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Numero do processo: 18470.729139/2014-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1002-000.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 91 39 /2 01 4- 71 Fl. 76DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 29 e 30) interposto contra o Acórdão n° 1458.017, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (efls. 20 à 22), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada nos seguintes termos: Tratase de analisar lançamento referente à multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de junho do anocalendário de 2013. A impugnante alega que teria ocorrido denúncia espontânea da infração, nos termos do CTN, art. 138, portanto a multa seria inaplicável. (...) O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária., e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória de apresentação de DCTF, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração/notificação de lançamento. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, tem se que o art. 138 não se desfez da multa por atraso no cumprimento de obrigação acessória. (...) Esclareçase que o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria é o mesmo, já tendo sido, inclusive, objeto de Súmula, que transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão à impugnante quando afirma que a legislação citada no auto de infração estaria ferindo o CTN. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 18470.729139/201471 Acórdão n.º 1002000.226 S1C0T2 Fl. 1.297 3 Dessa forma voto por julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido. Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o reconhecimento da denúncia espontânea. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Por primeiro, a alegada Preliminar é, em verdade, apresentação de matéria fática, utilizada na fundamentação do pedido da Recorrente. Por isso, deve ser rejeitada, e seu teor avaliado no conjunto da exposição jurídica da peça defensiva. Ab initio, quanto à obrigação de apresentar a Declaração em comento a tempo e modo, a Recorrente não demonstrou de modo objetivo fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. Por seu turno, o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as Fl. 78DF CARF MF 4 condutas intersubjetivas, via modal deôntico obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade da Contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese à necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte Fl. 79DF CARF MF Processo nº 18470.729139/201471 Acórdão n.º 1002000.226 S1C0T2 Fl. 1.298 5 desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002 000.006, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.012, 1002000.016, 1002000.075, 1002 000.077, 1002000.078, 1002000.079, 1002000.080, 1002000.081, 1002000.083, 1002 000.090, 1002000.091 e 1002000.104, dentre outros, seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Nessa trilha, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês Fl. 80DF CARF MF 6 calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a nãoprestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denomina se relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18470.729139/201471 Acórdão n.º 1002000.226 S1C0T2 Fl. 1.299 7 tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Ademais, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária. Logo, é possível ficar livre da sanção fiscal, caso se opte por seguir o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.007788/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 07 78 8/ 20 08 -5 7 Fl. 470DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 471 ___________ J N TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA. ME recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0721.593 proferido pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou, por unanimidade de votos, improcedentes as impugnações e a manifestação de inconformidade apresentadas contra os autos de infração e a exclusão de ofício do Simples. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, reproduzo o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Por meio dos Autos de Infração, às folhas 239 a 298, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias abaixo indicadas, acrescidas de juros de mora e multa de oficio de 75%: As exigências referemse a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. Do relato da fiscalização No “Termo de Verificação Fiscal” TVF (f. 294 a 298), a fiscalização revela o seguinte: 1 DA CONTRIBUINTE A contribuinte em questão e' urna empresa cadastrada sob o CNAE 4930202 e que explora a ramo de transporte de cargas, constituída em 21/01/1987, conforme Contrato Social e alterações (fls. 26/34 ). O Capital Social de RS 20.000,00, segundo a 10" alteração contratual, está dividido de acordo com o seguinte quadro societário: Marcelo Koch Mendes, CPF 912.648.04920....,... ......95,5% Elen Koch Mendes, CPF 036.925.62985...... .......4,5% Possui atualmente 2 (duas) filiais. Realizou em 01/01/2001 a opção pela sistemática do SIMPLES, e vem apresentando, desde então, suas declarações segundo esse formato (fls. 04). Apresentou declaração do SIMPLES referente ao anocalendário de 2005 com receitas compatíveis com a sistemática daquela forma de tributação (fls. 06/23), muito embora o desenrolar da auditoria venha a demonstrar que tais valores estão aquém da realidade financeira e comercial da empresa, como veremos a seguir. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 472 3 (...) 3 DA AÇÃO FISCAL Em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, a empresa, em 10/07/2008, apresentou procuração nomeando o Sr. Vicente Lisboa Capella como seu representante perante a presente ação fiscal (fls. 37/38). Nessa mesma oportunidade foi disponibilizada parte dos documentos solicitados (fls. 24/38). Em virtude da demora em atendimento pleito ao solicitado mediante o Termo de Inicio de Fiscalização foi emitido, em 13/08/2008, o Termo de Intimação Fiscal 001 (fls. 40). Através da correspondência datada de 18/08/2008 (fls. 46/47) a empresa encaminhou o livro CAIXA referente ao ano sob fiscalização. Nessa mesma oportunidade a contribuinte expressa seu entendimento de que a empresa, por estar protegida pelo sigilo bancário, não forneceria cópias dos extratos bancários. Nessa ocasião, tendo por base a falta de disponibilização dos extratos bancários, foram encaminhados às instituições financeiras nas quais a empresa mantinha contas bancárias, Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, solicitando a apresentação por aquelas das cópias dos referidos extratos (fls.48/52). Com a disponibilização dos extratos bancários pelas instituições financeiras (fls.53/174), foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal 002. de 13/10/2008 (fls.175/184), mediante o qual solicitase a empresa que esclareça a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes, uma vez que representam volume de recurso muito superiores as suas receitas declaradas. A contribuinte, através da correspondência de 07/10/2008, encaminha planilhas com informações acerca de parte dos valores listados nos anexos do Termo de Intimação Fiscal 002 (fls. 189/229). A partir dos esclarecimentos prestados, foram elaboradas relações consolidadas mediante o expurgo dos valores justificados e da totalização mensal dos valores remanescentes (fls. 230/237). 4 DA OMISSÃO DE RECEITAS Diante de todo o exposto. temos que a diferença entre os valores efetivamente ingressados em suas contas correntes, oriundos de serviços de transportes efetivamente prestados. e àqueles declarados a Receita Federal do Brasil, representa receitas omitidas, conforme preconiza a legislação Decreto n” 3. 000/99 (RIR): “Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n”9.430, de 1996, art. 42). Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 473 4 (...) 5 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A partir da constatação de que a receita auferida pela empresa., mediante os fatos detalhados nos itens anteriores, no anocalendário de 2005, conforme demonstrativo (fls. 237), ultrapassou o limite legal permitido para o enquadramento na sistemática do SIMPLES. formalizouse, em 13/11/2008, Representação Fiscal solicitando à autoridade competente que a mesma fosse excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2006 (fls. 01/02). Através do Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS n” 65, de 14/11/2008 (fls. 238) a empresa foi formalmente excluída do SIMPLES, devendo, a partir de 01/01/2006, submeterse a outra forma de tributação de seus lucros e de recolhimento de tributos e contribuições federais. 6 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Durante o procedimento de auditoria obtevese a informação de que o real gestor dos negócios da empresa seria o Sr. Norberto Koch Mendes. A análise das procurações encaminhadas pelas instituições bancárias (fls. 54/57 e 143/146) confirma que os sócios da empresa delegam plenos poderes ao Sr. Norberto Koch Mendes, CPF 551.485.30987, para administração financeira dos negócios da empresa. Sendo assim, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, anexo ao presente Termo, onde são narrados os fatos que conduziram ao entendimento de que o Sr. Norberto Koch Mendes era pessoa interessada nos atos negociais da empresa, e. era quem praticava esses atos negocíais em nome da fiscalizada, embora seu nome não constasse de seu quadro societário. Diante do exposto no Termo de Sujeição Passiva Solidária, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. Norberto Koch Mendes, nos termos do artigo 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). 7 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS De acordo com o estabelecido nos artigos 1° e 2º da Lei n” 8.137/90, que define os crimes contra a Ordem Tributária, e com base na obrigação funcional de Servidor Público Federal, constituise, em junção do ilícito descrito no presente item, Representação Fiscal, através do processo administrativo 11516. 007789/200800. Este ficará apenso ao processo n” 11516. 007788/2008 57 até que ocorra o seu desfecho no esfera administrativa. À f. 238, consta o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 65, de 14 de novembro de 2008, em que a autoridade competente declara a empresa excluída do Simples a partir de 1° de janeiro de 2006, em razão da apuração de excesso de receita bruta no ano de 2005. Da impugnação e da manifestação de inconformidade Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 474 5 Intimada da autuação em 05/12/2008, a empresa autuada apresentou a impugnação e manifestação de inconformidade de f. 305 a 335, em 05/01/2009, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Da quebra do sigilo bancário ao arrepio da Constituição A Constituição exige para a quebra do sigilo bancário ordem judicial, nos termos do art. 5°, incisos X e XI. Assim, os procedimentos efetuados pela autoridade fiscal no sentido de obter os extratos bancários diretamente com as instituições financeiras esbarra nos referidos limites. Da ausência de ato ou formalidade essencial descumprimento do art. 4°, parágrafo 5°. do Decreto n° 3.724/2001 O Decreto n° 3.724/2001, no art. 4°, parágrafo 5°, prevê a necessidade do “relatório circunstanciado” que será elaborado pelo AuditorFiscal para embasar a expedição da Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira; A fiscalização não observou o requisito 'previsto para a requisição do RMF. Não existindo o referido “relatório circunstanciado”, pressuposto para expedição do O RMF, não foram preenchidas as exigências que dão suporte à utilização das informações bancárias para justificar o auto de infração, ferindo o parágrafo único, do art. 142 do CTN; Ora, nesse relatório deveria constar a justificativa para o acesso do fisco aos dados bancários do contribuinte (fundamento fático), bem como a indicação do embasamento legal do requerimento (fundamento legal). Ao cidadão não poderá ser negado o direito de controlar a legalidade dos atos administrativos que lhe afetam diretamente. Portanto, não há como afastar a necessidade da presença do relatório nos autos do processo administrativo, sob pena de cerceamento de defesa. É este o entendimento do Auditorfiscal da Receita Federal, Dr. Mauro Silva, emitido em artigo publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, cuja cópia integral segue anexa; Sobre a ausência de relatório circunstanciado que justifique a expedição do RMF, já decidiu a 1” Câmara do 1° Conselho de Contribuintes no acórdão n° 10196.355, julgado em 17/10/2007, por unanimidade de votos: PRELIMINAR REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PREVIA AO CONTRIBUINTE PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS E DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO NULIDADE DA PROVA é requisito fundamental para a emissão de Requisição de Movimentação Financeira RMF a negativo de entrega dos documentos pela pessoa jurídica regularmente intimada para tanto, bem como o relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. com a motivação da proposta de expedição da RMF. que demonstre. com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade das informações requeridas. Tendo o sujeito passivo entregue parte dos extratos bancários, caberia a sua re Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 475 6 intimação para a apresentação dos documentos faltantes. A ausência a essa reintimação é que configuraria a recusa necessária para a emissão do RMF. Da ausência de demonstração dos requisitos fundamentação fática e legal do ato administrativo (motivação) ~ para expedição do RMF Todas as requisições de informações às instituições financeiras foram baseadas na Lei Complementar n° 105/2001; Para a quebra do sigilo bancário sem manifestação do Judiciário foram impostas condições objetivas para minimizar a invasão de privacidade. Tais requisitos estão dispostos de forma clara no Decreto n° 3724/2001, publicado no mesmo dia da Lei Complementar n° 105/2001; Somente se a situação do contribuinte sob fiscalização enquadrarse em uma das hipóteses previstas no art. 3° do Decreto n° 3724/2001, seria possível a quebra do sigilo bancário; O cotejo do fundamento fático e do fundamento legal deveria constar do “relatório circunstanciado”, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724/2001. Entretanto, conforme já relatado, não faz pane do presente processo o referido documento o que limita em muito a defesa do contribuinte. Deste modo, deve ser invalidada a expedição do RMF sem apresentação das justificativas cabíveis ao ato vinculado. Da ausência de forma do ato determinada pela Portaria SRF n° 180. de 01/02/2001 anexo I. A Portaria SRF n° 180/2001 estabelece a necessidade de um documento (forma exigida) prévio à expedição do RMF, nos termos do parágrafo 1° do art. 5°, in verbis: Art. 5º 1ncumbe ao AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF). responsável pela execução do procedimento de fiscalização em curso, solicitar a expedição da RMF. § 1° A solicitação de que trata este artigo será apresentada conforme modelo constante do Anexo 1 e conterá. obrigatoriamente: 1 a identificação: a) do sujeito passivo submetido a procedimento de /iscalização; b) do MPF F a que se vincular e da respectiva data de expedição; c) da hipótese de indispensabilidade, que motivou a expedição da RMF;d) da instituição financeira, ou equiparado, destinatário da RMF, bem assim das informações requisitadas, forma de apresentação e prazo para atendimento; ll relatório circunstanciado contendo, no mínimo: a) descrição, com precisão e clareza, dos fatos que motivaram 0 enquadramento na hipótese de indispensabilidade; b) demonstração da razoabilidade da solicitação; Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 476 7 c) identificação das intimações efetuadas ao sujeito passivo, para fins de obtenção das informações sobre movimentação financeira, bem assim, se for o caso, dos correspondentes atendimentos: III nome e matricula do AFRF responsável pela execução do MPF F; IV aprovação do Chefe de Equipe de Fiscalização ou da chefia imediata. A Portaria trouxe no anexo I 0 modelo a ser seguido para que, somente depois, fosse expedido o RMF. Ausente tal . documento no formato definido, restou descumprida determinação legal as quais estão vinculados tanto o agente fiscal (CTN, art. 142, § único), como a cobrança do tributo (CTN, art. 3°). Do excesso de tributação Conforme se denota da planilha de folha 237, a fiscalização fixou os seguintes critérios para a apuração do montante do tributo no ano de 2005: equiparação dos ingressos à receita total; dedução do valor já oferecido