serviços de autônomos informados na DIRF, que não constavam nem nas Folhas de Pagamento nem na GFIP e esta última não cumpriu o seu ônus, não há de se falar lançamento aleatório, mesmo porque, como no caso em tela, esta documentação serviu para lançamento, ou seja, o lançamento não foi realizado em presunção de possível ocorrência, mas, ao contrário do que alega, foi fulcrado na análise da contabilidade da Recorrente, observando que esses pagamentos não ostentavam a natureza alegada pelo contribuinte de trabalhadores autônomos. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. OCORRÊNCIA. Para identificar se há incidência de contribuição previdenciária, necessário verificar se se trata de pagamento indenizatório ou remuneratório. Há de comprovar a retribuição do capital pelo trabalho para que configure a incidência de contribuição previdenciária. No caso em exame verificou¬se que o pagamento de bônus de contratação não remunera o trabalho, mas gratifica eventualmente funcionário pela excelência de sua competência laboral, não impondo contraprestação de trabalho. Não havendo, portanto, fato gerador. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DE DIRETORES ESTATUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O PLR estatuído pela Lei 10.101/2000 regular o direito a recebimento do benefício ao trabalhador empregado Diretor estatutário tem previsão legal para participar de PLR de acordo com a legislação de regência, Lei n° 6.404/76 e do Estatuto da Empresa. No caso em exame demonstrado está que o recebimento de PLR foi realizada a diretores estatutário, que são remunerados de capital pelo capital, com base na lei que rege a matéria para empregados, remunerados de capital pelo trabalho, ou seja, Lei nº 10.101/2000. Incidindo contribuição previdenciária. Dessa forma, deve ser mantido o entendimento sobre o assunto constante no v. acórdão recorrido. Do resultados dos julgamentos das ações judiciais e aplicação de juros e multa Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17546.000485/200751 Acórdão n.º 2402005.002 S2C4T2 Fl. 107 9 Conforme restou firmado, o relatório fiscal aponta que o presente lançamento fora levado a efeito com o intuito de prevenir a decadência, conforme trecho a seguir: Esta NFLD tem sua lavratura efetivada para formalização do crédito tributário e ficará com sua exigência suspensa até a decisão final do processo supracitado. Pelo DAD – Discriminativo Analítico do Débito de fls. 14 verificase que o lançamento fora efetuado em todas as competências com a seguinte rubrica “Levantamento 004 DEPOSITO JUDICIAL RAT”, não havendo outros levantamentos efetuados, senão aqueles relativos aos valores dos depósitos judiciais efetuados nas ações n. 2003.61.05.011631 0, em trâmite na 7a. Vara Federal em Campinas e n° 2002.61.00.0110174 da 24ª Vara Federal em São Paulo. Pois bem, a recorrente traz aos autos informações no sentido de que houve o trânsito em julgado de ambas as demandas, sendo que, numa delas, saiu vencedor e, na outra, perdedor. Ora, raciocínio lógico é no sentido de que se fora vencedora na ação, não está sujeita ao pagamento dos valores lançados, podendo os levantar nos autos da ação judicial n. 2003.61.05.0116310. Em sendo reconhecido que tais valores não eram devidos, a autuação com relação a estes não pode ser mantida, em respeito ao que decidido pelo Poder Judiciário em decisão já transitada em julgado, conforme certidões de objeto e pé trazidas aos autos. Quanto aos valores relativos ao processo n. 2002.61.00.0110174, tendo em vista que a recorrente saiu perdedora na ação, os depósitos judiciais serão convertidos em renda da UNIÃO. Assim, com relação aos montantes depositados e que foram lançados na presente oportunidade, fato é que, em razão de sua conversão em renda também devem ser abatidos do presente lançamento. Ao que tudo indica o fiscal autuante e o próprio acórdão de primeira instância, os depósitos efetuados nos autos das ações judiciais foram em dinheiro e integrais, relativamente à diferença do SAT/RAT de 1% para 3%. Logo, em face da demonstração constante nos autos no sentido de que a totalidade da exigência constante na NFLD combatida já fora extinta, pelo pagamento, em razão da conversão dos depósitos em renda, e pelo entendimento acerca da não incidência de outra parte, com o levantamento dos valores tido como indevidos pelo Judiciário, repitase, em decisões transitadas em julgado, não há necessidade de manutenção do presente lançamento. Ante todo o exposto, voto no sentido de: (i) não conhecer dos recursos voluntários de : COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, LIZAR ADMINISTRADORA DE VALORES MOBILIÁRIOS LTDA, MORENA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA., ITB — ICE TEA DO BRASIL LTDA., FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S/A, DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ANTARCTICA DE MANAUS LTDA, CRBS S/A, CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S/A, CERVEJARIA MIRANDA CORREA S/A, BSA BEBIDAS LTDA, AROSUCO — AROMAS E SUCOS LTDA, ANEP — ANTARCTICA Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 10 EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, AGREGA INTELIGENCIA EM COMPRAS LTDA, AMBEV BRASIL BEBIDAS LTDA; e (ii) conhecer do recurso voluntário de FAZENDA DO POÇO AGRÍCOLA E FLORESTAMENTO SA, para DARLHE PROVIMENTO, determinando que sejam excluídos do presente lançamento todos os valores apurados; É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 11080.012475/90-05
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 1994
Ementa: ITR -LANÇAMENTO DE OFICIO Contribuinte é o proprietário.Demonstrado nos autos que o imóvel rural fora., anteriormente ao exercício,, vendido a terceiro,, cuja escritura publica fora devidamente registrada no Registro de Imóveis da Comarca do imóvel,, é desse novo proprietário que deve ser exigido o tributo,, Recurso provido.
Numero da decisão: 201-69.230
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes,, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Sergio Gomes Velloso
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Numero do processo: 10580.726850/2009-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal que efetuado cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparando-se a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicou-se, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
O lançamento da multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 ocorrerá, apenas, quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas.
Recurso Especial da Fazenda provido.
Numero da decisão: 9202-003.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 68 50 /2 00 9- 58 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por PATRICIA DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador, fls. 543/554, contra o Acórdão nº 2301003.369, fls. 520/541, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 VALE ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM SOCIEDADE LIMITADA. POSSIBILIDADE SEGUINDO OS REQUISITOS LEGAIS. Numa sociedade limitada, é possível haver distribuição de lucros desproporcional à participação societária, havendo expressa previsão no contrato social ou cláusula dispondo que caberá à assembléia ou reunião deliberar sobre a participação dos sócios nos resultados da empresa. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do Fl. 569DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.726850/200958 Acórdão n.º 9202003.911 CSRFT2 Fl. 569 3 artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32ª da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na origem, tratase de Auto de Infração DEBCAD nº 37.248.5324, lavrado em 03/11/2009, que tem por objeto contribuições devidas à Seguridade Social, parte patronal, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, com fundamento legal nos arts. 22, I, II, III e art. 30, I, b, da Lei nº 8.212/91, relativa às competências 01/2005, 01/2006, 02/2006 e 04/2006 a 12/2006. Após análise da impugnação apresentada pelo contribuinte, a DRJBA, Acórdão nº 1528.171, manteve o crédito tributário em sua integralidade. Inconformado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, ao qual foi dado parcial provimento para: para retificar a multa; nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32ª da Lei 8.212/91. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o ponto da decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o recálculo da multa nos termos do art. 35 e 32A, da Lei nº 8.212/91, alegando que o r. acórdão contrariou precedentes deste Conselho, mais precisamente o Acórdão nº 2401002.453 e Acórdão nº 920202.086, cujas ementas seguem transcritas: Acórdão nº 2401002.453 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição Fl. 570DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por PATRICIA DA SILVA 4 da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 9202.002.086 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/0/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei Fl. 571DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.726850/200958 Acórdão n.º 9202003.911 CSRFT2 Fl. 570 5 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso especial negado. Pugna pela reforma do julgado para aplicar a norma mais benéfica ao sujeito passivo nos termos do art. 476A, da Instrução Normativa 971/2009, que prevê a aplicação da multa a partir da comparação entre o somatório das multas previstas nos arts. 35 e 32, §§ 4º a 6, da Lei nº 8.212/91, em sua redação anterior à Lei nº 11.941/2009, e a multa aplicada nos termos do art. 35A, da atual redação. Sem Contrarrazões, subiram os autos para relatório e voto. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva, Relatora Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as Fl. 572DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por PATRICIA DA SILVA 6 obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando um posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver tanto descumprimento de obrigações principais quanto de obrigações acessórias. Tal entendimento decorre de uma interpretação do Fisco de que a multa única é mais favorável ao contribuinte do que a aplicação separada das multas dos arts. 32A e 35A, da Lei nº 8.212/91, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.726850/200958 Acórdão n.º 9202003.911 CSRFT2 Fl. 571 7 a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por PATRICIA DA SILVA 8 Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por PATRICIA DA SILVA
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Numero do processo: 10510.721932/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 30/04/2012
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO DA MATÉRIA OBJETO DE AUTUAÇÃO PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 1.
Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA DE MORA IMPOSTA CONTRA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO (MUNICÍPIO)
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é órgão competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
EXIGÊNCIA DE MULTAS CONTRA PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE. Desde a alteração do §9º do art.239 do Decreto nº 3.048/99 pelo Decreto nº 6.042/2007, é cabível a imposição de multa contra pessoas jurídicas de direito público por infração às obrigações tributárias instituídas pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
EXIGÊNCIA CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a exigência de multa de mora de forma concomitante com a multa de ofício (no caso, multa qualificada do art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91), sob pena de se caracterizar punição em duplicidade. É certo que ambas punem o contribuinte por ter deixado de recolher o tributo no tempo apropriado. Mas a prevalência da multa de ofício (qualificada) sobre a multa de mora é explicada por aquela punir uma situação específica: a constatação da inadimplência, por parte da fiscalização, envolvendo a compensação indevida de tributos, com a comprovação de falsidade na declaração.
Numero da decisão: 2301-004.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) não conhecer do recurso voluntário em relação aos questionamentos feitos sobre o valor de principal das contribuições previdenciárias lançadas, dada a renúncia da discussão na esfera administrativa em função do ajuizamento de ação judicial e, (b) quanto às demais matérias, conhecê-las, e lhes dar provimento parcial a fim de excluir a multa de mora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Amílcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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DISCUSSÃO DA MATÉRIA OBJETO DE AUTUAÇÃO PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 1. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA DE MORA IMPOSTA CONTRA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO (MUNICÍPIO) Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é órgão competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. EXIGÊNCIA DE MULTAS CONTRA PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE. Desde a alteração do §9º do art.239 do Decreto nº 3.048/99 pelo Decreto nº 6.042/2007, é cabível a imposição de multa contra pessoas jurídicas de direito público por infração às obrigações tributárias instituídas pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a exigência de multa de mora de forma concomitante com a multa de ofício (no caso, multa qualificada do art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91), sob pena de se caracterizar punição em duplicidade. É certo que ambas punem o contribuinte por ter deixado de recolher o tributo no tempo apropriado. Mas a prevalência da multa de ofício (qualificada) sobre a multa de mora é explicada por aquela punir uma situação específica: a constatação da inadimplência, por parte da fiscalização, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 19 32 /2 01 4- 05 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 envolvendo a compensação indevida de tributos, com a comprovação de falsidade na declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) não conhecer do recurso voluntário em relação aos questionamentos feitos sobre o valor de principal das contribuições previdenciárias lançadas, dada a renúncia da discussão na esfera administrativa em função do ajuizamento de ação judicial e, (b) quanto às demais matérias, conhecêlas, e lhes dar provimento parcial a fim de excluir a multa de mora. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Amílcar Barca Teixeira Junior. Relatório Em 23/06//2014, foram lavrados dois autos de infração contra o Recorrente nos quais se exige o recolhimento de contribuições previdenciárias e consectários legais – inclusive multa isolada de 150% –, relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 05/2010 e 04/2012, em virtude da glosa da compensação realizada com supostos créditos oriundos de recolhimento indevido de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de agentes políticos municipais, ocorrido entre 09/1997 e 10/2004. Em 07/06/2010, o Recorrente havia ajuizado, perante a Justiça Federal da Seção Judiciária de Sergipe, Ação Declaratória do Direito à Compensação Tributária em face da União Federal (processo nº 000280691.2010.4.05.8500), com o objetivo ver homologada a compensação realizadas com supostos créditos da mesma contribuição previdenciária. O lançamento da multa isolada, por sua vez, fundamentase na falsidade da declaração de compensação apresentada (art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91), em razão de a Prefeitura (1) não haver apresentado qualquer prova de recolhimento do valor compensado; (2) ter realizado o procedimento em confronto com a legislação que rege a matéria, ao efetivar a compensação na pendência de processo judicial na qual se discutia a mesma matéria da autuação; e (3) pela decisão final do citado processo judicial ter sido negativa ao contribuinte, ao entender que o prazo de compensação havia sido atingido pela prescrição. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.721932/201405 Acórdão n.º 2301004.731 S2C3T1 Fl. 258 3 Na data da lavratura, os valores das exigências fiscais alcançavam a: Auto de Infração DEBCAD nº 51.057.3428 Principal (contribuições previdenciárias) .................. R$ 1.233.909,57 Multa de mora (até 20%) ........................................... R$ 246.781,92 Juros de mora ............................................................. R$ 327.035,46 TOTAL ...................................................................... R$ 1.807.726,95 Auto de Infração DEBCAD nº 51.057.3436 Multa isolada por falsidade de declaração (150%) .... R$ 1.850.864,39 A ciência da autuação ocorreu em 27/06/2014. Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação contestando os lançamentos de ofício. Defende, em síntese, a desnecessidade de comprovação de recolhimento do indébito, a não prescrição do direito de compensação e a inaplicabilidade da multa. Em primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Curitiba/PR não conheceu de parte da impugnação, em razão da renúncia ao contencioso administração em prol da discussão perante o Poder Judiciário, e na parte que conheceu, julgoua improcedente, mantendo integralmente as exigências fiscais. Irresignado, o Recorrente apresenta recurso voluntário e, em preliminar, alega ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. No mérito, defende a impossibilidade de aplicação de multas entre pessoas jurídicas de direito público e repisa os mesmos argumentos já desenvolvidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 10/04/2015 e o recurso voluntário foi interposto em 08/05/2015. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Renúncia à Discussão na Esfera Administrativa em razão do Ajuizamento de Ação Judicial O ajuizamento de ação judicial pelo Recorrente (processo nº 0002806 91.2010.4.05.8500), em 07/06/2010, com o objetivo de ver reconhecido o seu direito de compensação dos supostos créditos oriundos do recolhimento indevido de contribuições previdenciárias, no período entre 12/1999 e 09/2004, com débitos previdenciárias, relativos aos períodos entre 05/2010 e 04/2012, constitui renúncia à discussão dessa questão perante a esfera administrativa. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Ao consultar as principais informações sobre a ação judicial intentada pelo Recorrente em face da União Federal (http://consulta.jfse.jus.br/Consulta/resconsproc.asp), é possível contemplar o respectivo objeto, de acordo com a sentença prolatada pelo juízo da 2ª Vara Federal em Aracaju/SE: Tratase de Ação Declaratória do Direito à Compensação Tributária, ajuizada pelo Município de Brejo Grande/SE em face da União (Fazenda Nacional), objetivando o reconhecimento do seu direito de compensar sem os limites preconizados pela Lei Complementar nº 118 e Portaria de nº 133 do MPAS o que foi pago a título de contribuição social incidente sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo municipal no período de dezembro de 1999 a 18 de setembro de 2004 com parcelas vincendas de contribuição previdenciária. Alega o autor que contribuía ao INSS, sob a alíquota de 20%, sobre os subsídios de Prefeito, VicePrefeito e Vereadores, por força do art. 12, I, alínea "h" da Lei 8.212/91 combinado com o art. 22, I, da mesma lei, sendo que, em 08.10.2003, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a alínea "h", do inciso I, do art. 12 da Lei 8.212/91. Aduz que, mesmo diante da referida inconstitucionalidade, o INSS não se absteve de cobrar o referido tributo e de