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Numero do processo: 10675.907436/2009-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2005
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 74 36 /2 00 9- 99 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 350 2 Maria Teresa Martínez López Relatora Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual lhe foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 351 3 entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 352 4 instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. A recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Alega contrariedade à coisa julgada, eis que possue decisão transitada em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Na sessão de novembro de 2013, em suposta obediência ao que dispunha o Regimento do CARF, art. 62A (sobrestamento do julgamento) o processo foi suspenso por meio de Resolução, “ até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372).” Em face da revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retorna em pauta para seguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Conforme relatado a recorrente possui decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 353 5 Cabe, no entender desta Conselheira, analisar os efeitos da decisão do STF transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782. I Entende a recorrente que a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. II Entende a fiscalização que, ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que a recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias”. 1 A contribuinte tem decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Nem se afirme que dúvidas poderiam existir, para aqueles que ainda não possuem uma decisão do Judiciário, eis que a matéria, envolvendo base de cálculo para as instituições financeiras, ainda (até junho/14) não foi julgada pelo STF. Isto porque, no meu sentir, o conceito fixado pelo Pleno, não pode ser alterado até que uma nova decisão do Pleno venha a alterar o conceito. Explico. Fazse necessária breve explanação histórica da jurisprudência da Corte no que toca ao tema em referência. Em 2005, no julgamento dos recursos extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 – Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 – Rel. Min. Marco Aurélio), houve amplo debate no Plenário do STF acerca do conceito constitucional de faturamento, para fins de verificação da constitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, à luz do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988, no período anterior à Emenda Constitucional 20/1998. Ficou definido que faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº. 20, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para 1 em razão deste entendimento, optei no passado pela escolha da via do sobrestamento do julgamento ao caso de outra financeira, pelo STF. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 354 6 envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. 2 Na ocasião, o Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, parcialmente vencido no julgamento, reconheceu que a jurisprudência do STF, exposta na ADC 1 (Rel. Min. Moreira Alves, DJ 16.06.95), fixou esse mesmo conceito de faturamento. Ao final de seu voto, porém, entendeu que faturamento deveria ser entendido não só como “receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”, mas também como a “somas das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”.3 É importante ressaltar que, todavia, esse significado externado pelo referido Ministro não prevaleceu, porque o Plenário entendeu que extrapolava o objeto do recurso. O Exmo. Sr. Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão, expressamente consignou que, se houvesse dúvida quanto ao conceito de faturamento para instituições financeiras, seguradoras, ou para outras hipóteses de receitas, a questão deveria ser analisada em recurso próprio: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO: Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 170.755/PE, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR): Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa por nossa cabeça. No caso em discussão, a bem da verdade, sob a análise desse mesmo Ministro CEZAR PELUSO, o que se percebe é que a matéria não foi enfrentada. Por outro lado, não houve recurso da Procuradoria Geral da Fazenda. É importante também observar que somente com a alteração ocorrida a partir de 2014, pela edição da Medida Provisória nº 627/2013, art. 49 4 transformada na Lei nº 12.973, de 2014, que alterou a legislação federal – as instituições financeiras terão que recolher PIS e Cofins sobre uma base maior, ou seja, o faturamento incluindo o spread. Se foi preciso alteração da norma é porque antes não era devido a inclusão de receitas sobre o conceito mais largo de Receita. 2 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Ementa, p. 1. 3 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Voto Ministro Cezar Peluso, p. 84. 4 altera o art. 12 do DL nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 355 7 Nesse sentido consta da exposição de motivos da MP 627, de 2013 o que a seguir transcrevo: Sublinhamos, ainda, a inovação proporcionada pela alteração do art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, no que se refere a ampliação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS ao se tributar, a partir deste momento, as receitas da atividade principal da pessoa jurídica. Assim, além do produto da venda de bens, de serviços e o resultado auferido nas operações de conta alheia, passase a tributar, como fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário, as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. Merece destaque a lição do i. Prof. Humberto Theodoro Júnior (2002), em seu livro Curso de Direito Processual Civil (38. ed., Ed. Forense, v. 1, p. 485), trazida pelo patrono do recorrente: "A coisa julgada material abrange o deduzido e o deduzível. Por isso, não se podem levantar, a respeito da mesma pretensão, "questões arguidas ou que o podiam ser , se com isso se consiga diminuir ou atingir o julgado imutável e, consequentemente, a tutela jurisdicional nele contida. Com todo o respeito, olvidou a Fiscalização que a Procuradoria da Fazenda Nacional poderia e devia ter embargado a decisão do STF se entendesse que interpretação a ser dada era limitada. Se não o fez á época, o acórdão transitou em julgado sem limitações ao pedido efetuado pela recorrente. Inclusive, durante o curso do processo, a Procuradoria da Fazenda Nacional em nenhum momento suscitou a diferenciação do conceito de faturamento para cada setor da atividade econômica. A despeito da unilateralidade no estabelecimento desse conceito alargado, pois decorrente exclusivamente do “ponto de vista” de um dos julgadores “Ministro César Peluzo”, decisões monocráticas de outros Ministros, 5 algumas já confirmadas pelas respectivas Turmas, utilizaram dessa definição, sempre citando o precedente do atual Presidente do STF, como se fosse aquela estabelecida pelo Plenário da Suprema Corte. Outrossim, no julgamento da Questão de Ordem no RE 585.235 (Repercussão Geral DJ 28.11.08 – Rel. Min. Cezar Peluso), que vislumbrou apenas reafirmar a jurisprudência do STF sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, também foi indevidamente inserida a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. 6 5 várias decisões monocráticas podem ser colhidas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. decisões monocráticas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. 6 O alvo da questão de ordem era legítimo: evitar a subida de recursos extraordinários sobre a controvérsia, já devidamente pacificada pelo Plenário do STF. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 356 8 O objetivo, todavia, não era reabrir o debate acerca do conceito de faturamento, o que sequer seria possível, pois (i) o representativo da controvérsia pretendeu apenas reafirmar a jurisprudência, de modo que não poderia, consequentemente, modificála; e (ii) porque a questão relativa ao conceito de faturamento já estava afetada ao Plenário para apreciação no RE 400.479, que discute o conceito à luz das receitas das instituições financeiras e seguradoras, matéria cuja repercussão geral foi reconhecida, posteriormente, no RE 609.096 (ambos os recursos pendentes de julgamento). Realmente, não teria sentido o STF apreciar os limites do conceito de faturamento e, posteriormente, fazêlo novamente nos RE’s 400.479 e 609.096. No caso em análise, ao analisar a decisão transitada em julgado em favor da recorrente, o respeitável Ministro não ressaltou a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. É importante reiterar essa observação. Até porque, seria uma decisão em contradição à solução dada pelo Plenário nos leading cases do STF sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9718/98. Assim sendo a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Penso, com todo o respeito àqueles que de mim divergem, que uma vez reconhecido a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja a empresa financeira, comercial ou industrial, a revogação da norma se aplica indistintamente para todos os seguimentos. É estranho se pensar que a depender da atividade econômica possa se ter um conceito de receita/faturamento diferente. A base de cálculo deve estar limitada à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação se serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Fl. 281DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 357 9 O fato do STF ter reconhecido a repercussão geral da matéria atinente à base de cálculo do PIS para instituições financeiras (vide RE nº 609.096/RS) reforça o posicionamento de que as coisas julgadas em outros processos decorrentes da aplicação do anterior julgamento da matéria pelo Pleno do STF, como ocorreu no presente caso, têm conteúdo jurídico delimitado, com a definição do conceito estrito de faturamento, vinculado à venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Reitero. Caso seja alterado o posicionamento do STF, haverá a produção dos efeitos somente para os processos ainda em andamento, não podendo atingir o conteúdo jurídico em ofensa à coisa julgada e à vedação à sua relativização (Súmula 487 do STJ) – às decisões definitivamente proferidas, como é o caso em análise. 7 No caso concreto da recorrente, vejase não ter ocorrido diferenciação do conceito de faturamento por setor econômico. Caso houvesse, o pedido não poderia ter sido julgado totalmente procedente. O resultado seria o de reconhecer a inconstitucionalidade da lei em parte? Ou, seria, constitucional apenas para as instituições financeiras? Seria um contra senso, admitir que a contribuinte foi ganhador na ação judicial, mas perante a Receita, não. Julgarseia procedente um pedido que contrariaria o que foi pedido na exordial. Ademais, se assim o fizesse, o Ministro Cezar Peluso, relator do acórdão, não poderia fazer monocraticamente e muito menos com base no art. 557, § 1°A. Deveria, então, levar o processo novamente para julgamento pelo Pleno, pois poderia haver uma alteração do entendimento já consolidado nos leading cases mencionados. Ao prever os efeitos preclusivos da coisa julgada, o art. 474 do CPC, determina que passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. Para Rodolfo Mancuso, a técnica da eficácia preclusiva acolhida por este dispositivo legal opera como uma válvula de segurança do sistema, de modo a imunizar as questões deduzidas e deduzíveis, mas desde que atinentes ao núcleo do tema decidido, isto é, ao preciso objeto litigioso. 8 Barbosa Moreira entende que há uma relação de instrumentalidade entre os limites objetivos da coisa julgada e a sua eficácia preclusiva, pois enquanto os limites objetivos geram a imutabilidade do julgado, no que tange à parte dispositiva, a eficácia preclusiva consiste no impedimento que surge à discussão e apreciação de questões suscetíveis de influir neste julgado, cobrindo o deduzido e dedutível. Assim, pode suceder que, de fato, não tenham sido exaustivamente consideradas, no processo, as questões que poderiam influir na decisão, sendo vedado que depois de findo o processo se viesse a pôr em dúvida o resultado atingido, acenandose com tal ou qual questão que haja ficado na sombra e que, porventura trazida à luz, teria sido capaz de levar o órgão judicial à conclusão diferente da corporificada na sentença (ressalvados os casos restritos de rescindibilidade do julgado). 9 Na lição de Fredie Didier 10 transitada em julgado a decisão definitiva da causa, todas as alegações e defesas que poderiam ter sido formuladas para o acolhimento ou 7 nesse sentido, vide Acórdão nº 3403001.945, 8 MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Jurisdição Coletiva e Coisa Julgada: teoria geral das ações coletivas. São Paulo: RT, 2006, pp. 29,236. 9 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. A eficácia preclusiva da coisa julgada material no sistema do processo civil brasileiro. Temas de Direito Processual. 1ª série, São Paulo: Saraiva, 1977, pp. 98103 10 Fredie Didier, in Curso de Direito Processual Civil . Salvador/BA: Editora Juspodivm, vol. II, 4ª ed., 2009, p. 426. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 358 10 rejeição do pedido reputamse arguidas e repelidas; tornamse irrelevantes todos os argumentos e provas que as partes tinham a alegar ou produzir em favor da sua tese. Com a formação da coisa julgada, preclui a possibilidade de rediscussão de todos os argumentos alegações e defesas, na dicção legal que poderiam ter sido suscitados, mas não foram. A coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutível ). CONCLUSÃO Diante do acima exposto, tendo em vista que a recorrente é possuidora de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, VOTO, no sentido de lhe dar provimento, e assim homologar a compensação efetuada. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de Fl. 283DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 359 11 faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil11. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco 11 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 360 12 Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 197012, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras13. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I 12 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 13 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 361 13 do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro14, sem nenhuma menção à receita. É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 14 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 362 14 (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 363 15 Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA Fl. 288DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 364 16 RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 365 17 ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento15. 15 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 366 18 Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 367 19 Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 368 20 “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 369 21 com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 370 22 Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 371 23 O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 372 24 Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento16“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. 16 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 373 25 E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 374 26 revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0117. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” 17 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907436/200999 Acórdão n.º 9303002.986 CSRFT3 Fl. 375 27 Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16682.720452/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
Ementa:
DESISTÊNCIA - Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir do recurso apresentado.