a tributação; e, apuração do saldo objeto do presente lançamento; Ao analisar a planilha de folha 237, parcialmente transcrita em seguida, e' possível identificar os diversos critérios mencionados. Apesar de a fiscalização ter utilizado os ingressos nas contas correntes como receita total para 10 (dez) meses, esta conduta foi alterada para os meses de julho e agosto, conforme segue: O levantamento fiscal não possui coerência. Assim, para continuidade da exigência e sob pena de nulidade da totalidade do lançamento, deve ser deduzido da base de cálculo apurada pela fiscalização os montantes oferecidos à tributação nos meses de julho e agosto de 2005 (R$ 40.108,52 e R$ 36.417,33). Semelhanças entre a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/9 e o saldo credor de caixa forma de apuração da omissão Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 477 8 O art. 42 pode, para fins de forma de apuração do montante omitido, ser equiparado à figura do saldo credor de caixa na pessoa juridica. A presunção que fundamentou o presente processo parte da premissa de que o contribuinte possui, para aplicação, as receitas declaradas. Caso o valor da movimentação bancária supere as receitas, presumese haver omissão; O caso do saldo credor é análogo. A empresa possui o valor em caixa constante na contabilidade e, se aplicar/pagar/transferir montante superior, presumese a existência de omissão de receita; Entretanto, havendo saldo credor em vários meses não se pode imputar a omissão de receita a cada estouro do caixa, pois este será recorrente no ano. Em todo o momento que houver uma entrada no caixa e o saldo voltar a ser devedor, um pagamento posterior implicará, novamente, no estouro de caixa, sem que haja uma nova receita omitida; Nesta situação, a esfera administrativa tem entendido por tributar o maior saldo credor no ano e desconsiderar os demais estouros, evitando assim a tributação; No presente caso, de acordo com as conclusões da fiscalização, o contribuinte não teria oferecido à tributação o valor de R$ 553.584,73 (f. 237) no mês de dez/05, sendo que nos demais meses houve apenas a circulação de pane deste mesmo montante; Assim, a tributação deve ser limitada à quantia movimentada no mês de dezembro de 2005, visto que é a maior do ano, sendo o restante das entradas decorrência destes montantes. Do aproveitamento dos rendimentos tidos como omitidos como origem das movimentações dos meses seguintes Alternativamente ao debatido no item anterior, o valor tributado no mês de janeiro deve servir para justificar a movimentação do mês seguinte e assim sucessivamente. Caso contrario estarseia afastando a justificativa baseada nos levantamento do próprio fiscal. Também é este o entendimento da 4” Câmara do l° Conselho de Contribuintes nos acórdãos n°s 10,419.454 e l0419.482, cuja ementa segue transcrita: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS LE1N", 9.430. DE 1996 COMPROVAÇÃO Estando as Pessoas Físicas desabrigados de escrituração. os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive àqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. Assim, não tendo sido demonstrado pela fiscalização que os valores considerados como omissão de receita foram consumidos, estes devem servir de origem para as movimentações ocorridas nos meses seguintes, como tem decidido o Conselho de Contribuintes. Da obrigatória suspensão dos efeitos da exclusão de oficio do Simples Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 478 9 A exclusão de oficio do Simples, baseada em apuração de excesso de receita bruta, a qual está consubstanciada em presunção de omissão de receitas, cujo lançamento fiscal está sendo discutido administrativamente, deve aguardar a constituição definitiva dos créditos tributários correspondentes; Em função da intrínseca relação de dependência do presente lançamento com as questões atinentes à exclusão do Simples, o Ato Declaratório de exclusão deverá ter seus efeitos suspensos, ou alternativamente, ter sua análise obstada até o julgamento final das questões prejudiciais ao mérito. Da responsabilidade passiva solidária O “Termo de Sujeição Passiva Solidária” pretende equiparar 0 procurador da empresa, Sr. Norberto Koch Mendes, ao responsável solidário pelo crédito tributário constituído no presente processo, nos termos do art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o falo gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Sem indicar em qual dos dois incisos do artigo citado a fiscalização simplesmente decreta a “sujeição passiva tributária”. A simples ausência da fundamentação, tanto fática como de direito, já implica na nulidade de tal ato administrativo; Apesar do afirmado, não há nos autos qualquer comprovação da ciência do pretenso responsável tributário. Tal conhecimento é imprescindível para a validade da responsabilização e para facultar a ampla defesa ao “penalizado”; Assim, deve ser afastada a responsabilidade em virtude da inexistência de comprovação da ciência do responsável acerca do lançamento, como exige o art. 145 do CTN. Da ilegalidade de inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da taxa Selic Devido à falta de lei tributária (lei complementar) que crie e delimite a aplicação da taxa Selic para correção de créditos tributários, ferindo o disposto no art. 150, l, da Constituição Federal de 1988, configurandose numa majoração ilegal dos tributos, deve ser recalculado conforme preceitua o art; 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, num patamar de 12% por ano. Da diligência para ciência do sujeito passivo solidário Por conta da ausência de comprovação da ciência do sujeito passivo solidário, o processo foi encaminhado em diligência por esta Turma de Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 479 10 Julgamento (f. 347), a repartição de origem, para que o interessado fosse devidamente cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária e demais peças do processo e pudesse apresentar sua impugnação, no prazo legal. Da impugnação do responsabilizado solidariamente Devidamente cientificado em 18/08/2010 (f. 349), 0 interessado Norberto Koch Mendes apresentou, em 15/09/2010, impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Da impossibilidade da autoridade julgadora suprir atos privativos da autoridade lançadora A constituição do crédito tributário é tarefa da autoridade lançadora; O Conselho de Contribuintes tem anulado acórdãos da 1ª Instância quando se depara com invasão de competência para lançamento fiscal, restrita aos Auditores Fiscais da Receita Federal, como se pode observar na seguinte ementa: IRPJ e CSLL Exs: 1994 e 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO EM DECISÃO DE DELEGADO DE JULGAMENTO. LANÇAMENTO REALIZADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. NULIDADE Nulo é o agravamento da exigência. promovido em decisão de primeiro grau mediante inovação nos fundamentos da autuação. porque falece competência do Delegado de Julgamento para lavratura do ata. O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, não prevê a conclusão da atividade de lançamento fiscal. Do decurso do prazo MPF Após expirado o prazo de validade do mandado, isto é, após cessada a competência dos fiscais para atuarem em nome da Receita, ocorreram atos típicos da fiscalização, dentre eles a constituição do credito tributário que se perfectibiliza com a ciência do sujeito passivo. Assim, não poderia ter sido dada continuidade à fiscalização posto que é um ato administrativo vinculado, isto é, deve observar estritamente o previsto na legislação, emitindose um novo MPF. Da decadência em relação ao período de janeiro a agosto de 2005 Sendo necessária a constituição do crédito contra o responsável, aplicase a este o limite temporal denominado decadência. No caso em tela, o art. 150, parágrafo 1° estabelece o marco de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador para o lançamento. Tal prazo foi extrapolado em relação aos fatos geradores ocorridos antes de' 18/08/2005, vez que a ciência do sujeito passivo deuse em 18/08/2010 (Í1. 349). Fl. 479DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 480 11 Da inexistência de interesse comum nos fatos geradores inexistência de sujeição passiva solidária A ausência de indicação expressa do fundamento legal no qual se embasa o ato administrativo é razão suficiente para sua nulidade. Contudo, tomando 'o contexto geral das vagas afirmações transcritas acima, passase a analisar a situação sob o enfoque do inciso I, do art. 124 do CTN, que prevê a responsabilidade solidária entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Mesmo porque para a aplicação do inciso II,, seria necessário designar a lei específica; O “interesse comum” vem sendo tratado pela doutrina especializada como a atuação conjunta dos sujeitos passivos na realização de um único fato gerador. Ensina Leandro Paulsen: Referese à hipótese de, eg., duas pessoas serem coproprietários de um imóvel rural. Responderão solidariamente pelo total do ITR respectivo. Ou seja, o raciocínio vale para quando mais de uma pessoa pode ser enquadrada como contribuinte pela ocorrência de uma situação de fato comum a ambas. O Sr. Norberto Koch Mendes e' procurador da empresa. Os poderes a ele outorgados pelo sóciogerente, Sr. Marcelo Koch Mendes, seu irmão, com a concordância da outra sócia, Sra. Elen Koch Mendes, sua mãe. As referidas procurações não retiram os poderes contratuais dos sócios, que, como se pode verificar nos próprios autos administrativos, praticam regularmente atos em nome da sociedade: ciência do Tenno de Início de Fiscalização (f. 03), outorga de procuração (f. 37 e 299), solicitações às instituições financeiras (f. 40, 41, 42, 43, 44 e 45) e etc.; A existência de pessoa alheia ao quadro societário nao é novidade no mundo empresarial e tampouco fere a lei ou o contrato social. Do mesmo modo, a capacidade de gestão não torna o administrador responsável solidário pelos débitos da pessoa jurídica. Se assim fosse, todos os sóciosgerentes estariam, automaticamente, sujeitos ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, quando da lavratura de auto de infração contra suas empresas. Para a caracterização da solidariedade, o art. 124, inciso I, do CTN exige a demonstração de interesse comum no fato gerador, o que não decorre da simples competência de gestão da empresa; Responsabilidade, se houvesse, no caso de atuação em desacordo com o contrato social, seria aquele do artigo 135, inciso III, do CTN, de caráter subsidiário. O CTN prevê que a atuação de administradores de bens alheios em desacordo com o mandato, atrai a responsabilidade tributária pelos tributos devidos pelos representados. A diferença de situações é gritante. Enquanto o art. 124 coloca o responsável solidário como verdadeiro sujeito passivo da obrigação, por participar diretamente na realização do fato gerador, o art. 135 regula 0 caso específico de responsabilidade decorrente de abuso de poder ou omissão. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, pela 3ª Turma da DRJ/FNS, com o seguinte ementário: Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 481 12 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesta presunção legal, os depósitos bancários sem origem comprovada são considerados de forma individualizada e independente, competindo ao contribuinte esclarecer se, eventualmente, correspondem ao mesmo recurso, ou se existe outra relação entre eles. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUSPENSÃO DOS EFEITOS. HIPÓTESE. Quando as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de oficio de crédito tributário dela decorrente serão objeto de um único processo administrativo. Nesta situação, o recurso eventualmente interposto contra O mérito de qualquer um destes atos tem o condão de suspender os efeitos de ambos os atos, ante o vínculo de dependência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 SIGILO BANCÁRIO. ACESSO AS INFORMAÇÕES PELO FISCO. LEGITIMIDADE. Os agentes do fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 482 13 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). AUSÊNCIA DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Constando do relatório fiscal e demais peças dos autos que a RMF foi emitida por agente competente e nas situações previstas na legislação, de forma a possibilitar ao contribuinte aferir a legalidade do procedimento administrativo, não há que se falar em nulidade do procedimento, ainda que não conste dos autos um relatório circunstanciando a hipótese que determinou a emissão da RMF. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CIÊNCIA DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA APOS O PRAZO DE VALIDADE DO MPF. Valida é a ciência do Termo de Sujeição Passiva, ainda que feita após O prazo de validade do MPF, pois este ato não se inclui dentre os procedimentos de fiscalização sujeito ao prazo previsto no MPF. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE DE FATO. Comprovado que o sujeito passivo solidário atuava, de fato, como sóciogerente da empresa, na qual se apurou a prática de infração de lei (reiterada omissão de receitas), que beneficiou tanto a empresa quanto O próprio sóciogerente de fato, deve o fisco vinculálos na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário resultante. Impugnação Improcedente e Crédito Tributário Mantido Após sua regular intimação, a empresa autuada apresenta, tempestivamente, o respectivo Recurso Voluntário, pugnando pelo seu provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Compulsando os autos, entendo que os recursos ainda não se encontram em condições para julgamento. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 483 14 Sendo o presente processo embasado em extratos bancários obtidos pela fiscalização diretamente às instituições bancárias, através da denominada "Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira" (RMF), é imprescindível que os atos que envolvam sua obtenção tenham observado os ditâmes da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, sob pena dos extratos serem considerados inválidos. O Decreto nº 3.724/2001, no art. 4º, parágrafo 5º, prevê a necessidade do "relatório cicunstanciado", para embasar a expedição da referida RMF, destacandose que a autoridade responsável pela fiscalização deve demonstrar, de forma clara e precisa, a indispensabilidade do acesso às informações financeiras da pessoa fiscalizada. Eis o dispositivo: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (...) §1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: (...) §2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. (...) §5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. §6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (g.n.) Não encontro nos autos este relatório, não sendo possível avalizar (ou não), pelo menos neste instante, a legalidade das emissões das RMF´s (essas sim existentes nos autos). Ou seja, os autos não foram instruídos com informações necessárias para que seja possível analisar a legalidade das emissões das RMF´s, em especial o mencionado relatório circunstanciado com o enquadramento nas hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, devendo tal providência ser sanada, nos termos deste voto. Por outro lado, ainda há uma outra providência a ser sanada: ciência do Sr. Norberto Koch Mendes da decisão recorrida, com abertura do prazo de 30 dias para eventual apresentação de recurso. De fato, em que pese ter apresentado regulamente impugnação, manifestandose tanto sobre a exigência do crédito tributário como sobre o Termo de Sujeição Passiva Solidária, seus argumentos foram rejeitados pela DRJ. Portanto, se faz necessário seja intimado da Fl. 483DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 484 15 referida decisão, com a abertura do prazo de trinta dias para apresentar, se desejar, recurso voluntário a este Conselho. CONCLUSÃO Desse modo, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que: a) intimar o Sr. Norberto Koch Mendes da decisão recorrida, fornecendo cópia da referida decisão, com abertura do prazo de 30 dias para eventual apresentação de recurso. b) em seguida, a unidade origem deve anexar aos autos cópia do relatório circunstanciado que embasou a emissão das RMFs. c) na seqüência, os recorrentes (empresa autuada e devedor solidário) deverão ser cientificados do resultado da diligência, fornecendose cópia dos documentos em questão e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestemse sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Cumprido o rito determinado, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001979/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO DE OFÍCIO.