aplicar sanções àqueles que deixassem de recolhêlo ou passassem a compensálo com prestações vincendas da contribuição previdenciária. Demais disso, alega que foram criados obstáculos para a referida compensação, como a exigência de retificação do Lançamento já efetuado (GFIP), bem como a limitação imposta pela lei complementar 118/05, a qual, contrariou a jurisprudência dominante, reduzindo o prazo para repetição de indébito de 10 (dez) para 5 (cinco) anos. Com efeito, estatui o art. 5º, inc. XXXV da Constituição Federal de 1988 que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. Com isso, consagrase o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional e a garantia de acesso pleno e irrestrito de todos ao Poder Judiciário, de modo que nenhuma lesão ou ameaça a direito seja subtraída da sua apreciação e solução. O Brasil adota, desse modo, o chamado sistema inglês de jurisdição única ou de controle judicial, em que todos os litígios são resolvidos definitivamente pelo Poder Judiciário. Isto não significa retirar da Administração Pública o poder de controlar os seus próprios atos. A diferença é que as decisões dos órgãos administrativos não são dotadas da força e da definitividade próprias das decisões do Judiciário. Em outras palavras, não fazem coisa julgada em sentido próprio, ficando sujeitas à revisão do Poder Judiciário, sempre mediante provocação. Se o conflito suscitado pelo Recorrente já foi submetido ao crivo do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento de ofício, tornase despiciendo o pronunciamento da Administração Pública, uma vez que a decisão final e definitiva sobre a contenda caberá ao órgão jurisdicional (na verdade, já coube porque o acórdão de primeira instância administrativa nos dá notícia do trânsito em julgado da decisão contrária aos interesses do Recorrente, Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.721932/201405 Acórdão n.º 2301004.731 S2C3T1 Fl. 259 5 declarando a inexistência de direito à compensação pretendida, em razão da prescrição dos créditos – fls. 166168). Os fatos acima narrados conduzem às seguintes consequências: (i) renúncia da discussão da matéria no âmbito administrativo, com transferência das questões relativas à validade e à eficácia da compensação e à extinção dos débitos previdenciários para o Poder Judiciário, nos moldes do entendimento já sumulado por este CARF e também do art. 78 do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 (grifamos): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 (ii) definitividade do lançamento de ofício com relação aos valores de principal das contribuições previdenciárias. Posto isso, deixo de apreciar o recurso voluntário, nessa parte. Das Preliminares Da Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa O Recorrente alega ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o débito previdenciário constituído pela fiscalização teria sido aferido por meio indireto, sem individualização dos contribuintes, mediante dados levantados por amostragem. Tal afirmação, no entanto, é infundada. Conforme consta do Relatório Fiscal que compõe os autos de infração (fls. 3235), os valores lançados de ofício pela fiscalização foram obtidos a partir das próprias declarações (GFIP) entregues pelo Recorrente à Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma vez que os créditos utilizados na compensação não se comprovaram legítimos. Afasto, assim, a alegação preliminar de nulidade do lançamento. Do Mérito Questionamentos sobre as Multas O Recorrente questiona a exigência de multa. Em primeiro lugar, defende o afastamento das multas, uma vez que, por ser pessoa jurídica de direito público (Município), não seria possível a sua imposição por outra pessoa jurídica de direito público (União Federal), exceto quando existir norma legal autorizativa expressa. Para tanto, faz alusão ao conteúdo do art. 239, §9º do Decreto nº 3.048/99. Realmente, o mencionado dispositivo, em sua redação original, dispunha o seguinte: § 9º As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões. Mas, a partir de 2007, sua redação foi alterada, deixando de excluir as pessoas jurídicas de direito público da incidência das multas moratórias: § 9º Não se aplicam as multas impostas e calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições, nem quaisquer outras penas pecuniárias, às massas falidas de que trata o art. 192 da Lei Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.721932/201405 Acórdão n.º 2301004.731 S2C3T1 Fl. 260 7 no 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões quando assegurada a isenção em tratado, convenção ou outro acordo internacional de que o Estado estrangeiro ou organismo internacional e o Brasil sejam partes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). De qualquer modo, a exclusão das multas pelo fato de a Recorrente ostentar a qualidade de pessoa jurídica de direito público envolve o reconhecimento de inconstitucionalidade, tarefa que os membros do CARF estão impedidos de fazêlo, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, a multa de mora deve ser afastada, agora por fundamento diverso, porque não é possível cumular a sua exigência com a multa de ofício (qualificada, na espécie). Ambas as multas foram aplicadas sobre o mesmo fato, sobre a mesma base de cálculo, punindo o infrator em duplicidade. Todavia, não há diferença ontológica entre elas: ambas punem o contribuinte por ter deixado de recolher o tributo no tempo apropriado. A prevalência da multa de ofício (qualificada) sobre a multa de mora é explicada por aquela punir uma situação específica: a constatação da inadimplência, por parte da fiscalização, envolvendo a compensação indevida de tributos, com a comprovação de falsidade na declaração. A mesma “ratio” ora exposta pode ser encontrada em outros julgados proferidos por este CARF. Apenas a título ilustrativo, mencionese, por todos, a ementa do acórdão nº 9202003.163, de 06/05/2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Recurso especial negado. Afasto, assim, a pretensão de exigência da multa de mora. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER o recurso voluntário em relação aos questionamentos feitos sobre o valor de principal das contribuições previdenciárias Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 lançadas, dada a renúncia da discussão na esfera administrativa em função do ajuizamento de ação judicial; e, quanto às demais matérias, conhecêlas e lhes DAR PROVIMENTO PARCIAL, a fim de excluir somente a cobrança da multa de mora de 20%. É como voto. Fábio Piovesan Bozza Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16561.720036/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE.
Não é ilícita a conduta do investidor que adquire diretamente o investimento, com pagamento de ágio, e, a seguir, promove aumento de capital em outra empresa, integralizando-o com os investimentos previamente adquiridos, inclusive o ágio. Não se pode qualificar como ilícita a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Essa conclusão fica especialmente reforçada na situação em comento, em que a operação "direta", que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio sem qualquer questionamento, encontrava intransponíveis óbices societários (CVM) e regulatórios (ANEEL).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010
ÁGIO. DATA DA FORMAÇÃO. EFEITOS FISCAIS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
As operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2006 e 2007. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. O lançamento se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. A contagem do quinquênio decadencial se dá a partir do fato gerador do tributo exigido pelo Fisco. Diante disso, descabe cogitar da ocorrência de decadência.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O motivo para a lavratura de um auto de infração é a constituição de crédito tributário, diante da constatação de infração à legislação. Desde que a infração se encontra minuciosamente descrita, acompanhada da respectiva fundamentação legal, não se há de reconhecer nulidade no lançamento. A adequação, ou não, da base legal à infração descrita é matéria de mérito, incapaz de suscitar nulidade.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2010
CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. DEDUTIBILIDADE.
Não restando evidenciado que as despesas com amortização de ágio seriam inexistentes ou que, por outra via, teriam reduzido indevidamente o lucro líquido do exercício por desatendimento à legislação comercial/contábil, não existe norma que determine sua indedutibilidade para fins de apuração da CSLL. As bases de cálculo da CSLL e do IRPJ são distintas, descabendo invocar dispositivos exclusivamente aplicáveis ao segundo para a glosa de despesas da primeira.