Numero da decisão: 1301-001.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em virtude de desistência.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 Ementa: DESISTÊNCIA - Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir do recurso apresentado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720452/201181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.570 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2014 Matéria IRPJ Recorrente Companhia Siderúrgica Nacional CSN Recorrida Fazenda Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: DESISTÊNCIA Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir do recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em virtude de desistência. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 52 /2 01 1- 81 Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16682.720452/201181 Acórdão n.º 1301001.570 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório O litígio posto a julgamento instaurouse pela impugnação a autos de infração cientificados ao contribuinte em 30/05/2011, para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano calendário de 2007 e retificação do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL do ano calendário de 2008. Conforme Descrição dos Fatos constante dos Autos de Infração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a fiscalização acusa a empresa de não ter adicionado ao lucro líquido dos anos calendário de 2007 e 2008, os lucros auferidos por controladas domiciliadas em Luxemburgo. Durante o procedimento de fiscalização, a empresa esclarecera ao auditor que tais lucros estariam a salvo da tributação ao amparo da Convenção assinada entre os dois países para evitar a dupla tributação, porém a autoridade fiscal entendeu que a melhor interpretação sobre a matéria seria a exposta no Acórdão 0810.228, da 4ª Turma da DRJ em Fortaleza, da qual reproduz trecho. A matéria tributável (lucros disponibilizados e não oferecidos à tributação) indicada no TVF é a seguinte: Empresa 2007 2008 CSN Steel S.a.r.l 439.462.156,22 72.337.214,47 CSN Overseas S.a.r.l 58.832.497,63 102.253.930,77 CSN Panama S.a.r.l 348.175.268,34 CSN Energy S.a.r.l 508.587.646,00 CSN Export S.a.r.l 38.106.257,31 52.540.395,60 Total 1.393.163.825,50 227.131.540,84 Para o anocalendário de 2008 não houve exigência de crédito tributário, porque o contribuinte apurara, no 4º trimestre, prejuízo fiscal no valor de R$ 913.092.707,01 e base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido no valor de R$ 928.561.478,26, conforme Linha 70 da Ficha 09A e Linha 55 da Ficha 17 da DIPJ, os quais foram reduzidos em R$ 227.131.540,84 para considerar o efeito do lucro auferido no exterior. Em impugnação tempestiva a interessada alegou que o art. 74 da MP 2.158 35 cria ficção de fato gerador de IRPJ, tanto que “considera disponibilizados” os lucros do exterior em data certa, e que o precedente invocado no TVF (Acórdão 0810.228, 4ª Turma DRJ/FOR) trata da hipótese em que os lucros auferidos pelas controladas no exterior foram efetivamente disponibilizados para a empresa brasileira, tanto que a referida decisão se reporta ao Ato Declaratório SRF n° 06/97, editado sob a vigência da IN n° 38/96. Ponderou que, na situação do AI, os lucros das subsidiárias permaneceram inalterados em seus respectivos patrimônios, não tendo sido distribuídos à impugnante, e o TVF equiparou o mero registro contábil dos lucros das subsidiárias em suas demonstrações contábeis à efetiva disponibilização desses lucros, como no caso do precedente citado. Ressaltou que são situações totalmente diferentes, razão pela qual o precedente citado no TVF é inaplicável ao presente caso. Aduziu que lei ordinária não pode alterar a definição do conceito do fato gerador do IRPJ e que a inclusão do §2° no art. 43 do CTN não teve esse efeito, pois o alcance Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16682.720452/201181 Acórdão n.º 1301001.570 S1C3T1 Fl. 4 3 do parágrafo diz respeito ao aspecto temporal e as condições em que ocorre a disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Afirmou que os lucros auferidos pelas subsidiárias não foram e nem poderiam ser considerados disponibilizados para a impugnante, e que o mero fato de a pessoa jurídica no exterior elaborar um balanço evidenciando o auferimento de lucros não representa qualquer aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica pela controladora no Brasil. Reafirma que a disponibilidade jurídica ou econômica da renda deve estar presente no patrimônio do próprio contribuinte, e não no patrimônio de pessoas jurídicas a ele ligadas. Acrescentou que, ainda que fosse válida a legislação invocada pela autoridade fiscal, e a que lhe sucedeu (a atualmente em vigor, aplicável aos anoscalendário de 2007 e 2008, omitida nos AI), em razão do art. 7º da Convenção firmada entre Brasil e Luxemburgo para evitar a dupla tributação da renda, os lucros somente poderia ser tributados em Luxemburgo. Alegou que, caso fosse possível tributar os resultados das subsidiárias, os valores por elas pagos a título de Imposto de Renda em Luxemburgo deveriam ser utilizados para compensar o imposto devido no Brasil, conforme dispõe o art. 26 da Lei nº 9.249/95. Contestou o entendimento da autoridade fiscal, de que os valores pagos não seriam compensáveis com os tributos apurados na ação fiscal, uma vez que se esgotou o prazo de dois anos para a compensação, previsto no §4° do artigo 1° da Lei n° 9.532/97. Ponderou que a limitação contida no referido §4° estava inserida no contexto da Lei n° 9.532/97, que condicionava a tributação dos lucros auferidos no exterior à sua efetiva disponibilização à pessoa jurídica controladora/coligada no Brasil, mas tal limitação perde todo o sentido em um contexto de disponibilização automática de lucros, a que fazem referência os AI. Argumentou que se os lucros das controladas e coligadas estrangeiras devem ser considerados disponibilizados na data do balanço em que apurados, como pretendem os AI, a pessoa jurídica controladora/coligada de pessoa jurídica no exterior não teria a opção de não computar tais lucros na sua base de cálculo do IR e da CSLL, o que demonstra a inaplicabilidade da limitação temporal contida no artigo 1°, §4° da Lei n° 9.532/97 ao presente caso. Menciona decisão da DRJ em Juiz de Fora, que manifesta esse entendimento (Decisão nº 7.628, de 29/06/2004). A 1ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro1, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007; 2008 CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16682.720452/201181 Acórdão n.º 1301001.570 S1C3T1 Fl. 5 4 2007, 2008 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR COLIGADAS E/OU CONTROLADAS. MOMENTO DA DISPONIBILIZAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior consideramse disponibilizados para a controladora e/ou coligada no Brasil na data do balanço em que foram apurados. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. CONVENÇÃO BRASIL LUXEMBURGO. A Convenção firmada entre Brasil e Luxemburgo, vigente à época dos fatos geradores, não impede a tributação de lucros auferidos por controlada/coligada no exterior, considerados disponibilizados para controladora/coligada, na data do balanço. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Os créditos de imposto de renda pagos no exterior relativos a lucros auferidos no exterior somente serão compensados com o imposto devido no Brasil se os referidos lucros forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subsequente ao de sua apuração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2007, 2008 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Ciente da decisão em 27 de outubro de 2011, a interessada ingressou com recurso em 25 de novembro seguinte. Na peça recursal a interessada reedita os argumentos declinados na impugnação e acrescenta que a Decisão recorrida pretende aplicar o regime de transparência internacional (“CFC”) para justificar a suposta ausência de violação à Convenção Brasil Luxemburgo, porém esse regime é aplicado em situações específicas que não se confundem com a que é objeto dos AI, tampouco com o regime de tributação brasileiro, nos termos dos comentários da OCDE e da doutrina, citados na própria decisão. Argumenta que as legislações de CFC pretendem, originalmente, impedir evasão fiscal praticada com a utilização de sociedades localizadas em países de baixa tributação, e justamente por isso têm caráter excepcional e antiabusivo. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16682.720452/201181 Acórdão n.º 1301001.570 S1C3T1 Fl. 6 5 Acrescenta que além de Luxemburgo não ser país com tributação privilegiada e possuir tratado para evitar dupla tributação com o Brasil, a própria decisão reconhece que as subsidiárias recolheram tributos devidos em Luxemburgo, e os AI pretendem tributar novamente os lucros auferidos pelas subsidiárias e não distribuídos para a Recorrente, em afronta ao art. 43 do CTN e à Convenção Internacional. Faz críticas à decisão recorrida, que utiliza trechos de obras de autores renomados fora do contexto em que foram escritos, a fim de sustentar afirmações que em nada se assemelham à posição defendida por tais autores e tampouco corroboram a pretensão da decisão. Afirma ser improcedente a decisão que, com suposto apoio no regime de transparência fiscal, não aplicou o art. 7 da Convenção, e reafirma a inaplicabilidade do precedente citado da DRJ Fortaleza, que não tratou de distribuição ficta, visto haver uma nítida diferença entre lucros e dividendos. Afirma que, em respeito ao art. 7 da Convenção Modelo da OCDE, enquanto não disponibilizados, os lucros auferidos em Estados Contratantes não podem ser tributados no Brasil. Transcreve trechos de Acórdãos do CARF, de relatoria da Conselheira Sandra Maria Faroni, de Acórdãos do STJ, de relatoria dos Ministros Mauro Campbell Marques, Castro Meira, Humberto Martins, e de votos dos Ministros Marco Aurélio, Ricardo Lewandovzki e Elen Gracie, proferidos no julgamento da ADIN 2588, que corroboram esse entendimento. Alega que os limites do litígio seriam determinados pelos critérios jurídicos adotados no AI, e pelos pontos de discordância apresentados na impugnação, quais sejam a inocorrência do fato gerador, a inaplicabilidade do precedente citado no TVF e a Convenção BrasilLuxemburgo, e a decisão os ultrapassou, fundamentando a manutenção da exigência no regime de transparência fiscal internacional, o que a torna nula. Insurgese contra a não compensação do tributo pago no exterior, lembrando que a decisão recorrida reconhece o pagamento, mas os considera não compensáveis porque teria se esgotado o prazo de 2 anos previsto no § 6º do art. 397 do RIR/99. Chama atenção para o fato de que esse dispositivo foi inserido no contexto da Lei 9.532/97, quando a tributação no Brasil estava condicionada à efetiva distribuição. Afirma que essa limitação perde sentido num contexto de disponibilização automática. Menciona decisões da SRF nesse sentido. Postula a não incidência de penalidade e juros, com fulcro no parágrafo único do art. 100 do CTN, alegando que o entendimento consolidado das autoridades administrativas é de que o objeto da tributação do art. 74 da MP 2.158/35/01 é o lucro não distribuído da sociedade estrangeira, na medida em que afastaram a aplicação do art. 7º da Convenção e pretendem tributar lucros auferidos pelas subsidiárias e não distribuídos. Insurgese contra a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, alegando que seu fundamento seria a Portaria 270/88, da SRF, cujo embasamento legal não o autoriza. É o relatório. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16682.720452/201181 Acórdão n.º 1301001.570 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo e em conformidade com as disposições legais e regimentais pertinentes. Como visto do relatório, o presente litígio envolve, principalmente, dois temas: a possibilidade de ser exigido tributo incidente sobre lucros apurados por controladas no exterior antes de sua disponibilização (art. 74 da MP 2.15835/2001) e a aplicação de convenção internacional para evitar a dupla tributação da renda. Ocorre que, após o processo ser pautado para julgamento, veio petição protocolada em 15 de maio de 2014, perante o CARF, na qual o contribuinte, em face da competência estabelecida na Portaria Derat n. 311/2011, vem desistir integralmente do recurso apresentado, para inclusão do referido processo no Parcelamento instituído pelo art. 40 da Lei n. 12.865/2013. Em vista da desistência total do recurso apresentado, o mesmo perde seu objeto, razão porque, não conheço do recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 0505 de junho de 2014 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16349.000078/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Gabriel Germani, OAB/RS nº 80.419.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarouse impedido o conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Gabriel Germani, OAB/RS nº 80.419. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BRF BRASIL FOODS S/A, atual denominação de PERDIGÃO S/A, contra Acórdão nº 1623 .050, de 1ºde outubro de 2009 (de fls. 249 a 259), proferido pela 6ª Turma da DRJ/SP1, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 07 8/ 20 09 -7 0 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000078/200970 Resolução nº 3202000.183 S3C2T2 Fl. 308 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “1. ELEVA ALIMENTOS S/A (CNPJ nº 92.776.665/000100) empresa incorporada por BRF BRASIL FOODS S/A, atual denominação de PERDIGAO S/A, apresentou Pedido de Ressarcimento (PER) n° 33144.42032.241007.1.1.089336 (fls. 22/23), em 24/10/07, no valor de R$ 1.373.938,03, relativo a crédito de PIS não cumulativo vinculado à receita de exportação, apurado no 3° trimestre do ano de 2007. 2. O PER foi baixado para tratamento manual no presente processo administrativo. 3. Com o intuito de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo interessado, por intermédio do despacho de fls. 24/25, a autoridade fiscal, em 03/04/09, baixou os autos em diligência fiscal. 4. As autoridades fiscais responsáveis pela diligência fiscal elaboraram Informação Fiscal de fls. 102/103, em 14/04/09, na qual declararam que o contribuinte não apresentou os documentos solicitados, fato que impossibilitou a análise do crédito em questão. 5. A DERATSP/DIORT proferiu Despacho Decisório de fls. 106/108, em 06/05/09, ciência em 09/05/09 (fl. 109 v) por intermédio do qual indeferiu o PER. 6. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 08/06/09 (fls.110/119) alegando em síntese: 6.1. o prazo fornecido para a apresentação de documentos em diligência fiscal foi de apenas 5 dias, ao passo que a IN SRF n° 86/01 nestes casos prevê prazo mínimo de 20 dias; 6.2. a existência de provimento judicial que determinava a análise do PER em 30 dias não seria motivo suficiente para a concessão de prazo tão exíguo, pois bastaria a solicitação de dilação do prazo; 6.3. este fato ocasionou cerceamento à ampla defesa e decorreu de represália ao contribuinte; 6.4. foi requerida a apresentação de enorme quantidade de documentos, sendo que muitos deles não são obrigatórios; 6.5. somente os livros fiscais solicitados referentes a um exercício se encontram em 80 caixas, razão pela qual deixa de juntar aos autos, mas desde logo os coloca à disposição do Fisco; 6.6. em procedimentos fiscais semelhantes o Fisco jamais solicitou um rol tão grande de documentos; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000078/200970 Resolução nº 3202000.183 S3C2T2 Fl. 309 3 6.7. junta aos autos documentos e planilhas que comprovam os créditos em tela: cópias dos DACON, planilha com a composição dos valores do DACON (informando suas origens), planilha com informações solicitadas, entre elas, data da geração do crédito, valor do pedido de ressarcimento, data do pedido de ressarcimento, data do estorno do crédito pedido em DACON, valor estornado do crédito pedido no DACON, número do DCOMP e data da transmissão; 6.8. em razão do grande volume, estão sendo colocados à disposição do Fisco os livros fiscais e contábeis e notas fiscais; 6.9. é possível a juntada de documentos com a apresentação da manifestação de inconformidade; 6.10. requer o reconhecimento do crédito pleiteado. 7. É o relatório.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O crédito pleiteado em Pedido de Ressarcimento deve ter sua liquidez e certeza comprovadas para que o pleito seja deferido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão em 19 de novembro de 2009 (fl. 261), a interessada apresentou recurso voluntário em 18 de dezembro de 2009 (fls. 262 a 274), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 19 de novembro de 2009, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 18 de dezembro de 2009. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000078/200970 Resolução nº 3202000.183 S3C2T2 Fl. 310 4 Do cerceamento de defesa Da comprovação da origem dos créditos Quanto a estes temas, alega a recorrente que a fim de que fossem comprovadas as consistências e a veracidade das informações relativas aos créditos referidos no PER/DCOMP em tela, o Fisco, às vésperas do feriado de Páscoa, intimou a empresa para apresentar um extenso e, em grande parte, descabido rol de documentos, no prazo de 5 dias corridos, sob pena de indeferimento do pedido de ressarcimento (documento anexado à manifestação de inconformidade), embora a legislação concedesse, no mínimo, 20 dias para tanto. Em síntese, entende a recorrente que não estaria comprovado o direito creditório da Recorrente por não ter ela apresentado os documentos na versão solicitada pelo Fisco, embora as informações pudessem ser obtidas nos documentos juntados em manifestação de inconformidade e nos documentos disponibilizados, caracterizase inegável mitigação do direito de ampla defesa garantido aos contribuintes, conduzindo à nulidade da decisão proferida também por este fundamento. Depreendendose da análise do processo, vêse que o deslinde da questão envolve também o prazo exíguo que a fiscalização concedeu para a recorrente apresentar os documentos que entende ser essenciais para a comprovação da origem do crédito tributário, além da própria veracidade e liquidez do crédito. No tocante à veracidade do crédito tributário, expõe a recorrente que é importante referir que, como prevê o art. 65 da IN SRF nº 900/2008, de fato, "a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito". Aduz que apresentou todos aos presentes autos e/ou disponibilizados à Fiscalização documentos suficientes à comprovação do crédito, tal deve ser reconhecido e ressarcido à Recorrente – quais sejam: · cópias das DACONs relativas ao período em questão, nas quais constam Informações acerca dos créditos Informados no presente PER/DCOMP planilha excel contendo a composição dos valores das DACONs (informando suas respectivas origens), na qual é possível verificar a origem dos créditos; · planilha excel contendo informações das DACONs correspondentes ao PER/DCOMP em questão, contendo as informações solicitadas pela Fiscalização, entre elas: Data geração do crédito', 'Valor do pedido de ressarcimento .Dcomp', 'Data pedido ressarcimento', 'Data estorno do crédito pedido na Dacon, 'Valor estornado do crédito pedido na Dacon', 'Número da Dcomp e 'Data da transmissão para a SRFB; Fl. 430DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000078/200970 Resolução nº 3202000.183 S3C2T2 Fl. 311 5 · em razão do volume dos documentos (que totalizam, por exercício mais de uma centena de caixas), foram expressamente colocados à disposição do Fisco, caso entendesse necessária a realização de diligências: · livros fiscais e contábeis, os quais poderão confirmar as Informações prestadas nos documentos ora anexados; · notas fiscais, que poderão confirmar as informações prestadas nos documentos ora anexados e nos livros fiscais. Independentemente das alegações fundadas pela recorrente, analisando os fatos e documento que permeiam no caso vertente, quanto à questão da verdade material, importante lembrar que houve bom esforço da autoridade fazendária ao concordar com a defesa, quando a recorrente informou que parte dos documentos requisitados são muito volumosos, no caso as notas fiscais de entrada e saída. Tanto é assim que em nenhum momento a fiscalização havia solicitado a apresentação destes documentos "volumosos", requerendo apenas a sua disponibilização no estabelecimento da empresa. Vêse ser essencial, no caso vertente, a comprovação da liquidez e certeza do referido crédito tributário condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Para tanto, há que se observar que o caso em particular trouxe em seu viés que a fiscalização havia concedido prazo exíguo a recorrente para apresentação dos documentos em relação ao prazo usual de 20 dias oferecido pela autoridade fazendária competente. O que, altivamente a fatores alheios que pudessem levar a definição do r. prazo, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Analise, à luz da documentação acostada ao processo, necessários ao deslinde da controvérsia, se há efetivamente ou não o r. crédito tributário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 431DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000078/200970 Resolução nº 3202000.183 S3C2T2 Fl. 312 6 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 11516.006265/2008-93
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
APRESENTAÇÃO DE PROVAS.