Atendidos os limites vigentes do recurso de ofício, deve ser conhecido e analisado no mérito.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. INTIMAÇÃO COMPROVAÇÃO PRÉVIA.
Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a intimação fiscal para comprovar os depósitos bancários deve ocorrer previamente à autução fiscal.
PIS. COFINS. REFLEXOS. BASE MENSAL.
O lançamento de omissão de receitas feito com valores em bases trimestrais só se aproveita para o PIS e Cofins nos meses que houve lançamento, e nos limites da base de cálculo deste.
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
A multa qualificada sobre valores constituídos com base em presunção legal deve ser afastada, se não houve comprovação de fraude.
MULTA AGRAVADA.
O simples fato de não ter apresentado os livros, e isto já deu causa ao lançamento fiscal, descabe o agravamento da multa.
Numero da decisão: 1402-003.213
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar provimento mantendo a decisão recorrida. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. Atendidos os limites vigentes do recurso de ofício, deve ser conhecido e analisado no mérito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. INTIMAÇÃO COMPROVAÇÃO PRÉVIA. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a intimação fiscal para comprovar os depósitos bancários deve ocorrer previamente à autução fiscal. PIS. COFINS. REFLEXOS. BASE MENSAL. O lançamento de omissão de receitas feito com valores em bases trimestrais só se aproveita para o PIS e Cofins nos meses que houve lançamento, e nos limites da base de cálculo deste. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL. A multa qualificada sobre valores constituídos com base em presunção legal deve ser afastada, se não houve comprovação de fraude. MULTA AGRAVADA. O simples fato de não ter apresentado os livros, e isto já deu causa ao lançamento fiscal, descabe o agravamento da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 19 79 /2 00 7- 37 Fl. 486DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar provimento mantendo a decisão recorrida. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 18471.001979/200737 Acórdão n.º 1402003.213 S1C4T2 Fl. 487 3 Relatório Trata o presente de Recurso Ofício interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, que julgou PROCEDENTE EM PARTE, a impugnação do contribuinte acima mencionado Tomando ciência da decisão a quo em 05/08/2010, o contribuinte em foco não apresentou recurso voluntário, sendo o presente processo, no que tange a parte incontroversa, desmembrado no processo 18470720963/201547 para prosseguimento da cobrança. Da parte exonerada na decisão a quo, coube a manutenção dos valores de crédito tributários constituídos, com respectivos encargos, do presente processo, que são objeto do presente recurso de ofício. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa Integração Social PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e Contribuição para Financiamento Seguridade Social Cofins, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, acrescidas de multa qualificada e agravada, no percentual de 225% e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 5.350.910,49, entre principal, multa e juros corrigidos até dezembro/2007. Em essência, decorreram de depósitos bancários não comprovados sua origem, que ensejaram além do lançamento fiscal, o arbitramento do lucro. Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: Tratam os presentes autos de exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 444.668,23, fls. 259; do PIS, R$ 126.930,97, fls. 265, da CSLL, R$ 210.900,70, fls. 269 e da COFINS, R$ 585.835,31, fls. 275, atinentes ao ano calendário de 2003, acrescidas de penalidade de ofício qualificada, agravada, 225%, e encargos moratórios SELIC. 2. Para o IRPJ e a CSLL o lucro da pessoa jurídica foi objeto de arbitramento, tendo em vista a não apresentação de livros e documentos contábeis/fiscais, Fundamentou o arbitramento a receita conhecida, assim denominados os créditos/depósitos bancários junto ao BRADESCO, fls. 260, para os quais, intimado, o sujeito passivo não logrou comprovarlhes as origens, fls. 35/48. 2.1. O PIS e a COFINS foram exigidos, em bases trimestrais, com fundamento na omissão de receitas reportada no artigo 42 da Lei n◦ 9.430/96. Fl. 488DF CARF MF 4 2.2. A penalidade qualificada se sustenta, conforme a fiscalização, na apresentação de PJSI – INATIVIDADE, o que caracterizaria evidente intuito de fraude. Além disso foi agravada, dada a reincidência do sujeito passivo na falta de atendimento às intimações para apresentação de extratos bancários, conforme termo de Constatação e Verificação Fiscal de fls. 56/59. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 3. Ciente das exigências em 05.12.07, o sujeito passivo acosta aos autos a impugnação de fls. 308/320, protocolada em 27/12/07, através da qual alega, em síntese: 3.1. de depósito bancário ou movimentação financeira não ser o bastante para configurar a omissão de receita, dado que, por si sós, não caracterizam disponibilidade econômica de renda, consoante jurisprudência do Primeiro Conselho de contribuintes e da CSRF e de Tribunais Superiores, ementas reproduzidas nos autos, fls. 311/312 e 315; 3.1.1. no mesmo sentido a Súmula n◦ 182 do extinto T.F.R; 3.2. da inconstitucionalidade do dispositivo, LC n◦ 105/01, art. 5◦, que, praticamente, torna o sigilo bancário inexistente; 3.3. finalmente, que não há no processo prova de que o sócio gerente da pessoa jurídica foi em algum momento intimado a apresentar os livros e documentos comprobatórios de suas operações comerciais e das movimentações econômico financeiras. 4. Quanto ao mérito, alega a existência de diversas transferências e outras operações que não foram levadas em conta pela fiscalização. 4.1. Quanto à penalidade agravada argui da revogação do art. 44 da Lei n◦ 9.430/96 pelo art. 14 da Lei n◦ 11.448/07. 5. Dada a evidente divergência entre os valores constitutivos das bases de cálculo das exações, fls. 60 , 20, 266, 270 e 276, R$19.527.844,28, e o montante daqueles consignados na intimação de fls. 35/48, R$ 5.573.102,01, o processo, por duas vezes, foi baixado em diligência, para, inclusive, eventual reformulação das autuações, fls. 356 e 375. 5.1. Como resultado da primeira a fiscalização ratificou os valores de fls. 37/48, ao argumento de que “o exato quantitativo, expressa e individualmente identificado dos créditos se encontra plenamente atendido pelo EXTRATO DE CRÉDITO de fls. 37 a 48”, fls. 373; outrossim: “o EXTRATO DE CRÉDITO em baila serviu de base para o presente lançamento tributário”, fls. 373. 5.2. Apenas por efeito da segunda diligência, a pessoa jurídica foi intimada em 18.05.09, fls. 398, com discriminação dos créditos sujeitos à Fl. 489DF CARF MF Processo nº 18471.001979/200737 Acórdão n.º 1402003.213 S1C4T2 Fl. 488 5 comprovação, fls. 378/397, que teriam composto o montante dos lançamentos cientificados em 05.12.07, fls. 259. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem dar provimento parcial à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE É defeso à administração a manifestação acerca de inconstitucionalidade de dispositivo legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. EFEITO Na forma do artigo 42 da Lei n◦ 9.430/96, a existência de depósitos bancários sem origem identificada autoriza a presunção legal de omissão de receita, com inversão do ônus da prova: compete ao contribuinte, detentor da conta bancária e beneficiário dos créditos nela consignados, justificarlhes as origens. ARBITRAMENTO DE RESULTADOS A não apresentação de livros/documentos de escrituração fundamenta o arbitramento de resultados com base na receita bruta conhecida, ainda que, por presunção legal autorizada. PENALIDADE QUALIFICADA. FRAUDE. Fraude não se presume nem se alicerça em eventual indício. PENALIDADE. AGRAVAMENTO. Se a omissão do sujeito passivo dá causa e fundamento ao lançamento de ofício, descabido o agravamento da penalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 REFLEXIVIDADE Lançamento tomado por mera reflexividade, à falência de fato relevante, segue a decisão da exação que lhe deu origem. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 PIS e COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 490DF CARF MF 6 Comprovado o fundamento material da presunção legal de omissão de receita, reportada no art. 42 da Lei n◦ 9.430/96, impõelhe as exigências do PIS e da COFINS, por mês calendário de apuração; não, por lançamento trimestral. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: rejeitou as preliminares suscitadas na peça impugnatória; ajustou os valores lançados, pois quando intimado a comprovar os depósitos bancários, o contribuinte recebeu uma listagem cujo montante é de R$ 5.573.102,01, enquanto no auto de infração, a base de cálculo é de R$ 19.527.844,28; somente após ciência do auto de infração que se deu em 05/12/2007, em 18/05/2009, já em sede de atendimento de diligência, é que o valor total de R$ 19.527.844,28 foi intimado a ser comprovado ao contribuinte; tal situação contraria o dispositivo legal de prévia e expressa intimação ao sujeito passivo para comprovar os depósitos bancários antes de ocorrer a autuação fiscal; com isso, deve ser exonerada da base de cálculo o montante de R$ 13.954.742,27, correspondente à diferença de valores acima; há no valor regularmente intimado e autuado de R$ 5.573.102,01 valores indevidos para base de cálculo, como saldo atual e anterior dos meses, estornos, cheque devolvido, que devem ser excluídos, o que remanesceu o valor de R$ 5.278.503,74; o PIS e Cofins foram constituídos com bases trimestrais, nos mesmos valores e meses do IRPJ e CSLL trimestrais arbitrados, devendo prevalecer apenas dos meses em que houve o lançamento aplicável com base mensal; quanto à multa qualificada, entendeu como se trata de um caso de presunção legal, e não há prova de fraude, foi afastada; quanto ao agravamento, descabido pois houve o arbitramento, que dispensa os livros e documentos fiscais não apresentados sob intimação fiscal, e o lançamento fiscal ter ocorrido com base na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996; conforme planilha integrante do acórdão recorrido, houve exoneração dos tributos indevidamente constituídos, no entender do relator condutor do voto, que foi acompanhado pelos demais pares do seu colegiado. Do Recurso de Ofício: Tomando ciência da decisão a quo em 05/08/2010, o contribuinte em foco não apresentou recurso voluntário, sendo o presente processo, no que tange a parte Fl. 491DF CARF MF Processo nº 18471.001979/200737 Acórdão n.º 1402003.213 S1C4T2 Fl. 489 7 incontroversa, desmembrado ao processo 18470720963/201547 para prosseguimento da cobrança. Da parte exonerada na decisão a quo, coube a manutenção dos valores de crédito tributários constituídos, com respectivos encargos, do presente processo, para prosseguimento do litígio administrativo, que são objeto do presente recurso de ofício. Em análise, o valor exonerado na autuação fiscal, no que tange ao crédito tributário e respectivo encargo de multa, em muito superior ao atual limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, de R$ 2.500.000,00. De início, a autuação fiscal, no que tange ao crédito tributário principal e encargos de multa, foi no total de R$ 4.447.089,43. A parte mantida na autuação fiscal após a decisão a quo , no que tange ao crédito tributário principal e encargo de multa foi de total R$ 373.482,85. Ou seja, houve a exoneração de R$ 4.073.606,59. Em síntese, as exonerações envolveram os seguintes fatos, conforme detalhado v. acórdão recorrido, e relatados acima: redução da base de cálculo original da autuação de R$ 19.527.844,28 para R$ 5.573.102,01, por conta de deficiência na intimação fiscal durante o procedimento fiscal para comprovar os depósitos bancários exonerouse a base de cálculo de R$ 13.954.742,27; expurgos da base de cálculo remanescente de R$ 5.573.102,01 por conta de valores indevidos lançados como depósitos bancários, mas que seriam estornos, cheques devolvidos, etc no montante de R$ 294.598,27 ficouse como base de cálculo final o valor de R$ 5.278.503,74; exoneração de parte dos valores de PIS e Cofins, pois foram lançados com base trimestral (mesma do IRPJ e CSLL), remanescendo apenas nos meses que a base a lançar era mensal e foi lançado neste mês; exoneração da multa qualificada e da multa agravada. É o relatório. Fl. 492DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator Conforme demonstrado acima no relatório, o recurso de ofício é superior aos limites de alçada imposto pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, pelo qual dele conheço. Da síntese dos fatos: O caso acima relatado versa sobre a uma autuação fiscal de IRPJ, e respectivos reflexos (CSLL, PIS e Cofins) referentes ao anocalendário de 2003, acrescido de multa qualificada e