Numero da decisão: 1301-002.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. Não é ilícita a conduta do investidor que adquire diretamente o investimento, com pagamento de ágio, e, a seguir, promove aumento de capital em outra empresa, integralizando-o com os investimentos previamente adquiridos, inclusive o ágio. Não se pode qualificar como ilícita a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Essa conclusão fica especialmente reforçada na situação em comento, em que a operação "direta", que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio sem qualquer questionamento, encontrava intransponíveis óbices societários (CVM) e regulatórios (ANEEL). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2010 ÁGIO. DATA DA FORMAÇÃO. EFEITOS FISCAIS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. As operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2006 e 2007. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. O lançamento se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. A contagem do quinquênio decadencial se dá a partir do fato gerador do tributo exigido pelo Fisco. Diante disso, descabe cogitar da ocorrência de decadência. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010 FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O motivo para a lavratura de um auto de infração é a constituição de crédito tributário, diante da constatação de infração à legislação. Desde que a infração se encontra minuciosamente descrita, acompanhada da respectiva fundamentação legal, não se há de reconhecer nulidade no lançamento. A adequação, ou não, da base legal à infração descrita é matéria de mérito, incapaz de suscitar nulidade. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2010 CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. DEDUTIBILIDADE. Não restando evidenciado que as despesas com amortização de ágio seriam inexistentes ou que, por outra via, teriam reduzido indevidamente o lucro líquido do exercício por desatendimento à legislação comercial/contábil, não existe norma que determine sua indedutibilidade para fins de apuração da CSLL. As bases de cálculo da CSLL e do IRPJ são distintas, descabendo invocar dispositivos exclusivamente aplicáveis ao segundo para a glosa de despesas da primeira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.311 1 2.310 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720036/201400 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.047 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2016 Matéria IRPJ e CSLL ágio Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. Não é ilícita a conduta do investidor que adquire diretamente o investimento, com pagamento de ágio, e, a seguir, promove aumento de capital em outra empresa, integralizandoo com os investimentos previamente adquiridos, inclusive o ágio. Não se pode qualificar como ilícita a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Essa conclusão fica especialmente reforçada na situação em comento, em que a operação "direta", que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio sem qualquer questionamento, encontrava intransponíveis óbices societários (CVM) e regulatórios (ANEEL). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ÁGIO. DATA DA FORMAÇÃO. EFEITOS FISCAIS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. As operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2006 e 2007. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. O lançamento se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. A contagem do quinquênio decadencial se dá a partir do fato gerador do tributo exigido pelo Fisco. Diante disso, descabe cogitar da ocorrência de decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 36 /2 01 4- 00 Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.312 2 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O motivo para a lavratura de um auto de infração é a constituição de crédito tributário, diante da constatação de infração à legislação. Desde que a infração se encontra minuciosamente descrita, acompanhada da respectiva fundamentação legal, não se há de reconhecer nulidade no lançamento. A adequação, ou não, da base legal à infração descrita é matéria de mérito, incapaz de suscitar nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010 CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. DEDUTIBILIDADE. Não restando evidenciado que as despesas com amortização de ágio seriam inexistentes ou que, por outra via, teriam reduzido indevidamente o lucro líquido do exercício por desatendimento à legislação comercial/contábil, não existe norma que determine sua indedutibilidade para fins de apuração da CSLL. As bases de cálculo da CSLL e do IRPJ são distintas, descabendo invocar dispositivos exclusivamente aplicáveis ao segundo para a glosa de despesas da primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que negava provimento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.313 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1452.689, de 06/08/2014, da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2009 (apuração pelo Lucro Real trimestral). O total da exação, na data do lançamento (28/03/2014), alcançou R$ 62.459.809,35, aí incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora, conforme demonstrativo à fl. 999. A infração apurada se encontra descrita em detalhes no Termo de Verificação Fiscal (fls. 945/970), e consiste na falta de adição às bases tributáveis das despesas com a amortização de ágio, tidas pelo Fisco como indedutíveis. Em apertadíssima síntese, os fatos: · 26/07/2006 – por meio de leilão público realizado na Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA (Edital nº SF/001/2006), a empresa ISA CAPITAL DO BRASIL S/A adquire do Governo de São Paulo 21% do capital social da CTEEP. · 09/01/2007 – após a aquisição do bloco de controle da CTEEP antes detido pelo Governo de São Paulo, a ISA CAPITAL realiza, nos termos do artigo 254A da Lei nº 6.404/1976, uma Oferta Pública de Ações (OPA) e adquire novas ações do capital social da CTEEP. Ao fim de todas as aquisições das referidas ações, a ISA CAPITAL passa a registrar um ágio relativo a CTEEP no valor de R$ 806 milhões. · 10/07/2007 – a ISA CAPITAL constitui a empresa ISA PARTICIPAÇÕES DO BRASIL LTDA com capital social de R$ 100,00 (cem reais). · 30/01/2008 – a ISA CAPITAL aumenta o capital social da ISA PARTICIPAÇÕES em R$ 2.105.032.036,00 e o integraliza mediante a transferência das ações da CTEEP. Em face dessa operação, a ISA PARTICIPAÇÕES passa a registrar um ágio por expectativa de rentabilidade futura relativo a CTEEP. · 28/02/2008 – a CTEEP incorpora sua controladora ISA PARTICIPAÇÕES, volta a ser controlada diretamente pela ISA CAPITAL, absorve o ágio sobre suas próprias ações e passa a amortizálo e deduzilo fiscalmente. Sustenta o Fisco que inexistiria qualquer motivação extratributária no conjunto de operações societárias. A reestruturação teria sido levada a efeito com o único Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.314 4 propósito de permitir o registro do ágio e seu posterior aproveitamento para fins tributários. Ademais, não teria ocorrido a “unificação patrimonial” entre investidora e investida requerida pela legislação, visto que a CTEEP continuou existindo e registrada como investimento de sua controladora ISA Capital, a qual também não deixou de existir. Irresignada com a autuação, a contribuinte apresentou extensa impugnação, na qual discorre sobre os tópicos: nulidade do auto de infração por ausência de motivação; decadência do direito de o Fisco questionar a reestruturação societária; legitimidade da amortização realizada; ocorrência da unificação patrimonial e inexistência de duplo aproveitamento do ágio; o caminho escolhido era um dentre vários possíveis; inexistência de vedação à dedutibilidade do ágio na apuração da base de cálculo da CSLL; ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. A 15ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1452.689, de 06/08/2014 (fls. 1810/1899), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 PROVAS. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. SUSTENTAÇÃO ORAL. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal não existe previsão da sustentação oral no julgamento da impugnação, feito em 1ª Instância Administrativa. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei nº 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. CSLL. Amortização de Ágio. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após transferência mediante a utilização de empresa veículo, surge sem substância econômica no patrimônio da investida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.315 5 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador. Restando constatado, entre a data da ciência dos autos de infração e a data do fato gerador, prazo menor do que cinco anos, não há de se falar em decadência. PRESSUPOSTOS PARA O RECONHECIMENTO DO ÁGIO. LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA E FISCAL. A legislação tributária mantém os pressupostos do reconhecimento do ágio da doutrina contábil: a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do ágio. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DO ÁGIO. INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o da rentabilidade futura da coligada ou controlada, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Para a amortização do ágio são necessários três requisitos fundamentais: (a) que exista investimento direto realizado pela investidora na investida (coligada ou controlada) com ágio devidamente contabilizado nos termos da lei; (b) que o seu fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; e (c) que posteriormente a empresa investidora (ou mesmo a investida, no caso de incorporação reversa) absorva o patrimônio da investida por incorporação, fusão ou cisão. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Recurso Voluntário Ciente da decisão de primeira instância em 02/12/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1905, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/12/2014 conforme carimbo de recepção à folha 1908. No recurso interposto (fls. 1908/1975), a interessada apresenta, sob sua ótica, síntese da demanda e das transações que culminaram com a amortização fiscal do ágio. Na Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.316 6 sequência, em extenso arrazoado, aduz suas razões, as quais bem podem ser sintetizadas nas conclusões que constam às fls. 1972/1974: (i) A autoridade lançadora não apresentou quaisquer dispositivos legais que lhe permitissem desconstituir os atos praticados no caso presente e qualificálos como inoponíveis ao Fisco, de forma que resta comprovada a ausência de motivação na lavratura do Auto de Infração; (ii) Houve decadência do direito de o Fisco questionar a forma de registro do ágio, uma vez que passados mais de cinco anos desde a sua formação; (iii) Foram observados os requisitos básicos para que seja reconhecido o direito à amortização do ágio, quais sejam: (a) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (b) a realização das operações originais entre partes não ligadas; (c) a demonstração da fundamentação econômica do ágio pago com base na expectativa de rentabilidade futura; (iv) Após a aquisição de participação societária na Recorrente ocorrida quando da integralização de seu capital, a ISA Participações tornouse efetiva investidora na Recorrente, tendo apurado ágio na operação; (v) Assim, quando da incorporação da ISA Participações, ao contrário do alegado pela autoridade lançadora, houve o atendimento aos quesitos legais para o início do aproveitamento do benefício fiscal da amortização do ágio; (vi) Importante mencionar também que o valor do ágio registrado não se alterou durante a reorganização societária envolvendo a Recorrente, o que mais uma vez comprova que não se está diante de hipótese de ágio interno ou de ágio de si mesma; (vii) Todos os lançamentos contábeis feitos pela Recorrente e suas controladoras foram realizados em consonância com a legislação fiscal e societária aplicável, sendo que não implicam em duplo aproveitamento do ágio; (viii) Mais ainda, considerando que a ISA Capital não tem qualquer intenção de alienar a Recorrente, não há que se falar em aproveitamento do ágio na apuração do ganho de capital e, consequentemente, em "duplo aproveitamento do ágio"; (ix) A intenção original do grupo era que a Recorrente incorporasse diretamente a ISA Capital após esta ter adquirido o seu controle. Optouse por não executar tal operação, que redundaria no aproveitamento imediato do ágio, em razão de dificuldades societárias e regulatórios; (x) Não houve efetivo ganho fiscal, uma vez que o mesmo resultado amortização fiscal do ágio poderia ser obtido por diversas outras estruturas; (xi) A Recorrente agiu em absoluta conformidade com a legislação aplicável e não obteve economia fiscal indevida, uma vez que o resultado tributário obtido nas operações realizadas poderia ter sido atingido, inclusive, por meio de outras operações societárias; (xii) Na realidade, a estrutura adotada implicou maior ônus tributário que aquele que seria resultante da simples incorporação da ISA Capital pela Recorrente. Não há, portanto, razão para se afirmar que a reestruturação questionada teria propósitos exclusivamente fiscais; Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.317 7 (xiii) Ainda que não se entenda pela integral improcedência do Auto de Infração, o que se admite apenas para argumentar, há que se reconhecer a improcedência da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo em vista que não há previsão legal para tal exigência. Contrarrazões da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional, por seu Procurador, com base no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do CARF em vigor, apresentou suas contrarrazões (fls. 2223/2268) ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. A Fazenda Nacional busca demonstrar preliminarmente a validade e motivação do lançamento, bem assim a inocorrência da decadência. No mérito, suas razões podem ser sintetizadas como segue: · Não teriam sido observados os requisitos legais para a amortização do ágio, tal como afirmado pelo Fisco. Não teria ocorrido a confusão patrimonial entre investidora e investida. A real investidora seria a ISA Capital e a investida seria a CTEEP. Colaciona jurisprudência administrativa no sentido da impossibilidade da transferência de ágio. · O documento utilizado pelo contribuinte para demonstrar o fundamento econômico do ágio seria imprestável para tanto, embora esse aspecto não tenha sido levantado pela Fiscalização. O documento teria sido produzido mais de um ano depois da data em que as ações da CTEEP foram originalmente adquiridas pela ISA Capital (operações com terceiros). · Seria impossível a dedução de despesa com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, por falta de existência de norma expressa que autorize tal dedução. · Seria correta e devida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume o lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. · Nulidade do lançamento por falta de motivação. Preliminarmente, a recorrente reitera suas alegações acerca da nulidade dos lançamentos por falta de motivação. Seu entendimento é de que a Autoridade Lançadora estaria Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.318 8 lastreando o lançamento em uma suposta ausência de substância econômica ou de motivação extratributária, mas sem apontar os dispositivos legais que autorizassem a desconstituição dos atos societários praticados ou sua qualificação como inoponíveis ao Fisco. No mesmo erro teria incorrido a Turma Julgadora em primeira instância. Observase que a reclamação da interessada, neste ponto, se dirige contra uma suposta ausência ou inadequação da fundamentação legal dos lançamentos, e não, propriamente, contra sua falta de motivação. O motivo para a lavratura de um auto de infração é, por certo, a constituição de crédito tributário, diante da constatação de infração à legislação. A infração aqui apurada foi minuciosamente descrita. Ademais, essa infração deve estar acompanhada da fundamentação legal, ou seja, os dispositivos legais que o Fisco entende que tenham sido infringidos. Ausência de fundamentação legal não houve, como facilmente se constata do exame dos autos de infração. Se os dispositivos legais invocados pelo Fisco são insuficientes ou inadequados à infração objeto de lançamento, entendo que isso é matéria de mérito, que se há de apreciar na sequência. Mas não vislumbro nulidade a ser reconhecida, e rejeito esta preliminar. · Decadência. A recorrente sustenta que o direito do Fisco de questionar os eventos relacionados à formação do ágio já teria sido alcançado pela decadência, quando da lavratura do auto de infração. Esclareçase que as operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2006 e 2007. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Especificamente, neste processo se discute essa redução ocorrida no anocalendário 2009, período em que a contribuinte optou pelo lucro real trimestral. O lançamento, cientificado ao sujeito passivo em 28/03/2014 (fl. 971), se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. Na hipótese mais favorável ao contribuinte (art. 150, § 4º, do CTN), o quinquênio decadencial para o período de apuração mais antigo (1º trimestre de 2009) seria contado a partir da data do fato gerador, a saber, 31/03/2009, expirando em 31/03/2014. Nessa data, o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários se encontrava hígido. O mesmo raciocínio pode ser aplicado para os períodos de apuração subsequentes, com idênticos resultados. A decadência somente incide sobre o direito de constituição de créditos tributários. Essa preliminar, portanto, deve ser rejeitada. · Mérito. No mérito, a discussão gira em torno da dedutibilidade, ou não, das amortizações de ágio formado em complexas operações e reorganizações societárias. E, como costuma acontecer nessas situações, o perfeito entendimento dos fatos ocorridos e de sua Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.319 9 cronologia é indispensável para as conclusões. Esses fatos já foram suficientemente descritos no relatório. Destaco, por relevante, que não há questionamento por parte do Fisco quanto à formação inicial do ágio, no momento em que a ISA CAPITAL adquiriu ações da CTEEP até então pertencentes ao Governo de São Paulo e, na sequência, novas ações por meio de Oferta Pública de Ações (OPA). Não há qualquer questionamento quanto a tratarse de negócio em condições de livre mercado, firmado entre partes independentes e com efetivo pagamento. O ágio, com base na expectativa de rentabilidade futura da investida CTEEP, foi registrado na contabilidade da ISA CAPITAL. Nesse momento, acaso viesse a ocorrer a incorporação da investida CTEEP pela investidora ISA CAPITAL ou o contrário, nenhum óbice haveria ao aproveitamento fiscal do ágio pela pessoa jurídica remanescente. E, se olharmos exclusivamente para essas duas pessoas jurídicas, não se encontra motivo para que a operação não houvesse sido conduzida dessa forma. Mas as coisas não ocorreram assim, eis porque surge o questionamento do Fisco. Foi criada uma nova sociedade (ISA PARTICIPAÇÕES), integralmente controlada pela ISA CAPITAL. O capital social da nova sociedade foi aumentado, e integralizado com as participações societárias na CTEEP, carreando para a ISA PARTICIPAÇÕES o ágio anteriormente registrado na ISA CAPITAL. Eis, então, o que me parece o ponto central da discussão: a legitimidade, ou não, da utilização da empresa ISA PARTICIPAÇÕES, tida pelo Fisco e pela Turma Julgadora em primeira instância como empresa veículo, ou seja, pessoa jurídica criada artificialmente com o único propósito de criar as condições exigidas pela lei para a amortização fiscal do ágio. Observo que a situação de uma “empresa veículo”, criada especialmente para permitir a aquisição de um investimento, é facilmente verificada nas operações de privatização. Há mesmo consenso de que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram editados com o objetivo de facilitar o processo de privatização de empresas estatais, permitindo às empresas investidoras recuperar parte do investimento mediante a redução da carga tributária, o que, como contrapartida, permitiria que os valores oferecidos ao Estado na aquisição das empresas estatais fossem maiores. Isso, sem prejuízo dos ativos intangíveis das estatais privatizadas. Vários foram os casos de amortização de ágio no processo de privatização analisados por este CARF, sendo as conclusões no sentido de sua legitimidade, não obstante o uso de “empresas veículo”. Cumpre lembrar que o conjunto das operações sob análise foi praticado no contexto do Programa de Desestatização do Governo do Estado de São Paulo. Ademais, a recorrente refuta que as operações, em especial no que toca à ISA PARTICIPAÇÕES, tenham tido propósito exclusivamente de economia tributária. Acrescenta que a CTEEP, como empresa de transmissão de energia elétrica se sujeita à regulação pela ANEEL e, como companhia aberta, às normas da CVM. Ao contrário do que afirma a autuação, sua alegação é de que, na forma simplificada pretendida pelo Fisco, a reorganização encontraria obstáculos legais intransponíveis. Confirase (fls. 1948 e segs.): 180. Explicase: como já mencionado, no âmbito do Programa de Desestatização, parte das ações de emissão da Recorrente foi adquirida pela ISA Capital por meio de OPA realizada em leilão na BOVESPA, ocorrido em 09/01/2007. Também já foi exposto que, em decorrência da descapitalização da ISA Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.320 10 Capital decorrente de tal aquisição, a empresa efetuou duas emissões de títulos de dívida ("senior notes") no mercado internacional em 29/01/2007, nos valores de US$ 200.000.000,00 e US$ 354.000.000,00, com vencimentos em 2012 e 2017, respectivamente. 181. Ocorre que as escrituras de emissão de ambas senior notes ("Escrituras"") prevêem uma série de "covenants", que consistem em "obrigações de não fazer". Dentre tais covenants, destacamos as obrigações de não alienar ativos e de não realizar operações de fusão, cisão e incorporação, previstas nas na seção 4.1, itens "c" e "f das escrituras de emissão, que isoladamente consideradas já são o suficiente para impossibilitar a implementação da intenção original do grupo. 182. Além disso, a incorporação direta da ISA Capital pela Recorrente implicaria a transferência de todas as dívidas da primeira para a segunda (incluindo a elevada dívida de US$ 554.000.000,00 relativa aos senior notes), situação não admitida pela CVM como medida de proteção dos investidores minoritários, independentemente de ser essa dívida atrelada à própria aquisição das ações da Recorrente ou decorrente de outras dívidas de interesse do controlador. Essa dívida, isoladamente, corresponderia a cerca de 1/3 do total do patrimônio líquido da Recorrente. 183. Tal ato seria tido como uma modalidade de exercício abusivo do poder de controle, na medida em que a ISA Capital imporia os custos de captação dos recursos necessários para a aquisição de seu investimento aos demais acionistas da Recorrente. Essa vedação está prevista no artigo 15, inciso II da Instrução CVM n. 319/99, que assim estabelece: [...] 184. Dessa forma, a fim de afastar o eventual questionamento acerca do abuso do poder de controle e observar aos ditames do órgão regulador, o grupo de que a Recorrente hoje faz parte optou por não implementar a incorporação entre ISA Capital e Recorrente. 185. Com essa exposição já se percebe que a estrutura implementada no caso presente não foi desprovida de propósito. Ao contrário, visou à proteção dos acionistas minoritários, que seriam prejudicados, tanto pela assunção, pela Recorrente, do passivo então registrado pela ISA Capital, quanto pela possibilidade de redução de dividendos futuros dos acionistas decorrente das despesas de amortização de ágio. 186. Ademais, sendo a Recorrente concessionária de transmissão de energia elétrica e, portanto, prestadora de serviços públicos, nem sequer se aventa a possibilidade de esta incorporar empresa endividada, uma vez que tal fato poderia até mesmo implicar a perda de sua concessão. 187. Nos termos do inc. IV do art. 3o da Lei n. 9.247/96, compete à ANEEL, "gerir os contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como fiscalizar, diretamente ou mediante convênios com órgãos estaduais, as concessões, as permissões e a prestação dos serviços de energia elétrica". 188. Com base nas prerrogativas supradescritas, a ANEEL pode questionar ou tomar as providências que entender necessárias para proteger o interesse público e preservar o serviço adequado aos consumidores e a gestão dos negócios das concessionárias. Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.321 11 189. Nesse contexto, a ANEEL editou a Resolução n. 63/2004, que dispõe: [...] No mesmo sentido, traz um parecer sobre os aspectos regulatórios da reestruturação societária, da lavra do Dr. Antônio Ganim, cujas conclusões me parecem relevantes: A operação pretendida pela Receita Federal do Brasil (RFB), pela qual a controlada CTEEP incorpora a ISA Capital do Brasil, encontra dois impedimentos para sua realização. O primeiro de ordem societária, pois a operação da forma pretendida pela RFB caracterizaria ato abusivo do poder de controle por parte da CTEEP, conforme previsto no art. 15 da Instrução CVM nº 319/1999, o que seria considerado infração grave para os efeitos do § 3º, do art. 11, da Lei nº 6.385/1976, conforme disposto no art. 17, dessa Instrução CVM. O segundo de ordem regulatória, pois, conforme já exposto, a ANEEL não aceitaria que a dívida da controladora, contraída justamente para a aquisição da controlada, fizesse parte do acervo líquido a ser vertido para a CTEEP por meio da incorporação de sua controladora, trazendo para a concessionária de serviço público de energia elétrica uma divida que é do acionista. Tenho por válidas as motivações extratributárias apontadas pela recorrente como impeditivas para que o negócio se fizesse pela via mais simples. O uso de "empresa veículo", por si só, é insuficiente para desqualificar a via adotada pela interessada, a qual, ressalto, não é vedada pela legislação. Essa conclusão fica especialmente reforçada na situação em comento, em que a operação "direta", que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio sem qualquer questionamento, encontrava óbices societários (CVM) e regulatórios (ANEEL). Além da alegação de que a operação teria sido feita com propósitos exclusivamente tributários, o Fisco também sustenta que não teria havido a indispensável unificação patrimonial entre a real investidora (ISA CAPITAL) e a investida (CTEEP), posto que, com a introdução da "empresa veículo" (ISA PARTICIPAÇÕES), tanto a real investidora quanto a investida continuaram a existir ao final da reorganização. Em primeira instância, esse entendimento foi referendado. Sobre esse ponto, trago à colação trecho de meu voto no acórdão nº 1301 001.950, de 02/03/2016: Com a devida vênia, devo divergir. Em outras oportunidades, tenho me manifestado no sentido da ausência de vedação ao procedimento descrito acima (segunda operação), em que uma empresa no exterior, em vez de adquirir diretamente a participação societária em empresa nacional, constitui inicialmente uma outra empresa no Brasil, aporta recursos a esta última e, com esses recursos, adquire a desejada participação societária. Com idênticos fundamentos entendo admissível também a primeira operação, em que a integralização do aumento de capital se faz com a participação societária previamente adquirida com ágio. Em qualquer caso, não se questiona que, a princípio, o “real investidor” é a empresa situada no estrangeiro, desde que foi ela quem arcou com os recursos financeiros para a aquisição da participação societária no país. No entanto, considero legítima sua opção de valerse de outra empresa para tanto, ainda que essa outra empresa venha a ter duração efêmera. Nessa situação, aquele antes denominado “real investidor” deve passar a ser identificado como ”investidor inicial”, posto que o investimento terá sido legitimamente transferido para um novo investidor. E é aí que Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.322 12 ocorre a confusão patrimonial entre investidor e investida, exigida pela lei para a amortização fiscal do ágio. Guardadas as diferenças para o presente caso, em que o "investidor inicial", a ISA CAPITAL, se encontrava no Brasil e não no exterior, não se questiona ter sido ela quem arcou com os recursos financeiros para a aquisição da participação societária na investida CTEEP. Mas considero legítima a transferência desse investimento para um novo investidor (ISA PARTICIPAÇÕES), com o que ocorre, sim, a confusão patrimonial entre investidor e investida. Também aqui releva lembrar a impossibilidade da operação direta entre o "investidor inicial" e a investida. A recorrente traz, ainda, razões contra um assim chamado "duplo aproveitamento do ágio". Compulsando os autos, especialmente o Termo de Verificação Fiscal, constato que essa questão foi trazida pelo Fisco de forma incidental (fls. 965 e segs.), em reforço ao argumento de que seria indispensável a "confusão patrimonial" entre a real investidora e a investida. Em primeira instância, essa questão sequer foi abordada. Por se tratar de argumento incidental, que não serviu de base para a decisão recorrida, e que o argumento principal (sobre a confusão patrimonial) já foi afastado, considero desnecessário tecer maiores comentários sobre o tema. Nas contrarrazões da D. Procuradoria da Fazenda Nacional surge um novo aspecto, que a própria Fazenda reconhece não ter sido levantado pelo Fisco no momento do lançamento. O documento utilizado pelo contribuinte para demonstrar o fundamento econômico do ágio seria imprestável para tanto, visto que teria sido produzido mais de um ano depois da data em que as ações da CTEEP foram originalmente adquiridas pela ISA CAPITAL. Da leitura cuidadosa do TVF, encontro o seguinte trecho (fls. 951 e 953): Quanto ao ágio pago pela ISA Capital nesse processo de aquisição do controle acionário da CTEEP, o qual teve como fundamento a perspectiva de resultados durante o prazo de exploração da concessão, decorrente da aquisição do direito de concessão delegado pelo Poder Público, o sujeito passivo apresentou os cálculos de apuração desse sobrepreço no aludido "Demonstrativo do Investimento da ISA Capital na CTEEP" (Doc 14). [...] De maneira a comprovar o valor econômico da CTEEP, na data base de 31/12/2007, foi apresentado o Laudo de Rentabilidade Futura (Doc. 19) produzido pela empresa de auditoria Deloitte Touche Tohmatsu, o qual serviu de fundamento ao ágio ora demonstrado, contabilizado pela ISA Capital por ocasião da aquisição da participação societária na CTEEP e posteriormente transferida para a ISA Participações [...] O primeiro documento mencionado acima se encontra à fl. 200 dos autos. Tratase de um demonstrativo simples, não assinado nem datado. Quanto ao segundo documento, se encontra às fls. 449/454, e é datado de 31/12/2007. O Fisco teve a eles pleno acesso, e os aceitou como válidos para os fins propostos, não obstante a primeira aquisição de ações da CTEEP pela ISA CAPITAL tenha se dado em junho/2006. Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.323 13 A falta de fundamentação do ágio ou a invalidade dos documentos apresentados com essa finalidade sequer foi ventilada, seja no momento do lançamento, seja pela decisão de primeira instância. Introduzir um tal questionamento agora, em sede de recurso voluntário, implicaria inovação na discussão até aqui travada, com claro prejuízo ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório. O argumento não deve ser conhecido, por ser estranho à lide. · Auto de Infração da CSLL. Sustenta a recorrente que “contrariamente ao que se verifica com relação ao IRPJ, para o qual a lei (consolidada nos artigos 389, § 1º, e 391 do RIR) veda a dedutibilidade do ágio, inexiste disposição legal que imponha qualquer vedação para fins de apuração da CSLL”. Com isso, pede que, ainda que venha a ser mantida a autuação do IRPJ, seja afastada a exigência de CSLL. Compulsando os autos, constato que o Fisco deu à CSLL o tratamento de lançamento reflexo, não fazendo qualquer distinção quanto à dedutibilidade para fins do IRPJ ou da CSLL. Isso fica evidenciado ao final do TVF (fl. 968): [...] Em face de todo o exposto, concluise estarse diante de uma seqüência de operações societárias abusivas e desprovidas de motivação extratributária, cujas características não atendem aos requisitos legais para o aproveitamento fiscal dos encargos de amortização do ágio, de modo que se reputam indedutíveis as despesas de amortização do ágio computadas nas apurações do IRPJ e da CSLL do sujeito passivo, referentes aos períodos trimestrais do ano de 2009. 4. DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DEVIDO 4.1. INFRAÇÃO POR FALTA DE ADIÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DE DESPESA INDEDUTÍVEL DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Nos períodos trimestrais do ano de 2009, objeto desta fiscalização, o sujeito passivo deixou de adicionar, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas indedutíveis de amortização de ágio lançadas na sua contabilidade em conta de despesa operacional (6314100011 Amortização do Ágio), no valor de R$ 21.200.110,95 em cada um dos trimestres. [...] No enquadramento legal do auto de infração da CSLL consta (fl. 987): Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95 Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 A decisão de primeira instância manteve o lançamento, ao argumento de que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 seria capaz de sustentar a exigência. A decisão foi vazada nos seguintes termos (fls. 1893 e segs.): Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.324 14 Especificamente no que tange à exigência reflexa relativa à CSLL, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada neste, como dito no acórdão retro transcrito, constitui prejulgado na decisão do auto de infração decorrente. Não prospera a alegação da impugnante de ser incabível a glosa de despesa de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL, por falta de amparo legal, dado o entendimento de que o art. 57 da Lei nº 8.981/1995 não é aplicável à referida contribuição. Com a devida vênia da ilustre divergência, não é esse o entendimento acerca da matéria, pois, ao determinar a aplicação das mesmas normas de apuração do IRPJ à CSLL, conforme dispõe o dispositivo acima, com a redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995, o legislador quis evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. Nesse sentido, inclusive, aponta o art. 13 da Lei nº 9.249/1995, quando, disciplinando ajustes igualmente aplicáveis às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, esclarece que se impõe a glosa das despesas ali discriminadas, independentemente do atendimento ao art. 47 da Lei nº 4.506/1964, que é justamente a base legal do art. 299 do RIR/99, restando claro, portanto, de que à CSLL também se aplica o conceito de despesa operacional disciplinado no referido art. 299 do RIR/99. Confirase [...] Portanto, os conceitos de despesas “necessárias”, “usuais” e “normais”, constantes do art. 299 do RIR/99, aplicamse tanto ao IRPJ como à CSLL. Assim também decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa abaixo reproduzida: [...] E se encontra especificamente mencionado na autuação o art. 2º da citada Lei nº 9.249/1995, o qual dá amparo à exigência, pois tal dispositivo explicita que a CSLL será determinada segundo as normas da legislação de vigência, com as alterações daquela lei, nas quais se insere o comando do art. 13, acima transcrito, segundo o qual, como antes dito, estende à CSLL o conceito de despesa operacional disciplinado no art. 299 do RIR/99 (cuja base legal é o art. 47 da Lei nº 4.506/1964). Com todo o respeito aos argumentos acima expendidos, devo divergir. No que tange ao art. 57 da Lei nº 8.981/95, eis sua redação: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro(Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.325 15 as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Ao estender à CSLL as “mesmas normas de apuração e de pagamento” estabelecidas para o IRPJ, por certo que o legislador aí não incluiu a determinação da base de cálculo da contribuição, bastando ler a continuação do dispositivo legal, que afirma que ficam “mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor”. A melhor exegese, portanto, é de que, ao se referir a “apuração”, quis o legislador se referir às profundas alterações introduzidas por aquela mesma lei, em artigos anteriores, no que se refere à apuração mensal, estimativas, levantamento de balanços ou balancetes de suspensão ou redução para fins dos pagamentos mensais, entre outras. A forma de apuração e pagamento adotada para o imposto de renda deveria ser a mesma adotada para a CSLL, o que não significa, em absoluto, que as bases de cálculo tenham sido unificadas. Sustenta, ainda, o julgador em primeira instância que, à CSLL seriam aplicáveis os conceitos de “despesas necessárias, usuais e normais”. Isso porque, em seu entender, esses conceitos, originalmente previstos apenas para o IRPJ, no art. 47 da Lei nº 4.506/1964 (base legal do art. 299 do RIR/99), teriam sido estendidos também para a CSLL, por força do “caput” do art. 13 da Lei nº 9.249/1995. Eis os dispositivos legais em comento (grifos não constam do original): Lei nº 9.249/1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Lei nº 4.506/1964 (base legal do art. 299 do RIR/99): Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. [...] Penso que, em vez de estender as restrições à dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ também à CSLL, a expressão “independentemente do disposto no art. 47 ...” fez Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.326 16 questão de deixar claro que as novas disposições (do art. 13 da Lei nº 9.249/1995) em nada modificavam aquelas anteriormente vigentes. A independência1 entre dois artigos de lei implica que um em nada interfere com o outro. Cada qual permanece com suas disposições válidas, tal como antes. A interpretação dada pelo julgador de primeira instância vai em sentido diametralmente oposto à independência, visto que estabelece a influência de uma sobre a outra, o que não me parece razoável. A explicação que encontro para que essa expressão (“independentemente do disposto no art. 47 ...”) tenha sido introduzida ao final do caput do art. 13 é que, sem ela, seria possível, e até muito razoável, a interpretação de que, com a regulação e disciplina acerca de despesas indedutíveis para fins do IRPJ por lei nova (a Lei nº 9.249/1995), as disposições pretéritas (da Lei nº 4.506/1964) sofressem revogação tácita. Como não era essa a intenção do legislador, a independência entre as disposições pretéritas e as novas foi expressamente registrada. Nessa linha, o art. 13 da Lei nº 9.249/1995 é aplicável tanto ao IRPJ quanto à CSLL, e veda a dedutibilidade em ambos os tributos das despesas/custos ali especificados; o art. 47 da Lei nº 4.506/1964 (independente daquele outro) permanece aplicável exclusivamente ao IRPJ, vedando a dedutibilidade das despesas que não sejam necessárias, usuais nem normais. Como corolário desse raciocínio, para a base de cálculo do IRPJ, é possível a glosa de despesa com base em um artigo, em outro, ou até mesmo em ambos (sem prejuízo de outros dispositivos específicos). Para a base de cálculo da CSLL, somente se pode invocar o primeiro (art. 13 da Lei nº 9.249/1995), nunca se podendo alegar tratarse de despesa desnecessária, anormal ou não usual (claro, também sem prejuízo de outros dispositivos específicos). Observo, finalmente, que nem o art. 13 da Lei nº 9.249/1995 nem o art. 47 da Lei nº 4.506/1964 constam da fundamentação legal do lançamento de CSLL ou do Termo de Verificação Fiscal, pelo que, por mais este motivo, não se prestam a embasar essa autuação. A conclusão que se impõe é que, para fins da CSLL, seria necessário demonstrar que o lucro líquido do exercício teria sido apurado incorretamente, de acordo com as normas da legislação comercial. Em outras palavras, que a despesa com a amortização do ágio teria sido apropriada ao resultado contábil (LLE) em desacordo com a legislação comercial, reduzindoo indevidamente. Com essa redução indevida, por consequência, restaria indevidamente reduzida a base de cálculo da CSLL, e a autuação estaria correta. Mas não é o que verifico nos autos. O questionamento do Fisco é sempre quanto à dedutibilidade, para fins fiscais, das despesas de amortização de ágio, não se questionando a contabilização da amortização, mas sim seus efeitos fiscais. Para fins fiscais, a legislação de regência é clara: (i) ao reconhecer que o ágio, qualquer que seja seu fundamento (art. 385 do RIR/99), pode ser objeto de amortização contábil (o que depende apenas da legislação societária/contábil), desde que sua contrapartida não influa na apuração do lucro real (art. 391 do RIR/99); e (ii) que a hipótese de dedutibilidade (art. 386, III, do RIR/99) é exclusiva para os balanços correspondentes à apuração do lucro real. 1 O dicionário ensina que independência é o estado, condição ou caráter do que ou de quem goza de autonomia, de liberdade com relação a alguém ou algo; ou, ainda, o caráter daquilo ou daquele que não se deixa influenciar. Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.327 17 Art.385.O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): Ivalor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e IIágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. §1ºO valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §1º). §2ºO lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §2º): [...] IIvalor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; [...] §3ºO lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §3º). Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): [...] IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] §6ºO disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): Io investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; IIa empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.328 18 [...] Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Em assim sendo, tenho que os questionamentos acerca da dedutibilidade (efeitos fiscais) da contrapartida da amortização de ágio, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da investida, como é o presente caso, somente pode ser feito no que toca ao IRPJ. Ao contrário também do que sustenta a D. PGFN, com todo o respeito que lhe é devido, a regra é da dedutibilidade das despesas, sendo exceção a indedutibilidade. Toda despesa incorrida e devidamente comprovada é, a princípio, dedutível, e deve integrar o lucro líquido do exercício, sem a necessidade de qualquer ajuste. Em havendo lei que vede sua dedutibilidade, impõese a adição, para fins de determinação da base de cálculo do tributo. Para fins do IRPJ, a legislação supratranscrita é clara ao vedar expressamente o cômputo da amortização do ágio para fins do lucro real (art. 391), com as duas únicas exceções do art. 426 e do art. 386, III. Não se verificando alguma das exceções, a amortização feita contabilmente deve ser adicionada à base de cálculo. Para fins da CSLL não encontro determinação semelhante, pelo que voto por dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência dessa contribuição. · Incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Finalmente, ainda que talvez as conclusões anteriores o tornem desnecessário, passo a analisar as queixas da interessada contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.329 19 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Lei nº 5.172/1966 (CTN): Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.330 20 igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.720036/201400 Acórdão n.º 1301002.047 S1C3T1 Fl. 2.331 21 Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Pelas mesmas razões, devese negar provimento, quanto a esta matéria, ao recurso voluntário interposto. No entanto, a menos que este Relator venha a ficar vencido nas matérias anteriormente abordadas, tal posicionamento não há de produzir qualquer efeito, visto que todas as exigências já foram afastadas, neste voto, por outros motivos. · Conclusão. Por todo o exposto, em conclusão, voto rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.006290/98-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995
IRPF. LANÇAMENTO. GLOSA, DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA, COMPROVAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO PRESTADOR.
Para a dedução de despesas com saúde, é condicionado que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.
No presente caso, restou claro que o recibo era inidôneo, pois a empresa prestadora do serviço nunca existiu de fato, motivo da negativa de provimento ao recurso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1995 IRPF. LANÇAMENTO. GLOSA, DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA, COMPROVAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO PRESTADOR. Para a dedução de despesas com saúde, é condicionado que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. No presente caso, restou claro que o recibo era inidôneo, pois a empresa prestadora do serviço nunca existiu de fato, motivo da negativa de provimento ao recurso. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO. GLOSA, DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA, COMPROVAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO PRESTADOR. Para a dedução de despesas com saúde, é condicionado que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. No presente caso, restou claro que o recibo era inidôneo, pois a empresa prestadora do serviço nunca existiu de fato, motivo da negativa de provimento ao recurso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 62 90 /9 8- 53 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10480.006290/9853 Acórdão n.º 2402005.291 S2C4T2 Fl. 248 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 0147 1, que julgou lançamento procedente, nos seguintes termos: PRELIMINAR DE NULIDADE. NEGATIVA. Não ë nulo o Auto de Infração lavrado por pessoa competente e em que 'não haja despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou, ainda, não tenha havido preterição do direito de defesa. Como também não é nulo o lançamento efetuado de acordo com o que preceitua o art. 142,, da Lei n° 5.172!66 (CTN). LANÇAMENTO DE OFÍCIO MANUTENÇÃO. Há de ser mantido o lançamento de ofício, quando o sujeito passivo não logrou comprovar por documentos idôneos a prestação do serviço odontológico e o efetivo pagamento, tidos como dedução de despesas médicas. LANÇAMENTO PROCEDENTE Segundo a fiscalização, de acordo com a autuação, fls. 003, tratase de lançamento substitutivo, à original (10480.015485/9631), declarado nulo, por ausência de motivos para a glosa de dedução com despesas médicas. Na autuação está claro que a glosa referese a despesas médicas constantes de DIRPF da contribuinte, com tratamento em estabelecimento de saúde inexistente (SAMOPE), fls. 0129. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Em 26/05/1998, fls. 0135, foi dada ciência à recorrente do lançamento. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0140, em 26/06/1998, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: 1. Ato declaratório sobre inexistência da empresa (SAMOPE), lavrado em 04/08/1997, não pode atingir recibos do ano de 1995, pois não pode retroagir; 2. O relatório sobre a inexistência da prestadora de serviço de saúde é falho e equivocado; 3. Questiona a conclusão das diligências efetuadas pelo Fisco, que comprovariam a inexistência da prestadora de serviços; 1 Numeração conforme processo eletrônico. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 4. Portanto, improcedente a glosa; 5. Portanto, a autuação é improcedente. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Em 28/06/1999, a recorrente foi cientificada da decisão, fls. 0159. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, numerado como se fosse processo (10480.023006/9985), fls. 0164, em 26/07/1999, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, novamente, como o fez na impugnação, que a empresa prestadora de serviço existia e que o serviço constante do recibo foi devidamente prestado, sendo indevida a glosa. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10480.006290/9853 Acórdão n.º 2402005.291 S2C4T2 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Antes de analisarmos a questão cabe esclarecer dois pontos: 1. Os processos anexos são, na verdade, o processo original anulado (10480.015485/9631) e o recurso voluntário (10480.023006/9985); e 2. Salutar registrar que esse processo está sob minha responsabilidade desde 10/12/2015, conforme data que me foi repassado, para relatoria, constante do sistema. Feitos esses esclarecimentos, cabe destacar que o litígio em questão referese a glosa de deduções de despesas médicas. A contribuinte busca, desde sua impugnação, provar que os serviços foram prestados e que o gasto foi realizado. A legislação da época possuía regra clara para a definição da questão. Lei 8.383/1991: Art. 11. Na declaração de ajuste anual (art. 12) poderão ser deduzidos: I os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; ... 1° O disposto no inciso I: ... c) é condicionado a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Nos autos há extenso, minucioso trabalho, com clara conclusão, fls. 0129, que a empresa prestadora de serviço que consta do recibo nunca existiu. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 A contribuinte caberia, após esse diligente trabalho da fiscalização, demonstrar, de alguma forma, que o serviço foi prestado e que o pagamento foi efetuado, como determina a legislação citada, mas nada há nos autos nesse sentido. Assim, não há como dar razão ao recurso da contribuinte. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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