As provas podem ser apresentadas na forma do decreto nº 70.235/72, art. 16, § 4º ficando a cargo da autoridade julgadora aceitá-las em outro momento que não a impugnação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO.
A inexistência de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais justifica o arbitramento do lucro. Uma vez adotado o arbitramento, descabe, no julgamento, o aproveitamento de custos no âmbito do PAF.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove a origem dos recursos utilizados em tais operações.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. As provas podem ser apresentadas na forma do decreto nº 70.235/72, art. 16, § 4º ficando a cargo da autoridade julgadora aceitá-las em outro momento que não a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A inexistência de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais justifica o arbitramento do lucro. Uma vez adotado o arbitramento, descabe, no julgamento, o aproveitamento de custos no âmbito do PAF. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove a origem dos recursos utilizados em tais operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
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As provas podem ser apresentadas na forma do decreto nº 70.235/72, art. 16, § 4º ficando a cargo da autoridade julgadora aceitálas em outro momento que não a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A inexistência de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais justifica o arbitramento do lucro. Uma vez adotado o arbitramento, descabe, no julgamento, o aproveitamento de custos no âmbito do PAF. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove a origem dos recursos utilizados em tais operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 62 65 /2 00 8- 93 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 37 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo o lançamento do crédito tributário. Por economia processual, passo a adotar o relatóorio da DRJ: “O processo trata de Auto de Infração de fls.197/240, lavrado em 22.09.2008, ciência nesta data, no âmbito da DRF/Florianópolis/SC, relativos a fatos geradores dos anoscalendário de 2003 e 2004: (…) 2. No auto de infração de IRPJ (fls.197/207) o arbitramento, a infração apurada e o enquadramento legal estão assim dispostos: Razão do arbitramento no(s) período(s) de 03/2003, 06/2003, 09/2003, 12/2003, 03/2004, 06/2004, 09/2004, 12/2004. Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme doc. fl. 170. Enquadramento legal: art. 530, inciso I, do RIR/99. Infração 001 – Receita de Prestação de Serviços Para apuração do Lucro Arbitrado foram utilizados os montantes mensais dos depósitos junto às instituições financeiras adicionados aos numerários em espécies que não foram comprovados o ingresso em contas bancárias, diminuídos dos custos comprovados pelo fiscalizado nas compras de materiais empregados nas construções de casas residenciais, reformas e benfeitorias, executadas nos anos calendários de 2003 e 2004, Notas Fiscais pertinentes aos Anexos 1, 2 e 3. Enquadramento Legal: Art.532 do RIR/99. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 39 4 3. No Termo de Encerramento da Ação Fiscal, lavrado em 22/09/2008, fls.239/240, é relatado: Encerramos nesta data a ação fiscal que foi iniciada em 17/05/2008 em nome da pessoa física JOSE HELIO DA SILVA CPF 200 406 529 04 como MPF Fiscalização nº0920200 2008 000041. De acordo com o Inciso II do Artigo 150 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº3.000/99, no tocante a habitualidade na prestação de serviços de construtor, a pessoa física equiparouse à pessoa jurídica, o que resultou direcionar a ação fiscal em nome da Empresa Individual cujo CNPJ nº10.297.751/000175 foi inscrito de ofício com a observância do Parágrafo Primeiro do Artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº748/07. Em virtude do contribuinte intimado, não haver apresentado a Escrituração Contábil das atividades, relativas a todas as obras executadas no período de 2003 e 2004 e não comprovar os custos com a mão de obra, procedemos de acordo com o Inciso I do Artigo 530 do RIR/99 a tributação na forma do Lucro Arbitrado. Para apuração da receita tributável utilizamos os montantes mensais dos depósitos junto às instituições financeiras adicionados aos valores recebidos em espécies dos clientes, que não tiveram a sua comprovação de ingressos em suas contas bancárias, diminuídos dos custos dos materiais de construção empregados nas obras, devidamente comprovados através das Notas Fiscais juntadas nos Anexo 1, 2 e 3, que passam a fazer parte integrante deste Auto de Infração (efls. 334/933) {grifos nossos}. 4. No Termo de Constatação, de 16/09/2008, às fls. 935/939, a fiscalização relata, em síntese, que: a ação fiscal teve início em nome de Jose Helio da Silva, CPF 200.406.52904, que exerce a profissão de construtor; em 10/01/2008, o interessado foi intimado a apresentar extratos de todas as contas bancárias e a comprovar a origem dos depósitos, no período de 01/01/2003 a 31/12/2004. Ademais disso, a fiscalização solicitou a apresentação de informes dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e dos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte dos anoscalendário 2003 e 2004; Fl. 983DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 40 5 o interessado declarou que ao exercer a atividade de construtor, recebia recursos em suas contas bancárias, relativos à prestação de serviço de mão de obra e à compra de material de construção. Afirma que os contratos de prestação de serviços foram extraviados; objetivando comprovar a origem dos depósitos bancários, apresentou declarações firmadas por seus clientes: a) Fleckstan Participações Ltda, b) Rubens Roberto Feier c) Sr. Francisco Assis Gonçalves Koneski, d) Gilmar Azzolini, proprietários dos terrenos onde foram executadas as obras; a fiscalização constatou: a) em relação à empresa Fleckstan (efls. 98) – os depósitos feitos no dia 10 dos meses de janeiro a julho de 2003, restaram comprovados nos extratos do Banco Itaú, e confirmados pelo depositante, que declarou ter pago R$85.414,56 ao interessado; b) em relação ao Sr. Rubens (efls. 99) – o cliente afirmou ter pago ao interessado em 10/10/2003, R$5.000,00, quantia depositada no Banco Itaú e em espécie: R$25.000,00, em 23/11/2003, R$ 150.000,00, em R$23/12/2003 e R$145.000,00, em 26/12/2003. Do exame dos extratos constatamos em 10/10/2003 um depósito em cheque de R$5.000,00. Os montantes recebidos em espécie não transitaram pela conta bancária; c) em relação ao Sr.Francisco– o cliente afirmou ter pago ao interessado nos anos de 2003 e 2004, os valores constantes na planilha de folha 78 (efls. 97) por serviços de reforma prestados em sua residência. Nos extratos bancários não foram encontrados os depósitos feitos no ano calendário 2003. No dia 26/03/2004 há um depósito em cheque no montante de R$20.130,00, mesmo valor que o cliente declarou haver feito ao interessado em 24/03/2004; (…) d) em relação ao Sr. Gilmar (efls. 101) – o cliente afirmou haver pago ao interessado, de junho a novembro de 2003, 6 parcelas, mensais, iguais de R$5.333,33, pela construção de um galpão. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 41 6 Referidas parcelas não transitaram na conta bancária do interessado; o interessado complementa as informações (efls. 102) dizendo que executou serviços de construção civil para o Sr. Cláudio Antonio Manfroi, nos anos calendário de 2003 e 2004. Pela prestação de serviços de mão de obra, materiais e honorários recebeu R$180.000,00, sendo parte em cheques (alguns de terceiros) e parte em moeda corrente; pretendendo fazer provas da profissão de construtor e responsável pela compra de material de construção para as obras contratadas, o interessado juntou ao processo extratos do Itaucard, onde constam as despesas com compras de materiais de construção pagas com cartão de crédito (efls. 84/95), planilhas emitidas pela empresa Cassol Material de Construção e Casas da Água, onde estão relacionados os números dos contratos de compra, números das faturas, datas e valores, relativas às compras de material de construção, feitas em nome do construtor nos anoscalendário 2003 e 2004 (efls. 66/77) e notas fiscais emitidas em seu nome, com local de entrega o endereço das obras (efls. 334/933); o interessado apresentou notas fiscais emitidas por essas e outras empresas do ramo da construção civil, com indicação de entrega dos materiais na Avenida dos Dourados em Jurerê, residência do Sr. Rubens Roberto Feier, que declarou haver pago ao interessado o montante de R$325.000,00 (efls. 99), para execução da casa, no ano calendário 2003, além de cadastro de empregados para Admissão Registro de Empregados, Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, Guias de recolhimento rescisório do FGTS e contribuição social, GPS guia de previdência social, recolhimentos feitos em nome do Sr. Wilhelm Genske, proprietário do Lote 38, da Quadra 10 G, do Loteamento de Jurere III (Av dos Dourados) que ainda com a obra em andamento, a alienou para o Sr. Rubens Roberto Feier, que assumiu as despesas com sua execução. Houve a apresentação de Notas Fiscais de compra de material de construção em nome do interessado, destinados às obras situadas na Rua dos Cumurupis e Avenida dos Búzios, de propriedade do Sr. Cláudio Antonio Manfroi; examinados os extratos bancários do interessado, a fiscalização elaborou os demonstrativos de fls. 142 a 149 (efls. 161/168) que foram encaminhados ao interessado para comprovar a origem dos recursos nas datas dos Fl. 985DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 42 7 depósitos, sob pena de serem considerados rendimentos omitidos, sujeitos ao lançamento de ofício, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96; em 10/06/2008, o interessado apresentou a justificativa de fls. 153/154 (efls. 174/175) acompanhada da documentação de folhas 155 a 164 (efls. 176/183) ; na justificativa apresentada, o interessado declara que “atualmente é sócio da empresa J Helio Construtora e Incorporadora Ltda, CNPJ 08.109.987/000199, o que reafirma a continuidade da atividade que vinha exercendo” e que os contratos firmados com os clientes para a execução das obras e algumas notas fiscais de compras de materiais e recibos de pagamentos de serviços foram extraviados. O interessado ainda afirma que os valores depositados em sua conta consistem em montante superior aos honorários recebidos, pois os contratantes dos serviços depositavam além dos honorários, valores destinados a compra de material e pagamento de mãodeobra; Afirma a fiscalização: “Ainda que seja incontestável que os valores levados a depósitos em contas bancárias do fiscalizado tenham origem nas receitas do trabalho como construtor, compra de material e pagamento de mão de obra, a falta dos contratos de empreitada onde foram fixadas as bases da negociação dos serviços, impede o fisco de identificar no montante depositado em sua conta bancária para a execução da obra, o quinhão destinado aos honorários como construtor” (grifo nosso); a fiscalização concluiu que por estar o interessado equiparado a pessoa jurídica, no tocante à habitualidade na prestação de serviços de construtor, responsável pela prestação de serviços de mão de obra e compra de materiais, deveria apresentar escrituração contábil completa, relativas a todas as obras executadas nos anos calendário de 2003 e 2004, com observância das leis comerciais e fiscais, de acordo com a forma de tributação adotada; o interessado em resposta, justificou, após ser reintimado, não possuir os livros obrigatórios para a apuração do lucro e não dispor de condições para preparálos e ainda no prazo fixado não haver condições de obter a inscrição do CNPJ; em 28/07/2008, a fiscalização intimou o interessado a comprovar os custos com a mão de obra utilizada nas atividades de construtor, relativos a pagamentos de Fl. 986DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 43 8 salários, férias, décimoterceiro, aviso prévio, FGTS, rescisão de contrato de trabalho e demais encargos sociais e previdenciários, nos anoscalendário 2003 e 2004. O interessado não atendeu à intimação. a fiscalização concluiu que o interessado, por exercer a atividade de empreiteiro de obras, se equipara à pessoa jurídica e que portanto, as receitas advindas desta atividade serão tributadas de acordo com as normas estabelecidas para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços; a fiscalização procedeu à inscrição do CNPJ nº10.297.751/000175, para fins específicos de lançamento de ofício das receitas de prestação de serviços omitidas, nos anoscalendário de 2003 e 2004; a fiscalização notificou o interessado da inscrição de ofício e obrigações acessórias, relativas à pessoa jurídica, até a data da extinção dos créditos tributários lançados, através do processo nº 11516.006242/200889. 