agravada. Decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, acarretando a apuração de omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Não houve a apresentação dos livros contábeis/fiscais após intimado para tanto, o que sujeitou o contribuinte ao arbitramento do lucro. Para fundamentar a multa qualificada foi arguido que apresentou declaração de imposto de renda como inativa, e para o agravamento pela reincidência em não atender as intimações fiscais. Na sua impugnação alega que os depósitos bancários não são o bastante para configurar omissão de receita, e a LC 105/2001, art. 5ª é inconstitucional. Não haveria ocorrido intimação para apresentar os livros e documentos comprobatórios. Houve valores que são transferências e estornos que não foram considerados na autuação fiscal. Insurgese também contra a qualificação e agravamento da multa. Anteriormente à decisão a quo, houve duas diligências provocadas pela autoridade julgadora, para esclarecer divergências que se fundamentam nos valores autuados dos depósitos bancários de R$ 19.527.844,28 e o intimado durante o procedimento fiscal foi de R$ 5.573.102,01: Em primeira resposta da diligência, houve ratificação de que os valores seriam os intimados para comprovar os mesmos constantes no auto de infração, e em segunda resposta, é que houve intimação fiscal para justificar o montante de R$ 19.527.844,28 em síntese, a ciência do auto de infração ocorreu em 05/12/2007, mas a intimação com todos os valores a serem comprovado ocorreu em 18/05/2009. Por conseguinte, a decisão a quo decidiu que deveria ser mantida na autuação fiscal apenas a intimação fiscal original para justificar os depósitos bancários, cujo total é de R$ 5.573.102,01, e promoveu algumas exclusões de valores indevidos estornos, etc , a qual o total anual diminuiu para de R$ 5.278.503,74. Parte do PIS e Cofins foram exonerados, por quanto que autuação fiscal se restringiu aos meses de encerramento trimestral do IRPJ e CSLL. Exonerou a multa qualificada por se tratar de um lançamento com base em presunção legal e exonerou a multa agravada porque os documentos não foram necessários para a autuação fiscal. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 18471.001979/200737 Acórdão n.º 1402003.213 S1C4T2 Fl. 490 9 Tendo a autuação fiscal (crédito tributário+multa) exonerada de R$ 4.447.089,43 para R$ 373.482,85, o contribuinte não apresentou recurso voluntário. Dado o valor exonerado, coube de ofício, o recurso ora em apreciação. Das exonerações aplicadas na decisão a quo:: da redução da base de cálculo Conforme relatado acima, a decisão a quo entendeu que deveria ter ajustado os valores lançados, reduzindo a base de cálculo dos autos de infração de R$ 19.527.844,28 para R$ 5.573.102,01, por conta de vício na intimação fiscal para comprovar os depósitos bancários, que durante o procedimento fiscal constava com valores que somavam este segundo valor, basicamente referente ao 1º trimestre de 2003. Houve procedimento de diligência, duas na realidade, para esclarecer isso, e a autoridade fiscal tentou sanar tal situação efetuado uma intimação fiscal, então, com o total de depósitos bancários do anocalendário de 2003, de R$ 19.527.844,28. Contudo, tal intimação fiscal, foi feita já após a ciência de auto de infração, e por insistência de esclarecimento da autoridade julgadora a quo (era a segunda vez que houve conversão em diligência). Em síntese, os fatos autuados se referem ao anocalendário de 2003, houve ciência da autuação fiscal em 05/12/2007, com intimação para justificar depósitos bancários previamente no montante de R$ 5.573.102,01, e tentouse sanar com os demais valores de depósitos bancários de R$ 13.954.742,27 em 18/05/2009. Compulsandose os autos, confirmase realmente o constatado pela autoridade julgadora que me precede. Em efls. 36 a 49, há termo de intimação fiscal, cientificado em 23/08/2007, em que se intima o contribuinte a justificar depósitos bancários, cujo o montante é de R$ 5.573.102,01, referindo na sua esmagadora maioria de valores cuja data de crédito em conta corrente foi referente ao 1º trimestre de 2003. Há poucos valores dos trimestres seguintes. O ato relevante da autoridade fiscal posterior a retromencionada intimação fiscal foi a autuação fiscal cientificada em 05/12/2007, conforme termo de constatação e verificação fiscal (efls. 57 a 61) e auto de infração (efls. 298 a 316). No termo de constatação e verificação fiscal há a menção de uma movimentação bancária no anocalendário de 2003, no montante de R$ 17.972.294,38, baseada nas informações de base de cálculo da CPMF prestadas pelas instituições financeiras. Ao final, informa o total autuado (R$ 5.330.910,49, conforme o total do auto de infração tributos+multas+juros), e anexo ao termo consta um resumo consolidado da movimentação bancária mensal relativa ao anocalendário de 2003, de conformidade com os extratos das contas correntes mantidas no Unibanco, BCN e Banco do Brasil (efl. 61). Neste anexo, consta valores ao longo de 2003, de forma mais homogênea, ou ao menos, dentro do esperado, cujo montante anual é apontado em R$ 19.527.844,28. No intervalo entre a efl. 62 a 297 há cópia dos extratos que deram suporte aos valores do anexo do termo de constatação e verificação fiscal. Fl. 494DF CARF MF 10 No auto de infração (efls. 298 a 316) verificase que foram utilizados os valores constantes desta planilha anexa ao termo de constatação e verificação fiscal, lançados em bases trimestrais. Na sua peça impugnatória (efls. 350 a 362), a recorrente basicamente ataca questões de direito, e não atacou a divergência de valores mencionada até o momento, ignorandoa totalmente. À efl. 398, temos uma resolução da DRJ, datada de 30/04/2008, em que a autoridade julgadora a quo formula os seguintes questionamentos: 1) acoste aos autos o exato quantitativo, expressa e individualmente identificado, dos créditos a que se referencia o artigo 42 da Lei nº 9.430/96; 2) reintime o contribuinte para, no prazo de trinta dia, comprovar origens dos créditos sujeitos a comprovações, expressa e individualmente identificados por instituição financeira e conta bancária respectiva, excluídos aqueles integrantes de extratos bancários, porém, não sujeitos ao artigo 42 da Lei nº 9.430/96; Em caso de incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem alteração da exigência inicial, ou inovação da fundamentação legal da exigência tributária, deverá ser observado o disposto no artigo 18, §3º, do Decreto nº 70.235/1972, com a redação que lhe deu o artigo 1º da Lei nº 8.748/1993. A autoridade fiscal autuadora, em atendimento à diligência, procede a um termo de reintimação fiscal, cientificado em 30/05/2008 (efls. 401 a 402) para que o contribuinte apresente todos os documentos intimados no termo de início de fiscalização e os demais itens intimados nas demais intimações fiscal no transcorrer do procedimento fiscal, e também para comprovar todos os valores decorrentes dos extratos bancários em anexo (efls. 402 a 413). Notese que o anexo desta intimação fiscal cientificada em 30/05/2008 consta com exatamente os mesmos valores, senão mesmo uma cópia, da intimação fiscal cientificada 23/08/2007 (efls. 36 a 49), realizada durante o procedimento fiscal, que já restou demonstrada que tem o montante de R$ 5.573.102,01, com esmagadora maioria dos valores do 1º trimestre de 2003. Aparentemente, não houve resposta do contribuinte, pois a efls. 414 a 416, a autoridade fiscal autuadora faz um despacho, datado de 01/07/2008, em que expressa os mesmos argumentos do termo de constatação e verificação fiscal, e que os valores dos depósitos bancários encontravamse identificados individualmente conforme fls. 37 a 48 (processo em papel efls. 36 a 49) dos autos. Ao final, devolve à DRJ para prosseguimento. A DRJ insatisfeita com a resposta, profere um despacho (efl. 417 a 418), datado de 10/08/2008, em que após contestar a devolução da DRJ, esclarece, de mais nítida, a divergência de valores identificado entre o autuado e intimado para comprovar os depósitos, conforme já exposto várias vezes no presente voto, bem como quais os valores são indevidos Fl. 495DF CARF MF Processo nº 18471.001979/200737 Acórdão n.º 1402003.213 S1C4T2 Fl. 491 11 lançados como base de cálculo, tipo saldo anterior e saldo atual, estornos, etc. Ao final, conclui que a diligência, nos termos que foi proposta, não foi cumprida. Neste feito, a autoridade julgadora faz nova intimação fiscal, cientificada em 18/05/2009, agora com o anexo do termo de constatação e verificação fiscal, em que consta os valores somados por mês dos depósitos bancários, e relação dos créditos ocorridos nos extratos bancários, de todo o anocalendário de 2003 (efls. 419 a 440) A efl 441 faz despacho devolvendo o auto para julgamento da DRJ, entendendo que cumprido e saneada a autuação fiscal. Neste contexto fático todo é que foi prolatada a decisão a quo, que alterou, diminuindo, a base de cálculo total do ano no auto de infração de R$ R$ 19.527.844,28 para R$ 5.573.102,01. O embasamento primordial para tal decisão de piso foi no seguinte sentido: 11.1. a presunção reportada no art. 42 da Lei n◦ 9.430/96 se lastreia na prévia e expressa intimação ao sujeito passivo para comprovar origens de créditos/depósitos bancários. Ora, o contribuinte foi intimado a comprovar valores constantes da listagem de fls. 37/48, no montante de R$ 5.573.102,01. O que é corroborado pela manifestação fiscal de fls. 373, reproduzida no relatório. No entanto, as autuações tomaram, como bases de cálculo, R$19.527.844,28. (...) 11.1.3. Ora, contraria, expressamente, o dispositivo legal – de prévia e expressa intimação ao sujeito passivo , além do mais comezinho bom senso, autuarse primeiro e intimarse à concretização, ou não, do eventual fundamento material da presunção legal 17 meses depois de concretizada a autuação. Aqui entendo que perfeitamente aplicado o entendimento da autoridade julgadora do voto a quo. A matéria do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, no seu caput, é categórico quando a necessidade de intimação fiscal prévia para comprovar os depósitos bancários, para eventual caracterização de omissão de receitas através de autuação fiscal, nos seguintes termos: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 496DF CARF MF 12 Tentar sanear tal situação um ano e meio depois de dar ciência do auto de infração, não foi o suficiente, nem satisfatório e muito menos adequado, pois além de ofender as exigências legais pertinentes à presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, apenas arguindo genericamente, já estava decaído o direito de constituição do crédito tributário em foco, e também há nítida ofensa aos preceitos do art. 142 do CTN. Entendo que tal decisão adotada não mereça nenhum reparo. Posteriormente, em análise no julgamento a quo foram excluídos valores indevidos que constavam na base de cálculo que se entendeu regularmente intimada e constituída, reduzindo o valor de R$ 5.573.102,01 para R$ 5.278.503,74. Os fundamentos na decisão a quo assim estão postos: 12. Quanto aos fundamentos da presunção de omissão de receitas, o mesmo artigo 42, já mencionado, titula quais valores materializam a presunção. Ora, na listagem de fls. 37/48 há valores que, até por sua natureza, são indevidamente tomados como bases de cálculo dos lançamentos em pendenga. V.g.: saldo atual e saldo anterior (em final e início de mês), estorno de débito, estorno de tarifa, cheque devolvido, doc .devolvido e utilização de conta garantia. Aqui, resta caracterizada tal situação no contexto aplicado do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, conforme análise na listagem que deu suporte ao auto de infração e mantido pela autoridade julgadora a quo, não devendo sofrer nenhum reparo. Dado o exposto, não há condições fáticas e jurídicas de dar provimento ao recurso de ofício no tocante a questão da base de cálculo exonerada. da exoneração do PIS e Cofins O PIS e Cofins foram constituídos com bases trimestrais, nos mesmos valores e meses do IRPJ e CSLL trimestrais arbitrados, entendendo a instância administrativa a quo que deve prevalecer apenas dos meses em que houve o lançamento aplicável com base mensal concomitante, nos seguintes termos: 14. Quanto ao PIS e a COFINS, desnecessário a menção de que a legislação de suas regências impõe incidência mensal desses encargos tributários. Não trimestral, como efetuado nas respectivas atuações. Importa, portanto, respeitados os lançamentos, reduzir suas bases de cálculo dos lançamentos às efetivas de cada mês fim de cada trimestre. Compulsando os autos, confirmase a situação identificada pela autoridade julgadora a quo, e não merece nenhum reparo seu posicionamento. das multas exoneradas Fl. 497DF CARF MF Processo nº 18471.001979/200737 Acórdão n.