5. Inconformado, o interessado apresentou impugnação de fls. 245/260, em 21.10.2008, alegando, em síntese, que: I. Contesta a Base de Cálculo do Arbitramento. a. O interessado afirma que no Termo de Constatação, lavrado pela fiscalização, o fiscal concluiu pela impossibilidade de se aferir os valores relativos aos honorários do interessado, como construtor; b. Aduz que após intimado e não tendo apresentado escrituração fiscal contábil completa de 2003 e 2004, o interessado foi equiparado à pessoa jurídica, sendo autuado na forma do lucro arbitrado. A fiscalização determinou como base de cálculo, os depósitos em instituições financeiras e os ingressos em espécie declaradamente recebidos, deduzidos das compras de materiais empregados nas obras executadas; c. O interessado entende que os parâmetros utilizados na Base de Cálculo devem ser outros. Diz que a fiscalização utilizou os depósitos bancários, presunção legal capitulada pelo art.42 da Lei 9.430/96, como meio de prova de recursos não justificados pelo interessado; d. Alega que a hermenêutica e a razoabilidade impõem à referida norma outro sentido. Se por um lado a norma prevê que depósitos não comprovados são considerados como receita, contrario sensu, permite também concluir Fl. 987DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 44 9 que pagamentos realizados possam ser considerados como despesas. e. A fiscalização considerou como receita, todos os ingressos bancários e os recebidos em espécie. Considerou até, duplamente, os valores recebidos em espécie e depois depositados em conta bancária; f. Segundo o entendimento do interessado considerando os princípios da hermenêutica e da razoabilidade, os valores que deveriam ser utilizados, considerando os pagamentos realizados com cheque e cartão, constantes no extrato da conta do Banco Itaú e Unibanco, são os seguintes: (…) g. Afirma que a fiscalização, corretamente, deduziu o custo do material empregado na obra, porém os valores apresentados pela fiscalização não correspondem aos custos totais porque: a) não foram considerados os valores de mão de obra; b) por falta de apresentação, não foram considerados todas as notas fiscais, faturas, recibos e outros documentos comprobatórios; h. Alega que uma receita no montante apresentado não pode advir de um custo tão baixo como o apresentado pela fiscalização. Admitir referida possibilidade seria além de um excesso de exação, uma afronta à verdade material; i. A fiscalização deixou de considerar as despesas com CPMF, IOF e até mesmo o ingresso de um cheque que “voltou” sem fundos; j. A fiscalização ao equiparar o contribuinte à pessoa jurídica o fez apenas no sentido de aplicação das normas que melhor lhe aprouvesse, inobservando o parágrafo 6º, do art.6º, da Lei 8.021/90, que dispõe: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 45 10 k. A fiscalização utilizou critérios diferenciados na apreciação dos fatos, inobservando o princípio da equidade; l. Pelo principio constitucional da isonomia deveria aplicar o entendimento, de que na impossibilidade de se aferir diretamente os custos de uma construção, o fisco utiliza como parâmetro o CUB (Custo Unitário Básico); m. Esclarece que o CUB é uma estimativa para o valor do metro quadrado de obra, que reflete os custos de construção imobiliária com materiais, equipamentos e mão de obra. Registra que o valor mínimo do CUB é calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON) de cada localidade, que utiliza parâmetros diferenciados para cada padrão de imóvel incorporado; n. Alega que apesar da fiscalização não ter dúvida de que a atividade do interessado é a de construtor é reticente no tocante ao custo de cada obra efetuada; o. Se há dúvida nesse sentido, nada mais lógico do que considerar como custo de cada obra o valor da metragem de cada uma delas multiplicado pelo respectivo CUB, que nesse caso, varia muito, pois são construções que se enquadram desde a categoria de galpão até residências de alto padrão (cfe. fotos anexas); p. Notese que essa solicitação nada mais é que aplicação da Lei 8.021/90: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 4° No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. (…) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 46 11 q. Já que houve a equiparação do interessado à pessoa jurídica e é necessário apropriar estes custos de forma que se respeite o princípio (contábil) da competência, é recomendável que se estabeleça o período da obra através do “habitese”, já que esse documento, por ser emitido sempre após a conclusão da obra, expõe de maneira exata a duração da mesma; r. Concluise que a forma mais justa de se aferir o valor mensal das despesas é o valor das obras (CUB x metragem) dividido pelo número de meses em que durou a obra (obtido pelo habitese). Elenca os imóveis às fls.257; s. Diz que a aplicação da referida sistemática nada mais é que pura aplicação da isonomia nas relações fisco/contribuinte, posto que não pode o ente público adotar um critério para impor exação e outro para reduzila. Caso acontecesse seria descumprimento do principio da razoabilidade; t. O interessado clama por um tratamento igualitário com outras situações em que o CUB é utilizado para se aferir a mão de obra; u. Acatando quaisquer das teses expostas estará a fiscalização agindo de acordo com a verdade material; v. As exclusões pleiteadas são plenamente possíveis, cita decisão do extinto Conselho de Contribuintes; 6. Por fim requer: (a) Seja acolhida sua impugnação; (b) Seja recalculada a base de cálculo dos exercícios ora discutidos considerando como custos das obras todos os pagamentos realizados em cheque e cartão nas contas bancárias; (c) Seja oficializada a Prefeitura Municipal de Florianópolis para que esta junte aos autos o habitese das obras mencionadas às fls.259/260; (d) Alternativamente, seja recalculada a base de cálculo dos exercícios ora discutidos considerando como custos das obras o CUB multiplicado pela metragem quadrada de cada uma delas; (e) Seja admitida, mesmo que posteriormente no decorrer instrutório, toda e qualquer forma de prova que no Fl. 990DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 47 12 entender deste contribuinte possa servir de elemento de convicção ao julgador(es) deste processo. 7. Nesta Turma, foi juntado o documento de fls. 935/939.” A DRJ do Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A inexistência de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais justifica o arbitramento do lucro. Uma vez adotado o arbitramento, descabe, no julgamento, o aproveitamento de custos no âmbito do PAF. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove a origem dos recursos utilizados em tais operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 15/10/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 31/10/2013, onde basicamente reitera os argumentos feitos na impugnação. Este é o Relatório. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 48 13 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de lançamento tributário efetuado para exigências de IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e dos respectivos acréscimos legais, decorrente de omissão de receitas de prestação de serviços. O Recorrente exerce atividade de construtor, equiparado à pessoa jurídica, informou à fiscalização não possuir escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal, incorrendo no arbitramento do lucro. Também declara não possuir as cópias dos contratos de execução de serviço. Como base para cálculo do lucro arbitrado, o lançamento se fundou nos valores mensais dos depósitos bancários adicionados aos valores recebidos em espécies dos clientes, cujas origens não foram comprovadas, diminuídos dos custos dos materiais empregados nas construções de casas residenciais, reformas e benfeitorias, executadas nos anoscalendário de 2003 e 2004. A fiscalização apurou o lucro arbitrado como base nos demonstrativos de fls. 196 e seguintes onde a fiscalização, a fim de obter a base de cálculo do imposto, deduziu das receitas, os custos relativos aos materiais de construção. O recorrente insurgese contra o método empregado para apuração dos referidos custos. Alega que se a fiscalização utilizou a presunção de que os depósitos bancários não comprovados seriam receitas, os pagamentos efetuados com cheques e cartão deveriam ser computados como custos, bem como as despesas com CPMF, IOF. A legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas prevê que na hipótese de apuração do lucro pelo arbitramento, aplicase à receita bruta conhecida, o coeficiente do Lucro Presumido, relativo à atividade exercida, acrescido de 20% (a exceção das receitas financeiras). Notese que não há previsão para dedução de qualquer custo: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n º 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Excetuase, o arbitramento do lucro de empresas imobiliárias, cuja dedutitibilidade dos custos é admitida, desde que devidamente comprovado, conforme o disposto no art. 534, do RIR/99: Art. 534. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao Fl. 992DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 49 14 loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (Lei n º 8.981, de 1995, art. 49, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º ). Parágrafo único. O lucro arbitrado será tributado na proporção da receita recebida ou cujo recebimento esteja previsto para o próprio trimestre (Lei n º 8.981, de 1995, art. 49, parágrafo único, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º). Nesse ponto a atividade da Recorrente não foi comprovada como sendo imobiliária, tendo a Fiscalização usado expediente favorável ao contribuinte, sem qualquer previsão legal. Isso porque na construção civil nenhuma despesa é autorizada, nem mesmo os materiais utilizados. A presunção de omissão de receitas fundamento dos autos e não contestadas pela Recorrente na sua peça de defesa também está calcada em texto legal, senão vejamos a Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, com as modificações introduzidas pela Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, art. 4º, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na Fl. 993DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 50 15 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) O texto legal estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Com isso, basta à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente do contribuinte para que haja a presunção de omissão de receitas tributáveis. Assim, a Lei n° 9.430, de 1996, art 42, estabelece a presunção de que ocorreu o fato gerador, sempre que o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Desse modo, havendo indícios de depósitos bancários não comprovados, cabe a autoridade fazendária intimar o sujeito passivo para que demonstre sua origem, sob pena de caracterização de omissão de receitas com o lançamento dos créditos tributários Nesse sentido cito julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao proferir o acórdão nº 0105.312, de 21 de setembro de 2005: “OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITO BANCÁRIO – LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO – PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do anocalendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa matéria encontrase sumulada por esse Conselho, senão vejamos: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.006265/200893 Acórdão n.º 1802002.387 S1TE02 Fl. 51 16 No que tange a juntada de provas, há de se esclarecer que os referidos elementos devem ser apresentados com a impugnação, salvo nos casos em que a autoridade administrativa autoriza de forma diversa (art. 16, § 4º. do Decreto nº 70.235, de 1972, redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Não tendo sido juntadas até o recurso voluntário e nem sendo indicado o que seria juntado entendo que a admissibilidade nesse estágio não se aplica ao presente processo. Em relação a tributação reflexa, decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, para a CSLL, o PIS e a Cofins, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Assim sendo voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 995DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 16349.720109/2011-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, adotando-se o voto do Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho (Relator), Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Toledo Abreu Filho, OAB/SP n° 87.773.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, adotando-se o voto do Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho (Relator), Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Toledo Abreu Filho, OAB/SP n° 87.773.
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Recorrente KLABIN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, adotandose o voto do Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho (Relator), Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Toledo Abreu Filho, OAB/SP n° 87.773. Relatório Klabin S/A transmitiu, entre 05/04/2007 e 19/07/2007, os PER/DComp abaixo relacionados, invocando créditos por indébitos PIS e Cofins (fls. 7 a 127): PER/DCOMP DATA DE TRANSMISSÃO VALOR TOTAL CRÉDITO (R$) PERÍODO DE APURAÇÃO GRUPO DE TRIBUTO 12377.66570.050407.1.3.040436 05/04/2007 1.279.830,65 28/02/2001 COFINS 38759.91661.050407.1.7.047746 05/04/2007 1.279.830,65 28/02/2001 COFINS 28654.61710.120407.1.3.048294 12/04/2007 1.279.830,65 28/02/2001 COFINS 31130.88200.120407.1.7.047088 12/04/2007 368.333,08 30/04/2000 COFINS 41084.64821.120407.1.7.040869 12/04/2007 430.569,07 31/08/2000 COFINS 19882.51078.120407.1.7.043369 12/04/2007 602.331,29 31/10/2000 COFINS 18366.27580.180407.1.3.048502 18/04/2007 1.279.830,65 28/02/2001 COFINS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .7 20 10 9/ 20 11 -2 7 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.720109/201127 Resolução nº 3403000.590 S3C4T3 Fl. 367 2 PER/DCOMP DATA DE TRANSMISSÃO VALOR TOTAL CRÉDITO (R$) PERÍODO DE APURAÇÃO GRUPO DE TRIBUTO 42014.75526.180407.1.7.041942 18/04/2007 602.331,29 31/10/2000 COFINS 18041.97715.180407.1.7.043065 18/04/2007 476.756,72 30/11/2000 COFINS 24007.70834.180407.1.7.044700 18/04/2007 318.066,92 28/02/2001 COFINS 17887.88728.180407.1.7.045855 18/04/2007 436.804,36 31/03/2001 COFINS 38261.45895.180407.1.7.048357 18/04/2007 645.158,46 31/05/2001 COFINS 31290.91776.180407.1.7.043376 18/04/2007 469.804,66 31/07/2001 COFINS 05735.77320.180407.1.7.048009 18/04/2007 560.778,51 31/08/2001 COFINS 41298.88367.180407.1.7.049886 18/04/2007 630.359,76 30/09/2001 COFINS 30158.48149.190407.1.3.041076 19/04/2007 1.279.830,65 28/02/2001 COFINS 06965.08894.200407.1.3.047130 20/04/2007 494.654,16 31/03/2001 PIS/PASEP 38688.76066.200407.1.3.040373 20/04/2007 2.283.019,23 31/03/2001 COFINS 08602.65697.200407.1.7.043927 20/04/2007 1.279.830,65 28/02/2001 COFINS 15518.81535.170507.1.3.040069 17/05/2007 680.770,61 31/05/2001 PIS/PASEP 04769.21983.170507.1.3.043609 17/05/2007 3.142.018,25 31/05/2001 COFINS 35954.78134.180607.1.3.048622 18/06/2007 478.129,29 31/07/2001 PIS/PASEP 18524.48845.180607.1.3.049686 18/06/2007 444.847,35 31/08/2001 PIS/PASEP 28253.58187.180607.1.3.040214 18/06/2007 3.142.018,25 31/05/2001 COFINS 20344.56126.180607.1.3.045011 18/06/2007 2.206.750,56 31/07/2001 COFINS 26498.32631.180607.1.3.041070 18/06/2007 2.053.141,64 31/08/2001 COFINS 23027.33785.190707.1.3.048900 19/07/2007 444.847,35 31/08/2001 PIS/PASEP 21841.96210.190707.1.3.040989 19/07/2007 2.053.141,61 31/08/2001 COFINS Intimado a esclarecer, expressa e fundamentadamente, a origem do crédito oposto nas compensações, especificando razões de fato e de direito pelas quais os pagamentos foram considerados indevidos, comprovando os ajustes contábeis realizados para saneamento das diferenças e apresentando cópia dos DARFs respectivos (Termo de Intimação Fiscal nº 040/2012, fls. 138 e 139), o ora recorrente respondeu (fls. 143 e 144) que, depois de efetuar os pagamentos indigitados, percebeu que havia incluído na base de cálculo das contribuições sociais o valor de receitas financeiras, que escapam do conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Invocou decisão judicial transitada em julgado. Instruiu a resposta com cópias de DARFs e planilhas demonstrativas (fls. 156 a 168) e cópias de certidões narratórias (fls. 169 e 170) dos mandados de segurança nº 1999.71.00.0056730 e nº 99.00.0040147, respectivamente, impetrados perante a 1ª e 2ª varas federais em Porto Alegre, visando à suspensão da aplicação das disposições dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, ao direito de recolher a Contribuição para o PIS nos termos da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e, no mérito à decretação da inconstitucionalidade daqueles dispositivos, e; à permissão para recolher a Cofins sem a base de cálculo majorada pela Lei nº 9.718, de 1998, nos termos da LC nº 70, de 1991. Analisando o pleito, a DERAT/SP considerou que: a) em nenhuma das DComps em tela o interessado informou tratarse contivesse campo específico para essa informação; b) os créditos alegadamente reconhecido nos mandados de segurança nº 1999.71.00.0056730 e nº 99.00.0040147 não forma objeto de habilitação; c) em pesquisa realizada no sistema Comprot/MF, localizou o processo administrativo nº 18186.003253/201050 (cópia às fls. 177 a 192), em que Klabin S/A formulou pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativa à ação ordinária nº 2002.61.00.0054870, indeferido porque a respectiva sentença extinguiu o processo sem apreciação do mérito em razão de litispendência e Fl. 367DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.720109/201127 Resolução nº 3403000.590 S3C4T3 Fl. 368 3 determinou a conversão dos depósitos em renda da União, sem apelação por parte da autora; Por meio do Despacho Decisório das fls. 193 a 199, a DERAT/SP dissese impedida de avaliar o suposto direito creditório reconhecido em decisão judicial antes da habilitação exigida pela então Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época das transmissões das DComps, e confirmada pela Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em vigor à época do Despacho Decisório. Seguiuse Manifestação de Inconformidade (fls. 205 a 223) em que o interessado argüiu homologação tácita das compensações (pugnando que se desconsiderasse, no cômputo do prazo qüinqüenal, as retificações por que passaram as DComps). Argüiu ainda que, a despeito da desnecessidade de qualquer intervenção fiscal para a realização de compensações nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a INSRF nº 600, de 2005, criou o obstáculo o procedimento da habilitação referido. Além de ilegal, a exigência é prescindível visàvis as sentenças judiciais de que dispõem, já que não comportariam execução judicial. Sugere que o procedimento correto, caso se reputasse imprescindível o procedimento, seria convolar em habilitação o pedido de compensação formulado pelo contribuinte, e não simplesmente deixar de homologálo. Na continuação, explica a etiologia dos créditos que ensejaram as compensações glosadas, enfatizando que possui três títulos judiciais que a desobrigaram do pagamento do PIS sobre outras receitas que não do faturamento, proferidas nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00.0040147 e nº 1999.71.00.0056730, e a sentença proferida nos autos da Ação Ordinária Declaratória nº 1999.61.00.0099451. Lembra que a inconstitucionalidade do artigo 3°, § 1º, da Lei nº 9.718, 1998, foi declarada pelo Plenário do STF em regime de repercussão geral. Nada obstante, a 2ª Turma da DRJ/CGE julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 0431.870, de 28 de maio de 2013, fls. 316 a 327, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 30/11/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Considerando que a manifestação da autoridade administrativa ocorreu antes de transcorrido o prazo de cinco anos da apresentação de declaração de compensação, não há que se falar em homologação tácita. O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, para efeito da homologação tácita, começa a fluir a partir da protocolização da Dcomp, e quando for o caso, da protocolização da Dcomp Retificadora, que, nas hipóteses em que admitida, se sobrepõe à anteriormente apresentada. PROCESSO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. REQUISITOS PARA DEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.720109/201127 Resolução nº 3403000.590 S3C4T3 Fl. 369 4 A compensação de quantias recolhidas indevidamente a título de tributo administrado pela RFB, cujo direito creditório foi reconhecido por sentença judicial transitada em julgado, somente será possível se precedida de habilitação do crédito, nos termos do art. 51 da IN/SRF nº 600/2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 30/11/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Considerando que a manifestação da autoridade administrativa ocorreu antes de transcorrido o prazo de cinco anos da apresentação de declaração de compensação, não há que se falar em homologação tácita. O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, para efeito da homologação tácita, começa a fluir a partir da protocolização da Dcomp, e quando for o caso, da protocolização da Dcomp Retificadora, que, nas hipóteses em que admitida, se sobrepõe à anteriormente apresentada. PROCESSO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. REQUISITOS PARA DEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO. A compensação de quantias recolhidas indevidamente a título de tributo administrado pela RFB, cujo direito creditório foi reconhecido por sentença judicial transitada em julgado, somente será possível se precedida de habilitação do crédito, nos termos do art. 51 da IN/SRF nº 600/2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário que se seguiu, esgrimese o argumento fundamental de que uma obrigação acessória não pode determinar a perda de um direito substancial, além de repisar as razões manifestadas na reclamação formulada à DRJ. Esses são os fatos processuais. Voto Inicialmente, observo que, ao contrário do afirmado pelo relator, o contribuinte não atendeu o solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 040/2012. As planilhas apresentadas, absolutamente, não comprovam os ajustes contábeis realizados para saneamento das diferenças. E causa estranheza a alegação, implícita no pedido de restituição de todo o valor dos pagamentos representados pelos DARFs apresentados em resposta à intimação fiscal, de que o contribuinte1, a maior produtora e exportadora de papéis do Brasil e líder nos mercados 1 A Klabin tem por objeto: a) A exploração industrial e comercial, inclusive importação e exportação de celulose, pasta de madeira, papel, cartão e congêneres, seus subprodutos e derivados, embalagens para quaisquer fins, produtos de madeira em todas as suas formas, produtos florestais e agropecuários, inclusive sementes, máquinas e matérias primas; Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.720109/201127 Resolução nº 3403000.590 S3C4T3 Fl. 370 5 de papéis e cartões para embalagens, embalagens de papelão ondulado, sacos industriais e madeira em toras para serrarias e laminadoras, não auferiu qualquer receita incluível no conceito de faturamento. Também merece contestação expressa a alegação recursal de que a exigência de prévia habilitação do crédito reconhecido judicialmente seja medida ultraformalista por parte da DERAT/SP. Tratase de procedimento instituído pela RFB no exercício do seu poderdever de regulamentar o instituto da compensação, deferido pelo § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Art. 74 (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O procedimento visa a certificar a existência do direito, se o sujeito passivo figura no polo ativo da ação; se a ação referese a tributo administrado pela RFB; se houve trânsito em julgado, se o pedido foi formalizado no qüinqüênio prescricional. Enfim, a Autoridade Administrativa deve se assegurar de que o contribuinte dispõe da tutela judicial alegada. E não é por outra razão que o formulário eletrônico bloqueia a transmissão de DComps em que se assinala a origem judicial do crédito e não se informa o número do processo administrativo de habilitação correspondente. Foi justamente para ludibriar esse controle que o contribuinte deixou de assinalar a origem judicial do crédito, fazendoo somente depois de intimado a tanto. Se, como diz a recorrente, os títulos judiciais de que dispõem foram olimpicamente ignorados, isso só ocorreu porque o próprio contribuinte, negligentemente, não cuidou de habilitálos. No entanto, além de certificar a existência do direito, o processo de habilitação do crédito tem uma outra função, talvez ainda mais importante, a ponto de não se dispensálo seja qual for a natureza da ação judicial, comporte ela execução judicial ou não: é por ele que Administração controlará o aproveitamento do crédito judicialmente reconhecido. Enfim, a habilitação do crédito é procedimento de prudência e conservadorismo com que se deve lidar com a coisa pública. A vinculação da Autoridade Administrativa aos atos infralegais editados pela RFB impedemna de suplementar a vontade do contribuinte e convolar processos administrativos de restituição e compensação em processo de habilitação de crédito. Ao mesmo tempo, reconheço que o pleito restituitório, ao menos em tese, encontraria guarida no RE 585.235QO/MG, independentemente das ações judiciais próprias. Por essa razão, inclinome por converter o julgamento do recurso em diligência, baixando o processo à autoridade b) A silvicultura, agricultura e pecuária, inclusive florestamento e reflorestamento por qualquer das modalidades incentivadas por disposição legal, abrangida a captação de recursos de terceiros; c) A mineração, incluindo pesquisas e lavra de minérios, sua industrialização e comércio; d) A tecnologia e serviços relacionados com o objeto social; e) O transporte, postos de fornecimento de combustível e lubrificantes, geração e comercialização de energia, bem como outras atividades acessórias que sua natureza de indústria integrada tornem necessárias; e f) A participação em outras sociedades. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.720109/201127 Resolução nº 3403000.590 S3C4T3 Fl. 371 6 administrativa competente para examinar o pleito, para que lá se adotem as seguintes providências: d) dê ciência à recorrente desta Resolução; e) intime Klabin S/A. a apresentar: i. certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; ii. cópia do estatuto da pessoa jurídica acompanhada da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembleia que elegeu a diretoria; iii. cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; iv. cópia da declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal; v. qualquer outro documento julgado necessário para a certificação e controle do crédito reconhecido judicialmente. f) intime Klabin S/A a demonstrar a base de cálculo das Contribuição Sociais dos períodos de apuração dos anoscalendário de 2000 e 2001 e a comprovar sua demonstração, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos, devidamente conciliados com a demonstração feita, alertandoa para o sistema de distribuição da carga probatória adotado no processo administrativo federal (art. 36 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999); g) a partir do que ficar demonstrado e comprovado, efetue os ajustes necessários para adequar as bases de cálculo aos provimentos judiciais de que dispuser o contribuinte, atentando para o fato de que o contribuinte também tem como objeto social a participação em outras sociedades, auferindo receitas típicas de holdings; h) apure as contribuições devidas em cada PA; i) com base no que é devido e no que foi recolhido, apure eventual indébito; j) elabore parecer circunstanciado sobre suas conclusões, repercutindoas sobre as compensações declaradas, e; k) abra o prazo regulamentar para que o contribuinte se manifeste sobre o parecer; l) findo o prazo, devolva o processo a esta 4ªTO/3ªC/3ªS/CARF, para prosseguimento. É como voto. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.720109/201127 Resolução nº 3403000.590 S3C4T3 Fl. 372 7 Sala de sessões, em 14 de outubro de 2014 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 18/10/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917776/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 76 /2 01 1- 11 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917776/201111 Acórdão n.º 3801004.422 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917776/201111, contra o acórdão nº 0948.354, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917776/201111 Acórdão n.º 3801004.422 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917776/201111 Acórdão n.º 3801004.422 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720548/2007-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO DE INSUMOS. ISENTO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO TRIBUTADO. LIMINAR.