º 1402003.213 S1C4T2 Fl. 492 13 A decisão a aquo exonerou a multa qualificada por se tratar de um lançamento com base em presunção legal e exonerou a multa agravada porque os documentos não foram necessários para a autuação fiscal. No que tange à multa qualificada e à multa agravada, o fundamento do auto de infração foi um tanto genérico quando tenta justificar tal posição, nos seguintes termos: 13. Patente está, resta salientar, que o contribuinte apresentou um comportamento desatento, furtouse a atender as intimações fiscais, e assim, colocouse em situação merecedora do agravamento das penalidades previstas na legislação federal. 14. Como claramente se verifica, pelos elementos e números expostos, houve a apresentação de declaração falsa com o fim específico de uma total sonegação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da COFINS e do PIS, ao longo de todo o exercício financeiro de 2004, razão pela qual foi lavrado o competente auto de infração para cobrança integral desses tributos com o agravamento das penalidades cabíveis, por falta de atendimento das intimações formalizadas para prestar esclarecimentos, nos termos do inciso I do artigo 959, do mesmo diploma legal. A declaração falsa supramencionada se refere a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Inativas, prestada pelo contribuinte, referente ao anocalendário de 2003. A decisão a quo assim entendeu para exoneração a multa qualificada e agravada: 15. Quanto à penalidade qualificada, 150%, atentese à preliminar de que fraude: não se presume, nem se alicerça em eventuais indícios. Assim, o fato de o contribuinte, no ano calendário sob fiscalização, ter apresentado declaração de inatividade, ainda que possua, no mesmo ano, movimentação financeira expressiva, por si, não justifica a qualificação da penalidade. Haveria eventual indício de fraude. Não, prova efetiva. 15.1. Evidentemente, a prática reiterada do procedimento, por anos consecutivos, evidenciará a intenção dolosa, consoante jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, (acórdãos n◦s. 10516.346, 10709.376, 108 09.612). Nessa mesma linha o enunciado da Súmula n◦ 15 do 1° Conselho de Contribuintes no sentido da necessidade de comprovação de evidente intuito de fraude, em matéria de omissão de receitas, para a qualificação da penalidade. 16. Finalmente, descabe o agravamento da penalidade. Porquanto, se o arbitramento de resultados se fundamenta na não apresentação de livros e documentos contábeis/fiscais, e, Fl. 498DF CARF MF 14 se a presunção legal reportada no artigo 42 da Lei n◦ 9.430/96 tem lastro na omissão do sujeito passivo quanto às origens dos créditos/depósitos bancários, não pode este ser penalizado, com agravamento da penalidade, exatamente porque materializou os fundamentos das exações. 16.1. Desnecessário mencionar que o agravamento de penalidade somente se sustenta nos casos específicos prescritos em Lei (art. 14, § 2◦, Lei n◦ 11.448/07). Dentre estes, não prestação de esclarecimentos, necessários e imprescindíveis, à continuidade do procedimento fiscal. O que, como se evidenciou nestes autos, não é o caso. Mantido, pois, o agravamento da penalidade e as autuações seriam corroídas, eventualmente, por essa insustentabilidade intrínseca do agravamento da penalidade. Tal matéria tem suscitado eventuais dúvidas e discussões no colegiado (e presumo que em todo o CARF), de qual o alcance da dolo necessário para aplicação da multa qualificada, principalmente levando em conta a apresentação de uma declaração falsa de inatividade, como no caso. Aqui entendo que poderia ter ocorrido um aprofundamento investigatório da autoridade fiscal autuadora, pois se constata vários valores depositados ao longo do ano de 2003 superiores a R$ 100.000,00, o que entendo incompatíveis, num primeiro momento e para o ano em foco (2003), com a atividade que consta no nome do contribuinte (materiais de construção). Não o fez, aplicando simplesmente a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Neste caso, não vislumbro o mesmo que consta no termo de constatação e verificação fiscal, e acompanho a decisão a quo. Ademais, ao caso concreto entendo mais que aplicável as súmulas CARF nº 141 e mº 252. Quanto ao agravamento da multa qualificada aplicada, mais que aplicável o súmula CARF nº 963. Desta sorte, entendo que devidamente aplicáveis estas exonerações por parte da autoridade julgadora a quo. Conclusão: Voto por conhecer, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida. 1 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. 2 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 3 Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 18471.001979/200737 Acórdão n.º 1402003.213 S1C4T2 Fl. 493 15 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 500DF CARF MF
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Numero do processo: 10315.720550/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010, 2011
RECURSO QUE SE LIMITA A FAZER REFERENCIA A IMPUGNAÇÃO E JUNTAR NOVOS DOCUMENTOS SEM NEM MESMO APRESENTAR PEDIDO OU RAZÕES RECURSAIS. NÃO CONHECIMENTO QUE SE IMPÕE.
O recurso que configure apenas mera referencia a impugnação sem indicar o vício da decisão hostilizada, que poderá ser relativo ao direito ou quanto ao procedimento, que junta novos documentos sem fundamentar tal requerimento e não apresenta sem mesmo pedido impõe ao julgador seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2402-006.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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NÃO CONHECIMENTO QUE SE IMPÕE. O recurso que configure apenas mera referencia a impugnação sem indicar o vício da decisão hostilizada, que poderá ser relativo ao direito ou quanto ao procedimento, que junta novos documentos sem fundamentar tal requerimento e não apresenta sem mesmo pedido impõe ao julgador seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 05 50 /2 01 3- 81 Fl. 398DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10315.720550/201381 Acórdão n.º 2402006.199 S2C4T2 Fl. 399 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 392 a 394, voltado contra Acórdão da 9ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário conforme lançado. Assim está posto o relatório da decisão recorrida: Do Lançamento Cuidase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios 2010 e 2011, anoscalendário 2009 e 2010 que formalizou a exigência do crédito tributário em razão da constatação de omissão de rendimentos. Do Procedimento FiscalDas Diligências Conforme item 1 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 12/37, a fiscalização relata que o Cartório do 2º Ofício de Juazeiro do Norte/CE informou por meio da Declaração de Informações Imobiliárias – DOI que a empresa Tecnoplanos Empreendimentos Imobiliários havia alienado o imóvel urbano com área de 13.023,04m² para a empresa Newland Veículos pela quantia de R$2.000.000,00. A escritura de compra e venda foi lavrada em 31/5/2010. De forma a verificar o cumprimento das obrigações tributárias foram instaurados procedimentos de diligência fiscal junto à Tecnoplanos, ao seu sócio o Sr. José Gilberto de Mendonça e à Newland Veículos. Tecnoplanos Empreendimentos Imobiliários Intimada em 20/6/2011 a apresentar cópia do contrato social, de DARF, dos livros Diário, Razão e LALUR, a Tecnoplanos apresentou alguns documentos e informou que no ano de 2010 não houve recolhimentos em DARF. Imposto (2904) R$191.640,00 Multa Proporcional R$287.460,00 Juros de Mora (até 5/2013) R$59.474,75 Valor do Crédito Tributário Apurado R$538.574,75 Fl. 400DF CARF MF 4 Relata a autuante que o contrato social assinado em 17/7/2009 foi protocolado na Junta Comercial do Ceará em 30/9/2009 e registrado na data de 5/10/2009. A participação do Sr. José Gilberto era de 83,28% do capital social pela integralização de 416.384 quotas pelo valor de R$416.384,00, mediante a incorporação do imóvel com área de 13.023,04m² mencionado no item 1. O livro Diário do ano de 2010 somente foi registrado na Junta Comercial em 7/7/2011, após 20/6/2011, data de início do procedimento fiscal junto à empresa, com os primeiros registros referindose à compra de materiais de construção em 14/9/2010. Novamente intimada, dessa vez a apresentar novos documentos e esclarecimentos, a empresa em 28/7/2011 apresentou cópias de declarações de inatividade (5/10/2009 a 31/12/2010) e DIPJ, mas não disponibilizou os livros Diários e Razão do ano de 2009, por não terem sido impressos por falta de lançamentos. Registrou ainda que não entregou DIMOB por não ter realizado transação imobiliária no período requisitado. Novo termo de intimação foi endereçado com as solicitações descritas no item 14 do TVF, fls. 14/15. Em 10/8/2011 a empresa apresentou escritura de compra e venda em que são partes a Tecnoplanos e a Newland Veículos, a DIPJ 2011 com inexistência de receita e a justificativa de que não apresentou DIMOB porque não estava obrigada a fazêlo em razão da ausência de transação imobiliária em 2010. Quanto à ausência da movimentação bancária no livros Diário e Razão de 2010 declarou que a empresa não havia sido constituída à época da transação e por isso a movimentação bancária era realizada na conta do Sr. José Gilberto. A fiscalização relata que à fl. 12 do Razão/2010, na conta 1.07.04.01.01.0002 – Edifícios e Construções, verificase que não houve lançamentos a débito ou a crédito, apenas o saldo inicial de R$416.384,00 correspondente à integralização de capital por José Gilberto. A empresa também não apresentou cópias dos comprovantes do efetivo recebimento da quantia de R$2.000.000,00. Newland Veículos Intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, a Newland disponibilizou cópias da escritura de compra e venda do referido imóvel, do contrato particular de compra e venda firmado em 26/8/2009, do acordo manuscrito firmado na mesma data, dos comprovantes de quitação, todos em nome do Sr. José Gilberto, bem como um recibo de quitação emitido pela Tecnoplanos. Informa a fiscalização que o contrato de compra e venda firmado em 26/8/2009 foi assinado por José Gilberto de Mendonça e sua esposa, Sra. Tereza Maria Teles Mendonça, identificados como vendedores conforme parágrafo único da cláusula primeira. Na cláusula segunda registrouse o valor do negócio por R$4.000.000,00. Segundo a autuante o referido Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10315.720550/201381 Acórdão n.º 2402006.199 S2C4T2 Fl. 400 5 contrato ratificou os termos do acordo manuscrito também de 26/8/2009. Prossegue a autoridade lançadora afirmando que a Newland aprensentou comprovantes de Transferência Eletrônica Disponível – TED no total de R$3.450.000,00, cujo favorecido era o Sr. José Gilberto. Ainda foi emitido um cheque nominal à Tecnoplanos no valor de R$550.000,00. Registra a autuante que embora a escritura de compra e venda de 31/5/2010 indique a Tecnoplanos como vendedora, o contrato de compra e venda de 26/8/2009, firmado nove meses antes, atesta que o Sr. José Gilberto e esposa eram os vendedores, conforme demonstram as transferências bancárias. José Gilberto de Mendonça O contribuinte foi intimado a apresentar listagem contendo cada um dos lançamentos a crédito em suas contas bancárias no Banco Industrial e Comercial com valores iguais ou superiores a R$10.000,00 no ano de 2009, bem como a explicação de data, origem dos recursos e natureza da operação que justifica o recebimento do respectivo valor. Como a intimação não foi atendida, lavrouse novo termo para que o contribuinte informasse se havia realizado algum negócio com a Newland Veículos. Em resposta informou que realizou negócio com a referida empresa, apresentou escritura de compra e venda lavrada em 31/5/2010 em que são partes a Tecnoplanos e a Newland. Nova intimação foi endereçada ao contribuinte reiterando as solicitações anteriores não respondidas e questionandoo se o imóvel havia sido vendido à Newland antes ou após sua integralização ao capital da Tecnoplanos, ou seja, se a alienação foi realizada pela pessoa física ou pela pessoa jurídica. Mais uma vez não houve resposta. Em resposta a outra intimação que reiterou os pedidos anteriores o contribuinte informou que os valores superiores a R$10.000,00 constantes da sua movimentação bancária correspondem aos valores recebidos pela venda do imóvel à Newland, sem apresentar a listagem dos créditos nem os extratos bancários. No entanto esclareceu que o imóvel foi vendido pela pessoa jurídica, sendo que a venda tácita ocorreu antes da incorporação. Em seguida teria havido a incorporação e depois a transferência de fato e de direito para o adquirente. O contribuinte ainda foi intimado a apresentar data e valor de aquisição do imóvel alienado, mas não respondeu, agindo da mesma forma quando reintimado outras duas vezes. Fiscalização Fl. 402DF CARF MF 6 De posse dos elementos colhidos durante as diligências foi instaurado procedimento de fiscalização para a constituição do crédito tributário. Cientificado em 8/2/2013 para prestar esclarecimentos sobre os documentos apresentados pela Newland Veículos, não houve manifestação do contribuinte, o mesmo se