A decisão judicial contida em liminar que veda o direito de compensar créditos oriundos de aquisição de insumos isentos, tributados alíquota zero e não tributados de imediato, que apenas assegura a manutenção do registro na escrita fiscal, configura óbice à pretensão do contribuinte em utilizá-los em compensação de débitos de qualquer tributo, constatado a utilização em compensação, impõe glosa pela fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Luciana Yoshihara, OAB/SP 230.212.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO DE INSUMOS. ISENTO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO TRIBUTADO. LIMINAR. A decisão judicial contida em liminar que veda o direito de compensar créditos oriundos de aquisição de insumos isentos, tributados alíquota zero e não tributados de imediato, que apenas assegura a manutenção do registro na escrita fiscal, configura óbice à pretensão do contribuinte em utilizá-los em compensação de débitos de qualquer tributo, constatado a utilização em compensação, impõe glosa pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO DE INSUMOS. ISENTO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO TRIBUTADO. LIMINAR. A decisão judicial contida em liminar que veda o direito de compensar créditos oriundos de aquisição de insumos isentos, tributados alíquota zero e não tributados de imediato, que apenas assegura a manutenção do registro na escrita fiscal, configura óbice à pretensão do contribuinte em utilizálos em compensação de débitos de qualquer tributo, constatado a utilização em compensação, impõe glosa pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Luciana Yoshihara, OAB/SP 230.212. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela empresa ALFA PLÁSTICOS LTDA., visa modificar a decisão de piso que manteve o indeferimento de aproveitamento de créditos de IPI do período de 01.07.2002 a 30.09.2002 provenientes de aquisições isentas de IPI, alíquota zero e não tributadas. O aproveitamento de créditos de IPI foi escriturado a título de “créditos extemporâneos”. Houve interposição de mandado de segurança, cuja decisão de caráter liminar autorizou a manter o registro do crédito, no entanto, não autorizou a utilização em processo de compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 05 48 /2 00 7- 42 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Controverte o contribuinte sustentando que há autorização para compensar, entendimento divergente do fisco, que da leitura da decisão contida na liminar não concluiu no mesmo sentido. Contra os argumentos da decisão recorrida quanto à vedação de ressarcimento e compensação de créditos judiciais antes do trânsito em julgado, sustenta, para tanto, que ação teria sido proposta antes da inclusão do artigo 170A ao Codex tributário. Em sede recursal pede provimento, alegando o direito de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A controvérsia nesse caderno processual se restringe ao direito de crédito de insumos sujeitos à incidência de alíquota zero, isento, e, não tributados. A decisão hostilizada afastou o argumento da Recorrente sustentando a impossibilidade de utilizar crédito judicial antes do trânsito em julgado. Contrapondo, diz o Recorrente, que o pedido de compensação ocorreu antes da inibição imposta pelo art. 170A do CTN. O contribuinte lançou nos livros próprios créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos, alíquota zero e não tributados, para tanto, buscou em sede judicial, via mandado de segurança, sufrágio a tese que lhe assegurasse esse direito. Foi deferida em caráter liminar a manutenção na escrita fiscal os créditos, entretanto, não restaram autorizados a utilizálos em procedimento de compensação com débitos próprios ou de terceiros. O amparo judicial concedido em caráter liminar se ateve em manter na escrita fiscal os valores dos créditos, em momento algum autorizou a utilização, isso restou bem acentuado. A rixa estabelecida entre contribuinte e fisco, cujo entendimento do primeiro se atém ao fato de que, assegurado o registro na contabilidade (escrita fiscal) é o suficiente para utilizar os créditos em compensação. Não posso acompanhar o mesmo raciocínio, a decisão judicial contida na liminar inibe essa possibilidade, caso quisse assegurar, desde já, o direito de compensar os créditos de IPI, bastava não mencionar a vedação explicita da impossibilidade de compensação. O que não se permite é a largar o conteúdo da decisão judicial, obedece lá nos parâmetros que restou decidido. Portanto, assiste razão a fiscalização na glosa procedida, vez que, o que restou protegido pela determinação judicial era apenas a manutenção do registro na escrita fiscal e não o direito de compensação imediata dos créditos. De modo que, a meu ver, a contenda estabelecida neste caderno não se refere à vedação do art. 170A do CTN, mas sim ao momento da utilização dos créditos denominados pelo contribuinte de “extemporâneos” oriundos de aquisição de insumos submetidos alíquota zero, isentos e não tributados. Caso o provimento judicial obtido tivesse assegurado o direito de compensar, cabia a fiscalização se abster de glosálos sob pena de configurar desobediência. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10805.720548/200742 Acórdão n.º 3403003.135 S3C4T3 Fl. 4 3 Tanto é verdade que, a sentença denegatória menciona a vedação da compensação e revoga a liminar, o que significa a perda de manter o lançamento dos referidos créditos na escrita fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917591/2011-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 91 /2 01 1- 15 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ RECIFE/PE, abaixo transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, protocolizada aos 15/02/2012 contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife DRF/ RECIFE/PE, do qual a contribuinte tomou ciência aos 17/01/2012, por meio do qual foi indeferido o Pedido de Restituição PER aqui tratado, em que é indicado suposto crédito, no valor de R$ 836,99, a título de pagamento indevido ou a maior realizado a título da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao período de apuração de abril de 2002, no valor de R$ 3.705,80. 2. O indeferimento se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. 3. No recurso, a defendente solicita a reunião dos processos administrativos que relaciona, os quais alega ter o mesmo objeto e causa de pedir (restituição de conjecturados créditos, apurados em diversos meses, decorrentes de pagamentos indevidos da contribuição para o PIS/COFINS, pautados na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998). 4. Invoca, para amparar o pleito de reunião de processos que, na sua visão, impediria o risco de que neles fossem proferidas diferentes decisões , o princípio da economia processual, a otimização dos trabalhos da recorrente e da Administração Tributária, a determinação constitucional de razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88). Ademais, estriba o pedido na disposição contida no art. 103, do Código de Processo Civil –CPC e, ainda, em opiniões doutrinárias e em precedente do então 1º Conselho de Contribuintes. 5. Na seqüência, critica a defendente que, contrariamente ao disposto no art. 65, da Instrução Normativa IN nº 900, expedida aos 30/12/2008 pela RFB1, não fora intimada a 1 esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição seria deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito. 6. Argumenta que, nos termos do art. 142, do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.917591/201115 Acórdão n.º 3801003.589 S3TE01 Fl. 12 3 7. Fala, ainda, que, como a Fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, imporseia a reforma do Despacho Decisório. 8. Adiante, tece considerações quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, declarada pela Suprema Corte, após o que aduz que, conquanto a inconstitucionalidade haja sido reconhecida no controle difuso, foi a questão decidida em sessão plenária do STF, razão por que os órgãos da Administração Tributária devem afastar sua aplicação, aos moldes do que determina o art. 26A, §6º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 59, do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, disposição esta que também estava encartada no art. 49, parágrafo único, I, do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes e, atualmente, está embutida no art. 62, §1º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 9. Destaca que o art. 62A, caput, do RICARF, vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B, do CPC, tal como ocorreu, na situação aqui tratada no RE nº 585.235 – o que reforçaria que o entendimento do STF quanto à citada inconstitucionalidade deve ser aplicado no caso dos autos. 10. Pondera, outrossim, que “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência” e que “seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento este que a recorrente escora em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais a que faz remissão. 11. Conclui a questão dizendo ser indubitável que o entendimento do STF nos recursos extraordinários por ela referidos deve ser empregado pelas autoridades administrativas em suas decisões. 12. Avante, diz a recorrente que na base de cálculo da contribuição aqui tratada “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços” e que, no caso concreto, tem direito ao crédito requerido no PER, correspondente ao valor desta contribuição que teria sido calculado sobre o montante não integrante de seu faturamento. 13. Sustenta que, para que não pairem dúvidas, anexa documentos hábeis a comprovar a higidez do crédito pleiteado. 14. No final da Manifestação de Inconformidade, a recorrente: (i) requer o acolhimento do recurso interposto; (ii) informa que a matéria discutida não foi submetida à apreciação judicial; e (iii) protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícias, a realização de diligência e a juntada de documentos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 15. Ao recurso a contribuinte anexou, além de documentos de representação processual: (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído; e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. 16. Este julgador anexou aos autos extratos emitidos no sistema DCTF/CONS. Analisando o litígio, a DRJ de Recife/PE considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. PAGAMENTO SOBRE OUTRAS RECEITAS QUE NÃO AS DE VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo a recorrente comprovado que o valor confessado em DCTF e por ela recolhido a título da Contribuição para o PIS/Pasep foi calculado sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias e/ou de prestação de serviços, resta incomprovada a realização de pagamento indevido ou a maior que devido sob o fundamento de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo desta contribuição perpetrada pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.917591/201115 Acórdão n.º 3801003.589 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte, invocando o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuição ao PIS e da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, requereu a restituição dos valores indevidamente recolhidos. Sendo indeferido o pedido administrativo de restituição, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, à qual juntou aos autos, além de planilhas que supostamente comprovariam o seu direito creditório, os balancetes, com a segregação das receitas. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a delegacia de julgamento de Recife/PE alega que o contribuinte não comprovou o recolhimento indevido ou a maior dos créditos tributários invocados no pedido de restituição. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensina o ilustre professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.917591/201115 Acórdão n.º 3801003.589 S3TE01 Fl. 14 7 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que estáem jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°.132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1 º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido.(Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os documentos apresentados pela Recorrente e, além disso, as declarações enviadas à Receita Federal do Brasil. Como se não bastasse, na decisão recorrida, a Delegacia de Julgamento alega que não poderia deixar de aplicar o disposto na Lei 9.718/98, com relação ao alargamento da base de cálculo das mencionadas contribuições. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Neste ponto, contudo, não devem prevalecer as conclusões da Delegacia de Julgamento de Recife (PE). O § 1o, do artigo 3o, da Lei 9.718/98, que dava embasamento ao Fisco para que considerasse como base de cálculo da COFINS a receita bruta, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28/11/2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.917591/201115 Acórdão n.º 3801003.589 S3TE01 Fl. 15 9 Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, as autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, observar o posicionamento da Corte Suprema. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, assim, independentemente de o contribuinte ter ação judicial sobre o tema, ser improcedente a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita bruta, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, voto por julgar procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.005403/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. IRRF. DEDUTIBILIDADE. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. RETENÇÃO NA FONTE. REGIME DE CAIXA.
Diante da regularidade do procedimento adotado pela pessoa jurídica, escriturando e tributando as receitas financeiras pelo regime de competência, enquanto as fontes pagadoras efetuaram o recolhimento do respectivo imposto de renda retido pelo regime de caixa, resta comprovado nos autos que a diferença de receita informada a menor na DIPJ em análise já havia sido tributada em período anterior, cabendo reconhecer o direito creditório (em litígio) pleiteado e relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/02 do período 01/04/2002 a 31/12/2002.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito de IRRF no valor total de R$ 801.437,11 e, conseqüentemente, o saldo negativo de IRPJ do ano 2002 (período 01/04/2002 a 31/12/2002), no valor de R$ 801.437,11; e homologar o pedido de restituição e as respectivas compensações até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. IRRF. DEDUTIBILIDADE. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. RETENÇÃO NA FONTE. REGIME DE CAIXA. Diante da regularidade do procedimento adotado pela pessoa jurídica, escriturando e tributando as receitas financeiras pelo regime de competência, enquanto as fontes pagadoras efetuaram o recolhimento do respectivo imposto de renda retido pelo regime de caixa, resta comprovado nos autos que a diferença de receita informada a menor na DIPJ em análise já havia sido tributada em período anterior, cabendo reconhecer o direito creditório (em litígio) pleiteado e relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/02 do período 01/04/2002 a 31/12/2002. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito de IRRF no valor total de R$ 801.437,11 e, conseqüentemente, o saldo negativo de IRPJ do ano 2002 (período 01/04/2002 a 31/12/2002), no valor de R$ 801.437,11; e homologar o pedido de restituição e as respectivas compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 54 03 /2 00 6- 71 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA Processo nº 19647.005403/200671 Acórdão n.º 1402001.679 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário de 2002, no valor de R$ 801.437,11, cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP) referente a débitos de COFINS com origem em diversos períodos de apuração. O despacho decisório de fls. 194/198 indeferiu as compensações, ao fundamento de que os rendimentos tributáveis, sobre os quais incidiu a cobrança do IRPJ na fonte, não foram submetidos à tributação no mesmo período de apuração no qual a empresa escriturou e utilizou o IRRF na dedução do IRPJ, isto é, no mesmo período de apuração de 01/04/2002 a 31/12/2003. Segundo informam as autoridades diligenciadoras, de acordo com o art. 837 do RIR/99 e o art. 10 da IN SRF n°. 