repetindo em relação ao termo de reintimação, cuja ciência ocorreu em 19/3/2013. Conforme certidões de inteiro teor e vintenária expedida pelo Cartório do 2º Ofício de Juazeiro do Norte/CE em relação ao imóvel matriculado sob o nº 7782 a fiscalização explica que há registro em 18/8/1978 de aquisição pela empresa Sodal Sociedade Distribuidora de Automóveis, averbação de construção em 7/1/1980, hipoteca em favor do Banco do Nordeste em 27/8/1998, baixa de hipoteca em 19/2/2008, retificação de metragem em 22/2/2008, desincorporação do imóvel para o adquirente José Gilberto de Mendonça em 29/5/2008, aquisição do imóvel pela Tecnoplanos em 30/4/2010, aquisição pela Newland em 31/5/2010. Por sua vez os documentos encaminhados pela Junta Comercial do Ceará dão conta da aquisição do imóvel pela Sodal em 18/8/1978, distrato social em 11/7/1986, desincorporação para José Gilberto em 29/5/2008, incorporação do imóvel mesmo alienado à Newland ao capital da Tecnoplanos (contrato registrado em 5/10/2009), escritura em 30/4/2010 referente à transmissão de José Gilberto para a Tecnoplanos e lavratura de escritura referente à transmissão da propriedade da Tecnoplanos para a Newland em 31/5/2010. Data e Custo de Aquisição A data de aquisição do imóvel pelo Sr. José Gilberto foi considerada pela fiscalização com sendo 11/7/1986, momento do distrato social da Sodal e não a data de 29/5/2008, data da desincorporação, por que a Lei 556/1850 (Código Comercial) determinava que ultimada a liquidação deveria ser procedida a imediata divisão e partilha dos bens sociais. No distrato, tanto José Gilberto quanto sua esposa e também sócia da Sodal, Sra. Tereza Maria Teles Mendonça deram quitação de seus direitos perante a empresa. Com fundamento nos artigos 125 do Regulamento do Imposto de Renda e 6º da Instrução Normativa 84/2001 a fiscalização estipulou o custo de aquisição do imóvel alienado em R$416.383,69, valor informado nas declarações de ajuste dos exercícios 2004 a 2008 referente aos seus direitos perante a Sodal Sociedade Distribuidora de Automóveis. Data e Valor de Alienação Conforme instrumento particular de compra e venda a autoridade autuante registra que o imóvel foi vendido por José Gilberto e sua esposa pelo valor de R$4.000.000,00 pago em 26/8/2009 (sinal) e parcelas subsequentes creditadas na conta bancária do Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10315.720550/201381 Acórdão n.º 2402006.199 S2C4T2 Fl. 401 7 fiscalizado, exceção à última que foi paga por meio de cheque nominativo à Tecnoplanos, mas caracterizada como recebida pelo contribuinte. A data de 26/8/2009 seria a constante do instrumento particular de compra e venda e não aquela constante da escritura de compra e venda da Tecnoplanos à Newland, porque nos termos dos artigos 119 da Lei 6.015/73 (Registros Públicos) e artigo 45 do Código Civil, a existência legal da pessoa jurídica somente começa com o registro dos seus atos constitutivos. Como a constituição legal da Tecnoplanos somente ocorreu em 5/10/2009 não seria possível retroagir à data de 17/7/2009, momento de assinatura do contrato social, cujo protocolo na junta comercial ocorreu em 30/9/2009. Acrescenta a autuante que na data do instrumento particular firmado pelo casal e a Newland, 26/8/2009, a Tecnoplanos ainda não existia. No período anterior à existência legal da sociedade foram creditadas duas parcelas em favor de José Gilberto. Registra ainda o TVF que até a data do instrumento particular de compra e venda e recebimento da primeira parcela, o Sr. José Gilberto recebia aluguéis da Newland. Cálculo Imposto Por entender que o Sr. José Gilberto e sua esposa são os reais vendedores do imóvel à Newland, com fundamento nos artigos 117 a 142 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, 18 da Lei 7.713/1988 e 40 da Lei 11.196/2005 foi apurado o imposto incidente sobre o ganho de capital considerando a data de aquisição em 11/7/1986 e data de alienação em 26/8/2009: () Redução (15%) artigo 18 Lei 7.713/88 537.542,44 = Ganho de Capital 2 3.046.073,87 () Redução FR1 Lei 11.196/2005 (50,92%) 1.551.060,81 = Ganho de Capital 3 1.495,013,06 Valor de Alienação 4.000.000,00 () Custo de Aquisição 416.383,69 = Ganho de Capital 1 3.583.616,31 Fl. 404DF CARF MF 8 () Redução FR2 Lei 11.196/2005 (14,54%) 217.374,89 = Ganho de Capital 4 1.277.638,17 Como a alienação foi a prazo, a fiscalização elaborou o cálculo do imposto incidente sobre as parcelas, considerando a relação entre o ganho de capital e o valor de alienação e apurou o percentual de 31,94% (1.277.638,17/4.000.000,00) que foi aplicado sobre cada uma das parcelas recebidas tendo alcançado o imposto de R$191.640,00, conforme demonstrado nas tabelas de fl. 28. Por considerar que o contribuinte informou o bem em suas declarações de ajuste e que a Sra Tereza Maria Teles Mendonça, casada com ele pelo regime de comunhão universal de bens, também era proprietária do imóvel alienado ela responde solidariamente pelo credito tributário, nos termos do artigo 124 do Código Tributário Nacional. Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 38/39. Multa Qualificada Diante de todas as evidências, a fiscalização aplicou a multa de ofício no percentual de 150% por considerar que o contribuinte utilizouse de artifícios para ocultar da administração tributária o conhecimento da operação de alienação do imóvel, lavrando escrituras públicas de compra e venda não correspondentes aos fatos, seja porque transmitem inicialmente a propriedade para terceiro não interveniente no negócio, seja porque atribui ao negócio quantia muito inferior ao valor real de venda. Os atos praticados levaram a fiscalização à conclusão de que houve conduta intencional que se subsume nos tipos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/1964. Cientificado do lançamento o contribuinte aviou a peça de defesa de fls. 350/361. Em seu recurso, argui que não teria sido provado pelos auditores que houve qualquer ganho de capital por parte do recorrente. Enfatiza que a venda "foi concretizada pela "Tecnoplanos Ltda a Newland Ltda.", o que não teria gerado qualquer benefício financeiro ao Contribuinte. Alega que o sujeito passivo do presente processo deveria ser Tecnoplanos Ltda, eis que seria a real titular do bem que teria gerado o tributo, bem como que, in casu, haveria bitributação na demanda em comento. Reagita, em seguida, as preliminares de nulidade do auto e de cerceamento de defesa apresentadas na Impugnação, uma vez que deveriam ter sido acatadas pelo julgador a quo. Assim, demonstrada a insubsistência e improcedência do auto, requer seja acolhido o presente recurso para o cancelamento do lançamento tributário ou, alternativamente, seja o débito passado à pessoa jurídica Tecnoplanos LTDA. É o relatório. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10315.720550/201381 Acórdão n.º 2402006.199 S2C4T2 Fl. 402 9 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo, porém outros elementos de admissibilidade devem ser analisados. Os termos da impugnação indicam que o recorrente possui compreensão adequada dos conceitos técnicos inerentes ao caso, evidenciando capacidade para, mesmo sem assessoria de um advogado, elaborar uma peça recursal compatível com os parâmetros mínimos de admissibilidade. Após examinar detidamente as 03 paginas do recurso interposto pelo Recorrente, nos deparamos com uma questão que impede o seu conhecimento. Constatase que o Recorrente se limitou a descrever sucintamente os fatos, sem adentrar em qualquer aspecto relativa a direito ou indicar fundamentadamente as razões de reforma da decisão recorrida. Em que pese a incidência do principio do formalismo moderado nos processos administrativos tributários federais, que impõe a exigência de redução do rigor formal na práticas e análise de atos, as peças processuais devem obedecer a critérios lógicos e assegurar o mínimo de formalismo para que se conheça seus supedâneos legais e fáticos por si e não através da referencia a outras peças. O artigo 16 do Decreto 70.235/71 prevê claramente a necessidade de exposição das razões de insurgência contra o lançamento e, por conseqüência, contra a decisão, o que não ocorreu no presente caso, já que todas as articulações apresentadas, para serem compreendidas demanda leitura da impugnação, são claramente referência ao texto da peça vestibular de resistência ao lançamento. Como exemplo, segue transcrição de trecho que o Recorrente convencionou denominar Preliminares: "Em fase preliminar, o recorrente implora ainda pela aplicação in totun, dos pedidos preliminares apresentados na defesa a quo, dentre elas: NULIDADE, MULTA CONFISCATORIA e DO DIREITO DE DEFESA, por serem estas extremamentes cabiveis" [...] "Não resta outra alternativa, senão a de REQUERER neste ato a aplicação das preliminares ditadas na peça contestatória dos autos, em face da verdadeira NULIDADE do auto bem como o Cerceamento do direito de defesa da recorrente, ambas não acatadas pelo julgador de primeira instancia, este que, apesar de se saber de seus conhecimentos deixouse levar pelos planos da receita arrecadatória cumulada aos atos do auditor, Fl. 406DF CARF MF 10 esquecendo de buscar no julgamento a "verdade real", instrumento sine qua non de analise processual, seja administrativo, seja judicial." Conforme se sabe, o recurso existe não somente para alcançar uma nova ou outra decisão, mas para obter uma melhor decisão, objetivo esse que a parte recorrente frustrou, ao deixar de se insurgir especificamente contra os fundamentos da decisão recorrida. Assim, entendemos que inexistentes as razões recursais propriamente ditas quanto às questões decididas no Acórdão hostilizado, posto que não cuidou o Recorrente de informar a este Colegiado, de modo fundamentado e claro, passível de adução apenas pela leitura da própria peça recursal, os motivos pelos quais pretende a reforma da decisão. Resguardadas as proporções e especificidades próprias do processo administrativo fiscal, é possível recorrer as lições de Flávio Cheim Jorge para quem: "De outra parte, até mesmo por uma questão de princípio, resta evidente que, como a apelação se dirige e se insurge contra a sentença, em razão de a mesma ter sido proferida em desconformidade com a lei, deve o recorrente indicar exatamente quais são os errores in judicando e/ou errores in procedendo que maculam a decisão monocrática. E mais: deverá, ainda, demonstrar por que a decisão está errada e, conseqüentemente, a necessidade de sua reforma. É fácil perceber, dessa forma, que a motivação é parte integrante do recurso. Com perfeição, observa Provinciali que os recursos são compostos por dois elementos: um de vontade ("elemento volitivo") e outro de razão ("elemento ragionativo o descritivo"). O primeiro elemento corresponde à declaração de desagrado para com a sentença e o segundo corresponde exatamente aos motivos que levam e conduzem a esse desagrado, a essa insatisfação existente com a sentença. Esses dois elementos formam, sem sombra de dúvida, o conteúdo do recurso de apelação. Não é suficiente o elemento volitivo. Não basta a simples indicação de que a sentença de primeiro grau é errada ou defeituosa. Tanto o tribunal quanto o apelado devem ter conhecimento exato dos motivos de fato e de direito pelos quais o apelante se insurge contra a sentença." (Apelação Cível: Teoria Geral e Admissibilidade, 2ª edição, páginas 189/190) Também Nelson Nery Júnior leciona que: "O apelante deve dar as razões, de fato e de direito, pelas quais entende deva ser anulada ou reformada a sentença recorrida. Sem as razões do inconformismo, o recurso não pode ser conhecido". (Código de Processo Civil Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor, 6ª edição, página 855.) O recurso que configure apenas mera referência a impugnação, sem indicar o vício da decisão hostilizada, que poderá ser relativo ao direito ou quanto ao procedimento, é interposto sob forma de mero protesto ou declaração de insatisfação contra a decisão adversa ao interesse do recorrente, sem se revestir das formalidades mínimas atinentes a intervenção procedimental em questão. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10315.720550/201381 Acórdão n.º 2402006.199 S2C4T2 Fl. 403 11 Conhecer tal recurso laboraria contra o princípio tantum devolutum quantum appellatum e transformaria este colegiado em defensor de interesse da parte. A locução jura novit curia, com as adaptações ao PAF, somente tem aplicação se o recorrente fornece ao Colegiado, ainda que de forma sumaríssima, as razões do inconformismo e o seu pedido de reexame e apresenta pedido ainda que genérico, razão pela qual o presente Recurso não deve ser conhecido. Nesse sentido: "EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. ININDENIZAÇÃO. DANO MORAL. PROTESTO INDEVIDO. ANULATÓRIA DE TÍTULO. APELO QUE É MERA REPRODUÇÃO DA CONTESTAÇÃO. Apelo não conhecido". (Apelação Cível Nº 70007244577, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alexandre Mussoi Moreira, Julgado em 09/03/2004)" "APELAÇÃO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. PRELIMINAR. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. (...) 1. As razões de recurso devem conter os fundamentos fáticos e jurídicos que alicerçam o pedido de revisão. 2. A mera remissão a outras peças do processo não supre a exigência legal. (...)" (TAMG Apelação: 03427563 Órgão Julgador: Terceira Câmara Cível Relator: Caetano Levi Lopes Data do Julgamento: 24/10/2001)" "INDENIZAÇÃO RECURSO DE APELAÇÃO SEM AS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO PARA NOVA DECISÃO INADMISSIBILIDADE. À luz do art. 514, II o recurso de apelação há de trazer as razões de fato e de direito para o pedido de nova decisão, sob pena de não ser conhecido."(TA/MG apelação 036122004 ª CC Rel. Juiz Domingos Coelho J. 12/06/2002)." Por fim, a ausência dos fundamentos inabilita o recurso para trabalho. No presente caso, não há possibilidade de conhecer as razões recursais sem que se análise a impugnação conjuntamente com o recurso como se peça única fosse. Conclusão Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 408DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.912284/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.812
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.912284/201298 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.812 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 84 /2 01 2- 98 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912284/201298 Acórdão n.º 3201003.812 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.657, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912284/201298 Acórdão n.º 3201003.812 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912284/201298 Acórdão n.º 3201003.812 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912284/201298 Acórdão n.º 3201003.812 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003067/2004-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2004
Ementa:
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MULTA DE OFICIO.
Caracterizada a inadimplência do imposto e ausente a suspensão da exigibilidade, a multa de oficio deve ser aplicada e compõe o crédito tributário constituído.
JUROS DE MORA
Caracterizada a mora, devidos são os juros de mora. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e Súmula CARF Nº 5.
Numero da decisão: 3302-005.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2004 Ementa: CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFICIO. Caracterizada a inadimplência do imposto e ausente a suspensão da exigibilidade, a multa de oficio deve ser aplicada e compõe o crédito tributário constituído. JUROS DE MORA Caracterizada a mora, devidos são os juros de mora. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e Súmula CARF Nº 5.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFICIO. Caracterizada a inadimplência do imposto e ausente a suspensão da exigibilidade, a multa de oficio deve ser aplicada e compõe o crédito tributário constituído. JUROS DE MORA Caracterizada a mora, devidos são os juros de mora. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e Súmula CARF Nº 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 67 /2 00 4- 66 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.003067/200466 Acórdão n.º 3302005.716 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório da decisão de piso: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; consoante capitulação legal consignada à fl. 396, foi lavrado o auto de infração de fl. 90, em 15/12/2004, pela Auditora Fisçal da Receita Federal Cristiane Bruno, para exigir R$ 1.701.190,04 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 206.717,45 de juros de mora calculados até 30/11/2004, e R$ 1.275.892,37 de multa proporcional ao valor do imposto (75%), o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 3.183.799,86. Consoante a descrição dos fatos de fls. 91/93, que remete ao termo de constatação de fls. 78/79, a contribuinte deixou de recolher o imposto em virtude da apropriação de créditos do imposto referentes a insumos (matérias primas, inclusive energia elétrica e sucata, produtos intermediários e materiais de embalagem) e máquinas e equipamentos com vida útil inferior a doze meses, destinados A industrialização e desonerados (isentos, sujeitos à aliquota zero, com imunidade e não tributados), com amparo na Ação Ordinária n° 2001.61.00.0257545, nos períodos de apuração especificados na ementa deste Acórdão. Não foi concedida a tutela antecipada pleiteada na inicial e não houve depósitos judiciais: portanto, ausente a suspensão da exigibilidade. A empresa tomou ciência da exação em 15/12/2004, por intermédio do respectivo representante legal. Insubmissa, a contribuinte apresentou, em 14/01/2005, a impugnação de fls. 96/109, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica, qualificado no instrumento legal de fl. 137, em que denuncia, em síntese, que a sentença declaratória concedida no âmbito da ação judicial teria o condão de legitimar a prática contábil da contribuinte, ou seja, escrituração e aproveitamento de créditos de IPI, pretéritos e vincendos, resultantes de aquisições desoneradas do imposto; que há a impossibilidade da aplicação cumulativa da multa de oficio e a de mora, esta também indicada no enquadramento legal (RIPI/2002, art. 470), o que configura erro grave, sendo passível de anulação o auto de infração; a multa de oficio não poderia ter sido aplicada, pois o abatimento de créditos do montante devido ocorreu com base na sentença proferida nos autos da Ação Ordinária n° 2001.61.00.0257545 e há o art. 486 do RIPI (situações previstas que excluem a aplicação da penalidade), devendo ser observado o respectivo § 2°, como Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.003067/200466 Acórdão n.º 3302005.716 S3C3T2 Fl. 4 3 também, quanto a isenção, o precedente do STF representado pelo julgamento do RE n° 212.4842/RS, e, quanto à aliquota zero, o decidido nos autos do RE n° 350.446/PR, devendo ser observadas as decisões inequívocas prolatadas pelo STF, conforme o disposto no Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997; assim, há nulidade da multa imposta e do lançamento principal, já que embutidos na exigência valores escrituralmente compensadosde forma correta referentes a insumos isentos e com aliquota zero; como inexisté débito, os juros de mora são incabíveis, estes que normalmente servem para ressarcir um credor do prejuízo financeiro provocado pela demora, ou seja, com natureza indenizatória: os juros de mora devem ser totalmente excluídos em virtude da ausência da mora, ou, então, ajustados pela exclusão dos valores corretamente compensados; por fim, é repisada a argumentação, sendo requerida, ademais, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até decisão final, conforme CTN, art. 151, III, e protesta por todos os meios de prova, com base no PAF, art. 16, IV. A impugnação foi instruída com cópias da inicial e de parte da sentença de mérito (fls. 110/134). Na sessão de 24 de março de 2010, a 3ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, acórdão nº 14 28.170, o quanto recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2004 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. MULTA DE OFICIO. Caracterizada a inadimplência do imposto e ausente a suspensão da exigibilidade, a multa de oficio deve ser aplicada e compõe o crédito tributário constituído. JUROS DE MORA Caracterizada a mora, devidos são os juros de mora. Inconformada com a r. decisão da qual se extraiu a ementa acima transcrita, a recorrente nos termos que lhe é garantido pela legislação que sustenta o Processo Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.003067/200466 Acórdão n.º 3302005.716 S3C3T2 Fl. 5 4 Administrativo Fiscal, interpôs o recurso voluntário, que na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O Recurso é tempestivo, versa sobre matéria de competência desse Colegiado, por essa razão passo a analisálo. I Concomitância, renúncia ao processo administrativo fiscal Destacase parte do relatório da DRJ, relacionada a concomitância: Consoante a descrição dos fatos de fls. 91/93, que remete ao termo de constatação de fls. 78/79, a contribuinte deixou de recolher o imposto em virtude da apropriação de créditos do imposto referentes a insumos (matérias primas, inclusive energia elétrica e sucata, produtos intermediários e materiais de embalagem) e máquinas e equipamentos com vida útil inferior a doze meses, destinados A industrialização e desonerados (isentos, sujeitos à aliquota zero, com imunidade e não tributados), com amparo na Ação Ordinária n° 2001.61.00.0257545, nos períodos de apuração especificados na ementa deste Acórdão. Não foi concedida a tutela antecipada pleiteada na inicial e não houve depósitos judiciais: portanto, ausente a suspensão da exigibilidade. Conforme podemos ver do relatório acima, tratase de matéria sumulada neste tribunal que a propositura de ação judicial, em qualquer modalidade processual, acarreta a renúncia à discussão do mesmo objeto em processo administrativo. É o teor da Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como se vê, a matéria discutida judicialmente versa sobre a possibilidade de a recorrente promover a compensação de créditos supostamente verificados quando da aquisição de insumos não onerados pelo IPI, com o acréscimo de correção monetária e de juros de mora pela taxa Selic. Assim, verificada a concomitância das matérias discutidas nas esferas administrativa e judicial, e tendo em vista a regra regimental que estabelece a obrigatoriedade na aplicação de matérias sumuladas no E. CARF, não se conhece da presente matéria. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.003067/200466 Acórdão n.º 3302005.716 S3C3T2 Fl. 6 5 II Dos Juros de Mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. O art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e alterações posteriores, estabelece serem devidos juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Segundo inteligência da Sumula CARF nº 5, somente o depósito do montante integral afasta a incidência de juros de mora sobre credito tributário não integralmente pago no vencimento, mesmo que suspensa a exigibilidade da parcela não depositada. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. III Da multa de ofício Dispõe a Lei nº 9.430/1996: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.(grifei). Verificase dos autos, que à época do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, nos termos do artigo acima transcrito, inexistia qualquer medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade da exação. IV Conclusão Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.003067/200466 Acórdão n.º 3302005.716 S3C3T2 Fl. 7 6 Ante o acima exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 570DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.000254/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 02 54 /2 00 6- 51 Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.747, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (apurada no regime nãocumulativo), relativos ao quarto trimestre de 2005. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itaj aí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRP/ITJ n.° 216/2008, às folhas 1727 a 1731, e Despacho Decisório, à folha 1732), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 1735 a 1753, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento já pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 4 3 internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também o fato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 5 4 o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.066, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 2972 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 6 5 2) Inexiste saldo credor de crédito da Cofins vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 473/474 (R$ 42.278,43 – crédito de outubro), 510/511 (R$ 32.586,47 – crédito de novembro) e 546/547 (R$ 20.524,58 crédito de dezembro) protocoladas em 30/01/2006. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 7 6 parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 8 7 (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 9 8 A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 10 9 A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 10909.000254/200651 Acórdão n.º 3302005.571 S3C3T2 Fl. 11 10 A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 3064DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.005082/98-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/1995 a 30/11/1995
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE NÃO RECONHECIDA NO ACÓRDÃO EMBARGADO.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Obscuridade conhecida e suprida para ver reconhecida a intempestividade do recurso voluntário interposto.