600/2005, a pessoa jurídica somente pode utilizar, para fins de compensação, o valor pago ou retido na fonte na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ, se os rendimentos correspondentes à retenção integrarem a base de cálculo do imposto de renda ou da CSLL. No caso, os rendimentos foram escriturados e informados na DIPJ de 31/03/2002 (Especial: cisão parcial), referente ao período de apuração de 01/01/2002 a 31/03/2002, enquanto que as retenções na fonte correspondentes aos mesmos rendimentos foram escrituradas e informadas na DIPJ de 31/12/2002, referente ao período de apuração compreendido entre 01/04/2002 a 31/12/2002. Inconformada com a decisão, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 204/212, alegando, em resumo: a) Nos 3 (três) primeiros meses do anocalendário de 2002, apurou receitas decorrentes de mútuos com as empresas HIPERCARD e G. BARBOSA COMERCIAL, as quais faziam parte do mesmo grupo empresarial. Em 10/04/2002, houve uma cisão parcial da Contribuinte, de modo que, em momento anterior à cisão, ocorreu a liquidação dos contratos de mútuos. A escrituração fiscal da receita dos contratos de mútuo obedece ao princípio contábil da competência, o qual prevê que as receitas e despesas devem ser consideradas no resultado do período em que efetivamente aconteceram, não no período em que recebidas, no caso das receitas, ou pagas, no caso das despesas. Todavia, o IRPJ somente é retido quando da liquidação do referido mútuo, e seu recolhimento ocorre até o 3o dia da semana subseqüente ao da ocorrência do fato gerador (art. 865 do RIR/99). Portanto, em período posterior à cisão. b) Os fiscais preferiram entender que a empresa não submeteu os rendimentos à tributação no mesmo período de apuração que escriturou o IRRF na dedução do IRPJ. Os períodos de escrituração e apuração são no mesmo anocalendário de 2002. c) Não houve questionamento do crédito em si. Mesmo que se entenda ter havido erro de preenchimento, impor o pagamento por simples engano no preenchimento das Fl. 399DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA Processo nº 19647.005403/200671 Acórdão n.º 1402001.679 S1C4T2 Fl. 4 3 DIPJ’s, além de absurdo, agride o preceito da moralidade pública e atropela a boa relação que deve existir entre o Fisco e o contribuinte. d) É dever do Fisco retificar de oficio os erros contidos na declaração, não podendo glosar o crédito e indeferir a compensação, mesmo porque afirma que a empresa faz jus ao mesmo, o que acarretaria enriquecimento sem causa do Fisco. Ademais, o crédito que se pretende compensar estaria prescrito, nem se poderia proceder à retificação da DIPJ. e) Existe apenas um mero erro material, devidamente comprovado, que nenhum prejuízo pode causar ao Tesouro (cita decisão do Conselho de Contribuintes aludindo a erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos). Havendo créditos, o Fisco tem o dever de compensálo, como está expresso na IN SRF n°. 210/2002. Todos os pressupostos para a concessão da restituição/compensação estão previstos. O Fisco nega vigência ao art. 24 da citada IN, bem como no §2° do art. 147 do CTN. f) Não poderia o Fisco, vinculado ao princípio da legalidade, agir de forma contrária à lei e fazer prevalecer a forma sobre a essência. No âmbito administrativo, prevalece o princípio da verdade material, não importando a opinião pessoal do julgador (cita decisões do Conselho de Contribuintes para fundamentar o seu entendimento). g) Devem ser observadas, também, as normas inseridas no art. 2° da Lei n°. 9.784/99. h) O Fisco deve aterse à prescrição legal "em face da segurança jurídica assegurada pelo principio da legalidade", inscrito na CF. Emerge do contido no art. 170 do CTN, do art. 74 da Lei n°. 9.430/96 e do art. 7° da IN SRF nº. 432/04, que, preenchidos os requisitos legais, surge o direito subjetivo de compensar. i) Ao final, requer seja provida a manifestação de inconformidade e que, na dúvida, seja aplicado o art. 112 do CTN. Outrossim, protesta por todos os meios de provas admitidos em direito, inclusive diligência e perícia, para a qual apresenta quesitos. A 5ª Turma da DRJ/REC, negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, reafirmando que o rendimento deve estar incluído na mesma declaração da despesa correspondente (art. 837 do RIR/99), o que significa dizer, noutros termos, que a despesa incorrida para a obtenção de certa receita deve estar com esta última necessariamente conjugada para fins de determinação do lucro. A Contribuinte apresenta recurso voluntário, aduzindo, em síntese, (i) que demonstrou através de documentação e escrita fiscal que possui o crédito de saldo negativo de IRPJ do ano base 2002, no valor total de R$ 801.437,11; (ii) que o fiscal e o julgador de primeira instância não levaram em consideração a documentação que demonstra a existência do crédito; (iii) que tem direito à compensação do IRRF; (iv) que comprovou ter escriturado as retenções na fonte referentes ao IR sobre mútuo sob o regime de caixa; (v) em homenagem ao princípio da legalidade e da verdade material, deve ser reconhecido o direito creditório. É o Relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA Processo nº 19647.005403/200671 Acórdão n.º 1402001.679 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A Recorrente apresentou DIPJ/2002 especial de cisão em 31/05/2002 (fls. 121/143 e 268/293), contemplando o período de 01/01/2002 a 10/04/2002, e outra DIPJ 2003 (fls. 294/334) contemplando o período de 11/04/2002 a 31/12/2002. Nos 3 (três) primeiros meses do anocalendário de 2002, a Recorrente apurou receitas decorrentes de contratos de mútuo. Em 10/04/2002, houve uma cisão parcial da Contribuinte, de modo que, em momento anterior à cisão, ocorreu a liquidação dos contratos de mútuos. Conforme registros contábeis (fls. 116/118), a receita relativa a tais contratos de mútuo, no valor de R$ 4.007.185,55, foi escriturada uma parte em anos calendários anteriores a 2002, e outra parte no período de janeiro a março/2002, correspondente ao exercício encerrado em 31/03/2002, em função da cisão parcial, conforme DIPJ Especial. No entanto, o IRRF só foi escriturado em 31/05/2002 (R$ 3.697,96) e 31/12/2002 (R$ 797.739,15), e informado na DIPJ de 31/12/2002, referente ao período de apuração compreendido entre 01/04/2002 a 31/12/2002. Como a Recorrente não auferiu rendimentos tributáveis pelo IRPJ no período póscisão, de 01/04/2002 a 31/12/2002, após o encerramento do anocalendário, esse IRRF no valor total de R$ 801.437,11 transformouse em saldo negativo de IRPJ. É incontroverso nos autos que a Recorrente possui um crédito de IRRF que incidiu sobre as receitas oriundas dos contratos de mútuo, conforme comprovantes de retenção na fonte às fls. 337/338. Sobre a legitimidade desse crédito, o despacho decisório e a decisão recorrida não tecem quaisquer comentários. Afirmam, tão somente, que a Recorrente não poderia compensar o IRRF, já que as retenções e os rendimentos correspondentes não foram escriturados e declarados no mesmo período de apuração. Dessa forma, a controvérsia dos autos está em saber se a Recorrente deveria ter declarado – como afirmou a decisão recorrida os rendimentos e as retenções em uma mesma DIPJ, para que pudesse ter direito a aproveitar o IRRF. Merece reforma a decisão recorrida. Os procedimentos levados a cabo pela Recorrente em nada oneram ou alteram o valor das receitas registradas, tampouco o valor do IRRF arrecadado ao Fisco. Mesmo porque, foram realizados de acordo com as regras e práticas contábeis conhecidas e aplicadas por todos os contribuintes. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA Processo nº 19647.005403/200671 Acórdão n.º 1402001.679 S1C4T2 Fl. 6 5 Vale lembrar, que o IRPJ só é retido quando da liquidação do referido mútuo, e seu recolhimento ocorre até o 30 dia da semana subseqüente ao da ocorrência do fato gerador (art. 865 do RIR/99). Assim, o rendimento auferido com os contratos de mútuo deve ser reconhecido pro rata tempore (regime de competência), compondo o Lucro Real do correspondente período, independentemente da retenção do IRRF informada em DIRF (regime de caixa). Logo, claro está que a retenção do imposto poderá não coincidir com a data da escrituração e declaração das receitas a ele correspondentes. Com efeito, diante da regularidade do procedimento adotado pela Recorrente, escriturando e tributando as receitas financeiras pelo regime de competência, enquanto as fontes pagadoras efetuaram o recolhimento do respectivo imposto de renda retido pelo regime de caixa, resta comprovado nos autos que a diferença de receita informada a menor na DIPJ/2002 do período 01/04/2002 a 31/12/2002 já havia sido tributada em período anterior, cabendo reconhecer o direito creditório (em litígio) pleiteado e relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2002 do período 01/04/2002 a 31/12/2002. Finalmente, importa dizer que, ainda que se entenda que houve erro de preenchimento nas DIPJ's – o que não é o caso , ignorar o crédito da Recorrente em razão de um equívoco seria dar curso a máfé utilizada pela Administração Tributária na análise do caso. Notese que o crédito de IRRF está prescrito, de forma que, caso não fosse autorizada a retificação de ofício das DIPJ’s, a Recorrente não poderia mais aproveitar o crédito. Assim, também nessa hipótese, o princípio da verdade material, orientador do processo administrativo tributário, respaldaria a retificação da exigência originada de tal equívoco, possibilitando o aproveitamento do crédito. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para (i) reconhecer o crédito de IRRF no valor total de R$ 801.437,11 e, conseqüentemente, o saldo negativo de IRPJ do ano 2002 (período 01/04/2002 a 31/12/2002), no valor de R$ 801.437,11; e (ii) homologar o pedido de restituição e as compensações vinculadas ao processo em apreço até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 402DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10735.002820/2004-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
Ementa:
CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Se, a partir da compreensão equivocada acerca da natureza das aquisições efetuadas pelo contribuinte, os argumentos utilizados pela autoridade fiscal para promover a glosa dos custos revelam-se absolutamente inconsistentes, há que se exonerar o sujeito passivo da parcela de crédito tributário correspondente.
RECEITA DE COMISSÕES. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA.
Inexistindo dúvida de que as receitas indicadas pela autoridade autuante foram efetivamente auferidas, cabe ao contribuinte aportar ao processo documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar o competente oferecimento à tributação dos valores correspondentes.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO E/OU NÃO COMPROVADO.
A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza omissão de receita.
Numero da decisão: 1301-001.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o advogado Fernando Abad Freitas Alves.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Se, a partir da compreensão equivocada acerca da natureza das aquisições efetuadas pelo contribuinte, os argumentos utilizados pela autoridade fiscal para promover a glosa dos custos revelamse absolutamente inconsistentes, há que se exonerar o sujeito passivo da parcela de crédito tributário correspondente. RECEITA DE COMISSÕES. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA. Inexistindo dúvida de que as receitas indicadas pela autoridade autuante foram efetivamente auferidas, cabe ao contribuinte aportar ao processo documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar o competente oferecimento à tributação dos valores correspondentes. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO E/OU NÃO COMPROVADO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza omissão de receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o advogado Fernando Abad Freitas Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 28 20 /2 00 4- 37 Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.729 2 “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.730 3 Relatório A 7ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído em desfavor de ALLEN RIO SERVIÇO E COMÉRCIO DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA., recorre de ofício a este Colegiado administrativo. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS), relativas ao anocalendário de 2000, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas relativa à comissões; b) omissão de receitas, caracterizada pela manutenção no passivo de obrigações já pagas e por passivo não comprovado; c) custos não comprovados. Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº. 1212.104, de 19 de outubro de 2006, julgou parcialmente procedentes os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. Não tendo o contribuinte comprovado que tenha oferecido à tributação valores de comissões auferidas, nem durante o procedimento fiscal, nem na impugnação, é devida a tributação de oficio. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Constatado o registro de obrigações já pagas e de obrigações não comprovadas na conta fornecedores, fica configurada a omissão de receitas. É devida a exigência. GLOSA DE CUSTOS. EFETIVIDADE DA OCORRÊNCIA. NOTA FISCAL DE TERCEIROS. As notas fiscais de saída de licenças de uso de "software", emitidas pelo vendedor, constituem documentos hábeis para comprovar custos incorridos a titulo de serviços prestados por pessoa jurídica. Se são inconsistentes os motivos apontados pela fiscalização para infirmar a veracidade das notas fiscais, devese cancelar a glosa dos custos. CSLL. PIS, COF1NS. DECORRÊNCIA. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.731 4 Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhem os autos de infração lavrados por decorrência do mesmo fato que ensejou aquele. Irresignada com a manutenção parcial das exigências, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 1.528/1.531, argumentando, em apertada síntese: que o agente fiscal teve acesso, por mais de seis meses, aos livros fiscais da empresa, não procedendo, portanto, a manutenção da primeira infração em virtude de não entrega dos livros; que, para fins de comprovação de que as notas fiscais foram levadas à tributação, anexa cópia do termo de abertura do livro de ISS, cópia das notas fiscais, pagamento do ISS das respectivas notas fiscais, cópia do Termo de Abertura do Livro nº. 06 DIÁRIO GERAL, bem como cópia das páginas 196 e 252, nas quais constam que as notas foram escrituradas e, por conseguinte, oferecidas à tributação; que foram apresentados ao agente fiscal todos os documentos comprobatórios do passivo da empresa, documentos esses devidamente lançados no Livro Diário e nas contas do Livro Razão, juntamente com as notas fiscais lançadas no demonstrativo elaborado pelo agente fiscal, em que constam os carimbos relativos ao seu lançamento no livro correspondente (afirma que junta cópia); que, como pode ser verificado, todos os credores apostos no demonstrativo apresentado pela Fiscalização sequer fazem parte do demonstrativo de composição do passivo apresentado pela empresa, cabendo ainda salientar que tal demonstrativo não foi impugnado pela Fiscalização. Em sessão realizada em 25 de maio de 2011, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara resolveu converter o julgamento em diligência para que fossem juntados aos autos documentos que, segundo o representante da autuada presente ao julgamento, haviam sido protocolizados na secretaria da Câmara (Resolução nº 1302000.079). É o Relatório. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.732 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao anocalendário de 2001, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas, caracterizada pela manutenção no passivo de obrigações já pagas e por passivo não comprovado; b) omissão de receitas relativa a comissões; e c) custos não comprovados. De acordo com o Termo de Constatação de Irregularidades, fls. 662/673, os fatos e as matérias tributáveis apuradas são as seguintes: PASSIVO FICTÍCIO E PASSIVO NÃO COMPROVADO: não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não justificou o fato de ter mantido no passivo obrigações já liquidadas, bem como não apresentou documentos de suporte para determinadas obrigações. Matéria Tributável: R$ 2.264.389,00 RECEITAS DE COMISSÕES NÃO TRIBUTADAS: a contribuinte quitou obrigações junto à empresa TECH DATA BRASIL LTDA. por meio de compensações de valores. Apurou a Fiscalização que a contribuinte adquiria produtos de informática da TECH BRASIL e promovia a correspondente quitação por meio da utilização de créditos relativos a comissões. Apesar de intimada, a contribuinte não prestou esclarecimentos complementares requisitados pela autoridade fiscal. Matéria Tributável: R$ 839.827,04 CUSTOS NÃO COMPROVADOS: analisando a documentação de suporte relativa aos registros feitos a título de “custo dos serviços vendidos”, apurou a autoridade fiscal grande quantidade de notas fiscais emitida pela empresa INGRAM MICRO BRASIL LTDA. Tomando por base o fato de que: a) não obstante o total de quinhentas e trinta e três notas fiscais emitidas no período de janeiro a dezembro de 2000, no mês de outubro do referido ano foram emitidas setenta e oito notas; b) em nenhuma das notas fiscais apresentadas havia carimbo ou qualquer espécie de registro indicando que os referidos documentos e as correspondentes mercadorias tinham sido objeto de verificação por parte do Fisco estadual nos postos existentes entre o domicílio do fornecedor e o da contribuinte; c) as notas fiscais não apresentavam dados relativos ao transportador, do veículo utilizado e dos volumes transportados; e d) as notas fiscais apresentavam numeração seqüencial e significativa concentração de emissão no último trimestre do ano, sendo que o fornecedor encerrou suas atividades em 28 de janeiro de 2001. Esclareceu a autoridade autuante que em virtude do fato de a empresa INGRAM BRASIL ter encerrado suas atividades em janeiro de 2001, não fora possível aferir os dados registrados nos documentos fiscais. Matéria Tributável: R$ 2.866.683,26 Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.733 6 Observo, ainda, que o Termo de Constatação de Irregularidades faz referência à constatação de irregularidade específica no recolhimento da COFINS. Porém, em conformidade com o auto de infração de fls. 692/695, o presente processo trata apenas do lançamento que decorre das omissões de receita apuradas. Analiso, pois, os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO Apreciando a peça impugnatória apresentada, a autoridade julgadora de primeira instância exonerou o sujeito passivo da parcela do crédito tributário constituído em razão da não comprovação de determinados custos. Para tanto, serviuse, primeiramente, do argumento de que as notas fiscais emitidas pelo fornecedor (INGRAM MICRO BRASIL LTDA.), ressalvada a hipótese da existência de elementos capazes de colocar em dúvida a autenticidade de tais documentos, representam meio hábil para comprovar as aquisições de LICENÇAS DE USO de programa de computadores. Em seguida, demonstrou a referida a autoridade que os fatos apontados pela Fiscalização para promover a glosa dos custos não correspondiam, exatamente, ao que foi por ela apurado. Nessa linha, argumentou: 1. que a falta de carimbo dos postos do Fisco estadual e a falta de indicação de transportador não podem infirmar as compras, já que, no caso, não se está diante de aquisição de mercadorias propriamente dita, mas, sim, de licenças de uso, que, obviamente, não são transportadas por rodovias; 2. que as alegadas numeração seqüencial e concentração de emissão de notas fiscais no último trimestre do ano de 2000, além de, isoladamente, não caracterizarem irregularidade, não encontram respaldo nos elementos colacionados aos autos (afirma que, das quinhentas e quarenta notas emitidas no ano, cento e noventa e sete correspondem ao último trimestre); 3. que o fornecedor INGRAM MICRO BRASIL LTDA. não encerrou suas atividades em 28 de janeiro de 2001, tendo ocorrido, na verdade, incorporação por parte de outra empresa, que assumiu a sua razão social; 4. que, em razão do disposto no item anterior, teria sido possível à Fiscalização promover verificações complementares junto ao fornecedor, de modo a confirmar a efetividade das operações; 5. que, por se tratar de serviço e não de mercadorias, não seria razoável esperar que houvesse registro de estoque na ficha correspondente à apuração do CUSTO DAS MERCADORIAS REVENDIDAS; e 6. que os comprovantes de pagamento aportados aos autos pela contribuinte afastam a tese de que a contribuinte majorou artificialmente os custos. A meu ver, revelamse irrefutáveis os argumentos expendidos pela autoridade julgadora de primeiro grau, não merecendo reparo, assim, o que por ela foi decidido. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.734 7 Com efeito, resta fora de dúvida que, a partir da demonstração que a autoridade fiscal incorreu em equívoco na apreciação da natureza das compras promovidas pela fiscalizada, os elementos que serviram de suporte para a autuação revelamse absolutamente insubsistentes. Sou, pois, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO RECEITA DE COMISSÕES No Termo de Constatação de Irregularidades, a autoridade fiscal assinalou: ... 1) Ao relatarmos na primeira ocorrência as infrações apuradas, falamos acerca da Composição do Saldo da conta Fornecedores em 31/12/2000. Examinando a relação em questão, verificase que foram consignados valores de obrigações em aberto, ou seja, dando a entender que não foram quitadas até a presente data, de valores elevados, e tendo como credor o contribuinte TECH DATA BRASIL LTDA — CNPJ N° 00.398.641/000146. Para esclarecer o fato, a fiscalizada apresentou uma correspondência datada de 17/05/2004, doc. fls.(115 ), na qual a TECH DATA BRASIL LTDA, diz que — "Vimos por meio desta informar que os títulos abaixo foram liquidados através de encontro de contas com NF de comissão conforme mostramos a seguir"(grifei). Para confirmar a veracidade desta informação, intimamos a TECH DATA BRASIL, através do termo com ciência em 22/07/2004, conforme AR, a ratificar ou retificar as informações especificadas na correspondência de 17/05/2004. Em atendimento à intimação retro citada, a TECH DATA BRASIL apresentou outra correspondência, essa datada de 03/08/2004, doc. Fls.(116/118), na qual esclarece "Relativamente à referida carta de 17 de maio de 2004, mencionada no item 2 do termo de intimação, informamos que a mesma está sendo devidamente retificada mediante a apresentação do Anexo 2, denominado "Compensações de Valores entre Allen Rio e Tech Data", visto que a referida carta apresenta diferenças em relação a alguns documentos mencionados, as quais não sabemos precisar". Ou ainda — "De acordo com nossos registros contábeis as compensações de valores foram efetuadas com base nos documentos ora mencionados no Anexo 2". 2) Examinando o anexo 2, parte integrante da correspondência datada de 03/08/2004, apresentada pela Tech Data Brasil Ltda, observase que a empresa informa, em resumo, que os valores de seus créditos junto à fiscalizada Allen Rio, foram quitados através de compensações de valores. Melhor explicando, a Allen Rio adquiria produtos de informática da Tech Brasil, daí gerando os saldos constantes da conta Fornecedores em 31/12/2000. Porém, a quitação destas obrigações, segundo Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.735 8 informações da Tech Data, não envolveu recursos financeiros, ou seja, tais obrigações foram extintas por meio de compensações, tendo como contra partida créditos da Alen Rio oriundos de comissões. Objetivando confirmar as informações prestadas pela Tech Data Brasil na correspondência de 03/08/2004, intimamos a fiscalizada, conforme termo com ciência em 30/08/2004, doc. Fls. (63/64) a ratificar ou retificar os esclarecimentos apresentados pela Tech Data, sendo que, caso retifique as informações, deveria apresentar os seguintes elementos: (i) Cópias das notas fiscais de comissão especificadas na correspondência datada de 03/08/2004: (ii) Livros comerciais e fiscais nos quais estejam escrituradas as notas fiscais em questão. Todavia, não fomos atendidos pelo contribuinte A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando os argumentos trazidos pela contribuinte em sede de impugnação, manteve o lançamento tributário. No voto condutor da decisão, restou consignado: O autuado não apresentou os livros comerciais que comprovassem o oferecimento à tributação das notas fiscais n° 4843 e 5049, relativas à comissões auferidas. Na impugnação, o autuado trouxe cópia do livro registro de apuração do ISS (fls. 1.197 e 1.199), onde consta o número das duas notas fiscais. Contudo, o livro trazido, caso acompanhado das demais notas fiscais que compuseram o total diário nele registrado, provaria, apenas, que aquelas 2 notas fiscais foram computadas na base de cálculo do ISS. Para comprovar que tais notas fiscais foram oferecidas à tributação do IRPJ, seria necessário apresentar os livros diário e razão, bem como demonstrativo do valor de R$ 3.722.281,19, informado na linha 08 da ficha 06A da DIPJ — "receita da prestação de serviços" (fl. 17). Como o autuado não fez tal comprovação, nem quando intimado, durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, considero devida a exigência decorrente da 1ª infração. No recurso voluntário interposto, a contribuinte, alegando que a manutenção da infração se deu, primordialmente, pelo fato de ela não ter apresentado os livros comerciais comprovando o oferecimento à tributação dos valores questionados pela Fiscalização, afirmou que colacionou aos autos os seguintes elementos de comprovação: cópia do termo de abertura do Livro Registro de ISS; cópia das notas fiscais; cópia do pagamento do ISS das respectivas notas fiscais; cópia do Termo de Abertura do Livro Diário; e cópia das páginas 196 e 252, nas quais restaria demonstrado que as notas foram escrituradas e, por conseguinte, oferecidas à tributação. Na mesma linha do decidido em primeira instância, entendo que o Livro Registro do ISS não se presta para comprovar a tributação aqui questionada. À evidência, a escrituração no referido Livro, bem como a demonstração de que o pagamento do imposto envolvido (ISS) foi quitado, não têm o condão de afastar a exigência dos tributos e contribuições federais lançados, sendo necessário, para tanto, como adequadamente consignado na decisão recorrida, a apresentação do Livro Diário, do Livro Razão e da demonstração de que Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.736 9 os valores registrados nos referidos livros foram devidamente considerados na determinação das bases de cálculos das exações lançadas de ofício. Na direção acima indicada, não obstante as inúmeras oportunidades oferecidas, os únicos elementos aportados ao processo pela Recorrente estão representados pelos documentos de fls. 1.566/1.569, quais sejam: cópia do Termo de Abertura do Livro Diário; cópia das páginas 196 e 252 do referido Livro; e cópia do correspondente Termo de Encerramento. A meu ver, a documentação em referência, ao impossibilitar a identificação dos valores consignados nas notas fiscais na escrituração efetuada, vez que a Recorrente não cuidou de promover a decomposição dos montantes registrados, não são hábeis para elidir a tributação ora combatida. Ademais, as páginas do Livro Diário carreadas aos autos, além de não permitir qualquer vinculação com os valores declarados à Receita Federal, não possibilita sequer a identificação das contas creditadas e debitadas. PASSIVO FICTÍCIO E PASSIVO NÃO COMPROVADO Aqui, a Fiscalização apurou que foram mantidas no passivo obrigações que já haviam sido quitadas no curso do ano. Detectou, também, falta de comprovação documental para algumas obrigações ali registradas. A decisão de primeira instância, esclarecendo que a alegação da contribuinte acerca do desconhecimento da origem do valor de R$ 4.415.416,61 era absolutamente infundada, visto que tal montante havia sido declarado por ela própria à Receita Federal, manteve a exigência sob o argumento de que os documentos trazidos ao processo (notas Fiscais) indicavam que as obrigações correspondentes venceram no próprio ano de 2000, não sendo hábeis, portanto, para servir de suporte para o passivo registrado em 31 de dezembro daquele ano. Em sede de recurso, a contribuinte afirma que apresentou o demonstrativo de composição de seu passivo, juntamente com as notas fiscais, e que referida documentação não foi impugnada pela Fiscalização. Afirma que os documentos fiscais que compõem o demonstrativo têm, todos, vencimentos posteriores ao ano de 2000. Alega que autoridade fiscal, insatisfeita com o seu demonstrativo, elaborou dois outros, indicando, no primeiro, que não foram apresentados os documentos de comprovação, e, no segundo, informando obrigações quitadas no ano de 2000 como se passivo fosse em 31 de dezembro. Sustenta que apresentou toda a documentação representativa do seu passivo à Fiscalização, e que, no segundo demonstrativo (obrigações já pagas), a autoridade fiscal incorreu em equívoco, pois os credores consignados no referido documento não fazem parte do demonstrativo apresentado por ela. Dos autos, merecem destaque os seguintes elementos: por meio de Termo de Início de Fiscalização (fls. 48/49) a contribuinte foi intimada a comprovar o valor de R$ 4.415.416,51, registrado na declaração entregue à Receita Federal (DIPJ) a título de FORNECEDORES (PASSIVO); por meio de Termo de Intimação (fls. 57/58), foi solicitado à contribuinte que ratificasse ou retificasse as informações consignadas no DEMONSTRATIVO DE COMPOSIÇÃO DO PASSIVO, referente ao saldo da conta FORNECEDORES em 31 de Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.737 10 dezembro de 2000, no montante de R$ 4.415.416,51 (na ocasião, a Fiscalização esclareceu que o referido demonstrativo foi apresentado em resposta ao Termo de Início de Fiscalização); no Termo referenciado no item anterior, a Fiscalização assinalou: Caso sejam RATIFICADAS as informações especificadas na relação do saldo da conta Fornecedores em 31/12/2000, citada no item "1" acima, esclarecer e se for o caso comprovar, com documentos hábeis e idôneos, o motivo de constar da mesma inúmeras duplicatas quitadas no curso do anocalendário 2000, e que por este motivo NÃO PODERIAM constar do saldo da conta Fornecedores no balanço levantado em 31/12/2000; em atendimento ao requisitado pela Fiscalização, a contribuinte informou (fls. 82/83) ... Teremos de RETIFICAR as informações consignadas no Demonstrativo de Composição do Passivo, referente ao saldo da conta Fornecedores em 31/12/2000. No entanto, gostaríamos de um esclarecimento quanto ao valor mencionado no Termo, referente ao montante de Fornecedores, ou seja, R$ 4.415.416,51 uma vez que o valor constante de nosso Balanço Patrimonial é de R$ 4.775.416,94, conforme nosso Diário Geral. Necessitamos das Notas Fiscais já fornecidas à Fiscalização, para recompor o Demonstrativo, uma vez que, na segunda remessa de documentos que fizemos a essa Fiscalização, Deixamos de relacionar aquelas Notas Fiscais. Assim, para a recomposição do Demonstrativo e a remessa das demais Notas, teremos que verificar as já remetidas. Gostaríamos de dirimir definitivamente essa pendência. ... Ao RETIFICARMOS as informações do Item 1 (um) acima, queremos esclarecer que, inadvertidamente, foram discriminadas no saldo da conta Fornecedores, do Demonstrativo de Composição do Passivo, Duplicatas quitadas no decurso do anocalendário, que não constam do saldo de Fornecedores no Balanço levantado em 31/12/2000. Necessitamos das Notas Fiscais, para a retificação dessas informações. Os elementos acima destacados, juntamente com outros reunidos aos autos, levam às seguintes conclusões: A) o valor de R$ 4.415.416,51, para o qual a Recorrente requereu esclarecimentos à Fiscalização quanto a sua origem, como bem assinalou a decisão recorrida, Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.738 11 foi por ela própria consignada como sendo referente a FORNECEDORES na declaração entregue à Receita Federal (fls. 44); B) o demonstrativo de composição do passivo, como assinalado pela Fiscalização, foi elaborado pela própria Recorrente, motivo pelo qual foi solicitada a sua retificação ou ratificação, haja vista a indicação de obrigações que já haviam sido quitadas no ano de 2000; C) a própria contribuinte admite que, “inadvertidamente, foram discriminadas no saldo da conta Fornecedores, do Demonstrativo de Composição do Passivo, Duplicatas quitadas no decurso do anocalendário, que não constam do saldo de Fornecedores no Balanço levantado em 31/12/2000”; D) apesar de admitir que o demonstrativo da composição do passivo era merecedor de retificação, haja vista a indicação de obrigações já pagas, e de ter recebido a documentação requerida para tal (notas fiscais), a Recorrente não apresentou à autoridade fiscal outro documento que não o de fls. 65/80; e E) os demonstrativos de fls. 85/114 representam meros subconjuntos extraídos do que foi apresentado pela Recorrente, em que a Fiscalização, até para facilitar eventual contestação, cuidou de segregar as obrigações que já haviam sido quitadas no ano de 2000 (passivo fictício) das que não haviam sido comprovadas (passivo não comprovado), sendo absolutamente improcedente, portanto, a afirmação da contribuinte de que a autoridade fiscal elaborou dois outros demonstrativos em virtude de não ter aceito o que havia sido entregue por ela. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte juntou aos autos os seguintes documentos: um novo demonstrativo de composição do passivo; demonstrativos elaborados pela Fiscalização indicando obrigações que foram quitadas dentro do próprio anocalendário; cópia de notas fiscais; e cópia de páginas do Livro Razão. A meu ver, a referida documentação, desprovida de qualquer elemento complementar que possibilite identificar conexão entre os valores apontados pela Fiscalização e os nela registrados, em nada concorre para elidir o feito fiscal. Aditese que, ainda que se despreze a observação acima, os documentos que poderiam concorrer para demonstrar a existência de passivo (cópia de notas fiscais e de páginas do Livro Razão) apontam em direção oposta, vez que as notas assinalam vencimento no próprio ano de 2000 e as páginas do Razão, da mesma forma, registram pagamentos também no ano de 2000. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos interpostos. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2014 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.002820/200437 Acórdão n.º 1301001.555 S1C3T1 Fl. 1.739 12 Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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