Numero da decisão: 3402-005.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/1995 a 30/11/1995 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE NÃO RECONHECIDA NO ACÓRDÃO EMBARGADO. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Obscuridade conhecida e suprida para ver reconhecida a intempestividade do recurso voluntário interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 50 82 /9 8- 86 Fl. 763DF CARF MF 2 Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego o relatório desenvolvido no acórdão de recurso voluntário de n. 3402001.787 fls. 725/731), o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de Recurso Voluntário (fls. 192/202 – vol. II) contra o v. Acórdão DRJ/SPOI nº 6299 de 16/12/04 constante de fls. 152/160 (vol. I), intimado em 25/07/07 (fls. 189 vº) e exarado pela da 6ª Turma da DRJ de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente” o lançamento original consubstanciado do Auto de Infração (fls. 58/62) de COFINS no valor total de R$ 134.828,47 (COFINS R$ 54.824,50; Multa de Ofício R$ 41.118,38; e Juros de Mora R$ 38.885,59), notificado por via postal em 15/10/98 (fls. 60), acusa a ora Recorrente de “falta de recolhimento” da COFINS no período de 31/07/95 a 30/11/95 em razão de compensação com créditos líquidos de Finsocial objeto de ação de repetição de inédito nº 91.06674100 indevidamente recolhidos no período de 08/94 a 11/95. Em razão desses fatos a d. Fiscalização considerou infringidos os arts. 1º, 2º, 3º, 4º e 5º, da LC nº 70/91, e devida a multa de ofício de 75%, com fundamento no art. 160 da CTN, art. 1º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 44, I e § 1º, I, da Lei nº 9.430/96, além dos acréscimos legais, art. 161, § 1º do CTN, art. 43 § único e art.61 § 3º da Lei nº 9430/96 (JUROS DE MORA). Por sua vez a r. decisão de fls. 152/160 (vol. I), da 6ª Turma da DRJ de São Paulo – SP houve por bem “julgar procedente” o lançamento original consubstanciado do Auto de Infração de COFINS (fls. 58/62), aos seguintes fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/ I 995 a 30/11/1995 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO FINSOCIAL. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Na apuração do crédito do FINSOCIAL a compensar devem ser utilizados os índices de atualização monetária adotados pela Secretaria da Receita Federal, mesmos índices determinados nos provimentos judiciais obtidos pelo contribuinte. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal, com o mesmo objeto, relativo aos índices de correção monetária do indébito, implica a renúncia ao litígio Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13808.005082/9886 Acórdão n.º 3402005.309 S3C4T2 Fl. 764 3 administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de oficio, onde restou comprovada a insuficiência do recolhimento da contribuição é exigível a multa de oficio ao percentual de 75%, por expressa determinação legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, porque se encontra amparada em lei,cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Lançamento Procedente." Nas razões de recurso (fls. 192/202 – vol. II) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância que a manteve tendo em vista: a) a duplicidade da cobrança que já seria objeto de análise no Processo de compensação nº 13805.009021/9647, através do qual já teria demonstrado a regularidade da compensação; b); a legitimidade da compensação mediante créditos, face à legalidade dos critérios utilizados. (...). 2. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 528/538, o qual foi julgado parcialmente procedente pelo acórdão supra citado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/1995 a 30/11/1995 Ementa: PAF CONCOMITÂNCIA. A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo, se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa, como é o caso dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento em face de depósito judicial, e dos consectários lógicos do seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos moratórios consubstanciados no referido lançamento (arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN), que não foram objeto da segurança. MULTA COMPENSAÇÃO DETERMINADA POR SENTENÇA ANTERIOR À AUTUAÇÃO MULTA INDEVIDA. Lei n.º 9.430/96, art. 63, § 2º. Fl. 765DF CARF MF 4 O § 2º do art. 63, da Lei n.º 9.430/96, expressamente reconhece que “a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição". Não há como se cogitar de “retardamento culposo”, “infração” de “falta de recolhimento” ou “mora no recolhimento”, enquanto regularmente assegurada por sentença judicial a extinção do crédito tributário por compensação, ainda que sujeita a ulterior homologação pelo Fisco. JUROS DE MORA SELIC INCIDÊNCIA A taxa SELIC é aplicável na atualização dos débitos fiscais não recolhidos integralmente no vencimento da obrigação, incidindo desde esta data, mesmo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento. 3. Devidamente intimada, a União interpôs os embargos de declaração de fls. 707/721, o qual foi admitido pelo despacho de fls. 742/746. 4. Diante do potencial efeitos infringentes dos embargos interpostos e já na qualidade de Relator do caso, proferi despacho (fls. 754/756), acatado pelo então Presidente da Turma, para que o contribuinte fosse intimado e tivesse a oportunidade de manifestarse a respeito do recurso interposto. Devidamente intimado (fl. 760), o contribuinte restou silente. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso de embargos de declaração interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da intempestividade do recurso voluntário parcialmente provido 7. Conforme se observa dos embargos de declaração interpostos, um dos fundamentos aventados pela Fazenda Nacional foi a omissão do acórdão embargado que deixou de reconhecer a intempestividade do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Neste tópico em particular, os embargos foram assim admitidos pelo despacho de fls. 742/746: (...). O autuado foi intimado da decisão administrativa de primeira instância em 25/07/2007, conforme cópia do A.R. constante das fls. 391. O recurso voluntário foi protocolado apenas em 31/08/2007, depois de findo o trintídio recursal, em 24/08/2007. A decisão embargada afirmou que o recurso voluntário reunia condições de admissibilidade. A PFN argúi omissão. Acolho a arguição como obscuridade. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13808.005082/9886 Acórdão n.º 3402005.309 S3C4T2 Fl. 765 5 O voto condutor do Acórdão embargado, laconicamente, afirmou estarem satisfeitos os pressupostos recursais, sem no entanto declinar por que razões um recurso formulado depois de findo o prazo recursal poderia ser conhecido, mesmo diante de despacho da autoridade preparadora, fls. 659, que, em caixa alta, negritado e sublinhado, afirmava tratarse de apelo intempestivo. (...). 8. De fato, como bem destacado pelo despacho de admissibilidade, a decisão nesse tópico é obscura, já que laconicamente afirma a tempestividade de recuso voluntário flagrantemente intempestivo. 9. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 10. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 11. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado via postal da decisão guerreada, sendo o correspondente aviso de recebimento recebido em 25 (vinte e cinco) de julho de 2007 (quartafeira) (fl. 391). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal ocorreu em 26 (vinte e seis) de julho de 2007 (quintafeira), vencendo, por sua vez, no dia 24 (vinte e quatro) de agosto de 2007 (sextafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 31 (trinta e um) de agosto de 2007 (fl. 528), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 12. Patente está, portanto, a obscuridade do acórdão embargado, que foi incapaz de justificar a suposta razão da dita tempestividade do Recurso Voluntário em análise enquanto que, em verdade, tal recurso é flagrantemente intempestivo. Dispositivo 13. Diante do exposto, conheço e dou provimento aos embargos de declaração interpostos para suprir a obscuridade lá externada e, com isso, reconhecer a intempestividade do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. 14. É como voto. (assinado digitalmente) 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 767DF CARF MF 6 Diego Diniz Ribeiro Fl. 768DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914193/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.884
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 41 93 /2 01 2- 97 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914193/201297 Acórdão n.º 3201003.884 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.818, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914193/201297 Acórdão n.º 3201003.884 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.914193/201297 Acórdão n.º 3201003.884 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.914193/201297 Acórdão n.º 3201003.884 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720431/2013-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de despesas médicas por motivos distintos da autuação.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de despesas médicas por motivos distintos da autuação. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente ALCIONE RODRIGUES PRADO SOARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de despesas médicas por motivos distintos da autuação. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 04 31 /2 01 3- 46 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 75 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 76 3 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 7/11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2009. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$855,59 para saldo de imposto a pagar de R$1.168,41. A notificação consigna a dedução indevida de despesas médicas no montante de R$7.360,00 (fls.8/9). Impugnação Cientificada à contribuinte em 8/2/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 27/2/2013, à fl. 2/22 dos autos, na qual a contribuinte indicou a juntada de documentação comprobatória de parte das despesas glosadas. A impugnação foi apreciada na 22ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, julgoua improcedente em decisão assim ementada (fls. 27/31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Ementa: GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Presentes nos autos os pressupostos legais autorizadores da exigência da comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas e não apresentados os documentos probatórios, deve se manter o lançamento nos termos em que efetuado. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 11/6/2013 (fl. 35), a contribuinte, em 2/7/2013 (fl. 37), apresentou recurso voluntário, às fls. 37/66, no qual indica a juntada de extratos bancários, consignando saques e cheques compensados em datas e valores compatíveis com os recibos emitidos. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (flS.68/69). Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 77 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre as despesas médicas informadas com Lilian Alves (R$1.160,00) e Catia Parisi (R$5.200,00). Em relação a essas despesas, a autuação registra (fl.9): Contribuinte não comprovou dispêndios médicos: CPF 041.112.69826 (falta endereço), CPF 248.671.32802 (falta endereço). (destaques acrescidos) A decisão de piso manteve as glosas dessas despesas, consignando: No presente caso, a glosa da dedução teve por motivo o fato de não ter havido prova do efetivo dispêndio das despesas médicas, uma vez que ficou constatado que os recibos estavam em desacordo com a legislação de regência do imposto de renda. Para comprovar as despesas médicas acima relacionadas, a Impugnante apresentou os seguintes documentos: CPF/CNPJ Nome/Razão Social Código Valor Glosado Docs. Apresentados 041.112.69893 Tit. LILIAN MELLO A. MOREIRA 10 1.160,00 Declaração, de fls.18; Recibos, de fls.19/21. 248.671.32802 Tit. CATIA G. PARISI 10 5.200,00 Recibos, de fls.13/17, no valor total de R$ 5.200,00 Os documentos apresentados não comprovam o efetivo dispêndio para fazer face às despesas médicas declaradas. Tal prova deve ser feita por meio de cheques nominativos coincidentes em valores e datas (que podem ser próximas) aos Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 78 5 recibos apresentados ou, se efetuado o pagamento em dinheiro, seja provada a disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, com a apresentação de extratos bancários com saques que justifiquem os pagamentos, permitindose, assim, a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados, com base no artigo 73 do RIR. (destaques acrescidos) Em seu recurso, a contribuinte junta extratos de fls. 55/66, consignando saques em datas e valores compatíveis com as despesas glosadas, sendo de se restabelecêlas. Ainda que assim não fosse, entendo que a decisão de piso teria que ser revista. Vejamos. Não consta dos autos intimação à contribuinte para comprovar o efetivo pagamento das despesas em tela. Na autuação, embora a autoridade fiscal se utilize do vocábulo "dispêndio", ao esclarecer, após os dois pontos, o motivo da glosa apontou a falta de endereço para as duas despesas. Assim, depreendese que o termo "dispêndio" não foi utilizado na autuação como sinônimo de efetivo pagamento, como aponta a decisão de piso, mas no sentido de despesa, gasto. Nessa toada, a manutenção das glosas pela DRJ utilizandose de outro fundamento mostrase indevida e incabível, uma vez que viola o princípio do contraditório e da ampla defesa. Seguem decisões deste Conselho abordando a questão da inovação pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação. (Acórdão nº2202004.103, de 9/8/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. (Acórdão nº 2402005.705, de 15/3/2017) Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 79 6 Assim, as glosas devem ser canceladas. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, para restabelecer despesas médicas no montante de R$6.360,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 79DF CARF MF
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